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Tiro final – Revisão – Delta PCPE 
 
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Tiro final – Revisão – Delta PCPE 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
Olá, futuro(a) Delegado(a) de Polícia Civil de Pernambuco! 
 Elaboramos este material de revisão final com os tópicos que nossos professores 
julgam ser os essenciais para esse tiro final a poucos dias da sua prova. 
O material está direcionado para a sua banca, com muitas jurisprudências 
relevantes, questões apenas do CEBRASPE, tanto objetivas, quanto subjetivas, inclusive 
comentadas. 
Além disso, para auxiliar na memorização do conteúdo, o material está repleto de 
esquemas, tabelas, “bizus”, dicas, ilustrações, e muito mais, sempre buscando o trazer o 
melhor a vocês. 
Por isso, não se assustem com o número de páginas, garantimos que a leitura será 
leve e fluirá muito bem. 
Dividimos o seu material em duas parte: 
• Parte I – matérias do núcleo duro (Penal, Processo Penal, Constitucional, 
Administrativo, Legislação Extravagante) 
• Parte II – matérias periféricas (Civil, Processo Civil, Ambiental, Tributário, 
Criminologia, Medicina Legal, Legislação Estadual) 
 Não temos tempo a perder, bora começar? 
 
 BONS ESTUDOS! 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO GERAL 
 
1. PENAL GERAL……………………………………………………………………………….……………...04 
2. PENAL ESPECIAL……………………………..………………………………….……………………….83 
3. PROCESSO PENAL……………………………………………..………………………………………150 
4. CONSTITUCIONAL……………………………………………..………………………………………262 
5. ADMINISTRATIVO……………………………………………………………………………………….350 
6. LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE………………………………………….………………………434 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
DIREITO PENAL 
1. PRINCÍPIOS E GARANTIAS .................................................................................................................... 5 
1.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .............................................................................................. 5 
1.2. FONTES DO DIREITO PENAL ............................................................................................... 9 
1.3. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL ....................................................................................... 10 
2. DIREITO PENAL E POLÍTICA CRIMINAL .............................................................................................. 18 
3. ESCOLAS PENAIS ................................................................................................................................ 19 
3.1. TABELA RESUMO ............................................................................................................... 19 
4. A LEI PENAL ......................................................................................................................................... 20 
4.1. CARACTERÍSTICAS DA LEI PENAL .................................................................................... 20 
4.2. CLASSIFICAÇÃO DA LEI PENAL ......................................................................................... 20 
4.3. LEI PENAL NO TEMPO ....................................................................................................... 22 
4.4. LEI PENAL NO ESPAÇO ...................................................................................................... 26 
5. TEORIA DO CRIME ............................................................................................................................... 32 
5.1. INFRAÇÃO PENAL .............................................................................................................. 32 
5.2. CONCEITO DE CRIME ......................................................................................................... 34 
5.3. FATO TÍPICO ....................................................................................................................... 36 
5.4. ILICITUDE ........................................................................................................................... 51 
5.5. CULPABILIDADE ................................................................................................................. 56 
6. ITER CRIMINIS ...................................................................................................................................... 64 
6.1. FASES DO CRIME ............................................................................................................... 64 
6.2. TEORIAS QUE DIFERENCIAM ATOS PREPARATÓRIOS DE EXECUTÓRIOS ...................... 65 
6.3. TENTATIVA ......................................................................................................................... 66 
6.4. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO 
POSTERIOR .................................................................................................................................. 68 
6.5. CRIME IMPOSSÍVEL............................................................................................................ 72 
7. CONCURSO DE PESSOAS ................................................................................................................... 73 
7.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS ............................................................................................ 73 
7.2. REQUISITOS ....................................................................................................................... 74 
7.3. TEORIAS SOBRE CONCURSOS DE PESSOAS ................................................................... 74 
7.4. AUTORIA ............................................................................................................................. 74 
7.5. COAUTORIA ........................................................................................................................ 78 
7.6. PARTICIPAÇÃO ................................................................................................................... 79 
7.7. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES CULPOSOS .......................................................... 80 
7.8. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES OMISSIVOS ......................................................... 80 
7.9. PUNIBILIDADE NO CONCURSO DE PESSOAS .................................................................. 81 
7.10. (IN)COMUNICABILIDADE DAS CIRCUNSTÂNCIAS, CONDIÇÕES E ELEMENTARES ........ 82 
7.11. COLABORAÇÃO PREMIADA E CONCURSO DE PESSOAS ................................................. 82 
 
 
 
 
 
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1 – PRINCÍPIOS E GARANTIAS 
 
 
1.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 
O conceito de “Direito Penal” passa por três aspectos: 
 
 
 
 
(CESPE - 2015 - TJ-DFT - Técnico Judiciário - Administrativa) - Sob o prisma formal, 
crime corresponde à concepção do direito acerca do delito, em uma visão legislativa do 
fenômeno; sob o prisma material, o conceito de crime é pré-jurídico, ou seja, é a 
concepção da sociedade a respeito do que pode e deve ser proibido. 
ITEM CORRETO! 
Conforme o entendimento doutrinário, as missões do Direito Penal dividem-se em 
duas, quais sejam: 
IMEDIATA MEDIATA 
• Assegurar bens jurídicos 
• Controle social; e 
• Limitação do poder punitivo estatal. 
Neste cenário, destaca-se o “funcionalismo”, corrente doutrinária que visa 
analisar a real função do Direito Penal e se apresenta entre “funcionalismo teleológico 
(ou moderado)” e “funcionalismo sistêmico (ou radical)”. 
Enquanto o primeiro visa assegurar proteção do bem jurídico (aqueles valores 
indispensáveis à convivência harmônica em sociedade), o segundo tem por objetivo 
assegurar o império da norma, validando o sistema. 
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Ademais, o Direito Penal possui as seguintes classificações doutrinárias: 
SUBSTANTIVO ADJETIVO 
É o direito material, que cria as infrações 
penais (crimes + contravenções). 
É o direito formal, que trata das normas 
processuais. 
 
OBJETIVO SUBJETIVO 
Também chamado de “ius poenale”, é o 
conjunto de leis penais em vigor. 
Também chamado de “ius puniendi”, é o 
direito que o Estado possui de punir o 
infrator. 
Divide-se em: 
POSITIVO 
É a capacidade conferida ao 
Estado de criar e executar 
normas penais. 
NEGATIVO 
É a faculdade de derrogar ou 
restringir preceitos penais por 
meio da declaração de 
inconstitucionalidade. 
 
COMUM ESPECIAL 
É a norma penal objetiva aplicada através da 
justiça comum. 
É a norma penal objetiva aplicável por órgãos 
especiais e constitucionalmente previstos. 
Ex.: Justiça Militar, Eleitoral etc. 
 
Obs.: a distinção acima não pode ser confundida com legislação penal comum (CP) e 
legislação penal especial (leis extravagantes). 
 
 
 
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DE EMERGÊNCIA PROMOCIONAL SIMBÓLICO 
O Estado, atendendo 
demandas de criminalização, 
edita leis que cumprem 
função meramente 
representativa, assumindo 
feição punitivista e 
ignorando as garantias dos 
indivíduos. 
Afasta-se de seu caráter 
subsidiário e fragmentário. 
O Estado, objetivando 
concretizar seus fins políticos 
e efetivar políticas públicas, 
emprega leis buscando a 
transformação social. 
Afasta-se do princípio da 
intervenção mínima. 
O Estado, utilizando-se do 
medo e da sensação de 
insegurança da população, 
emprega instrumento 
demagógico ao Direito Penal, 
aprovando leis mais severas, 
mas que, na prática, 
mostram-se inócuas. Faz 
com que a sociedade tenha 
a falsa sensação de proteção. 
Se manifesta pelo “direito 
penal do terror” em duas 
facetas: inflação legislativa e 
hipertrofia do Direito Penal. 
 
DE INTERVENÇÃO 
COMO PROTEÇÃO DE CONTEXTOS DA VIDA EM 
SOCIEDADE 
O maior expoente desse viés é Winfried 
Hassemer, que defende o desalargamento do 
Direito Penal através da sua 
administrativização. Para tanto, o Direito 
Penal deveria ser utilizado apenas na 
proteção de infrações de bens jurídicos 
individuais e de perigo concreto. Já as 
infrações de bens jurídicos difusos (ou 
coletivos) e de perigo abstrato, deveriam ser 
tutelados pela Administração Pública, por 
meio de um sistema jurídico diverso, com 
sanções mais brandas, garantias materiais e 
processuais mais flexíveis e sem risco de 
privação da liberdade do infrator. Este seria o 
“Direito de Intervenção”, situado abaixo do 
Direito Penal, mas acima do Direito 
Administrativo. 
O formulador desse viés foi 
Günter Stratenwerth, cuja perspectiva se 
contrapõe à de Winfried Hassemer. 
Aqui, o enfoque máximo deveria ser dado à 
proteção dos interesses difusos e coletivos, 
colocando os direitos individuais em segundo 
plano. O Direito Penal seria transformado em 
um direito de gestão punitiva de riscos 
gerais. 
 
 
GARANTISTA 
O garantismo, utilizando-se dos direitos fundamentais consagrados na Constituição, passa a 
estabelecer o objeto e os limites do Direito Penal nas sociedades democráticas. 
Luigi Ferrajoli divide as máximas do garantismo em 10 axiomas que, ordenados em série e 
conectados sistematicamente, constituem as regras fundamentais do Direito Penal: 1) Nulla 
poena sine crimine; 2) Nullum crimen sine lege; 3) Nulla lex (poenalis) sine necessitate; 4) Nulla 
necessitas sine injuria; 5) Nulla injuris sine acione; 6) Nulla actio sine culpa; 7) Nulla culpa sine 
judicio; 8) Nullum judicio sine accusatione; 9) Nullum accusatio sine probatione; e 10) Nulla 
probatio sine defensione. 
Neste tema, cumpre destacar a crítica ao chamado “garantismo hiperbólico monocular”. 
É hiperbólico porque é aplicado de uma forma ampliada, desproporcional; e 
é monocular porque só enxerga os direitos fundamentais do réu (só um lado do processo). 
Contrapõe-se ao “garantismo penal integral”, que resguarda os direitos fundamentais afetos 
à coletividade. 
DO AUTOR DO FATO 
Punem-se os indivíduos em razão de 
suas condições pessoais. É utilizada no pós-
crime e não para incriminar alguém. 
Punem-se as condutas lesivas praticadas 
pelos indivíduos. É a adotada para incriminar 
alguém. 
 
 
 
 
 
 
 
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VELOCIDADES DO DIREITO PENAL 
1ª VELOCIDADE 
• Jesús-Maria Silva Sánchez; 
• Procedimento mais vagaroso; 
• Respeito aos direitos e garantias fundamentais; 
• Penas privativas de liberdade; 
• Delitos mais graves; 
Ex.: CPP. 
2ª VELOCIDADE 
• Jesús-Maria Silva Sánchez; 
• Procedimento mais célere; 
• Flexibilização de direitos e garantias fundamentais; 
• Penas alternativas; 
• Delitos menor gravidade; 
Ex.: JECRIM. 
3ª VELOCIDADE 
• Jesús-Maria Silva Sánchez; 
• Procedimento mais célere; 
• Flexibilização e até a supressão de direitos e garantias fundamentais; 
• Penas privativas de liberdade; 
• Direito Penal do Inimigo; 
• Delitos de maior gravidade; 
Ex.: ORCRIM. 
4ª VELOCIDADE 
• Daniel Pastor; 
• Está ligada ao Direito Penal Internacional; 
• Flexibilização de direitos e garantias fundamentais; 
• Aplicada aos chefes do Estado; 
• Neopunitivismo; 
Ex.: TPI. 
5ª VELOCIDADE 
• Sociedade com maior assiduidade do controle policial; 
• Maior densidade da presença de policiais nas ruas. 
 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - Ao tratar de determinada 
função do direito penal, Cleber Masson esclarece que esta é “inerente a todas as leis, não 
dizendo respeito somente às de cunho penal. Não produz efeitos externos, mas somente 
na mente dos governantes e dos cidadãos. (...) Manifesta-se, comumente, no direito 
penal do terror, que se verifica com a inflação legislativa (direito penal de emergência), 
criando-se exageradamente figuras penais desnecessárias, ou então com o aumento 
desproporcional e injustificado das penas para os casos pontuais (hipertrofia do direito 
penal).” O autor ainda conclui que a função deve ser afastada, pois cumpre funções 
governamentais, ou seja, tarefas que não podem ser atribuídas ao direito penal. 
No texto apresentado anteriormente, Cleber Masson está se referindo à função 
denominada: simbólica. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Substituto) - O garantismo 
hiperbólico é uma consequência da racionalidade do garantismo monocular, que, por sua 
vez, acarreta uma proteção sistêmica. 
ITEM INCORRETO, pois há nessa alternativa uma indução que o garantismo hiperbólico se 
origina através do garantismo monocular, sendo que são um só e complementares! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Substituto) - O garantismo 
penal evoluiu para uma visão integral, protegendo, além dos direitos individuais, também 
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direitos sociais e coletivos, bem como os deveres, nos quais se insere, além do dever de 
investigar, processar e punir, também o direito das vítimas. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2018 - PC-MA - Delegado de Polícia Civil) - O direito penal do autor poderá servir 
de fundamento para a redução da pena quando existirem circunstâncias pessoais 
favoráveis ao acusado. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área 
XI) - O direito de punir do Estado está vinculado ao direito penal substantivo, ou direito 
penal objetivo. 
ITEM INCORRETO, pois o direito de punir do Estado está vinculado ao direito penal 
subjetivo! 
(CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área 
XI) – O direito penal subjetivo refere-se ao conjunto de princípios e regras que se ocupam 
da definição das infrações penais e da imposição de penas ou medidas de segurança. 
ITEM INCORRETO, poiso conceito acima diz respeito ao direito penal objetivo! 
 
1.2. FONTES DO DIREITO PENAL 
 
As fontes do Direito Penal se dividem em: 
• Material: é o órgão encarregado da criação do Direito Penal, ou seja, a fonte 
de produção da norma; 
• Formal: é o instrumento de exteriorização do Direito Penal, ou seja, a fonte 
de cognição da norma. 
No tocante à fonte material, cumpre ressaltar que, de acordo com o art. 22, I, da 
CRFB/88, a competência de legislar sobre direito penal é privativa da União. Todavia, 
conforme o parágrafo único do referido artigo, os Estados poderão, excepcionalmente, 
legislar sobre matéria de direito penal, desde que haja lei complementar autorizando e 
que o assunto seja sobre questões específicas (temas de interesse local). 
Já no que tange à fonte formal, acentua-se um ponto de divergência entre a 
divisão apresentada pela doutrina clássica e moderna. Vejamos: 
 
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DOUTRINA CLÁSSICA DOUTRINA MODERNA 
FONTES 
FORMAIS 
IMEDIATAS 
Lei 
Lei, Constituição Federal, tratados 
internacionais de direitos humanos, 
jurisprudência, princípios e 
complementos da norma penal em 
branco própria 
FONTES 
FORMAIS 
MEDIATAS 
Costumes e princípios gerais do 
direito 
Doutrina 
(os costumes configuram fontes 
formais imediatas) 
 
(CESPE - 2015 - TRE-MT - Analista Judiciário - Judiciária) - Segundo a doutrina 
majoritária, os costumes e os princípios gerais do direito são fontes formais imediatas 
do direito penal. 
ITEM INCORRETO, pois, para a doutrina clássica, os costumes os princípios gerais do 
direito são fontes formais mediatas! 
(CESPE - 2011 - DPE-MA - Defensor Público - As fontes materiais revelam o direito; as 
formais são as de onde emanam as normas, que, no ordenamento jurídico brasileiro, 
referem-se ao Estado. 
ITEM INCORRETO, as fontes formais revelam o direito; as materiais são as de onde 
emanam as normas, que, no ordenamento jurídico brasileiro, referem-se à União. 
 
1.3. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL 
1.3.1. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 
Encontra previsão no art. 5º, XXXIX da CRFB/88 e no art. 1º do CP: 
Art. 5º, XXXIX, CRFB/88 – “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena 
sem prévia cominação legal”; 
Art. 1º, CP - “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia 
cominação legal”. 
 Ele possui dupla função: constitutiva (criminalização da conduta e constituição de 
penas) e de garantia (limita o ius puniendi do Estado, conferindo ao cidadão garantias 
mínimas). 
Ademais, a legalidade deve ser compreendida sob dois aspectos: 
LEGALIDADE FORMAL LEGALIDADE MATERIAL 
Obediência ao devido processo legislativo. 
O conteúdo do tipo deve respeitar os direitos 
e garantias do cidadão. 
Lei vigente Lei válida 
Este princípio se desdobra em quatro postulados: 
LEX SCRIPTA Inadmissibilidade do costume incriminador 
LEX STRICTA Inadmissibilidade da analogia in malam partem 
LEX PRAEVIA Consiste na anterioridade da lei penal 
LEX CERTA 
Consiste na taxatividade penal, vedando-se a criação de tipos penais 
obscuros ou vagos 
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Os seus subprincípios são: 
a) PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL OU DA LEGALIDADE ESTRITA 
A fonte da norma penal é única e exclusivamente a lei em sentido estrito, de tal 
forma que somente lei ordinária ou lei complementar podem criar crimes ou agravar 
penas. 
De acordo com o art. 62, § 1º, I, b, da CRFB/88, é vedada a edição de medidas 
provisórias sobre matéria de direito penal. Entretanto, o STF tem admitido medidas 
provisórias que versem sobre direito penal não incriminador, desde que a norma seja 
benéfica ao réu. 
Como decorrência desse princípio, não é permitido o uso de costumes para criar 
infrações penais, tampouco tratados internacionalizados. 
Ademais, em caso de lacuna deixada pelo legislador, faz-se uso da analogia, que 
permite aplicar a uma hipótese não regulada por lei a legislação de um caso semelhante. 
Todavia, destaca-se que é possível aplicar a analogia apenas em benefício do réu (in 
bonam partem), jamais para prejudicá-lo (in malam partem). 
Não confunda os conceitos a seguir: 
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA ANALOGIA 
Forma de interpretação Forma de interpretação Forma de integração 
Existe norma Existe norma Não existe norma 
Amplia-se o alcance da 
palavra 
Utilizam-se exemplos 
seguidos de uma fórmula 
genérica 
Cria-se norma a partir de 
outra 
Aplicável no Direito Penal in 
bonam partem ou in malam 
partem 
Aplicável no Direito Penal in 
bonam partem ou in malam 
partem 
Aplicável no Direito Penal 
apenas in bonam partem 
Ex.: a expressão “arma” no 
crime de roubo majorado 
Ex.: homicídio mediante paga 
ou promessa de recompensa 
“ou por outro motivo torpe” 
Ex.: a isenção de pena 
prevista nos crimes contra o 
patrimônio é aplicável, 
analogicamente, também ao 
companheiro 
 
b) PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE 
Proíbe a edição de normas penais vagas, imprecisas e indeterminadas. Mostra-se 
necessário que elas possuam clareza denotativa e que a população consiga compreendê-
las. 
 
c) PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE 
Não há crime nem pena sem lei prévia, de tal forma que a lei penal só pode ser 
aplicada para os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Trata da “irretroatividade da lei 
penal”, tema que será melhor estudado no tópico relativo à aplicação da lei penal no 
tempo. 
 
 
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1.3.2. PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA 
Trata-se de verdadeira complementação ao princípio da reserva legal, que orienta 
e limita o poder incriminador do Estado, pois nada impede que o legislador crie condutas 
criminosas de maneira desnecessária. 
Para Rogério Sanches, o princípio da intervenção mínima tem duas faces: 
• orienta quando e onde o direito penal deve intervir - neocriminalização; e 
• orienta quando e onde o direito penal deve deixar de intervir - abolitio 
criminis. 
Assim, a intervenção do Direito Penal depende do fracasso das demais esferas de 
controle (caráter subsidiário), observando apenas os casos de relevante lesão ou perigo 
de lesão ao bem juridicamente tutelado (caráter fragmentário). 
Deste princípio subdividem-se dois: 
a) PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE 
A aplicação do Direito Penal deve ser subsidiária, ou seja, em último caso (ultima 
ratio). Ele somente será utilizado quando as soluções apresentadas pelos outros ramos 
do Direito não se mostrarem suficientes. Direciona-se ao aplicador do direito, no plano 
concreto. 
b) PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE 
O Direito Penal deve tutelar apenas os bens jurídicos mais relevantes para a 
sociedade, não sendo razoável que o Estado o utilize para tutelar qualquer bem jurídico. 
Direciona-se ao legislador, no plano abstrato. 
 
 
1.3.3. PRINCÍPIO DA EXCLUSIVA PROTEÇÃO DOS BENS JURÍDICOS 
Aborda que a norma penal deve ser criada apenas para tutelar bens jurídicos cuja 
relevância mereça a proteção que o Direito Penal oferece. Isto posto, não se pode 
criminalizar, por exemplo, pensamentos, intenções etc. 
Veda-se a chamada “proibição pela proibição”, ou a criminalização como 
“instrumento de mera obediência”. 
 
1.3.4. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE OU DA INTRANSCENDÊNCIA DA PENA 
Encontra previsão no art. 5º, XLV, da CRFB/88: 
Art. 5º, XLV, CRFB/88. Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo 
a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos 
termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do 
valor do patrimônio transferido. 
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A responsabilidade penal pertence ao agente que culposa ou dolosamente deu 
causa ao resultado. 
Obs.: não confunda a “obrigação de reparar o dano” com a “pena de multa”, pois 
enquanto aquela pode serestendida aos sucessores e contra eles executada, esta tem 
caráter punitivo, e como tal, fica vinculada à pessoa do condenado! 
 
1.3.5. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 
É princípio constitucional implícito, que se configura como desdobramento do 
princípio da individualização da pena. Ocorre que, para que a sanção penal cumpra sua 
função, ela deve se ajustar à relevância do bem jurídico tutelado, sem ignorar as 
condições pessoais do agente. 
Tal princípio incide no plano legislativo, judicial e de execução da pena, e apresenta 
dupla face: de um lado proíbe o excesso (garantismo negativo) e do outro proíbe a 
proteção insuficiente (garantismo positivo). 
 
1.3.6. PRINCÍPIO DA HUMANIDADE 
Encontra previsão no art. 5º, XLVII, da CRFB/88: 
Art. 5º, XLVII, CRFB/88. XLVII - não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
Este princípio garante que os infratores da lei não sejam submetidos a penas 
cruéis ou degradantes, assegurando o respeito à dignidade da pessoa humana. 
 
1.3.7. PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE 
Nulla poena sine culpa, ou seja, não há pena sem culpa. 
Este princípio é a base para a ideia de que a responsabilidade penal é pessoal e 
subjetiva, de tal forma que só pode ser aplicada se existente dolo ou culpa. Veda-se 
consequentemente, a responsabilidade penal objetiva. 
Outrossim, o Estado só pode impor sanção penal ao agente imputável, com 
potencial consciência da ilicitude e quando dele exigível conduta diversa. 
 
• É possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais 
independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que agia em 
seu nome. A jurisprudência não mais adota a chamada teoria da dupla imputação. 
STJ. 6ª Turma. RMS 39173-BA, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 
6/8/2015 (Info 566). 
 
 
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1.3.8. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA 
Encontra previsão no art. 5º, LVII, da CRFB/88: 
Art. 5º, LVII, CRFB/88 - ninguém será considerado culpado até o trânsito em 
julgado de sentença penal condenatória; 
 
1.3.9. PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE 
Nullum crimen sine iniuria, ou seja, não há crime sem ofensa ao bem jurídico. Assim, o 
princípio da ofensividade exige que o fato praticado ocorra em lesão ou em perigo de lesão ao 
bem jurídico tutelado. 
Relembre os conceitos a seguir: 
CRIME DE DANO CRIME DE PERIGO 
O bem jurídico penalmente tutelado é 
efetivamente lesado. 
O bem jurídico penalmente tutelado sofre 
um risco de lesão. Divide-se em: 
CONCRETO 
O risco para o bem jurídico 
deve ser comprovado. 
ABSTRATO 
O perigo é presumido pela 
própria lei, dispensando a sua 
comprovação. 
 
1.3.10. PRINCÍPIO DA ALTERIDADE 
Consiste no comando segundo o qual uma conduta, para ser penalmente 
relevante, deve transcender seu autor e atingir bem jurídico de outrem. Ninguém pode 
ser punido por causar mal a si próprio, fundamentando a impossibilidade da punição da 
autolesão. 
 
1.3.11. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO BIS IN IDEM 
Preconiza que ninguém pode ser julgado mais do que uma vez pela prática do 
mesmo crime. 
 
• Diante do trânsito em julgado de duas sentenças condenatórias contra o mesmo 
condenado, por fatos idênticos, deve prevalecer a condenação que transitou em primeiro 
lugar. STJ. 6ª Turma. RHC 69586-PA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio 
Schietti Cruz, julgado em 27/11/2018 (Info 642). 
 
1.3.12. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL 
Apesar de uma conduta se subsumir ao modelo legal, ela não será típica quando 
socialmente aceita e adequada, isto é, se estiver em conformidade com a ordem social 
da vida historicamente condicionada. Trata-se de causa supralegal de exclusão da 
tipicidade material. 
Além disso, esse princípio possui a função de restringir o âmbito de abrangência 
do tipo penal e de orientar a atividade legislativa. 
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Importante salientar que a aplicação da adequação social em delito de direito 
autoral é vedada pelo STJ: 
Súmula 502 do STJ: Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação 
ao crime previsto no art. 184, § 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas. 
 
1.3.13. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
Este princípio, conhecido também como criminalidade de bagatela ou infração 
bagatelar própria, não encontra previsão na legislação, mas é pacificamente admitido 
pela jurisprudência do STF e do STJ. 
A natureza jurídica do princípio da insignificância é de causa supralegal de 
exclusão da tipicidade material, e funciona, hermeneuticamente, como um instrumento 
de interpretação restritiva do tipo penal. 
 É imprescindível diferenciar “valor insignificante” de “pequeno valor” (um dos 
requisitos do furto privilegiado – art. 155, § 2º, do CP), visto que ambos não são 
sinônimos. 
 
Entretanto, não é apenas o valor que deve ser analisado para que a insignificância 
da conduta seja reconhecida. Para tal, o STF estabeleceu quatro requisitos: 
 
 
 
Tendo em vista que o estudo em questão é voltado para as carreiras policiais, 
questiona-se: o Delegado de Polícia pode aplicar o princípio da insignificância diante de 
uma situação flagrancial? 
• Primeira corrente (STJ): NÃO, pois essa função seria do Poder Judiciário, 
estando a autoridade policial obrigada a submeter a questão à autoridade 
judiciária. Portanto, ao receber uma prisão em flagrante, o delegado deverá 
apenas lavrar o APF - HC 154.949/MG. 
• Segunda corrente (doutrinária): SIM, pois conforme o art. 302 do CPP, o 
delegado lavrará o APF diante de uma infração penal, que é, conforme o 
conceito analítico, fato típico, ilícito e culpável. Portanto, ele estaria apto a 
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analisar a ausência de um desses elementos, deixando de lavrar o APF. Isto 
ocorreria em razão da ausência de fato típico, pelo princípio da 
insignificância. 
Devido à divergência de entendimentos, esse tema não é muito abordado em 
provas, porém, caso seja, para as provas de carreiras policiais, a corrente mais adequada 
é a segunda. 
Por conseguinte, destaca-se que esse é um dos princípios mais cobrados em 
provas, principalmente no que diz respeito à sua jurisprudência. Elas são muitas e, por 
vezes, conflitantes entre si, portanto, para que revisemos de forma mais rápida e 
objetiva, iremos destrinchá-las em tópicos: 
REINCIDÊNCIA 
• Reincidência por si só: “A reincidência não impede, por si só, que o juiz 
da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos 
elementos do caso concreto” – STF; 
• Criminoso habitual: “A reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do 
princípio da insignificância nos crimes de descaminho, ressalvada a 
possibilidade de, no caso concreto, as instâncias ordinárias verificarem 
que a medida é socialmente recomendável” – STJ. 
MULTIRREINCIDENTE 
• Regra: não; 
• Exceção: há julgado do STJ permitindo, em casos excepcionais, nos 
quais é reduzidíssimo o grau de reprovabilidade da conduta. 
DROGAS 
• Tráfico ilícito de drogas: inaplicável, porquanto trata-se de crime de 
perigo presumido ou abstrato, sendo irrelevante a quantidade de droga 
apreendida em poder do agente; 
• Posse de drogas para consumo pessoal: inaplicável, pois a pequena 
quantidade de droga faz parte da própria essência do delito em 
questão. 
CRIMES AMBIENTAIS 
• Nos crimes com bem jurídico difuso/coletivo, em regra, este princípio 
não é aplicável, pois a lesividade/exposição a perigo transcende o 
aspecto individual. Entretanto, nos crimes ambientais, essa regra é 
invertida, uma vez que os tribunais superiores adotam como regra a 
possibilidade de aplicação do princípio da insignificância em crimes 
ambientais, devendo ser analisadas as circunstânciasespecíficas no 
caso concreto; 
• Exceção: não se pode aplicar o princípio da insignificância ao crime de 
pesca ilegal – STF; 
• Hipótese em que a própria jurisprudência flexibiliza a exceção da 
pesca ilegal: o STJ aplicou, de forma excepcional, o princípio da 
insignificância no caso de pesca ilegal, na hipótese em que o indivíduo 
pescou 1 único peixe e devolveu esse peixe vivo ao rio, não havendo um 
prejuízo efetivo ao meio ambiente. 
CRIMES 
TRIBUTÁRIOS E 
DESCAMINHO 
• Crimes tributários federais e descaminho: o débito tributário 
verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00; 
• ATENÇÃO: o valor de 20 mil reais para aplicação do princípio da 
insignificância será somente aos crimes tributários FEDERAIS. De tal 
forma que, não se aplica, automaticamente, o parâmetro dos tributos 
federais aos crimes tributários estaduais, devendo ser observada a lei 
estadual vigente em razão da autonomia do ente federativo – STJ; 
CONTRABANDO 
• Regra: não se aplica o princípio da insignificância; 
• Exceção: pequena quantidade de medicamento destinada a uso 
próprio – STJ. 
CRIMES CONTRA A 
ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA 
• Súmula 599-STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos 
crimes contra a administração pública”. 
• Exceção: descaminho (apesar de ser um crime tributário, está 
topograficamente inserido no título dos “Crimes contra a 
Administração Pública”). 
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• Exceção: admite-se, excepcionalmente, a aplicação do princípio da 
insignificância a crime praticado em prejuízo da administração pública 
quando for ínfima a lesão ao bem jurídico tutelado - STJ. 
FURTO 
QUALIFICADO 
• Regra: o STF/STJ entendem não ser possível a aplicação do princípio 
da insignificância no furto qualificado, pois falta o requisito do reduzido 
grau de reprovabilidade do comportamento; 
• Exceção: quando presentes circunstâncias excepcionais que 
recomendam a medida. A despeito da presença de qualificadora no 
crime de furto possa, à primeira vista, impedir o reconhecimento da 
atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias 
pode demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, 
recomendando a aplicação do princípio da insignificância – STJ. 
FURTO SIMPLES 
• Regra: não deve se levar em conta apenas o valor da coisa furtada, mas 
sim o caso concreto, como o perfil subjetivo do agente, de tal forma que 
o STJ tem permitido a aplicação do referido princípio quando o valor do 
bem subtraído corresponda até 10% do salário-mínimo vigente na 
época – STJ. 
• Restituição imediata e integral do bem furtado: não constitui, por si 
só, motivo suficiente para a incidência do princípio da insignificância – 
STJ. 
• Multirreincidente: não se aplica a insignificância no furto de coisa 
superior a 10% do salário-mínimo, sendo o réu multirreincidente. – STJ. 
CRIMES CONTRA A 
FÉ PÚBLICA 
• Regra: não aplica; 
• Exceção: uso de atestado falso – STJ. 
POSSE OU PORTE DE 
ARMA OU MUNIÇÃO 
• Regra: não é possível, pois são crimes de perigo abstrato – STJ; 
• Exceção: crime de porte ilegal de pouca quantidade de munição 
desacompanhada da arma – STJ; uso de munição como pingente e 
aplicação do princípio da insignificância – STF. 
VIOLÊNCIA 
DOMÉSTICA 
• Súmula nº 589, STJ: “É inaplicável o princípio da insignificância nos 
crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito 
das relações domésticas.” 
ATOS INFRACIONAIS • É possível. 
 Por fim, faz-se um adendo à chamada “infração bagatelar imprópria”, que possui 
todos os elementos previstos no conceito analítico de crime, mas a sua punição torna-
se desnecessária (ex.: perdão judicial por homicídio culposo de filho). 
Desse modo, enquanto o princípio da insignificância próprio tem natureza jurídica 
de causa excludente da tipicidade material, o princípio da insignificância impróprio 
possui natureza jurídica de causa excludente da punibilidade. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto (fase matutina) 
- O princípio da vedação à dupla persecução (ne bis in idem processual) poderá ser 
excepcionado quando o julgamento no exterior não se realizar de modo justo e legítimo. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - Prova 1) - Para 
o STF, de acordo com o princípio da culpabilidade, somente é possível imputar crime a 
pessoa jurídica se, simultaneamente, o ilícito penal for imputado à pessoa física que 
tenha sido o autor material da conduta. 
ITEM INCORRETO, pois, segundo o STF, é possível a responsabilização penal da pessoa 
jurídica por delitos ambientais independentemente da responsabilização concomitante 
da pessoa física que agia em seu nome! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - Prova 1) - 
Nenhum dos princípios que regem o direito penal veda a criminalização, pelo legislador, 
da tentativa de suicídio, embora, no momento, esta conduta não esteja tipificada. 
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ITEM INCORRETO, pois o princípio da alteridade veda a tipificação da autolesão! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - TC-DF - Procurador) - Pelo princípio da fragmentariedade, 
o direito penal só deve intervir em ofensas realmente graves aos bens jurídicos mais 
relevantes. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça de Entrância Inicial) - 
O princípio da adequação social serve de parâmetro fundamental ao julgador, que, à luz 
das condutas formalmente típicas, deve decidir quais sejam merecedoras de punição 
criminal. 
ITEM INCORRETO, pois o princípio da adequação social serve de parâmetro ao legislador, 
que deve buscar afastar a tipificação criminal de condutas consideradas socialmente 
adequadas! 
(CESPE - 2019 - PRF - Policial Rodoviário Federal) - A norma penal deve ser instituída por 
lei em sentido estrito, razão por que é proibida, em caráter absoluto, a analogia no direito 
penal, seja para criar tipo penal incriminador, seja para fundamentar ou alterar a pena. 
ITEM INCORRETO, pois é possível a analogia in bonam partem! 
(CESPE - 2019 - TJ-BA - Juiz de Direito Substituto) - O princípio da bagatela imprópria 
implica a atipicidade material de condutas causadoras de danos ou de perigos ínfimos. 
ITEM INCORRETO, pois o princípio da bagatela imprópria não exclui a tipicidade do crime, 
apenas afasta a aplicação da pena, funcionando como causa excludente de punibilidade. 
O que afasta a materialidade do delito é a bagatela própria (ou princípio da 
insignificância), funcionando como causa supralegal de exclusão da tipicidade! 
(CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - Em razão do princípio da legalidade penal, 
a tipificação de conduta como crime deve ser feita por meio de lei em sentido material, 
não se exigindo, em regra, a lei em sentido formal. 
ITEM INCORRETO, pois em razão do princípio da legalidade penal, a tipificação de conduta 
como crime deve ser feita por meio de lei em sentido estrito, ou seja, atendendo, 
cumulativamente, ao critério material (conteúdo) e critério formal (processo legislativo) 
de lei! 
(CESPE - 2017 - TRF - 5ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) - Assinale a opção que 
apresenta princípios que devem ser observados pelas leis penais por expressa previsão 
constitucional: legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, presunção da 
inocência, individualização da pena. 
ITEM CORRETO! 
 
 
2 – DIREITO PENAL E POLÍTICA CRIMINAL 
 
 
DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL 
É uma ciência normativa que 
estuda o “deve ser”. Analisa 
comportamentos humanos 
indesejados, define quais 
devem ser qualificados como 
infrações penais e fixa as suas 
respectivas sanções. Ocupa-
se do crime enquanto norma. 
É uma ciência indutiva, 
empírica e interdisciplinar 
que se ocupa com o estudo do 
crime, do criminoso, da vítima 
e dos mecanismos de 
controle social. Não recorre às 
normas penais. Ocupa-se docrime enquanto fato. 
É a ciência ou arte de 
selecionar os bens jurídicos 
que devem ser tutelados 
penalmente e os caminhos 
para tal tutela. É uma ciência 
de fins e meios, pois 
apresenta críticas e 
propostas para a reforma do 
direito penal em vigor. Para 
tanto, ela se dedica a receber 
as contribuições da 
Criminologia e a propor 
medidas para equacionar os 
delitos. Ocupa-se do crime 
enquanto valor. 
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3 – ESCOLAS PENAIS 
 
 
3.1. TABELA RESUMO 
De acordo com Rogério Sanches (Manual de Direito Penal – Parte Geral, págs. 58 e 
59): 
ESCOLA CRIME DELINQUENTE PENA AUTORES 
CLÁSSICA 
É um ente 
jurídico. 
É ser livre que 
pratica o delito 
por livre escolha. 
Retributiva 
Beccaria, Carrara e 
Fuerbach. 
POSITIVA 
É um fato 
humano. 
É ser anormal sob 
a ótica biológica 
e psicológica, 
sem livre-
arbítrio. Ideia do 
criminoso nato. 
Baseada no 
determinismo 
(defesa do corpo 
social). 
Lombroso, Ferri e 
Garofalo. 
TERZA 
SCUOLA 
ITALIANA 
É um fenômeno 
individual e 
social. Escola 
eclética com 
conceitos 
clássicos e 
positivistas. 
Não é um ser 
anormal e nem é 
dotado de livre-
arbítrio. 
Baseada na 
defesa social, 
reconhece o seu 
caráter aflitivo. 
Lassagne, Tarde e 
Maouvrier. 
HUMANISTA 
É o desvio 
moral de 
conduta. 
Induziu a noção 
de delinquência 
artificial” – 
crime que não 
viola a moral. 
É o imputável, 
por ser passível 
de educação. 
Baseada na 
educação, é 
forma de educar 
o delinquente. 
Vicenzo Lanza. 
TÉCNICO-
JURÍDICA 
É fenômeno 
individual e 
social. 
É dotado de 
livre-arbítrio e 
responsável 
moralmente. 
É meio de defesa 
contra a 
perigosidade do 
agente, cujo 
objetivo é 
castigá-lo. 
Karl Binding, 
Arturo Rocco, 
Vincenzo Manzini, 
Giacomo Delitala, 
Maggiore. 
MODERNA 
ALEMÃ 
É ente jurídico e 
fenômeno de 
ordem humana 
e social. 
É pessoa 
simultaneamente 
livre e 
parcialmente 
condicionada 
pelo ambiente 
que o circunda. 
Não há criminoso 
nato. 
É instrumento de 
ordem e 
segurança social, 
cuja função é 
preventiva geral 
negativa, o seja, 
de coação 
psicológica. 
Feuerbach, Franz 
Von Lizst, Van 
Hamel, Adolpho 
Prins. 
CORRECIO- 
NALISTA 
É um ente 
jurídico de 
criação da 
sociedade. 
É um ser 
anormal, 
portador de uma 
vontade 
reprovável. 
É a correção da 
vontade do 
criminoso e não a 
retribuição a um 
mal, motivo pelo 
qual pode ser 
indeterminada. 
Karl David August 
Roeder. 
DA NOVA 
DEFESA 
SOCIAL 
É um mal que 
desestabiliza o 
aprimoramento 
social. 
É a pessoa que 
precisa ser 
adaptada à 
ordem social. 
É uma reação da 
sociedade, cujo 
objetivo é 
proteger o 
cidadão. 
Filippo Gramatica 
e Marc Ancel. 
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4 – A LEI PENAL 
 
 
4.1. CARACTERÍSTICAS DA LEI PENAL 
 
4.2. CLASSIFICAÇÃO DA LEI PENAL 
As leis penais se dividem em: 
• Incriminadoras: definem as infrações penais e cominam penas; 
• Não incriminadoras: não definem infrações penais e nem cominam penas, 
classificando-se da seguinte forma: 
LEI PENAL NÃO INCRIMINADORA 
EXPLICATIVA / 
INTERPRETATIVA 
• Se destina a esclarecer o conteúdo da norma; 
• Ex.: conceito de funcionário público (art. 327, CP). 
EXTENSÃO / 
INTEGRATIVA 
• Se destina a viabilizar a tipicidade de alguns fatos. 
TEMPORAL • Tentativa (art. 14, II, CP). 
PESSOAL E 
ESPACIAL • Participação (art. 29, CP). 
CAUSAL • Crimes comissivos por omissão (art. 13, § 2º, CP); 
PERMISSIVA 
JUSTIFICANTE 
• Se destina a tornar lícita algumas condutas que seriam ilícitas; 
• Ex.: legítima defesa (art. 25, CP); 
PERMISSIVA 
EXCULPANTE 
• Se verifica quando elimina a culpabilidade; 
• Ex.: embriaguez acidental completa (art. 28, § 1º, CP) 
COMPLEMENTAR 
• Tem a função de delimitar a aplicação das normas incriminadoras; 
• Ex.: aplicação da lei penal no território brasileiro (art. 5º, CP). 
 
