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Livro Didático Digital Organização, Sistemas e Métodos Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria JOSÉ LUCIANO S. DE ALENCAR AUTORIA José Luciano S. de Alencar Sou formado em Administração de Empresas com Habilitação em Comércio Exterior, MBA em Gestão de Produtos e Serviços Bancários e Mestrado em Engenharia Urbana. Meu propósito acadêmico é o aperfeiçoamento e a disseminação do conhecimento com foco na integridade e ética. Sou um profissional com experiência de mais de 25 anos no setor privado no segmento bancário, administrativo, financeiro e comercial, em funções nos níveis tático de supervisão e coordenação e estratégico gerencial e direção em empresas de médio e grande porte. Meu foco profissional é a eficiência na gestão dos recursos organizacionais, por meio da superação das expectativas de negócios, com foco no cliente e nos princípios empresariais. Passei por empresas como o Banco Bamerindus S/A e HSBC Bank Brasil. Sou extremamente dedicado e apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO História e Evolução da Teoria Administrativa .................................. 10 A Evolução Histórica da Administração .......................................................................... 10 As Influências Filosóficas e Organizacionais na Administração...............................................................................................20 A Influência da Igreja Católica................................................................................................24 A Influência da Organização Militar ....................................................................................26 A Influência da Revolução Industrial .................................................................................27 A Administração como Ciência Social Aplicada .......................................................29 Abordagens Clássicas das Relações Humanas e Estruturalista da Administração ........................................................................................ 33 Abordagem Clássica da Administração – Taylorismo e Fayolismo ............35 Abordagem das Relações Humanas ................................................................................ 41 Abordagem Estruturalista .........................................................................................................44 Abordagem Sistêmica da Administração..........................................49 7 UNIDADE 01 Organização, Sistemas e Métodos 8 INTRODUÇÃO Atualmente, grande parte das organizações são administradas, ainda, com base em princípios administrativos com mais de 50, 70 e até 100 anos de existência. Você sabia que as primeiras iniciativas da administração científica ocorreram entre as décadas de 1910 a 1950? Esses conhecimentos científicos e metodologias podem até não ser apropriados para o mundo dinâmico em que se encontram as empresas, mas muitas organizações procuram aperfeiçoá-los e adequá-los a sua realidade. Dessa forma, nesta unidade, abordaremos o contexto histórico das principais teorias de administração, como também sobre as perspectivas e tendências da administração, para que possamos entender onde estamos, como chegamos aqui e para onde podemos ir. Organização, Sistemas e Métodos 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 01. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Entender como surgiu a administração e como sua teoria evoluiu. 2. Compreender as principais influências sobre o pensamento administrativo. 3. Entender as principais escolas da administração em seus respectivos contextos históricos. 4. Conhecer a abordagem sistêmica aplicada e suas aplicações dentro das organizações modernas. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Pois aquele que não luta pelo futuro que quer, deve aceitar o futuro que vier. Ao trabalho! Organização, Sistemas e Métodos 10 História e Evolução da Teoria Administrativa OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de compreender como ocorreu a evolução da administração no tempo, suas influências, principais pensadores, o surgimento e quais os motivos para existir diversas teorias administrativas e sua aplicabilidade. Esse contexto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que tentam aplicar o caráter empírico, isto é, a experiência sem um embasamento conceitual e sem a devida instrução teve problemas, dificuldades e dúvidas e, por consequência, resultados não desejados ao longo de sua vida profissional. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. A Evolução Histórica da Administração A administração em uma empresa se refere ao processo gerencial que possui como premissas básicas as funções de Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar (PODC) e todos os recursos e processos organizacionais. Nessa perspectiva, deve-se incluir a elaboração formal e sistemática de regras e regulamentos, a tomada de decisões, o gerenciamento e a organização de sistemas e métodos visando a melhoria das atividades empresariais a fim de se atingir o objetivo social da organização. O conhecimento histórico de qualquer assunto se faz necessário para entender sobre a origem do assunto, quais foram seus antecedentes e suas perspectivas e possíveis convergências. A administração não é exceção. A compreensão da evolução histórica contribui para o entendimento do contexto da época, como, por exemplo, entender por que as abordagens gerenciais que funcionaram em épocas anteriores não, necessariamente, funcionam no cenário atual. Organização, Sistemas e Métodos 11 Assim, na perspectiva de Rabelo, Zanatta, Baldino (2014), as atividades administrativas têm sua evolução no contexto científico recente na história da humanidade. Todavia, sempre permaneceu presente como atividade prática sendo considerada uma arte realizada em qualquer de organização. Dessa forma, perceba a extrema relevância da administração para “impulsionar o crescimento das nações, mas sua reconstituição histórica não é tarefa fácil porque os registros, quando existem, são confusos e remotos”. (IBIDEM, 2014, p. 121). Neste contexto, Silva (2001) afirma que a administração é uma atividade que se pode ser encontrada e aplicada em qualquer categoria de empreendimentos,Weber usou o termo burocracia para se referir a uma organização racional, cujas regras e regulamentos criam a base para um trabalho eficaz e nos permitem combater o favoritismo. Ele via a burocracia como uma espécie de imagem ideal, uma ferramenta mais eficaz para gerenciar estruturas sociais e unidades estruturais individuais. Os objetos de análise no estudo da burocracia são: • Contradições decorrentes da implementação de funções de gestão. • Gestão como processo de trabalho. • Interesses dos grupos sociais envolvidos nas relações burocráticas. De acordo com Weber, a natureza rigidamente formalizada das relações burocráticas, a clareza da distribuição das funções de papel, o interesse pessoal dos burocratas em atingir os objetivos da organização leva à adoção de decisões oportunas e qualificadas com base em informações cuidadosamente selecionadas e verificadas. Weber propôs os seguintes princípios para o conceito burocrático de estrutura organizacional: Organização, Sistemas e Métodos 47 • Organização hierárquica da organização. • Uma hierarquia de ordens com base na autoridade legal. • Especialização e divisão do trabalho por função. • Um sistema claro de procedimentos e regras para garantir a uniformidade na execução dos processos produtivos. • Um sistema de promoção e estabilidade baseado em habilidades e experiência e medido por padrões. • A orientação do sistema de comunicação, tanto na organização como fora dela, para as regras escritas. Enquanto a Teoria Clássica caracteriza o homo economicus, e a Teoria das Relações Humanas caracteriza o homo socialis, esta escola caracteriza o homem organizacional, ou seja, aquele que desempenha funções em diferentes organizações que precisam possuir as seguintes características de personalidade para serem bem-sucedidos: • Flexibilidade face às diversidades que ocorrem na organização. • Paciência para evitar o esgotamento emocional derivado do conflito nas organizações entre as necessidades individuais e organizacionais. • Adaptação ao trabalho de rotina da organização em detrimento das preferências pessoais e vocações para outros tipos de atividades profissionais. • Desejo de realização para assegurar o cumprimento e a cooperação com as regras que controlam e asseguram o acesso a posições na organização, que proporcionam recompensas e atém mesmo sanções materiais e sociais. Max Weber acreditava que o uso da burocracia na gestão das organizações contribuiria para o seu funcionamento eficaz garantindo a adoção de decisões de gestão eficaz e qualificadas. Ele tinha em mente, antes de tudo, uma organização racional, cujas regras e regulamentos permitem combater o favoritismo e formar a base de um trabalho eficaz. Em essência, a burocracia dentro da estrutura da teoria de Max Weber Organização, Sistemas e Métodos 48 foi considerada a ferramenta mais eficiente para gerenciar estruturas organizacionais. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desta unidade letiva, vamos resumir tudo o que vimos. Nesta unidade você teve a oportunidade de conhecer os primórdios das teorias administrativas, seus principais expoentes e como e por que eles desenvolveram suas pesquisas. Soube mais sobre as gêneses da administração, ou seja, a Abordagem Clássica da Administração baseada nas escolas Taylorista e Fayolista. Conheceu também a transição da abordagem clássica mais mecanicista para a 2.2 Abordagem das Relações Humanas, uma compressão mais humanizada da administração que possibilitou desenvolvimento das Ciências Sociais, de maneira especial da Psicologia. E finalmente compreendeu a abordagem estruturalista que também representou uma nova transição das teorias administrativas. Saiba que transições em corrente de pensamento são normais tendo em vista que a administração sempre se confronta com novas situações e, dessa forma, precisam ser aperfeiçoadas para continuarem a serem úteis e aplicáveis. Organização, Sistemas e Métodos 49 Abordagem Sistêmica da Administração OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como surgiu a abordagem sistêmica na administração, bem como as definições, conceitos e as premissas sistêmicas. Conhecerá quais são os tipos de sistemas, as classificações hierárquicas dos sistemas e conseguirá compreender como essa abordagem se aplica nas organizações modernas e como sua metodologia contribui para que essas organizações consigam se manter ativas e dinâmicas pois sem o devido embasamento poderiam ter problemas os elementos e fatores que permeio seu meio prejudicando, assim, sua sobrevivência. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Um sistema “é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função” (OLIVEIRA, 2002, p. 6). Para Chiavenato (2011, p. 380), sistema é “um conjunto de elementos, dinamicamente relacionados, formando uma atividade para atingir um objetivo, operando sobre dados/energia/ matéria para fornecer informação/energia/matéria”. No entanto, para Carpejani e Souza (2013, p. 136), esclarecem que a definição mais apropriada, é quando se considera o sistema como “qualquer entidade conceitual ou física, composta por partes inter-relacionadas, interatuantes ou interdependentes, dotada de um objetivo”. Assim, os autores esclarecem que a Abordagem Sistêmica na administração é uma área específica da teoria geral de sistemas e fundamenta-se em três premissas básicas (IBIDEM, 2013, p, 136): i. Os sistemas existem dentro de sistemas. ii. Os sistemas são abertos, caracterizados por um processo de intercâmbio com o ambiente. iii. As funções de um sistema dependem de sua estrutura. Organização, Sistemas e Métodos 50 O ponto de vista sistêmico busca demonstrar que a organização necessita ser administrada como um todo complexo, em oposição a focar as partes em separado, onde os parâmetros de um sistema são classificados com: entrada, processamento, saída, retroação e ambiente (Ibidem, 2013). NOTA: Empresas são sistemas compostos por muitos subsistemas. Cada subsistema também é um sistema. Os gestores de uma empresa devem ter a visão do conjunto e de suas partes, bem como do inter-relacionamento entre as mesmas. Também precisam levar em consideração que, em um sistema, um evento altera e afeta o todo. Como os sistemas se deterioram, é preciso conhecer as medidas necessárias para evitar a degradação e fazer com que o conjunto sobreviva e obtenha êxito. Verifica-se que as noções sistêmicas, quando presentes nas empresas, as tornam mais preparadas para lidar com suas questões internas, seja qual for seu porte – micro, pequena, média ou grande empresa. Fonte: Silva, Santos e Konrad (2016, p. 1). Richter e Vicenzi (2016, p. 157) argumentam que, para compreendermos efetivamente esse conceito, Caravantes, Caravantes e Kloeckner (2005) defendem que é necessário conhecermos os seus componentes (Figura 6) e suas principais características, sendo eles: a. Insumos (entradas, inputs) – energia utilizada para o funcionamento do sistema: recursos humanos, matérias, financeiros e tecnológicos. b. Processamento (throughput) – é o tipo de estrutura ou arrumação adotada pela organização, que viabilize a transformação dos insumos recebidos em algum produto ou item predeterminado. Essa estrutura pode variar de organização para organização em função do tipo, natureza e da tecnologia empregada nos processos. Organização, Sistemas e Métodos 51 c. Saídas (produto, output) – é o insumo, após ser processado, em forma de produtos para ser colocado no ambiente. Figura 6 – Estrutura e Componentes de um Sistema Homeostase Entropia Entradas Matéria-prima Talentos humanos Capital EquipamentoTecnologia Informação Dados Ambiente Saídas Produtos Serviços Resultado financeiro Informação Satisfação do colaborador Resíduos, refugos Pesquisa e desenvolvimento Transformação Atividade operacional Atividade gerencial Tecnologia Métodos operacionais Sistema Subsistema Subsistema Subsistema Subsistema Feedback Ambiente Fonte: Carpejani e Souza (2013). d. Entropia – tendência que os organismos têm em desagregar, diferentemente de uma máquina, que se ao ser usada exaustivamente vai romper e parar de funcionar, sistema fechado, gerando a entropia negativa, sem condições de adequações e/ ou transformações, apenas a ruptura em si. Organização, Sistemas e Métodos 52 e. Homeostase – é o inverso da entropia, comparado ao sistema biológico ou social, chamado de sistema aberto, o processo de homeostase sempre está presente de forma automática, quando ocorre algum problema no sistema, similar ao nosso organismo, pois quando temos alguma doença o nosso organismo nos avisa com sintomas e imediatamente inicia a produção de anticorpos. Nas organizações esse processo de homeostase também ocorre, porém não de forma automática, como em nosso corpo, cabe à organização criar mecanismos e dispositivos para perceber o problema e efetuar a correção ou reabilitação do processo. f. Retroalimentação (realimentação, feedback) – é a sua capacidade de resposta em relação a um problema já ocorrido. Nesse contexto, Carvalho (2008), que na abordagem administrativa sistêmica, as organizações agem como um sistema, em que o contexto geral se sobrepuja ao individual, permitindo uma visão mais abrangente e, dessa forma, permitindo uma análise, que ao mesmo tempo profunda e mais ampla das organizações. Todavia, Chiavenato (2014, p. 465.) esclarece que existem diversos tipos de sistemas e múltiplas tipologias para classificá-los, no qual, os tipos de sistemas são: Quanto à sua constituição, os sistemas podem ser físicos ou abstratos: a. Sistemas físicos ou concretos – são compostos de equipamentos, maquinaria, objetos e coisas reais. São denominados hardwares. Podem ser descritos em termos quantitativos de desempenho. • Sistemas abstratos ou conceituais – são compostos de conceitos, filosofias, planos, hipóteses e ideias. Aqui, os símbolos representam atributos e objetos, que, muitas vezes, só existem no pensamento das pessoas. São denominados softwares. b. Quanto à sua natureza, os sistemas podem ser fechados ou abertos: • Sistemas fechados – não apresentam intercâmbio com o meio ambiente que os circunda, pois são herméticos a qualquer Organização, Sistemas e Métodos 53 influência ambiental. Sendo assim, não recebem influência do ambiente nem o influenciam. Não recebem nenhum recurso externo e nada produzem que seja enviado para fora. A rigor, não existem sistemas fechados na acepção exata do termo. A denominação sistemas fechados é dada aos sistemas cujo comportamento é determinístico e programado e que operam com pequeno e conhecido intercâmbio de matéria e energia com o meio ambiente. Também o termo é utilizado para os sistemas estruturados, em que os elementos e as relações combinam-se de maneira peculiar e rígida, produzindo uma saída invariável. São os chamados sistemas mecânicos, como as máquinas e os equipamentos. • Sistemas abertos – apresentam relações de intercâmbio com o ambiente por meio de inúmeras entradas e saídas. Os sistemas abertos trocam matéria e energia regularmente com o meio ambiente. São adaptativos, isto é, para sobreviver, devem reajustar-se constantemente às condições do meio. Mantêm um jogo recíproco com o ambiente e sua estrutura é otimizada quando o conjunto de elementos do sistema se organiza por meio de uma operação adaptativa. A adaptabilidade é um contínuo processo de aprendizagem e de auto-organização. Richter e Vicenzi (2016, p. 159) têm ”como base estudos em conceitos e princípios de várias ciências, que são estudados para compreender como um determinado fenômeno”. Assim, Pizza Junior (1986, p. 78) ressalta que, quanto à abordagem hierárquica clássica do enfoque sistêmico, são divididos: • Ecossistema – o universo, da maneira mais ampla, e que, como sistema, faz de todos os demais sistemas partes suas. • Metassistema – o sistema que está além do sistema; tratando-se de organizações, o metassistema e as instituições. • Sistema – conjunto de partes interdependentes que desempenha uma função determinada. Subsistema – menor conjunto significativo integrante do sistema. Conceito fundamental para os que se utilizam da abordagem sistêmica Organização, Sistemas e Métodos 54 para a análise e compreensão das organizações; todo sistema é, ao mesmo tempo, sistema e subsistema; todo subsistema é, ao mesmo tempo, subsistema e sistema, sendo uma coisa ou outra, dependendo da referência. De acordo com Chiavenato (1993, p. 409), na abordagem sistêmica, as leis universais que regem os sistemas são: • Todo sistema é composto por subsistemas, ou seja, ele pode ser decomposto em várias partes. • Todo sistema se expande, ou seja, faz parte de um sistema maior. • Homeostase – o sistema sempre tende ao equilíbrio. • Sinergia – as partes do sistema podem interagir para fazer algo que as partes trabalhando isoladamente não conseguiriam. Em complemento, para Araujo e Gouveia (2016, p. 11), genericamente, todos os sistemas apresentam quatro propriedades que estão diretamente inter-relacionadas com a sua própria acepção, sendo: 1. Propósito ou objetivo – todo sistema tem um ou alguns propósitos ou objetivos. As unidades ou elementos, bem como os relacionamentos, definem um arranjo que visa sempre a um objetivo a alcançar. Sem esse objetivo definido, as unidades que desempenham tarefas e papéis específicos frutos justamente do objetivo não sabem porque realizar seu trabalho. Por meio do objetivo de um sistema, as atividades a serem realizadas são definidas e realizadas. Não podemos trabalhar sem um propósito, senão o sistema corre o risco de não existir. A figura a seguir ilustra com humor a dificuldade em realizar tarefas quando o objetivo não está claramente definido e entendido por todos os elementos integrantes do sistema. 2. Globalismo ou totalidade – qualquer estimulação em qualquer unidade do sistema afetará todas as demais unidades, devido ao relacionamento existente entre elas. O efeito total dessas mudanças ou alterações se apresentará como um ajustamento de todo o sistema. 3. Entropia – originalmente, “entropia” (troca interior) surgiu do grego entrope = uma transformação; em (en – em, sobre, perto Organização, Sistemas e Métodos 55 de...) e sqopg (tropêe – mudança, o voltar-se, alternativa, troca, evolução...). É a tendência que os sistemas têm para o desgaste, para a desintegração, para o afrouxamento dos padrões e para um aumento da aleatoriedade. À medida que a entropia aumenta, os sistemas se decompõem em estados mais simples, levando-os à degradação, desintegração e ao seu desaparecimento. Segundo Bertalanffy (1977), entropia é um fato observado que, por meio do Universo, a energia tende a ser dissipada de tal modo que a energia total utilizável se torna cada vez mais desordenada e mais difícil de captar e utilizar. 