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Implementação de políticas públicas
Compreensão de um modelo para provisão dos bens públicos e identificação de preferências, bem como
das práticas de participação política e teorias sobre o funcionamento do governo, como a construção de
sua agenda de prioridades.
Prof. Iago de Azevedo Rocha Maia
1. Itens iniciais
Propósito
A implementação de políticas públicas é parte do trabalho de gestores públicos e de políticos eleitos, além de
interessar à população como um todo.
Objetivos
Identificar os modelos de oferta de bens públicos, a agregação das preferências e a participação 
política.
Identificar o funcionamento do governo por meio da teoria da escolha pública e da agenda política.
Introdução
Neste estudo, vamos abordar conceitos e exemplos pertinentes à implementação de políticas públicas,
destacando teorias e modelos relacionados ao funcionamento do governo.
No primeiro módulo, vamos tratar de um modelo de determinação da quantidade ofertada de bens públicos e
formas de agregação das preferências. Trataremos também sobre representação e influência política, com
destaque para a prática de lobby.
No segundo módulo, vamos estudar a teoria da escolha pública e a definição da agenda política, pelas quais
entenderemos como o governo e os governantes se comportam e como são escolhidas as políticas da agenda
do governo. Além disso, serão apresentados os mecanismos de controle operantes no Brasil.
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1. Oferta de bens públicos
Modelo de oferta de bens públicos
A discussão sobre a implementação de políticas públicas deste módulo será inicialmente abordada por meio
de um modelo simples sobre oferta de bens públicos. Esse modelo é conhecido como precificação de Lindahl.
Antes de apresentá-lo, precisamos conhecer alguns conceitos fundamentais, tais como:
Bem público
Bens públicos possuem duas características: são não rivais e não
excludentes.
Não rival significa que o consumo de determinado bem por uma
pessoa não impede outra de consumi-lo ao mesmo tempo.
Não excludente significa que uma pessoa não pode ser impedida
de consumir determinado bem.
Exemplo: poste de luz em uma rua aberta ao público.
Disposição a pagar
Disposição a pagar significa o quanto, em valor monetário, uma pessoa
valoriza um bem, de acordo com a quantidade consumida.
Exemplo: uma pessoa pode estar disposta a pagar até R$20,00 por
determinada roupa.
Benefício social marginal
Benefício social marginal é o total da disposição a pagar de várias
pessoas/sociedade, ou seja, o quanto a sociedade valoriza determinado
bem de acordo com a quantidade.
Custo social marginal
Custo social marginal é o quanto a sociedade terá de pagar para ter, à
sua disposição, uma unidade adicional.
Vamos ilustrar com um exemplo simples. João e José moram em uma rua com iluminação precária onde há
apenas dois postes de luz, mas é necessário colocar um terceiro, que custa R$250,00. João está disposto a
pagar R$100,00 para colocar esse poste de luz adicional, enquanto José está disposto a pagar R$200,00. O 
benefício social marginal do terceiro poste é a soma desses valores: R$300,00. O custo social marginal é
simplesmente o custo em que eles incorrem para instalar o terceiro poste: R$250,00.
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Nesse modelo, assumimos que a sociedade como um todo quer o bem público, isto é, existe uma unanimidade
para o fornecimento desse bem. O modelo verifica o benefício social marginal, que é a soma da disposição a
pagar conjunta dos indivíduos que terão acesso àquele bem.
O benefício social marginal é comparado ao custo social marginal (custo de fornecimento daquele bem),
determinando, assim, a quantidade de bem público capaz de maximizar o nível de bem-estar dessas pessoas.
Além disso, é possível saber quanto o governo deve cobrar dos indivíduos a partir da disposição a pagar de
cada um.
Para ilustrar o modelo, veja, logo abaixo, os gráficos com as demandas dos indivíduos A e B por um
bem público qualquer.
Cada curva de demanda revela a disposição a pagar dos indivíduos A e B. Suponha que, nesse mercado, o
bem público apresente um custo marginal (por unidade adicional) constante no valor de $1,00, ou seja,
qualquer unidade a mais custa o mesmo preço.
Essas curvas de demanda podem ser construídas por meio de uma pesquisa do governo a respeito das
preferências dos indivíduos sobre determinado bem público.
O governo, inicialmente, anuncia um preço. Em seguida, cada indivíduo revela a quantidade que deseja
daquele bem público, dado o preço anunciado. Repete-se esse processo com diversos valores para se obter a
curva de demanda, onde conseguimos ver a relação entre a disposição a pagar e a quantidade.
Gráfico 1 – Curva de demanda do indivíduo A.
Gráfico 2 – Curva de demanda do indivíduo B.
Gráfico 1 – Curva de demanda do indivíduo A.
Gráfico 2 – Curva de demanda do indivíduo B.
Nos gráficos, verificamos que o indivíduo A (primeiro gráfico) está disposto a pagar $1,00 pela primeira
unidade do bem público. Na unidade de número 50, essa disposição a pagar cai para $0,50, e, na unidade de
número 75, este indivíduo está disposto a pagar apenas $0,25. Já o indivíduo B (segundo gráfico), está
disposto a pagar $3,00 pela primeira unidade, caindo para $1,50 na unidade de número 50, e apenas $0,75 na
unidade de número 75.
Após conhecer as curvas de demanda de cada indivíduo, o governo pode construir uma curva de demanda
para a sociedade. Isso significa que o governo deverá considerar a quantidade total demandada por todos os
indivíduos (nesse caso, por A e B) para cada nível de preço. Somando a quantidade demandada pelos
indivíduos A e B para cada nível de preço, obtemos uma curva de demanda agregada para o bem público em
questão.
No gráfico abaixo, encontram-se essa curva de demanda da sociedade e o custo marginal constante visto
anteriormente.
Com essas informações, podemos determinar o preço e a quantidade que devem vigorar: basta
verificar qual é a demanda para um preço igual ao custo marginal. 
Graficamente, buscamos a interseção entre a curva de demanda e o custo marginal. Com base na disposição
a pagar de cada indivíduo por essa quantidade, o governo pode, então, definir o imposto que cobrará.
Veremos isso em detalhes. 
Gráfico 3 – Curvas de demanda agregada e custo marginal.
