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Tiro final – Revisão – Delta PCPE 1 de 508 gran.com.br https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 2 de 508 gran.com.br APRESENTAÇÃO Olá, futuro(a) Delegado(a) de Polícia Civil de Pernambuco! Elaboramos este material de revisão final com os tópicos que nossos professores julgam ser os essenciais para esse tiro final a poucos dias da sua prova. O material está direcionado para a sua banca, com muitas jurisprudências relevantes, questões apenas do CEBRASPE, tanto objetivas, quanto subjetivas, inclusive comentadas. Além disso, para auxiliar na memorização do conteúdo, o material está repleto de esquemas, tabelas, “bizus”, dicas, ilustrações, e muito mais, sempre buscando o trazer o melhor a vocês. Por isso, não se assustem com o número de páginas, garantimos que a leitura será leve e fluirá muito bem. Dividimos o seu material em duas parte: • Parte I – matérias do núcleo duro (Penal, Processo Penal, Constitucional, Administrativo, Legislação Extravagante) • Parte II – matérias periféricas (Civil, Processo Civil, Ambiental, Tributário, Criminologia, Medicina Legal, Legislação Estadual) Não temos tempo a perder, bora começar? BONS ESTUDOS! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 3 de 508 gran.com.br SUMÁRIO GERAL 1. PENAL GERAL……………………………………………………………………………….……………...04 2. PENAL ESPECIAL……………………………..………………………………….……………………….83 3. PROCESSO PENAL……………………………………………..………………………………………150 4. CONSTITUCIONAL……………………………………………..………………………………………262 5. ADMINISTRATIVO……………………………………………………………………………………….350 6. LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE………………………………………….………………………434 https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 4 de 508 gran.com.br SUMÁRIO DIREITO PENAL 1. PRINCÍPIOS E GARANTIAS .................................................................................................................... 5 1.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .............................................................................................. 5 1.2. FONTES DO DIREITO PENAL ............................................................................................... 9 1.3. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL ....................................................................................... 10 2. DIREITO PENAL E POLÍTICA CRIMINAL .............................................................................................. 18 3. ESCOLAS PENAIS ................................................................................................................................ 19 3.1. TABELA RESUMO ............................................................................................................... 19 4. A LEI PENAL ......................................................................................................................................... 20 4.1. CARACTERÍSTICAS DA LEI PENAL .................................................................................... 20 4.2. CLASSIFICAÇÃO DA LEI PENAL ......................................................................................... 20 4.3. LEI PENAL NO TEMPO ....................................................................................................... 22 4.4. LEI PENAL NO ESPAÇO ...................................................................................................... 26 5. TEORIA DO CRIME ............................................................................................................................... 32 5.1. INFRAÇÃO PENAL .............................................................................................................. 32 5.2. CONCEITO DE CRIME ......................................................................................................... 34 5.3. FATO TÍPICO ....................................................................................................................... 36 5.4. ILICITUDE ........................................................................................................................... 51 5.5. CULPABILIDADE ................................................................................................................. 56 6. ITER CRIMINIS ...................................................................................................................................... 64 6.1. FASES DO CRIME ............................................................................................................... 64 6.2. TEORIAS QUE DIFERENCIAM ATOS PREPARATÓRIOS DE EXECUTÓRIOS ...................... 65 6.3. TENTATIVA ......................................................................................................................... 66 6.4. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO POSTERIOR .................................................................................................................................. 68 6.5. CRIME IMPOSSÍVEL............................................................................................................ 72 7. CONCURSO DE PESSOAS ................................................................................................................... 73 7.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS ............................................................................................ 73 7.2. REQUISITOS ....................................................................................................................... 74 7.3. TEORIAS SOBRE CONCURSOS DE PESSOAS ................................................................... 74 7.4. AUTORIA ............................................................................................................................. 74 7.5. COAUTORIA ........................................................................................................................ 78 7.6. PARTICIPAÇÃO ................................................................................................................... 79 7.7. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES CULPOSOS .......................................................... 80 7.8. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES OMISSIVOS ......................................................... 80 7.9. PUNIBILIDADE NO CONCURSO DE PESSOAS .................................................................. 81 7.10. (IN)COMUNICABILIDADE DAS CIRCUNSTÂNCIAS, CONDIÇÕES E ELEMENTARES ........ 82 7.11. COLABORAÇÃO PREMIADA E CONCURSO DE PESSOAS ................................................. 82 https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 5 de 508 gran.com.br 1 – PRINCÍPIOS E GARANTIAS 1.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS O conceito de “Direito Penal” passa por três aspectos: (CESPE - 2015 - TJ-DFT - Técnico Judiciário - Administrativa) - Sob o prisma formal, crime corresponde à concepção do direito acerca do delito, em uma visão legislativa do fenômeno; sob o prisma material, o conceito de crime é pré-jurídico, ou seja, é a concepção da sociedade a respeito do que pode e deve ser proibido. ITEM CORRETO! Conforme o entendimento doutrinário, as missões do Direito Penal dividem-se em duas, quais sejam: IMEDIATA MEDIATA • Assegurar bens jurídicos • Controle social; e • Limitação do poder punitivo estatal. Neste cenário, destaca-se o “funcionalismo”, corrente doutrinária que visa analisar a real função do Direito Penal e se apresenta entre “funcionalismo teleológico (ou moderado)” e “funcionalismo sistêmico (ou radical)”. Enquanto o primeiro visa assegurar proteção do bem jurídico (aqueles valores indispensáveis à convivência harmônica em sociedade), o segundo tem por objetivo assegurar o império da norma, validando o sistema. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE6 de 508 gran.com.br Ademais, o Direito Penal possui as seguintes classificações doutrinárias: SUBSTANTIVO ADJETIVO É o direito material, que cria as infrações penais (crimes + contravenções). É o direito formal, que trata das normas processuais. OBJETIVO SUBJETIVO Também chamado de “ius poenale”, é o conjunto de leis penais em vigor. Também chamado de “ius puniendi”, é o direito que o Estado possui de punir o infrator. Divide-se em: POSITIVO É a capacidade conferida ao Estado de criar e executar normas penais. NEGATIVO É a faculdade de derrogar ou restringir preceitos penais por meio da declaração de inconstitucionalidade. COMUM ESPECIAL É a norma penal objetiva aplicada através da justiça comum. É a norma penal objetiva aplicável por órgãos especiais e constitucionalmente previstos. Ex.: Justiça Militar, Eleitoral etc. Obs.: a distinção acima não pode ser confundida com legislação penal comum (CP) e legislação penal especial (leis extravagantes). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 7 de 508 gran.com.br DE EMERGÊNCIA PROMOCIONAL SIMBÓLICO O Estado, atendendo demandas de criminalização, edita leis que cumprem função meramente representativa, assumindo feição punitivista e ignorando as garantias dos indivíduos. Afasta-se de seu caráter subsidiário e fragmentário. O Estado, objetivando concretizar seus fins políticos e efetivar políticas públicas, emprega leis buscando a transformação social. Afasta-se do princípio da intervenção mínima. O Estado, utilizando-se do medo e da sensação de insegurança da população, emprega instrumento demagógico ao Direito Penal, aprovando leis mais severas, mas que, na prática, mostram-se inócuas. Faz com que a sociedade tenha a falsa sensação de proteção. Se manifesta pelo “direito penal do terror” em duas facetas: inflação legislativa e hipertrofia do Direito Penal. DE INTERVENÇÃO COMO PROTEÇÃO DE CONTEXTOS DA VIDA EM SOCIEDADE O maior expoente desse viés é Winfried Hassemer, que defende o desalargamento do Direito Penal através da sua administrativização. Para tanto, o Direito Penal deveria ser utilizado apenas na proteção de infrações de bens jurídicos individuais e de perigo concreto. Já as infrações de bens jurídicos difusos (ou coletivos) e de perigo abstrato, deveriam ser tutelados pela Administração Pública, por meio de um sistema jurídico diverso, com sanções mais brandas, garantias materiais e processuais mais flexíveis e sem risco de privação da liberdade do infrator. Este seria o “Direito de Intervenção”, situado abaixo do Direito Penal, mas acima do Direito Administrativo. O formulador desse viés foi Günter Stratenwerth, cuja perspectiva se contrapõe à de Winfried Hassemer. Aqui, o enfoque máximo deveria ser dado à proteção dos interesses difusos e coletivos, colocando os direitos individuais em segundo plano. O Direito Penal seria transformado em um direito de gestão punitiva de riscos gerais. GARANTISTA O garantismo, utilizando-se dos direitos fundamentais consagrados na Constituição, passa a estabelecer o objeto e os limites do Direito Penal nas sociedades democráticas. Luigi Ferrajoli divide as máximas do garantismo em 10 axiomas que, ordenados em série e conectados sistematicamente, constituem as regras fundamentais do Direito Penal: 1) Nulla poena sine crimine; 2) Nullum crimen sine lege; 3) Nulla lex (poenalis) sine necessitate; 4) Nulla necessitas sine injuria; 5) Nulla injuris sine acione; 6) Nulla actio sine culpa; 7) Nulla culpa sine judicio; 8) Nullum judicio sine accusatione; 9) Nullum accusatio sine probatione; e 10) Nulla probatio sine defensione. Neste tema, cumpre destacar a crítica ao chamado “garantismo hiperbólico monocular”. É hiperbólico porque é aplicado de uma forma ampliada, desproporcional; e é monocular porque só enxerga os direitos fundamentais do réu (só um lado do processo). Contrapõe-se ao “garantismo penal integral”, que resguarda os direitos fundamentais afetos à coletividade. DO AUTOR DO FATO Punem-se os indivíduos em razão de suas condições pessoais. É utilizada no pós- crime e não para incriminar alguém. Punem-se as condutas lesivas praticadas pelos indivíduos. É a adotada para incriminar alguém. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 8 de 508 gran.com.br VELOCIDADES DO DIREITO PENAL 1ª VELOCIDADE • Jesús-Maria Silva Sánchez; • Procedimento mais vagaroso; • Respeito aos direitos e garantias fundamentais; • Penas privativas de liberdade; • Delitos mais graves; Ex.: CPP. 2ª VELOCIDADE • Jesús-Maria Silva Sánchez; • Procedimento mais célere; • Flexibilização de direitos e garantias fundamentais; • Penas alternativas; • Delitos menor gravidade; Ex.: JECRIM. 3ª VELOCIDADE • Jesús-Maria Silva Sánchez; • Procedimento mais célere; • Flexibilização e até a supressão de direitos e garantias fundamentais; • Penas privativas de liberdade; • Direito Penal do Inimigo; • Delitos de maior gravidade; Ex.: ORCRIM. 4ª VELOCIDADE • Daniel Pastor; • Está ligada ao Direito Penal Internacional; • Flexibilização de direitos e garantias fundamentais; • Aplicada aos chefes do Estado; • Neopunitivismo; Ex.: TPI. 5ª VELOCIDADE • Sociedade com maior assiduidade do controle policial; • Maior densidade da presença de policiais nas ruas. (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - Ao tratar de determinada função do direito penal, Cleber Masson esclarece que esta é “inerente a todas as leis, não dizendo respeito somente às de cunho penal. Não produz efeitos externos, mas somente na mente dos governantes e dos cidadãos. (...) Manifesta-se, comumente, no direito penal do terror, que se verifica com a inflação legislativa (direito penal de emergência), criando-se exageradamente figuras penais desnecessárias, ou então com o aumento desproporcional e injustificado das penas para os casos pontuais (hipertrofia do direito penal).” O autor ainda conclui que a função deve ser afastada, pois cumpre funções governamentais, ou seja, tarefas que não podem ser atribuídas ao direito penal. No texto apresentado anteriormente, Cleber Masson está se referindo à função denominada: simbólica. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Substituto) - O garantismo hiperbólico é uma consequência da racionalidade do garantismo monocular, que, por sua vez, acarreta uma proteção sistêmica. ITEM INCORRETO, pois há nessa alternativa uma indução que o garantismo hiperbólico se origina através do garantismo monocular, sendo que são um só e complementares! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Substituto) - O garantismo penal evoluiu para uma visão integral, protegendo, além dos direitos individuais, também https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 9 de 508 gran.com.br direitos sociais e coletivos, bem como os deveres, nos quais se insere, além do dever de investigar, processar e punir, também o direito das vítimas. ITEM CORRETO! (CESPE - 2018 - PC-MA - Delegado de Polícia Civil) - O direito penal do autor poderá servir de fundamento para a redução da pena quando existirem circunstâncias pessoais favoráveis ao acusado. ITEM CORRETO! (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área XI) - O direito de punir do Estado está vinculado ao direito penal substantivo, ou direito penal objetivo. ITEM INCORRETO, pois o direito de punir do Estado está vinculado ao direito penal subjetivo! (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área XI) – O direito penal subjetivo refere-se ao conjunto de princípios e regras que se ocupam da definição das infrações penais e da imposição de penas ou medidas de segurança. ITEM INCORRETO, poiso conceito acima diz respeito ao direito penal objetivo! 1.2. FONTES DO DIREITO PENAL As fontes do Direito Penal se dividem em: • Material: é o órgão encarregado da criação do Direito Penal, ou seja, a fonte de produção da norma; • Formal: é o instrumento de exteriorização do Direito Penal, ou seja, a fonte de cognição da norma. No tocante à fonte material, cumpre ressaltar que, de acordo com o art. 22, I, da CRFB/88, a competência de legislar sobre direito penal é privativa da União. Todavia, conforme o parágrafo único do referido artigo, os Estados poderão, excepcionalmente, legislar sobre matéria de direito penal, desde que haja lei complementar autorizando e que o assunto seja sobre questões específicas (temas de interesse local). Já no que tange à fonte formal, acentua-se um ponto de divergência entre a divisão apresentada pela doutrina clássica e moderna. Vejamos: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 10 de 508 gran.com.br DOUTRINA CLÁSSICA DOUTRINA MODERNA FONTES FORMAIS IMEDIATAS Lei Lei, Constituição Federal, tratados internacionais de direitos humanos, jurisprudência, princípios e complementos da norma penal em branco própria FONTES FORMAIS MEDIATAS Costumes e princípios gerais do direito Doutrina (os costumes configuram fontes formais imediatas) (CESPE - 2015 - TRE-MT - Analista Judiciário - Judiciária) - Segundo a doutrina majoritária, os costumes e os princípios gerais do direito são fontes formais imediatas do direito penal. ITEM INCORRETO, pois, para a doutrina clássica, os costumes os princípios gerais do direito são fontes formais mediatas! (CESPE - 2011 - DPE-MA - Defensor Público - As fontes materiais revelam o direito; as formais são as de onde emanam as normas, que, no ordenamento jurídico brasileiro, referem-se ao Estado. ITEM INCORRETO, as fontes formais revelam o direito; as materiais são as de onde emanam as normas, que, no ordenamento jurídico brasileiro, referem-se à União. 1.3. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL 1.3.1. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Encontra previsão no art. 5º, XXXIX da CRFB/88 e no art. 1º do CP: Art. 5º, XXXIX, CRFB/88 – “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”; Art. 1º, CP - “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal”. Ele possui dupla função: constitutiva (criminalização da conduta e constituição de penas) e de garantia (limita o ius puniendi do Estado, conferindo ao cidadão garantias mínimas). Ademais, a legalidade deve ser compreendida sob dois aspectos: LEGALIDADE FORMAL LEGALIDADE MATERIAL Obediência ao devido processo legislativo. O conteúdo do tipo deve respeitar os direitos e garantias do cidadão. Lei vigente Lei válida Este princípio se desdobra em quatro postulados: LEX SCRIPTA Inadmissibilidade do costume incriminador LEX STRICTA Inadmissibilidade da analogia in malam partem LEX PRAEVIA Consiste na anterioridade da lei penal LEX CERTA Consiste na taxatividade penal, vedando-se a criação de tipos penais obscuros ou vagos https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 11 de 508 gran.com.br Os seus subprincípios são: a) PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL OU DA LEGALIDADE ESTRITA A fonte da norma penal é única e exclusivamente a lei em sentido estrito, de tal forma que somente lei ordinária ou lei complementar podem criar crimes ou agravar penas. De acordo com o art. 62, § 1º, I, b, da CRFB/88, é vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria de direito penal. Entretanto, o STF tem admitido medidas provisórias que versem sobre direito penal não incriminador, desde que a norma seja benéfica ao réu. Como decorrência desse princípio, não é permitido o uso de costumes para criar infrações penais, tampouco tratados internacionalizados. Ademais, em caso de lacuna deixada pelo legislador, faz-se uso da analogia, que permite aplicar a uma hipótese não regulada por lei a legislação de um caso semelhante. Todavia, destaca-se que é possível aplicar a analogia apenas em benefício do réu (in bonam partem), jamais para prejudicá-lo (in malam partem). Não confunda os conceitos a seguir: INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA ANALOGIA Forma de interpretação Forma de interpretação Forma de integração Existe norma Existe norma Não existe norma Amplia-se o alcance da palavra Utilizam-se exemplos seguidos de uma fórmula genérica Cria-se norma a partir de outra Aplicável no Direito Penal in bonam partem ou in malam partem Aplicável no Direito Penal in bonam partem ou in malam partem Aplicável no Direito Penal apenas in bonam partem Ex.: a expressão “arma” no crime de roubo majorado Ex.: homicídio mediante paga ou promessa de recompensa “ou por outro motivo torpe” Ex.: a isenção de pena prevista nos crimes contra o patrimônio é aplicável, analogicamente, também ao companheiro b) PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE Proíbe a edição de normas penais vagas, imprecisas e indeterminadas. Mostra-se necessário que elas possuam clareza denotativa e que a população consiga compreendê- las. c) PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Não há crime nem pena sem lei prévia, de tal forma que a lei penal só pode ser aplicada para os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Trata da “irretroatividade da lei penal”, tema que será melhor estudado no tópico relativo à aplicação da lei penal no tempo. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 12 de 508 gran.com.br 1.3.2. PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA Trata-se de verdadeira complementação ao princípio da reserva legal, que orienta e limita o poder incriminador do Estado, pois nada impede que o legislador crie condutas criminosas de maneira desnecessária. Para Rogério Sanches, o princípio da intervenção mínima tem duas faces: • orienta quando e onde o direito penal deve intervir - neocriminalização; e • orienta quando e onde o direito penal deve deixar de intervir - abolitio criminis. Assim, a intervenção do Direito Penal depende do fracasso das demais esferas de controle (caráter subsidiário), observando apenas os casos de relevante lesão ou perigo de lesão ao bem juridicamente tutelado (caráter fragmentário). Deste princípio subdividem-se dois: a) PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE A aplicação do Direito Penal deve ser subsidiária, ou seja, em último caso (ultima ratio). Ele somente será utilizado quando as soluções apresentadas pelos outros ramos do Direito não se mostrarem suficientes. Direciona-se ao aplicador do direito, no plano concreto. b) PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE O Direito Penal deve tutelar apenas os bens jurídicos mais relevantes para a sociedade, não sendo razoável que o Estado o utilize para tutelar qualquer bem jurídico. Direciona-se ao legislador, no plano abstrato. 1.3.3. PRINCÍPIO DA EXCLUSIVA PROTEÇÃO DOS BENS JURÍDICOS Aborda que a norma penal deve ser criada apenas para tutelar bens jurídicos cuja relevância mereça a proteção que o Direito Penal oferece. Isto posto, não se pode criminalizar, por exemplo, pensamentos, intenções etc. Veda-se a chamada “proibição pela proibição”, ou a criminalização como “instrumento de mera obediência”. 1.3.4. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE OU DA INTRANSCENDÊNCIA DA PENA Encontra previsão no art. 5º, XLV, da CRFB/88: Art. 5º, XLV, CRFB/88. Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 13 de 508 gran.com.br A responsabilidade penal pertence ao agente que culposa ou dolosamente deu causa ao resultado. Obs.: não confunda a “obrigação de reparar o dano” com a “pena de multa”, pois enquanto aquela pode serestendida aos sucessores e contra eles executada, esta tem caráter punitivo, e como tal, fica vinculada à pessoa do condenado! 1.3.5. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE É princípio constitucional implícito, que se configura como desdobramento do princípio da individualização da pena. Ocorre que, para que a sanção penal cumpra sua função, ela deve se ajustar à relevância do bem jurídico tutelado, sem ignorar as condições pessoais do agente. Tal princípio incide no plano legislativo, judicial e de execução da pena, e apresenta dupla face: de um lado proíbe o excesso (garantismo negativo) e do outro proíbe a proteção insuficiente (garantismo positivo). 1.3.6. PRINCÍPIO DA HUMANIDADE Encontra previsão no art. 5º, XLVII, da CRFB/88: Art. 5º, XLVII, CRFB/88. XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; Este princípio garante que os infratores da lei não sejam submetidos a penas cruéis ou degradantes, assegurando o respeito à dignidade da pessoa humana. 1.3.7. PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE Nulla poena sine culpa, ou seja, não há pena sem culpa. Este princípio é a base para a ideia de que a responsabilidade penal é pessoal e subjetiva, de tal forma que só pode ser aplicada se existente dolo ou culpa. Veda-se consequentemente, a responsabilidade penal objetiva. Outrossim, o Estado só pode impor sanção penal ao agente imputável, com potencial consciência da ilicitude e quando dele exigível conduta diversa. • É possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome. A jurisprudência não mais adota a chamada teoria da dupla imputação. STJ. 6ª Turma. RMS 39173-BA, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 6/8/2015 (Info 566). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 14 de 508 gran.com.br 1.3.8. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA Encontra previsão no art. 5º, LVII, da CRFB/88: Art. 5º, LVII, CRFB/88 - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; 1.3.9. PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE Nullum crimen sine iniuria, ou seja, não há crime sem ofensa ao bem jurídico. Assim, o princípio da ofensividade exige que o fato praticado ocorra em lesão ou em perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Relembre os conceitos a seguir: CRIME DE DANO CRIME DE PERIGO O bem jurídico penalmente tutelado é efetivamente lesado. O bem jurídico penalmente tutelado sofre um risco de lesão. Divide-se em: CONCRETO O risco para o bem jurídico deve ser comprovado. ABSTRATO O perigo é presumido pela própria lei, dispensando a sua comprovação. 1.3.10. PRINCÍPIO DA ALTERIDADE Consiste no comando segundo o qual uma conduta, para ser penalmente relevante, deve transcender seu autor e atingir bem jurídico de outrem. Ninguém pode ser punido por causar mal a si próprio, fundamentando a impossibilidade da punição da autolesão. 1.3.11. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO BIS IN IDEM Preconiza que ninguém pode ser julgado mais do que uma vez pela prática do mesmo crime. • Diante do trânsito em julgado de duas sentenças condenatórias contra o mesmo condenado, por fatos idênticos, deve prevalecer a condenação que transitou em primeiro lugar. STJ. 6ª Turma. RHC 69586-PA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 27/11/2018 (Info 642). 1.3.12. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL Apesar de uma conduta se subsumir ao modelo legal, ela não será típica quando socialmente aceita e adequada, isto é, se estiver em conformidade com a ordem social da vida historicamente condicionada. Trata-se de causa supralegal de exclusão da tipicidade material. Além disso, esse princípio possui a função de restringir o âmbito de abrangência do tipo penal e de orientar a atividade legislativa. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 15 de 508 gran.com.br Importante salientar que a aplicação da adequação social em delito de direito autoral é vedada pelo STJ: Súmula 502 do STJ: Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no art. 184, § 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas. 1.3.13. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA Este princípio, conhecido também como criminalidade de bagatela ou infração bagatelar própria, não encontra previsão na legislação, mas é pacificamente admitido pela jurisprudência do STF e do STJ. A natureza jurídica do princípio da insignificância é de causa supralegal de exclusão da tipicidade material, e funciona, hermeneuticamente, como um instrumento de interpretação restritiva do tipo penal. É imprescindível diferenciar “valor insignificante” de “pequeno valor” (um dos requisitos do furto privilegiado – art. 155, § 2º, do CP), visto que ambos não são sinônimos. Entretanto, não é apenas o valor que deve ser analisado para que a insignificância da conduta seja reconhecida. Para tal, o STF estabeleceu quatro requisitos: Tendo em vista que o estudo em questão é voltado para as carreiras policiais, questiona-se: o Delegado de Polícia pode aplicar o princípio da insignificância diante de uma situação flagrancial? • Primeira corrente (STJ): NÃO, pois essa função seria do Poder Judiciário, estando a autoridade policial obrigada a submeter a questão à autoridade judiciária. Portanto, ao receber uma prisão em flagrante, o delegado deverá apenas lavrar o APF - HC 154.949/MG. • Segunda corrente (doutrinária): SIM, pois conforme o art. 302 do CPP, o delegado lavrará o APF diante de uma infração penal, que é, conforme o conceito analítico, fato típico, ilícito e culpável. Portanto, ele estaria apto a https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 16 de 508 gran.com.br analisar a ausência de um desses elementos, deixando de lavrar o APF. Isto ocorreria em razão da ausência de fato típico, pelo princípio da insignificância. Devido à divergência de entendimentos, esse tema não é muito abordado em provas, porém, caso seja, para as provas de carreiras policiais, a corrente mais adequada é a segunda. Por conseguinte, destaca-se que esse é um dos princípios mais cobrados em provas, principalmente no que diz respeito à sua jurisprudência. Elas são muitas e, por vezes, conflitantes entre si, portanto, para que revisemos de forma mais rápida e objetiva, iremos destrinchá-las em tópicos: REINCIDÊNCIA • Reincidência por si só: “A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto” – STF; • Criminoso habitual: “A reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância nos crimes de descaminho, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, as instâncias ordinárias verificarem que a medida é socialmente recomendável” – STJ. MULTIRREINCIDENTE • Regra: não; • Exceção: há julgado do STJ permitindo, em casos excepcionais, nos quais é reduzidíssimo o grau de reprovabilidade da conduta. DROGAS • Tráfico ilícito de drogas: inaplicável, porquanto trata-se de crime de perigo presumido ou abstrato, sendo irrelevante a quantidade de droga apreendida em poder do agente; • Posse de drogas para consumo pessoal: inaplicável, pois a pequena quantidade de droga faz parte da própria essência do delito em questão. CRIMES AMBIENTAIS • Nos crimes com bem jurídico difuso/coletivo, em regra, este princípio não é aplicável, pois a lesividade/exposição a perigo transcende o aspecto individual. Entretanto, nos crimes ambientais, essa regra é invertida, uma vez que os tribunais superiores adotam como regra a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância em crimes ambientais, devendo ser analisadas as circunstânciasespecíficas no caso concreto; • Exceção: não se pode aplicar o princípio da insignificância ao crime de pesca ilegal – STF; • Hipótese em que a própria jurisprudência flexibiliza a exceção da pesca ilegal: o STJ aplicou, de forma excepcional, o princípio da insignificância no caso de pesca ilegal, na hipótese em que o indivíduo pescou 1 único peixe e devolveu esse peixe vivo ao rio, não havendo um prejuízo efetivo ao meio ambiente. CRIMES TRIBUTÁRIOS E DESCAMINHO • Crimes tributários federais e descaminho: o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00; • ATENÇÃO: o valor de 20 mil reais para aplicação do princípio da insignificância será somente aos crimes tributários FEDERAIS. De tal forma que, não se aplica, automaticamente, o parâmetro dos tributos federais aos crimes tributários estaduais, devendo ser observada a lei estadual vigente em razão da autonomia do ente federativo – STJ; CONTRABANDO • Regra: não se aplica o princípio da insignificância; • Exceção: pequena quantidade de medicamento destinada a uso próprio – STJ. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA • Súmula 599-STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública”. • Exceção: descaminho (apesar de ser um crime tributário, está topograficamente inserido no título dos “Crimes contra a Administração Pública”). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 17 de 508 gran.com.br • Exceção: admite-se, excepcionalmente, a aplicação do princípio da insignificância a crime praticado em prejuízo da administração pública quando for ínfima a lesão ao bem jurídico tutelado - STJ. FURTO QUALIFICADO • Regra: o STF/STJ entendem não ser possível a aplicação do princípio da insignificância no furto qualificado, pois falta o requisito do reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; • Exceção: quando presentes circunstâncias excepcionais que recomendam a medida. A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias pode demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, recomendando a aplicação do princípio da insignificância – STJ. FURTO SIMPLES • Regra: não deve se levar em conta apenas o valor da coisa furtada, mas sim o caso concreto, como o perfil subjetivo do agente, de tal forma que o STJ tem permitido a aplicação do referido princípio quando o valor do bem subtraído corresponda até 10% do salário-mínimo vigente na época – STJ. • Restituição imediata e integral do bem furtado: não constitui, por si só, motivo suficiente para a incidência do princípio da insignificância – STJ. • Multirreincidente: não se aplica a insignificância no furto de coisa superior a 10% do salário-mínimo, sendo o réu multirreincidente. – STJ. CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA • Regra: não aplica; • Exceção: uso de atestado falso – STJ. POSSE OU PORTE DE ARMA OU MUNIÇÃO • Regra: não é possível, pois são crimes de perigo abstrato – STJ; • Exceção: crime de porte ilegal de pouca quantidade de munição desacompanhada da arma – STJ; uso de munição como pingente e aplicação do princípio da insignificância – STF. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA • Súmula nº 589, STJ: “É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas.” ATOS INFRACIONAIS • É possível. Por fim, faz-se um adendo à chamada “infração bagatelar imprópria”, que possui todos os elementos previstos no conceito analítico de crime, mas a sua punição torna- se desnecessária (ex.: perdão judicial por homicídio culposo de filho). Desse modo, enquanto o princípio da insignificância próprio tem natureza jurídica de causa excludente da tipicidade material, o princípio da insignificância impróprio possui natureza jurídica de causa excludente da punibilidade. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto (fase matutina) - O princípio da vedação à dupla persecução (ne bis in idem processual) poderá ser excepcionado quando o julgamento no exterior não se realizar de modo justo e legítimo. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - Prova 1) - Para o STF, de acordo com o princípio da culpabilidade, somente é possível imputar crime a pessoa jurídica se, simultaneamente, o ilícito penal for imputado à pessoa física que tenha sido o autor material da conduta. ITEM INCORRETO, pois, segundo o STF, é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - Prova 1) - Nenhum dos princípios que regem o direito penal veda a criminalização, pelo legislador, da tentativa de suicídio, embora, no momento, esta conduta não esteja tipificada. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 18 de 508 gran.com.br ITEM INCORRETO, pois o princípio da alteridade veda a tipificação da autolesão! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - TC-DF - Procurador) - Pelo princípio da fragmentariedade, o direito penal só deve intervir em ofensas realmente graves aos bens jurídicos mais relevantes. ITEM CORRETO! (CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça de Entrância Inicial) - O princípio da adequação social serve de parâmetro fundamental ao julgador, que, à luz das condutas formalmente típicas, deve decidir quais sejam merecedoras de punição criminal. ITEM INCORRETO, pois o princípio da adequação social serve de parâmetro ao legislador, que deve buscar afastar a tipificação criminal de condutas consideradas socialmente adequadas! (CESPE - 2019 - PRF - Policial Rodoviário Federal) - A norma penal deve ser instituída por lei em sentido estrito, razão por que é proibida, em caráter absoluto, a analogia no direito penal, seja para criar tipo penal incriminador, seja para fundamentar ou alterar a pena. ITEM INCORRETO, pois é possível a analogia in bonam partem! (CESPE - 2019 - TJ-BA - Juiz de Direito Substituto) - O princípio da bagatela imprópria implica a atipicidade material de condutas causadoras de danos ou de perigos ínfimos. ITEM INCORRETO, pois o princípio da bagatela imprópria não exclui a tipicidade do crime, apenas afasta a aplicação da pena, funcionando como causa excludente de punibilidade. O que afasta a materialidade do delito é a bagatela própria (ou princípio da insignificância), funcionando como causa supralegal de exclusão da tipicidade! (CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - Em razão do princípio da legalidade penal, a tipificação de conduta como crime deve ser feita por meio de lei em sentido material, não se exigindo, em regra, a lei em sentido formal. ITEM INCORRETO, pois em razão do princípio da legalidade penal, a tipificação de conduta como crime deve ser feita por meio de lei em sentido estrito, ou seja, atendendo, cumulativamente, ao critério material (conteúdo) e critério formal (processo legislativo) de lei! (CESPE - 2017 - TRF - 5ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) - Assinale a opção que apresenta princípios que devem ser observados pelas leis penais por expressa previsão constitucional: legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, presunção da inocência, individualização da pena. ITEM CORRETO! 2 – DIREITO PENAL E POLÍTICA CRIMINAL DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL É uma ciência normativa que estuda o “deve ser”. Analisa comportamentos humanos indesejados, define quais devem ser qualificados como infrações penais e fixa as suas respectivas sanções. Ocupa- se do crime enquanto norma. É uma ciência indutiva, empírica e interdisciplinar que se ocupa com o estudo do crime, do criminoso, da vítima e dos mecanismos de controle social. Não recorre às normas penais. Ocupa-se docrime enquanto fato. É a ciência ou arte de selecionar os bens jurídicos que devem ser tutelados penalmente e os caminhos para tal tutela. É uma ciência de fins e meios, pois apresenta críticas e propostas para a reforma do direito penal em vigor. Para tanto, ela se dedica a receber as contribuições da Criminologia e a propor medidas para equacionar os delitos. Ocupa-se do crime enquanto valor. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 19 de 508 gran.com.br 3 – ESCOLAS PENAIS 3.1. TABELA RESUMO De acordo com Rogério Sanches (Manual de Direito Penal – Parte Geral, págs. 58 e 59): ESCOLA CRIME DELINQUENTE PENA AUTORES CLÁSSICA É um ente jurídico. É ser livre que pratica o delito por livre escolha. Retributiva Beccaria, Carrara e Fuerbach. POSITIVA É um fato humano. É ser anormal sob a ótica biológica e psicológica, sem livre- arbítrio. Ideia do criminoso nato. Baseada no determinismo (defesa do corpo social). Lombroso, Ferri e Garofalo. TERZA SCUOLA ITALIANA É um fenômeno individual e social. Escola eclética com conceitos clássicos e positivistas. Não é um ser anormal e nem é dotado de livre- arbítrio. Baseada na defesa social, reconhece o seu caráter aflitivo. Lassagne, Tarde e Maouvrier. HUMANISTA É o desvio moral de conduta. Induziu a noção de delinquência artificial” – crime que não viola a moral. É o imputável, por ser passível de educação. Baseada na educação, é forma de educar o delinquente. Vicenzo Lanza. TÉCNICO- JURÍDICA É fenômeno individual e social. É dotado de livre-arbítrio e responsável moralmente. É meio de defesa contra a perigosidade do agente, cujo objetivo é castigá-lo. Karl Binding, Arturo Rocco, Vincenzo Manzini, Giacomo Delitala, Maggiore. MODERNA ALEMÃ É ente jurídico e fenômeno de ordem humana e social. É pessoa simultaneamente livre e parcialmente condicionada pelo ambiente que o circunda. Não há criminoso nato. É instrumento de ordem e segurança social, cuja função é preventiva geral negativa, o seja, de coação psicológica. Feuerbach, Franz Von Lizst, Van Hamel, Adolpho Prins. CORRECIO- NALISTA É um ente jurídico de criação da sociedade. É um ser anormal, portador de uma vontade reprovável. É a correção da vontade do criminoso e não a retribuição a um mal, motivo pelo qual pode ser indeterminada. Karl David August Roeder. DA NOVA DEFESA SOCIAL É um mal que desestabiliza o aprimoramento social. É a pessoa que precisa ser adaptada à ordem social. É uma reação da sociedade, cujo objetivo é proteger o cidadão. Filippo Gramatica e Marc Ancel. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 20 de 508 gran.com.br 4 – A LEI PENAL 4.1. CARACTERÍSTICAS DA LEI PENAL 4.2. CLASSIFICAÇÃO DA LEI PENAL As leis penais se dividem em: • Incriminadoras: definem as infrações penais e cominam penas; • Não incriminadoras: não definem infrações penais e nem cominam penas, classificando-se da seguinte forma: LEI PENAL NÃO INCRIMINADORA EXPLICATIVA / INTERPRETATIVA • Se destina a esclarecer o conteúdo da norma; • Ex.: conceito de funcionário público (art. 327, CP). EXTENSÃO / INTEGRATIVA • Se destina a viabilizar a tipicidade de alguns fatos. TEMPORAL • Tentativa (art. 14, II, CP). PESSOAL E ESPACIAL • Participação (art. 29, CP). CAUSAL • Crimes comissivos por omissão (art. 13, § 2º, CP); PERMISSIVA JUSTIFICANTE • Se destina a tornar lícita algumas condutas que seriam ilícitas; • Ex.: legítima defesa (art. 25, CP); PERMISSIVA EXCULPANTE • Se verifica quando elimina a culpabilidade; • Ex.: embriaguez acidental completa (art. 28, § 1º, CP) COMPLEMENTAR • Tem a função de delimitar a aplicação das normas incriminadoras; • Ex.: aplicação da lei penal no território brasileiro (art. 5º, CP). (CESPE - 2011 - TJ-ES - Comissário da Infância e da Juventude - Específicos) -Uma das funções do princípio da legalidade refere-se à proibição de se realizar incriminações vagas e indeterminadas, visto que, no preceito primário do tipo penal incriminador, é obrigatória a existência de definição precisa da conduta proibida ou imposta, sendo vedada, com base em tal princípio, a criação de tipos que contenham conceitos vagos e imprecisos. ITEM CORRETO! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 21 de 508 gran.com.br (CESPE - 2010 - MPE-RO - Promotor de Justiça) -O dispositivo legal que prevê o estado de necessidade é uma norma penal não incriminadora permissiva justificante porque tem por finalidade afastar a ilicitude da conduta do agente. ITEM CORRETO! Além da divisão acima, as leis penais também se apresentam como: • Completas/perfeitas: possuem todos os elementos da conduta criminosa; • Incompletas/imperfeitas: a complementação da definição da conduta de determinada norma depende de complemento normativo (norma penal em branco) ou valorativo (tipo penal aberto). Um exemplo de tipo penal aberto, que necessita de complemento dado pelo juiz, é o crime culposo, pois o legislador não enuncia quais são as formas de negligência, imprudência e imperícia. Já a norma pena em branco, que necessita de complemento dado por outra norma, possui as seguintes classificações: NORMA PENAL EM BRANCO HOMOGÊNEA/IMPRÓPRIA/EM SENTIDO AMPLO HETEROGÊNEA/PRÓPRIA/EM SENTIDO ESTRITO O complemento normativo advém da mesma fonte de produção. Divide-se em: homovitelina e heterovitelina. O complemento normativo advém de fonte de produção diversa. Ex.: o crime de “tráfico de drogas” (art. 33, lei nº 11.343/06) extrai o rol de substâncias consideradas como “droga” da Portaria da Anvisa (Portaria 344 SVS/MS). HOMOVITELINA / HOMÓLOGA HETEROVITELINA / HETEROLÓGA O complemento advém da mesma instância legislativa. Ex.: o crime de “peculato” (art. 312, CP) extrai o conceito de funcionário público do próprio CP (art. 327, CP). O complemento advém de instância legislativa diversa. Ex.: o crime de “ocultação de impedimento para o casamento” (art. 326, CP) extrai as hipóteses impeditivas da união civil do CC (art. 1521, CC). AO QUADRADO DE FUNDO CONSTITUCIONAL A norma requer um complemento que, do mesmo modo, requer outro complemento. Ex.: art. 38 da lei nº 9.605/98 (crimes ambientais). A norma é complementada por uma norma constitucional. Ex.: o crime de “abandono intelectual” (art. 246, CP) extrai o conceito de “instrução primária” da Constituição Federal (art. 208, I, CF). AO REVÉS/INVERTIDA/AO AVESSO A sanção da norma é complementada pelo preceito secundário de outra lei. Ex.: art. 1º da lei nº 2.889/56 (lei de genocídio). (CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-BA - Promotor de Justiça Substituto) - A norma penal em branco invertida é admissível, desde que homogênea. ITEM CORRETO! (CESPE - 2015 - TRE-MT - Analista Judiciário – Judiciária) - Configura lei penal em branco em sentido estrito o artigo do Código Penal, que estabelece como criminosa a conduta de casar-se mesmo conhecendo existir impedimento que acarrete a nulidade absoluta do casamento. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 22 de 508 gran.com.br ITEM INCORRETO, pois o seu complemento deriva do Código Civil - isto é, mesma fonte legislativa - trata-se de norma penal em branco homogênea. Além disso, por ser norma diversa do Código Penal, trata-se de norma penal em branco homogênea heteróloga! (CESPE - 2011 - DPE-MA - Defensor Público) - O complemento da norma penal em branco considerada em sentido estrito provém da mesma fonte formal, ao passo que o da norma penal em branco considerada em sentido lato provém de fonte formal diversa. ITEM INCORRETO, pois os conceitos estão invertidos! 4.3. LEI PENAL NO TEMPO Em decorrência do princípioda legalidade, em regra, aplica-se a lei penal vigente ao tempo da realização da conduta criminosa (tempus regit actum). Excepcionalmente, a lei penal retroagirá, desde que benéfica ao réu. Vale destacar que essa sistemática só se aplica às normas de natureza material (penal) ou híbridas (penal e processual), uma vez que as normas de natureza puramente processual se situam na regra geral, não se submetendo à retroatividade benéfica. Portanto, a diferença entre normas penais e processuais penais no conflito de leis no tempo é a seguinte: NORMAS PENAIS NORMAIS PROCESSUAIS PENAIS PURAS Princípio da retroatividade benéfica Princípio do Tempus Regit Actum Art. 5º, XL, da CRFB/88. A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu Art. 2º do CPP. A lei processual penal aplicar- se—á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. Entretanto, esses precedentes constitucionais (retroatividade benéfica) são inaplicáveis para precedentes jurisprudenciais: • Vigora no ordenamento jurídico brasileiro, o princípio da irretroatividade da norma mais gravosa. Esse princípio não se aplica (não vale) para interpretação jurisprudencial. Esse princípio se aplica apenas para lei penal. Assim, mesmo que a nova interpretação seja mais gravosa, deve ser aplicada para fatos anteriores. A CF/88 diz, no art. 5º, XL, que "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;". A partir da leitura desse art. 5º, XL, é possível extrair dois preceitos: - é retroativa a aplicação da norma penal benéfica - é irretroativa a norma mais grave ao acusado https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 23 de 508 gran.com.br Esses preceitos constitucionais são inaplicáveis para precedentes jurisprudenciais (para decisões do Poder Judiciário). Assim, o art. 5º, XL, da CF/88 - que trazem esses preceitos - não se aplica para mudanças de entendimento jurisprudencial (só valem para mudanças legislativas). STF. 1ª Turma. HC 161452 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 6/3/2020. STJ. 5ª Turma. AgRg nos EDcl no AREsp 1361814/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 19/05/2020. Em algumas situações, as leis penais se sucedem no tempo, suscitando cinco situações distintas: a) Sucessão de lei incriminadora Ocorre quando uma nova lei entra em vigor e passa a criminalizar uma conduta que antes era atípica. É irretroativa. Art. 1º, CP - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. b) Novatio legis in pejus Ocorre quando uma nova lei estabelece situação mais gravosa (lex gravior) ao réu em uma conduta que já era típica. Não há retroatividade prejudicial, de tal forma que a nova lei só valerá para aqueles que cometerem a conduta delituosa depois da sua entrada em vigor. Caso uma lei mais gravosa entre em vigor no decorrer da prática de um crime permanente ou continuado, esta será aplicada, pois as condutas criminosas em questão ainda não cessaram. É o que preconiza a súmula 711 do STF: Súmula 711 do STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. Obs.: não se deve confundir crime continuado com o crime permanente. No crime continuado, há diversas condutas que, separadas, constituem crimes autônomos, mas que são reunidas por uma ficção jurídica dentro dos parâmetros do art. 71 do Código Penal. No crime permanente há apenas uma conduta, que se prolonga no tempo. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Especialidade: Direito) - O crime permanente é aquele cujo resultado prolonga-se no tempo, atraindo a aplicação da lei penal vigente ao término do resultado. ITEM INCORRETO, pois não é o resultado, mas sim a consumação do crime que se prolonga no tempo. c) Novatio legis in mellius Ocorre quando uma nova lei estabelece situação mais benéfica (lex mitior) ao réu em uma conduta que já era típica. Há retroatividade benéfica, alcançando situações anteriores a sua entrada em vigor. Art. 2º, parágrafo único, CP – A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. Ainda, prevalece no STJ e no STF a impossibilidade de combinação de leis penais para favorecer o réu (lex tertia): https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 24 de 508 gran.com.br Súmula 501 do STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis. Súmula 611 do STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao Juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. d) Abolitio criminis Ocorre quando uma conduta deixa de ser considerada típica (abolição de um crime) através da revogação de uma lei penal incriminadora por outra lei. Há retroatividade benéfica, extinguindo-se a punibilidade do agente. Art. 2º, CP - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. A partir da leitura do artigo supracitado, salienta-se que na abolitio criminis apenas são cessados os efeitos penais, uma vez que os efeitos extrapenais subsistem. e) Princípio da continuidade normativo-típica Ocorre quando o conteúdo criminoso é deslocado para outro tipo penal. Difere-se da abolitio criminis, pois não há a supressão formal e material da conduta criminosa, mas apenas formal. Portanto, enquanto na abolitio criminis a conduta deixa de ser considerada criminosa, na continuidade normativo-típica a conduta continua sendo punível, mas em outro tipo penal. ABOLITIO CRIMINIS CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA Supressão formal e material do crime Supressão formal do crime A conduta deixa de ser punível A conduta continua punível, mas em outro tipo penal 4.3.1. LEI EXCEPCIONAL E TEMPORÁRIA https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 25 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-DFT - Juiz de Direito Substituto) - A lei temporária aplica-se ao fato praticado durante sua vigência, ainda que decorrido o período de sua duração. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-DFT - Juiz de Direito Substituto)) - A lei excepcional tem aplicação imediata, não gerando efeitos caso não aplicada durante sua vigência. ITEM INCORRETO, pois, de acordo com o art. 3º do CP, a lei excepcional aplica-se ao fato praticado durante sua vigência, ainda que tenham cessado as circunstâncias que a determinaram! (CESPE - 2013 - TJ-RN – Juiz) - Lei superveniente que abrande a penalidade referente a determinado crime somente beneficiará réu processado na vigência da lei anterior se não houver trânsito em julgado da sentença condenatória quando de sua entrada em vigor. ITEM INCORRETO, pois, de acordo com o art. 2º, parágrafo único, do CP, a lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. Trata-se de novatio in mellius! (CESPE - 2013 - TJ-RN – Juiz) - Se, no curso do cumprimento de pena por determinado réu condenado por sentença transitada em julgado, lei nova deixar de considerar crime o ato por ele praticado, cessará a execução da pena, mas não os efeitos da condenação. ITEM INCORRETO, pois, de acordo com o art. 2º, caput, do CP, em caso de abolitio criminis, os efeitos penais da sentença condenatória são cessados. Os únicos efeitos que subsistem são os extrapenais. 4.3.2. LEI INTERMEDIÁRIA Considera-se lei intermediária aquela que, na sucessão de leis penais, esteve em vigência entre a lei anterior e a lei posterior. Suponhamos que o réu tenha praticadoum delito durante a vigência da “Lei A”, mas que durante o processo tenha entrado em vigor a “Lei B”, que modificou a pena do delito em questão para uma mais branda. Por último, quando da data da sentença, já está em vigor a “Lei C”, cuja pena é mais rigorosa. Apresentado o caso hipotético acima, questiona-se: qual lei deverá ser aplicada? A resposta já foi dada pelo STF, devendo ser aplicada a lei intermediária, pois é mais https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 26 de 508 gran.com.br benéfica ao réu. Esta lei tem duplo efeito: retroatividade em relação ao tempo da ação ou omissão e ultratividade em relação ao tempo do julgamento. 4.3.3. TEMPO DO CRIME A teoria adotada pelo Código Penal é a “Teoria da Atividade”: Art. 4º, CP - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. 4.4. LEI PENAL NO ESPAÇO 4.4.1. LUGAR DO CRIME Em relação ao lugar do crime, a teoria adotada pelo Código Penal é a “Teoria da Ubiquidade”, que nada mais é do que uma junção da teoria da atividade e do resultado. Art. 6º, CP - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir- se o resultado. Obs.: nos crimes conexos não se aplica a teoria da ubiquidade, devendo cada crime ser julgado pelo país onde foi cometido, uma vez que não constituem propriamente uma unidade jurídica. Exemplo: furto cometido na Argentina e receptação praticada no Brasil. Aqui somente será julgada a receptação. 4.4.2. CRIMES À DISTÂNCIA, EM TRÂNSITO E PLURILOCAIS CRIMES À DISTÂNCIA OU DE ESPAÇO MÁXIMO CRIMES EM TRÂNSITO CRIMES PLURILOCAIS OU DE ESPAÇO MÍNIMO O crime percorre o território de dois estados soberanos O crime percorre o território de mais de dois estados soberanos O crime percorre dois ou mais territórios do mesmo estado soberano Teoria da Ubiquidade Teoria da Ubiquidade Teoria do Resultado Conflito internacional de jurisdição Conflito internacional de jurisdição Conflito interno de competência 4.4.3. TERRITORIALIDADE DA LEI PENAL https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 27 de 508 gran.com.br A lei penal brasileira, aplica-se, em regra, ao crime cometido no território nacional, mas, excepcionalmente, a lei estrangeira é aplicável aos delitos cometidos em território nacional, quando assim determinarem as convenções, tratados e regras internacionais. Portanto, a partir da leitura do art. 5º do CP, extrai-se que o Código Penal adotou o princípio da territorialidade mitigada/temperada, o qual não se confunde com o princípio da territorialidade absoluta adotado no Código de Processo Penal. Art. 5º, CP - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. Para efeitos penais, de acordo com o art. 5º, § 1º, do CP, considera-se território nacional por extensão: O conceito acima trata de uma ficção jurídica com um nível elevado de cobrança em provas. Ademais, é também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil (art. 5º, § 2º, do CP). Neste tema, vale destacar o chamado “direito de passagem inocente”, regulado pela Lei nº 8.617/93, que estabelece que não será aplicada a lei brasileira aos crimes cometidos a bordo de embarcações privadas estrangeiras de passagem pelo mar territorial brasileiro, desde que não seja prejudicial à paz, a boa ordem ou à segurança do Brasil. Além disso, a passagem deve ser contínua e rápida. Obs.: as embaixadas, por mais que sejam invioláveis, não são extensão do território do país que representam. LUGAR DO CRIME APLICA-SE A LEI PENAL BRASILEIRA? EMBARCAÇÕES E AERONAVES BRASILEIRAS DE NATUREZA PÚBLICA SIM – onde quer que se encontrem EMBARCAÇÕES E AERONAVES BRASILEIRAS A SERVIÇO DO GOVERNO BRASILEIRO SIM – onde quer que se encontrem EMBARCAÇÕES BRASILEIRAS MERCANTES OU DE PROPRIEDADE PRIVADA SIM – desde que se encontrem em alto-mar AERONAVES BRASILEIRAS MERCANTES OU DE PROPRIEDADE PRIVADA SIM – desde que se encontrem em espaço aéreo correspondente ao alto-mar EMBARCAÇÕES ESTRANGEIRAS DE PROPRIEDADE PRIVADA SIM – desde que estejam atracadas em porto ou navegando em mar territorial do Brasil AERONAVES ESTRANGEIRAS DE PROPRIEDADE PRIVADA SIM – desde que em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo brasileiro EMBARCAÇÕES OU AERONAVES DE NATUREZA PÚBLICA ESTRANGEIRA OU A SERVIÇO DE GOVERNO ESTRANGEIRO NÃO https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 28 de 508 gran.com.br EMBARCAÇÕES OU AERONAVES BRASILEIRAS, MERCANTES OU PRIVADAS, QUANDO EM TERRITÓRIO ESTRANGEIRO SIM - desde que não seja julgado no território estrangeiro. Aplica-se a regra da extraterritorialidade condicionada (art. 7º, II, “c”, CP) 4.4.4. EXTRATERRITORIALIDADE Agora estudaremos as hipóteses em que, excepcionalmente, a lei penal brasileira pode ser aplicada aos crimes cometidos no estrangeiro. Elas estão previstas no art. 7º do CP e dividem-se em: incondicionada, condicionada e hipercondicionada. a) Incondicionada A simples prática do crime em território estrangeiro já autoriza a aplicação da lei brasileira, independentemente de qualquer requisito. Portanto, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro. As suas hipóteses estão previstas no art 7º, I, do CP: Obs.: o examinador costuma trocar “crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da República” por “crimes contra a honra do Presidente da República”. Não caia! Essa pegadinha é recorrente! b) Condicionada Ao contrário das hipóteses de extraterritorialidade incondicionada, aqui é necessário que todos os cinco requisitos sejam preenchidos cumulativamente. As suas hipóteses estão previstas no art. 7º, II, do CP: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 29 de 508 gran.com.br As condições cumulativas previstas no art. 7º, § 2º, do CP, são: • entrar o agente no território nacional; • ser o fato punível também no país em que foi praticado – PRINCÍPIO DA DUPLA TIPICIDADE; • estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; • não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; • não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. c) Hipercondicionada Aqui, além dos requisitos que devem ser preenchidos na “extraterritorialidade condicionada”, também devem ser preenchidas mais duas condições. A sua hipótese está prevista no art. 7º, § 3º, do CP: As outras duas condições que devem ser preenchidas cumulativamente com as do § 2º estão previstas no art. 7º, § 3º, do CP, sendo estas: • não tiver sido pedida ou foi negada a extradição; • ter havido requisição do Ministro da Justiça; (CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - fase matutina) - Em caso de crime que, por tratado, o Brasil se obrigue a reprimir, há extraterritorialidade incondicionada. ITEM INCORRETO, pois trata-se de extraterritorialidade condicionada! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - fase matutina) - Aplica-se o princípio da extraterritorialidade aos crimes praticados em aeronaves e embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. ITEM INCORRETO, pois trata-se de territorialidade, mais especificamente o conceito de território nacional por extensão!(CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-SC - Auditor Fiscal de Controle Externo - Direito) - Aplica-se a lei brasileira ao crime que tenha sido praticado em navio mercante de bandeira francesa ancorado no Porto de Itajaí, localizado no estado de Santa Catarina. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - DPE-RO - Analista da Defensoria Pública - Jurídica) - Quanto à eficácia espacial da lei penal à luz do princípio da territorialidade, é correto afirmar que a lei penal só tem aplicação no Estado que a tenha determinado, independentemente da nacionalidade do agente e do bem jurídico tutelado. ITEM CORRETO! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 30 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2021 - TC-DF - Auditor Conselheiro Substituto) - Aplica-se a lei penal brasileira a crimes cometidos dentro de aeronave ou embarcação brasileira que seja pública ou esteja a serviço do governo, independentemente de onde se encontrem, em razão do princípio da bandeira ou da representação. ITEM INCORRETO, pois o “princípio da bandeira” é aplicado às aeronaves e embarcações privadas, uma vez que nas públicas se aplica o “princípio da territorialidade”! (CESPE - 2019 - TJ-DFT - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção) - Crime de genocídio praticado fora do território brasileiro poderá ser julgado no Brasil quando cometido contra povo alienígena por estrangeiro domiciliado no Brasil. ITEM CORRETO! (CESPE - 2018 - PC-MA - Delegado de Polícia Civil) - Nos crimes conexos, não se aplica a teoria da ubiquidade, devendo cada crime ser julgado pela legislação penal do país em que for cometido. ITEM CORRETO! (CESPE - 2011 - DPE-MA - Defensor Público) - Os crimes praticados no estrangeiro, em embarcações brasileiras mercantes, ficam sujeitos à lei brasileira, desde que, entre outras condições, não sejam julgados no estrangeiro. ITEM CORRETO! 4.4.5. PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO De acordo com os art. 8º do CP, a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO ATENUA COMPUTA Diversa Idêntica Já nos termos do art. 9º do CP, a sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil nas seguintes situações: EFICÁCIA DA SENTENÇA ESTRANGEIRA PODE SER HOMOLOGADA PARA: DEPENDE DE: • Obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis • Pedido da parte interessada • Sujeitar o condenado à medida de segurança • Existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença; ou • Na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça 4.4.6. CONFLITO APARENTE DE NORMAS O conflito de normas penais ocorre quando duas normas aparentam incidir sobre o mesmo fato. Como a própria denominação sugere, o conflito existente entre normas de Direito Penal é meramente aparente, já que, na verdade, não há conflito algum. a) Pressupostos São necessários três requisitos para a sua configuração: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 31 de 508 gran.com.br b) PRINCÍPIOS b.1) Princípio da Consunção O crime previsto por uma norma funciona como fase de realização do crime previsto por outra. Ele atua no plano concreto e é visto nas situações a seguir: CRIME PROGRESSIVO • “Crime de passagem”; • O agente para alcançar resultado mais grave transita, necessariamente, por crime menos grave. Ex.: para chegar no homicídio, passa-se pela lesão corporal. PROGRESSÃO CRIMINOSA • O agente substitui o dolo, atingindo um mesmo bem jurídico; Ex.: agente que, inicialmente, pretende causar apenas lesões corporais na vítima e, após consumar tal ato, decide que quer matá-la, a levando a óbito. Responde apenas pelo homicídio. ANTEFACTUM IMPUNÍVEL • O crime antecedente está na linha de desdobramento do crime mais grave, mas não é, necessariamente, passagem para o crime-fim. Ex.: violação de domicílio para cometer furto. POSTFACTUM IMPUNÍVEL • É o exaurimento do crime-fim. Ex.: agente que furta um objeto e depois o deteriora. Responde apenas pelo furto e não por furto + dano. b.2) Princípio da Alternatividade Terá aplicabilidade diante de crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado (plurinucleares), ou seja, aqueles em que o tipo penal prevê mais de uma conduta em seus vários núcleos. Para alguns autores, o princípio da alternatividade não resolve o conflito aparente de normas, uma vez que o conflito ocorre dentro da própria norma. Ex.: agente que tem em depósito, expõe à venda e vende drogas. Neste caso, mesmo o agente preenchendo vários núcleos, o tipo penal é um só, tratando apenas do crime de tráfico de drogas. Obs.: o examinador costuma trocar “princípio da alternatividade” por “princípio da alteridade”. Como os nomes são parecidos, é uma casca de banana se você estiver desatento. De toda forma, essa pegadinha também é corriqueira, então redobre a atenção! b.3) Princípio da Subsidiariedade A lei primária (crime mais grave) prevalece sobre a lei subsidiária (crime menos grave). A relação é de maior ou menor gravidade e atua no plano concreto, podendo ser expressa ou tácita. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 32 de 508 gran.com.br Ex.: importunação sexual. b.4) Princípio da Especialidade A lei penal especial preenche o tipo penal em sua integridade, sem se importar se o crime especial é punido mais gravemente ou mais brandamente. A relação é de espécie e gênero e atua no plano abstrato. Ex.: contrabando e tráfico de drogas. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Especialidade: Direito) - O princípio da consunção é um princípio de resolução de conflito de leis penais no tempo, sem previsão expressa na parte geral do Código Penal brasileiro. ITEM INCORRETO, pois o princípio da consunção não resolve o conflito de leis penais no tempo, mas diz respeito ao conflito aparente de normas! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - O cotejo se dá entre fatos concretos, de modo que o mais completo, o inteiro, prevalece sobre a fração. Não há um único fato buscando se abrigar em uma ou outra lei penal caracterizada por notas especializantes, mas uma sucessão de fatos, todos penalmente tipificados, na qual o mais amplo consome o menos amplo, evitando-se que este seja duplamente punido, como parte de um todo e como crime autônomo. Cleber Masson (com adaptações). No conflito aparente de normas, o trecho apresentado explica o princípio da consunção. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2003 - DPE-AM - Defensor Público) - Tratando-se de crime subsidiário e não se tendo consumado o crime-fim, por motivos alheios à vontade do agente (conatus), há de prevalecer o crime em sua ampliação temporal, não se podendo cogitar de ressurgimento da norma subsidiária. ITEM CORRETO! (CESPE - 2013 - PRF - Policial Rodoviário Federal) - Havendo conflito aparente de normas, aplica-se o princípio da subsidiariedade, que incide no caso de a norma descrever várias formas de realização da figura típica, bastando a realização de uma delas para que se configure o crime. ITEM INCORRETO, pois aplica-se o princípio da alternatividade! (CESPE - 2013 - DEPEN - Agente Penitenciário) - Considere que Alberto, querendo apoderar-se dos bens de Cícero, tenha apontado uma arma de fogo em direção a ele, constrangendo-o a entregar-lhe a carteira e o aparelho celular. Nessa situação hipotética, da mera comparação entre os tipos descritos como crime de constrangimento ilegal e crime de roubo, aplica-se o princípio da especialidade a fim de se tipificar a conduta de Alberto. ITEM INCORRETO, pois o crime-fim (roubo) absorve o crime-meio (constrangimento ilegal), aplicando-se o princípio da consunção! 5 – TEORIA DO CRIME5.1. INFRAÇÃO PENAL De acordo com a legislação brasileira, a infração penal se divide em duas categorias: crime e contravenção penal. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 33 de 508 gran.com.br Elas são divididas de acordo com a gravidade da conduta, pois enquanto os crimes são considerados infrações penais mais graves, as contravenções são aquelas classificadas como mais leves. Ademais, elas possuem pontos de divergência bem acentuados. Vejamos: CRIME CONTRAVENÇÃO PENA Reclusão ou detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a de multa Prisão simples ou multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente AÇÃO PENAL Pública ou privada Pública PENA MÁXIMA 40 anos 5 anos EXTRATERRITO- RIALIDADE É aplicada Não é aplicada SURSIS DA PENA 2 a 4 anos ou 4 a 6 anos 1 a 3 anos ERRO DE DIREITO Não é aplicado É aplicado ELEMENTO SUBJETIVO Dolo ou culpa Voluntariedade. (revogado tacitamente) COMPETÊNCIA Justiça Estadual e Federal Justiça Estadual (salvo foro por prerrogativa de função federal) PRISÃO PREVENTIVA Cabe Não cabe POSSIBILIDADE DE CONFISCO Cabe Não cabe Verifica-se a reincidência da seguinte forma: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 34 de 508 gran.com.br (CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil) - Considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão, de detenção ou prisão simples, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa. ITEM INCORRETO, pois considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa! (CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil) - A infração penal é gênero que abrange como espécies as contravenções penais e os crimes, sendo estes últimos também identificados como delitos. ITEM CORRETO! 5.2. CONCEITO DE CRIME O conceito formal de crime é aquilo que a lei define como infração penal, não interessando a ótica da sociedade. Por outro lado, o conceito material de crime não é exatamente o que está previsto em lei, mas sim o que a sociedade entende como tal. Já o conceito analítico é o conceito científico e doutrinário pelo qual se estuda o direito penal. O conceito analítico de crime pode ser formado por dois ou três elementos: fato típico, antijuridicidade (ou ilicitude) e culpabilidade. Atualmente, no direito penal existem duas vertentes em relação ao conceito analítico de crime. Há uma parcela da doutrina que entende que o crime é fato típico e ilícito, enquanto a culpabilidade não é elemento do crime — trata-se da teoria bipartite de crime. Em contrapartida, para a teoria tripartite de crime (adotada pela doutrina majoritária), o crime é definido como fato típico, ilícito e culpável. Isto posto, para que você visualize melhor onde se encaixam os elementos e as suas respectivas excludentes, elaboramos o esqueminha abaixo: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 35 de 508 gran.com.br https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 36 de 508 gran.com.br 5.3. FATO TÍPICO 5.3.1. TEORIAS DA CONDUTA a) Teoria Causalista No início do século XIX, surgiu a teoria causalista (ou teoria mecanicista, teoria causal naturalista, teoria clássica, teoria naturalista), que foi idealizada por Franz von Liszt, Ernst von Beling e Gustav Radbruch. Segundo ela, o crime deve ser explicado sob uma ótica científica, natural, sob uma relação de causa-efeito, afastando elementos psicológicos para explicar a conduta. A conduta, na visão causalista, é mera ação voluntária que produz alteração no mundo exterior, sem qualquer finalidade. Trata-se de uma análise objetiva, que não leva em consideração o dolo e a culpa do agente. Diz-se que o modelo é avalorado. Ademais, as excludentes de ilicitude não são observadas, bastando a contrariedade ao sistema jurídico (antijuridicidade). No tocante ao dolo e a culpa, eles são apenas analisados no terceiro substrato do crime (teoria psicológica da culpabilidade). Logo, para a teoria causalista, o conceito analítico de crime é tripartite, visto que para se imputar um crime a alguém, é necessário que o dolo ou a culpa sejam analisados. Desse modo, encontram-se presentes na culpabilidade: imputabilidade (pressuposto) e dolo ou culpa (espécies). Por fim, destaca-se que o dolo é normativo, pois além da consciência e da vontade, ele também possui em seu interior a consciência atual da ilicitude, exigindo do autor conhecimento acerca da norma proibitiva. • Não explica de maneira adequada os crimes omissivos, bem como os delitos formais e de mera conduta. • Não há como negar a presença de elementos normativos e/ou subjetivos no tipo penal. • Não há como imaginar a ação humana como um ato de vontade sem finalidade. Toda ação humana é dirigida a um fim. • Ao fazer a análise do dolo e culpa no momento da culpabilidade, a finalidade do agente não é analisada quando da pesquisa da conduta. Portanto, não há como distinguir, por exemplo, a lesão corporal da tentativa de homicídio. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 37 de 508 gran.com.br b) Teoria Neokantista Nas primeiras décadas do século XX, surgiu a teoria neokantista (ou teoria causal- valorativa), que teve como maior expoente Edmund Mezger. Ela possui base causalista, mas fundamenta-se numa visão neoclássica, marcada pela superação do positivismo, através da introdução da racionalização no método. Nessa teoria, a conduta deixa de ser apenas uma ação e passa a ser um comportamento voluntário que produz alteração no mundo exterior, englobando também a omissão. Neste período, teorias que que começaram a reconhecer uma relação entre o fato típico e a antijuridicidade surgiram. Consequentemente, a teoria do tipo avalorado ou acromático, adotada no modelo causalista, que preconizava a ausência de relação prévia entre o fato típico e a antijuridicidade, se esvaiu. Ademais, a antijuridicidade passou a ter um aspecto normativo, sendo este a danosidade social do fato, ou seja, o fato, além de ser ilícito, precisava ser danoso. Já a culpabilidade passou a adotar a teoria normativa ou psicológico-normativa, acrescentando-se a ela um terceiro elemento: exigibilidade de conduta diversa. • É contraditória ao reconhecer elementos subjetivos e normativos no tipo e ao continuar considerando dolo e culpa como elementos de culpabilidade. • Continua sem explicar os crimes formais e de mera conduta, em razão da exigência de produção de alteração no mundo exterior. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 38 de 508 gran.com.br c) Teoria Finalista Em meados do séc. XX, surgiu a teoria finalista (ou final), que foi criada por Hans Welzel. Dentre as diversas teorias da conduta criminal, esta é a adotada pelo Código Penal brasileiro. O dolo e a culpa migraram da culpabilidade para o fato típico, mais especificamente para dentro da conduta. Assim, a conduta passou a ser definida como comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim. O dolo perdeu seu status normativo (dolus malus) e ganhou um status natural (dolus bonus). Isto ocorreu, pois o elemento normativo (consciência atual da ilicitude) foi retirado do dolo, permanecendo-se apenas a consciência (elemento cognitivo) e a vontade (elemento volitivo). A consciência da ilicitude transformou-se em um elemento autônomo da culpabilidade: potencial consciência da ilicitude. É importante que você perceba que ela deixou de ser atual e passou a ser potencial. A culpabilidade, composta pela imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude (como bem conhecemos e estudamos), perdeu todo o caráter psicológico e passou a ficarrestrita a elementos apenas normativos. Por isso, foi adotada pelos finalistas a teoria normativa pura da culpabilidade. Destaca-se que a culpabilidade, sem os elementos do dolo e da culpa, passou a ser denominada culpabilidade vazia. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 39 de 508 gran.com.br Para a teoria finalista, pode ser adotado tanto o viés bipartite (teoria finalista dissidente) como o tripartite de crime, pois aqui o dolo e a culpa não estão mais na culpabilidade, mas sim na conduta. Desse modo, a culpabilidade pode ser tanto elemento do crime como pressuposto de aplicação da pena. Como já exposto, atualmente, em relação à conduta, adota-se a teoria finalista, mas em relação a culpabilidade não é adotada a teoria normativa pura, mas sim a teoria limitada da culpabilidade (que será revisada mais à frente). Ambas possuem os mesmos elementos, porém divergem no tratamento dado às descriminantes putativas. • A finalidade não explica os crimes culposos, pois a teoria focalizou no desvalor da conduta, ignorando o desvalor do resultado. Visando solucionar esse problema e compatibilizar a teoria final aos crimes culposos, Welzel criou a teoria cibernética. Para ele, a conduta seria a ação biociberneticamente antecipada, levando em conta o controle da vontade, presente tanto nos crimes dolosos como culposos. d) Teoria Social da Ação Para a teoria social da ação, desenvolvida por Johannes Wessels, entende-se como conduta o comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 40 de 508 gran.com.br socialmente reprovável. Portanto, a reprovabilidade social passa a integrar o conceito de conduta, como elemento implícito do tipo penal. Além disso, o dolo e a culpa, mesmo integrando o fato típico, seriam analisados novamente quando em juízo de culpabilidade. e) Teorias Funcionalistas Como já explicado no tópico 1.1 do material, as duas principais correntes funcionalistas são: o funcionalismo teleológico e funcionalismo radical. e.1) Funcionalismo Teleológico O funcionalismo teleológico (ou dualista, moderado ou de política criminal) de Roxin parte da premissa que a função do direito penal é a proteção dos bens jurídicos. Esta corrente rompe conceitualmente com o finalismo, pois visa superar as suas concepções meramente ontológicas, reconstruindo a teoria do delito com enfoque em critérios políticos criminais. Portanto, a conduta seria um comportamento humano voluntário, causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado pela norma penal. Estruturalmente, o crime seria composto dos seguintes substratos: fato típico, antijuridicidade e responsabilidade. A culpabilidade figuraria apenas como limite funcional da pena. Sendo assim, Roxin propôs um novo elemento na composição da responsabilidade: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude, exigibilidade de conduta diversa e necessidade da pena. e.2) Funcionalismo Radical O funcionalismo radical (ou sistêmico ou monista) de Jakobs parte da premissa que a função do direito penal é assegurar a vigência do sistema, procurando, sobretudo, garantir o império da norma. Portanto, a conduta seria um comportamento humano voluntário causador de um resultado evitável e violador do sistema, que termina por frustrar as expectativas normativas. Jakobs realoca a culpabilidade no terceiro substrato do crime, de tal forma que os seus elementos continuariam sendo a imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Ressalta-se que as premissas sobre as quais se fundam o funcionalismo radical deram ensejo ao “Direito Penal do Inimigo”, que se volta para os transgressores da norma garantida pelo “Direito Penal do Cidadão”. Para Jakobs, estes indivíduos, que perderam o status de cidadão e ganharam o de inimigo, não deveriam ter acesso às mesmas garantias, remédios e benefícios concedidos pelo Direito Penal àqueles considerados cidadãos, pois se inserem em categoria de inimigos da própria humanidade em si. Inúmeras são as críticas feitas a este modelo, visto que caso ele fosse implementado no nosso ordenamento jurídico, o Estado estaria longe de atender aos ditames constitucionais. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 41 de 508 gran.com.br f) Teoria da Ação Significativa Para a teoria da ação significativa, elaborada por Vives Antón, entende-se que mais importante do que descrever a ação, é compreendê-la. Sendo assim, a ação significativa pede um significado da conduta, para conexão com a norma prévia. Ademais, para esta teoria, a ação só existe em razão da norma. Sem a norma previamente estabelecida não haveria, portanto, significado para a ação. Logo, se há o ato de “matar” é porque a norma, antes, estabeleceu a definição do que seria homicídio. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor de Justiça Substituto) - De acordo com o modelo finalista de ação, esta consiste na conduta dirigida a um fim ou objetivo, o que permite segmentar a conduta em objetiva e subjetiva, contudo, seu elemento essencial não é o objetivo do sujeito, mas a dirigibilidade dos meios causais usados a fim de atingir o objetivo. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor de Justiça Substituto) - De acordo com o modelo causal de ação, esta consiste no movimento corpóreo que produz modificação no mundo exterior, o que permite diferenciar crimes comissivos e omissivos, bem como crimes materiais, formais e de mera conduta. ITEM INCORRETO, pois o modelo causal de ação define conduta como o movimento corpóreo voluntário que gera alteração no mundo exterior perceptível pelos sentidos. Portanto, não abrange os crimes omissivos próprios (mero não fazer), nem os crimes formais (dispensa concretização do resultado) ou de mera conduta (não possuem resultado). (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - A consciência atual da ilicitude é elemento do dolo, conforme a teoria finalista da ação. ITEM INCORRETO, pois a consciência atual da ilicitude é elemento da culpabilidade, conforme a teoria finalista da ação. (CESPE / CEBRASPE - 2013 - Polícia Federal - Delegado de Polícia) - Segundo a teoria causal, o dolo causalista é conhecido como dolo normativo, pelo fato de existir, nesse dolo, juntamente com os elementos volitivos e cognitivos, considerados psicológicos, elemento de natureza normativa (real ou potencial consciência sobre a ilicitude do fato). ITEM CORRETO! 5.3.2. FORMAS DE CONDUTA Impõe-se a analisar a voluntariedade (dolo, culpa ou mesmo preterdoloso) e o modo de execução do delito (comissivo ou omissivo). 5.3.2.1. DO CRIME DOLOSO Diz-se o crime doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo (art. 18, I, do CP). São elementos do dolo, portanto, a consciência (elemento intelectivo – é a consciência da conduta e do resultado) e a vontade (elemento volitivo – é a vontade de praticar a conduta descrita na norma). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 42 de 508 gran.com.br As teorias do dolo são as seguintes: TEORIAS DO DOLO TEORIA DA VONTADE Dolo é a vontade consciente de querer praticar a infração penal. É a teoria adotada para o dolo direto (“quis o resultado” – art. 18, I, do CP). TEORIA DA REPRESENTAÇÃO A configuração do dolo exige apenas a previsão do resultado, pouco importando se o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Essa teoria é afastada, pois confunde o dolo com a culpa consciente. TEORIA DO CONSENTIMENTO (OU ASSENTIMENTO) Fala-se em dolo sempre que o agente tem a previsão do resultado como possível e, ainda assim, decide prosseguir com a conduta, assumindo o risco de produzir o evento. É a teoria adotada para o dolo eventual (“assumiu o riscode produzi-lo” – art. 18, I, do CP). Abaixo estão elencadas as principais espécies de dolo: DOLO NORMATIVO OU HÍBRIDO DOLO NATURAL OU NEUTRO É o dolo do sistema clássico e neokantista que aloja em seu interior a consciência, a vontade e a consciência atual da ilicitude. Também chamado de dolo colorido ou valorado. É o dolo do sistema finalista que aloja em seu interior apenas a consciência e a vontade. Também chamado de dolo incolor ou avalorado. DOLO DIRETO DOLO INDIRETO É aquele em que o agente prevê um resultado certo e específico, dirigindo sua conduta para a produção deste. É aquele em que o agente não busca um resultado certo e específico. Divide-se em: ALTERNATIVO EVENTUAL O agente prevê vários resultados e dirige sua conduta para perfazer qualquer um deles. O agente prevê determinado resultado e, mesmo não o querendo, assume o risco de produzi-lo. DOLO CUMULATIVO DOLO GERAL (ERRO SUCESSIVO) É aquele em que o agente pretende, inicialmente, alcançar apenas um resultado, e, ao realizá-lo, passa a agir para provocar outro. Caso de progressão criminosa. É aquele em que o agente, achando já ter alcançado o resultado pretendido, pratica nova ação que efetivamente o provoca. Caso de aberratio causae ou erro sobre a relação de causalidade. DOLO GLOBAL OU UNITÁRIO DOLO ABANDONADO É aquele em que o agente atua num plano previamente elaborado que envolve toda a cadeia de crimes. Caso de continuidade delitiva. É aquele em que o agente desiste de prosseguir na execução de determinada conduta delituosa ou atua para impedir que o resultado se concretize. Caso de desistência voluntária e arrependimento eficaz. DOLO DE PROPÓSITO OU REFLETIDO DOLO DE ÍMPETO OU REPENTINO É aquele em que o agente reflete sobre a prática criminosa. Caso de crimes premeditados. É aquele em que o agente age repentinamente, sem intervalo entre a fase de cogitação e execução do crime. Pode corresponder a uma privilegiadora (art. 121, § 1º, CP) ou atenuante (art. 65, III, “c”, CP). DOLO DE 1º GRAU DOLO DE 2º GRAU DOLO DE 3º GRAU É aquele em que o agente, com consciência e vontade, persegue determinado resultado. É o dolo direto. É aquele em que o agente sabe que, para atingir resultado previamente pretendido, acabará atingindo outros resultados delimitados. É o dolo de consequências necessárias. É a consequência da consequência necessária. Causa debates na doutrina. Lembrar do exemplo da passageira gestante no avião em que se explode uma https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 43 de 508 gran.com.br bomba. O aborto seria o dolo de 3° grau. DOLO ANTECEDENTE, INICIAL OU PREORDENADO DOLO CONCOMITANTE OU ATUAL DOLO SUBSEQUENTE É aquele anterior a conduta e que, por ser mera cogitação, não interessa ao Direito Penal. Por força da teoria da actio libera in causa, excepcionalmente, será considerado para a tipificação de determinadas condutas. É o dolo existente no momento da ação ou omissão, sendo o que interessa ao Direito Penal. É posterior ao crime, sendo indiferente a repressão penal. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor de Justiça Substituto) - Túlio, um conhecido chefe de organização criminosa, plantou uma bomba no automóvel que transportava o presidente da empresa Beta (alvo da ação delituosa) bem como um motorista e um segurança. Túlio detonou o artefato a distância, durante o deslocamento do veículo em via pública, o que resultou na morte de todos os seus ocupantes. Nessa situação hipotética, em relação à morte do segurança, Túlio agiu com dolo direto de segundo grau. ITEM CORRETO! (CESPE - 2018 - STJ - Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador Federal) - Em relação ao crime doloso, o Código Penal adota a teoria da vontade para o dolo direto e a teoria do assentimento para o dolo eventual. ITEM CORRETO! 5.3.2.2. CRIME CULPOSO Diz-se o crime culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia (art. 18, II, do CP). Os elementos do crime culposo são os seguintes: 1) Conduta humana voluntária; 2) Violação de um dever de cuidado objetivo; 3) Resultado naturalístico involuntário; 4) Nexo entre conduta e resultado; 5) Previsibilidade objetiva; 6) Tipicidade. Não confunda os conceitos a seguir: CONSCIÊNCIA VONTADE DOLO DIRETO Prevê Quer DOLO EVENTUAL Prevê Assume o risco (dane-se) CULPA CONSCIENTE Prevê Acredita poder evitar (danou- se) CULPA INCONSCIENTE Não prevê (com previsibilidade) Não quer/não aceita o resultado 5.3.2.3. CRIME PRETERDOLOSO Há uma figura criminosa híbrida que engloba o concurso de dolo e culpa no mesmo fato (ex.: lesão corporal seguida de morte). Da conduta dolosa, advém resultado culposo mais grave do que o projetado. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 44 de 508 gran.com.br Os elementos do crime preterdoloso são os seguintes: 1) Conduta dolosa visando determinado resultado; 2) Provocação de resultado culposo mais grave que o desejado; 3) Nexo causal entre conduta e resultado; 4) Tipicidade. 5.3.2.4. ERRO DE TIPO Erro de tipo é a falsa percepção da realidade acerca dos elementos constitutivos do tipo penal, dividindo-se em erro de tipo essencial e acidental. ERRO DE TIPO ESSENCIAL ACIDENTAL • Incide sobre os dados principais do tipo penal, ou seja, sobre as suas elementares ou circunstâncias; • Está previsto no art. 20, caput, CP; • A (in)evitabilidade do erro é auferida através da figura do “homem médio” – corrente tradicional; • Divide-se em: inevitável e evitável. • Incide sobre os dados secundários do tipo penal, ou seja, sobre os seus dados periféricos; • Alguns institutos estão previstos no CP, já outros são construções doutrinárias; • Divide-se em: erro sobre o objeto, sobre a pessoa, na execução, sobre o nexo causal e resultado diverso do pretendido. INEVITÁVEL EVITÁVEL ERRO SOBRE O OBJETO ERRO SOBRE A PESSOA • Também chamado de “justificável, escusável ou invencível”; • Exclui o dolo (não há consciência) e a culpa (não há previsibilidade). #BIZU: escusável = desculpável, logo seria inevitável. • Também chamado de “injustificável, inescusável ou vencível”; • Exclui o dolo (não há consciência), mas pune a culpa (se prevista como crime). #BIZU: inescusável = indesculpável, logo seria evitável. • Error in objecto; • Não tem previsão legal; • Não exclui o dolo e nem a culpa; • Considera-se o objeto material efetivamente atingido. • Error in persona; • Está previsto no art. 20 § 3º, CP; • Não exclui o dolo e nem a culpa; • Considera-se a vítima virtual e não a real – “Teoria da Equivalência”. ERRO NA EXECUÇÃO • Aberratio ictus; • Está previsto no art. 73, CP; • O agente não confunde a vítima que pretende atingir, mas erra na execução do crime; • 02 consequências: • Resultado único: considera-se as qualidades da vítima desejada; • Resultado duplo ou unidade complexa: será punido pelos dois crimes em concurso formal (idênticos ou não – será aplicada a pena mais grave; iguais – somente uma delas + 1/6 até 1/2) ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL • Aberratio cause; • Não tem previsão legal; • Pune-se o agente por um só crime (princípio unitário), sendo este o desejado desde o início. • Considera-se o nexo ocorrido e não o pretendido – “Teoria da Concretização”; • 02 espécies: • Sentido estrito: um ato → o resultado visado é provocado → o nexo de causalidade é outro; • Dolo geral ou Aberratio causae: pluralidade de atos → o resultado https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 45 de 508 gran.com.br visado é provocado → o nexo de causalidade é outro. RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO • Aberratio criminis ou aberratio delicti; • Está previsto no art. 74, CP; • A lesão é provocada em um bem jurídico diverso (coisax pessoa); • Pune-se o agente pelo resultado diverso do pretendido, mas a título de culpa – se houver previsão legal. Vale destacar que o STJ já decidiu que o erro de tipo é matéria de direito penal, sem previsão do Código de Processo Penal e, portanto, sem interferência na competência para processo e julgamento. Desse modo, a competência é determinada pela vítima efetiva (real) e não pela vítima pretendida • Suposto erro sobre a pessoa ou mesmo erro na execução do delito não têm o condão de alterar a competência para a prestação jurisdicional. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 560.391/DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 4/08/2020. 5.3.2.5. CRIME COMISSIVO E OMISSIVO O crime comissivo é a realização (ação) de uma conduta desvaliosa proibida pelo tipo penal incriminador; viola-se um tipo proibitivo. Já o crime omissivo é a não realização (não fazer) de determinada conduta valiosa (comportamento ideal) a que o agente estava juridicamente obrigado e que lhe era possível concretizar; viola-se um tipo mandamental. Neste tópico, é imprescindível que você saiba diferenciar os crimes omissivos próprios dos impróprios. OMISSIVOS PRÓPRIOS OMISSIVOS IMPRÓPRIOS (COMISSIVOS POR OMISSÃO) TIPO PENAL Descreve uma conduta omissiva Descreve uma conduta comissiva QUEM PRATICA Há um dever genérico de agir, que atinge a todos indistintamente Há um dever específico de agir, que atinge o garantidor, sendo este quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. TENTATIVA Não admite Admite ELEMENTO SUBJETIVO Dolosos Dolosos e culposos CLASSIFICAÇÃO De mera conduta Materiais, exigindo-se resultado naturalístico https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 46 de 508 gran.com.br • A irmã de vítima do crime de estupro de vulnerável responde por conduta omissiva imprópria se assume o papel de garantidora. STJ. 5ª Turma. HC 603195-PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/10/2020 (Info 681) (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia) - Lucas, com 15 anos de idade, conheceu Lívia, com 13 anos de idade, na escola onde estudavam. Com o tempo, ambos se apaixonaram e começaram a namorar. Após terem a primeira relação sexual, Lívia comunicou o fato aos seus pais, os quais, por gostarem de Lucas, convidaram-no a morar junto com Lívia, na casa da família. Lucas, ainda com 15 anos de idade, aceitou prontamente o convite e imediatamente passou a conviver com Lívia, que ainda tinha 13 anos de idade, como marido e mulher, na casa dos pais dela, mantendo, continuamente, relação sexual consentida por Lívia e com a ciência dos pais desta. Considerando essa situação hipotética e o conceito tripartite de crime, assinale a opção correta. Apenas os pais de Lívia responderão por crime de estupro de vulnerável, na forma da omissão imprópria, por serem autores mediatos do delito. ITEM CORRETO! 5.3.3. NEXO CAUSAL O nexo causal é o vínculo entre a conduta praticada por um sujeito e o resultado dessa conduta. Com o intuito de se imputar a devida responsabilidade criminosa, ele passou por diferentes teorias para organizar e definir como deveriam ser avaliadas as condutas dos agentes envolvidos em um resultado específico. O art. 13, caput, do CP, adota a teoria da equivalência dos antecedentes causais (da equivalência das condições, da condição simples, da condição generalizadora ou da conditio sine qua non), que preconiza que é causa todo fato sem o qual não teria ocorrido o resultado. Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Tendo em vista que ao anteceder um resultado temos inúmeros fatos, para delimitar quais são considerados causa, soma-se à teoria da conditio sine qua non a teoria da eliminação hipotética dos antecedentes causais, de Thyrén. Para esta teoria, causa é todo fato que, suprimido mentalmente, faria com que o resultado não ocorresse. A junção de ambas as teorias resulta na chamada causalidade objetiva ou efetiva do resultado, sendo esta alvo de críticas e objeções. Isto acontece, pois a causalidade objetiva trata de mera relação de causa e efeito, que leva ao regresso ao infinito. Acontece que, para que o regresso ao infinito seja evitado, é necessário que o aplicador também analise a causalidade subjetiva (psíquica), indagando-se se o agente agiu com dolo ou culpa. Portanto, a causalidade objetiva não é suficiente para se chega à imputação da conduta delituosa. Esse assunto ganha mais destaque quando tratamos das concausas: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 47 de 508 gran.com.br CONCAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES • A causa que produz o resultado não se origina da conduta concorrente do agente. • Adotam a “Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais ou Conditio Sine Qua Non”. • As concausas rompem o nexo causal. • O agente só responde pelos atos praticados. • Dividem-se em: PREEXISTENTES • A causa efetiva antecede o comportamento concorrente. • Exemplo: “A" envenena "B", que uma hora depois leva um tiro de “C”. “B” é socorrido, mas morre em razão do envenenamento. “A” responde pelo homicídio consumado e “C” pela tentativa de homicídio. CONCOMITANTES • A causa efetiva é simultânea ao comportamento concorrente. • Exemplo: “A" envenena "B", que na mesma hora leva um tiro de “C”, vindo a morrer. “A” responde pela tentativa de homicídio e “C” homicídio consumado. SUPERVENIENTES • A causa efetiva é posterior ao comportamento concorrente. • Exemplo: “A" envenena "B", que logo após ingerir o veneno e antes dele fazer efeito, vem a sofrer traumatismo craniano em detrimento de um lustre que caiu em cima da sua cabeça, vindo a morrer. “A” responde pela tentativa de homicídio. Perceba que, em todos os exemplos acima, a morte de “B” ocorreria independentemente da conduta de “A” e “C”. CONCAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES • A causa que produz o resultado se origina, ainda que indiretamente, da conduta concorrente do agente. • Em regra, adotam a “Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais ou Conditio Sine Qua Non”, as concausas não rompem o nexo causal e o agente responde pelo resultado consumado. • Excepcionalmente, no caso das “concausas supervenientes relativamente independentes que por si só produzem o resultado”, adota-se a “Teoria da Causalidade Adequada”, as concausas rompem o nexo causal e o agente responde pelos atos praticados. • Dividem-se em: PREEXISTENTES • A causa efetiva antecede o comportamento concorrente. • Exemplo: “A”, com ânimo homicida, dá um golpe de faca em “B”. O ferimento, isoladamente, não mataria “B”. Entretanto, ele era portador de hemofilia e, devido a dificuldade de estancar o sangue dos seus ferimentos, “B” acaba morrendo. “A” responde por homicídio consumado. CONCOMITANTES • A causa efetiva é simultânea ao comportamento concorrente. • Exemplo: “A”, com ânimo homicida, dispara contra “B”, mas não o atinge. Entretanto, devido o susto, “B” tem um ataque cardíaco e morre. “A” responde por homicídio consumado. SUPERVENIENTES • A causa efetiva é posterior ao comportamento concorrente. • Dividem-se em: QUE POR SI SÓ NÃO PRODUZ O RESULTADO • A causa efetiva está na mesma linha de desdobramento da causa concorrente - o evento é previsível, mesmo que não previsto. • Exemplo: “A”, com ânimo homicida, dispara contra “B”, atingindo-o. No hospital, “B” morre em decorrência de erro médico. “A” responde por homicídio consumado. QUE POR SI SÓ PRODUZ O RESULTADO • A causa efetiva é imprevisível, não estando na mesma linha de desdobramento da causa concorrente. • Exemplo: “A”, com ânimo homicida, dispara contra“B”, atingindo-o. Durante o trajeto para o hospital, “B” morre em decorrência de acidente de trânsito que atinge a ambulância que o transportava. “A” responde pela tentativa de homicídio. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 48 de 508 gran.com.br Perceba que, em todos os exemplos acima (com exceção da concausa relativamente independente superveniente que por si só produz o resultado), a morte de “B” não ocorreria se fossem eliminadas as condutas de “A”. O art. 13, § 1º, do CP, adota a teoria da causalidade adequada (ou teoria da condição qualificada ou individualizadora), idealizada por Von Kries. Para ela, causa é a conduta adequada à produção do resultado. Ou seja, não basta a indispensabilidade do comportamento do agente para o desdobramento do crime (como na conditio sine qua non), ele precisa ser adequado. Aplica-se um juízo de probabilidade. Art. 13, § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. • A existência de doença cardíaca de que padecia a vítima configura-se como concausa preexistente relativamente independente, não sendo possível afastar o resultado mais grave (morte) e, por consequência, a imputação de latrocínio. STJ. 6ª Turma. HC 704.718- SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/5/2023 (Info 777). a) Teoria da Imputação Objetiva A teoria da imputação objetiva, criada por Karl Larenz, em 1927, e desenvolvida por Claus Roxin, em 1970, propõe evitar o regresso ao infinito gerado pela teoria da equivalência dos antecedentes causais e aprimorar a teoria da causalidade adequada. Ressalta-se que esta teoria trata de uma análise do nexo causal, sem que seja necessário fazer a análise do dolo ou culpa, e nada tem a ver com a responsabilidade penal objetiva. Para tanto, a imputação objetiva determina que seja considerado, no momento de atribuição do resultado, além do nexo físico (causa-efeito), o nexo normativo. Assim, dentro da imputação objetiva, só haverá relação e causalidade, se presentes: • A criação ou aumento de um risco: Não haverá nexo causal quando: 1) o risco criado é juridicamente irrelevante; 2) quando há a diminuição do risco. • Risco proibido pelo direito: Não haverá nexo causal quando: 1) O risco for permitido; 2) Houver a adequação social da conduta; 3) Criação do risco pela própria vítima; 4) Proibição de regresso – ação não dolosa anterior a uma ação dolosa. • O risco deve ser realizado no resultado: Não haverá nexo causal quando: 1) O resultado decorrer de danos tardios; 2) Danos resultantes de choque; 3) Ações perigosas de salvamento; 4) Comportamento indevido posterior de terceiro; 5) Inevitabilidade do resultado, ainda que o agente tenha criado um risco proibido. • Âmbito de proteção da norma: Não haverá nexo causal quando: 1) O terceiro contribui para uma autocolocação em perigo – refere-se ao princípio da autorresponsabilidade e autonomia de pessoas capazes e com discernimento; 2) Houver uma heterocolocação em perigo – refere-se à pessoa que permite que outros a coloquem em risco, com consciência do risco. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 49 de 508 gran.com.br AUTOCOLOCAÇÃO EM PERIGO HETEROCOLOCAÇÃO EM PERIGO É a situação em que a própria vítima, de forma consciente e voluntária, se coloca em perigo, embora tenha havido a colaboração do agente criador de um risco proibido que se realizou no resultado. Ex.: A entrega a B heroína, para consumo, estando ambos conscientes do perigo existente, B injeta a substância e falece. É a situação em que o sujeito não se coloca dolosamente em perigo, mas se deixa colocar em perigo por outrem, tendo consciência do risco. Ex.: o passageiro, que deseja chegar a tempo em um compromisso, ordena ao condutor que ultrapasse a velocidade máxima permitida. Em virtude da velocidade elevada, acontece um acidente, no qual o passageiro vem a falecer. A análise do nexo normativo antecede a análise de dolo ou culpa, verificando se o resultado previsto na parte objetiva do tipo pode ou não ser atribuído ao agente. Portanto, enquanto para a teoria da equivalência dos antecedentes causais, a mãe do homicida seria causa, pois sem ela o homicida não teria sido gerado, somente não respondendo pelo resultado pela ausência de dolo e culpa, para a teoria da imputação objetiva, apesar de existir nexo físico, a conduta da mãe não tem nexo normativo, ou seja, sequer é causa, dispensando-se a análise do dolo e da culpa. Desse modo, para haver a responsabilização penal na teoria da imputação objetiva, devem ser examinadas três etapas: equivalência dos antecedentes → imputação objetiva → dolo ou culpa. b) Causalidade nos crimes omissivos Não se fala em nexo causalidade em crime omissivos, mas somente em crimes comissivos dos quais resultem modificação no mundo exterior, já que o que determina a ligação entre a conduta omissiva do agente e o resultado lesivo é o nexo normativo (estabelecido pela lei). De toda forma, a causalidade (também normativa) nos crimes omissivos impróprios possui outro viés. Por mais que estejamos diante de um crime de resultado material que, consequentemente, exige um nexo entre a ação omitida e o resultado, este nexo não é naturalístico (a omissão não causou o resultado). Na visão da doutrina, o que existe na omissão imprópria é o chamado nexo de evitação, pois o agente, ao se abster de agir quando deveria e poderia fazê-lo, permite a ocorrência do resultado, por mais que não o tenha causado diretamente. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-SC - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Remoção) - A teoria da imputação objetiva surgiu com a finalidade de substituir a teoria da equivalência dos antecedentes causais. ITEM INCORRETO, pois a teoria da imputação objetiva não foi desenvolvida para substituir a teoria da equivalência dos antecedentes causais, mas sim para restringir o seu alcance! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-SC - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Remoção) - Conforme a teoria da imputação objetiva, afasta-se a tipicidade objetiva da conduta nos casos em que a vítima coloca si mesma em risco. ITEM CORRETO! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 50 de 508 gran.com.br (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) - A superveniência de causa relativamente independente da conduta do agente excluirá a imputação do resultado nos casos em que, por si só, ela tiver produzido o resultado. ITEM CORRETO! (CESPE - 2019 - TJ-DFT - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção) - A teoria da imputação objetiva prevê que não haverá nexo de causalidade se o agente atuar dentro do risco permitido, mesmo que a sua conduta gere resultado previsto em lei como crime. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2016 - TCE-PR - Analista de Controle – Jurídica) - As causas concomitantes absolutamente independentes não possuem relação de causalidade com a conduta do sujeito e excluem o nexo causal. ITEM CORRETO! (CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) - Para os crimes omissivos impróprios, o estudo do nexo causal é relevante, porquanto o CP adotou a teoria naturalística da omissão, ao equiparar a inação do agente garantidor a uma ação. ITEM INCORRETO, pois a teoria da omissão adotada pelo CP foi a normativa e não a naturalística! (CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) - Segundo a teoria da imputação objetiva, cuja finalidade é limitar a responsabilidade penal, o resultado não pode ser atribuído à conduta do agente quando o seu agir decorre da prática de um risco permitido ou de uma conduta que diminua o risco proibido. ITEM CORRETO! 5.3.4. TIPICIDADE Para a doutrina moderna, a tipicidade penal engloba a tipicidade formal e material: a) Tipicidade Conglobante Desenvolvida por Eugenio Raúl Zaffaroni,a teoria da tipicidade conglobante tem como finalidade harmonizar os diversos ramos do Direito, partindo-se da premissa de unidade do ordenamento jurídico. Assim, é importante analisar não apenas se a conduta é contrária à norma (tipicidade formal) e se há efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico penalmente tutelado (tipicidade material), mas também se a conduta viola todo o sistema normativo (antinormatividade). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 51 de 508 gran.com.br A consequência dessa teoria é a transferência do estrito cumprimento de um dever legal e do exercício regular de direito da ilicitude para a tipicidade, pois são figuras incentivadas pelo direito, inexistindo contrariedade à ordem normativa. Desse modo, há um esvaziamento do elemento ilicitude, que passa a constar apenas a legítima defesa e o estado de necessidade. (CESPE / CEBRASPE - 2022 - DPE-DF - Analista de Apoio à Assistência Judiciária - Direito) - Pela teoria da tipicidade conglobante, a existência de estado de necessidade putativo afasta a tipicidade da conduta. ITEM INCORRETO, pois para teoria da tipicidade conglobante, o exercício regular do direito e o estrito cumprimento do dever legal deixam de ser excludentes de ilicitude e passam a ser excludentes de tipicidade. Já a legítima defesa e o estado de necessidade continuam funcionando como excludentes de ilicitude. (CESPE - 2009 - DPE-AL - Defensor Público) - Segundo a teoria da tipicidade conglobante, o ordenamento jurídico deve ser considerado como um bloco monolítico, de forma que, quando algum ramo do direito permitir a prática de uma conduta formalmente típica, o fato será considerado atípico. ITEM CORRETO! 5.4. ILICITUDE É o segundo substrato do conceito analítico de crime. Conceitua-se como a conduta típica não justificada, espelhando a relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico como um todo. 5.4.1. RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE a) Teoria da autonomia ou absoluta independência Defendida por Ernst Ludwig von Beling, para esta teoria a tipicidade não tem qualquer relação com a ilicitude, tratando-se de substratos independentes na análise do conceito analítico de crime. Portanto, quando excluída a antijuridicidade, o fato continua típico. Há uma independência absoluta entre os dois substratos do crime. b) Teoria da indiciariedade ou “ratio cognoscendi” Defendida por Mayer, para esta teoria a existência do fato típico gera uma presunção (relativa) que o fato também é ilícito. Portanto, mesmo o fato típico despertando indícios de ilicitude, quando excluída a antijuridicidade, o fato continua típico. Há uma dependência relativa entre os dois substratos do crime. É a adotada no Brasil! c) Teoria da absoluta dependência ou “ratio essendi” Defendida por Mezger, para esta teoria a ilicitude é a essência da tipicidade, criando-se o conceito de “tipo total do injusto”. Portanto, quando excluída a ilicitude, o fato típico também é excluído. Há uma dependência absoluta entre os dois substratos do crime. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 52 de 508 gran.com.br d) Teoria dos elementos negativos do tipo Defendida por Merkel, para esta teoria o tipo penal é composto de elementos positivos (expressos) e negativos (implícitos), sendo estes as causas excludentes de ilicitude. Portanto, para que o fato seja típico, os elementos negativos (excludentes de ilicitude) não podem existir. Há uma dependência absoluta entre os dois substratos do crime. 5.4.2. CAUSAS EXCLUDENTES DA ILICITUDE Tendo em vista que a presunção de ilicitude é relativa, ela não possui elementos, mas apenas excludentes. Elas estão previstas no art. 23 do CP: Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade; II - em legítima defesa; III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. a) Estado de necessidade O estado de necessidade está previsto no art. 24 do CP: Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. Obs.: perceba que o perigo no “estado de necessidade”, ao contrário da “legítima defesa”, é apenas atual, não abarcando o iminente. Isso costuma ser pegadinha de prova! Cuidado! Portanto, os requisitos do estado de necessidade são os seguintes: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 53 de 508 gran.com.br ESTADO DE NECESSIDADE PRÓPRIO ESTADO DE NECESSIDADE DE TERCEIRO Busca salvar direito próprio Busca salvar direito alheio ESTADO DE NECESSIDADE DEFENSIVO ESTADO DE NECESSIDADE AGRESSIVO Quando bem jurídico sacrificado é do próprio causador do perigo Quando o bem jurídico sacrificado é de terceiro inocente (que não criou ou participou da situação de perigo) Duas teorias discutem a análise da ponderação de bens, sendo estas: TEORIA UNITÁRIA TEORIA DIFERENCIADORA • O bem jurídico sacrificado tem valor menor ou igual ao salvaguardado: haverá estado de necessidade justificante (excludente de ilicitude); • O bem jurídico sacrificado tem valor maior que o bem protegido: haverá redução de pena (art. 24, § 2º, CP). É a adotada no CP! • O bem jurídico sacrificado tem valor menor ou igual ao salvaguardado: haverá estado de necessidade justificante (excludente de ilicitude); • O bem sacrificado tem valor maior que o bem protegido: haverá estado de necessidade exculpante (excludente da culpabilidade pela inexigibilidade de conduta diversa) b) Legítima defesa A legítima defesa está prevista no art. 25 do CP: Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. Portanto, os requisitos da legítima defesa são os seguintes: A agressão injusta pressupõe conduta (ação ou omissão) humana que lesa ou coloca em perigo os bens jurídicos de alguém. Logo, só é possível a legítima defesa contra o ataque de um ser humano. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 54 de 508 gran.com.br Devemos destacar um exemplo muito utilizado pela doutrina acerca do ataque de animal. Nada impede que a legítima defesa ocorra quando o ser humano se utiliza do animal como instrumento do crime. Entretanto, situação distinta é empregada quando o ataque do animal é feito por conta própria, aí sim, havendo o estado de necessidade. CONFLITOS ENTRE OS INSTITUTOS LEGÍTIMA DEFESA REAL X LEGÍTIMA DEFESA REAL • Chamada de “legítima defesa recíproca”; • Não é admitida. LEGÍTIMA DEFESA REAL X LEGÍTIMA DEFESA EXCESSIVA • Chamada de “legítima defesa sucessiva”; • É admitida. LEGÍTIMA DEFESA REAL X LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA • É admitida. LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA X LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA • Chamada de “legítima defesa putativa recíproca”; • É admitida. LEGÍTIMA DEFESA REAL X ERRO NA EXECUÇÃO • É admitida. LEGÍTIMA DEFESA REAL X ESTADO DE NECESSIDADE • Não é admitida. ESTADO DE NECESSIDADE REAL X ESTADO DE NECESSIDADE REAL • Chamado de “estado de necessidade recíproco”; • É admitido. • A tese da legítima defesa da honra é inconstitucional,por contrariar os princípios da dignidade da pessoa humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero. STF. Plenário. ADPF 779 MC-Ref/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/3/2021 (Info 1009). c) Estrito cumprimento de um dever legal e exercício regular de direito ESTRITO CUMPRIMENTO DE UM DEVER LEGAL EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO CONCEITO São as condutas do agente público, que no desempenho de suas funções, não raras vezes é obrigado, por lei (em sentido amplo), a violar um bem jurídico. Portanto, tal excludente de ilicitude se baseia no fato de que um dever legal não pode, ao mesmo tempo, ser proibido. São condutas do cidadão comum autorizadas pela existência de direito definido em lei. Portanto, tal excludente de ilicitude se baseia no fato de que o que é permitido não pode, ao mesmo tempo, ser proibido. ORIGEM Da norma jurídica em sentido amplo em sentido lato Na lei, direta ou indiretamente AGIR É um dever É uma faculdade EXCESSO É punível É punível https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 55 de 508 gran.com.br • Ofendículos Há uma discussão doutrinária acerca da natureza dos ofendículos (representam o aparato preordenado para defesa do patrimônio), sendo a posição da doutrina majoritária a seguinte: enquanto o aparato não é acionado, é “exercício regular de direito”, mas quando é acionado, repelindo a agressão, é “legítima defesa”. d) Consentimento do ofendido O consentimento do ofendido pode afastar a tipicidade ou a ilicitude. Deve-se observar o seguinte: • Quando elementar do crime: exclui a tipicidade (ex.: violação de domicílio); • Quando não elementar do crime: causa supralegal de exclusão da ilicitude (ex.: tatuagem). 5.4.3. DESCRIMINANTES PUTATIVAS As descriminantes putativas constituem um erro quanto às causas de justificação. O agente age supondo a existência de uma situação de fato que, caso existisse concretamente, tornaria a sua conduta lícita. Da “Teoria Normativa Pura” decorrem as “Teorias Extremada e Limitada da Culpabilidade”, que divergem no tocante à natureza jurídica das descriminantes putativas sobre a situação fática. TEORIAS – DESCRIMINANTES PUTATIVAS TEORIA LIMITADA DA CULPABILIDADE • É a adotada; • Os erros são tratados da seguinte forma: ERRO DE TIPO PERMISSIVO • O erro incide na situação fática: • Se inevitável: exclui o dolo e a culpa; • Se evitável: exclui o dolo, mas é punida a título de culpa, se prevista. OBS.: a “culpa imprópria” também conhecida como “culpa por assimilação, equiparação ou extensão”, consiste naquela em que o agente, por erro evitável/inescusável, supõe situação fática que, se efetivamente existente, excluiria a ilicitude do seu comportamento (descriminante putativa). Neste cenário, o agente provoca intencionalmente determinado resultado típico, mas responde por culpa por razões de política criminal. ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO • O erro incide na existência ou nos limites da justificante. • Se inevitável: isenta de pena; • Se evitável: diminui 1/6 a 1/3. TEORIA EXTREMADA DA CULPABILIDADE • Não é adotada; • Todos os erros são tratados da mesma forma: ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO • O erro incide na situação fática, na existência ou nos limites da justificante: • Se inevitável: isenta de pena; • Se evitável: diminui 1/6 a 1/3. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 56 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TCE-MS - Procurador de Contas Substituto do Ministério Público de Contas) João, valendo-se de uma faca do tipo peixeira, agrediu fisicamente Carlos, que reagiu imediatamente e acabou matando João. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Carlos, pela prática do crime de homicídio. Estará caracterizada a legítima defesa caso Carlos demonstre que repeliu a agressão inicial, desde que injusta, valendo-se moderadamente dos meios necessários. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-SE - Procurador do Estado) - O policial Ermano e sua filha de dois anos caminhavam em uma rua quando se depararam com um cão Rottweiler que era guiado por seu tutor, Ronaldo. O cão atacou Ermano e a filha, ainda que Ronaldo tentasse controlar o animal. Ermano, que portava uma arma de fogo, disparou-a para proteger a filha e, embora o alvo fosse o cão, o projétil ricocheteou e atingiu Ronaldo, que faleceu em decorrência do ferimento, tendo ficado constatado que Ermano não tinha outra alternativa para evitar o ataque do cão contra sua filha. Nessa situação hipotética, Ermano agiu em estado de necessidade e não deve responder, na esfera penal, pela morte de Ronaldo. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - fase matutina) - O CP adota a teoria limitada da culpabilidade, a qual distingue entre o erro incidente sobre os pressupostos fáticos de uma causa de justificação do erro incidente sobre os limites da norma permissiva. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade: Direito) - Admite-se a excludente de antijuridicidade do estrito cumprimento de dever legal nos crimes culposos. ITEM INCORRETO, pois os crimes culposos são compostos de negligência, imprudência ou imperícia. Como a lei não obriga que ninguém seja negligente, imprudente ou imperito, logo fica afastada essa causa excludente da ilicitude! (CESPE - 2009 - DPE-AL - Defensor Público) - Para a teoria limitada da culpabilidade, adotada pelo CP brasileiro, toda espécie de descriminante putativa, seja sobre os limites autorizadores da norma, seja incidente sobre situação fática pressuposto de uma causa de justificação, é sempre considerada erro de proibição. ITEM INCORRETO, pois para a teoria limitada da culpabilidade o erro sobre a situação fática configura erro de tipo permissivo, enquanto o erro sobre a existência e os limites da justificante configuram erro de proibição indireto! 5.5. CULPABILIDADE É o terceiro substrato do conceito analítico de crime, que é conceituado como o juízo de reprovação sobre a conduta típica e ilícita realizada pelo agente. 5.5.1. TEORIAS DA CULPABILIDADE a) Teoria psicológica da culpabilidade Baseada nas premissas causalistas, a culpabilidade consiste na relação psíquica entre o autor e o resultado, na forma de dolo e culpa. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 57 de 508 gran.com.br b) Teoria psicológica normativa da culpabilidade Baseada nas premissas neokantistas, o dolo e a culpa continuam alocados na culpabilidade, porém eles deixam de ser suas espécies e se transformam nos seus elementos, juntamente com a imputabilidade e a exigibilidade de conduta diversa. A consciência atual da ilicitude passou a integrar o dolo (dolo normativo), deixando a culpabilidade de ser puro vínculo psíquico entre o agente e o fato. c) Teoria pura da culpabilidade Baseada nas premissas finalistas, o dolo e a culpa deixam a culpabilidade e passam a ser alocados no fato típico, despindo-se o dolo da consciência atual da ilicitude e passando a ser natural (consciência + vontade). A culpabilidade passou a ter os seguintes elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. Portanto, a culpabilidade passou a conter apenas elementos normativos. Ressalta-se que a teoria pura da culpabilidade se divide em teoria extremada e limitada, diferenciando-se acerca da natureza jurídica das descriminantes putativas. Essas teorias já foram estudadas no tópico 5.4.3. do nosso material e, portanto, não serão repetidas aqui. d) Teoria da coculpabilidade Por coculpabilidade entende-se a corresponsabilidade (social) do Estado pelas condutas criminosas praticadas por cidadãos em situação de desigualdade social. De acordo com Zaffaroni, a teoria defende que o Estado deve ser corresponsável pelo delito, pois não ofereceu condiçõesde aprimoramento cultural e econômico ao agente, que se restou marginalizado, uma vez que a sociedade, muitas vezes, é desorganizada, discriminatória e excludente. Não há exclusão da culpabilidade, porém há uma divergência nos Tribunais Superiores se essas circunstâncias podem, ao menos, ser observadas na dosimetria da pena como atenuante genérica. • É possível a aplicação da teoria da coculpabilidade no ordenamento penal brasileiro? Há uma divergência no STJ: 1ª Corrente: NÃO. A deficiência do Estado quanto ao atendimento satisfatório das necessidades fundamentais do indivíduo não autoriza sua corresponsabilização pela prática delitiva do agente. STJ. 6ª Turma. HC 187132, Rel. Min. Maria Thereza Assis Moura, julgado em 05/02/2013. A teoria da coculpabilidade não pode ser erigida à condição de verdadeiro prêmio para agentes que não assumem a sua responsabilidade social e fazem da criminalidade um meio de vida. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp n. 1.770.619/PE, Rel. Min.Laurita Vaz, julgado em 06/06/2019. 2ª Corrente: SIM. A atenuante genérica prevista no art. 66 do Código Penal pode se valer da teoria da coculpabilidade como embasamento, pois trata-se de previsão genérica, que permite ao magistrado considerar qualquer fato relevante - anterior ou posterior à prática da conduta delitiva - mesmo que não expressamente previsto em lei, para reduzir https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 58 de 508 gran.com.br a sanção imposta ao réu. A tese da coculpabilidade, no entanto, depende da verificação, no caso concreto, de elementos que demonstrem que o Estado tenha deixado de prestar a devida assistência ao acusado. STJ. 5ª Turma. HC n. 411.243/PE, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado 07/12/2017. STJ. 5ª Turma. HC n. 509.589/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/2/2020. Ainda devemos destacar a “coculpabilidade às avessas”, que, como o próprio nome sugere, demonstra a complacência do Estado no que concerne aos crimes praticados pela classe econômica mais abastada da nossa sociedade. Ela se manifesta sob dois enfoques: 1) abrandamento das sanções de delitos praticados por pessoas com alto poder econômico e social, como ocorre nos crimes de colarinho branco (ex.: o pagamento da dívida nos crimes contra a ordem tributária acarreta a extinção da punibilidade); 2) tipificação de condutas que só podem ser praticadas por pessoas marginalizadas, como ocorre nas contravenções penais de vadiagem e a revogada mendicância. (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - Todo indivíduo age numa circunstância determinada e com um âmbito de autodeterminação também determinado. A sociedade nunca tem a possibilidade de brindar a todos os homens com as mesmas oportunidades. Em consequência, há sujeitos que têm um menor âmbito de autodeterminação, condicionado desta maneira por causas sociais. Assim, ao considerar que essas pessoas que têm um menor âmbito de autodeterminação tendem ao crime por carências sociais; a reprovação pela prática da infração penal deve ser dirigida conjuntamente ao Estado e ao agente, se verificada, no caso concreto, tal desigualdade de oportunidade de vida. O texto precedente apresenta a ideia central da teoria denominada coculpabilidade. ITEM CORRETO! (CESPE - 2019 - TJ-PR - Juiz Substituto) - Para Welzel, a culpabilidade é a reprovabilidade de decisão da vontade, sendo uma qualidade valorativa negativa da vontade de ação, e não a vontade em si mesma. O autor aponta a incorreção de doutrinas segundo as quais a culpabilidade tem caráter subjetivo, porquanto um estado anímico pode ser portador de uma culpabilidade maior ou menor, mas não pode ser uma culpabilidade maior ou menor. Essa definição de culpabilidade está relacionada à teoria normativa pura, ou finalista. ITEM CORRETO! (CESPE - 2012 - TJ-AC - Juiz Substituto) - A coculpabilidade, expressamente admitida na lei penal como uma das hipóteses de aplicação da atenuante genérica, consiste em reconhecer que o Estado também é responsável pelo cometimento de determinados delitos quando o agente possui menor autodeterminação diante das circunstâncias do caso concreto, especificamente no que se refere às condições sociais e econômicas. ITEM INCORRETO, pois a coculpabilidade não é expressamente admitida na lei penal. Trata-se de construção doutrinária e jurisprudencial! 5.5.2. ELEMENTOS DA CULPABILIDADE Os elementos da culpabilidade são: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 59 de 508 gran.com.br 5.5.3. IMPUTABILIDADE A imputabilidade consiste na capacidade de imputação, devendo estar presente o elemento intelectivo (consciência do caráter ilícito do fato) e o volitivo (domínio da vontade). Por mais que o CP não defina o que é imputabilidade, ele trouxe as causas de inimputabilidade, sendo estas: 1) anomalia psíquica (art. 26 do CP); 2) menoridade (art. 27 do CP); e 3) embriaguez completa acidental (art. 28, § 1º, do CP). Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (...) Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. (...) Art. 28, § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Para que elas sejam definidas não foi adotado apenas um critério, o qual alterna a depender da causa de inimputabilidade aplicada: a) Anomalia psíquica Como visto, essa hipótese de inimputabilidade está prevista no art. 26, caput, do CP, e adota o critério biopsicológico. Para que a culpabilidade seja excluída, a incapacidade do agente deve ser absoluta, tornando-o inteiramente incapaz de entender a ilicitude de seus atos. Entretanto, de acordo com o art. 26, parágrafo único, do CP, se a condição o afeta apenas parcialmente, isto não basta para excluir sua imputabilidade, podendo servir apenas como causa de diminuição de pena (1/3 a 2/3). b) Menoridade A segunda excludente de imputabilidade está prevista no art. 26 do CP e, ao contrário do critério regular de nosso Código Penal (biopsicológico), adota o critério https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 60 de 508 gran.com.br biológico, pois basta a comprovação da idade para que seja presumida sua inimputabilidade. c) Embriaguez completa acidental A última excludente de imputabilidade está prevista no art. 28, § 1º, do CP, e adota o critério biopsicológico. Portanto, da mesma forma na anomalia psíquica, para que a culpabilidade seja excluída, a incapacidade do agente deve ser absoluta, tornando-o inteiramente incapaz de entender a ilicitude de seus atos. Entretanto, de acordo com o art. 28, § 2º do CP, se a condição o afeta apenas parcialmente, isto não basta para excluir sua imputabilidade, podendo servir apenas como causa de diminuição de pena (1/3 a 2/3). • Espécies de embriaguez: Existem outras espécies de embriaguez que podem aparecer na sua prova. Por isso, é imprescindível que você as conheça e saiba quais são as suas consequências jurídicas: EMBRIAGUEZ NÃO ACIDENTAL VOLUNTÁRIA • É aquela em que o agente ingere substância alcoólica com a intenção de embriagar-se. • Jamais exclui a imputabilidade. CULPOSA • É aquela em que o agente, por negligência ou imprudência, acaba por embriagar-se. • Jamais exclui a imputabilidade. Divide-se em: COMPLETA • Retira do agente, no momento da conduta, a capacidade de entendimentoe autodeterminação INCOMPLETA • Diminui a capacidade de entendimento e autodeterminação do agente ACIDENTAL (CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR) COMPLETA • É aquela em que o agente era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. • Exclui a imputabilidade. INCOMPLETA • É aquela em que o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. • Jamais exclui a imputabilidade, mas pode diminuir a pena de 1/3 a 2/3. PATOLÓGICA • É a embriaguez doentia, tratada como doença mental. • Pode excluir a imputabilidade ou servir como diminuição de pena; PREORDENADA • É aquela em que o agente ingere substância alcoólica com a finalidade de cometer uma conduta delituosa. • Jamais exclui a imputabilidade, tampouco reduz de pena. • Serve como agravante da pena (art. 61, II, “l”, do CP). Após a análise da tabelinha acima, questiona-se: por que o CP autoriza a punição da embriaguez voluntária ou preordenada, mesmo quando completa? A resposta está na teoria da actio libera in causa, que estabelece que o agente, conscientemente, colocou- https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 61 de 508 gran.com.br se em estado de inimputabilidade. Portanto, a constatação da imputabilidade é transferida para o momento do ato revestido de consciência. d) Emoção e paixão De acordo com o art. 28, I, do CP, a emoção e a paixão não excluem a imputabilidade. A emoção pode servir como atenuante ou causa de diminuição de pena, já a paixão pode ser tida como paixão patológica e se encaixar no art. 26, caput, do CP. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Especialidade: Oficial de Justiça Avaliador) - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa culposa, era, ao tempo da ação, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato. ITEM INCORRETO, pois a embriaguez culposa não exclui a imputabilidade! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Perito Criminal - Especialidade: Análise de Sistemas/Ciências da Computação/Informática/Tecnologia de Processamento de Dados/Sistemas de Informação/Engenharia da Computação/Engenharia de Software) - No Código Penal, adota-se o critério biopsicológico no tocante aos menores de 18 anos de idade. ITEM INCORRETO, pois o CP adota o critério biológico no tocante aos menores de 18 anos de idade! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Escrivão de Polícia) - João, com 20 anos de idade e imputável, ingeriu bebida alcoólica durante uma festa e, embora não tivesse a intenção de se embebedar ou de praticar crimes, ficou completamente embriagado e desferiu socos em um desafeto, causando-lhe lesões corporais gravíssimas. Na situação hipotética apresentada, a embriaguez foi completa e culposa, mas não exclui a imputabilidade penal. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - De acordo com o CP (Código Penal), a embriaguez completa e fortuita é causa de isenção de pena. ITEM CORRETO! 5.5.4. POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE É o segundo elemento da culpabilidade, uma vez que para que a conduta do autor seja considerada reprovável, é necessário que ele, ao menos, saiba da ilegalidade de seus atos, ou que tenha a possibilidade de conhecê-la. Nos termos do art. 21, caput, do CP, o desconhecimento da lei é inescusável, utilizando-se a doutrina da “valoração paralela na esfera do profano” como critério para aferir a possibilidade da compreensão da ilicitude da conduta por parte do sujeito ativo no caso concreto. Este critério nada mais é do que a utilização de elementos não jurídicos (paralelos), para avaliar se o agente (leigo/profano), no momento da conduta, tinha condições (potencial) de conhecer a sua ilicitude. Por fim, destaca-se que o erro de proibição escusável/inevitável é causa excludente da potencial consciência da ilicitude. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 62 de 508 gran.com.br a) Erro de proibição O erro de proibição divide-se em: ERRO DE PROIBIÇÃO ESCUSÁVEL/INEVITÁVEL ERRO DE PROIBIÇÃO INESCUSÁVEL/EVITÁVEL CONCEITO Quando o agente atua ou se omite sem ter a consciência da ilicitude do fato em situação na qual não é possível lhe exigir que tenha esta consciência. Quando o gente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. CONSEQUÊNCIA Exclui a culpabilidade Diminuição de pena (1/6 a 1/3) Há outras modalidades de erro que já foram objeto de questão do CEBRASPE e, por isso, iremos explicá-las: • Erro de proibição mandamental ou injuntivo: o agente não realiza uma conduta valiosa, contrariando uma determinação da lei; ocorre nos crimes omissivos, próprios ou impróprios; o equívoco, aqui, recai sobre uma norma mandamental. • Erro de proibição de validade: o agente crê que a norma a qual prevê o comportamento típico está amparada em lei que é nula ou inconstitucional. • Erro de proibição hermenêutico, de interpretação da norma ou de subsunção: o agente decifra de forma equivocada o sentido jurídico do seu comportamento; o equívoco, aqui, recai sobre a interpretação da norma. Para que seja considerado modalidade de erro, é preciso que afete o conhecimento da ilicitude do ato. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - Caracteriza erro de proibição direto o fato de o agente supor ser lícita uma conduta que é proibida no ordenamento jurídico; diferentemente do delito putativo, que é caracterizado pelo fato de o agente praticar uma conduta que acredita ser proibida, mas que, na verdade, é um indiferente penal. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia) - Incorre em erro de validade o agente que pratica um fato proibido, supondo acreditar que o STF tenha declarado a inconstitucionalidade de uma lei penal incriminadora. ITEM CORRETO! (CESPE - 2019 - SEFAZ-RS - Auditor Fiscal da Receita Estadual - Bloco I) - A conduta típica será inteiramente desculpável e será excluída a culpabilidade quando o erro inevitável recair sobre a ilicitude do fato. ITEM CORRETO! 5.5.5. EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA É o terceiro e último elemento da culpabilidade, que trata de um juízo sobre a possibilidade de o agente atuar de acordo com o ordenamento jurídico. De acordo com o art. 22 do CP, há duas causas de exclusão da exigibilidade e conduta diversa: coação moral irresistível e obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 63 de 508 gran.com.br Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. a) Coação moral irresistível A coação desloca-se da figura do coagido para o coator, na condição de autor mediato. Não confunda: COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL COAÇÃO FÍSICA IRRESISTÍVEL Exclui a exigibilidade de conduta diversa, elemento da culpabilidade Exclui a conduta, elemento do fato típico Ressalta-se que a coação deve ser irresistível, pois caso seja resistível, os dois personagens respondem pelo crime da seguinte forma: • Coator: com agravante do art. 62, II, CP; • Coagido: com atenuante do art. 65, III, “c”, CP. (CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influênciade emoção extrema e na frente dos amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida. Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item. A culpabilidade de Carlos poderá ser afastada por inexigibilidade de conduta diversa. ITEM INCORRETO, pois as causas de exclusão da exigibilidade de conduta diversa são a coação moral irresistível e a obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal. Ademais, a emoção não exclui a imputabilidade (art. 28, I, CP). No caso exposto, o agente cometeu o crime sob a influência de violenta emoção, havendo uma atenuante genérica (art. 65, III, “c”, CP). b) Obediência Hierárquica não manifestamente ilegal Nesta situação, o autor do crime age em obediência a uma ordem não manifestamente ilegal de um superior hierárquico, excluindo-se a exigibilidade de conduta diversa. É uma previsão específica para o direito público, de modo que não se aplica a relações de direito privado. Atente-se que a ordem deve ser não manifestamente ilegal (o subordinado não sabe que está recebendo uma ordem ilegal – age acreditando estar dentro da legalidade), pois se a ordem for manifestamente ilegal (o subordinado sabe que está recebendo uma ordem ilegal), ambos responderão pelo crime. Por fim, se a ordem for legal, não haverá crime, pois os agentes estarão acobertados por uma causa excludente de ilicitude, agindo no estrito cumprimento do dever legal. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 64 de 508 gran.com.br c) Dirimentes supralegais O único elemento da culpabilidade que admite excludentes supralegais é a exigibilidade de conduta diversa, sendo estas: • Cláusula de consciência: fundamenta-se na liberdade de consciência e de crença, podendo conduzir o autor do crime à isenção de pena, desde que não viole direitos fundamentais individuais. Ela é assegurada constitucionalmente nos termos do art. 5°, VI, CRFB/88. • Desobediência civil: são atos de insubordinação em que o autor empenha esforços pela efetivação ou defesa de um direito. Exige-se que a desobediência esteja fundada na proteção de direitos fundamentais e que o dano causado não seja relevante. • Conflito de deveres: é a escolha de um mal menor, diante de um iminente mal maior, por quem está obrigado a cumprir deveres que entram em conflito. (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia) - O cumprimento legal de ordem de superior hierárquico, não manifestamente ilegal, exclui a tipicidade, pois o inferior hierárquico cumpre a ordem nos exatos limites da lei, sendo-lhe inexigível outra conduta. ITEM INCORRETO, pois a ordem de superior hierárquico não manifestamente ilegal exclui a culpabilidade! (CESPE / CEBRASPE - 2014 - PRF - Policial Rodoviário Federal - Curso de Formação - 1ª Prova) - Considere que um PRF, obedecendo ordem de superior hierárquico, não manifestamente ilegal, tenha cometido um crime. Nessa situação, apesar de ser imputável e de ter potencial consciência da ilicitude de sua conduta, o policial não deverá ser apenado, haja vista a ausência de um dos elementos da culpabilidade. ITEM CORRETO! 6 - ITER CRIMINIS 6.1. FASES DO CRIME a) Cogitação É a ideação do crime que se divide em 3 etapas: 1) idealização: surge a ideia; 2) deliberação: o agente pondera as circunstâncias; e 3) resolução: é a decisão acerca do cometimento da conduta criminosa. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 65 de 508 gran.com.br É sempre impunível! b) Atos preparatórios É a adoção de providências externas para o cometimento da conduta delituosa. Em regra, são impuníveis, sendo excepcionalmente puníveis quando configuram delito autônomo! c) Atos executórios É a tradução da maneira pela qual o agente atua exteriormente para realizar o crime idealizado. São puníveis! d) Consumação É a composição plena do fato criminoso, reunindo todos os elementos do tipo penal. Compõe a última fase do iter criminis. É punível! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - IBAMA - Analista Ambiental - Recuperação Ambiental, Monitoramento e Uso Sustentável da Biodiversidade, Controle e Fiscalização) - Para a configuração do crime consumado, é exigido o seu exaurimento, o que, na maioria das vezes, alcança acontecimentos posteriores ao resultado. ITEM INCORRETO, pois o exaurimento não integra o iter criminis! 6.2. TEORIAS QUE DIFERENCIAM ATOS PREPARATÓRIOS DE EXECUTÓRIOS A diferença entre o início da execução e a fase dos atos preparatórios é apontada por diversas teorias: ATOS PREPARATÓRIOS X EXECUTÓRIOS TEORIA SUBJETIVA Não faz distinção entre atos preparatórios e executórios, pois leva em consideração a intenção do agente. TEORIA OBJETIVA Os atos executórios dependem do início de realização do tipo penal, sendo indispensável a exteriorização de atos idôneos e inequívocos para a produção do resultado lesivo. Divide-se em: TEORIA DA HOSTILIDADE AO BEM JURÍDICO Atos executórios são aqueles que atacam o bem jurídico, criando-lhe uma situação concreta de perigo. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 66 de 508 gran.com.br TEORIA OBJETIVO- FORMAL OU LÓGICO-FORMAL Ato executório é aquele que inicia a realização do núcleo do tipo. É a adotada pelos Tribunais Superiores! TEORIA OBJETIVO- MATERIAL Atos executórios são aqueles em que se inicia a prática do núcleo do tipo, bem como os atos imediatamente anteriores, com base na visão da terceira pessoa alheia à conduta criminosa. TEORIA OBJETIVO- INDIVIDUAL Atos executórios são aqueles que, de acordo com o plano do agente, realizam-se no período imediatamente anterior ao começo da execução típica. • Agente pretendia praticar roubo e foi surpreendido após romper o cadeado e destruir a fechadura da porta da casa da vítima; não se pode falar em tentativa de roubo. Adotando-se a teoria objetivo-formal, o rompimento de cadeado e destruição de fechadura da porta da casa da vítima, com o intuito de, mediante uso de arma de fogo, efetuar subtração patrimonial da residência, configuram meros atos preparatórios que impedem a condenação por tentativa de roubo circunstanciado. Caso adaptado: João e Pedro caminhavam nas ruas de um bairro e decidiram praticar assalto em uma das casas. Eles arrombaram o cadeado e destruíram a fechadura da porta da casa, no entanto, quando iam adentrar na residência, passou uma viatura da Polícia Militar. Os indivíduos correram quando perceberam a presença das autoridades de segurança. Os policiais perseguiram a dupla, conseguindo prendê-los. Com eles, foi encontrada uma arma de fogo de uso permitido. Vale ressaltar, contudo, que não possuíam porte de arma. Não se pode falar que houve roubo circunstanciado tentado. STJ. 5ª Turma. AREsp 974254-TO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 21/09/2021 (Info 711). 6.3. TENTATIVA A tentativa (crime imperfeito, incompleto, manco ou conatus), prevista no art. 14, II, do CP, ocorre quando, iniciada uma conduta, o delito não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Art. 14, CP – Diz-se o crime: II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. Alguns crimes não admitem a tentativa, quais sejam: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 67 de 508 gran.com.br Ademais, são diversas a teorias que cuidam da punição da tentativa, dentre as quais se destacam: TEORIAS DA TENTATIVA TEORIA SUBJETIVA, VOLUNTARÍSTICA OU MONISTA Deve-se observar o aspecto subjetivo do delito, de tal forma que se o crime for subjetivamente completo, a tentativa merece ter a mesma pena do crime consumado. É adotada, excepcionalmente, nos crimes deatentado (ou empreendimento) TEORIA SINTOMÁTICA A tentativa é punida com base na periculosidade revelada pelo agente. TEORIA OBJETIVA, REALÍSTICA OU DUALÍSTICA Deve-se observar o aspecto objetivo do delito, pois por mais que o crime seja subjetivamente completo, ele é objetivamente incompleto. A punição da tentativa deve receber pena inferior ao crime consumado. É a adotada pelo CP! TEORIA DA IMPRESSÃO OU OBJETIVO- SUBJETIVA Representa um limite ao alcance da teoria subjetiva, evitando a punição irrestrita dos atos preparatórios. A tentativa será punida apenas quando comover a segurança da norma penal. No tocante às espécies, a tentativa pode ser: ESPÉCIES DE TENTATIVA QUANTO AO ITER CRIMINIS PERCORRIDO PERFEITA OU ACABADA OU CRIME FALHO O agente esgota todos os atos executórios, mas o crime não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade. IMPERFEITA OU INACABADA OU PROPRIAMENTE DITA O agente não esgota todos os atos executórios, por motivos alheios a sua vontade QUANTO AO RESULTADO BRANCA OU INCRUENTA O agente não atinge o bem jurídico VERMELHA OU CRUENTA O agente atinge o bem jurídico QUANTO À POSSIBILIDADE DE ALCANÇAR O RESULTADO IDÔNEA É a tentativa propriamente dita, cujo resultado era possível de ser alcançado INIDÔNEA É o crime impossível, cujo resultado era impossível de ser alcançado por ineficácia absoluta do meio ou impropriedade absoluta do objeto Obs.: não confunda as espécies acima com a chamada “tentativa qualificada ou abandonada”, que corresponde ao instituto da desistência voluntária e do arrependimento eficaz. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Papiloscopista) - Túlio, de posse de sua pistola, atirou cinco vezes contra Flávio, com a intenção de matá-lo, tendo errado a pontaria em todas as ocasiões. Nessa situação hipotética, houve tentativa cruenta. ITEM INCORRETO, pois a tentativa foi incruenta, já que o alvo não foi atingido! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - SERES-PE - Policial Penal do Estado) - A pena imposta pela prática de crime tentado será reduzida em 1/3 a 2/3 da pena relativa ao crime consumado, salvo se houver disposição em contrário. ITEM CORRETO! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 68 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2022 - IBAMA - Analista Ambiental - Recuperação Ambiental, Monitoramento e Uso Sustentável da Biodiversidade, Controle e Fiscalização) - Os crimes culposos e os habituais não admitem a figura da tentativa delituosa. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - IBAMA - Analista Ambiental - Recuperação Ambiental, Monitoramento e Uso Sustentável da Biodiversidade, Controle e Fiscalização) - Para a punição da tentativa delituosa, o Código Penal aplica, em regra, a teoria subjetiva, sem distinguir a pena para as modalidades consumada e tentada. ITEM INCORRETO, pois o Código Penal utiliza para a punição da tentativa, em rega, a teoria objetiva ou realística, em que a pena do crime tentado é inferior à do crime consumado! 6.4. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO POSTERIOR a) Desistência voluntária e arrependimento eficaz São espécies de tentativa abandonada ou qualificada que estão previstas no art. 15 do CP: Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. Diferem-se da tentativa simples, pois enquanto nesta as circunstâncias que impedem que o agente atinja a consumação do delito são alheias a sua vontade, na desistência voluntária e no arrependimento eficaz, o agente desiste de prosseguir ou impede a consumação por ato voluntário. Para estabelecer a distinção entre desistência voluntária e tentativa, a doutrina indica a aplicação da fórmula de Frank: TENTATIVA DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA Quero prosseguir, mas não posso Posso prosseguir, mas não quero Franz Von Liszt denominava esses institutos como ponte de ouro, cuja natureza jurídica prevalente na doutrina é de causa de exclusão da punibilidade. Entretanto, há corrente em sentido contrário que preconiza que a natureza jurídica é de causa excludente da tipicidade. No tocante à sua comunicabilidade, trata-se de tema divergente na doutrina, prevalecendo a corrente a favor de sua comunicabilidade ao partícipe, pois se a sua conduta é acessória, logo não poderia ser punido se não houvesse crime. Ademais, ambos os institutos são incompatíveis com os crimes culposos, isso porque nesses crimes o resultado é involuntário, e com crimes formais e crimes de mera conduta, já que a simples realização da conduta implica na consumação do delito. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA ARREPENDIMENTO EFICAZ OU RESIPISCÊNCIA Os atos executórios ainda não se esgotaram, mas o agente abandona seu dolo inicial Os atos executórios já foram todos esgotados, porém o agente, decidindo recuar, desenvolve nova conduta com o objetivo de impedir a produção do resultado Exige voluntariedade (não espontaneidade) e eficácia Exige voluntariedade (não espontaneidade) e eficácia A interferência externa pode ser: Só tem cabimento nos crimes materiais https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 69 de 508 gran.com.br • subjetiva (ex.: alguém sugere ao agente que ele desista do crime) – há desistência voluntária; • objetiva (ex.: disparo de alarme sonoro) – há tentativa O agente responde pelos atos já praticados O agente responde pelos atos já praticados • Interrupção da prática delitiva do furto devido à presença de transeuntes na calçada. Na desistência voluntária, o agente decide interromper a empreitada criminosa, por uma causa intrínseca - poderia continuar, mas resolve internamente não prosseguir. Já na tentativa imperfeita, o agente é obstado de progredir na execução do crime, por impedimento físico ou psicológico, como, por exemplo, é contido fisicamente ou avista uma viatura policial. Entende o STJ que, para reconhecer a desistência voluntária, exige- se examinar o iter criminis e o elemento subjetivo da conduta, a fim de avaliar se os atos executórios foram iniciados e se a consumação não ocorreu por circunstância inerente à vontade do agente, tarefa indissociável do arcabouço probatório. Na hipótese, inviável o restabelecimento da sentença que reconhecera a desistência voluntária do crime de furto, aplicando a pena do delito de invasão de domicílio, pois o motivo mencionado pelas instâncias ordinárias para o abandono da conduta - a presença de transeuntes na calçada -, não decorre de voluntariedade, mas de coação. STJ. 6ª Turma. REsp 1.946.490/SP, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF1ª Região), julgado em 15/02/2022. • É devido o reconhecimento da figura descrita no art. 15 do CP, mesmo que a ordem de cessar a realização dos atos executórios tenha partido do comparsa (mandante), inclusive porque a finalização da empreitada criminosa ainda estaria disponível ao recorrente (executor). STJ. 6ª Turma. REsp 1.500.416/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 03/08/2017 b) Arrependimento posterior Ao contrário dos institutos acima, o arrependimento posterior é um comportamento pós-delito, cujo crime já foi consumado, porém, o autor, por ato voluntário, repara o dano ou restitui a coisa. Ele está previsto no art. 16 do CP: Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. Denominada como ponte de prata, a partir da leitura do seu dispositivo, destacam-se os seguintes requisitos para a sua configuração: 1) Crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa • A violência ou grave ameaça não pode ser contra a pessoa, portanto, se o agente praticou violência contra a coisa, pode receber o benefício. • Para a doutrina majoritária, os crimes culposos,mesmo que violentos, admitem o benefício. • Para a doutrina majoritária, a violência trazida pelo legislador é a própria, de tal forma que a imprópria também admite o benefício. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 70 de 508 gran.com.br • O art. 16 vale para todos os crimes com que ele seja compatível, sem distinção, inclusive contra a Administração Pública. • Não se aplica o instituto do arrependimento posterior (art. 16 do CP) para o homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do CTB) mesmo que tenha sido realizada composição civil entre o autor do crime a família da vítima. Para que seja possível aplicar a causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do CP é indispensável que o crime praticado seja patrimonial ou possua efeitos patrimoniais. O arrependimento posterior exige a reparação do dano e isso é impossível no caso do homicídio. STJ. 6ª Turma. REsp 1561276-BA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/6/2016 (Info 590). • Inaplicabilidade do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. No crime de moeda falsa — cuja consumação se dá com a falsificação da moeda, sendo irrelevante eventual dano patrimonial imposto a terceiros —, a vítima é a coletividade como um todo, e o bem jurídico tutelado é a fé pública, que não é passível de reparação. Desse modo, os crimes contra a fé pública, semelhantes aos demais crimes não patrimoniais em geral, são incompatíveis com o instituto do arrependimento posterior, dada a impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa subtraída. STJ. 6ª Turma. REsp 1242294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554). 2) Reparação voluntária do dano ou restituição da coisa • Deve ser integral, voluntária e pessoal. • Não há necessidade de que o ato seja espontâneo. • O benefício do arrependimento posterior exige a reparação integral do dano, por ato voluntário, até o recebimento da denúncia. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1399240/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 05/02/2019. • O benefício do arrependimento posterior comunica-se aos coautores e partícipes que não tenham participado da restituição da coisa ou da reparação do dano. Assim, uma vez reparado o dano integralmente por um dos autores do delito, a causa de diminuição de pena do arrependimento posterior, prevista no art. 16 do CP, estende-se aos demais coautores. STJ. 6ª Turma. REsp 1187976-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/11/2013 (Info 531). 3) Deve acontecer até o recebimento da denúncia ou da queixa É o ressarcimento da dívida principal que acontece antes do recebimento da denúncia ou da queixa, sem abarcar os juros e a correção monetária. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 71 de 508 gran.com.br • É possível o reconhecimento da causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do Código Penal (arrependimento posterior) para o caso em que o agente fez o ressarcimento da dívida principal (efetuou a reparação da parte principal do dano) antes do recebimento da denúncia, mas somente pagou os valores referentes aos juros e correção monetária durante a tramitação da ação penal. Nas exatas palavras do STF: “É suficiente que ocorra arrependimento, uma vez reparada parte principal do dano, até o recebimento da inicial acusatória, sendo inviável potencializar a amplitude da restituição.” STF. 1ª Turma. HC 165312, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/04/2020 (Info 973). 4) Redução varia de 1/3 a 2/3 • A recusa do ofendido não tem o condão de impedir a redução da pena, por falta de previsão legal. • O critério para redução de pena irá variar de acordo com a celeridade no ressarcimento do prejuízo à vítima. • A causa de diminuição de pena relativa ao artigo 16 do Código Penal (arrependimento posterior) somente tem aplicação se houver a integral reparação do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, variando o índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento do prejuízo à vítima. STJ. 6ª Turma. HC 338840/SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/02/2016. (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - Nos casos de desistência voluntária e arrependimento eficaz, o agente não responde por crime tentado, mas apenas pelos atos delitivos já praticados. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Técnico em Perícia - Área Geral) - Túlio, com intenção de matar Carlos, disparou um projétil de arma de fogo contra ele. Com a vítima já caída no chão, em local ermo e com mais 6 cartuchos no pente da pistola, Túlio decidiu não realizar outros disparos, quando podia fazê-lo para ceifar a vida de Carlos. Nessa hipótese, nos termos do Código Penal, tem-se o instituto da desistência voluntária. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Técnico em Perícia - Área Geral) - João praticou a conduta de furto continuado, que resultou em prejuízo de 5.000 reais para a vítima, Paulo. Apurada a conduta, atualizou-se o valor para 6.500 reais, tendo sido pago por João, em abril de 2021, o valor do principal, 5.000 reais. Em maio do mesmo ano, o Ministério Público ofereceu a denúncia, tendo João efetuado o pagamento, em setembro, do restante do valor devido. Nessa situação hipotética, a conduta de João possui uma causa atenuante prevista em lei. ITEM INCORRETO, pois a conduta de João é abrangida pela causa de diminuição da pena do arrependimento posterior (1/3 a 2/3). De acordo com a jurisprudência do STF, é possível o reconhecimento do arrependimento posterior para o caso em que o agente fez https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 72 de 508 gran.com.br o ressarcimento da dívida principal antes do recebimento da denúncia, mas somente pagou os valores referentes aos juros e correção monetária durante a tramitação da ação penal! (CESPE - 2017 - TRF - 1ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária) - De modo geral, a doutrina indica a aplicação da fórmula de Frank quando o objetivo for estabelecer a distinção entre desistência voluntária e tentativa. ITEM CORRETO! 6.5. CRIME IMPOSSÍVEL Também chamado de quase crime, crime oco ou tentativa inidônea, está previsto no art. 17 do CP: Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. O tratamento jurídico do crime impossível é discutido por algumas teorias, quais sejam: TEORIAS DO CRIME IMPOSSÍVEL TEORIA SINTOMÁTICA Baseia-se na periculosidade do agente, manifestando o combatido Direito Penal do Autor. TEORIA SUBJETIVA Baseia-se na intenção do agente, não sendo necessário analisar a ineficácia do meio e a impropriedade do objeto. TEORIA OBJETIVA Crime é conduta e resultado. Divide-se em: TEORIA OBJETIVA- PURA Independentemente da ineficácia do meio e da impropriedade do objeto serem absolutas ou relativas, o agente não responde pela tentativa. TEORIA OBJETIVA- TEMPERADA OU MODERADA Para que não haja punição, a ineficácia do meio e a impropriedade do objeto devem ser absolutas. Se forem relativas, pune-se a tentativa. É a adotada pelo CP! Súmula 567-STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.” Súmula 145 do STF: “Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.” (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Governo de Alagoas - AL - Agente Penitenciário - SEPLAG) - Considere que um indivíduo, sem autorização legal, tenha vendido grande quantidade de insumo destinado à preparação de drogas a um agente policial que estava disfarçado em atuação investigativa.Nessa situação, se estiverem presentes elementos probatórios de conduta criminal preexistente, será possível a prisão em flagrante do indivíduo, não se caracterizando a figura do crime impossível. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - A adoção de sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto. ITEM CORRETO! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 73 de 508 gran.com.br (CESPE - 2019 - TJ-DFT - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento) - O Código Penal brasileiro adotou a teoria objetiva pura para a caracterização do crime impossível, em razão da inidoneidade do objeto ou do meio para a prática do crime. ITEM INCORRETO, pois o CP adotou a teoria objetiva-temperada! (CESPE - 2019 - TJ-SC - Juiz Substituto) - Constitui crime impossível a prática de conduta delituosa induzida por terceiro que assegure a impossibilidade fática da consumação do delito. ITEM CORRETO! 7 – CONCURSO DE PESSOAS 7.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS Entende-se por concurso de pessoas a reunião de vários agentes, concorrendo, de forma relevante e com identidade de propósitos, para a prática da conduta delituosa. Para entendermos em quais espécies de crimes a teoria do concurso de pessoas interessa, precisamos distinguir os conceitos a seguir: CRIMES UNISSUBJETIVOS OU DE CONCURSO EVENTUAL CRIMES PLURISSUBJETIVOS OU DE CONCURSO NECESSÁRIO São delitos que podem ser executados por uma ou várias pessoas. Ex.: homicídio São delitos que necessitam, para a sua execução, da pluralidade de agentes. Ex.: associação criminosa. Interessa ao assunto “concurso de pessoas” Não interessa ao assunto “concurso de pessoas” Antes de adentrarmos no estudo do referido assunto, vamos aproveitar a deixa dos crimes plurissubjetivos para revisarmos as suas espécies: ESPÉCIES DE CRIMES PLURISSUBJETIVOS DE CONDUTAS PARALELAS As condutas se auxiliam mutuamente, visando a produção de um resultado comum. Ex.: associação criminosa DE CONDUTAS CONVERGENTES As condutas tendem a se encontrar, vindo a surgir o resultado. Ex.: bigamia DE CONDUTAS CONTRAPOSTAS As condutas são praticadas umas contra as outras, sendo os agentes, ao mesmo tempo, autores e vítimas. Ex.: crime de rixa Ademais, também revisaremos a diferença entre os institutos abaixo, pois eles já foram objeto de questão do CEBRASPE. PARTICIPAÇÃO NECESSÁRIA PRÓPRIA PARTICIPAÇÃO NECESSÁRIA IMPRÓPRIA São crimes que cometidos por um só autor, embora o tipo penal exija a participação necessária de outra pessoa, que é o sujeito passivo e não será punida. Ex.: tráfico de pessoa para fim de exploração sexual Se dá nos crimes plurissubjetivos, em que há a participação necessária de outra pessoa, que também é sujeito ativo e será punida. Ex.: associação criminosa. (CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 74 de 508 gran.com.br na qual entraram e ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para a delegacia de polícia local. Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. Na situação descrita, está presente a hipótese de participação necessária imprópria. ITEM INCORRETO, pois a participação necessária imprópria se dá apenas nos crimes plurissubjetivos! 7.2. REQUISITOS Obs.: o prévio ajuste (pactum celeris) é dispensável, não se confundindo com o liame subjetivo entre os agentes. 7.3. TEORIAS SOBRE CONCURSOS DE PESSOAS TEORIAS DO CONCURSO DE PESSOAS TEORIA MONISTA (UNITÁRIA OU IGUALITÁRIA) Todos os concorrentes, independentemente de autores ou partícipes, respondem pelo mesmo crime. É adotada como regra no CP! TEORIA PLURALISTA Há tantos crimes quantos sejam os agentes que concorrem para o fato. É adotada excepcionalmente pelo CP! Ex.: corrupção ativa e passiva TEORIA DUALISTA Há um delito para os executores do núcleo do tipo (autores) e outro para os que não os realizam, mas concorrem para a sua execução (partícipe). 7.4. AUTORIA Algumas teorias buscam diferenciar a figura do autor e do partícipe. Vejamos: TEORIAS DA AUTORIA VS PARTICIPAÇÃO TEORIAS UNITÁRIAS Não diferenciam autoria de participação. Dividem-se em: TEORIA SUBJETIVA OU UNITÁRIA Autor é todo aquele que contribui para a prática de um crime. TEORIA EXTENSIVA Estabelece graus diversos de autoria, com a previsão de causas de diminuição a depender da relevância da contribuição do agente. Diferenciam autoria de participação. Dividem-se em: https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 75 de 508 gran.com.br TEORIAS DIFERENCIADORAS TEORIA OBJETIVA OU DUALISTA TEORIA OBJETIVO- MATERIAL Autor é quem presta a contribuição mais relevante. Partícipe é quem presta a contribuição menos relevante. TEORIA OBJETIVO- FORMAL Autor é quem realiza o verbo núcleo do tipo penal. Partícipe é quem concorre de qualquer forma para o delito. É adotada pelo CP! TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO (OBJETIVO- SUBJETIVA) Autor é quem possui controle final do fato. Partícipe é aquele que embora colabore dolosamente para o alcance do resultado, não possui controle final do fato. Não é adotada pelo CP, mas é adotada pela jurisprudência! Para Claus Roxin, na teoria do domínio do fato, a autoria pode ser identificada por quem possui os seguintes domínios: Obs.: a teoria do domínio do fato é inaplicável aos crimes culposos, omissivos e de mão- própria. • A teoria do domínio do fato não permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de qualquer crime, eis que a imputação deve ser acompanhada da devida descrição, no plano fático, do nexo de causalidade entre a conduta e o resultado delituoso. STJ. 6ª Turma. REsp 1.854.893-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 08/09/2020 (Info 681). • Não se pode invocar a teoria do domínio do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma outra prova. STF. 2ª Turma. HC 136250/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info 866) • O superior hierárquico não pode ser punido com base na teoria do domínio do fato se não tiver sido demonstrado o dolo. STF. 2ª Turma. AP 975/AL, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/10/2017 (Info 880). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 76 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - A, B e C são atores. Pelo fato de B obter o papel de personagens de maior destaque, secretamente A o inveja e despreza. No intuito de livrar-se de B, A troca as balas de festim por munição real do revólver de C, que, ao disparar em cena de novela contra B, causa sua morte. Nesse caso, com base na teoria objetivo-formal, A poderá ser considerado autor mediato do homicídio de B. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - PGE-CE - Procurador do Estado) - A respeito da teoria do domínio do fato formulada por Claus Roxin e à luz da jurisprudência do STJ sobre esse tema, assinale a opção correta. A referida teoria não significa uma expansão dos limites ou fundamentos da responsabilidade penal, mas somente um critério de diferenciação entre autor e partícipe. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Conforme a autoria de escritório, tanto o agente que dá a ordem como o que cumpre respondem pelotipo penal. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - A teoria do domínio do fato permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de crimes complexos, como o de sonegação fiscal, sem a descrição da conduta. ITEM INCORRETO, pois de acordo com o STJ, a teoria do domínio do fato não permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de qualquer crime, eis que a imputação deve ser acompanhada da devida descrição, no plano fático, do nexo de causalidade entre a conduta e o resultado delituoso! (CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - De acordo com a teoria objetivo-subjetiva, o autor do delito é aquele que tem o domínio final sobre o fato criminoso doloso. ITEM CORRETO! (CESPE - 2009 - DPE-ES - Defensor Público) - A teoria do domínio do fato, que rege o concurso de pessoas, não se aplica aos delitos omissivos, sejam estes próprios ou impróprios, e deve ser substituída pelo critério da infringência do dever de agir. ITEM CORRETO! Para a doutrina, existem algumas espécies de autoria, das quais destacaremos as seguintes para a sua prova: a) Autoria mediata O autor mediato se vale de pessoa não culpável ou de pessoa que atua sem dolo ou culpa para executar o tipo. Neste caso, não há concurso de pessoas, pois falta o vínculo subjetivo, servindo o autor imediato como mero instrumento. Difere-se do partícipe no seguinte aspecto: AUTOR MEDIATO PARTÍCIPE Conduta principal e detém o domínio do fato Conduta acessória e não detém o domínio do fato https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 77 de 508 gran.com.br Ressalta-se a impossibilidade de autoria mediata nos crimes culposos, devido a involuntariedade do resultado, e nos crimes de mão-própria, pois o tipo penal determina diretamente quem deve ser o sujeito. Entretanto, é completamente possível a autoria mediata nos crimes próprios, desde que o autor mediato reúna as condições pessoais exigidas pelo tipo do autor imediato. As hipóteses de autoria mediata no CP são: 1) inimputabilidade penal; 2) coação moral irresistível; 3) obediência hierárquica; 4) erro de tipo escusável provocado por terceiro; 5) erro de proibição escusável provocado por terceiro. b) Autoria colateral ou de parelha Ocorre quando duas ou mais pessoas, uma ignorando a contribuição da outra, praticam determinada conduta visando o mesmo resultado. Logo, não há vínculo subjetivo e, se este não existe, cada um responde individualmente, sem a incidência do concurso de pessoas. Do campo da autoria colateral, surgem as seguintes autorias: AUTORIA INCERTA AUTORIA COMPLEMENTAR Sabe-se quais foram os autores do delito, mas não se sabe qual deles causou o resultado. Cada um responde pela tentativa. Entretanto, se for caso de perpetração de crime impossível por um dos agentes que se utiliza de meio inidôneo, aplica-se o in dubio pro reo em favor de ambos, isentando-os de responsabilidade. Os dois autores concorrem para o mesmo fato sem ter ciência disso. As condutas isoladamente não produziriam o resultado que é efeito da soma delas. Cada um responde pela tentativa. Obs.: a “autoria ignorada”, ao contrário da “autoria incerta”, é instituto do direito processual penal que ocorre quando não se descobre quem foi o autor da infração. Não confunda! c) Autoria intelectual É aquele que além de planejar a ação delituosa para ser executada por outras pessoas, possui o domínio do acontecer típico. d) Autoria por convicção Ocorre quando o autor conhece efetivamente a norma, mas a descumpre por razões de consciência, que pode ser política, religiosa, filosófica etc. Lembre-se do “Professor” da série “La Casa de Papel”! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 78 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Escrivão de Polícia) - Jéssica, imputável e com 30 anos de idade, com consciência e vontade, instigou e induziu Mário, inimputável de 16 anos de idade, a praticar ato infracional análogo ao delito de roubo, fato que se consumou. Na situação hipotética apresentada, Jéssica poderá ser considera autora mediata do roubo. ITEM INCORRETO, pois Jéssica instigou o menor a praticar o roubo, sendo, portanto, partícipe do roubo. Caso Jéssica tivesse utilizado o menor como instrumento do crime, aí, sim, estaríamos diante de uma situação de autoria mediata! (CESPE - 2019 - TJ-PR - Juiz Substituto) - A autoria colateral é aquela em que há pluralidade de agentes e liame subjetivo entre eles para a realização da conduta. ITEM INCORRETO, pois a autoria colateral não possui liame subjetivo e, por isso, não é concurso de pessoas! (CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - Aquele que planeja toda a ação criminosa é considerado autor intelectual do delito, ainda que não detenha o controle sobre a consumação do crime. ITEM INCORRETO, pois além de planejar toda a ação criminosa, é necessário que o autor intelectual também detenha o controle sobre a consumação do crime! (CESPE / CEBRASPE - 2013 - Polícia Federal – Delegado) - Configura autoria por convicção o fato de uma mãe, por convicção religiosa, não permitir a realização de transfusão de sangue indicada por equipe médica para salvar a vida de sua filha, mesmo ciente da imprescindibilidade desse procedimento. ITEM CORRETO! 