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Os  autores  deste  livro  e  a  editora  roca  ltda.  empenharam  seus  melhores  esforços  para  assegurar  que  as
informações  e  os procedimentos  apresentados no  texto  estejam em acordo  com os padrões  aceitos  à  época da
publicação, e  todos  os  dados  foram  atualizados  pelo  autores  até  a  data  da  entrega  dos  originais  à  editora.
Entretanto,  tendo em conta a evolução das ciências da saúde, as mudanças  regulamentares governamentais e o
constante  fluxo  de  novas  informações  sobre  terapêutica  medicamentosa  e  reações  adversas  a  fármacos,
recomendamos  enfaticamente  que  os  leitores  consultem  sempre  outras  fontes  fidedignas,  de  modo  a  se
certificarem  de  que  as  informações  contidas  neste  livro  estão  corretas  e  de  que  não  houve  alterações  nas
dosagens  recomendadas  ou  na  legislação  regulamentadora.  Adicionalmente,  os  leitores  podem  buscar  por
possíveis atualizações da obra em http://gen­io.grupogen.com.br.
Os autores e a editora se empenharam para citar adequadamente e dar o devido crédito a todos os detentores de
direitos  autorais  de  qualquer material  utilizado  neste  livro,  dispondo­se  a  possíveis  acertos  posteriores  caso,
inadvertida e involuntariamente, a identificação de algum deles tenha sido omitida.
Traduzido de: 
BLACKWELL’S FIVE­MINUTE VETERINARY CONSULT CLINICAL COMPANION: SMALL ANIMAL
DERMATOLOGY 
Copyright © 2011 by Blackwell Publishing Ltd. 
All Rights Reserved.
Authorised  Translation  from  the  English  language  edition  published  by  Blackwell  Publishing  Limited.
Responsibility  for  the  accuracy  of  the  translation  rests  solely  with  Editora  Roca  Ltda.  and  is  not  the
responsibility of Blackwell Publishing Limited. No part of  this book may be  reproduced  in any  form without
the written permission of the original copyright holder, Blackwell Publishing Limited.
Tradução  autorizada  da  edição  de  língua  inglesa,  publicado  pela  Blackwell  Publishing  Limited.
Responsabilidade  para  a  exatidão  da  tradução  baseia­se  unicamente  à  Editora  Roca,  Ltda.,  e  não  é  da
responsabilidade  da  Blackwell  Publishing  Limited.  Nenhuma  parte  deste  livro  pode  ser  reproduzida  sob
quaisquer formas sem a permissão por escrito do detentor dos direitos autorais original, Blackwell Publishing
Limited. ISBN 978­0­8138­1596­1
Direitos exclusivos para a língua portuguesa Copyright © 2014 pela
EDITORA ROCA LTDA. 
Uma editora integrante do GEN | Grupo Editorial Nacional
Rua Dona Brígida, 701 – Vila Mariana 
São Paulo – SP – CEP 04111­081 
Tel.: (11) 5080­0770 
www.grupogen.com.br | editorial.saude@grupogen.com.br
Reservados  todos os  direitos. É proibida  a  duplicação ou  reprodução deste  volume,  no  todo ou  em parte,  em
quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição pela Internet
ou outros), sem permissão, por escrito, da editora roca ltda.
Capa: Bruno Sales
Produção digital: Geethik
Projeto gráfico: Editora Guanabara Koogan
Ficha catalográfica
R362d 
2. ed.
Rhodes, Karen Helton
Dermatologia em pequenos animais / Karen Helton Rhodes ; Alexander H. Werner ; tradução Idilia Vanzellotti.
­ 2. ed. ­ São Paulo : Santos, 2014.
il.
Tradução de: Small animal dermatology 
ISBN 978­85­412­0441­5
1. Dermatologia veterinária ­ Manuais, guias, etc. 2. Medicina veterinária de pequenos animais ­ Medicina
veterinária de pequenos animais. I. Werner, Alexander H. II. Título.
14­10125 CDD: 636.08965
CDU: 636.09:616.5
Dedicatória
Este texto é dedicado a:
Steven, em gratidão por seu apoio contínuo em cada empreendimento. Cameron, que pode continuar a explorar seu
talento e sua maestria na expressão escrita. Meus pais, Anne e Bill, em agradecimento pela dádiva da educação. E,
como sempre, Authur I. Hurvitz, que, mesmo ausente, continua sendo meu mentor, amigo e inspirador.
Karen Helton Rhodes
Rita Werner, que sempre acreditou em mim e foi a primeira autora da nossa família, e  também a meus mentores,
que ainda acreditam no meu trabalho. Meus irmãos, que sempre tiveram fé em mim, e Mike, que ainda confia em
mim. E meus filhos, Jacob e Gregory, que terão fé em mim novamente, quando não forem mais adolescentes.
Alexander H. Werner
Prefácio
Espero que  este  livro  seja  um  recurso  importante  em  sua prática  clínica. Ele  não pretende  substituir  as  obras
mais  abrangentes  sobre  dermatologia  em  pequenos  animais,  mas  complementar  sua  biblioteca  com  uma  fonte
rápida de consulta clínica sobre os distúrbios dermatológicos mais comuns.
Esta segunda edição – uma compilação  totalmente nova de  informações – está disposta em formato um pouco
diferente da anterior, mantendo­se, porém, o uso dos bullets, que tanto facilitam a localização dos assuntos. Além
disso, mais de 500 fotografias coloridas ilustram as descrições clínicas abordadas no livro.
Alguns  capítulos  da  primeira  edição  –  a  qual  consistia  em  resumos  extraídos  de  Blackwell’s  Five­Minute
Veterinary  Consult:  Canine  and  Feline  –  foram  mantidos  e  atualizados,  embora  a  maioria  tenha  sido
completamente  substituída,  o que  faz desta  edição um novo  texto. Acredito que,  desse modo,  o  leitor  encontrará
informações atuais e de relevância clínica.
Dou as boas­vindas a Alexander Werner como coautor na compilação deste livro. Sua experiência clínica, aliada
à  minha,  garante  à  obra  perspectivas  mais  diversificadas.  Karen  Rosenthal  –  cuja  perícia  e  amizade  são,  como
sempre, inestimáveis – também colaborou na produção desta edição, como autora da seção sobre animais exóticos.
Agradeço a ambos a ajuda neste projeto.
Karen Helton Rhodes
Agradecimentos
Partes  de  capítulos  da  1ª  edição  desta  obra  foram  fornecidas  pelo  material  de  apoio  Five­Minute  Veterinary
Consult: Canine and Feline, dos seguintes autores:
Albert H. Ahn
Stephen C. Barr
Karin M. Beale
Ellen N. Behrend
Karen L. Campbell
Edward G. Clark
Ellen C. Codner
Paul A. Cuddon
Elizabeth A. Curry ­ Galvin
David Duclos
Robyn E. Elmslie
Carol S. Foil
Sharon F. Grace 
Elizabeth Goldman
John G. Gordon
Joanne C. Graham
W. Dunbar Gram 
Deborah Greco
Jean Swingle Greek
Nita Kay Gulbas
Steven R. Hansen
Keith A. Hnilica
Johnny D. Hoskins
Richard J. Joseph
Robert J. Kemppainen
Peter P. Kintzer 
Karen Ann Kuhl
Suzette M. Leclerc
Alfred M. Legendre
Steven A. Levy
Dawn Elaine Logas
John MacDonald
Kenneth V. Mason 
Linda Medleau
Linda Messinger
Daniel O. Morris
K. Marcia Murphy
Gary D. Norsworthy
James O. Noxon
Allan J. Paul
Kenneth M. Rassnick
Lloyd M. Reedy
Keith P. Richter 
Wayne Stewart Rosenkrantz 
Karen L. Rosenthal
Fred W. Scott 
Kevin Shanley
Francis W. K. Smith Jr. 
Paul W. Snyder 
Margaret S. Swartout 
Sheila M. Torres 
John W. Tyler 
Alexander H. Werner 
J. Paul Woods 
Karen M. Young 
Anthony Yu
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Sumário
Seção 1 Fundamentos
Descrição e Terminologia da Lesãox
Citologia Prática
Cultura Diagnóstica e Identificação de
Bactérias e Fungos
Obtenção de Biopsia Diagnóstica
Diferenciais entre as Lesões e Regiões do Corpo
Zoonose
Seção 2 Dermatite Alérgica e por 
Hipersensibilidade
Dermatite Atópica
Dermatite por Contato
Complexo do Granuloma
Eosinofílico
Reações Alimentares Adversas
Seção 3 Dermatoses Endócrinas
Hiperadrenocorticismo Canino
Hiperadrenocorticismo Felino/Síndrome
da Fragilidade Cutânea
Hipotireoidismo
Alopecia Não Inflamatória
Seção 4 Distúrbios Imunológicos e 
Autoimunes
Dermatomiosite Canina Familiar
Lúpus Eritematoso Discoide e
Sistêmico
Erupção Medicamentosa, Eritema Multiforme e Necrólise Epidérmica Tóxica
Adenite Sebácea Granulomatosa
Paniculite
Complexo do Pênfigo e Penfigoide Bolhoso
Dermatoses Granulomatosas Nodulares
Estéreis
Síndrome Uveodermatológica
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Vasculite
Seção 5 Dermatoses Infecciosasmucocutâneas em geral são despigmentadas
LED: despigmentação e ulceração do plano nasal em geral são manifestações clínicas
LES, penfigoide bolhoso, pênfigo vulgar, pênfigo eritematoso: doenças imunomediadas que afetam a junção da
região dermoepidérmica da pele (melanócito colateral)
Dermatomiosite: Collies e Shelties; dermatose com fibrose, megaesôfago, marcha trôpega, fraqueza muscular,
despigmentação da pele e da pelagem
Alterações pigmentares medicamentosas: o cetoconazol induz um tom cinzento na pelagem
Lentigo: manchas assintomáticas de pigmento negro em cães idosos e gatos alaranjados; as lesões são máculas
achatadas, hipermelanose
Hiperpigmentação pós­inflamatória: resposta normal da pele à inflamação, indicativa do processo de cicatrização
Alopecia com diluição da cor (alopecia mutante de cor): associada a pelagens azuladas ou castanho­claras
Melanoderma e alopecia de Yorkshire Terrier: alopecia, pelagem brilhante, melanoderma
Melanose macular: associada a neoplasia
testicular
Síndrome de Chédiak­Higashi: gatos da raça Persa (azulados), tigres brancos, bovinos da raça Hereford,vison
das Aleutas; macromelanossomos; fotofobia, imunodeficiência, distúrbios hemorrágicos
Albinismo oculocutâneo: gatos da raça Persa brancos com íris heterocromáticas e surdez
Síndrome da hematopoese canina cíclica
do Grey Collie, neutropenia cíclica canina; nariz claro costuma ser diagnóstico; insuficiência hepática e renal; a
maioria morre antes dos 2 dias de vida
Diluição da cor e degeneração cerebelar em cães Rodesianos com listra preta no dorso: pelagem azulada
associada à degeneração das células de Purkinje; letal
Aurotriquia adquirida de Schnauzer Miniatura: adultos jovens, pelos dourados dispersos no tronco, causa
desconhecida
Nevo/nevos: máculas e manchas hiperpigmentadas, não sintomáticos
Melanomas: tumores pigmentados.
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Dermatoses das unhas e pregas ungueais │ Lista de diagnósticos
diferenciais
A  lista  de diagnósticos diferenciais  pode  ser  estreitada  se o padrão de distribuição  for  considerado:  simétrico  vs.
assimétrico.  Em  geral,  problemas  simétricos  nas  unhas  (múltiplas  ou  dedos  múltiplos)  indicam  etiologias
imunomediadas, metabólicas, genéticas, nutricionais ou virais. A distribuição assimétrica  (uma ou mais garras ou
dedos)  é  mais  provável  para  identificar  infecções,  traumatismo  ou  neoplasia.  A  categorização  pela  distribuição
simétrica ou assimétrica é um tanto arbitrária, embora útil ao se formular uma lista de diagnósticos diferenciais.
Infecções bacterianas: em geral, secundárias a traumatismo
Infecções fúngicas: dermatófitos, Malassezia
,Candida, Blastomyces, Cryptococcus, geotricose, esporotricose
Doença parasitária: demodicose, dermatite por ancilóstomos, ascarídios (Figuras 5.50 a 5.54)
Doença causada por protozoário: leishmaniose
Doença viral: FeLV, FIV
Traumatismo: químico (fertilizantes, produtos de limpeza para o chão, sal), fístula arteriovenosa
Doenças imunomediadas: oncodistrofia lupoide, LES, pênfigo foliáceo, pênfigo vulgar, penfigoide bolhoso,
vasculite, reações medicamentosas adversas, reações a vacinação, crioglobulinemia, placa eosinofílica (EGC)
Doenças metabólicas: hipotireoidismo (cães), hipertireoidismo (gatos), DM, hiperadrenocorticismo, dermatite
necrolítica superficial, acromegalia (macroníquia e onicogripose)
Doenças genéticas: epidermólise bolhosa, dermatomiosite, seborreia, nevo epidérmico linear, anoníquia, garras
supranumerárias, onicorrexe em Dachshund
Neoplasia: carcinoma escamocelular, adenocarcinoma broncogênico metastático, tumores mastocitários,
melanoma, queratoacantoma, linfossarcoma, hemangiopericitoma, osteossarcoma, mixossarcoma
Diversos: deficiências, acrodermatite letal, dermatose responsiva ao zinco, coagulopatia intravascular
disseminada, onicodistrofia idiopática, onicomadese idiopática, ergotismo, talotoxicose, pododermatite
plasmocitária felina.
Figura 5.50 Pododermatite causada por foliculite bacteriana e furunculose com demodicose. Notar o
envolvimento de todo o dedo, da região do leito ungueal e dos espaços interdigitais, com edema dos tecidos,
alopecia, hiperqueratose e erosões focais e ulcerações.
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Figura 5.51 Placa eosinofílica (complexo do granuloma eosinofílico felino) envolvendo os coxins digitais e
metacarpianos.
Figura 5.52 Pênfigo vulgar em um cão mestiço de 9 anos de idade. Notar o grau acentuado de ulceração dos
coxins plantares com hiperqueratose periférica e crostas.
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Figura 5.53 Síndrome hepatocutânea em cão. Notar o grau acentuado de hiperqueratose confluente nos coxins
plantares.
Figura 5.54 Linfoma cutâneo acometendo os dedos de um gato. Não foram encontradas lesões em outras áreas
do corpo.
Dermatoses nasais ou do plano nasal
LED: acomete primariamente a área nasal, despigmentação, exacerbado pela luz solar, perda da arquitetura em
forma de paralelepípedos
LES: doença multissistêmica; face, nariz, junção mucocutânea, generalizada
Complexo do pênfigo: doença cutânea imunomediada, em geral mais crostosa que ulcerativa, despigmentação
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variável; crostas nos coxins plantares são comuns
Penfigoide bolhoso: em geral, associado a crostas e despigmentação; comum na junção mucocutânea (Figuras
5.55 a 5.59)
Figura 5.55 Pênfigo eritematoso mostrando despigmentação discreta e eritema na junção do plano nasal com a
ponte do nariz.
Figura 5.56 Síndrome uveodermatológica revelando uveíte, despigmentação, inflamação discreta e
erosões/ulcerações focais.
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Figura 5.57 Hipersensibilidade a comedouro de plástico em Shar­Pei.
Figura 5.58 Leucodermia/leucotriquia idiopática.
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Figura 5.59 Vesículas, erosões, úlceras e crostas em um cão com pênfigo vulgar.
Dermatose nasal solar: começa na junção pouco pigmentada do plano nasal com a ponte do nariz, por exposição
maciça ao sol; é preciso excluir LED
Dermatite de contato: não comum; vasilha de borracha; ulceração rara, eritema e despigmentação do plano nasal
anterior e dos lábios
Dermatomiosite: nasal, facial, de extremidades; fibrose com despigmentação/ulceração; polimiosite e
megaesôfago podem ser vistos
Síndrome uveodermatológica: uveíte; despigmentação, ulceração do nariz, dos lábios e pálpebras
Dermatose responsiva ao zinco: hiperqueratose paraqueratótica; crostas no nariz, na face, nos coxins plantares,
junção mucocutânea, pontos de pressão
Piodermite nasal: primariamente, partes com pelos – ponte do nariz, embora raramente a inflamação se estenda
para o plano nasal
Vitiligo: despigmentação sem inflamação ou erosão/ulceração
Hipopigmentação nasal: nariz castanhoclaro ou bronzeado, pode ser sazonal, falha racial
Reação medicamentosa adversa: sensibilidade tópica (à neomicina) ou reação sistêmica
Linfoma cutâneo: despigmentação e induração associadas ao linfoma epidermotrópico
Histiocitose: infiltrados em geral acometem as narinas e os turbinados nasais, Montanhês de Berna predisposto
Hiperqueratose nasodigital idiopática: geralmente em cães idosos; plano nasal e coxins plantares marginais
Paraqueratose nasal hereditária: Labradores, cães jovens
Alergia: hipersensibilidade a picadas de mosquitos em gatos
Virais: herpes, calicivírus.
Nódulos e etiologia da drenagem sinusal
Bacteriana:
Furunculose secundária a Staphylococcus spp. é mais comum
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Actinomyces/Nocardia
Micobactérias
Corpo estranho
Abscesso felino por micoplasma
Granulomas bacterianos
Displasia focal de anexos secundária a foliculite/furunculose crônica
Fúngica:
Granuloma de Majocchi – granuloma dermatofítico
Esporotricose
Eumicetoma
Feo­hifomicose
Zigomicose
Hialo­hifomicose
Criptococose
Coccidioidomicose
Blastomicose
Histoplasmose
Parasitária:
Demodicose
Leishmaniose
Dermatite rabdítica
Protistas, pitiose, prototecose
Viral:
Papilomas virais
Hipersensibilidade:
Urticária
Angioedema
Granuloma eosinofílico
Hipersensibilidade a picada de artrópode
Hipersensibilidadea picada de mosquitos (gato)
Vascular:
Fístula arteriovenosa
Vasculite
Trombose
Distúrbios da coagulação
Metabólica:
Xantomatose cutânea
Calcinose cutânea
Calcinose circunscrita
Amiloidose nodular cutânea
Diversas:
Paniculite nodular estéril
Paniculite traumática
Paniculite após injeção
Dermatite piogranulomatosa perianexial nodular estéril
Síndrome da celulite juvenil canina
Histiocitose reativa – cutânea/sistêmica
Dermatofibrose nodular do Pastor­Alemão
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Hiperplasia sebácea nodular benigna
Sinal cutâneo
Nevos/hamartoma (colagenoso, vascular, folicular, sebáceo)
Displasia fibroanexial
Cisto/seio dermoide
Cistos (foliculares, epidérmicos, de inclusão)
Lipomatose
Cistomatose apócrina
Neoplasia:
Tumores de células arredondadas: mastocitomas, plasmocitomas, linfomas, histiocitomas, histiocitose
maligna, sarcomas histiocíticos, tumores venéreos transmissíveis
Tumores melanocíticos: melanocitoma dérmico benigno, melanoma maligno
Origem epitelial: carcinoma escamocelular, papilomas escamosos, síndrome de Bowen (in situ), tumor de
célula basal, queratoacantoma, epitelioma cornificante intracutâneo, tricoepitelioma, pilomatrixoma,
adenomas e carcinomas de glândula sebácea/hepatoides/apócrinos/ceruminosos
Mesenquimal: hemangiopericitomas, schwannomas, fibroma/fibrossarcomas, mixossarcoma,
hemangioma/hemangios­sarcomas, linfangiomas/linfangiossarcomas, lipomas/lipossarcomas, fibropapiloma
(sarcoide felino), liomiossarcoma, dermatofibroma.
Comentários
Siglas
CTCL = linfoma cutâneo de células T
DM = diabetes melito
EGC = enfermidade granulomatosa cutânea
FeLV = vírus da leucemia felina
FIV = vírus da imunodeficiência felina
IMSD = doença cutânea imunomediada
LE = lúpus eritematoso
LED = lúpus eritematoso discoide
LES = lúpus eritematoso sistêmico
OCD = osteocondrite dissecante.
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Capítulo 6 Zoonose
Alexander H. Werner
Panorama
A definição de zoonose pode ser ampla (qualquer doença compartilhada por animais e seres humanos) ou
estreita (uma doença transmitida diretamente de animais para seres humanos)
A distinção pode ser confusa no caso de doenças que acometem a pele, em especial se estiverem incluídos
vetores nessa categoria
É necessária ainda maior consideração se estiverem incluídos nesta categoria ectoparasitas de animais de
estimação que possam causar irritação, mas não infestem seres humanos
As discussões recentes incluem o conceito de que genes que codificam a resistência a múltiplos fármacos
podem ser transferidos das populações bacterianas dos animais de estimação para os seres humanos e vice­versa
Foram encontrados padrões semelhantes de resistência a fármacos em populações bacterianas residentes em
seres humanos e animais no ambiente doméstico, o que se pode considerar de maneira superficial uma zoonose
– a transferência de resistência a fármacos diretamente de um animal para um ser humano pode afetar (embora
não cause) a doença em pessoas
As doenças zoonóticas e seus vetores variam muito de acordo com a região geográfica.
As listas apresentadas nas seções subsequentes não abrangem a totalidade e relacionam as doenças dermatológicas
adquiridas  com  mais  frequência  diretamente  de  cães  e  gatos,  aquelas  transmitidas  pelos  ectoparasitas  desses
animais ou a dermatite causada por ectoparasitas deles (Figuras 6.1 a 6.3).
Figura 6.1 Pápulas eritematosas da queiletielose no abdome.
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Figura 6.2 Pápulas eritematosas e escoriadas da escabiose canina no antebraço.
Figura 6.3 Lesão anular (em forma de anel) de expansão lenta (verme) de eritema e descamação causada por
Microsporum canis.
Parasitas
Cheyletiella spp.
Sarcoptes scabiei
Otodectes cynotis
Leishmania
Notoedres cati
Ctenocephalides felis e canis
Pulex spp.
Echdinophaga gallinacea
Dipylidium caninum
Larva migrans cutânea:
Ancylostoma caninum
Ancylostoma braziliense
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Uncinaria stenocephala.
Bactérias
Tuberculose
Dermatophilus congolensis
Streptococcus spp.
Staphylococcus spp.
Forma L/Mycoplasma spp.
Yersinia pestis
Brucella canis.
Fungos
Esporotricose
Criptococose
Blastomicose
Histoplasmose
Rinosporidiose
Aspergilose
Peniciliose
Prototecose
Coccidioides immitis
Malassezia pachydermatis
Dermatofitose:
Microsporum canis
Microsporum gypseum
Trichophyton mentagrophytes
Epidermophyton spp.
Vírus
Ortopoxvírus (vírus da varíola felina)
Parapoxvírus (dermatite pustular contagiosa viral).
Dermatite Alérgica e por
Hipersensibilidade Seção 2
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Capítulo 7 Dermatite Atópica
Karen Helton Rhodes
Panorama
A dermatite atópica é uma predisposição à alergia a substâncias normalmente  inócuas, como pólen (de gramíneas,
sementes e árvores), mofo, ácaros da poeira doméstica, alérgenos epiteliais e outros alérgenos do ambiente.
Etiologia e Jsiopatologia
Animais suscetíveis ficam sensibilizados aos alérgenos ambientais, produzindo IgE específica de cada alérgeno, que
se  liga  aos  locais  receptores  nos  mastócitos  cutâneos;  a  exposição  adicional  ao  alérgeno  (inalação  e,  mais
importante,  absorção  cutânea)  causa  desgranulação  de  basófilos  circulantes  e  mastócitos  teciduais,  um  tipo  de
reação  de  hipersensibilidade  imediata  do  tipo  I,  que  resulta  na  liberação  de  histamina,  heparina,  enzimas
proteolíticas, citocinas, quimiocinas e muitos outros mediadores químicos.
Também podem estar envolvidos anticorpos não IgE (IgGd) e uma reação de fase tardia (8 a 12 h)
Em cães: embora haja predisposição hereditária, o modo exato de herança é desconhecido, e outros fatores
também podem ser importantes
Em felinos: não esclarecido
Princípio do limiar alérgico: fatores pruritogênicos podem diminuir o limiar individual de cada animal.
IdentiJcação e histórico
Em cães: verdadeira incidência desconhecida; estimada em 3 a 15% da população canina; relatada como a
segunda doença cutânea alérgica mais comum
Em felinos: desconhecida; em geral, acredita­se que seja muito mais baixa do que em cães
Em cães: ocorre em qualquer raça, inclusive mestiços; devido à predisposição genética, pode ser reconhecida
com mais frequência em certas raças ou famílias, o que pode variar geograficamente
Nos EUA (em cães): Boston Terrier, Cairn Terrier, Dálmata, Buldogue Inglês, Setter Irlandês, Lhasa Apso,
Schnauzer Miniatura, Pug, Sealyham Terrier, Scottish Terrier, West Highland White Terrier, Fox Terrier Pelo­
de­Arame e Golden Retriever
Em cães: média etária de início de 1 a 3 anos; variação de 3 meses a 6 anos; os sinais podem ser tão brandos no
primeiro ano que não são percebidos, mas em geral são progressivos e clinicamente aparentes antes dos 3 anos
de idade
É provável que ambos os sexos sejam acometidos igualmente.
Achados à anamnese
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Prurido facial, podálico, perineal ou axilar
Início precoce
Antecedentes familiares de atopia
Pode ser sazonal ou não sazonal
Infecções cutâneas ou auriculares recorrentes (proliferação bacteriana ou de levedura)
Resposta temporária a glicocorticoides
Agravamento progressivo dos sintomas com o tempo.
Características clínicas
Sinal principal: prurido (coceira, arranhadura, hábito de esfregar e lamber o corpo) (Figura 7.1)
Podem ocorrer lesões primárias, mas acredita­se que a maioria das alterações cutâneas seja provocada por
traumatismo autoinduzido (Figura 7.2)
Áreas mais comumente acometidas: espaços interdigitais, dos carpos e tarsos, focinho, região periocular, axilas,
virilha e pavilhões auriculares (Figura 7.3)
Figura 7.1 Eritema acentuado, alopecia e escoriações associados a hipersensibilidade a alérgeno ambiental.
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Figura 7.2 Hipersensibilidade com subsequente alopecia autoinduzida. Notar a ausência de escoriações neste
paciente.
Figura 7.3 Alopecia periocular grave, eritema e escoriações.
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Figura 7.4 Alopecia parcial difusa com eritema e hipersensibilidade secundária a Malassezia associada a
aeroalérgenos ambientais.
Lesões: variam de nenhumaa pelos partidos ou descoloração salivar (coloração por porfirina) a eritema,
erupções papulares, crostas, alopecia, hiperpigmentação, liquenificação, alterações por oleosidade excessiva ou
ressecamento seborreico e hiperidrose (sudorese apócrina)
Infecções cutâneas bacterianas secundárias e por leveduras (comuns) (Figura 7.4)
Otite externa crônica recidivante
Pode ocorrer conjuntivite com blefarite secundária
Gatos: em geral presente com dermatite miliar, alopecia decorrente de toalete excessiva, escoriação facial, otite
externa, placa eosinofílica (Figuras 7.5 a 7.9).
Diagnóstico diferencial
Hipersensibilidade alimentar: pode causar distribuição das lesões e achados idênticos
ao exame físico, mas que não devem ser
sazonais; pode ocorrer simultaneamente com atopia; a diferenciação é feita observando­se a resposta a uma dieta
hipoalergênica
Hipersensibilidade a picada de pulga: causa mais comum de prurido sazonal em muitas regiões geográficas;
pode ocorrer simultaneamente com atopia; a diferenciação é feita observando­se a distribuição das lesões, a
resposta ao controle das pulgas e os resultados da imunoterapia com antígeno específico com base no teste
cutâneo intradérmico
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Figura 7.5 Alopecia felina simétrica. Notar a área bem demarcada de alopecia sem inflamação associada.
Figura 7.6 Gato que lambeu excessivamente o ventre, causando alopecia completa na área.
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Figura 7.7 Áreas salpicadas de alopecia sem inflamação, resultante de dermatoses psicogênicas.
Figura 7.8 Placa eosinofílica em um gato adulto.
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Figura 7.9 Placa eosinofílica revelando uma placa eritematosa elevada no tronco, com áreas de escoriação
secundária por prurido intenso.
Sarna sarcóptica: em geral ocorre em cães jovens ou livres; costuma causar prurido grave na parte ventral do
tórax, lateral dos cotovelos e jarretes, margens dos pavilhões auriculares; múltiplos raspados cutâneos e/ou
resposta completa a uma tentativa de tratamento acaricida estão indicados para excluir sarna sarcóptica
Piodermite secundária: em geral causada por Staphylococcus pseudointermedius; caracteriza­se por pápulas
foliculares, pústulas, crostas e colaretes epidérmicos
Infecções secundárias por levedura: em geral causadas por Malassezia pachydermatis; caracterizam­se por
eritema, descamação, crostas, oleosidade, liquenificação e odor muito fétido nas pregas cutâneas e áreas
intertriginosas; a demonstração de numerosos brotos de levedura à citologia cutânea e a obtenção de uma
resposta favorável ao tratamento antifúngico são diagnósticas
Dermatite por contato (alérgica ou irritante): pode causar eritema grave e prurido nos pés e áreas de pelagem
fina na parte ventral do abdome; história de exposição a um sensibilizante ou irritante por contato conhecido,
resposta a uma alteração do ambiente e o teste da mancha podem ser diagnósticos; acreditase que seja rara em
cães e gatos.
Diagnóstico
Os critérios diagnósticos principais e menores para se estabelecer o diagnóstico são apresentados nas listas que se
seguem (adaptadas de Willemse, 1986).
Critérios principais
Devem estar presentes pelo menos 3:
Prurido
Distribuição típica (facial, podálica, liquenificação ou superfícies flexoras da superfície articular do tarso e/ou
extensoras da articulação do carpo)
Dermatite crônica ou recidivante
Predisposição racial ou antecedentes familiares.
Critérios menores
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Devem estar presentes pelo menos 3:
Início dos sintomas antes dos 3 anos de idade
Conjuntivite bilateral
Eritema facial
Piodermite bacteriana
Hiperidrose
Reações positivas ao TCID
Elevação da IgE específica do alérgeno
Elevação da IgGd específica do alérgeno.
IdentiJcação das causas
Absorção pelo ar ou percutânea de pólen (de gramíneas, sementes e árvores)
Esporos de fungos (internos e externos)
Ácaros da poeira doméstica
Caspa de animais
Insetos (controversos).
Testes sorológicos para alergia
Testes para medir a quantidade de anticorpo IgE específico do antígeno no soro de pacientes estão disponíveis
no comércio
Vantagens sobre o TCID: disponibilidade; não é preciso fazer a tricotomia de grandes áreas
Desvantagens: reações falso­positivas são frequentes; número limitado de alérgenos testados; validação do
ensaio e controle de qualidade inconsistentes (podem variar de acordo com o laboratório); os dados laboratoriais
atuais parecem ser mais confiáveis do que no passado
A confiabilidade e a reprodutibilidade variam de acordo com o laboratório ou o teste utilizados. Em geral,
usados em conjunto com os resultados do teste cutâneo intradérmico para acentuar os achados.
TCID
Pequenas quantidades de alérgenos de teste são injetadas por via intradérmica, para medir a formação do vergão
É o método mais acurado para identificar alérgenos agressores quanto à possibilidade de evitá­los ou incluí­los
em uma prescrição para imunoterapia
Às vezes é difícil interpretar os resultados em gatos, porque os vergões são relativamente pequenos.
Biopsia cutânea
A  biopsia  cutânea  pode  ajudar  a  excluir  outros  diagnósticos  diferenciais;  em  geral,  os  resultados  não  são
patognomônicos.  As  alterações  dermato­histopatológicas  incluem  acantose,  dermatite  perivascular  superficial
mononuclear mista, metaplasia de glândula sebácea e pioderma superficial secundário.
Tratamento
A suplementação com AGE pode ser benéfica em alguns casos
Tratamentos tópicos (xampus) ajudam mecanicamente a remover alérgenos ambientais que podem contribuir
para a exposição percutânea
Ver no Apêndice A o tratamento de doenças pruríticas.
Imunoterapia especíJca do alérgeno
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Administração (em geral por injeções subcutâneas) de doses gradualmente crescentes dos alérgenos causais em
pacientes
acometidos, para tentar reduzir sua sensibilidade
Alérgenos selecionados com base nos resultados dos testes de alergia, histórico do paciente e conhecimento da
flora localizada
Indicada quando se quer evitar ou reduzir a quantidade de corticoides necessária para controlar os sinais, quando
estes duram mais de 4 a 6 meses por ano, ou quando as formas não esteroides de terapia são inefetivas
Reduz o prurido com sucesso em 60 a 80% dos cães e gatos
Resposta em geral lenta, na maioria das vezes requerendo 3 a 6 meses ou até 1 ano para induzir uma inibição
competitiva.
Corticosteroides
Podem ser administrados para alívio a curto prazo e interromper o ciclo de prurido e arranhadura
A dosagem deve ser diminuída até a menor que controle adequadamente o prurido
As melhores opções são comprimidos de prednisona ou metilprednisolona (ambas na dose de 0,2 a 0,5 mg/kg
VO a cada 48 h)
A reposição com corticosteroides injetáveis deve ser evitada em cães
Gatos podem precisar de tratamento com acetato de metilprednisolona (4 mg/kg SC ou IM).
Anti-histamínicos
Menos efetivos do que os corticosteroides
Podem agir sinergicamente com suplementos de ácidos graxos essenciais
O tratamento com corticosteroides em geral pode ser evitado ou administrado em dosagem reduzida quando
empregado ao mesmo tempo.
Alternativas terapêuticas
Banhos frequentes em água fria com xampus antipruríticos podem ser benéficos
A suplementação com ácidos graxos essenciais ajuda alguns pacientes com prurido
Antidepressivos tricíclicos (doxepina ou amitriptilina, ambos na dose de 1 a 2 mg/kg VO a cada 12 h) têm sido
administrados a cães como antipruriginosos, mas sua eficácia geral e modo de ação não estão esclarecidos.
Comentários
Doença frustrante tanto para o cliente como para o clínico
Controle versus a cura
Explicar a natureza progressiva da condição ao cliente
Informar o cliente que a atopia raramente remite e pode não ser curada
Informar o cliente que alguma forma de terapia pode ser necessária pelo resto da vida do animal
Examinar o paciente a cada 2 a 8 semanas quando for iniciado um novo curso de terapia
Monitorar o prurido, autotraumatismo, pioderma e possíveis reações medicamentosas adversas
Assim que foralcançado um nível aceitável de controle, examinar o paciente a cada 3 a 12 meses
Hemograma completo, perfil bioquímico sérico e urinálise são recomendados a cada 6 a 12 meses para pacientes
sob tratamento crônico com corticosteroides
Se os alérgenos agressores forem identificados por testes de alergia, o proprietário deverá tomar providências
para reduzir a exposição do animal o máximo possível
Minimizar outras fontes de prurido (p. ex., pulgas, hipersensibilidade alimentar e infecções cutâneas
secundárias) pode reduzir bastante o nível de prurido, de modo a ser tolerado pelo animal
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Pioderma secundário e dermatite alérgica concomitante a pulgas são comuns
Não é uma doença potencialmente fatal, a menos que o prurido intratável resulte em eutanásia
Se deixado sem tratamento, o prurido se agrava
Apenas casos raros resolvem­se espontaneamente.
Siglas
AGE = ácido graxo essencial
IgE = imunoglobulina E
IM = intramuscular
SC = subcutâneo
TCID = teste cutâneo intradérmico
VO = via oral.
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Capítulo 8 Dermatite por Contato
Alexander H. Werner
Panorama
A  DCI  e  a  DAC  são  2  síndromes  fisiopatológicas  raras  e  possivelmente  diferentes,  mas  com  sinais  clínicos
semelhantes.
Etiologia e Jsiopatologia
A diferenciação entre DCI e DAC pode ser mais conceitual que prática
DCI: resulta de dano direto aos queratinócitos pela exposição a um determinado composto; os queratinócitos
danificados induzem uma resposta inflamatória direcionada para a pele
DAC: classicamente considerada um evento do tipo IV (hipersensibilidade tardia) e imunológico que requer
sensibilização e elicitação: as células de Langerhans interagem com antígenos que penetram na pele, levando à
ativação de linfócitos T após nova exposição e à liberação de citocinas (mais notavelmente, FNT­a)
Relatos recentes dificultam a distinção entre DCI, DAC e dermatite atópica
Dermatite inflamatória: pode aumentar a penetração de antígenos através da pele, facilitando a ocorrência da
DAC; há maior incidência de DAC em animais com atopia.
IdentiJcação e histórico
DCI
Ocorre em qualquer idade, como resultado direto da natureza irritante do composto agressor
Condição aguda: pode ocorrer após uma única exposição e manifestar­se em 24 h
Corticosteroides raramente são úteis
As lesões se resolvem em 1 a 2 dias após o afastamento do agente irritante.
DAC
Rara em animais jovens; a maioria dos animais é submetida à exposição crônica ao antígeno (meses a anos);
extremamente rara em gatos, exceto quando expostos a inseticidas que contenham d­limoneno
Raças sob maior risco de DAC: Pastor­Alemão, Poodle, Fox Terrier Pelo­de­Arame, Scottish Terrier, West
Highland White Terrier, Labrador e Golden Retriever
A hipersensibilidade requer meses a anos de exposição para desenvolver­se
A reexposição resulta no desenvolvimento de sinais clínicos 3 a 5 dias após a exposição; os sinais podem
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persistir por várias semanas
Responde bem aos corticosteroides; o prurido retorna após interromper­se a administração, se o estímulo
persistir
Hipossensibilização: pode não ser eficaz
Prognóstico: bom se o alérgeno for identificado e removido; mau se o alérgeno não for identificado, o que então
pode requerer tratamento por toda a vida do animal.
Características clínicas
Localização determinada pelo contato com o antígeno; comumente limitada à pele glabra e às re giões em
contato frequente com o solo (queixo, parte ventral do pescoço, área do esterno, parte ventral do abdome, região
inguinal, períneo, escroto e re giões ventrais de contato da cauda e áreas interdigitais) (Figuras 8.1 e 8.2)
A pelagem espessa de cães é uma barreira eficaz contra contactantes; a eritrodermia extrema cessa abruptamente
na linha dos pelos (Figura 8.3)
Eritema e tumefação no início, levando a pápulas e placas; ve sículas são incomuns
A exposição crônica acarreta liquenificação e hiperpigmentação
As reações a medicamentos tópicos (p. ex., preparações óticas) em geral são localizadas (Figuras 8.4 e 8.5)
Reações generalizadas, resultantes do uso de xampus ou inseticidas em spray, são menos comuns
Prurido: moderado a intenso
Incidência sazonal pode indicar um antígeno vegetal ou de ambiente externo
Substâncias agressoras relatadas: plantas, palha, serragem de cedro, tecidos, cobertores, tapetes, plásticos,
borracha, couro, níquel, cobalto, concreto, sabões, detergentes, ceras para pisos, desodorizantes de tapetes e da
caixa higiênica, herbicidas, fertilizantes, inseticidas (incluindo tratamentos antipulgas recentes), coleiras
antipulgas, preparados tópicos (especialmente neomicina).
Figura 8.1 Dermatite por contato. Eritema na área glabra da axila.
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Figura 8.2 Dermatite por contato em decorrência de exposição a plantas..
Figura 8.3 Dermatite por contato causada por protetor solar. Notar que o eritema cessa de maneira abrupta na
linha dos pelos (margem tricotomizada).
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Figura 8.4 Reação a contato com medicação tópica em um gato.
Figura 8.5 Dermatite por contato devida à aplicação de uma pomada à base de esteroide na região do flanco.
Diagnóstico diferencial
Atopia
Alergia alimentar
Reação medicamentosa
Hipersensibilidade a parasitas ou infestação por eles
Picadas de insetos
Foliculite bacteriana
Dermatite causada por Malassezia
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Dermatofitose
Demodicose
Lúpus eritematoso cutâ neo
Dermatite seborreica
Dermatite solar
Lesões térmicas
Traumatismo causado por superfícies ásperas.
Diagnóstico
Teste da mancha fechada: às vezes é útil (a administração de corticosteroides e AINE precisa ser suspensa 3 a 6
semanas antes do teste); deve­se usar materiais diretamente do ambiente ou um kit padrão para rea li zar esse
teste em humanos, aplicado na pele sob uma atadura por 48 h
Melhor teste diagnóstico: eliminar o contato com o irritante ou antígeno, prosseguir com o teste de exposição
provocadora
Culturas bacterianas para definir foliculite bacteriana se indicadas
Retirar um tufo de pelos de uma região não acometida deve resultar no desenvolvimento de reação local, por
facilitar o contato com o antígeno
Biopsia de pele:
Vesiculação e espongiose intradérmicas; edema dérmico superficial com infiltrado perivascular de células
mononu cleares na DCI e na DAC
DCI: infiltrado polimorfonu clear com exocitose de leucócitos
DAC: infiltrado linfocítico espongió tico ou eosinofílico e linfocítico espongió tico com pústulas eosinofílicas
intraepidérmicas.
Tratamento
Eliminar substância(s) agressora(s)
Banhar o animal com xampus hipoalergênicos para remover o antígeno da pele
Criar barreiras mecânicas, se possível – com o uso de meias, camisetas, restrição de ambientes
Corticosteroides sistêmicos: prednisolona (0,25 a 0,5 mg/kg VO a cada 24 h por 3 a 5 dias; em seguida, a cada
48 h por 2 semanas; a seguir, 2 vezes/semana se necessário)
Corticosteroides tópicos nas lesões focais
Pentoxifilina, 10 mg/kg VO a cada 8 a 12 h inicialmente; a dose pode ser reduzida para cada 24 h na
manutenção; pode causar irritação gástrica; não administrar com agentes alquilantes, cisplatina e anfotericina B;
a cimetidina pode aumentar os níveis séricos da pentoxifilina.
Comentários
Siglas
AINE = anti­inflamatórios não esteroides
DAC = dermatite alérgica por contato
DCI = dermatite por contato com irritante
FNT­a = fator de necrose tumoral alfa
■ VO = via oral.
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Capítulo 9 Complexo do Granuloma Eosinofílico
Alexander H. Werner
Panorama
Gatos: em geral, essa designação abrange 4 síndromes distintas, agrupadas primariamente de acordo com suas
similaridades clínicas, seu desenvolvimento simultâneo (e recorrente) frequente e sua resposta positiva aos
corticosteroides:
Placa eosinofílica
Granuloma eosinofílico
Úlcera indolente
Dermatite miliar alérgica
Cães: granuloma eosinofílico raro; não é parte de um complexo de doença; diferenças específicas com relação a
gatos são listadas separadamente.
Etiologia e JsiopatologiaPlaca eosinofílica: reação de hipersensibilidade, mais frequentemente a insetos (pulgas, mosquitos); com menos
fre quência a alérgenos alimentares ou ambientais; exacerbada por traumatismo mecânico
Granuloma eosinofílico: causas múltiplas, incluindo predisposição genética e possivelmente hipersensibilidade
Úlcera indolente: pode ocorrer tanto por hipersensibilidade quanto por causas genéticas
Dermatite miliar alérgica: muito comum reação de hipersensibilidade, mais frequentemente a pulgas
Eosinófilo: principal célula infiltrativa no granuloma eosinofílico, na placa eosinofílica e na dermatite miliar
alérgica, mas não na úlcera indolente; leucócitos localizados em maiores números nos tecidos epiteliais; mais
frequentemente associado a condições alérgicas ou parasitárias, mas tem um papel mais geral na reação
inflamatória
Vários relatos sobre indivíduos acometidos aparentados e um estudo de desenvolvimento de caso em uma
colônia de gatos livres de patógenos específicos indicam que a predisposição genética (talvez resultando em
disfunção hereditária da regulação eosinofílica) pode ser um componente significativo para o desenvolvimento
do granuloma eosinofílico e da úlcera indolente
Foi proposta uma disfunção hereditária da proliferação de eosinófilos
GEC: pode ser causado tanto por predisposição genética quanto por hipersensibilidade (sobretudo em raças não
suscetíveis geneticamente).
IdentiJcação e histórico
Gatos
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Sem predileção racial
Placa eosinofílica: 2 a 6 anos de idade
Granuloma eosinofílico iniciado geneticamente: antes dos 2 anos de idade
Distúrbio alérgico: depois dos 2 anos de idade
Úlcera indolente: sem predisposição etária
Relatada predileção por fêmeas
Lesões de todas as 4 síndromes podem desenvolver­se es pontaneamente e de ma­neira aguda; lesões de mais de
uma síndrome podem ter ocorrência simultânea
O desenvolvimento de placas eosinofílicas pode ser precedido por períodos de letargia
A remissão e o agravamento dos sinais clínicos são comuns
A incidência sazonal em algumas localizações geográficas pode indicar exposição a insetos ou alérgenos
ambientais
A distinção entre as síndromes depende tanto dos sinais clínicos quanto dos achados histopatológicos.
Cães
Husky Siberiano (76% dos casos), Cavalier King Charles Spaniel, possivelmente PastorAlemão
Em geral, menos de 3 anos de idade
Machos predispostos: 72% dos casos.
Características clínicas
Gatos
Placa eosinofílica: alopécica, eritematosa, manchas erosivas ou bem demarcadas, placas de parede em camadas;
em geral ocorre nas regiões inguinais, perineais, laterais da coxa, ventrais do abdome e axilares; frequentemente
úmidas ou brilhantes; linfadenopatia regional é comum; a condição pode ter resolução espontânea em alguns
gatos, especialmente no caso da forma hereditária de placa eosinofílica (Figuras 9.1 a 9.3)
Granuloma eosinofílico: 5 apresentações, que ocasionalmente se sobrepõem:
Orientação distintamente linear (granuloma linear) na parte caudal da coxa (Figura 9.4)
Figura 9.1 Placa eosinofílica bem demarcada e erosiva na parte ventral do abdome.
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Figura 9.2 Placa eosinofílica secundária a alergia alimentar.
Figura 9.3 Grande placa eosinofílica eritematosa na margem do lábio.
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Figura 9.4 Granuloma linear na parte caudal da coxa.
Placas in di vi duais ou coalescentes localizadas em qualquer parte do corpo; ulceradas, com padrão “em
paralelepípedos” ou grosseiro; brancas ou amarelas, possivelmente representando degeneração do colágeno
(Figuras 9.5 a 9.8)
Tumefação da margem do lábio e do queixo (Figura 9.9)
Tumefação do coxim plantar, dor e claudicação (mais comum em gatos com menos de 2 anos de idade)
(Figura 9.10)
Ulcerações da cavidade bucal (especialmente na língua, no palato e nos arcos palatinos); gatos com lesões
bucais podem ter disfagia, têm halitose e podem babar (Figura 9.11)
Dermatite miliar alérgica: múltiplas pápulas acastanhadas a negras, crostosas e eritematosas; as lesões são mais
frequentemente
palpadas do que observadas; pode estar associada a alopecia; em geral associada a prurido; frequentemente
acomete o dorso (Figuras 9.12 e 9.13)
Úlcera indolente: ulcerações classicamente côncavas e endurecidas, de cor laranja­amarelada, confinadas aos
lábios superiores e adjacentes ao filtro (Figuras 9.14 e 9.15).
Cães
GEC: placas ulceradas e massas de cor escura ou alaranjada; mais frequentemente acomete a língua e os arcos
palatinos; relatadas lesões cutâ neas no prepúcio e nos flancos (Figuras 9.16 e 9.17).
Diagnóstico diferencial
Inclui as outras doen ças do complexo
Dermatite causada por herpes­vírus
FeLV ou FIV
Lesões que não respondem:
Pênfigo foliá ceo
Dermatofitose ou infecção fúngica profunda
Demodicose
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Figura 9.5 Granuloma eosinofílico. Placas eritematosas coalescentes pontilhadas.
Figura 9.6 Granuloma eosinofílico (caso da Figura 9.5). As placas formam um aspecto de calçamento com
paralelepípedos.
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Figura 9.7 Granuloma eosinofílico erodido e exsudativo.
Figura 9.8 Granuloma eosinofílico com exsudação na margem do pavilhão auricular do paciente da Figura 9.7.
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Figura 9.9 Parte rostral do queixo intumescida (“beicinho”), uma forma de granuloma eosinofílico.
Figura 9.10 Granuloma eosinofílico na margem do coxim metacarpiano.
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Figura 9.11 Granuloma eosinofílico erodido e bem demarcado na língua.
Figura 9.12 Dermatite miliar alérgica na região lombossacra do dorso.
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Figura 9.13 Dermatite miliar alérgica com múltiplas pápulas crostosas no dorso.
Figura 9.14 Úlcera indolente causando tumefação do lábio superior, com erosões e conferindo cor “alaranjada”
aos tecidos.
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Figura 9.15 Superfície de úlcera indolente com escara como resultado de autotraumatismo.
Figura 9.16 Placa de granuloma eosinofílico na parte caudal da faringe em cão.
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Figura 9.17 Granuloma eosinofílico em cão. Placas eritematosas na parte caudal da faringe.
Foliculite bacteriana
Neoplasia (em especial adenocarcinoma metastático, carcinoma escamocelular e linfossarcoma cutâ neo)
GEC: neo pla sia, histiocitose, granuloma infeccioso e não infeccioso, traumatismo.
Diagnóstico
Hemograma completo/perfil bioquímico/urinálise: eosinofilia discreta a moderada; bioquímica sérica e urinálise
rotineiras geralmente normais
Sorologia para FeLV e FIV.
Procedimentos diagnósticos
Esfregaços por impressão das lesões: grande número de eosinófilos (Figura 9.18)
Controle abrangente de pulgas e insetos: ajuda a excluir hipersensibilidade a picadas de pulgas e outros insetos
Teste de eliminação alimentar: em todos os casos; fornecer uma nova proteína ou dieta hidrolisada; usar
exclusivamente por 8 a 10 semanas; desafio para induzir o desenvolvimento de novas lesões
Atopia: teste intradérmico (preferido); injetar pequenas quantidades de alérgenos por via intradérmica; reação
positiva é indicada pelo desenvolvimento de urticária ou um vergão no local da injeção; teste sérico quando o
intradérmico não estiver disponível
Diagnóstico dermato­histopatológico: necessário para distinguir as síndromes
Placa eosinofílica: espongiose e mucinose epidérmicas e foliculares graves com exocitose eosinofílica;
infiltrado eosinofílico perivascular a dérmico difuso; epiderme erodida ou ulcerada
Granuloma eosinofílico: focos distintos de desgranulação eosinofílica e degeneração de colágeno similar à
formação de granuloma (“figuras em chama”); apoptose de queratinócitos associada a eosinófilos, epiderme
erodida, ulcerada e com acantose exsudativa
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Figura 9.18 Exsudato de placa eosinofílica demonstrando grande número de eosinófilos (células com múltiplos
grânulos vermelhos intercelulares), 400×.
Úlcera indolente: ulceração grave da epiderme ou mucosa, com desgranulação eosinofílica no nível de
necrose; dermatite fibrosante e inflamação neutrofílica; infiltração eosinofílica significativa incomum
Dermatite miliar alérgica: focos discretos de erosão epidérmicae necrose, com crostas visivelmente
eosinofílicas; infiltrado dérmico perivascular a intersticial rico em eosinófilos
GEC: focos de granulomas em paliçada e figuras em chama circundando fibras de colágeno; infiltrado com
eosinófilos misturados a macrófagos, mastócitos, plasmócitos e linfócitos.
Tratamento
Considerações gerais
O tratamento é ambulatorial, a menos que a doença bucal grave impeça o consumo adequado de líquido
Identificar e eliminar o(s) alérgeno(s) agressor(es) antes de providenciar a intervenção clínica
Hipossensibilização de gatos positivos ao teste intradérmico ou sérico: bem­sucedida na maioria dos casos;
preferível à administração prolongada de corticosteroide
Evitar que o paciente cause mais dano às lesões devido a toalete excessiva, mediante técnicas de modificação do
comportamento e/ou distração
GEC: lesões in di vi duais podem ser excisadas se tiverem traumatismo mecânico e não responderem ao
tratamento clínico.