Com a demanda da sociedade (Gráfico 3), verificamos outros valores, tais como: 
Pela primeira unidade, a sociedade está disposta a pagar $4,00 ($1,00 do indivíduo A + $3,00 do
indivíduo B).
Já na unidade 25, a sociedade está disposta a pagar $3,00 ($0,75 do indivíduo A + $2,25 do indivíduo
B).
Na unidade 50, a sociedade está disposta a pagar $2,00 ($0,50 do indivíduo A + $1,50 do indivíduo B).
Por fim, na unidade 75, a sociedade está disposta a pagar $1,00 ($0,25 do indivíduo A + $0,75 do
indivíduo B).
As curvas de demanda da sociedade e de custo marginal constante se cruzam nos valores: preço $1,00 e
quantidade 75. Nessa quantidade definida de 75, como o indivíduo A está disposto a pagar $0,25 e o indivíduo
B está disposto a pagar $0,75, o governo cobrará $0,75 de imposto do indivíduo A e $0,25 do indivíduo B.
A precificação de Lindahl está relacionada com o conceito do princípio do benefício. De acordo com esse
princípio, as pessoas devem pagar impostos com base nos benefícios obtidos por meio dos bens públicos.
Resumindo
O modelo de Lindahl busca verificar o quanto cada pessoa valoriza individualmente determinado bem e,
assim, determinar quanto a sociedade como um todo está disposta a pagar. 
A partir das diversas opiniões obtidas (disposição a pagar pelo bem público) e do custo marginal, o governo
encontra a quantidade que deve ofertar. Como o governo também conhece a disposição a pagar de cada um,
é possível taxar essas pessoas de acordo com o valor que elas concedem para aquele bem.
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Alguns problemas, no entanto, impedem que esse modelo seja completamente viável na prática.
Preferência revelada
No modelo de precificação de Lindahl, as pessoas têm um incentivo para
mentir sobre sua disposição a pagar pelo bem público.Isso ocorre
porque, se a pessoa declara que valoriza muito esse bem, ela deverá
pagar mais impostos.
Se você disser que está disposto a pagar sozinho por um poste de luz na
sua rua, os demais moradores podem ser oportunistas e dizer que não
valorizam a iluminação, ou seja, você pagará todo custo sozinho! Esse
tipo de situação é conhecido como o problema do consumidor-carona, no
qual uma pessoa tenta se beneficiar do bem público, mesmo sem arcar
com seu custo. Uma pessoa que, por exemplo, anda de noite na rua e,
logo, usufrui da iluminação pública, mas não está em dia com o
pagamento da taxa que custeia esse serviço de iluminação, é um
consumidor-carona.
Conhecimento das preferências
Mesmo as pessoas estando propensas a falar a verdade sobre sua
disposição a pagar pelo bem, ainda teriam dificuldade em dizer o valor
exato que acreditam possuir determinado bem público. Sabendo que a
defesa nacional é um bem público, considere a seguinte pergunta: quanto
você estaria disposto a pagar pela defesa nacional do seu país?
Provavelmente, a maioria das pessoas não saberia responder a essa
questão.
Agregar as preferências
Mesmo as pessoas estando propensas a falar a verdade sobre sua
disposição a pagar e sabendo precificar exatamente o bem público, o
governo teria dificuldade em agregar as demandas para conhecer o
benefício social. Imagine a dificuldade em perguntar a disposição a pagar
dos 210 milhões de brasileiros referente a cada bem público existente.
A partir desses três problemas, podemos observar que, apesar de apresentar conceitos e um modelo de
forma clara, a precificação de Lindahl é inviável de ser aplicada na prática.
Estimando a disposição a pagar por ar limpo
Apesar de saber da dificuldade em verificar a disposição a pagar das pessoas por bens públicos, alguns
economistas buscam encontrar métodos alternativos para descobrir as preferências das pessoas.
O estudo Disposição a pagar por ar limpo: evidências do mercado de purificador de ar na China , realizado por
Koichiro Ito e Shuang Zhang, publicado em 2020, apresenta uma dessas alternativas. Os dois pesquisadores
pretendiam descobrir a disposição a pagar das pessoas por ar limpo. Para isso, eles usaram como
aproximação a compra de aparelhos de purificação de ar.
Por meio de um modelo estatístico, foi possível estimar quanto as pessoas estavam dispostas a pagar
anualmente: $1,34 para cada micrograma por metro cúbico de PM10 (partícula inalável que constitui um
elemento da poluição do ar).
Agregando as preferências
Como vimos, o modelo de Lindahl trabalha com a hipótese de que existe unanimidade pela oferta de
determinado bem público, uma vez que toda sociedade o deseja. Com isso, é factível que o governo forneça a
quantidade eficiente do bem público, dada pela interseção entre a demanda total pelo bem e o seu custo. No
entanto, não é isso que verificamos normalmente.
Um mecanismo muito utilizado pelos governos para agregar as preferências individuais é o voto majoritário.
Nesse mecanismo, o governo coloca as opções de política para votação e os cidadãos escolhem de acordo
com suas preferências. A opção que receber mais votos é a escolhida.
Para que a escolha majoritária realmente agregue as preferências de maneira consistente, há três fatores:
Domínio
Se todos os eleitores preferem determinada opção, a agregação faz com que essa seja a opção
escolhida pela sociedade.
Transitividade
Se um indivíduo prefere A a B, e B a C, deve também preferir A a C.
Independência das alternativas irrelevantes
Se um indivíduo prefere A a B quando essas são as duas únicas opções, ele deve continuar preferindo
A a B quando mais alternativas são acrescentadas.
Essas três condições são necessárias para que possamos agregar as preferências de maneira satisfatória.
Suponha que um grupo de pessoas precise decidir sobre um projeto em conjunto. As três pessoas do grupo
são: José, João e Maria. Eles têm que decidir entre os projetos A, B e C. José tem preferência de acordo com
a seguinte ordem: A, B e C. Enquanto isso, João prefere a ordem C, B e A. Já Maria tem a ordem de
preferência B, C e A. O grupo decidiu que utilizará o voto majoritário para escolher o projeto, e as votações
serão feitas comparando as possibilidades até que seja encontrado o vencedor.
Ranking José João Maria
1 A C B
2 B B C
3 C A A
Preferências individuais de José, João e Maria.
Primeira votação
A primeira votação é para escolher entre os
projetos A e C. José votará em A, pois prefere A
a C. João votará em C, já que prefere C a A.
