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<p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Cultura e Sociedade</p><p>Para o alemão Karl Marx (1818 — 1883), os indivíduos devem ser analisados de acordo com o contexto</p><p>de suas condições e situações sociais, já que produzem sua existência em grupo. O homem primitivo,</p><p>segundo ele, diferenciava-se dos outros animais não apenas pelas características biológicas, mas tam-</p><p>bém por aquilo que realizavam no espaço e na época em que vivia. Caçando, defendendo-se e cri-</p><p>ando instrumentos, os indivíduos construíram sua história e sua existência de grupo social.</p><p>Ainda segundo Marx, o indivíduo isolado só apareceu efetivamente na sociedade de livre concorrência,</p><p>ou seja, no momento em que as condições históricas criaram os princípios da sociedade capitalista.</p><p>Tomemos um exemplo simples dessa sociedade. Quando um operário é aceito numa empresa, assina</p><p>um contrato do qual consta que deve tantas horas por dia e por semana e que tem determinados deve-</p><p>res e direitos, além de um salário mensal. Nesse exemplo, existem dois indivíduos se relacionando: o</p><p>operário, que vende sua força de trabalho, e o empresário, que compra essa força de trabalho. Apa-</p><p>rentemente se trata de um contrato de compra e venda entre iguais. Mas só aparentemente, pois o</p><p>“vendedor” não escolhe onde nem como vai trabalhar. As condições já estão impostas pelo empresário</p><p>e pelo meio social.</p><p>Essa relação entre os dois, no entanto, não é apenas entre indivíduos, mas também entre classes so-</p><p>ciais: a operária e a burguesa. Eles só se relacionam, nesse caso, por causa do trabalho: o empresário</p><p>precisa de força de trabalho do operário e este precisa de salário. As condições que permitem esse</p><p>relacionamento são definidas pela luta que se estabelece entre as classes, com a intervenção do Es-</p><p>tado, por meio das leis, dos tribunais ou da polícia.</p><p>Essa luta vem se desenvolvendo há mais de duzentos anos em muitos países e nas mais diversas si-</p><p>tuações, pois empresários e trabalhadores têm interesses opostos. O Estado aparece aí para tentar</p><p>reduzir o conflito, criando leis que, segundo Marx, normalmente são a favor dos capitalistas.</p><p>O foco da teoria de Marx está, assim, nas classes sociais, embora a questão do indivíduo também es-</p><p>teja presente. Isso fica claro quando Marx afirma que os seres humanos constroem sua história, mas</p><p>não da maneira que querem, pois existem situações anteriores que condicionam o modo como ocor-</p><p>rem a construção. Para ele, existem condicionantes estruturais que levam o indivíduo, os grupos e as</p><p>classes para determinados caminhos; mas todos têm capacidade de reagir a esses condicionamentos</p><p>e até mesmo de transformá-los.</p><p>Marx se interessou por estudar as condições de existência de homens reais na sociedade. O ponto</p><p>central de sua análise está nas relações estabelecidas em determinada classe e entre as diversas</p><p>classes que compõem a sociedade. Para ele, só é possível entender as relações dos indivíduos com</p><p>base nos antagonismos, nas contradições e na complementaridade entre as classes sociais. Assim, de</p><p>acordo com Marx, a chave para compreender a vida social contemporânea está na luta de classes,</p><p>que se desenvolve à medida que homens e mulheres procuram satisfazer suas necessidades, “oriun-</p><p>das do estômago ou da fantasia”.</p><p>as instituições e o indivíduo</p><p>Para o fundados da escola francesa de Sociologia, Émile Durkheim (1858 — 1917), a sociedade sem-</p><p>pre prevalece sobre o indivíduo, dispondo de certas regras, normais, costumes e leis que asseguram</p><p>sua perpetuação. Essas regras e leis independem do indivíduo e pairam acima de todos, formando</p><p>uma consciência coletiva que dá o sentido de integração entre os membros da sociedade. Elas se soli-</p><p>dificam em instituições, que são a base da sociedade e que correspondem, nas palavras de Durkheim,</p><p>a “toda crença e todo comportamento instituído pela coletividade”.</p><p>A família, a escola, o sistema jurídico e o Estado são exemplos de instituições que congregam os ele-</p><p>mentos essenciais da sociedade, dando-lhes sustentação e permanência. Durkheim dava tanta impor-</p><p>tância as instituições que definia a sociologia como “a ciência das instituições sociais, de sua gênese e</p><p>de seu funcionamento”. Para não haver conflito ou desestruturação das instituições e, consequente-</p><p>mente, da sociedade, a transformação dos costumes e normas nunca é feita individualmente, mas va-</p><p>garosamente através das gerações e gerações.</p><p>A família da sociedade está justamente na herança passado por intermédio da educação às gerações</p><p>futuras. Essas herança são os costumes, as normas e os valores que nossos pais e antepassados dei-</p><p>xaram. Condicionando e controlando pelas instituições, cada membro de uma sociedade sabe como</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>deve agir para não desestabilizar a vida comunitária; sabe também que, se não agir de forma estabele-</p><p>cida, será repreendido ou punido, dependendo da falta cometida.</p><p>O sistema penal é um bom exemplo dessa prática. Se algum indivíduo comete determinado crime,</p><p>deve ser julgado pela instituição competente — o sistema judiciário -, que aplica a penalidade corres-</p><p>pondente. O condenado é retirado da sociedade e encerrado em uma prisão, onde deve ser reedu-</p><p>cado (na maioria das vezes não é isso que acontece) para ser reintegrado ao convívio social.</p><p>Diferentemente de Marx, que vê a contradição e o conflito como elementos essenciais da sociedade,</p><p>Durkheim coloca a ênfase na coesão, integração e manutenção da sociedade. Para ele, o conflito</p><p>existe basicamente pela anomia, isto é, pela ausência ou insuficiência da normatização das relações</p><p>sociais, ou por falta de instituições que regulem essas relações. Ele considera o processo de socializa-</p><p>ção um fato social amplo, que regulamentem essas relações. Ele considera o processo de socialização</p><p>um fato social amplo, que dissemina as normas e valores gerais da sociedade — fundamentais para a</p><p>socialização das crianças — e assegura a difusão de ideias que formam um conjunto homogêneo, fa-</p><p>zendo com que a comunidade permaneça integrada e se perpetue no tempo.</p><p>O Indivíduo E A Ação Social</p><p>O alemão Max Weber (1864 — 1920), diferentemente de Durkheim, tem como preocupação central</p><p>compreender o indivíduo e suas ações. Por que essas pessoas tomam determinadas decisões? Quais</p><p>são as razões para seus atos? Segundo esse autor, a sociedade existe concretamente, mas não é</p><p>algo externo e acima das pessoas, e sim o conjunto de ações dos indivíduos relacionando-se recipro-</p><p>camente. Assim, Weber, partindo do indivíduo e de suas motivações, pretende compreender a socie-</p><p>dade como um todo.</p><p>O conceito básico para Weber é o de ação social, entendida como o ato de se comunicar, de se relaci-</p><p>onar, tendo alguma orientação quanto às ações dos outros. “Outro”, no caso, pode significar tanto um</p><p>indivíduo apenas por vários, indeterminados e até desconhecidos. Como o próprio Weber exemplifica,</p><p>o dinheiro é um elemento de intercâmbio que alguém aceita no processo de troca de qualquer bem e</p><p>que outro indivíduo utiliza porque sua ação está orientada pela expectativa de que outros tantos, co-</p><p>nhecidos ou não, estejam dispostos a também aceita-la como elemento de troca.</p><p>Seguindo esse raciocínio, Weber declara que a ação social não é idêntica a uma ação homogênea de</p><p>muitos indivíduos. Ela dá um exemplo: quando estão caminhando na rua e começa a chover, muitas</p><p>pessoas abrem seus guarda-chuvas ao mesmo tempo. A ação de cada indivíduo não está orientada</p><p>pela dos demais, mas sim pela necessidade de proteger-se da chuva.</p><p>Weber também diz que a ação social não é idêntica a uma ação influenciada, que ocorre muito fre-</p><p>quentemente nos chamados fenômenos de massa. Quando há uma grande aglomeração, quando se</p><p>reúnem muitos indivíduos por alguma razão, estes agem influenciados por comportamentos grupais,</p><p>isto é, fazem determinadas coisas porque todos estão fazendo.</p><p>Max Weber, ao analisar o modo como os indivíduos agem e levando em conta a maneira como eles</p><p>orientam suas ações, agrupou as ações</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>individuais em quatro grandes tipos, a saber: ação tradicional,</p><p>ação efetiva, ação racional com relação a valores e ação racional com relação a fins.</p><p>A ação tradicional tem por base um costume arraigado, a tradição familiar ou um hábito. É um tipo de</p><p>ação que se adota quase que automaticamente, reagindo a estímulos habituais. Expressões como “Eu</p><p>sempre fiz assim” ou “Lá em casa sempre se faz desse jeito” exemplificam tais ações.</p><p>Ação efetiva tem por fundamentalmente os sentimentos de qualquer ordem. O sentido da ação está</p><p>nela mesmo. Age efetivamente quem satisfaz suas necessidades, seus desejos, sejam eles de alegria,</p><p>de gozo, de vingança, não importa. O que importa é dar vazão às paixões momentâneas. Age assim</p><p>aquele indivíduo que diz “Tudo pelo prazer” ou “O principal é viver o momento “.