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TEMÁTICA 1 TEMA 1 -Declaração Universal dos Direitos Humanos 1. Os direitos humanos, devido à complexidade dos conceitos a eles inerentes, inspiram estudiosos de diversas searas do conhecimento a investigar o processo de universalização. Nesse contexto, é possível afirmar que a universalização dos direitos humanos, que culminou na DUDH, é fruto: C. do desenvolvimento social e jurídico. (De fato, a universalização dos direitos humanos é fruto de um processo complexo que resultou de muitos fatores. Entretanto, evidenciam-se os aspectos jurídicos e sociais: o reconhecimento jurídico consolidou-se a partir das transformações sociais, incluindo aquelas impulsionadas por movimentos sociais. Afirmar que se trata de uma imposição unilateral é incorreto. Diversos países do mundo contribuíram para o processo de elaboração dos termos. Afirmar a prevalência jurídica significa ignorar a importância do papel da cultura e o dos movimentos sociais, entre outros fatores importantes. Inexiste consenso global sem contestações: a concretização dos direitos humanos foi, e é, um processo dinâmico (não é perene), repleto de desafios e sujeito a debates.) 2. A DUDH elevou os direitos humanos a um novo paradigma: o reconhecimento dos direitos fundamentais enquanto fundamentos da justiça, da liberdade e da paz mundial, enfatizando a prevalência da igualdade entre as pessoas, a liberdade individual e o ideal democrático (Silva, 2020). Com base na Constituição Federal de 1988 e nos seus conhecimentos, assinale a alternativa correta. C. Os direitos fundamentais são aqueles reconhecidos pelo texto constitucional de um país. (Os direitos fundamentais são os direitos humanos formalmente inscritos no texto constitucional de um país. Além da igualdade material, a igualdade formal está incluída no rol dos direitos fundamentais. Tecnicamente, sabe-se que os direitos fundamentais podem constar em constituições independentemente da adesão formal à DUDH. Os direitos humanos são considerados universais, independentemente das legislações nacionais. A DUDH é um documento que pode ser alterado. ) 3. A DUDH, de 1948, “objetiva delinear uma ordem pública mundial fundada no respeito à dignidade humana, ao consagrar valores básicos universais” (Piovesan, 2021, n. p.). O documento se refere expressamente a: A. direitos de liberdade e de igualdade. (A DUDH trata dos direitos de liberdade e de igualdade em diversos artigos e no preâmbulo; faz referência aos direitos culturais, mas não expressamente à bioética nem ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.) 4. Para Flávia Piovesan (2021, n. p), “sem a efetividade dos direitos econômicos, sociais e culturais, os direitos civis e políticos se reduzem a meras categorias formais, enquanto, sem a realização dos direitos civis e políticos, ou seja, sem a efetividade da liberdade entendida em seu mais amplo sentido, os direitos econômicos, sociais e culturais carecem de verdadeira significação”. Em síntese, isso significa que os direitos humanos constituem um: D. complexo único, integral e indivisível. (De acordo com Piovesan (2021, n. p.), “todos os direitos humanos constituem um complexo integral, único e indivisível, no qual os diferentes direitos estão necessariamente inter-relacionados e são interdependentes entre si”. Afirmar que os direitos humanos podem ser divididos fere o princípio da indivisibilidade. Os direitos humanos são interdependentes e inter-relacionados (direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais estão interligados). A realização plena de um grupo de direitos depende do reconhecimento e efetivação dos outros, de modo que os direitos humanos constituem um complexo integral, único e indivisível.) 