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simples, inteligentes e eficazes para os desafios que a sua criança enfrenta. PROF. DR. HARVEY KARP DR. DANIEL J. SIEGEL e PROF. DR. TINA PAYNE BRYSON O DA CRIANÇA 12 ESTRATÉGIAS REVOLUCIONÁRIAS PARA TREINAR CÉREBRO EM DESENVOLVIMENTO DO SEU FILHO casadasletrasDANIEL J. SIEGEL licenciou-se na Faculdade de Medicina de Har- vard e completou os estudos de pós-graduação Remover agora na UCLA com uma especialização em Pediatria e Psiquiatria do Adolescente e do Adulto. É professor de Psiquiatria Clínica na Faculdade de Medicina da UCLA, codire- tor do Mindful Awareness Research Center da mesma co-investigador no Center For Culture, Brain and Development e diretor-executivo do Mindsight Institute, centro educativo dedicado à promoção da mindsight, da compaixão e da empatia em famílias, instituições e comunidades. Autor de vários entre os quais Parenting from the Inside Out: How a Deeper Self-Understanding Can Help You Raise Children Who Thrive, The Mindful Brain, Mindsight: The New Science of Personal Transformation, A Mente em Desen- volvimento e Disciplina sem Dramas, vive em Los Angeles com a mulher e dois filhos. Para mais informações visite: www.drdansiegel.com TINA PAYNE BRYSON é psicoterapeuta na Pediatric and Adolescent Psychology Associates em Arcadia, onde segue crianças e e faz acon- selhamento de práticas educativas. Além de escrever e fazer palestras para pais, educado- res e profissionais, é diretora do Departamento de Práticas Educativas e Desenvolvimento no Mindsight Institute, onde estuda as relações no contexto do cérebro em desenvolvimento. A Bryson doutorou-se na Universidade do Sul da onde a sua investigação explorou a teoria da educação da criança ligada à ciên- cia e ao campo emergente da neurobiologia Vive perto de Los Angeles com O marido e três filhos. Para mais informações visite: www.tinabryson.comDR. J. SIEGEL E TINA PAYNE BRYSON O CÉREBRO DA CRIANÇA 12 ESTRATÉGIAS REVOLUCIONÁRIAS PARA TREINAR CÉREBRO EM DESENVOLVIMENTO DO SEU FILHO TRADUÇÃO ISABEL VERÍSSIMO casadasletrasPara a Maddi e o Alex: obrigado aos dois por tudo que me ensinaram ao longo destes anos e pela honra de ser pai; e para a Caroline, pelo amor e pela viagem que estamos a fazer juntos. DJS Para os homens da minha vida: o meu marido, Scott, e os nossos três filhos. Vocês enchem todos os dias de alegria, aventura, amor e significado. TPB Todos os pormenores identificadores, incluindo nomes, foram alterados, com dos que pertencem aos membros da família dos autores. Este livro não se destina a substituir os conselhos de um profissional experiente.ÍNDICE Introdução - Sobrevivência e Desenvolvimento 11 Capítulo 1 - Educar com o cérebro em mente 19 Capítulo 2 - Dois cérebros pensam melhor que um: integrar o cérebro esquerdo e o cérebro direito 31 Estratégia do cérebro global 1: ligue-se e redirecione - surfar as ondas emocionais 39 Estratégia do cérebro global 2: fale para controlar - contar histórias para acalmar as emoções fortes 45 Capítulo 3 - Construir a escadaria da mente: integrar o andar de cima e o andar de baixo do cérebro 57 Estratégia do cérebro global envolva-o, não enraiveça - apelar ao cérebro do andar de cima 69 Estratégia do cérebro global para não perder - treinar cérebro do andar de cima 74 Estratégia do cérebro global 5: ponha-o a mexer-se para não perder - mexer corpo para evitar perder cérebro 79 Capítulo 4 - Mata as borboletas! Integrar a memória para promover o crescimento e o processo de cura 89Estratégia do cérebro global 6: use comando à da mente: reviver as recordações 103 INTRODUÇÃO Estratégia do cérebro global lembre-se de se lembrar fazer da lembrança uma parte da vida quotidiana da sua familia 108 SOBREVIVÊNCIA Capítulo 5 Os meus estados unidos: integrar as muitas E DESENVOLVIMENTO partes de mim mesmo 117 Estratégia do cérebro global passar a tempestade emocional ensinar que as emoções vêm e 128 Estratégia do cérebro global SIEP (sensações, imagens, emoções, pensamentos) prestar atenção ao que se passa no interior 130 Estratégia do cérebro global 10: treine a mindsight voltar para 0 eixo 136 Teve um daqueles dias em que a privação de sono, as sapatilhas cheias de lama, O sumo espalhado no casaco novo, as guerras para Capítulo 6 A ligação eu-nós: integrar o eu com os outros 147 fazer os trabalhos de casa, a plasticina no teclado do seu computador Estratégia do cérebro inteiro aumente fator de diversão em e os gritos de ela que deixam a contar os minutos família fazer questão de se divertirem uns com os outros 160 que faltam para se ir deitar? Nesses dias, em que tem de tirar (outra Estratégia do cérebro inteiro 12: ligue-se através do conflito vez?!!) uma peça de lego de uma narina, parece que a única coisa a ensinar as crianças a argumentar com um em mente 164 que pode aspirar é sobreviver. Porém, quando são os seus filhos que estão em causa, deve aspirar Conclusão - Unir tudo 177 a muito mais que a mera sobrevivência. É claro que quer sobreviver difíceis momentos de birra no restaurante. Mas, quer seja pai, Folhas para afixar no frigorífico 183 mãe ou outro dedicado cuidador na vida de uma criança, seu objetivo principal é educá-la de uma forma que permita que ela se desenvolva. Quer 187 que seus filhos criem laços que os realizem, que sejam atenciosos Idades e fases do cérebro global e compassivos, que tenham um bom desempenho escolar, que traba- 207 lhem muito e sejam responsáveis, e que se sintam bem consigo mesmos. Agradecimentos Índice remissivo 211 Ao longo dos anos fomos conhecendo milhares de pais. Quando lhes perguntamos que é mais importante para eles, estes dois obje- tivos, nas suas variantes, estão quase sempre no topo da lista. Querem sobreviver aos momentos e querem que os seus filhos e a sua família se desenvolvam. Na qualidade de pais, nós próprios partilha- mos os mesmos objetivos para as nossas famílias.SOBREVIVANCIA DESENVOLVIMENTO Nos nossos momentos mais nobres, calmos e sensatos, preocupa- mo-nos com a educação do cérebro dos nossos filhos, enriquecendo de facto oportunidades para ajudar seu a desenvolver-se. Por vezes, o seu imaginário e ajudando-os a alcançar seu potencial máximo em talvez sinta que os momentos preciosos e importantes (como ter todos os aspetos da vida. Todavia, nos momentos mais e uma conversa profunda sobre compaixão ou caráter) estão separa- stressantes de dos dos desafios das práticas educativas (como travar mais uma ba- por vezes só queremos não talha para eles fazerem os trabalhos de casa ou lidar com mais uma gritar nem ouvir alguém dizer: gosto de birra). Mas não estão. Quando seu filho é desrespeitoso e lhe res- Pare um momento e pergunte a si mesmo: que quer verdadeira ponde mal, quando é chamado à escola, quando encontra a parede mente para os seus filhos? Que qualidades espera que eles riscada com lápis de cera não há dúvida de que são momentos de vam e os acompanhem nas suas vidas adultas? Muito provavelmente sobrevivência. No entanto, ao mesmo tempo, são oportunidades quer que sejam felizes, independentes e bem-sucedidos. Quer que te- até presentes porque um momento de sobrevivência também é um momento de desenvolvimento, em que papel de educador assu- nham relações interpessoais que os realizem e que vivam uma vida me todo seu sentido. plena de significado e propósito. Agora, pense com objetividade na Por exemplo, pense numa situação da qual tenta sair muitas vezes. percentagem de tempo que dedica ao desenvolvimento concreto Talvez quando os seus filhos estão a discutir um com o outro pela dessas qualidades nos seus filhos. Se for como a maioria dos pais, terceira vez no espaço de três minutos. (Não é difícil imaginar, pois preocupa-se com facto de passar demasiado tempo a tentar chegar não?) Em vez de separar os irmãos pugilistas e mandá-los cada um ao fim do dia (e por vezes dos próximos cinco minutos) e não pas- para seu canto, pode usar a discussão como uma oportunidade de sa tempo suficiente a criar experiências que ajudem os seus filhos a ensinar: sobre escuta reflexiva e ouvir ponto de vista da outra pes- desenvolverem-se, hoje e no futuro. soa; sobre comunicar os seus desejos com clareza e respeito; sobre Talvez até se compare com algum tipo de pai ou mãe perfeito que compromisso, sacrifício, negociação e perdão. Nós sabemos: parece nunca se esforça para sobreviver e que, aparentemente, dedica todos os pensar numa coisa dessas no calor do momento. No entanto, minutos do tempo em que está acordado a ajudar os filhos a desenvol- se compreender um pouco as necessidades emocionais e os estados verem-se. Como a presidente da Associação de Pais que prepara refei- mentais dos seus filhos, criará este tipo de resultado positivo mes- ções saudáveis enquanto lê aos filhos em latim sobre a importância de mo sem necessitar da intervenção de forças de manutenção de paz das Nações Unidas. ajudar próximo e depois leva a um museu de arte no carro híbrido Não há nada de mal em separar os seus filhos quando eles estão a onde ouvem música clássica e por cujas condutas de ar condicionado discutir. É uma boa técnica de sobrevivência, e em algumas situações sai aromaterapia de lavanda. Ninguém consegue chegar ao nível desta talvez seja a melhor solução. Porém, muitas vezes é possível fazer me- superpoderosa mãe. Acima de tudo, quando sentimos que uma gran- do que apenas fim ao conflito e ao barulho. Podemos trans- de parte dos nossos dias é passada em modo de sobrevivência total, formar a experiência de forma a desenvolver não apenas o cérebro de em que damos por nós de olhos desvairados e rosto vermelho no fim cada criança, mas também as suas capacidades de relacionamento e o de uma festa de anos, a gritar: Se ouvir mais uma discussão por causa seu caráter. Com passar do tempo, os irmãos continuarão a crescer desse arco e flecha, não há presentes para e aprenderão a resolver conflitos sem a orientação dos pais. Esta será Se alguma destas situações lhe parece familiar, temos notícias são apenas uma das muitas maneiras de os ajudar a desenvolverem-se. fantásticas para si: os momentos em que está apenas a tentar sobreviver 13SOBREVIVENCIA DESENVOLVIMENTO O que esta abordagem de e tem de bom é que não é necessário tentar arranjar um momento especial a serem mais felizes, mais saudáveis e mais plenamente equilibrados. para ajudar os seus filhos a desenvolverem-se. Pode usar todas as in- O primeiro capítulo apresenta conceito de práticas educativas paren- terações com eles as tensas e zangadas, e também as maravilhosas tais tendo em conta as especificidades do cérebro e explica simples e e adoráveis como oportunidades para os ajudar a tornarem-se as poderoso conceito que está no cerne da abordagem do cérebro como pessoas responsáveis, atenciosas e capazes que quer que eles um todo: a integração. O Capítulo 2 explica como ajudar hemisfério É isso que este livro aborda: usar momentos do dia a dia com os seus esquerdo e direito do cérebro da criança a trabalharem filhos para os ajudar a atingir seu verdadeiro potencial. As páginas juntos para que ela possa estar ligada ao seu eu lógico e ao seu eu emo- seguintes oferecem um para as práticas educativas cional. O Capítulo 3 realça a importância de ligar o cérebro do andar para as abordagens que dão uma ênfase excessiva às con- de cérebro instintivo, ao do andar de um cé- quistas e à perfeição a todo custo. Em vez disso, apresentamos-lhe rebro mais reflexivo que é responsável pela tomada de decisões, pela mecanismos para ajudar os seus filhos a serem mais eles próprios, a perspicácia, pela empatia e pela moralidade. O Capítulo 4 mostra-lhe estarem mais à vontade no mundo, a terem maior resistência e for- como ajudar a criança a lidar com momentos dolorosos do passado ça. Como é que se faz isso? A nossa resposta é simples: tem de com- através da compreensão, para que possam ser abordados de uma forma preender algumas noções básicas sobre jovem cérebro que está a calma, consciente e deliberada. O Capítulo 5 ajuda os pais a ensinar aos seus filhos que são capazes de parar e refletir sobre seu estado de es- ajudar a crescer e a desenvolver-se. É tema de Cérebro da Criança. pírito. Quando eles conseguirem isso, poderão fazer escolhas que lhes permitirão controlar seu estado de e a maneira como reagem ao mundo que os rodeia. O Capítulo 6 destaca formas de ensinar às COMO USAR ESTE LIVRO crianças que é a felicidade e a sensação de realização que resulta da li- Escrevemos este livro para pais, professores, terapeutas ou gação aos outros, ao mesmo tempo que mantêm uma identidade outros importantes cuidadores na vida de uma criança. Usaremos a Uma clara compreensão destes diferentes aspetos do cérebro como palavra ou ao longo de todo livro, mas estamos a re- um todo permitirá que veja as práticas educativas de uma forma intei- ferir-nos a todas as pessoas envolvidas no crucial trabalho de criar, ramente nova. Somos pais e queremos proteger os nossos filhos de apoiar e proteger crianças. nosso objetivo é ensinar os leitores a usar todo mal e da dor, mas não é possível. Eles vão cair, os seus senti- as interações diárias como oportunidades para se ajudarem a si e às mentos serão magoados, terão medo, sentirão tristeza e ficarão zanga- crianças que estão sob os seus cuidados a sobreviverem e desenvol- dos. Na verdade, muitas vezes são estas experiências difíceis que lhes verem-se. Se bem que a maior parte do que vai ler possa ser adaptado permitem crescer e conhecer mundo. Em vez de tentarmos proteger criativamente para adolescentes na verdade, pretendemos escrever os nossos filhos das inevitáveis dificuldades da vida, podemos ajudá- uma continuação dedicada a eles este livro abrange a faixa etária a integrar essas experiências na sua compreensão do mundo e a desde nascimento até aos doze anos, centrando-se acima de tudo aprender com elas. Eles compreendem as suas jovens vidas não ape- nas com base no que lhes acontece, mas também na forma como os nas crianças que começam a dar os primeiros passos, crianças a ini- seus pais, professores e outros cuidadores reagem. ciar o seu percurso escolar e pré-adolescentes. Com isto em mente, um dos nossos objetivos principais foi tor- Nas páginas seguintes explicamos a perspetiva do cérebro global e nar da Criança mais útil possível, proporcionando-lhe ferra- apresentamos uma variedade de estratégias para ajudar os seus filhos 15DESENVOLVIMENTO mentas específicas que tornam as suas práticas educativas mais fáceis e as suas relações com os seus filhos mais profundas. É um dos motivos implementar as ideias aqui expostas consoante a idade da criança. Cada por que cerca de metade de todos os capítulos é dedicada a secções in- capítulo do livro destina-se a ajudar-vos a estas ideias em prática tituladas Que Pode onde apresentamos sugestões e exem- imediatamente, com múltiplas sugestões para lidar com várias idades plos práticos de como aplicar os conceitos científicos daquele e fases de desenvolvimento infantil. Porém, para facilitar a tarefa dos Além disso, no fim de cada capítulo encontrará duas secções desti- pais, esta última secção de referências categorizará as sugestões do li- vro em função da idade e do nível de desenvolvimento. Se for pai ou nadas a ajudar os leitores a implementar os seus novos conhecimentos mãe de uma criança que começa a dar os primeiros passos, por exem- facilmente. A primeira é Cérebro Global da escrita para plo, encontra rapidamente um lembrete do que fazer para melhorar o ajudar a ensinar aos seus filhos a base do que abordámos naquele a integração entre esquerdo e direito do capítulo. Talvez pareça estranho falar com crianças pequenas sobre cérebro do seu filho. Depois, à medida que ele vai crescendo, poderá cérebro. Afinal de contas, é neurociência. Não obstante, descobrimos voltar ao livro em cada idade e ver uma lista dos exemplos e das su- que até as crianças pequenas com quatro ou cinco anos conseguem gestões mais relevantes para cada nova fase do seu filho. compreender alguns conceitos básicos do funcionamento do cérebro, Além disso, antes da secção e encontrará umas Fo- que lhes permite compreenderem-se e entender seu comporta- lhas para Afixar no que destacam os pontos mais impor- mento e as suas emoções de formas novas e mais profundas. Este tantes do livro. Pode fotocopiar essas folhas e pô-las no frigorífico, conhecimento pode ser muito poderoso para a criança, e também para que todas as pessoas que amam os seus filhos pais, baby-sitters, para o progenitor que está a tentar ensiná-la, discipliná-la e amá-la etc. possam trabalhar juntas para seu bem-estar geral. de formas benéficas para ambos. Escrevemos as secções Cérebro Gostaríamos que percebesse que fizemos tudo que estava ao Global da tendo em mente um público-alvo de crianças a nosso alcance para tornar este livro acessível e mais fácil possível iniciar o seu percurso escolar, mas poderá adaptar essas informações de ler. Enquanto cientistas, realçámos a precisão e rigor; enquan- to pais, a compreensão prática. E debatemo-nos com ao desenvolvimento do seu filho. este problema, decidindo com todo cuidado a melhor maneira de A outra secção no fim de cada capítulo intitula-se Integração dos apresentar as informações mais recentes e mais importantes, de uma Muito embora a maior parte do livro se concentre na vida interior forma clara, útil e imediatamente prática. Muito embora livro tenha da criança e na sua ligação com os pais, aqui vamos ajudá-los a aplicar uma base não vai sentir que está numa aula de ciências ou os conceitos de cada capítulo às vossas vidas. À medida que as crian- a ler um trabalho académico. Sim, é neurociência, e estamos profun- ças se desenvolvem, os seus cérebros cérebro dos pais. damente empenhados em manter-nos fiéis ao que a investigação e a Dito de outra forma, crescimento e o desenvolvimento dos pais, ou ciência demonstram. No entanto, vamos partilhar as informações de a falta deles, têm impacto no cérebro da criança. À medida que os pais uma forma que integrará, em vez de deixar de fora. Ambos pas- se tornam mais conscientes e emocionalmente saudáveis, os seus filhos sámos as nossas carreiras a pegar em conhecimento com- colhem as recompensas e também se tornam saudáveis. Isso significa plicado, mas vital, acerca do cérebro