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Organizadores: Denise Renata Pedrinho Rosemary Matias Silvia Cristina Heredia Vieira Universidade Anhanguera Uniderp-Agrárias Boletim Técnico: Plantas Ornamentais Tóxicas Denise Renata Pedrinho Rosemary Matias Silvia Cristina Heredia Vieira (Organizadores) Boletim Técnico: Plantas Ornamentais Tóxicas Editora Científica 2020 Diretoria de Pós-Graduação Stricto Sensu e Pesquisa da Kroton Hélio Hiroshi Suguimoto Reitoria da Universidade Anhanguera Uniderp Taner Douglas Alves Bitencourt Pró-Reitora de Pesquisa da Uniderp Denise Renata Pedrinho Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Produção e Gestão Agroindustrial Denise Renata Pedrinho Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional Rosemary Matias Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Selma Alice Ferreira Ellwein – CRB 9/1558 P583b Pedrinho, Denise Renata, et al. Boletim Técnico: plantas ornamentais tóxicas. / Denise Renata Pedrinho, Rosemary Matias, Silvia Cristina Heredia Vieira. – Londrina: Editora Científica, 2020. ISBN 978-65-00-12623-5 1. Plantas Ornamentais. 2. Paisagismo. 3. Cuidados e Utilização. I. Autores. II. Título. CDD 581 Editoração Eletrônica: Denise Renata Pedrinho Rosemary Matias Capa (layout): Rosemary Matias Organizadores: Denise Renata Pedrinho Rosemary Matias Silvia Cristina Heredia Vieira SUMARIO Apresentação............................................................................................................ 04 1 Introdução............................................................................................................... 05 2 Espécies ornamentais classificadas como tóxica................................................... 07 2.1. Allamanda cathartica ........................................................................... 07 2.2. Anthurium andraeanum Linden............................................................ 08 2.3. Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don.......................................................... 09 2.4. Caladium spp....................................................................................... 10 2.5. Catharanthus roseus (L.) G. Don......................................................... 10 2.6. Cestrum axillare Schltdl........................................................................ 11 2.7. Codiaeum variegatum (L.) A.Juss........................................................ 12 2.8. Dieffenbachia seguine (Jacq.) Shott.................................................... 13 2.9. Euphorbia milli Des Moul…................................................................... 14 2.10. Euphorbia tirucalli L.............................................................................. 15 2.11. Lantana câmara L................................................................................ 16 2.12. Monstera deliciosa Liebm.................................................................... 17 2.13. Nerium oleander L................................................................................ 18 2.14. Plumbago scandens L. ........................................................................ 19 2.15. Plumeria rubra L................................................................................... 20 2.16. Rhododendron simsii Planch............................................................... 20 2.17. Thevetia peruviana (Pers.) K. Schum.................................................. 21 3 Cuidados recomendados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico- Farmacológicas: Cuidados e recomendações .......................................................... 22 4 Considerações Finais..............................................................................................22 Referências............................................................................................................... 