Maria votará em C, porque prefere C a A. O
projeto C tem dois votos e o A tem um voto,
logo, o C vence.
Segunda votação
A segunda votação é para escolher entre os
projetos A e B. O mesmo processo é
implementado, fazendo com que o projeto A
tenha um voto (José) e o projeto B tenha dois
votos (João e Maria). O projeto B, portanto,
vence.
Terceira votação
A terceira votação é entre os projetos B e C. O
projeto B terá dois votos (José e Maria) e o C
terá um voto (João). Com isso, o projeto B
vence.
Como o projeto B venceu em duas votações das três realizadas, consideramos que seja o vencedor. Nesse
caso, independentemente da ordem das votações entre dois projetos diferentes, o projeto B sempre será o
preferido. Assim, vimos como o voto majoritário consegue agregar as preferências da sociedade.
Suponha agora que João seja substituído por Ana, que possui a seguinte preferência: C, A e B. Sabendo dessa
informação, vamos repetir a votação feita acima.
Ranking José Ana Maria
1 A C B
2 B A C
3 C B A
Preferências individuais de José, Ana e Maria.
A primeira votação é para escolher entre os projetos A e C. Nessa votação, C tem dois votos (Ana e Maria) e A
tem um voto (José). O projeto C, então, vence a votação.
 
A segunda votação é para escolher entre os projetos A e B. O projeto A tem dois votos (José e Ana) e o
projeto B tem um voto (Maria). Logo, o projeto A vence.
 
A última votação é entre os projetos B e C. O projeto B tem dois votos (José e Maria) e o projeto C tem um
voto (Ana). Com isso, o projeto B vence.
 
Note que, dessa vez, independentemente da ordem de votação, não haverá um vencedor claro. Dadas as
duas primeiras votações, onde C é preferido a A, e A é preferido a B, pela propriedade da transitividade, seria
necessário que C fosse preferido a B. Como isso não ocorre, a propriedade da transitividade é violada. O voto
majoritário, então, falha nesse caso.
Nos casos em que essa propriedade é violada, a pessoa responsável por organizar a ordem da votação pode
acabar manipulando o resultado final.
Suponha que o responsável por essa ordem queira que o projeto C saia vitorioso. Ele pode organizar a votação
da seguinte forma:
Se o organizador da votação quiser que o projeto A vença, ela poderia ser organizada de outro modo, como
veremos a seguir:
Teorema da impossibilidade de Arrow
Algumas falhas também podem ocorrer em outros sistemas diferentes do majoritário. No exemplo que
apresentamos, em que José, Ana e Maria tinham que escolher um projeto, qualquer sistema de votação seria
incapaz de agregar as preferências de maneira consistente. 
Um resultado importante sobre a situação descrita é o teorema da impossibilidade de Arrow. Esse teorema
revela que, fora algumas situações específicas, um sistema de votação é incapaz de agregar as preferências
de forma consistente.
Para resolver o problema da impossibilidade, é possível considerar apenas preferências com pico único.
Um pico seria uma opção preferida em relação aos demais ao redor, isto é, a opção com maior
pontuação na escala de preferência de uma pessoa. As preferências com pico único revelam uma
única opção com pontuação maior, de forma que qualquer outra opção levará a uma queda do bem-
estar/utilidade dessa pessoa.
Caso haja preferências com pico único, as votações majoritárias conseguirão agregar as preferências de
maneira consistente. Podemos verificar isso nos dois gráficos a seguir, onde estão representadas as ordens
de preferências de cada pessoa do grupo deacordo com a pontuação firmada anteriormente (primeira opção
= três pontos, segunda = dois pontos, e terceira = um ponto).
No gráfico 4, estão representadas as ordens de preferências de José, João e Maria. Há apenas um pico na
curva de preferências de cada um deles.
Já no gráfico 5, que representa as preferências de José, Ana e Maria, as curvas de José e Maria continuam
com pico único, porém a curva de Ana apresenta dois picos. A curva de Ana inicia com pico no projeto A,
caindo com o projeto B e subindo novamente com o projeto C. Logo, podemos dizer que a curva de
preferências de Ana é uma curva com múltiplos picos.
Primeiro… 
Na votação entre os projetos A e B, o
projeto A vence.
Depois… 
Depois, temos a votação entre os
projetos A e C, com C sendo o projeto
vencedor.
Primeiro… 
Teríamos B contra C, com B vencendo a
votação.
Em seguida… 
Na votação entre A e B, A sairia como
vencedor.
De um lado… 
Se a votação envolvesse a escolha do projeto
de maior preferência, José escolheria A, Ana
escolheria C e Maria escolheria B. A votação
estaria, dessa forma, empatada.
Por outro lado… 
Se o sistema de votação fosse por
pontos (primeira opção = três pontos,
segunda = dois pontos, e terceira = um
ponto), também haveria empate, com
cada projeto tendo, ao fim, seis pontos.
Gráfico 4 – Curvas de preferência de João, José e Maria.
Gráfico 5 – Curvas de preferência de Ana, José e Maria.
Tais resultados coincidem com os exemplos das duas votações realizadas. Na primeira situação, José, João e
Maria conseguem agregar suas preferências por meio da votação, de modo que encontramos curvas com pico
único. Já na segunda situação, com a votação realizada por José, Ana e Maria, não é possível agregar suas
preferências e encontramos a curva de Ana com dois picos.
Teoria do eleitor mediano
Além do voto majoritário, temos também a teoria do eleitor mediano. De acordo com essa teoria, o voto
majoritário gera um resultado igual ao do eleitor mediano caso as preferências tenham pico único.
O eleitor mediano é a pessoa que está exatamente no meio do conjunto dos eleitores, de forma que existe um
número igual de pessoas que gostam mais e menos de uma decisão específica.
Comentário
No exemplo da primeira votação, entre José, João e Maria, Maria seria a eleitora mediana. 
Para que o governo selecione o melhor nível de bem público a ser ofertado à sociedade, é preciso escolher
uma pessoa que esteja exatamente no meio da distribuição de preferências. 
Exemplo
Na discussão sobre a criminalização do porte de armas, uma pessoa no meio da distribuição não se
posicionaria completamente a favor, nem completamente contra. O governo não precisa, portanto, saber
a preferência de todas as pessoas, mas encontrar o eleitor mediano e aplicar sua preferência. 
