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1 Esclerose lateral amiotrófica Script do seminário de neuroanatomia SLIDE 1 e 2 Primeiramente gostaria de dar boa tarde a todos os ouvintes, o seminário a ser apresentado possui como tema Esclerose Lateral Amiotrófica, nós vamos dar ênfase nos aspectos neurofisiológicos. Estes são os integrantes do grupo .... SLIDES 3 e 4 A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete os neurônios motores superiores e os neurônios motores inferiores. Essa degeneração leva à fraqueza muscular progressiva, espasticidade, atrofia muscular e, em estágios mais avançados, à falência respiratória. A doença não possui cura, mas pode ser manejada com intervenções clínicas voltadas para retardar sua progressão e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O nome "esclerose lateral" refere-se à degeneração da parte lateral da medula espinhal, enquanto "amiotrófica" descreve a atrofia muscular resultante da perda da inervação. SLIDE 5 Estudos populacionais recentes registraram uma prevalência de ELA de 4-8 casos a cada 100.000 pessoas. Cerca de 90% a 95% dos casos são esporádicos e 5% a 10% são hereditários, que se deve a mutações em mais de 20 genes. SLIDES 6,7 e 8 A fisiopatologia da esclerose lateral amiotrófica ainda não é totalmente compreendida, mas os estudos recentes indicam que: A progressão da doença é mediada por diversos mecanismos: 1. Excito-toxicidade por glutamato: Níveis elevados desse neurotransmissor podem causar danos aos neurônios motores. 2. Estresse oxidativo: Comum em mutações do gene SOD1, provoca lesão celular progressiva. 3. Disfunção mitocondrial: Prejudica a capacidade de fornecer energia adequada aos neurônios. 4. Acúmulo de proteínas malformadas: Incluindo a TDP-43, que se deposita em células neurais afetadas. 5. Neuroinflamação: Ativação da microglia e dos astrócitos, que liberam citocinas pró-inflamatórias, exacerbando o dano neuronal. 6. Gene C9ORF72 do cromossomo 9 causa genética mais comum da ELA. Camundongos e ratos com altos níveis de SOD1 mutante desenvolvem uma forma adulta de doença do neurônio motor, levando à morte, enquanto aqueles com níveis equivalentes de SOD1 normal não apresentam paralisia. Isso sugere que as moléculas mutantes adquirem formas de citotoxicidade. Modelos animais têm sido úteis para estudar tanto a patogênese molecular quanto potenciais tratamentos para essas doenças. SLIDES 9,10 e 11 Alterações encontrados no paciente com ELA: Patologia: Na necropsia, as características macroscópicas de ELA consistem em atrofia do giro pré-central cerebral, bem como esclerose e palidez dos tratos corticospinais da medula espinal. Pode-se observar redução da espessura do nervo hipoglosso e das raízes espinais ventrais, e a atrofia muscular é óbvia. Microscopicamente, os pacientes com ELA tipicamente apresentam perda de pelo menos 50% dos neurônios motores espinais, bem como gliose astrocítica difusa na substância cinzenta da medula espinal e no córtex motor. 2 Esclerose lateral amiotrófica Uma característica fundamental nos neurônios motores residuais é a presença de inclusões proteicas, que podem estar compactas ou em aspecto fibrilar. A TDP-43 foi reconhecido como o principal constituinte proteico desses agregados. No córtex motor, há perda variável de neurônios motores superiores e gliose astrocitária. Nos tratos corticospinais descendentes, são observadas perda axonal, palidez da mielina e gliose. SLIDE 12 Montagem comparativa de um corno anterior normal (em cima) e de um paciente com ELA, ambos de segmentos cervicais da medula. Na imagem de cima a Arquitetura está preservada: As células estão distribuídas uniformemente, com neurônios bem delineados e espaçados. Os núcleos dos neurônios são claros e centralizados, com nucléolos visíveis. Já na imagem de baixo: Notar o desaparecimento quase total dos neurônios e atrofia dos poucos restantes. O citoplasma preenchido por grânulos azul escuros, correspondem a lipofuscina, um pigmento de desgaste. SLIDE 13 e 14 Motoneurônios normais de corno anterior, com as características habituais: núcleo redondo, nucléolo evidente, cromatina frouxa, citoplasma abundante, com limites nítidos, prolongamentos (dendritos), ricos em corpúsculos de Nissl (em roxo). Motoneurônios