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DIREITO ELEITORAL AULA 2 Prof. Rogério Carlos Born CONVERSA INICIAL Nesta aula, vamos examinar alguns aspectos centrais do alistamento eleitoral. Iniciaremos pela abordagem do alistamento e do voto obrigatório. Em seguida, serão abordadas as situações em que o alistamento e o voto são facultativos e proibidos. Em terceiro lugar, conheceremos a forma com que a legislação eleitoral reconhece o domicílio eleitoral. O quarto tema analisará o sistema informatizado de votação e totalização e, por fim, faremos um resumo da legislação estudada. A divisão nesses temas tem como objetivo reforçar o conhecimento dos direitos políticos ativos. O conceito legal de cidadão é definido pela Lei de Ação Popular (Lei n. 4.717/1965), que, no art. 1º, parágrafo 3º, define que “fazem prova da cidadania, para ingresso em juízo, com o título eleitoral, ou com documento que a ele corresponda” (certidão de quitação eleitoral) (Brasil, 1965a). Porém, o conceito de cidadania é muito mais amplo. A cidadania consiste no exercício de todos os direitos políticos ativos (votar em um candidato ou respondendo a perguntas em plebiscito ou referendo ou abster-se, votando em branco), bem como os direitos políticos passivos, desde a filiação, a candidatura e a militância. O alistamento eleitoral se faz mediante a inscrição na unidade de atendimento da Justiça Eleitoral correspondente à zona eleitoral do município do requerente. As transferências são operações de mudança de domicílio entre os municípios ou entre estes e o Distrito Federal ou repartições consulares cujo prazo de requerimento é cento e cinquenta dias antecedentes às eleições (Código Eleitoral, art. 8º, parágrafo único) (Brasil, 1965b). As mudanças de local de votação no mesmo município são registradas como revisões. TEMA 1 – ALISTAMENTO E VOTO OBRIGATÓRIO A Constituição prevê que o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para todos brasileiros e naturalizados alfabetizados maiores de 18 (dezoito) e maiores de 70 (setenta) anos de idade (Brasil, 1988). O alistamento é definido como o procedimento pela qual o eleitor se dirige à Justiça Eleitoral e efetua a inscrição no cadastro eleitoral. O cartório eleitoral, após verificar se o cidadão preenche todos os requisitos para o exercício dos direitos políticos, habilita-o 3 para votar e ser votado. Após o deferimento de sua habilitação para o exercício dos direitos políticos, o eleitor recebe um documento denominado de título eleitoral. O voto em branco é diferente do voto nulo. O eleitor aperta a tecla branco quando sabe votar, mas não deseja votar em nenhum candidato ou legenda ou mesmo para manifestar a sua indignação. No voto nulo, o eleitor tem candidato, mas não sabe votar e acaba por digitar na urna um número que não é registrado por nenhum partido ou candidato e é justamente. É justamente por ser uma manifestação inconsciente do eleitor que as urnas eletrônicas não estão equipadas com a tecla nulo. Nem o voto em branco nem o voto nulo são computados no resultado das eleições, uma vez que a Lei das Eleições e a Constituição dispõem que “será considerado eleito prefeito o candidato que obtiver a maioria dos votos, não computados os em branco e os nulos” (Lei n. 9.504/1997, art. 3º; Constituição, arts.29, II e III em concurso como o art. 77, grifo nosso) (Brasil, 1997; 1988). O primeiro requisito para o exercício dos direitos políticos é a nacionalidade brasileira originária (quando o indivíduo já nasce com a nacionalidade) ou adquirida (quando opta por ser nacional do país de residência). Os brasileiros naturalizados somente não podem ser votados nos cargos eletivos privativos de brasileiros natos, que são o de presidente e vice-presidente da República; presidente da Câmara dos Deputados e o de presidente do Senado Federal (Constituição, art. 12, parágrafo 3º, I a III) (Brasil, 1988). Convém ressaltar que os naturalizados são proibidos apenas de presidir as casas legislativas da República, mas não estão impedidos de serem eleitos como deputados ou