23 Autores Organizadores..............................................................................................27 Equipe Executora das Atividades..............................................................................27 APRESENTAÇÃO A utilização de espécies ornamentais faz parte da vida humana desde a antiguidade, sendo utilizadas com a finalidade de tornar os ambientes mais agradáveis, bonitos e aconchegantes e são facilmente encontradas em jardins públicos e residenciais; entretanto, muitas dessas espécies possuem substâncias tóxicas e, assim, se tornam perigosas à saúde quando ingeridas ou em contato com a pele e mucosas. A falta de conhecimento sobre tais espécies gera números preocupantes de intoxicação humana e de animais por plantas, devido à falta de planejamento na implantação de jardins, bem como no manuseio dessas espécies. As intoxicações podem ser brandas, com reações alérgicas tópicas ou até mesmo levar à morte, por isso é de grande relevância o conhecimento dessas espécies para que essas intoxicações sejam evitadas. Esse boletim técnico é direcionado prioritariamente aos profissionais que atuam na área de paisagismo, bem como alunos de graduação em Agronomia, Ciências Biológicas, Arquitetura, Mestrandos e Doutorandos. Os autores 1 Introdução Definem-se como plantas tóxicas todo vegetal que, ingerido pelo homem ou animais, em condições naturais, é capaz de causar danos que refletem na saúde e vitalidade (HOEHNE, 1939; TOKARNIA et al., 2000; HARAGUCHI, 2003). Em geral, as intoxicações por plantas, principalmente ornamentais, decorrem de ingestões acidentais e por desconhecimento da população sobre os perigos que elas podem causar à saúde. Para evitar acidentes com esta categoria de plantas é necessário o conhecimento a respeito delas e as propriedades tóxicas de cada espécie (SILVA et al., 2015). Existem em todas as partes do mundo plantas que produzem princípios tóxicos, capazes de perturbar ou aniquilar as funções essenciais à vida dos organismos animais e do próprio homem (HOEHNE, 1939). Segundo Barcellos (1998 apud PEDRINHO et al., 2007), muitas plantas tóxicas também são plantas ornamentais e utilizadas no paisagismo. Facilmente encontradas nos jardins podem causar acidentes pelo simples contato com a pele, olhos ou mucosas, em função das substâncias tóxicas que as constituem (SOARES et al., 2007; VASCONCELOS et al., 2009). Algumas plantas são consideradas tóxicas devido à presença de metabólitos secundários encontrados em grupos específicos de plantas, que produzem uma maior concentração desses constituintes como mecanismos de defesa às condições ambientais, patógenos, insetos, herbívoros, dentre outros, porém quando ingeridos podem causar náuseas, vômitos, diarreia, sintomas neurológicos como desorientação, dor de cabeça, arritmia cardíaca, podendo, inclusive, quando em altas doses, causar parada cardíaca e levar à morte (TAIZ; ZEIGER, 2014). Fatores como fertilidade do solo, luminosidade, umidade, estação do ano, patologias vegetais (fungos, bactérias e predação de herbívoros), variabilidade genética dentro da mesma espécie, influenciam diretamente na concentração do princípio tóxico de uma planta (HOHENE, 1939; OLIVEIRA, 2003). As plantasocupam o 9º lugar em casos de intoxicação humana no mundo, no Brasil 50% dos acidentes com plantas venenosas ocorrem com crianças até dez anos de idade. Em São Paulo as plantas são a quarta causa de intoxicação, principalmente em crianças (SIVITO X, 2016). Cabe ressaltar que a grande maioria dos profissionais que manuseiam plantas ornamentais não tem conhecimento sobre a composição química das plantas com as quais trabalham, utilizando-as como adorno pela beleza que apresentam e sua facilidade de manejo, desconsiderando os possíveis danos que estes vegetais podem causar quando manuseados incorretamente (OLIVEIRA et al., 2003). O grupo mais suscetível à agressividade dos princípios ativos tóxicos existentes nessas espécies é as crianças menores de nove anos de idade, devido à presença de plantas tóxicas em espaços públicos, inclusive nas escolas (VASCONCELOS et al., 2009). Diante do exposto, destacam-se nesse boletim algumas espécies de plantas ornamentais, já conhecidas como tóxicas, e que são comumente encontradas em jardim públicos e residenciais e que podem causar intoxicações ao serem ingeridas ou apenas manuseadas pela população. 