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1 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
2 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Apresentação 
Olá! Meu nome é Dayana Sales, do perfil @corujinha_juridica, sou servidora do TJRJ. A minha preparação para concursos 
começou desde muito cedo. Passei com 18 anos para Sargento Especialista da Aeronáutica. Minha formação militar foi 
na Escola de Especialistas (EEAR), em Guaratinguetá-SP. Na época que prestei o concurso, para área de Eletricidade (tenho 
formação em escola técnica – CEFET-RJ), eram 22 vagas nível Brasil. Passei em 7º lugar. Fiquei um bom tempo na FAB, fiz 
faculdade de Direito, prestei alguns concursos (reprovei em uns e passei em outros) e finalmente tomei possei no TJRJ. 
Tenho pós-graduação em Direito do Consumidor. Trabalhei cedida no TRF-1 e STF. Atualmente estou cursando um MBA 
em Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching e uma pós em Psicologia Positiva. Minha vida é estudar, conhecer novos 
assuntos, crescer como profissional e ajudar outras pessoas com a minha experiência. 
A minha técnica de estudos é baseada no estudo ativo. O estudo ativo é aquele onde o estudante sai da posição passiva 
e vai para ativa em busca das informações, criando os seus próprios materiais de estudos. Os meus resumos são feitos 
em cima de anotações de cursinhos, de materiais em pdf, pesquisas em livros, manuais e blogs jurídicos, lives de 
professores, Buscador do Dizer o Direito. Ou seja, uma miscelânea de informações registradas no formato de tabela. Fiz 
assim porque acho uma forma mais simples de estudar e memorizar os principais tópicos de cada matéria. 
Até então, eu não havia disponibilizado meus materiais na internet. Apenas um grupo de amigos tinham acesso. Alguns 
colegas que usaram meus materiais tiveram êxito nos concursos que prestaram. Espero que você faça um bom uso desses 
materiais. Estude, leia, faça questões, indague, pesquise, complemente esse material e ajuste para sua realidade. Vá atrás 
das informações. Assuma uma posição de estudante ativo. 
Por fim, quero também falar do meu novo projeto que vai ajudar muitas pessoas a destravar nos estudos e alcançar a tão 
desejada aprovação nos concursos públicos e na OAB. Estou falando do Rotina de Estudos Sustentável. O treinamento é 
para aqueles que querem aprender a estudar da forma correta e estratégica. Nesse treinamento, vamos trabalhar como 
técnicas de estudos, organização, planejamento, otimização do tempo, controle de ansiedade, mindset de crescimento e 
todas as dores e dificuldades que permeiam o universo dos estudos. Se você quer aprender a estudar de forma correta, 
eficaz, estratégica – venha conhecer meu projeto. Me segue lá no insta @corujinha_juridica. Todos os dias têm post com 
dicas valiosas sobre técnicas de estudos, produtividade, gerenciamento do tempo, planejamento. 
Espero que os meus materiais possam ajudá-los a conquistar a tão sonhada vaga no serviço público ou na OAB. Estude e 
confie no seu potencial! Tenha foco e disciplina! Adotem esse pensamento para a vida de vocês. 
Nossos objetivos só podem ser alcançados através de um plano, no qual devemos acreditar fervorosamente e sobre o qual 
devemos agir vigorosamente. Não há outro caminho para o sucesso (Pablo Picasso). 
Aguardo o contato de vocês no meu insta. Bons Estudos! Dayana 
Temas Págs 
Introdução ao Direito Administrativo 04 
Princípios do Direito Administrativo 07 
Organização Administrativa 29 
Atos Administrativos 57 
Poderes Administrativos 81 
Controle Administrativo 100 
Processo Administrativo 119 
Responsabilidade Civil 141 
Serviços Públicos 170 
Parceria Público Privada - PPP 192 
Intervenção Estado na Propriedade 203 
Nova LIA 229 
Bens Públicos 250 
Agentes Públicos 257 
Esquemas para FGV 307 
 
3 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Este material foi atualizado até julho/2022. 
Introdução ao Direito Administrativo 
Estado 
Conceito É uma instituição política, social e juridicamente organizada, dotada de personalidade jurídica 
própria de Direito Público que pode atuar tanto no direito público como no direito privado. Por 
possuir o monopólio legítimo do uso da força, é o responsável pela organização e pelo controle 
social. 
Estado de Direito O principal critério para legitimação do Estado de Direito é a adequação dos atos administrativos 
com o ordenamento jurídico. Esse critério se baseia em 3 pilares: tripartição dos poderes, 
generalização do princípio da legalidade e universalidade da jurisdição (enseja o controle absoluto 
de validade sobre as atividades do Estado). 
Poderes do Estado  A CF definiu o funcionamento de três poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, que são 
poderes estruturais e organizacionais do Estado. 
 Cada um desses poderes tem sua atividade principal, chamada de função típica e outras 
secundárias, que são as funções atípicas. 
 Parte da doutrina prevê a existência da Função Política ou Função de Governo, que na visão de 
CABM, abarca, por exemplo, a sanção e o veto de lei, a declaração de guerra, a decretação do 
estado de calamidade pública. 
 As funções atípicas devem ser analisadas em caráter excepcional, pois decorrem do fato de que 
a tripartição de poderes não tem caráter absoluto. 
Estado Governo 
Povo situado em determinado território e sujeito a um 
governo. Organiza-se sob uma ordem jurídica por ele 
posta. 
ESTADO = é a nação politicamente organizada detentora 
de soberania. O ESTADO DE DIREITO é o estado 
politicamente organizado, que obedece às suas próprias 
leis. Elementos do Estado: 
(i) POVO (elemento subjetivo); 
(ii) TERRITÓRIO (elemento objetivo); 
(iii) GOVERNO SOBERANO - independência na ordem 
internacional e supremacia na ordem interna. 
 
Elemento formador do Estado, não se confundindo com ele. No 
sentido subjetivo: cúpula diretiva do Estado responsável pela 
condução de suas atividades, ou seja, conjunto de poderes e 
órgãos constitucionais. No sentido objetivo ou material: 
atividade diretiva do Estado, se confunde com o complexo de 
funções básicas do Estado. 
Funções do Estado 
 Função pública é o exercício de atividade em nome e interesse do POVO. No Brasil, não há exclusividade no exercício 
dessas funções, não há uma rígida e absoluta divisão dos Poderes, mas sim preponderância na realização desta ou 
daquela função. 
 Assim, embora os Poderes tenham funções precípuas (funções típicas), a própria Constituição autoriza que também 
desempenhem funções que normalmente pertenceriam a Poder diverso (funções atípicas). 
FUNÇÃO TÍPICA – é a função principal (preponderante) do poder, o motivo pelo qual o poder foi criado. EXEMPLO: legislativo 
fazer lei e fiscalizar; Executivo administrar; judiciário julgar. Características das funções típicas: 
✓ Função Legislativa – elaboração de leis (legiferante). É uma função abstrata. É uma função geral com repercussão erga 
omnes. Única função que inova o ordenamento jurídico. 
✓ Função Judiciária – consiste na solução de conflitos, aplicando coativamente as leis. É uma função concreta (exceto o 
controle direto de constitucionalidade). É uma função indireta, porque depende de provocação. Não inova o ordenamento 
jurídico. Produz imutabilidade jurídica, ou seja, a intangibilidade jurídica ou coisa julgada, isto é, somente a decisão judiciária 
é definitiva. 
✓ Função Executiva ou Administrativa – função administrativa – “aquela exercida pelo Estado ou por seus delegados, 
subjacente à ordem constitucional e legal, sob regime de direito público, com vistas a alcançar os fins colimados pela ordem 
jurídica” (Carvalho F.). É uma função concreta e direta, que não inova o ordenamento jurídico (MEDIDA PROVISÓRIA é uma 
função atípica). É uma função capaz de ser revista, não produz coisa julgada. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA não é uma 
verdadeira coisa julgada, mas sim a mera imutabilidade da decisão dentro da seara administrativa, não impedindo, contudo, 
sua revisão pelo Poder Judiciáriopúblico, que não deve se contentar apenas em cumprir a legalidade, mas fortalecer a sua 
atuação por meio da participação popular. 
Ex: audiências e consultas públicas. 
 
Além disso, há que se implementar novos meios de consensualidade para solução de 
controvérsias administrativas, tais como as Câmaras e Conciliação, Termos de Ajustamento de 
Conduta – TAC, acordos de leniência, dentre outros. 
 
De acordo com Rafael Oliveira, o princípio da consensualidade e da participação decorre de 
uma releitura da cláusula do Estado Democrático de Direito, prevista no art. 1º da CF/88. 
 
Enquanto na sua concepção clássica, estava vinculado à subordinação dos governantes à lei e 
à constituição (legalidade), atualmente é necessário conferir uma maior legitimidade 
democrática à atividade da Adm. Pública. 
 
Exemplos na legislação: 
- art. 39 da lei 8.666/93: determina a realização de audiência pública para licitações de grande 
vulto. 
- Estatuto da Cidade: estabelece instrumentos de participação popular para elaboração do 
plano diretor e para gestão orçamentaria participativa. 
- PPP: consulta pública para análise da minuta do edital e do contrato de concessão. 
- Lei 13.460/2017: que dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos dos usuários 
dos serviços públicos da adm pública. 
Súmulas 
Importantes 
Súmula Vinculante 03: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o 
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato 
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão 
inicial de aposentadoria, reforma e pensão. 
 
Súmula Vinculante 05: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar 
não ofende a Constituição. 
 
Súmula Vinculante 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou 
por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa 
jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em 
comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta 
em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido 
o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. 
 
Súmula vinculante 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro 
ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. 
 
Súmula 346 STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. 
 
Súmula 473STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os 
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou 
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação 
judicial. 
23 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Súmula 683 STF: O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 
7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser 
preenchido. 
 
Súmula 373 STJ: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso 
administrativo. 
 
 
Administração Monológica e Dialógica 
Trago um tema para o nosso estudo de hoje que tem maior aptidão para ser cobrado em provas subjetivas, sendo um excelente 
tema para uma dissertação jurídica sobre o direito administrativo. Não obstante a isto, é plausível a cobrança do tema também 
em questões doutrinárias da fase objetiva. 
Ao afirmar que “o Estado de hoje está muito mais propenso a exercer uma função de mediador e garante, mais do que a de 
detentor do poder de império”, Norberto Bobio (in Estado, governo e sociedade) busca refletir uma nova visão estatal, na qual 
o cidadão, individualmente considerado, passa a ter o papel de responsável pela busca do bem comum, atuando conjuntamente 
com a Administração Pública no desenvolvimento de políticas voltadas para o bem estar coletivo. 
Os modelos políticos da antiguidade raramente abriam espaços para a liberdade individual das pessoas, o que inviabilizava a 
formação de polos de consenso na sociedade. Diogo de Figueiredo Moreira Neto ensina que esses modelos políticos 
“fundavam-se na concepção oposta, de que era necessária a existência de um polo de poder dotado de suficiente concentração 
de poder para impor comportamentos e segurar uma convergência fundada na coerção”. 
Nos primórdios do direito administrativo não era vista qualquer tipo de atividade ou decisão consensual tomada pela 
Administração Pública. Na verdade, o diálogo Administração Pública – Particular era rechaçada pelo gestor. A “máquina 
administrativa” era vista apenas como uma executora dos comandos legais, sem espaço para discussão e ponderação sobre a 
melhor forma de aplicação da letra fria da lei para os integrantes daquele Estado. 
A imperatividade, um dos conhecidos atributos do ato administrativo, integra o legítimo modo de agir do Estado, fazendo com 
que o particular se veja compelido a cumprir as determinações estatais. Acontece que esta imperatividade da atuação estatal 
deve ser compatibilizada com instrumentos consensuais de atuação do Poder Público, trazendo o particular para manter 
intenso diálogo quando da gestão da coisa pública. 
Esta forma da agir da Administração Pública, refratária à instituição, criação e desenvolvimento de processos comunicacionais 
com a sociedade convencionou-se chamar de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MONOLÓGICA. Sob este viés, percebe-se a 
predominância da imperatividade no atuar do Estado, marcada pela tomada de decisões unilaterais sem margem de diálogo 
com os administrados. 
A partir do Estado Democrático de Direito, já é possível reconhecer um princípio do consenso em construção, figurando nas 
relações de poder entre a sociedade e o Estado o primado da concertação sobre a imposição. Inaugura-se, desse modo, era de 
relações paritárias entre os cidadãos e a Administração Pública. 
Neste novo momento o Estado vira as suas preocupações para o administrado, para o cidadão, o elemento humano dentro da 
abstração jurídica nomeada de Estado. A consensualidade, consensualismo, Administração concertada, Administração 
consensual, soft administration são expressões que traduzem as formas da nova democracia participativa, onde as decisões 
administrativas são tomadas após o debate com os destinatários das políticas públicas que serão implementadas. 
Gustavo Binenbojm busca dar a tessitura constitucional para esta hodierna visão da Administração Pública: 
Na tarefa de desconstrução dos velhos paradigmas e proposição de novos, a tessitura constitucional assume papel condutor 
determinante, funcionando como diretriz normativa legitimadora das novas categorias. A premissa básica a ser assumida é a 
de que as feições jurídicas da Administração Pública – e, a fortiori, a disciplina instrumental, estrutural e finalística da sua 
atuação – estão alicerçadas na própria estrutura da Constituição, entendida em sua dimensão material de estatuto básico do 
sistema de direitos fundamentais e da democracia. 
A partir do momento que a Constituição da República Federativa do Brasil cria um sistema de direitos fundamentais da pessoa 
humana e faz a opção pela democracia como sistema político, a Administração Pública deve seguir tais vetores axiológicos e 
agir pautada em buscar e efetivar a dignidade da pessoa humana. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
De acordo com Rafael Maffini “administração pública dialógica” é uma noção jurídica pela qual se busca impor como condição 
para a atuação administrativa a prévia realização de um verdadeiro e efetivo diálogo com todos aqueles que terão suas esferas 
de direitos atingidas por essa atuação estatal. 
Esta expressão – Administração Dialógica – ocorre com a criação de parcerias entre o Estadoe o particular com o fito de 
satisfazer as necessidades coletivas com a implantação e ampliação de políticas públicas. Para que ocorra o efetivo diálogo é 
necessário que sejam implementadas políticas que privilegiam técnicas, métodos e instrumentos negociais, possibilitando que 
o cidadão seja ouvido e possa, em grupo, definir os rumos da sociedade que integra. 
Neste sentido, a Lei 8.666/93 traz previsão de participação popular, mediante consulta pública, para a realização de 
procedimentos licitatórios cujo montante do contrato administrativo a ser celebrado apresenta-se como muito elevado. 
Vejamos a redação da lei geral das licitações: 
Art. 39. Sempre que o valor estimado para uma licitação ou para um conjunto de licitações simultâneas ou sucessivas for 
superior a 100 (cem) vezes o limite previsto no art. 23, inciso I, alínea “c” desta Lei, o processo licitatório será iniciado, 
obrigatoriamente, com uma audiência pública concedida pela autoridade responsável com antecedência mínima de 15 
(quinze) dias úteis da data prevista para a publicação do edital, e divulgada, com a antecedência mínima de 10 (dez) dias úteis 
de sua realização, pelos mesmos meios previstos para a publicidade da licitação, à qual terão acesso e direito a todas as 
informações pertinentes e a se manifestar todos os interessados. 
Outro exemplo legislado muito emblemático sobre a administração dialógica é o Estatuto das Cidades (Lei 10.257/2001) que 
traz um capítulo inteiro denominado “Da Gestão Democrática da Cidade”. Assim está disposto neste diploma legal: 
CAPÍTULO IV 
DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA CIDADE 
Art. 43. Para garantir a gestão democrática da cidade, deverão ser utilizados, entre outros, os seguintes instrumentos: 
I – órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, estadual e municipal; 
II – debates, audiências e consultas públicas; 
III – conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos níveis nacional, estadual e municipal; 
IV – iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano; 
Além de consectário do direito fundamental à boa administração pública, a noção de administração pública dialógica pode ser 
considerada também uma decorrência do princípio da segurança jurídica, mais especificamente da noção de proteção da 
confiança ou das expectativas legítimas, conforme explica Rafael Maffini: 
[…] a noção de “administração pública dialógica”, do qual se colocam em posição proeminente primados jurídicos de relevância 
ímpar, tais como o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa, a noção de participação, entre outros aspectos 
dotados de status constitucional, pode ser igualmente considerado uma decorrência lógica da noção de “proteção da 
confiança”. 
Desta forma, percebe-se que a moderna noção de Administração Pública é aquela que busca, na maior medida possível, 
aproximar-se do cidadão, promovendo uma constante interlocução e diálogo com estes, aproveitando ao máximo essa 
proximidade como forma de ampliar a eficiência administrativa e, sobretudo, realizar os direitos e garantias individuais dos 
cidadãos. 
 