A escolha pode não levar à eficiência, como foi visto no modelo de Lindahl, já que a eficiência é alcançada
quando o benefício social marginal se iguala ao custo social marginal. 
Na realidade, as pessoas não votam em projetos que o
governo pretende realizar para que o nível de bem público
ofertado seja selecionado. Em países democráticos, os
cidadãos selecionam seus representantes, que assumem a
responsabilidade de tomar as decisões em nome da
população.
Dessa forma, é possível dizer que a teoria do eleitor
mediano também pode ser utilizada para estudar o
comportamento dos políticos.
Para analisar esse comportamento, a teoria do eleitor
mediano assume que os políticos buscam atrair o eleitor
mediano para que seus votos sejam maximizados.
Exemplo
Suponha que haja dois candidatos e um espectro político, isto é, um sistema de classificação das
posições políticas indo de um (extrema esquerda) até dez (extrema direita). Esses dois políticos devem,
então, se posicionar para maximizar seus votos. 
Vamos imaginar que o candidato A tenha se posicionado na extrema esquerda. O candidato B se perguntará,
em rezão da posição do candidato A: “Qual posição devo escolher?”. 
Cenário 1
Sabendo que cada posição representa 10% dos votos, o candidato B
escolherá a posição 2. Isso porque, nessa posição, o candidato B conseguirá
os votos da posição 2 a 10, acumulando 90% dos votos. Assim, o candidato A
ficará com apenas 10% dos votos, como representado na figura.
Cenário 2
Agora, sabendo que isso ocorrerá, o candidato A se perguntará: “Será que a
posição 3 será melhor?”. O candidato A decide, então, pela posição 3 e
acumula 80% dos votos, deixando o candidato B com apenas 20% restantes
dos votos, como representado na figura.
Cenário 3
Repetindo essas decisões algumas vezes, chegamos ao cenário em que o
candidato A estará na posição 5 e o candidato B, na posição 6. Cada
candidato terá, nesse caso, 50% dos votos, como na figura.
A conclusão que tiramos desse cenário é que os candidatos se posicionarão ao centro para conquistar o maior
número de votos possíveis. 
Hipóteses da teoria do eleitor mediano
Neste vídeo, abordaremos com detalhes as seis hipóteses da teoria do eleitor mediano. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Outro ponto a destacar é o lobby. Essa prática se refere à influência articulada por grupos organizados com o
objetivo de interferir em decisões políticas. Esse tipo de prática pode ser organizado por diversos grupos,
como empresários, sindicatos, estudantes, ambientalistas, entre outros. Nesse conceito, o lobismo não
configura corrupção, mas certa pressão sobre políticos realizada por grupos organizados. O interesse de
políticos no lobismo pode ocorrer por dois motivos: 
O problema do lobismo surge quando um grupo de interesse apresenta projetos que impõem prejuízos para a
sociedade, enquanto geram ganhos para o seu grupo. Nesse caso, entramos no problema do consumidor-
carona. Mesmo os benefícios estando concentrados em determinado grupo, seria muito difícil para o resto da
população se mobilizar a ponto de conter essa ação do grupo lobista. Os benefícios encontram-se, portanto,
concentrados, enquanto os custos são dispersos.
Motivo 1 
Os grupos de interesse podem fornecer
informações relevantes sobre determinado
assunto.
Motivo 2 
Os grupos de interesse podem
recompensar o político que os apoiou
mediante doações de campanhas,
influenciando o voto dos eleitores.
Exemplo
Podemos citar os subsídios fornecidos para diversos setores da economia, mesmo quando eles não
apresentam qualquer externalidade positiva, isto é, quando nenhum efeito positivo é gerado pela
produção desses setores a terceiros. 
Plebiscitos e referendos no Brasil
Conforme vimos, diversos países são democracias representativas. Isso significa que os cidadãos ficam
responsáveis por selecionar, por meio de eleições, seus representantes no governo. A partir disso, tais
representantes eleitos serão responsáveis por decidir a quantidade a ser fornecida de bens e serviços pelo
governo.
Outra opção é a democracia direta, na qual os cidadãos decidem as ações do governo, como demonstrado
nos modelos iniciais deste estudo. Algumas vezes, os governos propõem que certas decisões sejam feitas
pelos eleitores, e não por seus representantes. Existem dois mecanismos utilizados para pôr em prática a
democracia direta: o plebiscito e o referendo.
Plebiscito
É convocado previamente ao ato legislativo ou
administrativo que trata de determinado
assunto.
Referendo
É uma consulta a população após o ato
legislativo ou administrativo feito.
Esses instrumentos podem ser utilizados em qualquer nível da federação, isto é, os governos federal, estadual
ou municipal podem fazer essa consulta à população, desde que esteja de acordo com a legislação aplicável. 
Exemplo
Um plebiscito foi realizado no Brasil em 1993. Nessa consulta, a população decidiu a forma de governo
(república ou monarquia) e o sistema de governo (presidencialista ou parlamentarista). Os resultados
foram: república com 86,6% dos votos e monarquia com 13,4%; sistema presidencialista com 69,2% e
parlamentarismo com 30,8% dos votos. Com esse plebiscito, ficou definido, portanto, queo Brasil
seguiria como uma república presidencialista. 
O Brasil realizou também um referendo em 2005. Nessa
consulta, foi feita uma pergunta sobre o artigo 35 do
estatuto do desarmamento: o comércio de arma de fogo e
munição deve ser proibido no Brasil? O resultado foi “Não”
com 63,94% e “Sim” com 36,06% dos votos.
Um exemplo de plebiscito em nível estadual ocorreu no
estado do Pará no ano de 2011. Nessa consulta, a
população respondeu sobre a divisão do estado do Pará em
três: Pará, Carajás e Tapajós. Para Carajás, o resultado foi
“Não” com 66,6% e “Sim” com 33,4%. Para Tapajós, o
resultado foi “Não” com 66,08% e “Sim” com 33,92%.
Lobby no Brasil e em outros países
O lobby pode ser uma ferramenta utilizada por setores da sociedade para exercer influência na tomada de
decisão dos políticos. No Brasil, assim como em outros países, existem grupos de interesses que estão em
constante contato com diversos órgãos do governo para discutir suas ideais.
