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Vestibulares Termos Integrantes GR0545 - (Fuvest) Contribui para o efeito de humor da �rinha a) a pergunta retórica feita no primeiro quadrinho. b) a palavra "dinheiro" empregada em sen�do conota�vo no segundo quadrinho. c) o emprego de pleonasmo no terceiro quadrinho. d) a an�tese entre "poemas" e "dinheiro" no terceiro quadrinho. e) o acréscimo do complemento nominal "ao dinheiro" no terceiro quadrinho. GR0296 - (Unesp) Trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo. MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa! UMA VOZ (de fora): Senhor! MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui... A VOZ: O burro? MACÁRIO: A mala, burro! A VOZ: A mala com o burro? MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca. A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro? MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro. A VOZ: Um moço que parece estudante? MACÁRIO: Sim. Mas anda com a mala. A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé? MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura como tua mãe! A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar. OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço o burro... MACÁRIO: E minha mala? A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!... MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (a�ra com uma cadeira no chão) O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro? MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu... O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis... MACÁRIO: Porém a raiva... [...] O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia. Sen� alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho? MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda imensa, irreparável... era o meu cachimbo... O DESCONHECIDO: Fumais? MACÁRIO: Perguntai de que serve o �nteiro sem �nta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me pergunteis se fumo! [...] MACÁRIO: E vós? O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (�ra outro cachimbo e fuma) MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome? O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso? MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o roman�smo. O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão) MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais 1@professorferretto @prof_ferretto harmonioso. Quanto ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos sabem só uma can�ga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono. O DESCONHECIDO: E a poesia? MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de cobre; não há mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém azinhavrado 1. Entendeis-me? O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou- se vulgar e comum. An�gamente faziam-na para o povo; hoje o povo fá-la... para ninguém... (Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.) 1 azinhavrado: coberto de azinhavre (camada de cor verde que se forma na super�cie dos objetos de cobre ou latão, resultante da corrosão destes quando expostos ao ar úmido). “MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...” Na oração em que está inserido, o termo sublinhado é um verbo que pede a) objeto direto, expresso pelo vocábulo “mala”, e objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”. b) apenas objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”. c) apenas objeto direto, expresso pelo vocábulo “ma”. d) objeto direto, expresso pelo vocábulo “burro”, e objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”. e) objeto direto e objeto indireto, ambos expressos pelo vocábulo “ma”. GR0175 - (Eear) Relacione as colunas e, em seguida, assinale a alterna�va com a sequência correta. 1 – objeto direto 2 – objeto indireto 3 – complemento nominal (__) Estava confiante na vitória. (__) Há grandes festejos naquele bairro. (__) Cedeu aos caprichos infan�s. (__) Não me convidou para o lanche. (__) Peço-lhe paciência com os jovens. a) 3 – 2 – 1 – 1 – 2 b) 1 – 2 – 3 – 3 – 1 c) 2 – 1 – 3 – 2 – 3 d) 3 – 1 – 2 – 1 – 2 GR0172 - (Espcex) E a indústria de alimentos na pandemia? O editorial da edição de 10 de junho do Bri�sh Medical Journal, assinado por professores da Queen Mary University of London, na Inglaterra, propõe uma reflexão tão interessante que vale provocá-la entre nós, aqui também: a pandemia de Covid-19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a de obesidade. O excesso de peso, por si só, já é um fator de risco importante para o agravamento da infecção pelo Sars-CoV 2, como lembram os autores. A probabilidade de uma pessoa com obesidade severa morrer de Covid- 19 chega a ser 27% maior do que a de indivíduos com obesidade grau 1, isto é, com um índice de massa corporal entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado, de acordo com a plataforma de registros OpenSAFELY. O editorial cita uma série de outros dados e possíveis razões para a associação entre a má evolução de certos casos de Covid-19 e a obesidade. No entanto, o que mais destaca é o ambiente obesogênico que o novo coronavírus encontrou no planeta. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, para citar dois exemplos, entre 65% e 70% da população apresentam um peso maior do que o recomendado para o bem da saúde. E, assim, os autores apontam o dedo para a indústria de alimentos que, em sua opinião, em todo o globo não parou de promover produtos ultraprocessados, com muito açúcar, uma quan�dade excessiva de sódio e gorduras além da conta. A crí�ca do editorial é mesmo cortante: “Fica claro que a indústria de alimentos divide a culpa não apenas pela pandemia de obesidade como pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências devastadoras”, está escrito. E os autores cobram medidas, lembrando que o confinamento exigido pela Covid-19 aparentemente piorou o estado nutricional das pessoas, em parte pela falta de acesso a alimentos frescos, em outra parte porque o pânico fez muita gente estocar itens ultraprocessados em casa, já que esses costumam ter maior vida de prateleira, inclusive na despensa. Mas o que deixou os autores realmente desconfortáveis foram as ações de marke�ng de algumas marcas nesses tempos desafiadores. Todas, claro, querendo demonstrar o seu envolvimento com inicia�vas de responsabilidade social, mas dando �ros que, para olhos mais atentos, decididamente saíram pela culatra. Por exemplo, quando uma indústria bem popular na Inglaterra distribuiu nada menos do que meio milhão de calóricos donuts para profissionais na linha de frente do Na�onal Health Service britânico. A impressão é de que as indústrias de alimentos verdadeiramente preocupadas com a população, cada vez mais acome�da pela obesidade, deveriam aproveitar a crise atual para botar a mão na consciência, parar de promover itens pouco saudáveis e reformular boa parte 2@professorferretto @prof_ferretto do seu por�ólio. As mortes por Covid-19 dão a pista de que essa é a maior causa que elas poderiam abraçar no momento. Fonte: Adaptado de h�ps://abeso.org.br/e-a-industria- de-alimentos-na-pandemia. Publicado em 30 de junho de 2020. Acessado em 09 Mar 21. GLOSSÁRIO: O termo “ambiente obesogênico” foi criado pelo professor de Bioengenharia da Universidade da Califórnia, nos EUA, Bruce Blumberg. Segundo ele, são os Obesogênicos os responsáveis por contribuir no ganho de peso sem que o indivíduo tenha consciência de que está engordando. No trecho “A crí�ca do editorial é mesmo cortante.”, o termo destacado é a) sujeito simples. b) objeto direto. c) predica�vo do sujeito. d) predica�vo do objeto. e) complemento nominal. GR0290 - (Unesp) A crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902. Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu lobisomem. Pareceque tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primi�va credulidade. Inventar um fantasma é ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa pa�faria. As almas simples vão propagando o terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os pa�fes vão rejubilando. O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro — como um fantasma de grande e louvável modés�a. E tão esba�do (^1) passava o seu vulto na treva, tão su�lmente deslizava ao longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo. Porque, enfim, pode um homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sen�r a voz presa na garganta, quando encontra na rua, a desoras (^2), uma avantesma (^3)... Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer ves�gios assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido, por exemplo, as hós�as consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias... E a polícia, finalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados an�gos, e dando-se à prá�ca de excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia. Dizem as folhas (^4) que a polícia, competentemente munida de ben�nhos (^5) e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra — um velho pardieiro (^6) que fica no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos “pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que os si�ante (^7) empunhavam”. Esta nota de morcegos deve ser um chique român�co do no�ciarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros, esses medonhos ratos alados, companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu tempo passou. (Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.) (^1) esba�do: de tom pálido. (^2) a desoras: muito tarde. (^3) avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro. (^4) folha: periódico diário, jornal. (^5) ben�nho: objeto de devoção contendo orações escritas. (^6) pardieiro: prédio velho ou arruinado. (^7) si�ante: policial. A expressão sublinhada em “No fundo da alma de todo o repórter há sempre um poeta...” (5º parágrafo) exerce a mesma função sintá�ca da expressão sublinhada em 3@professorferretto @prof_ferretto a) “Esta nota de morcegos deve ser um chique român�co do no�ciarista.” (5º parágrafo) b) “Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primi�va credulidade.” (1º parágrafo) c) “Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas...” (5º parágrafo) d) “Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias...” (3º parágrafo) e) “Dizem as folhas que a polícia, competentemente munida de ben�nhos e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou anteontem o reduto do fantasma.” (4º parágrafo) GR0180 - (Unifesp) Leia o poema de Fernando Pessoa Cruz na porta da tabacaria! Quem morreu? O próprio Alves? Dou Ao diabo o bem-’star que trazia. Desde ontem a cidade mudou. Quem era? Ora, era quem eu via. Todos os dias o via. Estou Agora sem essa monotonia. Desde ontem a cidade mudou. Ele era o dono da tabacaria. Um ponto de referência de quem sou. Eu passava ali de noite e de dia. Desde ontem a cidade mudou. Meu coração tem pouca alegria, E isto diz que é morte aquilo onde estou. Horror fechado da tabacaria! Desde ontem a cidade mudou. Mas ao menos a ele alguém o via, Ele era fixo, eu, o que vou, Se morrer, não falto, e ninguém diria: Desde ontem a cidade mudou. (Obra poé�ca, 1997.) Sempre que haja necessidade expressiva de reforço, de ênfase, pode o objeto direto vir repe�do. Essa reiteração recebe o nome de objeto direto pleonás�co. (Adriano da Gama Kury. Novas lições de análise sintá�ca, 1997. Adaptado.) O eu lírico lança mão desse recurso expressivo no verso a) “Todos os dias o via. Estou” (2ª estrofe) b) “E isto diz que é morte aquilo onde estou.” (4ª estrofe) c) “Ele era fixo, eu, o que vou,” (5ª estrofe) d) “Mas ao menos a ele alguém o via,” (5ª estrofe) e) “Ao diabo o bem-’star que trazia.” (1ª estrofe) GR0260 - (Unesp) Leia o trecho do livro Em casa, de Bill Bryson, para responder à questão. Quase nada, no século XVII, escapava à astúcia dos que adulteravam alimentos. O açúcar e outros ingredientes caros muitas vezes eram aumentados com gesso, areia e poeira. A manteiga �nha o volume aumentado com sebo e banha. Quem tomasse chá, segundo autoridades da época, poderia ingerir, sem querer, uma série de coisas, desde serragem até esterco de carneiro pulverizado. Um carregamento inspecionado, relata Judith Flanders, demonstrou conter apenas a metade de chá; o resto era composto de areia e sujeira. Acrescentava-se ácido sulfúrico ao vinagre para dar mais acidez; giz ao leite; terebin�na1 ao gim. O arsenito de cobre era usado para tornar os vegetais mais verdes, ou para fazer a geleia brilhar. O cromato de chumbo dava um brilho dourado aos pães e também à mostarda. O acetato de chumbo era adicionado às bebidas como adoçante, e o chumbo avermelhado deixava o queijo Gloucester, se não mais seguro para comer, mais belo para olhar. Não havia pra�camente nenhum gênero que não pudesse ser melhorado ou tornado mais econômico para o varejista por meio de um pouquinho de manipulação e engodo. Até as cerejas, como relata Tobias Smolle�, ganhavam novo brilho depois de roladas, delicadamente, na boca do vendedor antes de serem colocadas em exposição. Quantas damas inocentes, perguntava ele, �nham saboreado um prato de deliciosas cerejas que haviam sido “umedecidas e roladas entre os maxilares imundos e, talvez, ulcerados de um mascate de Saint Giles”? O pão era par�cularmente a�ngido. Em seu romance de 1771, The expedi�on of Humphry Clinker, Smolle� definiu o pão de Londres como um composto tóxico de “giz, alume 2 e cinzas de ossos, insípido ao paladar e destru�vo para a cons�tuição”; mas acusações assim já eram comuns na época. A primeira acusação formal já encontrada sobre a adulteração generalizada do pão está em um livro chamado Poison detected: or frigh�ul truths, escrito anonimamente em 1757, que revelou segundo “uma autoridade altamente confiável” que “sacos de ossos velhos são usados por alguns padeiros, não infrequentemente”, e que “os ossuários dos mortos são revolvidos para adicionar imundícies ao alimento dos vivos”. (Em casa, 2011. Adaptado.) 4@professorferretto @prof_ferretto 1 terebin�na: resina extraída de uma planta e usada na fabricaçãode vernizes, diluição de �ntas etc. 2 alume: designação dos sulfatos duplos de alumínio e metais alcalinos, com propriedades adstringentes, usado na fabricação de corantes, papel, porcelana, na purificação de água, na clarificação de açúcar etc Em “Quase nada, no século XVII, escapava à astúcia dos que adulteravam alimentos” (1º parágrafo), o termo sublinhado é um verbo a) transi�vo direto. b) intransi�vo. c) de ligação. d) transi�vo indireto. e) transi�vo direto e indireto. GR0268 - (Unesp) No fim da carta de que V. M.1 me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador. Eu, Senhor, razões polí�cas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece. Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada �nha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repar�u este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a 1 , se a 2 . Tudo quanto há na capitania do Pará, �rando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há de �rar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias. Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injus�ça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que �vera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu- me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.” São las�mosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir. Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem. (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.) Sempre que haja necessidade expressiva de reforço, de ênfase, pode o objeto direto vir repe�do. Essa reiteração recebe o nome de objeto direto pleonás�co. (Adriano da Gama Kury. Novas lições de análise sintá�ca, 1997. Adaptado.) Antônio Vieira recorre a esse recurso expressivo em: a) “Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam” (3º parágrafo) b) “e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me” (4º parágrafo) c) “e desta terra há-de �rar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias” (3º parágrafo) d) “São las�mosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas” (5º parágrafo) e) “Eu, Senhor, razões polí�cas nunca as soube, e hoje as sei muito menos” (2º parágrafo) GR0174 - (Eear) Coloque (PO) para predica�vo do objeto e (PS) para predica�vo do sujeito. Em seguida, assinale a alterna�va com a sequência correta. (__) A finalização da pintura resultou magnífica. (__) A doença o deixou irreconhecível. (__) As duas mulheres entraram no recinto sérias. (__) Achavam-no um gênio. a) PO – PS – PS – PO b) PS – PO – PS – PO c) PO – PO – PS – PS d) PS – PO – PO – PS GR0176 - (Famema) Leia o trecho do poema “Amor feinho”, de Adélia Prado e responda. 5@professorferretto @prof_ferretto Eu quero amor feinho. Amor feinho não olha um pro outro. Uma vez encontrado é igual fé, não teologa mais. Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja. Tudo que não fala, faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada. Amor feinho é bom porque não fica velho. Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher. Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho. (Bagagem, 2011) “Eu quero amor feinho.” O verbo sublinhado é transi�vo direto, assim como o verbo sublinhado em: a) “Cuida do essencial” b) “não teologa mais.” c) “Uma vez encontrado é igual fé,” d) “Amor feinho é bom porque não fica velho.” e) “Planta beijo de três cores ao redor da casa” GR0182 - (Epcar) As feridas abertas da escravidão Mais de um século após abolir a escravatura, Brasil e EUA apenas agora começam a reconstruir a história de seus heróis negros. Doze anos de escravidão, produção do diretor britânico Steve McQueen, entrou para a história do cinema ao ganhar o Oscar de Melhor Filme, na premiação do úl�mo dia 2 [de março de 2014]. É o primeiro filme de um diretor negro a ganhar a estatueta. (...) Antes do filme, lançado no ano passado, quase ninguém conhecia a história de Salomon Northup, negro livre e bem-educado de Nova York. Em 1842, ele foi sequestrado e forçado à escravidão, por 12 anos, em fazendas no sul dos Estados Unidos. (05) Resgatado por seus amigos brancos, Northup lutou pela abolição da escravatura e contou sua história a um escritor de livros, David Wilson (06). O texto foi encontrado e reeditado em 1960, sem grande repercussão, até chegar às mãos de McQueen. (01) “Minha ideia era transformar Northup num herói, porque ele é um verdadeiro herói americano” (02), disse o cineasta. A consagração do filme, ao mesmo tempo, serviu para realçar como a escravidão de negros, abolida nos Estados Unidos há 148 anos e no Brasil há 125, ainda é pouco conhecida. No Brasil, por mais de um século, prevaleceu a crença de que seria improdu�vo vasculhar o passado dos negros. Os arquivos sobre a escravidão, dizia-se, perderam-se em 1890. (...) “A carência e a imprecisão de registros históricos reduziu o brilho de heróis nacionais”, diz Patrícia Xavier, mestre em história social pela PUC-SP. Em sua tese de mestrado, Patrícia estudou a vida de Francisco José do Nascimento, O Chico da Ma�lde, líder abolicionista morto em 6 de março de 1914 — portanto, há 100 anos. Sua vida também daria um filme. Negro livre, Chico trabalhava como prá�co no porto da província do Ceará. Segundo relatos da época, em 1881, Chico liderou os jangadeiros ao se recusar transportar escravos. Influenciado pela insurreição dos jangadeiros, o Ceará aboliu a escravidão em 1884, quatro anos antes da Princesa Isabel assinar a Lei Áurea. (...) O resgate histórico do período de escravidão ganha força à medida que documentos são descobertos e que a sociedade ganha distanciamento. Um século e meio de abolição é pouco tempo, mesmo para países jovens como EUA e Brasil. O diretor Steve McQueen pôde usar, em seu filme, fazendas do Mississippi onde houve a escravidão. O tronco onde dois escravos são espancados, na obra de ficção, foi usado para o chicoteamento, um século atrás. “Aquelas árvores viram tudo”, diz McQueen. Método de trabalho largamente empregado na Europa, na Ásia e na África, a escravidão foi ex�nta apenas na década de 1980 em países como Serra Leoa. (03) Suas feridas con�nuam abertas (04). Época/nº823, 10 mar. 2014. Editora Globo, p.55. Leia o trecho abaixo para responder à questão que se segue. “Resgatado por eus amigos brancos, Northup lutou pela abolição da escravatura e contou sua história a um escritor de livros, David Wilson.” (05)(06) Sobre as preposições acima, é INCORRETO afirmar quea) “Por” introduz um agente da passiva. b) “Pela” expressa uma finalidade. c) “Da” liga um complemento nominal a um substan�vo. d) “De” relaciona o objeto indireto ao verbo. GR0179 - (Efomm) O homem deve reencontrar o Paraíso... Rubem Alves Era uma família grande, todos amigos. Viviam como todos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava um pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de vida: um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu, as estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. 6@professorferretto @prof_ferretto Venderam o que �nham, compraram um barco capaz de atravessar mares e sobreviver tempestades. Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber. São muitos os saberes necessários para se navegar. Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria de fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos de navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as cordas, as polias e roldanas, os mastros, o leme, os parafusos, o motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas, os mares, os mapas... Disse certo o poeta: Navegar é preciso, a ciência da navegação é saber preciso, exige aparelhos, números e medições. Barcos se fazem com precisão, astronomia se aprende com o rigor da geometria, velas se fazem com saberes exatos sobre tecidos, cordas e ventos, instrumentos de navegação não informam mais ou menos. Assim, eles se tomaram cien�stas, especialistas, cada um na sua - juntos para navegar. Chegou então o momento da grande decisão - para onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do Chile, outro os canais dos fiordes da Nomega, um outro queria conhecer os exó�cos mares e praias das ilhas do Pacífico, e houve mesmo quem quisesse navegar nas rotas de Colombo. E foi então que compreenderam que, quando o assunto era a escolha do des�no, as ciências que conheciam para nada serviam. De nada valiam números, tabelas, gráficos, esta�s�cas. Os computadores, coitados, chamados a dar o seu palpite, ficaram em silêncio. Os computadores não têm preferências - falta-lhes essa su�l capacidade de gostar, que é a essência da vida humana. Perguntados sobre o porto de sua escolha, disseram que não entendiam a pergunta, que não lhes importava para onde se estava indo. Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se com os sonhos. Infelizmente a ciência, u�líssima, especialista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre o coração humano. É preciso sonhar para se decidir sobre o des�no da navegação. Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa imprecisa. Disse certo o poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem o impreciso desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de navegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar. Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia seus Cân�cos dizendo: E pois com a nau no mar / assestamos a quilha contra as vagas... Cecília Meireles: Foi, desde sempre, o mar! A solidez da terra, monótona / parece-nos fraca ilusão! Queremos a ilusão do grande mar / mul�plicada em suas malhas de perigo. E Nietzsche: Amareis a terra de vossos filhos, terra não descoberta, no mar mais distante. Que as vossas velas não se cansem de procurar esta terra! O nosso leme nos conduz para a terra dos nossos filhos... Viver é navegar no grande mar! Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sábio, comparou a nossa civilização a uma galera que navega pelos mares. Nos porões estão os remadores. Remam com precisão cada vez maior. A cada novo dia recebem remos novos, mais perfeitos. O ritmo das remadas acelera. Sabem tudo sobre a ciência do remar. A galera navega cada vez mais rápido. Mas, perguntados sobre o porto do des�no, respondem os remadores: O porto não nos importa. O que importa é a velocidade com que navegamos. C. Wright Mills usou esta metáfora para descrever a nossa civilização por meio duma imagem plás�ca: mul�plicam-se os meios técnicos e cien�ficos ao nosso dispor, que fazem com que as mudanças sejam cada vez mais rápidas; mas não temos ideia alguma de para onde navegamos. Para onde? Somente um navegador louco ou perdido navegaria sem ter ideia do para onde. Em relação à vida da sociedade, ela contém a busca de uma utopia. Utopia, na linguagem comum, é usada como sonho impossível de ser realizado. Mas não é isso. Utopia é um ponto ina�ngível que indica uma direção. Mário Quintana explicou a utopia com um verso: Se as coisas são ina�ngíveis... ora! / Não é mo�vo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora/ A mágica presença das es frei as! Karl Mannheim, outro sociólogo sábio que poucos leem, já na década de 1920 diagnos�cava a doença da nossa civilização: Não temos consciência de direções, não escolhemos direções. Faltam-nos estrelas que nos indiquem o des�no. Hoje, ele dizia, as únicas perguntas que são feitas, determinadas pelo pragma�smo da tecnologia (o importante é produzir o objeto) e pelo obje�vismo da ciência (o importante é saber como funciona), são: Como posso fazer tal coisa? Como posso resolver este problema concreto par�cular? E conclui: E em todas essas perguntas sen�mos o eco o�mista: não preciso de me preocupar com o todo, ele tomará conta de si mesmo. Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa ciência da navegação, sem que os estudantes sejam levados a sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e sem rumo. Nas universidades, essa doença assume a forma de peste epidêmica: cada especialista se dedica, com paixão e competência, a fazer pesquisas sobre o seu parafuso, sua polia, sua vela, seu mastro. Dizem que seu dever é produzir conhecimento. Se forem bem-sucedidas, suas pesquisas serão publicadas em revistas internacionais. Quando se lhes pergunta: Para onde seu barco está navegando?, eles respondem: Isso não é cien�fico. Os sonhos não são objetos de conhecimento cien�fico... E assim ficam os homens comuns abandonados por aqueles que, por conhecerem mares e estrelas, lhes poderiam mostrar o rumo. Não posso pensar a missão das escolas, começando com as crianças e con�nuando 7@professorferretto @prof_ferretto com os cien�stas, como outra que não a da realização do dito do poeta: Navegar é preciso. Viver não é preciso. E necessário ensinar os precisos saberes da navegação enquanto ciência. Mas é necessário apontar com imprecisos sinais para os des�nos da navegação: A terra dos filhos dos meus filhos, no mar distante... Na verdade, a ordem verdadeira é a inversa. Primeiro, os homens sonham com navegar. Depois aprendem a ciência da navegação. E inú�l ensinar a ciência da navegação a quem mora nas montanhas... O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard: O universo tem um des�no de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é jardim, lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres. Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. Houve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um brilho chamado progresso. Está na bandeira nacional... E, quilha contra as vagas, a galera navega em direção ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e ninguém ques�ona a direção. E é assim que as florestas são destruídas, os rios se transformam em esgotos de fezes e veneno, o ar se enche de gases, os campos se cobrem de lixo - e tudo ficou feio e triste. Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnologias do ensino - psicologias e quinquilharias - e tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso. OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. Assinalea alterna�va em que o termo sublinhado NÃO cumpre a função de sujeito. a) Mas para navegar não basta sonhar. E preciso saber. b) Disse certo o poeta: ‘Navegar é preciso a ciência da navegação é saber preciso (...) c) É preciso sonhar para se decidir sobre o des�no da navegação. d) Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas imagens na mente dos poetas. e) O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard (...) GR0181 - (Unifesp) É, suponho que é em mim, como um dosrepresentantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora1. E por que é que mais me adianta contar os treze �ros que mataram Mineirinho2do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredu�veis, mas revolta irredu�vel também, a violenta compaixão da revolta. Sen�r-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a jus�ça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”. Por quê? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubs�tuíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garan�a: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo �ro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sé�mo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro �ro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro. Essa jus�ça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze �ros nos acordam, e com horror digo tarde demais – vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salva às vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for precioso. Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva. Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. (Clarice Lispector. Para não esquecer, 1999.) 1 facínora: diz-se de ou indivíduo que executa um crime com crueldade ou perversidade acentuada. 2 Mineirinho: apelido pelo qual era conhecido o criminoso carioca José Miranda Rosa. Acuado pela polícia, acabou crivado de balas e seu corpo foi 8@professorferretto @prof_ferretto encontrado à margem da Estrada Grajaú-Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. “Até que treze �ros nos acordam, e com horror digo tarde demais - vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu - que ao homem acuado, que a esse não nos matem.” (4º parágrafo) Os termos “a esse” e “nos” cons�tuem, respec�vamente, a) objeto indireto e objeto direto. b) objeto indireto e objeto indireto. c) objeto direto preposicionado e objeto direto. d) objeto direto preposicionado e objeto indireto. e) objeto direto e objeto indireto. GR0178 - (Uea) Leia o texto de João Vicente Ganzarolli de Oliveira. No sen�do amplo, a arte é uma a�vidade produtora, responsável pela criação de seres que, sem a intervenção humana, não exis�riam. Entendendo dessa forma, são frutos da arte tanto um moteto1de Palestrina quanto um automóvel; uma ferramenta pré-histórica e um computador. Como a arte, também a natureza é geradora. Nelas temos duas fontes de existência das criaturas; ambas insurgem-se contra o nada. Como diz É�enne Gilson, "A missão do ar�sta é enriquecer o mundo com novos seres. O ar�sta sente um impulso irresis�vel de violentar o nada". (A humanização da arte, 2006. Adaptado.) 1moteto: �po de composição musical medieval. O predica�vo do sujeito é o termo que qualifica (ou caracteriza) o sujeito da oração. O termo sublinhado exerce a função de predica�vo do sujeito em: a) "Nelas temos duas fontes de existência de criaturas". b) "a arte é uma a�vidade produtora". c) "ambas insurgem-se contra o nada". d) "O ar�sta sente um impulso irresis�vel de violentar o nada". e) "São frutos da arte tanto um moteto de Palestrina quanto um automóvel". GR0173 - (Unesp) A crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902. Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primi�va credulidade. Inventar um fantasma é ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa pa�faria. As almas simples vão propagando o terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os pa�fes vão rejubilando. O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro — como um fantasma de grande e louvável modés�a. E tão esba�do1passava o seu vulto na treva, tão su�lmente deslizava ao longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo. Porque, enfim, pode um homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sen�r a voz presa na garganta, quando encontra na rua, a desoras2, uma avantesma3... Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer ves�gios assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido, por exemplo, as hós�as consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias... E a polícia, finalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados an�gos, e dando-se à prá�ca de excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia. Dizem as folhas4que a polícia, competentemente munida de ben�nhos5e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra — um velho pardieiro6que fica no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos “pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que os si�ante7empunhavam”. 9@professorferretto @prof_ferretto Esta nota de morcegos deve ser um chique român�co do no�ciarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros,esses medonhos ratos alados, companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu tempo passou. (Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.) 1esba�do: de tom pálido. 2a desoras: muito tarde. 3avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro. 4folha: periódico diário, jornal. 5ben�nho: objeto de devoção contendo orações escritas. 6pardieiro: prédio velho ou arruinado. 7si�ante: policial. A expressão sublinhada em “No fundo da alma de todo o repórter há sempre um poeta...” (5º parágrafo) exerce a mesma função sintá�ca da expressão sublinhada em a) “Esta nota de morcegos deve ser um chique român�co do no�ciarista.” (5] parágrafo) b) “Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primi�va credulidade.” (1º parágrafo) c) “Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas...” (5º parágrafo) d) “Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias...” (3º parágrafo) e) “Dizem as folhas que a polícia, competentemente munida de ben�nhos e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou anteontem o reduto do fantasma.” (4º parágrafo) GR0170 - (Puccamp) O tempo e suas medidas 1O homem vive dentro do tempo, o tempo que ele preenche, mede, avalia, ama e teme. Para marcar a passagem e as medidas do tempo, inventou o relógio. A palavra vem do la�m horologium, e 2se refere a um quadrante do céu que os an�gos aprenderam a observar para se orientarem no tempo e no espaço. 3Os artefatos construídos para medir a passagem do tempo sofreram ao longo dos séculos uma grande evolução. No início 4o Sol era a referência natural para a separação entre o dia e a noite, mas depois os relógios solares foram seguidos de outros que vieram a u�lizar o escoamento de líquidos, de areia, ou a queima de fluidos, até chegar aos disposi�vos mecânicos que originaram as pêndulas. 5Com a eletrônica, surgiram os relógios de quartzo e de césio, aposentando os chamados “relógios de corda”. O mostrador digital que está no seu pulso ou no seu celular tem muita história: tudo teria começado com a haste ver�cal ao sol, que projetava sua sombra num plano horizontal demarcado. 6A ampulheta e a clepsidra são as simpá�cas bisavós das atuais engenhocas eletrônicas, e até hoje intrigam e divertem crianças de todas as idades. 7Mas a evolução dos maquinismos humanos 8que dividem e medem as horas não suprimiu nem diminuiu a preocupação dos homens com o Tempo, 9essa en�dade implacável, sempre a lembrar a condição da nossa mortalidade. Na mitologia grega, o deus Chronos era o senhor do tempo que se podia medir, por isso chamado “cronológico”, 10a fluir incessantemente. No entanto, 11a memória e a imaginação humanas criam tempos outros: uma autobiografia recupera o passado, a ficção cien�fica pretende vislumbrar o futuro. No Brasil, muito da força de um 12José Lins do Rego, de um Manuel Bandeira ou de um Pedro Nava vem do memorialismo ar�s�camente trabalhado. A própria história nacional 13sofre os efeitos de uma intervenção no passado: escritores român�cos, logo depois da Independência, sen�ram necessidade de emprestar ao país um passado glorioso, e recorreram às idealizações do Indianismo. No cinema, uma das homenagens mais bonitas ao tempo passado é a do filme Amarcord (“eu me recordo”, em dialeto italiano), do cineasta Federico Fellini. São lembranças pessoais de uma época dura, quando o fascismo crescia e dominava a Itália. Já um tempo futuro terrivelmente sombrio é projetado no filme “Blade Runner, o caçador de androides”, do diretor Ridley Sco�, no cenário futurista de uma metrópole caó�ca. Se o relógio da História marca tempos sinistros, o tempo construído pela arte abre-se para a poesia: o tempo do sonho e da fantasia arrebatou mul�dões no filme O mágico de Oz estrelado por Judy Garland e eternizado pelo tema da canção Além do arco-íris. Aliás, a arte da música é, sempre, uma habitação especial do tempo: as notas combinam-se, ritmam e produzem melodias, adensando as horas com seu envolvimento. São diferentes as qualidades do tempo e as circunstâncias de seus respec�vos relógios: há o “relógio biológico”, que regula o ritmo do nosso corpo; há o “relógio de ponto”, que controla a presença do trabalhador numa empresa; e há a necessidade de “acertar os relógios”, para combinar uma ação em grupo; há o desafio de “correr contra o relógio”, obrigando-nos à pressa; e há quem “seja como um relógio”, quando extremamente pontual. 