4. Homeostasia – de origem grega, a palavra homeostasia significa equilíbrio, homeos = semelhante; statis = situação. Hipócrates acreditava que o organismo possuía uma forma de ajuste para manter sua estabilidade, afirmando que as doenças eram curadas por poderes naturais, isto é, dentro dos organismos existiriam mecanismos que tenderiam a ajustar as funções quando desviadas de seu estado natural. Na perspectiva moderna da administração a palavra-chave, e a principal dica é possuir uma visão aberta sobre as organizações. Sendo assim, Pizza Junior (1986) afirma que a respeito do conceito de sistema aberto, vital para a aplicaçãoda Teoria Geral de Sistemas nas organizações, Buckley (1981, p. 81) destaca que o fato de um “sistema ser aberto significa não apenas que ele se empenha em intercâmbios com o meio, como também que esse intercâmbio é um fator essencial, que lhe sustenta a viabilidade, a capacidade reprodutiva ou continuidade e a capacidade de mudar”. Reconhecendo as significações da abordagem sistêmica, pode-se inferir que, analisando a Figura 7, que a empresa é um sistema aberto, em razão da sua interação com o meio ambiente externo. Organização, Sistemas e Métodos 56 Figura 7 – Organização Moderna – Sistema Aberto OBJETIVOS METAS 1-ADMINISTRAÇÃO 2-INDUSTRIAL 3-MARKETING 4-CONTROLE 5-FINANCEIRO 6-SISTEMAS SISTEMA E SUBSISTEMA ORGANIZACIONAL HIERARQUIA EMPRESARIAL ALTA ADMINISTRAÇÃO OPERACIONAL GERÊNCIA/SUPERVISÃO SI ST EM AS RE CU RS O S H U M AN O S AD M IN IS TR AÇ ÃO G ER AL PL A N EJ A M EN TO E C O N TR O LE D E PR O D U Ç ÃO SU PR IM EN TO S P R O D U Ç Ã O M A N U T E N Ç Ã O D E S E N V O LV IM E N TO D E P R O D U TO S E M E R C A D O S P R O PA G A N D A /P R O M O Ç Ã O V E N D A S D IS T R IB U IÇ Ã O C O N TA B IL ID A D E O R Ç A M EN TO -C U ST O S PL A N EJ A M EN TO – F IN A N C IA M EN TO TE SO U RA RI A O RG AN IZ AÇ ÃO & M ÉT O D O S PR O CES SA M EN TO D E DAD O S SISTEM AS 1 2 3 4 5 6 Fonte: Adaptado pelo autor de Silva, Santos e Konrad (2016, p. 8). “As organizações são abordadas como sistemas abertos, com interação e independência entre as partes e com o ambiente que o envolve” (CHIAVENATO, 2003, p. 496). Assim, Silva, Santos e Konrad (2016, p. 8), esclarecem que: • Sistema aberto em um dinâmico relacionamento com seu ambiente, recebendo vários insumos (entradas), transformando esses insumos de diversas maneiras (processamento ou conversão) e exportando os resultados na forma de produtos ou serviços (saídas). • A empresa capta no meio externo os recursos brutos, processa e devolve ao ambiente externo em forma de bens, serviços prestados, ou informações, atendendo às necessidades da sociedade. • No decorrer desse processo, podem ocorrer desvios e resultados insatisfatórios; a retroalimentação permite a correção desses desvios, a fim de que se possam alcançar os objetivos satisfatoriamente. Organização, Sistemas e Métodos 57 • O planejamento estratégico é elaborado sob condições e variáveis ambientais, esse fato só é possível devido à empresa ser um sistema aberto e estar em constante interação com o ambiente. Todo e qualquer tipo de organização criado pode ser considerado um sistema no qual necessita de uma dinâmica interativa com o meio que a cerca, sejam com o governo, sociedade, clientes ou fornecedores. Um sistema em constante integração deve trabalhar de maneira harmoniosa a fim de que se possa atingir os objetivos pela qual foi criada. Modelo de Homem O homem funcional, presente na teoria sistêmica, comporta-se em um dos papéis dentro da organização, inter-relacionando-se com os demais indivíduos, como um sistema aberto. Em suas ações, em um conjunto de funções, mantém expectativas quanto ao papel dos demais participantes e procura enviar aos outros as suas expectativas. Seu comportamento organizacional é traduzido como interativo, participativo e grupal, pois interage como elemento do sistema social existente, de acordo com seus valores, normas e função. O sistema de motivação a ser adotado para incentivar o homem funcional deverá ser o multimotivacional, buscando, dessa forma, satisfazer a suas necessidades, expectativas dentro do contexto organizacional em que se encontra. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que, na abordagem sistêmica, um sistema constitui um conjunto de partes interagentes e interdependentes formando um todo com a finalidade pré-determinada para realizar uma função estabelecida. Soube que nessa teoria os sistemas visam evidenciar que uma organização precisa ser administrada como sendo um organismo complexo, focada na individualidade de suas em detrimento de seu todo. Organização, Sistemas e Métodos 58 REFERÊNCIAS ALFAYA, T. V. Teoria Geral da Administração. IMES. Instituto Mantenedor de Ensino Superior Metropolitano. 2015. 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No entanto, de acordo com Gomes (2011), a administração teve seu contexto histórico iniciado em um tempo muito distante, mais exatamente no ano 5.000 A.C., na região da Suméria (Figura 1), quando os antigos sumerianos buscavam aprimorar a maneira de resolver seus problemas práticos, exercitando assim o método de administrar. Ainda, segundo a autora, posteriormente no Egito antigo, quando Ptolomeu começou “a dimensionar um sistema econômico planejado que não poderia ter- se operacionalizado sem uma administração pública sistemática e organizada” (GOMES, 2011, p. 1). Organização, Sistemas e Métodos 12 Figura 1 – Sumério Fonte: Wikimedia Para Sobrinho (2010, p. 13), para dar prosseguimento a um “processo de desenvolvimento e adequação do mundo ao processo evolutivo, na China no ano de 500 a. C. houve a necessidade de ser implantado um sistema de governo organizado para o Império Chinês”. Nesse período são conhecidos “oito regulamentos e as Regras de Administração Pública de Confúcio exemplificaram a tentativa chinesa de definir regras e princípios de administração” (GOMES, 2011, p. 1). Rossés (2014) afirma que a administração, tal como conhecemos hoje, é resultado histórico e integrado de numerosos precursores, onde menções históricas mostram que até no contexto contemporâneo, diversos conceitos administrativos Organização, Sistemas e Métodos 13 de mais de 1.200 a.C. ainda são frequentes e utilizados na civilização moderna. No entendimento de Chiavenato (2003): Referências pré-históricas acerca das magníficas construções erigidas durante a Antiguidade no Egito, na Mesopotâmia, na Assíria testemunharam a existência em épocas remotas de dirigentes capazes de planejar e guiar os esforços de milhares de trabalhadores em monumentais obras que perduram até nossos dias, como as pirâmides do Egito. Os papiros egípcios atribuídos à época de 1300 a.c. já indicam a importância da organização e da administração da burocracia pública no Antigo Egito. Na China, as parábolas de Confúcio sugerem práticas para a boa administração pública. (CHIAVENATO, 2003, p. 26). De acordo com Ferreira (2009a), indícios pré-históricos a respeito das extraordinárias construções edificadas durante a Antiguidade no Egito, na Mesopotâmia, na Assíria, atestam a existência, em épocas longínquas, de dirigentes (administradores) com alta capacidade de planejar e conduzir os esforços de milhares de trabalhadores em monumentais obras que perduram até os nossos dias. Os papiros egípcios atribuídos à época de 1300 a.C. indicavam a relevância da organização e a administração da burocracia pública no Antigo Egito. Já na antiga China, “as parábolas de Confúcio sugerem práticas para a boa administração pública” (FERREIRA, 2009a, p. 1). Segundo Chiavenato (2000, p. 21), a administração representa a consequência histórica e integrada de esforços e contribuições cumulativas de “numerosos precursores, filósofos, físicos, economistas, estadistas e empresários que, no decorrer dos tempos, foram, cada qual em seu campo de atividades, desenvolvendo e divulgando suas obras e teorias”. O Quadro 1 descreve os principais eventos históricos da administração. Organização, Sistemas e Métodos 14 Quadro 1 – Contexto histórico da administração CRONOLOGIA DOS PRINCIPAIS EVENTOS DOS PRIMÓRDIOS DA ADMINISTRAÇÃO Anos Autores Eventos 4.000 a.C. Egípcios Necessidade de Planejar, Organizar e Controlar 2.600 a.C. Egípcios Descentralização da organização 2.000 a.C. Egípcios Necessidade de ordens escritas. Uso de consultorias. 1.800 a.C. Hamurabi (Babilônia) Uso de controle escrito e documental. 1.491 a.C. Hebreus Conceito de Organização. Princípio escolar. 600 a.C. Nabucodonosor (Babilônia) Controle de produção. Incentivo salariais. 400 a.C. Sócrates (Grécia) Platão (Grécia) Universidade da administração Enunciado do princípio da especialização. 175 a.C. Cato (Roma) Uso de descrição de funções 284 Dioclécio (Roma) Delegação da autoridade 1436 Arsenal de Veneza Contabilidade de custos, inventários, padronização 1525 Niccoló Machiavelli Princípio do consenso, lideranças, táticas políticas 1767 Sir James Stuart Teoria da fonte de autoridade, automação, especialização 1776 Adam Smith Princípio de especialização dos operários, conceito de controle 1799 Eli Whitney Método científico, controle de qualidade, amplitude de comando 1800 Mathew Boulton Padronização da produção, especializações, métodos de trabalho 1810 Robert Owen Práticas de RH, treinamento para operários, casas para operários 1832 Charles Babbage Abordagem científica, divisão do trabalho, estudo do tempo 1856 Daniel C. McCallum Organograma, administração em ferrovias 1886 Henry Matcalfe Arte e Ciência da administração 1900 Frederick W. Taylor Princípios da administração científica Fonte: Chiavenato (2000). Organização, Sistemas e Métodos 15 Para compreender a administração, deve-se ter um embasamento teórico por meio da perspectiva da história dessa área, bem como quais os fatos, acontecimentos e situações e relacioná-las com as necessidades e o contexto da época. Além do mais, quais foram os legados, práticas, experiências e conhecimentos deixados por tais situações e suas respectivas contribuições. Nessa visão, os eventos cronológicos são corroborados por Souza (2015), quando enfatiza que a história da administração se iniciou num tempo muito remoto, mais precisamente no ano 5000 a.C., na Suméria, quando esses povos antigos buscavam exercitar a arte de administrar. A autora ainda elenca e descreve que: • Os babilônios deixaram à humanidade poderoso legado com o Código de Hamurabi (governador da Babilônia – 2000 a 1700 a.C.). Tratava-se de um texto de leis orientadoras do povo no princípio do trabalho; criaram o princípio da paga mínima, os primeiros modelos de contratos de trabalho e recibos de pagamento que permitiam as transações comerciais da época. O Código de Hamurabi cobre assuntos sobre vendas, empréstimos, contratos, sociedades, acordos e notas promissórias. • Dos romanos (Figura 2), herdamos os princípios do sistema semi- industrial de produção, o sistema de manufatura armamentista, a produção de cerâmica para o mercado mundial, a indústria têxtil para exportação, a criação do sistema rodoviário para distribuição de bens. Destacaram-se como grandes administradores, tendo relevante papel nas áreas de Direito, Administração e estratégias de guerra. O Império Romano e a Igreja Católica são exemplos de administração e competência desse povo. Organização, Sistemas e Métodos 16 Figura 2 – Senado Romano Fonte: Wikimedia (2020). O Estado romano regulava todos os aspectos da vida econômica: determinava as tarefas comerciais, armazenagem, regulava corporações e usava estes rendimentos para a guerra. Era um Estado autoritário e partia de dois conceitos fundamentais: disciplina e funcionalidade; por isso, a grande contribuição romana está afeta às leis, à ação governamental, manifesta no conceito de ordem. O código do direito romano ainda é modelo para todas as civilizações. • Os gregos, cuja grande contribuição à humanidade se deu nas Artes, na Literatura, na Dramaturgia, na Língua e na Filosofia, copiaram modelos de Administração, Direito e Disciplina