</p><p>Ação racional com relação a valores fundamenta-se em convicções, tais como o dever, a dignidade, a</p><p>beleza, a sabedoria, a piedade ou a transcendência de uma causa, qualquer que seja seu gênero, sem</p><p>levar em conta as consequências previsíveis. O indivíduo age baseado naquelas convicções e crê que</p><p>tem certo “mandado” para fazer aquilo. Se as consequências forem boas ou ruins, prejudiciais ou não,</p><p>isso não importa, pois ele age de acordo com aquilo em que acredita. Age dessa forma o indivíduo que</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>diz: “Eu acredito que a minha missão aqui na Terra é fazer isso” ou “O fundamental é que nossa causa</p><p>seja vitoriosa”.</p><p>A ação racional com relação a afins fundamenta-se numa avaliação da relação entre meios e fins.</p><p>Nesse tipo de ação, o indivíduo pensa antes de agir em uma situação dada. Age dessa forma o indiví-</p><p>duo que programa, pesa e mede as consequências, e afirma: “se eu fizer isso ou aquilo, pode aconte-</p><p>cer tal coisa; então, vamos ver qual é a melhor alternativa” ou “creio que seja melhor conseguir tais</p><p>elementos para podermos atingir aquele alvo, pois, do contrário, não conseguiremos nada e só gosta-</p><p>remos energia e recursos”.</p><p>Para Weber, esses tipos de ação social não existem em estado puro, pois os indivíduos, quando agem</p><p>no cotidiano, mesclam alguns ou vários tipos de ação social. São os “tipos ideais”, construções teóri-</p><p>cas utilizadas pelo sociólogo para analisar a realidade.</p><p>Como se pode perceber, para Weber, ao contrário do que defende Durkheim, as normas, os costumes</p><p>e as regras sociais não são algo extremo ai indivíduo, mas estão internacionalizadas, e, como base no</p><p>que traz dentro de si, o indivíduo escolhe condutas e comportamentos, dependendo das situações que</p><p>se lhe apresentam. Assim, as relações sociais consistem na probabilidade que se aja socialmente com</p><p>determinado sentido, sempre numa perspectiva de reciprocidade por parte dos outros.</p><p>Sociedade e Cultura</p><p>A sociologia começa com dois fatos básicos: o comportamento dos seres humanos revela padrões</p><p>regulares e repetitivos, e os seres humanos são animais sociais e não criaturas isoladas.</p><p>Quando observamos as pessoas à nossa volta tendemos mais a notar-lhes as idiossincrasias (ma-</p><p>neira pessoal de ver, sentir e reagir; propensão) e singularidades pessoais do que as semelhanças.</p><p>Charles Horton Cooley diz: “Não se dá o caso de que, quanto mais próxima estiver uma coisa do</p><p>nosso hábito de pensamento, tanto mais claramente vemos o indivíduo? O princípio é muito seme-</p><p>lhante ao que faz que todos [os chineses] se nos afigurem muito parecidos; vemos o tipo por ser tão</p><p>diferente daquele que estamos acostumados a ver, mas somente quem vive dentro dele é capaz de</p><p>perceber plenamente as diferenças entre os indivíduos”.</p><p>Os aspectos repetidos da ação humana constituem a base de qualquer ciência social. Escreveu Aris-</p><p>tóteles: “O homem é naturalmente um animal político e quem quer que seja, natural e não artificial-</p><p>mente, inadequado à sociedade há de ser inferior aos homens”. Ao tentarem explicar as regularida-</p><p>des aparentes da ação humana e os fatos da vida coletiva, criaram os sociólogos dois conceitos, o</p><p>de sociedade e o de cultura. A sociedade humana não pode existir sem cultura, e a cultura hu-</p><p>mana só existe dentro da sociedade.</p><p>Sociedade</p><p>As diferenças conceituais indicam que as pessoas estão considerando ou destacando aspectos do</p><p>mesmo fenômeno.</p><p>Em sua concepção mais lata, sociedade refere-se apenas ao fato básico da associação humana. O</p><p>conceito de relação social baseia-se no fato de que o comportamento humano está orientado de inú-</p><p>meras maneiras para outras pessoas. Os homens somente vivem juntos e partilham de opiniões,</p><p>crenças e costumes comuns, mas também interagem continuamente uns aos outros e modelam seu</p><p>comportamento pelo comportamento e pelas expectativas alheias. A interação não é uma ocorrência</p><p>momentânea, é um processo persistente de ação e reação. A relação social consiste num padrão de</p><p>interação humana. De um ponto de vista, portanto, a sociedade é a “trama das relações sociais”.</p><p>A sociedade é antes o grupo dentro do qual os homens vivem uma vida comum total, que uma orga-</p><p>nização limitada a um propósito ou a propósitos específicos. Em qualquer sociedade podem encon-</p><p>trar-se grupos menores dentro de grupos maiores e os indivíduos pertencem, simultaneamente, a vá-</p><p>rios grupos. Uma sociedade, portanto, pode ser analisada em função de seus grupos constituintes e</p><p>suas relações recíprocas.</p><p>Cultura</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Toda sociedade possui um modo de vida ou uma cultura, que define modos apropriados ou necessá-</p><p>rios de pensar, agir e sentir. Em sociologia a cultura se refere à totalidade do que aprendem os indiví-</p><p>duos como membros da sociedade. Tylor define: “A cultura é o todo complexo que inclui conheci-</p><p>mento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer aptidões adquiridas pelo homem como membro</p><p>da sociedade”. Segundo George Murdock, a cultura é, em grande parte, “ideacional”: refere-se aos</p><p>padrões, às crenças e às atitudes em função das quais agem as pessoas.</p><p>A importância da cultura reside no fato de que ela proporciona o conhecimento e as técnicas que</p><p>permitem ao homem sobreviver, física e socialmente, e dominar e controlar, na medida do possível, o</p><p>mundo que o rodeia.</p><p>O homem é o único animal que possui cultura; de fato, nisto reside uma das distinções cruciais entre</p><p>o homem e outros animais.</p><p>De importância central na definição de cultura é o fato de ser ela, ao mesmo tempo, aprendida e parti-</p><p>lhada. O comportamento universal, embora não aprendido, ou que é peculiar ao indivíduo, não faz</p><p>parte da cultura. Não só o comportamento não aprendido, como os reflexos, mas também as idiossin-</p><p>crasias pessoais podem, todavia, ser influenciados ou modificados pela cultura.</p><p>Os Componentes Da Cultura</p><p>Instituições: padrões normativos que definem o que se entendo por… Modos de ação ou de relação</p><p>social adequados, legítimos ou esperados.</p><p>Alguns autores enxergam numa instituição um conjunto de normas interligadas, um “sistema norma-</p><p>tivo” centralizado em torno de algum tipo de atividade humana ou algum problema importante na soci-</p><p>edade.</p><p>Uma distinção entre as instituições é a que existe entre folkays e mores.</p><p>Folkays: prática convencional aceita como apropriada, mas sobre a qual não se insiste.</p><p>Mores: normas moralmente sancionadas com vigor. A não conformidade provoca desaprovação mo-</p><p>ral.</p><p>Uma segunda dimensão das instituições nasce do contraste entre costumes e leis.</p><p>Costumes: práticas aceitas como formas apropriadas de comportamento, sancionadas pela tradição.</p><p>São comuns em sociedades pouco complexas.</p><p>Leis: regras decretadas pelo poder político e impostas pelo Estado; comuns em sociedades comple-</p><p>xas.</p><p>O segundo entre os principais componentes da cultura, as idéias, abrange uma série variada e com-</p><p>plexa de fenômenos sociais. Além das idéias cognitivas e expressivas, os homens também aprendem</p><p>e partilham os valores que lhes governam a vida, os padrões e idéias pelos quais definem suas me-</p><p>tas. Tais valores não são regras específicas de ação, mas</p><p>preceitos gerais a que os homens se sujei-</p><p>tam.</p><p>O termo valor, contudo, é empregado às vezes para designar objetivos ou situações definidos como</p><p>bons. Os valores, portanto, adquirem seu caráter em virtude dos juízos dos homens, mas deles se</p><p>distinguem.</p><p>A comunicação é um processo social fundamental, pois é apenas através da troca de idéias que se</p><p>torna possível a vida social organizada. O que distingue os homens de outras criaturas é o desenvol-</p><p>vimento de uma linguagem simbólica, que vai além de sinais grosseiros, capazes apenas de transmi-</p><p>tir informações limitadas ou servir de estímulos diretos à ação. A linguagem simbólica representa não</p><p>só o componente fundamental da cultura, senão também o que lhe torna possível a elaboração e a</p><p>acumulação.</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Cultura material é o terceiro entre os principais componentes da cultura e é talvez o mais fácil de se</p><p>definir. Consiste nas coisas materiais que os homens criam e usam, e que vão desde os primitivos</p><p>instrumentos do homem pré-histórico às máquinas mais adiantadas do homem moderno.</p><p>A divisão entre idéias – conhecimento, valores, crenças tradicionais – e cultura material, embora mui-</p><p>tas vezes útil, é, de certo modo, arbitrária, pois para descrever plenamente artefatos culturais é ne-</p><p>cessário conhecer-lhes os usos, as atitudes tomadas em relação a eles e o conjunto de habilidades e</p><p>conhecimentos necessários para produzi-los.</p><p>A Organização Da Cultura</p><p>Papel e “status”.</p><p>Status: posição socialmente identificada.</p><p>Papel: padrão de comportamento esperado ou exigido de pessoas que ocupam determinado status.