Juris selecionada do Buscador do Dizer o Direito 
- O § 1º do art. 37 da CF/88 não admite flexibilização por norma infraconstitucional ou regulamentar: Está em 
desconformidade com a Constituição Federal a previsão contida na Lei Orgânica do Distrito Federal que autoriza que cada Poder 
defina, por norma interna, as hipóteses pelas quais a divulgação de ato, programa, obra ou serviço públicos não constituirá 
promoção pessoal. Essa delegação conferida viola o § 1º do art. 37 da CF/88, que não admite flexibilização por norma 
infraconstitucional ou regulamentar. É de se conferir interpretação conforme à Constituição ao § 6º do art. 22 da Lei Orgânica 
do Distrito Federal para que a divulgação de atos e iniciativas de parlamentares seja tida como legítima apenas quando efetuada 
nos ambientes de divulgação do mandatário ou do partido político, não se havendo de confundi-la com a publicidade do órgão 
público ou entidade. 
 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
- Em regra, o prazo decadencial para que a Administração Pública anule atos administrativos inválidos é de 5 anos, aplicável 
a todos os entes federativos, por força do princípio da isonomia (Info 1012 STF). É inconstitucional lei estadual que estabeleça 
prazo decadencial de 10 (dez) anos para anulação de atos administrativos reputados inválidos pela Administração Pública 
estadual. STF. Plenário 
 
- Poder Executivo não pode ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros 
Poderes ou órgãos autônomos - A imposição de sanções ao Poder Executivo estadual em virtude de pendências de órgãos 
dotados de autonomia institucional e orgânico-administrativa, tais como o Ministério Público estadual, constitui violação do 
princípio da intranscendência, na medida em que o Governo do Estado não tem competência para intervir na esfera orgânica 
dessa instituição autônoma. O Poder Executivo não pode ser impedido de contratar operações de crédito em razão do 
descumprimento dos limites setoriais de despesa com pessoal por outros poderes e órgãos autônomos (art. 20, II, e 23, § 3º, 
da Lei de Responsabilidade Fiscal). STF. Plenário. ACO 3072, Rel. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/08/2020 (Info 991 – 
clipping). 
 
- A União é parte legítima para figurar no polo passivo das ações em que Estado-membro impugna inscrição em cadastros 
federais desabonadores e/ou de restrição de crédito. (Info 991 STF) 
 
- A Administração Pública promoverá a publicidade das arbitragens da qual seja parte, nos termos da Lei n. 12.527/2011 (Lei 
de Acesso à Informação). 
 
- O exercício da autotutela administrativa, para o desfazimento do ato administrativo que produza efeitos concretos favoráveis 
aos seus destinatários, está condicionado à prévia intimação e oportunidade de contraditório aos beneficiários do ato. 
 
- É possível ao Município obter certidão positiva de débitos com efeito de negativa quando a Câmara Municipal do mesmo ente 
possui débitos com a Fazenda Nacional, tendo em conta o princípio da intranscendência subjetiva das sanções financeiras. STF. 
Plenário. RE 770149, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 05/08/2020 (Repercussão 
Geral – tema 743) (Info 993). 
 
- A tomada de contas especial é a medida adequada para se alcançar o reconhecimento definitivo das irregularidades 
detectadas. Só a partir daí é que se permite a inscrição do ente nos cadastros de restrição ao crédito organizados e mantidos 
pela União. O processo de contas é essencial para a apuração de responsabilidades. Não se pode impor sanção sem anterior 
identificação de responsáveis. STF. Plenário. ACO 2910 AgR, Rel. Roberto Barroso, julgado em 29/06/2020 (Info 988 – clipping). 
 
- Mesmo depois de terem-se passado mais de 5 anos, a Administração Pública pode anular a anistia política concedida quando 
se comprovar a ausência de perseguição política, desde que respeitado o devido processo legal e assegurada a não devolução 
das verbas já recebidas (Info 668 STJ). 
 
- O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a cargos públicos de natureza política, como são os cargos de Secretário Estadual e 
Municipal (Info 952 STF). 
 
- Em caso de irregularidades do Estado-membro em convênio federal, a União somente poderá inscrever o ente no SIAFI, no 
CADIN e no CAUC após o término do processo de prestação de contas especial, observados os princípios constitucionais da 
ampla defesa e do contraditório (Info 951 STF). 
 
- Súmula 633-STJ: A Lei 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para revisão de atos administrativos 
no âmbito da administração pública federal, pode ser aplicada de forma subsidiária aos Estados e municípios se inexistente 
norma local e específica regulando a matéria. Importante. Aprovada em 12/06/2019. 
 
- Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecera inscrição do município em cadastros restritivos fundada em 
irregularidades na gestão anterior quando, na gestão sucessora, são tomadas as providências cabíveis à reparação dos danos 
eventualmente cometidos. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018 (Info 624). 
 
- É inconstitucional lei estadual que preveja que o escritório de prática jurídica da Universidade Estadual deverá manter plantão 
criminal nos finais de semana e feriados para atender pessoas hipossuficientes que sejam presas em flagrante. Esta lei viola a 
autonomia administrativa, financeira, didática e científica assegurada às universidades no art. 207 da CF/88 
(inconstitucionalidade material). Além disso, contém vício de iniciativa (inconstitucionalidade formal), na medida em que foi 
26 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
usurpada a iniciativa privativa do Governador. STF. Plenário. ADI 3792/RN, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2016 (Info 
840). 
 
- É necessária a observância da garantia do devido processo legal, em especial, do contraditório e da ampla defesa, 
relativamente à inscrição de entes públicos em cadastros federais de inadimplência. Assim, a União, antes de incluir Estados-
membros ou Municípios nos cadastros federais de inadimplência (exs: CAUC, SIAF) deverá assegurar o devido processo legal, o 
contraditório e a ampla defesa. STF. Plenário. ACO 1995/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/3/2015 (Info 779). STF. 1ª 
Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 825). 
 
- Estado-membro não pode ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros 
Poderes que não o Executivo O Estado só pode sofrer restrições nos cadastros de devedores da União por atos praticados pelo 
Poder Executivo. Dessa forma, atos do Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e dos entes da 
Administração Pública indireta (como as autarquias e as empresas públicas) não podem gerar sanções da União contra o Estado, 
diante da ausência de ingerência direta do Executivo sobre eles. STF. Plenário. ACO 1612-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, DJe 
13/2/2015. STF. Plenário. ACO 2099 AgR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 18/12/2015. 
 
- É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do 
valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. STF. Plenário. ARE 652777/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, 
julgado em 23/4/2015 (repercussão geral) (Info 782). 
 
- A Administração Pública pode anular seus próprios atos quando estes forem ilegais. No entanto, se a invalidação do ato 
administrativo repercute no campo de interesses individuais, faz-se necessária a instauração de procedimento administrativo 
que assegure o devido processo legal e a ampla defesa. Assim, a prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios 
atos não dispensa a observância do contraditório e ampla defesa prévios em âmbito administrativo. STF. 2ª Turma. RMS 
31661/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/12/2013 (Info 732). STF. Plenário. MS 25399/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgado em 15/10/2014 (Info 763). 
 
- O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a 
Constituição Federal Não existe direito adquirido à efetivação na titularidade de cartório quando a vacância do cargo ocorre 
na vigência da CF/88, que exige a submissão a concurso público (art. 236, § 3º). O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 
não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. O art. 236, § 3º, da CF é uma norma 
constitucional autoaplicável. Logo, mesmo antes da edição da Lei 8.935/1994 ela já tinha plena eficácia e o concurso público 
era obrigatório como condição para o ingresso na atividade notarial e de registro. STF. Plenário. MS 26860/DF, Rel. Min. Luiz 
Fux, julgado em 2/4/2014 (Info 741). 
Questão discursiva 
O Ministério Público do Estado do Amapá descumpriu os limites de gastos com pessoal. Em razão disso, a União proibiu o 
Estado do Amapá de realizar operações de crédito e de receber transferências de recursos federais, com base no art. 23, § 3º 
da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2001) Diante disso, o Estado do Amapá ajuizou ação cível originária, 
no STF, contra a União alegando que a frustração da Lei de Responsabilidade Fiscal se deu no âmbito do Ministério Público 
estadual, de modo a incidir o princípio da intranscendência das obrigações e sanções jurídicas. Sustentou que não se poderia 
punir o Poder Executivo estadual em razão de descumprimento efetuado pelo Ministério Público estadual, que tem natureza 
jurídica de órgão autônomo. 
O STF acolheu a tese do Estado-membro? SIM. 
O que é o princípio da intranscendência subjetiva das sanções? O princípio da intranscendência subjetiva significa que não 
podem ser impostas sanções e restrições que superem a dimensão estritamente pessoal do infrator e atinjam pessoas que não 
tenham sido as causadoras do ato ilícito. Na jurisprudência do STF encontramos dois exemplos de aplicação desse princípio em 
casos envolvendo inscrição de Estados e Municípios nos cadastros de inadimplentes da União: 
1ª acepção: quando a irregularidade foi praticada pela 
gestão anterior 
2ª acepção: quando a irregularidade foi praticada por uma 
entidade do Estado/Município ou pelos outros Poderes que 
não o Executivo 
Existem julgados do STF afirmando que, se a irregularidade 
no convênio foi praticada pelo gestor anterior e a gestão 
atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para 
ressarcir o erário e corrigir as falhas (exs: apresentou todos 
Além do caso acima explicado, o princípio 
da intranscendência subjetiva das sanções pode ser aplicado 
também nas situações em que uma entidade 
estadual/municipal (ex: uma autarquia) descumpriu as regras 
27 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
os documentos ao órgão fiscalizador, ajuizou ações de 
ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o 
ente (Estado ou Município) não poderá ser incluído nos 
cadastros de inadimplentes da União. 
Assim, segundo esta acepção, o princípio 
da intranscendência subjetiva das sanções proíbe a 
aplicação de sanções às administrações atuais por atos de 
gestão praticados por administrações anteriores. 
Segundo o Min. Luiz Fux, “não se pode inviabilizar a 
administração de quem foi eleito democraticamente e não 
foi responsável diretamente pelas dificuldades financeiras 
que acarretaram a inscrição combatida”. 
Logo, deve-se aplicar o princípio 
da intranscendência subjetiva das sanções, impedindo que 
a Administração atual seja punida com a restrição na 
celebração de novos convênios ou recebimento de 
repasses federais. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. AC 
2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, 
julgados em 23/6/2015 (Info 791). 
Assim, “o princípio da intranscendência subjetiva das 
sanções inibe a aplicação de severas sanções às 
administrações por ato de gestão anterior à assunção dos 
deveres públicos.” (STF. 1ª Turma. ACO 3014 AgR, Rel. Min. 
Luiz Fux, julgado em 25/05/2018). 
O STJ comunga também desse entendimento exigindo 
sempre que a gestão sucessora tenha tomado as 
providências cabíveis à reparação dos danos 
eventualmente cometidos. Por isso, editou a súmula 615: 
Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a 
inscrição do município em cadastros restritivos fundada 
em irregularidades na gestão anterior quando, na gestão 
sucessora, são tomadas as providências cabíveis à 
reparação dos danos eventualmente cometidos. 
Vale ressaltar, no entanto, que existem julgados do STF em 
sentido contrário ao STJ, ou seja, dizendo que não se deve 
acolher essa primeira acepção do princípio da 
intranscendência. Veja: 
(...) Inaplicabilidade do princípio da intranscendência 
subjetiva das sanções para isentar pessoa jurídica dedireito público das consequências jurídicas da constatação 
de irregularidades relacionadas a convênio firmado em 
gestões anteriores, por força da incidência do princípio da 
impessoalidade, que rege a Administração Pública, nos 
termos do art. 37 da Lei Maior. STF. Plenário. ACO 3083, 
Rel. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/08/2020. 
 
do convênio e a União inscreve não apenas essa entidade, 
como também o próprio ente (Estado/Município) nos 
cadastros restritivos. 
 
Também viola o princípio da intranscendência quando o 
Estado-membro é incluído nos cadastros de inadimplentes da 
União por irregularidades praticadas pelos outros Poderes 
que não o Executivo ou por órgãos autônomos, como o 
Ministério Público: 
A imposição de sanções ao Executivo estadual em virtude de 
pendências dos Poderes Legislativo e Judiciário locais 
constitui violação do princípio da intranscendência, na 
medida em que o Governo do Estado não tem competência 
para intervir na esfera orgânica daquelas instituições, que 
dispõem de plena autonomia institucional a elas outorgadas 
por efeito de expressa determinação constitucional. STF. 
Plenário. ACO 2995 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 
julgado em 23/02/2018. 
 
 
 (Procurador de Paranavaí-PR FAUEL 2018) Viola o princípio da intranscendência subjetiva das sanções a inscrição de 
Município em cadastro público de inadimplentes, com fundamento em inobservância de obrigações por parte de autarquia 
municipal (Certo). 
28 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Foi exatamente o que aconteceu no caso concreto. Por aplicação do princípio da intranscendência das obrigações e sanções, o 
Poder Executivo não pode ser penalizado pelo descumprimento dos limites setoriais de gasto com pessoal previsto no art. 20, 
II, da LRF, pelos Poderes Legislativo e Judiciário, pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público. Nestes casos, o Estado-
membro não pode ser penalizado com as consequências jurídicas previstas no art. 23, § 3º, da LRF considerando que o Poder 
Executivo não dispõe de meios para controlar o cumprimento desses limites pelos demais poderes e órgãos dotados de 
autonomia administrativa e financeira. 
 
Organização Administrativa 
Organização Administrativa 
A organização administrativa é a estruturação do Estado. Seu estudo é o conhecimento acerca das pessoas, entidades e órgãos 
que irão desempenhar a função administrativa para a formação do modelo do aparelho administrativo do Estado. Nesse 
contexto, a expressão administração pública está sendo analisada em sentido material ou objetivo, ou seja, referindo-se à 
função de administrar exercida pelo ente público na busca do interesse da coletividade. 
 
Administração Pública e seus aspectos: 
 Subjetivo: conjunto de órgãos e entidades que integram a estrutura do Estado e tem como função satisfazer o interesse 
público, a vontade política governamental. Nesse sentido, deve ser grafada com letras maiúsculas, pois refere-se aos 
sujeitos. 
 Objetivo: é o conjunto de atividades que esses órgãos e entidades desempenham. Ex.: fomentar iniciativa privada, prestar 
serviço público, exercer poder de polícia. 
Desconcentração x Descentralização 
 A descentralização é realizada entre pessoas jurídicas diversas, enquanto a desconcentração se configura pela distribuição 
interna de competência no âmbito de uma mesma pessoa jurídica, mediante especialização interna. 
 A desconcentração é fundada na manifestação de poder hierárquico e não prejudica a unidade do Estado já que todos os 
órgãos e agentes continua ligados por um poderoso vínculo, a hierarquia. 
Desconcentração Descentralização 
É a distribuição interna de competência no âmbito de uma 
MESMA PESSOA JURÍDICA. Mesmo nas situações em que a 
prestação dos serviços é feita de forma centralizada, ou seja, 
quando a Adm. Direta executa as atividades diretamente, os 
entes públicos devem providenciar uma divisão interna de 
competências. Está fundado na hierarquia (poder hierárquico). 
 
Ex: quando a União se responsabiliza pela prestação do serviço de 
saúde, o faz mediante a distribuição interna de competência 
entre órgãos responsáveis por essa atividade, como o Ministério 
da Saúde, o SUS, os hospitais públicos, etc. 
 
Obs: os órgãos públicos*** não têm personalidade jurídica 
própria e por isso não podem ser responsabilizados pelos atos que 
praticam. Quem responde pelos atos do órgão público é a pessoa 
jurídica a qual ele está vinculado. No entanto, a lei pode atribuir 
capacidade processual a determinados órgãos públicos 
independentes e autônomos (ex: Lei 7.347 dispõe que o MP pode 
propor ACP; ex2: Súmula 525 STJ – “A Câmara de vereadores não 
possui personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária, 
somente podendo demandar em juízo para defender os seus 
direitos institucionais”). 
 
 É a transferência dos serviços a PESSOAS JURÍDICAS DIVERSAS. Pode 
ser feita mediante a transferência na prestação de serviço a pj criadas 
pela própria Adm. (são os chamados entes da Adm. Indireta) ou 
mediante a transferência a particulares, por meio de contratos de 
concessão ou permissão de serviços públicos. 
NÃO há manifestação do poder hierárquico, porém os entes da Adm. 
Indireta se sujeitam a controle finalístico a ser exercido pelas entidades 
da Adm. Direta. 
 
Espécies de Descentralização 
Outorga Delegação 
 É transferida a titularidade e 
a execução do serviço 
público a outra entidade. 
 Para doutrina majoritária, a 
outorga é conferida, 
somente para as PJ de 
direito público integrantes 
da Adm. Indireta, 
especificadas na execução 
dessas atividades. 
 A outorga também é 
denominada de 
descentralização por 
serviços ou descentralização 
funcional. 
 Lei específica cria essas 
entidades e elas transfere a 
atividade pública. 
 O Estado é responsável 
subsidiariamente pelos 
 Apenas a execução é 
transferida. 
 Feita para particulares ou 
aos entes da Administração 
Indireta regidos pelo direito 
privado. 
 A delegação também é 
denominada de 
descentralização por 
colaboração 
 Dá-se por meio de edição de 
lei ou mediante contratos 
de concessão e permissão 
do serviço público. 
29 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
danos decorrentes da 
atividades. 
 
 
#JACAIUEMPROVA #CESPE# DPDF/2019: A distribuição de 
competências a órgãos subalternos despersonalizados, como as 
secretarias-gerais, é modalidade de descentralização de poder. 
 
Justificativa trazida pela banca - ERRADO. A atribuição de 
competências a órgãos públicos subalternos é fruto de um movimento 
de desconcentração de poder, e não de descentralização. A 
descentralização é o processo de distribuir tarefas a entidades diversas 
dotadas de personalidade jurídica própria. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Teoria do Órgão 
Quais as teorias que relacionam o Estado ao agente público? 
O Estado, enquanto pessoa jurídica, depende do agente, pessoa física, para executar as suas atividades. Para explicar a 
relação entre o Estado e os agentes surgiram três teorias: 
 
a) Teoria do mandato: existe um contrato de mandato entre o Estado e seu agente. Encontra-se superada, pois não tem 
como o Estado manifestar vontade para celebrar contrato sem ter um primeiro agente. 
 
b) Teoria da representação: Estado vai ser tratado como incapaz, necessitando, portanto, de um representante, tal como 
ocorre na tutela e curatela. Tal teoria não pode ser aplicada no Brasil, pois a própria CF/88 fala sobre a responsabilidade 
do Estado, sendo ele um sujeito capaz. 
 
c) Teoria do órgão ou da imputação volitiva: O agente manifesta a vontade do Estado por imputação legal, confundindo-
se sua vontade com a do próprio Estado. Inspirada no alemão Otto Gierke, essa é a teoria adotada no Brasil. Assim, o 
Brasil adota a teoria do órgão ou da imputação volutiva. 
 