Fármacos de escolha
Placa eosinofílica, granuloma eosinofílico e dermatite miliar alérgica
Alguns casos melhoram com antibióticos: trimetoprima­sulfadiazina na dose de 15 mg/kg 2 vezes/dia,
cefalexina na dose de 22 mg/kg 2 vezes/dia, tri­hidrato de amoxicilina­clavulanato na dose de 12,5 mg/kg 2
vezes/dia ou clindamicina na dose de 5,5 mg/kg 2 vezes/dia
Metilprednisolona injetável: 20 mg/gato, repetir em 2 semanas (se necessário); tratamento comum; taquifilaxia
com injeções repetidas; desaconselhada como tratamento prolongado
Prednisolona (2 a 4 mg/kg a cada 48 h), dexametasona (0,1 a 0,2 mg/kg a cada 24 a 72 h) ou triancinolona (0,1
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a 0,2 mg/kg a cada 24 a 72 h); dosagem de manutenção é necessária para o controle das lesões; pode ocorrer
taquifilaxia por esteroide e ser específica do fármaco administrado; pode ser válido mudar a formulação; doses
maiores de indução podem ser necessárias, mas devem ser diminuídas o mais rapidamente possível
Tópicos: fluocinolona/DMSO para lesões in di vi duais; não é prático e/ou pode causar efeitos sistêmicos em
pacientes com grande número de lesões
Medidas para o controle adequado de pulgas são fundamentais na maioria dos casos.
Úlcera indolente
Corticosteroides injetáveis ou orais: ver placa e granuloma eosinofílicos (anteriormente)
Interferona α: 30 a 60 UI diariamente em ciclos de 7 dias sim, 7 dias não; sucesso limitado; efeitos colaterais
raros; não é necessário monitoramento específico do tratamento
Alguns casos melhoram com anti bió ticos: trimetoprima­sulfadiazina na dose de 15 mg/kg 2 vezes/dia,
cefalexina na dose de 22 mg/kg 2 vezes/dia, tri­hidrato de amoxicilina­clavulanato na dose de 12,5 mg/kg 2
vezes/dia ou clindamicina na dose de 5,5 mg/kg 2 vezes/dia.
Fármacos alternativos
Placa eosinofílica, granuloma eosinofílico e dermatite miliar alérgica
Clorambucila, 0,1 a 0,2 mg/kg a cada 48 a 72 h
Ciclosporina, 5 mg/kg/dia a cada 48 h
Doxiciclina, 5 a 10 mg/kg/dia a cada 24 h
Acetato de megestrol, 2,5 a 5 mg a cada 2 a 7 dias; incidência significativa de efeitos colaterais (diabetes, câncer
de mama, atrofia epidérmica) em todos os casos, devendo ser reservado apenas para os recalcitrantes (Figura
9.19).
GEC
Prednisona oral: 0,5 a 2,2 mg/kg/dia inicialmente; em seguida diminuir gradualmente
Corticosteroides intralesionais: 5 mg de metilprednisolona/lesão
Cessação do tratamento sem recorrência é comum
Excisão cirúrgica de lesões apropriadas.
Comentários
Monitoramento do paciente
Corticosteroides: nível basal e hemogramas frequentes, perfis bioquí micos séricos e urinálise com cultura
Imunossupressores seletivos: hemogramas frequentes (primeiro a cada 2 semanas, em seguida mensalmente ou
a cada 2 meses à medida que o tratamento prossegue) para monitorar supressão da medula óssea; perfis bioquí
micos rotineiros e urinálises com cultura (primeiro mensalmente, depois a cada 3 a 6 meses) para monitorar
complicações (doen ça renal, diabetes melito e infecção urinária).
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Figura 9.19 Atrofia epidérmica grave, laceração e infecção secundária em decorrência da administração de
acetato de megestrol e da aplicação de um corticosteroide tópico.
Evolução esperada e prognóstico
As lesões devem resolver­se permanentemente se uma causa primária puder ser identificada e controlada
A maioria das lesões regride e agrava­se, com ou sem tratamento; deve­se esperar um esquema imprevisível de
recorrência
As doses dos fármacos devem ser reduzidas para o menor nível possível (ou interrompidas, se possível) assim
que as lesões tenham se resolvido
As lesões em gatos com doen ça hereditária podem resolver­se espontaneamente depois de vários anos. GEC: as
lesões podem ser recalcitrantes à intervenção clínica.
Siglas
DMSO = dimetilsulfóxido
FeLV = vírus da leucemia felina
FIV = vírus da imunodeficiência felina
GEC = granuloma eosinofílico em cães.
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Capítulo 10 Reações Alimentares Adversas
Karen Helton Rhodes
Panorama
As reações alimentares adversas são pruriginosas e não sazonais, associadas à ingestão de uma ou mais substâncias
contidas nos alimentos dos animais.
Etiologia e Jsiopatologia
A patogenia não está completamente entendida: imunológica vs. idiossincrásica
Reações imunológicas: imediatas e tardias a ingredientes específicos; presume­se que as imediatas sejam
reações de hipersensibilidade do tipo I; as tardias devem­se a reações dos tipos III ou IV
Não imunológica: intolerância alimentar, reação idiossincrásica; envolve efeitos metabólicos, tóxicos ou
farmacológicos de ingredientes agressores, resulta da ingestão de alimentos com altos níveis de histamina ou
substâncias que induzam a histamina diretamente ou por meio de seus fatores liberadores
Hipersensibilidade alimentar é a expressão mais comum porque não é fácil distinguir as reações imunológicas
das idiossincrásicas
Reações imunomediadas: resultam da ingestão e da apresentação subsequente de uma ou mais glicoproteínas
(alérgenos) antes ou após a digestão; pode ocorrer sensibilização na mucosa gastrintestinal ou após a absorção
da substância ou ambas
Existe a hipótese de que, em animais jovens, parasitas intestinais ou infecções intestinais possam causar dano à
mucosa intestinal, resultando na absorção anormal dos alérgenos e em sensibilização subsequente.
IdentiJcação e histórico
Aproximadamente 5% de todas as doenças cutâneas e 10 a 15% de todas as doenças alérgicas em cães e gatos
resultam de hipersensibilidade alimentar
As porcentagens variam muito de acordo com os clínicos veterinários e a localização geográfica
Uma ampla gama de sinais clínicos que simulam qualquer das demais reações de hipersensibilidade (o adágio de
“orelhas e cauda” não é acurado)
Pele/sistema exócrino: prurido em qualquer parte do corpo; otite externa
Sistema gastrintestinal: vômitos; diarreia; movimentos intestinais mais frequentes; flatulência
Sistema nervoso: acometimento muito raro; foram documentadas convulsões com
hipersensibilidade/intolerância alimentar
Prurido não sazonal em qualquer parte do corpo
Resposta insuficiente a doses anti­inflamatórias de glicocorticoides sugere hipersensibilidade alimentar
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Prurido facial em geral é uma característica comum em gatos.
Características clínicas
Dermatite causada por Malassezia, pioderma e otite externa
Placas
Pústulas
Eritema
Crostas
Descamação
Alopecia autoinduzida
Escoriação (Figura 10.1)
Liquenificação (Figura 10.2)
Hiperpigmentação
Urticária
Angioedema
Dermatite piotraumática.
Figura 10.1 Notar a escoriação acentuada associada à hipersensibilidade alimentar.
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Figura 10.2 Dermatite por alergia alimentar grave com hipersensibilidade secundária a Malassezia. Notar o grau
de hiperplasia/liquenificação associado à cronicidade.
Diagnóstico diferencial
Hipersensibilidade à picada de pulga: em geral restrita à metade caudal do corpo e sazonal
Atopia: associada a prurido na face, no ventre e nas patas; geralmente sazonal; se o prurido ocorrer pela
primeira vez antesdos 6 meses ou depois dos 6 anos de idade, a hipersensibilidade alimentar pode ser mais
provável do que a alergia a um agente inalante (não consistente)
Escabiose: prurido em geral de localização muito específica (orelhas, cotovelos e jarretes); ácaros em raspados
de pele e resposta ao tratamento específico confirmam o diagnóstico
Erupção/reação medicamentosa: história de administração de fármaco antes do desenvolvimento de prurido e
resolução ao ser suspensa confirmam o diagnóstico
Hipersensibilidade a Malassezia.
Diagnóstico
Eliminação do alimento da dieta
Teste mais definitivo para hipersensibilidade alimentar
Adaptado ao paciente
A dieta precisa ser restrita a uma proteína e um carboidrato aos quais o animal tenha sido exposto de maneira
limitada ou nunca antes
A melhora máxima dos sinais clínicos pode levar até 12 semanas (8 semanas correspondem à duração comum
do teste)
Se o paciente for sensível a um ou mais alimentos, observa­se melhora notável por volta da quarta semana de
uso da dieta.
Testes de desaJo e provocação alimentar
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Usados se o paciente melhorar com a dieta de eliminação
Desafio: alimentar o paciente com a dieta original; um retorno dos sinais confirma que algo na dieta está
causando os sinais; o período de desafio deve durar até que os sinais retornem, mas sem ultrapassar 10 dias
Provocação (teste de provocação alimentar): se o desafio tiver confirmado hipersensibilidade alimentar,
acrescentar ingredientes isolados à dieta de eliminação; ingredientes para teste incluem uma variedade completa
de carnes (bovina, de frango, peixe, porco, cordeiro), grãos (milho, trigo, soja, arroz), ovos e laticínios; o
período de provocação com cada ingrediente deve durar até 10 dias ou menos se os sinais surgirem antes (cães,
em geral, apresentam­nos em 1 a 2 dias); os resultados orientam a escolha dos alimentos comerciais que não
contêm a(s) substância(s) agressora(s).
Tratamento
Evitar quaisquer substâncias alimentares que tenham causado o retorno dos sinais clínicos durante a fase de
provocação do diagnóstico
Certificar­se de que o proprietário tenha entendido os princípios envolvidos em cada fase dos testes dietéticos
diagnósticos
Informar o proprietário de que deve eliminar petiscos, brinquedos mastigáveis, vitaminas e outras medicações
mastigáveis (p. ex., tratamento preventivo para dirofilariose) que possam conter ingredientes da dieta prévia do
paciente. Recursos usados na administração de medicação (petiscos em formato específico, próprio para a
inserção de medicamentos) devem ser evitados durante os testes dietéticos
Animais que vivem soltos em ambiente externo precisam ser confinados para que não fujam nem cacem, o que
poderia alterar o teste dietético
Providenciar amostras para o proprietário levar para casa
Avisar ao proprietário que todas as pessoas da família precisam estar cientes do protocolo do teste e ajudá­lo a
segui­lo e a manter o animal afastado de outras fontes de alimento
Fármacos antipruriginosos sistêmicos podem ser úteis durante as primeiras 2 a 3 semanas do teste dietético para
controlar a automutilação
Antibióticos ou antifúngicos são úteis para piodermites secundárias ou infecções causadas por Malassezia;
evitar aqueles com efeitos anti­inflamatórios reconhecidos (p. ex., tetraciclina, eitromicina e sulfas
potencializadas por trimetoprima)
O uso de glicocorticoides e anti­histamínicos precisa ser interrompido no decorrer do último mês (da 4ª à 8ª
semana) do teste dietético, para que seja possível avaliar corretamente a resposta do animal
Vitaminas mastigáveis e medicações para dirofilariose podem conter substâncias alimentares agressoras.
Comentários
Examinar o paciente e avaliar e documentar o prurido e os sinais clínicos a cada 4 semanas
Evitar que o animal consuma qualquer das proteínas incluídas na dieta prévia
Petiscos e brinquedos mastigáveis devem ser limitados às substâncias reconhecidamente seguras (p. ex., maçãs,
legumes)
Outras causas de prurido (p. ex., hipersensibilidade a picada de pulgas, atopia e ectoparasitas como os ácaros
dos gêneros Sarcoptes, Notoedres e Cheyletiella) podem mascarar a resposta ao teste de eliminação dietética
O prognóstico é bom, se os ingredientes alimentares forem a única causa do prurido e os ingredientes
agressores forem evitados. Raramente um cão ou gato desenvolve hipersensibilidade a novas substâncias, o que
pode requerer um novo teste de eliminação dietética
Quaisquer outras hipersensibilidades (a pulgas ou atopia) também devem ser tratadas
É mais provável que os animais que desenvolvem prurido pela primeira vez antes dos 6 meses e após os 6 anos
de idade tenham hipersensibilidade alimentar em vez de atopia.
Dermatoses Endócrinas Seção 3
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Capítulo 11 Hiperadrenocorticismo Canino
Karen Helton Rhodes
Panorama
O HAC espontâneo é um distúrbio causado pela produção excessiva de cortisol pelo córtex adrenal e tem duas
formas: HDA e HDH
O HAC iatrogênico resulta da administração excessiva de glicocorticoides exógenos
Em todas as formas, os sinais clínicos resultam dos efeitos deletérios das concentrações circulantes elevadas de
cortisol em múltiplos sistemas orgânicos.
Etiologia e Jsiopatologia
Oitenta e cinco a noventa por cento dos casos de HAC de ocorrência natural são causados pela proliferação
descontrolada (tumoral) de células basofílicas ou cromofóbicas da parte intermédia e da parte distal da hipófise,
o que resulta em hipersecreção do ACTH, causando hiperplasia adrenocortical bilateral. A maioria desses
tumores é pequena e denominada microadenoma. Aproximadamente 15% são macroadenomas. Os sinais
clínicos são similares em ambos os tamanhos, embora nos macroadenomas possa haver sinais associados do
sistema nervoso central devido a efeito expansivo de massa
Dez a quinze por cento dos casos são causados por neoplasia adrenocortical secretora de cortisol
(adenoma/carcinoma cortical); aproximadamente metade desses tumores é maligna. A adrenal normal sofre
atrofia por causa da produção excessiva de cortisol pelo tumor adrenal
O HAC iatrogênico é indistinguível clinicamente da doença de ocorrência natural e resulta da administração
excessiva ou prolongada de glicocorticoides exógenos, que causa atrofia da adrenal e supressão dos níveis de
ACTH
O HAC é um distúrbio multissistêmico – o grau de envolvimento de cada sistema varia de maneira
considerável; em alguns pacientes, predominam sinais em um sistema; em outros, vários sistemas são
envolvidos em graus comparáveis
Em geral, predominam sinais do trato urinário ou cutâneos.
IdentiJcação e histórico
Considerado um dos distúrbios endócrinos mais comuns em cães
Cães: segundo relatos, os das raças Poodle, Dachshund, Boston Terrier, Boxer e Beagle correm maior risco
Nenhuma predileção do HDH em cães; dois terços a três quartos são fêmeas
Em geral, o HAC é um distúrbio de animais de meia­idade a idosos, embora o HDH possa ocorrer em cães com
menos de 1 ano de idade.
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Características clínicas
Poliúria e polidipsia: ocorrem em 85 a 95% dos casos; os glicocorticoides interferem na liberação e na atividade
do hormônio antidiurético (vasopressina), resultando em poliúria, com a polidipsia sendo compensatória
Polifagia: efeito estimulador direto sobre o apetite
Ocorre abdome penduloso­distensão abdominal em decorrência da redistribuição da gordura para o abdome, do
desgaste muscular dos músculos abdominais e da hepatomegalia
Hepatomegalia: acúmulo de glicogênio
Perda de pelos: alopecia bilateral e simétrica do tronco, poupando a cabeça e as extremidades; atrofia dos
folículos pilosos, da epiderme e de anexos estruturais; pode­se ver alopecia ao longo da ponte do nariz
(Figura 11.1)
Atrofia cutânea: renovação/regeneração da epiderme diminuídas; ausência de elasticidade
Flebectasia: pequenos pontos vermelhos ligeiramente elevados, que representam dilatação anormal, extensão ou
reduplicação de vasos
Demodicose: proliferação de ácaros do gêneroDemodex, provavelmente em decorrência da resposta imune lenta
no controle da flora normal
Má cicatrização de feridas: o excesso de glicocorticoides suprime a resposta inflamatória, a proliferação de
fibroblastos e a deposição de colágeno
Comedões: óstios foliculares fechados com queratina, podem ser negros ou brancos; às vezes associados a
demodicose (Figura 11.2)
Calcinose cutânea: acúmulo e deposição de cálcio na derme e/ou subcutâneo e ao longo do epitélio folicular,
palpável como nódulos firmes arenosos ou placas, em geral amarelorosados; causa reação de corpo estranho
subsequente; casos graves em geral apresentam lesões na parte dorsal do pescoço, casos brandos geralmente são
mais pronunciados nas áreas intertriginosas ventrais (axilas, virilhas) (Figura 11.3)
Figura 11.1 Hiperadrenocorticismo. Notar a alopecia no tronco com hiperpigmentação.
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Figura 11.2 Hiperadrenocorticismo. Pele acentuadamente atrófica na parte ventral do abdome, revelando vasos
proeminentes e comedões.
Piodermite: o excesso de glicocorticoides predispõe a infecções cutâneas decorrentes de proliferação bacteriana
e resposta imune lenta (Figura 11.4)
Pode ocorrer mineralização distrófica em outros tecidos além da pele: pelve renal, músculos esqueléticos,
paredes gástricas, brônquicas, músculo cardíaco, vasos sanguíneos e fígado
Fraqueza e atrofia musculares: catabolismo proteico excessivo e desgaste muscular; podem ocorrer rupturas
cruzadas com pouco estiramento; altos níveis de cortisol podem causar miotonia, que se caracteriza por rigidez
de músculos extensores
Anestro: os glicocorticoides exibem retroalimentação negativa na secreção de gonadotropina hipofisária
Atrofia testicular e queda da libido: os glicocorticoides exercem retroalimentação negativa sobre a secreção de
gonadotropina hipofisária, o que causa queda na produção testicular de androgênio
Hipertrofia do clitóris: produção excessiva de androgênio; a principal fonte da produção de androgênio em
fêmeas é a adrenal
Adenomas da glândula perianal: fêmeas e machos castrados; superprodução de androgênios
Respiração ofegante: achado comum que pode ser devido ao desgaste dos músculos da respiração, bem como à
capacidade reduzida de expansão torácica do abdome distendido; outras causas possíveis incluem hipertensão
pulmonar e complacência reduzida, distúrbio primário do SNC, ou mineralização pulmonar
Dispneia: incomum; associada a tromboembolia pulmonar, que pode ser uma complicação potencialmente fatal
do HAC; pode ocorrer secundariamente a um estado hipercoagulável, eritrocitose e hipertensão
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Figura 11.3 Hiperadrenocorticismo. Calcinose cutânea inicial. Notar a coloração amarelo­rosada das pápulas,
que são palpadas como lesões “arenosas” firmes em muitos casos e podem tornar­se bastante extensas e graves.
Figura 11.4 Piodermite secundária associada a hiperadrenocorticismo. Em geral, recorrente e persistente.
Hiperpigmentação: pode dever­se ao fato de que o ACTH é similar ao MSH
Cegueira e alterações do reflexo luminoso pupilar: pressão exercida sobre o quiasma óptico, que fica adjacente à
hipófise
Sinais do sistema nervoso central: convulsões, alteração da marcha, pressão na cabeça, marcha em círculos,
alteração do comportamento (timidez/agressividade), comprometimento da termorregulação (febre inexplicada
ou hipotermia), ataxia, coma, morte; em geral deve­se a macroadenoma hipofisário e efeito expansivo; pode
ocorrer após o início da terapia antiadrenal como resultado da ausência de retroalimentação negativa e expansão
tumoral subsequente (síndrome
de Nelson).
Diagnóstico diferencial
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Depende das anormalidades clínicas e laboratoriais exibidas
Hipotireoidismo
Dermatoses por hormônio sexual
Acromegalia
Diabetes melito
Hepatopatias
Doença renal
Outras causas de poliúria/polidipsia
Displasias foliculares
Alopecia versus hiperadrenocorticismo atópico.
Diagnóstico
Hemograma: eosinopenia, linfopenia, leucocitose neutrofílica, eritrocitose, trombocitose
Bioquímica sérica: pode exibir aumento da fosfatase alcalina, aumento discreto de ALT, hipercolesterolemia,
hipertrigliceridemia;
5 a 10% dos cães podem ter hiperglicemia (diabetes), baixa concentração de BUN, valores tireóideos podem
estar baixos
Urinálise: pode revelar queda na densidade urinária, proteinúria secundária a glomerulopatia/esclerose
glomerular, hematúria, piúria ou aumento do número de bactérias na urina
Proporção entre creatinina e cortisol urinários (CCU): teste altamente sensível, embora não específico (outras
doenças não adrenais também podem causar elevação de CCU)
Radiografias abdominais: podem mostrar hepatomegalia, aproximadamente 50% dos tumores adrenais estarão
mineralizados e visíveis nas radiografias
Radiografias da cavidade torácica: podem mostrar calcificação brônquica ou metástase de adenocarcinoma
adrenal; osteopenia também pode ser identificada
TC/RM: úteis para diferenciar HDH de HDA e estagiar o HDA
TC e RM: em geral são úteis para demonstrar macroadenomas
Patologia (HDH): o exame macroscópico revela hipófise de tamanho normal a macroadenoma hipofisário e
aumento adrenocortical bilateral; à observação microscópica, é visto adenoma hipofisário ou hiperplasia
corticotrófica da parte distal ou da intermédia e adrenocortical
Patologia (HDA): o exame macroscópico revela massa adrenal de tamanho variável, atrofia da glândula
contralateral (raramente, tumores bilaterais) e metástase em alguns pacientes com carcinoma adrenal; à
microscopia, é visto adenoma adrenocortical ou carcinoma.
Testes de triagem
Os testes de triagem para HAC incluem TSDDB e estimulação do ACTH; depois de realizados, o próximo teste
discrimina entre HDH e HDA
Teste de estimulação do ACTH:
Não pode distinguir HDH de HDA, usado para identificar HAC
Melhor teste para monitorar a resposta ao tratamento
Menos sensível que o TSDDB, o qual tem 95% de sensibilidade mas não é específico (44 a 73% de
especificidade), enquanto o ACTH tem 80% de sensibilidade e 85% de especificidade; portanto, muitos
clínicos utilizarão o teste de estimulação do ACTH como primeira etapa, porque ele pode proporcionar
informação valiosa e é mais curto (1 a 2 h vs. 8 h)
Único teste capaz de distinguir entre uma causa idiopática e iatrogênica (os níveis basais de cortisol estarão
abaixo do normal e não aumentarão com a estimulação)
Metodologia do teste: o paciente deve estar em jejum; verificar se as amostras contêm hemólise ou lipemia, que
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podem afetar os valores; centrifugar imediatamente e separar o soro ou plasma antes de refrigerar
Amostra de sangue basal
Injetar 5 µg/kg de cosintropina por via intravenosa ou intramuscular (0,1 ml/4,54 kg, 250 µg/frasco de
cosintropina)
Coletar uma segunda amostra 60 min depois
Interpretação do teste: pós­estimulação com cortisol > 22 µg/dl é consistente com HAC na maioria dos
laboratórios;  1,4 µg/dl na amostra obtida 8 h depoisda primeira é
consistente com HAC; a concentração de cortisol 
1,4 µg/dl na amostra obtida 8 h depois da primeira confirma HDH; a falha na supressão na amostra obtida 4 h
depois da primeira não diferencia o HDA do HDH; doença não adrenal pode afetar o teste.
Testes para diferenciar HDH de HDA
TSDDA:
A supressão dos níveis de cortisol provavelmente indica HDH, mas deve­se lembrar que em 25% dos cães
com HDH não ocorre supressão com TSDDA e em quase 100% dos cães com HDA há supressão
Se não houver supressão, pode­se dizer que o paciente tem HDA ou HDH
HDH: alta dose de corticosteroides resulta em menor liberação de ACTH pela hipófise e queda resultante no
cortisol plasmático
HDA: o tumor secreta cortisol de maneira autônoma, suprimindo assim a produção de ACTH, de modo que a
dexametasona não tem efeito sobre o cortisol plasmático porque o ACTH já está suprimido
Metodologia do teste: igual à do TSDDB, porém com dose maior de dexametasona (0,1 mg/kg) injetada por
via intravenosa
Interpretação do teste: nível de cortisol em 8 h  9 µg/dl, aumentar a dose em 50 a 100%
Medicação geralmente segura e efetiva; os efeitos colaterais incluem hipocortisolismo, morte súbita, necrose
adrenal aguda. Não usar em animais destinados à reprodução. É preciso manter uma dosagem diária (ou 2
vezes/dia) como terapia de manutenção, em vez das doses 2 vezes/semana de mitotano.
L­Deprenil (cloridrato de selegilina) (inibidor da monoamina oxidase): pode ser usado como tratamento
alternativo para o HDH; diminui a secreção hipofisária de ACTH aumentando o tônus dopaminérgico para o
eixo hipotalâmico­hipofisário, diminuindo assim as concentrações séricas de cortisol; indicado apenas para o
tratamento do HDH sem complicações; não recomendado para tratar o HDH em cães com doenças
concomitantes, como o diabetes melito; não pode ser usado para tratar neoplasia adrenocortical secretora de
cortisol; iniciar o tratamento com 1 mg/kg/dia e aumentar para 2 mg/kg/dia após 2 meses se a resposta for
inadequada; se essa dose também for ineficaz, instituir tratamento alternativo; as desvantagens incluem a
necessidade de administração diária pelo resto da vida do animal, o custo da medicação e a ausência frequente
de resposta clínica. Efeitos colaterais são incomuns
Cetoconazol (inibidor da síntese de esteroide): inibe a esteroidogênese nos mamíferos ao bloquear o sistema
enzimático do citocromo p450, que é responsável pela produção de androgênio e cortisol; o cetoconazol também
inibe a secreção de ACTH pelos corticotrofos da hipófise; 10 mg/kg 2 vezes/dia inicialmente; até 20 mg/kg 2
vezes/dia para alguns cães; indicado para cães que não consigam tolerar o mitotano nas doses necessárias para
controlar o HAC e no controle pré­operatório do HAC em cães com HDA e adrenalectomia marcada; pode ser
útil no alívio dos sinais clínicos de HAC em cães com AT; há relatos de mais de um terço dos cães não
responder adequadamente ao fármaco; os efeitos adversos incluem anorexia, vômitos, diarreia, letargia, queda
da libido/hormônios reprodutivos e hepatopatia idiossincrásica
Tratamentos alternativos com eficácia mínima ou desconhecida: melatonina, óleo de semente de linhaça com
ligninas, metapirona,mifepristona, bromocriptina, ciproeptadina, cabergolina.
Comentários
Monitoramento do paciente
Ver para cada fármaco.
Resposta ao tratamento: testes de resposta ao ACTH periódicos; testar após os primeiros 7 a 10 dias de
tratamento para assegurar a resposta adequada, em seguida, 1, 3 e 6 meses de tratamento de manutenção com
mitotano e a cada 6 meses daí em diante; a adequação de quaisquer períodos de novos tratamentos necessários é
verificada com um teste de resposta ao ACTH antes de se iniciar a dose de manutenção mais alta; dependendo
do problema, os sinais clínicos se resolvem em vários dias a meses de tratamento apropriado; as recomendações
atuais do rótulo ou da bula são avaliar a eficácia do tratamento com L­Deprenil unicamente com base na
resolução dos sinais clínicos de HAC (o teste de estimulação com ACTH não está indicado para avaliar a
resposta ao tratamento)
Alguns clínicos veterinários preferem fazer os testes de supressão com dexametasona em dose baixa a cada 4 a
6 semanas para avaliar se houve normalização (ou melhora) do eixo hipofisário­adrenal.
Evolução esperada e prognóstico
HAC sem tratamento: em geral, um distúrbio progressivo com prognóstico mau
HDH tratado: geralmente tem bom prognóstico; o tempo médio de sobrevida de um cão com HDH tratado é de 2
anos; pelo menos 10% sobrevivem 4 anos; cães que vivem mais de 6 anos tendem a morrer de causas não
relacionadas com o HAC
Macroadenomas e sinais neurológicos: prognóstico mau a grave
Adenomas adrenais: em geral, prognóstico bom a excelente; carcinomas pequenos (sem metástases) têm
prognóstico razoável a bom
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Carcinomas grandes e HDA com metástase disseminada: geralmente o prognóstico é mau a razoável, mas
ocasionalmente observam­se respostas impressionantes a doses altas de mitotano.
Siglas
ACTH = hormônio adrenocorticotrófico
ALT = alanina aminotransferase
BUN = nitrogênio ureico sanguíneo
CCU = proporção entre creatinina e cortisol urinários
EDTA = ácido etilenodiaminotetraacético (anticoagulante)
HAC = hiperadrenocorticismo canino
HDA = hormônio dependente adrenal
HDH = hiperadrenocorticismo dependente da hipófise; hormônio dependente da hipófise
mitotano (o,p’­DDD) = o,p’­DDD = 1,1(o,p’­diclorodifenil)­2,2­dicloroetano
MSH = hormônio estimulante de melanócitos
RM = ressonância magnética
SNC = sistema nervoso central
TC = tomografia computadorizada
TSDDA = teste de supressão com dexametasona em dose alta
TSDDB = teste de supressão com dexametasona em dose baixa.
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Capítulo 12
Hiperadrenocorticismo
Felino/Síndrome da Fragilidade
Cutânea
Karen Helton Rhodes
Panorama
Distúrbio de causas multifatoriais caracterizado por extrema fragilidade cutânea
Tende a ocorrer em gatos idosos que podem ter hiperadrenocorticismo concomitante, diabetes melito ou que
tenham sido submetidos ao uso excessivo de acetato de megestrol ou outros compostos progestacionais ou
síndrome paraneoplásica
Um pequeno número de gatos não teve alterações bioquímicas.
IdentiJcação e histórico
Doença de ocorrência natural que tende a ser reconhecida em gatos idosos
Casos iatrogênicos não têm predileção etária
Nenhuma predileção racial ou sexual.
Fatores de risco
Hiperadrenocorticismo: dependente da hipófise ou adrenal
Iatrogênico: secundário à administração excessiva de corticosteroide ou fármaco progestacional
Diabetes melito: raro, a menos que associado a hiperadrenocorticismo
Possivelmente idiopático ou síndrome paraneoplásica.
Achados da anamnese
Início gradual de sinais clínicos
Alopecia progressiva (nem sempre presente) (Figura 12.1)
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Figura 12.1 Hiperadrenocorticismo felino. Alopecia no tronco.
Em geral associado a perda de peso, pelagem opaca, pouco apetite e falta de energia.
Características clínicas
A pele torna­se acentuadamente fina e se rompe à manipulação normal (Figuras 12.2 a 12.4)
A pele raramente sangra após laceração
Lacerações múltiplas (tanto antigas quanto recentes) podem ser notadas ao exame de perto
Pode­se notar alopecia parcial a completa da região do tronco
Às vezes associada a cauda de rato, dobradura das orelhas, abdome abaulado.
Figura 12.2 Hiperadrenocorticismo felino. Fragilidade cutânea acentuada à manipulação rotineira. Notar grandes
áreas de pele desnuda. (Cortesia do Dr. Rod Rosychuk.)
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Figura 12.3 Vista de perto da Figura 12.2. A pele se desprende com facilidade ante dor ou hemorragia mínima.
A sutura dessas lesões costuma ser inútil. (Cortesia do Dr. Rod Rosychuk.)
Figura 12.4 Hiperadrenocorticismo com diabetes melito concomitante. Notar a alopecia, a “cauda
de rato”, o abaulamento abdominal e a natureza debilitante da doença.
Diagnóstico diferencial
Astenia cutânea
Síndrome paraneoplásica felina: neoplasia pancreática, lipidose hepática, colangiocarcinoma.
Diagnóstico
Hemograma completo/bioquímica/urinálise
Têm pouco significado diagnóstico na maioria dos casos
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Aproximadamente 80% dos gatos com hiperadrenocorticismo têm diabetes melito concomitante (hiperglicemia,
glicosúria).
Outros exames laboratoriais
Teste de estimulação com ACTH: 70% dos gatos com hiperadrenocorticismo apresentam resposta exagerada
TSDDB: 15 a 20% dos gatos normais podem ter queda ou diminuição dos níveis de cortisol; em geral, não há
supressão com hiperadrenocorticismo e doença não adrenal
TSDDA: gatos normais mostram queda nas concentrações de cortisol; geralmente diminuem com doenças não
adrenais; considerado por muitos clínicos o melhor teste de triagem para hiperadrenocorticismo; não é confiável
para discriminar tumores adrenais e causas de hiperadrenocorticismo dependente da hipófise, porque ambas as
condições não exibem supressão
Níveis de ACTH endógeno: o parâmetro normal na maioria dos laboratórios é de 20 a 100 pg/ml.
Imagens
Ultrassonografia abdominal: em geral, as massas adrenais são pequenas até que a doença esteja na fase terminal
TC e RM: pode ser difícil visualizar tumores hipofisários pequenos; a RM pode ser mais bem­sucedida.
Achados histopatológicos
Histopatologia: sugestiva, não diagnóstica; a epiderme e a derme são finas; fibras de colágeno atenuadas são
evidentes.
Tratamento
Deve­se excluir doença metabólica subjacente
Muitos pacientes estão debilitados e requerem cuidados de suporte
Correção cirúrgica das lacerações: não é útil, porque o tecido não pode suportar a tensão das suturas
Proteção da pele: roupas, reduzir atividades que possam traumatizar a pele, retirar margens aguçadas do
ambiente, evitar dano decorrente da interação com outros animais
Hiperadrenocorticismo: a adrenalectomia é o tratamento preferido
Radioterapia com cobalto 60: sucesso variável no tratamento de tumores hipofisários.
Fármacos de escolha
Tratamento clínico: pode ser útil para preparar o paciente para a cirurgia e minimizar as complicações pós­
operatórias (p. ex., infecções e má cicatrização da ferida)
Não há tratamento clínico efetivo conhecido para o hiperadrenocorticismo felino
o,p’­DDD (mitotano): 12,5 a 50 mg/kg VO a cada 12 h; a resposta tem sido equívoca; os efeitos colaterais
incluem anorexia, vômitos e diarreia
Cetoconazol: 10 a 15 mg/kg VO a cada 12 h; resposta variável
Metapirona: 65 mg/kg VO a cada 12 h; melhora clínica notada mais frequentemente com esse fármaco do que
com outros
O trilostano tem sido tentado em gatos com sucesso variável.
Precauções e interações
Hiperadrenocorticismo: monitorar estritamente gatos diabéticos; ajustar a dose de insulina para evitar
hipoglicemia quando os níveis de cortisol caírem.
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Comentários
Siglas
ACTH = hormônio adrenocorticotrófico
o,p’­DDD = 1,1­(o’­diclorodifenil)­2,2­dicloroetano
RM = ressonância magnética
TC = tomografia computadorizada
TSDDA = teste de supressão com dexametasona em dose alta
TSDDB = teste de supressão com dexametasona em dose baixa
VO = via oral.
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Capítulo 13 Hipotireoidismo
Alexander H. Werner
Panorama
Queda na produçãoFoliculite Bacteriana e Piodermite
Emergente Resistente
Dermatofitose
Micoses Intermediárias e Profundas
Leishmaniose | Dermatite por
Protozoário
Dermatite por Malassezia
Infecções Bacterianas
Nocardiose
Dermatoses Virais
Seção 6 Neoplasias, Dermatoses Cutâneas e 
Paraneoplásicas
Dermatoses Actínicas
Síndromes Pré­Neoplásicas e
Paraneoplásicas Caninas
Tumores Cutâneos e dos Folículos Pilosos 
Comuns
Linfoma Epiteliotrópico
Síndromes Paraneoplásicas Felinas
Histiocitose
Tumores de Mastócitos
Seção 7 Distúrbios Parasitários
Picadas e Ferroadas de Insetos
Demodicose Canina e Felina
Ácaros Sarcoptídeos | Sarcoptes, Cheyletiella, Notoedres e Otodectes
Seção 8 Tópicos Selecionados
Acnes | Canina e Felina
Fístulas Perineais | Distúrbios das Bolsas Adanais
Dermatoses Comportamentais e Autoinfligidas
Distúrbios da Queratinização
Otite Externa, Média e Interna
Pododermatite e Distúrbios das Unhas
Dermatite Necrolítica Superficial
Seção 9 Dermatologia de Animais Exóticos
Furão
Cobaia ou Porquinho­da­índia
Hamster
Ouriço­cacheiro
53
54
Camundongos e Ratos
Coelhos
Apêndice A Tratamento Clínico de Doenças 
Cutâneas Inflamatórias
Pruriginosas
Apêndice B Genodermatoses Caninas e Predisposição Racial a Dermatoses
Apêndice C Formulário de Fármacos
Leitura Sugerida
Índice Alfabético
Fundamentos Seção 1
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Capítulo 1 Descrição e Terminologia da Lesão
Alexander H. Werner
Panorama
A definição e a organização de lesões dermatológicas são indispensáveis para o diagnóstico e o monitoramento
dos pacientes
Do padrão macroscópico ao tipo específico de lesão, deve surgir um quadro geral
A comprovação concisa ao se registrarem a anamnese e os achados físicos permite a elaboração de uma lista de
diagnóstico diferencial que leve ao diagnóstico definitivo
Exemplo de descrição de caso de dermatite alérgica a pulgas: mancha de alopecia na região dorsal lombossacra,
com pápulas, crosta, escoriações e liquenificação.
Terminologia dermatológica
Para a pelagem:
Brilhante
Fosca
Oleosa
Seca
Quebradiça
Espessa
Rala (alopecia parcial)
Ausente (alopecia)
Cor
Alterações generalizadas do normal
Associada a pelos de cor específica
Distribuição das lesões:
Simétrica ou assimétrica
Regional (exemplos):
Pés
Face
Pavilhão auricular
Parte dorsal do focinho
Plano nasal
Mucosa
Junção mucocutânea
Coxim plantar
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Dorsal
Ventral
Tronco
Abdominal
Cabeça
Pescoço
Cauda
Extremidade (membro)
Padrão:
Difuso
Generalizado
Focal
Localizado
Manchado
Regional.
Características clínicas │ Lesões primárias versus secundárias
As lesões primárias desenvolvem­se diretamente a partir do processo mórbido:
Descamação: acúmulo fino de queratinócitos; também definida como fina, grosseira, oleosa, seca, aderente ou
solta (Figura 1.1)
Crosta: acúmulo espesso de células com exsudato seco de soro, sangue, pus ou medicações (Figura 1.2)
Cilindro folicular: acúmulo de material folicular acima do nível dos óstios foliculares; pode estar aderido à
haste do pelo
Comedão: folículo piloso dilatado, bloqueado por restos sebáceos e epidérmicos; quando os óstios foliculares
ficam abertos ao ar, esses restos escurecem, formando uma “cabeça preta” (Figura 1.3)
Lesões com menos de 1 cm de diâmetro:
Mácula: alteração não palpável na cor da pele; maior ou menor pigmentação, hemorragia ou eritema (Figura
1.4)
Pápula: elevação sólida da pele (Figura 1.5)
Figura 1.1 Descamação – acúmulo grosseiro de queratinócitos.
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Figura 1.2 Crosta – acúmulo de exsudato seco no plano nasal.
Figura 1.3 Comedão – folículo piloso dilatado bloqueado por restos epidérmicos.
Vesícula: lesão cheia de líquido celular, dentro da epiderme ou logo abaixo dela (Figura 1.6)
Pústula: lesão cheia de líquido acelular, dentro da epiderme ou logo abaixo dela; o líquido quase sempre
contém neutrófilos, mas também pode conter eosinófilos (Figura 1.7)
Nódulo: elevação sólida da pele, que se estende para as camadas mais profundas (Figura 1.8)
Lesões com mais de 1 cm de diâmetro:
Mancha: alteração não palpável na cor da pele; mácula grande (Figura 1.9)
Placa: elevação achatada, palpável e sólida; pápula grande (Figura 1.10)
Vergão: acúmulo temporário de líquido na derme, que cria uma área elevada bem demarcada (Figura 1.11)
Bolha: grande acúmulo de líquido que, em geral, estende­se para a derme (Figura 1.12)
Abscesso: acúmulo muito grande de líquido celular que se estende profundamente para a derme e os tecidos
subcutâneos
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Cisto: cavidade revestida por epitélio, com líquido ou material semissólido, em geral logo abaixo da
epiderme (Figura 1.13)
Tumor: massa grande que pode envolver a pele e tecidos mais profundos (Figura 1.14)
Alteração na pigmentação:
Hiperpigmentação: aumento na pigmentação cutânea
Hipopigmentação: diminuição na pigmentação cutânea
Leucodermia: pele branca
Leucotriquia: pelagem branca.
Figura 1.4 Mácula – alteração não palpável na cor da pele.
Figura 1.5 Pápula – elevação sólida da pele (pessoa com lesões da escabiose canina).
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Figura 1.6 Vesícula – lesão cheia de líquido acelular (pênfigo foliáceo).
Figura 1.7 Pústula – lesão cheia de líquido celular.
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Figura 1.8 Nódulo – elevação sólida da pele que se estende para camadas profundas (nódulos
fibropruriginosos).
Figura 1.9 Mancha – lesão grande de alteração não palpável na cor da pele (linfoma epiteliotrópico).
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Figura 1.10 Placa – elevação achatada palpável e sólida (lipídio).
Figura 1.11 Vergão – acúmulo temporário de líquido.
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Figura 1.12 Bolha – grande acúmulo de líquido que, em geral, estende­se para a derme.
Figura 1.13 Cisto – cavidade revestida por epitélio cheia de líquido (cisto apócrino).
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Figura 1.14 Tumor – massa grande que pode envolver a pele e tecidos mais profundos (plasmocitoma).
As  lesões  secundárias  desenvolvem­se  a  partir  de  lesões  primárias  –  mais  frequentemente  induzidas  pelo
paciente ou pelo ambiente.
Colarete epidérmico: acúmulo anular de escamas, resultante do aumento de vesícula ou pústula rompida (Figura
1.15)
Escoriação: erosão linear com eritema e crostas resultantes de autotraumatismo
Liquenificação: espessamento da pele com acentuação do padrão cutâneo normal, causado por inflamação
crônica e autotraumatismo (Figura 1.16)
Erosão: defeito na pele que não penetra a junção dermoepidérmica (Figura 1.17)
Úlcera: defeito na pele que penetra a junção dermoepidérmica (Figura 1.18)
Fissura: defeito linear que penetra a epiderme até a derme (Figura 1.19)
Fístula: lesão profunda, que em geral drena (Figura 1.20)
Escara: área de tecido fibroso que substituiu a pele normal; geralmente é palpável como defeito mais fino ou
deprimido (Figura 1.21).
Comentários
Os achados do exame devem ser registrados de maneira organizada e consistente; as descrições devem fornecer
um “quadro” claro da condição dermatológica prévia durante exames subsequentes
Os achados devem ser organizados a partir do quadro “maior” para o “menor”
A identificação correta de lesões específicas e o entendimento da maneira como se desenvolvem proporcionam
informação fisiopatológica indispensável
Muitas dermatoses têm aspectos patognomônicos que, quando correlacionados com os sinais e a anamnese,
podem fornecer uma apropriada e limitada lista de diagnósticos diferenciais
Como alternativa, muitas dermatoses compartilham achados físicos semelhantes; o registro acurado das
descrições pode permitir que o clínico desenvolva um plano conciso para o diagnóstico e o tratamento de
pacientes com doença dermatológica.
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Figura 1.15 Colarete epidérmico – acúmulo anular de escamas.
Figura 1.16 Liquenificação – espessamento da pele com acentuação do padrão normal (seborreia primária).
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Figura 1.17 Erosão – defeito na pele que não penetra a junção dermoepidérmica (pênfigo).
Figura 1.18 Úlcera: defeito na pele que penetra a junção dermoepidérmica.
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Figurade hormônios tireóideos (T4 e T3) pela tireoide
Níveis inadequados de hormônios tireóideos afetam muitos processos metabólicos e quase todos os sistemas
orgânicos
Não existe um teste único e confiável para detectar o hipotireoidismo (além da biopsia da tireoide) e a
similaridade dos sintomas de muitas causas de alopecia provavelmente resulta em excesso de diagnósticos
Os sinais dermatológicos mais frequentemente incluem ausência de crescimento da pelagem, hiperqueratose e
foliculite bacteriana
O tratamento é feito com suplementação de hormônio tireóideo (T4).
Etiologia e Jsiopatologia
TSH liberado pela hipófise: principal modulador da secreção hormonal pela tireoide; T3 inibe a secreção de
TSH
O efeito do hormônio liberador de tireotropina do hipotálamo sobre a atividade global da tireoide não está
esclarecido; hipotireoidismo terciário não documentado em cães ou gatos
Hormônios tireóideos no plasma ligados primariamente a proteína; menos de 1% está “livre” na circulação; o
eixo hipofisáriotireóideo funciona mantendo níveis de fT4
T4: mais de 80% do hormônio secretado; atividade biológica suprarregulada pela conversão para a forma ativa
(T3) nos tecidos periféricos; a conversão para rT3 reduz a
atividade
Apenas o hormônio não ligado penetra nas células e tem atividade biológica
Tireoidite linfocítica (hipotireoidismo primário): causa mais comum; destruição imunomediada da tireoide; pode
ser uma causa de atrofia idiopática da tireoide (segunda causa mais comum de hipotireoidismo); autoanticorpos
para os antígenos da tireoide (ATA): medidos em 50% dos casos (relatos de discrepâncias raciais); também
detectáveis em cães eutireóideos normais
Hipotireoidismo secundário (secreção de TSH prejudicada): raro; pode ser causado por medicações
(glicocorticoides, sulfonamidas, fenobarbital)
Hipotireoidismo devido a neoplasia, deficiência dietética de iodo e anormalidades congênitas da glândula ou da
hormonogênese: muito raro (Figura 13.1)
Causas alternativas propostas incluem comprometimento da conversão para T3 ativa e/ou aumento da conversão
para rT3 devido a anormalidades de hormônio esteroide (corticosteroide ou estrogênio) ou má absorção da
suplementação para reposição
Hipotireoidismo em gatos mais frequentemente segue­se a tireoidectomia bilateral ou radioterapia com iodo para
neoplasia tireóidea.
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Figura 13.1 Nanismo hipofisário.
IdentiJcação e histórico
Endocrinopatia mais comum em cães
Maior risco: Golden Retriever e Doberman Pinscher
Hereditário: Beagle, Borzoi, Dinamarquês
Raças predispostas: principalmente cães de médio e grande porte; Golden Retriever, Dinamarquês, Doberman
Pinscher, Setter Irlandês, Airedale Terrier, Old English Sheepdog, Dachshund, Schnauzer Miniatura, Brittany e
Cocker Spaniel, Shar­Pei, Chow Chow, Poodle, Irish Wolfhound, Buldogue Inglês, Newfoundland, Malamute e
Boxer
Pico etário de início aos 5 anos (média de 7 anos)
Animais não castrados: menor risco de desenvolver hipotireoidismo
Inespecífico e a progressão lenta dos sinais em geral retarda o diagnóstico
Sintomas iniciais: mal­estar, embotamento mental, intolerância ao exercício e ao frio, alteração do
comportamento e obesidade; animais não castrados podem demonstrar disfunção reprodutiva
Sintomas não dermatológicos relatados com frequência moderada: neuropatia periférica (ocasionalmente aguda),
déficits de nervos cranianos (síndrome de Horner), miopatia generalizada (fraqueza), megaesôfago, paralisia
laríngea, lipidose corneana; a recuperação com suplementação pode ser rápida no caso da neuropatia e da
miopatia, mas não é consistente com megaesôfago ou paralisia laríngea.
Características clínicas
Sintomas iniciais (Figuras 13.2 a 13.6):
Pelagem opaca e quebradiça
Alteração na qualidade da pelagem; pode ocorrer perda de pelos primários como um retorno à pelagem de
filhote
Descamação excessiva
Pelos soltam­se com facilidade
Não há crescimento de nova pelagem após tricotomia; perda da pelagem nas áreas de atrito ou pressão (p. ex.,
da coleira, laterais dos cotovelos e dos jarretes)
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Figura 13.2 Descamação induzida pelo hipotireoidismo e clareamento da pelagem.
Figura 13.3 Descamação excessiva com pelos opacos e quebradiços no hipotireoidismo.
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Figura 13.4 Pelagem fina e com descamação associada ao hipotireoidismo.
Figura 13.5 Paciente da Figura 13.4 com pelagem fina e quebradiça, além de descamação.
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Figura 13.6 Afinamento da pelagem da cauda induzido pelo hipotireoidismo (“cauda de rato”).
Crescimento reduzido da pelagem após queda de pelos; foi descrita hipertricose em Boxers e Setters
Irlandeses devido à retenção da pelagem morta
Alteração da cor da pelagem (mais frequentemente clareamento)
Alopecia inicial pode ser difusa e assimétrica
Sintomas avançados (Figuras 13.7 a 13.13):
Alopecia bilateralmente simétrica; em geral no tronco, poupando a cabeça e as extremidades
Alopecia e descamação nos pavilhões auriculares
Aspecto cutâneo edematoso (mixedema e mucinose)
Expressão facial “trágica”
Hiperqueratose/dermatite seborreica significativas
Hiperpigmentação, liquenificação e comedões nas regiões alopécicas
Foliculite bilateral
Dermatite por Malassezia
Otite externa
Má cicatrização de feridas; equimoses
Prurido incomum, a menos que associado a infecção secundária.
Diagnóstico diferencial
Hiperadrenocortisolismo: em geral associado a outros sintomas sistêmicos; fonte exógena ou endógena
Anormalidades de hormônios sexuais (adrenais, extra­adrenais e gonádicos)
Displasia folicular
Eflúvio telogênico
Alopecia devida a doença sistêmica ou secundária ao tratamento clínico
O padrão de alopecia inclui alopecia cíclica do flanco
Distúrbio primário da queratinização.
Diagnóstico
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Hemograma completo/bioquímica
Anemia normocítica, normocrômica não regenerativa
Figura 13.7 Alopecia e hiperpigmentação no tronco.
Figura 13.8 Paciente da Figura 13.7 com alopecia e hiperpigmentação no tronco.
Hipercolesterolemia de jejum
Hipertrigliceridemia de jejum; lipemia macroscópica.
Concentração de hormônio tireóideo
T4 total:
Geralmente abaixo do normal no hipotireoidismo
A estimativa de baixa T4 tem de estar associada a sinais clínicos apropriados que pressuponham
hipotireoidismo; outros testes (p. ex., estimativa do TSH) são recomendados para ajudar no diagnóstico
Autoanticorpos para T4 afetarão os resultados
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Figura 13.9 Edema facial com hipotireoidismo.
Figura 13.10 Edema de extremidade no paciente da Figura 13.9.
Parâmetros mais baixos em certas raças (p. ex., Greyhound)
Ocorrem flutuações amplas em cães normais
Observa­se declínio com a idade, o estro, prenhez, obesidade e subnutrição
Síndrome da doença eutireóidea: T4 sérica baixa devido a dor não tireóidea
Doença específica que se sabe diminuir a T4 basal: insuficiência renal, insuficiência hepática, infecção
sistêmica e cutânea, diabetes melito, hiperadrenocortisolismo e hipoadrenocortisolismo
Estimativa diminuída: glicocorticoides, sulfonamidas, anti­inflamatórios não esteroides, fenobarbital e
antidepressivos tricíclicos
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T3 total/fT3/rT3:
Os níveis de T3 total flutuam bastante; a estimativa não é um indicador acurado do estado da tireoide
Espera­se que os níveis de T3 reversa aumentem em condições de doença com eutireoidismo
Figura 13.11 Expressão facial “trágica”.
Figura 13.12 Piodermite secundária a hipotireoidismo.
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Figura 13.13 Paciente da Figura 13.12. Notar o aspecto de “dentadas” da pelagem com lesões pontilhadas de
alopecia e descamação.
