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GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES HABILIDADES PSIQUIATRIA Gabriela Barbosa – Turma 74 Medicina Unimontes GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES CONSULTA PSIQUIÁTRICA - Objetivos: (1) formulação de um diagnóstico; (2) formulação de um prognóstico; (3) planejamento terapêutico; - Momento em que se começa a estabelecer uma aliança terapêutica entre o paciente e o médico; - Situações em que ocorrem a entrevista: internação (voluntária ou involuntária), consulta ambulatorial, domiciliar ou em via pública; - Ambiente Adequado: ambiente fechado, isolado acusticamente, temperatura agradável, sem interrupções; - O médico deve se apresentar, explicar o objetivo da entrevista e obter o consentimento do paciente; - Caso o paciente não tiver plena consciência da doença, deve-se entrevistar os familiares ou pessoas próximas (permitidas pelo paciente), que possam prestar informações; - Regras Básicas: (1) deixar o paciente falar livremente no início e só depois perguntar sobre temas específicos ou pontos duvidosos; (2) saber controlar e dirigir a entrevista, definir como e quando interromper o paciente, evitando cortar o fluxo de comunicação, mas impedindo que a minuciosidade ou a prolixidade prejudiquem a obtenção da história clínica; (3) evitar formular perguntas de maneira monótona ou mecânica, permitindo um diálogo mais informal; (4) evitar perguntas muito sugestivas ou fechadas, que possam ser respondidas com sim ou não; (5) rejeitar jargões ditos pelo paciente, pedindo para que ele explique o que quer dizer essas palavras, como nervoso, deprimido e pânico; (6) utilizar linguagem acessível, sem termos médicos, certificando-se que o paciente compreende as perguntas realizadas; - A avaliação psiquiátrica abrange a anamnese, exame psíquico, súmula psicopatológica, exame físico, exames complementares, diagnóstico sindrômico e nosológico e a conduta terapêutica; 1. ANAMNESE - Conjunto de informações obtidas do paciente (anamnese subjetiva) ou de seus familiares (anamnese objetiva), sobre o adoecimento mental; **os dados considerados relevantes para o paciente, nem sempre são os mesmos considerados relevantes pelos familiares, cabendo ao entrevistador avaliar e selecionar os tópicos importantes de forma sistematizada; - Contém o relato histórico do transtorno mental de um paciente, abrangendo de forma cronológica e sistematizada relatos desde o período que antecede o início da doença, até suas últimas manifestações psicopatológicas, que motivam o atendimento atual; - Objetivo: possibilitar a compreensão sobre o transtorno mental do paciente e sobre todos os fatores clínicos e psicossociais relacionados; - É essencial para se estabelecer uma hipótese diagnóstica e para a intervenção terapêutica; - A anamnese psiquiátrica segue o roteiro da anamnese médica, devendo permitir realizar anotações completas da observação psiquiátrica; - Itens: identificação, queixa principal, motivo do atendimento, história da doença atual, história patológica pregressa, história fisiológica, história pessoal, história social e história familiar; a. IDENTIFICAÇÃO - Nome, data de nascimento, idade, sexo, estado civil, naturalidade, nível de instrução/escolaridade, profissão, etnia, religião, residência, procedência, filiação; - Pode auxiliar o diagnóstico, dando indícios sobre a doença, como: alcoolismo mais comum em homens, esquizofrênicos geralmente são solteiros, pacientes com retardo mental apresentam baixo nível educacional; b. QUEIXA PRINCIPAL - Razões que motivaram o atendimento; - Deve ser sucinta, preferencialmente abordando um assunto ou no máximo três, redigida com palavras do paciente entre aspas ou entre parênteses com a expressão (sic); - Caso o paciente não formule queixa, isso deve ser anotado; c. MOTIVO DO ATENDIMENTO - Busca-se fatores que motivaram o atendimento ou internação; - Deve integrar a anamnese quando o paciente não tiver consciência da morbidade, sendo seu conteúdo fornecido pelo acompanhante; - Reproduz as palavras do informante; d. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA) - Época e modo de início da doença, presença de fatores desencadeantes, modo de evolução, impacto sobre a vida do paciente, sintomas e suas intensidades, forma como os sintomas influenciam o desempenho afetivo, social e profissional, intercorrência de outros sintomas, queixas atuais, alterações psíquicas e físicas (pesquisadas ativamente pelo entrevistador), existência de período de remissão com retorno às condições anteriores ao início da doença, tratamentos realizados (adesão, motivos da interrupção e eficácia), internações prévias (tempo de internação, condições de alta e manutenção do tratamento), negativos pertinentes de certos sintomas (permite identificar a doença ou a fase evolutiva), episódios psiquiátricos anteriores; - Pode ser narrada pelo paciente, informantes ou ambos, devendo-se identificar a fonte de cada informação; - Descreve-se todos os sintomas cronologicamente, mas não nomeia/diagnostica o quadro clínico; e. HISTÓRIA PSIQUIÁTRICA PREGRESSA (HPP) - Descreve em ordem cronológica as doenças psiquiátricas passadas do paciente e seus tratamentos; - Sintomas e transtornos que a paciente apresentou, hábitos de vida relacionados ao abuso de substâncias; - Avalia a resposta a tratamentos anteriores, o estado atual de saúde, as mudanças de hábito, se houve ideação, intenção, plano e tentativa de suicídio, comportamentos auto lesivos; f. HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA - Estados mórbidos passados, que não mostrem relação direta ou indireta de causa e efeito com a moléstia atual; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Investiga-se: enurese (vazamento involuntário de urina durante a noite), sonilóquio (falar dormindo), pesadelos frequentes, terror noturno, sonambulismo, asma, tartamudez (gago), fobia escolar na infância, convulsões, desmaios, doenças venéreas, outras doenças infecciosas, tóxicas ou degenerativas, acidentes, internações, tentativas de suicídio, traumatismos cranianos, alergia, intervenções cirúrgicas, hábitos tóxicos (álcool, tabaco e drogas ilícitas), uso de medicamentos; - Juntamente a essa se realiza a revisão de sistemas, questionando sobre todos os aparelhos do organismo (circulatório, respiratório, digestório, genitourinário, locomotor, neurológico, metabólico, endócrino e tegumentar); - Não se deve citar doenças ausentes, ao menos que a ausência dessas seja importante para o diagnóstico; g. HISTÓRIA FISIOLÓGICA - Gestação da mãe, nascimento, aleitamento, desenvolvimento neuropsicomotor (andar, falar, controle esfincteriano), doenças na infância, menarca, catamênios, atividade sexual, gestações, partos, abortamentos, menopausa, padrões de sono e de alimentação; h. HISTÓRIA PESSOAL - Devem ser descritos cronologicamente, sendo muito importante para o entendimento de todos os elementos factuais e condições físicas e psíquicas ao longo da vida do paciente; - Infância - personalidade, socialização, jogos e brincadeiras, aproveitamento escolar, ansiedade de separação; - Adolescência - desempenho escolar, uso de álcool e drogas, delinquência, relacionamentos interpessoais; - Sexualidade - iniciação, preferência, orientação, número de parceiros e frequência; - Vida profissional - vocações, estabilidade nos empregos, relacionamento com chefes, subordinados e colegas, desempenho; - Personalidade pré-mórbida - relacionamentos sociais, interesse, hábitos de lazer e culturais, padrão de humor, agressividade, introversão/extroversão, egoísmo/altruísmo, independência/dependência, atividade/passividade, valores, fatores estressores (violência, acidentes e perdas) e adaptação ao ambiente; i. HISTÓRIA PSICOSSOCIAL - Moradia (condições sanitárias, pessoas com quem convive, nº de cômodos, privacidade, características sociodemográficas da região), situação socioeconômica, características socioculturais, atividade ocupacional atual,esquizotípica; Descarrilhamento do Pensamento - O pensamento extravia do seu curso desviando para pensamentos supérfluos e só depois retornando ao curso original; - Quando ocorre de forma acentuada, com desvios frequentes e longos, pode fazer com que a sequência lógica do pensamento não seja captada; - Presente na distraibilidade, na esquizofrenia e nos transtornos maníacos; Desagregação do Pensamento - Perda profunda dos enlaces associativos, gerando pedaços de pensamentos, conceitos e idéias fragmentadas, de modo que o pensamento fique incoerente e não haja possibilidade de detectar sua finalidade; - Presente na esquizofrenia; **ordem da desestruturação do pensamento na esquizofrenia – afrouxamento das associações, descarrilhamento do pensamento e desagregação do pensamento** 3. TIPOS DE PENSAMENTOS ALTERADOS a. PENSAMENTO MÁGICO - Fere os princípios da lógica formal e os indicativos da realidade, seguindo os desejos, as fantasias e os temores conscientes ou inconscientes de um indivíduo; - Adéqua a realidade ao pensamento, ao acreditar que a relação subjetiva de ideias corresponde à associação objetiva e causais dos fatos e fenômenos; - Leis: (Lei da Contiguidade / Magia do Contágio) as coisas em contato continuam unidas, como exemplo um objeto que pertenceu a uma pessoa age sobre a própria; (Lei da Similaridade /Magia Imitativa) o semelhante produz o semelhante, ou seja, produz-se o efeito desejado por imitação da ação real; - Presente em crianças, em transtornos de personalidade (esquizotípico, histriônico, borderline e narcisista), em quadros obsessivo-compulsivos, na esquizofrenia e na histeria; b. PENSAMENTO DEREÍSTICO - Opõe-se e distorce o pensamento realista e os fatos, obedecendo à lógica e à realidade dos interesses, fantasias e sonhos do indivíduo; - Manifesta-se como um devaneio em que tudo é possível e favorável ao indivíduo; - Presente nos transtornos de personalidade (esquizotípico, histriônico, borderline e narcisista), na esquizofrenia, na histeria e em crianças e adolescentes normais; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES c. PENSAMENTO CONCRETO – CONCRETISMO - Não distingue a dimensão abstrata e simbólica da dimensão concreta e imediata dos fatos, de modo a aderir o pensamento no nível sensorial e concreto da experiência, não conseguindo entender ou utilizar metáforas, ironia, sentidos subentendidos ou o duplo sentido; - Presente em indivíduos com deficiência mental, dementados e esquizofrênicos graves; d. PENSAMENTO INIBIDO - Apresenta inibição do raciocínio, tornando-o lento, rarefeito e pouco produtivo, devido à diminuição da velocidade e do número de conceitos, juízos e representações utilizadas; - Presente em indivíduos com demência e depressivos graves; e. PENSAMENTO VAGO - Estabelece relações conceituais, forma juízos e relaciona-os em raciocínios de forma imprecisa, formando pensamentos ambíguos, imprecisos e que não apresentam clareza; - Presente na esquizofrenia, em quadros demenciais iniciais, em transtornos de personalidade e em neuroses graves; f. PENSAMENTO PROLIXO - Indivíduo apresenta dificuldade em obter pensamento direto, claro, acabado e sintético, de modo a dar longas voltas ao redor do tema, mesclando assuntos de forma imprecisa até alcançar uma conclusão sobre o tema inicial após muito tempo; - Tangencialidade – indivíduo responde às perguntas de forma oblíqua e irrelevante, que tangenciam o que foi perguntado, mas não chega ao ponto central, pois não consegue diferenciar o essencial do desnecessário; - Circunstancialidade – o indivíduo dá voltas sobre o tema, sem abordar questões essenciais e decisivas, porém consegue atingir o objetivo do raciocínio; - Presentes em indivíduos com transtornos de personalidade associados à epilepsia com crises parciais-complexas ou às patologias do lobo temporal, com lesões cerebrais, com deficiências mentais limítrofes, na esquizofrenia e em neuróticos graves (obsessivo-compulsivos); g. PENSAMENTO DEFICITÁRIO / OLIGOFRÊNICO - Apresenta estrutura pobre e rudimentar baseada em conceitos escassos, de modo a tender ao sentido literal desses e ao raciocínio concreto; - A abstração pode ocorrer, mas faz-se com dificuldade, sem consistência e grande alcance; - A generalização e a memória são vinculadas apenas às necessidades mais imediatas do sujeito, sendo que pode realizar a memorização extensa e numerosa de temas de forma mecânica e rígida (ilhotas de memória); - O indivíduo apresenta pouca flexibilidade na aplicação de regras e conceitos já consolidadas e realiza distinções imprecisas entre o essencial e o supérfluo, o necessário e o acidental, a causa e o efeito, o todo e suas partes, o real e o imaginário e o concreto e o simbólico; - Marcada pela dificuldade de compreender e explicar fatos complexos da vida, fazendo que o indivíduo aprenda a realidade de forma vaga e simplificada; - Presente em autistas e deficientes mentais; h. PENSAMENTO DEMENCIAL - Pensamento pobre, desigual e complicado; **pode apresentar elaboração mais ou menos sofisticada em alguns pontos do pensamento, mas de forma geral esse é imperfeito, irregular e sem unidade** - Nas fases inicias da síndrome demencial o indivíduo tenta dissumular as dificuldades cognitivas, porém com o progredir da síndrome predomina o pensamento pobre, concreto e desorganizado; - Apresenta dificuldade em encontrar palavras, empregando-se termos mais genéricos e evitando adjetivos e substantivos específicos; i. PENSAMENTO CONFUSIONAL - Pensamento incoerente, de curso tortuoso presente na turvação da consciência, sendo que esta impede que o indivíduo compreenda e processe de forma clara e precisa os estímulos ambientais; - As alterações de consciência, atenção e memória imediata gera no indivíduo a dificuldade em estabelecer vínculos entre conceitos e juízos, impedindo a formação de raciocínios adequados; - Presente nas síndromes confusionais agudas; j. PENSAMENTO DESAGREGADO - Pensamento incoerente, em que os conceitos e juízos não se articulam de forma lógica, de modo a manifestar as palavras de forma aleatória; - Presente nas formas avançadas de esquizofrenia; k. PENSAMENTO OBSESSIVO - São ideias e representações de conteúdo absurdo e repulsivo para o próprio indivíduo, que se impõem à sua consciência persistentemente, de forma incontrolável, determinando uma angústia constante devido à luta entre essas e o indivíduo, que busca excluí-las de sua consciência; - Pode apresentar aspectos do pensamento mágico presente; - Presente em pacientes gravemente obsessivos; 4. JUÍZO DA REALIDADE a. DEFINIÇÃO - Os juízos são julgamentos que permitem ao ser humano afirmar sua relação com mundo e diferenciar a verdade do erro; - Esses julgamentos apresentam um lado subjetivo individual e um lado social, que é produzido a partir dos determinantes socioculturais; - Composição: (Juízo de