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Enfermagem na Saúde da Mulher
6º e 7º semestres 01/2025
UNOPAR/ANHANGUERAPOLO PORTÃO
PROFª GIKA GOMES
Assistência no pré-parto e parto
No Brasil, ocorrem 3 milhões de nascimentos (ano), 98% acontecem no ambiente hospitalar.
 O hospital se caracteriza pela adoção de várias tecnologias e procedimentos com o objetivo de tornar mais seguro para a mulher e seu filho o nascimento. As mulheres e recém-nascidos são expostos a altas taxas de intervenções, como a episiotomia, o uso de ocitocina, a cesariana, aspiração naso-faringeana, entre outras.
Novas evidências científicas contribuíram para mudanças da prática obstétrica, maior ênfase na promoção e resgate das características naturais e fisiológicas do parto e nascimento, vários procedimentos hospitalares têm sido questionados pela carência de evidências científicas que os suportem, a existência de evidências que os contra indiquem e por trazerem desconforto à mulher e o fortalecimento das enfermeiras obstétricas como atores importantes no processo assistencial.
Gestante em fase latente
· Caracterização: Contrações uterinas dolorosas e há alguma modificação cervical, incluindo apagamento e dilatação até 4 cm. 
· Orientar quanto aos sinais do trabalho de parto, para que retorne à residência, mas se necessário procurar o serviço.
· Diagnóstico de trabalho de parto: 
· Contração uterina Frequência 2 ou mais em 10 minutos, duração mais de 30 segundos.
· Características rítmicas que provocam alterações progressivas no colo do útero como dilatação, esvaecimento e centralização. ≥ 4 cm de dilatação cervical 
· Duração do trabalho de parto ativo pode variar: - nas primíparas dura em média 8 a 18 horas; - nas multíparas dura em média 5 a 12 horas.
Entrevista no Pré Parto
· Verificar SSVV 
· Exame físico geral e obstétrico: BCF, DU (frequência, duração e intensidade) 
· Exame vaginal: verificar dilatação cervical, bolsa amniótica 
· Observar apresentação, posição e altura do feto
Assistência no pré-parto: admissão
Admissão da gestante:
· Solicitar exames laboratoriais, como VDRL, anti-HIV, Hb e Ht, se necessário a tipagem sanguínea e fator Rh (teste rápido para sífilis e HIV). 
· Verificar os desejos da paciente com relação ao parto e analgesia: Plano de parto
Lei do acompanhante nº 11.108/2005
Assistência durante o pré-parto
Palpação obstétrica
· Situação fetal: relação entre o eixo uterino e o eixo fetal, que pode ser: longitudinal (99,5%), transversa (0,5%) e oblíqua (rara). 
· Apresentação fetal: trata-se da parte do feto que ocupa a área do estreito superior da bacia e nele pode se insinuar, pode ser: cefálica, pélvica, transversa ou acromial. 
· Posição fetal: trata-se da relação do dorso do feto com o lado direito ou esquerdo materno. A variedade é determinada por siglas, empregando-se o ponto de referência fetal que está voltado para os pontos maternos.
· Relações útero fetais: relações entre o feto e a bacia materna. 
· Atitude: trata-se da relação das partes fetais entre si, em que pode ser fletida (ponto de referência ao toque a fontanela posterior) ou defletida de: ✓ 1º grau: em que o ponto de referência ao toque é a fontanela anterior. ✓ 2º grau: em que o ponto de referência ao toque é a raiz do nariz. ✓ 3º grau: em que o ponto de referência ao toque é o mento.
Períodos clínicos do parto
Dilatação: é o período de dilatação é a primeira fase do trabalho de parto, em que o colo do útero se dilata até atingir 10 cm. É nesse período que a mulher entra em trabalho de parto e as contrações uterinas tornam-se mais fortes e regulares. 
· O período de dilatação é dividido em duas fases: 
· Fase latente: A dilatação inicial até 5 cm, com contrações regulares de intensidade leve a moderada
· Fase ativa: A dilatação superior a 5 cm, com contrações de expulsão
· Sinais de dilatação: Contrações regulares, Dor nas costas, Pressão na pelve, Perda do tampão mucoso. 