2 Espécies Ornamentais Classificadas Como Tóxicas 2.1 Allamanda cathartica L. Allamanda cathartica L. pertence à família Apocynaceae, é uma trepadeira arbustiva, nativa da América tropical e subtropical (Figura 1). Todas as partes da planta são tóxicas, principalmente o látex, com presença de glicosídeo cardiotóxico, apresentando atividade cardiotóxica seguida de cardiotônica (MATOS et al., 2011; LORENZI 2013). Segundo Lopes et al. (2009), sua toxicidade no ser humano leva aos distúrbios gastrointestinais, desde náusea à diarreia, podendo ser usada como laxante quando aplicada de forma correta. Ainda como uso medicinal, a alamanda pode ser introduzida no tratamento de doenças no fígado devido à presença da alamendina, sendo esta uma propriedade química encontrada em sua casca, que contribui com o combate a tumores hepáticos. Figura 1 - Imagem das flores e folhas de Allamanda cathartica L. (Alamanda) Fonte: Os autores. Além dos benefícios no tratamento gastrointestinais e hepáticos, a espécie Allamanda cathartica também apresenta atribuições farmacológicas voltadas aos efeitos analgésicos, assim como anti-inflamatórios com uso da parte aérea da planta. Ainda, a partir de experimento realizado com camundongos, demonstra eficiência no controle contra diabetes, em razão da redução dos níveis glicêmicos, de acordo com Petricevich e Vargas (2019). 2.2 Anthurium andraeanum Linden. Anthurium andraeanum Linden. (Figura 2) é uma planta perene com folhas sagitadas ornamentais. Inflorescência em espádice, com espatas atrativas, de cor branca, vermelha, rosa e salmão. Usadas em vasos ou jardins e às vezes para flores de corte (LORENZI; SOUZA, 2001). Como outras Araceae, os antúrios são ricos em cristais de oxalato de cálcio e saponinas, o que lhes confere toxicidade, se consumidas sem cozimento. Figura 2 - Imagem das folhas e flor de Anthurium andraeanum Linden. Fonte: Os autores. Basta o contato de partes das plantas com as mucosas da boca para causar sintomas, como irritação, eritema e bolhas com líquido. No caso de se mastigar e deglutir, os sintomas podem ser mais fortes na boca e estômago (HOENE, 1946; PLANTAS TÓXICAS, 2020). Outras espécies de Araceae têm características morfológicas e sintomas de toxicidade semelhantes, dentre elas, o copo de leite (Zantedeschia aethiopica (L.) Spreng. 2.3 Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don (manacá-de-cheiro) faz parte das Solanaceae, sendo um arbusto nativo da América do Sul, como Venezuela, Bolívia, Argentina e Brasil (Figura 3). De acordo com Matos et al. (2011), apresenta alcaloides hopeanina e brunfelsamidina ou hopamidina nas folhas, talos e raízes. É muito utilizada em jardins urbanos por ser pequena e não possuir raízes invasivas. Figura 3 - Imagem das flores e folhas de Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don. Fonte: Braga (2020). Ainda segundo Matos et al. (2011), a intoxicação em animais devido a ingestão das toxinas presentes nas flores, as quais afetam o sistema neurológico, podendo levar a uma parada cardíaca. Já em seres humanos, os sintomas sãos voltados às náuseas e delírios, como também distúrbios mentais e insônia. O manacá-da-serra é uma árvore ornamental vistosa que possui três etapas de tonalidades, a qual durante a florescência suas flores apresentam coloração branca e posteriormente assumem a tonalidade rosa até amadurecer e alcançar a coloração violeta (LORENZI, 2013). A espécie B. uniflora também pode ser utilizada para controlar fungos produtores de micotoxinas que podem ser encontrados nas em alimentos e em medicamentos fitoterápicos das indústrias farmacêuticas, que causam infecções graves. Este controle ocorre devido à oleorresina presente na flor desta espécie ornamental, com eficiente controle de fungos Penicillium ochrochloron, segundo estudos realizados por Thiesen et al. (2017), onde foi utilizada concentração inibitória mínima (MIC) de 0,0025 mg / mL desta resida. 