dos romanos. Isso porque sua filosofia de vida era ser contra a atividade econômica, considerada indigna para o ideal grego de homem. Assim como o trabalho manual (suar, cansar-se era impróprio de um nobre grego!), o comércio era inconcebível para a aristocracia e os filósofos gregos. Essas atividades eram consideradas inferiores e, por isso, eram realizadas por escravos. Mas forampródigos em deixar exemplos de liderança, luta, poder, hierarquia, todos aplicados à administração. A Grécia colaborou com vários conceitos da administração: • Democracia – administração participativa e direta. • Ética – deveria ser garantida pelos executivos. Organização, Sistemas e Métodos 17 • Método – investigação e análise deveriam ser os principais instrumentos para desenvolver conhecimento. • Estratégia – organizar os meios para chegar aos fins. • Qualidade – a busca incessante do ideal. A China foi sempre uma nação de homens sábios e proporcionou ao mundo grandes lições de administração. A Constituição CHOW WU KING (fundador da dinastia CHOW), escrita entre 1122 e 1116 a.C. pelo seu fundador, foi um exemplo de competência administrativa. Continha a relação de todo o quadro de pessoal do mais alto escalão até o mais baixo serviçal que trabalhava para o Império, com nome, função e descrição detalhada de tarefas, deveres e responsabilidades de cada um. Chow escreveu A arte da guerra de Sun Tzu, obra que tem inspirado a administração ao longo dos séculos. Mencius, 129 a.C., deixou sua contribuição por meio da elaboração de modelos de administração (processos) e seleção científica de trabalhadores (habilidade, traços de personalidade, conhecimento, experiência). Os hebreus, por meio da Bíblia, demonstraram princípios básicos de administração. O êxodo de Moisés, por exemplo, é uma grande demonstração de competência gerencial, pois foi utilizado como política de descentralização de decisões com as primeiras ideias de núcleos organizacionais. Os 10 Mandamentos, por sua vez, trazem regras de conduta e comportamento que preservam a possibilitam a vida e a solidariedade do grupo. O conselho de Jetro A história mostra que a maioria dos empreendimentos militares, sociais, políticos, econômicos e religiosos teve uma estrutura orgânica piramidal que retrata uma estrutura hierárquica, concentrando no vértice as funções de poder e de decisão. A teoria da estrutura hierárquica não é nova: Platão, Aristóteles e Hamurabi já tratavam dela. Organização, Sistemas e Métodos 18 A Bíblia relata os conselhos de Jetro, sogro de Moisés (Figura 3) e sacerdote de Midiã, que, notando as dificuldades do genro em atender ao povo e julgar suas lides, após aguardar o líder durante o dia inteiro em uma fila, à espera de suas decisões para cada caso, disse a Moisés: Não é bom o que fazes, pois tu desfalecerás, bem como este povo que está contigo pois isto é pesado demais para ti; tu não o podes fazer assim, sozinho. Figura 3 – Moisés Fonte: Pixabay (2020). E Jetro continua: Eu te aconselharei, e Deus seja contigo. Representa o povo perante Deus. Leva a Deus as suas causas, ensina-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar e a obra que devem fazer. Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, aos quais aborreça a avareza. Põe-nos sobre elas, por chefes de 1.000, chefes de 100, chefes de 50 e chefes de 10, para que julguem este povo em todo tempo. Toda causa grave, trá-la-ão a ti, mas toda causa pequena, eles Organização, Sistemas e Métodos 19 mesmos a julgarão. Será, assim, mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo. Se isso fizeres, e assim Deus te mandar, poderás então suportar e, assim, também, todo este povo tomará em paz ao seu lugar – ÊXODO, cap. 18, v. 13-27. (CHIAVENATO, 2000, p. 21) A partir desse contexto bíblico, Moisés atendeu aos aconselhamentos do seu sogro estabelecendo uma pirâmide hierárquica escolhendo homens capazes de todo o Israel, delegando-lhes autoridade como se fossem os seus representantes. “Todas as causas simples, julgaram-nas eles mesmos, enquanto apenas as mais graves trouxeram-nas a Moisés” (CHIAVENATO, 2000, p. 46). Podemos aprender com os conselhos de Jetro sobre delegação. A delegação parece diferente dependendo da situação, mas fica claro pela passagem que nossa maneira de fazer as coisas pode não ser a melhor maneira! Afinal, Moisés estava liderando o caminho que julgava melhor, mas foi capaz de mudar com base no conselho de Jetro. Moisés se cansaria liderando sozinho os israelitas. Assim, Jetro deu a Moisés alguns conselhos realmente práticos sobre liderança. No mais, podemos destacar nesse contexto histórico o princípio de gerenciamento. A abordagem de gerenciamento de mudança de Jetro começa identificando a fonte e, em seguida, completando a forma de mudança organizacional. E você, como um futuro líder, você será um centralizador ou usará suas habilidades gerenciais para delegar? O que prefere? E por quê? RESUMINDO: Conhecer as contribuições históricas de civilizações e personalidades por trás das atividades da administração permite criar um contexto a despeito da evolução das teorias administrativas. Caso você esteja familiarizado com isso, esse tópico veio reforçar seus conhecimentos, incluindo o desenvolvimento de práticas administrativas ao longo da história que trouxeram exemplos contributivos para os campos dos negócios relacionados à gestão organizacional. Dessa forma, pode-se compreender melhor os princípios da administração contemporânea, o qual permitirá auxiliar na eficiência gerencial. Organização, Sistemas e Métodos 20 As Influências Filosóficas e Organizacionais na Administração OBJETIVO: A teoria moderna da administração está diretamente ligada aos conceitos desenvolvidos ao longo da história da humanidade, principalmente nas gêneses do pensamento humano ocorridos na Grécia antiga nas figuras de Sócrates, Platão e Aristóteles. De tempos em tempos surgem novos protagonistas que, imbuídos de senso crítico, buscam entender a realidade que os circundam. Esse contexto pode-se ser aplicado aos pensadores “modernos” renascentistas como Karl Max, René Descartes e Friedrich Engels. Não menos importante estão as contribuições de organizações seculares, que com base na organização e hierarquia para se atingir a eficiência organizacional, contribuirão com seus exemplos para o aperfeiçoamento das práticas administrativas. Por fim, eventos disruptivos, como, por exemplo, a Revolução Industrial, ocorridos na Inglaterra e propagada pelo, no final do século XIX e início do século XX, também podem causar uma transformação conjuntural. Ao término deste capítulo você será capaz de compreender todo esse contexto que será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Cronologicamente, a Idade Antiga corresponde ao período histórico que se estendeu desde da criação da escrita, que corresponde aos anos de 4000 a.C. a 3500 a.C., estendendo-se até a queda do Império Romano do Ocidente no ano de 476 d.C. dando início à Idade Média no século V. O que chamamos de Grécia Antiga ocorreu por volta do período de 800 a.C. a 300 a.C., e possivelmente um pouco mais tarde. Nos tempos antigos, a administração recebeu forte influência da filosofia. A filosofia continua sendo uma doutrina de estudo muito importante hoje. É preciso lembrar que tem como foco a busca racional de um conjunto de conhecimentos para estabelecer os princípios que regem o conhecimento humano. Organização, Sistemas e Métodos 21 A filosofia dá origem às principais ciências humanísticas, sociais e científicas que nos têm permitido expandir os nossos conhecimentos, desenvolver conceitos básicos, teorias e metodologias de estudo. Na Grécia antiga, o filósofo grego Sócrates que, na sua célebre contenda com Nicodemos, expõe seu entendimento sobre administração como sendo uma habilidade pessoal separada do conhecimento e da experiência técnica. O sucesso ou o fracasso de uma organização depende muito da qualidade da liderança dentro da organização. Isso ocorre principalmente porque a liderança tem a tarefa de tomar decisões relativas ao funcionamento da empresa. Consequentemente,a liderança eficaz deve conduzir uma organização na direção de atingir os objetivos da organização. A teoria de Sócrates é uma teoria clássica desenvolvida pelo filósofo grego e consiste em questões bem estruturadas que encorajam a autorreflexão e a conclusão. Primeiramente, o método Sócrates facilita os líderes a considerarem e avaliarem as atividades nas quais eles devem se envolver. Além disso, o método incute habilidades de pensamento crítico que são valiosas para qualquer líder organizacional. O Método Socrático pode ser aplicado no ambiente de trabalho, pois é conhecido por conter efeito persuasivo e motivacional aos funcionários, potencializando assim o desempenho. Além disso, o método pode ser utilizado para promover a obediência às normas e regulamentos dentro das organizações pelos líderes e seus subordinados. Nessa perspectiva, você consegue perceber essa aplicabilidade ao seu ambiente de trabalho? Que tal refletir a esse respeito? “Desde a antiguidade, a filosofia sugeriu muitos dos conceitos atuais de administração” (CHIAVENATO, 2014, p. 26). Segundo Cesar (2011, p. 2), Sócrates observa a “administração como uma habilidade pessoal separada do conhecimento técnico e da experiência” e Platão (429 a.C. – 347 a.C.), discípulo de Sócrates, atentou-se aos problemas políticos e sociais, inerente ao desenvolvimento sociocultural do povo, expondo sua visão acerca da democracia de governo e de administração dos negócios públicos. Em seu trabalho denominado de A República pode conhecer a sua opinião sobre o estilo democrático que teve o governo da época, bem como sobre a gestão dos negócios públicos. Platão vê uma organização como uma Organização, Sistemas e Métodos 22 instituição, que deve estar em harmonia com suas partes. Muitos teóricos organizacionais modernos seguiram Platão, quando enfatizam a natureza unitária e bem equilibrada das organizações complexas modernas. Platão pensa sobre o mal e o bem maior dentro das organizações. Em sua opinião, o mal é discórdia e distração. Por outro lado, o maior bem é unidade entre todas as partes (setores/departamentos/seções). Para ele tem que haver uma integração harmônica na organização, onde todos os membros/ funcionários devem ter experiências comuns. Já Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, de acordo com Chiavenato (2014), foi o filósofo mais influente até o princípio da Idade Moderna, contribuindo com impulso inicial à filosofia, à lógica e às ciências naturais, abrindo as perspectivas do atual conhecimento humano. Para se ter uma pequena noção, Aristóteles escreveu durante sua vida sobre tudo, desde o mundo natural até a área da política. Esse filósofo também escreveu sobre questões éticas e acredita-se que tenha sido escrita entre 335-25 a.C. Atualmente é considerado um tratado sobre filosofia moral. O texto é uma estrutura para uma vida ética e tem sido a base do pensamento moral