e a sintetizá-lo para que os pais que integrar e cultivar seu cérebro é um dos presentes mais carinho- possam e aplicá-lo sempre que necessário nas suas in- e generosos que poderá oferecer aos seus filhos. terações diárias com os Por isso, não se deixe intimidar pelos Outra ferramenta que esperamos que seja útil é a tabela Idades e dados acerca do cérebro. Estamos convencidos de que vai achá-los no fim do livro, onde oferecemos um simples resumo de comofascinantes, e uma grande parte das informações é muito simples de compreender e muito fácil de usar. (Se estiverem interessados em ber mais sobre a ciência subjacente aos assuntos que apresentamos CAPÍTULO 1 nestas deem uma vista de olhos aos livros do Dan, Mindsight e The Developing Mind.) EDUCAR COM CÉREBRO Obrigado por se juntar a nós nesta viagem para um EM MENTE to mais completo de como ajudar os seus filhos a serem mais mais saudáveis e mais plenamente equilibrados. Ao compreender cérebro, estará mais consciente do que ensina aos seus filhos, como reage a eles e E poderá fazer muito mais do que apenas so breviver. Ao proporcionar aos seus filhos experiências repetidas que desenvolvem cérebro global, enfrentará menos crises quotidianas Mas, mais do que isso, compreender a integração levará a um conhe- cimento mais profundo da criança e fará com que possa responder Os pais são muitas vezes especialistas em relação ao corpo dos fi- com maior eficácia a situações difíceis e criar a base para uma vida lhos. Sabem que uma temperatura acima de 37 graus é febre. Sabem desinfetar um corte para que não infete. Sabem quais são os alimentos inteira de amor e felicidade. Em resultado disso, não só seu filho que deixam os filhos mais excitados antes de irem dormir. se desenvolverá, agora e na idade adulta, como mesmo acontecerá Todavia, até os pais mais cuidadosos e mais cultos podem não ter a si e a toda a sua família. informações básicas sobre cérebro do filho. Não é surpreendente? Por favor, visite-nos no nosso website e fale-nos sobre as suas expe- Especialmente se consideramos papel crucial que o cérebro desem- riências educativas parentais com o método do cérebro global. Fica- penha em todos aspetos da vida de uma criança que preocupam mos à espera dos seus os pais: disciplina, tomada de decisões, autoconhecimento, aprendi- zagem escolar, laços afetivos, etc. A verdade é que cérebro determi- Dan e Tina na quem somos e O que E como o cérebro em si mesmo é www.wholebrainchild.com moldado sobremaneira pelas experiências que oferecemos enquanto pais, saber como cérebro muda em resposta às nossas técnicas edu- cativas ajuda-nos a formar uma criança mais forte e mais resistente. Assim, queremos apresentar-lhe a perspetiva do cérebro global. Gostariamos de explicar alguns conceitos fundamentais sobre cé- rebro e ajudar os pais e as mães a aplicar novo conhecimento para facilitar e melhorar a educação que dão aos seus filhos. Não estamos a dizer que criar uma criança com método do cérebro global o li- vrará de todas as frustrações que estão associadas ao papel de educa- dor. Contudo, ao compreender alguns conceitos simples e de dominar sobre funcionamento do cérebro, compreenderá melhor filho, reagirá com maiorEDUCAR COM CAREBRO EM MENTE em situações dificeis e criará bases sólidas para a saúde social, emocional e mental. que faz enquanto pai ou mãe é importante, e vamos sentar-lhe ideias simples, baseadas em princípios para criar cheia de grandes e assustadoras emoções, mas não a deixam, nem a ajudam, a lidar com elas de uma maneira eficiente. os laços fortes com o seu filho, ajudar a moldar seu cérebro e Marianna não cometeu esse erro. Tinha tido aulas com Tina sobre -lhe as melhores bases para viver uma vida saudável e práticas educativas e cérebro, e pôs imediatamente em prática o que Vamos começar por lhe contar uma história que ilustra como sabia. Naquela noite, e ao longo da semana seguinte, Marco lembrava- tas informações são úteis para os pais. -se constantemente do acidente de carro e Marianna ajudou-o a con- tar a história vezes sem conta. Dizia: Sim, tu e a Sophia tiveram um acidente de carro, não Ao ouvir isto, Marco esticava os braços TINONIM e sacudia-os, a imitar a convulsão de Sophia. E Marianna continuava: Um dia, Marianna recebeu um telefonema no emprego a dizer que a Sophia teve uma convulsão e começou a tremer, e carro ba- o seu filho de dois anos, Marco, sofrera um acidente de viação com a teu, não A declaração seguinte de Marco era, como não podia deixar de ser, familiar a que a mãe respondia: E isso ama. Marco estava bem, mas a ama, que ia ao volante, tinha sido le- mesmo. O tinonim veio e levou a Sophia ao médico. E agora ela está vada de ambulância para hospital. melhor. Lembras-te de que fomos vê-la ontem? Ela está bem, não Marianna, diretora de uma escola do primeiro ciclo, precipitou- Ao permitir que Marco contasse a história muitas vezes, Marianna -se para o local do acidente, onde lhe disseram que a ama de Marco estava a ajudá-lo a compreender que tinha acontecido para que ele sofrera um ataque epilético enquanto conduzia. Marianna encontrou pudesse começar a lidar com a situação a um nível emocional. Como filho ao pé de um bombeiro, que tentava, sem sucesso, ela conhecia a importância de ajudar o cérebro do filho a processar Pegou nele ao colo e ele começou a acalmar-se a assustadora experiência, pediu-lhe para contar repetidas vezes os No instante em que parou de chorar, começou a contar à mãe acontecimentos para que ele pudesse compreender o medo e voltas- que tinha acontecido. Na sua linguagem de bebé, que só os pais e a se às rotinas diárias de uma forma saudável e equilibrada. Nos dois ama percebiam, repetia sem parar a frase: tinonim.>> era a sua dias seguintes, Marco falou cada vez menos sobre acidente, até se palavra para nome da adorada ama, e era a sua tornar apenas mais uma das suas experiências de vida se bem que versão da sirene de um carro de bombeiros (ou, neste caso, da ambu- importante. Ao dizer repetidamente à mãe estava a centrar- Nas páginas seguintes perceberá que levou Marianna a agir da- quela forma, e porque é que a sua reação foi tão benéfica para o filho se no pormenor da história que era mais importante para si: Sophia tinha sido levada para longe dele. em termos práticos e neurológicos. Poderá aplicar os novos conheci- Numa situação como esta, muitas pessoas sentir-se-iam tentadas mentos sobre cérebro de inúmeras formas que tornam a educação do seu filho mais fácil e melhor, a garantir a Marco que Sophia ia ficar bem, e logo em seguida pro- conceito que está no cerne da reação de Marianna, e deste livro, curariam alguma coisa para que a criança deixasse de pensar no que é a integração. Uma compreensão clara da integração poder acontecera: comer um Nos dias seguintes, muitos de transformar por completo que pensa sobre as práticas educati- pais tentariam evitar perturbar filho e não falariam sobre o acidente. vas do seu Poderá aproveitar mais a companhia dele e prepará- O problema da abordagem comer um é que deixa a -lo melhor para viver uma vida emocionalmente rica e gratificante. criança confusa em relação ao que aconteceu e Ela continua 21CEREBRO DA EDUCAR COM EM MENTE QUE É A INTEGRAÇÃO E PORQUE É IMPORTANTE? Queremos ajudar os nossos filhos a integrarem-se adequadamen- A maioria das pessoas não tem consciência de que no cérebro te para que possam usar todo o cérebro de uma forma coordenada. muitas partes diferentes, cada qual com uma função Por Por exemplo, queremos que estejam horizontalmente integrados, para que exemplo, lado esquerdo do cérebro ajuda-nos a pensar logicamente a lógica do esquerdo possa trabalhar bem com a emoção do direito. Também queremos que estejam verticalmente in- e a organizar pensamentos em frases, enquanto lado direito nos ajuda a sentir emoções e perceber sinais Temos um tegrados, para que as partes fisicamente mais altas do seu cérebro, que lhes permitem refletir sobre os seus atos, funcionem em harmonia rebro que nos permite agir por instinto e tomar com as partes mais baixas, que estão mais preocupadas com instin- de sobrevivência em frações de segundos, e um to, com as reações instintivas e com a sobrevivência. que incentiva a criação de laços. Uma parte do nosso cérebro é dedi- A integração acontece de uma forma fascinante, e a maior parte das cada a tudo que diz respeito à outra dedica-se à tomada pessoas não tem consciência disso. Nos últimos anos, alguns cientistas de decisões morais e É quase como se nosso cérebro tivesse desenvolveram uma tecnologia de tomografia cerebral que permite aos múltiplas personalidades algumas racionais, outras irracionais; investigadores estudar cérebro de uma forma que nunca antes foi pos- gumas reflexivas, outras reativas. Não admira que possamos parecer sível. Esta nova tecnologia confirmou muito do que pensávamos sobre pessoas diferentes em momentos distintos! o cérebro. uma das surpresas que abalaram os fundamentos da O segredo para desenvolvimento é ajudar essas partes a trabalhar neurociência foi a descoberta de que cérebro é ou moldá- bem juntas A integração permite que as diferentes par- vel. Isto significa que muda fisicamente ao longo da nossa vida, e não tes do cérebro trabalhem juntas, como um todo. semelhante ao que apenas durante a como pensávamos até então. acontece no corpo, que tem diferentes órgãos para desempenhar várias O que molda nosso cérebro? A experiência. Mesmo numa idade funções: os pulmões respiram ar, coração bombeia sangue, o avançada, as nossas experiências mudam a estrutura física do cérebro. mago digere alimentos. Para que corpo seja saudável, todos esses Quando vivemos uma experiência, as células do nosso cérebro os gãos têm de estar Dito de outra forma, cada um deles tem neurónios são ativadas, ou O cérebro possui cem mil milhões de neurónios, cada um dos quais tem uma média de dez mil li- de fazer seu trabalho ao mesmo tempo que trabalham juntos como gações a outros neurónios. A forma como determinados circuitos ce- um todo. A integração é isso: unir diferentes elementos para formar um rebrais são ativados determina a natureza da nossa atividade mental, todo que funcione bem. Como acontece com funcionamento sau- que vai desde a perceção de imagens ou sons até ao domínio mais abs- dável do corpo, o cérebro não está no seu melhor a menos que as suas trato do pensamento e do raciocínio. Quando os neurónios disparam diferentes partes juntas de uma forma coordenada e equi- juntos, criam novas ligações entre si. Ao longo do tempo, as ligações É isto que a integração faz: coordena e equilibra as diferentes que resultam desses disparos provocam uma nova instalação elétrica zonas do cérebro que une. É fácil perceber quando os nossos filhos do cérebro. Esta descoberta é Significa que não esta- não estão integrados ficam dominados pelas suas emoções, confusos mos prisioneiros até ao fim da vida do funcionamento atual do nosso e Não conseguem reagir com calma e competência à situação cérebro podemos criar novas ligações para sermos mais saudáveis e que enfrentam. Birras, choro, agressão e a maioria das exigentes expe- mais felizes. Isto é verdadeiro não apenas para crianças e adolescentes, riências de parentalidade e de vida são o resultado de perda de in- mas também para cada um de nós ao longo de toda a vida. tegração, também conhecida como 23 22EDUCAR COM EM MENTE Neste momento, o cérebro do seu filho está conectado de ras formas, vezes sem conta, e as experiências que lhe proporciona (a jogar videojogos, a ver televisão, a enviar mensagens de texto, serão muito importantes para determinar a sua estrutura. Sem etc.) vão criar determinadas ligações no Atividades educativas, são, certo? No entanto, não tem de se preocupar. A natureza estipu- desporto e música criam outras ligações. Passar tempo com a fami- lou que a arquitetura básica do cérebro se desenvolverá bem se tiver lia e amigos e aprender sobre relações humanas, acima de tudo com alimentação, sono e estímulos adequados. É evidente que os genes interações face a face, vai criar ligações neuronais diferentes. Tudo desempenham um papel preponderante na evolução da pessoa, acima que nos acontece afeta o desenvolvimento do cérebro. de tudo em termos de temperamento. Porém, descobertas de diversas Este processo de criação de novas ligações é a da inte- áreas da psicologia do desenvolvimento sugerem que tudo que nos gração: proporcionar aos seus filhos experiências que estabelecem acontece a música que ouvimos, as pessoas que amamos, livros ligações entre as diferentes partes do cérebro. Quando essas partes colaboram, criam e reforçam as fibras integrativas que ligam as di- que lemos, tipo de disciplina que recebemos, as emoções que sen- ferentes partes do cérebro. Em resultado disso, as ligações são mais timos afeta profundamente o desenvolvimento do nosso fortes e funcionam juntas com maior harmonia. Do mesmo modo Por outras palavras, para além da arquitetura básica do cérebro e do que cantores num grupo coral usam as suas vozes distintas numa har- temperamento inato, os pais podem fazer muito para proporcionar monia que um único indivíduo seria incapaz de produzir, um cérebro ao seu filho experiências que ajudarão a desenvolver um cérebro re- integrado é capaz de fazer muito mais do que cada uma das suas par- sistente e bem integrado. Este livro mostrará como usar as tes conseguiria fazer sozinha. cias quotidianas para ajudar o cérebro do seu filho a tornar-se cada É o que queremos para os nossos filhos: ajudar o cérebro deles a vez mais integrado. tornar-se mais integrado para que possam usar ao máximo os seus Por exemplo, as crianças cujos pais conversam com elas sobre as recursos mentais. Foi exatamente que Marianna fez com Marco. suas experiências tendem a aceder com maior facilidade às recorda- Ao a contar muitas vezes a história aliviou ções dessas Os pais que falam com os filhos sobre os as emoções assustadoras e traumáticas no hemisfério direito para que seus sentimentos criam crianças com maior capacidade para desenvol- elas não dominassem. relevando os pormenores factuais e a ver inteligência emocional e que conseguem compreender melhor os lógica do esquerdo que, aos dois anos, está a começar a seus sentimentos e os das outras pessoas. Crianças tímidas em quem desenvolver-se para que ele pudesse lidar com o acidente de uma os pais fomentam um sentimento de coragem ajudando-as a desco- forma que fizesse sentido. o mundo tendem a perder a inibição comportamental, enquan- Se a mãe não o tivesse ajudado a contar e compreender que aconteceu, os seus medos teriam ficado por resolver e poderiam to as que são excessivamente protegidas ou insensivelmente atiradas de outras formas. Talvez desenvolvesse uma fobia a andar sem qualquer apoio para experiências que causam ansiedade tendem de carro ou a estar longe dos pais, ou direito do seu a manter a cérebro se descontrolasse, levando-o a fazer birras frequentes. Em Existe todo um campo da ciência do desenvolvimento e ligação vez disso, ao reconstituir a história com filho, Marianna ajudou-o infantil que apoia esta visão e as novas descobertas no campo da a concentrar-se nos pormenores concretos do acidente e nas suas neuroplasticidade defendem a perspetiva de que os pais podem mol- emoções, que lhe permitiram usar os esquerdo e direi- dar diretamente crescimento do cérebro dos filhos consoante as ex- to ao mesmo tempo, fortalecendo a sua ligação. (Explicaremos este periências que lhe proporcionam. Por exemplo, horas diante de um 25 24EM MENTE conceito mais pormenorizadamente no Capítulo 2.) Ao ajudá-lo integrar-se melhor, pôde voltar a ser uma criança de dois seus filhos) tentando a todo custo atribuir um significado e um sen- com um desenvolvimento normal, em vez de viver medo e tido todas as experiências do quotidiano. Estamos a falar apenas em turbação que tinha sentido. estar a presente para seu filho, para ajudar a estar mais bem inte- Vejamos mais um exemplo. Agora que leitor e seus são grado. Em resultado disso, ele vai desenvolver-se a nível emocional, adultos, continuam a lutar para decidir quem vai carregar no intelectual e social. Um cérebro integrado ajuda a tomar melhores de- para chamar elevador? Claro que não. (Bem, esperamos que cisões, a ter um melhor controlo do corpo e das emoções, a ter um Mas os seus filhos brigam e discutem por causa deste tipo de maior autoconhecimento, a criar relacionamentos mais fortes e a ter Se forem miúdos típicos, sim. sucesso na escola. E tudo começa com as que os pais e O motivo para esta diferença traz-nos de volta para cérebro outros cuidadores proporcionam e que estabelecem a base para a in- para a integração. A rivalidade entre irmãos faz parte das coisas que tegração e para a saúde mental. trabalho dos pais birras, guerras para fazer os trabalhos de casa, problemas de disciplina, etc. Como expli ENTRE NA ÁGUA: caremos nos próximos capítulos, estes desafios quotidianos da edu- NAVEGAR ENTRE CAOS E A RIGIDEZ cação resultam de uma falta de integração do cérebro do seu Vamos ser um pouco mais específicos sobre que acontece quan- motivo por que cérebro nem sempre é capaz de integração é sim- do uma pessoa criança ou adulto vive num estado de integração. ples: não teve tempo para se desenvolver. Na verdade, tem um longo Quando uma pessoa está bem integrada, tem saúde e bem-estar men- caminho a percorrer, pois cérebro de uma pessoa só é considerado tal. Mas este conceito não é muito fácil de definir. Com efeito, muito completamente maduro aproximadamente aos 25 anos. embora tenham sido escritas bibliotecas inteiras sobre doença mental, Essa é a má notícia: tem de esperar que cérebro do seu filho se a mental raramente é definida. Dan foi primeiro a propor desenvolva. É isso mesmo. Por muito brilhante que seu filho em uma definição de saúde mental que investigadores e psicólogos do idade pré-escolar lhe pareça, ele não tem o cérebro de uma criança de mundo inteiro começam agora a usar. Bascia-se no conceito de inte- 10 anos, e será assim durante algum tempo. A velocidade de amadure- gração e envolve uma compreensão da complexa dinâmica que ro- cimento do cérebro é muito influenciada pelos genes que herdamos. deia os laços afetivos e cérebro. No entanto, uma forma simples No