5. “A Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 vem a introduzir a chamada concepção contemporânea de direitos humanos, alicerçada na universalidade e na indivisibilidade desses direitos, tendo como fundamento ético o valor da dignidade humana” (Piovesan, 2021, n. p.). Com base no trecho transcrito e nos seus conhecimentos, pode-se considerar que os direitos humanos são: D. imprescritíveis. (Conforme André de Carvalho Ramos (2021, n. p.), “os direitos humanos são tidos como imprescritíveis, inalienáveis e indisponíveis (também chamados de irrenunciáveis), o que, em seu conjunto, compõe uma proteção de intangibilidade aos direitos tidos como essenciais a uma vida digna”. A penhorabilidade é um conceito aplicável a propriedades, e não a direitos humanos. Além disso, os direitos humanos são irrevogáveis, e podem ser individuais e coletivos. Nenhum direito é absoluto. Em algumas situações (como em colisão de direitos fundamentais e em situações de emergência), podem ocorrer restrições legítimas.) TEMA 2 - A evolução histórica dos direitos humanos 1. Existem diferenças significativas entre os conceitos de direitos dos homens, direitos fundamentais e direitos humanos, embora todos, em algum momento, foram e/ou são juridicamente reconhecidos. Nesse contexto, os direitos fundamentais estão relacionados: C. à previsão constitucional dos direitos das pessoas. (No melhor entendimento, os direitos fundamentais dizem respeito à previsão constitucional dos direitos das pessoas. É incorreto afirmar que dizem respeito à previsão civil dos direitos das pessoas, à previsão fundamental dos direitos civis, à previsão fundamental dos direitos das pessoas e ao reconhecimento global dos direitos civis: são afirmações tecnicamente inconsistentes. De fato, existe o reconhecimento global dos direitos civis, entretanto, a afirmativa afasta-se do contexto delineado no enunciado) 2 . A Magna Carta de 1215 representou um grande marco jurídico no que diz respeito ao combate aos excessos frequentes em governos absolutistas. Considerando-se o contexto histórico da época, na seara constitucional-penal, uma das garantias mais importantes entabuladas no documento foi: A. proporcionalidade entre delito e sanção. (Dentre essas ideias, a que mais se aproxima da seara penal, considerando-se o contexto histórico, é a proporcionalidade entre o delito e a sanção. Liberdade de locomoção, liberdade da Igreja e liberdades civis, embora possam aproximar-se da seara penal, estão distantes quando comparadas à necessidade de reconhecer (juridicamente) a necessidade de aplicar penas proporcionais aos delitos cometidos. Por fim, afirmar nexo causal entre prova, delito e sanção representa uma imprecisão técnica, pois o nexo causal é o liame entre a conduta e o dano) 3. Os direitos humanos, além de reconhecerem, protegem a dignidade de todas as pessoas. No decorrer da história, foram entabulados em diversas declarações. A primeira declaração contemporânea de direitos humanos foi elaborada durante: B. a Revolução Francesa. (A primeira declaração contemporânea de direitos humanos ocorreu durante a Revolução Francesa, em 1789.A Revolução Inglesa representou importantes avanços na seara econômica, mas não contém a primeira declaração contemporânea de direitos humanos. Afirmar que foi a Revolução de João Sem-Terra é incorreto. O correto é relembrar da Magna Carta de João Sem-Terra, um importante marco jurídico em favor do princípio do devido processo legal. Por fim, as revoluções russa e chinesa resultaram em importantes transformações jurídicas nos respectivos países.Entretanto, a primeira declaração contemporânea de direitos humanos foi elaborada durante a Revolução Francesa) 4. O constitucionalismo pressupõe a necessidade de estabelecer, em lei escrita, um rol mínimo de direitos humanos que devem ser observados por uma nação. São marcos jurídico-históricos importantes ao constitucionalismo: D. as constituições dos EUA (1787) e a da França (1791). (O nascimento do constitucionalismo está diretamente vinculado à percepção dos juristas no sentido de reconhecer a previsão legal de direitos e garantias fundamentais, limitando o poder do Estado.Nesse sentido, contextos mais favoráveis ao constitucionalismo vinculam-se à elaboração das constituições dos EUA (1787) e da França (1791).Na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais, nas revoluções russa, francesa e inglesa e na Grande Depressão, inexistia terreno suficientemente favorável ao constitucionalismo) 5. Ao longo da história brasileira, uma constituição destacou-se por ser a primeira a incorporar em seu texto os direitos econômicos e sociais. Trata-se da: C. Constituição de 1824. (A Constituição