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SEMINÁRIO II – ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS”
Aluna: Ana Paula Lasarin
Turma: TSJ - Higienópolis, sábado
1. Efetue, de forma fundamentada, proposta de classificação jurídica dos tributos, evidenciando os critérios classificatórios adotados. A destinação do produto da arrecadação tributária é relevante para a classificação jurídica dos tributos e consequente definição das espécies tributárias? Considerar, na análise da pergunta, o art. 167, inciso IV, da CF/88, e o art. 4º do CTN. (Vide anexo I). A legislação tributária pode proibir a compensação de tributos entre diferentes espécies sob a justificativa de que a destinação das receitas, são diferentes? (Vide anexo II).
Com relação a classificação, é possível seguir a linha de entendimento que o Professor Paulo de Barros Carvalho cita; dos ensinos deixados por Geraldo Ataliba; em que estabelece a divisão em “vinculados” e “não-vinculados”. Em seu livro. Direito tributário, linguagem e método, é possível entender que essa vinculação, ou não, está diretamente ligada ao Estado em uma “ação”; ou seja; em razão de uma atuação do Poder Público, diretamente na Base de Cálculo.
Por exemplo: quando o Poder Público atuar diretamente na base de cálculo, tal qual nas taxas, então será “vinculado”. Taxa judiciária – taxa paga para funcionamento do Poder Público (Judiciário).
Em sentido contrário, podemos usar o exemplo do Imposto de Importação, em que o Estado, nada “faz” para que haja a incidência do imposto.
Com isso, o que é possível concluir é que a regra-matriz é fundamental para estabelecer a real identidade do tributo, pois independente do nome; tal qual consta no artigo 4º do CTN; e da classificação criada pelo estudioso das Normas Tributárias:
A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação
O artigo supracitado, corrobora com a tese de que a classificação independe de critérios como destinação, denominação, e que a regra-matriz é determinante para assegurar essa classificação anteriormente citada: “vinculados” e “não-vinculados. O emérito Professor Paulo nos alerta em seu livro, anteriormente aludido, que classificar é apenas as possibilidades de agrupamentos, e são inúmeras as possibilidades, dada a capacidade interpretativa e inventiva dos estudiosos.
Dito isto, é imprescindível ter em mente – recordando – que as coisas não mudam de nome, nós é que mudamos o modo de nomear as coisas. Portanto, não existem nomes verdadeiros ou falsos das coisas. Apenas existem nomes aceitos, nomes rejeitados e nomes menos aceitos que outros, como nos ensina Ricardo Guibourg. Esta possibilidade de inventar nomes para as coisas chama-se “liberdade de estipulação”. Ao inventar nomes (ou ao aceitar os já inventados), traçamos limites na realidade, como se a cortássemos idealmente em pedaços e, ao assinalar cada nome, identificássemos o pedaço que, segundo nossa decisão, corresponderia a esse nome. (CARVALHO, 2018, p.169).
No caso das compensações, adentramos na seara de competência tributária e para possibilidade compensatória, o ente instituidor e cobrador, precisa ser o mesmo. Veja que as receitas são distribuídas proporcionalmente, seguindo os critérios Constitucionais, para os entes e com fim específico. Ao compensar “um” pelo “outro” é possível que haja algum “desfalque” em função dessas compensações, atingindo diretamente o ente que deverá “transferir” ao outro ente. As receitas pré-estabelecidas pela Magna Carta, sofrerá uma alteração e com ela um possível “colapso” do ente arrecadador, em função dos demais. Nesse caso estamos desconsiderando qualquer classificação anteriormente estudada e considerando somente as regras de competência dadas pela Constituição Federal de 1988, dos artigos 153 à 162.
2. Que é taxa? Que se entende por o “serviço público” e “poder de polícia”? (Vide anexo III) Há necessidade de comprovação da efetiva fiscalização para cobrança da taxa de poder de polícia? (Vide anexos IV, V e VI)?
Em seu livro. Direito tributário, linguagem e método, o Professor Paulo de Barros Carvalho nos traz o entendimento que ‘taxa” vem a ser uma das espécies tributárias, que tem em seu escopo a atuação do Poder Público, diretamente e com requisitos específicos: prestação de serviço público, que deve ser possível e divisível; potencial ou efetivamente utilizados pelo contribuinte; ou o exercício “do poder de polícia”.
O Professor Paulo, cita a definição dada por Celso Antônio Bandeira de Melo, que tentaremos simplificar com nosso entendimento, e com nossos grifos: “Serviço Público“ é todo serviço que o Poder Público dispuser ao contribuinte, direta ou indiretamente, em consonância com os deveres que lhe cabe e de interesse da coletividade.