atróficos fotografados no mesmo aumento dos acima. Notar redução do volume celular, nuclear e citoplasmático, picnose de alguns núcleos, perda dos corpúsculos de Nissl, simplificação dos prolongamentos. Algumas células têm citoplasma levemente mais pardacento devido ao acúmulo de lipofuscina. Na última foto, dois neurônios, normal e atrófico, em montagem. SLIDE 15 Para compreender a doença vamos entender alguns conceitos importantes: SLIDE 16 Os neurônios motores situados nas colunas cinzentas anteriores da medula espinal enviam axônios para inervar os músculos esqueléticos através das raízes anteriores dos nervos espinais. Esses neurônios motores são designados como neurônios motores inferiores e constituem a via comum final para os músculos. Os neurônios motores inferiores são constantemente estimulados por impulsos nervosos que descem a partir do bulbo, da ponte, do mesencéfalo e do córtex cerebral, bem como daqueles que entram ao longo das fibras sensitivas provenientes das raízes posteriores. SLIDE 17 O que são tratos descendentes? As fibras nervosas que descem na substância branca a partir de diferentes centros nervosos supraespinais são segregadas em feixes nervosos, denominados tratos descendentes. Esses neurônios supraespinais e seus tratos são designados como neurônios motores superiores e formam numerosas vias distintas, que podem influenciar a atividade motora. Vias descendentes, eferentes ou motoras: Podem ser somáticas ou viscerais, neste momento iremos abordar apenas as somáticas. É dividido em sistema medial e em sistema lateral Quando os tratos corticoespinhais direito e esquerdo se cruzam no bulbo viram trato corticoespinhal lateral, que pertence ao sistema lateral e trato corticoespinhal anterior que pertence ao sistema medial que não cruza no bulbo. 3 Esclerose lateral amiotrófica Sistema Medial desce pelo funículo anterior e o Sistema lateral desce pelo funículo lateral. O sistema lateral está associado aos movimentos voluntários da musculatura distal dos membros. O sistema medial está associado ao controle voluntário dos músculos, à postura e ao equilíbrio. SLIDE 18 Sistema Lateral: Relacionados com a musculatura distal, tanto dos membros inferiores, quanto dos membros superiores. As duas vias do sistema lateral são: 1. Trato córtico-espinhal lateral responsável pela motricidade voluntária da musculatura distal. 2. O Trato rubroespinhal. O trato rubroespinhal é uma via secundária da motricidade. SLIDE 19 Sistema Medial Relacionado com a musculatura do esqueleto axial e parte proximal dos membros. Trato córtico-espinhal anterior. o É responsável pela motricidade voluntária da musculatura axial e proximal dos membros superiores. Via secundária do sistema medial: 1. Trato tetoespinhal: o Vai do mesencéfalo à medula e atua nos reflexos de movimentação da cabeça e respostas aos estímulos visuais. 2. Trato retículo-espinhal pontino. 3. Trato retículo-espinhal bulbar. o O bulbar que relaxa a musculatura extensora. o O trato retículo-espinhal pontino participa da motricidade voluntária, ativa o ajuste postural e contrai a musculatura extensora. 4. No sistema medial, nas vias secundárias também é encontrado os tratos vestíbulo-espinhal lateral e medial. o Eles ajudam na postura para a manutenção do equilíbrio. Vêm dos núcleos vestibulares. SLIDE 20 Principais vias descendentes para a medula espinal: Sistema Vias Função Localização/Observações Sistema Lateral Trato Córtico- Espinhal LateralMotricidade voluntária da musculatura distal dos membros Decussa na pirâmide Trato Rubroespinhal Via secundária da motricidade voluntária Facilita a atividade dos músculos flexores e inibe a atividade dos músculos extensores Sistema Medial Extra- piramidal Trato Córtico- Espinhal Anterior Motricidade voluntária da musculatura axial e proximal 4 Esclerose lateral amiotrófica Trato Tetoespinhal Reflexos de movimentação da cabeça e respostas a estímulos visuais Vai do mesencéfalo à medula Trato Retículo- Espinhal Pontino Motricidade voluntária, ajuste postural, contração da musculatura extensora Participa da motricidade voluntária, ativa a musculatura extensora Trato Retículo- Espinhal Bulbar Relaxamento da musculatura extensora Participa da postura, relaxa a musculatura extensora Trato