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NUTRIÇÃO ANIMAL CONCEITOS BÁSICOS DE NUTRIÇÃO ANIMAL Energia A energia é o principal fator limitante ao desempenho animal e é o primeiro a ser considerado na formulação de dietas para animais. Embora não seja considerada um nutriente, a energia advém de moléculas orgânicas, cujos nutrientes (carboidratos, lipídeos e proteínas) fornecem energia ao serem digeridos e metabolizados pelos animais. No entanto, nem toda energia contida nos nutrientes e fornecida pelos ingredientes das dietas é disponibilizada para os animais. Alguns componentes da ração podem ser parcialmente digeridos ou até mesmo indigeridos e, mesmo os componentes que são digeridos e absorvidos, não são usados com 100% de eficiência. Sendo assim, a energia total contida no alimento é definida como energia bruta. Desse total, ao descontar a energia perdida nas fezes dos animais, obtemos a energia digestível. E, por sua vez, da energia digestível, ao descontar a energia perdida na urina e via emissão de metano pela fermentação dos ruminantes, obtém-se a fração de energia metabolizável do alimento. Desta última fração ainda ocorrem perdas de energia pela produção de calor oriundo dos processos digestivos e metabólicos do animal, referido como incremento calórico. Logo, ao descontar a energia perdida via incremento calórico do total de energia metabolizável, obtém-se a energia líquida. A energia líquida é o saldo final de energia do alimento que o animal terá disponível para uso nas suas funções de manutenção do organismo, bem como para crescimento, gestação, lactação, produção de ovos, lã etc. A eficiência com que a energia metabolizável é convertida em energia líquida varia tanto com a dieta, quanto com a finalidade para a qual a energia está sendo usada (manutenção, crescimento, gestação ou lactação). Desse modo, alguns conceitos referentes a energia foram citados acima e demonstrados na figura, estão resumidos abaixo: Energia bruta: é a energia presente no alimento. É a quantidade de energia liberada como calor quando o alimento é completamente oxidado a dióxido de carbono e água. Energia digestível: é a energia do alimento que é absorvida após o processo de digestão nos animais. Ou seja, é a energia bruta menos o que é perdido pelas fezes. Energia metabolizável: é a diferença entre a energia bruta do alimento e a perdida por fezes, urina e gases provenientes da digestão. Energia líquida: é a diferença entre a energia metabolizável e a energia perdida como incremento calórico. O incremento calórico representa a perda energética que ocorre durante os processos de digestão, absorção e metabolismo dos nutrientes. PROTEÍNAS As proteínas são vitais para a vida e são os principais componentes estruturais dos tecidos animais (por exemplo, pele, músculos, lã, penas, tendões, ovos). Além disso, as proteínas também estão envolvidas em: · atividades bioquímicas (por exemplo, enzimas) · imunológicas (por exemplo, imunoglobulinas) · transporte (por exemplo, lipoproteínas) · outras atividades regulatórias (por exemplo, hormônios). · de sintetizar boa parte das proteínas necessárias para o animal, através de fontes não proteicas, como a ureia. · As necessidades de proteína variam com os estágios da vida e são altas durante as fases de crescimento rápido em animais jovens e durante a gestação e lactação. A proteína contida nos alimentos dos ruminantes é composta por uma fração degradável no rúmen (PDR) e uma fração que escapa da degradação ruminal (PNDR). A degradação de proteínas no rúmen ocorre por meio da ação de enzimas secretadas pelos microrganismos ruminais. As exigências em proteína metabolizável dos ruminantes são atendidas pela proteína microbiana sintetizada no rúmen e pela proteína dietética que escapa à fermentação ruminal, o que torna a nutrição proteica dos ruminantes bastante complexa. As gramíneas de clima tropical possuem teores de proteína bruta (PB) inferiores ao das espécies de clima temperado. O modelo denominado CNCPS apresenta um procedimento mais complexo para determinar a PDR e PNDR dos alimentos. Esse modelo utiliza reagentes químicos para determinar as frações proteicas que são divididas em cinco: A, B1, B2, B3 e C. A fração A representa os componentes nitrogenados de natureza não proteica (NNP) que é instantaneamente solubilizada e sua taxa de degradação