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A diferença de tutela e a adoção O que é TUTELA? A tutela de filhos menores, declarada por um juiz, serve para que uma criança ou adolescente tenha alguém que o proteja e o represente na sociedade civil quando ocorre o falecimento dos pais ou em caso da perda do poder familiar. A tutela, ao contrário da guarda, pressupõe a prévia destituição ou suspensão do poder familiar dos pais. O código civil dispõe em seu artigo 1731, acerca da tutela legítima que: Art. 1.731. Em falta de tutor nomeado pelos pais incumbe a tutela aos parentes consanguíneos do menor, por esta ordem: I – aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto; Ii – aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos aos mais remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer dos casos, o juiz escolherá entre eles o mais apto a exercer a tutela em benefício do menor. A doutrina também leva em consideração o melhor interesse do menor. Importante: outra possibilidade é a tutela dativa que se dá quando não há possibilidade de tutela testamentária ou tutela legítima. A tutela dativa ocorre em casos nos quais os pais perdem o poder familiar e não há ninguém mais que possa ficar com o menor, ficando este em situação de abandono. Ao assumir o papel de tutor, este fica obrigado a acolher o menor, fornecendo alimentação, vestuário, educação e tudo o mais que for necessário para o seu desenvolvimento até que ele atinja a maioridade. Importante: os tutores são obrigados a prestar contas do encargo e respondem pelos prejuízos que por culpa ou dolo vierem a causar ao menor. Quem pode ser tutor de menor? Os pais têm o direito de nomear um tutor em vida, sendo que a nomeação deve constar em testamento ou em algum outro documento válido, mas esta não é uma prática. Na falta de um tutor nomeado pelos pais, a tutela será concedida aos parentes consanguíneos do menor. Primeiramente aos avós e depois aos irmãos, tios etc. Contudo, o juiz pode determinar um outro tutor caso o tutor legítimo ou tutor testamentário não estiver apto ou não seja considerado idôneo. OQue é adoção de crianças e adolescentes? A adoção é o ato pelo qual se cria um vínculo de filiação, que até então não existe pois não há laços genéticos ou sanguíneos. A adoção, é forma mais abrangente de colocação em família substituta. A adoção é uma forma alternativa de proteger crianças e adolescentes quando seus pais são perdem o poder familiar. A adoção é diferente da tutela? Sim, pois gera um vínculo de filiação entre o adotante e o adotado ao contrário da tutela. A adoção é uma medida excepcional de inserção da criança ou do adolescente em uma família substituta, quando não há mais nenhuma possibilidade de mantê-los no com algum familiar. Infelizmente, temos uma triste realidade sobre adoção no brasil! Segundo o cadastro do SNA (sistema nacional de adoção e acolhimento), há um total de 34,4 mil pretendentes dispostos a adotar, 2 mil em processo de adoção e 9,8 mil que já adotaram alguma vez. Mesmo com o elevado número de interessados, ainda há 5 mil crianças e adolescentes disponíveis. A diferença se deve, principalmente, ao fato de que somente 0,3% desejam adotar adolescentes, que representam 77% do total. Neste contexto, das adoções realizadas, 51% foram de crianças com até 3 anos completos, 26% na faixa etária de 4 até 7 anos completos, 16% de 8 a 11 anos e 7% de adolescentes. A idade média dos adotados é de 4 anos e 11 meses, sendo que a média dos disponíveis é de 9 anos. Não é a burocracia que atrapalha, o que atrapalha é o perfil tão limitado dos pretendentes a adotar. Sancionado em julho de 1990, o ECA abriu caminho para a concretização do artigo 227 da constituição federal, que estabeleceu direitos e garantias fundamentais às crianças e aos adolescentes. Art. 227. É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (redação dada pela emenda constitucional nº 65, de 2010) Entre as disposições, o ECA especifica que é dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança e ao adolescente – com absoluta prioridade – direitos como a vida, saúde, alimentação, educação, respeito, liberdade e convivência familiar e comunitária. Quem pode adotar? Maiores de 18 anos independentemente do estado civil, desde que sejam pelo menos 16 anos mais velhos que o adotado. Em casos de adoção de crianças acima de 12 anos, será necessário o seu consentimento. Importante: em caso de adoção conjunta, é imprescindível que os adotantes sejam casados no civil ou mantenham união estável para comprovar estabilidade familiar. Divorciados e ex-companheiros só poderão adotar conjuntamente se: – o estágio de convivência com o adotado tenha iniciado no período de convivência do casal; – comprovada existência de vínculo de afinidade e afetividade com o não detentor da guarda; – acordo de guarda e regime de visitas. Quais são os requisitos para a adoção de menor? – inviabilidade da manutenção na família natural ou extensa; – vantagens para o adotado e legitimidade dos motivos do adotante; – consentimento dos pais do adotando e, sendo adolescente, também o dele; – sentença deferindo a adoção, proferida em processo judicial, após o obrigatório estágio de convivência do requerente e o menor; e – capacidade e legitimidade do adotante. Quero adotar uma criança da minha família, é necessário o estágio de convivência? A adoção impõe a substituição da filiação de uma pessoa, neste caso, o adotado, para torná-lo filho de outro homem, mulher ou casal, neste caso, os adotantes. O estágio de convivência só será dispensado se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante de modo que seja possível a avaliação da convivência da Constituição de vínculo entre as partes.