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Organizadores: 
Denise Renata Pedrinho 
Rosemary Matias 
Silvia Cristina Heredia Vieira 
 
 
 
Universidade Anhanguera 
Uniderp-Agrárias 
 
 
Boletim Técnico: Plantas Ornamentais Tóxicas 
 
 
 
 
Denise Renata Pedrinho 
Rosemary Matias 
Silvia Cristina Heredia Vieira 
(Organizadores) 
 
 
 
 
 
 
 
Boletim Técnico: Plantas Ornamentais Tóxicas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Editora Científica 
2020 
 
 
 
 
 
 
Diretoria de Pós-Graduação Stricto Sensu e Pesquisa da Kroton 
Hélio Hiroshi Suguimoto 
Reitoria da Universidade Anhanguera Uniderp 
Taner Douglas Alves Bitencourt 
Pró-Reitora de Pesquisa da Uniderp 
Denise Renata Pedrinho 
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Produção e Gestão 
Agroindustrial 
Denise Renata Pedrinho 
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento 
Regional 
Rosemary Matias 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
Selma Alice Ferreira Ellwein – CRB 9/1558 
 
P583b 
 
Pedrinho, Denise Renata, et al. 
 Boletim Técnico: plantas ornamentais tóxicas. / Denise Renata 
Pedrinho, Rosemary Matias, Silvia Cristina Heredia Vieira. – 
Londrina: Editora Científica, 2020. 
 
 ISBN 978-65-00-12623-5 
 
 1. Plantas Ornamentais. 2. Paisagismo. 3. Cuidados e Utilização. 
I. Autores. II. Título. 
 
 CDD 581 
 
 
 
 
 
Editoração Eletrônica: 
Denise Renata Pedrinho 
Rosemary Matias 
Capa (layout): Rosemary Matias 
 
Organizadores: 
Denise Renata Pedrinho 
Rosemary Matias 
Silvia Cristina Heredia Vieira 
 
 
 
 
 
 
SUMARIO 
Apresentação............................................................................................................ 04 
 
1 Introdução............................................................................................................... 05 
 
2 Espécies ornamentais classificadas como tóxica................................................... 07 
2.1. Allamanda cathartica ........................................................................... 07 
2.2. Anthurium andraeanum Linden............................................................ 08 
2.3. Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don.......................................................... 09 
2.4. Caladium spp....................................................................................... 10 
2.5. Catharanthus roseus (L.) G. Don......................................................... 10 
2.6. Cestrum axillare Schltdl........................................................................ 11 
2.7. Codiaeum variegatum (L.) A.Juss........................................................ 12 
2.8. Dieffenbachia seguine (Jacq.) Shott.................................................... 13 
2.9. Euphorbia milli Des Moul…................................................................... 14 
2.10. Euphorbia tirucalli L.............................................................................. 15 
2.11. Lantana câmara L................................................................................ 16 
2.12. Monstera deliciosa Liebm.................................................................... 17 
2.13. Nerium oleander L................................................................................ 18 
2.14. Plumbago scandens L. ........................................................................ 19 
2.15. Plumeria rubra L................................................................................... 20 
2.16. Rhododendron simsii Planch............................................................... 20 
2.17. Thevetia peruviana (Pers.) K. Schum.................................................. 21 
 
3 Cuidados recomendados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-
Farmacológicas: Cuidados e recomendações .......................................................... 22 
 
4 Considerações Finais..............................................................................................22 
 
Referências............................................................................................................... 23 
 
Autores Organizadores..............................................................................................27 
Equipe Executora das Atividades..............................................................................27 
 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
A utilização de espécies ornamentais faz parte da vida humana desde a 
antiguidade, sendo utilizadas com a finalidade de tornar os ambientes mais 
agradáveis, bonitos e aconchegantes e são facilmente encontradas em jardins 
públicos e residenciais; entretanto, muitas dessas espécies possuem substâncias 
tóxicas e, assim, se tornam perigosas à saúde quando ingeridas ou em contato com 
a pele e mucosas. 
A falta de conhecimento sobre tais espécies gera números preocupantes 
de intoxicação humana e de animais por plantas, devido à falta de planejamento na 
implantação de jardins, bem como no manuseio dessas espécies. As intoxicações 
podem ser brandas, com reações alérgicas tópicas ou até mesmo levar à morte, por 
isso é de grande relevância o conhecimento dessas espécies para que essas 
intoxicações sejam evitadas. 
Esse boletim técnico é direcionado prioritariamente aos profissionais que 
atuam na área de paisagismo, bem como alunos de graduação em Agronomia, 
Ciências Biológicas, Arquitetura, Mestrandos e Doutorandos. 
 