· O exame de toque vaginal é a principal forma de verificar a dilatação durante o trabalho de parto. 
· O período de dilatação termina quando o colo do útero atinge 10 cm, tamanho aproximado da cabeça de um bebê de nove meses. 
Expulsão: é a fase de expulsão é o período que vai desde a dilatação total do colo do útero até o nascimento do bebê. É a segunda fase do trabalho de parto. 
Duração
· Para mulheres que nunca tiveram partos vaginais, a fase de expulsão pode durar entre 1 e 2 horas. 
· Para mulheres que já tiveram partos vaginais, a fase de expulsão tende a ser menor, entre 20 minutos e 1 hora. 
· A duração pode ser maior se a mulher estiver com analgesia epidural. 
Dequitação: A dequitação é a terceira fase do trabalho de parto, que ocorre após o nascimento do bebê e termina com a saída da placenta. 
O que acontece durante a dequitação:
· A placenta pode sair espontaneamente ou ser retirada pelo médico. 
· A mulher pode sentir contrações menos intensas até que a placenta seja completamente expelida. 
· A dequitação pode levar de 5 a 30 minutos. 
· A mulher pode perder cerca de 300 a 500mL de sangue. 
Greenberg: o período de Greenberg é o quarto período do parto, que ocorre na primeira hora após o nascimento do bebê. É um momento crítico que requer atenção especial para garantir a saúde da mãe e do bebê. 
Objetivos do período de Greenberg:
· Garantir a hemostasia adequada do sítio placentário, 
· Observar as contrações uterinas e o sangramento, 
· Parar o sangramento genital. 
Fatores que contribuem para o trabalho de parto: 
· ✓ o feto, 
· ✓ o canal do parto,
· ✓ força que move o feto no canal (contrações uterinas)
Contrações uterinas
· Estímulo que faz uma célula se contrair, passando assim para as demais células-Tríplice Gradiente descendente 
· Elevação da concentração de estrogênio materno e queda do nível da progesterona.
· Contrações de Braxton-Hicks
· São de baixa frequência e amplitude, mas que podem confundir a gestante 
· Endurecimento do miométrio, indolor, e com intervalos de um longo período de tempo.
· Ocitocina e prostaglandinas 
· Ocitocina promove a contração rápida após estímulos nervosos 
· Prostaglandinas - processo de contração, sem saber ao certo o exato efeito.
Assistência de enfermagem no primeiro período clínico do parto
 Registrar as seguintes observações: 
· ✓ frequência das contrações uterinas de 1 em 1 hora (dinâmica uterina). 
· ✓ pulso de 1 em 1 hora; 
· ✓ temperatura e PA de 4 em 4 horas; 
· ✓ frequência da diurese; 
· ✓ exame vaginal de 4 em 4 horas (acompanhamento do partograma com linha de ação de 4 horas - registro do progresso do parto). 
· Frequência cardíaca fetal (FCF) normal entre 110 e 160 bpm; observar desacelerações na ausculta intermitente.
Intervenções e medidas de rotina no primeiro período do parto:
· ✓ O enema e a tricotomia pubiana e perineal não devem ser realizados de forma rotineira durante o trabalho de parto. 
· ✓ A amniotomia precoce não deve ser realizada de rotina em mulheres em trabalho de parto que estejam progredindo bem. 
· ✓ As mulheres devem ser encorajadas a se movimentar e a adotarem posições confortáveis no trabalho de parto.
Assistência durante o parto
Primíparas: cerca de 0,5–2,5 horas sem peridural e 1–3 horas com peridural. Multíparas: até 1 hora sem peridural e 2 horas com peridural. Em falha de progresso a mulher deve ser encaminhada para cesárea, ou oferecer assistência em parto vaginal operatório, se o nascimento não for iminente.