senadores. O voto no Brasil é obrigatório e isso significa que se abster desse direito gera consequências para o eleitor. Os eleitores que estiverem ausentes do seu domicílio, em território nacional, deverão justificar, no dia da eleição, em qualquer local de votação do município onde se encontra, sendo vedada a justificativa no mesmo município, enquanto os eleitores residentes no exterior têm o prazo de 30 dias contados do ingresso em território nacional para justificar perante o juiz eleitoral, munido de documentos (em regra passaporte e passagens) que comprovem a sua estada no exterior (Tribunal Superior Eleitoral, Resolução n. 21.538/2003, art. 80, parágrafo 1º). 4 Os enfermos, servidores públicos civis e militares impossibilitados de votar em razão dos trabalhos nas eleições têm sessenta dias, a partir de cada turno, para justificar perante o juiz eleitoral. Após esse prazo, cabe somente o pagamento de multa. Os eleitores que estão sujeitos a deixar de votar ou justificar por três turnos consecutivos, para evitar o cancelamento, terão o prazo de seis meses da última eleição para comparecer perante o juiz eleitoral. A multa pela ausência aos pleitos é de 3% (três por cento) a 10% (dez por cento) do salário mínimo que, devido à vedação constitucional à vinculação ao salário mínimo, foi convertida em Unidades Fiscais de Referência (UFIR) e totalizada em R$ 3,51 (três reais e cinquenta e um centavos) por turno (Lei n. 6.091/74, art. 7º) (Brasil, 1974). Os eleitores que deixarem de comparecer e justificar nas eleições serão impossibilitados de se inscrever-se em concurso público; receber vencimentos da Administração direta, indireta e instituições subvencionadas ou que exerçam serviço delegado pelo Estado, a partir do segundo mês subsequente à eleição; participar de concorrência pública; obter empréstimos de qualquer instituição vinculado ao Estado; obter passaporte, carteira de identidade ou Cartão de Pessoa Física (Código Eleitoral, art. 7º, parágrafo 1º) (Brasil, 1997). TEMA 2 – ALISTAMENTO E VOTO FACULTATIVO E PROIBIDO A Constituição ampara com a facultatividade do alistamento e do voto os eleitores analfabetos; os maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos e os maiores de 70 (setenta) anos (Constituição, art. 14, parágrafo 1º) (Brasil, 1988), enquanto o Código Eleitoral estende a facultatividade aos inválidos e os que se encontrem fora do país e o voto aos enfermos, aos que se que se encontrem fora do seu domicílio e aos funcionários civis e os militares em serviço que os impossibilite de votar (Brasil, 1997). Saiba mais A facultatividade significa que o eleitor pode escolher se quer ou não votar ou mesmo se fazer o seu título de eleitor. O fato de o eleitor facultativo ter se alistado (inscrito), por si só, não o obriga a votar. 5 No ano em que se realizarem as eleições, é facultado o alistamento àquele que conta com quinze anos de idade, desde que complete dezesseis anos de idade até o dia do pleito, desde que solicitada a inscrição até cento e cinquenta dias anteriores às eleições. Os idosos, apesar do alistamento e voto facultativo acima de setenta anos, se optarem pelo exercício do direito do voto, têm a garantia de preferência nas filas e procedimentos para votar (Código Eleitoral, art. 143) e nos cartórios eleitorais e centrais de atendimento ao eleitor, além de assegurado, se contar com mais de sessenta anos e figurar como parte ou interveniente, prioridade na tramitação dos processos e procedimentos em qualquer instância da Justiça Eleitoral (Lei n. 13.146/2015, art. 71, caput) (Brasil, 1997). O portador de deficiência continua obrigado ao alistamento eleitoral, ao voto e do trabalho nas mesas coletoras de votos, mas não estarásujeito à sanção quando a deficiência torne impossível ou demasiadamente oneroso o exercício dos deveres eleitorais. A lei define pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida aquela que “temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com meio e de utilizá-lo” (Lei n. 13.146/2015, art. 2º, inciso III). A Internacional