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DIRETRIZES CURRICULARES 
PARA O ENSINO DE 
MATEMÁTICA NO BRASIL 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Paula de Andrade Janz Elias 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR 
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento norteador 
que serve de referência para a elaboração dos currículos em escolas públicas e 
privadas de todo o território nacional. Ela foi elaborada visando apresentar as 
aprendizagens essenciais que devem ser levadas em consideração pelas 
escolas brasileiras no momento de construção de seus currículos. 
Esta nossa caminhada visa tratar de processos de ensino e de 
aprendizagem de Matemática discutidos com base nesse documento normativo. 
O intuito é levar o estudante, docente ou futuro docente de Matemática a 
compreender como se dá a construção da BNCC e a estruturação desse estudo 
proposto pela Base. 
Nesta etapa, de maneira específica, vamos tratar, dentre outros assuntos, 
da construção histórica da BNCC, seus marcos legais e seus fundamentos 
pedagógicos. Serão apresentados os tópicos a seguir. 
1. Percurso histórico de implantação de diretrizes curriculares para 
educação no Brasil. 
2. Competências gerais da Base Nacional Comum Curricular. 
3. Os marcos legais que embasam a BNCC. 
4. Os fundamentos pedagógicos da BNCC. 
5. O pacto interfederativo e a implementação da BNCC. 
Ao final desta etapa, é importante que você compreenda que existe uma 
história relevante por trás da elaboração do texto da BNCC, tanto quanto é 
importante que você entenda o que é contemplado de maneira geral nesse 
documento que norteia a educação em território nacional. 
TEMA 1 – PERCURSO HISTÓRICO DE IMPLANTAÇÃO DE DIRETRIZES 
CURRICULARES PARA EDUCAÇÃO NO BRASIL 
Em 20 de dezembro de 2017, o texto da Base Nacional Comum Curricular 
foi homologado por Mendonça Filho, na época Ministro da Educação no Brasil. 
Contudo, ela começou a ser elaborada em 2015 por mais de cem especialistas. 
 
 
3 
Com base em reuniões e reflexões desenvolvidas por esses especialistas, 
uma primeira versão desse documento foi escrita e, no próprio ano de 2015, 
consultas públicas começaram a acontecer. Sobre essas consultas, o site 
Instituto Ayrton Senna cita que: 
Nos anos de 2015 e 2016, consultas públicas presenciais e on-line 
foram realizadas para possibilitar a participação mais direta da 
população na construção da BNCC. A iniciativa fez com que mais de 
12 milhões de contribuições – a maioria feita por educadores – fossem 
enviadas ao Ministério da Educação (MEC). (Instituto Ayrton Senna, 
2022) 
Contudo, antes do processo de discussão e reflexão por parte dos 
especialistas que escreveram a primeira versão da BNCC e das consultas 
públicas, alguns documentos já apontavam para a necessidade de uma 
construção conjunta de preceitos básicos para a educação brasileira. Na 
Constituição de 1988, já era previsto um currículo nacional. O art. 210 estabelece 
que “serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a 
assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, 
nacionais e regionais” (Brasil, 1988). Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
– LDB (Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996), um currículo comum para 
todas as instituições de ensino brasileiras também estava indicado. 
Menezes Neto (2017, p. 35) comenta que: 
Além desses documentos oficiais, o MEC afirma que para a elaboração 
da Base se baseia nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), nas 
Conferências Nacionais de Educação e também no Plano Nacional de 
Educação (PNE) [...]. Já sobre a construção do texto preliminar da 
BNCC, publicado em setembro de 2016, o MEC aponta que se baseou, 
além dos documentos já citados, nos documentos curriculares dos 
estados e municípios e nos conhecimentos produzidos pelas áreas de 
conhecimento da educação básica. 
Contudo, Saviani (2016) destaca que já no final dos anos 1970 a ideia de 
construir uma base comum para os processos educacionais brasileiros já vinha 
sendo levantada, especialmente por conta da indicação de necessidade de 
reformulação de cursos de formação de professores. Para o autor supracitado: 
Esse movimento começou a se articular no final dos anos de 1970, 
materializando-se na I Conferência Brasileira de Educação realizada 
em São Paulo nos dias 31 de março, 1º e 2 de abril de 1980, ocasião 
em que foi criado o “Comitê Pró Participação na Reformulação dos 
Cursos de Pedagogia e Licenciatura” que se transformou, em 1983, na 
Comissão Nacional pela Reformulação dos Cursos de Formação de 
Educadores” (CONARCFE). Esta, por sua vez, deu origem, em 1990, 
à atual ANFOPE (Associação Nacional pela Formação dos 
Profissionais da Educação). Nos eventos realizados pelo referido 
movimento do campo educacional a ideia da “base comum nacional” 
 