Vestíbulo- Espinhal Lateral e Medial Manutenção do equilíbrio e postura Vem dos núcleos vestibulares SLIDE 21 - 23 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A ELA caracteriza-se por uma combinação de degeneração do neurônio motor superior e inferior. A degeneração do neurônio motor inferior desencadeia fraqueza, atrofia e fasciculação (movimentos involuntários) do membro e da musculatura bulbar. A disfunção do neurônio motor superior é caracterizada por alguns sinais, como: Reflexos exagerados: os reflexos nos tendões, como o reflexo patelar (no joelho), ficam mais intensos. Aumento do tônus muscular: os músculos ficam mais rígidos do que o normal. Sinal de Babinski positivo: quando, ao fazer um leve risco na sola do pé, o hálux se levanta (em vez de se curvar para baixo, como é normal). Na doença em estágio terminal, a maioria dos pacientes apresenta características de disfunção do neurônio motor superior e inferior que afetam os quatro membros e a musculatura bulbar. Como isso ocorre em 75% dos pacientes? Início Focal e Assimétrico: A fraqueza aparece primeiro em uma mão ou pé, geralmente de um lado do corpo. Sintomas Iniciais: Os pacientes percebem dificuldade em realizar tarefas finas com a mão (como escrever ou segurar objetos). No pé, pode haver dificuldade para levantar a parte frontal (dorsiflexão do tornozelo) ao caminhar (pé caído). Nos membros superiores, os músculos tenares e intrínsecos da mão tendem a estar gravemente afetados, enquanto os tríceps e flexores dos dedos são relativamente poupados até o final da doença. Nos membros inferiores, o padrão de fraqueza costuma estar em uma distribuição piramidal (músculos flexores mais fracos que os extensores), com fraqueza precoce da flexão do quadril e dorsiflexão do tornozelo e grave envolvimento dos músculos distais. Porque isso ocorre? Ambos os tipos de músculos (flexores e extensores) podem ser inervados por motoneurônios inferiores degenerados, mas a fraqueza piramidal reflete um padrão na ELA. Apesar disso, os extensores podem permanecer relativamente mais funcionais devido à sua inervação adicional por sistemas extrapiramidais. Trato Corticoespinhal lateral e trato rubroespinhal (piramidal): Responsável pelo controle preciso e voluntário dos músculos, com mais impacto nos flexores e menor influência direta nos extensores. 5 Esclerose lateral amiotrófica Tratos extrapiramidais: Como os tratos reticuloespinhais, que têm maior influência nos músculos extensores, o que explica por que os extensores tendem a ser menos afetados em lesões do sistema piramidal. SLIDE 24 e 25 Diagnóstico DIAGNÓSTICO O diagnóstico é baseado nos sinais e sintomas, na progressão da doença e a na exclusão de diagnósticos diferenciais + eletroneuromiografia: A eletroneuromiografia (ENMG) é um exame que avalia a função dos nervos e músculos, sendo amplamente utilizado no diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA). O exame combina dois componentes principais: estudos de condução nervosa e eletroneurografia com agulha. Estudos de condução nervosa: Pequenos estímulos elétricos são aplicados na pele sobre os nervos periféricos para avaliar a velocidade e a amplitude dos sinais nervosos. Essa etapa verifica se há bloqueio ou dano nos nervos motores e sensitivos. Eletroneurografia com agulha: Uma agulha fina é inserida em diferentes músculos para captar a atividade elétrica gerada pelas fibras musculares, tanto em repouso quanto durante a contração voluntária. O paciente pode sentir algum desconforto devido à inserção da agulha e aos estímulos elétricos. Na ELA, há um padrão característico na ENMG que reflete a degeneração progressiva dos neurônios motores superiores e inferiores: 1. Denervação ativa: Fibrilações e ondas positivas: São sinais de dano agudo ao nervo, indicando a perda de conexão entre o nervo motor e o músculo. 2. Denervação parcial crônica: o Potenciais de unidade motora (PUMs): Aumento na duração e amplitude dos PUMs devido à reinervação compensatória pelas unidades motoras vizinhas. Polifasia frequente (ativação de múltiplas fases em um único PUM), sugerindo reorganização muscular. Recrutamento reduzido: Demonstra que menos unidades motoras estão disponíveis para ativação, devido à perda neuronal. 