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M AT ÉR IA sumário Compreensão e interpretação de textos ........................................................................ 1 Tipologia textual ............................................................................................................. 3 Síntese e resumo. Processos de elaboração, coesão textual, síntese e resumo .......... 4 Sintaxe de construção: coordenação e subordinação ................................................... 6 Emprego das classes de palavras. Verbos .................................................................... 14 Concordância ................................................................................................................. 26 Regência ........................................................................................................................ 28 Significação literal e contextual dos vocábulos .............................................................. 30 Pontuação ...................................................................................................................... 38 Ortografia oficial ............................................................................................................. 42 Concordância verbal e nominal ...................................................................................... 51 Regência verbal e nominal ............................................................................................. 51 Crase .............................................................................................................................. 51 Questões ........................................................................................................................ 53 Gabarito .......................................................................................................................... 63 Lín gu a Po rt ug ue sa IPMO Língua Portuguesa 1 Compreensão e interpretação de textos Definição Geral Embora correlacionados, esses conceitos se distinguem, pois sempre que compreendemos adequadamen- te um texto e o objetivo de sua mensagem, chegamos à interpretação, que nada mais é do que as conclusões específicas. Exemplificando, sempre que nos é exigida a compreensão de uma questão em uma avaliação, a resposta será localizada no próprio texto, posteriormente, ocorre a interpretação, que é a leitura e a conclusão funda- mentada em nossos conhecimentos prévios. Compreensão de Textos Resumidamente, a compreensão textual consiste na análise do que está explícito no texto, ou seja, na identificação da mensagem. É assimilar (uma devida coisa) intelectualmente, fazendo uso da capacidade de entender, atinar, perceber, compreender. Compreender um texto é captar, de forma objetiva, a mensagem transmitida por ele. Portanto, a compreen- são textual envolve a decodificação da mensagem que é feita pelo leitor. Por exemplo, ao ouvirmos uma notícia, automaticamente compreendemos a mensagem transmitida por ela, assim como o seu propósito comunicativo, que é informar o ouvinte sobre um determinado evento. Interpretação de Textos É o entendimento relacionado ao conteúdo, ou melhor, os resultados aos quais chegamos por meio da as- sociação das ideias e, em razão disso, sobressai ao texto. Resumidamente, interpretar é decodificar o sentido de um texto por indução. A interpretação de textos compreende a habilidade de se chegar a conclusões específicas após a leitura de algum tipo de texto, seja ele escrito, oral ou visual. Grande parte da bagagem interpretativa do leitor é resultado da leitura, integrando um conhecimento que foi sendo assimilado ao longo da vida. Dessa forma, a interpretação de texto é subjetiva, podendo ser diferente entre leitores. Exemplo de compreensão e interpretação de textos Para compreender melhor a compreensão e interpretação de textos, analise a questão abaixo, que aborda os dois conceitos em um texto misto (verbal e visual): FGV > SEDUC/PE > Agente de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial > 2015 Português > Compreensão e interpretação de textos A imagem a seguir ilustra uma campanha pela inclusão social. 2 “A Constituição garante o direito à educação para todos e a inclusão surge para garantir esse direito também aos alunos com deficiências de toda ordem, permanentes ou temporárias, mais ou menos severas.” A partir do fragmento acima, assinale a afirmativa incorreta. (A) A inclusão social é garantida pela Constituição Federal de 1988. (B) As leis que garantem direitos podem ser mais ou menos severas. (C) O direito à educação abrange todas as pessoas, deficientes ou não. (D) Os deficientes temporários ou permanentes devem ser incluídos socialmente. (E) “Educação para todos” inclui também os deficientes. Resolução: Em “A” – Errado: o texto é sobre direito à educação, incluindo as pessoas com deficiência, ou seja, inclusão de pessoas na sociedade. Em “B” – Certo: o complemento “mais ou menos severas” se refere à “deficiências de toda ordem”, não às leis. Em “C” – Errado: o advérbio “também”, nesse caso, indica a inclusão/adição das pessoas portadoras de deficiência ao direito à educação, além das que não apresentam essas condições. Em “D” – Errado: além de mencionar “deficiências de toda ordem”, o texto destaca que podem ser “perma- nentes ou temporárias”. Em “E” – Errado: este é o tema do texto, a inclusão dos deficientes. Resposta: Letra B. Compreender um texto nada mais é do que analisar e decodificar o que de fato está escrito, seja das frases ou de ideias presentes. Além disso, interpretar um texto, está ligado às conclusões que se pode chegar ao conectar as ideias do texto com a realidade. A compreensão básica do texto permite o entendimento de todo e qualquer texto ou discurso, com base na ideia transmitida pelo conteúdo. Ademais, compreender relações semânticas é uma competência imprescindível no mercado de trabalho e nos estudos. A interpretação de texto envolve explorar várias facetas, desde a compreensão básica do que está escrito até as análises mais profundas sobre significados, intenções e contextos culturais. No entanto, Quando não se sabe interpretar corretamente um texto pode-se criar vários problemas, afetando não só o desenvolvimento profissional, mas também o desenvolvimento pessoal. Busca de sentidos Para a busca de sentidos do texto, pode-se extrair os tópicos frasais presentes em cada parágrafo. Isso auxiliará na compreensão do conteúdo exposto, uma vez que é ali que se estabelecem as relações hierárquicas do pensamento defendido, seja retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos. Por fim, concentre-se nas ideias que realmente foram explicitadas pelo autor. Textos argumentativos não costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Deve-se atentar às ideias do autor, o que não implica em ficar preso à superfície do texto, mas é fundamental que não se criem suposições vagas e inespecíficas. Importância da interpretação A prática da leitura, seja por prazer, para estudar ou para se informar, aprimora o vocabulário e dinamiza o raciocínio e a interpretação. Ademais, a leitura, além de favorecer o aprendizado de conteúdos específicos, aprimora a escrita. 3 Uma interpretação de texto assertiva depende de inúmeros fatores. Muitas vezes, apressados, descuidamo- nos dos detalhes presentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz suficiente. Interpretar exige paciência e, por isso, sempre releia o texto, pois a segunda leitura pode apresentar aspectos surpreendentes que não foram observados previamente. Para auxiliar na busca de sentidos do texto, pode-se também retirar dele os tópicos frasais presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreensão do conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos não estão organizados, pelo menos em um bom texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que estão, é porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação hierárquica doum artigo determinando o substantivo. Caso não exista esse artigo, o adjetivo deve permanecer invariável, no masculino singular: “É proibida a circulação de pessoas não identificadas.” e “É proibido circulação de pessoas não identifica- das.” “É permitida a entrada de crianças.” e “É permitido entrada de crianças acompanhadas.” ▪ Concordância nominal com menos: a palavra menos permanece invariável independente da sua atua- ção, seja ela advérbio ou adjetivo: ▪ “Menos pessoa/menos pessoas”. ▪ “Menos problema/menos problemas.” ▪ Concordância nominal com muito, pouco, bastante, longe, barato, meio e caro: esses termos instau- ram concordância em gênero e número com o substantivo quando exercem função de adjetivo: “Tomei bastante suco.” e “Comprei bastantes frutas.” “A jarra estava meio cheia.” e “O sapato está meio gasto”. “Fizemos muito barulho.” e “Compramos muitos presentes.” 28 Regência Visão geral: na Gramática, regência é o nome dado à relação de subordinação entre dois termos. Quando, em um enunciado ou oração, existe influência de um tempo sobre o outro, identificamos o que se denomina termo determinante, essa relação entre esses termos é chamada de regência. — Regência Nominal É a relação entre um nome e seu complemento, acontece por meio de uma preposição. Esse nome pode ser um substantivo, um adjetivo ou um advérbio, na oração, ele será o termo determinante. O complemento preenche o significado do nome, cujo sentido pode estar impreciso ou ambíguo, caso o complemento não estiver presente. Observe os exemplos: “A nova entrada é acessível a cadeirantes.” “Eu tenho o sonho de viajar para o nordeste.” “Ele é perito em investigações como esta.” Na primeira frase, o adjetivo “acessível” exige a preposição a, do contrário, seu sentido ficaria incompleto. O mesmo ocorre com os substantivos “sonho” e “perito”, na segunda e terceira frase, em que os nomes exigem as preposições de e em para completude de seus sentidos. Veja nas tabelas abaixo quais são os nomes que regem uma preposição para que seu sentido seja completo. REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO A acessível a cego a fiel a nocivo a agradável a cheiro a grato a oposto a alheio a comum a horror a perpendicular a análogo a contrário a idêntico a posterior a anterior a desatento a inacessível a prestes a apto a equivalente a indiferente a surdo a atento a estranho a inerente a visível a avesso a favorável a necessário a REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO POR admiração por devoção por responsável por ansioso por respeito por REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO DE amante de cobiçoso de digno de inimigo de natural de sedento de amigo de contemporâneo de dotado de livre de obrigação de seguro de ávido de desejoso de fácil de longe de orgulhoso de sonho de capaz de diferente de impossível de louco de passível de cheio de difícil de incapaz de maior de possível de REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO EM doutor em hábil em interesse em negligente em primeiro em exato em incessante em lento em parco em versado em firme em indeciso em morador em perito em 29 REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO PARA apto para essencial para mau para bastante para impróprio para pronto para bom para inútil para próprio para REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO COM amoroso com compatível com descontente com intolerante com aparentado com cruel com furioso com liberal com caritativo com cuidadoso com impaciente com solícito com — Regência Verbal Os verbos são os termos regentes, enquanto os objetos (direto e indireto) e adjuntos adverbiais são os ter- mos regidos. Um verbo possui a mesma regência do nome do qual deriva. Observe as duas frases: I – “Eles irão ao evento.” O verbo ir requer a preposição a (quem vai, vai a algum lugar), e isso o classifica como verbo transitivo direto; “ao evento” são os termos regidos pelo verbo, isto é, constituem seu complemento. II – “Ela mora em região pantanosa.” O verbo morar exige a preposição em (quem mora mora em algum lugar), portanto, é verbo transitivo indireto. Verbo No sentido de/ pela transitividade Rege preposição? Exemplo Assistir ajudar, dar assistência NÃO “Por favor, assista o time.” ver SIM “Você assistiu ao jogo?” pertencer SIM “Assiste aos cidadãos o direito de protestar.” Custar valor, preço NÃO “Esse imóvel custa caro.” desafio, dano, peso moral SIM “Dizer a verdade custou a ela.” Proceder fundamento / verbo intransitivo NÃO “Isso não procede.” origem SIM “Essa conclusão procede de muito vivência.” Visar finalidade, objetivo SIM “Visando à garantia dos direitos.” avistar, enxergar NÃO “O vigia logo avisou o suspeito.” Querer desejo NÃO “Queremos sair cedo” estima SIM “Quero muito aos meus sogros.” Aspirar pretensão SIM “Aspiro a ascensão política.” absorção ou respiração NÃO “Evite aspirar fumaça.” Implicar consequência / verbo transitivo direito NÃO “A sua solicitação implicará alteração do meu trajeto.” insistência, birra SIM “Ele implicou com o cachorro.” Chamar convocação NÃO “Chame todos!” apelido Rege complemento, com e sem preposição “Chamo a Talita de Tatá.” “Chamo Talita de Tatá.” “Chamo a Talita Tatá” “Chamo Talita Tatá.” 30 Pagar o que se paga NÃO “Paguei o aluguel.” a quem se paga SIM “Pague ao credor.” Chegar quem chega, chega a algum lugar / ver bo transitivo indireto SIM “Quando chegar ao local, espere.” Obedecer quem obedece a algo / alguém / transitivo indireto SIM “Obedeçam às regras.” Esquecer verbo transitivo direito NÃO “Esqueci as alianças” Informar verbo transitivo direto e indireto, portanto... ... exige um complemento sem e outro com preposição “Informe o ocorrido ao gerente.” Ir quem vai, vai a algum lugar / verbo transitivio indireto SIM “Vamos ao teatro.” Morar quem mora, mora em algum lugar / verbo transitivo indireto SIM “Eles moram no interior.” (Preposição “em” + artigo “o”.) Namorar verbo transitivo direto NÃO “Júlio quer namorar Maria.” Preferir verbo bi transitivo (direito e indireto) SIM “Prefira assados a frituras.” Simpatizar quem simpatiza, simpatiza com algo ou alguém / verbo transitivo indireto SIM “Simpatizei-me com todos.” Significação literal e contextual dos vocábulos — Introdução A significação das palavras é um aspecto fundamental da comunicação, sendo responsável por garantir que a mensagem transmitida seja compreendida da maneira correta pelo interlocutor. Dentro da Gramática Norma- tiva, esse estudo é abordado pela área da Semântica, que se dedica a investigar os diferentes sentidos que as palavras podem assumir em diversos contextos. Ao utilizarmos a língua portuguesa, as palavras não possuem um único significado; sua interpretação pode variar conforme o contexto em que são inseridas, o tom do discurso ou até mesmo a intenção do emissor. Por isso, compreender a significação das palavras é essencial para aprimorar a clareza e a precisão na comunica- ção, especialmente em situações formais, como em provas de concursos públicos ou na redação de documen- tos oficiais. — Antônimo e Sinônimo A compreensão de antônimos e sinônimos é fundamental para enriquecer o vocabulário e tornar a comuni- cação mais variada e expressiva. Esses conceitos desempenham um papel crucial na produção textual e na in- terpretação de textos, ajudando a evitar repetições indesejadas e a construir discursos mais coesos e precisos. Antônimo: Palavras de Sentidos Opostos Antônimos são palavras que possuem significados opostos ou contrários entre si. Eles são utilizados para criar contrastes e realçar diferenças em um texto, contribuindo para a clareza e a força do discurso. A habilidade de identificar e usar antônimos corretamente é uma ferramenta valiosa para quem deseja aprimorar a expres- são escrita e oral. 31 Exemplos de Antônimos: – Felicidade vs. Tristeza: A felicidade representa um estado de contentamento e alegria, enquanto a tris- teza denota um estado de desânimo ou infelicidade. – Homem vs. Mulher: Aqui, temos a oposição entre os gêneros, onde o homem representa o masculino e a mulher, o feminino. – Claro vs. Escuro:Estes termos indicam a presença ou ausência de luz, respectivamente. Os antônimos também podem ser úteis na elaboração de comparações e na construção de argumentos. Por exemplo, ao escrever uma redação, ao mostrar um ponto de vista negativo e depois contrastá-lo com um ponto de vista positivo, a ideia é reforçada e o texto ganha em riqueza argumentativa. — Sinônimo: Palavras de Sentidos Semelhantes Sinônimos são palavras que possuem significados iguais ou muito parecidos e que, portanto, podem subs- tituir uma à outra em diferentes contextos sem alterar o sentido da frase. O uso de sinônimos é especialmente útil na produção de textos mais sofisticados, pois permite evitar a repetição excessiva de palavras, tornando a escrita mais fluida e interessante. Exemplos de Sinônimos: – Felicidade: alegria, contentamento, júbilo. – Homem: varão, macho, cavalheiro. – Inteligente: sábio, esperto, perspicaz. O uso adequado de sinônimos demonstra um domínio amplo do vocabulário e a capacidade de adaptar a linguagem a diferentes contextos, o que é especialmente importante em redações de concursos públicos e exames, nos quais a repetição excessiva de termos pode ser vista como uma limitação do repertório linguístico do candidato. A Importância dos Antônimos e Sinônimos na Produção Textual O emprego de antônimos e sinônimos na construção de textos é um recurso estilístico que permite ao au- tor variar a linguagem, evitar monotonia e enriquecer a mensagem. Um texto repleto de repetições tende a se tornar cansativo e pouco envolvente para o leitor, ao passo que a alternância de termos similares e o uso de palavras opostas conferem dinamismo e elegância à escrita. Por exemplo, ao escrever uma redação, em vez de repetir a palavra “importante” diversas vezes, o autor pode substituí-la por termos como “relevante”, “significativo” ou “fundamental”, demonstrando, assim, um maior domínio da língua e capacidade de expressão. Além disso, a compreensão de antônimos é útil para a elaboração de argumentos. Em uma dissertação argumentativa, por exemplo, o uso de termos opostos pode reforçar ideias ao contrastar pontos positivos e negativos, facilitando a defesa de um ponto de vista. Dicas para o Uso Eficiente de Antônimos e Sinônimos: — Contexto é fundamental: Nem sempre uma palavra pode ser substituída por um sinônimo sem alterar o sentido original da frase. É essencial considerar o contexto em que a palavra está inserida antes de optar por um sinônimo. — Varie o vocabulário: Ao redigir um texto, evite a repetição excessiva de palavras. Utilize sinônimos para enriquecer a linguagem e tornar o texto mais envolvente. 