Foundation for Electoral Systems (IFES) é uma organização internacional não governamental fundada em 1987 que presta assistência na realização de eleições em Estados em que a democracia é emergente e se encontra em dificuldades para se afirmar. IFES realiza frequentes ações afirmativas em busca de inclusão dos portadores de deficiência nos processos eleitorais, principalmente em países em que há um número muito grande de vítimas de catástrofes, guerras e revoluções. O Brasil possui uma das legislações eleitorais mais avançadas nesse sentido, uma vez que o Código Eleitoral prevê que os tribunais regionais deverão, a cada eleição, “expedir instruções aos juízes eleitorais, para orientá- los na escolha dos locais de votação de mais fácil acesso para o eleitor deficiente físico” (art. 135, parágrafo 6º, grifo nosso) (Brasil, 1997). Um ato normativo prevê que os locais de votação deverão ser acessíveis e com estacionamento próximo e as seções eleitorais devem ser adaptadas à utilização e à locomoção dos eleitores portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida (Decreto 5.296/2004, art. 21, parágrafo único) (Brasil, 2004). Por fim, as teclas das urnas 6 eletrônicas são desenhadas com o sistema Braille e equipadas com fones de ouvido para a confirmação da escolha. A Constituição proíbe expressamente o alistamento eleitoral de estrangeiros e dos conscritos durante o período do serviço militar obrigatório (art. 14, parágrafo 2º) (Brasil, 1988). O Regulamento da Lei do Serviço Militar (art. 3º, 5º, Decreto n. 57.654/1966, art. 3º, 5º) define como conscritos “os brasileiros que compõem a classe chamada para a seleção, tendo em vista a prestação do Serviço Militar inicial” (Brasil, 1966). Nessa situação também se equiparam aqueles que se encontram cumprindo prestação alternativa por objeção de consciência; os médicos dentistas, farmacêuticos e veterinários que terão a incorporação adiada para colação de grau (Lei n. 5.292/1967, art. 7º) e os residentes no exterior e os considerados temporariamente inaptos ao serviço militar (Decreto n. 57.654/1966, art. 96, parágrafo 4º e 97) (Brasil, 1966). TEMA 3 – DOMICÍLIO ELEITORAL NA CIRCUNSCRIÇÃO O Código Civil define que “o domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo” (Brasil, 2002) e, “se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas” (Lei n. 10.406/2002, arts. 70 e 71, grifo nosso) (Brasil, 2002). A definição contida no Código Eleitoral é mais ampla porque fixa como domicílio eleitoral “o lugar de residência ou moradia do requerente, e, verificado ter o alistando mais de uma, considerar-se-á domicílio qualquer delas” (Código Eleitoral, art. 42, parágrafo único, grifo nosso) (Brasil, 1997). Para essa lei, o eleitor somente poderá se candidatar se residir na circunscrição do cargo pretendido. A circunscrição é o território nacional para eleição presidencial; o estado ou Distrito Federal para as eleições gerais e o município para as eleições locais. Nenhum candidato poderá ser registrado por mais de uma circunscrição ou para mais de um cargo na mesma circunscrição (Código Eleitoral, art. 88) (Brasil, 1997). O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina define em julgado que o domicílio eleitoral não se confunde necessariamente com o domicílio civil, pois, enquanto este corresponde ao lugar onde a pessoa natural fixa residência com ânimo definitivo, o domicílio eleitoral corresponde ao local onde a pessoa, atendidas as exigências legais, validamente 7 se aparelha para votar em eleições públicas e oficiais. (Recurso 16.117, 2000) (Santa Catarina, 2000) A redação originária do Código Eleitoral estabelece que a transferência só seja admitida satisfeita a exigência do tempo de residência mínima de três meses no novo domicílio, atestada, pela autoridade policial ou provada por outros meios convincentes (art. 55, parágrafo 1º, grifo nosso) (Brasil, 1997). Uma lei que conflita com o Código Eleitoral acima citado deu novo entendimento quanto à exigência de comprovante de endereço quando estabelece que a transferência do eleitor