2.4 Caladium spp. Caládio (Araceae) é cultivado por suas belas folhas coloridas, com faixas e manchas de branco, prata, vermelho, rosa, rosa e verde. Dentre as espéceis, a mais comumente cultivada é a Caladium x hortulanum Birdsey (Figura 4). É amplamente utilizada como planta de casa e no meio dos canteiros (LORENZI; SOUZA, 2001). Figura 4 - Imagem das folhas de Caladium x hortulanum Birdsey. Fonte: https://www.floresefolhagens.com.br/caladio-caladium-x-hortulanum/ Os caládios possuem um suco amargo contendo cristais tóxicos de oxalato de cálcio. Os sinais de envenenamento incluem queimação e ardência nos lábios, boca e língua imediatamente após mastigar partes das plantas. Podem ocorrer vômitos e salivação. Em casos graves, o inchaço pode dificultar a fala e a respiração. Dor intensa na boca geralmente impede a ingestão de grandes quantidades da planta (ALSOP; KARLIK, 2016). 2.5 Catharanthus roseus (L.) G. Don Catharanthus roseus (L.) G. Don (Figura 5) é uma Apocynaceae, de nomes populares vinca, boa noite, maria sem vergonha e vinca-de-madagáscar. É perene, de floração anual e adapta-se muito bem ao calor e à luz solar direta, sendo muito resistente à seca. As folhas e flores são tóxicas, pela presença dos alcaloides vincristina, vimblastina, alcalóides bisindólicos, usados na pesquisa contra a diabetes e câncer (HOEHNE, 1939; PLANTAS TÓXICAS, 2020). Figura 5 - Imagens das folhas e flores de Catharanthus roseus (L.) G. Don Fonte: Os autores. A vincristina é clinicamente semelhante à colchicina, um alcaloide citotóxico. Em meio ao folclore, usa-se um chá feito com folhas e caules. No entanto, a ingestão em excesso pode causar dor orofaríngea seguida por várias horas de intensos sintomas gastrointestinais. Os alcalóides podem produzir neuropatia periférica, supressão da medula óssea e colapso cardiovascular (SERRANO, 2018). 2.6 Cestrum axillare Schltdl. Cestrum axillare Schltdl. (Dama-da-noite), também conhecida como C. laevigatum, faz parte da família Solanaceae. É um arbusto originário da América do Norte, muito utilizada como cerca viva (Figura 6). Os compostos químicos que possui são saponinas esteroidias e agliconas gitonenina edigitogenina nos frutos verdes, folhas e casca, responsáveis em causar necrose hepática, principalmente em ruminantes, sendo os bovinos os que apresentam maior nível de intoxicação (MATOS et al., 2011). Figura 6 - Imagens das (A) folhas e flores; B) folhas e frutos de Cestrum axillare Schltdl. Fonte: Marinho (2017). A consequente intoxicação decorre da ingestão da área foliar desta espécie vegetal, a qual afeta diretamente o sistema nervoso dos animais, causando a consequente agressividade e tremores musculares, além de provocar oscilações de equilíbrio e sustentação. Segundos estudos de Marinho (2017), onde foram disponibilizadas folhas secas de Cestrum axillare para ingestão em caprinos, identificando intoxicação com a dose de 10g/Kg, apresentando necrose hepática no fígado dos animais, podendo ser o glicosídeo carboxiatractilosídeo responsável pela intoxicação. 2.7 Codiaeum variegatum (L.) A.Juss. A C. variegatum (cróton) (Figura 7) pertence à Euphorbiaceae, uma das famílias de plantas com toxicidade por causa de substâncias presentes no látex. As folhas possuem tamanhos variados, desde pequenas a grandes, brilhantes, variegatas e muito vistosas (LORENZI; SOUZA, 2001). Todas as partes das plantas são tóxicas e o látex provoca eczema quando em contato com a pele. Apenas 5 sementes são suficientes para matar um homem de 80 Kg, devido à substância 5-deoxi-ingenol (HOENE, 1946; PLANTAS TÓXICAS, 2020). Figura 7 - Imagem da planta de Codiaeum variegatum (L.) A.Juss. Fonte: Os autores. 