 
 
 
 
 
 
Os autores 
 
 
 
 
 
 
1 Introdução 
Definem-se como plantas tóxicas todo vegetal que, ingerido pelo homem 
ou animais, em condições naturais, é capaz de causar danos que refletem na saúde 
e vitalidade (HOEHNE, 1939; TOKARNIA et al., 2000; HARAGUCHI, 2003). 
Em geral, as intoxicações por plantas, principalmente ornamentais, 
decorrem de ingestões acidentais e por desconhecimento da população sobre os 
perigos que elas podem causar à saúde. Para evitar acidentes com esta categoria de 
plantas é necessário o conhecimento a respeito delas e as propriedades tóxicas de 
cada espécie (SILVA et al., 2015). 
Existem em todas as partes do mundo plantas que produzem princípios 
tóxicos, capazes de perturbar ou aniquilar as funções essenciais à vida dos 
organismos animais e do próprio homem (HOEHNE, 1939). Segundo Barcellos (1998 
apud PEDRINHO et al., 2007), muitas plantas tóxicas também são plantas 
ornamentais e utilizadas no paisagismo. Facilmente encontradas nos jardins podem 
causar acidentes pelo simples contato com a pele, olhos ou mucosas, em função das 
substâncias tóxicas que as constituem (SOARES et al., 2007; VASCONCELOS et al., 
2009). 
Algumas plantas são consideradas tóxicas devido à presença de 
metabólitos secundários encontrados em grupos específicos de plantas, que 
produzem uma maior concentração desses constituintes como mecanismos de defesa 
às condições ambientais, patógenos, insetos, herbívoros, dentre outros, porém 
quando ingeridos podem causar náuseas, vômitos, diarreia, sintomas neurológicos 
como desorientação, dor de cabeça, arritmia cardíaca, podendo, inclusive, quando em 
altas doses, causar parada cardíaca e levar à morte (TAIZ; ZEIGER, 2014). 
Fatores como fertilidade do solo, luminosidade, umidade, estação do ano, 
patologias vegetais (fungos, bactérias e predação de herbívoros), variabilidade 
genética dentro da mesma espécie, influenciam diretamente na concentração do 
princípio tóxico de uma planta (HOHENE, 1939; OLIVEIRA, 2003). 
As plantasocupam o 9º lugar em casos de intoxicação humana no mundo, 
no Brasil 50% dos acidentes com plantas venenosas ocorrem com crianças até dez 
anos de idade. Em São Paulo as plantas são a quarta causa de intoxicação, 
principalmente em crianças (SIVITO X, 2016). 
 
 
 
Cabe ressaltar que a grande maioria dos profissionais que manuseiam 
plantas ornamentais não tem conhecimento sobre a composição química das plantas 
com as quais trabalham, utilizando-as como adorno pela beleza que apresentam e 
sua facilidade de manejo, desconsiderando os possíveis danos que estes vegetais 
podem causar quando manuseados incorretamente (OLIVEIRA et al., 2003). 
O grupo mais suscetível à agressividade dos princípios ativos tóxicos 
existentes nessas espécies é as crianças menores de nove anos de idade, devido à 
presença de plantas tóxicas em espaços públicos, inclusive nas escolas 
(VASCONCELOS et al., 2009). 
Diante do exposto, destacam-se nesse boletim algumas espécies de 
plantas ornamentais, já conhecidas como tóxicas, e que são comumente encontradas 
em jardim públicos e residenciais e que podem causar intoxicações ao serem 
ingeridas ou apenas manuseadas pela população. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 Espécies Ornamentais Classificadas Como Tóxicas 
2.1 Allamanda cathartica L. 
Allamanda cathartica L. pertence à família Apocynaceae, é uma trepadeira 
arbustiva, nativa da América tropical e subtropical (Figura 1). Todas as partes da 
planta são tóxicas, principalmente o látex, com presença de glicosídeo cardiotóxico, 
apresentando atividade cardiotóxica seguida de cardiotônica (MATOS et al., 2011; 
LORENZI 2013). 
Segundo Lopes et al. (2009), sua toxicidade no ser humano leva aos 
distúrbios gastrointestinais, desde náusea à diarreia, podendo ser usada como laxante 
quando aplicada de forma correta. Ainda como uso medicinal, a alamanda pode ser 
introduzida no tratamento de doenças no fígado devido à presença da alamendina, 
sendo esta uma propriedade química encontrada em sua casca, que contribui com o 
combate a tumores hepáticos. 
 