32 — Cuidado com os antônimos parciais: Nem sempre os antônimos possuem um sentido totalmente oposto. Por exemplo, “quente” e “frio” são opostos, mas há outros graus de temperatura entre eles, como “mor- no” e “gelado”. — Considere o nível de formalidade: Nem todos os sinônimos são adequados para todos os contextos. Em textos formais, como redações de concursos públicos, prefira sinônimos mais formais e evite gírias ou ex- pressões coloquiais. O uso consciente e estratégico de antônimos e sinônimos aprimora a qualidade da comunicação, tornan- do-a mais eficaz, rica e adaptada ao propósito do discurso. Esses recursos, quando bem aplicados, refletem um domínio aprofundado da língua portuguesa, contribuindo para uma expressão clara, precisa e impactante. — Hipônimos e Hiperônimos Os conceitos de hipônimos e hiperônimos são essenciais para compreender as relações de sentido e hie- rarquia entre palavras na língua portuguesa. Essas relações semânticas ajudam a organizar o vocabulário de forma mais lógica e estruturada, permitindo uma comunicação mais clara e precisa. Hipônimos: Palavras de Sentido Específico Os hipônimos são palavras que apresentam um sentido mais específico dentro de um campo semântico. Em outras palavras, elas representam elementos que pertencem a uma categoria maior e que compartilham características em comum com outros elementos dessa mesma categoria. Os hipônimos ajudam a detalhar e a especificar a comunicação, tornando-a mais precisa. Exemplos de Hipônimos: – Rosa, margarida e tulipa são hipônimos da categoria “flores”. – Cachorro, gato e hamster são hipônimos de “animais domésticos”. – Carro, moto e ônibus são hipônimos de “veículos”. Os hipônimos permitem que a comunicação seja detalhada e enriquecida, possibilitando que o falante ou escritor seja mais específico e preciso em suas colocações. Por exemplo, ao falar “Eu gosto de flores”, estamos sendo genéricos, mas ao afirmar “Eu gosto de rosas”, o sentido torna-se mais específico e claro. Hiperônimos: Palavras de Sentido Genérico Os hiperônimos, por outro lado, são palavras de sentido mais amplo e abrangente que englobam diversas outras palavras que compartilham características em comum. Eles representam categorias gerais nas quais os hipônimos se encaixam. Os hiperônimos permitem generalizar e agrupar informações, sendo muito úteis para resumir ideias e conceitos. Exemplos de Hiperônimos: – Flores é o hiperônimo que abrange rosa, margarida e tulipa. – Animais domésticos é o hiperônimo que inclui cachorro, gato e hamster. – Veículos é o hiperônimo que abrange carro, moto e ônibus. Ao utilizar hiperônimos, é possível simplificar a comunicação e evitar repetições desnecessárias, especial- mente quando queremos referir-nos a um grupo de itens ou conceitos de forma mais geral. Diferença entre Hipônimos e Hiperônimos A principal diferença entre hipônimos e hiperônimos reside no grau de especificidade. Os hipônimos são mais específicos e detalhados, enquanto os hiperônimos são mais genéricos e abrangentes. A relação entre hipônimos e hiperônimos é hierárquica, pois o hiperônimo está sempre em um nível superior ao dos hipônimos na cadeia de significados. 33 Essa relação é semelhante à ideia de uma “árvore” semântica: o hiperônimo seria o “tronco” que dá origem a vários “galhos”, que são os hipônimos. Essa analogia ajuda a entender como as palavras se conectam e or- ganizam em campos de sentido. Diferença entre Hiperônimos e Substantivos Coletivos É importante não confundir hiperônimos com substantivos coletivos, pois, embora ambos indiquem uma ideia de conjunto, eles desempenham papéis diferentes na língua. – Substantivo Coletivo: refere-se a um grupo ou conjunto de elementos de uma mesma natureza, como “cardume” (grupo de peixes) ou “alcateia” (grupo de lobos). – Hiperônimo: é uma palavra de sentido mais amplo que engloba outras palavras com sentidos mais espe- cíficos, sem necessariamente representar um conjunto. Por exemplo, “fruta” é um hiperônimo que abrange maçã, banana e laranja, mas não se trata de um subs- tantivo coletivo, pois não indica um grupo de frutas. Já o termo “pomar” é um substantivo coletivo, pois se refere a um conjunto de árvores frutíferas. A Importância de Hipônimos e Hiperônimos na Comunicação A compreensão e o uso adequado de hipônimos e hiperônimos são essenciais para enriquecer a produção textual e a interpretação de textos. Ao empregar esses conceitos de maneira consciente, é possível variar o ní- vel de generalidade ou especificidade da linguagem, adaptando-se ao contexto e ao objetivo da comunicação. Na redação de textos, especialmente em concursos públicos, o uso desses termos pode demonstrar domí- nio da língua e capacidade de estruturar ideias de forma clara e lógica. Por exemplo, ao escrever um texto so- bre “animais domésticos”, o uso de hipônimos (cachorro, gato, papagaio) permite que o texto seja mais rico em detalhes e informativo. Por outro lado, o uso de hiperônimos pode ajudar a resumir ideias e a evitar repetições, mantendo a coesão e a fluidez do texto. Dicas para o Uso de Hipônimos e Hiperônimos: – Escolha o nível de especificidade adequado: Em textos formais ou informativos, os hipônimos ajudam a fornecer detalhes importantes. Já em textos mais genéricos ou de caráter introdutório, os hiperônimos são mais apropriados.– Utilize hiperônimos para evitar repetições: Quando precisar mencionar um grupo de palavras várias vezes em um texto, use o hiperônimo para evitar a repetição e tornar a escrita mais fluida. – Seja claro ao usar hipônimos: Quando desejar especificar algo, opte por hipônimos para garantir que a mensagem seja precisa e clara. – Pratique a identificação dessas relações: Para aprimorar sua compreensão, tente identificar hipônimos e hiperônimos em textos que você lê. Isso reforçará sua habilidade de reconhecer e aplicar essas relações em suas próprias produções. O domínio dos conceitos de hipônimos e hiperônimos contribui para uma comunicação mais efetiva, enri- quecendo a capacidade de expressão e compreensão. Ao compreender as nuances de sentido entre palavras mais específicas e mais gerais, o estudante desenvolve um repertório mais amplo e uma maior habilidade em adaptar seu discurso a diferentes contextos e propósitos comunicativos. — Conotação e Denotação A distinção entre conotação e denotação é um dos aspectos mais importantes da Semântica, pois revela como as palavras podem assumir diferentes significados dependendo do contexto em que são empregadas. Esses dois conceitos são essenciais para entender a linguagem de maneira mais aprofundada e para inter- pretar corretamente o sentido de textos, especialmente em exames de concursos públicos, onde a análise semântica é bastante exigida. 34 Denotação: O Sentido Literal A denotação refere-se ao sentido literal, objetivo e dicionarizado de uma palavra. É a interpretação mais comum e imediata que um termo possui, sendo usada de forma precisa e desprovida de qualquer ambiguidade ou subjetividade. Na linguagem denotativa, as palavras mantêm o significado que consta nos dicionários, sem alteração ou variação de sentido. Exemplo de Denotação: – “O gato subiu no telhado.” – Aqui, a palavra “gato” é usada em seu sentido literal, referindo-se ao animal felino que subiu no telhado. Não há nenhuma interpretação além do que a palavra originalmente representa. A linguagem denotativa é mais comum em textos técnicos, científicos, jornalísticos e informativos, onde a clareza e a objetividade são fundamentais. Nesses tipos de textos, o emprego da denotação garante que a mensagem seja compreendida de forma precisa, sem margem para interpretações dúbias. Conotação: O Sentido Figurativo A conotação, por outro lado, é o uso da palavra em sentido figurado ou simbólico, indo além do significado literal. Na linguagem conotativa, o significado das palavras depende do contexto em que estão inseridas, po- dendo assumir diferentes nuances, interpretações e associações de ideias. A conotação é bastante comum em textos literários, poéticos, propagandas e expressões do cotidiano, onde a intenção é provocar emoções, impressões ou transmitir ideias de forma mais subjetiva e criativa. Exemplo de Conotação: – “João está com um pepino para resolver.” – Aqui, a palavra “pepino” não está sendo usada no sentido literal de vegetal, mas sim no sentido figurado de “problema” ou “dificuldade”, indicando que João enfrenta uma situação complicada. Outro exemplo seria a frase “Ela tem um coração de ouro”, que não significa que a pessoa tem um órgão feito de metal precioso, mas sim que ela é bondosa e generosa. A Importância do Contexto na Diferenciação entre Conotação e Denotação A distinção entre conotação e denotação só é possível a partir do contexto em que a palavra é utilizada. Uma mesma palavra pode ter significados totalmente distintos dependendo da situação, e é o contexto que define qual sentido deve ser atribuído. Por isso, a habilidade de identificar e interpretar o contexto é crucial para compreender o uso da linguagem e a intenção do autor. Exemplo Comparativo: – Denotativo: “A criança pegou o peixe no rio.” Aqui, “peixe” refere-se literalmente ao animal aquático. – Conotativo: “Ele ficou como um peixe fora d’água na reunião.” Neste caso, “peixe fora d’água” é uma expressão que significa que a pessoa se sentiu desconfortável ou deslocada, sendo usada no sentido figurado. Nos textos literários, a conotação é um recurso expressivo que permite a criação de imagens poéticas e metafóricas, enriquecendo a narrativa e possibilitando múltiplas interpretações. Já nos textos informativos ou científicos, a linguagem denotativa é preferida para garantir que a mensagem seja objetiva e direta. — Aplicações Práticas de Conotação e Denotação em Provas de Concurso Nas questões de interpretação de texto em concursos públicos, é comum encontrar perguntas que exigem do candidato a habilidade de identificar se a palavra ou expressão está sendo utilizada de forma denotativa ou conotativa. É importante prestar atenção nas pistas contextuais e no estilo do texto para distinguir o tipo de linguagem que está sendo empregado. 35 Por exemplo, em uma questão que apresenta uma frase como “O projeto enfrentou diversas pedras no caminho”, o candidato precisa perceber que “pedras no caminho” não se refere a pedras reais, mas sim a obs- táculos ou dificuldades, caracterizando um uso conotativo. Dicas para Identificar Conotação e Denotação: – Analise o contexto: Sempre observe as palavras ao redor e a situação em que a palavra ou expressão está inserida. O contexto é o principal guia para identificar se a palavra está em sentido literal ou figurado. – Considere o estilo do texto: Se o texto for literário, poético ou publicitário, há uma maior probabilidade de o uso ser conotativo. Em textos técnicos, científicos ou jornalísticos, a tendência é o uso denotativo. – Atente-se a expressões idiomáticas: Muitas vezes, as expressões idiomáticas (como “matar dois coe- lhos com uma cajadada só” ou “ter uma carta na manga”) utilizam a conotação, pois possuem significados que vão além das palavras em si. – Observe se há elementos de comparação ou metáfora: A presença de figuras de linguagem é um forte indício de que a palavra está sendo usada no sentido conotativo. Palavras que sugerem comparações, metáfo- ras, hipérboles, entre outras, costumam carregar significados figurados. A Relevância da Conotação e Denotação na Comunicação O conhecimento sobre conotação e denotação é essencial para evitar mal-entendidos e ambiguidades na comunicação. Em situações formais, como em redações de concursos ou documentos oficiais, o uso da deno- tação é mais apropriado para garantir clareza e precisão. Por outro lado, a conotação é um recurso valioso em textos literários, propagandas e discursos persuasivos, onde a intenção é emocionar, inspirar ou convencer o leitor. Ao dominar a diferença entre conotação e denotação, o estudante amplia sua capacidade de interpretar textos de maneira mais completa e se torna apto a identificar as intenções do autor, seja ao utilizar o sentido literal ou figurado das palavras. Com isso, conclui-se que a compreensão da conotação e da denotação é uma habilidade indispensável para quem deseja aprimorar a interpretação e a produção textual, seja em exames, concursos ou na comuni- cação cotidiana. — Ambiguidade A ambiguidade é um fenômeno linguístico que ocorre quando uma palavra, frase ou expressão apresenta mais de um sentido ou interpretação. Essa duplicidade de sentidos pode surgir de forma intencional, como um recurso estilístico em textos literários ou publicitários, ou de maneira não intencional, resultando em falhas de comunicação e mal-entendidos. Por isso, compreender a ambiguidade e saber evitá-la é essencial para uma comunicação clara e precisa, especialmente em textos formais, como aqueles exigidos em concursos públicos. O que é Ambiguidade? A ambiguidade ocorre quando a estrutura linguística de uma frase permite interpretações diferentes, seja em nível lexical (palavras isoladas) ou estrutural (construção da frase). Em outras palavras, uma frase ambígua pode transmitir mais de um significado, e o contexto é fundamental para identificar qual sentido é o mais ade- quado. Exemplos de Ambiguidade: – AmbiguidadeLexical: Ocorre quando uma palavra tem mais de um significado, e o contexto não deixa claro qual é o sentido pretendido. Exemplo: “João foi ao banco.” A palavra “banco” pode significar tanto uma instituição financeira quanto um assento, e a frase não esclare- ce qual das duas interpretações é a correta. 36 – Ambiguidade Estrutural: Ocorre quando a construção da frase permite múltiplas interpretações. Exemplo: “A professora elogiou a aluna dedicada.” A interpretação pode ser que a professora elogiou “a aluna que era dedicada” ou que a professora, que é dedicada, elogiou a aluna. Ambiguidade Intencional e Não Intencional – Ambiguidade Intencional: É utilizada de forma proposital, principalmente em textos literários, publici- tários e humorísticos. Nesses casos, a ambiguidade é empregada como recurso de estilo para enriquecer a mensagem, criar humor ou tornar um texto mais expressivo e intrigante. Exemplo publicitário: “Este é o carro que você sempre sonhou.” pode se referir a “um carro que você so- nhou em possuir” ou “um carro que aparece em seus sonhos”, explorando a ideia de desejo e aspiração. – Ambiguidade Não Intencional: Ocorre quando o autor, de forma involuntária, constrói uma frase que pode ser interpretada de mais de uma maneira. Essa forma de ambiguidade pode prejudicar a clareza do texto e gerar confusão. Exemplo: “O médico atendeu o paciente de pijama.” não está claro se o médico ou o paciente estava usando o pijama, e isso torna a frase ambígua. Como a Ambiguidade Pode Atrapalhar a Comunicação? Em situações formais, como redações, relatórios, contratos e provas de concursos, a ambiguidade não intencional é um erro que pode comprometer a compreensão da mensagem. Frases ambíguas podem causar interpretações equivocadas, prejudicando o entendimento do texto e, consequentemente, a avaliação do can- didato ou do autor. Por isso, é fundamental saber identificar e eliminar qualquer possibilidade de ambiguidade para garantir que a mensagem seja transmitida de forma clara e precisa. Estratégias para Evitar a Ambiguidade em Textos – Revise a Estrutura da Frase: Ao revisar o texto, certifique-se de que a construção das frases é clara e que não há possibilidade de dupla interpretação. Uma revisão cuidadosa pode evitar que uma estrutura inade- quada cause ambiguidades. – Prefira Palavras Específicas: Use palavras que tenham um significado claro e preciso, evitando termos que possam ser interpretados de diferentes maneiras. – Em vez de dizer “O funcionário trouxe o relatório para o chefe na sala”, especifique “O funcionário entregou o relatório ao chefe na sala.” – Evite a Omissão de Informações Importantes: Quando deixamos de especificar quem realizou determi- nada ação, criamos margem para interpretações múltiplas. Certifique-se de que todos os sujeitos e objetos das ações estão claramente identificados. – Use Pontuação Adequada: A pontuação pode ajudar a esclarecer o sentido da frase e evitar ambiguida- des. Por exemplo: – Ambíguo: “O juiz disse que o advogado era mentiroso.” – Mais claro: “O juiz, disse, o advogado, era mentiroso.” (Neste caso, fica claro que o juiz falou, e não que ele estava chamando o advogado de mentiroso.) – Leia o Texto em Voz Alta: Ao ler o texto em voz alta, fica mais fácil identificar construções que podem causar dúvidas ou ambiguidades. Essa prática ajuda a perceber onde a mensagem pode ser mal interpretada. Ambiguidade e Figuras de Linguagem A ambiguidade também pode ser utilizada como figura de linguagem em textos literários ou publicitários, gerando efeitos de humor, ironia ou suspense. Quando usada de forma consciente, a ambiguidade pode enri- quecer o texto, tornando-o mais interessante e criativo. 37 Por exemplo, a ambiguidade é frequentemente explorada em trocadilhos, charadas e piadas: – Trocadilho: “É verdade que o padeiro é muito pão–duro?” – A palavra “pão–duro” pode significar tanto alguém avarento quanto fazer referência ao fato de o padeiro trabalhar com pão. Análise de Ambiguidade em Textos Publicitários e Propagandas A ambiguidade é um recurso muito utilizado em publicidade para chamar a atenção do consumidor, fazen- do com que ele reflita sobre a mensagem e se engaje com o produto ou serviço anunciado. Muitas vezes, a duplicidade de sentido em um slogan ou campanha publicitária cria um efeito surpreendente e faz com que a mensagem fique gravada na mente do público. Exemplo Publicitário: Uma propaganda de móveis com a frase “Nossos móveis não duram”, que pode ser interpretada como: – Os móveis não duram na loja porque são vendidos rapidamente devido ao preço baixo. – Os móveis não têm boa qualidade e, portanto, não são duráveis. Essa ambiguidade pode ser intencional para gerar curiosidade e provocar uma reflexão sobre o verdadeiro significado da mensagem. A ambiguidade, quando utilizada intencionalmente, pode ser um poderoso recurso estilístico que enriquece a linguagem e torna a comunicação mais expressiva e interessante. No entanto, em contextos formais ou aca- dêmicos, ela deve ser evitada para garantir a clareza e a precisão da mensagem. Ao desenvolver a habilidade de identificar e corrigir ambiguidades, o estudante aprimora sua capacidade de produzir textos bem estruturados e de interpretar mensagens de forma mais eficaz. Esse é um conhecimento especialmente relevante para quem se prepara para concursos públicos, onde a clareza e a objetividade da comunicação são fundamentais. — Conclusão A compreensão da significação das palavras é um aspecto essencial do domínio da língua portuguesa e tem impacto direto na qualidade da comunicação, seja na forma escrita ou oral. Os conceitos de antônimos e sinôni- mos, hipônimos e hiperônimos, conotação e denotação, bem como a questão da ambiguidade, são ferramentas que auxiliam na construção de textos mais ricos, claros e expressivos. Ao entendê-los e aplicá-los corretamente, o falante ou escritor é capaz de transmitir mensagens de forma mais precisa e de interpretar com maior profundidade o que lê ou ouve. Em particular, o reconhecimento e a aplicação desses conceitos são fundamentais em situações formais, como em provas de concursos públicos, redações e discursos profissionais, onde a clareza, a variedade de vocabulário e a exatidão são habilidades valorizadas. Dominar os antônimos e sinônimos permite evitar repeti- ções e enriquece a linguagem; o uso consciente de hipônimos e hiperônimos garante um discurso coerente e adaptado ao grau de especificidade desejado; a distinção entre conotação e denotação permite uma interpreta- ção mais precisa de textos; e, finalmente, a conscientização da ambiguidade previne mal-entendidos e melhora a eficiência da comunicação. Portanto, estudar a significação das palavras é muito mais do que aprender conceitos teóricos; é aprimorar a habilidade de se comunicar de maneira efetiva e de se relacionar com o mundo por meio da linguagem. Esse conhecimento contribui para o desenvolvimento de um repertório linguístico mais amplo e para a capacidade de adaptar a linguagem a diferentes contextos, objetivos e públicos, o que é uma competência essencial tanto para a vida acadêmica quanto para o dia a dia. 38 Pontuação Visão Geral O sistema de pontuação consiste em um grupo de sinais gráficos que, em um período sintático, têm a fun- ção primordial de indicar um nível maior ou menor de coesão entre estruturas e, ocasionalmente, manifestar as propriedades da fala (prosódias) em um discurso redigido. Na escrita, esses sinais substituem os gestos e as expressões faciais que, na linguagem falada, auxiliam a compreensão da frase. O emprego da pontuação tem as seguintes finalidades: – Garantir a clareza, a coerência e a coesão interna dos diversos tipos textuais; – Garantir os efeitos de sentido dos enunciados; – Demarcar das unidades de um texto; – Sinalizar os limites das estruturas sintáticas. Sinais de pontuação que auxiliam na elaboração de um enunciado Vírgula De modo geral, sua utilidadeé marcar uma pausa do enunciado para indicar que os termos por ela isolados, embora compartilhem da mesma frase ou período, não compõem unidade sintática. Mas, se, ao contrário, hou- ver relação sintática entre os termos, estes não devem ser isolados pela vírgula. Isto quer dizer que, ao mesmo tempo que existem situações em que a vírgula é obrigatória, em outras, ela é vetada. Confira os casos em que a vírgula deve ser empregada: – No interior da sentença 1 – Para separar elementos de uma enumeração e repetição: ENUMERAÇÃO Adicione leite, farinha, açúcar, ovos, óleo e chocolate. Paguei as contas de água, luz, telefone e gás. REPETIÇÃO Os arranjos estão lindos, lindos! Sua atitude foi, muito, muito, muito indelicada. 