entanto, o nível de integração é uma das coisas que temos a possi- de a expressar é descrever a saúde mental como a nossa capacidade de bilidade de influenciar com as nossas práticas educativas quotidianas. permanecer num de Imagine um rio calmo a correr pelo campo. É seu rio de bem- A boa notícia é que, ao usar momentos quotidianos, pode influenciar até Sempre que navega tranquilamente na sua canoa, sente que está que ponto cérebro do seu filho cresce para a integração. Em primeiro lugar, é numa boa relação com mundo que Tem uma compreensão possível desenvolver os diversos elementos do seu cérebro oferecen- clara de si mesmo, dos outros e da sua vida. Tem a capacidade de ser do-lhe oportunidades para os treinar. Em segundo lugar, é possível flexível e adaptar-se quando as situações mudam. Está estável e sereno. facilitar a integração para que as partes separadas fiquem mais bem por vezes aproxima-se demasiado de uma das margens do ligadas e trabalhem juntas com eficácia. Isto não fará o seu filho cres- rio. Isto causa diferentes problemas, dependendo da margem onde cer mais depressa vai ajudá-lo a desenvolver as muitas partes de si Uma margem representa caos, um lugar onde perde controlo. mesmo e Também não estamos a falar sobre cansar-se 27 26DA CRIANCA EDUCAR COM EM MENTE Em vez de navegar no rio calmo, é apanhado na força de rápidos e dia é dominado por confusão e agitação. Tem de se afas. tar da margem do caos e voltar para a suave corrente do rio. Caos No entanto, não vá demasiado longe, porque a outra margem tam. apresenta os seus perigos. É a margem da rigidez, que é oposto do caos. Em vez de estar a perder controlo, a rigidez leva-o a impor seu controlo a tudo e todos que rodeiam. Recusa-se a adaptar -se, comprometer-se ou negociar. Próximo da margem da rigidez, a água está estagnada e juncos e ramos de árvores impedem que a sua canoa siga seu caminho no rio do bem-estar. Assim, um extremo é caos, em que há uma total perda de O outro extremo é a rigidez, em que controlo excessivo dá origem a uma falta de flexibilidade e adaptabilidade. Durante a nossa vida, todos andamos de um lado para outro entre estas duas margens sobre- tudo quando tentamos educar os nossos filhos. Se estamos mais per- to das margens do caos ou da rigidez, afastamo-nos da saúde mental e emocional. Quanto mais tempo pudermos evitar as duas margens, mais tempo passaremos a aproveitar rio do bem-estar. A maior parte da nossa vida adulta pode ser vista como uma viagem pela água por vezes na harmonia da corrente do bem-estar, mas outras vezes no caos, na rigidez, ou a ziguezaguear entre ambas. A harmonia emerge da in- tegração. O caos e a rigidez surgem quando a integração é bloqueada. Rigidez Tudo isto se aplica aos nossos filhos. Eles têm as suas pequenas canoas e navegam no seu rio de bem-estar. Muitos dos desafios que enfrentamos enquanto pais resultam dos momentos em que os nossos vezes sem conta que tem a melhor voz da turma. Está a ziguezaguear filhos não estão a navegar na corrente, quando estão demasiado caoti- entre as margens do caos da rigidez, pois as emoções apoderaram-se cos ou demasiado rígidos. O seu filho de três anos não quer partilhar da lógica. Em resultado disso, recusa-se teimosamente a reconhecer o seu barquinho de brincar no parque? Rigidez. Começa a chorar, a que outra colega pode ser tão talentosa como ela. Leve-a para a cor- gritar e a atirar areia quando novo amiguinho leva barco? Caos rente do bem-estar para que ela consiga alcançar um melhor equilíbrio Ajude-o a voltar para a corrente do rio, para um estado harmonioso interior e passar para um estado mais integrado. (Não se preocupe que evite caos e a rigidez. vamos apresentar-lhe muitas formas de fazer isto.) mesmo se aplica a crianças mais velhas. A sua filha, que frequen- Quase todos os momentos de sobrevivência se enquadram nesta ta quinto ano, está a chorar histericamente porque não estrutura de uma forma ou outra. Pensamos que os leitores irão ficar papel principal na peça da escola. Recusa-se a acalmar-se e diz-lhe 29 28DA surpreendidos ao perceberem como os conceitos de caos e rigidez filhos. ajudá-los Estes nível seus a compreender os comportamentos mais difíceis dos CAPÍTULO 2 conceitos permitem-lhe a do dos seus filhos num dado momento, Se virem as igual ou de qualidades integração rigidez, modo, saberão evidenciam caos mental e/ que eles não estão num estado de DOIS CÉREBROS PENSAM quando eles estão num estado de integração, MELHOR QUE UM que associamos a uma pessoa saudável a nível e emocional: flexível, adaptável, estável e capaz de se entender a INTEGRAR E o CÉREBRO DIREITO mesmo e ao mundo que o rodeia. A poderosa e prática abordagem da integração permite-nos compreender as muitas formas pelas quais Os nossos filhos ou nós próprios vivenciam caos e a rigidez quan- do a integração é bloqueada. Ao tomarmos consciência desta ideia, é possível criar e em prática estratégias que promovam a integração Katie, a filha de quatro anos de Thomas, adorava infantário e na vida dos nossos filhos e nas nossas. São as estratégias quotidianas do nunca se importava de se separar do pai quando ele ia levá-la de ma- cérebro global que exploraremos em cada um dos próximos nhã até ao dia em que adoeceu na sala de atividades. A educadora telefonou a Thomas, que foi buscá-la sem demora. No dia seguinte, embora sentisse bem, Katie começou a chorar quando se prepa- ravam para ir para a escola. E o problema repetiu-se nas manhãs se- guintes. O pai acabava por conseguir vesti-la, mas a situação piorava quando se aproximavam do edifício. Thomas contou que Katie ficava cada vez mais descontrola- quando do carro no parque de estacionamento da escola. Primeiro, começava a resistir enquanto se aproximavam do edifício. Caminhava ao lado do pai, mas, como conseguia tornar corpo mais pesado que um piano de cauda, ele quase tinha de a ar- rastar. Depois, quando chegavam à sala, Katie apertava a mão do pai com mais força e fazia clássico com transferindo todo o seu peso de minúsculo piano para a perna de Thomas. Quan- do, por fim, ele conseguia libertar-se das garras da filha e sair da sala, ouvia-a gritar, acima do ruído dos outros Se me deixares aqui, you Este tipo de ansiedade de separação é muito normal entre crian- ças Por vezes, a escola pode ser um lugar assustador. Mas, como Thomas A Katie vivia para a escola antes de adoecer. 31 30CEREBRO DA PENSAM MELHOR QUE Gostava muito das atividades, dos amigos, das E cérebro direito importa-se com panorama geral - significa- emoções Então, que terá acontecido? Como irracional é que a simples em nosso sensação da e especializa-se em imagens, ou adoecer criou um medo tão extremo e Katie, e do a pessoais. Com cérebro direito temos uma cérebro direi- melhor forma de Thomas reagir? O seu objetivo imediato: elaborar e Algumas pessoas dizem que a estratégia para que a filha voltasse a de ir para a escola uma mais intuitivo e emocional dois termos que usaremos nas páginas uma Era o seu objetivo de Porém, também queria to é referir seu funcionamento. No entanto, não se esqueça formar esta experiência numa oportunidade que ajudaria seguintes de que, tecnicamente, para é mais correto falar sobre este lado do e pelas cérebro zo- sendo influenciado de forma mais direta pelo corpo tie a curto e a longo prazo. Era seu objetivo de como inferiores do cérebro, que lhe permitem receber e interpretar as in- Voltaremos à forma como Thomas lidou com a situação usando nas formações emocionais. Pode ser complicado, mas a ideia básica é que, os seus conhecimentos básicos sobre cérebro para transformar um enquanto cérebro esquerdo é lógico, linguístico e literal, cérebro di- momento de sobrevivência numa oportunidade para ajudar a filha reito é emocional, experiencial e e não se desenvolver-se. Especificamente, compreendeu que vamos importa de que todas estas palavras não comecem pela mesma letra. agora: alguns princípios simples sobre funcionamento das Pense nisto da seguinte forma: cérebro esquerdo importa-se duas partes do cérebro. com a letra da lei (mais palavras com L). Como sabe, à medida que as crianças vão crescendo, aprendem a usar muito bem a capacidade de raciocínio do cérebro esquerdo: não lhe dei um Em- CÉREBRO DIREITO, CÉREBRO ESQUERDO: Por outro lado, o cérebro direito importa-se com o espirito UMA INTRODUÇÃO da lei, com as emoções e com as experiências O esquer- É provável que saiba que o seu cérebro está dividido em dois do concentra-se no texto; O direito preocupa-se com contexto. Foi hemisférios. Estes dois lados do cérebro estão não apenas anatomi- cérebro direito ilógico e emocional que levou Katie a gritar para camente separados, como também funcionam de uma forma muito pai: Se me deixares aqui, you Em termos de desenvolvimento, nas crianças muito jovens he- diferente. Há até quem diga que os dois hemisférios têm personali- misfério direito é dominante, sobretudo durante primeiros dades diversos, cada um com uma mente muito A comu- anos de vida. Ainda não dominam a capacidade de usar a lógica e as nidade refere-se aos dois lados distintos do cérebro como palavras para expressar as suas emoções, e vivem apenas para mo- e mas, para simplificar, mento presente é por isso que uma criança é capaz de parar no pas- usaremos os termos cérebro e seio para observar uma joaninha sem se preocupar com atraso para O seu cérebro esquerdo adora e deseja ordem. lógico, literal, lin- a aula de música. A lógica, as responsabilidades e tempo ainda não guístico (gosta de palavras) e linear (coloca as coisas em sequência ou existem para as crianças desta idade. Mas quando uma criança peque- ordem). O cérebro esquerdo adora que estas quatro palavras come- na pergunta sem parar, o seu cérebro esquerdo começa a cem pela letra L. (Também adora listas.) manifestar-se. Porquê? Porque nosso cérebro esquerdo gosta de Por outro lado, cérebro direito é holístico e não-verbal. nhecer as relações lineares de causa-efeito no mundo que rodeia e cebe sinais que nos permitem comunicar, como expressões faciais, con- de expressar essa lógica através da tacto visual, tom de voz, postura e gestos. Em vez de detalhes e ordem, 33 32PENSAM MELHON QUE UM DUAS METADES FORMAM UM TODO: COMBINAR ESQUERDO E o DIREITO Para vivermos vidas equilibradas, com sentido e criativas, repletas de relações próximas, é crucial que dois hemisferios do cérebro juntos. A própria arquitetura do cérebro está desenhada as- sim. Por exemplo, corpo caloso é um feixe de fibras que atravessa centro do cérebro, ligando direito ao esquer- do. A comunicação entre dois lados do nosso cérebro é conduzida através destas fibras, que que os dois trabalhem como uma equipa - exatamente que queremos para os nossos filhos. MODO Queremos que eles estejam integrados, para que os dois SQUERDO lados do cérebro possam agir em harmonia. Desta forma, os nossos filhos valorizarão a sua lógica e as suas emoções; estarão bem equili- brados e poderão compreender-se a si mesmos e ao mundo em geral. cérebro tem dois lados por um motivo: como cada lado tem funções específicas, alcançamos objetivos mais complexos e realiza- mos tarefas mais complicadas e sofisticadas. Quando os dois lados do nosso cérebro não estão integrados, surgem problemas significa- tivos e acabamos por lidar com as nossas experiências com um lado ou com outro. Usar apenas cérebro direito ou esquerdo seria como tentar nadar só com um braço. Talvez seja possível chegar à margem, mas não seria muito melhor se os dois braços para evitar nadar em círculos? Acontece mesmo com cérebro. Vejamos as nossas emoções, por exemplo. Elas são absolutamente cruciais para vivermos vidas com sentido, mas não queremos que assumam controlo da nossa existên- cia. Se nosso cérebro direito se impusesse e ignorássemos a lógica do esquerdo, que estávamos a afogar-nos em imagens, sensações corporais e no que podia parecer um dilúvio emocional. No entanto, ao mesmo tempo, não queremos usar apenas o cérebro esquerdo, cortando com a nossa lógica e a linguagem dos sentimentos e das experiências pessoais. Seria como viver num deserto emocional. O objetivo é evitar viver num dilúvio emocional num deser- to emocional. Queremos permitir que as imagens não racionais, as 35 34DA CEREBROS PENSAM MELHOR UM memórias e as emoções vitais desempenhem seus importantes papéis, mas também queremos integrá-las nas partes de para criar as nossas emoções. Desta forma, todas as imagens, sensa- nós mesmos que conferem ordem e estrutura às nossas Quando ções e memórias do lado direito estão impregnadas Katie se descontrolou ao ser deixada no infantário, estava a trabalhar de emoções. Quando estamos perturbados, talvez pareça mais seguro acima de tudo com cérebro direito. Em resultado disso, Thomas afastarmo-nos desta imprevisível consciência do lado direito e recuar sistiu a um dilúvio emocional ilógico, em que cérebro direito para terreno lógico mais previsível e controlado do lado esquerdo. O segredo para ajudar Amanda foi sintonizar aqueles sentimen- cional de Katie não estava a trabalhar de uma forma coordenada com tos verdadeiros com muito cuidado. Não lhe disse de forma abrupta o seu cérebro esquerdo lógico. que ela estava a esconder, até de si mesma, como aquela pessoa im- Aqui é importante referir que não são apenas os dilúvios portante na sua vida a tinha magoado. Em vez disso, permiti a mim nais dos nossos filhos que causam problemas. Um deserto emocional, mesmo sentir que ela estava a sentir. E depois tentei comunicar do onde os sentimentos e o cérebro direito são ignorados ou negados, meu cérebro direito para cérebro direito dela. Com as minhas ex- não é mais saudável que um dilúvio. Vemos esta reação com maior pressões faciais e a minha postura, mostrei-lhe que estava a sintonizar- frequência em crianças mais velhas. Por exemplo, Dan conta uma -me com as suas emoções. Aquela sintonização ajudou-a a história de uma conversa com uma menina de 12 anos que foi ao seu reconhecida a saber que não estava sozinha, que eu estava interes- consultório com um cenário que muitas pessoas já viveram: sado no que ela sentia no interior, e não apenas no seu comportamen- to aparente. Em seguida, depois de termos estabelecido esta ligação, Amanda mencionou uma discussão que tivera com a melhor ami- conseguimos falar com maior naturalidade e pudemos começar a ir ga. A mãe tinha-me dito que aquela discussão fora muito dolorosa ao fundo do que se passava dentro dela. Ao pedir-lhe para contar a para ela, mas, quando referiu assunto, Amanda limitou-se a enco- história da discussão com a melhor amiga e fazendo-a parar relato os ombros, olhou pela janela e disse: Não me importo se nunca em diversos momentos para observar as mudanças subtis nos senti- mais voltarmos a falar. Ela A sua expressão parecia fria e mentos, consegui trazer de volta as verdadeiras emoções e ajudei-a a lidar com elas de uma forma produtiva. Foi assim que tentei ligar-me resignada, mas subtil estremecimento do lábio inferior e ligeiro ao seu cérebro direito com os sentimentos, as sensações físicas e as pestanejar, quase um tremor, fez-me perceber os sinais não-verbais imagens, e ao seu cérebro esquerdo com as palavras e a capacidade do direito do cérebro que revelavam que poderíamos de contar a história linear da experiência. Quando vemos como isto chamar os seus A rejeição é uma coisa acontece no cérebro, compreendemos em que medida ligar os dois dolorosa e, naquele momento, a forma de Amanda lidar com a sen- lados pode mudar de forma radical resultado de uma sação de vulnerabilidade foi para a correndo para árido (mas previsível e controlável) deserto emocional do lado es- Não queremos que os nossos filhos sofram. No entanto, também querdo do cérebro. queremos que eles façam mais do que ultrapassar os momentos difi- Tive de a ajudar a compreender que, embora fosse doloroso pensar ceis; queremos que enfrentem os seus problemas e cresçam com eles. no conflito com a amiga, ela tinha de prestar atenção, e até valorizar, Quando Amanda se refugiou no cérebro esquerdo, escondendo-se de o que estava a acontecer no seu cérebro direito, pois cérebro direito todas as dolorosas emoções que lhe inundavam o cérebro direito, ne- está mais diretamente relacionado com as nossas sensações físicas e gou uma importante parte de si mesma que precisava de reconhecer. com as informações das partes mais baixas do cérebro, que se unem 37Dois CEREBROS PENSAM MELHOR A negação das nossas emoções não é único perigo que tamos quando estamos demasiado dependentes do cérebro Também podemos tornar-nos demasiado literais, ficando sem Integrar cérebro esquerdo com cérebro direito ajuda as crian- noção de e perdendo significado que está associado uma ças a não se aproximarem demasiado de uma margem ou da outra. contextualização das coisas (uma especialidade do cérebro direito). à Quando as emoções em estado natural do cérebro direito não são combinadas com a lógica do esquerdo, a criança reagirá como Katie, Em parte, é por isso que às vezes O seu filho de oito anos se aproximando-se demasiado da margem do caos. Isso significa que te- defensiva e fica zangado quando troça dele sem maldade. na mos de as ajudar a usar cérebro esquerdo para relativizarem as coi- de que é cérebro direito que se encarrega de ler os sinais não-ver. sas e lidarem com as suas emoções de uma forma positiva. Do mesmo Assim, e sobretudo se estiver cansado ou rabugento, ele modo, se estiverem a negar as suas emoções e a refugiar-se no cérebro apenas as palavras e deixará escapar tom de voz divertido a esquerdo, como Amanda estava a fazer, estão a abraçar a margem da cadela que acompanhou comentário. rigidez. Nesse caso, temos de os ajudar a usar mais direi- Recentemente, Tina testemunhou um engraçado exemplo do que to para que possam estar abertos a novos contributos e pode acontecer quando cérebro esquerdo literal se sobrepõe Então, como é que promovemos a integração horizontal no cére- demasia. Quando seu filho mais novo bro do nosso filho? Seguem-se duas estratégias que pode usar no mo- fez um ano, ela encomendou bolo numa mento em que surgirem de na sua família. pastelaria do bairro. Pediu um de cup- Ao usar estas técnicas, estará a dar passos imediatos para integrar que é um conjunto de cupcakes de- hemisfério