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AO JUÍZO DA VARA -----VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE XXX, ESTADO DE XXXXXXXX. Processo nº XXXXXXX HELAINE XXXXXX, já qualificada nos autos da AÇÃO DE RECONHECIMENTO E EXTINÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL C/C PARTILHA DE BENS sob o número em epígrafe, que lhe move JOSE XXXXXX, igualmente qualificado, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por meio de seu procurador signatário que junta neste ato instrumento de procuração com endereço profissional completo para receber intimações e notificações, apresentar CONTESTAÇÃO cumulada com RECONVENÇÃO, com fulcro nos artigos 335 e seguintes do CPC, pelas razões de fatos e de direito à seguir expostas: 1. DA BREVE SÍNTESE DA EXORDIAL O Autor postula pelo reconhecimento e dissolução de união estável com partilha de bens, guarda e alimentos, informando que viveu em união estável com a requerida pelo período compreendido desde o final de 2004 até janeiro de 2023. Alega que é profissional autônomo, trabalhando como caminhoneiro. Informa, ainda, que desta união nasceram dois filhos ainda menores, MICHELE XXXXXXX (nascida em 22/05/2006) e FELIPE XXXXXXX (nascido em 09/05/2008). Ainda, aduz que durante a relação conjugal, as partes adquiriram bens e dívidas que devem ser partilhados, quais sejam: Ø [CITAR OS BENS] Por fim, requer pela regulamentação da guarda compartilhada dos filhos e oferta os alimentos no importe de 50% (cinquenta por cento) sob o salário-mínimo, sendo 25 % (vinte e cinco por cento) para cada filho. Breve é a Síntese. 2. DA REALIDADE DOS FATOS Em que pese toda a alegação do Requerente, tais informações não merecem prosperar. De início cumpre informar que as partes tiveram união estável por, aproximadamente, 18 (dezoito) anos, sob o regime de comunhão parcial de bens. A Requerida passou o período de seu matrimônio exclusivamente se dedicando aos cuidados dos filhos, manutenção e organização do lar e da família, enquanto o Requerido acumulava patrimônio. Dessa maneira, a Requerida até a presente data segue cuidando dos filhos comum, e sem perfazer qualquer renda ou salário. Além disso, a ré sempre foi totalmente dependente financeiramente do Requerente. Contudo, em razão de estar cansada com as condutas violentas, ameaças, ciúmes possessivo, divergências e discordâncias, a requerida decidiu romper o relacionamento amoroso. Porém, inconformado com a decisão, o autor passou a proferir ameaças contra a ré, e esta se viu obrigada a requerer medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha, as quais foram deferidas pelo juízo da Vara XXXXX, processo nº XXXXXXX, conforme decisão que segue em anexo. Ademais, assim que deu fim ao casamento, a requerida ingressou com ação onde se discute a guarda, convivência e alimentos – processo nº xxxxxxxx. Importa mencionar que o Requerente mantém a administração exclusiva dos bens das partes. Sendo ponderoso informar que dentre tais bens, há patrimônio não declarado pelo autor em sua exordial, tais como: Ø existem duas empresas, uma empresa de transporte e venda chapas de ardósia para empreendimentos de outras cidades, [acrescentar maiores detalhes] Ø Proprietário de um total de 06 (seis) veículos: 1. [identificar um a um] Estima-se que o Réu perceba mensalmente a quantia de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) mensais com seu empreendimento. Vale a ressalva que parte das movimentações bancárias que o autor recebe dos clientes são realizadas através do PIX da enteada Joaquina, conforme áudios e prints com origem do aplicativo whatsapp e extratos bancários em anexo. Em áudio que segue em anexo, o próprio autor, em conversa com sua enteada, afirma que TEM FUNCIONÁRIOS ao comunicar que vai enviar mais dinheiro para a requerida e para ela após realizar o pagamento do salário dos funcionários. Contudo, nada repassa à requerida a título do patrimônio conquistado durante a união estável entre eles e em sua inicial se quer tem a consideração de assumir o total de patrimônio que detém e conquistou durante a relação conjugal e/ou ofertar compensação/indenização por ser quem de fato administra os bens e usufrui da renda advinda deles. Verifica-se, portanto, que diversos pontos devem ser modificados na pretensão do Requerente que faltou com a verdade e omitiu de forma dolosa o total dos bens que constam e seu nome, conforme passaremos a dispor nos fundamentos jurídicos abaixo. 3. PRELIMINARMENTE 3.1. DO PROSSEGUIMENTO DESTA DEMANDA APENAS EM RELAÇÃO À DISCUSSÃO CONJUGAL E PATRIMONIAL – GUARDA, CONVIVÊNCIA E ALIMENTOS JÁ FORAM CONTESTADOS NOS AUTOS Nº XXXXXXXXX – JUÍZO TORNOU-SE PREVENTO AO CONHECER DA MATÉRIA EM DECISÃO – TRÍADE PROCESSUAL FORMADA Excelência, a presente demanda foi distribuída um dia antes do processo nº XXXXXXXX. Destaca-se que mesmo intimado e citado, a parte requerida naquela ação (e autor aqui) deixou de comparecer na audiência de conciliação e mediação que foi realizada no dia 27/04/2023, conforme ID nº XXXXXXX constante no processo nº XXXXXXXX. Nota-se, inclusive, que naquela demanda já teve decisão fixando alimentos provisórios a favor dos filhos menores e o autor (que nela é réu) já apresentou contestação concordando com a guarda unilateral dos filhos a favor da genitora (que aqui é requerida) e rechaçando os alimentos. Inclusive, com AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº: º XXXXXXXXX interposto em face da decisão que naquela ação fixou os alimentos provisórios, o que demonstra ainda mais o avançado estágio da demanda conexa em relação às discussões jurídicas trazidas para apreciação do Poder Judiciário. Vale o destaque, inclusive, que até mesmo em sede de contrarrazões o alimentante insiste em alegar que não é proprietário de empresa e que precisa se esforçar muito para conseguir cumprir com o pagamento dos alimentos. Faltando com a verdade! Assim, a tríade processual já foi perfeitamente formada nos autos da ação onde se discute a guarda e alimentos quando o réu lá foi citado em 27/04/2023, conforme ID nº XXXX, e se tornou perfeita quando o mesmo apresentou sua contestação no ID nº XXXXXX. Portanto, nada mais correto do que nesta presente ação ser discutido apenas a matéria relacionada ao reconhecimento e dissolução da união estável e partilha dos bens, bem como os alimentos transitórios e os compensatórios devidos à ex-cônjuge, ora requerida. Assim, se requer que estes autos sejam associados ao feito nº XXXXXXXX. 4. DOS FUNDAMENTOS DE MÉRITO 4.1. DO RECONHECIMENTO E DA DISSOLUÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL De fato, as partes viveram em união estável pelo período indicado na peça inicial, assim se requer o reconhecimento e dissolução da vida conjugal das partes para que surta seus efeitos jurídicos. Reconhecendo que o início se deu no final de 2004 e se encerrou em janeiro de 2023. 