2 – Isolar o vocativo “Crianças, venham almoçar!” “Quando será a prova, professora?” 3 – Separar apostos “O ladrão, menor de idade, foi apreendido pela polícia.” 4 – Isolar expressões explicativas: “As CPIs que terminaram em pizza, ou seja, ninguém foi responsabilizado.” 5 – Separar conjunções intercaladas “Não foi explicado, porém, o porquê das falhas no sistema.” 39 6 – Isolar o adjunto adverbial anteposto ou intercalado: “Amanhã pela manhã, faremos o comunicado aos funcionários do setor.” “Ele foi visto, muitas vezes, vagando desorientado pelas ruas.” 7 – Separar o complemento pleonástico antecipado: “Estas alegações, não as considero legítimas.” 8 – Separar termos coordenados assindéticos (não conectadas por conjunções) “Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se, morrem.” 9 – Isolar o nome de um local na indicação de datas: “São Paulo, 16 de outubro de 2022”. 10 – Marcar a omissão de um termo: “Eu faço o recheio, e você, a cobertura.” (omissão do verbo “fazer”). – Entre as sentenças 1 – Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas “Meu aluno, que mora no exterior, fará aulas remotas.” 2 – Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações iniciadas pela conjunção “e”: “Liguei para ela, expliquei o acontecido e pedi para que nos ajudasse.” 3 – Para separar as orações substantivas que antecedem a principal: “Quando será publicado, ainda não foi divulgado.” 4 – Para separar orações subordinadas adverbiais desenvolvidas ou reduzidas, especialmente as que an- tecedem a oração principal: Reduzida Por ser sempre assim, ninguém dá atenção! Desenvolvida Porque é sempre assim, já ninguém dá atenção! 5 – Separar as sentenças intercaladas: “Querida, disse o esposo, estarei todos os dias aos pés do seu leito, até que você se recupere por completo.” – Antes da conjunção “e” 1 – Emprega-se a vírgula quando a conjunção “e” adquire valores que não expressam adição, como conse- quência ou diversidade, por exemplo. “Argumentou muito, e não conseguiu convencer-me.” 2 – Utiliza-se a vírgula em casos de polissíndeto, ou seja, sempre que a conjunção “e” é reiterada com com a finalidade de destacar alguma ideia, por exemplo: “(…) e os desenrolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede; e dez meses de combates, e cem dias de cancioneiro contínuo; e o esmagamento das ruínas...” (Euclides da Cunha) 3 – Emprega-se a vírgula sempre que orações coordenadas apresentam sujeitos distintos, por exemplo: “A mulher ficou irritada, e o marido, constrangido.” O uso da vírgula é vetado nos seguintes casos: separar sujeito e predicado, verbo e objeto, nome de adjunto adnominal, nome e complemento nominal, objeto e predicativo do objeto, oração substantiva e oração subordinada (desde que a substantivo não seja apositiva nem se apresente inversamente). 40 Ponto 1 – Para indicar final de frase declarativa: “O almoço está pronto e será servido.” 2 – Abrevia palavras: – “p.” (página) – “V. Sra.” (Vossa Senhoria) – “Dr.” (Doutor) 3 – Para separar períodos: “O jogo não acabou. Vamos para os pênaltis.” Ponto e Vírgula 1 – Para separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já se tenha uti- lizado a vírgula: “Gosto de assistir a novelas; meu primo, de jogos de RPG; nossa amiga, de praticar esportes.” 2 – Para separar os itens de uma sequência de itens: “Os planetas que compõem o Sistema Solar são: Mercúrio; Vênus; Terra; Marte; Júpiter; Saturno; Urano; Netuno.” Dois Pontos 1 – Para introduzirem apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que explicam e/ou resumem ideias anteriores. “Anote o endereço: Av. Brasil, 1100.” “Não me conformo com uma coisa: você ter perdoado aquela grande ofensa.” 2 – Para introduzirem citação direta: “Desse estudo, Lavoisier extraiu o seu princípio, atualmente muito conhecido: “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’.” 3 – Para iniciar fala de personagens: “Ele gritava repetidamente: – Sou inocente!” Reticências 1 – Para indicar interrupção de uma frase incompleta sintaticamente: “Quem sabe um dia...” 2 – Para indicar hesitação ou dúvida: “Então... tenho algumas suspeitas... mas prefiro não revelar ainda.” 41 3 – Para concluir uma frase gramaticalmente inacabada com o objetivo de prolongar o raciocínio: “Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília - José de Alencar). 4 – Suprimem palavras em uma transcrição: “Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner). Ponto de Interrogação 1 – Para perguntas diretas: “Quando você pode comparecer?” 2 – Algumas vezes, acompanha o ponto de exclamação para destacar o enunciado: “Não brinca, é sério?!” Ponto de Exclamação 1 – Após interjeição: “Nossa, Que legal!” 2 – Após palavras ou sentenças com carga emotiva “Infelizmente!” 3 – Após vocativo “Ana, boa tarde!” 4 – Para fechar de frases imperativas: “Entre já!” Parênteses Para isolar datas, palavras, referências em citações, frases intercaladas de valor explicativo, podendo subs- tituir o travessão ou a vírgula: “Mal me viu, perguntou (sem qualquer discrição, como sempre) quem seria promovido.” Travessão 1 – Para introduzir a fala de um personagem no discurso direto: “O rapaz perguntou ao padre: — Amar demais é pecado?” 2 – Para indicar mudança do interlocutor nos diálogos: “— Vou partir em breve. — Vá com Deus!” 3 – Para unir grupos de palavras que indicam itinerários: “Esse ônibus tem destino à cidade de São Paulo — SP.” 4 – Para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas: “Michael Jackson — o retorno rei do pop — era imbatível.” 42 Aspas 1 – Para isolar palavras ou expressões que violam norma culta, como termos populares, gírias, neologis- mos, estrangeirismos, arcaísmos, palavrões, e neologismos. “Na juventude, ‘azarava’ todas as meninas bonitas.” “A reunião será feita ‘online’.” 2 – Para indicar uma citação direta: “A índole natural da ciência é a longanimidade.” (Machado de Assis) Ortografia oficial A ortografia oficial da língua portuguesa trata das regras que orientam a escrita correta das palavras, ga- rantindo a padronização e a clareza na comunicação. Essas normas são fundamentais para a uniformidade da língua escrita, tanto em contextos formais quanto informais. Ao longo do tempo, o português passou por diver- sas reformas ortográficas, sendo a mais recente o Novo Acordo Ortográfico, que trouxe algumas mudanças na grafia de palavras e na inclusão de certas letras no alfabeto oficial. Aprender a ortografia correta de uma língua exige prática, e a leitura é uma das ferramentas mais eficazes para alcançar esse objetivo. A leitura regular não apenas amplia o vocabulário, mas também auxilia na memori- zação das grafias, uma vez que expõe o leitor a diferentes padrões e contextos. No entanto, apesar da existên- cia de regras claras, a ortografia do português é repleta de exceções, exigindo atenção redobrada dos falantes. Neste texto, serão abordadas as principais regras ortográficas do português, com destaque para dúvidas comuns entre os falantes. Desde o uso das letras do alfabeto até as regraspara o emprego de X, S e Z, vere- mos como essas normas são aplicadas e quais são os erros mais frequentes. Além disso, exploraremos a dis- tinção entre parônimos e homônimos, palavras que, por sua semelhança gráfica ou sonora, costumam causar confusão. — O Alfabeto na Língua Portuguesa O alfabeto da língua portuguesa é composto por 26 letras, sendo que cada uma possui um som e uma função específica na formação de palavras. Essas letras estão divididas em dois grupos principais: vogais e consoantes. As vogais são cinco: A, E, I, O, U, enquanto as demais letras do alfabeto são classificadas como consoantes. A principal função das vogais é servir de núcleo das sílabas, enquanto as consoantes têm a função de apoiar as vogais na formação de sílabas e palavras. Essa divisão permite uma vasta combinação de sons, o que torna o português uma língua rica e complexa em termos de fonologia e grafia. Inclusão das Letras K, W e Y Com a implementação do Novo Acordo Ortográfico, assinado pelos países lusófonos em 1990 e efetivado em 2009, houve a reintrodução das letras K, W e Y no alfabeto oficial da língua portuguesa. Essas letras, que anteriormente eram consideradas estranhas ao alfabeto, passaram a ser aceitas oficialmente em determinadas circunstâncias específicas. As letras K, W e Y são utilizadas em: – Nomes próprios estrangeiros: Exemplo: Kátia, William, Yakov. – Abreviaturas e símbolos internacionais: Exemplo: km (quilômetro), watts (W). O objetivo dessa inclusão foi alinhar a ortografia portuguesa com o uso global dessas letras em contextos internacionais, especialmente para garantir a correta grafia de nomes e símbolos que fazem parte da cultura e ciência contemporâneas. 43 Relevância do Alfabeto para a Ortografia Compreender o alfabeto e suas características é o primeiro passo para dominar a ortografia oficial. A com- binação correta das letras, assim como o reconhecimento dos sons que elas representam, é fundamental para escrever com precisão. A distinção entre vogais e consoantes e o uso adequado das letras adicionadas pelo Acordo Ortográfico são pilares essenciais para evitar erros na grafia de palavras. A familiaridade com o alfabeto também ajuda a identificar casos de empréstimos linguísticos e termos es- trangeiros que foram incorporados ao português, reforçando a necessidade de se adaptar às mudanças orto- gráficas que ocorrem com o tempo. Uso do “X” O uso da letra “X” na língua portuguesa é uma das áreas que mais geram dúvidas devido à sua pronúncia variável e à multiplicidade de regras que regem sua grafia. Dependendo da palavra, o “X” pode assumir dife- rentes sons, como /ch/ (em “chave”), /ks/ (em “táxi”), /s/ (em “próximo”) ou até mesmo /z/ (em “exemplo”). Além disso, há regras específicas que ajudam a determinar quando se deve usar o “X” ao invés de outras letras, como o “CH”. A seguir, serão apresentadas algumas regras e dicas práticas para o uso correto do “X” na ortografia portu- guesa. Após as Sílabas “ME” e “EN” Uma das principais regras de uso do “X” é sua ocorrência após as sílabas “me” e “en”, uma peculiaridade que se aplica a muitas palavras do português. Em casos como esses, o “X” deve ser utilizado em vez do “CH”. Exemplos: – Mexer (não “mecher”) – Enxergar (não “enchergar”) Após Ditongos Outro caso comum de uso do “X” é após ditongos, que são encontros de duas vogais na mesma sílaba. Nessa situação, a letra “X” é empregada em vez de outras consoantes, como o “S” ou o “CH”. Exemplos: – Caixa (não “caicha”) – Baixo (não “baicho”) – Palavras de Origem Indígena ou Africana O “X” também é utilizado em muitas palavras de origem indígena ou africana, refletindo a influência dessas culturas na formação do vocabulário da língua portuguesa. Esses termos foram incorporados ao idioma ao lon- go da colonização e preservam a grafia com “X”. Exemplos: – Abacaxi (fruto de origem indígena) – Orixá (divindade de religiões de matriz africana) – Exceções e Particularidades Apesar dessas regras, o uso do “X” na língua portuguesa está cheio de exceções que não seguem um pa- drão claro, o que muitas vezes exige que o falante simplesmente memorize a grafia correta de certas palavras. Por exemplo, palavras como exceção, excluir e exame não seguem as regras gerais e precisam ser decoradas. 44 Uma maneira eficaz de evitar erros na escrita do “X” é observar o contexto em que ele aparece. As regras mencionadas anteriormente são úteis, mas em muitos casos, a leitura frequente e a exposição à língua são as melhores estratégias para memorizar a grafia correta. Além disso, é importante atentar-se às exceções que não seguem uma regra clara e que podem confundir o falante. Dominar o uso do “X” é essencial para escrever de forma clara e correta, já que muitos erros comuns de ortografia envolvem justamente a confusão entre o “X” e outras letras que apresentam sons similares. Uso do “S” e “Z” O uso correto das letras “S” e “Z” na língua portuguesa pode gerar confusão, pois ambas podem produzir o som de /z/ em determinadas palavras. No entanto, há regras que orientam a escolha entre essas duas letras em diferentes contextos. A seguir, serão apresentadas algumas dessas regras para ajudar a diferenciar o uso do “S” e do “Z”. Uso do “S” com Som de “Z” A letra “S” pode assumir o som de /z/ em alguns casos específicos. Essas ocorrências, embora comuns, seguem regras claras que facilitam a sua identificação. a) Após Ditongos O “S” assume o som de /z/ quando aparece logo após um ditongo (encontro de duas vogais na mesma sílaba). Exemplos: – Coisa – Maisena b) Palavras Derivadas de Outras com “S” na Palavra Primitiva Em palavras derivadas, se a palavra primitiva já contém a letra “S”, essa letra deve ser mantida na palavra derivada, mesmo que o som seja de /z/. Exemplo: – Casa → Casinha – Análise → Analisador c) Sufixos “ês” e “esa” Indicando Nacionalidade ou Título Nos sufixos “ês” e “esa”, usados para indicar nacionalidade, título ou origem, a letra “S” também pode ter o som de /z/. Exemplos: – Francês, portuguesa – Marquês, duquesa d) Sufixos Formadores de Adjetivos: “ense”, “oso” e “osa” Quando palavras formam adjetivos com os sufixos “ense”, “oso” e “osa”, a letra “S” também é utilizada com o som de /z/. Exemplos: – Paranaense, londrinense – Preguiçoso, gloriosa 45 – Uso do “Z” A letra “Z” tem regras bem definidas em relação à sua utilização, especialmente em radicais e sufixos de palavras. a) Em Palavras que Têm Radicais com “Z” O “Z” é mantido em palavras derivadas que possuem o radical ou a forma primitiva com essa letra. Isso ocorre principalmente em verbos e substantivos. Exemplos: – Feliz → Felicidade – Realizar → Realização b) Verbos Terminados em “-izar” Os verbos terminados em “-izar” costumam ter sua forma baseada em substantivos ou adjetivos que não terminam com “S”, mas com “Z”. Essa regra é bastante comum na formação de verbos que indicam a ação de transformar algo. Exemplos: – Civilizar (de “civil”) – Organizar (de “organização”) c) Palavras com Sufixos “-ez”, “-eza” Os sufixos “-ez” e “-eza”, que formam substantivos abstratos, também utilizam a letra “Z”. Exemplos: – Beleza – Tristeza Diferenças Regionais e Exceções Embora existam regras claras para o uso do “S” e do “Z”, algumas palavras apresentam variações regionais ou são exceções às regras, o que exige memorização. Termos como analisar e paralisar, por exemplo, mantêm o “S” mesmo quando derivam de substantivos com “Z” (análise, paralisação), representando uma exceção à regra dos verbos terminados em “-izar”. Dicas para Evitar Confusões Para evitar erros frequentes no uso do “S” e do “Z”, é recomendável: – Estudar e reconhecer as palavras que seguem as regras. – Praticar a leitura regular, uma vez que isso ajuda na memorização da grafia correta. – Prestar atenção ao radical das palavras, especialmente na formação de verbos e substantivos derivados. Dominar o uso correto de “S” e “Z” é fundamental para escrever comprecisão, já que essas letras estão presentes em muitas palavras da língua portuguesa, e pequenos erros podem mudar o significado das palavras ou comprometer a clareza da comunicação. Uso do “S”, “SS” e “Ç” O uso correto das letras “S”, “SS” e “Ç” é um dos aspectos fundamentais da ortografia da língua portuguesa. Essas letras têm sons parecidos, mas sua aplicação obedece a regras específicas que, quando seguidas, aju- dam a evitar erros na escrita. A seguir, veremos as principais orientações para o uso adequado de cada uma. 46 Uso do “S” A letra “S” pode assumir sons diferentes, dependendo de sua posição dentro da palavra e das letras que a circundam. Ela pode ter som de /s/ (surdo) ou de /z/ (sonoro), e algumas regras ajudam a definir seu uso. a) Entre Vogal e Consoante Quando o “S” aparece entre uma vogal e uma consoante, seu som é surdo (como /s/), e ele é mantido nessa posição. Exemplos: – Diversão (entre e e n) – Mansão (entre a e n) b) No Início de Palavras ou Entre Consoantes Quando o “S” está no início de palavras ou aparece entre consoantes, ele também tem som de /s/ e é escrito com uma única letra “S”. Exemplos: – Saúde (início da palavra) – Perspectiva (entre consoantes) c) Entre Duas Vogais Quando o “S” aparece entre duas vogais, o mais comum é que ele tenha som de /z/ (som sonoro). Exemplos: – Casa (som de /z/ entre a e a) – Rosa (som de /z/ entre o e a) — Uso do “SS” A dupla “SS” é utilizada para marcar o som surdo /s/ quando ele ocorre entre duas vogais. O “SS” é a forma que preserva o som de /s/ em palavras derivadas e compostas, diferenciando-se do uso de “S” simples, que teria o som de /z/ nesse contexto. Exemplos: – Processo – Passagem Uma regra importante é que o “SS” nunca é utilizado no início de palavras, sendo uma combinação exclu- siva de vogais. Exemplos: – Missão – Apressar Uso do “Ç” O “Ç” (cedilha) sempre tem som de /s/ e só pode ser usado antes das vogais “A”, “O” e “U”. Ele é uma forma especial da letra “C” usada para representar o som de /s/ nessas condições. O “Ç” nunca aparece antes das vogais “E” e “I”, e, em vez dele, usa-se o “S” para produzir o mesmo som. 47 a) Uso em Palavras Estrangeiras Aportuguesadas Muitas palavras de origem estrangeira que foram aportuguesadas utilizam o “Ç” para garantir a coerência com as regras ortográficas do português. Exemplo: – Muçarela (adaptado do italiano “mozzarella”) b) Em Palavras Derivadas Em palavras derivadas, o “Ç” é mantido quando ele já existe na palavra primitiva e é combinado com sufixos. Exemplo: – Crescer → Crescimento — Regras Gerais e Exceções Apesar de existirem regras claras para o uso do “S”, “SS” e “Ç”, há algumas exceções que precisam ser memorizadas. Um exemplo clássico é a palavra exceção, onde o “Ç” é usado sem seguir diretamente as regras aplicáveis à maior parte das palavras com cedilha. Além disso, o uso do “Ç” pode variar em palavras que compartilham a mesma raiz com outros idiomas, es- pecialmente em palavras de origem latina que foram modificadas na sua grafia ao longo do tempo. Dicas para Evitar Erros Para facilitar a memorização e evitar confusões, algumas dicas práticas podem ser úteis: – Entre vogais, se o som for de /s/, usa-se “SS” (processo); se o som for de /z/, usa-se “S” (casa). – O “Ç” nunca é utilizado antes das vogais “E” ou “I”. – Se o som de /s/ aparecer antes de uma consoante, utiliza-se o “S” (diversão). O uso de “S”, “SS” e “Ç” segue regras bem definidas, mas existem exceções que precisam ser memorizadas com a prática. A leitura constante é uma excelente ferramenta para familiarizar-se com essas regras e ampliar o vocabulário de palavras corretamente grafadas. Dominar esses conceitos é essencial para garantir clareza e precisão na comunicação escrita. — Os Diferentes “Porquês” A língua portuguesa apresenta quatro formas distintas para a palavra “porquê”: por que, porque, por quê e porquê. Cada uma dessas formas tem uma função específica na frase, e seu uso incorreto é uma das principais dúvidas ortográficas dos falantes. A seguir, veremos as regras que determinam quando e como utilizar correta- mente cada uma dessas formas. Por que A forma “por que” é uma combinação da preposição “por” com o pronome interrogativo ou relativo “que”. Ela pode aparecer em perguntas diretas ou indiretas e, em alguns casos, introduz orações subordinadas. a) Usado em Perguntas Diretas Quando está no início de uma pergunta direta, o “por que” tem o sentido de “por qual motivo” ou “por qual razão”. Nessa construção, ele não leva acento e costuma vir no início da frase interrogativa. Exemplos: – Por que você chegou tarde? – Por que eles não vieram à reunião? 