tende ao infinito, sua determinação química é realizada como a proporção da proteína solúvel em solução de tampão borato-fosfato que não precipita em ácido tricloroacético (TCA). A fração C representa a proteína que está ligada a FDA e não é degradada no rúmen, contém proteínas associadas à lignina, taninos e produtos da reação de Maillard, sendo conhecida como proteína insolúvel em detergente ácido, ou PIDA. A fração B representa a fração potencialmente degradável e é dividida em três frações de acordo com suas taxas de degradação, sujeitas aos efeitos de passagem. A fração B1 representa a fração da proteína solúvel em tampão borato-fosfato, mas que precipita em TCA (rapidamente degradada no rúmen). A fração B3 é calculada como a diferença entre a fração da proteína recuperada no resíduo insolúvel em detergente neutro (FDN) e a recuperada no resíduo insolúvel em detergente ácido (FDA). Essa fração representa a proteína potencialmente degradável existente na parede celular das plantas, sendo lentamente degradada no rúmen. A fração B2 representa a fração de proteína insolúvel em tampão-borato presente no conteúdo celular, sendo obtida pela diferença entre o valor total da proteína do alimento e a soma das frações A, B1, B3 e C e apresenta taxa de degradação intermediária. METABOLISMO DE CARBOIDRATOS Os carboidratos são classificados em estruturais, presentes na parede celular, e não estruturais presentes no conteúdo celular. Porém, a pectina trata-se de um carboidrato estrutural presente na parede celular, mas que possui taxa de degradação similar ao dos constituintes do conteúdo celular. Dessa forma, a classificação refere-se às características estruturais que os carboidratos apresentam na planta e não às características nutricionais. Em termos nutricionais, a classificação dos carboidratos em fibrosos (CF) e não-fibrosos (CNF) tem por base as características nutritivas e não a função estrutural exercida na planta. representam as frações degradadas mais rapidamente e incluem os açúcares, amido e a pectina. Os carboidratos fibrosos (CF) estão presentes na parede celular e incluem a celulose e a hemicelulose, os quais são lentamente degradados e ocupam espaço no trato gastrintestinal (TGI). Segundo o sistema CNCPS, os carboidratos não-fibrosos (açúcares, amido e pectinas) são computados como 100 - (PB + FDNcp + EE + MN), em que PB, FDNcp, EE e MN correspondem, respectivamente, à proteína bruta, fibra em detergente neutro corrigido para cinzas e proteína, extrato etéreo e minerais. Para análise de açúcares (fração A), utiliza-se tanto a reação fenol/ácido sulfúrico ou a reação de antrona. O método para determinação do amido consiste no AOAC 996.11 (AOAC, 1995). Pectinas e outros carboidratos solúveis são determinados indiretamente, pela diferença entre a fibra dietética total (FDT) e a fibra em detergente neutro, corrigindo ambas para cinzas e nitrogênio. A fração B1 é obtida pela soma do amido e pectinas. A fração C é estimada pela multiplicação da concentração de lignina pelo fator 2,4. O ensaio recomendado para lignina é a hidrólise dos resíduos do procedimento de fibra em detergente ácido, em ácido sulfúrico 72%. O sistema Weende para análise proximal é utilizado para medir componentes como fibra bruta, extrato etéreo, matéria seca e nitrogênio total, sendo o extrato não-nitrogenado (ENN) calculado por diferença. Entretanto, este sistema não pode ser usado para predizer de forma mecanicista o crescimento microbiano, porque a fibra bruta não representa toda a fibra dietética, o extrato não nitrogenado (ENN) não representa acuradamente os carboidratos não-fibrosos e a proteína precisa ser descrita por frações relacionadas com as suas características de degradação ruminal. Este sistema foi amplamente utilizado, por mais de um século, na quantificação da proteína e energia sem levar em consideração as diferentes frações disponíveis nos alimentos. O CORNELL NET CARBOHYDRATE AND PROTEIN SYSTEM (CNCPS) Nesse sistema é possível simular os efeitos de ingestão do alimento, fermentação ruminal, digestão intestinal, absorção e metabolismo sobre a utilização do nutriente, e subsequente o desempenho animal. Trata-se de um modelo com base mecanicista, ou seja, baseado em teorias ou princípios biológicos, químicos e físicos conhecidos, com o objetivo de melhorar os modelos de predição da resposta