Ojurista alemão Otto Gierke foi quem estabeleceu as linhas mestras da teoria do órgão e indicou como sua principal 
característica o princípio da imputação volitiva. A teoria do órgão: Considera o órgão como parte da entidade e, com isso, 
suas manifestações de vontade são consideradas como sendo da própria entidade. 
DPE-SE-Defensor Público substituto-2012-CESPE) Entre as teorias que tratam da natureza jurídica da relação entre o 
Estado e seus agentes, é amplamente adotada pela doutrina e jurisprudência brasileiras a teoria da representação. 1. 
Errado. A teoria adotada é a do órgão ou da imputação volitiva. 
(Procurador RS/2018) Assinale a alternativa correta quanto à “Teoria da Imputação Volitiva de Gierke” conforme 
definição utilizada pela doutrina brasileira majoritária. - Estabelece que as pessoas jurídicas administrativas expressam a 
sua vontade através de seus próprios órgãos, titularizados por seus agentes, na forma de sua organização interna. 
 
Descentralização 
Descentralização: ocorre quando acontece uma transferência de competências a uma pessoa jurídica distinta daquela 
originalmente competente. Pode ser: 
 
 Política: é aquela que existe numa Federação, onde há uma repartição originária de competências. 
 
 Administrativa ou derivada: se divide em três espécies: 
 
 Territorial: é a transferência de competência a um território (Território federal tem natureza autárquica). 
31 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
 Por serviços ou outorga (ou funcional ou técnica):ocorre quando o Estado cria uma entidade (pessoa jurídica) e a ela 
transfere determinado serviço público. A outorga pressupõe obrigatoriamente a edição de uma lei que institua a 
entidade, ou autorize a sua criação, e normalmente seu prazo é indeterminado. É o que ocorre na criação das entidades 
da administração indireta: o Estado descentraliza a prestação dos serviços, outorgando-os a outras pessoas jurídicas 
(autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas). 
 
#UMPOUCODEDOUTRINA: Princípio da especialização (ou da especialidade): o ente federado edita uma lei 
estabelecendo competências específicas que foram originariamente a ele atribuídas, mas que passarão a ser exercidas por 
uma pessoa jurídica distinta (uma entidade de sua administração indireta), partindo do pressuposto que essa 
especialização propiciará maior capacitação para o desempenho daquelas competências. 
 
 Por colaboração ou delegação: é a transferência somente da execução de um serviço público a uma outra pessoa que se 
concretiza por meio de um negócio jurídico (contrato de concessão ou permissão), por ato unilateral (autorização de 
serviços públicos) ou também por lei. Aqui vale destacar que a delegação por meio de contrato sempre será efetivada por 
prazo determinado. Já na delegação por ato administrativo não há prazo certo, em regra. Por fim, ressalta-se que a 
concessão de serviço público só é possível para pessoas jurídicas, ao passo que pode haver permissão e autorização de 
serviços públicos tanto para pessoas jurídicas quanto para pessoas físicas. 
 
Classificação dos órgãos Públicos 
Quanto à 
hierarquia ou 
posição 
estatal 
 
a. Independentes: o órgão está no topo da estrutura hierárquica administrativa. Ex: Presidência da 
República - não se admite a interposição de recurso administrativo de uma decisão do presidente. 
 
b. Autônomos: conservam autonomia administrativa e autonomia financeira, apesar de serem 
hierarquicamente subordinados aos órgãos independentes. Ex: Ministério da Fazenda. 
 
c. Superiores: são órgãos que possuem atribuições de direção, controle e decisão, mas que sempre estão 
sujeitos ao controle hierárquico de uma chefia mais alta. Não têm autonomia administrativa, mas 
possuem autonomia técnica. Ex.: Gabinetes e procuradorias. 
 
d. Subalternos: com reduzido poder de decisão, constituindo-se, em verdade, em órgãos de mera 
execução de atividades administrativas. Ex: seção de pessoal, zeladoria. 
 
Quanto à 
esfera 
a. Central: tem atribuição em toda extensão da pessoa jurídica que ele integra. Ex: TJ/BA – órgão 
pertencente ao Estado, que exerce atribuição em todo a extensão do Estado da Bahia. 
 
b. Local: tem competência restrita a determinado ponto da pessoa jurídica que ele integra. Ex: TRT Bahia 
– órgão pertencente à União, que exerce atribuições somente no Estado da Bahia. 
 
Quanto à 
estrutura 
a. Simples (ou unitário): possuem uma estrutura formada por única unidade orgânica, ou seja, possuem 
um só centro de competência. Ex: Presidência da República, Assembleia Legislativa. 
 
b. Compostos: reúnem outros órgãos ligados à sua estrutura, ensejando uma desconcentração e divisão 
de atividades. Ex: Congresso Nacional é composto pelo Senado Federal e pela Câmara dos Deputados. 
 
Quanto à 
atuação 
funcional 
 
a. Singular: é o órgão que manifesta vontade pela manifestação de vontade de um agente, que é o seu 
chefe ou representante. Ex: Presidência da República. 
 
b. Colegiado: é o órgão que manifesta vontade pela manifestação de vontade de um colegiado de 
agentes. Ex: Assembleia Legislativa (é órgão simples colegiado). 
 
Quanto às 
funções 
a. Ativo: são os órgãos que atuam diretamente no exercício da função administrativa, manifestando 
vontade e praticando atos essenciais ao cumprimento dos fins dessa pessoa jurídica. Ex: Secretaria de 
Saúde. 
 
32 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
b. Consultivo: são os órgãos que atuam na emissão de pareceres jurídicos, assumindo a função de 
aconselhamento da atuação dos demais órgãos estatais. Ex: Ministério Público. 
 
c. De controle: são os órgãos que atuam no controle dos demais órgãos e agentes públicos. Pode ser de 
controle interno (no âmbito de um mesmo Poder do Estado – ex: CNJ dentro do Judiciário) ou de controle 
externo (manifesta-se entre Poderes estatais diversos – ex: TCU quando efetiva o controle contábil da 
Adm. Pública). 
 
Teorias da 
manifestação 
de vontade 
dos órgãos 
a. Teoria do mandato: dispunha acerca do vínculo dos agentes públicos com o ente da Administração 
como um vínculo contratual. Não prosperou, pois a relação do agente com o Estado não se reveste de 
natureza contratual, mas sim legal. 
 
b. Teoria da representação: o agente público, por força de lei, atuaria como representante do poder 
público, tal qual os curadores ou tutores de incapazes. Também não prosperou, pois não há duas 
vontades independentes, já que a vontade do agente se confunde com a vontade do ente estatal, não 
sendo possível vislumbrar dois interesses diversos. Além disso, não seria possível considerar a Adm. 
Pública incapaz de exercer seus direitos e obrigações. 
 
c. Teoria do órgão ou teoria da imputação volitiva: a manifestação de vontade da pessoa jurídica se dá 
por meio da atuação da pessoa física. Assim, quando ao agente público atua nessa qualidade, não se 
pode imputar essa atuação ao próprio agente, mas sim ao Estado que ele integra e apresenta. É adotada 
pela doutrina brasileira. 
 
Administração 
Indireta 
Estudaremos cada um dos entes que compõem a Adm. Indireta, porém, de início, é importante frisar 4 
regras aplicáveis a todos esses entes: 
a) Personalidade jurídica própria: todos os entes têm pessoal, receita, autonomia administrativa, 
responsabilidade e patrimônio próprios. Não se confundem com os entes da Adm. Pública Direta 
responsáveis pela sua criação. 
 
b) Criação e extinção dependem de lei específica: segundo o art. 37, XIX CF, a lei específica cria as 
autarquias e a lei específica autoriza a criação das fundações públicas, empresas públicas e SEM. No caso 
das autarquias, publicada a lei, a entidade está criada. Quando a lei autoriza a criação, a criação se dá 
efetivamente com o registro dos atos constitutivos no cartório. 
 
Obs: no caso da fundação pública, cada ente federativo terá que editar lei complementar, definindo as 
suas áreas de atuação. A lei específica irádefinir a finalidade específica de cada fundação. 
 
c) Finalidade pública (sem fins lucrativos): o art. 173 CF dispõe expressamente que o Estado só pode 
explorar atividade econômica por motivo de segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. 
 
d) Submissão a controle pelos entes da Adm. Direta (controle finalístico/tutela 
administrativa/supervisão ministerial): o ente da Adm. Direta verifica se o ente da Adm. Indireta está 
cumprindo a finalidade para o qual foi criado. NÃO existe hierarquia ou subordinação entre essas 
entidades!!! 
 
Ex: INSS é autarquia federal sujeita ao controle exercido pelo Ministério da Previdência. Um particular 
requer um benefício perante um agente do INSS. O pedido é negado. É interposto recurso para o 
dirigente do INSS (recurso hierárquico próprio). 
Desde que haja previsão expressa, poderá ser apresentado recurso para o Ministério Supervisor (Adm. 
Direta) → recurso hierárquico impróprio. Em razão desse controle finalístico, em geral, os dirigentes dos 
entes da Adm. Indireta são livremente nomeados e exonerados pelos entes da Adm. Direta (são cargos 
em comissão). 
 
Autarquias São entidades que executam atividade pública propriamente dita (poder de polícia, serviços públicos, 
etc). Por isso, tem personalidade jurídica de direito público e gozam de regime jurídico aplicável aos 
entes da Adm. Direta, com as seguintes prerrogativas: 
33 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
✓ Imunidade tributária (art. 150, §2º CF – imunidade tributária recíproca); 
✓ Privilégios processuais (prazo em dobro para qualquer manifestação e garantia da remessa 
necessária); 
✓ Bens públicos (garantias de imprescritibilidade, impossibilidade de usucapião e impenhorabilidade); 
✓ Regra de pagamento por meio de precatórios ou RPV (art. 100 CF). Obs: a fila de precatório da 
autarquia não se confunde com a fila de precatório do ente da Adm. Direta. 
✓ Regime de pessoal estatutário; 
 
Obs: 1º momento – Promulgação da CRFB/88: a redação originária do art. 39 exigiu a instituição por lei 
do regime jurídico único (estatutário) para os servidores da Adm. Direta e das pessoas de direito público 
da Adm. Indireta. 
 
2º momento – Reforma Administrativa – EC 19/98): fim da obrigatoriedade do regime jurídico único, 
viabilizando a instituição do regime celetista para os servidores. 
 
3º momento – Decisão liminar com efeitos “ex nunc” do STF na ADI 2135/DF: declarou inconstitucional 
a redação conferida pela EC 19/98 ao art. 39 e, em razão do efeito repristinatório, voltou a vigorar a 
redação originária do art. 39 (obrigatoriedade do regime jurídico único estatutário). 
✓ As ações contra as autarquias prescrevem em 5 anos (Dec. 20.910/32); 
✓ Responsabilidade civil objetiva (art. 37, §6º CF); 
✓ Contratos administrativos (dependem de licitação e gozam das prerrogativas da Lei 8.666); 
✓ Goza de garantia de duplo grau de jurisdição obrigatório (art. 496 do CPC). Obs: O duplo grau 
obrigatório se aplica somente quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de 
valor superior a: 1000 S.M para União e as respectivas autarquias e fundações de direito público; 500 
S.M para os E/DF/ respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam 
capitais dos Estados e 100 S.M. para todos os demais municípios e respectivas autarquias e fundações 
de direito público. 
✓ O Poder Público está dispensado de efetivar o depósito de 5% sobre o valor da causa para a 
propositura de ação rescisória, caso a ação seja julgada improcedente, consoante art. 968, §1º, CPC; 
✓ Não se exige o adiantamento de custas processuais por parte dos Estados, mas há a exigência em 
relação aos honorários periciais (súmula 232 STJ); 
✓ Aplica-se o art. 100 da CF, mas terá sua própria fila de precatórios. 
 
A) AUTARQUIAS DE CONTROLE (OU CORPORATIVAS) 
São os Conselhos profissionais (ADI 1717), salvo a OAB. A OAB não tem natureza autárquica, e, por isso, 
não sofre controle do Tribunal de Contas, não deve obediência à Lei de Finanças Nacional (Lei 4.320/64) 
e a contribuição não tem natureza tributária. Exercem poder de polícia e gozam de parafiscalidade 
(transferência da capacidade tributária ativa). 
 
ATENÇÃO: RE 938837 (Info 862 STF – 2017): por maioria dos votos, o STF decidiu que o regime dos 
precatórios para pagamentos de dívidas decorrentes de decisão judicial NÃO se aplica aos conselhos 
profissionais. Apesar de os Conselhos de Fiscalização Profissional serem considerados autarquias 
especiais, eles não participam do orçamento público, não recebem aporte do Poder Central nem se 
confundem com a Fazenda Pública. Por essa razão, não se submetem ao regime de precatórios. 
 
B) AUTARQUIAS EM REGIME ESPECIAL 
1. Universidades Públicas: possuem autonomia pedagógica (liberdade no que tange à metodologia a ser 
aplicada, que não se submete a controle do Ministério Supervisor) e forma diferenciada de escolha dos 
dirigentes (são indicados pelo corpo docente e discente e, depois de nomeados, cumprem mandatos 
fixos, que variam de acordo com a lei específica de cada entidade; não são exoneráveis “ad nutum”). 
 
2. Agências reguladoras: são fruto do neoliberalismo (pós-regime militar), quando o Estado transferiu 
para particulares a prestação de serviços públicos. As agências reguladoras foram criadas para fiscalizar 
e normatizar a prestação de serviços públicos por particulares. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Gozam de poder normativo (editar normas gerais e abstratas dentro dos limites da lei) por meio de 
resolução, que obriga os prestadores do serviço (nunca obriga os usuários, particulares). Ex: ANATEL 
edita uma resolução proibindo que os prestadores de serviço de telefonia cobrem assinatura fixa dos 
usuários. 
Obs: “Teoria da captura”: expressão utilizada pela doutrina para tratar de situações, em que a agência 
reguladora foi “capturada pelo mercado”: ao invés de expedir normas para atender ao interesse público, 
a agência reguladora acaba expedindo normas para beneficiar a empresa. Trata-se de disfunção da 
agência reguladora (ato ilícito). 
Obs2: A Lei 9.986/00 estabelece as normas gerais aplicáveis às agências reguladoras no âmbito federal, 
no entanto, admite-se a criação dessas entidades pelos demais entes da Federação (Estados e 
municípios). 
 
Têm uma forma diferenciada de escolha dos dirigentes: são nomeados pelo Presidente da 
República/Governador com aprovação do Senado Federal/Assembleia (art. 52, III, “f” CF e Lei 
9.986/2000) e, após ser nomeado, cumpre mandato fixo, o que gera maior independência. Após sair do 
cargo, o ex-dirigente precisa cumprir o período de quarentena (4 meses ou prazo maior definido na lei 
específica da agência reguladora), durante o qual esse fica impedido de prestar serviços a qualquer 
empresa regulada pela agência da qual ele era dirigente. Durante a quarentena, o ex-dirigente continua 
recebendo a sua remuneração integral. Os servidores da agência reguladora seguem o regime estatutário 
(apesar de a Lei 9.986/2000 prever o regime celetista). 
 
Espécies de agências reguladoras: 
a) Agências que regulam a prestação de serviços públicos: atuam na fiscalização de serviços públicos 
propriamente ditos, prestados mediante delegação contratual ou diretamente pelo ente estatal. Ex: 
ANATEL, ANEEL, ANAC. 
 
b) Agências que fiscalizam atividades de fomento: executam suas atividades na regulação de atividades 
eminentemente privadas que dependem de fiscalização estatal, por serem de interesse da coletividade, 
como é o caso da difusão de cultura. Ex: ANCINE. 
 
c) Agências que controlam a exploração de atividades econômicos: são autarquias especiais que atuam 
na normatização da exploração de atividades econômicas de interesse da coletividade. Ex: ANP. 
 
d) Agências que regulamentam serviços de utilidade pública: essas agências controlam serviços públicos 
não exclusivos do Estado. Ex: ANS e ANVISA. 
 
ATENÇÃO: ≠ Agências executivas= são autarquias comuns (e não em regime especial) ou fundações 
públicas de direito público que, em razão de estarem ineficientes, firmam contrato de gestão com o 
Ministério Supervisor (art. 37, §8º CF e art. 51 da Lei 9.649/98). Depois de celebrado o contrato de gestão, 
por meio de decreto, a autarquia pode ser qualificada temporariamente como agência executiva, o que 
lhe dá maior autonomia orçamentária e maior autonomia administrativa. Em troca, a agência executiva 
precisará cumprir plano estratégico de reestruturação. 
Agências Reguladoras 
São autarquias em regime especial (possuem regime jurídico distinto daquele dispensado às demais autarquias) e que 
foram criadas para exercer a regulação de atividades econômicas em sentido amplo. 
 
#UMPOUCODEDOUTRINA:2 Nas lições de Marcelo Alexandrino e Vicente de Paulo, agências reguladoras são: “entidades 
administrativas com alto grau de especialização técnica, integrantes da estrutura formal da administração pública, 
instituídas como autarquias sob regime especial, com a função de regular um setor específico de atividade econômica ou 
um determinado serviço público, ou de intervir em certas relações jurídicas decorrentes dessas atividades, que devem 
atuar com a maior autonomia possível relativamente ao Poder Executivo e com imparcialidade perante as partes 
interessadas (Estado, setores regulados e sociedade).” 
 