4.2. DA INCLUSÃO DE BENS NA PARTILHA - APLICAÇÃO DO REGIME DA COMUNHÃO PARCIAL DE BENS Como sabido, nas uniões estáveis, salvo contrato escrito dispondo diverso, vigora o regime de comunhão parcial de bens, nos termos do art. 1.725 do Código Civil, vejamos: Art. 1.725. Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens. Todavia, como discorrido acima, os bens amealhados pelo Requerente não correspondem com a realidade, uma vez que não informa a existência da empresa e arrolou apenas um imóvel e dois veículos, bem como o financiamento imobiliário junto a CEF. Além dos bens indicados em sede de exordial, durante a união as partes conquistaram os bens a seguir: Ø [DESTACAR OS BENS] In casu, através da empresa e dos caminhões o autor perfaz sua renda que alcança o patamar de 40 mil reais por mês, da qual a requerida tem direito a metade dos lucros da empresa e dos frutos dos caminhões. Valores que devem ser apurados em sede de perícia contábil e através de movimentação bancária, declaração de Imposto de Renda e prova testemunhal, bem como depoimento pessoal do autor. Assim, se faz necessária a análise profunda sobre a real intenção por traz da omissão do patrimônio real conquistado durante a vida conjugal das partes, visto que acredita a Requerida se tratar de tentativa do Requerente em omitir bens à partilha. Nessa ótica, cumpre esclarecer que na comunhão parcial de bens se presume o esforço comum dos cônjuges, o que acarreta na compreensão de que os valores pagos durante o casamento têm de ser partilhados, por decorrer de esforço comum, ingressando na comunhão, ainda que tenha sido registrado em nome somente de um dos cônjuges ou sido inicialmente adquirido apenas por um. Assim, se faz necessário a verificação in loco do oficial de justiça no endereço da empresa acima descrita, a fim de se verificado a existência e funcionamento da mesma. Ademais, se faz de extrema necessidade a avaliação dos bens, incluindo do imóvel financiado com a adequada valoração pelo mercado imobiliário e valor de mercado atual para que ocorra, assim, a partilha dos bens na proporção de 50% (cinquenta por cento) para cada um. 5. DA GUARDA E DOS ALIMENTOS AOS FILHOS No que tange aos alimentos, guarda e convivência, se requer que sejam discutidos nos autos da ação nº XXXXX, onde já tem alimentos e guarda fixados em caráter provisórios nos seguintes termos: [TRECHO DA DECISÃO] Em relação à guarda, o próprio genitor, em sede de contestação naqueles autos, manifestou concordância sobre sua modalidade unilateral materna com convivência paterna, aduzindo no ID nº XXXX - Pág. 4 e Pág.6: “Excelência o requente não se opõe que a guarda fique com a genitora, desde que seja regulamentado seu direito de visitas.” “e) Requer que seja mantida a guarda em favor da requerente e regularizado o direito de visitas para o requerido;” Assim, desde já se requer que naqueles autos seja dado andamento em relação no que diz respeito à guarda, convivência e alimentos. 6. DO PROTOCOLO DE JULGAMENTO COM PERSPECTIVA DE GÊNERO Encontra-se em vigor em nosso sistema jurídico, a RESOLUÇÃO nº 492, DE 17 DE MARÇO DE 2023, que recomenda e determina que o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero seja aplicado em todo o Poder Judiciário. Ainda, o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero prevê diretrizes para a atuação no Direito das Famílias e das Sucessões. Em vista disso, as recomendações nessas áreas têm o objetivo de "garantir processo regido por imparcialidade e equidade, voltado à anulação de discriminações, preconceitos e avaliações baseadas em estereótipos existentes na sociedade, que contribuem para injustiças e violações de direitos fundamentais das mulheres". Importante destacar o seguinte trecho: Violência institucional de gênero: Violências praticadas por instituições, como empresas (ignorar ou minimizar denúncias de assédio sexual), instituições de ensino (permitir atividades sexistas, como trotes e/ou músicas machistas), Poder Judiciário (expor ou permitir a exposição e levar em consideração a vida sexual pregressa de uma vítima de estupro, taxar uma mulher de vingativa ou ressentida em disputas envolvendo alienação parental ou divórcio). (pág. 32). As declarações da vítima qualificam-se como meio de prova, de inquestionável importância quando se discute violência de gênero, realçada a hipossuficiência processual da ofendida, que se vê silenciada (...). Faz parte do julgamento com perspectiva de gênero a alta valoração das declarações da mulher vítima de violência de gênero, não se cogitando de desequilíbrio processual. O peso probatório diferenciado se legitima pela vulnerabilidade e hipossuficiência da ofendida na relação jurídica processual. (pág. 85). Em síntese, o objetivo principal de tal protocolo é promover a superação da desigualdade e da discriminação por meio da imparcialidade no julgamento de casos que envolvam mulheres, sem se basear em estereótipos e preconceitos. Além disso, busca promover que os magistrados e demais servidores “olhem para cada caso sob a ótica da MULHER/MÃE/VITIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA” para que consiga alcançar decisões mais justas e mais condizentes com a realidade da parte. Segundo a Desembargadora Salise Sanchotene do TRF4, "O documento tem o propósito de capacitar e orientar a magistratura para um julgamento com lentes de gênero, ou seja, capaz de adotar uma postura ativa de reconhecimento das desigualdades, com o propósito de neutralizá-las, trilhando um caminho que enfrente discriminações e violências, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e mais solidária" [1] É imperioso, portanto, que este Juízo, sabendo se tratar de um litígio envolvendo família e que consta como parte uma mulher vitima de violência doméstica, busque MINIMIZAR os danos emocionais e psicológicos às partes, especialmente à mulher que suportou anos de abusos e enfim conseguiu se libertar. Portanto se requer a aplicação da RESOLUÇÃO que instituiu como regra a aplicação do protocolo de julgamento com pesperctiva de gênero. 