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Língua Portuguesa 10 Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo, veio um amigo e declarou desdenho- samente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e a� rmou que era cana. Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um anteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarra mão chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pen- doou. Há muitas � ores belas no mundo, e a � or do meu pé de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão � rme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se a� rma com ímpeto e cer- teza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos. (Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001. Adaptado) Assinale a alternativa em que, nas duas passagens, há termos empregados em sentido � gurado. a) ... beijado pelo vento do mar (3º §) / Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (3º §) b) Mas ele reagiu. (1º §) / na verdade aquilo era capim. (1º §) c) Secaram as pequenas folhas... (1º §) / Sou um ignorante (2º §) d) Ele cresceu, está com dois metros... (2º §) / Tinha visto centenas de milharais. (2º §) e) ... lança as suas folhas além do muro... (2º §) / Há muitas � ores belas no mundo (3º §) 4. (IF-SC – Técnico de Laboratório – IF-SC/2014) Assinale a opção em que NÃO há palavra usada em sentido conotativo. a) Tuas atitudes são o espelho do teu caráter. b) Regras podem ser estabelecidas para uma convivência pací� ca. c) Pipocavam palavras no texto, como se fossem rabiscos coloridos do próprio pensamento d) Choviam risadas naquela peça de humor. e) A sabedoria abre as portas do conhecimento. Respostas 1. D O sentido � gurado ou conotativo, é aquele em que se atribui à palavra ou expressão, um sentido ampliado, diferente do sen- tido literal/usual. d) A palavra “Indivisibilidade” foi usada com o sentido de “iso- lamento”, “exclusão” e, portanto, é o gabarito. 2. A nata:na.ta sf (lat matta) 1 Camada que se forma à superfície do leite; creme. 2 A melhor parte de qualquer coisa, o que há de melhor; a � na � or, o escol. N. da terra: nateiro; terra fértil. 3. A ... beijado pelo vento do mar (3º §) / Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (3º §) Mas aquele pendão � rme, vertical, beijado pelo vento do mar, (que o vento bate no pé de milho) veio enriquecer nosso can- teirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se a� rma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (Como nasce da terra, para o autor parece um presente desta). Sentido � gurado: A palavra tem valor conotativo quando seu signi� cado é ampliado ou alterado no contexto em que é em- pregada, sugerindo ideias que vão além de seu sentido mais usual. 4. B a) Atitudes são o espelho; b) CERTA; c) Pipocavam palavras no texto; d) Choviam risadas; e) Sabedoria abre as portas Inferências Com o advento das novas tecnologias a leitura e interpretação de textos ganham novos signi� cados e dimensões. Se antes liam-se somente textos literários, hoje é possível encontrar uma imensa gama de diferentes tipos de textos. Assim, o exer- cício da leitura demanda cada vez mais o levantamento de hi- póteses, comparações, associações e inferências. De acordo com o dicionário Houaiss o termo “inferir” signi� ca: concluir pelo raciocínio, a partir de fatos, indícios; deduzir. No contexto de interpretação de textos, a inferência enquadra-se na ação de analisar as informações implícitas e explícitas com o intuito de alcançar conclusões. Segue abaixo uma ilustração para análise exempli� cação. Na imagem há uma combinação de linguagem verbal e não verbal, juntas elas fornecem o insumo necessário para o bom entendimento e compreensão da temática. Em uma leitura super� cial, uma leitura sem inferências, o leitor poderia cair no erro de não perceber a intenção real do autor, a denúncia sobre a violência. Portanto, para realizar uma boa in- terpretação é necessário atentar-se aos detalhes e fazer certos questionamentos como: Língua Portuguesa 11 - Por que o Cristo Redentor sente-se “incomodado” e “ex- posto a riscos”? - O que signi� cam as balas