 
4 
foi sendo explicitada mais pela negação do que pela afirmação. Assim, 
foi se fixando o entendimento segundo o qual a referida ideia não 
coincide com a parte comum do currículo, nem com o currículo mínimo 
sendo, antes, um princípio a inspirar e orientar a organização dos 
cursos de formação de educadores em todo o país. Como tal, seu 
conteúdo não poderia ser fixado por um órgão de governo, por um 
intelectual de destaque e nem mesmo por uma assembleia de 
educadores, mas deveria fluir das análises dos debates e das 
experiências encetadas possibilitando, no médio prazo, chegar a um 
consenso em torno dos aspectos fundamentais que devem basear a 
formação dos profissionais da educação. (Saviani, 2016, p. 73-74) 
Diante do exposto, é possível afirmar que a construção da BNCC foi um 
processo lento. Apesar de a escrita do texto propriamente dito ter sido iniciada 
no ano de 2015, a elaboração desse documento é prevista desde a Constituição 
de 1988. 
A Resolução CNE/CP n. 2, de 22 de dezembro de 2017, “institui e orienta 
a implantação da Base Nacional Comum Curricular, a ser respeitada 
obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da 
Educação Básica” (Brasil, 2017). No art. 1º desse documento lê-se: 
A presente Resolução e seu Anexo instituem a Base Nacional Comum 
Curricular (BNCC), como documento de caráter normativo que define 
o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais como 
direito das crianças, jovens e adultos no âmbito da Educação Básica 
escolar, e orientam sua implementação pelos sistemas de ensino das 
diferentes instâncias federativas, bem como pelas instituições ou redes 
escolares. (Brasil, 2017) 
O art. 5º do mesmo documento destaca que a BNCC é referência para os 
sistemas de ensino, assim como é referência para as redes escolares públicas 
e privadas que atendem a educação básica em nível nacional no processo de 
construção de seus currículos. E o art. 7º estabelece que a BNCC deve ser 
utilizada como referência obrigatória na construção desses documentos. 
Contudo, o art. 8º cita que “os currículos, coerentes com a proposta pedagógica 
da instituição ou rede de ensino, devem adequar as proposições da BNCC à sua 
realidade, considerando, para tanto, o contexto e as características dos 
estudantes” (Brasil, 2017). 
TEMA 2 – COMPETÊNCIAS GERAIS DA BASE NACIONAL COMUM 
CURRICULAR 
Art. 3º No âmbito da BNCC, competência é definida como a 
mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), 
habilidades (práticas cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores, 
para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno 
exercício da cidadania e do mundo do trabalho. 
 