só seja admitida se satisfeita a residência mínima de três meses no novo domicílio, declarada, sob as penas da lei, pelo próprio eleitor (Lei n. 6.996/1982, art. 8º, III) (Brasil, 1982). Joel José Cândido (2000, p. 82) faz a crítica de que Dentre as espécies de fraudes eleitorais, no alistamento, talvez a de prática mais disseminada seja aquela cuja execução se opera em eleições municipais e que consiste na arregimentação criminosa de eleitores de municípios geralmente vizinhos. Seus autores atuam induzindo eleitores – geralmente oriundos das camadas mais humildes da população – a solicitar inscrições ou transferências, declarando falsamente seus endereços, para municípios onde possam votar em determinado candidato. Saiba mais Arregimentação é o fato pelo qual um político convence eleitores e oferece as condições necessárias (transporte, alimentação etc.) para que obtenham o título de eleitor e, em troca, votem no candidato que ofereceu esses benefícios. O Tribunal Superior Eleitoral, respondendo a uma consulta formulada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, que propõe a exigência de comprovante de endereço, respondeu negativamente com o fundamento de que “o procedimento para a matéria sob exame, encontra-se previsto na Lei n. 6.996/82 e na Resolução n. 13.568/87, que impõe ‘residência mínima’ de 3 (três) meses no novo domicilio, declarada, sob as penas da lei, pelo próprio eleitor" (Consulta n. 9.274, 1988). Por fim, a resolução do Tribunal Superior Eleitoral que disciplina o alistamento eleitoral apenas repete o art. 8º, III, da Lei 6.996/1982 com o texto: “só será admitida se satisfeitas as seguintes exigências: (...) III. Residência mínima de 3 (três) meses no novo domicílio, declarada, sob as penas da lei, pelo próprio eleitor (Resolução n. 20.132/2008, art. 18, III, grifo nosso) ”. 8 TEMA 4 – SISTEMA INFORMATIZADO DE VOTAÇÃO E TOTALIZAÇÃO No Brasil, a votação e a totalização da votação são realizados pelo sistema eletrônico e informatizado e, em caso de impossibilidade de votação, o sufrágio pode ser realizado pelo antigo sistema de cédulas de papel (Código Eleitoral, arts. 82 a 89) (Brasil, 1997). A primeira auditoria pública se inicia nos seis meses anteriores às eleições quando a Justiça Eleitoral disponibiliza todos os programas utilizados nas urnas eletrônicas para votação, apuração e totalização aos técnicos indicados pelos partidos, à Ordem dos Advogados do Brasil e ao Ministério Público (Lei n. 9.504/1997, art. 66, parágrafos 1º, 4º e 7º) (Brasil, 1997). A segunda auditoria ocorre com cerimônia pública de carga ou preparação das urnas eletrônicas, quando os partidos e coligações são convocados para a assistirem, fiscalizarem e verificarem a coincidência dos programas carregados com os que foram lacrados na verificação anterior dos programas (Lei n. 9.504/1997, art. 66, parágrafo 5º) (Brasil, 1997). A terceira auditoria ocorre no dia da eleição a partir de amostragem de urnas eletrônicas sorteadas no sábado anterior as eleições que são retiradas do local de votação e substituídas por outra de contingência e transportadas para a sede dos tribunais regionais eleitorais. Em votação simulada com resultados não contabilizados na apuração real e oportunizada na presença dos fiscais dos partidos e coligações,será realizada uma votação fictícia, anotação manual em registro de papel e o batimento dos votos sufragados (Lei n. 9.504/1997, art. 66, parágrafo 6º) (Brasil, 1997). A quarta auditoria ocorre com a emissão da zerézima, antes do início da votação, um boletim que informa que não ainda não houve sufrágio naquela seção. A quinta auditoria ocorre quando o presidente da mesa coletora de votos encerra a votação, emite o boletim de urna (com QR Code) com o sufrágio obtido, fixa na entrada da seção colocando à disposição dos representantes dos partidos e coligações concorrentes ao pleito. Nesse momento, os dados ainda não foram enviados para a apuração e a urna não é interligada em rede (Lei 9.504/1997, art. 68) (Brasil, 1997). A Lei das Eleições (Lei n. 9.504/1997) tipifica: 