Um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), chamado Propostas de regulamentação do
lobby no Brasil: uma análise comparada, apresenta uma discussão sobre o lobismo, assim como possíveis
regulamentações e medidas adotadas por outros países para lidar com essa prática.
O primeiro ponto abordado é a discussão sobre a regulamentação do lobismo, com foco nos grupos favoráveis
e contrários.
Grupo favorável
Esse grupo diz que é essencial a existência de regras que promovam deliberação, transparência e 
accountability (termo utilizado em referência à prática de prestação de contas). Com isso, a
sociedade poderia ter conhecimento de forma clara dos interesses em jogo, dos recursos utilizados
para tentar influenciar os políticos e dos mecanismos de responsabilização dos agentes públicos e
lobistas pelos seus atos.
Grupo contrário
Esse grupo argumenta que a regulamentação pode limitar o acesso à política, atrapalhar as
negociações e ter um custo-benefício ruim para o Estado. Para esse grupo, o excesso de
formalização pode criar barreiras para as pessoas terem acesso aos políticos, além dos custos
envolvidos no processo de credenciamento, na disponibilização de informações, entre outros. Grupos
com menos recursos financeiros poderiam, dessa forma, ser prejudicados pela regulamentação. Outro
argumento é que a confidencialidade é necessária para formulação de boas políticas. Por fim, o último
argumento está relacionado aos custos incorridos pelo Estado com a criação de agências para
controle e monitoramento da atividade, podendo não compensar a regulamentação no caso de custos
muito altos.
Outro ponto do estudo é a apresentação dos modelos de regulamentação do lobby, divididos em três práticas:
legislação indireta, legislação específica e autorregulação.
Legislação indireta
Tem o objetivo de criar códigos de conduta e
ética para os funcionários públicos e políticos a
fim de evitar práticas corruptas. Esses códigos
normalmente são estabelecidos por meio de
decretos e resoluções.
Legislação específica
É feita por diplomas legais específicos e
superiores na hierarquia do ordenamento
jurídico.
Autorregulação
São códigos de conduta autodefinidos pelos
lobistas e todos os outros agentes envolvidos.
Saiba mais
No Brasil, existe apenas a legislação indireta, como a Resolução nº 47/2013 (Código de ética e decoro
parlamentar da Câmara dos Deputados), a Resolução nº 20/1993 (Código de ética e decoro parlamentar
do Senado), o Decreto nº 1.171/1994 (Código de ética do servidor público civil do poder executivo
federal) e o Decreto nº 4.334/2002 (Regulamentação das audiências concedidas a particulares por
agentes públicos). 
O terceiro ponto do estudo do IPEA é o CPI score, um indicador criado pelo Centro para Integridade Pública
para indicar o grau de regulamentação do lobismo. Além de descrever a metodologia por trás do cálculo desse
indicador, o estudo em questão destaca que o CPI score tem como objetivo avaliar as regras para a atividade
do lobby em termos de transparência e accountability. O indicador varia entre 0 e 100 e apresenta três
categorias: altamente regulamentado (acima de 60), intermediário (30 a 59) e pouco regulamentado (abaixo
de 30).
Centro para Integridade Pública
Center for Public Integrity é uma organização americana sem fins lucrativos.
O estudo aponta que cada categoria tem sua vantagem e desvantagem.
Modelos com baixa regulamentação
Modelos com baixa regulamentação implicam baixa transparência e accountability. Mesmo sendo
possível identificar os lobistas, não há conhecimento dos custos e de quem influencia quem. As
vantagens desse sistema decorrem do baixo custo arcado pelos lobistas ou grupos de interesse,
garantindo a participação de grupos com menos recursos, além do pequeno aparato de controle do
Estado, implicando também custos menores para o governo. Esse modelo é utilizado pela Polônia,
Comissão Europeia, Alemanha e pelo Parlamento Europeu.
Modelo de regulação intermediária
O modelo de regulação intermediária oferta maior grau de transparência e accountability, permitindo
saber quem faz o lobby, com quem os lobistas estão se relacionando e os interesses defendidos.
Porém, nesse tipo de regulação, não é possível ter acesso aos gastos com a atividade de lobismo. Os
custos mais elevados para o controle e os resultados incertos são a desvantagem. Tal incerteza
decorre da falta de clareza na definição de quem é lobista e de quem pode praticar a atividade,
gerando, assim, insegurança jurídica. Países como Austrália e Hungria optaram por esse modelo.
Modelo de alta regulação
Esse modelo apresenta informações detalhadas sobre a atividade lobista, o que torna extremamente
transparente a relação de lobistas com políticos. Porém, o sistema apresenta dois problemas
fundamentais. O primeiro é o alto custo de fiscalização, como já foi apontado. O segundo problema
tem relação com o excesso de preocupação com o que é legal e ilegal na relação entre o lobista e o
político. Como as punições são claras e fortes, a interação entre os atores públicos pode acabar
sendo desestimulada. O modelo de alta regulação é aplicado apenas pelos EUA.
Pesquisadores apontam que é necessário um esforço para melhorar a regulamentação no Brasil e aumentar
sua transparência, ainda que sem a criação de grandes barreiras de participação, uma vez que, como vimos, o
lobismo representa uma importante prática de conexão entre diversos grupos da sociedade e a classe política.
Vem que eu te explico!
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Como agregar as preferências?
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Teorema da impossibilidade de Arrow
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Teoria do eleitor mediano
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Verificando o aprendizado
Questão 1
No modelo de Lindahl, para o governo construir a demanda da sociedade pelo bem público é necessário:
A
Somar as demandas individuais horizontalmente.
B
Somar as demandas individuais verticalmente.
C
Verificar o pico da função de bem-estar.
D
Verificar a demanda mais inclinada.
E
Verificar o valor mínimo atingido pela função de bem-estar.
A alternativa B está correta.
Para conseguir a demanda agregada da sociedade, é necessário conhecer as demandas individuais e
somá-las verticalmente. Ou seja, para cada unidade produzida, fazemos a pergunta: "Quanto cada pessoa
está disposta a pagar por essa unidade?". Somamos esses valores e obtemos com isso o quanto a
sociedade está disposta a pagar.
Questão 2
De acordo com a teoria do eleitor mediano, é correto afirmar que:
A
Candidatos se aproximam dos extremos para conseguir mais votos.