3. Fasciculações: Presença de descargas espontâneas e irregulares de unidades motoras, típicas da disfunção dos neurônios motores. 4. Estudos de condução motora e sensitiva: Geralmente, permanecem normais. A ELA afeta primariamente o neurônio motor, poupando os nervos sensitivos. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Outras doenças: neuropatia motora multifocal, radiculopatias e mielopatias compressivas, atrofia muscular espinal hereditária, paraplegia espástica hereditária, doenças do neurônio motor associadas a doenças linfoproliferativas e neoplasias e fasciculações benignas. SLIDE 26 TRATAMENTO Fármacos modificadores de doença: Riluzol, 50 mg, VO, 2×/dia. Edaravone, 60 mg, IV, por 14 dias, repetir um ciclo de 60 mg/dia por 10 dias, com intervalo de 2 semanas entre cada ciclo. SLIDE 27 e 28 Discussão e conclusão: A ELA é uma condição neurodegenerativa devastadora, caracterizada pela progressiva deterioração funcional dos sistemas motor. Apesar dos avanços na compreensão dos mecanismos genéticos e moleculares, a doença permanece incurável, com manejo limitado ao alívio dos sintomas e à melhora da qualidade de vida. A pesquisa contínua sobre os 6 Esclerose lateral amiotrófica mecanismos subjacentes e o desenvolvimento de terapias experimentais, como a terapia gênica e o uso de células-tronco, oferece esperança para o futuro. A conscientização pública e o suporte de organizações como a ABRELA são essenciais para acelerar diagnósticos precoces, melhorar a assistência aos pacientes e fomentar um esforço global na busca por tratamentos eficazes. SLIDE 29 ESSAS SÃO NOSSAS REFERÊNCIAS. SLIDE 30: AGRADECEMOS A TODOS PELA A ATENÇÃO E AOS PROFESSORES PELO SEMESTRE. Conteúdo adicional para possíveis perguntas ou para adicionar no final do trabalho Os neurônios motores nos núcleos na medula espinal sacral (que inervam os músculos do assoalho pélvico) e os núcleos motores dos nervos cranianos III, IV e VI (que controlam os movimentos dos olhos) apresentam-se relativamente preservados. Os sintomas bulbares, que constituem a característica inicial em aproximadamente 25% dos pacientes: É a fala arrastada; Os pacientes costumam apresentar disartria O exame físico quase sempre revela fraqueza dos músculos faciais; língua espástica, fraca, atrofiada; A disfagia, inicialmente mais pronunciada para líquidos do que para sólidos; As complicações incluem perda de peso e refeições prolongadas e árduas com episódios frequentes de tosse, sialorreia e pneumonia por aspiração. ELA afeta os neurônios motores em três locais: nas células do corno anterior (NMI) da medula espinal; nos núcleos motores do tronco encefálico, em particular os núcleos do hipoglosso, e nos NMS do córtex cerebral.O fato de que a doença seja mais extensiva nas porções distais das vias afetadas na medula espinal inferior, em vez de nas porções proximais, sugere que os neurônios afetados sofrem primeiramente degeneração em seus terminais distais e que a doença avança até que, finalmente, a célula-tronco nervosa morre. Uma característica marcante da doença é que todo o sistema sensorial, mecanismos de regulação de controle e coordenação do movimento e o intelecto permanecem intactos. Os neurônios da motilidade ocular e os neurônios parassimpáticos na medula espinal sacral também são preservados. A morte dos NMI leva a denervação, com retração posterior da musculatura e atrofia das fibras musculares. É esta atrofia das fibras, denominada amiotrofia, que aparece na designação da doença. A perda de fibras nervosas em colunas laterais da substância branca da medula espinal, juntamente com gliose fibrilar, confere uma firmeza ou esclerose a esse tecido do SNC. O termo esclerose lateral designa essas alterações. Na ELA relacionada ao gene C9ORF72, ocorre uma mutação que faz com que a sequência de letras do RNA (G e C) se repita muitas vezes. Isso é chamado de expansão de repetição. Na ELA associada ao gene C9ORF72, a expansão anômala de repetições G4C2 no RNA leva à formação de focos de RNA no núcleo, que sequestram proteínas de ligação ao RNA, prejudicando funções essenciais como o processamento e transporte de RNA. Além disso, o transporte nucleocitoplasmático alterado permite que esse RNA mutado seja traduzido no citoplasma, gerando proteínas de repetição de dipeptídeo