esquerdo e direito do cérebro do seu filho. corados para parecerem um bolo grande. the Quando fez a encomenda, pediu ao pas- o que pode fazer: teleiro para escrever nome do filho JP Ajudar o seu filho a usar os dois lados do cérebro nos cupcakes. Lamentavelmente, quando Estratégia do cérebro global 1: foi buscar bolo antes da festa, reparou Ligue e redirecione surfar as ondas emocionais logo num problema que demonstra que Uma noite, filho de sete anos de Tina voltou para a sala pouco Quando Tina disse ao paste- pode acontecer quando cérebro esquerdo depois de ter ido para a cama e disse que não conseguia dormir. Es- leiro que queria que bolo de uma pessoa se torna demasiado literal. vesse nos cupcakes the tava claramente perturbado e explicou: zangado porque nunca não uma Assim, o objetivo é ajudar os nossos fi- me deixam um bilhete a meio da Surpreendida com este in- interpretação literal do lhos a aprenderem a usar os dois lados do bro esquerdo. vulgar comentário, Tina replicou: Não sabia que A resposta dele foi dar livre curso a uma litania de rápidas queixas: Nunca fazes cérebro ao mesmo tempo a integrar hemisfério esquerdo e hemis- nada por mim, estou zangado porque só faço anos daqui fério Lembre-se do rio de bem-estar de que falámos antes, com a dez meses, e detesto fazer os trabalhos de caos numa margem e rigidez na outra. Definimos saúde mental como Lógico? Não. Familiar? Todos os pais têm momentos em que manter-se na harmoniosa corrente entre estes dois extremos. Ao ajudar os filhos dizem coisas e ficam perturbados com questões que não pa- os nossos filhos a ligarem cérebro esquerdo e direito, estamos a dar- recem fazer sentido. Um confronto como este pode ser frustrante, -lhes uma melhor oportunidade para evitarem as margens do caos e da acima de tudo quando espera que seu filho tenha idade suficiente rigidez, e de viverem na flexível corrente da saúde e da felicidade mental 39 38para agir de forma racional e manter uma conversa PENSAM MELHOR QUE No to, ele fica subitamente irritado com alguma coisa ridicula que argumentar em nada Num momento como este, os pais perguntam a si mesmos se o filho Com base no conhecimento que temos dos dois lados está realmente carente ou se tenta adiar momento de se sabemos que filho de Tina estava a ter grandes ondas de As práticas educativas que têm em conta o cérebro como um todo não no cérebro direito sem grande equilíbrio lógico do cérebro significam que educador se deixe manipular ou que incentive o mau do. Num momento como este, uma das coisas menos eficazes comportamento. Pelo contrário, ao compreender funcionamento do Tina poderia fazer seria defender-se claro que faço coisas cérebro do seu filho, pode criar um estado de colaboração muito mais páticas por ou argumentar com filho sobre a sua lógica depressa e com muito menos drama. Neste caso, como compreendeu que estava a acontecer no cérebro do filho, Tina soube que a respos- tuosa posso fazer nada para que teu seja ta mais eficaz seria ligá-lo ao cérebro direito. Escutou-o e consolou-o, cedo. Quanto aos trabalhos de casa, é uma coisa que tens de usando seu próprio cérebro direito, e menos de cinco minutos de- Este tipo de resposta lógica do cérebro esquerdo bateria numa pois ele estava de novo na cama. Se, por outro lado, lhe tivesse ralhado de sólida e nada recetiva do cérebro direito e cavaria um fosso por ter saído da cama, usando a lógica do cérebro esquerdo e a letra da ambos. Afinal de contas, naquele momento seu cérebro esquerdo entre lei, teriam ficado ambos cada vez mais perturbados e ele teria levado lógico estava desaparecido em parte incerta. Logo, se Tina tivesse muito mais que cinco minutos a acalmar-se suficiente para ir dormir. respondido com cérebro esquerdo, filho teria sentido que ela não Mais importante, a resposta de Tina foi carinhosa e compreensiva. compreendia nem se importava com os seus Ele Apesar de as questões do filho parecerem disparatadas e até ilógicas, va no meio de um dilúvio irracional e emocional do cérebro direito, ele estava genuinamente convencido de que aquelas coisas não eram pelo que uma resposta do cérebro esquerdo teria sido uma justas e que tinha queixas legítimas. Ao ligar-se a ele, cérebro direito gem votada ao fracasso. com cérebro direito, conseguiu comunicar que estava sintonizada no que ele sentia. Mesmo que ele estivesse a protelar, esta resposta do Muito embora fosse quase automático (e muito tentador) pergun- cérebro direito foi a abordagem mais eficaz, porque lhe permitiu não tar-lhe: que é que estás a ou mandá-lo voltar imediata- apenas ir ao encontro da necessidade de ligação do filho, como re- mente para a cama, Tina conteve-se. Em vez disso, usou a técnica direcionou para a cama com maior rapidez. Em vez de lutar contra de ligar-e-redirecionar. Puxou-o para si, acariciou-lhe as costas as enormes ondas do dilúvio emocional, Tina surfou-as respondendo disse, num tom carinhoso: vezes é difícil, não é? Eu nunca me ao cérebro direito do filho. esqueceria de ti. Tu estás sempre no meu pensamento e quero que Esta história realça outro importante conhecimento: quando saibas que és muito especial para Abraçou-o enquanto elc uma criança está perturbada, a regra geral, não resultará enquanto não explicava que por vezes parece que irmão mais novo recebe mais respondermos às necessidades emocionais do cérebro Chamamos a atenção e que os trabalhos de casa ocupam uma grande parte do seu esta ligação emocional que é como nos ligamos pro- tempo livre. Ao falar, começou a descontrair e a acalmar-se. Sentiu-se fundamente a outra pessoa e lhe permitimos ouvido e Em seguida, e agora que ele estava mais rece- Quando pais e filhos estão sintonizados uns com os outros, sentem que estão tivo a resolver problemas e a planear, Tina abordou rapidamente os tópicos específicos que ele tinha referido e concordaram continuar A abordagem de Tina com filho é aquela a que chamamos mé- todo de e e consiste em ajudarmos os nossos a conversa na manhã seguinte. 41 40CAREBRO DA Dois PENSAM MELROR QUE filhos a antes de tentarmos resolver problemas ou lidar com a situação de forma Eis como lógica como se esforça para ser justa, prometendo-lhe que vai deixar Passo 1: ligar-se ao cérebro direito um bilhete enquanto dorme e planeando com ele como será a próxima festa de aniversário e como tornar os trabalhos de casa mais Na nossa sociedade somos treinados para resolver as coisas divertidos. (Algumas daquelas coisas foram ditas nessa noite, mas a das palavras e da lógica. Porém, quando nosso filho de quatro anos grande conversa aconteceu no dia seguinte.) está furibundo porque não consegue andar no teto como Homem Depois de ligar seu cérebro direito ao cérebro direito do filho, -Aranha (como aconteceu uma vez com filho de Tina), talvez não foi muito mais fácil ligar esquerdo ao esquerdo e resolver os pro- seja a melhor altura para lhe dar uma palestra sobre as leis da blemas de uma forma racional. Ao ligar-se primeiro ao cérebro direito E quando seu filho de onze anos se sente magoado porque pensa do filho, ela conseguiu redirecionar com cérebro esquerdo através de que a está a receber um tratamento preferencial (como filho explicações lógicas e planeamento, que necessitavam da intervenção Dan pensava de vez em quando), a resposta adequada não é do esquerdo. Esta abordagem permitiu que o filho usas- -lhe que trata todos os seus filhos da mesma se os dois lados do cérebro de uma forma integrada e coordenada. Não estamos a dizer que e resolverá todos Em vez disso, use essas oportunidades para perceber que, nesses momentos, a lógica não é o nosso principal veículo para trazer al- os problemas. Afinal de contas, há momentos em que a criança ul- trapassou ponto de não retorno e as ondas emocionais têm de re- gum tipo de sanidade à conversa. (Parece contraintuitivo, não pare- bentar até a tempestade passar. Talvez a criança necessite apenas de ce?) Também é fundamental ter em mente que, por muito absurdas comer ou de dormir um pouco. Como Tina, leitor poderá optar por frustrantes que as emoções do nosso filho possam parecer-nos, são esperar até seu filho estar num estado de mais integrado reais importantes para ele. É vital que as tratemos assim. para conversar com ele de uma forma lógica sobre as suas emoções Durante a conversa que Tina teve com filho, apelou ao cérebro e comportamentos. direito reconhecendo as suas emoções. Também usou sinais não- Também não recomendamos que seja permissivo nem que esque- -verbais, como toque físico, expressões faciais empáticas, um tom ça os limites que impôs apenas porque o seu filho não está a pensar de voz carinhoso, e escutou-o sem fazer comentários. Dito de outra logicamente. Regras sobre respeito bom comportamento não são forma, usou cérebro direito para se ligar ao cérebro direito do filho deitadas pela janela só porque hemisfério esquerdo do cérebro da e comunicar com ele. Esta sintonização direito-com-direito ajudou a criança está desligado. Por exemplo, todos os comportamentos que equilibrar cérebro da criança, ou a levá-la para um estado mais in- são censurados na sua família ser desrespeitoso, magoar alguém, ati- tegrado. Depois pôde a apelar ao seu cérebro esquerdo e a li- rar coisas são inaceitáveis, mesmo em momentos de grande descon- dar com as questões específicas que ele referira. Por outras palavras, trolo emocional. Talvez seja necessário parar com comportamento chegou momento do Passo 2, que ajuda a integrar es- destrutivo e retirar O seu filho da situação antes de começar a ligar-se e Todavia, com a abordagem do cérebro global sabemos querdo e que, regra geral, é boa ideia discutir mau comportamento e as suas consequências depois de a criança se acalmar, pois um momento de Passo 2: redirecionar com o esquerdo dilúvio emocional não é a melhor altura para aprender lições. Uma Depois de responder com cérebro direito, Tina criança fica muito mais recetiva quando cérebro esquerdo está de nar com Redirecionou-o explicando-lhe de uma forma 43 42VEZ DE MANDAR E EXIGIR... Dois PENSAM UM nunca me deixas um a meio da e detesto novo a funcionar e, por conseguinte, a disciplina é muito mais eficaz. fazer os trabalhos de casa! É como se fosse um que nada para junto do seu que filho, coloca os braços à volta dele e ajuda a voltar para a margem a fazer fora da cama? antes de dizer para não se afastar tanto da próxima vez. Volta para teu quarto te quero voltar a ver O segredo neste caso é que, quando seu filho estiver a afogar- de manhã. -se num dilúvio emocional do cérebro direito, fará um grande favor a si (e a ele) se se ligar antes de redirecionar. Esta abordagem pode ser uma de salvação para ajudar a manter a cabeça do seu filho à tona e evitar que vá para fundo com ele. Estratégia do cérebro global 2: Fale para controlar contar histórias para acalmar emoções fortes Uma criança que começa a dar os primeiros passos cai e esfola um cotovelo. Uma criança de três anos perde seu adorado animal de Uma criança que está no quinto ano enfrenta um ru- fia na escola. Quando uma criança passa por momentos dolorosos, desanimadores ou assustadores, pode ter uma reação avassaladora, NTE LIGAR-SE E REDIRECIONAR com emoções fortes e sensações físicas a inundar cérebro direito. Quando isto acontece, nós, pais, podemos ajudar a trazer hemis- Mãe, tu nunca me um fério esquerdo para a equação, para que a criança compreenda que hete a meio da noite e detesto fazer trabalhos de casa! está a acontecer. Uma das melhores formas de promover este tipo de integração é ajudar a contar mais do que uma vez a história da expc- Eu fico riência assustadora ou dolorosa. frustrada com essas coisas. eres que te deixe um bilhete esta Bella, por exemplo, tinha nove anos quando a sanita entupiu e a E tenho algumas idelas dos trabalhos 4e casa, mas água transbordou depois de ela puxar autoclismo, e a experiência de tarde, por isso continuamos ver a água subir e cair no chão deixou-a sem vontade (e quase incapaz) esta conversa de puxar O autoclismo. Quando Doug, seu pai, aprendeu a técnica de para sentou-se com ela e contaram muitas vezes a história do dia em que a água da sanita tinha transbordado. Doug deixou-a contar tudo que se lembrava e ajudou-a a preencher as la- cunas, incluindo medo que ela tinha de puxar autoclismo desde que aquilo acontecera. Depois de contar a história diversas vezes, os medos de Bella e acabaram por desaparecer. 45DA CRIANCA Dois PENSAM QUE Porque é que foi tão eficaz recontar que lhe tinha Essencialmente, que Doug fez foi ajudar a filha a juntar cérebro Os pais conhecem bem poder das histórias para distrair ou acal- esquerdo e o cérebro direito para que ela pudesse compreender mar os filhos, mas a maioria das pessoas não percebe a ciência que que tinha em medo, acontecido. Ela Quando envolveu expressando Bella falou verbalmente sobre momento juntos cérebro com que de está subjacente a esta poderosa força. lado direito do nosso cé- a água começou a cait no chão e como se sentiu preocupada e rebro processa as emoções e as memórias mas é os dois do cérebro estavam a trabalhar lado esquerdo que decifra essas emoções e recordações. É possível uma forma integrada. esquerdo do resolver uma situação quando lado esquerdo trabalha com ordenando os pormenores e a direito para contar as nossas histórias de vida. Quando as crianças e em seguida usou hemisfério direito para revisitar as emoções que aprendem a prestar atenção às suas histórias e a contá-las, reagem sentira. Desta forma, Doug ajudou a filha a falar sobre os seus medos melhor a tudo que lhes acontece, desde um cotovelo esfolado até e as suas emoções para controlar. uma grande perda ou trauma. Talvez haja momentos em que os nossos filhos não querem contar Do que as crianças precisam muitas vezes, sobretudo quando sen- a história quando lhes pedimos. Temos de respeitar a sua vontade tem emoções fortes, é de que as ajude a usar cérebro es- deixá-los falar como e quando quiserem acima de tudo porque pres- querdo para perceberem que está a acontecer para ordenarem a partilhar vai ser contraproducente. (Pense nos momentos cronologicamente os acontecimentos e para falarem sobre as grandes em que prefere a solidão e não lhe apetece falar e em que e assustadoras emoções do cérebro direito, para lidar com elas com consegue a falar sobre as suas emoções mais eficácia. Contar o que nos aconteceu permite-nos compreendermo- Em vez disso, a melhor solução é encorajá-los com cuidado come- -nos a nós próprios e ao mundo que nos rodeia usando o esquerdo e hemisfério direito ao mesmo tempo. Para contar uma cando a contar a história e pedindo-lhes para acrescentarem os por- história que faça sentido, cérebro esquerdo tem de organizar os menores, ou se eles não quiserem, dar-lhes espaço e falar mais acontecimentos através de palavras e lógica. cérebro direito con- O seu filho estará mais recetivo a falar se iniciar este tipo de con- tribui com as sensações físicas, com as emoções em estado natural e versas de forma estratégica. Certifique-se de que estão ambos num com as pessoais, para termos panorama geral e transmi- estado de favorável. Os pais experientes e os psicólogos tirmos a nossa experiência. É isto que explica cientificamente porque também lhe dirão que algumas das melhores conversas com crian- escrever e falar sobre um acontecimento dificil pode ser fundamental ças decorrem enquanto está a acontecer outra coisa. É muito mais para processo de cura. Na verdade, algumas investigações mostram fácil para as crianças partilhar e falar enquanto estão a construir al- que dar um nome ou um rótulo ao que sentimos acalma, literalmente, guma coisa, a jogar às cartas ou no carro do que quando se senta à a atividade dos circuitos emocionais no direito do frente delas, a nos olhos e a pedir-lhes para lhe contarem Por esta mesma razão, é importante que as crianças de todas as que as incomoda. Outra abordagem que pode adotar se seu filho idades contem as suas histórias, pois ajuda-as a compreender as emo- não quiser falar consigo é pedir-lhe para desenhar que ções e as coisas que acontecem nas suas Por vezes, os pais evi- ou, se tiver idade suficiente, para escrever sobre O Se pen- tam falar sobre experiências traumatizantes, pensando que, se falarem, sar que ele sente relutância em falar consigo, encoraje-o a conversar estão a aumentar a dor dos filhos ou a piorar a situação. A verdade é com outra pessoa um amigo, outro adulto ou até um irmão que que as crianças precisam de contar a história para perceberem que seja um bom ouvinte. lhes aconteceu e para se sentirem (Lembra-se de 47 46filho de Marianna, e da história do tinonim no Capítulo Dois PENSAM vontade de compreender porque é que as coisas nos acontecem forte que o cérebro continuará a tentar decifrar uma experiencia os dentes? Chegámos à escola, e despedimo-nos. Tu dar um sentido. Enquanto pais, podemos facilitar este processo começaste a pintar na mesa de atividades e eu acenei-te. E que é que contando histórias. depois de cu Foi que Thomas fez com Katie, a menina que gritava que Katie respondeu que tinha ficado doente. Thomas Pois ficaste. E sei que não foi bom, pois não? Mas depois a profes- ria se pai a deixasse no infantário. Apesar de se sentir frustrado sora LaRussa cuidou muito bem de ti e percebeu que precisavas do a situação, ele resistiu à vontade de menosprezar e negar as experiencias por isso telefonou-me e eu fui logo. Não tens sorte por ter uma da filha. Devido ao que tinha aprendido, percebeu que O cérebro professora que tomou conta de ti até chegar? E depois o que estava a associar diversos acontecimentos: ser deixada na escola, aconteceu? Eu fiquei contigo e tu Em seguida, Thomas cer, pai ir-se embora e sentir medo. Em resultado disso, no realçou que tinha ido logo e que estava tudo bem, e garantiu-lhe que to de se preparar para ir para a escola, cérebro e corpo começavam estaria presente sempre que ela precisasse dele. a dizer-lhe: escola = ficar doente = pai vai-se embora Ao ordenar os pormenores narrativos desta forma, Thomas per- Dessa perspetiva, fazia sentido ela não querer ir para a mitiu que a filha começasse a perceber que sentia através das emo- Thomas apercebeu-se disto e usou os seus conhecimentos ções e das sensações Em seguida, começou a ajudá-la a criar