- Características: 
 
2 Marcelo Alexandrino e Vicente de Paulo, Direito Administrativo Descomplicado, 2017. 
35 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
 A expressão “autarquia de regime especial” surge com as universidades federais; 
 Não há obrigatoriedade de adoção do regime especial (embora as diversas leis instituidoras de agências 
reguladoras, pelo menos na esfera federal, até hoje adotaram, para todas, a forma de autarquia sob regime especial). As 
agências reguladoras poderiam, simplesmente, ser órgãos (despersonalizados) especializados integrantes da estrutura da 
própria administração direta. 
 No Brasil, as Agências Reguladoras surgem num contexto de transformar o Estado de patrimonialista para gerencial 
(administração gerencial). 
 A função regulatória não surge com as agências reguladoras e nem é exclusiva delas. Vale destacar que, muito 
antes das agências reguladoras, já existiam entidades integrantes da administração indireta com competências 
regulatórias específicas como, por exemplo, o Banco do Brasil e o CADE. 
 Não se confundem com agências executivas, pois estas são autarquias ou fundações que se qualificam como 
agência executiva por terem celebrado um contrato de gestão com a Administração e por terem um plano de 
reestruturação, de acordo com ato discricionário privativo do Presidente da República (art. 51, Lei 9.649/98). 
 
#NÃOCONFUNDA: 
AGÊNCIAS REGULADORAS AGÊNCIAS EXECUTIVAS 
Não se trata de uma nova espécie integrante da 
Administração Pública. 
Não se trata de uma nova espécie integrante da 
Administração Pública. 
São autarquias sob regime especial. Podem ser autarquias ou fundações públicas. 
O grau de autonomia depende dos instrumentos 
específicos que a respectiva lei instituidora estabeleça. 
Trata-se de qualificação formal, nos termos da lei nº 
9.649/98, arts. 51 e 52. 
Não existe a figura da desqualificação da agência 
reguladora. 
A qualificação se dá por meio de Decreto e pode ocorrer a 
desqualificação da entidade (também por Decreto). Vale 
lembrar que essa desqualificação não afeta a natureza da 
entidade, que continua a ser uma autarquia ou fundação. 
Atuam na área de regulação. Não é prevista uma área específica de atuação. 
A lei instituidora pode prever ou não, a celebração do 
contrato de gestão com o Poder Público. 
A celebração de contrato de gestão com o Poder Público é 
condição obrigatória para a obtenção da qualificação. 
É possível uma agência reguladora ser qualificada como 
uma agência executiva, caso preencha os requisitos. 
Uma autarquia qualificada como agência executiva pode 
ou não ser uma agência reguladora. 
 No Brasil, somente dois entes reguladores, a ANATEL (art. 21, XI da CF) e a ANP (art. 177, §2º, III, da CF), 
possuem previsão constitucional específica. As demais agências reguladoras têm base exclusivamente nas leis que 
as criam. 
 
 O que define esse regime especial? 
 
a) Função de regulamentação, normatização, fiscalização, controle – essa função é antiga, que o Estado já 
desenvolvia. A novidade é a criação de uma pessoa jurídica com essa finalidade. O nome agência foi copiado do 
governo norte-americano para dar mais credibilidade. Tem mais autonomia e liberdade que as demais pessoas 
jurídicas. Poder normativo técnico – normas técnicas de caráter geral, com fundamento em delegação prevista na 
própria lei. Deslegalização. 
 
 
 
 
#SELIGA #CUIDADO: Poder regulatório ≠ Poder regulamentar. 
 
O poder regulamentar é um dos poderes administrativos que tem como propósito detalhar previsões legais genéricas. 
Para a maioria dos autores, o poder regulamentar é de competência privativa do Chefe do Poder Executivo. O fundamento 
constitucional do poder regulamentar é o art. 84, IV, da CF/88. 
O fundamento do poder regulatório não é o art. 84, mas o art. 174 da CRF: 
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de 
fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. 
Há um certo ponto de contato entre poder regulamentar e poder regulatório, pois ambos têm a aptidão de detalhar 
previsões legais genéricas. Isso porque o poder regulatório abrange a competência de uma Agência Reguladora esmiuçar 
36 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
previsões legais genéricas. Mas, mesmo nesse ponto de contato não há uma identidade absoluta entre os dois poderes, 
pois o poder regulamentar acarreta um detalhamento de previsões legais genéricas que leva em consideração uma 
avaliação política (que precisa se ater à lei, mas há certa discricionariedade política), enquanto que o exercício do poder 
regulatório pressupõe uma discricionariedade técnica. 
O poder regulatório não é apenas regular determinada matéria. Compreende também, por exemplo, a função 
adjudicatória, que é a função de dirimir conflitos entre particulares, o poder de polícia, expedir atos de consentimento, 
licenças e autorizações, dentre outras situações. 
 
b) Nomeação ou investidura especial do dirigente da agência. Depende de sabatina do Senado. O Presidente aqui não 
nomeia e exonera de forma livre. Trata-se de ato complexo (comunhão de vontades em órgãos diferentes). 
 
*(Atualizado em 30/07/2020) #DEOLHONAJURIS: É inconstitucional norma de Constituição Estadual que exija prévia 
arguição e aprovação da Assembleia Legislativa para que o Governador do Estado nomeie os dirigentes das autarquias e 
fundações públicas, os presidentes das empresas de economia mista e assemelhados, os interventores de Municípios, bem 
como os titulares da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral do Estado. STF. Plenário. ADI 2167/RR, rel. orig. Min. 
Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 3/6/2020 (Info 980). 
 
#OUSESABER: No que consiste a teoria da captura? Segundo a doutrina, a Teoria da Captura trata da hipótese de quebra 
de independência e autonomia das agências reguladoras, quando estas passam a favorecer os entes regulados, que são 
economicamente mais fortes. Em outras palavras, os entes regulados capturam as agências reguladoras no intuito de 
proteger seus interesses. 
José dos Santos Carvalho Filho afirma que a Teoria da Captura tem o objetivo de evitar uma “vinculação promíscua entre 
a agência, de um lado, e o governo instituidor ou os entes regulados, de outro, com flagrante comprometimento da 
independência pública” (Manual de direito administrativo. Atlas, 2012, p. 485.) Essa captura pode ocorrer de duas formas: 
pelo próprio setor público(ativa), quando há influência política de agentes públicos na atividade reguladora, retirando sua 
independência; ou pelo setor privado (passiva), quando as empresas que prestam os serviços regulados interferem direta 
ou indiretamente na atividade regulatória. 
 
#DEOLHONATERMINOLOGIA: O que se entende por risco de captura?3 O Risco de Captura integra as características das 
Agências Reguladoras, que possuem algumas restrições institucionais, sendo uma delas, a denominada "quarentena" dos 
ex-dirigentes, previstas nas leis instituidoras das principais agências reguladoras brasileiras, como a ANATEL, ANEEL, ANP 
e ANS. Os ex-dirigentes dessas agências, assim, ficam impedidos para o exercício de atividades ou de prestar qualquer 
serviço no setor regulado pela respectiva agência, por um período de seis meses (nova lei das agências reguladoras), 
contados da exoneração ou término do seu mandato. Desta forma, evita-se que a Agência possa atuar em prol dos 
interesses das empresas reguladas, sendo que a expressão "risco de captura" pode ser ainda utilizada em sentido mais 
amplo, abrangendo as principais situações em que se verifica, seja a ineficácia do órgão regulador, seja a contaminação de 
sua atuação pelos interesses de alguma das partes interessadas nas relações concernentes à atividade regulada (Estado, 
usuários e consumidores ou as empresas). Nessa acepção ampla, a "captura" descreve a situação em que o ente regulador 
passa a atuar sem imparcialidade, favorecendo sistematicamente uma das partes envolvidas com a atividade regulada ou 
passa a ser uma estrutura inoperante, meramente figurativa. Pode significar o risco de concussão (corrupção dos 
dirigentes), como também, a captura por contaminação de interesses, em que o órgão regulador assume os valores e 
interesses do regulado, como se fossem interesses da coletividade, a captura por insuficiência de meios, que ocorre 
quando a atuação do agente regulador é inviabilizada pela ausência ou má qualidade de seus recursos e a captura pelo 
poder político, situação que ocorre quando não existem os instrumentos legais capazes de assegurar a efetiva autonomia 
da agência reguladora e ela passa a ser um mero agente dos interesses político-partidários dos governantes.4 
 
3 https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/82953/em-que-consiste-o-risco-de-captura-ariane-fucci-wady, por Ariane Fucci Wady. Consulta em 24/04/17. 
4 Artigos importantes da Lei nº 9.986: Art. 5º O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente (CD I) e os demais membros do Conselho Diretor 
ou da Diretoria (CD II) serão brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária e elevado conceito no campo de especialidade dos cargos para 
os quais serão nomeados, devendo ser escolhidos pelo Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos 
termos da alínea f do inciso III do art. 52 da Constituição Federal. Parágrafo único. O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente será 
nomeado pelo Presidente da República dentre os integrantes do Conselho Diretor ou da Diretoria, respectivamente, e investido na função pelo prazo 
fixado no ato de nomeação. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
c) Licitação. A lei nº 9.472/97 afirmou que as agências reguladoras não se submeteriam à lei nº 8.666, pois seguiriam 
procedimento próprio definido pela própria agência, abrangendo as modalidades de pregão e a consulta. A lei foi objeto 
da ADI 1668 e o STF disse que as agências reguladoras se submetem sim à lei nº 8.666, seguindo o seu procedimento, mas 
também podem adotar a modalidade pregão e a consulta. A modalidade específica de agência reguladora é a consulta, 
vez que o pregão tem lei própria (10.520/02) e pode ser adotado por outros órgãos da administração. Ressalta-se, todavia, 
que ainda não houve regulamentação da modalidade consulta. 
 
d) Regime de pessoal: atualmente, os servidores do quadro efetivo das agências reguladoras são ocupantes de cargos 
públicos e estão submetidos ao regime estatutário. Contudo, nem sempre foi assim. Antigamente, a Lei nº 9986/00 previa 
a existência de emprego público (CLT) + cargos em comissão (estatutário). A ADI 2.310-1/DF suspendeu a eficácia de tal 
dispositivo legal por meio de decisão cautelar, argumentando que as agências reguladoras, por desempenharem função 
exclusiva de Estado, não poderiam prescindir da ocupação de cargos públicos, com direitos e garantias a eles inerentes. 
Em razão disso, foi editada a MP 155/2003, que revogou expressamente o dispositivo legal, passando a adotar o regime 
estatutário, próprio dos cargos públicos. Essa MP foi convertida na Lei 10.871/2004 e, com isso, a ADI 2310 foi extinta. 
 
e) autonomia decisória: “além da questão já abordada quanto aos dirigentes das Agências Reguladoras, há também outra 
característica destas que lhe dão a denominação de Autarquias em regime especial, como a possibilidade de mediarem 
conflitos entre os regulados. Explica-se. Fato é que a função de resolver conflitos, em que pese típica, não é exclusiva do 
Poder Judiciário, sendo tal função exercida atipicamente pelos demais poderes da Federação. As Agências Reguladoras, 
Autarquias Especiais, também têm como peculiaridade a possibilidade de solver conflitos dos particulares exercentes da 
atividade regulada, bem como entre estes e o próprio Poder Público. Como Autarquias, as Agências Reguladoras não se 
subordinam hierarquicamente à Administração Direta, mas, de outra banda, são submetidas ao denominado controle 
finalístico pela vinculação. Nesse passo, há entendimento de que cabe recurso administrativo impróprio para o Ministério 
à qual se vincula a Agência, desde que haja previsão legal autorizativa.”5 
 
Nesse ponto, convém destacar outra novidade trazida pela Lei n. 13.848/2019: 
As agências reguladoras são autorizadas a celebrar, com força de título executivo extrajudicial, termo de ajustamento de 
conduta com pessoas físicas ou jurídicas sujeitas a sua competência regulatória, aplicando-se os requisitos do art. 4º-A da 
Lei nº 9.469/97: 
 
Art. 4º-A. O termo de ajustamento de conduta, para prevenir ou terminar litígios, nas hipóteses que envolvam interesse 
público da União, suas autarquias e fundações, firmado pela Advocacia-Geral da União, deverá conter: 
I - a descrição das obrigações assumidas; 
II - o prazo e o modo para o cumprimento das obrigações; 
III - a forma de fiscalização da sua observância; 
IV - os fundamentos de fato e de direito; e 
V - a previsão de multa ou de sanção administrativa, no caso de seu descumprimento. 
 
Art. 6º O mandato dos Conselheiros e dos Diretores terá o prazo fixado na lei de criação de cada Agência. Parágrafo único. Em caso de vacância no curso 
do mandato, este será completado por sucessor investido na forma prevista no art. 5o. 
Art. 8º O ex-dirigente fica impedido para o exercício de atividades ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por um 
período de seis meses, contados da exoneração ou do término do seu mandato. § 1o Inclui-se no período a que se refere o caput eventuais períodos 
de férias não gozadas. §2o Durante o impedimento, o ex-dirigente ficará vinculado à agência, fazendo jus a remuneração compensatória equivalente 
à do cargo de direção que exerceu e aos benefícios a ele inerentes. § 3o Aplica-se o disposto neste artigo ao ex-dirigente exonerado a pedido, se 
este já tiver cumprido pelo menos seis meses do seu mandato.§ 4o Incorre na prática de crime de advocacia administrativa, sujeitando-se às penas 
da lei, o ex-dirigente que violar o impedimento previsto neste artigo, sem prejuízo das demais sanções cabíveis, administrativas e civis§ 5o Na 
hipótese de o ex-dirigente ser servidor público, poderá ele optar pela aplicação do disposto no § 2o, ou pelo retorno ao desempenho das funções de 
seu cargo efetivo ou emprego público, desde que não haja conflito de interesse. 
 Art. 9º Os Conselheiros e os Diretores somente perderão o mandatoem caso de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado ou de processo 
administrativo disciplinar. Parágrafo único. A lei de criação da Agência poderá prever outras condições para a perda do mandato. 
 
5 Retirado do site: https://jus.com.br/artigos/46453/o-poder-normativo-das-agencias-reguladoras-no-brasil 
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Parágrafo único. A Advocacia-Geral da União poderá solicitar aos órgãos e entidades públicas federais manifestação sobre 
a viabilidade técnica, operacional e financeira das obrigações a serem assumidas em termo de ajustamento de conduta, 
cabendo ao Advogado-Geral da União a decisão final quanto à sua celebração. 
 
Enquanto perdurar a vigência do correspondente termo de ajustamento de conduta, ficará suspensa, em relação aos fatos 
que deram causa a sua celebração, a aplicação de sanções administrativas de competência da agência reguladora à pessoa 
física ou jurídica que o houver firmado. 
 
Se for celebrado um TAC entre um dos legitimados para a ACP e uma empresa que atua no serviço regulado, a agência 
deverá ser comunicada. 
A agência reguladora deverá ser comunicada quando da celebração do termo de ajustamento de conduta a que se refere 
o § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347/85 (Lei da ACP), caso o termo tenha por objeto matéria de natureza regulatória de sua 
competência. 
Ex: a ANATEL deverá ser comunicada caso seja celebrado um TAC entre o MP e uma empresa de telefonia celular. 
 
f) autonomia econômico financeira: "o modelo de agências reguladoras comporta a atribuição de autonomia financeira, 
por meio de garantia de receitas vinculadas. Isso significaria a possibilidade de manutenção de sua estrutura e de seu 
funcionamento sem dependência de disputas políticas sobre a distribuição de verbas orçamentárias.”6 
 
Fundações Públicas São formadas pela destinação de um patrimônio público à criação de uma nova pessoa jurídica, 
então, se está diante de fundações que dependem de lei específica para sua criação, têm finalidade 
pública e integram à Administração Indireta do ente instituídor. 
 
A fundação é uma pessoa jurídica formada pela destinação de um patrimônio. As fundações podem 
ser privadas (constituídas com patrimônio privado e regidas pelo CC) ou públicas (constituídas pela 
destinação de patrimônio público, fazendo parte da Administração). 
 
PERSONALIDADE JURÍDICA DAS FUNDAÇÕES PÚBLICAS 
Divergência doutrinária: 
1ª corrente – Celso Antônio Bandeira de Mello – As fundações públicas terão sempre personalidade 
jurídica de direito público. 
2ª corrente – José dos Santos Carvalho Filho – As fundações públicas são constituídas sempre com 
personalidade jurídica de direito privado, na forma do DL 200. 
3ª corrente – majoritária – As fundações públicas podem ser constituídas com: 
✓ Personalidade jurídica de direito público: são as fundações autárquicas ou autarquias 
fundacionais – aplicam-se todas as regras relativas à autarquia, sendo, portanto, criadas por lei; OU 
✓ Personalidade jurídica de direito privado: são as fundações governamentais criadas para exercer 
atividade pública. Seguem regime misto/híbrido, ou sejam, não gozam das prerrogativas e garantias 
inerentes ao poder público, porém se submetem a todas as limitações aplicáveis ao Estado (ex: 
celebração de contratos depende de licitação, necessidade de concurso público, etc). A lei não cria, 
mas tão somente autoriza a sua criação. 
Seja de direito público ou de direito privado, segundo o art. 37, XIX CF, a lei complementar definirá 
as áreas de atuação das fundações públicas. Essa lei complementar é genérica e editada por cada 
ente federativo. A lei específica de cada fundação irá definir a sua finalidade dentro das áreas de 
atuação autorizadas pela lei complementar. 
 