(CESPE - 2011 - TJ-ES - Comissário da Infância e da Juventude - Específicos) -Uma das 
funções do princípio da legalidade refere-se à proibição de se realizar incriminações 
vagas e indeterminadas, visto que, no preceito primário do tipo penal incriminador, é 
obrigatória a existência de definição precisa da conduta proibida ou imposta, sendo 
vedada, com base em tal princípio, a criação de tipos que contenham conceitos vagos e 
imprecisos. 
ITEM CORRETO! 
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(CESPE - 2010 - MPE-RO - Promotor de Justiça) -O dispositivo legal que prevê o estado 
de necessidade é uma norma penal não incriminadora permissiva justificante porque 
tem por finalidade afastar a ilicitude da conduta do agente. 
ITEM CORRETO! 
Além da divisão acima, as leis penais também se apresentam como: 
• Completas/perfeitas: possuem todos os elementos da conduta criminosa; 
• Incompletas/imperfeitas: a complementação da definição da conduta de 
determinada norma depende de complemento normativo (norma penal em 
branco) ou valorativo (tipo penal aberto). 
Um exemplo de tipo penal aberto, que necessita de complemento dado pelo juiz, 
é o crime culposo, pois o legislador não enuncia quais são as formas de negligência, 
imprudência e imperícia. Já a norma pena em branco, que necessita de complemento 
dado por outra norma, possui as seguintes classificações: 
NORMA PENAL EM BRANCO 
HOMOGÊNEA/IMPRÓPRIA/EM SENTIDO 
AMPLO 
HETEROGÊNEA/PRÓPRIA/EM SENTIDO 
ESTRITO 
O complemento normativo advém da mesma 
fonte de produção. Divide-se em: 
homovitelina e heterovitelina. 
O complemento normativo advém de fonte 
de produção diversa. 
 
Ex.: o crime de “tráfico de drogas” (art. 33, lei 
nº 11.343/06) extrai o rol de substâncias 
consideradas como “droga” da Portaria da 
Anvisa (Portaria 344 SVS/MS). 
HOMOVITELINA / 
HOMÓLOGA 
HETEROVITELINA / 
HETEROLÓGA 
O complemento 
advém da mesma 
instância legislativa. 
Ex.: o crime de 
“peculato” (art. 312, 
CP) extrai o conceito 
de funcionário 
público do próprio CP 
(art. 327, CP). 
O complemento 
advém de instância 
legislativa diversa. 
Ex.: o crime de 
“ocultação de 
impedimento para o 
casamento” (art. 326, 
CP) extrai as 
hipóteses 
impeditivas da união 
civil do CC (art. 1521, 
CC). 
AO QUADRADO DE FUNDO CONSTITUCIONAL 
A norma requer um complemento que, do 
mesmo modo, requer outro complemento. 
Ex.: art. 38 da lei nº 9.605/98 (crimes 
ambientais). 
A norma é complementada por uma norma 
constitucional. 
Ex.: o crime de “abandono intelectual” (art. 
246, CP) extrai o conceito de “instrução 
primária” da Constituição Federal (art. 208, I, 
CF). 
AO REVÉS/INVERTIDA/AO AVESSO 
A sanção da norma é complementada pelo preceito secundário de outra lei. 
Ex.: art. 1º da lei nº 2.889/56 (lei de genocídio). 
 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-BA - Promotor de Justiça Substituto) - A norma penal 
em branco invertida é admissível, desde que homogênea. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2015 - TRE-MT - Analista Judiciário – Judiciária) - Configura lei penal em branco 
em sentido estrito o artigo do Código Penal, que estabelece como criminosa a conduta 
de casar-se mesmo conhecendo existir impedimento que acarrete a nulidade absoluta 
do casamento. 
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ITEM INCORRETO, pois o seu complemento deriva do Código Civil - isto é, mesma fonte 
legislativa - trata-se de norma penal em branco homogênea. Além disso, por ser norma 
diversa do Código Penal, trata-se de norma penal em branco homogênea heteróloga! 
(CESPE - 2011 - DPE-MA - Defensor Público) - O complemento da norma penal em 
branco considerada em sentido estrito provém da mesma fonte formal, ao passo que o 
da norma penal em branco considerada em sentido lato provém de fonte formal diversa. 
ITEM INCORRETO, pois os conceitos estão invertidos! 
 
4.3. LEI PENAL NO TEMPO 
Em decorrência do princípioda legalidade, em regra, aplica-se a lei penal vigente 
ao tempo da realização da conduta criminosa (tempus regit actum). 
 
 
 
Excepcionalmente, a lei penal retroagirá, desde que benéfica ao réu. Vale destacar 
que essa sistemática só se aplica às normas de natureza material (penal) ou híbridas 
(penal e processual), uma vez que as normas de natureza puramente processual se 
situam na regra geral, não se submetendo à retroatividade benéfica. 
Portanto, a diferença entre normas penais e processuais penais no conflito de leis 
no tempo é a seguinte: 
NORMAS PENAIS NORMAIS PROCESSUAIS PENAIS PURAS 
Princípio da retroatividade benéfica Princípio do Tempus Regit Actum 
Art. 5º, XL, da CRFB/88. A lei penal não 
retroagirá, salvo para beneficiar o réu 
Art. 2º do CPP. A lei processual penal aplicar-
se—á desde logo, sem prejuízo da validade 
dos atos realizados sob a vigência da lei 
anterior. 
Entretanto, esses precedentes constitucionais (retroatividade benéfica) são 
inaplicáveis para precedentes jurisprudenciais: 
 
• Vigora no ordenamento jurídico brasileiro, o princípio da irretroatividade da norma mais 
gravosa. Esse princípio não se aplica (não vale) para interpretação jurisprudencial. Esse 
princípio se aplica apenas para lei penal. Assim, mesmo que a nova interpretação seja 
mais gravosa, deve ser aplicada para fatos anteriores. 
A CF/88 diz, no art. 5º, XL, que "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;". 
A partir da leitura desse art. 5º, XL, é possível extrair dois preceitos: 
- é retroativa a aplicação da norma penal benéfica 
- é irretroativa a norma mais grave ao acusado 
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Esses preceitos constitucionais são inaplicáveis para precedentes jurisprudenciais (para 
decisões do Poder Judiciário). 
Assim, o art. 5º, XL, da CF/88 - que trazem esses preceitos - não se aplica para mudanças 
de entendimento jurisprudencial (só valem para mudanças legislativas). STF. 1ª Turma. 
HC 161452 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 6/3/2020. STJ. 5ª Turma. AgRg nos EDcl no 
AREsp 1361814/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 19/05/2020. 
Em algumas situações, as leis penais se sucedem no tempo, suscitando cinco 
situações distintas: 
a) Sucessão de lei incriminadora 
Ocorre quando uma nova lei entra em vigor e passa a criminalizar uma conduta 
que antes era atípica. É irretroativa. 
Art. 1º, CP - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia 
cominação legal. 
 
b) Novatio legis in pejus 
Ocorre quando uma nova lei estabelece situação mais gravosa (lex gravior) ao réu 
em uma conduta que já era típica. Não há retroatividade prejudicial, de tal forma que a 
nova lei só valerá para aqueles que cometerem a conduta delituosa depois da sua 
entrada em vigor. 
Caso uma lei mais gravosa entre em vigor no decorrer da prática de um crime 
permanente ou continuado, esta será aplicada, pois as condutas criminosas em questão 
ainda não cessaram. É o que preconiza a súmula 711 do STF: 
Súmula 711 do STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime 
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. 
Obs.: não se deve confundir crime continuado com o crime permanente. No crime 
continuado, há diversas condutas que, separadas, constituem crimes autônomos, mas 
que são reunidas por uma ficção jurídica dentro dos parâmetros do art. 71 do Código 
Penal. No crime permanente há apenas uma conduta, que se prolonga no tempo. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Especialidade: Direito) - O crime 
permanente é aquele cujo resultado prolonga-se no tempo, atraindo a aplicação da lei 
penal vigente ao término do resultado. 
ITEM INCORRETO, pois não é o resultado, mas sim a consumação do crime que se 
prolonga no tempo. 
c) Novatio legis in mellius 
Ocorre quando uma nova lei estabelece situação mais benéfica (lex mitior) ao réu 
em uma conduta que já era típica. Há retroatividade benéfica, alcançando situações 
anteriores a sua entrada em vigor. 
Art. 2º, parágrafo único, CP – A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o 
agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença 
condenatória transitada em julgado. 
Ainda, prevalece no STJ e no STF a impossibilidade de combinação de leis penais 
para favorecer o réu (lex tertia): 
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Súmula 501 do STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o 
resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do 
que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis. 
Súmula 611 do STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao Juízo 
das execuções a aplicação de lei mais benigna. 
 
d) Abolitio criminis 
Ocorre quando uma conduta deixa de ser considerada típica (abolição de um 
crime) através da revogação de uma lei penal incriminadora por outra lei. Há 
retroatividade benéfica, extinguindo-se a punibilidade do agente. 
Art. 2º, CP - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de 
considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da 
sentença condenatória. 
A partir da leitura do artigo supracitado, salienta-se que na abolitio criminis 
apenas são cessados os efeitos penais, uma vez que os efeitos extrapenais subsistem. 
 
e) Princípio da continuidade normativo-típica 
Ocorre quando o conteúdo criminoso é deslocado para outro tipo penal. Difere-se 
da abolitio criminis, pois não há a supressão formal e material da conduta criminosa, mas 
apenas formal. 
Portanto, enquanto na abolitio criminis a conduta deixa de ser considerada 
criminosa, na continuidade normativo-típica a conduta continua sendo punível, mas em 
outro tipo penal. 
ABOLITIO CRIMINIS CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA 
Supressão formal e material do crime Supressão formal do crime 
A conduta deixa de ser punível 
A conduta continua punível, mas em outro 
tipo penal 
 
4.3.1. LEI EXCEPCIONAL E TEMPORÁRIA 
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(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-DFT - Juiz de Direito Substituto) - A lei temporária 
aplica-se ao fato praticado durante sua vigência, ainda que decorrido o período de sua 
duração. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-DFT - Juiz de Direito Substituto)) - A lei excepcional tem 
aplicação imediata, não gerando efeitos caso não aplicada durante sua vigência. 
ITEM INCORRETO, pois, de acordo com o art. 3º do CP, a lei excepcional aplica-se ao fato 
praticado durante sua vigência, ainda que tenham cessado as circunstâncias que a 
determinaram! 
(CESPE - 2013 - TJ-RN – Juiz) - Lei superveniente que abrande a penalidade referente a 
determinado crime somente beneficiará réu processado na vigência da lei anterior se não 
houver trânsito em julgado da sentença condenatória quando de sua entrada em vigor. 
ITEM INCORRETO, pois, de acordo com o art. 2º, parágrafo único, do CP, a lei posterior, 
que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que 
decididos por sentença condenatória transitada em julgado. Trata-se de novatio in 
mellius! 
(CESPE - 2013 - TJ-RN – Juiz) - Se, no curso do cumprimento de pena por determinado 
réu condenado por sentença transitada em julgado, lei nova deixar de considerar crime o 
ato por ele praticado, cessará a execução da pena, mas não os efeitos da condenação. 
ITEM INCORRETO, pois, de acordo com o art. 2º, caput, do CP, em caso de abolitio criminis, 
os efeitos penais da sentença condenatória são cessados. Os únicos efeitos que 
subsistem são os extrapenais. 
 
4.3.2. LEI INTERMEDIÁRIA 
Considera-se lei intermediária aquela que, na sucessão de leis penais, esteve em 
vigência entre a lei anterior e a lei posterior. 
Suponhamos que o réu tenha praticadoum delito durante a vigência da “Lei A”, 
mas que durante o processo tenha entrado em vigor a “Lei B”, que modificou a pena do 
delito em questão para uma mais branda. Por último, quando da data da sentença, já 
está em vigor a “Lei C”, cuja pena é mais rigorosa. 
 
Apresentado o caso hipotético acima, questiona-se: qual lei deverá ser aplicada? 
A resposta já foi dada pelo STF, devendo ser aplicada a lei intermediária, pois é mais 
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benéfica ao réu. Esta lei tem duplo efeito: retroatividade em relação ao tempo da ação 
ou omissão e ultratividade em relação ao tempo do julgamento. 
 
4.3.3. TEMPO DO CRIME 
A teoria adotada pelo Código Penal é a “Teoria da Atividade”: 
Art. 4º, CP - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, 
ainda que outro seja o momento do resultado. 
 
4.4. LEI PENAL NO ESPAÇO 
4.4.1. LUGAR DO CRIME 
Em relação ao lugar do crime, a teoria adotada pelo Código Penal é a “Teoria da 
Ubiquidade”, que nada mais é do que uma junção da teoria da atividade e do resultado. 
Art. 6º, CP - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou 
omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-
se o resultado. 
 
 
 
Obs.: nos crimes conexos não se aplica a teoria da ubiquidade, devendo cada crime ser 
julgado pelo país onde foi cometido, uma vez que não constituem propriamente uma 
unidade jurídica. Exemplo: furto cometido na Argentina e receptação praticada no Brasil. 
Aqui somente será julgada a receptação. 
 
4.4.2. CRIMES À DISTÂNCIA, EM TRÂNSITO E PLURILOCAIS 
 
CRIMES À DISTÂNCIA OU DE 
ESPAÇO MÁXIMO 
CRIMES EM TRÂNSITO 
CRIMES PLURILOCAIS OU DE 
ESPAÇO MÍNIMO 
O crime percorre o território 
de dois estados soberanos 
O crime percorre o território 
de mais de dois estados 
soberanos 
O crime percorre dois ou 
mais territórios do mesmo 
estado soberano 
Teoria da Ubiquidade Teoria da Ubiquidade Teoria do Resultado 
Conflito internacional de 
jurisdição 
Conflito internacional de 
jurisdição 
Conflito interno de 
competência 
 
4.4.3. TERRITORIALIDADE DA LEI PENAL 
 
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 A lei penal brasileira, aplica-se, em regra, ao crime cometido no território nacional, 
mas, excepcionalmente, a lei estrangeira é aplicável aos delitos cometidos em território 
nacional, quando assim determinarem as convenções, tratados e regras internacionais. 
 Portanto, a partir da leitura do art. 5º do CP, extrai-se que o Código Penal adotou 
o princípio da territorialidade mitigada/temperada, o qual não se confunde com o 
princípio da territorialidade absoluta adotado no Código de Processo Penal. 
Art. 5º, CP - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e 
regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. 
Para efeitos penais, de acordo com o art. 5º, § 1º, do CP, considera-se território 
nacional por extensão: 
 
O conceito acima trata de uma ficção jurídica com um nível elevado de cobrança 
em provas. Ademais, é também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de 
aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em 
pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em 
porto ou mar territorial do Brasil (art. 5º, § 2º, do CP). 
Neste tema, vale destacar o chamado “direito de passagem inocente”, regulado 
pela Lei nº 8.617/93, que estabelece que não será aplicada a lei brasileira aos crimes 
cometidos a bordo de embarcações privadas estrangeiras de passagem pelo mar 
territorial brasileiro, desde que não seja prejudicial à paz, a boa ordem ou à segurança do 
Brasil. Além disso, a passagem deve ser contínua e rápida. 
Obs.: as embaixadas, por mais que sejam invioláveis, não são extensão do território do 
país que representam. 
LUGAR DO CRIME APLICA-SE A LEI PENAL BRASILEIRA? 
EMBARCAÇÕES E AERONAVES BRASILEIRAS DE 
NATUREZA PÚBLICA 
SIM – onde quer que se encontrem 
EMBARCAÇÕES E AERONAVES BRASILEIRAS A 
SERVIÇO DO GOVERNO BRASILEIRO 
SIM – onde quer que se encontrem 
EMBARCAÇÕES BRASILEIRAS MERCANTES OU 
DE PROPRIEDADE PRIVADA 
SIM – desde que se encontrem em alto-mar 
AERONAVES BRASILEIRAS MERCANTES OU DE 
PROPRIEDADE PRIVADA 
SIM – desde que se encontrem em espaço 
aéreo correspondente ao alto-mar 
EMBARCAÇÕES ESTRANGEIRAS DE 
PROPRIEDADE PRIVADA 
SIM – desde que estejam atracadas em porto 
ou navegando em mar territorial do Brasil 
AERONAVES ESTRANGEIRAS DE PROPRIEDADE 
PRIVADA 
SIM – desde que em pouso no território 
nacional ou em voo no espaço aéreo brasileiro 
EMBARCAÇÕES OU AERONAVES DE NATUREZA 
PÚBLICA ESTRANGEIRA OU A SERVIÇO DE 
GOVERNO ESTRANGEIRO 
NÃO 
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EMBARCAÇÕES OU AERONAVES BRASILEIRAS, 
MERCANTES OU PRIVADAS, QUANDO EM 
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO 
SIM - desde que não seja julgado no território 
estrangeiro. Aplica-se a regra da 
extraterritorialidade condicionada 
(art. 7º, II, “c”, CP) 
 
4.4.4. EXTRATERRITORIALIDADE 
Agora estudaremos as hipóteses em que, excepcionalmente, a lei penal brasileira 
pode ser aplicada aos crimes cometidos no estrangeiro. Elas estão previstas no art. 7º do 
CP e dividem-se em: incondicionada, condicionada e hipercondicionada. 
 
a) Incondicionada 
A simples prática do crime em território estrangeiro já autoriza a aplicação da lei 
brasileira, independentemente de qualquer requisito. Portanto, o agente é punido 
segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro. As suas 
hipóteses estão previstas no art 7º, I, do CP: 
 
Obs.: o examinador costuma trocar “crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da 
República” por “crimes contra a honra do Presidente da República”. Não caia! Essa 
pegadinha é recorrente! 
 
b) Condicionada 
Ao contrário das hipóteses de extraterritorialidade incondicionada, aqui é 
necessário que todos os cinco requisitos sejam preenchidos cumulativamente. As suas 
hipóteses estão previstas no art. 7º, II, do CP: 
 
 
 
 
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As condições cumulativas previstas no art. 7º, § 2º, do CP, são: 
• entrar o agente no território nacional; 
• ser o fato punível também no país em que foi praticado – PRINCÍPIO DA DUPLA 
TIPICIDADE; 
• estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a 
extradição; 
• não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; 
• não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar 
extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. 
 
c) Hipercondicionada 
Aqui, além dos requisitos que devem ser preenchidos na “extraterritorialidade 
condicionada”, também devem ser preenchidas mais duas condições. A sua hipótese está 
prevista no art. 7º, § 3º, do CP: 
 
 
 
As outras duas condições que devem ser preenchidas cumulativamente com as do 
§ 2º estão previstas no art. 7º, § 3º, do CP, sendo estas: 
• não tiver sido pedida ou foi negada a extradição; 
• ter havido requisição do Ministro da Justiça; 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - fase matutina) 
- Em caso de crime que, por tratado, o Brasil se obrigue a reprimir, há 
extraterritorialidade incondicionada. 
ITEM INCORRETO, pois trata-se de extraterritorialidade condicionada! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - fase matutina) 
- Aplica-se o princípio da extraterritorialidade aos crimes praticados em aeronaves e 
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, 
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. 
ITEM INCORRETO, pois trata-se de territorialidade, mais especificamente o conceito de 
território nacional por extensão!(CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-SC - Auditor Fiscal de Controle Externo - Direito) - 
Aplica-se a lei brasileira ao crime que tenha sido praticado em navio mercante de 
bandeira francesa ancorado no Porto de Itajaí, localizado no estado de Santa Catarina. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - DPE-RO - Analista da Defensoria Pública - Jurídica) - Quanto 
à eficácia espacial da lei penal à luz do princípio da territorialidade, é correto afirmar que 
a lei penal só tem aplicação no Estado que a tenha determinado, independentemente da 
nacionalidade do agente e do bem jurídico tutelado. 
ITEM CORRETO! 
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(CESPE / CEBRASPE - 2021 - TC-DF - Auditor Conselheiro Substituto) - Aplica-se a lei 
penal brasileira a crimes cometidos dentro de aeronave ou embarcação brasileira que 
seja pública ou esteja a serviço do governo, independentemente de onde se encontrem, 
em razão do princípio da bandeira ou da representação. 
ITEM INCORRETO, pois o “princípio da bandeira” é aplicado às aeronaves e embarcações 
privadas, uma vez que nas públicas se aplica o “princípio da territorialidade”! 
(CESPE - 2019 - TJ-DFT - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção) - Crime 
de genocídio praticado fora do território brasileiro poderá ser julgado no Brasil quando 
cometido contra povo alienígena por estrangeiro domiciliado no Brasil. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2018 - PC-MA - Delegado de Polícia Civil) - Nos crimes conexos, não se aplica a 
teoria da ubiquidade, devendo cada crime ser julgado pela legislação penal do país em 
que for cometido. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2011 - DPE-MA - Defensor Público) - Os crimes praticados no estrangeiro, em 
embarcações brasileiras mercantes, ficam sujeitos à lei brasileira, desde que, entre 
outras condições, não sejam julgados no estrangeiro. 
ITEM CORRETO! 
 
4.4.5. PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO 
De acordo com os art. 8º do CP, a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena 
imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando 
idênticas. 
PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO 
ATENUA COMPUTA 
Diversa Idêntica 
 Já nos termos do art. 9º do CP, a sentença estrangeira, quando a aplicação da lei 
brasileira produz na espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil 
nas seguintes situações: 
EFICÁCIA DA SENTENÇA ESTRANGEIRA 
PODE SER HOMOLOGADA PARA: DEPENDE DE: 
• Obrigar o condenado à reparação do dano, a 
restituições e a outros efeitos civis 
• Pedido da parte interessada 
• Sujeitar o condenado à medida de 
segurança 
• Existência de tratado de extradição com o 
país de cuja autoridade judiciária emanou a 
sentença; ou 
• Na falta de tratado, de requisição do 
Ministro da Justiça 
 
4.4.6. CONFLITO APARENTE DE NORMAS 
O conflito de normas penais ocorre quando duas normas aparentam incidir sobre 
o mesmo fato. Como a própria denominação sugere, o conflito existente entre normas 
de Direito Penal é meramente aparente, já que, na verdade, não há conflito algum. 
 
a) Pressupostos 
São necessários três requisitos para a sua configuração: 
 
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b) PRINCÍPIOS 
b.1) Princípio da Consunção 
O crime previsto por uma norma funciona como fase de realização do crime 
previsto por outra. Ele atua no plano concreto e é visto nas situações a seguir: 
CRIME 
PROGRESSIVO 
• “Crime de passagem”; 
• O agente para alcançar resultado mais grave transita, necessariamente, 
por crime menos grave. 
Ex.: para chegar no homicídio, passa-se pela lesão corporal. 
PROGRESSÃO 
CRIMINOSA 
• O agente substitui o dolo, atingindo um mesmo bem jurídico; 
Ex.: agente que, inicialmente, pretende causar apenas lesões corporais na 
vítima e, após consumar tal ato, decide que quer matá-la, a levando a 
óbito. Responde apenas pelo homicídio. 
ANTEFACTUM 
IMPUNÍVEL 
• O crime antecedente está na linha de desdobramento do crime mais 
grave, mas não é, necessariamente, passagem para o crime-fim. 
Ex.: violação de domicílio para cometer furto. 
POSTFACTUM 
IMPUNÍVEL 
• É o exaurimento do crime-fim. 
Ex.: agente que furta um objeto e depois o deteriora. Responde apenas 
pelo furto e não por furto + dano. 
 
b.2) Princípio da Alternatividade 
Terá aplicabilidade diante de crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado 
(plurinucleares), ou seja, aqueles em que o tipo penal prevê mais de uma conduta em 
seus vários núcleos. 
Para alguns autores, o princípio da alternatividade não resolve o conflito aparente 
de normas, uma vez que o conflito ocorre dentro da própria norma. 
Ex.: agente que tem em depósito, expõe à venda e vende drogas. Neste caso, 
mesmo o agente preenchendo vários núcleos, o tipo penal é um só, tratando apenas do 
crime de tráfico de drogas. 
Obs.: o examinador costuma trocar “princípio da alternatividade” por “princípio da 
alteridade”. Como os nomes são parecidos, é uma casca de banana se você estiver 
desatento. De toda forma, essa pegadinha também é corriqueira, então redobre a 
atenção! 
 
b.3) Princípio da Subsidiariedade 
A lei primária (crime mais grave) prevalece sobre a lei subsidiária (crime menos 
grave). A relação é de maior ou menor gravidade e atua no plano concreto, podendo ser 
expressa ou tácita. 
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Ex.: importunação sexual. 
b.4) Princípio da Especialidade 
A lei penal especial preenche o tipo penal em sua integridade, sem se importar se 
o crime especial é punido mais gravemente ou mais brandamente. A relação é de espécie 
e gênero e atua no plano abstrato. 
Ex.: contrabando e tráfico de drogas. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Especialidade: Direito) - O 
princípio da consunção é um princípio de resolução de conflito de leis penais no tempo, 
sem previsão expressa na parte geral do Código Penal brasileiro. 
ITEM INCORRETO, pois o princípio da consunção não resolve o conflito de leis penais no 
tempo, mas diz respeito ao conflito aparente de normas! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - O cotejo se dá entre fatos 
concretos, de modo que o mais completo, o inteiro, prevalece sobre a fração. Não há um 
único fato buscando se abrigar em uma ou outra lei penal caracterizada por notas 
especializantes, mas uma sucessão de fatos, todos penalmente tipificados, na qual o 
mais amplo consome o menos amplo, evitando-se que este seja duplamente punido, 
como parte de um todo e como crime autônomo. Cleber Masson (com adaptações). No 
conflito aparente de normas, o trecho apresentado explica o princípio da consunção. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2003 - DPE-AM - Defensor Público) - Tratando-se de crime 
subsidiário e não se tendo consumado o crime-fim, por motivos alheios à vontade do 
agente (conatus), há de prevalecer o crime em sua ampliação temporal, não se podendo 
cogitar de ressurgimento da norma subsidiária. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2013 - PRF - Policial Rodoviário Federal) - Havendo conflito aparente de 
normas, aplica-se o princípio da subsidiariedade, que incide no caso de a norma 
descrever várias formas de realização da figura típica, bastando a realização de uma 
delas para que se configure o crime. 
ITEM INCORRETO, pois aplica-se o princípio da alternatividade! 
(CESPE - 2013 - DEPEN - Agente Penitenciário) - Considere que Alberto, querendo 
apoderar-se dos bens de Cícero, tenha apontado uma arma de fogo em direção a ele, 
constrangendo-o a entregar-lhe a carteira e o aparelho celular. Nessa situação 
hipotética, da mera comparação entre os tipos descritos como crime de 
constrangimento ilegal e crime de roubo, aplica-se o princípio da especialidade a fim de 
se tipificar a conduta de Alberto. 
ITEM INCORRETO, pois o crime-fim (roubo) absorve o crime-meio (constrangimento 
ilegal), aplicando-se o princípio da consunção! 
 
 
5 – TEORIA DO CRIME5.1. INFRAÇÃO PENAL 
De acordo com a legislação brasileira, a infração penal se divide em duas 
categorias: crime e contravenção penal. 
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Elas são divididas de acordo com a gravidade da conduta, pois enquanto os crimes 
são considerados infrações penais mais graves, as contravenções são aquelas 
classificadas como mais leves. 
Ademais, elas possuem pontos de divergência bem acentuados. Vejamos: 
CRIME CONTRAVENÇÃO 
PENA 
Reclusão ou detenção, quer 
isoladamente, quer alternativa ou 
cumulativamente com a de multa 
Prisão simples ou multa, ou 
ambas, alternativa ou 
cumulativamente 
AÇÃO PENAL Pública ou privada Pública 
PENA MÁXIMA 40 anos 5 anos 
EXTRATERRITO-
RIALIDADE 
É aplicada Não é aplicada 
SURSIS DA PENA 2 a 4 anos ou 4 a 6 anos 1 a 3 anos 
ERRO DE DIREITO Não é aplicado É aplicado 
ELEMENTO SUBJETIVO Dolo ou culpa 
Voluntariedade. 
(revogado tacitamente) 
COMPETÊNCIA Justiça Estadual e Federal 
Justiça Estadual (salvo foro por 
prerrogativa de função federal) 
PRISÃO PREVENTIVA Cabe Não cabe 
POSSIBILIDADE DE 
CONFISCO 
Cabe Não cabe 
Verifica-se a reincidência da seguinte forma: 
 
 
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(CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil) - Considera-se crime a infração penal a 
que a lei comina pena de reclusão, de detenção ou prisão simples, quer isoladamente, 
quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa. 
ITEM INCORRETO, pois considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de 
reclusão ou detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a 
pena de multa! 
(CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil) - A infração penal é gênero que abrange 
como espécies as contravenções penais e os crimes, sendo estes últimos também 
identificados como delitos. 
ITEM CORRETO! 
 
5.2. CONCEITO DE CRIME 
O conceito formal de crime é aquilo que a lei define como infração penal, não 
interessando a ótica da sociedade. Por outro lado, o conceito material de crime não é 
exatamente o que está previsto em lei, mas sim o que a sociedade entende como tal. Já 
o conceito analítico é o conceito científico e doutrinário pelo qual se estuda o direito 
penal. 
O conceito analítico de crime pode ser formado por dois ou três elementos: fato 
típico, antijuridicidade (ou ilicitude) e culpabilidade. Atualmente, no direito penal 
existem duas vertentes em relação ao conceito analítico de crime. 
Há uma parcela da doutrina que entende que o crime é fato típico e ilícito, 
enquanto a culpabilidade não é elemento do crime — trata-se da teoria bipartite de 
crime. Em contrapartida, para a teoria tripartite de crime (adotada pela doutrina 
majoritária), o crime é definido como fato típico, ilícito e culpável. 
Isto posto, para que você visualize melhor onde se encaixam os elementos e as 
suas respectivas excludentes, elaboramos o esqueminha abaixo: 
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5.3. FATO TÍPICO 
5.3.1. TEORIAS DA CONDUTA 
a) Teoria Causalista 
No início do século XIX, surgiu a teoria causalista (ou teoria mecanicista, teoria 
causal naturalista, teoria clássica, teoria naturalista), que foi idealizada por Franz von 
Liszt, Ernst von Beling e Gustav Radbruch. 
Segundo ela, o crime deve ser explicado sob uma ótica científica, natural, sob uma 
relação de causa-efeito, afastando elementos psicológicos para explicar a conduta. 
A conduta, na visão causalista, é mera ação voluntária que produz alteração no 
mundo exterior, sem qualquer finalidade. Trata-se de uma análise objetiva, que não leva 
em consideração o dolo e a culpa do agente. Diz-se que o modelo é avalorado. 
Ademais, as excludentes de ilicitude não são observadas, bastando a 
contrariedade ao sistema jurídico (antijuridicidade). 
No tocante ao dolo e a culpa, eles são apenas analisados no terceiro substrato do 
crime (teoria psicológica da culpabilidade). Logo, para a teoria causalista, o conceito 
analítico de crime é tripartite, visto que para se imputar um crime a alguém, é necessário 
que o dolo ou a culpa sejam analisados. 
Desse modo, encontram-se presentes na culpabilidade: imputabilidade 
(pressuposto) e dolo ou culpa (espécies). 
Por fim, destaca-se que o dolo é normativo, pois além da consciência e da vontade, 
ele também possui em seu interior a consciência atual da ilicitude, exigindo do autor 
conhecimento acerca da norma proibitiva. 
 
 
• Não explica de maneira adequada os crimes omissivos, bem como os delitos 
formais e de mera conduta. 
• Não há como negar a presença de elementos normativos e/ou subjetivos no tipo 
penal. 
• Não há como imaginar a ação humana como um ato de vontade sem finalidade. 
Toda ação humana é dirigida a um fim. 
• Ao fazer a análise do dolo e culpa no momento da culpabilidade, a finalidade do 
agente não é analisada quando da pesquisa da conduta. Portanto, não há como 
distinguir, por exemplo, a lesão corporal da tentativa de homicídio. 
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b) Teoria Neokantista 
Nas primeiras décadas do século XX, surgiu a teoria neokantista (ou teoria causal-
valorativa), que teve como maior expoente Edmund Mezger. Ela possui base causalista, 
mas fundamenta-se numa visão neoclássica, marcada pela superação do positivismo, 
através da introdução da racionalização no método. 
Nessa teoria, a conduta deixa de ser apenas uma ação e passa a ser um 
comportamento voluntário que produz alteração no mundo exterior, englobando 
também a omissão. 
Neste período, teorias que que começaram a reconhecer uma relação entre o fato 
típico e a antijuridicidade surgiram. Consequentemente, a teoria do tipo avalorado ou 
acromático, adotada no modelo causalista, que preconizava a ausência de relação prévia 
entre o fato típico e a antijuridicidade, se esvaiu. 
Ademais, a antijuridicidade passou a ter um aspecto normativo, sendo este a 
danosidade social do fato, ou seja, o fato, além de ser ilícito, precisava ser danoso. 
Já a culpabilidade passou a adotar a teoria normativa ou psicológico-normativa, 
acrescentando-se a ela um terceiro elemento: exigibilidade de conduta diversa. 
 
• É contraditória ao reconhecer elementos subjetivos e normativos no tipo e ao 
continuar considerando dolo e culpa como elementos de culpabilidade. 
• Continua sem explicar os crimes formais e de mera conduta, em razão da 
exigência de produção de alteração no mundo exterior. 
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c) Teoria Finalista 
Em meados do séc. XX, surgiu a teoria finalista (ou final), que foi criada por Hans 
Welzel. Dentre as diversas teorias da conduta criminal, esta é a adotada pelo Código 
Penal brasileiro. 
O dolo e a culpa migraram da culpabilidade para o fato típico, mais 
especificamente para dentro da conduta. Assim, a conduta passou a ser definida como 
comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim. 
O dolo perdeu seu status normativo (dolus malus) e ganhou um status natural 
(dolus bonus). Isto ocorreu, pois o elemento normativo (consciência atual da ilicitude) foi 
retirado do dolo, permanecendo-se apenas a consciência (elemento cognitivo) e a 
vontade (elemento volitivo). 
A consciência da ilicitude transformou-se em um elemento autônomo da 
culpabilidade: potencial consciência da ilicitude. É importante que você perceba que ela 
deixou de ser atual e passou a ser potencial. 
A culpabilidade, composta pela imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e 
potencial consciência da ilicitude (como bem conhecemos e estudamos), perdeu todo o 
caráter psicológico e passou a ficarrestrita a elementos apenas normativos. Por isso, foi 
adotada pelos finalistas a teoria normativa pura da culpabilidade. 
Destaca-se que a culpabilidade, sem os elementos do dolo e da culpa, passou a ser 
denominada culpabilidade vazia. 
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Para a teoria finalista, pode ser adotado tanto o viés bipartite (teoria finalista 
dissidente) como o tripartite de crime, pois aqui o dolo e a culpa não estão mais na 
culpabilidade, mas sim na conduta. Desse modo, a culpabilidade pode ser tanto elemento 
do crime como pressuposto de aplicação da pena. 
Como já exposto, atualmente, em relação à conduta, adota-se a teoria finalista, 
mas em relação a culpabilidade não é adotada a teoria normativa pura, mas sim a teoria 
limitada da culpabilidade (que será revisada mais à frente). Ambas possuem os mesmos 
elementos, porém divergem no tratamento dado às descriminantes putativas. 
 
 
• A finalidade não explica os crimes culposos, pois a teoria focalizou no desvalor da 
conduta, ignorando o desvalor do resultado. 
Visando solucionar esse problema e compatibilizar a teoria final aos crimes 
culposos, Welzel criou a teoria cibernética. Para ele, a conduta seria a ação 
biociberneticamente antecipada, levando em conta o controle da vontade, presente 
tanto nos crimes dolosos como culposos. 
 
d) Teoria Social da Ação 
Para a teoria social da ação, desenvolvida por Johannes Wessels, entende-se como 
conduta o comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim 
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socialmente reprovável. Portanto, a reprovabilidade social passa a integrar o conceito de 
conduta, como elemento implícito do tipo penal. 
Além disso, o dolo e a culpa, mesmo integrando o fato típico, seriam analisados 
novamente quando em juízo de culpabilidade. 
 
e) Teorias Funcionalistas 
Como já explicado no tópico 1.1 do material, as duas principais correntes 
funcionalistas são: o funcionalismo teleológico e funcionalismo radical. 
 
e.1) Funcionalismo Teleológico 
O funcionalismo teleológico (ou dualista, moderado ou de política criminal) de 
Roxin parte da premissa que a função do direito penal é a proteção dos bens jurídicos. 
Esta corrente rompe conceitualmente com o finalismo, pois visa superar as suas 
concepções meramente ontológicas, reconstruindo a teoria do delito com enfoque em 
critérios políticos criminais. 
Portanto, a conduta seria um comportamento humano voluntário, causador de 
relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado pela norma 
penal. 
Estruturalmente, o crime seria composto dos seguintes substratos: fato típico, 
antijuridicidade e responsabilidade. A culpabilidade figuraria apenas como limite 
funcional da pena. 
Sendo assim, Roxin propôs um novo elemento na composição da responsabilidade: 
imputabilidade, potencial consciência da ilicitude, exigibilidade de conduta diversa e 
necessidade da pena. 
 
e.2) Funcionalismo Radical 
O funcionalismo radical (ou sistêmico ou monista) de Jakobs parte da premissa 
que a função do direito penal é assegurar a vigência do sistema, procurando, sobretudo, 
garantir o império da norma. 
Portanto, a conduta seria um comportamento humano voluntário causador de um 
resultado evitável e violador do sistema, que termina por frustrar as expectativas 
normativas. 
Jakobs realoca a culpabilidade no terceiro substrato do crime, de tal forma que os 
seus elementos continuariam sendo a imputabilidade, potencial consciência da ilicitude 
e exigibilidade de conduta diversa. 
Ressalta-se que as premissas sobre as quais se fundam o funcionalismo radical 
deram ensejo ao “Direito Penal do Inimigo”, que se volta para os transgressores da norma 
garantida pelo “Direito Penal do Cidadão”. 
Para Jakobs, estes indivíduos, que perderam o status de cidadão e ganharam o de 
inimigo, não deveriam ter acesso às mesmas garantias, remédios e benefícios concedidos 
pelo Direito Penal àqueles considerados cidadãos, pois se inserem em categoria de 
inimigos da própria humanidade em si. 
Inúmeras são as críticas feitas a este modelo, visto que caso ele fosse 
implementado no nosso ordenamento jurídico, o Estado estaria longe de atender aos 
ditames constitucionais. 
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f) Teoria da Ação Significativa 
Para a teoria da ação significativa, elaborada por Vives Antón, entende-se que 
mais importante do que descrever a ação, é compreendê-la. Sendo assim, a ação 
significativa pede um significado da conduta, para conexão com a norma prévia. 
Ademais, para esta teoria, a ação só existe em razão da norma. Sem a norma 
previamente estabelecida não haveria, portanto, significado para a ação. Logo, se há o 
ato de “matar” é porque a norma, antes, estabeleceu a definição do que seria homicídio. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor de Justiça Substituto) - De acordo com 
o modelo finalista de ação, esta consiste na conduta dirigida a um fim ou objetivo, o que 
permite segmentar a conduta em objetiva e subjetiva, contudo, seu elemento essencial 
não é o objetivo do sujeito, mas a dirigibilidade dos meios causais usados a fim de atingir 
o objetivo. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor de Justiça Substituto) - De acordo com 
o modelo causal de ação, esta consiste no movimento corpóreo que produz modificação 
no mundo exterior, o que permite diferenciar crimes comissivos e omissivos, bem como 
crimes materiais, formais e de mera conduta. 
ITEM INCORRETO, pois o modelo causal de ação define conduta como o movimento 
corpóreo voluntário que gera alteração no mundo exterior perceptível pelos sentidos. 
Portanto, não abrange os crimes omissivos próprios (mero não fazer), nem os crimes 
formais (dispensa concretização do resultado) ou de mera conduta (não possuem 
resultado). 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - A consciência 
atual da ilicitude é elemento do dolo, conforme a teoria finalista da ação. 
ITEM INCORRETO, pois a consciência atual da ilicitude é elemento da culpabilidade, 
conforme a teoria finalista da ação. 
(CESPE / CEBRASPE - 2013 - Polícia Federal - Delegado de Polícia) - Segundo a teoria 
causal, o dolo causalista é conhecido como dolo normativo, pelo fato de existir, nesse 
dolo, juntamente com os elementos volitivos e cognitivos, considerados psicológicos, 
elemento de natureza normativa (real ou potencial consciência sobre a ilicitude do fato). 
ITEM CORRETO! 
 
5.3.2. FORMAS DE CONDUTA 
Impõe-se a analisar a voluntariedade (dolo, culpa ou mesmo preterdoloso) e o 
modo de execução do delito (comissivo ou omissivo). 
 
5.3.2.1. DO CRIME DOLOSO 
Diz-se o crime doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de 
produzi-lo (art. 18, I, do CP). São elementos do dolo, portanto, a consciência (elemento 
intelectivo – é a consciência da conduta e do resultado) e a vontade (elemento volitivo – 
é a vontade de praticar a conduta descrita na norma). 
 