de 1934 foi a primeira que incorporou, em seu texto, direitos econômicos e sociais, inclusive inserindo os direitos trabalhistas.A Constituição do Império do Brasil, de 1824, foi a primeira no mundo a positivar os direitos do homem.Já a Constituição de 1891 trouxe direitos e garantias individuais, mas ambos focaram os direitos particulares do indivíduo, sem preocupação com os direitos sociais. A Constituição de 1967 ampliou os poderes do Poder Executivo e restringiu liberdades políticas. A Constituição de 1988 foi a responsável por efetivar plenamente os direitos fundamentais) TEMA 3 - A Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão 1.Os ideais iluministas influenciaram fortemente muitas pessoas que participaram ativamente da Revolução Francesa. Prioritariamente, o que os pensadores iluministas defendiam? B. Novas formas de organização política, rejeitando o absolutismo. (Os pensadores iluministas defendiam novas formas de organização política, econômica e social e rejeitavam enfaticamente os ideais absolutistas. Afastavam-se de conceitos e visões teocêntricos, monarquistas e absolutistas. As visões teocêntricas não são necessariamente provenientes de ideais democráticos. As concepções liberais não são provenientes dos ideais absolutistas.) 2.Para os franceses, a Revolução Francesa representava um ato de vontade popular voltado à reconstrução da relação entre a sociedade e o Estado em consonância com os direitos naturais (Douzinas, 2009). Nesse contexto, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão resultou na consagração normativa dos direitos humanos fundamentais. Assinale a alternativa que contém o fundamento do combate aos ideais absolutistas. D. Resistência à opressão. (Os ideais absolutistas estão fortemente vinculados à força do monarca. Nesse contexto, o princípio da igualdade é importante para combater privilégios; a liberdade religiosa, embora seja importante para a liberdade de consciência, não necessariamente afeta um sistema absolutista; a presunção de inocência não questiona a autoridade central do monarca; e a livre manifestação de pensamento não é necessariamente suficiente para contestar efetivamente o poder absoluto. Porém o direito (constitucionalmente reconhecido) à resistência contra a opressão oriunda do poder absoluto de um monarca possibilita o questionamento da legitimidade de um monarca que atue de forma temerária.) 3. Montesquieu foi um proeminente iluminista e teceu fortes críticas aos constructos absolutistas. Por isso, suas teorias, especialmente aquelas voltadas à filosofia política, influenciaram significativamente os revolucionários. Nesse contexto, o principal legado de Montesquieu consiste na defesa: A. da teoria da separação dos poderes. (O principal legado de Montesquieu consiste na defesa da teoria da separação dos poderes do Estado em Legislativo, Executivo e Judiciário. Portanto, é inadequado afirmar que Montesquieu defendeu a teoria da centralização dos poderes. O direito à liberdade de expressão, à propriedade privada e à liberdade religiosa, embora abordados por Montesquieu, guardam pouco vínculo com a filosofia política, quando comparados à teoria da separação dos poderes.) 4. Sob o ponto de vista jurídico, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é considerada um dos textos fundamentais da Revolução Francesa. Isso porque: E. o texto garantiu aos cidadãos direitos frente ao Estado. (A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é um dos textos fundamentais da Revolução Francesa por efetivar a ruptura com a política francesa de então. Composta por 17 artigos, serviu de estímulo para que os povos lutassem por seus direitos. Desde sua promulgação, os indivíduos obtiveram direitos frente ao Estado, que passou o dever de cuidar das necessidades de seu povo, sejam elas individuais ou coletivas, fazendo com que os cidadãos deixassem de ter apenas deveres em relação ao Estado. Na declaração referida, não há consagração da hegemonia do clero e/ou da burguesia e dos direitos feudais.) 5. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão tem em seu corpo princípios fundamentais à defesa dos direitos humanos. Dentre as alternativas, qual traz os princípios previstos na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão? C. Princípios da igualdade, liberdade, propriedade, segurança, resistência à opressão. (De acordo com Moraes (2011), a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão trouxe previsões como princípio da igualdade, liberdade, propriedade, segurança, resistência à opressão, entre outros. Os princípios da economia processual, do juiz natural, da inafastabilidade da jurisdição, da anterioridade da presunção da inocência (a redação correta é presunção de inocência), da simetria e do contraditório não constam explicitamente no texto da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.) TEMÁTICA 2 TEMA 1 - Cultura e multiculturalismo. 1. Em relação à compreensão do homem como ser cultural, podemos afirmar que: B. A cultura é o que distingue o ser humano dos demais seres. (A cultura é o que distingue o ser humano dos demais seres, como os animais. Enquanto sociedade, os animais também podem conviver e ter sociabilidades, mas aspectos exercidos ao longo da vida e com suas transformações, como a produção cultural, a comunicação, a troca e o trabalho, são especificamente humanos.) 2. Diversas ciências se ocupam do estudo do homem enquanto ser cultural, suas manifestações, distinções, comportamentos e interações. Sobre o tema, marque a alternativa correta. C. Antropologia Cultural é a área que estuda as características que distinguem as condutas dos seres humanos e sua cultura. (Diversas ciências se ocupam do estudo do homem enquanto ser cultural, suas manifestações, distinções, comportamentos e interações, como é o caso da Antropologia, da Sociologia e da Psicologia. Outras áreas, como a Arquitetura, a Letras, a Pedagogia e o Direito têm como objeto, manifestações próprias do ser humano, como a linguagem escrita e falada, o processo de ensino-aprendizagem, o desenvolvimento de técnicas, estruturas e ocupação, bem como o universo jurídico, tomando o direito como manifestação de uma cultura e sociedade, que se modifica ao longo do tempo. No campo de estudo da Antropologia, que é uma ciência que considera o homem em todas as suas dimensões, há uma área ou ramo específico, a qual se ocupa do estudo das manifestações culturais dos seres humanos. Trata-se da Antropologia Cultural, que estuda as características que distinguem as condutas dos seres humanos, e os faz identificar ou pertencer a uma mesma cultura, considerando os diferentes tempos e espaços de presença humana.) 3. Marque a opção correta, considerando os conceitos e relações existentes entre cultura e tradição: D. A palavra tradição é mais dinâmica do que parece à primeira vista. Traditio, em latim, é a ação de entregar, de transmitir algo a alguém, de confiar algo valioso a outra pessoa. (A partir da compreensão do ser humano como ser cultural, verificamos que o conceito de cultura é de fundamental importância, assim como o de tradição. Isto porque ambos se relacionam no que diz respeito à transmissão de conhecimentos, práticas e comportamentos entre gerações. Com o passar do tempo, a palavra cultura foi colocada de modo análogo entre o cuidado na construção e tratamento do plantio, com o desenvolvimento das capacidadesintelectuais e educacionais das pessoas. A palavra tradição é mais dinâmica do que parece à primeira vista. Traditio, em latim, é a ação de entregar, de transmitir algo a alguém, de confiar algo valioso a outra pessoa. Os termos cultura e tradição possuem diferentes usos na linguagem falada, coloquial. É importante observar que os campos da Sociologia e da Antropologia possuem uma conceituação própria, específica, como produto da manifestação e construção humana, constituindo-se um conjunto de bens materiais e imateriais produzidos. A relação entre cultura e tradição coloca-se a partir de uma visão de manifestação humana e comportamento tipíco do homem, como as lendas, as crenças e os costumes. Elementos da tradição, como formas de se vestir, ritos de passagem, organização de trabalhos, cerimônias e religiões podem passar a fazer parte de uma dada cultura.) 