</p><p>Pode-se dizer que os homens representam ou desempenham papéis sociais; preenchem ou ocupam</p><p>status. O status é uma espécie de cartão de identidade social, que coloca as pessoas em relação a</p><p>outras e sempre supõe também uma espécie de papel. Cada homem ocupa muitos status e desem-</p><p>penha muitos papéis. A maneira pela qual procede uma pessoa depende, portanto, da posição parti-</p><p>cular em que se encontra e as expectativas de papel que a acompanha.</p><p>A importância dos papéis sociais não reside apenas na extensão em que eles regulam o comporta-</p><p>mento, mas também no fato de permitirem aos homens que predigam as ações de outros e, portanto,</p><p>modelem as próprias ações de acordo com essa predição. Existem, portanto, relações sociais entre</p><p>os papéis desempenhados por membros de uma sociedade. Tais relações não apenas indiretamente</p><p>definidas por valores que proporcionam padrões gerais de comportamento, mas também por prescri-</p><p>ções institucionais específicas, as quais indicam a maneira pela qual se espera que os ocupantes de</p><p>status definidos se comportem em relação uns aos outros.</p><p>Entre muitos status que os homens podem vir a ocupar, podemos distinguir os atribuídos e os adqui-</p><p>ridos. O status atribuído deriva de atributos sobre os quais a pessoa não tem controle ou do fato de</p><p>pertencer a um grupo em que foi incluída através de outros, espera-se que ela adquira e exerça cer-</p><p>tos papéis. O status adquirido é ocupado mercê de alguma ação direta ou positiva, precisa ser con-</p><p>quistado pela pessoa.</p><p>Um dos aspectos mais significativos do status é o valor que se lhe atribui, o respeito ou prestígio que</p><p>o cerca aos olhos dos outros.</p><p>O Estado social</p><p>A designação Estado social tem várias genealogias. Foi com esta designação que Marcelo Caetano</p><p>tentou rebatizar o Estado Novo. No virar do século XIX para o século XX foi a designação usada pe-</p><p>los socialistas para marcar a forma política do Estado que faria a transição para o socialismo. É esta</p><p>também a designação que consta da Constituição Portuguesa de 1976.</p><p>Nas ciências sociais, e consoante as filiações teóricas, as designações mais comuns têm sido a de</p><p>Estado providência ou Estado de bem-estar. É tendo em mente estas últimas designações que falo</p><p>do Estado social, um tipo de estado cuja melhor concretização teve lugar nos países europeus mais</p><p>desenvolvidos depois da Segunda Guerra Mundial. O Estado social é o resultado de um compromisso</p><p>histórico entre as classes trabalhadoras e os detentores do capital.</p><p>Este compromisso foi a resposta a uma dolorosa história recente de guerras destrutivas, lutas sociais</p><p>violentas e crises económicas graves. Nos termos desse compromisso ou pacto, os capitalistas re-</p><p>nunciam a parte da sua autonomia enquanto proprietários dos fatores de produção (aceitam negociar</p><p>com os trabalhadores temas que antes lhes pertenciam em exclusividade) e a parte dos seus lucros</p><p>no curto prazo (aceitam ser mais fortemente tributados), enquanto os trabalhadores renunciam às</p><p>suas reivindicações mais radicais de subversão da economia capitalista (o socialismo e, para o atin-</p><p>gir, a agitação social sem condições face à injustiça da exploração do homem pelo homem). Esta du-</p><p>pla renúncia é gerida pelo Estado, o que confere a este alguma autonomia em relação aos interesses</p><p>contraditórios em presença.</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O Estado tutela a negociação coletiva entre o capital e o trabalho (a concertação social) e transforma</p><p>os recursos financeiros que lhe advêm da tributação do capital privado e dos rendimentos salariais</p><p>em "capital social", ou seja, num vasto conjunto de políticas públicas e sociais. As políticas públicas</p><p>traduzem-se num forte intervencionismo estatal na produção de bens e serviços que aumentam a mé-</p><p>dio prazo a produtividade do trabalho e a rentabilidade do capital (formação profissional, investigação</p><p>científica, aeroportos e portos, autoestradas, política industrial e de desenvolvimento regional, par-</p><p>ques industriais, telecomunicações, etc., etc.).</p><p>As políticas sociais são as políticas públicas que decorrem dos direitos económicos e sociais dos tra-</p><p>balhadores e dos cidadãos em geral (população ativa efetiva, crianças, jovens, desempregados, ido-</p><p>sos, reformados, "domésticas", produtores autónomos). Traduzem-se em despesas em bens e servi-</p><p>ços consumidos pelos cidadãos gratuitamente ou a preços subsidiados: educação, saúde, serviços</p><p>sociais, habitação, transportes urbanos, atividades culturais, atividades de tempos livres. Algumas</p><p>das políticas sociais envolvem transferências de pagamentos de vária ordem financiados por contri-</p><p>buições dos trabalhadores ou por impostos no âmbito da Segurança Social (bolsas de estudo, abono</p><p>de família, rendimento social de inserção, pensões, subsídios por doença e por desemprego). As</p><p>transferências ocorrem, por via da solidariedade social institucionalizada pelo Estado, dos mais ricos</p><p>para os mais pobres, dos empregados para os desempregados, da geração adulta e ativa para as ge-</p><p>rações futuras e os reformados, dos saudáveis para os doentes.</p><p>O conjunto das políticas públicas e sociais tem uma tripla função. Primeiro, cria condições para o au-</p><p>mento da produtividade que, pela sua natureza ou volume, não podem ser realizadas pelas empresas</p><p>individuais, abrindo assim o caminho para a socialização dos custos da acumulação capitalista, razão</p><p>por que a redução dos lucros a curto prazo redundará, no médio prazo, em expansão dos lucros. Se-</p><p>gundo, as despesas em capital social aumentam a procura interna de bens e serviços através de in-</p><p>vestimentos e consumos coletivos e individuais. Terceiro, garante uma expectativa de harmonia so-</p><p>cial porque assenta na institucionalização (isto é, normalização, desradicalização) dos conflitos entre</p><p>o capital e o trabalho e porque proporciona uma redistribuição de rendimentos a favor das classes tra-</p><p>balhadoras (salários indiretos) e da população carenciada, fomentando o crescimento das classes</p><p>médias, em todos criando um interesse na manutenção do sistema de relações, políticas, sociais e</p><p>económicas que torna possível essa redistribuição.</p><p>Enquanto gestor global deste sistema, o Estado assume grande complexidade porque tem de garantir</p><p>uma articulação estável entre os três princípios de regulação do Estado moderno propícios a tensões</p><p>entre si: o Estado, o mercado e a comunidade.</p><p>A estabilidade exige que o Estado tenha certa prima-</p><p>zia sem asfixiar o mercado ou a comunidade. Se, por um lado, o Estado garante a consolidação do</p><p>sistema capitalista, por outro lado, obriga os principais atores do sistema a alterarem o seu cálculo</p><p>estratégico: os empresários são levados a trocar o curto prazo pelo médio prazo e os trabalhadores</p><p>são levados a trocar um futuro radioso mas muito distante e incerto por um presente e um futuro pró-</p><p>ximo com alguma dignidade. O Estado social assenta, assim, na ideia da compatibilidade (e até com-</p><p>plementaridade) entre desenvolvimento económico e proteção social, entre acumulação de capital e</p><p>legitimidade social e política de quem a garante; em suma, entre capitalismo e democracia.</p><p>Este modelo de Estado e de capitalismo tem vindo a ser atacado a partir dos anos 1970 até a seu</p><p>cume nos anos 1990 por um modelo alternativo, designado por neoliberalismo, que assenta na subs-</p><p>tituição da primazia do Estado pela do mercado na regulação social. É um ataque ideológico, ainda</p><p>que disfarçado de uma nova racionalidade económica. São muitas as razões para a crescente agres-</p><p>sividade deste ataque, mas todas elas têm em comum o serem fatores que favorecem a transforma-</p><p>ção da ideologia em pretensa racionalidade. Eis algumas delas: o modelo neoliberal está centrado na</p><p>predominância do capital financeiro (sobre o capital produtivo) e para ele só há curto prazo; ou o mé-</p><p>dio prazo é, quando muito, alguns minutos mais; com o tempo, os trabalhadores e seus aliados trans-</p><p>formaram a opção socialista, de incerta e distante, em opção esquecida, e passaram a aceitar, como</p><p>vitórias, perdas menores, que só são menores porque vão sendo seguidas por outras maiores; o tra-</p><p>balho assalariado alterou-se profundamente e transformou-se num recurso global, sem que entre-</p><p>tanto se tenha criado um mercado globalmente regulado de trabalho; o "compromisso histórico" ge-</p><p>rido pelo Estado nacional trans- forma-se num anacronismo quando o próprio Estado passa a ser ge-</p><p>rido pelo capital global.</p><p>O Estado social português nasceu em contraciclo, depois da revolução do 25 de Abril de 1974. Em</p><p>parte por isso, nunca passou de um Estado muito pouco ambicioso (quando comparado com os ou-</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>tros Estados europeus), um quase-Estado-providência, como o designei nos anos 1990, e nunca dei-</p><p>xou de depender de uma forte sociedade-providência. Mas, mesmo assim, foi essencial na criação e</p><p>consolidação da democracia portuguesa da terceira república. É este o sentido da sua consagração</p><p>constitucional. E porque entre nós a democracia e o Estado social nasceram juntos, não é possível</p><p>garantir a sobrevivência de qualquer deles sem o outro.