 
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As teorias do dolo são as seguintes: 
TEORIAS DO DOLO 
TEORIA DA VONTADE 
Dolo é a vontade consciente de querer praticar a infração penal. É a 
teoria adotada para o dolo direto (“quis o resultado” – art. 18, I, do CP). 
TEORIA DA 
REPRESENTAÇÃO 
A configuração do dolo exige apenas a previsão do resultado, pouco 
importando se o agente quis o resultado ou assumiu o risco de 
produzi-lo. Essa teoria é afastada, pois confunde o dolo com a culpa 
consciente. 
TEORIA DO 
CONSENTIMENTO 
(OU ASSENTIMENTO) 
Fala-se em dolo sempre que o agente tem a previsão do resultado 
como possível e, ainda assim, decide prosseguir com a conduta, 
assumindo o risco de produzir o evento. É a teoria adotada para o dolo 
eventual (“assumiu o riscode produzi-lo” – art. 18, I, do CP). 
 Abaixo estão elencadas as principais espécies de dolo: 
DOLO NORMATIVO OU HÍBRIDO DOLO NATURAL OU NEUTRO 
É o dolo do sistema clássico e neokantista 
que aloja em seu interior a consciência, a 
vontade e a consciência atual da ilicitude. 
Também chamado de dolo colorido ou 
valorado. 
É o dolo do sistema finalista que aloja em seu 
interior apenas a consciência e a vontade. 
Também chamado de dolo incolor ou 
avalorado. 
DOLO DIRETO DOLO INDIRETO 
É aquele em que o agente prevê um resultado 
certo e específico, dirigindo sua conduta para 
a produção deste. 
É aquele em que o agente não busca um 
resultado certo e específico. Divide-se em: 
ALTERNATIVO EVENTUAL 
O agente prevê vários 
resultados e dirige 
sua conduta para 
perfazer qualquer 
um deles. 
O agente prevê 
determinado 
resultado e, mesmo 
não o querendo, 
assume o risco de 
produzi-lo. 
DOLO CUMULATIVO DOLO GERAL (ERRO SUCESSIVO) 
É aquele em que o agente pretende, 
inicialmente, alcançar apenas um resultado, 
e, ao realizá-lo, passa a agir para provocar 
outro. Caso de progressão criminosa. 
É aquele em que o agente, achando já ter 
alcançado o resultado pretendido, pratica 
nova ação que efetivamente o provoca. Caso 
de aberratio causae ou erro sobre a relação 
de causalidade. 
DOLO GLOBAL OU UNITÁRIO DOLO ABANDONADO 
É aquele em que o agente atua num plano 
previamente elaborado que envolve toda a 
cadeia de crimes. Caso de continuidade 
delitiva. 
É aquele em que o agente desiste de 
prosseguir na execução de determinada 
conduta delituosa ou atua para impedir que 
o resultado se concretize. Caso de 
desistência voluntária e arrependimento 
eficaz. 
DOLO DE PROPÓSITO OU REFLETIDO DOLO DE ÍMPETO OU REPENTINO 
É aquele em que o agente reflete sobre a 
prática criminosa. Caso de crimes 
premeditados. 
É aquele em que o agente age 
repentinamente, sem intervalo entre a fase 
de cogitação e execução do crime. Pode 
corresponder a uma privilegiadora (art. 121, 
§ 1º, CP) ou atenuante (art. 65, III, “c”, CP). 
DOLO DE 1º GRAU DOLO DE 2º GRAU DOLO DE 3º GRAU 
É aquele em que o agente, 
com consciência e vontade, 
persegue determinado 
resultado. É o dolo direto. 
É aquele em que o agente 
sabe que, para atingir 
resultado previamente 
pretendido, acabará 
atingindo outros resultados 
delimitados. É o dolo de 
consequências necessárias. 
É a consequência da 
consequência necessária. 
Causa debates na doutrina. 
Lembrar do exemplo da 
passageira gestante no avião 
em que se explode uma 
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bomba. O aborto seria o dolo 
de 3° grau. 
DOLO ANTECEDENTE, INICIAL 
OU PREORDENADO 
DOLO CONCOMITANTE OU 
ATUAL 
DOLO SUBSEQUENTE 
É aquele anterior a conduta e 
que, por ser mera cogitação, 
não interessa ao Direito 
Penal. Por força da teoria da 
actio libera in causa, 
excepcionalmente, será 
considerado para a 
tipificação de determinadas 
condutas. 
É o dolo existente no 
momento da ação ou 
omissão, sendo o que 
interessa ao Direito Penal. 
É posterior ao crime, sendo 
indiferente a repressão 
penal. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor de Justiça Substituto) - Túlio, um 
conhecido chefe de organização criminosa, plantou uma bomba no automóvel que 
transportava o presidente da empresa Beta (alvo da ação delituosa) bem como um 
motorista e um segurança. Túlio detonou o artefato a distância, durante o deslocamento 
do veículo em via pública, o que resultou na morte de todos os seus ocupantes. Nessa 
situação hipotética, em relação à morte do segurança, Túlio agiu com dolo direto de 
segundo grau. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2018 - STJ - Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador Federal) - Em 
relação ao crime doloso, o Código Penal adota a teoria da vontade para o dolo direto e a 
teoria do assentimento para o dolo eventual. 
ITEM CORRETO! 
 
5.3.2.2. CRIME CULPOSO 
Diz-se o crime culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, 
negligência ou imperícia (art. 18, II, do CP). Os elementos do crime culposo são os 
seguintes: 1) Conduta humana voluntária; 2) Violação de um dever de cuidado objetivo; 
3) Resultado naturalístico involuntário; 4) Nexo entre conduta e resultado; 5) 
Previsibilidade objetiva; 6) Tipicidade. 
Não confunda os conceitos a seguir: 
CONSCIÊNCIA VONTADE 
DOLO DIRETO Prevê Quer 
DOLO EVENTUAL Prevê Assume o risco (dane-se) 
CULPA CONSCIENTE Prevê 
Acredita poder evitar (danou-
se) 
CULPA INCONSCIENTE Não prevê (com previsibilidade) 
Não quer/não aceita o 
resultado 
 
5.3.2.3. CRIME PRETERDOLOSO 
Há uma figura criminosa híbrida que engloba o concurso de dolo e culpa no mesmo 
fato (ex.: lesão corporal seguida de morte). Da conduta dolosa, advém resultado culposo 
mais grave do que o projetado. 
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Os elementos do crime preterdoloso são os seguintes: 1) Conduta dolosa visando 
determinado resultado; 2) Provocação de resultado culposo mais grave que o desejado; 
3) Nexo causal entre conduta e resultado; 4) Tipicidade. 
5.3.2.4. ERRO DE TIPO 
Erro de tipo é a falsa percepção da realidade acerca dos elementos constitutivos 
do tipo penal, dividindo-se em erro de tipo essencial e acidental. 
ERRO DE TIPO 
ESSENCIAL ACIDENTAL 
• Incide sobre os dados principais do tipo 
penal, ou seja, sobre as suas elementares ou 
circunstâncias; 
• Está previsto no art. 20, caput, CP; 
• A (in)evitabilidade do erro é auferida através 
da figura do “homem médio” – corrente 
tradicional; 
• Divide-se em: inevitável e evitável. 
• Incide sobre os dados secundários do tipo 
penal, ou seja, sobre os seus dados 
periféricos; 
• Alguns institutos estão previstos no CP, já 
outros são construções doutrinárias; 
• Divide-se em: erro sobre o objeto, sobre a 
pessoa, na execução, sobre o nexo causal e 
resultado diverso do pretendido. 
INEVITÁVEL EVITÁVEL 
ERRO SOBRE O 
OBJETO 
ERRO SOBRE A 
PESSOA 
• Também chamado 
de “justificável, 
escusável ou 
invencível”; 
• Exclui o dolo (não há 
consciência) e a culpa 
(não há 
previsibilidade). 
 
#BIZU: escusável = 
desculpável, logo seria 
inevitável. 
• Também chamado 
de “injustificável, 
inescusável ou 
vencível”; 
• Exclui o dolo (não há 
consciência), mas 
pune a culpa (se 
prevista como crime). 
 
#BIZU: inescusável = 
indesculpável, logo 
seria evitável. 
• Error in objecto; 
• Não tem previsão 
legal; 
• Não exclui o dolo e 
nem a culpa; 
• Considera-se o 
objeto material 
efetivamente 
atingido. 
• Error in persona; 
• Está previsto no art. 
20 § 3º, CP; 
• Não exclui o dolo e 
nem a culpa; 
• Considera-se a 
vítima virtual e não a 
real – “Teoria da 
Equivalência”. 
ERRO NA EXECUÇÃO 
• Aberratio ictus; 
• Está previsto no art. 73, CP; 
• O agente não confunde a vítima que 
pretende atingir, mas erra na execução do 
crime; 
• 02 consequências: 
• Resultado único: considera-se as 
qualidades da vítima desejada; 
• Resultado duplo ou unidade 
complexa: será punido pelos dois 
crimes em concurso formal (idênticos 
ou não – será aplicada a pena mais 
grave; iguais – somente uma delas + 
1/6 até 1/2) 
ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL 
• Aberratio cause; 
• Não tem previsão legal; 
• Pune-se o agente por um só crime (princípio 
unitário), sendo este o desejado desde o 
início. • Considera-se o nexo ocorrido e não o 
pretendido – “Teoria da Concretização”; 
• 02 espécies: 
• Sentido estrito: um ato → o 
resultado visado é provocado → o 
nexo de causalidade é outro; 
• Dolo geral ou Aberratio causae: 
pluralidade de atos → o resultado 
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visado é provocado → o nexo de 
causalidade é outro. 
RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO 
• Aberratio criminis ou aberratio delicti; 
• Está previsto no art. 74, CP; 
• A lesão é provocada em um bem jurídico 
diverso (coisax pessoa); 
• Pune-se o agente pelo resultado diverso do 
pretendido, mas a título de culpa – se houver 
previsão legal. 
Vale destacar que o STJ já decidiu que o erro de tipo é matéria de direito penal, 
sem previsão do Código de Processo Penal e, portanto, sem interferência na 
competência para processo e julgamento. Desse modo, a competência é determinada 
pela vítima efetiva (real) e não pela vítima pretendida 
 
• Suposto erro sobre a pessoa ou mesmo erro na execução do delito não têm o condão 
de alterar a competência para a prestação jurisdicional. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 
560.391/DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 4/08/2020. 
 
5.3.2.5. CRIME COMISSIVO E OMISSIVO 
O crime comissivo é a realização (ação) de uma conduta desvaliosa proibida pelo 
tipo penal incriminador; viola-se um tipo proibitivo. Já o crime omissivo é a não 
realização (não fazer) de determinada conduta valiosa (comportamento ideal) a que o 
agente estava juridicamente obrigado e que lhe era possível concretizar; viola-se um tipo 
mandamental. 
Neste tópico, é imprescindível que você saiba diferenciar os crimes omissivos 
próprios dos impróprios. 
OMISSIVOS PRÓPRIOS 
OMISSIVOS IMPRÓPRIOS 
(COMISSIVOS POR OMISSÃO) 
TIPO PENAL Descreve uma conduta omissiva Descreve uma conduta comissiva 
QUEM PRATICA 
Há um dever genérico de agir, que 
atinge a todos indistintamente 
Há um dever específico de agir, que 
atinge o garantidor, sendo este 
quem: a) tenha por lei obrigação de 
cuidado, proteção ou vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a 
responsabilidade de impedir o 
resultado; c) com seu 
comportamento anterior, criou o 
risco da ocorrência do resultado. 
TENTATIVA Não admite Admite 
ELEMENTO 
SUBJETIVO 
Dolosos Dolosos e culposos 
CLASSIFICAÇÃO De mera conduta 
Materiais, exigindo-se resultado 
naturalístico 
 
 
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• A irmã de vítima do crime de estupro de vulnerável responde por conduta omissiva 
imprópria se assume o papel de garantidora. STJ. 5ª Turma. HC 603195-PR, Rel. Min. 
Ribeiro Dantas, julgado em 06/10/2020 (Info 681) 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia) - Lucas, com 15 anos de idade, 
conheceu Lívia, com 13 anos de idade, na escola onde estudavam. Com o tempo, ambos 
se apaixonaram e começaram a namorar. Após terem a primeira relação sexual, Lívia 
comunicou o fato aos seus pais, os quais, por gostarem de Lucas, convidaram-no a morar 
junto com Lívia, na casa da família. Lucas, ainda com 15 anos de idade, aceitou 
prontamente o convite e imediatamente passou a conviver com Lívia, que ainda tinha 13 
anos de idade, como marido e mulher, na casa dos pais dela, mantendo, continuamente, 
relação sexual consentida por Lívia e com a ciência dos pais desta. Considerando essa 
situação hipotética e o conceito tripartite de crime, assinale a opção correta. Apenas os 
pais de Lívia responderão por crime de estupro de vulnerável, na forma da omissão 
imprópria, por serem autores mediatos do delito. 
ITEM CORRETO! 
 
5.3.3. NEXO CAUSAL 
O nexo causal é o vínculo entre a conduta praticada por um sujeito e o resultado 
dessa conduta. Com o intuito de se imputar a devida responsabilidade criminosa, ele 
passou por diferentes teorias para organizar e definir como deveriam ser avaliadas as 
condutas dos agentes envolvidos em um resultado específico. 
O art. 13, caput, do CP, adota a teoria da equivalência dos antecedentes causais 
(da equivalência das condições, da condição simples, da condição generalizadora ou da 
conditio sine qua non), que preconiza que é causa todo fato sem o qual não teria ocorrido 
o resultado. 
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável 
a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o 
resultado não teria ocorrido. 
Tendo em vista que ao anteceder um resultado temos inúmeros fatos, para 
delimitar quais são considerados causa, soma-se à teoria da conditio sine qua non a 
teoria da eliminação hipotética dos antecedentes causais, de Thyrén. Para esta teoria, 
causa é todo fato que, suprimido mentalmente, faria com que o resultado não ocorresse. 
A junção de ambas as teorias resulta na chamada causalidade objetiva ou efetiva 
do resultado, sendo esta alvo de críticas e objeções. Isto acontece, pois a causalidade 
objetiva trata de mera relação de causa e efeito, que leva ao regresso ao infinito. 
Acontece que, para que o regresso ao infinito seja evitado, é necessário que o 
aplicador também analise a causalidade subjetiva (psíquica), indagando-se se o agente 
agiu com dolo ou culpa. Portanto, a causalidade objetiva não é suficiente para se chega 
à imputação da conduta delituosa. 
Esse assunto ganha mais destaque quando tratamos das concausas: 
 
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CONCAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES 
• A causa que produz o resultado não se origina da conduta concorrente do agente. 
• Adotam a “Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais ou Conditio Sine Qua Non”. 
• As concausas rompem o nexo causal. 
• O agente só responde pelos atos praticados. 
• Dividem-se em: 
PREEXISTENTES 
• A causa efetiva antecede o comportamento concorrente. 
• Exemplo: “A" envenena "B", que uma hora depois leva um tiro de “C”. “B” 
é socorrido, mas morre em razão do envenenamento. “A” responde pelo 
homicídio consumado e “C” pela tentativa de homicídio. 
CONCOMITANTES 
• A causa efetiva é simultânea ao comportamento concorrente. 
• Exemplo: “A" envenena "B", que na mesma hora leva um tiro de “C”, 
vindo a morrer. “A” responde pela tentativa de homicídio e “C” homicídio 
consumado. 
SUPERVENIENTES 
• A causa efetiva é posterior ao comportamento concorrente. 
• Exemplo: “A" envenena "B", que logo após ingerir o veneno e antes dele 
fazer efeito, vem a sofrer traumatismo craniano em detrimento de um 
lustre que caiu em cima da sua cabeça, vindo a morrer. “A” responde pela 
tentativa de homicídio. 
Perceba que, em todos os exemplos acima, a morte de “B” ocorreria 
independentemente da conduta de “A” e “C”. 
CONCAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES 
• A causa que produz o resultado se origina, ainda que indiretamente, da conduta concorrente 
do agente. 
• Em regra, adotam a “Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais ou Conditio Sine Qua 
Non”, as concausas não rompem o nexo causal e o agente responde pelo resultado consumado. 
• Excepcionalmente, no caso das “concausas supervenientes relativamente independentes que 
por si só produzem o resultado”, adota-se a “Teoria da Causalidade Adequada”, as concausas 
rompem o nexo causal e o agente responde pelos atos praticados. 
• Dividem-se em: 
PREEXISTENTES 
• A causa efetiva antecede o comportamento concorrente. 
• Exemplo: “A”, com ânimo homicida, dá um golpe de faca em “B”. O 
ferimento, isoladamente, não mataria “B”. Entretanto, ele era portador 
de hemofilia e, devido a dificuldade de estancar o sangue dos seus 
ferimentos, “B” acaba morrendo. “A” responde por homicídio 
consumado. 
CONCOMITANTES 
• A causa efetiva é simultânea ao comportamento concorrente. 
• Exemplo: “A”, com ânimo homicida, dispara contra “B”, mas não o 
atinge. Entretanto, devido o susto, “B” tem um ataque cardíaco e morre. 
“A” responde por homicídio consumado. 
SUPERVENIENTES 
• A causa efetiva é posterior ao comportamento concorrente. 
• Dividem-se em: 
QUE POR SI SÓ 
NÃO PRODUZ 
O RESULTADO 
• A causa efetiva está na mesma linha de 
desdobramento da causa concorrente - o evento é 
previsível, mesmo que não previsto. 
• Exemplo: “A”, com ânimo homicida, dispara contra “B”, 
atingindo-o. No hospital, “B” morre em decorrência de 
erro médico. “A” responde por homicídio consumado. 
QUE POR SI SÓ 
PRODUZ O 
RESULTADO 
• A causa efetiva é imprevisível, não estando na mesma 
linha de desdobramento da causa concorrente. 
• Exemplo: “A”, com ânimo homicida, dispara contra“B”, 
atingindo-o. Durante o trajeto para o hospital, “B” 
morre em decorrência de acidente de trânsito que 
atinge a ambulância que o transportava. “A” responde 
pela tentativa de homicídio. 
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Perceba que, em todos os exemplos acima (com exceção da concausa 
relativamente independente superveniente que por si só produz o resultado), a morte de 
“B” não ocorreria se fossem eliminadas as condutas de “A”. 
O art. 13, § 1º, do CP, adota a teoria da causalidade adequada (ou teoria da 
condição qualificada ou individualizadora), idealizada por Von Kries. Para ela, causa é a 
conduta adequada à produção do resultado. Ou seja, não basta a indispensabilidade do 
comportamento do agente para o desdobramento do crime (como na conditio sine qua 
non), ele precisa ser adequado. Aplica-se um juízo de probabilidade. 
Art. 13, § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a 
imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, 
entretanto, imputam-se a quem os praticou. 
 
• A existência de doença cardíaca de que padecia a vítima configura-se como concausa 
preexistente relativamente independente, não sendo possível afastar o resultado mais 
grave (morte) e, por consequência, a imputação de latrocínio. STJ. 6ª Turma. HC 704.718-
SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/5/2023 (Info 777). 
 
a) Teoria da Imputação Objetiva 
A teoria da imputação objetiva, criada por Karl Larenz, em 1927, e desenvolvida 
por Claus Roxin, em 1970, propõe evitar o regresso ao infinito gerado pela teoria da 
equivalência dos antecedentes causais e aprimorar a teoria da causalidade adequada. 
Ressalta-se que esta teoria trata de uma análise do nexo causal, sem que seja 
necessário fazer a análise do dolo ou culpa, e nada tem a ver com a responsabilidade 
penal objetiva. 
Para tanto, a imputação objetiva determina que seja considerado, no momento de 
atribuição do resultado, além do nexo físico (causa-efeito), o nexo normativo. Assim, 
dentro da imputação objetiva, só haverá relação e causalidade, se presentes: 
• A criação ou aumento de um risco: 
Não haverá nexo causal quando: 1) o risco criado é juridicamente irrelevante; 2) 
quando há a diminuição do risco. 
• Risco proibido pelo direito: 
Não haverá nexo causal quando: 1) O risco for permitido; 2) Houver a adequação 
social da conduta; 3) Criação do risco pela própria vítima; 4) Proibição de regresso – ação 
não dolosa anterior a uma ação dolosa. 
• O risco deve ser realizado no resultado: 
Não haverá nexo causal quando: 1) O resultado decorrer de danos tardios; 2) Danos 
resultantes de choque; 3) Ações perigosas de salvamento; 4) Comportamento indevido 
posterior de terceiro; 5) Inevitabilidade do resultado, ainda que o agente tenha criado 
um risco proibido. 
• Âmbito de proteção da norma: 
Não haverá nexo causal quando: 1) O terceiro contribui para uma autocolocação 
em perigo – refere-se ao princípio da autorresponsabilidade e autonomia de pessoas 
capazes e com discernimento; 2) Houver uma heterocolocação em perigo – refere-se à 
pessoa que permite que outros a coloquem em risco, com consciência do risco. 
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AUTOCOLOCAÇÃO EM PERIGO HETEROCOLOCAÇÃO EM PERIGO 
É a situação em que a própria vítima, de 
forma consciente e voluntária, se coloca em 
perigo, embora tenha havido a colaboração 
do agente criador de um risco proibido que 
se realizou no resultado. 
Ex.: A entrega a B heroína, para consumo, 
estando ambos conscientes do perigo 
existente, B injeta a substância e falece. 
É a situação em que o sujeito não se coloca 
dolosamente em perigo, mas se deixa colocar 
em perigo por outrem, tendo consciência do 
risco. 
Ex.: o passageiro, que deseja chegar a tempo 
em um compromisso, ordena ao condutor que 
ultrapasse a velocidade máxima permitida. Em 
virtude da velocidade elevada, acontece um 
acidente, no qual o passageiro vem a falecer. 
A análise do nexo normativo antecede a análise de dolo ou culpa, verificando se o 
resultado previsto na parte objetiva do tipo pode ou não ser atribuído ao agente. 
Portanto, enquanto para a teoria da equivalência dos antecedentes causais, a mãe 
do homicida seria causa, pois sem ela o homicida não teria sido gerado, somente não 
respondendo pelo resultado pela ausência de dolo e culpa, para a teoria da imputação 
objetiva, apesar de existir nexo físico, a conduta da mãe não tem nexo normativo, ou seja, 
sequer é causa, dispensando-se a análise do dolo e da culpa. 
Desse modo, para haver a responsabilização penal na teoria da imputação 
objetiva, devem ser examinadas três etapas: equivalência dos antecedentes → 
imputação objetiva → dolo ou culpa. 
 
b) Causalidade nos crimes omissivos 
Não se fala em nexo causalidade em crime omissivos, mas somente em crimes 
comissivos dos quais resultem modificação no mundo exterior, já que o que determina a 
ligação entre a conduta omissiva do agente e o resultado lesivo é o nexo normativo 
(estabelecido pela lei). 
De toda forma, a causalidade (também normativa) nos crimes omissivos 
impróprios possui outro viés. Por mais que estejamos diante de um crime de resultado 
material que, consequentemente, exige um nexo entre a ação omitida e o resultado, este 
nexo não é naturalístico (a omissão não causou o resultado). 
Na visão da doutrina, o que existe na omissão imprópria é o chamado nexo de 
evitação, pois o agente, ao se abster de agir quando deveria e poderia fazê-lo, permite a 
ocorrência do resultado, por mais que não o tenha causado diretamente. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-SC - Titular de Serviços de Notas e de Registros - 
Remoção) - A teoria da imputação objetiva surgiu com a finalidade de substituir a teoria 
da equivalência dos antecedentes causais. 
ITEM INCORRETO, pois a teoria da imputação objetiva não foi desenvolvida para 
substituir a teoria da equivalência dos antecedentes causais, mas sim para restringir o 
seu alcance! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-SC - Titular de Serviços de Notas e de Registros - 
Remoção) - Conforme a teoria da imputação objetiva, afasta-se a tipicidade objetiva da 
conduta nos casos em que a vítima coloca si mesma em risco. 
ITEM CORRETO! 
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(CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) - A superveniência de causa relativamente 
independente da conduta do agente excluirá a imputação do resultado nos casos em que, 
por si só, ela tiver produzido o resultado. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2019 - TJ-DFT - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção) - A 
teoria da imputação objetiva prevê que não haverá nexo de causalidade se o agente atuar 
dentro do risco permitido, mesmo que a sua conduta gere resultado previsto em lei como 
crime. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2016 - TCE-PR - Analista de Controle – Jurídica) - As causas 
concomitantes absolutamente independentes não possuem relação de causalidade com 
a conduta do sujeito e excluem o nexo causal. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) - Para os crimes omissivos impróprios, o 
estudo do nexo causal é relevante, porquanto o CP adotou a teoria naturalística da 
omissão, ao equiparar a inação do agente garantidor a uma ação. 
ITEM INCORRETO, pois a teoria da omissão adotada pelo CP foi a normativa e não a 
naturalística! 
(CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) - Segundo a teoria da imputação objetiva, 
cuja finalidade é limitar a responsabilidade penal, o resultado não pode ser atribuído à 
conduta do agente quando o seu agir decorre da prática de um risco permitido ou de 
uma conduta que diminua o risco proibido. 
ITEM CORRETO! 
 
5.3.4. TIPICIDADE 
Para a doutrina moderna, a tipicidade penal engloba a tipicidade formal e 
material: 
 
 
a) Tipicidade Conglobante 
Desenvolvida por Eugenio Raúl Zaffaroni,a teoria da tipicidade conglobante tem 
como finalidade harmonizar os diversos ramos do Direito, partindo-se da premissa de 
unidade do ordenamento jurídico. 
Assim, é importante analisar não apenas se a conduta é contrária à norma 
(tipicidade formal) e se há efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico penalmente 
tutelado (tipicidade material), mas também se a conduta viola todo o sistema normativo 
(antinormatividade). 
 
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A consequência dessa teoria é a transferência do estrito cumprimento de um 
dever legal e do exercício regular de direito da ilicitude para a tipicidade, pois são figuras 
incentivadas pelo direito, inexistindo contrariedade à ordem normativa. Desse modo, há 
um esvaziamento do elemento ilicitude, que passa a constar apenas a legítima defesa e 
o estado de necessidade. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - DPE-DF - Analista de Apoio à Assistência Judiciária - Direito) 
- Pela teoria da tipicidade conglobante, a existência de estado de necessidade putativo 
afasta a tipicidade da conduta. 
ITEM INCORRETO, pois para teoria da tipicidade conglobante, o exercício regular do 
direito e o estrito cumprimento do dever legal deixam de ser excludentes de ilicitude e 
passam a ser excludentes de tipicidade. Já a legítima defesa e o estado de necessidade 
continuam funcionando como excludentes de ilicitude. 
(CESPE - 2009 - DPE-AL - Defensor Público) - Segundo a teoria da tipicidade 
conglobante, o ordenamento jurídico deve ser considerado como um bloco monolítico, 
de forma que, quando algum ramo do direito permitir a prática de uma conduta 
formalmente típica, o fato será considerado atípico. 
ITEM CORRETO! 
 
5.4. ILICITUDE 
É o segundo substrato do conceito analítico de crime. Conceitua-se como a 
conduta típica não justificada, espelhando a relação de contrariedade entre o fato típico 
e o ordenamento jurídico como um todo. 
 
5.4.1. RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE 
a) Teoria da autonomia ou absoluta independência 
Defendida por Ernst Ludwig von Beling, para esta teoria a tipicidade não tem 
qualquer relação com a ilicitude, tratando-se de substratos independentes na análise do 
conceito analítico de crime. Portanto, quando excluída a antijuridicidade, o fato continua 
típico. Há uma independência absoluta entre os dois substratos do crime. 
 
b) Teoria da indiciariedade ou “ratio cognoscendi” 
Defendida por Mayer, para esta teoria a existência do fato típico gera uma 
presunção (relativa) que o fato também é ilícito. Portanto, mesmo o fato típico 
despertando indícios de ilicitude, quando excluída a antijuridicidade, o fato continua 
típico. Há uma dependência relativa entre os dois substratos do crime. 
É a adotada no Brasil! 
 
c) Teoria da absoluta dependência ou “ratio essendi” 
Defendida por Mezger, para esta teoria a ilicitude é a essência da tipicidade, 
criando-se o conceito de “tipo total do injusto”. Portanto, quando excluída a ilicitude, o 
fato típico também é excluído. Há uma dependência absoluta entre os dois substratos 
do crime. 
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d) Teoria dos elementos negativos do tipo 
Defendida por Merkel, para esta teoria o tipo penal é composto de elementos 
positivos (expressos) e negativos (implícitos), sendo estes as causas excludentes de 
ilicitude. Portanto, para que o fato seja típico, os elementos negativos (excludentes de 
ilicitude) não podem existir. Há uma dependência absoluta entre os dois substratos do 
crime. 
 
5.4.2. CAUSAS EXCLUDENTES DA ILICITUDE 
Tendo em vista que a presunção de ilicitude é relativa, ela não possui elementos, 
mas apenas excludentes. Elas estão previstas no art. 23 do CP: 
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. 
 
a) Estado de necessidade 
O estado de necessidade está previsto no art. 24 do CP: 
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar 
de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo 
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era 
razoável exigir-se. 
 § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de 
enfrentar o perigo. 
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena 
poderá ser reduzida de um a dois terços. 
 
Obs.: perceba que o perigo no “estado de necessidade”, ao contrário da “legítima defesa”, 
é apenas atual, não abarcando o iminente. Isso costuma ser pegadinha de prova! 
Cuidado! 
Portanto, os requisitos do estado de necessidade são os seguintes: 
 
 
 
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ESTADO DE NECESSIDADE PRÓPRIO ESTADO DE NECESSIDADE DE TERCEIRO 
Busca salvar direito próprio Busca salvar direito alheio 
 
ESTADO DE NECESSIDADE DEFENSIVO ESTADO DE NECESSIDADE AGRESSIVO 
Quando bem jurídico sacrificado é do próprio 
causador do perigo 
Quando o bem jurídico sacrificado é de 
terceiro inocente (que não criou ou 
participou da situação de perigo) 
Duas teorias discutem a análise da ponderação de bens, sendo estas: 
TEORIA UNITÁRIA TEORIA DIFERENCIADORA 
• O bem jurídico sacrificado tem valor menor 
ou igual ao salvaguardado: haverá estado de 
necessidade justificante (excludente de 
ilicitude); 
• O bem jurídico sacrificado tem valor maior 
que o bem protegido: haverá redução de pena 
(art. 24, § 2º, CP). 
É a adotada no CP! 
• O bem jurídico sacrificado tem valor menor 
ou igual ao salvaguardado: haverá estado de 
necessidade justificante (excludente de 
ilicitude); 
• O bem sacrificado tem valor maior que o 
bem protegido: haverá estado de necessidade 
exculpante (excludente da culpabilidade pela 
inexigibilidade de conduta diversa) 
 
b) Legítima defesa 
A legítima defesa está prevista no art. 25 do CP: 
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos 
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de 
outrem. 
Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, 
considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que 
repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de 
crimes. 
 
Portanto, os requisitos da legítima defesa são os seguintes: 
 
 
 
A agressão injusta pressupõe conduta (ação ou omissão) humana que lesa ou 
coloca em perigo os bens jurídicos de alguém. Logo, só é possível a legítima defesa contra 
o ataque de um ser humano. 
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Devemos destacar um exemplo muito utilizado pela doutrina acerca do ataque de 
animal. Nada impede que a legítima defesa ocorra quando o ser humano se utiliza do 
animal como instrumento do crime. Entretanto, situação distinta é empregada quando 
o ataque do animal é feito por conta própria, aí sim, havendo o estado de necessidade. 
 
 
CONFLITOS ENTRE OS INSTITUTOS 
LEGÍTIMA DEFESA REAL X 
LEGÍTIMA DEFESA REAL 
• Chamada de “legítima defesa recíproca”; 
• Não é admitida. 
LEGÍTIMA DEFESA REAL X 
LEGÍTIMA DEFESA EXCESSIVA 
• Chamada de “legítima defesa sucessiva”; 
• É admitida. 
LEGÍTIMA DEFESA REAL X 
LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA 
• É admitida. 
LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA X 
LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA 
• Chamada de “legítima defesa putativa recíproca”; 
• É admitida. 
LEGÍTIMA DEFESA REAL X ERRO 
NA EXECUÇÃO 
• É admitida. 
LEGÍTIMA DEFESA REAL X 
ESTADO DE NECESSIDADE 
• Não é admitida. 
ESTADO DE NECESSIDADE REAL X 
ESTADO DE NECESSIDADE REAL 
• Chamado de “estado de necessidade recíproco”; 
• É admitido. 
 
• A tese da legítima defesa da honra é inconstitucional,por contrariar os princípios da 
dignidade da pessoa humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero. STF. Plenário. 
ADPF 779 MC-Ref/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/3/2021 (Info 1009). 
 
c) Estrito cumprimento de um dever legal e exercício regular de direito 
ESTRITO CUMPRIMENTO DE UM DEVER 
LEGAL 
EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO 
CONCEITO 
São as condutas do agente público, 
que no desempenho de suas funções, 
não raras vezes é obrigado, por lei (em 
sentido amplo), a violar um bem 
jurídico. Portanto, tal excludente de 
ilicitude se baseia no fato de que um 
dever legal não pode, ao mesmo 
tempo, ser proibido. 
São condutas do cidadão comum 
autorizadas pela existência de direito 
definido em lei. Portanto, tal 
excludente de ilicitude se baseia no 
fato de que o que é permitido não 
pode, ao mesmo tempo, ser proibido. 
ORIGEM 
Da norma jurídica em sentido amplo 
em sentido lato 
Na lei, direta ou indiretamente 
AGIR É um dever É uma faculdade 
EXCESSO É punível É punível 
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• Ofendículos 
Há uma discussão doutrinária acerca da natureza dos ofendículos (representam o 
aparato preordenado para defesa do patrimônio), sendo a posição da doutrina 
majoritária a seguinte: enquanto o aparato não é acionado, é “exercício regular de 
direito”, mas quando é acionado, repelindo a agressão, é “legítima defesa”. 
 
d) Consentimento do ofendido 
O consentimento do ofendido pode afastar a tipicidade ou a ilicitude. Deve-se 
observar o seguinte: 
• Quando elementar do crime: exclui a tipicidade (ex.: violação de domicílio); 
• Quando não elementar do crime: causa supralegal de exclusão da ilicitude (ex.: 
tatuagem). 
 
5.4.3. DESCRIMINANTES PUTATIVAS 
As descriminantes putativas constituem um erro quanto às causas de justificação. 
O agente age supondo a existência de uma situação de fato que, caso existisse 
concretamente, tornaria a sua conduta lícita. 
Da “Teoria Normativa Pura” decorrem as “Teorias Extremada e Limitada da 
Culpabilidade”, que divergem no tocante à natureza jurídica das descriminantes 
putativas sobre a situação fática. 
TEORIAS – DESCRIMINANTES PUTATIVAS 
TEORIA LIMITADA 
DA CULPABILIDADE 
• É a adotada; 
• Os erros são tratados da seguinte forma: 
ERRO DE TIPO 
PERMISSIVO 
• O erro incide na situação fática: 
• Se inevitável: exclui o dolo e a culpa; 
• Se evitável: exclui o dolo, mas é punida a 
título de culpa, se prevista. 
 
OBS.: a “culpa imprópria” também conhecida como 
“culpa por assimilação, equiparação ou extensão”, 
consiste naquela em que o agente, por erro 
evitável/inescusável, supõe situação fática que, se 
efetivamente existente, excluiria a ilicitude do seu 
comportamento (descriminante putativa). Neste 
cenário, o agente provoca intencionalmente 
determinado resultado típico, mas responde por culpa 
por razões de política criminal. 
ERRO DE 
PROIBIÇÃO 
INDIRETO 
• O erro incide na existência ou nos limites da 
justificante. 
• Se inevitável: isenta de pena; 
• Se evitável: diminui 1/6 a 1/3. 
TEORIA EXTREMADA 
DA CULPABILIDADE 
• Não é adotada; 
• Todos os erros são tratados da mesma forma: 
ERRO DE 
PROIBIÇÃO 
INDIRETO 
• O erro incide na situação fática, na existência ou 
nos limites da justificante: 
• Se inevitável: isenta de pena; 
• Se evitável: diminui 1/6 a 1/3. 
 
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(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TCE-MS - Procurador de Contas Substituto do Ministério 
Público de Contas) João, valendo-se de uma faca do tipo peixeira, agrediu fisicamente 
Carlos, que reagiu imediatamente e acabou matando João. O Ministério Público ofereceu 
denúncia contra Carlos, pela prática do crime de homicídio. Estará caracterizada a 
legítima defesa caso Carlos demonstre que repeliu a agressão inicial, desde que injusta, 
valendo-se moderadamente dos meios necessários. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-SE - Procurador do Estado) - O policial Ermano e sua 
filha de dois anos caminhavam em uma rua quando se depararam com um cão Rottweiler 
que era guiado por seu tutor, Ronaldo. O cão atacou Ermano e a filha, ainda que Ronaldo 
tentasse controlar o animal. Ermano, que portava uma arma de fogo, disparou-a para 
proteger a filha e, embora o alvo fosse o cão, o projétil ricocheteou e atingiu Ronaldo, que 
faleceu em decorrência do ferimento, tendo ficado constatado que Ermano não tinha 
outra alternativa para evitar o ataque do cão contra sua filha. Nessa situação hipotética, 
Ermano agiu em estado de necessidade e não deve responder, na esfera penal, pela 
morte de Ronaldo. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - fase matutina) 
- O CP adota a teoria limitada da culpabilidade, a qual distingue entre o erro incidente 
sobre os pressupostos fáticos de uma causa de justificação do erro incidente sobre os 
limites da norma permissiva. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade: 
Direito) - Admite-se a excludente de antijuridicidade do estrito cumprimento de dever 
legal nos crimes culposos. 
ITEM INCORRETO, pois os crimes culposos são compostos de negligência, imprudência ou 
imperícia. Como a lei não obriga que ninguém seja negligente, imprudente ou imperito, 
logo fica afastada essa causa excludente da ilicitude! 
(CESPE - 2009 - DPE-AL - Defensor Público) - Para a teoria limitada da culpabilidade, 
adotada pelo CP brasileiro, toda espécie de descriminante putativa, seja sobre os limites 
autorizadores da norma, seja incidente sobre situação fática pressuposto de uma causa 
de justificação, é sempre considerada erro de proibição. 
ITEM INCORRETO, pois para a teoria limitada da culpabilidade o erro sobre a situação 
fática configura erro de tipo permissivo, enquanto o erro sobre a existência e os limites 
da justificante configuram erro de proibição indireto! 
 
5.5. CULPABILIDADE 
É o terceiro substrato do conceito analítico de crime, que é conceituado como o 
juízo de reprovação sobre a conduta típica e ilícita realizada pelo agente. 
 
5.5.1. TEORIAS DA CULPABILIDADE 
a) Teoria psicológica da culpabilidade 
Baseada nas premissas causalistas, a culpabilidade consiste na relação psíquica 
entre o autor e o resultado, na forma de dolo e culpa. 
 
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b) Teoria psicológica normativa da culpabilidade 
Baseada nas premissas neokantistas, o dolo e a culpa continuam alocados na 
culpabilidade, porém eles deixam de ser suas espécies e se transformam nos seus 
elementos, juntamente com a imputabilidade e a exigibilidade de conduta diversa. 
A consciência atual da ilicitude passou a integrar o dolo (dolo normativo), deixando 
a culpabilidade de ser puro vínculo psíquico entre o agente e o fato. 
 
c) Teoria pura da culpabilidade 
Baseada nas premissas finalistas, o dolo e a culpa deixam a culpabilidade e passam 
a ser alocados no fato típico, despindo-se o dolo da consciência atual da ilicitude e 
passando a ser natural (consciência + vontade). 
A culpabilidade passou a ter os seguintes elementos: imputabilidade, exigibilidade 
de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. Portanto, a culpabilidade passou 
a conter apenas elementos normativos. 
Ressalta-se que a teoria pura da culpabilidade se divide em teoria extremada e 
limitada, diferenciando-se acerca da natureza jurídica das descriminantes putativas. 
Essas teorias já foram estudadas no tópico 5.4.3. do nosso material e, portanto, não 
serão repetidas aqui. 
 
d) Teoria da coculpabilidade 
Por coculpabilidade entende-se a corresponsabilidade (social) do Estado pelas 
condutas criminosas praticadas por cidadãos em situação de desigualdade social. 
De acordo com Zaffaroni, a teoria defende que o Estado deve ser corresponsável 
pelo delito, pois não ofereceu condiçõesde aprimoramento cultural e econômico ao 
agente, que se restou marginalizado, uma vez que a sociedade, muitas vezes, é 
desorganizada, discriminatória e excludente. 
Não há exclusão da culpabilidade, porém há uma divergência nos Tribunais 
Superiores se essas circunstâncias podem, ao menos, ser observadas na dosimetria da 
pena como atenuante genérica. 
 
