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Rabdomiólise Como Manifestação de uma Doença Metabólica. Rhabdomyolysis as a Manifestation of a Metabolic Disease. Rabdomiólise Como Doença Metabólica. Daniela Vieira da Silva Hirayama1; Poliana Dos Santos (RA: 2133971)2; Márcia Cristina de Sousa (RA: 2126462)2. Poliana Dos Santos Endereço: QD 34, conj. 23 B, Setor 8, rua amazonas, Águas Lindas de Goiás Telefone: (61) 99279-1160 Correio eletrônico: poliana.santos41@aluno.unip.br 1- Mestre em Ciências da Saúde pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE); Docente do Curso de Fisioterapia da Universidade Paulista - UNIP; 2- Graduando(a) do Curso de Fisioterapia pela Universidade Paulista (UNIP); Os autores declaram não haver conflito de interesse. Universidade Paulista - Unip Curso de Fisioterapia 2024 mailto:poliana.santos41@aluno.unip.br 2 PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO NOME RA REGIME POLO Márcia Cristina de Sousa 2126462 Regular Asa Sul Poliana dos Santos 2133971 Regular Asa Sul Orientador: Prof. Me. Daniela Vieira da Silva Hirayama Título do Trabalho: Rabdomiólise como manifestação de uma doença metabólica. Tipo do trabalho: (X) REVISÃO ( ) PESQUISA DE CAMPO Nota orientador Média apresentação Nota PTCI Nota Final T C C ________________________________________ Coordenação do Curso de Fisioterapia 3 RESUMO A rabdomiólise é uma doença caracterizada por necrose dos músculos esqueléticos, resultando na liberação de componentes celulares na corrente sanguínea, podendo ser desencadeada por fatores como trauma físico, exercício extenuante, intoxicação e distúrbios metabólicos. Esta condição está associada à insuficiência renal aguda, particularmente à perfusão renal prejudicada devido à liberação de mioglobina. Apesar dos sintomas clássicos, como dores musculares e urina escura, a rabdomiólise pode ser assintomática em muitos casos, levando a complicações graves. Este estudo revisa a literatura existente sobre a interação entre rabdomiólise e doenças metabólicas, analisando seus mecanismos fisiopatológicos, fatores de risco, diagnóstico precoce e estratégias de tratamento. Foram selecionados dez artigos do período de 2014 a 2024 e a análise demonstrou a necessidade de intervenções multidisciplinares, incluindo fisioterapia, para otimizar a recuperação funcional. A fisioterapia é fundamental no tratamento da rabdomiólise, utilizando técnicas de respiração e mobilização precoce para prevenir complicações. Esta revisão conclui que o reconhecimento precoce e o tratamento adequado da rabdomiólise são cruciais para melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida dos pacientes, enfatizando a importância de pesquisas futuras sobre métodos de reabilitação e prevenção de complicações. Descritores: Rabdomiólise; Doenças Metabólicas; Síndrome Compartimental; Insuficiência Renal Aguda; Esforço Físico. 4 ABSTRACT Rhabdomyolysis is a disease characterized by necrosis of skeletal muscles, resulting in the release of cellular components into the bloodstream, and can be triggered by factors such as physical trauma, strenuous exercise, intoxication and metabolic disorders. This condition is associated with acute renal failure, particularly impaired renal perfusion due to myoglobin release. Despite classic symptoms, such as muscle pain and dark urine, rhabdomyolysis can be asymptomatic in many cases, leading to serious complications. This study reviews the existing literature on the interaction between rhabdomyolysis and metabolic diseases, analyzing their pathophysiological mechanisms, risk factors, early diagnosis and treatment strategies. Ten articles from the period 2014 to 2024 were selected and the analysis demonstrated the need for multidisciplinary interventions, including physiotherapy, to optimize functional recovery. Physiotherapy is essential in the treatment of rhabdomyolysis, using breathing techniques and early mobilization to prevent complications. This review concludes that early recognition and appropriate treatment of rhabdomyolysis are crucial to improving clinical outcomes and patients' quality of life, emphasizing the importance of future research into rehabilitation methods and prevention of complications. Descriptors: Rhabdomyolysis; Metabolic Diseases; Compartment Syndrome; Acute renal failure; Physical exertion 5 INTRODUÇÃO A rabdomiólise é definida como uma lesão do músculo esquelético, caracterizada pela necrose muscular e pela liberação de constituintes celulares na corrente sanguínea.1,2 Essa