 
 
 
 
 
6 JUSTEN FILHO, Marçal- Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Editora Fórum, 14ª ed.2009 
39 
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EMPRESA PÚBLICA SOC. DE ECONOMIA MISTA 
CAPITAL O capital é 100% público (pertencente a 
quaisquer entidades da Adm. Direta ou Adm. 
Indireta), sendo que a maioria do capital 
precisa pertencer a ente federativo. Não 
admitem participação societária de 
particulares. 
O capital é MISTO, sendo que a maioria do 
capital com direito a voto deve pertencer ao 
poder público (entidade da Adm. Direta ou 
da Adm. Indireta). 
FORMA SOCIETÁRIA Podem ser constituídas sob qualquer forma 
societária admitida em Direito. 
Sociedade anônima (S/A) 
DESLOCAMENTO DE 
COMPETÊNCIA DAS 
AÇÕES PARA A JF 
(art. 109, I, CF) 
Desloca a competência em razão da pessoa 
para a Justiça Federal. 
Ex: ação contra a CEF é julgada na Justiça 
Federal. 
Não desloca a competência para a Justiça 
Federal (Súmula 556 STF). 
Ex: ação contra a Petrobrás tramita, em 
regra, na Justiça Estadual, a não ser que a 
União ingresse no feito como assistente ou 
opoente. 
 
Empresas Estatais 
 REGIME JURÍDICO APLICÁVEL 
As empresas estatais (EP ou SEM) são criadas (e extintas) mediante autorização de lei específica. A criação se dá 
efetivamente com o registro dos atos constitutivos. Submetem-se ao controle finalístico pelos entes da Adm. Direta 
(supervisão ministerial). 
 
Além disso, as empresas estatais são pessoas jurídicas de direito privado. Isso significa dizer que NÃO se aplicam a elas 
as prerrogativas e garantias públicas. A CF estabelece que as empresas estatais seguem o mesmo regime aplicável às 
empresas privadas no que diz respeito: 
(i) às obrigações fiscais (não gozam de nenhum privilégio fiscal que não seja extensível à empresa privada); 
(ii) às obrigações trabalhistas (os servidores das estatais são regidos pela CLT, não seguem o regime jurídico único aplicável 
às entidades da Adm. Direta e às autarquias). Segundo a Súmula 390 TST, os servidores das empresas estatais não gozam 
de estabilidade. No entanto, segundo o STF, apesar de não terem estabilidade, a dispensa desses empregados precisa ser 
feita mediante motivação, pois se trata de ato administrativo; 
(iii) às obrigações civis e comerciais (celebram contratos privados); 
(iv) obrigações processuais (não têm nenhum privilégio processual que não seja extensível às empresas privadas). 
 
Exceção jurisprudencial: segundo o STF, a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) presta serviço postal, que é 
atividade exclusiva de Estado indelegável. Por isso, a ECT, apesar de ter sido criada antes da CF/88 como empresa pública, 
goza de regime de Fazenda Pública (tem imunidade tributária, privilégios processuais, etc). 
STF: A INFRAERO goza de imunidade tributária recíproca no exercício de sua atividade de infraestrutura aeroportuária. 
Info 888 STF (2018): As empresas públicas e sociedades de economia mista não têm direito à prerrogativa de execução 
via precatório. 
 
# Esse entendimento acima explicado é o que prevalece? 
A tese de julgamento acima foi bem redigida? NÃO!!! O que prevalece no STF é o seguinte: Em regra, as empresas estatais 
estão submetidas ao regime das pessoas jurídicas de direito privado (execução comum). No entanto, é possível sim 
aplicar o regime de precatórios para empresas públicas e sociedades de economia mista que prestem serviços públicos 
e que não concorram com a iniciativa privada (ex: Correios). Assim, é aplicável o regime dos precatórios às empresas 
públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não 
concorrencial. STF. 1ª Turma. RE 627242 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 
02/05/2017. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017. 
 
(Info 858). ATENÇÃO: Embora sejam pessoas jurídicas de direito privado, essas empresas estatais fazem parte da Adm. 
Pública. Por isso, essas EP e SEM precisam respeitar os princípios inerentes à Adm., que estabelecem limitações ao Estado. 
Ex: os contratos de EP, apesar de serem privados, em regra, dependem de licitação.40 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Ex2: os servidores da SEM, apesar de serem celetistas, devem ser aprovados mediante concurso público, não podem 
acumular cargos e, a princípio, devem respeitar o teto remuneratório (salvo se a estatal não receber dinheiro público nem 
para custeio, nem para pagamento de pessoal → nesses casos, a estatal pode pagar salário acima do teto). 
Nesse sentido, fala-se que o REGIME JURÍDICO DAS ESTATAIS É HÍBRIDO OU MISTO (não gozam das prerrogativas públicas, 
mas se sujeitam a todas as limitações aplicáveis ao Estado). 
 
 FINALIDADES 
a) Prestação de serviço público (descentralização): nesse caso, o regime jurídico se aproxima mais do Direito Público (ex: 
responsabilidade civil é objetiva; bens atrelados à prestação do serviço são impenhoráveis). 
b) Exploração de atividade econômica de interesse do Estado: mesmo nessas hipóteses, a finalidade é pública (não é 
possível criar empresa estatal com finalidade de lucro). O art. 173 CF dispõe que o Estado só pode explorar atividade 
econômica quando for necessário: (i) a relevante interesse coletivo; ou (ii) à garantia da segurança nacional. Nesse caso, 
o regime jurídico se aproxima mais do Direito Privado (ex: responsabilidade civil regida pelo direito privado; bens são 
passíveis de penhora). Ex: Banco do Brasil (SEM) foi criado para realizar uma regulamentação interna do mercado 
financeiro. 
 
 REGIME DE BENS 
Somente são públicos os bens das pessoas jurídicas de direito público, ou seja, independentemente do objeto da entidade, 
seus bens são privados. Especificadamente em relação as prestadoras de serviço público, os bens que estejam vinculados 
diretamente na prestação do serviço público sujeitam-se, total ou parcialmente, ao regime jurídico de direito público. Ex: 
impenhorabilidade e imprescritibilidade. 
 
 REQUISITOS DE TRANSPARÊNCIA (LEI 13.303/16) 
Consoante disposição legal, as EP e SEM deverão observar, no mínimo, os seguintes requisitos de transparência: 
a) Elaboração de carta anual, subscrita pelos membros do Conselho de Administração, com ampla divulgação anual; 
b) Adequação de seu estatuto social à autorização legislativa de sua criação; 
c) Divulgação tempestiva e atualizada de informações relevantes, em especial as relativas a atividades desenvolvidas; 
d) Elaboração de política de distribuição de dividendos, à luz do interesse público que justificou a criação da EP ou da SEM; 
e) Divulgação, em nota explicativa às demonstrações financeiras, dos dados operacionais e financeiros das atividades relacionadas à 
consecução dos fins de interesse coletivo ou de segurança nacional; 
f) Elaboração e divulgação da política de transações com partes relacionadas, em conformidade com os requisitos de competitividade, 
conformidade, transparência, equidade e comutatividade, que deverá ser revista, no mínimo, anualmente e aprovada pelo Conselho 
de Administração; 
g) Divulgação anual de relatório integrado ou de sustentabilidade. 
h) Para fins de controle interno, deve ser criado um Comitê de Auditoria Estatutário com no mínimo 3, e no máximo 5 membros, em 
sua maioria independentes, sendo que, ao menos 1 desses membros deve ter experiência em assuntos de contabilidade societária. 
i) Controvérsias entre os acionistas poderão ser solucionadas por meio de arbitragem; 
j) Criação de Conselho de Administração (com no mínimo 7 e no máximo 11 membros, sendo que todos deverão demonstrar 
experiência profissional, formação acadêmica compatível e não se enquadrar nas hipóteses de inelegibilidade) e Conselho Fiscal 
(composto por pessoas naturais, residentes no país, com formação acadêmica compatível, que tenham exercido por prazo mínimo de 
3 anos, cargo de direção ou assessoramento na adm. pública ou cargo de conselheiro fiscal ou administrador em empresa); 
k) O Conselho Diretivo deve ser composto por, no mínimo, 3 membros. 
 
 
 CRIAÇÃO DE SUBSIDIÁRIAS PELAS EMPRESAS ESTATAIS 
É possível que sejam criadas empresas subsidiárias às empresas estatais (art. 37, XX CF). Nesses casos, a CF determina que 
a criação das empresas subsidiárias depende de autorização de lei específica. As subsidiárias não integram a Adm. Indireta, 
são empresas criadas para contratar com a empresa estatal e auxiliá-la na melhor execução da sua atividade-fim. 
Ex: Banco do Brasil tem a Brasil Previ, que atua na atividade de previdência privada e auxilia o banco nas suas atividades 
financeiras. 
STF: é dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas subsidiárias, desde que haja previsão para esse fim 
na própria lei que instituiu a empresa de economia mista ou a EP matriz, em vista que a lei criadora é a própria medida 
autorizadora. 
 
 REGIME DE FALÊNCIA 
A princípio, o regime de falência e recuperação judicial NÃO se aplica às empresas estatais (art. 2º da Lei 11.101/05). 
Porém, o art. 173 CF diz que as empresas estatais que exploram atividade econômica seguem o mesmo regime das 
empresas privadas no que tange às obrigações comerciais, inclusive o regime falimentar. Portanto, o regime de falência 
41 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
e recuperação judicial será aplicado às empresas estatais que exploram atividade econômica. Trata-se de interpretação 
conforme da Lei 11.101/05. 
 
 RESPONSABILIDADE CIVIL 
Se a estatal prestar serviço público, ela seguirá a regra do art. 37, §6º CF e o Estado terá responsabilidade subsidiária 
quando o dano for causado por essa entidade. Se a estatal for exploradora de atividade econômica, a responsabilidade 
civil será regida pelo Direito Civil, que determinará os casos em que a responsabilidade será objetiva ou subjetiva. Nesse 
caso, o Estado não responde subsidiariamente. 
 
Info 755 STF: É CONSTITUCIONAL lei estadual que condiciona a nomeação dos dirigentes de AUTARQUIAS e FUNDAÇÕES 
à prévia aprovação da Assembleia Legislativa. Por outro lado, é INCONSTITUCIONAL exigir essa prévia aprovação da ALE 
se os dirigentes forem de EMPRESAS PÚBLICAS e SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. 
 
Infos 812 e 858 STF (2017): As sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de atuação própria do Estado 
e de natureza não concorrencial (ex: SEM prestadora de serviços de abastecimento de água e saneamento que prestava 
serviço público primário e em regime de exclusividade sem objetivo de lucro e com o capital social majoritariamente 
estatal) submetem-se ao regime de precatório. Segundo o STF, para que a SEM goze dos privilégios da Fazenda Pública, é 
necessário que ela não atue em regime de concorrência com outras empresas e que não tenha objetivo de lucro. 
 
Info 853 STF (2017): É válida a penhora em bens de pessoa jurídica de direito privado, realizada anteriormente à sucessão 
desta pela União, não devendo a execução prosseguir mediante precatório (art. 100, caput e § 1º, da Constituição Federal). 
 
Info 942 STF (2019): IMPORTANTE!!! A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia 
mista exige autorização legislativa e licitação. Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a alienação do 
controle de suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, 
desde que siga procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da CF/88, 
respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade. 
 
Alienação de participação societária é privatização 
Para o Min. Ricardo Lewandowski, a alienação de participação societária, inclusive de controle acionário, é uma forma clássica de 
privatização. Isso porque se o Poder Público perde o controle acionário da entidade, ou seja, se o controle acionário da sociedade de 
economia mista passa para a iniciativa privada, essa entidade deixa de ser uma sociedade de economia mista. 
Assim, como a perda do controle acionário é equiparado à extinção da sociedade de economia mista, essa operação precisa de 
autorização(art. 5º, XXXV, CF). 
4 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
✓ Função de Governo – São funções que não podem ser enquadradas em nenhuma das acima. É a função que regula a 
atuação superior do Estado. Ex: estado de defesa ou de estado de sítio, iniciativa de lei, sanção e veto do presidente, 
declaração de guerra, celebração de paz (mas há divergências quanto a essa classificação). 
FUNÇÃO ATÍPICA – é a função secundária do poder. EXEMPLO: legislativo fazendo licitação; Executivo editando medida 
provisória; judiciário fazendo licitação. 
Divisão da Administração Pública 
Pode ser dividida em: 
a) ADMINISTRAÇÃO FORMAL ou ORGÂNICA ou SUBJETIVA = conjunto de agentes, órgãos e pessoas jurídicas destinadas à 
execução das atividades administrativas. Compreende pessoas jurídicas (entidades), órgãos e agentes públicos incumbidos 
de exercer a função administrativa. 
 
b) ADMINISTRAÇÃO MATERIAL ou FUNCIONAL ou OBJETIVA = é a atividade administrativa propriamente dita. Corresponde 
ao conjunto de funções ou atividades administrativas que são públicas, consistentes em realizar concreta, direta e 
imediatamente os fins constitucionalmente atribuídos ao Estado. Assim, a função administrativa (administração pública em 
sentido objetivo, material ou funcional) engloba: (1) a prestação de serviços públicos; (2) o exercício do poder de polícia; (3) 
a intervenção no domínio econômico; (4) a atividade de fomento (como, p. ex., o incentivo que se dá a entidades como o 
SESC, SENAI, SEBRAE etc.). 
 
O que é administração dialógica? Em sentido amplo, a administração dialógica diz respeito a qualquer intervenção do 
particular na atividade estatal (ex1: audiências públicas em licitações; ex2: concessionárias de serviços públicos). Em sentido 
restrito (entendimento adotado no Brasil), a adm. dialógica está presente nas hipóteses em que o particular dialoga com o 
Estado sem finalidades lucrativas, tais como as entidades do Terceiro Setor (concessionárias de serviços públicos não 
serviriam como exemplos). 
 
Segundo ensina José dos Santos Carvalho Filho, para a identificação da função administrativa, os autores têm se valido de 
critérios de três ordens: 
 
CRITÉRIO SUBJETIVO (ORGÂNICO) Avaliado a partir do sujeito/agente da função 
CRITÉRIO OBJETIVO (MATERIAL) Examina o conteúdo da atividade exercida 
CRITÉRIO FORMAL Examina o regime jurídico aplicável 
 
Escolas que buscam conceituar o Direito Administrativo 
Escola Legalista Também conhecida como escola exegética/ empírica/ caótica → Para essa escola, o direito 
administrativo era apenas um estudo de leis – compilação e estudo de leis. Essa escola não 
prosperou. 
A ideia que prosperou é aquela no sentido de que o direito administrativo estuda além das leis, 
princípios. Essa ideia é a utilizada até os dias de hoje. Após esse conceito, várias teorias surgiram 
para conceituar direito administrativo, a partir da ideia de que Direito administrativo estuda leis e 
princípios 
Critério do Poder 
Executivo 
Para essa escola, o direito administrativo estudava somente o poder executivo. Esta escola 
também não é mais adotada, tendo em vista que o direito administrativo também estuda os 
poderes legislativo e judiciário, desde que eles estejam no exercício de atividade administrativa. 
Critério das Relações 
Jurídicas 
Essa escola dizia que o direito administrativo estudava todas as relações jurídicas do Estado. Esse 
critério também não foi aceito no Brasil, pois é um conceito amplo demais. 
Critério Teleológico 
ou Finalístico 
Para essa escola, o direito administrativo é um conjunto harmônico de princípios que regem as 
atividades do Estado na consecução dos seus fins. Esse critério teleológico foi aceito no Brasil por 
Oswaldo Aranha Bandeira de Melo, mas foi dito insuficiente, pois o direito administrativo não é só 
um conjunto de princípios. 
Critério Negativista 
ou Residual 
Segundo essa escola, o conceito de direito administrativo é residual, após a exclusão das funções 
legislativa e judicial do Estado. Esse critério foi aceito no Brasil, mas também foi tido por 
5 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
insuficiente, tendo em conta que nem todo o resto das atividades do Estado (com exclusão das 
funções legislativa e jurisdicional) é direito administrativo. 
Critério do Serviço 
Público 
Para essa escola, o direito administrativo estuda o serviço público. Na época desta escola, toda 
atividade do estado era chamada de serviço público (inclusive, por exemplo, atividades comerciais, 
industriais, etc). Mas esse conceito, por ser amplo demais, não prosperou. 
Critério de distinção 
da atividade jurídica 
do Estado e da 
atividade Social do 
Estado 
Para essa escola o direito administrativo não se preocupa com a atividade social do Estado, como, 
p.ex., estudo de políticas públicas. O direito administrativo, segundo esta ideia, estuda as questões 
jurídicas relacionadas à atividade do Estado. Esse critério foi aceito no Brasil, mas também tido por 
insuficiente. 
 