animal, bem como otimizar o uso de recursos disponíveis nas propriedades e reduzir o impacto ao meio ambiente, tais como excesso de nutrientes no solo e sobre a qualidade da água. O metabolismo pode ser dividido em dois tipos: O Catabolismo que degrada moléculas complexas para fornecer moléculas simples e energia; e o Anabolismo onde se sintetizam moléculas complexas a partir de moléculas simples com gasto de energia. O catabolismo inicia com a digestão, onde moléculas de polissacarídeos são quebradas em monosacarídeos, lipídios são quebrados em ácidos graxos e glicerol e proteínas são quebradas em seus aminoácidos. CATABOLISMO DE CARBOIDRATOS Os carboidratos possuem um monômero centralisador que é a glicose. Da glicose os carboidratos podem ser estocados na forma de glicogênio nos animais, ou na forma de amido ou sacarose nas plantas. Quando o corpo necessita de energia é acionada a via glicolítica, onde a glicose é convertida a piruvato. Por fim, partindo da glicose sintetizamos as pentoses necessárias na síntese de ácidos nucleicos, pela via das pentoses. Mais tarde veremos que todos os demais carboidratos devem ser convertidos à glicose ou um dos intermediários da glicólise para que possam ser metabolisados. DESTINOS DO PIRUVATO Ao final da via glicolítica, todos os carboidratos são convertidos em piruvato. O piruvato então pode seguir três destinos diferentes. Em condições anaeróbicas alguns microorganismos e as nossas células musculares quando não recebem oxigenação suficiente realizam a fermentação láctica, onde o piruvato é convertido à lactato. Outros microorganismos como as leveduras convertem o piruvato em etanol na fermentação alcoólica. Finalmente, eu condições aeróbicas, o piruvato é convertido a acetil-coenzima-A, que entra no ciclo do ácido cítrico sendo convertida em CO2 e água. GLICONEOGÊNESE Alguns tecidos do corpo utilizam apenas glicose como fonte de energia, não sendo capazes de metabolizar aminoácidos ou lipídios. É o caso do cérebro, sistema nervoso, eritrócitos, testículos, medula renal e tecidos embrionários. Para que esses tecidos não fiquem sem energia e parem de funcionar é necessário manter um nível de concentração de glicose na corrente sangüínea. Em geral nosso estoque de glicogênio armazenado no fígado e músculos supre essas necessidades, entretanto, em períodos de jejum prolongado, ou após exercícios físicos extenuantes o estoque de glicogênio se esgota, sendo necessário ao organismo apelar para a síntese da glicose a partir de precursores não oriundos de carboidratos. Isso é alcançado por uma rota do anabolismo de carboidratos denominada de gliconeogênese. Como podemos notar, a gliconeogênese consome muita energia. Na glicólise uma molécula de glicose produz 2ATP e 2NADH. Na gliconeogênese, para produzir uma molécula de glicose são gastos 6ATP e 2NADH. Por esse motivo o organismo só recorre à gliconeogênese em situações de necessidade. AMINOÁCIDOS “ESSENCIAIS” Carboidratos Carboidratos, ou hidratos de carbono, são compostos formados por carbono, hidrogênio e oxigênio. Constituem os mais importantes componentes energéticos para os animais, juntamente com os lipídeos. Nas plantas, os carboidratos são sintetizados nos processos de fotossíntese, sendo armazenados na parede das células vegetais (carboidratos fibrosos: celulose, hemicelulose e pectina, principalmente), ou como moléculas de reserva (carboidratos não-fibrosos: amido, principalmente). O aproveitamento dos carboidratos da dieta depende das características da espécie animal. Devido ao seu arranjo estrutural mais complexo, os carboidratos fibrosos não são hidrolisados pelas enzimas digestivas dos mamíferos e das aves, logo a energia é oriunda da degradação do amido e outros carboidratos não-fibrosos. Entretanto, boa parte da energia disponível para os animais ruminantes é resultante da degradação dos carboidratos fibrosos pelos microrganismos ruminais, que possuem enzimas capazes de realizar a digestão dessas moléculas mais complexas. É por esse motivo que as dietas de ruminantes têm significativa quantidade de carboidratos fibrosos, oriundos principalmente das forragens, sendo ótimas fontes de energia para esses animais. Aves e suínos, por exemplo, dependem do fornecimento de carboidratos não fibrosos para obtenção de energia, especialmente o amido, abundante em grãos de cereais, como o milho e