48 b) Usado em Perguntas Indiretas Também pode ser utilizado em perguntas indiretas, que não contêm o sinal de interrogação, mas ainda in- dicam uma dúvida ou questionamento. Exemplos: – Quero saber por que ele se atrasou. – Não entendo por que ela não respondeu. c) Usado com Pronomes Relativos Quando o “que” funciona como um pronome relativo, o “por que” pode ser usado para introduzir orações subordinadas, e nesse caso também significa “pelo qual” ou “pela qual”. Exemplo: – Esse é o motivo por que eu me preocupo tanto. Porque A forma “porque” é uma conjunção explicativa ou causal. Ela é utilizada para indicar a causa ou motivo de algo, conectando duas ideias de forma que a segunda explica a primeira. Diferente de “por que”, “porque” nunca é usado em perguntas, apenas em respostas ou justificativas. Exemplos: – Ele não veio porque estava doente. – Fui embora cedo porque estava cansado. Nesse contexto, a palavra “porque” pode ser substituída por “pois”, já que ambas expressam explicações ou razões. Por quê A forma “por quê” é usada em final de frases interrogativas, ou seja, em perguntas diretas quando o “que” aparece no final da oração. Nesse caso, o “que” recebe acento por estar em posição final e o uso mantém o sentido de “por qual motivo”. Exemplos: – Você está cansado, por quê? – Ela saiu tão cedo, por quê? Esse uso é exclusivo de frases interrogativas diretas e ocorre apenas quando o “quê” está antes de um sinal de pontuação, como interrogação, exclamação ou ponto final. Porquê A forma “porquê” é um substantivo e, como tal, vem sempre acompanhado de um artigo, numeral, prono- me ou adjetivo, funcionando como qualquer outro substantivo comum. Ele significa “motivo” ou “razão” e deve sempre ser acentuado. Exemplos: – Não entendo o porquê de tanta confusão. – Explique-me os porquês dessa decisão. Uma dica útil para não errar o uso dessa forma é lembrar que ela pode ser substituída diretamente por “mo- tivo”. Se a troca for possível, o correto é usar “porquê”. 49 Exemplos: – Ela não me disse o porquê. (Ela não me disse o motivo.) – Gostaria de saber os porquês dessa mudança. (Gostaria de saber os motivos.) Dicas Práticas – Se for uma pergunta direta ou indireta, use “por que”. – Se estiver explicando algo ou dando uma justificativa, use “porque”. – Se o “que” estiver no final de uma pergunta direta, use “por quê” com acento. – Se puder substituir por “motivo”, use “porquê” (substantivo). Compreender as diferentes formas do “porquê” é essencial para a escrita correta em português, pois o uso inadequado pode causar confusão e prejudicar a clareza da comunicação. Embora existam regras específicas, a prática da leitura e o exercício constante ajudam a fixar o emprego correto dessas palavras no dia a dia, ga- rantindo uma comunicação mais clara e precisa. — Parônimos e Homônimos As palavras parônimas e homônimas representam dois fenômenos linguísticos que podem causar confu- são tanto na escrita quanto na fala, devido à semelhança fonética ou gráfica que possuem. Embora parecidas, essas palavras têm significados completamente diferentes. A compreensão desses conceitos é essencial para evitar equívocos na comunicação, principalmente em textos formais e em concursos públicos. Parônimos Os parônimos são palavrasque têm grafia e pronúncia semelhantes, mas significados distintos. Essa simi- laridade muitas vezes leva a erros na escolha da palavra correta, especialmente em contextos em que o uso preciso do vocabulário é necessário. Esses erros, além de alterarem o sentido do que se quer comunicar, po- dem prejudicar a clareza e a formalidade do texto. Exemplos de Parônimos: – Cumprimento (saudação) x Comprimento (extensão) – Exemplo: O cumprimento do chefe foi cordial. / A mesa tem dois metros de comprimento. – Tráfego (movimento de veículos) x Tráfico (comércio ilegal) – Exemplo: O tráfego estava intenso nesta manhã. / A polícia prendeu uma quadrilha de tráfico de drogas. – Descrição (ato de descrever) x Discrição (qualidade de ser discreto) – Exemplo: A descrição do lugar foi detalhada. / Ele foi elogiado por sua discrição no trabalho. – Emergir (vir à tona) x Imergir (afundar) – Exemplo: O submarino começou a emergir lentamente. / O mergulhador teve que imergir profundamente. Esses exemplos mostram como pequenas diferenças na grafia podem alterar significativamente o sentido da frase. Dominar a diferença entre parônimos é crucial para manter a precisão na comunicação. Homônimos Os homônimos são palavras que possuem a mesma grafia ou mesma pronúncia, mas que têm significados diferentes. Dependendo do tipo de homonímia, elas podem ser classificadas em: – Homônimos perfeitos: possuem a mesma grafia e mesma pronúncia, mas têm significados distintos. 50 – Homônimos homófonos: têm a mesma pronúncia, mas a grafia é diferente. – Homônimos homógrafos: têm a mesma grafia, mas a pronúncia é diferente. a) Homônimos Perfeitos Esses homônimos possuem grafia e pronúncia idênticas, mas seus significados variam de acordo com o contexto em que são utilizados. Exemplos: – Rio (verbo “rir”) x Rio (curso d’água) – Exemplo: Ele rio das piadas. / O rio estava cheio após a chuva. – Manga (parte da roupa) x Manga (fruta) – Exemplo: A manga da camisa rasgou. / O suco de manga estava delicioso. – Banco (instituição financeira) x Banco (assento) – Exemplo: Preciso ir ao banco sacar dinheiro. / Sentei no banco da praça. b) Homônimos Homófonos Os homônimos homófonos têm a mesma pronúncia, mas a grafia é diferente, o que os diferencia na escrita, embora soem da mesma maneira na fala. Exemplos: – Sessão (reunião ou evento) x Cessão (ato de ceder) x Seção (divisão, departamento) – Exemplo: A sessão de cinema foi cancelada. / A cessão de direitos foi formalizada. / Ele trabalha na seção de contabilidade. – Conserto (reparo) x Concerto (apresentação musical) – Exemplo: O conserto do carro ficou caro. / O concerto de piano foi maravilhoso. – Acento (marca gráfica) x Assento (local onde se senta) – Exemplo: O professor corrigiu o acento na palavra. / O assento do ônibus estava quebrado. c) Homônimos Homógrafos Os homônimos homógrafos possuem a mesma grafia, mas são pronunciados de forma diferente, alterando o significado dependendo da entonação. Exemplos: – Colher (verbo: pegar algo) x Colher (substantivo: utensílio) – Exemplo: Vou colher frutas no pomar. / A colher de sopa está na gaveta. – Sede (desejo de beber) x Sede (local, matriz) – Exemplo: Estou com muita sede após o treino. / A empresa mudou sua sede para São Paulo. Dicas para Diferenciar Parônimos e Homônimos – Contexto: Preste atenção ao contexto da frase. Muitas vezes, a forma correta de usar um parônimo ou homônimo só pode ser determinada pela análise do sentido global da oração. – Leitura e prática: Ler com frequência é uma excelente maneira de aumentar o vocabulário e fixar a grafia e os significados das palavras. – Consultas ao dicionário: Quando estiver em dúvida sobre o uso de uma palavra, consultar um dicionário é uma prática importante, principalmente em casos de homônimos e parônimos. Parônimos e homônimos são armadilhas frequentes para quem escreve ou fala português, mas, com o de- vido cuidado, é possível aprender a diferenciá-los e usá-los corretamente. 51 O entendimento dessas palavras não só evita erros, como também enriquece a comunicação, tornando-a mais precisa e clara. A prática constante e a atenção ao contexto são fundamentais para dominar o uso correto desses termos. Dominar as regras ortográficas da língua portuguesa é essencial para garantir clareza e precisão na comu- nicação escrita. A ortografia oficial, incluindo aspectos como o uso correto do “X”, “S”, “Z”, “SS” e “Ç”, assim como a distinção entre os diferentes “porquês”, é uma ferramenta fundamental para quem deseja evitar erros comuns na grafia. Além disso, o entendimento da diferença entre parônimos e homônimos é crucial para a es- colha adequada das palavras, prevenindo equívocos que podem alterar completamente o sentido de uma frase. Esses tópicos são especialmente importantes para candidatos a concursos públicos, onde a correção gra- matical é avaliada rigorosamente. A leitura constante, o estudo das regras e a prática diária da escrita são as melhores estratégias para fixar o uso correto da ortografia e expandir o vocabulário. Embora algumas exceções possam parecer desafiadoras, o conhecimento dessas normas torna-se, com o tempo, uma habilidade valiosa para a produção de textos mais consistentes e profissionais. Portanto, é essencial que o estudo da ortografia seja contínuo, visto que ele aprimora tanto a comunicação pessoal quanto a profissional, contribuindo para uma expressão escrita mais assertiva e confiante. Concordância Verbal e Nominal Prezado (a), o tema acima supracitado, já foi abordado em tópicos anteriores. Bons estudos! Regência Verbal e Nominal Prezado (a), o tema acima supracitado, já foi abordado em tópicos anteriores. Bons estudos! Crase Na gramática grega, o termo quer dizer “mistura” ou “contração”, e ocorre entre duas vogais, uma final e outra inicial, em palavras unidas pelo sentido. Desse modo: a (preposição) + a (artigo feminino) = à; a (preposição) + aquela (pronome demonstrativo fe- minino) = àquela; a (preposição) + aquilo (pronome demonstrativo feminino) = àquilo. Por ser a junção das vogais, a crase, como regra geral, ocorre diante de palavras femininas, sendo a única exceção os pronomes demonstrativos aquilo e aquele, que recebem a crase por terem “a” como sua vogal ini- cial. Atenção: crase não é o nome do acento, é a indicação do fenômeno de união representado pelo acento grave. A crase pode ser a contração da preposição a com: – O artigo feminino definido a/as: “Foi à escola, mas não assistiu às aulas.” – O pronome demonstrativo a/as: “Vá à paróquia central.” – Os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: “Retorne àquele mesmo local.” 52 – O a dos pronomes relativos a qual e as quais: “São pessoas às quais devemos o maior respeito e consi- deração”. Perceba que a incidência da crase está sujeita à presença de duas vogais a (preposição + artigo ou prepo- sição + pronome) na construção sintática. Técnicas para o emprego da crase 1 – Troque o termo feminino por um masculino, de classe semelhante. Se a combinação ao aparecer, ocor- rerá crase diante da palavra feminina. Exemplos: “Não conseguimos chegar ao hospital / à clínica.” “Preferiu a fruta ao sorvete / à torta.” “Comprei o carro / a moto.” “Irei ao evento / à festa.” 2 – Troque verbos que expressem a noção de movimento (ir, vir, chegar, voltar, etc.) pelo verbo voltar. Se aparecer a preposição “da”, ocorrerá crase; caso apareça a preposição de, o acento grave não deve ser em- pregado. Exemplos: “Voltei a São Paulo. / Voltei de São Paulo.” “Voltei à festa dos Silva. / Voltei da festa dos Silva.” “Voltarei a Roma e à Itália. / Voltarei de Roma e da Itália.” 3 – Troque o termo regente da preposição a por um que estabeleça a preposição por, em ou de. Caso essas preposições não façam contração com o artigo, isto é, não apareçam as formas pela(s), na(s) ou da(s), a crase não ocorrerá. Exemplos: “Começou a estudar (sem crase) – Optou por estudar/Gosta de estudar/Insiste em estudar.” “Refiro-meà sua filha (com crase) – Apaixonei-me pela sua filha / Gosto da sua filha / Votarei na sua filha.” “Refiro-me a você. (sem crase) – Apaixonei-me por você / Gosto de você / Penso em você.” 4 – Tratando-se de locuções, isto é, grupo de palavras que expressam uma única ideia, a crase deve ser empregada se a locução for iniciada por preposição e se ela tiver como núcleo uma palavra feminina, ocorrerá crase. Exemplos: “Tudo às avessas.” “Barcos à deriva.” 5 – Outros casos envolvendo locuções e crase: Na locução «à moda de”, pode estar implícita a expressão “moda de”, ficando somente o à explícito. Exemplos: “Arroz à (moda) grega.” “Bife à (moda) parmegiana.” Nas locuções relativas a horários, ocorre crase apenas no caso de horas especificadas e definidas: Exemplos: “À uma hora.” “Às cinco e quinze”. 53 Questões 1. PREFEITURA DE LUZIÂNIA-GO 2021 Nos enunciados abaixo, pode-se observar a presença de diferentes tipologias textuais como base dos gê- neros materializados nas sequências enunciativas. Numere os parênteses conforme o código de cada tipologia. ( ) 1 - --- Não; é casada. --- Com quem? --- Com um estancieiro do Rio grande. --- Chama-se? --- Ele? Fonseca, ela, Maria Cora. --- O marido não veio com ela? --- Está no Rio Grande. (ASSIS, Machado de Assis. Maria Cora.) ( ) 2 - Ao acertar os seis números na loteria, Paulo foi para casa, entrou calado no quarto e dormiu. ( ) 3 - Incorpore em sua vida quatro sentimentos positivos: a compaixão, a generosidade, a alegria e o otimismo. ( ) 4 - No meu ponto de vista, a mulher ideal deve ter como características físicas o cabelo liso, pele macia, olhos claros, nariz fino. Ser amiga, compreensiva e, acima de tudo, ser fiel. (ALVES, André, Escola. Estadual Pereira Barreto. Texto adaptado.) ( ) 5 - As palavras mal empregadas podem ter efeitos mais negativos do que os traumas físicos. ( 1 ) narrativa; ( 2 ) dialogal; ( 3 ) argumentativa; ( 4 ) injuntiva; ( 5 ) descritiva. Está correta a alternativa: (A) 1 - 2 - 3 - 4 - 5. (B) 1 - 3 - 2 - 4 - 5. (C) 2 - 1 - 4 - 5 - 3. (D) 4 - 3 - 2 - 5 - 1. 2. FCC - 2022 - O rio de minha terra é um deus estranho. Ele tem braços, dentes, corpo, coração, muitas vezes homicida, foi ele quem levou o meu irmão. É muito calmo o rio de minha terra. Suas águas são feitas de argila e de mistérios. Nas solidões das noites enluaradas a maldição de Crispim desce sobre as águas encrespadas. O rio de minha terra é um deus estranho. Um dia ele deixou o monótono caminhar de corpo mole para subir as poucas rampas do seu cais. 54 Foi conhecendo o movimento da cidade, a pobreza residente nas taperas marginais. Pois tão irado e tão potente fez-se o rio que todo um povo se juntou para enfrentá-lo. Mas ele prosseguiu indiferente, carregando no seu dorso bois e gente, até roçados de arroz e de feijão. Na sua obstinada e galopante caminhada, destruiu paredes, casas, barricadas, deixando no percurso mágoa e dor. Depois subiu os degraus da igreja santa e postou-se horas sob os pés do Criador. E desceu devagarinho, até deitar-se novamente no seu leito. Mas toda noite o seu olhar de rio fica boiando sob as luzes da cidade. (Adaptado de: MORAES, Herculano. O rio da minha terra. Disponível em: https://www.escritas.org) No trecho até roçados de arroz e de feijão, o termo “até” classifica-se como (A) pronome. (B) preposição. (C) artigo. (D) advérbio. (E) conjunção. 3. INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder à questão que a ele se refere. Texto 01 Disponível em: https://brainly.com.br/tarefa/38102601. Acesso em: 18 set. 2022. 55 De acordo com o texto, “[...] sair de um acidente em alta velocidade pelo vidro da frente” indica uma (A) solução. (B) alternativa. (C) prevenção. (D) consequência. (E) precaução. 4. FGV - 2022 “Quando se julga por indução e sem o necessário conhecimento dos fatos, às vezes chega-se a ser injusto até mesmo com os malfeitores.” O raciocínio abaixo que deve ser considerado como indutivo é: (A) Os funcionários públicos folgam amanhã, por isso meu marido ficará em casa; (B) Todos os juízes procuram julgar corretamente, por isso é o que ele também procura; (C) Nos dias de semana os mercados abrem, por isso deixarei para comprar isso amanhã; (D) No inverno, chove todos os dias, por isso vou comprar um guarda-chuva; (E) Ontem nevou bastante, por isso as estradas devem estar intransitáveis. 5. FGV - 2022 “Também leio livros, muitos livros: mas com eles aprendo menos do que com a vida. Apenas um livro me ensinou muito: o dicionário. Oh, o dicionário, adoro-o. Mas também adoro a estrada, um dicionário muito mais maravilhoso.” Depreende-se desse pensamento que seu autor: (A) nada aprende com os livros, com exceção do dicionário; (B) deve tudo que conhece ao dicionário; (C) adquire conhecimentos com as viagens que realiza; (D) conhece o mundo por meio da experiência de vida; (E)constatou que os dicionários registram o melhor da vida. 6. COTEC - 2022 - INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 a seguir para responder à questão que a ele se refere. Texto 01 Disponível em: http://bichinhosdejardim.com/triste-fim-relacoes-afetivas/. Acesso em: 18 set. 2022. 56 A vírgula, na fala do primeiro quadro, foi usada de acordo com a norma para separar um (A) vocativo. (B) aposto explicativo. (C) expressão adverbial. (D) oração coordenada. (E) predicativo. 7. CESPE / CEBRASPE - 2022 Por muitos séculos, pessoas surdas ao redor do mundo eram consideradas incapazes de aprender simples- mente por possuírem uma deficiência. No Brasil, infelizmente, isso não era diferente. Essa visão capacitista só começou a mudar a partir do século XVI, com transformações que ocorreram, num primeiro momento, na Europa, quando educadores, por conta própria, começaram a se preocupar com esse grupo. Um dos educadores mais marcantes na luta pela educação dos surdos foi Ernest Huet, ou Eduard Huet, como também era conhecido. Huet, acometido por uma doença, perdeu a audição ainda aos 12 anos; contu- do, como era membro de uma família nobre da França, teve, desde cedo, acesso à melhor educação possível de sua época e, assim, aprendeu a língua de sinais francesa no Instituto Nacional de Surdos-Mudos de Paris. No Brasil, tomando-se como inspiração a iniciativa de Huet, fundouse, em 26 de setembro de 1856, o Imperial Instituto de SurdosMudos, instituição de caráter privado. No seu percurso, o instituto recebeu diversos nomes, mas a mudança mais significativa se deu em 1957, quando foi denominado Instituto Nacional de Educação dos Surdos – INES, que está em funcionamento até hoje! Essa mudança refletia o princípio de modernização da década de 1950, pelo qual se guiava o instituto, com suas discussões sobre educação de surdos. Dessa forma, Huet e a língua de sinais francesa tiveram grande influência na língua brasileira de sinais, a Libras, que foi ganhando espaço aos poucos e logo passou a ser utilizada pelos surdos brasileiros. Contudo, nesse mesmo período, muitos educadores ainda defendiam a ideia de que a melhor maneira de ensinar era pelo método oralizado, ou seja, pessoas surdas seriam educadas por meio de línguas orais. Nesse caso, a co- municação acontecia nas modalidades de escrita, leitura, leitura labial e também oral. No Congresso de Milão, em 11 de setembro de 1880, muitos educadores votaram pela proibição da utilização da língua de sinais por não acreditarem na efetividade desse método na educação das pessoas surdas. Essa decisão prejudicou consideravelmente o ensino da Língua Brasileira de Sinais, mas, mesmo diante dessa proibição, a Libras continuou sendo utilizada devido à persistência dos surdos. Posteriormente, buscou- -se a legitimidade da Língua Brasileira de Sinais, e os surdos continuaram lutando pelo seu reconhecimento e regulamentação por meio de um projeto de lei escrito em 1993. Porém, apenas em 2002, foi aprovada a Lei 10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais(Libras) como meio legal de comunicação e expres- são no país. Internet:: (com adaptações) Assinale a opção correta a respeito do emprego das formas verbais e dos sinais de pontuação no texto CG1A1. (A) A correção gramatical e a coerência do texto seriam preservadas, caso a vírgula empregada logo após o vocábulo “mas” (primeiro período do quarto parágrafo) fosse eliminada. (B) A forma verbal “tiveram” (primeiro período do terceiro parágrafo) poderia ser substituída por “obtiveram” sem prejuízo aos sentidos e à correção gramatical do texto. (C) A forma verbal “continuou” (primeiro período do quarto parágrafo) está flexionada no singular para con- cordar com o artigo definido “a”, mas poderia ser substituída, sem prejuízo à correção gramatical, pela forma verbal “continuaram”, que estabeleceria concordância com o termo “Libras”. (D) A forma verbal “acreditarem” (quarto período do terceiro parágrafo) concorda com “educadores” e por isso está flexionada no plural. (E) No primeiro período do terceiro parágrafo do texto, é facultativo o emprego da vírgula imediatamente após “Libras”. 