• É possível a aplicação da teoria da coculpabilidade no ordenamento penal brasileiro? 
Há uma divergência no STJ: 
1ª Corrente: NÃO. A deficiência do Estado quanto ao atendimento satisfatório das 
necessidades fundamentais do indivíduo não autoriza sua corresponsabilização pela 
prática delitiva do agente. STJ. 6ª Turma. HC 187132, Rel. Min. Maria Thereza Assis Moura, 
julgado em 05/02/2013. A teoria da coculpabilidade não pode ser erigida à condição de 
verdadeiro prêmio para agentes que não assumem a sua responsabilidade social e fazem 
da criminalidade um meio de vida. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp n. 1.770.619/PE, Rel. 
Min.Laurita Vaz, julgado em 06/06/2019. 
2ª Corrente: SIM. A atenuante genérica prevista no art. 66 do Código Penal pode se valer 
da teoria da coculpabilidade como embasamento, pois trata-se de previsão genérica, 
que permite ao magistrado considerar qualquer fato relevante - anterior ou posterior à 
prática da conduta delitiva - mesmo que não expressamente previsto em lei, para reduzir 
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a sanção imposta ao réu. A tese da coculpabilidade, no entanto, depende da verificação, 
no caso concreto, de elementos que demonstrem que o Estado tenha deixado de prestar 
a devida assistência ao acusado. STJ. 5ª Turma. HC n. 411.243/PE, Rel. Min. Jorge Mussi, 
julgado 07/12/2017. STJ. 5ª Turma. HC n. 509.589/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da 
Fonseca, julgado em 11/2/2020. 
Ainda devemos destacar a “coculpabilidade às avessas”, que, como o próprio nome 
sugere, demonstra a complacência do Estado no que concerne aos crimes praticados 
pela classe econômica mais abastada da nossa sociedade. 
Ela se manifesta sob dois enfoques: 1) abrandamento das sanções de delitos 
praticados por pessoas com alto poder econômico e social, como ocorre nos crimes de 
colarinho branco (ex.: o pagamento da dívida nos crimes contra a ordem tributária 
acarreta a extinção da punibilidade); 2) tipificação de condutas que só podem ser 
praticadas por pessoas marginalizadas, como ocorre nas contravenções penais de 
vadiagem e a revogada mendicância. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - Todo indivíduo age numa 
circunstância determinada e com um âmbito de autodeterminação também 
determinado. A sociedade nunca tem a possibilidade de brindar a todos os homens com 
as mesmas oportunidades. Em consequência, há sujeitos que têm um menor âmbito de 
autodeterminação, condicionado desta maneira por causas sociais. Assim, ao considerar 
que essas pessoas que têm um menor âmbito de autodeterminação tendem ao crime 
por carências sociais; a reprovação pela prática da infração penal deve ser dirigida 
conjuntamente ao Estado e ao agente, se verificada, no caso concreto, tal desigualdade 
de oportunidade de vida. O texto precedente apresenta a ideia central da teoria 
denominada coculpabilidade. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2019 - TJ-PR - Juiz Substituto) - Para Welzel, a culpabilidade é a reprovabilidade 
de decisão da vontade, sendo uma qualidade valorativa negativa da vontade de ação, e 
não a vontade em si mesma. O autor aponta a incorreção de doutrinas segundo as quais 
a culpabilidade tem caráter subjetivo, porquanto um estado anímico pode ser portador 
de uma culpabilidade maior ou menor, mas não pode ser uma culpabilidade maior ou 
menor. Essa definição de culpabilidade está relacionada à teoria normativa pura, ou 
finalista. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2012 - TJ-AC - Juiz Substituto) - A coculpabilidade, expressamente admitida 
na lei penal como uma das hipóteses de aplicação da atenuante genérica, consiste em 
reconhecer que o Estado também é responsável pelo cometimento de determinados 
delitos quando o agente possui menor autodeterminação diante das circunstâncias do 
caso concreto, especificamente no que se refere às condições sociais e econômicas. 
ITEM INCORRETO, pois a coculpabilidade não é expressamente admitida na lei penal. 
Trata-se de construção doutrinária e jurisprudencial! 
 
5.5.2. ELEMENTOS DA CULPABILIDADE 
Os elementos da culpabilidade são: imputabilidade, potencial consciência da 
ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. 
 
 
 
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5.5.3. IMPUTABILIDADE 
A imputabilidade consiste na capacidade de imputação, devendo estar presente o 
elemento intelectivo (consciência do caráter ilícito do fato) e o volitivo (domínio da 
vontade). 
Por mais que o CP não defina o que é imputabilidade, ele trouxe as causas de 
inimputabilidade, sendo estas: 1) anomalia psíquica (art. 26 do CP); 2) menoridade (art. 
27 do CP); e 3) embriaguez completa acidental (art. 28, § 1º, do CP). 
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento 
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, 
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se 
de acordo com esse entendimento. 
(...) 
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando 
sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. 
(...) 
Art. 28, § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, 
proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, 
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se 
de acordo com esse entendimento. 
Para que elas sejam definidas não foi adotado apenas um critério, o qual alterna a 
depender da causa de inimputabilidade aplicada: 
 
 
a) Anomalia psíquica 
Como visto, essa hipótese de inimputabilidade está prevista no art. 26, caput, do 
CP, e adota o critério biopsicológico. Para que a culpabilidade seja excluída, a 
incapacidade do agente deve ser absoluta, tornando-o inteiramente incapaz de 
entender a ilicitude de seus atos. 
Entretanto, de acordo com o art. 26, parágrafo único, do CP, se a condição o afeta 
apenas parcialmente, isto não basta para excluir sua imputabilidade, podendo servir 
apenas como causa de diminuição de pena (1/3 a 2/3). 
 
b) Menoridade 
A segunda excludente de imputabilidade está prevista no art. 26 do CP e, ao 
contrário do critério regular de nosso Código Penal (biopsicológico), adota o critério 
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biológico, pois basta a comprovação da idade para que seja presumida sua 
inimputabilidade. 
 
c) Embriaguez completa acidental 
A última excludente de imputabilidade está prevista no art. 28, § 1º, do CP, e adota 
o critério biopsicológico. Portanto, da mesma forma na anomalia psíquica, para que a 
culpabilidade seja excluída, a incapacidade do agente deve ser absoluta, tornando-o 
inteiramente incapaz de entender a ilicitude de seus atos. 
Entretanto, de acordo com o art. 28, § 2º do CP, se a condição o afeta apenas 
parcialmente, isto não basta para excluir sua imputabilidade, podendo servir apenas 
como causa de diminuição de pena (1/3 a 2/3). 
 
• Espécies de embriaguez: 
Existem outras espécies de embriaguez que podem aparecer na sua prova. Por 
isso, é imprescindível que você as conheça e saiba quais são as suas consequências 
jurídicas: 
EMBRIAGUEZ 
NÃO ACIDENTAL 
VOLUNTÁRIA 
• É aquela em que o agente ingere substância alcoólica 
com a intenção de embriagar-se. 
• Jamais exclui a imputabilidade. 
CULPOSA 
• É aquela em que o agente, por negligência ou 
imprudência, acaba por embriagar-se. 
• Jamais exclui a imputabilidade. Divide-se em: 
COMPLETA 
• Retira do agente, no momento da 
conduta, a capacidade de 
entendimentoe autodeterminação 
INCOMPLETA 
• Diminui a capacidade de 
entendimento e autodeterminação do 
agente 
ACIDENTAL (CASO 
FORTUITO OU 
FORÇA MAIOR) 
COMPLETA 
• É aquela em que o agente era, ao tempo da ação ou da 
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter 
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento. 
• Exclui a imputabilidade. 
INCOMPLETA 
• É aquela em que o agente não possuía, ao tempo da 
ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o 
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo 
com esse entendimento. 
• Jamais exclui a imputabilidade, mas pode diminuir a 
pena de 1/3 a 2/3. 
PATOLÓGICA 
• É a embriaguez doentia, tratada como doença mental. 
• Pode excluir a imputabilidade ou servir como diminuição de pena; 
PREORDENADA 
• É aquela em que o agente ingere substância alcoólica com a finalidade de 
cometer uma conduta delituosa. 
• Jamais exclui a imputabilidade, tampouco reduz de pena. 
• Serve como agravante da pena (art. 61, II, “l”, do CP). 
Após a análise da tabelinha acima, questiona-se: por que o CP autoriza a punição 
da embriaguez voluntária ou preordenada, mesmo quando completa? A resposta está na 
teoria da actio libera in causa, que estabelece que o agente, conscientemente, colocou-
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se em estado de inimputabilidade. Portanto, a constatação da imputabilidade é 
transferida para o momento do ato revestido de consciência. 
d) Emoção e paixão 
De acordo com o art. 28, I, do CP, a emoção e a paixão não excluem a 
imputabilidade. A emoção pode servir como atenuante ou causa de diminuição de pena, 
já a paixão pode ser tida como paixão patológica e se encaixar no art. 26, caput, do CP. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Especialidade: Oficial de Justiça 
Avaliador) - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa culposa, era, ao 
tempo da ação, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato. 
ITEM INCORRETO, pois a embriaguez culposa não exclui a imputabilidade! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Perito Criminal - Especialidade: Análise de 
Sistemas/Ciências da Computação/Informática/Tecnologia de Processamento de 
Dados/Sistemas de Informação/Engenharia da Computação/Engenharia de Software) - 
No Código Penal, adota-se o critério biopsicológico no tocante aos menores de 18 anos 
de idade. 
ITEM INCORRETO, pois o CP adota o critério biológico no tocante aos menores de 18 anos 
de idade! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Escrivão de Polícia) - João, com 20 anos de idade e 
imputável, ingeriu bebida alcoólica durante uma festa e, embora não tivesse a intenção 
de se embebedar ou de praticar crimes, ficou completamente embriagado e desferiu 
socos em um desafeto, causando-lhe lesões corporais gravíssimas. Na situação 
hipotética apresentada, a embriaguez foi completa e culposa, mas não exclui a 
imputabilidade penal. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - De acordo com o CP (Código 
Penal), a embriaguez completa e fortuita é causa de isenção de pena. 
ITEM CORRETO! 
 
5.5.4. POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE 
É o segundo elemento da culpabilidade, uma vez que para que a conduta do autor 
seja considerada reprovável, é necessário que ele, ao menos, saiba da ilegalidade de seus 
atos, ou que tenha a possibilidade de conhecê-la. 
Nos termos do art. 21, caput, do CP, o desconhecimento da lei é inescusável, 
utilizando-se a doutrina da “valoração paralela na esfera do profano” como critério para 
aferir a possibilidade da compreensão da ilicitude da conduta por parte do sujeito ativo 
no caso concreto. 
Este critério nada mais é do que a utilização de elementos não jurídicos (paralelos), 
para avaliar se o agente (leigo/profano), no momento da conduta, tinha condições 
(potencial) de conhecer a sua ilicitude. 
Por fim, destaca-se que o erro de proibição escusável/inevitável é causa 
excludente da potencial consciência da ilicitude. 
 
 
 
 
 
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a) Erro de proibição 
O erro de proibição divide-se em: 
ERRO DE PROIBIÇÃO 
ESCUSÁVEL/INEVITÁVEL 
ERRO DE PROIBIÇÃO 
INESCUSÁVEL/EVITÁVEL 
CONCEITO 
Quando o agente atua ou se 
omite sem ter a consciência da 
ilicitude do fato em situação na 
qual não é possível lhe exigir que 
tenha esta consciência. 
Quando o gente atua ou se omite 
sem a consciência da ilicitude do 
fato, quando lhe era possível, nas 
circunstâncias, ter ou atingir essa 
consciência. 
CONSEQUÊNCIA Exclui a culpabilidade Diminuição de pena (1/6 a 1/3) 
 Há outras modalidades de erro que já foram objeto de questão do CEBRASPE e, 
por isso, iremos explicá-las: 
• Erro de proibição mandamental ou injuntivo: o agente não realiza uma conduta valiosa, 
contrariando uma determinação da lei; ocorre nos crimes omissivos, próprios ou 
impróprios; o equívoco, aqui, recai sobre uma norma mandamental. 
• Erro de proibição de validade: o agente crê que a norma a qual prevê o 
comportamento típico está amparada em lei que é nula ou inconstitucional. 
• Erro de proibição hermenêutico, de interpretação da norma ou de subsunção: o agente 
decifra de forma equivocada o sentido jurídico do seu comportamento; o 
equívoco, aqui, recai sobre a interpretação da norma. Para que seja considerado 
modalidade de erro, é preciso que afete o conhecimento da ilicitude do ato. 
 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - Caracteriza erro de 
proibição direto o fato de o agente supor ser lícita uma conduta que é proibida no 
ordenamento jurídico; diferentemente do delito putativo, que é caracterizado pelo fato 
de o agente praticar uma conduta que acredita ser proibida, mas que, na verdade, é um 
indiferente penal. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia) - Incorre em erro de validade o 
agente que pratica um fato proibido, supondo acreditar que o STF tenha declarado a 
inconstitucionalidade de uma lei penal incriminadora. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2019 - SEFAZ-RS - Auditor Fiscal da Receita Estadual - Bloco I) - A conduta típica 
será inteiramente desculpável e será excluída a culpabilidade quando o erro inevitável 
recair sobre a ilicitude do fato. 
ITEM CORRETO! 
 
5.5.5. EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA 
É o terceiro e último elemento da culpabilidade, que trata de um juízo sobre a 
possibilidade de o agente atuar de acordo com o ordenamento jurídico. 
De acordo com o art. 22 do CP, há duas causas de exclusão da exigibilidade e 
conduta diversa: coação moral irresistível e obediência hierárquica a ordem não 
manifestamente ilegal. 
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 Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a 
ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor 
da coação ou da ordem. 
 
a) Coação moral irresistível 
A coação desloca-se da figura do coagido para o coator, na condição de autor 
mediato. 
Não confunda: 
COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL COAÇÃO FÍSICA IRRESISTÍVEL 
Exclui a exigibilidade de conduta diversa, 
elemento da culpabilidade 
Exclui a conduta, elemento do fato típico 
Ressalta-se que a coação deve ser irresistível, pois caso seja resistível, os dois 
personagens respondem pelo crime da seguinte forma: 
• Coator: com agravante do art. 62, II, CP; 
• Coagido: com atenuante do art. 65, III, “c”, CP. 
 
(CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - Em um clube social, Paula, maior e capaz, 
provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, na frente de amigos. 
Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de 
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. 
Voltando ao clube depois de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influênciade emoção extrema e na frente dos amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça 
de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida. Acerca dessa situação 
hipotética, julgue o próximo item. A culpabilidade de Carlos poderá ser afastada por 
inexigibilidade de conduta diversa. 
ITEM INCORRETO, pois as causas de exclusão da exigibilidade de conduta diversa são a 
coação moral irresistível e a obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal. 
Ademais, a emoção não exclui a imputabilidade (art. 28, I, CP). No caso exposto, o agente 
cometeu o crime sob a influência de violenta emoção, havendo uma atenuante genérica 
(art. 65, III, “c”, CP). 
 
b) Obediência Hierárquica não manifestamente ilegal 
Nesta situação, o autor do crime age em obediência a uma ordem não 
manifestamente ilegal de um superior hierárquico, excluindo-se a exigibilidade de 
conduta diversa. 
É uma previsão específica para o direito público, de modo que não se aplica a 
relações de direito privado. 
Atente-se que a ordem deve ser não manifestamente ilegal (o subordinado não 
sabe que está recebendo uma ordem ilegal – age acreditando estar dentro da legalidade), 
pois se a ordem for manifestamente ilegal (o subordinado sabe que está recebendo uma 
ordem ilegal), ambos responderão pelo crime. 
Por fim, se a ordem for legal, não haverá crime, pois os agentes estarão 
acobertados por uma causa excludente de ilicitude, agindo no estrito cumprimento do 
dever legal. 
 
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c) Dirimentes supralegais 
O único elemento da culpabilidade que admite excludentes supralegais é a 
exigibilidade de conduta diversa, sendo estas: 
• Cláusula de consciência: fundamenta-se na liberdade de consciência e de crença, 
podendo conduzir o autor do crime à isenção de pena, desde que não viole direitos 
fundamentais individuais. Ela é assegurada constitucionalmente nos termos do 
art. 5°, VI, CRFB/88. 
• Desobediência civil: são atos de insubordinação em que o autor empenha 
esforços pela efetivação ou defesa de um direito. Exige-se que a desobediência 
esteja fundada na proteção de direitos fundamentais e que o dano causado não 
seja relevante. 
• Conflito de deveres: é a escolha de um mal menor, diante de um iminente mal 
maior, por quem está obrigado a cumprir deveres que entram em conflito. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia) - O cumprimento legal de ordem 
de superior hierárquico, não manifestamente ilegal, exclui a tipicidade, pois o inferior 
hierárquico cumpre a ordem nos exatos limites da lei, sendo-lhe inexigível outra conduta. 
ITEM INCORRETO, pois a ordem de superior hierárquico não manifestamente ilegal exclui 
a culpabilidade! 
(CESPE / CEBRASPE - 2014 - PRF - Policial Rodoviário Federal - Curso de Formação - 1ª 
Prova) - Considere que um PRF, obedecendo ordem de superior hierárquico, não 
manifestamente ilegal, tenha cometido um crime. Nessa situação, apesar de ser 
imputável e de ter potencial consciência da ilicitude de sua conduta, o policial não deverá 
ser apenado, haja vista a ausência de um dos elementos da culpabilidade. 
ITEM CORRETO! 
 
 
6 - ITER CRIMINIS 
 
 
6.1. FASES DO CRIME 
 
 
a) Cogitação 
É a ideação do crime que se divide em 3 etapas: 1) idealização: surge a ideia; 2) 
deliberação: o agente pondera as circunstâncias; e 3) resolução: é a decisão acerca do 
cometimento da conduta criminosa. 
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 É sempre impunível! 
 
b) Atos preparatórios 
É a adoção de providências externas para o cometimento da conduta delituosa. 
Em regra, são impuníveis, sendo excepcionalmente puníveis quando configuram 
delito autônomo! 
 
c) Atos executórios 
É a tradução da maneira pela qual o agente atua exteriormente para realizar o 
crime idealizado. 
São puníveis! 
 
d) Consumação 
É a composição plena do fato criminoso, reunindo todos os elementos do tipo 
penal. Compõe a última fase do iter criminis. 
É punível! 
 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - IBAMA - Analista Ambiental - Recuperação Ambiental, 
Monitoramento e Uso Sustentável da Biodiversidade, Controle e Fiscalização) - Para a 
configuração do crime consumado, é exigido o seu exaurimento, o que, na maioria das 
vezes, alcança acontecimentos posteriores ao resultado. 
ITEM INCORRETO, pois o exaurimento não integra o iter criminis! 
 
6.2. TEORIAS QUE DIFERENCIAM ATOS PREPARATÓRIOS DE EXECUTÓRIOS 
A diferença entre o início da execução e a fase dos atos preparatórios é apontada 
por diversas teorias: 
ATOS PREPARATÓRIOS X EXECUTÓRIOS 
TEORIA 
SUBJETIVA 
Não faz distinção entre atos preparatórios e executórios, pois leva em 
consideração a intenção do agente. 
TEORIA 
OBJETIVA 
Os atos executórios dependem do início de realização do tipo penal, sendo 
indispensável a exteriorização de atos idôneos e inequívocos para a produção 
do resultado lesivo. Divide-se em: 
TEORIA DA 
HOSTILIDADE AO 
BEM JURÍDICO 
Atos executórios são aqueles que atacam o bem 
jurídico, criando-lhe uma situação concreta de perigo. 
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TEORIA 
OBJETIVO-
FORMAL OU 
LÓGICO-FORMAL 
Ato executório é aquele que inicia a realização do núcleo 
do tipo. 
É a adotada pelos Tribunais Superiores! 
TEORIA 
OBJETIVO-
MATERIAL 
Atos executórios são aqueles em que se inicia a prática do 
núcleo do tipo, bem como os atos imediatamente 
anteriores, com base na visão da terceira pessoa alheia à 
conduta criminosa. 
TEORIA 
OBJETIVO-
INDIVIDUAL 
Atos executórios são aqueles que, de acordo com o plano 
do agente, realizam-se no período imediatamente 
anterior ao começo da execução típica. 
 
• Agente pretendia praticar roubo e foi surpreendido após romper o cadeado e destruir 
a fechadura da porta da casa da vítima; não se pode falar em tentativa de roubo. 
Adotando-se a teoria objetivo-formal, o rompimento de cadeado e destruição de 
fechadura da porta da casa da vítima, com o intuito de, mediante uso de arma de fogo, 
efetuar subtração patrimonial da residência, configuram meros atos preparatórios que 
impedem a condenação por tentativa de roubo circunstanciado. Caso adaptado: João e 
Pedro caminhavam nas ruas de um bairro e decidiram praticar assalto em uma das casas. 
Eles arrombaram o cadeado e destruíram a fechadura da porta da casa, no entanto, 
quando iam adentrar na residência, passou uma viatura da Polícia Militar. Os indivíduos 
correram quando perceberam a presença das autoridades de segurança. Os policiais 
perseguiram a dupla, conseguindo prendê-los. Com eles, foi encontrada uma arma de 
fogo de uso permitido. Vale ressaltar, contudo, que não possuíam porte de arma. Não se 
pode falar que houve roubo circunstanciado tentado. STJ. 5ª Turma. AREsp 974254-TO, 
Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 21/09/2021 (Info 711). 
 
6.3. TENTATIVA 
A tentativa (crime imperfeito, incompleto, manco ou conatus), prevista no art. 14, 
II, do CP, ocorre quando, iniciada uma conduta, o delito não se consuma por 
circunstâncias alheias à vontade do agente. 
Art. 14, CP – Diz-se o crime: 
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias 
alheias à vontade do agente. 
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena 
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. 
Alguns crimes não admitem a tentativa, quais sejam: 
 
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Ademais, são diversas a teorias que cuidam da punição da tentativa, dentre as 
quais se destacam: 
TEORIAS DA TENTATIVA 
TEORIA SUBJETIVA, 
VOLUNTARÍSTICA OU 
MONISTA 
Deve-se observar o aspecto subjetivo do delito, de tal forma que se o 
crime for subjetivamente completo, a tentativa merece ter a mesma 
pena do crime consumado. 
É adotada, excepcionalmente, nos crimes deatentado (ou 
empreendimento) 
TEORIA SINTOMÁTICA A tentativa é punida com base na periculosidade revelada pelo agente. 
TEORIA OBJETIVA, 
REALÍSTICA OU 
DUALÍSTICA 
Deve-se observar o aspecto objetivo do delito, pois por mais que o 
crime seja subjetivamente completo, ele é objetivamente incompleto. 
A punição da tentativa deve receber pena inferior ao crime 
consumado. 
É a adotada pelo CP! 
TEORIA DA 
IMPRESSÃO OU 
OBJETIVO-
SUBJETIVA 
Representa um limite ao alcance da teoria subjetiva, evitando a 
punição irrestrita dos atos preparatórios. A tentativa será punida 
apenas quando comover a segurança da norma penal. 
 No tocante às espécies, a tentativa pode ser: 
ESPÉCIES DE TENTATIVA 
QUANTO AO ITER 
CRIMINIS 
PERCORRIDO 
PERFEITA OU 
ACABADA OU 
CRIME FALHO 
O agente esgota todos os atos executórios, mas o 
crime não se consuma por circunstâncias alheias à 
sua vontade. 
IMPERFEITA OU 
INACABADA OU 
PROPRIAMENTE 
DITA 
O agente não esgota todos os atos executórios, por 
motivos alheios a sua vontade 
QUANTO AO 
RESULTADO 
BRANCA OU 
INCRUENTA 
O agente não atinge o bem jurídico 
VERMELHA OU 
CRUENTA 
O agente atinge o bem jurídico 
QUANTO À 
POSSIBILIDADE 
DE ALCANÇAR O 
RESULTADO 
IDÔNEA 
É a tentativa propriamente dita, cujo resultado era 
possível de ser alcançado 
INIDÔNEA 
É o crime impossível, cujo resultado era impossível de 
ser alcançado por ineficácia absoluta do meio ou 
impropriedade absoluta do objeto 
Obs.: não confunda as espécies acima com a chamada “tentativa qualificada ou 
abandonada”, que corresponde ao instituto da desistência voluntária e do 
arrependimento eficaz. 
 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Papiloscopista) - Túlio, de posse de sua pistola, 
atirou cinco vezes contra Flávio, com a intenção de matá-lo, tendo errado a pontaria em 
todas as ocasiões. Nessa situação hipotética, houve tentativa cruenta. 
ITEM INCORRETO, pois a tentativa foi incruenta, já que o alvo não foi atingido! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - SERES-PE - Policial Penal do Estado) - A pena imposta pela 
prática de crime tentado será reduzida em 1/3 a 2/3 da pena relativa ao crime 
consumado, salvo se houver disposição em contrário. 
ITEM CORRETO! 
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(CESPE / CEBRASPE - 2022 - IBAMA - Analista Ambiental - Recuperação Ambiental, 
Monitoramento e Uso Sustentável da Biodiversidade, Controle e Fiscalização) - Os crimes 
culposos e os habituais não admitem a figura da tentativa delituosa. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - IBAMA - Analista Ambiental - Recuperação Ambiental, 
Monitoramento e Uso Sustentável da Biodiversidade, Controle e Fiscalização) - Para a 
punição da tentativa delituosa, o Código Penal aplica, em regra, a teoria subjetiva, sem 
distinguir a pena para as modalidades consumada e tentada. 
ITEM INCORRETO, pois o Código Penal utiliza para a punição da tentativa, em rega, a 
teoria objetiva ou realística, em que a pena do crime tentado é inferior à do crime 
consumado! 
 
6.4. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO 
POSTERIOR 
a) Desistência voluntária e arrependimento eficaz 
São espécies de tentativa abandonada ou qualificada que estão previstas no art. 
15 do CP: 
 Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou 
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. 
Diferem-se da tentativa simples, pois enquanto nesta as circunstâncias que 
impedem que o agente atinja a consumação do delito são alheias a sua vontade, na 
desistência voluntária e no arrependimento eficaz, o agente desiste de prosseguir ou 
impede a consumação por ato voluntário. 
Para estabelecer a distinção entre desistência voluntária e tentativa, a doutrina 
indica a aplicação da fórmula de Frank: 
TENTATIVA DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA 
Quero prosseguir, mas não posso Posso prosseguir, mas não quero 
Franz Von Liszt denominava esses institutos como ponte de ouro, cuja natureza 
jurídica prevalente na doutrina é de causa de exclusão da punibilidade. Entretanto, há 
corrente em sentido contrário que preconiza que a natureza jurídica é de causa 
excludente da tipicidade. 
No tocante à sua comunicabilidade, trata-se de tema divergente na doutrina, 
prevalecendo a corrente a favor de sua comunicabilidade ao partícipe, pois se a sua 
conduta é acessória, logo não poderia ser punido se não houvesse crime. 
Ademais, ambos os institutos são incompatíveis com os crimes culposos, isso 
porque nesses crimes o resultado é involuntário, e com crimes formais e crimes de mera 
conduta, já que a simples realização da conduta implica na consumação do delito. 
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA ARREPENDIMENTO EFICAZ OU RESIPISCÊNCIA 
Os atos executórios ainda não se esgotaram, 
mas o agente abandona seu dolo inicial 
Os atos executórios já foram todos esgotados, 
porém o agente, decidindo recuar, desenvolve 
nova conduta com o objetivo de impedir a 
produção do resultado 
Exige voluntariedade (não espontaneidade) e 
eficácia 
Exige voluntariedade (não espontaneidade) e 
eficácia 
A interferência externa pode ser: Só tem cabimento nos crimes materiais 
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• subjetiva (ex.: alguém sugere ao agente que 
ele desista do crime) – há desistência 
voluntária; 
• objetiva (ex.: disparo de alarme sonoro) – há 
tentativa 
O agente responde pelos atos já praticados O agente responde pelos atos já praticados 
 
• Interrupção da prática delitiva do furto devido à presença de transeuntes na calçada. 
Na desistência voluntária, o agente decide interromper a empreitada criminosa, por uma 
causa intrínseca - poderia continuar, mas resolve internamente não prosseguir. Já na 
tentativa imperfeita, o agente é obstado de progredir na execução do crime, por 
impedimento físico ou psicológico, como, por exemplo, é contido fisicamente ou avista 
uma viatura policial. Entende o STJ que, para reconhecer a desistência voluntária, exige-
se examinar o iter criminis e o elemento subjetivo da conduta, a fim de avaliar se os atos 
executórios foram iniciados e se a consumação não ocorreu por circunstância inerente à 
vontade do agente, tarefa indissociável do arcabouço probatório. Na hipótese, inviável o 
restabelecimento da sentença que reconhecera a desistência voluntária do crime de 
furto, aplicando a pena do delito de invasão de domicílio, pois o motivo mencionado pelas 
instâncias ordinárias para o abandono da conduta - a presença de transeuntes na 
calçada -, não decorre de voluntariedade, mas de coação. STJ. 6ª Turma. REsp 
1.946.490/SP, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF1ª Região), 
julgado em 15/02/2022. 
• É devido o reconhecimento da figura descrita no art. 15 do CP, mesmo que a ordem de 
cessar a realização dos atos executórios tenha partido do comparsa (mandante), 
inclusive porque a finalização da empreitada criminosa ainda estaria disponível ao 
recorrente (executor). STJ. 6ª Turma. REsp 1.500.416/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado 
em 03/08/2017 
 
b) Arrependimento posterior 
Ao contrário dos institutos acima, o arrependimento posterior é um 
comportamento pós-delito, cujo crime já foi consumado, porém, o autor, por ato 
voluntário, repara o dano ou restitui a coisa. Ele está previsto no art. 16 do CP: 
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado 
o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato 
voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. 
Denominada como ponte de prata, a partir da leitura do seu dispositivo, 
destacam-se os seguintes requisitos para a sua configuração: 
1) Crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa 
• A violência ou grave ameaça não pode ser contra a pessoa, portanto, se o 
agente praticou violência contra a coisa, pode receber o benefício. 
• Para a doutrina majoritária, os crimes culposos,mesmo que violentos, 
admitem o benefício. 
• Para a doutrina majoritária, a violência trazida pelo legislador é a própria, de 
tal forma que a imprópria também admite o benefício. 
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• O art. 16 vale para todos os crimes com que ele seja compatível, sem 
distinção, inclusive contra a Administração Pública. 
 
• Não se aplica o instituto do arrependimento posterior (art. 16 do CP) para o homicídio 
culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do CTB) mesmo que tenha sido 
realizada composição civil entre o autor do crime a família da vítima. Para que seja 
possível aplicar a causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do CP é indispensável 
que o crime praticado seja patrimonial ou possua efeitos patrimoniais. O 
arrependimento posterior exige a reparação do dano e isso é impossível no caso do 
homicídio. STJ. 6ª Turma. REsp 1561276-BA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 
28/6/2016 (Info 590). 
• Inaplicabilidade do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. No crime de 
moeda falsa — cuja consumação se dá com a falsificação da moeda, sendo irrelevante 
eventual dano patrimonial imposto a terceiros —, a vítima é a coletividade como um 
todo, e o bem jurídico tutelado é a fé pública, que não é passível de reparação. Desse 
modo, os crimes contra a fé pública, semelhantes aos demais crimes não patrimoniais 
em geral, são incompatíveis com o instituto do arrependimento posterior, dada a 
impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa 
subtraída. STJ. 6ª Turma. REsp 1242294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. 
para acórdão Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554). 
 
2) Reparação voluntária do dano ou restituição da coisa 
• Deve ser integral, voluntária e pessoal. 
• Não há necessidade de que o ato seja espontâneo. 
 
• O benefício do arrependimento posterior exige a reparação integral do dano, por ato 
voluntário, até o recebimento da denúncia. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1399240/MG, 
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 05/02/2019. 
• O benefício do arrependimento posterior comunica-se aos coautores e partícipes que 
não tenham participado da restituição da coisa ou da reparação do dano. Assim, uma vez 
reparado o dano integralmente por um dos autores do delito, a causa de diminuição de 
pena do arrependimento posterior, prevista no art. 16 do CP, estende-se aos demais 
coautores. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1187976-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/11/2013 
(Info 531). 
 
3) Deve acontecer até o recebimento da denúncia ou da queixa 
É o ressarcimento da dívida principal que acontece antes do recebimento da 
denúncia ou da queixa, sem abarcar os juros e a correção monetária. 
 
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• É possível o reconhecimento da causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do 
Código Penal (arrependimento posterior) para o caso em que o agente fez o 
ressarcimento da dívida principal (efetuou a reparação da parte principal do dano) antes 
do recebimento da denúncia, mas somente pagou os valores referentes aos juros e 
correção monetária durante a tramitação da ação penal. Nas exatas palavras do STF: “É 
suficiente que ocorra arrependimento, uma vez reparada parte principal do dano, até o 
recebimento da inicial acusatória, sendo inviável potencializar a amplitude da 
restituição.” STF. 1ª Turma. HC 165312, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/04/2020 
(Info 973). 
 
4) Redução varia de 1/3 a 2/3 
• A recusa do ofendido não tem o condão de impedir a redução da pena, por 
falta de previsão legal. 
• O critério para redução de pena irá variar de acordo com a celeridade no 
ressarcimento do prejuízo à vítima. 
 
• A causa de diminuição de pena relativa ao artigo 16 do Código Penal (arrependimento 
posterior) somente tem aplicação se houver a integral reparação do dano ou a restituição 
da coisa antes do recebimento da denúncia, variando o índice de redução da pena em 
função da maior ou menor celeridade no ressarcimento do prejuízo à vítima. STJ. 6ª 
Turma. HC 338840/SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/02/2016. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - Nos casos de desistência 
voluntária e arrependimento eficaz, o agente não responde por crime tentado, mas 
apenas pelos atos delitivos já praticados. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Técnico em Perícia - Área Geral) - Túlio, com intenção 
de matar Carlos, disparou um projétil de arma de fogo contra ele. Com a vítima já caída 
no chão, em local ermo e com mais 6 cartuchos no pente da pistola, Túlio decidiu não 
realizar outros disparos, quando podia fazê-lo para ceifar a vida de Carlos. 
Nessa hipótese, nos termos do Código Penal, tem-se o instituto da desistência 
voluntária. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Técnico em Perícia - Área Geral) - João praticou a 
conduta de furto continuado, que resultou em prejuízo de 5.000 reais para a vítima, 
Paulo. Apurada a conduta, atualizou-se o valor para 6.500 reais, tendo sido pago por 
João, em abril de 2021, o valor do principal, 5.000 reais. Em maio do mesmo ano, o 
Ministério Público ofereceu a denúncia, tendo João efetuado o pagamento, em 
setembro, do restante do valor devido. Nessa situação hipotética, a conduta de João 
possui uma causa atenuante prevista em lei. 
ITEM INCORRETO, pois a conduta de João é abrangida pela causa de diminuição da pena 
do arrependimento posterior (1/3 a 2/3). De acordo com a jurisprudência do STF, é 
possível o reconhecimento do arrependimento posterior para o caso em que o agente fez 
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o ressarcimento da dívida principal antes do recebimento da denúncia, mas somente 
pagou os valores referentes aos juros e correção monetária durante a tramitação da ação 
penal! 
(CESPE - 2017 - TRF - 1ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária) - De modo geral, 
a doutrina indica a aplicação da fórmula de Frank quando o objetivo for estabelecer a 
distinção entre desistência voluntária e tentativa. 
ITEM CORRETO! 
 
6.5. CRIME IMPOSSÍVEL 
Também chamado de quase crime, crime oco ou tentativa inidônea, está previsto 
no art. 17 do CP: 
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por 
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. 
O tratamento jurídico do crime impossível é discutido por algumas teorias, quais 
sejam: 
TEORIAS DO CRIME IMPOSSÍVEL 
TEORIA 
SINTOMÁTICA 
Baseia-se na periculosidade do agente, manifestando o combatido Direito 
Penal do Autor. 
TEORIA 
SUBJETIVA 
Baseia-se na intenção do agente, não sendo necessário analisar a ineficácia 
do meio e a impropriedade do objeto. 
TEORIA 
OBJETIVA 
Crime é conduta e resultado. Divide-se em: 
TEORIA 
OBJETIVA-
PURA 
Independentemente da ineficácia do meio e da 
impropriedade do objeto serem absolutas ou relativas, 
o agente não responde pela tentativa. 
TEORIA 
OBJETIVA-
TEMPERADA OU 
MODERADA 
Para que não haja punição, a ineficácia do meio e a 
impropriedade do objeto devem ser absolutas. Se forem 
relativas, pune-se a tentativa. 
É a adotada pelo CP! 
Súmula 567-STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por 
existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna 
impossível a configuração do crime de furto.” 
Súmula 145 do STF: “Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna 
impossível a sua consumação.” 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Governo de Alagoas - AL - Agente Penitenciário - SEPLAG) - 
Considere que um indivíduo, sem autorização legal, tenha vendido grande quantidade de 
insumo destinado à preparação de drogas a um agente policial que estava disfarçado em 
atuação investigativa.Nessa situação, se estiverem presentes elementos probatórios de 
conduta criminal preexistente, será possível a prisão em flagrante do indivíduo, não se 
caracterizando a figura do crime impossível. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - A adoção de 
sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico, por si só, não torna 
impossível a configuração do crime de furto. 
ITEM CORRETO! 
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(CESPE - 2019 - TJ-DFT - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento) - O 
Código Penal brasileiro adotou a teoria objetiva pura para a caracterização do crime 
impossível, em razão da inidoneidade do objeto ou do meio para a prática do crime. 
ITEM INCORRETO, pois o CP adotou a teoria objetiva-temperada! 
(CESPE - 2019 - TJ-SC - Juiz Substituto) - Constitui crime impossível a prática de 
conduta delituosa induzida por terceiro que assegure a impossibilidade fática da 
consumação do delito. 
ITEM CORRETO! 
 
7 – CONCURSO DE PESSOAS 
 
 
7.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 
Entende-se por concurso de pessoas a reunião de vários agentes, concorrendo, de 
forma relevante e com identidade de propósitos, para a prática da conduta delituosa. 
Para entendermos em quais espécies de crimes a teoria do concurso de pessoas 
interessa, precisamos distinguir os conceitos a seguir: 
CRIMES UNISSUBJETIVOS OU DE CONCURSO 
EVENTUAL 
CRIMES PLURISSUBJETIVOS OU DE 
CONCURSO NECESSÁRIO 
São delitos que podem ser executados por 
uma ou várias pessoas. 
Ex.: homicídio 
São delitos que necessitam, para a sua 
execução, da pluralidade de agentes. 
Ex.: associação criminosa. 
Interessa ao assunto 
“concurso de pessoas” 
Não interessa ao assunto 
“concurso de pessoas” 
Antes de adentrarmos no estudo do referido assunto, vamos aproveitar a deixa 
dos crimes plurissubjetivos para revisarmos as suas espécies: 
ESPÉCIES DE CRIMES PLURISSUBJETIVOS 
DE CONDUTAS 
PARALELAS 
As condutas se auxiliam mutuamente, visando a produção de um 
resultado comum. Ex.: associação criminosa 
DE CONDUTAS 
CONVERGENTES 
As condutas tendem a se encontrar, vindo a surgir o resultado. 
Ex.: bigamia 
DE CONDUTAS 
CONTRAPOSTAS 
As condutas são praticadas umas contra as outras, sendo os agentes, ao 
mesmo tempo, autores e vítimas. Ex.: crime de rixa 
Ademais, também revisaremos a diferença entre os institutos abaixo, pois eles já 
foram objeto de questão do CEBRASPE. 
PARTICIPAÇÃO NECESSÁRIA PRÓPRIA PARTICIPAÇÃO NECESSÁRIA IMPRÓPRIA 
São crimes que cometidos por um só autor, 
embora o tipo penal exija a participação 
necessária de outra pessoa, que é o sujeito 
passivo e não será punida. Ex.: tráfico de 
pessoa para fim de exploração sexual 
Se dá nos crimes plurissubjetivos, em que há 
a participação necessária de outra pessoa, 
que também é sujeito ativo e será punida. 
Ex.: associação criminosa. 
 
(CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - João e Pedro, maiores e capazes, livres e 
conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, para juntos 
assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após 
o fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, 
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na qual entraram e ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam 
divididos igualmente entre os três. Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local 
durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. Na situação descrita, 
está presente a hipótese de participação necessária imprópria. 
ITEM INCORRETO, pois a participação necessária imprópria se dá apenas nos crimes 
plurissubjetivos! 
 
7.2. REQUISITOS 
 
 
Obs.: o prévio ajuste (pactum celeris) é dispensável, não se confundindo com o liame 
subjetivo entre os agentes. 
 
7.3. TEORIAS SOBRE CONCURSOS DE PESSOAS 
TEORIAS DO CONCURSO DE PESSOAS 
TEORIA MONISTA 
(UNITÁRIA OU 
IGUALITÁRIA) 
Todos os concorrentes, independentemente de autores ou partícipes, 
respondem pelo mesmo crime. 
É adotada como regra no CP! 
TEORIA 
PLURALISTA 
Há tantos crimes quantos sejam os agentes que concorrem para o fato. 
É adotada excepcionalmente pelo CP! Ex.: corrupção ativa e passiva 
TEORIA DUALISTA 
Há um delito para os executores do núcleo do tipo (autores) e outro para 
os que não os realizam, mas concorrem para a sua execução (partícipe). 
 