Figura 1 - Imagem das flores e folhas de 
Allamanda cathartica L. (Alamanda) 
 
Fonte: Os autores. 
 
Além dos benefícios no tratamento gastrointestinais e hepáticos, a espécie 
Allamanda cathartica também apresenta atribuições farmacológicas voltadas aos 
efeitos analgésicos, assim como anti-inflamatórios com uso da parte aérea da planta. 
Ainda, a partir de experimento realizado com camundongos, demonstra eficiência no 
 
 
 
controle contra diabetes, em razão da redução dos níveis glicêmicos, de acordo com 
Petricevich e Vargas (2019). 
 
2.2 Anthurium andraeanum Linden. 
Anthurium andraeanum Linden. (Figura 2) é uma planta perene com folhas 
sagitadas ornamentais. Inflorescência em espádice, com espatas atrativas, de cor 
branca, vermelha, rosa e salmão. Usadas em vasos ou jardins e às vezes para flores 
de corte (LORENZI; SOUZA, 2001). Como outras Araceae, os antúrios são ricos em 
cristais de oxalato de cálcio e saponinas, o que lhes confere toxicidade, se consumidas 
sem cozimento. 
 
Figura 2 - Imagem das folhas e flor de 
Anthurium andraeanum Linden. 
 
Fonte: Os autores. 
 
Basta o contato de partes das plantas com as mucosas da boca para causar 
sintomas, como irritação, eritema e bolhas com líquido. No caso de se mastigar e 
deglutir, os sintomas podem ser mais fortes na boca e estômago (HOENE, 1946; 
PLANTAS TÓXICAS, 2020). 
Outras espécies de Araceae têm características morfológicas e sintomas 
de toxicidade semelhantes, dentre elas, o copo de leite (Zantedeschia aethiopica (L.) 
Spreng. 
 
 
 
 
 
2.3 Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don 
Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don (manacá-de-cheiro) faz parte das 
Solanaceae, sendo um arbusto nativo da América do Sul, como Venezuela, Bolívia, 
Argentina e Brasil (Figura 3). De acordo com Matos et al. (2011), apresenta alcaloides 
hopeanina e brunfelsamidina ou hopamidina nas folhas, talos e raízes. É muito 
utilizada em jardins urbanos por ser pequena e não possuir raízes invasivas. 
 
Figura 3 - Imagem das flores e folhas de Brunfelsia 
uniflora (Pohl) D. Don. 
 
 Fonte: Braga (2020). 
 
Ainda segundo Matos et al. (2011), a intoxicação em animais devido a 
ingestão das toxinas presentes nas flores, as quais afetam o sistema neurológico, 
podendo levar a uma parada cardíaca. Já em seres humanos, os sintomas sãos 
voltados às náuseas e delírios, como também distúrbios mentais e insônia. 
O manacá-da-serra é uma árvore ornamental vistosa que possui três 
etapas de tonalidades, a qual durante a florescência suas flores apresentam coloração 
branca e posteriormente assumem a tonalidade rosa até amadurecer e alcançar a 
coloração violeta (LORENZI, 2013). 
A espécie B. uniflora também pode ser utilizada para controlar fungos 
produtores de micotoxinas que podem ser encontrados nas em alimentos e em 
medicamentos fitoterápicos das indústrias farmacêuticas, que causam infecções 
graves. Este controle ocorre devido à oleorresina presente na flor desta espécie 
ornamental, com eficiente controle de fungos Penicillium ochrochloron, segundo 
 
 
 
estudos realizados por Thiesen et al. (2017), onde foi utilizada concentração inibitória 
mínima (MIC) de 0,0025 mg / mL desta resida. 
 
2.4 Caladium spp. 
Caládio (Araceae) é cultivado por suas belas folhas coloridas, com faixas e 
manchas de branco, prata, vermelho, rosa, rosa e verde. Dentre as espéceis, a mais 
comumente cultivada é a Caladium x hortulanum Birdsey (Figura 4). É amplamente 
utilizada como planta de casa e no meio dos canteiros (LORENZI; SOUZA, 2001). 
 
Figura 4 - Imagem das folhas de Caladium x 
hortulanum Birdsey. 
 