que o cercam por todos os lados? - Por que o Cristo Redentor está usando colete à prova de balas? A partir de questionamentos como os citados acima é possível adentrar no contexto social, Rio de Janeiro violento, que ins- taura críticas e denúncias a determinada realidade. Portanto, ao inferir, o leitor é capaz de constatar os detalhes ocultos que transformam a leitura simples em uma leitura re� exiva. Questões 1. (Pref. De Teresina/PI – Professor Português – NUCE- PE/2016) Segundo o Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional), analfa- beto funcional é aquele que, mesmo sabendo ler e escrever frases simples, não possui as habilidades necessárias para satisfazer as demandas do seu dia a dia e se desenvolver pessoal e pro� ssionalmente. De acordo com as teorias de compreensão como atividade inferencial, compreender o texto é, essencialmente, uma atividade de relacionar conhecimentos, experiências e ações em um movimento interativo e negociado. Concebendo a compreensão como processo, a leitura realiza- -se a partir de diferentes horizontes. Nesse sentido, é correto a� rmar que o processo inferencial está: a) no horizonte máximo da leitura. b) no horizonte mínimo da leitura. c) na falta de horizonte da leitura. d) no horizonte problemático da leitura. e) no horizonte indevido da leitura. 2. (SEDU/ES – Professor – Língua Portuguesa – FCC/2016) Ensinar o leitor-aluno a � xar objetivos e a ter estratégias de leitura, de modo a perceber que essa depende da articulação de várias partes que formam um todo. É, então, um pressuposto metodoló- gico a ser considerado. O leitor está inserido num contexto e preci- sa considerar isso para compreender os textos escritos. Em sala de aula, con� guram-se como estratégias de preparação para a leitura as ações de descobrir conhecimentos prévios dos alunos, discutir o vocabulário do texto, explorar a seleção do tema do texto, do assunto tratado, levantar palavras-chave ligadas a esse tema/as- sunto, e exercitar inferências sobre o texto. (Espírito Santo (Estado). Secretaria da Educação. Ensino fundamental: anos � nais: área de Linguagens e Códigos / Secretaria da Educação. Vitória: SEDU, 2009, p. 69. v.1) O ato de “exercitar inferências sobre o texto” pressupõe de- senvolver atividades pedagógicas que permitam ao leitor-aluno a) destacar o que é do seu interesse no texto. b) localizar informações explícitas no texto. c) apreender informações implícitas no texto. d) produzir novo texto com base no texto lido. e) ler em voz alta o texto de leitura. 3. (AL-GO - Analista Legislativo - Analista de Redes e Co- municação de Dados – CS-UFG/2015) A armadilha da aceitação Existe um lugar quentinho e cômodo chamado aceitação. Olhando de longe, parece agradável. Mais do que isso, é absolutamente tentador: os que ali repousam parecem con- fortáveis, acolhidos, até mesmo com um senso de poder, como se estivessem tirando um cochiloplácido debaixo das asas de um dragão. “Elas estão por cima”, é o que se pensa de quem encontrou seu espacinho sob a aba da aceitação. Porém, é preciso ba- talhar para ter um espaço ali. Esse dragão não aceita qualquer um; e sua aceitação, como tudo nesta vida, tem um preço. Para ser aceita, em primeiro lugar, você não pode querer des- truir esse dragão. Óbvio. Você não pode atacá-lo, você não pode ridicularizá-lo, você não pode falar para outras pessoas o quanto seus dentes são perigosos, você não pode sequer fazer perguntas constrangedoras a ele. Faça qualquer uma dessas coisas e você estará para sempre riscada da lista VIP da aceitação. Ou, talvez, se você se humi- lhar o su� ciente, ele consiga se esquecer de tudo o que você fez e reconsidere o seu pedido por aceitação. A melhor coisa que você pode fazer para conseguir aceitação é atacar as pessoas que querem destruir o generoso distribuidor deste privilégio. Uma boa forma de fazer isso é ridicularizando- -as, e pode ser bem divertido � ngir que esse dragão sequer existe, embora ele seja algo tão monstruosamente gigante que é quase como se sua existência estivesse sendo esfregada em nossas caras. Reforçar o discurso desse dragão, ainda que você não