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UUNNIIVVEERRSSIIDDAADDEE FFEEDDEERRAALL DDEE SSAANNTTAA CCAATTAARRIINNAA 
CCEENNTTRROO TTEECCNNOOLLÓÓGGIICCOO 
DDEEPPAARRTTAAMMEENNTTOO DDEE EENNGGEENNHHAARRIIAA SSAANNIITTÁÁRRIIAA EE AAMMBBIIEENNTTAALL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FFLLOORRIIAANNOOPPOOLLIISS,, MMAARRÇÇOO DDEE 22000055.. 
 
IINNTTRROODDUUÇÇÃÃOO ÀÀ TTOOXXIICCOOLLOOGGIIAA AAMMBBIIEENNTTAALL 
 
Introdução à Toxicologia Ambiental Professor William Gerson Matias 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PPRROOFF.. DDRR.. WWIILLLLIIAAMM GGEERRSSOONN MMAATTIIAASS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IINNTTRROODDUUÇÇÃÃOO ÀÀ TTOOXXIICCOOLLOOGGIIAA AAMMBBIIEENNTTAALL 
 
Introdução à Toxicologia Ambiental Professor William Gerson Matias 3 
ÍÍNNDDIICCEE 
 
 
 
 
11.. Generalidades sobre Toxicologia.............................................. 04 
22.. Mecanismos das Intoxicações.................................................... 08 
33.. Metabolismo e Biotransformação.............................................. 11 
44.. Toxicocinética Ambiental............................................................. 16 
55.. Princípios de Ensaios utilizados em Toxicologia Ambiental... 19 
66.. Toxicologia Global........................................................................ 24 
77.. Toxicologia Específica................................................................. 28 
88.. Princípios de Ecotoxicologia................................................................. 36 
 Referências Bibliográficas......................................................... 40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução à Toxicologia Ambiental Professor William Gerson Matias 4 
 
 
11..11 EETTIIMMOOLLOOGGIIAA 
 
"TO PHARMACON" significa, em grego, toda substância que altera a natureza 
de um corpo, toda droga salutar ou malfeitora. 
A palavra "pharmacon" deve ser associada etimologicamente a "toxos", que 
significa, primitivamente, o conjunto de arco e flecha. Na antigüidade, essas flechas 
eram quase sempre envenenadas. Foi Aristote de Stagire, o precedente de 
Alexandre o Grande, que primeiramente mencionou o termo "toxicon pharmacon" , 
significando flecha envenenada. 
Com o passar dos séculos esta expressão sofre degradações lingüisticas. O 
significado do adjetivo pharmacon (envenenamento) se aproxima pouco a pouco do 
nome toxicon (flecha) e, segundo a lei geral clássica de contração que rege todas as 
linguagens, a expressão “toxicon pharmacon” tornou-se, toxicon simplesmente com 
o significado não de flecha, mas de TÓXICO. 
 
 
11..22 TTOOXXIICCOOLLOOGGIIAA -- CCIIÊÊNNCCIIAA AAPPLLIICCAADDAA 
 
A toxicologia é a ciência dos venenos (toda substância que destrói ou altera as 
funções vitais). Ela não é uma ciência pura como a matemática, a física; nem uma 
ciência descritiva como a botânica ou a zoologia; é uma ciência aplicada, não possui 
técnicas próprias e, por este motivo, é obrigada a utilizar as técnicas de outras 
ciências. É uma fragilidade para esta disciplina, mas é também um grande ponto a 
favor, pois obriga o profissional que trabalha com a toxicologia a ter uma formação 
multidisciplinar. 
Segundo Chasin e Pedrozo (2003), esta ciência engloba uma multiplicidade de 
enfoques e integra uma série de conhecimentos que reforça seu caráter 
multidisciplinar e faz com que haja um aporte de capacitações e tecnologias que 
integram a construção de seu conhecimento. Segundo os mesmo autores, com 
base em Loomis (1996), a natureza multidisciplinar da toxicologia pode ser 
representada conforme a figura 1. 
CCAAPPÍÍTTUULLOO 11 
GGEENNEERRAALLIIDDAADDEESS SSOOBBRREE AA TTOOXXIICCOOLLOOGGIIAA 
 
Introdução à Toxicologia Ambiental Professor William Gerson Matias 5 
Figura 1: Representação da natureza multidisciplinar da toxicologia. 
 