Fonte: https://www.floresefolhagens.com.br/caladio-caladium-x-hortulanum/ 
 
Os caládios possuem um suco amargo contendo cristais tóxicos de oxalato 
de cálcio. Os sinais de envenenamento incluem queimação e ardência nos lábios, 
boca e língua imediatamente após mastigar partes das plantas. Podem ocorrer 
vômitos e salivação. Em casos graves, o inchaço pode dificultar a fala e a respiração. 
Dor intensa na boca geralmente impede a ingestão de grandes quantidades da planta 
(ALSOP; KARLIK, 2016). 
 
2.5 Catharanthus roseus (L.) G. Don 
Catharanthus roseus (L.) G. Don (Figura 5) é uma Apocynaceae, de nomes 
populares vinca, boa noite, maria sem vergonha e vinca-de-madagáscar. É perene, 
de floração anual e adapta-se muito bem ao calor e à luz solar direta, sendo muito 
 
 
 
resistente à seca. As folhas e flores são tóxicas, pela presença dos alcaloides 
vincristina, vimblastina, alcalóides bisindólicos, usados na pesquisa contra a diabetes 
e câncer (HOEHNE, 1939; PLANTAS TÓXICAS, 2020). 
 
Figura 5 - Imagens das folhas e flores de 
Catharanthus roseus (L.) G. Don 
 
Fonte: Os autores. 
 
A vincristina é clinicamente semelhante à colchicina, um alcaloide 
citotóxico. Em meio ao folclore, usa-se um chá feito com folhas e caules. No entanto, 
a ingestão em excesso pode causar dor orofaríngea seguida por várias horas de 
intensos sintomas gastrointestinais. Os alcalóides podem produzir neuropatia 
periférica, supressão da medula óssea e colapso cardiovascular (SERRANO, 2018). 
 
2.6 Cestrum axillare Schltdl. 
Cestrum axillare Schltdl. (Dama-da-noite), também conhecida como C. 
laevigatum, faz parte da família Solanaceae. É um arbusto originário da América do 
Norte, muito utilizada como cerca viva (Figura 6). Os compostos químicos que possui 
são saponinas esteroidias e agliconas gitonenina edigitogenina nos frutos verdes, 
folhas e casca, responsáveis em causar necrose hepática, principalmente em 
ruminantes, sendo os bovinos os que apresentam maior nível de intoxicação (MATOS 
et al., 2011). 
 
 
 
 
Figura 6 - Imagens das (A) folhas e flores; B) folhas 
e frutos de Cestrum axillare Schltdl. 
 
Fonte: Marinho (2017). 
 
A consequente intoxicação decorre da ingestão da área foliar desta espécie 
vegetal, a qual afeta diretamente o sistema nervoso dos animais, causando a 
consequente agressividade e tremores musculares, além de provocar oscilações de 
equilíbrio e sustentação. Segundos estudos de Marinho (2017), onde foram 
disponibilizadas folhas secas de Cestrum axillare para ingestão em caprinos, 
identificando intoxicação com a dose de 10g/Kg, apresentando necrose hepática no 
fígado dos animais, podendo ser o glicosídeo carboxiatractilosídeo responsável pela 
intoxicação. 
 
2.7 Codiaeum variegatum (L.) A.Juss. 
A C. variegatum (cróton) (Figura 7) pertence à Euphorbiaceae, uma das 
famílias de plantas com toxicidade por causa de substâncias presentes no látex. As 
folhas possuem tamanhos variados, desde pequenas a grandes, brilhantes, 
variegatas e muito vistosas (LORENZI; SOUZA, 2001). 
Todas as partes das plantas são tóxicas e o látex provoca eczema quando 
em contato com a pele. Apenas 5 sementes são suficientes para matar um homem de 
80 Kg, devido à substância 5-deoxi-ingenol (HOENE, 1946; PLANTAS TÓXICAS, 
2020). 
 
 
 
 
Figura 7 - Imagem da planta de 
Codiaeum variegatum (L.) A.Juss.
 
Fonte: Os autores. 
 