</p><p>*Professor catedrático jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, diretor do</p><p>Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e coordenador do Observatório Permanente</p><p>da Justiça Portuguesa</p><p>A Família</p><p>A família, no mundo moderno, tornou-se a referência imediata do indivíduo. Aos poucos, as pessoas</p><p>deixaram de ser associadas preferencialmente a uma comunidade ou à sua proveniência geográfica,</p><p>passando a ser situadas a partir do seu núcleo familiar. Tal produção é nítida no caso de crianças e</p><p>jovens, cujas famílias são convocadas legalmente, na maioria dos países ocidentais, para responder</p><p>por qualquer movimento tido como fora dos padrões de normalidade instituídos. A ênfase na família</p><p>nas campanhas sanitárias, no discurso pedagógico, na normalização jurídica e em todas as práticas</p><p>profissionais atuais expressa a naturalização de uma estrutura social sustentada na perspectiva indi-</p><p>víduo-família. A família passou a constituir um espaço privado, cuja atribuição maior é a responsabili-</p><p>dade por seus membros. Assumida por meio de uma série de estratégias de controle disciplinar, a</p><p>prática familiar produz efeitos tanto no seu âmbito interno (privado), como no âmbito público (ordem</p><p>pública). Público e privado, espaços interligados por uma produção concomitante.</p><p>O espaço doméstico transcende, em muito, o âmbito íntimo familiar ao inscrever-se nas relações con-</p><p>tratuais estabelecidas por um código ético-político que define seu caráter privado e o responsabiliza</p><p>pelas ações, sentidos e desejos de seus membros. Segundo Donzelot (1980), a família moderna re-</p><p>presenta, em seu vínculo interno, a relação pública. É, portanto, nos termos do autor, “a menor orga-</p><p>nização política possível”. Indica uma forma histórica de produção do social; de produção do que De-</p><p>leuze, na Introdução da obra de Donzelot (1980), chama de “domínio híbrido” do público e do privado.</p><p>Sob esta perspectiva, o social contém a inter-relação das dimensões pública e privada, colocando</p><p>sob questão a perspectiva que as entende como uma dicotomia. A produção do social se expressa,</p><p>por excelência, no âmbito da família, por implicar tanto a relação íntima em seu espaço interno como</p><p>as relações institucionais externas que também a constituem. Tais relações externas são controladas</p><p>pelas políticas públicas quando, no início do século, em nome da “pureza”, o ideal higienista é incor-</p><p>porado por meio do esquadrinhamento das famílias. Desde então, o controle institucionalizou-se por</p><p>intermédio de equipamentos sociais, tais como o Juizado, os postos de saúde e a escola, no sentido</p><p>da correção ou eliminação dos “irregulares”.</p><p>No entanto, a correlação entre o público e o privado é sustentada na concepção de prevenção, na</p><p>medida em que se produz uma subjetividade segundo a qual o controle íntimo da família é o que ga-</p><p>rantirá a ordem social. O ideal da prevenção, fundamento da política social voltada aos pobres no</p><p>Brasil, em si já aponta para a previsibilidade dos destinos, no que ficam implícitas as poucas chances</p><p>de as famílias que não têm condições de viver nos parâmetros da ordem burguesa &– como ocorre</p><p>com a maioria das famílias pobres &– aderirem à ordem instituída. Desta lógica, depreende-se a de-</p><p>corrente “necessidade” do isolamento ou eliminação dos “fora da ordem”, para que o sistema não se</p><p>contamine como um todo. O alvo principal das políticas de prevenção é constituído por aqueles que</p><p>têm em comum determinada condição socioeconômica:</p><p>“[...] são crianças e adolescentes já na marginalidade ou que poderão vir a ficar &– porque pobres &–</p><p>que devem ser exterminados. A modernidade exige cidades limpas, assépticas, onde a miséria &– já</p><p>que não pode mais ser escondida e/ou administrada &– deve ser eliminada. Eliminação não pela sua</p><p>superação, mas pelo extermínio daqueles que a expõem incomodando os ‘olhos, ouvidos e narizes’</p><p>das classes mais abastadas” (Coimbra, 2001, p. 44).</p><p>Perante a falta de condições para se constituir o modelo de família considerado “certo”, o seqüestro</p><p>do direito à família vem ocorrendo, historicamente, pela intervenção na relação com os filhos, sendo</p><p>esta uma das funções de certos equipamentos sociais, dentre os que se destacam, hoje em dia, a es-</p><p>cola, em suas diversas formas (externato ou internato em distintos sistemas), os consultórios médicos</p><p>e psicológicos, o judiciário, os abrigos, o cárcere, os conselhos tutelares etc. Abstraindo-se a análise</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>das condições necessárias para aderir ao modelo hegemônico, tais equipamentos sociais diagnosti-</p><p>cam a incapacidade de a família ser família. Isto ocorre seja retirando os filhos fisicamente ou des-</p><p>qualificando seus saberes e suas ações tanto com classificações estreitas como a de “família deses-</p><p>truturada”, como com intervenções discriminatórias, que submetem indivíduos/famílias a serviços pú-</p><p>blicos inadequados, de qualidade duvidosa, que não interferem, efetivamente, na condição de vida</p><p>que os levou a serem alvo de intervenção. O âmbito público faz-se presente nas relações privadas da</p><p>família, intervindo e marcando a hibridação entre o público e o privado e, desta forma, produzindo o</p><p>social.</p><p>A relação com o âmbito privado tem como parâmetro o acesso à propriedade</p><p>privada, relação exten-</p><p>siva à família e, nela, à criança. A tutela, o domínio sobre os filhos, é produzida a partir da lógica pri-</p><p>vada, levando a que infância, politicamente, expresse dependência, submissão, propriedade. Os pais</p><p>passam a constituir relações de proprietários e são cobrados por tal condição. A produção do social</p><p>não é a referência a um grupo, ao coletivo, mas a uma formação que se afirma por intermédio da es-</p><p>fera pública, que, por sua vez, embora colocada de forma antagônica ao que é privado, só existe na</p><p>inter-relação de ambas as esferas.</p><p>A relação familiar é uma relação de dominação sob as bases da igualdade civil, das “garantias indivi-</p><p>duais” que estruturam a iniciativa privada. No entanto, apenas sob certas condições, é localizada</p><p>como uma relação pública e, só nesses casos, é associada à produção do social. Há um processo de</p><p>produção de subjetividades no sentido de naturalizar a institucionalização de um modelo hegemônico</p><p>de família, que opera por meio da discriminação de outras relações familiares, como as constituídas</p><p>por mães solteiras, por parentes que assumem a responsabilidade pelas crianças, por casais separa-</p><p>dos, por pais que realizam atividades consideradas ilegais ou imorais etc., embora todas elas sejam</p><p>formas coesas de organização familiar, produzidas historicamente.</p><p>A família é uma relação política e, como tal, implicada em processos de lutas e forças que produzem</p><p>o social. O chefe de família, no entender de Donzelot (1980), é uma figura sociopolítica com a atribui-</p><p>ção de garantir no interior desse núcleo a ordem vigente. Função assentada em um paradoxo: de um</p><p>lado, a estrutura produtiva capitalista não está associada à concentração familiar, como ocorre em</p><p>espaços de economia servil; de outro, o desmembramento de um cotidiano construído a partir de la-</p><p>ços comunitários coloca a família como o agente político privilegiado para a garantia da ordem. A fa-</p><p>mília, que é um âmbito privado, é esquadrinhada pelo social, em nome da ordem pública.</p><p>Os efeitos de tal esquadrinhamento se corporificam nos indivíduos que são produzidos como entida-</p><p>des independentes, desarraigados da noção de coletivo. Se, por um lado, o suporte familiar é funda-</p><p>mental para se falar em indivíduo, por outro, este é produzido de forma tão privatizada quanto a famí-</p><p>lia. No contexto de um pensamento que se centra no indivíduo, a ação coletiva também fica caracteri-</p><p>zada de forma individualizada, como uma somatória e não como produto de agenciamentos coletivos.</p><p>Sob esta lógica, o comunitário torna-se um território amorfo que sugere “o social”, “o coletivo”, associ-</p><p>ado ao âmbito privado. Bons cenários para esta discussão são as chamadas obras de assistência,</p><p>que têm como eixo interesses particulares que são levados às comunidades para gerar demandas</p><p>que reproduzem tais interesses particulares, sem abrir espaço para que os próprios grupos cons-</p><p>truam suas reivindicações. Desta forma, o conceito de comunitário torna-se difuso, em um nebuloso</p><p>horizonte no qual seu conteúdo não pode ser apreendido, até por uma questão conceitual (por sua</p><p>indefinição), conduzindo à formulação de um Terceiro Setor muito pouco específico por sugerir, mais</p><p>que um espaço específico, um debate contido entre o público e o privado. São estas algumas das</p><p>questões que permitem conduzir a discussão do que o pensamento neoliberal entende como “comu-</p><p>nidade”.