4. Em relação aos aspectos culturais em interface com o campo do Direito, é correto afirmar que: E. Os fatores culturais e da tradição estão relacionados à evolução do Direito, bem como à suas fontes. (Cada povo tem sua peculiaridade, sua tendência ou dom natural. A maior evidência de ser o Direito uma manifestação de cultura social, um fenômeno cultural, está no fato de surgirem novos ramos do Direito à medida que se expande o mundo cultural do povo. Assim, no campo do Direito, os fatores culturais e da tradição estão relacionados à evolução do Direito, bem como à suas fontes. De acordo com Sergio Cavalieri Filho (2015), ao considerar a concepção sociológica do Direito como produto de múltiplas influências sociais, vivenciamos regras sujeitas a constantes modificações, porque se originam dos grupos sociais, que também se transformam ao longo do tempo. Assim, dentre os principais fatores que concorrem para a evolução do Direito, o autor elenca: fatores econômicos, políticos, culturais e religiosos. O costume é considerado uma fonte do Direito, ao lado de outras como a lei e a jurisprudência, lembrando que o Direito se modifica à medida que a sociedade e o homem também são modificados.) 5. Considerando a formação, diversidade e pluralidade da cultura no Brasil, assinale a alternativa correta: D. Pode-se afirmar que a população do Brasil e sua diversidade é formada por indígenas, europeus, negros africanos e afro-brasileiros. (O antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, ao abordar a história do Brasil e a formação do povo brasileiro, apresenta aspectos-chave para compreender a formação étnica e cultural do Brasil. É preciso compreender que, para além da rica mistura cultural, também ocorreu um processo histórico violento e opressor em relação às etnias indígenas e à população negra (povos africanos e afro-brasileiros). Ambas foram escravizadas e tiveram suas culturas oprimidas, por meio de estratégias de separação de populações que não puderam preservar seu patrimônio cultural. Assim, o africano que chegou forçadamente ao Brasil teve sua identidade negada e marginalizada. Para o antropólogo, a contribuição da cultura negra para a identidade brasileira estaria principalmente nas crenças religiosas, na música e na gastronomia. Em linhas gerais, podemos dizer que a população do Brasil é formada por indígenas, europeus e negros (africanos e afro- brasileiros); diferentes grupos étnicos que aqui já habitavam, como é o caso das populações indígenas, e outros que aqui chegaram, com objetivo exploratório. Membros da comunidade africana foram trazidos violentamente ao Brasil no processo de colonização e submetidos a trabalhos forçados e escravos. Muito resistiram e imprimiram sua cultura no Brasil, como a comida, música e arte. A Constituição Federal de 1988, ao tratar do direito à cultura, em seu artigo 215, visou proteger as diferentes manifestações e patrimônios culturais que integram a formação social do país, ao afirmar que o Estado apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais e que protegerá as manifestações das culturas populares indígenas e afro-brasileiras, assim como de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional. Além disso, a Carta Magna reconhece como patrimônio cultural brasileiro os bens materiais e imateriais, como o próprio conceito de cultura nos informa, incluindo ações e memória dos diferentes grupos em relação às formas de expressão, modos de criar e viver, criações científicas e artísticas, obras, objetos, documentos e edificações, dentre outros, definidos no artigo 216.) TEMATICA 2 - CULTURA BRASILEIRA 1. A cultura brasileira é formada a partir da influência de diversos povos. Apesar de não se poder identificar absolutamente todos, é possível elencar três influências mais importantes para a cultura brasileira. Quais são elas? C. Portuguesa, indígena e africana. (As principais são: portuguesa, indígena e africana. A influência árabe, apesar de existir — já que os climas são muito parecidos —, acaba sendo irrisória. A influência espanhola existe, já que a ibérica ainda é muito forte na América do Sul, porém, ainda não está entre as mais importantes, já que o Brasil foi colonizado por portugueses. As influências alemã, italiana e polonesa existem mais ao sul do país, porém, também têm pouca relevância no cenário do Brasil.) 