condição pode ser desencadeada por traumas físicos, exercícios extenuantes, intoxicação por drogas, infecções virais e distúrbios metabólicos. Esses fatores podem levar à insuficiência renal aguda devido à liberação de mioglobina pelo tecido muscular, associada à hipovolemia e à diminuição da perfusão renal. No entanto, a relação entre lesão muscular e insuficiência renal ainda não está completamente esclarecida.1,3 Embora os sintomas clássicos da rabdomiólise, como dor muscular, fraqueza, urina escura e elevação de creatina quinase (CK > 1000 U/L), lactato desidrogenase (LDH) e aspartato aminotransferase (AST), ocorrem em menos de 10% dos pacientes, a doença pode ser potencialmente letal.8,1 Em alguns casos, a condição é assintomática até que as enzimas atinjam níveis elevados, resultando em insuficiência renal aguda (IRA) e distúrbios eletrolíticos.3,4 Este estudo é importante devido às implicações clínicas específicas da rabdomiólise em pacientes com distúrbios metabólicos. Embora frequentemente associada a causas traumáticas, a rabdomiólise em pacientes com doenças metabólicas pode indicar complicações graves e ambientais fatais. Compreender os mecanismos específicos de lesão e desenvolver estratégias preventivas e terapêuticas é essencial para o manejo eficaz dessa condição.5 Além disso, a investigação dessa interação pode fornecer insights sobre as fisiopatologias subjacentes, potencialmente abrindo caminho para novas abordagens terapêuticas.6,7 A fisioterapia desempenha um papel crucial no manejo precoce da rabdomiólise, utilizando técnicas de respiração, mobilização precoce e reexpansão pulmonar para prevenir complicações como retenção de líquidos, secreções e pneumonias. Durante a hemodiálise, a cinesioterapia pode melhorar o condicionamento físico aeróbico e anaeróbico, otimizando a recuperação do paciente. 8,9,10 A condução adequada e a identificação precoce são fundamentais para melhorar os resultados clínicos e reduzir a morbidade e mortalidade associada à rabdomiólise. Portanto, esta pesquisa tem o potencial de impactar positivamente a prática clínica e a qualidade de vida dos pacientes afetados, 6 respeitando os limites do paciente e os protocolos de segurança para os cuidados com o paciente. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão bibliográfica, explorando a relação entre a rabdomiólise e as doenças metabólicas, examinando os mecanismos fisiopatológicos subjacentes, os fatores de risco associados e as implicações clínicas dessa interação. Buscando identificar estratégias de diagnóstico precoce, manejo eficaz e prevenção de complicações relacionadas à rabdomiólise em pacientes com doenças metabólicas. 7 MÉTODO Foi realizada uma revisão de literatura com artigos indexados nas bases de dados SciELO, PubMed, Lilacs e PeDRO, publicados no período de 2014 a 2024. Os descritores utilizados na busca foram: "Rabdomiólise" (Rhabdomyolysis), "Doenças Metabólicas" (Metabolic Diseases) e "Síndrome Compartimental" (Compartment Syndrome). A pesquisa foi conduzidaentre fevereiro de 2024 e novembro de 2024. Como critérios de inclusão, foram selecionados artigos que abordavam diretamente o objetivo de explorar a relação entre rabdomiólise e doenças metabólicas, com foco nos mecanismos fisiopatológicos subjacentes, fatores de risco associados e implicações clínicas dessa interação. Além disso, foi realizada uma análise das estratégias de diagnóstico precoce, manejo eficaz e prevenção de complicações relacionadas à rabdomiólise em pacientes com doenças metabólicas. A escolha desses critérios baseia-se na relevância do diagnóstico e tratamento precoce para evitar a progressão para insuficiência renal aguda oligúrica, uma das complicações mais graves da rabdomiólise. 8 RESULTADOS Os resultados da revisão bibliográfica foram obtidos por meio de um processo de filtragem e análise das fontes selecionadas. Inicialmente, foram identificadas um total de 2798 publicações relevantes nas bases de dados consultadas. Esses materiais foram submetidos a uma triagem inicial, onde foram avaliados os títulos e resumos para determinar sua pertinência ao tema de Rabdomiólise Como Manifestação de uma Doença Metabólica. Em seguida, foi realizada a exclusão de duplicados, resultando em um total de 600 publicações únicas. O próximo passo consistiu na leitura dos títulos dos artigos, onde foram excluídos aqueles que não se alinhavam diretamente com o foco da pesquisa, reduzindo o número para 252 publicações. Após essa triagem inicial, procedeu-se à leitura dos