7.4. AUTORIA 
Algumas teorias buscam diferenciar a figura do autor e do partícipe. Vejamos: 
TEORIAS DA AUTORIA VS PARTICIPAÇÃO 
TEORIAS UNITÁRIAS 
Não diferenciam autoria de participação. Dividem-se em: 
TEORIA 
SUBJETIVA 
OU UNITÁRIA 
Autor é todo aquele que contribui para a prática de um 
crime. 
TEORIA 
EXTENSIVA 
Estabelece graus diversos de autoria, com a previsão 
de causas de diminuição a depender da relevância da 
contribuição do agente. 
Diferenciam autoria de participação. Dividem-se em: 
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TEORIAS 
DIFERENCIADORAS 
TEORIA 
OBJETIVA OU 
DUALISTA 
TEORIA 
OBJETIVO- 
MATERIAL 
Autor é quem presta a contribuição mais 
relevante. Partícipe é quem presta a 
contribuição menos relevante. 
TEORIA 
OBJETIVO- 
FORMAL 
Autor é quem realiza o verbo núcleo do 
tipo penal. Partícipe é quem concorre de 
qualquer forma para o delito. 
É adotada pelo CP! 
TEORIA DO 
DOMÍNIO DO 
FATO 
(OBJETIVO- 
SUBJETIVA) 
Autor é quem possui controle final do fato. Partícipe é 
aquele que embora colabore dolosamente para o 
alcance do resultado, não possui controle final do fato. 
Não é adotada pelo CP, mas é adotada pela 
jurisprudência! 
Para Claus Roxin, na teoria do domínio do fato, a autoria pode ser identificada por 
quem possui os seguintes domínios: 
 
 
Obs.: a teoria do domínio do fato é inaplicável aos crimes culposos, omissivos e de mão-
própria. 
 
• A teoria do domínio do fato não permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela 
prática de qualquer crime, eis que a imputação deve ser acompanhada da devida 
descrição, no plano fático, do nexo de causalidade entre a conduta e o resultado 
delituoso. STJ. 6ª Turma. REsp 1.854.893-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 
08/09/2020 (Info 681). 
• Não se pode invocar a teoria do domínio do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma 
outra prova. STF. 2ª Turma. HC 136250/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 
23/5/2017 (Info 866) 
• O superior hierárquico não pode ser punido com base na teoria do domínio do fato se 
não tiver sido demonstrado o dolo. STF. 2ª Turma. AP 975/AL, Rel. Min. Edson Fachin, 
julgado em 3/10/2017 (Info 880). 
 
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(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - A, B e C são atores. Pelo 
fato de B obter o papel de personagens de maior destaque, secretamente A o inveja e 
despreza. No intuito de livrar-se de B, A troca as balas de festim por munição real do 
revólver de C, que, ao disparar em cena de novela contra B, causa sua morte. Nesse caso, 
com base na teoria objetivo-formal, A poderá ser considerado autor mediato do 
homicídio de B. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - PGE-CE - Procurador do Estado) - A respeito da teoria do 
domínio do fato formulada por Claus Roxin e à luz da jurisprudência do STJ sobre esse 
tema, assinale a opção correta. A referida teoria não significa uma expansão dos limites 
ou fundamentos da responsabilidade penal, mas somente um critério de diferenciação 
entre autor e partícipe. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Conforme a 
autoria de escritório, tanto o agente que dá a ordem como o que cumpre respondem pelotipo penal. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - A teoria do 
domínio do fato permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de crimes 
complexos, como o de sonegação fiscal, sem a descrição da conduta. 
ITEM INCORRETO, pois de acordo com o STJ, a teoria do domínio do fato não permite, 
isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de qualquer crime, eis que a 
imputação deve ser acompanhada da devida descrição, no plano fático, do nexo de 
causalidade entre a conduta e o resultado delituoso! 
(CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - De acordo com a teoria objetivo-subjetiva, 
o autor do delito é aquele que tem o domínio final sobre o fato criminoso doloso. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2009 - DPE-ES - Defensor Público) - A teoria do domínio do fato, que rege o 
concurso de pessoas, não se aplica aos delitos omissivos, sejam estes próprios ou 
impróprios, e deve ser substituída pelo critério da infringência do dever de agir. 
ITEM CORRETO! 
Para a doutrina, existem algumas espécies de autoria, das quais destacaremos as 
seguintes para a sua prova: 
 
a) Autoria mediata 
O autor mediato se vale de pessoa não culpável ou de pessoa que atua sem dolo 
ou culpa para executar o tipo. Neste caso, não há concurso de pessoas, pois falta o vínculo 
subjetivo, servindo o autor imediato como mero instrumento. 
Difere-se do partícipe no seguinte aspecto: 
AUTOR MEDIATO PARTÍCIPE 
Conduta principal e detém o domínio do fato 
Conduta acessória e não detém o domínio do 
fato 
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Ressalta-se a impossibilidade de autoria mediata nos crimes culposos, devido a 
involuntariedade do resultado, e nos crimes de mão-própria, pois o tipo penal determina 
diretamente quem deve ser o sujeito. 
Entretanto, é completamente possível a autoria mediata nos crimes próprios, 
desde que o autor mediato reúna as condições pessoais exigidas pelo tipo do autor 
imediato. 
As hipóteses de autoria mediata no CP são: 1) inimputabilidade penal; 2) coação 
moral irresistível; 3) obediência hierárquica; 4) erro de tipo escusável provocado por 
terceiro; 5) erro de proibição escusável provocado por terceiro. 
 
b) Autoria colateral ou de parelha 
Ocorre quando duas ou mais pessoas, uma ignorando a contribuição da outra, 
praticam determinada conduta visando o mesmo resultado. Logo, não há vínculo 
subjetivo e, se este não existe, cada um responde individualmente, sem a incidência do 
concurso de pessoas. 
 Do campo da autoria colateral, surgem as seguintes autorias: 
AUTORIA INCERTA AUTORIA COMPLEMENTAR 
Sabe-se quais foram os autores do delito, 
mas não se sabe qual deles causou o 
resultado. 
Cada um responde pela tentativa. 
Entretanto, se for caso de perpetração de 
crime impossível por um dos agentes que se 
utiliza de meio inidôneo, aplica-se o in dubio 
pro reo em favor de ambos, isentando-os de 
responsabilidade. 
Os dois autores concorrem para o mesmo 
fato sem ter ciência disso. As condutas 
isoladamente não produziriam o resultado 
que é efeito da soma delas. 
Cada um responde pela tentativa. 
Obs.: a “autoria ignorada”, ao contrário da “autoria incerta”, é instituto do direito 
processual penal que ocorre quando não se descobre quem foi o autor da infração. Não 
confunda! 
 
c) Autoria intelectual 
É aquele que além de planejar a ação delituosa para ser executada por outras 
pessoas, possui o domínio do acontecer típico. 
 
 
d) Autoria por convicção 
Ocorre quando o autor conhece efetivamente a norma, mas a descumpre por 
razões de consciência, que pode ser política, religiosa, filosófica etc. 
Lembre-se do “Professor” da série “La Casa de Papel”! 
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(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Escrivão de Polícia) - Jéssica, imputável e com 30 
anos de idade, com consciência e vontade, instigou e induziu Mário, inimputável de 16 
anos de idade, a praticar ato infracional análogo ao delito de roubo, fato que se 
consumou. Na situação hipotética apresentada, Jéssica poderá ser considera autora 
mediata do roubo. 
ITEM INCORRETO, pois Jéssica instigou o menor a praticar o roubo, sendo, portanto, 
partícipe do roubo. Caso Jéssica tivesse utilizado o menor como instrumento do crime, 
aí, sim, estaríamos diante de uma situação de autoria mediata! 
(CESPE - 2019 - TJ-PR - Juiz Substituto) - A autoria colateral é aquela em que há 
pluralidade de agentes e liame subjetivo entre eles para a realização da conduta. 
ITEM INCORRETO, pois a autoria colateral não possui liame subjetivo e, por isso, não é 
concurso de pessoas! 
(CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - Aquele que planeja toda a ação criminosa 
é considerado autor intelectual do delito, ainda que não detenha o controle sobre a 
consumação do crime. 
ITEM INCORRETO, pois além de planejar toda a ação criminosa, é necessário que o autor 
intelectual também detenha o controle sobre a consumação do crime! 
(CESPE / CEBRASPE - 2013 - Polícia Federal – Delegado) - Configura autoria por convicção 
o fato de uma mãe, por convicção religiosa, não permitir a realização de transfusão de 
sangue indicada por equipe médica para salvar a vida de sua filha, mesmo ciente da 
imprescindibilidade desse procedimento. 
ITEM CORRETO! 
 
7.5. COAUTORIA 
A coautoria acontece quando dois ou mais indivíduos, com liame subjetivo 
(requisito subjetivo), praticam a conduta delituosa por meio de uma divisão de tarefas 
(requisito objetivo). 
Divide-se em: a) parcial (ou funcional): quando os autores praticam atos de 
execução diversos que, quando reunidos, levam ao resultado desejado; b) total 
(material): quando os autores praticam atos de execução idênticos que, quando 
reunidos, levam ao resultado desejado. 
Destaca-se a impossibilidade da coautoria nos crimes de mão própria, uma vez 
que esses crimes só podem ser cometidos por agente determinado pelo tipo penal. 
Exceção: crime de falsa perícia (art. 342 do CP). 
Entretanto, ela é possível nos crimes próprios tanto se todos os autores possuírem 
a característica necessária quanto se apenas um deles a possuir e os demais agentes 
detenham conhecimento dela. 
 
a) Coautoria sucessiva 
Ocorre quando a conduta é iniciada em autoria exclusiva e a consumação se dá 
com a colaboração de outro agente, sem que tenha havido prévia combinação. Lembre-
se que para que ocorra o concurso de pessoas não é necessário o ajuste prévio, mas sim 
o liame subjetivo: o autor e o agente conhecerem a conduta um do outro e os dois 
buscarem o mesmo resultado. 
 
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b) Executor de reserva 
É o agente que se faz presente durante a execução do delito, mas somente pratica 
os atos executórios se a sua ação for necessária para a obtenção do resultado. Se intervir, 
será coautor. Se não intervir, será partícipe. 
 
7.6. PARTICIPAÇÃO 
A participação é conduta acessória pela qual o agente não pratica diretamente a 
figura típica, mas concorre por meio da participação moral (instigação ou induzimento) 
ou material (auxílio). 
• Induzimento: o partícipe faz nascer no agente a intenção de praticar o crime, 
cuja ideia não existia; se dá na fase de cogitação; 
• Instigação: o partícipe encoraja a agente a praticar o crime, cuja ideia já 
existia; pode ocorrer tanto na cogitação, como nos atos preparatórios e até 
durante a execução. 
• Auxílio: só pode ser prestado durante os atos preparatórios ou executórios; 
se o crime se consumar, a assistência só será considerada se previamente 
acordada entre os agentes. 
A punição da conduta acessória é discutida por quatro teorias: 
TEORIAS DA PUNIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO 
ACESSORIEDADE 
MÍNIMA 
O autor deve praticar fato típico para que a participação seja punível. 
ACESSORIEDADE 
LIMITADA (OU MÉDIA) 
O autor deve praticar fato típico e ilícitopara que a participação seja 
punível. 
É a adotada! 
ACESSORIEDADE 
MÁXIMA 
O autor deve praticar fato típico, ilícito e culpável para que a 
participação seja punível. 
HIPERACESSORIEDADE 
O autor deve praticar fato típico, ilícito e culpável, além de ser 
efetivamente punido, para que a participação seja punível. 
 
a) Participação em cadeia 
Ocorre quando alguém induz ou instiga outrem a induzir, instigar ou auxiliar 
terceira pessoa a praticar um crime. 
 
b) Participação sucessiva 
Ocorre quando o mesmo agente é instigado, induzido ou auxiliado por duas ou 
mais pessoas, sem que essas tomem conhecimento umas das outras, a praticar um 
crime; 
 
c) Participação negativa 
O agente não tem qualquer vínculo com a conduta criminosa (não induziu, instigou 
ou auxiliou o autor), nem tampouco a obrigação de impedir o resultado. Não há, na 
realidade, participação. 
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(CESPE / CEBRASPE - 2021 - AL-CE - Analista Legislativo - Direito) - Júlio, com posse legal 
de arma de fogo de uso permitido, é marido de Flávia, que, sem consentimento ou ciência 
de seu cônjuge, emprestou a referida arma a seu amigo, Leonardo, que havia planejado 
crime de roubo, chegando a consumá-lo. Considerando essa situação hipotética e as 
disposições acerca de concurso de pessoas, assinale a opção correta. Flávia é partícipe 
do crime de Leonardo e Júlio não cometeu crime. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2013 - TJ-RN - Juiz) - De acordo com a teoria da acessoriedade limitada, para 
a punibilidade da participação basta que a conduta principal constitua fato típico. 
ITEM INCORRETO, pois de acordo com a teoria da acessoriedade limitada, o agente deve 
ter praticado fato típico e ilícito! 
 
7.7. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES CULPOSOS 
• Coautoria: é permitido, se os dois ou mais agentes agirem juntos com 
imprudência, negligência ou imperícia e produzirem um resultado naturalístico. O liame 
subjetivo não envolve o resultado, mas a conduta. 
• Participação: não é permitido, pois é impossível ser intencionalmente partícipe 
sem buscar o resultado que seria produzido pelo crime. 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Substituto) - Júlio, recém-
habilitado para a condução de veículos automotores, pegou emprestado o carro de seu 
pai, Pedro, para ir a um evento. Pouco tempo depois, ao tentar fazer uma ultrapassagem, 
Júlio invadiu a calçada, atropelou e matou uma criança que se encontrava parada em um 
ponto de ônibus. Acerca dessa situação hipotética e de aspectos legais a ela pertinentes, 
assinale a opção correta. O ordenamento jurídico brasileiro não admite a participação em 
crime culposo, e Pedro não poderá ser responsabilizado, porquanto não violou nenhum 
dever jurídico apto a gerar consequências penais. 
ITEM CORRETO! 
 
7.8. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES OMISSIVOS 
• Coautoria em crimes omissivos próprios: a doutrina diverge, mas prevalece que 
é permitido. 
• Participação em crimes omissivos próprios: é permitido, desde que o agente 
pudesse agir no caso concreto e tivesse o dever de agir para evitar o resultado. 
• Coautoria nos crimes omissivos impróprios: a doutrina diverge, mas prevalece 
que é permitido. 
• Participação nos crimes omissivos impróprios: é permitido, desde que o agente 
pudesse agir no caso concreto e tivesse o dever de agir para evitar o resultado. 
 
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7.9. PUNIBILIDADE NO CONCURSO DE PESSOAS 
a) Participação de menor importância 
É aplicado exclusivamente ao titular da conduta acessória e está previsto no art. 
29, § 1º, do CP: 
Art. 29, § 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser 
diminuída de um sexto a um terço. 
Obs.: não confunda com a “participação inócua ou desnecessária”, que é destituída de 
qualquer relevância e, por isso, não é punível. 
 
b) Cooperação dolosamente distinta 
É aplicado tanto aos coautores quanto aos partícipes e está previsto no art. 29, § 
2º, do CP: 
Art. 29, § 1º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, 
ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na 
hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. 
Portanto, enquanto na participação de menor importância afere-se a pouca 
relevância causal da conduta de determinado agente, na cooperação dolosamente 
distinta afere-se o desvio subjetivo de sua conduta. Tenha isso claro, pois as provas 
trocam esses institutos com frequência. 
 
• Agente que participou do roubo pode responder por latrocínio ainda que o disparo que 
matou a vítima tenha sido efetuado pelo corréu. 
Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima, 
responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou 
que sua participação se revele de menor importância. Ex.: João e Pedro combinaram de 
roubar um carro utilizando arma de fogo. Eles abordaram, então, Ricardo e Maria quando 
o casal entrava no veículo que estava estacionado. Os assaltantes levaram as vítimas para 
um barraco no morro. Pedro ficou responsável por vigiar o casal no cativeiro enquanto 
João realizaria outros crimes utilizando o carro subtraído. Depois de João ter saído, 
Ricardo e Maria tentaram fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João 
pretendia responder apenas por roubo majorado alegando que não participou nem 
queria a morte das vítimas, devendo, portanto, ser aplicado o art. 29, § 2º do CP. O STF, 
contudo, não acatou a tese. Isso porque João assumiu o risco de produzir resultado mais 
grave, ciente de que atuava em crime de roubo, no qual as vítimas foram mantidas em 
cárcere sob a mira de arma de fogo. STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco 
Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855). 
 
(CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - João e Pedro, maiores e capazes, livres e 
conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, para juntos 
assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após 
o fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, 
na qual entraram e ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam 
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divididos igualmente entre os três. Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local 
durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. João e Pedro tiveram 
participação de menor importância no crime de furto; assim, eventual indiciamento dos 
dois será na condição de partícipes, razão por que eles poderão ser beneficiados pela 
diminuição de um a dois terços da pena. 
ITEM INCORRETO, pois não se trata de participação de menor importância, mas sim 
coautoria, tendo em vista que houve a distribuição de tarefas. Ainda, na participação de 
menor importância a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço! 
 
7.10. (IN)COMUNICABILIDADE DAS CIRCUNSTÂNCIAS, CONDIÇÕES E ELEMENTARES 
A previsão de incomunicabilidade das circunstâncias está no art. 30 do CP, do qual 
se extrai o seguinte: 
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, 
salvo quando elementares do crime. 
 
7.11. COLABORAÇÃO PREMIADA E CONCURSO DE PESSOAS 
De acordo com o STJ, o acordo de colaboração premiada é cabível em qualquer 
crime cometido em concurso de agentes, não se restringindo ao delito de organização 
criminosa. 
 
• É possível celebrar acordo de colaboração premiada em quaisquer condutas praticadas 
em concurso de agentes. 
No caso concreto, antes da delação premiada, já estavam sendo investigadas, na fase 
administrativa, ao menos 7 pessoas. Assim, os pressupostos para que eventualmente 
pudesse ser caracterizada a organização criminosa estavam, apriori, presentes no caso. 
Na denúncia oferecida posteriormente foram acusadas 7 pessoas naturais. Muito 
embora não tenham sido acusadas de integrar organização criminosa, tal circunstância 
não impedia o acordo de delação premiada, nem compromete a validade do material 
probatório dela oriundo. A doutrina e a jurisprudência têm admitido que, em outros 
crimes cometidos em concurso de agentes, seja celebrada colaboração premiada. STJ. 6ª 
Turma. HC 582678-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/06/2022 (Info 742). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
1. CRIMES CONTRA A PESSOA ........................................................................................................... 85 
1.1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 85 
1.2. HOMICÍDIO ......................................................................................................................... 85 
1.3. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUITILAÇÃO ......... 88 
1.4. ABORTO .............................................................................................................................. 90 
1.5. LESÃO CORPORAL ............................................................................................................. 91 
1.6. OMISSÃO DE SOCORRO .................................................................................................... 94 
1.7. MAUS-TRATOS ................................................................................................................... 94 
1.8. CRIMES CONTRA A HONRA ............................................................................................... 95 
1.9. PERSEGUIÇÃO .................................................................................................................... 98 
1.10. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA ................................................................................................. 99 
1.11. INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO ....................................................................... 99 
2. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO ................................................................................................. 101 
2.1. FURTO .............................................................................................................................. 101 
2.2. ROUBO .............................................................................................................................. 105 
2.3. EXTORSÃO ....................................................................................................................... 108 
2.4. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO .............................................................................. 109 
2.5. APROPRIAÇÃO INDÉBITA................................................................................................. 109 
2.6. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA ................................................................... 110 
2.7. ESTELIONATO .................................................................................................................. 112 
2.8. RECEPTAÇÃO ................................................................................................................... 114 
2.9. DISPOSIÇÕES GERAIS ..................................................................................................... 115 
3. CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL ..................................................................................... 118 
3.1. ESTUPRO .......................................................................................................................... 118 
2.1. VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE ........................................................................ 119 
3.2. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL ............................................................................................... 119 
3.3. ASSÉDIO SEXUAL ............................................................................................................ 119 
3.4. REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL .............................................. 119 
3.5. ESTUPRO DE VULNERÁVEL ............................................................................................. 119 
3.6. CORRUPÇÃO DE MENORES ............................................................................................. 121 
3.7. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL 
DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL .......................................................... 122 
3.8. DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL. DE 
CENA DE SEXO OU PORNOGRAFIA .......................................................................................... 123 
3.9. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL
 123 
3.10. CASA DE PROSTITUIÇÃO................................................................................................. 123 
3.11. ATO OBSCENO ................................................................................................................. 124 
3.12. DISPOSIÇÕES GERAIS ..................................................................................................... 124 
4. CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA ................................................................................................. 125 
4.1. INCITAÇÃO AO CRIME ...................................................................................................... 125 
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4.2. APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO ............................................................................ 126 
4.3. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA ............................................................................................... 126 
4.4. CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA ............................................................................ 126 
5. CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA ................................................................................................... 127 
5.1. MOEDA FALSA .................................................................................................................. 127 
5.2. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO .................................................................... 127 
5.3. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR.............................................................. 128 
5.4. FALSIDADE IDEOLÓGICA ................................................................................................. 128 
5.5. USO DE DOCUMENTO FALSO ......................................................................................... 129 
5.6. FALSA IDENTIDADE ......................................................................................................... 129 
5.7. ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO .............................................. 129 
5.8. FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO ....................................................... 130 
6. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .......................................................................... 131 
6.1. PECULATO ........................................................................................................................ 131 
6.2. CONCUSSÃO .................................................................................................................... 134 
6.3. CORRUPÇÃO PASSIVA X CORRUPÇÃO ATIVA ................................................................ 134 
6.4. PREVARICAÇÃO ................................................................................................................ 135 
6.5. CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA ................................................................................... 136 
6.6. ADVOCACIAADMINISTRATIVA ........................................................................................ 136 
6.7. FUNCIONÁRIO PÚBLICO .................................................................................................. 136 
6.8. RESISTÊNCIA X DESOBEDIÊNCIA ................................................................................... 137 
6.9. DESACATO ........................................................................................................................ 137 
6.10. TRÁFICO DE INFLUÊNCIA X EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO ........................................... 137 
6.11. DESCAMINHO X CONTRABANDO ................................................................................... 138 
6.12. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ..................................................... 141 
6.13. AFASTAMENTO DE LICITANTE ........................................................................................ 142 
6.14. FRAUDE EM LICITAÇÃO OU CONTRATO ......................................................................... 142 
6.15. CONTRATAÇÃO INIDÔNEA .............................................................................................. 142 
6.16. OMISSÃO GRAVE DE DADO OU DE INFORMAÇÃO PROJETISTA .................................. 142 
6.17. PENA DOS CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS ..................... 143 
6.18. DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA ........................................................................................... 143 
6.19. COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME OU DE CONTRAVENÇÃO ......................................... 144 
6.20. AUTOACUSAÇÃO FALSA ................................................................................................. 144 
6.21. FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA ..................................................................... 144 
6.22. CORRUPÇÃO ATIVA DE TESTEMUNHA OU PERÍCIA ...................................................... 145 
6.23. COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO .............................................................................. 145 
6.24. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES.......................................................... 145 
6.25. FRAUDE PROCESSUAL .................................................................................................... 145 
6.26. FAVORECIMENTO PESSOAL X FAVORECIMENTO REAL ................................................ 145 
6.27. ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÃO NO ÚLTIMO ANO DO MANDATO OU LEGISLATURA ....... 146 
7. CRIMES CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO .......................................................... 148 
 
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1 – CRIMES CONTRA A PESSOA 
 
 
1.1. INTRODUÇÃO 
Tendo em vista que grande parte das questões do CEBRASPE da parte especial 
abordam o texto da lei e jurisprudências, iremos revisá-la em cima desses aspectos. Para 
isso, daremos ênfase aos crimes mais cobrados ou que estejam no radar do examinador, 
certo? Vamos lá! 
 
1.2. HOMICÍDIO 
HOMICÍDIO SIMPLES 
Art. 121. Matar alguem: 
Pena - reclusão, de seis a vinte anos. 
 
CASO DE DIMINUIÇÃO DE PENA 
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, 
ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o 
juiz pode REDUZIR a pena de um sexto a um terço. – Não confunda “sob o domínio” 
(privilegiadora) com “sob a influência” (atenuante)! 
 
HOMICÍDIO QUALIFICADO 
§ 2° Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 
QUALIFICADORA SUBJETIVA 
II - por motivo futil; QUALIFICADORA SUBJETIVA 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou 
cruel, ou de que possa resultar perigo comum; QUALIFICADORA OBJETIVA 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte 
ou torne impossivel a defesa do ofendido; QUALIFICADORA OBJETIVA 
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: 
QUALIFICADORA SUBJETIVA 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
FEMINICÍDIO 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: QUALIFICADORA 
OBJETIVA 
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição 
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no 
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou 
parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: QUALIFICADORA 
OBJETIVA 
VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido: QUALIFICADORA 
OBJETIVA 
 HOMICÍDIO CONTRA MENOR DE 14 (QUATORZE) ANOS 
ATENÇÃO! NOVIDADE! #LEIHENRYBOREL 
HOMICÍDIO CONTRA MENOR DE 14 (QUATORZE) ANOS 
IX - contra menor de 14 (quatorze) anos: QUALIFICADORA OBJETIVA 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
 
§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime 
envolve: 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
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I - violência doméstica e familiar; 
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
 
 § 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é AUMENTADA DE: 
ATENÇÃO! NOVIDADE! #LEIHENRYBOREL 
 
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que 
implique o aumento de sua vulnerabilidade; 
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, 
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro 
título tiver autoridade sobre ela. 
 
HOMICÍDIO CULPOSO 
§ 3º Se o homicídio é culposo: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
 
AUMENTO DE PENA 
§ 4º No homicídio culposo, a pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço), se o crime resulta de 
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de 
prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou 
foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é AUMENTADA DE 
1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 
60 (sessenta) anos. 
 
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as 
conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção 
penal se torne desnecessária. – PERDÃO JUDICIAL! 
 
§ 6º A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por 
milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de 
extermínio. 
 
 § 7º A pena do feminicídio é AUMENTADA de 1/3 (um terço) até a metade se o crime 
for praticado: 
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; 
II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças 
degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou 
mental; 
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; 
IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos 
I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. 
Obs.: um novo inciso (III) foi adicionado ao §2º-B pela Lei nº 14.811/2024. Entretato, 
como ela é pós-edital, não será cobrada na sua prova. Por isso, não o incluimos acima! 
Os hediondos são: homicídio simples quando praticado em atividade típica de 
grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente; e homicídio qualificado. 
VENENO 
VENEFÍCIO MEIO CRUEL 
Se a pessoa não sabe que está sendo 
envenenada 
Se a pessoa sabe que está sendoenvenenada 
Além das causas de aumento observadas no texto legal, destacam-se as 
seguintes: 
 
https://www.gran.com.br/
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22ii
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22iii
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MAJORANTES 
FEMINICÍDIO CONTRA MENOR DE 14 ANOS 
1/3 ATÉ 
METADE 
• durante a gestação ou nos 3 
(três) meses posteriores ao 
parto; 
1/3 ATÉ 
METADE 
• se a vítima é pessoa com 
deficiência ou com doença que 
implique o aumento de sua 
vulnerabilidade. 
• contra pessoa maior de 60 
(sessenta) anos, com 
deficiência ou com doenças 
degenerativas que acarretem 
condição limitante ou de 
vulnerabilidade física ou 
mental; 
• na presença física ou virtual 
de descendente ou de 
ascendente da vítima; 
2/3 
• se o autor é ascendente, 
padrasto ou madrasta, tio, 
irmão, cônjuge, companheiro, 
tutor, curador, preceptor ou 
empregador da vítima ou por 
qualquer outro título tiver 
autoridade sobre ela 
• em descumprimento das 
medidas protetivas de 
urgência previstas nos incisos 
I, II e III do caput do art. 22 da 
Lei nº 11.340, de 7 de agosto 
de 2006. 
 
• A qualificadora da ‘paga ou promessa de recompensa’, prevista no inciso I do § 2º do art. 
121 do CP, também se comunica ao MANDANTE do crime? 
1ª corrente: NÃO. A qualificadora da paga (art. 121, 2º, I, do CP) não é aplicável aos 
mandantes do homicídio, porque o pagamento é, para eles, a conduta que os integra no 
concurso de pessoas, mas não o motivo do crime. STJ. 5ª Turma. REsp 1973397-MG, Rel. 
Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/09/2022 (Info 748). 
2ª corrente: SIM. No homicídio mercenário, a qualificadora da paga ou promessa de 
recompensa é elementar do tipo qualificado, comunicando-se ao mandante do delito. 
STJ. 6ª Turma. AgInt no REsp 1681816/GO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 
03/05/2018. 
• O crime de remoção de órgãos qualificado pelo resultado morte, previsto no art. 14, § 
4º, da Lei nº 9.434/97, não é de competência do Júri. STF. 1ª Turma. RE 1313494/MG, Rel. 
Min. Dias Toffoli, julgado em 14/9/2021 (Info 1030). 
• É possível haver homicídio qualificado praticado com dolo eventual? 
1) No caso das qualificadoras do motivo FÚTIL e/ou TORPE (art. 121, § 2º, I e II, do CP): 
SIM. Não há dúvidas quanto a isso. Trata-se da posição do STJ e do STF. STJ. 6ª Turma. 
REsp 1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/06/2017. 
2) No caso de qualificadoras de MEIO (art. 121, § 2º, III e IV, do CP): 
1ª corrente: SIM. O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte (dolo 
eventual), não exclui a possibilidade de o crime ter sido praticado por motivo fútil, uma 
vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que ensejou 
a conduta. STJ. 6ª Turma. REsp 1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 
13/06/2017. 
2ª corrente: NÃO. O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, 
§ 2º, IV (traição, emboscada dissimulação). Para que incida a qualificadora da surpresa é 
indispensável que fique provado que o agente teve a vontade de surpreender a vítima, 
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impedindo ou dificultando que ela se defendesse. Ora, no caso do dolo eventual, o agente 
não tem essa intenção, considerando que não quer matar a vítima, mas apenas assume 
o risco de produzir esse resultado. Como o agente não deseja a produção do resultado, 
ele não direcionou sua vontade para causar surpresa à vítima. Logo, não pode responder 
por essa circunstância (surpresa). STF. 2ª Turma. HC 111442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 28/8/2012 (Info 677) / A qualificadora de natureza objetiva prevista no inciso 
III do § 2º do art. 121 do Código Penal não se compatibiliza com a figura do dolo eventual, 
pois enquanto a qualificadora sugere a ideia de premeditação, em que se exige do agente 
um empenho pessoal, por meio da utilização de meio hábil, como forma de garantia do 
sucesso da execução, tem-se que o agente que age movido pelo dolo eventual não atua 
de forma direcionada à obtenção de ofensa ao bem jurídico tutelado, embora, com a sua 
conduta, assuma o risco de produzi-la. STJ. 6ª Turma. EDcl no REsp 1848841/MG, Rel. Min. 
Nefi Cordeiro, julgado em 2/2/2021. STJ. 6ª Turma. REsp 1.987.786/SP, Rel. Min. Antonio 
Saldanha Palheiro, julgado em 9/8/2022. 
 • Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e 
de feminicídio no crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência 
doméstica e familiar. Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem 
OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime estiver atrelado à violência doméstica e 
familiar propriamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, 
continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito. 
STJ. 6ª Turma. HC 433898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625). 
• Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2°, II, do CP), na hipótese de 
homicídio supostamente praticado por agente que disputava "racha", quando o veículo 
por ele conduzido — em razão de choque com outro automóvel também participante do 
"racha" — tenha atingido o veículo da vítima, terceiro estranho à disputa automobilística. 
STJ. 6ª Turma. HC 307617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião 
Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583). 
• Se a vítima tiver morte instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar 
a causa de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121? NÃO. No homicídio culposo, a 
morte instantânea da vítima não afasta a causa de aumento de pena prevista no art. 
121, § 4º, do CP, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer 
pessoa. STJ. 5ª Turma. HC 269038-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 2/12/2014 (Info 
554). 
 
1.3. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUITILAÇÃO 
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-
lhe auxílio material para que o faça: CRIME FORMAL 
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. 
 
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza 
grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código: – 
QUALIFICADORA – CRIME MATERIAL 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
 
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: - QUALIFICADORA – 
CRIME MATERIAL 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
 
§ 3º A pena é duplicada: 
I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; 
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II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de 
resistência. 
 
§ 4º A pena é AUMENTADA até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de 
computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. 
 
§ 5º AUMENTA-SE A PENA em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de 
rede virtual. 
 
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza 
gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por 
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática 
do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o 
agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código. – LESÃO CORPORAL 
GRAVÍSSIMA! 
 
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze)anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, 
por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime 
de HOMICÍDIO, nos termos do art. 121 deste Código. 
INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO 
QUALIFICADORAS MAJORANTES 
• Se da automutilação ou da tentativa de 
suicídio resulta lesão corporal de natureza 
grave ou gravíssima; 
DUPLICADA 
• motivo egoístico, torpe ou 
fútil; 
• vítima é menor ou tem 
diminuída, por qualquer causa, 
a capacidade de resistência. 
• Se o suicídio se consuma ou se da 
automutilação resulta morte. 
ATÉ O 
DOBRO 
• conduta é realizada por meio 
da rede de computadores, de 
rede social ou transmitida em 
tempo real. 
METADE 
• agente é líder ou 
coordenador de grupo ou de 
rede virtual. 
Obs.: a redação do §5º do art. 122 mudou com a Lei nº 14.811/2024. Entretanto, como 
ela é pós-edital, não será cobrada na sua prova. Por isso, ainda estamos abordando a 
redação antiga! 
CRIME PRATICADO CONTRA MENOR DE 14 ANOS OU VULNERÁVEL 
RESULTA EM TIPO PENAL 
Lesão grave Art. 122, § 1° + Art. 122, § 3º, II 
Lesão gravíssima Art. 129, § 2º 
Morte Art. 121 
 
AMBICÍDIO 
CONCEITO • É o “pacto de morte” (duas pessoas decidem tirar as suas próprias vidas). 
SITUAÇÃO 
HIPOTÉTICA 
TRAZIDA PELA 
DOUTRINA 
(SANCHES) 
X e Y decidem se matar em um cômodo fechado, de tal forma que, para tal, 
X abre uma torneira de gás. Um vizinho percebe o que está acontecendo e 
invade o cômodo, salvando os dois. Como eles serão responsabilizados? • X: 
tentativa de homicídio; • Y: participação em suicídio na modalidade simples, 
se resultou em lesão leve; ou na modalidade qualificada, se resultou em lesão 
grave ou gravíssima. 
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1.4. ABORTO 
ABORTO PROVOCADO PELA GESTANTE OU COM SEU CONSENTIMENTO 
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
 
ABORTO PROVOCADO POR TERCEIRO 
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de três a dez anos. 
 
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de 
quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante 
fraude, grave ameaça ou violência 
 
FORMA QUALIFICADA – É CAUSA DE AUMENTO DE PENA 
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são AUMENTADAS de um terço, 
se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante 
sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas 
causas, lhe sobrevém a morte. 
 
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: - EXCLUDENTE DE ILICITUDE 
ABORTO NECESSÁRIO – TERAPÊUTICO OU PROFILÁTICO 
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; 
ABORTO NO CASO DE GRAVIDEZ RESULTANTE DE ESTUPRO – ABORTO SENTIMENTAL, 
HUMANITÁRIO, ÉTICO OU PIEDOSO 
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante 
ou, quando incapaz, de seu representante legal. 
 
• Médico não pode acionar a polícia para investigar paciente que procurou atendimento 
médico-hospitalar por ter praticado manobras abortivas, uma vez que se mostra como 
confidente necessário, estando proibido de revelar segredo do qual tem conhecimento, 
bem como de depor a respeito do fato como testemunha. STJ. 6ª Turma. HC 783927/MG, 
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 14/3/2023 (Info 767). 
• Interrupção de gravidez de feto anencéfalo é conduta atípica. STF. Plenário. ADPF 
54/DF, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11 e 12/4/2012. 
ABORTO TIPIFICAÇÃO 
Aborto natural e acidental Não há crime 
Autoaborto Art. 124, 1ª parte 
Aborto consentido ou procurado Art. 124, 2ª parte 
Aborto provocado por terceiro sem o 
consentimento da gestante 
Art 125 
Aborto provocado por terceiro com o 
consentimento da gestante 
Art 126 
Aborto majorado pelo resultado Art. 127 
Aborto legal Art. 128 
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Aborto eugênico ou eugenésico 
É criminoso, com exceção de caso de feto 
anencéfalo (STF) 
Aborto honoris causa É criminoso 
Aborto miserável É criminoso 
Destaca-se que na hipótese de vários fetos (gêmeos, trigêmeos etc.), haverá 
concurso formal de crimes. Ademais, os arts. 124 e 126 são exceção pluralista à teoria 
monista. 
 
1.5. LESÃO CORPORAL 
LESÃO CORPORAL 
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
 
LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE 
§ 1º Se resulta: - LESÃO CORPORAL GRAVE 
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; 
II - perigo de vida; 
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
IV - aceleração de parto: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
§ 2° Se resulta: LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA 
I - Incapacidade permanente para o trabalho; 
II - enfermidade incuravel; 
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função; 
IV - deformidade permanente; 
V - aborto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
 
LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE – é crime PRETERDOLOSO 
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, 
nem assumiu o risco de produzí-lo: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
 
DIMINUIÇÃO DE PENA – LESÃO CORPORAL PRIVILEGIADA 
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral 
ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o 
juiz pode REDUZIR a pena de um sexto a um terço. 
 
SUBSTITUIÇÃO DA PENA 
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda SUBSTITUIR a pena de detenção pela 
de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis: 
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; 
II - se as lesões são recíprocas. 
 
LESÃO CORPORAL CULPOSA 
§ 6° Se a lesão é culposa: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
 
AUMENTO DE PENA 
§ 7º AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 
6º do art. 121 deste Código. 
 
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121. – PERDÃO JUDICIAL 
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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou 
companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o 
agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
 
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas 
no § 9º deste artigo, AUMENTA-SE a pena em 1/3 (um terço). 
 
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será AUMENTADA de um terço se o crime 
for cometido contra pessoa portadora de deficiência. 
 
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 
da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de 
Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, 
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a 
pena é AUMENTADA de um a dois terços. – Essa condição no art. 121 (homicídio) é uma 
qualificadora, mas no art. 129 (lesão corporal) é uma majorante! Não confunda! 
 
 § 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo 
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código: ATENÇÃO! NOVIDADE! 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). 
Súmula nº 542, STJ: “A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de 
violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada.”• Verificado que a lesão é o resultado das agressões sofridas, a existência de concausa 
anterior relativamente independente não impede a condenação pelo crime de lesão 
corporal grave. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.882.609-MS, Rel. Min. Antonio Saldanha 
Palheiro, julgado em 13/3/2023 (Info 770). 
 • A qualificadora prevista no art. 129, § 2º, IV, do Código Penal (deformidade 
permanente) abrange somente lesões corporais que resultam em danos físicos. STJ. 6ª 
Turma. HC 689921-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 08/03/2022 (Info 728). 
 • Lesão corporal contra irmão configura o § 9º do art. 129 do CP não importando onde 
a agressão tenha ocorrido. STJ. 5ª Turma. RHC 50026-PA, Rel. Min. Reynaldo Soares da 
Fonseca, julgado em 3/8/2017 (Info 609). 
• Perda de dois dentes configura lesão grave (e não gravíssima). STJ. 6ª Turma. REsp 
1620158-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/9/2016 (Info 590). 
• A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, 
IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou 
minimize a deformidade na vítima. Isso porque, o fato criminoso é valorado no momento 
de sua consumação, não o afetando providências posteriores, notadamente quando não 
usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados, 
dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da vítima. STJ. 
6ª Turma. HC 306.677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-
SP), Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015 (Info 562). 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
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• A ausência do laudo pericial não impede que a materialidade do delito de lesão corporal 
de natureza grave seja reconhecida por outros meios, como testemunhas e relatórios de 
atendimento hospitalar. STF. 2ª Turma. HC 114567/ES, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 
em 16/10/2012 (Info 684). 
LESÃO CORPORAL GRAVE E GRAVÍSSIMA (MODALIDADES) 
GRAVE GRAVÍSSIMA 
P Perigo de vida P 
Perda ou inutilização do membro, 
sentido ou função 
I 
Incapacidade para as ocupações 
habituais, por mais de trinta dias 
E Enfermidade incurável 
D 
Debilidade permanente de membro, 
sentido ou função 
I 
Incapacidade permanente para o 
trabalho 
A Aceleração de parto 
D Deformidade permanente 
A Aborto 
 
LESÃO CORPORAL 
QUALIFICADORAS 
• Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o 
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo; 
• Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo 
feminino. 
MAJORANTES 
1/3 
• Lesão culposa quando o crime: resulta de inobservância de 
regra técnica de profissão, arte ou ofício; agente deixa de 
prestar imediato socorro à vítima; agente não procura 
diminuir as consequências do seu ato; ou agente foge para 
evitar prisão em flagrante. 
• Lesão dolosa quando o crime é praticado contra pessoa: 
menor de 14 (quatorze); ou maior de 60 (sessenta) anos. 
• Crime for praticado por: milícia privada, sob o pretexto de 
prestação de serviço de segurança; ou grupo de extermínio. 
• Crime de violência doméstica cometido contra: pessoa 
portadora de deficiência. 
• No caso de lesão grave, gravíssima ou seguida de morte: se 
as circunstâncias são as indicadas no § 9º (violência 
doméstica). 
1 A 2/3 
• Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente 
descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal 
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de 
Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência 
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente 
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição. 
São hediondos: lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2º) e lesão 
corporal seguida de morte (art. 129, § 3º), quando praticadas contra autoridade ou 
agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema 
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em 
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até 
terceiro grau, em razão dessa condição. 
 