2.8 Dieffenbachia seguine (Jacq.) Shott Dieffenbachia seguine (Jacq.) Shott (comigo-ninguém-pode) faz parte da família Araceae. Originária da América Central e do Sul é um subarbusto rizomatoso muito cultivado como ornamental no Brasil e em estufas na Europa (Figura 8) (MATOS et al., 2011). Ainda segundo Matos, sua toxidez se dá por uma substância hipersensível que entra em contato com os tecidos pela ação mecânica da penetração dos cristais de oxalato de cálcio em forma de agulhas. Os sintomas de intoxicação variam conforme a gravidade, sendo capaz de causar problemas gastrointestinais como náuseas e diarreias, além de afetar o sistema cardiovascular. Quando partes da planta são ingeridas, causam dor na área bucal, podendo gerar asfixia e até mesmo a morte. De acordo com Martins (2014), o alto nível de intoxicação pela espécie Dieffenbachia spp. ocorre devido a comum utilização como planta ornamental em locais de fácil e constante acesso, contribuindo com o aumento dos acidentes envolvendo ingestão ou o simples contato com a planta. Figura 8 - Imagem das folhas de Dieffenbachia seguine (Jacq.) Shott. Fonte: Santos (2011). 2.9 Euphorbia milli Des Moul. Muitas plantas das Euphorbiaceae são causadoras de intoxicações, sendo a Euphorbia milli Des Moul. (coroa de cristo) (Figura 9) uma das principais. A planta era bastante utilizada em cercas vivas, mas, nos últimos tempos, as pessoas têm se conscientizado do perigo que essa espécie representa para a população em geral. Além da presença do látex tóxico, os caules possuem muitos espinhos, aumentando o risco aos que se aproximam das plantas. Figura 9- Imagem das A) folhas e flores; B) flores de Euphorbia milli Des Moul. Fonte: Os autores. O látex das plantas é abundante e liberado ao menor dano físico, principalmente, nos caules. Seu efeito irritante da pele e mucosas resulta da ação dos ésteres de forbol, à presença de proteases e o baixo pH do látex (4,5 a 5,5), os quais podem agravar a irritação. Quando partes da planta são ingeridas, desenvolve-se uma sensação de queimação nos lábios, na língua e na mucosa bucal. Subsequentemente surgem dores intestinais, vômitos e diarréia. O contato com os olhos pode levar ao desenvolvimento de conjuntivites, queratites e uveites, juntamente com inchaço das pálpebras e fechamento dos olhos devido ao edema (FERREIRA et al., 2009). 2.10 Euphorbia tirucalli L. Euphorbia tirucalli L. (avelóz) pertence à família Euphorbiaceae. É um arbusto ou arvoreta amplamente distribuída na África, Ásia e Américas, comum em várias regiões do Brasil, principalmente no Nordeste (Figura 10). Sua toxidez é fortemente encontrada em seu látex cáustico e irritante provocando graves intoxicações como irritação nos olhos, dificultando a visão, como também vômitos e graves hemorragias no sistema digestivo (LORENZI, 2013). Figura 10- Imagem das partes aéreas de Euphorbia tirucalli L. Fonte: Os autores. Embora esta espécie seja classificada como tóxica, Oliveira e Coimbra (2014), apresentam em seus estudos que E. tirucalli possui em sua composição química substâncias capazes de favorecer tratamentos medicinais, como terapêuticos por contribuir no combate de tumores através da ação de células antitumorais, bem como dispor de intervenção de células mutagênicas. Esta ação acontece a partir da reação inflamatória causada pela proteína lectina. (RICHTER et al., 2014). Com isso, segundo Machado (2007), o látex quando usado em baixas concentrações pode ser utilizado para no tratamento de Alzheimer, pois este composto químico auxilia na inibição da enzima acetilcolinestrase, elevando assim, os níveis dos hormônios neurotransmissores ligados diretamente na transmissão de mensagens e memórias. 