no qual podemos levar tanto para nossa vida pessoal, mas, principalmente, para a vida profissional. Com a filosofia moderna, a administração deixa de receber contribuições e influências, uma vez que o objeto de estudo da filosofia se afasta das questões organizacionais. De acordo com Da Silva (2017, p. 2), “a Idade Moderna representou uma ruptura com as estruturas sociais, econômicas, políticas, religiosas e culturais da Idade Média” e, conforme o autor, “esse período foi marcado pelo desenvolvimento da ciência e da técnica”. “O Renascimento foi palco de inegáveis avanços, especialmente artísticos – na pintura, na escultura, na arquitetura – mas também científicos e culturais” (COSTA, 2016, p. 4). Segundo Chiavenato (2003, p. 30), “durante os séculos que vão da Antiguidade ao início da Idade Moderna, a Filosofia voltou-se para uma variedade de preocupações distanciadas dos problemas administrativos”. Conforme o autor, os principais dentre os principiais filósofos da idade moderna, destacam-se: Organização, Sistemas e Métodos 23 • Francis Bacon (1561-1626) – filósofo e estadista inglês e fundador da Lógica Moderna baseada no método experimental e indutivo, mostra a preocupação prática de se separar experimentalmente o que é essencial do que é acidental ou acessório. Bacon antecipou- se ao princípio conhecido em Administração como princípio da prevalência do principal sobre o acessório. • René Descartes (1596-1650) – filósofo, matemático e físico francês, considerado o fundador da Filosofia Moderna, criou as coordenadas cartesianas e deu impulso à Matemática e à Geometria da época. Na área da Filosofia, alcançou grande destaque pela publicação do livro chamado de “Discurso do Método”, no qual descreve seu método filosófico no qual, hoje, conhecemos com o método cartesiano. Nessa publicação definiu quatro princípios influenciaram a administração. O primeiro princípio, que se baseia na dúvida ou evidência sistemática, tenta não aceitar qualquer informação até que a informação necessária esteja disponível. No segundo princípio de análise ou decomposição concentra-se em dividir os problemas e fazer a solução separadamente. Para o terceiro princípio da síntese ou composição que tenta ordenar os pensamentos inicialmente pelos objetivos fáceis para alcançar os mais difíceis. O quarto e último princípio citado da enumeração ou verificação é uma contagem, verificações e revisões para contemplar tudo o que for necessário. Que tal?! Perceba que mesmo no século XVI esse método é atual e representa uma boa ferramenta para soluções de problemas nas organizações. Então, você seria capaz de aplicar no seu trabalho? • Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) – propõem uma teoria da origem econômica do Estado. O poder político e do Estado nada mais é do que o fruto da dominação econômica do homem pelo homem. O Estado vem a ser uma ordem coativa imposta por uma classe social exploradora. No Manifesto Comunista, afirmam que a história da humanidade é uma história da luta de classes. Homens livres e escravos, patrícios e plebeus, nobres e servos, mestres e artesãos, em uma palavra, Organização, Sistemas e Métodos 24 exploradores e explorados, sempre mantiveram uma luta, oculta ou manifesta. Marx afirma que os fenômenos históricos são o produto das relações econômicas entre os homens. O marxismo foi a primeira ideologia a afirmar o estudo das leis objetivas do desenvolvimento econômico da sociedade, em oposição aos ideais metafísicos. Tais expoentes filosóficos proporcionaram diversos avanços para o pensamento administrativo para sua época, constituindo-se nos divisores temporais entre a filosofia antiga e a moderna. No entanto, Chiavenato (2014) salienta que a partir dos filósofos modernos, o campo da administração não recebeu mais suas relevantes contribuições e influências, porquanto o campo dos estudos filosóficos se distanciou dos problemas organizacionais. A Influência da Igreja Católica Entre as principais organizações sociais, a Igreja Católica colaborou para o aperfeiçoamento das atividades administrativas com a sua estrutura, seu método de organização. Silva (2001, p. 19) salienta que a Igreja Católica, através dos séculos, “vem mostrando e provando a força de atração de seus objetivos, a eficácia de suas técnicas organizacionais e administrativas, espalhando-se por todo o mundo e exercendo influência”, acerca dos comportamentos das pessoas, seus fiéis. De acordo com Portugal (2017, p. 26), através dos tempos “as normas administrativas e os princípios de organização pública foram se transferindo das instituições dos Estados para as instituições da nascente Igreja Católica e para as organizações militares”. Ribeiro e Pavarini (2018) esclarecem que esta organização denominada de Igreja Católica tem seu próprio estado de governo, constituindo-se em uma monarquia de poder absoluto com característica de um estado teocrático,possuindo suas próprias leis, tendo como poder soberano o Papa, que é nomeado para direcionar, organizar e distribuir funções entre seus subordinados conforme ilustrado na Figura 4. Essa fundamentação baseia-se porque a integração de propósitos e objetivos, que constitui os princípios fundamentais na organização Organização, Sistemas e Métodos 25 eclesiástica, na maioria das vezes não são encontradas na ação política governamental, motivada por objetivos conflitantes de cada partido, dirigente ou classe social. Perceba que para uma empresa ter sucesso nos seus objetivos há a necessidade de unidade e harmonia, onde todos são responsáveis por uma parte que se constitui em um todo, mas sempre sendo orientado por uma figura de autoridade. Dentro dessa abordagem podemos afirmar que igreja proporciona experiências significativas no qual se constitui um pensamento tradicional da administração. Figura 4 – Hierarquia da Igreja Católica Fonte: Lopes (2017). Por fim, podemos indagar: e o que isso significa? A resposta é clara, a administração como atividade é tão antiga como as organizações tradicionais, como por exemplo a da Igreja Católica. A questão é que não há organizações sem uma atividade administrativa, e não há administração sem organizações. Organização, Sistemas e Métodos 26 No decorrer do século XX, o desenvolvimento de organizações industriais e de grandes corporações, levou à modernização e especialização do trabalho de gestão, ao surgimento da teoria da administração ou gestão, e à nova profissão de gestor ou administrador. A Influência da Organização Militar A organização linear tem suas origens na organização militar dos exércitos da antiguidade e da época medieval. O princípio da unidade de comando, segundo o qual cada subordinado pode ter apenas um superior, é o núcleo das organizações militares (CHIAVENATO, 2003). De acordo com Portugal (2017), a escala hierárquica, ou níveis hierárquicos de comando, com grau de autoridade e responsabilidade, constitui um componente característico da organização militar, que é utilizada em diversas organizações. Ao longo do tempo, e à medida que a quantidade das operações militares cresceu, aumentou a necessidade de se transmitir comando para os níveis mais baixos da organização militar. Nesse contexto, podemos inferir que a organização militar influenciou diretamente no desenvolvimento de teorias da administração, como, por exemplo, da organização linear que possui suas origens na organização militar dos exércitos da Antiguidade e na Idade Média. O princípio da unidade de comando, conforme o qual cada subordinado só pode ter um superior, fundamental para a função de liderança, representa o cerne de todas as organizações militares da época. Tavares (2012, p. 5) corrobora com essa argumentação quando afirma que “os fundamentos militares exerceram enorme influência no desenvolvimento das teorias da administração”. De acordo com a autora, podemos citar: • O princípio da unidade de comando, • A escala hierárquica. • O princípio da centralização do comando. • A descentralização da execução; a evolução do princípio de assessoria e a formação de um estado-maior na Prússia, com Frederico II. Organização, Sistemas e Métodos 27 • O princípio de direção: “Todo soldado deve saber perfeitamente o que se espera dele e aquilo que ele deve fazer “, que foram os principais legados das organizações militares. Quando se aborda as organizações militares, não se pode ponderar em modelo melhor de organização e administração, uma vez que a séculos vem evidenciando a eficácia de um grupo estrategicamente treinado, e quando bem gerido, se torna capaz de proezas impressionantes, conquistas e vitorias que surpreendem até hoje (NICKEL et al, 2016). Para Chiavenato (2014), a organização militar influenciou fortemente o surgimento das teorias da administração, onde o general filósofo chinês Sun Tzu (544-496 a.C.), que ainda é venerado nos dias de hoje, escreveu um livro a respeito da arte de guerrear. Esta obra trata das estratégias para preparação dos “planos, da guerra efetiva, da espada embainhada, das manobras, da variação de táticas, do exército em marcha, do terreno, dos pontos fortes e fracos do inimigo e da organização do exército” (Ibidem, 2014, p. 37). ACESSE: Caro aluno, leia o artigo Estratégia de negócios x arte da guerra: como tornar a empresa competitiva para constatar a importância da definição de estratégias e o valor da liderança. Acesse aqui. A Influência da Revolução Industrial A Revolução Industrial ocorrida na Europa, mais precisamente na Inglaterra no final dos anos 1700 e início do século XIX, constituiu a transição de um processo fabril artesanal para um sistema produtivo dinâmico, mecanizado e em massa e se espalhou rapidamente por todo o mundo. Nesse panorama, infere-se que a Revolução Industrial acarretou o desenvolvimento do sistema fabril, a ampliação dos mercados, a criação de novas tecnologias e a produção em larga escala. Esse novo paradigma Organização, Sistemas e Métodos https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/artigogestrategico.pdf 28 incorporou grandes concentrações de trabalhadores e matérias-primas, impondo os problemas de organização, direção e controle do trabalho. Tavares (2012, p. 6) afirma que as “teorias e práticas gerenciais de hoje começaram a surgir apenas a partir da Revolução Industrial, no século XVIII”. Assim, para compreender sua concepção e evolução, uma imagem deve vir à mente: a máquina (Ibidem, 2012). Na perspectiva de Chiavenato (2014, p. 40), “a revolução Industrial surgiu como uma bola de neve em aceleração crescente e alcançou todo seu ímpeto a partir do século XIX” possuindo duas fases: i) 1780 a 1860: Primeira Revolução Industrial ou revolução do carvão e do ferro; e ii) 1860 a 1914: Segunda Revolução Industrial ou revolução do aço e da eletricidade. Os principais destaques dessas fases estão descritos no Quadro 2. Quadro 2 – Principais destaques da Revolução Industrial 1ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL • Mecanização da indústria e agricultura, os destaques ficam