sorgo. Apesar de não serem fontes reconhecidas de energia para os monogástricos, os carboidratos fibrosos têm importante papel na manutenção da saúde intestinal, sendo uma estratégia nutricional em ascensão das pesquisas atuais. Lipídios São um grupo heterogêneo de moléculas, formadas a partir de ácidos graxos e álcool, que desempenham importantes funções no organismo dos seres vivos. Dentre as moléculas orgânicas, são as de maior densidade energética (quantidade de calorias), em torno de 9 kcal/g, enquanto que proteínas e carboidratos têm de 5 a 4 kcal/g. Além da função energética, alguns ácidos graxos são considerados essenciais (não sendo sintetizados pelos animais, mas com funções importantes à saúde e metabolismo, devendo ser consumidos na dieta, a exemplo dos ácidos linoleico e linolênico, conhecidos como ômega 6 e 3, respectivamente), além de estarem presentes na composição de vitaminas lipossolúveis, hormônios (cortisol, testosterona, progesterona etc.) e nas funções estruturais (lipídios de membrana). Nutricionalmente, os lipídios podem ser agrupados em: lipídeos de reserva (principalmente triglicerídeos em sementes), lipídios das folhas (galactolipídios e fosfolipídios) e uma mistura de outras moléculas insolúveis em água, mas solúveis em éter (ceras, carotenoides, clorofila, etc.). Os lipídios presentes nas plantas forrageiras são representados principalmente por galactolipídios e fosfolipídios, enquanto a gordura animal e aquela presente nos grãos de cereais, ou oleaginosas, são basicamente triglicerídeos. Nos animais, os lipídios são a principal forma de armazenamento de energia, principalmente na forma de gordura. A gordura subcutânea atua, inclusive, no auxilio da manutenção da temperatura corporal dos animais. A inclusão de lipídios na dieta dos animais possui diversas vantagens, como: constitui uma fonte densa de energia, auxiliando no atendimento da elevada exigência nutricional de determinadas categorias animais, como aqueles em fase de lactação; fonte de ácidos graxos essenciais; melhora a absorção de vitaminas lipossolúveis; melhora a eficiência energética das dietas; reduz o pó das rações; aumentam a palatabilidade das rações. NUTRIÇÃO DE AVES Em uma dieta baseada em milho-soja, a sequência de aminoácidos limitantes se dá por: 1. metionina 2. lisina 3. treonina/triptofano É necessário seguir esta ordem na hora de formular a dieta. A metionina é o primeiro aminoácido limitante para aves porque é aquele exigido em maior quantidade para a produção de penas. Além disso, está ligado diretamente também ao metabolismo lipídico, produção de anticorpos e respostas imunes. Embora a lisina seja o segundo aminoácido limitante, ela é utilizada como aminoácido base na formulação de dietas que usam o conceito de proteína ideal. Isso porque ela está ligada, quase 100%, com a deposição proteica. As formulações de ração para aves eram feitas até então com o conceito de “proteína bruta” (quantidade de nitrogênio x 6,25). Deste conceito originavam dietas com uma concentração de aminoácidos superior em relação às exigências das aves. Esse conceito agora está sendo substituído pelo de “proteína ideal”. A proteína ideal objetiva formular rações a partir das exigências e ordem de limitação dos aminoácidos. O aminoácido base utilizado neste conceito é a lisina, que é utilizada em uma relação de exigência com os demais aminoácidos. São essenciais para aves os aminoácidos: · lisina; · metionina; · triptofano; · treonina; · arginina; · isoleucina; · leucina; · histidina; · fenilalanina; · valina. São não-essenciais para as aves os aminoácidos: · alanina; · asparagina; · aspartato; · cisteína; · glicina; · glutamato; · glutamina; · prolina; · serina; · tirosina. A glicina é classificada como um aminoácido condicionalmente essencial se a sua taxa de síntese não superar a taxa máxima de crescimento do frango de corte. Já a tirosina e a cistina podem ser classificadas como “semi-essenciais”, desde que as suas sínteses possam acontecer a partir da fenilalanina e metionina, respectivamente. Os frangos recebem diferentes rações de acordo com a idade, fato importante, pois durante o crescimento das aves ocorrem alterações nas suas exigências nutricionais. No Brasil, são utilizados principalmente os programas de três fases (inicial, crescimento e terminação), de quatro fases (inclusão de uma ração