Existência) assegura a existência ou não de um objeto perceptível; (Juízo de Valor) distingue uma qualidade da outra; - Juízos Falsos – são produzidos de inúmeras formas, sendo ou não patológicas; b. ERROS SIMPLES - Surge da ignorância do julgar apressado, baseado em premissas falsas; - Situações de Ocorrência: (1) quando se tomam coisas parecidas ou semelhantes por iguais ou idênticas; (2) quando se atribui coincidências ocasionais como relações de causa-efeito; (3) quando se aceita ingenuamente as impressões dos sentidos como verdades indiscutíveis; - Em grande parte, são determinados por situações afetivas intensas ou dolorosas, que dificultam a análise objetiva e lógica da situação pelo indivíduo; - Podem surgir e persistir em virtude da ignorância e do fanatismo religioso ou político, tendo assim sua origem psicologicamente compreenssível; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Podem ser corrigidos quando a realidade oferece dados e provas; Tipos Mais Comuns - Preconceito – juízo produzidos socialmente, em sua maioria, de forma apressada,sem reflexão e com base em premissas falsas determinadas pelos interesses de determinados grupos socais, uma vez que os constrói para assumirem posição de superioridade ou para justificar erros, posturas e normas políticas ou institucionais - ex: racismo, sexismo, etnocentrismo, classismo (preconceito de classe) e preconceitos religiosos; - Crenças Culturalmente Sancionadas – são partilhadas por um grupo cultural, podendo esse ser religioso, político, étnico, de jovens, místico, entre outros - são motivadas por fatores afetivos, como desejos e temores - ex: superstições; c. ALTERAÇÃO PATOLÓGICA DO JUÍZO – IDEIAS SOBREVALORADAS/PREVALENTES - O indivíduo atribui elevada importância afetiva pessoal a algumas idéias, fazendo com que essas predominem em relação aos demais pensamentos; - Manifestação da catatimia, isto é, a influência dos afetos sobre as demais funções psíquicas; - Essas ideias fazem sentido para o paciente e são egossintônicas, ou seja, aceitas pelo indivíduo que as produz, diferenciando-as das ideias obsessivas; - Colocam a personalidade total do indivíduo a serviço da ideia sobrevalorada; - São classificadas quanto a intensidade de convicção na ideia e quanto ao nível de crítica direcionada a essa, encontrando-se em um espaço de crítica (continuum de insight) entre as ideiais obsessivas e as idéias delirantes; - Não apresentam, necessariamente, caráter patológico, sendo consideradas patológicas a partir do contexto específico da personalidade do indivíduo; - Características: (1) sustentada com forte convicção, porém inferior a do delírio, podendo progredir para este; (2) desenvolve-se em personalidade alterada; (3) é compreensível a partir das experiências passadas do indivíduo e da sua personalidade; (4) causa sofrimento ou disfunção no sujeito e nas pessoas com que ele convive, porém não fazem com que o indivíduo procure ajuda por conta dessas idéias sobrevaloradas; (5) apresenta conteúdo religioso, ético ou políticos, que são defendidos intransigentemente pelo indivíduo; d. DELÍRIO - São juízos patologicamente falsos originados na doença mental; - O que classifica o juízo como delírio é a justificativa para a crença (tipo de evidência que a assegura) e a forma como essa é mantida; - Indícios Externos: (convicção extraordinária) certeza subjetiva absoluta, não podendo colocar em dúvida a veracidade do delírio; (irremovível) é impossível a modificação do delírio, mesmo com provas explícitas da realidade e com argumentos lógicos convincentes; (conteúdo impossível) o juízo é falso na maioria dos casos, apesar de não ser o que conceitua o juízo como delírio, uma vez que alguns delírios podem ser verídicos; (produção associal) é uma convicção individual, que não é produzida nem compartilhada por algum grupo social; Dimensões - Indicam o grau de gravidade dos delírios; - Grau de Convicção – determina até que ponto o paciente está convencido da realidade de suas ideias delirantes - é intenso na esquizofrenia e menos marcante nas psicoses reativas breves e nos transtornos de humor com sintomas psicóticos; - Extensão – amplitude com que as ideias delirantes envolvem as diferentes áreas da vida do paciente - ordem de extensão (do maior para o menor): esquizofrenia, depressão psicótica, transtornos delirantes e psicoses reativas breves; - Bizarrice ou Implausibilidade – grau que as crenças delirantes do indivíduo se distanciam das convicções compartilhadas pelo grupo social de origem - quão impossível é de suceder o delírio da realidade consensual do indivíduo - os delírios bizarros são característicos da esquizofrenia; - Desorganização – grau de consistência das idéias delirantes internamente, a partir da lógica própria e do grau de sistematização da ordem interna - os delírios são mais organizados nos transtornos delirante e em indivíduos psicóticos que apresentam inteligência privilegiada - os delírios são mais desorganizados nos indivíduos com retardo mental e/ou demência; - Pressão/Preocupação – grau de preocupação e envolvimento do indivíduo com as crenças delirantes, ou seja, o quanto esse delírio o pressiona- ordem de pressão (do maior para o menor): no transtorno delirante, na esquizofrenia e na depressão psicótica; - Resposta Afetiva/Afeto Negativo – grau em que as crenças delirantes abalam ou tocam afetivamente o paciente, deixando-o assustado, ansioso, triste ou irritado devido ao delírio - faz-se presente em pacientes com depressão psicótica (forma + marcante) ou com transtorno delirante (menos marcante); - Comportamento Desviante – quanto o paciente age em função do seu delírio, praticando atos estranhos, perigosos ou inconvenientes - ordem de acentuamento (do maior para o menor): transtorno delirante, depressão psicótica e mania psicótica; Delírio Primário X Delírio Secundário Delírio Primário – Ideias Delirantes Verdadeiras - É psicologicamente incompreensível, não apresentando raízes na experiência psíquica do indivíduo, mas sim na alteração primária do pensamento; - É impenetrável, sendo incapaz de ser atingido pelo contato empático entre entrevistador e entrevistado; - É algo inteiramente novo que se insere em determinado instante na vida do indivíduo, quebrando radicalmente sua biografia e transformando sua existência; Delírio Secundário – Ideias Deliroides - Origina-se de alterações profundas de áreas da atividade mental, como a afetividade e a consciência, gerando juízos falsos; - É fruto de condições psicologicamente rastreáveis e compreensíveis, derivadas do estado de humor alterado de forma profunda (catatimia); - Ex: delírio de ruína ou culpa na depressão grave, delírio de grandeza no estado maníaco franco, delírio paranóide no indivíduo com personalidade paranóide; Delírio Compartilhado – Loucura a 2 Hipótese Causal dos Modelos Neuropsicológicos - Acredita-se que as disfunções das áreas cerebrais frontais se encontram associadas ao delírio, uma vez que a capacidade de auto-observação e de auto-avaliação e a monitoração da realidade dependem na integridade das área pré-frontal; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Ocorre quando um indivíduo com delírio primário, realmente psicótico (com esquizofrenia ou transtorno delirante), ao conviver e interagir intimamente com uma pessoa influenciável, dependente, frágil socialmente ou com limitações físicas ou psicossociais gera o delírio o mesmo delírio ou delírio com ideação temática relacionada nessa (delírio secundário ou ideia deliróide); - A separação física do indivíduo com delírio primário do influenciável, faz com que a pessoa com delírio secundário deixe de forma gradativa de delirar; - Podem ocorrer de forma coletiva, como em grupos sociais questionáveis em que o líder apresenta um delírio primário e o seu grupo acaba por compartilhar essas convicções delirantes; Estrutura - Simples/Monotemático – as idéias se desenvolvem em torno de um único tipo de tema; - Complexos/Pluritemáticos – englobam vários temas ao mesmo tempo; - Delírios Não-sistematizados – sem construção consistente, ou seja, não apresenta conteúdos e detalhes sistematizados, variando de momento a momento - presentes em pacientes com baixo nível intelectual, deficientes mentais ou com quadros demenciais; - Delírios Sistematizados – possuem construção consistente, ou seja, são bem-organizados, com histórias ricas e detalhadas, que se mantêm ao longo do tempo - presente em indivíduos intelectualmente desenvolvidos (usam da inteligência para buscar mais elementos que justifiquem e sustentem o delírio – inteligência a serviço do delírio) e nos transtornos delirantes; Humor X Delírio - Humor-congruente – características psicóticas semelhantes ao transtorno de humor previamente instaurado, como a temática de culpa, ruína ou hipocondríaco na depressão e de grandeza, poder ou religiosidade na mania; - Humor-incongruente – características psicóticas divergentes ao transtorno de humor previamente instaurado, como a temáticade perseguição na depressão e de controle ou influência na mania; Evolução - Delírios Agudos – surgem de forma rápida, podendo desaparecer em questão de horas ou dias - associam-se a transtornos da consciência em psicoses tóxicas ou infecciosas; - Delírios Crônicos – são persistentes, contínuos e de longa duração (anos), apresentando pouca alteração ao longo do tempo; Trema - Humor Delirante **a denominação trema deve-se à tensão e expectativa do ator antes de entrar em cena no teatro** - Período pré-delirante, em que o paciente apresenta intensa aflição, ansiedade e estranheza, sentindo que algo ruim irá acometê-lo, mas sem saber o que; - Faz com que o campo vivencial do sujeito diminua, tendo a sensação de que não irá escapar, apesar de não saber do que; - Pode durar horas ou dias; - Cessa quando se configura o delírio; Apofania - Surgimento do Delírio **a denominação apofania deve-se a seu significado de tornar manifesto** - O delírio como uma descoberta/revelação inexplicável da aflição que o acometia, podendo acalmar o indivíduo; - Ocorre as experiências delirantes (percepção delirante + falsos reconhecimentos e desconhecimentos delirantes + difusão e sonorização do pensamento e das vivências corporais delirantes); - Anástrofe/Inversão/Deslocamento – não é mais o indivíduo que se dirige intencionalmente para o mundo, mas o mundo que se volta para o indivíduo - indivíduo se sente no centro do mundo, observado por todos; Fase Apocalíptica - Desorganização do sujeito após a revelação do delírio inicial; - Apresenta vivências ameaçadoras de fim de mundo e de perda da sensação de que há alguma continuidade de sentido no mundo, uma vez que seu mundo se encontra em uma estranha reestruturação; - Pode ser marcada por sintomas catatônicos, excitação motora e psíquica e vivências de alteração do Eu psíquico e corporal; Consolidação - Certa estabilização/cristalização do delírio após um tempo do início do processo psicótico; - Ocorre devido à elaboração intelectual em volta do delírio, com a fixação de elementos a partir da personalidade do sujeito; Fase de Resíduo - Fase final do processo psicótico-delirante; - Ocorre busca passiva ou ativa pelo isolamento, devido à perda do impulso e da afetividade manifesta, pois, o sujeito acredita não poder mais confiar e se relacionar com os outros; **esquizofrênicos crônicos podem buscar a retratação positiva, isto é, reestruturação em que apesar do indivíduo se manter distante das pessoas ele procura interagir pessoalmente com elas** Mecanismos Formadores - São os fenômenos ostensivos ou processos segundo os quais se produzem as ideias delirantes; - O delírio é uma construção multifatorial complexa, que acontece no processo de tentativa da reorganização do funcionamento mental, uma vez que esse foi desorganizado por uma doença de fundo; - A construção do delírio recebe influência de fatores cerebrais, psicológicos, afetivos, de personalidade pré-morbida e socioculturais; **essa distinção apresenta valor prático** Interpretação -> Delírio Interpretativo - A atividade interpretativa está na base constituinte de todos os delírios, porém em alguns a formação deve-se exclusivamente a essa; - O delírio é formado de uma distorção radical na interpretação de fatos e vivências; - Produz histórias que respeitam determinada lógica e que guardam verossimilhança; Intuição -> Delírio Intuitivo - O delírio surge de repente a partir da captação imediata de um novo sentido nas coisas (revelação delirante), sendo esse totalmente convincente e irredutível; - O delírio não é fundamentado em possibilidades plausíveis e verossímeis, uma vez que não são buscadas provas para seu embasamento; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES Imaginação -> Delírio Imaginativo - A imaginação encontra-se na base constituinte da maior parte dos delírios; - O delírio é criado a partir da interpretação de um determinado episódio ou acontecimento imaginado pelo indivíduo; Afetividade -> Delírio Catatímico - O delírio surge em estados afetivos intensos em que o indivíduo passa a viver em um mundo fortemente marcado por esse estado (catatimia); - Ex: em estado de profunda depressão o sujeito reorganiza o mundo e o seu eu com um delírio de conteúdo depressivo ou o maníaco que pelo seu estado afetivo de euforia e exaltação reorganiza o mundo e seu eu com um delírio de grandeza, de modo coerente com seu estado; Memória -> Delírio Mnêmico - O delírio é construído a partir da recordação de elementos da memória, que podem ser verdadeiros ou falsos (alucinações ou ilusões mnêmicas), atribuindo a esses dimensões delirantes; Alteração de Consciência -> Delírio Onírico - O delírio é associados a quadros de turvação da consciência (durante ou após), desenvolvendo-se devido à crítica insuficiente relacionada às vivências oníricas; - Características do Delírio: vivências oníricas, alucinações cênicas, ansiedade intensa e confusão do pensamento; Alterações Sensoperceptivas -> Delírio Alucinatório - O delírio é construído a partir de experiências alucinatórias ou pseudo-alucinatórias intensas, apresentando a temática e a experiência gerada pela alucinação; - A integração da alucinação com o delírio ocorre mediada por atividade interpretativa; - Percepção Delirante – o delírio surge de uma percepção normal (vertente perceptiva) que recebe uma significação delirante (vertente ideativa), simultaneamente - vivenciada como uma descoberta abrupta, que possibilita ao indivíduo entender tudo o que se passa; - Presente na esquizofrenia; Mecanismo de Manutenção - Fatores envolvidos na permanência do delírio ao longo do tempo; - Inércia em mudar as próprias ideias, devido à necessidade de consistência das produções ideativas formadas; - Pobreza na comunicação interpessoal devido ao isolamento social; - Circulo vicioso de sentimentos paranóides, rejeição e hostilidade que é reforçado pelo comportamento agressivo do indivíduo que apresenta delírio persecutório, gerando a rejeição do meio social; - Construção de novas interpretações delirantes, buscando, inconscientemente, manter sua auto-estima devido à redução do respeito e da consideração das pessoas que convivem com o indivíduo delirante; Tipos Conforme o Conteúdo Delírios de Perseguição - Inclui complôs, ameaças, calúnias e atos planejados ou realizados contra sujeito; - Projeção – o indivíduo de forma inconsciente deforma e projeta para o mundo externo seus conflitos, temores, afetos e desejos insuportáveis quando percebidos em seu mundo interno, buscando, assim, proteger sua auto-estima, que se mostra relutante em admitir seus próprios fracassos, ao projetar nos outros os aspectos negativos da sua própria existência - mecanismo importante na formação dos delírios de perseguição e de referência; Delírio Persecutório/de Perseguição Propriamente Dito - Indivíduo acredita que é vítima de um complô e que está sendo perseguido por pessoas (conhecidas ou não), que desejam envenená-lo, prendê- lo, matá-lo, prejudicá-lo, desmoralizá-lo, expô-lo ao ridículo ou o enlouquecer; - Tema mais frequente dos delírios; Delírio de Referência/Alusão/Auto-referência - Indivíduo experimenta fatos cotidianos circunstanciais como referentes a eles, acreditando ser alvo de referências depreciativas e caluniosas; - Mecanismo Alucinatórios – ouve seu nome e xingamentos nos fatos cotidianos que vivencia; - Mecanismo Interpretativo – deduz que a conversa cotidiana de pessoas é sobre ele; - Geralmente ocorre em associação com a temática de perseguição; - Presente nas psicoses em geral, na esquizofrenia paranóide e nos transtornos delirantes; Delírio de Relação - O indivíduo constrói conexões/relações delirantes e sem motivação compreensível entre os fatos normalmente percebidos; Delírios de Influência/Controle - Vivências de Influência - O indivíduo acredita estar sendo controlado ou influenciado por uma força, uma pessoa ou umaentidade externa, de modo que o indivíduo afirma ter perdido a capacidade de resistir a essa força externa, que passa a controlar seus pensamentos, seus sentimentos e suas funções corporais; - Presente na esquizofrenia; Delírio de Grandeza/Enormidade - O indivíduo acredita ser especial dotado de capacidades/poderes, apresentando um destino espetacular; - Acredita que sua origem e seus antecedentes indicam que ele é um ser superior; - Moldado por ideias de poder e riqueza; - O indivíduo acredita que pode tudo, que tem poderes mentais, místicos ou religiosos e que apresenta conhecimentos superiores; - Apresenta auto-estima extremamente aumentada; - Presente em quadros maníacos e pode estar associado à sífilis terciária parenquimatosa cerebral (paralisia geral progressiva da neurossífilis); Delírio Místico/ Religioso - Indivíduo acredita ser uma entidade superior, um novo messias, ou estar em comunhão permanente com Deus, recebendo mensagens e ordens; - Baseado na crença de que detém poderes místicos e de que é portador de uma mensagem religiosa fundamental; - Apresenta aspecto grandioso, que enfatiza a importância do indivíduo; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Não é causado por crenças religiosas excessivas, sendo causados pelo adoecimento mental, de modo a refletir os interesses e as preocupações predominantes do sujeito; **distingui-se do fanatismo religioso pois apresenta características de um verdadeiro delírio e é acompanhada de outros sintomas de transtornos psicóticos, além de que o estilo de vida e o comportamento social do indivíduo revela que esse não encontra-se socialmente envolvido com fé religiosa** - Presentes em quase todas as formas de psicose, na mania delirante e na esquizofrenia; Delírio de Ciúmes/Infidelidade - O indivíduo, que é extremamente dependente e ligado ao ser amado, se sente traído; - Pode ser marcado pela violência física ou homicídio do delirante contra o suposto traidor; - Pode ocorrer em todas psicoses, no alcoolismo crônico e no transtorno delirante crônico; **mais prevalente entre homens** Delírio Erótico / Erotomania - O indivíduo acredita que uma pessoa de destaque social (geralmente rica, mais velha ou de status social alto) ou de grande importância para o próprio encontra-se apaixonado por ele; - Presente como sintoma isolado em transtornos delirantes; **mais prevalente entre mulheres** Delírio de Conteúdo Depressivo - O indivíduo apresenta delírios com temática triste; - Presente em estados profundos de depressão – são humor-congruentes; Delírio de Ruína/Nilista - O indivíduo acredita viver em um mundo de desgraças, estando condenado a miséria, ao sofrimento e ao fracasso; **o indivíduo pode chegar ao ponto de acreditar que está morto ou que o mundo inteiro está destruído e todos estão mortos** Delírio de Culpa/Auto-acusação - O indivíduo, mesmo sem embasamento real, pode afirmar ser culpado por tudo de ruim que acontece no mundo e na vida das pessoas que o cercam, ter cometido um grave crime ou ser uma pessoa indigna e pecaminosa, que deve ser punida pelos seus pecados; Delírio de Negação de Órgãos - O indivíduo apresenta profundas alterações corporais, podendo acreditar que seu corpo ta destruído ou morto, que não tem órgãos, que seu sangue secou ou que partes do seu corpo estão esfarelando; - Síndrome/Delírio de Cottard – Delírio Niilista - delírio de negação de órgãos + delírio de imortalidade ou de enormidade (expansão do corpo); - Além de poder estar presente na depressão grave, pode ocorrer em quadros psico-orgânicos crônicos e na esquizofrenia; Delírio Hipocondríaco - O indivíduo crê que apresenta uma doença grave ou incurável, mesmo que os exames e as avaliações de especialistas não constatem a doença; **diferencia-se das ideias hipocondríacas não-delirantes, pois no delírio hipocondríaco o indivíduo não apresenta críticas e apresentam maior envolvimento com as preocupações** - Além de poder estar presente na depressão grave, pode ocorrer em transtornos delirantes (paranóia) e na esquizofrenia; Delírio de Reivindicação/Querelância - O indivíduo acredita ser vítima de terríveis injustiças e discriminações, de forma completamente desproporcional à realidade, de modo a envolcer-se em disputas legais e processos; - O indivíduo se atribui os caracteres de injustiçado e perseguido; - Presente nos transtornos delirantes (paranóia); Delírio de Invenção/Descoberta - O indivíduo afirma ter realizado descobertas ou inventados instrumentos que mudaram o mundo, mesmo sendo leigo na ciência; - Presente nos transtornos delirantes (paranóia), na esquizofrenia e na mania; Delírio de Reforma/Salvacionismo - O indivíduo se sente destinado a salvar, reformar ou revolucionar o mundo e a sociedade, a partir do seu plano revolucionário (desenvolvido pelo delírio), sendo esse fundamentado em dogmas ou sistemas religiosos ou políticos; Delírio Cenestopático - O indivíduo acredita que existem animais ou objetos dentro do seu corpo, a partir das interpretações delirantes das suas sensações corpóreas; - Presente na esquizofrenia e nos transtornos delirantes; Delírio Fantástico/Mitomaníaco - O indivíduo apresenta histórias fantásticas totalmente irreais, ricas em detalhes, com convicção plena; - Presente na parafrenia; Delírio de Infestação – Síndrome de Ekbom - O indivíduo acredita que seu corpo está infestado por pequenos organismos; - Pode ser acompanhado de alucinações táteis, correspondentes aos organismos da infestação; - Presente em pacientes esquizofrênicos, deprimidos, no delirium tremens, na intoxicação por cocaína ou alucinógenos ou em indivíduos obcecados por higiene; e. MIOTOMANIA - Tendência patológica a mentir e criar mitos de longas e complicadas histórias, de forma mais ou menos voluntária e consciente; - Mitomania Maligna – indivíduo inventa histórias falsas e as divulga para prejudicar alguém; - Mitomania Vaidosa – o indivíduo cria histórias para impressionar os outros e se promover; - Mitomania da Criança – é considerada menos patológica, devido a inclinação natural da criança pelo maravilhoso; - Presente em pessoas com perfil hipertímico e em transtornos de personalidade (sociopático, esquisotípico, histriônico e borderline); f. PSEUDOLOGIA FANTÁSTICA - Forma de memória patológica, em que o indivíduo mescla sua fantasia intensa com a realidade, formando relatos grandiosos e extremos; - O indivíduo acredita plenamente nos seus relatos; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Pode ser transitória ou duradoura; Presente em pessoas com enorme ânsia pela estima dos outros e com uma tendência à vida imaginativa intensa, com o sentido de realidade frágil; geralmente apresentam transtornos de personalidade (histriônica e borderline); 5. REFERÊNCIAS - Cheniaux. E. Manual de Psicopatologia. 5ª Ed. Guanabara Koogan. Cap 7 (pg 59 – 71) e Cap 11 (pg 112 – 124); - Dalgalarrongo. P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3ª Edição. ArtMed. Cap 16 (pg 204 – 244) e Cap 21 (pg 378 – 422); GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES CONSCIÊNCIA E ATENÇÃO - A atenção e a consciência são funções psíquicas muito próximas e conectadas, de modo que se não há lucidez de consciência, a atenção não funciona adequadamente, mas a atenção pode estar alterada mesmo se o nível de consciência se mantiver normal; - A atenção é um auxiliar da consciência, otimizando seu rendimento e fazendo com que os conteúdos mentais sejam mais eficientemente processados; - A atenção é necessária para algo se tornar consciente; 1. CONSCIÊNCIA - Síntese ou integração de todos os processos mentais em determinado momento; - Vivência interna e atual; - Relaciona-se com a distinção eu/não eu; - Conhecimento do indivíduo a respeito das suas vivências internas, do seucorpo (consciência do eu) e do mundo externo (consciência dos objetos); - Possui intencionalidade, sendo doadora de significado às coisas; - É reflexiva, de modo que o indivíduo tenha consciência de que apresenta consciência, podendo refletir sobre seus conteúdos psíquicos; - A consciência pode ser considerada como uma função mental, que dá espaço para o acontecimento das outras funções mentais; - Vigilância – estado de consciência, no sentido neurofisiológico, que serve de suporte para uma atividade adaptativa, correspondendo ao indivíduo vígil, desperto, alerta, com sensório claro; - Lucidez de Consciência – estado de consciência clara, vigilância plena, de modo que os processos psíquicos sejam experimentados com suficiente intensidade, os estímulos sejam corretamente aprendidos e os conteúdos mentais possuam nitidez (delimitados e identificados) – oposto de sono e coma; - Campo/Amplitude de Consciência – quantidade de conteúdo que a consciência abarca em determinado momento – dimensão horizontal da consciência; a. ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS FISIOLÓGICAS - Intensidade da clareza das vivências psíquicas; - No estado normal, o indivíduo desperto apresenta oscilações pequenas na intensidade da sua consciência; - Situações em que o nível de consciência é diminuído: indivíduo cansado ou sonolento, estado de relaxamento ou repouso, estímulos sensoriais externos e internos e os afetos são pouco intensos, transição da vigília para o sono ou do sono para a vigília; - Sono – estado de inconsciência da qual a pessoa pode ser despertada por estímulos sensoriais; - Sono profundo, sem sonhos – estado fisiológico de abolição da consciência; b. ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS PATOLÓGICAS Hiperlucidez/Hipervigilância - Elevação do nível de consciência, com consciência adquirindo características mais intensas que as da consciência normal; - Características: (1) aumento da intensidade das percepções, do afeto da atividade, da memória de evocação e da atenção espontânea; (2) prejuízo da capacidade de concentração e de raciocínio e da memória de fixação; (3) incoerência, desorganização e hipopragmatismo; - Ocorre na intoxicação por alucinógenos (LSD) e anfetamina, mania, início da esquizofrenia e auras epilépticas; **conceito teórico, sem base empírica** Rebaixamento do Nível de Consciência - Nível de consciência entre a lucidez e o coma; - Perda da clareza da consciência, de modo que a percepção do mundo externo se torne vaga e imprecisa, havendo dificuldade para introspecção e para apreensão do próprio eu; - Relaciona-se com um comprometimento difuso, generalizado, do funcionamento cerebral – possui etiologia orgânica, que gera déficit cognitivo global, afetando a atenção, orientação alopsíquica, pensamento, inteligência, sensopercepção, memória, afeto e psicomotricidade; - Expressões que podem ser empregadas no rebaixamento da consciência: obnubilação, torpor, estupor (alteração da psicomotricidade), estado confusional, confusão mental, estado onírico, estado oniroide, estado confuso-onírico, estado comatoso e amência; Obnubilação Simples - Ausência de sintomas psicóticos; - Características: intensa sonolência, hipoprosexia (diminuição global da atenção), desorientação no tempo e no espaço, pensamento empobrecido e alentecido (as vezes mutismo), dificuldades de compreensão e de raciocínio, hipoestesia (alteração quantitativa da sensopercepção), hipomnesia de fixação e de evocação (distúrbio da memória), apatia e inibição psicomotora (estupor); Obnubilação Oniroide/Amência - Presença de sintomas psicóticos, como ilusões, ideias deliroides (comumente persecutórias) e pseudoalucinações visuais ou de outras modalidades sensoriais; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Características: dificuldade de concentração (exacerbação da atenção espontânea), desorientação temporoespacial, desagregação do pensamento, dificuldade de compreensão e de raciocínio, amnésia de fixação e de evocação, exaltação afetiva (ansiedade), perplexidade e agitação psicomotora; - Pode ocorrer no delirium tremens, que é um quadro grave de abstinência alcolólica; - Ex.: paciente agitado e assustado, sem saber onde está, sem conseguir identificar corretamente as pessoas ao seu redor, podendo ver ou sentir sobre sua pele animais como baratas, aranhas, lagartixas ou ratos; Coma - Abolição da consciência, de modo que o indivíduo não possa ser despertado nem por estímulos dolorosos intensos; - Cursa com perda total da motricidade voluntária e da sensibilidade; - Nesse a vida somática prossegue, mas sem indícios de atividade psíquica; c. ALTERAÇÕES QUALITATIVAS FISIOLÓGICAS Sonhos - Vivências subjetivas que ocorrem durante o sono; - Características: predomínio de imagens visuais, podendo apresentar sensações motoras ou auditivas; conteúdos bizarros; falsa crença de que está acordado; diminuição da capacidade de reflexão; mudanças súbitas quanto a tempo, lugar e pessoas; estrutura narrativa; forte colorido emocional; comportamentos instintivos; atenuação da vontade; dificuldade de se lembrar do seu conteúdo após ter despertado; - Apresenta consciência parcial, uma vez que se perde diversos aspectos da consciência de vigília, como: controle sobre a ação, coerência, memória de longo prazo, capacidade de crítica e consciência da própria identidade; d. ALTERAÇÕES QUALITATIVAS PATOLÓGICAS Estreitamento do Campo da Consciência - Apresenta conteúdo menor do que o normal; - Restringe-se a determinadas vivências, como ideias, afetos, imagens e ações, de modo que as outras vivências internas e a maior parte dos estímulos externos se tornam inacessíveis à consciência; - Interrompe a continuidade e a unidade psíquica da personalidade, perdendo a capacidade de refletir; - Define os estados crepusculares que ocorrem na epilepsia parcial complexa, intoxicação alcoólica patológica, estados dissociativos histéricos, devaneio, estado hipnótico, reação aguda ao estresse, sonambulismo neurológico e crises de pavor noturno; - Ex.: (epilepsia parcial complexa associada ao lobo temporal) paciente relativamente alheio ao ambiente, podendo parecer lúcido, com comportamento estereotipado, baseado em automatismos, ausência de reflexão e intencionalidade, presença de comportamentos violentos ou impulsivos, delírios e alucinações, estados afetivos intensos, agitação ou inibição psicomotora, com início e fim súbitos, podendo durar segundos a semanas, e amnésia total a posteriori – paciente epiléptico do lobo frontal que apresentava a fotografia como passatempo predileto, porém, durante as crises parciais complexas, pegava a máquina e de maneira despropositada e repetitiva realizava fotos de quem estiver à sua frente; e. EXAME DA CONSCIÊNCIA - Expressão fisionômica – pessoas com consciência rebaixada costumam apresentar fácie que denota sonolência, fadiga ou perplexidade (dificuldade de compreender o ambiente); - Alienação do mundo externo – dificuldade de apreensão, desinteresse em relação ao ambiente, com comportamento inadequado ou incoerente, sem levar em consideração a realidade – pode indicar tanto rebaixamento, quanto estreitamento da consciência; - Pode apresentar alteração da atenção, orientação, sensopercepção, memória e capacidade de reflexão; f. CONSCIÊNCIA NOS TRANSTORNOS MENTAIS - Delirium – quadro agudo com rebaixamento do nível de consciência, gerando várias alterações psicopatológicas – o nível de consciência desse quadro flutua amplamente durante o dia, piorando à noite; - Esquizofrenia, Transtornos do Humor e Demência – ocorrem sob lucidez de consciência; - Epilepsia – apresentam maior oscilação dos níveis de consciência – (crises do tipo grande mal ou ausência simples) abolição temporária da consciência; (estado pós-comicial, após a crise do tipo grande mal) estado de rebaixamento do nível de consciência; - Alcoolismo – na intoxicação por álcool ocorre o rebaixamento do nível da consciência, podendo chegar ao coma – (delirium tremes, naabstinência ao álcool) obnubilação oniroide; (intoxicação patológica/idiossincrática) estreitamento do campo da consciência; - Narcolepsia – ataques irresistíveis de sono, associados a alucinações hipnagógicas, cataplexia e paralisia do sono; - Transtornos Dissociativos – estados crepusculares de origem psicogênica, com estados de transe autoinduzido; 2. ATENÇÃO - Processo de direcionamento da consciência para determinado estímulo externo ou interno, como uma imagem perceptiva ou representativa, um afeto ou um pensamento; **a vontade e o afeto influenciam diretamente a atenção** - A atividade mental se concentra sobre um ou poucos objetos específicos em detrimento dos demais, de modo que esses adquiram maior clareza e nitidez; **caso não existisse a capacidade de seleção da atenção, chegaria uma grande quantidade de informações externas e interna na mente, inviabilizando qualquer atividade psíquica** - Interfere na sensopercepção; - Apresenta vital importância para a memória, atuando sobre a fixação de novas informações e evocação das antigas; a. FUNÇÕES DA ATENÇÃO - Atenção Seletiva – capacidade de prestar atenção em alguns estímulos e ignorar os demais – ex.: quando em uma festa, se foca em uma única conversa, não percebendo o que é falado ao redor; - Vigilância e Detecção de Sinal – espera passiva de um estímulo que pode surgir a qualquer momento – ex.: salva-vidas que se encontra atento para agir rapidamente ao ver alguém se afogando; - Sondagem – procura ativa por um estímulo particular – ex.: busca intencional de um determinado termo técnico em meio as palavras de um artigo; - Atenção Dividida – distribuição dos nossos recursos de atenção entre 2 ou mais tarefas que estão sendo realizadas ao mesmo tempo – ex.: dirigir o carro e escutar música pelo rádio; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES b. ATENÇÃO VOLUNTÁRIA X ATENÇÃO ESPONTÂNEA - Atenção Voluntária/Ativa – esforço intencional/consciente, por parte do indivíduo, na direção do objeto; - Atenção Espontânea/Passiva/Involuntária – reação automática, não consciente e não intencional do indivíduo aos estímulos, sendo determinada pelas características desses estímulos – ex.: os estímulos mais intensos, repentinos e inesperados despertam mais nossa atenção; c. TENACIDADE X MOBILIDADE DA ATENÇÃO - Tenacidade/Capacidade de Concentração – capacidade de manter a atenção em determinado objeto por certo tempo; - Mobilidade de Atenção/Vigilância – capacidade de desviar a atenção de um objeto para outro; - A tenacidade e a mobilidade de atenção são qualidades opostas, de modo que se uma aumenta a outra tende a diminuir de intensidade; d. ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS DA ATENÇÃO - O aumento global da atenção (tenacidade e mobilidade) não é possível, apenas sua diminuição simultânea; Hipoprosexia - Diminuição global da atividade da atenção, afetando tanto a tenacidade como a mobilidade; - Ocorre rápida fatigabilidade associada ao esforço para se concentrar; - Ocorre aumento do limiar de estimulação, tornando necessário estímulos mais intensos para atrair a atenção do indivíduo; - Comum no indivíduo normal nos estados de fadiga, tédio e sonolência; - Patologias em que pode se manifestar: esquizofrenia, depressão, demência, delirium sem psicose (secundária ao rebaixamento de consciência), déficit intelectivo, retardo mental e demência; Aprosexia - Abolição da atenção; - Comum no indivíduo normal durante o sono sem sonho; - Patologias em que pode se manifestar: estados de rebaixamento da consciência profundos, coma, demência avançada (terminal) e esturpor esquizofrênico ou depressivo; e. ALTERAÇÕES QUALITATIVAS DA ATENÇÃO/PARAPROSEXIAS/DISPROSEXIAS - Ocorrem quando a tenacidade e a mobilidade da atenção se desviam em sentidos opostos; Rigidez da Atenção/Distração/Absorção Pseudoprosexia/Estreitamento da Atenção - Estado de hipertenacidade, com hipomobilidade da atenção; - Durante um longo tempo, o indivíduo permanece concentrado em um único objeto, não sendo capaz de desviar sua atenção; - Ocorre exacerbação da atenção voluntária ou da atenção espontânea; - Caracteriza um estado de ensimesmamento, quando a atenção permanece dirigida, exclusivamente a um objeto interno; - Comum no indivíduo normal, como ao ler um livro interessante, não registrando nada do que ocorre ao seu redor; - Despolarização da Atenção – a atenção se volta exclusivamente para determinada vivência interna – ex.: (depressão) volta-se para os pensamentos e recordações dolorosos; (transtorno obsessivo-compulsivo) volta-se para as ideias recorrentes; (hipocondria) volta-se às sensações corporais; (esquizofrenia) volta-se aos delírios ou alucinações; - Pode ocorrer na hipnose e nos estados crepusculares histérico e epiléptico; Labilidade da Atenção/Distraibilidade/Hiperprosexia - Estado de hipotenacidade, com hipermobilidade da atenção, de modo que o indivíduo seja incapaz de manter por algum tempo sua atenção em um mesmo objeto; - Predomina a atenção espontânea; - Situações em que ocorre: mania, intoxicações por álcool, anfetamina ou alucinógenos, síndromes de ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, quadros de delirium com sintomas psicóticos, retardo mental, demência e indivíduos com delírios persecutórios; f. EXAME DA ATENÇÃO - Observa-se a mímica (expressão fisionômica) e o comportamento do paciente – se o paciente mantém o olhar no examinador ou o desvia constantemente, presença de olhar perdido (olha em direção ao examinador, mas transparece não estar vendo-o), necessidade de estímulos enérgicos para despertar ou manter a atenção do paciente; - Indícios na entrevista psiquiátrica – demora nas respostas, necessidade de repetir as perguntas e presença de respostas inadequadas, parciais ou perseverantes que sugiram prejuízo de atenção; - Deve-se considerar fatores que possam afetar a atenção, como: cansaço, falta de motivação e ansiedade; - Teste Simples – solicita que o paciente observe os objetos presentes no local do exame e depois os liste de memória; - Testes de Repetição – solicita que o paciente repita de imediato uma lista de palavras (2) ou dígitos (4 -> 6), uma vez que a memória imediata reflete a atividade da atenção; - Prova de Bourdon – paciente deve encontrar em uma folha com um conjunto de letras reunidas aleatoriamente, sem formar palavras, todas as letras A e N, em 10 minutos; g. ATENÇÃO NOS TRANSTORNOS MENTAIS - Mania – hipermobilidade com hipotenicidade da atenção; - Depressão – hipoprosexia (falta de interesse generalizado) ou rigidez da atenção (mente concentrada em ideias de conteúdo penoso); - Esquizofrenia – dificuldade de concentração, com distração por estímulos irrelevantes – no estupor do subtipo catatônico apresenta aprosexia; em síndromes alucinatórias ocorre rigidez ou labilidade da atenção; nos delírios de perseguição intensifica-se a atenção espontânea; - Delirium – capacidade de concentração diminuída, podendo haver diminuição da mobilidade da atenção, quando não há sintomatologia psicótica, ou aumento, quando em quadro psicótico; - Demência – capacidade de concentração comprometida, com rápida fatigabilidade, podendo haver diminuição ou exacerbação da mobilidade da atenção; - Retardo mental – na oligofrenia apática há hipoprosexia, enquanto na oligofrenia erética há labilidade da atenção; - Transtorno de Ansiedade – dificuldade de concentração e aumento da atenção espontânea; - Transtorno Dissociativo – rigidez de atenção nos estados crepusculares histéricos; - Epilepsia – rigidez de atenção dos estados crepusculares epilépticos; - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) – hipotenacidade e hipermobilidade da atenção; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Intoxicação por Álcool – inicialmente gera labilidade da atenção, com posterior hipoprosexia e aprosexia; - Intoxicação por Anfetamina, Cocaína ou Alucinógenos – labilidade da atenção; 3. REFERÊNCIAS - Cheniaux. E.Manual de Psicopatologia. 5ª Ed. Guanabara Koogan. Cap 5 (pg 38 – 44) e Cap 6 (pg 52 – 56). [GABRIELA BARBOSA] Turma 74 –Medicina Unimontessituação previdenciária, vínculo com o sistema de saúde, atividades religiosas e políticas, antecedentes criminais; - Deve abordar os eventos na vida da paciente que justifiquem os sintomas psiquiátricos; j. HISTÓRIA FAMILIAR - Busca compreender o ambiente que o paciente nasceu, se desenvolveu e vive atualmente; - Condições patológicas da família - consanguinidade, transtornos mentais na família, doenças não psiquiátricas, tratamento e internações psiquiátricas, suicídio ou tentativa, epilepsia, uso de álcool ou outras substâncias psicoativas; - Ambiente Familiar: número de membros (vivos e falecidos), problemas de adaptação, ambiente familiar e social, com quem mora e as características do relacionamento familiar, condições socioeconômicas, condições de moradia, vizinhança, privacidade, características culturais específicas do grupo social e concepções religiosas; - Outros fatores pesquisados: gravidez dos pais do paciente desejada ou não, separação dos pais, quem criou o paciente, ordem de nascimento entre os irmãos, diferenças de idade, características de personalidade dos familiares, relacionamento entre os familiares e deles com o paciente, atitude da família diante da doença do paciente, relacionamento com o cônjuge e filhos; 2. EXAME PSÍQUICO/EXAME DO ESTADO MENTAL/EXAME MENTAL/EXAME PSICOPATOLÓGICO/EXAME PSIQUIÁTRICO - Observação e descrição das funções psíquicas do paciente de forma geral; - Inicia no primeiro contato com o paciente, devendo ser realizado ao mesmo tempo em que se realiza a anamnese; - É comparável ao exame físico, apresentando informações objetivas acerca do que é observado pelo examinador, mas também subjetivas, uma vez que parte das vivências internas, subjetivas dos pacientes, são expressas em seu comportamento, sua fala ou sua mímica, de modo a serem observadas e descritas pelo examinador; - Permite a criticidade acerca da anamnese, visto que muitas vezes ocorre falta de fidedignidade nos relatos dos pacientes; - Descreve-se as alterações presenciadas durante a entrevista, devendo-se evitar expressões como “no momento” ou “durante a entrevista”; - Atitude Geral – avalia-se as características físicas relevantes, os cuidados pessoais (condições higiênicas e vestuário), forma de contatol, atitude do paciente perante o entrevistador (colaboração, hostilidade, respostas evasivas ou lacônicas, discurso com espontaneidade, respostas sucintas, fácies e mímica); - A sintomatologia pisiquiátrica pode mudar entre os momentos, devendo-se realizar outro ou vários exames psíquicos – ex.: pacientes com sintomatologia intermitente, como em casos de alucinações e alterações do nível de consciência; - Deve-se descrever as condições em que se realizou o exame (hospital, consultório, domicílio) e se havia acompanhantes; - As funções mentais se influenciam mutuamente, devendo ser avaliadas simultaneamente, de forma quantitativa e qualitativa; - Descreve-se as alterações psicopatológicas e as funções mentais preservadas; - Todas as alterações presentes devem ser relatadas, sem considerar as possíveis causas, como por exemplo um medicamento em uso; - Para avaliação de funções como memória, orientação, inteligência, deve-se aplicar perguntas mais específicas ou testes; **não utiliza termos técnicos** a. APECTO GERAL - Aparência (descuidada, normal), higiene e atitude; b. CONSCIÊNCIA - Descrito conforme à sua forma conservada (lucidez psíquica); GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Estados quantitativos: vígil, turvação/obnubilação, torpor, estupor, coma superficial ou profundo; - Estados qualitativos: estreitamento do campo de consciência, estados crepusculares ou hipnóticos e estados dissociativos; - Pode ser avaliado antes mesmo da entrevista; c. ATENÇÃO - Atenção voluntária - capacidade do paciente de manter o foco ou a concentração em um determinado objeto; - Atenção espontânea - direção a um estímulo novo ou diferente; - Inicia a avaliação ao entrar no quarto/sala já se percebe isso, pois ao abrir a porta, os pacientes do quarto devem se voltar para a porta; caso o paciente não olhar se aproxime dele e o chame pelo nome ou a partir do toque físico; d. ORIENTAÇÃO - Autopsíquica - capacidade de se orientar em relação a si próprio, como nome, idade, sexo, profissão e estado civil; - Alopsíquica/temporoespacial - capacidade de se orientar em relação ao ambiente, tempo (ano, mês, dia e hora) e o espaço (lugar, andar, caminho percorrido) – pergunta-se que dia é hoje, qual a data e onde que ele está, se o paciente não souber, o examinador deve falar e depois solicitá-lo para repetir e assim já averigua a desorientação e a memória imediata ; e. CONSCIÊNCIA DO EU - Consciência em relação à propriedade dos sentimentos, pensamentos e ações; - Compreensão da unidade do eu (o eu é uno e indivisível), da identidade do eu (o mesmo na sucessão do tempo) e da oposição do eu (limite entre o eu e o mundo externo); f. MEMÓRIA - Habilidade de registrar, reter e evocar os fatos ocorridos ao longo da vida; - Avalia-se: (memória anterógrada/de fixação) de curto prazo; (memória retrógrada/de evocação) longo prazo, cronologicamente; - O examinador pode dizer 3 palavras e pedir ao paciente para repeti-las após um tempo, no decorrer da entrevista; g. LINGUAGEM - Avalia a capacidade de comunicação pela fala e pela escrita – como: característica da fala, progressão da fala , forma do pensamento, conteúdo do pensamento, capacidade de abstração - Alterações possíveis: (disartria) dificuldade de articulação; (afasia) capacidade de expressar o conteúdo; (alexia) prejuízo da capacidade de ler; (agrafia) prejuízo na capacidade de escrever; (bradilalia e taquilalia) alterações na velocidade do discurso; (logorreia) alterações na quantidade de discurso; (mutismo) ausência de fala; (ecolalia) repetição da última palavra ou sílaba ouvida; (palilalia) repetição da última palavra ou sílaba dita; (coprolalia) tendência à inclusão de palavras obscenas no discurso; (tartamudez) gagueira; (solilóquios) falar sozinho, sugestivo de alucinações; h. INTELIGÊNCIA - Estimada a partir da avaliação do raciocínio, planejamento, abstração, criatividade e a capacidade de aprendizagem imediata; - Deve considerar a ausência de estudo, a presença de algum retardo mental; i. PENSAMENTO - Avalia o processo de pensar, ou seja, como o paciente organiza suas representações mentais, a consistência de suas ideias, sua compreensão, a capacidade de abstração e o julgamento da realidade; - Descreve-se: (curso) velocidade do pensamento; (forma) encadeamento das ideias, começa e termina a linha de pensamento; (conteúdo) natureza da ideação, ideias prevalentes, fixas ou julgamento distorcido da realidade, delírios; j. HUMOR E AFETIVIDADE – Humor – o que o paciente afirma estar sentindo - tônus afetivo ou estado de ânimo que prevalece em determinado período, avaliando a exacerbação ou a vivência desproporcional dos seguintes sentimentos tristeza, alegria, ansiedade, irritabilidade; - Afeto – o que o paciente demonstra estar sentindo - capacidade individual de experimentar emoções, paixões e sentimentos, acompanhados de uma ideia ou representação mental, avaliando-se a capacidade de modulação, a estabilidade e a ressonância dessas com o meio ambiente; k. SENSOPERCEPÇÃO - Capacidade de transformar os estímulos sensoriais (auditivos, visuais, olfativos, gustativos, tátis, proprioceptivos, cinestésicos e cenestésicos) em representações ou percepções, a partir de experiências anteriores; - Alterações da sensopercepção: (alterações quantitativas) hiperestesia e hipoestesia; (alterações qualitativas) ilusões, alucinações e alucinoses; - Deve-se indagar se o paciente está vendo ou ouvindo alguma outra voz além do examinador ou além das outras pessoas – em caso de resposta positiva, indaga-se o que está sendo escutado e se a voz parece estar dentro da cabeça ou se é tão real quanto de alguém externo; l. PSICOMOTRICIDADE -Correlação entre o estado mental e a atividade motora, avaliando-se a quantidade de movimentação e a inquietude do paciente; - Alterações: (inquieto ou agitado) psicomotricidade aumentada; (inibição psicomotora) psicomotricidade diminuída; - Pode ser avaliado pela marcha do paciente até o consultório ou ao solicitá-lo para andar em meio a entrevista; m. VOLIÇÃO - Capacidade de cada indivíduo se exercitar, escolher, julgar, deliberar e realizar seus atos voluntários; - Pode estar em desacordo com suas tendências instintivas e com os seus hábitos; n. CRÍTICA E NOÇÃO DA DOENÇA / AUTOPAGNOSE - Crítica/Consciência da doença - compreensão mais elaborada, em que o paciente elabora e apresenta um sentimento ou julgamento de modificação, consequência ou prejuízo perante seu transtorno mental; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Noção da doença - julgamento mais superficial, pouco reflexivo ou elaborado, em relação ao seu próprio estado mórbido; **comumente pacientes com delírio e com esquizofrenia não apresentam autopagnose** 3. SÚMULA PSICOLÓGICA - Possui o mesmo conteúdo do exame psíquico, mas resumidamente, tornando explícita a subdivisão das funções mentais, por termos técnicos; - Funções Psíquicas: consciência, atenção, orientação, consciência do eu, memória, linguagem, inteligência, pensamento, afetividade e humor, sensopercepção, psicomotricidade e volição; - Outros itens que podem ser descritos: aparência, atitude, imaginação, conação, psicomotricidade, pragmatismo, prospecção e consciência de morbidade; - Deve-se buscar estimar a intensidade das alterações quantitativas, como por exemplo (3+/4+); - Pode-se atribuir graus de certeza quanto à determinadas alterações, questionando-as; - Ex. de paciente com hipótese diagnóstica de quadro maníaco com sintomas psicóticos: Lúcido. Vestido adequadamente e com boas condições de higiene pessoal. Orientado auto e alopsiquicamente. Cooperativo. Normovigil. Hipertenaz. Memórias retrógrada e anterógrada prejudicadas. Inteligência mantida. Sensopercepção alterada com alucinação auditivo-verbal. Pensamento sem alteração de forma, porém apresentando alteração de curso (fuga de idéias e descarrilamento) por ocasião da agudização do quadro e alteração de conteúdo (idéias deliróides de perseguição, grandeza e onipotência). Linguagem apresentando alguns neologismos. Consciência do eu alterada na fase aguda do quadro. Nexos afetivos mantidos. Hipertimia. Psicomotricidade alterada, apresentando tiques. Hiperbúlico. Pragmatismo parcialmente comprometido. Com consciência da doença atual; 4. EXAME FÍSICO - Deve-se dar ênfase ao exame neurológico e ao sistema endócrino; - Pode incluir o exame de constituição (morfologia corporal) – especificação do biotipo, abordando a teoria de Kretschmer; 5. EXAMES COMPLEMENTARES - Principais: hemograma, bioquímica sanguínea, sorologia para lues, exame do líquor, neuroimagem cerebral, eletroencefalografia, estudos genéticos, dosagens hormonais, testagem neuropsicológica e psicodiagnóstico; - Devem ser solicitados conforme os dados da anamnese e do exame psíquico e físico; 6. DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO - Necessário à prática da medicina, pois permite a comunicação, o prognóstico e a investigação científica, para estabelecimento das medidas terapêuticas e preventivas; 7. REFERÊNCIAS - Cheniaux. E. Manual de Psicopatologia. 5ª Ed. Guanabara Koogan; - UNIFESP. Manual de Psiquiatria Clínica. Ed. Roca; - Zuardi. A.W., Loureiro. S.R. Semiologia Psiquiátrica. 1996. Simpósio Semiologia Especializada; - SanarFlix. Anamnese Psiquiátriaca. GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES AFETIVIDADE - Termo genérico que abrange as diversas modalidades de vivências afetivas humanas, como o humor, as emoções, os sentimentos e as paixões; - Afeto – qualidade emocional que acompanha ideias e representações mentais, concedendo a essas aspectos afetivos; - Os estados psíquicos subjetivos surgem em consequência das ações do indivíduo, que visam a satisfação das suas necessidades (corporais ou psíquicas), podendo ser agradáveis (ações bem-sucedidas) ou desagradáveis (ações mal-sucedidas); - Os estímulos e fatos ambientais afetam e alteram a intimidade do indivíduo, afetando a totalidade, de modo a diminuir sua objetividade; - Componentes: (avaliação subjetiva) percepção da afetividade pelo sujeito; (crenças cognitivas) atribuição do afeto às idéias, às representações e aos eventos; (processos fisiológicos) alterações viscerais causadas pelos processos secretores ou vasomotores; (expressão afetiva) mímica, gestos, postura e ações que comunicam o que o indivíduo está sentindo; - Reação Afetiva – a vida afetiva varia entre os momentos, devido aos eventos e às circunstâncias que se sucedem – (sintonização afetiva) capacidade da vida afetiva do indivíduo ser influenciada por estímulos externos, como se entristecer em eventos dolorosos; (irradiação afetiva) capacidade do indivíduo de transmitir aos outros seu estado afetivo momentâneo, possibilitando que os outros entrem em sintonia com ele; (rigidez afetiva) indivíduo não deseja ou tem dificuldade de realizar a sintonização e a irradiação afetiva; - O exame da afetividade deve ter como base a empatia e além da comunicação verbal, deve-se privilegiar a comunicação não verbal a respeito do afeto, que pode ser expresso pela mímica, pelo olhar, pelos gestos, pela postura e pelo tom da voz; 1. HUMOR / ESTADO DE ÂNIMO / TÔNUS AFETIVO - É o estado emocional basal e difuso, sendo resultado da soma dos afetos presentes na consciência do indivíduo em determinado momento; - Não se relaciona com um objeto específico e em geral é persistente e não reativo; - Essa disposição afetiva influi sobre a forma que o indivíduo vivencia os momentos, podendo ampliar/minimizar os impactos e modificar a natureza e o sentido desses, de modo a determinar todas as experiências psíquicas do sujeito; - Representa uma confluência psíquica e somática, podendo se relacionar às condições vegetativas do organismo; - Oscila entre os polos da alegria, tristeza, irritabilidade, calma e ansiedade; - Disforia – estado de humor desagradável; 2. EMOÇÕES - Reações afetivas agudas e momentâneas (curta duração), que são desencadeadas por estímulos significativos, como a reação do indivíduo a excitações internas ou externas, conscientes ou inconscientes; - É uma alteração global da dinâmica pessoal, que perturba o equilíbrio existencial; - É uma experiência psíquica e somática, suscitando manifestações fisiológicas (originadas do sistema nervoso autônomo) e comportamentais (derivadas da ação do sistema nervoso motor somático) características de cada tipo de emoção (específicas); - Deve-se distinguir seu componente central (subjetivo) e seu componente periférico (expressivo); - Maximizam a atenção e o processamento de informações, organizam a percepção, o pensamento e o comportamento, buscando lidar da melhor forma possível com as situações que geram a resposta afetiva; - Relacionam-se com áreas específicas do cérebro; Teoria de James-Lange - A base das emoções é encontrada na periferia do corpo em meio às reações do sistema nervoso autônomo periférico, uma vez que a emoção é a consciência (percepção) das modificações fisiológicas produzidas por determinados eventos; Emoções X Razão - Tradicionalmente, considera-se a emoção um caráter contrário à razão, pois atribui a essa o impedimento do pensamento claro e sensato dos indivíduos, ou seja, prejudica a razão, de modo a inferiorizar a emoção; - Em uma visão contrária, a emoção pode ser interpretada como aspecto contributivo ao contato do homem com a realidade; 3. SENTIMENTOS - São estados e configurações afetivas estáveis, que se apresentam mais atenuados em sua intensidade e menos reativos a estímulos passageiros, sendo mais prolongados que as emoções e não apresentando as alterações fisiológicas presentesnestas; - Resultam de um processamento cognitivo maior do que as emoções; - Associam-se a conteúdos intelectuais, valores e representações, sendo um fenômeno muito mais psíquico que somático (sem as alterações fisiológicas da emoção); - São variados, sendo que podem existir apenas em determinadas línguas e culturas; - Podem ser classificados em vários grupos; Positivos/Agradáveis - Sentimento da Esfera da Alegria - euforia, júbilo, contentamento, satisfação, confiança, gratificação, esperança e expectativa; - Sentimentos Relacionados à Atração - amor, atração, tesão, estima, carinho, gratidão, amizade, apego, apreço, respeito, consideração e admiração; Negativos/Desagradáveis - Sentimentos da Esfera da Tristeza - melancolia, saudade, tristeza, nostalgia, vergonha, impotência, aflição, culpa, remorso, autodepreciação, autopiedade, sentimento de inferioridade, infelicidade, tédio e desesperança; Classificação dos Sentimentos de Max Scheler - Sentimentos Sensoriais – sentimentos corporais que se localizam em determinada parte do corpo - relacionam-se com sensações de prazer e de dor; - Sentimentos Vitais – sentimentos corporais não localizados, que se relacionam com todo o organismo - não são reativos, guardando certa autonomia do mundo externo - possui caráter de intencionalidade, uma vez que sua presença pode provocar ou exige uma ação para perpetuá-la ou corrigi-la - ex.: mal-estar, bem-estar, fadiga, desânimo, vigor, orgasmo, fome e sede; - Sentimentos Psíquicos – não são sentimentos corporais, estando relacionados aos significados percebidos - são reações a acontecimentos externos, sendo dotados de intencionalidade – ex.: ficar alegre ou triste diante de uma notícia, sentir raiva de uma pessoa, culpa por um pecado; - Sentimentos Espirituais – relacionados aos valores compartilhados e influenciados culturalmente - podem ser estéticos (belo e feio), morais (certo e errado) e religiosos; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Sentimentos da Esfera da Agressividade - raiva, revolta, rancor, ciúme, ódio, ira, inveja, vingança, repúdio, nojo e desprezo; - Sentimentos Associados ao Perigo - temor, receio, desamparo, abandono e rejeição; - Sentimentos do Tipo Narcísico - vaidade, orgulho arrogância, onipotência, superioridade, empáfia, prepotência; 4. PAIXÕES - Estado afetivo intenso, que domina a atividade psíquica, de modo a dirigir toda atenção e interesse pessoais a um único fator; - Tem a intensidade das emoções, porém uma maior duração; - Pode impedir o exercício da lógica imparcial; 5. PSICOPATOLOGIA DA AFETIVIDADE - A maioria dos distúrbios mentais são causados por alterações na anatomia química do encéfalo (neuroquímica), podendo essa ser causada pela confluência de uma base neurobiológica definida geneticamente com fatores ambientais que envolvem os sistemas modulatórios de projeção difusa do encéfalo; 1. ALTERAÇÕES DE HUMOR / TIMOPATIAS - Os dois pólos básicos dessas alterações são o pólo hipotímico (depressivo) e o pólo hipertímico (maníaco); Distimia - Alteração básica e quantitativa do humor que pode ocorrer tanto no sentindo da inibição, quanto no sentido da exaltação; Distimia Hipotímica / Depressão - A hipotimia é a base efetiva dos transtornos depressivos; - Corresponde ao transtorno depressivo leve ou crônico, gerado por uma tristeza patológica e humor depressivo, sendo esses acompanhados de desesperança e angústia; - Pode ser acompanhado de ideias relacionadas à morte, como idéias, planos, atos ou tentativas suicidas; - Pode apresentar ansiedade ou irritabilidade intensa; - Marcada pela rigidez afetiva; Distimia Hipertímica / Mania - A hipertimia é o humor patologicamente alterado no sentido da exaltação e da alegria; - Corresponde a uma exaltação patológica do humor, marcada pela expansibilidade e euforia; - Pode apresentar irritabilidade patológica; - Encontra-se na base afetiva dos quadros maníacos; - Tem como marco a exaltação afetiva; - Pode apresentar labilidade ou incontinência afetiva; Disforia - Distimia acompanhada de uma tonalidade afetiva desagradável e mal-humorada; - Depressão ou Mania Disfórica – quadros distintos, mas acompanhados de irritação, amargura, desgosto e agressividade; Euforia / Alegria Patológica - Humor morbidamente exagerado, em que predomina a alegria intensa, de forma desproporcional às circunstâncias; - Comum no espectro maníaco; Estado de Elação - Combina a alegria patológica com uma sensação subjetiva de grandeza e poder, conhecida como expansão do Eu; Puerilidade - Caracteriza-se pelo aspecto infantil, simplório, regredido; - Gera risos e choros por motivos banais; - Marcado por uma vida afetiva superficial, sem afetos profundos, consistentes e duradouros; - Presente na esquizofrenia hebefrênica, em indivíduos com déficit intelectual, em quadros histéricos e em personalidades imaturas; Mória - Alegria vazia, ingênua e boba, sem conteúdo afetivo; - Presente em pacientes com deficiências mentais, com lesões extensas dos lobos frontais, com quadros demenciais acentuados e na esquizofrenia hebefrênica; Estado de Êxtase - Sensação de dissolução do Eu no todo, de modo a compartilhar o íntimo do estado afetivo interior com o mundo exterior; - Pode apresentar aspecto hipertímico e expansivo; - Presente em circunstâncias associadas a contextos religiosos ou místicos, no transe histérico, na esquizofrenia e na mania; Irritabilidade Patológica - Hiper-reatividade desagradável e agressiva a estímulos do meio exterior, que são vistos como perturbadores; - Gera reações disfóricas aos estímulos externos, como ruídos, presença de muitas pessoas e críticas pessoais; - Geralmente inespecífico quando apresenta natureza orgânica, porém quando apresenta natureza patológica pode estar presente nos transtornos ansiosos e na esquizofrenia; - Irritabilidade Primária – surge de um transtorno do humor ou psico-orgânico; - Irritabilidade Secundária – surge de forma associada a vivências psicóticas (como delírios e alucinações) ou neuróticas (como conflitos inconscientes e insegurança); Catatimia - Influência da afetividade (do estado de humor, das emoções, dos sentimentos e das paixões) sobre as demais funções psíquicas e sobre toda a vida mental; - A sensopercepção pode ser alterada em função dos estímulos afetivos intensos; - Atenção - é captada, dirigida ou desviada em função do valor afetivo dos estímulos; - Memória - pode ser altamente detalhada ou muito pobre, dependendo do significado afetivo atribuído; Gutimia estadoemquenãoháalteraçãodohumor DistimiaBipolaremãdepressional FITE são Hipomodulação i inêiiiiativa AFETemo.iouEacompanha um objeto serhumanosensação visceral erotomania FilmistátIEFEsteza comtendência à agressiva e felicidade ppodeestar GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES 2. ALTERAÇÕES DAS EMOÇÕES E DOS SENTIMENTOS Alterações Quantitativas Exaltação Afetiva - Reação afetiva desproporcional em relação à situação ou ao objeto que a motivou, de modo a aumentar a intensidade ou a duração dos afetos; - Ocorre em relação à alegria, irritabilidade, tristeza e ansiedade; - Presente na mania (exaltação do amor alegre ou irritado), na depressão (exaltação do humor triste), nos transtornos de personalidade (bordeline e explosiva), nos casos de demência, nos casos de retardo mental, em quadros de delirium, em quadros psicóticos, no transtorno do pânico, no transtorno de ansiedade generalizada e nos transtornos fóbicos; - Hipertimia – alegria/irritabilidade patológica – ocorre na síndrome maníaca; - Hipotimia – tristeza patológica – ocorre em estados depressivos; **vários estudos contestam a associação do termo hipotimia com a depressão, acreditando que na depressão a intensidade da expressão afetiva não esteja diminuída, pois o estado de humor dominante é a tristeza, mas ocorre diminuição da conação e da energia vital, sendo diferente do embotamento afetivo que ocorreno esquizofrênico** - Ansiedade patológica – paralisante, não leva ao enfrentamento ou fuga do perigo, trazendo prejuízos físicos ou psicossociais, como no transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada e nos transtornos fóbicos; Embotamento Afetivo e Devastação Afetiva - Perda profunda das vivências afetivas, uma vez que ocorre diminuição da intensidade e da excitabilidade dos afetos (positivos e negativos), sendo observável por meio da expressão emocional restrita (mímica, postura e atitude do indivíduo); - O indivíduo torna-se indiferente ao meio, às outras pessoas e a si próprio; - Pode ser acompanhado de anedonia (perda da capacidade de sentir prazer); - Presente nas formas hebefrênica e residual de esquizofrenia, nos transtornos de personalidade (esquizotípica, esquizóide ou antissocial), na demência avançada, em casos de retardo mental, no delirium sem psicose, no coma, na síndrome do lobo frontal e nos transtornos de estresse pós-traumático; **pessoas com transtorno de personalidade antissocial apresentam embotamento afetivo relacionado à ansiedade e ao sentimento de culpa** - Estupor Emocional / Paralisia Afetiva Aguda – embotamento afetivo momentâneo e de curta duração após traumas de grande magnitude; - Mória – alegria vazia, tola e pueril, sem conteúdo afetivo - presente em indivíduos com lesão do lobo frontal, no retardo mental, na demência e na esquizofrenia hebefrênica; - Sentimento de Falta de Sentimento - incapacidade de sentir emoções percebida pelo paciente e vivenciada de forma penosa, como um sofrimento ou uma tortura, ou seja, a experiência subjetiva está em desacordo com a observação objetiva, estando preservada a afetividade - marcada pela queixa de se sentir morto ou em estado de vazio afetivo - presente em quadros depressivos graves; Apatia - Diminuição da excitabilidade emotiva e afetiva, de modo a não sentir nada (alegria, tristeza, raiva); - O indivíduo apresenta consciência da importância afetiva que a experiência deviera ter (subjetiva), mas não consegue se sensibilizar, tornando- se hiporreativo; - Presente em quadros depressivos e em transtornos mentais; Pobreza de Sentimentos e Distanciamento Afetivo - Perda progressiva e patológica das vivências afetivas, de modo a diminuir a possibilidade de vivenciar alternâncias sutis na esfera afetiva; - Presente em síndromes psico-orgânicas, nas demências e em formas de esquizofrenia; Anedonia - Incapacidade total ou parcial de obter e sentir prazer com determinadas atividades e experiências de vida; - Presente nas síndromes depressivas, nos quadros esquizofrênicos crônicos, em transtornos de personalidade e nas formas graves de neuroses; - Pode ocorrer de forma simultânea a apatia (incapacidade de sentir afetos); Indiferença Afetiva - Frieza afetiva incompreensível diante dos sintomas pessoais, podendo ser paralisias, somatizações ou perda da voz e da visão, psicogênicas; - A indiferença parece indicar que de forma inconsciente o paciente sabe que os sintomas possuem origem psicogênica, sendo reversíveis; - Bela Indiferença – não é uma indiferença profunda, sendo mais aparente e teatral; - Triste Indiferença – presente em paciente depressivo com apatia marcante; - Pálida Indiferença – presente no paciente esquizofrênico crônico que perdeu aspectos fundamentais da vida afetiva devido aos sintomas do negativos do transtorno; - Presente na histeria, na depressão e na esquizofrenia; Alterações Qualitativas Distúrbios de Modulação/Regulação do Afeto Hipomodulação/Rigidez Afetiva - O indivíduo é incapaz de modular a resposta afetiva com a situação existencial, devido à rigidez da sua relação como o mundo; ATAMAN IEII discursohipoprosódico quizof a curva équasezero GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - A expressão afetiva varia muito pouco, menos do que o normal, independentemente dos acontecimentos externos; - O indivíduo não apresenta consciência da importância afetiva; - Presente na esquizofrenia, na depressão, na demência e na mania crônica irritável; Labilidade/Instabilidade/Volubilidade Afetiva - Dificuldade no controle dos afetos, de modo a apresentar mudanças súbitas, abruptas e imotivadas de um estado afetivo para outro (humor, sentimentos ou emoções); - Os afetos atingem grande intensidade (exaltação afetiva) e são de curta duração, de modo que o estado afetivo esteja continuamente oscilando entre os diversos polos afetivos; - Forma de hiperestesia emocional, uma vez que é marcada pelo exagero e pela inadequação da reatividade afetiva; - Presente em quadros de depressão, mania, estados graves de ansiedade, esquizofrenia, transtorno de personalidade bordeline, demência, retardo mental, delirium, encefalites, tumores cerebrais, doenças degenerativas do SNC, síndromes frontais e síndrome pseudobulbar; - Riso e Choro Patológico – ocorrem de forma abrupta, de curta duração e de forma convulsiva em episódios imotivados - associados à paralisia pseudobulbar vascular, à esclerose lateral aminotrófica, à esclerose múltipla ou às lesões vasculares bilaterais ou difusas; Incontinência Afetiva - Distúrbio na regulação da expressão afetiva, de modo que o indivíduo não consegue conter suas reações afetivas, que apesar de ocorrerem relacionadas a estímulos apropriados são sempre muito desproporcionais, atingindo grande intensidade e durabilidade; - Forma de hiperestesia emocional, uma vez que é marcada pelo exagero e pela inadequação da reatividade afetiva; - Deve-se a falha nos mecanismos inibitórios adquiridos na educação e no convívio social que permitem controlar a expressão dos sentimentos; - Presente em quadros de depressão, mania, estados graves de ansiedade, esquizofrenia, demência, na intoxicação alcoólica, no transtorno de transe dissociativo, na epilepsia do lobo temporal, encefalites, tumores cerebrais, doenças degenerativas do SNC, síndromes frontais e síndrome pseudobulbar; Distúrbios do Conteúdo do Afeto Paratimia/Inadequação do Afeto - Reação contraditória às situações existenciais e aos conteúdos ideativos, havendo uma incronguência entre o afeto expresso e a situação vivenciada ou o que o indivíduo verbaliza; - Reflete uma desarmonia entre a afetividade e o pensamento; - Ex: indivíduo afirma estar alegre, apesar da sua mímica triste; - Presente na esquizofrenia; - Revela ataxia intrapsíquica (desarmonia da vida psíquica), devido à contradição entre a esfera ideativa e a afetiva; Ambitimia /Ambivalência Afetiva - Caracterizado por sentimentos opostos (ódio e amor, rancor e carinho) e simultâneos em relação a um mesmo estímulo, objeto ou pessoa; - Presente em pacientes esquizofrênicos, podendo ocorrer de forma radical e intensa; Neotimia - São sentimentos e experiências afetivas novas (afetos estranhos e bizarros) vivenciadas por pacientes em estado psicótico; - São afetos diferentes de todos os que o paciente já havia experimentado em sua vida, podendo apresentar sentimentos místicos, de êxtase, de elação, de desolação e de terror; - Presente na esquizofrenia, na intoxicação por alucinógenos e em auras epilépticas; 3. ANSIEDADE - Ansiedade Traumática - ocorre quando o indivíduo é submetido a um grande afluxo de excitações, de origem externa ou interna, que não pode ser descarregado ou dominado – característica da infância, quando o ego ainda é imaturo, mas podendo reaparecer na vida adulta no transtorno de pânico; - Ansiedade de Alarme/Ansiedadesinal – reação atenuada do ego diante de uma situação de perigo, propiciando a mobilização de forças e mecanismos de defesa para enfrentar e evitar a situação traumática; - Transtorno psiquiátrico, que expressa de forma inapropriada o medo, sendo este duradouro; - Não se refere a um objeto preciso; - Estado de humor desconfortável, marcado pela apreensão negativa em relação ao futuro e pela inquietação interna desagradável; - O medo característico da ansiedade pode ser desencadeado por perigospouco definidos ou pela recordação de eventos que supostamente podem ser perigosos, ou seja, quando o motivo não está presente; - Ocorre ativação da amígdala e consequentemente dos neurônios hipotalâmicos que promovem a liberação de ACTH, estimulando a liberação de cortisol pela adrenal, porém o hipocampo (regulador do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal) inibe esse eixo; - Patológica – quando é excessiva, paralisante (não leva ao enfrentamento ou fuga do perigo) ou quando traz prejuízos físicos - pode ser relacionada à hiperatividade da amígdala e à redução da atividade do hipocampo; - Manifestações Somáticas e Fisiológicas – dispnéia, taquicardia, vasoconstrição ou dilatação, tensão muscular, parestesias, tremores, sudorese e tontura; - Manifestações Psíquicas – inquietação interna, apreensão e desconforto mental; - Estresse – gerado pelo desencadeadamento crônico da ansiedade, ou seja, pela exposição crônica ao cortisol, de modo a gerar a disfunção e a morte dos neurônios hipocampais, tornando a resposta ao estresse mais acentuada - causa danos ao organismo; Ansiedade Depressiva - Relaciona-se ao temor/medo de perder objetos bons (podem ser externos ou internos) e juntamente a esses seu próprio Eu; Sentimentos e Emoções Normais que Podem ter Implicações Psicopatológicas Conforme Intensidade e o Contexto que se Desenvolvem - Ciúme – fenômeno emocional em que o indivíduo sente receio, medo, tristeza ou raiva diante da idéia, sensação ou certeza de que a pessoa amada gosta mais de outra pessoa ou objeto e que pode abandoná-lo por este - quando apresenta intensidade extrema e é desprovido de crítica é difícil de ser diferenciado do delírio de ciúmes; - Inveja – sensação de desconforto, raiva ou angústia diante da constatação de que outra pessoa possui objetos, qualidades ou relações que o indivíduo gostaria de ter mas não possui - pode se tornar uma importante fonte de sofrimento em indivíduos imaturos, extremamente neuróticos ou com transtornos de personalidade - pode ter efeitos devastadores nas relações interpessoais; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES Ansiedade Persecutória ou Paranóide - Relaciona-se com o temor/medo dos ataques imaginários que o sujeito perpetrou em sua fantasia, contra seus objetos internos ou externos; Ansiedade do Desempenho - Associa-se a temores em relação à execução de uma tarefa e à avaliação crítica de pessoas importantes ou significativas; - Frequente na fobia social e na vida cotidiana; Ansiedade Antecipatória - Ocorre antes da vivência de uma situação estressante, a partir da sua experimentação imaginária ao remoer a futura situação desconfortável; - Sofrimento antecipado diante de uma possibilidade; - Frequente na fobia social; 4. ANGÚSTIA - Freud – afeto básico que emerge do conflito entre o indivíduo (com seus impulsos instintivos primordiais, seus desejos e suas necessidades) e as exigências e restrições de comportamento civilizado, impostos culturalmente; - Assemelha-se muito à ansiedade, porém apresenta-se mais relacionada ao passado e com uma conotação mais corporal; - É um tipo de vivência mais pesada e mais fundamental que a experiência da ansiedade; - Não se refere a um objeto preciso; - Relaciona-se com a sensação de aperto no peito e na garganta, com o aspecto de compressão e sufocamento; Angústia de Castração - Relaciona-se a perda ou ao risco de perda de algo importante do ponto de vista narcísico para o indivíduo, como os genitais; Angústia de Morte ou de Aniquilamento - Relaciona-se ao perigo ou situação, que pode ser real ou fantasiada, que indica a possibilidade iminente da morte; Angústia de Separação - Reações emocionais vividas pela criança quando separada da mãe; - Pode ser manifestada com choro, desespero e aflição; Angústia Existencial - Estado básico constituinte do ser humano, uma vez que se relacionada com a situação de estar no mundo, de estar com o outro e de estar e ser para a morte; - Relaciona-se ao fato do homem estar condenado a ser livre, não podendo abdicar o livre arbítrio; - Alienação Existencial / Má Fé – nega a angústia existencial básica, negando sua liberdade; 5. FOBIAS - Medos determinados psicopatologicamente, que ocorrem de forma desproporcional e incompatível com as possibilidades de perigo real que são oferecidas pelos objetos ou situações desencadeantes; - Sintomas aprendidos por condicionamento clássico, em um processo inconsciente, na via direta entre tálamo e amígdala (não passa pelo neocórtex); - O contato com os objetos ou situações fobígenos desencadeia intensa crise de ansiedade; - Existe um número enorme de subtipos de fobias, que são classificados conforme o objeto ou situação fobígena; - Fobia Simples – menos intenso e desproporcional de objetos ou animais; - Fobia Social – medo de contato e interação social com pessoas pouco familiares ao indivíduo em situações as quais o paciente possa se sentir examinado ou criticado; - Agorafobia – medo de espaços amplos e de aglomerações; - Claustrofobia – medo de entrar e ficar preso em espaços fechados e pequenos; 6. PÂNICO - Reação de medo intenso e de pavor relacionada ao perigo imaginário de morte iminente ou descontrole; - Crises de Pânico – manifestação do pânico, que pode ocorrer após a exposição a desencadeantes, como contato com situações ou objetos fobígenos, morte de pessoa próxima e estresse intenso, sendo que em muitos casos pode não se conseguir identificar o fator desencadeante; - são crises agudas e intensas de ansiedade (com seus sintomas somáticos), acompanhadas de medo intenso de morrer, de perder o controle, de enlouquecer ou de ter um ataque cardíaco - apresenta início abrupto de uma sensação de perigo, criando o desejo de fugir ou escapar da situação - duram alguns minutos e tende a repetir-se com periodicidade variável; 6. AFETIVIDADE NOS PRINCIPAIS TRANSTORNOS MENTAIS - Mania – hiperforia (alegria, euforia), exaltação afetiva (irritabilidade patológica) e labilidade afetiva; - Depressão – exaltação afetiva (tristeza patológica), rigidez afetiva (poucas variações no estado de humor), ansiedade e irritabilidade intensa; - Esquizofrenia – embotamento afetivo, mória, hipertimia (ansiedade proeminente em quadros delirantes ou de agitação), rigidez afetiva, paratimias, ambitimias e neotimias; - Demência – labilidade afetiva ou rigidez afetiva, embotamento afetivo, ansiedade, tristeza e irritabilidade; - Delirium – embotamento afetivo (no delirium sem psicose), exaltação afetiva e labilidade afetiva; - Transtornos de ansiedade – ansiedade patológica, irritabilidade; - Retardo mental – labilidade afetiva, exaltação afetiva ou embotamento afetivo; - Transtorno de personalidade borderline – dificuldade do controle da raiva, exaltação afetiva e labilidade afetiva; - Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) – sintomas depressivos, ansiosos, irritabilidade ou embotamento afetivo; - Transtorno disfósrico pré-menstrual (TDPM) – exaltação afetiva, labilidade afetiva, irritabilidade, tristeza e ansiedade; 7. REFERÊNCIAS - Cheniaux. E. Manual de Psicopatologia. 5ª Ed. Guanabara Koogan. Cap 17 (pg156 – 168); - Dalgalarrongo. P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3ª Edição. ArtMed. Cap 18 (pg 279 – 319); GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES SENSOPERCEPÇÃO - Sensações – fenômenos elementares gerados de estímulos físicos, químicos ou biológicos de fora ou de dentro do organismo, que estimulam os receptores, de modo a encaminhá-los ao sistema de informações do organismo, possibilitando sua auto-regulação - apresentam diferentes formas, sendo essas específicas para cada estímulo sensorial - dimensão neuronal ainda não plenamente consciente da sensopercepção -> fenômeno passivo; - Percepção – quando o estímulo sensorial se torna um fenômeno perceptivo consciente, ou seja, é a dimensão neuropsicológica e psicológica da sensopercepção -> fenômeno ativo - inclui obrigatoriamente um objetoestimulante e um sujeito receptor - não é um processo passivo, mas sim um produto ativo e criativo, que apesar de partir dos estímulos sensoriais é recriado na mente do indivíduo - o significado e a percepção final dos estímulos sensoriais e das experiências são construídos pelo confrontamento com experiências passadas na memória e com o contexto sociocultural; - Apercepção/Gnosia – entrada da percepção na consciência e sua articulação com os outros elementos psíquicos, de modo a perceber algo integralmente, por meio da identificação do material preexistente, ou seja, articula o novo conteúdo aos conteúdos semelhantes já dados e totalmente compreendidos, possibilitando seu pelo reconhecimento; 1. IMAGEM PERCEPTIVA REAL - Elemento básico do processo de sensopercepção; - Características: (nitidez) imagem com contornos precisos; (corporeidade) imagem viva, com brilho e cores; (estabilidade) imagem não muda; (extrojeção) a imagem é percebida no espaço exterior; (influenciabilidade voluntária) a imagem percebida não pode ser alterada voluntariamente; (completitude) a imagem apresenta desenho determinado e rico em detalhes; 2. REPRESENTAÇÃO – IMAGEM REPRESENTATIVA/MNÊMICA - Revive/relembra uma determinada imagem sensorial na consciência, sem a presença do objeto original no ambiente externo, de modo a copiar as percepções dos sentidos; - Não é capaz de atingir a força e a vivacidade do sentimento original; - Características: (pouca nitidez) representação com contornos borrados; (pouca corporeidade) representação sem o brilho e as cores da imagem real; (instabilidade) pode aparecer e desaparecer do campo de consciência; (introjeção) a representação é percebida no espaço interno; (incompletude) a representação não apresenta detalhes e seu desenho é indeterminado; - Subtipos: (Imagem Eidética) evoca voluntariamente uma imagem guardada na memória, de modo a conseguir representá-la de forma muito nítida e clara, com características semelhantes a da percepção, não representaando necessariamente um sintoma de transtorno mental; (Pareidolias) estímulos imprecisos do ambiente geram a visualização voluntária de imagens, como por exemplo ao olhar a nuvem e identificar nela, por meio de esforço voluntário, a forma de um animal; 3. IMAGINAÇÃO - Atividade psíquica que evoca imagens percebidas no passado ou cria novas imagens de forma voluntária, em sua maioria; - Ocorre na ausência de estímulos sensoriais; - Fantasia/Fantasmas – produção imaginativa produzida e organizada na imaginação - pode ser consciente ou inconsciente - presente em crianças e em pessoas com personalidade histéricas; 4. ALTERAÇÕES DE SENSOPERCEPÇÃO a. QUANTITATIVAS - As imagens perceptivas tem intensidade anormal, podendo haver alteração para mais ou para menos; Hiperestesia - As percepções encontram-se aumentadas em sua intensidade e duração, de modo que os sons são ouvidos de forma amplificada e as imagens visuais e cores encontram-se mais intensas; - Presente nas intoxicações por alucinógenos (LSD), em algumas formas de epilepsia, na enxaqueca, no hipertireoidismo, na esquizofrenia aguda, em quadros maníacos e após a ingestão de substâncias como cocaína, maconha, harmina e harmalina; Hipoestesia - As percepções encontram-se diminuídas, de modo que o mundo é percebido mais escuro, os tons mais pálidos e sem brilho, os alimentos sem sabor e os odores com pouca intensidade; - Presente em transtornos histéricos, em sujeitos com alto grau de sugestionabilidade, em quadros depressivos e quadros psicóticos graves; Anestesia - Perda da sensação tátil em determinada área da pele; - Presente em transtornos histéricos, em sujeitos com alto grau de sugestionabilidade, em quadros depressivos e quadros psicóticos graves; Analgesia - Perda das sensações dolorosas de áreas da pele ou de partes do corpo; - Presente em transtornos histéricos, em sujeitos com alto grau de sugestionabilidade, em quadros depressivos e quadros psicóticos graves; Parestesia - Alteração na sensopercepção marcada por sensações táteis desagradáveis e espontâneas; - Manifesta-se com sensação de formigamento, adormecimento, picadas, agulhadas ou queimação de média intensidade, não gerando uma dor propriamente dita; - Presente na neuropatia diabética periférica, na mononeurite diabética, na esclerose múltipla, na síndrome de Guillain-Barré, na neuropatia por carências nutricionais e nas neuropatia de natureza alcoólica, amilóide ou carcinomatosa; - Pode acometer indivíduos histéricos, hipocondríacos, somatizadores, ansiosos e submersos em estados emocionais intensos; Disestesia - Alteração na sensopercepção marcada por sensações táteis anômalas e dolorosas, desencadeadas por estímulos externos; - Ex: ao estimular a pele do indivíduo com calor esse apresenta sensação de frio; - Presente na neuropatia diabética periférica, na mononeurite diabética, na esclerose múltipla, na síndrome de Guillain-Barré, na neuropatia por carências nutricionais e nas neuropatias de natureza alcoólica, amilóide ou carcinomatosa; - Pode acometer indivíduos histéricos, hipocondríacos, somatizadores, ansiosos e submersos em estados emocionais intensos; b. QUALITATIVAS GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - São as mais importantes na psicopatologia; Ilusão - Percepção alterada de um objeto externo real; - O processo de sensopercepção é alterado por fatores patológicos; - Condições de Ocorrência: (rebaixamento do nível de consciência) a turvação na consciência torna a percepção imprecisa, podendo deformar os estímulos percebidos; (fadiga grave ou inatenção marcante) gera ilusões transitórias, que não apresentam importância clínica; (estados afetivos de acentuada intensidade) gera ilusões catatímicas devido à deformação do processo de sensopercepção pelo afeto; - Visuais – mais comuns - indivíduo vê pessoas, monstros e animais a partir de estímulos visuais como móveis, roupas, objetos ou figuras; - Auditivas – indivíduo ouve seu nome, palavras significativas ou chamamentos a partir de estímulos sonoros inespecíficos; Alucinações - Percepção de um objeto com todas as características de uma percepção normal, porém sem o respectivo estímulo sensorial, uma vez que o objeto não se encontra presente; - Alucinações Verdadeiras – possuem todas as características de uma imagem real, ou seja, nitidez, corporeidade, projeção no espaço externo e constância; - Estranheza do Mundo - nas fases iniciais dos quadros psícoticos observa-se o mundo alterado e difícil de definir, devido a modificação da visão de mundo e não devido a um erro de julgamento; - Acredita-se na existência de mecanismos comuns na base dos fenômenos alucinatórios devido a eficácia dos medicamentos antipsicóticos sobre os seus diversos tipos e etiologias; Auditivas Simples - São menos frequentes e marcadas pelo ouvir apenas de ruídos primários; - Tinnitus aurium – sensação subjetiva de ouvir ruídos (zumbidos, burburinhos, cliques e estalidos) contínuos, intermitentes ou pulsáteis – classificação: (objetivo) o examinador consegue escutá-lo ao se aproximar do ouvido do paciente, não é uma alucinação, mas causado por turbulência intravascular, aumento do fluxo sanguíneo ou mov. da tuba auditiva; (subjetivo) apenas o indivíduo consegue escutá-lo, causado por doenças ou alterações do sistema auditivo ou de conexões auditivas centrais; Complexa - Alucinação audioverbal – mais frequente, sendo que nessa o paciente escuta vozes sem estímulo real - podem apresentar conteúdo depreciativo, de perseguição, de comando (ordenar atividades) ou comentam a ação; - Sonorização/eco do pensamento – apresenta a experiência sensorial de ouvir o pensamento no mesmo momento em que está sendo pensado ou de forma repetida após sua conclusão - tipos: (sonorização do próprio pensamento) alucinação em que o paciente reconhece que está ouvindo os próprios pensamentos, no exato momento que os pensa; (sonorização de pensamentos como vivênciaalucinatório-delirante) indivíduo ouve pensamentosque foram introduzidos em sua cabeça por alguém estranho; (publicação do pensamento) o indivíduo tem a sensação de que as pessoas ouvem o que ele pensa simultaneamente ao seu pensamento - presentes na esquizofrenia (ocorre sem crítica), nos transtornos de humor (podem ser humor-congruentes, na depressão se escuta vozes com conteúdo negativo e na mania vozes com conteúdo de grandeza ou místico-religioso, ou humor-incongruentes; Musicais - Alucinação rara em que se escuta tons musicais, ritmos, harmonias e melodias na ausência de estímulos auditivos externo; - Pode ser contínua ou intermitente; - Em sua maioria, apresenta consciência clara e crítica do paciente; - Presente em doenças ou lesões otológicas, em distúrbios neurológicos ou psicológicos (como as demências) e em transtornos psiquiátricos (como a depressão); Visuais - Mais comuns; - Alucinação em que o