Autoanticorpos para T3 afetarão os resultados
fT4:
Medido por diálise de equilíbrio
Menos afetado por doenças concomitantes (com exceção do hiperadrenocortisolismo)
Menos afetado por anticorpos para os antígenos e hormônios da tireoide
Não recomendado como teste único; deve­se interpretar com a estimativa de T4
A estimativa de T4 total e de fT4 constitui o protocolo preferido de muitos especialistaspara o diagnóstico de
hipotireoidismo
TSH:
Teste de sensibilidade progressivo; parâmetros interlaboratoriais da variável normal
Cães hipotireóideos podem ter resultados normais de TSH; cães normais podem ter resultados elevados de
TSH
TSH elevado em conjunto com T4 baixa consistente com diagnóstico de hipotireoidismo
No caso de resultados incongruentes, indica­se avaliação adicional para tireoidite ou repetir a estimativa dos
valores em 1 a 3 meses
A estimativa de T4 total e de TSH é o protocolo alternativo preferido de muitos especialistas para o
diagnóstico de hipotireoidismo
Teste de estimulação do TSH:
Determina a função da tireoide
Estimativa de T4 basal e pós­administração de TSH
Eutireóideo: resultado pós­T4 dentro ou acima do parâmetro normal para T4
Doença não tireóidea (doença eutireóidea): resposta indefinida, mas resultado pós­T4 no parâmetro normal
para T4
Hipotireóideo: resultados pré e pós­T4 abaixo do parâmetro normal
TSH recombinante: muito dispendioso; atualmente não tem uso prático
Outros testes:
Teste de estimulação do TRH: resposta variável e menor do que com o TSH; não tem uso prático; pode ajudar
a diferenciar hipotireoidismo primário de secundário ou terciário
Biopsia da tireoide: exame diagnóstico definitivo; impraticável com complicações potenciais; achados
patológicos na tireoidite linfocítica incluem infiltração de linfócitos, macrófagos e plasmócitos, com eventual
destruição do parênquima da tireoide e substituição por tecido conjuntivo fibroso
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Ultrassonografia da tireoide: útil, mas em geral não sensível como exame adjuvante; tireoide de menor
tamanho em cães hipotireóideos
Anticorpos antitireoglubulina: encontrados em 50% dos cães hipotireóideos (anti­T3 em 30%; anti­T4 em
15%); pode ocorrer em cães eutireóideos; pode indicar tireoidite em desenvolvimento em cães com níveis
normais de hormônios da tireoide; podem ser úteis em cães com níveis equívocos de hormônios da tireoide;
podem interferir nos ensaios hormonais, resultando mais frequentemente em resultados aumentados
Ensaio terapêutico: não confiável para o diagnóstico de hipotireoidismo com base nas anormalidades
dermatológicas; a suplementação com hormônio tireóideo exerce efeitos iniciais similares (p. ex., crescimento
de pelos, aumento da atividade) tanto em cães hipotireóideos quanto em eutireóideos; a estimativa imediata
dos níveis de T4 após a administração da pílula pode revelar resultados significativamente elevados em cães
eutireóideos
Dermato­histopatologia: em geral não fornece o diagnóstico específico de hipotireoidismo; mais indicativa de
endocrinopatia; hiperplasia e hiperqueratose epidérmica e folicular infundibular; predominância de folículos
telógenos; hiperplasia de glândula sebácea; mucinose, achado frequente de foliculite bacteriana.
Tratamento
Considerações gerais
Dieta: reduzida em gordura, conforme indicado por anormalidades nas estimativas séricas de lipídios
É necessário tratamento pelo resto da vida
Resposta ao tratamento: em 7 dias no caso de neuropatia e sinais sistêmicos graves; 4 a 6 semanas para
anormalidades laboratoriais e sinais sistêmicos gerais; 1 a 3 meses para condições dermatológicas
Tireotoxicose: vista como taquicardia, diarreia, poliúria, polidipsia, polifagia, prurido e ansiedade ou alterações
comportamentais.
Fármacos de escolha
L­tiroxina sintética (levotiroxina): suplemento de escolha
A administração de T3 sintética (liotironina; 4 a 6 µg/kg 3 vezes/dia) não é recomendada, a menos que se
suspeite de comprometimento da absorção de T4 (muito rara); tireotoxicose mais provável com suplementação
de T3
Levotiroxina: meia­vida sérica de 12 a 16 h; concentração máxima 4 a 6 h após a administração
Dosagem inicial de levotiroxina: 15 a 20 µg/kg 2 vezes/dia
É necessário diminuir a dosagem inicial para pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, doença renal,
diabetes melito, condições convulsivas e hiperadrenocortisolismo – dosagem inicial de 10 µg/kg 2 vezes/dia
para evitar desestabilização por aumento da taxa metabólica e demandas cardíacas
A absorção da suplementação com levotiroxina pode variar com a formulação
A administração de dose baixa de corticosteroide foi proposta, mas não documentada para aumentar a absorção
de T4 em pacientes com resposta precária à administração de levotiroxina.
Monitoramento do tratamento
Estimativa inicial de 4 semanas após o início da suplementação
Coleta da amostra 4 a 6 h após a administração de levotiroxina
O nível de T4 deve estar dentro da faixa normal; os parâmetros relatados para o monitoramento do tratamento
variam de acordo com o laboratório; resultados próximos da metade do valor de referência são preferidos
Método alternativo de monitoramento: estimativa de T4 basal (logo antes da administração de levotiroxina) e 4
a 6 h após; o nível basal deve estar na extremidade inferior e o nível máximo na extremidade superior da faixa
de referência
Repetir as estimativas 4 semanas após cada alteração da dosagem
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A estimativa em pacientes estáveis é recomendada a intervalos de 6 meses
Os níveis de TSH, se elevados antes da suplementação, devem voltar a normais a baixos com o tratamento; a
interpretação da suplementação adequada atualmente não pode basear­se apenas na estimativa dos níveis de
TSH.
Opções terapêuticas alternativas
A suplementação 2 vezes/dia é considerada o padrão
Pode­se tentar a suplementação 1 vez/dia quando os sintomas de hipotireoidismo tiverem se resolvido
A variabilidade na absorção do fármaco pode não permitir o tratamento eficaz 1 vez/dia
Faltam estudos sobre o monitoramento da suplementação
Determinação do sucesso do tratamento 1 vez/dia com base na resolução contínua dos sintomas clínicos de
hipotireoidismo
Usa­se L­tiroxina intravenosa (4 a 5 µg/kg 2 vezes/dia) para tratar a crise hipotireóidea (coma do mixedema).
Comentários
Siglas
ATA = autoanticorpos para os antígenos da tireoide; anticorpos antitireoglobulina
fT4 = T4 livre
rT3 = T3 reversa
T3 = tri­iodotironina, liotironina
T4 = tetraiodotironina, L­tiroxina
TRH = hormônio liberador de tireotropina
TSH = hormônio estimulante da tireoide; tireotropina.
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Capítulo 14 Alopecia Não InMamatória
Alexander H. Werner
Panorama
Distúrbios incomuns associados ao ciclo anormal do folículo piloso
Distúrbios múltiplos produzem padrões similares de alopecia que acometem o tronco, mas poupam a cabeça e a
parte distal dos membros
Associada a causas tanto endócrinas quanto não endócrinas
O diagnóstico de alopecia não endócrina em geral é feito por exclusão de causas endócrinas comuns
As causas não endócrinas incluem a calvície padrão e a displasia folicular
As causas endócrinas incluem hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo, alopecia decorrente da castração,
desequilíbrio de hormônio sexual e alopecia X (sinônimos: alopecia responsiva ao GH, síndrome similar à
hiperplasia adrenal, pseudo­Cushing, desequilíbrio de hormônio sexual adrenal em raças de pelagem longa).
Etiologia e Jsiopatologia
Considerações gerais
O hiperadrenocorticismo e o hipotireoidismo são discutidos em outros locais (Capítulos 11, 12 e 13)
Muitos fatores afetam o ciclo piloso, tanto hormonais quanto não hormonais
Desequilíbrios nos hormônios sexuais, especialmente elevações, podem afetar o ciclo piloso; os hormônios
sexuais e seus precursores têm ações glicocorticoides intrínsecas e afinidade pelos receptores de
glicocorticoides, podendo suprimir o eixo HHA
Anormalidades no eixo HHA podem ocasionar elevações nos hormônios precursores de glicocorticoides
(notavelmente androgênios), com ou sem elevações medidas nos glicocorticoides
Alterações de hormônios, na ausência de causalidade, podem afetar temporariamente o ciclo do folículo piloso;
tais alterações em geral não persistem.
Alopecia X
Designação geralmente usada de maneira intercambiável com alopecia responsiva ao GH e desequilíbrio de
hormônio sexual em raças de pelagem longa
Pode ser causada porníveis elevados de progesterona ou androgênio, diminuindo a produção de GH
Hipossomatotropismo é um achado inconsistente
Desequilíbrio de hormônio sexual adrenal em raças de pelagem longa e a síndrome similar à hiperplasia adrenal
podem resultar da deficiência da enzima adrenal 21­hidrolase, causando secreção excessiva de precursores dos
hormônios esteroides
Nanismo hipofisário: defeito ou destruição da capacidade secretora das células adenohipofisárias; pode estar
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associado a outras deficiências hormonais; distinto das síndromes consideradas na alopecia X.
Desequilíbrios estrogênicos
O estrogênio é produzido pelos folículos e cistos ovarianos, pelas células de Leydig e pelas zonas glomerulosa e
fasciculada da adrenal
O excesso de estrogênio está associado a:
Cistos e tumores ovarianos (em fêmeas)
Tumor da célula de Sertoli, seminoma ou tumor de célula intersticial (machos)
Produção anormal no córtex adrenal
Suplementação com estrogênio exógeno (dietilestilbestrol)
Exposição a medicações tópicas para reposição hormonal
O estrogênio é um inibidor do início do anágeno em cães (estimula o crescimento de cabelo no couro cabeludo
de seres humanos) e potencializa a ação dos androgênios na próstata e da progesterona no endométrio
Animais com concentração sérica normal de estrogênio podem ter um número elevado de receptores de
estrogênio na pele
Conversão periférica de estrogênio e/ou excesso de androgênios, bem como regulação de receptores hormonais,
são afetados por fatores de crescimento; anormalidades podem causar excesso ou deficiência de estrogênio
A deficiência de estrogênio é incomum; observada primariamente após ovário­histerectomia; as concentrações
séricas de estradiol podem estar normais.
Hiperandrogenismo e hiperprogesteronemia
Nível elevado de testosterona não causa alopecia em cães
Nível elevado de progesterona foi associado a alopecia; a causa mais frequente é administração exógena (acetato
de megestrol)
É provável que o efeito da progesterona se deva à ligação de receptores de glicocorticoides e/ou conversão para
cortisol nos folículos pilosos caninos
A alopecia resultante da castração e a resultante da testosterona podem ser consequência das alterações relativas
nos níveis hormonais; a resposta pode não persistir.
IdentiJcação e histórico
Nanismo hipofisário: Pastor­Alemão, Spitz, Pinscher Miniatura, Carnelian Bear Dog; notado por volta dos 3
meses de idade (Figura 14.1)
Alopecia X: relativamente comum em raças predispostas: Poodle Miniatura e cães de pelagem longa, como
Lulu­da­Pomerânia, Chow Chow, Akita, Samoieda, Keeshonden, Malamute do Alasca e Husky Siberiano;
ocorre primariamente entre 1 e 5 anos de idade em cães não castrados e castrados de ambos os sexos (Figuras
14.2 a 14.4)
Hiperandrogenismo (primariamente em machos): causa rara a incomum de alopecia em cães não castrados de
meia­idade a idosos (Figuras 14.5 e 14.6)
Hiperestrogenismo: cadelas idosas não castradas (tumor de célula da granulosa, outro tumor ovariano, cistos
ovarianos); machos caninos não castrados (tumor testicular); cadelas jovens não castradas (cistos ovarianos);
raças de pequeno porte (exposição a medicação do proprietário); cadelas castradas (administração exógena de
dietilestilbestrol) (Figuras 14.7 a 14.9)
Tumores testiculares: Boxer, Shetland Sheepdog, Weimaraner, Pastor­Alemão, Cairn Terrier, Pequinês, Collie;
risco maior em cães criptorquídicos (Figuras 14.10 e 14.11).
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Figura 14.1 Nanismo hipofisário.
Figura 14.2 Alopecia simétrica poupando a cabeça e a parte distal dos membros em um macho castrado da raça
Lulu­da­Pomerânia com alopecia X.
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Figura 14.3 Fêmea castrada de Malamute do Alasca com alopecia X e perda de pelos primários mais retenção
dispersa da camada inferior da pelagem.
Figura 14.4 Partes de alopecia no tronco em um Bichon Frisé com alopecia X e pelagem normal na cabeça e nos
membros.
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Figura 14.5 Alopecia decorrente de castração em um Lulu­da­Pomerânia.
Figura 14.6 Paciente da Figura 14.5 após castração com novo crescimento disperso da pelagem.
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Figura 14.7 Alopecia decorrente de ovário­histerectomia em uma cadela da raça Labrador com adelgaçamento da
pelagem afetando a parte caudal das coxas e o períneo.
Figura 14.8 Alopecia da parte caudal das coxas e da região inguinal em uma fêmea de Maltês com 7 anos de
idade antes de OVH.
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Figura 14.9 Alopecia causada pela administração de dietilestilbestrol – os sintomas parecem similares aos do
paciente da Figura 14.7, com adelgaçamento da pelagem no períneo.
Figura 14.10 Tamanho testicular assimétrico em paciente com tumor da célula de Sertoli. Notar a perda da
pelagem na parte caudal das coxas e no períneo, semelhante a outros casos.
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Figura 14.11 Alopecia perianal e na parte caudal das coxas no paciente da Figura 14.10.
Características clínicas
Pelagem: seca ou descorada porque os pelos não estão sendo substituídos; ausência de muda normal; em geral
alopecia difusa e bilateralmente simétrica no tronco, poupando a cabeça e as partes distais dos membros; a
pelagem primária é perdida em primeiro lugar, resultando em retenção difusa da pelagem inferior; por fim
desenvolve­se alopecia completa
Seborreia secundária variável, prurido, foliculite bacteriana e comedões
Atrofia epidérmica e dérmica; liquenificação discreta e descamação
Hiperestrogenismo: aumento dos mamilos, das glândulas mamárias, vulva, prepúcio; dermatite linear prepucial;
à palpação, os testículos podem ser normais ou de tamanho irregular; petéquias devido à neutropenia (Figura
14.12)
Hiperandrogenismo: hiperplasia da glândula da cauda e da glândula perianal; a pelagem pode estar normal
Alopecia X: hiperpigmentação marcante é muito comum (0,09“doença da pele preta”)
Em geral não há sinais sistêmicos (poliúria/polidipsia/polifagia); pode ocorrer incontinência urinária nos casos
que respondem ao estrogênio.
Diagnóstico diferencial
Hipotireoidismo
Hiperadrenocorticismo
Foliculite bacteriana
Demodicose
Displasia folicular: alopecia com diluição da cor, displasia folicular da pelagem preta
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Alopecia padrão: Dachshund, Boston Terrier, Greyhound, Water Spaniel, Chihuahua
Figura 14.12 Dermatite prepucial linear em um Lulu­da­Pomerânia com tumor de célula de Sertoli. Notar o
eritema na pele ao longo da face ventral do prepúcio.
Alopecia cíclica do flanco: Boxer, Buldogue Inglês, Airedale
Alopecia após tricotomia
Defluxo do telógeno
Distúrbio da queratinização.
Diagnóstico
Hemograma completo/perfil bioquímico/urinálise: normais, exceto quando associada a hipotireoidismo ou
hiperadrenocorticismo; anemia e/ou hipoplasia ou aplasia da medula óssea com hiperestrogenismo
Concentrações séricas de hormônio sexual: geralmente normais; tratar de acordo com o diagnóstico suspeito
com base nos sinais clínicos e excluir outros distúrbios
Concentrações séricas de estradiol: às vezes elevadas em machos caninos com tumores testiculares ou cadelas
com ovários císticos; no entanto, flutuações diárias normais de estradiol dificultam a interpretação de suas
concentrações; elevação prolongada demonstrada por testes repetidos mais conclusivos
Teste de estimulação com ACTH ou TSDDB: para excluir hiperadrenocorticismo
Tiroxina sérica, fT4 e TSH: para excluir hipotireoidismo
Teste de estimulação com ACTH e estimativa dos hormônios sexuais adrenais: pode indicar superprodução de
precursores do cortisol
Alterações dermato­histopatológicas comumente associadas a dermatoses endócrinas: telogenização de pelos,
queratose folicular, queratinização tricolêmica (folículos em chama), atrofia epidérmica e dérmica, atrofia de
glândulas sebáceas; em geral distintas das alterações associadas à calvície padrão e à displasia folicular
Ultrassom abdominal: hiperplasia ou neoplasia da glândula adrenal e neoplasia gonádica.
Tratamento
Considerações gerais
Banhos frequentes com xampus antisseborreicos para diminuir a descamação, os comedões ea foliculite
bacteriana
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Tratamento da foliculite bacteriana secundária com antibióticos apropriados
Com exceção dos tumores, as condições são cosméticas, resultando em perda da pelagem e hiperpigmentação;
considerar o risco do tratamento antes de iniciá­lo.
Alopecia X
Melatonina: 3 mg 2 vezes/dia para raças de pequeno porte e 6 a 12 mg 2 vezes/dia para raças de grande porte;
deve ocorrer novo crescimento da pelagem em 3 meses; eficaz em aproximadamente 40% dos casos; assim que
ocorrer novo crescimento dos pelos, deve­se interromper o tratamento; iniciar suplementação novamente se
voltar a ocorrer perda de pelos
A melatonina em doses altas pode causar resistência à insulina; usar com cautela em pacientes diabéticos
Mitotano: 15 a 25 mg/kg/dia como indução: seguida por manutenção 2 vezes/semana; ocorre novo crescimento
dos pelos em alguns cães; o uso desse fármaco pode resultar em crise addisoniana; eletrólitos e teste de
estimulação com ACTH devem ser monitorados regularmente
Trilostano: dosagens como descritas para o tratamento da síndrome de Cushing; ocorre novo crescimento dos
pelos em alguns cães; o uso desse fármaco pode resultar em crise addisoniana; eletrólitos e teste de estimulação
com ACTH devem ser monitorados regularmente
Hormônio do crescimento sintético (0,15 UI/kg por via subcutânea 2 vezes/semana durante 6 semanas): pode
causar diabetes melito.
Desequilíbrios dos hormônios sexuais
Diagnosticar e excisar cirurgicamente cistos e tumores ovarianos, bem como tumores abdominais ou escrotais
ou testiculares
A castração pode estimular um novo crescimento de pelagem (possivelmente temporário)
Metiltestosterona (1 mg/kg – dosagem máxima de 30 mg/cão): em dias alternados até novo crescimento de
pelagem; em seguida a cada 4 a 7 dias; pode resultar em alterações do comportamento, colângio­hepatite e
seborreia oleosa; monitorar bioquímica hepática
Dietilestilbestrol (0,1 a 1 mg/kg via VO): a cada 24 h por 14 a 21 dias; interromper com 7 dias; repetir até
ocorrer novo crescimento de pelagem, em seguida administrar 2 a 3 vezes/semana; monitorar contagem
sanguínea frequentemente.
Comentários
Siglas
ACTH = hormônio adrenocroticotrófico
fT4 = tetraiodotironina livre
GH = hormônio do crescimento
HHA = hipotalâmico­hipofisário­adrenal
OVH = ovário­histerectomia
TSDDB = teste de supressão com dexametasona em dose baixa
TSH = hormônio estimulante da tireoide
VO = via oral.
Distúrbios Imunológicos e
Autoimunes Seção 4
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Capítulo 15 Dermatomiosite Canina Familiar
Karen Helton Rhodes
Panorama
Condição inflamatória idiopática hereditária de cães, que acomete a pele e os músculos (raramente, também vasos
sanguíneos).
Etiologia e Jsiopatologia
Patogenia exata desconhecida
Embora se aceite que haja predisposição genética, alguns pesquisadores suspeitam de que um agente infeccioso
(i. e., um vírus) desencadeie os sinais clínicos; outros acreditam que um processo imunomediado ou autoimune
possa estar envolvido
Pele: de início, dermatite variável na face, nas orelhas, na extremidade da cauda e sobre as proeminências ósseas
das partes distais dos membros
Sistema musculoesquelético: depois, miosite, que pode ser sutil a grave; em geral, os músculos temporal e
masseter são acometidos; nos casos mais graves, podem ocorrer doença muscular generalizada e acometimento
dos músculos esofágicos, resultando em megaesôfago; em geral, quanto mais grave a dermatite, mais grave a
miosite
Acredita­se que seja hereditária como traço autossômico dominante com expressão variável nas raças Collie,
Shetland Sheepdog e Pastor de Beauceron.
IdentiJcação e histórico
Predileção racial
Collie, Shetland Sheepdog, Pastor de Beauceron e cruzamentos dessas raças
Relatos isolados: caninos das raças Welsh Corgis, Pastor­Australiano, Chow Chow, Pastor­Alemão e Kuvasz.
Média etária e variação
As lesões cutâneas geralmente se desenvolvem entre 7 semanas e 3 meses de idade
Doença leve: as lesões podem resolver­se em 3 meses
Doença moderada: as lesões podem persistir por 6 meses ou mais
Doença grave: em geral, as lesões persistem pelo resto da vida e tornam­se progressivas
Doença de início na idade adulta: muito menos comum.
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Fatores de risco
Traumatismo
Luz do sol
Estro
Parto
Lactação.
Características clínicas
Os sinais clínicos variam de lesões cutâneas sutis e miosite subclínica a lesões cutâneas graves e atrofia
muscular generalizada
Lesões cutâneas que pioram e melhoram: em cães com menos de 6 meses de idade; em torno dos olhos, nos
lábios, na face, na parte interna do pavilhão auricular, na extremidade da cauda e nas proeminências ósseas da
parte distal dos membros; a cura pode deixar fibrose residual (cicatrizes); lesões vesiculares primárias são
raras, embora possa ocorrer ulceração nos casos graves
Atrofia muscular do masseter e/ou dos músculos temporais pode ser evidente
Cães com acometimento grave podem ter dificuldade para comer, beber água e deglutir; há a possibilidade de o
crescimento ser prejudicado e o animal desenvolver claudicação; a atrofia pode ser disseminada e o animal ficar
infértil
Várias ninhadas podem ser acometidas, mas a gravidade da doença em geral varia bastante entre os cães
acometidos
Lesões cutâneas: caracterizam­se por pápulas e vesículas (raro); graus variáveis de eritema; alopecia,
descamação, crostas e ulceração, fibrose na face, em torno dos lábios e olhos, na parte interna do pavilhão
auricular, na extremidade da cauda e sobre as proeminências ósseas da parte distal dos membros (Figuras 15.1 a
15.5)
Úlceras bucais e nos coxins plantares são raras
Miosite: varia de nenhuma a diminuição simétrica bilateral na massa dos músculos temporais a atrofia muscular
simétrica generalizada; claudicação
Pneumonia por aspiração: com megaesôfago.
Diagnóstico diferencial
Demodicose
Dermatofitose
Foliculite bacteriana
Celulite bacteriana
Lúpus eritematoso discoide
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Figura 15.1 Dermatomiosite em Collie. As lesões dermatológicas consistem em alopecia, crostas e fibrose
(cicatrizes). (Cortesia de Gail Kunkle, University of Florida College of Veterinary Medicine.)
Figura 15.2 Lesões cutâneas no pavilhão auricular, consistindo em crostas e alopecia. A fibrose pode ser
sequela dessa doença. (Cortesia de Gail Kunkle, University of Florida College of Veterinary Medicine.)
Figura 15.3 Lesões de alopecia com crostas nas partes distais dos membros. (Cortesia de Gail Kunkle,
University of Florida College of Veterinary Medicine.)
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Figura 15.4 Lesões na extremidade da cauda em geral consistem em alopecia e crostas. (Cortesia de Gail
Kunkle, University of Florida College of Veterinary Medicine.)
Lúpus eritematoso sistêmico
Polimiosite.
Diagnóstico
Pode ocorrer anemia arregenerativa com doença grave
A creatinoquinase sérica pode estar normal ou ligeiramente elevada
Os títulos de ANA e o teste para lúpus eritematoso são negativos
EMG: anormalidades nos músculos acometidos; potenciais de fibrilação; descargas bizarras de alta frequência;
ondas pontiagudas positivas
Biopsia cutânea: preferir pápulas, vesículas ou lesões que apresentem alopecia e eritema; evitar lesões
infectadas e cicatrizadas
Figura 15.5 Dermatomiosite em um filhote de Collie. Notar as áreas de fibrose e hipopigmentação em torno dos
olhos.
Biopsia muscular: difícil, porque as alterações patológicas podem ser discretas, multifocais ou (nas fases
iniciais) ausentes; o ideal é usar a EMG para selecionar os músculos acometidos; se os músculos parecerem
normais ao exame clínico, biopsias aleatórias podem não ser diagnósticas.
Biopsia de pele
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Células basais necróticas dispersas (corpúsculos coloides) ou vacuoladas individuais
Ocasionalmente, vesículas que contenham pequenas quantidades de eritrócitos
Infiltrados inflamatórios dérmicos superficiais, discretos e difusos, compostos de linfócitos e histiócitos com
números variáveisde mastócitos e neutrófilos (especialmente perifoliculares)
Em geral, há degeneração de células basais foliculares e atrofia folicular
Ulceração epidérmica secundária e fibrose dérmica
Combinação de inflamação perifolicular, degeneração de células epidérmicas e foliculares e atrofia folicular
sugerem fortemente o diagnóstico.
Biopsia muscular
Acúmulos multifocais variáveis de células inflamatórias, incluindo linfócitos, macrófagos, plasmócitos,
neutrófilos e eosinófilos
Degeneração de miofibrilas caracterizada por fragmentação, vacuolização e aumento da eosinofilia e das
miofibrilas
Atrofia e regeneração de fibras musculares.
Tratamento
O tratamento sintomático inespecífico inclui tratar a piodermite secundária e evitar traumatismo e luz solar
intensa
Evitar atividades que possam traumatizar a pele
Manter o animal dentro de casa durante o dia e evitar exposição à luz solar intensa
Como o estro exacerba a doença, é recomendável castrar as fêmeas.
Fármacos de escolha
Pode ser difícil avaliar a eficácia terapêutica do tratamento clínico porque a doença tende a ser cíclica e em geral
é autolimitante
Vitamina E, 100 a 400 UI VO a cada 12 a 24 h
Prednisona, 1 a 2 mg/kg VO a cada 12 h até a remissão; em seguida, administrar em dias alternados na menor
dosagem possível para controle a longo prazo
Pentoxifilina, 200 a 400 mg VO com o alimento a cada 24 h; medicamento para seres humanos que aumenta o
fluxo sanguíneo microvascular e a oxigenação tecidual, ao diminuir a viscosidade do sangue, inibir a agregação
plaquetária, aumentar a capacidade de deformação dos eritrócitos e reduzir os níveis séricos de fibrinogênio;
benéfica em alguns cães, mas é possível não se observar melhora por 1 a 2 meses.
Precauções e interações
A pentoxifilina não deve ser usada em cães sensíveis aos derivados da metilxantina (p. ex., a teofilina)
Pentoxifilina: pode causar irritação gástrica; animais com tempo de coagulação prolongado e os que estejam
recebendo terapia anticoagulante devem ser estritamente monitorados
Glicocorticoides: discutir os possíveis efeitos colaterais com o proprietário.
Comentários
Discutir a natureza hereditária da doença
Assinalar que os cães acometidos não devem procriar
Informar ao proprietário que a doença não é curável, embora possa ocorrer resolução espontânea
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Discutir o prognóstico e as complicações possíveis, em especial no caso de cães com acometimento grave
Avisar que as medicações podem não ajudar.
Orientação ao proprietário
Prevenção e evitar os fatores desencadeantes
Minimizar traumatismos e exposição à luz do sol
Castrar fêmeas para que não tenham estro, parto nem lactação (todos são causas precipitantes de dermatomiosite
ativa)
Não permitir que animais acometidos procriem.
Complicações possíveis
Piodermite secundária e demodicose
Doença leve a moderada: focos residuais de alopecia, hipopigmentação e hiperpigmentação em áreas de lesões
cutâneas previamente ativas; ocorre com maior frequência na ponte do nariz e em torno dos olhos
Doença grave: fibrose extensa; dificuldade para mastigar, beber água e deglutir se os músculos mastigatórios
estiverem envolvidos; pode surgir megaesôfago, predispondo o cão à pneumonia por aspiração
Miosite generalizada: pode prejudicar o crescimento.
Evolução esperada e prognóstico
Prognóstico a longo prazo: varia, dependendo da gravidade
Doença mínima: prognóstico bom; tende a se resolver espontaneamente, sem evidência de cicatrização (fibrose)
Doença leve a moderada: tende a acabar por se resolver espontaneamente, em geral com cicatrização (fibrose)
residual
Doença grave: prognóstico mau para sobrevivência a longo prazo; a dermatite e a miosite são graves e duram
pelo resto da vida.
Condições associadas
Dermatose ulcerativa idiopática de Shetland Sheepdogs e Collies; é pouco entendida; descrita em Collies e
Shetland Sheepdogs adultos; caracteriza­se por úlceras serpiginosas bem demarcadas nas áreas intertriginosas
da virilha e das axilas; pode ocorrer sozinha ou com dermatomiosite concomitante; pode ser um subgrupo de
dermatomiosite.
Prenhez
Não deixar que cães acometidos procriem
A prenhez exacerba os sintomas clínicos.
Siglas
ANA = anticorpo antinuclear
EMG = eletromiograma
VO = via oral.
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Capítulo 16
Lúpus Eritematoso Discoide e
Sistêmico
Karen Helton Rhodes
Panorama
Lúpus eritematoso discoide
Também chamado lúpus eritematoso discoide (cutâ neo) (LED/LEC), é considerado variante benigna do LES
Uma das doenças cutâneas imunomediadas mais comuns em cães
Envolve predominantemente o plano nasal; face, orelhas e mucosas menos comumente acometidas; raramente
outras áreas
Caracteriza­se primariamente por despigmentação e erosão/ulceração do plano nasal.
Lúpus eritematoso sistêmico
Doença autoimune multissistêmica caracterizada pela formação de autoanticorpos e complexos antígeno­
anticorpo circulantes
Os sinais clínicos dependem dos sistemas orgânicos que constituem os alvos e podem ser bastante graves;
vasculite em geral é a característica clínica predominante.
Etiologia e Jsiopatologia
Mecanismo exato indeterminado
Predisposição genética provável
Causas suspeitas: reações medicamentosas, iniciação viral e exposição à luz UV
Exacerbações sazonais: associadas a aumento do fotoperíodo e à radiação UV
Exposição UV é uma das principais preocupações
Deposição de antígeno/anticorpo na junção dermoepidérmica no LED
Complexos antígeno/anticorpo são depositados na membrana basal glomerular, na pele, nos vasos sanguíneos e
membranas sinoviais
A lesão tecidual é o resultado direto da ativação do complemento por complexos imunes e infiltração de células
inflamatórias, bem como do efeito citotóxico direto de autoanticorpos contra antígenos ligados à membrana.
IdentiJcação e histórico
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Predominantemente em cães; raramente em gatos
Raças em que predominam: Collie, Pastor­ Alemão, Husk Siberiano, Shetland Sheepdog, Malamute do Alasca,
Chow Chow e seus cruzamentos
Adultos jovens predispostos
Pode haver exacerbações e remissões
O LES costuma estar associado a letargia, anorexia, claudicação com desvio da perna, febre, dermatose
ulcerativa.
Características clínicas
LED ou LEC
Em geral, começa com despigmentação do plano nasal e/ou dos lábios (Figura 16.1); a despigmentação progride
para erosões e ulcerações; podem ocorrer perda de tecido e cicatrização (fibrose) (Figuras 16.2 e 16.3), também
pode envolver os pavilhões auriculares e a região periocular; raramente acomete os pés e a genitália
Figura 16.1 Lúpus eritematoso discoide. Notar a despigmentação do plano nasal.
Figura 16.2 LED/LEC. Notar alopecia extensa e fibrose evidente neste caso.
Dermatose lupoide do Pointer Alemão de Pelo Curto: variante do LED, dermatose esfoliativa generalizada com
foliculite bacteriana secundária, reconhecida nos primeiros 1 a 2 anos de vida, progressiva, com ANA negativo,
dermatite de interface rica em linfócitos, em geral denominada LECE
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Dermatose ulcerativa de Shetland Sheepdogs e Collies de pelo longo, antigamente considerada variante da
dermatomiosite, mas agora considerada variante vesicular do LED (LE cutâneo), dermatose ulcerativa que
acomete as coxas, virilhas, axilas e parte ventral do abdome; as lesões em geral são serpiginosas ou policíclicas;
dermatite de interface rica em linfócitos com vesiculação da junção dermoepidérmica.
LES
As articulações em geral ficam tumefatas e dolorosas; as lesões cutâneas caracterizam­se por eritema, erosão,
ulceração com lesões mucocutâneas e bucais comuns (Figuras 16.4 a 16.9). Febre, linfadenopatia,
hepatoesplenomegalia, desgaste muscular, miocardite, pericardite, pleurite (Figura 16.9). Ulcerações da face
lateral da língua são representativas do LES.
Figura 16.3 Caso avançado de LED demonstrando o remodelamento do plano nasal, característico de alterações
crônicas.
Figura 16.4 LES. Área focal de ulceração no dorso deste gato. Não havia outras lesões além de febre
intermitente acimade 40°C.
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Figura 16.5 LES em cão. Ulceração focal sobre a área de um ponto de pressão (cotovelo).
Figura 16.6 LES. Ulcerações extensas na mucosa bucal e na língua deste cão.
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Figura 16.7 Lúpus eritematoso sistêmico em cão com 8 anos de idade. Notar o eritema, a ulceração e a crosta no
plano nasal, na ponte do nariz e na região periocular.
Figura 16.8 LES. Vista aproximada da ponte do nariz do cão da Figura 16.7.
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Figura 16.9 Ulcerações na face lateral da língua, representativas de LES.
Diagnóstico diferencial
Outras doenças imunomediadas: pênfigo foliáceo, pênfigo eritematoso e síndrome uveodermatológica
Reações medicamentosas, eritema multiforme e necrólise epidérmica tóxica: lesões nasais e faciais
Piodermite mucocutânea
Dermatomiosite: acomete algumas das raças predispostas (Collie e Shetland Sheepdog)
Piodermite nasal e dermatofitose nasal: condições infecciosas; podem simular o lúpus eritematoso discoide
Hipersensibilidade a insetos: uma das formas causa a doença nasal inflamatória
Alergia por contato
Dermatose responsiva ao zinco
Necrose epidérmica metabólica
Linfoma epidermotrópico de célula T: pode começar no plano nasal e na face rostral do focinho e nos lábios
Carcinoma escamocelular: pode acometer o plano nasal; pode ocorrer com incidência ligeiramente mais alta em
lesões do lúpus discoide crônico
Leucotriquia leucodérmica idiopática (vitiligo): pode causar despigmentação do tecido e dos pelos, sem
inflamação concomitante
Vasculite induzida por neoplasia
É preciso diferenciar doenças infecciosas do LES.
Diagnóstico
Testes para ANA, preparação para LE e Coombs: geralmente normais ou negativos no LED e positivos no LES
LES: poliartrite não erosiva; proteinúria decorrente de glomerulonefrite, anemia hemolítica, leucopenia,
trombocitopenia, polimiosite, alta concentração de globulinas beta e gama à eletroforese sérica
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Biopsias de lesões não ulceradas, despigmentadas cinza­ardósia: em geral caracterizam­se por dermatite
liquenoide de interface com incontinência de pigmento, apoptose e graus variáveis de mucina dérmica nos casos
de LED
Biopsias cutâneas de LES incluem aspectos vistos no LED, bem como vasculite e paniculite
Exame imunopatológico de amostras de LED não ulceradas preservadas em solução de Michel: pode revelar
fluorescência da lâmina basal, bem como fluorescência de vasos no LES.
Tratamento
Fármacos de escolha
Tetraciclina e niacinamida: 250 mg de cada VO a cada 8 h para cães com menos de 10 kg; 500 mg VO a cada
8 h para cães maiores
Vitamina E: 10 a 20 UI/kg VO a cada 12 h; pode ajudar a reduzir a inflamação
Corticoides tópicos: inicialmente, esteroide fluorado potente a cada 24 h por 14 dias; em seguida, a cada 48 a
72 h por 28 dias; se em remissão, substituir por um produto menos potente (p. ex., hidrocortisona a 0,5% ou
2,5%)
Prednisona: considerar nos casos graves ou que não respondam a outras medicações; 2 a 3 mg/kg/dia, sozinha
ou combinada com azatioprina, 1 a 2 mg/kg VO em dias alternados; diminuir a dose de prednisona para 0,5 a
1 mg/kg VO a cada 48 h/manutenção a longo prazo (não se deve usar azatioprina em gatos)
Clorambucila para cães de pequeno porte e gatos: 0,2 mg/kg/dia
Pentoxifilina para cães e gatos: 10 a 15 mg/kg VO 3 vezes/dia
Ciclosporina, 5 a 10 mg/kg/dia para cães (suspender se ocorrerem efeitos colaterais: gastrite, papilomatose,
hiperplasia gengival, dermatite linfocitoide) e 25 mg/dia para gatos
Tacrolimo (tópico), 0,03% a 0,1%.
Comentários
Verificar a ocorrência de resposta clínica 7 a 14 dias após o início do tratamento
Hemograma completo e bioquímica: a cada 3 a 6 meses se usar corticoides tópicos ou orais para controle
Hemograma completo e contagem de plaquetas: a cada 2 semanas nos primeiros 3 a 4 meses; em seguida, a cada
3 a 6 meses, enquanto se estiver administrando azatioprina ou clorambucila
Bioquímica sérica: a cada 3 a 4 meses quando se usa ciclosporina
Evitar que animais acometidos procriem
Podem ser desfigurantes
Podem criar uma fonte de sangramento induzido por traumatismo
Evitar exposição direta ao sol e usar protetores solares à prova d’água com FPS acima de 15
No LES, o ANA permanece alto durante a remissão e não é útil para se monitorar a progressão da doença.
Complicações possíveis
Fibrose
Piodermite secundária
Sangramento
Desfiguração.
Evolução esperada e prognóstico
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O LED é progressivo, mas em geral não potencialmente fatal se deixado sem tratamento
Com o tratamento adequado, espera­se a remissão na maioria dos casos de LED
A necessidade de terapia imunossupressora crônica no LED sugere prognóstico mais reservado, mas as
remissões são comuns com o tratamento mais intensivo
A presença de anemia hemolítica, glomerulonefrite e septicemia bacteriana no LES garante prognóstico
desfavorável.
Siglas
ANA = anticorpo antinuclear
LE = lúpus eritematoso
LECE = lúpus eritematoso cutâneo esfoliativo
LED/LEC = lúpus eritematoso discoide (cutâneo)
LES = lúpus eritematoso sistêmico
UV = ultravioleta
VO = via oral.
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Capítulo 17
Erupção Medicamentosa, Eritema
Multiforme e Necrólise Epidérmica
Tóxica
Karen Helton Rhodes
Panorama
Espectro de doenças e sinais clínicos que variam acentuadamente no aspecto clínico e na fisiopatologia
Erupção medicamentosa: é provável que muitas reações medicamentosas discretas passem despercebidas ou não
sejam relatadas; portanto, as taxas de incidência com relação a fármacos específicos são desconhecidas e a
maioria dos fatos disponíveis sobre a reatividade específica dos fármacos foi extrapolada de relatos na literatura
humana
EM: doença ulcerativa grave associada à administração de algum fármaco, doença viral, infecção bacteriana e
neoplasia; geralmente idiopático; o aspecto clínico e a gravidade das lesões variam
NET: alguns pesquisadores acreditam que a NET seja uma forma clínica mais grave de EM; outros acham que
são doenças distintas.
Etiologia e Jsiopatologia
Fármacos de qualquer tipo: tópicos, orais, injetáveis (Figura 17.1)
Eritroderma esfoliativo: mais frequentemente associado a xampus e banhos de imersão
Pode ocorrer após a primeira dose, semanas a meses depois da administração do mesmo fármaco
Reação imunológica versus fisiológica
Doenças apoptóticas (necrose de queratinócitos individuais)
Considera­se que a fisiopatologia envolva uma variedade de mecanismos, como a suprarregulação da expressão
de moléculas de adesão MHC II e ICAM­1 nos queratinócitos. Linfócitos T então são recrutados para a
epiderme e a derme, o que resulta em apoptose
O EM caracteriza­se por necrose epidérmica individual e folicular de queratinócitos (apoptose) com infiltrado
dérmico de células inflamatórias/NET, tipicamente tendo mais necrose epidérmica confluente e grave com
inflamação dérmica mínima
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Figura 17.1 Erupção medicamentosa causada por cefalexina.
O EM e a NET em geral são considerados formas graves de erupção medicamentosa, embora o clínico não
possa esquecer que pode haver outras etiologias, bem como idiopáticas.
IdentiJcação e histórico
Cães e gatos
Predisposição etária, racial e sexual: desconhecida
Alguns tipos de reações medicamentosas parecem ter base familiar (p. ex., foram diagnosticadas reações à
vacina antirrábica em ninhadas de cães).
Características clínicas
Depressão, anorexia, febre, claudicação
Ulceração/erosão mucocutânea, cavidade bucal, coxins plantares, pavilhões auriculares
Prurido: pode ser ativado por uma ampla variedade de compostos; é o mais comum dos sintomas de erupção
medicamentosa em seres humanos
Exantemas maculares e papulares: comumente acompanham o prurido como sinal inespecífico de inflamação
(Figura 17.2)
Eritrodermia esfoliativa: resposta eritematosa difusa causada por vasodilatação; em geral acarreta esfoliação
(descamação difusa)
Urticária/angioedema: resulta de hipersensibilidade imediata (do tipo I); requer sensibilização prévia; o aumento
da permeabilidadevascular acarreta extravasamento de líquido para o interstício (Figuras 17.3 e 17.4)
Vasculite por hipersensibilidade: inflamação da vasculatura cutânea; resulta em menor fluxo sanguíneo e lesão
anóxica do tecido receptor; na maioria dos casos, acredita­se que represente uma resposta de hipersensibilidade
do tipo III
EM: máculas ou placas expandem­se perifericamente e podem ser mais claras no centro, produzindo o aspecto
de olho de touro; podem ser vistas múltiplas formas (serpiginosas e policíclicas)
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Figura 17.2 Erupção papular eritematosa difusa grave secundária à administração de cefalexina.
Figura 17.3 Reação urticariana difusa secundária à administração de sulfametoxazol­trimetoprima.
Figura 17.4 Erupção vesicular secundária à exposição à griseofulvina.
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NET: necrose extensa e desprendimento da epiderme nas bainhas; resulta em superfície cutânea úmida e
intensamente inflamada
Pênfigo/penfigoide medicamentoso: reação medicamentosa menos comum em animais; pode simular bem de
perto as formas autoimunes (espontâneas) dessas doenças.
Diagnóstico diferencial
Prurido, exantemas maculares/papulares e urticária/angioedema: doenças alérgicas (atopia, alergia alimentar,
alergia por contato) e reações a ectoparasitas (escabiose, alergia a picada de pulgas, insetos picadores)
Eritrodermia esfoliativa: excluir linfoma cutâneo de célula T em cães e gatos idosos
Vasculite: doenças infecciosas, neoplásicas e autoimunes; muitos casos de vasculite são idiopáticos
EM: excluir infecções respiratórias e neoplasias internas
Pênfigo/penfigoide: considerar reação medicamentosa sempre que essas doenças forem diagnosticadas; no
entanto, doença autoimune de ocorrência espontânea é muito mais comum
Queimaduras térmicas ou químicas podem ter aspecto clínico similar.
Diagnóstico
Bioquímica sérica e hemograma completo (especialmente quando se suspeitar de ou diagnosticar vasculite
cutânea: potencial de doença hepática, renal e gastrintestinal concomitante)
Sorologia para riquétsia, ANA
Em gatos, sorologia para FIV e FeLV
Culturas bacterianas e fúngicas e teste de sensibilidade: (especialmente se inflamação piogranulomatosa for um
aspecto clínico)
Biopsia cutânea para histopatologia: obrigatória para o diagnóstico da maioria das doenças medicamentosas
(vasculite, EM, NET, pênfigo/penfigoide).
Tratamento
Suspender o uso do fármaco agressor potencial
NET: cuidados de suporte intensivos e apoio líquido/nutricional por causa da exsudação de líquido e proteína e
do risco de sepse
Corticosteroides: controvertidos
Ciclosporina frequentemente é considerada o fármaco de escolha para o eritema multiforme (5 a 10 mg/kg/dia)
A IVIG pode ser útil em casos refratários; a solução a 5 a 6% é preparada com NaCl a 0,9% de acordo com as
especificações do fabricante e infundida de modo IV por um período de 4 a 6 h na dose de 0,5 a 1 g/kg (1 ou 2
tratamentos com intervalo de 24 h)
Pentoxifilina pode ser útil em alguns casos.
Comentários
Hospitalização: se o animal estiver debilitado
Paciente ambulatorial: verificações regulares, dependendo da condição física do animal
Algumas reações parecem ativar respostas imunes que se perpetuam sozinhas
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Alguns metabólitos de fármacos podem persistir por dias a semanas e provocar uma resposta contínua
NET: prognóstico desfavorável
Vasculite: prognóstico reservado quando houver complicações sistêmicas associadas a artropatia, hepatite,
glomerulonefrite e distúrbios musculares, entre outros.
Siglas
ANA = anticorpo antinuclear
EM = eritema multiforme
FeLV = vírus da leucemia felina
FIV = vírus da imunodeficiência felina
ICAM­1= molécula de adesão intercelular
IV = intravenoso
IVIG = imunoglobulina intravenosa humana
MHC II = complexo de histocompatibilidade principal II
NET = necrólise epidérmica tóxica.
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Capítulo 18 Adenite Sebácea Granulomatosa
Karen Helton Rhodes
Panorama
Processo de doença inflamatória direcionado contra as glândulas sebáceas (estruturas anexas cutâneas
holócrinas).
Etiologia e Jsiopatologia
Pode ser geneticamente hereditária ou congênita, imunomediada ou metabólica (o defeito inicial pode ser um
distúrbio da queratinização ou anormalidade no metabolismo de lipídios, que leva ao acúmulo de metabólitos
intermediários)
Desconhecidas
Herança autossômica recessiva proposta em Poodle Padrão e Akita.
IdentiJcação e histórico
Cães adultos jovens a de meia­idade
Não se notou predileção racial
Duas formas: uma em raças de pelagem longa e outra nas de pelagem curta
Raças predispostas: Poodle Padrão, Akita, Samoieda, Vizsla, Pastor­Alemão, Hovawart (Figuras 18.1 e 18.2)
Relatada ocorrência em gatos e coelhos.
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Figura 18.1 Poodle padrão com adenite sebácea granulomatosa generalizada demonstrando cilindros foliculares
de queratina que efetivamente mancham os pelos abaixo da pele e dão o aspecto clínico de alopecia.
Figura 18.2 Perda dos pelos de guarda (alopecia parcial) com descamação bastante aderente na superfície da pele
e cilindros foliculares em torno das hastes dos pelos. Poodle Padrão.
Características clínicas
Raças de pelagem longa
Alopecia parcial simétrica
Pelagem quebradiça e fosca
Descamação branco­prateada muito aderente
Cilindros foliculares em torno da haste dos pelos (acúmulo de escamas aderentes que seguem os pelos à medida
que ele sai do folículo piloso; provavelmente isso se deve à ausência de sebo na parte infundibular do folículo
piloso, onde ocorre a queratinização epitelial da bainha externa da raiz)
Pequenos tufos de pelos manchados ou perda de pelos e descamação na cauda conferem o aspecto de cauda de
rato
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Lesões: geralmente observadas primeiro ao longo da linha média dorsal e no alto da cabeça
Casos graves: foliculite bacteriana secundária, prurido e odor desagradável
Akitas: em geral, acometimento relativamente grave.
Raças de pelagem curta
Alopecia: tipicamente um padrão mosqueado, circular/serpiginoso ou difuso
Descamação leve: fina e raramente aderente
Acomete o tronco, a cabeça e as orelhas
Foliculite bacteriana é rara.
Diagnóstico diferencial
Seborreia primária: distúrbio da queratinização
Foliculite bacteriana
Demodicose
Dermatofitose
Doença cutânea endócrina
Ictiose
Displasias foliculares.
Diagnóstico
Raspados de pele: normais
Cultura dermatológica: negativa
Testes de função endócrina: normais
Biopsias cutâneas são diagnósticas.
Achados histopatológicos
Reação inflamatória granulomatosa nodular ou piogranulomatosa nas glândulas sebáceas (região do istmo dos
folículos pilosos)
Hiperqueratose ortoqueratótica e formação de cilindros foliculares; mais proeminente em raças de pelagem
longa
Avançados: perda completa de glândulas sebáceas; fibrose de estruturas na periferia dos anexos
Destruição de todo o folículo piloso e raramente da unidade de anexos.
Tratamento
Os sinais clínicos podem acentuar­se e diminuir, independentemente do tratamento
Não foram feitos estudos controlados para documentar a eficácia de qualquer terapia
Resultados extremamente variáveis; a resposta pode depender da gravidade da doença no momento do
diagnóstico
Akita: raça mais refratária ao tratamento.
Fármacos de escolha
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Propilenoglicol e água, mistura a 50 a 75%; aspergir a cada 24 h nas áreas acometidas
Óleo para bebê: deixar nas áreas acometidas por 1 h; em seguida, usar múltiplos xampus para remover o óleo e
a descamação (a “sujeira”)
Os efeitos possíveis da suplementação com AGE incluem vômitos, diarreia e flatulência
Retinoides, na dose de 1 mg/kg a cada 12 h VO; reduzir para 1 mg/kg a cada 24 h depois de 1 mês e para 1
mg/kg a cada 48 h após 2 meses; continuar conforme necessário para manutenção
Ciclosporina, 5 mg/kg a cada 12 h VO; em geral é a melhor opção terapêutica, os efeitos colaterais incluem
vômitos, diarreia, hiperplasia gengival, hirsutismo, lesões cutâneas papilomatosas, maior incidência de
infecções, nefrotoxicidade(rara) e hepatotoxicidade (infrequente)
Combinação de tetraciclina e niacinamida, 250 a 500 mg VO de cada 3 vezes/dia
Antibióticos bactericidas e xampu de peróxido de benzoíla: para foliculite bacteriana secundária.
Comentários
Estimular os proprietários a informarem sobre cães acometidos, para que o modo de herança possa ser
determinado
As glândulas sebáceas não são capazes de se regenerar após sua destruição completa; portanto, é necessário
tratamento pelo resto da vida do animal, para ajudar a retirar o excesso de descamação e substituir o sebo
perdido. Nem sempre há novo crescimento dos pelos e em geral, quando isso acontece, eles têm textura
diferente daquela da pelagem original (i. e., perda do caráter encaracolado em Poodles).
Siglas
AGE = ácidos graxos essenciais
VO = via oral.
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Capítulo 19 Paniculite
Karen Helton Rhodes
Panorama
Inflamação do tecido subcutâneo gorduroso; não é uma doença específica
Incomum em cães e gatos
Causas múltiplas; uma forma específica é idiopática (paniculite nodular estéril)
Nódulos subcutâneos ou tratos fistulosos únicos ou múltiplos
Geralmente acomete a parte dorsal do tronco se for paniculite nodular estéril
O lipócito (célula de gordura) é suscetível a traumatismo, doença isquêmica e inflamação de tecidos adjacentes
Histologia: dividida em lobular (envolve os glóbulos de gordura), septal (envolve os septos de tecido conjuntivo
interlobular) e difusa (envolve tanto os septos lobulares quanto os interlobulares)
A forma difusa é mais comum em cães
A forma septal é mais comum em gatos.