pré-inicial) e ainda o programa de cinco fases, com uma pré-inicial e duas de crescimento. Os níveis nutricionais utilizados em cada fase representam o valor médio da exigência para a fase avaliada, o que significa que no princípio da fase as aves recebem dieta com nível subótimo do nutriente e, no final, o recebem em excesso. Existe a possibilidade do uso de programas de alimentação múltiplos (phase-feeding) nos quais um grande número de dietas é fornecido às aves durante sua criação. A divisão do período de criação em um número maior de fases, ou seja, o uso de maior número de dietas, ajusta melhor o exigido pela ave com o fornecido pela ração. Assim, pesquisas foram feitas a partir do programa de arrazoamento múltiplo, com troca da ração a cada dois ou sete dias para frangos de corte em diferentes períodos. Os autores concluem que estes não prejudicam o desempenho, nem a qualidade de carcaça das aves, mas permitem uma redução significativa do custo com a alimentação NUTRIÇÃO IN OVO O acesso do embrião a nutrientes pode melhorar o desenvolvimento do sistema digestório, a eclodibilidade e o desempenho da ave. O conceito da suplementação de nutrientes na fase pré- eclosão, ou nutrição in ovo, foi estabelecido com a finalidade de aumentar o estado nutricional do embrião, além de permitir o contato de nutrientes com a mucosa intestinal antes mesmo da eclosão, o que melhora a capacidade de digestão do embrião. A inoculação in ovo deve ser realizada por volta do 17º dia, quando o embrião começa a ingerir oralmente o líquido amniótico e, consequentemente, as substâncias presentes também são ingeridas. O saco vitelino é a fonte primária de nutrição do pintinho. A inoculação de açúcares no fluido amniótico, antes da eclosão, pode aumentar a energia disponível para o embrião, de maneira a elevar a reserva de glicogênio e, por outro lado, diminuir o uso das proteínas musculares, o que contribui para melhor desempenho da ave. Esses carboidratos elevam as atividades das enzimas produzidas no intestino e aumentam a capacidade de digestão e de absorção dos nutrientes que, por sua vez, é reduzida na fase final do desenvolvimento embrionário. DIETA PRÉ-ALOJAMENTO Um dos principais problemas que afetam a qualidade dos pintos é o tempo em que eles ficam nas caixas de transporte até chegarem às granjas. Assim, quanto mais cedo for oferecida uma ração a estes, menor será sua desidratação, isto é, ocorrerá possivelmente maior estímulo ao desenvolvimento da mucosa e a consequente perda de peso será reduzida. PROTEÍNA IDEAL o balanceamento exato dos aminoácidos, sem deficiências, nem sobras, cujo objetivo é satisfazer as exigências absolutas de todos os aminoácidos para mantença e para ganho máximo de proteína corporal, o que reduz o uso de aminoácidos como fonte de energia e diminui a excreção de nitrogênio. Sabe- se que apenas35- 45% do N consumido pelas aves são retidos como proteína animal, logo, 55% do N ingerido são excretados, o que contribui para aumentar a poluição ambiental. Porém, o uso do conceito de proteína ideal só é possível porque os principais aminoácidos limitantes (lisina, metionina, treonina, triptofano e valina) estão comercialmente disponíveis e a cada ano se tornam mais competitivos com relação aos custos dos aminoácidos presentes nos alimentos. A lisina, embora seja o segundo aminoácido limitante para aves, foi estabelecida como referência (padrão = 100%) para as exigências dos outros aminoácidos essenciais. por possuir as seguintes características: é um aminoácido estritamente essencial, sem nenhuma via de síntese endógena; possui metabolismo orientado principalmente para deposição de proteína corporal. Na fase inicial, o nível de glicina+serina deve ser controlado e, na fase de crescimento/final, deve-se levar em consideração os níveis dos aminoácidos isoleucina e leucina. A recomendação atual, para aplicação do conceito de proteína ideal em formulações de rações, seria a redução do nível proteico da ração, o que provoca a eliminação da sobra de aminoácidos essenciais e não essenciais. Quando necessário, devem ser suplementados aminoácidos industriais, como metionina, lisina e treonina para evitar deficiências. ADITIVOS ALIMENTARES PREBIOTICOS E PROBIOTICOS NA NUTRIÇÃO DE AVES Os prebióticos são ingredientes alimentares que não sofrem a ação de enzimas digestivas, mas que estimulam