B
O modelo considera múltiplos candidatos.
C
O modelo considera que candidatos não têm informação perfeita.
D
Candidatos tentam se aproximar do eleitor mediano para obter mais votos.
E
A teoria somente é válida quando existe apenas 1 candidato.
A alternativa D estácorreta.
Essa é exatamente a hipótese da teoria do eleitor mediano: os candidatos só querem maximizar o número
de votos, e para isso o ideal é ficar tão perto quanto possível do centro, ou seja, do eleitor mediano. Com
isso, atraem votos de todos os lados do espectro político.
2. Teoria da escolha pública e agenda política
Teoria da escolha pública
A teoria da escolha pública procura explicar o funcionamento do governo. De acordo com essa teoria, o
objetivo do governo não é buscar o máximo de bem-estar para os cidadãos. Tal argumento rompe, dessa
forma, com a hipótese de que o governo sempre age de maneira benevolente.
A primeira ideia da teoria trata dos burocratas, pessoas responsáveis por prestar serviços do governo, e
discute a possibilidade de essas pessoas poderem estar mais interessadas na sua autopreservação e no seu
crescimento individual, ao invés da execução eficiente dos objetivos do governo.
No modelo de maximização do orçamento administrado
pelo burocrata, criado por William Niskanen, os burocratas
são responsáveis por administrar algum órgão do governo,
que possui o monopólio na oferta de algum serviço ou bem
público. Nesse modelo, à diferença das empresas privadas,
que pagam seus funcionários com base na eficiência,
burocratas são mais bem remunerados de acordo a
quantidade de serviços e bens que ofertam. Sendo assim, o
burocrata tende a buscar sempre maximizar o tamanho do
órgão governamental e, com isso, maximizar seu
orçamento, deixando de escolher o nível de serviço e bens
que maximiza o bem-estar da população.
A partir disso, surgem alguns questionamentos sobre a
possibilidade de certos bens e serviços serem mais bem ofertados pelo setor privado, no lugar do governo.
O que se observa nas evidências empíricas, isto é, na realidade demonstrada pelos dados, é que bens
privados (como produção de aço, telecomunicações e bancos) fornecidos por empresas privadas são, com
frequência, muito mais eficientes. As empresas transformam a visão do pensamento burocrata em uma visão
maximizadora de lucro, resultando em ganhos de produtividade e eficiência.
Há, no entanto, algumas limitações para o uso desse modelo.
A primeira limitação vem dos monopólios
naturais. Alguns mercados possuem
características específicas que tornam
naturalmente mais eficiente a produção por
apenas uma empresa. A principal característica
está ligada ao custo marginal de produção
decrescente, ou seja, a cada produto adicional
que a empresa produz, o custo dessa unidade
extra se reduz. Essa característica é muito
comum em setores que encaram um custo fixo
(aquele que independe do nível de produção)
extremamente elevado, permitindo que o custo
médio decresça com o aumento da quantidade
produzida (economia de escala). Usinas
hidroelétricas e sistemas de saneamento são
exemplos de atividades com alto custo fixo e baixo custo marginal.
Como alguns mercados são monopólios naturais, a presença de oferta privada não teria concorrência e faria
com que privatizações resultassem em custos mais elevados para os consumidores.
A teoria do Leviatã, criada por Brennan e Buchanan, é outra abordagem para entender a atuação do governo.
Nessa teoria, o órgão do governo e o burocrata são, na realidade, uma entidade, e o pensamento é próximo ao
que acabamos de ver: essa entidade tenta maximizar o tamanho do setor público se aproveitando da
ignorância dos eleitores. Logo, a partir desse entendimento, as pessoas não poderiam confiar no governo para
gastar seu dinheiro e deveriam criar mecanismos para bloquear a ganância do governo.
Com essa visão do governo, podemos entender melhor uma série de regras que existem em diversos países
controlando assuntos como orçamento do governo, divisão de poderes, entre outros. Outro modo de
combater a ineficiência governamental seria a competição política, onde a disponibilidade de opções políticas
pode gerar pressões a favor da melhor oferta de serviços públicos.
Outro problema que surge dessa visão de governo é a
corrupção, situação em que o agente público tira proveito
do governo para ganhos pessoais. Uma forma de evitar
seria questionar sempre o político, o que poderia ser feito
por meio do accountability, isto é, da prestação de contas
do político. Essa ferramenta implica, basicamente, no
esclarecimento de como os recursos do governo estão
sendo gastos, podendo ser interpretada também como
transparência.
A prática de corrupção parece ser mais propensa em locais
onde há mais red tape, ou seja, locais com excesso de
burocracia ou regulamentações. Tais excessos de regras
criam barreiras que, por sua vez, deixam os custos das
empresas mais elevados.
Definição de agenda
É o processo de problemas e soluções que ganham e perdem a atenção do público e da elite. A competição
entre grupos de interesse por espaço nessa agenda é intensa porque as instituições políticas têm restrições
de recursos e, com isso, devem focar em assuntos selecionados.
Licitação Competitiva 
Uma opção intermediária entre a privatização
e a empresa pública seria o governo contratar
empresas privadas para fornecimento do
serviço. Nesse sistema, ele poderia aproveitar
o sistema de competição fazendo uma
licitação competitiva. Assim, manifestaria o
interesse em determinado serviço e a
empresa selecionada seria aquela que presta
o serviço da maneira mais eficiente. Note que,
nesse sistema, o governo consegue aproveitar
ao mesmo tempo a economia de escala e a
eficiência do mercado competitivo.
Riscos de Corrupção 
Em alguns casos, porém, a contratação
de serviços privados não garante que
haja competição. Há situações em que
os burocratas buscam se aproveitar do
poder e não executam o contrato com a
empresa mais eficiente, mas, sim, com
aquela que oferece mais poder a ele,
como pode ocorrer, por exemplo, por
meio de propinas.
Definição de agenda é um conceito que pode ser traduzido como a organização da agenda política.
A agenda possui diversos níveis podendo ser de interesse federal, estadual ou municipal. O processo de
definição de agenda possui diversas dimensões. Vamos conhecer cada uma dessas dimensões a seguir: 
Universal
A primeira é a agenda universal, com todos os assuntos possíveis que podem ser discutidos pela
sociedade ou pelo sistema político. Podemos discutir até mesmo assuntos fora da alçada de um
governo, como: deveríamos trazer todos os jogadores do futebol europeu para o Brasil?