Deve ser divisível, disponível ou potencialmente utilizável pelo contribuinte e com isso podemos entender, que o contribuinte pode se beneficiar ou não dessa prestação de serviço, e que o mesmo será, compulsoriamente, obrigado a pagar, desde que obedecido os requisitos legais para sua instituição.
Já o “Poder de Polícia” é a atuação do Poder Público de permitir ou não, conceder ou não, autorizar ou não, e fiscalizar; conforme normas estabelecidas, requisitos pré-determinados e interesses coletivos.
Veja que não se faz necessário o efetivo ato de fiscalizar, basta que a Administração Pública tenha a possibilidade de proteger os interesses coletivos e o bem comum, já permite que a própria efetue a cobrança de tal “taxa”. Nada impedindo que seja feita a efetiva fiscalização a qualquer momento.
3. Que diferencia taxa de preço público? (Vide anexos VII, VIII, IX e X) Os serviços públicos de energia elétrica, água e esgoto, quando prestados diretamente pelas pessoas jurídicas de direito público, são remuneráveis por taxa? E no caso de concessão desses serviços? (Vide anexo XI) E os serviços que, embora prestados pelo Poder Público, são suscetíveis de prestação pela iniciativa privada em regime concorrencial? (Vide anexo XII)
Preço público, segundo o Professor Paulo de Barros Carvalho no livro Direito tributário, linguagem e método, nada mais é do que a remuneração por um serviço público ou consumo de bens. Nesse caso, entende-se o “serviço público” prestado por “ente representante”, concessionária, administradora ou quem lhes faça as vezes, de um serviço comercial ou industrial; é o que se denomina tarifa. Taxa, conforme informado anteriormente, é tributo sobre a prestação de “serviço público”, possível e divisível, efetiva ou potencialmente usado pelo contribuinte ou pelo exercício do “poder de polícia” 
Segundo o REsp167.489/SP, deu-se que a nomenclatura para o tributo sobre os serviços públicos de energia elétrica, água e esgoto, quando prestados diretamente pelas pessoas jurídicas de direito público ou não; efetivamente não é relevante, pois trata-se de serviços essenciais e de obrigatoriedade do Poder Público, independente deste conceder a outrem a prestação ou não. Sendo assim, o dito anexo XI; o relator Ministro José Delgado; da Primeira Turma, no julgado de 2/6/1998, DJ de 24/8/1998, p. 24.; deixa claro que tal tributo deve ser considerado “taxa” e como tal, deve ser tratado; pelo motivo já exposto, da obrigatoriedade do poder público.
Diferente do caso supracitado, os serviços que, são prestados pelo Poder Público, mas também são suscetíveis de prestação pela iniciativa privada em regime concorrencial, não há que ser considerado tributo, mas tarifa, uma vez que não é exclusivo ou de obrigatoriedade do Poder Público, vide REsp n. 1.287.045/MG, relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2/5/2013, DJe de 10/5/2013
4. Há necessidade de o valor exigido a título de taxa referir-se ao custo do serviço prestado? Caso essa referibilidade não seja verificada, é possível a restituição? No caso de excessiva dificuldade de mensurar o custo do serviço prestado, como fixar a base de cálculo da taxa?(Vide anexos XIII, XIV e XV)
O Anexo XIII, na ementa da ADI 6145, que teve como Relatora a Ministra: ROSA WEBER, em Tribunal Pleno, que foi julgado em 14-09-2022, com registro no PROCESSO ELETRÔNICO DJe-213 DIVULG 21-10-2022 PUBLIC 24-10-2022, nos permite refletir que a taxa deve referir-se ao serviço prestado, mas não se faz obrigatória a destinação vinculada. Veja que tratam-se de coisas distintas, a referência de ligação ao serviço público é obrigatório para cobrança da taxa, mas o destino dessa arrecadação, não requer exatamente o custeio dela.
No caso de cobrança em desacordo com os termos normativos, o contribuinte pode requerer a restituição, desde que provados os seus direitos. Veja que não é apenas informar, se faz necessário consubstanciar a prova efetiva do “abuso” do ente instituidor, conforme ementa da ADI 5489, em que teve como Relator o Ministro ROBERTO BARROSO, também em Tribunal Pleno, que teve julgado em 24-02-2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-047 DIVULG 11-03-2021 PUBLIC 12-03-2021 
E por fim, conforme a ementa do RE 582340 AgR, com o Relator: TEORI ZAVASCKI, em Segunda Turma, julgado em 02-08-2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-174 DIVULG 17-08-2016 PUBLIC 18-08-2016, na falta da possibilidade de mensurar o custo do serviço para fixar a base de cálculo da taxa a ser instituída, o tributo deve ser considerado inconstitucional e portanto não poderá ter efetividade.