2.11 Lantana camara L. Lantana camara L. (cambará-de-cheiro) pertence à família Verbenaceae. É um arbusto perene, muito ramificado, provavelmente originário de regiões tropical e subtropical do continente Americano (Figura 11). A toxidez é caracterizada por triterpenoides, lantadenos A e B que agem diretamente no fígado tanto para a espécie bovina, quanto para ovina, causando inquietação, coloração escura da urina como também ressecamento das fezes. Figura 11 - Imagem das partes aéreas Lantana camara L. Fonte: D’Oliveira et al. (2018). A partir disto, em estágios mais avançados de intoxicação, tornam-se visíveis os ferimentos na pele como desprendimento da pele que apresenta as feridas, segundo D’Oliveira et al. (2018). Os grupos de fitoconstituintes toxicos do cambará faz com que os animais tenham alta sensibilidade aos raios solares, além de oscilações de apetite conforme as etapas após ingestão. Assim como algumas plantas tóxicas, a L. camara também possui propriedades antitumorais e anti-inflamatórias, podendo ser utilizada em defesa a determinadas bactérias. De acordo com Goes et al. (2016), através do isolamento dos compostos biológicos e dos estudos fitoquímicos o extrato desta espécie apresenta características antimicrobianas capazes de impossibilitar o crescimento da bactéria Staphylococcus aureus, agente patogênico responsável por causar infecções cutâneas e ainda pneumonia, entre outros danos para a saúde. 2.12 Monstera deliciosa Liebm. Monstera deliciosa Liebm. (Figura 12) é conhecida como banana do mato ou costela de adão, é uma Araceae de folhas fenestradas grandes e muito ornamentais. A inflorescência é uma espádice grande, de flores muito pequenas e frutos comestíveis (LORENZI; SOUZA, 2001). Figura 12 - Imagem da folha de Monstera deliciosa Liebm. Fonte: Os autores. Tal como ocorre com outras Araceae, a mastigação da sua folha provoca intensa irritação e edema nas mucosas da boca, faringe e laringe. Nos casos mais graves, pode causar náuseas e vômitos, sensação de queimação, salivaçãoabundante, dificuldade de engolir e asfixia; o contato com os olhos pode provocar irritação e lesão da córnea (PLANTAS TÓXICAS, 2020). 2.13 Nerium oleander L. Nerium oleander L. (espirradeira) faz parte da família Apocynaceae, é um arbusto ou arvoreta ramosa, nativa da Bacia do Mediterrâneo (Figura 13). Apresenta um conjunto de glicosídeos cardioativos, principalmente oleandrina e algumas agliconas do grupo, responsáveis por causar insuficiência renal, favorecendo o acúmulo de cálcio, o que leva a consequentes problemas cardiovasculares (PEDROZA et al., 2014). Figura 13 - Imagem das partes aéreas de Nerium oleander L Fonte: Os autores. Ainda segundo Pedroza, apesar das características tóxicas, N. oleander dispõe de benefícios farmacológicos com ação antineoplasica, evitando o crescimento de possíveis tumores, e conforme Singh et al. (2013) tende a apresentar uma significativa capacidade anti-HIV, devido ao potencial terapêutico encontrado em seu extrato. Segundo Barbosa et al. (2018), a partir de análises toxicológicas de rins e fígados de ratos. Este estudo mostra que foi encontrado teores de glicosídeo significativos no miocárdio dos animais, podendo ser considerado a toxicidade do sistema cardiovascular, causando desorientação e convulsão. Com base nesta análise química, a composição biológica da espécie N. oleander apresenta relevante importância para estudos voltados ao sistema neurológico. 2.14 Plumbago scandens L. Plumbago scandens L. (azulzinha) pertence à família Plumbaginaceae. É encontrado no Amazonas até São Paulo e Mato Grosso, nos lugares mais frescos do Nordeste, principalmente na Bahia sendo, portanto, nativa do Brasil (Figura 14). Todos os seus órgãos possuem substâncias tóxicas, mas principalmente folhas e raízes apresentam flavonoides, várias quinonas e substâncias correlatadas, sendo a plumbagina o composto majoritário das raízes. Figura 14 - Imagem das flores de Plumbago scandens L. Fonte: Bezerra (2011). Para finalidade medicinal, esta espécie contribui com atividade analgésica usada no setor odontológico para tratamento de dor de dente, além de auxiliar no combate à sífilis, assim como remoção de verrugas (OLIVEIRA et al., 2013). No entanto, segundo Bezerra (2011), com a ingestão o rúmen do animal é afetado, sofrendo degeneração das células, além do animal sofrer de anorexia, comum salivação excessiva e dores no abdômen. 