2.8 Dieffenbachia seguine (Jacq.) Shott 
Dieffenbachia seguine (Jacq.) Shott (comigo-ninguém-pode) faz parte da 
família Araceae. Originária da América Central e do Sul é um subarbusto rizomatoso 
muito cultivado como ornamental no Brasil e em estufas na Europa (Figura 8) (MATOS 
et al., 2011). Ainda segundo Matos, sua toxidez se dá por uma substância 
hipersensível que entra em contato com os tecidos pela ação mecânica da penetração 
dos cristais de oxalato de cálcio em forma de agulhas. 
Os sintomas de intoxicação variam conforme a gravidade, sendo capaz de 
causar problemas gastrointestinais como náuseas e diarreias, além de afetar o 
sistema cardiovascular. Quando partes da planta são ingeridas, causam dor na área 
bucal, podendo gerar asfixia e até mesmo a morte. De acordo com Martins (2014), o 
alto nível de intoxicação pela espécie Dieffenbachia spp. ocorre devido a comum 
utilização como planta ornamental em locais de fácil e constante acesso, contribuindo 
com o aumento dos acidentes envolvendo ingestão ou o simples contato com a planta. 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 - Imagem das folhas de Dieffenbachia 
seguine (Jacq.) Shott. 
 
Fonte: Santos (2011). 
 
2.9 Euphorbia milli Des Moul. 
Muitas plantas das Euphorbiaceae são causadoras de intoxicações, sendo 
a Euphorbia milli Des Moul. (coroa de cristo) (Figura 9) uma das principais. A planta 
era bastante utilizada em cercas vivas, mas, nos últimos tempos, as pessoas têm se 
conscientizado do perigo que essa espécie representa para a população em geral. 
Além da presença do látex tóxico, os caules possuem muitos espinhos, aumentando 
o risco aos que se aproximam das plantas. 
 
Figura 9- Imagem das A) folhas e flores; B) flores de 
Euphorbia milli Des Moul. 
 
Fonte: Os autores. 
 
 
 
O látex das plantas é abundante e liberado ao menor dano físico, 
principalmente, nos caules. Seu efeito irritante da pele e mucosas resulta da ação dos 
ésteres de forbol, à presença de proteases e o baixo pH do látex (4,5 a 5,5), os quais 
podem agravar a irritação. Quando partes da planta são ingeridas, desenvolve-se uma 
sensação de queimação nos lábios, na língua e na mucosa bucal. Subsequentemente 
surgem dores intestinais, vômitos e diarréia. O contato com os olhos pode levar ao 
desenvolvimento de conjuntivites, queratites e uveites, juntamente com inchaço das 
pálpebras e fechamento dos olhos devido ao edema (FERREIRA et al., 2009). 
 
2.10 Euphorbia tirucalli L. 
Euphorbia tirucalli L. (avelóz) pertence à família Euphorbiaceae. É um 
arbusto ou arvoreta amplamente distribuída na África, Ásia e Américas, comum em 
várias regiões do Brasil, principalmente no Nordeste (Figura 10). Sua toxidez é 
fortemente encontrada em seu látex cáustico e irritante provocando graves 
intoxicações como irritação nos olhos, dificultando a visão, como também vômitos e 
graves hemorragias no sistema digestivo (LORENZI, 2013). 
 
Figura 10- Imagem das partes aéreas 
de Euphorbia tirucalli L. 
 
Fonte: Os autores. 
 
Embora esta espécie seja classificada como tóxica, Oliveira e Coimbra 
(2014), apresentam em seus estudos que E. tirucalli possui em sua composição 
 
 
 
química substâncias capazes de favorecer tratamentos medicinais, como terapêuticos 
por contribuir no combate de tumores através da ação de células antitumorais, bem 
como dispor de intervenção de células mutagênicas. Esta ação acontece a partir da 
reação inflamatória causada pela proteína lectina. (RICHTER et al., 2014). 
Com isso, segundo Machado (2007), o látex quando usado em baixas 
concentrações pode ser utilizado para no tratamento de Alzheimer, pois este 
composto químico auxilia na inibição da enzima acetilcolinestrase, elevando assim, os 
níveis dos hormônios neurotransmissores ligados diretamente na transmissão de 
mensagens e memórias. 
 
2.11 Lantana camara L. 
Lantana camara L. (cambará-de-cheiro) pertence à família Verbenaceae. É 
um arbusto perene, muito ramificado, provavelmente originário de regiões tropical e 
subtropical do continente Americano (Figura 11). A toxidez é caracterizada por 
triterpenoides, lantadenos A e B que agem diretamente no fígado tanto para a espécie 
bovina, quanto para ovina, causando inquietação, coloração escura da urina como 
também ressecamento das fezes. 
 
Figura 11 - Imagem das partes aéreas Lantana camara L. 
 
Fonte: D’Oliveira et al. (2018). 
 