7. DA RECONVENÇÃO 7.1. DOS ALIMENTOS A FAVOR DA EX-COMPANHEIRA-RECONVINTE HAJA VISTA A SUA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA DO RECONVINDO - OBRIGAÇÃO DECORRENTE DO PARENTESCO E SOLIDARIEDADE FAMILIAR PARA FINS DE SUPRIR AS NECESSIDADES BÁSICAS DA EX-CÔNJUGE Durante a união, a reconvinte se dedicou à família e atuava como apoio e alicerce, mantendo tudo organizado e em ordem, cuidando dos filhos, da casa e dando todo apoio e suporte necessários para que o autor/reconvindo pudesse se dedicar ao trabalho e à empresa, promovendo toda assistência para que o requerente pudesse prover e sustentar a família, além de aumentar o patrimônio. Após o fim da relação, a reconvinte ficou com os filhos no lar comum, cuidando de todas as suas necessidades e administrando a vida e rotina dos filhos. Além disso, durante a relação, como dito, a reconvinte, não se profissionalizou e não se dedicou à sua vida profissional, ficando fora do mercado de trabalho para se dedicar integralmente à família e à relação conjugal. O dever de mútua assistência previsto no Código Civil é decorrente de relação matrimonial e sua aplicação se dá quando o ex-cônjuge realmente não dispõe de condições financeira e tampouco oportunidades de trabalho, devendo o magistrado estar atento ao nível de dependência que existe na relação para fins de analisar o caso e fixar os alimentos a favor de quem necessita. Para a concessão e para a fixação do quantum dos alimentos transitórios, é cabível e deve ser observado a proporção entre as “necessidades da parte requerente"e os"recursos da pessoa obrigada". Diante do que preconiza o artigo 1.694 e seu § 1º do Código Civil: “Art. 1.694 – Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. (...) § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades da reclamante e dos recursos da pessoa obrigada.” O cumprimento de tal binômio, porém, deve ser analisado à vista das peculiaridades de cada caso, não havendo critérios rígidos que, a priori, excluam a necessidade do credor ou a possibilidade do devedor de alimentos. Assim, no presente caso, percebe-se que tento em vista a ré durante os 18 anos de relação esteve se dedicando à família e fora do mercado de trabalho, tão pouco se profissionalizou e construiu carreira, deve ocorrer a fixação dos alimentos por tempo determinado e fixados em percentual capaz de possibilitar que a autora tenha condições para suprir suas necessidades básicas de vida, bem como buscar sua recolocação no mercado de trabalho. O STJ possui o entendimento de que"os alimentos devidos entre ex-cônjuges têm caráter excepcional e transitório, excetuando-se essa regra na hipótese em que um dos cônjuges não apresente condições de reinserção no mercado de trabalho ou de readquirir sua autonomia financeira. Seguindo o mesmo entendimento, assim já se manifestou diversos Tribunais Estaduais: EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE DIVÓRCIO - TUTELA DE URGÊNCIA - ALIMENTOS - EX-ESPOSA - ALIMENTOS TRANSITÓRIOS - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. - O dever de mútua assistência preconizado no art. 1.566, do Código Civil, permanece até que sejam definitivamente dissolvidos os laços conjugais - "Entre ex-cônjuges ou ex-companheiros, desfeitos os laços afetivos e familiares, a obrigação de pagar alimentos é excepcional, de modo que, quando devidos, ostentam, ordinariamente, caráter assistencial e transitório, persistindo apenas pelo prazo necessário e suficiente a propiciar o soerguimento do alimentado, para sua reinserção no mercado de trabalho ou, de outra forma, com seu autossustento e autonomia financeira." (REsp XXXXX/CE, STJ) - Recurso parcialmente provido.(TJ-MG - AI: XXXXX80009496001 Abaeté, Relator: Carlos Levenhagen, Data de Julgamento: 01/10/2020, Câmaras Cíveis / 5ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 05/10/2020) AGRAVO DE INSTRUMENTO. CIVIL E PROCESSO CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. UNIÃO ESTÁVEL. DISSOLUÇÃO. ALIMENTOS TRANSITÓRIOS. EX-COMPANHEIRO. DEVER DE RECIPROCIDADE. 1. Os alimentos prestados entre ex-companheiros apresentam caráter extraordinário e devem ser fixados por período determinado, salvo comprovada situação excepcional que impossibilite a autonomia financeira do alimentante. 2. Não há provas ou indícios de que a atividade econômica exercida pela agravada tem natureza fixa ou compatível com o padrão de vida que mantinha ao tempo da união estável. Não constam, também, provas de que a agravada possui autonomia financeira, embora esteja instalada em residência familiar. 3. Mostra-se escorreita a decisão agravada, uma vez que a obrigação de prestar alimentos ao ex-cônjuge ou companheiro decorre não só do binômio atinente à necessidade do alimentando e à possibilidade do alimentante, com condições de contribuir com os alimentos impugnados, mas, também, do dever de reciprocidade, mesmo que de forma transitória, para que a agravada, antes dependente do recorrente, possa retomar sua vida laboral plena, com a necessária autonomia financeira. 4. Nego provimento ao agravo de instrumento para manter os alimentos transitórios, fixados em tutela de urgência. (TJ-DF XXXXX20218070000 - Segredo de Justiça XXXXX-80.2021.8.07.0000, Relator: ANA MARIA FERREIRA DA SILVA, Data de Julgamento: 01/12/2021, 3ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 21/01/2022 . Pág.: Sem Página Cadastrada.) Há, portanto, no presente caso, flagrante necessidade de ser fixar alimentos a favor da autora, ainda que por tempo determinado, pois não tem a requerente condições de sobreviver sem apoio financeiro do auto, até porque a maior parte dos bens adquiridos na constância da relação mais a empresa estão sob posse e administração do mesmo e a ré não trabalha e não tem renda própria para se manter. Assim, se requer a fixação do valor de 02 salários-mínimos a título de alimentos transitórios, pois se mostra ser o valor suficiente para garantir e manter as despesas básicas e cuidados com a saúde, moradia, lazer, vestuário na forma como era vivenciado durante a união conjugal. O valor deve ser depositado diretamente na conta bancária da autora até todo dia 10 do mês. DADOS DA CONTA BANCÁRIA DA AUTORA: CONTA Nº: AGÊNCIA: BANCO: TIPO DE CONTA: É o que se requer por ser o dispõe a legislação e o entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre esse dever de sustento advindo da relação conjugal. 