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Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos PR IN CÍ PI O S D E D ES IG N IN ST RU CI O N A L - E D U 62 1 - 4 .1 Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 2/12 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer as etapas e modelos da prática do Design Instrucional • Entender o modelo ADDIE. Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos Conteúdo organizado por Deborah Costa e Zuleica Ramos Tani em 2022 do livro Design Instrucional na Prática, publicado em 2008 por Andrea Filatro, pela editora Pearson Universidades. Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 3/12 Introdução Já vimos que o design instrucional é o processo para identificar um problema de aprendizagem e desenhar, desenvolver, implementar e avaliar uma solução para esse problema. Existem muitos modelos de Design Instrucional, mas sem nenhuma dúvida o modelo mais conhecido é o ADDIE. ADDIE é a abreviatura de Analysis, Design, Development, Implementation e Evaluation (análise, design, desenvolvimento, implementação e avaliação). Imagem: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/3d-illustration-render-moving-circular-arrow-1644724654 Este modelo divide o projeto de design instrucional em fases sequenciais, de forma a gerenciá-lo com mais efetividade. De acordo com Filatro (2008), as fases são separadas para estruturar o modelo, podendo ser realizadas simultaneamente, dependendo da quantidade de pessoas que estão atuando no projeto e do acompanhamento do Designer Instrucional e do Gestor do Projeto. Seguindo os estudos de Filatro (2008) apresentamos as fases identificadas pelo ADDIE A primeira fase é a ANÁLISE. Durante esta etapa, todas as necessidades do público- alvo precisam ser claramente compreendidas. É aqui que se levanta o problema que será solucionado a partir do material elaborado – quais as necessidades desse grupo? Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 4/12 Do que eles realmente precisam? Por que é importante desenvolver isso? O que precisam saber para o problema ser resolvido? Essas perguntas, se bem formuladas, transformam-se em objetivos. A partir daí, é fundamental entrar de corpo e alma no contexto do público-alvo, procurando compreender sua rotina, suas tarefas, seu trabalho e sua história. É interessante colher informações de pequenos grupos – semelhantes ou não – no que diz respeito às expectativas, anseios e objetivos profissionais, para aproximar ainda mais o “onde estou” de “onde quero chegar”. Feito isso, é preciso pensar em um segundo momento da análise: de tudo isso, o que já sabem ou precisam evidenciar? É preciso ter certeza de tudo o que precisa ser visto para alcançar o objetivo traçado. A segunda fase do modelo ADDIE é o DESENHO. É aqui que construímos a matriz de design instrucional com o desenho do curso. É fundamental definir os objetivos de aprendizagem, pois deles dependem os procedimentos de ensino e as formas de avaliação, que também devem ser pensados neste momento. Validada a matriz instrucional, seguimos para as demais atividades desta fase. Nesta fase, deve ocorrer: distribuição dos temas e elaboração do conteúdo – sem perder de vista a hierarquia de conceitos, suas relações e sua granularidade, instrucionalização do conteúdo, elaboração de exercícios e construção das avaliações, traduzidos em um mapa, roteiro. Esse material, gerado na fase de Desenho, é o ponto de partida para a próxima fase. A próxima fase, o DESENVOLVIMENTO. Esse é o momento da produção dos materiais que foram definidos e validados durante o desenho do curso. Assim que o material for produzido, ainda nesta fase, deverá ser validado a partir dos objetivos traçados na análise. Portanto, é recomendável, retornar à essa etapa e checar os objetivos. A criação do material é feita na fase de desenho. No desenvolvimento é posto em prática o que foi planejado na fase de análise e na fase do desenho: criação de pdfs, produção de objetos de aprendizagem, gravação de vídeo aulas, gravação de podcasts ou outros formatos de materiais que representem a melhor maneira de desenvolver o que foi previsto. Durante toda a produção e após finalização da produção de todos os materiais que farão parte do curso é feita a validação. Para validar o material, é preciso se reportar à fase de análise e à fase do desenho, identificando a adequação do que foi produzido ao que foi previsto e planejado. Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 5/12 Na quarta fase, a IMPLEMENTAÇÃO é a hora de colocar a mão na massa. É o momento de se fazer a configuração do curso na plataforma ou no ambiente virtual de aprendizagem. É nesta fase que são feitos os testes em relação ao acesso aos conteúdos e em relação à sequência prevista para gerar a melhor experiência para o aluno. O programa será implementado a partir do desenvolvimento do material que foi planejado na fase do desenho a partir da análise. Costuma-se, nesta fase, realizar uma oferta piloto para testar de fato tudo o que foi planejado e implementado, antes de se fazer uma oferta aberta ao público geral. Por último, AVALIAÇÃO, em que se avalia a eficiência do programa. Essa avaliação pode ser feita a partir de um teste com um grupo pequeno, com pessoas de perfis variados ou ainda com um grupo específico de alguma organização. Existem várias formas de checar se os objetivos foram atingidos ou não. Com o resultado dessa avaliação em mãos, é possível comparar com os objetivos traçados na fase de análise e, a partir daí, traçar novos caminhos, repensar objetivos e procedimentos, ou manter exatamente como está. Lembrando ainda que é também na fase de avaliação que se faz a validação de todo o processo de produção, Afinal outros projetos serão desenvolvidos e é preciso saber se a forma de produção adotada funcional de forma efetiva. É possível notar que, apesar do ADDIE ser chamado de modelo, ele nada mais é do que um planejamento, traduzido em um processo de tomada de decisões ao longo da elaboração de uma ação de aprendizagem, voltada para um público específico. Percebe-se a importância da fase inicial do projeto, pois dela depende todo o resto. Se a análise for bem feita, todo o restante do trabalho estará bem encaminhado. Veja que embora o modelo original indique que há a obrigatoriedade de uma fase só começar quando a anterior tiver terminado, o Designer Instrucional pode “quebrar” seu projeto em fases e subfases de forma a poder ir entregando partes do projeto antes do prazo final. Essa forma de entrega minimiza riscos, uma vez que erros de design possam ser identificados pelo cliente antes do término do projeto. Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 6/12 O modelo ADDIE pode auxiliar a produzir o design instrucional para um curso. Esse design instrucional pode, no entanto, ter várias configurações. Savioli e Torezani (2020) descrevem alguns modelos. Modelo de DI fechado ou fixo. Este modelo caracteriza-se pela separação entre as fases de concepção (Análise, Design e Desenvolvimento) e de execução (Implementação). Aqui há um planejamento detalhado e um cuidado muito grande na produção de todos os componentes do DI. O produto deste tipo de DI possui conteúdos bem estruturados, mídias cuidadosamente selecionadas e produzidas, com instrumentos de avaliação que propiciam feedbacks imediatos ao aprendiz. O trabalho de tutoria, quando existente, está voltado mais para esclarecimento de dúvidas dos alunos e na detecção de possíveis problemas nos materiais didáticos produzidos ou realizar orientações para o bom desempenho dos envolvidos. Geralmente, a aprendizagem é autogerida e o foco é a aprendizagem individual. O designer toma decisões em relação a todos os aspectos envolvidos na construção do curso. Decide como organizar as unidades de estudo, como estruturar os conteúdos, quais atividades deverão ser realizadas pelos alunos, como será a interação entre os atores, quais os papéis de cada um no processo. Práticado Design Instrucional: Etapas e Modelos • 7/12 A interação dos alunos com o conteúdo e com os recursos é quase totalmente automatizado. É possível realizar avaliações com retorno automático, obter relatórios de acesso e resultados da aprendizagem dos alunos. O modelo é considerado fechado ou fixo porque está tudo pronto ao iniciar a implementação; as improvisações e alterações são mínimas no processo. O aluno segue um roteiro previamente determinado para atingir os objetivos definidos anteriormente. A aprendizagem autogerida, ao seguir o próprio ritmo do aluno, pode ser uma vantagem deste modelo que costuma oferecer materiais de qualidade para o estudo. Os conteúdos podem contar com referências de mídias externas, quer sejam links tanto para textos como para outras mídias (vídeos, animações, objetos de aprendizagem, blogs, sites, entre outros), mas serão apenas utilizadas como materiais complementares. O limite de um modelo como este é o tempo de produção que não costuma ser pequeno e as alterações na estrutura e nos produtos exige esforço e recursos. O ideal, para