A partir disto, em estágios mais avançados de intoxicação, tornam-se 
visíveis os ferimentos na pele como desprendimento da pele que apresenta as feridas, 
segundo D’Oliveira et al. (2018). Os grupos de fitoconstituintes toxicos do cambará faz 
 
 
 
com que os animais tenham alta sensibilidade aos raios solares, além de oscilações 
de apetite conforme as etapas após ingestão. 
Assim como algumas plantas tóxicas, a L. camara também possui 
propriedades antitumorais e anti-inflamatórias, podendo ser utilizada em defesa a 
determinadas bactérias. De acordo com Goes et al. (2016), através do isolamento dos 
compostos biológicos e dos estudos fitoquímicos o extrato desta espécie apresenta 
características antimicrobianas capazes de impossibilitar o crescimento da bactéria 
Staphylococcus aureus, agente patogênico responsável por causar infecções 
cutâneas e ainda pneumonia, entre outros danos para a saúde. 
 
2.12 Monstera deliciosa Liebm. 
Monstera deliciosa Liebm. (Figura 12) é conhecida como banana do mato 
ou costela de adão, é uma Araceae de folhas fenestradas grandes e muito 
ornamentais. A inflorescência é uma espádice grande, de flores muito pequenas e 
frutos comestíveis (LORENZI; SOUZA, 2001). 
 
Figura 12 - Imagem da folha de 
Monstera deliciosa Liebm. 
 
Fonte: Os autores. 
 
Tal como ocorre com outras Araceae, a mastigação da sua folha provoca 
intensa irritação e edema nas mucosas da boca, faringe e laringe. Nos casos mais 
graves, pode causar náuseas e vômitos, sensação de queimação, salivaçãoabundante, dificuldade de engolir e asfixia; o contato com os olhos pode provocar 
irritação e lesão da córnea (PLANTAS TÓXICAS, 2020). 
 
2.13 Nerium oleander L. 
Nerium oleander L. (espirradeira) faz parte da família Apocynaceae, é um 
arbusto ou arvoreta ramosa, nativa da Bacia do Mediterrâneo (Figura 13). Apresenta 
um conjunto de glicosídeos cardioativos, principalmente oleandrina e algumas 
agliconas do grupo, responsáveis por causar insuficiência renal, favorecendo o 
acúmulo de cálcio, o que leva a consequentes problemas cardiovasculares 
(PEDROZA et al., 2014). 
 
Figura 13 - Imagem das partes 
aéreas de Nerium oleander L 
 
Fonte: Os autores. 
 
Ainda segundo Pedroza, apesar das características tóxicas, N. oleander 
dispõe de benefícios farmacológicos com ação antineoplasica, evitando o crescimento 
de possíveis tumores, e conforme Singh et al. (2013) tende a apresentar uma 
significativa capacidade anti-HIV, devido ao potencial terapêutico encontrado em seu 
extrato. 
Segundo Barbosa et al. (2018), a partir de análises toxicológicas de rins e 
fígados de ratos. Este estudo mostra que foi encontrado teores de glicosídeo 
significativos no miocárdio dos animais, podendo ser considerado a toxicidade do 
 
 
 
sistema cardiovascular, causando desorientação e convulsão. Com base nesta 
análise química, a composição biológica da espécie N. oleander apresenta relevante 
importância para estudos voltados ao sistema neurológico. 
 
2.14 Plumbago scandens L. 
Plumbago scandens L. (azulzinha) pertence à família Plumbaginaceae. É 
encontrado no Amazonas até São Paulo e Mato Grosso, nos lugares mais frescos do 
Nordeste, principalmente na Bahia sendo, portanto, nativa do Brasil (Figura 14). Todos 
os seus órgãos possuem substâncias tóxicas, mas principalmente folhas e raízes 
apresentam flavonoides, várias quinonas e substâncias correlatadas, sendo a 
plumbagina o composto majoritário das raízes. 
 
Figura 14 - Imagem das flores de 
Plumbago scandens L. 
 
Fonte: Bezerra (2011). 
 
Para finalidade medicinal, esta espécie contribui com atividade analgésica 
usada no setor odontológico para tratamento de dor de dente, além de auxiliar no 
combate à sífilis, assim como remoção de verrugas (OLIVEIRA et al., 2013). No 
entanto, segundo Bezerra (2011), com a ingestão o rúmen do animal é afetado, 
sofrendo degeneração das células, além do animal sofrer de anorexia, comum 
salivação excessiva e dores no abdômen. 
 
