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PLANO DE TRABALHO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO II DO CURSO DE ENFERMAGEM TEMA: TERRITORIALIZAÇÃO Clediana Lima Langner Prof. Catiana Pavanello Sumário 1. INTRODUÇÃO - TERRITORIALIZAÇÃO ...................................................................................................... 3 2. MAPA DO TERRITÓRIO E TERRITORIALIZAÇÃO ....................................................................................... 6 3. REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 15 1. INTRODUÇÃO - TERRITORIALIZAÇÃO Para entendermos o que é a territorialização, é importante que primeiramente seja compreendido o conceito de território e das áreas de risco. Território é a de um espaço geográfico delimitado por divisões administrativas, que hoje dão origem a comunidades, bairros, cidades, estados e países. A palavra território significa terra que pertence a alguém. Qualquer espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder se caracteriza como território. Cada território tem as suas particularidades, que configuram diferentes perfis demográficos, epidemiológicos, econômicos, sociais, culturais e políticos, ocupacionais os quais se encontram em constante desenvolvimento e crescimento regional. Assim, a atuação das equipes de saúde sobre esse território deve se considerar esses perfis e essas mudanças. Os profissionais de saúde que atuam na Atenção Básica devem se apropriar dessas características, precisam dialogar com os moradores e usuários para que tenham poder de atuação sobre a realidade onde atuam e à qual também pertencem Já os riscos são inerentes à condição humana, ou seja, fazem parte da nossa vida. Estão por toda parte, em todo lugar, porém distribuídos de maneira diferente, na sua pluralidade em cada território. As áreas de risco são partes de um determinado território que, por suas características, apresentam mais chances de que algo indesejado aconteça. “Risco é a probabilidade ou chance de lesão ou morte”. (Sanders e McCormick, 1993, p.675). A definição da área de risco pode variar conforme o que seja esse algo indesejado. Para a Defesa Civil, por exemplo, trata-se de locais com maior risco de enchentes ou desmoronamentos. Na Estratégia de Saúde da Família (ESF), consideramos como de risco as áreas em que os moradores, de maneira geral, têm seus níveis de saúde inferiores aos do restante da população do território, apresentam mais chances de adoecer ou, ainda, quando têm a mesma doença que pessoas de outro local, desenvolvem-na em maior gravidade ou com maiores complicações. A presença de um maior número dessas características corresponde a maior risco para a população. A territorialização em saúde é denominada como o processo de reconhecimento do território. Pode ser visto como uma prática, um modo de fazer, uma técnica que possibilita o reconhecimento do ambiente, das condições de vida e da situação de saúde da população de determinado território, assim como o acesso dessa população a ações e serviços de saúde, viabilizando o desenvolvimento de práticas de saúde voltadas à realidade cotidiana das pessoas (COLUSSI; PEREIRA, 2016). O processo de territorialização será capaz de induzir as transformações desejadas quando concebido e praticado de maneira ampla: · Um processo de habitar e vivenciar um território. · Uma técnica e um método de obtenção e análise de informações sobre as condições de vida e saúde de populações. · Um instrumento para se entender os contextos de uso do território em todos os níveis das atividades humanas (econômicos, sociais, culturais, políticos etc.) · “Um caminho metodológico de aproximação e análise sucessivas da realidade para a produção social da saúde” (GODIM, 2011, p.199) Cabe destacar que o processo de territorialização ocorre simultaneamente as demais atividades das equipes, ou seja, deve ser incorporado na sua rotina. Pense que, ao sair no território para realizar uma visita domiciliar, por exemplo, você já pode coletar e registrar informações a partir da sua observação durante o trajeto. Para a realização dessa atividade, considere a situação hipotética a seguir: 1.1 Apresentação da Unidade Saúde da Família- Cambé II A Unidade Saúde da Família (USF) Cambé II está localizada no município de Cambé-RS. Sua população é de 3.800 habitantes. A estimativa de renda familiar da comunidade corresponde a aproximadamente 2 salários mínimos. Dos aspectos sociais relevantes, não há área de invasão na região; 502 famílias são cadastradas nos programas sociais. Todas as moradias são de tijolos e possuem energia elétrica nos domicílios, com coleta urbana para o lixo, abastecimento de água feito pela rede pública e possui rede de esgoto. Dentre as condições crônicas de saúde mais frequentes da população de abrangência da USF, destacam-se: 391 pessoas (10,3%) hipertensas, 91 pessoas (2,7%) diabéticos, 64 pessoas (1,7%) com sofrimento mental, 34 pessoas (0,9%) asmáticas, 34 pessoas (0,9%) envolvidas com problemas de alcoolismo e 26 pessoas (0,7%) acamados ou classificados como idosos frágeis. No entanto, apenas uma pequena parte da agenda da equipe é destinada a consultas referentes às ações planejadas de uma demanda estruturada e baseada nos programas de puericultura, pré-natal, saúde mental, hipertensos e diabéticos, e as visitas domiciliares. As condições agudas são o foco das atividades da