9 Art. 72. Constituem crimes, puníveis com reclusão, de cinco a dez anos: I – obter acesso a sistema de tratamento automático de dados usado pelo serviço eleitoral, a fim de alterar a apuração ou a contagem de votos; II – desenvolver ou introduzir comando, instrução, ou programa de computador capaz de destruir, apagar, eliminar, alterar, gravar ou transmitir dado, instrução ou programa ou provocar qualquer outro resultado diverso do esperado em sistema de tratamento automático de dados usados pelo serviço eleitoral; III – causar, propositadamente, dano físico ao equipamento usado na votação ou na totalização de votos ou a suas partes. (Brasil, 1997) Caso haja indícios da prática dos crimes acima descritos, o eleitor deverá impugnar no ato, por meio da ata de registro da mesa coletora de voto, havendo suspeita de fraude. A competência para apreciação será da junta eleitoral que, se não receber, poderá ser apresentada diretamente ao tribunal regional eleitoral, em 48 (quarenta e oito) horas, acompanhada de declaração de 2 (duas) testemunhas (Lei n. 9.504/1997, art. 69) (Brasil, 1997). Saiba mais Impugnar significa registrar uma reclamação ou denúncia pelo eleitor em formulário específico. O juiz eleitoral encaminhará o registro para o promotor eleitoral que analisará se é o caso de acionar o suposto criminoso. A urna eletrônica deverá resguardar o anonimato do eleitor e o sigilo do voto por meio de assinatura digital, bem como o computo apartado de cada voto com a identificação da urna em que foi sufragado (Lei n. 9.504/1997, art. 59, parágrafos 4º e 5º) (Brasil, 1997). Segundo a Lei das eleições “a urna eletrônica contabilizará cada voto, assegurando-lhe o sigilo e inviolabilidade, garantida aos partidos políticos, coligações e candidatos ampla fiscalização” (Lei 9.504/1997, art. 61) (Brasil, 1997) e, se houver apenas um voto na urna, mesmo assim ele será computado na “ainda que isso implique, em tese, o afastamento do sigilo” (Tribunal Superior Eleitoral, Processo Administrativo 108.906, 2010). No encerramento da votação, proceder-se-á à “assinatura digital do arquivo de votos, com aplicação do registro de horário e do arquivo do boletim de urna, de maneira a impedir a substituição de votos e a alteração dos registros dos termos de início e término da votação” (Lei n. 9.504/1997, art. 59, parágrafo 6º) (Brasil, 1997). A Lei n. 9.504/1997 prevê a implantação gradativa do sistema de impressão da votação para auditoria pelo qual a urna registrará em papel cada 10 voto sem a identificação do eleitor que será depositado automaticamente e sem contato manual em urna acoplada e previamente lacrada (art. 59-A, caput) (Brasil, 1997). O eleitor não terá recibo do voto para resguardar o sigilo do voto. Nas eleições para cargos preenchidos pelo sistema proporcional, os votos sem a identificação do candidato pela insuficiência de números digitados serão computados para a legenda (ou para a coligação) se os números digitados forem coincidentes com partido que esteja concorrendo no pleito (Lei n. 9.504/1997, art. 59, parágrafo 2 e 60) (Brasil, 1997). Nas eleições para cargos preenchidos pelo sistema proporcional, os votos em sem a identificação do candidato pela insuficiência de números digitados serão computados para a legenda (ou para a coligação) se os números digitados forem coincidentes com partido que esteja concorrendo no pleito (Lei n.9.504/1997, art. 59, parágrafo 2 e 60º) (Brasil, 1997). TEMA 5 – CONSULTANDO A LEGISLAÇÃO CONDIÇÕES DE ALISTABILIDADE Obrigatório Brasileiros maiores de 18 anos e menores de 70 anos (Constituição, art. 14, parágrafo 1º, inciso I). Facultativos Alistamento Voto Analfabetos (Constituição, art. 14, inciso II, a) Maiores de 16 anos e menores de 18 anos Maiores de 70 anos Inválidos (Código Eleitoral, art. 6º, inciso I) Enfermos (Código Eleitoral, art.6º, inciso II,E) Ausentes do país (Código Eleitoral, art. 6º, inciso I) Ausentes do domicílio no país (Código Eleitoral, art. 6º, inciso II) 11 Portugueses equiparados aos brasileiros após 3 anos (Constituição, art. 