bre os dois hemisférios do cérebro. Sabia que, nas crianças pequenas algumas novas associações de que a escola é segura e divertida, lem- como Katie, direito do cérebro é tipicamente prevale- brando-lhe tudo que ela adorava. Juntos, escreveram e ilustraram um caderno com a história e com os lugares que ela preferia na sala cente e nessa idade ainda não dominam a capacidade de usar a lógica de atividades. Como acontece muitas vezes com as crianças, Katie e as palavras para expressar as emoções. Katie sentia emoções fortes, quis ler vezes sem conta O livro que tinham feito em casa. mas não conseguia compreendê-las e comunicá-las com clareza. Em Passado pouco tempo, recuperou gosto pela escola e a experiência resultado disso, elas tinham-se tornado avassaladoras. Também sabia deixou de ser traumática. Na verdade, aprendeu que podia ultrapassar que a memória está armazenada do lado direito do medo com O apoio das pessoas que a amam. À medida que Katie cérebro e compreendeu que a filha tinha associado a doença à esco- for crescendo, O pai continuará a ajudá-la a perceber as suas la e que estava a pensar apenas com direito do cérebro. cias; este processo narrativo uma forma natural de lidar Quando Thomas se deu conta disto, soube que teria de ajudar Katie com situações proporcionando-lhe uma poderosa ferramen- a perceber aquelas emoções usando hemisfério esquerdo usando ta para lidar com a adversidade até à idade adulta e ao longo da vida. a lógica, colocando os acontecimentos em ordem e atribuindo pala- Até crianças muito mais novas que Katie com dez ou doze me- vras às emoções. Fez isto ajudando-a a contar uma história sobre ses reagem bem quando ouvem Por exemplo, imagine uma que tinha acontecido naquele dia para que ela pudesse usar os dois criança que começa a dar os primeiros passos e cai, esfolando joelho. lados do cérebro ao mesmo tempo. Ele disse-lhe: Sei que não está O seu cérebro direito, que está completamente no momento presente e em contacto com O seu corpo e com medo, sente dor. Num certo a ser fácil ires para a escola desde que ficaste doente. Vamos tentar nível, ela preocupa-se com a possibilidade de a dor nunca mais desa- recordar dia em que te sentiste doente. Primeiro, preparámo-nos Quando a mãe lhe conta a história da queda, pondo palavras para ir para a escola, não foi? Lembras-te de que quiseste vestir as e ordem na experiência, ajuda a filha a envolver a desenvolver vermelhas, comemos waffles com mirtilos e depois foste lavar 49 48o CAREBRO DA cerebro esquerdo explicando que aconteceu apenas uma que. EM VEZ DE MENOSPREZAR E NEGAR... para que ela possa compreender de uma história porque para é que manter sente a Não chores. subestime o poder atenção de e magoei Está tudo bem. Não uma Não criança. ele Se gostará tiver um de filho ajudar pequeno, a contar experimente, as suas e verá como o joelho! estejas triste Tu estás bem. tens de ter mais cuidada e como do se magoar ou sentir medo. Esta tecnica de para é igualmente eficaz com crianças mais velhas. Laura, uma mãe que conhecemos, usou-a com o filho,Jack, que protagonizara um pequeno (mas assustador) de bicicleta quando tinha dez anos e ficava nervoso sempre que pensava que voltaria a pedalar. Eis como ela ajudou a contar que lhe tinha acontecido para que ele começasse a compreender que passava no seu Laura: Lembras-te do que aconteceu quando TENTE FALAR PARA CONTROLAR Jack: Estava a olhar para ti quando a rua. e magoei Isso Eu vi-te vi a grelha do esgoto. joelho! correr e e esfolaste joelha Laura: E o que aconteceu a seguir? E depois, que que Jack: A minha roda ficou presa e a bicicleta caiu por cima de aconteceu? mim. Laura: E foi assustador, não foi? Jack: Sim, eu não sabia o que fazer... na estrada e nem se- quer percebi que estava a acontecer. Laura: Deve ter sido assustador isso acontecer sem esperares Lembras-te do que aconteceu a seguir? A Pois foi. Peguei-te ao colo e abracei-te. Laura continuou a ajudar Jack a relatar toda a experiência. Juntos, Sentes-te melhor? falaram sobre como problema acabou por ser resolvido com algu- Sim. Queres que mas lágrimas, consolo, pensos rápidos a reparação da bicicleta. Em te mostre como aconteceu? seguida, conversaram sobre ter cuidado com as grelhas do esgoto com e a conversa ajudou menino a libertar-se de alguns dos sentimentos de É obvio que os pormenores de uma conversa como esta mudam consoante a situação. No entanto, repare como Laura arrancou 50CEREBRO desempenhar um papel ativo no processo historia o filho, que tinha acontecido. Ela agiu É assim acima de tudo como 0 GLOBAL DA CRIANÇA: Ensine aos seus filhos o que dois lados do de contar ajudando a esclarecer os que as historias 0 ESQUERDO E 0 DIREITO força para avançar e dominar os momentos em que nos nos dão descontrolados. Quando expressamos as nossas Tomar decisões MUITO assustadoras timos e dolorosas - quando as aceitamos, literalmente -, muitas ZANGADO! ASSUSTADO vezes elas tornam-se muito menos assustadoras e dolorosas. Quando Conhecer FELIZ incentivamos os nossos filhos a falar sobre a sua dor e os seus medos, Usar ajudamo-los a CORAJOSO RECORDAR Triste o cérebro global da criança: Fale aos seus filhos sobre os dois lados do cérebro DIREITO ESCUTA 0 NOS CORPO E OUTRAS PARTES DO Neste capítulo demos-lhe vários exemplos de como ajudar REBRO E RECONHECE AS FORTES, SABENDO QUANDO NOS seus filhos a integrar o cérebro esquerdo e cérebro Tam- SABES QUE TENS MUITAS PARTES NO E TODAS SENTIMOS FAZEM COISAS DIFERENTES? É QUASE COMO SE TIVESSES pode ser útil explicar-lhes as informações básicas que acabámos TRISTES ou MUITO CEREBROS DIFERENTES COM VONTADE MAS PO. É IMPORTANTE de lhe dar. Para ajudar, eis algo para ler com os seus filhos. Escre- DEMOS A DAREM-SE BEM E A AJUDAREM-SE TARMOS A ESTAS EMO UNS AOS ÇÕES E FALAR SOBRE ELAS vemos isto a pensar nas crianças entre os cinco e os nove anos, mas é possível adaptar as nossas palavras à idade e à fase de desenvolvi- mento de cada criança. POR QUANDO ESTAMOS PERTURBADOS E NÃO MAS 0 ESQUERDO PODE AJUDAR-NOS A FALAMOS SOBRE 0 AS NOSSAS EMOÇÕES PO EXPRESSAR AS ATRAVÉS DE DEM CRESCER SEM PARAR DENTRO DE COMO UMA TODO 0 NOSSO CEREBRO ONDA ENORME QUE NOS SUBMERGE E NOS LEVA A DI- TRABALHA COMO EQUIPA E ZER ou FAZER COISAS QUE NÃO QUEREMOS NOS APENSAM QUE EXEMPLO: Ela é a minha melhor amiga e agora a A INTEGRAÇÃO DOS PAIS: LIGAR CÉREBRO Lizzie vai ser a melhor amiga dela. ESQUERDO E o CÉREBRO DIREITO Agora que sabe mais sobre lado esquerdo e lado direito do rebro, pense na sua integração. Em termos educativos, seu cérebro direito é demasiado dominante? É frequente ficar submergido por di- lúvios emocionais, deixando os seus filhos encharcados com seu caos e medo? Ou talvez a sua tendência seja viver num deserto emocio- nal do cérebro esquerdo, o que torna rígido nas suas reações e difi- culta a compreensão das emoções e das necessidades seus dos filhos? Seguem-se as palavras de uma mãe que conhecemos, que perce- VIE ADOECEU E TEVE DE FALTAR beu que estava a interagir com jovem filho usando apenas um lado ANIVERSÁRIO DA ESTAVA ADA POR FICAR EMCASA QUESE FORMOU do cérebro: ENORME ONDA DE QUE ESTAVA 0 PAI DA ANNIE AJUDOU-A A FALAR SOBRE ES A 0 QUE ESTAVA A Cresci numa família de militares. Escusado será dizer que não sou muito expansival Sou veterinária e especialista em resolver problemas, que não me ajuda em termos de empatia. Quando meu filho chorava ou ficava perturbado, tentava que se acalmasse para ajudar a resolver problema. Isto não era bom e por vezes exacerbava choro, por isso eu afastava-me e esperava que ele se acalmasse. Há pouco tempo, aprendi que devia começar por tentar ligar-me a nível emocional - cérebro direito com cérebro direito, um conceito que desconhecia por completo. Agora, abraço meu filho, escuto-a e até tento a contar que lhe aconteceu usando o cérebro esquerdo e cérebro direito ao mesmo Depois, conversa- mos sobre o seu comportamento ou resolvemos o problema. Agora esforço-me para me ligar primeiro e resolver a seguir. Foi preciso algum treino, mas quando comecei a ligar-me meu filho a nível emocional em primeiro lugar, usando direi- NDO ELA USOU PALAVRAS PARA DIZER COMO SE CEREBRO ESQUERDO to e cérebro esquerdo, em vez de usar apenas esquerdo, tudo -A A SURFAR A GRANDE ONDA DE FURIA DO DIREITO E FOI ATÉ resto correu melhor e a nossa relação em geral também melhorou. MA E 55CAREBRO fério direito, estava a perder importantes oportunidades para Esta mãe percebeu que, ao ignorar partes do seu ao filho e para reforçar desenvolvimento do seu cérebro CAPÍTULO 3 Uma das melhores maneiras de promover a integração nos direito filhos é integrarmo-nos melhor. (Falaremos de forma mais aprofunds CONSTRUIR A ESCADARIA DA MENTE da sobre isto no Capítulo 6, quando explicarmos os lho.) Quando cérebro direito e cérebro esquerdo estão integrador INTEGRAR ANDAR DE CIMA podemos abordar as práticas educativas de uma perspetiva E ANDAR DE BAIXO DO CÉREBRO e racional com cérebro esquerdo uma perspetiva que nos tomar decisões importantes, resolver problemas e impor limites com o cérebro direito, que nos permite ligarmo-nos a nível emocional tendo consciência das emoções e das sensações físicas, para dermos com carinho às necessidades dos nossos filhos. nesse mento que estamos a educá-los com todo nosso Uma tarde, Jill ouviu gritos e uma grande comoção no quarto de Grant, seu filho de seis Gracie, a filha de quatro anos, tinha encontrado a caixa de tesouros do irmão e tirara-lhe seu mais que depois perdera. Jill chegou mesmo a tempo de ouvir Gracie dizer, no seu tom mais rancoroso: só uma pedra estúpida e ainda bem que a Jill olhou para filho, que tinha os punhos cerrados e rosto mui- to leitor já deve ter vivido um destes momentos, em que uma situação com seu filho está num equilíbrio precário e prestes a dar para torto. A situação ainda podia ser salva e ter uma solução Ou podia in na direção oposta e mergulhar no caos, na anar- quia e até na violência. E tudo depende de seu pequenino controlar um impulso. Acal- mar emoções Tomar uma boa Tantas coisas! Neste caso, Jill viu logo sinais do que ia acontecer: Grant estava a perder controlo e não tomar uma boa Viu a nos olhos dele e ouviu início de um grito a formar-se na gar- ganta. Acompanhou os seus movimentos, passo a passo, enquanto ele corria a curta distância que separava da Felizmente, a mãe foi mais rápida e antes de ele chegar a Gracie. Pegou nele ao colo e abraçou-o enquanto ele dava murros e pontapés no ar 57DA Quando, por fim, filho parou de se debater, Jill no gritava chão. A chorar, ele olhou Tu para és a a pior irmã, irmã que do adorava e muita calma: PLANEAMENTO e disse, Enquanto com contava esta história a Dan, Jill imaginação último torpedo verbal atingira alvo pretendido e fizera Gracie le lágrimas como ele esperava. Ainda ficou satisfeita por estar presente, caso contrário, o filho Pensamento sado não apenas dor emocional, mas também dor física à nova. A pergunta que fez a Dan é a que nos fazem muitos RAIVA Cortex posso passar todos os segundos do dia com os meus Como pre-frontal que os ensino a fazer a coisa certa e a controlarem-se mesmo Respiração do não estou por MEDO Uma das competências mais importantes que podemos aos nossos filhos é a tomarem boas decisões em situações de Pestanejar ções fortes como a que Grant viveu. Queremos que eles façam uma pausa antes de agir, que pensem nas consequências dos seus atos, que ponderem os sentimentos dos outros, que façam julgamentos e morais. Por vezes têm um comportamento que nos deixa orgulho Outras vezes não. Amigdala que leva as crianças a fazerem escolhas tão sensatas em determi- nados momentos e tão más noutros? Porque é que certas situações nos que estão localizados nas partes inferiores do cérebro, desde levam a dar palmadinhas nas costas dos nossos filhos e outras nos fa- o cimo do pescoço até ao nível da cana do nariz. Os cientistas dizem zem levar as mãos à cabeça? Bem, há algumas boas razões, baseadas no que estas áreas inferiores são mais primitivas porque são responsáveis que se passa nas partes mais altas e mais baixas do cérebro das crianças pelas funções básicas (como respirar e pestanejar), pelas reações e os impulsos inatos (como mecanismo de luta ou fuga) e pelas emo- ções fortes (como raiva e medo). Sempre que se encolhe por instinto A ESCADARIA MENTAL: INTEGRAR CÉREBRO DO se uma bola voa para as bancadas quando está a ver o jogo de futebol ANDAR DE CIMA E CÉREBRO DO ANDAR DE BAIXO do seu filho, responsável é cérebro do andar de baixo. mesmo acontece quando seu rosto fica vermelho de porque, depois Podemos falar sobre cérebro de muitas maneiras. No Capítulo de passar vinte minutos a convencer a sua filha de anos de que concentrámo-nos nos dois esquerdo e direito. Ago- consultório do dentista não é um sítio assustador, a higienista en- ra, queremos olhar para ele de cima a baixo, ou, mais concretamente, tra na sala e anuncia à frente dela: ter de lhe dar uma injeção de baixo até cima. para anestesiar a A sua raiva como outras emoções fortes, Imagine que seu cérebro é uma casa, com rés do chão e primeiro funções corporais e instintos tem origem no cérebro do andar de O cérebro do andar de baixo inclui tronco cerebral e o sistema 59 58CONSTRUIR A DA MENTE É como se básicas fosse o de rés uma do família chão de são uma casa, onde Ali a há cessidades cozinha, uma sala de jantar, uma casa de banho, quase Como seria de esperar, cérebro funciona melhor quando an- idades uma básicas são resolvidas no andar de dar de cima e andar de baixo estão integrados um no Logo, os pais devem ajudar a construir e reforçar a metafórica escadaria do andar de cima é completamente diferente. córtex cerebral e pelas suas diversas partes acima de que liga cérebro do andar de cima e cérebro do andar de baixo da criança para que os dois possam trabalhar como uma equipa. Quan- estão diretamente da testa, incluindo córtex pré-frontal do existe uma escadaria a funcionar bem, as partes superior e infe- do cérebro do andar de baixo, que é mais rior do cérebro estão verticalmente integradas. Isso significa que cérebro andar de cima é mais evoluído e dá-lhe uma mais do andar de cima pode monitorizar as ações do cérebro do andar de do seu mundo. Imagine-o como um escritório ou uma baixo e ajudar a acalmar as reações, os impulsos e as emoções fortes primeiro andar de uma casa, cheio de janelas e claraboias que que têm origem ali. No entanto, a integração vertical também fun- ver as coisas com maior clareza. É onde ciona na outra direção, com cérebro do andar de baixo e corpo cessos mentais mais complexos, como pensar, imaginar e pla (os alicerces da casa) a fazer importantes contributos baixo para Afinal de contas, não queremos que sejam tomadas decisões Enquanto cérebro do andar de baixo é primitivo, cérebro importantes com cérebro do andar de cima numa espécie de vácuo lar de cima é extremamente sofisticado e controla alguns dos desprovido do contributo das emoções, dos instintos e do corpo. Em mais elaborados e analíticos. Devido à sua vez disso, temos de considerar as nossas sensações emocionais e fi- plexidade, é responsável por muitas das características que sicas que têm origem no cérebro do andar de baixo antes de usar os ver nos nossos filhos: cérebro do andar de cima para decidir uma linha de ação. Assim, uma vez mais, a integração permite uma livre circulação entre as par- Tomada de boas decisões e planeamento tes inferiores e superiores do cérebro. Ajuda a construir a escadaria, Controlo das emoções e do corpo para que todas as diferentes partes do nosso cérebro possam estar Autoconhecimento coordenadas e trabalhar juntas como um Empatia Moral ANDAR DE CIMA INACABADO: CRIAR EXPECTATIVAS ADEQUADAS PARA SEUS FILHOS na criança cujo cérebro do andar de cima funcione bem apresen Muito embora queiramos ajudar a construir esta escadaria meta- Igumas das características mais importantes de um ser humano fórica no cérebro do nosso filho, há dois importantes motivos para ro e saudável. terá um comportamento Não estamos a dizer infantil. que Mas será quando sobre-humana o manter expectativas realistas no que diz respeito à integração. pri- meiro diz respeito ao desenvolvimento: enquanto cérebro do andar dar de cima de uma criança funciona bem, ela consegue regular de baixo está bem desenvolvido aquando do nascimento, o cérebro refletir sobre as consequências dos seus atos, isto do andar de cima só fica totalmente maduro quando a pessoa che- e agir e ter em atenção como os outros se sentem e tudo ga aos vinte e poucos Na verdade, é uma das últimas partes do dará a desenvolver-se em diferentes áreas da vida e aju- cérebro a cérebro do andar de cima continua for- a família a sobreviver às dificuldades do dia a dia. 61nte empenhado na sua construção nos primeiros anos A ESCADARIA DA tende até à idade adulta. nte os anos da adolescência sofre uma extensa de rapidez, acima de tudo raiva e medo. Este pequeno aglomerado de magine andar de baixo de uma casa terminado e massa cinzenta é guardião do mantendo-se sempre alerta ilado, mas para andar de cima vê e cheio de construção. Até de quando olha consegue que ver para caso de nos sentirmos ameaçados. Quando sente perigo, pode assumir comando do cérebro do andar de cima, ou É tos de céu onde telhado ainda não está completo. É que nos permite agir antes de pensar. É a parte do cérebro que dá dar de cima do seu filho uma obra em instruções ao braço para se esticar e proteger passageiro quando vai ao volante do seu carro e tem de travar de É a parte do ue significa que todas as capacidades da lista acima Os muito importante que os pais compreendam estas cérebro que o encoraja a gritar: como aconteceu a Dan quan- do estava a fazer uma caminhada com filho pequeno, antes mesmo ntos e as competências que queremos e esperamos que de perceber de forma consciente que havia uma cobra-cascavel um tenham, como a capacidade de tomar boas decisões, pouco mais adiante. moções e do corpo, empatia, autoconhecimento e moral Claro que há momentos em que é bom agir antes de pensar. Nesta de uma parte do cérebro que não está totalmente situação, a última coisa de que Dan precisava era que seu cérebro do da. Como o cérebro do andar de cima ainda está em andar de cima passasse por uma série de