7.5. COAUTORIA A coautoria acontece quando dois ou mais indivíduos, com liame subjetivo (requisito subjetivo), praticam a conduta delituosa por meio de uma divisão de tarefas (requisito objetivo). Divide-se em: a) parcial (ou funcional): quando os autores praticam atos de execução diversos que, quando reunidos, levam ao resultado desejado; b) total (material): quando os autores praticam atos de execução idênticos que, quando reunidos, levam ao resultado desejado. Destaca-se a impossibilidade da coautoria nos crimes de mão própria, uma vez que esses crimes só podem ser cometidos por agente determinado pelo tipo penal. Exceção: crime de falsa perícia (art. 342 do CP). Entretanto, ela é possível nos crimes próprios tanto se todos os autores possuírem a característica necessária quanto se apenas um deles a possuir e os demais agentes detenham conhecimento dela. a) Coautoria sucessiva Ocorre quando a conduta é iniciada em autoria exclusiva e a consumação se dá com a colaboração de outro agente, sem que tenha havido prévia combinação. Lembre- se que para que ocorra o concurso de pessoas não é necessário o ajuste prévio, mas sim o liame subjetivo: o autor e o agente conhecerem a conduta um do outro e os dois buscarem o mesmo resultado. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 79 de 508 gran.com.br b) Executor de reserva É o agente que se faz presente durante a execução do delito, mas somente pratica os atos executórios se a sua ação for necessária para a obtenção do resultado. Se intervir, será coautor. Se não intervir, será partícipe. 7.6. PARTICIPAÇÃO A participação é conduta acessória pela qual o agente não pratica diretamente a figura típica, mas concorre por meio da participação moral (instigação ou induzimento) ou material (auxílio). • Induzimento: o partícipe faz nascer no agente a intenção de praticar o crime, cuja ideia não existia; se dá na fase de cogitação; • Instigação: o partícipe encoraja a agente a praticar o crime, cuja ideia já existia; pode ocorrer tanto na cogitação, como nos atos preparatórios e até durante a execução. • Auxílio: só pode ser prestado durante os atos preparatórios ou executórios; se o crime se consumar, a assistência só será considerada se previamente acordada entre os agentes. A punição da conduta acessória é discutida por quatro teorias: TEORIAS DA PUNIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO ACESSORIEDADE MÍNIMA O autor deve praticar fato típico para que a participação seja punível. ACESSORIEDADE LIMITADA (OU MÉDIA) O autor deve praticar fato típico e ilícitopara que a participação seja punível. É a adotada! ACESSORIEDADE MÁXIMA O autor deve praticar fato típico, ilícito e culpável para que a participação seja punível. HIPERACESSORIEDADE O autor deve praticar fato típico, ilícito e culpável, além de ser efetivamente punido, para que a participação seja punível. a) Participação em cadeia Ocorre quando alguém induz ou instiga outrem a induzir, instigar ou auxiliar terceira pessoa a praticar um crime. b) Participação sucessiva Ocorre quando o mesmo agente é instigado, induzido ou auxiliado por duas ou mais pessoas, sem que essas tomem conhecimento umas das outras, a praticar um crime; c) Participação negativa O agente não tem qualquer vínculo com a conduta criminosa (não induziu, instigou ou auxiliou o autor), nem tampouco a obrigação de impedir o resultado. Não há, na realidade, participação. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 80 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2021 - AL-CE - Analista Legislativo - Direito) - Júlio, com posse legal de arma de fogo de uso permitido, é marido de Flávia, que, sem consentimento ou ciência de seu cônjuge, emprestou a referida arma a seu amigo, Leonardo, que havia planejado crime de roubo, chegando a consumá-lo. Considerando essa situação hipotética e as disposições acerca de concurso de pessoas, assinale a opção correta. Flávia é partícipe do crime de Leonardo e Júlio não cometeu crime. ITEM CORRETO! (CESPE - 2013 - TJ-RN - Juiz) - De acordo com a teoria da acessoriedade limitada, para a punibilidade da participação basta que a conduta principal constitua fato típico. ITEM INCORRETO, pois de acordo com a teoria da acessoriedade limitada, o agente deve ter praticado fato típico e ilícito! 7.7. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES CULPOSOS • Coautoria: é permitido, se os dois ou mais agentes agirem juntos com imprudência, negligência ou imperícia e produzirem um resultado naturalístico. O liame subjetivo não envolve o resultado, mas a conduta. • Participação: não é permitido, pois é impossível ser intencionalmente partícipe sem buscar o resultado que seria produzido pelo crime. (CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Substituto) - Júlio, recém- habilitado para a condução de veículos automotores, pegou emprestado o carro de seu pai, Pedro, para ir a um evento. Pouco tempo depois, ao tentar fazer uma ultrapassagem, Júlio invadiu a calçada, atropelou e matou uma criança que se encontrava parada em um ponto de ônibus. Acerca dessa situação hipotética e de aspectos legais a ela pertinentes, assinale a opção correta. O ordenamento jurídico brasileiro não admite a participação em crime culposo, e Pedro não poderá ser responsabilizado, porquanto não violou nenhum dever jurídico apto a gerar consequências penais. ITEM CORRETO! 7.8. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES OMISSIVOS • Coautoria em crimes omissivos próprios: a doutrina diverge, mas prevalece que é permitido. • Participação em crimes omissivos próprios: é permitido, desde que o agente pudesse agir no caso concreto e tivesse o dever de agir para evitar o resultado. • Coautoria nos crimes omissivos impróprios: a doutrina diverge, mas prevalece que é permitido. • Participação nos crimes omissivos impróprios: é permitido, desde que o agente pudesse agir no caso concreto e tivesse o dever de agir para evitar o resultado. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 81 de 508 gran.com.br 7.9. PUNIBILIDADE NO CONCURSO DE PESSOAS a) Participação de menor importância É aplicado exclusivamente ao titular da conduta acessória e está previsto no art. 29, § 1º, do CP: Art. 29, § 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. Obs.: não confunda com a “participação inócua ou desnecessária”, que é destituída de qualquer relevância e, por isso, não é punível. b) Cooperação dolosamente distinta É aplicado tanto aos coautores quanto aos partícipes e está previsto no art. 29, § 2º, do CP: Art. 29, § 1º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. Portanto, enquanto na participação de menor importância afere-se a pouca relevância causal da conduta de determinado agente, na cooperação dolosamente distinta afere-se o desvio subjetivo de sua conduta. Tenha isso claro, pois as provas trocam esses institutos com frequência. • Agente que participou do roubo pode responder por latrocínio ainda que o disparo que matou a vítima tenha sido efetuado pelo corréu. Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima, responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou que sua participação se revele de menor importância. Ex.: João e Pedro combinaram de roubar um carro utilizando arma de fogo. Eles abordaram, então, Ricardo e Maria quando o casal entrava no veículo que estava estacionado. Os assaltantes levaram as vítimas para um barraco no morro. Pedro ficou responsável por vigiar o casal no cativeiro enquanto João realizaria outros crimes utilizando o carro subtraído. Depois de João ter saído, Ricardo e Maria tentaram fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João pretendia responder apenas por roubo majorado alegando que não participou nem queria a morte das vítimas, devendo, portanto, ser aplicado o art. 29, § 2º do CP. O STF, contudo, não acatou a tese. Isso porque João assumiu o risco de produzir resultado mais grave, ciente de que atuava em crime de roubo, no qual as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo. STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855). (CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 82 de 508 gran.com.br divididos igualmente entre os três. Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para a delegacia de polícia local. Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. João e Pedro tiveram participação de menor importância no crime de furto; assim, eventual indiciamento dos dois será na condição de partícipes, razão por que eles poderão ser beneficiados pela diminuição de um a dois terços da pena. ITEM INCORRETO, pois não se trata de participação de menor importância, mas sim coautoria, tendo em vista que houve a distribuição de tarefas. Ainda, na participação de menor importância a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço! 7.10. (IN)COMUNICABILIDADE DAS CIRCUNSTÂNCIAS, CONDIÇÕES E ELEMENTARES A previsão de incomunicabilidade das circunstâncias está no art. 30 do CP, do qual se extrai o seguinte: Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime. 7.11. COLABORAÇÃO PREMIADA E CONCURSO DE PESSOAS De acordo com o STJ, o acordo de colaboração premiada é cabível em qualquer crime cometido em concurso de agentes, não se restringindo ao delito de organização criminosa. • É possível celebrar acordo de colaboração premiada em quaisquer condutas praticadas em concurso de agentes. No caso concreto, antes da delação premiada, já estavam sendo investigadas, na fase administrativa, ao menos 7 pessoas. Assim, os pressupostos para que eventualmente pudesse ser caracterizada a organização criminosa estavam, apriori, presentes no caso. Na denúncia oferecida posteriormente foram acusadas 7 pessoas naturais. Muito embora não tenham sido acusadas de integrar organização criminosa, tal circunstância não impedia o acordo de delação premiada, nem compromete a validade do material probatório dela oriundo. A doutrina e a jurisprudência têm admitido que, em outros crimes cometidos em concurso de agentes, seja celebrada colaboração premiada. STJ. 6ª Turma. HC 582678-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/06/2022 (Info 742). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 83 de 508 gran.com.br SUMÁRIO 1. CRIMES CONTRA A PESSOA ........................................................................................................... 85 1.1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 85 1.2. HOMICÍDIO ......................................................................................................................... 85 1.3. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUITILAÇÃO ......... 88 1.4. ABORTO .............................................................................................................................. 90 1.5. LESÃO CORPORAL ............................................................................................................. 91 1.6. OMISSÃO DE SOCORRO .................................................................................................... 94 1.7. MAUS-TRATOS ................................................................................................................... 94 1.8. CRIMES CONTRA A HONRA ............................................................................................... 95 1.9. PERSEGUIÇÃO .................................................................................................................... 98 1.10. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA ................................................................................................. 99 1.11. INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO ....................................................................... 99 2. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO ................................................................................................. 101 2.1. FURTO .............................................................................................................................. 101 2.2. ROUBO .............................................................................................................................. 105 2.3. EXTORSÃO ....................................................................................................................... 108 2.4. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO .............................................................................. 109 2.5. APROPRIAÇÃO INDÉBITA................................................................................................. 109 2.6. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA ................................................................... 110 2.7. ESTELIONATO .................................................................................................................. 112 2.8. RECEPTAÇÃO ................................................................................................................... 114 2.9. DISPOSIÇÕES GERAIS ..................................................................................................... 115 3. CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL ..................................................................................... 118 3.1. ESTUPRO .......................................................................................................................... 118 2.1. VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE ........................................................................ 119 3.2. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL ............................................................................................... 119 3.3. ASSÉDIO SEXUAL ............................................................................................................ 119 3.4. REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL .............................................. 119 3.5. ESTUPRO DE VULNERÁVEL ............................................................................................. 119 3.6. CORRUPÇÃO DE MENORES ............................................................................................. 121 3.7. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL .......................................................... 122 3.8. DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL. DE CENA DE SEXO OU PORNOGRAFIA .......................................................................................... 123 3.9. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL 123 3.10. CASA DE PROSTITUIÇÃO................................................................................................. 123 3.11. ATO OBSCENO ................................................................................................................. 124 3.12. DISPOSIÇÕES GERAIS ..................................................................................................... 124 4. CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA ................................................................................................. 125 4.1. INCITAÇÃO AO CRIME ...................................................................................................... 125 https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 84 de 508 gran.com.br 4.2. APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO ............................................................................ 126 4.3. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA ............................................................................................... 126 4.4. CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA ............................................................................ 126 5. CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA ................................................................................................... 127 5.1. MOEDA FALSA .................................................................................................................. 127 5.2. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO .................................................................... 127 5.3. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR.............................................................. 128 5.4. FALSIDADE IDEOLÓGICA ................................................................................................. 128 5.5. USO DE DOCUMENTO FALSO ......................................................................................... 129 5.6. FALSA IDENTIDADE ......................................................................................................... 129 5.7. ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO .............................................. 129 5.8. FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO ....................................................... 130 6. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .......................................................................... 131 6.1. PECULATO ........................................................................................................................ 131 6.2. CONCUSSÃO .................................................................................................................... 134 6.3. CORRUPÇÃO PASSIVA X CORRUPÇÃO ATIVA ................................................................ 134 6.4. PREVARICAÇÃO ................................................................................................................ 135 6.5. CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA ................................................................................... 136 6.6. ADVOCACIAADMINISTRATIVA ........................................................................................ 136 6.7. FUNCIONÁRIO PÚBLICO .................................................................................................. 136 6.8. RESISTÊNCIA X DESOBEDIÊNCIA ................................................................................... 137 6.9. DESACATO ........................................................................................................................ 137 6.10. TRÁFICO DE INFLUÊNCIA X EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO ........................................... 137 6.11. DESCAMINHO X CONTRABANDO ................................................................................... 138 6.12. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ..................................................... 141 6.13. AFASTAMENTO DE LICITANTE ........................................................................................ 142 6.14. FRAUDE EM LICITAÇÃO OU CONTRATO ......................................................................... 142 6.15. CONTRATAÇÃO INIDÔNEA .............................................................................................. 142 6.16. OMISSÃO GRAVE DE DADO OU DE INFORMAÇÃO PROJETISTA .................................. 142 6.17. PENA DOS CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS ..................... 143 6.18. DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA ........................................................................................... 143 6.19. COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME OU DE CONTRAVENÇÃO ......................................... 144 6.20. AUTOACUSAÇÃO FALSA ................................................................................................. 144 6.21. FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA ..................................................................... 144 6.22. CORRUPÇÃO ATIVA DE TESTEMUNHA OU PERÍCIA ...................................................... 145 6.23. COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO .............................................................................. 145 6.24. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES.......................................................... 145 6.25. FRAUDE PROCESSUAL .................................................................................................... 145 6.26. FAVORECIMENTO PESSOAL X FAVORECIMENTO REAL ................................................ 145 6.27. ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÃO NO ÚLTIMO ANO DO MANDATO OU LEGISLATURA ....... 146 7. CRIMES CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO .......................................................... 148 https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 85 de 508 gran.com.br 1 – CRIMES CONTRA A PESSOA 1.1. INTRODUÇÃO Tendo em vista que grande parte das questões do CEBRASPE da parte especial abordam o texto da lei e jurisprudências, iremos revisá-la em cima desses aspectos. Para isso, daremos ênfase aos crimes mais cobrados ou que estejam no radar do examinador, certo? Vamos lá! 1.2. HOMICÍDIO HOMICÍDIO SIMPLES Art. 121. Matar alguem: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. CASO DE DIMINUIÇÃO DE PENA § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode REDUZIR a pena de um sexto a um terço. – Não confunda “sob o domínio” (privilegiadora) com “sob a influência” (atenuante)! HOMICÍDIO QUALIFICADO § 2° Se o homicídio é cometido: I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; QUALIFICADORA SUBJETIVA II - por motivo futil; QUALIFICADORA SUBJETIVA III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; QUALIFICADORA OBJETIVA IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido; QUALIFICADORA OBJETIVA V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: QUALIFICADORA SUBJETIVA Pena - reclusão, de doze a trinta anos. FEMINICÍDIO VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: QUALIFICADORA OBJETIVA VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: QUALIFICADORA OBJETIVA VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido: QUALIFICADORA OBJETIVA HOMICÍDIO CONTRA MENOR DE 14 (QUATORZE) ANOS ATENÇÃO! NOVIDADE! #LEIHENRYBOREL HOMICÍDIO CONTRA MENOR DE 14 (QUATORZE) ANOS IX - contra menor de 14 (quatorze) anos: QUALIFICADORA OBJETIVA Pena - reclusão, de doze a trinta anos. § 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144 Tiro final – Revisão – Delta PCPE 86 de 508 gran.com.br I - violência doméstica e familiar; II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. § 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é AUMENTADA DE: ATENÇÃO! NOVIDADE! #LEIHENRYBOREL I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que implique o aumento de sua vulnerabilidade; II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela. HOMICÍDIO CULPOSO § 3º Se o homicídio é culposo: Pena - detenção, de um a três anos. AUMENTO DE PENA § 4º No homicídio culposo, a pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é AUMENTADA DE 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. § 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. – PERDÃO JUDICIAL! § 6º A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. § 7º A pena do feminicídio é AUMENTADA de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado: I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental; III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Obs.: um novo inciso (III) foi adicionado ao §2º-B pela Lei nº 14.811/2024. Entretato, como ela é pós-edital, não será cobrada na sua prova. Por isso, não o incluimos acima! Os hediondos são: homicídio simples quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente; e homicídio qualificado. VENENO VENEFÍCIO MEIO CRUEL Se a pessoa não sabe que está sendo envenenada Se a pessoa sabe que está sendoenvenenada Além das causas de aumento observadas no texto legal, destacam-se as seguintes: https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22ii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22iii Tiro final – Revisão – Delta PCPE 87 de 508 gran.com.br MAJORANTES FEMINICÍDIO CONTRA MENOR DE 14 ANOS 1/3 ATÉ METADE • durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; 1/3 ATÉ METADE • se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que implique o aumento de sua vulnerabilidade. • contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental; • na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; 2/3 • se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela • em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. • A qualificadora da ‘paga ou promessa de recompensa’, prevista no inciso I do § 2º do art. 121 do CP, também se comunica ao MANDANTE do crime? 1ª corrente: NÃO. A qualificadora da paga (art. 121, 2º, I, do CP) não é aplicável aos mandantes do homicídio, porque o pagamento é, para eles, a conduta que os integra no concurso de pessoas, mas não o motivo do crime. STJ. 5ª Turma. REsp 1973397-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/09/2022 (Info 748). 2ª corrente: SIM. No homicídio mercenário, a qualificadora da paga ou promessa de recompensa é elementar do tipo qualificado, comunicando-se ao mandante do delito. STJ. 6ª Turma. AgInt no REsp 1681816/GO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 03/05/2018. • O crime de remoção de órgãos qualificado pelo resultado morte, previsto no art. 14, § 4º, da Lei nº 9.434/97, não é de competência do Júri. STF. 1ª Turma. RE 1313494/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/9/2021 (Info 1030). • É possível haver homicídio qualificado praticado com dolo eventual? 1) No caso das qualificadoras do motivo FÚTIL e/ou TORPE (art. 121, § 2º, I e II, do CP): SIM. Não há dúvidas quanto a isso. Trata-se da posição do STJ e do STF. STJ. 6ª Turma. REsp 1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/06/2017. 2) No caso de qualificadoras de MEIO (art. 121, § 2º, III e IV, do CP): 1ª corrente: SIM. O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual), não exclui a possibilidade de o crime ter sido praticado por motivo fútil, uma vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que ensejou a conduta. STJ. 6ª Turma. REsp 1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/06/2017. 2ª corrente: NÃO. O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada dissimulação). Para que incida a qualificadora da surpresa é indispensável que fique provado que o agente teve a vontade de surpreender a vítima, https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 88 de 508 gran.com.br impedindo ou dificultando que ela se defendesse. Ora, no caso do dolo eventual, o agente não tem essa intenção, considerando que não quer matar a vítima, mas apenas assume o risco de produzir esse resultado. Como o agente não deseja a produção do resultado, ele não direcionou sua vontade para causar surpresa à vítima. Logo, não pode responder por essa circunstância (surpresa). STF. 2ª Turma. HC 111442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677) / A qualificadora de natureza objetiva prevista no inciso III do § 2º do art. 121 do Código Penal não se compatibiliza com a figura do dolo eventual, pois enquanto a qualificadora sugere a ideia de premeditação, em que se exige do agente um empenho pessoal, por meio da utilização de meio hábil, como forma de garantia do sucesso da execução, tem-se que o agente que age movido pelo dolo eventual não atua de forma direcionada à obtenção de ofensa ao bem jurídico tutelado, embora, com a sua conduta, assuma o risco de produzi-la. STJ. 6ª Turma. EDcl no REsp 1848841/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/2/2021. STJ. 6ª Turma. REsp 1.987.786/SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 9/8/2022. • Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar. Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime estiver atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito. STJ. 6ª Turma. HC 433898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625). • Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2°, II, do CP), na hipótese de homicídio supostamente praticado por agente que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido — em razão de choque com outro automóvel também participante do "racha" — tenha atingido o veículo da vítima, terceiro estranho à disputa automobilística. STJ. 6ª Turma. HC 307617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583). • Se a vítima tiver morte instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar a causa de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121? NÃO. No homicídio culposo, a morte instantânea da vítima não afasta a causa de aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do CP, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer pessoa. STJ. 5ª Turma. HC 269038-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 2/12/2014 (Info 554). 1.3. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUITILAÇÃO Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar- lhe auxílio material para que o faça: CRIME FORMAL Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. § 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código: – QUALIFICADORA – CRIME MATERIAL Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. § 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: - QUALIFICADORA – CRIME MATERIAL Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. § 3º A pena é duplicada: I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 89 de 508 gran.com.br II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. § 4º A pena é AUMENTADA até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. § 5º AUMENTA-SE A PENA em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual. § 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código. – LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA! § 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze)anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime de HOMICÍDIO, nos termos do art. 121 deste Código. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO QUALIFICADORAS MAJORANTES • Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima; DUPLICADA • motivo egoístico, torpe ou fútil; • vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. • Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte. ATÉ O DOBRO • conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. METADE • agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual. Obs.: a redação do §5º do art. 122 mudou com a Lei nº 14.811/2024. Entretanto, como ela é pós-edital, não será cobrada na sua prova. Por isso, ainda estamos abordando a redação antiga! CRIME PRATICADO CONTRA MENOR DE 14 ANOS OU VULNERÁVEL RESULTA EM TIPO PENAL Lesão grave Art. 122, § 1° + Art. 122, § 3º, II Lesão gravíssima Art. 129, § 2º Morte Art. 121 AMBICÍDIO CONCEITO • É o “pacto de morte” (duas pessoas decidem tirar as suas próprias vidas). SITUAÇÃO HIPOTÉTICA TRAZIDA PELA DOUTRINA (SANCHES) X e Y decidem se matar em um cômodo fechado, de tal forma que, para tal, X abre uma torneira de gás. Um vizinho percebe o que está acontecendo e invade o cômodo, salvando os dois. Como eles serão responsabilizados? • X: tentativa de homicídio; • Y: participação em suicídio na modalidade simples, se resultou em lesão leve; ou na modalidade qualificada, se resultou em lesão grave ou gravíssima. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 90 de 508 gran.com.br 1.4. ABORTO ABORTO PROVOCADO PELA GESTANTE OU COM SEU CONSENTIMENTO Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos. ABORTO PROVOCADO POR TERCEIRO Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de três a dez anos. Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência FORMA QUALIFICADA – É CAUSA DE AUMENTO DE PENA Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são AUMENTADAS de um terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: - EXCLUDENTE DE ILICITUDE ABORTO NECESSÁRIO – TERAPÊUTICO OU PROFILÁTICO I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; ABORTO NO CASO DE GRAVIDEZ RESULTANTE DE ESTUPRO – ABORTO SENTIMENTAL, HUMANITÁRIO, ÉTICO OU PIEDOSO II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. • Médico não pode acionar a polícia para investigar paciente que procurou atendimento médico-hospitalar por ter praticado manobras abortivas, uma vez que se mostra como confidente necessário, estando proibido de revelar segredo do qual tem conhecimento, bem como de depor a respeito do fato como testemunha. STJ. 6ª Turma. HC 783927/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 14/3/2023 (Info 767). • Interrupção de gravidez de feto anencéfalo é conduta atípica. STF. Plenário. ADPF 54/DF, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11 e 12/4/2012. ABORTO TIPIFICAÇÃO Aborto natural e acidental Não há crime Autoaborto Art. 124, 1ª parte Aborto consentido ou procurado Art. 124, 2ª parte Aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante Art 125 Aborto provocado por terceiro com o consentimento da gestante Art 126 Aborto majorado pelo resultado Art. 127 Aborto legal Art. 128 https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 91 de 508 gran.com.br Aborto eugênico ou eugenésico É criminoso, com exceção de caso de feto anencéfalo (STF) Aborto honoris causa É criminoso Aborto miserável É criminoso Destaca-se que na hipótese de vários fetos (gêmeos, trigêmeos etc.), haverá concurso formal de crimes. Ademais, os arts. 124 e 126 são exceção pluralista à teoria monista. 1.5. LESÃO CORPORAL LESÃO CORPORAL Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE § 1º Se resulta: - LESÃO CORPORAL GRAVE I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; II - perigo de vida; III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV - aceleração de parto: Pena - reclusão, de um a cinco anos. § 2° Se resulta: LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA I - Incapacidade permanente para o trabalho; II - enfermidade incuravel; III perda ou inutilização do membro, sentido ou função; IV - deformidade permanente; V - aborto: Pena - reclusão, de dois a oito anos. LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE – é crime PRETERDOLOSO § 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, nem assumiu o risco de produzí-lo: Pena - reclusão, de quatro a doze anos. DIMINUIÇÃO DE PENA – LESÃO CORPORAL PRIVILEGIADA § 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode REDUZIR a pena de um sexto a um terço. SUBSTITUIÇÃO DA PENA § 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda SUBSTITUIR a pena de detenção pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis: I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; II - se as lesões são recíprocas. LESÃO CORPORAL CULPOSA § 6° Se a lesão é culposa: Pena - detenção, de dois meses a um ano. AUMENTO DE PENA § 7º AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 6º do art. 121 deste Código. § 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121. – PERDÃO JUDICIAL https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 92 de 508 gran.com.br VIOLÊNCIA DOMÉSTICA § 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. § 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste artigo, AUMENTA-SE a pena em 1/3 (um terço). § 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será AUMENTADA de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. § 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é AUMENTADA de um a dois terços. – Essa condição no art. 121 (homicídio) é uma qualificadora, mas no art. 129 (lesão corporal) é uma majorante! Não confunda! § 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código: ATENÇÃO! NOVIDADE! Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). Súmula nº 542, STJ: “A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada.”• Verificado que a lesão é o resultado das agressões sofridas, a existência de concausa anterior relativamente independente não impede a condenação pelo crime de lesão corporal grave. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.882.609-MS, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 13/3/2023 (Info 770). • A qualificadora prevista no art. 129, § 2º, IV, do Código Penal (deformidade permanente) abrange somente lesões corporais que resultam em danos físicos. STJ. 6ª Turma. HC 689921-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 08/03/2022 (Info 728). • Lesão corporal contra irmão configura o § 9º do art. 129 do CP não importando onde a agressão tenha ocorrido. STJ. 5ª Turma. RHC 50026-PA, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 3/8/2017 (Info 609). • Perda de dois dentes configura lesão grave (e não gravíssima). STJ. 6ª Turma. REsp 1620158-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/9/2016 (Info 590). • A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a deformidade na vítima. Isso porque, o fato criminoso é valorado no momento de sua consumação, não o afetando providências posteriores, notadamente quando não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados, dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da vítima. STJ. 6ª Turma. HC 306.677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ- SP), Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015 (Info 562). https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144 Tiro final – Revisão – Delta PCPE 93 de 508 gran.com.br • A ausência do laudo pericial não impede que a materialidade do delito de lesão corporal de natureza grave seja reconhecida por outros meios, como testemunhas e relatórios de atendimento hospitalar. STF. 2ª Turma. HC 114567/ES, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/10/2012 (Info 684). LESÃO CORPORAL GRAVE E GRAVÍSSIMA (MODALIDADES) GRAVE GRAVÍSSIMA P Perigo de vida P Perda ou inutilização do membro, sentido ou função I Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias E Enfermidade incurável D Debilidade permanente de membro, sentido ou função I Incapacidade permanente para o trabalho A Aceleração de parto D Deformidade permanente A Aborto LESÃO CORPORAL QUALIFICADORAS • Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo; • Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino. MAJORANTES 1/3 • Lesão culposa quando o crime: resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício; agente deixa de prestar imediato socorro à vítima; agente não procura diminuir as consequências do seu ato; ou agente foge para evitar prisão em flagrante. • Lesão dolosa quando o crime é praticado contra pessoa: menor de 14 (quatorze); ou maior de 60 (sessenta) anos. • Crime for praticado por: milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança; ou grupo de extermínio. • Crime de violência doméstica cometido contra: pessoa portadora de deficiência. • No caso de lesão grave, gravíssima ou seguida de morte: se as circunstâncias são as indicadas no § 9º (violência doméstica). 1 A 2/3 • Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição. São hediondos: lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2º) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 94 de 508 gran.com.br 1.6. OMISSÃO DE SOCORRO Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo único - A pena é AUMENTADA de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. - MAJORANTE OMISSÃO DE SOCORRO (CP) OMISSÃO DE SOCORRO (CTB) Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública. Deixar o condutor do veículo, na ocasião do sinistro, de prestar imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública. Crime comum – qualquer pessoa. Crime próprio – apenas o condutor do veículo envolvido no acidente. 1.7. MAUS-TRATOS Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina: Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa. § 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de um a quatro anos. § 2º - Se resulta a morte: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de quatro a doze anos. § 3º - AUMENTA-SE a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. - MAJORANTE MAUS-TRATOS (Art. 136, CP) TORTURA-CASTIGO (Art. 1º, II, LEI Nº 9.455/97) Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina Submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. Crime de perigo Crime de dano Dolo de repreensão Dolo de padecimento Não exige intenso sofrimento físico ou mental Exige intenso sofrimento físico ou mental https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 95 de 508 gran.com.br 1.8. CRIMES CONTRA A HONRA CALÚNIA Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. § 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. § 2º - É punível a calúnia contra os mortos. EXCEÇÃO DA VERDADE § 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: - EM REGRA, CABE EXCEÇÃO DA VERDADE NA CALÚNIA, COM EXCEÇÃO DOS CASOS TRAZIDOS NESTE PARÁGRAFO! I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141(PRESIDENTE DA REPÚBLICA OU CHEFE DE GOVERNO ESTRANGEIRO); III - se do crime imputado, embora de açãopública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. DIFAMAÇÃO Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. EXCEÇÃO DA VERDADE Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. – É EXCEÇÃO, POIS EM REGRA NÃO CABE EXCEÇÃO DA VERDADE NA DIFAMAÇÃO! INJÚRIA Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. § 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: - PERDÃO JUDICIAL I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria. § 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes: - INJÚRIA REAL Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. § 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à condição de pessoa idosa ou com deficiência: - INJÚRIA DISCRIMINATÓRIA ATENÇÃO! NOVIDADE! Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (“Raça, cor, etnia e origem” não fazem mais parte do § 3º! Estes elementos agora integram a “injúria racial” prevista no art. 2ª-A da lei nº 7.716/89 – fenômeno da continuidade normativo-típica)! DISPOSIÇÕES COMUNS Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo AUMENTAM-SE de um terço, se qualquer dos crimes é cometido: - MAJORANTES I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; II - contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal; https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 96 de 508 gran.com.br III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria. IV - contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou pessoa com deficiência, exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 deste Código. ATENÇÃO! NOVIDADE! #LEYHENRYBOREL § 1º - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro. § 2º Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores, aplica-se em triplo a pena. EXCLUSÃO DO CRIME Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível: I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador; II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar; III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade. RETRATAÇÃO Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena. Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa. Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º (INJÚRIA REAL), da violência resulta lesão corporal. Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código (CONTRA PRESIDENTE DA REPÚBLICA OU CHEFE DE GOVERNO ESTRANGEIRO), e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II (CONTRA FUNCIONÁRIO PÚBLICO, EM RAZÃO DE SUAS FUNÇÕES) do mesmo artigo, bem como no caso do § 3º o do art. 140 (INJÚRIA DISCRIMINATÓRIA) deste Código. Súmula nº 714, STF: “É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.” • Veículo de comunicação social pode ser responsabilizado por ter divulgado entrevista na qual o entrevistado forneceu informações falsas e ofensivas à honra de outra pessoa. STF. Plenário. RE 1.075.412/PE, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2023 (Repercussão Geral – Tema 955) (Info 1120). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 97 de 508 gran.com.br • O mero compartilhamento de postagem consistente em charge elaborada por cartunista, sem agregar à conduta objetiva a intenção de ofender, injuriar ou vilipendiar a honra da suposta vítima não tem o condão de qualificar a prática de infração penal. STJ. Corte Especial. Inq 1.656/DF, Rel. Min.Antonio Carlos Ferreira, julgado em 9/11/2023 (Info 16 – Edição Extraordinária). • É inconstitucional o uso da tese da “legítima defesa da honra” em crimes de feminicídio ou de agressão contra mulheres, seja no curso do processo penal (fase pré- processual ou processual), seja no âmbito de julgamento no Tribunal do Júri. Essa tese é inconstitucional por contrariar os princípios da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CF/88), da proteção à vida (art. 5º, “caput”, CF/88) e da igualdade de gênero (art. 5º, I, CF/88). STF. Plenário ADPF 779/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º/8/2023 (Info 1105). • Críticas políticas a atuação de membro do Ministério Público, sem que haja imputação de um fato determinado, com a indicação da conduta praticada, de quando fora praticada, em que local ou em que circunstâncias supostamente delitivas, não bastam para a configuração do crime de calúnia. STJ. Corte Especial. APn 990/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 21/9/2022 (Info Especial 8). • Manifestações por parte da imprensa de natureza crítica, satírica, agressiva, grosseira ou deselegante não autorizam, por si sós, o uso do direito penal para, mesmo que de forma indireta, silenciar a atividade jornalística. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 691897-DF, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 17/05/2022 (Info 738). • O crime de injúria praticado pela internet por mensagens privadas, as quais somente o autor e o destinatário têm acesso ao seu conteúdo, consuma-se no local em que a vítima tomou conhecimento do conteúdo ofensivo. STJ. 3ª Seção. CC 184269-PB, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 09/02/2022 (Info 724). • A retratação da calúnia, feita antes da sentença, acarreta a extinção da punibilidade do agente independente de aceitação do ofendido. STJ. Corte Especial. APn 912/RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 03/03/2021 (Info 687). • Difamação pode ser praticada mediante a publicação de vídeo no qual o discurso da vítima seja editado. STF. 1ª Turma. AP 1021/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/8/2020 (Info 987). • A ausência de previsibilidade de que a ofensa chegue ao conhecimento da vítima afasta o dolo específico do delito de injúria, tornando a conduta atípica. STJ. 6ª Turma. REsp 1765673-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/05/2020 (Info 672). • Esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de postagem que sugere relação extraconjugal do marido. STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2018 (Info 919). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – DeltaPCPE 98 de 508 gran.com.br CRIMES CONTRA A HONRA ADMITE PUNIÇÃO SE PRATICADO CONTRA OS MORTOS • calúnia ADMITE PERDÃO JUDICIAL • injúria ADMITEM EXCEÇÃO DA VERDADE • calúnia (regra); e • difamação (exceção - se a conduta for dirigida contra funcionário público no exercício da função). ADMITEM EXCLUSÃO DO CRIME • injúria; e • difamação (INDI) ADMITEM RETRATAÇÃO • calúnia; e • difamação (CADI) AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA AP PRIVADA • regra; • contra funcionário público, em razão de suas funções (súmula 714, STF). AP PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO • contra funcionário público, em razão de suas funções (art. 141, II e súmula 714, STF); • injúria Discriminatória (art. 140, § 3º). REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA • contra o Presidente da República ou Chefe de governo estrangeiro (art. 141, I). AP PÚBLICA INCONDICIONADA • injúria real, se da violência resulta lesão corporal (art. 145, 2ª parte). CAUSAS DE AUMENTO – CRIMES CONTRA A HONRA 1/3 • contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; • contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal; • na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria. • contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou pessoa com deficiência, exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 deste Código DOBRO • cometido mediante paga ou promessa de recompensa. TRIPLO • cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores. 1.9. PERSEGUIÇÃO Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 99 de 508 gran.com.br § 1º A pena é AUMENTADA de metade se o crime é cometido: I – contra criança, adolescente ou idoso; II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código; III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma. § 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência. § 3º Somente se procede mediante representação. • A revogação da contravenção de perturbação da tranquilidade (art. 65 da LCP) pela Lei 14.132/2021, não significa que tenha ocorrido abolitio criminis em relação a todos os fatos que estavam enquadrados na referida infração penal. STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl no REsp 1863977-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/12/2021 (Info 722). 1.10. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave. 1.11. INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita: Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1º Na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput. § 2º AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se da invasão resulta prejuízo econômico. § 3º Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido; - QUALIFICADORA Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. § 4º Na hipótese do § 3º, AUMENTA-SE a pena de um a dois terços se houver divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações obtidos. – MAJORANTE https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 100 de 508 gran.com.br § 5º AUMENTA-SE a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra: – MAJORANTE I - Presidente da República, governadores e prefeitos; II - Presidente do Supremo Tribunal Federal; III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou IV - dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal. AÇÃO PENAL Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, somente se procede mediante representação, salvo se o crime é cometido contra a administração pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou contra empresas concessionárias de serviços públicos. INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO QUALIFICADORA • Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido. MAJORANTES 1/3 A 2/3 • Se da invasão resulta prejuízo econômico. • Na hipótese do § 3º (qualificadora) se houver divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações obtidos. 1/3 A 1/2 • Se o crime for cometido contra: I - Presidente da República, governadores e prefeitos; II - Presidente do Supremo Tribunal Federal; III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou IV - dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal. AÇÃO PENAL - INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO AP CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO AP PÚBLICA INCONDICIONADA • Regra • Exceção - se o crime é cometido contra a administração pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou contra empresas concessionárias de serviços públicos (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - A instigação à prática da automutilação ou a prestação de auxílio material para que a vítima o faça configura o crime de lesão corporal, que pode variar conforme a gravidade da lesão. ITEM INCORRETO, pois o penal que a questão aborda se refere ao crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou automutilação! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 101 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - A retratação da calúnia feita antes da sentença acarreta a extinção da punibilidade do agente, independentemente de aceitação do ofendido. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - Segundo o Superior Tribunal de Justiça, não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e feminicídio no homicídio praticado contra mulher em situaçãode violência doméstica e familiar. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - No delito de injúria, o juiz poderá deixar de aplicar a pena se o ofendido, de forma reprovável, provocar diretamente a ofensa. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - Não se admite o instituto da retratação nos crimes de calúnia e difamação. ITEM INCORRETO, pois admite-se a retração nos crimes de calúnia e difamação! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - O feminicídio – crime cometido contra a vida da mulher devido à sua condição de sexo feminino – tem aumento de pena se praticado contra vítima portadora de doença degenerativa que acarrete condição limitante. ITEM CORRETO! (CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) - Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida. Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item. Por ter agido influenciado por emoção extrema, Carlos poderá ser beneficiado pela incidência de causa de diminuição de pena. ITEM INCORRETO, pois “influência de violenta emoção” é atenuante; “domínio de violenta emoção” é causa de diminuição de pena! 2 – CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 2.1. FURTO FURTO Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, DIMINUÍ-LA de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. – FURTO PRIVILEGIADO § 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. FURTO QUALIFICADO https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 102 de 508 gran.com.br § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; (FURTO POR EFRAÇÃO) II - com abuso de confiança (FAMULATO), ou mediante fraude, escalada ou destreza (PUNGUISTA OU PICKPOCKET); III - com emprego de chave falsa; - O conceito de chave falsa abrange todo o instrumento, com ou sem forma de chave, utilizado como dispositivo para abrir fechadura, incluindo mixas (STJ, HC 101.495/MG). IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. § 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. § 4º-B. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o furto mediante fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. § 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso: I – AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional; II – AUMENTA-SE DE 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é praticado contra idoso ou vulnerável. § 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. § 6º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a subtração for de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração. § 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do roubo.” Súmula nº 511, STJ: “É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.” Súmula nº 567, STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.” • No crime de furto contra empresa de segurança e transporte de valores, o prejuízo está inserido no risco do negócio e não autoriza a exasperação da pena basilar, porquanto ínsito ao tipo penal. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.322.175-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 30/5/2023 (Info 777). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 103 de 508 gran.com.br • Para que incida o § 1º do art. 155 do CP as únicas exigências são que o furto ocorra à noite e em situação de repouso. 1. Nos termos do § 1º do art. 155 do Código Penal, se o crime de furto é praticado durante o repouso noturno, a pena será aumentada de um terço. 2. O repouso noturno compreende o período em que a população se recolhe para descansar, devendo o julgador atentar-se às características do caso concreto. 3. A situação de repouso está configurada quando presente a condição de sossego/tranquilidade do período da noite, caso em que, em razão da diminuição ou precariedade de vigilância dos bens, ou, ainda, da menor capacidade de resistência da vítima, facilita-se a concretização do crime. 4. São irrelevantes os fatos das vítimas estarem, ou não, dormindo no momento do crime, ou o local de sua ocorrência, em estabelecimento comercial, via pública, residência desabitada ou em veículos, bastando que o furto ocorra, obrigatoriamente, à noite e em situação de repouso. STJ. 3ª Seção. REsp 1979989-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 22/06/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1144) (Info 742). • A causa de aumento do § 1º pode ser aplicada para o furto qualificado? Para o STJ: NÃO! A causa de aumento prevista no § 1º do art. 155 do Código Penal (prática do crime de furto no período noturno) não incide no crime de furto na sua forma qualificada (§ 4º). STJ. 3ª Seção. REsp 1.890.981-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 25/05/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1087) (Info 738). Para o STF: SIM! A causa de aumento do repouso noturno se coaduna com o furto qualificado quando compatível com a situação fática. STF. 1ª Turma. HC 180966 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 04/05/2020. • Em regra, é necessária perícia para comprovar a escalada no caso de furto qualificado (art. 155, § 4º, II, do CP). Excepcionalmente, a prova pericial será prescindível (dispensável) se houver nos autos elementos aptos a comprovar a escalada de forma inconteste. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1895487-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 26/04/2022 (Info 735). • O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica antes do recebimento da denúncia não é causa de extinção da punibilidade. O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo tratamento dado ao inadimplemento tributário, de modo que o pagamento do débito antes do recebimento da denúncia não configura causa extintiva de punibilidade, mas causa de redução de pena relativa ao arrependimento posterior (art. 16 do CP). STJ. 3ª Seção. RHC 101299-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro,Rel. Acd. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 13/03/2019 (Info 645). • Se o funcionário do banco recebe o cartão e a senha da idosa para auxiliá-la a sacar um dinheiro do caixa eletrônico e, aproveitando a oportunidade, transfere quantias para a sua conta pessoal, tal conduta configura o crime previsto no art. 102 do Estatuto do Idoso. STJ. 6ª Turma. REsp 1358865-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 4/9/2014 (Info 547). • A conduta de violar o automóvel, mediante a destruição do vidro para que seja subtraído bem que se encontre em seu interior — no caso, um aparelho de som automotivo — configura o tipo penal de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo à subtração da coisa, previsto no art. 155, § 4º, inciso I, do CP. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1364606-DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 22/10/2013 (Info 532). / STJ. 3ª Seção. EREsp 1079847/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, Terceira Seção, julgado em 22/05/2013. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 104 de 508 gran.com.br FURTO QUALIFICADORAS • destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; • abuso de confiança, fraude, escalada ou destreza; • emprego de chave falsa; • concurso de duas ou mais pessoas. • subtração for de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração. • subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. • emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum; • subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. • se o furto mediante fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. MAJORANTES 1/3 • praticado durante o repouso noturno. 1/3 a 2/3 • se o crime do § 4º-B é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional. 1/3 AO DOBRO • se o crime do § 4º-B é praticado contra idoso ou vulnerável. A teoria adotada para a consumação do furto/roubo é a “Teoria da Apprehensio, Amotio ou Inversão da Posse”, cuja consumação ocorre com a posse de fato da res furtiva, ainda que por breve espaço de tempo e seguida de perseguição ao agente, sendo prescindível (independe) a posse mansa e pacífica ou desvigiada. Portanto, se dá com a inversão da posse e não se exige que o agente tenha posse desvigiada do bem. É hediondo: furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. Obs.: é hediondo o furto qualificado “pelo emprego” de explosivo e não “de” substâncias explosivas - #NÃOCONFUNDA Ainda, é importante destacarmos que: É HEDIONDO NÃO É HEDIONDO FURTO QUALIFICADO mediante emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum ROUBO MAJORADO se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 105 de 508 gran.com.br 2.2. ROUBO Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. § 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. § 2º A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) até metade: - MAJORANTE I – (revogado); II - se há o concurso de duas ou mais pessoas; III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior; V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. VII - se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca; § 2º-A A pena AUMENTA-SE de 2/3 (dois terços): - MAJORANTE I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. § 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) - MAJORANTE § 3º Se da violência resulta: - QUALIFICADORA I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018) II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. Súmula nº 603, STF: “A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do Tribunal do Júri.” Súmula nº 610, STF: “Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não se realize o agente a subtração de bens da vítima.” Súmula nº 443, STJ: “O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.” Súmula nº 582, STJ: “Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.” • Se o agente utiliza simulacro de arma de fogo para subtrair os bens, ele comete roubo porque o simulacro já é suficiente para configurar grave ameaça; como houve grave https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 106 de 508 gran.com.br ameaça não é possível substituição por restritiva de direitos já que existe vedação no art. 44, I, do CP. STJ. 3ª Seção. REsp 1.994.182-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/12/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1171) (Info 799). • Subtraído um só patrimônio, a pluralidade de vítimas da violência não impede o reconhecimento de crime único de latrocínio. O STJ entendia, no passado, que a quantidade de latrocínios era aferida a partir do número de vítimas em relação às quais foi dirigida a violência, e não pela quantidade de patrimônios atingidos. Ocorre que esse entendimento destoava do STF. O Supremo possui julgados afastando o concurso formal impróprio e reconhecendo a ocorrência de crime único de latrocínio, nas situações em que, embora o animus necandi seja dirigido a mais de uma pessoa, apenas um patrimônio tenha sido atingido. A pluralidade de vítimas atingidas pela violência no crime de roubo com resultado morte ou lesão grave, embora único o patrimônio lesado, não altera a unidade do crime, devendo essa circunstância ser sopesada na individualização da pena (STF. 2ª Turma. HC 96736, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/09/2013). Diante disso, o STJ decidiu fazer um overruling da sua jurisprudência, adequando-a ao entendimento do STF acerca do tema. Vigora, portanto, atualmente, o seguinte: subtraído um só patrimônio, a pluralidade de vítimas da violência não impede o reconhecimento de crime único de latrocínio. STJ. 3ª Seção. AgRg no AREsp 2.119.185-RS, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 13/9/2023 (Info 789). • A existência de doença cardíaca de que padecia a vítima configura-se comoconcausa preexistente relativamente independente, não sendo possível afastar o resultado mais grave (morte) e, por consequência, a imputação de latrocínio. STJ. 6ª Turma. HC 704.718-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/5/2023 (Info 777). • Nos casos em que se aplica a Lei nº 13.654/2018, é possível a valoração do emprego de arma branca, no crime de roubo, como circunstância judicial desabonadora. STJ. 3ª Seção. REsp 1921190-MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 25/05/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1110) (Info 738). • Agente pretendia praticar roubo e foi surpreendido após romper o cadeado e destruir a fechadura da porta da casa da vítima; não se pode falar em tentativa de roubo. STJ. 5ª Turma. AREsp 974254-TO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 21/09/2021 (Info 711). • Configura o crime de roubo (e não estelionato) a conduta do funcionário de uma empresa que combina com outro indivíduo para que este simule que assalta o empregado com uma arma de fogo e, dessa forma, leve o dinheiro da empresa. STF. 1ª Turma. HC 147584/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 2/6/2020 (Info 980). • É necessário que a arma utilizada no roubo seja apreendida e periciada para que incida a majorante do art. 157, § 2º-A, I, do Código Penal? NÃO. O reconhecimento da referida causa de aumento prescinde (dispensa) da apreensão e da realização de perícia na arma, desde que o seu uso no roubo seja provado por outros meios de prova, tais como a palavra da vítima ou mesmo de testemunhas. STF. 1ª Turma. HC 108034/MG, rel. Min. Rosa Weber, julgado em 05/06/2012 (Info 674). STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1076476/RO, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 449102/MS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 09/10/2018. • Grave ameaça/violência contra mais de uma pessoa, mas subtração de um só patrimônio. No delito de roubo, se a intenção do agente é direcionada à subtração de um único patrimônio, estará configurado apenas um crime, ainda que, no modus operandi (modo https://www.gran.com.br/ https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/286674e3082feb7e5afb92777e48821f?categoria=11&subcategoria=106&assunto=262 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/286674e3082feb7e5afb92777e48821f?categoria=11&subcategoria=106&assunto=262 Tiro final – Revisão – Delta PCPE 107 de 508 gran.com.br de execução), seja utilizada violência ou grave ameaça contra mais de uma pessoa para a obtenção do resultado pretendido. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1490894-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/2/2015 (Info 556). • Roubo praticado no interior de ônibus sendo que o sujeito rouba apenas o dinheiro que estava com o cobrador. O sujeito entra no ônibus e, com arma em punho, subtrai apenas os bens que estavam na posse do cobrador de ônibus: R$ 30,00 e um aparelho celular, pertencentes ao funcionário, e R$ 70,00 que eram da empresa de transporte coletivo. Quantos crimes ele terá praticado? Um único crime (art. 157, § 2º, I, do CP). (...) o Ministro relembrou que a jurisprudência do STJ e do STF entende que o roubo perpetrado com violação de patrimônios de diferentes vítimas, ainda que em um único evento, configura concurso formal de crimes, e não crime único (vimos isso acima). Todavia, para ele, esse mesmo entendimento não pode ser aplicado ao caso em que os bens subtraídos, embora pertençam a pessoas distintas, estavam sob os cuidados de uma única pessoa, que sofreu a grave ameaça ou violência. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1396144-DF, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador Convocado do TJ/SP), julgado em 23/10/2014 (Info 551). ESPÉCIES ROUBO PRÓPRIO ROUBO IMPRÓPRIO VIOLÊNCIA Própria ou imprópria Própria GRAVE AMEAÇA Tem Tem MOMENTO Antes ou durante a subtração Após a subtração FINALIDADE Permitir a subtração do bem Assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa Obs.: não existe violência imprópria no roubo impróprio! ROUBO QUALIFICADORAS • se da violência resulta lesão corporal grave • se da violência resulta morte MAJORANTES 1/3 ATÉ 1/2 • se há o concurso de duas ou mais pessoas • se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância • se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior • se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade • se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego • se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca 2/3 • se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo • se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 108 de 508 gran.com.br EM DOBRO • se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido FURTO DE USO ROUBO DE USO É crime Não é crime SUBTRAÇÃO CONSUMADA + MORTE TENTADA Latrocínio tentado SUBTRAÇÃO TENTADA + MORTE TENTADA Latrocínio tentado SUBTRAÇÃO CONSUMADA + MORTE CONSUMADA Latrocínio consumado SUBTRAÇÃO TENTADA + MORTE CONSUMADA Latrocínio consumado São hediondos: roubo circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima; roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo; roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido; e roubo qualificado pela lesão corporal grave ou morte. 2.3. EXTORSÃO Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. § 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, AUMENTA-SE a pena de um terço até metade. § 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior (ROUBO SEGUIDO DE LESÃO CORPORAL GRAVE OU MORTE). § 3º Se o crime é cometido mediante a RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente. – EXTORSÃO QUALIFICADA PELA RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA (SEQUESTRO RELÂMPAGO) + MAJORANTE DA EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO SEGUIDA DE LESÃO CORPORAL GRAVE OU MORTE • Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto. Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018. STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 24/4/2018 (Info 899). • A extorsão pode ser praticada mediante a ameaça feita pelo agente de causar um "mal espiritual" na vítima. STJ. 6ª Turma. REsp 1299021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/2/2017 (Info 598). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 109 de 508 gran.com.br • Incide a majorante do § 1º do art. 158 do CP no caso da extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima (§ 3º). STJ. 5ª Turma. REsp 1353693-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/9/2016 (Info 590). • Não se consuma o crime de extorsão quando, apesar de ameaçada, a vítima não se submete à vontade do criminoso, ou seja, não assume o comportamento exigido pelo agente. Nesse caso, haverá tentativa de extorsão. STJ. 6ª Turma. REsp 1094888-SP, Rel.Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 21/8/2012 (Info 502). A extorsão não se confunde com o roubo. Vejamos: ROUBO EXTORSÃO VANTAGEM Imediata Mediata COLABORAÇÃO DA VÍTIMA Dispensável Indispensável OBJETO MATERIAL Coisa alheia móvel Vantagem indevida (coisa móvel ou imóvel) É hediondo: extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 3º). 2.4. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate: Pena - reclusão, de oito a quinze anos. § 1º Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha. – QUALIFICADORA Pena - reclusão, de doze a vinte anos. § 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: – QUALIFICADORA Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. § 3º - Se resulta a morte: – QUALIFICADORA Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos. § 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena REDUZIDA de um a dois terços. – COLABORAÇÃO PREMIADA São hediondos: extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lº, 2º e 3º); 2.5. APROPRIAÇÃO INDÉBITA Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. AUMENTO DE PENA § 1º - A pena é AUMENTADA de um terço, quando o agente recebeu a coisa: I - em depósito necessário; https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 110 de 508 gran.com.br II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial; III - em razão de ofício, emprego ou profissão. Logo: • Posse vigiada: furto; • Posse desvigiada: apropriação indébita. • O sócio-administrador, nomeado depositário judicial, que deixa de depositar, em Juízo, parte do faturamento da sociedade empresária, comete o crime de apropriação indébita? • Para a 6ª Turma do STJ: SIM. O fiel depositário de penhora judicial sobre o faturamento está sujeito às penas previstas no art. 168, § 1º, II, do Código Penal. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.871.947/PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/4/2022. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.853.281/PR, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 13/3/2023. • Para a 2ª Turma do STF: NÃO. O sócio-administrador, nomeado depositário judicial, que deixa de depositar, em Juízo, parte do faturamento da sociedade empresária, não comete o crime de apropriação indébita, porquanto falta a elementar do tipo “alheia”. Caso equiparado à prisão do depositário infiel. Violação à Súmula Vinculante 25. O ordenamento jurídico prevê outros meios processual-executórios postos à disposição do credor-fiduciário para a garantia do crédito, de forma que a prisão civil, como medida extrema de coerção do devedor inadimplente, não passa no exame da proporcionalidade como proibição de excesso, em sua tríplice configuração: adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito. STF. 2ª Turma. HC 203217, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 25/10/2021. STF. 2ª Turma. HC 215.102/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, redator do acórdão Min. Nunes Marques, julgado em 17/10/2023 (Info 1113). 2.6. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. § 1° Nas mesmas penas incorre quem deixar de: I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social. § 2º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art168a Tiro final – Revisão – Delta PCPE 111 de 508 gran.com.br § 3º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL) ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. § 4° A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. • A apropriação indébita previdenciária é crime material. STJ. 3ª Seção. REsp 1.982.304- SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 17/10/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1166) (Info 792). • Não se aplica o princípio da insignificância para os crimes de apropriação indébita previdenciária e de sonegação de contribuição previdenciária. STJ. 3ª Seção. AgRg na RvCr 4.881/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 22/05/2019. • A prescrição da pretensão punitiva do crime de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP) permanece suspensa enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em razão de decisão de antecipação dos efeitos da tutela no juízo cível. Isso porque a decisão cível acerca da exigibilidade do crédito tributário repercute diretamente no reconhecimento da própria existência do tipo penal, visto ser o crime de apropriação indébita previdenciária um delito de natureza material, que pressupõe, para sua consumação, a realização do lançamento tributário definitivo. STJ. 5ª Turma. RHC 51596-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 3/2/2015 (Info 556). • Apropriação indébita previdenciária dispensa dolo específico (animus rem sibi habendi). Trata-se de crime omissivo próprio, que se perfaz com a mera omissão de recolhimento de contribuição previdenciária no prazo e na forma legais. Desnecessária, portanto, a demonstração do animus rem sibi habendi, bem como a comprovação do especial fim de fraudar a Previdência Social. STJ. 6ª Turma. AgRg no Ag 1083.417-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/6/2013 (Info 526). ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL E ANTES DE OFERECIDA A DENÚNCIA SITUAÇÃO Agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento e presta as informações devidas à previdência social Agente primário e de bons antecedentes, promove o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios CONSEQUÊNCIA É extinta a punibilidade É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 112 de 508 gran.com.br 2.7. ESTELIONATO Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio,induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis. § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º. § 2º - Nas mesmas penas incorre quem: DISPOSIÇÃO DE COISA ALHEIA COMO PRÓPRIA I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO FRAUDULENTA DE COISA PRÓPRIA II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; DEFRAUDAÇÃO DE PENHOR III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; FRAUDE NA ENTREGA DE COISA IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; FRAUDE PARA RECEBIMENTO DE INDENIZAÇÃO OU VALOR DE SEGURO – ÚNICA MODALIDADE FORMAL DO ART. 171! V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as consequências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro; FRAUDE NO PAGAMENTO POR MEIO DE CHEQUE VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. FRAUDE ELETRÔNICA ATENÇÃO! NOVIDADE! § 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. § 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso, AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional. § 3º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. - ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO ESTELIONATO CONTRA IDOSO OU VULNERÁVEL § 4º A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso ou vulnerável, considerada a relevância do resultado gravoso. § 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: I - a Administração Pública, direta ou indireta; II - criança ou adolescente; III - pessoa com deficiência mental; ou IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 113 de 508 gran.com.br Art. 171-A. Organizar, gerir, ofertar ou distribuir carteiras ou intermediar operações que envolvam ativos virtuais, valores mobiliários ou quaisquer ativos financeiros com o fim de obter vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. – FRAUDE COM ATIVOS VIRTUAIS E FINANCEIROS - ATENÇÃO! NOVIDADE! Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. Súmula nº 246, STF: “Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos.” Súmula nº 554, STF: "O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal." Súmula nº 17, STJ: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. Súmula nº 48, STJ: “Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.” Súmula nº 73, STJ: “A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.” Súmula nº 107, STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não ocorrente lesão à autarquia federal.” • Compete ao juízo estadual processar e julgar crime de estelionato contra fundo estrangeiro no qual os atos desenvolvidos foram praticados em território nacional, ainda que diverso o domicílio de sócio lesado. STJ. 3ª Seção. AgRg no CC 192.274-RJ, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 8/3/2023 (Info 775). • No crime de estelionato, não identificadas as hipóteses descritas no § 4º do art. 70 do CPP, a competência deve ser fixada no local onde o agente delituoso obteve, mediante fraude, em benefício próprio e de terceiros, os serviços custeados pela vítima. STJ. 3ª Seção. CC 185983-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 11/05/2022 (Info 736). • O crime de estelionato praticado por meio de saque de cheque fraudado compete ao Juízo do local da agência bancária da vítima. STJ. 3ª Seção. CC 182977-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 09/03/2022 (Info 728). • O novo § 4º do art. 70 do CPP, que trata sobre a competência para julgar o crime de estelionato, aplica-se imediatamente aos inquéritos policiais que estavam em curso quando entrou em vigor a Lei nº 14.155/2021. STJ. 3ª Seção. CC 180832-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 25/08/2021 (Info 706). • A mudança na ação penal do crime de estelionato, promovida pela Lei 13.964/2019, retroage para alcançar os processos penais que já estavam em curso? A mudança na ação penal do crime de estelionato, promovida pela Lei 13.964/2019, retroage para alcançar os processos penais que já estavam em curso? https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 114 de 508 gran.com.br • NÃO. É o entendimento do STJ. A exigência de representação da vítima no crime de estelionato não retroage aos processos cuja denúncia já foi oferecida. STJ. 3ª Seção. HC 610201/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/03/2021 (Info 691). • SIM. É a posição do STF: A exigência de representação para estelionato retroage em benefício do réu. STF. Plenário. HC 208817 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 13/04/2023. • Não se admite a incidência do princípio da insignificância na prática de estelionato qualificado por médico que, no desempenho de cargo público, registra o ponto e se retira do hospital. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 548869-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 12/05/2020 (Info 672). • Adulterar o sistema de medição da energia elétrica para pagar menos que o devido: estelionato (não é furto mediante fraude). Agente desvia a energia elétrica por meio de ligação clandestina (“gato”): crime de FURTO (há subtração e inversão da posse do bem); agente altera o sistema de medição para que aponte resultado menor do que o real consumo: crime de ESTELIONATO. STJ. 5ª Turma. AREsp 1.418.119-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 07/05/2019 (Info 648). • Pessoa que, após a morte do beneficiário, passa a receber mensalmente o benefício em seu lugar: estelionato em continuidade delitiva. STJ. 6ª Turma. REsp 1282118-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/2/2013 (Info 516). ESTELIONATO QUALIFICADORAS • Fraude eletrônica - Se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. MAJORANTES 1/3 A 2/3 • No caso do § 2º-A (fraude eletrônica), considerada a relevância do resultado gravoso, se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional. 1/3 AO DOBRO• Se o estelionato é cometido contra idoso ou vulnerável, considerada a relevância do resultado gravoso. AÇÃO PENAL - ESTELIONATO AP CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO AP PÚBLICA INCONDICIONADA • Regra • a Administração Pública, direta ou indireta; • criança ou adolescente; • pessoa com deficiência mental (não inclui deficiência física); ou • maior de 70 (setenta) anos de idade (não é idoso) ou incapaz. 2.8. RECEPTAÇÃO RECEPTAÇÃO Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime (RECEPTAÇÃO PRÓPRIA), ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte (RECEPTAÇÃO IMPRÓPRIA): Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 115 de 508 gran.com.br RECEPTAÇÃO QUALIFICADA § 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime: Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa. § 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência. § 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso: - RECEPTAÇÃO CULPOSA Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas. § 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. § 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL). Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. 155 (FURTO PRIVILEGIADO). § 6º Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. - MAJORANTE • A receptação, em sua forma qualificada, demanda especial qualidade do sujeito ativo, que deve ser comerciante ou industrial. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.259.297- MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 18/4/2023 (Info 771). Destaca-se que se a infração anterior for contravenção não haverá receptação e que o crime anterior não precisa ser contra o patrimônio. A sua classificação doutrinária é de crime parasitário, acessório ou delito de fusão, pois depende de delito anterior para a sua consumação. Ademais, o STF já decidiu que inexiste receptação de bem imóvel (RHC 58.329). 2.9. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo: - ESCUSA ABSOLUTÓRIA I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: - ESCUSA RELATIVA I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; II - de irmão, legítimo ou ilegítimo; III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 116 de 508 gran.com.br Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: - EXCLUDENTES DAS IMUNIDADES I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa; II - ao estranho que participa do crime. III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003) (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - Pedro ingressou na residência de sua avó Teresa e subtraiu o pequeno cofre do quarto, levando-o para um beco. Sem saber o segredo do cofre, abriu-o com um maçarico e subtraiu as joias de seu interior. Em seguida, levou as peças a uma tradicional joalheria da cidade e vendeu-as a João, comerciante de 20 anos, que comprou os objetos sem se importar em apurar a origem. Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue. O ato praticado por Pedro configura crime de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo e o praticado por João, crime de receptação qualificada. ITEM INCORRETO, pois o rompimento do obstáculo, que de acordo com a doutrina, deve- se dar antes ou durante a subtração, o que não ocorreu no caso. Tendo em vista que Pedro arrombou o cofre em momento posterior, logo responde por furto simples. Já João responde por receptação qualificada em razão de exercer atividade comercial. Ademais, está de acordo com a jurisprudência do STJ: “A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n. 1.079.847/SP (desta Relatoria, julgado em 22/05/2013, DJe 05/09/2013), reconheceu restar configurada a qualificadora do rompimento de obstáculo "quando o agente, visando subtrair aparelho sonoro localizado no interior do veículo, quebra o vidro da janela do automóvel para atingir seu intento”. (Resp 1738084/RS, julgado em 02/08/2018).”; e “A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que não incide a qualificadora prevista no art. 155, § 4º, inciso I, do Estatuto Repressivo, quando praticado o arrombamento de veículo objetivando a sua própria subtração, tal como ocorreu na hipótese dos autos.” (STJ – AgRg no REsp 1654823/RS –Julgado em 14/09/2017)! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia) - João arrombou a loja onde trabalha, e que pertence à sua mãe de 60 anos de idade, levando mercadorias avaliadas em milhares de reais. Na situação hipotética apresentada, pode-se afirmar que João praticou furto com rompimento de obstáculo à subtração da coisa. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - O roubo em transporte coletivo vazio é circunstância concreta que não justifica a elevação da pena-base. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - O rompimento de cadeado e a destruição da fechadura da porta na casa de uma pessoa, feitos com o intuito de efetuar subtração patrimonial da residência mediante uso de arma de fogo, são ações suficientes para configurar o crime de roubo circunstanciado. ITEM INCORRETO, pois de acordo com a jurisprudência do STJ, adotando-se a teoria objetivo-formal, o rompimento de cadeado e destruição de fechadura da porta da casa da vítima, com o intuito de, mediante uso de arma de fogo, efetuar subtração patrimonial da residência, configuram meros atos preparatórios que impedem a condenação por tentativa de roubo circunstanciado! https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.741.htm#art183iii Tiro final – Revisão – Delta PCPE 117 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - Durante o período de repouso noturno, Pedro cometeu o crime de furto de um veículo que estava guardado na garagem da casa da família Silva. No decorrer das investigações, foi possível constatar que Pedro era primário e que, pela análise das imagens das câmeras de segurança instaladas no jardim da residência, havia movimentação dentro da casa, ou seja, membros da família Silva estavam acordados dentro da residência. É irrelevante o fato de as vítimas estarem ou não dormindo no momento do crime, bastando que o furto tenha sido praticado à noite, durante o repouso noturno, para caracterizar a causa de aumento de pena. ITEM CORRETO! (CESPE/ CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - Durante o período de repouso noturno, Pedro cometeu o crime de furto de um veículo que estava guardado na garagem da casa da família Silva. No decorrer das investigações, foi possível constatar que Pedro era primário e que, pela análise das imagens das câmeras de segurança instaladas no jardim da residência, havia movimentação dentro da casa, ou seja, membros da família Silva estavam acordados dentro da residência. Caso Pedro tivesse se utilizado de escalada para cometer o crime, tal qualificadora só poderia ser reconhecida mediante prova pericial. ITEM INCORRETO, pois, excepcionalmente, presentes nos autos elementos aptos a comprovar a escalada de forma inconteste, a prova pericial torna-se prescindível. (Info 735 do STJ) (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - Conforme entendimento do STJ, o uso fraudulento de material transparente nas fases “a” e “b” do medidor de consumo de energia elétrica que permita a alteração do relógio para reduzir a quantidade registrada e consumida e induza a erro a companhia de eletricidade, gerando a obtenção de vantagem ilícita, configura o crime de estelionato. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Na hipótese da prática de furto a residência, se a vítima não se encontrava no local e os autores desconheciam o fato de que ela era idosa, não se aplica a agravante relativa à vítima ser idosa. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Na hipótese da prática de furto a residência, se a vítima não se encontrava no local e os autores desconheciam o fato de que ela era idosa, não se aplica a agravante relativa à vítima ser idosa. ITEM INCORRETO, pois o crime de extorsão é formal e se consuma no momento em que a vítima, submetida a violência ou grave ameaça, realiza o comportamento desejado pelo criminoso. É irrelevante que o agente consiga ou não obter a vantagem indevida, pois esta constitui mero exaurimento do crime (REsp 1.467.129/SC). Logo, a tentativa é possível, porque a extorsão não se perfaz num único ato, apresentando um caminho a ser percorrido (delito plurissubsistente). Ex.: se o agente constrange a vítima, mas ela não faz o que foi exigido! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - No crime de extorsão mediante sequestro, o momento consumativo não é o da obtenção da vantagem, mas o da privação da liberdade de locomoção da vítima, em tempo juridicamente relevante. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Pedro é o responsável pelo adimplemento das contribuições previdenciárias de uma empresa de médio porte. Nos meses de janeiro a junho de 2018, a empresa entregou a Pedro o numerário correspondente ao valor das contribuições previdenciárias de seus https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 118 de 508 gran.com.br empregados, mas Pedro, com dolo, deixou de repassá-lo à previdência social. Pedro é primário e de bons antecedentes. Nessa situação hipotética, caso o repasse das contribuições previdenciárias ocorra após o início da ação fiscal e antes do oferecimento da denúncia, o juiz poderá deixar de aplicar a pena ou aplicar apenas a multa. ITEM CORRETO! 3 – CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL 3.1. ESTUPRO Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. § 2º Se da conduta resulta morte: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos • A simulação de arma de fogo pode sim configurar a “grave ameaça”, para os fins do tipo do art. 213 do Código Penal. STJ. 6ª Turma. REsp 1916611-RJ, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), julgado em 21/09/2021 (Info 711 • Beijo roubado em contexto de violência física pode caracterizar estupro. STJ. 6ª Turma. REsp 1611910-MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 11/10/2016 (Info 592). • Impossibilidade de aplicação concomitante da continuidade delitiva comum e específica. Se reconhecida a continuidade delitiva específica entre estupros praticados contra vítimas diferentes, deve ser aplicada exclusivamente a regra do art. 71, parágrafo único, do Código Penal, mesmo que, em relação a cada uma das vítimas, especificamente, também tenha ocorrido a prática de crime continuado. STJ. 6ª Turma. REsp 1.471.651- MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/10/2015 (Info 573). • O estupro (art. 213 do CP), com redação dada pela Lei 12.015/2009, é tipo penal misto alternativo. Logo, se o agente, no mesmo contexto fático, pratica conjunção carnal e outro ato libidinoso contra uma só vítima, pratica um só crime do art. 213 do CP. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 05/08/2014. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 119 de 508 gran.com.br 3.2. VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: - ESTELIONATO SEXUAL Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica- se também multa. 3.3. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro: Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave. 3.4. ASSÉDIO SEXUAL Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. Parágrafo único. § 2º A pena é AUMENTADA em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos. - MAJORANTE • O crime de assédio sexual pode ser caracterizado entre professor e aluno. STJ. 6ª Turma. REsp 1.759.135/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. p/ Acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/08/2019 (Info 658). 3.5. REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa. Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo. 3.6. ESTUPRO DE VULNERÁVEL Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. § 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 120 de 508 gran.com.br § 2º (VETADO) § 3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. §4º Se da conduta resulta morte: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. § 5º - As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se independentemente do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime. • Nos casos de estupro de vulnerável praticado em continuidade delitiva em que não é possível precisar o número de infrações cometidas, tendo os crimes ocorrido durante longo período de tempo, deve-se aplicar a causa de aumento de pena no patamar máximo de 2/3. STJ. 3ª Seção. REsps 2.029.482-RJ e REsp 2.050.195-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 17/10/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1202) (Info 792). • Nos termos da Súmula 593 do STJ, o consentimento da vítima menor de 14 anos e o seu namoro com o acusado não afastam a existência do delito de estupro de vulnerável. O STJ admite distinguishing em relação a esse entendimento? Admite-se o distinguishing quanto ao Tema 918/STJ, na hipótese em que a diferença de idade entre o acusado e a vítima não se mostrou tão distante quanto do acórdão sob a sistemática dos recursos repetitivos (no caso, o réu possuía 19 anos de idade, ao passo que a vítima contava com 12 anos de idade), aliado ao fato de a menor viver maritalmente com o acusado desde o nascimento da filha do casal, devidamente reconhecida, o que denota que não houve afetação relevante do bem jurídico a resultar na atuação punitiva estatal. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 2.015.310/MG, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 12/9/2023 (Info 16 – Edição Extraordinária). • Não incide a regra a continuidade delitiva específica nos crimes de estupro praticados com violência presumida. STJ. 5ª Turma. AgRg em ARESP 2.165.385/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 5/9/2023 (Info 786). • No REsp 1.977.165/MS, o STJ relativizou o entendimento do Tema 918 e da Súmula 593; neste caso, o STJ afirmou que a situação era diferente e decidiu que houve crime. Não cabe a distinção realizada no julgamento do REsp 1.977.165/MS - caso de dois jovens namorados, cujo relacionamento tinha aquiescência dos genitores da vítima, sobrevindo um filho - na hipótese em que não há consentimento da responsável legal - o que impossibilita qualquer relativização da presunção de vulnerabilidade de menor de 14 anos no crime de estupro de vulnerável. O fato de a vítima ter passado a viver em união estável com o réu tão somente reforça o contexto de sexualização precoce no qual se encontra inserida, sendo o seu consentimento infantil incapaz de afastar a tipicidade da conduta, consoante expressamente dispõe o art. 217-A, §5º, do Código Penal. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.979.739/MT, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/8/2023 (Info 787). https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Msg/VEP-640-09.htm Tiro final – Revisão – Delta PCPE 121 de 508 gran.com.br • Estupro de vulnerável em continuidade delitiva: a aplicação de agravante e majorante em situações distintas não configura bis in idem; deve-se considerar o aumento de pena em 2/3, mesmo que não se saiba o número exato de atos praticados. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 2.305.361/RR, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 23/5/2023 (Info 13 – Edição Extraordinária). • De quem é a competência para julgar o crime de estupro praticado contra criança e adolescente no contexto de violência doméstica e familiar? 1ª opção: juizado ou vara especializada em crimes contra a criança e o adolescente (caput do art. 23 da Lei nº 13.431/2017); 2ª opção: caso não exista a vara especializada em crimes contra a criança e o adolescente, esse crime será julgado no juizado ou vara especializada em violência doméstica, independentemente de considerações acerca da idade, do sexo da vítima ou da motivação da violência (parágrafo único do art. 23 da Lei nº 13.431/2017); 3ª opção: nas comarcas em que não houver varas especializadas em violência contra crianças e adolescentes ou juizados/varas de violência doméstica, a competência para julgar será da vara criminal comum. STJ. 6ª Turma. REsp 2005974/RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/2/2023 (Info 765). • Presente o dolo específico de satisfazer à lascívia, própria ou de terceiro, a prática de ato libidinoso com menor de 14 anos configura o crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP), independentemente da ligeireza ou da superficialidade da conduta, não sendo possível a desclassificação para o delito de importunação sexual (art. 215-A do CP). STJ. 3ª Seção. REsp 1959697-SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 08/06/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1121) (Info 740). • O mentor intelectual dos atos libidinosos responde pelo crime de estupro de vulnerável. STJ. 6ª Turma. HC 478310, Rel. Min. Rogério Schietti, julgado em 09/02/2021 (Info 685). • A irmã de vítima do crime de estupro de vulnerável responde por conduta omissiva imprópria se assume o papel de garantidora. STJ. 5ª Turma. HC 603195-PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/10/2020 (Info 681). • Homem que beijou criança de 5 anos de idade, colocando a língua no interior da boca (beijo lascivo) praticou estupro de vulnerável (art. 217-A do CP), não sendo possível a desclassificação para a contravenção penal de molestamento (art. 65 do DL 3.668/41). Obs: a contravenção de molestamento (art. 65 do DL 3.688/41) foi revogada pela Lei 14.132/2021. STF. 1ª Turma. HC 134591/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1/10/2019 (Info 954). • Contato físico entre autor e vítima não é indispensável para configurar o delito. STJ. 5ª Turma. RHC 70976-MS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 2/8/2016 (Info 587). 3.7. CORRUPÇÃO DE MENORES Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. CORRUPÇÃO DE MENORES CP ECA Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 122 de 508 gran.com.br 3.8. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone: Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. § 1º Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. § 2º Incorre nas mesmas penas: I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo; II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. § 3º Na hipótese do inciso II do § 2º, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. • O delito de favorecimento à exploração sexual de adolescente não exige habitualidade, tratando-se de crime instantâneo. Trata-se de crime instantâneo, que se consuma no momento em que o agente obtém a anuência para práticas sexuais com a vítima menor de idade, mediante artifícios como a oferta de dinheiro ou outra vantagem, ainda que o ato libidinoso não seja efetivamente praticado. STJ. 6ª Turma. REsp 1963590/SP, Rel. Min. Laurita Vaz,julgado em 20/09/2022 (Info 754). • O “cliente” da exploração sexual (art. 218-B do CP) pode ser punido sozinho, ou seja, mesmo que não haja um proxeneta. STJ. 3ª Seção. EREsp 1530637/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/03/2021 (Info 690). MENOR DE 14 ANOS MAIOR DE 14 ANOS E MENOR DE 18 ANOS QUALQUER IDADE COM DOENÇA MENTAL ATO LIBIDINOSO OU CONJUNÇÃO CARNAL Estupro de vulnerável (217-A) Atípico Estupro de vulnerável (217-A) ATO LIBIDINOSO OU CONJUNÇÃO CARNAL COM VÍTIMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Estupro de vulnerável (217-A) Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (218-B, §2º, I, CP) Estupro de vulnerável (217-A) https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 123 de 508 gran.com.br 3.9. DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL. DE CENA DE SEXO OU PORNOGRAFIA Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia: Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave. AUMENTO DE PENA § 1º A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação. EXCLUSÃO DE ILICITUDE § 2º Não há crime quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite a identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 (dezoito) anos. 3.10. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Art. 228. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém a abandone: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. § 1º Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos. § 2º - Se o crime, é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de quatro a dez anos, além da pena correspondente à violência. § 3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa. 3.11. CASA DE PROSTITUIÇÃO Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente: Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa. • Somente ocorre o delito do art. 229 do CP se houver exploração sexual, ou seja, violação à dignidade sexual. STJ. 6ª Turma. REsp 1683375-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 14/08/2018 (Info 631). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 124 de 508 gran.com.br 3.12. ATO OBSCENO Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL ATO OBSCENO SUJEITO PASSIVO É determinado É a coletividade FINALIDADE ESPECÍFICA Satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro Não tem LUGAR PÚBLICO Não precisa Precisa ANUÊNCIA É indispensável que o ato libidinoso tenha sido praticado contra alguém que não concordou com isso Não importa se houve ou não a anuência 3.13. DISPOSIÇÕES GERAIS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL – CAUSAS DE AUMENTO DOS CAPÍTULOS I E II 1/4 • concurso de 2 ou mais pessoas 1/2 • agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela 1/3 A 2/3 •estupro coletivo (2 ou mais agentes) • Estupro corretivo TODOS OS CRIMES DO TÍTULO 1/2 A 2/3 • Se do crime resulta gravidez 1/3 A 2/3 • se o agente transmite à vítima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador • se a vítima é idosa • se a vítima é pessoa com deficiência ESPECÍFICAS ATÉ 1/3 • Assédio sexual: se a vítima é < 18 anos. 1/3 A 2/3 • Divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia: se o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima; ou se o crime é praticado com o fim de vingança ou humilhação. 1/6 A 1/3 • Promoção de migração ilegal: crime é cometido com violência; ou vítima é submetida a condição desumana ou degradante. (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia) - A exploração sexual constitui elemento normativo do crime de casa de prostituição, não bastando a conduta consistente na manutenção de casa para fins libidinosos. ITEM CORRETO! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 125 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - A contemplação lasciva configura ato libidinoso constitutivo de estupro e de estupro de vulnerável, sendo irrelevante, para a consumação dos delitos, que haja contato físico entre ofensor e vítima. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Agente de Investigação) - O médico dermatologista que, sem necessidade e aproveitando-se da confiança da paciente, apalpa a vítima em suas regiões íntimas, pratica estupro. ITEM INCORRETO, pois o crime praticado é o de violação sexual mediante fraude! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - DPE-RO - Defensor Público Substituto) - Indivíduo maior e capaz, sob a alegação de que estava doente e precisava de material genético humano, praticou atos libidinosos com adolescente de 15 anos de idade, o qual consentiu com a prática em razão da argumentação do maior. A conduta do indivíduo maior e capaz, no caso apresentado, é violação sexual mediante fraude. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Médico-Legista) - Mirtes, com 19 anos de idade, foi forçada a praticar ato sexual com seu patrão, Carlos. Por ter a vítima demorado alguns dias para ir até a delegacia de polícia registrar a ocorrência, não foi possível realizar a perícia. Carlos foi ouvido no inquérito policial e indiciado. Configura causa de aumento de pena nos crimes sexuais o fato de o agente ser empregador da vítima. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça Substituto) - Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a contemplação lasciva de uma criança, por meio da Internet, sem qualquer contato físico, configura estupro. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia) - Lucas, com 15 anos de idade, conheceu Lívia, com 13 anos de idade, na escola onde estudavam. Com o tempo, ambos se apaixonaram e começaram a namorar. Após terem a primeira relação sexual, Lívia comunicou o fato aos seus pais, os quais, por gostarem de Lucas, convidaram-no a morar junto com Lívia, na casa da família. Lucas, ainda com 15 anos de idade, aceitou prontamente o convite e imediatamente passou a conviver com Lívia, que ainda tinha 13 anos de idade, como marido e mulher, na casa dos pais dela, mantendo, continuamente, relação sexual consentida por Lívia e com a ciência dos pais desta. Apenas os pais de Lívia responderão por crimede estupro de vulnerável, na forma da omissão imprópria, por serem autores mediatos do delito. ITEM CORRETO! 4 – CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA 4.1. INCITAÇÃO AO CRIME Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem incita, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade. – É CONDUTA EQUIPARADA! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 126 de 508 gran.com.br 4.2. APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. 4.3. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. Parágrafo único. A pena AUMENTA-SE até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA PARA O TRÁFICO PARA O GENOCÍDIO 3 ou + 2 ou + 4 ou + Obs.: a “organização criminosa” é composta por 4 ou + agentes. Art. 8º, Lei nº 8.072/1990 - Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art. 288 do Código Penal, quando se tratar de crimes hediondos, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento, terá a PENA REDUZIDA de um a dois terços. 4.4. CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. Destaca-se que a finalidade é de praticar qualquer dos crimes previstos no CÓDIGO PENAL. (CESPE - 2018 - ABIN - Agente de Inteligência) - No caso de três ou mais pessoas associarem-se com a intenção de cometer um único assalto a banco, estará configurado o crime de associação criminosa. ITEM INCORRETO, pois a finalidade da associação criminosa é de cometer crimes (no plural), e não crime! (CESPE - 2018 - ABIN - Agente de Inteligência) - Os tipos penais definidos como incitação ao crime e apologia de crime são espécies de crimes contra a paz pública. ITEM CORRETO! (CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) - A conduta de constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos no CP configura crime contra a paz pública, sendo considerada como crime vago, uma vez que o sujeito passivo é a coletividade. ITEM CORRETO! https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 127 de 508 gran.com.br 5 – CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA 5.1. MOEDA FALSA Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro: Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa. § 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa. § 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa. § 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão: I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. § 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda autorizada. Súmula nº 73, STJ: “A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.” • Não se aplica o arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. STJ. 6ª Turma. REsp 1.242.294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554). 5.2. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. § 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, AUMENTA-SE a pena de sexta parte. § 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. § 3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 128 de 508 gran.com.br III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. § 4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. 5.3. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito. EQUIPARA-SE AOS DOCUMENTOS PÚBLICOS PARTICULARES L • Livros mercantis; • Cartão de crédito; • Cartão de débito. A • Ações de sociedade comercial; T • Título ao portador ou transmissível por endosso; T • Testamento particular; E • Emanado de entidade paraestatal. 5.4. FALSIDADE IDEOLÓGICA Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, se o documento é particular. Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo- se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, AUMENTA-SE a pena de sexta parte. - MAJORANTE DOCUMENTO EM BRANCO FALSIDADE IDEOLÓGICA FALSIDADE MATERIAL Possui autorização para preencher Não possui autorização para para preencher • Na falsidade ideológica, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva é o momento da consumação do delito (e não o momento da eventual reiteração de seus efeitos). STJ. 3ª Seção. RvCr 5.233-DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/05/2020 (Info 672). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 129 de 508 gran.com.br • Inserir informação falsa em currículo Lattes não configura crime de falsidade ideológica. STJ. 6ª Turma. RHC 81.451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017(Info 610). • Falsa declaração de hipossuficiência não é crime. STJ. 6ª Turma. HC 261.074-MS, Rel. Min. Marilza Maynard (Desembargadora convocada do TJ-SE), julgado em 5/8/2014 (Info 546). 5.5. USO DE DOCUMENTO FALSO Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena - a cominada à falsificação ou à alteração. • Desnecessidade de prova pericial para condenação por uso de documento falso. STJ. 5ª Turma. HC 307.586-SE, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador convocado do TJ/SP), julgado em 25/11/2014 (Info 553). 5.6. FALSA IDENTIDADE Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave. Súmula nº 522, STJ: “A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa.” 5.7. ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO ATENÇÃO! NOVIDADE! – LEIA TODO O ARTIGO! Art. 311. Adulterar, remarcar ou suprimir número de chassi, monobloco, motor, placa de identificação, ou qualquer sinal identificador de veículo automotor, elétrico, híbrido, de reboque, de semirreboque ou de suas combinações, bem como de seus componentes ou equipamentos, sem autorização do órgão competente: Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. § 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena é AUMENTADA de um terço. - MAJORANTE § 2º Incorrem nas mesmas penas do caput deste artigo: I – o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação oficial; II – aquele que adquire, recebe, transporta, oculta, mantém em depósito, fabrica, fornece, a título oneroso ou gratuito, possui ou guarda maquinismo, aparelho, instrumento ou objeto especialmente destinado à falsificação e/ou adulteração de que trata o caput deste artigo; ou https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 130 de 508 gran.com.br III – aquele que adquire, recebe, transporta, conduz, oculta, mantém em depósito, desmonta, monta, remonta, vende, expõe à venda, ou de qualquer forma utiliza, em proveito próprio ou alheio, veículo automotor, elétrico, híbrido, de reboque, semirreboque ou suas combinações ou partes, com número de chassi ou monobloco, placa de identificação ou qualquer sinal identificador veicular que devesse saber estar adulterado ou remarcado. § 3º Praticar as condutas de que tratam os incisos II ou III do § 2º deste artigo no exercício de atividade comercial ou industrial: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. § 4º Equipara-se a atividade comercial, para efeito do disposto no § 3º deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive aquele exercido em residência. 5.8. FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de: I - concurso público; II - avaliação ou exame públicos; III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou IV - exame ou processo seletivo previstos em lei: Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1º Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput. § 2º Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. § 3º AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público. - MAJORANTE (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TCE-MS - Procurador de Contas Substituto do Ministério Público de Contas) - Em relação ao crime de falsidade ideológica, a pena é aumentada caso o agente da falsificação seja funcionário público, desde que este pratique a conduta prevalecendo-se do cargo, independentemente da natureza pública ou particular do documento. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PC-AL - Delegado de Polícia Civil) - A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é atípica quando ocorre em evidente exercício de autodefesa. ITEM INCORRETO, pois de acordo com a súmula 522 do STJ, a conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Perito Criminal - Especialidade: Direito) - Para a configuração do crime de falsidade ideológica, é imprescindível a ocorrência de dano efetivo mediante a apresentação do documento cuja verdade foi juridicamente alterada. ITEM INCORRETO, pois de acordo com a jurisprudência do STJ (Info 672), a falsidade ideológica é crime formal e instantâneo, cujos efeitos podem se protrair no tempo. A https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 131 de 508 gran.com.br despeito dos efeitos que possam, ou não, gerar, a falsidade ideológica se consuma no momento em que é praticada a conduta! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Perito Criminal - Especialidade: Direito) - Pratica o crime de moeda falsa aquele que, grosseiramente, falsifica papel-moeda em curso legal no país e com ele efetua compras no comércio, obtendo vantagem indevida em prejuízo de terceiros. ITEM INCORRETO, pois de acordo com a súmula 73 do STJ, a utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da justiça estadual! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - TRT - 8ª Região (PA e AP) - Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador Federal) - Com base na lei penal, configura crime de falsificação de documento particular o ato de falsificar cartão de crédito ou débito. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - TJ-RJ - Analista Judiciário - Execução de Mandados) - Configura crime de falsificação de documento público a conduta do agente que falsamente altere testamento particular. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal)- O crime de moeda falsa é incompatível com o instituto do arrependimento posterior. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Em se tratando do crime de falsidade ideológica, o prazo prescricional se reinicia com a eventual reiteração de seus efeitos. ITEM INCORRETO, pois de acordo com a jurisprudência do STJ (Info 672), o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva é o momento da consumação do delito (e não o da eventual reiteração de seus efeitos)! 6 – CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIME FUNCIONAL PRÓPRIO OU PURO IMPRÓPRIO OU IMPURO É aquele que, uma vez afastada a qualidade de funcionário público, o fato torna-se atípico É aquele que, uma vez afastada a qualidade de funcionário público, o fato poderá configurar outro crime Ex.: prevaricação (art. 319, CP) Ex.: peculato (art. 312, CP) poderá caracterizar furto (art. 155, CP) Súmula nº 599, STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública.” 6.1. PECULATO PECULATO Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 132 de 508 gran.com.br § 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre paraque seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. PECULATO CULPOSO § 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. § 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÕES Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE SISTEMA DE INFORMAÇÕES Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. As penas são AUMENTADAS de um terço até a metade se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado. • MP acusou o réu de peculato por meio de fraude na escrituração contábil do Município; logo, era indispensável a realização de perícia. STJ. 6ª Turma. REsp 1958753-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/9/2022 (Info Especial 10). • Servidor público que se apropria dos salários que lhe foram pagos e não presta os serviços, não comete peculato. Assim, a conduta do servidor poderia ter repercussões disciplinares ou mesmo no âmbito da improbidade administrativa, mas não se ajusta ao delito de peculato, porque seus vencimentos efetivamente lhe pertenciam. Se o servidor merecia perceber a remuneração, à luz da ausência da contraprestação respectiva, é questão a ser discutida na esfera administrativo-sancionadora, mas não na instância penal, por falta de tipicidade. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2073825-RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 16/08/2022 (Info 746). • Configura o crime de peculato-desvio o fomento econômico de candidatura à reeleição por Governador de Estado com o patrimônio de empresas estatais. STJ. 5ª Turma. REsp 1776680-MG, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 11/02/2020 (Info 666). • Pratica o crime de peculato-desvio o Governador que determina que os valores descontados dos contracheques dos servidores para pagamento de empréstimo consignado não sejam repassados ao banco, mas sim utilizados para quitação de dívidas https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1 Tiro final – Revisão – Delta PCPE 133 de 508 gran.com.br do Estado. STJ. Corte Especial. APn 814-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 06/11/2019 (Info 664). • Depositário judicial que vende os bens não pratica peculato. O crime de peculato exige, para a sua consumação, que o funcionário público se aproprie de dinheiro, valor ou outro bem móvel em virtude do “cargo”. Depositário judicial não é funcionário público para fins penais, porque não ocupa cargo público, mas a ele é atribuído um munus, pelo juízo, em razão do fato de que determinados bens ficam sob sua guarda e zelo. STJ. 6ª Turma. HC 402949-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 623). PECULATO - ESPÉCIES APROPRIAÇÃO OU PRÓPRIO (art. 312, caput) • O agente apropria-se de dinheiro, valor ou bem móvel de que tem a posse em razão do cargo, em proveito próprio ou alheio DESVIO OU PRÓPRIO (art. 312, caput) • O agente desvia dinheiro, valor ou bem móvel de que tem a posse em razão do cargo, em proveito próprio ou alheio FURTO OU IMPRÓPRIO (art. 312, § 1º) • O agente subtraí ou concorre dolosamente para a subtração de dinheiro, valor ou bem móvel de que não tem a posse, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário CULPOSO (art. 312, § 2º) • O agente concorre culposamente para o crime de outrem ESTELIONATO OU MEDIANTE ERRO DE OUTREM (art. 313) • O agente apropria-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem, de onde tem a posse ELETRÔNICO OU INSERÇÃO DE DADOS FALSOS (art. 313-A) • O agente (funcionário público autorizado) insere ou facilita a inserção de dados falsos, altera ou exclui indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública, com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano ELETRÔNICO OU MODIFICAÇÃO DE SISTEMA (art. 313-B) • O agente (funcionário público em sentido amplo) modifica ou altera sistema de informações ou programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente (não tem fim específico), aumentando-se a pena de 1/3 até 1/2 se resultar dando para a administração ou administrado PECULATO CULPOSO ANTES DA SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO DEPOIS DA SENTENÇA TRANSITADA EM JUGADO Extinção da punibilidade Diminuição pela metade da pena imposta CRIME FATO TÍPICO OU ATÍPICO EXCEÇÃO FURTO DE USO Atípico É crime no CPM (art. 241) ROUBO DE USO Típico - PECULATO DE USO Atípico Sujeito ativo -> Prefeito, o fato será típico (crime de Responsabilidade no art. 1º, II, do Decreto-Lei 201/67) https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 134 de 508 gran.com.br 6.2. CONCUSSÃO Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. EXCESSO DE EXAÇÃO § 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. § 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. • A mera interpretação equivocada da norma tributária não configura o crime de excesso de exação. STJ. 6ª Turma. REsp 1943262-SC, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado em 05/10/2021 (Info 712) 6.3. CORRUPÇÃO PASSIVA X CORRUPÇÃO ATIVA CORRUPÇÃO PASSIVA - CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. § 1º - A pena é AUMENTADA de um terço, se, em consequência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. - MAJORANTE § 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: - CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. CORRUPÇÃO ATIVA - CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Parágrafo único - A pena é AUMENTADA deum terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional. - MAJORANTE https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 135 de 508 gran.com.br • Configura o crime de corrupção ativa o oferecimento de vantagem indevida a funcionário público para determiná-lo a omitir ou retardar ato de ofício relacionado com o cometimento do crime de posse de drogas para uso próprio. STJ. 5ª Turma. AREsp 2007599-RJ, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 03/05/2022 (Info 735). • Na autolavagem não ocorre a consunção entre a corrupção passiva e a lavagem de dinheiro. STJ. Corte Especial. APn 989-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/02/2022 (Info 726). • Não comete crime o médico do SUS que cobra do paciente um valor pelo fato de utilizar, na cirurgia, a sua máquina particular de videolaparoscopia (que não é oferecida na rede pública). Para tipificação do art. 317 do Código Penal - corrupção passiva -, deve ser demonstrada a solicitação ou recebimento de vantagem indevida pelo agente público, não configurada quando há mero ressarcimento ou reembolso de despesa. STJ. 5ª Turma. HC 541447-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 14/09/2021 (Info 709). • O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que a vantagem indevida esteja relacionada com atos que formalmente não se inserem nas atribuições do funcionário público. STJ. 6ª Turma. REsp 1745410-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em 02/10/2018 (Info 635). • Inépcia da denúncia de corrupção ativa não leva à necessária rejeição da acusação quanto à corrupção passiva. STJ. 5ª Turma. RHC 52.465-PE, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/10/2014 (Info 551). 6.4. PREVARICAÇÃO Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: - PREVARICAÇÃO IMPRÓPRIA OU ESPECIAL Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. PREVARICAÇÃO CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA LETRA DA LEI Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem SATISFAÇÃO DE SENTIMENTO Tem Não tem https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 136 de 508 gran.com.br OU INTERESSE PESSOAL PEDIDO OU INFLUÊNCIA DE OUTREM Não tem Tem 6.5. CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 6.6. ADVOCACIA ADMINISTRATIVA Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário: Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo: Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa ADVOCACIA ADMINISTRATIVA (Art. 321, CP) CRIME FUNCIONAL CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA (Art. 3º, III, Lei nº 8.137/90) Patrocinar interesse privado perante a Administração Pública Patrocinar interesse privado perante a Administração Fazendária 6.7. FUNCIONÁRIO PÚBLICO Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. § 2º - A pena será AUMENTADA da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. • A mera afirmação de que o denunciado ocupa o cargo de desembargador é insuficiente para a incidência da causa de aumento de pena prevista no art. 327, § 2º, do Código Penal. A circunstância de imposição hierárquica deve estar descrita e não é presumível apenas pelo exercício do cargo. STJ. Corte Especial. AgRg na APn 970-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 04/05/2022 (Info 736). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 137 de 508 gran.com.br • Causa de aumento do § 2º do art. 327 não se aplica para autarquias. STF. 2ª Turma. AO 2093/RN, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/9/2019 (Info 950) • O simples fato de o réu exercer um mandato popular não é suficiente para fazer incidir a causa de aumento do art. 327, § 2", do CP. É necessário que ele ocupe uma posição de superior hierárquico (o STF chamou de "imposição hierárquica"). STF. Plenário. lnq 3983/0F, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 02 e 03/03/2016 (Info 816). 6.8. RESISTÊNCIA X DESOBEDIÊNCIA RESISTÊNCIA Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: Pena - detenção, de dois meses a dois anos. § 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de um a três anos. § 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência. DESOBEDIÊNCIA Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. • Comete o delito de desobediência o condutor do veículo que não cumpre a ordem de parada dada pela autoridade em contexto de policiamento ostensivo para prevenção e repressão de crimes. STJ. 3ª Seção. REsp 1859933-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 09/03/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1060) (Info 732). • Comete crime de desobediência o indivíduo que não atende a ordem dada pelo oficial de justiça na ocasião do cumprimento de mandado de entrega de veículo. STF. 1ª Turma. HC 169417/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/4/2020 (Info 975). 6.9. DESACATO Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. CRIME CONTRA A HONRA DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO + MAJORANTE DE 1/3 (ART. 141, II, CP) CRIME DE DESACATO (ART. 331, CP) O servidor está ausente O servidor está presente 6.10. TRÁFICO DE INFLUÊNCIA X EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 138 de 508 gran.com.br Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único - A pena é AUMENTADA da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário. EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO – CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influirem juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. Parágrafo único - As penas AUMENTAM-SE de um terço, se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer das pessoas referidas neste artigo. TRÁFICO DE INFLUÊNCIA EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO VERBO Solicitar, exigir, cobrar ou obter Solicitar ou receber O QUE? Vantagem ou promessa de vantagem Dinheiro ou qualquer outra utilidade FINALIDADE A pretexto de influir em ato praticado por: funcionário público no exercício da função A pretexto de influir em: juiz; jurado; órgão do MP; funcionário da justiça; perito; tradutor; intérprete; ou testemunha MAJORANTE 1/2: se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário 1/3: se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer das pessoas referidas no artigo • Atipicidade do “comprador de fumaça” quanto ao delito de tráfico de influência do art. 332 do CP. STJ. 5ª Turma. RHC 122.913, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/12/2020. 6.11. DESCAMINHO X CONTRABANDO DESCAMINHO Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria. Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. § 1º Incorre na mesma pena quem: I - pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei; II - pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho; III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira que introduziu clandestinamente no País ou importou https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9127.htm#art1 Tiro final – Revisão – Delta PCPE 139 de 508 gran.com.br fraudulentamente ou que sabe ser produto de introdução clandestina no território nacional ou de importação fraudulenta por parte de outrem; IV - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal ou acompanhada de documentos que sabe serem falsos. § 2º Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências. § 3º A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. - MAJORANTE CONTRABANDO Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. § 1º Incorre na mesma pena quem: I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando; II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de registro, análise ou autorização de órgão público competente; III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à exportação; IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira; V - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira. § 2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências. § 3º - A pena aplica-se em dobro se o crime de contrabando é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. - MAJORANTE Súmula nº 151, STJ: “A competência para o processo e julgamento por crime de contrabando ou descaminho define-se pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens.” • O princípio da insignificância pode ser aplicado para o contrabando de até mil maços de cigarro, salvo se houver reiteração. STJ. 3ª Seção. REsps 1.971.993-SP e 1.977.652-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Junior, julgado em 13/9/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1143) (Info 787). • A apreensão de mercadorias antes da entrada no recinto da aduana não configura o crime de descaminho. STJ. 6ª Turma. RHC 179.244-SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 6/6/2023 (Info 13 – Edição Extraordinária). • Para aplicação da majorante prevista no art. 334, § 3º, do CP, é necessário que o transporte seja clandestino? STJ e 1ª Turma do STF: NÃO. O art. 334, § 3º, do Código Penal prevê a aplicação da pena em dobro se “o crime de contrabando ou descaminho é praticado em transporte aéreo”. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 140 de 508 gran.com.br Se a lei não faz restrições quanto à espécie de voo que enseja a aplicação da majorante, não cabe ao intérprete restringir a aplicação do dispositivo legal, sendo irrelevante que o transporte seja clandestino ou regular. STJ. 5ª Turma. HC 390899/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 23/11/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1850255/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/05/2020. O art. 334, § 3º, do CP, ao versar sobre o aumento da sanção nos casos de descaminho praticado em transporte aéreo, não distingue os casos de voos clandestinos ou regulares. STF. 1ª Turma. HC 169846, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12/11/2019. 2ª Turma do STF (empate): SIM. Para aplicação da majorante prevista no art. 334, § 3º, do Código Penal, é necessária a condição de clandestinidade. A majorante somente pode ser aplicada quando houver uma maior reprovabilidade da conduta, caracterizada pela atuação do imputado no sentido de dificultar a fiscalização estatal, por meio da clandestinidade. STF. Plenário. HC 162553 AgR/CE, relator Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/9/2021 (Info 1030). • Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.688.878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo) (Info 622). STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898) • Em regra, é inaplicável o princípio da insignificância ao crime de contrabando, uma vez que o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, alcançando também o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional. Trata-se, assim, de um delito pluriofensivo. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1744739/RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 02/10/2018. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1717048/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/09/2018. STF. 1ª Turma. HC 133958 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 06/09/2016 • O STJ possui alguns precedentes admitindo, de forma excepcional, a aplicação deste princípio para o caso de contrabando de pequena quantidade de medicamento para uso próprio. A importação de pequena quantidade de medicamento destinada a uso próprio denota a mínima ofensividade da conduta do agente, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada, tudo a autorizar a excepcional aplicação do princípio da insignificância. STJ. 5ª Turma. EDcl no AgRg no REsp 1708371/PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/04/2018. • Importação de colete à prova de balas configuracontrabando. STJ. 6ª Turma. RHC 62.851-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/2/2016 (Info 577) • O falso pode ser absorvido pelo descaminho. Quando o falso se exaure no descaminho, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido, como crime-fim, condição que não se altera por ser menor a pena a este cominada. STJ. 3ª Seção. REsp 1.378.053-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/8/2016 (Info 587). https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 141 de 508 gran.com.br • A reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância nos crimes de descaminho, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, as instâncias ordinárias verificarem que a medida é socialmente recomendável. Assim, pode-se afirmar que: REGRA: não se aplica o princípio da insignificância para o agente que praticou descaminho se ficar demonstrada a sua reiteração criminosa (criminoso habitual). EXCEÇÃO: o julgador poderá aplicar o referido princípio se, analisando as peculiaridades do caso concreto, entender que a medida é socialmente recomendável. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.217.514-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 9/12/2015 (Info 575). • O descaminho é crime tributário formal. Logo, para que seja proposta ação penal por descaminho não é necessária a prévia constituição definitiva do crédito tributário. Não se aplica a Súmula Vinculante 24 do STF. O crime se consuma com a simples conduta de iludir o Estado quanto ao pagamento dos tributos devidos quando da importação ou exportação de mercadorias. STJ. 6ª Turma. REsp 1.343.463-BA, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, j. em 20/3/2014 (Info 548). • A importação de arma de pressão por ação de gás comprimido, ainda que de calibre inferior a 6 mm, configura o crime de contrabando, sendo inaplicável o princípio da insignificância. STJ. 5ª Turma. REsp 1428628/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. em 28/04/2015. STJ. 6ª Turma. REsp 1.427.796-RS, Rel. Min. Maria Thereza De Assis Moura, j. em 14/10/2014 (Info 551). • Falsidade ideológica é absorvida pelo descaminho. STJ. 5ª Turma. RHC 31.321-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 16/5/2013 (Info 523). 6.12. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) § 1º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. § 2º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: I – (VETADO) II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/Mensagem_Veto/2000/Mv0961-00.htm Tiro final – Revisão – Delta PCPE 142 de 508 gran.com.br § 3º Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz PODERÁ REDUZIR a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. § 4º O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. 6.13. AFASTAMENTO DE LICITANTE Art. 337-K. Afastar ou tentar afastar licitante por meio de violência, grave ameaça, fraude ou oferecimento de vantagem de qualquer tipo: Pena - reclusão, de 3 (três) anos a 5 (cinco) anos, e multa, além da pena correspondente à violência. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se abstém ou desiste de licitar em razão de vantagem oferecida. 6.14. FRAUDE EM LICITAÇÃO OU CONTRATO Art. 337-L. Fraudar, em prejuízo da Administração Pública, licitação ou contrato dela decorrente, mediante: I - entrega de mercadoria ou prestação de serviços com qualidade ou em quantidade diversas das previstas no edital ou nos instrumentos contratuais; II - fornecimento, como verdadeira ou perfeita, de mercadoria falsificada, deteriorada, inservível para consumo ou com prazo de validade vencido; III - entrega de uma mercadoria por outra; IV - alteração da substância, qualidade ou quantidade da mercadoria ou do serviço fornecido; V - qualquer meio fraudulento que torne injustamente mais onerosa para a Administração Pública a proposta ou a execução do contrato: Pena - reclusão, de 4 (quatro) anos a 8 (oito) anos, e multa. 6.15. CONTRATAÇÃO INIDÔNEA Art. 337-M. Admitir à licitação empresa ou profissional declarado inidôneo: Pena - reclusão, de 1 (um) ano a 3 (três) anos, e multa. § 1º Celebrar contrato com empresa ou profissional declarado inidôneo: - QUALIFICADORA Pena - reclusão, de 3 (três) anos a 6 (seis) anos, e multa. § 2º Incide na mesma pena do caput deste artigo aquele que, declarado inidôneo, venha a participar de licitação e, na mesma pena do § 1º deste artigo, aquele que, declarado inidôneo, venha a contratar com a Administração Pública. 6.16. OMISSÃO GRAVE DE DADO OU DE INFORMAÇÃO PROJETISTA Art. 337-O. Omitir, modificar ou entregar à Administração Pública levantamento cadastral ou condição de contorno em relevante dissonância com a realidade, em frustração ao caráter competitivo da licitação ou em detrimento da seleção da proposta mais vantajosa para a Administração Pública, em contratação para a elaboração de projeto básico, projeto executivo ou anteprojeto, em diálogo competitivo ou em procedimento de manifestação de interesse: https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178 Tiro final – Revisão – Delta PCPE 143 de 508 gran.com.br Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa. § 1º Consideram-se condição de contorno as informações e os levantamentos suficientes e necessários para a definição da solução de projeto e dos respectivos preços pelo licitante, incluídos sondagens, topografia, estudos de demanda, condições ambientais e demais elementos ambientais impactantes, considerados requisitos mínimos ou obrigatórios em normas técnicas que orientam a elaboração de projetos. § 2º Se o crime é praticado com o fim de obter benefício, direto ou indireto, próprio ou de outrem, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. - MAJORANTE 6.17. PENA DOS CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS Art. 337-P. A pena de multa cominada aos crimes previstos neste Capítulo seguirá a metodologia de cálculo prevista nesteCódigo e não poderá ser inferior a 2% (dois por cento) do valor do contrato licitado ou celebrado com contratação direta. DOS CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS CRIMES EM QUE A PENA É CUMULADA COM A DE VIOLÊNCIA • Afastamento de licitante. CRIMES COM CONDUTAS EQUIPARADAS • Afastamento de licitante – incorre na mesma pena quem se abstém ou desiste de licitar em razão de vantagem oferecida. • Contratação inidônea – incorre na mesma pena do caput aquele que, declarado inidôneo, venha a participar de licitação e, na mesma pena do § 1º deste artigo, aquele que, declarado inidôneo, venha a contratar com a Administração Pública. CRIMES COM QUALIFICADORAS • Contratação inidônea – celebrar contrato com empresa ou profissional declarado inidôneo CRIMES COM MAJORANTES • Omissão grave de dado ou de informação por projetista – em dobro, quando o crime é praticado com o fim de obter benefício, direto ou indireto, próprio ou de outrem. CRIMES DE ATENTADO OU DE EMPREENDIMENTO • Afastamento de licitante; PENA DE MULTA • Não poderá ser inferior a 2% do valor do contrato licitado ou celebrado com contratação direta. CRIMES PUNIDOS COM DETENÇÃO • Perturbação de processo licitatório • Violação de sigilo em licitação 6.18. DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA Art. 339. Dar causa à instauração de inquérito policial, de procedimento investigatório criminal, de processo judicial, de processo administrativo disciplinar, de inquérito civil ou de ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. § 1º - A pena é AUMENTADA de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm#art178 Tiro final – Revisão – Delta PCPE 144 de 508 gran.com.br § 2º - A pena é DIMINUÍDA de metade, se a imputação é de prática de contravenção. • O fato de não ter havido indiciamento não é motivo para desclassificar o crime de Denunciação Caluniosa para o art. 340 (comunicação falsa de crime ou contravenção. STJ. 6ª Turma. REsp 1.482.925-MG, Rel. Min. Sebastião Reis, julgado em 6/10/2016 (Info 592). • Para configuração do delito de denunciação caluniosa, exige-se que o agente saiba que a pessoa é inocente, ou seja, é necessário dolo direto. O simples fato de a pessoa "investigada" ou "denunciada" ter sido absolvida não significa que o autor da "denúncia" deverá responder por denunciação caluniosa, sendo necessário comprovar a sua má-fé, ou seja, que a sua única intenção era a de atribuir fato criminoso a pessoa que ele sabia ser inocente. STF. 1ª Turma. lnq 3133/AC, Rel. Min. Luiz Fux. Julgado em 05/08/2014 (Info 753). 6.19. COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME OU DE CONTRAVENÇÃO Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 6.20. AUTOACUSAÇÃO FALSA Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem: Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa. 6.21. FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1º As penas AUMENTAM-SE de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. - MAJORANTE § 2º O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade. • Falso testemunho é crime formal. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 603.029/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/05/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 723.184/SP. Rel. Min. Befi Cordeiro, julgado em 22/11/2016. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 145 de 508 gran.com.br 6.22. CORRUPÇÃO ATIVA DE TESTEMUNHA OU PERÍCIA Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou interpretação: Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa. Parágrafo único. As penas AUMENTAM-SE de um sexto a um terço, se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. - MAJORANTE 6.23. COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da pena correspondente à violência. Parágrafo único. A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) até a metade se o processo envolver crime contra a dignidade sexual. - MAJORANTE 6.24. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência. Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa. 6.25. FRAUDE PROCESSUAL Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro. - MAJORANTE 6.26. FAVORECIMENTO PESSOAL X FAVORECIMENTO REAL FAVORECIMENTO PESSOAL Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão: Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. § 1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão: - FAVORECIMENTO PRIVILEGIADO Pena - detenção, de quinze dias a três meses, e multa. § 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena. – ESCUSA ABSOLUTÓRIA https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 146 de 508 gran.com.br FAVORECIMENTO REAL Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de coautoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime: Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional.: - FAVORECIMENTO REAL IMPRÓPRIO Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. FAVORECIMENTO PESSOAL FAVORECIMENTO REAL Esconde-se o criminoso Esconde-se a coisa fruto do crime PREVARICAÇÃO IMPRÓPRIA FAVORECIMENTO REAL IMPRÓPRIO Diretor ou agente público que deixa de vedar ao preso acesso a aparelho telefônico Particular que ingressa com aparelho telefônico em estabelecimento prisional • Flagrado o agente antes do efetivo ingresso no interior do estabelecimento prisional, ainda durante a revista, não há falar em consumação do crime do art. 349-A do CP, mas apenas em tentativa. STJ. 6ª Turma. AREsp 2.104.638-RJ,Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 7/11/2023 (Info 794). • Introduzir chip de aparelho celular em presídio não caracteriza crime. STJ. 5ª Turma. HC 619.776/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/04/2021 (Info 693). • Posse de chip de celular caracteriza falta grave. STJ. 5ª Turma. HC 260122-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/3/2013 (Info 517) 6.27. ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÃO NO ÚLTIMO ANO DO MANDATO OU LEGISLATURA Art. 359-C. Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte, que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de caixa: Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. • A condenação pelo art. 359-C do CP deve especificar despesas contraídas nos dois últimos quadrimestres do mandato, que não puderam ser pagas no mesmo exercício financeiro ou no exercício seguinte. STJ. 6ª Turma. HC 723644-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/3/2023 (Info 766) https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 147 de 508 gran.com.br (CESPE / CEBRASPE - 2023 - TC-DF - Auditor de Controle Externo – Área Auditoria) - A condenação pelo crime de assunção de obrigação no último ano do mandato ou da legislatura prescinde da especificação das despesas que foram contraídas e que não puderam ser pagas no mesmo exercício financeiro ou no seguinte, bastando análise global das despesas, considerada a iliquidez total do caixa. ITEM INCORRETO, pois de acordo com o STJ, essas despesas devem ser especificadas! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Agente de Investigação) - Considere que A seja parado em uma barreira policial e que um policial militar B, ao ver nos documentos de A que o veículo está com inúmeras multas vencidas, sugira que A lhe pague um valor simbólico para poder continuar a viagem. Se B receber de A um valor em reais e, por isso, não realizar a apreensão do veículo, é correto afirmar que, nessa situação, B pratica corrupção passiva, sendo a conduta de A atípica. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - PGE-SE - Procurador do Estado) - Pratica o crime de desobediência o condutor de veículo que se recusa a acatar a ordem de parada emitida por uma autoridade durante uma ação de policiamento ostensivo, cujo propósito é prevenir e reprimir crimes. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - SEFIN de Fortaleza - CE - Analista Fazendário Municipal - Área de Conhecimento: Direito) - Quando o falso se exaure no descaminho, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido, como crime-fim, condição que não se altera por ser menor a pena cominada ao descaminho. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2023 - AGU - Procurador Federal) - O crime de violação de sigilo em licitação é punido com detenção, sem possibilidade de suspensão condicional do processo. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - O particular que solicita vantagem econômica de suspeito sob falso pretexto de exercer influência sobre o delegado responsável pelo inquérito policial, para que não o indicie, pratica exploração de prestígio. ITEM INCORRETO, pois o crime praticado pelo particular foi o de tráfico de influência, já que o delegado não se encontra no rol trazido pelo art. 357, CP (exploração de prestígio)! (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil) - O filho de um tesoureiro furtou certa quantia em dinheiro da associação em que o pai trabalha. O tesoureiro, sabendo do fato, atribuiu a autoria do delito ao faxineiro da associação após, por insistência da diretoria, ter registrado a ocorrência policial e solicitado instauração do inquérito policial. Considerando-se as informações apresentadas, é correto afirmar que, nesse caso, o tesoureiro responderá por denunciação caluniosa. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - O advogado de réu pode vir a responder pelo crime de falso testemunho, na hipótese de induzir testemunha a prestar determinado depoimento. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - O pagamento do tributo devido extingue a punibilidade do crime de descaminho. https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 148 de 508 gran.com.br ITEM INCORRETO, pois segundo a jurisprudência do STJ, o pagamento ou o parcelamento dos débitos tributários não extingue a punibilidade do crime de descaminho, tendo em vista a natureza formal do delito! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - O crime de facilitação de contrabando e descaminho se consuma com a efetiva facilitação, não sendo necessária a consumação do contrabando ou descaminho. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - A fuga do réu após a ordem de parada dos policiais para abordagem configura crime de desobediência. ITEM CORRETO! (CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) - Na hipótese de crime de peculato doloso, o ressarcimento do dano exclui a punibilidade. ITEM INCORRETO, pois a extinção da punibilidade ocorre na hipótese de crime de peculato culposo quando a reparação do dano é feita antes da sentença irrecorrível! 7 – CRIMES CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 8 CRIMES CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO CONTRA A SOBERANIA NACIONAL ATENTADO A SOBERANIA (Art. 359-I) CAPUT • Negociar com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de provocar atos típicos de guerra contra o País ou invadi-lo MAJORA • 1/2 até o dobro: se declarada guerra em decorrência das condutas previstas no caput deste artigo QUALIFICA • Se o agente participa de operação bélica com o fim de submeter o território nacional, ou parte dele, ao domínio ou à soberania de outro país ATENTADO À INTEGRIDADE NACIONAL (Art. 359-J) • Praticar violência ou grave ameaça com a finalidade de desmembrar parte do território nacional para constituir país independente ESPIONAGEM (Art. 359-K) CAPUT • Entregar a governo estrangeiro, a seus agentes, ou a organização criminosa estrangeira, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, documento ou informação classificados como secretos ou ultrassecretos nos termos da lei, cuja revelação possa colocar em perigo a preservação da ordem constitucional ou a soberania nacional CONDUTA EQUIPARADA • Quem presta auxílio a espião, conhecendo essa circunstância, para subtraí-lo à ação da autoridade pública https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 149 de 508 gran.com.br QUALIFICA • Se o documento, dado ou informação é transmitido ou revelado com violação do dever de sigilo PRIVILÉGIO • Facilitar a prática de qualquer dos crimes previstos neste artigo mediante atribuição, fornecimento ou empréstimo de senha, ou de qualquer outra forma de acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações NÃO CONSTITUI CRIME • A comunicação, a entrega ou a publicação de informações ou de documentos com o fim de expor a prática de crime ou a violação de direitos humanos CONTRA AS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS ABOLIÇÃO VIOLENTA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO (Art. 359-L) • Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais GOLPE DE ESTADO (Art. 359-M) • Tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído CONTRA O FUNCIONAMENTO DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS NO PROCESSO ELEITORAL INTERRUPÇÃO DO PROCESSOELEITORAL (Art. 359-N) • Impedir ou perturbar a eleição ou a aferição de seu resultado, mediante violação indevida de mecanismos de segurança do sistema eletrônico de votação estabelecido pela Justiça Eleitoral. VIOLÊNCIA POLÍTICA (Art. 359-P) • Restringir, impedir ou dificultar, com emprego de violência física, sexual ou psicológica, o exercício de direitos políticos a qualquer pessoa em razão de seu sexo, raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional CONTRA O FUNCIONAMENTO DOS SERVIÇOS ESSENCIAIS SABOTAGEM (Art. 359-R) • Destruir ou inutilizar meios de comunicação ao público, estabelecimentos, instalações ou serviços destinados à defesa nacional, com o fim de abolir o Estado Democrático de Direito DISPOSIÇÕES COMUNS NÃO CONSTITUI CRIME (Art. 359-T) • A manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 150 de 508 gran.com.br SUMÁRIO 1. JUIZ DAS GARANTIAS ........................................................................................................................ 152 1.1. STF E O JULGAMENTO DAS ADIS 6.298, 6.299, 6.300 E 6.305 ................................................ 152 1.2. A INSTITUIÇÃO DO JUIZ DAS GARANTIAS É CONSTITUCIONAL? ............................................. 152 1.3. DISPOSITIVOS E DECISÃO DO STF............................................................................................ 152 2. INQUÉRITO POLICIAL ......................................................................................................................... 156 2.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .............................................................................................. 156 2.2. CARACTERÍSTICAS ............................................................................................................... 158 2.3. PRAZO DE CONCLUSÃO DO IP ............................................................................................ 158 2.4. ATRIBUIÇÃO ........................................................................................................................... 160 2.5. NOTITIA CRIMINIS ................................................................................................................ 160 2.6. DILIGÊNCIAS ......................................................................................................................... 162 2.7. ACESSO AOS DADOS CADASTRAIS DE VÍTIMAS E SUSPEITOS ...................................... 162 2.8. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES ACERCA DAS ESTAÇÕES RÁDIO BASE (ERB’s) .......... 163 2.9. INDICIAMENTO ..................................................................................................................... 164 2.10. ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL ..................................................................... 167 2.11. ARQUIVAMENTO ................................................................................................................... 168 2.12. DESARQUIVAMENTO ............................................................................................................ 170 3. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL .......................................................................................... 170 3.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS ...................................................................................................... 170 4. AÇÃO PENAL ........................................................................................................................................ 175 4.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .................................................................................................... 175 4.2. PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL ................................................................................................... 176 4.3. CONDIÇÕES PARA O EXERCÍCIO DA AÇÃO PENAL ................................................................... 179 4.4. ESPÉCIES DE AÇÃO APENAL ..................................................................................................... 183 4.5. CONCEITOS .............................................................................................................................. 186 4.6. PRAZOS PARA O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA E DA QUEIXA-CRIME .................................. 186 4.7. INICIAL ACUSATÓRIA ............................................................................................................... 187 5. COMPETÊNCIA .................................................................................................................................... 188 5.1. JURISDIÇÃO X COMPETÊNCIA ................................................................................................. 188 5.2. CRITÉRIOS PARA A FIXAÇÃO DE COMPETÊNCIA ...................................................................... 188 5.3. COMPETÊNCIA ABSOLUTA X COMPETÊNCIA RELATIVA........................................................... 189 5.4. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA (RATIONE MATERIAE).............................................. 190 5.5. COMPETÊNCIA TERRITORIAL (RATIONE LOCI) ......................................................................... 195 5.6. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA FUNÇÃO (RATIONE PERSONAE OU RATIONE FUNCIONAE) .... 198 5.7. COMPETÊNCIA POR DISTRIBUIÇÃO ......................................................................................... 203 5.8. COMPETÊNCIA POR CONEXÃO E CONTINÊNCIA ..................................................................... 203 https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 151 de 508 gran.com.br 5.9. COMPETÊNCIA PELA PREVENÇÃO ........................................................................................... 207 6. TEORIA DA PROVA .............................................................................................................................. 208 6.1. CONCEITOS .............................................................................................................................. 208 6.2. SISTEMAS DE APRECIAÇÃO DA PROVA .................................................................................... 210 6.3. PROVA EMPRESTADA .............................................................................................................. 210 6.4. (IN)ADMISSIBILIDADE DAS PROVAS ILÍCITAS ........................................................................... 212 6.5. ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS (SERENDIPIDADE) ............................................................ 214 6.6. PRINCÍPIOS RELATIVOS À PROVA PENAL ................................................................................. 216 6.7. CADEIA DE CUSTÓDIA ............................................................................................................. 217 6.8. PROVAS EM ESPÉCIE ............................................................................................................... 220 6.8.1. PERÍCIAS ........................................................................................................................ 220 6.8.2. INTERROGATÓRIO ......................................................................................................... 225 6.8.3. CONFISSÃO .................................................................................................................... 229 6.8.4. DO OFENDIDO ............................................................................................................... 230 6.8.5. TESTEMUNHAS .............................................................................................................. 230 6.8.6. RECONHECIMENTODE PESSOAS E COISAS ................................................................... 233 6.8.7. ACAREAÇÃO .................................................................................................................. 235 6.8.8. DOCUMENTOS .............................................................................................................. 236 6.8.9. INDÍCIOS ........................................................................................................................ 236 6.8.10. BUSCA E APREENSÃO .................................................................................................. 236 7. PRISÕES............................................................................................................................................... 242 7.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .................................................................................................... 242 7.2. PRISÃO EM FLAGRANTE .......................................................................................................... 243 7.3. PRISÃO PREVENTIVA ............................................................................................................... 247 7.4. PRISÃO TEMPORÁRIA .............................................................................................................. 254 7.5. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO ........................................................................ 256 7.6. DA LIBERDADE PROVISÓRIA COM OU SEM FIANÇA ................................................................ 257 https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 152 de 508 gran.com.br 1 – JUIZ DAS GARANTIAS 1.1. STF E O JULGAMENTO DAS ADIS 6.298, 6.299, 6.300 E 6.305 Em 24/12/2019, foi publicada a Lei nº 13.964/2019 (“Pacote Anticrime”), que passou a vigorar em 23/01/2020. Esta lei alterou diversos dispositivos dentre os mais variados diplomas legislativos, incluindo o Código de Processo Penal. Logo que publicada a Lei nº 13.964/2019, foram propostas quatro ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305), que atacavam algumas dessas alterações, dentre as quais encontrava-se o juiz das garantias (arts. 3º-A a 3º-F do CPP). Na época, em sede de medida cautelar, o Min. Luiz Fux (Ministro-Relator) revogou a decisão monocrática promovida anteriormente pelo Min. Dias Toffoli (Ministro- Presidente, na ocasião), suspendendo “sine die a eficácia, ad referendum do Plenário da implantação do juiz das garantias e seus consectários (Artigos 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3ª- E, 3º-F, do Código de Processo Penal)”. Em 24/08/2023, o STF julgou o mérito dessas ADIs e o cenário mudou. À vista disso, para melhor compreendermos este instituto, além de observarmos os dispositivos que constam no capítulo referente ao assunto, iremos compará-los com o que foi decidido pelo STF. 1.2. A INSTITUIÇÃO DO JUIZ DAS GARANTIAS É CONSTITUCIONAL? O primeiro ponto que você deve levar para a sua prova refere-se à constitucionalidade da instituição do juiz das garantias no processo penal brasileiro. De acordo com o STF, o art. 3º da Lei nº 13.964/2019, que trata da instituição e implementação do juiz das garantias, é constitucional. Isto ocorre, pois, as matérias trazidas neste dispositivo concernem ao processo penal, cuja competência legislativa é privativa da União (art. 22, I, da CRFB/88). Em contrapartida, o parágrafo único, do art. 3-D, do CPP, é formalmente inconstitucional, porquanto configura invasão desarrazoada à autonomia administrativa e ao poder de auto-organização do Judiciário. Art. 3º-D (...) Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais criarão um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições deste Capítulo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) (Vide ADI 6.299) 1.3. DISPOSITIVOS E DECISÃO DO STF DISPOSITIVO Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. DECISÃO DO STF O STF atribuiu interpretação conforme ao art. 3º-A do CPP, para assentar que o juiz, pontualmente, nos limites legalmente autorizados, pode determinar a https://www.gran.com.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art20 http://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15342138711&ext=.pdf http://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15342138711&ext=.pdf Tiro final – Revisão – Delta PCPE 153 de 508 gran.com.br realização de diligências suplementares, para o fim de dirimir dúvida sobre questão relevante para o julgamento do mérito. DISPOSITIVO Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo- lhe especialmente: (...) DECISÃO DO STF O STF declarou a constitucionalidade do caput do art. 3º-B do CPP. A implementação do juiz das garantias visa garantir uma maior imparcialidade, a proteção de direitos fundamentais e o aprimoramento do sistema judicial. Ademais, fixou o prazo de 12 meses para que sejam adotadas as medidas legislativas e administrativas necessárias à adequação das diferentes leis de organização judiciária, à efetiva implantação e ao efetivo funcionamento do juiz das garantias em todo o País, tudo conforme as diretrizes do CNJ. Esse prazo poderá ser prorrogado uma única vez, por no máximo doze meses, devendo a devida justificativa ser apresentada em procedimento realizado junto ao CNJ. DISPOSITIVO Art. 3º-B. (...) IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o disposto no § 2º deste artigo; IX - determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento. DECISÃO DO STF O STF atribuiu interpretação conforme aos incisos IV, VIII e IX do art. 3º-B do CPP, para que todos os atos praticados pelo Ministério Público, como condutor de investigação penal, se submetam ao controle judicial. DISPOSITIVO Art. 3º-B. (...) VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código ou em legislação especial pertinente; DECISÃO DO STF O STF atribuiu interpretação conforme ao inciso VI do art. 3º-B do CPP, para prever que o exercício do contraditório será preferencialmente (e não obrigatoriamente) em audiência pública e oral. DISPOSITIVO Art. 3º-B. (...) VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa em audiência pública e oral; DECISÃO DO STF O STF atribuiu interpretação conforme ao inciso VII do art. 3º-B do CPP, para estabelecer que o juiz pode deixar de realizar a audiência quando houver risco para o processo, ou diferi-la em caso de necessidade. DISPOSITIVO Art. 3º-B. (...) XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do art. 399 deste Código; https://www.gran.com.br/ Tiro final – Revisão – Delta PCPE 154 de 508 gran.com.br DECISÃO DO STF O STF declarou a inconstitucionalidade do inciso XIV do art. 3º-B do CPP, e atribuiu interpretação conforme para assentar que a competência do juiz das garantias cessa com o OFERECIMENTO da denúncia; DISPOSITIVO