7.2. DA NECESSIDADE DE FIXAÇÃO DE ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS EM FAVOR DA RECONVINTE ATÉ QUE OS BENS SEJAM DEVIDAMENTE PARTILHADOS – RESTAURAÇÃO DO EQUILIBRIO PATRIMONIAL – RECONVINDO QUE SE ENCONTRA EM POSSE DOS BENS E DA EMPRESA Excelência como dito acima, o reconvindo ocultou patrimônio e deu a entender que durante a união as partes conquistaram poucos bens. Contudo, na verdade, existem mais veículos (carros e caminhões), imóvel e empresa que o requerente não indicou na inicial. Sem tais bens e renda advinda deles, a reconvinte encontra-se em enorme desvantagem financeira e desassistidas economicamente, sem desfrutar daquilo que também lhe pertence e pelo qual contribuiu para conquistar. Os alimentos compensatórios têm a finalidade de restaurar o equilíbrio patrimonial após o término do relacionamento, cuja desigualdade era ocultada pela vida conjugal. A doutrina ao disciplinar sobre a matéria destaca sobre o cabimento dos alimentos compensatórios: "O propósito da pensão compensatória ou da compensação econômica é indenizar por algum tempo ou não o desequilíbrio econômico causado pela repentina redução do padrão socioeconômico do cônjuge desprovido de bens e meação, sem pretender a igualdade econômica do casal que desfez sua relação, mas que procura reduzir os efeitos deletérios surgidos da súbita indigência social, causada pela ausência de recursos pessoais, quando todos os ingressos eram mantidos pelo parceiro, (...) tais alimentos visam possibilitar a indenização do cônjuge que renuncia as suas expectativas profissionais em prol da família e, com a ruptura da união, vê decair sensivelmente a sua condição econômica e social." (MADALENO, Rolf. Manual de Direito de Família. Forense, 2018. Versão kindle, p. 9776) Nesse mesmo sentido, Maria Berenice, ao lecionar sobre o tema, esclarece: "(...). Afinal, não têm por finalidade suprir as necessidades de subsistência do credor, mas corrigir ou atenuar grave desequilíbrio econômico-financeiro ou abrupta alteração do padrão de vida do cônjuge desprovido de bens e de meação. Sua origem está no dever de mútua assistência ( CC 1.566 III) e na condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família que os cônjuges adquirem com o casamento ( CC 1.565). Este vínculo de solidariedade existe não só entre os cônjuges, mas também entre os companheiros ( CC 265). Produzindo o fim da vida em comum desequilíbrio econômico entre o casal, em comparação com o padrão de vida de que desfrutava a família, cabível a fixação de alimentos compensatórios. O cônjuge ou companheiro mais afortunado deve garantir ao ex-consorte que se reequilibre economicamente. Cabem ser fixados, inclusive, a título de tutela antecipada." (Manual de direito das famílias.9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013. p. 578-580). No mesmo sentido, o STJ se posicionou pelo cabimento dos alimentos compensatórios, mesmo diante da ausência de previsão legal: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE UNIÃO ESTÁVEL, CUMULADA COM PARTILHA DE BENS, DIVÓRCIO, (...). 2. Alimentos compensatórios. Os alimentos compensatórios têm cunho indenizatório e se destinam a compensar o desequilíbrio financeiro gerado pelo rompimento da relação. (...). Decisão agravada mantida. CONHECERAM EM PARTE DO RECURSO E LHE NEGARAM PROVIMENTO. UNÂNIME. (TJ-RS; Agravo de Instrumento, Nº 70080630668, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Felipe Brasil Santos, Julgado em: 04-04-2019) AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO AGRAVADA QUE INDEFERIU O PEDIDO DE ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS. RECURSO DA AUTORA. AGRAVANTE QUE, POR CONTA DO RELACIONAMENTO, DEIXOU DE EXERCER ATIVIDADE REMUNERADA, DEDICANDO-SE EXCLUSIVAMENTE À FAMÍLIA. PAULATINA REINSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO APÓS O TÉRMINO DA UNIÃO ESTÁVEL QUE PERDUROU POR 10 ANOS. CASAL QUE MANTINHA ALTO PADRÃO DE VIDA. ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS DEVIDOS. TODAVIA, MONTANTE QUE DEVE SER FIXADO NO IMPORTE DE 3 SALÁRIOS MÍNIMOS, VALOR ADEQUADO AO CASO CONCRETO, ANTE A POSSIBILIDADE DE A AGRAVANTE TAMBÉM AUFERIR RENDA DE OUTRA FONTE. "Os chamados alimentos compensatórios, ou prestação compensatória, não têm por finalidade suprir as necessidades de subsistência do credor, tal como ocorre com a pensão alimentícia regulada pelo art. 1.694 do CC/2002, senão corrigir ou atenuar grave desequilíbrio econômico-financeiro ou abrupta alteração do padrão de vida do cônjuge desprovido de bens e de meação" (STJ, REsp XXXXX/AL, rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, j. 12/11/2013). RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (TJSC, Agravo de Instrumento n. XXXXX-97.2019.8.24.0000, de Criciúma, rel. Des. Selso de Oliveira, Quarta Câmara de Direito Civil, j. 14-11-2019) No caso concreto, a Reconvinte passou o período de seu matrimônio exclusivamente se dedicando aos cuidados dos filhos e dando todo suporte para que o reconvindo pudesse trabalhar e acumular patrimônio. Contudo, após a separação a reconvinte se vê sem qualquer renda e nem mesmo uma profissão, e sendo privada de usufruir do patrimônio conquistado de forma conjunta durante a união estável, em notável desiquilíbrio patrimonial. Ainda, houve grande mudança na condição social da Reconvinte, pois o Reconvindo que sempre esteve e está na administração exclusiva dos bens comuns, o que comprova, mais uma vez, que a Reconvinte foi profundamente afetada em suas condições financeiras. Nesse sentindo assim decidiu o STJ: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DIVÓRCIO CUMULADA COM PARTILHA DE BENS E OBRIGAÇÃO ALIMENTAR. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRETENSÃO DE ARBITRAMENTO DE ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS. ADMINISTRAÇÃO DE TODOS OS BENS DO CASAL POR PARTE DO EX-MARIDO. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO CONFIGURADO. ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS DEVIDOS. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. "Os chamados alimentos compensatórios, ou prestação compensatória, não têm por finalidade suprir as necessidades de subsistência do credor, tal como ocorre com a pensão alimentícia regulada pelo art. 1.694 do CC/2002, senão corrigir ou atenuar grave desequilíbrio econômico-financeiro ou abrupta alteração do padrão de vida do cônjuge desprovido de bens e de meação"(REsp XXXXX/AL, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 12/11/2013, DJe de 07/11/2014). 2. No caso concreto, o Tribunal de origem entendeu devida a fixação de alimentos compensatórios em favor da ex-mulher, até que os bens do casal sejam definitivamente partilhados, tendo em vista que a totalidade dos bens móveis e imóveis do casal está na posse do ex-marido, principalmente as empresas onde as partes figuram como sócias, ficando configurado grave desequilíbrio econômico-financeiro. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ - AgInt no REsp: XXXXX RJ XXXXX/XXXXX-3, Relator: Ministro RAUL ARAÚJO, Data de Julgamento: 11/10/2021, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 17/11/2021) Assim, requer sejam deferidos alimentos para a Reconvinte no patamar de 3 salários mínimos vigentes, visando restabelecer o equilíbrio patrimonial ao status existente durante a vida conjugal tendo em vista que o reconvindo se encontra usufruindo da renda advinda da empresa e dos caminhões, e a reconvinte tem direito a metade dos lucros da empresa e dos frutos dos caminhões. 