tóxicas. Esses processos combinados comprometem a integridade neuronal, resultando na degeneração dos neurônios motores característica da doença. HISTOLOGIA CAMADA MOLECULAR DO CÓRTEX - ASTRÓCITOS GEMISTOCÍTICOS Relação entre TDP-43 e GFAP: Ativação de astrócitos: Em doenças como a ELA, o acúmulo de TDP-43 em neurônios pode causar ativação reativa dos astrócitos, um processo conhecido como astrogliose. Nesse estado, os astrócitos aumentam a produção de GFAP, que é um marcador clássico dessa resposta glial. Na histologia pode ser encontrado 2 astrócitos: Os astrócitos gemistocíticos são células com núcleo excêntrico e citoplasma volumoso, róseo e homogêneo (aspecto hialino). Crescem e sintetizam abundantes quantidades de uma proteína fibrilar que fica localizada no citoplasma e nos prolongamentos. Esta chama-se proteína glial ácida fibrilar (sigla GFAP segundo as iniciais em inglês). A proliferação 7 Esclerose lateral amiotrófica dos astrócitos e a deposição de proteína glial constitui a gliose, que é a forma de cicatriz no SNC. No SNC a cicatrização não é feita geralmente por fibroblastos, que são escassos. Astrócitos fibrosos resultam da evolução dos gemistocíticos, quando aqueles já produziram grande quantidade de fibras gliais. São formas cicatriciais. O conjunto de astrócitos fibrosos constitui a gliose. Musculatura bulbar: Deglutição: Os músculos responsáveis pela movimentação da língua, faringe e laringe, permitindo a deglutição do alimento e líquidos. Fala: Músculos da laringe e da faringe são essenciais para a produção da fala. Respiração: Músculos da laringe e músculos respiratórios podem ser influenciados por sinais vindos do bulbo raquidiano para controlar a respiração. Tônus muscular: Os músculos responsáveis pela movimentação da face e pescoço também são afetados pela função bulbar. O que são tratos descendentes? As fibras nervosas que descem na substância branca a partir de diferentes centros nervosos supraespinais são segregadas em feixes nervosos, denominados tratos descendentes. Esses neurônios supraespinais e seus tratos são designados como neurônios motores superiores e formam numerosas vias distintas, que podem influenciar a atividade motora. Vias descendentes, eferentes ou motoras: Podem ser somáticas ou viscerais, neste momento iremos abordar apenas as somáticas. É dividido em sistema medial e em sistema lateral. Sistema Medial desce pelo funículo anterior e o Sistema lateral desce pelo funículo lateral. O sistema lateral está associado aos movimentos voluntários da musculatura distal dos membros. O sistema medial está associado ao controle voluntário dos músculos, à postura e ao equilíbrio. Todo movimento voluntário da cabeça para baixo depende do trato córtico-espinhal. Esse trato começa no córtex e vai até a medula. A decussação das pirâmides: quando os tratos corticoespinhais direito e esquerdo se cruzam no bulbo. No encéfalo temos o trato córtico-espinhal direito e esquerdo, depois que se cruza no bulbo, já na medula os tratos córtico-espinhais cruzados se chamam de trato córtico-espinhal lateral, sendo 2. E o feixe de fibras que não se cruzam no bulbo formam o trato córtico-espinhal anterior, sendo 2 também. Se considerarmos a via total do trato córtico-espinhal, é cruzada. Sistema Lateral: Relacionados com a musculatura distal, tanto dos membros inferiores, quanto dos membros superiores. As duas vias do sistema lateral são: 3. Trato córtico-espinhal lateral responsável pela motricidade voluntária da musculatura distal. 4. O Trato rubroespinhal. O trato rubroespinhal é uma via secundária da motricidade. No medula, o trato corticoespinhal lateral é direto, assim as fibras se cruzam no bulbo. Sistema Medial Relacionado com a musculatura do esqueleto axial e parte proximal dos membros. Ou seja, musculatura mais central. 2. Trato córtico-espinhal anterior. o Essa via é cruzada na medula e é responsável pela motricidade voluntária da musculatura axial e proximal dos membros superiores. o Ela é cruzada porque ela vai sair do lado oposto que entrou. Via secundária do sistema medial: 8 Esclerose lateral amiotrófica 5. Trato tetoespinhal: o Vai do mesencéfalo à medula e atua nos reflexos de movimentação da cabeça e respostas aos estímulos visuais. o VIA CRUZADA. 6. Trato retículo-espinhal pontino. 