para as: máquina de fiar, o tear hidráulico, o tear mecânico, o descaroçador de algodão, todas máquinas grandes, porém, foram relevantes para substituir o processo manual pelos primeiros processos industriais. • Adoção da máquina a vapor criada por James Watt. Iniciam-se grandes transformações nestas empresas recém-saídas dos processos manuais, que agora ganham ainda mais agilidade para sua produção. • Desaparecem os artesões, que até então auxiliavam de forma significativa no abastecimento de produtos; aparece a produção em larga escala nas organizações, que iniciam o processo de divisão de tarefas, um grande marco para a ciência administrativa. • Os transportes e as comunicações utilizaram a navegação a vapor e logo em seguida surgiram as hélices que substituíram as rodas propulsoras, que foram utilizadas em larga escala. Na comunicação destacou-se a criação do telégrafo elétrico, que foi o grande propulsor do rápido desenvolvimento econômico, tecnológico, social e industrial. Organização, Sistemas e Métodos 29 2ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL • Substituição do ferro pelo aço nos processos de industrialização. • Utilização do vapor, em detrimento da eletricidade e dos derivados de petróleo. • Surgem as primeiras máquinas automáticas e a mão de obra torna-se mais especializada. • Evolução drástica nas comunicações e nos meios de transporte. • Novos modelos organizacionais começam a surgir. • Da Europa ao Extremo Oriente, agora, já, praticamente, com todos os seus processos industrializados. Fontes: Adaptado de Richter e Vicenzi (2016). Para Richter e Vicenzi (2016), essas fases motivaram a celeridade do desenvolvimento dos processos produtivos fabris, como também na dinâmica do crescimento econômicoe, consequentemente, no aperfeiçoamento das práticas administrativas nas organizações. Em resposta a todo esse contexto revolucionário, Marcon (2017, p. 22) salienta que a administração aparece em resposta a duas consequências provocadas pela Revolução Industrial. a. Crescimento acelerado e desorganizado das empresas que passaram a exigir uma administração cientifica capaz de substituir o empirismo e a improvisação. b. Necessidade de maior eficiência e produtividade das empresas, para fazer face à intensa concorrência e competição no mercado (Ibidem, 2017, p. 22). A Administração como Ciência Social Aplicada Na Antiguidade, o entendimento conceitual sobre a administração era que representa um estado de uma arte, tendo em vista que o que se acreditava seria realizar obras e feitos por meio de uma determinada habilidade. Dessa forma, tinha-se o entendimento que a arte de administrar Organização, Sistemas e Métodos 30 seria a conquista de resultados por meio da aplicação de certas habilidades para atingir os objetivos pretendidos. Nesse contexto, a administração era definida como sendo uma das artes mais criativas dos seres humanos, pois reunia, organizava e utilizava seus talentos e potenciais. Assim, Mattos (2009, p. 3) indaga “Administração é ciência ou arte?”. O autor esclarece que a dúvida ou necessidade de explicação se justifica, pois não se trata de matéria evidente e que não explicasse dissenso, uma vez que “a assimilação do desempenho de um administrador não se faz clara nem imediata para atestar a natureza de seu saber, ao contrário de outros saberes profissionais” (Ibidem, 2009). Na concepção de Chiavenato (2014), o administrador necessita compreender e agrupar ao mesmo tempo conceitos e ação, isto é, atrelar teoria e prática, saber e aplicar, pensar e agir, pois os conceitos sem a necessária atitude não dão resultados e, na mesma relação, a ação sem conceitos necessários não produz efeitos. O autor vai mais longe ao incluir o conceito tecnológico ao caráter cientifico da administração retratando, assim, a evolução e modernização dessa área do conhecimento conforme ilustrado na Figura 5. Figura 5 – A administração como ciência aplicada ADMINISTRAÇÃO TECNOLOGIA Aplicação prática e metódica de princípios de teorias científicas. CIÊNCIA Análise metódica e sistematizada de fatos e evidências ARTE Visão, intuição, abordagem criativa e inovadora. Fonte: Chiavenato (2014 p. 18) Organização, Sistemas e Métodos 31 Ao fazer essa nova contextualização, Chiavenato (2014, p 18) argumenta que “além do mais, pela sua complexidade, a administração é simultaneamente ciência, tecnologia e arte”, esclarecendo que: • Como ciência – a administração repousa em fundamentos científicos e em metodologias e teorias sobre fatos e evidências que são analisados, experimentados e testados na prática cotidiana. Como ciência, ela define o que causa o que, por que causa e quando causa, isto é, as relações de causa e efeito. • Como tecnologia – a administração utiliza técnicas, modelos, práticas e ferramentas conceituais baseadas em teorias científicas que facilitam a vida do administrador e tornam seu trabalho mais eficaz. E como se mede isso? Por meio de resultados. • Como arte – a administração requer do administrador a leitura de cada situação em uma visão abrangente, com intuição e abordagem criativa e inovadora não somente para resolver problemas, mas, principalmente, para criar, mudar, inovar e transformar as organizações. Dessa forma, Lacerda (2010) afirma que, em um período dinâmico e permeados de complexidades, mudanças e incertezas os atuais, a administração torna-se uma das mais importantes áreas de atividade humana. EXPLICANDO MELHOR: Perceba que as técnicas são geralmente transmitidas de pessoa para pessoa e cada pessoa adapta-se aos seus gostos ou necessidades e pode melhorá-las. Já a tecnologia é um conceito amplo que engloba um conjunto de técnicas, conhecimentos e processos, que é utilizado para a concepção e construção de objetos para satisfazer às necessidades da empresa. Finalmente definimos a arte como sendo um componente da cultura organizacional que reflete na sua concepção o valor, a missão e a visão, transmitindo-os para todos os colaboradores. Nesse contexto, você consegue lembrar o seu primeiro dia de trabalho em uma nova empresa? Reflita se essas questões lhe foram passadas. Organização, Sistemas e Métodos 32 Em complemento, podemos destacar o declara Idalberto Chiavenato (2014, p. 18), um dos principais expoentes dos estudos administrativos contemporâneos brasileiros: “cada vez mais, a administração está sendo envolvida por assuntos abstratos e complexos. No seu começo, foram eficiência e eficácia. Depois vieram a produtividade e a lucratividade. Mais adiante, mercado, excelência, estratégia, competitividade, sustentabilidade e responsabilidade social”. RESUMINDO: No contexto moderno, as Ciências Sociais Aplicadas abrangem os estudos das relações sociais, como, por exemplo, os relacionamentos interpessoais e o comportamento das relações com seus meios, sejam internos ou externos. Devemos considerar que a administração como ciência constitui em uma matéria de extrema importância para a vida acadêmica e, por consequência, na trajetória profissional, tendo em vista que, direta ou indiretamente, aplica-se no contexto pessoal e dos negócios empresariais/ organizacionais. Isso porque as ciências sociais incluem, entre outras, Economia, Política, Administração, Psicologia, Sociologia, Antropologia e Jurisprudência, História e Linguística. As Ciências Administrativas possibilitam a criação e o aperfeiçoamento das organizações sociais, formais ou informais, mais eficientes e organizadas. Dessa forma, desenvolver estruturas sociais baseadas na ciência, na arte e na tecnologia contribui para que as organizações, por meio dos seus recursos, em especial o humano, consigam a continuidade de suas atividades em um cenário competitivo. As Ciências Sociais, por meio de suas teorias e métodos, contribuem para um melhor entendimento do contexto sistemático da realidade que envolve a sociedade contemporânea. A finalidade principal da administração como Ciência Social Aplicada é preparar os indivíduos para que sejam profissionais competentes por meio do desenvolvimento de suas habilidades e competências, proporcionando os conhecimentos necessários para que cumpram eficazmente suas atividades ao longo de sua carreira profissional. Organização, Sistemas e Métodos 33 Abordagens Clássicas das Relações Humanas e Estruturalista da Administração OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de compreender os principais conceitos das teorias da administração, sua evolução e aperfeiçoamento ao longo da história, as suas diferentes abordagens, bem como suas aplicações para um melhor entendimento de suas práticas no ambiente das organizações. Este capítulo permitirá dar embasamento para discutir os fundamentos das teorias administrativas, como também analisar situações reais do seu cotidiano, seja na empresa ou na vida social. Por fim, você conhecerá as tendências atuais dessas abordagens compreendendo, assim, a evolução dos estudos e das práticas administrativas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! A administração desde a Antiguidade vem se constituindo como uma área de estudos organizacionais muito importantes para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de todo tipo, segmento e tamanho de empresas públicas e privadas, bem como para a manutenção do crescimento dos negócios de qualquer organização. Sendo assim, o campo dos estudos da administração constitui uma área do conhecimento que tem por finalidade despertar a você, caro aluno, para as competências gerenciais, proporcionando uma abordagem introdutória da evolução do pensamento administrativo, bem como dos principais conceitos,dando os embasamentos necessários relacionados ao campo da administração e apresentando-lhe seus fundamentos. Chiavenato (2014, p. 21) esclarece que à medida que a administração se “defronta com novas situações no decorrer do tempo e do espaço, as doutrinas e as teorias administrativas precisam adaptar suas abordagens Organização, Sistemas e Métodos 34 ou modificá-las para continuarem úteis e aplicáveis”. Ainda segundo o autor, isso esclarece a constante evolução do pensamento e dos estudos administrativos, bem como a sua abrangência e complexidade. Com efeito, o Quadro 3 elenca as principais teorias administrativas a partir da Revolução Industrial ocorridas no século XIX. Quadro 3 – Evolução das Teorias Administrativas ANO TEORIAS ADMINISTRATIVAS PRINCIPAIS AUTORES 1903 Escola da Administração Científica Frederick Winslow Taylor, Frank e Lilian Gilbreth 1909 Teoria da Burocracia Karl Emil Maximilian Weber 1916 Escola dos Princípios de Administração Jules Henri Fayol 1932 Teoria das Relações Humanas Elton Mayo e Kurt Lewin 1947 Teoria das Decisões Herbert Alexander Simon 1951 Teoria dos Sistemas Ludwing Von Bertalanffy, Kast e Rosenzweig 1953 Teoria dos Sistemas Sociotécnicos Eric Trist, Ken Bamforth e Fred Emery 1954 Teoria Neoclássica da Administração Drucker, Koontz, O’Donnell e Newman, 1957 Teoria Comportamental da Administração Herbert Alexander Simon. Chester Barnard, Douglas McGregor, Rensis Likert, Chris Argyris 1962 Desenvolvimento Organizacional Richard Beckhard, Warren Bennis e Edgar Schein. 