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FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DE GARANHUNS SISTEMAS ORGÂNICOS INTEGRADOS II (ATIVIDADE TIC’s) DANIEL ANTÔNIO TEIXEIRA DE SANTANA GARANHUNS/PE 2024 O QUE OCORRE COM A MOTRICIDADE VOLUNTÁRIA, O TATO DISCRIMINATIVO E A SENSIBILIDADE TERMO-ALGÉSICA NESTE TIPO DE LESÃO MEDULAR? A hemissecção medular também conhecida como síndrome de Brown-Séquard é uma condição médica caracterizada por diversos sintomas que surgem como resultado de uma lesão parcial na medula espinal. A medula espinal é composta por neurônios motores descendentes e neurônios sensitivos ascendentes, que se cruzam parcialmente para o lado oposto da medula (PORTO, 2019). Quando ocorre uma lesão medular unilateral, significa que ambos os lados do corpo são afetados clinicamente. Para compreender o funcionamento e as manifestações clínicas desta síndrome, é necessário revisar alguns conceitos sobre a anatomia da medula espinhal. A medula espinhal é composta por um grupo de neurônios que transportam informações do cérebro e do tronco encefálico para a periferia (fibras eferentes) e vice-versa (fibras aferentes). Essas fibras formam os tratos que conduzem as vias medulares (MACHADO, 2014). Ainda de acordo com Machado (2014), o principal trato eferente é o trato corticoespinhal, responsável por transmitir estímulos provenientes da região pré-central, localizada no lobo frontal e na área motora primária, até os nervos periféricos, que, por sua vez, estimulam a musculatura e promovem o movimento. Portanto, o trato corticoespinhal desempenha um papel fundamental na motricidade voluntária. Uma das vias aferentes de grande importância é conhecida como trato espinotalâmico, o qual é constituído por uma parte anterior e outra lateral. O trato espinotalâmico anterior transmite estímulos relacionados ao tato grosseiro e à pressão, captados pelos receptores periféricos, enquanto o trato espinotalâmico lateral conduz estímulos de temperatura e dor (SILVERTHORN, 2019). A via aferente de extrema relevância para esta síndrome é composta pelos fascículos grácil e cuneiforme, que ocupam a região posterior da medula, essas vias transmitem informações relacionadas à percepção consciente da posição e movimento dos membros sem a necessidade da visão, à sensibilidade vibratória e ao tato fino e discriminativo. De maneira geral, essas vias são responsáveis pela sensibilidade profunda. No lado onde ocorre a lesão, há perda da função motora, da propriocepção que é a percepção da posição dos membros e articulação, a sensibilidade epicrítica que trata da percepção de vibração e toque fino também é perdida (PORTO, 2019). No lado oposto, acontece a perda da sensibilidade protopática, que é a percepção grosseira, dor, pressão e temperatura. Essa síndrome ocorre na maioria das vezes com lesão ou até mesmo ruptura da medula espinal, acontecendo também, com menos constância, com tumores no canal vertebral (WANG, 2021). MOTRICIDADE VOLUNTÁRIA Uma lesão localizada que afeta a motricidade voluntária geralmente ocorre no sistema nervoso central (SNC), principalmente no cérebro ou na medula espinhal. Essas lesões podem resultar em danos aos neurônios motores, tratos motores, vias neurais ou outras estruturas relacionadas ao movimento voluntário (ALVAREZ, 2019). No cérebro, lesões como acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos cranianos, tumores cerebrais ou doenças neurodegenerativas podem afetar a motricidade voluntária. Essas condições podem danificar áreas específicas do córtex cerebral, como o córtex motor primário, que é responsável por enviar sinais para realizar movimentos voluntários (SCHNEIDER, 2020). Na medula espinhal, lesões traumáticas, tumores ou doenças como esclerose múltipla podem prejudicar a motricidade voluntária. O trato corticoespinhal, que é uma via que conecta o córtex cerebral à medula espinhal, é particularmente afetado em lesões medulares. Isso interrompe a comunicação entre o cérebro e os músculos, resultando em dificuldades no controle dos movimentos voluntários (MACHADO, 2014). Os sintomas de uma lesão que afeta a motricidade voluntária podem variar dependendo da gravidade e localização da lesão. Algumas pessoas podem experimentar a perda total ou parcial da capacidade de mover certas partes do corpo, enquanto outras podem sofrer de fraqueza muscular, rigidez ou espasticidade. Além disso, os reflexos podem ser afetados, resultando em alterações na marcha, equilíbrio e coordenação motora (SANT’ANNA, 2015). O tratamento para lesões que afetam a motricidade voluntária depende da causa subjacente e dos sintomas apresentados. Pode incluir abordagens como fisioterapia para fortalecer os músculos e melhorar a coordenação, medicamentos para reduzir a espasticidade ou cirurgia para reparar danos estruturais (BOTELHO, 2014). De acordo com Porto (2019) uma lesão localizada que afeta a motricidade voluntária pode ocorrer no cérebro ou na medula espinhal devido a diversas condições. Isso pode resultar em dificuldades na realização de movimentos voluntários e pode exigir tratamentos específicos para melhorar a função motora. TATO DISCRIMINATIVO Rocha (2003) cita que uma lesão medular completa refere-se à perda total da função abaixo do nível da lesão na medula espinhal. Isso resulta em uma perda completa da sensação e função motora abaixo da lesão. O tato discriminativo é uma forma de