Critério da 
Administração Pública 
É o critério mais aceito no Brasil. Esse critério foi inserido no Brasil por Hely Lopes Meirelles e é o 
mais adotado no Brasil. Para este autor: Direito Administrativo é um conjunto harmônico de 
princípios e regras, que formam o regime jurídico administrativo e que rege os agentes, os órgãos 
e as entidades no exercício da atividade administrativa, tendente a realizar, de forma direta, 
concreta, e imediata os fins desejados pelo Estado. Assim, realizar os fins de forma: 
- Direta = “atividade independente de provocação”. Com isso, afasta-se do conceito a atividade 
indireta do estado, ou seja, aquela que depende de provocação: a função jurisdicional do Estado. 
- Concreta = a atividade terá destinatários determinados, com efeitos concretos. Exclui-se, assim, 
a função abstrata do Estado: a função legislativa. 
- Imediata, o que é diferente de forma mediata, que é a atividade social. A função imediata diz 
respeito à atividade jurídica do Estado. 
Diógenes Gasparini elenca seis principais correntes que buscam identificar um conceito para o Direito Administrativo: 
CRITÉRIO LEGALISTA É o conjunto de legislação administrativa. 
CRITÉRIO DO PODER 
EXECUTIVO 
É o complexo de leis que disciplinam o exercício do Poder Executivo. 
CRITÉRIO DAS RELAÇÕES 
JURÍDICAS 
É a disciplina das relações jurídicas travadas entre a Administração Pública e os 
particulares. 
CRITÉRIO DO SERVIÇO 
PÚBLICO 
É a disciplina jurídica dos serviços públicos. 
CRITÉRIO FINALÍSTICO É o conjunto de atividades voltadas a executar os fins do Estado. 
CRITÉRIO NEGATIVISTA Identifica o Direito Administrativo a partir de um critério residual ou por exclusão. 
*(Atualizado em 02/02/2021) 
CRITÉRIO FUNCIONAL 
Direito Administrativo é o ramo jurídico que estuda a disciplina normativa da função 
administrativa, independentemente de quem esteja encarregado de exercê-la: Executivo, 
Legislativo, Judiciário ou particulares mediante delegação estatal. A doutrina majoritária 
tem apontado no sentido de utilizar o critério funcional como o mais eficiente na definição 
da matéria. 
#OUSESABER: Qual a diferença de Administração Dialógica e Administração Monológica? 
A Administração Dialógica é uma tendência no direito administrativo moderno, fundada no princípio da consensualidade, 
que permite uma abertura de diálogo com os administrados, permitindo que haja uma legitimação efetiva da atuação 
administrativa, tal como ocorre na realização de audiências públicas para colher as opiniões da sociedade civil sobre 
determinado tema. Percebe-se, assim, uma participação efetiva de todos os agentes que venham a ser atingidos pela 
atuação estatal. Esta forma de administração se opõe à chamada Administração Monológica, em que os administrados 
atuam como meros espectadores na formação normativa, não estando aptos a contribuir efetivamente como co-
construtores das situações jurídicas que regerão a sualegislativa. O STF possui, portanto, julgados afirmando ser imprescindível a autorização legislativa para que ocorra a 
transferência do poder de controle de sociedades de economia mista. 
Acompanhe o raciocínio: 
• o art. 37, XIX, da CF/88, afirma que somente por lei específica poderá ser autorizada a instituição de empresa pública ou de sociedade 
de economia mista; 
• a alienação do controle acionário de empresas públicas ou de sociedades de economia mista é equiparada à extinção da empresa 
pública ou da sociedade de economia mista; 
• por força do paralelismo das formas, somente por lei poderá ser autorizada a extinção de empresa pública ou de sociedade de 
economia mista; 
• logo, somente por lei poderá ser autorizada a alienação do controle acionário de empresa pública ou de sociedade de economia 
mista. 
Entendi o motivo de se exigir autorização legislativa. Mas, e por que é necessária a licitação para a alienação do controle acionário? 
Por que não se aplica a dispensa do art. 29, VIII, da Lei nº 13.303/2016? 
Art. 29. É dispensável a realização de licitação por empresas públicas e sociedades de economia mista: 
(...) XVIII - na compra e venda de ações, de títulos de crédito e de dívida e de bens que produzam ou comercializem. 
O art. 4º, I e § 3º, da Lei nº 9.491/97, ainda vigente, exige, nos procedimentos de desestatizações, que a alienação de participação 
societária, inclusive de controle acionário, seja feito por meio de licitação. Essa disposição da Lei nº 9.491/97 é mais consentânea com 
a vontade do legislador constituinte. 
 
Por que existe esse tratamento diferenciado para a alienação do controle societário das subsidiárias e controladas? 
Porque é desnecessária a autorização legislativa expressa para a criação de subsidiárias quando houver autorização 
legislativa da criação de empresa pública ou sociedade de economia mista e nesta constar permissão genérica da 
possibilidade de criação de subsidiárias (ADI 1649). Assim, não se exige lei específica para autorizar a criação de subsidiária 
e, pelo princípio do paralelismo das formas, também não se exige lei específica para a sua alienação. 
 
42 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Entidades do 
Terceiro 
Setor 
São os chamados entes de cooperação ou paraestatais: entidades que não integram a Administração 
Pública, atuando ao lado do Estado. São entidades privadas sem finalidade lucrativa, que atuam na 
prestação de serviços de interesse público. 
As paraestatais criam vínculos com o poder público para receber benefícios, submetendo-se ao controle 
do Estado. A doutrina costuma chamada isso de “administração dialógica” (diálogo travado entre o 
Estado e o particular para auxiliar na prestação de serviços de interesse público). 
Obs: O foro competente para processar e julgar as causas que envolvem as entidades do Terceiro Setor, 
inclusive aquelas que formalizam parcerias com a União, é a Justiça Estadual. Em relação, aos Serviços 
Sociais Autônomos, que recebem recursos federais (contribuições sociais) a questão foi consolidada pela 
Súmula 516 STF, que também está sujeito à jurisdição da Justiça Estadual. 
 
De acordo com Rafael Maffini “administração pública dialógica” é uma noção jurídica pela qual se busca 
impor como condição para a atuação administrativa a prévia realização de um verdadeiro e efetivo 
diálogo com todos aqueles que terão suas esferas de direitos atingidas por essa atuação estatal. 
Esta expressão – Administração Dialógica – ocorre com a criação de parcerias entre o Estado e o particular 
com o fito de satisfazer as necessidades coletivas com a implantação e ampliação de políticas públicas. 
Para que ocorra o efetivo diálogo é necessário que sejam implementadas políticas que privilegiam 
técnicas, métodos e instrumentos negociais, possibilitando que o cidadão seja ouvido e possa, em grupo, 
definir os rumos da sociedade que integra. 
Neste sentido, a Lei 8.666/93 traz previsão de participação popular, mediante consulta pública, para a 
realização de procedimentos licitatórios cujo montante do contrato administrativo a ser celebrado 
apresenta-se como muito elevado. Vejamos a redação da lei geral das licitações: 
Art. 39. Sempre que o valor estimado para uma licitação ou para um conjunto de licitações simultâneas 
ou sucessivas for superior a 100 (cem) vezes o limite previsto no art. 23, inciso I, alínea “c” desta Lei, o 
processo licitatório será iniciado, obrigatoriamente, com uma audiência pública concedida pela 
autoridade responsável com antecedência mínima de 15 (quinze) dias úteis da data prevista para a 
publicação do edital, e divulgada, com a antecedência mínima de 10 (dez) dias úteis de sua realização, 
pelos mesmos meios previstos para a publicidade da licitação, à qual terão acesso e direito a todas as 
informações pertinentes e a se manifestar todos os interessados. 
Outro exemplo legislado muito emblemático sobre a administração dialógica é o Estatuto das Cidades (Lei 
10.257/2001) que traz um capítulo inteiro denominado “Da Gestão Democrática da Cidade”. Assim está 
disposto neste diploma legal: 
CAPÍTULO IV DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA CIDADE 
Art. 43. Para garantir a gestão democrática da cidade, deverão ser utilizados, entre outros, os seguintes instrumentos: 
I – órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, estadual e municipal; 
II – debates, audiências e consultas públicas; 
III – conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos níveis nacional, estadual e municipal; 
IV – iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano; 
Além de consectário do direito fundamental à boa administração pública, a noção de administração pública dialógica 
pode ser considerada também uma decorrência do princípio da segurança jurídica, mais especificamente da noção 
de proteção da confiança ou das expectativas legítimas, conforme explica Rafael Maffini: 
43 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
[…] a noção de “administração pública dialógica”, do qual se colocam em posição proeminente primados jurídicos de 
relevância ímpar, tais como o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa, a noção de participação, entre 
outros aspectos dotados de status constitucional, pode ser igualmente considerado uma decorrência lógica da noção 
de “proteção da confiança”. 
Desta forma, percebe-se que a moderna noção de Administração Pública é aquela que busca, na maior 
medida possível, aproximar-se do cidadão, promovendo uma constante interlocução e diálogo com estes, 
aproveitando ao máximo essa proximidade como forma de ampliar a eficiência administrativa e, 
sobretudo, realizar os direitos e garantias individuais dos cidadãos. 
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS (SISTEMA “S”) 
Ex: SESI, SENAI, SENAC, etc. 
Atuam na assistência, na capacitação, no ensino e no fomento de determinadas categorias profissionais e 
sociais. Embora sejam entidades privadas, a criação dessa entidade depende de lei específica autorizativa. 
Os Serviços Sociais Autônomos podem receber benefícios do Estado de 3 formas: 
a) Por destinação de verba orçamentária; 
b) Parafiscalidade (capacidade tributária) através da cobrança de contribuições, instituídas pela União 
(art. 149 CRFB), dos associados com natureza tributária. 
c) Cessão de servidores (art. 93 da Lei 8.112/90). 
Sujeitam-se ao controle exercido pelo Tribunal de Contas (art. 71, II CRFB) e pelo ente da Adm. Direta. 
Além disso, quando o ente do serviço social autônomo quiser celebrar contrato, ele deve realizar 
procedimento licitatório simplificado, garantindo a impessoalidade da contratação. 
Info 759 STF: os Serviços Sociais Autônomos NÃO precisam realizam concurso público para contratar seu 
pessoal. 
Info 720 STF: os Serviços Sociais Autônomos gozam de imunidade tributária, já que o art. 150, VI, “c” CRFB 
prevê que as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, gozam de imunidadetributária quanto aos impostos. Assim, se o SENAC adquire um terreno para a construção de sua sede, já 
havendo inclusive projeto nesse sentido, deverá incidir a imunidade nesse caso, considerando que o 
imóvel será destinado às suas finalidades essenciais. 
 
ENTIDADES DE APOIO 
São entidades privadas, sem fins lucrativos criadas por particulares (sem a necessidade de lei). Atuam ao 
lado dos hospitais públicos ou universidades públicas, auxiliando a atividade dessas entidades na 
pesquisa, no ensino, na extensão, no apoio aos próximos servidores. 
Ex: ao lado da Universidade Federal da Bahia, temos a FAPEX (fundação privada de apoio à pesquisa e à 
extensão universitária). 
Muitas vezes, essas entidades são criadas pelos próximos servidores, podendo ser: cooperativas, 
associações ou fundações privadas. Essas entidades através da celebração de convênios criam vínculos 
jurídicos com o Estado, tornando-as entidades de apoio de forma a receber verba orçamentária pública 
e se beneficiar com a cessão de bens e servidores das entidades públicas que auxiliam. 
Submetem-se ao controle do Tribunal de Contas e da entidade da Adm. Pública. As contratações feitas 
dependem de procedimento licitatório simplificado. 
ORGANIZAÇÕES SOCIAIS (LEI 9.637/98) 
Podem ser conceituadas como entidades privadas sem fins lucrativos criadas por particulares (não há 
necessidade de lei). 
Atuam na prestação de serviços públicos não exclusivos do Estado (ex: saúde, educação, previdência, etc). 
Esses serviços são prestados pelas OS sem a necessidade de delegação, ou seja, as OS não são delegatárias 
de serviços públicos. 
A qualificação é concedida pelo Ministro do Planejamento em conjunto com o Ministro na qual atua a 
pessoa jurídica que pretende a qualificação de OS. 
ATENÇÃO: Mesmo preenchendo todos os requisitos, os Ministros podem decidir não conceder o título, 
pois essa é uma decisão discricionária, na qual se avalia a oportunidade e conveniência de se conceder. 
As entidades podem celebrar com o poder público um contrato de gestão para o cumprimento de metas 
de desempenho e recebimento de benefícios públicos. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
As OS podem ter uma rubrica orçamentária própria (especificamente destacada para elas) e gozam da 
cessão de bens públicos (por meio de permissão de uso) e servidores. 
Além do controle do Tribunal de Contas, as OS se submetem a um controle interno, tendo em vista que 
o Conselho de Administração (conselho responsável por dirigir e organizar a OS) das OS tem a participação 
obrigatória de agentes públicos. 
As organizações sociais podem ser contratadas, com dispensa de licitação, para prestarem serviço a 
órgãos e entidades da Administração Pública (art. 24, XXIV Lei 8.666/93). Desse modo, quando a 
Administração contratar serviços a serem prestados pelas OS, está dispensada de licitar, desde que aquela 
atividade esteja prevista no contrato de gestão. 
As OS não precisam realizar concurso público para a contratação de seu pessoal, porém o STF exigiu que 
as OS, quando forem contratar seus funcionários, deverão fazer um procedimento objetivo e impessoal. 
OSCIPS (ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO – LEI 9790/99) 
São entidades privadas sem finalidade lucrativa, em regular funcionamento há no mínimo 3 anos, que 
atuam na prestação de serviços públicos não exclusivos do Estado. 
A qualificação da pessoa jurídica como OSCIP é concedida pelo Ministério da Justiça e trata-se de ato 
vinculado. 
O que muda em relação às OS é o vínculo estabelecido com o Estado, já que na OSCIP esse vínculo será 
constituído por meio da celebração de termo de parceria. A lei não prevê cessão de bens, nem de 
servidores. O termo de parceria pode determinar a destinação de verba orçamentária para a OSCIP. 
As OSCIPs submetem-se ao controle do Tribunal de Contas e, diferentemente das OS, a presença de 
servidores públicos no Conselho da Administração é facultativa. 
Para a celebração de contratos com terceiros, as OSCIPs devem realizar licitação. 
A lei diz que NÃO podem se qualificar como OSCIP: 
(i) sociedades empresárias; 
(ii) OS; 
(iii) cooperativas; 
(iv) sindicatos; 
(v) entidades religiosas; 
(vi) partidos políticos; 
(vii) fundações públicas; 
Atualmente, é pacífico o entendimento que pode haver remuneração dos dirigentes da OSCIP, desde que 
seja remuneração fixa e desde que se dê após a celebração de contrato de emprego. 
OSC (ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL – LEI 13.019/14) 
São entidades privadas sem fins lucrativos criadas por particulares que atuam na prestação de serviços 
públicos não exclusivos do Estado. A OSC pode celebrar com o poder público termo de colaboração, 
termo de fomento ou acordo de cooperação. 
O termo de colaboração tem como característica o fato de que o plano de trabalho é proposto pela Adm. 
Pública em regime de mútua cooperação. 
Já no termo de fomento, o plano de trabalho é proposto pela entidade privada em regime de mútua 
cooperação. A partir da celebração desse termo de colaboração ou de fomento, a entidade é beneficiada 
com a destinação de verba orçamentária. No acordo de cooperação, não há a transferência de recursos 
públicos. 
Podem ser OSCs cooperativas e entidades religiosas. 
A Lei 13.019/14 prevê a possibilidade de um procedimento de manifestação de interesse social: 
organizações da sociedade civil, movimentos sociais e cidadãos poderão apresentar propostas ao poder 
público para que este avalie a possibilidade de realização de um chamamento público objetivando a 
celebração de parceria. 
A lei supracitada exige o procedimento de chamamento público para a celebração do temo de cooperação 
ou de fomento mediante a publicação do edital no site do órgão interessado, classificação das propostas, 
habilitação da entidade, encerramento, homologação e adjudicação. Existem, porém, hipóteses de 
inexigibilidade (quando há inviabilidade de competição) e de dispensa desse procedimento. 
A OSC submete-se ao controle do Tribunal de Contas e também da entidade da Adm. Direta que celebrou 
o termo de colaboração ou termo de fomento (controle de objeto e de finanças). 
 
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Juris 
selecionadas 
(Buscador) 
- São constitucionais os incisos III e VII do art. 8º-A, da Lei 9.986/2000 
A Lei nº 9.986/2000 dispõe sobre a gestão de recursos humanos das Agências Reguladoras. Os art. 8º-A 
prevê algumas pessoas que são proibidas de integrar o Conselho Diretor ou a Diretoria Colegiada das 
agências reguladoras. Veja as hipóteses dos incisos III e VII: Art. 8º-A. É vedada a indicação para o Conselho 
Diretor ou a Diretoria Colegiada: III - de pessoa que exerça cargo em organização sindical; VII - de membro 
de conselho ou de diretoria de associação, regional ou nacional, representativa de interesses patronais ou 
trabalhistas ligados às atividades reguladas pela respectiva agência. 
O STF declarou que esses incisos são constitucionais. É constitucional dispositivo legal que veda a 
indicação de pessoa que exerça cargo em organização sindical ou que seja membro de conselho ou 
diretoria de associação patronal ou trabalhista para a alta direção das agências reguladoras. STF. 
Plenário. ADI 6276/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17/9/2021 (Info 1030). 
 
- É constitucional a LC 179/2021, que conferiu autonomia ao Banco Central do Brasil 
É constitucional a Lei Complementar nº 179/2021, que definiu os objetivos e conferiu autonomia ao Banco 
Central do Brasil, além de ter tratado sobre a nomeação e a exoneração de seu presidente e de seus 
diretores. 
STF. Plenário. ADI 6696/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, 
julgado em 26/8/2021 (Info 1027). 
 
- É dispensável a autorização legislativa para a alienação de controle acionário de empresas subsidiária 
É desnecessária a autorização legislativa expressa para a criação de subsidiárias quandohouver 
autorização legislativa da criação de empresa pública ou sociedade de economia mista e nesta constar 
permissão genérica da possibilidade de criação de subsidiárias. Assim, não se exige lei específica para 
autorizar a criação de subsidiária. Com base no paralelismo das formas, como não é exigida lei específica 
para criar a subsidiária, também não é necessária lei específica para alienar o seu controle acionário. Em 
palavras mais simples: como não se exige lei específica para criar, também não se exige lei específica para 
“vender”. STF. Plenário. ADPF 794/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/5/2021 (Info 1018). 
 