14Por vezes barateamos o sen�do do tempo, 15tornando-o uma espécie de vazio a preencher: é quando fazemos algo para “passar o tempo”, e apelamos para um jogo, uma brincadeira, um “passatempo” como as palavras cruzadas. Em compensação, nas horas de 10@professorferretto @prof_ferretto grande expecta�va, queixamo-nos de que “o tempo não passa”. “Tempo é dinheiro” é o lema dos capitalistas e inves�dores e dos operadores da Bolsa; e é uma obsessão para os atletas olímpicos em busca de recordes. Nos relógios primi�vos, nos cronômetros sofis�cados, nos sinos das velhas igrejas, no pulsar do coração e da pressão das artérias, a expressão do tempo se confunde com a evidência mesma do que é vivo. No �c-tac da pêndula de um relógio de sala, na casa da avó, os ne�nhos ouvem inconscientemente o tempo passar. O Big Ben londrino marcou horas terríveis sob o bombardeio nazista. Na passagem de um ano para outro, contamos os úl�mos dez segundos cantando e festejando, na esperança de um novo tempo, de um ano melhor. (Péricles Alcântara, inédito) Por vezes barateamos o sen�do do tempo, tornando-o uma espécie de vazio a preencher: é quando fazemos algo para “passar o tempo”, e apelamos para um jogo, uma brincadeira, um “passatempo” como as palavras cruzadas. Em compensação, nas horas de grande expecta�va, queixamo-nos de que “o tempo não passa”. No trecho acima transcrito, a) a expressão Por vezes pode ser subs�tuída por “As vezes” sem que haja prejuízo da correção grama�cal, pois nada jus�ficaria o emprego do acento indica�vo da crase. b) os dois-pontos introduzem não um esclarecimento do que foi dito antes, mas uma enumeração; no caso, enumeração dos passatempos. c) a sequência “e apelamos para um jogo, uma brincadeira, um ‘passatempo’ como as palavras cruzadas” poderia ter a ordem dos complementos verbais alterada sem prejuízo do sen�do original. d) a forma “queixamo-nos” é grama�calmente correta, assim como o é a destacada em “Ele me fez uma gen�leza, é hora de retribui-lo”. e) o emprego das aspas, nas três ocorrências, é indica�vo de palavra e expressões �picas da linguagem coloquial. GR0183 - (Ufrgs) A história não tem sido (1) favorável à Polônia (4) e à sua literatura. Os duzentos anos durante os quais (8) o país esteve dividido entre as potências vizinhas - Rússia, Prússia e Áustria - exerceram uma influência de longo alcance sobre sua literatura. Os opressores (11) não apenas tentaram impor (14) seu domínio polí�co (12), mas erradicar (15) a cultura do povo conquistado (13). Um dos principais alvos era a língua: ________ do uso oficial e das cerimônias públicas. A literatura polonesa teve de adotar o di�cil papel de guardiã do idioma, ameaçado pela expansão dos opressores e de sua língua. As obras literárias passaram a ser o único santuário (5) onde (9) a língua ameaçada poderia florescer. Consequentemente (16), o país, que (6) �nha ficado (2) privado de seu exército regular, formou uma divisão de poetas, com a crença profunda de que ________ mais efe�vos que unidades militares. A língua era sua única arma contra a opressão do Estado. Acreditava-se que perder a língua nacional significaria perder a iden�dade cultural, crença essa jamais ques�onada. Assim (17), a poesia polonesa sen�u, desde a época das par�ções, o terrível peso do dever público. Isso originou uma série de conflitos dentro da própria literatura. Os poetas,cuja principal tarefa (10) era preservar - por via da língua - o sen�do de iden�dade nacional, �veram de refrear a voz individual, uma vez que serviam (3) à causa polonesa, supraindividual. Tiveram de suspender a alegria cria�va da picardia e da irresponsabilidade, por causa da gravidade de seus obje�vos. A poesia estava associada, inextricavelmente, à extrema seriedade da missão. E, mesmo que (18) ________ obras escritas por poetas em momentos descomprome�dos da vida, quando desfrutavam dos prazeres terrenos ou se (7) deliciavam com horas de ócio, estes não �nham sido incluídos no cânone literário. Na Polônia, a seriedade do obje�vo modelou a ideia popular do que a poesia é e (19) deveria (20) ser. (Adaptado de: JARNIEWICZ, J. Língua contra língua. In: PETERSON, M. (Org.) A literatura soberana: ensaios sobre as literaturas da Europa Centro-Oriental. São Paulo: Humanitas, 2010. p. 191-192.) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, referentes a funções sintá�cas de palavras e segmentos do texto. (__) O segmento à Polônia (4) exerce função de objeto indireto. (__) O segmento o único santuário (5) exerce a função de predica�vo do sujeito. (__) O pronome que (6) desempenha a função de sujeito da oração em que aparece. (__) O pronome se (7) é um índice de indeterminação do sujeito. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 11@professorferretto @prof_ferretto a) F - V - V - F. b) F - F - V - V. c) V - F - F - V. d) V - V - F - F. e) V - F - V - F. GR0548 - (Espm) Dos pronomes rela�vos em destaque nos segmentos abaixo, assinale aquele que exerça função sintá�ca de objeto direto: a) “A promulgação da Lei do Ventre Livre, em 1871, definia que os bebês que as mulheres escravizadas parissem a par�r daquela data estariam livres.” b) “O tema tem adquirido muita relevância nos círculos feministas no Brasil, onde mulheres têm desenvolvido suas ações.” c) “...especialmente em nosso país, marcadamente caracterizado por inúmeras desigualdades sociais e pela ausência de polí�cas públicas que garantam acesso a serviços de saúde, educação, saneamento básico, segurança, entre outros.” d) “...Ins�tuto da Mulher Negra, cuja organização é pioneira na luta e defesa dos direitos das mulheres negras, entre outros.” e) “...procura racializar as discussões, ao trazer para o debate assuntos que foram ignorados pelos feminismos brancos.” GR0171 - (Unesp) Trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo. MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa! UMA VOZ (de fora): Senhor! MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui... A VOZ: O burro? MACÁRIO: A mala, burro! A VOZ: A mala com o burro? MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca. A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro? MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro. A VOZ: Um moço que parece estudante? MACÁRIO: Sim. Mas anda com a mala. A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé? MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura como tua mãe! A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar. OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço o burro... MACÁRIO: E minha mala? A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!... MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (a�ra com uma cadeira no chão) O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro? MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu... O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis... MACÁRIO: Porém a raiva... [...] O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia. Sen� alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho? MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda imensa, irreparável... era o meu cachimbo... O DESCONHECIDO: Fumais? MACÁRIO: Perguntai de que serve o �nteiro sem �nta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me pergunteis se fumo! O DESCONHECIDO (dá-lhe um cachimbo): Eis aí um cachimbo primoroso. [...] MACÁRIO: E vós? O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (�ra outro cachimbo e fuma) MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome? O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso? MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o roman�smo. O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão) MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso. Quanto ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos sabem só uma can�ga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono. O DESCONHECIDO: E a poesia? MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de cobre; não há mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém azinhavrado (1). Entendeis-me? O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou- se vulgar e comum. An�gamente faziam-na para o povo; hoje o povo fá-la... para ninguém... (Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.) (1) azinhavrado: coberto de azinhavre (camada de cor verde que se forma na super�cie dos objetos de cobre ou 12@professorferretto @prof_ferretto latão, resultante da corrosão destes quando expostos ao ar úmido). “MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...” Na oração em que está inserido, o termo sublinhado é um verbo que pede a) objeto direto, expresso pelo vocábulo “mala”, e objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”. b) apenas objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”. c) apenas objeto direto, expresso pelo vocábulo “ma”. d) objeto direto, expresso pelo vocábulo “burro”, e objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”. e) objeto direto e objeto indireto, ambos expressos pelo vocábulo “ma”. GR0177 - (Fmj) Leia o trecho do ar�go “Flertando com o desconhecido”, de Marcelo Gleiser. Muita gente acha que a ciência é uma a�vidade sem emoções, des�tuída de drama, fria e racional. Na verdade, é justamente o oposto. A premissa da ciência é a nossa ignorância, nossa vulnerabilidade em relação ao desconhecido, ao que não sabemos. Muitas vezes, quando experimentos revelam novos aspectos da Natureza que sequer haviam sido conjecturados, a sensação de tatearmos no escuro pode levar ao desespero. E agora? Se nossas teorias não podem explicar o que estamos observando, como ir adiante? Nenhum exemplo na história da ciência ilustra melhor esse drama do que o nascimento da �sica quân�ca, que descreve o comportamento dos átomos e das par�culas subatômicas, e que está por trás de toda a revolução digital que rege a sociedade moderna. Ao final do século XIX, a �sica estava com muito pres�gio. A mecânica de Newton, a teoria eletromagné�ca de Faraday e Maxwell, a compreensão dos fenômenos térmicos, tudo levava a crer que a ciência estava perto de chegar ao seu obje�vo final, a compreensão de toda a Natureza. Para a surpresa de muitos, experimentos revelaram fenômenos que não podiam ser explicados pelas teorias da chamada era clássica. Não se sabia, por exemplo, se átomos eram ou não en�dades reais, já que a �sica clássica previa que seriam instáveis. Gradualmente, ficou claro que uma nova �sica era necessária para lidar com o mundo do muito pequeno. Mas que �sica seria essa? Ninguém queria mudanças muito radicais. Ou quase ninguém. A primeira ideia da nova era veio de Max Planck. Eis como Planck relatou em 1900 seu estado emocional ao propor a ideia do quantum (o menor valor que certas grandezas �sicas podem apresentar): “Resumidamente, posso descrever minha a�tude como um ato de desespero, já que por natureza sou uma pessoa pacífica e contrária a aventuras irresponsáveis.” O uso da palavra “desespero” é revelador. Planck viu-se forçado a propor algo novo, que ia contra tudo o que havia aprendido até então e que acreditava ser correto sobre a Natureza. Abandonar o velho e propor o novorequer muita coragem intelectual. E muita humildade, algo que faltava aos que achavam que a �sica estava quase completa. Planck sabia que a �sica tem como missão explicar o mundo natural, mesmo que a explicação contrarie nossas ideias preconcebidas. Nunca devemos arrogar que nossas ideias tenham precedência sobre o que a Natureza nos diz. (O caldeirão azul, 2019. Adaptado.) Exerce a função sintá�ca de objeto direto o termo sublinhado em: a) “E muita humildade, algo que faltava aos que achavam que a �sica estava quase completa.” (3º parágrafo) b) “Para a surpresa de muitos, experimentos revelaram fenômenos que não podiam ser explicados pelas teorias da chamada era clássica.” (2º parágrafo) c) “A premissa da ciência é a nossa ignorância, nossa vulnerabilidade em relação ao desconhecido, ao que não sabemos.” (1º parágrafo) d) “Muitas vezes, quando experimentos revelam novos aspectos da Natureza que sequer haviam sido conjecturados, a sensação de tatearmos no escuro pode levar ao desespero.” (1º parágrafo) e) “Planck viu-se forçado a propor algo novo, que ia contra tudo o que havia aprendido até então e que acreditava ser correto sobre a Natureza.” (3º parágrafo) GR0634 - (Uema) [...] E os dois imigrantes, no silêncio dos caminhos, unidos enfim numa mesma comunhão de esperança e admiração, puseram-se a louvar a Terra de Canaã. Eles disseram que ela era formosa com os seus trajes magníficos, ves�da de sol, coberta com o manto do voluptuoso e infinito azul; que era amimada pelas coisas; sobre o seu colo águas dos rios fazem voltas e outras enlaçam-lhe a cintura desejada; [...] Eles disseram que ela era opulenta, porque no seu bojo fantás�co guarda a riqueza inumerável, o ouro puro e a pedra iluminada; porque os seus rebanhos fartam as suas nações e o fruto das suas árvores consola o amargor da existência; porque um só grão das suas areias fecundas fer�lizaria o mundo inteiro e apagaria para sempre a miséria e a fome entre os homens. Oh! poderosa!... Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol com as suas sombras; para o orvalho da noite fria tem o calor da pele aquecida, e os homens encontram nela, tão 13@professorferretto @prof_ferretto meiga e consoladora, o esquecimento instantâneo da agonia eterna... Eles disseram que ela era feliz entre as outras, porque era a mãe abastada, a casa de ouro, a providência dos filhos despreocupados, que a não enjeitam por outra, não deixam as suas vestes protetoras e a recompensam com o gesto perpetuamente infan�l e carinhoso, e cantam-lhe hinos saídos de um peito alegre... Eles disseram que ela era generosa, porque distribui os seus dons preciosos aos que deles têm desejo; a sua porta não se fecha, as suas riquezas não têm dono; não é perturbada pela ambição e pelo orgulho; os seus olhos suaves e divinos não dis�nguem as separações miseráveis; o seu seio maternal se abre a todos como um farto e tépido agasalho... Oh! esperança nossa! Eles disseram esses e outros louvores e caminharam dentro da luz... ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Mar�ns Claret, 2013. No trecho “Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol e as suas sombras”, o termo "amorosa" possibilita duas funções sintá�cas dis�ntas. Considerando a anáfora predominante no fragmento, a função sintá�ca prevalente é a) voca�vo. b) aposto explica�vo. c) predica�vo do sujeito. d) predica�vo do objeto. e) adjunto adnominal. GR0691 - (Unifenas) O texto III traz informações sobre o que é cidadania, cidadão e exercício dessa cidadania. Sobre a análise morfossintá�ca das sentenças que compõem esse texto, é correto afirmar que no trecho: a) “Exercício dos diretos e deveres civis, polí�cos e sociais estabelecidos na Cons�tuição Federal.”, o verbo “exercício” é transi�vo indireto e tem as palavras “direitos” e “deveres” como núcleos do objeto indireto. b) “Conjunto de direitos e deveres exercidos por um indivíduo que vive em sociedade.”, o pronome rela�vo “que” exerce função sintá�ca de objeto direto. c) Indivíduo que vive de acordo com um conjunto de estatutos (...)”, a locução preposi�va “de acordo com” introduz o objeto indireto do verbo “vive”. d) “(...) conjunto de estatutos pertencentes a uma comunidade poli�camente e socialmente ar�culada.”, a preposição “a” introduz o complemento nominal do adje�vo “pertencentes”. e) “Ter consciência dos seus direitos e obrigações, garan�ndo que sejam colocados em prá�ca.”, a conjunção integrante “que” introduz uma oração que exerce função sintá�ca de complemento nominal. GR0697 - (Fcmscsp) Soneto “Não comerei da alface a verde pétala”, de Vinicius de Moraes. Não comerei da alface a verde pétala Nem da cenoura as hós�as desbotadas Deixarei as pastagens às manadas E a quem mais aprouver fazer dieta. Cajus hei de chupar, mangas-espadas Talvez pouco elegantes para um poeta Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta Que acredita no cromo das saladas. Não nasci ruminante como os bois Nem como os coelhos, roedor; nasci Omnívoro; deem-me feijão com arroz E um bife, e um queijo forte, e para� E eu morrerei, feliz, do coração De ter vivido sem comer em vão. Vinicius de Moraes. Livro de sonetos, 2009. Esteta: especialista em esté�ca Objeto direto enfá�co: Por ênfase ou realce, é lícito repe�r o objeto direto por meio de um pronome oblíquo. 14@professorferretto @prof_ferretto Domingos Paschoal Cegalla. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, 2009. Adaptado. Ocorre objeto direto enfá�co no seguinte verso: a) “Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta” (2a estrofe) b) “E a quem mais aprouver fazer dieta.” (1a estrofe) c) “Cajus hei de chupar, mangas-espadas” (2a estrofe) d) “Não comerei da alface a verde pétala” (1a estrofe) e) “Omnívoro; deem-me feijão com arroz” (3a estrofe) GR0723 - (Faminas) um pouco desidratado já compromete o trabalho dos neurônios e causa até irritação. Novo estudo da Universidade de Connec�cut, nos Estados Unidos, aponta um mo�vo inusitado para bebermos bastante líquido ao longo do dia, e especialmente quando estamos lendo, estudando, escrevendo… Após acompanhar 51 voluntários subme�dos a testes de atenção e lógica, os cien�stas descobriram que mesmo uma desidratação leve – aquela que muitas vezes surge antes de a sede dar as caras – já atrapalha o raciocínio. Mais do que isso, o humor piora com a falta de H2O no organismo. “Todas as células do corpo precisam de água para funcionar, e as neuronais não são exceção”, explica o fisiologista e autor da pesquisa, Lawrence Armstrong. “Sem hidratação adequada, as informações e sen�mentos acabam sendo processados de um jeito impróprio pela massa cinzenta”, conclui. (Saúde é vital, maio/2012) O complemento destacado em “... já compromete o trabalho dos neurônios...” apresenta a mesma função sintá�ca que o destacado em: a) “aponta um mo�vo inusitado”. b) “quando estamos lendo, estudando”. c) “– aquela que muitas vezes surge antes”. d) “o humor piora com a falta de H2O no organismo”. GR0772 - (Etecsp) Na letra da música “Dura na queda", Chico Buarque cita, direta ou indiretamente, fontes de energia renováveis: solar, ondomotriz (ondas) e maremotriz (maré). [...] Esquinas Mil buzinas Imagina orquestras Samba no chafariz Viva a folia A dor não presta Felicidade, sim O sol ensolarará a estrada dela A lua alumiará o mar A vida é bela O sol, a estrada amarela E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas [...] Assinale a alterna�va que contenha versos que podem ser classificados como orações. a) “Imagina orquestras"; "Mil buzinas". b) “Felicidade, sim"; "O sol, a estrada amarela". c) “O sol ensolarará a estrada dela"; "Esquinas". d) “A lua alumiará o mar"; "Imagina orquestras". e) “A vida é bela"; "E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas". GR0780 - (Afa) Hino nacional Precisamos descobrir o Brasil! Escondido atrás das florestas, com a água dos rios no meio, o Brasil está dormindo, coitado. [5] Precisamos colonizar o Brasil. O que faremos importando francesas muito louras, de pele macia, alemãs gordas, russas nostálgicas para garçone�es dosrestaurantes noturnos. [10] E virão sírias fidelíssimas. Não convém desprezar as japonesas... Precisamos educar o Brasil. Compraremos professores e livros, assimilaremos finas culturas, [15] abriremos dancings e subvencionaremos as elites. Cada brasileiro terá sua casa com fogão e aquecedor elétricos, piscina, salão para conferências cien�ficas. E cuidaremos do Estado Técnico. [20] Precisamos louvar o Brasil. Não é só um país sem igual. Nossas revoluções são bem maiores do que quaisquer outras; nossos erros também. E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões... [25] os Amazonas inenarráveis... os incríveis João- Pessoas... Precisamos adorar o Brasil! Se bem que seja di�cil caber tanto oceano e tanta [solidão 15@professorferretto @prof_ferretto no pobre coração já cheio de compromissos... Se bem que seja di�cil compreender o que querem [30] [esses homens, por que mo�vo eles se ajuntaram e qual a razão de seus [sofrimentos. Precisamos, precisamos esquecer o Brasil! Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos. [35] O Brasil não nos quer! Está farto de nós! Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil. Nenhum Brasil existe. E acaso exis�rão os brasileiros? (Andrade, Carlos Drummond de. Sen�mento do Mundo – 12a ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.) Assinale a alterna�va correta, em relação ao texto. a) O verbo “descobrir” é considerado um verbo irregular, pois seu par�cípio não se faz de forma regular. b) Os verbos presentes nos versos de 12 a 15 exigem o mesmo �po de complemento, uma vez que possuem a mesma transi�vidade. c) O ponto e vírgula u�lizado no verso 23 não está de acordo com a norma culta padrão. O seu emprego é jus�ficado pela licença poé�ca. d) Em todas as palavras a seguir, encontra-se um ditongo crescente: “água”, “macia”, “sírias”, “conferências”, “igual”, “maiores”, “paixões” e “inenarráveis”. GR0930 - (Cecierj) A �rinha a seguir comemora 100 anos de Paulo Freire e cita um dos ideais do Educador. Sobre o enunciado “Pessoas transformam o mundo”, é correto afirmar que a) “transformam” é uma ação relacionada a um sujeito indeterminado. b) “o mundo” é objeto da transformação operada pelo sujeito, “pessoas”. c) “o” é o determinante de “mundo” na expressão adverbial de lugar “o mundo”. d) “pessoas” é sujeito passivo da ação expressa pelo verbo “transformar. 16@professorferretto @prof_ferretto