seletivamente o crescimento ou a atividade de bactérias benéficas no intestino. Esses carboidratos não digestíveis (como parede celular de plantas e leveduras) são classificados dessa forma por serem constituídos de complexos de oligomananoproteínas, principalmente de mananoligossacarídeos, que possuem a capacidade de ligar-se a fímbria das bactérias e inibir a colonização do aparelho digestivo. Os prebióticos mais estudados como aditivos alimentares para as aves são os mananoligossacarídeos (MOS), os glucoligossacarideos (GOS) e os frutoligossacarídeos (FOS). A base do conceito da utilização dos probióticos é a manipulação da flora intestinal que influencia beneficamente a saúde do animal hospedeiro. Os principais micro-organismos utilizados como probióticos pertencem aos gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus, Streptococcus, Bacillus e leveduras. ENZIMAS O uso de enzimas exógenas em rações para aves tem sido muito difundido para melhorar a digestibilidade dos nutrientes e a energia das rações. Alguns autores sugerem que as enzimas exógenas devem ser utilizadas somente em situações nas quais os animais não sejam capazes de sintetizá-las. A suplementação de enzimas exógenas pode melhorar a eficiência das enzimas endógenas. É o caso da amilase, cujo substrato é o amido, e é suplementada às rações no intuito de melhorar a eficiência da degradação do amido. Aminoácidos limitantes na nutrição de suínos O milho, alimento energético, possui deficiência expressiva em lisina e triptofano, enquanto outros cerais, como sorgo, cevada e trigo são deficientes em lisina e treonina. Para a soja, o aminoácido limitante é a metionina. Com isso, em dietas a base de milho e farelo de soja, os aminoácidos limitantes para suínos são lisina, metionina e treonina/triptofano, classificados em ordem de limitação. Os aminoácidos em excesso não são armazenados, sendo rapidamente desaminados liberando amônia para excreção e outros compostos nitrogenados para oxidação e produção de energia, pelo destino das rotas metabólicas. O desbalanceamento nutricional leva ao catabolismo acelerado dos compostos proteicos, comprometendo a relação entre aminoácidos. Pela ordem de limitação e essencialidade, a lisina é utilizada como aminoácido referência na formulação das dietas, por haver uma baixa síntese endógena, não sofrer transaminação, possuir metabolismo voltado à deposição de proteína corporal, possuir um lento turnover, existir efetiva correspondência entre a digestibilidade ileal verdadeira e a disponibilidade biológica desse aminoácido, apresentar grande precisão em análises laboratoriais e por ter sua exigência conhecida em todas as fases de produção animal. metionina aumentam o processamento ou assimilação das proteínas contribuindo assim para a deposição de tecido adiposo A metionina é o mais importante doador de radicais metil no organismo, sendo requerida para a biossíntese de muitas moléculas importantes envolvidas no crescimento e desenvolvimento, como por exemplo, creatina, carnitina, poliaminas, epinefrina, colina e melatonina. a treonina é um aminoácido limitante em muitos grãos de cereais, além de que sua biodisponibilidade em ingredientes das rações para leitões é relativamente baixa em relação aos demais . A treonina, além de sua utilização para a síntese de proteína do tecido muscular e do leite está envolvida em outras funções fisiológicas, como a ingestão e a imunidade. As secreções digestivas, entre elas o muco, é composto principalmente de água (95%) e mucinas (5%), que são glicoproteínas de alto peso molecular, especialmente ricas em treonina. Do mesmo modo que as mucinas, os anticorpos são glicoproteínas globulares que contem alto nível de treonina, sendo provavelmente o primeiro aminoácido limitante para a produção de imunoglobulinas G Entre outros aminoácidos limitantes, o triptofano destaca-se porque além de participar da síntese proteica é precursor de serotonina, neurotransmissor que está relacionado ao estímulo da ingestão de alimento. A leucina, isoleucina e valina são aminoácidos de cadeia ramificada. Para suínos a valina é o quinto limitante e a isoleucina o sexto. Esses aminoácidos são considerados essenciais para monogástricos e a principal função é a síntese proteica, bem como sua regulação. Existem 20 aminoácidos importantes para nutrição animal e 10 são essenciais para