resumos dos artigos restantes, descartando os artigos que não abordavam especificamente a rabdomiólise como doença metabólica, permitindo a identificação de 09 artigos que refletem o tema, conforme demonstrado no Quadro 1. Figura 1: Fluxograma da seleção de artigos. Fonte: Autoral (2024) 9 Nota: sobre o fluxômetro de seleção para rabdomiólise com síndrome metabólica especifica que são elegíveis pacientes com diagnóstico confirmado de rabdomiólise, indicado por níveis elevados de CPK e presença de mioglobina na urina, que apresentem pelo menos três critérios da síndrome metabólica (obesidade central, hipertensão, hiperglicemia ou dislipidemia). Os pacientes devem ter entre 8 e 65 anos e ter fatores predisponente. Quadro 1: Artigos selecionados para revisão Autores/ ano Tipo de estudo Característica da amostra Tipos de intervenção Principais variantes analisadas Resultados significativos Morin et al. 11 (2024) Ensaio clínico controlado e randomizado N=343 pacientes geriátricos O estudo analisou intervenções clínicas com foco na monitorização dos níveis de creatina quinase (CK) e cuidados geriátricos. Não detalha técnicas específicas de intervenção. Qualidade de vida; desfechos clínicos; fatores prognósticos. Identificou que a maioria dos pacientes apresentou boa recuperação funcional, mas fatores como idade avançada e comorbidades aumentaram a mortalidade e complicações. Fallois J et al.12 (2024) Estudo sistemático, retrospectivo e unicêntrico. N=328 pacientes em cuidados intensivos O estudo analisou a vida útil de filtros em circuitos extracorpóreos; não foi especificado um tratamento terapêutico contínuo. Função renal; mortalidade; complicações. O estudo revelou que a terapia conservadora é frequentemente eficaz, mas a substituição renal é necessária em casos graves. Giles T et al.13 (2024) Retrospectivo, coorte 586 pacientes com trauma grave (ISS > 12), 78 testados para CK, 15 desenvolvidos TR Monitoramento de CK; terapia de fluidos em grande volume (salina ou solução de Hartmann); bicarbonato e manitol usados em alguns casos. Níveis de CK, lesão renal aguda (AKI), falência de múltiplos órgãos (MOF), duração da internação (hospital e UTI), mortalidade, necessidade de terapia de reposição renal (RRT) 2,56% dos pacientes evoluíram TR. 60% dos pacientes com TR evoluíram com LRA, com 26,7% de mortalidade. A administração de fluidos em grande volume foi feita em 60% dos casos de TR. Pacientes com TR sofreram maior gravidade de lesão. 10 Rahiminezhad et al.14 (2022) Ensaio clínico controlado e randomizado N=90 pacientes em UTI. Divididos em três grupos: N=30 exercícios de ADM, N=30 massagem e controle Massagem: 1x ao dia, por sete dias consecutivos. Exercícios de ADM: 1x ao dia, por sete dias consecutivos. Força muscular e Amplitude de Movimento avaliada no 4º e 7º dias de intervenção, utilizando um dinamômetro portátil. O estudo mostra que exercícios de ADM e terapia manual, foram eficazes para o aumento de força muscular dos pacientes. QueirozTDR et al.15 (2021) Ensaio clínico controlado e randomizado. Caso único Soroterapia e monitoramento clínico para rabdomiólise e lesão hepática. Não foram especificados a duração ou frequência da intervenção. Enzimas musculares (CPK, LDH); enzimas hepáticas (ALT, AST). O paciente apresentou melhora clínica com a administração de soroterapia, mas complicações significativas ainda ocorreram, incluindo rabdomiólise. Santana NM et al.16 (2021) Ensaio clínico controlado e randomizado Caso único: paciente de 54 anos. Exames laboratoriais, tomografia de abdome e terapia de substituição renal (hemodiálise). Não foi especificada a duração ou frequência das intervenções. Sinais de rabdomiólise; função renal. O estudo mostra a escassez de informações quanto ao manejo adequado para prevenir e evitar a morbidade e mortalidade da doença Nakanishi et al.17 (2020) Estudo controlado randomizado N=35 pacientes. Grupo controle (n = 10) Grupo SEM (n =25) Estimulação elétrica muscular (EMS) aplicada nos membros superiores e inferiores. Duração: 3 sessões por semana durante 2 semanas. Massa muscular e força muscular medida por ultrassonografia A EMS resultou em menor perda de massa muscular e melhor preservação da força muscular em comparação ao grupo controle, 11 prevenindo a atrofia muscular. Nakamura et al.18 (2019) Estudo controlado randomizado N=10 pacientes Estimulação elétrica muscular (EMS) dos membros inferiores. Duração: 20 minutos por sessão, 3 vezes por semana durante 2 semanas. Volume muscular; função motora. O estudo mostrou