Etiologia e Jsiopatologia
Infecciosa: bacteriana, fúngica, micobactérias atípicas, embolia infecciosa
Imunomediada: paniculite lúpica, eritema nodoso, reação medicamentosa, vasculite
Idiopática: paniculite nodular estéril
Traumatismo, corpo estranho
Neoplásica: tumores multicêntricos de mastócitos, linfossarcoma cutâneo, paniculite pancreática
Picada de artrópode
Nutricional (deficiência de vitamina E: esteatite em gatos)
Após injeção: corticosteroides, vacinas (antirrábica etc.), outras injeções subcutâneas.
IdentiJcação e histórico
Não tem predileção etária, sexual nem racial
Paniculite nodular estéril: Dachshunds são predispostos; Collies e Poodles Miniaturas correm risco; pode
ocorrer em qualquer raça.
Características clínicas
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Lesões: em geral ocorrem sobre o tronco; a maioria dos cães tem uma única lesão ou lesões multifocais
discretas sobre a parte dorsolateral do tronco; podem tornar­se císticas e desenvolver tratos fistulosos; podem
ser dolorosas antes e logo após a ruptura; ulcerações geralmente cicatrizam com formação de crosta e fibrose
Casos no início de doença isolada ou multifocal: os nódulos se movem livremente sob a pele; a pele
sobrejacente ao nódulo costuma estar normal, mas pode tornar­se eritematosa ou (com menor frequência)
castanha ou amarelada
Nódulos: seu diâmetro varia de poucos milímetros a vários centímetros; podem ser firmes e bem circunscritos
ou moles e pouco definidos; à medida que aumentam de tamanho e se desenvolvem, podem fixar­se à derme
profunda (e, assim, a pele sobrejacente não se move livremente)
A gordura envolvida pode necrosar (Figura 19.1)
Exsudato: em geral uma pequena quantidade de secreção oleosa; castanho­amarelado a sanguinolento
Lesões múltiplas (cães e gatos): sinais sistêmicos comuns (p. ex., anorexia, pirexia, letargia e depressão)
(Figuras 19.2 e 19.3).
Diagnóstico diferencial
Piodermite profunda
Mais comum do que a paniculite
Mais provável sobre pontos de pressão, frequentemente mais generalizada
Podem ocorrer lesões associadas a piodermite superficial (p. ex., pápulas, pústulas e colaretes epidérmicos)
Esfregaços de aspirados e por impressão: número acentuado de neutrófilos com número variável de células
nucleares e bactérias
Cultura, teste de sensibilidade e biopsias: confirmam o diagnóstico.
Cistos cutâneos
Em geral indolores
Bem demarcados e geralmente não se caracterizam como “líquidos”, como em geral se vê na paniculite
Não costuma haver inflamação
Aspirados: restos amorfos; sem células inflamatórias, geralmente não se caracterizam como necrose gordurosa,
mas, sim, como uma secreção sebácea espessa
Biopsias: confirmam o diagnóstico.
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Figura 19.1 Paniculite nodular estéril idiopática. Notar a grande área ulcerada no dorso do cão, que se
caracteriza por exsudato oleoso indicativo de necrose gordurosa.
Figura 19.2 Paniculite nodular estéril. Lesões multifocais antes da tricotomia na área acometida (tronco). O cão
estava febril e com anorexia.
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Figura 19.3 Paniculite. Mesmo cão da Figura 19.2 após a tricotomia da área. Notar a demarcação abrupta entre a
pele lesada e a ilesa.
Neoplasia cutânea
Lipomas: moles, em geral bem demarcados
Sem inflamação nem tratos fistulosos
Aspirados: lipócitos; sem células inflamatórias
Biopsias: confirmam o diagnóstico.
Tumores de mastócitos, linfossarcoma cutâneo e paniculite pancreática
Multifocais
Podem acometer a cabeça, as pernas e mucosas
Geralmente eritematosos
Apresentações variáveis
Aspirados: em geral, sugestivos
Biopsias: confirmam o diagnóstico.
Paniculite nodular estéril
Diagnóstico feito pela exclusão de outras causas de paniculite
Biopsias e culturas são negativas; colorações especiais são negativas e outros exames diagnósticos conforme
indicado pela apresentação clínica.
Diagnóstico
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Desvio regenerativo para a esquerda ocasional ou eosinofilia
Leucocitose discreta
Anemia arregenerativa normocrômica normocítica discreta
Anticorpo antinuclear
Teste de imunofluorescência direta
Eletroforese de proteínas séricas
Níveis séricos de lipase e amilase
Ultrassom: pancreatite pode ser um fator contribuinte (raro)
Cultura bacteriana e teste de sensibilidade: necessários para identificar bactérias primárias ou secundárias
Cultura para fungos e micobactérias atípicas
Biopsias: culturas negativas ajudam a diagnosticar paniculite nodular estéril
Colorações especiais de amostras histológicas: ajudam a identificar o agente causador
Biopsias cirúrgicas por excisão: muito mais acuradas do que as amostras de biopsias por punção na maioria dos
casos; as últimas não proporcionam uma amostra profunda o suficiente para se fazer o diagnóstico
Lesões histológicas: necessárias para estabelecer o diagnóstico de paniculite; determinar se há infiltrado
inflamatório septal, lobular ou difuso por neutrófilos, histiócitos, plasmócitos, linfócitos, eosinófilos ou células
gigantes multinucleadas; identificar necrose, fibrose ou vasculite (Figura 19.4).
Tratamento
Lesões isoladas: são curadas com a excisão cirúrgica
Lesões múltiplas: requerem medicações sistêmicas
Resultados positivos da cultura requerem tratamento antifúngico, antibacteriano ou antimicobacteriano
apropriado
Paniculite nodular estéril: tratamento sistêmico com esteroides; prednisona (2,2 mg/kg/dia) até que as lesões
regridam completamente (36 semanas); após a remissão, diminuir gradualmente a dosagem durante 2 semanas;
ocasionalmente pode ser necessária a diminuição mais lenta para minimizar a possibilidade de recorrência;
muitos pacientes se curam; alguns pacientes precisam de tratamento com dose baixa em dias alternados para
manter a remissão
Figura 19.4 Paniculite histopatológica. Notar o influxo maciço de células inflamatórias em torno dos glóbulos
de gordura.
Vitamina E oral: pode controlar os casos brandos
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Azatioprina oral (1 mg/kg/dia): alternativa quando os esteroides forem contraindicados
Ciclosporina na dose de 5 a 10 mg/kg/dia é uma opção na paniculite nodular estéril
Tetraciclina e niacinamida na dose de 250 mg de cada a cada 8 h para cães com menos de 10 kg de peso e 500
mg de cada a cada 8 h para cães com mais de 10 kg (casos de paniculite nodular estéril)
Há relatos não comprovados de que a doxiciclina foi eficaz em alguns casos, na dose de 10 mg/kg a cada 12 h
(casos de paniculite nodular estéril).
ComentáriosMonitorar hemograma completo, contagem de plaquetas, perfil bioquímico e urinálise se forem usados agentes
imunossupressores ou glicocorticoides a longo prazo
Casos infecciosos podem requerer tratamento a longo prazo com medicações em altas doses
A paniculite nodular estéril idiopática em geral responde bastante rapidamente a altas doses de corticosteroides.
Animais jovens têm recuperação mais rápida do que os idosos, que em geral requerem protocolo de
manutenção.
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Capítulo 20
Complexo do PênJgo e PenJgoide
Bolhoso
Alexander H. Werner
Panorama
Complexo do pênJgo
Um grupo de dermatoses autoimunes incomuns a raras
Pústula epidérmica e formação de vesícula acarretam graus variáveis de erosão, ulceração e crostas
Formas identificadas em animais:
PF
PE
PV
PPE
Pênfigo canino benigno familiar (doença de Hailey­Hailey)
PP.
PenJgoide bolhoso
Muito raro, o PB é uma doença vascular epidérmica; acomete as mucosas em mais de metade dos casos.
Etiologia e Jsiopatologia
Complexo do pênJgo
Processo acantolítico: um autoanticorpo, ligado ao tecido e direcionado para antígenos na célula interepidérmica
(desmogleínas) e receptores de acetilcolina, deposita­se em espaços intercelulares, reagindo com caderinas
(moléculas de adesão célula­célula) e causando a separação da célula epidérmica e o arredondamento da célula
(acantólise)
A perda da coesão intracelular produz ve­sículas, pústulas e/ou bolhas
Gravidade da erosão, ulceração e doença: relacionadas com a profundidade da deposição de autoanticorpo
(molécula caderina específica alvejada) na pele
Tipos: foliáceo, vulgar, eritematoso e pustular pan­epidérmico (vegetativo)
PF: autoanticorpos visam à Dsg 1 (componente dos desmossomas) nas camadas superficiais da epiderme
PE: autoanticorpo visa à Dsg 1 e aos antígenos expressos nas células epidérmicas após exposição à luz
ultravioleta
PV: autoanticorpo visa às caderinas Dsg 1 e Dsg 3 (fortemente expressas nos queratinócitos suprabasilares e
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mucosas); a deposição de autoanticorpo logo acima da zona da membrana basal resulta em formação de úlcera
PPE: variante do PF, pode representar acometimento de moléculas adicionais que visam aos autoanticorpos
(placoglobina, antiqueratinócito IgG 4)
PP: múltiplas proteínas da família placina e desmogleínas visadas; a apoptose de queratinócitos mediada por
célula T pode contribuir para o desenvolvimento da lesão
Fatores desencadeantes implicados são variados: genética, hormônios, neoplasia, fármacos, nutrição, virais,
estresse emocional e fatores físicos (queimaduras, radiação UV).
PenJgoide bolhoso
Autoanticorpos IgG têm como alvo o “antígeno do penfigoide bolhoso”
O antígeno do PB é uma glicoproteína transmembrana do colágeno do tipo 17 dos queratinócitos basais
Formam­se vesículas e bolhas subepidérmicas a partir da separação na junção dermoepidérmica.
IdentiJcação e histórico
Complexo do pênJgo
Grupo incomum de doenças
Em geral, acomete animais de meia­idade a idosos
PF
Tipo mais comum
Akita, Bearded Collie, Chow Chow, Dachshund, Doberman Pinscher, Finnish Spitz, Newfoundland, English
Springer Spaniel, Cocker Spaciel, Shar­Pei e Schipperke
Média etária de início aos 4 anos
Causas medicamentosas mais comumente implicadas: antibióticos (sulfonamidas, cefalexina), metimazol e
amitraz com metaflumizona
PE
Incomum
Pode ser uma variante mais benigna do PF ou uma síndrome cruzada de pênfigo e lúpus eritematoso
Collie, Pastor­Alemão e Shetland Sheep­dog
Agravado pela exposição à luz ultravioleta
PV
Raro
Forma de maior gravidade
Pastor­Alemão, Collie
Machos predispostos
Média etária de início aos 6 anos
PPE: tipo mais raro; a evolução da doença pode ser mais grave do que no PF
PP: raro; os sinais clínicos variam de graves a lesões crostosas relativamente benignas
Pênfigo familiar benigno crônico (doença de Hailey­Hailey): pode haver predisposição genética
(genodermatose autossômica dominante em seres humanos).
PenJgoide bolhoso
Muito raro
Collie, Shetland Sheepdog, Doberman Pinscher e Dachshund.
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Características clínicas
Complexo do pênJgo
PF
Ondas transitórias de vesículas e pústulas que coalescem, tornando­se crostas (Figura 20.1)
Descamação, crostas, pústulas, colaretes epidérmicos, erosões, eritema, alopecia e hiperqueratose com
fissuras nos coxins plantares
Ulcerações indicam a doença mais profunda e/ou infecção bacteriana secundária
Cães
Lesões faciais: plano nasal, parte dorsal do focinho, região periorbitária (padrão “em borboleta”) e
pavilhões auriculares (Figuras 20.2 a 20.8)
Margens dos coxins plantares (Figuras 20.9 a 20.11)
Áreas de crostas, descamação, vesículas e pústulas no tronco (Figuras 20.12 a 20.16)
Figura 20.1 Múltiplas vesículas com pênfigo foliáceo pustular superficial.
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Figura 20.2 Pênfigo foliáceo causando crostas na região periocular, na parte dorsal do focinho e nos pavilhões
auriculares.
Figura 20.3 Pênfigo foliáceo com crostas na parte dorsal do focinho.
Figura 20.4 Crostas nas margens dos lábios, no focinho, na parte dorsal do focinho e na face em caso de
pênfigo foliáceo simulando dermatite responsiva ao zinco ou dermatite por contato.
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Figura 20.5 Pênfigo foliáceo. Crostas espessas aderentes no plano nasal.
Figura 20.6 Crostas removidas no paciente com pênfigo foliáceo da Figura 20.5.
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Figura 20.7 Crostas de pênfigo foliáceo no pavilhão auricular.
Figura 20.8 Crostas de pênfigo foliáceo no pavilhão auricular.
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Figura 20.9 Crosta de pênfigo foliáceo na margem de coxim plantar.
Figura 20.10 Crosta de pênfigo foliáceo na margem de coxim plantar.
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Figura 20.11 Pênfigo foliáceo, paciente da Figura 20.10 após 4 semanas de tratamento (coxins plantares
normais).
Lesões em mucosas e mucocutâneas são raras, devendo­se a infecção secundária
Gatos: o acometimento da face, dos mamilos e ungueal é comum (Figuras 20.17 a 20.23)
Linfadenopatia, edema, depressão, febre e claudicação (se houver acometimento dos coxins plantares) nos
casos mais graves ou crônicos; entretanto, geralmente os pacientes estão em boas condições de saúde
Dor e prurido variáveis
PE
Similar ao PF
Lesões confinadas à face; raramente nos coxins plantares
Agravado pela luz ultravioleta; é possível que seja sazonal em certas localizações geográficas
Despigmentação no plano nasal, na parte dorsal do focinho, nas margens dos lábios e das pálpebras é comum,
podendo preceder as crostas (Figuras 20.24 a 20.26)
Não há lesões bucais nem de mucosas
ANA raramente positivo
PV
Ulceração bucal frequente e pode preceder as lesões cutâneas
Lesões ulcerativas, erosões, colaretes epidérmicos, bolhas e crostas (Figuras 20.27 e 20.28)
As vesículas e bolhas podem persistir por muito tempo por causa da espessura da epiderme sobrejacente
A ruptura acarreta erosões crateriformes profundas, que progridem rapidamente para ulcerações
Mais grave do que o PF e o PE; os pacientes em geral estão bem enfermos
Acomete mucosas, junções mucocutâneas e a pele; pode tornar­se generalizado
Sinal de Nikolsky positivo (lesão erosiva nova ou estendida, criada quando é aplicada pressão lateral à pele
perto da lesão existente)
Áreas de atrito e traumatismo (axilas, região inguinal, pontos de pressão nos membros)
Os coxins plantares e as unhas podem soltar­se
Prurido e dor variáveis
Anorexia, depressão e febre
Infecções bacterianas secundárias são comuns
PPE
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Raro; variante mais agressiva do PF
Desenvolvem­se vesículas e bolhas em todas as camadas da epiderme, incluindo os folículos
Figura 20.12 Pênfigo foliáceo. Lesões generalizadas na forma de crostas e eritema.
Figura 20.13 Crostas coalescentes, eritematosas e hiperpigmentadas generalizadas em caso de pênfigo foliáceo.
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Figura 20.14 Paciente da Figura 20.13 com pênfigo foliáceo antes do tratamento.
Figura 20.15 Paciente da Figura 20.13 com pênfigo foliáceo após 16 semanas de tratamento.
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Figura 20.16Paciente da Figura 20.13 com pênfigo foliáceo após 16 semanas de tratamento.
Figura 20.17 Lesão de pênfigo foliáceo no padrão “em borboleta”.
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Figura 20.18 Crostas e descamação na face do paciente da Figura 20.17.
Figura 20.19 Exsudação na prega ungueal no paciente da Figura 20.17.
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Figura 20.20 Crostas e descamação nas margens dos coxins plantares do paciente da Figura 20.17.
Figura 20.21 Pênfigo foliáceo. Vesícula no coxim plantar.
Figura 20.22 Exsudato na prega ungueal, decorrente de pênfigo foliáceo.
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Figura 20.23 Pênfigo foliáceo. Crostas no pavilhão auricular.
Figura 20.24 Pênfigo eritematoso. A despigmentação precede a formação de crostas no plano nasal.
Figura 20.25 Pênfigo eritematoso. Despigmentação significativa no plano nasal e na parte dorsal do focinho.
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Figura 20.26 Paciente da Figura 20.25. Despigmentação e crostas na parte dorsal do focinho e perda de tecido
no plano nasal.
Figura 20.27 Pênfigo vulgar. Notar as ulcerações nas mucosas e na língua.
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Figura 20.28 Paciente da Figura 20.27 com ulcerações no palato duro e nas margens dos lábios.
Grupos de pústulas tornam­se lesões eruptivas papilomatosas e massas vegetativas (crostas espessas
aderentes) que eliminam secreção (Figuras 20.29 a 20.31)
Não há lesões bucais e de mucosas
Doença sistêmica associada a infecção bacteriana secundária
PP
Muito raro
Doença com formação de bolhas que acomete mucosas e junções mucocutâneas (Figuras 20.32 e 20.33)
Visto em conjunto com neoplasia
Sinais sistêmicos associados tanto a neoplasia como a lesões cutâneas
Neoplasias relatadas: timoma, linfoma tímico, sarcoma esplênico.
PenJgoide bolhoso
Muito raro
Sinais semelhantes aos do PV, embora as bolhas sejam menos frágeis (Figuras 20.34 a 20.39)
Doença crônica clinicamente benigna pode ser mais comum
Máculas originam vesículas e bolhas, que se rompem revelando ulcerações
Locais comuns: cabeça, orelhas, axilas, parte ventral do abdome, região inguinal
Incomumente acomete os coxins plantares e pregas ungueais
Vesículas nas mucosas acarretam rapidamente ulcerações na cavidade bucal e nas margens dos lábios
A cicatrização é comum
Prurido e dor variáveis
Anorexia, depressão e febre.
Diagnóstico diferencial
Complexo do pênJgo
PF
Foliculite bacteriana
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Furunculose neutrofílica ou eosinofílica
Figura 20.29 Pênfigo pan­epidérmico ocasionando crostas espessas na parte dorsal do focinho.
Figura 20.30 Crostas e erosões nas margens dos coxins plantares em caso de pênfigo pan­epidérmico.
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Figura 20.31 Pênfigo pan­epidérmico causando placas erodidas no ventre.
Figura 20.32 Pênfigo paraneoplásico secundário a tumor pulmonar, com crostas espessas no plano nasal.
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Figura 20.33 Pênfigo paraneoplásico ocasionando erosões e crostas na vulva.
Figura 20.34 Penfigoide bolhoso. Notar o eritema sob a bolha superficial na superfície do pavilhão auricular.
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Figura 20.35 Penfigoide bolhoso. As ulcerações acarretam hemorragia e crostas.
Figura 20.36 Ulcerações na mucosa anal em caso de penfigoide bolhoso.
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Figura 20.37 Ulceração no coxim plantar em caso de penfigoide bolhoso.
Figura 20.38 Penfigoide bolhoso. Paciente da Figura 20.35 após 2 anos de tratamento.
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Figura 20.39 Penfigoide bolhoso. Paciente da Figura 20.35 após 2 anos de tratamento.
Dermatofitose
Demodicose
Candidíase
Adenite sebácea
Distúrbios da queratinização
Lúpus eritematoso discoide ou cutâneo
Pênfigo eritematoso
Dermatose pustular subcorneana
Erupção medicamentosa
Eritema multiforme
Dermatite responsiva ao zinco
Dermatomiosite
Tirosinemia
Linfoma epiteliotrópico
Malignidades linforreticulares
Dermatose necrolítica superficial
Síndrome uveodermatológica
Pustulose eosinofílica estéril
Dermatose linear por IgA
PE
Pênfigo foliáceo (orientado para a face)
Lúpus eritematoso sistêmico
Lúpus eritematoso discoide
Foliculite bacteriana
Furunculose neutrofílica ou eosinofílica
Demodicose
Dermatofitose
Linfoma epiteliotrópico
Complexo da epidermólise bolhosa
Síndrome uveodermatológica
PV
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Penfigoide bolhoso
Lúpus eritematoso sistêmico
Pênfigo paraneoplásico
Necrólise epidérmica tóxica
Erupção medicamentosa
Dermatite necrolítica superficial
Linfoma epiteliotrópico
Neoplasia linforreticular
Estomatite ulcerativa
Eritema multiforme
PPE
Pênfigo vulgar
Eritema multiforme
Foliculite bacteriana
Pênfigo foliáceo
Dermatoses liquenoides
Neoplasia cutânea
PP
Pênfigo vulgar
Penfigoide bolhoso
Eritema multiforme.
PenJgoide bolhoso
Pênfigo vulgar
Lúpus eritematoso sistêmico
Erupção medicamentosa
Eritema multiforme
Necrólise epidérmica tóxica
Linfoma epiteliotrópico
Neoplasia linforreticular
Estomatite ulcerativa.
Diagnóstico
Hemograma completo e urinálise
É incomum haver anormalidades; leucocitose e hiperglobulinemia ocasionais.
Outros exames laboratoriais
Anticorpo antinuclear: pode ser fracamente positivo apenas no PE.
Procedimentos diagnósticos
Citologia de aspirados ou esfregaços por impressão de pústulas e crostas (Figuras 20.40 e 20.41)
Queratinócitos acantolíticos, neutrófilos e eosinófilos
Os queratinócitos acantolíticos aparecem como células arredondadas coradas em tom escuro com núcleos
proeminentes (“ovo frito”)
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Sem células acantolíticas no PB; raras no PV, devido à profundidade das fendas
Cultura bacteriológica: identifica infecções bacterianas secundárias
Biopsia das lesões com exame dermatohistopatológico é necessária para o diagnóstico
Devem ser obtidas amostras de biopsia de pele das lesões e sua periferia.
Achados histopatológicos │ Complexo do pênJgo
PF: queratinócitos acantolíticos em crostas; acantólise e fendas intraepidérmicas; formação de microabscesso ou
pústula que se expande e estende para os folículos; queratinócitos acantolíticos podem ser individuais,
associados em “balsas” ou aderentes à pele sobrejacente (“grudados”); inflamação dérmica mista e perivascular
neutrofílica e eosinofílica
PE: achados similares aos do PF; dermatite liquenoide de interface com dano à célula basal; incontinência
pigmentar
PV: fendas suprabasilares com queratinócitos acantolíticos; queratinócitos individuais permanecem aderidos à
zona basal, criando o padrão de “lápide”; é comum ulceração secundária; grau variável de inflamação dérmica
superficial
PPE: pústulas em todas as camadas da epiderme, incluindo o epitélio folicular
PP: pustulação transepidérmica com acantólise suprabasilar e superficial; queratinócitos apoptóticos
proeminentes; infiltrado dérmico ou submucoso de linfócitos, macrófagos e plasmócitos; números variáveis de
neutrófilos
Imunopatologia da pele biopsiada via ensaios para autoanticorpo imunofluorescente ou testes imuno­
histoquímicos
Coloração positiva nos espaços intercelulares (PF) em 50 a 90% dos casos
Os resultados podem ser afetados pela administração prévia ou concomitante de corticosteroides (ou outros
imunossupressores)
Figura 20.40 Pênfigo foliáceo. O exsudato demonstra neutrófilos intactos e queratinócitos acantolíticos, 100×.
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Figura 20.41 Queratinócitos acantolíticos. Células coradas em tom escuro com núcleos proeminentes acarretam
o aspecto de “ovo frito”, 400×.
Imunofluorescência indireta em geral é negativa
O PE pode demonstrar coloração das membranas basais e espaços intercelulares
Coloração transepidérmica no PV.
Achados histopatológicos │ PenJgoide bolhoso
Formação de vesícula na junção dermoepidérmica com infiltrados inflamatórios
Predomina o infiltrado inflamatório eosinofílico
Sem queratinócitos acantolíticos: o defeito é subepidérmico.
Tratamento
Considerações gerais
Tratamento de suporte inicial hospitalar em pacientes com acometimento grave
Tratamento ambulatorial com idas frequentes ao hospital (a cada 1 a 3 semanas); diminuir para idas a cada 1 a 3
meses quando houver remissão e o paciente1.19 Fissura – defeito linear que penetra a epiderme (paniculite).
Figura 1.20 Fístula – lesão profunda, em geral com drenagem (fístula metatarsiana).
■ Figura 1.21 Escara – área de tecido fibroso que substitui a pele normal (reação a vacinação).
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Capítulo 2 Citologia Prática
Karen Helton Rhodes
Panorama
A  citologia  cutânea  é  um  recurso  diagnóstico  essencial. Amostras  devem  ser  obtidas  em  praticamente  todos  os
casos  dermatológicos. Os  aspectos  técnicos  da  coleta  de  amostras  e  a  preparação de  lâminas  têm valor  crítico na
interpretação. Raspados cutâneos e tricogramas, swabs/esfregaços óticos, esfregaços por impressão direta, aspirado
com  agulha  fina  e  amostras  preparadas  a  partir  de  fita  adesiva  são  as  técnicas  citológicas  mais  frequentemente
empregadas em dermatologia.
Raspados cutâneos │ Amostra superJcial
Em geral, é a amostra usada para diagnosticar  infestações por Sarcoptes, Notoedres, Cheyletiella, Demodex gatoi,
Demodex cornei e Otodectes. Deve­se:
Selecionar a pele com lesão
Colocar uma pequena quantidade de óleo mineral em uma lâmina de microscopia
Usar lâmina de bisturi nº 10 ou espátula
Aplicar uma pequena quantidade de óleo mineral na lâmina ou diretamente na pele selecionada com lesão
Raspar a área na direção do crescimento do pelo e transferir o material obtido para a lâmina
Escolher vários locais para obter amostras e, nos casos de infestação por Sarcoptes, obter amostra de uma
grande área superficial
Certos locais de amostragem podem ser preferíveis, dependendo do diagnóstico clínico suspeito, isto é,
margens do pavilhão auricular e cotovelos no caso de Sarcoptes/linha média dorsal ou pontos focais de alopecia
no caso de demodicose
Examinar a lâmina ao microscópio sob objetiva de 10H. Às vezes, é válido baixar o condensador do
microscópio para obter mais contraste
Observar a proporção de ácaros vivos e mortos e de ovos, formas jovens e adultas presentes (Figura 2.1).
Raspados cutâneos │ Amostra profunda
É a amostra usada geralmente para diagnosticar infestações por Demodex canis, Demodex injai, Demodex cati.
A técnica é a mesma empregada para o raspado superficial, exceto por uma etapa extra a mais:
Após a colocação inicial do material na lâmina, espremer o local entre o polegar e o indicador, o que inicia
um corrimento capilar; raspar a área outra vez para coletar mais material e colocá­lo na lâmina preparada
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Figura 2.1 Ácaros Sarcoptes scabiei e ovos encontrados no raspado de pele superficial da margem da orelha.
Teoricamente, essa pressão força os ácaros na direção da superfície dos folículos pilosos
Examinar a lâmina ao microscópio sob objetiva de 10H. Às vezes, é válido baixar o condensador do
microscópio para obter mais contraste (Figura 2.2)
Observar a proporção de ácaros vivos e mortos e de ovos, formas jovens e adultas presentes
Cuidado: edema e tumefação, em geral vistos na pododemodicose, podem dificultar a detecção dos ácaros; obter
amostras das margens das lesões.
Tricogramas │ Tufos de pelos
Os  tricogramas  geralmente  são  usados  como  adjuntos  para  outros  tipos  de  amostras  ou  quando  são  obtidas
amostras perioculares. Deve­se:
Colocar uma pequena quantidade de óleo mineral em lâmina de microscopia
Retirar uma pequena amostra de pelos da pele com lesão e/ou da periferia da lesão com pinça hemostática e
colocar diretamente no óleo mineral; os ácaros do gênero Demodex podem ser vistos aglomerados em torno do
bulbo capilar dos pelos extraídos
Examinar a lâmina ao microscópio sob objetiva de 10×. Às vezes, é válido baixar o condensador do
microscópio para obter mais contraste.
Swabs │ Esfregaços cutâneos
Em  geral,  usam­se  swabs  óticos  para  diagnosticar  a  proliferação  bacteriana  e  de  levedura,  podendo  ajudar  em
outros diagnósticos diferenciais (neoplasia, distúrbios da queratinização, ácaros, infecções fúngicas).
É necessário que a citologia ótica seja realizada em todos os casos de otite e sempre que forem reexaminados.
Deve­se:
Obter a amostra para citologia posicionando um swab com algodão na ponta na junção do canal vertical com o
horizontal (em ângulo aproximado de 75° – ter cuidado ao retificar o canal para evitar perfurar o tímpano)
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1.
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3.
4.
5.
6.
Figura 2.2 Demodex canis. Raspado cutâneo. Observar os estágios diferentes do ácaro, incluindo um ovo.
Passar a amostra para uma lâmina de microscopia com movimento giratório; formar as letras D e E para
identificar cada orelha e colocar ambas as amostras na mesma lâmina
Fixar a amostra com calor passando a lâmina sobre uma chama por 2 a 3 segundos
Usar o corante de Romanowsky (corante de Wright modificado) para enxaguar levemente a lâmina, com
cuidado para não deslocar a amostra
De início, examinar a lâmina ao microscópio sob objetiva de 10H para identificar o melhor campo para
observação; em seguida, usar aumento de 40H, 100H ou imersão em óleo para identificar os organismos e/ou a
população celular (Tabela 2.1).
Observar o seguinte:
Células inflamatórias degeneram com infecção, embora permaneçam intactas com doença cutânea imunomediada
Células acantolíticas podem estar presentes em grande número e proporcionar informação diagnóstica (p. ex.,
pênfigo foliáceo)
Se observar grande número de células epiteliais com poucas bactérias, considerar um distúrbio da queratinização
ou hipotireoidismo
Lembrar que os queratinócitos podem ter grânulos de melanina
Lembrar que o cerume normal não se cora.
Neutrófilos sem bactérias podem indicar uma reação de hipersensibilidade a medicações colocadas no canal
auditivo (p. ex., neomicina, propilenoglicol).
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Tabela 2.1 Escala arbitrária para quantificar bactérias/leveduras (canal externo).
Escala de bactérias Por campo de grande aumento (400H)
0 Nenhuma
1 Menos de 1 a 2 organismos
2 2 a 5 organismos
3 5 a 20 organismos
4 Mais de 20 organismos
Escala de levedura Por campo de grande aumento (400H)
0 Nenhum
1 Menos de 1 organismo
2 1 a 5
3 5 a 10
4 Mais de 10
Esfregaços por impressão direta │ Preparação de Tzanck
Tais esfregaços geralmente são usados para diagnosticar a proliferação de Malassezia ou avaliar úlceras e placas:
Pressionar a lâmina de microscopia diretamente sobre a superfície da pele várias vezes no mesmo local (método
mais usado se a superfície da pele estiver oleosa) (Figuras 2.3 e 2.4) ou pressionar a lâmina sobre a superfície
de corte de um espécime de biopsia ou diretamente sobre uma placa/úlcera/erosão (Figura 2.5 A e B)
Se obtiver a amostra da superfície de corte de um espécime de biopsia, retirar com cuidado o excesso de sangue
da superfície com um pedaço de gaze seco antes de fazer a impressão e, então, deixar que a lâmina seque ao ar
antes de corar
Fixar ao calor as amostras obtidas de uma superfície oleosa antes de corar, salvo se utilizar lâminas aderentes
Também é possível coletar amostras para a identificação de leveduras com swab de algodão ou espátula
(especialmente em áreas sensíveis, como as regiões perivulvar e perianal) e girá­lo(a) sobre a lâmina ou via
raspado cutâneo superficial (sem o uso de óleo mineral) (Figura 2.6)
Obter amostras de crostas e colaretes epidérmicos removendo delicadamente a superfície ou as margens da lesão
com uma agulha estéril e imprimindo a superfície subjacente sobre a lâmina de microscopia
Para quantificar leveduras, empregar a mesma escala arbitrária que utilizou com o swab ótico (Tabela 2.1).
Aspirado com agulha Jna
Em geral, usa­se o aspirado com agulha fina para examinar pústulas, nódulos e tumores. A autora prefere agulha de
calibre  22  e  seringa  de  6  cc  para  nódulos/tumores  e  agulha  de  calibre  23  com  seringa  de  3  cc  para  lesões mais
moles, como pústulas. Deve­se:
Inserir com cuidado a agulha no centro da lesão, tracionar o êmbolo da seringa para trás para formar pressão
negativa e, em seguida, liberar a pressão negativa e repetir o processo várias vezes (enquanto redireciona a
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agulha de vezestiver em manutenção clínica
Pacientes gravemente acometidos podem precisar de antibióticos
Hidroterapia e compressas são muito úteis e suavizantes
Dieta com pouca gordura: para evitar a predisposição à pancreatite causada pelo tratamento com corticosteroides
e azatioprina
Evitar luz ultravioleta – pode exacerbar lesões (PE).
Fármacos de escolha │ Complexo do pênJgo
PF e PV
Corticosteroides
Prednisolona: 1,1 a 2,2 mg/kg/dia VO, fracionados a cada 12 h para controle inicial
Manutenção mínima: 0,5 mg/kg VO a cada 48 a 72 h
Diminuir a dosagem a intervalos de 2 a 4 semanas para 5 a 10 mg/semana
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Agentes citotóxicos
Em mais de metade dos pacientes é preciso acrescentar outros imunomoduladores
Sinérgicos com corticosteroides, permitindo a redução da dose e os efeitos colaterais
Azatioprina (2,2 mg/kg VO a cada 24 h, em seguida a cada 48 a 72 h); raramente usada em gatos, por causa
da supressão acentuada da medula óssea; a dose para felinos é de 1 mg/kg a cada 24 a 48 h
Clorambucila (0,2 mg/kg/dia): opção primária para gatos
Ciclofosfamida (50 mg/m2 VO a cada 48 h): cães
Dapsona (1 mg/kg VO a cada 8 h, até a remissão; em seguida conforme necessário): cães; aplicação limitada
Crisoterapia
Em geral, usada em conjunto com dapsona
Auranofina (0,1 a 0,2 mg/kg VO a cada 12 a 24 h)
Ciclosporina
Tratamento alternativo ou suplementar com corticosteroides
Dosagem inicial de 5 mg/kg VO diariamente
Tacrolimo tópico (mono­hidrato de tacrolimo): aplicar nas lesões individuais diariamente a 2 vezes/semana
PE e PPE
Prednisolona (1,1 mg/kg VO a cada 24 h; em seguida a cada 48 h); reduzir para a menor dose de manutenção
possível; pode ser interrompida quando houver remissão
Esteroides tópicos ou tacrolimo podem ser suficientes nos casos leves
Tetraciclina e niacinamida: 500 mg VO a cada 8 h (cães com mais de 10 kg); metade dessa dose para cães
com menos de 10 kg; aplicação limitada no PE
PP
Identificar neoplasia subjacente e resolver ou manter sob controle
Tratamento adicional similar ao do PF/PE.
Fármacos de escolha │ PenJgoide bolhoso
Tetraciclina e niacinamida: 500 mg VO a cada 8 h (cães com mais de 10 kg); metade dessa dose para cães com
menos de 10 kg; aplicação limitada
Tratamento adicional similar ao do PF/PE nos casos recalcitrantes
Muitos casos são crônicos e leves, necessitando de intervenção mínima.
Corticosteroides alternativos
Usar em vez de prednisolona se ocorrerem efeitos colaterais indesejáveis ou resposta insuficiente
Metilprednisolona (dosagem inicial de 0,8 a 1,5 mg/kg VO a cada 12 h): pacientes que toleram mal a
prednisolona
Triancinolona (0,2 a 0,3 mg/kg VO a cada 12 h; em seguida, 0,05 a 0,1 mg/kg a cada 48 a 72 h)
Dexametasona (0,1 a 0,2 mg/kg VO a cada 24 h; em seguida, 0,05 mg/kg a cada 72 h)
Terapia em pulsos com glicocorticoide (11 mg/kg IV de succinato sódico de metilprednisolona por 3 dias
consecutivos para induzir remissão); aplicação limitada; usada em condições agudas.
Esteroides tópicos
Creme de hidrocortisona
Corticosteroides tópicos mais potentes: 0,1% de valerato de betametasona, acetonida de fluocinolona ou 0,1%
de triancinonida; a cada 12 h; em seguida, a cada 24 a 48 h a 2 vezes/semana.
Comentários
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Monitoramento do paciente
Monitorar a resposta ao tratamento a intervalos de 2 a 4 semanas inicialmente; monitorar com menor frequência
à medida que as lesões cicatrizam e as doses da medicação são reduzidas
Hematologia de rotina e bioquímica sérica, especialmente em pacientes que estejam tomando altas doses de
corticosteroides, fármacos citotóxicos ou sob crisoterapia; verificar a cada 2 a 4 semanas e em seguida a cada 1
a 3 meses quando em remissão
Efeitos colaterais comuns:
Corticosteroides: poliúria, polidipsia, polifagia, alterações do temperamento, diabetes melito, pancreatite e
hepatotoxicidade
Azatioprina: pancreatite, supressão da medula óssea
Fármacos citotóxicos: leucopenia, trombocitopenia, nefrotoxicidade e hepatotoxicidade
Crisoterapia: leucopenia, trombocitopenia, nefrotoxicidade, dermatite, estomatite e reações alérgicas
Ciclofosfamida: cistite hemorrágica
Imunossupressão: pode predispor o animal a sarna demodécica, a infecções bacterianas e fúngicas cutâneas e
sistêmicas.
Evolução esperada e prognóstico │ Complexo do pênJgo
PV e PF
É necessário tratamento pelo resto da vida com corticosteroides e fármacos citotóxicos; a remissão é rara
O monitoramento rotineiro é primordial
Os efeitos colaterais das medicações podem afetar a qualidade de vida
Podem ser fatais se não forem tratados (em especial o PV)
As infecções secundárias causam morbidade e possível mortalidade (em especial o PV)
PE e PPE
Relativamente benignos e autolimitantes
As doses de corticosteroides orais podem acabar sendo diminuídas para as de manutenção ou mesmo
suspensas em alguns pacientes
A dermatite piora se não for tratada; sintomas sistêmicos são raros
Prognóstico razoável.
Evolução esperada e prognóstico │ PenJgoide bolhoso
É necessário tratamento pelo resto da vida
Nos casos graves, geralmente é necessária intervenção inicial agressiva; alguns casos não respondem ao
tratamento
Casos crônicos podem ser controlados com tetraciclina, niacinamida e/ou tratamento tópico
A morbidade está associada a infecção bacteriana secundária.
Siglas
ANA = anticorpo antinuclear
Dsg 1 = desmogleína 1
Dsg 3 = desmogleína 3
IgA = imunoglobulina A
IgG = imunoglobulina G
IgG 4 = imunoglobulina G 4
IV = intravenoso
PB = penfigoide bolhoso
PE = pênfigo eritematoso
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PF = pênfigo foliáceo
PP = pênfigo paraneoplásico
PPE = pênfigo pan­epidérmico
PV = pênfigo vulgar
UV = ultravioleta
VO = via oral.
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Capítulo 21
Dermatoses Granulomatosas
Nodulares Estéreis
Karen Helton Rhodes
Panorama
Doenças cujas lesões primárias são nódulos sólidos, elevados e geralmente com mais de 1 cm de diâmetro.
Etiologia e Jsiopatologia
Nódulos: em geral, resultam da infiltração de células inflamatórias na derme e na subcútis; podem ser
secundários a estímulos endógenos ou exógenos
Inflamação tipicamente, mas nem sempre, granulomatosa a piogranulomatosa.
Causas
Amiloidose
Reação a corpo estranho
Esferulocitose
Granuloma idiopático estéril e piogranuloma (Figura 21.1)
Granuloma eosinofílico canino
Calcinose cutânea (Figuras 21.2 e 21.3)
Calcinose circunscrita (Figuras 21.4 a 21.6)
Histiocitose maligna
Histiocitose cutânea (Figuras 21.7 e 21.8)
Paniculite estéril (Figuras 21.9 a 21.11)
Dermatofibrose nodular
Xantoma cutâneo (Figura 21.12).
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Figura 21.1 Dermatite piogranulomatosa idiopática estéril perianexial da axila em um cão.
Figura 21.2 Calcinose cutânea em cão com hiperadrenocorticismo. Notar o pequeno nódulo firme ao longo do
dorso do tronco.
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Figura 21.3 Região inguinal do cão da Figura 21.2 demonstrando placas eritematosas coalescentes com
coloração amarelo­rosada.
Figura 21.4 Pinscher Miniatura com os dedos inchados devido a calcinose circunscrita.
Figura 21.5 Vista posterior do cão da Figura 21.4 revelando a extensão do inchaço do coxim metatársico.
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Figura 21.6 Vista do coxim plantar mostrando deformidade acentuada causada por calcinose circunscrita.
IdentiJcação e histórico
Dermatofibrose nodular: Pastor­Alemão, 3 a 5 anos de idade
Calcinose circunscrita: Pastor­Alemão, menos de 2 anos de idade
Histiocitose maligna: Montanhês de Berna
A doença pode acometer cães de qualquer idade, raça ou sexo, embora o Montanhês de Berna corra maior risco
de histiocitose maligna e o Pastor­Alemão de dermatofibrose nodular.
Fatores de risco
Reação a corpo estranho: induzida pela exposição a qualquer material irritante (p. ex., poeira de concreto ou
fibra de vidro)
Corpos estranhos pilosos: cães de grande porte sobre superfícies duras correm maior risco
Calcinose cutânea: maior risco com exposição a altas doses de glicocorticoides exógenos
Paniculite: maior risco com dieta deficienteem vitamina E.
Diagnóstico diferencial
Dermatoses nodulares estéreis: precisam ser diferenciadas de infecções bacterianas e fúngicas profundas e de
neoplasias dérmicas
Todas essas doenças podem ser diagnosticadas por histopatologia de culturas de tecidos profundos.
Diagnóstico
Amiloidose: alterações possíveis na bioquímica e/ou na urinálise se houver acometimento de órgãos internos
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Figura 21.7 Cão da raça Montanhês de Berna com histiocitose cutânea.
Figura 21.8 Nódulos cutâneos causados por histiocitose das extremidades.
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Figura 21.9 Paniculite em Weimeraner com 3,5 anos de idade. (Cortesia das Dras. Marcia Schwassmann e
Dawn Logas.)
Figura 21.10 Nódulo ulcerativo no tronco, causado por paniculite nodular estéril. (Cortesia das Dras. Marcia
Schwassmann e Dawn Logas.)
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Figura 21.11 Lesão cicatrizada de um ferimento secundário a paniculite. (Cortesia das Dras. Marcia
Schwassmann e Dawn Logas.)
Figura 21.12 Nódulo firme amarelo­rosado resultante de xantomatose cutânea ao longo do coxim metacarpiano
deste gato.
Histiocitose maligna: pancitopenia; os níveis séricos de ferritina podem estar altos na histiocitose maligna, mas
não na histiocitose cutânea
Calcinose cutânea: alterações cutâneas do hiperglicocorticismo (p. ex., leucograma de estresse, ALP alta,
hiperglicemia, densidade urinária baixa)
Xantomas cutâneos: glicosúria, hiperglicemia e/ou anormalidades do perfil 
lipídico
Radiologia e ultrassonografia: delineiam o acometimento de órgãos internos na amiloidose e na histiocitose
Radiologia: identifica outras áreas de calcificação distrófica em cães com calcinose cutânea e doença renal na
calcinose circunscrita
Ultrassonografia: identifica cistadenocarcinomas em cães com dermatofibrose nodular
Biopsias cutâneas para histopatologia e culturas (fúngicas, aeróbicas e micobacterianas) são essenciais para
detectar dermatoses nodulares.
Tratamento
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A maioria desses distúrbios pode ser tratada em esquema ambulatorial
Alguns desses distúrbios (p. ex., histiocitose maligna, amiloidose e dermatofibrose nodular) quase sempre são
fatais
Cães com calcinose cutânea podem precisar ser hospitalizados por causa de sepse; o tratamento tópico intensivo
(DMSO) costuma ser útil.
Fármacos de escolha
Amiloidose: não há tratamento conhecido, a menos que a lesão seja solitária e possa ser removida por cirurgia
Esferulocitose: o único tratamento eficaz é a remoção cirúrgica
Granuloma idiopático estéril e piogranuloma: prednisona (2,2 a 4,4 mg/kg fracionados VO a cada 12 h) é o
tratamento de primeira linha; continuar com os esteroides por 7 a 14 dias após a remissão completa; em
seguida, diminuir a dose; nos casos refratários aos glicocorticoides, pode­se tentar azatioprina (2,2 mg/kg VO a
cada 48 h) combinada com prednisona ou iodeto sódico
Reações a corpo estranho: o melhor tratamento é a remoção da substância agressora, se possível; no caso de
corpos estranhos pilosos, o cão deve ser colocado sob dieta leve, iniciando­se o tratamento tópico com agentes
queratolíticos; muitos cães com corpos estranhos pilosos também têm infecções bacterianas secundárias que
precisam ser tratadas com antibióticos tanto tópicos quanto sistêmicos
Granuloma eosinofílico canino: prednisona (1,1 a 2,2 mg/kg VO a cada 24 h) resulta em boa resposta
Histiocitose maligna: não há tratamento eficaz; é rapidamente fatal
Histiocitose cutânea: glicocorticoides em altas doses e fármacos citotóxicos resultam em remissão; recorrências
são comuns; a L­asparaginase tem sido útil em alguns casos; a ciclosporina em geral é o tratamento de escolha,
na dose de 5 mg/kg/dia
Calcinose cutânea: é preciso controlar a doença subjacente, se possível; a maioria dos casos requer antibióticos
para controlar infecções bacterianas secundárias; hidroterapia e banhos frequentes com xampus antibacterianos
minimizam problemas secundários; o DMSO tópico é útil (aplicado em não mais de um terço do corpo 1
vez/dia, até que as lesões se resolvam); se as lesões forem extensas, os níveis séricos de cálcio devem ser
monitorados estritamente
Calcinose circunscrita: a excisão cirúrgica é o tratamento de escolha na maioria dos casos
Paniculite estéril: lesões isoladas podem ser removidas por cirurgia; prednisona (2,2 mg/kg VO a cada 24 h ou
fracionados em cada 12 h) é o tratamento de escolha; administra­se até que as lesões regridam, em seguida
diminui­se a dose; alguns cães levam tempo para entrar em remissão, mas outros precisam de tratamento em
dias alternados; alguns casos respondem à vitamina E oral (400 UI a cada 12 h) (Capítulo 19)
Dermatofibrose nodular: nenhum tratamento na maioria dos casos, porque os cistadenocarcinomas renais em
geral são bilaterais; no caso unilateral raro de cistadenocarcinoma ou cistadenoma, a retirada do único rim
acometido pode ser útil
Xantoma cutâneo: a correção do diabetes melito ou da hiperlipoproteinemia subjacentes (em geral via
manipulação dietética) em geral é curativa.
Contraindicações
Corticosteroides e outros fármacos imunossupressores devem ser evitados, se possível, em qualquer animal
com infecção secundária.
Precauções
DMSO: manipular com cuidado; monitorar os níveis séricos de cálcio se usado para tratar a calcinose cutânea.
Comentários
Monitoramento do paciente
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Em pacientes que estejam recebendo glicocorticoides há muito tempo, devem ser feitos hemograma completo,
triagem bioquímica, urinálise e cultura de urina a cada 6 meses
Em cães com calcinose cutânea tratados com DMSO, os níveis de cálcio devem ser monitorados a cada 7 a 14
dias, começando no início do tratamento.
Complicações possíveis
Amiloidose sistêmica, histiocitose maligna e dermatofibrose nodular: invariavelmente fatais.
Condições associadas
Calcinose cutânea: hiperglicocorticoidismo, insuficiência renal crônica e diabetes melito
Calcinose circunscrita: (ocasionalmente) osteodistrofia hipertrófica e poliartrite idiopática
Dermatofibrose nodular: cistadenocarcinomas renais
Xantoma cutâneo: diabetes melito e hiperlipoproteinemia.
Siglas
ALP = fosfatase alcalina
DMSO = dimetilsulfóxido
VO = via oral.
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Capítulo 22 Síndrome Uveodermatológica
Karen Helton Rhodes
Panorama
Síndrome rara, semelhante à síndrome de VKH em seres humanos
Considerada um distúrbio autoimune que resulta em uveíte granulomatosa e dermatite com despigmentação
concomitante (da pele e da pelagem) e rara meningoencefalite.
Etiologia e Jsiopatologia
Acredita­se que seja uma doença autoimune com fatores hereditários; autoanticorpos contra os melanócitos
resultam em pan­uveíte, leucodermia e leucotriquia
Foram encontrados anticorpos na retina de cães acometidos
A exposição à luz do sol exacerba os sintomas.
IdentiJcação e histórico
Relatada em cães, especialmente das raças Akita, Samoieda e Husky Siberiano
Mais prevalente em cães adultos jovens e de meia­idade. Não há relatos de predileção sexual (Figura 22.1)
Raramente relatada em outras raças: Chow Chow, Setter Irlandês, Fox Terrier, Dachshund, Shetland Sheepdog,
São­Bernardo, Old English Sheepdog, Fila Brasileiro.
Características clínicas
Uveíte de início súbito: pode ser dolorosa e progredir para cegueira
Leucodermia concomitante ou subsequente no nariz, nos lábios e nas pálpebras (Figuras 22.2 a 22.4)
Coxins plantares, escroto, ânus e o palato duro também podem ficar despigmentados
Sinais oftálmicos: fotofobia, diminuição ou ausência dos reflexos luminosos pupilares, blefaroespasmo, uveíte
anterior, hifema, coriorretinite, conjuntivite, descolamento da retina, abaulamento da íris, glaucoma, cegueira
Sinais dermatológicos: despigmentação simétrica do plano nasal, peribucal e bucal (lábios e mucosa bucal) e do
tecido periocular; menos frequentemente, escroto, vulva, ânus e coxins plantares podem estar despigmentados
Pode haver despigmentação generalizada da pele e da pelagem
As lesões cutâneas podem ulcerar, levando à formação de crostas
Meningoencefalite é relatada raramente.■
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Diagnóstico diferencial
Doenças imunomediadas: complexo do pênfigo, lúpus eritematoso sistêmico e lúpus eritematoso discoide,
penfigoide bolhoso, vitiligo (leucodemia e leucotriquia idiopáticas), vasculite
Figura 22.1 Síndrome uveodermatológica (semelhante à de VKH). Notar a evidência inicial de uveíte, em geral a
característica clínica inicial reconhecida.
Figura 22.2 VKH. Notar a despigmentação do plano nasal e das junções mucocutâneas perioculares.
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Figura 22.3 VKH. Despigmentação da região periocular.
Figura 22.4 VKH. Notar a despigmentação das mucosas neste caso.
Neoplasia (linfoma cutâneo) e inúmeras outras doenças cutâneas inflamatórias e infecciosas que possam causar
despigmentação
Biopsias cutâneas são o recurso diagnóstico mais útil
O exame da retina pode ajudar a diferenciar essas doenças.
Diagnóstico
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Biopsia e dermatopatologia: mais bem interpretadas por um veterinário com experiência em detectar as
diferenças um tanto sutis nos padrões patológicos; as lesões iniciais têm padrão de interface liquenoide com
grandes histiócitos e incontinência pigmentar pronunciada; degeneração hidrópica da camada de células basais é
rara
Avaliar a retina; geralmente, a primeira característica clínica anormal.