</p><p>Neoliberalismo E Direitos No Brasil</p><p>Atualmente, na discussão em torno do neoliberalismo enquanto pensamento estruturante da ordem</p><p>social, há um apelo à descentralização, à privatização e à concentração dos programas sociais para</p><p>setores chamados carentes, tendo como agente de intervenção a comunidade e, nela, como disposi-</p><p>tivo, a família. Advoga-se em favor de um sistema privatizado e individualizado, fazendo com que as</p><p>pessoas, cada vez mais, se organizem, como diz Guattari (Guattari e Rolnik, 1996, p. 38), segundo</p><p>padrões universais “que serializam e individualizam”, vedando a possibilidade de criação de modos</p><p>de organização ou “processos de singularização”. O chamamento particular para que as comunida-</p><p>des se organizem sem caracterizá-las, qualificá-las, nem politizar os espaços nos quais se chama a</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>intervir, leva a um movimento mecânico, em série, sem possibilidades de transformar as relações so-</p><p>ciais. O movimento social é coagido e, por meio dele, a família será coagida e coagirá seus membros,</p><p>tornando-se precisamente a coação aos processos coletivos a forma de potencializar as áreas de se-</p><p>gurança e de justiça, prioritárias na ação pública na sociedade neoliberal. Pode-se dizer, ainda, que</p><p>estas áreas não serão apenas prioritárias, porém as únicas em que o neoliberalismo reconheça aber-</p><p>tamente a entrada do Estado, revelando um jogo político em que este, longe de distanciar-se, inter-</p><p>virá a partir de novas formas, despolitizando os espaços sociais. Ao contrário da idéia de ausência do</p><p>Estado, defendida de maneira universal pelo pensamento neoliberal, contemporaneamente, revela-se</p><p>fundamental a presença forte e decisiva do Estado nas áreas de interesse da ordem burguesa, garan-</p><p>tindo a liberdade necessária ao exercício da violência, a partir de regras de mercado.</p><p>Ou seja, na defesa do mercado, é clara a intervenção do Estado, embora não se assuma publica-</p><p>mente que esta é a sua única e verdadeira prioridade, aparecendo travestida de preocupações por</p><p>justiça e segurança &– por serem apregoadas como fundamentais ao enfrentamento da barbárie que</p><p>o neoliberalismo instala. No entanto, ao se falar em violência, individualiza-se e particulariza-se cada</p><p>caso como se fosse uma disfunção, uma “desestrutura” provinda da família. Esta, a família, será a pri-</p><p>meira a ser esquadrinhada, acusada e controlada, como se nela estivessem as possibilidades para se</p><p>reverter um quadro político-social. Tudo isto ocorre, inclusive nos dias atuais no Brasil, tendo como</p><p>base legal o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que reconhece o Estado como um dos</p><p>possíveis agentes violadores dos direitos. De nada serve ter um instrumento de garantia de direitos</p><p>se a reivindicação destes persiste em paradigmas preventivistas. O ECA é produzido no contexto da</p><p>Constituição Federal de 1988, a chamada Constituição Cidadã, que expressa &– como diz Francisco</p><p>de Oliveira (Oliveira e Paoli, 1999) &– a ofensiva que se vinha organizando nas últimas décadas e</p><p>que ganhou foros de direito:</p><p>“[...] o direito ao trabalho, o direito à auto-organização [...] o direito à saúde, o direito à educação, o</p><p>direito da criança e do adolescente, o direito à terra, o direito ao habeas-corpus (a talvez mais antiga</p><p>negação do corpo na formação da sociedade brasileira), o direito ao habeas-data (talvez a outra mais</p><p>antiga negação, a da fala, a do discurso), o direito a uma velhice digna e respeitada, enfim, todas as</p><p>reivindicações que significam política como o processo mediante o qual se põe em xeque a repartição</p><p>da riqueza apenas entre os que são proprietários, ganhou uma forma, talvez a mais acabada que as</p><p>condições históricas permitiam” (p. 65, ênfase no original).</p><p>Conceitos como os de solidariedade ou democratização desaparecem do discurso neoliberal e a indi-</p><p>vidualização emerge por meio da competência técnica, da eficiência e da motivação como bases da</p><p>política social, visando “corrigir” as “distorções” de tal política das últimas décadas. Dois aspectos po-</p><p>dem ser assinalados como dispositivos de despolitização no processo de democratização no Brasil:</p><p>por um lado, as reivindicações são feitas ao Estado e este não mais as atende, alegando tanto incom-</p><p>petência quanto falta de recursos financeiros. Por outro lado, a falta de condições objetivas para man-</p><p>ter padrões sociais aceitáveis, perante o ascendente índice de desemprego e o esvaziamento da má-</p><p>quina pública, expressa-se na busca individualizada &– e até desesperada &– de estratégias de so-</p><p>brevivência, colocando a família na mira, como se ela</p><p>devesse, ou melhor, pudesse dar respostas a</p><p>uma crise global. Esta desagregação conduz à despolitização do movimento reivindicativo. Mais do</p><p>que isso, leva ao seu descrédito, em um movimento que não deixa alternativa senão ter a família</p><p>como responsável, de forma privada, por todos os problemas sociais e políticos.</p><p>A discussão sobre a desmobilização política passa pela concepção de Estado. Este, com uma más-</p><p>cara de ineficiência, de incompetência e, ainda, apoiando-se em categorias como a de ingovernabili-</p><p>dade, oculta a extrema habilidade em relação ao projeto político que se propõe, joga ainda mais com</p><p>o reducionismo conceitual e transfere a responsabilidade pela “ineficiência” ao servidor público. O</p><p>funcionário torna-se o símbolo de incompetência em matéria de gestão: por meio desta figura, ex-</p><p>plora-se a ameaça da “ingovernabilidade”. A gestão pública, a política pública, recai, simbolicamente,</p><p>nas mãos de um “contingente desqualificado”, responsável pela falência do Estado brasileiro, sem po-</p><p>litizar o discurso, denunciando a administração e o uso da máquina pública por interesses privados e,</p><p>assim, conduzindo ao descrédito do Estado em áreas onde ele não está sendo propriamente inefici-</p><p>ente, mas coerente com a proposta neoliberal, não tendo interesse em intervir. Assim, a culpa das es-</p><p>colas não funcionarem seria da falta de compromisso e preparação dos professores; os hospitais de-</p><p>penderiam dos seus funcionários serem mais interessados, abolindo-se a discussão sobre a forma</p><p>como são geridos os recursos públicos e, entre eles, os próprios funcionários públicos. Tal reducio-</p><p>nismo é percebido também quando o próprio Estado se destitui de algumas de suas tradicionais atri-</p><p>buições em relação à política social e convoca a sociedade civil para participar da gestão da política</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>pública, sabendo que esta não tem, necessariamente, uma tradição participativa orgânica e, mesmo</p><p>detendo parcos e fragmentados espaços nos mecanismos de gestão, é responsabilizada pelo pro-</p><p>cesso de democratização.</p><p>Os mecanismos de gestão política em um Estado burguês autoritário como o brasileiro estão concen-</p><p>trados nas elites que se encontram no poder, desqualificando não apenas a participação do coletivo,</p><p>da comunidade, mas também impedindo qualquer intervenção dos técnicos responsáveis pela execu-</p><p>ção das ações. O “corpo técnico” ou “especializado”, que vai ao campo de batalha enfrentar realida-</p><p>des enquanto representante do poder público, é dificultado e até impedido de opinar e intervir nas de-</p><p>cisões relativas à sua rotina, tendo que se submeter a decisões superiores, que chegam a ser contra-</p><p>ditórias com as práticas também induzidas ou impostas pelo Executivo. A coordenação da administra-</p><p>ção pública no Brasil é definida por alianças políticas. Sob esta condição, se estabelece a relação</p><p>com os trabalhadores públicos e com os usuários das políticas públicas.</p><p>Esta tradição traz à tona o debate sobre gestão democrática em um sentido amplo, porém também</p><p>concreto. Pode-se afirmar que, juridicamente, o Brasil avançou de forma significativa em matéria de</p><p>participação nos processos de gestão. Conta-se com uma Constituição Federal que abre importantes</p><p>espaços, a partir dos quais são formuladas, por exemplo, a nova Lei de Diretrizes e Bases na área da</p><p>educação, a Lei Orgânica de Assistência Social e o Estatuto da Criança e do Adolescente: todos ins-</p><p>trumentos que propõem formas participativas de gestão. No entanto, são parcos os reflexos, no quoti-</p><p>diano, dos avanços anunciados para o processo de democratização. O discurso individualizado e pri-</p><p>vatizado em torno da família, responsabilizando-a, ainda prevalece na área social.</p><p>Propostas Participativas E Abordagens Individualizadas</p><p>Um importante aspecto a ser colocado em debate é o caráter público do serviço público. Um Estado</p><p>que defende os interesses de uma classe minoritária se expressa como “dono” dos domínios em cima</p><p>dos quais se estrutura. Neste contexto, a política pública é tratada a partir dos princípios da iniciativa</p><p>privada, como instância particular da classe a cujo serviço está o Estado. A tradição dos coronéis,</p><p>dos senhores, está muito presente nas práticas políticas brasileiras. O direito a participar, a opinar, a</p><p>exigir é uma referência que tem sido construída sob muita opressão no Brasil. As formas participati-</p><p>vas têm um traço contido, oprimido, associado à produção educadora, às “boas maneiras”. Propor a</p><p>participação no nível mais singular da produção social no Brasil é uma ousadia, por ter sido um ter-</p><p>reno tratado como desacato, como desconfiança e não como direito de construir outros projetos e dar</p><p>outros sentidos à coisa pública.