 
 
 
 
2.15 Plumeria rubra L. 
Plumeria rubra L. (Figura 15) é uma arvoreta nativa do México, com até 8 
m de altura, conhecida como jasmim-manga (Apocynaceae). As folhas são grandes, 
largas e brilhantes e caem no outono-inverno. A floração inicia-se no fim do inverno e 
permanece pela primavera, com a sucessiva formação de flores de diversas cores e 
nuances entre o branco, o amarelo, o rosa, o salmão e o vinho. Toda planta é tóxica, 
especialmente flores e látex cáustico, tóxicos pela presença do alcaloide agoniadina, 
plumerina e ácido plumeritânico (FRACARO, 2016, PLANTAS TÓXICAS, 2020). 
 
Figura 15. Imagem da A) planta; B) folhas e flores de 
Plumeria rubra L. 
 
Fonte: Os autores. 
 
Os sintomas de intoxicação são náuseas, midríase, alucinações, redução 
dos reflexos, diarreia e hipotensão (PLANTAS TÓXICAS, 2020). 
 
2.16 Rhododendron spp. 
Rhododendron spp. (Ericaceae) inclui cerca de 1000 espécies, conhecidas 
popularmente como azaléia, sendo a espécie mais comum a Rhododendron simsii 
Planch (Figura 16). São arbustos perenes, semi-verdes ou decíduos que variam de 1 
a mais de 2 m de altura. As flores têm vários tons, desde vermelho, rosa, branco, 
amarelo, laranja e lavanda (LORENZI; SOUZA, 2001). 
A planta inteira contém resinas de grayanotoxina, mas a toxina está 
concentrada na folhagem. A toxicidade pode ocorrer pela ingestão de partes de 
 
 
 
plantas ou mel contaminado e depende da quantidade ingerida. Os sintomas incluem 
queimação na boca, dormência e formigamento na boca, salivação, náusea, vômito, 
diarreia, sudorese, tontura, diminuição da pressão arterial, diminuição da frequência 
cardíada, coma, desmaios, estado mental alterado e convulsões. Mortes foram 
registradas na literatura antiga, mas nenhum relato de morte ocorreu na literatura 
médica moderna. Os sinais e sintomas de envenenamento geralmente não duram 
mais de 24 horas (ALSOP; KARLIK, 2016). 
 
Figura 16 - Imagem das folhas de 
Rhododendron simsii Planch. 
 
Fonte: https://www.fazfacil.com.br/jardim/azaleia/ 
 
2.17 Thevetia peruviana (Pers.) K. Schum 
Thevetia peruviana (Pers.) K. Schum. (chapéu-de-napoleão) também 
pertence à família Apocynaceae, sendo um arbusto ou arvoreta latescente, originário 
da América tropical (Figura 17). De acordo com Matos et al. (2011), em todas as suas 
partes, exceto o pericarpo, são encontrados vários heterosídeos cardioativos, sendo 
encontrados em maior concentração nas sementes e folhas. 
Embora sua composição química favoreça a intoxicação tanto de animais, 
quanto de seres humanos, Save et al. (2015) declara que os metabólitos secundários 
da espécie originam compostos que desenvolve ações anti-inflamatórias. Conforme, 
inda possuem atividade antimicrobiana, além de dispor de glicosídeos com função 
inseticida e contribuir com o controle de moluscos para áreas agrícolas. 
 
 
 
 
Figura 17 - Imagem das folhas e flor de Thevetia 
peruviana (Pers.) K. Schum. 
 
Fonte: Sistema Nacional de Informações Tóxico-
Farmacológicas (2020). 
 
Segundo Cruz (2015), após a ingestão de partes da planta por humanos, 
as propriedades tóxicas provocam reações gastrointestinais como náuseas e vômitos, 
assim como diarreia e dores na região do abdômen. Além disso, afetam o sistema 
neurológico causando alteração nos pulsos elétricos. Para uso medicinal, é uma 
espécie que possui ações anticâncer, por apresentar uma composição química capaz 
de inibir o aumento das células tumorais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas: Cuidados e 
recomendações 
Conforme o conhecimento sobre os graves riscos de intoxicação devido à 
ingestão ou contato de plantas classificadas como tóxicas, tanto para animais, quanto 
para humanos, onde os casos comumente ocorrem em crianças e animais é essencial 
que haja cuidados com o uso na ornamentação. Em vista disto, o Sistema Nacional 
de Informações Tóxico-Farmacológicas dispõe de recomendações para casos de 
intoxicação, ou evitar possíveis acidentes (SINITOX, 2016): 
 Mantenha as plantas venenosas fora do alcance das crianças; 
 Ensine as crianças que não se devem colocar plantas na boca, e não 
utilizá-las como brinquedo; 
 Conheça as plantas que tem em casa e arredores pelo nome e 
características; 
 Não coma plantas desconhecidas; 
 Quando estiver lidando com plantas venenosas use luvas; 
 Não faça remédios ou chás caseiros com plantas, sem orientação 
médica. 
 Cuidado ao podar as plantas que liberam látex provocando irritação na 
pele, principalmente nos olhos, evite deixar os galhos em qualquer local 
onde possam vir a ser manuseados por crianças; 
 Em caso de acidentes, procure imediatamente orientação médica e 
guarde a planta para identificação. 
 
