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DIREITO ELEITORAL 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Rogério Carlos Born 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, vamos examinar alguns aspectos centrais do alistamento 
eleitoral. Iniciaremos pela abordagem do alistamento e do voto obrigatório. Em 
seguida, serão abordadas as situações em que o alistamento e o voto são 
facultativos e proibidos. Em terceiro lugar, conheceremos a forma com que a 
legislação eleitoral reconhece o domicílio eleitoral. O quarto tema analisará o 
sistema informatizado de votação e totalização e, por fim, faremos um resumo 
da legislação estudada. A divisão nesses temas tem como objetivo reforçar o 
conhecimento dos direitos políticos ativos. 
O conceito legal de cidadão é definido pela Lei de Ação Popular (Lei n. 
4.717/1965), que, no art. 1º, parágrafo 3º, define que “fazem prova da cidadania, 
para ingresso em juízo, com o título eleitoral, ou com documento que a ele 
corresponda” (certidão de quitação eleitoral) (Brasil, 1965a). 
Porém, o conceito de cidadania é muito mais amplo. A cidadania consiste 
no exercício de todos os direitos políticos ativos (votar em um candidato ou 
respondendo a perguntas em plebiscito ou referendo ou abster-se, votando em 
branco), bem como os direitos políticos passivos, desde a filiação, a candidatura 
e a militância. 
O alistamento eleitoral se faz mediante a inscrição na unidade de 
atendimento da Justiça Eleitoral correspondente à zona eleitoral do município do 
requerente. 
As transferências são operações de mudança de domicílio entre os 
municípios ou entre estes e o Distrito Federal ou repartições consulares cujo 
prazo de requerimento é cento e cinquenta dias antecedentes às eleições 
(Código Eleitoral, art. 8º, parágrafo único) (Brasil, 1965b). As mudanças de local 
de votação no mesmo município são registradas como revisões. 
TEMA 1 – ALISTAMENTO E VOTO OBRIGATÓRIO 
A Constituição prevê que o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios 
para todos brasileiros e naturalizados alfabetizados maiores de 18 (dezoito) e 
maiores de 70 (setenta) anos de idade (Brasil, 1988). O alistamento é definido 
como o procedimento pela qual o eleitor se dirige à Justiça Eleitoral e efetua a 
inscrição no cadastro eleitoral. O cartório eleitoral, após verificar se o cidadão 
preenche todos os requisitos para o exercício dos direitos políticos, habilita-o 
 
 
3 
para votar e ser votado. Após o deferimento de sua habilitação para o exercício 
dos direitos políticos, o eleitor recebe um documento denominado de título 
eleitoral. 
O voto em branco é diferente do voto nulo. O eleitor aperta a tecla branco 
quando sabe votar, mas não deseja votar em nenhum candidato ou legenda ou 
mesmo para manifestar a sua indignação. No voto nulo, o eleitor tem candidato, 
mas não sabe votar e acaba por digitar na urna um número que não é registrado 
por nenhum partido ou candidato e é justamente. É justamente por ser uma 
manifestação inconsciente do eleitor que as urnas eletrônicas não estão 
equipadas com a tecla nulo. 
 Nem o voto em branco nem o voto nulo são computados no resultado das 
eleições, uma vez que a Lei das Eleições e a Constituição dispõem que “será 
considerado eleito prefeito o candidato que obtiver a maioria dos votos, não 
computados os em branco e os nulos” (Lei n. 9.504/1997, art. 3º; Constituição, 
arts.29, II e III em concurso como o art. 77, grifo nosso) (Brasil, 1997; 1988). 
O primeiro requisito para o exercício dos direitos políticos é a 
nacionalidade brasileira originária (quando o indivíduo já nasce com a 
nacionalidade) ou adquirida (quando opta por ser nacional do país de 
residência). 
Os brasileiros naturalizados somente não podem ser votados nos cargos 
eletivos privativos de brasileiros natos, que são o de presidente e vice-presidente 
da República; presidente da Câmara dos Deputados e o de presidente do 
Senado Federal (Constituição, art. 12, parágrafo 3º, I a III) (Brasil, 1988). 
Convém ressaltar que os naturalizados são proibidos apenas de presidir as 
casas legislativas da República, mas não estão impedidos de serem eleitos como 
deputados ou senadores. 
O voto no Brasil é obrigatório e isso significa que se abster desse direito 
gera consequências para o eleitor. Os eleitores que estiverem ausentes do seu 
domicílio, em território nacional, deverão justificar, no dia da eleição, em qualquer 
local de votação do município onde se encontra, sendo vedada a justificativa no 
mesmo município, enquanto os eleitores residentes no exterior têm o prazo de 
30 dias contados do ingresso em território nacional para justificar perante o juiz 
eleitoral, munido de documentos (em regra passaporte e passagens) que 
comprovem a sua estada no exterior (Tribunal Superior Eleitoral, Resolução n. 
21.538/2003, art. 80, parágrafo 1º). 
 