7.3. DA LEI MARIA DA PENHA - DA VIOLÊNCIA CONTRA O PATRIMÔNIO DA RECONVINTE – EM CASO DE RECUSA AO PAGAMENTO DOS ALIMENTOS À EX-COMPANHEIRA E DA OMISSÃO DE PATRIMÔNIO COM INTENÇÃO DE LESAR A QUOTA PARTE DA CÔNJUGE Uma das formas mais corriqueiras de violências contra a mulher é a violência patrimonial, que advém da histórica relação de desvantagem econômica da mulher em relação ao homem. Tal violência pode ser observada em diversos cenários, inclusive o do presente caso, tendo em vista a Reconvinte se encontrar em situação de vulnerabilidade, por não possuir meios de subsistência, a administração dos bens em comum está com o Reconvindo e a Reconvinte sequer tem renda para custear suas necessidades mais básicas. Ainda, resta caracterizada pela omissão do autor no ato de indicar a totalidade de bens partilháveis tendo em vista que agiu omitindo veículos, empresa e imóvel que foram conquistados durante a relação conjugal. Sendo assim, em caso de recusa a prestação de alimentos compensatórios e dos transitórios para a Reconvinte, é evidente que o Reconvindo está cometendo Violência Contra o Patrimônio da Mulher, conforme a Lei Maria da Penha, vejamos: Art. 7º. São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: [...] IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; Nesse mesmo sentido, Maria Berenice Dias defende que "a partir da nova definição de violência doméstica, que reconhece como tal também a violência patrimonial, não se aplicam as imunidades absolutas ou relativas dos artigos 181 e 182 do Código Penal quando a vítima é mulher e mantém com o autor da infração vínculo de natureza familiar". Insta esclarecer que a parte Reconvinte não possui meios de prover sua própria subsistência e o reconvindo não tem repassado para a reconvinte de nenhum valor a título dos bens e da empresa. Ademais, o Reconvindo possui meios de prover sua própria subsistência, conforme já demonstrado acima, pois possui o uso exclusivo da maior parte dos bens e é quem administra a empresa. Logo, Reconvindo possui melhores condições financeiras e usufrui do patrimônio conjugal sem nada destinar à ex-companheira, configurando assim, conforme a Lei Maria da Penha, Violência Contra o Patrimônio da Mulher. Nesse sentido, tem-se a jurisprudência: ALIMENTOS. PROVISÓRIOS. EX-COMPANHEIROS. VIOLÊNCIA PATRIMONIAL. Insurgência contra decisão que indeferiu alimentos provisórios à autora. Decisão reformada. Ainda que tenha transcorrido lapso temporal importante entre a separação e o ajuizamento da demanda, peculiaridades do caso. Dedicação exclusiva ao lar durante o período da união estável, atual estado de depressão profunda da autora, utilização indevida de seu CPF pelo ex-companheiro para abertura de firma. Agravado mostra ainda mantém a agravante sob violência patrimonial (art. 7º, IV, Lei 11.340/2006). Circunstâncias a indicar que ela não teria condição de trabalhar para prover o próprio sustento. Alimentos provisórios fixados em meio salário mínimo. Recurso provido. (TJ-SP - AI: XXXXX20208260000 SP XXXXX-68.2020.8.26.0000, Relator: Carlos Alberto de Salles, Data de Julgamento: 29/06/2021, 3ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 29/06/2021) EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - MEDIDAS PROTETIVAS - VIOLÊNCIA PATRIMONIAL - FORMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - NECESSIDADE DE PROSSEGUIMENTO DO FEITO - SENTENÇA ANULADA. A violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos é uma das formas de violência doméstica e familiar contra a mulher elencadas no art. 7º da Lei 11.340/06. (TJ-MG - APR: XXXXX70638456001 MG, Relator: Fernando Caldeira Brant, Data de Julgamento: 29/08/2018, Data de Publicação: 05/09/2018) Além disso, o Reconvindo, mais uma vez, comete uma violência ao patrimônio da Reconvinte, visto que indicou nos autos apenas alguns bens, deixando diversos outros de fora da partilha. Tal manobra foi única e exclusivamente para fraudar à partilha e impedir que a Reconvinte recebesse a meação dos referidos bens. Tal atitude, reafirma a violência contra o patrimônio da Reconvinte. Assim, sendo este o caso dos autos, inexiste óbice para a formulação de pedido de alimentos transitórios e de alimentos compensatórios para a Reconvinte, tendo em vista todo o relatado aqui e os documentos de comprovação juntados aos autos, sendo imperioso a fixação dos alimentos no patamar requerido. 7.4. DA NECESSÁRIA CONCESSÃO DE ALIMENTOS PROVISÓRIOS Primeiramente mostra-se a redação do artigo 300, do CPC, o qual estabelece de que o Magistrado poderá antecipar os efeitos da tutela pretendida na Inicial a requerimento da parte: Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. Desta forma, mostra-se de grande importância atentar de que Vossa Excelência deve convencer-se não da verossimilhança da alegação (esta parece ser verdadeira), mas da probabilidade da procedência da causa, isto é, se possui chances de ocorrer fato futuro tal qual seja capaz de expor a parte a perigo. Diante dos fatos trazidos, mostra-se evidente que a Reconvinte ainda necessita da ajuda financeira do Reconvindo para sua subsistência, visto que não possui meios de se inserir no mercado de trabalho até o momento, o que a impede de garantir sua subsistência por si só, bem como de recebimento de alimentos compensatórios haja vista o notável desequilíbrio patrimonial advindo do fim da relação. Cabe mencionar que apenas o Reconvindo se encontra na administração dos bens do casal, portanto, usufrui dos bens e da empresa sem nada repassar para a reconvinte. Além disso, já restou demonstrado que o Reconvindo possui rendimentos elevados, sendo plenamente capaz de manter o custeio do encargo alimentar até então não realizado, no patamar requerido acima. 7.5. DA FRAUDE À PARTILHA – OMISSÃO DE BENS A SEREM PARTILHADOS A fraude à partilha de bens se apresenta no momento em que o Reconvindo DEIXOU DE INFORMAR NA INICIAL BENS E PATRIMONIO A SEREM PARTILHADOS, conforme acima indicado. Soma-se 06 veículos em nome do reconvindo e 01 que vendeu após a separação, um imóvel e uma empresa não arrolados nos bens a serem partilhados. Nesse sentido, a fraude à partilha de bens se apresenta de várias formas. A primeira delas é a indicação de menos bens a serem partilhados, a segunda é sequer mencionar que é empresário e tem uma empresa em funcionamento e lucrativa, a terceira é não atualizar o valor de mercado do imóvel financiado, a quarta é indicar apenas dois veículos quando existem mais 07 a serem parte da partilha. No plano jurídico a fraude é sinônimo de lesão causada pela conduta desleal. No ato conjugal de quebra de unidade afetiva, no tocante à partilha dos bens, a parte mais débil do casamento precisa ser processualmente protegida pelos mecanismos legais de eliminação