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News
— DEZEMBRO 2024 — 
JULGADOS EM DESTAQUE
DIREITO CONSTITUCIONAL
É ilegal o ato praticado pelos Conselheiros do TCE que, durante Sessão Plenária Administrativa, 
sem a participação do Ministério Público de Contas, delibera sobre matérias relativas a atos 
praticados pelo Procurador-Geral do MPC
Caso adaptado: o Ministério Público de Contas (MPC) recebeu denúncias sobre irregularidades em 
órgãos públicos. Para investigar, o Procurador-Geral do MPC editou uma Resolução estabelecendo 
regras para processamento das denúncias e expediu três Portarias para instaurar procedimentos 
administrativos. No entanto, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), em sessão administrativa 
realizada sem a participação do MPC, entendeu que esses anos eram ilegais e determinou que o 
Procurador-Geral do MPC os anulasse, em 5 dias.
A Associação Nacional do Ministério Público de Contas (AMPCON) impetrou mandado de segurança 
contra essa decisão, argumentando que o MPC tem autonomia constitucional e que o TCE violou 
o direito ao contraditório ao não permitir sua participação na sessão.
O STJ concordou com os argumentos da impetrante, reconhecendo que o MPC possui autonomia 
e prerrogativas próprias, incluindo o poder de requisição de documentos e regulamentação de 
questões administrativas internas. 
A decisão do TCE foi ilegal por dois motivos principais: violação da autonomia do MPC e 
desrespeito ao contraditório e ampla defesa, já que a Lei Orgânica do MPC exigia expressamente 
sua participação em todas as sessões administrativas do Tribunal.
STJ. 2ª Turma. AgInt no RMS 50.353-MS, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, julgado em 16/9/2024 (Info 832).
JULGADOS EM DESTAQUE 2
É cabível a penalidade de cassação de aposentadoria por falta grave praticada por membro 
do Ministério Público ainda em atividade, mesmo que esta somente seja constatada apenas 
durante a aposentadoria
Caso adaptado: João, um Promotor de Justiça aposentado do MPDFT, teve seus proventos 
suspensos após a descoberta de um ato de improbidade administrativa praticado em 2013, 
quando ainda estava na ativa. Ele impetrou mandado de segurança argumentando que, por estar 
aposentado, não poderia sofrer sanções relacionadas à perda de cargo e suspensão de proventos, 
alegando que o art. 208 da LC 75/93 não se aplicaria ao seu caso.
O STJ, no entanto, rejeitou os argumentos de João.
É possível a cassação de aposentadoria de Promotor de Justiça que tenha cometido ato 
de improbidade administrativa quando em atividade. A impossibilidade de aplicar sanção 
administrativa a servidor aposentado resultaria em tratamento desigual entre servidores ativos e 
inativos, prejudicando o princípio da isonomia e da moralidade administrativa.
A aposentação não pode servir como escudo para evitar sanções administrativas, sendo cabível 
a penalidade de cassação de aposentadoria por falta grave praticada por membro do Ministério 
Público ainda em atividade, mesmo que esta só seja descoberta após a aposentadoria. Do 
contrário, isso constituiria um privilégio injustificado para servidores aposentados que cometeram 
infrações durante o período em que estava na ativa.
STJ. 2ª Turma. RMS 71.079-DF, Rel. Min. Afrânio Vilela, julgado em 15/10/2024 (Info 832).
É constitucional a Lei nº 12.030/2009, de iniciativa parlamentar, que estabelece normas gerais 
sobre perícias oficiais de natureza criminal
A Lei nº 12.030/2009 estabelece normas gerais para perícias oficiais criminais, garantindo autonomia 
técnica, científica e funcional aos peritos e exigindo concurso público e formação acadêmica 
específica para o cargo. 
Foi ajuizada ADI contra essa lei sob o argumento de que: i) haveria vício de iniciativa em razão 
de ela ter sido de origem parlamentar; ii) haveria violação da competência concorrente da União 
já que a lei não teria apenas tratado de normas gerais; iii) haveria inconstitucionalidade pela 
exclusão dos papiloscopistas e bioquímicos do rol de peritos. 
O STF rejeitou todos os argumentos, entendendo que a lei não apresenta vícios formais ou materiais. 
Por se tratar de norma geral nacional que não cria cargos nem trata de regime jurídico específico, 
não há violação à iniciativa privativa do Presidente. 
A lei trata apenas de normas gerais, razão pela qual está em harmonia com o art. 24, XVI, 
§§ 1º e 2º da CF/88.
Por fim, não há inconstitucionalidade na exclusão dos papiloscopistas e bioquímicos, pois suas 
atribuições são distintas das perícias criminais, sendo que o próprio Código de Processo Penal 
faz essa diferenciação. Além disso, o STF considerou que não havia omissão inconstitucional que 
justificasse uma sentença aditiva para incluir estas categorias no rol de peritos oficiais.
STF. Plenário. ADI 4.354/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 07/11/2024 (Info 1158).
JULGADOS EM DESTAQUE 3
É inconstitucional lei municipal que proíbe, em seu território, a vacinação compulsória e a 
respectiva imposição de restrições e sanções a pessoas não vacinadas
Caso concreto: lei do Município de Uberlândia (MG) proibia a exigência de certificado de vacinação 
contra Covid-19 para acesso a estabelecimentos públicos e privados e vedava a vacinação compulsória. 
Essa lei é inconstitucional. 
O STF reconhece a constitucionalidade da vacinação compulsória, desde que não implique 
vacinação forçada e que seja implementada com base em medidas indiretas, como restrições 
ao exercício de certas atividades ou acesso a determinados locais, respeitando critérios de 
razoabilidade, proporcionalidade e dignidade humana.
A vacinação é relevante como estratégia essencial para conter a pandemia e proteger a saúde coletiva, 
considerando o consenso médico-científico que comprova a eficácia das vacinas na redução do 
contágio e da gravidade da Covid-19. A referida lei desestimula a imunização e viola normas federais, 
como o art. 3º, III, “d” da Lei 13.979/2020, que autoriza a vacinação compulsória durante a pandemia, 
além de não apresentar peculiaridades locais que justificassem o tratamento diferenciado.
Em suma: é inconstitucional — à luz do dever estatal de proteção à saúde populacional (art. 196, 
CF/88) — lei municipal que proíbe, em seu território, a vacinação compulsória e a respectiva 
imposição de restrições e sanções a pessoas não vacinadas, uma vez que desestimula a adesão 
à imunização e gera risco à saúde da coletividade.
STF. Plenário. ADPF 946/MG, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 07/11/2024 (Info 1158).
É inconstitucional lei estadual que dispõe sobre o porte de armas de fogo pelos servidores 
públicos de instituto de perícias, órgão integrante da Secretaria da Segurança Pública local
Caso concreto: a Lei nº 12.786/2007 do Rio Grande do Sul concedia aos servidores do Instituto-
Geral de Perícias (IGP) o direito ao porte de arma de fogo. 
O STF declarou a inconstitucionalidade dessa previsão por invadir competência legislativa e 
material privativa da União (arts. 21, VI; e 22, XXI, CF/88). 
O porte de armas deve ser regulado por legislação federal para garantir uniformidade e segurança, 
conforme estabelecido pelo Estatuto do Desarmamento.
Em suma: é inconstitucional — por violar competência material e legislativa privativa da União 
(arts. 21, VI; e 22, XXI, CF/88) — lei estadual que dispõe sobre o porte de armas de fogo pelos 
servidores públicos de instituto de perícias, órgão integrante da Secretaria da Segurança Pública local.
STF. Plenário. ADI 7.627/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 07/11/2024 (Info 1158).
JULGADOS EM DESTAQUE 4
É possível a presença de símbolos religiosos em espaços públicos, pertencentes ao Estado, 
nas hipóteses em que se busca representar tradição cultural da sociedade brasileira
A presença de símbolos religiosos em prédios públicos, pertencentes a qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, desde que tenha o objetivo de manifestar 
a tradição cultural da sociedade brasileira, não viola os princípios da não discriminação, da laicidade 
estatal e da impessoalidade.fraudulenta e operação de instituição 
financeira sem autorização.
O juízo criminal determinou apreensão de diversos bens da empresa e dos sócios.
Além do processo criminal, a empresa teve sua falência decretada pela 5ª Vara Empresarial do Rio 
de Janeiro, que também autorizou a desconsideração da personalidade jurídica, estendendo a 
responsabilidade aos sócios. 
Surgiu então um conflito entre o Juízo criminal, que mantinha bens apreendidos, e o Juízo falimentar, 
que precisava destes mesmos bens para satisfazer os credores.
O STJ decidiu que o Juízo falimentar tem precedência sobre o criminal quanto à disposição dos 
bens, pois o princípio do par conditio creditorium deve ser preservado. 
O eventual perdimento de bens em favor da União, como efeito da condenação criminal, 
é subsidiário ao pagamento dos credores, podendo a União posteriormente se habilitar como 
credora no processo falimentar após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.
STJ. 2ª Seção. CC 200.512-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 9/10/2024 (Info 832).
As sociedades e empresários em recuperação judicial não são isentos do depósito garantidor 
do juízo na Justiça do Trabalho na fase executória
A exigência de garantia do juízo para recursos trabalhistas decorre da competência constitucional 
dos tribunais para gerir seus trabalhos. 
Essa exigência, mesmo quando aplicada a empresas em recuperação judicial, configura legítimo 
exercício da função jurisdicional trabalhista, não invadindo a competência do juízo recuperacional.
O § 10 do at. 899 da CLT prevê o seguinte: “São isentos do depósito recursal os beneficiários da 
justiça gratuita, as entidades filantrópicas e as empresas em recuperação judicial.”
Ocorre que, segundo jurisprudência do TST, a isenção do depósito recursal prevista no art. 899, 
§10 da CLT aplica-se apenas à fase de conhecimento. 
Na fase de execução, a dispensa da garantia do juízo é reservada somente às entidades filantrópicas 
e seus diretores (art. 884, §6º da CLT), não existindo previsão legal que estenda esse benefício às 
empresas em recuperação judicial.
STJ. 2ª Seção. AgInt no CC 205.969-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 13/11/2024 (Info 834).
JULGADOS EM DESTAQUE 28
Os valores devidos ao credor do adiantamento de contrato de câmbio não se sujeitam 
aos efeitos da recuperação judicial
Na recuperação judicial, em regra, todos os créditos existentes na data do pedido estão sujeitos 
ao plano de recuperação, mesmo que ainda não vencidos, conforme estabelece o art. 49 da 
Lei nº 11.101/2005. Como consequência, as ações e execuções contra a empresa em recuperação 
são suspensas por um período de 180 dias (stay period), prorrogável uma única vez por igual 
período, para permitir a negociação com os credores e preservar o patrimônio necessário à 
continuidade da atividade empresarial.
No entanto, existem exceções a esta regra, sendo uma delas o Adiantamento de Contrato de 
Câmbio (ACC). 
O ACC é um serviço oferecido por instituições financeiras para antecipar recursos ao exportador 
em moeda nacional, enquanto ele aguarda o pagamento de compradores estrangeiros. De acordo 
com o § 4º do art. 49 da Lei nº 11.101/2005, os valores devidos ao credor do ACC são considerados 
extraconcursais e não se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial, pois os valores gerados pelas 
exportações pertencem à instituição financeira e não integram o patrimônio da empresa devedora.
Isto significa que os créditos de ACC devem ser restituídos diretamente à instituição financeira 
credora, sem inclusão no concurso geral de credores.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.070.288-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 15/10/2024 (Info 832).
Compete ao juízo falimentar a execução de contribuições previdenciárias decorrentes 
de sentença proferida pela Justiça do Trabalho e devidas por sociedade falida
A execução de contribuições previdenciárias decorrentes de sentença da Justiça do Trabalho e devidas 
por sociedade falida é de competência do juízo falimentar, sendo imprescindível a instauração de 
incidente de classificação de créditos públicos. 
As demandas relacionadas devem ser suspensas até o encerramento da falência.
É o que prevê o art. 7º-A, caput e §§ 2º, 4º, V, e 6º, da Lei 11.101/2005, inserido pela Lei nº 14.112/2020.
STJ. 2ª Seção. CC 202.607-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2024 (Info 834).
Em caso de falência de corretora de valores mobiliários, é possível a restituição dos valores 
custodiados em nome do investidor, diferentemente do que ocorre com depósitos em bancos
Nos casos de falência, os valores custodiados por corretoras de valores mobiliários podem ser objeto 
de pedido de restituição, uma vez que não integram o patrimônio da corretora. Diferentemente das 
instituições financeiras, que atuam como contraparte nas operações, as corretoras executam ordens 
de compra e venda em nome do cliente, sem deter disponibilidade sobre os valores custodiados.
Nos termos da Súmula nº 417/STF e do art. 85 da Lei nº 11.101/2005, é possível a restituição de 
valores em poder do falido que foram recebidos em nome de outrem ou que, por força de lei ou 
contrato, não estavam sob sua disponibilidade.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.110.188-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 10/12/2024 (Info 837).
JULGADOS EM DESTAQUE 29
ECA
A sanção prevista no art. 249 do ECA aplica-se a qualquer pessoa física ou jurídica que 
descumpra determinações judiciais ou do Conselho Tutelar
O art. 249 do ECA deve ser interpretado de forma abrangente, aplicando-se a qualquer pessoa 
física ou jurídica que desrespeite ordens da autoridade judiciária ou do Conselho Tutelar, sem 
limitar-se à esfera familiar, de guarda ou tutela.
Art. 249. Descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres inerentes ao poder familiar ou decorrente 
de tutela ou guarda, bem assim determinação da autoridade judiciária ou Conselho Tutelar: Pena - 
multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Caso concreto: uma empresa promotora de eventos foi autuada por permitir a entrada de 
menores desacompanhados dos pais e responsáveis, mesmo havendo determinação judicial em 
sentido contrário.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.944.020-MG, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/10/2024 (Info 832).
O simples fato de o neto, concebido por inseminação artificial, coabitar residência com mãe e 
o avô materno e reconhecê-lo como pai, não é suficiente para afastar a proibição prevista no 
art. 42, § 1º, do ECA, que veda a adoção por avós
Situação hipotética: Carla, mãe solteira, optou por inseminação artificial para realizar seu sonho 
de ser mãe, tendo um filho, Lucas. Desde o nascimento, Lucas, agora com 5 anos, foi cuidado por 
sua mãe e pelo avô materno, João, a quem chama de pai. 
João ingressou com ação pedindo a adoção do neto com consentimento da filha, para ser reconhecido 
formalmente como pai, sem retirar a maternidade de Carla. 
O Ministério Público se opôs, argumentando a ausência de risco à criança, escolha consciente de 
família monoparental e possíveis motivações econômicas. 
O STJ concordou com o MP e negou o pedido de adoção. 
O STJ negou a adoção, baseando-se no art. 42, § 1º do ECA, que proíbe a adoção por ascendentes. 
Embora existam casos excepcionais em que essa regra pode ser flexibilizada, o STJ estabeleceu 
critérios específicos para isso, como a necessidade de o adotando ser menor de idade, os avós 
exercerem funções parentais exclusivas desde o nascimento, e não haver conflitos familiares ou 
interesses econômicos envolvidos.
No caso em questão, o STJ entendeu que os requisitos para flexibilização não foram atendidos, pois 
não havia situação de risco (já que Carla exercia plenamente a maternidade), o avô desempenhava 
papel típico de avô (não de pai exclusivo), havia possível confusão patrimonial e familiar, e existiam 
indícios de motivação predominantemente econômica. Além disso, o caso envolvia uma família 
monoparental constituída porescolha consciente, protegida constitucionalmente.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.067.372-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 5/11/2024 (Info 833).
JULGADOS EM DESTAQUE 30
A gestante ou parturiente que manifeste o interesse de entregar seu filho para adoção tem 
direito ao sigilo judicial em torno do nascimento e da entrega da criança, inclusive em relação 
ao suposto genitor e à família ampla
A gestante ou parturiente que manifesta interesse tem direito ao sigilo judicial sobre o nascimento 
e a entrega da criança para adoção, inclusive em relação ao suposto genitor e à família ampla, 
ressalvado o direito da criança ao conhecimento de sua origem biológica, nos termos do § 9º do 
art. 19-A e art. 48 do ECA.
Nenhuma mãe, salvo se casada ou vivendo em união estável, é obrigada a revelar o nome do pai 
de seu filho.
O sigilo no procedimento de entrega voluntária, previsto nos §§ 5º e 9º do art. 19-A do ECA, protege 
a mulher de preconceitos, constrangimentos e cobranças, permitindo que o procedimento de 
entrega voluntária para adoção ocorra de forma humanizada, resguardando também os superiores 
interesses da criança.
O procedimento de entrega voluntária visa proteger a mãe e o bebê, prevenindo situações como 
aborto clandestino, adoção irregular e abandono, além de isentar a mãe de responsabilidade civil 
ou criminal pelo ato.
Nos termos da Resolução nº 458/2023 do CNJ, a gestante ou parturiente deve ser orientada sobre 
seu direito ao sigilo, inclusive em relação à família extensa e ao pai indicado, respeitando sua 
manifestação de vontade e esclarecendo o direito da criança ao conhecimento da origem biológica.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.086.404-MG, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 24/9/2024 (Info 835).
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
A expedição de ofícios a cadastros públicos e concessionárias de serviços públicos para 
localizar o réu antes da citação por edital não é obrigatória, mas uma possibilidade a ser 
avaliada pelo magistrado
A citação por edital pressupõe o esgotamento dos meios necessários para localização do réu, sob 
pena de nulidade.
O art. 256, § 3º, do CPC/2015 dispõe que o réu será considerado em local ignorado ou incerto 
se forem infrutíferas as tentativas de sua localização, “inclusive mediante requisição pelo juízo 
de informações sobre seu endereço nos cadastros de órgãos públicos ou de concessionárias de 
serviços públicos”. 
A norma processual não impõe a obrigatoriedade da expedição de ofícios a cadastros públicos e 
concessionárias de serviços públicos antes da citação por edital, mas apenas prevê essa possibilidade 
como uma ferramenta importante, a ser utilizada conforme o juízo de valor do magistrado. 
A análise do esgotamento das tentativas de localização do réu e da necessidade de expedição 
de ofícios a cadastros de órgãos públicos ou concessionárias de serviços públicos deverá ser 
realizada de forma casuística, considerando as particularidades de cada caso.
STJ. 4ª Turma. REsp 2.152.938-DF, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/10/2024 (Info 832).
JULGADOS EM DESTAQUE 31
É inadmissível a interposição de recurso especial contra decisão que, embora fixe tese em 
IRDR, tem origem em mandado de segurança denegado pelo Tribunal de origem
Caso adaptado: Fazenda Pública impetrou mandado de segurança contra acórdão da Turma 
Recursal. Foi instaurado IRDR. A tese fixada no IRDR foi contrária à Fazenda Pública e, em razão 
disso, o mandado de segurança foi denegado. O Estado-membro interpôs recurso especial contra 
o acórdão que fixou a tese no IRDR, com base no art. 987 do CPC.
O STJ afirmou que não caberia recurso especial (mas sim recurso ordinário constitucional). Isso 
porque o processo que deu origem ao IRDR foi um mandado de segurança impetrado pelo 
Estado-membro.
O art. 105, II, “b”, da CF/88, afirma que, contra acórdão que denega mandado de segurança, 
recurso cabível é o recurso ordinário constitucional (e não o recurso especial).
Vale ressaltar que, para o STJ, a interposição de recurso especial configurou erro grosseiro, não 
podendo ser aplicado o princípio da fungibilidade.
STJ. 1ª Seção. AgInt no REsp 2.056.198-PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 9/10/2024 (Info 832).
É constitucional a expedição de precatórios complementares ou suplementares de valor 
pago somente nos casos de erro material, inexatidão aritmética ou substituição de índices 
aplicáveis por força de alteração normativa
1. É vedada a expedição de precatórios complementares ou suplementares de valor pago, salvo 
nas hipóteses de erro material, inexatidão aritmética ou substituição de índices aplicáveis por 
força de alteração normativa; 
2. A verificação de enquadramento nas hipóteses admitidas de complementação ou suplementação 
de precatório pressupõe o reexame de matéria fático-probatória.
STF. Plenário. ARE 1.491.413/SP, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 27/11/2024 
(Repercussão geral – Tema 1.360) (Info 1160).