</p><p>No contexto do movimento pela abertura democrática, pós-ditadura de 1964, o ECA propõe foros par-</p><p>ticipativos por intermédio dos conselhos. Presentes nos três níveis administrativos, os Conselhos dos</p><p>Direitos da Criança e do Adolescente são os responsáveis, nos municípios, estados e no âmbito naci-</p><p>onal, pela formulação das políticas públicas. Com uma estrutura paritária, a lei indica que a metade</p><p>dos membros seja formada por representantes governamentais e a outra metade por representantes</p><p>da sociedade civil organizada. Para tanto, a sociedade civil organizada em muitos dos municípios, es-</p><p>tados e em nível federal constituiu agrupamentos, em sua maioria chamados Foros dos Direitos da</p><p>Criança e do Adolescente, para debater suas reivindicações e eleger os seus representantes nos</p><p>conselhos.</p><p>De maneira geral, pode-se dizer que as instâncias propostas democraticamente, como os conselhos,</p><p>vêm funcionando rotineiramente, contando com as representações da sociedade civil. Mas a interven-</p><p>ção nas estruturas dominantes supõe algo mais que rotinas formais: propostas, estratégias, alianças,</p><p>mobilizações etc., imprescindíveis para produzir rupturas e novos agenciamentos coletivos. Reunir-se</p><p>não é o bastante para se falar em participação, mobilização e democracia. Pelo contrário, de acordo</p><p>com o sentido da reunião, esta pode ser uma forma de dar legitimidade ao poder instituído, de fortale-</p><p>cer as estruturas privadas e, inclusive, a tradição clientelista. Para além das intenções particulares</p><p>dos participantes dos foros coletivos, o que pode conferir um sentido singular às suas ações são as</p><p>suas propostas, os processos para a sua implementação e os efeitos que produzem.</p><p>As generalizações que naturalizam as relações, se abordadas conceitualmente, são desmistificadas.</p><p>Assim, na sociedade moderna, o social deixa de ser a analogia do coletivo e passa a ser referido</p><p>como a esfera pública: o que não pertence a domínios particulares, mas que se baseia no caráter pri-</p><p>vado das individualidades. Há uma diferença entre ter acesso à propriedade privada e formar parte de</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>uma estrutura de dominação privada, ser parte de uma estrutura caracterizada pela presença de indi-</p><p>vidualidades privadas. Neste sentido, como aponta Werneck Vianna (1976), trata-se da afirmação de</p><p>relações privadas que, mais que garantir a “posse” de bens materiais, reafirmam a presença do pri-</p><p>vado enquanto “função social”. E é a partir desta relação que se propõe a discussão dos espaços co-</p><p>letivos, dos espaços públicos em que os grupos sociais se organizam e articulam seus movimentos,</p><p>indo além das concepções de que o “bem social” se sustenta nas “boas famílias”.</p><p>A experiência conselhista na área da criança e do adolescente apresenta a fragilidade do movimento</p><p>social para intervir nas estruturas políticas e, por meio dela, podemos também colocar em análise os</p><p>processos históricos que produzem, como efeito, tal fragilização. Dentre tais processos, podem ser</p><p>citados os seguintes elementos contidos nas práticas ou perspectivas da área social:</p><p>(1) a presença do pensamento higienista, sustentado no poder médico (que se torna hegemônico, no</p><p>Brasil, nos finais do século XIX e no século XX), que instrumentaliza</p><p>a relação entre a família mo-</p><p>derna e os aparelhos do Estado, oferecendo bases cientificistas necessárias para o estabelecimento</p><p>das novas ordens sociais. O higienismo, enquanto dispositivo, intervém em toda a organização social,</p><p>seja no âmbito arquitetônico, biológico, afetivo etc., sobretudo por meio dos lares, produzindo subjeti-</p><p>vidades individualizantes que têm efeitos concretos, tais como a potencialização da família nuclear</p><p>burguesa, redundando na sua culpabilização como forma de transferir-lhe a responsabilidade pelos</p><p>problemas sociais;</p><p>(2) a filantropia como abordagem despolitizante e pautada em uma estrutura hierárquica consolida</p><p>uma rede de dependência e, nessa medida, culpabilização dos pobres, tendo como foco a família e,</p><p>como referência, o modelo burguês;</p><p>(3) a relação clientelista entre boa parte das entidades atuantes na área de assistência social e o po-</p><p>der instituído fortalecem uma cultura submissa, desagregadora, que opera por meio das pessoas indi-</p><p>vidualmente ou de benesses para as famílias, passando a conter e controlar o movimento social, su-</p><p>bordinando-o aos interesses particulares dos que executam as ações;</p><p>(4) a conseqüente falta de autonomia impede a construção de outras abordagens na área social;</p><p>(5) o desconhecimento da estrutura política faz com que não se saiba como encaminhar as reivindica-</p><p>ções para torná-las instrumentos de intervenção direta nas áreas administrativa e política;</p><p>(6) o autoritarismo e o paternalismo interno a algumas das entidades não têm na politização e na con-</p><p>seqüente mobilização social suas formas de ação; e</p><p>(7) o decorrente isolamento de algumas lideranças em relação às suas bases, que torna apenas for-</p><p>mal o canal participativo e não uma prática constitutiva de seus critérios e programas. Da mesma</p><p>forma, o isolamento também se dá em relação ao movimento social, pois as decisões tomadas nas</p><p>entidades são, de fato, a somatória de individualidades e não fruto de uma prática coletiva.</p><p>Não sendo a democracia o exercício que de maneira geral tenha estruturado o movimento social,</p><p>mormente o movimento de assistência social, de um lado percebe-se uma rotina circunscrita a pro-</p><p>cessos burocráticos formais, sem qualquer sustentação em termos da politização do debate e mobili-</p><p>zação das bases; de outro lado, a abordagem tanto das questões institucionais quanto de casos parti-</p><p>culares se caracteriza pela individualização. Trata-se cada caso como único e como se ele se esgo-</p><p>tasse em si mesmo, sem propiciar qualquer movimento no sentido de reverter as condições que os</p><p>produziram e que continuam a produzir muitos outros casos, vistos praticamente como “idênticos”, em</p><p>função das questões que apresentam. Os discursos histórico e político estão totalmente ausentes, na</p><p>maioria das abordagens. A área dos direitos da criança e do adolescente não é um objeto de deleite</p><p>humano, mas uma denúncia de processos de exploração e dominação que por séculos têm condicio-</p><p>nado a vida humana e o seu entorno a níveis inconcebíveis de degradação. No entanto, a família e a</p><p>participação comunitária tornaram-se de forma mecânica o centro das preocupações e, nessa me-</p><p>dida, das preocupações do movimento social, como se elas fossem as maiores causadoras dos pro-</p><p>blemas sociais.</p><p>Deslocamentos: Do Âmbito Privado Para Os Espaços Coletivos</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>12 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>A importância do movimento social estriba-se na sua capacidade de intervir na cena política produ-</p><p>zindo relações que vão dando novos matizes à estrutura de poder. Tal o sentido da proposta do movi-</p><p>mento social de incorporar a sociedade civil organizada, por intermédio dos conselhos, nas esferas</p><p>da formulação, execução e fiscalização política, dando outro significado à tática neoliberal de transfe-</p><p>rir a ação social para as comunidades. A ação da sociedade civil organizada, sob esses novos ter-</p><p>mos, transcende o ativismo com que tradicionalmente é concebida a ação social, para instalar-se nos</p><p>terrenos da articulação e formulação política institucional. Para tanto, porém, além de demandas es-</p><p>truturais, a subjetividade em torno da produção das relações sociais e da luta pela garantia dos direi-</p><p>tos é fundamental, por serem os grupos, com suas idéias e recursos, os que têm condições de tornar</p><p>as transformações das plataformas políticas e legais em dados de realidade.</p><p>Ainda que plural, o conselho é produzido no âmbito de um sistema político estruturado sobre bases</p><p>burguesas, cuja subjetivação se pauta na lógica privada, individualizante e cujos mecanismos inter-</p><p>vêm diretamente nos corpos. Como forma de capturá-los, a família converteu-se em um dispositivo</p><p>privilegiado em um sistema que, de um lado, como sintetiza Foucault (1982), estrutura-se por intermé-</p><p>dio do poder disciplinar; por um tipo de poder “que se exerce continuamente através da vigilância” (p.</p><p>179) e que, de outro, para muito além, vai cimentando concepções que levam ao controle mesmo fora</p><p>de tais espaços. Para Deleuze (1992), a sociedade de controle emerge da sociedade disciplinar.</p><p>Nesse processo, paulatinamente, as novas tecnologias vão moldando “corpos docilizados” (Foucault,</p><p>1982) de forma tal que os centros de confinamento, aos poucos, vão cedendo para formas de con-</p><p>trole contínuas, intermináveis, monitoradas por máquinas diversas que se unificam por meio de uma</p><p>concepção em torno de produtos finais e não mais do processo produtivo.