complexos pensamentos ou tem capacidade para funcionar em pleno tempo todo, realizasse algum tipo de análise de não! dizer que não pode ser integrado no cérebro do andar de baixo que cobra à frente do men filbo. Agora seria um momento para Gosta- balhar de forma consistente no seu Em resultado disso va de ter avisado bá dois segundos, em vez de estar a pensar em todas as coisas ianças têm tendência para ficar no andar de sem que me levaram a tomar a decisão de Em vez disso, ele precisava que cérebro do andar de baixo neste caso, a amígdala assumis- em cérebro do andar de cima, que as leva a se comando e fizesse exatamente que fez: levá-lo a gritar antes a tomarem más decisões e a evidenciarem uma falta de empatia mesmo de ter consciência do que estava a fazer. autoconhecimento generalizados. evidente que agir antes de pensar é bom quando estamos numa sta é a primeira razão pela qual as crianças não são muito situação como a de Dan ou quando corremos algum outro tipo de pe- as partes mais altas e mais baixas do cérebro ao mesmo rigo. Porém, regra geral, agir ou reagir antes de pensar não é tão bom ebro do andar de cima continua a A outra razão em situações normais do quotidiano, como quando saímos do carro, cipal está relacionada com uma parte específica do cérebro do furiosos, e gritamos com outro pai por infringir a regra de não esperar r de baixo: a amígdala. na fila de recolha de Como explicaremos mais adiante na sec- ção Cérebro Global da é que chamamos a tam- e é assim que a amigdala nos em sarilhos: assume comando CANCELA DE SEGURANÇA DA MENTE: e exonera cérebro do andar de cima das suas Quando não NÃO FUI EU, FOI A MINHA AMÍGDALA corremos perigo, ideal é pensar antes de agir, e não contrário. nossa tem tamanho e formato aproximados de uma E queremos que os nossos filhos façam mesmo. No entanto, e faz parte do sistema que se situa na zona inferior problema é que, sobretudo nas crianças, a amigdala incendeia-se com A tarefa da é processar e expressar emoções com frequência e bloqueia a escadaria que liga o cérebro do andar de cima 63 62ao cérebro do andar de baixo. como se uma cancela de ESCADARIA tivesse sido montada na escadaria, impedindo acesso ao cérebro andar cima. E claro que isto agrava ainda mais outro do partes mais altas do cérebro. Nesta situação, há muitas estratégias pos- que acabámos de de discutir: não só cérebro do andar de cima está síveis para desimpedir caminho. Os podem tentar explicar-lhe construção, como até a parte que funciona fica inacessível em que é gratificante aceitar um novo podem reconhecer e falar sobre os seus próprios medos; talvez até lhe ofereçam um incentivo tos de grande emoção ou stresse. para ajudá-la a vencer medo. Há muitas maneiras de ajudá-la a abrir Quando seu filho de três anos tem um ataque de porque acesso para cérebro do andar de cima e acalmar a amígdala, que não gelados cor de laranja no congelador, seu cérebro do está a gritar-lhe a mensagem de que vai e magoar-se. de baixo, incluindo o tronco cerebral e a amígdala, entra em Pense no significado desta informação, em termos práticos, quan- fecha a cancela de segurança. Esta parte primitiva do cérebro do educamos crianças que não têm acesso constante ao cérebro do beu um intenso fluxo de energia que o deixa, literalmente, incapaz andar de cima. irrealista esperar que sejam sempre racionais, que agir com calma e razoabilidade. Grandes recursos cerebrais concen regulem as emoções, que tomem boas decisões, que pensem antes de tram-se no cérebro do andar de baixo, deixando cérebro do agir e que sejam empáticas todas as coisas que um cérebro do andar de cima sem nenhum poder. Em resultado disso, por muitas vezes de cima desenvolvido as ajuda a fazer. Dependendo da idade, podem demonstrar algumas destas qualidades em diversos níveis durante a que diga que há muitos gelados roxos (que ele preferiu da última maior parte do tempo. Porém, na maioria dos casos, as crianças não vez), é muito provável que neste momento não escute a voz da têm a competência biológica programada para fazer uso delas sempre. É muito mais provável que atire alguma coisa ou grite com Por vezes usam cérebro do andar de cima, e outras vezes Sa- alguém que está perto. ber isto e ajustar as nossas expectativas ajuda-nos a perceber que os Como saberá, se já esteve nesta situação, a melhor maneira de ul- nossos filhos estão muitas vezes a fazer melhor que podem com trapassar esta crise (e para ele é uma verdadeira crise) é acalmá-lo cérebro que têm. ajudá-lo a concentrar-se noutra coisa. Pegue nele ao colo e mostre-lhe Mas isso dá-lhes um cartão livre da mãe, uma coisa interessante noutra divisão da casa, ou diga alguma coisa por ter borrifado focinho do com limpa-vidros. Acho que disparatada ou bizarra para mudar a dinâmica da situação. Quando meu cérebro direito não estava a funcionar Nem pensar. Na faz isto, está a ajudá-lo a abrir a cancela de segurança, para que verdade, incentiva ainda mais os pais a certificarem-se de que os filhos cadaria da integração fique de novo acessível e para que ele possa desenvolvem as faculdades que lhes permitem adotar um compor- tamento adequado. E dá-nos uma estratégia muito eficaz para tomar volver cérebro do andar de cima e começar a acalmar-se. algumas decisões arriscadas, acima de tudo quando estamos no meio mesmo se aplica quando problema não é fúria, mas de uma situação explosiva como uma birra. Pense numa menina ativa e atlética que se recusa a aprender a andar de bicicleta. A sua produz um medo tão paralisante que ela nem sequer experimentará uma atividade que tem capacidade para BIRRAS: ANDAR DE CIMA E ANDAR DE BAIXO fazer bem. A não só colocou uma cancela de segurança As temidas birras devem ser uma das partes mais desagradáveis fundo da escadaria, como a encheu com equivalente a bolas, skates, de criar uma criança. Quer ocorram em privado ou em público, num livros e sapatos todos tipos de obstáculos que estão associados piscar de olhos transformam a pessoa que é dona do seu coração e a assustadoras experiências passadas e impossibilitam a chegada 65 64CONSTRUIR A DA MENTE montanhas com um lindo sorriso no ser mais move repulsivo do planeta. controlar os impulsos. Está a mostrar-lhe que a comunicação respeito- A maioria dos pais aprendeu que só há uma maneira de sa, a paciência e a gratificação adiada compensam e não reagir a uma birra: ignorá-la. Caso contrário, está a dizer seu Lições importantes para um cérebro em que ele tem uma poderosa arma para brandir contra si, e ele Se se recusar a ceder às birras do andar de cima independente- -la vezes sem conta. mente da idade do seu filho deixará de as ver com Como Mas que nos dizem os novos conhecimentos sobre as birras do andar de cima são intencionais, as crianças deixam de re- acerca das birras? Quando sabemos que é cérebro do andar correr a essa estratégia quando percebem que não resulta e muitas cima e cérebro do andar de baixo, também percebemos que vezes até tem resultados negativos. Uma birra do andar de baixo é completamente diferente. Neste caso, tem dois tipos de birras. Uma birra do andar de cima ocorre quando a criança fica tão perturbada que não consegue usar cérebro do an- criança decide fazer um Escolhe conscientemente fazer dar de cima. O seu filho pequeno fica tão zangado por lhe ter deitado para levar toda a gente ao limite e aterrorizar até conseguir que água na cabeça quando está a lavar-lhe cabelo que começa a gritar, a Apesar das dramáticas e aparentemente sentidas, se atirar brinquedos para fora da banheira e a agitar os punhos cerrados poderia parar a birra num instante por exemplo, se os pais cedes para lhe bater. Neste caso, as partes mais baixas do seu so- sem às suas exigências ou lembrando que vai perder um privilégio de bretudo a assumem comando e sequestram O cérebro do que gosta muito. capaz de parar porque está a usar cérebro do andar de cima. Ele ainda está muito longe de um estado de integração. andar de cima. Consegue controlar as emoções e corpo, ser lógica De facto, as hormonas de stresse que invadem seu pequeno corpo tomar boas decisões. A sua filha pode parecer estar significam que nenhuma parte do cérebro do andar de cima funciona te descontrolada enquanto grita no meio do centro comercial: em pleno. Em resultado disso, ele é literalmente incapaz pelo menos quero aqueles chinelos de princesa mas você percebe muito no momento presente de controlar corpo ou as emoções, e de usar bem que ela está a fazer. Está a usar estratégia e manipulação para todas as competências do pensamento organizado, como refletir sobre conseguir que pretende: que deixe tudo que está a fazer para as consequências dos seus atos, resolver problemas ou pensar nos sen- timentos dos outros. Saltou-lhe a tampa. A cancela de segurança está a comprar os chinelos. Os pais que reconhecem uma birra do andar de cima só podem bloquear acesso ao andar de cima e ele não consegue usar cérebro reagir de uma forma: nunca negociar com um terrorista. Uma (Mais tarde, quando conta a que seu filho a ca- está a ser mais preciso em termos neurológicos do que deste tipo pede a imposição de limites rígidos e uma conversa franca Quando seu filho está neste estado de desintegração e começa sobre comportamento adequado e inadequado. Uma boa reação nesta uma grande birra do andar de baixo, é necessário ter uma reação mui- situação seria explicar-lhe com calma: Sei que queres muito aqueles to Se uma criança que está a fazer uma birra do andar de chinelos, mas não gosto do teu comportamento. Se não parares com cima precisa que lhe imponham limites firmes, a resposta adequada isso agora, não tos compro e não te deixo in brincar para casa da tua para uma birra do andar de baixo é muito mais baseada em mimos e amiguinha esta tarde, porque estás a mostrar-me que não sabes por Como acontece na técnica de digar-se e que tar-te E, se a birra continuar, é importante cumprir as filha no Capítulo 2, a primeira coisa que um educador tem que lhe fez. Ao impor estes limites firmes, está a ensinar a sua de fazer é ligar-se à criança e ajudá-la a acalmar-se. Muitas vezes, isto a perceber as consequências dos seus atos inadequados e a 67 66CONSTRUIR A ESCADARIA DA MENTE é conseguido com um toque carinhoso e um tom de calmante Todavia, se a criança foi tão longe que corre risco de se magoar, impor limites e quando devemos ser muito compreensivos e carinho- de magoar outra pessoa ou de destruir coisas, terá de com for. SOS para ajudar a ativar cérebro do andar de ça e com calma enquanto a retira do local. As birras são apenas um exemplo de como este conhecimento do Pode tentar diferentes abordagens, dependendo do temperamen. andar de cima e do andar de baixo do cérebro pode ser to do seu filho, mas o mais importante é que ajude a acalmar-se Agora, vamos falar sobre outras formas de desenvolver cérebro do que afaste da margem de caos do rio. Não adianta falar sobre andar de cima do seu filho e fazer com que ele fique mais forte e mais sequências dos seus atos nem sobre comportamentos Ele integrado no cérebro do andar de baixo. não consegue processar essas informações quando está a meio da sua birra do andar de baixo, porque a conversa requer a intervenção do o que pode fazer: cérebro do andar de cima para ouvir e assimilar as informações. As. Ajudar a desenvolver e integrar o cérebro do andar de cima sim, quando cérebro do seu filho for sequestrado pelo cérebro do do seu filho andar de baixo, a sua primeira tarefa é ajudar a acalmar a amígdala. Estratégia do cérebro global 3: Em seguida, quando cérebro do andar de cima voltar a entrar em Envolva-o, não o enraiveça apelar ao cérebro do andar de cima ação, tente começar a resolver assunto com lógica e Enquanto interagir com os seus filhos durante o dia, pergunte-se gostaste que papa te lavasse cabelo assim? Como deveriamos a que parte do cérebro deles é que está a apelar. Está a envolver -lo da próxima Quando ele estiver num estado mais recetivo, andar de cima? Ou está a ativar O andar de baixo? A resposta a esta também pode falar sobre comportamento adequado e inadequado e pergunta pode contribuir para determinar resultado de um desses sobre quaisquer consequências sei que ficaste muito momentos de delicado equilíbrio nas práticas educativas. Eis uma zangado quando a água te molhou a cara. Mas não podes bater quando história que Tina nos conta sobre uma altura em que enfrentou um estás zangado. Diz antes ao pai: "Não gosto disso. Por favor, destes momentos com filho: Tem de o disciplinar e manter a sua autoridade é crucial mas deve fazê-lo de uma posição mais informada e compassiva. E é mais pro- Estávamos num dos nossos restaurantes mexicanos preferidos e vável que seu filho interiorize a lição, porque está a ensiná-la quan- reparei que meu filho de quatro anos se tinha levantado da mesa do cérebro dele está mais recetivo à aprendizagem. e estava parado atrás de um pilar, a cerca de metros de Por Como os pais veteranos sabem, saltar a tampa não é exclusivo das muito que ame, e por muito adorável que ele seja a maior parte crianças pequenas. Talvez pareça diferente quando acontece com uma do tempo, quando vi seu rosto zangado e desafiador e percebi que criança de dez anos, mas uma criança de qualquer idade (ou até mes- estava a repetidamente a língua de fora na nossa direção, mo um adulto!) tem tendência para deixar que cérebro do andar de não foi a palavra que me ocorreu. Algumas pessoas que esta- baixo assuma comando em situações de grande carga emocional. É vam sentadas perto de nós repararam e olharam para o Scott, o meu por isso que ter consciência da assistência do cérebro do andar de cima marido, e para mim, para verem como iamos lidar com a situação e do cérebro do andar de baixo e das birras que têm origem em cada Naquele momento, Scott e eu sentimos a pressão o julgamento um deles nos ajuda a sermos muito mais eficazes quando disciplina- das pessoas que nos observavam e esperavam que impuséssemos a lei das boas maneiras num mos os nossos filhos. Avaliamos com maior clareza quando temos de 69 68A ESCADARIA DA MENTE Quando me aproximei e me agachei ao pé do meu filho para ficar ao nível dos seus olhos, percebi que tinha duas opções 1: podia recorrer ao tradicional e e começar de novo adorável a evidenciar sinais de intensa seu cé- típica ameaça proferida num tom severo: Para de fazer caretas, rebro do andar de cima estava sem dúvida Na verdade, estava em guerra com cérebro do andar de Até ao momen- menino. Vai-te sentar e termina almoço, ou não comes to, tinhamos evitado um ataque de mas ainda parecia que um Por vezes, a opção 1 é uma reação adequada. No perigoso rastilho ardia dentro dele. caso do meu filho, este confronto verbal e não-verbal teria Passados cerca de quinze segundos, meu filho voltou para a mesa cadeado todos os tipos de emoções reativas no cérebro do e disse ao Scott, num tom zangado: Pai, não quero metade baixo a parte a que os cientistas chamam cérebro reptiliano da minha quesadilla. E quero A reação do Scott teria ripostado como um réptil a ser atacado. nizou-se perfeitamente com a minha: então que te parece Ou opção 2: podia aceder ao seu cérebro do andar de cima que seria uma quantidade justa? A resposta foi lenta e decidida: Tenho uma palavra para dez para tentar obter uma reação mais ponderada - em vez de uma rea- ção de lutar/reagir. que torna esta resposta nada rigorosa ainda mais engraçada é Ora, eu cometo muitos erros na educação dos meus filhos (como que dez dentadas significavam que ele comeria muito mais de metade eles lhe dirão sem hesitar). Porém, na véspera tinha feito uma palestra da quesadilla. O Scott aceitou a contraproposta, o meu filho comeu para um grupo de pais sobre cérebro do andar de cima e cérebro as dez dentadas e a sobremesa com grande e a in- do andar de baixo e como usar os problemas do dia a dia mo- teira (bem como os outros clientes do restaurante) saboreou o almo- mentos de sobrevivência como oportunidades para ajudar os nossos sem mais incidentes. cérebro do andar de baixo do meu filho filhos a desenvolverem-se. Assim, felizmente para meu filho, tudo nunca assumiu comando total, que, para nossa sorte, significou aquilo estava fresco na minha cabeça. Decidi escolher a opção 2. que cérebro do andar de cima venceu a batalha. Comecei com uma observação: Pareces zangado. É Realço uma vez mais que a opção 1 teria sido muito boa e até adequada. Mas também se teria deixado escapar uma oportunidade. (Lembra-se da estratégia de digar-se e Ele franziu O meu filho teria perdido uma hipótese de perceber que as relações rosto numa expressão feroz, pôs outra vez a língua de fora e procla- humanas são feitas de ligação, comunicação e compromisso. Teria mou em voz alta: A verdade é que fiquei aliviada por ele ter perdido uma oportunidade para se sentir fortalecido com a certeza parado por ali; não me admiraria nada se tivesse acrescentado seu de que pode fazer escolhas, influenciar o ambiente que rodeia e re- mais recente insulto preferido e me chamasse de (Juro solver problemas. Em resumo, teria perdido uma oportunidade para que não sei onde é que eles aprendem essas coisas.) treinar e desenvolver cérebro do andar de cima. Perguntei-lhe porque é que estava zangado e descobri que estava E não quero deixar de referir que, embora tenha escolhido a op- furioso porque Scott lhe tinha dito que só teria direito a sobremesa ção 2, O Scott e ainda tivemos de resolver mau comporta- se comesse pelo menos metade da quesadilla. Expliquei-lhe que per- mento que provocou incidente. Quando o nosso filho ficou mais cebia porque é que estava aborrecido e disse: Bem, pai não controlado e recetivo ao que tinhamos para dizer, discutimos a im- muito bom a negociar. Decide que te parece uma quantidade justa portância de ser respeitoso e bem-educado num restaurante, mesmo para comeres e depois fala com ele. Se precisares de ajuda, que não esteja Fiz-lhe uma festa no cabelo, voltei para a mesa e observei rosto 71 70Este exemplo mostra-nos como o simples conhecimento da ESTRATÉGIA cia do cérebro do andar de e cima tem um baixo do andar de impacto EM VEZ DE ENRAIVECER 0 DO ANDAR DE BAIXO... direto e imediato na forma como educamos e disciplinamos Não se esqueça de que, quando problema começou, Tina nossos te, Não podes dizer guntou a si mesma: que parte do cérebro quero apelar neste per Nunca mais quero ouvir uma coisa dessas. Podia ter conseguido o que queria confrontando filho e exigindo que mudasse imediatamente comportamento. Ela tem te aos olhos do filho e ele teria obedecido (embora essa abordagem teria ativado cérebro do andar de baixo e ele ria cheio de raiva e experimentaria uma sensação de Por Tina envolveu cérebro do andar de cima ajudando-o a a situação e a encontrar uma forma de negociar com O pai. Vamos esclarecer uma coisa: por vezes não há margem para gociação nas interações pais-filhos. As crianças têm de respeitar autoridade dos pais, e por vezes isso significa que não é não, semine ENVOLVA 0 CÉREBRO DO ANDAR DE CIMA nhuma margem para contestação. Além do mais, às vezes as contra propostas são Se filho de quatro anos de Tina tivesse estás mesmo zangada! sugerido comer apenas uma dentada do almoço, pai não teria Sim! Odeio-te! por não te ter tado aquele acordo. comprado aquele Quando educamos e disciplinamos os nossos filhos, temos colar? Sim! E tu má! oportunidades para interagir no sentido de envolver e desenvolver 0 seu cérebro do andar de Repare como, na ilustração da página 73, a mãe optou por não zer um ultimato que enraiveceria cérebro do andar de baixo. Prefe- riu envolver cérebro do andar de cima orientando a filha para usar palavras mais precisas e específicas para explicar que sentia. zangada porque não te comprei aquele Em seguida, que a ajudasse a resolver Quando a menina Aquele colar não estava à venda. Se quiseres, podes Como fazemos a mãe sabe que cérebro do andar de ficar zangada, mas, se está A filha já é capaz de falar sobre assunto com a podemos resolver o problema pensar noutra coisa de uma forma que poucos segundos antes parecia impossível. Como é que podem pensar juntas em como encontrarão outro colar na loja ou fazemos isso? rão um em casa. E a mãe também pode falar com a filha sobre como usar as palavras quando está zangada. 