É inconstitucional a compensação de débitos da Fazenda Pública inscritos em precatórios 
estabelecida pelos §§ 9º e 10 do art. 100 da CF/88
A compensação dos débitos da Fazenda Pública inscritos em precatórios, prevista nos §§ 9º e 10 do 
art. 100 da Constituição Federal, incluídos pela EC nº 62/09, viola frontalmente o texto constitucional, 
pois obsta a efetividade da jurisdição (art. 5º, XXXV, CF/88), desrespeita a coisa julgada material 
(art. 5º, XXXVI, CF/88), vulnera a separação dos poderes (art. 2º, CF/88) e ofende a isonomia entre 
o Poder Público e o particular (art. 5º, caput, CF/88).
STF. Plenário. RE 678.360/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/11/2024 (Repercussão geral – 
Tema 558) (Info 1160).
JULGADOS EM DESTAQUE 32
É possível a suspensão da execução de título extrajudicial até cumprimento integral de 
transação - realizada antes da citação do executado e na qual as partes concordaram com o 
sobrestamento condicionado ao referido cumprimento
Caso hipotético: o banco ajuizou execução de título extrajudicial contra João. Antes mesmo de ser 
citado, João procurou o banco para renegociar a dívida. As partes chegaram a um acordo: João 
pagaria o valor devido em 60 parcelas menores, com a última parcela prevista para agosto de 2029. 
No acordo, foi incluída uma cláusula estabelecendo que o processo de execução ficaria suspenso 
até que João cumprisse regularmente o novo parcelamento. O banco peticionou apresentando o 
acordo ao juiz e pedindo a suspensão do processo até o cumprimento integral da obrigação. 
O magistrado, contudo, extinguiu a execução sem resolução do mérito, argumentando que o 
acordo prévio tornava desnecessária a continuidade da ação judicial. O TJ manteve a sentença.
O banco interpôs recurso especial.
O STJ deu provimento ao recurso.
A lei processual permite às partes a celebração de negócio jurídico processual, que pode envolver 
modificação de prazos ou mesmo a suspensão do andamento do feito.
A suspensão do trâmite possui limitação temporal a depender do tipo de processo, podendo as 
partes convencionarem a suspensão do feito – no âmbito do processo de conhecimento - por até 
seis meses, ou - em processo de execução - até o fim do prazo para cumprimento da obrigação 
constituída no acordo.
O interesse de agir decorrente da celebração de negócio jurídico processual de suspensão de 
processo executivo está no incentivo ao cumprimento do acordo pela parte contra a qual a 
condição de retomada do curso da ação corre - i.e., o devedor e executado - além da preservação 
do crédito exequendo no seu montante original e seus consectários decorrentes
do reestabelecimento da mora quanto ao título extrajudicial original.
A simples notícia de acordo firmado entre as partes, em princípio, não implica em suspensão 
automática do curso processual, salvo se houver no acordo a celebração de negócio jurídico 
processual específico do sobrestamento do processo, sendo irrelevante o fato de o acordo ter 
sido celebrado antes da citação do executado.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.165.124-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi,julgado em 15/10/2024 (Info 832).
Não podem ser fixados honorários advocatícios em cumprimento de sentença proferida 
em mandado de segurança individual, mesmo que existam efeitos patrimoniais a serem 
executados nos próprios autos
Nos termos do art. 25 da Lei nº 12.016/2009, não se revela cabível a fixação de honorários de 
sucumbência em cumprimento de sentença proferida em mandado de segurança individual, 
ainda que dela resultem efeitos patrimoniais a serem saldados dentro dos mesmos autos. 
STJ. 1ª Seção. REsp 2.053.306-MG, REsp 2.053.311-MG e REsp 2.053.352-MG, Rel. Min. Sérgio 
Kukina, julgados em 27/11/2024 (Recurso Repetitivo - Tema 1.232) (Info 835).
JULGADOS EM DESTAQUE 33
Sendo o espólio representado pelo inventariante ou pelo administrador provisório, não está a 
Fazenda Pública desobrigada de identificar o representante legal na inicial da execução fiscal
Caso hipotético: em uma execução fiscal, o Município buscou cobrar débitos de IPTU do espólio 
de João da Silva Sauro, indicando apenas “Espólio de João da Silva Sauro” como parte executada, 
sem identificar o inventariante ou administrador provisório. O juiz determinou que o Município 
apresentasse informações sobre o inventário e dados do representante legal, mas o Município 
apenas requereu a citação direcionada a quem estivesse na posse do imóvel ou por edital.
O juiz extinguiu o processo sem resolução de mérito, fundamentando que o espólio deve ser 
representado em juízo pelo administrador provisório, meeira, herdeiros, representante legal ou 
inventariante, conforme o CPC. O Município recorreu argumentando que a Lei de Execução Fiscal 
exige apenas indicação do juiz, pedido e requerimento de citação na inicial, além de alegar que 
frequentemente o Fisco desconhece o falecimento do contribuinte.
O STJ manteve a extinção do processo, estabelecendo que, mesmo na execução fiscal, a Fazenda 
Pública não está desobrigada de identificar o representante legal do espólio na petição inicial, 
pois o requerimento de citação e o fornecimento das informações básicas são obrigações 
impostas tanto pelo CPC quanto pela Lei de Execução Fiscal. 
O espólio deve ser representado pelo inventariante ou administrador provisório, conforme artigos 
75, VII e 618, I do CPC.
O nome do réu ou o de seu representante legal são informações básicas, e não simples qualificação 
da parte como o são seu CPF ou CNPJ, números de cadastro cuja indicação esta Corte Superior, 
no julgamento do Tema 876 do STJ, entendeu prescindíveis na inicial da execução fiscal.
Por conseguinte, sendo o espólio representado pelo inventariante ou pelo administrador 
provisório, não está a Fazenda Pública desobrigada de identificar o representante legal na inicial 
da execução fiscal, porque o requerimento da citação e o fornecimento das informações básicas 
para que ela se realize são obrigações impostas ao autor não apenas pelo Código de Processo 
Civil, mas também pela Lei de Execução Fiscal.
STJ. 1ª Turma. AREsp 2.670.058-TO, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 22/10/2024 (Info 832).
Quem tem o ônus de provar os requisitos da impenhorabilidade da pequena propriedade rural?
Para que seja reconhecida a impenhorabilidade de uma propriedade rural, conforme o art. 833, 
VIII, do CPC, são necessários dois requisitos: 
1) que o imóvel se caracterize como pequena propriedade rural (até quatro módulos fiscais, 
conforme Lei 8.629/1993); e 
2) que seja explorado pela família.
É ônus do executado provar que a pequena propriedade rural é explorada pela família para fins 
de reconhecimento de sua impenhorabilidade. 
STJ. Corte Especial. REsp 2.080.023-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/11/2024 (Recurso 
Repetitivo – Tema 1234) (Info 833).
JULGADOS EM DESTAQUE 34
É vedado aos entes públicos celebrar contratos ad exitum para ações judiciais, pois 
tais cláusulas violam normas de licitações, expõem o Erário a riscos e comprometem a 
universalidade orçamentária
Municípios brasileiros impactados por desastres socioambientais, como os rompimentos das 
barragens em Mariana e Brumadinho, acionaram a justiça estrangeira, especialmente na 
Inglaterra, buscando responsabilizar empresas multinacionais com sede nesses países por danos 
causados no Brasil. 
Para isso, contrataram escritórios estrangeiros por meio de contratos de risco (“ad exitum”), nos 
quais os honorários seriam pagos apenas em caso de vitória judicial, com percentuais sobre o 
valor recuperado. 
Essa prática foi questionada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) em uma ADPF na 
qual o autor argumentou que os contratos violam princípios da administração pública, expõem 
o Erário a riscos e ferem a soberania nacional.
O STF concedeu parcialmente a medida cautelar e determinou que os municípios apresentem os 
contratos firmados com escritórios estrangeiros e proibiu pagamentos relacionados às cláusulas 
“ad exitum” sem prévia análise de legalidade pelas instâncias soberanas brasileiras. 
O STF considerou que esses contratos violam normas da Lei de Licitações, criam incertezas 
financeiras e desviam recursos que deveriam ser destinados ao orçamento público, favorecendo 
desproporcionalmente escritórios advocatícios em detrimento das vítimas dos desastres. 
Além disso, o Tribunal destacou a necessidade de supervisão federal em litígios internacionais, 
considerando os potenciais impactos à soberania e aos interesses nacionais.
STF. Plenário. ADPF 1.178 MC-Ref/DF, Rel. Min. Flávio Dino, julgado em 06/11/2024 (Info 1157).
Qual é o termo final da incidência dos juros remuneratórios em ações judiciais que tratam 
da reposição de perdas inflacionárias em cadernetas de poupança?
I - Desde que expressamente previstos na sentença coletiva que determina a recomposição dos 
índices inflacionários expurgados, o termo final de incidência de juros remuneratórios sobre 
a parcela da conta poupança resultante da recomposição do índice expurgado é a data de 
encerramento da conta ou aquela em que passa a ter saldo zero, o que primeiro ocorrer.
II - Cabe ao banco depositário a comprovação dessas datas, sob pena de se adotar como termo 
final a data da citação na ação civil pública que originou o cumprimento de sentença.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.877.300-SP e REsp 1.877.280-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgados em 
11/12/2024 (Recurso Repetitivo - Tema 1.101) (Info 837).
Cancelamento da Súmula 222 do STJ
Fica cancelada a Súmula 222-STJ: Compete à Justiça Comum processar e julgar as ações relativas 
à contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT.
STJ. 1ª Seção. Cancelada em 13/11/2024, DJe de 29/11/2024 (Info 835).
JULGADOS EM DESTAQUE 35
Os parâmetros posteriores de correção monetária para a atualização de débitos da Fazenda 
Pública devem ser aplicados, mesmo que o título executivo tenha transitado em julgado com 
a determinação de um índice diferente
O trânsito em julgado de decisão de mérito com previsão de índice específico de juros ou de 
correção monetária não impede a incidência de legislação ou entendimento jurisprudencial do 
STF supervenientes, nos termos do Tema 1.170/RG.
STF. Plenário. RE 1.505.031/SC, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 27/11/2024 (Info 1160).
A procuração concedida pela pessoa jurídica ao advogado permanece válida mesmo que o 
sócio que assinou o instrumento morra
A personalidade jurídica da sociedade empresária, não se confunde com a pessoa do seu sócio-
administrador, de sorte que a procuração outorgada pela pessoa jurídica não perde os seus 
efeitos, com o falecimento da pessoa física que por ela respondia.
A morte do sócio não implica automaticamente na dissolução da pessoa jurídica, de modo que 
o mandato validamente outorgado tem sua vigência enquanto não for revogado. Portanto, o 
falecimento do sócio em nada altera a validade do mandato anteriormente concedido pela pessoa 
jurídica em favor do seu advogado, não havendo que se falar em necessidade de regularização da 
representação processual.
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1.997.964-SC, Rel. Min. AfrânioVilela, julgado em 12/11/2024 (Info 834).
Um veículo que seja essencial ao trabalho da pessoa executada é impenhorável; se esse 
veículo estiver em alienação fiduciária, a impenhorabilidade se estende para os direitos 
aquisitivos derivados do contrato de alienação fiduciária
Os bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do devedor são impenhoráveis, 
conforme o art. 833, V, do CPC, com a finalidade de proteger o direito à subsistência do executado.
O veículo usado como ferramenta de trabalho é, em regra, impenhorável, salvo exceções legais. 
Essa proteção se estende reflexamente aos direitos aquisitivos derivados de contratos de 
alienação fiduciária, caso o bem em questão seja necessário à atividade profissional.
A alienação fiduciária de um veículo como garantia financeira não transfere a propriedade plena 
ao credor fiduciário; em vez disso, vincula os direitos do devedor à aquisição do bem. Assim, 
tais direitos aquisitivos também são protegidos pela impenhorabilidade, enquanto subsistir a 
condição de necessidade ao exercício da profissão.
Em suma: a impenhorabilidade de veículo automotor necessário ao exercício da profissão se 
estende, de maneira reflexa, aos direitos aquisitivos derivados de contrato de alienação fiduciária 
em garantia que tem por objeto o referido bem. 
STJ. 3ª Turma. REsp 2.173.633-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/11/2024 (Info 834).
JULGADOS EM DESTAQUE 36
A norma do art. 103, III, do CDC, que confere efeito erga omnes à sentença genérica proferida 
na fase de conhecimento, em ação coletiva, não se aplica às decisões proferidas no 
cumprimento individual de sentença
Caso adaptado: o Ministério Público ajuizou ação civil pública contra a antiga Telebras (atual Oi 
S.A.), questionando a entrega de ações a consumidores que adquiriram linhas telefônicas pelo 
Plano de Expansão. A sentença coletiva reconheceu o direito dos consumidores e transitou em 
julgado, permitindo o cumprimento individual da sentença. 
João iniciou a execução individual e o Tribunal de Justiça afastou a validade de um documento 
da empresa telefônica que alegava quitação parcial. Até aí, tudo bem. O problema foi que o TJ 
atribuiu efeito erga omnes à decisão, determinando sua aplicação a todos os consumidores em 
situação semelhante.
O STJ reformou a decisão do Tribunal de Justiça, argumentando que o efeito erga omnes previsto 
no art. 103, III, do CDC é restrito à sentença coletiva proferida na fase de conhecimento e não se 
estende ao cumprimento individual de sentença. 
A individualização dos direitos e obrigações em processos de cumprimento exige respeito ao 
contraditório e à ampla defesa, permitindo que credores e devedores apresentem argumentos 
próprios em cada caso.
Mesmo em situações similares, julgamentos autônomos no cumprimento de sentença podem 
resultar em conclusões diferentes, conforme as provas e circunstâncias específicas. 
Assim, decisões individuais não vinculam automaticamente outros credores, e a uniformização de 
entendimentos só pode ocorrer por meio de recursos cabíveis em instâncias superiores. 
Com isso, o STJ deu provimento ao recurso da empresa de telefonia para afastar o efeito erga 
omnes atribuído pelo TJ.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.762.278-MS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 5/11/2024 (Info 834).
A responsabilidade civil e a tutela inibitória podem ser impostas em decorrência dos danos 
notórios e inequívocos causados pelo tráfego de veículos com excesso de peso em rodovias
O direito ao trânsito seguro, bem como os notórios e inequívocos danos materiais e morais 
coletivos decorrentes do tráfego reiterado, em rodovias, de veículo com excesso de peso, 
autorizam a imposição de tutela inibitória e a responsabilização civil do agente infrator. 
O direito ao trânsito seguro, bem como os notórios e inequívocos danos materiais e morais 
coletivos decorrentes do tráfego reiterado, em rodovias, de veículo com excesso de peso, 
autorizam a imposição de tutela inibitória e a responsabilização civil do agente infrator.
A aplicação da multa administrativa prevista no Código de Trânsito Brasileiro não exclui 
a imposição da tutela inibitória prevista na Lei da Ação Civil Pública, uma vez que a multa 
administrativa tem caráter abstrato e sancionador de ilícitos pretéritos, enquanto a multa civil 
(astreintes) visa dissuadir a conduta contumaz do infrator e assegurar o cumprimento das 
obrigações judicialmente estabelecidas.
JULGADOS EM DESTAQUE 37
É fato notório o nexo causal entre o transporte com excesso de peso e a deterioração da via pública, 
causando danos materiais ao patrimônio público e ofensa in re ipsa a direitos coletivos e difusos 
de caráter extrapatrimonial, como a ordem econômica, o meio ambiente equilibrado e a 
segurança dos usuários das rodovias.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.908.497-RN e REsp 1.913.392-MG, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, julgado em 
27/11/2024 (Recurso Repetitivo - Tema 1104) (Info 835).
A simples apresentação de listagem dos substituídos, quando do ajuizamento da ação coletiva, 
por si só, não importa em restrição dos efeitos da coisa julgada
A entidade sindical possui ampla legitimidade extraordinária para defender os interesses de toda 
a categoria que representa, independentemente de listagem nominal dos substituídos, tanto na 
fase de conhecimento quanto na execução do julgado.
A apresentação de listagem dos substituídos no momento do ajuizamento da ação coletiva não 
implica, por si só, restrição dos efeitos da coisa julgada.
Em ações coletivas sobre direitos individuais homogêneos, aplica-se o CDC, que confere caráter 
genérico às condenações e efeitos erga omnes às sentenças coletivas.
A restrição dos efeitos da sentença coletiva a um subgrupo da categoria só é possível quando o 
direito tutelado, por suas particularidades objetivas, alcance somente parte dos substituídos.
Na ausência de limitação expressa no título executivo e considerando a previsão constitucional de 
ampla legitimidade extraordinária da entidade sindical, o termo “substituídos” abrange todos os 
integrantes da categoria que sejam titulares do direito violado.
STJ. 1ª Turma. REsp 2.030.944-RJ, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, Rel. para acórdão Min. Regina 
Helena Costa, julgado em 26/11/2024 (Info 835).
Pensionista não tem direito exclusivo de receber valores atrasados devidos a servidor público 
falecido, devendo a sucessão seguir as regras dos arts. 110 e 778, § 1º, II, do CPC/2015
Caso hipotético: João, servidor público federal, ingressou com ação contra a União pleiteando 
diferenças salariais de R$ 50.000,00 referentes a 2015-2018. A sentença foi procedente em 2020, 
mas ele faleceu em 2021 antes de receber os valores, deixando como herdeiros sua esposa 
Regina (pensionista) e dois filhos, Pedro e Ana. 
Regina solicitou habilitação exclusiva no processo para receber os valores com base no art. 112 da 
Lei nº 8.213/91, que estabelece preferência de dependentes à pensão por morte para pagamento 
de valores não recebidos em vida.
O juiz federal indeferiu o pedido de Regina, determinando que a habilitação deveria ser feita pelo 
espólio, representado pelo filho Pedro (inventariante). A decisão fundamentou-se no fato de haver 
inventário em curso, os valores comporem o espólio e a Lei nº 8.213/91 aplicar-se apenas ao 
Regime Geral de Previdência Social, não aos servidores públicos.
JULGADOS EM DESTAQUE 38
O STJ confirmou o acerto da decisão, estabelecendo que, havendo inventário, a sucessão 
processual deve seguir os arts. 110 e 778, § 1º, II, do CPC/2015, não existindo previsão legal que 
autorize o dependente habilitado à pensão por morte a suceder com exclusividade o servidor 
público falecido para recebimento de valores atrasados.
Não há previsão legal que autorize o dependente habilitado à pensão por morte a se habilitar 
com exclusividade para suceder o servidor público falecido no curso do processo que objetiva 
a cobrança de valores atrasados, devendo a sucessão processual observar oslegitimados dos 
arts. 110 e 778, § 1º, II, do CPC/2015. 
STJ. 2ª Turma. REsp 2.128.708-RS, Rel. Min. Francisco Falcão, jugado em 10/12/2024 (Info 837).
O direito de receber crédito relativo à multa cominatória é transmissível aos sucessores da 
parte a quem se destinava a obrigação de fazer após seu falecimento, ainda que a obrigação 
principal que originou a multa seja de natureza personalíssima
Caso hipotético: Francisco teve negado pelo seu plano de saúde o tratamento prescrito pelos 
médicos. Diante disso, ele ingressou com ação judicial e obteve uma tutela provisória de urgência, 
que determinou o fornecimento do tratamento sob pena de multa diária (astreintes) de R$ 
1.000,00. O plano demorou 50 dias para cumprir a decisão, acumulando R$ 50.000,00 em multas. 
Após o trânsito em julgado da sentença favorável a Francisco, ele iniciou o cumprimento de 
sentença para executar a multa, mas faleceu durante o processo. 
O plano de saúde tentou extinguir o cumprimento de sentença, argumentando que a multa não 
seria mais devida devido ao falecimento do autor, já que a obrigação de fornecer o tratamento 
era personalíssima.
O STJ, no entanto, rejeitou os argumentos do plano de saúde.
Embora a pretensão principal (tratamento médico) seja personalíssima, a multa cominatória tem 
natureza patrimonial e integra o patrimônio do autor, sendo transmissível aos sucessores após 
o falecimento do titular. Esta interpretação visa preservar a eficácia coercitiva do instrumento 
processual e evitar que o réu seja beneficiado pelo próprio descumprimento da ordem judicial, 
especialmente em casos envolvendo pacientes com quadro clínico grave ou terminal.