57 8. FCC - 2022 A chama é bela Nos anos 1970 comprei uma casa no campo com uma bela lareira, e para meus filhos, entre 10 e 12 anos, a experiência do fogo, da brasa que arde, da chama, era um fenômeno absolutamente novo. E percebi que quan- do a lareira estava acesa eles deixavam a televisão de lado. A chama era mais bela e variada do que qualquer programa, contava histórias infinitas, não seguia esquemas fixos como um programa televisivo. O fogo também se faz metáfora de muitas pulsões, do inflamar-se de ódio ao fogo da paixão amorosa. E o fogo pode ser a luz ofuscante que os olhos não podem fixar, como não podem encarar o Sol (o calor do fogo remete ao calor do Sol), mas devidamente amestrado, quando se transforma em luz de vela, permite jogos de claro-escuro, vigílias noturnas nas quais uma chama solitária nos obriga a imaginar coisas sem nome... O fogo nasce da matéria para transformar-se em substância cada vez mais leve e aérea, da chama rubra ou azulada da raiz à chama branca do ápice, até desmaiar em fumaça... Nesse sentido, a natureza do fogo é as- censional, remete a uma transcendência e, contudo, talvez porque tenhamos aprendido que ele vive no coração da Terra, é também símbolo de profundidades infernais. É vida, mas é também experiência de seu apagar-se e de sua contínua fragilidade. (Adaptado de: ECO, Umberto. Construir o inimigo. Rio de Janeiro: Record, 2021, p. 54-55) Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase: (A) Os filhos do autor diante da lareira, não deixaram de se espantar, com o espetáculo inédito daquelas chamas bruxuleantes. (B) Como metáfora, o fogo por conta de seus inúmeros atributos, chega mesmo a propiciar expansões, sim- bólicas e metafóricas. (C) Tanto como a do Sol, a luz do fogo, uma vez expandida, pode ofuscar os olhos de quem, imprudente, ouse enfrentá-la. (D) O autor do texto em momentos descritivos, não deixa de insinuar sua atração, pela magia dos poderes e do espetáculo do fogo. (E) Disponíveis metáforas, parecem se desenvolver quando, por amor ou por ódio extremos somos tomados por paixões incendiárias. 9. AGIRH - 2022 - Assinale o item que contém erro de ortografia. (A) Na cultura japonesa, fica desprestigiado para sempre quem inflinge as regras da lealdade. (B) Não conseguindo prever o resultado a que chegariam, sentiu-se frustrado. (C) Desgostos indescritíveis, porventura, seriam rememorados durante a sessão de terapia. (D) Ao reverso de outros, trazia consigo autoconhecimento e autoafirmação. 10. Unoesc - 2022 Considerando a acentuação tônica, assinale as alternativas abaixo com (V) verdadeiro ou (F) falso. ( ) As palavras “gramática” e “partir” são, respectivamente, proparoxítona e oxítona. ( ) “Nós” é uma palavra oxítona. ( ) “César” não é proparoxítona, tampouco oxítona. ( ) “Despretensiosamente” é uma palavra proparoxítona. ( ) “Café” é uma palavra paroxítona. 58 A sequência correta de cima para baixo é: (A) F, V, V, F, V. (B) V, V, F, V, F. (C) V, F, V, F, V. (D) V, V, V, F, F. 11. CESPE / CEBRASPE - 2022 Texto CB1A1-I A história da saúde não é a história da medicina, pois apenas de 10% a 20% da saúde são determinados pela medicina, e essa porcentagem era ainda menor nos séculos anteriores. Os outros três determinantes da saúde são o comportamento, o ambiente e a biologia – idade, sexo e genética. As histórias da medicina centradas no atendimento à saúde não permitem uma compreensão global da melhoria da saúde humana. A história dessa melhoria é uma história de superação. Antes dos primeiros progressos, a saúde humana estava totalmente estagnada. Da Revolução Neolítica, há 12 mil anos, até meados do século XVIII, a expectativa de vida dos seres humanos ocidentais não evoluíra de modo significativo. Estava paralisada na faixa dos 25-30 anos. Foi somente a partir de 1750 que o equilíbrio histórico se modificou positivamente. Vários elementos alte- raram esse contexto, provocando um aumento praticamente contínuo da longevidade. Há 200 anos, as suecas detinham o recorde mundial com uma longevidade de 46 anos. Em 2019, eram as japonesas que ocupavam o primeiro lugar, com uma duração média de vida de 88 anos. Mesmo sem alcançar esse recorde, as populações dos países industrializados podem esperar viver atualmente ao menos 80 anos. Desde 1750, cada geração vive um pouco mais do que a anterior e prepara a seguinte para viver ainda mais tempo. Jean-David Zeitoun. História da saúde humana: vamos viver cada vez mais? Tradução Patrícia Reuillard. São Paulo: Contexto, 2022, p. 10-11 (com adaptações). No que se refere a aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item seguinte. A inserção de uma vírgula imediatamente após o termo “aumento” (nono período) prejudicaria a correção gramatical e o sentido original do texto. ( )CERTO ( )ERRADO 12. FGV - 2022 - Uma das marcas da textualidade é a coerência. Entre as frases abaixo, assinale aquela que se mostra co- erente. (A) Avise-me se você não receber esta carta. (B) Só uma coisa a vida ensina: a vida nada ensina. (C) Quantos sofrimentos nos custaram os males que nunca ocorreram. (D) Todos os casos são únicos e iguais a outros. (E) Como eu disse antes, eu nunca me repito. 13. OBJETIVA - 2022 - Prefeitura de Dezesseis de Novembro - RS - Controlador Interno- Considerando-se a concordância nominal, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) Agora que tudo passou, sinto que tenho menas tristezas na minha vida. ( ) Posso pedir teu bloco e tua caneta emprestada? ( ) É proibido a entrada de animais na praia. 59 (A) C - E - C. (B) C - E - E. (C) E - E - C. (D) E - C - E. 14. FCC - 2022 O meu ofício O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada so- bre o valor daquilo que posso escrever. Quando me ponho a escrever, sinto-me extraordinariamente à vontade e me movo num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo instrumentos que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos. Se faço qualquer outra coisa, se estudo uma língua estrangeira, se tento aprender história ou geografia, ou tricotar uma malha, ou viajar, sofro e me pergunto como é que os outros conseguem fazer essas coisas. E tenho a impressão de ser cega e surda como uma náusea dentro de mim. Já quando escrevo nunca penso que talvez haja um modo mais correto, do qual os outros escritores se servem. Não me importa nada o modo dos outros escritores. O fato é que só sei escrever histórias. Se tento escrever um ensaio de crítica ou um artigo sob encomenda para um jornal, a coisa sai bem ruim. O que escrevo nesses casos tenho de ir buscar fora de mim. E sempre tenho a sensação de enganar o próximo com palavras tomadas de empréstimo ou furtadaspensamento defendido; retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos. Concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas pelo autor: os textos argumentativos não costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos nos ater às ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso na superfície do texto, mas é fundamental que não criemos, à revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas. Ler com atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, assim como uma técnica, que fará de nós leitores proficientes. Diferença entre compreensão e interpretação A compreensão de um texto envolve realizar uma análise objetiva do seu conteúdo para verificar o que está explicitamente escrito nele. Por outro lado, a interpretação vai além, relacionando as ideias do texto com a realidade. Nesse processo, o leitor extrai conclusões subjetivas a partir da leitura. Tipologia textual – Definição geral: as tipologias textuais classificam os textos de acordo com seus aspectos linguísticos, em termos de estruturação e apresentação. Também podem ser denominados como tipos textuais, modo textual ou ainda como organização do discurso. Essas categorizações consistem em formas distintas sob as quais um texto pode ser apresentado, com fins de responder a diferentes propósitos comunicativos. – Critérios utilizados pela tipologia textual: elementos sintáticos, objetivo da comunicação, vocabulário, estrutura, construções frásicas, linguagem, emprego dos tempos verbais, modo de interação com o leitor, co- nexões lógicas, entre outros. – Objetivos comunicativos: os elementos que compõem um texto diversificam-se conforme a finalidade do texto. De acordo com as tipologias textuais, um texto pode ser narrativo, descritivo, dissertativo (argumentativo e expositivo) ou explicativo (prescritivo e injuntivo). – Tipologia textual x gênero textual: são dois modos de classificação de um texto que se baseiam em critérios distintos. Enquanto o gênero textual se dedica aos aspectos formais (modelo de apresentação do texto e função social), as tipologias textuais têm seu foco na estrutura linguística de um texto, na organização do discurso e em suas características morfossintáticas. — Texto dialogal Essa tipologia apresenta um diálogo entre, pelo menos, dois locutores. O que difere essa classe da narra- ção é o fato de que, no texto dialogal, o narrador não é obrigatório e, nos casos em que ele se apresenta, sua função se limita a introduzir o diálogo; este, por sua vez, se dará na primeira pessoa. Os principais gêneros textuais que se enquadram nessa tipologia são: peças de teatro, debates, entrevistas, conversas em aplicativos eletrônicos. As principais características do texto dialogal: – Predomínio dos verbos na primeira pessoa do singular; 4 – Discurso direto: emprego de verbos elocutivos e dos sinais dois-pontos, aspas ou travessões para, res- pectivamente, indicar o princípio de uma fala ou para marcá-las; – Traços na linguagem oral. — Texto explicativo A finalidade básica dessa tipologia é instruir o leitor em relação a um procedimento específico. Para isso, o texto expõe informações que preparam o leitor para agir conforme uma determinada conduta. Essa tipologia se divide em dois subtipos: – Texto explicativo prescritivo: exige que o leitor se conduza de um modo determinado. Ex.: editais de concursos, leis e cláusulas contratuais. – Texto explicativo injuntivo: permite que o leitor proceda com certa autonomia. Ex.: manuais de instru- ções, receitas culinárias e bulas. Texto narrativo: esse tipo textual se estrutura em apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho. Es- ses textos se caracterizam pela apresentação das ações de personagens em um tempo e espaço determinado. Os principais gêneros textuais que pertencem ao tipo textual narrativo são: romances, novelas, contos, crônicas e fábulas. Texto descritivo: esse tipo compreende textos que descrevem lugares, seres ou relatam acontecimentos. Em geral, esse tipo de texto contém adjetivos que exprimem as emoções do narrador, e, em termos de gêneros, abrange diários, classificados, cardápios de restaurantes, folhetos turísticos, relatos de viagens, etc. Texto expositivo: corresponde ao texto cuja função é transmitir ideias utilizando recursos de definição, comparação, descrição, conceituação e informação. Verbetes de dicionário, enciclopédias, jornais, resumos escolares, entre outros, fazem parte dos textos expositivos. Texto argumentativo: os textos argumentativos têm o objetivo de apresentar um assunto recorrendo a argumentações, isto é, caracteriza-se por defender um ponto de vista. Sua estrutura é composta por introdu- ção, desenvolvimento e conclusão. Os textos argumentativos compreendem os gêneros textuais manifesto e abaixo-assinado. Texto injuntivo: esse tipo de texto tem como finalidade orientar o leitor, ou seja, expor instruções, de forma que o emissor procure persuadir seu interlocutor. Em razão disso, o emprego de verbos no modo imperativo é sua característica principal. Pertencem a este tipo os gêneros bula de remédio, receitas culinárias, manuais de instruções, entre outros. Texto prescritivo: essa tipologia textual tem a função de instruir o leitor em relação ao procedimento. Esses textos, de certa forma, impedem a liberdade de atuação do leitor, pois decretam que ele siga o que diz o texto. Os gêneros que pertencem a esse tipo de texto são: leis, cláusulas contratuais, editais de concursos públicos. Síntese e resumo. Processos de elaboração, coesão textual, síntese e resumo Os processos de elaboração textual, coesão, síntese e resumo constituem habilidades fundamentais no domínio da comunicação escrita. São ferramentas indispensáveis para redigir textos claros, objetivos e bem estruturados, habilidades amplamente exigidas em redações de concursos públicos, relatórios profissionais e até na vida acadêmica. A compreensão desses conceitos vai além da simples técnica de escrita; envolve a capacidade de selecionar, organizar e conectar ideias de forma lógica e eficaz. Processos de Elaboração Textual A elaboração textual é o processo de criação de um texto coerente, com objetivos e destinatários bem de- finidos. Isso exige: Planejamento: Definir o propósito do texto, identificar o público-alvo e estruturar as ideias principais. 5 Pesquisa: Levantar informações relevantes e confiáveis, adequadas ao objetivo do texto. Estruturação: Organizar o conteúdo em introdução, desenvolvimento e conclusão. Dicas práticas: • Identifique as palavras-chave que nortearão a abordagem textual. • Use um esboço para guiar a construção lógica das ideias. • Mantenha a clareza e a objetividade como princípios básicos. — Coesão Textual A coesão textual é a responsável por garantir a conexão entre as palavras, frases e parágrafos, de forma que as relações gramaticais entre os elementos do texto sejam claras e precisas. Por meio de diferentes meca- nismos linguísticos, a coesão permite que um texto se apresente organizado e compreensível ao leitor, facilitan- do o entendimento da mensagem. Os principais recursos utilizados para alcançar a coesão são as referências, substituições, elipses, conjunções e coesão lexical. Referência A referência é um dos mecanismos mais comuns de coesão, utilizada para retomar ou antecipar elementos já mencionados ou que serão mencionados posteriormente no texto. Existem três tipos principais de referência: – Pessoal: Utiliza pronomes pessoais ou possessivos para retomar um sujeito previamente citado. Exemplo: “Maria saiu cedo. Ela estava com pressa.” – Demonstrativa: Utiliza pronomes demonstrativos ou advérbios para antecipar ou retomar uma ideia. Exemplo: “Terminei todos os relatórios, exceto este.” – Comparativa: Estabelece uma relação de comparação entre elementos, criando uma referência de simi- laridade ou contraste. Exemplo: “O filme deste ano foi ainda melhor do que aquele do ano passado.”aqui e ali. Quando escrevo histórias, sou como alguém que está em seu país, nas ruas que conhece desde a infância, entre as árvores e os muros que são seus. Este é o meu ofício, e o farei até a morte. Entre os cinco e dez anos ainda tinha dúvidas e às vezes imaginava que podia pintar, ou conquistar países a cavalo, ou inventar uma nova máquina. Mas a primeira coisa séria que fiz foi escrever um conto, um conto curto, de cinco ou seis páginas: saiu de mim como um milagre, numa noite, e quando finalmente fui dormir estava exausta, atônita, estupefata. (Adaptado de: GINZBURG, Natalia. As pequenas virtudes. Trad. Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac Naify, 2015, p, 72-77, passim) As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em: (A) As palavras que a alguém ocorrem deitar no papel acabam por identificar o estilo mesmo de quem as escreveu. (B) Gaba-se a autora de que às palavras a que recorre nunca falta a espontaneidade dos bons escritos. (C) Faltam às tarefas outras de que poderiam se incumbir a facilidade que encontra ela em escrever seus textos. (D) Os possíveis entraves para escrever um conto, revela a autora, logo se dissipou em sua primeira tenta- tiva. (E) Não haveria de surgir impulsos mais fortes, para essa escritora, do que os que a levaram a imaginar histórias. 15. SELECON - 2019 Considerando a regência nominal e o emprego do acento grave, o trecho destacado em “inerentes a esta festa” está corretamente substituído em: (A) inerentes à determinado momento (B) inerentes à regras de convivência (C) inerentes à regulamentos anteriores (D) inerentes à evidência de incorreções 60 16. Assinale a frase com desvio de regência verbal. (A) Informei-lhe o bloqueio do financiamento de pesquisas. (B) Avisaram-no a liberação de recursos para ciência e tecnologia. (C) Os acadêmicos obedecem ao planejamento estratégico. (D) Todos os homens, por natureza, aspiram ao saber. (E) Assistimos ao filme que apresentou a obra daquele grande cientista. 17. MPE-GO - 2022 Sendo (C) para as assertivas corretas e (E) para as erradas, assinale a alternativa com a sequência certa considerando a observância das normas da língua portuguesa: ( ) O futebol é um esporte de que o povo gosta. ( ) Visitei a cidade onde você nasceu. ( ) É perigoso o local a que você se dirige. ( ) Tenho uma coleção de quadros pela qual já me ofereceram milhões. (A) E – E – E – C (B) C – C – C – E (C) C – E – E – E (D) C – C – C – C 18. FADCT - 2022 - A frase “ O estudante foi convidado para assistir os debates políticos.” apresenta, de acordo com a norma padrão da Língua portuguesa, um desvio de: (A) Concordância nominal. (B) Concordância verbal. (C) Regência verbal. (D) Regência nominal 19. FUNCERN - 2019 Os pontos cegos de nosso cérebro e o risco eterno de acidentes Luciano Melo O motorista aguarda o momento seguro para conduzir seu carro e atravessar o cruzamento. Olha para os lados que atravessará e, estático, aguarda que outros veículos deixem livre o caminho pela via transversal à sua frente. Enquanto espera, olha de um lado a outro a vigiar a pista quase livre. Finalmente não avista mais nenhum veículo que poderá atrapalhar seu planejado movimento. É hora de dirigir, mas, no meio da travessia, ele é surpreendido por uma grave colisão. Uma motocicleta atinge a traseira de seu veículo. Eu tomo a defesa do motorista: ele não viu a moto se aproximar. Presumo que vários dos leitores já pas- saram por situação semelhante, mas, caso você seja exceção e acredite que enxergaria a motocicleta, eu o convido a assistir a um vídeo que existe sobre isso. O filme prova quão difícil é perceber objetos que de repente somem ou aparecem em uma cena. Nossa condição humana está casada com uma inabilidade de perceber certas mudanças. Claro que nota- mos muitas alterações à nossa volta, especialmente se olharmos para o ponto alvo da modificação no momento em que ela ocorrerá. Assim, se olharmos fixamente para uma janela cheia de vasos de flores, poderemos assis- 61 tir à queda de um deles. Mas, se desviarmos brevemente nossos olhos da janela, justamente no momento do tombo, é possível que nem notemos a falta do enfeite. O fenômeno se chama cegueira para mudança: nossa incapacidade de visualizar variações do ambiente entre uma olhada e outra. No mundo real, mudanças são geralmente antecedidas por uma série de movimentos. Se esses movimentos superam um limiar atrativo, vão capturar nossa atenção que focará na alteração considerada dominante. Por sua vez, modificações que não ultrapassam o limiar não provocarão divergência da atenção e serão ignoradas. Quando abrimos nossos olhos, ficamos com a impressão de termos visão nítida, rica e bem detalhada do mundo que se estende por todo nosso campo visual. A consciência de nossa percepção não é limitada, mas nossa atenção e nossa memória de curtíssimo prazo são. Não somos capazes de memorizar tudo instantane- amente à nossa volta e nem podemos nos ater a tudo que nos cerca. Nossa introspecção da grandiosidade de nossa experiência visual confronta com nossas limitações perceptivas práticas e cria uma vivência rica, porém efêmera e sujeita a erros de interpretações. Dimensiona um gradiente entre o que é real e o que se presume, algo que favorece os acidentes de trânsito. Podemos interpretar que o acidente do exemplo do início do texto se deu porque o motorista convergiu sua atenção às partes centrais da pista, por onde os carros preferencialmente circulam sob velocidade mais ou me- nos previsível. Assim que o último carro passou, ficou fácil pressupor que o centro da pista permaneceria vazio por um intervalo de tempo seguro para a travessia. As laterais da pista, locais em que motocicletas geralmente trafegam, não tiveram a atenção merecida, e a velocidade da moto não estava no padrão esperado. O mundo aqui fora é um caos repleto de acontecimentos, e nossos cérebros têm que coletar e reter alguns deles para que possamos compreendê-lo e, assim, agirmos em busca da nossa sobrevivência. Mas essas in- formações são salpicadas, incompletas e mutáveis. Traçar uma linha que contextualize todos esses dados não é simples. Eventualmente, esse jogo mental de ligar pontinhos cria armadilha para nós mesmos, pois por vezes um ponto que deveria ser descartado é inserido em uma lógica apenas por ser chamativo. E outro, ao contrário, deveria ser considerado, mas é menosprezado, pois à primeira vista não atendeu a um pressuposto. Essas interpretações podem provocar outras tragédias além de acidentes de carro. Disponível em:. Acesso em: 20 abr. 2019. (texto adaptado) No trecho “[...]poderemos assistir à queda de um deles.”, a ocorrência do acento grave é justificada (A) pela exigência de artigo do termo regente, que é um verbo, e pela exigência de preposição do termo regido, que é um nome. (B) pela exigência de preposição do termo regente, que é um nome, e pela exigência de artigo do termo regido, que é um verbo. (C) pela exigência de artigo do termo regente, que é um nome, e pela exigência de artigo do termo regido, que é um verbo. (D) pela exigência de preposição do termo regente, que é um verbo, e pela exigência de artigo do termo regido, que é um nome. 20. MPE-GO - 2022 A importância dos debates É promissor que os candidatos ao governo gaúcho venham dando ênfase nas conversas diretas a projetos de governo de interesse específico dos eleitores O primeiro confronto direto entre os candidatos Eduardo Leite (PSDB) e José Ivo Sartori (MDB), que dispu- tam o governo do Estado em segundo turno, reafirmou a importância dessa alternativa democrática para ajudar os eleitores a fazer suas escolhas. Uma das vantagens do sistema de votação em dois turnos, instituído pela Constituição de 1988, é justamente a de propiciar um maior detalhamento dos programas de governo dos dois candidatos mais votados na primeira etapa. 