Mecanismo do parto:
· Insinuação ou encaixamento (flexão) 
· Descida ou progressão 
· Rotação interna da cabeça 
· Desprendimento da cabeça 
· Rotação externa da cabeça
Assistência no período expulsivo
· A mulher deve ser incentivada a adotar qualquer posição que ela achar mais confortável incluindo as posições de cócoras, lateral ou quatro apoios. 
· Deve-se apoiar a realização de puxos espontâneos no segundo período do trabalho de parto em mulheres sem analgesia, evitando os puxos dirigidos. 
· A manobra de Kristeller não deve ser realizada no segundo período do trabalho de parto. 
· O Ministério da Saúde desaconselha a manobra de Kristeller, que consiste em pressionar o abdômenda mulher durante o parto. 
· A manobra é considerada uma violência obstétrica e é proibida em vários países. 
· Motivos:  Não é eficiente, Pode causar danos à mãe e ao bebê, Não respeita o tempo fisiológico do parto, É resultado da impaciência dos profissionais. 
· Danos à mãe Fratura de costelas, Hematomas, Hemorragias, Prolapso urogenital). 
· Cuidados com o períneo.
Distocia
Distocia é qualquer perturbação no bom andamento do parto em que estejam implicadas alterações em um dos três fatores fundamentais que participam do parto: 
· ✓ Força motriz ou contratilidade uterina – caracteriza a distocia funcional (hipoatividade e hiperatividade uterina, hipotonia e hipertonia uterina, distocia de dilatação).
· ✓ Objeto – caracteriza a distocia fetal (anormalidades que ocorrem no trabalho de parto atribuídas ao feto e às relações materno-fetais como tamanho fetal, distocia biacromial, anormalidades de situação e apresentação fetal). 
· ✓ Trajeto – caracteriza a distocia do trajeto (anormalidades ósseas ou de partes moles).
O enfermeiro pode realizar o parto sem distocia.
Partograma
Representação gráfica que diz respeito à evolução do trabalho de parto, registra, principalmente, a frequência das contrações uterinas, os batimentos cardíacos fetais e a dilatação cervical materna. Fase latente tem duração de 16 horas em multíparas e 20 horas em primíparas. Fase ativa, possui um padrão regular e coordenado de contrações, com uma dilatação de 1 cm por hora (iniciar partograma) Diagnóstico de desproporção céfalo pélvico, indicação de ocitocina, acesso aos dados de evolução, identificação de sofrimento fetal e diminuição de intervenções desnecessárias.
Tipos de Parto
Parto normal: parto normal ou espontâneo é o parto em que não se utiliza fórceps, vácuo extrator ou cesariana, mas que pode haver algum tipo de intervenção baseada em evidências.
Parto fórceps: o fórceps é composto por duas colheres que são articuladas para preensão, tração e rotação do pólo cefálico do feto. Usado quando o feto se encontra em sofrimento ou quando a mãe não consegue mais fazer força durante o parto normal. 
Parto cesárea: é a extração do feto por meio de uma incisão na parede abdominal e na parede uterina. Trata-se de um procedimento médico, mas o enfermeiro pode instrumentar ou auxiliar em alguma emergência.
Indicações reais para o parto cesárea 
· ✓ Prolapso de cordão com dilatação incompleta; 
· ✓ Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo; 
· ✓ Placenta prévia parcial ou total; 
· ✓ Apresentação córmica (situação transversa) durante o trabalho de parto; 
· ✓ Ruptura de vasa previa; 
· ✓ Herpes genital com lesão ativa no trabalho de parto.
Parto natural: o foco é o resgate do cuidado prestado no nascimento e, mesmo sendo uma espécie de “modalidade” do parto normal, diferencia-se do mesmo pela sua simplicidade e realização dos procedimentos ou intervenções somente quando houver uma real necessidade, além das mudanças exigidas de comportamento, atitudes e do próprio ambiente (humanização). 
Parto induzido: induzir as contrações de maneira artificial através de amniotomia ou infusão de ocitocina e uso de prostaglandinas, como o misoprostol. (O Misoprostol é um análogo sintético de prostaglandina E1 efetivo no tratamento e prevenção da úlcera gástrica induzida por anti-in- flamatórios não hormonais e que tem utilidade em obstetrícia, pois dispõe de ação útero-tônico e de amolecimento do colo uterino. Indução de aborto legal.