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 2.123.791-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 4/11/2024 (Info 837).
JULGADOS EM DESTAQUE 39
DIREITO PENAL
A revogação ou modificação das medidas protetivas de urgência demanda comprovação 
concreta da mudança nas circunstâncias que ensejaram sua concessão, não sendo possível a 
extinção automática baseada em presunção temporal
As medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha possuem natureza jurídica 
de índole cível, inibitória e satisfativa, desvinculadas de tipificação penal específica ou de ações 
penais ou cíveis em andamento. 
A Lei nº 14.550/2023, ao incluir os §§ 5º e 6º no art. 19 da Lei 11.340/2006, reafirmou que sua 
validade não está condicionada a prazo determinado, mas sim à persistência do risco à vítima, 
conforme a cláusula rebus sic stantibus.
A revogação ou modificação dessas medidas exige comprovação concreta de mudança das 
circunstâncias que justificaram sua imposição, sendo inadmissível a extinção automática com 
base em critérios temporais. É necessária a oitiva prévia da vítima antes da cessação das medidas, 
garantindo uma decisão fundamentada e a oportunidade de manifestação das partes.
STJ. 5ª Turma. REsp 2.066.642-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 13/8/2024 (Info 832).
O animus jocandi exclui o dolo de discriminar e afasta a tipicidade da conduta
Em um show de stand-up comedy, um humorista fez uma piada de cunho sexual envolvendo 
uma pessoa cadeirante, o que levou à abertura de um inquérito policial para investigar possível 
crime de discriminação contra pessoa com deficiência, previsto no art. 88 do Estatuto da Pessoa 
com Deficiência (Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua 
deficiência: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.).
A defesa do humorista impetrou habeas corpus buscando o trancamento do inquérito, alegando 
ausência de dolo específico de discriminar. 
O STJ concedeu a ordem para trancar o inquérito policial, entendendo que o contexto de stand-up 
comedy indica a presença de animus jocandi (intenção de brincar), o que exclui o dolo específico 
necessário para a configuração do crime de discriminação.
O encerramento prematuro da ação penal ou do inquérito policial é medida excepcional, cabível 
apenas quando comprovada, de forma inequívoca e sem incursão probatória, a atipicidade da 
conduta, a inépcia da denúncia, a absoluta ausência de provas de materialidade ou indícios de 
autoria, ou a existência de causa extintiva de punibilidade.
No caso, o contexto do ato investigado, realizado em um show de stand up comedy, evidenciou 
ausência de dolo específico para incitar discriminação, prevalecendo o animus jocandi. O dolo 
de discriminação, imprescindível para configuração do crime, não foi minimamente indicado, 
tornando inadequada a instauração do inquérito. A exclusão do elemento subjetivo pelo animus 
jocandi afasta a tipicidade da conduta.
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 193.928-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 
16/9/2024 (Info 832).
JULGADOS EM DESTAQUE 40
A multa aplicada na sentença condenatória possui caráter penal; embora se apliquem as 
causas suspensivas da prescrição previstas na LEF e as causas interruptivas disciplinadas no 
art. 174 do CTN, o prazo da prescrição intercorrente é o do art. 114, II, do CP 
Caso hipotético: João foi condenado por tráfico de drogas a uma pena de 9 anos de reclusão e 
multa. Após cumprir a prisão, a multa não foi paga. 
Diante da inércia do MP, a Fazenda Nacional ingressou com execução fiscal cobrando a 
multa. A execução foi suspensa devido à ausência de bens penhoráveis, e, após cinco anos do 
arquivamento provisório, o juiz extinguiu o processo com base na prescrição intercorrente, 
aplicando o prazo de cinco anos do art. 174 do CTN.
A Fazenda Nacional recorreu, argumentando que a multa penal mantém sua natureza criminal, 
mesmo se cobrada via execução fiscal, e, portanto, o prazo prescricional deveria ser o mesmo da 
pena privativa de liberdade aplicada (16 anos, conforme o art. 109 do CP). 
O STJ concordou com a recorrente.
A nova redação do art. 51 do Código Penal não retirou o caráter penal da multa, de modo que, 
embora se apliquem as causas suspensivas da prescrição previstas na Lei nº 6.830/1980 e as 
causas interruptivas disciplinadas no art. 174 do CTN, o prazo prescricional continua regido pelo 
art. 114, II, do CP, inclusive quanto ao prazo de prescrição intercorrente. 
STJ. 2ª Turma. REsp 2.173.858-RN, Rel. Min. Afrânio Vilela, julgado em 5/11/2024 (Info 833).
O delito previsto no art. 54, caput, primeira parte, da Lei 9.605/1998 prescinde de prova 
pericial para constatação de poluição que possa resultar em danos à saúde humana
Caso adaptado: João, dono de um bar com música ao vivo, foi denunciado pelo Ministério Público por 
crime ambiental (art. 54 da Lei nº 9.605/98) após medições confirmarem que o estabelecimento 
emitia ruídos acima do limite permitido de 50 decibéis, gerando reclamações dos vizinhos que 
relatavam problemas para dormir e estresse.
Na primeira instância, o juiz desclassificou a conduta para contravenção penal de perturbação da 
tranquilidade (art. 42 do Decreto-Lei 3.688/41), entendendo não haver comprovação, por meio de 
perícia, de risco efetivo à saúde dos moradores. O Ministério Público recorreu, argumentando que 
o crime ambiental em questão é de perigo abstrato, não exigindo prova técnica do dano.
O STJ acolheu o recurso do Ministério Público. Isso porque o crime do art. 54, caput, da 
Lei nº 9.605/98 é formal e de perigo abstrato, dispensando perícia para comprovar danos à 
saúde humana. 
Assim, basta a constatação do desrespeito às normas de emissão sonora para configurar o delito, 
em consonância com os princípios do desenvolvimento sustentável e da prevenção.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 2.130.764-MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 16/9/2024 
(Info 833).
JULGADOS EM DESTAQUE 41
Em regra: nos crimes contra a dignidade sexual, é possível a aplicação da agravante do art. 
61, II, f, e da majorante do art. 226, II, do CP. Exceção: se o juiz usar a relação de autoridade 
como argumento para aplicar os dois dispositivos
Nos crimes contra a dignidade sexual, não configura bis in idem a aplicação simultânea da 
agravante genérica do art. 61, II, f, e da majorante específicado art. 226, II, ambos do Código 
Penal, salvo quando presente apenas a relação de autoridade do agente sobre a vítima, hipótese 
na qual deve ser aplicada tão somente a causa de aumento.
STJ. 3ª Seção. REsps 2.038.833-MG, 2.048.768-DF e 2.049.969-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, 
julgado em 13/11/2024 (Recurso Repetitivo – Tema 1.215) (Info 834).
O mero porte de CRLV falsificada na condução de veículo automotor, sem a apresentação 
pelo condutor no momento da abordagem, não tipifica o crime de uso de documento falso, 
previsto no art. 304 do Código Penal
O mero porte de CRLV falsificada na condução de veículo automotor, sem a apresentação pelo 
condutor no momento da abordagem, não tipifica o crime de uso de documento falso, previsto no 
art. 304 do Código Penal. 
Caso hipotético: João foi parado em uma blitz. Durante uma busca no veículo, os policiais 
encontraram um CRLV falso no porta-luvas. Ele foi denunciado pelo crime de uso de documento 
falso (art. 304 do Código Penal).
O juiz absolveu o réu argumentando que não houve uso efetivo do documento falso, já que ele 
não o apresentou às autoridades. O Ministério Público recorreu, alegando que o simples porte 
do CRLV falso já configuraria o crime, uma vez que o art. 133 do CTB obriga o motorista a portar 
este documento.
O STJ manteve a absolvição.
De acordo com o art. 304 do Código Penal, o crime de uso de documento falso requer o uso 
deliberado do documento para produzir efeitos jurídicos. Apenas possuir o documento falso não 
é suficiente para configurar o crime. A obrigação de portar o CRLV é uma regra administrativa do 
Código de Trânsito Brasileiro e não pode alterar ou ampliar a definição de conduta típica prevista 
no Código Penal.
O mero porte de um CRLV falso, sem sua efetiva utilização, não tipifica o crime de uso de 
documento falso, em respeito ao princípio da legalidade e da ofensividade. Isso porque a simples 
posse do documento, sem intenção de uso, não ameaça a fé pública, que é o bem jurídico 
protegido pela norma penal.
STJ. 6ª Turma. REsp 2.175.887-GO, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 12/11/2024 (Info 834).
JULGADOS EM DESTAQUE 42
É possível aplicar retroativamente um ato normativo que aumenta o valor mínimo para 
ajuizamento de execução fiscal, reconhecendo a insignificância de crimes tributários 
estaduais cometidos antes de sua vigência?
O STJ reconhece a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância em crimes tributários 
estaduais quando o débito tributário verificado não ultrapassa os valores mínimos estabelecidos 
por normas locais para o ajuizamento de execuções fiscais. Para tanto, é necessário que haja 
legislação estadual análoga à Lei Federal nº 10.522/2002, que define limites para propositura e 
desistência de execuções fiscais.
No Estado de Santa Catarina, a Portaria GAB/PGE nº 58/2021 majorou o valor mínimo para 
ajuizamento de execução fiscal de R$ 20.000,00 para R$ 50.000,00. Essa alteração trouxe implicações 
para a análise de casos envolvendo crimes tributários ocorridos antes da vigência da portaria. 
Imagine que um réu praticou em 2019 sonegação de ICMS no valor de R$ 31.000,00. Quando 
a conduta foi praticada, o quantum sonegado era superior ao valor mínimo da execução fiscal. 
Ocorre que, em 2022, no momento da sentença, o quantum sonegado já era inferior à nova 
Portaria. É possível retroagir esse novo patamar para beneficiar o réu?
Sob o prisma do art. 5º, XL, da Constituição Federal, e do art. 2º, parágrafo único, do Código Penal, 
a defesa sustenta que o aumento do valor mínimo equivale a uma norma penal mais benéfica, 
sendo aplicável de forma retroativa.
o STJ encontra-se dividido quanto à retroatividade desse ato normativo. 
5ª Turma: NÃO. A retroatividade de ato administrativo que majorou o valor mínimo para execução 
fiscal não se aplica em benefício do réu, pois não se trata de norma penal mais benéfica.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 920.735-SC, Rel. Min. Daniela Teixeira, julgado em 24/9/2024 (Info 834).
6ª Turma: SIM. Normas locais que fixam limites para execução fiscal podem ser consideradas 
como novatio legis in mellius.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 863.522/SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 2/9/2024.
Se a arma for usada para proteger o tráfico de drogas, ela apenas aumenta a pena do tráfico 
(não será crime autônomo); se a arma era usada também para outras finalidades, o réu 
responde por dois crimes: tráfico e posse/porte ilegal de arma de fogo
A majorante do art. 40, inciso IV, da Lei nº 11.343/2006 aplica-se quando há nexo finalístico entre 
o uso da arma e o tráfico de drogas, sendo a arma usada para garantir o sucesso da atividade 
criminosa, hipótese em que o crime de porte ou posse ilegal de arma é absorvido pelo tráfico. 
Do contrário, o delito previsto no Estatuto do Desarmamento é considerado crime autônomo, 
em concurso material com o tráfico de drogas. 
STJ. 3ª Seção. REsp 1.994.424-RS e REsp 2.000.953-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 
julgado em 27/11/2024 (Recurso Repetitivo - Tema 1.259) (Info 835).
JULGADOS EM DESTAQUE 43
As medidas protetivas de urgência têm natureza jurídica de tutela inibitória e independem de 
processo principal, devendo durar enquanto persistir a situação de risco à mulher, sem prazo 
determinado; sua extinção deve ser precedida de contraditório, com oitiva da vítima
I - As medidas protetivas de urgência (MPUs) têm natureza jurídica de tutela inibitória e sua 
vigência não se subordina à existência (atual ou vindoura) de boletim de ocorrência, inquérito 
policial, processo cível ou criminal.
II - A duração das MPUs vincula-se à persistência da situação de risco à mulher, razão pela qual 
devem ser fixadas por prazo temporalmente indeterminado;
III - Eventual reconhecimento de causa de extinção de punibilidade, arquivamento do inquérito 
policial ou absolvição do acusado não origina, necessariamente, a extinção da medida protetiva 
de urgência, máxime pela possibilidade de persistência da situação de risco ensejadora da 
concessão da medida.
IV - Não se submetem a prazo obrigatório de revisão periódica, mas devem ser reavaliadas 
pelo magistrado, de ofício ou a pedido do interessado, quando constatado concretamente o 
esvaziamento da situação de risco. A revogação deve sempre ser precedida de contraditório, com 
as oitivas da vítima e do suposto agressor. Em caso de extinção da medida, a ofendida deve ser 
comunicada, nos termos do art. 21 da Lei n. 11.340/2006.
STJ. 3ª Seção. REsp 2.070.717-MG, REsp 2.070.857-MG, REsp 2.070.863-MG e REsp 2.071.109-MG, 
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgados em 13/11/2024 
(Recurso Repetitivo - Tema 1.249) (Info 836).
É inadmissível a tentativa para o crime de estupro de vulnerável. Isso porque o delito se 
consuma a partir de qualquer ato libidinoso contra a vítima
Não é cabível a modalidade tentada para o crime de estupro de vulnerável, uma vez que qualquer 
contato libidinoso com menor de 14 anos já consuma o delito, sendo irrelevante se a conduta foi 
interrompida ou superficial, pois o bem jurídico da dignidade e liberdade sexual da vítima já se 
encontra violado. 
STJ. 5ª Turma. REsp 2.172.883-SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, julgado em 10/12/2024 (Info 837).
A apreensão de munições em quantidade não considerada insignificante, aliada a apreensão 
de droga, petrechos do tráfico e expressivas quantias em dinheiro, perfaz cenário que impede 
o reconhecimento da atipicidade material da conduta
É típica a conduta de portar ou transportar arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido 
em desacordo com determinação legal ou regulamentar, configurando crime de perigo abstrato, 
cujo bem jurídico protegido é a incolumidade pública.
A apreensão de armas, munições, drogas e instrumentos do tráfico, além de grandes quantias 
em dinheiro, impede o reconhecimento da atipicidade material da conduta.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 2.744.867-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em10/12/2024 (Info 837).
JULGADOS EM DESTAQUE 44
DIREITO PROCESSUAL PENAL
A competência da Justiça Federal no crime de racismo em redes sociais depende da comprovação 
de que a postagem foi feita em perfil aberto
A fixação da competência da Justiça Federal para o julgamento do crime de racismo mediante 
divulgação de conteúdo em rede social exige a demonstração da natureza aberta do perfil que 
realizou a postagem, a fim de possibilitar a verificação da potencialidade de atingimento de 
pessoas para além do território nacional. 
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 717.984-SC, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo (Desembargador 
convocado do TJSP), julgado em 2/9/2024 (Info 832).
O STJ decretou, por deficiência de fundamentação, a nulidade da apreensão do celular do 
suspeito do crime 1; é possível que na investigação do crime 2, seja decretada nova apreensão 
do mesmo aparelho
Caso adaptado: João foi alvo de duas apurações penais distintas. Na primeira, em tramitação na 
JF/CE em 2020, ele foi acusado de ter recebido propina quando era diretor de um banco estatal. 
Seu celular foi apreendido, mas o STJ anulou a medida por falta de fundamentação adequada. 
O aparelho foi devolvido em 2021. 
Na segunda, em tramitação na JF/RJ, João foi suspeito de manipulação do mercado de ações, o 
que levou a uma nova busca e apreensão do mesmo celular, dessa vez com base em evidências 
como investigações da CVM e quebras de sigilo anteriores.
João ajuizou reclamação contra a segunda apreensão, alegando que ela violava a decisão anterior 
do STJ, já que informações obtidas na primeira operação teriam sido usadas indevidamente. 
O STJ, no entanto, rejeitou a reclamação, argumentando que as duas investigações tratavam de 
crimes distintos e fundamentações independentes. A nulidade da busca anterior não contaminava 
a nova decisão, pois esta se baseava em elementos próprios, desvinculados das provas 
consideradas ilícitas na primeira operação.
O mero fato de a autoridade policial ter obtido informação de que o aparelho celular já havia sido 
objeto de busca e apreensão declarada nula, em outra investigação policial, não tem o condão 
de contaminar de nulidade outras decisões judiciais supervenientes que determinem a busca e 
apreensão do mesmo telefone. 
STJ. 3ª Seção. AgRg na Rcl 47.883-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 9/10/2024 
(Info 832).
A alteração do julgamento por meio de embargos de declaração, sem a presença de vícios 
integrativos, caracteriza uso inadequado do recurso
Os embargos de declaração não são a via adequada para conseguir um novo julgamento dos 
argumentos de mérito, sem a presença de vício integrativo no acórdão embargado.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2529962-DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 12/11/2024 (Info 835).
JULGADOS EM DESTAQUE 45
A realização do julgamento de forma virtual, mesmo com a oposição expressa da parte, 
não é, por si só, causa de nulidade ou cerceamento de defesa
Situação hipotética: João, após condenação mantida pelo Tribunal de Justiça, interpôs recurso 
especial que foi pautado para julgamento em sessão virtual da Sexta Turma do STJ. 
A defesa requereu a retirada da pauta virtual para realizar sustentação oral em sessão presencial, 
mas teve seu pedido indeferido pelo Ministro Relator, levando à interposição de agravo regimental.
Não há direito da defesa de exigir a retirada do processo da sessão virtual.
De acordo com o art. 184-B do Regimento Interno do STJ, mesmo em julgamentos virtuais, é 
permitida a realização de sustentação oral por meio eletrônico, que pode ser encaminhada após 
a publicação da pauta até 48 horas antes do início do julgamento. Assim, o direito à sustentação 
oral permanece garantido e viabilizado no ambiente virtual.
O STJ pacificou o entendimento de que não existe no ordenamento jurídico o direito de exigir 
julgamento em sessão presencial, e que o julgamento virtual, mesmo com oposição expressa 
da parte, não configura nulidade ou cerceamento de defesa, desde que garantido o direito à 
sustentação oral, ainda que por meio eletrônico.
STJ. 6ª Turma. AgRg no RtPaut no REsp 2.125.449-SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado 
em 26/8/2024 (Info 832).
Não há falar em ilegalidade na busca pessoal realizada por guardas civis municipais 
motivada pela atitude suspeita do réu, que, em local conhecido como de traficância, ficou 
nervoso ao avistar a viatura e escondeu algo na cintura
Caso adaptado: guardas municipais realizaram a abordagem de um suspeito em um local 
conhecido por tráfico de drogas. A abordagem foi motivada pelo fato de o indivíduo ter 
apresentado um comportamento nervoso e ter tentado esconder algo na cintura. Durante a 
revista, os guardas municipais encontraram drogas e dinheiro com ele, que confessou estar 
vendendo entorpecentes. O indivíduo foi preso em flagrante e condenado, mas recorreu 
alegando ilegalidade da abordagem, sob o argumento de que as guardas municipais haviam 
excedido suas atribuições.
O STJ manteve a condenação.
Embora o STJ tenha delimitado as competências das guardas municipais no REsp 1.977.119/SP, 
reconhecendo que sua função principal é a proteção de bens, serviços e instalações municipais, 
o Tribunal concluiu que, neste caso, a suspeita fundada e o contexto de flagrante tornaram a 
ação legítima.
O STJ, ao analisar o caso, manteve a condenação, diferenciando-o do precedente REsp 1.977.119/SP. 
O Tribunal entendeu que não houve ilegalidade na busca pessoal realizada pelos guardas 
municipais, uma vez que foi motivada pela atitude suspeita do réu em local conhecido como ponto 
de tráfico, quando este demonstrou nervosismo ao avistar a viatura e escondeu algo na cintura.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 2.108.571-SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 
5/11/2024 (Info 833).
JULGADOS EM DESTAQUE 46
É cabível a remição penal por aprovação no ENEM ao reeducando que já havia concluído o 
ensino superior antes de ingressar no sistema prisional?
O apenado que, antes de ingressar no sistema prisional já havia concluído o ensino superior, faz 
jus à remição por estudo caso seja aprovado no ENEM?
SIM. É a posição da 5ª Turma:
A conclusão do ensino superior antes do início de cumprimento da reprimenda não impede a 
remição da pena pelo estudo ao reeducando que obtém aprovação no Exame Nacional do Ensino 
Médio (ENEM). 