72A ESCADARIA DA MENTE que dizemos ou uma solução que funcione Sempre para os damos aos nossos filhos a possibilidade de bem como nos resultados das suas escolhas, permite à criança pen- treinar a resolução de problemas e a tomada de boas Aju. sar com do andar de cima, fortalecendo-o melhorando damo-los a pensar nos comportamentos adequados, nas seu cias dos seus atos e a perceberem os sentimentos e os desejos dos No caso de crianças muito pequenas talvez seja tão simples como outros. Tudo porque uma forma de envolver O cérebro perguntar: Hoje queres os sapatos azuis ou os brancos? do andar de cima, em vez de enraivecer cérebro do andar de pois, à medida que vão crescendo, podemos dar-lhes mais respon- sabilidade na tomada de decisões e deixá-las resolver alguns dilemas Estratégia do cérebro global 4: que apresentam verdadeiros desafios. Por exemplo, se a sua filha de Use-o para não perder treinar o cérebro do andar de cima dez anos tiver dois compromissos ao mesmo tempo acampa- Para além de apelar ao cérebro do andar de cima dos nossos filhos mento das Escuteiras e apuramento para torneio de futebol são também queremos ajudá-los a treiná-lo. O cérebro do andar de cima no sábado e ela não pode estar nos dois lugares ao mesmo tempo é como um músculo: quando é usado, desenvolve-se, torna-se mais encoraje-a a decidir. Ela ficará muito mais satisfeita, e talvez com- forte e tem um melhor desempenho. E quando é ignorado, não se pletamente feliz, por desistir de um compromisso se ela fez parte do desenvolve de uma forma ideal, perdendo algum do seu poder e da processo de tomada de decisão. Uma mesada é outra ferramenta fantástica para ensinar as capacidade de funcionamento. É que queremos dizer com ças mais velhas a lidar com dilemas A experiência de decidir para não Queremos desenvolver de forma deliberada entre comprar um jogo de computador ou continuar a poupar para rebro do andar de cima dos nossos filhos. E, como temos dito, um uma bicicleta nova é uma ótima maneira de treinar cérebro do an- cérebro do andar de cima forte equilibra cérebro do andar de baixo dar de cima. Temos de deixar os nossos filhos tomar a decisão e vi- e é essencial para a inteligência social e emocional. É a base da boa ver com as consequências das suas escolhas. Sempre que for possível saúde A nossa tarefa é proporcionar aos nossos filhos mui- de forma responsável, evite resolver e resista a ajudar, mes- tas oportunidades para exercitarem cérebro do andar de cima, para mo quando eles cometem pequenos erros ou não tomam as melhores que ele se torne mais forte e mais poderoso. Afinal de contas, seu objetivo não é a perfeição imediata Ao longo do dia com os seus filhos, procure formas de ativar em todas as decisões, mas um cérebro do andar de cima idealmente treinar as diferentes funções do cérebro do andar de cima. Vejamos desenvolvido no algumas delas, uma por uma. Controlar as emoções e o corpo Tomar boas decisões Outra tarefa importante e dificil para os pequeninos é mante- Uma das grandes tentações dos pais é tomar decisões pelos rem Assim, temos de lhes ensinar competências que lhes lhos, para que façam sempre a coisa certa. No entanto, temos permitam tomar boas decisões quando estão perturbados. Use as téc- de deixar treinar para tomarem decisões por si mesmos em todas nicas que já deve conhecer: ensine-os a respirar fundo ou a contar até as oportunidades A tomada de decisões requer Ajude-os a expressar as suas Deixe-os bater pé ou es- do funcionamento executivo, que acontece quando cérebro do an- murrar uma pode explicar-lhes o que está a acon- dar de cima analisa diferentes opções. Pensar nas várias alternativas, tecer no seu cérebro quando sentem que estão a perder o controlo 74 75CAREBRO DA ESCADARIA DA e como evitar que lhes a (Falaremos mais sobre assunto na secção Cérebro Global da no fim do este universo interior e de compreender. Se a criança for mais peque- Até as crianças mais pequenas têm a capacidade de e pensar na, incentive-a a fazer desenhos para contar uma Quanto em vez de magoar alguém com palavras ou com os punhos. Elas mais os seus filhos pensarem sobre que está a acontecer dentro de sempre vão tomar boas decisões, mas quanto mais treinarem si mesmos, mais desenvolverão a capacidade de compreender e rea- tivas para além de atacar violentamente, mais forte e mais gir ao que se passa no seu mundo interior e no mundo que os o seu cérebro do andar de cima. Empatia A empatia é outra importante função do cérebro do andar de cima. Autoconhecimento Quando faz perguntas simples que encorajam seu filho a ter em con- Uma das melhores formas de encorajar autoconhecimento nos ta os sentimentos de outra pessoa, está a construir a sua capacidade seus filhos é fazer perguntas que os ajudem a olhar para além da de sentir empatia. Num restaurante: é que pensas que aquele perfície das coisas: Porque é que pensas que fizeste aquela escolba? bebé está a Enquanto estão a ler juntos: Como é que pen- fez sentir Porque é que pensas que 0 teste não te correu bem foi sas que a Melinda se sente agora que a amiga foi morar para longe? estavas a fazer as coisas à pressa ou porque a matéria era Ao sair da loja: senhora não foi muito connosco, Eis que um pai fez com a sua filha de dez anos, Catherine, pois não? Achas que lhe pode ter acontecido alguma coisa hoje que do a ajudava a preparar a mochila para Perguntou-lhe a deixou se achava que iria sentir saudades de casa enquanto estivesse longe. Se chamar a atenção do seu filho para as emoções dos outros em Quando ela respondeu com um vago fez-lhe outra pergun- situações do quotidiano, abrirá níveis completamente novos de com- ta: Como é que achas que lidar com paixão nele e estimulará seu cérebro do andar de cima. Os cientistas estão cada vez mais convencidos de que a empatia tem as suas Recebeu mais uma não-resposta Não mas desta vez per- num complexo sistema dos chamados sobre os cebeu que ela começava a pensar no assunto. E pressionou mais um pouco: Se começares a sentir saudades de quais falaremos no próximo capítulo. Quanto mais treinar o cérebro do andar de cima do seu filho para pensar nos outros, mais capaz ele casa, que é que podes fazer para te sentires melhor?>> será de sentir compaixão. Catherine continuou a guardar a roupa na mochila, mas agora es- tava sem dúvida a pensar na pergunta. Por fim, deu-lhe uma verdadei- Moral ra resposta: que podia escrever-te uma carta ou fazer alguma Todos os atributos de um cérebro do andar de cima bem integrado coisa divertida com os meus que já mencionámos culminam num dos objetivos mais importantes A partir dali, Catherine e pai conversaram durante alguns minu- que temos para os nossos filhos: uma forte noção de moral. Quan- tos sobre as suas expectativas e preocupações por ir para longe, ela do as crianças são capazes de tomar boas decisões, controlando-se e desenvolveu um pouco mais seu Apenas recorrendo a empatia e autoconhecimento, desenvolvem uma forte que pai lhe fez algumas perguntas. e ativa noção de moral, uma noção não apenas do que é certo e er- Se o seu filho souber escrever ou apenas desenhar pode rado, mas também do que é importante para bem comum, para recer-lhe um diário e encorajá-lo a escrever ou desenhar nele todos das necessidades individuais. Uma vez mais, não podemos esperar os Este ritual aumentará a capacidade de prestar atenção ao seu 77 76EM VEZ DE DAR A RESPOSTA... ESCADARIA DA MENTE Lamento, mas não podes ficar com esse disco voador, porque não te pertence. Vamos onde absoluta, porque o cérebro ainda está desenvolver-se. encontraste. No entanto, devemos fazer máximo de perguntas relacionadas com questões morais e éticas em situações normais do dia a dia. Outra forma de treinar esta parte do cérebro é apresentar situa- ções hipotéticas, que as crianças costumam adorar: Pode-se passar um sinal vermelbo se for emergência? o que farias se um rufia estivesse a im- portunar na escola e não houvesse adultos por perto? importante é incentivar os seus filhos a pensar como agiriam, e a considerar as im- plicações das suas decisões. Ao treina-os a pensar com prin- cípios morais e que, com a sua orientação, se tornarão a base das decisões ao longo de toda a vida. E, é claro, pense que está a moldá-los com seu próprio compor- tamento. Quando lhes fala sobre honestidade, generosidade, bondade e respeito, certifique-se de que eles veem pai ou a mãe viver uma vida que personifica esses valores. Os exemplos que lhes der, para o bem e para mal, terão um forte impacto no desenvolvimento do seu cérebro do andar de cima. TREINE 0 DO ANDAR DE CIMA Estratégia do cérebro global 5: Eu sei que queres ficar Ponha-o a mexer-se para não o perder mexer o corpo para com ele, mas que vai acontecer se evitar perder o cérebro dono e não encontrar? Algumas pesquisas demonstraram que o movimento corporal afeta diretamente a química do cérebro. Assim, quando um dos seus filhos perder contacto com cérebro do andar de cima, uma po- derosa forma de ajudar a recuperar o equilíbrio é a mexer- -se. Eis uma história que uma mãe nos contou acerca do filho de dez anos e de um momento em que ele recuperou o controlo gra- à atividade física. Dois dias depois de Liam começar o quinto ano, sentiu-se completamente assoberbado pela quantidade de trabalhos de casa que a professora tinha mandado fazer. (A concordei com ele. Eram Ele estava a queixar-se, mas por ir para o quarto 79DA Quando fui ver como estava a correr estudo, vi-o posição fetal por baixo do pufe no Tentei corpo está cheio de informações que envia para cérebro. De vantar-se, sentar-se à secretária e continuar a fazer trabalhos casa. Ele não parava de se lamentar, dizendo que não conseguia: facto, uma grande parte da emoção que sentimos começa no corpo. of embrulhado e os ombros tensos enviam mensagens físicas Eu continuei a oferecer-me para ajudar, e ele continuou de ansiedade para O cérebro antes mesmo de percebermos a um nível recusar a minha ajuda. consciente que estamos nervosos. fluxo de energia informações Depois, de repente, saltou de debaixo do pufe, correu para do corpo para tronco cerebral, para sistema límbico e para cór- dar de baixo, de casa e continuou a correr. Correu por tex mudam os nossos estados físicos, os nossos estados emocionais do bairro antes de voltar para casa. os nossos pensamentos. Depois de voltar, de se ter acalmado e lanchado, consegui Logo, que aconteceu a Liam foi que movimento do seu corpo sar com ele e perguntar-lhe porque é que tinha saído daquela ajudou a trazer todo seu ser para um estado de integração, para que do andar de cima, cérebro do andar de baixo e corpo ra. Ele respondeu que não sabia. única coisa de que me pudessem voltar a funcionar de uma forma eficaz e saudável. Quando que pensci que me ia sentir melhor se corresse mais depressa que ele se sentiu confuso, fluxo de energia e informações ficou bloquea- conseguisse, enquanto aguentasse. E senti-me mesmo res- do, que resultou em não haver integração. Mexer vigorosamente pondeu. E tenho de admitir que parecia muito mais calmo e pronto corpo libertou alguma da energia e da tensão provocadas pela para aceitar a minha ajuda para fazer os trabalhos de casa. permitindo-lhe descontrair. Assim, depois da corrida, corpo enviou informações calmas para cérebro do andar de cima, restau- Muito embora Liam não soubesse, quando saiu de casa e rando equilíbrio emocional e pondo em funcionamento as diferen- estava a praticar integração. O seu cérebro do andar de baixo tes partes do cérebro e do corpo de uma forma integrada. obrigado cérebro do andar de cima a submeter-se, Da próxima vez que os seus filhos precisarem de ajuda para se acalmarem ou recuperarem controlo, procure pô-los a mexer-se. fuso e impotente. Tinha-se aproximado demasiado da margem de caos No caso de crianças pequenas, experimente tipo de astúcia criativa do rio. As tentativas da mãe para ajudar a ativar cérebro do e carinhosa que exemplificamos na página 82. de cima não surtiram efeito, mas quando Liam trouxe corpo para O caráter lúdico deste jogo, a par da atividade física, pode mudar conversa, alguma coisa mudou no seu cérebro. Após alguns minutos a por completo o estado de do seu filho pequeno e tornar de exercício, conseguiu acalmar a amígdala e devolver controlo manhã muito mais agradável para ambos. cérebro do andar de Esta técnica também resulta com crianças mais velhas. Um trei- Estudos científicos apoiam Liam e a sua estratégia espontânea. Algu nador da liga infantil que conhecemos ouviu falar sobre principio mas investigações demonstram que, quando há uma alteração do nosso de a mexer-se para não o e pediu aos seus jogado- ficado estado físico através de movimento ou relaxamento, por res que saltassem no banco quando percebeu que eles tinham físico estado emocional muda. Experimente sorrir durante um desanimados depois de um primeiro tempo mau. exercício cheios vai sentir-se mais feliz; uma respiração rápida e superficial provocou uma mudança, deixando os rapazes entusiasmados e ansiedade, e se respirar fundo e devagar é provável que se sinta mais de energia, e acabaram por vencer a partida. (Mais uma vitória para calmo. (Experimente estes pequenos exercícios com seu filho para a neurociêncial) lhe ensinar em que medida corpo afeta estado de 81EM VEZ DE ORDENAR E EXIGIR... A ESCADARIA DA MENTE Por vezes, basta explicar conceito: Sei que estás zangado por não te- res ido dormir com a tua irma a casa da amiga dela. parece justo, não? te disse que Vamos andar de bicicleta e falar sobre As vezes, mexer corpo pode tens de te Veste-te ou ponho-te ajudar o cérebro a perceber que vai ficar tudo bem. Faça que fizer, de castiga o objetivo é ajudar seu filho a conseguir algum tipo de e controlo através do movimento, para afastar os bloqueios e abrir ca- minho para regresso da integração o cérebro global da criança: Ensine aos seus filhos que é o cérebro do andar de baixo e o cérebro do andar de cima As crianças compreendem muito facilmente as informações relati- vas ao do andar de baixo e ao cérebro do andar de cima que neste capítulo. Eis algo que pode ler ao seu filho para facilitar a conversa. TENTE A MEXER-SE PARA NÃO 0 PERDER Quero estar Vamos jogar a um jogo de vestir! Dás um salto e vestimos-te as 83Escolhas calmas CEREBRO DO ANDAR DE DO BAIXO ANDAR DECIMA FAZ UM PUNHO COM A MÃO. É 0 QUE CHA- MAMOS UM MODELO LEVANTA UM MANUAL DO DEDOS. A VER 0 LEMBRAS-TE DE QUE FAZ PARTE DO DO TENS UM LADO ES- DAR DE BAIXO E DE ONDE QUERDO E UM LADO AS REALMENTE GRAN DIREITO NO 0 DO ANDAR DE CIMA DES. DEIXA-TE GOSTAR DE TENS É ONDE TOMAS BOAS DECISÕES TRAS PESSOAS E SENTIR AMOR UM ANDAR DE CIMA E E FAZES A COISA MESMO TE DEIXA PERTURBADO UM ANDAR DE BAIXO. QUANDO TE SENTES MUITO COMO QUANDO ESTÁS TURBADO. ouESCADARIA DA MENTE A INTEGRAÇÃO DOS PAIS: perder o controlo como oportunidades para moldar a autorregulação. de pequenos olhos está a observá-lo para ver como se USAR A SUA ESCADARIA MENTAL Os Um seus par atos dão exemplo de como fazer uma boa escolha num mo- mento de grande emoção em que corre risco de the saltar a tampa. meu filho pequeno chorou durante quarenta e Assim, o que faz quando reconhece que seu cérebro do andar tos e eu não sabia como Por fim, de baixo assumiu controlo e começa a perder a cabeça? Primeiro, não faça mal. Feche a boca para evitar dizer alguma coisa de que se meu filho tinha dois anos e arranhou a cara do irmão Ponha as mãos atrás das costas para evitar qualquer tipo de contacto físico bruto. Quando estiver num momento do andar de com tanta força que deixou Dei-lhe cinco fortes palmada baixo, proteja seu filho a todo no trasciro. Depois, sai do quarto, afastei-me pelo corredor, A seguir, afaste-se da situação e controle-se. Não há mal nenhum para trás e devo-lhe ter dado mais umas cinco palmadas. em fazer uma pausa, sobretudo quando significa que está a proteger tão alto que ele ficou seu filho. Pode dizer-lhe que precisa de se afastar um pouco para de ter dito à minha filha para ter cuidado com irmão se acalmar, para que ele não se sinta rejeitado. Depois, embora por mais novo que estava a correr à frente do baloiço, ela quase vezes possa parecer um pouco disparatado, experimente a técnica de contra ele. Fiquei tão zangada que lhe disse, à frente de todas as pes a mexer-se para não perden Faça saltos de polichinelo. soas que estavam no parque: "Que é que se passa contigo... és Experimente alguns alongamentos de ioga. Respire fundo. Faça que for preciso para recuperar algum do controlo que perdeu quando a sua amígdala sequestrou cérebro do andar de cima. Ficará num es- São experiências não são? Representam os nossos mo tado mais integrado e mostrará aos seus filhos alguns truques rápidos mentos do andar de baixo, os momentos em que estamos tão descon de autorregulação que eles podem usar. trolados que dizemos ou fazemos uma coisa que nunca Por fim, repare. Depressa. Volte a ligar-se ao seu filho logo que outra pessoa dizer ou fazer ao nosso filho. se acalmar e se sentir mais estável. Em seguida, resolva qualquer mal As confissões acima foram feitas por pais reais, que emocional ou relacional que tenha sido feito. Talvez tenha de per- pessoalmente. E, apesar de poder surpreendê-lo, cada um destes doar, mas também é possível que tenha de pedir desculpa e aceitar a faz um trabalho admirável na educação dos filhos. Porém, como to responsabilidade pelos seus atos. Este passo tem de acontecer mais dos nós, de vez em quando perdem a cabeça e dizem e fazem coisas depressa possível. Quanto mais depressa reparar a ligação com o seu de que se arrependem. filho, mais depressa começarão a recuperar emocional e Também tem um momento do andar de baixo para acrescentar a apreciar os momentos em que estão juntos. à lista acima? É evidente que sim. Para além de pais, somos seres humanos. Assistimos a isto vezes sem conta quando falamos com e os aconselhamos: em situações de grande tensão, os pais erros. Todos nós cometemos erros. Mas não se esqueça de que estas crises são oportunidades de cimento e Pode usar momentos em que sente que 874 MATA AS BORBOLETAS! INTEGRAR A MEMÓRIA PARA PROMOVER CRESCIMENTO E PROCESSO DE CURA pensar que ter aulas de natação este O filho de sete anos de Tina fez esta firme proclamação quando descobriu que os pais tinham inscrito em aulas de natação na pis- cina do liceu da zona. Sentado à mesa a jantar, ele olhou para a mãe e para o pai com uma expressão furiosa, cerrou o maxilar e semicer- rou os olhos. Tina olhou para o marido, Scott, que encolheu os ombros, como se estivesse a dizer: bem, começo. estou a perceber. Tu adoras pai, é isso Até pareceu sarcástico. sei acenou com a sabemos, mas as aulas são para te ajudar a Tina acrescentou: Além disso, o Henry também vai. Vais estar com ele todos os dias da próxima Ele abanou a cabeça. Nem pensar. Não quero saber.