eficácia imediata para flexibilidade dos músculos dos membros inferiores e se mostrou eficiente para prevenir contratura muscular. Dirks et al.19 (2015) Estudo controlado randomizado N=33 pacientes Estimulação neuromuscular elétrica (EENM) 2x ao dia, por Força muscular e preservação da massa muscular dos membros inferiores por ultrassonografia A ENM ajudou a preservar a massa muscular em membros inferiores e diminuiu significativamente a atrofia muscular. Legenda: ALT- alanina aminotransferase; AST- aspartato aminotransferase; CPK - creatinofosfoquinase; EMS- Estimulação elétrica muscular; ENM - Estimulação neuromuscular elétrica; IRA- insuficiência renal aguda, LDH – lactato desidrogenase; LM – lesão muscular; TNF – fator de necrose tumoral; TO-terapia ocupacional; VLCAD - Very Long-Chain Acyl-CoA Dehydrogenase, ou seja, Desidrogenase de Acil-CoA de Cadeia Muito Longa; ROM- Exercícios de amplitude de movimento; RRT- Renal Replacement Therapy; 12 DISCUSSÃO Nakanishi et al.17 (2020)mostraram que a estimulação elétrica dos músculos (EMS) teve sucesso em manter a massa e a força muscular em indivíduos severamente doentes na UTI. A aplicação da EMS nos membros superiores e inferiores levou a uma diminuição na perda de massa muscular em relação ao grupo de controle, indicando que essa abordagem pode ser uma técnica útil para evitar a atrofia muscular em pacientes que estão imobilizados. Nakamura et al.18 (2019) corroboram essas descobertas, evidenciando que a estimulação elétrica muscular (EMS) teve sucesso na diminuição da atrofia muscular e na melhoria da função motora em indivíduos que estavam sob ventilação mecânica por um longo período. Esses achados destacam a relevância de intervenções precoces, especialmente em pacientes críticos, para prevenir complicações musculares decorrentes da imobilização prolongada. Os achados de Rahiminezhad et al.14 (2022) destacaram a relevância de ações como exercícios de amplitude de movimento (ROM) e massagens para pacientes em estado crítico, principalmente em unidades de terapia intensiva (UTI). A pesquisa controlada e randomizada demonstrou que tanto os exercícios de ROM quanto as massagens levaram a melhorias significativas na força muscular dos membros superiores e inferiores após uma semana de aplicação, enquanto o grupo controle apresentou uma diminuição considerável. Esses resultados evidenciam o efeito benéfico de intervenções precoces na manutenção da função muscular, mesmo em contextos críticos como os das UTIs. Os resultados de Rahiminezhad indicam que a força muscular dos participantes do grupo ROM teve um incremento de 0,63 kg nos membros superiores e 0,53 kg nos membros inferiores, enquanto o grupo que recebeu massagem apresentou aumentos inferiores, de 0,29 kg e 0,27 kg, respectivamente. Essas informações sustentam a hipótese de que, além do tratamento médico convencional, a adoção de protocolos de fisioterapia pode ajudar a evitar a piora da fraqueza muscular desenvolvida em UTI, proporcionando um prognóstico funcional mais favorável para os pacientes. Queiroz et al.15 (2021) descreveram um incidente de envenenamento por Crotalus que provocou uma intensa rabdomiólise e hepatite aguda. A pesquisa demonstrou a gravidade da destruição muscular, acompanhada pela liberação de mioglobina, além de afetar a função do fígado do paciente. A menção dessa 13 combinação incomum de complicações é relevante, sublinhando a necessidade de intervenções terapêuticas rápidas e monitoramento dos biomarcadores hepáticos. Apesar de se tratar de um único relato de caso, o que restringe a aplicabilidade dos achados, ele contribui para o entendimento da importância de avaliações complementares e atendimento médico imediato. A urgência de intervenções de reabilitação muscular é enfatizada, com o objetivo de recuperar tanto a função muscular quanto a hepática, evidenciando a função essencial da fisioterapia na recuperação desses indivíduos. Santana et al.16 (2021) trataram da rabdomiólise em um paciente com dengue, evidenciando níveis preocupantes de creatina quinase e mioglobina, além de significativas desordens metabólicas. A pesquisa salientou a insuficiência renal aguda como uma complicação frequentemente negligenciada, sublinhando a necessidade de um manejo precoce para prevenir consequências negativas. Apesar do relato se restringir a um único caso, ele ressalta a urgência de uma estratégia multidisciplinar na reabilitação de pacientes acometidos pela rabdomiólise. A fisioterapia é apontada como uma área fundamental