STJ. 5ª Turma. REsp 2.156.059-MS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 5/11/2024 (Info 833).
NÃO. É a posição da 6ª Turma:
No caso, o apenado, ao ingressar no sistema prisional, era portador de diploma de nível superior. 
Em hipóteses tais, não há aquisição de novos conhecimentos, razão pela qual não há que se falar 
em remição por aprovação no ENEM, sob pena de destoar do escopo da norma.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 896.787/SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 29/4/2024.
Não cabe a concessão de indulto ao condenado por crimes patrimoniais que, nos termos do 
art. 2º, XV, do Decreto Presidencial 11.846/2023, deixa de reparar o dano ou não comprova a 
impossibilidade econômica de fazê-lo
Caso hipotético: João foi condenado por dois furtos qualificados (em 2019 e 2023), totalizando 
pena de 7 anos e 3 meses. Após cumprir mais de 1/3 da pena, pediu o indulto natalino previsto no 
inciso I do art. 2º do Decreto Presidencial nº 11.846/2023.
O juiz indeferiu o pedido aplicando o princípio da especialidade, entendendo que o caso se 
enquadrava no inciso XV do mesmo artigo, que trata especificamente de crimes patrimoniais e 
exige a reparação do dano ou comprovação de impossibilidade de fazê-lo. 
A defesa recorreu, argumentando que os incisos I e XV tratam de situações diferentes e que a 
reparação do dano não seria aplicável devido à ausência de valores indenizatórios definidos.
O STJ manteve a negativa do indulto, confirmando que, para crimes patrimoniais, aplica-se o 
inciso XV do art. 2º do Decreto Presidencial nº 11.846/2023, sendo necessário o cumprimento do 
requisito de reparação do dano ou comprovação da impossibilidadeeconômica de fazê-lo, o que 
não ocorreu no caso concreto.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 935.027-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 30/9/2024 (Info 833).
JULGADOS EM DESTAQUE 47
A ausência de formulação de quesito obrigatório no Tribunal do Júri acarreta nulidade 
absoluta do julgamento, a qual não se submete aos efeitos da preclusão, mesmo que não 
tenha sido suscitada na ata de julgamento
Caso concreto: houve uma operação policial em Curitiba que resultou na morte de cinco pessoas. 
O Ministério Público denunciou os policiais alegando que as vítimas foram executadas no bairro 
Atuba, enquanto a defesa sustentou que houve confronto armado no bairro Alto da Glória. 
Durante o Plenário do Júri, os jurados responderam afirmativamente ao quesito sobre a 
materialidade do crime (as mortes por disparos de arma de fogo), mas negaram que o fato 
ocorreu no local indicado pela acusação. Com isso, os réus foram absolvidos, sem que o quesito 
sobre a autoria fosse formulado.
O STJ anulou o julgamento, reconhecendo que a ausência do quesito sobre autoria violou a ordem 
de quesitação prevista no art. 483 do CPP. 
Após a confirmação da materialidade, a autoria deveria ter sido questionada antes de qualquer 
consideração sobre a absolvição. 
O segundo quesito, relacionado ao local do crime, tratava da dinâmica dos fatos, e não da 
materialidade, e sua resposta negativa não supria a necessidade de abordar a autoria. A omissão 
desse quesito obrigatório configurou nulidade absoluta.
Vale ressaltar que não houve impugnação pela acusação durante o julgamento. Isso, contudo, 
não convalidava o vício, pois a nulidade afeta a ordem pública e a competência do Tribunal do Júri. 
Assim, independentemente da ausência de registro em ata, a nulidade absoluta foi reconhecida, 
conforme entendimento do tribunal e a Súmula 156 do STF.
Teses de julgamento fixadas:
A ausência de formulação de quesito obrigatório no Tribunal do Júri acarreta nulidade absoluta do 
julgamento. 
A nulidade absoluta, na espécie, não se submete aos efeitos da preclusão, mesmo que não 
suscitada na ata de julgamento.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1.668.151-PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, julgado em 12/11/2024 
(Info 834).
Súmula 676 do STJ
Súmula 676-STJ: Em razão da Lei n. 13.964/2019, não é mais possível ao juiz, de ofício, decretar ou 
converter prisão em flagrante em prisão preventiva.
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 11/12/2024, DJe de 17/12/2024 (Info 837).
JULGADOS EM DESTAQUE 48
Com as alterações promovidas pela Lei 13.964/2019, a reincidência somente atingirá delitos 
da mesma natureza, diferenciando-se entre delitos comuns (cometidos com ou sem violência) 
e hediondos ou equiparado (com ou sem resultado morte)
Situação hipotética: João foi condenado duas vezes por tráfico de drogas, a primeira em 2018, 
quando ainda era primário, e a segunda em 2022, já como reincidente. 
As penas foram unificadas em 9 anos e 8 meses, aplicando-se a regra de progressão de regime de 
60% para reincidentes em crimes hediondos ou equiparados (art. 112, VII, da LEP). 
A defesa argumentou que a progressão deveria considerar separadamente as condenações, 
aplicando a fração de 40% para a pena de 2018, quando João era primário, e 60% para a pena de 
2022. O juiz indeferiu o pedido, decisão mantida pelo TJ/SP, que aplicou a regra de unificação das 
penas e considerou a reincidência para todas as execuções.
O STJ também negou o pedido de revisão do cálculo. 
A reincidência é uma condição pessoal do condenado, não vinculada a sentenças específicas, 
mas ao histórico global do réu. Assim, ao unificar as penas, a condição de reincidente constatada 
na condenação posterior aplica-se integralmente, mesmo em relação a crimes anteriores, desde 
que sejam da mesma espécie. Essa interpretação não viola a coisa julgada, pois considera as 
condições pessoais do réu no momento da execução penal.
Com a Lei nº 13.964/2019, a reincidência passou a ser restrita a delitos da mesma natureza, 
diferenciando crimes comuns de hediondos ou equiparados. 
Ao unificar as penas, a condição de reincidência específica impacta todo o conjunto de penas 
da mesma natureza, consolidando o entendimento de que fração única deve ser aplicada na 
execução penal unificada.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 904.095-SP, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo (Desembargador 
convocado do TJSP), julgado em 9/9/2024 (Info 834).
Ainda que a pronúncia seja uma fase em que a decisão é tomada com base em um juízo de 
probabilidade, não se admite que a presença do dolo, elemento essencial para a submissão 
do acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri, seja imputado mediante mera presunção
Caso adaptado: João perdeu o controle de seu carro em uma curva perigosa e mal sinalizada, 
resultando em um acidente que causou a morte de cinco pessoas. O local já era conhecido por 
acidentes anteriores, e os moradores haviam solicitado a instalação de defensas metálicas, que só 
foram instaladas após esta tragédia. João estava dirigindo acima da velocidade permitida para a 
via e apresentava sinais de embriaguez.
O Ministério Público denunciou João por homicídio doloso, alegando dolo eventual, pois ele teria 
assumido o risco ao dirigir embriagado e em alta velocidade. 
A defesa argumentou que não houve intenção de causar o acidente e que a culpa seria agravada 
pela falta de sinalização adequada. 
Após ser pronunciado por homicídio doloso, a defesa impetrou habeas corpus no STJ pedindo a 
desclassificação para homicídio culposo.
JULGADOS EM DESTAQUE 49
O STJ concordou com a defesa, entendendo que a conclusão sobre o dolo eventual foi baseada 
apenas em presunções, sem elementos concretos que comprovassem que o acusado consentiu 
com o resultado lesivo. 
A decisão considerou que o acidente ocorreu de madrugada em local ermo, onde havia 
problemas estruturais conhecidos, e que não se pode submeter o acusado ao Tribunal do Júri 
apenas com base em presunções de dolo. A embriaguez e o excesso de velocidade, sem outras 
circunstâncias concretas, não são suficientes para caracterizar dolo eventual.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 891.584-MA, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Rel. para acórdão 
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 5/11/2024 (Info 835).
A abordagem policial sem fundada suspeita e com emprego de violência física, tortura ou 
tratamento cruel, desumano ou degradante configura violação aos direitos humanos e 
invalida as provas obtidas, as quais devem ser desentranhadas do processo
Caso adaptado: João foi preso após denúncia anônima sobre tráfico de drogas, sendo submetido 
a violência física e tortura por policiais militares, mesmo tendo se rendido sem resistência. 
Apesar das evidências de agressão registradas em câmeras corporais e confirmadas por laudo 
médico, João foi condenado em primeira instância e teve a sentença mantida pelo Tribunal de Justiça.
O STJ, ao julgar habeas corpus impetrado pela Defensoria Pública, acolheu os argumentos da 
defesa e declarou nulas as provas obtidas mediante tortura. 
A decisão baseou-se tanto na Convenção Americana de Direitos Humanos, que proíbe tratamentos 
cruéis e degradantes, quanto no art. 157 do CPP, que estabelece a inadmissibilidade de provas 
ilícitas no processo penal brasileiro.
Tese de julgamento:
1. Provas obtidas mediante violência física, tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante 
são nulas e devem ser desentranhadas do processo. 
2. A abordagem policial sem fundada suspeita e com emprego de violência configura violação aos 
direitos humanos e invalida as provas obtidas.
STJ. 5ª Turma. HC 933.395-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 26/11/2024 (Info 836).
Não há ilegalidade na abordagem pela Guarda Municipal quando caracterizada a situação 
de flagrante delito
Caso adaptado: a Guarda Municipal recebeu denúncias de moradores sobre tráfico de drogas 
em um baile funk. Ao chegarem ao local, os guardas identificaram suspeitos descritos por um 
informante e, após perseguição, prenderam João, que abandonou uma sacolacom drogas 
durante a fuga. A Defensoria Pública alegou que a apreensão era ilegal, pois os guardas não 
teriam competência para realizar busca pessoal.
JULGADOS EM DESTAQUE 50
No entanto, o STJ rejeitou os argumentos da defesa, considerando que a atuação da Guarda 
Municipal foi baseada em elementos objetivos, como flagrante delito em andamento, o descarte 
das drogas e a tentativa de fuga. O tribunal destacou que, embora as Guardas Municipais não 
tenham a mesma obrigação legal que as polícias para efetuar prisões, podem realizá-las quando 
há flagrante delito, conforme o art. 301 do CPP.
A jurisprudência recente do STF e STJ confirma a legalidade da atuação das Guardas Municipais 
em situações semelhantes, enfatizando que elas integram o Sistema de Segurança Pública e 
podem interromper atividades criminosas com base em suspeitas fundamentadas. Portanto, a 
prisão de João foi considerada válida.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 862.202-MG, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 15/10/2024 (Info 836).
Não ofende o princípio da soberania dos veredictos do júri, a decisão do Tribunal de apelação 
que, fundamentadamente, submete o réu a novo julgamento, sob o argumento de que a 
decisão do Conselho de Sentença foi manifestamente contrária a prova dos autos
Caso hipotético: Pedro foi absolvido pelo Tribunal do Júri com base na negativa de autoria. 
O Ministério Público recorreu argumentando que a decisão contrariava as provas dos autos. 
O Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso, anulou o julgamento e determinou um 
novo júri. A defesa impetrou habeas corpus dirigido ao STJ alegando violação ao princípio da 
soberania dos veredictos.
O STJ não acolheu os argumentos da defesa. 
A recorribilidade das decisões do Tribunal do Júri busca assegurar o duplo grau de jurisdição e o 
devido processo legal, sem ferir o princípio da soberania dos veredictos.
A decisão dos jurados pode ser cassada quando manifestamente contrária à prova dos autos, 
porém essa recorribilidade é limitada, não admitindo nova apelação pelo mesmo motivo.
No caso concreto, a decisão do conselho de sentença foi considerada contrária à prova dos autos 
com base em depoimentos de testemunhas presenciais que confirmaram a autoria do crime.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 906.637-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 5/11/2024 (Info 836).
Compete ao juiz da sentença ou ao indicado na lei local de organização judiciária a execução 
penal de condenação oriunda da Justiça estadual ao cumprimento de pena em regime 
semiaberto, ainda que haja mudança de domicílio do apenado
Caso adaptado: João, condenado a 5 anos de reclusão em regime semiaberto pela 6ª Vara Criminal 
de Campinas/SP, mudou-se para Itapema/SC pouco antes do trânsito em julgado da sentença. 
Diante disso, o Juízo de Campinas encaminhou a guia de execução penal para o Juízo de Itapema, 
argumentando que o cumprimento da pena deveria ocorrer na comarca de domicílio do apenado 
por força do art. 23 da Resolução 417/2021 do CNJ. Contudo, o Juízo de Itapema discordou, 
alegando que a competência para a execução da pena deveria permanecer com o Juízo de 
Campinas, resultando em um conflito negativo de competência.
JULGADOS EM DESTAQUE 51
O STJ determinou que a competência para execução penal é do Juízo de Campinas/SP, baseando-
se no art. 65 da LEP. 
O art. 23 da Resolução CNJ 417/2021 não prevê transferência da execução para o local de moradia 
do apenado, apenas estabelece a necessidade de intimação prévia para início do cumprimento 
da pena. O juízo competente (no caso, o de Campinas) pode expedir carta precatória seja para 
intimação do apenado, seja para fiscalização do cumprimento da pena no local de seu domicílio.
STJ. 3ª Seção. CC 208.423-SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 25/9/2024 (Info 836).
Estando devidamente comprovado o exercício de atividade laboral autônoma pelo apenado, 
é ilegítimo afastar a remição quando não há comprovação de supervisão da atividade e do 
cumprimento da jornada mínima de 6 horas diárias
Caso adaptado: João, advogado, cumpre pena em prisão domiciliar conforme ajustado em 
acordo de colaboração premiada. Como parte do acordo, ele estava autorizado a trabalhar 
externamente das 6h às 20h, tanto em seu escritório de advocacia quanto nas propriedades 
rurais de sua família.
Após alguns meses, ele pediu a remição de pena com base no trabalho realizado, apresentando 
documentos que comprovavam o exercício da advocacia autônoma. 
O Ministério Público se manifestou contrariamente ao pedido, alegando ausência de 
supervisão e comprovação da jornada mínima diária de 6 horas, já que João atuava como 
profissional autônomo. 
O STJ afirmou que ele tem direito à remição.
A LEP não distingue o local de trabalho para fins de remição, exigindo apenas que o apenado 
esteja em regime fechado ou semiaberto. 
O trabalho autônomo, embora não tenha supervisão direta de um empregador, não impede a 
remição se a atividade for comprovada. 
No caso de João, o acordo de colaboração já previa a realização de trabalho externo, e 
ele comprovou sua atuação autônoma por meio de documentos como petições e atas de 
audiências. A ausência de supervisão direta ou comprovação da jornada mínima não justificou a 
negativa de remição, considerando as peculiaridades do trabalho autônomo e sua contribuição 
para a ressocialização.
STJ. Corte Especial. AgRg na Pet 13.604-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 12/8/2024 (Info 836).
JULGADOS EM DESTAQUE 52
As regras específicas dos arts. 158-A a 158-F do CPP, inseridas pela Lei 13.964/2019 não 
retroagem; apesar disso, mesmo antes do Pacote Anticrime, já havia a exigência de que a 
cadeia de custódia fosse preservada
Caso adaptado: em 2018, João foi encontrado morto. A Polícia apreendeu seu celular para investigação. 
Com base em mensagens extraídas do aparelho, Pedro foi acusado de homicídio qualificado. 
No entanto, uma perícia técnica realizada em 2022 constatou que o celular havia sido danificado 
devido a um procedimento inadequado de “root” feito pela Polícia na extração dos dados, 
tornando impossível verificar a integridade ou autenticidade dos elementos extraídos. 
Diante disso, a defesa impetrou habeas corpus, alegando quebra da cadeia de custódia e violação 
dos princípios do contraditório e ampla defesa. 
O Tribunal de Justiça negou o pedido, argumentando que as novas regras sobre cadeia de custódia 
(arts. 158-A a 158-F do CPP) não poderiam ser aplicadas retroativamente a fatos ocorridos antes da 
Lei nº 13.964/2019.
O STJ, contudo, concordou com a defesa.
Ainda que as regras específicas dos arts. 158-A a 158-F do CPP não tenham aplicação retroativa, a 
existência de um grave vício no tratamento das evidências permite o reconhecimento da quebra 
da cadeia de custódia.
Mesmo antes da Lei nº 13.964/2019, o STJ já havia decidido que a cadeia de custódia é essencial 
para assegurar o devido processo legal, incluindo a ampla defesa, o contraditório e o direito à 
prova lícita.
Em suma: embora as regras específicas dos artigos 158-A a 158-F do CPP não retroajam, a cadeia 
de custódia deve ser preservada, mesmo para fatos anteriores à Lei nº 13.964/2019. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 902.195-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 3/12/2024 (Info 837).
DIREITO TRIBUTÁRIO
O diferencial de alíquotas do ICMS (DIFAL) não integra as bases de cálculo da contribuição 
para o PIS e da COFINS
O ICMS-DIFAL é mera sistemática de cálculo do ICMS, com idênticos aspectos material, espacial, 
temporal e pessoal, diferenciando-se apenas quanto ao aspecto quantitativo. 
Por isso, aplicam-se as teses fixadas nos Temas n. 69/STF e 1.125/STJ, reconhecendo-se que o 
DIFAL não compõe as bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS.
STJ. 1ª Turma. REsp 2.128.785-RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 12/11/2024 (Info 834).
JULGADOS EM DESTAQUE 53
Presidente de sociedade por ações de capital fechado, na qual subsidiária de sociedade de 
economia mista federal detenha participação acionáriarelevante (embora não majoritária), 
não exerce função pública de direção do art. 11 da Lei 13.254/2016 (RERCT)
Caso adaptado: Regina tentou aderir ao RERCT para regularizar recursos não declarados mantidos 
na Suíça. No entanto, seu pedido foi negado pela Receita Federal porque seu genro, João, era 
presidente da Brasilcap Capitalização S.A., uma empresa que tinha participação minoritária 
(49,99%) da BB Seguros Participações S.A., subsidiária do Banco do Brasil.
A Receita Federal argumentou que, por conta da participação indireta do Banco do Brasil na 
Brasilcap, o genro de Regina exerceria função pública, o que impediria sua adesão ao programa 
conforme o art. 11 da Lei nº 13.254/2016, que proibia a participação de parentes até segundo 
grau de pessoas em “funções públicas de direção”.
O STJ, entretanto, concordou com Regina. 
Presidente de sociedade por ações de capital fechado, na qual subsidiária de sociedade de 
economia mista federal detenha participação acionária relevante (embora não majoritária), não 
exerce “função pública de direção”, contida na Lei nº 13.254/2016, que instituiu o Regime Especial 
de Regularização Cambial e Tributária (RERCT).
STJ. 1ª Turma. REsp 2.090.730-RJ, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgado em 8/10/2024 (Info 832).
As despesas com ágio interno podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e CSLL quando 
relacionadas a operações societárias anteriores à Lei 12.973/2014?
Caso adaptado: a empresa de transporte municipal ALFA, enfrentando dificuldades financeiras 
entre 2004 e 2005, realizou uma reestruturação societária por meio da criação da BETA S/A 
em 2005, que se tornou sua controladora ao incorporar suas ações. Essa operação envolveu a 
avaliação da ALFA com um ágio de R$ 16 milhões, baseado na diferença entre seu valor contábil 
(R$ 15 milhões) e de mercado (R$ 31 milhões). O ágio foi registrado como reserva de capital 
na BETA, com a expectativa de rentabilidade futura. Posteriormente, em 2007, ocorreu uma 
incorporação reversa, onde a ALFA absorveu a BETA e o ágio foi registrado como ativo diferido, 
sendo amortizado em 72 meses para reduzir a base tributável do IRPJ e CSLL.
No entanto, a Receita Federal identificou que toda a operação foi realizada internamente no 
mesmo grupo econômico, sem transações reais com terceiros, configurando um ágio “interno” 
criado artificialmente para fins fiscais. Como resultado, a ALFA foi autuada, gerando um crédito 
tributário de R$ 2,78 milhões devido à glosa das despesas com amortização do ágio. A empresa 
argumentou que os atos estavam dentro da legislação vigente na época, mas a Fazenda Nacional 
contestou, afirmando que tais práticas configuravam planejamento tributário abusivo, sem 
propósito negocial real, e, portanto, não poderiam gerar deduções fiscais.