62 Foi justamente o que ocorreu ontem entre os postulantesao Palácio Piratini. Colocados frente a frente nos microfones da Rádio Gaúcha, ambos tiveram a oportunidade de enfrentar questões importantes ligadas ao co- tidiano dos eleitores. A viabilidade de as principais demandas dos gaúchos serem contempladas vai depender acima de tudo da estratégia de cada um para enfrentar a crise das finanças públicas. Diferentemente do que os eleitores estão habituados a assistir no horário eleitoral obrigatório e a acompa- nhar por postagens dos candidatos nas redes sociais, debates se prestam menos para propaganda pessoal, estratégias de marketing e para a disseminação de informações inconfiáveis e notícias falsas, neste ano usa- das largamente em campanhas. Além disso, têm a vantagem de desafiar os candidatos com questionamentos de jornalistas e do público. As respostas, inclusive, podem ser conferidas por profissionais de imprensa, com divulgação posterior, o que facilita o discernimento por parte de eleitores sobre o que corresponde ou não à verdade. O Rio Grande do Sul enfrenta uma crise fiscal no setor público que, se não contar com uma perspectiva de solução imediata, praticamente vai inviabilizar a implantação de qualquer plano de governo. Por isso, é promis- sor que, enquanto em outros Estados predominam denúncias e acusações, os candidatos ao governo gaúcho venham dando ênfase nas conversas diretas a projetos de governo de interesse específico dos eleitores. Democracia se faz com diálogo e transparência. Sem discussões amplas, perdem os cidadãos, que ficam privados de informações essenciais para fazer suas escolhas com mais objetividade e menos passionalismo. (A IMPORTÂNCIA dos debates. GaúchaZH, 17 de outubro de 2018. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs. com.br. Acesso em: 30 de agosto de 2022) No segundo parágrafo do texto, há a frase: “Colocados frente a frente nos microfones da Rádio Gaúcha, ambos tiveram a oportunidade de enfrentar questões importantes ligadas ao cotidiano dos eleitores.” Conforme se observa, na expressão em destaque, não há ocorrência da crase. Assim, seguindo a regra gramatical acerca da crase, assinale a alternativa em que há o emprego da crase indevidamente: (A) cara a cara; às ocultas; à procura. (B) face a face; às pressas; à deriva. (C) à frente; à direita; às vezes. (D) à tarde; à sombra de; a exceção de. 63 Gabarito 1 C 2 D 3 D 4 E 5 D 6 A 7 D 8 C 9 A 10 D 11 CERTO 12 B 13 D 14 B 15 D 16 B 17 D 18 C 19 D 20 DSubstituição A substituição consiste em trocar uma palavra ou expressão por outra que tenha o mesmo significado, evitando repetições excessivas e tornando o texto mais fluido. Esse mecanismo é utilizado tanto para evitar redundâncias quanto para dar maior coesão ao discurso. Exemplo: “O diretor aprovou a proposta. O chefe demonstrou satisfação com o resultado.” Elipse A elipse é a omissão de um termo que é facilmente inferido pelo contexto, dispensando a repetição explícita de informações já conhecidas pelo leitor. Esse recurso evita sobrecargas desnecessárias no texto, mantendo-o conciso e objetivo. Exemplo: “Havia poucas pessoas na sala; apenas três ou quatro convidados.” (Omissão do verbo “haver” na segunda oração). Conjunção As conjunções são elementos fundamentais para a coesão textual, pois conectam orações e estabelecem relações de adição, contraste, causa, consequência, entre outras. Elas possibilitam a estruturação lógica do texto, indicando como as ideias se articulam entre si. Exemplo: “Eu queria ir à reunião, mas estava preso no trânsito.” 6 Coesão Lexical A coesão lexical refere-se ao uso de palavras relacionadas semanticamente, como sinônimos, hiperônimos ou termos que pertencem ao mesmo campo lexical. Esse tipo de coesão permite a variação vocabular sem comprometer o entendimento do texto, evitando a repetição desnecessária e enriquecendo o conteúdo. Exemplo: “A minha casa é espaçosa. Os cômodos são amplos e bem iluminados.” Síntese A síntese é uma técnica de escrita que consiste em reduzir um texto às suas ideias essenciais, com liberdade na ordem e organização das ideias. Trata-se de um texto que é um tipo especial de composição que consiste em reproduzir, em poucas palavras, o que o autor expressou amplamente. Desse modo, só devem ser aproveitadas as ideias essenciais, dispensando-se tudo o que for secundário. Como fazer uma boa síntese: 1. Leia atentamente o texto e destaque os pontos essenciais. 2. Reescreva as informações principais com suas próprias palavras. 3. Verifique se a essência do conteúdo original foi mantida. Resumo Resumir um texto é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse. Saber resumir as ideias expressas em um texto não é difícil. O resumo é uma técnica de escrita que consiste em condensar as ideias principais de um texto, não introduzindo qualquer comentário e respeitando o sentido, a estrutura e o tipo de enunciação. Nos resumos de livros, não devem aparecer diálogos, descrições detalhadas, cenas ou personagens secundárias. Somente as personagens, os ambientes e as ações mais importantes devem ser registrados. Resumo é uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação delas. Nele devem aparecer as principais ideias do autor. Regras para um bom resumo: • Evite copiar trechos do texto original; priorize a reescrita. • Preserve o sentido integral do texto, destacando as informações centrais. • Use um vocabulário objetivo e evite floreios. Sintaxe de construção: coordenação e subordinação A sintaxe é um ramo da gramática que estuda a organização das palavras em uma frase, oração ou período; bem como as relações que se estabelecem entre elas. — Frase É todo enunciado capaz de transmitir ao outro tudo aquilo que pensamos, queremos ou sentimos, ou seja, é um conjunto de palavras que transmite uma ideia completa. Além disso, ela pode possuir verbo ou não. Exemplos: Caía uma chuva. Dia lindo. 7 — Oração É a frase que apresenta pelo menos um verbo conjugado e uma estrutura sintática (normalmente, como sujeito e predicado, ou só o predicado). Exemplos: Ninguém segura este menino – (Ninguém: sujeito; segura: verbo; segura este menino: predicado). Havia muitos suspeitos – (Sujeito: suspeitos; havia: verbo; havia muitos suspeitos: predicado). — Termos da oração Termos essenciais Sujeito; Predicado objeto direto objeto indireto Termos integrantes Complemento verbal; Complemento nominal; gente da passiva. Termos acessórios Adjunto adnominal; adjunto adverbial; aposto. Vocativo Diz-se que sujeito e predicado são termos “essenciais”, mas note que os termos que realmente são, é o núcleo da oração e o verbo. Exemplo: Choveu muito durante a noite – (Núcleo: choveu; verbo: choveu; predicado: muito durante a noite). Obs: Choveu – (Não há referência a sujeito; fenômeno da natureza). Os termos “acessórios” são assim chamados por serem supostamente dispensáveis, o que nem sempre é verídico. — Sujeito Sujeito é o termo da oração com o qual, normalmente, sofre ou realiza a ação expressa pelo verbo. Exemplos: A notícia corria rápida como pólvora – (A notícia – sujeito; Corria – verbo; Corria está no singular concordando com a notícia). As notícias corriam rápidas como pólvora – (Corriam, no plural, concordando com as notícias). O núcleo do sujeito é a palavra principal do sujeito, que encerra a essência de sua significação. Em torno dela, como que gravitam as demais. Exemplo: Os teus lírios brancos embelezam os campos – (Lírios é o núcleo do sujeito). Podem exercer a função de núcleo do sujeito o substantivo e palavras de natureza substantiva. Veja: O medo salvou-lhe a vida – (substantivo). Os medrosos fugiram – (Adjetivo exercendo papel de substantivo: adjetivo substantivado). 8 Sujeito simples: tem um só núcleo. Exemplo: As flores morreram. Sujeito composto: tem mais de um núcleo. Exemplo: O rapaz e a moça foram encostados ao muro. Sujeito elíptico (ou oculto): não expresso e que pode ser determinado pela desinência verbal ou pelo contexto. Exemplo: Viajarei amanhã – (sujeito oculto: eu, descrito pela desinência verbal). Sujeito indeterminado: é aquele que existe, mas não podemos ou não queremos identificá-lo com precisão. Ocorre: – Quando o verbo está na 3ª pessoa do plural, sem referência a nenhum substantivo anteriormente expresso. Exemplo: Batem à porta. – Com verbos intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou de ligação (VL) acompanhados da partícula SE, chamada de índice de indeterminação do sujeito (IIS). Exemplos: Vive-se bem. (VI) Precisa-se de pedreiros. (VTI) Falava-se baixo. (VI) Era-se feliz naquela época. (VL) Orações sem sujeito São orações cujos verbos são impessoais, com sujeito inexistente. Ocorrem nos seguintes casos: – Com verbos que se referem a fenômenos meteorológicos. Exemplo: Chovia e Ventava durante a noite. – Haver no sentido de existir ou quando se refere a tempo decorrido. Exemplo: Háduas semanas não o vejo. (= Faz duas semanas). – Fazer referindo-se a fenômenos meteorológicos ou a tempo decorrido. Exemplo: Fazia 40 à sombra. – Ser nas indicações de horas, datas e distâncias. Exemplo: São duas horas. – Predicado O predicado é uma parte essencial da estrutura de uma oração, expressando o que é dito sobre o sujeito. Predicado nominal O núcleo do predicado é um nome, ou seja, o núcleo fica em torno do qual as demais palavras do predicado gravitam e contém o que de mais importante se comunica a respeito do sujeito. Esse núcleo é um nome, isto é, um substantivo ou adjetivo, ou palavra de natureza substantiva. Com isso, o verbo de ligação liga o núcleo ao sujeito, indicando estado (ser, estar, continuar, ficar, permanecer; também andar, com o sentido de estar; virar, com o sentido de transformar-se em; e viver, com o sentido de estar sempre), e por fim temos o predicado nominal que dá característica ao núcleo. 9 Exemplo: Os príncipes viraram sapos muito feios – (verbo de ligação (viraram) mais núcleo substantivo ( sapos) = Predicado Nominal: feios). Verbos de ligação São aqueles que, sem possuírem significação precisa, ligam um sujeito a um predicativo. São verbos de ligação: ser, estar, ficar, parecer, permanecer, continuar, tornar-se etc. Exemplo: A rua estava calma. Predicativo do sujeito É o termo da oração que, no predicado, expressa qualificação ou classificação do sujeito. Exemplo: Você será engenheiro. O predicativo do sujeito, além de vircom verbos de ligação, pode também ocorrer com verbos intransitivos ou com verbos transitivos. Predicado verbal Ocorre quando o núcleo é um verbo. Logo, não apresenta predicativo. E formado por verbos transitivos ou intransitivos. Exemplo: A população da vila assistia ao embarque. (Núcleo do sujeito: população; núcleo do predicado: assistia, verbo transitivo indireto). — Verbos intransitivos São verbos que não exigem complemento algum; como a ação verbal não passa, não transita para nenhum complemento, recebem o nome de verbos intransitivos. Podem formar predicado sozinhos ou com adjuntos adverbiais. Exemplo: Os visitantes retornaram ontem à noite. — Verbos transitivos São verbos que, ao declarar alguma coisa a respeito do sujeito, exigem um complemento para a perfeita compreensão do que se quer dizer. Tais verbos se denominam transitivos e a pessoa ou coisa para onde se dirige a atividade transitiva do verbo se denomina objeto. Dividem-se em: diretos, indiretos e diretos e indiretos. Verbos transitivos diretos: Exigem um objeto direto. Exemplo: Espero-o no aeroporto. Verbos transitivos indiretos: Exigem um objeto indireto. Exemplo: Gosto de flores. Verbos transitivos diretos e indiretos: Exigem um objeto direto e um objeto indireto. Exemplo: Os ministros informaram a nova política econômica aos trabalhadores. (VTDI) — Complementos verbais Os complementos verbais são representados pelo objeto direto (OD) e pelo objeto indireto (OI). Objeto indireto É o complemento verbal que se liga ao verbo pela preposição por ele exigida. Nesse caso o verbo pode ser transitivo indireto ou transitivo direto e indireto. Normalmente, as preposições que ligam o objeto indireto ao verbo são a, de, em, com, por, contra, para etc. 10 Exemplo: Acredito em você. Objeto direto Complemento verbal que se liga ao verbo sem preposição obrigatória. Nesse caso o verbo pode ser transitivo direto ou transitivo direto e indireto. Exemplo: Comunicaram o fato aos leitores. Objeto direto preposicionado É aquele que, contrariando sua própria definição e característica, aparece regido de preposição (geralmente preposição a). Exemplo: O pai dizia aos filhos que adorava a ambos. Objeto pleonástico É a repetição do objeto (direto ou indireto) por meio de um pronome. Essa repetição assume valor enfático (reforço) da noção contida no objeto direto ou no objeto indireto. Exemplos: Ao colega, já lhe perdoei. (objeto indireto pleonástico) Ao filme, assistimos a ele emocionados. (objeto indireto pleonástico) — Predicado verbo-nominal Esse predicado tem dois núcleos (um verbo e um nome), é formado por predicativo com verbo transitivo ou intransitivo. Exemplos: A multidão assistia ao jogo emocionada. (predicativo do sujeito com verbo transitivo indireto) A riqueza tornou-o orgulhoso. (predicativo do objeto com verbo transitivo direto) — Predicativo do sujeito O predicativo do sujeito, além de vir com verbos de ligação, pode também ocorrer com verbos intransitivos ou transitivos. Nesse caso, o predicado é verbo-nominal. Exemplo: A criança brincava alegre no parque. — Predicativo do objeto Exprime qualidade, estado ou classificação que se referem ao objeto (direto ou indireto). Exemplo de predicativo do objeto direto: O juiz declarou o réu culpado. Exemplo de predicativo do objeto indireto: Gosto de você alegre. 11 — Adjunto adnominal É o termo acessório que vem junto ao nome (substantivo), restringindo-o, qualificando-o, determinando-o (adjunto: “que vem junto a”; adnominal: “junto ao nome”). Observe: Os meus três grandes amigos [amigos: nome substantivo] vieram me fazer uma visita [visita: nome substantivo] agradável ontem à noite. São adjuntos adnominais os (artigo definido), meus (pronome possessivo adjetivo), três (numeral), grandes (adjetivo), que estão gravitando em torno do núcleo do sujeito, o substantivo amigos; o mesmo acontece com uma (artigo indefinido) e agradável (adjetivo), que determinam e qualificam o núcleo do objeto direto, o substantivo visita. O adjunto adnominal prende-se diretamente ao substantivo, ao passo que o predicativo se refere ao substantivo por meio de um verbo. — Complemento nominal É o termo que completa o sentido de substantivos, adjetivos e advérbios porque estes não têm sentido completo. Objeto: recebe a atividade transitiva de um verbo. Complemento nominal: recebe a atividade transitiva de um nome. O complemento nominal é sempre ligado ao nome por preposição, tal como o objeto indireto. Exemplo: Tenho necessidade de dinheiro. — Adjunto adverbial É o termo da oração que modifica o verbo ou um adjetivo ou o próprio advérbio, expressando uma circunstância: lugar, tempo, fim, meio, modo, companhia, exclusão, inclusão, negação, afirmação, duvida, concessão, condição etc. — Período Enunciado formado de uma ou mais orações, finalizado por: ponto final ( . ), reticencias (...), ponto de exclamação (!) ou ponto de interrogação (?). De acordo com o número de orações, classifica-se em: Apresenta apenas uma oração que é chamada absoluta. O período é simples quando só traz uma oração, chamada absoluta; o período é composto quando traz mais de uma oração. Exemplo: Comeu toda a refeição. (Período simples, oração absoluta.); Quero que você leia. (Período composto.) Uma maneira fácil de saber quantas orações há num período é contar os verbos ou locuções verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele existentes. Há três tipos de período composto: por coordenação, por subordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo tempo (também chamada de misto). — Período Composto por Coordenação As três orações que formam esse período têm sentido próprio e não mantêm entre si nenhuma dependência sintática: são independentes. Há entre elas uma relação de sentido, mas uma não depende da outra sintaticamente. As orações independentes de um período são chamadas de orações coordenadas (OC), e o período formado só de orações coordenadas é chamado de período composto por coordenação. As orações coordenadas podem ser assindéticas e sindéticas. 