 
5 
Parágrafo Único: Para os efeitos desta Resolução, com fundamento no 
caput do art. 35-A e no §1º do art. 36 da LDB, a expressão 
“competências e habilidades” deve ser considerada como equivalente 
à expressão “direitos e objetivos de aprendizagem” presente na Lei do 
Plano Nacional de Educação (PNE). (Brasil, 2017) 
O termo competência é estudado com frequência e precisa de definição, 
apesar de ser comum a diferentes atores queintegram a educação brasileira. A 
pesquisadora Nicola, no ano de 2020, ao escrever sua tese, comenta que o 
termo competência é complexo e até hoje possui uma variedade de definições. 
Para ela, “o tema competências, embora não seja novo, reveste-se de 
complexidade em razão da diversidade de conceitos, implicações e variações de 
abordagens que o termo admite em diferentes contextos de uso” (Nicola, 2020, 
p. 60). 
Por isso, antes de verificar quais são as competências abordadas na 
BNCC, é preciso compreender o que o termo abarca. Conforme a Resolução 
CNE/CP n. 2/2017, competência é um conjunto de conhecimentos, habilidades, 
atitudes e valores referentes aos processos de ensino e de aprendizagem. Para 
Nicola (2020, p. 64): 
Ainda que haja uma variedade de definições para competências, de 
modo geral, elas transitam pelas esferas de formação (inicial e 
continuada) e pela qualificação ocupacional, envolvendo como 
componentes: conhecimentos, saberes, habilidades e atitudes, e 
convergem para a aplicação desses componentes em situações reais 
que requeiram mobilização e integração deles. 
Ou seja, na BNCC são apresentados conjuntos de conhecimentos, 
habilidades, atitudes e valores que devem ser promovidos pelas instituições de 
ensino e pelos docentes para que os alunos possam desenvolvê-los durante seu 
percurso na educação básica. Ela apresenta essas competências de maneira 
geral e de maneira específica, com base nas diferentes áreas do conhecimento 
e dos componentes curriculares. 
São as seguintes as competências gerais para a educação básica 
contempladas no documento da BNCC. 
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos 
sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar 
a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de 
uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria 
das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a 
imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar 
hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive 
tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das 
 
 
6 
locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da 
produção artístico-cultural. 
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como 
Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como 
conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para 
se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e 
sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao 
entendimento mútuo. 
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e 
comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas 
diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, 
acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver 
problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 
6. Valorizar diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se 
de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as 
relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao 
exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, 
autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, 
para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões 
comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência 
socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e 
global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, 
dos outros e do planeta. 
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, 
compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas 
emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com 
elas. 
9. Exercitar a empática, o diálogo, a resolução de conflitos e a 
cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e 
aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade 
de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas 
e potencialidade, sem preconceitos de qualquer natureza. 
(Brasil, 2018) 
Ao fazer uma leitura focada e buscar compreender em profundidade as 
dez competências gerais propostas pela BNCC, é possível perceber que a 
passagem de um indivíduo pela educação básica requer que esse indivíduo 
tenha uma formação para além da compreensão de conteúdos e de técnicas 
para o exercício profissional. Essas competências propõem uma formação 
holística do indivíduo, que o prepare para atuar na sociedade de maneira 
intencional e efetiva, promovendo a construção e o avanço dessa sociedade. 
TEMA 3 – OS MARCOS LEGAIS QUE EMBASAM A BNCC 
Conforme mencionamos anteriormente, o processo de construção da 
BNCC tem sido previsto desde a Constituição de 1988. Ela é citada em alguns 
documentos antes mesmo de sua criação, pois a ideia central da BNCC é ser 
um texto balizador que indique e defina as aprendizagens necessárias para o 
desenvolvimento do aluno nas diferentes etapas da educação básica. 
A Constituição de 1988 é o documento normativo que rege a sociedade 
 
 
7 
brasileira. Nela existem dois artigos que tratam da educação no contexto 
nacional. São eles: 
• art. 205 – cita que a educação é direito de todos e deve ser promovida 
pelo Estado e pela família em colaboração com a sociedade; 
• art. 210 – destaca que a aprendizagem em nível nacional deve ter como 
base currículos mínimos, os quais devem ser considerados em todos os 
estados e por todas as instituições de ensino brasileiras, públicas ou 
particulares. 
Além da Constituição, outro documento, também já citado, que serviu de 
aporte para a elaboração da BNCC é a LDB. Por se tratar de uma lei, a LDB é 
obrigatória e assegura o direito à educação para todos os brasileiros. O art. 21 
da LDB destaca que a educação escolar é composta pela educação básica 
(educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e pela educação 
superior. Esse documento também define que: 
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de 
ensino. [...] 
Art. 9º A União incumbir-se-á de: [...] 
IV – estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e 
os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o 
ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e 
seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica 
comum. (Brasil, 1996) 
Com base nesses dois documentos, na BNCC é citado que as 
competências e as diretrizes são comuns a todos os alunos do território nacional 
e os currículos são diversos. “Ao dizer que os conteúdos curriculares estão a 
serviço do desenvolvimento de competências, a LDB orienta a definição das 
aprendizagens essenciais, e não apenas dos conteúdos mínimos a ser 
ensinados” (Brasil, 2018). 
Outro documento norteia os currículos e compõe os marcos legais da 
BNCC: Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). As DCNs foram promulgadas 
no ano de 2010, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e promovem a 
construção dos currículos nas escolas de maneira autônoma, considerando a 
diversidade cultural das regiões brasileiras. 
 