suínos: lisina (Lys), treonina (Thr), metionina (Met), triptofano (Trp), valina (Val), isoleucina (Ile), leucina (Leu), histidina (His), fenilalanina (Phe) e tirosina (Tyr). Autores citam a glutamina e a arginina como condicionalmente essenciais para leitões, porque a produção endógena não é capaz de atender às necessidades nutricionais daquela fase especifica. Aminoácidos Limitantes para Suínos A ordem de limitação dos aminoácidos varia conforme a espécie animal, ingrediente e idade. No caso dos suínos alimentados a base de milho e soja, a ordem limitante dos aminoácidos é: lisina, treonina, metionina+cisteína, triptofano e valina. é o nível de lisina (Lys) que limita o nível de desempenho e se converte no primeiro aminoácido limitante. Os aminoácidos industriais L-lisina, L-treonina, DL-metionina, L-triptofano e L-valina são as ferramentas que tornam possível a aplicação desta técnica. as exigências de todos os aminoácidos podem ser prontamente estimadas a partir da determinação da exigência do aminoácido referência. Atualmente, o aminoácido utilizado como referência é a lisina. BACTERIAS RUMINAIS Algumas bactérias que degradam celulose, como as Ruminococcus albus e Ruminococcus flavefaciens, produzem uma proteína solúvel que inibe a degradação da celulose por fungos, enquanto outras estirpes de bactérias quitinolíticas inibem o crescimento de fungos Ruminococcus flavefaciens que juntamente com o Ruminococcus albus é uma das principais degradadoras de carboidratos estruturais. Observa-se também nas bactérias da espécie Ruminococcus albus a síntese de um tipo de bacteriocina que inibe o crescimento de Ruminococcus flavefaciens. As principais espécies de bactérias fermentadoras de carboidratos estruturais, que se associam às fibras dos alimentos e degradam particularmente celulose e hemicelulose, são Ruminococcus albus, Ruminococcus flavefaciens e Fibrobacter succinogenes, estas produzem como produto da fermentação, propionato, butirato, succinato, formato, CO2, H2O e, principalmente, acetato. Dentre as bactérias fermentadoras de carboidratos não estruturais encontram- se, principalmente, algumas espécies do gênero Bacteroides, que utilizam basicamente o amido como fonte de energia, a espécie Bacteroides amylophilus membro deste gênero utiliza o amido, porém, é incapaz de utilizar glicose ou outros monossacarídeos. Espécies como Selenomonas ruminantium e Streptococcus bovis, produzem acetato como produto da fermentação, porém quando a disponibilidade destes substratos decresce, o produto da fermentação muda para a produção de formato e etanol, ou acetato e propionato. A hidrólise de lipídios no rúmen é A espécie Anaerovibrio lipolytica hidrolisam os triglicerídeos e utiliza ribose, frutose, glicerol e lactato como fonte de energia e carbono, esses substratos são fermentados a acetato, propionato e CO 2, enquanto o glicerol é fermentado a propionato e succinato, gerando em todos os substratos a produção de H2 A degradação da proteína é realizada pela maioria das espécies de bactérias presentes no rúmen espécies Peptostreptococci sp. e Clostridium sp. Já as bactérias láticas utilizam, entre outros, o ácido lático como substrato energético sendo as espécies láticas predominantes Megasphera elsdenii e Selenomonas ruminantium O gênero Clostridium presente no filo Firmicutes possui duas espécies principais, o Clostridium proteoclasticum que desempenha principalmente atividade proteolítica e o Clostridium lundense que está relacionado com a atividade lipolítica. Butyrivibrio fibrisolvens estão geralmente associados à fermentação de carboidratos solúveis e desempenham um papel muito importante na degradação do grão de amido (MCALLISTER, 1990), sendo que Butyrivibrio fibrisolvens adicionalmente apresenta significativa função proteolítica no rúmen. Dentre as espécies com maior predominância estão as Prevotella bryantii, Prevotella ruminicola e Prevotella brevis, cujas principais funções no rúmen são degradação e utilização do amido (COTA, 1992), degradação de polissacarídeos como xilanas e pectinas da parede celular de plantas, porém, não degradam celulose. Estas bactérias também estão altamente relacionadas à degradação de proteínas e fermentação dos peptídeos image9.png image12.png image1.png image5.png image11.png image3.png image6.png image2.png image4.png image10.png image7.png image8.png