Na democracia, pode parecer que é possível as ideias sejam discutidas livremente e de qualquer
forma, porém há situações que impedem alguns discursos. Nos EUA, por exemplo, é permitido o uso
de símbolos nazistas e até a existência de grupos nazistas, devido à constituição norte-americana e à
primeira emenda, que garantem o direto à livre expressão.
Já no Brasil e em muitos outros países, símbolos e grupos nazistas são proibidos. Esse cenário
demonstra que leis podem impedir a participação de certas ideias na agenda, assim como a pressão
social. Mesmo havendo nos EUA permissão para expressar qualquer tipo de ideia, isso não significa
que as instituições aceitem discutir ideias condenadas pelas normas sociais.
Sistemática
A segunda dimensão é a agenda sistemática, que inclui todos os assuntos que os políticos entendem
que mereçam atenção do público e envolvam assuntos internos à jurisdição legítima do governo. Por
exemplo, a agenda sistemática do governo federal pode incluir uma discussão sobre a liberação de
armas de fogo, ou de consumo de drogas: o governo federal pode propor alterações legais para
implementar essas mudanças. A diferença entre a primeira e a segunda dimensão é a jurisdição do
governo.
Institucional
A terceira dimensão é a agenda institucional, com a lista de ideais que são explicitamente colocadas
para considerações sérias e ativas das autoridades responsáveis por tomarem as decisões. Por
exemplo, o Congresso pode debater a Reforma Tributária proposta pelo governo federal.
Decisão
A última dimensão é a agenda de decisão, com os assuntos sobre os quais as instituições estão
propondo e aprovandoordens. Por exemplo, o Congresso pôde aprovar medidas de alívio econômico
durante a pandemia da covid-19.
É evidente que o objetivo de qualquer grupo é que suas ideias saiam da agenda sistemática e ocupe a agenda
de decisão, enquanto outros grupos terão o objetivo oposto, ou seja, bloquear essas ações.
No processo de construção da agenda, alguns grupos normalmente possuem mais poder do que outros.
Nesse caso, poder pode ser definido como a capacidade de obrigar as pessoas a fazer algo, mesmo contra
sua vontade.
Atenção
Os dois tipos de poder são os comentados anteriormente: os que se referem à capacidade de passar e
de bloquear projetos. 
Os grupos minoritários podem utilizar recursos para
melhorar a posição de seus projetos na formação da
agenda. Esses recursos podem ser, por exemplo, símbolos e
imagens para atrair a atenção da mídia e simpatia do
público. Esses grupos também podem apelar para
instituições em níveis superiores, como, por exemplo, em
casos em que um projeto é rejeitado em nível municipal e
acaba sendo oferecido para discussão em nível estadual.
Parte importante do processo de formação da agenda
política reside na forma como um problema é definido. Para
entender melhor, precisamos saber sobre suas condições,
símbolos, história causal, indicadores e eventos em foco.
Elementos para definição da agenda
política
Neste vídeo, abordaremos alguns dos elementos para a definição da agenda política. 
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Mecanismos de controle no Brasil
Um instrumento citado e importante para controlar o comportamento dos burocratas, sejam eles eleitos ou
não, é o accountability. No Brasil, esse instrumento é utilizado e possui órgãos públicos que têm competências
distintas para essa atividade.
O processo de accountability gera uma necessidade por instituições que tenham profissionais
altamente especializados e com mandato estabelecido.
A prática de accountability está dentro do processo de freios e contrapesos, ou seja, das medidas de
descentralização do poder. Além disso, essas instituições não devem agir de forma isolada e devem ter a
participação dos três poderes.
As quatro instituições mais importantes para o processo de accountability são: Tribunal de Contas da União
(TCU), Ministério Público (MP), Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU). Todas essas
instituições fiscalizam, controlam, corrigem e instruem judicialmente ações contra gestores públicos e
políticos, em casos de atitudes que vão contra o interesse público.
Tribunal de Contas da União (TCU)
É um órgão de controle externo do governo federal e auxilia o Congresso
Nacional na missão de acompanhar a execução orçamentária e financeira
do país, e contribuir para o aperfeiçoamento da administração pública.
Além disso, o TCU também é responsável por observar o cumprimento da
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Lei de Licitações e Contratos e a
Lei de Diretrizes Orçamentárias. Essa instituição é um órgão colegiado,
composto por nove ministros, sendo seis escolhidos pelo Congresso
Nacional, um escolhido pelo presidente da República, necessitando da
aprovação do Senado, e dois escolhidos entre os ministros-substitutos e
membros do Ministério Público junto ao TCU.
Ministério Público
É um órgão que tem como funções, de acordo com a Constituição
Federal de 1988, a defesa dos direitos sociais e individuais indisponíveis;
a defesa da ordem jurídica; e a defesa do regime democrático. A
instituição também é responsável por fiscalizar, controlar e punir
irregularidades de gestão. O MP brasileiro é dividido em dois: Ministério
Público da União e Ministério Público Estadual. O Ministério Público da
União é dividido em mais quatro: Ministério Público Federal (MPF),
Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Militar (MPM) e
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O chefe do
Ministério Público da União, também responsável pelo Ministério Público
Federal, é o procurador-geral da República, que é indicado pelo
presidente da República e, mediante aprovação do Senado, pode exercer
o cargo.
Polícia Federal
É instituída por lei como órgão permanente organizado e mantido pela
União. A PF tem as funções de apurar infrações penais de interesse da
União e casos interestaduais, prevenir e reprimir o tráfico de drogas e
contrabando e agir como polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras.
Essa instituição também é organizada em carreira, o que significa que
existem regras para acesso a cargos, definição de hierarquia, previsão de
regras para ascensão a cargos e as subdivisões da organização. Os
responsáveis pela PF são o ministro da justiça e o diretor-geral da PF, que
são escolhidos pelo presidente da República.
Controladoria-Geral da União
É um órgão que tem como objetivo de controle interno do governo
federal e combate a corrupção. A Lei nº 10.683/2003 criou a instituição e
o órgão também tem a garantia da autonomia funcional. A CGU também é
responsável pelo Portal de Transparência do governo federal, onde é
possível ver informações sobre o orçamento, receitas, despesas,
licitações, transferências para estados e municípios, servidores públicos,
emendas parlamentares, entre outros. O ministro do CGU é escolhido
pelo presidente da República.