1972 Teoria da Contingência Paul Lawrence e Jay Lorsch 1990 Novas Abordagens Peter Ferdinand Drucker, Frederick Herzberg, Philip Kotler, Michael Porter e Henry Mintzberg Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Organização, Sistemas e Métodos 35 Abordagem Clássica da Administração – Taylorismo e Fayolismo A Abordagem Clássica da Administração teve seu início a partir do século XX, por meio dos estudos de dois engenheiros Frederick Winslow Taylor (1856-1915), nos Estados Unidos com a Administração Cientifica, e Jules Henri Fayol (1841-1925), na França com a Teoria Clássica. Mesmo sem possuir nenhuma forma de comunicação e com perspectivas e visões diferentes, conseguiram desenvolver teorias que constituíram a base da abordagem clássica da administração. Ambos procuraram aumentar a eficiência das empresas, embora enfrentassem a tarefa sob diferentes perspectivas. Em função dessas duas correntes, a Abordagem Clássica da Administração é desdobrada em duas orientações diferentes e, até certo ponto, opostas entre si, mas que se complementam com relativa coerência (CHIAVENATO, 2008, p. 23), onde: De um lado, a Escola da Administração Cientifica, desenvolvida nos Estados Unidos, a partir dos trabalhos de Taylor. Essa escola era formada principalmente por engenheiros, como Frederick Winslow Taylor (1856- 1915), Henry Lawrence Gantt (1861-1919), Frank Bunker Gilbreth (1868- 1924), Harrington Emerson (1853-1931) e outros. Henry Ford (1863- 1947) costuma ser incluído entre eles pela aplicação desses principios em seus negócios. De acordo com Hernández y Rodríguez (2011), Frederick W. Taylor investigou sistematicamente o trabalho humano de operações produtivas em empresas por meio de um método científico e observava que as pessoas, quando elaboraram partes ou peças de metal para construção de edifícios (lingotes), naquele momento, realizavam as tarefas a sua maneira e que cada lingote era diferente um do outro em forma e custo. Organização, Sistemas e Métodos 36 Não havia padrões. Hoje eles são conhecidos como padronização de operações para qualidade, para a produção de um objeto e o serviço que facilita sua medicação. Taylor afirmou assinado: • Não existe um sistema de trabalho eficaz. • Não há incentivos econômicos para os trabalhadores melhorarem seu trabalho. • As decisões são tomadas militarmente e empiricamente, e não pelo conhecimento científico. • Os rabalhadores são contratados independentemente de suas habilidades e aptidões. Para resolver esse problema, ele selecionou os melhores trabalhadores e métodos de trabalho e determinou os tempos que cada movimento ou sub- operação do processo de produção deveria ocupar, para que os fabricantes fossem bem executados, apesar da velocidade. Da mesma forma, estabeleceu postos-chaves ou requisitos de conformidade de qualidade e chamou padrão de indicação de como e em quanto tempo algo deve ser feito a critério da empresa (Hernández y Rodríguez, 2011). No entanto, Maximiano (2000) afirma que, em 1903, Taylor apresentou à Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos o estudo Shop Management, um pequeno livro de que foi publicado oito anos antes de seu famoso livro Princípios de Administração Científica, sendo considerado um verdadeiro clássico das teorias da administração, no qual propunha sua filosofia de administração, que compreendia quatro princípios (Ibidem, 2000, p. 56): i)O objetivo da boa administração era pagar salários altos e ter baixos custos de produção. ii) Com esse objetivo, a administração deveria aplicar métodos de pesquisa para determinar a melhor maneira de executar tarefas. iii) Os empregados deveriam ser cientificamente selecionados e treinados, de maneira que as pessoas e as tarefas fossem compatíveis. Organização, Sistemas e Métodos 37 iv) Deveria haver uma atmosfera de íntima e cordial cooperação entre a administração e os trabalhadores, para garantir um ambiente psicológico favorável à aplicação desses princípios. Tais premissas foram melhor expostas no livro, de 1911, sob o título de The Principles of Scientific Management. Nesse livro, Maximiano (2000, p. 57), enfatiza que Taylor ao mesmo tempo apresentou um conceito extremamente importante: “ele insistiu na distinção entre a filosofia (ou conjunto de princípios) e as técnicas (ou mecanismos) da administração científica”, onde os mecanismos, ou técnicas, seriam: os estudos de tempos e movimentos, a padronização de ferramentas e instrumentos, a padronização de movimentos e o sistema de pagamento de acordo com o desempenho. A administração científica se constitui na aplicação de uma maneira para melhorar a eficiência econômica por meio de estudos científicos para analisar, otimizar e padronizar o fluxo de trabalho. Você pode trabalhar em uma função gerencial em algum momento de sua carreira e precisar tomar decisões cruciais sobre as operações para aumentar a eficiência. Usar o gerenciamento científico no local de trabalho pode ajudá-lo a otimizar o fluxo de trabalho e aumentar a produtividade. Também pode ajudá-lo a pensar criticamente sobre os processos de trabalho e experimentar novos métodos para encontrar o que melhor se adapta à organização, ao seu setor ou suas tarefas. Você pode usar os princípios da gestão científica no local de trabalho, seguindo estas etapas: 1. Analise os processos de trabalho. 2. Defina e delegue tarefas. 3. Use as habilidades dos funcionários e ofereça incentivos. 4. Estabeleça uma hierarquia profissional. Embora Taylor tenha desenvolvido originalmente a teoria científica de gerenciamento para trabalhos de manufatura nas indústrias, você pode usar esses princípios em muitos setores para ajudá-lo a otimizar processos complicados e aumentar a produtividade. Organização, Sistemas e Métodos 38 Para levar o trabalhador a cooperar, Taylor e os seus seguidores desenvolveram os esquemas de incentivos salariais e de recompensa da produção. Com a administração científica foi implantado o conceito de homo economicus, ou seja, toda pessoa é profundamente influenciada pelas recompensas salariais, econômicas e materiais. Em outras palavras, o homem procura trabalho não porque gosta, mas como meio de ganhar a vida com o salário que ele proporciona. O homem é motivado a trabalhar exclusivamente pela fome e pela necessidadede dinheiro para viver. 1. De outro lado, a corrente dos Anatomistas e Fisiologistas da organização, desenvolvida na França, com os trabalhos pioneiros de Fayol Essa escola teve como expoentes: Henri Fayol (1841- 1925), James D. Mooney, Lyndall F. Urwick (1891-1979), Luther Gulick, entre outros. A essa corrente chamaremos Teoria Clássica. A preocupação básica era aumentar a eficiência da empresa por meio da forma e disposição dos órgãos componentes da organização (departamentos) e de suas inter-relações estruturais. A Teoria Clássica da Administração está focada em princípios que poderiam ser usados pelos gestores para coordenar as atividades internas das organizações. O mais proeminente dos teóricos administrativos foi Jules Henri Fayol (1849-1925). Ele observou uma paralisação no trabalho e a julgou uma falha de gerenciamento. Ele acreditava que as práticas de gestão organizacional são importantes para impulsionar a previsibilidade e a eficiência nas organizações. Alfaya (2015, p. 27) relata que Fayol “identificou 14 princípios que devem ser adotados para que a administração seja eficaz, se constituindo uma condição prescritiva para a administração universal, que segundo Fayol devem ser aplicadas de modo flexível”. Maximiano (2000, p. 61/62) afirma que “Fayol completa sua teoria com essas 14 principios que devem ser seguidos para que a administração da empresa se torne eficaz”. São eles: 1. Divisão de trabalho, a designação de tarefas especificas para cada indivíduo, resultando na especialização das funções e separação dos poderes. Organização, Sistemas e Métodos 39 2. Autoridade e responsabilidade, sendo a primeira o direito de mandar e o poder de se fazer obedecer, e a segunda, a sanção – recompensa ou penalidade – que acompanha o exercício do poder. 3. Disciplina, o respeito aos acordos estabelecidos entre a empresa e seus agentes. 4. Unidade de comando, de forma que cada indivíduo tenha apenas um superior. 5. Unidade de direção, um só chefe e um só programa para um conjunto de operações que visam ao mesmo objetivo. 6. Subordinação do interesse individual ao interesse geral. 7. Remuneração do pessoal, de forma equitativa e com base tanto em fatores externos quanto internos. 8. Centralização, o equilíbrio entre a concentração de poderes de decisão no chefe, sua capacidade de enfrentar suas responsabilidades e a iniciativa dos subordinados. 9. Cadeia de comando (linha de autoridade), ou hierarquia, a série dos chefes desde o primeiro ao último escalão, dando-se aos subordinados de chefes diferentes a autonomia para estabelecer relações diretas (a ponte de Fayol). 10. Ordem, um lugar para cada pessoa e cada pessoa em seu lugar. 11. Equidade, o tratamento das pessoas com benevolência e justiça, não excluindo a energia e o rigor quando necessários. 12. Estabilidade do pessoal, a manutenção das equipes como forma de promover seu desenvolvimento. 13. Iniciativa, que faz aumentar o zelo e a atividade dos agentes. 14. Espirito de equipe. Esses princípios da administração são usados para gerenciar uma organização e são benéficos para previsão, planejamento e tomada de decisões, organização e gestão de processos, controle e coordenação. Organização, Sistemas e Métodos 40 Enquanto os proponentes da administração científica desenvolveram princípios que poderiam ajudar os trabalhadores individuais a realizar suas tarefas de forma mais eficiente, a teoria administrativa se concentrou em princípios que poderiam ser usados pelos gerentes para coordenar as atividades internas das organizações. Muitos dos conceitos da administração que constituem a base do pensamento gerencial moderno foram articulados pela primeira vez por Fayol. Esse estudioso acreditava que, com previsões científicas e métodos adequados de gerenciamento, resultados previsíveis satisfatórios certamente viriam. De acordo com Fayol, as operações de uma organização podem ser divididas em seis atividades amplas: 1. Técnico – produção e fabricação de produtos. 2. Comercial – compra, venda e troca. 3. Financeiro – procure o uso ideal de capital. 4. Segurança – protegendo funcionários e propriedade. 5. Contabilidade – registro e balanço de custos, lucros, passivos, manutenção de balanços e compilação de estatísticas. 