 
4 
Os enfermos, servidores públicos civis e militares impossibilitados de 
votar em razão dos trabalhos nas eleições têm sessenta dias, a partir de cada 
turno, para justificar perante o juiz eleitoral. Após esse prazo, cabe somente o 
pagamento de multa. 
Os eleitores que estão sujeitos a deixar de votar ou justificar por três 
turnos consecutivos, para evitar o cancelamento, terão o prazo de seis meses 
da última eleição para comparecer perante o juiz eleitoral. 
A multa pela ausência aos pleitos é de 3% (três por cento) a 10% (dez por 
cento) do salário mínimo que, devido à vedação constitucional à vinculação ao 
salário mínimo, foi convertida em Unidades Fiscais de Referência (UFIR) e 
totalizada em R$ 3,51 (três reais e cinquenta e um centavos) por turno (Lei n. 
6.091/74, art. 7º) (Brasil, 1974). 
Os eleitores que deixarem de comparecer e justificar nas eleições serão 
impossibilitados de se inscrever-se em concurso público; receber vencimentos 
da Administração direta, indireta e instituições subvencionadas ou que exerçam 
serviço delegado pelo Estado, a partir do segundo mês subsequente à eleição; 
participar de concorrência pública; obter empréstimos de qualquer instituição 
vinculado ao Estado; obter passaporte, carteira de identidade ou Cartão de 
Pessoa Física (Código Eleitoral, art. 7º, parágrafo 1º) (Brasil, 1997). 
TEMA 2 – ALISTAMENTO E VOTO FACULTATIVO E PROIBIDO 
A Constituição ampara com a facultatividade do alistamento e do voto os 
eleitores analfabetos; os maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) 
anos e os maiores de 70 (setenta) anos (Constituição, art. 14, parágrafo 1º) 
(Brasil, 1988), enquanto o Código Eleitoral estende a facultatividade aos 
inválidos e os que se encontrem fora do país e o voto aos enfermos, aos que se 
que se encontrem fora do seu domicílio e aos funcionários civis e os militares em 
serviço que os impossibilite de votar (Brasil, 1997). 
Saiba mais 
A facultatividade significa que o eleitor pode escolher se quer ou não votar 
ou mesmo se fazer o seu título de eleitor. O fato de o eleitor facultativo ter se 
alistado (inscrito), por si só, não o obriga a votar. 
 
 
 
5 
No ano em que se realizarem as eleições, é facultado o alistamento 
àquele que conta com quinze anos de idade, desde que complete dezesseis 
anos de idade até o dia do pleito, desde que solicitada a inscrição até cento e 
cinquenta dias anteriores às eleições. 
Os idosos, apesar do alistamento e voto facultativo acima de setenta anos, 
se optarem pelo exercício do direito do voto, têm a garantia de preferência nas 
filas e procedimentos para votar (Código Eleitoral, art. 143) e nos cartórios 
eleitorais e centrais de atendimento ao eleitor, além de assegurado, se contar 
com mais de sessenta anos e figurar como parte ou interveniente, prioridade na 
tramitação dos processos e procedimentos em qualquer instância da Justiça 
Eleitoral (Lei n. 13.146/2015, art. 71, caput) (Brasil, 1997). 
O portador de deficiência continua obrigado ao alistamento eleitoral, ao 
voto e do trabalho nas mesas coletoras de votos, mas não estarásujeito à 
sanção quando a deficiência torne impossível ou demasiadamente oneroso o 
exercício dos deveres eleitorais. 
A lei define pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida 
aquela que “temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de 
relacionar-se com meio e de utilizá-lo” (Lei n. 13.146/2015, art. 2º, inciso III). 
A Internacional Foundation for Electoral Systems (IFES) é uma 
organização internacional não governamental fundada em 1987 que presta 
assistência na realização de eleições em Estados em que a democracia é 
emergente e se encontra em dificuldades para se afirmar. IFES realiza 
frequentes ações afirmativas em busca de inclusão dos portadores de deficiência 
nos processos eleitorais, principalmente em países em que há um número muito 
grande de vítimas de catástrofes, guerras e revoluções. 
O Brasil possui uma das legislações eleitorais mais avançadas nesse 
sentido, uma vez que o Código Eleitoral prevê que os tribunais regionais 
deverão, a cada eleição, “expedir instruções aos juízes eleitorais, para orientá-
los na escolha dos locais de votação de mais fácil acesso para o eleitor deficiente 
físico” (art. 135, parágrafo 6º, grifo nosso) (Brasil, 1997). Um ato normativo prevê 
que os locais de votação deverão ser acessíveis e com estacionamento próximo 
e as seções eleitorais devem ser adaptadas à utilização e à locomoção dos 
eleitores portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida (Decreto 
5.296/2004, art. 21, parágrafo único) (Brasil, 2004). Por fim, as teclas das urnas 
 
 
6 
eletrônicas são desenhadas com o sistema Braille e equipadas com fones de 
ouvido para a confirmação da escolha. 
A Constituição proíbe expressamente o alistamento eleitoral de 
estrangeiros e dos conscritos durante o período do serviço militar obrigatório (art. 
14, parágrafo 2º) (Brasil, 1988). 
O Regulamento da Lei do Serviço Militar (art. 3º, 5º, Decreto n. 
57.654/1966, art. 3º, 5º) define como conscritos “os brasileiros que compõem a 
classe chamada para a seleção, tendo em vista a prestação do Serviço Militar 
inicial” (Brasil, 1966). Nessa situação também se equiparam aqueles que se 
encontram cumprindo prestação alternativa por objeção de consciência; os 
médicos dentistas, farmacêuticos e veterinários que terão a incorporação adiada 
para colação de grau (Lei n. 5.292/1967, art. 7º) e os residentes no exterior e os 
considerados temporariamente inaptos ao serviço militar (Decreto n. 
57.654/1966, art. 96, parágrafo 4º e 97) (Brasil, 1966). 
TEMA 3 – DOMICÍLIO ELEITORAL NA CIRCUNSCRIÇÃO 
O Código Civil define que “o domicílio da pessoa natural é o lugar onde 
ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo” (Brasil, 2002) e, “se, 
porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, 
considerar-se-á domicílio seu qualquer delas” (Lei n. 10.406/2002, arts. 70 e 71, 
grifo nosso) (Brasil, 2002). 
A definição contida no Código Eleitoral é mais ampla porque fixa como 
domicílio eleitoral “o lugar de residência ou moradia do requerente, e, verificado 
ter o alistando mais de uma, considerar-se-á domicílio qualquer delas” (Código 
Eleitoral, art. 42, parágrafo único, grifo nosso) (Brasil, 1997). 
Para essa lei, o eleitor somente poderá se candidatar se residir na 
circunscrição do cargo pretendido. A circunscrição é o território nacional para 
eleição presidencial; o estado ou Distrito Federal para as eleições gerais e o 
município para as eleições locais. Nenhum candidato poderá ser registrado por 
mais de uma circunscrição ou para mais de um cargo na mesma circunscrição 
(Código Eleitoral, art. 88) (Brasil, 1997). 
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina define em julgado que 
o domicílio eleitoral não se confunde necessariamente com o domicílio 
civil, pois, enquanto este corresponde ao lugar onde a pessoa natural 
fixa residência com ânimo definitivo, o domicílio eleitoral corresponde 
ao local onde a pessoa, atendidas as exigências legais, validamente 
 
 
7 
se aparelha para votar em eleições públicas e oficiais. (Recurso 
16.117, 2000) (Santa Catarina, 2000) 
A redação originária do Código Eleitoral estabelece que a transferência 
só seja admitida satisfeita a exigência do tempo de residência mínima de três 
meses no novo domicílio, atestada, pela autoridade policial ou provada por 
outros meios convincentes (art. 55, parágrafo 1º, grifo nosso) (Brasil, 1997). 
Uma lei que conflita com o Código Eleitoral acima citado deu novo 
entendimento quanto à exigência de comprovante de endereço quando 
estabelece que a transferência do eleitor só seja admitida se satisfeita a 
residência mínima de três meses no novo domicílio, declarada, sob as penas da 
lei, pelo próprio eleitor (Lei n. 6.996/1982, art. 8º, III) (Brasil, 1982). 
Joel José Cândido (2000, p. 82) faz a crítica de que 
Dentre as espécies de fraudes eleitorais, no alistamento, talvez a de 
prática mais disseminada seja aquela cuja execução se opera em 
eleições municipais e que consiste na arregimentação criminosa de 
eleitores de municípios geralmente vizinhos. Seus autores atuam 
induzindo eleitores – geralmente oriundos das camadas mais humildes 
da população – a solicitar inscrições ou transferências, declarando 
falsamente seus endereços, para municípios onde possam votar em 
determinado candidato. 
Saiba mais 
Arregimentação é o fato pelo qual um político convence eleitores e oferece 
as condições necessárias (transporte, alimentação etc.) para que obtenham o 
título de eleitor e, em troca, votem no candidato que ofereceu esses benefícios. 
O Tribunal Superior Eleitoral, respondendo a uma consulta formulada pelo 
Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, que propõe a exigência de comprovante 
de endereço, respondeu negativamente com o fundamento de que “o 
procedimento para a matéria sob exame, encontra-se previsto na Lei n. 6.996/82 
e na Resolução n. 13.568/87, que impõe ‘residência mínima’ de 3 (três) meses 
no novo domicilio, declarada, sob as penas da lei, pelo próprio eleitor" (Consulta 
n. 9.274, 1988). 
Por fim, a resolução do Tribunal Superior Eleitoral que disciplina o 
alistamento eleitoral apenas repete o art. 8º, III, da Lei 6.996/1982 com o texto: 
“só será admitida se satisfeitas as seguintes exigências: (...) III. Residência 
mínima de 3 (três) meses no novo domicílio, declarada, sob as penas da lei, pelo 
próprio eleitor (Resolução n. 20.132/2008, art. 18, III, grifo nosso) ”. 
 
 
8 
TEMA 4 – SISTEMA INFORMATIZADO DE VOTAÇÃO E TOTALIZAÇÃO 
No Brasil, a votação e a totalização da votação são realizados pelo 
sistema eletrônico e informatizado e, em caso de impossibilidade de votação, o 
sufrágio pode ser realizado pelo antigo sistema de cédulas de papel (Código 
Eleitoral, arts. 82 a 89) (Brasil, 1997). 
A primeira auditoria pública se inicia nos seis meses anteriores às eleições 
quando a Justiça Eleitoral disponibiliza todos os programas utilizados nas urnas 
eletrônicas para votação, apuração e totalização aos técnicos indicados pelos 
partidos, à Ordem dos Advogados do Brasil e ao Ministério Público (Lei n. 
9.504/1997, art. 66, parágrafos 1º, 4º e 7º) (Brasil, 1997). 
A segunda auditoria ocorre com cerimônia pública de carga ou preparação 
das urnas eletrônicas, quando os partidos e coligações são convocados para a 
assistirem, fiscalizarem e verificarem a coincidência dos programas carregados 
com os que foram lacrados na verificação anterior dos programas (Lei n. 
9.504/1997, art. 66, parágrafo 5º) (Brasil, 1997). 
A terceira auditoria ocorre no dia da eleição a partir de amostragem de 
urnas eletrônicas sorteadas no sábado anterior as eleições que são retiradas do 
local de votação e substituídas por outra de contingência e transportadas para a 
sede dos tribunais regionais eleitorais. Em votação simulada com resultados não 
contabilizados na apuração real e oportunizada na presença dos fiscais dos 
partidos e coligações,será realizada uma votação fictícia, anotação manual em 
registro de papel e o batimento dos votos sufragados (Lei n. 9.504/1997, art. 66, 
parágrafo 6º) (Brasil, 1997). 
A quarta auditoria ocorre com a emissão da zerézima, antes do início da 
votação, um boletim que informa que não ainda não houve sufrágio naquela 
seção. 
A quinta auditoria ocorre quando o presidente da mesa coletora de votos 
encerra a votação, emite o boletim de urna (com QR Code) com o sufrágio 
obtido, fixa na entrada da seção colocando à disposição dos representantes dos 
partidos e coligações concorrentes ao pleito. Nesse momento, os dados ainda 
não foram enviados para a apuração e a urna não é interligada em rede (Lei 
9.504/1997, art. 68) (Brasil, 1997). 
A Lei das Eleições (Lei n. 9.504/1997) tipifica: 
 
 
 
9 
Art. 72. Constituem crimes, puníveis com reclusão, de cinco a dez 
anos: 
I – obter acesso a sistema de tratamento automático de dados usado 
pelo serviço eleitoral, a fim de alterar a apuração ou a contagem de 
votos; 
II – desenvolver ou introduzir comando, instrução, ou programa de 
computador capaz de destruir, apagar, eliminar, alterar, gravar ou 
transmitir dado, instrução ou programa ou provocar qualquer outro 
resultado diverso do esperado em sistema de tratamento automático 
de dados usados pelo serviço eleitoral; 
III – causar, propositadamente, dano físico ao equipamento usado na 
votação ou na totalização de votos ou a suas partes. (Brasil, 1997) 
Caso haja indícios da prática dos crimes acima descritos, o eleitor deverá 
impugnar no ato, por meio da ata de registro da mesa coletora de voto, havendo 
suspeita de fraude. A competência para apreciação será da junta eleitoral que, 
se não receber, poderá ser apresentada diretamente ao tribunal regional 
eleitoral, em 48 (quarenta e oito) horas, acompanhada de declaração de 2 (duas) 
testemunhas (Lei n. 9.504/1997, art. 69) (Brasil, 1997). 
Saiba mais 
Impugnar significa registrar uma reclamação ou denúncia pelo eleitor em 
formulário específico. O juiz eleitoral encaminhará o registro para o promotor 
eleitoral que analisará se é o caso de acionar o suposto criminoso. 
A urna eletrônica deverá resguardar o anonimato do eleitor e o sigilo do 
voto por meio de assinatura digital, bem como o computo apartado de cada voto 
com a identificação da urna em que foi sufragado (Lei n. 9.504/1997, art. 59, 
parágrafos 4º e 5º) (Brasil, 1997). Segundo a Lei das eleições “a urna eletrônica 
contabilizará cada voto, assegurando-lhe o sigilo e inviolabilidade, garantida aos 
partidos políticos, coligações e candidatos ampla fiscalização” (Lei 9.504/1997, 
art. 61) (Brasil, 1997) e, se houver apenas um voto na urna, mesmo assim ele 
será computado na “ainda que isso implique, em tese, o afastamento do sigilo” 
(Tribunal Superior Eleitoral, Processo Administrativo 108.906, 2010). 
No encerramento da votação, proceder-se-á à “assinatura digital do 
arquivo de votos, com aplicação do registro de horário e do arquivo do boletim 
de urna, de maneira a impedir a substituição de votos e a alteração dos registros 
dos termos de início e término da votação” (Lei n. 9.504/1997, art. 59, parágrafo 
6º) (Brasil, 1997). 
A Lei n. 9.504/1997 prevê a implantação gradativa do sistema de 
impressão da votação para auditoria pelo qual a urna registrará em papel cada 
 
 
10 
voto sem a identificação do eleitor que será depositado automaticamente e sem 
contato manual em urna acoplada e previamente lacrada (art. 59-A, caput) 
(Brasil, 1997). O eleitor não terá recibo do voto para resguardar o sigilo do voto. 
Nas eleições para cargos preenchidos pelo sistema proporcional, os votos 
sem a identificação do candidato pela insuficiência de números digitados serão 
computados para a legenda (ou para a coligação) se os números digitados forem 
coincidentes com partido que esteja concorrendo no pleito (Lei n. 9.504/1997, 
art. 59, parágrafo 2 e 60) (Brasil, 1997). 
Nas eleições para cargos preenchidos pelo sistema proporcional, os votos 
em sem a identificação do candidato pela insuficiência de números digitados 
serão computados para a legenda (ou para a coligação) se os números digitados 
forem coincidentes com partido que esteja concorrendo no pleito (Lei 
n.9.504/1997, art. 59, parágrafo 2 e 60º) (Brasil, 1997). 
TEMA 5 – CONSULTANDO A LEGISLAÇÃO 
 
CONDIÇÕES DE ALISTABILIDADE 
 
 
Obrigatório 
 
Brasileiros maiores de 18 anos e menores de 70 anos 
(Constituição, art. 14, parágrafo 1º, inciso I). 
 
Facultativos 
 
 
Alistamento 
 
 
Voto 
Analfabetos (Constituição, art. 14, inciso II, a) 
Maiores de 16 anos e menores de 18 anos 
Maiores de 70 anos 
Inválidos (Código Eleitoral, art. 6º, inciso I) Enfermos (Código Eleitoral, art.6º, inciso II,E) 
Ausentes do país (Código Eleitoral, art. 6º, 
inciso I) 
Ausentes do domicílio no país 
(Código Eleitoral, art. 6º, inciso II) 
 
 
11 
Portugueses equiparados aos brasileiros após 3 
anos (Constituição, art. 12, parágrafo 1º) 
Funcionários públicos em serviço (Código 
Eleitoral, art. 6º, inciso III) 
Indígenas não integrados (Estatuto do Índio) 
 
Impedidos de se alistar 
 
Estrangeiros, exceto os portugueses optantes pela Convenção da Igualdade 
(Constituição, arts. 12, parágrafo 1º e 14, parágrafo 2º) 
Conscritos, durante o serviço militar obrigatório (Constituição, art. 14, parágrafo 2º) 
Os que não saibam exprimir-se na língua nacional (Código Eleitoral, arts. 42, 88; Lei n. 6.996/1982, 
art. 8º, inciso III; Lei n. 7.115/1983, art. 1º) 
Os privados dos direitos políticos 
 
Outros temas abordados na aula 
 
Sistema informatizado de votação e totalização (Lei n. 9.504/1997, arts. 59 ao 62) 
Controle e fiscalização das eleições (Lei n. 9.504/1997), arts. 65 ao 72) 
Domicílio eleitoral (Código Eleitoral) 
NA PRÁTICA 
Um servidor público possui a sua residência habitual em Curitiba, Irati 
(PR) e São Bento do Sul (SC). Exerce as suas atividades nos escritórios do 
órgão em que trabalha, parcialmente, em Campo Largo (PR), Camaquã (RS) e 
em Brasília (DF). Possui uma residência onde mora três meses por ano na 
cidade de Garmisch-Partenkirchen (Alemanha). Para fins de lazer, possui uma 
casa de veraneio em Aracaju (SE) e uma chácara em Wenceslau Braz (PR). 
Com base em nossos estudos acerca do domicílio eleitoral, pesquise em 
quais municípios esse eleitor pode se alistar e em qual circunscrição poderá 
concorrer. 
 O domicílio eleitoral é de livre escolha para o eleitor. Assim, ele poderá 
escolher qualquer desses municípios, no Distrito Federal e até no Consulado de 
 
 
12 
Munique, na Alemanha. Porém, somente poderá concorrer para a circunscrição 
em que estiver inscrito e no Brasil. Por exemplo, se tiver alistado em Curitiba, 
somente poderá concorrer a prefeito, vice ou vereador dessa cidade e 
governador, deputado e senador do Paraná (apenas) e Presidente da República. 
Se estiver registrado no consulado, poderá apenas votar para o cargo de 
Presidente e não poderá ser candidato. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, foi possível entender o alistamento e o voto obrigatório, 
facultativo e proibido, as situações especiais de facultatividade previstas no 
Código Eleitoral, as divergências que envolvem o domicílio eleitoral e o sistema 
eletrônico e informatizado de votação e totalização. 
 
 
 
13 
REFERÊNCIAS 
BORN, R. C. Direito eleitoral militar. 3. ed. Curitiba: Juruá, 2014. 
_____. Direito eleitoral internacional e comunitário. 2. ed. Curitiba: Juruá, 
2016. 
BORN, R. C.; KARPSTEIN, C. Direito eleitoral para concursos, 2. ed. Curitiba: 
IESDE, 2012. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial 
da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
_____. Decreto n. 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, 
Poder Legislativo, Brasília, DF, 3 dez. 2004. 
_____. Decreto n. 57.654, de 20 de janeiro de 1966. Diário Oficial da União,Poder Legislativo, Brasília, DF, 31 jan. 1966. 
_____. Lei n. 4.717, de 29 de junho de 1965. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 5 jul. 1965a. 
_____. Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 19 jul. 1965b. 
_____. Lei n. 5.292, de 8 de junho de 1967. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 12 jun. 1967. 
_____. Lei n. 6.091, de 15 de agosto de 1974. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 15 ago. 1974. 
_____. Lei n. 6.996, de 7 de junho de 1982. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 8 jun. 1982. 
_____. Lei n. 9.504, de 30 de setembro de 1997. Diário Oficial da União, Poder 
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_____. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União, Poder 
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_____. Lei n. 13.146, de 6 de julho de 2015. Diário Oficial da União, Poder 
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21 mar. 2000. 
 
 
	Conversa inicial
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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