 
8 
Temos o PNE (Plano Nacional de Educação), promulgado no ano de 
2014, que também é um marco legal para a construção da BNCC. Esse plano é 
composto por vinte metas para a educação. Na meta 7 está previsto “fomentar a 
qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria 
do fluxo escolar e da aprendizagem” (Brasil, 2014). 
Em 2015, foi disponibilizada a primeira versão da BNCC para todas as 
escolas brasileiras e os profissionais que atuavam nelas puderam, no segundo 
semestredo mesmo ano, discutir o documento de maneira preliminar. Em maio 
de 2016 a segunda versão da BNCC foi disponibilizada e, com base nessa 
segunda versão, 27 seminários estaduais foram organizados pelo Conselho 
Nacional de Secretários de Educação (Consed) em parceria com a União 
Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Nesses seminários 
gestores, professores, especialistas, secretários e dirigentes municipais 
discutiram o documento em segunda versão. Foi lançada uma chamada pública 
para participação nesses seminários. 
Quem estiver interessado em participar, deve procurar a Undime ou 
SEDUC de seu Estado e, depois de inscritos, vão preencher um 
questionário online que vai servir para orientá-los na leitura da Base e 
nas discussões dos seminários. Eles também devem escolher em qual 
etapa (Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II ou Médio) e 
componente curricular (disciplinas) desejam participar. (Movimento 
Pela Base, 2016) 
Em agosto de 2016, a terceira versão começou a ser escrita partindo do 
que foi discutido com base nas versões anteriores. A Resolução CNE/CP n. 
2/2017 passou a orientar o processo de implantação da BNCC em todo o 
território nacional. 
Em 06 de março de 2018, educadores do Brasil inteiro se debruçaram 
sobre a Base Nacional Comum Curricular, com foco na parte 
homologada do documento, correspondente às etapas da Educação 
Infantil e Ensino Fundamental, com o objetivo de compreender sua 
implementação e impactos na educação básica brasileira. (Brasil, 
2018) 
Em dezembro de 2018, foi homologado o documento da BNCC para a 
etapa de ensino médio. Com isso, a BNCC, com aprendizagens previstas para 
todas as etapas da educação básica, tornou-se completa e passou a orientar a 
educação em todo o território nacional. 
Ou seja, mesmo que o documento completo tenha sido finalizado somente 
em dezembro de 2018, pelo que foi visto até aqui é possível perceber que a 
construção da BNCC é antiga e veio tomando forma desde a Constituição de 
 