6. Gerencial – planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. Os estudos de Fayol focaram principalmente na última atividade, que é a “Atividade Gerencial”. No ano de 1916, Fayol publica o livro sob o título de “Administration Industrielle et Générale”. De acordo com Marcon (2017), nessa obra Fayol expôs as funções universais da Administração, por meio das quais determina o ato de administrar como sendo: Prever, Organizar, Comandar, Coordenar e Controlar. Ele identificou esses cinco elementos principais de gerenciamento que descrevem os comportamentos esperados nos quais os gerentes devem se engajar para atingir os objetivos de negócios da organização de forma eficaz. Fayol destacou enfaticamente que a administração, seus princípios, processos e técnicas têm aplicação universal, não importando qual seja o tipo ou segmento, o tamanho de organização ou empresa, se é pública ou privada, nacional ou internacional, sendo possível aplicar seus princípios e processos administrativos. Organização, Sistemas e Métodos 41 Vimos que Taylor e Fayol contribuíram para a ciência da administração. O trabalho de Taylor e Fayol foram complementares entre si. Eles perceberam que o problema do pessoal e de sua gestão em todos os níveis é a chave para o sucesso organizacional. Ambos aplicaram métodos científicos a este problema. Podemos, assim, concluir que os autores: • Sentiram a universalidade da gestão. • Os métodos científicos aplicados aos problemas de gestão. • Observaram a importância do pessoal e de sua gestão em todos os níveis. • Queriam melhorar as práticas de gestão. • Desenvolveram suas ideias por meio da experiência prática. • Explicaram suas ideias por meio de seus estudos. • Enfatizaram a cooperação mútua entre empregadores e empregados. O fato de Taylor trabalhar principalmente no nível operacional, da base da hierarquia empresarial, ou seja, dos níveis de baixo para cima, Fayol se concentrava nos níveis mais altos hierárquicos para os níveis mais baixos, foi meramente um reflexo de suas carreiras muito diferentes e das realidades em que viviam. Abordagem das Relações Humanas A Teoria das Relações Humanas, também chamada Escola Humanística da Administração, tevê seu início nos Estados Unidos e possibilitou o desenvolvimento das Ciências Sociais, de maneira especial da Psicologia. Surgiu, basicamente, como um movimento de reação e oposição à Teoria Clássica da Administração. A principal desvantagem da escola de administração e da escola clássica era a atitude para com uma pessoa. Em certa medida, isso se deveu ao fato de que essas escolas nasceram quando a psicologia estava no seu início. Mesmo esse pouco Organização, Sistemas e Métodos 42 conhecimento sobre as necessidades humanas não estava de forma alguma relacionado com os problemas do trabalho. Embora os autores da administração científica e da abordagem clássica reconheçam a importância do fator humano, suas discussões se limitaram a aspectos como pagamento, incentivos econômicos e estabelecimento de relações funcionais formais. As deficiências da escola clássica e, em primeiro lugar, a atitude para com a pessoa causaram um movimento operário muito significativo contra os gerentes na década de 1920. A maior contribuição para o desenvolvimento da escola das relações humanas foi feita por Mary Parker Follett e George Elton Mayo durante as décadas de 1930 a 1950. O principal mérito na criação da teoria e prática das relações humanas pertence ao psicólogo Elton Mayo, que conduziu uma série de atividades de pesquisa, chamadas de famosoExperimento Hawthorne. Tais estudos demonstraram que é possível influenciar a psicologia das pessoas e mudar sua atitude em relação ao trabalho organizando um pequeno grupo informal. Os experimentos de Hawthorne lançaram as bases para inúmeros estudos de relacionamento na organização, levando em consideração fenômenos psicológicos em grupos, identificando a motivação para o trabalho de relacionamento interpessoal, enfatizando o papel de um indivíduo e de um pequeno grupo em uma organização. Essa teoria, desenvolvida a partir de estudos empíricos realizados nas décadas de 1920 e 1930, sustenta que atitudes, relacionamentos e estilos de liderança desempenham um papel fundamental no desempenho de uma organização. Segundo Ferreira (2009b, p. 1), o advento da Teoria das Relações Humanas se deve aos seguintes fatos: • A necessidade de humanizar e democratizar a Administração, libertando-a dos conceitos rígidos e mecanicistas da Teoria Clássica e adequando-a aos novos padrões de vida do povo americano. Nesse sentido, a Teoria das Relações Humanas constitui um movimento tipicamente americano e voltado para a democratização dos conceitos administrativos. Organização, Sistemas e Métodos 43 • O desenvolvimento das Ciências Humanas – principalmente a Psicologia e a Sociologia – sua crescente influência intelectual e suas primeiras aplicações à organização industrial. As Ciências Humanas vieram demonstrar a inadequação de alguns princípios da Teoria Clássica. As conclusões da Experiência de Hawthorne, realizada entre 1927 e 1932, sob a coordenação de Elton Mayo, punham em xeque alguns postulados da Teoria Clássica da Administração. O Experimento Hawthorne levou às seguintes conclusões: • As normas sociais de comportamento afetam a produtividade do trabalho. • Os incentivos sociais têm um impacto significativo no comportamento dos membros da organização; assim, no decorrer do experimento, foram registrados casos em que os incentivos sociais bloquearam completamente o efeito dos incentivos econômicos. • Os fatores de comportamento do grupo prevalecem sobre os pessoais. • A liderança informal é importante para todo o grupo. A partir desses resultados, Elton Mayo desenvolveu um conceito de homo socialis, ou seja, o homem social. Ele disse que o homem é basicamente motivado por necessidades sociais e obtém sua percepção de identidade por meio do relacionamento com os outros. Ele é mais sensível às forças sociais do grupo informal do que aos incentivos e controles gerenciais. Ele também relacionou a produtividade a um fenômeno social. Essa nova abordagem buscou auxiliar o funcionário na realização de suas próprias capacidades a partir da aplicação dos conceitos científicos do comportamento humano para o desenvolvimento e uma gestão nas organizações. O principal objetivo da escola era melhorar a eficiência da organização, aumentando a eficiência dos seus recursos humanos. A ideia principal era que a aplicação correta da psicologia comportamental sempre aumentará a eficiência tanto do funcionário quanto da organização. Organização, Sistemas e Métodos 44 SAIBA MAIS: A Hawthorne da Western Electric era uma cidade dentro de uma cidade. Uma fábrica com departamentos de polícia e bombeiros, casa de força, usinas de gás e abastecimento de água. A Hawthorne Works era um grande complexo fabril da Western Electric Company em Cicero, Illinois foi inaugurada em 1905 e operou até 1983. No auge de suas operações, Hawthorne empregava 45.000 trabalhadores, produzindo grandes quantidades de equipamentos telefônicos, mas também uma grande variedade de produtos de consumo. Essencialmente, “essas conclusões diziam que o desempenho das pessoas era determinado não apenas pelos métodos de trabalho, segundo a visão da administração cientifica, mas também pelo comportamento” (IBIDEM, 2000). Abordagem Estruturalista Ao término da década de 1950, a abordagem das relações humanas começou entrar em decadência, permitindo o começo da abordagem estruturalista, o que consiste uma visão crítica da organização formal. Essas transições entre correntes de pensamentos são normais pois, à medida que a administração se defronta com novas conjunturas no decorrer do tempo e do espaço, as doutrinas e as teorias administrativas necessitam aperfeiçoar suas abordagens ou modificá-las para permanecerem úteis e aplicáveis.” Isso explica, em parte, os gradativos passos da administração, bem como a sua abrangência e complexidade” (CHIAVENATO, 2014, p. 22). Assim, Motta (1970, p. 24) afirma que o termo estrutura pode ser utilizado “tanto nas ciências físicas quanto nas sociais e em termos amplos significa tudo o que a análise interna de uma totalidade revela, ou seja, elementos, suas inter-relações, disposição” e que a definição de estrutura é, de maneira especial, relevante para a ciência já que pode ser aplicado a coisas diferentes, permitindo a comparação. Organização, Sistemas e Métodos 45 Da Silva (2018) conceitua o estruturalismo como sendo uma metodologia analítica e comparativa que analisa os elementos e os fenômenos correlacionando com a uma totalidade, salientando o seu valor de posição além de que: • Faz uma análise interna de uma totalidade em seus elementos constitutivos, sua disposição, suas inter-relações. • O todo é maior do que a simples soma das partes – para que haja estrutura é necessário que existam entre as partes outras relações que não a simples justaposição, e que uma das partes manifeste propriedades que resultam da sua dependência à totalidade. A estrutura de uma organização é seu próprio modelo, mais ou menos estável, onde fatores como autoridade (hierarquias) e comunicação aparecem. Assim, de acordo com Boteon (2017, p. 10), a abordagem estruturalista se classifica em: • Modelo Burocrático de Organização (Em Busca da Organização Ideal – 1909) – Teoria da Burocracia – ainda considera o sistema fechado (preocupada apenas com os aspectos internos da organização), forte ênfase na divisão racional do trabalho (regras e normas). Teoria Estruturalista da Administração (Ampliando os Horizontes da Empresa – 1947) – Teoria Estruturalista – começa a considerar a relação organização‐ambiente e a concepção de uma organização de sistema aberto, utilizando as visões da teórica clássica, humanística e burocrata. Com o aumento da produção industrial, foi necessário criar modelos para garantir o processo da industrialização, e um dos autores, o economista e sociólogo Max Weber, considerado o “pai” da Teoria Burocrática, teve relevante importância para novos administradores na busca de inspirações para a nova fase da administração. Quando sugeriu esta abordagem, tinha em mente demonstrar que a burocracia continha amplos benefícios e que considerava um modelo para organizar os trabalhos que tinha como propósito de facilitar e Organização, Sistemas e Métodos 46 melhorar as rotinas trabalho. Devido aos problemas que Weber via com autoridade tradicional, ele favorecia uma abordagem mais racional para administrar uma organização e ajudá-la a alcançar seus objetivos. Há duas partes na Teoria Burocrática de Max Weber: 1. Uma hierarquia organizacional específica – uma hierarquia organizacional define como as pessoas são estruturadas e se encaixam dentro de uma organização. Weber queria que cada hierarquia tivesse o que chamava de autoridade legal-racional. Isso constitui que a autoridade definida fica com uma posição, não com uma pessoa e, dessa forma, autoridade vem da posição que você ocupa na hierarquia. 2. Regras pré-estabelecida para tomada de decisão – Weber se referiu a isso como regras de tomada de decisão racional-legal. Isso significa que deve haver um conjunto de regras e procedimentos explícitos que definam como a organização funciona e que essas regras devem ser consistentes com as regras e leis da sociedade em geral.