A toxicologia tem por objetivo estudar os diversos problemas ligados aos 
tóxicos tanto sobre o plano analítico, como do ponto de vista fisiológico e 
bioquímico. Toda pesquisa por via analítica de substâncias químicas nocivas, 
presentes em diversos meios ou no interior de organismos vivos, tem relação com 
esta disciplina. Mas o termo toxicologia designa também o conjunto de 
investigações destinadas a avaliar a toxicidade dos poluentes sobre os seres vivos. 
Truhaut (1974) definiu a toxicologia como a disciplina que estuda as 
substâncias tóxicas ou venenos, quer dizer às substâncias que provocam alterações 
ou perturbações das funções do organismo conduzindo a efeitos nocivos no qual o 
mais grave, de toda evidência, é a morte do organismo em questão. 
Outros autores delimitam de maneira muito mais restrita o campo de ação da 
toxicologia. O’Brein (1977) reserva o uso deste termo ao estudo dos mecanismos 
pelo qual as substâncias tóxicas exercem seus efeitos. 
Consideramos os meios técnicos que subsidiam esta disciplina os aspectos 
analíticos da toxicologia e mesmo as avaliações de efeitos tóxicos imediatos, sendo 
o estudo dos mecanismos de ação tóxico a escala molecular, celular e de 
organismos inteiros, o mais adequado. 
 
11..33 DDEEFFIINNIIÇÇÃÃOO DDEE VVEENNEENNOO EE SSUUBBSSTTÂÂNNCCIIAASS TTÓÓXXIICCAASS 
 
Veneno e substâncias tóxicas são palavras chave da toxicologia, também 
substituídas por xenobiótico. Chamamos de veneno toda substância susceptível de 
alterar em qualquer de suas partes a estrutura ou funcionamento do organismo. 
Se um veneno mata ou altera parte ou totalidade de um organismo, pouco 
importa, o essencial é o limite fisiológico onde duas partes são consideradas: 
 - a célula viva, e 
 - a substância incriminada. 
A célula é submetida a dois processos opostos: um o catabolismo destrutivo, 
liberador de dejetos, o outro o anabolismo construtivo que necessita uma 
contribuição alimentar. As reações químicas complexas que se efetuam ao curso 
dessas operações liberam a energia necessária à vida celular. 
Desde que se tenha harmonia entre o anabolismo e o catabolismo, a vida 
continuará e o equilíbrio vital que podemos relacionar matematicamente a uma 
constante biológica será a relação desses dois fatores. Mas uma constante é, 
apesar de tudo, algo que varia. Assim, quanto mais esta constante oscilar nos 
T O X I C O L O G I 
A 
física 
química 
bioquímica 
biologia 
patologia 
farmacologia 
imunologia 
fisiologia 
saúde pública 
estatística 
matemática 
Introdução à Toxicologia Ambiental Professor William Gerson Matias 6 
limites precisos e funcionais; mais o valor desta constante se aproxima do limite de 
tolerância máximo, e mais a vida celular será comprometida (figura 2). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2: Esquema do equilíbrio vital. 
 
 
11..44 NNOOÇÇÃÃOO DDEE DDOOSSEE 
 
Uma definição importante para a toxicologia é a dose. 
Dose provém do grego dósis, ação de dar; aquilo que se dá; o que pode ser 
dado (Baily, 1950 e Machado, 1977). Expressa a porção ou quantidade de uma 
substância que se administra ao organismo. 
Trata-se da noção de quantidade, relação existente entre o volume da 
substância administrada e o peso do organismo que o absorve. A dose é expressa 
por duas quantidades de massa, como por exemplo: mg/Kg ou mL/Kg. 
Paracelsus foi um médico suíço que viveu entre 1493 e 1541, ele postulou um 
dos princípios básicos da toxicologia, válido até hoje: "todas as substâncias são 
venenosas; a dose correta diferencia o veneno do remédio". 
Alguns exemplos que ilustram esta noção: 
- o cloreto de sódio: utilizado em quantidades normal não causa efeitos 
nefastos; contudo, o consumo de alimentos hiper-salgados causa os primeiros 
sintomas de intoxicação, vômitos; 
DEJETOS 
Intoxicação 
 ORGANISMO 
 ANABOLISMO CATABOLISMO 
 EQUILÍBRIO 
 VITAL 
 Fisiológico 
Patológico Patológicoenergia 
Intoxicação por 
aporte excessivo 
Intoxicação por 
eliminação suficiente 
Transformação e 
transporte dos 
dejetos 
Limites de variação 
da constante 
Transformação e 
transporte dos 
alimentos 
ALIMENTOS 
Micróbios 
Toxinas 
Químicos 
Auto 
intoxicação 
Introdução à Toxicologia Ambiental Professor William Gerson Matias 7 
- a água: é o mais importante alimento para o organismo. Ela constitui 75% 
das partes moles de nossos tecidos. Mas, a absorção de uma massa importante de 
água pode acarretar desordens graves, como a lise celular; 
- o oxigênio: se a água é o liquido essencial a vida, o oxigênio é o gás que 
deve ser inalado a concentração de 1/5. A respiração de oxigênio puro encurta a 
vida, gerando radicais livres. 
Desses três exemplos, escolhidos entre os alimentos estritamente 
indispensáveis a vida, percebe-se que na realidade aquilo que chama-se 
comumente de veneno, pode ser uma substância que normalmente faz parte 
integral da alimentação, mas que causa desordens graves quando ela penetra no 
organismo a dose excessivas ou de forma repetida. Neste contexto compreende-se 
a importância do entendimento da noção dose.

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