 
9 
1988. Algo relevante e que merece destaque é que, para a escrita do documento, 
houve a participação de diferentes profissionais da educação, ou seja, foi uma 
construção coletiva, permeada de discussões, e por isso a BNCC tem diferentes 
versões até chegar ao documento que temos hoje. 
TEMA 4 – OS FUNDAMENTOS PEDAGÓGICOS DA BNCC 
A Fundação Getúlio Vargas oferece o curso Fundamentos Pedagógicos 
da BNCC. É um curso on-line, gratuito e pode ser realizado por qualquer pessoa 
que se interessar por meio do site oficial. No próprio site são indicados dois 
pressupostos relacionados à BNCC: “o foco no desenvolvimento de 
competências e o compromisso com a educação integral” (Fundação Getúlio 
Vargas, 2022). 
O fato é que os fundamentos pedagógicos propostos pela BNCC precisam 
ser basilares para os processos de ensino e de aprendizagem em todo o território 
nacional. Eles precisam ser trabalhados de tal maneira que o aluno seja o centro 
do processo de aprendizagem, o protagonista de sua história e da construção de 
seu conhecimento. 
Nesse processo, o papel do professor é fundamental, pois ele vai agir 
como um facilitador, mediando a aprendizagem por meio do uso de diferentes 
recursos e metodologias. O professor vai buscar auxiliar os estudantes no 
desenvolvimento de suas competências. 
Na BNCC, competência é definida como a mobilização de 
conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, 
cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver 
demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da 
cidadania e do mundo do trabalho. Ao definir essas competências, a 
BNCC reconhece que a “educação deve afirmar valores e estimular 
ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a 
mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a 
preservação da natureza.” (Brasil, 2018, p. 8) 
A ideia proposta pela BNCC é que a escola e os processos que 
acontecem na educação básica auxiliem o estudante a se desenvolver de 
maneira holística, considerando que ele é um ser integral e, portanto, merece se 
desenvolver de maneira integral. O foco não deve ser, conforme o modelo 
tradicional, apenas no conteúdo curricular, mas na aplicação desse conteúdo na 
sociedade, na compreensão do aluno em relação a esse conteúdo e em relação 
à influência dele em seu contexto imediato. Isso deve ser contemplado desde a 
educação infantil, pois: 
 
 
10 
A BNCC do Ensino Médio se organiza em continuidade ao proposto 
para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, centrada no 
desenvolvimento de competências e orientada pelo princípio da 
educação integral. Assim as competências gerais estabelecidas para 
a Educação Básica orientam tanto as aprendizagens essenciais a ser 
garantidas no âmbito da BNCC Ensino Médio quanto os itinerários 
formativos a serem ofertados pelos diferentes sistemas, redes e 
escolas. Tais competências reportam-se a conhecimentos, 
pensamento científico, crítico e criativo, diversidade cultural, 
comunicação, cultura digital, trabalho e projeto de vida, argumentação, 
autoconhecimento, cooperação, empatia, responsabilidade para 
consigo e com o outro e cidadania. (Brasil, 2018) 
No documento da BNCC está contemplada uma proposta para a formação 
do aluno desde a educação infantil até o ensino médio, ou seja, para toda a 
educação básica. Os fundamentos pedagógicos dela precisam ser conhecidos 
pelos profissionais da educação, para que eles possam fomentar o 
desenvolvimento de competências e habilidades nos estudantes, de maneira 
que tais competências e habilidades promovam uma formação integral desses 
estudantes como agentes ativos na sociedade na qual estão inseridos. 
TEMA 5 – O PACTO INTERFEDERATIVO E A IMPLEMENTAÇÃO DA BNCC 
Considerando a extensão territorial de nosso país, bem como as 
diferenças regionais de norte a sul ao longo dessa extensão, o texto da BNCC 
precisou prever igualdade, diversidade e equidade. 
No Brasil, um país caracterizado pela autonomia dos entes federados, 
acentuada diversidade cultural e profundas desigualdades sociais, os 
sistemas e redes de ensino devem construir currículos, e as escolas 
precisam elaborar propostas pedagógicas que considerem as 
necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes, assim 
como suas identidades linguísticas, étnicas e culturais. (Brasil, 2018, p. 
15) 
Em relação à igualdade e à diversidade, o texto da BNCC aponta de 
maneira específica que as individualidades dos estudantes devem ser 
consideradas, ou seja, mesmo diante de suas particularidades, eles devem ser 
tratados de maneira igualitária: 
• em relação às oportunidades de ingresso na escola, bem como à sua 
permanência na educação básica até o período de sua formação; 
• nas oportunidades de construção de seu conhecimento e na 
compreensão da função social da escola. 
Em relação à equidade no texto da BNCC aponta-se que, ao reconhecer 
as diferenças individuais dos alunos matriculados em turmas da educação 
básica brasileira e as diferenças regionais, há a necessidade de superação 
 