Unidade, e a agenda é reservada, na sua grande maioria, ao atendimento de demanda espontânea que visa a “medicalização dos problemas” e a solicitação de exames. A equipe trabalha, portanto, com uma demanda espontânea sobrecarregada que visa atender a uma população ainda fortemente influenciada pela cultura curativa em saúde. Você, foi nomeado para assumir as atividades como enfermeiro(a) coordenador(a) nessa Unidade Saúde da Família e tem um grande desafio pela frente. Vamos lá?! Agora é com você! 2. MAPA DO TERRITÓRIO E TERRITORIALIZAÇÃO 2.1 Atividades A partir dos dados apresentados na situação hipotética, realize as atividades a seguir: 1. Qual a importância da territorialização para o trabalho das equipes da APS? Justifique. A territorialização é um conceito fundamental no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS) e desempenha um papel crucial no trabalho das equipes que atuam nessa área. A seguir, segue algumas razões pelas quais a territorialização é importante para o trabalho das equipes da APS: · Conhecimento da População: A territorialização permite que as equipes conheçam profundamente a população sob sua responsabilidade. Ao delimitar uma área geográfica específica, os profissionais de saúde podem identificar as características demográficas, epidemiológicas e socioeconômicas da população local. · cobertura mais abrangente. Isso é crucial para assegurar que todos os membros da comunidade tenham acesso aos cuidados de saúde necessários. · Vínculo com a Comunidade: A territorialização facilita o estabelecimento de vínculos entre as equipes de saúde e a comunidade local. O conhecimento dos territórios permite uma abordagem mais personalizada e centrada no paciente, contribuindo para o fortalecimento da relação de confiança entre profissionais de saúde e usuários. · Prevenção e Controle de Doenças: Com base no entendimento das condições de vida e saúde da população, as equipes podem desenvolver estratégias mais eficazes para a prevenção e controle de doenças. Isso inclui campanhas de vacinação, rastreamento de doenças crônicas e promoção de hábitos saudáveis. · Gestão de Recursos: A territorialização facilita a gestão eficiente dos recursos disponíveis, permitindo que as equipes priorizem áreas com maior demanda e necessidade. Isso é crucial, especialmente em ambientes onde os recursos são limitados. · Monitoramento e Avaliação: O acompanhamento das condições de saúdeda população ao longo do tempo torna-se mais efetivo com a territorialização. As equipes podem avaliar o impacto de suas intervenções, ajustar estratégias e melhorar continuamente a qualidade dos serviços prestados. Portanto, a territorialização na APS não apenas fornece uma visão mais holística da saúde da comunidade, mas também orienta ações específicas e personalizadas, promovendo a efetividade e a eficiência no cuidado à saúde. 2. Diante da situação hipotética, com relação a Unidade Saúde da Família- Cambé II, elabore no mapa abaixo a distribuição das microáreas e identifique a área de abrangência e área de influência dessa unidade. Identifique quantos Agentes Comunitários de Saúde serão necessários para atender essa população. (Relembrando que a área de abrangência da USF é de 3.800 habitantes, cada microárea é composta por 750 habitantes e cada quadra contém 20 casas, com 5 habitantes em cada uma). 3. Como Enfermeiro eu elaboraria a distribuição das microáreas da seguinte forma: 1. Identificação da Área de Abrangência: A área de abrangência da USF seria a região geográfica apontada no mapa com um total de 3.800 habitantes. 2. Cálculo de Microáreas: Eu adotaria o calculo para definir as microáreas da seguinte forma: População total ÷ Quantidade de habitantes em cada microárea (3.800 ÷ 750) = 6 microáreas para determinar quantas microáreas seriam necessárias. Nesta hipótese seriam SEIS Microárea, uma vez que cada agente comunitário deve atender no máximo 750 pessoas. 3. Definição de Quadras: Considerando que cada quadra contém 20 casas e 5 habitantes em cada casa, nesta hipótese cada microárea seria composta por sete quadras e meia (7,5 quadras) 4. Distribuição Geográfica: Eu utilizaria o critério geográfico para delimitação das microáreas, obedecendo o número de quadras e o correspondente quantitativo populacional, abrangendo ruas e bairros contíguos, ou ainda limites naturais quando existentes. 5. Identificação de Agentes Comunitários de Saúde (ACS): Considerando que cada ACS geralmente é responsável por uma determinada quantidade de famílias, e que isso pode variar com base na complexidade da comunidade e nas necessidades de saúde, eu presumo de maneira hipotética que seriam necessários em média 1 Agente Comunitários de Saúde para cada microárea, totalizando 6 agentes. 6. Área de Influência: Com base no mapa abaixo a área de influencia pode ser considerada a área após a rodovia ou ainda os bairros vizinhos menos populosos, pois a área de influência pode ser considerada como a área geográfica na qual a USF exerce impacto direto em termos de prestação de serviços de saúde. Isso geralmente é delimitado pelas microáreas e pode ser estendido dependendo das características específicas da comunidade. 