Episiotomia: é uma incisão realizada na região do períneo a fim de ampliar o canal de parto, justificada em alguns casos como necessidade de parto instrumentalizado, sofrimento fetal ou acesso para fletir a cabeça do bebê, realizada normalmente com anestesia local. 
Não realizar episiotomia de rotina durante o parto vaginal espontâneo.
Analgesia ou anestesia no trabalho de parto e métodos não farmacológicos
Analgesia significa insensibilidade à dor. 
Anestesia causa um estado de privação de sensibilidade geral, com o uso de substância para eliminar ou reduzir a sensibilidade.
Ambas não podem interferir na evolução do trabalho de parto de maneira negativa. Proporciona conforto e até mesmo harmonização e regularização das contrações uterinas
· Tipos de anestesia
· Bloqueio dos pudendos 
· Anestesia raquidiana 
· Anestesia peridural lombar contínua 
· Anestesia peridural lombar única 
· Anestesia geral 
· Duplo bloqueio
Métodos não farmacológicos para alívio da dor
· Massagem 
· Exercícios respiratórios 
· Banho morno de aspersão 
· Bola 
· Cavalinho
Parto humanizado
Não é um tipo de parto. É o processo que baseia-se no respeito ao protagonismo e autonomia das mulheres nas suas escolhas no trabalho de parto e parto, ao acompanhamento multidisciplinar e ao cuidar baseado em evidências científicas. Tem direito a um ambiente sossegado, privativo, arejado e com a presença de seu (a) acompanhante.
Objetivo: é incentivar a prática do parto normal, como resgate do aspecto fisiológico, e diminuir a taxa de cesariana, realizando apenas quando necessário e indicado, o contato pessoal e os aspectos emocionais são de extrema importância para a eficácia do tratamento, pois o profissional deve privilegiar o que viu, palpou e o que a paciente descreveu. Portanto, não basta criar técnicas, mas sim construir uma relação de laços humanos.
Atitudes relacionadas com o parto humanizado
· Estar atento ao monitoramento do bem-estar físico e emocional durante todo o atendimento 
· Respeitar a vontade e a escolha do acompanhante durante o trabalho de parto e parto
· Permitir que a paciente caminhe para que ajude na dilatação e que adote a posição que preferir durante o período de expulsão
· Orientar e oferecer técnicas de relaxamento e massagem para alívio da dor durante o trabalho de parto 
· Imediatamente após o parto, permitir o contato pele a pele da mãe e bebê, estimulando o início da amamentação 
· Monitorar a evolução do parto, oferecer alojamento conjunto e estimular e orientar a prática da amamentação o quanto antes.
Direitos obstétricos
· Permanecer acompanhada por alguém de sua escolha no trabalho de parto e parto 
· Conhecer os profissionais e ser informada em relação aos procedimentos que estão sendo realizados 
· Receber líquidos e alimentos leves durante o trabalho de parto 
· Caminhar e receber massagem durante o trabalho de parto
· Ser chamada pelo nome 
· Tomar banho morno e adotar a posição que preferir para a expulsão 
· Receber o seu recém-nascido imediatamente após o parto para o início da amamentação
Violência obstétrica
A violência, seja de ordem física, emocional ou simbólica, é produtora de elevado grau de sofrimento. É toda e qualquer ação ou procedimento que seja realizado sem o consentimento da mulher e que não seja baseado em evidências científicas atuais, sejam de caráter físico, psicológico, sexual, institucional, midiático e material, são consideradas violência obstétrica.
Práticas no cuidado na assistência obstétrica como: 
· ✓ Episiotomia de rotina; 
· ✓ manobra de Kristeller; 
· ✓ proibição de movimento; 
· ✓ imposição da posição ginecológica ou litotômica; 
· ✓ proibição de acompanhante durante o trabalho de parto e parto e pós-parto
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