 
11 
dessas diferenças. “Para isso, os sistemas e redes de ensino e as instituições 
escolares devem se planejar com um claro foco na equidade, que pressupõe 
reconhecer que as necessidades dos estudantes são diferentes” (Brasil, 2018, 
p. 15). 
Ou seja, o planejamento educacional deve se comprometer com a 
reversão das desigualdades. Deve buscar ofertar tudo a todos, não deixando 
nenhum aluno à margem do processo educacional. A importância de conhecer 
a história desses estudantes e o contexto social no qual eles estão inseridos é 
relevante para a promoção de uma aprendizagem mais justa e eficaz. 
NA PRÁTICA 
Sabendo da construção histórica para a elaboração do documento da 
BNCC, é importante compreender que cada detalhe do texto escrito tem relação 
com uma demanda da sociedade e com o momento histórico no qual socialmente 
estamos inseridos.Hoje a BNCC trata de competências e habilidades. Seus 
fundamentos pedagógicos preveem a promoção de uma formação integral para 
o estudante. Além disso, o pacto interfederativo trata de igualdade, diversidade 
e equidade. Desse modo é importante refletir sobre o que a sociedade tem 
vivenciado nos dias atuais. Quais questões políticas, econômicas e valores têm 
definido a maneira como as pessoas agem em seu dia a dia? Essas questões 
têm influenciado a maneira como os diferentes atores sociais se comportam em 
sala de aula? 
Sugerimos que você faça uma investigação e reflita sobre a relação da 
construção do texto com o contexto social brasileiro da atualidade e com as 
ações desenvolvidas nas escolas de educação básica de sua região. Essas 
relações são efetivas ou apenas se apresentam no documento da BNCC sem 
interferência alguma nos processos educacionais? 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, foi possível compreender que o documento da BNCC, além 
de ser norteador para os processos de ensino e de aprendizagem em todo o 
território nacional, é um documento que tem uma construção histórica. Aqui, 
tratamos do percurso histórico da implantação das diretrizes curriculares para a 
educação no Brasil, das competências gerais da Base Nacional Comum 
Curricular, dos marcos legais que embasam a BNCC, dos fundamentos 
pedagógicos da BNCC e do pacto interfederativo e a implementação da BNCC. 
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição (1988). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
Disponível em: 
. Acesso 
em: 10 nov. 2022. 
_______. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, 
Poder Legislativo, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: 
. Acesso em: 10 nov. 2022. 
_______. Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 26 jun. 2014. Disponível em: 
. 
Acesso em: 10 nov. 2022. 
_______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Conselho 
Pleno. Resolução n. 2, de 22 de dezembro de 2017. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 22 dez. 2017. Disponível em: 
. 
Acesso em: 10 nov. 2022. 
_______. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 
2018. Disponível em: 
. Acesso em: 10 
nov. 2022. 
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Fundamentos pedagógicos da BNCC. 
Educação executiva. Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2022. 
INSTITUTO AYRTON SENNA. O que é a BNCC? Disponível em: 
. Acesso em: 10 nov. 2022. 
 
 
 
13 
MENEZES NETO, G. M. de. As discussões sobre a Base Nacional Comum 
Curricular de História: entre polêmicas e exclusões (2015-2016). Crítica 
História, v. 8, n. 15, 2017. Disponível em: 
. Acesso 
em: 10 nov. 2022. 
MOVIMENTO PELA BASE. Segunda versão da Base começa a ser discutida 
nos Estados em junho. 14 jun. 2016. Disponível em: 
. Acesso em: 10 nov. 2022. 
NICOLA, R. de M. S. O percurso de adoção da inovação em ensino e 
aprendizagem por professores da educação superior a partir de currículos 
por competências. 397 f. Tese (Doutorado em Educação) – Pontifícia 
Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2020. Disponível em: 
. Acesso em: 10 nov. 2022. 
SAVIANI, D. Educação escolar, currículo e sociedade: o problema da Base 
Nacional Comum Curricular. Movimento – Revista de Educação, n. 4, 2016. 
Disponível em: 
. Acesso 
em 10 nov. 2022.

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