12 As orações são coordenadas assindéticas (OCA) quando não vêm introduzidas por conjunção. Exemplo: Os jogadores correram, / chutaram, / driblaram. OCA OCA OCA – As orações são coordenadas sindéticas (OCS) quando vêm introduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo: A mulher saiu do prédio / e entrou no táxi. OCA OCS As orações coordenadas sindéticas se classificam de acordo com o sentido expresso pelas conjunções coordenativas que as introduzem. Pode ser: – Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda. A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição com referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa aditiva. – Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de oposição à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa adversativa. – Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por isso, pois, logo. A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de conclusão de um fato enunciado na oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa conclusiva. – Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer. A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que estabelece uma relação de alternância ou escolha com referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa alternativa. – Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, pois, porquanto. A 2ª oração é introduzida por uma conjunção que expressa ideia de explicação, de justificativa em relação à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa explicativa. — PeríodoComposto por Subordinação Nesse período, a segunda oração exerce uma função sintática em relação à primeira, sendo subordinada a ela. Quando um período é formado de pelo menos um conjunto de duas orações em que uma delas (a subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele é classificado como período composto por subordinação. As orações subordinadas são classificadas de acordo com a função que exercem. — Orações Subordinadas Adverbiais Exercem a função de adjunto adverbial da oração principal (OP). São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as introduz: Causais: expressam a causa do fato enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que, visto que. Condicionais: expressam hipóteses ou condição para a ocorrência do que foi enunciado na principal. Conjunções: se, contanto que, a menos que, a não ser que, desde que. Concessivas: expressam ideia ou fato contrário ao da oração principal, sem, no entanto, impedir sua realização. Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que. Conformativas: expressam a conformidade de um fato com outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo. 13 Temporais: acrescentam uma circunstância de tempo ao que foi expresso na oração principal. Conjunções: quando, assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que). Finais: expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de que, porque (=para que), que. Consecutivas: expressam a consequência do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que, visto que. Comparativas: expressam ideia de comparação com referência à oração principal. Conjunções: como, assim como, tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais). Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona proporcionalmente ao que foi enunciado na principal. Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos. — Orações Subordinadas Substantivas São aquelas que, num período, exercem funções sintáticas próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se. Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: é aquela que exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal. Observe: O filho quer que você o ajude. (objeto direto) Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: é aquela que exerce a função de objeto indireto do verbo da oração principal. Observe: Preciso que você me ajude. (objeto indireto) Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: é aquela que exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Observe: É importante que você ajude. (sujeito) Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: é aquela que exerce a função de complemento nominal de um termo da oração principal. Observe: Estamos certos de que ele é inocente. (complemento nominal) Oração Subordinada Substantiva Predicativa: é aquela que exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal, vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O principal é que você esteja feliz. (predicativo) Oração Subordinada Substantiva Apositiva: é aquela que exerce a função de aposto de um termo da oração principal. Observe: Ela tinha um objetivo: que todos fossem felizes. (aposto) 14 – Orações Subordinadas Adjetivas Exercem a função de adjunto adnominal de algum termo da oração principal. As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por um pronome relativo (que, qual, cujo, quem, etc.) e são classificadas em: Subordinadas Adjetivas Restritivas: são restritivas quando restringem ou especificam o sentido da palavra a que se referem. Subordinadas Adjetivas Explicativas: são explicativas quando apenas acrescentam uma qualidade à palavra a que se referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou especificá-lo. — Orações Reduzidas São caracterizadas por possuírem o verbo nas formas de gerúndio, particípio ou infinitivo. Ao contrário das demais orações subordinadas, as orações reduzidas não são ligadas através dos conectivos. Há três tipos de orações reduzidas: Orações reduzidas de infinitivo: Infinitivo: terminações –ar, er, ir. Reduzida: Meu desejo era ganhar na loteria. Desenvolvida: Meu desejo era que eu ganhasse na loteria. (Oração Subordinada Substantiva Predicativa) Orações Reduzidas de Particípio: Particípio: terminações – ado, ido. Reduzida: A mulher sequestrada foi resgatada. Desenvolvida: A mulher que sequestraram foi resgatada. (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva) Orações Reduzidas de Gerúndio: Gerúndio: terminação – ndo. Reduzida: Respeitando as regras, não terão problemas. Desenvolvida: Desde que respeitem as regras, não terão problemas. (Oração Subordinada Adverbial Condicional). Emprego das classes de palavras. Verbos Classes gramaticais são grupos de palavras que organizam o estudo da gramática. Isto é, cada palavra existente na língua portuguesa condiz com uma classe gramatical, na qual ela é inserida em razão de sua fun- ção. Confira abaixo as diversas funcionalidades de cada classe gramatical. ▸Artigo É a classe gramatical que, em geral, precede um substantivo, podendo flexionar em número e em gênero. A classificação dos artigos: ▪ Artigos definidos: especificam um substantivo ou referem-se a um ser específico, que pode ter sido men- cionado anteriormente ou ser conhecido mutuamente pelos interlocutores. Eles podem flexionar em número (singular e plural) e gênero (masculino e feminino). 15 ▪ Artigos indefinidos: indicam uma generalização ou ocorrência inicial do representante de uma dada espécie, cujo conhecimento não é compartilhado entre os interlocutores, por se tratar da primeira vez em que aparece no discurso. Podem variar em número e gênero. Observe: NÚMERO/GÊNERO MASCULINO FEMININO EXEMPLOS Singular Um Uma Preciso de um pedreiro. Vi uma moça em frente à casa. Plural Uns Umas Localizei uns documentos antigos. Joguei fora umas coisas velhas. Outras funções do artigo: ▪ Substantivação: é o processo de converter adjetivos e verbos em substantivos usando um artigo. Obser- ve: Em “O caminhar dela é muito elegante.”, “caminhar”, que teria valor de verbo, passou a ser o substantivo do enunciado. ▪ Indicação de posse: antes de palavras que atribuem parentesco ou de partes do corpo, o artigo definido pode exprimir relação de posse. Por exemplo: “No momento em que ela chegou, o marido já a esperava.” Na frase, o artigo definido “a” esclarece que se trata do marido do sujeito “ela”, omitindo o pronome posses- sivo dela. ▪ Expressão de valor aproximado: devido à sua natureza de generalização, o artigo indefinido inserido antes de numeral indica valor aproximado. Mais presente na linguagem coloquial, esse emprego dos artigos indefinidos representa expressões como “por volta de” e “aproximadamente”. Observe: “Faz em média uns dez anos que a vi pela última vez.” “Acrescente aproximadamente umas três ou quatro gotas de baunilha.” Contração de artigos com preposições: Os artigos podem fazer junção a algumas preposições, criando uma única palavra contraída. A tabela abai- xo ilustra como esse processo ocorre: PREPOSIÇÃO de em a per/por ARTIGOS DEFINIDOS masculino singular o do no ao pelo plural os dos nos aos pelos feminino singular a da na à pela plural as das nas às pelas ARTIGOS INDEFINIDOS masculino singular um dum num plural uns duns nuns feminino singular uma duma numa plural umas dumas numas 16 ▸Substantivo Essa classe atribui nome aos seres em geral (pessoas, animais, qualidades, sentimentos, seres mitológicos e espirituais). Os substantivos se subdividem em: ▪ Próprios ou Comuns: são próprios os substantivos que nomeiam algo específico, como nomes de pes- soas (Pedro, Paula, etc.) ou lugares (São Paulo, Brasil, etc.). São comuns aqueles que nomeiam algo de forma geral (garoto, caneta, cachorro).▪ Primitivos ou derivados: os substantivos derivados são formados a partir de palavras, por exemplo, car- reta, carruagem, etc. Já os substantivos primitivos não se originam de outras palavras, no caso de flor, carro, lápis, etc. ▪ Concretos ou abstratos: os substantivos que nomeiam seres reais ou imaginativos, são concretos (cava- lo, unicórnio); os que nomeiam sentimentos, qualidades, ações ou estados são abstratos. ▪ Substantivos coletivos: são os que nomeiam os seres pertencentes ao mesmo grupo. Exemplos: mana- da (rebanho de gado), constelação (aglomerado de estrelas), matilha (grupo de cães). ▸Adjetivo É a classe de palavras que se associa ao substantivo, atribuindo-lhe caracterização conforme uma qualida- de, um estado e uma natureza, bem como uma quantidade ou extensão à palavra, locução, oração, pronome, enfim, ao que quer que seja nomeado. Os tipos de adjetivos ▪ Simples e composto: com apenas um radical, é adjetivo simples (bonito, grande, esperto, miúdo, regular); apresenta mais de um radical, é composto (surdo-mudo, afrodescendente, amarelo-limão). ▪ Primitivo e derivado: o adjetivo que origina outros adjetivos é primitivo (belo, azul, triste, alegre); adjetivos originados de verbo, substantivo ou outro adjetivo são classificados como derivados (ex.: substantivo: morte → adjetivo: mortal; verbo: lamentar → adjetivo: lamentável). ▪ Pátrio ou gentílico: é a palavra que indica a nacionalidade ou origem de uma pessoa (paulista, brasileiro, mineiro, latino). O gênero dos adjetivos ▪ Uniformes: possuem forma única para feminino e masculino, isto é, não flexionam em gênero. Exemplo: “Fred é um amigo leal.” / “Ana é uma amiga leal.” ▪ Biformes: os adjetivos desse tipo possuem duas formas, que variam conforme o gênero. Exemplo: “Me- nino travesso.” / “Menina travessa”. O número dos adjetivos: Por concordarem com o número do substantivo a que se referem, os adjetivos podem estar no singular ou no plural. Assim, a sua composição acompanha os substantivos. Exemplos: pessoa instruída → pessoas ins- truídas; campo formoso → campos formosos. O grau dos adjetivos: Quanto ao grau, os adjetivos se classificam em comparativo (compara qualidades) e superlativo (intensi- fica qualidades). ▪ Comparativo de igualdade: “O novo emprego é tão bom quanto o anterior.” ▪ Comparativo de superioridade: “Maria é mais prestativa do que Luciana.” ▪ Comparativo de inferioridade: “O gerente está menos atento do que a equipe.” 17 ▪ Superlativo absoluto: refere-se a apenas um substantivo, podendo ser Analítico ou Sintético, como nos exemplos a seguir: “A modelo é extremamente bonita.” (Analítico) - a intensificação se dá pelo emprego de certos termos que denotam ideia de acréscimo (muito, extremamente, excessivamente, etc.). “Pedro é uma pessoa boníssima.” (Sintético) - acompanha um sufixo (íssimo, imo). ▪ Superlativo relativo: refere-se a um grupo, podendo ser de: ▪ Superioridade: “Ela é a professora mais querida da escola.” ▪ Inferioridade: “Ele era o menos disposto do grupo.” Pronome adjetivo: Recebem esse nome porque, assim como os adjetivos, esses pronomes alteram os substantivos aos quais se referem. Assim, esse tipo de pronome flexiona em gênero e número para fazer concordância com os subs- tantivos. Exemplos: “Esta professora é a mais querida da escola.” (o pronome adjetivo esta determina o subs- tantivo comum professora). Locução adjetiva: Uma locução adjetiva é formada por duas ou mais palavras, que, associadas, têm o valor de um único ad- jetivo. Basicamente, consiste na união preposição + substantivo ou advérbio. Exemplos: ▪ Criaturas da noite (criaturas noturnas). ▪ Paixão sem freio (paixão desenfreada). ▪ Associação de comércios (associação comercial). ▸ Verbo É a classe de palavras que indica ação, ocorrência, desejo, fenômeno da natureza e estado. Os verbos se subdividem em: Verbos regulares: são os verbos que, ao serem conjugados, não têm seu radical modificado e preservam a mesma desinência do verbo paradigma, isto é, terminado em “-ar” (primeira conjugação), “-er” (segunda con- jugação) ou “-ir” (terceira conjugação). Observe o exemplo do verbo “nutrir”: ▪ Radical: nutr (a parte principal da palavra, onde reside seu significado). ▪ Desinência: “-ir”, no caso, pois é a terminação da palavra e, tratando-se dos verbos, indica pessoa (1a, 2a, 3a), número (singular ou plural), modo (indicativo, subjuntivo ou imperativo) e tempo (pretérito, presente ou futuro). Perceba que a conjugação desse no presente do indicativo: o radical não sofre quaisquer alterações, tampouco a desinência. Portanto, o verbo nutrir é regular: Eu nutro; tu nutres; ele/ela nutre; nós nutrimos; vós nutris; eles/elas nutrem. ▪ Verbos irregulares: os verbos irregulares, ao contrário dos regulares, têm seu radical modificado quando conjugados e/ou têm desinência diferente da apresentada pelo verbo paradigma. Exemplo: analise o verbo dizer conjugado no pretérito perfeito do indicativo: Eu disse; tu dissestes; ele/ela disse; nós dissemos; vós dissestes; eles/elas disseram. Nesse caso, o verbo da segunda conjugação (-er) tem seu radical, diz, alterado, além de apresentar duas desinências distintas do verbo paradigma”. Se o verbo dizer fosse regular, sua conjugação no pretérito perfeito do indicativo seria: dizi, dizeste, dizeu, dizemos, dizestes, dizeram. 18 ▸Pronome O pronome tem a função de indicar a pessoa do discurso (quem fala, com quem se fala e de quem se fala), a posse de um objeto e sua posição. Essa classe gramatical é variável, pois flexiona em número e gênero. Os pronomes podem suplantar o substantivo ou acompanhá-lo; no primeiro caso, são denominados “pronome substantivo” e, no segundo, “pronome adjetivo”. Classificam-se em: pessoais, possessivos, demonstrativos, interrogativos, indefinidos e relativos. Pronomes pessoais: Os pronomes pessoais apontam as pessoas do discurso (pessoas gramaticais), e se subdividem em prono- mes do caso reto (desempenham a função sintática de sujeito) e pronomes oblíquos (atuam como complemen- to), sendo que, para cada caso reto, existe um correspondente oblíquo. CASO RETO CASO OBLÍQUO Eu Me, mim, comigo Tu Te, ti, contigo Ele Se, o, a , lhe, si, consigo Nós Nos, conosco Vós Vos, convosco Eles Se, os, as, lhes, si, consigo Observe os exemplos: ▪ Na frase “Maria está feliz. Ela vai se casar.”, o pronome cabível é do caso reto. Quem vai se casar? Maria. ▪ Na frase “O forno? Desliguei-o agora há pouco. O pronome “o” completa o sentido do verbo. Fechei o que? O forno. Lembrando que os pronomes oblíquos o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na nos, e nas desempenham apenas a função de objeto direto. Pronomes possessivos: Esses pronomes indicam a relação de posse entre o objeto e a pessoa do discurso. PESSOA DO DISCURSO PRONOME 1a pessoa – Eu Meu, minha, meus, minhas 2a pessoa – Tu Teu, tua, teus, tuas 3a pessoa – Ele/Ela Seu, sua, seus, suas Exemplo: “Nossos filhos cresceram.” → o pronome indica que o objeto pertence à 1ª pessoa (nós). Pronomes de tratamento: Tratam-se de termos solenes que, em geral, são empregados em contextos formais — a única exceção é o pronome você. Eles têm a função de promover uma referência direta do locutor para interlocutor (parceiros de comunicação). São divididos conforme o nível de formalidade, logo, para cada situação, existe um pronome de tratamento específico. Apesar de expressarem interlocução (diálogo), à qual seria adequado o emprego do pronome na segunda pessoa do discurso (“tu”), no caso dos pronomes de tratamento, os verbos devem ser usados em 3a pessoa. 19 PRONOME USO ABREVIAÇÕES Você situações informais V./VV Senhor (es) e Se- nhora (s) pessoas mais velhas Sr, Sr.a (singular) e Srs., Sra.s. (plural) Vossa Senhoria em correspondências e outros textos redigidos V. S.a / V. S.as Vossa Excelência Altas autoridades como Presidente da Repúbli- ca, Senadores, Deputados e Embaixadores V. Ex.a Vossa Magnificên- cia Reitores de Universidades V. Mag.a / V. Mag.as VossaAlteza Príncipes, princesas e duques V. A (singular) e V.V.A.A. (plural) Vossa Reverendís- sima Sacerdotes e religiosos em geral V. Rev.m.a / V. Rev.m.as Vossa Eminência Cardeais V. Ema., V. Em.ª ou V. Em.a. / V. Emas., V. Em.as Vossa Santidade Papa V.S. Pronomes demonstrativos: Sua função é indicar a posição dos seres no que se refere ao tempo, ao espaço e à pessoa do discurso – nesse último caso, o pronome determina a proximidade entre um e outro. Esses pronomes flexionam-se em gênero e número. PESSOA DO DISCURSO PRONOMES POSIÇÃO 1a pessoa Este, esta, estes, estas, isto. Os seres ou objetos estão próximos da pessoa que fala. 2a pessoa Esse, essa, esses, essas, isso. Os seres ou objetos estão próximos da pessoa com quem se fala. 3a pessoa Aquele, aquela, aqueles, aque- las, aquilo. Com quem se fala. Observe os exemplos: “Esta caneta é sua?” “Esse restaurante é bom e barato.” “Aquela bolsa é sua.” Pronomes Indefinidos: Esses pronomes indicam indeterminação ou imprecisão, assim, estão sempre relacionados à 3ª pessoa do discurso. Os pronomes indefinidos podem ser variáveis (flexionam conforme gênero e número) ou invariáveis (não flexionam). Analise os exemplos abaixo: ▪ Em “Alguém precisa limpar essa sujeira.”, o termo “alguém” quer dizer uma pessoa de identidade indefini- da ou não especificada). ▪ Em “Nenhum convidado confirmou presença.”, o termo “nenhum” refere-se ao substantivo “convidado” de modo vago, pois não se sabe de qual convidado se trata. ▪ Em “Cada criança vai ganhar um presente especial.”, o termo “cada” refere-se ao substantivo da frase “criança”, sem especificá-lo. ▪ Em “Outras lojas serão abertas no mesmo local.”, o termo “outras” refere-se ao substantivo “lojas” sem especificar de quais lojas se trata. 20 Confira abaixo a tabela com os pronomes indefinidos: CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INDEFINIDOS VARIÁVEIS Muito, pouco, algum, nenhum, outro, qualquer, certo, um, tanto, quanto, bas- tante, vários, quantos, todo. INVARIÁVEIS Nada, ninguém, cada, algo, alguém, quem, demais, outrem, tudo. Pronomes relativos Os pronomes relativos, como sugere o nome, se relacionam ao termo anterior e o substituem, sendo impor- tante, portanto, para prevenir a repetição indevida das palavras em um texto. Eles podem ser variáveis (o qual, cujo, quanto) ou invariáveis (que, quem, onde). Observe os exemplos: ▪ Em “São pessoas cuja história nos emociona.”, o pronome “cuja” se apresenta entre dois substantivos (“pessoas” e “história”) e se relaciona àquele que foi dito anteriormente (“pessoas”). ▪ Em “Os problemas sobre os quais conversamos já estão resolvidos.” , o pronome “os quais” retoma o substantivo dito anteriormente (“problemas”). CLASSIFICAÇÃO PRONOMES RELATIVOS VARIÁVEIS O qual, a qual, os quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas. INVARIÁVEIS Quem, que, onde. Pronomes interrogativos: Os pronomes interrogativos são palavras variáveis e invariáveis cuja função é formular perguntas diretas e indiretas. Exemplos: “Quanto vai custar a passagem?” (oração interrogativa direta) “Gostaria de saber quanto custará a passagem.” (oração interrogativa indireta) CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INTERROGATIVOS VARIÁVEIS Qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas. INVARIÁVEIS Quem, que. ▸Advérbio É a classe de palavras invariável que atua junto aos verbos, adjetivos e advérbios, com o objetivo de modi- ficar ou intensificar seu sentido, ao adicionar-lhes uma nova circunstância. De modo geral, os advérbios exprimem circunstâncias de tempo, modo, lugar, qualidade, causa, intensida- de, oposição, aprovação, afirmação, negação, dúvida, entre outras noções. Confira na tabela: CLASSIFICAÇÃO PRINCIPAIS TERMOS EXEMPLOS ADVÉRBIO DE MODO Bem, mal, assim, melhor, pior, depressa, de- vagar. Grande parte das palavras que terminam em “-mente”, como cuidadosamente, calma- mente, tristemente. “Coloquei-o cuidadosamente no ber- ço.” “Andou depressa por causa da chu- va.” ADVÉRBIO DE LUGAR Perto, longe, dentro, fora, aqui, ali, lá e atrás “O carro está fora.” “Foi bem no teste?” “Demorou, mas chegou longe!” 