O STJ decidiu em favor da Fazenda Nacional, concluindo que:
Não é possível a dedução de despesas com ágio interno da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, 
relacionadas a operações societárias realizadas antes do advento da Lei nº 12.973/2014, nas 
hipóteses em que constatada a criação de pessoa jurídica, sem correspondência econômica, 
para servir como transmissora de ágio meramente contábil no contexto de incorporação reversa. 
STJ. 2ª Turma. REsp 2.152.642-RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 5/11/2024 (Info 833).
JULGADOS EM DESTAQUE 54
Em sentido contrário:
O Fisco não pode promover a glosa de despesa de ágio amortizado pela empresa com fundamento 
nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97, sob o argumento de não ser possível a dedução do ágio 
decorrente de operações internas e mediante o emprego de empresa-veículo.
Não é cabível à Fazenda impedir a dedutibilidade do ágio da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, 
nas hipóteses em que o instituto é decorrente da relação entre “partes dependentes” (ágio 
interno), ou quando o negócio jurídico é materializado via “empresa-veículo”, não podendo 
presumir, de maneira absoluta, que esses tipos de organizações são desprovidos de fundamento 
material/econômico.
STJ. 1ª Turma. REsp 2.026.473-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 5/9/2023 (Info 786).
É constitucional lei estadual que permite a compensação de créditos tributários de ICMS com 
precatórios estaduais decorrentes de ações até 31/12/1999, desde que sejam repassados 25% 
aos municípios, conforme o art. 158, IV, “a”, da CF/88
Caso concreto: a Lei nº 3.062/2006 do Estado do Amazonas permitiu aos credores de precatórios 
expedidos em ações ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 utilizarem esses créditos para 
compensar débitos de ICMS. Foi ajuizada ADI contra essa lei.
O STF julgou parcialmente procedente o pedido, conferindo interpretação conforme à Constituição 
para estabelecer que a compensação de créditos tributários de ICMS deve respeitar o repasse de 
25% aos municípios, previsto no art. 158, IV, “a” da CF/88.
Por outro lado, a Corte entendeu que a lei é constitucional por não violar o princípio da isonomia, 
já que a compensação depende de solicitação expressa do credor, diferentemente do regime da EC 
62/2009 que foi declarado inconstitucional por estabelecer compensação unilateral e obrigatória.
O principal mérito da lei estadual é beneficiar todos os credores de precatórios, pois ao 
compensar algumas dívidas pode acelerar os pagamentos ordenados, não havendo quebra 
da ordem cronológica. 
Em suma: é constitucional — e não caracteriza ofensa ao princípio da isonomia (art. 5º, caput, 
CF/88) — lei estadual que, nos casos e sob as condições nela definidas, autoriza o respectivo 
Poder Executivo a aceitar proposta do contribuinte de compensação (pagamento) de créditos 
tributários de ICMS com precatórios estaduais de sua titularidade decorrentes de ações judiciais 
ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, desde que o estado federado, no mesmo ato, observe o 
dever constitucional de repassar aos respectivos municípios a parcela de 25% dos valores de ICMS 
compensados (art. 158, IV, “a”, CF/88).
STF. Plenário. ADI 4.080/AM, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 06/11/2024 (Info 1157).
JULGADOS EM DESTAQUE 55
A Lei 14.184/2021, que alterou o marco regulatório das Zonas de Processamento de Exportação 
(ZPEs), é constitucional
É constitucional a Lei nº 14.184/2021, que alterou o marco regulatório das Zonas de Processamento 
de Exportação (ZPEs), com o objetivo de modernizá-lo para promover o desenvolvimento 
socioeconômico do País.
Não houve contrabando legislativo. A ampliação do escopo de medida provisória por projeto 
de lei de conversão não configura inconstitucionalidade formal, desde que mantida a afinidade 
temática e observado o devido processo legislativo.
A instituição de Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) é medida de natureza extrafiscal 
que visa promover o desenvolvimento nacional e reduzir desigualdades regionais, alinhando-se 
aos objetivos fundamentais da República e aos princípios econômicos constitucionais.
A instituição das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) com tratamento tributário 
diferenciado não viola os princípios da isonomia tributária, da livre concorrência e da uniformidade 
geográfica quando destinada a promover o desenvolvimento nacional e a redução das 
desigualdades regionais, conforme autoriza o art. 151, I, da Constituição.
STF. Plenário. ADI 7.174/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 02/12/2024 (Info 1161).
É constitucional o inciso II do parágrafo único do art. 32 do Decreto-Lei 37/1966 que estabelece 
a responsabilidade solidária, pelo pagamento do Imposto de Importação, do representante, 
no Brasil, de transportador estrangeiro
O inciso II do parágrafo único do art. 32 do DL 37/1966 prevê o seguinte:
Art. 32. É responsável pelo imposto: (...)
Parágrafo único. É responsável solidário: (...) II - o representante, no País, do transportador 
estrangeiro;
Essa regra, que estabelece a responsabilidade solidária do representante, no país, do transportador 
estrangeiro pelo recolhimento do Imposto de Importação não viola o art. 146, III, da Constituição, 
pois não trataSTF. Plenário. ARE 1.249.095/SP, Rel. Min. Cristiano Zanin, julgado em 27/11/2024 (Repercussão 
geral – Tema 1.086) (Info 1160).
É inconstitucional lei estadual que estabelece diretrizes para o compartilhamento de infraestrutura 
entre prestadores de serviços públicos de energia elétrica e de telecomunicações
Caso concreto: lei do estado de Goiás regulamentava o compartilhamento de infraestrutura física 
entre empresas de energia elétrica e telecomunicações, permitindo que compartilhassem estruturas 
como postes e torres. A ABRADEE ingressou com ADI contra essa lei por considerar que ela invadia 
competência privativa da União para legislar sobre energia elétrica, comprometia contratos de 
concessão com novos encargos e conflitava com regulamentações já estabelecidas pela ANEEL.
O STF acolheu os argumentos da autora e concedeu medida cautelar para suspender a lei. 
A Constituição reserva à União a competência legislativa e regulatória sobre energia elétrica. 
Além disso, a norma estadual interferia em contratos de concessão e em diretrizes previamente 
reguladas pela ANEEL, criando encargos adicionais para empresas e municípios, o que violava o 
equilíbrio econômico-financeiro contratual.
Em suma, encontram-se presentes os requisitos para a concessão da medida cautelar, pois: 
(i) há plausibilidade jurídica no que se refere à alegação de violação à competência administrativa 
e legislativa da União para dispor sobre serviços de energia elétrica (arts. 21, XII, “b”; 22, IV; e 175, 
CF/88); e 
(ii) há perigo da demora na prestação jurisdicional, consubstanciado nos riscos para o equilíbrio 
econômico-financeiro dos contratos de concessão em geral, impactados pelo limite máximo 
imposto para o valor de cada unidade de infraestrutura compartilhada e pela nova carga 
tributária direcionada aos municípios
STF. Plenário. ADI 7.722 MC-Ref/GO, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/11/2024 (Info 1158).
DOD CAST
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JULGADOS EM DESTAQUE 5
É inconstitucional a inclusão de instituto socioeducativo estadual no rol de órgãos 
responsáveis pela segurança pública da respectiva unidade federativa
Os institutos socioeducativos não integram o sistema de segurança pública, devendo ser organizados 
com foco no caráter pedagógico e na proteção de crianças e adolescentes em desenvolvimento
Os institutos socioeducativos não são órgãos de segurança pública, conforme os arts. 227 e 
228 da CF/88, sendo voltados à reabilitação e preparação de crianças e adolescentes para a vida 
comunitária, com caráter pedagógico e não punitivo. A inclusão desses institutos como órgãos de 
segurança pública viola os arts. 144, 227 e 228 da Constituição.
Com base nesse entendimento, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 131, 
da Constituição do Estado do Acre, que previa o Instituto Socioeducativo do Estado do Acre (ISE) 
no rol de órgãos responsáveis pela segurança pública. 
STF. Plenário. ADI 7.466/AC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 12/11/2024 (Info 1158).
Lei estadual não pode assegurar autonomia orçamentária e financeira à Perícia Oficial 
de Natureza Criminal criada na estrutura da Polícia Civil correspondente
A Lei nº 11.236/2020 do Maranhão criou um órgão de perícia oficial subordinado à Polícia Civil, 
mas com autonomia administrativa e financeira (parágrafo único do art. 1º). 
O STF esclareceu que existem dois modelos possíveis para a perícia oficial: como autarquia 
independente, com autonomia financeira e orçamentária, ou como departamento subordinado 
à Polícia Civil, sem essa autonomia. A Lei Federal nº 12.030/2009 garante à perícia oficial apenas 
autonomia técnica, científica e funcional, não abrangendo aspectos financeiros e orçamentários 
quando subordinada à polícia.
Assim, lei estadual não pode assegurar autonomia orçamentária e financeira à Perícia Oficial 
de Natureza Criminal criada na estrutura da Polícia Civil correspondente.
Vale ressaltar, contudo, que não se afasta a possibilidade de a perícia oficial ter rubrica 
orçamentária específica e gestão dos recursos para garantir, no exercício de sua atividade, 
autonomia técnica, científica e funcional.
Diante disso, o STF conferiu interpretação conforme a Constituição Federal ao parágrafo único 
do art. 1º da Lei nº 11.236/2020 estabelecendo que a Perícia Oficial pode ter rubrica orçamentária 
própria e autonomia técnica, científica e funcional, mas sua gestão orçamentária estará vinculada 
a atos do Secretário de Segurança e operacionalização pela SEPLAN.
STF. Plenário. ARE 1.454.560 AgR/MA, Rel. Min. André Mendonça, julgado em 07/11/2024 (Info 1158).
JULGADOS EM DESTAQUE 6
É inconstitucional a gratificação criada para remunerar investigadores e agentes da Polícia 
Civil pela guarda de preso em cadeias públicas e estabelecimentos do sistema penitenciário, 
porquanto configurado desvio de função
Caso concreto: o art. 3º da Lei nº 6.747/2001, do Espírito Santo, instituiu uma gratificação mensal 
para investigadores de polícia, agentes da Polícia Civil e agentes penitenciários pelo exercício da 
função de guarda de presos em cadeias públicas e estabelecimentos do sistema penitenciário 
estadual. A gratificação seria no valor do vencimento base do Auxiliar de Serviços de Laboratório.
O STF declarou esse dispositivo inconstitucional por duas razões: desvio de função e vinculação 
remuneratória proibida.
Desvio de função: a guarda de presos não é compatível com as atribuições constitucionais da 
Polícia Civil (art. 144, § 4º, CF/88), que se limitam às funções de polícia judiciária e apuração 
de infrações penais. A guarda de estabelecimentos penais é atribuição específica das polícias 
penais (art. 144, VI e § 5º-A, CF/88), sendo inadmissível que policiais civis exerçam regularmente 
essa função. Desse modo, é inconstitucional gratificação criada para remunerar investigadores 
e agentes da Polícia Civil pela guarda de preso em cadeias públicas e estabelecimentos do 
sistema penitenciário, por configurar desvio de função, já que não corresponde às atribuições 
constitucionais da polícia judiciária.
Vinculação remuneratória: a lei estabeleceu que o valor da gratificação corresponderia ao 
vencimento base do cargo de Auxiliar de Serviços de Laboratório, violando o art. 37, XIII da CF/88, 
que proíbe a vinculação de espécies remuneratórias entre cargos públicos distintos.
STF. Plenário. ADI 3.581/ES, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 27/11/2024 (Info 1160).
É constitucional lei municipal de origem parlamentar que estabelece políticas públicas 
voltadas ao combate à alienação parental na respectiva localidade
É constitucional lei municipal de origem parlamentar que estabelece políticas públicas voltadas 
ao combate à alienação parental na respectiva localidade.
Essa lei não usurpa a prerrogativa de iniciativa legislativa do chefe do Poder Executivo em matéria 
de organização e funcionamento da Administração Pública local (art. 61, § 1º, II, “a” e “e”, CF/88), 
não viola a competência legislativa privativa da União nem ofende a autonomia do Ministério 
Público (arts. 127, § 2º; e 128, § 5º, CF/88).
É dever da família, sociedade e Estado proteger crianças e adolescentes contra toda forma de 
violência, sendo cabível a legislação municipal sobre o tema com base na competência concorrente. 
A instituição de políticas públicas municipais não usurpa competência do Executivo se não trata 
da estrutura administrativa, atribuições de órgãos ou regime jurídico de servidores. 
A integração operacional com o Ministério Público estadual não viola sua autonomia quando 
segue o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
STF. Plenário. ARE 1.495.711/SP, Rel. Min. Flávio Dino, julgado em 02/12/2024 (Info 1161).
JULGADOS EM DESTAQUE 7
É inconstitucional limitar o porte de armas a 50% dos servidores do Judiciário ou do MP que 
atuam nade normas gerais de legislação tributária, mas institui hipótese específica de 
responsabilidade solidária, em conformidade com o Código Tributário Nacional.
A norma não viola os princípios da vedação ao confisco, capacidade contributiva e livre iniciativa, 
uma vez que o representante do transportador estrangeiro é terceira pessoa vinculada ao fato 
gerador da obrigação tributária relacionada à atividade de importação, tendo responsabilidade 
pelo crédito tributário conforme art. 128 do CTN.
STF. Plenário. ADI 5.431/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 02/12/2024 (Info 1161).
JULGADOS EM DESTAQUE 56
A ação consignatória prevista no art. 164, III, do CTN exige a efetiva cobrança, administrativa 
ou judicial, do mesmo tributo por mais de um ente público, demonstrada na petição inicial
Caso adaptado: a empresa ALFA, localizada no Município 1, celebrou contrato para prestar 
serviços administrativos à Petrobrás no Município 2. De acordo com a LC 116/2003, o ISS seria 
devido no município do estabelecimento prestador, ou seja, Município 1. No entanto, o Código 
Tributário Municipal do Município 2 prevê que o ISS seja recolhido localmente, gerando um 
conflito entre as legislações municipais. 
Para evitar penalidades e garantir segurança jurídica, a ALFA ajuizou ação de consignação em 
pagamento, baseada no art. 164, III, do CTN, para depositar o ISS em juízo até que fosse decidido 
qual município teria legitimidade para cobrar o tributo.
A ação consignatória tem como objetivo extinguir a obrigação tributária em casos de dupla 
exigência do mesmo tributo por diferentes entes públicos, o que exige demonstração concreta 
de cobrança por ambos os municípios. No entanto, no caso apresentado, a ALFA não comprovou 
que o Município 1 ou o Município 2 iniciaram efetivamente a cobrança do tributo, limitando-se a 
apontar previsões legais divergentes. A ausência dessa demonstração inviabiliza a ação, uma vez 
que o interesse de agir pressupõe a existência de um crédito tributário já constituído ou em fase 
de cobrança.
A “exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um 
mesmo fato gerador” encontra-se no domínio das condições da ação consignatória prevista 
no art. 164, III, do CTN, de maneira que a efetiva cobrança, administrativa ou judicial, deve ser 
verificada da argumentação deduzida na petição inicial.
A mera existência de previsão legal abstrata do tributo e/ou o oferecimento de contestações pelas 
entidades fazendárias no curso de consignação em pagamento não são suficientes para atender 
ao requisito de que trata o mencionado dispositivo do CTN.
STJ. 1ª Turma. AREsp 2.397.496-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 12/11/2024 (Info 834).
As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional estão isentas 
da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (CONDECINE)
A CONDECINE é uma contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) destinada ao 
setor cinematográfico, instituída pela União por meio da Medida Provisória 2.228-1/2001.
Como a CONDECINE é contribuição instituída pela União e não consta do rol taxativo das 
contribuições previstas no art. 13 da Lei Complementar 123/2006, as microempresas e empresas 
de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional estão dispensadas de seu recolhimento, nos 
termos do § 3º do art. 13 da Lei Complementar 123/2006.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.825.143-CE, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgado em 26/11/2024 (Info 836).
JULGADOS EM DESTAQUE 57
O tabelamento de preços não elimina a natureza indireta do ISS, exigindo que o contribuinte 
prove a ausência de repasse econômico ou tenha autorização do contribuinte de fato para 
pedir a restituição
Os Correios gozam de imunidade tributária recíproca e, portanto, não podem ser cobrados pelo 
ISS em seus serviços. No entanto, por muitos anos, alguns municípios exigiram o pagamento 
desse tributo devido à ausência de consenso na jurisprudência sobre a imunidade dos Correios. 
Como resultado, a ECT foi obrigada a pagar o ISS em algumas ocasiões e, posteriormente, 
ingressou com ações de repetição de indébito para reaver os valores pagos indevidamente. 
Os municípios contestaram, argumentando que o ISS é um tributo indireto, cujo ônus econômico 
seria repassado ao consumidor final, exigindo que os Correios provassem que assumiram o 
encargo ou obtiveram autorização do contribuinte de fato para pedir a restituição.
O STJ acolheu os argumento dos Municípios.
Para que os Correios tenham direito à repetição de indébito, é preciso demonstrar que o imposto 
não foi incorporado aos custos do preço tabelado ou que o tributo foi recolhido à custa da própria 
margem de lucro, sem repasse ao consumidor.
Não se pode presumir automaticamente a ausência de repasse do encargo econômico. Assim, 
cabe ao autor da ação de repetição de indébito comprovar que assumiu o impacto financeiro do 
tributo, atendendo às exigências do art. 166 do CTN, para evitar enriquecimento sem causa do 
contribuinte de direito.
Em suma: o fato de a atividade econômica ser remunerada por preço controlado pelo governo 
não é suficiente para afastar a natureza indireta do ISS, cabendo ao contribuinte demonstrar 
a condição estabelecida no art. 166 do CTN (ausência de repasse econômico da exação ou 
autorização do contribuinte de fato) para a postulação à repetição de indébito. 
STJ. 1ª Turma. REsp 2.073.516-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 12/11/2024 (Info 834).
A alteração da gravidade da doença não afasta o direito à isenção de imposto de renda sobre 
proventos de aposentadoria
Caso hipotético: Regina, uma professora aposentada diagnosticada com cardiopatia grave em 
2017, teve sua isenção cancelada pela Administração em 2018 após uma cirurgia que melhorou 
seu quadro clínico. Mesmo com o procedimento cirúrgico bem-sucedido, o perito judicial 
confirmou que a doença não foi completamente eliminada, apenas teve seus sintomas reduzidos.
O STJ manteve a isenção de Regina, estabelecendo que o benefício independe da contemporaneidade 
dos sintomas, conforme a Súmula 627. 
A alteração da gravidade da doença ou a ausência de sintomas atuais não são motivos para cancelar 
a isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria.
STJ. 2ª Turma. EDcl no AgInt no REsp 2.118.943-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 
julgado em 21/10/2024 (Info 836).
JULGADOS EM DESTAQUE 58
É permitido o aproveitamento de créditos de ICMS na aquisição de produtos químicos usados 
na produção de fluido de perfuração, desde que sejam essenciais à atividade da empresa, 
mesmo que consumidos gradualmente
Caso adaptado: a Petrobras, em suas operações no Estado do Rio de Janeiro, comprou grandes 
quantidades de fluido de perfuração, produto químico essencial para o processo de exploração 
de petróleo, e se creditou do ICMS pago nessas aquisições. Embora o fluido não se incorpore 
diretamente ao produto final, ele é indispensável para a execução do processo produtivo.
O Estado do Rio de Janeiro lavrou auto de infração contra a Petrobras, argumentando que o 
creditamento seria indevido, pois o fluido de perfuração não se incorpora fisicamente ao produto 
final e, portanto, seria um bem de uso e consumo, e não um insumo. A discussão baseou-se na 
interpretação dos arts. 20, 21 e 33 da LC 87/1996 (Lei Kandir).
O STJ concordou com os argumentos da Petrobras.
É legal o aproveitamento dos créditos de ICMS na compra de produtos químicos para a fabricação 
de fluido de perfuração, utilizados nas atividades fins da sociedade empresária, ainda que 
consumidos ou desgastados gradativamente, desde que necessária sua utilização para a 
realização do objeto social da empresa.
STJ. 2ª Turma. AREsp 2.621.584-RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 3/12/2024 (Info 836).
A inclusão do PIS e da COFINS na base de cálculo do ICMS é legal, uma vez que as contribuições 
configuram repasse econômico e não incidem diretamente sobre o valor final cobrado doconsumidor, como ocorre com o ICMS e o IPI
A inclusão do PIS e da Cofins na base de cálculo do ICMS atende à legalidade nas hipóteses em 
que a base de cálculo é o valor da operação, por configurar repasse econômico. 