>> Baixou os olhos para o prato e um pouco de medo transpareceu na sua voz de- terminada. favor, não me Scott e Tina entreolharam-se e disseram que pensariam no assun- to e continuariam a conversa mais tarde. Mas estavam chocados. Era inaudito filho recusar uma atividade com Henry, o seu melhor ami- go, sobretudo uma atividade desportiva.Os pais estão sempre a ser confrontados com situações MATA nero, em que ficam completamente estupefactos com a filhos a alguma coisa que dizem. Quando medo, raiva, funciona através de associações. O cérebro é uma máquina de outras emoções fortes confundem as crianças, elas podem associação que processa uma informação no momento presente ções que não fazem sentido, mas por vezes a razão é muito uma ideia, uma emoção, um odor, uma imagem e relaciona essa É possível que seu filho esteja apenas com fome ou zangado experiência com experiências semelhantes do passado. As que esteja no carro há demasiado tempo. Ou talvez seja cias passadas influenciam fortemente a compreensão do que vemos que tem dois anos (ou três, ou quatro, ou cinco ou quinze). apenas ou sentimos. Essa influência ocorre devido a associações no cérebro, onde diferentes neurónios (ou células cerebrais) se ligam umas às ou- por motivos mais profundos. outras vezes, as crianças agem ou comportam-se de forma tras. Assim, no fundo, a memória é a forma como um acontecimento do passado nos influencia no Por exemplo, quando Tina e Scott falaram mais tarde naquela Imagine, por exemplo, que encontrou uma velha chupeta entre as te, concordaram que a surpreendente resposta do cérebro almofadas do Que tipo de emoções e experiências vai sentir? filho devia ser resultado de uma experiência levemente Se ainda tiver um bebé em casa, talvez não convoque nada de espe- que tivera três anos antes, uma experiência de que ele nem sequer cial. Todavia, se seu filho já deixou de usar chupeta há alguns anos, devia lembrar. Tina percebeu que seria uma oportunidade é possível que transborde um sem-número de associações sentimen- para explicar ao filho alguns importantes factos sobre cérebro, tais. Talvez recorde como parecia gigante na sua boca de recém-nas- que fez nessa noite ao Antes de lhe falarmos sobre essa cido, ou a velocidade a que correu da primeira vez que seu bebé de um ano partilhou a chucha com cão. Também pode reviver aquela versa, queremos explicar-lhe O objetivo de Tina quando falou como terrivel noite em que todos disseram adeus às chupetas para sempre. Ela sabia que uma das melhores maneiras de ajudar uma No instante em que encontra a chupeta, todos os tipos de associações a ultrapassar experiências difíceis é compreender algumas informações voltam em catadupa, influenciando as emoções e a disposição atuais básicas acerca da ciência de como a memória funciona no com base em fortes associações do passado. No fundo, é a essência da memória associação. Sem complicar demasiado, eis que se passa no cérebro. Sempre A MEMÓRIA E ALGUNS MITOS que vivemos uma experiência, os neurónios ou são ati- Comecemos por falar sobre dois mitos sobre a vados com sinais elétricos. Quando essas células cerebrais disparam, ligam-se ou juntam-se a outros neurónios. Essas ligações criam asso- Mito 1: A memoria é um arquivo mental. Quando pensa no sell Como explicamos na introdução, isto significa que todas as experiências mudam, literalmente, a composição do já meiro encontro amoroso ou no nascimento do filho, abre a gaveta que os neurónios se ligam (e separam) constantemente, consoante as quada do cérebro e evoca aquela recordação. nossas experiências. Os neurocientistas explicam este processo Dito com a frase: Os neurónios que disparam juntos ativam-se Seria bom e conveniente se fosse verdade, mas cérebro não de outra forma, cada nova experiência provoca disparo de certos ciona assim. Não há milhares de pequenos de neurónios; e quando isso acontece, eles ligam-se, ou unem-se, a ou- sua cabeça à espera de que aceda a eles e os traga para a consciência tros neurónios que disparam ao mesmo tempo. para poder relembrar determinados acontecimentos. A 91MATA AS Isto está de acordo com a sua experiência? A simples ideia de der um limão fá-lo salivar? Uma canção no carro que aconteceu, mas ato de recordar uma experiência muda-a, por um incomodo slow num baile do liceu? vezes de formas relevantes. Em termos cientificos, a recuperação da Recorda-se daquela vez em que deu à sua filha de quatro anos memória ativa um conjunto de neurónios semelhantes, mas não doce depois da aula de ballet? E lembra-se do que ela passou aos que foram criados na altura da Logo, as rer e esperar depois de todas as aulas de ballet dali em diante? rias são distorcidas por vezes pouco, outras vezes muito apesar Um doce. Porque os neurónios do de acreditar que está a ser fiel à realidade. pararam e ativaram os neurónios do doce. Neurónios que Já teve conversas com os seus irmãos ou com seu cônjuge em juntos são ativados juntos. que, depois de contar uma história, eles dizem: Não foi assim que É assim que a memória funciona. Uma experiência (o O seu estado de no momento da codificação da de ballet) leva determinados neurónios a disparar, e esses recordação e estado de em que está quando a relembra in- fluenciam e alteram a própria Assim, a história que conta é podem ativar neurónios de outra experiência (receber um doce) menos história e mais ficção. pois, sempre que passamos pela primeira experiência, O nosso Mantenha estes dois mitos em mente quando falarmos nas pró- bro liga-se à segunda. Assim, quando a aula de ballet termina, ximas páginas sobre os seus filhos e a forma como as cérebro aciona a expectativa de receber um doce. O estímulo passadas os afetam. Lembre-se de que a memória está relacionada ser um acontecimento interior um pensamento ou uma emoção com as ligações no cérebro (e não com ficheiros por ordem ou um acontecimento exterior que O cérebro associa a um tica que podem ser acedidos sempre que é necessário) e que as re- do passado. Seja como for, a memória ativada cria expectativas cordações recuperadas são, por definição, passíveis de distorção (em futuro. cérebro prepara-se continuamente para futuro com base oposição a serem fotocópias do passado, com todos os pormenores no que aconteceu antes. As memórias moldam as nossas de um acontecimento). atuais levando-nos a antecipar o que acontecerá a seguir. o nosso passado molda presente e futuro. E isso acontece através de A VERDADE ACERCA DA MEMÓRIA: ciações no cérebro. VAMOS SER (E Pense na sua memória para mudar uma fralda. Quando se apro- Mito A é como uma fotocopiadora. Quando evoca xima de uma mesa para trocar a fralda a um bebé, não diz de uma dações, reproduções exatas do que aconteceu no passado. Lembra-st forma consciente: Muito bem, primeiro ponho o bebé por cima do de si na primeira romantica com um corte de cabelo e roupa resguardo. Depois, desaperto pijama e retiro a suja. Ponho a culos e ri-se do nervosismo que sentin. segurar 0 fralda limpa por baixo dele e revive as intensas emoções daquele momento. Não, nada disso é necessário, porque a mudança da fralda é uma coisa natural. Já mudou tantas que nem sequer pensa no que está a Uma vez mais, não é bem assim que acontece. cabelo e a O seu cérebro dispara conjuntos de neurónios graças aos quais pa podem ter acontecido na realidade, mas a que sabe despir bebé, retirar a fralda, pegar numa toalhita, etc., sem se- de uma reprodução exata dos acontecimentos do Sempre quer perceber que está a de como se faz. um tipo recupera uma memória, O que recorda pode ser parecido com 93MATA AS as experiências passadas (mudar muitas influenciam o seu comportamento no presente (mudar esta fralda sem sistema auditivo estava bastante desenvolvido para registar som sequer se aperceber de que a memória foi que passava pelo líquido Se, por outro lado, relembrar O dia em que mudou a primeira Mais tarde, na primeira semana depois de cada criança nascer, talvez pare durante alguns instantes, pense e veja uma imagem sua convidei um colega para um (Eu sei que não controla- segurar com grande nervosismo tornozelo de um bebé, a do, mas era divertido.) Sem revelar a canção pré-natal, cantava ao ver a porcaria que está na fralda e depois a tentar perceber canções diferentes. E não há dúvida quando bebés ouviam a que vai fazer a seguir. Quando pensa ativamente nestas imagens e emo canção que conheciam, os seus olhos abriam-se mais e eles ficavam ções, percebe que está a recordar uma coisa do passado. Isto mais atentos, a tal ponto que meu colega identificava com facilidade a alteração no nível de atenção. Tinha sido codificada uma memória é mas é diferente da memória que lhe permite mudar uma percetual. (Agora, os meus filhos não me deixam a minha voz fralda agora sem pensar no assunto. devia soar melhor debaixo de água.) Estes dois tipos de memória misturam-se e trabalham juntos na sua vida normal do quotidiano. A memória que lhe permite mudar 0 Os filhos recem-nascidos de Dan reconheciam a sua e a can- seu bebé sem saber que está a lembrar-se de como se faz é a memoria ção russa porque aquela informação tinha sido codificada no seu cé- implicita. A sua capacidade de recordar como aprendeu a mudar uma rebro como uma memória implícita. Os seres humanos codificam a fralda (ou recordar outro momento específico qualquer) é a memoria memória ao longo da vida e nos primeiros dezoito meses explicita. Regra geral, quando falamos sobre a estamos a re- codificam apenas de uma forma Um recém-nascido codifica ferir-nos ao que é, tecnicamente, a memória explícita: a recordação os cheiros, sabores e sons de casa e dos pais, as sensações na barriga consciente de uma experiência passada. Mas, para nosso bem e parao quando tem fome, a felicidade do leite morno, a forma como o cor- bem dos nossos filhos, é essencial conhecer os dois tipos de po da mãe fica tenso em reação à chegada de uma determinada pes- Se dominarmos bem estes dois tipos de memória, podemos propor- soa da família. A memória codifica as nossas perceções, as cionar aos nossos filhos aquilo de que precisam enquanto crescem, nossas emoções, as nossas sensações físicas e, à medida que vamos amadurecem e lidam com experiências difíceis. crescendo, comportamentos como aprender a gatinhar, andar, andar Vejamos as memórias implícitas, que começam a formar-se antes de bicicleta e, mais tarde, até mudar uma fralda. mesmo do nascimento. Dan conta uma história acerca de um O que é crucial compreender em relação à memória informal que fez com a sua família. sobretudo quando estão em causa os nossos filhos e os seus medos e frustrações é que as nos levam a criar expec- Quando a minha mulher estava grávida de cada um dos nossos tativas sobre o funcionamento do mundo com base nas nossas expe- dois filhos, eu costumava cantar para eles encostado à sua barriga. anteriores. Lembra-se da relação entre ballet e doces? Como Era uma antiga canção russa que a minha avó me cantava, uma can- Os neurónios que disparam juntos são ativados juntos, criamos de- ção infantil sobre o seu amor pela vida e pela mãe sol brilhe terminados modelos mentais baseados no que aconteceu no passa- todos dias, que os tempos sejam sempre bons, que a exista do. Se abraçar o seu filho pequeno todos os dias quando chega do para sempre, que exista para Cantava-a em russo e em emprego, ele terá um modelo na mente de que a sua chegada estará cria durante último trimestre de gravidez, quando sabia que cheia de afeto e Isto acontece porque aMATA AS uma coisa chamada em que cérebro de uma determinada forma. Quando chega a casa, antecipa um abraço. Não só o seu está reagir mundo interior preparado seu Filho: Não estou a perceber. Tina: Está bem. Deixa-me dizer isto de outra aquele gesto amoroso, como até esticará braços cipação receber de bras-te de que já tiveste uma má experiência com aulas quando ouve a chave rodar na fechadura da de natação? que vai crescendo, a preparação continuará a funcionar com Filho: Claro que sim. tamentos mais complexos. Alguns anos mais tarde, se um Tina: Lembras-te daquele onde de piano criticar com frequência a forma como toca, ele Filho: Eles eram muito duros um modelo mental de que não gosta de piano ou até de que não Tina: Aqueles professores eram muito ouvido musical. Uma versão mais extrema deste processo ocorre Filho: Obrigavam-me a mergulhar da prancha. E enfiavam-me casos de perturbação de stresse pós-traumático, ou em a cabeça debaixo de água e obrigavam-me a conter a res- que uma memória de uma experiência perturbadora fica piração durante imenso Tina: Era imenso tempo, não era? E sabes uma coisa? Acho ficada no cérebro da pessoa, e um som ou imagem desencadeia essa que é por isso que agora não queres ter aulas de sem que ela se aperceba de que é uma A Filho: Achas? implicita é acima de tudo um processo evolutivo que nos Tina: Sim. Sabes que, muitas vezes, quando fazes coisas, boas segurança e longe de situações de perigo. Liberta-nos para podermos ou más, teu cérebro e teu corpo lembram-se delas? reagir depressa ou até para automatizar as nossas reações em Por isso quando digo: dos estás a tos de perigo sem termos de recordar de forma ativa ou intencional Sentes que está a acontecer dentro de ti agora? experiências anteriores O que estão teu cérebro e teu corpo a dizer? Como que tudo isto significa para nós enquanto pais é que, quando é que te sentes? os nossos filhos parecem ter reações invulgarmente descabidas, Filho: Entusiasmado? mos de considerar se a memória implícita criou um modelo mental Tina: Sim. Vejo na tua cara. E sentes-te nervoso? que temos de os ajudar a descodificar. Foi que Tina fez com filho Filho: Nem pensar. quando foi deitá-lo e conversou com ele sobre as aulas de natação A Tina: E quando digo de Muda a forma como conversa foi mais ou menos te sentes? Filho: Tina: Queres dizer-me que está a acontecer com a natação? Tina: E nervosismo volta? Filho: Tina: Não sei, Só sei que não quero ir. Filho: Não quero ir. Tens medo de alguma coisa? Tina: Vou dizer-te que acho que está a acontecer. teu Filho: Talvez. Fico nervoso, como se tivesse borboletas no bro é surpreendente. E uma das suas importantes tarefas é manter-te em segurança. teu cérebro está sempre a Tina: Então, teu vamos falar sobre esse nervosismo. Sabias que verificar as coisas e a dizer: é bom ou é bes cérebro se lembra de coisas mesmo quando Assim, quando eu digo dos o teu que estás a lembrar-te delas? cérebro diz: Vamos! É um Mas 97 96Tina: Estou a falar a sério. Na verdade, é uma das melhores coi- sas que podes fazer. Podes dizer: obrigado por tentares manter-me seguro e por me protegeres, mas eu já não tenho de ter medo das aulas de São aulas novas, com um professor diferente, noutra piscina, e eu sou o miúdo novo que já sabe nadar. Por isso, cérebro, you deixar de estar nervoso e expulsar as borboletas do estômago respirando fundo, assim. E you concentrar-me no que a natação tem de Não parece esquisito falar assim com cérebro? Filho: Um pouco. Tina: Eu sei, é engraçado e um bocado estranho. Mas perce- bes que pode resultar? que podes dizer ao teu cére- bro para que corpo se acalme e te sintas mais seguro e com vontade de ter aulas de natação? que dirias na tua cabeça? Filho: Aquelas aulas de natação más fazem parte do passado. Agora são outras aulas e eu já gosto de nadar. Tina: Isso mesmo. O que achas da natação em geral? Filho: Adoro. Tina: Pois adoras. E agora vamos fazer mais uma coisa. o que podes fazer ou dizer ao cérebro se começares a ficar ner- voso quando fores para a aula de natação? Um código para te ajudar a lembrar de que essas sensações fazem parte do passado? Filho: Não sei. Mata as borboletas? Tina: Porque as borboletas são de há muito tempo e já não pre- cisas delas no estômago, pois não?