</p><p>Embora a partir das máquinas de controle, que não necessariamente se transformam com a promul-</p><p>gação de uma lei &– como é o caso do ECA &–, as intervenções ocorrem nas engrenagens que coti-</p><p>dianamente agem de forma direta nas relações sociais, no âmbito micromolecular, afirmando a possi-</p><p>bilidade de estabelecer um debate entre as diferentes posições políticas, fazendo emergir singularida-</p><p>des no espaço múltiplo que o conselho propicia. Tarefa nada simples pela formação normalizadora</p><p>característica da sociedade disciplinar e, portanto, da sociedade civil organizada, que é convocada a</p><p>intervir a partir de condições concretas em termos de maneiras de pensar e de recursos materiais &–</p><p>o que não necessariamente significa inovar ou transformar o pensamento. O processo de individuali-</p><p>zação é expressão da privatização do social. Portanto, sua transformação implica na transformação</p><p>ou na luta para que ela ocorra, em termos de recursos e espaços para uma prática social com senti-</p><p>dos diferentes dos instituídos. Mas esta luta pela transformação apenas terá condições de ocorrer se</p><p>o processo de exclusão social for entendido não como um “problema” das famílias, das pessoas,</p><p>como desvios particulares.</p><p>A luta pelos direitos sai do território da legalidade &– no qual toda lei pode ser burlada &– para insta-</p><p>lar-se na análise dos dispositivos produzidos pela sociedade moderna, os quais, segundo Foucault,</p><p>têm se localizado em torno das disciplinas e forjado técnicas normalizadoras sustentadas pelo dis-</p><p>curso científico. O Poder Discipinar, por meio de dispositivos técnicos, tem como mecanismo de assu-</p><p>jeitamento a neutralidade científica, característica dos equipamentos de assistência social, nos quais</p><p>são reforçados os modelos hegemônicos como “naturais”, produzindo efeitos de normalização. Não</p><p>se problematizam as relações, mas decretam-se alguns sujeitos como problemas, como responsáveis</p><p>por um quadro social e político instalado &– todo mundo reconhece &– e praticamente determinante</p><p>das condições de vida das classes sociais. Assim sendo, em vez de qualificar o comportamento parti-</p><p>cular das pessoas e famílias, o saber técnico dos profissionais (professores, psicólogos, assistentes</p><p>sociais, advogados, médicos etc.) em torno do qual se consolidam os equipamentos sociais tem que</p><p>ser colocado em análise quando entendido que</p><p>“[...] as disciplinas veicularão um discurso que será o da regra, não da regra jurídica derivada da so-</p><p>berania, mas o da regra ‘natural’, quer dizer, da norma; definirão um código que não será o da lei,</p><p>mas o da normalização; referir-se-ão</p><p>a um horizonte teórico que não pode ser de maneira alguma o</p><p>edifício do direito, mas o domínio das ciências humanas; a sua jurisprudência será a de um saber clí-</p><p>nico”(Foucault, 1982, p. 189).</p><p>O Estatuto da Criança e do Adolescente também se sustenta no controle por intermédio de dispositi-</p><p>vos estratégicos que se propõem a garantir outras formas de sujeição. Todavia, com base no saber</p><p>técnico que as disciplinas enraízam, a intervenção historicamente vai se atualizando no controle dos</p><p>corpos. O conselho tutelar é um bom exemplo disto. Proposto pelo ECA, é constituído por cinco mem-</p><p>bros eleitos pela comunidade, cuja atribuição é encaminhar os casos de violação de direitos para que</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>13 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>estes sejam ressarcidos. Trata-se de uma instância política, pois não é lá que hão de se garantir, mas</p><p>reivindicar, os direitos. No entanto, precisamente a falta de mobilização do movimento social e a sua</p><p>despolitização vêm transformando algumas das experiências de conselhos tutelares em um âmbito</p><p>de enraizamento das disciplinas, como no caso da Psicologia, da Medicina, da Psiquiatria, da Peda-</p><p>gogia etc. Na ausência de um movimento reivindicativo, adota-se a política de atendimento imediato,</p><p>com abordagens individualizadas tanto da parte da execução da lei, já que a interpretação fica cir-</p><p>cunscrita aos critérios pessoais do executor, quanto da abordagem perante uma violação de direito,</p><p>que busca saídas particulares, perdendo-se a perspectiva de intervenção na estrutura política. A des-</p><p>potencialização do movimento social propiciou um debate sobre a qualificação técnica necessária a</p><p>um conselheiro tutelar. Ou seja, quando a prática é deslocada de sua atribuição reivindicativa, o de-</p><p>bate que a acompanha sobre os critérios para a eleição de conselheiros tem encontrado eco no dis-</p><p>curso da competência técnica e, até, no equilíbrio psicológico.</p><p>Sob esta perspectiva, não só o caso atendido é individualizado, mas a própria prática do conselheiro</p><p>passa a ser entendida como uma questão de capacidades pessoais, com destaque para o critério</p><p>afetivo, quando propostos exames da área psi que atestem o seu “equilíbrio emocional” e formalida-</p><p>des escolares que nada têm a ver com a implicação das lideranças do movimento social, as quais,</p><p>em tese, seriam os sujeitos adequados para reivindicar a garantia dos direitos. Assim como a qualifi-</p><p>cação é entendida como uma questão pessoal dos conselheiros, a garantia de direitos também é</p><p>abordada de forma individualizada, recaindo na dimensão privada da família.</p><p>Em experiências sustentadas sob tais bases, o diálogo com a máquina pública passa a ser rotineiro,</p><p>burocrático e legalista, tendo como efeito a submissão aos limites instituídos, sem produzir rupturas</p><p>nos modelos dominantes. Tais práticas se encontram presentes no debate sobre os conselhos e so-</p><p>bre a gestão da política para a infância e a adolescência.</p><p>No contexto de uma sociedade de controle, os conselhos expressam uma formação pedagógica,</p><p>além de concepções de cidadania. Eles podem ser pensados tanto como um veículo de afirmação de</p><p>relações autoritárias, quanto como brecha para a instalação de processos democráticos, por tratar-se</p><p>de uma proposta em que a possibilidade do plural contribua com o questionamento de leituras natura-</p><p>lizadas. Insistir na privatização do conflito, ao localizá-lo nas pessoas e não nas estruturas, nas con-</p><p>cepções, na produção de subjetividades e nas práticas cotidianas, é uma forma até de potencializá-lo.</p><p>A família tem se convertido em um dispositivo de privatização do social na medida em que ela passou</p><p>a ser o alvo privilegiado na cobrança a que é submetida pelo controle social. No entanto, a família</p><p>não é produzida no sentido de analisar, debater, propor e intervir, enfim, nos processos em que se vê</p><p>imersa.</p><p>Há que se tomar alguns cuidados ao se ter como eixo para o trabalho social a família. Ela tem servido</p><p>para ocultar efeitos das estruturas políticas. O que vemos no Brasil é a implementação de práticas</p><p>que acabam por produzir tensões no interior da família, diante das quais os únicos recursos apresen-</p><p>tados pelas políticas públicas têm sido os da repressão. Este o quadro instalado de forma generali-</p><p>zada na relação com a família e em sua relação interior, por meio da estrutura jurídica, política e so-</p><p>cial da sociedade brasileira. O controle social, mediante o discurso da responsabilidade, do limite e</p><p>do respeito &– tão em voga hoje em dia e respaldado pela fala autorizada da academia &–, tem apre-</p><p>sentado como efeitos a irresponsabilidade das estruturas do poder dominante, a luta por conter os</p><p>efeitos dessa própria estrutura (nos âmbitos pedagógico, econômico, cultural, familiar etc.), que é ili-</p><p>mitada em sua perversidade, e o desrespeito às condições mínimas de vida, aos sonhos e desejos de</p><p>todos aqueles que conceitualmente passaram a ser denominados de excluídos.</p><p>A família é mais um espaço de privatização do social em um sistema estruturado a partir da iniciativa</p><p>privada. A sua transformação também passa pela construção de outras relações que tenham como</p><p>fundamento o pensamento e a prática coletivos, por meio dos quais ela possa participar de seus pró-</p><p>prios processos em uma condição de autora, e não em um cenário de infantilização, em que apenas</p><p>é cobrada, e não convocada, a construir outras perspectivas. Ao mesmo tempo em que se potencia-</p><p>liza a família ao instituí-la como eixo do social, opera-se um processo de desqualificação, pois efetiva-</p><p>mente os atravessamentos presentes em sua constituição transcendem em muito os seus limites. A</p><p>área social tem o compromisso de colocar em análise as produções em torno da família, na medida</p><p>em que ela é um dispositivo político que tem favorecido a privatização do social.</p><p>Sociologia</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>14 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>No Que Consiste A Sociologia Da Religião?</p><p>A Sociologia da Religião é um ramo da Sociologia e ela se fundamenta na compreensão humana en-</p><p>tre o “profano” e o“sagrado”. Independente da crença, o que é mais significativo da religião para a So-</p><p>ciologia é o papel fundamental que ela exerce na vida social.</p><p>Como é a pesquisa em Sociologia da Religião? Quais são os principais Sociólogos?</p><p>A pesquisa em Sociologia da Religião se dá de forma empírica, através de autores clássicos como</p><p>Émile Durkheim, Max Weber, Georg Simmel, e outros autores que colaboram pra essa análise como</p><p>Sigmund Freud e William James. Vou me concentrar a falar um pouco sobre os Clássicos. Lem-</p><p>brando que, a orientação pessoal de cada sociólogo emerge de modo claro por meio das próprias de-</p><p>finições de religião.