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1.6. OMISSÃO DE SOCORRO 
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à 
criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em 
grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
 Parágrafo único - A pena é AUMENTADA de metade, se da omissão resulta lesão 
corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. - MAJORANTE 
 
OMISSÃO DE SOCORRO (CP) OMISSÃO DE SOCORRO (CTB) 
Deixar de prestar assistência, quando 
possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança 
abandonada ou extraviada, ou à pessoa 
inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave 
e iminente perigo; ou não pedir, nesses 
casos, o socorro da autoridade pública. 
Deixar o condutor do veículo, na ocasião do 
sinistro, de prestar imediato socorro à vítima, 
ou, não podendo fazê-lo diretamente, por 
justa causa, deixar de solicitar auxílio da 
autoridade pública. 
Crime comum – qualquer pessoa. 
Crime próprio – apenas o condutor do veículo 
envolvido no acidente. 
 
 
1.7. MAUS-TRATOS 
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou 
vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de 
alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou 
inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa. 
 
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
 
§ 2º - Se resulta a morte: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
 
§ 3º - AUMENTA-SE a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 
14 (catorze) anos. - MAJORANTE 
 
MAUS-TRATOS 
(Art. 136, CP) 
TORTURA-CASTIGO 
(Art. 1º, II, LEI Nº 9.455/97) 
Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa 
sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para 
fim de educação, ensino, tratamento ou 
custódia, quer privando-a de alimentação ou 
cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a 
trabalho excessivo ou inadequado, quer 
abusando de meios de correção ou disciplina 
Submeter alguém, sob sua guarda, poder ou 
autoridade, com emprego de violência ou 
grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou 
mental, como forma de aplicar castigo 
pessoal ou medida de caráter preventivo. 
Crime de perigo Crime de dano 
Dolo de repreensão Dolo de padecimento 
Não exige intenso sofrimento físico ou 
mental 
Exige intenso sofrimento físico ou mental 
 
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1.8. CRIMES CONTRA A HONRA 
CALÚNIA 
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 
 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. 
 
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos. 
 
EXCEÇÃO DA VERDADE 
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: - EM REGRA, CABE EXCEÇÃO DA VERDADE NA 
CALÚNIA, COM EXCEÇÃO DOS CASOS TRAZIDOS NESTE PARÁGRAFO! 
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado 
por sentença irrecorrível; 
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141(PRESIDENTE 
DA REPÚBLICA OU CHEFE DE GOVERNO ESTRANGEIRO); 
III - se do crime imputado, embora de açãopública, o ofendido foi absolvido por sentença 
irrecorrível. 
 
DIFAMAÇÃO 
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
 
EXCEÇÃO DA VERDADE 
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário 
público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. – É EXCEÇÃO, POIS EM REGRA 
NÃO CABE EXCEÇÃO DA VERDADE NA DIFAMAÇÃO! 
 
INJÚRIA 
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
 
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: - PERDÃO JUDICIAL 
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; 
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria. 
 
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo 
meio empregado, se considerem aviltantes: - INJÚRIA REAL 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à 
violência. 
 
 § 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à 
condição de pessoa idosa ou com deficiência: - INJÚRIA DISCRIMINATÓRIA 
ATENÇÃO! NOVIDADE! 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 
(“Raça, cor, etnia e origem” não fazem mais parte do § 3º! Estes elementos agora 
integram a “injúria racial” prevista no art. 2ª-A da lei nº 7.716/89 – fenômeno da 
continuidade normativo-típica)! 
 
DISPOSIÇÕES COMUNS 
 Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo AUMENTAM-SE de um terço, se 
qualquer dos crimes é cometido: - MAJORANTES 
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; 
II - contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do 
Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal; 
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III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da 
difamação ou da injúria. 
IV - contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou pessoa com 
deficiência, exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 deste Código. ATENÇÃO! 
NOVIDADE! #LEYHENRYBOREL 
 
§ 1º - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a 
pena em dobro. 
 
§ 2º Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da 
rede mundial de computadores, aplica-se em triplo a pena. 
 
 EXCLUSÃO DO CRIME 
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível: 
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador; 
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando 
inequívoca a intenção de injuriar ou difamar; 
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou 
informação que preste no cumprimento de dever do ofício. 
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem 
lhe dá publicidade. 
 
 RETRATAÇÃO 
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da 
difamação, fica isento de pena. 
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação 
utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o 
ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa 
 
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, 
quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las 
ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa. 
 
 Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, 
salvo quando, no caso do art. 140, § 2º (INJÚRIA REAL), da violência resulta lesão corporal. 
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do 
inciso I do caput do art. 141 deste Código (CONTRA PRESIDENTE DA REPÚBLICA OU CHEFE 
DE GOVERNO ESTRANGEIRO), e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II 
(CONTRA FUNCIONÁRIO PÚBLICO, EM RAZÃO DE SUAS FUNÇÕES) do mesmo artigo, bem 
como no caso do § 3º o do art. 140 (INJÚRIA DISCRIMINATÓRIA) deste Código. 
Súmula nº 714, STF: “É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do 
Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por 
crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.” 
 
 
• Veículo de comunicação social pode ser responsabilizado por ter divulgado entrevista 
na qual o entrevistado forneceu informações falsas e ofensivas à honra de outra pessoa. 
STF. Plenário. RE 1.075.412/PE, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson 
Fachin, julgado em 29/11/2023 (Repercussão Geral – Tema 955) (Info 1120). 
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• O mero compartilhamento de postagem consistente em charge elaborada por 
cartunista, sem agregar à conduta objetiva a intenção de ofender, injuriar ou vilipendiar 
a honra da suposta vítima não tem o condão de qualificar a prática de infração penal. 
STJ. Corte Especial. Inq 1.656/DF, Rel. Min.Antonio Carlos Ferreira, julgado em 9/11/2023 
(Info 16 – Edição Extraordinária). 
 • É inconstitucional o uso da tese da “legítima defesa da honra” em crimes de 
feminicídio ou de agressão contra mulheres, seja no curso do processo penal (fase pré-
processual ou processual), seja no âmbito de julgamento no Tribunal do Júri. Essa tese é 
inconstitucional por contrariar os princípios da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, 
CF/88), da proteção à vida (art. 5º, “caput”, CF/88) e da igualdade de gênero (art. 5º, I, 
CF/88). STF. Plenário ADPF 779/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º/8/2023 (Info 
1105). 
• Críticas políticas a atuação de membro do Ministério Público, sem que haja imputação 
de um fato determinado, com a indicação da conduta praticada, de quando fora 
praticada, em que local ou em que circunstâncias supostamente delitivas, não bastam 
para a configuração do crime de calúnia. STJ. Corte Especial. APn 990/DF, Rel. Min. 
Herman Benjamin, julgado em 21/9/2022 (Info Especial 8). 
• Manifestações por parte da imprensa de natureza crítica, satírica, agressiva, grosseira 
ou deselegante não autorizam, por si sós, o uso do direito penal para, mesmo que de 
forma indireta, silenciar a atividade jornalística. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 691897-DF, 
Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Rel. Acd. Min. 
Sebastião Reis Júnior, julgado em 17/05/2022 (Info 738). 
 • O crime de injúria praticado pela internet por mensagens privadas, as quais somente 
o autor e o destinatário têm acesso ao seu conteúdo, consuma-se no local em que a 
vítima tomou conhecimento do conteúdo ofensivo. STJ. 3ª Seção. CC 184269-PB, Rel. 
Min. Laurita Vaz, julgado em 09/02/2022 (Info 724). 
 • A retratação da calúnia, feita antes da sentença, acarreta a extinção da punibilidade 
do agente independente de aceitação do ofendido. STJ. Corte Especial. APn 912/RJ, Rel. 
Min. Laurita Vaz, julgado em 03/03/2021 (Info 687). 
• Difamação pode ser praticada mediante a publicação de vídeo no qual o discurso da 
vítima seja editado. STF. 1ª Turma. AP 1021/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/8/2020 
(Info 987). 
• A ausência de previsibilidade de que a ofensa chegue ao conhecimento da vítima afasta 
o dolo específico do delito de injúria, tornando a conduta atípica. STJ. 6ª Turma. REsp 
1765673-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/05/2020 (Info 672). 
• Esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de postagem que 
sugere relação extraconjugal do marido. STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min. Luiz 
Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2018 (Info 919). 
 
 
 
 
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CRIMES CONTRA A HONRA 
ADMITE PUNIÇÃO SE 
PRATICADO CONTRA OS 
MORTOS 
• calúnia 
ADMITE PERDÃO JUDICIAL • injúria 
ADMITEM EXCEÇÃO DA 
VERDADE 
• calúnia (regra); e 
• difamação (exceção - se a conduta for dirigida contra 
funcionário público no exercício da função). 
ADMITEM EXCLUSÃO DO 
CRIME 
• injúria; e 
• difamação 
(INDI) 
ADMITEM RETRATAÇÃO 
• calúnia; e 
• difamação 
(CADI) 
 
AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA 
AP PRIVADA 
• regra; 
• contra funcionário público, em razão de suas funções (súmula 714, 
STF). 
AP PÚBLICA 
CONDICIONADA À 
 REPRESENTAÇÃO DO 
OFENDIDO 
• contra funcionário público, em razão de suas 
funções (art. 141, II e súmula 714, STF); 
• injúria Discriminatória (art. 140, § 3º). 
REQUISIÇÃO DO 
MINISTRO DA JUSTIÇA 
• contra o Presidente da República ou Chefe de 
governo estrangeiro (art. 141, I). 
AP PÚBLICA 
INCONDICIONADA 
• injúria real, se da violência resulta lesão corporal (art. 145, 2ª parte). 
 
CAUSAS DE AUMENTO – CRIMES CONTRA A HONRA 
1/3 
• contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo 
estrangeiro; 
• contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os 
Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do 
Supremo Tribunal Federal; 
• na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da 
calúnia, da difamação ou da injúria. 
• contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou 
pessoa com deficiência, exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 
deste Código 
DOBRO • cometido mediante paga ou promessa de recompensa. 
TRIPLO 
• cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da 
rede mundial de computadores. 
 
1.9. PERSEGUIÇÃO 
Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a 
integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de 
qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. 
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. 
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 § 1º A pena é AUMENTADA de metade se o crime é cometido: 
I – contra criança, adolescente ou idoso; 
II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 
121 deste Código; 
III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma. 
 
§ 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à 
violência. 
 
 § 3º Somente se procede mediante representação. 
 
• A revogação da contravenção de perturbação da tranquilidade (art. 65 da LCP) pela Lei 
14.132/2021, não significa que tenha ocorrido abolitio criminis em relação a todos os 
fatos que estavam enquadrados na referida infração penal. STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl 
no REsp 1863977-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/12/2021 (Info 722). 
 
1.10. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA 
Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno 
desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, 
crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, 
isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro 
meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui 
crime mais grave. 
 
1.11. INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO 
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de 
computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem 
autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades 
para obter vantagem ilícita: 
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
 
§ 1º Na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde 
dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta 
definida no caput. 
 
§ 2º AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se da invasão resulta 
prejuízo econômico. 
 
§ 3º Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas 
privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em 
lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido; - QUALIFICADORA 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 
§ 4º Na hipótese do § 3º, AUMENTA-SE a pena de um a dois terços se houver divulgação, 
comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações 
obtidos. – MAJORANTE 
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 § 5º AUMENTA-SE a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra: – 
MAJORANTE 
I - Presidente da República, governadores e prefeitos; 
II - Presidente do Supremo Tribunal Federal; 
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia Legislativa 
de Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou 
IV - dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou 
do Distrito Federal. 
 
AÇÃO PENAL 
 Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, somente se procede mediante 
representação, salvo se o crime é cometido contra a administração pública direta ou 
indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou 
contra empresas concessionárias de serviços públicos. 
INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO 
QUALIFICADORA 
• Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações 
eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações 
sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do 
dispositivo invadido. 
MAJORANTES 
1/3 A 2/3 
• Se da invasão resulta prejuízo econômico. 
• Na hipótese do § 3º (qualificadora) se houver divulgação, 
comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, 
dos dados ou informações obtidos. 
1/3 A 1/2 
• Se o crime for cometido contra: I - Presidente da República, 
governadores e prefeitos; II - Presidente do Supremo Tribunal 
Federal; III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado 
Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, da Câmara 
Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou 
IV - dirigente máximo da administração direta e indireta 
federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal. 
 
AÇÃO PENAL - INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO 
AP CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO AP PÚBLICA INCONDICIONADA 
• Regra 
• Exceção - se o crime é cometido contra a 
administração pública direta ou indireta de 
qualquer dos Poderes da União, Estados, 
Distrito Federal ou Municípios ou contra 
empresas concessionárias de serviços 
públicos 
 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - A instigação à prática da 
automutilação ou a prestação de auxílio material para que a vítima o faça configura o 
crime de lesão corporal, que pode variar conforme a gravidade da lesão. 
ITEM INCORRETO, pois o penal que a questão aborda se refere ao crime de induzimento, 
instigação ou auxílio a suicídio ou automutilação! 
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(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - A retratação da calúnia 
feita antes da sentença acarreta a extinção da punibilidade do agente, 
independentemente de aceitação do ofendido. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - Segundo o Superior 
Tribunal de Justiça, não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de 
motivo torpe e feminicídio no homicídio praticado contra mulher em situaçãode 
violência doméstica e familiar. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - No delito de injúria, o juiz 
poderá deixar de aplicar a pena se o ofendido, de forma reprovável, provocar 
diretamente a ofensa. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - Não se admite o instituto da 
retratação nos crimes de calúnia e difamação. 
ITEM INCORRETO, pois admite-se a retração nos crimes de calúnia e difamação! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - O feminicídio – crime 
cometido contra a vida da mulher devido à sua condição de sexo feminino – tem aumento 
de pena se praticado contra vítima portadora de doença degenerativa que acarrete 
condição limitante. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - Em um clube social, Paula, maior e capaz, 
provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, na frente de amigos. 
Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de 
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. 
Voltando ao clube depois de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência 
de emoção extrema e na frente dos amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça 
de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida. Acerca dessa situação 
hipotética, julgue o próximo item. Por ter agido influenciado por emoção extrema, Carlos 
poderá ser beneficiado pela incidência de causa de diminuição de pena. 
ITEM INCORRETO, pois “influência de violenta emoção” é atenuante; “domínio de violenta 
emoção” é causa de diminuição de pena! 
 
 
2 – CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 
 
 
2.1. FURTO 
FURTO 
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
§ 1º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é praticado durante o repouso 
noturno. 
 
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode 
substituir a pena de reclusão pela de detenção, DIMINUÍ-LA de um a dois terços, ou 
aplicar somente a pena de multa. – FURTO PRIVILEGIADO 
 
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor 
econômico. 
 
FURTO QUALIFICADO 
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§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: 
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; (FURTO POR 
EFRAÇÃO) 
II - com abuso de confiança (FAMULATO), ou mediante fraude, escalada ou destreza 
(PUNGUISTA OU PICKPOCKET); 
III - com emprego de chave falsa; - O conceito de chave falsa abrange todo o 
instrumento, com ou sem forma de chave, utilizado como dispositivo para abrir 
fechadura, incluindo mixas (STJ, HC 101.495/MG). 
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. 
 
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de 
explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. 
 
 § 4º-B. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o furto mediante 
fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou não 
à rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança ou a 
utilização de programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. 
 
 § 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado 
gravoso: 
I – AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a 
utilização de servidor mantido fora do território nacional; 
II – AUMENTA-SE DE 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é praticado contra idoso ou 
vulnerável. 
 
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor 
que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. 
 
§ 6º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a subtração for de semovente 
domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da 
subtração. 
 
§ 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de 
substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua 
fabricação, montagem ou emprego. 
 
Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de 
agentes, a majorante do roubo.” 
Súmula nº 511, STJ: “É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 
155 do CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a 
primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem 
objetiva.” 
Súmula nº 567, STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou 
por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não 
torna impossível a configuração do crime de furto.” 
 
 
• No crime de furto contra empresa de segurança e transporte de valores, o prejuízo está 
inserido no risco do negócio e não autoriza a exasperação da pena basilar, porquanto 
ínsito ao tipo penal. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.322.175-MG, Rel. Min. Reynaldo 
Soares da Fonseca, julgado em 30/5/2023 (Info 777). 
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 • Para que incida o § 1º do art. 155 do CP as únicas exigências são que o furto ocorra 
à noite e em situação de repouso. 
1. Nos termos do § 1º do art. 155 do Código Penal, se o crime de furto é praticado durante 
o repouso noturno, a pena será aumentada de um terço. 2. O repouso noturno 
compreende o período em que a população se recolhe para descansar, devendo o julgador 
atentar-se às características do caso concreto. 3. A situação de repouso está configurada 
quando presente a condição de sossego/tranquilidade do período da noite, caso em que, 
em razão da diminuição ou precariedade de vigilância dos bens, ou, ainda, da menor 
capacidade de resistência da vítima, facilita-se a concretização do crime. 4. São 
irrelevantes os fatos das vítimas estarem, ou não, dormindo no momento do crime, ou o 
local de sua ocorrência, em estabelecimento comercial, via pública, residência 
desabitada ou em veículos, bastando que o furto ocorra, obrigatoriamente, à noite e em 
situação de repouso. STJ. 3ª Seção. REsp 1979989-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, 
julgado em 22/06/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1144) (Info 742). 
 • A causa de aumento do § 1º pode ser aplicada para o furto qualificado? 
Para o STJ: NÃO! A causa de aumento prevista no § 1º do art. 155 do Código Penal (prática 
do crime de furto no período noturno) não incide no crime de furto na sua forma 
qualificada (§ 4º). STJ. 3ª Seção. REsp 1.890.981-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, 
julgado em 25/05/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1087) (Info 738). 
Para o STF: SIM! A causa de aumento do repouso noturno se coaduna com o furto 
qualificado quando compatível com a situação fática. STF. 1ª Turma. HC 180966 AgR, Rel. 
Min. Luiz Fux, julgado em 04/05/2020. 
• Em regra, é necessária perícia para comprovar a escalada no caso de furto qualificado 
(art. 155, § 4º, II, do CP). Excepcionalmente, a prova pericial será prescindível 
(dispensável) se houver nos autos elementos aptos a comprovar a escalada de forma 
inconteste. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1895487-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha 
Palheiro, julgado em 26/04/2022 (Info 735). 
 • O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica antes do recebimento 
da denúncia não é causa de extinção da punibilidade. O furto de energia elétrica não pode 
receber o mesmo tratamento dado ao inadimplemento tributário, de modo que o 
pagamento do débito antes do recebimento da denúncia não configura causa extintiva 
de punibilidade, mas causa de redução de pena relativa ao arrependimento posterior 
(art. 16 do CP). STJ. 3ª Seção. RHC 101299-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro,Rel. Acd. Min. Joel 
Ilan Paciornik, julgado em 13/03/2019 (Info 645). 
• Se o funcionário do banco recebe o cartão e a senha da idosa para auxiliá-la a sacar um 
dinheiro do caixa eletrônico e, aproveitando a oportunidade, transfere quantias para a 
sua conta pessoal, tal conduta configura o crime previsto no art. 102 do Estatuto do 
Idoso. STJ. 6ª Turma. REsp 1358865-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 
4/9/2014 (Info 547). 
• A conduta de violar o automóvel, mediante a destruição do vidro para que seja 
subtraído bem que se encontre em seu interior — no caso, um aparelho de som 
automotivo — configura o tipo penal de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo 
à subtração da coisa, previsto no art. 155, § 4º, inciso I, do CP. STJ. 5ª Turma. AgRg no 
REsp 1364606-DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 22/10/2013 (Info 532). / STJ. 3ª 
Seção. EREsp 1079847/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, Terceira Seção, julgado em 22/05/2013. 
 
 
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FURTO 
QUALIFICADORAS 
• destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; 
• abuso de confiança, fraude, escalada ou destreza; 
• emprego de chave falsa; 
• concurso de duas ou mais pessoas. 
• subtração for de semovente domesticável de produção, ainda que 
abatido ou dividido em partes no local da subtração. 
• subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para 
outro Estado ou para o exterior. 
• emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum; 
• subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta 
ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. 
• se o furto mediante fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico 
ou informático, conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a 
violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa 
malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. 
MAJORANTES 
1/3 • praticado durante o repouso noturno. 
1/3 a 2/3 
• se o crime do § 4º-B é praticado mediante a utilização de 
servidor mantido fora do território nacional. 
1/3 AO 
DOBRO 
• se o crime do § 4º-B é praticado contra idoso ou vulnerável. 
 A teoria adotada para a consumação do furto/roubo é a “Teoria da Apprehensio, 
Amotio ou Inversão da Posse”, cuja consumação ocorre com a posse de fato da res 
furtiva, ainda que por breve espaço de tempo e seguida de perseguição ao agente, sendo 
prescindível (independe) a posse mansa e pacífica ou desvigiada. Portanto, se dá com a 
inversão da posse e não se exige que o agente tenha posse desvigiada do bem. 
É hediondo: furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo 
que cause perigo comum. 
Obs.: é hediondo o furto qualificado “pelo emprego” de explosivo e não “de” substâncias 
explosivas - #NÃOCONFUNDA 
Ainda, é importante destacarmos que: 
É HEDIONDO NÃO É HEDIONDO 
FURTO QUALIFICADO mediante emprego de 
explosivo ou de artefato análogo que cause 
perigo comum 
ROUBO MAJORADO se há destruição ou 
rompimento de obstáculo mediante o 
emprego de explosivo ou de artefato análogo 
que cause perigo comum 
 
 
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2.2. ROUBO 
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça 
ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à 
impossibilidade de resistência: 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. 
 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência 
contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção 
da coisa para si ou para terceiro. 
 
§ 2º A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) até metade: - MAJORANTE 
I – (revogado); 
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas; 
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal 
circunstância. 
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro 
Estado ou para o exterior; 
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. 
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou 
isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. 
VII - se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca; 
 
§ 2º-A A pena AUMENTA-SE de 2/3 (dois terços): - MAJORANTE 
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; 
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou 
de artefato análogo que cause perigo comum. 
 
§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso 
restrito ou proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. 
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) - MAJORANTE 
 
§ 3º Se da violência resulta: - QUALIFICADORA 
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; 
(Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018) 
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. 
Súmula nº 603, STF: “A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz 
singular e não do Tribunal do Júri.” 
Súmula nº 610, STF: “Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que 
não se realize o agente a subtração de bens da vítima.” 
Súmula nº 443, STJ: “O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo 
circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua 
exasperação a mera indicação do número de majorantes.” 
Súmula nº 582, STJ: “Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem 
mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em 
seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo 
prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.” 
 
 
• Se o agente utiliza simulacro de arma de fogo para subtrair os bens, ele comete roubo 
porque o simulacro já é suficiente para configurar grave ameaça; como houve grave 
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ameaça não é possível substituição por restritiva de direitos já que existe vedação no art. 
44, I, do CP. STJ. 3ª Seção. REsp 1.994.182-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 
13/12/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1171) (Info 799). 
 • Subtraído um só patrimônio, a pluralidade de vítimas da violência não impede o 
reconhecimento de crime único de latrocínio. 
O STJ entendia, no passado, que a quantidade de latrocínios era aferida a partir do 
número de vítimas em relação às quais foi dirigida a violência, e não pela quantidade de 
patrimônios atingidos. Ocorre que esse entendimento destoava do STF. O Supremo 
possui julgados afastando o concurso formal impróprio e reconhecendo a ocorrência de 
crime único de latrocínio, nas situações em que, embora o animus necandi seja dirigido a 
mais de uma pessoa, apenas um patrimônio tenha sido atingido. A pluralidade de vítimas 
atingidas pela violência no crime de roubo com resultado morte ou lesão grave, embora 
único o patrimônio lesado, não altera a unidade do crime, devendo essa circunstância ser 
sopesada na individualização da pena (STF. 2ª Turma. HC 96736, Rel. Min. Teori Zavascki, 
julgado em 17/09/2013). Diante disso, o STJ decidiu fazer um overruling da sua 
jurisprudência, adequando-a ao entendimento do STF acerca do tema. Vigora, portanto, 
atualmente, o seguinte: subtraído um só patrimônio, a pluralidade de vítimas da 
violência não impede o reconhecimento de crime único de latrocínio. STJ. 3ª Seção. AgRg 
no AREsp 2.119.185-RS, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 13/9/2023 (Info 789). 
 • A existência de doença cardíaca de que padecia a vítima configura-se comoconcausa preexistente relativamente independente, não sendo possível afastar o 
resultado mais grave (morte) e, por consequência, a imputação de latrocínio. STJ. 6ª 
Turma. HC 704.718-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/5/2023 (Info 777). 
• Nos casos em que se aplica a Lei nº 13.654/2018, é possível a valoração do emprego de 
arma branca, no crime de roubo, como circunstância judicial desabonadora. STJ. 3ª 
Seção. REsp 1921190-MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 25/05/2022 (Recurso 
Repetitivo – Tema 1110) (Info 738). 
• Agente pretendia praticar roubo e foi surpreendido após romper o cadeado e destruir 
a fechadura da porta da casa da vítima; não se pode falar em tentativa de roubo. STJ. 5ª 
Turma. AREsp 974254-TO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 21/09/2021 (Info 711). 
• Configura o crime de roubo (e não estelionato) a conduta do funcionário de uma 
empresa que combina com outro indivíduo para que este simule que assalta o 
empregado com uma arma de fogo e, dessa forma, leve o dinheiro da empresa. STF. 1ª 
Turma. HC 147584/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 2/6/2020 (Info 980). 
• É necessário que a arma utilizada no roubo seja apreendida e periciada para que incida 
a majorante do art. 157, § 2º-A, I, do Código Penal? NÃO. O reconhecimento da referida 
causa de aumento prescinde (dispensa) da apreensão e da realização de perícia na arma, 
desde que o seu uso no roubo seja provado por outros meios de prova, tais como a 
palavra da vítima ou mesmo de testemunhas. STF. 1ª Turma. HC 108034/MG, rel. Min. 
Rosa Weber, julgado em 05/06/2012 (Info 674). STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 
1076476/RO, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 
449102/MS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 09/10/2018. 
• Grave ameaça/violência contra mais de uma pessoa, mas subtração de um só 
patrimônio. 
No delito de roubo, se a intenção do agente é direcionada à subtração de um único 
patrimônio, estará configurado apenas um crime, ainda que, no modus operandi (modo 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/286674e3082feb7e5afb92777e48821f?categoria=11&subcategoria=106&assunto=262
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de execução), seja utilizada violência ou grave ameaça contra mais de uma pessoa para 
a obtenção do resultado pretendido. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1490894-DF, Rel. Min. 
Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/2/2015 (Info 556). 
• Roubo praticado no interior de ônibus sendo que o sujeito rouba apenas o dinheiro que 
estava com o cobrador. 
O sujeito entra no ônibus e, com arma em punho, subtrai apenas os bens que estavam na 
posse do cobrador de ônibus: R$ 30,00 e um aparelho celular, pertencentes ao 
funcionário, e R$ 70,00 que eram da empresa de transporte coletivo. Quantos crimes ele 
terá praticado? Um único crime (art. 157, § 2º, I, do CP). (...) o Ministro relembrou que a 
jurisprudência do STJ e do STF entende que o roubo perpetrado com violação de 
patrimônios de diferentes vítimas, ainda que em um único evento, configura concurso 
formal de crimes, e não crime único (vimos isso acima). Todavia, para ele, esse mesmo 
entendimento não pode ser aplicado ao caso em que os bens subtraídos, embora 
pertençam a pessoas distintas, estavam sob os cuidados de uma única pessoa, que 
sofreu a grave ameaça ou violência. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1396144-DF, Rel. Min. 
Walter de Almeida Guilherme (Desembargador Convocado do TJ/SP), julgado em 
23/10/2014 (Info 551). 
ESPÉCIES 
ROUBO PRÓPRIO ROUBO IMPRÓPRIO 
VIOLÊNCIA Própria ou imprópria Própria 
GRAVE 
AMEAÇA 
Tem Tem 
MOMENTO Antes ou durante a subtração Após a subtração 
FINALIDADE Permitir a subtração do bem 
Assegurar a impunidade do crime ou a 
detenção da coisa 
Obs.: não existe violência imprópria no roubo impróprio! 
ROUBO 
QUALIFICADORAS 
• se da violência resulta lesão corporal grave 
• se da violência resulta morte 
MAJORANTES 
1/3 ATÉ 
1/2 
• se há o concurso de duas ou mais pessoas 
• se a vítima está em serviço de transporte de valores e o 
agente conhece tal circunstância 
• se a subtração for de veículo automotor que venha a ser 
transportado para outro Estado ou para o exterior 
• se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua 
liberdade 
• se a subtração for de substâncias explosivas ou de 
acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua 
fabricação, montagem ou emprego 
• se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de 
arma branca 
2/3 
• se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma 
de fogo 
• se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o 
emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause 
perigo comum 
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EM 
DOBRO 
• se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de 
arma de fogo de uso restrito ou proibido 
 
 
FURTO DE USO ROUBO DE USO 
É crime Não é crime 
 
SUBTRAÇÃO CONSUMADA + MORTE TENTADA Latrocínio tentado 
SUBTRAÇÃO TENTADA + MORTE TENTADA Latrocínio tentado 
SUBTRAÇÃO CONSUMADA + MORTE CONSUMADA Latrocínio consumado 
SUBTRAÇÃO TENTADA + MORTE CONSUMADA Latrocínio consumado 
São hediondos: roubo circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima; roubo 
circunstanciado pelo emprego de arma de fogo; roubo circunstanciado pelo emprego de 
arma de fogo de uso restrito ou proibido; e roubo qualificado pela lesão corporal grave 
ou morte. 
 
2.3. EXTORSÃO 
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de 
obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça 
ou deixar de fazer alguma coisa: 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. 
 
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, 
AUMENTA-SE a pena de um terço até metade. 
 
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo 
anterior (ROUBO SEGUIDO DE LESÃO CORPORAL GRAVE OU MORTE). 
 
§ 3º Se o crime é cometido mediante a RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA, e essa 
condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 
6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, 
aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente. – EXTORSÃO 
QUALIFICADA PELA RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA (SEQUESTRO RELÂMPAGO) + 
MAJORANTE DA EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO SEGUIDA DE LESÃO CORPORAL GRAVE 
OU MORTE 
 
 • Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que 
praticados em conjunto. Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma 
natureza, são de espécies diversas. STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro 
Dantas, julgado em 24/05/2018. STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco 
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 24/4/2018 (Info 899). 
• A extorsão pode ser praticada mediante a ameaça feita pelo agente de causar um "mal 
espiritual" na vítima. STJ. 6ª Turma. REsp 1299021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, 
julgado em 14/2/2017 (Info 598). 
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• Incide a majorante do § 1º do art. 158 do CP no caso da extorsão qualificada pela 
restrição da liberdade da vítima (§ 3º). STJ. 5ª Turma. REsp 1353693-RS, Rel. Min. 
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/9/2016 (Info 590). 
• Não se consuma o crime de extorsão quando, apesar de ameaçada, a vítima não se 
submete à vontade do criminoso, ou seja, não assume o comportamento exigido pelo 
agente. Nesse caso, haverá tentativa de extorsão. STJ. 6ª Turma. REsp 1094888-SP, Rel.Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 21/8/2012 (Info 502). 
 A extorsão não se confunde com o roubo. Vejamos: 
ROUBO EXTORSÃO 
VANTAGEM Imediata Mediata 
COLABORAÇÃO 
DA VÍTIMA 
Dispensável Indispensável 
OBJETO 
MATERIAL 
Coisa alheia móvel 
Vantagem indevida (coisa móvel ou 
imóvel) 
 É hediondo: extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência 
de lesão corporal ou morte (art. 158, § 3º). 
 
2.4. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO 
Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer 
vantagem, como condição ou preço do resgate: 
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. 
 
 § 1º Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o sequestrado é menor 
de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou 
quadrilha. – QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de doze a vinte anos. 
 
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: – QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. 
 
§ 3º - Se resulta a morte: – QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos. 
 
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, 
facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena REDUZIDA de um a dois terços. – 
COLABORAÇÃO PREMIADA 
 São hediondos: extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, 
caput, e §§ lº, 2º e 3º); 
 
2.5. APROPRIAÇÃO INDÉBITA 
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
AUMENTO DE PENA 
§ 1º - A pena é AUMENTADA de um terço, quando o agente recebeu a coisa: 
I - em depósito necessário; 
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II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou 
depositário judicial; 
III - em razão de ofício, emprego ou profissão. 
Logo: 
• Posse vigiada: furto; 
• Posse desvigiada: apropriação indébita. 
 
 • O sócio-administrador, nomeado depositário judicial, que deixa de depositar, em Juízo, 
parte do faturamento da sociedade empresária, comete o crime de apropriação 
indébita? 
• Para a 6ª Turma do STJ: SIM. 
O fiel depositário de penhora judicial sobre o faturamento está sujeito às penas previstas 
no art. 168, § 1º, II, do Código Penal. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.871.947/PR, Rel. Min. 
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/4/2022. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.853.281/PR, 
Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 13/3/2023. 
• Para a 2ª Turma do STF: NÃO. O sócio-administrador, nomeado depositário judicial, que 
deixa de depositar, em Juízo, parte do faturamento da sociedade empresária, não 
comete o crime de apropriação indébita, porquanto falta a elementar do tipo “alheia”. 
Caso equiparado à prisão do depositário infiel. Violação à Súmula Vinculante 25. O 
ordenamento jurídico prevê outros meios processual-executórios postos à disposição do 
credor-fiduciário para a garantia do crédito, de forma que a prisão civil, como medida 
extrema de coerção do devedor inadimplente, não passa no exame da proporcionalidade 
como proibição de excesso, em sua tríplice configuração: adequação, necessidade e 
proporcionalidade em sentido estrito. STF. 2ª Turma. HC 203217, Rel. Min. Gilmar 
Mendes, julgado em 25/10/2021. STF. 2ª Turma. HC 215.102/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, 
redator do acórdão Min. Nunes Marques, julgado em 17/10/2023 (Info 1113). 
 
2.6. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA 
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos 
contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 
§ 1° Nas mesmas penas incorre quem deixar de: 
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência 
social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou 
arrecadada do público; 
II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas 
contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; 
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem 
sido reembolsados à empresa pela previdência social. 
 
 § 2º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e 
efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações 
devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da 
ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
 
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 § 3º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL) ou aplicar 
somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: 
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o 
pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou 
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele 
estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o 
ajuizamento de suas execuções fiscais. 
 
§ 4° A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento 
de contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido, 
administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções 
fiscais. 
 
• A apropriação indébita previdenciária é crime material. STJ. 3ª Seção. REsp 1.982.304-
SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 17/10/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1166) (Info 
792). 
• Não se aplica o princípio da insignificância para os crimes de apropriação indébita 
previdenciária e de sonegação de contribuição previdenciária. STJ. 3ª Seção. AgRg na RvCr 
4.881/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 22/05/2019. 
• A prescrição da pretensão punitiva do crime de apropriação indébita previdenciária (art. 
168-A do CP) permanece suspensa enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver 
suspensa em razão de decisão de antecipação dos efeitos da tutela no juízo cível. Isso 
porque a decisão cível acerca da exigibilidade do crédito tributário repercute 
diretamente no reconhecimento da própria existência do tipo penal, visto ser o crime de 
apropriação indébita previdenciária um delito de natureza material, que pressupõe, para 
sua consumação, a realização do lançamento tributário definitivo. STJ. 5ª Turma. RHC 
51596-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 3/2/2015 (Info 556). 
• Apropriação indébita previdenciária dispensa dolo específico (animus rem sibi habendi). 
Trata-se de crime omissivo próprio, que se perfaz com a mera omissão de recolhimento 
de contribuição previdenciária no prazo e na forma legais. Desnecessária, portanto, a 
demonstração do animus rem sibi habendi, bem como a comprovação do especial fim de 
fraudar a Previdência Social. STJ. 6ª Turma. AgRg no Ag 1083.417-SP, Rel. Min. Og 
Fernandes, julgado em 25/6/2013 (Info 526). 
ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL 
APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL E 
ANTES DE OFERECIDA A DENÚNCIA 
SITUAÇÃO 
Agente, espontaneamente, declara, 
confessa e efetua o pagamento e 
presta as informações devidas à 
previdência social 
Agente primário e de bons 
antecedentes, promove o 
pagamento da contribuição social 
previdenciária, inclusive acessórios 
CONSEQUÊNCIA 
É extinta a 
punibilidade 
É facultado ao juiz deixar de aplicar 
a pena ou aplicar somente a de 
multa 
 
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2.7. ESTELIONATO 
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio,induzindo 
ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio 
fraudulento: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis. 
 
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena 
conforme o disposto no art. 155, § 2º. 
 
§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem: 
DISPOSIÇÃO DE COISA ALHEIA COMO PRÓPRIA 
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como 
própria; 
ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO FRAUDULENTA DE COISA PRÓPRIA 
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada 
de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em 
prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; 
DEFRAUDAÇÃO DE PENHOR 
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a 
garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; 
FRAUDE NA ENTREGA DE COISA 
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; 
FRAUDE PARA RECEBIMENTO DE INDENIZAÇÃO OU VALOR DE SEGURO – ÚNICA 
MODALIDADE FORMAL DO ART. 171! 
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a 
saúde, ou agrava as consequências da lesão ou doença, com o intuito de haver 
indenização ou valor de seguro; 
FRAUDE NO PAGAMENTO POR MEIO DE CHEQUE 
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra 
o pagamento. 
 
 FRAUDE ELETRÔNICA 
ATENÇÃO! NOVIDADE! 
§ 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida 
com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro 
por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico 
fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. 
 
§ 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado 
gravoso, AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado 
mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional. 
 
§ 3º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é cometido em detrimento de 
entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou 
beneficência. - ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO 
 
ESTELIONATO CONTRA IDOSO OU VULNERÁVEL 
§ 4º A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso 
ou vulnerável, considerada a relevância do resultado gravoso. 
 
 § 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: 
I - a Administração Pública, direta ou indireta; 
II - criança ou adolescente; 
III - pessoa com deficiência mental; ou 
IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz. 
 
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 Art. 171-A. Organizar, gerir, ofertar ou distribuir carteiras ou intermediar operações 
que envolvam ativos virtuais, valores mobiliários ou quaisquer ativos financeiros com o 
fim de obter vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em 
erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. – FRAUDE COM ATIVOS 
VIRTUAIS E FINANCEIROS - ATENÇÃO! NOVIDADE! 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. 
Súmula nº 246, STF: “Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de 
emissão de cheque sem fundos.” 
Súmula nº 554, STF: "O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o 
recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal." 
Súmula nº 17, STJ: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade 
lesiva, é por este absorvido. 
Súmula nº 48, STJ: “Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar 
e julgar crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.” 
Súmula nº 73, STJ: “A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, 
em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.” 
Súmula nº 107, STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de 
estelionato praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições 
previdenciárias, quando não ocorrente lesão à autarquia federal.” 
 
 
 • Compete ao juízo estadual processar e julgar crime de estelionato contra fundo 
estrangeiro no qual os atos desenvolvidos foram praticados em território nacional, ainda 
que diverso o domicílio de sócio lesado. STJ. 3ª Seção. AgRg no CC 192.274-RJ, Rel. Min. 
Ribeiro Dantas, julgado em 8/3/2023 (Info 775). 
• No crime de estelionato, não identificadas as hipóteses descritas no § 4º do art. 70 do 
CPP, a competência deve ser fixada no local onde o agente delituoso obteve, mediante 
fraude, em benefício próprio e de terceiros, os serviços custeados pela vítima. STJ. 3ª 
Seção. CC 185983-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 11/05/2022 (Info 736). 
 • O crime de estelionato praticado por meio de saque de cheque fraudado compete 
ao Juízo do local da agência bancária da vítima. STJ. 3ª Seção. CC 182977-PR, Rel. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 09/03/2022 (Info 728). 
• O novo § 4º do art. 70 do CPP, que trata sobre a competência para julgar o crime de 
estelionato, aplica-se imediatamente aos inquéritos policiais que estavam em curso 
quando entrou em vigor a Lei nº 14.155/2021. STJ. 3ª Seção. CC 180832-RJ, Rel. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 25/08/2021 (Info 706). 
 • A mudança na ação penal do crime de estelionato, promovida pela Lei 13.964/2019, 
retroage para alcançar os processos penais que já estavam em curso? A mudança na ação 
penal do crime de estelionato, promovida pela Lei 13.964/2019, retroage para alcançar 
os processos penais que já estavam em curso? 
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• NÃO. É o entendimento do STJ. A exigência de representação da vítima no crime de 
estelionato não retroage aos processos cuja denúncia já foi oferecida. STJ. 3ª Seção. HC 
610201/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/03/2021 (Info 691). 
• SIM. É a posição do STF: A exigência de representação para estelionato retroage em 
benefício do réu. STF. Plenário. HC 208817 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, 
julgado em 13/04/2023. 
• Não se admite a incidência do princípio da insignificância na prática de estelionato 
qualificado por médico que, no desempenho de cargo público, registra o ponto e se retira 
do hospital. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 548869-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado 
em 12/05/2020 (Info 672). 
 • Adulterar o sistema de medição da energia elétrica para pagar menos que o devido: 
estelionato (não é furto mediante fraude). 
Agente desvia a energia elétrica por meio de ligação clandestina (“gato”): crime de FURTO 
(há subtração e inversão da posse do bem); agente altera o sistema de medição para que 
aponte resultado menor do que o real consumo: crime de ESTELIONATO. STJ. 5ª Turma. 
AREsp 1.418.119-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 07/05/2019 (Info 648). 
• Pessoa que, após a morte do beneficiário, passa a receber mensalmente o benefício em 
seu lugar: estelionato em continuidade delitiva. STJ. 6ª Turma. REsp 1282118-RS, Rel. 
Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/2/2013 (Info 516). 
 