para facilitar a recuperação funcional após a fase aguda, enfatizando a relevância do acompanhamento da função renal e da gestão da fraqueza muscular. Morin et al.11 (2024) analisaram a influência da idade nos fatores de prognóstico em indivíduos com rabdomiólise, ressaltando que elementos como insuficiência renal aguda e o escore de Charlson eram mais comuns entre os pacientes mais velhos. A pesquisa revelou que 90% dos casos de rabdomiólise em pessoas com mais de 70 anos estavam associados à imobilização prolongada após quedas. Esse resultado enfatiza a importância de intervenções terapêuticas precoces e um processo de reabilitação intensivo para reduzir o risco de complicações. Os pesquisadores notaram que, apesar de os níveis de CK serem um parâmetro relevante para avaliar a quantidade de massa muscular comprometida, esses valores não tiveram uma relação significativa com a mortalidade hospitalar em 30 dias. Essa conclusão diverge de investigações anteriores que abordaram grupos etários mais jovens. A pesquisa indica que os padrões de CK frequentemente utilizados para estimar a gravidade da rabdomiólise podem necessitar de reevaluation para a população idosa, já que indivíduos mais velhos costumam ter menor massa muscular e registros de CK mais baixos. 14 Essas descobertas reforçam a ideia de que a fisioterapia e outras formas de suporte são fundamentais para a reabilitação e a prevenção de complicações adicionais, especialmente em idosos. A aplicação de métodos de fisioterapia pode promover uma mobilização precoce, aprimorar a função muscular e, possivelmente, encurtar o tempo de internação e diminuir as taxas de complicações. Entretanto, a pesquisa não analisou intervenções concretas que poderiam melhorar os resultados, evidenciando a importância de investigações futuras para entender como a reabilitação precoce poderia reduzir complicações e a mortalidade nesse segmento etário. Estudos subsequentes devem focar em protocolos de reabilitação que envolvam exercícios físicos personalizados, terapia ocupacional e apoio nutricional, levando em conta a função vital da fisioterapia na recuperação funcional desses indivíduos. O estudo de Fallois et al.12 (2024) examina a eficácia de várias abordagens terapêuticas em indivíduos com quantidades elevadas de mioglobina, investigando como a diminuição das concentrações no sangue poderia afetar os resultados clínicos relacionados à função renal. A pesquisa se mostrou abrangente e destacou a efetividade das terapias de substituição renal em situações críticas. Embora tenha trazido uma contribuição relevante para o entendimento das intervenções, o estudo não especificou os critérios para o início da terapia de substituição renal, ressaltando a necessidade de investigações adicionais sobre os efeitos a longo prazo e as melhores práticas de manejo. O estudo de Giles et al.13 (2024) abordou a epidemiologia da rabdomiólise em pacientes traumatizados, destacando a incidência de complicações como a insuficiência renal aguda. Os dados coletados sugerem que a monitorização contínua e a intervenção precoce são essenciais, especialmente em populações de alto risco. A correlação entre o índice de gravidade da lesão e a mortalidade sublinha a necessidade de cuidados intensivos adequados. Essas evidências, juntamente com os achados de outras pesquisas, ressaltam a importância de uma estratégia integrada que incorpore a fisioterapia para reduzir as complicações relacionadas à rabdomiólise e à fraqueza muscular em contextos críticos. A aplicação de métodos de reabilitação, como amplitude de movimento e massagem, demonstrou ser eficaz para preservar a força 15 muscular, podendo diminuir as taxas de mortalidade e aprimorar a qualidade de vida dos indivíduos após a alta do hospital. 16 CONCLUSÃO Com base nos estudos revisados, conclui-se que a identificação e o manejo precoce da rabdomiólise em pacientes com doenças metabólicas são essenciais para minimizar complicações graves, como insuficiência renal aguda e Síndrome Compartimental. A atuação de fisioterapeutas no monitoramento especializado, com técnicas de mobilização precoce e exercícios respiratórios, contribui de forma significativa para a recuperação funcional e prevenção de complicações adicionais. Dessa forma,torna-se fundamental o desenvolvimento contínuo de protocolos de reabilitação para esses pacientes em ambiente hospitalar, visando a melhor qualidade de vida e a preservação da função renal. 17 REFERÊNCIAS: 1. 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