Tratamento
A instituição rápida do tratamento imunossupressor agressivo é recomendada para evitar a formação de
sinéquias posteriores e glaucoma secundário, cataratas ou cegueira. Glicocorticoides subconjuntivais ou tópicos
(i. e., solução oftálmica de dexametasona a 0,1% a cada 4 h e 1 a 2 mg de dexametasona subconjuntival) devem
ser administrados até que a uveíte seja resolvida. Também pode ser necessária solução oftálmica de atropina a
1% a cada 6 a 24 h
Exames da retina: meio mais importante para monitorar o progresso; a melhora das lesões dermatológicas pode
não refletir a patologia retiniana
Enucleação: às vezes recomendada por causa da dor.
Fármacos de escolha
Corticosteroides: altas doses iniciais de prednisona (1,1 a 2,2 mg/kg VO a cada 12 a 24 h) e azatioprina (1,5 a
2,5 mg/kg VO a cada 24 h) são recomendadas; diminuir as dosagens e frequências de administração para dias
alternados quando em uso crônico; alguns pacientes podem melhorar já com o uso inicial de prednisona apenas,
mas as sequelas potenciais do tratamento agressivo tardio confirmam o uso adicional de azatioprina
Ciclosporina, 5 a 10 mg/kg/dia, é uma alternativa para a azatioprina e pode ser usada em conjunto nos casos
graves
Esteroides tópicos ou subconjuntivais e cicloplégicos: podem estar indicados nos casos de uveíte anterior.
Precauções e interações
Prednisona e azatioprina: anemia, leucopenia, trombocitopenia, altos níveis séricos de fosfatase alcalina,
vômitos e pancreatite; solicitar perfil bioquímico sérico e hemograma completo a cada 2 semanas, incluindo
contagem de plaquetas, inicialmente; diminuir após a condição ter­se estabilizado e a dose e a frequência de
administração terem sido reduzidas.
Comentários
Exames semanais ou a cada 2 semanas, inclusive com avaliações da retina: recomendados inicialmente para
monitoramento dos efeitos colaterais associados ao tratamento; exames da retina são importantes porque a
melhora das lesões dermatológicas pode não indicar melhora das lesões retinianas
A administração de azatioprina pode ser interrompida após alguns meses de tratamento; a prednisona pode ser
necessária indefinidamente
Hiperadrenocorticismo iatrogênico: em geral, resulta do tratamento com esteroides
A ciclosporina pode ser usada como protocolo poupador de esteroides
O prognóstico é razoável a reservado. É necessário tratamento pelo resto da vida do animal
Cegueira é uma sequela comum
A despigmentação da pele e da pelagem em geral é permanente, embora possa melhorar em alguns casos.
Siglas
VKH = Vogt­Koyanagi­Harada
■ VO = via oral.
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Capítulo 23 Vasculite
Karen Helton Rhodes
Panorama
Inflamação dos vasos sanguíneos com tipos celulares neutrofílicos (leucocitoclásica e não leucocitoclásica),
linfocíticos, raramente eosinofílicos, granulomatosos ou mistos
Mecanismos patológicos: reações do tipo III (complexo imune) e do tipo I (imediata)
Dano endotelial pelo agente infeccioso, infestação parasitária, endotoxina ou deposição de complexo imune
inicia inflamação local, acúmulo de neutrófilos e ativação do complemento. Os neutrófilos liberam enzimas
lisossômicas que acarretam necrose
da parede do vaso, trombose e hemorragia.
Em seres humanos e cães com poliarterite nodosa, a proliferação da íntima, a degeneração e a necrose da parede
vascular predominam e acarretam hemorragia, trombose e necrose dos vasos envolvidos e tecidos adjacentes na
maioria dos pacientes
Vasculite não dérmica (p. ex., superfícies renais, hepáticas e serosas das cavidades corporais) pode ser o
mecanismo que leva ao desenvolvimento de sinais clinicamente aparentes de doença sistêmica (p. ex., poliartrite
e proteinúria), sem causar lesões externas óbvias.
IdentiJcação e histórico
Qualquer idade, qualquer raça e ambos os sexos podem ser acometidos
Dachshund e Rottweillers podem ser predispostos
Varia dependendo da causa
Exposição a fármaco provocativo (p. ex., penicilina, sulfonamidas, estreptomicina e hidralazina) administrado a
animal sensibilizado
Exposição a carrapatos
Dirofilariose
Vacinação recente.
Características clínicas
Púrpura palpável
Bolhas hemorrágicas
Necrose e úlceras acentuadas (Figuras 23.1 e 23.2)
Acomete as extremidades (patas, pavilhões auriculares, lábios, cauda e mucosa bucal) e pode ser dolorosa
Anorexia, depressão, dor e prurido, pirexia, edema com cacifo nas extremidades, poliartropatia, artropatia,
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hepatopatia, neuropatia, trombocitopenia, anemia e miopatia dependente da causa subjacente
Sinais sistêmicos que refletem acometimento orgânico (p. ex., hepáticos, renais e do SNC)
Sinais sistêmicos de doença (p. ex., letargia, linfadenopatia, pirexia, sinais vagos de dor e perda de peso)
Lesões cutâneas de poliarterite nodosa (nódulos subcutâneos: menos comuns em cães do que em pessoas)
23.1
23.2
Figuras 23.1 e 23.2 Vasculite grave secundária a hipersensibilidade estafilocócica. Notar as áreas de ulceração
acentuada.
Sinais associados a doença infecciosa ou imune subjacente (p. ex., trombocitopenia e poliartropatia)
Arterite nasal de cães das raças São­Bernardo e Schnauzer
A SPJ de cães da raça Beagle é uma vasculite necrosante multissistêmica de pequenos vasos
Vasculite na margem da orelha/vasculopatia/seborreia em Dachshunds
Vasculopatia cutânea familiar do Pastor­Alemão
Vasculopatia cutânea e glomerular renal do Greyhound
Vasculite neutrofílica leucocitoclásica de Terriers Jack Russel.
Causas e fatores de risco
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Lúpus eritematoso sistêmico
Doença da aglutinina fria
Queimadura pelo frio
Coagulopatia intravascular disseminada
Neoplasia linforreticular
Reações medicamentosas (Figuras 23.3 e 23.4); por exemplo, vasculite necrosante induzida pelo itraconazol em
gatos
Reação pós­vacinal (a vasculite induzida pela vacinação antirrábica pode induzir dermatopatia isquêmica difusa
generalizada 1 a 5 meses após a vacinação)
Picada de aranha
Doença imunomediada
Paniculite semelhante ao eritema nodoso
Artrite reumatoide
Febre macular das Montanhas Rochosas
Hipersensibilidade estafilocócica
Hipersensibilidade alimentar causando vasculite urticariácea
Vasculite associada ao FeLV e ao FIV em gatos
Metade de todos os casos é idiopática.
Diagnóstico diferencial
Seborreia na margem das orelhas, queimaduras químicas e térmicas, necrólise epidérmica tóxica, eritema
multiforme, dermatomiosite, dermatose ulcerativa nas raças Collie e Sheltie, bem como sepse (Figura 23.5 A e
B).
Diagnóstico
Biopsia representativa das lesões (amostra de biopsia do tipo em cunha, em vez da biopsia em “saca­bocado”)
Sepse, coagulação intravascular disseminada, lúpus eritematoso sistêmico, febre macular das Montanhas
Rochosas e artrite reumatoide:anormalidades podem ser notadas
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Figura 23.3 Vasculite causada por erupção medicamentosa. Notar áreas confluentes de necrose e lesões do tipo
em alvo.
Figura 23.4 Erupção vesicular secundária a exposição à griseofulvina.
Considerar imunodiagnósticos: título de ANA, teste de Coombs e aglutinina fria
Testes sorológicos podem ajudar no diagnóstico de doença relacionada com carrapatos (i. e., por riquétsias)
Título de ANA positivo em paciente com LES também pode ser positivo naqueles com outras doenças
sistêmicas
Teste para dirofilária oculta em pacientes com dirofilariose
Infestação por Angiostrongylus diagnosticada por exame fecal e exame citológico de lavado traqueal
Radiografias ajudam a diagnosticar dirofilariose e infecção por Angiostrongylus
Raspados de pele: demodicose possível (com sepse secundária)
Biopsia da lesão inicial: submeter a um dermatologista; os achados dependem da causa subjacente, mas em
geral incluem células neutrofílicas (leucocitoclásicas e não leucocitoclásicas), linfocíticas, eosinofílicas,
granulomatosas ou mistas nos vasos e em torno deles; necrose vascular e trombos de fibrina podem ser
proeminentes; podem ocorrer hemorragia perivascular e edema, além de dermatopatia isquêmica
Vasculite: fazer culturas representativas (de sangue, urina, pele etc.) se o hemograma completo, o perfil
bioquímico sérico ou a urinálise revelarem doença sistêmica.
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Tratamento
Doença subjacente: prioridade máxima do tratamento clínico
Sem anormalidades sistêmicas: tratar como paciente ambulatorial, sem alterações no consumo alimentar e de
água
Doença sistêmica: é recomendável hospitalizar o animal
Informar ao proprietário que o prognóstico é reservado até se encontrar uma causa; o prognóstico baseia­se na
causa.
Fármacos de escolha
Antibióticos: tratamento de primeira linha enquanto se aguardam os resultados da histopatologia; usar
antibióticos se não houver suspeita de reação medicamentosa
A
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B
Figura 23.5 (A) Shetland Sheepdog com 1 ano de idade e dermatose ulcerativa acometendo a mucosa bucal e
(B) a virilha.
Prednisona: doença imunomediada com vasculite concomitante – prednisona, 1 a 2 mg/kg a cada 24 h em cães e
2 a 4 mg/kg a cada 24 h em gatos
Dapsona: apenas para cães; nenhuma causa subjacente conhecida ou prednisolona apenas não funciona – tentar
dapsona, 1 mg/kg a cada 8 h por 2 a 3 semanas e em seguida diminuir para 1 mg/kg a cada 12 h por 2 semanas
e, então, diminuir para 1 mg/kg
a cada 24 h por 2 semanas, por fim 1 mg/
kg a cada 48 h
Sulfassalazina, 10 a 20 mg/kg VO a cada 8 h (máximo de 3 g/dia), diminuindo a dose assim que a remissão for
alcançada, administrando 10 mg/kg a cada 12 h por 3 semanas, em seguida 10 mg/kg VO a cada 24 h
Pentoxifilina (cães), 10 a 15 mg/kg VO a cada 8 h com vitamina E, 400 UI VO a cada 12 h
Agentes alquilantes, incluindo clorambucila e azatioprina (cães apenas), têm sido acrescentados a esquemas para
diminuir a necessidade de corticosteroides
Tetraciclina e niacinamida, 250 mg de cada VO a cada 8 h para cães com menos de 10 kg de peso e 500 mg VO
a cada 8 h para aqueles com mais de 10 kg
Ciclosporina, 5 a 10 mg/kg/dia.
Precauções e interações
Dapsona e sulfassalazina: não recomendadas se houver doença renal, hepática ou discrasias sanguíneas
preexistentes
Sulfassalazina: não recomendada se houver ceratoconjuntivite seca preexistente ou limítrofe; usar com cautela
em gatos; pode deslocar fármacos altamente ligados a proteína (p. ex., metotrexato, varfarina, fenilbutazona,
diuréticos tiazídicos, salicilatos, probenecida e fenitoína); a biodisponibilidade diminui com antiácidos; pode
reduzir a biodisponibilidade do ácido fólico ou da digoxina; os níveis sanguíneos podem estar diminuídos com a
administração concomitante de sulfato ferroso ou outros sais de ferro
Pentoxifilina: pode aumentar os tempos de protrombina e diminuir a pressão sanguínea.
Comentários
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Recomenda­se o monitoramento frequente com perfil bioquímico sérico, hemograma completo e urinálise
Pode ser difícil tratar a vasculite e o prognóstico em geral é reservado
Tratamentos imunossupressores devem sempre ser reduzidos para a menor dose terapêutica possível.
Siglas
ANA = anticorpo antinuclear
FeLV = vírus da leucemia felina
FIV = vírus da imunodeficiência felina
LES = lúpus eritematoso sistêmico
SNC = sistema nervoso central
SPJ = síndrome da poliarterite juvenil
VO = via oral.
Dermatoses Infecciosas Seção 5
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Capítulo 24
Foliculite Bacteriana e Piodermite Emergente
Resistente
Karen Helton Rhodes
Panorama
Infecções bacterianas comuns da pele e de anexos cutâneos estruturais.
Etiologia e Jsiopatologia
Ocorrem  infecções cutâneas quando a  integridade da pele  se  rompe,  ela  fica macerada pela exposição crônica à umidade,  a  flora bacteriana
normal se altera, a circulação está prejudicada ou a imunocompetência está comprometida.
Tipos primários de colônias bacterianas cutâneas: residentes e transitórias
Infecção vs. colonização:
Infecção: o organismo agressor está presente e causando uma reação imunológica (neutrófilos em degeneração e/ou bactérias fagocitadas
notados em esfregaço direto ou aspirado de uma pústula)
Colonização: o patógeno potencial está vivendo na pele, mas sem causar reação no hospedeiro
A flora normal da pele serve como um componente do sistema imunológico de defesa
Bactérias estão localizadas na epiderme superficial e no infundíbulo do folículo piloso e recebem nutrientes via sebo e suor. Esses
organismos vivem em simbiose e ajudam a inibir a colonização invadindo bactérias via bacteriocinas
A flora normal pode ser alterada pelo pH, pela temperatura, pela salinidade, pela albumina, pelos níveis de ácidos graxos etc.
Organismos residentes na superfície cutânea normal ou no folículo piloso (cães):
Micrococos
Estafilococos negativos para coagulase (S. epidermidis, S. xylosus)
Estreptococos alfa­hemolíticos
Acinetobacter spp.
Clostridium perfringens
Propionibacterium acne
Staphylococcus pseudointermedius (geralmente identificado nos folículos pilosos)
Organismos residentes na superfície cutânea normal ou no folículo piloso (gatos):
Estreptococos alfa­hemolíticos
Micrococos
Estafilococos negativos e positivos para coagulase
Acinetobacter spp.
Causas
Razões primárias pelas quais as infecções bacterianas cutâneas são mais comuns em cães, em comparação com outras espécies de
mamíferos:
Estrato córneo compacto fino
Ausência relativa de lipídios intercelulares no estrato córneo
Ausência de um tampão epitelial lipídico­escamoso nos óstios do folículo piloso canino
pH cutâneo relativamente alto (básico, 7,5)
Três tipos principais de infecções bacterianas:
Superficiais (epitélio)
Dermatite úmida aguda (“ponto quente”)
Piodermite da prega cutânea (intertrigo)
Piodermite superficial (epiderme e folículos)
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Impetigo (piodermite do filhote canino)
Piodermite mucocutânea
Piodermite superficial disseminada
Foliculite superficial
Piodermite profunda (folículo piloso rompido e extensão da infecção para a derme e o tecido subcutâneo)
Foliculite e furunculose do focinho
Piodermite nasal e podálica
Piodermite profunda generalizada
Granulomas bacterianos (“dermatite acral da lambedura”)
Piodermite dos pontos de pressão
Foliculite e furunculose politraumáticas
Fatores predisponentes:
Imunoincompetência sistêmica (doença metabólica)
Traumatismo (pressão, lambedura, arranhadura, parasitas etc.)
Dano folicular (ácaros do gênero Demodex, arranhadura etc.)
Dano dérmico (ruptura do colágeno, extensão de doença etc.)
Fatores físicos (má higiene, maceração da pele, calor, umidade etc.)
Tratamento antibacteriano impróprio: por muito pouco tempo, má escolha do medicamento, dosagem inapropriada
Staphylococcus pseudointermedius: mais frequente; outras espécies reconhecidas de estafilococos também causam pioderma – S.
schleiferie S. aureus (a resistência à meticilina entre as espécies de estafilococos é um problema clínico emergente em pacientes caninos,
comentado mais adiante neste capítulo)
Pasteurella multocida: patógeno importante em gatos
A piodermite profunda (furunculose) pode ser complicada por organismos Gram­negativos (p. ex., E. coli, Proteus spp., Pseudomonas
spp.)
Raramente a causa é alguma bactéria mais importante (p. ex., Actinomyces, Nocardia, micobactérias, Actinobacillus).
IdentiJcação e histórico
Cães: muito comum; gatos: incomum
Raças de pelagem curta, pregas cutâneas ou calos causados pela pressão
Cães da raça Pastor­Alemão desenvolvem piodermite profunda grave que pode responder apenas parcialmente a antibióticos e recidiva
com frequência; observa­se um problema semelhante nas regiões interdigitais de Pit Bulls
Início agudo ou gradual
Prurido variável: podem ser pruriginosas de acordo com a causa subjacente (aeroalérgenos – dermatite atópica) ou a própria infecção
estafilocócica (hipersensibilidade bacteriana).
Características clínicas
Dermatite úmida aguda (“ponto quente”): doença cutânea traumática autoinduzida com infecção bacteriana secundária; a maceração da pele
pode acarretar foliculite e furunculose (na região facial em cães de grande porte)
Intertrigo: dermatite de pregas cutâneas, causada pela maceração de tecido devida a umidade crônica e predisposição anatômica (pregas
faciais, interdigitais, perivulvar, axilas etc.)
Impetigo (pústulas subcórneas não foliculares): impetigo do filhote canino (má nutrição, ambiente sujo etc.) e impetigo bolhoso em cães
idosos (grande pústula não folicular flácida, em geral causada por E. coli ou Pseudomonas no nariz ou na pele glabra; pacientes mais
velhos podem estar imunocomprometidos)
A PMC é uma dermatite ulcerativa idiopática de mucosas, com formação de crostas e graus variáveis de despigmentação. As lesões
geralmente envolvem os lábios, as regiões peroral, perivulvar, do prepúcio e anal
Piodermite superficial: geralmente envolve o tronco; a extensão das lesões pode ficar obscurecida pela pelagem; pápulas, pústulas,
colaretes epidérmicos e máculas hiperpigmentadas
Piodermite superficial disseminada: observam­se grandes colaretes epidérmicos coalescentes ao longo da parte lateral do tronco; comum
em Collies e Shelties; procurar doença metabólica subjacente
Piodermite profunda: em geral acomete o queixo, a ponte do nariz, pontos de pressão e os pés; pode ser generalizada (Figuras 24.1 e
24.2); desencadeia uma reação a corpo estranho devido à liberação do antígeno do folículo piloso rompido da haste do pelo na derme
Pseudomonas (“furunculose após limpeza”) é uma apresentação única da piodermite profunda, desencadeada pelo banho e/ou pela
autolimpeza do animal. A síndrome é aguda e extremamente dolorosa. Em geral, os pacientes estão febris. Escovação, tricotomia ou
banho muito agressivo contra a direção do crescimento dos pelos podem causar ruptura traumática do folículo piloso, incitando uma
reação a corpo estranho. Raças de pelo curto são predispostas. A linha média dorsal geralmente é a região acometida com maior
gravidade. A contaminação bacteriana de xampus ou equipamentos pode ser importante na etiologia da condição. As lesões em geral
ocorrem 24 a 48 h após a limpeza do animal
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A SPB geralmente deve­se à proliferação de espécies de estafilococos na superfície da pele. As toxinas bacterianas podem ter um papel
alergênico e agir como superantígenos, desencadeando reações inflamatórias inespecíficas. O “senso de quórum” também pode ser um
fator importante nessa síndrome e ocorre quando é excedida certa densidade de estafilococos, o que leva as bactérias a expressarem
características que desviam seu metabolismo da proliferação para a produção de toxina. Os sinais clínicos primários são prurido, eritema
e liquenificação. Lesões primárias, como pápulas e pústulas, não costumam estar presentes. Os casos em geral estão associados à
proliferação de Malassezia, e com frequência a doenças subjacentes, como uma doença cutânea alérgica ou tratamento crônico com
glicocorticoide. O tratamento tópico com xampu é absolutamente vital para o sucesso terapêutico.
Figura 24.1 Piodermite profunda com lesões predominantes nas extremidades. Furunculose e celulite.
Figura 24.2 Vista aproximada da piodermite profunda da Figura 24.1.
Lesões
Pápulas
Pústulas
Bolhas hemorrágicas
Crostas serosas (dermatite miliar em gatos)
Colaretes epidérmicos: impressões podálicas de pústulas (Figura 24.3)
Máculas circulares eritematosas ou hiperpigmentadas (Figura 24.4)
Lesões em forma de alvo
Alopecia, pelagem mosqueada, grande disseminação de colaretes
Descamação, cilindros foliculares
Liquenificação
Abscessos
Furunculose, celulite
Tratos fistulosos
Pele oleosa.
Diagnóstico diferencial
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Dermatite atópica
Dermatite parasitária (pulgas, escabiose, demodicose, queiletielose etc.)
Alergia alimentar
Neoplasia (linfoma cutâneo)
Doenças metabólicas (diabetes, dermatite necrolítica superficial, hiperadrenocorticismo idiopático e iatrogênico, hipotireoidismo etc.)
Defeitos da cornificação e da queratinização (seborreia, dermatose responsiva à vitamina A, adenite sebácea etc.)
Alopecias com diluição da cor e displasias foliculares
Doenças imunomediadas (pênfigo, lúpus eritematoso, vasculite etc.)
Imunossupressão (glicocorticoides, quimioterapia, metabólica etc.)
Paniculite
Dermatose nodular (histiocitose etc.).
Figura 24.3 Piodermite superficial. Notar as crostas com colaretes epidérmicos.
Figura 24.4 Mácula hiperpigmentada, causada por hiperpigmentação pós­inflamatória como um estágio da resolução da piodermite
superficial.
Diagnóstico
Fatores de risco identificados
Alergia: pulgas, atopia; alimentos, contato
Infecção fúngica: dermatófito
Doença endócrina: hipotireoidismo; hiperadrenocorticismo, desequilíbrio de hormônio sexual
Imunoincompetência: glicocorticoides; animais jovens
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Seborreia: acne; síndrome do comedão no Schnauzer
Conformação: pelagem curta; pregas cutâneas
Traumatismo: pontos de pressão; limpeza do corpo; arranhadura; comportamento de fuçar a terra; irritantes
Corpo estranho: ervas daninhas
Superficial: normais ou podem refletir a causa subjacente (p. ex., anemia devido a hipotireoidismo; leucograma de estresse e fosfatase
alcalina sérica alta devido a doença de Cushing; eosinofilia decorrente de parasitismo)
Generalizado, profundo: pode mostrar leucocitose com desvio para a esquerda e hiperglobulinemia; também alterações relacionadas com
a causa subjacente
Testes diagnósticos
Exame físico completo
Raspados cutâneos, tricograma, cultura para dermatófito, teste intradérmico para alergia, tentativa com alimento hipoalergênico, testes
endócrinos: identificam a causa subjacente
Biopsia cutânea
Citologia: esfregaço direto de pústula intacta – neutrófilos engolfando bactérias; diferenciar infecção bacteriana de pênfigo foliáceo
(queratinócitos acantolíticos) e infecções fúngicas profundas (blastomicose, criptococose); grânulos teciduais podem identificar
organismos filamentosos característicos de bactérias de alta estirpe
Ensaios diagnósticos terapêuticos
Cultura e sensibilidade: obtidas de aspirados de pústulas intactas, swabs da superfície ventral de um colarete epidérmico, biopsia
tecidual ou exsudato recém­espremido de um trato fistuloso ou debaixo de uma crosta; podem revelar o patógeno.
Tratamento
Casos graves, generalizados, profundos: podem requerer líquidos IV, antibióticos parenterais ou banhos diários com duchas
Xampus com peróxido de benzoíla ou clorexidina: removem a sujeira da superfície
Banhos de ducha: piodermites profundas; removem exsudatos com crostas; estimulam a drenagem
Dietas hipoalergênicas se o problema for secundário a alergia alimentar; ou o oposto, alimento canino de alta qualidade, bem balanceado
Evitar dietas ricas em proteína, de baixa qualidade e suplementação excessiva
Pode ser necessária a excisão cirúrgicade piodermites das pregas para evitar recorrência
Piodermites superficiais: de início, podem ser tratadas de maneira empírica com um dos antibióticos terapêuticos comuns conhecidos
(Tabela 24.1)
Piodermites recorrentes, resistentes ou profundas: antibioticoterapia com base em cultura e teste de sensibilidade
Múltiplos organismos com sensibilidade diferente a antibióticos: geralmente é melhor escolher o antibiótico com base na suscetibilidade
de estafilococos, embora possa ser necessário encontrar medicação contra múltiplos patógenos nos casos graves
Tabela 24.1 Antibió ticos sistêmicos comuns usados em dermatologia veterinária .
Fármaco Modo de ação Eliminação Notas
Amicacina, 15 mg/kg/dia SC ­cida Renal Toxicidade renal
Ototoxicidade controversa
Cocos Gram+ e bastonetes
Gram– Injetável e dolorosa
Monitoramento estrito
Amoxicilina e clavulanato,
15 a 20 mg/kg VO 2 a 3
vezes/dia
­cidas Renal Dispendiosos para cães de
grande porte Dose maior do
que a da bula
Azitromicina, 5 a 10 mg/kg
VO (7 a 14 dias)
­stática Hepática > renal Anaeróbicos, alguns cocos
Gram+ Toxoplasmose
Diariamente Absorção
diminuída com alimento
Resistência cruzada com 
eritromicina Usada em casos
de papilomatose e hiperplasia
gengival
Cefalosporinas: cefalexina,
20 a 30 mg/kg VO 2 a 3
vezes/dia; cefadroxila
(Cefa® em comprimidos e
gotas), 22 a 25 mg/kg VO 2
vezes/dia; cefpodoxima, 5 a
10 mg/kg/dia VO;
cefovecina, 80 mg/kg a cada
10 a 14 dias
­státicas Renal O uso excessivo e o abuso
fazem com que surjam cepas
resistentes Possível glicosúria
Amplo espectro bom Em
geral, primeira escolha para
piodermite Cefovecina
injetável é excelente escolha
para gatos e cães de pequeno
porte
Clindamicina, 11 mg/kg VO
1 ou 2 vezes/dia
­stática Renal > hepática Absorção de cocos e
anaeróbicos bastonetes
Gram+ diminui com alimento
Resistência cruzada com 
eritromicina
Cloranfenicol, 40 a 50
mg/kg VO 3 vezes/dia
­stático Hepática Espectro contra Gram+ e
Gram–, cruza a barreira
hematencefálica Preocupação
com a exposição humana
(anemia aplásica) Fraqueza
do trem posterior Em geral,
fármaco de escolha ante
resistência à meticilina
Doxiciclina, 5 mg/kg VO  2
vezes/dia
­stática Renal > GI Cocos Gram+ A resistência
bacteriana desenvolve
facilmente vômitos e diarreia
Uso apenas se indicado C/S
Usada com niacinamida para
efeitos imunomoduladores
Eritromicina, 10 mg/kg VO 
3 vezes/dia
­stática Hepática > renal Cocos Gram+, micoplasma
Vômitos em 20% dos casos
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Tabela 24.1 Antibió ticos sistêmicos comuns usados em dermatologia veterinária. (Continuação)
Fármaco Modo
de
ação
Eliminação Notas
Fluoroquinolonas: Enrofloxacino, 5
a 20 mg/kg/dia VO; ciprofloxacino,
15 a 20 mg/kg/dia VO.
­cidas Renal >
hepática
Boa penetração tecidual Pseudomonas costuma ser resistente
Seguras para piodermite profunda ou infecções mistas
Orbifloxacino, 2,5 a 7,5 mg/kg/dia
VO; marbofloxacino, 2,75 a 5,5
mg/kg/dia VO; difloxacino, 5 a 10
mg/kg/dia VO
­cida Hepática Usadas em casos de resistência múltipla Uso com outro
antibiótico (começar com dose baixa) Desenvolvimento
rápido de resistência causa hepatite, anemia hemolítica,
trombocitopenia, anorexia, V/D, suor, urina, lágrimas, fezes e
saliva de cor alaranjada
Sulfonamidas: Sulfametoxazol +
trimetoprima, 15 mg/kg VO 2
vezes/dia; sulfadimetoxina +
ormetoprima, 27,5 mg/kg/dia VO
­cidas Hepática >
renal
Cocos Gram+ Podem causar [ceratoconjuntivite seca] – não a
ormetropima Causam erupções medicamentosas Necrose
hepática Evitar em Dobermans e Rottweilers com artropatia
Alteração da atividade da tireoide
Esteroides: estimulam a resistência e a recorrência quando usados simultaneamente com antibióticos
Eritromicina, lincomicina e oxacilina em geral induzem vômitos; administrar com pequena quantidade de alimento
Gentamicina e canamicina: a toxicidade renal geralmente impede seu uso prolongado
Trimetoprima: antibióticos à base de sulfa associados a ceratoconjuntivite seca, febre, hepatotoxicidade, poliartrite e anormalidades
hematológicas; pode levar a resultados baixos em provas da tireoide
Cloranfenicol: usar com cautela em gatos; pode causar anemia leve e reversível em cães (rara); observa­se fraqueza do trem posterior em
cães de grande porte (que se resolve quando a medicação é interrompida)
Lisado de estafago, AB estafoide ou bacterinas autógenas: podem melhorar a eficácia do antibiótico e diminuir a recorrência em pequena
porcentagem dos casos
Administrar antibióticos no mínimo por 2 semanas depois da cura clínica; isso em geral corresponde a cerca de 1 mês no caso de
piodermites superficiais e 2 a 3 ou mais no de piodermites profundas
Banhos rotineiros com xampus de peróxido de benzoíla ou clorexidina: podem ajudar a evitar recorrências
Alguns casos que continuam a recidivar podem ser tratados com concentrações inibitórias submínimas de antibióticos (limpeza e em dose
baixa)
Cama acolchoada: pode atenuar piodermites em pontos de pressão
Gel tópico de peróxido de benzoíla ou pomada de mupirocina podem ser úteis como tratamento adjuvante. Sprays tópicos com clorexidina
têm sido benéficos, bem como o spray com antimicrobiano não tóxico de amplo espectro (produto alvejante diluído)
É provável a recorrência ou ausência de resposta se a causa subjacente não for identificada e tratada de maneira eficaz
Impetigo: acomete cães jovens antes da puberdade; associado a negligência; em geral, requer apenas tratamento tópico
Dermatite pustular superficial: ocorre em filhotes de gatos; associada a excesso de cuidados por parte da mãe
Piodermite secundária a atopia: em geral, começa na faixa de 1 a 3 anos de idade
Piodermite secundária a distúrbios endócrinos: geralmente começa na meia­idade.
Comentários
Piodermite bacteriana emergente resistente │ Infecção estaJlocócica resistente à meticilina
Emergência de infecções bacterianas em cães (infrequentes em gatos), resistentes aos padrões habituais de suscetibilidade a antibióticos
Tais infecções em geral constituem um desafio terapêutico
Infecções emergentes incluem aquelas por estafilococos resistentes à meticilina, espécies de Pseudomonas, enterococos e corinebactérias,
sendo as estafilocócicas as mais disseminadas e problemáticas no momento
As infecções bacterianas problemáticas notadas com mais frequência incluem as estafilocócicas resistentes à meticilina (por S. aureus, S.
pseudointermedius, S. schleiferi)
“Resistência à meticilina” implica também resistência a outros antibióticos da mesma classe, como a penicilina, a amoxicilina e a
oxacilina
Os estafilococos são cocos Gram­positivos que fazem parte da flora normal cutânea e das mucosas de mamíferos
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Numerosas espécies de estafilococos podem ser detectadas na pele de cães, e a espécie mais comum é o S. pseudointermedius
Espécies positivas para a coagulase têm sido consideradas mais patogênicas do que as espécies negativas para a coagulase, embora dados
recentes sugiram que as últimas também possam ser patogênicas (S. schleiferi subespécie schleiferi em cães)
Suspeita­se que o S. aureus e o S. pseudointermedius resistentes à meticilina estejam associados ao uso excessivo de antibióticos.
Antibióticos de amplo espectro, como a cefalexina, a cefazolina, a cefadroxila, a amoxicilina, a penicilina e até mesmo as
fluoroquinolonas, podem acelerar o desenvolvimento de resistência à oxacilina e à meticilina. Prescrições desnecessárias, negligência do
proprietário ao administrar antibióticos e aditivos alimentares na produção de rebanhos também são suspeitos
Três mecanismos de resistência nos estafilococos resistentes à meticilina: (1) proteínas que se ligam à penicilina (BPB) e ao gene mecA,
(2) espessamento da parede celular notado em todos os organismos resistentes à meticilina, (3) bomba de efluxo
A transmissão do gene mecA codifica uma proteína alterada defeituosa (BPB2a), envolvida na síntese da parede celular de peptidoglicano.
Todas as penicilinas e cefalosporinas (betalactâmicas) precisamligar­se à BPB na parede celular bacteriana para iniciar a atividade do
fármaco. O SARM produz uma BPB defeituosa devido à presença e à ativação do gene mecA, o qual vem de um componente genético
móvel denominado estojo cromossômico estafilocócico (SCCmec). A disseminação do SARM em geral ocorre por expansão clonal, em
vez do processo normal de mutação ou transferência de plasmídio. Todas as cepas do SARM podem ser atribuídas a um único clone
encontrado na Europa em meados da década de 1960
Bomba de efluxo: em geral, organismos resistentes à meticilina têm proteínas envolvidas na remoção ativa de antibióticos por meio de
uma bomba ligada à membrana, que limita eficazmente a atividade de muitos antibióticos que têm como foco estruturas celulares internas.
Fatores de virulência estaJlocócica
Os fatores de virulência estafilocócica ajudam na produção de doença.
A hialuronidase degrada o ácido hialurônico, danificando o tecido conjuntivo
A coagulase aumenta a produção de trombos de fibrina no tecido
A quinase converte o plasminogênio em plasmina, que digere a fibrina
A estreptolisina interrompe a fagocitose
A estreptoquinase impulsiona a atividade proteolítica semelhante à da plasmina
A hemolisina destrói as células por lise
A proteína A liga a IgG em um padrão de disfunção e, assim, evita a fagocitose (molécula de adesão)
A toxina esfoliativa causa formação de bolhas e desmonecrotoxina (i. e., síndrome estafilocócica da pele escaldada)
A exotoxina causa dano tecidual local e incita inflamação
Superantígenos (TSST­1) causam inflamação grave e fatal
Toxinas alfa (citolisinas) formam poros nos queratinócitos.
Resumo histórico da resistência à meticilina
O S. aureus comumente coloniza as vias nasais em 29 a 38% da população humana
Aproximadamente 0,84% (2 milhões de pessoas) da população dos EUA têm colonização nasal com SARM sem sinais clínicos
Indivíduos em contato íntimo (cônjuges, pais, filhos, cuidadores) com um paciente humano diagnosticado com infecção pelo SARM
correm risco 7,5 vezes maior de serem portadores do que aqueles com uma relação casual (moradores da mesma casa, amigos etc.)
A incidência de resistência à meticilina aumentou rapidamente em cepas de hospitais humanos do Staphylococcus aureus desde o início da
década de 1960
Duas categorias principais: SARM­AH e SARM­AC
Os SARM­AH são o patógeno número 1 causador de infecções nosocomiais em pessoas. Os fatores de risco incluem doenças e
medicações imunossupressoras, cirurgia, hospitalizações etc.
O número de SARM­AC aumentou bastante nos últimos anos, e pelo menos 50% dos indivíduos sabidamente colonizados com SARM
são portadores de cepas de SARM­AC. As cepas adquiridas na comunidade diferem geneticamente do SARM­AH e podem expressar
uma proteína chamada leucodina Panton­Valentine. Os fatores de risco da forma adquirida na comunidade são condições de aglomeração,
instituições militares, prisões, equipamentos esportivos e ambientes fechados, asilos geriátricos e enfermarias, instituições de cuidados
diários etc.). Essa forma em geral responde melhor a antibióticos do que os SARM­AH, embora possa desenvolver fasciite necrosante,
pneumonia necrosante e sepse potencialmente fatais
Houve um desvio recente nas localizações tradicionais das cepas, sendo o SARM­AH encontrado na comunidade e o SARM­AC em
ambientes hospitalares. Por isso foi criado um novo termo, SARM­ACS
Um relatório de 2007 da American Medical Association (AMA) estimou que as infecções pelo SARM ocorreram em 95.000 americanos
em 2005, com 18.650 resultando em morte, taxa de mortalidade mais alta do que a notada com a infecção pelo HIV ou a AIDS, que
mataram aproximadamente 17.000 pessoas no mesmo ano. A taxa mais alta, 58%, de mortes relacionadas com o SARM em pacientes
humanos foi encontrada no ambiente hospitalar
A resistência à meticilina foi reconhecida em animais domésticos desde o início da década de 1970, mas só adquiriu importância clínica
no final dos anos 1990. Houve aumento precipitado nos relatos de resistência à meticilina nos últimos anos. Em 2005, um laboratório
nacional (nos EUA) relatou que apenas 19% de isolados de Staphylococcus aureus eram resistentes à meticilina, embora em 2007 a
porcentagem tenha aumentado para 42%. Em verificação similar (2004), menos de 0,6% de Staphylococcus intermedius (provavelmente
pseudointermedius) eram resistentes à meticilina, embora o número tenha aumentado para 10,2% em 2007
A maioria dos casos em cães envolve SPRM e SSRM, raramente SARM
A maioria das apresentações clínicas em cães envolve piodermite, otite e infecções de feridas cirúrgicas (tecido mole profundo, cavidades
corporais e reparos ortopédicos)
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SPRM e SSRM estão associados mais comumente a infecções superficiais (da pele e do canal auditivo) em cães (Figuras 24.5 a 24.8)
O SARM em pacientes caninos está mais comumente associado a infecções profundas – geniturinárias, respiratórias, do espaço articular,
da cavidade corporal e feridas.
Transferência de infecção entre espécies │ Maior preocupação
O potencial zoonótico do Staphylococcus peseudointermedius, do S. aureus e do S. schleiferi está cada vez mais preocupante. Todas as
três espécies têm o potencial de causar doença tanto em seres humanos quanto em animais
É importante lembrar que nem todas as transferências resultam em doença real, podendo representar apenas colonização. Um estudo
revelou SPRM em 4,5% dos cães sadios e 1,2% dos gatos sadios
Como um exemplo zoonótico, foram identificados gatos mantidos dentro de casa com isolados de SARM que continham o elemento mec
estojo cromossômico estafilocócico (SCC), associado a infecções nosocomiais em pessoas. Esses achados de 2006 sugerem que houve
transmissão zoonótica reversa de pessoas
Figura 24.5 Ulceração recorrente crônica sobre a ponte do nariz, secundária a infecção estafilocócica resistente à meticilina.
Figura 24.6 Vista de perto da Figura 24.5.
Figura 24.7 Dermatite grave “destrutiva” associada a infecção estafilocócica resistente à meticilina.
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Figura 24.8 Foliculite superficial e furunculose focal em razão de infecção estafilocócica resistente à meticilina.
Em geral, os proprietários são funcionários do setor de saúde, o que sugere o possível modo de transmissão de seres humanos para
animais de estimação. Da mesma forma, foi isolado S. pseudointermedius de proprietários de animais de estimação com e sem infecção
ativa
O S. schleiferi tem a capacidade de desenvolver resistência a múltiplos fármacos e é uma causa conhecida de infecção em cães e seres
humanos, independentemente de transferência entre espécies
Há preocupação sobre cães envolvidos em programas de visitação hospitalar, em termos de aumento do risco tanto para os animais quanto
para os pacientes hospitalizados. As recomendações atuais são evitar contato entre animais visitantes e pacientes infectados com espécies
de estafilococos resistentes à meticilina. Os animais devem ser banhados e escovados antes da visita
A transmissão pode acontecer de muitas maneiras: do ambiente para seres humanos e vice­versa, de seres humanos para animais de
estimação e vice­versa, de animais de estimação para o ambiente e vice­versa
A transmissão geralmente se dá por contato direto com as vias nasais, a garganta e a pele ou por contato indireto de paredes, pisos,
balcões, camas, banheiras etc.
No momento, não se recomenda a terapia rotineira de descolonização para pessoas e animais com mucosas colonizadas pelo SARM.
Atualmente não há evidência de que tal tratamento seja eficaz, mesmo com mupirocina tópica. A cobertura tópica adequada das vias
nasais, da pele ou de mucosas não é possível. Na maioria dos animais de estimação, a colonização por SARM é eliminada
espontaneamente.
Redução do risco de zoonose e zoonose reversa
1. Lavar bem as mãos com água e sabão por pelo menos 15 segundos (evitar sabão em barra) (Tabela 24.2)
2. Usar um desinfetante à base de álcool nas mãos (álcool a 62%) (Tabelas 24.3 e 24.4)
3. Usar luvas ao manusear animais suspeitos4. Evitar reutilizar roupas contaminadas (jalecos, gravatas, escovas etc.)
5. Não compartilhar alimentos com animais de estimação nem usar as mesmas vasilhas
6. Não deixar animais de estimação lamberem seu rosto ou feridas abertas
7. Ter cuidado extra com indivíduos imunocomprometidos
8. Esterilizar equipamento cirúrgico
9. Desinfetar todas as gaiolas ou jaulas e o equipamento rotineiro (p. ex., estetoscópio)
10. Lavar a cama a 60°C
11. Limpar as superfícies clínicas com frequência (superfícies de mesas, aparelhos de anestesia, pisos, paredes, jaulas ou gaiolas, teclados,
telefones, máquinas de tosar, correias, focinheiras etc.).
Orientação ao proprietário
Há várias fontes excelentes na Internet:
www.wormsandgermsblog.com tem um manual denominado MRSP for Pet Owners
www.CCAR­ccra.org dá informação clínica útil, incluindo manuais para orientação aos proprietários.
Fatos sobre o SARM
Pode ser encontrado no ambiente por até 42 dias em carcaças e 60 dias em derivados de carne
Permanece viável no vidro por 46 h
Permanece viável por 17 h à luz solar direta
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Tabela 24.2  No domínio público do Canadian Committee on Antibiotic  Research (2008)  Infection Control and Best Practices for Small
Animal Veterinary Clinics, primeira impressão, novembro de 2008.
Lavar as mãos
A maioria das bactérias transitórias presentes nas mãos é removida durante a ação mecânica de lavar, enxaguar e secar as mãos. A lavagem
das mãos com sabão e água corrente precisa ser feita quando as mãos estiverem visivelmente sujas. Se não dispuser de água corrente, usar
toalhas umedecidas para remover toda a sujeira e os resíduos visíveis, esfregando as mãos depois com algum produto à base de álcool.
Sabão em barra não é aceitável na prática veterinária, em virtude do potencial de transmissão indireta de patógenos de uma pessoa para
outra. Em vez dele, deve­se usar sabão líquido ou espuma de sabão
O sabão deve ser dispensado em recipiente descartável movido a bomba
Os recipientes de sabão não devem ser preenchidos novamente sem antes serem desinfetados, pois há risco de contaminação
Sabões antibacterianos devem ser usados em áreas de cuidados críticos, como UTI e em outras onde sejam realizados
procedimentos invasivos.
Técnica:
Retirar todos os acessórios das mãos e braços (anéis, outras joias, relógio)
Molhar as mãos com água morna (não quente). A água quente é prejudicial à pele, acarreta ressecamento e dano adicional
Aplicar sabão líquido ou espuma de sabão
Esfregar vigorosamente todas as superfícies da mão por um mínimo de 15 segundos, o tempo mínimo necessário para a remoção
mecânica de bactérias transitórias. Dar atenção particular às pontas dos dedos, entre eles, ao dorso das mãos e à base dos polegares, as
áreas mais comumente esquecidas. Um jeito simples para muitas pessoas controlarem o tempo de lavagem das mãos é cantando
“Parabéns pra você”
Usar o movimento de esfregação, enxaguar bem para retirar todo o sabão das mãos sob a água corrente. Resíduos de sabão podem
causar ressecamento e rachaduras na pele
Secar bem as mãos esfregando­as delicadamente em toalha de papel. A esfregação vigorosa na toalha pode lesar a pele
Fechar as torneiras com toalha de papel para evitar recontaminação das mãos.
NOTA: se usar secadores a ar, serão necessárias torneiras que dispensem contato manual, pois fechá­las com toalha de papel como descrito
resultaria em recontaminação das mãos após a lavagem.
Quando as mãos devem ser higienizadas:
Antes e após contato com um paciente
Em especial antes de realizar procedimentos invasivos
Antes e após contato com itens do ambiente do paciente
Após qualquer contato com ou atividade que envolva os líquidos corporais de um paciente
Antes de colocar e especialmente após retirar luvas
Antes de ingerir alimentos
Após funções corporais normais, como usar o banheiro ou assoar o nariz.
Tabela  24.3    Características  de  desinfetantes  selecionados  (modificada  de  Linton  et  al.,    1987  e  Block,  2001).  No  domínio  público
do Canadian Committee on Antibiotic Research (2008) Infection Control and Best Practices for Small Animal Veterinary Clinics, primeira
impressão, novembro de 2008.
Categoria do
desinfetante
Atividade 
diante de
matéria 
orgânica
Vantagens Desvantagens Precauções Comentários
Alcoóis: etílico,
isopropílico
Rapidamente
inativados
Ação rápida Sem
resíduos
Relativamente
atóxicos
Evaporação rápida Inflamáveis Impróprios para
desinfecção de 
ambientes Usados
primariamente
como
antissépticos
Aldeídos:
formaldeído,
glutaraldeído
Boa Amplo espectro
Relativamente
não corrosivos
Altamente  tóxicos Irritantes
Carcinogênicos
Requerem
ventilação
Usados como 
soluções aquosas
ou gás (para
fumigação)
Álcalis: amônia Odor  desagradável 
Irritante
Não se misturam
com alvejante
Não
recomendados
para uso geral
Biguanidas:
clorexidina
Rapidamente
inativadas
Não tóxicas Incompatíveis com
detergentes aniônicos
Impróprias para
desinfecção de 
ambientes
Usadas 
primariamente 
como
antissépticos
Halogênios:
hipocloritos
(alvejantes)
Rapidamente
inativados
Amplo espectro,
incluindo esporos
Baixo custo
Podem ser usados
em superfícies
para preparação
de alimentos
Inativados  por
sabões 
catiônicos/detergentes
e  pela luz solar É
necessária aplicação
frequente
Corrosivos
Irritantes A
mistura com
outras substâncias
químicas pode
produzir gás
tóxico
Usados para 
desinfetar
superfícies do
ambiente Únicos
desinfetantes
esporocidas 
disponíveis 
comumente
Agentes
oxidantes
Boa Amplo espectro
Não prejudicam o
ambiente
Desdobram­se com o
tempo
Corrosivos Opção excelente 
para desinfecção
do ambiente
Fenóis Boa Amplo espectro
Não corrosivos
Estáveis em
armazenamento
Tóxicos para  gatos
Odor  desagradável
Incompatíveis com
detergentes catiônicos
e não iônicos
Irritantes Alguma atividade
residual após 
secagem
Categoria do
desinfetante
Atividade 
diante de
matéria 
orgânica
Vantagens Desvantagens Precauções Comentários
CAQ Moderada Estáveis em
armazenamento
Não irritantes
para a pele Baixa
toxicidade Podem
Incompatíveis com
detergentes aniônicos
Desinfetante
primário de uso
comum para o
ambiente Alguma
atividade residual
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ser usados em
superfícies para
preparação de
alimentos
Efetivos em altas
temperaturas e pH
elevados
após secagem
Permanece viável no piso por 7 dias
Pode sobreviver até 12 meses em camas e roupas clínicas.
Opções de tratamento sistêmico para infecção por estaJlococos resistentes à meticilina, com base em culturas e teste de
sensibilidade
Cloranfenicol: em geral, a melhor escolha
Sulfonamidas potencializadas: em geral, a segunda melhor escolha
Amicacina: injetável, dolorosa, tem potencial de nefrotoxicidade
Doxiciclina
Clindamicina: uso limitado
Fluoroquinolonas: uso limitado
Vancomicina: sensível à grande maioria das espécies de estafilococos resistentes à meticilina, embora seja nefrotóxica em cães
Linezolida: atividade excelente, oral ou parenteral, baixa toxicidade, mas muito dispendiosa; há controvérsia a respeito do uso veterinário,
pois, em geral, é o único fármaco eficaz em casos humanos “potencialmente fatais”.
Opções de tratamento tópico
Mupirocina a 2%: excelente penetração, sensibilidade principalmente de Gram­positivos, bacteriostática
Ácido fusídico
Gliconato de clorexidina: menos irritante do que o peróxido de benzoíla, bom efeito residual, bom para Gram­positivos, fraco contra
Pseudomonas
Peróxido de benzoíla: agente oxidante, cautela – pode alvejar tecidos têxteis, diminuir o pH da pele, causar ressecamento, romper
membranas de células bacterianas
Lactato etílico a 10%: reduz o pH da pele
Ratapamulina: excelente penetração, bactérias Gram­positivas, dispendiosa
Antimicrobiano não tóxico de amplo espectro (formulação alvejante)
Tabela 24.4 Espectro antimicrobiano de desinfetantes selecionados (modificada de Linton et al., 1987, e Block, 2001). No domínio público
do Canadian Committee on Antibiotic Research (2008) Infection Control and Best Practicesfor Small Animal Veterinary Clinics, primeira
impressão, novembro de 2008.
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Agente Álcoois Aldeídos Álcalis:
amônia
Biguanidas:
clorexidina
Halogênios:
hipoclorito
(alvejante)
Agentes
oxidantes
Fenóis Compostos
quartenários 
de amônio
Mais
suscetíveis
Micoplasmas ++ ++ ++ ++ ++ ++ ++ +
Bactérias Gram­
positivas
++ ++ + ++ ++ ++ ++ ++
Bactérias Gram­
negativas
++ ++ + + ++ ++ ++ +
Pseudomônades ++ ++ + ± ++ ++ ++ ±
Vírus 
envelopados
+ ++ + ± ++ ++ ++ +
Mais
resistentes
Clamídias ± + + ± + + ± –
Vírus não
envelopados
– + ± – ++ + + –
Esporos de
fungos
± + + ± + ± + ±
Bactérias
acidorresistentes
+ ++ + – + ± ++ –
Esporos 
bacterianos
– + ± – ++ + – –
Coccídios – – + – – – + –
++: Altamente eficazes; +: eficazes; ±: eficácia limitada; –: sem atividade.
Siglas
C/S = cultura e sintomas
CAQ = compostos de amônio quaternário
IV = intravenoso(s)
PMC = piodermite mucocutânea
SARM = Staphylococcus aureus resistente à meticilina
SARM­AC = SARM adquirido na comunidade
SARM­ACS = SARM associado a cuidados de saúde
SARM­AH = SARM adquirido em hospitais
SCC = estojo cromossômico estafilocócico
SPB = síndrome da proliferação bacteriana
SPRM = Staphylococcus pseudointermedius resistente à meticilina
SSRM = Staphylococcus schleiferi resistente à meticilina
TSST­1 = toxinas da síndrome do choque tóxico
V/D = vômitos e diarreia
VO = via oral.
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Capítulo 25 DermatoJtose
Karen Helton Rhodes
Panorama
Infecção fúngica cutânea que afeta regiões cornificadas de pelos e unhas, bem como as camadas superficiais da
pele (tinha)
Organismos isolados mais comumente: Microsporum canis, Trichophyton mentagrophytes e Microsporum
gypseum
A fonte do M. canis em geral é um gato infectado
A fonte do T. mentagrophytes em geral é o contato direto ou indireto com roedores
A fonte do M. gypseum é a escavação do solo em áreas contaminadas
Os proprietários devem ter cuidado porque a dermatofitose é uma zoonose.
Etiologia e Jsiopatologia
A exposição a ou o contato com um dermatófito não resultam necessariamente em infecção
A infecção pode não resultar em sinais clínicos
Os dermatófitos crescem nas camadas queratinizadas dos pelos, das unhas e da pele; não se desenvolvem em
tecido vivo nem persistem na presença de inflamação grave; o período de incubação é de 1 a 4 semanas
Um animal acometido pode permanecer como portador assintomático por tempo prolongado; alguns animais
nunca se tornam sintomáticos
Os corticosteroides podem modular a inflamação e prolongar a infecção.