ESTELIONATO 
QUALIFICADORAS 
• Fraude eletrônica - Se a fraude é cometida com a utilização de 
informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por 
meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico 
fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. 
MAJORANTES 
1/3 A 2/3 
• No caso do § 2º-A (fraude eletrônica), considerada a 
relevância do resultado gravoso, se o crime é praticado 
mediante a utilização de servidor mantido fora do território 
nacional. 
1/3 AO 
DOBRO• Se o estelionato é cometido contra idoso ou vulnerável, 
considerada a relevância do resultado gravoso. 
 
AÇÃO PENAL - ESTELIONATO 
AP CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO AP PÚBLICA INCONDICIONADA 
• Regra 
• a Administração Pública, direta ou indireta; 
• criança ou adolescente; 
• pessoa com deficiência mental (não inclui 
deficiência física); ou 
• maior de 70 (setenta) anos de idade (não é 
idoso) ou incapaz. 
 
2.8. RECEPTAÇÃO 
RECEPTAÇÃO 
Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou 
alheio, coisa que sabe ser produto de crime (RECEPTAÇÃO PRÓPRIA), ou influir para que 
terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte (RECEPTAÇÃO IMPRÓPRIA): 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
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RECEPTAÇÃO QUALIFICADA 
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, 
montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito 
próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber 
ser produto de crime: 
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa. 
 
§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer 
forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência. 
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor 
e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio 
criminoso: - RECEPTAÇÃO CULPOSA 
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas. 
 
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime 
de que proveio a coisa. 
 
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração 
as circunstâncias, deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL). Na receptação dolosa 
aplica-se o disposto no § 2º do art. 155 (FURTO PRIVILEGIADO). 
 
§ 6º Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de 
Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia 
mista ou empresa concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena 
prevista no caput deste artigo. - MAJORANTE 
 
 • A receptação, em sua forma qualificada, demanda especial qualidade do sujeito 
ativo, que deve ser comerciante ou industrial. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.259.297-
MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 18/4/2023 (Info 771). 
Destaca-se que se a infração anterior for contravenção não haverá receptação e 
que o crime anterior não precisa ser contra o patrimônio. A sua classificação doutrinária 
é de crime parasitário, acessório ou delito de fusão, pois depende de delito anterior para 
a sua consumação. Ademais, o STF já decidiu que inexiste receptação de bem imóvel (RHC 
58.329). 
 
2.9. DISPOSIÇÕES GERAIS 
 Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, 
em prejuízo: - ESCUSA ABSOLUTÓRIA 
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; 
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou 
natural. 
 
 Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste 
título é cometido em prejuízo: - ESCUSA RELATIVA 
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; 
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo; 
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. 
 
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 Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: - EXCLUDENTES DAS 
IMUNIDADES 
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave 
ameaça ou violência à pessoa; 
II - ao estranho que participa do crime. 
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) 
anos. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003) 
 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - Pedro ingressou na 
residência de sua avó Teresa e subtraiu o pequeno cofre do quarto, levando-o para um 
beco. Sem saber o segredo do cofre, abriu-o com um maçarico e subtraiu as joias de seu 
interior. Em seguida, levou as peças a uma tradicional joalheria da cidade e vendeu-as a 
João, comerciante de 20 anos, que comprou os objetos sem se importar em apurar a 
origem. Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue. O ato 
praticado por Pedro configura crime de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo 
e o praticado por João, crime de receptação qualificada. 
ITEM INCORRETO, pois o rompimento do obstáculo, que de acordo com a doutrina, deve-
se dar antes ou durante a subtração, o que não ocorreu no caso. Tendo em vista que 
Pedro arrombou o cofre em momento posterior, logo responde por furto simples. Já 
João responde por receptação qualificada em razão de exercer atividade comercial. 
Ademais, está de acordo com a jurisprudência do STJ: “A Terceira Seção do Superior 
Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n. 1.079.847/SP (desta Relatoria, julgado em 
22/05/2013, DJe 05/09/2013), reconheceu restar configurada a qualificadora do 
rompimento de obstáculo "quando o agente, visando subtrair aparelho sonoro localizado 
no interior do veículo, quebra o vidro da janela do automóvel para atingir seu intento”. 
(Resp 1738084/RS, julgado em 02/08/2018).”; e “A jurisprudência deste Superior Tribunal 
de Justiça firmou-se no sentido de que não incide a qualificadora prevista no art. 155, § 
4º, inciso I, do Estatuto Repressivo, quando praticado o arrombamento de veículo 
objetivando a sua própria subtração, tal como ocorreu na hipótese dos autos.” (STJ – 
AgRg no REsp 1654823/RS –Julgado em 14/09/2017)! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - João arrombou a loja onde 
trabalha, e que pertence à sua mãe de 60 anos de idade, levando mercadorias avaliadas 
em milhares de reais. Na situação hipotética apresentada, pode-se afirmar que João 
praticou furto com rompimento de obstáculo à subtração da coisa. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - O roubo em transporte 
coletivo vazio é circunstância concreta que não justifica a elevação da pena-base. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - O rompimento de cadeado e 
a destruição da fechadura da porta na casa de uma pessoa, feitos com o intuito de 
efetuar subtração patrimonial da residência mediante uso de arma de fogo, são ações 
suficientes para configurar o crime de roubo circunstanciado. 
ITEM INCORRETO, pois de acordo com a jurisprudência do STJ, adotando-se a teoria 
objetivo-formal, o rompimento de cadeado e destruição de fechadura da porta da casa 
da vítima, com o intuito de, mediante uso de arma de fogo, efetuar subtração 
patrimonial da residência, configuram meros atos preparatórios que impedem a 
condenação por tentativa de roubo circunstanciado! 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.741.htm#art183iii
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(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - Durante o período de repouso 
noturno, Pedro cometeu o crime de furto de um veículo que estava guardado na garagem 
da casa da família Silva. No decorrer das investigações, foi possível constatar que Pedro 
era primário e que, pela análise das imagens das câmeras de segurança instaladas no 
jardim da residência, havia movimentação dentro da casa, ou seja, membros da família 
Silva estavam acordados dentro da residência. É irrelevante o fato de as vítimas estarem 
ou não dormindo no momento do crime, bastando que o furto tenha sido praticado à 
noite, durante o repouso noturno, para caracterizar a causa de aumento de pena. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE/ CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - Durante o período de repouso 
noturno, Pedro cometeu o crime de furto de um veículo que estava guardado na garagem 
da casa da família Silva. No decorrer das investigações, foi possível constatar que Pedro 
era primário e que, pela análise das imagens das câmeras de segurança instaladas no 
jardim da residência, havia movimentação dentro da casa, ou seja, membros da família 
Silva estavam acordados dentro da residência. Caso Pedro tivesse se utilizado de 
escalada para cometer o crime, tal qualificadora só poderia ser reconhecida mediante 
prova pericial. 
ITEM INCORRETO, pois, excepcionalmente, presentes nos autos elementos aptos a 
comprovar a escalada de forma inconteste, a prova pericial torna-se prescindível. (Info 
735 do STJ) 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - Conforme entendimento do 
STJ, o uso fraudulento de material transparente nas fases “a” e “b” do medidor de 
consumo de energia elétrica que permita a alteração do relógio para reduzir a quantidade 
registrada e consumida e induza a erro a companhia de eletricidade, gerando a obtenção 
de vantagem ilícita, configura o crime de estelionato. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Na hipótese 
da prática de furto a residência, se a vítima não se encontrava no local e os autores 
desconheciam o fato de que ela era idosa, não se aplica a agravante relativa à vítima ser 
idosa. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Na hipótese 
da prática de furto a residência, se a vítima não se encontrava no local e os autores 
desconheciam o fato de que ela era idosa, não se aplica a agravante relativa à vítima ser 
idosa. 
ITEM INCORRETO, pois o crime de extorsão é formal e se consuma no momento em que 
a vítima, submetida a violência ou grave ameaça, realiza o comportamento desejado pelo 
criminoso. É irrelevante que o agente consiga ou não obter a vantagem indevida, pois 
esta constitui mero exaurimento do crime (REsp 1.467.129/SC). Logo, a tentativa é 
possível, porque a extorsão não se perfaz num único ato, apresentando um caminho a 
ser percorrido (delito plurissubsistente). Ex.: se o agente constrange a vítima, mas ela 
não faz o que foi exigido! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - No crime de 
extorsão mediante sequestro, o momento consumativo não é o da obtenção da 
vantagem, mas o da privação da liberdade de locomoção da vítima, em tempo 
juridicamente relevante. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Pedro é o 
responsável pelo adimplemento das contribuições previdenciárias de uma empresa de 
médio porte. Nos meses de janeiro a junho de 2018, a empresa entregou a Pedro o 
numerário correspondente ao valor das contribuições previdenciárias de seus 
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empregados, mas Pedro, com dolo, deixou de repassá-lo à previdência social. Pedro é 
primário e de bons antecedentes. Nessa situação hipotética, caso o repasse das 
contribuições previdenciárias ocorra após o início da ação fiscal e antes do oferecimento 
da denúncia, o juiz poderá deixar de aplicar a pena ou aplicar apenas a multa. 
ITEM CORRETO! 
 
 
 
3 – CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL 
 
 
3.1. ESTUPRO 
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção 
carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. 
§ 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 
(dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. 
§ 2º Se da conduta resulta morte: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos 
 
 • A simulação de arma de fogo pode sim configurar a “grave ameaça”, para os fins do 
tipo do art. 213 do Código Penal. STJ. 6ª Turma. REsp 1916611-RJ, Rel. Min. Olindo 
Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), julgado em 21/09/2021 (Info 
711 
• Beijo roubado em contexto de violência física pode caracterizar estupro. STJ. 6ª Turma. 
REsp 1611910-MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 11/10/2016 (Info 592). 
• Impossibilidade de aplicação concomitante da continuidade delitiva comum e 
específica. 
Se reconhecida a continuidade delitiva específica entre estupros praticados contra 
vítimas diferentes, deve ser aplicada exclusivamente a regra do art. 71, parágrafo único, 
do Código Penal, mesmo que, em relação a cada uma das vítimas, especificamente, 
também tenha ocorrido a prática de crime continuado. STJ. 6ª Turma. REsp 1.471.651-
MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/10/2015 (Info 573). 
• O estupro (art. 213 do CP), com redação dada pela Lei 12.015/2009, é tipo penal misto 
alternativo. Logo, se o agente, no mesmo contexto fático, pratica conjunção carnal e 
outro ato libidinoso contra uma só vítima, pratica um só crime do art. 213 do CP. STJ. 5ª 
Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 
05/08/2014. 
 
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3.2. VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE 
Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante 
fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da 
vítima: - ESTELIONATO SEXUAL 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-
se também multa. 
 
3.3. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL 
Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de 
satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave. 
 
3.4. ASSÉDIO SEXUAL 
Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento 
sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou 
ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. 
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. 
Parágrafo único. 
 § 2º A pena é AUMENTADA em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos. - 
MAJORANTE 
 
• O crime de assédio sexual pode ser caracterizado entre professor e aluno. STJ. 6ª Turma. 
REsp 1.759.135/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. p/ Acórdão Min. Rogerio Schietti 
Cruz, julgado em 13/08/2019 (Info 658). 
 
3.5. REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL 
Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com 
cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização 
dos participantes: 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa. 
 Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, 
vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou 
ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo. 
 
3.6. ESTUPRO DE VULNERÁVEL 
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 
(catorze) anos: 
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. 
 
§ 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, 
por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a 
prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. 
 
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§ 2º (VETADO) 
 
§ 3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. 
 
§4º Se da conduta resulta morte: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. 
 
§ 5º - As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se 
independentemente do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações 
sexuais anteriormente ao crime. 
 
 
 • Nos casos de estupro de vulnerável praticado em continuidade delitiva em que não 
é possível precisar o número de infrações cometidas, tendo os crimes ocorrido durante 
longo período de tempo, deve-se aplicar a causa de aumento de pena no patamar 
máximo de 2/3. STJ. 3ª Seção. REsps 2.029.482-RJ e REsp 2.050.195-RJ, Rel. Min. Laurita 
Vaz, julgado em 17/10/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1202) (Info 792). 
 • Nos termos da Súmula 593 do STJ, o consentimento da vítima menor de 14 anos e 
o seu namoro com o acusado não afastam a existência do delito de estupro de vulnerável. 
O STJ admite distinguishing em relação a esse entendimento? 
Admite-se o distinguishing quanto ao Tema 918/STJ, na hipótese em que a diferença de 
idade entre o acusado e a vítima não se mostrou tão distante quanto do acórdão sob a 
sistemática dos recursos repetitivos (no caso, o réu possuía 19 anos de idade, ao passo 
que a vítima contava com 12 anos de idade), aliado ao fato de a menor viver 
maritalmente com o acusado desde o nascimento da filha do casal, devidamente 
reconhecida, o que denota que não houve afetação relevante do bem jurídico a resultar 
na atuação punitiva estatal. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 2.015.310/MG, Rel. Min. Jesuíno 
Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 12/9/2023 (Info 16 – Edição 
Extraordinária). 
• Não incide a regra a continuidade delitiva específica nos crimes de estupro praticados 
com violência presumida. STJ. 5ª Turma. AgRg em ARESP 2.165.385/MG, Rel. Min. 
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 5/9/2023 (Info 786). 
 
• No REsp 1.977.165/MS, o STJ relativizou o entendimento do Tema 918 e da Súmula 593; 
neste caso, o STJ afirmou que a situação era diferente e decidiu que houve crime. 
Não cabe a distinção realizada no julgamento do REsp 1.977.165/MS - caso de dois jovens 
namorados, cujo relacionamento tinha aquiescência dos genitores da vítima, sobrevindo 
um filho - na hipótese em que não há consentimento da responsável legal - o que 
impossibilita qualquer relativização da presunção de vulnerabilidade de menor de 14 
anos no crime de estupro de vulnerável. O fato de a vítima ter passado a viver em união 
estável com o réu tão somente reforça o contexto de sexualização precoce no qual se 
encontra inserida, sendo o seu consentimento infantil incapaz de afastar a tipicidade da 
conduta, consoante expressamente dispõe o art. 217-A, §5º, do Código Penal. STJ. 6ª 
Turma. AgRg no REsp 1.979.739/MT, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/8/2023 (Info 
787). 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Msg/VEP-640-09.htm
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 • Estupro de vulnerável em continuidade delitiva: a aplicação de agravante e 
majorante em situações distintas não configura bis in idem; deve-se considerar o 
aumento de pena em 2/3, mesmo que não se saiba o número exato de atos praticados. 
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 2.305.361/RR, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado 
em 23/5/2023 (Info 13 – Edição Extraordinária). 
 • De quem é a competência para julgar o crime de estupro praticado contra criança e 
adolescente no contexto de violência doméstica e familiar? 
1ª opção: juizado ou vara especializada em crimes contra a criança e o adolescente (caput 
do art. 23 da Lei nº 13.431/2017); 
2ª opção: caso não exista a vara especializada em crimes contra a criança e o adolescente, 
esse crime será julgado no juizado ou vara especializada em violência doméstica, 
independentemente de considerações acerca da idade, do sexo da vítima ou da 
motivação da violência (parágrafo único do art. 23 da Lei nº 13.431/2017); 
3ª opção: nas comarcas em que não houver varas especializadas em violência contra 
crianças e adolescentes ou juizados/varas de violência doméstica, a competência para 
julgar será da vara criminal comum. STJ. 6ª Turma. REsp 2005974/RJ, Rel. Min. Laurita 
Vaz, julgado em 14/2/2023 (Info 765). 
• Presente o dolo específico de satisfazer à lascívia, própria ou de terceiro, a prática de 
ato libidinoso com menor de 14 anos configura o crime de estupro de vulnerável (art. 
217-A do CP), independentemente da ligeireza ou da superficialidade da conduta, não 
sendo possível a desclassificação para o delito de importunação sexual (art. 215-A do 
CP). STJ. 3ª Seção. REsp 1959697-SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 08/06/2022 
(Recurso Repetitivo – Tema 1121) (Info 740). 
• O mentor intelectual dos atos libidinosos responde pelo crime de estupro de vulnerável. 
STJ. 6ª Turma. HC 478310, Rel. Min. Rogério Schietti, julgado em 09/02/2021 (Info 685). 
• A irmã de vítima do crime de estupro de vulnerável responde por conduta omissiva 
imprópria se assume o papel de garantidora. STJ. 5ª Turma. HC 603195-PR, Rel. Min. 
Ribeiro Dantas, julgado em 06/10/2020 (Info 681). 
• Homem que beijou criança de 5 anos de idade, colocando a língua no interior da boca 
(beijo lascivo) praticou estupro de vulnerável (art. 217-A do CP), não sendo possível a 
desclassificação para a contravenção penal de molestamento (art. 65 do DL 3.668/41). 
Obs: a contravenção de molestamento (art. 65 do DL 3.688/41) foi revogada pela Lei 
14.132/2021. STF. 1ª Turma. HC 134591/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 1/10/2019 (Info 954). 
 • Contato físico entre autor e vítima não é indispensável para configurar o delito. STJ. 
5ª Turma. RHC 70976-MS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 2/8/2016 (Info 587). 
 
3.7. CORRUPÇÃO DE MENORES 
Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de 
outrem: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 
 
 CORRUPÇÃO DE MENORES 
CP ECA 
Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a 
satisfazer a lascívia de outrem 
Corromper ou facilitar a corrupção de menor 
de 18 (dezoito) anos, com ele praticando 
infração penal ou induzindo-o a praticá-la 
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3.8. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO 
SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL 
Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração 
sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência 
mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou 
dificultar que a abandone: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. 
 
§ 1º Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também 
multa. 
 
§ 2º Incorre nas mesmas penas: 
I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 
(dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo; 
II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas 
referidas no caput deste artigo. 
 
§ 3º Na hipótese do inciso II do § 2º, constitui efeito obrigatório da condenação a 
cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. 
 
 • O delito de favorecimento à exploração sexual de adolescente não exige 
habitualidade, tratando-se de crime instantâneo. Trata-se de crime instantâneo, que se 
consuma no momento em que o agente obtém a anuência para práticas sexuais com a 
vítima menor de idade, mediante artifícios como a oferta de dinheiro ou outra vantagem, 
ainda que o ato libidinoso não seja efetivamente praticado. STJ. 6ª Turma. REsp 
1963590/SP, Rel. Min. Laurita Vaz,julgado em 20/09/2022 (Info 754). 
• O “cliente” da exploração sexual (art. 218-B do CP) pode ser punido sozinho, ou seja, 
mesmo que não haja um proxeneta. STJ. 3ª Seção. EREsp 1530637/SP, Rel. Min. Ribeiro 
Dantas, julgado em 24/03/2021 (Info 690). 
MENOR DE 14 ANOS 
MAIOR DE 14 ANOS E 
MENOR DE 18 ANOS 
QUALQUER IDADE COM 
DOENÇA MENTAL 
ATO 
LIBIDINOSO OU 
CONJUNÇÃO 
CARNAL 
Estupro de vulnerável 
(217-A) 
Atípico 
Estupro de vulnerável 
(217-A) 
ATO 
LIBIDINOSO 
OU 
CONJUNÇÃO 
CARNAL COM 
VÍTIMA DE 
EXPLORAÇÃO 
SEXUAL 
Estupro de vulnerável 
(217-A) 
Favorecimento da 
prostituição ou de 
outra forma de 
exploração sexual de 
criança ou adolescente 
ou de vulnerável 
(218-B, §2º, I, CP) 
Estupro de vulnerável 
(217-A) 
 
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3.9. DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL. 
DE CENA DE SEXO OU PORNOGRAFIA 
Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, 
distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação 
de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro 
audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça 
apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez 
ou pornografia: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave. 
 
 AUMENTO DE PENA 
§ 1º A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado 
por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com 
o fim de vingança ou humilhação. 
 
EXCLUSÃO DE ILICITUDE 
§ 2º Não há crime quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo 
em publicação de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção 
de recurso que impossibilite a identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, 
caso seja maior de 18 (dezoito) anos. 
 
3.10. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL 
Art. 228. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, 
facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém a abandone: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 
§ 1º Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, 
companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por 
lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos. 
 
 § 2º - Se o crime, é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude: - 
QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, além da pena correspondente à violência. 
 
§ 3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa. 
 
3.11. CASA DE PROSTITUIÇÃO 
Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra 
exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou 
gerente: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa. 
 
 • Somente ocorre o delito do art. 229 do CP se houver exploração sexual, ou seja, 
violação à dignidade sexual. STJ. 6ª Turma. REsp 1683375-SP, Rel. Min. Maria Thereza de 
Assis Moura, julgado em 14/08/2018 (Info 631). 
 
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3.12. ATO OBSCENO 
Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
IMPORTUNAÇÃO SEXUAL ATO OBSCENO 
SUJEITO 
PASSIVO 
É determinado É a coletividade 
FINALIDADE 
ESPECÍFICA 
Satisfazer a própria lascívia ou a de 
terceiro 
Não tem 
LUGAR 
PÚBLICO 
Não precisa Precisa 
ANUÊNCIA 
É indispensável que o ato libidinoso 
tenha sido praticado contra alguém 
que não concordou com isso 
Não importa se houve ou não a 
anuência 
 
3.13. DISPOSIÇÕES GERAIS 
CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL – CAUSAS DE AUMENTO 
DOS 
CAPÍTULOS I E 
II 
1/4 • concurso de 2 ou mais pessoas 
1/2 
• agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, 
cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador 
da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela 
1/3 A 2/3 
•estupro coletivo (2 ou mais agentes) 
• Estupro corretivo 
TODOS OS 
CRIMES DO 
TÍTULO 
1/2 A 2/3 • Se do crime resulta gravidez 
1/3 A 2/3 
• se o agente transmite à vítima doença sexualmente 
transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador 
• se a vítima é idosa 
• se a vítima é pessoa com deficiência 
ESPECÍFICAS 
ATÉ 1/3 • Assédio sexual: se a vítima é < 18 anos. 
1/3 A 2/3 
• Divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de 
vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia: se o crime é 
praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação 
íntima de afeto com a vítima; ou se o crime é praticado com o 
fim de vingança ou humilhação. 
1/6 A 1/3 
• Promoção de migração ilegal: crime é cometido com violência; 
ou vítima é submetida a condição desumana ou degradante. 
 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - A exploração sexual constitui 
elemento normativo do crime de casa de prostituição, não bastando a conduta 
consistente na manutenção de casa para fins libidinosos. 
ITEM CORRETO! 
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(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - A contemplação lasciva 
configura ato libidinoso constitutivo de estupro e de estupro de vulnerável, sendo 
irrelevante, para a consumação dos delitos, que haja contato físico entre ofensor e 
vítima. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Agente de Investigação) - O médico dermatologista 
que, sem necessidade e aproveitando-se da confiança da paciente, apalpa a vítima em 
suas regiões íntimas, pratica estupro. 
ITEM INCORRETO, pois o crime praticado é o de violação sexual mediante fraude! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - DPE-RO - Defensor Público Substituto) - Indivíduo maior e 
capaz, sob a alegação de que estava doente e precisava de material genético humano, 
praticou atos libidinosos com adolescente de 15 anos de idade, o qual consentiu com a 
prática em razão da argumentação do maior. A conduta do indivíduo maior e capaz, no 
caso apresentado, é violação sexual mediante fraude. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Médico-Legista) - Mirtes, com 19 anos de idade, foi 
forçada a praticar ato sexual com seu patrão, Carlos. Por ter a vítima demorado alguns 
dias para ir até a delegacia de polícia registrar a ocorrência, não foi possível realizar a 
perícia. Carlos foi ouvido no inquérito policial e indiciado. Configura causa de aumento 
de pena nos crimes sexuais o fato de o agente ser empregador da vítima. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça Substituto) - Segundo 
entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a contemplação lasciva de uma 
criança, por meio da Internet, sem qualquer contato físico, configura estupro. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia) - Lucas, com 15 anos de idade, 
conheceu Lívia, com 13 anos de idade, na escola onde estudavam. Com o tempo, ambos 
se apaixonaram e começaram a namorar. Após terem a primeira relação sexual, Lívia 
comunicou o fato aos seus pais, os quais, por gostarem de Lucas, convidaram-no a morar 
junto com Lívia, na casa da família. Lucas, ainda com 15 anos de idade, aceitou 
prontamente o convite e imediatamente passou a conviver com Lívia, que ainda tinha 13 
anos de idade, como marido e mulher, na casa dos pais dela, mantendo, continuamente, 
relação sexual consentida por Lívia e com a ciência dos pais desta. Apenas os pais de Lívia 
responderão por crimede estupro de vulnerável, na forma da omissão imprópria, por 
serem autores mediatos do delito. 
ITEM CORRETO! 
 
 
4 – CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA 
 
 
4.1. INCITAÇÃO AO CRIME 
Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime: 
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. 
 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem incita, publicamente, animosidade 
entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis 
ou a sociedade. – É CONDUTA EQUIPARADA! 
 
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4.2. APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO 
Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: 
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. 
 
4.3. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA 
Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer 
crimes: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
Parágrafo único. A pena AUMENTA-SE até a metade se a associação é armada ou se 
houver a participação de criança ou adolescente. 
 
ASSOCIAÇÃO 
CRIMINOSA PARA O TRÁFICO PARA O GENOCÍDIO 
3 ou + 2 ou + 4 ou + 
Obs.: a “organização criminosa” é composta por 4 ou + agentes. 
Art. 8º, Lei nº 8.072/1990 - Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art. 
288 do Código Penal, quando se tratar de crimes hediondos, prática da tortura, tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. 
Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou 
quadrilha, possibilitando seu desmantelamento, terá a PENA REDUZIDA de um a dois 
terços. 
 
4.4. CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA 
Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, 
milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes 
previstos neste Código: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. 
 Destaca-se que a finalidade é de praticar qualquer dos crimes previstos no 
CÓDIGO PENAL. 
 
(CESPE - 2018 - ABIN - Agente de Inteligência) - No caso de três ou mais pessoas 
associarem-se com a intenção de cometer um único assalto a banco, estará configurado 
o crime de associação criminosa. 
ITEM INCORRETO, pois a finalidade da associação criminosa é de cometer crimes (no 
plural), e não crime! 
(CESPE - 2018 - ABIN - Agente de Inteligência) - Os tipos penais definidos como incitação 
ao crime e apologia de crime são espécies de crimes contra a paz pública. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) - A conduta de constituir, organizar, 
integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou 
esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos no CP configura 
crime contra a paz pública, sendo considerada como crime vago, uma vez que o sujeito 
passivo é a coletividade. 
ITEM CORRETO! 
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5 – CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA 
 
 
5.1. MOEDA FALSA 
Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de 
curso legal no país ou no estrangeiro: 
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa. 
 
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, 
adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa. 
 
§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a 
restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis 
meses a dois anos, e multa. 
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público ou 
diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a 
fabricação ou emissão: 
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; 
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. 
 
§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não 
estava ainda autorizada. 
Súmula nº 73, STJ: “A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, 
em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.” 
 
 
• Não se aplica o arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. STJ. 6ª Turma. REsp 
1.242.294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio 
Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554). 
 
5.2. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO 
Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento 
público verdadeiro: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. 
 
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, 
AUMENTA-SE a pena de sexta parte. 
 
 § 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de 
entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de 
sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. 
 
§ 3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: 
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer 
prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado 
obrigatório; 
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que 
deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que 
deveria ter sido escrita; 
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III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as 
obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que 
deveria ter constado. 
 
§ 4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3o, 
nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de 
trabalho ou de prestação de serviços. 
 
5.3. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR 
Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento 
particular verdadeiro: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
 Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular 
o cartão de crédito ou débito. 
EQUIPARA-SE AOS DOCUMENTOS 
PÚBLICOS PARTICULARES 
L • Livros mercantis; 
• Cartão de crédito; 
• Cartão de débito. 
A • Ações de sociedade comercial; 
T 
• Título ao portador ou transmissível 
por endosso; 
T • Testamento particular; 
E • Emanado de entidade paraestatal. 
 
5.4. FALSIDADE IDEOLÓGICA 
Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, 
ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o 
fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente 
relevante: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um 
a três anos, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, se o documento é 
particular. 
 Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-
se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, 
AUMENTA-SE a pena de sexta parte. - MAJORANTE 
DOCUMENTO EM BRANCO 
FALSIDADE IDEOLÓGICA FALSIDADE MATERIAL 
Possui autorização para preencher Não possui autorização para para preencher 
 
 
• Na falsidade ideológica, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da 
pretensão punitiva é o momento da consumação do delito (e não o momento da eventual 
reiteração de seus efeitos). STJ. 3ª Seção. RvCr 5.233-DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da 
Fonseca, julgado em 13/05/2020 (Info 672). 
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 • Inserir informação falsa em currículo Lattes não configura crime de falsidade 
ideológica. STJ. 6ª Turma. RHC 81.451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado 
em 22/8/2017(Info 610). 
• Falsa declaração de hipossuficiência não é crime. STJ. 6ª Turma. HC 261.074-MS, Rel. 
Min. Marilza Maynard (Desembargadora convocada do TJ-SE), julgado em 5/8/2014 (Info 
546). 
 
5.5. USO DE DOCUMENTO FALSO 
Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem 
os arts. 297 a 302: 
 Pena - a cominada à falsificação ou à alteração. 
 
 
• Desnecessidade de prova pericial para condenação por uso de documento falso. STJ. 5ª 
Turma. HC 307.586-SE, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador 
convocado do TJ/SP), julgado em 25/11/2014 (Info 553). 
 
5.6. FALSA IDENTIDADE 
Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em 
proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de 
crime mais grave. 
Súmula nº 522, STJ: “A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade 
policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa.” 
 
5.7. ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO 
ATENÇÃO! NOVIDADE! – LEIA TODO O ARTIGO! 
 Art. 311. Adulterar, remarcar ou suprimir número de chassi, monobloco, motor, placa 
de identificação, ou qualquer sinal identificador de veículo automotor, elétrico, híbrido, 
de reboque, de semirreboque ou de suas combinações, bem como de seus componentes 
ou equipamentos, sem autorização do órgão competente: 
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. 
 
§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena 
é AUMENTADA de um terço. - MAJORANTE 
 
§ 2º Incorrem nas mesmas penas do caput deste artigo: 
I – o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro do veículo 
remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação oficial; 
II – aquele que adquire, recebe, transporta, oculta, mantém em depósito, fabrica, 
fornece, a título oneroso ou gratuito, possui ou guarda maquinismo, aparelho, 
instrumento ou objeto especialmente destinado à falsificação e/ou adulteração de que 
trata o caput deste artigo; ou 
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III – aquele que adquire, recebe, transporta, conduz, oculta, mantém em depósito, 
desmonta, monta, remonta, vende, expõe à venda, ou de qualquer forma utiliza, em 
proveito próprio ou alheio, veículo automotor, elétrico, híbrido, de reboque, 
semirreboque ou suas combinações ou partes, com número de chassi ou monobloco, 
placa de identificação ou qualquer sinal identificador veicular que devesse saber estar 
adulterado ou remarcado. 
 
§ 3º Praticar as condutas de que tratam os incisos II ou III do § 2º deste artigo no exercício 
de atividade comercial ou industrial: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. 
 § 4º Equipara-se a atividade comercial, para efeito do disposto no § 3º deste artigo, 
qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive aquele exercido em 
residência. 
 
5.8. FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO 
Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, 
ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de: 
I - concurso público; 
II - avaliação ou exame públicos; 
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou 
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
 
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de 
pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput. 
 
§ 2º Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
 
§ 3º AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário 
público. - MAJORANTE 
 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TCE-MS - Procurador de Contas Substituto do Ministério 
Público de Contas) - Em relação ao crime de falsidade ideológica, a pena é aumentada 
caso o agente da falsificação seja funcionário público, desde que este pratique a conduta 
prevalecendo-se do cargo, independentemente da natureza pública ou particular do 
documento. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - A conduta de atribuir-se 
falsa identidade perante autoridade policial é atípica quando ocorre em evidente 
exercício de autodefesa. 
ITEM INCORRETO, pois de acordo com a súmula 522 do STJ, a conduta de atribuir-se falsa 
identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada 
autodefesa! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Perito Criminal - Especialidade: Direito) - Para a 
configuração do crime de falsidade ideológica, é imprescindível a ocorrência de dano 
efetivo mediante a apresentação do documento cuja verdade foi juridicamente alterada. 
ITEM INCORRETO, pois de acordo com a jurisprudência do STJ (Info 672), a falsidade 
ideológica é crime formal e instantâneo, cujos efeitos podem se protrair no tempo. A 
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despeito dos efeitos que possam, ou não, gerar, a falsidade ideológica se consuma no 
momento em que é praticada a conduta! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Perito Criminal - Especialidade: Direito) - Pratica o 
crime de moeda falsa aquele que, grosseiramente, falsifica papel-moeda em curso legal 
no país e com ele efetua compras no comércio, obtendo vantagem indevida em prejuízo 
de terceiros. 
ITEM INCORRETO, pois de acordo com a súmula 73 do STJ, a utilização de papel-moeda 
grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência 
da justiça estadual! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - TRT - 8ª Região (PA e AP) - Analista Judiciário - Oficial de 
Justiça Avaliador Federal) - Com base na lei penal, configura crime de falsificação de 
documento particular o ato de falsificar cartão de crédito ou débito. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - TJ-RJ - Analista Judiciário - Execução de Mandados) - 
Configura crime de falsificação de documento público a conduta do agente que 
falsamente altere testamento particular. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal)- O crime de 
moeda falsa é incompatível com o instituto do arrependimento posterior. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Em se 
tratando do crime de falsidade ideológica, o prazo prescricional se reinicia com a eventual 
reiteração de seus efeitos. 
ITEM INCORRETO, pois de acordo com a jurisprudência do STJ (Info 672), o termo inicial 
da contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva é o momento da consumação 
do delito (e não o da eventual reiteração de seus efeitos)! 
 
 
6 – CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
 
CRIME FUNCIONAL 
PRÓPRIO OU PURO IMPRÓPRIO OU IMPURO 
É aquele que, uma vez afastada a qualidade 
de funcionário público, o fato torna-se 
atípico 
É aquele que, uma vez afastada a qualidade 
de funcionário público, o fato poderá 
configurar outro crime 
Ex.: prevaricação (art. 319, CP) 
Ex.: peculato (art. 312, CP) poderá 
caracterizar furto (art. 155, CP) 
Súmula nº 599, STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a 
administração pública.” 
 
6.1. PECULATO 
PECULATO 
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem 
móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em 
proveito próprio ou alheio: 
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 
 
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§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do 
dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre paraque seja subtraído, em proveito 
próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de 
funcionário. 
 
PECULATO CULPOSO 
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
 
 § 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença 
irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. 
 
PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM 
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, 
recebeu por erro de outrem: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÕES 
 Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, 
alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos 
de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para 
outrem ou para causar dano: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
 
MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE SISTEMA DE INFORMAÇÕES 
 Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa 
de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente: 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. 
Parágrafo único. As penas são AUMENTADAS de um terço até a metade se da modificação 
ou alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado. 
 
• MP acusou o réu de peculato por meio de fraude na escrituração contábil do Município; 
logo, era indispensável a realização de perícia. STJ. 6ª Turma. REsp 1958753-SP, Rel. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 14/9/2022 (Info Especial 10). 
 • Servidor público que se apropria dos salários que lhe foram pagos e não presta os 
serviços, não comete peculato. Assim, a conduta do servidor poderia ter repercussões 
disciplinares ou mesmo no âmbito da improbidade administrativa, mas não se ajusta ao 
delito de peculato, porque seus vencimentos efetivamente lhe pertenciam. Se o servidor 
merecia perceber a remuneração, à luz da ausência da contraprestação respectiva, é 
questão a ser discutida na esfera administrativo-sancionadora, mas não na instância 
penal, por falta de tipicidade. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2073825-RS, Rel. Min. Ribeiro 
Dantas, julgado em 16/08/2022 (Info 746). 
• Configura o crime de peculato-desvio o fomento econômico de candidatura à reeleição 
por Governador de Estado com o patrimônio de empresas estatais. STJ. 5ª Turma. REsp 
1776680-MG, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 11/02/2020 (Info 666). 
• Pratica o crime de peculato-desvio o Governador que determina que os valores 
descontados dos contracheques dos servidores para pagamento de empréstimo 
consignado não sejam repassados ao banco, mas sim utilizados para quitação de dívidas 
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do Estado. STJ. Corte Especial. APn 814-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. 
Min. João Otávio de Noronha, julgado em 06/11/2019 (Info 664). 
• Depositário judicial que vende os bens não pratica peculato. O crime de peculato exige, 
para a sua consumação, que o funcionário público se aproprie de dinheiro, valor ou outro 
bem móvel em virtude do “cargo”. Depositário judicial não é funcionário público para fins 
penais, porque não ocupa cargo público, mas a ele é atribuído um munus, pelo juízo, em 
razão do fato de que determinados bens ficam sob sua guarda e zelo. STJ. 6ª Turma. HC 
402949-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 623). 
 
 
PECULATO - ESPÉCIES 
APROPRIAÇÃO OU PRÓPRIO 
(art. 312, caput) 
• O agente apropria-se de dinheiro, valor ou bem móvel de que 
tem a posse em razão do cargo, em proveito próprio ou alheio 
DESVIO OU PRÓPRIO 
(art. 312, caput) 
• O agente desvia dinheiro, valor ou bem móvel de que tem a 
posse em razão do cargo, em proveito próprio ou alheio 
FURTO OU IMPRÓPRIO 
(art. 312, § 1º) 
• O agente subtraí ou concorre dolosamente para a subtração de 
dinheiro, valor ou bem móvel de que não tem a posse, em 
proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe 
proporciona a qualidade de funcionário 
CULPOSO 
(art. 312, § 2º) 
• O agente concorre culposamente para o crime de outrem 
ESTELIONATO OU 
MEDIANTE ERRO DE 
OUTREM (art. 313) 
• O agente apropria-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no 
exercício do cargo, recebeu por erro de outrem, de onde tem a 
posse 
ELETRÔNICO OU INSERÇÃO 
DE DADOS FALSOS 
(art. 313-A) 
• O agente (funcionário público autorizado) insere ou facilita a 
inserção de dados falsos, altera ou exclui indevidamente dados 
corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da 
Administração Pública, com o fim de obter vantagem indevida 
para si ou para outrem ou para causar dano 
ELETRÔNICO OU 
MODIFICAÇÃO DE SISTEMA 
(art. 313-B) 
• O agente (funcionário público em sentido amplo) modifica ou 
altera sistema de informações ou programa de informática sem 
autorização ou solicitação de autoridade competente (não tem 
fim específico), aumentando-se a pena de 1/3 até 1/2 se 
resultar dando para a administração ou administrado 
 
PECULATO CULPOSO 
ANTES DA SENTENÇA TRANSITADA EM 
JULGADO 
DEPOIS DA SENTENÇA TRANSITADA EM 
JUGADO 
Extinção da punibilidade Diminuição pela metade da pena imposta 
 
CRIME FATO TÍPICO OU ATÍPICO EXCEÇÃO 
FURTO DE USO Atípico É crime no CPM (art. 241) 
ROUBO DE USO Típico - 
PECULATO DE USO Atípico 
Sujeito ativo -> Prefeito, o 
fato será típico (crime de 
Responsabilidade no art. 1º, 
II, do Decreto-Lei 201/67) 
 
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6.2. CONCUSSÃO 
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da 
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
 
EXCESSO DE EXAÇÃO 
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber 
indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei 
não autoriza: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
 
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu 
indevidamente para recolher aos cofres públicos: 
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 
 
• A mera interpretação equivocada da norma tributária não configura o crime de excesso 
de exação. STJ. 6ª Turma. REsp 1943262-SC, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado 
em 05/10/2021 (Info 712) 
 
6.3. CORRUPÇÃO PASSIVA X CORRUPÇÃO ATIVA 
CORRUPÇÃO PASSIVA - CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A 
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que 
fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar 
promessa de tal vantagem: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
 
§ 1º - A pena é AUMENTADA de um terço, se, em consequência da vantagem ou promessa, 
o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo 
dever funcional. - MAJORANTE 
 
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração 
de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: - CORRUPÇÃO PASSIVA 
PRIVILEGIADA 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
 
CORRUPÇÃO ATIVA - CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO 
EM GERAL 
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para 
determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
Parágrafo único - A pena é AUMENTADA deum terço, se, em razão da vantagem ou 
promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever 
funcional. - MAJORANTE 
 
 
 
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• Configura o crime de corrupção ativa o oferecimento de vantagem indevida a 
funcionário público para determiná-lo a omitir ou retardar ato de ofício relacionado com 
o cometimento do crime de posse de drogas para uso próprio. STJ. 5ª Turma. AREsp 
2007599-RJ, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado 
em 03/05/2022 (Info 735). 
• Na autolavagem não ocorre a consunção entre a corrupção passiva e a lavagem de 
dinheiro. STJ. Corte Especial. APn 989-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
16/02/2022 (Info 726). 
 • Não comete crime o médico do SUS que cobra do paciente um valor pelo fato de 
utilizar, na cirurgia, a sua máquina particular de videolaparoscopia (que não é oferecida 
na rede pública). Para tipificação do art. 317 do Código Penal - corrupção passiva -, deve 
ser demonstrada a solicitação ou recebimento de vantagem indevida pelo agente 
público, não configurada quando há mero ressarcimento ou reembolso de despesa. STJ. 
5ª Turma. HC 541447-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 14/09/2021 (Info 
709). 
 • O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que a vantagem indevida esteja 
relacionada com atos que formalmente não se inserem nas atribuições do funcionário 
público. STJ. 6ª Turma. REsp 1745410-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 02/10/2018 (Info 635). 
• Inépcia da denúncia de corrupção ativa não leva à necessária rejeição da acusação 
quanto à corrupção passiva. STJ. 5ª Turma. RHC 52.465-PE, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado 
em 23/10/2014 (Info 551). 
 