dos nefastos resultados de desequilíbrio econômico e financeiro na divisão do acervo comum. A começar pela facilitação da defesa dos direitos do cônjuge menos favorecido, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, a critério do juiz, diante da peculiaridade da causa relacionada à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo ( CPC, art. 373, I, § 1º): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. É de aplicar-se a teoria da aparência ao direito de propriedade. O princípio básico dos direitos reais é a proteção da aparência. Uma situação de fato que manifesta como verdadeira uma situação jurídica inexistente pode gerar efeitos jurídicos em favor de quem confiou no estado de aparência. Ainda, por se tratar de fraude e simulações, conforme defende Yussef Said Cahali, pode ser provado por indícios e circunstâncias, valorando a vida pregressa e o modo de agir do parceiro, a fim de garantir igualdade da partilha de bens, repelindo a má-fé e a ilicitude. A fraude, vício presente em diversas situações na sociedade e no direito, advém da prática de atos legais, entretanto, com o objetivo ilícito de prejudicar terceiros ou impedir a aplicação da lei. Venosa (2006, p. 457) conceitua a fraude latu sensu como “todo o artifício malicioso que uma pessoa emprega com intenção de transgredir o direito ou prejudicar interesses de terceiros”. A fraude fere o princípio da igualdade dos bens nos regimes de comunidade matrimonial, fazendo desaparecer a boa-fé, a probidade e a licitude. Com a dissolução do casamento, cria-se para o cônjuge a expectativa de receber a parte que lhe cabe dos bens comuns para, assim, reconstruir uma nova etapa de vida. Entretanto, na prática, muitas vezes isso não acontece. No casamento, a fraude acontece, principalmente, quando um cônjuge transfere, vende ou oculta bens comuns para prejudicar a outra parte. Isso fere diretamente o princípio da igualdade de bens nos regimes matrimoniais. Para Taquini (1990 apud MADALENO, 2005, p. 286): “fraude no regime matrimonial é toda manobra de um cônjuge tendente a falsear o resultado da partilha e fraude grassa com certa facilidade no campo do casamento, muito embora tenha melhor trânsito livre no território da união estável, com a venda de bens a terceiros, escondendo de seu parceiro a realização da transação com os bens comunicáveis, omitindo o seu estado civil ou a sua relação de união estável”. In casu, atesta-se que o Reconvindo ocultou as atividades da empresa e deixou de indicar mais 07 veículos e 01 imóvel na partilha, de modo que prejudicasse a partilha no presente processo. Portanto, comprovada está a fraude à partilha dos bens, sendo necessária a colação dos bens indicados nos fatos desta defesa nos rol de bens a serem partilhados, com a necessária avaliação dos mesmos e apuração de de haveres e quotas da empresa. 7.6. DA RESPONSABILIDADE CIVIL PELA FRAUDE À PARTILHA A responsabilidade civil pode ser definida como “[...] a obrigação patrimonial de reparar o dano material ou compensar o dano moral causado ao ofendido pela inobservância de um dever jurídico legal ou convencional” (MELO, 2015, p. 2). Trata-se, portanto, de um instituto jurídico que tem por escopo regular as relações privadas no que concerne à sistemática de reparação e compensação por danos provocados por um indivíduo a outro. É o Código Civil brasileiro, em seu Título IX, do Livro I, da Parte Especial, que disciplina a maior parte do instituto jurídico da responsabilidade civil de âmbito privado. A Lei Civil Ordinária adotou a posição dualista no que pertine à classificação da responsabilidade civil, reconhecendo duas espécies, a contratual e a extracontratual. A primeira espécie, a responsabilidade civil contratual, encontra sua fonte nos negócios jurídicos contratuais, bem como nos atos unilaterais de vontade. Por outro lado, a segunda espécie, deriva do ato ilícito, ou seja, do comportamento danoso comissivo ou omissivo contrário à lei. Em regra, a responsabilidade civil forma-se pela conjugação de elementos, que uma vez reunidos e constatados, acarretam o dever de indenizar. Os pressupostos do dever de indenizar, ou seja, da responsabilidade civil, são a conduta humana, a culpa genérica, o nexo de causalidade e o dano ou prejuízo. A conduta humana engloba uma ação positiva ou negativa, ou seja, um comportamento comissivo ou omissivo. Flávio Tartuce (2020, p. 750) diz que “a regra é a ação ou conduta positiva; já para configuração da omissão é necessário que exista o dever jurídico de praticar determinado ato [...].” A culpa genérica abrange a culpa strictu sensu, que consiste em uma ação ou omissão geradora de dano não intencional, bem como o dolo, onde há o elemento intencional, ou seja, a vontade agir ou omitir para causar dano. Entre a conduta humana, seja ela comissiva ou omissiva, com origem em culpa estrita ou dolo, há um elemento que a liga com o dano ou prejuízo. Trata-se do nexo de causalidade. O dano ou prejuízo é o elemento mais importante da responsabilidade civil, eis que é essencial a sua ocorrência para que haja dever de indenizar. Da leitura do art. 927, caput, do Código Civil é possível observar a essencialidade do dano ou prejuízo no que pertine à formação do quadrinômio gerador da obrigação de reparar. É válido supor que nas relações familiares, dentre elas o casamento e a união estável, o instituto da responsabilidade civil pode ser aplicado aos casos em que cônjuges ou companheiros desrespeitam os deveres a eles impostos, tais como o de fidelidade recíproca, respeito e consideração mútuos no casamento e o dever da lealdade na união estável. Assim como os débitos da conjugalidade e da união estável, uma vez violados os deveres gerais anexos à boa-fé pelo cônjuge ou companheiro, nasce para o outro o direito de ser indenizado. Nessa lógica, o cônjuge e o companheiro devem respeitar os direitos do outro, seja cumprindo os deveres específicos do matrimônio ou da união estável ou aqueles gerais advindos do sistema civil-constitucional. Assim, é plenamente possível buscar a responsabilização civil do cônjuge ou companheiro que comete um ato ilícito contra o outro. Nessa perspectiva, a fraude à partilha pode ser vista como um ato ilícito nos moldes do art. 186 do Código Civil. O Reconvindo fraudador, infringe o direito de meação, subtraindo bens ou direitos que integrariam o montante partilhável, deixando de arrolar na partilha bens conquistados durante a união, tais como a empresa, veículos e um imóvel/apartamento, cometendo, claramente, ato ilícito. Como ato ilícito, a fraude à partilha pode ser fonte geradora do dever de indenizar. Não se trata de uma responsabilização somente por dano material consistente na perda patrimonial sofrida pela Reconvinte, vítima da fraude, pois também é possível vislumbrar que o dissabor, o abalo emocional ou a tristeza decorrente da violação do direito de meação pelo fraudador gerou para este o dever de reparar as perdas e danos suportadas. Dado o exposto, constata-se que a fraude à partilha é um ato ilícito gerador de responsabilidade civil para a parte Reconvinda, pois ao omitir a existência da empresa e dos caminhões, o reconvindo buscar de forma dolosa deixar a ex-cônjuge sem metade dos lucros da empresa e dos frutos dos caminhões. 