2.15 Plumeria rubra L. Plumeria rubra L. (Figura 15) é uma arvoreta nativa do México, com até 8 m de altura, conhecida como jasmim-manga (Apocynaceae). As folhas são grandes, largas e brilhantes e caem no outono-inverno. A floração inicia-se no fim do inverno e permanece pela primavera, com a sucessiva formação de flores de diversas cores e nuances entre o branco, o amarelo, o rosa, o salmão e o vinho. Toda planta é tóxica, especialmente flores e látex cáustico, tóxicos pela presença do alcaloide agoniadina, plumerina e ácido plumeritânico (FRACARO, 2016, PLANTAS TÓXICAS, 2020). Figura 15. Imagem da A) planta; B) folhas e flores de Plumeria rubra L. Fonte: Os autores. Os sintomas de intoxicação são náuseas, midríase, alucinações, redução dos reflexos, diarreia e hipotensão (PLANTAS TÓXICAS, 2020). 2.16 Rhododendron spp. Rhododendron spp. (Ericaceae) inclui cerca de 1000 espécies, conhecidas popularmente como azaléia, sendo a espécie mais comum a Rhododendron simsii Planch (Figura 16). São arbustos perenes, semi-verdes ou decíduos que variam de 1 a mais de 2 m de altura. As flores têm vários tons, desde vermelho, rosa, branco, amarelo, laranja e lavanda (LORENZI; SOUZA, 2001). A planta inteira contém resinas de grayanotoxina, mas a toxina está concentrada na folhagem. A toxicidade pode ocorrer pela ingestão de partes de plantas ou mel contaminado e depende da quantidade ingerida. Os sintomas incluem queimação na boca, dormência e formigamento na boca, salivação, náusea, vômito, diarreia, sudorese, tontura, diminuição da pressão arterial, diminuição da frequência cardíada, coma, desmaios, estado mental alterado e convulsões. Mortes foram registradas na literatura antiga, mas nenhum relato de morte ocorreu na literatura médica moderna. Os sinais e sintomas de envenenamento geralmente não duram mais de 24 horas (ALSOP; KARLIK, 2016). Figura 16 - Imagem das folhas de Rhododendron simsii Planch. Fonte: https://www.fazfacil.com.br/jardim/azaleia/ 2.17 Thevetia peruviana (Pers.) K. Schum Thevetia peruviana (Pers.) K. Schum. (chapéu-de-napoleão) também pertence à família Apocynaceae, sendo um arbusto ou arvoreta latescente, originário da América tropical (Figura 17). De acordo com Matos et al. (2011), em todas as suas partes, exceto o pericarpo, são encontrados vários heterosídeos cardioativos, sendo encontrados em maior concentração nas sementes e folhas. Embora sua composição química favoreça a intoxicação tanto de animais, quanto de seres humanos, Save et al. (2015) declara que os metabólitos secundários da espécie originam compostos que desenvolve ações anti-inflamatórias. Conforme, inda possuem atividade antimicrobiana, além de dispor de glicosídeos com função inseticida e contribuir com o controle de moluscos para áreas agrícolas. Figura 17 - Imagem das folhas e flor de Thevetia peruviana (Pers.) K. Schum. Fonte: Sistema Nacional de Informações Tóxico- Farmacológicas (2020). Segundo Cruz (2015), após a ingestão de partes da planta por humanos, as propriedades tóxicas provocam reações gastrointestinais como náuseas e vômitos, assim como diarreia e dores na região do abdômen. Além disso, afetam o sistema neurológico causando alteração nos pulsos elétricos. Para uso medicinal, é uma espécie que possui ações anticâncer, por apresentar uma composição química capaz de inibir o aumento das células tumorais. 