saiba muito bem do que está falando, é o passo mais importante que você pode dar em direção à tão esperada aceitação. Reproduzir esse discurso é bem simples: basta que a men- sagem principal seja deixar tudo como está e há várias formas de se dizer isso, das mais rudimentares e manjadas às mais ela- boradas e inovadoras. Não dá pra reclamar de falta de opção. Pode ter certeza que o dragão da aceitação dará cambalhotas de felicidade. Nada o agrada mais do que ver gente impedindo que as coisas mudem. Uma vez aceita, você estará cercada de outras pessoas tão le- gais quanto você, todas acolhidas nesse lugar quentinho cha- mado aceitação. Ali, você irá acomodar a sua visão de mundo, como quem coloca óculos escuros para relaxar a vista, e irá assistir numa boa às pessoas se dando mal lá fora. É claro que elas só estão se dando tão mal por causa do tal dragão; mas se você não pode derrotá-lo, una-se a ele, não é o que dizem? O que ninguém diz quando você tenta a todo custo ser aceita é que nem isso torna você imune. Ser aceita não é garantia nenhuma de ser poupada. Você pode tentar agradar ao dragão, você pode caprichar na reprodução e perpetuação do discurso que o mantém acoco- rado sobre este mundo, você pode até se estirar no chão para se fazer de tapete de boas-vindas, mas nada disso irá adiantar, especialmente porque esse discurso só foi feito para destruir você. E aí é que a aceitação se revela como uma armadilha. Tudo o que você faz para ser aceita por aquilo que es- maga as outras sem dó só serve para deixar você mais perto da boca cheia de dentes que ainda vai te mastigar e te cuspir para fora. Pode demorar, mas vai. Porque só tem uma coisa que esse dragão realmente aceita: dominar e oprimir. Então, se ele sorrir para você, não se engane: ele não está te aceitando. Está apenas mostrando os dentes que vai usar para fazer você em pedaços depois. VALEK, Aline. Disponível em: . Acesso: 13 fev. 2015. (Adaptado). No texto, o uso das palavras “aceita” e “riscada”, no feminino, conduz à inferência de que: Língua Portuguesa 12 a) a forma nominal dessas palavras se restringe à � exão no feminino b) essas palavras concordam em gênero com palavras a que se referem. c) os interlocutores imediatos do texto são do sexo feminino. d) tais palavras concordam com o sexo da escritora do texto. 4. 04. (IF/RJ – Administrador – BIO-RIO/2015) Saltando as muralhas da Europa De um lado está a Europa da abundância econômica e da esta- bilidade política. De outro, além do Mediterrâneo, uma extensa faixa assolada pela pobreza e por violentos con� itos. O pre- cário equilíbrio rompeu-se de uma vez com o agravamento da guerra civil na Síria. Da Síria, mas também do Iraque e do Afega- nistão, puseram-se em marcha os refugiados. Atrás deles, ou junto com eles, marcham os migrantes econômicos da África e da Ásia. No maior � uxo migratório desde a Segunda Guerra Mundial, os desesperados e os deserdados saltam as muralhas da União Europeia. Muralhas? Em tempos normais, os portais da União Europeia estão abertos para os refugiados, mas fechados para os imi- grantes. Não vivemos tempos normais. Os países da Europa Centro-Oriental, Hungria à frente, fazem eco à xenofobia da extrema-direita, levantando as pontes diante dos refugiados. Vergonhosamente, a Grã-Bretanha segue tal exemplo, ainda que com menos impudor. A Alemanha, seguida hesitantemente pela França, insiste num outro rumo, baseado na lógica demográ� ca e nos princípios humanitários. Angela Merkel explica a seus parceiros que a Eu- ropa precisa agir junta para passar num teste ainda mais difícil que o da crise do euro. “O futuro da União Europeia será mol- dado pelo que � zermos agora, alerta a primeira-ministra alemã. (Mundo, outubro 2015) De alguns segmentos do texto o leitor pode fazer uma série de inferências. A inferência inadequada do segmento “O precário equilíbrio rompeu-se de uma vez com o agravamento da guerra civil na Síria” é: a) já havia uma guerra civil na Síria há algum tempo. b) existia um tênue equilíbrio nas tensões da região. c) haviam ocorrido rompimentos em países do local referido. d) a guerra civil na Síria