6.4. PREVARICAÇÃO 
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo 
contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
 
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever 
de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a 
comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: - PREVARICAÇÃO 
IMPRÓPRIA OU ESPECIAL 
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 
PREVARICAÇÃO CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA 
LETRA DA LEI 
Retardar ou deixar de praticar, 
indevidamente, ato de ofício, ou 
praticá-lo contra disposição 
expressa de lei, para satisfazer 
interesse ou sentimento pessoal 
Se o funcionário pratica, deixa de 
praticar ou retarda ato de ofício, com 
infração de dever funcional, cedendo 
a pedido ou influência de outrem 
SATISFAÇÃO 
DE 
SENTIMENTO 
Tem Não tem 
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OU INTERESSE 
PESSOAL 
PEDIDO OU 
INFLUÊNCIA 
DE OUTREM 
Não tem Tem 
 
6.5. CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA 
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que 
cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o 
fato ao conhecimento da autoridade competente: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 
 
6.6. ADVOCACIA ADMINISTRATIVA 
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração 
pública, valendo-se da qualidade de funcionário: 
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
 
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa 
ADVOCACIA ADMINISTRATIVA 
(Art. 321, CP) 
CRIME FUNCIONAL CONTRA A ORDEM 
TRIBUTÁRIA (Art. 3º, III, Lei nº 8.137/90) 
Patrocinar interesse privado perante a 
Administração Pública 
Patrocinar interesse privado perante a 
Administração Fazendária 
 
6.7. FUNCIONÁRIO PÚBLICO 
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora 
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. 
 
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em 
entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada 
ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. 
 
 § 2º - A pena será AUMENTADA da terça parte quando os autores dos crimes previstos 
neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou 
assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, 
empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. 
 
 
 • A mera afirmação de que o denunciado ocupa o cargo de desembargador é 
insuficiente para a incidência da causa de aumento de pena prevista no art. 327, § 2º, do 
Código Penal. A circunstância de imposição hierárquica deve estar descrita e não é 
presumível apenas pelo exercício do cargo. STJ. Corte Especial. AgRg na APn 970-DF, Rel. 
Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 04/05/2022 (Info 736). 
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 • Causa de aumento do § 2º do art. 327 não se aplica para autarquias. STF. 2ª Turma. 
AO 2093/RN, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/9/2019 (Info 950) 
• O simples fato de o réu exercer um mandato popular não é suficiente para fazer incidir 
a causa de aumento do art. 327, § 2", do CP. É necessário que ele ocupe uma posição de 
superior hierárquico (o STF chamou de "imposição hierárquica"). STF. Plenário. lnq 
3983/0F, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 02 e 03/03/2016 (Info 816). 
 
6.8. RESISTÊNCIA X DESOBEDIÊNCIA 
RESISTÊNCIA 
Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário 
competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: 
Pena - detenção, de dois meses a dois anos. 
 
 § 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa: - QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de um a três anos. 
 
§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência. 
 
DESOBEDIÊNCIA 
Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público: 
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. 
 
 • Comete o delito de desobediência o condutor do veículo que não cumpre a ordem 
de parada dada pela autoridade em contexto de policiamento ostensivo para prevenção 
e repressão de crimes. STJ. 3ª Seção. REsp 1859933-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha 
Palheiro, julgado em 09/03/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1060) (Info 732). 
• Comete crime de desobediência o indivíduo que não atende a ordem dada pelo oficial 
de justiça na ocasião do cumprimento de mandado de entrega de veículo. STF. 1ª Turma. 
HC 169417/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado 
em 28/4/2020 (Info 975). 
 
6.9. DESACATO 
Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 
CRIME CONTRA A HONRA DE FUNCIONÁRIO 
PÚBLICO + MAJORANTE DE 1/3 
(ART. 141, II, CP) 
CRIME DE DESACATO 
(ART. 331, CP) 
O servidor está ausente O servidor está presente 
 
6.10. TRÁFICO DE INFLUÊNCIA X EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO 
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A 
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 
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Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa 
de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício 
da função: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 
Parágrafo único - A pena é AUMENTADA da metade, se o agente alega ou insinua que a 
vantagem é também destinada ao funcionário. 
 
EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO – CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA 
Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influirem juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, 
intérprete ou testemunha: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
 
Parágrafo único - As penas AUMENTAM-SE de um terço, se o agente alega ou insinua que 
o dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer das pessoas referidas neste artigo. 
 
 
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO 
VERBO Solicitar, exigir, cobrar ou obter Solicitar ou receber 
O QUE? 
Vantagem ou promessa de 
vantagem 
Dinheiro ou qualquer outra utilidade 
FINALIDADE 
A pretexto de influir em ato 
praticado por: funcionário público 
no exercício da função 
A pretexto de influir em: juiz; jurado; 
órgão do MP; funcionário da justiça; 
perito; tradutor; intérprete; ou 
testemunha 
MAJORANTE 
1/2: se o agente alega ou insinua 
que a vantagem é também 
destinada ao funcionário 
1/3: se o agente alega ou insinua que 
o dinheiro ou utilidade também se 
destina a qualquer das pessoas 
referidas no artigo 
 
 
 • Atipicidade do “comprador de fumaça” quanto ao delito de tráfico de influência do 
art. 332 do CP. STJ. 5ª Turma. RHC 122.913, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 
15/12/2020. 
 
6.11. DESCAMINHO X CONTRABANDO 
DESCAMINHO 
Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela 
entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria. 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 
 
§ 1º Incorre na mesma pena quem: 
I - pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei; 
II - pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho; 
III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em 
proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria 
de procedência estrangeira que introduziu clandestinamente no País ou importou 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9127.htm#art1
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fraudulentamente ou que sabe ser produto de introdução clandestina no território 
nacional ou de importação fraudulenta por parte de outrem; 
IV - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de 
documentação legal ou acompanhada de documentos que sabe serem falsos. 
 
§ 2º Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma 
de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido 
em residências. 
 
§ 3º A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado em transporte 
aéreo, marítimo ou fluvial. - MAJORANTE 
 
CONTRABANDO 
Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 
 
§ 1º Incorre na mesma pena quem: 
I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando; 
II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de registro, análise 
ou autorização de órgão público competente; 
III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à exportação; 
IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em 
proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria 
proibida pela lei brasileira; 
V - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira. 
 
§ 2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma 
de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido 
em residências. 
 
§ 3º - A pena aplica-se em dobro se o crime de contrabando é praticado em transporte 
aéreo, marítimo ou fluvial. - MAJORANTE 
Súmula nº 151, STJ: “A competência para o processo e julgamento por crime de 
contrabando ou descaminho define-se pela prevenção do Juízo Federal do lugar da 
apreensão dos bens.” 
 
 
 • O princípio da insignificância pode ser aplicado para o contrabando de até mil 
maços de cigarro, salvo se houver reiteração. STJ. 3ª Seção. REsps 1.971.993-SP e 
1.977.652-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Junior, 
julgado em 13/9/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1143) (Info 787). 
 • A apreensão de mercadorias antes da entrada no recinto da aduana não configura 
o crime de descaminho. STJ. 6ª Turma. RHC 179.244-SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 
julgado em 6/6/2023 (Info 13 – Edição Extraordinária). 
• Para aplicação da majorante prevista no art. 334, § 3º, do CP, é necessário que o 
transporte seja clandestino? 
STJ e 1ª Turma do STF: NÃO. O art. 334, § 3º, do Código Penal prevê a aplicação da pena 
em dobro se “o crime de contrabando ou descaminho é praticado em transporte aéreo”. 
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Se a lei não faz restrições quanto à espécie de voo que enseja a aplicação da majorante, 
não cabe ao intérprete restringir a aplicação do dispositivo legal, sendo irrelevante que o 
transporte seja clandestino ou regular. STJ. 5ª Turma. HC 390899/SP, Rel. Min. Ribeiro 
Dantas, julgado em 23/11/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1850255/SP, Rel. Min. 
Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/05/2020. O art. 334, § 3º, do CP, ao versar sobre o 
aumento da sanção nos casos de descaminho praticado em transporte aéreo, não 
distingue os casos de voos clandestinos ou regulares. STF. 1ª Turma. HC 169846, Rel. Min. 
Marco Aurélio, julgado em 12/11/2019. 
2ª Turma do STF (empate): SIM. Para aplicação da majorante prevista no art. 334, § 3º, 
do Código Penal, é necessária a condição de clandestinidade. A majorante somente pode 
ser aplicada quando houver uma maior reprovabilidade da conduta, caracterizada pela 
atuação do imputado no sentido de dificultar a fiscalização estatal, por meio da 
clandestinidade. STF. Plenário. HC 162553 AgR/CE, relator Min. Edson Fachin, redator do 
acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/9/2021 (Info 1030). 
 • Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho 
quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil 
reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas 
pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 
1.688.878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso 
repetitivo) (Info 622). STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 
17/4/2018 (Info 898) 
• Em regra, é inaplicável o princípio da insignificância ao crime de contrabando, uma vez 
que o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, 
alcançando também o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de 
produtos proibidos em território nacional. Trata-se, assim, de um delito pluriofensivo. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1744739/RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 
02/10/2018. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1717048/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado 
em 11/09/2018. STF. 1ª Turma. HC 133958 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 
06/09/2016 
 • O STJ possui alguns precedentes admitindo, de forma excepcional, a aplicação deste 
princípio para o caso de contrabando de pequena quantidade de medicamento para uso 
próprio. 
A importação de pequena quantidade de medicamento destinada a uso próprio denota 
a mínima ofensividade da conduta do agente, a ausência de periculosidade social da 
ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade 
da lesão jurídica provocada, tudo a autorizar a excepcional aplicação do princípio da 
insignificância. STJ. 5ª Turma. EDcl no AgRg no REsp 1708371/PR, Rel. Min. Joel Ilan 
Paciornik, julgado em 24/04/2018. 
 • Importação de colete à prova de balas configuracontrabando. STJ. 6ª Turma. RHC 
62.851-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/2/2016 (Info 577) 
 • O falso pode ser absorvido pelo descaminho. Quando o falso se exaure no 
descaminho, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido, como crime-fim, 
condição que não se altera por ser menor a pena a este cominada. STJ. 3ª Seção. REsp 
1.378.053-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/8/2016 (Info 587). 
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 • A reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância nos 
crimes de descaminho, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, as instâncias 
ordinárias verificarem que a medida é socialmente recomendável. Assim, pode-se 
afirmar que: REGRA: não se aplica o princípio da insignificância para o agente que 
praticou descaminho se ficar demonstrada a sua reiteração criminosa (criminoso 
habitual). EXCEÇÃO: o julgador poderá aplicar o referido princípio se, analisando as 
peculiaridades do caso concreto, entender que a medida é socialmente recomendável. 
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.217.514-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 
9/12/2015 (Info 575). 
 • O descaminho é crime tributário formal. Logo, para que seja proposta ação penal 
por descaminho não é necessária a prévia constituição definitiva do crédito tributário. 
Não se aplica a Súmula Vinculante 24 do STF. O crime se consuma com a simples conduta 
de iludir o Estado quanto ao pagamento dos tributos devidos quando da importação ou 
exportação de mercadorias. STJ. 6ª Turma. REsp 1.343.463-BA, Rel. para acórdão Min. 
Rogerio Schietti Cruz, j. em 20/3/2014 (Info 548). 
 • A importação de arma de pressão por ação de gás comprimido, ainda que de calibre 
inferior a 6 mm, configura o crime de contrabando, sendo inaplicável o princípio da 
insignificância. STJ. 5ª Turma. REsp 1428628/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. em 
28/04/2015. STJ. 6ª Turma. REsp 1.427.796-RS, Rel. Min. Maria Thereza De Assis Moura, 
j. em 14/10/2014 (Info 551). 
• Falsidade ideológica é absorvida pelo descaminho. STJ. 5ª Turma. RHC 31.321-PR, Rel. 
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 16/5/2013 (Info 523). 
 
6.12. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 
SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 
Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, 
mediante as seguintes condutas: 
I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto 
pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou 
trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; 
II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as 
quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de 
serviços; 
III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou 
creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
 
 § 1º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as 
contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência 
social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. 
 
 § 2º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o 
agente for primário e de bons antecedentes, desde que: 
I – (VETADO) 
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele 
estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o 
ajuizamento de suas execuções fiscais. 
 
https://www.gran.com.br/
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/Mensagem_Veto/2000/Mv0961-00.htm
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§ 3º Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não 
ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz PODERÁ REDUZIR a pena 
de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. 
 
§ 4º O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos 
mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. 
 
6.13. AFASTAMENTO DE LICITANTE 
Art. 337-K. Afastar ou tentar afastar licitante por meio de violência, grave ameaça, 
fraude ou oferecimento de vantagem de qualquer tipo: 
Pena - reclusão, de 3 (três) anos a 5 (cinco) anos, e multa, além da pena correspondente 
à violência. 
 
 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se abstém ou desiste de licitar em 
razão de vantagem oferecida. 
 
 
6.14. FRAUDE EM LICITAÇÃO OU CONTRATO 
Art. 337-L. Fraudar, em prejuízo da Administração Pública, licitação ou contrato dela 
decorrente, mediante: 
I - entrega de mercadoria ou prestação de serviços com qualidade ou em quantidade 
diversas das previstas no edital ou nos instrumentos contratuais; 
II - fornecimento, como verdadeira ou perfeita, de mercadoria falsificada, deteriorada, 
inservível para consumo ou com prazo de validade vencido; 
III - entrega de uma mercadoria por outra; 
IV - alteração da substância, qualidade ou quantidade da mercadoria ou do serviço 
fornecido; 
V - qualquer meio fraudulento que torne injustamente mais onerosa para a 
Administração Pública a proposta ou a execução do contrato: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) anos a 8 (oito) anos, e multa. 
 
6.15. CONTRATAÇÃO INIDÔNEA 
 Art. 337-M. Admitir à licitação empresa ou profissional declarado inidôneo: 
Pena - reclusão, de 1 (um) ano a 3 (três) anos, e multa. 
 
§ 1º Celebrar contrato com empresa ou profissional declarado inidôneo: - 
QUALIFICADORA 
Pena - reclusão, de 3 (três) anos a 6 (seis) anos, e multa. 
 
§ 2º Incide na mesma pena do caput deste artigo aquele que, declarado inidôneo, venha 
a participar de licitação e, na mesma pena do § 1º deste artigo, aquele que, declarado 
inidôneo, venha a contratar com a Administração Pública. 
 
6.16. OMISSÃO GRAVE DE DADO OU DE INFORMAÇÃO PROJETISTA 
Art. 337-O. Omitir, modificar ou entregar à Administração Pública levantamento 
cadastral ou condição de contorno em relevante dissonância com a realidade, em 
frustração ao caráter competitivo da licitação ou em detrimento da seleção da proposta 
mais vantajosa para a Administração Pública, em contratação para a elaboração de 
projeto básico, projeto executivo ou anteprojeto, em diálogo competitivo ou em 
procedimento de manifestação de interesse: 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178
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Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa. 
§ 1º Consideram-se condição de contorno as informações e os levantamentos 
suficientes e necessários para a definição da solução de projeto e dos respectivos preços 
pelo licitante, incluídos sondagens, topografia, estudos de demanda, condições 
ambientais e demais elementos ambientais impactantes, considerados requisitos 
mínimos ou obrigatórios em normas técnicas que orientam a elaboração de projetos. 
 
 § 2º Se o crime é praticado com o fim de obter benefício, direto ou indireto, próprio 
ou de outrem, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. - MAJORANTE 
 
6.17. PENA DOS CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 
 Art. 337-P. A pena de multa cominada aos crimes previstos neste Capítulo seguirá a 
metodologia de cálculo prevista nesteCódigo e não poderá ser inferior a 2% (dois por 
cento) do valor do contrato licitado ou celebrado com contratação direta. 
 
DOS CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 
CRIMES EM QUE A 
PENA É CUMULADA 
COM A DE VIOLÊNCIA 
• Afastamento de licitante. 
CRIMES COM 
CONDUTAS 
EQUIPARADAS 
• Afastamento de licitante – incorre na mesma pena quem se abstém 
ou desiste de licitar em razão de vantagem oferecida. 
• Contratação inidônea – incorre na mesma pena do caput aquele que, 
declarado inidôneo, venha a participar de licitação e, na mesma pena 
do § 1º deste artigo, aquele que, declarado inidôneo, venha a contratar 
com a Administração Pública. 
CRIMES COM 
QUALIFICADORAS 
• Contratação inidônea – celebrar contrato com empresa ou 
profissional declarado inidôneo 
CRIMES COM 
MAJORANTES 
• Omissão grave de dado ou de informação por projetista – em dobro, 
quando o crime é praticado com o fim de obter benefício, direto ou 
indireto, próprio ou de outrem. 
CRIMES DE 
ATENTADO OU DE 
EMPREENDIMENTO 
• Afastamento de licitante; 
PENA DE MULTA 
• Não poderá ser inferior a 2% do valor do contrato licitado ou 
celebrado com contratação direta. 
CRIMES PUNIDOS 
COM DETENÇÃO 
• Perturbação de processo licitatório 
• Violação de sigilo em licitação 
 
6.18. DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA 
Art. 339. Dar causa à instauração de inquérito policial, de procedimento investigatório 
criminal, de processo judicial, de processo administrativo disciplinar, de inquérito civil ou 
de ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime, infração 
ético-disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. 
 
§ 1º - A pena é AUMENTADA de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de 
nome suposto. 
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 § 2º - A pena é DIMINUÍDA de metade, se a imputação é de prática de contravenção. 
 
• O fato de não ter havido indiciamento não é motivo para desclassificar o crime de 
Denunciação Caluniosa para o art. 340 (comunicação falsa de crime ou contravenção. STJ. 
6ª Turma. REsp 1.482.925-MG, Rel. Min. Sebastião Reis, julgado em 6/10/2016 (Info 592). 
• Para configuração do delito de denunciação caluniosa, exige-se que o agente saiba que 
a pessoa é inocente, ou seja, é necessário dolo direto. O simples fato de a pessoa 
"investigada" ou "denunciada" ter sido absolvida não significa que o autor da "denúncia" 
deverá responder por denunciação caluniosa, sendo necessário comprovar a sua má-fé, 
ou seja, que a sua única intenção era a de atribuir fato criminoso a pessoa que ele sabia 
ser inocente. STF. 1ª Turma. lnq 3133/AC, Rel. Min. Luiz Fux. Julgado em 05/08/2014 (Info 
753). 
 
6.19. COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME OU DE CONTRAVENÇÃO 
Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de 
contravenção que sabe não se ter verificado: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
 
6.20. AUTOACUSAÇÃO FALSA 
Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por 
outrem: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa. 
 
6.21. FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA 
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, 
contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito 
policial, ou em juízo arbitral: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 
 
§ 1º As penas AUMENTAM-SE de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante 
suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em 
processo penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública 
direta ou indireta. - MAJORANTE 
 
§ 2º O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o 
ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade. 
 
• Falso testemunho é crime formal. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 603.029/SP, Rel. Min. 
Jorge Mussi, julgado em 23/05/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 723.184/SP. Rel. Min. 
Befi Cordeiro, julgado em 22/11/2016. 
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6.22. CORRUPÇÃO ATIVA DE TESTEMUNHA OU PERÍCIA 
Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, 
perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a 
verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou interpretação: 
Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa. 
 
Parágrafo único. As penas AUMENTAM-SE de um sexto a um terço, se o crime é cometido 
com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo 
civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. - 
MAJORANTE 
 
6.23. COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO 
Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio 
ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é 
chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da pena correspondente à violência. 
 
 Parágrafo único. A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) até a metade se o processo 
envolver crime contra a dignidade sexual. - MAJORANTE 
 
6.24. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES 
Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, 
salvo quando a lei o permite: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à 
violência. 
 
 Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante 
queixa. 
 
6.25. FRAUDE PROCESSUAL 
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o 
estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. 
 
 Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda 
que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro. - MAJORANTE 
 
6.26. FAVORECIMENTO PESSOAL X FAVORECIMENTO REAL 
FAVORECIMENTO PESSOAL 
Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é 
cominada pena de reclusão: 
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. 
 
§ 1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão: - FAVORECIMENTO PRIVILEGIADO 
Pena - detenção, de quinze dias a três meses, e multa. 
 
§ 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do 
criminoso, fica isento de pena. – ESCUSA ABSOLUTÓRIA 
 
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FAVORECIMENTO REAL 
Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de coautoria ou de receptação, auxílio 
destinado a tornar seguro o proveito do crime: 
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. 
 
Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho 
telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em 
estabelecimento prisional.: - FAVORECIMENTO REAL IMPRÓPRIO 
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 
FAVORECIMENTO PESSOAL FAVORECIMENTO REAL 
Esconde-se o criminoso Esconde-se a coisa fruto do crime 
 
PREVARICAÇÃO IMPRÓPRIA FAVORECIMENTO REAL IMPRÓPRIO 
Diretor ou agente público que deixa de vedar 
ao preso acesso a aparelho telefônico 
Particular que ingressa com aparelho 
telefônico em estabelecimento prisional 
 
 
 • Flagrado o agente antes do efetivo ingresso no interior do estabelecimento 
prisional, ainda durante a revista, não há falar em consumação do crime do art. 349-A 
do CP, mas apenas em tentativa. STJ. 6ª Turma. AREsp 2.104.638-RJ,Rel. Min. Jesuíno 
Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 7/11/2023 (Info 794). 
• Introduzir chip de aparelho celular em presídio não caracteriza crime. STJ. 5ª Turma. HC 
619.776/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/04/2021 (Info 693). 
• Posse de chip de celular caracteriza falta grave. STJ. 5ª Turma. HC 260122-RS, Rel. Min. 
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/3/2013 (Info 517) 
 
6.27. ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÃO NO ÚLTIMO ANO DO MANDATO OU LEGISLATURA 
Art. 359-C. Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos 
quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga 
no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte, 
que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de caixa: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 
 
 • A condenação pelo art. 359-C do CP deve especificar despesas contraídas nos dois 
últimos quadrimestres do mandato, que não puderam ser pagas no mesmo exercício 
financeiro ou no exercício seguinte. STJ. 6ª Turma. HC 723644-SP, Rel. Min. Sebastião Reis 
Júnior, julgado em 7/3/2023 (Info 766) 
 
 
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(CESPE / CEBRASPE - 2023 - TC-DF - Auditor de Controle Externo – Área Auditoria) - A 
condenação pelo crime de assunção de obrigação no último ano do mandato ou da 
legislatura prescinde da especificação das despesas que foram contraídas e que não 
puderam ser pagas no mesmo exercício financeiro ou no seguinte, bastando análise 
global das despesas, considerada a iliquidez total do caixa. 
ITEM INCORRETO, pois de acordo com o STJ, essas despesas devem ser especificadas! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Agente de Investigação) - Considere que A seja 
parado em uma barreira policial e que um policial militar B, ao ver nos documentos de A 
que o veículo está com inúmeras multas vencidas, sugira que A lhe pague um valor 
simbólico para poder continuar a viagem. Se B receber de A um valor em reais e, por isso, 
não realizar a apreensão do veículo, é correto afirmar que, nessa situação, B pratica 
corrupção passiva, sendo a conduta de A atípica. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-SE - Procurador do Estado) - Pratica o crime de 
desobediência o condutor de veículo que se recusa a acatar a ordem de parada emitida 
por uma autoridade durante uma ação de policiamento ostensivo, cujo propósito é 
prevenir e reprimir crimes. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - SEFIN de Fortaleza - CE - Analista Fazendário Municipal - 
Área de Conhecimento: Direito) - Quando o falso se exaure no descaminho, sem mais 
potencialidade lesiva, é por este absorvido, como crime-fim, condição que não se altera 
por ser menor a pena cominada ao descaminho. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2023 - AGU - Procurador Federal) - O crime de violação de sigilo em 
licitação é punido com detenção, sem possibilidade de suspensão condicional do 
processo. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - O particular que solicita 
vantagem econômica de suspeito sob falso pretexto de exercer influência sobre o 
delegado responsável pelo inquérito policial, para que não o indicie, pratica exploração 
de prestígio. 
ITEM INCORRETO, pois o crime praticado pelo particular foi o de tráfico de influência, já 
que o delegado não se encontra no rol trazido pelo art. 357, CP (exploração de prestígio)! 
(CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - O filho de um tesoureiro 
furtou certa quantia em dinheiro da associação em que o pai trabalha. O tesoureiro, 
sabendo do fato, atribuiu a autoria do delito ao faxineiro da associação após, por 
insistência da diretoria, ter registrado a ocorrência policial e solicitado instauração do 
inquérito policial. Considerando-se as informações apresentadas, é correto afirmar que, 
nesse caso, o tesoureiro responderá por denunciação caluniosa. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - O advogado 
de réu pode vir a responder pelo crime de falso testemunho, na hipótese de induzir 
testemunha a prestar determinado depoimento. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - O pagamento 
do tributo devido extingue a punibilidade do crime de descaminho. 
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ITEM INCORRETO, pois segundo a jurisprudência do STJ, o pagamento ou o parcelamento 
dos débitos tributários não extingue a punibilidade do crime de descaminho, tendo em 
vista a natureza formal do delito! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - O crime de 
facilitação de contrabando e descaminho se consuma com a efetiva facilitação, não 
sendo necessária a consumação do contrabando ou descaminho. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - A fuga do réu 
após a ordem de parada dos policiais para abordagem configura crime de desobediência. 
ITEM CORRETO! 
(CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Na hipótese 
de crime de peculato doloso, o ressarcimento do dano exclui a punibilidade. 
ITEM INCORRETO, pois a extinção da punibilidade ocorre na hipótese de crime de 
peculato culposo quando a reparação do dano é feita antes da sentença irrecorrível! 
 
 
7 – CRIMES CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 
 
 
8 
CRIMES CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 
CONTRA A 
SOBERANIA 
NACIONAL 
ATENTADO A 
SOBERANIA 
(Art. 359-I) 
CAPUT 
• Negociar com governo ou grupo 
estrangeiro, ou seus agentes, com o fim 
de provocar atos típicos de guerra 
contra o País ou invadi-lo 
MAJORA 
• 1/2 até o dobro: se declarada guerra 
em decorrência das condutas previstas 
no caput deste artigo 
QUALIFICA 
• Se o agente participa de operação 
bélica com o fim de submeter o 
território nacional, ou parte dele, ao 
domínio ou à soberania de outro país 
ATENTADO À 
INTEGRIDADE 
NACIONAL 
(Art. 359-J) 
• Praticar violência ou grave ameaça com a finalidade de 
desmembrar parte do território nacional para constituir 
país independente 
ESPIONAGEM 
(Art. 359-K) 
CAPUT 
• Entregar a governo estrangeiro, a seus 
agentes, ou a organização criminosa 
estrangeira, em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar, 
documento ou informação classificados 
como secretos ou ultrassecretos nos 
termos da lei, cuja revelação possa 
colocar em perigo a preservação da 
ordem constitucional ou a soberania 
nacional 
CONDUTA 
EQUIPARADA 
• Quem presta auxílio a espião, 
conhecendo essa circunstância, para 
subtraí-lo à ação da autoridade pública 
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QUALIFICA 
• Se o documento, dado ou informação 
é transmitido ou revelado com violação 
do dever de sigilo 
PRIVILÉGIO 
• Facilitar a prática de qualquer dos 
crimes previstos neste artigo mediante 
atribuição, fornecimento ou 
empréstimo de senha, ou de qualquer 
outra forma de acesso de pessoas não 
autorizadas a sistemas de informações 
NÃO 
CONSTITUI 
CRIME 
• A comunicação, a entrega ou a 
publicação de informações ou de 
documentos com o fim de expor a 
prática de crime ou a violação de 
direitos humanos 
CONTRA AS 
INSTITUIÇÕES 
DEMOCRÁTICAS 
ABOLIÇÃO 
VIOLENTA DO 
ESTADO 
DEMOCRÁTICO 
DE DIREITO 
(Art. 359-L) 
• Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, 
abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou 
restringindo o exercício dos poderes constitucionais 
GOLPE DE 
ESTADO 
(Art. 359-M) 
• Tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, 
o governo legitimamente constituído 
CONTRA O 
FUNCIONAMENTO 
DAS INSTITUIÇÕES 
DEMOCRÁTICAS 
NO PROCESSO 
ELEITORAL 
INTERRUPÇÃO 
DO PROCESSOELEITORAL 
(Art. 359-N) 
• Impedir ou perturbar a eleição ou a aferição de seu 
resultado, mediante violação indevida de mecanismos 
de segurança do sistema eletrônico de votação 
estabelecido pela Justiça Eleitoral. 
VIOLÊNCIA 
POLÍTICA 
(Art. 359-P) 
• Restringir, impedir ou dificultar, com emprego de 
violência física, sexual ou psicológica, o exercício de 
direitos políticos a qualquer pessoa em razão de seu 
sexo, raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional 
CONTRA O 
FUNCIONAMENTO 
DOS SERVIÇOS 
ESSENCIAIS 
SABOTAGEM 
(Art. 359-R) 
• Destruir ou inutilizar meios de comunicação ao público, 
estabelecimentos, instalações ou serviços destinados à 
defesa nacional, com o fim de abolir o Estado 
Democrático de Direito 
DISPOSIÇÕES 
COMUNS 
NÃO 
CONSTITUI 
CRIME 
(Art. 359-T) 
• A manifestação crítica aos poderes constitucionais 
nem a atividade jornalística ou a reivindicação de 
direitos e garantias constitucionais por meio de 
passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou 
de qualquer outra forma de manifestação política com 
propósitos sociais 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
1. JUIZ DAS GARANTIAS ........................................................................................................................ 152 
1.1. STF E O JULGAMENTO DAS ADIS 6.298, 6.299, 6.300 E 6.305 ................................................ 152 
1.2. A INSTITUIÇÃO DO JUIZ DAS GARANTIAS É CONSTITUCIONAL? ............................................. 152 
1.3. DISPOSITIVOS E DECISÃO DO STF............................................................................................ 152 
2. INQUÉRITO POLICIAL ......................................................................................................................... 156 
2.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .............................................................................................. 156 
2.2. CARACTERÍSTICAS ............................................................................................................... 158 
2.3. PRAZO DE CONCLUSÃO DO IP ............................................................................................ 158 
2.4. ATRIBUIÇÃO ........................................................................................................................... 160 
2.5. NOTITIA CRIMINIS ................................................................................................................ 160 
2.6. DILIGÊNCIAS ......................................................................................................................... 162 
2.7. ACESSO AOS DADOS CADASTRAIS DE VÍTIMAS E SUSPEITOS ...................................... 162 
2.8. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES ACERCA DAS ESTAÇÕES RÁDIO BASE (ERB’s) .......... 163 
2.9. INDICIAMENTO ..................................................................................................................... 164 
2.10. ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL ..................................................................... 167 
2.11. ARQUIVAMENTO ................................................................................................................... 168 
2.12. DESARQUIVAMENTO ............................................................................................................ 170 
3. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL .......................................................................................... 170 
3.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS ...................................................................................................... 170 
4. AÇÃO PENAL ........................................................................................................................................ 175 
4.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .................................................................................................... 175 
4.2. PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL ................................................................................................... 176 
4.3. CONDIÇÕES PARA O EXERCÍCIO DA AÇÃO PENAL ................................................................... 179 
4.4. ESPÉCIES DE AÇÃO APENAL ..................................................................................................... 183 
4.5. CONCEITOS .............................................................................................................................. 186 
4.6. PRAZOS PARA O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA E DA QUEIXA-CRIME .................................. 186 
4.7. INICIAL ACUSATÓRIA ............................................................................................................... 187 
5. COMPETÊNCIA .................................................................................................................................... 188 
5.1. JURISDIÇÃO X COMPETÊNCIA ................................................................................................. 188 
5.2. CRITÉRIOS PARA A FIXAÇÃO DE COMPETÊNCIA ...................................................................... 188 
5.3. COMPETÊNCIA ABSOLUTA X COMPETÊNCIA RELATIVA........................................................... 189 
5.4. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA (RATIONE MATERIAE).............................................. 190 
5.5. COMPETÊNCIA TERRITORIAL (RATIONE LOCI) ......................................................................... 195 
5.6. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA FUNÇÃO (RATIONE PERSONAE OU RATIONE FUNCIONAE) .... 198 
5.7. COMPETÊNCIA POR DISTRIBUIÇÃO ......................................................................................... 203 
5.8. COMPETÊNCIA POR CONEXÃO E CONTINÊNCIA ..................................................................... 203 
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5.9. COMPETÊNCIA PELA PREVENÇÃO ........................................................................................... 207 
6. TEORIA DA PROVA .............................................................................................................................. 208 
6.1. CONCEITOS .............................................................................................................................. 208 
6.2. SISTEMAS DE APRECIAÇÃO DA PROVA .................................................................................... 210 
6.3. PROVA EMPRESTADA .............................................................................................................. 210 
6.4. (IN)ADMISSIBILIDADE DAS PROVAS ILÍCITAS ........................................................................... 212 
6.5. ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS (SERENDIPIDADE) ............................................................ 214 
6.6. PRINCÍPIOS RELATIVOS À PROVA PENAL ................................................................................. 216 
6.7. CADEIA DE CUSTÓDIA ............................................................................................................. 217 
6.8. PROVAS EM ESPÉCIE ............................................................................................................... 220 
6.8.1. PERÍCIAS ........................................................................................................................ 220 
6.8.2. INTERROGATÓRIO ......................................................................................................... 225 
6.8.3. CONFISSÃO .................................................................................................................... 229 
6.8.4. DO OFENDIDO ............................................................................................................... 230 
6.8.5. TESTEMUNHAS .............................................................................................................. 230 
6.8.6. RECONHECIMENTODE PESSOAS E COISAS ................................................................... 233 
6.8.7. ACAREAÇÃO .................................................................................................................. 235 
6.8.8. DOCUMENTOS .............................................................................................................. 236 
6.8.9. INDÍCIOS ........................................................................................................................ 236 
6.8.10. BUSCA E APREENSÃO .................................................................................................. 236 
7. PRISÕES............................................................................................................................................... 242 
7.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .................................................................................................... 242 
7.2. PRISÃO EM FLAGRANTE .......................................................................................................... 243 
7.3. PRISÃO PREVENTIVA ............................................................................................................... 247 
7.4. PRISÃO TEMPORÁRIA .............................................................................................................. 254 
7.5. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO ........................................................................ 256 
7.6. DA LIBERDADE PROVISÓRIA COM OU SEM FIANÇA ................................................................ 257 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1 – JUIZ DAS GARANTIAS 
 
 
1.1. STF E O JULGAMENTO DAS ADIS 6.298, 6.299, 6.300 E 6.305 
Em 24/12/2019, foi publicada a Lei nº 13.964/2019 (“Pacote Anticrime”), que 
passou a vigorar em 23/01/2020. Esta lei alterou diversos dispositivos dentre os mais 
variados diplomas legislativos, incluindo o Código de Processo Penal. 
Logo que publicada a Lei nº 13.964/2019, foram propostas quatro ações diretas 
de inconstitucionalidade (ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305), que atacavam algumas 
dessas alterações, dentre as quais encontrava-se o juiz das garantias (arts. 3º-A a 3º-F 
do CPP). 
Na época, em sede de medida cautelar, o Min. Luiz Fux (Ministro-Relator) revogou 
a decisão monocrática promovida anteriormente pelo Min. Dias Toffoli (Ministro-
Presidente, na ocasião), suspendendo “sine die a eficácia, ad referendum do Plenário da 
implantação do juiz das garantias e seus consectários (Artigos 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3ª-
E, 3º-F, do Código de Processo Penal)”. 
Em 24/08/2023, o STF julgou o mérito dessas ADIs e o cenário mudou. À vista 
disso, para melhor compreendermos este instituto, além de observarmos os dispositivos 
que constam no capítulo referente ao assunto, iremos compará-los com o que foi 
decidido pelo STF. 
 
1.2. A INSTITUIÇÃO DO JUIZ DAS GARANTIAS É CONSTITUCIONAL? 
O primeiro ponto que você deve levar para a sua prova refere-se à 
constitucionalidade da instituição do juiz das garantias no processo penal brasileiro. 
De acordo com o STF, o art. 3º da Lei nº 13.964/2019, que trata da instituição e 
implementação do juiz das garantias, é constitucional. Isto ocorre, pois, as matérias 
trazidas neste dispositivo concernem ao processo penal, cuja competência legislativa é 
privativa da União (art. 22, I, da CRFB/88). 
Em contrapartida, o parágrafo único, do art. 3-D, do CPP, é formalmente 
inconstitucional, porquanto configura invasão desarrazoada à autonomia administrativa 
e ao poder de auto-organização do Judiciário. 
Art. 3º-D (...) 
Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais 
criarão um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições 
deste Capítulo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) (Vide ADI 
6.299) 
 
1.3. DISPOSITIVOS E DECISÃO DO STF 
DISPOSITIVO 
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do 
juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão 
de acusação. 
DECISÃO DO 
STF 
O STF atribuiu interpretação conforme ao art. 3º-A do CPP, para assentar que 
o juiz, pontualmente, nos limites legalmente autorizados, pode determinar a 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art20
http://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15342138711&ext=.pdf
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realização de diligências suplementares, para o fim de dirimir dúvida sobre 
questão relevante para o julgamento do mérito. 
 
DISPOSITIVO 
Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da 
investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia 
tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-
lhe especialmente: (...) 
DECISÃO DO 
STF 
O STF declarou a constitucionalidade do caput do art. 3º-B do CPP. A 
implementação do juiz das garantias visa garantir uma maior imparcialidade, 
a proteção de direitos fundamentais e o aprimoramento do sistema judicial. 
Ademais, fixou o prazo de 12 meses para que sejam adotadas as medidas 
legislativas e administrativas necessárias à adequação das diferentes leis de 
organização judiciária, à efetiva implantação e ao efetivo funcionamento do 
juiz das garantias em todo o País, tudo conforme as diretrizes do CNJ. Esse 
prazo poderá ser prorrogado uma única vez, por no máximo doze meses, 
devendo a devida justificativa ser apresentada em procedimento realizado 
junto ao CNJ. 
 
DISPOSITIVO 
Art. 3º-B. (...) 
IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; 
VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, 
em vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o 
disposto no § 2º deste artigo; 
IX - determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver 
fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento. 
DECISÃO DO 
STF 
O STF atribuiu interpretação conforme aos incisos IV, VIII e IX do art. 3º-B do 
CPP, para que todos os atos praticados pelo Ministério Público, como 
condutor de investigação penal, se submetam ao controle judicial. 
 
DISPOSITIVO 
Art. 3º-B. (...) 
VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como 
substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do 
contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código 
ou em legislação especial pertinente; 
DECISÃO DO 
STF 
O STF atribuiu interpretação conforme ao inciso VI do art. 3º-B do CPP, para 
prever que o exercício do contraditório será preferencialmente (e não 
obrigatoriamente) em audiência pública e oral. 
 
DISPOSITIVO 
Art. 3º-B. (...) 
VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas 
consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a 
ampla defesa em audiência pública e oral; 
DECISÃO DO 
STF 
O STF atribuiu interpretação conforme ao inciso VII do art. 3º-B do CPP, para 
estabelecer que o juiz pode deixar de realizar a audiência quando houver risco 
para o processo, ou diferi-la em caso de necessidade. 
 
DISPOSITIVO 
Art. 3º-B. (...) 
XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do art. 
399 deste Código; 
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DECISÃO DO 
STF 
O STF declarou a inconstitucionalidade do inciso XIV do art. 3º-B do CPP, e 
atribuiu interpretação conforme para assentar que a competência do juiz das 
garantias cessa com o OFERECIMENTO da denúncia; 
 
 
DISPOSITIVO

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