2. As influências culturais no Brasil são muitas. Os colonizadores portugueses eram as principais referências europeias. Em certo momento, o Brasil começou a receber novos imigrantes. Qual foi o acontecimento que permitiu isso? A. A mudança da família real para o Brasil e a abertura dos portos para o comércio exterior. (A mudança da família real para o Brasil e a abertura dos portos para o comércio exterior atraíram muitos comerciantes europeus, aumentando a imigração e os registros a respeito do país. A abolição da escravatura teve influência na maior difusão da cultura africana, mas não no aumento da imigração. A Semana de Arte Moderna de 1922 não teve influência no aumento da imigração. O descobrimento do Brasil foi o início da influência europeia no Brasil, mas trouxe apenas imigrantes portugueses. A catequização dos indígenas não atraiu mais imigrantes.) 3. Um dos principais pilares da cultura brasileira é a influência das tradições indígenas. A respeito da influência indígena na cultura do Brasil, é correto afirmar que: A. ainda existem nos brasileiros os traços da cultura indígena, no artesanato, no folclore e na culinária, por exemplo. (A cultura brasileira ainda tem muitos traços da indígena nos utensílios de artesanato, no folclore, na culinária e na língua. Apesar de uma parte ter sido diluída pela catequização, muita coisa ainda está presente. Os indígenas brasileiros não desenvolveram a escrita, porém, sua cultura se difundiu passando por gerações. Não existem registros da arquitetura indígena pré-descobrimento, portanto, não há certeza sobre suas técnicas e materialidade. ) 4. O Brasil foi colônia de Portugal por muito tempo. Após sua independência, ainda contava com a presença da família real portuguesa. Assim, é natural que nossa cultura tenha muita influência europeia. No início do século XX, a elite cultural brasileira — que estudou na Europa —, voltou para o Brasil com o intuito de implantar as ideias vanguardistas que estavam em vigor na Europa. Sendo assim, organizaram a Semana de Arte Moderna de 1922. Sobre a Semana de Arte Moderna de 1922, é correto afirmar que: E. incentivava o nacionalismo. (A Semana de Arte Moderna de 1922 tinha como objetivo a criação de uma arte moderna tipicamente brasileira. Assim, tinha grande desejo de influenciar o nacionalismo. O modernismo europeu incentivava a obra genérica, entretanto, a adaptação brasileira buscava uma autenticidade nacional. Assim como as vanguardas europeias, era contra o que se produzia na academia e negava a referência histórica. Sendo assim, se afastava da influência do barroco.) 5. O desenvolvimento das vanguardas artísticas no início do século XX se espalhoupor todo o Brasil. A consolidação do modernismo brasileiro trouxe, também, o surgimento de algumas correntes que se diferenciavam entre si. O Manifesto regionalista, de Gilberto Freyre, é a expressão de uma dessas correntes. C. dizia que o caminho para o nacionalismo era a autonomia para as regiões. (Gilberto Freyre admitia que a busca por uma identidade nacional deveria passar, obrigatoriamente, pelo regionalismo, ou seja, defendia que cada região tivesse autonomia para desenvolver suas características próprias. Não buscava reproduzir influências europeias, mas desenvolver uma autenticidade de cada região brasileira. Assumia que a unidade universal não existia só por meio da autonomia das regiões. Não queria generalizar as influências históricas, nem homogeneizar as manifestações.) TEMA 3 – Cidadania e problemas sociais 1. O cientista político brasileiro Leonardo Avritzer, no artigo "Democracia e os dilemas da cidadania no Brasil", analisa como a qualidade democrática pode impactar a cidadania, sua extensão e efetividade. Para o autor, a participação política e a qualidade democrática são também fatores que expressam o exercício da cidadania (Avritzer, 2002). Considerando a dinâmica entre a qualidade democrática e a cidadania, é uma expressão de dilema da cidadania brasileira: I. a expansão dos direitos sociais e a garantia de acesso a serviços básicos para toda a população; II. a consolidação da participação política e a representação dos diversos grupos sociais; III. a conciliação entre os direitos individuais e os direitos coletivos; IV. a superação das desigualdades sociais e a construção de uma sociedade mais justa; V. a crescente desconfiança em relação às instituições políticas e à participação política. Está correto apenas o que se afirma em: E. III, IV e V. (A afirmativa I está incorreta, pois a expansão dos direitos sociais é um objetivo fundamental da democracia, mas não representa um dilema. A afirmativa II está incorreta, pois a consolidação da participação política e a representação dos diversos grupos sociais são essenciais para a democracia e não constituem um dilema em si. A afirmativa III está correta, pois a conciliação entre direitos individuais e coletivos é um desafio constante em diferentes democracias. A afirmativa IV está correta, pois a superação das desigualdades sociais é um objetivo fundamental da democracia. A afirmativa V está correta, pois a crescente desconfiança em relação às instituições políticas e à participação política é um fenômeno comum em muitas democracias contemporâneas.) 2. O preconceito e a segregação são considerados formas de violência, pois, ao estabelecerem hierarquias entre indivíduos e grupos sociais, fragmentam a comunidade e impedem a construção de um espaço público inclusivo. Considerando as proposições de Hannah Arendt sobre a violência, e o preconceito como uma violência, é possível apreender que, ao negar a humanidade do outro, o preconceito legitima a violência e a exclusão, perpetuando ciclos de dominação e submissão. Arendt alerta para os perigos da banalização da violência e da perda do sentido de responsabilidade individual e coletiva sobre essa expressão. Segundo Hannah Arendt, em sua obra Da violência (1970), a violência é caracterizada por se configurar como: D. uma força que destrói o mundo comum e a possibilidade de ação política. (Para Arendt, a violência é vista como uma força destrutiva que ameaça a própria possibilidade de ação política, sendo esse um de seus maiores perigos. A autora diferencia poder e violência, não os considerando intrinsecamente ligados. Por outro lado, não considera a violência um meio legítimo de resolução de conflitos. Também não defende a ideia de que a violência seja inerente à natureza humana. A violência pode, de fato, alcançar fins políticos, como no caso dos totalitarismos, mas não é um fim em si mesma, pois o objetivo é o poder, não a violência em si.) 3. A violência nem sempre se caracteriza por agressão física ou cerceamento de liberdade. Ela pode ser encontrada em outras formas de ação que revelem poderes assimétricos e a busca por reproduzir, fortalecer ou difundir um tipo de poder ou privilegiar um grupo social que expressa formas simbólicas de poder. De acordo com Pierre Bourdieu (1989), a violência pode ser simbólica, mas isso não significa que implique efeitos menos nocivos. Para Pierre Bourdieu, a violência simbólica se caracteriza como: D. um mecanismo sutil de dominação que naturaliza as desigualdades sociais. (Para Bourdieu, a violência simbólica é um mecanismo sutil de dominação que não se expressa pela agressão ou coerção, mas pela reprodução ideológica de valores que podem colaborar para a segregação de grupos sociais determinados ou para a manutenção de poder sobre outros. Assim, a violência simbólica não é necessariamente física. Ela afeta todas as classes sociais e causa danos psicológicos e sociais significativos.) 4. As desigualdades sociais comportam formas múltiplas, distintas e multidimensionais de segregação, que condicionam a vida de determinados grupos sociais a partir de características como classe, origem ou raça. As condições que expressam as desigualdades, se não há intervenção para a equidade, se tornam formas de perpetuação da violência. Qual das alternativas a seguir apresenta uma definição mais abrangente e complexa de violência, considerando diferentes perspectivas teóricas? A. A violência é um fenômeno social complexo que pode se manifestar de diversas formas, incluindo a física, a psicológica, a simbólica e a estrutural. (A violência é diversa, multidimensional e multifacetada, e não se restringe à agressão física, contemplando formas de afetar os direitos sociais, civis e políticos, assim como a integridade física, psicológica, emocional e patrimonial de uma pessoa. Portanto, o conceito de violência deve considerar outras formas de violência, além da física. A violência é uma ação orientada também com a intenção de causar sofrimento, mas há outros objetivos, como a busca por poder, a manutenção de privilégios, etc. Assim, a violência pode ter diferentes formas. Não está na natureza, mas é uma expressão humana. Pode acontecer em uma situação de injustiça, e essa situação é juridicamente reconhecida, no entanto, não é a única forma.) 