este modelo, é ter programas de ensino/treinamento com pouca necessidade de atualização ou alteração do conteúdo durante um período razoável. Por exemplo, vamos imaginar um programa de treinamento para revendedoras de uma empresa que vende cosméticos. Se o treinamento necessário for para apresentação da nova linha de maquiagem lançada para o verão, com certeza o treinamento terá de ser refeito quando a linha de inverno for lançada. Sendo assim, o modelo fixo não é o ideal. Já se o treinamento for relativo às melhores formas de abordar as clientes, o conteúdo será mais permanente e esse é o modelo certo. Modelo de DI aberto. Neste modelo, o design é refinado durante o processo de aprendizagem, especialmente na implementação. Há uma previsão geral de conteúdo e atividades que podem ser alteradas na realização do curso. Os conteúdos podem contar com referências de mídias externas, quer sejam links para textos como para outras mídias (vídeos, animações, objetos de aprendizagem, blogs, sites, entre outros). As mídias indicadas podem ter menor qualidade de produção; e as que são produzidas podem, também, gerar produtos com qualidades diversas em função das condições disponíveis. As atividades previstas podem ser alteradas dependendo dos alunos. Podem atender a expectativas diferentes em termos de aprendizagem e a tutoria faz as adaptações no planejamento inicial dependendo da situação e da realidade dos participantes. Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 8/12 A aprendizagem costuma ser mais colaborativa, com atividades em que todos contribuem com todos, incluindo a tutoria. Neste modelo, as atividades colaborativas são sempre abertas, pois é impossível prever como será o processo e o resultado da interação. Como vantagem do modelo aberto de DI, a produção dos materiais a serem usados não requer equipes tão especializadas como as do modelo fechado ou fixo. O professor pode ser o conteudista, ajudando a selecionar as mídias disponíveis ou mesmo produzi-las, além de participar da implementação, identificando os ajustes necessários no processo de ensino. O limite deste modelo está normalmente associado às plataformas LMS, que devem ter ferramentas para ajudar a organizar os materiais e a disponibilizar aos alunos as ferramentas de interação, como chat, fórum, entre outros. Modelo de DI misto. O modelo de DI misto é uma combinação entre o modelo fechado e o aberto. Pode contar com situações de ensino mais estruturadas, com o foco na aprendizagem autogerida, mas, também, com situações menos estruturadas que estimulem a aprendizagem colaborativa. Por exemplo, pode-se contar com alguns materiais preparados especialmente para o curso, com exercícios e avaliações individuais automatizadas. Além disso, pode haver materiais complementares, com links para textos e mídias disponíveis na internet, além de atividades mais interativas entre os participantes e entre a tutoria e os alunos com atividades adaptadas em função do grupo. Saiba Mais Design Instrucional: uma abordagem do Design Gráfico para o desenvolvimento de ferramentas de suporte à educação a distância. Disponível em: http://www.educacaografica.inf.br/artigos/ design-instrucional-uma-abordagem-do-design-grafico-para-o- desenvolvimento-de-ferramentas-de-suporte-a-educacao-a-distancia. Acessado em 13 de maio de 2024 Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 9/12 Em Resumo O Modelo ADDIE é muito usado no planejamento do Design Instrucional. Além de permitir o detalhamento das ações, realiza a conexão com o público-alvo e a distribuição das atividades de produção. Também abordamos os modelos de Design instrucional e a diferença entre eles. A escolha do modelo de DI depende do propósito do curso, alinhado com o perfil do público a ser atendido com a solução. Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 10/12 Na ponta da língua Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 11/12 Referências Bibliográficas Filatro, A. (2020). Design Instrucional na Prática. Pearson Prentice Hall. Palloff, R M. e Pratt, K. (2013). O Instrutor Online: Estratégias para a excelência profissional. Tradução: Fernando de Siqueira. Porto Alegre: Penso. Savioli, C e Torezani, G. (2020). Design Instrucional e Negócio Digital: Como planejar, produzir e publicar um negócio virtual educacional. Brasília: Clube de Autores. Prática do Design Instrucional: Etapas e Modelos • 12/12 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Design instrucional na prática Andrea Filatro Pearson Universidades, 2008