Base de dados sobre definição de agenda no Brasil e no mundo
Uma forma de ver a importância de um determinado assunto é analisar o quanto ele está presente na agenda
do governo. Para analisar essas informações, o Center for American Politic and Public Policy (CAPPP) oferece
o serviço Policy Agendas Project, onde estão disponíveis dados sobre ações do executivo, legislativo, partidos
políticos e mídia de diversos países, incluindo o Brasil.
Para o Brasil, existe o Brazilian Policy Agendas Project, que conta com organização de professores e alunos da
UNESP e da UFSCar. O projeto busca analisar documentos como emendas constitucionais, mensagens do
Congresso, discursos presidenciais, medidas provisórias e leis mais importantes aprovadas pela Câmara dos
Deputados.
Com essas informações, podemos verificar o quanto um assunto está sendo tratado pelas diversas instâncias
governamentais.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Teoria da escolha pública
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Definindo a agenda política
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Accountability
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Verificando o aprendizado
Questão 1
De acordo com a teoria da escolha pública, podemos afirmar que.
A
O Estado é considerado benevolente.
B
O governo é o melhor em prover bem e serviços.
C
Os burocratas buscam maximizar o tamanho do orçamento da agência que controlam.
D
O governo sempre alcança resultados eficientes.
E
O Estado busca sempre reduzir os gastos considerados ineficientes.
A alternativa C está correta.
Essa é exatamente uma das hipóteses da teoria da escolha pública: o burocrata não tem por objetivo
maximizar o bem-estar social, mas o orçamento sob seu controle.
Questão 2
De acordo com a teoria da escolha pública, quando as privatizações são recomendadas?
A
Quando os bens forem do tipo bem privado.
B
Quando os bens são monopólio natural.
C
Para qualquer tipo de bem.
D
Nunca são recomendados.
E
Quando se tratam de recursos escassos, pois o Estado não saberá realizar sua gestão.
A alternativa A está correta.
Evidências empíricas mostram que as privatizações devem ocorrer em casos de bens privados (como
produção de aço, telecomunicações e bancos), pois empresas privadas são frequentemente mais eficientes
ao adotarem uma visão maximizadora de lucro.
3. Conclusão
Considerações finais
Todos sabem que políticas públicas são importantes, mas precisamos saber como implementá-las. Neste
estudo, abordamos o funcionamento do governo, entidade responsável por essa implementação.
Discutimosa oferta de bens públicos e como partes da sociedade (eleitores ou grupos organizados) podem
influenciar o governo. Vimos a teoria da escolha pública e, em particular, a definição da agenda política.
Estudamos ainda alguns mecanismos usados no Brasil.
Fique sempre atento a esses mecanismos. Uma política pública não é apenas uma boa ideia: há um longo
caminho até sua implementação.
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Para encerrar, ouça um resumo dos principais tópicos abordados no conteúdo.
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Para saber mais sobre o controle da burocracia e o accountabillity, pesquise na Internet e leia o artigo
Burocracias do controle, controle da burocracia e accountability no Brasil, de Fernando Filgueiras.
Referências
BRAZIL. Comparative agendas project. Consultado em meio eletrônico em: 17 mai. 2020.
 
CUNHA, L.; SANTOS, M.L. Propostas de regulamentação do lobby no Brasil: uma análise comparada. Brasília:
Ipea, 2015.
 
FISCHER, F.; MILLER, G. J.; SIDNEY, M. S. Handbook of public policy analysis: theory, politics and methods.
Londres: Routledge, 2006.
 
GRUBER, J. Public finance and public policy. 3. ed. Nova Iorque: Worth, 2010.
 
ITO, K.; ZHANG, S. Willingness to pay for clean air: evidence from air purifier markets in China. In: Journal of
Political Economy, Chicago, v. 128, n. 5, pp. 1627-1672, mai., 2020.
 
MANKIW, G. N. Princípios de Microeconomia. 3.ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
 
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Plebsiscitos e referendos. Consultado em meio eletrônico em: 17 mai. 2020.
 
WASHINGTON UNIVERSITY. Center for american politics and public policy. Consultado em meio eletrônico em:
17 mai. 2020.
	Implementação de políticas públicas
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Oferta de bens públicos
	Modelo de oferta de bens públicos
	Bem público
	Disposição a pagar
	Benefício social marginal
	Custo social marginal
	Resumindo
	Preferência revelada
	Conhecimento das preferências
	Agregar as preferências
	Estimando a disposição a pagar por ar limpo
	Agregando as preferências
	Domínio
	Transitividade
	Independência das alternativas irrelevantes
	Primeira votação
	Segunda votação
	Terceira votação
	Teorema da impossibilidade de Arrow
	Teoria do eleitor mediano
	Comentário
	Exemplo
	Exemplo
	Cenário 1
	Cenário 2
	Cenário 3
	Hipóteses da teoria do eleitor mediano
	Conteúdo interativo
	Exemplo
	Plebiscitos e referendos no Brasil
	Plebiscito
	Referendo
	Exemplo
	Lobby no Brasil e em outros países
	Grupo favorável
	Grupo contrário
	Legislação indireta
	Legislação específica
	Autorregulação
	Saiba mais
	Modelos com baixa regulamentação
	Modelo de regulação intermediária
	Modelo de alta regulação
	Vem que eu te explico!
	Como agregar as preferências?
	Conteúdo interativo
	Teorema da impossibilidade de Arrow
	Conteúdo interativo
	Teoria do eleitor mediano
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Teoria da escolha pública e agenda política
	Teoria da escolha pública
	Definição de agenda
	Universal
	Sistemática
	Institucional
	Decisão
	Atenção
	Elementos para definição da agenda política
	Conteúdo interativo
	Mecanismos de controle no Brasil
	Tribunal de Contas da União (TCU)
	Ministério Público
	Polícia Federal
	Controladoria-Geral da União
	Base de dados sobre definição de agenda no Brasil e no mundo
	Vem que eu te explico!
	Teoria da escolha pública
	Conteúdo interativo
	Definindo a agenda política
	Conteúdo interativo
	Accountability
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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