sensação tátil que permite ao indivíduo diferenciar entre diferentes estímulos táteis, como pressão, textura, forma e temperatura. Essa habilidade depende da integridade das vias sensoriais que conduzem as informações táteis da pele para o cérebro Uma lesão medular completa afeta o tato discriminativo devido à interrupção das vias neurais responsáveis por transmitir os sinais sensoriais da pele para o cérebro. Sem essa comunicação eficaz, a pessoa pode perder a capacidade de discriminar entre diferentes estímulos táteis, resultando em uma perda do sentido do toque fino e delicado. Essa perda sensorial pode ter um impacto significativo na vida diária do indivíduo, tornando difícil a realização de tarefas simples, como segurar objetos com precisão, identificar texturas ou detectar a temperatura dos objetos com segurança (BÖRM, 2000). SENSIBILIDADE TERMO-ALGÉSICA Na lesão medular completa, a pessoa perde completamente a sensibilidade termo-algésica abaixo do nível da lesão. Isso significa que ela perde a capacidade de sentir dor e temperatura abaixo do nível da lesão (BOTELHO, 2014). A falta de sensibilidade termo-algésica ocorre devido à interrupção da transmissão de sinais nervosos da região afetada ao cérebro. Portanto, mesmo se houver estímulos dolorosos ou térmicos sendo aplicados, a pessoa não será capaz de percebê-los, A lesão medular é uma lesão na medula espinhal, que é um feixe de nervos que transmite mensagens do cérebro para o resto do corpo. Essa lesão pode ocorrer devido a traumas, acidentes ou doenças (ANTICH, 1999). De acordo com Börm (2000) a lesão medular pode afetar diferentes partes da medula espinhal e levar a diferentes níveis de comprometimento. Dependendo do local e da gravidade da lesão, pode ocorrer a perda total ou parcial da sensibilidade termo-algésica, que é a capacidade de sentir e processar sensações de temperatura e dor. A sensibilidade termo-algésica é transmitida através das vias sensoriais da medula espinhal. Quando ocorre uma lesão medular, essas vias podem ser interrompidas, resultando em perda de sensibilidade termo-algésica abaixo do nível da lesão. A perda de sensibilidade termo-algésica pode causar diversos problemas para a pessoa afetada. A falta de sensibilidade ao calor, por exemplo, pode levar a queimaduras acidentais, pois a pessoa pode não ser capaz de perceber que está em contato com uma superfície quente (ANDRADE, 2008). Da mesma forma, a perda de sensibilidade à dor pode resultar em dificuldade em reconhecer lesões ou feridas, o que pode levar a infecções ou outras complicações. Além disso, a perda de sensibilidade termo-algésica também pode afetar a qualidade de vida da pessoa, pois ela pode não perceber quando está sentindo frio ou calor excessivo e, portanto, pode ter dificuldade em regular sua temperatura corporal (BALDESSAR, 2006). É importante ressaltar que cada lesão medular é única e pode afetar as pessoas de maneiras diferentes. A reabilitação e o tratamento adequados são essenciais para ajudar a pessoa a adaptar-se às mudanças na sua sensibilidade termo-algésica e minimizar os impactos negativos causados pela lesão medular (ANDRADE, 2008). REFERÊNCIAS ALVAREZ, M. P.; ARGÜELLO, C. Intradural herniated cervical disc. Case report. J Neurosurg. 2019;57(2):278-80. ALVES, J. M. S. R. O.; PEIXOTO, P. FERREIRA, N. Síndrome de Brown-Séquard por hérnia discal cervical a duplo nível: caso clínico e revisão da literatura. Coluna/Columna. 2012;11(3):245-6. ANDRADE M. S. R. et al. Contuse lesion of the rat spinal cord of moderate intensity leads to a higher time-dependent secondary neurodegeneration than severe one: An open-window for experimental neuroprotective interventions. Tissue and Cell, v. 40, n. 2, p. 143-156, 2008. ANTICH, P. A.; SANJUAN, A. C.; GIRVENT, F. M. High cervical disc herniation and Brown-Sequard syndrome. A case report and review of the literature. J Bone Joint Surg Br. 1999;81(3):462-3. BALDESSAR, M. Z.; BOLAN, R. S.; VARGAS, F. R.; MORETTI G.; BETTIOL J. investigação de casos de hemissecção medular. Arq Catarin Med. 2006; 35(2):92-4. BARÓN, J. M. G.; VILLARREA, L A. M. O.; ACEVEDO, H. C. O. estudo de pacientes com hemissecção medular. Méd UNAB. 1999; 2(4):38-42. BÖRM, W.; BOHNSTEDT, T. Intradural cervical disc herniation. Case report and review of the literature. J Neurosurg. 2000;92(2 Suppl):221-4. BOTELHO, R. V.; ALBUQUERQUE, L. D. G.; BASTIANELLO, JUNIOR. R. Epidemiology of traumatic spinal injuries in Brazil: systematic review. Arq Bras Neurocir. 2014;33(2):100-6. MACHADO, A. B. M. Neuroanatomia funcional. 3ª ed. São Paulo: Atheneu, 2014. PORTO, C.C.; PORTO, A.L.F. Semiologia Médica. 8ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2019. ROCHA, M. A.; ROCHA, JÚNIOR, M. A.; ROCHA, C. F. Neuroanatomia. Rio de Janeiro: Revinter; 2003. SANT’ANNA, B. et al. Human amniotic membrane: an option to the treatment of Achilles tendon induced tendinopathy. Journal of Tissue Science & Engineering, v.6, p.145-146, 2015. SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana uma abordagem integrada. 7ª Ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2019. SCHNEIDER, S. J.; GROSSMAN, R. G.; BRYAN, R. N. Magnetic resonance imaging of transdural herniation of a cervical disk. Surg Neurol. 2020;30(3):216-9. WANG, M. et al. Bioengineered scaffolds for spinal cord repair. Tissue Engineering Part B: Reviews, v. 17, n. 3, p. 177-194, 2021. 2 image1.png