12, parágrafo 1º) Funcionários públicos em serviço (Código Eleitoral, art. 6º, inciso III) Indígenas não integrados (Estatuto do Índio) Impedidos de se alistar Estrangeiros, exceto os portugueses optantes pela Convenção da Igualdade (Constituição, arts. 12, parágrafo 1º e 14, parágrafo 2º) Conscritos, durante o serviço militar obrigatório (Constituição, art. 14, parágrafo 2º) Os que não saibam exprimir-se na língua nacional (Código Eleitoral, arts. 42, 88; Lei n. 6.996/1982, art. 8º, inciso III; Lei n. 7.115/1983, art. 1º) Os privados dos direitos políticos Outros temas abordados na aula Sistema informatizado de votação e totalização (Lei n. 9.504/1997, arts. 59 ao 62) Controle e fiscalização das eleições (Lei n. 9.504/1997), arts. 65 ao 72) Domicílio eleitoral (Código Eleitoral) NA PRÁTICA Um servidor público possui a sua residência habitual em Curitiba, Irati (PR) e São Bento do Sul (SC). Exerce as suas atividades nos escritórios do órgão em que trabalha, parcialmente, em Campo Largo (PR), Camaquã (RS) e em Brasília (DF). Possui uma residência onde mora três meses por ano na cidade de Garmisch-Partenkirchen (Alemanha). Para fins de lazer, possui uma casa de veraneio em Aracaju (SE) e uma chácara em Wenceslau Braz (PR). Com base em nossos estudos acerca do domicílio eleitoral, pesquise em quais municípios esse eleitor pode se alistar e em qual circunscrição poderá concorrer. O domicílio eleitoral é de livre escolha para o eleitor. Assim, ele poderá escolher qualquer desses municípios, no Distrito Federal e até no Consulado de 12 Munique, na Alemanha. Porém, somente poderá concorrer para a circunscrição em que estiver inscrito e no Brasil. Por exemplo, se tiver alistado em Curitiba, somente poderá concorrer a prefeito, vice ou vereador dessa cidade e governador, deputado e senador do Paraná (apenas) e Presidente da República. Se estiver registrado no consulado, poderá apenas votar para o cargo de Presidente e não poderá ser candidato. FINALIZANDO Nesta aula, foi possível entender o alistamento e o voto obrigatório, facultativo e proibido, as situações especiais de facultatividade previstas no Código Eleitoral, as divergências que envolvem o domicílio eleitoral e o sistema eletrônico e informatizado de votação e totalização. 13 REFERÊNCIAS BORN, R. C. Direito eleitoral militar. 3. ed. Curitiba: Juruá, 2014. _____. Direito eleitoral internacional e comunitário. 2. ed. Curitiba: Juruá, 2016. BORN, R. C.; KARPSTEIN, C. Direito eleitoral para concursos, 2. ed. Curitiba: IESDE, 2012. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. _____. Decreto n. 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 3 dez. 2004. _____. Decreto n. 57.654, de 20 de janeiro de 1966. Diário Oficial da União,Poder Legislativo, Brasília, DF, 31 jan. 1966. _____. Lei n. 4.717, de 29 de junho de 1965. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 jul. 1965a. _____. Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 19 jul. 1965b. _____. Lei n. 5.292, de 8 de junho de 1967. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 12 jun. 1967. _____. Lei n. 6.091, de 15 de agosto de 1974. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 15 ago. 1974. _____. Lei n. 6.996, de 7 de junho de 1982. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 8 jun. 1982. _____. Lei n. 9.504, de 30 de setembro de 1997. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 1 out. 1997. _____. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 11 jan. 2002. _____. Lei n. 13.146, de 6 de julho de 2015. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 7 jul. 2015. BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Consulta 9.274/PR. Relator ministro Sebastião Reis. Diário de Justiça, 18 ago. 1988. 14 CÂNDIDO, J. J. Direito eleitoral brasileiro. 8ª edição. Bauru: Edipro, 2000. SANTA CATARINA. Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina. Recurso de cancelamento de inscrições de eleitores 16.117/Laurentino. Diário de Justiça, 21 mar. 2000. Conversa inicial Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS