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Problema 1 (semana 9) 
 
Objetivos: 
1-Explicar o que é hipersensibilidade 
2-Compreender os tipos de reações inflamatórias 
3-Diferenciar as reações anafiláticas das locais e listar outras manifestações clínicas 
 
REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE 
↪ são respostas imunológicas exageradas que causam danos teciduais 
 
RESPOSTAS IMUNES E DANOS TECIDUAIS 
↪ respostas imunes também são capazes de causar uma lesão tecidual e doença 
↪ os distúrbios causados pelas respostas imunes são chamados de doenças de hipersensibilidade 
↪ o problema que envolve as doenças de hipersensibilidade reside no fato de que a resposta imune não é 
regulada de maneira adequada ou é direcionada aos próprios tecidos normais do organismo 
↪ doenças de hipersensibilidade tendem a ser crônicas e progressivas 
↪ o que causa as reações de hipersensibilidade? 
 -autoimunidade: refere-se às reações adversas do sistema imunológico contra os próprios tecidos do 
organismo, desencadeadas pela falha dos mecanismos normais de autotolerância. é caracterizada por 
respostas de células T e células B contra autoantígenos, resultando em danos aos tecidos e células do 
indivíduo. as enfermidades originadas por este processo são denominadas doenças autoimunes 
 -reações contra microrganismos: podem levar a doenças se forem exageradas ou se os microrganismos 
persistirem anormalmente 
 -reações contra os antígenos ambientais não microbianos → reações alérgicas 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE 
↪ a hipersensibilidade imediata (tipo I) é causada pela ação de anticorpos IgE específicos para 
antígenos ambientais e é o tipo mais comum de doença de hipersensibilidade. na maioria dos casos, 
essas doenças, agrupadas como alergias ou atopias, são desencadeadas pela ativação de células Th2 → 
produzem IL-4, IL-5 e IL-13 → produção de anticorpos IgE → ativam mastócitos e eosinófilos → processo 
inflamatório 
↪ na hipersensibilidade mediada por anticorpos (tipo II) os anticorpos IgG e IgM específicos para 
antígenos presentes na superfície celular ou na matriz extracelular podem causar danos aos tecidos, seja 
ativando o sistema complemento, seja recrutando células inflamatórias, seja estimulando a fagocitose 
↪ a hipersensibilidade mediada por imunocomplexos (tipo III) age mediante os anticorpos IgM e IgG 
específicos para antígenos solúveis no sangue, que formam imunocomplexos com esses antígenos, que 
podem se depositar nas paredes dos vasos sanguíneos em diversos tecidos → inflamação, trombose e 
lesões teciduais. 
↪ na hipersensibilidade mediada por células T (tipo IV), a lesão tecidual pode ser provocada por 
linfócitos T → induzem inflamação ou matam diretamente as células-alvo. em muitas dessas doenças, o 
principal mecanismo envolve a ativação de células T auxiliares CD4+ → secretam citocinas 
pró-inflamatórias e ativam leucócitos, principalmente neutrófilos e macrófagos. os linfócitos T citotóxicos 
(CTLs) também contribuem para a lesão tecidual através de respostas de citotoxidade. 
 
HIPERSENSIBILIDADE DO TIPO I E DOENÇAS ALÉRGICAS 
↪ as reações de hipersensibilidade do tipo I, também conhecidas como reações alérgicas imediatas, são 
respostas imunes exacerbadas e inapropriadas a substâncias normalmente inofensivas, chamadas de 
alérgenos. elas podem ocorrer rapidamente, geralmente dentro de minutos após o contato com o alérgeno 
(imediata), ou podem demorar cerca de 2 a 4 horas após a exposição repetida ao alérgeno (fase tardia) 
 ↪ imediata: ocorre em decorrência da liberação de aminas vasoativas e mediadores lipídicos e é 
caracterizada por manifestações clínicas mais expressivas decorrentes da degranulação dos mastócitos 
 ↪ fase tardia: é desenvolvida a partir da liberação de citocinas → recrutamento de células do sistema 
imune; possui um caráter mais brando 
↪ antes de ocorrer a reação alérgica, a pessoa deve primeiro ser sensibilizada ao alérgeno. isso 
geralmente acontece após um primeiro contato com o alérgeno → sistema imunológico reconhece o 
alérgeno como uma substância estranha e produz anticorpos IgE específicos para ele → estes anticorpos 
IgE se ligam aos mastócitos e basófilos 
↪ em exposições subsequentes ao mesmo alérgeno, os anticorpos IgE já ligados aos mastócitos e 
basófilos se unem ao alérgeno → liberação de aminas vasoativas, como a histamina, a partir dos grânulos 
dessas células → histamina causa vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular → edema. já os 
mediadores lipídicos, como os leucotrienos e as prostaglandinas, geram a contração dos músculos lisos, 
incluindo os das vias respiratórias (broncoconstrição), e a hipermotilidade intestinal. além disso, citocinas, 
como o TNF-α, também atuam promovendo a inflamação e o recrutamento de eosinófilos, neutrófilos e 
células T para os tecidos nos quais o alérgeno está presente 
 
*uma característica importante das 
reações do tipo I é a capacidade de se 
amplificar rapidamente 
 
↪ doenças alérgicas 
 ↪ anafilaxia: ocorre em uma reação 
de hipersensibilidade imediata sistêmica 
caracterizada por edema em muitos 
tecidos e diminuição da pressão arterial 
secundária à vasodilatação e ao 
extravasamento vascular, podendo levar 
ao choque anafilático e ao óbito. além 
disso, os mediadores dos mastócitos 
podem comprometer a respiração através 
do edema de laringe, da 
broncoconstrição e da produção 
excessiva de muco brônquico. Podemos 
ter, ainda, alterações gastrintestinais, 
como a diarreia resultante da hipermotilidade intestinal ou da efusão de muco no intestino, bem como 
lesões urticariformes na pele 
 ↪ asma: caracterizada tanto pela obstrução recorrente e reversível do fluxo de ar quanto pela 
hiperresponsividade das células musculares lisas brônquicas. essa doença conta com reações de 
hipersensibilidade imediata e reações de fase tardia. 
 ↪ rinite alérgica (febre do feno): provocada por uma ampla variedade de agentes ambientais, como 
pólen de plantas ou ácaros da poeira doméstica. o quadro clínico inclui edema de mucosa, infiltração 
leucocitária com abundância de eosinófilos, secreção de muco aumentada, tosse, espirros e dificuldade 
respiratória. 
 ↪ alergias alimentares: 
 -os alimentos mais passíveis de gerar reação alérgica incluem: leite de vaca; ovos; amendoim; nozes; 
marisco; peixe; soja; e trigo. 
 -nesse tipo de alergia, ocorre a liberação de mediadores de mastócitos de mucosa e submucosa do 
trato gastrointestinal, incluindo a orofaringe. 
 -sinais e sintomas: prurido; edema tecidual; peristaltismo aumentado; secreção aumentada de fluido 
epitelial; sintomas de inchaço orofaríngeo; vômito; e diarréia 
 ↪ urticária: reações agudas em forma de pápula e eritema induzidas por mediadores de mastócitos. 
essas reações ocorrem em resposta ao contato local direto com um alérgeno ou após a entrada do 
alérgeno na circulação 
 
↪ alergias e a hipótese da 
higiene 
 -a exposição aos 
microrganismos durante a fase 
de lactação pode diminuir o risco 
de desenvolvimento de alergias 
 -falhas na colonização do trato 
respiratório ou do trato 
gastrointestinal nas primeiras 
fases da vida podem aumentar o 
risco de infecções respiratórias 
virais que induzem asma 
 
HIPERSENSIBILIDADE DOS 
TIPOS II E III 
↪ as reações de hipersensibilidade do tipo II são respostas imunes que envolvem a destruição direta de 
células alvo pelo sistema imunológico. Essas reações são desencadeadas quando os anticorpos IgG ou 
IgM se ligam a antígenos presentes na superfície das células fixas ou em componentes da matriz 
extracelular. 
↪ a sensibilização inicial ocorre quando o sistema imunológico reconhece um antígeno como estranho e 
produz anticorpos específicos contra ele, principalmente do tipo IgG ou IgM. Estes anticorpos são 
comumente produzidos em decorrência do contato com algum microrganismo e vão circular no sangue até 
encontrarem o antígeno correspondente. 
↪ os anticorpos IgG ou IgM se ligam aos antígenos presentes na superfície das células-alvo ou na matriz 
extracelular, formando complexosantígeno-anticorpo → pode ativar o sistema complemento, que envolve 
uma cascata de proteínas plasmáticas do sangue que desencadeiam a lise celular e a inflamação → o 
complemento pode perfurar as membranas das células-alvo, levando à sua destruição. 
↪ além da ativação do complemento, os complexos antígeno-anticorpo podem tam bém ser reconhecidos 
por células fagocíticas, como os macrófagos, que as englobam e destroem. Além disso, os linfócitos 
citotóxicos (células T CD8+) podem ser ativados para destruir diretamente as células-alvo, um processo 
conhecido como Citotoxicidade Dependente de Anticorpos (ADCC) 
*as reações de tipo II são mais diretas, envolvendo a destruição direta das células-alvo pelo sistema 
imunológico 
↪ doenças causadas por anticorpos contra as células fixas e os antígenos teciduais (tipo II) 
 -anemia hemolítica autoimune: produção de anticorpos contra proteínas de membrana de eritrócitos 
(várias); agentes químicos (fármacos, terapêuticos) ligados às proteínas dos eritrócitos 
 -púrpura trombocitopênica autoimune:produção de anticorpos contra proteínas da membrana de 
plaquetas (p. ex: integrina gpIIb-IIIa) 
 -febre reumática aguda: produção de anticorpos contra antígeno da parede celular de estreptococos, 
anticorpos que apresentam uma reação cruzada com os antígenos miocárdicos 
 -miastenia gravis: produção de anticorpos contra o receptor nicotínico de acetilcolina 
*o principal mecanismo de lesão tecidual nas doenças causadas por imunocomplexos é a inflamação no 
interior das paredes dos vasos sanguíneos, que ocorre quando os anticorpos de complexos depositados 
ativam o complemento e se ligam aos receptores Fc presentes nos leucócitos 
*os anticorpos que causam as doenças específicas de células ou de tecidos são, geralmente, 
autoanticorpos produzidos como parte de uma reação autoimune, mas, algumas vezes, são anticorpos 
específicos para os microrganismos 
 
↪ as reações de hipersensibilidade do tipo III são respostas imunes que ocorrem quando complexos 
imunes formados pela ligação de anticorpos a antígenos solúveis no sangue se depositam em tecidos do 
corpo → podem desencadear uma resposta inflamatória aguda ou crônica nos locais onde se acumulam 
→ danos teciduais 
↪ após a exposição a um antígeno, o sistema imunológico produz anticorpos específicos – geralmente do 
tipo IgG – contra esse antígeno. quando a quantidade de antígeno excede a capacidade de ligação dos 
anticorpos, os complexos antígeno-anticorpo são formados → circulam na corrente sanguínea e podem se 
depositar nos vasos sanguíneos – especialmente em áreas onde a circulação sanguínea é mais lenta, 
como os rins, articulações e pele → trombose 
↪ uma vez depositados nos tecidos, os complexos imunes podem ativar o sistema complemento, uma 
série de proteínas do plasma sanguíneo que amplifica a resposta imune e promove a inflamação → pode 
atrair células inflamatórias para o local de deposição dos complexos e pode também causar danos diretos 
aos tecidos. A presença dos complexos imunes nos tecidos desencadeia uma resposta inflamatória, 
envolvendo a liberação de mediadores inflamatórios, como citocinas, quimiocinas e enzimas proteolíticas 
→ atraem células do sistema imunológico para o local → inflamação e danos aos tecidos 
circundantes. 
↪ doenças mediadas por imunocomplexos (tipo III) 
 -o lúpus eritematoso sistêmico (LES): é uma doença autoimune na qual os complexos substituídos de 
antígenos nucleares e anticorpos antinucleares depositam-se nos vasos sanguíneos dos glomérulos 
renais, na pele e em muitos tecidos 
 -em uma doença chamada poliarterite nodosa, a vasculite mediada por imunocomplexos envolve as 
artérias musculares de calibre médio 
 
HIPERSENSIBILIDADE TIPO IV 
↪ são respostas imunológicas que ocorrem horas a dias após a exposição ao antígeno e são mediadas por 
células T, que provocam lesão tecidual pela produção de citocinas que induzem a inflamação (células T 
helper) ou pela destruição direta das células-alvo (células T citotóxicas) 
↪ a sensibilização ocorre na primeira exposição ao antígeno. Durante esse estágio, os antígenos são 
capturados por células apresentadoras de antígenos (APCs), como os macrófagos e células dendríticas, 
que processam e apresentam esses antígenos para os linfócitos T na região dos linfonodos. Isso ativa 
linfócitos T específicos para o antígeno. 
↪ os linfócitos reconhecem o antígeno apresentado pelas APCs e são ativados para se diferenciarem em 
subpopulações específicas de células T. No contexto da hipersensibilidade do tipo IV, as respostas partem 
de células T CD4+ dos subtipos Th1 e Th17 e de células T CD8+ citotóxicas. As células T ativadas, 
especialmente as Th1, liberam citocinas pró-inflamatórias, como interferon-gama (IFN-γ), interleucina-2 
(IL-2) e fator de necrose tumoral (TNF) → recrutam e ativam outras células do sistema imunológico, como 
macrófagos e neutrófilos, para o local da exposição ao antígeno. Os macrófagos ativados induzem uma 
resposta inflamatória local, que é caracterizada pela liberação de mediadores inflamatórios, como 
prostaglandinas e leucotrienos → aumentam a permeabilidade vascular, atraem mais células do sistema 
imunológico para o local e podem causar danos aos tecidos 
↪ doenças causadas por linfócitos T 
 -artrite reumatóide: inflamação mediada por citocinas Th1 e Th17. pode ter ou não papel dos 
anticorpos e imunocomplexos 
 -esclerose múltipla: inflamação mediada por citocinas Th1 e Th17; destruição da mielina por 
macrófagos ativados 
 -diabetes mellitus tipo 1: inflamação mediada por células T; destruição das células das ilhotas por 
CTLs 
 -enteropatia inflamatória: inflamação mediada por citocinas Th1 e Th17 
 -psoríase: inflamação mediada por citocinas derivadas de células T

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