indivíduo experimenta visões nítidas sem a presença de estímulos visuais; Simples / Fotopsias - Visualização de cores, bolas e pontos brilhantes pelo indivíduo; - Escotomas – presença de pontos cegos ou manchas no campo visual – tipos: (positivos) manchas escuras; (absolutos) cegueira em parte do campo visual; (negativos) escotomas absolutos verificados ao exame médico; (móveis) alteram de posição, ocorrendo por opacidades do humor vítreo; (imóveis) não alteram sua posição - presentes em distúrbios oftalmológicos (indivíduos com déficit ou privação visual), na esquizofrenia, em acidentes vasculares que compromete as vias visuais, no abuso de álcool, na enxaqueca e na epilepsia; Complexas /Configuradas - Visualização de figuras e imagens de pessoas, partes do corpo, entidades, objetos ou animais; - Alucinação cenográfica – são raras e acontecem pela visualização de cena completa; - Alucinação liliputiana – visualização de cenas com personagens minúsculos entre os objetos e pessoas reais – ex: síndrome de Charles Bonnet; - Presentes na narcolepsia com cataplexia (distúrbio do sono), demência por corpos de Lewy – DLC (gerada por inclusões citoplasmáticas esféricas nos neurônios dos núcleos subcorticais, da substância negra e do córtex), doença de parkinson com demência, delirium, esquizofrenia, demência vascular, doença de alzheimer, doenças oftalmológicas e intoxicação por alucinógenos; - Pode ocorrer em pessoas com estados normais e fisiológicos em estados de fadiga e emoção intensa; Táteis - Alucinação em que o indivíduo sente forças estranhas, espetadas, choques ou pequenos animais e insetos sobre sua pele, seus cabelos ou seus genitais; - Presente no delírio de infestação (síndrome de Ekbom), na esquizofrenia, nos quadros histéricos, no delirium tremens e nas psicoses tóxicas; Olfativas - Alucinação rara em que o indivíduo afirma sentir o odor de coisas podres ou queimadas, podendo derivar de lembranças ou interpretações delirantes que são acompanhadas de forte impacto emocional pessoal; - Presente nos quadros histéricos, na esquizofrenia, em quadros psico-orgânicos e em crises epilépticas parciais complexas (crises uncinadas); GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES Gustativas - Alucinação em que o indivíduo sente na boca, sem nenhum estímulo gustativo presente, o sabor de ácido, de sangue e de urina; - Geralmente ocorre associadas as alucinações olfativas; - Presente na esquizofrenia e nos quadros histéricos; Cenestésicas - Alucinação em que o indivíduo apresenta sensações incomuns e anormais em diferentes partes do corpo, como sentir órgãos se encolhendo ou despedaçando (síndrome de Cotard – percepção de órgãos internos normalmente não percebidos) ou animais dentro do organismo; **é uma alucinação quando se predomina o aspecto sensorial, sendo que quando se predomina aspectos ideativos trata-se de um delírio** Cinestésicas - Alucinação em que o indivíduo apresenta sensações alteradas de movimento do corpo, como sentir o corpo afundando, partes aumentando, diminuindo ou se movendo; - Presente na esquizofrenia e em depressões graves; **é uma alucinação quando se predomina o aspecto sensorial, sendo que quando se predomina aspectos ideativos trata-se de um delírio** Funcionais - Alucinação desencadeada por estímulos sensoriais; - Ex: ouvir vozes ao se abrir o chuveiro; - Presente na esquizofrenia; Combinadas /Sinestesias - Alucinação que engloba várias modalidades sensoriais ao mesmo tempo; - Presente nas síndromes com alteração do nível de consciência, na esquizofrenia, nas psicoses e em formas graves de histeria; Extracampinas - Alucinação experimentada quando o indivíduo apresenta o sensopercepção visual de áreas fora do campo usual, como às suas costas ou atrás da parede; - Presente em psicoses; Autoscópica - Alucinação visual rara, que pode ser acompanhada de componentes táteis e cenestésicos, em que o indivíduo vê o seu corpo como se estivesse fora dele, contemplando-o; - Presente na epilepsia, nas lesões do lobo parietal e na esquizofrenia; - Doppelganger / Fenômeno do Duplo – sensação de que há um Eu dentro do próprio corpo e um Eu fora dele - pode ser apenas ideativo ou perceptivo - presente em pacientes com lesões cerebrais, no delirium, na esquizofrenia, nas intoxicações por alucinógenos e em indivíduos normais; **Sensação de Uma Presença – indivíduo tem a nítida sensação de que um ser invisível o acompanha, mas critica a natureza ilusória da experiência – presente nas síndromes psico-orgânicas, na epilepsia, na esquizofrenia, na enxaqueca e nas intoxicações por substâncias alucinógenas** Hipnagógicas - Alucinações auditivas, visuais ou táteis, que ocorrem em pessoas com estados normais e fisiológicos, relacionadas à transição sono-vigília, na fase de adormecimento; - Presente na narcolepsia; Hipnopômpicas - Alucinação que ocorre em pessoas com estados normais e fisiológicos, relacionada à transição sono-vigília, na fase de despertar do sono; - Presente na narcolepsia; Alucinose - Alucinação (visual ou auditiva) que é percebida pelo indivíduo como estranha, criticando-a e reconhecendo seu caráter patológico, de modo a distanciar o sintoma do seu Eu –> fenômeno periférico ao Eu; Alucinose Auditiva – Alucinose Alcoólica - Apresenta a percepção auditiva de vozes que falam do paciente na terceira pessoa; - Presente em indivíduos com dependência crônica de álcool, podendo encontrar-se na preservação do nível de consciência; - O indivíduo acometido pode criticar a alucinose, de modo a reconhecer seu caráter patológico; Alucinose Viusal - Presente em quadros psico-orgânicos, em intoxicações por substâncias alucinógenas (LSD, psilobicina, mescalina, anticolinérgicos), em tumores do pedúnculo cerebral (alucinose peduncular de Lhermitte); - Alucinose peduncular – alucinação visual vívida que pode incluir cenas, pessoas, animais e figuras geométricas, ocorrendo em sua maioria no final do dia, juntamente a obnubilação da consciência - presente nas lesões vasculares ou neoplásicas nas porções superiores do tronco cerebral, ascendente, com algumas vias serotonérgicas; Pseudo-alucinação - Apresenta as características de imagem representativa, de modo que a imagem é pouco nítida, com contornos imprecisos, sem brilho e corporeidade; - Apresenta aspectos semelhantes à alucinação, porém se diferencia por não apresentar aspectos vivos e corpóreos de uma imagem perceptiva real; - Projeta a vivência no espaço interno, podendo derivar de pensamentos ou representações que devido a sua intensidade ganha sensorialidade; - Ex: vozes, que não são bem uma voz, que vêm do interior do corpo, como uma voz interna; - Presente nas psicoses funcionais e orgânicas, nos estados afetivos intensos, na fadiga, em quadros de rebaixamento do nível de consciência e nas intoxicações; Imagem Pós-ótica - Presente em indivíduo que permaneceu durante longo tempo observando atentamente uma mesma imagem e no momento de dormir essa persiste; GABRIELABARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES - Não apresenta caráter patológico; Alucinação Psíquica - Indivíduo apresenta uma imagem alucinatória sem um verdadeiro caráter sensorial, relatando ouvir palavras sem som e vozes sem ruídos, de modo a vivenciar uma comunicação direta de pensamentos, por palavras secretas e interiores que não soam; - Relaciona-se às esferas do pensamento e da intuição; Alucinação Negativa / Cegueira Histérica / Escotomização Parcial - Indivíduo apresenta a ausência de visão de objetos reais que se encontram presentes no campo visual; - Determinada por fatores psicogênicos presentes em pacientes histéricos ou muito sugestionáveis (ex: indivíduo que ao se sentir ameaçado ou humilhado pela presença de uma pessoa no ambiente, de forma inconsciente, a escotomiza ou abole do capo perceptivo); PENSAMENTO - O pensamento é formado a partir dos elementos sensoriais (imagens e representações) que fornecem substrato para o processo de pensar; - Tipo e Estilo de Pensamento Comum em Indivíduo Não Acometido por Doença Mental – são precariamente lógicos, uma vez que as pessoas tendem a utilizar estereótipos e evidências fatuais para suas decisões, ocorrendo um salto de impressões vagas para formação de uma conclusão “certa”; 1. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS E SUAS ALTERAÇÕES a. CONCEITOS - Elemento estrutural básico do pensamento, que exprime os caracteres essenciais dos objetos e fenômenos da natureza; - Formado a partir das representações, porém não é possível contemplá-lo, ouvi-lo, nem imaginá-lo, uma vez que não apresenta elementos de sensorialidade; - É cognitivo, intelectivo, exprimindo apenas os caracteres mais gerais dos objetos e dos fenômenos; - Passos Para Formação – (eliminação dos caracteres de sensorialidade) conceitua objetos por meio da dimensão conceitual, pela sua estrutura e função; (generalização) o conceito resultante da síntese por abstração e generalização do objeto é válido para todos seus variantes; - Expressam-se por palavras; Alterações dos Conceitos Desintegração dos Conceitos - Ocorre quando os conceitos perdem seu significado original, ou seja, desfazem-se, de modo que uma mesma palavra passa a ter significados diversos, assim a ideia de determinado objeto e a palavra que o designa não coincidem; - Faz com que o indivíduo use as palavras de forma pessoal e idiossincrática; - Presente na esquizofrenia e nas síndromes demenciais; Condensação dos Conceitos - Ocorre quando o indivíduo involuntariamente funde dois ou mais conceitos em um único, expressando-o por uma nova palavra ou por palavras conhecidas, porém com esse novo significado idiossincrático -> neologismos; b. JUÍZOS - Formados pelo estabelecimento de relações entre dois conceitos básicos; - Expressam-se por um enunciado que apresenta sujeito, verbo e predicado, estabelecendo uma relação unívoca entre um sujeito e um predicado; Alterações do Juízo Juízo Deficiente ou Prejudicado - Juízo falso que o indivíduo estabelece de forma inconsistente, falsa e defeituosa, sendo que esses são simplistas, concretos e sujeitos à influência do meio social; - Pode ser confundido com um delírio, porém o juízo deficiente não é persistente e irredutível, podendo-se alterar com facilidade sua temática; - Presente em indivíduos com deficiências intelectuais e com pobreza cognitiva; Juízo de Realidade / Delírio c. RACIOCÍNIO - Relaciona e encadeia os conceitos presentes nos juízos, de modo a formar novos juízos; - É o desenvolvimento do pensamento; Alterações do Raciocínio - Pensamento Normal – é regido pela lógica formal e orientado pela realidade e pelos princípios da racionalidade da cultura em que se insere; - Pensamento/Método Indutivo – chega-se a conclusões mais gerais a partir da observação dos fatos elementares, da experimentação e da comparação entre fenômenos - utilizado nas ciências naturais e sociais; - Pensamento/Método Dedutivo – chega-se a conclusões a partir das demonstrações lógicas feitas esquemas, definições e teoremas bem arquitetados - utilizado nas ciências matemática e na lógica formal; - Pensamento Intuitivo – chega-se a conclusões primárias pela apreensão da realidade de forma direta e imediata, independente da percepção sensorial - opõe-se ao pensamento racional, pois capta o que é impossível ou difícil de ser expresso em palavras; - Viés de Confirmação – busca ativa e seletiva de dados e percepções da realidade, tentando confirmar hipóteses falsas ou sem fundamento previamente formuladas no início de um raciocínio; 2. PROCESSO DE PENSAMENTO E SUAS ALTERAÇÕES Princípios Básicos do Pensamento Lógico-Formal para Aristóteles - Princípio da Identidade / da Não Contradição – A é A e B é B, logo A não pode ser B; - Princípio da Causalidade – se A é a causa de B, A não pode ser ao mesmo tempo efeito de B – mantendo-se as condições, as mesmas causas devem produzir os mesmos efeitos; - Lei da Parte e do Todo – se A é parte de B, B não pode ser parte de A; Leis da Dialética de Hegel - Lei da transformação da quantidade em qualidade; - Toda afirmação apresenta em si mesma o princípio de sua negação; - Tudo é ao mesmo tempo causa e efeito de si mesmo; GABRIELA BARBOSA – TURMA 74 – MEDICINA UNIMONTES a. CURSO - Modo como o pensamento flui, sendo determinado pela sua velocidade e seu ritmo ao longo do tempo; Alterações do Curso Aceleração do Pensamento - Pensamento flui de forma acelerada, fazendo com que uma ideia suceda a anterior rapidamente; - Presente nos quadros de mania, esquizofrenia, nos estados de ansiedade intensa, nas psicoses tóxicas (anfetamina e cocaína) e na depressão ansiosa; Lentificação do Pensamento - Pensamento progride devagar e difícil, ocorrendo latência entre as perguntas formuladas e as respostas; - Presente nas depressões graves, no rebaixamento do nível de consciência, nas intoxicações por substâncias sedativas e em certos quadros psico-orgânicos; Bloqueio/Intercepção do Pensamento - Pensamento interrompido de forma busca e repentina no meio de uma conversa, sem motivos aparentes; - Presente na esquizofrenia; Roubo do Pensamento - Tipo de vivência de influência e que o indivíduo tem a sensação de que seu pensamento foi roubado de sua mente por forças ou indivíduos externos; - Presente na esquizofrenia; b. CONTEÚDO - Temas do pensamento, ou seja, o assunto em si, de modo a preencher a estrutura do processo de pensar; - Variam conforme os temas de interesse do ser humano, sendo que a importância dos conteúdos varia conforme a constituição social e histórica de cada indivíduo e conforme o universo cultural no qual está inserido; - Conteúdos dos Sintomas Psicopatológicos: persecutoriedade, depreciativos, religiosos, sexuais, de poder, riqueza, prestígio ou grandeza, de ruína ou culpa e conteúdos hipocondríacos; c. FORMA - Estrutura básica do pensamento, sendo determinada pelos seus conteúdos e pelo interesse do indivíduo; Alterações da Forma Fuga de Ideias - A acentuada aceleração do pensamento gera perturbações nas associações lógicas entre os juízes e os conceitos, de modo que o pensamento deixa de seguir uma lógica, passando a ocorrer por assonância (sons parecidos) ou pela presença de estímulos externos; - Presente nos quadros maníacos; Dissociação do Pensamento - Desorganização do pensamento, ou seja, o pensamento não segue uma sequência lógica e bem-organizada e os juízos não se articulam de forma coerente; - Presente na esquizofrenia, sendo que na fase inicial essa se manifesta de forma discreta, conseguindo se captar o que o indivíduo quer comunicar, mas se agrava, podendo tornar o pensamento totalmente incompreensível; Afrouxamento de Associações - Há afrouxamento dos enlaces associativos, fazendo associações não tão bem articuladas, mesmo com a permanência do arranjamento lógico entre as idéias; - Presente nas fases inicias da esquizofrenia e nos transtornos de personalidade