Incidência e prevalência
As lesões podem simular muitas condições dermatológicas; diagnóstico incorreto excessivo pode ser comum
As taxas de infecção variam bastante, dependendo da população estudada. Gatis e abrigos de animais estão em
risco
Embora onipresente, a incidência é maior em regiões quentes e úmidas
A incidência dos dermatófitos geofílicos pode variar geograficamente
Os dermatófitos disseminam­se entre animais e pessoas via contato direto com pelos e/ou escamas infectados.
IdentiJcação e histórico
Gatos: mais comum em raças de pelos longos e pode causar infecção subclínica persistente
Os sinais clínicos são mais comuns em animais jovens e idosos
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As lesões podem ser benignas, como a alopecia ou a pelagem deficiente
A história de infecção ou exposição prévia confirmada a um animal ou ambiente infectado (p. ex., um gatil) é
um achado útil, mas não consistente.
Causas
Gatos: M. canis é o agente mais comum
Cães: M. canis, M. gypseum e T. mentagrophytes; a incidência de cada agente varia de acordo com a região
geográfica.
Fatores de risco
Condição imunocomprometida causada por doença (FeLV e FIV) ou por medicações (corticosteroides)
Infecção pelo FIV (prevalência 3 vezes maior)
Alta densidade populacional
Desnutrição
Práticas de manejo inadequadas
Falta do período adequado de quarentena
Banhos e toaletes em excesso.
Características clínicas
Variam do estado de portador inaparente ao de alopecia em manchas ou circular, que pode progredir rapidamente
para lesões generalizadas
Figura 25.1 Gato Persa com M. canis. Essa raça é considerada predisposta à dermatofitose. (Cortesia da Dra.
Carol Foil.)
Alopecia circular clássica: comum em gatos; em geral mal interpretada em cães
Descamação, eritema, hiperpigmentação e prurido: variáveis
Podem ocorrer lesões granulomatosas (pseudomicetoma) ou quérions (em geral no caso de infecção por M.
gypseum)
Foliculite
Dermatite miliar em gatos
Inflamação do leito ungueal e deformidade da unha
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Foliculite facial e furunculose podem simular uma doença autoimune (Figuras 25.1 a 25.3).
Diagnóstico diferencial
Gatos: dermatite alérgica, foliculite mural linfocítica e a maioria das demais dermatoses
Cães: foliculite bacteriana (colaretes epidérmicos) e a maioria das causas de alopecia
Demodicose: óstios foliculares visivelmente aumentados com furunculose
Figura 25.2 Dermatofitose (M. canis) em um cão. Manchas circulares de alopecia e descamação são mais
características em seres humanos e gatos. (Cortesia da Dra. Carol Foil.)
Figura 25.3 Dermatofitose disseminada causada por Trichophyton mentagrophytes. (Cortesia da Dra. Carol
Foil.)
Doenças cutâneas imunomediadas e autoimunes: similares à inflamação grave associada à dermatofitose que
acomete a face ou os pés.
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Diagnóstico
Exame com lâmpada de Wood
Recurso de triagem variável
Muitos dermatófitos patogênicos não fluorescem
Fluorescência falsa é comum; medicações, queratina associada a descamação epidérmica e sebo podem
ocasionar fluorescência positiva falsa
Deve­se deixar a lâmpada aquecer até no mínimo 5 min e, em seguida, expor as lesões suspeitas à lâmpada por
até 5 min
A reação positiva verdadeira associada ao M. canis consiste em fluorescência verde­maçã da haste pilosa.
Exame microscópico da pelagem
O exame de pelos arrancados após o uso de uma solução alvejante pode ajudar a estabelecer o diagnóstico
rápido
É demorado e em geral dá resultados negativos falsos
Usar pelos que fluoresçam sob a iluminação com lâmpada de Wood para aumentar a probabilidade de identificar
as hifas de fungos associadas à haste dos pelos
Lembrar que os dermatófitos nunca formam macroconídios no tecido (esporos de fungos saprófitas podem ser
visualizados).
Cultura para fungos com identiJcação
É o padrão para o diagnóstico
Pelos que exibam fluorescência positiva verde­maçã ao exame com lâmpada de Wood são considerados
candidatos ideais para cultura
Os pelos devem ser arrancados da periferia de uma área de alopecia; não usar padrão aleatório
Usar escova de dentes estéril para escovar a pelagem de um animal assintomático para obter os melhores
resultados
Meios para teste para dermatófitos (Sabouraud em ágar com dextrose e indicador vermelho fenol): o
crescimento de dermatófito modifica a cor do meio para vermelho à medida que ele se torna alcalino; os
dermatófitos induzem alteração na cor simultaneamente com a fase inicial de crescimento da cultura; os
saprófitas causam alteração de cor após o crescimento significativo da colônia, daí a importância de examinar os
meios diariamente
O exame microscópico do crescimento de microconídios e macroconídios é necessário para confirmar a
presença de um dermatófito patogênico e identificar o gênero e a espécie, além de ajudar a identificar a fonte de
infecção. Uma colônia suspeita que não produza esporos ou seja de difícil identificação provavelmente é de
Trichophyton spp.
As colônias de dermatófitos são de cor branca a esmaecida e os contaminantes em geral são azuis, verdes ou
castanho­escuros
Uma cultura positiva indica a presença de dermatófito; os organismos podem ser transitórios (i. e., dermatófitos
geofílicos dos pés).
Biopsia cutânea
Em geral, não é necessária para o diagnóstico
Pode ser útil para confirmar invasão verdadeira e infecção, ou diagnosticar casos suspeitos com cultura negativa
para fungo
Mais útil nos casosde dermatofitose granulomatosa (quérion, pseudomicetoma)
Resultados da histopatologia: foliculite, perifoliculite ou furunculose são comuns; podem ocorrer
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hiperqueratose, pústulas intraepidérmicas e padrões de reação piogranulomatosa
Hifas de fungos podem ser observadas em cortes corados por HE; colorações especiais possibilitam a
visualização mais fácil do organismo.
Tratamento
Fármacos de escolha
Griseofulvina: não é mais o fármaco de escolha; formulação micronizada de 25 a 60 mg/kg VO (via oral) a cada
12 a 24 h por 4 a 10 semanas; formulação ultramicronizada de 2,5 a 15 mg/kg VO a cada 12 a 24 h; a absorção
aumenta dividindo­se a dose diária e administrando­a com uma refeição gordurosa; doses maiores estão
associadas a maior probabilidade de toxicidade e devem ser usadas com extrema cautela; desconforto
gastrintestinal é o efeito colateral mais comum; ocorre alívio reduzindo­se ou dividindo­se a dose para
administração mais frequente; foi associada a toxicidade idiossincrásica (supressão da medula óssea) em gatos e
por isso não é recomendada
Cetoconazol: eficácia verdadeira desconhecida; dose: 10 mg/kg VO a cada 12 h por 4 a 8 semanas; anorexia e
vômitos são os efeitos colaterais mais comuns; não recomendado para gatos; tratamento de escolha de muitos
clínicos para cães de médio a grande porte
O itraconazol é semelhante ao cetoconazol, mas tem menos efeitos colaterais, é mais eficaz e barato; a dose em
cápsulas de itraconazol para cães é de 5 a 10 mg/kg VO a cada 24 h por 4 a 8 semanas; a dose para gatos é de
10 mg/kg VO a cada 24 h por 4 a 8 semanas ou até a cura; pode­se considerar a dose de 20 mg/kg a cada 48 h
para cães e gatos. No caso de alguns gatos, altera­se o esquema posológico após 4 semanas de tratamento para o
esquema em semanas alternadas, 1 semana com e outra sem medicação, com aparente eficácia e reduzindo­se o
custo do fármaco, ou 2 dias por semana; disponível em cápsulas de 100 mg e líquido com 10 mg/ml contendo
ciclodextrina; o líquido é preferível às formulações compostas por sua variabilidade de absorção. O itraconazol
tornou­se a escolha terapêutica preferida de muitos clínicos para a dermatofitose em cães pequenos e gatos
(filhotes jovens, de aproximadamente 6 semanas)
Tratamento tópico e tosa são recomendáveis com tratamento sistêmico concomitante; tal conduta pode ajudar a
evitar a contaminação do ambiente e em geral está associada à exacerbação inicial dos sinais após o começo dos
procedimentos; cal de enxofre (diluição 1:16 ou 224 por 3,78 l de água), enilconazol e miconazol (com ou sem
clorexidina) são os agentes tópicos generalizados mais eficazes; a cal de enxofre é malcheirosa e pode manchar;
o enilconazol não está disponível nos EUA para uso doméstico. Soluções contendo miconazol estão disponíveis
tanto em xampus quanto em preparações prontas; é recomendável o uso de um colar elizabetano, em particular
em gatos, para evitar a ingestão desses produtos. A clorexidina sozinha mostrou­se ineficaz, mas há pesquisa
recente mostrando que ela pode funcionar sinergicamente com o miconazol para aumentar sua efetividade.
Precauções
Griseofulvina
Altamente teratogênica
Pode ocorrer supressão da medula óssea (anemia, pancitopenia e neutropenia) como reação idiossincrásica ou
com o tratamento prolongado
Neutropenia: reação fatal mais comum em gatos; pode persistir após o término da administração do fármaco;
pode ser potencialmente fatal em gatos com infecção pelo FIV ou pelo FeLV
Efeitos colaterais neurológicos
Não administrar em animais prenhes
Cetoconazol
Foi relatada hepatopatia, que pode ser bastante grave
Inibe a produção endógena de hormônios esteroides em cães
Itraconazol
Vasculite e lesões cutâneas necroulcerativas foram relatadas em 7,5% dos cães com blastomicose que foram
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tratados com doses de itraconazol de 5 mg a cada 12 h. Não foram observadas lesões em pacientes que
receberam 5 mg/kg a cada 24 h
Foi relatada hepatotoxicidade em cães em aproximadamente 5 a 10% dos casos de blastomicose tratados com
o itraconazol
Foi relatada vasculite em gatos
Solução de cal de enxofre: solução tópica
Há evidência clínica de que a ingestão de cal de enxofre pode ocasionar irritação da mucosa bucal; portanto,
deve­se colocar um colar elizabetano nos animais (em especial gatos) enquanto a solução estiver secando.
Fármacos alternativos
“Vacina para tinha”: não se encontra mais disponível nos EUA; aparentemente, só apresentava benefício no
sentido de diminuir os sinais e talvez estimular o desenvolvimento do estado de portador inaparente
Lufenuron: um inibidor da síntese de quitina usado no controle de pulgas; provou não ser eficaz em estudos
controlados
Fluconazol: eficiência não bem documentada; menos dispendioso do que o itraconazol
Terbinafina: pode ser útil em casos resistentes aos fármacos azólicos na dose de 30 mg/kg/dia ou como
tratamento alternativo
Clotrimazol, miconazol e terbinafina em cremes tópicos ou loções podem ser úteis.
Comentários
Orientação ao proprietário
Informar ao proprietário que muitos gatos de pelo curto em ambiente onde só haja um gato e muitos cães terão
remissão espontânea
Animais de pelagem longa podem ser tosados para reduzir a contaminação do ambiente
Avisar que o tratamento pode ser frustrante e dispendioso, especialmente em abrigos de animais ou com casos
recorrentes
Informar ao proprietário que o tratamento do ambiente, inclusive dos fômites, é importante, em especial nos
casos recorrentes; diluir alvejante (os relatos variam de acordo com a potência necessária) é um meio prático e
razoavelmente eficaz de descontaminar o ambiente; alvejante concentrado e formalina (a 1%) são mais eficazes
para matar esporos, mas seu uso não é viável em muitas situações; a clorexidina foi ineficaz em estudos­piloto
Informar ao proprietário que, em ambiente com múltiplos animais ou situação de gatil o tratamento e o controle
podem ser muito complicados; o encaminhamento a um veterinário com experiência nesse tipo de situação deve
ser considerado
A dermatofitose é uma zoonose
Um website excelente para a orientação do proprietário é http://www.wormsandgerms blog.com.
Monitoramento do paciente
A cultura para dermatófito é o único meio para monitorar verdadeiramente a resposta ao tratamento; muitos
animais vão apresentar melhora clínica, mas permanecerão positivos em cultura
Repetir as culturas para fungos perto do fim do tratamento e continuá­lo até obter pelo menos 1 resultado
negativo
Nos casos resistentes, a cultura pode ser repetida semanalmente, usando a técnica da escova de dentes; continuar
o tratamento até obter 2 a 3 resultados negativos consecutivos da cultura
Solicitar hemograma completo 1 ou 2 vezes/semana se estiver tratando o animal com griseofulvina; avaliação
periódica de enzimas hepáticas se tratar com cetoconazol ou itraconazol.
Prevenção e fatores a serem evitados
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Iniciar um período de quarentena e obter culturas para dermatófito de todos os animais introduzidos no
ambiente, para evitar a reinfecção de portadores inaparentes
Considerar a possibilidade de roedores ajudando na disseminação da doença
Evitar solo infectante se um dermatófito geofílico estiver envolvido
Considerar o tratamento profilático de animais expostos
Muitos animais ficarão “autocurados” da infecção no período de poucos meses
O tratamento acelera a cura clínica e ajuda a reduzir a contaminação do ambiente
Algumas infecções, em particular em gatos de pelagem longa ou onde haja muitos animais, podem ser
persistentes
A limpeza do ambiente é vital para evitar a ocorrência de infecção. Artrósporos de dermatófitos liberados de
pelos partidos e caídos ou descamação têm uma vida extremamente longa. O uso de aspirador para remover
pelos e a limpeza da superfície com alvejante doméstico são importantes. As roupas de uso pessoal e de cama
devem ser bem lavadas com alvejante ou descartadas. Postes carpetados para os gatos arranharem devem serem quando). Liberar sempre a pressão negativa antes de retirar a agulha da lesão, de modo que a
amostra colhida permaneça na agulha ou no canhão dela
Figura 2.3 Esfregaço por impressão para detectar levedura em um cão com dermatite por Malassezia. Observar
o uso da luva de látex para evitar imprimir as impressões digitais no verso da lâmina. (Cortesia dos Drs. J.
Noxon e E. Goldman.)
Figura 2.4 Espécime citológico (imersão em óleo, 1.000×) de um paciente com pododermatite por Malassezia.
(Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)
■ Figura 2.5 A. Paciente felino com numerosas crostas e pústulas na cabeça. B. Citologia deste gato. Observar os
numerosos neutrófilos sem agentes infecciosos e inúmeras células acantofílicas, que são queratinócitos sem as
inserções celulares em outras células epiteliais. Esta lâmina é fortemente sugestiva de pênfigo foliáceo. (Cortesia
dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)
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Figura 2.6 Lâminas de citologia da orelha, do espaço interdigital etc. são feitas girando­se o aplicador com
ponta de algodão na lâmina. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)
Retirar a agulha da seringa, encher a seringa com ar, recolocar a agulha na seringa e expelir a amostra sobre
uma lâmina de microscopia limpa
Obter amostras de lesões pequenas (p. ex., pústulas) simplesmente gotejando álcool sobre a superfície da lesão,
deixando secar ao ar, lancetando a lesão com agulha estéril e recolhendo o conteúdo com ela para colocar em
lâmina de microscopia (Figura 2.7 A e B).
Preparação com Jta adesiva
Em geral é usada para identificar ácaros (Cheyletiella) e  leveduras; uma fita adesiva  transparente é melhor. Como
preparar:
Para identificação de Malassezia, pressionar o lado aderente da fita contra a área suspeita múltiplas vezes; a fita
é processada com o corante de Romanowsky, mas sem a primeira solução de álcool (luz azul), que dissolveria o
adesivo. Em seguida, pressionar a fita (com o lado aderente para baixo) sobre uma lâmina de microscopia
(Figura 2.8)
Para identificação de Cheyletiella, aplicar a fita em múltiplos locais (colhendo o máximo de escamas possível)
e, então, pressioná­la diretamente (com o lado aderente para baixo) sobre uma lâmina de microscopia (Figura
2.9).
Comentários
Para a realização da impressão direta, pressionar com força a amostra sobre a superfície da lâmina para obter
maior aderência
A fixação pelo calor deve ser breve – não “cozinhar” a lâmina
O processo de corar deve ser leve, para evitar deslocar o material da lâmina (imergir a lâmina em cada
fixador/corante e manter pelo tempo apropriado em vez de repetir o processo)
■ Figura 2.7 A. Pústula de um paciente canino. B. Citologia do mesmo paciente mostrando cocos em um dos
neutrófilos, o que significa piodermite. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)
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Figura 2.8 Lâminas de microscopia com adesivo vêm com papel sobre a parte aderente, que pode ser retirado
antes do uso. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)
Figura 2.9 Cheyletiella yasguri (cão).
Deve­se ter cuidado ao enxaguar a lâmina (baixa pressão)
A manutenção do corante é importante para evitar artefatos – trocar o corante como parte da rotina
(semanalmente ou quando contaminado)
Os organismos ficarão mais nítidos com o uso de óleo de imersão (p. ex., 1.000H) ou colocando­se uma gota de
óleo de imersão sobre uma lâmina e cobrindo­a com lamínula ao usar objetiva seca (p. ex., 400×)
Salvar sempre a lâmina aplicando uma pequena quantidade de meio de montagem (p. ex., Permount®) e cobrir
com lamínula.
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Capítulo 3
Cultura Diagnóstica e IdentiJcação
de Bactérias e Fungos
Alexander H. Werner
Panorama
A cultura de lesões dermatológicas para dermatófitos é sempre apropriada
As amostras devem ser submetidas a cultura se forem identificados organismos fúngicos (não Malassezia spp.)
na epiderme ou em exsudatos da orelha
Em geral, não há necessidade de cultura bacteriana e teste de sensibilidade para o tratamento rotineiro de
foliculite bacteriana
em cães
Cultura bacteriana e teste de sensibilidade estão indicados quando os casos não respondem à escolha do
antibiótico adequado
A cultura bacteriana e o teste de sensibilidade são apropriados se forem identificados bastonetes bacterianos na
epiderme ou em exsudatos da orelha.
Cultura e identiJcação de dermatóJtos
Meios de cultura
Meios de cultura para teste dermatófito: ágar­dextrose de Sabouraud modificado pelo acréscimo de
antimicrobianos para desestimular o crescimento de não dermatófitos, e fenol vermelho como indicador de pH
Ágar­dextrose de Sabouraud ou meio de esporulação rápida: tipos de ágar usados para estimular o
desenvolvimento de conídios para a identificação de dermatófitos
O meio de cultura para teste dermatófito retarda o desenvolvimento de conídios; produtos com uma combinação
de tipos de ágar são recomendados
Placas contendo meios possibilitam melhor acesso para a inoculação de amostras do que frascos de vidro (tubos
de ensaio) pequenos
Deve­se incubar as culturas à temperatura ambiente (24,4 a 26,6°C), afastadas/protegidas de luz ultravioleta,
para que se evite seu ressecamento; um pequeno recipiente alimentador para armazenagem pode funcionar como
incubadora informal.
Coleta da amostra
Tufo de pelos (Figuras 3.1 e 3.2). Deve­se:
Remover pelos da periferia de lesões com pinça estéril
Escolher os pelos sob lâmpada de Wood para aumentar o índice de sucesso
Pressionar delicadamente as amostras sobre o meio para teste
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Escova de dentes (Figura 3.3):
Amostras de lesões grandes ou mal demarcadas podem ser coletadas com escova de dentes estéril
Escovar os pelos na direção contrária à de seu crescimento para estimular a retirada de hastes pilosas frágeis
(infectadas)
Pressionar as cerdas delicadamente sobre os meios de teste – não é preciso transferir uma grande quantidade
de restos.
Figura 3.1 Haste de pelo infectado com hifas de Microsporum gypseum.
Figura 3.2 Fluorescência positiva à lâmpada de Wood. Observar a coloração brilhante das hastes dos pelos na
cabeça.
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Figura 3.3 Técnica com a escova de dentes para inocular meios. Observar os rastros produzidos pela pressão
leve da escova sobre o meio.
Crescimento e identiJcação da colônia
Ver Figuras 3.4 a 3.6.
Monitorar as placas de cultura quanto à alteração na cor e ao crescimento de colônias diariamente
Observar o crescimento por até 28 dias
A cor do meio de cultura para teste dermatófilo muda de amarelo para vermelho antes ou ao mesmo tempo que
ocorre o crescimento macroscópico da colônia
As colônias de dermatófitos são de cor branca, creme ou levemente bronzeadas, mas não pigmentadas
As colônias podem ser cotonosas, lanosas ou pulverulentas.
IdentiJcação de fungos
Transferir as colônias para uma lâmina de microscopia usando fita adesiva transparente ou alça estéril
O corante azul de lactofenol algodão é o mais recomendado para se acentuar a aparência de hifas e conídios,
embora qualquer corante escuro seja suficiente para isso (Figura 3.7)
Examinar as lâminas em busca de hifas, macroconídios e/ou microconídios para identificação (Figuras 3.8 a
3.10)
Microsporum canis, Microsporum gypseum e Trichophyton mentagrophytes são os dermatófitos isolados mais
comuns de lesões de cães; Microsporum canis é o isolado mais comum em gatos
As colônias que não puderem ser identificadas devem ser enviadas a um laboratório de referência para
identificação; consultá­lo antes de enviar as amostras.
Cultura bacteriana
Para cultura bacteriana, deve­se:
Enviar as amostras a um laboratório de referência experiente nesse tipo de cultura, na identificação e no teste de
sensibilidade com organismos bacterianos de significado veterinário
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Figura 3.4 Microsporum canis. A cor do meio muda em excesso de acordo com o tamanho da colônia.
Figura 3.5 Microsporum gypseum. As colônias não pigmentadas são lanosas.
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Figura 3.6 Trichophyton mentagrophytes. Colônia pulverulenta de cor creme.
Figura 3.7 Amostradescartados.
Siglas
FeLV = vírus da leucemia felina
FIV = vírus da imunodeficiência felina
HE = hematoxilina e losina
VO = via oral.
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Capítulo 26 Micoses Intermediárias e Profundas
Karen Helton Rhodes
Micose intermediária │ Esporotricose
Panorama
Doença fúngica zoonótica que acomete o tegumento, vasos linfáticos ou é generalizada
Causada pelo fungo dimórfico onipresente Sporothrix schenckii, por inoculação direta
Saprófita no solo e em matéria orgânica adquirida via inoculação do organismo no tecido.
IdentiJcação e histórico
Causas e fatores de risco
Cães: cães de caça, em decorrência de ferimentos causados por objetos pontiagudos como espinhos ou
estilhaços
Felinos: machos não castrados que vivem soltos fora de casa, em decorrência de brigas com outros machos nas
mesmas condições
Animais expostos a solo rico em detritos orgânicos são predispostos
A exposição a animais infectados ou gatos clinicamente saudáveis que compartilham o ambiente doméstico com
um gato acometido é um fator de risco
Doença imunossupressora é um fator de risco
Maior prevalência em zonas tropicais e subtropicais
CAUTELA: essa doença é uma zoonose que requer as devidas precauções para evitar infecção. A ausência de
ruptura cutânea não constitui proteção contra a doença.
Características clínicas
Forma cutânea em cães: numerosos nódulos que podem drenar ou tornar­se crostas, tipicamente na cabeça ou no
tronco (Figura 26.1)
Forma cutânea em gatos: inicialmente as lesões surgem como feridas ou abscessos simulando ferimentos
associados a brigas na cabeça, na região lombar ou na parte distal dos membros
Forma cutaneolinfática: em geral uma extensão da forma cutânea por meio dos linfáticos, resultando na
formação de novos nódulos e tratos fistulosos ou crostas; linfadenopatia é comum
Forma disseminada: sinais sistêmicos de mal­estar e febre.
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Diagnóstico diferencial
Doenças infecciosas: fúngicas e bacterianas que se apresentam com nódulos e tratos fistulosos (p. ex.,
criptococose, blastomicose, hanseníase felina, histoplasmose)
Neoplasia
Figura 26.1 Esporotricose em um gato. Notar a lesão ulcerada ao longo do leito ungueal e no coxim plantar.
(Cortesia da Dra. Carol Foil.)
Infecção bacteriana profunda
Parasitas: demodex, pelodera.
Diagnóstico
Culturas do tecido profundamente acometido
CAUTELA: é uma zoonose; a equipe do laboratório deve ser alertada quanto ao possível diagnóstico diferencial;
não se deve tentar fazer culturas até que outros diagnósticos diferenciais tenham sido eliminados
Citologia de exsudatos: leveduras em forma de charuto ou arredondadas encontradas no compartimento
intracelular ou livres no exsudato
Biopsia: em geral numerosos organismos, especialmente em gatos; a coloração para fungos (PAS ou GMS)
pode ajudar no diagnóstico; a ausência de organismos demonstráveis nos tecidos de cães não exclui o
diagnóstico.
Tratamento
Deve­se considerar a natureza zoonótica da esporotricose ao se tratar um animal com essa doença
É possível considerar o tratamento ambulatorial, mas aumenta o potencial de exposição humana.
Fármacos de escolha
SSKI:
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Cães – 40 mg/kg VO a cada 8 h com alimento; gatos: 10 a 20 mg/kg VO a cada 12 h com alimento
Tratar por pelo menos 2 meses e continuar o tratamento por 30 dias após a resolução das lesões clínicas
Em cães, caso sejam notados sinais de iodismo (pelagem ressecada, descamação excessiva, secreção nasal ou
ocular, vômitos, depressão ou colapso), deve­se interromper a administração do fármaco por 1 semana. Se os
sintomas forem discretos, reiniciar na mesma dose. Se graves ou recorrentes, devem ser considerados outros
fármacos
Em gatos, os sintomas de iodismo (depressão, vômitos, anorexia, prurido, hipotermia e colapso
cardiovascular) são mais comuns, devendo­se cessar a administração do fármaco se forem notados
Cetoconazol e itraconazol:
Os resultados no tratamento de doença fúngica em cães e gatos são animadores
Cães: cetoconazol – dose de 5 a 15 mg/kg VO a cada 12 h até 1 mês após a resolução clínica ou no mínimo
por 2 meses. A resolução deve ocorrer em aproximadamente 3 meses. Os efeitos colaterais são relativamente
discretos, sendo a anorexia o mais comum. Itraconazol – cápsulas na dose de 5 a 10 mg/kg a cada 12 a 24 h
no mínimo por 2 meses. Observam­se poucos efeitos colaterais na dose mais baixa de 5 mg/kg a cada 24 h.
Em geral é mais bem tolerado do que o cetoconazol, mas há relatos de hepatopatia e vasculite (ver Capítulo
25, Dermatofitose)
Gatos: a dose de cetoconazol é de 5 a 10 mg/kg VO a cada 12 a 24 h por 1 a 2 meses além da cura clínica.
Distúrbios gastrintestinais são mais comuns em gatos, bem como outros efeitos colaterais, como depressão,
febre, icterícia e sinais neurológicos. O itraconazol (15 mg/kg VO a cada 24 h no mínimo por 1 mês além da
cura clínica) é o tratamento de escolha para gatos, por causa da eficácia e dos poucos efeitos colaterais. A
dose da suspensão oral de itraconazol (contendo ciclodextrina) é de 1,25 a 1,5 mg/kg a cada 24 h. A
formulação composta não é recomendada, devido à absorção potencialmente inconsistente. É melhor
administrar a suspensão oral com o animal de estômago vazio, para facilitar a absorção. Às vezes, é
necessário alternar classes de fármacos ao se tratarem gatos com essa doença.
Comentários
Monitoramento do paciente e prognóstico
Reavaliações, incluindo verificação das enzimas hepáticas, são recomendadas a cada 2 a 4 semanas para
monitorar os sinais clínicos e efeitos colaterais associados ao tratamento
Falha em responder ao tratamento não deve ser inesperada, caso em que se considera um esquema alternativo ou
combinado (SSKI e cetoconazol). O fluconazol e a terbinafina ainda não foram suficientemente testados, mas
podem mostrar­se promissores.
Potencial zoonótico
CAUTELA: a doença é uma zoonose e requer as devidas precauções para evitar infecção
A orientação do proprietário tem importância fundamental
A ausência de ruptura cutânea não protege contra a doença
Há relatos de transmissão zoonótica a partir de mordidas e arranhões de roedores, papagaios, gatos, cães,
equinos e tatus
Gatos clinicamente sadios que vivem no mesmo ambiente de um gato infectado podem ser uma fonte de
infecção.
Micoses profundas │ Criptococose, coccidioidomicose, blastomicose
Panorama
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Infecções fúngicas localizadas ou sistêmicas
O Cryptococcus neoformans cresce em dejetos de aves e na vegetação caída no solo (leveduras)
O Coccidioides immitis (sudoeste dos EUA) e o Blastomyces dermatitidis (Mississipi, Ohio, bacias do rio
Tennessee e partes do Wisconsin) são organismos fúngicos que vivem no solo
Os sinais clínicos variam de acordo com o sistema orgânico envolvido.
IdentiJcação e histórico
Criptococose
Ver Figuras 26.2 e 26.3.
Gatos são 7 vezes mais propensos a essa infecção do que cães
Cães e gatos inalam as leveduras, que em geral causam um foco de infecção nas vias nasais
Ocorre a forma disseminada de maneira hematogênica a partir das vias nasais para o cérebro, os olhos e outros
tecidos ou por extensão para a pele do nariz, os olhos, o tecido periorbitário e os linfonodos de
drenagem
Geralmente associada a febre, anorexia, corrimento nasal, nódulos e ulceração cutâneos, letargia, sinais
neurológicos (convulsões, ataxia, paresia, cegueira)
Lesões subcutâneas: presentes em 50% dos casos em felinos e consiste em pápulas e nódulos, além de
abscessos, úlceras e tratos fistulosos
Lesões nasais são extremamente comuns em gatos e podem estar presentes como tumefação firme a amolecida
na ponte do nariz, causando assimetria facial; sinais respiratórios superiores são comuns.
Coccidioidomicose
A incidência é maior em cães do que em gatos, embora seja uma doença rara em ambas as espécies
A inalação de artroconídios infectantes é a principal via de infecção
Os sinais clínicos manifestam­se até 10 dias após a exposição, embora possam ocorrer infecções
assintomáticas, resultando no desenvolvimentode imunidade sem doença clínica
Figura 26.2 Criptococose em um gato. Notar o nódulo focal ulcerado no filtro nasal e na região do lábio, bem
como nódulos disseminados na área do queixo. (Cortesia da Dra. Carol Foil.)
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Figura 26.3 Gato DSH com 7 anos de idade e dermatite ulcerativa facial causada por infecção pelo Cryptococcus
neoformans.
Os sinais clínicos, que dependem do sistema orgânico acometido, incluem letargia, febre, anorexia, tosse seca
ou produtiva e/ou dispneia, dor articular, convulsões, uveíte e/ou queratite, paraparesia, dor no pescoço ou
lombar, tumefação óssea, sinais cardiovasculares, insuficiência renal, linfadenopatia e lesões cutâneas
caracterizadas por nódulos com tratos fistulosos.
Blastomicose
Ver Figuras 26.4 e 26.5.
Um pequeno esporo (conídio) é inalado a partir do solo, onde, à temperatura corporal, torna­se uma levedura,
que inicia a infecção nos pulmões (pneumonia micótica) e então dissemina­se por via hematogênica para todo o
corpo. A resposta imune do hospedeiro resulta em uma reação piogranulomatosa
A doença pulmonar acomete 85% dos cães e a cutânea (granulomatosa) atinge 40% deles
Os sinais clínicos incluem febre, letargia, anorexia, tosse seca áspera, linfadenopatia, claudicação (osteomielite
fúngica), uveíte e/ou glaucoma, aumento testicular e prostatomegalia
As lesões cutâneas consistem em nódulos ulcerados ou placas, abscessos subcutâneos, tratos fistulosos ou
grandes pápulas firmes.
Diagnóstico diferencial
Pneumonia
Neoplasia
Insuficiência cardíaca
Outras micoses sistêmicas (histoplasmose etc.)
Infecções bacterianas
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Figura 26.4 Lesões cutâneas focais ulceradas e secreção na região facial de um cão com blastomicose. (Cortesia
da Dra. Carol Foil.)
Figura 26.5 Ulceração grave do coxim plantar em um gato devido a blastomicose. (Cortesia da Dra. Carol Foil.)
Doença neurológica (riquetsioses, meningoencefalite granulomatosa, meningoencefalite bacteriana, tumores etc.)
Cinomose
Doenças imunomediadas.
Diagnóstico
Hemograma completo e bioquímica sérica: anemia, eosinofilia, leucocitose neutrofílica, hiperglobulinemia,
hipoalbuminemia, azotemia, hipercalcemia
Urinálise: baixa densidade e proteinúria com glomerulonefrite inflamatória na doença causada pelo C. immitis;
as leveduras de Blastomyces podem ser encontradas na urina de cães com acometimento da próstata
Radiografias: granuloma criptocócico em geral. além do palato mole em gatos ou material denso preenchendo a
via nasal, geralmente com destruição óssea; a coccidioidomicose causa infiltrados pulmonares intersticiais com
osteólise; Blastomyces causa lesões notáveis nos pulmões e no tecido ósseo; infiltrado pulmonar intersticial a
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nodular generalizado, linfadenopatia traqueobrônquica, lesões ósseas focais líticas e proliferativas
Cultura de LCE e medida do antígeno capsular (criptococose)
Sorologia: aglutinação em látex ou ELISA (criptococose), testes sorológicos para anticorpo contra C. immitis,
AGID para blastomicose
Citologia: aspirados de material mucoide das vias nasais são diagnósticos, aspirados
de linfonodo, esfregaços por impressão de lesões cutâneas ou exsudatos de secreção ou mesmo lavado de
líquido traqueal em geral são diagnósticos
Histopatologia: pele, osso, olho enucleado, linfonodo: teste mais diagnóstico junto com a histologia
Cultura e sensibilidade: cautela ao fazer cultura para coccidioides porque a forma de micélio é altamente
contagiosa.
Tratamento
Geralmente ambulatorial. No entanto, os pacientes tratados com anfotericina B precisarão de hospitalização
várias vezes por semana durante o tratamento. Sintomas clínicos concomitantes (p. ex., convulsões, dor, tosse)
devem receber o tratamento apropriado
Restringir as atividades até que os sinais clínicos comecem a regredir
Fornecer alimentação palatável de alta qualidade para manter o peso corporal
É preciso rever a necessidade e o custo do tratamento a longo prazo de uma doença grave com a possibilidade
de falha de tratamento. Além disso, o proprietário deve ser informado sobre os possíveis efeitos colaterais dos
fármacos usados
Nos casos de acometimento orgânico focal granulomatoso (p. ex., lobo pulmonar consolidado, olhos, rins),
pode estar indicada a remoção cirúrgica do órgão acometido
A coccidioidomicose é considerada a micose sistêmica mais grave e potencialmente fatal. O tratamento da
doença disseminada requer pelo menos 1 ano de tratamento antifúngico agressivo
As lesões piogranulomatosas causadas por criptococos na nasofaringe pode requerer a retirada cirúrgica para
reduzir as dificuldades respiratórias.
Fármacos de escolha
Cães:
Várias medicações orais da família dos azóis estão disponíveis para o tratamento de infecções fúngicas
profundas em cães
Cetoconazol na dose de 5 a 10 mg/kg VO a cada 12 h. Pode ser administrado com alimento e até certo ponto
acreditase que a administração concomitante de altas doses de vitamina C possa melhorar a absorção do
fármaco. O tratamento deve prosseguir por tempo prolongado
A dose de itraconazol é de 5 a 10 mg/kg VO a cada 12 h, administrada como a de cetoconazol. Há relatos de
que tem maior penetração do que o cetoconazol, mas não se observou uma resposta melhor
A dose de fluconazol é de 5 mg/kg VO a cada 12 h, não se tendo observado aumento significativo no sucesso
com tal tratamento, em especial nas infecções neurológicas. O fármaco é muito caro, de modo que o
proprietário deve ser avisado para se preparar para o custo. Após uso prolongado, em alguns casos é possível
diminuir a frequência das doses para 1 vez/dia
A ANB é menos comumente recomendada por causa do alto risco de dano renal e da disponibilidade de
medicações eficazes por VO. Pode ser administrada na dose de 0,5 mg/kg IV 3 vezes/dia durante 1 semana,
até uma dosagem cumulativa de 8 a 10 mg/kg. É administrada por via IV como infusão lenta (em cães
gravemente enfermos) ou em bolo rápido (em cães razoavelmente sadios). Para infusão lenta, acrescentar 200
a 250 ml de solução de glicose a 5% em gotejamento por um período de 4 a 6 h. Para bolo rápido, acrescentar
30 ml de solução de glicose a 5% e administrar pelo período de 5 min por cateter borboleta. Para amenizar os
efeitos colaterais adversos da ANB, administrar NaCl a 0,9% (2 ml/kg/h) por várias horas antes de iniciar o
tratamento com ANB
Pode­se usar uma combinação de ANB e cetoconazol em cães que não tenham respondido a cada um desses
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fármacos separadamente ou tenham exibido toxicidade significativa. Não está claro se o tratamento combinado
é mais eficaz do que com um único fármaco nas coccidioidomicoses. No caso de fazer a combinação de
quimioterápicos, administrar ANB como descrito até uma dosagem total cumulativa de 4 a 6 mg/kg, junto
com cetoconazol na dose de 10 mg/kg VO fracionados diariamente por pelo menos 8 a 12 meses
Flucitosina na dose de 100 mg/kg, fracionados em 3 a 4 doses por dia, além de triazóis, pode ser útil se a
infecção for especialmente subclínica
Gatos:
Pode­se usar qualquer dos seguintes azólicos em gatos:
Cetoconazol, dose total de 50 mg VO a cada 12 h
Itraconazol, dose total de 25 a 50 mg VO a cada 12 h
Fluconazol, dose total de 25 a 50 mg VO a cada 12 h
Como alternativa, pode­se administrar ANB por bolo IV rápido na dose de 0,25 mg/kg 3 vezes/semana, até
uma dosagem cumulativa total de 4 mg/kg. Isso pode então ser seguido por tratamento a longo prazo com
cetoconazol, dependendo da resposta clínica.
Precauções e interações
Fármacos metabolizados primariamente pelo fígado não devem ser administrados junto com cetoconazol
Fármacos metabolizados primariamente pelos rins não devem ser administrados juntamente com ANB
Os efeitos colaterais dos azólicos incluem inapetência, vômitos e hepatotoxicidade. Pode­se interromper a
administração dos fármacos até a remissão dos sinais e reiniciar em uma dose mais baixa que possa ser
aumentada lentamente até a dose recomendada se o animal for capazde tolerar o fármaco
Os efeitos do tratamento com ANB podem ser graves e incluem disfunção renal, febre, inapetência, vômitos e
flebite
Doença pulmonar que resulte em tosse grave pode agravar­se temporariamente após o início do tratamento,
devido à inflamação dos pulmões. Prednisona em dose baixa a curto prazo e supressores da tosse podem ser
necessários para aliviar os sinais respiratórios
O itraconazol foi associado a dermatite ulcerativa devido à vasculite medicamentosa
A flucitosina foi associada a erupções medicamentosas que se manifestam como lesões despigmentadas da pele,
dos lábios e nariz, bem como supressão da medula óssea.
Comentários
Monitoramento do paciente
Os títulos sorológicos devem ser monitorados a cada 2 a 3 meses. Os animais devem ser tratados até que os
títulos caiam. Os animais que exibirem resposta deficiente ao tratamento devem ter medido o nível do fármaco 2
a 4 h pós­pílula, para assegurar a absorção adequada do fármaco
BUN e urinálise devem ser monitorados em todos os animais tratados com ANB. O tratamento deve ser
interrompido temporariamente se o nível de BUN subir acima de 50 mg/dl ou forem observados cilindros
granulares na urina.
Evolução esperada e prognóstico
Criptococos:
Informar aos proprietários que a doença é crônica e requer meses de tratamento. Pacientes com doença do
SNC precisam de tratamento de manutenção pelo resto da vida
Embora não seja considerada uma doença zoonótica, pode ser transmitida por ferimentos causados por
mordidas, em especial se for para um ser humano imunocomprometido
Títulos de antígeno capsular determinam a resposta ao tratamento. Se os títulos não diminuírem
substancialmente em 2 meses de tratamento, pode ser necessário modificar o tratamento. Medir a cada 2
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meses até 6 meses após o tratamento; continuar o tratamento por 2 meses se o antígeno não for detectável ou
3 a 4 meses após redução significativa, no caso de os títulos nunca serem negativos
Gatos com FeLV ou FIV concomitante têm prognóstico mais grave
Coccidioidomicoese:
O prognóstico é reservado a grave no caso de doença disseminada. Muitos cães vão melhorar após o
tratamento VO, mas podem ocorrer recidivas, em especial se o tratamento for encurtado. A taxa global de
recuperação foi estimada em 60%, mas alguns relatam resposta de 90% ao tratamento com fluconazol
O prognóstico para gatos não está bem documentado, mas deve ser esperada disseminação rápida que requer
tratamento a longo prazo
Recomenda­se a realização de testes sorológicos a cada 3 a 4 meses após o término do tratamento, para
monitorar a possibilidade de recidiva
A recuperação espontânea da coccidioidomicose sem tratamento é extremamente rara
Zoonose: a forma de esférula do fungo, como encontrada nos tecidos de animais, não é diretamente
transmissível para pessoas ou outros animais. Em certas circunstâncias raras, no entanto, poderia haver
reversão para o crescimento da forma infectante do fungo sobre ou dentro das bandagens colocadas sobre uma
lesão com secreção ou em um leito contaminado. Lesões com secreção podem levar à contaminação do
ambiente com artrósporos. É preciso cuidado ao se manipular uma lesão infectada. Precauções especiais
devem ser recomendadas para lares onde os proprietários possam estar imunocomprometidos
Blastomicose:
Na primeira semana de tratamento, 25% dos cães morrem. Os que se recuperam da infecção adquirem
imunidade duradoura
A gravidade do acometimento pulmonar e da invasão do cérebro afeta o prognóstico
Observa­se recidiva em 20% dos pacientes tratados 3 a 6 meses após o término do tratamento
Radiografias torácicas em geral são a melhor maneira de monitorar a duração do tratamento, que deve
prosseguir por 30 dias se ainda houver lesões. Continuar com o tratamento por pelo menos 30 dias após a
resolução clínica e/ou radiográfica
Não é considerada uma ameaça zoonótica, a menos que transmitida por mordedura
Alertar os proprietários no sentido de que a blastomicose é uma doença adquirida a partir de uma fonte
ambiental e eles podem estar expostos ao mesmo tempo que seu animal; foi documentada fonte comum de
exposição em caçadores de patos e guaxinins, sendo a incidência em cães 10 vezes maior do que em seres
humanos.
Siglas
AGID = imunodifusão em gel de ágar
ANB = anfotericina B
BUN = nitrogênio ureico sanguíneo
ELISA = ensaio imunossorvente ligado a enzima
FeLV = vírus da leucemia felina
FIV = vírus da imunodeficiência felina
LCE = líquido cerebroespinal
IV = intravenoso
SNC = sistema nervoso central
SSKI = solução supersaturada de iodeto de potássio
VO = via oral.
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Capítulo 27
Leishmaniose | Dermatite por
Protozoário
Alexander H. Werner
Panorama
Infecção por protozoário flagelado que causa doença cutânea e visceral
Acomete cães, gatos, roedores, equinos, bovinos e seres humanos; os canídeos são reservatórios importantes
para a doença humana
Problema de saúde pública; potencial zoonótico da doença fatal
Incomum nos EUA – varia de acordo com a localização geográfica
Lesões dermatológicas causadas por outros protozoários além de Leishmania são extremamente raras, ocorrem
primariamente como sintomas secundários e não são discutidas neste capítulo.
Etiologia e Jsiopatologia
L. infantum: bacia do Mediterrâneo, Portugal e Espanha; casos esporádicos na Suíça, no norte da França e na
Holanda
Complexo de L. donovani ou L. braziliensis: áreas endêmicas das Américas do Sul e Central e sul do México
Populações endêmicas com L. infantum são reconhecidas nos EUA
Casos em cães relatados no Texas, em Maryland, Oklahoma e Carolina do Norte
Parasitas flagelados transferidos para a pele de um hospedeiro por vetores mosquitos (Phlebotomus no Velho
Mundo, Lutzomyia no Novo Mundo); o inseto vetor nos EUA não foi definitivamente identificado
Os organismos são intercelulares em macrófagos dentro de vários tecidos
Gatos: em geral, a infecção se localiza na pele
Cães: invariavelmente a infecção disseminase por todo o corpo na maioria dos órgãos; insuficiência renal é a
causa mais comum de morte
Período de incubação: de 1 mês a vários anos.
IdentiJcação e histórico
Viagem para regiões endêmicas dentro ou fora dos EUA
Infecção por transfusões de sangue contaminado e transmissão transplacentária
Quase todos os cães desenvolvem doença visceral ou sistêmica; 90% têm acometimento cutâneo.
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Características clínicas
Da doença visceral:
Intolerância ao exercício
Perda de peso grave e anorexia
Diarreia, vômitos
Epistaxe e melena
Linfadenopatia
Emaciação
Insuficiência renal (poliúria, polidipsia)
Neuralgia
Claudicação decorrente de poliartrite, polimiosite, lesões osteolíticas e periostite proliferativa
Pirexia
Esplenomegalia
Doença ocular
Da doença cutânea (Figuras 27.1 e 27.2):
Dermatite esfoliativa
Despigmentação
Figura 27.1 Leishmaniose – nódulos cutâneos crostosos.
Figura 27.2 Leishmaniose – nódulos cutâneos crostosos.
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Espessamento e descamação no focinho e nos coxins plantares
Alopecia e alterações na qualidade da pelagem
Nódulos cutâneos e úlceras sobre áreas de pressão
Unhas anormais (raras).
Diagnóstico diferencial
Com doenças viscerais:
Micoses (blastomicose, histoplasmose)
Lúpus eritematoso sistêmico
Erliquiose
Mieloma múltiplo
Neoplasia metastática
Cinomose
Vasculite sistêmica
Com doenças cutâneas:
Distúrbio da queratinização
Dermatoses nutricionais (responsivas à vitamina A e ao zinco)
Hiperqueratose nasodigital idiopática
Dermatose liquenoide­psoriasiforme.
Diagnóstico
Hemograma completo e bioquímica sérica: hiperproteinemia com hiperglobulinemia; enzimas hepáticas
elevadas; azotemia; trombocitopenia, anemia arregenerativa
Urinálise: proteinúria
Coombs, ANA, testes para células do LE: raramente positivos
Diagnóstico sorológico: título de IFAT de 1:64; imunoensaio para antígeno recombinante (onde disponível)
Culturas ou identificação do organismo a partir de aspiradosde pele, baço, medula óssea, linfonodo
Dermato­histopatologia a partir de biopsia: infiltrado de histiócitos e macrófagos com formas amastigotas
intracelulares em tecidos da pele, de linfonodos, do fígado, do baço e dos rins
Ulceração de mucosas: estômago, intestino e cólon (ocasional).
Tratamento
O tratamento é controverso por causa da transmissão zoonótica potencial do organismo para seres humanos a
partir de cães com infecção persistente
Prognóstico muito mau em animais emaciados, com infecção crônica
O tratamento antimonial pentavalente melhora a qualidade de vida, mas raramente cura
Gatos: excisão cirúrgica de nódulos dérmicos individuais
Informar ao proprietário que os organismos nunca serão eliminados; a recidiva é inevitável
Começar a administração dos antimoniais pentavalentes nas doses mais baixas em pacientes gravemente
enfermos
O prognóstico depende do grau de insuficiência renal no início do tratamento
Monitorar o tratamento frequentemente com hemograma completo e níveis séricos de albumina, globulina e
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creatinina, mais a proporção urinária de proteína: creatinina
Continuar o tratamento básico até verificar melhora clínica, identificar organismos em biopsias repetidas e
alteração nos títulos séricos
Em geral ocorrem recidivas meses a 1 ano depois; verificar novamente a cada 2 meses após completar o
tratamento.
Fármacos de escolha
Estibogliconato de sódio (30 a 50 mg/kg IV ou SC a cada 24 h por 3 a 4 semanas): disponível nos EUA por
meio dos Centers for Disease Control (CDC; em português, Centros para o Controle de Doenças)
Antimoniato de meglumina (100 mg/kg IV ou SC a cada 24 h por 3 a 4 semanas)
Alopurinol (30 mg/kg VO a cada 24 h por 3 meses; em seguida, 20 mg/kg a cada 24 h por 1 semana por mês):
administrado com antimoniais pentavalentes
Miltefosina (2 mg/kg VO a cada 24 h)
Fármacos alternativos incluem: interferona y, anfotericina B, enrofloxacino, marbofloxacino, metronidazol e
espiramicina.
Siglas
ANA = anticorpo antinuclear
IFAT = teste de anticorpos imunofluorescentes
IV = intravenoso
LE = lúpus eritematoso
SC = subcutâneo
VO = via oral.
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Capítulo 28 Dermatite por Malassezia
Karen Helton Rhodes
Panorama
Malassezia pachydermatis (sinonímia Pityrosporum canis): levedura; comensal normal da pele, das orelhas e
áreas mucocutâneas; pode proliferar e causar dermatite, queilite e otite em cães e gatos
M. pachydermatis tem afinidade por gordura, mas várias espécies isoladas de cães e gatos dependem de gordura
(Figura 28.1)
Em geral há excesso de leveduras nas áreas doentes, embora tal achado seja variável
As causas da transformação de comensal inócuo para patógeno são pouco entendidas, mas parecem relacionadas
com alergia, condições seborreicas e, possivelmente, fatores congênitos e hormonais
Síndrome da proliferação de Malassezia (SPM) – doença clínica causada pela proliferação e colonização de um
organismo comensal
Malassezia produz muitas enzimas (lipases e proteases) que contribuem para inflamação cutânea alterando a
barreira cutânea lipídica protetora, modifica o pH da pele, a liberação de eicosanoides e a ativação do
complemento
Malassezia pode ser um alérgeno primário que inicia a hipersensibilidade do tipo 1 (imediata). O teste cutâneo
com extrato do organismo pode revelar uma reação de hipersensibilidade imediata. Também foi proposta uma
via de hipersensibilidade tardia.
Figura 28.1 Preparação em fita adesiva mostrando leveduras de Malassezia, aumento de 400×.
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IdentiJcação e histórico
Cães: qualquer raça canina; no entanto, West Highland White Terrier, Poodle, Basset Hound, Cocker Spaniel e
Dachshund são predispostas
Gatos: menos comum do que em cães; especula­se que a doença e as causas predisponentes sejam semelhantes
em cães e gatos jovens a de meia­idade; gatos idosos podem ter dermatite por Malassezia associada a neoplasia
interna; qualquer raça pode ser acometida; entretanto, gatos jovens da raça Rex são predispostos
Não tem predileção por sexo
Dermatite canina por Malassezia e dermatite seborreica associada a Malassezia: comuns em todas as regiões
geográficas do mundo.
Fatores de risco
Umidade e temperatura elevadas: podem aumentar a frequência
Doença concomitante por hipersensibilidade (em particular atopia, alergia a pulga e alguma alergia alimentar ou
intolerância): pode ser um fator de risco
Defeitos da cornificação e seborreias (especialmente em cães jovens): em raças predispostas
Endocrinopatias (especialmente em cães jovens): suspeita­se que esteja associada a fatores predisponentes
Fatores genéticos: suspeitos nos casos de início em cães jovens das raças predispostas e gatos da raça Rex
Aumento concomitante na população cutânea de Staphylococcus pseudointermedius e foliculite bacteriana
resultante; achado confirmado; em certos casos, é possível que a dermatite seborreica canina resulte dessa
combinação de proliferação de patógenos; o tratamento de uma apenas não resulta na resolução de todos os
sinais, mas desmascara os outros; o tratamento apenas antilevedura resolve todos os sinais da dermatite por
Malassezia, embora a alergia subjacente ainda possa manifestar­se
Gatos têm a doença em idade tanto jovem quanto adulta, e ela pode estar associada a alergia. Em gatos da raça
Rex, aspectos genéticos relacionados com suas características únicas de pelagem ou cutâneas ou a predisposição
a uma anormalidade denominada urticária pigmentosa podem ser fatores desencadeantes. Gatos idosos podem
ter dermatite por Malassezia associada a timomas e carcinomas do pâncreas e do fígado
Medicações: tratamento com glicocorticoides ou antibióticos, sem visar ao componente levedura presente
Doença cutânea causada por ectoparasitas: demodicose, escabiose etc.