4. Agora, você, enfermeiro (a) da USF, após elaborar o mapeamento das microáreas e da área de abrangência, deverá organizar como será realizado o processo de territorialização baseado nas 3 fases: preparatória ou de planejamento, coleta de dados/informações e de análise dos dados. Com base nos conhecimentos adquiridos na disciplina e a o longo do curso de enfermagem, eu como enfermeiro desenvolveria o trabalho relativo ao processo de territorialização da seguinte maneira: 1. Fase Preparatória ou de Planejamento: a. Definição de Objetivos: · Estabeleceria os objetivos específicos da territorialização, como identificar grupos de risco, mapear necessidades de saúde ou planejar intervenções preventivas. b. Formação da Equipe: · Eu constituiria uma equipe multidisciplinar, envolvendo enfermeiros, médicos, agentes comunitários de saúde, entre outros profissionais, para garantir uma abordagem abrangente da realidade da comunidade e de seus problemas principais. c. Divisão de Responsabilidades: · Eu distribuiria tarefas entre os membros da equipe, definindo claramente quem será responsável pela coleta de dados, análise e elaboração de estratégias e diretrizes principais. d. Elaboração de Instrumentos: Eu também buscaria utilizar, sempre que possível, instrumentos padronizados para coleta de dados, levando em consideração indicadores epidemiológicos, sociais e demográficos daquela região, quando dispiníveis. e. Definição de Critérios de Microáreas: A partir disso, penso que o próximo passo seria estabelecer critérios para a delimitação das microáreas, considerando fatores como densidade populacional, características socioeconômicas e geográficas. f. Sensibilização da Comunidade: Acredito que seria muito importante também, realizar ações de sensibilização junto à comunidade, explicando os objetivos da territorialização e solicitando a colaboração da população. 2. Fase de Coleta de Dados/Informações: a. Visitas de Reconhecimento: Nesta fase, como Enfermeiro, eu coordenaria as ações de visitas prévias às microáreas para compreender a dinâmica local, identificando lideranças comunitárias e estabelecendo contato com os moradores. b. Entrevistas e Questionários: Também seriam realizadas entrevistas estruturadas ou aplicação de questionários para obter informações sobre condições de saúde, hábitos de vida, acesso a serviços de saúde, entre outros. c. Mapeamento de Recursos Locais: Eu atuaria ainda na Identificação de recursos locais, como escolas, igrejas e associações comunitárias, que pudessem ser parceiros na promoção da saúde. d. Registro de Dados Georreferenciados: Sempre que possível a utilização de tecnologias de georreferenciamento para registrar informações de forma espacial, facilitando a visualização e análise dos dados, este recurso poderia ser utilizado. e. Registro de Condições Ambientais: O registro de condições ambientais que pudessem impactar a saúde, como saneamento básico, qualidade da água e presença de vetores de doenças deveria ser cuidadosamente realizado. 3. Fase de Análise dos Dados: a. Avaliação Epidemiológica: Como Enfermeiro eu realizaria (talvez conjuntamente com outros profissionais da saúde) uma análise epidemiológica dos dados coletados para identificar padrões de morbidade, mortalidade e fatores de risco na população. b. Identificação de Prioridades: Seriam priorizadas as necessidades de saúde identificadas, considerando a gravidade, prevalência e possibilidade de intervenção. c. Elaboração de Estratégias: Com base nas análises, penso que deveriam ser desenvolvidas estratégias específicas para cada microárea, incluindo ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e intervenções terapêuticas. d. Feedback à Comunidade: Compartilhar os resultados da territorialização com a comunidade, promovendo a transparência e incentivando a participação ativa na promoção da saúde, também não poderia deixar de ser realizado, promovendo um retorno às pessoas e fomentando um sentimento de pertencimento. e. Revisão e Atualização: Acredito que seja muito importante estabelecer um ciclo de revisão periódica do processo de territorialização, considerando mudanças na população, no ambiente e nas condições de saúde para manter uma abordagem humanizada e direcionada às necessidades específicas de cada microárea da área de abrangência. 5. De acordo com o mapa abaixo, quais locais estratégicos poderiam ser realizados ações em saúde para a comunidade? Descreva essas ações em saúde. Os locais estratégicos seriam: · Praça Céu – Centro de artes e esportes Por ser local público e estar em poder da gestão municipal, podendo ser explorados e realizadas ações de divulgação das campanhas e eventos vinculados a saúde que traga promoção, prevenção e melhorias para a comunidade. Além disso, a UBS Cambé II precisaria atuar como local de atendimento e monitoramento constante das questões de saúde coletiva. Alternativamente a Paróquia Cristo Rei, caso aceitasse participar de alguma ação, também poderia ser um local a ser considerado como meio de alcançar a população com grupo de mães e encontros jovens. 3. REFERÊNCIAS COLUSSI, C. F.; PEREIRA,K. G. Territorialização como instrumento do planejamento local na Atenção Básica [Recurso eletrônico]. - Florianópolis: UFSC, 2016. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/13957/1/TERRITORIALIZACAO_LIVRO.pdSANDERS, M.S.; McCORMICK, E. J. Human Error, Accidents, and Safety. In: SANDERS, M.S.; McCORMICK, E. J. Human Factors in Engineering and Design. 7th ed. New Yo rk: McGraw-Hill, 1993. chap. 20, p. 655 - 695. image3.jpg image5.jpeg image1.jpeg image2.jpg image3.jpeg image4.png image30.png