5.	Sobre a contribuição de melhoria pergunta-se: (i) Quais os requisitos e limites à cobrança da contribuição de melhoria? (ii) A Lei que a institui deve ser produzida antes do início da obra ou pode ser posterior à sua conclusão e à valorização imobiliária? Se for apresentado laudo comprovando a perspectiva de gastos, poderia ser exigido o tributo antes da conclusão da obra e da valorização imobiliária? (Vide anexos XVI e XVII).
Os requisitos e limites à cobrança da contribuição de melhoria está ligado à sua obrigação, veja que é imprescindível que haja a valorização do imóvel, decorrente de uma obra pública (metrô, parque etc.). Ligado à sua obrigação, há que se considerar estritamente o custo da obra, relacionado e proporcional ao acréscimo decorrente da obra e individualizado.
A Lei que instituir a supra contribuição, poderá ser instituída após a valorização da obra, para então detalhar os valores e o quantum da obra. Bem como a forma de como será calculado o “rateio”. Conforme Anexo XVI - REsp n. 766.107/PR, relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 8/4/2008, DJe de 28/4/2008
No caso de a Lei ser criada antes da obra, requer alguns cuidados que posteriormente deverão ser observados: previsão de valorização parcial, e não total da obra para exigência do tributo, a fim de custear a obra. Porém, há que seguir regramentos e exigências. Segundo observado no Anexo XVII - ARE 1123627 / PR – PARANÁ - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO - PROCESSO ELETRÔNICO DJe-079 DIVULG 23/04/2018 PUBLIC 24/04/2018
6.	A Emenda Constitucional 132/2023, em seu artigo 5º[footnoteRef:1] alterou o artigo 82 do ato das disposições constitucionais transitórias da Constituição Federal/88 autorizando a destinação de percentual do imposto sobre bens e serviços (IBS)[footnoteRef:2] ao Fundo de Combate a Erradicação da Pobreza, constantes do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (art. 82, caput, introduzido pela EC n. 31/00[footnoteRef:3]). Pergunta-se: (Vide anexo XVIII) [1: Art. 5º, EC 132/2023. O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com as seguintes alterações:
Art. 82. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem instituir Fundos de Combate à Pobreza, devendo os referidos Fundos ser geridos por entidades que contem com a participação da sociedade civil.
§ 1º Para o financiamento dos Fundos Estaduais, Distrital e Municipais, poderá ser destinado percentual do imposto previsto no art. 156-A da Constituição Federal e dos recursos distribuídos nos termos dos arts. 131 e 132 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, nos limites definidos em lei complementar, não se aplicando, sobre estes valores, o disposto no art. 158, IV, da Constituição Federal.
Art. 23, EC 132/2023. Esta Emenda Constitucional entra em vigor:
II - em 2033, em relação aos arts. 4º e 5º;] [2: Art. 156-A. Lei complementar instituirá imposto sobre bens e serviços de competência compartilhada entre Estados, Distrito Federal e Municípios.] [3: Art. 82. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem instituir Fundos de Combate à Pobreza, com os recursos de que trata este artigo e outros que vierem a destinar, devendo os referidos Fundos ser geridos por entidades que contem com a participação da sociedade civil. (inclusão pela EC 31/2000)
] 
(a)	em sua avaliação, esta disposição constitucional decorrente de Emenda Constitucional é constitucional, tendo em vista o que dispõe o artigo 167, IV da CF/88? Pode uma Emenda Constitucional criar exceção a critério fixado pelo Poder Constituinte originário no que toca à vinculação, ainda que parcial, do produto da arrecadação de imposto?
É constitucional, uma vez que o próprio Poder Constituinte não incluiu em seu quórum de Cláusulas Pétreas a reforma da própria Carta Magna. Veja que as atualizações seguem uma lógica cronológica e de atualização. Regras que outrora eram suficientes, hoje requer atualizações. A própria Côrte guardadora da Constituição, interpretou a mesma regra de formas distintas, levando em consideração o cenário vivido à época.
(b)	o fato de a Emenda Constitucional prever que parte do que for arrecadado a título de IBS poderá ser destinado ao Fundo, altera a natureza jurídica do imposto no que toca especificamente a essa parcela? Por outras palavras: o fato de haver determinação de destino de parte do produto da arrecadação do IBS, a parcela destinada pode ser reclassificada como contribuição social?
Diante de tudo que foi estudado até o momento, não há que se considerar uma reclassificação, pois no caso a destinação é parcial, com finalidade de programa social e em nada altera a ação do Poder Público na base de cálculo. 
São Paulo, 06 de abril de 2024.
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