STJ. 1ª Seção. REsp 2.091.202-SP, REsp 2.091.203-SP, REsp 2.091.204-SP e REsp 2.091.205-SP, Rel. 
Min. Paulo Sérgio Domingues, julgados em 11/12/2024 (Recurso Repetitivo - Tema 1.223) (Info 837).
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
A Lei 14.151/2021 não permite a compensação de valores pagos pelo empregador a título de 
remuneração à empregada com parcelas de contribuição previdenciária e de contribuição 
parafiscal, como se fosse salário-maternidade
A Lei nº 14.151/2021 determinou o afastamento do trabalho presencial da empregada gestante 
durante a pandemia de Covid-19. Essa lei não suspendeu, contudo, o contrato de trabalho, 
configurando a remuneração como devida pela manutenção da relação empregatícia.
Assim, a remuneração paga à gestante afastada do trabalho presencial durante a pandemia 
não pode ser equiparada ao salário-maternidade, sendo impossível sua compensação com 
contribuições previdenciárias.
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 2.149.080-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 
21/10/2024 (Info 836).
JULGADOS EM DESTAQUE 59
Não se admite recurso especial para discutir a existência, a extensão ou a duração da 
incapacidade em processos de benefícios por incapacidade (aposentadoria por invalidez, 
auxílio-doença e auxílio-acidente)
O STJ entende que:
• em um processo no qual o segurado postule um benefício por incapacidade (aposentadoria 
por invalidez, auxílio-doença, auxílio-acidente)
• não é possível que nenhuma das partes discuta aspectos da incapacidade em um recurso 
especial.
Assim, o recurso especial não serve para analisar:
• a existência da incapacidade (se existe incapacidade, ou não);
• a extensão da incapacidade (se total ou parcial);
• a duração da incapacidade (se temporária ou permanente).
Tese fixada: é inadmissível recurso especial interposto para rediscutir as conclusões do acórdão 
recorrido quanto ao preenchimento, em caso concreto em que se controverte quanto a benefício 
por incapacidade (aposentadoria por invalidez, auxílio-doença ou auxílio-acidente), do requisito 
legal da incapacidade do segurado para o exercício de atividade laborativa, seja pela vertente de 
sua existência, de sua extensão (total ou parcial) e/ou de sua duração (temporária ou permanente). 
STJ. 1ª Seção. REsp 2.082.395-SP e REsp 2.098.629-SP, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgados 
em 13/11/2024 (Recurso Repetitivo – Tema 1.246) (Info 834).
DIREITO INTERNACIONAL
A Convenção da Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Criança permite 
a regulamentação do direito de visita transfronteiriça independentemente de subtração ou 
retenção ilícita da criança envolvida
Caso adaptado: Diego, um argentino, e Beatriz, uma brasileira, tiveram uma filha que 
passou a morar com a mãe no Brasil após o término do relacionamento. Diego, enfrentando 
dificuldades para visitar a filha, acionou a Autoridade Central argentina, que solicitou ao Brasil a 
regulamentação do direito de visita com base na Convenção da Haia sobre Sequestro Internacional 
de Crianças. Apesar de Diego não alegar subtração ou retenção ilícita, Beatriz discordou do pedido, 
levando a União a propor ação na Justiça Federal, com fundamento no Decreto nº 3.413/2000. 
Contudo, o TRF3 entendeu que a Justiça Federal não era competente, visto que o caso não envolvia 
subtração ilícita, sendo uma questão de direito de família pertencente à Justiça Estadual.
A União recorreu ao STJ, argumentando que a Autoridade Central pode intervir administrativa ou 
judicialmente para regular o direito de visita transfronteiriça, mesmo na ausência de sequestro 
internacional. 
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JULGADOS EM DESTAQUE 60
O STJ acolheu os argumentos da União, reconhecendo que a Convenção da Haia assegura o 
direito de visita parental como uma prerrogativa da criança, independente de transferência ou 
retenção ilícita. O Tribunal destacou que a intervenção das Autoridades Centrais visa promover 
a cooperação internacional para proteger os interesses da criança, garantindo o contato com 
ambos os genitores e assegurando seu desenvolvimento emocional.
Tese de julgamento: 
1. A Convenção da Haia permite a regulamentação do direito de visita transfronteiriça 
independentemente de subtração ou retenção ilícita. 
2. A União possui legitimidade ativa para ajuizar ação de regulamentação de visitas com base na 
Convenção da Haia. 
3. A competência para julgar a ação é da Justiça Federal.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.905.440-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 5/11/2024 (Info 835).
61DIZER O DIREITO NEWS
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O boletim Dizer o Direito News é uma publicação mensal do Buscador Dizer o Direito, 
a única ferramenta de pesquisa da jurisprudência do STF/STJ com julgados comentados, 
coordenada por Márcio André Lopes Cavalcante.
SOBRE O IDEALIZADOR
Márcio André Lopes Cavalcante é o idealizador e editor 
do Buscador Dizer o Direito.
Atua como Juiz Federal (TRF da 1ª Região).
Antes disso, foi Defensor Público, Promotor de Justiça 
e Procurador do Estado.
Possui grande experiência em concursos públicos, tendo 
sido aprovado em inúmeros outros certames, como Técnico 
e Analista Judiciário, Procurador do Município, Procurador 
de Contas e Juiz de Direito.
É autor de 8 livros e dedica-se intensamente ao estudo e análise 
da jurisprudência por acreditar que se trata, atualimente, de 
uma das fontes do Direito, sendo, aliás, a mais dinâmica delas.
Atua como "professor virtual" de milhares de alunos das mais 
diversas partes do país por meio do site "Dizer o Direito" 
(www.dizerodireito.com.br) do qual é fundador.
E lançou o Buscador "Dizer o Direito" para expandir ainda 
mais a sua distribuição de conhecimento.
https://www.buscadordizerodireito.com.br/assinatura/novidades_legislativassegurança, bem como condicionar a proteção pessoal de autoridades judiciais e 
membros do MP à avaliação e procedimentos estabelecidos pela polícia judiciária
1) É inconstitucional dispositivo de norma federal que limita o porte de armas a 50% dos 
servidores do Poder Judiciário ou do Ministério Público que exercem função de segurança:
O princípio da eficiência impõe que a Administração Pública utilize os meios necessários e 
adequados para atingimento dos objetivos pretendidos e impele que se estabeleçam mecanismos 
de controle para avaliação dos resultados obtidos. 
Assim, é um princípio associado tanto aos objetivos quanto ao fornecimento dos meios indispensáveis 
para o seu atingimento.
Considerando a limitação própria no quantitativo de servidores que desempenham funções 
de segurança, conferir porte de armas a metade dos servidores de segurança significa, ao fim 
e ao cabo, reduzir a capacidade operacional da Polícia Judicial, o que consubstancia inequívoca 
transgressão ao princípio da eficiência.
O discrímen promovido pela norma em exame entre os servidores que exercem função de 
segurança no Poder Judiciário opera diferenciação sem que haja qualquer fator distintivo que 
justifique a referida distinção de tratamento.
2) São inconstitucionais dispositivos de normas federais que condicionam a proteção pessoal 
oferecida às autoridades judiciais e aos membros do Ministério Público à avaliação prévia da 
polícia judiciária e aos procedimentos por ela definidos:
As normas em questão embaraçam a autonomia e a independência do Poder Judiciário e 
do Ministério Público, na medida em que, ao imporem condicionamentos ao exercício das 
atividades administrativas inerentes, esvaziam atribuições que lhes são próprias e impactam, 
inclusive, na imparcialidade.
STF. Plenário. ADI 5.157/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 09/12/2024 (Info 1162).
DIREITO ADMINISTRATIVO
Nas ações de danos morais por mau cheiro de esgoto, os juros de mora são contados 
da citação, exceto se comprovada mora anterior da prestadora do serviço
No caso de demanda em que se pleiteia reparação moral decorrente de mau cheiro oriundo da 
prestação de serviço público de tratamento de esgoto, os juros moratórios devem ser contados 
desde a data da citação válida, salvo se a mora da prestadora do serviço tiver sido comprovada 
em momento anterior. 
STJ. 1ª Seção. REsp 2.090.538-PR e Resp 2.094.611-PR, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 27/11/2024 
(Recurso Repetitivo - Tema 1.221) (Info 835).
JULGADOS EM DESTAQUE 8
O adiamento de provas de concurso público devido a medidas de biossegurança relacionadas 
à pandemia da COVID-19 não gera responsabilidade civil estatal, pois configura caso fortuito 
que rompe o nexo de causalidade, afastando o dever de indenizar
Durante a pandemia de COVID-19, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) suspendeu, horas 
antes do início, as provas de um concurso público para a Polícia Civil do Estado do Paraná. 
Em consequência, diversos candidatos ajuizaram ações solicitando indenização pelos danos 
causados pelo adiamento.
O STF afirmou que os candidatos não têm direito de serem indenizados.
Para a Corte, o adiamento foi uma medida de biossegurança para mitigar os riscos à saúde 
pública no contexto de uma emergência sanitária imprevisível. 
A responsabilidade objetiva do Estado, fundamentada no art. 37, §6º, da Constituição, exige 
dano, ação estatal e nexo de causalidade, os quais são rompidos em situações de força maior, 
como a pandemia. 
Assim, o STF reconheceu a legalidade das medidas restritivas adotadas durante a crise sanitária, 
descartando o dever de indenizar candidatos por danos alegados.
Tese fixada pelo STF: O adiamento de exame de concurso público por motivo de biossegurança 
relacionado à pandemia do COVID-19 não impõe ao Estado o dever de indenizar.
STF. Plenário. RE 1.455.038/DF, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 06/11/2024 
(Repercussão Geral – Tema 1.347) (Info 1157).
É vedada a extensão judicial de benefícios ou parcelas remuneratórias previstas para servidores 
efetivos aos contratados temporários, salvo expressa previsão legal e/ou contratual em sentido 
contrário ou comprovado desvirtuamento da contratação temporária
Situação hipotética: Regina, enfermeira contratada temporariamente pelo Estado do Amazonas, 
ajuizou ação pleiteando o recebimento de Gratificação de Risco de Vida (GRV) e auxílio-alimentação, 
benefícios que eram concedidos apenas aos servidores efetivos. Ela argumentou que exercia as 
mesmas funções e estava exposta aos mesmos riscos que os enfermeiros concursados, devendo 
receber os mesmos benefícios com base no princípio da isonomia.
O STF não concordou com os argumentos da autora. 
É vedada a extensão, por decisão judicial, de direitos e vantagens dos servidores públicos efetivos 
aos contratados temporários, salvo expressa previsão legal e/ou contratual em sentido contrário 
ou comprovado desvirtuamento da contratação temporária, em razão de sucessivas e reiteradas 
renovações e/ou prorrogações pela Administração Pública.
Tese fixada pelo STF: O regime administrativo-remuneratório da contratação temporária é diverso 
do regime jurídico dos servidores efetivos, sendo vedada a extensão por decisão judicial de parcelas 
de qualquer natureza, observado o Tema 551/RG.
STF. Plenário. RE 1.500.990/AM, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 26/10/2024 
(Repercussão Geral – Tema 1.334) (Info 1157).
JULGADOS EM DESTAQUE 9
É constitucional a EC 19/1998, que acabou com o regime jurídico único no serviço público
O regime jurídico único (RJU), previsto na redação originária do art. 39 da CF, determinada que 
cada ente federativo adotasse um único regime jurídico para seus servidores. Assim, em tese, 
não era possível que um ente adotasse o regime estatutário para determinados servidores e o 
celetista para outros.
Contudo, a EC 19/1998 revogou essa obrigatoriedade, permitindo a coexistência de regimes 
estatutário e celetista, com o objetivo de modernizar as relações de trabalho, reduzir custos, 
e adequar a gestão de pessoal às necessidades específicas de cada ente.
Foi proposta uma ADI contra a EC 19/1998. O STF julgou improcedente o pedido declarando a sua 
constitucionalidade. 
Não se configurou vício de inconstitucionalidade formal porque:
• o texto foi votado em dois turnos e aprovado com o quórum exigido.
• a redação do vencido foi aprovada em conformidade com as regras regimentais.
• o STF não deve interferir em matéria interna corporis do Legislativo.
Assim, ficou validada a possibilidade de múltiplos regimes jurídicos para servidores.
É constitucional — por não ter violado o devido processo legal legislativo — a revogação, pela Emenda 
Constitucional nº 19/1998, da redação original do art. 39 da Constituição Federal, que previa, no 
âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a instituição de regime jurídico 
único para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.
STF. Plenário. ADI 2.135/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 07/11/2024 (Info 1158).
A estabilidade não pode ser exigida como requisito para que o servidor integre determinada 
carreira, sendo vedado ao legislador estadual estabelecer restrição onde o constituinte não o faz
A categorização de servidores vinculados a órgãos executivos de trânsito estadual e municipal 
como agentes de segurança viária, desde que em consonância com o art. 144, § 10, da Constituição 
Federal, é constitucional.
A exigência de estabilidade para integrar a carreira de agente viário é inconstitucional, pois cria 
discrímen injustificado e viola os princípios constitucionais do art. 37 da Carta Magna.
A reserva de cargos de direção superior e funções gratificadas exclusivamente a servidores estáveis 
é incompatível com o art. 37, V, da Constituição Federal, configurando usurpação da competência 
privativa do chefe do Executivo.
Em suma: são inconstitucionais— por configurar restrição desproporcional e incompatível com o 
art. 37, V, da Constituição Federal de 1988 — as normas que elencam a estabilidade como requisito 
para que o servidor integre determinada carreira ou ocupe cargos de direção ou funções gratificadas.
STF. Plenário. ADI 6.664/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 27/11/2024 (Info 1160).
JULGADOS EM DESTAQUE 10
A regra de transição do art. 3º da EC 47/2005 para aposentadoria integral não abrange 
período celetista
A regra de transição do art. 3º da EC 47/2005, que assegura aposentadoria com integralidade e 
paridade aos servidores que ingressaram no serviço público até 16/12/1998, tem como marco 
inicial a data de investidura no cargo efetivo, nos termos do art. 37 da Constituição Federal.
O período de trabalho como celetista em fundação privada prestadora de serviço público, ainda 
que no mesmo órgão onde posteriormente houve aprovação em concurso público, deve ser 
averbado para fins de contagem de tempo para aposentadoria, mas não assegura a integralidade 
dos proventos prevista no art. 3º da EC 47/2005.
Em suma: a regra de transição prevista no art. 3º, caput, da EC 47/2005, a qual garantiu 
aposentadoria com proventos integrais a servidor que tenha ingressado no serviço público 
anteriormente a 16/12/1998, não se aplica à prestação de serviço em fundação pública sob o 
regime celetista e por meio de contrato administrativo. 
STJ. 2ª Turma. AgInt no RMS 66.132-RS, Rel. Min. Afrânio Vilela, julgado em 12/11/2024 (Info 834).
A lei que trata sobre contratação temporária é uma lei ordinária (e não lei complementar); 
essa lei não pode autorizar a contratação temporária de atividades permanentes e previsíveis 
sem a presença de uma situação excepcional que justifique
É inconstitucional norma de Constituição estadual que exige a edição de lei complementar para 
a regulamentação dos casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade 
temporária de excepcional interesse público. Essa exigência viola o princípio da simetria e o 
princípio democrático.
São inconstitucionais as Leis Complementares cearenses nº 163/2016, nº 169/2016 e nº 228/2020, 
que autorizam, por tempo determinado e para atender a necessidade temporária e de excepcional 
interesse público, a admissão de profissionais para a execução de atividades técnicas especializadas 
no âmbito do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo. São inconstitucionais porque 
violam o princípio do concurso público (art. 37, II, CF/88) e os requisitos para a contratação 
temporária (art. 37, IX, CF/88).
STF. Plenário. ADI 7.057/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 09/12/2024 (Info 1162).
Súmula 674-STJ
Súmula 674-STJ: A autoridade administrativa pode se utilizar de fundamentação per relationem 
nos processos disciplinares. 
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/11/2024, DJe de 25/11/2024 (Info 835). 
JULGADOS EM DESTAQUE 11
Entendimentos do STF sobre licença-maternidade de servidoras públicas segundo a 
legislação estadual
É inconstitucional a distinção feita quanto ao período de licença maternidade e paternidade, 
considerando a natureza do vínculo da criança com a entidade familiar (biológica ou adotiva) e a 
idade da criança adotada. 
Os pais solo, biológicos ou adotantes dispõem do direito de usufruir do mesmo período de licença 
concedidos às gestantes ou adotantes. 
O exercício do direito fundamental à licença maternidade, em caso de segunda adoção, não pode 
estar condicionado à discricionariedade da Administração Pública. 
O termo inicial da licença-maternidade e do respectivo salário-maternidade corresponde à alta 
hospitalar do recém-nascido e/ou de sua mãe, o que ocorrer por último. 
O deferimento do pedido deduzido para permissão de compartilhamento da licença parental 
resultaria na indevida atuação do STF como legislador positivo. 
STF. Plenário. ADI 7.519/AC, ADI 7.526/MS, ADI 7.533/PI, ADI 7.538/DF, ADI 7.541/BA, Rel. Min. 
Cármen Lúcia, julgados em 09/12/2024 (Info 1162).
A revogação do inciso I do art. 11 da LIA não afeta as hipóteses específicas de improbidade 
administrativa previstas em legislação extravagante, tais como as dos incisos do art. 73 da 
Lei 9.504/1997 (Lei Eleitoral), diante do princípio da continuidade típico-normativa
Caso adaptado: João, vereador, utilizou um celular corporativo da Câmara Municipal para fins 
pessoais e eleitorais durante sua campanha de reeleição, em 2012. O Ministério Público ingressou 
com ação de improbidade administrativa com base na antiga redação do inciso I do art. 11, da Lei 
de Improbidade (Lei 8.429/1992). 
A defesa argumentou que a conduta deixou de ser tipificada como improbidade administrativa 
após a Lei nº 14.230/2021, que revogou o inciso I do art. 11.
O STJ, contudo, manteve a condenação, com base no princípio da continuidade típico-normativa 
e no fato de que o sistema de responsabilização por atos de improbidade é complementado por 
outras normas, como a Lei Eleitoral. 
Assim, mesmo com a revogação do inciso I do art. 11 da LIA, o uso indevido de bens públicos 
para fins eleitorais continua configurando ato de improbidade administrativa, conforme previsto 
no art. 73, incisos I e II, e §7º da Lei nº 9.504/1997, apenas afastando-se a pena de suspensão dos 
direitos políticos nos casos sem trânsito em julgado.
Dessa forma, a revogação do inciso I do art. 11 da LIA não interfere na punição de condutas 
específicas previstas em outras legislações, como a Lei Eleitoral.
STJ. 1ª Turma. AgInt no AgInt no AREsp 1.479.463-SP, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgado 
em 3/12/2024 (Info 837).
JULGADOS EM DESTAQUE 12
São constitucionais normas estaduais e distritais que fixam prazo igual ou superior a 5 dias para 
a licença-paternidade de seus servidores, não sendo a eles aplicável, de forma automática, a 
prorrogação prevista na legislação federal
O art. 7º, XIX, da CF/88 assegura aos trabalhadores o direito à licença-paternidade, nos termos 
fixados em lei. A lei que regulamenta esse inciso ainda não foi editada. Enquanto isso, o prazo 
da licença paternidade é de 5 dias, conforme prevê o art. 10, § 1º do ADCT.
Esse prazo pode ser prorrogado por mais 15 dias pela Lei nº 13.257/2016, totalizando 20 dias, 
desde que a empresa participe do programa “Empresa Cidadã”. No setor público federal, 
o Decreto nº 8.737/2016 assegura 20 dias de licença aos servidores federais.
Em alguns Estados, lei estaduais ampliam o prazo. Foi o caso da legislação do Acre que fixou em 
15 dias e do Distrito Federal que estipulou o prazo de 7 dias.
O STF decidiu que normas estaduais e distritais que ampliam o prazo da licença-paternidade não 
violam a Constituição.
Cada ente federativo pode legislar sobre seus servidores, respeitando o mínimo de 5 dias 
previsto no ADCT, mas a prorrogação de 15 dias estabelecida pela legislação federal não se aplica 
automaticamente a servidores estaduais e distritais.