7. Trato retículo-espinhal bulbar. o O bulbar que relaxa a musculatura extensora. o O trato retículo-espinhal pontino participa da motricidade voluntária, ativa o ajuste postural e contrai a musculatura extensora. 8. No sistema medial, nas vias secundárias também é encontrado os tratos vestíbulo-espinhal lateral e medial. o Eles ajudam na postura para a manutenção do equilíbrio. Vêm dos núcleos vestibulares. Resumo das vias descendentes: Do funículo lateral, - Trato corticoespinal lateral – Relacionado com a musculatura distal, tanto dos membros inferiores, tanto dos membros superiores. Faz a motricidade voluntária da musculatura distal. - Trato rubroespinal – via secundaria da motricidade da musculatura distal. Do funículoanterior, - Trato corticoespinal anterior – motricidade da musculatura do esqueleto axial e da parte proximal dos membros. - Trato tetoespinal – atua nos reflexos de movimentação da cabeça e respostas aos estímulos visuais. - Trato reticuloespinal bulbar – relaxa a musculatura extensora. - Trato reticuloespinhal pontino – contrai a musculatura extensora. - Trato vestibuloespinhal lateral e medial – atuam na postura e para a manutenção do equilíbrio. Principais vias descendentes para a medula espinal: Via Função Origem Local de cruzamento Notas: Tratos corticoespinais Movimentos voluntários rápidos e hábeis, particularmente das extremidades distais dos membros Córtex motor primário (área 4), córtex motor secundário (área 6), lobo parietal (áreas 3, 1 e 2) A maioria cruza na decussação das pirâmides; alguns cruzam no nível do destino Córtex cerebral, núcleos da base, núcleo rubro, núcleos olivares, formação reticular Tratos reticuloespinais Inibem ou facilitam os movimentos voluntários; o hipotálamo controla os fluxos eferentes simpáticos e parassimpáticos Formação reticular Algumas fibras cruzam em vários níveis Extra-piramidalTrato tetoespinal Movimentos posturais reflexos relacionados com a visão Colículo superior Logo após a sua origem Extra-piramidal 9 Esclerose lateral amiotrófica Trato rubroespinal Facilita a atividade dos músculos flexores e inibe a atividade dos músculos extensores Núcleo rubro Imediatamente Piramidal Trato vestibuloespinal Facilita a atividade dos músculos extensores e inibe os músculos flexores Núcleos vestibulares Sem cruzamento Extra-piramidal Medula Espinhal A medula espinhal é uma estrutura essencial do sistema nervoso central, localizada dentro da coluna vertebral, com a função primária de transmitir impulsos nervosos entre o cérebro e o corpo. Dividida em regiões cervical, torácica, lombar e sacral, cada uma controla diferentes partes do corpo. Na Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), as áreas mais afetadas incluem o corno anterior, onde estão os corpos celulares dos neurônios motores inferiores. A degeneração progressiva desses neurônios resulta na perda de conexão entre os nervos e os músculos, causando fraqueza muscular, atrofia e fasciculações. Os interneurônios que modulam a atividade dos motoneurônios alfa no corno anterior também podem apresentar disfunções, contribuindo para alterações nos reflexos motores e na coordenação. Além disso, a degeneração do trato corticoespinhal lateral, localizado na porção lateral da substância branca da medula espinhal, compromete a condução dos sinais dos neurônios motores superiores para os inferiores. Esse processo é responsável por sintomas como espasticidade, hiperreflexia e sinais de comprometimento dos neurônios motores superiores, incluindo o sinal de Babinski positivo. Outras vias da substância branca, como os tratos reticuloespinhais, que desempenham papel no controle motor postural, também podem ser afetadas, exacerbando a descoordenação motora. Por fim, as células gliais na medula espinhal desempenham um papel crucial na progressão da ELA. Os astrócitos, ao reduzirem a captação de glutamato, aumentam a excitotoxicidade, agravando a degeneração dos neurônios motores. A microglia, por sua vez, pode tornar-se hiperativa e liberar mediadores inflamatórios, contribuindo para a neurodegeneração. Essas alterações no ambiente celular e na estrutura funcional da medula espinhal refletem a complexidade da ELA e os múltiplos fatores que intensificam a deterioração motora.