- É desnecessária, em regra, lei específica para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa 
pública em programa de desestatização 
O art. 37, XIX, da CF/88 afirma que é necessária a edição de uma lei específica para se autorizar a instituição 
de uma sociedade de economia mista ou uma empresa pública. Para que ocorra a desestatização da 
empresa estatal também necessária lei específica ou basta uma autorização genérica prevista em lei que 
veicule programa de desestatização? A Lei nº 9.491/97 tratou sobre o Programa Nacional de 
Desestatização e autorizou a desestatização de empresas estatais. Essa lei genérica é suficiente? Em regra, 
sim. É desnecessária, em regra, lei específica para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa 
pública em programa de desestatização. Não se aplica o princípio do paralelismo das formas. Exceção: em 
alguns casos a lei que autorizou a criação da empresa estatal afirmou expressamente que seria necessária 
lei específica para sua extinção ou privatização. Nesses casos, obviamente, não é suficiente uma lei 
genérica (não basta a Lei nº 9.491/97), sendo necessária lei específica. STF. Plenário. ADI 6241/DF, Rel. 
Min. Cármen Lúcia, julgado em 6/2/2021 (Info 1004). 
 
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- Fundação pública com personalidade jurídica de direito privado pode adotar o regime celetista para 
contratação de seus empregados (Info 997 STF). 
 
- Petrobrás pode criar subsidiárias e, em seguida, alienar o controle acionário delas sem licitação e sem 
autorização legislativa específica Caso concreto: a Petrobrás elaborou um plano de desinvestimento por 
meio do qual ela decidiu vender 8 refinarias. Para isso, a Petrobrás criou subsidiárias que passaram a ser 
as proprietárias dessas refinarias e, em seguida, o controle acionário dessas subsidiárias será alienado, sem 
licitação e sem prévia autorização legislativa. Desse modo, na prática, é como se a Petrobrás estivesse 
alienando as refinarias. O STF afirmou que essa prática é legítima. A específica autorização legislativa 
somente é obrigatória na hipótese de alienação do controle acionário de sociedade de economia mista 
(empresa-mãe). Não há necessidade dessa prévia e específica anuência para a criação e posterior alienação 
de ativos da empresa subsidiária, dentro de um elaborado plano de gestão de desinvestimento, voltado 
para garantir maiores investimentos e, consequentemente, maior eficiência e eficácia da empresa-mãe. 
Isso porque a inexistência de expressa proibição ou limitação de alienação societária em relação à 
autorização legislativa genérica para a criação de subsidiárias corresponde à concessão, pelo Congresso 
Nacional ao Poder Executivo, de um importante instrumento de gestão empresarial, para garantir a 
eficiência e a eficácia da sociedade de economia mista no cumprimento de suas finalidades societárias. 
Portanto, na criação ou extinção de subsidiárias, o preceito maior de gestão empresarial que deve ser 
seguido é garantir a melhor atuação, eficiência e eficácia da empresa-mãe. STF. Plenário. Rcl 42576 MC/DF, 
rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 30/9 e 1º/10/2020 (Info 
993). 
 
- Contratação de empregados de conselhos profissionais pela CLT é constitucional (STF). 
 
- Enunciado 5 da I Jornada de Direito Administrativo: O conceito de dirigentes de organização da 
sociedade civil estabelecido no artigo 2º, inciso IV, da Lei Federal n. 13.019/2014 contempla profissionais 
com a atuação efetiva na gestão executiva da entidade, por meio do exercício de funções de administração, 
gestão, controle e representação da pessoa jurídica, e, por isso, não se estende aos membros de órgãos 
colegiados não executivos, independentemente da nomenclatura adotada pelo estatuto social. 
 
- Enunciado 8 da I Jornada de Direito Administrativo: O exercício da função social das empresas estatais 
é condicionado ao atendimento da sua finalidade pública específica e deve levar em conta os padrões de 
eficiência exigidos das sociedades empresárias atuantes no mercado, conforme delimitações e orientações 
dos §§ 1º a 3º do art. 27 da Lei 13.303/2016. 
 
- Enunciado 9 da I Jornada de Direito Administrativo: Em respeito ao princípio da autonomia federativa 
(art. 18 da CF), a vedação ao acúmulo dos títulos de OSCIP e OS prevista no art. 2º, inc. IX, c/c art. 18, §§ 
1º e 2º, da Lei n. 9.790/1999 apenas se refere à esfera federal, não abrangendo a qualificação como OS 
nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios. 
 
- Enunciado 11 da I Jornada de Direito Administrativo: O contrato de desempenho previsto na Lei 
13.934/2019, quando celebrado entre órgãos que mantêm entre si relação hierárquica, significa a 
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suspensão da hierarquia administrativa, por autovinculação do órgão superior, em relação ao objeto 
acordado, para substituí-la por uma regulação contratual, nos termos do art. 3º da referida Lei. 
 
- Enunciado 13 da I Jornada de Direito Administrativo: As empresas estatais são organizações públicas 
pela sua finalidade, portanto, submetem-se à aplicabilidade da Lei 12.527/2011 “Lei de Acesso à 
Informação “, de acordo com o art. 1º, parágrafo único, inc. II, não cabendo a decretos e outras normas 
infralegais estabelecer outras restrições de acesso a informações não previstas na Lei. 
 
- Enunciado 14 da I Jornada de Direito Administrativo: A demonstração da existência de relevante 
interesse coletivo ou de imperativo de segurança nacional, descrita no § 1º do art. 2º da Lei 13.303/2016, 
será atendida por meio do envio ao órgão legislativo competente de estudos/documentos (anexos à 
exposição de motivos) com dados objetivos que justifiquem a decisão pela criação de empresa pública ou 
de sociedade de economia mista cujo objeto é a exploração de atividade econômica. 
 
- Enunciado 22 da I Jornada de Direito Administrativo: A participação de empresa estatal no capital de 
empresa privada que não integra a Administração Pública enquadra-se dentre as hipóteses de 
“oportunidades de negócio” prevista no art. 28, § 4º, da Lei 13.303/2016, devendo a decisão pela referida 
participação observar os ditames legais e os regulamentos editados pela empresa estatal a respeito desta 
possibilidade. 
 
- Enunciado 24 da I Jornada de Direito Administrativo: Viola a legalidade o regulamento interno de 
licitações e contratos editado por empresa estatal de qualquer ente da federação que estabelece prazo 
inferior ao previsto no art. 83, § 2º, da Lei n. 13.303/2016, referente à apresentação de defesa prévia no 
âmbito de processo administrativo sancionador. 
 
- Enunciado 25 da I Jornada de Direito Administrativo: A ausência de tutela a que se refere o art. 3º, caput, 
da Lei 13.848/2019 impede a interposição de recurso hierárquico impróprio contra decisões finais 
proferidas pela diretoria colegiada das agências reguladoras, ressalvados os casos de previsão legal 
expressa e assegurada, em todo caso, a apreciação judicial, em atenção ao disposto no art. 5º, XXXV, da 
Constituição Federal. 
 
- Enunciado 27 da I Jornada de Direito Administrativo: A contratação para celebração de oportunidade 
de negócios, conforme prevista pelo art. 28, § 3º, II, e § 4º da Lei n. 13.303/2016 deverá ser avaliadade 
acordo com as práticas do setor de atuação da empresa estatal. A menção à inviabilidade de competição 
para concretização da oportunidade de negócios deve ser entendida como impossibilidade de comparação 
objetiva, no caso das propostas de parceria e de reestruturação societária e como desnecessidade de 
procedimento competitivo, quando a oportunidade puder ser ofertada a todos os interessados. 
- Enunciado 30 da I Jornada de Direito Administrativo: A "inviabilidade de procedimento competitivo" 
prevista no art. 28, § 3º, inc. II, da Lei n. 13.303/2016 não significa que, para a configuração de uma 
oportunidade de negócio, somente poderá haver um interessado em estabelecer uma parceria com a 
empresa estatal. É possível que, mesmo diante de mais de um interessado, esteja configurada a 
inviabilidade de procedimento competitivo. 
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- Enunciado 38 da I Jornada de Direito Administrativo: A realização de Análise de Impacto Regulatório 
(AIR) por órgãos e entidades da Administração Pública federal deve contemplar a alternativa de não 
regulação estatal ou desregulação, conforme o caso. 
- A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) não está submetida ao regime 
constitucional dos precatórios (Info 984 STF). 
 
- Treinador ou instrutor de tênis não precisa ser inscrito no Conselho Regional de Educação Física (Info 
667 STJ). 
 
- É inconstitucional norma de Constituição Estadual que exija prévia arguição e aprovação da Assembleia 
Legislativa para que o Governador do Estado nomeie os dirigentes das autarquias e fundações públicas, 
os presidentes das empresas de economia mista e assemelhados, os interventores de Municípios, bem 
como os titulares da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral do Estado. STF. Plenário. ADI 2167/RR, 
rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 3/6/2020 (Info 
980 STF). 
 
- É inconstitucional a suspensão do exercício profissional em razão do inadimplemento de anuidades 
devidas à entidade de classe (Info STF 978). 
 
- A anuidade cobrada pela OAB possui natureza tributária? Os Tribunais Superiores divergem sobre o 
tema: STJ: NÃO Os créditos decorrentes da relação jurídica travada entre a OAB e os advogados não 
compõem o erário e, consequentemente, não têm natureza tributária. STJ. 1ª Turma. REsp 1574642/SC, 
Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 16/02/2016. STF: SIM As anuidades cobradas pelos conselhos 
profissionais caracterizam-se como tributos da espécie contribuições de interesse das categorias 
profissionais, nos termos do art. 149 da Constituição da República. STF. Plenário. RE 647885, Rel. Edson 
Fachin, julgado em 27/04/2020. 
 
- As fundações públicas de direito privado não fazem jus à isenção das custas processuais (Info 676 STJ). 
 
- É inconstitucional lei estadual que obrigue a participação de representante da seccional da OAB em 
órgão colegiado da Administração Pública estadual (Info 966 STF). 
 
- É inconstitucional a suspensão ou cancelamento do registro do profissional que atrasar anuidades STF. 
Plenário. RE 808424, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/12/2019 (repercussão geral – Tema 757). 
 
- A fundação instituída pelo Estado pode estar sujeita ao regime público ou privado, a depender do 
estatuto da fundação e das atividades por ela prestadas A qualificação de uma fundação instituída pelo 
Estado como sujeita ao regime público ou privado depende: i) do estatuto de sua criação ou autorização e 
ii) das atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, 
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quando definidas como objetos de dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder 
público, podem se submeter ao regime jurídico de direito privado. STF. Plenário.RE 716378/SP, Rel. Min. 
Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946). 
 
- Decreto não pode extinguir colegiado previsto em lei (Info 944 STF) 
 
- A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige 
autorização legislativa e licitação A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de 
economia mista exige autorização legislativa e licitação. Por outro lado, não se exige autorização legislativa 
para a alienação do controle de suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada 
sem a necessidade de licitação, desde que siga procedimentos que observem os princípios da 
administração pública inscritos no art. 37 da CF/88, respeitada, sempre, a exigência de necessária 
competitividade. STF. Plenário.ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 
6/6/2019 (Info 943). 
- Serviços sociais autônomos não devem figurar no polo passivo de ação proposta pelo contribuinte 
discutindo a exigibilidade das contribuições sociais (Info 646 STJ). 
 
- É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público 
próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 23/3/2017 (Info 858). É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens 
de sociedade de economia mista prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins 
de pagamento de débitos trabalhistas. Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não 
concorrencial está sujeita ao regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer 
constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade orçamentária 
(art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. 
ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920). 
 
- Os Correios têm o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados - A 
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, a 
demissão de seus empregados. STF. Plenário. RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 
10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919). 
 
- Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de 
direito privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica 
sem monopólio e com finalidade de lucro. STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de 
Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018 (Info 910). Ex: a Administração dos Portos de 
Paranaguá e Antonina - APPA ostenta personalidade jurídica de direito privado, exerce atividade 
econômica em regime concorrencial, sem monopólio e com vista a auferir lucro (Lei nº 17.895/2013, do 
Estado do Paraná). Sujeita-se, portanto, ao regime jurídico das empresas privadas (art. 173, §§ 1º, II, e 2º, 
da CF/88), a ela não se aplicando o regime de precatórios previsto no art. 100 da CF/88. 
- Município tem legitimidade ad causam para ajuizar ação civil pública em defesa de direitos 
consumeristas questionando a cobrança de tarifas bancárias. Em relação ao Ministério Público e aos 
entes políticos, que têm comofinalidades institucionais a proteção de valores fundamentais, como a 
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defesacoletiva dos consumidores, não se exige pertinência temática e representatividadeadequada. STJ. 
3ª Turma. REsp 1509586-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626). 
- É constitucional a previsão de que a ANVISA pode proibir produtos e insumos em caso de violação da 
legislação ou de risco iminente à saúde, inclusive cigarros com sabor e aroma (Info 889 STF). 
 
- Carros dos conselhos profissionais não podem ser registrados como veículos oficiais (Info 619 STJ). 
 
- MPF não possui legitimidade para ajuizar ACP contra Município pedindo quesejam realizadas 
audiências públicas antes do envio do projeto de Lei do Plano Diretor 
O Ministério Público Federal é parte ilegítima para ajuizar ação civil pública que visa à anulação da 
tramitação de Projeto de Lei do Plano Diretor de município, ao argumento da falta de participação popular 
nos respectivos trabalhos legislativos. No caso concreto, o MPF ajuizou ACP contra o Município de 
Florianópolis e a União argumentando que o Poder Executivo Municipal teria encaminhado à Câmara de 
Vereadores o projeto de Lei do Plano Diretor da cidade sem a realização das necessárias audiências 
públicas, o que violaria o Estatuto da Cidade. O STJ entendeu que a legitimidade para essa demanda seria 
do Ministério Público estadual (e não do MPF). STJ. 1ª Turma.REsp 1687821-SC, Rel. Min. Sérgio Kukina, 
julgado em 07/11/2017 (Info 616). 
 
- A divulgação do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas - CEIS pela CGU tem mero caráter 
informativo, não sendo determinante para que os entes federativos impeçam a participação, em licitações, 
das empresas ali constantes. STJ. 1ª Seção.MS 21750-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 
25/10/2017 (Info 615). 
 
- Conselho de Contabilidade, no exercício de fiscalização, pode requisitar dos contadores os livros e 
fichas contábeis de seus clientes (Info 612 STJ). 
 
- Associação de Municípios e Prefeitos não possui legitimidade ativa para tutelar em juízo direitos e 
interesses das pessoas jurídicas de direito público. STJ. 1ª Seção.REsp 1503007-CE, Rel. Min. Herman 
Benjamin, julgado em 14/6/2017 (Info 610). 
- Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (exs: 
CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de precatórios. STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. 
orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral) (Info 
861). 
- Técnico de futebol não precisa ser inscrito no Conselho Regional de Educação Física (Info 607 STJ). 
 
- Portaria interministerial produzida, em conjunto, por dois Ministérios não pode ser revogada por 
portaria posterior editada por apenas uma das Pastas (Info 597 STJ). 
 
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- O Tribunal de Justiça, mesmo não possuindo personalidade jurídica própria, detém legitimidade 
autônoma para ajuizar mandado de segurança contra ato do Governador do Estado em defesa de sua 
autonomia institucional. Ex: mandado de segurança contra ato do Governador que está atrasando o 
repasse dos duodécimos devidos ao Poder Judiciário. STF. 1ª Turma. MS 34483-MC/RJ, Rel. Min. Dias 
Toffoli, julgado em 22/11/2016 (Info 848). 
 
- Não há violação do princípio da legalidade na aplicação de multa previstas em resoluções criadas por 
agências reguladoras, haja vista que elas foram criadas no intuito de regular, em sentido amplo, os serviços 
públicos, havendo previsão na legislação ordinária delegando à agência reguladora competência para a 
edição de normas e regulamentos no seu âmbito de atuação. STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 825776/SC, 
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 05/04/2016. 
 
- Os Conselhos Profissionais são criados por lei e possuem personalidade jurídica de direito público, 
exercendo uma atividade tipicamente pública, qual seja, a fiscalização do exercício profissional. Os 
Conselhos são dotados de poder de polícia e poder arrecadador. STF. 1ª Turma. MS 28469, Rel. Min. Luiz 
Fux, julgado em 09/06/2015. 
 
- Para que o Conselho Profissional demita um servidor seu, é necessário processo administrativo? SIM. 
Como os Conselhos de Fiscalização Profissional têm natureza jurídica de autarquia, devem ser aplicados 
aos seus servidores os arts. 41 da CF/88 e 19 do ADCT, razão pela qual não podem ser demitidos sem a 
prévia instauração de processo administrativo. Assim, o servidor de órgão de fiscalização profissional não 
pode ser demitido sem a prévia instauração de processo administrativo disciplinar. STF. 2ª Turma. RE 
838648 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 07/04/2015. Exceção: OAB (STF ADI 3026). 
 
- Os Conselhos de Fiscalização Profissional, se forem de âmbito nacional, podem ajuizar ADI, ADC e 
ADPF? NÃO. Os Conselhos Federais de Fiscalização Profissional (ex: Conselho Federal de Corretores de 
Imóveis – COFECI) não podem propor ações de controle concentrado de constitucionalidade porque não 
estão no rol do art. 103 da CF/88, que é taxativo. Os conselhos de fiscalização profissional têm como função 
precípua o controle e a fiscalização do exercício das profissões regulamentadas, exercendo, portanto, 
poder de polícia, atividade típica de Estado, razão pela qual detêm personalidade jurídica de direito 
público, na forma de autarquias. Sendo assim, tais conselhos não se ajustam à noção de entidade de classe, 
expressão que designa tão somente aquelas entidades vocacionadas à defesa dos interesses dos membros 
da respectiva categoria ou classe de profissionais. STF. Plenário. ADC 34 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado 
em 05/03/2015. STF. Plenário. ADPF 264 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18/12/2014. Exceção: o 
Conselho Federal da OAB é legitimado para propor ADI, ADC e ADPF (art. 103, VII, da CF/88). 
 