Assim, normas estaduais ampliando o prazo da licença-paternidade são constitucionais, 
alinhando-se com o objetivo de proteção à família previsto na Constituição.
Alguns Estados ainda preveem o prazo de 5 dias de licença-paternidade. Essa previsão ainda é 
constitucional? SIM. Foi o caso dos Estado do Mato Grosso do Sul e da Bahia. Essas leis foram 
declarados constitucionais.
O STF, no julgamento da ADO 20, fixou o prazo de 18 meses para o Congresso Nacional editar lei 
regulamentando o prazo da licença-paternidade. Logo, enquanto não esgotado esse prazo, não 
há inconstitucionalidade na previsão fixada em lei estadual de que o prazo da licença-paternidade 
é de 5 dias. Isso porque esse prazo está de acordo com o § 1º do art. 10 do ADCT.
STF. Plenário. ADI 7.519/AC, ADI 7.526/MS, ADI 7.533/PI, ADI 7.538/DF, ADI 7.541/BA, Rel. Min. 
Cármen Lúcia, julgados em 09/12/2024 (Info 1162).
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/assinatura/dodpediaJULGADOS EM DESTAQUE 13
São constitucionais as normas que instituíram o Complexo Industrial e Portuário do Maranhão 
e a ampliação do objeto social da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP)
São constitucionais os arts. 1º e 2º, I (expressão “o Porto Grande”), da Lei nº 11.013/2019 do Estado 
do Maranhão, que: 
(i) institui o Complexo Industrial e Portuário do Maranhão, composto de áreas adjacentes a 
determinados portos e de outras áreas integrantes do distrito industrial, sem indicar a demarcação 
específica das áreas abrangidas ou a situação dominial dos imóveis inseridos no complexo; e 
(ii) autoriza a ampliação do objeto social da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) 
para que, no papel de indutora do desenvolvimento regional, possa administrar, operar, explorar e 
desenvolver diversas áreas, entre as quais as do próprio complexo e de bem público de titularidade 
da União (ou de autarquia federal), desde que cumpridos os requisitos legais necessários.
Essas normas e não afrontam o princípio federativo e o regime constitucional de repartição de 
bens entre os entes federativos (art. 20, IV, c/c o art. 26, II, CF/88).
São constitucionais os arts. 2º, II, 3º, 4º e 5º da Lei nº 11.013/2019 do Estado do Maranhão, que, no 
âmbito do novo complexo portuário e sem afastar o contexto normativo vigente, autorizam ampla 
disposição patrimonial: 
(i) de bens imóveis estaduais para a EMAP, no que interessam ao referido complexo; e 
(ii) de bens imóveis e de equipamentos de apoio pela EMAP para quaisquer sujeitos, a título 
oneroso ou gratuito, possibilitando a celebração de instrumentos, públicos ou particulares, para a 
realização dos atos nela descritos.
Essas normas não ofendem a competência da União para legislar sobre normas gerais de licitação 
(art. 22, XXVII, CF/88) nem a exigência de procedimento licitatório prévio para a alienação de bens 
públicos (arts. 37, XXI; e 173, § 1º, III, CF/88) —
STF. Plenário. ADI 6.216/MA, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 09/12/2024 (Info 1162).
Teses sobre progressão funcional de servidores do INSS
i) O interstício a ser observado na progressão funcional e na promoção de servidores da carreira 
do Seguro Social é de 12 (doze) meses, nos termos das Leis n. 10.355/2001, 10.855/2004, 
11.501/2007 e 13.324/2016;
ii) É legal a progressão funcional com efeitos financeiros em data distinta à de entrada do servidor 
na carreira (início do exercício funcional);
iii) São exigíveis diferenças remuneratórias retroativas decorrentes do reenquadramento dos 
servidores quanto ao período de exercício da função até 1º/1/2017, nos termos do art. 39 da 
Lei n. 13.324/2016.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.956.378-SP, REsp 1.956.379-SP e REsp 1.957.603-SP, Rel. Min. Afrânio Vilela, 
julgados em 27/11/2024 (Recurso Repetitivo - Tema 1129) (Info 835).
https://www.buscadordizerodireito.com.br/assinatura/dodpedia
JULGADOS EM DESTAQUE 14
É lícita a concessão de autorização sanitária para o plantio, cultivo, industrialização 
e comercialização do cânhamo industrial por pessoas jurídicas?
I - Nos termos dos arts. 1º, parágrafo único, e 2º, caput, da Lei n. 11.343/2006 (Lei de Drogas), 
não pode ser considerado proscrito o cânhamo industrial (Hemp), variedade da Cannabis com 
teor de Tetrahidrocanabinol (THC) inferior a 0,3%, porquanto inapto à produção de drogas, assim 
entendidas substâncias psicotrópicas capazes de causar dependência;
II - De acordo com a Convenção Única sobre Entorpecentes (Decreto n. 54.216/1964) e a Lei 
n. 11.343/2006 (Lei de Drogas), compete ao Estado brasileiro estabelecer a política pública 
atinente ao manejo e ao controle de todas as variedades da Cannabis, inclusive o cânhamo 
industrial (Hemp), não havendo, atualmente, previsão legal e regulamentar que autorize seu 
emprego para fins industriais distintos dos medicinais e/ou farmacêuticos, circunstância que 
impede a atuação do Poder Judiciário;
III - À vista da disciplina normativa para os usos médicos e/ou farmacêuticos da Cannabis, as 
normas expedidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA (Portaria SVS/MS 
n. 344/1998 e RDC n. 327/2019) proibindo a importação de sementes e o manejo doméstico 
da planta devem ser interpretadas de acordo com as disposições da Lei n. 11.343/2006, não 
alcançando, em consequência, a variedade descrita no item I (cânhamo industrial - Hemp), cujo 
teor de THC é inferior a 0,3%;
IV - É lícita a concessão de autorização sanitária para plantio, cultivo, industrialização e 
comercialização do cânhamo industrial (Hemp) por pessoas jurídicas, para fins exclusivamente 
medicinais e/ou farmacêuticos atrelados à proteção do direito à saúde, observada a regulamentação 
a ser editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA e pela União, no âmbito de suas 
respectivas atribuições, no prazo de 06 (seis) meses, contados da publicação deste acórdão;
V - Incumbe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA e à União, no exercício da 
discricionariedade administrativa, avaliar a adoção de diretrizes destinadas a obstar o desvio ou a 
destinação indevida das sementes e das plantas (e.g. rastreabilidade genética, restrição do cultivo a 
determinadas áreas, eventual necessidade de plantio indoor ou limitação quantitativa de produção 
nacional), bem como para garantir a idoneidade das pessoas jurídicas habilitadas a exercerem 
tais atividades (e.g. cadastramento prévio, regularidade fiscal/trabalhista, ausência de anotações 
criminais dos responsáveis técnicos/administrativos e demais empregados), sem prejuízo de outras 
medidas para preservar a segurança na respectiva cadeia produtiva e/ou comercial.
STJ. 1ª Seção. REsp 2.024.250-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 13/11/2024 (IAC 16) 
(Info 835).
JULGADOS EM DESTAQUE 15
É possível a aplicação da multa administrativa prevista no art. 3º da Lei nº 9.847/1999 abaixo 
do mínimo legal?
Em tese, o pedido da empresa pode ser acolhido? É possível a aplicação da multa administrativa 
prevista no art. 3º da Lei nº 9.847/1999 abaixo do mínimo legal?
1ª Turma: SIM.
Em casos excepcionais, à luz dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, é possível a 
aplicação da multa administrativa prevista na Lei n. 9.847/1999 abaixo do mínimo legal, desde que 
baseada em elementos concretos que a justifiquem. 
STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 2.044.444-PR, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgado em 
1º/10/2024 (Info 836).
2ª Turma: NÃO.
Não compete ao Poder Judiciário, em inobservância aos critérios legais, reduzir o valor de multa, 
validamente fixada, aquém do mínimo legal, e desprovida de caráter confiscatório, bem como de 
ofensa a razoabilidade e proporcionalidade. 
STJ. 2ª Turma. AgInt nos EDcl no AREsp 2.100.289/SC, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 6/3/2023. 
A não homologação, pela comissão de heteroidentificação, de autodeclaração do candidato 
às vagas destinadas a afrodescendentes implica apenas sua eliminação do certame em 
relação às vagas reservadas e não alcança a sua classificação na lista de ampla concorrência
Caso adaptado: João se inscreveu no concurso público, autodeclarando-se pardo para concorrer 
às vagas reservadas a candidatos negros. Ele foi aprovado tanto nas vagas reservadas quanto na 
ampla concorrência. A comissão de heteroidentificação entendeu que ele não era pardo. Diante 
disso, a administração eliminou João completamente do concurso, com base em uma cláusula 
do edital que previa exclusão de candidatos cuja autodeclaração racial não fosse homologada, 
independentemente de seu desempenho na ampla concorrência. Em outras palavras, ele foi 
eliminado mesmo tendo sido aprovado nas vagas de ampla concorrência.
O STJ não concordou com a eliminação. 
Segundo a Lei nº 12.990/2014, a eliminação de candidatos que prestem declaração falsa se aplica 
apenas às vagas reservadas. Não homologar a autodeclaração não significa má-fé ou falsidade, 
especialmente considerando a subjetividade do processo de identificação racial no Brasil,que se 
baseia em características fenotípicas ambíguas.
A exclusão de João do concurso como um todo viola o princípio da razoabilidade, pois a sanção 
deve ser limitada às vagas reservadas. 
STJ. 1ª Turma. REsp 2.105.250-RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 26/11/2024 (Info 836).
JULGADOS EM DESTAQUE 16
O termo inicial da pensão por morte é fixado na data do evento danoso, sendo irrelevante a 
possibilidade de atividade laboral da vítima
Caso hipotético: João, que cumpria pena em um presídio no Ceará, foi morto por outro detento 
durante uma rebelião. Sua esposa Regina e seu filho Lucas ajuizaram ação contra o Estado 
pedindo indenização por danos morais e pensão mensal decorrente da morte, conforme previsto 
no art. 948, II, do Código Civil.
A Fazenda Pública contestou, argumentando que a pensão deveria ser paga apenas após o 
término do cumprimento da pena de João (ainda faltavam 15 anos), momento em que ele poderia 
voltar a trabalhar. 
O STJ não acolheu esse argumento do Estado.
É irrelevante o momento de possibilidade de exercício de atividade laboral de detento que faleceu 
no presídio, para fixação do termo inicial da pensão por morte em favor de seu dependente, 
marco que é traçado pela data do evento danoso (óbito). 
STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 2.529.276-CE, Rel. Min. Afrânio Vilela, julgado em 21/10/2024 (Info 836).
A desapropriação para comunidades quilombolas possui caráter reparatório e de promoção 
de direitos fundamentais, não se aplicando a esse procedimento os prazos de caducidade das 
desapropriações comuns
O INCRA identificou que a Comunidade Quilombola Vale da Liberdade ocupava tradicionalmente 
uma área de 500 hectares no Mato Grosso há mais de 100 anos. Após estudos técnicos e 
reconhecimento do território, foi constatado que parte das terras estava registrada em nome do 
fazendeiro João e sua esposa Regina, levando o INCRA a emitir um decreto de desapropriação por 
interesse social com base no art. 13 do Decreto nº 4.887/2003:
Art. 13. Incidindo nos territórios ocupados por remanescentes das comunidades dos quilombos 
título de domínio particular não invalidado por nulidade, prescrição ou comisso, e nem tornado 
ineficaz por outros fundamentos, será realizada vistoria e avaliação do imóvel, objetivando a 
adoção dos atos necessários à sua desapropriação, quando couber.
Ocorre que o INCRA somente ajuizou a ação de desapropriação alguns anos depois, após o prazo 
de 2 anos previsto na Lei nº 4.132/1962:
Art. 3º O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da desapropriação 
por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e iniciar as providências de 
aproveitamento do bem expropriado.
O STJ afirmou que não houve problema. Isso porque esse prazo de caducidade não se aplica às 
desapropriações para titulação de terras quilombolas. 
As desapropriações quilombolas têm função reparatória e visam corrigir injustiças históricas, 
além de promover direitos humanos fundamentais. Por isso, não podem ser regidas pelos 
mesmos prazos e regras das desapropriações convencionais, sendo o instituto da decadência/
caducidade incompatível com este procedimento especial de titulação de terras.
STJ. 1ª Turma. REsp 2.000.449-MT, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgado em 26/11/2024 (Info 837).
JULGADOS EM DESTAQUE 17
O art. 217, II, da Lei 8.112/90 prevê que o cônjuge divorciado que recebe pensão alimentícia 
fixada judicialmente tem direito à pensão por morte; esse dispositivo se aplica também para 
pensão alimentícia fixada por escritura pública de divórcio extrajudicial
Caso hipotético: Regina e João se divorciaram no cartório (divórcio extrajudicial). Ficou definido na 
escritura pública que João pagaria pensão à ex-esposa.
Alguns anos depois, João faleceu e Regina pediu pensão por morte com base no art. 217, II, da 
Lei nº 8.112/90: 
Art. 217. São beneficiários das pensões: (...) II - o cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou 
de fato, com percepção de pensão alimentícia estabelecida judicialmente;
A União negou argumentando que o benefício só seria devido quando a pensão alimentícia fosse 
estabelecida judicialmente.
O STJ, no entanto, decidiu que a recusa da União foi ilegítima, estabelecendo que o direito à pensão 
por morte também se aplica nos casos em que os alimentos foram fixados por escritura pública 
de divórcio extrajudicial. 
O divórcio consensual realizado em cartório deve ter os mesmos efeitos jurídicos do divórcio 
judicial, inclusive quanto aos direitos previdenciários.
A regra do art. 217, II, da Lei nº 8.112/1990 também se aplica para aqueles que tiveram sua pensão 
alimentícia fixada por escritura pública, em virtude de divórcio consensual extrajudicial.
STJ. 2ª Turma. EDcl no AgInt no REsp 2.126.307-ES, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 
julgado em 28/10/2024 (Info 837).
https://www.editorajuspodivm.com.br/vade-mecum-de-jurisprudencia-dizer-o-direito-20232
https://www.editorajuspodivm.com.br/sumulas-do-stf-e-do-stj-anotadas-e-organizadas-por-assuntos-2024-2-semestre
JULGADOS EM DESTAQUE 18
DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL
Os escreventes juramentados, detentores de vínculos trabalhistas com cartórios não 
oficializados e admitidos por meio de concurso público antes da Lei federal 8.935/1994, não 
estão abrangidos pelo art. 48 dessa lei, que trata exclusivamente de escreventes estatutários
É constitucional — por apresentar pertinência temática e concretizar o princípio da eficiência 
(art. 37, caput, CF/88) — norma estadual, decorrente de emenda parlamentar a projeto de lei 
de inciativa do Tribunal de Justiça local, que fixa limite de tempo proporcional e razoável para o 
atendimento ao público em serventias extrajudiciais.
É inconstitucional — por violar os requisitos essenciais para a investidura em cargo público (art. 37, 
II, CF/88,) — norma estadual que equipara os escreventes judiciários com vínculo trabalhista junto 
a serventias extrajudiciais, admitidos por meio de concurso público antes do advento da Lei nº 
8.935/1994, aos analistas judiciários especiais, ocupantes de cargo efetivo do Poder Judiciário local.
Tese fixada pelo STF: Os escreventes juramentados, detentores de vínculos trabalhistas com 
cartórios não oficializados e admitidos por meio de concurso público antes do advento da Lei 
federal 8.935/1994, não estão abrangidos pelo art. 48 dessa lei, que trata exclusivamente de 
escreventes estatutários, pelo que devem permanecer vinculados à legislação trabalhista, sob 
pena de violação ao art. 37, II, da Constituição.
STF. Plenário. ADI 7.602/ES, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/11/2024 (Info 1158).
O registro precoce de título, feito irregularmente em razão da inobservância de prenotação 
anterior, poderá ser convalidado se ocorrer a caducidade da anotação provisória por omissão 
do interessado em atender às exigências legais (art. 205 da LRP)
Caso hipotético: João transferiu seu terreno ao Banco Alfa como pagamento de dívida em 
07/11/2011, e posteriormente vendeu o mesmo imóvel para a empresa Beta em 25/11/2011. 
O Banco tentou registrar primeiro seu título em 10/11, mas o cartório apontou pendências 
documentais que deveriam ser sanadas em 30 dias. Antes do fim deste prazo, a empresa Beta 
conseguiu fazer o registro da compra em 07/12, mesmo que irregularmente, pois o Banco ainda 
tinha prioridade até 10/12.
O Banco Alfa, que só apresentou os documentos pendentes em 21/12, ajuizou ação declaratória 
de nulidade do registro feito em nome da Beta, obtendo decisões favoráveis em primeira e 
segunda instância. O TJ entendeu que houve violação do princípio da prioridade, pois o cartório 
registrou o título da Beta antes do fim do prazo concedido ao Banco.
No entanto, o STJ reformou o acórdão da Turma de origem, entendendo que, apesar do erro do 
cartório em registrar prematuramente o título da Beta, esta irregularidade era meramente formal 
e temporal. Como o Banco não cumpriu as exigências no prazo legal (até 10/12), sua prenotação 
caducou automaticamente,e o registro em favor da Beta, mesmo que feito antes do tempo, 
deveria ser convalidado, pois poderia ter sido realizado validamente logo após o término do prazo 
da prenotação do Banco.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.756.277-CE, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 5/11/2024 (Info 834).
JULGADOS EM DESTAQUE 19
DIREITO AMBIENTAL
O STF determinou a suspensão dos processos em primeira instância que exigiam medidas da 
União para combater os incêndios na Amazônia e no Pantanal, de forma a concentrar todas 
as providências na ADPF 743, em tramitação na Corte
Em março de 2024, o STF, no julgamento da ADPF 743, determinou que a União, os Estados-membros e 
o IBAMA adotassem medidas para a prevenção e combate aos incêndios no Pantanal e na Amazônia.
Em outubro de 2024, a AGU, nos autos da ADPF 743, requereu ao STF a suspensão de quatro 
processos que tramitam na Justiça Federal de primeira instância e que determinavam ações a 
serem executadas pela União para combater as queimadas na Amazônia e no Pantanal. 
A União argumentou que a ADPF 743, de caráter estrutural, já prevê medidas amplas para gestão 
ambiental e combate aos incêndios, como planos de ação e reforço do sistema PREVFOGO, e que 
as decisões das instâncias inferiores poderiam entrar em conflito com essas determinações. Além 
disso, destacou que a centralização das ações no STF é essencial para evitar decisões divergentes 
e garantir uma atuação coordenada e eficaz do Poder Executivo.
O STF concordou com a União e deferiu medida liminar para suspender os processos judiciais 
e os efeitos das decisões porventura já proferidas.
Encontram-se presentes os requisitos para a concessão da medida liminar, pois: 
(i) há plausibilidade jurídica no que se refere à alegação de que as decisões proferidas pelas 
instâncias ordinárias podem gerar conflitos com as determinações já estabelecidas pelo Supremo 
Tribunal Federal, comprometendo a eficácia das ações coordenadas para enfrentar as queimadas 
na Amazônia e no Pantanal; 
(ii) há perigo da demora na prestação jurisdicional, consubstanciado na eventual descontinuidade 
dos planos de combate aos incêndios e em embaraços quanto à reestruturação do Centro Nacional 
de Prevenção aos Incêndios Florestais (Prevfogo).
STF. Plenário. ADPF 743 MC-Ref/DF, Rel. Min. Flávio Dino, julgado em 12/11/2024 (Info 1158).
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JULGADOS EM DESTAQUE 20
DIREITO CIVIL
O bem de família voluntário mantém com o bem de família legal relação de coexistência 
e não de exclusão
Caso hipotético: a Fazenda Nacional ingressou com execução fiscal contra João e conseguiu a 
de seu apartamento, local em que morava. O executado alegou que o imóvel era impenhorável 
por ser bem de família (Lei nº 8.009/90), tendo seu pedido acolhido em primeira instância.
A Fazenda Nacional recorreu argumentando que: 1) João possuía outro apartamento; 2) o imóvel 
penhorado não estava registrado como bem de família; e 3) a Lei nº 8.009/90 teria sido revogada 
tacitamente pelo CPC/2015. 
O STJ rejeitou todos esses argumentos.
A Lei nº 8.009/90 não foi revogada. O CPC/2015 não tratou de forma exaustiva de todas as hipóteses 
de impenhorabilidade admitindo a sua coexistência com outras normas de impenhorabilidade.
O bem de família legal (Lei nº 8.009/90) e o bem de família voluntário (art. 1.711 do Código Civil 
e art. 833, I, do CPC) coexistem no ordenamento jurídico.
O devedor, mesmo sendo proprietário de mais de um bem, pode gozar a impenhorabilidade da 
Lei nº 8.009/90, recaindo a impenhorabilidade sobre o de menor valor quando houver múltiplos 
imóveis residenciais.
STJ. 1ª Turma. REsp 2.133.984-RJ, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgado em 22/10/2024 (Info 832).
O patrimônio herdado por representação jamais integra o patrimônio do descendente pré-
morto e, por isso, não pode ser alcançado para pagamento de suas dívidas
Caso hipotético: Olavo, após pagar sozinho por 10 anos uma pensão alimentícia pela qual era 
solidariamente responsável com Sandro e Eduarda, entrou com ação regressiva contra os outros 
dois devedores. Durante o processo, descobriu-se que Sandro havia falecido em 2011, tendo seu 
inventário sido concluído em 2014, mas existiam bens no valor de R$ 205.000,00 provenientes de 
herança de seus genitores, cujo inventário iniciou apenas em 2016.
Embora o Tribunal de Justiça tenha acolhido o pedido de Olavo para incluir o espólio de Sandro 
na ação, devido aos bens pendentes de sobrepartilha, os herdeiros de Sandro recorreram ao STJ. 
Eles argumentaram que os bens em questão pertenciam ao espólio dos avós e não integravam o 
patrimônio deixado por Sandro em vida, baseando-se no artigo 1.851 do Código Civil.
O STJ deu provimento ao recurso dos herdeiros, estabelecendo que o patrimônio herdado por 
representação não integra o patrimônio do descendente pré-morto (Sandro) e, consequentemente, 
não pode ser utilizado para quitar suas dívidas. 
Os representantes do herdeiro pré-morto recebem diretamente a parte que seu ascendente 
receberia se estivesse vivo, sem que esses bens passem pelo patrimônio do falecido.
STJ. 4ª Turma. AREsp 2.291.621-RO, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 4/12/2024 (Info 836).
JULGADOS EM DESTAQUE 21
O dano moral reflexo (dano por ricochete) pode se caracterizar ainda que a vítima direta 
do evento danoso sobreviva
Caso adaptado: João, 12 anos, estava no colégio particular onde estudava, quando foi atingido 
por um muro de azulejos que desabou, resultando em graves lesões que exigiram nove cirurgias 
e a amputação de quatro dedos do pé. Em consequência, João e seus pais ajuizaram ação de 
indenização contra a escola, solicitando danos morais tanto para a vítima quanto para os genitores.
O juiz e posteriormente o Tribunal de Justiça reconheceram o direito à indenização por danos 
morais tanto para João quanto para seus pais, fundamentando a decisão no conceito de dano 
moral por ricochete. 
O dano moral por ricochete é aquele sofrido por um terceiro (vítima indireta) em consequência 
de um dano inicial sofrido por outrem (vítima direta), podendo ser de natureza patrimonial ou 
extrapatrimonial. Trata-se de relação triangular em que o agente prejudica uma vítima direta que, 
em sua esfera jurídica própria, sofre um prejuízo que resultará em um segundo dano, próprio e 
independente, observado na esfera jurídica da vítima reflexa.
São características do dano moral por ricochete a pessoalidade e a autonomia em relação ao dano 
sofrido pela vítima direta do evento danoso, assim como a independência quanto à natureza do 
incidente, conferindo, desse modo, aos sujeitos prejudicados reflexamente o direito à indenização 
por terem sido atingidos em um de seus direitos fundamentais.
O STJ manteve a condenação, estabelecendo que o dano moral por ricochete não está limitado 
aos casos de falecimento da vítima direta. Tendo em vista a existência da cláusula geral de 
responsabilidade civil, qualquer pessoa que tenha seu direito violado por dano causado a outrem, 
de forma direta ou reflexa, possui interesse juridicamente tutelado, sendo a indenização devida 
independentemente da sobrevivência da vítima direta.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.697.723-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 1/10/2024 (Info 832).
No procedimento especial da ação de busca e apreensão de bem alienado fiduciariamente, 
regida pelo DL 911/1969, não incide a obrigatoriedade da prévia audiência de conciliação 
prevista no art. 334 do CPC, não resultando sua ausência em nulidade
O CPC/2015 elencou entre as suas normas fundamentais a determinação de que o Estado 
promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos, a qual deve ser estimulada 
por todos os sujeitos do processo (art. 3º,§§ 2º e 3º), sendo um dever do juiz promover, a qualquer 
tempo, a autocomposição (art. 139, V).
No procedimento comum, existe determinação legal para que o juiz realize audiência prévia de 
conciliação ou mediação (art. 334 do CPC), com exceção apenas em duas hipóteses: 
I) se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse; ou 
II) quando não se admitir a autocomposição.
Assim, a audiência prévia de conciliação ou mediação prevista no art. 334 do CPC é obrigatória, 
mesmo quando apenas uma das partes manifestar desinteresse, sendo dispensada tão somente 
quando houver desinteresse de ambas as partes.
JULGADOS EM DESTAQUE 22
No procedimento especial da ação de busca e apreensão de bem alienado fiduciariamente, regida 
pelo DL 911/1969, não incide a obrigatoriedade da prévia audiência de conciliação prevista no 
art. 334 do CPC, de modo que a sua ausência não caracteriza nulidade.
O DL n. 911/1969 regulamenta a fase inicial do processo de forma diversa dos arts. 334 e 335, 
I e II, do CPC - prevendo que a resposta do réu deve ser apresentada no prazo de 15 dias da 
execução da liminar (art. 3º, § 3º) -, não havendo espaço para a aplicação subsidiária dos referidos 
dispositivos do procedimento comum.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.167.264-PI, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/10/2024 (Info 832).
É juridicamente possível o pedido de reconhecimento de filiação socioafetiva entre avós 
e neto, tendo em vista não haver qualquer vedação legal expressa no ordenamento jurídico 
a esse respeito
Caso adaptado: Lucas, criado por seus avós maternos João e Francisca como pais ao longo da 
vida, buscou o reconhecimento judicial da filiação socioafetiva, mantendo o vínculo com sua 
mãe biológica, Carla. O juiz indeferiu a petição inicial, interpretando que o art. 42, §1º, do ECA, 
que proíbe a adoção de netos por avós, também impediria o reconhecimento de paternidade 
socioafetiva. A sentença foi mantida pelo TJ/SP. 
Lucas e seus avós recorreram argumentando que o caso trata de filiação socioafetiva, distinta 
da adoção.
O STJ acolheu o recurso, destacando que o art. 42, §1º, do ECA não se aplica à filiação socioafetiva, 
pois esta não exige a destituição do poder familiar e reconhece laços afetivos já consolidados, 
ao contrário da adoção, que substitui o vínculo familiar biológico em situações de proteção. 
O reconhecimento de filiação socioafetiva entre avós e netos, mesmo com vínculo biológico 
previamente registrado, é juridicamente possível, alinhado ao princípio da multiparentalidade e 
à proteção do direito à personalidade.
A ausência de vedação legal expressa reforça a possibilidade de reconhecimento judicial de 
filiação socioafetiva, desde que demonstrada a relação afetiva duradoura. 
STJ. 3ª Turma. REsp 2.107.638-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/11/2024 (Info 834).
É possível que ordem judicial brasileira determine a remoção global de conteúdo ilícito em 
plataforma digital, sem que isso configure violação à soberania estrangeira
Uma ordem judicial brasileira de indisponibilidade de conteúdo na internet, considerado infrator 
segundo o direito brasileiro, pode ter alcance transfronteiriço quando demonstrada a ampla 
acessibilidade e impacto global do conteúdo, não configurando ofensa à soberania estrangeira. 
A Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet) consolida a aplicação do direito brasileiro sobre 
provedores que atuam no território nacional, mesmo que os dados sejam armazenados no 
exterior, e prevê a extensão da jurisdição brasileira a atos realizados em plataformas globais.
JULGADOS EM DESTAQUE 23
A liberdade de expressão, ainda que protegida, comporta limitações legítimas quando em conflito 
com o direito à honra e à reputação, desde que tais limitações sejam proporcionais, previstas em 
lei, revisadas judicialmente e não discriminatórias. Esse entendimento está alinhado a diretrizes 
internacionais que visam concentrar a responsabilização civil em um único foro para evitar 
penalizações múltiplas.
Caso adaptado: foi publicado um vídeo no Youtube intitulado “Ratos encontrados em alimentos 
na empresa BETA” (empresa alimentícia). A Beta ajuizou ação pedindo a remoção do vídeo 
comprovando que seu conteúdo era falso. O Tribunal de Justiça determinou a remoção global do 
vídeo da plataforma, ou seja, que ele não pudesse ser visualizado em nenhum lugar do mundo. 
O Google recorreu, alegando que a remoção global ultrapassava a jurisdição brasileira, mas o STJ 
manteve a decisão.
Em suma: inexiste ofensa à soberania estrangeira a efetivação de forma global de uma ordem 
judicial específica de indisponibilidade de conteúdo na internet, considerado infrator segundo o 
direito brasileiro. 
STJ. 3ª Turma. REsp 2.147.711-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/11/2024 (Info 835).
No caso de o beneficiário de seguro de vida se confundir com a figura do próprio segurado, 
o prazo prescricional para ingressar em juízo em face da seguradora pleiteando o 
adimplemento do seguro é ânuo
Caso hipotético: Regina tinha um seguro de vida em grupo que incluía o pagamento de indenização 
em caso de morte do cônjuge. Em 2013, seu marido faleceu e, apenas três anos depois, ela descobriu 
que tinha direito a uma indenização de R$ 7.500,00. Ao solicitar o pagamento, a seguradora negou o 
pedido alegando que já havia passado o prazo prescricional de 1 ano, previsto no art. 206, § 1º, II, “b” 
do Código Civil: 
Art. 206. Prescreve: § 1º Em um ano: (...) II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a 
deste contra aquele;
Regina ajuizou ação argumentando que o prazo prescricional aplicável seria o decenal (10 anos), 
previsto no art. 205 do CC, por ela ser beneficiária e não segurada do contrato. 
O STJ não acolheu seus argumentos.
No caso de Regina, deve ser aplicado o prazo de 1 ano porque ela não era apenas beneficiária, 
mas também segurada. Assim, quando o beneficiário se confunde com a figura do próprio 
segurado, o prazo prescricional é realmente de 1 ano.
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 2.323.675-SC, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 3/12/2024 (Info 836).
JULGADOS EM DESTAQUE 24
O autor não pode desistir da ação de alimentos, mesmo se o pedido de desistência foi 
apresentado antes da contestação, se isso for prejudicar os interesses de pessoa com 
deficiência (síndrome de down) que seria beneficiada com os alimentos
Caso hipotético: João ajuizou ação de oferecimento de alimentos em favor de sua filha Maria, 
de 17 anos, que tem Síndrome de Down, propondo pagar 5 salários mínimos mensais. Após 
descobrir que sua ex-esposa Regina havia vendido um imóvel do ex-casal sem repassar sua parte, 
João tentou desistir da ação antes da contestação.
Maria, assistida por Regina, contestou pedindo a manutenção dos alimentos provisórios e 
aumento para 7 salários mínimos. 
O juiz negou o pedido de desistência de João, decisão que foi mantida pelo Tribunal de Justiça e 
pelo STJ, mesmo diante do art. 485, §4º do CPC, que permite a desistência antes da contestação 
sem concordância da parte contrária.
O direito processual de desistir da ação não pode se sobrepor aos interesses de pessoa com 
deficiência, protegidos pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência. Além disso, entendeu que João 
agiu de má-fé ao usar a desistência como forma de pressionar Regina na questão do imóvel, 
prejudicando os interesses de Maria, e que a eventual questão patrimonial com a ex-esposa 
deveria ser resolvida em ação própria.
O direito do autor de desistir de ação de oferecimento de alimentos não pode se sobrepor ao direito 
da demandada pela busca de uma decisão de mérito, ainda que o pedido tenha sido apresentado 
antes da contestação, quando a homologação da decisão prejudicar os interesses de pessoa com 
deficiência (síndrome de down). 
STJ. 3ª Turma. REsp 2.167.135-RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 10/12/2024 (Info 837).
DIREITO DO CONSUMIDOR
O reconhecimento da abusividade em contrato de compra de dívida deve limitar-se à redução 
das obrigações excessivas impostasao consumidor, com o objetivo de restabelecer sua situação 
econômica anterior ao contrato oneroso
O reconhecimento da abusividade em contrato de compra de dívida deve resultar apenas na redução 
das obrigações iníquas assumidas pelo consumidor de modo a reconduzi-lo à mesma situação 
econômica (e não jurídica) em que se encontrava antes do contrato excessivamente oneroso. 
O reconhecimento da abusividade implica na redução das obrigações desproporcionais assumidas 
pelo consumidor, restabelecendo sua situação econômica original, sem restaurar contratos 
extintos, especialmente quando a instituição financeira envolvida na relação anterior não integra 
o processo.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.159.883-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. para acórdão Min. Moura Ribeiro, 
julgado em 5/11/2024 (Info 835).
JULGADOS EM DESTAQUE 25
Antes do consumidor ser inscrito nos cadastros restritivos de crédito (exs: SPC/Serasa), 
ele precisa ser previamente notificado. Essa notificação pode ser por e-mail
Considerando a regra vigente no ordenamento jurídico pátrio - de que a comunicação dos atos 
processuais, através da citação e da intimação, deve ser realizada pelos meios eletrônicos, que, 
inclusive, se aplica ao processo penal, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, com mais 
razão deve ser admitido o meio eletrônico como regra também para fins da notificação do art. 43, 
§ 2º, do CDC, desde que comprovados o envio e o recebimento no e-mail ou no número de 
telefone (se utilizada a mensagem de texto de celular ou o aplicativo whatsapp) informados pelo 
consumidor ao credor.
No contexto atual da sociedade brasileira, marcado por intenso e democrático avanço 
tecnológico, com utilização, por maciça camada da população, de dispositivos eletrônicos com 
acesso à internet, na quase totalidade do território nacional, constata-se que não subsiste a 
premissa fática na qual se baseou a Terceira Turma nos precedentes anteriores, que vedavam a 
utilização exclusiva dos meios eletrônicos.
Portanto, a notificação prévia do consumidor acerca do registro do seu nome no cadastro de 
inadimplentes, nos termos do art. 43, § 2º, do CDC, pode ser realizada por meio eletrônico, 
desde que devidamente comprovados o envio e a entrega da notificação, realizados por e-mail, 
mensagem de texto de celular (SMS) ou até mesmo pelo aplicativo whatsapp.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.092.539/RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 17/9/2024.
É válida a comunicação remetida por e-mail para fins de notificação do consumidor acerca da 
inscrição de seu nome em cadastro de inadimplentes, desde que comprovado o envio e entrega 
da comunicação ao servidor de destino. 
Considerando que é admitida até mesmo a realização de atos processuais, como citação e 
intimação, por meio eletrônico, inclusive no âmbito do processo penal, é razoável admitir a 
validade da comunicação remetida por e-mail para fins de notificação prevista no art. 43, § 2º, 
do CDC, desde que comprovado o envio e entrega da comunicação ao servidor de destino.
STJ. 4ª Turma. REsp 2.063.145-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/3/2024 (Info 808).
É válida a comunicação escrita, conforme prevê o art. 43, § 2º, do CDC, enviada por carta ou 
e-mail, para fins de notificação do consumidor acerca da inscrição de seu nome em cadastro 
de inadimplentes, desde que os dados do consumidor sejam fornecidos pelo credor ao órgão 
mantenedor do cadastro de inadimplentes. 
STJ. 4ª Turma. REsp 2.158.450-RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 10/12/2024 (Info 837).
Súmula 675 do STJ
Súmula 675-STJ: É legítima a atuação dos órgãos de defesa do consumidor na aplicação de sanções 
administrativas previstas no CDC quando a conduta praticada ofender direito consumerista, o que 
não exclui nem inviabiliza a atuação do órgão ou entidade de controle quando a atividade é regulada.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/11/2024, DJe de 25/11/2024 (Info 835).
JULGADOS EM DESTAQUE 26
O gestor de banco de dados que disponibiliza para terceiros consulentes o acesso aos dados 
do cadastrado que somente poderiam ser compartilhados entre bancos de dados deve responder 
objetivamente pelos danos morais causados
Caso hipotético: ALFA é uma pequena loja que vende semijoias. Para avaliar o risco de vender a prazo 
para seus clientes, a empresa contratou a Boa Vista S.A. (SCPC), que oferece serviço de consulta 
de dados dos consumidores. Regina foi comprar uns produtos na ALFA. A empresa fez então uma 
consulta na SCPC. Ocorre que a ALFA teve acesso não apenas ao score de crédito (pontuação que 
indica o risco do crédito), mas também a diversos dados pessoais de Regina como: CPF completo, 
nome da mãe, data de nascimento, endereços residenciais, números de telefone e outros dados 
cadastrais. Diante disso, Regina ajuizou ação de obrigação de não fazer cumulada com pedido de 
indenização por danos morais contra a Boa Vista S.A. Alegou que a divulgação dos seus dados, sem 
prévia autorização, violava o direito à privacidade e à proteção de dados, garantidos pela LGPD (Lei 
Geral de Proteção de Dados – Lei nº 13.709/2018) e pela Lei do Cadastro Positivo (Lei nº 12.414/2011). 
O STJ concordou com a autora.
De acordo com a Lei nº 12.414/2011 e a LGPD, embora o gestor de banco de dados possa realizar 
o tratamento de dados pessoais e abrir cadastro sem prévio consentimento, o compartilhamento 
de informações cadastrais é restrito a outros bancos de dados autorizados pelo BACEN. Para 
consulentes (como a loja ALFA), apenas é permitida a disponibilização da pontuação de crédito 
e do histórico de crédito, este último mediante autorização prévia do cadastrado.
A disponibilização indevida de dados pessoais para terceiros caracteriza dano moral presumido, 
devido ao sentimento de insegurança experimentado pela pessoa ao perceber que seus dados 
foram compartilhados indevidamente, o que pode favorecer a prática de atos ilícitos. 
Além disso, embora não seja necessário consentimento prévio para abertura do cadastro, 
é obrigatória a comunicação ao cadastrado em até 30 dias, conforme previsto na legislação.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.133.261-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 8/10/2024 (Info 833).
As sanções pelo não comparecimento injustificado do credor à audiência de conciliação no 
processo de tratamento do superendividamento, previstas no art. 104-A, § 2°, do CDC, podem 
ser aplicadas na fase consensual (pré-processual)
Caso hipotético: João acumulou dívidas com diversas instituições financeiras, enquadrando-se no 
conceito de superendividado do art. 54-A, § 1º, do CDC. Ele buscou a repactuação judicial dessas 
dívidas com base na Lei nº 14.181/2021 (Lei do Superendividamento), propondo um plano de 
pagamento que preservava o mínimo existencial. O Banco do Brasil, um de seus credores, não 
compareceu à audiência de conciliação da fase pré-processual. Diante disso, o juiz aplicou contra 
a instituição financeira as sanções previstas no § 2º do art. 104-A do CDC.
O Banco recorreu argumentando que tais as sanções só poderiam ser aplicadas na fase judicial e 
que não haveria dever legal de conciliação devido ao princípio da autonomia privada. 
No entanto, o STJ manteve as sanções, decidindo que elas podem ser aplicadas já na fase pré-
processual, pois o comparecimento à audiência de conciliação constitui um dever anexo do 
contrato, fundamentado no princípio da boa-fé objetiva.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.168.199-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 3/12/2024 (Info 836).
JULGADOS EM DESTAQUE 27
DIREITO EMPRESARIAL
Compete ao Juízo universal da falência dispor sobre os bens da massa falida e dos seus sócios 
sujeitos a medidas assecuratórias no Juízo criminal
Caso adaptado: A G.A.S. Consultoria e Tecnologia Ltda. era uma empresa que prometia altos 
rendimentos em investimentos em criptomoedas. Após investigações da Polícia Federal, 
descobriu-se que o negócio funcionava como uma pirâmide financeira, resultando em denúncia 
do Ministério Público Federal por crimes como gestão

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