3 Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas: Cuidados e recomendações Conforme o conhecimento sobre os graves riscos de intoxicação devido à ingestão ou contato de plantas classificadas como tóxicas, tanto para animais, quanto para humanos, onde os casos comumente ocorrem em crianças e animais é essencial que haja cuidados com o uso na ornamentação. Em vista disto, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas dispõe de recomendações para casos de intoxicação, ou evitar possíveis acidentes (SINITOX, 2016): Mantenha as plantas venenosas fora do alcance das crianças; Ensine as crianças que não se devem colocar plantas na boca, e não utilizá-las como brinquedo; Conheça as plantas que tem em casa e arredores pelo nome e características; Não coma plantas desconhecidas; Quando estiver lidando com plantas venenosas use luvas; Não faça remédios ou chás caseiros com plantas, sem orientação médica. Cuidado ao podar as plantas que liberam látex provocando irritação na pele, principalmente nos olhos, evite deixar os galhos em qualquer local onde possam vir a ser manuseados por crianças; Em caso de acidentes, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação. 4 Considerações Finais Muitas plantas ornamentais são consideradas tóxicas, assim sendo, a escolha de plantas para compor as áreas verdes, principalmente em espaços públicos, deve ser feita com critérios. O conhecimento e identificação das plantas, buscando a conscientização das pessoas é fundamental para evitar e ou minimizar os riscos para a populaçãoque utiliza esses espaços para o lazer. Referências ALSOP, J. A.; KARLIK, J. F. Poisonous Plants. Agriculture & Natural Resources Publication 8560. University of California: Davis. 2016. BRAGA, C. Manacá de Cheiro – Brunfelsia uniflora. Flores e Folhagens. Disponível em: . Acesso em: 16 out 2020. CRUZ, W. T. 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Denise Renata Pedrinho, Engenheira Agrônoma, Mestrado e Doutorado em Produção Vegetal pela Universidade Estadual Paulista, UNESP/FCAV, Campus de Jaboticabal, SP. Coordenadora e professora do Mestrado em Produção e Gestão Agroindustrial e do Curso de Agronomia da Universidade Anhanguera-Uniderp, Campo Grande, MS, responsável pelas disciplinas de “Floricultura e Plantas Ornamentais” e “Paisagismo”, em nível de Graduação. Profa. Dra. Rosemary Matias, Química, Mestrado e Doutorado em Química pela Universidade Estadual de Maringá - UEM. Coordenadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e do Curso de Agronomia, Farmácia e Biomedicina da Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande, MS é responsável pela disciplina de Prospecção de Produtos Naturais. Pesquisador CNP2 na área de Ciências Ambientais. Profa. Dra. Silvia Cristina Heredia Vieira, Farmacêutica, Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual de Maringá-UEM e Doutora em Ciências Farmacêuticas pela UNESP de Araraquara-SP. Fez doutorado sanduíche na Universidad de Cádiz, na Espanha e pós-doutorado em Recursos Naturais na UEMS de Dourados-MS. É professora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e atua nas disciplinas de Prospecção de Produtos Naturais e Poluentes Ambientais& Bioindicadores. Na graduação é professora do curso de Agronomia da Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande-MS. Equipe Executora das Atividades Profa. Dra. Denise Renata Pedrinho, Engenheira Agrônoma, professora do Mestrado em Produção e Gestão Agroindustrial da Universidade Anhanguera-Uniderp, Campo Grande, MS. Profa. Dra. Rosemary Matias, Química, professora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande, MS. Profa. Dra. Silvia Cristina Heredia Vieira, Farmacêutica, professora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande-MS. Giovana Coutinho Zulin Nascimento, Farmacêutica, é Mestre e Doutoranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional Sustentável, pela Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande, MS. Posui Especialização em: Docência do Ensino Superior, Manipulação Alopática pela ANFARMAG, Acupuntura - Associação Brasileira de Acupuntura e e Biomedicina Estética pela Faculdade AVM. Atua na área de Produtos Naturais. Cinthia Dos Santos Lopes, Engenheira Agrônoma, Bacharel em Agronomia pela Universidade Anhanguera Uniderp Agrárias, Campo Grande, MS. Mestranda em Produção e Gestão Agroindustrial, Uniderp. Apoio: Universidade Anhanguera – Uniderp, Funadesp e a Bolsa de Doutorado concedida pela Capes e a Bolsa de Pesquisador CNPq2.