envolvia outros países vizinhos. e) um con� ito interno de um país pode afetar nações próxi- mas. 5. (EBSERH – Advogado - Instituto AOCP/2015) [...] a alegria Seu sintoma mais bonito é nos jogar para fora, de encontro ao mundo e a nós mesmos IVAN MARTINS A alegria vem de dentro ou de fora de nós? A pergunta me ocorre no meio de um bloco de carnaval, en- quanto berro os versos imortais de Roberto Carlos, cantados em ritmo de samba: “Eu quero que você me aqueça neste in- verno, e que tudo mais vá pro inferno”. Estou contente, claro. Ao meu redor há um grupo de amigos e uma multidão ruidosa e colorida. Ainda assim, a resposta so- bre a alegria me ilude. Meu coração sorri em resposta a essa festa ou acha nela apenas um eco do seu próprio e inesperado contentamento? Embora simples, a pergunta não é trivial. Se sou capaz de achar em mim a alegria, a vida será uma. Se ela precisa ser buscada fora, permanentemente, será outra, provavelmente pior. Penso no amor, fonte permanente de júbilo e apreensão. Quando ele nos é subtraído, instala-se em nós uma tristeza sem tamanho e sem � m, que tem o rosto de quem nos deixou. Ela vem de fora, nos é imposta pelas circunstâncias, mas tor- na-se parte de nós. Um luto encarnado. Um milhão de carna- vais seriam incapaz de iluminar a escuridão dessa noite se não houvesse, dentro de nós, alguma fonte própria de alegria. Nem estaríamos na rua, se não fosse por ela. Nem nos animaríamos a ver de perto a multidão. Ficaríamos em casa, esmagados por nossa tristeza, remoendo os detalhes do que não mais existe. Ao longe, ouviríamos a batucada, e ela nos pareceria remota e alheia. Nossa alegria existe, entretanto. Por isso somos capazes de cantar e dançar quando o destino nos atinge. Nossa alegria se manifesta como força e teimosia: ela nos põe de pé quando nem sairíamos da cama. Ela se expõe como esperança: acreditamos que o mundo nos trará algo melhor esta manhã; quem sabe esta noite; domingo, talvez. Ela nos torna sensível à beleza da mulher estranha, ao sorriso feliz do amigo, à conversa simpática de um vizinho, aos problemas do colega de trabalho. Nossa alegria cria interesse pelo mundo e nos faz perceber que ele também se interessa por nós. Por mínima que seja, essa fonte de luz e energia é su� ciente para dar a largada e começar do zero. Um dia depois do outro. Todos os dias em que seja necessário. Quando se está por baixo, muito caído, não é fácil achar o interruptor da nossa alegria. A gente tem asensação de que alegria se extinguiu e com ela o nosso desejo de transar e de viver, que costumam ser a mesma coisa. Mas a alegria está lá - feita de boas memórias, do amor que nos deram, do carinho que a gente deu aos outros. Existe como presença abstrata, mas calorosa, que nos dirige aos outros, que nos faz olhar para fora. É isso a alegria: algo de dentro que nos leva ao mundo e nos permite o gozo e a reconhecimento de nós mesmos, no rosto do outro. Empatia e simpatia. Amor. Se a alegria vem de dentro ou de fora? De dentro, claro. Mas seu sintoma mais bonito é nos jogar para fora, de encontro à música e à dança do mundo, ao encontro de nós mesmos. Adaptado de http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/noti- cia/2015/02/dentro-de-nos-balegriab.html Em relação ao texto, é correto a� rmar que: a) somente por meio de inferência é possível concluir que o questionamento inicial do texto é respondido. b) não há elementos linguísticos no texto que comprovem a resposta ao questionamento inicial que o autor faz. c) o questionamento inicial não é respondido no decorrer do tex- to, propositalmente, � cando como uma re� exão para o leitor. d) no texto o autor responde explicitamente seu questiona- mento inicial. e) não é possível, durante a leitura, de� nir se o questiona- mento inicial do texto é respondido. Respostas 01. A Questão parece difícil pois a redação não é muito boa. Pergun- tando da seguinte forma � ca mais fácil de entender: “É possível fazer uma conclusão ou uma dedução do texto a partir de”...viu, � cou mais fácil achar a resposta. Torna-se óbvio que só podemos deduzir um texto quando le- mos o máximo de seu argumento.