5. A Constituição Federal de 1988, ao garantir direitos atrelados à ideia de cidadania, busca promover a inclusão social, a participação democrática e o combate à marginalização, acolhendo a pluralidade social em suas diversas expressões, da diversidade étnica e religiosa até as múltiplas percepções políticas e a diversidade de identidades. Nesse contexto, como a cidadania efetiva pode contribuir para minimizar as situações de marginalização e exclusão, especialmente no que diz respeito à população idosa? D. Por meio da promoção de políticas públicas que incentivem sua participação social. (A valorização da experiência e do conhecimento dos idosos é um exemplo de conteúdo de política pública que pode incentivar a participação social e a integração da pessoa idosa à comunidade, elementos fundamentais para a cidadania efetiva desse grupo social. A educação básica é importante e pode influenciar a integração de pessoas idosas, mas não é o fator determinante do processo. A saúde é importante, mas não é a única dimensão da cidadania. Restringir o trabalho dos idosos não é producente. A assistência financeira é importante, mas a cidadania envolve mais do que apenas a garantia de subsistência.) TEMÁTICA 3 TEMA 1 – A cultura brasileira como miscigenação 1. Segundo Roberto da Matta (1986), no Brasil, por muito tempo vigorou a existência do chamado mito do triângulo racial. De acordo com esse autor, não é possível negar o mito, que na prática: B. compreende criticamente que o Brasil é formado por três matrizes étnicas e propõe uma ação reflexiva sobre os preconceitos na sociedade. (Robertoda Matta parte do mito do triângulo racial para pensar os preconceitos da sociedade brasileira, ou seja, para pensar o mito a partir do que ele esconde.) 2. O Brasil é um país rico em sua diversidade cultural. Pode-se dizer que a cultura brasileira é complexa devido às várias etnias que aqui se estabeleceram. Um dos pontos centrais acerca da cultura brasileira, no que tange à religião, é: C. O sincretismo religioso. Em outros termos, é a mistura de diferentes elementos religiosos como, por exemplo, o catolicismo e as divindades africanas. (Temos uma religiosidade apoiada no sincretismo religioso. Nosso catolicismo, por exemplo, tem influência dos ritos africanos e indígenas.) 3. A manutenção da identidade de um grupo está relacionada com o cultivo de aspectos culturais práticos. Selecione abaixo a alternativa que melhor descrevem características culturais importantes em um povo: B. Os costumes e as tradições como comemorações que evocam as memórias coletivas ou reforçam mitos que constituem o arcabouço interpretativo do grupo. (A cultura é sempre prática. Assim, é nas práticas carregadas de significados para o grupo que a cultura alicerça sua presença.) 4. Sobre a diferença entre raça e etnia, é correto afirmar: C. O conceito de raça está relacionado aos aspectos biológicos e físicos. O conceito de etnia está relacionado às características culturais de um determinado povo. (O conceito de raça é biológico. Não há raças humanas. Temos etnias, que correspondem às características culturais e somáticas de um grupo social.) 5. A identidade de determinado país como, por exemplo, o Brasil, constrói-se de que forma? D. A identidade de um país é algo amplo. Envolve aspectos culturais, memória coletiva, política, aspectos socioeconômicos, modos de vida, cotidiano, celebrações, festas, dados estatísticos, dentre outros. (A identidade de um país é construída por políticas de formação de identidade que se fazem a partir de políticas públicas e culturais, as quais se compõem de vivências e memórias dos grupos sociais e de instituições, como escola, forças armadas e outras que ordinariamente formam a identidade nacional.)