</p><p>Émile Durkheim e as Formas Religiosas – Durkheim considera a religião como parte essencial da vida</p><p>social, em sua própria obra “As formas elementares da vida religiosa” ele diz: “Nosso objetivo, neste</p><p>livro, é estudar a religião mais primitiva e simples atualmente conhecida, fazer a análise dela, tentar</p><p>sua explicação.” Para o sociólogo, a ciência não substitui a religião. Há algo eterno na Religião. Em</p><p>toda obra ele visa a busca da origem da vida social, e tem como pesquisa o Totemismo de povos pri-</p><p>mitivos na Austrália. Em busca do universo ideológico do fenômeno religioso ele consegue articular</p><p>as representações de tempo, espaço, morte através da instituição nas quais ele acreditava ter uma</p><p>consciência coletiva. Conclui a obra entendendo que a religião é algo eminentemente social, as repre-</p><p>sentações religiosas são representações coletivas ( Ritos ) nesse sentido a religião é um produto do</p><p>coletivo.</p><p>Max Weber e a Religião – Um dos principais motivos de sua pesquisa foi captar as relações entre</p><p>economia e religião. Ele reconhece o capitalismo como uma força na realidade social moderna, mas</p><p>evita atribuir a uma só matriz a origem das dinâmicas sociais (divergindo de Marx). Nesse sentido ele</p><p>trabalha com o econômico e o religioso em sua obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”.</p><p>Nessa obra ele analisa a origem</p><p>de uma consciência econômica condicionada a um conteúdo da fé</p><p>religiosa. Tem como recorte o caráter predominante protestante calvinista, que em sua análise pre-</p><p>gava a acumulação de capital em um objetivo existencial, e que o sucesso na profissão é um sinal de</p><p>predileção divina.</p><p>Georg Simmel Religiosidade e Religião – Simmel da início diferenciando os dois conceitos – Religiosi-</p><p>dade e Religião, que em sua opinião se difere pelo fato de que a Religião é criada pela Religiosidade</p><p>e não o contrário. A Religiosidade seria uma “ disposição de ânimo interior”, e a religião uma fase</p><p>mais avançada, uma objetivação da fé. . Um processo similar que o autor faz com natureza e cultura.</p><p>Um exemplo: A crença na versão simmeliana seria um exemplo de religiosidade, enquanto os ritos se</p><p>encontrariam a meio caminho entre a religiosidade e religião.</p><p>Instituições Sociais</p><p>As Instituições Sociais são instrumentos reguladores e normativos das ações humanas, as quais</p><p>reúnem um conjunto de regras e procedimentos reconhecidos pela sociedade.</p><p>Elas possuem uma relação de interdependência, ou seja, não atuam de maneira isolada, e surgem</p><p>para suprir diversas necessidades humanas.</p><p>Desempenham um papel fundamental no funcionamento da sociedade e da democracia, o que de-</p><p>corre por meio de seu poder normativo e coercitivo.</p><p>Assim, determinam as regras e procedimentos dos grupos de acordo com padrões, papéis, valores,</p><p>comportamentos e relações entre membros da mesma cultura.</p><p>As instituições sociais fazem parte da estrutura social e designam meios sociais duradouros e está-</p><p>veis. Nelas são desenvolvidas diversas relações em função da interação entre os grupos sociais.</p><p>Além de participar da organização da sociedade, ela pode atuar como controlador social.</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>15 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Tipos de Instituição</p><p>Segundo a função e o espaço social que se desenvolvem, as instituições são classificadas em:</p><p> Instituições Espontâneas: surgem espontaneamente a partir das relações estabelecidas entre os</p><p>agentes sociais, por exemplo, a família.</p><p> Instituições Criadas: o nome já indica que foram criadas para regular e organizar a sociedade e</p><p>não surgiram espontaneamente. São elas, os bancos, as igrejas, etc.</p><p> Instituições Reguladoras: regula diversos aspectos da sociedade, por exemplo as instituições edu-</p><p>cativas e religiosas.</p><p> Instituições Operacionais: opera sobre diversos aspectos da sociedade, por exemplo, o departa-</p><p>mento de finanças.</p><p>Exemplos</p><p>As principais instituições sociais são:</p><p> Instituições Familiares: primeira instituição da qual fazemos parte e que possui como funções prin-</p><p>cipais: reprodução, econômica e educacional. Segundo sua estrutura, ela pode ser monogâmica (for-</p><p>mada por um cônjuge), poligâmica (formada por mais cônjuges), ou ainda com estrutura de poliandria</p><p>(mulher casada com mais de dois homens) e poliginia (homens casados com mais de uma mulher).</p><p> Instituições de Ensino: instituições empenhadas em disseminar o conhecimento, por exemplo, as</p><p>escolas e as universidades. Tal qual a família, trata-se de uma instituição social que passamos</p><p>grande parte da vida.</p><p> Instituições Religiosas: criadas para preencher as lacunas metafísicas da vida social, sendo base-</p><p>ada em dogmas, crenças e tradições, por exemplo, as igrejas, templos.</p><p> Instituições Econômicas: regula a vida econômica dos agentes sociais, por exemplo, os bancos e</p><p>as casas de crédito.</p><p> Instituições Políticas: como principais instituições políticas temos o Estado (e os poderes legisla-</p><p>tivo, executivo e judiciário), a Nação (o que reúne as pessoas que compartilham costumes, tradições,</p><p>valores) e o Governo (monarquia e república).</p><p> Instituições de Lazer: reúne uma variedade de instituições que possuem a função de entreter os</p><p>seres sociais, por exemplo, os casinos e as festas de carnaval.</p><p>Processo de Socialização</p><p>Na sociologia, o processo de socialização é fundamental para a construção das sociedades em di-</p><p>versos espaços sociais. É pelo processo de socialização que os indivíduos interagem e se integram</p><p>por meio da comunicação, ao mesmo tempo que constroem a sociedade.</p><p>Para o sociólogo brasileiro Gilberto Freire, a socialização pode ser definida da seguinte maneira:</p><p>“É a condição do indivíduo (biológico) desenvolvido, dentro da organização social e da cultura, em</p><p>pessoa ou homem social, pela aquisição de status ou situação, desenvolvidos como membro de um</p><p>grupo ou de vários grupos.”</p><p>A socialização (efeito de ser tornar social) está relacionada com a assimilação de hábitos culturais,</p><p>bem como ao aprendizado social dos sujeitos. Isso porque é por meio dela que os indivíduos apren-</p><p>dem e interiorizam as regras e valores de determinada sociedade.</p><p>Quanto a isso, vale lembrar as palavras do sociólogo francês Durkheim, quando afirma que: “A edu-</p><p>cação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta”.</p><p>CULTURA E SOCIEDADE</p><p>16 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>De tal modo, o processo de socialização é desencadeado por meio da complexa rede de relações so-</p><p>ciais estabelecidas entre os indivíduos durante a vida.</p><p>Assim, desde criança os seres humanos vão se socializando mediante as normas, valores e hábitos</p><p>dos grupos sociais que o envolvem. Observe que nesse processo, todos os sujeitos sociais sofrem</p><p>influência comportamentais.</p><p>Importante notar que existem diferentes processos de socialização de acordo com a sociedade em</p><p>que estamos inseridos.</p><p>Qualquer que seja a classe social e a realidade, os processos de socialização são muito diversos.</p><p>Tanto podem ocorrer entre pessoas que vivem numa favela como entre os burgueses que habitam a</p><p>zona sul de São Paulo.</p><p>Seja qual for a cor, a etnia, a classe social, todos os seres humanos desde cedo estão em constante</p><p>processo de socialização, seja na escola, na igreja, na faculdade ou no trabalho. Alguns fatores po-</p><p>dem afetar esse processo, tal como um local marcado por guerras.</p><p>As consequências dos processos de socialização geralmente são positivas e resultam na evolução da</p><p>sociedade e dos indivíduos. Por outro lado, as pessoas que não se socializam podem apresentar mui-</p><p>tos problemas psicológicos, determinados, por exemplo, pelo isolamento social.</p><p>O processo de socialização vem se alterando ao longo do tempo, através das mudanças da socie-</p><p>dade. Os processos de socialização da antiguidade e da atualidade são bem distintos, o que decorre</p><p>da evolução dos meios de comunicação e do avanço tecnológico.</p><p>Classificação</p><p>Os processos de socialização estão classificados em dois tipos:</p><p> Socialização Primária: como o próprio nome já indica, esse tipo de socialização ocorre na infância</p><p>e se desenvolve no meio familiar. Aqui, a criança tem contato com a linguagem e vai compreendendo</p><p>as relações sociais primárias e os seres sociais que a compõem. Além disso, é nesse estágio em que</p><p>são interiorizados normas e valores. A família torna-se a instituição social mais fundamental desse</p><p>momento.</p><p> Socialização Secundária: nesse caso, o indivíduo já socializado primariamente vai interagindo e</p><p>adquirindo papéis sociais determinada pelas relações sociais desenvolvidas, bem como a sociedade</p><p>que está inserido. Se por acaso o sujeito social teve uma socialização primária afetada, isso poderá</p><p>gerar diversos problemas na sua vida social, uma vez que o primeiro momento de socialização é es-</p><p>sencial na construção do caráter do indivíduo.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p>