Características clínicas
Prurido: com graus variáveis de eritema, alopecia, descamação e exsudação oleosa fétida; acomete os lábios, as
orelhas, os pés, as axilas, a região inguinal e a parte ventral do pescoço (Figuras 28.2 a 28.7)
Hiperpigmentação e liquenificação: casos crônicos
Otite ceruminosa negra a seborreica: frequente
Prurido facial: incomum, mas característico (frequente em gatos)
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Figura 28.2 Eritema do pavilhão auricular e do canal auditivo com produção excessiva de cera e hiperplasia
glandular ceruminosa secundária a otite externa por Malassezia induzida por dermatite alérgica. (Cortesia do Dr.
Kevin Shanley.)
Figura 28.3 Otite externa alérgica com proliferação secundária de levedura. Notar a grande quantidade de
exsudato amarelo cremoso. (Cortesia do Dr. Kevin Shanley.)
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Figura 28.4 Pododermatite típica por Malassezia em um cão da raça Boxer.
Figura 28.5 Lesão periocular típica de dermatite por Malassezia.
Figura 28.6 Basset Hound com dermatite seborreica por Malassezia nas regiões de dobras cutâneas.
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Figura 28.7 West Highland White Terrier com dermatite generalizada por Malassezia.
Em geral, antecedentes de alergia suspeita que se agrava e parece desenvolver resistência ou é resistente ao
tratamento com glicocorticoide
Foliculite bacteriana concomitante, hipersensibilidade e distúrbios endócrinos e da queratinização.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico é feito demonstrando­se excesso de membros do organismo na pele doente e melhora
significativa nos sinais clínicos após a eliminação da levedura
Dermatite alérgica: inclusive alergia a pulgas, atopia e alergia alimentar
Foliculite bacteriana superficial
Seborreia primária e secundária, distúrbios da queratinização
Reação medicamentosa
Linfoma cutâneo
Demodicose
Escabiose.
Diagnóstico
Cultura de fungo: usar placas de contato (pequenas placas de ágar feitas de fundos de garrafas e preenchidas
com ágar de Sabouraud ou, de preferência, ágar de Dixon modificado, em especial no caso de gatos); pressionar
as placas sobre a superfície cutânea afetada; incubar a 32 a 37°C por 3 a 7 dias; contar as colônias nítidas
amarelas
ou amareladas, arredondadas, em forma de cúpula (com 1 a 1,5mm); fornece dados semiqualitativos; em geral
desnecessária
Métodos de cultura não quantitativos: sem valor porque Malassezia é um comensal normal
Hemograma completo e bioquímica sérica para detectar doenças subjacentes (p. ex., hipotireoidismo,
hiperadrenocorticismo)
Ultrassonografia e radiografia para investigar possível malignidade interna.
Procedimentos mais valiosos
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Citologia cutânea: preparação por toque, swab de algodão ou fita de celofane corada com corante de
Romanowsky; aplicar uma gota do corante diretamente sobre a lâmina (a levedura pode ser levada durante a
coloração); passar a lâmina sobre chama para melhorar a penetração do corante e a visualização
Áreas oleosas e/ou de descamação são melhores para se obter um resultado positivo
O número de leveduras pode não ter tanto valor quanto se pensava antes, porque poucos organismos podem
desencadear uma reação de hipersensibilidade
A histopatologia é um método diagnóstico menos sensível do que a citologia, embora seja considerado
significativo se forem encontradas leveduras dentro de folículos pilosos.
Tratamento
Identificar e tratar quaisquer fatores predisponentes ou doenças
Tratamento tópico: a levedura se localiza principalmente no estrato córneo
Tratamento com xampu: para remover escamas, exsudato e eliminar o mau cheiro
Tratamentos tópicos (baseados em dados de ensaios): cremes tópicos de miconazol, clotrimazol, terbinafina e
xampu de clorexidina são mais eficazes; o xampu de sulfeto de selênio é menos eficaz, porém útil; o tratamento
é feito 2 vezes/semana
Outros antifúngicos tópicos e xampu antibacteriano podem ter valor se administrados com medicações
sistêmicas disponíveis
Combinações alternativas: xampu ceratolítico como tratamento tópico com fármacos antilevedura e
antibacterianos.
Fármacos de escolha
Casos localizados: podem responder a cremes e loções que contenham compostos imidazólicos
Cetoconazol: 5 a 10 mg/kg a cada 24 h por 2 a 4 semanas nos casos disseminados ou de liquenificação crônica
Fluconazol e itraconazol, 5 a 10 mg/kg/dia também são eficazes
A terbinafina é igualmente eficaz em cães e gatos
Xampu antimicrobiano antibacteriano tópico: para manter a remissão em casos crônicos.
Precauções e interações
Cetoconazol: raramente pode causar reação hepática; mascara sinais de hiperadrenocorticismo e interfere nas
provas de função adrenal devido ao bloqueio da produção de cortisol (via inibição de P­450) na adrenal;
contraindicado em gatos com malignidade hepática e interna debilitante grave porque eles podem não ser
capazes de metabolizar o fármaco.
Comentários
Monitoramento do paciente
Exame físico e citologia cutânea: após 2 a 4 semanas, para monitorar o tratamento
Tratar até que sejam demonstrados apenas raros organismos ou 7 dias após ser alcançada uma resposta
completa. Alguns pacientes terão recidiva assim que a medicação for suspensa, e podem requerer pulsos de
tratamento a longo prazo. Tais pacientes precisam ser monitorados via exames de sangue rotineiros quanto a
quaisquer efeitos adversos
Prurido e odor: em geral, melhora notável em 1 semana
Recorrências: comuns se dermatoses subjacentes não forem controladas; banhos regulares com xampus
contendo antifúngicos e antibacterianos combinados (miconazol mais clorexidina) ajudam a diminuir as
recorrências.
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Capítulo 29 Infecções Bacterianas
Karen Helton Rhodes
Panorama
Micobactérias: Gram­positivas, as mais acidorresistentes (gênero Micobacterium); patógenos obrigatórios ou
esporádicos em seres humanos e animais
Tuberculose: causada pelo Micobacterium tuberculosis (seres humanos), pelo M. bovis (bovinos e alguns
animais silvestres), pelo M. microti (o roedor arganaz) e por microrganismos semelhantes ao último;
esporadicamente, cães e gatos expostos a hospedeiros primários infectados se infectam; doença disseminada ou
em múltiplos órgãos, causada pelo organismo parasitário obrigatório; rara em cães e gatos nos países
desenvolvidos
Hanseníase: M. lepraemurium (de roedores) e 2 microrganismos não denominados (M. visibilis, denominação
provisória)
Gatos: 2 síndromes, a síndrome 1 acomete gatos jovens com doença nodular localizada nos membros, com
números esparsos a moderados de bacilos acidorresistentes presentes nas lesões (M. lepraemurium); a síndrome
2 acomete gatos idosos com lesões cutâneas generalizadas e grande número de bacilos acidorresistentes nas
lesões (espécie não denominada com afinidade pelo M. malmoense)
Cães: síndrome do granuloma leproide canino, causada por espécies de Mycobacterium não denominadas e não
cultivadas, identificadas por sequenciamento do DNA
Infecção sistêmica ou não cutânea com micobactérias não causadoras de tuberculose: grupo do M. chelonae­
abscessus, complexo do M. avium, M.fortuitum, M. genavense, M. kansasii, M. massiliense, M. simiae, M.
smegmatis, M. termoresistibile, M. xenopi; infecções esporádicas em cães e gatos; alguns pacientes com
infecções concomitantes ou imunossupressão, ou o resultado da introdução traumática de organismo saprófita
em tecido; as síndromes incluem pleurite, granulomas localizados ou disseminados, doença disseminada,
neurite, broncopneumonia
Infecções cutâneas e subcutâneas devidas a micobactérias de crescimento rápido: também conhecidas como
paniculite bacteriana
Cães e gatos: causada por micobactérias saprófitas do grupo do M. fortuitum, do grupo do M. chelonae­
abscessus, dos grupos do M. smegmatis, M. phlei, complexo do M. terrae, M. termoresistibile, M. ulcerans.
IdentiJcação e histórico
Tuberculose
Cães e gatos de qualquer idade
Cães da raça Basset Hounds e gatos Siameses são tidos como os mais suscetíveis; evidência incerta (possível
aberração estatística)
Hanseníase felina
Gatos adultos que vivem soltos e filhotes; filhotes e gatos adultos jovens na síndrome 1, gatos idosos (com 9
anos em média) na síndrome 2
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Granuloma leproide canino
A maioria dos casos relatados em cães
de raças de grande porte e pelagem curta que vivem fora de casa, em especial Boxers e Pastores­Alemães
Micobacteriose sistêmica não tuberculosa
Doença esporádica que pode acometer cães e gatos de qualquer idade
Paniculite micobacteriana
Gatos e cães adultos.
Causas e fatores de risco
Tuberculose
Fonte de expiração: sempre um hospedeiro típico infectado
Cães: geralmente expostos a partir de uma pessoa infectada no local em que vive (M. tuberculosis); a via é a
ingestão de material infeccioso expectorado; possível exposição a aerossóis; pacientes encontrados com maior
frequência em áreas urbanas com imigrantes dos países em desenvolvimento
Gatos: a exposição clássica é a leite não pasteurizado de vacas infectadas (M. bovis); muito menos comum
agora do que no passado; podem ser expostos pela prática da predação de pequenos mamíferos infectados
(com M. bovis, espécie causadora de tuberculose não definida)
Hanseníase felina
Foram relatados casos da síndrome 1 em regiões costeiras temperadas e cidades que têm portos; o clima frio
pode facilitar o crescimento do organismo nas extremidades
Casos da síndrome 2 provenientes de ambientes rurais ou semirrurais; idade avançada ou imunoincompetência
podem ser fatores de risco. Os fatores de risco exatos permanecem indefinidos; a exposição a roedores é uma
possibilidade
Granuloma leproide canino
Foram associados casos a picadas de pulgas e pode haver flutuação sazonal; pelagem curta pode ser um fator
predisponente
É provável que a doença seja mundial, mas a maioria dos casos relatados ocorreu na Australásia e no Brasil.
Nos EUA há relato de casos na Califórnia, no Havaí e na Flórida
Micobacteriose sistêmica não tuberculosa
A maioria dos pacientes relatados estava imunossuprimida ou tinha doenças sistêmicas concomitantes
Exposição: vias de exposição desconhecidas na doença pulmonar e sistêmica
Paniculite micobacteriana
A maioria das infecções tinha antecedentes traumáticos ou ferida cirúrgica. A maioriados pacientes é
imunocompetente
Traumatismo e inoculação acidental na gordura subcutânea podem resultar em infecção; é possível história de
ferimento por mordedura (doença subcutânea)
Animais obesos podem correr maior risco do que os magros.
Características clínicas
Tuberculose
Correlacionada com a via de exposição; principais locais de envolvimento: linfonodos orofaríngeos, tecidos
cutâneos e subcutâneos da cabeça e das extremidades; sistema pulmonar; sistema gastrintestinal
Cães: sistema respiratório, em especial tosse; dispneia incomum
Gatos: a partir de leite contaminado – perda de peso, diarreia crônica e espessamento dos intestinos;
decorrente de predação – nódulos cutâneos, úlceras e tratos fistulosos
Praticamente todos os cães e muitos gatos: linfadenopatia fúngica e cervical; esforço improdutivo para
vomitar, ptialismo ou abscesso tonsilar; linfonodos visíveis ou firmes e palpáveis, fixos, macios; podem
ulcerar e drenar
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Pirexia
Depressão
Anorexia parcial e perda de peso
Podem ocorrer osteopatia hipertrófica ou hipercalcemia
Doença disseminada: efusão em cavidade corporal; massas viscerais; lesões ósseas ou articulares; massas e
úlceras dérmicas e subcutâneas; linfadenopatia e/ou abscessos; sinais do SNC; morte súbita
Hanseníase felina
Síndrome 1: nódulos iniciais localizados nos membros; progride rapidamente, pode ulcerar; evolução clínica
agressiva; recorrência após excisão cirúrgica; lesões disseminadas desenvolvem­se em várias semanas
Síndrome 2: nódulos cutâneos iniciais localizados ou generalizados que não ulceram; lentamente progressiva
por meses a anos
Micobacteriose granulomatosa multissistêmica felina: espessamento cutâneo difuso e acometimento de
múltiplos órgãos sistêmicos
Granuloma leproide canino
Um ou mais nódulos indolores bem circunscritos (2 mm a 5 cm) na derme ou na subcútis; em geral na cabeça
ou nas orelhas, mas pode ocorrer em qualquer lugar do corpo; apenas lesões muito grandes ulceram
Sem sinais sistêmicos de doença
Micobacteriose sistêmica não tuberculosa
Infecções pulmonares e sistêmicas por AM são relatadas raramente em cães, casos em que os sinais são como
os de TB
Na infecção pelo M. avium, a doença é mais frequentemente disseminada
Paniculite micobacteriana
Cutânea: lesão traumática que não cicatriza com o tratamento adequado; dissemina­se localmente no tecido
subcutâneo (paniculite), a lesão original aumenta de tamanho, formando uma úlcera profunda que drena
exsudato hemorrágico gorduroso; o tecido circundante torna­se firme; ulcerações satélites pontilhadas abrem­
se e drenam (Figuras 29.1 e 29.2)
Deiscência de ferida em locais cirúrgicos
Sinais sistêmicos são incomuns.
Diagnóstico diferencial
As infecções micobacterianas têm diferentes prognósticos, recomendações de tratamento e consequências de
saúde pública, mas de início sinais similares, em especial lesões cutâneas
Todas as manifestações: infecções fúngicas e outras actinomicóticas devem ser consideradas
Paniculite: a nocardiose pode ser clinicamente idêntica.
Diagnóstico
Teste cutâneo intradérmico
Tuberculose (cães): teste cutâneo intradérmico com PPD ou BCG na parte interna do pavilhão auricular
Pode produzir resultados positivos falsos devido a reações cruzadas com micobactérias não causadoras de
tuberculose.
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Figura 29.1 Micobacteriose atípica. Notar a lesão “derretida”, que se estende por todo o tecido subcutâneo.
Figura 29.2 Micobacteriose atípica. Ulcerações multifocais com lesões satélites.
RadiograJa
Lesões torácicas, abdominais ou esqueléticas: sugerem doença infecciosa granulomatosa
Sem lesões específicas de micobacterioses
Lesões da tuberculose pulmonar: podem calcificar ou formar cavitações.
Citologia e histopatologia
Com base na avaliação histopatológica e microbiológica de material de biopsia do tecido acometido
Pode­se usar a aspiração de material purulento de qualquer local após desinfecção da pele sobrejacente para
identificação microbiológica. Técnicas de aspiração orientadas pelo ultrassom podem ser importantes
Amostras de biopsia: não devem estar contaminadas por bactérias da superfície; precisam incluir o centro do
foco granulomatoso
Esfregaços de tecidos infectados: para detecção com os fluorocromos acidorresistentes carbolfucsina ou
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auraminorrodamina. Nas colorações de rotina os organismos coramse negativamente, mostrando “fantasmas” de
bacilos dentro de macrófagos; swabs ou aspirados de lesões cutâneas que drenam ou linfonodos, lavado
transtraqueal; escovados broncoscópicos; citologia retal; impressões de biopsia cirúrgica. Esfregaços fixados
pelo calor devem ser submetidos junto com tecido para cultura.
Cultura
São necessários meios e técnicas especiais; pode ser necessário enviar para laboratórios especializados em
organismos além da tuberculose. (Micobacterium.Mycology Referral, University of Texas Health Center em
Tyler, Microbiology Section.)
Testes especiais
Metodologias para PCR: úteis para qualquer das infecções micobacterianas com amostras de tecidos ou
líquidos; não há primers disponíveis no comércio para o granuloma leproide canino e a síndrome 2 da
hanseníase felina, mas podem ser usados para identificar os organismos suspeitos.
Tratamento
Tuberculose
Deve­se obter a permissão das autoridades de saúde locais nos casos de infecção pelo Mycobacterium
tuberculosis, sempre considerando o potencial zoonótico
A quimioterapia com múltiplos fármacos empregando aqueles usados para tratar a tuberculose humana tem
sido bem­sucedida. É difícil tratar as infecções pelo complexo do M. avium
Hanseníase felina
Antes da disseminação em ampla escala, as lesões individuais podem ser excisadas com margens
determinadas, o que pode levar à cura
O tratamento cirúrgico deve ser precedido pelo sistêmico
Granuloma leproide canino
A excisão é curativa; as lesões podem curar sozinhas; o tratamento antimicrobiano pode ajudar na cicatrização
Infecções subcutâneas e sistêmicas não tuberculosas
O tratamento deve basear­se na identificação do organismo e no teste de sensibilidade a antibiótico
(antibiograma)
Em geral, o tratamento com múltiplos fármacos é garantido
O desbridamento cirúrgico agressivo para diminuir o volume das lesões pode ajudar na resolução; o
tratamento antimicrobiano no pré e no intraoperatório é recomendado.
Fármacos de escolha
Tuberculose
Usar sempre 2 ou 3 fármacos no tratamento oral; nunca tentar tratar com um único medicamento, qualquer
que seja o microrganismo
Recomendação atual: fluoroquinolona (p. ex., enrofloxacina), claritromicina e rifampicina por 6 a 9 meses
Enrofloxacina, orbifloxacina, marbofloxacina, moxifloxacina e ciprofloxacina: 5 a 15 mg/kg VO a cada 24 h
Rifampicina: 10 a 20 mg/kg VO a cada 24 h ou fracionados a cada 12 h (máximo de 600 mg/dia)
Claritromicina: 5 a 10 mg/kg VO a cada 24 h
Isoniazida e rifampicina: combinações são usadas; sabe­se pouco sobre seu uso em gatos; um relato recente
de tratamento (em gato) com isoniazida, rifampicina e di­hidroestreptomicina por 3 meses revelou perda de
peso, mas sucesso eventual no desfecho
Isoniazida: 10 a 20 mg/kg (até um total de 300 mg) VO a cada 24 h
Etambutol: 15 mg/kg VO a cada 24 h
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Pirazinamida: em vez de etambutol; 15 a 40 mg/kg VO a cada 24 h
Di­hidroestreptomicina: 15 mg/kg IM a cada 24 h
Hanseníase felina
Rifampicina: 10 a 20 mg/kg VO a cada 24 h ou fracionados a cada 12 h
Possivelmente útil: claritromicina, como anteriormente
Infecções subcutâneas e sistêmicas não tuberculosas:
Pode­se usar o teste de sensibilidade in vitro para escolher a quimioterapia nesses casos. Entre os antibióticos
tidos como eficazes contra vários isolados de AM estão os macrolídeos, as sulfonamidas, tetraciclinas,
aminoglicosídios e fluoroquinolonas
Os fármacos antituberculose em geral não são eficazes
No passado, recomendava­se o tratamento com um único fármaco, mas, devido à resposta insuficientea longo
prazo, agora recomenda­se o tratamento com 2 fármacos
Os antibióticos à base de fluoroquinolonas, trimetoprima­sulfonamidas, aminoglicosídios, tetraciclinas e
claritromicina são úteis para alguns isolados individuais. Até certo ponto, a resposta pode ser prevista de
acordo com a espécie isolada, mas o tratamento a longo prazo deve basear­se no teste de sensibilidade
O tratamento deve prosseguir por 2 a 6 meses. Recidivas após o término do tratamento ou durante ele são
comuns.
Comentários
Orientação do proprietário e prognóstico
Tuberculose: reservado, mas, na realidade, atualmente indefinido, porque a experiência com os fármacos
modernos mais bem tolerados por períodos prolongados é limitada
Hanseníase felina: reservado a ruim no caso da síndrome 1; razoável para a síndrome 2, em especial se as lesões
forem passíveis de excisão cirúrgica
Granuloma leproide canino: bom prognóstico
Infecções subcutâneas e sistêmicas não tuberculosas: recidivas são comuns, mas abordagens cirúrgicas
rigorosas e tratamento com múltiplos fármacos podem melhorar a perspectiva relatada na literatura.
Monitoramento do paciente
Fármacos antituberculose e anti­hanseníase: submeter a exames pelo menos mensais; monitorar a anorexia e a
perda de peso
Monitorar as enzimas hepáticas mensalmente
Instruir os proprietários a relatarem as lesões cutâneas imediatamente.
Potencial zoonótico
Tuberculose: animais domésticos de estimação acometidos são possíveis ameaças zoonóticas sérias para os
proprietários; as autoridades de saúde pública devem ser notificadas sobre qualquer diagnóstico antemorte ou
pós­morte (isso pode ser exigido por lei); não tentar tratamento sem a concordância das autoridades de saúde
pública
M. tuberculosis: maior potencial de zoonose, em especial com lesões cutâneas que drenam
Transmissão da doença de cães e gatos para seres humanos: registrada muito raramente; nos surtos recentes de
tuberculose em gatos, nenhum caso foi documentado
Os clínicos que sabem de casos de tuberculose humana no ambiente doméstico de cães e gatos devem
aconselhar os proprietários sobre o risco de zoonose reversa.
Siglas
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AM = actinomicetos
BCG = bacilo de Calmette­Guérin
DNA = ácido desoxirribonucleico
IM = intramuscular
PCR = reação em cadeia da polimerase
PPD = derivado proteico purificado de tuberculina
SNC = sistema nervoso central
TB = tuberculose
VO = via oral.
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Capítulo 30 Nocardiose
Karen Helton Rhodes
Panorama
Infecção incomum de cães e gatos
Organismo: saprófita do solo; entra no corpo através de feridas contaminadas ou por inalação.
Etiologia e Jsiopatologia
Sistema imune comprometido aumenta a probabilidade de infecção
Sistemas acometidos: respiratório; cutâneo e exócrino, linfático, musculoesquelético, nervoso
Nocardia asteroides (cães e gatos)
N. brasiliensis (apenas gatos)
Proactinomyces spp. (raras).
IdentiJcação e histórico
Cães e gatos de qualquer raça.
Características clínicas
Dependem do local da infecção
Infecção pleural: piotórax, resultando em dispneia, emaciação e febre
Infecção cutânea: feridas crônicas que não cicatrizam (Figura 30.1); em geral acompanhadas por tratos
fistulosos (Figuras 30.2 e 30.3); se extensas, podem resultar em linfadenopatia, drenagem de linfonodos e
osteomielite
Infecção disseminada: mais comum em cães jovens; geralmente começa no trato respiratório; letargia, febre e
perda de peso; febre cíclica pode ser característica; o SNC pode ser acometido; pode ocorrer efusão pleural e/ou
abdominal.
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Figura 30.1 Lesão focal que não cicatriza, característica de nocardiose. (Cortesia da Dra. Carol Foil.)
Figura 30.2 Nocardiose. Macho felino castrado da raça Balinesa com 11 anos de idade e tratos fistulosos
associados a úlceras multifocais. (Cortesia das Dras. Dawn Logas e Marcia Schwassman.)
Diagnóstico diferencial
Doença cutânea: actinomicose
■ Micobacteriose atípica
■ Hanseníase
■ Abscessos em feridas por mordedura
■ Tratos fistulosos resultantes de corpos estranhos
Doença pleural: piotórax bacteriano
■ Neoplasia torácica
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■ Hérnia diafragmática crônica
Doença disseminada: infecções fúngicas sistêmicas
■ Peritonite infecciosa felina.
Figura 30.3 Nocardiose. Vista aproximada da Figura 30.2. (Cortesia das Dras. Dawn Logas e Marcia
Schwassman.)
Diagnóstico
Leucocitose neutrofílica
Anemia arregenerativa: com infecções de longa duração (anemia decorrente de doença crônica)
Perfil bioquímico: geralmente normal; é possível observar hipergamaglobulinemia com infecções de longa
duração
Radiografias: podem revelar efusão pleural ou peritoneal, pleuropneumonia ou osteomielite
Citologia: toracocentese ou abdominocentese para a obtenção de amostras; corar as amostras ou outros
exsudatos com os corantes de Romanowsky, Gram e acidorresistentes modificados para chegar a um
diagnóstico rápido; pode revelar bastonetes e cocos Gram­positivos filamentosos ramificados; impossível
distingui­los de Actinomyces spp.
Cultura: diagnóstica; cultura aeróbica em meio de Sabouraud
N. asteroides: reação piogranulomatosa mais supurativa do que no caso de infecção por Actinomyces spp. N.
brasiliensis: reação granulomatosa com fibrose extensa
Embora o organismo em geral esteja presente, não pode ser distinguido de Actinomyces spp. ao exame
histopatológico.
Tratamento
Efusões pleurais ou peritoneais e forma disseminada: hospitalizar o paciente até que esteja clinicamente estável
e a efusão seja eliminada; líquidos para reidratação e manutenção costumam ser necessários
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Antibioticoterapia a longo prazo e drenagem de tratos fistulosos: tratamento ambulatorial
Dieta: estimular o consumo oferecendo alimentos palatáveis pelo sabor e pelo odor; no caso de pacientes
hospitalizados com anorexia, a alimentação enteral forçada é essencial; sonda orogástrica é preferível
Cirurgia: quando viável, a drenagem cirúrgica deve acompanhar o tratamento clínico; é importante colocar um
tubo de toracotomia para a efusão pleural; tentar a drenagem cirúrgica e o desbridamento de tratos fistulosos e
linfonodos; cuidado para identificar corpos estranhos.
Fármacos de escolha
Organismo cultivado: teste de sensibilidade a antibiótico
Sem cultura ou resultados pendentes: bons fármacos de primeira escolha são as sulfonamidas (p. ex.,
sulfadiazina na dose de 100 mg/kg IV, VO como dose de ataque, seguida por 50 mg/kg IV, VO a cada 12 h) e
combinações de sulfonamida­trimetoprima (30 mg/kg VO a cada 24 h)
Aminoglicosídios: gentamicina (3 mg/kg IV, IM, SC a cada 8 h); amicacina (6,5 mg/kg IV, IM, SC a cada 8 h)
Tetraciclinas: doxiciclina (10 mg/kg VO a cada 24 h); cloridrato de tetraciclina (15 a 20 mg/kg VO a cada 8 h);
minociclina (5 a 12,5 mg/kg VO a cada 12 h)
Eritromicina: 10 a 20 mg/kg VO a cada 8 h; ou combinada com ampicilina (20 a 40 mg/kg VO a cada 8 h) ou
amoxicilina (6 a 20 mg/kg VO a cada 8 a 12 h)
Amoxicilina mais um aminoglicosídio: combinação sinérgica; considerar em qualquer infecção séria, quando
não for possível solicitar cultura ou o resultado dela estiver
pendente
O período médio de tratamento é de 6 semanas; no entanto, o tratamento clínico deve prolongar­se por várias
semanas após a remissão aparente da doença.
Comentários
Tetraciclinas (gatos): pode causar febre de até 41,5°C; interromper a administração e substituir se a febre
aumentar durante o tratamento
Monitorar com cuidado em termos de febre, perda de peso, convulsões, dispneia e claudicação no primeiro ano
após o tratamento aparentemente bem­sucedido, por causa do potencial de acometimento ósseo e do SNC.
Siglas
IM = intramuscular
IV = intravenoso
SC = subcutâneo
SNC = sistema nervoso central
VO = via oral.
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Capítulo 31 Dermatoses Virais
Karen Helton Rhodes
Panorama
Dermatoses causadas por infecção viral em estruturas queratinizadas. Geralmente passam despercebidas ao
diagnóstico, devido à dificuldade de identificar um agente viral causador exato.
Etiologiae Jsiopatologia
A replicação viral em estruturas queratinizadas pode causar efeitos citossupressores ou suprarregular a
queratinização, resultando em condições hiperplásicas ou crostosas
A maioria das dermatoses virais reconhecidas na medicina veterinária envolve doença associada a poxvírus,
coronavírus, papilomavírus, retrovírus, herpes­vírus e calicivírus
Ocorrem algumas síndromes cutâneas amplamente reconhecidas em animais que não se comprovou serem o
resultado direto de infecção viral, embora pareça haver forte associação sugestiva de um efeito causal.
IdentiJcação e histórico
Acometimento facial ou da cabeça comum
Pés e/ou coxins plantares podem ser acometidos
Os sinais clínicos dermatológicos são variáveis, e cada vírus específico em geral envolve outros sistemas
orgânicos, como o respiratório, o gastrintestinal e/ou o nervoso.
Causas
Vasculite felina associada ao FeLV (retrovírus): necrose grave dos pavilhões auriculares e da extremidade da
cauda
Dermatose felina de célula gigante (retrovírus): pruriginosa; dermatose ulcerativa da face, do pescoço e dos
pavilhões auriculares associada ao FeLV
Estomatite felina plasmocitária (retrovírus): lesão dolorosa proliferativa nas pregas e arcos palatoglossos;
associada ao FIV
Pododermatite felina plasmocitária (retrovírus): coxins esponjosos metacarpianos e metatarsianos ± dolorosos e
ulcerativos; associada ao FIV
Condrite plasmocítica plasmocitária (retrovírus): tumefação dolorosa simétrica dos pavilhões auriculares,
seguida por enrugamento quando cicatriza, pirexia, associada ao FeLV ou ao FIV
Cornificações epidérmicas: cornificações multicêntricas em felinos, geralmente nos coxins plantares e algumas
vezes faciais
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Infecção pelo vírus da varíola felina (poxvírus): mácula eritematosa que ulcera rapidamente; 20% dos casos
apresentam lesões bucais, depressão, anorexia, pirexia, sinais respiratórios; as lesões em geral se resolvem em
3 a 8 semanas
Peritonite infecciosa felina (coronavírus): ascite, efusão pleural, hepatite, uveíte e, raramente, lesões cutâneas
que se caracterizam por vasculite, causando úlceras e necrose
Papilomavírus felino (papilomavírus): placas hiperplásicas em gatos idosos da raça Persa; implica carcinoma
escamocelular
multicêntrico in situ (doença de Bowen) e caracteriza­se por placas hiperqueratóticas hiperpigmentadas
principalmente na face, nos ombros e nas extremidades (Figura 31.1)
Papilomavírus canino (papilomavírus): papilomas virais bucais ou da junção mucocutânea, em cães jovens ou
sem imunologia natural, associados ao uso de ciclosporina (Figura 31.2)
Cornificações exofíticas caninas (papilomavírus): Cocker Spaniel e Kerry Blue Terrier
Cinomose (morbilivírus): hiperqueratose nasodigital, dermatite pustular, febre, anorexia, secreção oculonasal,
diarreia, sinais neurológicos
Dermatite viral pustular contagiosa (parapoxvírus): ovinos e caprinos são reservatórios; pústulas, ulcerações e
crostas tipicamente na cabeça; acomete cães e gatos
Pseudorraiva (herpes­vírus): cães e gatos; prurido intenso automutilante; suínos são o principal reservatório;
aguda e fatal
Rinitraqueíte felina (herpes­vírus): vesículas, bolhas, ulcerações das regiões facial e nasal; em geral associada a
infecções respiratórias superiores
Eritema multiforme associado ao herpesvírus felino: as lesões cutâneas surgem 10 dias após a infecção por
herpes­vírus causar sinais respiratórios e conjuntivite; dermatose generalizada erosiva e esfoliativa que se
resolve em poucas semanas
Infecção pelo herpes­vírus canino (herpesvírus): hemorragias petequiais nas mucosas, morte aguda de filhotes,
queratite e conjuntivite em cães adultos
Figura 31.1 Lesões múltiplas da doença de Bowen (carcinoma escamocelular cutâneo felino in situ) em um gato
idoso. (Cortesia da Dra. Candace Sousa.)
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Figura 31.2 Beagle jovem com papilomas bucais e um único papiloma cutâneo na junção mucocutânea da
pálpebra.
Infecção pelo calicivírus felino (calicivírus): vesículas bucais e faciais que ulceram rapidamente, infecção do
trato respiratório superior, pneumonia, morte aguda ou resolução espontânea (Figura 31.3)
Síndrome da dor orofacial felina (calicivírus): gatos Birmaneses e Siameses predispostos, neuralgia do
trigêmeo, prurido unilateral intenso; pode estar associada a doença bucal.
Fatores de risco
Comportamento belicoso ou de caça
Exposição a um animal infectado
Ingestão de materiais infectados.
Características clínicas
Crostas
Foliculite bacteriana superficial associada
Abscesso
Paroníquia
Má cicatrização de feridas
Seborreia
Dermatite esfoliativa
Cornificações cutâneas
Papilomas exofíticos
Gengivite e estomatite
Ulceração cutânea ou oral (da junção mucocutânea)
Hiperqueratose nasodigital
Máculas ou placas pigmentadas
Progressão para carcinoma bowenoide in situ (papilomavírus).
Diagnóstico diferencial
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Doenças crostosas: se a formação de crostas anteceder outros sintomas, considerar erupção medicamentosa,
pênfigo foliáceo, lúpus eritematoso sistêmico e causas de dermatite esfoliativa
Distúrbios alérgicos: se prurido for o sinal inicial, considerar dermatite alérgica a pulgas, reações cutâneas
adversas a alimentos ou dermatite atópica, ou proliferação e hipersensibilidade a Malassezia
Figura 31.3 Infecção pelo calicivírus em um gato. Notar o eritema e as erosões ao longo da região periocular e
na face. (Cortesia do Dr. J. Taboada.)
Doenças parasitárias: escabiose canina e/ou felina, demodicose, queiletielose
Doenças infecciosas: infecções bacterianas e fúngicas superficiais e profundas; considerar leishmaniose
Distúrbios da queratinização: hiperqueratose nasodigital, dermatoses responsivas ao zinco
Neoplasia: com crostas e ulcerações extensas, considerar tumores de mastócitos e linfoma epiteliotrópico
Distúrbios metabólicos: síndrome hepatocutânea (dermatite necrolítica superficial).
Diagnóstico
Hemograma completo, perJl bioquímico e urinálise
Geralmente normais; as anormalidades presentes podem refletir a gravidade de outras doenças sistêmicas.
Citologia, sorologia, isolamento de vírus
Raspados cutâneos e tricogramas, cultura por dermatófitos, citologia epidérmica: usados para excluir outras
entidades diferenciais
Sorologia viral: os testes para detectar FeLV e FIV são os mais comumente utilizados em medicina veterinária;
inibição da hemaglutinação, neutralização do vírus, fixação do complemento, Western blot (immunoblot) ou
ELISA demonstram títulos elevados indicativos de infecção ativa em amostras de soro pareadas
Isolamento de vírus de material de crosta em geral diagnóstico (90% positivo na infecção por poxvírus)
PCR ou RT­PCR
Análise do líquido cerebrospinal e aspirado da medula óssea às vezes são úteis.
Achados histopatológicos
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Microscopia óptica
Hiperplasia
Degeneração com balonamento
Dermatite hidrópica de interface
Formação de célula gigante do tipo sincicial na epiderme e/ou bainha da raiz externa do folículo piloso
Corpúsculos de inclusão nos queratinócitos
Imuno­histoquímica: em geral, empregase o método imunofluorescente ou do complexo avidina­biotina para
detectar antígenos relacionados com o grupo do papilomavírus
Microscopia eletrônica
Altamente seletiva e diagnóstica, mas nem sempre disponível com facilidade
Pode ser feita com crosta, amostra de biopsia ou exsudato.
Tratamento
Geralmente ambulatorial, exceto no caso de pacientes com acometimento sistêmico
Pacientes com acometimento sistêmico: podem precisar de líquidos IV, antibióticos parenterais ou banhos
diários para remoção das crostas
Cuidados de suporte e tratamento de infecções secundárias
L­lisina, 200 a 500 mg/gato 2 vezes/dia
AZT ou zidovudina: agente antiviral direto, mais eficaz contra infecções pelo FIV, mo­nitorar supressão da
medula óssea; 5 a 15 mg/kg VO a cada 12 h (primordialmente FIV, FeLV)
Interferona a: 60 a 120 unidades/dia VO (dose imunomoduladora) ou 1 a 2 milhões de unidades/m2SC 3
vezes/semana
Imiquimod tópico: usado primariamente para a síndrome de Bowen (carcinoma escamocelular in situ)
Soro imune de paciente recuperado (herpesvírus)
Vacinações como profilaxia contra infecções por certos vírus (cinomose, FeLV etc.)
Imunomoduladores em geral tentados: Propionibacterium acnes e acemanana
Antivirais oftálmicos: vidarabina; usada para úlceras herpéticas a cada 2 h.
Precauções e interações
Tratamento com corticosteroide.
Siglas
AZT = azidotimidina
ELISA = ensaio imunossorvente ligado a enzima
FeLV = vírus da leucemia felina
FIV = vírus da imunodeficiência felina
IV = intravenoso
PCR = reação em cadeia da polimerase
RT­PCR = reação em cadeia da polimerase da transcriptase reversa
SC = subcutâneo
VO = via oral.
Neoplasias, Dermatoses
Cutâneas e
Paraneoplásicas Seção 6
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Capítulo 32 Dermatoses Actínicas
Alexander H. Werner
Panorama
A radiação actínica, mais frequentemente associada à UVL, é absorvida e causa danos a muitas moléculas nas
células cutâneas
Áreas não pigmentadas e/ou glabras de cães e gatos são mais acometidas
As dermatoses actínicas comuns incluem dermatite solar, CA, comedões actínicos e furunculose, HA, HSA e
SCC.
Etiologia e Jsiopatologia
Tanto os UVA quanto os UVB causam dermatite actínica (solar) por:
Fototoxicidade direta (queimadura solar)
Alteração dos marcadores celulares (vista no lúpus eritematoso discoide e no pênfigo eritematoso)
Dano por compostos fotoativos (fotossensibilidade)
Hiperproliferação celular e mutagênese (CA e neoplasia induzida pelo sol)
As barreiras naturais à UVL (p. ex., melanina) são vencidas pela exposição crônica e prolongada à luz solar
A UVL causa dano ao DNA direta e indiretamente pelos radicais livres; foram documentadas mutações
específicas induzidas pela UVL no gene supressor tumoral p53, levando à expansão de queratinócitos mutados
Os pacientes em geral desenvolvem um espectro de distúrbios causados pela UVL ao mesmo tempo, inclusive
não neoplásicos (comedões actínicos e furunculose), pré­neoplásicos (CA) e neoplásicos (HA, HSA e SCC).
IdentiJcação e histórico
Em sua maioria, os cães e gatos acometidos são animais que tomam banhos de sol; cães podem ter preferência
porque costumam expor mais um dos lados do corpo ao fazer isso, o que resulta em lesões assimétricas
As lesões se desenvolvem na pele ligeiramente pigmentada ou não pigmentada exposta ao sol (naturalmente ou
com cicatriz) em áreas não suficientemente protegidas por pelos e em junções entre pele com pelos e sem pelos
Cães: plano nasal, parte dorsal do focinho, axilas e áreas glabras da parte ventral do abdome e medial da coxa
Gatos: margens do pavilhão auricular e plano nasal
Sem predileção sexual
Idade: em geral, animais mais velhos; relatos em jovens de até 2 anos
Distribuição geográfica: animais criados fora de casa nos trópicos, desertos ou regiões montanhosas (níveis
maiores de UVL)
Predileções raciais: Dálmata, Whippet, Italian Greyhound, Greyhound, American Staffordshire e Bull Terrier,
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Beagle, Pointer Alemão de Pelo Curto, Boxer, Basset Hound.
Características clínicas
Dermatite solar (Figuras 32.1 e 32.2):
Eritema, tumefação (edema), crostas, erosão, ulceração e exsudação
Prurido variável; desenvolve­se mais em lesões crônicas
Vasculopatia pode não ser reconhecida
As lesões podem expandir­se à medida que a pele adjacente fica inflamada, despigmentada e alopécica
Desenvolvem­se casos graves secundários a foliculite bacteriana e fibrose
Gatos: as margens dos pavilhões auriculares, as pálpebras, o plano nasal e as margens dos lábios em gatos
brancos desenvolvem eritema, descamação e escaras; as margens dos pavilhões auriculares podem ficar
encurvadas
Figura 32.1 Placas cicatrizadas e despigmentadas de dermatite solar crônica.
Figura 32.2 Dermatite solar nos pavilhões auriculares. Notar o eritema, o espessamento e o ligeiro
encurvamento das margens auriculares.
Comedões actínicos e furunculose (Figuras 32.3 a 32.6)
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Vistos em conjunto com outras dermatoses actínicas crônicas
Folículos inflamados e dilatados com restos caseosos resultam de fibrose dérmica
Cistos dérmicos não foliculocêntricos e nódulos
Figura 32.3 Comedões actínicos vistos como folículos inflamados e dilatados preenchidos por restos celulares.
Figura 32.4 Comedões actínicos e furunculose.
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Figura 32.5 Comedões actínicos rotos levando à formação de bolhas e furunculose.
Figura 32.6 Bolhas hemorrágicas, cistos dérmicos e nódulos.
Comedões e cistos rompidos causam furunculose (bacteriana)
Descamação, hemorragia e fibrose são sequelas comuns
Com a cronicidade, desenvolvem­se grandes bolhas hemorrágicas
CA (Figuras 32.7 e 32.8):
As CA podem ser precursoras do SCC, ou representá­lo in situ
Placas eritematosas precoces parecem ligeiramente liquenificadas ou ásperas
Placas epiteliais podem ser palpáveis como espessamentos firmes antes de tornar­se visíveis e ser
distinguíveis da pele adjacente pigmentada não espessada (normal)
Placas crostosas, endurecidas e esfoliativas
É possível observar hiperqueratose grave como cornos cutâneos
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Figura 32.7 Queratoses actínicas com múltiplas placas crostosas, endurecidas e esfoliativas.
Figura 32.8 Queratoses actínicas na face medial da parte anterior da perna.
Placas individuais e nódulos (em geral com comedões actínicos) coalescem, formando lesões maiores
As áreas acometidas tornam­se extensas; desenvolvem­se inflamação e exsudação, com furunculose
secundária
Axilas, a parte ventral do abdome e a medial da coxa são os locais primários; com menor frequência, a parte
dorsal do focinho e a região palpebral
Gatos: regiões pré­auriculares, bem como as dos pavilhões auriculares, plano nasal e das pálpebras; as lesões
em geral estão traumatizadas em decorrência da formação de escamas e crostas
HA e HSA induzidos pela luz solar (Figuras 32.9 a 32.12)
HA e HSA induzidos pela UVL têm localização superficial e dérmica; o comportamento difere de tumores
não induzidos pela UVL
O HA é mais comum que o HSA
As lesões iniciais simulam telangiectasia
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Figura 32.9 Hemangiomas múltiplos no ventre.
Figura 32.10 Hemangiossarcoma na membrana nictitante, induzido pela luz solar.
Figura 32.11 Hemangiossarcoma induzido pela luz solar. Nódulos bem demarcados avermelhados e/ou cheios de
sangue.
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Figura 32.12 Massa discreta ulcerada de hemangiossarcoma induzido pela luz solar.
As lesões são nódulos ou massas bem demarcados, avermelhados ou escuros
Em geral múltiplos
Associados a outras dermatoses actínicas
HA: benigno em termos de comportamento
HSA: metástase em menos de 20% dos casos superficiais (induzidos pela luz solar)
SCC (Figuras 32.13 a 32.19):
80% dos casos surgem em associação à CA
Neoplasia maligna cutânea mais comum em gatos (15 a 49%); segunda mais comum em cães (3 a 20%)
Único ou múltiplo
Lesões iniciais: ulcerações rasas crostosas com alopecia periférica e eritema
Figura 32.13 Placa erodida de carcinoma escamocelular.
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Figura 32.14 Carcinoma escamocelular adicional no paciente da Figura 32.13.
Figura 32.15 Placas ulceradas e nódulos de carcinoma escamocelular nas axilas.
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Figura 32.16 Carcinoma escamocelular felino. Notar a descamação pontilhada na parte externa das narinas e do
focinho.
Figura 32.17 Carcinoma escamocelular ocasionando tumefação do plano nasal e da parte dorsal do focinho.
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Figura 32.18 Aspecto rostral do paciente da Figura 32.17, demonstrando tumefação e descamação do plano
nasal.
Figura 32.19 Placa com escara de carcinoma escamocelular no pavilhão auricular.
Lesões intermediárias: placas erodidas e exsudativas; superfície descamada
Lesões tardias: placas ou manchas profundas, crateriformes e endurecidas
Cornos cutâneos (raros)
Gatos: na parte externa das narinas, as lesões podem ser proliferativas e descamativas ou ulcerativas; as
lesões nos pavilhões auriculares em geral são traumatizadas
Altamenteinvasivo e destrutivo em nível local, com perda significativa de tecido; o tecido neoplásico pode
estender­se além dos limites visíveis
A hemorragia pode ser grave, em decorrência da erosão através dos vasos sanguíneos locais
Metástase ocorre raramente
Infecção bacteriana secundária resulta em dor e sintomas sistêmicos.
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Diagnóstico diferencial
Dermatite solar: lúpus eritematoso (discoide, cutâneo, sistêmico), pênfigo eritematoso, dermatomiosite,
vasculite, queimadura térmica, neoplasia e foliculite bacteriana
Comedões actínicos e furunculose: furunculose bacteriana, fúngica ou micobacteriana, demodicose, síndrome do
comedão do Schnauzer, endocrinopatia e neoplasia
Queratoses actínicas: furunculose bacteriana, queratose liquenoide, SCC, erupção medicamentosa tópica e
dermatite de contato grave
HA e HSA: furunculose bacteriana, outras anormalidades vasculares e neoplasia vascular não induzida pela luz
solar
SCC: outra neoplasia, trombose de vaso profundo, vasculite, doença granulomatosa estéril, furunculose
bacteriana, fúngica ou micobacteriana profunda.
Diagnóstico
Exame citológico de amostras de aspirados: mostra organismos infecciosos
Cultura bacteriana e sensibilidade de tratos fistulosos (infecções recorrentes)
Elastose solar: substituição do colágeno da derme superficial por fibras basofílicas; característica do dano pela
UVL; pode estar associada a fibrose laminar
Dermato­histopatologia de tecidos representativos é necessária para estabelecer o diagnóstico
Dermatite solar: diminuição de melanócitos, hiperplasia epidérmica, edema intraepidérmico, queratinócitos
apoptóticos, espessamento ou obscurecimento da junção dermoepidérmica, dilatação vascular e elastose solar
Comedões actínicos e furunculose: hiperplasia epidérmica, tampões em óstios foliculares e acúmulo
intrafolicular de restos de queratina, fibrose perifolicular, elastose solar; comedões rompidos resultam em
furunculose com inflamação dérmica e infiltração de neutrófilos (similar à furunculose bacteriana); devem
estar associados a outras dermatoses actínicas
CA: hiperplasia epidérmica e displasia, com hiperqueratose grave e/ou paraqueratose “amontoada”; os
queratinócitos parecem distorcidos e/ou apoptóticos; infiltrado perivascular a liquenoide dérmico com
elastose solar e fibrose; ausência de invasão atrás da junção dermoepidérmica
HA: ectasia vascular cheia de sangue, delimitada por células endoteliais, as quais podem mostrar graus
variáveis de atipia, representando um contínuo de HA para HSA; menos circunscrito que o HA não induzido
pela UVL; associado a elastose solar dérmica e fibrose
HSA: ectasia vascular invasiva não uniformemente confinada por células endoteliais, que demonstram
pleomorfismo celular e nuclear acentuado e atividade mitótica; associado a elastose solar dérmica e fibrose
SCC: trabéculas de células descamativas invadem a derme; agregados de células neoplásicas; pérolas de
queratina (acúmulos de queratina compacta); queratinócitos com pleomorfismo celular e nuclear; atividade
mitótica maior em cães do que em gatos; associado a elastose solar dérmica e fibrose.
Tratamento
Evitar exposição à UVL mantendo os pacientes dentro de casa e aplicando­lhes protetor solar
Usar roupas protetoras
Tumores individuais devem ser excisados cirurgicamente; áreas grandes podem requerer procedimentos
extensos
Vitamina E (200 mg 2 vezes/dia para animais com menos de 10 kg; 400 mg 2 vezes/dia para aqueles com mais
de 10 kg de peso corporal); vitamina C (500 mg 2 vezes/dia); β­caroteno (30 mg 2 vezes/dia a cada 24 h);
vitamina A (400 UI/kg a cada 24 h); podem ter efeito protetor
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Corticosteroides tópicos podem reduzir áreas localizadas de inflamação
Prednisolona (dosagem gradativa de 0,5 mg/kg): reduz a inflamação significativa
Cefalexina (22 mg/kg 2 vezes/dia): furunculose bacteriana secundária; antibióticos alternativos selecionados
pelos resultados de cultura e teste de sensibilidade
Tretinoína a 0,1%: aplicar diariamente em cada lesão por 14 dias; em seguida, 2 a 3 vezes/semana; pode causar
irritação
Isotretinoína: 1 mg/kg a cada 24 h por 30 dias; em seguida, em dias alternados ou conforme necessário para
controlar as lesões.
Comentários
Triagem rotineira quanto ao desenvolvimento de lesões suspeitas; tumores individuais devem ser removidos
assim que forem identificados
O prognóstico é razoável a reservado nos casos de doença extensa
Pacientes com doença grave podem ter o tamanho das áreas acometidas reduzido por medicações, o que
possibilita uma intervenção cirúrgica mais eficaz
A maioria dos casos resulta em eutanásia devido às complicações secundárias de lesões abertas e neoplasia, não
por metástases
Isotretinoína: tem sido difícil receitar retinoides sintéticos por via oral em virtude de os procedimentos de
prescrição serem muito restritos; pode causar ceratoconjuntivite seca; teratógeno extremo; não usar em fêmeas
não castradas por causa da teratogenicidade grave e previsível e do período de retirada extremamente longo;
mulheres em idade reprodutiva não devem manusear essa medicação; monitorar o perfil bioquímico, inclusive
triglicerídios, e a produção de lágrimas.
Siglas
CA = queratose(s) actínica(s)
DNA = ácido desoxirribonucleico
HA = hemangioma
HSA = hemangiossarcoma
SCC = carcinoma escamocelular
UVA = raios ultravioleta A
UVB = raios ultravioleta B
UVL = luz ultravioleta.
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Capítulo 33
Síndromes Pré-Neoplásicas e
Paraneoplásicas Caninas
Alexander H. Werner
Panorama
Dermatoses pré­neoplásicas: lesões com predisposição maligna; tendência a tornarem­se tumores (não
consistente)
Dermatoses paraneoplásicas: lesões associadas a malignidade interna; em geral, um marcador de neoplasia
específica
No caso de algumas síndromes, é difícil categorizar as dermatoses como pré ou paraneoplásicas, porque a
progressão do padrão reativo para neoplasia franca pode ser inconsistente.