4 Considerações Finais 
 
Muitas plantas ornamentais são consideradas tóxicas, assim sendo, a escolha 
de plantas para compor as áreas verdes, principalmente em espaços públicos, deve 
ser feita com critérios. 
O conhecimento e identificação das plantas, buscando a conscientização das 
pessoas é fundamental para evitar e ou minimizar os riscos para a populaçãoque 
utiliza esses espaços para o lazer. 
 
 
 
 
 
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Autores Organizadores 
Profa. Dra. Denise Renata Pedrinho, Engenheira Agrônoma, Mestrado e Doutorado 
em Produção Vegetal pela Universidade Estadual Paulista, UNESP/FCAV, Campus 
de Jaboticabal, SP. Coordenadora e professora do Mestrado em Produção e Gestão 
Agroindustrial e do Curso de Agronomia da Universidade Anhanguera-Uniderp, 
Campo Grande, MS, responsável pelas disciplinas de “Floricultura e Plantas 
Ornamentais” e “Paisagismo”, em nível de Graduação. 
 
Profa. Dra. Rosemary Matias, Química, Mestrado e Doutorado em Química pela 
Universidade Estadual de Maringá - UEM. Coordenadora e professora do Programa 
de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e do Curso de 
Agronomia, Farmácia e Biomedicina da Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo 
Grande, MS é responsável pela disciplina de Prospecção de Produtos Naturais. 
Pesquisador CNP2 na área de Ciências Ambientais. 
 
Profa. Dra. Silvia Cristina Heredia Vieira, Farmacêutica, Mestre em Ciências 
Farmacêuticas pela Universidade Estadual de Maringá-UEM e Doutora em Ciências 
Farmacêuticas pela UNESP de Araraquara-SP. Fez doutorado sanduíche na 
Universidad de Cádiz, na Espanha e pós-doutorado em Recursos Naturais na UEMS 
de Dourados-MS. É professora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e 
Desenvolvimento Regional e atua nas disciplinas de Prospecção de Produtos Naturais 
e Poluentes Ambientais& Bioindicadores. Na graduação é professora do curso de 
Agronomia da Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande-MS. 
 
Equipe Executora das Atividades 
Profa. Dra. Denise Renata Pedrinho, Engenheira Agrônoma, professora do Mestrado 
em Produção e Gestão Agroindustrial da Universidade Anhanguera-Uniderp, Campo 
Grande, MS. 
 
Profa. Dra. Rosemary Matias, Química, professora do Programa de Pós-Graduação 
em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade Anhanguera – 
Uniderp, Campo Grande, MS. 
 
Profa. Dra. Silvia Cristina Heredia Vieira, Farmacêutica, professora do Programa de 
 
 
 
Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade 
Anhanguera – Uniderp, Campo Grande-MS. 
 
Giovana Coutinho Zulin Nascimento, Farmacêutica, é Mestre e Doutoranda em 
Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional Sustentável, pela Universidade 
Anhanguera – Uniderp, Campo Grande, MS. Posui Especialização em: Docência do 
Ensino Superior, Manipulação Alopática pela ANFARMAG, Acupuntura - Associação 
Brasileira de Acupuntura e e Biomedicina Estética pela Faculdade AVM. Atua na área 
de Produtos Naturais. 
 
Cinthia Dos Santos Lopes, Engenheira Agrônoma, Bacharel em Agronomia pela 
Universidade Anhanguera Uniderp Agrárias, Campo Grande, MS. Mestranda em 
Produção e Gestão Agroindustrial, Uniderp. 
 
Apoio: Universidade Anhanguera – Uniderp, Funadesp e a Bolsa de Doutorado 
concedida pela Capes e a Bolsa de Pesquisador CNPq2.

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