21 ADVÉRBIO DE TEMPO Antes, depois, hoje, ontem, amanhã, sem- pre, nunca, cedo e tarde “Sempre que precisar de algo, basta chamar-me.” “Cedo ou tarde, far-se-á justiça.” ADVÉRBIO DE INTENSIDADE Muito, pouco, bastante, tão, demais, tanto “Eles formam um casal tão bonito!” “Elas conversam demais.” “Você saiu muito depressa.” ADVÉRBIO DE AFIRMAÇÃO Sim, decerto e palavras afirmativas com o sufixo “-mente” (certamente, realmente). Palavras como claro e positivo, podem ser advérbio, dependendo do contexto. “Decerto passaram por aqui” “Claro que irei!” “Entendi, sim.” ADVÉRBIO DE NEGAÇÃO Não e nem. Palavras como negativo, nenhum, nunca, jamais, entre outras, podem ser advérbio de negação, conforme o contexto. “Jamais reatarei meu namoro com ele.” “Sequer pensou para falar” “Não pediu ajuda” ADVÉRBIO DE DÚVIDA Talvez, quicá, porventura e palavras que ex- pressem dúvida acrescidas do sufixo “-men- te”, como possivelmente. “Quiçá seremos recebidas.” “Provavelmente saírei mais cedo.” “Talvez eu saia cedo.” ADVÉRBIO DE INTERROGAÇÃO Quando, como, onde, aonde, dondo, por que. Esse advérbio pode indicar circunstâncias de modo, tempo, lugar e causa. É usado somente em frases interrogativas diretas ou indiretas. “Por que vendeu o livro?” (oração in- terrogativa direta, que indica causa) “Quando posso sair?” (oração interro- gativa direta, que indica tempo) “Explica como você fez isso.” (oração interrogativa indireta, que indica modo) ▸ Conjunção As conjunções integram a classe de palavras que tem a função de conectar os elementos de um enunciado ou oração e, com isso, estabelecer uma relação de dependência ou de independência entre os termos ligados. Em função dessa relação entre os termos conectados, as conjunções podem ser classificadas, respectiva- mente e de modo geral, como coordenativas ou subordinativas. Em outras palavras, as conjunções são um vín- culo entre os elementos de uma sentença, atribuindo ao enunciado uma maior clareza e precisão ao enunciado. ▪ Conjunções coordenativas: observe o exemplo: “Eles ouviram os pedidos de ajuda. Eles chamaram o socorro.” – “Eles ouviram os pedidos de ajuda e cha- maram o socorro.” No exemplo, a conjunção “e” estabelece uma relação de adição ao enunciado, ao conectar duas orações em um mesmo período: além de terem ouvido os pedidos de ajuda, chamaram o socorro. Perceba que não há relação de dependência entre ambas as sentenças, e que, para fazerem sentido, elas não têm necessidade uma da outra. Assim, classificam-se como orações coordenadas, e a conjunção que as relaciona, como coor- denativa. ▪ Conjunções subordinativas: analise este segundo caso: Não passei na prova, apesar de ter estudado muito.” Neste caso, temos uma locução conjuntiva (duas palavras desempenham a função de conjunção). Além disso, notamos que o sentido da segunda sentença é totalmente dependente da informação que é dada na primeira. Assim, a primeira oração recebe o nome de oração principal, enquanto a segunda, de oração subor- dinada. Logo, a conjunção que as relaciona é subordinativa. Classificação das conjunções: Além da classificação que se baseia no grau de dependência entre os termos conectados (coordenação e subordinação), as conjunções possuem subdivisões. ▪ Conjunções coordenativas: essas conjunções se reclassificam em razão do sentido que possuem cinco subclassificações, em função do sentido que estabelecem entre os elementos que ligam. São cinco: 22 CLASSIFICAÇÃO FUNÇÃO EXEMPLOS Conjunções coordenativas aditivas Estabelecer relação de adição (positiva ou ne- gativa). As principais conjunções coordenativas aditivas são “e”, “nem” e “também”. “No safári, vimos girafas, leões e zebras” “Ela ainda chegou, nem sabemos quando vai chegar.” Conjunções coordenativas adversativas Estabelecer relação de oposição. As principais conjunções coordenativas adversativassão “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”, “entretan- to”. “Havia flores no jardim, mas esta- vam murchando.” “Era inteligente e bom com pala- vras, entretanto, estava nervoso na prova.” Conjunções coordenativas alternativas Estabelecer relação de alternância. As princi- pais conjunções coordenativas alternativas são “ou”, “ou ... ou”, “ora ... ora”, “talvez ... talvez” “Pode ser que o resultado saia amanhã ou depois” “Ora queria viver ali para sempre, ora queria mudar de país.” Conjunções coordenativas conclusivas Estabelecer relação de conclusão. As princi- pais conjunções coordenativas conclusivas são “portanto”, “então”, “assim”, “logo” “Não era bem remunerada, então decidi trocar de emprego.” “Penso, logo existo.” Conjunções coordenativas explicativas Estabelecer relação de explicação. As princi- pais conjunções coordenativas explicativas são “porque”, “pois”, “porquanto” “Quisemos viajar porque não con- seguiríamos descansar aqui em casa” “Não trouxe o pedido, pois não havia ouvido.” ▪ Conjunções subordinativas: com base no sentido construído entre as duas orações relacionadas, a con- junção subordinativa pode ser de dois subtipos: 1 – Conjunções integrantes: introduzem a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração. Essas conjunções são que e se. Exem- plos: “É obrigatório que o senhor compareça na data agendada.” “Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.” 2 – Conjunções adverbiais: introduzem sintagmas adverbiais (orações que indicam uma circunstância adverbial relacionada à oração principal) e se subdividem conforme a tabela abaixo: CLASSIFICAÇÃO FUNÇÃO EXEMPLOS Conjunções integrantes São as empregadas para introduzir a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nomi- nal ou aposto de outra oração. Que e se. Analise: “É obrigatório que o se- nhor compareça na data agenda- da.” e “Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.” Conjunções subordinativas causais Introduzem uma oração subordinada que de- nota causa. Porque, pois, por isso que, uma vez que, já que, visto que, que, porquanto. Conjunções subordinativas conformativas Introduzem uma oração subordinada em que se exprime a conformidade de um pensamento com a da oração principal. Conforme, segundo, como, con- soante. Conjunções subordinativas condicionais Introduzem uma oração subordinada em que é indicada uma hipótese ou uma condição ne- cessária para que seja realizada ou não o fato principal. Se, caso, salvo se, desde que, contanto que, dado que, a menos que, a não ser que. Conjunções subordinativas comparativas Introduzem uma oração que expressa uma comparação, Mais, menos, menor, maior, pior, melhor, seguidas de que ou do que. Qual depois de tal,. Quanto depois de tanto. Como, assim como, como se, bem como, que nem. 23 Conjunções subordinativas concessivas Indicam uma oração em que se admite um fato contrário à ação principal, mas incapaz de im- pedi-la. Por mais que, por menos que, apesar de que, embora, conquan- to, mesmo que, ainda que, se bem que. Conjunções subordinativas proporcionais Introduzem uma oração, cujos acontecimen- tos são simultâneos, concomitantes, ou seja, ocorrem no mesmo espaço temporal daqueles conditos na outra oração. A proporção que, ao passo que, à medida que, à proporção que. Conjunções subordinativas temporais Introduzem uma oração subordinada indicado- ra de circunstância de tempo. Depois que, até que, desde que, cada vez que, todas as vezes que, antes que, sempre que, logo que, mal quando. Conjunções subordinativas consecutivas Introduzem uma oração na qual é indicada a consequência do que foi declarado na oração anterior. Tal, tão, tamanho, tanto (em uma oração, seguida pelo que em outra oração). De maneira que, de forma que, de sorte que, de modo que. Conjunções subordinativas finais Introduzem uma oração indicando a finalidade da oração principal. A fim de que, para que. ▸Numeral É a classe de palavra variável que exprime um número determinado ou a colocação de alguma coisa dentro de uma sequência. Os numerais podem ser: cardinais (um, dois, três), ordinais (primeiro, segundo, terceiro), fracionários (meio, terço, quarto) e multiplicativos (dobro, triplo, quádruplo). Antes de nos aprofundarmos em cada caso, vejamos o emprego dos numerais, que tem três principais finalidades: ▪ Indicar leis e decretos: nesses casos, emprega-se o numeral ordinal somente até o número nono; após, devem ser utilizados os numerais cardinais. Exemplos: Parágrafo 9° (parágrafo nono); Parágrafo 10 (Parágrafo 10). ▪ Indicar os dias do mês: nessas situações, empregam-se os numerais cardinais, sendo que a única exce- ção é a indicação do primeiro dia do mês, para a qual deve-se utilizar o numeral ordinal. Exemplos: dezesseis de outubro; primeiro de agosto. ▪ Indicar capítulos, séculos, capítulos, reis e papas: após o substantivo emprega-se o numeral ordinal até o décimo; após o décimo utiliza-se o numeral cardinal. Exemplos: capítulo X (décimo); século IV (quarto); Henrique VIII (oitavo); Bento XVI (dezesseis). Os tipos de numerais: ▪ Cardinais: são os números em sua forma fundamental e exprimem quantidades. ▪ Exemplos: um, dois, dezesseis, trinta, duzentos, mil. Alguns deles flexionam em gênero (um/uma, dois/duas, quinhentos/quinhentas). Alguns números cardinais variam em número, como é o caso: milhão/milhões, bilhão/bilhões, trilhão/tri- lhões, e assim por diante. A palavra ambos(as) é considerada um numeral cardinal, pois significa os dois/as duas. Exemplo: Antônio e Pedro fizeram o teste, mas os dois/ambos foram reprovados. ▪ Ordinais: indicam ordem de uma sequência (primeiro, segundo, décimo, centésimo, milésimo…), isto é, apresentam a ordem de sucessão e uma série, seja ela de seres, de coisas ou de objetos. Os numerais ordinais variam em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exemplos: primeiro/primeira, primeiros/primeiras, décimo/décimos, décima/décimas, trigésimo/trigésimos, trigésima/trigé- simas. Alguns numerais ordinais possuem o valor de adjetivo. Exemplo: A carne de segunda está na promoção. 24 ▪ Fracionários: servem para indicar a proporções numéricas reduzidas, ou seja, para representar uma parte de um todo. Exemplos: meio ou metade (½), um quarto (um quarto (¼), três quartos (¾), 1/12 avos. Os números fracionários flexionam-se em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exem- plos: meio copo de leite, meia colher de açúcar; dois quartos do salário-mínimo. ▪ Multiplicativos: esses numerais estabelecem relação entre um grupo, seja de coisas ou objetos ou coi- sas, ao atribuir-lhes uma característica que determina o aumento por meio dos múltiplos. Exemplos: dobro, triplo, undécuplo, doze vezes, cêntuplo. Em geral, os multiplicativos são invariáveis, exceto quando atuam como adjetivo, pois, nesse caso, passam a flexionar número e gênero (masculino e feminino). Exemplos: dose dupla de elogios, duplos sentidos. ▪ Coletivos: correspondem aos substantivos que exprimem quantidades precisas, como dezena (10 unida- des) ou dúzia (12 unidades). Os numerais coletivos sofrem a flexão de número: unidade/unidades, dúzia/dúzias, dezena/dezenas, cen- tena/centenas. ▸Preposição Essa classe de palavras cujo objetivo é marcar as relações gramaticais que outras classes (substantivos, adjetivos, verbos e advérbios) exercem no discurso. Por apenas marcarem algumas relações entre as unidades linguísticas dentro do enunciado, as preposições não possuem significado próprio se isoladas no discurso. Em razão disso, as preposições são consideradas uma classe gramatical dependente, ou seja, sua função gramatical (organização e estruturação) é principal, embora o desempenho semântico, que gera significado e sentido, possua valor menor. Classificação das preposições:▪ Preposições essenciais: são aquelas que só aparecem na língua propriamente como preposições, sem outra função. São elas: a, antes, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por (ou per, em dadas variantes geográficas ou históricas), sem, sob, sobre, trás. ▪ Exemplo 1: ”Luís gosta de viajar.” e “Prefiro doce de coco.” Em ambas as sentenças, a preposição de manteve-se sempre sendo preposição, apesar de ter estabelecido relação entre unidades linguísticas diferen- tes, garantindo-lhes classificações distintas conforme o contexto. ▪ Exemplo 2: “Estive com ele até o reboque chegar.” e “Finalizei o quadro com textura.” Perceba que nas duas fases, a mesma preposição tem significados distintos: na segunda, indica recurso/instrumento; na primei- ra, exprime companhia. Por isso, afirma-se que a preposição tem valor semântico, mesmo que secundário ao valor estrutural (gramática). Classificação das preposições: ▪ Preposições acidentais: são aquelas que, originalmente, não apresentam função de preposição, porém, a depender do contexto, podem assumir essa atribuição. São elas: afora, como, conforme, durante, exceto, feito, fora, mediante, salvo, segundo, visto, entre outras. ▪ Exemplo: ”Segundo o delegado, os depoimentos do suspeito apresentaram contradições.” A palavra “se- gundo”, que, normalmente seria um numeral (primeiro, segundo, terceiro), ao ser inserida nesse contexto, pas- sou a ser uma preposição acidental, pois tem o sentido de “de acordo com”, “em conformidade com”. 25 Locuções prepositivas: Recebe esse nome o conjunto de palavras com valor e emprego de uma preposição. As principais locuções prepositivas são constituídas por advérbio ou locução adverbial acrescido da preposição de, a ou com. Confira algumas das principais locuções prepositivas. abaixo de de acordo com junto a acerca de debaixo de junto de acima de de modo a não obstante a fim de dentro de para com à frente de diante de por debaixo de antes de embaixo de por cima de a respeito de em cima de por dentro de atrás de em frente de por detrás de através de em razão de quanto a com a respeito a fora de sem embargo de ▸Interjeição É a palavra invariável ou sintagma que compõe frases que manifestam, por parte do emissor do enunciado, surpresa, hesitação, susto, emoção, apelo, ordem, etc. São as chamadas unidades autônomas, que usufruem de independência em relação aos demais elementos do enunciado. As interjeições podem ser empregadas também para exigir algo ou para chamar a atenção do interlocutor e são unidades cuja forma pode sofrer variações como: ▪ Locuções interjetivas: são formadas por grupos e palavras que, associadas, assumem o valor de inter- jeição. Exemplos: “Ai de mim!”, “Minha nossa!” Cruz credo!”. ▪ Palavras da língua: “Eita!” “Nossa!” ▪ Sons vocálicos: “Hum?!”, “Ué!”, “Ih…!” Os tipos de interjeição: De acordo com as reações que expressam, as interjeições podem ser de: ADMIRAÇÃO “Ah!”, “Oh!”, “Uau!” ALÍVIO “Ah!”, “Ufa!” ANIMAÇÃO “Coragem!”, “Força!”, “Vamos!” APELO “Ei!”, “Oh!”, “Psiu!” APLAUSO “Bravo!”, “Bis!” DESPEDIDA/SAUDAÇÃO “Alô!”, “Oi!”, “Salve!”, “Tchau!” DESEJO “Tomara!” DOR “Ai!”, “Ui!” DÚVIDA “Hã?!”, “Hein?!”, “Hum?!” ESPANTO “Eita!”, “Ué!” IMPACIÊNCIA (FRUSTRAÇÃO) “Puxa!” IMPOSIÇÃO “Psiu!”, “Silêncio!” SATISFAÇÃO “Eba!”, “Oba!” SUSPENSÃO “Alto lá!”, “Basta!”, “Chega!” 26 Concordância Sumariamente, as concordâncias verbal e nominal estudam a sintonia entre os componentes de uma ora- ção. ▪ Concordância verbal: refere-se ao verbo relacionado ao sujeito, sendo que o primeiro deve, obrigato- riamente, concordar em número (flexão em singular e plural) e pessoa (flexão em 1a, 2a, ou 3a pessoa) com o segundo. Isto é, ocorre quando o verbo é flexionado para concordar com o sujeito. ▪ Concordância nominal: corresponde à harmonia em gênero (flexão em masculino e feminino) e núme- ro entre os vários nomes da oração, ocorrendo com maior frequência sobre os substantivos e o adjetivo. Em outras palavras, refere-se ao substantivo e suas formas relacionadas: adjetivo, numeral, pronome, artigo. Tal concordância ocorre em gênero e pessoa. Casos específicos de concordância verbal: ▪ Concordância verbal com o infinitivo pessoal: existem três situações em que o verbo no infinitivo é flexionado: I – Quando houver um sujeito definido; II – Para determinar o sujeito; III – Quando os sujeitos da primeira e segunda oração forem distintos. Observe os exemplos: “Eu pedi para eles fazerem a solicitação.” “Isto é para nós solicitarmos.” ▪ Concordância verbal com o infinitivo impessoal: não ocorre flexão verbal quando o sujeito não é defi- nido. O mesmo acontece quando o sujeito da segunda oração é igual ao da primeira, em locuções verbais, com verbos preposicionados e com verbos no imperativo. Exemplos: “Os membros conseguiram fazer a solicitação.” “Foram proibidos de realizar o atendimento.” ▪ Concordância verbal com verbos impessoais: nesses casos, o verbo ficará sempre em concordância com a 3a pessoa do singular, tendo em vista que não existe um sujeito. Observe os casos a seguir: Verbos que indicam fenômenos da natureza, como anoitecer, nevar, amanhecer. Exemplo: “Não chove muito nessa região” ou “Já entardeceu.» O verbo haver com sentido de existir. Exemplo: “Havia duas professoras vigiando as crianças.” O verbo fazer indicando tempo decorrido. Exemplo: “Faz duas horas que estamos esperando.” ▪ Concordância verbal com o verbo ser: diante dos pronomes tudo, nada, o, isto, isso e aquilo como sujei- tos, há concordância verbal com o predicativo do sujeito, podendo o verbo permanecer no singular ou no plural: “Tudo que eu desejo é/são férias à beira-mar.” “Isto é um exemplo do que o ocorreria.” e “Isto são exemplos do que ocorreria.” ▪ Concordância verbal com pronome relativo quem: o verbo, ou faz concordância com o termo prece- dente ao pronome, ou permanece na 3a pessoa do singular: “Fui eu quem solicitou.” e “Fomos nós quem solicitou.” 27 ▪ Concordância verbal com pronome relativo que: o verbo concorda com o termo que antecede o pro- nome: “Foi ele que fez.” e “Fui eu que fiz.” “Foram eles que fizeram.” e “Fomos nós que fizemos.” ▪ Concordância verbal com a partícula de indeterminação do sujeito se: nesse caso, o verbo cria concordância com a 3a pessoa do singular sempre que a oração for constituída por verbos intransitivos ou por verbos transitivos indiretos: “Precisa-se de cozinheiro.” e “Precisa-se de cozinheiros.” ▪ Concordância com o elemento apassivador se: aqui, o verbo concorda com o objeto direto, que desem- penha a função de sujeito paciente, podendo aparecer no singular ou no plural: “Aluga-se galpão.” e “Alugam-se galpões.” ▪ Concordância verbal com as expressões a metade, a maioria, a maior parte: preferencialmente, o ver- bo fará concordância com a 3a pessoa do singular. Porém, a 3a pessoa do plural também pode ser empregada: “A maioria dos alunos entrou” e “A maioria dos alunos entraram.” “Grande parte das pessoas entendeu.” e “Grande parte das pessoas entenderam.” ▪ Concordância nominal com muitos substantivos: o adjetivo deve concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo, mas também concordar com a forma no masculino no plural: “Casa e galpão alugado.” e “Galpão e casa alugada.” “Casa e galpão alugados.” e “Galpão e casa alugados.” ▪ Concordância nominal com pronomes pessoais: o adjetivo concorda em gênero e número com os pronomes pessoais: “Ele é prestativo.” e “Ela é prestativa.” “Eles são prestativos.” e “Elas são prestativas.” ▪ Concordância nominal com adjetivos: sempre que existir dois ou mais adjetivos no singular, o substan- tivo permanece no singular. Se o artigo não aparecer, o substantivo deve estar no plural: “A blusa estampada e a colorida.” e “O casaco felpudo e o xadrez.” “As blusas estampadas e coloridas.” e “Os casacos felpudos e xadrez.” ▪ Concordância nominal com é proibido e é permitido: nessas expressões, o adjetivo flexiona em gênero e número, sempre que houver