Etiologia e Jsiopatologia
Dermatoses pré­neoplásicas
Queratoses actínicas: a UVL causa dano ao DNA direta e indiretamente pelos radicais livres; foram
documentadas mutações específicas induzidas pela UVL no gene supressor tumoral p53, levando à expansão
de queratinócitos mutantes (ver Capítulo 32)
Linfocitose cutânea: expansão de células T em resposta à estimulação antigênica persistente, como ocorre por
fármacos ou vacinas; o rearranjo clonal pode resultar em linfoma franco
Fasciite nodular: lesão reativa benigna, possivelmente devida a traumatismo; designação usada
ocasionalmente para descrever processos proliferativos, incluindo histiocitose reativa
Mastocitose papular: não foi identificada nenhuma mutação específica nos mastócitos que acarrete
mastocitose sistêmica; associada a mutações do oncogene c­kit em seres humanos
Dermatoses paraneoplásicas
Amiloidose cutânea (nodular primária): aumento da produção de cadeias leves de imunoglobulina
amiloidogênica por plasmócitos em proliferação; associada ao mieloma múltiplo e ao plasmocitoma
extramedular
Mucinose cutânea (secundária): acúmulo excessivo de mucina na derme, raramente associado a tumores de
mastócitos
Pênfigo paraneoplásico: proteínas da família plaquina epidérmica múltipla e desmogleínas alvejadas; a
apoptose de queratinócitos mediada por células T pode contribuir para o desenvolvimento da lesão
Dermatofibrose nodular: aumento potencial na produção local da citocina TGF­β1, resultando em excesso de
colágeno, em decorrência de defeito genético ou tumores renais ou da musculatura uterina
Dermatite necrolítica superficial: associação rara a neoplasia pancreática secretora de glucagon ou
extrapancreática; a glicogênese induzida pela glucagonemia resulta em hipoaminoacidemia, causando
degeneração de queratinócitos
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Eritema multiforme: reação imunológica em geral a um fármaco ou neoplasia interna; a suprarregulação da
expressão de MHC II e ICAM­1 nos queratinócitosem fita de colônia para identificação com corante azul de lactofenol algodão.
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Figura 3.8 Macroconídios de Microsporum canis.
Figura 3.9 Macroconídios de Microsporum gypseum.
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Figura 3.10 Microconídios de Trichophyton mentagrophytes.
Informar ao laboratório se houver suspeita de organismo incomum ou zoonótico; obter informação a respeito
das preferências do laboratório para submeter as amostras suspeitas de terem estafilococos resistentes à
meticilina
Obter amostras de lesões superficiais usando swabs estéreis
O excesso de restos que pode contaminar os resultados deve ser delicadamente retirado com uma compressa de
gaze embebida em álcool; não esfregar as lesões com soluções antissépticas antes de coletar a amostra
As amostras dos canais auditivos externo e médio para cultura bacteriana, identificação e teste de sensibilidade
são discutidas adiante e no Capítulo 46.
Amostras de lesões superJciais
Aplicar swab estéril diretamente na lesão (Figura 3.11)
Coletar a amostra do interior de uma lesão utilizando aspirado com agulha e aplicar um swab estéril (Figura
3.12)
Podem ser coletadas amostras:
De exsudatos superficiais
Sob crostas e escamas
Da periferia de colaretes epidérmicos
De pústulas lancetadas.
Amostras obtidas de tecido
Usar técnica de biopsia estéril
Colocar a amostra de tecido em gaze estéril e remover a epiderme com bisturi (a epiderme pode ser submetida
com tecido adicional a exame histopatológico)
Colocar a derme restante e o tecido subcutâneo em recipiente estéril; se for previsto tempo prolongado de
transporte, deve­se acrescentar uma pequena quantidade de solução fisiológica ao recipiente para que se evite a
desidratação do tecido.
Obtenção de amostras do canal auditivo
Indicada no caso de infecção persistente
Indicada quando são identificados bastonetes bacterianos em amostras de citologia
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Figura 3.11 Obtenção de amostra para cultura bacteriana diretamente de uma prega cutânea.
Figura 3.12 Obtenção de amostra para cultura bacteriana e citologia de uma pústula.
As amostras obtidas do canal auditivo externo proximal e distal, da orelha média, bem como de cada orelha,
podem ser diferentes; pode ser necessário submeter amostras de cada um desses locais para a avaliação acurada
de otite externa e média, em especial se os resultados da citologia demonstrarem populações de organismos
As amostras do canal horizontal podem ser obtidas protegendo­se um swab estéril com a cobertura de um
cateter espinal durante a inserção através do canal vertical
Pode­se inserir uma agulha espinal ou cateter estéril através da membrana timpânica para que se obtenha
amostra de líquido do interior da bolha timpânica (Figura 3.13).
■ Figura 3.13 Inserção do cateter estéril através do tímpano para coletar uma amostra para cultura e citologia.
Observar o cateter penetrando na membrana timpânica no quadrante superior direito.
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Capítulo 4 Obtenção de Biopsia Diagnóstica
Karen Helton Rhodes
Panorama
A biopsia de pele é um dos recursos diagnósticos disponíveis mais importantes. Três fatores são fundamentais para
se  obter  uma  biopsia  diagnóstica:  a  escolha  do  local,  a manipulação  do  tecido  e  um bom dermatopatologista. Há
vários  dermatopatologistas  capacitados  em  laboratórios  comerciais  e  privados.  O(s)  dermatologista(s)  local(is)
pode(m)  fornecer  nomes  e  a  localização  dos  laboratórios.  A  escolha  e  a  manipulação  do  tecido  são  da
responsabilidade do veterinário que obtém a amostra.
A decisão de fazer biopsia
São muitos os distúrbios cutâneos para os quais a biopsia é o único recurso diagnóstico útil. A biopsia é igualmente
importante  no  que  parece  ser  um  “caso  clássico”  em  que  a  terapia  convencional  continua  a  falhar. As  “regras”
seguintes aplicam­se a tal decisão.
Quando fazer a biopsia
Lesões persistentes
Qualquer distúrbio neoplásico ou com suspeita de ser neoplásico
Quaisquer dermatoses descamativas
Dermatose vesicular
Alopecias não diagnosticadas
Quaisquer dermatoses incomuns.
Escolha do local
Costuma  ser  difícil  decidir  de  que  área  fazer  biopsia.  Somos  ensinados  a  obter  amostra  da  periferia  da  lesão,  de
modo  que  tanto  áreas  normais  como  anormais  fiquem  disponíveis  para  inspeção.  Em  muitos  casos,  isso  é  um
problema e pode levar a corte inadequado quando apenas uma pequena parte da patologia estiver presente no tecido.
É mais  produtivo  escolher  lesões  representativas  e  submeter  vários  pedaços  de  pele  a  avaliação. A maioria  dos
laboratórios  permite  que,  pelo mesmo preço,  os  clínicos  enviem até  quatro ou  cinco  cortes  de pele,  uma vez que
múltiplos cortes ajudam o patologista a chegar a um diagnóstico. Lembrar­se de que, se a lesão for no plano nasal,
o  corte  tem  de  ser  dessa  área,  não  da  pele  em  volta.  Embora  a  área  sangre muito  ao  ser  cortada,  cicatriza  com
facilidade  e  fibrose mínima,  além de  aumentar  a probabilidade de um diagnóstico  acurado. As  “regras”  seguintes
aplicam­se a tal decisão.
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Local da biopsia
Escolher várias lesões representativas, porque representam os diversos estágios do mesmo distúrbio ou
problemas múltiplos
Incluir lesões que se caracterizem por descamação, formação de crosta, eritema, erosão, ulceração etc. (Figura
4.1 A–C)
Nem sempre é necessário fazer biopsia da margem de uma lesão, embora a amostra obtida do centro de uma
úlcera raramente seja diagnóstica
Figura 4.1A Gato com 10 anos de idade e história de dermatose progressiva, erosiva e ulcerativa que não
responde ao tratamento, além de prurido discreto a moderado.
Figura 4.1B Vista do ventre do mesmo gato, revelando áreas multifocais de erosões, ulcerações e raras lesões
em forma de placas associadas a eritema generalizado.
Figura 4.1C Pastor­Alemão com 8 anos de idade e dermatose ulcerativa e crostosa não pruriginosa.
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Pústulas e vesículas não devem ser biopsiadas pela técnica de punção, porque o movimento de torção rompe ou
remove a parte superior (“teto”) da lesão e rompe a arquitetura da amostra; essas lesões devem ser excisadas em
sua totalidade
É melhor excisar úlceras ou lesões profundas que estejam drenando, em vez de puncionálas, porque o
movimento de torção pode separar o tecido patológico daquele mais normal, deixando indícios importantes para
trás (i. e., vasculite, paniculite etc.)
Não temer a biopsia do coxim plantar ou do plano nasal – é mais fácil fechar locais de onde são retiradas
amostras em cunha do que aqueles de onde são obtidas amostras por punção
Lesões com crostas são bons locais para biopsia. Se a crosta se separar da lesão durante a obtenção da amostra,
não se esquecer de incluí­la em frasco contendo formalina e de fazer uma anotação para o patologista solicitando
o “corte na crosta”
Áreas muito descamadas em geral são bons locais diagnósticos.
Técnica de biopsia
Um dos aspectos mais  importantes a  lembrar é que os  locais de biopsias cutâneas não devem ser escovados nem
limpos, porque isso removeria indícios diagnósticos. Em geral, veterinários acham difícil cortar através de crostas e
descamação sem escovar a área. A maioria das biopsias cutâneas pode ser feita com anestesia  local via  injeção de
lidocaína  na  região  subcutânea  (Figura  4.2 A  e B). Alguns  animais  irascíveis  podem  necessitar  de  um  sedativo.
Evitar punções de 2 e 4 mm, porque os cortes são muito pequenos para uma amostra de bom tamanho. As “regras”
seguintes aplicam­se a tal decisão.
Figura 4.2A Biopsia cutânea revelando exocitose epidérmica linfocítica, que confirma o diagnóstico de linfoma
epidermotrófico.
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Figura 4.2B Biopsia cutânea indicando a etiologia do pênfigo vulgar. Observar a fenda da epiderme deixando as
células do estrato basal ao longo da base da vesícula (aspecto de “lápide”).
Como fazer a biopsia
Nunca escovar ou limpar a área antes da excisão – a crosta da superfíciecausa recrutamento de células T; resulta em necrose de
queratinócitos
As alterações cutâneas decorrentes do hiperadrenocorticismo são discutidas nos Capítulos 11 e 12.
IdentiJcação e histórico
Dermatoses pré­neoplásicas
Queratoses actínicas
As lesões desenvolvem­se na pele altamente pigmentada ou não pigmentada exposta ao sol (naturalmente
ou cicatrizada), em áreas não suficientemente protegidas por pelos, e nas junções entre a pele com
pelagem e a glabra
Plano nasal, parte dorsal do focinho, axilas e áreas glabras da parte ventral do abdome e medial da coxa
Não há predileção sexual
Idade: em geral animais idosos, mas relatadas em animais com 2 anos
Predileções raciais: Dálmata, Whippet, Greyhound Italiano, Greyhound, American Staffordshire e Bull
Terrier, Pointer Alemão de Pelo Curto, Boxer, Basset Hound
Linfocitose cutânea
Muito rara; cadelas idosas
Golden Retriever, Shetland Sheepdog, Chinese Crested, Welsh Corgi
Mastocitose papular
Rara; relatada principalmente em cães com menos de 1 ano de idade
Newfoundland, Cocker Spaniel, Labrador Retriever, Jack Russell Terrier, outras raças
Fasciite nodular
Muito incomum; relatada em cães jovens de raças de grande porte
Dermatoses paraneoplásicas
Amiloidose cutânea (nodular primária)
Muito rara; cães idosos
Cocker Spaniel pode ser predisposto
Mucinose cutânea (secundária)
Rara; pode estar associada a tumores de mastócitos
Dermatofibrose nodular
Rara; cães de meia­idade a idosos
Pastor­alemão (herança autossômica dominante); Golden Retriever, Boxer, outras raças
Associada a cistos renais, cistadenomas e cistadenocarcinomas, e também a leiomiomas uterinos
Pênfigo paraneoplásico
Muito raro; há poucos relatos para caracterizar
Dermatite necrolítica superficial
Rara; primordialmente cães idosos (média etária de 10 anos de idade)
É possível que os machos estejam super­representados
Raças de pequeno porte possivelmente super­representadas: West Highland Terrier, Scottish Terrier,
Cocker Spaniel Americano, Shetland Sheepdog, Lhasa Apso, Border Collie; a síndrome também foi
identificada em raças de grande porte
As lesões em geral antecedem os sintomas sistêmicos
Eritema multiforme
Visto muito raramente como padrão de reação a neoplasia.
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Características clínicas
Dermatoses pré­neoplásicas
Queratoses actínicas (Figura 33.1)
Placas eritematosas no início parecem ligeiramente liquenificadas ou ásperas
Placas epiteliais podem ser palpáveis como espessamentos firmes antes de se tornarem visíveis e serem
distinguíveis da pele pigmentada não espessada (normal) adjacente
Placas crostosas, endurecidas e esfoliativas
É possível observar hiperqueratose grave como cornos cutâneos
Placas individuais e nódulos (em geral, com comedões actínicos) coalescem, originando lesões grandes
As áreas acometidas tornam­se extensas; surgem inflamação e exsudação com furunculose secundária
Axilas, parte ventral do abdome e medial da coxa são os locais primários; ocorrem com menor frequência na
parte dorsal do focinho e nas margens palpebrais
Linfocitose cutânea (Figura 33.2)
Figura 33.1 Queratose actínica vista como manchas eritematosas e ligeiramente liquenificadas na parte ventral
do abdome.
Figura 33.2 Placas eritematosas na axila com linfocitose cutânea.
Manchas de eritema ou placas eritematosas na cabeça, no pescoço, no tórax e nas axilas
Mastocitose papular (Figura 33.3)
As lesões cutâneas em cães são similares à urticária pigmentosa de seres humanos
Pequenas máculas, pápulas ou placas eritematosas, vergões e bolhas hemorrágicas na cabeça, no pescoço, no
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tronco e nas pernas
A manipulação induz eritema e endurecimento
É mais provável que, em condições não malignas, haja lesões múltiplas em oposição a uma única neoplasia
discreta
Fasciite nodular
Massa subcutânea solitária, em geral com menos de 2 cm de diâmetro
Dermatoses paraneoplásicas
Amiloidose cutânea (nodular primária)
Nódulos dérmicos ou subcutâneos solitários e firmes nos pavilhões auriculares, na mucosa bucal, nos
dedos, nas pernas e no tronco; hemorragia cutânea
Mucinose cutânea (secundária) (Figura 33.4)
Acúmulo dérmico excessivo de mucina, em geral assintomático
Figura 33.3 Máculas eritematosas com mastocitose papular.
Figura 33.4 Mucinose cutânea vista como múltiplas vesículas “infladas”.
Raros relatos de mucinose papular vista como manchas espessadas, infladas, não depressíveis, com
vesículas ou bolhas
Dermatofibrose nodular (Figuras 33.5 e 33.6)
Nódulos múltiplos firmes e bem demarcados de tamanho variável, de muito pequenos a grandes na
cabeça, nas pernas e orelhas; podem apresentar­se alopécicos e ulcerados em áreas de traumatismo ou
atrito
Pênfigo paraneoplásico (Figura 33.7)
Doença bolhosa que acomete mucosas e junções mucocutâneas
Sinais sistêmicos associados tanto a neoplasias quanto a lesões cutâneas (perda de peso, letargia, secreção
purulenta)
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Dermatite necrolítica superficial (Figuras 33.8 e 33.9)
Desenvolvimento progressivo de eritema, hiperqueratose e exsudação nas margens dos coxins plantares
Figura 33.5 Dermatofibrose nodular com múltiplos nódulos firmes e bem demarcados no pavilhão auricular.
Figura 33.6 Lesões grandes de dermatofibrose nodular.
A dermatite pode ser acentuada
As lesões ocorrem nas junções mucocutâneas, mais notavelmente dos lábios, olhos e ânus, e
desenvolvem­se ao mesmo tempo ou imediatamente após as dos coxins plantares
Erosões e ulcerações, em geral decorrentes de escoriação
Fissuras nos coxins plantares resultam em prurido e dor
É comum haver hiperpigmentação e liquenificação com a cronicidade e o autotraumatismo contínuo
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Foliculite bacteriana secundária e dermatite por Malassezia
As lesões desenvolvem­se nos pontos de pressão, pavilhões auriculares e genitália externa
A dermatite em geral antecede os sinais sistêmicos em semanas
Figura 33.7 Pênfigo paraneoplásico ocasionando erosões e crostas na vulva.
Figura 33.8 Mancha de eritema com crosta e descamação mais dermatite necrolítica superficial.
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Figura 33.9 Eritrodermia acentuada e crostas nas margens dos coxins plantares, com dermatite necrolítica
superficial.
Os sinais sistêmicos incluem letargia, poliúria, polidipsia (quando associada a diabetes melito), anorexia e
perda de peso
Eritema multiforme (Figuras 33.10 e 33.11)
Aspecto pleomórfico; a lesão clássica consiste em máculas ou placas eritematosas; podem desenvolver­se
erosões ou hiperpigmentação mais clara na parte central (“lesões em forma de alvo”)
As lesões em mucosas começam como vesículas que progridem para ulceração
Sinais sistêmicos associados a dor e infecção secundária, ou devidos à causa subjacente.
Diagnóstico diferencial
Dermatoses pré­neoplásicas
Queratoses actínicas
Furunculose bacteriana, queratose liquenoide, carcinoma escamocelular, erupção medicamentosa tópica,
dermatite de contato grave
Linfocitose cutânea
Linfoma epiteliotrópico, leucemia linfocítica com acometimento cutâneo, reação de hipersensibilidade,
erupção medicamentosa, foliculite bacteriana
Mastocitose papular
Reação de hipersensibilidade, erupção medicamentosa, foliculite bacteriana, tumor de mastócitos
Fasciite nodular
Granuloma infeccioso, granuloma estéril, traumatismo local, neoplasia dérmica, fibroma, fibrossarcoma,
linfoma de células fusiformes
Dermatoses paraneoplásicas
Amiloidose cutânea (nodular primária)
Neoplasia dérmica, granuloma infeccioso, granuloma estéril, dermatite piogranulomatosa
Figura 33.10 Eritema multiforme grave secundário a adenocarcinoma metastático, visto como ulcerações bucais.
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Figura 33.11 Radiografia de tórax do paciente da Figura 33.10, demonstrando aumento de linfonodos esternais,
diagnosticado por aspirado com agulha fina como adenocarcinoma metastático.
Mucinose cutânea (secundária)
Causa de edema dérmico difuso, dermatite vesicular ou bolhosa
Dermatofibrose nodular
Neoplasia dérmica, granulomapode conter as alterações patológicas
necessárias para estabelecer o diagnóstico
Usar a lâmina de bisturi para obter uma amostra de biopsia em forma de cunha ou elíptica ao seccionar o nariz,
o coxim plantar, vesículas, bolhas ou lesões profundas (vasculite, paniculite etc.)
Ao fazer uma biopsia por punção, optar pelo tamanho de 6 mm
Ao fazer uma biopsia por punção, girar em uma direção apenas e não reutilizar o instrumento, porque a lâmina
perde o fio com facilidade e pode lacerar o tecido durante o procedimento
Ao usar lidocaína, aplicar no compartimento subcutâneo, não por via intradérmica
Tentar não manipular o tecido com pinças (artefato por esmagamento), usando em vez disso uma agulha de
calibre pequeno para tal (Figura 4.3)
Colocar a amostra imediatamente em formalina
Amostras pequenas ou finas podem ser colocadas em um pequeno pedaço de abaixador de língua com a parte
pilosa para fora, de modo a evitar que se enrolem e então flutuem na formalina
Evitar o congelamento.
Lembrar de fornecer ao patologista a história abrangente e a descrição clínica das lesões (Tabelas 4.1 a 4.3). A
autora costuma incluir uma cópia do pedido de encaminhamento com a requisição da biopsia. Tal pedido contém a
anamnese,  os  sinais  clínicos,  os  diagnósticos  diferenciais  considerados  e  um  plano.  O  clínico  e  seu  patologista
devem  formar  uma  equipe  diagnóstica. Não  é  realista  esperar  que  o  patologista  forneça  respostas  consistentes  se
não lhe enviarmos o tecido apropriado ou informação adequada.
■ Figura 4.3 Evitar usar pinças para manipular o tecido, porque em geral isso se associa à formação de artefatos
por esmagamento.
Tabela 4.1 Relatório dermato­histopatológico.
Descrição Resumo das alterações histológicas notadas no tecido
Diagnóstico morfológico Relata o padrão histológico geral reconhecido
Diagnóstico etiológico Identifica um agente causador, se reconhecido (p. ex., bactéria, demodicose,
fungo etc.)
Comentários O patologista faz uma correlação entre as manifestações clínicas do caso
(fornecidas pelo clínico) e os aspectos histopatológicos da biopsia. A
informação do clínico é vital para uma conclusão válida
Tabela 4.2 Terminologia histopatológica comum.
Acantólise Perda da aderência de queratinócitos (acantócitos); em geral, deve­se a
doenças autoimunes
Acantose Aumento da espessura da epiderme (hiperplasia epidérmica), em geral notada
com inflamação crônica
Amiloide Material hialino, amorfo, eosinofílico
Apoptose Morte de queratinócitos individuais
Atrofia epidérmica Epiderme fina; em geral, associada ao uso de corticosteroide
Bolhas Espaços acelulares cheios de líquido dentro ou abaixo da epiderme (vesículas
são bolhas menores)
Colagenólise Colágeno desnaturado, homogêneo, eosinofílico; em geral, atrai mineralização
Corpúsculos de Civatte Células apoptóticas no estrato basal da epiderme
Crosta Acúmulo superficial de células epidérmicas, proteínas séricas, eritrócitos,
leucócitos
Degeneração balonoide Coilocitose, citoplasma intumescido sem vacuolização; característica de
infecção viral
Degeneração hidrópica Dano vacuolar ao estrato basal; frequentemente vista no LED
Degeneração reticular Edema intraepidérmico multilocular com tumefação de queratinócitos; em
geral vista na dermatite necrolítica superficial/síndrome hepatocutânea
Degeneração vacuolar Edema intracelular
Depressão Pequeno afundamento na superfície da epiderme
Desmoplasia Fibroplasia induzida por neoplasia
Diapedese Eritrócitos dentro dos espaços intercelulares da epiderme; implica perda da
integridade vascular
Disqueratose Queratinização prematura defeituosa; pode ser vista com neoplasia ou
distúrbios de queratinização
Esclerose Formação de escara
Espongiose Edema intercelular epidérmico
Exocitose Migração de células inflamatórias, eritrócitos ou ambos nos espaços
intercelulares
Fendas Espaços em forma de fenda dentro da epiderme ou junção dermoepidérmica;
causadas por acantólise ou degeneração hidrópica de células basais ou mesmo
artefatos de processamento
Fendas de colesterol Parecem espaços transparentes em forma de espículas; em geral, vistas na
xantomatose, na paniculite e em cistos foliculares rompidos
Fibroplasia Quantidades aumentadas de tecido fibroso
Fibrose Fibroplasia avançada, estrias espessas paralelas de colágeno, características de
dermatite acral da lambedura
Figuras em chama Área de colágeno alterado, circundada por material eosinofílico, ver
colagenólise; em geral, notadas nos granulomas eosinofílicos, também
chamadas queratinização triquilêmica
Hiper e hipogranulose Denota a espessura do estrato granuloso (p. ex., áreas de liquenificação
revelam hipergranulose)
Hiperqueratose Aumento da espessura da camada do estrato córneo da epiderme, em geral
dividida em ortoqueratose (perda de núcleos) e paraqueratose (núcleos
retidos), que ajuda a identificar uma etiologia (a dermatose que responde ao
zinco caracteriza­se por paraqueratose)
Hipomelanose Diminuição no pigmento; como vista no vitiligo
Incontinência pigmentar Queda do pigmento melanina da epiderme para a derme e sua fagocitose por
macrófagos; em geral vista no LED
Junção dermoepidérmica Interface entre epiderme e derme
Melanose Hiperpigmentação; vista na inflamação crônica
Microabscesso – de Munro Acúmulo de neutrófilos dentro ou abaixo do estrato córneo; em geral visto na
dermatose liquenoide psoriasiforme de Springers
Microabscesso – de Pautrier Acúmulo de células linfoides anormais; em geral visto no linfoma
epidermotrópico
Microabscesso – eosinofílico Visto em casos de EGC, alergia, pênfigo complexo, Malassezia, foliculite
eosinofílica etc.
Microabscesso – espongiforme Acúmulo de neutrófilos no estrato espinhoso, em geral visto na dermatite
necrolítica supurativa superficial de Schnauzers
Mineralização distrófica Depósitos de cálcio ao longo de fibras de colágeno
Mucinose Quantidades aumentadas de material basofílico amorfo na derme; característica
de pele normal do Shar­Pei e no hipotireoidismo
Necrólise Necrose epidérmica coagulativa sem envolvimento dérmico e inflamação
mínima; em geral vista com NET
Papilomatose Proliferação epidérmica devido à infecção pelo papilomavírus, em geral
exofítica, mas pode ser endofítica
Satelitose Linfócitos citotóxicos circundando uma célula apoptótica; indica resposta
imune mediada por célula
Zona limítrofe Zona marginal de colágeno que separa a epiderme de uma alteração dérmica
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subjacente; em geral vista nos distúrbios neoplásicos e 
granulomatosos
Tabela 4.3 Padrões histopatológicos em dermatologia.*
Perivascular
Interface
Vasculite
Dermatite intersticial
Nodular/difuso
Vesicular/pustular intraepidérmico
Vesicular/pustular subepidérmico
Foliculite/perifoliculite/furunculose
Paniculite
Dermatite fibrosante
Dermatopatia atrófica
*Usados na descrição morfológica no relatório.
Comentários
Siglas
EGC = enfermidade granulomatosa crônica
LED = lúpus eritematoso discoide
NET = necrólise epidérmica tóxica.
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Capítulo 5
Diferenciais entre as Lesões e
Regiões do Corpo
Karen Helton Rhodes
Panorama
As  características  e  os  padrões  de  lesões  em  geral  podem  ajudar  a  estreitar  o  diagnóstico  diferencial  quando  se
examina  um  paciente. A  lista  a  seguir  foi  incluída  como  um  recurso  para  ajudar  na  formulação  do  diagnóstico
diferencial.  É  óbvia  a  inviabilidade  de  elaborar  uma  lista  totalmente  inclusiva  e  acurada,  porque  muitas
doenças/condições  têm  sinais  clínicos  que  se  superpõem.  O  objetivo  deste  capítulo  é  funcionar  como  diretriz
preliminar para algumas das dermatoses mais comuns.
Alopecia em manchas
Demodicose: geralmente acompanhada por hiperpigmentação, comedões, eritema, foliculite
Dermatofitose: associada a descamação e foliculite
Foliculite estafilocócica: pápulas, pústulas, crostas, colaretes epidérmicos, máculas hiperpigmentadas,
individuais ou “disseminadas”
Reação a injeção: pode ser induração e/ou atrofia no local, geralmente associada àinjeção de corticosteroide
repositol
Vasculite induzida por vacina: a lesão pode ou não estar associada a eritema, em geral induzida pela vacina
antirrábica, podendo ser observada 2 a 3 meses após a injeção
Alopecia areata: alopecia focal não inflamatória completa, ataque de linfócitos ao bulbo capilar
Esclerodermia localizada: mancha esclerótica lisa e brilhante
Adenite sebácea (raças de pelagem curta): áreas anulares a policíclicas, em geral associadas a descamação
Defluxo do anágeno: início súbito, evento estressante ou reação a medicação, não inflamatório
Carcinoma bowenoide: carcinoma escamocelular in situ; geralmente ocorre em gatos, com manchas
descamativas pigmentadas, quase sempre na cabeça e na parte externa das orelhas (Figuras 5.1 a 5.5).
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Figura 5.1 Demodicose caracterizada por manchas multifocais de alopecia parcial ou completa.
Figura 5.2 Demodicose generalizada causando eritrodermia grave, alopecia parcial ou completa e formação de
crostas.
Figura 5.3 Padrão mais típico de piodermite superficial, demonstrando manchas multifocais de alopecia
(pápulas, pústulas, colaretes epidérmicos e máculas hiperpigmentadas).
■ Figura 5.4 A. Carcinoma escamocelular felino in situ (carcinoma bowenoide). Lesões ligeiramente descamativas
e elevadas, pigmentadas, em geral passam despercebidas pelo proprietário até um estágio avançado. Notar as
áreas de alopecia parcial com hiperpigmentação da região pré­auricular. B. Carcinoma escamocelular felino in
situ. Vista mais próxima da região pré­auricular da Figura 5.4A.
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Figura 5.5 A. Alopecia areata. Alopecia não inflamatória completa no padrão em manchas. Notar as áreas de
alopecia logo abaixo dos olhos e ao longo do nariz. B. Alopecia areata felina. Mancha não inflamatória de
alopecia no tronco.
Alopecia em localização especíJca
Alopecia por tração: associada a presilhas ou elásticos usados nos pelos do dorso da cabeça
Alopecia após tosa: falha no crescimento de novos pelos após tosa
Melanodermia/alopecia do Yorkshire Terrier: alopecia e hiperpigmentação dos pavilhões 
auriculares, da ponte do nariz, às vezes da cauda e dos pés, em filhotes caninos e cães jovens
Alopecia simétrica do flanco: displasia folicular serpiginosa cíclica localizada no flanco, associada a
hiperpigmentação e comedões
Displasia folicular de pelos negros: ocorre apenas nos pelos negros
Dermatomiosite: alopecia simétrica na face, na ponta da cauda, nos dedos, carpos, tarsos e pavilhões
auriculares; em geral associada a eritema e fibrose; ocorre primariamente em Shelties
Alopecia dos pavilhões auriculares: miniaturização de pelos, periódica ou progressiva, comum em gatos
Siameses e cães Dachshund
Calvície padrão em cães nas seguintes raças: Cão­D’água Português, Spaniel Americano, Greyhound, Whippet,
Boston Terrier, 
Manchester Terrier, Chihuahua, Greyhound Italiana, Pinscher Miniatura
Alopecia da glândula da cauda (glândula supracaudal): localizada aproximadamente a 5 cm da base da cauda, ao
longo da superfície dorsal (Figura 5.6).
Alopecia generalizada/difusa
Demodicose: casos graves
Dermatofitose: casos crônicos graves (Figuras 5.7 a 5.21)
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Figura 5.6 Fêmea castrada de maltês de 3 anos de idade com mancha de alopecia subsequente à vasculite
induzida pela vacinação antirrábica.
Figura 5.7 Sheltie de 8 anos de idade com piodermite superficial generalizada, demonstrando alopecia difusa e
eritema.
Figura 5.8 Dorso do tronco de um Poodle Padrão demonstrando alopecia parcial difusa com indícios de adenite
sebácea.
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Figura 5.9 Hiperadrenocorticismo: alopecia e hiperpigmentação no tronco.
Figura 5.10 Cão de grande porte com hiperadrenocorticismo e piodermite superficial secundária.
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Figura 5.11 Dermatose responsiva ao hormônio do crescimento. Notar a predominância da alopecia em torno da
região do pescoço, bem como na cauda e no períneo.
Figura 5.12 Lulu­da­Pomerânia macho não castrado de 5 anos de idade com desequilíbrio de hormônio sexual
adrenal.
Figura 5.13 Tumor da célula de Sertoli. Notar a alopecia e a hipopigmentação associada.
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Figura 5.14 Alopecia parcial a focalmente completa no tronco, associada a hipotireoidismo grave. (Nota: o
hipotireoidismo frequentemente é “superdiagnosticado” como causa de alopecia canina.)
Figura 5.15 Cão mestiço de 12 anos de idade com linfoma epidermotrófico. Notar as áreas de alopecia parcial a
completa, com descamação maciça e placas eritematosas.
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Figura 5.16 Cocker Spaniel de 14 anos de idade com linfoma epidermotrófico. Notar a ausência de placas e
nódulos. As lesões consistem em manchas multifocais de alopecia (a pelagem foi raspada), com escamas
aderentes e eritema discreto.
Figura 5.17 Distúrbio primário da queratinização, com dermatite secundária por levedura no períneo e na região
da cauda de um Cocker Spaniel de 6 anos de idade.
■ Figura 5.18 A. Linfoma epidermotrófico na parte ventral do abdome de um gato de 14 anos de idade
demonstrando alopecia parcial e descamação aderente características das fases iniciais da doença. B. Linfoma
epidermotrófico. Estágio avançado da doença demonstrando a fase de placa e nodular.
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Figura 5.19 A. O hipertireoidismo felino em geral está associado a toalete excessiva, que pode levar a áreas
focais de alopecia – conforme notado ao longo da face lateral dos membros anteriores. B. Hipertireoidismo
felino. Este gato de 9 anos de idade não tinha outros sinais clínicos comumente reconhecidos como
hipertireoidismo, além do hábito de fazer toalete em excesso. Notar a alopecia ao longo dos membros anteriores.
Adenite sebácea: associada a frenodermia (cilindros de queratina), descamação difusa, sempre afetando mais o
dorso do que o ventre e envolvendo o dorso da cabeça
Síndrome de Cushing (típica e atípica): alopecia do tronco, comedões, alopecia da cauda (“cauda de rato”), pele
atrófica, flebectasia, abdome protuberante, piodermite, hiperpigmentação, enrolamento das pontas das orelhas e
fragilidade cutânea em gatos
Alopecia X: síndrome semelhante à hiperplasia adrenal, alopecia simétrica do tronco
Hipotireoidismo: “fácies trágica”/mixedema no cão, alopecia bilateral e simétrica do tronco e cervical
Hipertireoidismo: em gatos, pelagem desgrenhada com alopecia parcial, pelagem esparsa ao longo dos membros
anteriores; pode simular OCD
Dermatoses responsivas ao hormônio do crescimento: alopecia simétrica do tronco com hiperpigmentação; em
geral, a alopecia começa no pescoço
Hiperestrogenismo: alopecia simétrica rara do períneo, inguinal, das regiões do flanco; hiperplasia das glândulas
mamárias e vulvar, cistos de ovário
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Relacionada com o estro: fêmeas caninas não castradas, alopecia perineal e do flanco que pode progredir para
generalizada, cíclica
Dermatoses responsivas à testosterona: alopecia progressiva do tronco de cães machos castrados
Tumor da célula de Sertoli: feminização masculina, ginecomastia, alopecia do períneo e da região genital
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Figura 5.20 A e B. Hiperadrenocorticismo felino. Notar o abdome protuberante e a alopecia parcial no tronco.
C. Hiperadrenocorticismo felino. Notar o enrolamento da ponta das orelhas. D e E. Síndrome da fragilidade
cutânea felina associada a hiperadrenocorticismo. Notar a grande área sem pelos no tronco e a facilidade com que
a pele se solta. Em geral há dor mínima associada a essas lesões, o que pode ocorrer à manipulação rotineira.
(Cortesia do Dr. Rod Rosychuck.)
Dermatose responsiva à castração: perda de pelos na área da coleira, no períneo, na parte caudomedial das
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coxas, nos flancos
DM: alopecia parcial difusa; pode estar associada a dermatite miliar no gato
Alopecia com diluição da cor: adelgaçamento da pelagem, associado a foliculite, progressivo, em geral
associado a pelagem azulada (comum em cães da raça Yorkshire Terrier, Doberman)
Displasia folicular: alopecia progressiva lenta (Irish Water Spaniels, Spinone Italiano)
Lipidose folicular: pontos vermelhos, cães jovens,Rottweilers
Alopecia congênita: Bichon Frisé, Beagle, Basset Hound, Buldogue Francês, Rottweiler, algumas raças
selecionadas por esse distúrbio – Chinese Crested, cães mexicanos, Terrier Americano sem pelos, gatos das
raças Abissínia e Sphinx
Defluxo do telógeno: associado a algum evento estressante (p. ex., prenhez)
Distúrbio da queratinização: associado a hiperqueratose e oleosidade excessiva, mais comum em Cocker
Spaniels
Pênfigo: perda de pelos associada a descamação, formação de crostas, pústulas, eritema
Linfoma cutâneo: descamação e alopecia no estágio inicial; progride para placas, nódulos e ulceração,
associados à despigmentação de mucosas
Hipotricose felina hereditária: distúrbio autossômico recessivo de gatos Siameses, Devon Rex, Burmeses,
Birmaneses; pelagem fina esparsa
Figura 5.21 Síndrome paraneoplásica associada a adenocarcinoma pancreático exócrino. Notar a
hiperpigmentação e o aspecto brilhante da pele com alopecia. É comum a distribuição ventral predominante.
(Cortesia da Dra. Karen Campbell.)
Alopecia felina universal: defeito hereditário, ausência completa de pelos primários, pelos secundários
diminuídos, epiderme espessada, pele oleosa, ausência de vibrissas, penugem na ponta da cauda, entre os dedos
e no escroto (Sphinx, Canadense sem pelos)
Alopecia felina simétrica: dermatite psicogênica ou alérgica é a etiologia mais comum
Timoma felino: dermatite esfoliativa, eritematosa, não pruriginosa; começa na cabeça e no pescoço, torna­se
generalizada, acomete gatos idosos
Alopecia paraneoplásica felina: início agudo, rapidamente progressiva, alopecia completa ventral (também nos
olhos, nariz e coxins plantares), pele lisa e brilhante, adenocarcinomas pancreáticos exócrinos e carcinomas do
ducto biliar
Foliculite linfocítica mural felina: alopecia, descamação, hiperpigmentação, ± prurido pode ser padrão de reação
ou síndrome paraneoplásica
Pseudopelada: ataque linfocitário sobre o istmo do folículo piloso, com alopecia resultante, não pruriginosa, não
inflamatória
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Alopecia mucinosa: mucinose da bainha externa da raiz do folículo piloso e da epiderme
Tricorrexe nodosa: traumatismo excessivo do pelo, tumefação focal da haste do pelo associada a dano cuticular.
Dermatoses esfoliativas/descamação
Dermatofitose: pode manifestar­se com qualquer apresentação clínica, comumente esfoliativa
Ectoparasitas: queiletielose, demodicose, escabiose (Figuras 5.22 a 5.30)
Timoma felino: eritema, face, pescoço; gatos idosos, não pruriginoso, esfoliativo
Figura 5.22 A. Adenite sebácea felina, caracterizada por escama aderente e alopecia parcial. B. Acúmulo de
pigmento ao longo das margens palpebrais associado à adenite sebácea.
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Figura 5.23 Dermatose responsiva à vitamina A, caracterizada por manchas multifocais de queratina em
excesso.
Distúrbios da queratinização: cilindros de queratina, hipercrescimento secundário de Malassezia
Dermatose responsiva à vitamina A: responde à suplementação nutricional; Cocker Spaniel, West, Dálmata,
Labrador, Shar­Pei, Fox Terrier
Dermatose responsiva ao zinco: alopecia, descamação, crostas, eritema; periocular, pavilhões auriculares,
lábios, raças do Alasca predispostas
Displasias foliculares: alopecia associada a hiperqueratose e pelos com morfologia anormal
(estrutura/melanização)
Hiperqueratose nasodigital idiopática canina: acúmulo de escamas no plano nasal e nas margens dos coxins
digitais, em geral assintomática
Adenite sebácea: cilindros difusos de queratina que unem os pelos à superfície da pele, afetando mais o dorso
do corpo, inclusive a cabeça
Ictiose: distúrbio congênito grave da queratinização nas raças Golden Retriever, West Highland White Terrier,
Cavalier King Charles Spaniel, Jack Russell, Norfolk Terrier, Yorkshire Terrier; escama muito aderente de
piodermite secundária, prognóstico mau
Linfoma cutâneo: descamação é o primeiro sinal clínico do CTCL em muitos casos, em estágios, placas,
nódulos; também associado a despigmentação
Queratose actínica: eritema e descamação
Dermatose liquenoide psoriasiforme:
Springer Spaniel e Pastor­Alemão são predispostos, face medial dos pavilhões auriculares e virilhas
Síndrome do comedão do Schnauzer: descamação e comedões ao longo do dorso do tronco
Dermatose da margem da orelha: Dachshund, idiopática, ± vasculite/vasculopatia, alopecia, fissuras, cilindros
de queratina, incisuras
Paraqueratose nasal hereditária de Labrador: pode haver fissura e causar algum desconforto, em geral não
sintomática, 6 aos 12 meses de idade
Dermatose necrolítica superficial: “síndrome hepatocutânea”; hiperqueratose, crostas, ulceração; pavilhões
auriculares, face, junção mucocutânea, articulações, coxins plantares
Síndrome da face suja de gatos da raça Persa: eritematosa e esfoliativa, pruriginosa, acúmulo sebáceo
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vermelho/marrom, em geral hipercrescimento de Malassezia, também identificada em gatos da raça Himalaia
Acne: felina e canina; variante de piodermite em cães; defeito da queratinização em gatos
Figura 5.24 Poodle Padrão com adenite sebácea granulomatosa generalizada demonstrando cilindros foliculares
de queratina que efetivamente se interpõem entre o pelo e a pele, dando o aspecto clínico de alopecia.
Figura 5.25 Infestação por Notoedres manifestando­se como distúrbio hiperqueratótico acentuado em um gato.
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Figura 5.26 Escama aderente grave como resultado de dermatofitose crônica em um Yorkshire Terrier.
Figura 5.27 Linfoma epidermotrófico em um Cocker Spaniel. Notar as áreas de despigmentação e descamação
difusa na pele tricotomizada deste cão.
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Figura 5.28 Cocker Spaniel tosado para revelar as áreas multifocais de despigmentação e descamação difusa
características do linfoma cutâneo.
Figura 5.29 A região abdominal ventral deste gato com linfoma cutâneo revela placas eritematosas e ulcerações
associadas à doença avançada.
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Figura 5.30 Linfoma epidermotrófico em estágio terminal. Notar o eritema difuso, a alopecia, as crostas e a
despigmentação (em especial no plano nasal).
Dermatose lupoide hereditária de Pointer­ Alemão de pelo curto: esfoliativa, crostas e descamação; distribuição
facial; cães jovens, intermitente.
Dermatoses com formação de crostas e erosivas/ulcerativas
Pênfigo foliáceo: em geral, mais crostoso que ulcerativo; ponte nasal, coxins plantares, apresentação inicial nos
pavilhões auriculares, IMSD, medicamentoso (amitraz e metaflumizona), induzido por dermatófito
Pênfigo vulgar: ulcerativo com crosta aderente, pode haver lesões orais, IMSD
Penfigoide bolhoso: autoanticorpo direcionado contra a zona da membrana basal, ulcerativo, junções
mucocutâneas geralmente acometidas
LED: deposição de imunocomplexo; plano nasal, pavilhões auriculares, coxins plantares; despigmentação
LES: doença multissistêmica, deposição de imunocomplexo visando às zonas da membrana basal (Figuras 5.31
a 5.42)
Dermatose lupoide hereditária de Pointer­ Alemão de pelo curto: eritema facial, crostas, descamação, cães
jovens
Doença da aglutinina fria: pontas dos membros mais frequentemente acometidas; ulceração/necrose
Vasculite: idiopática, imunomediada, associada ao FeLV (necrose da ponta das orelhas e da cauda), associada a
neoplasia, medicamentosa, relacionada com vacinação (antirrábica), hereditária – síndrome da poliarterite
juvenil de Beagles, vasculite leucocitoclástica neutrofílica de Terriers Jack Russell, vasculopatia cutânea
familiar do Pastor­alemão, vasculopatia cutânea e glomerular renal de Greyhounds, necrose trombovascular do
pavilhão auricular do Dachshund, vasculite associada ao DM, vasculite associada a uremia, eosinofílica (por
inseto), artrite reumatoide
Eritema multiforme: serpiginoso ou lesões “em olho de touro”; idiopático, induzido por vacinação ou
medicamento, induzido pelo herpes­vírus em gatos
Necrólise epidérmica tóxica: necrose epidérmica confluente; idiopática, medicamentosa
Penfigoide da mucosa: doença bolhosa subepidérmica; cavidades bucal e nasal, pavilhõesauriculares, ânus,
olhos, genitália
Furunculose nasal eosinofílica: início agudo; picada de inseto/aranha?; alopecia, eritema, erosiva, nodular,±
prurido/dor
Celulite canina juvenil: “garrotilho” dos filhotes de cães, granulomatosa estéril, pustular, erosiva, ulcerativa;
face, pavilhões auriculares, linfonodos periféricos
Histiocitose cutânea: ponte nasal; mucosa nasal, tronco, membros; cães Montanheses de Berna e Golden
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Retrievers são predispostos
Figura 5.31 A. A xantomatose cutânea pode estar associada a um desequilíbrio endócrino (cortisol, tireóideo,
DM etc.) ou a hiperlipidemia idiopática. Este gato DSH macho não castrado de 10 anos de idade demonstra
pequenos nódulos amarelo­rosados coalescentes e placas ao longo da parte ventral do tronco. B. Xantomatose
cutânea associada a DM. Notar as lesões amarelo­rosadas lineares a papulares ao longo da região ventral desta
gata castrada DSH de 7 anos de idade.
Piodermite estafilocócica: superficial (crostosa) e profunda (ulcerativa)
Micoses profundas e intermediárias: esporotricose, blastomicose, criptococose, coccidioidomicose etc.
Micobacteriose atípica: predisposta por traumatismo, mais comum em felinos, nódulos ulcerativos com tratos
fistulosos, tecido adiposo espessado
Actinomicetos bacterianos: Nocardia spp., Actinomyces spp., Streptomyces spp.
Pitiose: animais expostos a água estagnada, nódulos ulcerativos, prurido grave
Prototecose: algas saprófitas, água estagnada, junção mucocutânea ulcerativa, despigmentação
Pecilomicose: fungo saprófita semelhante a levedura; vegetação caída no solo; nódulos ulcerativos e otite
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externa
Leishmaniose: parasitose por protozoário, doença zoonótica, esfoliativa, crostosa, dermatose ulcerativa
Varíola felina: rara, os gatos se infectam por mordedura, na Europa, há formação de pápulas ulceradas e
nódulos
Dermatoses associadas ao FeLV e ao FIV: dermatose de célula gigante (ulcerativa, pruriginosa; face, pescoço,
pavilhões auriculares) e vasculite pelo FeLV das pontas das orelhas e da cauda
Dermatoses associadas ao calicivírus felino: síndrome felina da dor orofacial (neuralgia do trigêmeo, prurido
facial unilateral – Siamês e Birmanês)
Demodicose: casos generalizados graves tornam­se crostosos e ulcerativos
Ácaros sarcoptídeos: o prurido grave induz escoriação generalizada e formação
de crostas
Hipersensibilidade a pulgas: tronco caudodorsal
Hipersensibilidade à picada de mosquitos em felinos: lesões faciais, eritematosas e nódulos ulcerativos
Figura 5.32 A dermatite alérgica felina é mais grave na extensão da cabeça e na região do pescoço. Notar as
escoriações ao longo do aspecto caudal dos pavilhões auriculares e na região do pescoço.
■ Figura 5.33 A. Cão mestiço de 8 anos de idade com pênfigo vulgar acometendo a mucosa oral
e (B) o escroto.
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Figura 5.34 Schnauzer miniatura de 5 anos de idade com necrólise epidérmica tóxica do ventre induzida por
trimetropina e sulfadiazina.
Pelodera e migração de ancilóstomos: eritema, ulceração; coxins plantares, ventre
Complexo do granuloma eosinofílico felino: úlcera indolente, granuloma linear, placa eosinofílica
Dermatite alérgica: o prurido grave predispõe o paciente a erosão, ulceração e formação de crostas
Dermatomiosite: dermatopatia isquêmica hereditária; face, orelhas, cauda; megaesôfago, doença/atrofia
muscular, marcha trôpega
Epidermólise bolhosa adquirida: cães da raça Dinamarquesa; urticária, vesículas, úlceras – face, virilha, coxins
plantares, junção mucocutânea da cavidade bucal
Astenia cutânea: hiperextensibilidade e fragilidade da pele; acomete cães e gatos; ulcerações e fibrose
Xantoma cutâneo: fendas de colesterol na derme; placas amarelo­rosadas de alopecia e nódulos que tendem a
ulcerar, em geral associados a DM ou hiperlipidemia idiopática
Dermatose necrolítica superficial (síndrome hepatocutânea): dermatose ulcerativa hiperqueratótica associada a
doença hepática e/ou glucagonoma pancreático
Calcinose cutânea: depósitos minerais no interior da derme, associados à degeneração do colágeno induzida pela
administração de corticosteroide ou por hiperadrenocorticismo; prurido intenso, erosão, ulceração
Linfoma cutâneo de célula T: despigmentação, descamação, placas, nódulos e ulceração; lentamente progressiva;
cães e gatos
Dermatose ulcerativa de Collies e Shelties: pode ser variante da dermatomiosite ou uma forma cutânea vesicular
de LE; eritema serpiginoso com bolhas flácidas que ulceram; acomete virilhas, axilas, genitália, pavilhões
auriculares, mucosa bucal e coxins plantares
Dermatose ulcerativa linear felina: lesão solitária sobre o pescoço e a região do ombro, com prurido intenso,
refratária ao tratamento
Pododermatite plasmocitária felina: coxins metatarsianos e metacarpianos, com tumefação e esponjosa,
ulcerativa; pode estar associada ao FIV
Paniculite nodular idiopática: nódulos subcutâneos e tratos de drenagem sobre o tronco; Dachshunds
predispostos, com frequência o dorso é acometido mais gravemente, as lesões são estéreis, cicatrizam com a
formação de crostas e fibrose
Eritema ab igne: lesão por calor radiante
Dermatite actínica: eritema e descamação que progride para nódulos/erosão/ulceração; pele pouco pigmentada
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predisposta
Queimaduras solares, térmicas, químicas: eritema, descamação, erosão, ulceração, necrose
Figura 5.35 Golden Retriever de 2 anos de idade com (A) dermatite facial erosiva generalizada e (B) na virilha,
causada por dermatose medicamentosa (cefalexina) semelhante ao pênfigo foliáceo.
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Figura 5.36 Gato DSH macho castrado de 5 anos de idade com “úlcera do roedor” no lábio superior.
Figura 5.37 Gato DLH macho castrado de 3 anos de idade com o plano nasal ulcerado em decorrência de
hipersensibilidade a picada de mosquito.
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Figura 5.38 Pênfigo foliáceo demonstrando o padrão típico de acometimento cutâneo ao longo da ponte do nariz
e na região periocular.
Figura 5.39 Pápulas, pústulas, colaretes epidérmicos e mácula hiperpigmentada característica de pioderma
superficial.
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Figura 5.40 Pústula intacta no ventre de um cão com pênfigo foliáceo.
Figura 5.41 Pústulas e crostas representativas do pênfigo foliáceo.
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Figura 5.42 Cão mestiço com queimadura térmica no dorso, resultante de lesão por bolsa de
água quente.
Síndrome da mutilação acral em Springer Spaniel: ulceração grave das extremidades; neuropatia sensorial
hereditária autoinduzida.
Anormalidades pigmentares
Leucodermia/leucotriquia (vitiligo) idiopática: pele e pelagem acometidas; Pastor­Belga, Pastor­Alemão,
Doberman e Rottweiler predispostos; pode ser permanente ou intermitente
Síndrome uveodermatológica canina (semelhante à de Vogt­Koyanagi­Harada): panuveíte, leucodermia,
leucotriquia, meningoencefalite; ataque imunomediado aos melanócitos; Husky e Akita são predispostos
(Figuras 5.43 a 5.49)
Hipopigmentação nasal (nariz Dudley – permanente, nariz Snow – transitório): idiopática; textura em
paralelepípedos do plano nasal mantida
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Figura 5.43 Akita macho castrado com lúpus eritematoso discoide.
Figura 5.44 Labrador mestiço de 3 anos de idade com despigmentação progressiva com eritema associado e
ulceração no plano nasal características de lúpus discoide.
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Figura 5.45 Vista de perto da Figura 5.44. Lúpus eritematoso discoide.
Figura 5.46 Síndrome uveodermatológica (semelhante à de Vogt­Kayanagi­Harada). Notar o padrão
característico de despigmentação e a ausência de inflamação associada, comum nas fases iniciais
da doença.
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Figura 5.47 Vitiligo (leucodermia/leucotriquia idiopática) – despigmentação progressiva sem inflamação. Casos
raros apresentam nova pigmentação espontânea.
Figura 5.48 Vitiligo. Notar a despigmentação nas regiões da junção mucocutânea.
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Figura 5.49 Linfoma cutâneo em um cão de 11 anos de idade com descamação generalizada e despigmentação
do plano nasal.
Linfoma cutâneo de célula T (linfoma epidermotrópico): as junções

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