7.7. DAS PERDAS E DANOS Constatada a responsabilidade civil do Reconvindo, cabível então a indenização por perdas e danos. O Código Civil, no tópico em que aborda as perdas e danos, explica o conceito do dano emergente e dos lucros cessantes. O artigo 402 do mencionado diploma legal descreve que as perdas e danos abrangem: o prejuízo efetivamente sofrido, chamado de dano emergente; e o que o prejudicado deixou de lucrar em razão, ou seja, os lucros cessantes. O caso concreto demonstra cabalmente que o Reconvindo deixou de arrolar a empresa da qual é proprietário nos bens a partilhar, estando desde janeiro de 2023 a usufruir sozinhos dos frutos da mesma sem repassar para a reconvinte, de modo a sonegar tal bem à partilha. Ou seja, conclui-se que o Reconvindo, agindo com malícia e objetivando fraudar a partilha de bens, omitiu e escondeu a existência de bens. Diante do dano, necessária se faz a devida reparação. Nesse sentido, a Jurisprudência assiste razão à parte autora: APELAÇÃO. PARTILHA DE BENS. AUTOMÓVEL. CONVERTIDA EM INDENIZAÇÃO. PERDAS E DANOS. PAR METRO INDENIZATÓRIO. TABELA FIPE. 1.Hipótese em que o apelante pretende que se decote da sentença a conversão da partilha do veículo em perdas e danos e que o produto da venda do bem seja partilhado na proporção de 50%, excluindo-se o valor fixado da tabela FIPE, estipulado na sentença. 2. No que concerne ao valor do bem na tabela FIPE, no caso em análise, não se tratou de determinar que o mesmo fosse vendido naquele valor da tabela, apenas o parâmetro ali referido serviu de base para fixar o montante a ser pago, à parte contrária, a título de indenização por perdas e danos. 3. Ora, aquele que tem a posse exclusiva do bem deve indenizar o outro pelo uso, à luz do que dispõe o art. 1.319 do Código Civil, parte final. 4. Apelação conhecida. Negado provimento. (TJ-DF XXXXX20198070016 - Segredo de Justiça XXXXX-94.2019.8.07.0016, Relator: GILBERTO PEREIRA DE OLIVEIRA, Data de Julgamento: 20/04/2021, 3ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no PJe: 20/05/2021. Pág.: Sem Página Cadastrada.) Dano material é aquele que atinge o patrimônio da vítima, podendo ser mensurado financeiramente e indenizado. O artigo 5º da Constituição Federal em seu inciso X dispõe: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. A reparação do dano está prevista nos artigos 186 e 187 do CC que preceitua que aquele que, por ação ou voluntaria, negligencia ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito (186 CC); também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social pela boa fé ou pelos bons costumes (187 CC). Já o art. 927 do CC, dispõe: Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. A propósito, lecionam Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery que: "O pedido pode ser genérico nas ações de indenização, quando não se puder, desde logo, determinar as consequências do ato ou fato ilícito. Neste caso, o juiz poderá levar em consideração fatos novos ocorridos depois da propositura da ação, para que possa proferir sentença. Uma das decorrências da exceção prevista no CPC 286 II é a possibilidade de fazer-se liquidação da sentença por artigos, quando houve de provar-se fato novo, superveniente à sentença"( Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante, RT, 2003, p. 674 – grifei). Pelo exposto, após a devida instrução processual, requer reparação por perdas e danos sofridos em decorrência da fraude à partilha, no valor a ser apurado referente à movimentação da empresa XXXXX, que em regra perfazia uma renda mensal aproximada de R$ 40.000,00,sendo que do lucro a reconvinte deve ter participação de 50%, que deve ser corrigido com o IGP-M a contar do evento danoso, mais juros de 1% a contar da citação. 7.8. DA NECESSÁRIA CONDENAÇÃO DO RECONVINDO NAS PENAS DE LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ Excelência, conforme narrado anteriormente, o Reconvindo vem em juízo contar diversas inverdades, ocultando bens e informações, o que deverá ser repreendido através da aplicação das penas de litigância de má-fé contra o Reconvindo. De acordo com o art. 80 do Código de Processo Civil, litiga de má-fé: [deixar apenas os incisos correspondentes ao caso] “Art 80. Considera-se litigante de má fé aquele que: I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; II - alterar a verdade dos fatos; III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal; IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; VI - provocar incidente manifestamente infundado; VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.” Alterar a verdade dos fatos, segundo Nelson Nery Jr. e Rosa Maria Andrade Nery, “(...) consiste em afirmar fato inexistente, negar fato existente ou dar versão mentirosa para fato verdadeiro. A Lei 6.771/1980 retirou o elemento subjetivo “intencionalmente” desta norma [se referindo ao equivalente art. 17 do CPC/1973], de sorte que não mais se exige a intenção, o dolo de alterar a verdade dos fatos para caracterizar a litigância de má-fé. Basta a culpa ou o erro inescusável. A responsabilidade do litigante de má-fé que causa dano processual é aferida e determinada nos mesmos autos, não havendo necessidade de ser ajuizada ação autônoma para tanto.” Ensinam, ainda: “Não é apenas o fato incontroverso do CPC, art. 334, II e III [atual 374, II e III], que é aquele afirmado por uma parte e não contestado pela outra. Este contém um Plus caracterizado pela impossibilidade de seu desconhecimento pela parte que deduz suas alegações no processo. O litigante temerário age com má-fé, já que busca êxito que sabe ser indevido. A imprudência ou simples imperícia, mesmo não configurando lide temerária, caracteriza imprudência grave, vez que decorre de erro inescusável, o que, segundo Mortara, não permite hesitação do Magistrado em considerar a má-fé.” Portanto, é mister a condenação do Reconvindo por litigância de má-fé nos termos do art. 80, incisos I e II, do CPC, ao pagamento de multa de 10% do valor da causa e à indenização de todas as despesas, inclusive os honorários contratuais dos patronos, além daqueles arbitrados a título de sucumbência nos termos do art. 81, caput e § 3º, do CPC. 8. DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA À PARTE REQUERIDA E RECONVINTE A parte Requerida é pessoa pobre na acepção do termo e não possui condições financeiras para arcar com as custas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo do próprio sustento, razão pela qual desde já requer o benefício da Gratuidade de Justiça, assegurados pela Lei nº 1.060/50 e consoante o art. 98, caput, do CPC. Mister frisar, ainda, que, em conformidade com o art. 99, § 1º, do CPC, o pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado por petição simples e durante o curso do processo, tendo em vista a possibilidade de se requerer em qualquer tempo e grau de jurisdição os benefícios da justiça gratuita, ante a alteração do status econômico. Para tal benefício, a parte Requerida junta declaração de hipossuficiência e comprovante de renda, os quais demonstram a inviabilidade de pagamento das custas judiciais sem comprometer sua subsistência, conforme clara redação do Código de Processo Civil: “Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural” (art. 99, § 3º). Assim, considerando a demonstração inequívoca da necessidade da parte Requerida, tem-se por comprovada sua necessidade, fazendo jus ao benefício. Cabe destacar que a lei não exige atestado de miserabilidade do requerente, sendo suficiente a "insuficiência de recursos para pagar as custas, despesas processuais e honorários advocatícios" (art. 98, CPC), conforme destaca a doutrina: "Não se exige miserabilidade, nem estado de necessidade, nem tampouco se fala em renda familiar ou faturamento máximos. É possível que uma pessoa natural, mesmo com bom renda mensal, seja merecedora do benefício, e que também o seja aquela sujeito que é proprietário de bens imóveis, mas não dispõe de liquidez. A gratuidade judiciária é um dos mecanismos de viabilização do acesso à justiça; não se pode exigir que, para ter acesso à justiça, o sujeito tenha que comprometer significativamente sua renda, ou tenha que se desfazer de seus bens, liquidando-os para angariar recursos e custear o processo." (DIDIER JR. Fredie. OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Benefício da Justiça Gratuita. 6ª ed. Editora JusPodivm, 2016. p. 60) Por tais razões, com fulcro no artigo 5º, inc. LXXIV, da Constituição Federal, e no artigo 98 do Código de Processo Civil, requer seja deferida a gratuidade de justiça à parte Requerida/Reconvinte. 9. DOS PEDIDOS Diante o exposto, requer a Vossa Excelência que: 9.1 Quanto aos pedidos da Contestação: a) A concessão do benefício da justiça gratuita, por ser a parte Recorrida pessoa sem condições de arcar com as custas, honorários advocatícios e demais despesas processuais, sem prejuízo ao sustento próprio e de sua família, consoante documentação anexa; b) Seja aplicado ao caso o protocolo para julgamento com perspectiva de gênero e diretrizes da Lei Maria Da Penha; c) Seja julgada parcialmente procedente a presente demanda, com i. O reconhecimento da união estável mantida entre o Requerente e a Requerida, sendo procedente o pedido de dissolução, com data início em final de 2004 e encerramento em janeiro de 2023; ii. Da partilha dos bens adquiridos pelas partes em comunhão de esforços, com a inclusão dos bens elencados nesta contestação; iii. Sejam nestes autos julgados apenas o que diz respeito à vida conjugal e partilha de bens, devendo a guarda, convivência e alimentos serem processados e julgados nos autos apensados; d) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a prova documental, testemunhal e depoimento pessoal do Autor, sob pena de confissão ficta. 9.2) Quanto aos pedidos da Reconvenção: a) A fixação de alimentos provisórios a favor da reconvinte nos termos e percentuais acima descritos; b) Seja o Reconvindo citado para que, querendo, conteste a presente ação no momento processual oportuno, sob pena de revelia e confissão; c) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a prova documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal do Reconvindo, sob pena de confissão ficta; d) A procedência do pedido de perícia técnica contábil, para analisar a respeito da fraude cometida contra o patrimônio e informar o real valor dos bens a partilhar, incluindo as empresas, apartamento e veículos; e) Que o Reconvindo seja compelido a juntar aos autos os extratos bancários de todas as suas contas e declaração de imposto de renda e livro caixa das empresas dos últimos 03 anos, bem como documentos de todos os veículos e imóveis em seu nome ou do qual seja proprietário; f) Que o Reconvindo seja compelido a trazer aos autos os valores dos bens atualizados, visto que os valores trazidos por ele na exordial não corresponde ao valor de mercado do bem financiado; e) A total procedência da Reconvenção, com: i. O arbitramento dos alimentos compensatórios até que sejam partilhados os bens para fins de restabelecer o equilíbrio patrimonial; ii. O arbitramento dos alimentos transitórios visando a manutenção da subsistência da Reconvinda; iii. A confirmação da tutela com a decretação da fixação dos alimentos em favor da Reconvinte, sob pena de incorrer na Lei Maria da Penha pelo dano patrimonial; iv. Alternativamente, caso Vossa Excelência discorde do valor requisitado, que seja deferido o montante que Vossa Excelência achar por direito, para sanar a desigualdade financeira e prover o mínimo de dignidade para a requerente, visto que se encontra sem qualquer condição de se sustentar e sem a posse dos bens conquistados durante a união. v. Apuração para condenação do reconvindo em perdas e danos devido aos valores recebidos de lucros das empresas e frutos dos caminhões e que não foram repassados à reconvinte; vi. Condenação do reconvindo às penas da litigância de má fé por ter de forma dolosa omitido bens a serem partilhados; vii. A quebra do sigilo fiscal e bancário do autor/reconvindo, buscas de bens e patrimônio através dos sistemas SISBAJUD, RENAJUD e outros que o tribunal tenha parcerias de cooperação; viii. A condenação do Reconvindo ao pagamento das custas e demais despesas processuais, inclusive em honorários advocatícios sucumbenciais, que deverão ser arbitrados por este Juízo, conforme norma do artigo 85 do CPC; ix. A concessão do benefício da justiça gratuita, por ser a parte Reconvinte, pessoa sem condições de arcar com as custas, honorários advocatícios e demais despesas processuais, sem prejuízo ao sustento próprio e de sua família, consoante documentação anexa; Dá-se à Reconvenção o valor da causa de R$ XXXX (soma de 12x os alimentos requeridos + PARTILHA DE BENS) Termos em que pede e espera deferimento. Cidade, 3 de julho de 2024. ADVOGADO OAB/UF Nº [1] LINK PARA ACESSAR O ARTIGO SOBRE JULGAMENTO COM PERSPECTIVA DE GÊNERO