- É CONSTITUCIONAL lei estadual que prevê que os dirigentes de determinada agência reguladora somente 
poderão ser nomeados após previamente aprovados pela Assembleia Legislativa. Por outro lado, é 
INCONSTITUCIONAL a lei estadual que estabelece que os dirigentes de agência reguladora somente 
poderão ser destituídos de seus cargos por decisão exclusiva da Assembleia Legislativa, sem qualquer 
participação do Governador do Estado. Essa previsão viola o princípio da separação dos poderes (at. 2º da 
CF/88). STF. Plenário. ADI 1949/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/9/2014 (Info 759). 
 
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- Os serviços sociais autônomos precisam realizar concurso público para contratar seu pessoal? NÃO. Os 
serviços sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de direito privado e não integrarem a 
Administração Pública, mesmo que desempenhem atividade de interesse público em cooperação com o 
ente estatal, NÃO estão sujeitos à observância da regra de concurso público (art. 37, II, da CF/88) para 
contratação de seu pessoal. Obs.: vale ressaltar, no entanto, que o fato de as entidades do Sistema “S” não 
estarem submetidas aos ditames constitucionais do art. 37, não as exime de manterem um padrão de 
objetividade e eficiência na contratação e nos gastos com seu pessoal. STF. Plenário. RE 789874/DF, Rel. 
Min. Teori Zavascki, julgado em 17/9/2014 (repercussão geral) (Info 759). 
 
- É inconstitucional a exigência de que os dirigentes de entidades da administração indireta forneçam à 
ALE a declaração atualizada de seus bens e de suas ocupações para serem fiscalizados pelo Parlamento. 
Tal situação viola a separação de poderes. STF. Plenário. ADI 2225/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 
21/8/2014 (Info 755). 
 
- Os Conselhos Profissionais, para contratarem "funcionários", precisam fazer concurso público? SIM. 
Como os Conselhos Profissionais são autarquias exercendo uma atividade tipicamente pública (fiscalização 
do exercício profissional), precisam respeitar a regra do art. 37, II, da CF/88, que exige concurso público 
para a contratação de servidores. Assim, quando os Conselhos de Fiscalização Profissional vão fazer a 
contratação de seu pessoal é imprescindível a realização de concurso público. STF. 1ª Turma. MS 28469, 
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09/06/2015. STF. 2ª Turma. RE 758168 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 
julgado em 24/06/2014. Exceção: OAB. O STF decidiu que a OAB, quando vai contratar seus empregados, 
não precisa realizar concurso público (STF ADI 3026). Vale ressaltar que a contratação de empregados 
pelos conselhos profissionais pode ser feita pela CLT: O art. 58, § 3º da Lei nº 9.649/98 prevê o seguinte: § 
3º Os empregadosdos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas são regidos pela legislação 
trabalhista, sendo vedada qualquer forma de transposição, transferência ou deslocamento para o quadro 
da Administração Pública direta ou indireta. Essa previsão é constitucional. Os Conselhos Profissionais, 
enquanto autarquias corporativas criadas por lei com outorga para o exercício de atividade típica do 
Estado, tem maior grau de autonomia administrativa e financeira, constituindo espécie sui generis de 
pessoa jurídica de direito público não estatal, a qual não se aplica a obrigatoriedade do regime jurídico 
único preconizado pelo art. 39 da CF/88 (regime jurídico único). Em razão da natureza peculiar dos 
Conselhos Profissionais, permite-se o afastamento de algumas das regras ordinárias impostas às pessoas 
jurídicas de direito público. STF. Plenário. ADC 36, Rel. Cármen Lúcia, Rel. p/ Acórdão Alexandre de Moraes, 
julgado em 08/09/2020. 
 
- O Conselho de Fiscalização Profissional pode ajuizar ação civil pública? SIM. O art. 5º da Lei nº 7.347/85 
(Lei da ACP) elencou o rol dos legitimados concorrentes para a propositura de ação civil pública, nos quais 
se incluem as autarquias, em cuja categoria estão os Conselhos profissionais. STJ. 2ª Turma. REsp 
1388792/SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 06/05/2014. 
 
- Os recursos geridos pelos serviços sociais autônomos são considerados recursos públicos? NÃO. 
Segundo entende o STF, os serviços sociais autônomos do denominado sistema “S”, embora 
compreendidos na expressão de entidade paraestatal, são pessoas jurídicas de direito privado, definidos 
como entes de colaboração, mas não integrantes da Administração Pública. Assim, quando o produto das 
contribuições ingressa nos cofres dos Serviços Sociais Autônomos, perde o caráter de recurso público. STF. 
Plenário. ACO 1953 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 18/12/2013. 
 
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- Os serviços sociais autônomos gozam de imunidade tributária? SIM. O art. 150, VI, “c” da CF/88 prevê 
que as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, gozam de imunidade tributária 
quanto aos impostos, desde que atendidos os requisitos previstos na lei. As entidades do chamado 
“Sistema S”, tais como SESI, SENAI, SENAC e SEBRAE, também gozam de imunidade porque promovem 
cursos para a inserção de profissionais no mercado de trabalho, sendo consideradas instituições de 
educação e assistência social. Se o SENAC adquire um terreno para a construção de sua sede, já havendo 
inclusive um projeto nesse sentido, deverá incidir a imunidade nesse caso considerando que o imóvel será 
destinado às suas finalidades essenciais. STF. 1ª Turma. RE 470520/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 
17/9/2013 (Info 720). 
 
- Os Conselhos Profissionais estão submetidos à fiscalização do Tribunal de Contas? 
SIM. Por serem autarquias federais, os Conselhos Profissionais têm o dever de prestar contas ao Tribunal 
de Contas da União (art. 71, II, CF/88). STF. MS 28469 AgR-segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, Relator(a) p/ 
Acórdão: Min. Luiz Fux, julgado em 19/02/2013. Exceção: OAB (STF ADI 3026). 
 
- Os Conselhos de Fiscalização Profissional estão isentos de custas processuais? NÃO. Os Conselhos 
Profissionais, apesar de sua natureza autárquica, não estão isentos do pagamento de custas judiciais, 
conforme previsão expressa do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 9.289/96. Assim, o benefício da isenção 
do preparo conferido aos entes públicos previstos no art. 4º, caput, da Lei 9.289/1996 é inaplicável aos 
Conselhos de Fiscalização Profissional. STF. 1ª Turma. RMS 33572 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado 
em 09/08/2016. STJ. 1ª Seção. REsp 1338247/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 10/10/2012 
(recurso repetitivo). 
- Os serviços sociais autônomos gozam das prerrogativas processuais inerentes à Fazenda Pública (ex.: 
prazo em dobro para recorrer)? NÃO. As entidades paraestatais não gozam dos privilégios processuais 
concedidos à Fazenda Pública. STF. AI 841548 RG, julgado em 09/06/2011. 
- Os Conselhos de Fiscalização Profissional detêm natureza jurídica de autarquias e, dessa forma, 
possuem as prerrogativas processuais conferidas à Fazenda Pública. STJ. 2a Turma. AgRg no Ag 
1388776/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 07/06/2011. Exceção: Os pagamentos devidos, em 
razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de ... 
- De quem é a competência para julgar as causas envolvendo os serviços sociais autônomos? Em regra, 
a competência é da Justiça Comum Estadual. STF. RE 414375/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 
31/10/2006. Súmula 516-STF: O Serviço Social da Indústria (SESI) está sujeito a jurisdição da justiça 
estadual. 
 
 
Jurisprudência em Teses do STJ – EDIÇÃO N. 79: ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA 
1) Aplica-se a prescrição quinquenal do Decreto n. 20.910/32 às empresas públicas e às sociedades de economia mista 
responsáveis pela prestação de serviços públicos próprios do Estado e que não exploram atividade econômica. 
2) Inexiste direito à incorporação de vantagens decorrentes do exercício de cargo em comissão ou função de confiança na 
administração pública indireta. 
3) As autarquias possuem autonomia administrativa, financeira e personalidade jurídica própria, distinta da entidade 
política à qual estão vinculadas, razão pela qual seus dirigentes têm legitimidade passiva para figurar como autoridades 
coatoras em Mandados de Segurança. 
4) As empresas públicas e as sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos possuem legitimidade ativa 
ad causam para a propositura de pedido de suspensão, quando na defesa de interesse público primário. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
5) A universidade federal, organizada sob o regime autárquico, não possui legitimidade para figurar no polo passivo de 
demanda que visa à repetição de indébito de valores relativos à contribuição previdenciária por ela recolhidos e repassados 
à União. 
6) Os Conselhos de Fiscalização Profissionais possuem natureza jurídica de autarquia, sujeitando-se, portanto, ao regime 
jurídico de direito público. 
Exceção: a OAB que, segundo a concepção majoritária, é um serviço público independente, categoria ímpar no elenco das 
personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro (STF. Plenário. ADI 3026, Rel. Min. Eros Grau, julgado em 
08/06/2006). 
7) O benefício da isenção do preparo, conferido aos entes públicos previstos no art. 4º, caput, da Lei n. 9.289/1996, é 
inaplicável aos Conselhos de Fiscalização Profissional. (Recurso Repetitivo - Tema 625) 
8) O arquivamento provisório previsto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, dirigido aos débitos inscritos como dívida ativa da 
União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados, não se aplica às execuções fiscais movidas pelos 
conselhos de fiscalização profissional ou pelas autarquias federais. (Súmula n. 583/STJ) (Recurso Repetitivo - Temas 636 e 
612) 
9) Os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da Fazenda estadual desde que coexistam penhoras sobre o 
mesmo bem. (Súmula n. 497/STJ) (Recurso Repetitivo - Tema 393) 
10) As agências reguladoras podem editar normas e regulamentos no seu âmbito de atuação quando autorizadas por lei. 
11) Não é possível a aplicação de sanções pecuniárias por sociedade de economia mista, facultado o exercício do poder de 
polícia fiscalizatório. 
12) Compete à justiça federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da 
União, suas autarquias ou empresas públicas. (Súmula n. 150/STJ) 
13) Compete à justiça comum estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e 
os crimes praticados em seu detrimento. (Súmula n. 42/STJ) 
14) Compete à Justiça ordinária estadual o processo e o julgamento, em ambas as instâncias, das causas de acidentedo 
trabalho, ainda que promovidas contra a União, suas autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista. 
(Súmula n. 501/STF) 
• Ação proposta pelo acidentado (seu cônjuge, demais herdeiros ou dependentes) contra o empregador pedindo 
indenização por danos morais e materiais decorrentes de acidente de trabalho: Competência da Justiça do TRABALHO. 
• Ação proposta pelo acidentado (seu cônjuge, demais herdeiros ou dependentes) contra o INSS pleiteando benefício 
decorrente de acidente de trabalho: Competência da justiça comum ESTADUAL. 
• Ação proposta pelo acidentado (seu cônjuge, demais herdeiros ou dependentes) contra o INSS pleiteando benefício 
decorrente de acidente de outra natureza (que não seja acidente de trabalho): Competência da Justiça FEDERAL (STJ AgRg 
no CC 118.348/SP, julgado em 29/02/2012). 
EDIÇÃO N. 135: CONSELHOS PROFISSIONAIS - I 
1) Os conselhos de fiscalização profissionais possuem natureza jurídica de autarquia, sujeitando-se, portanto, ao regime 
jurídico de direito público. 
2) Com a suspensão da redação dada pela Emenda Constitucional n. 19/1998 ao caput do art. 39 da Constituição Federal 
de 1988, no julgamento da Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 2.135/DF, o regime jurídico dos 
conselhos profissionais deve ser, obrigatoriamente, o estatutário. 
Ao estudar, verifique se o STF já concluiu o julgamento da ADC 36. 
3) Os servidores dos conselhos de fiscalização profissional submetem-se ao regime jurídico único, de modo que a 
aposentadoria ocorrida após a publicação das decisões proferidas nas ADI n. 1.717/DF e ADI n. 2.135/DF, esta última em 
sede de liminar, segue o regime estatutário. 
55 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
4) Os conselhos de fiscalização profissionais não podem registrar seus veículos como oficiais porque compõem a 
administração pública indireta e o §1º do art. 120 do Código de Trânsito Brasileiro - CTB autoriza apenas o registro de 
veículos oficiais da administração direta. 
5) Os conselhos profissionais têm poder de polícia para fiscalizar as profissões regulamentadas, inclusive no que concerne 
à cobrança de anuidades e à aplicação de sanções. 
6) A partir da vigência da Lei n. 12.514/2011, o fato gerador para a cobrança de anuidades de órgão de fiscalização 
profissional é o registro no conselho e não mais o efetivo exercício da profissão. 
7) As anuidades devidas aos conselhos profissionais constituem contribuição de interesse das categorias profissionais, de 
natureza tributária, sujeita a lançamento de ofício. 
8) O prazo prescricional para cobrança de anuidades pagas aos conselhos profissionais tem início somente quando o total 
da dívida inscrita atingir o valor mínimo correspondente a 4 (quatro) anuidades, conforme disposto no art. 8º da Lei n. 
12.514/2011. 
9) A Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, embora possua natureza jurídica especialíssima, submete-se ao disposto no art. 
8º da Lei n. 12.514/2011, que determina que os conselhos de classe somente executarão dívida de anuidade quando o total 
do valor inscrito atingir o montante mínimo correspondente a 4 (quatro) anuidades. 
10) Compete a Justiça Federal processar e julgar execução fiscal promovida por Conselho de Fiscalização Profissional. 
(Súmula n. 66/STJ) 
11) Não se aplica o art. 20 da Lei n. 10.552/2002, que determina o arquivamento provisório das execuções de pequeno 
valor, às execuções fiscais propostas pelos conselhos regionais de fiscalização profissional. 
12) Em execução fiscal ajuizada por conselho de fiscalização profissional, seu representante judicial possui a prerrogativa 
de ser pessoalmente intimado. (Recurso Repetitivo - Tema 580) 
EDIÇÃO N. 136: CONSELHOS PROFISSIONAIS - II 
1) O registro no conselho de fiscalização profissional está vinculado à atividade básica ou à natureza dos serviços prestados 
pela empresa, por força do que dispõe o art. 1º da Lei n. 6.839/1980. 
2) A atividade fiscalizatória exercida pelos conselhos profissionais, decorrente da delegação do poder de polícia, está 
inserida no âmbito do direito administrativo, não podendo ser considerada relação de trabalho e, de consequência, não 
está incluída na esfera de competência da Justiça Trabalhista. 
3) O benefício da isenção do preparo, conferido aos entes públicos previstos no art. 4º, caput, da Lei n. 9.289/1996, é 
inaplicável aos conselhos de fiscalização profissional. (Recurso Repetitivo - Tema 625) 
4) A atividade de músico é manifestação artística protegida pela garantia da liberdade de expressão, de modo que a 
exigência de inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil - OMB, bem como de pagamento de anuidade para o exercício de 
tal profissão, torna-se incompatível com a Constituição Federal de 1988. 
5) As empresas de factoring convencional não precisam ser registradas nos conselhos regionais de administração, visto que 
suas atividades são de natureza eminentemente mercantil, ou seja, não envolvem gestões estratégicas, técnicas e 
programas de execução voltados a um objetivo e ao desenvolvimento de empresa. 
6) O exame de suficiência instituído pela Lei n. 12.249/2010, que alterou o art. 12, § 2º, do Decreto-Lei n. 9.295/1946, será 
exigido de contadores e de técnicos em contabilidade que completarem o curso após a vigência daquela lei. 
7) O ato do Conselho de Contabilidade, que requisita dos contadores e dos técnicos livros e fichas contábeis de seus clientes, 
não viola os princípios da privacidade e do sigilo profissional, já que visa à fiscalização da atividade contábil dos profissionais 
nele inscritos. 
8) Os Conselhos Regionais de Farmácia possuem atribuição para fiscalizar e autuar as farmácias e as drogarias quanto ao 
cumprimento da exigência de manter profissional legalmente habilitado (farmacêutico) durante todo o período de 
funcionamento dos respectivos estabelecimentos. (Súmula n. 561/STJ) (Recurso Repetitivo - Tema 715) 
9) É facultado aos técnicos de farmácia, regularmente inscritos no Conselho Regional de Farmácia, a assunção de 
responsabilidade técnica por drogaria, independentemente do preenchimento dos requisitos previstos no art. 15, § 3º, da 
56 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Lei n. 5.991/1973, c/c o art. 28 do Decreto n. 74.170/1974, entendimento que deve ser aplicado até a entrada em vigor da 
Lei n. 13.021/2014. (Recurso Repetitivo - Tema 727) 
10) Não estão sujeitas a registro perante o respectivo Conselho Regional de Medicina Veterinária, nem à contratação de 
profissionais nele inscritos como responsáveis técnicos, as pessoas jurídicas que explorem as atividades de comercialização 
de animais vivos e de venda de medicamentos veterinários, pois não são atividades reservadas à atuação privativa de 
médico veterinário. 
11) Não há comando normativo que obrigue a inscrição de professores e de mestres de artes marciais, ou mesmo de danças, 
de capoeira e de ioga, nos Conselhos de Educação Física, porquanto, à luz do que dispõe o art. 3º da Lei n. 9.696/1998, 
essas atividades não são próprias dos profissionais de educação física. 
12) O registro de restaurantes e de bares no Conselho Regional de Nutrição e a presença de profissional técnico 
(nutricionista) não são obrigatórios, pois a atividade básica desses estabelecimentos não é a fabricação de alimentos 
destinados ao consumo humano (art. 18 do Decreto n. 84. 444/1980), nem se aproxima do conceito de saúde trazido pela 
legislação específica. 
 
 
Atos Administrativos 
Atos Administrativos 
 Atos administrativos significam manifestação do exercício da função administrativa, que sob regime de 
direito público, objetiva a aquisição, conservação, transformação, transmissão ou extinção de direitos para a 
consecução do interesse público (Agostin Gordillo). 
 
 É todo ato praticado pela Administração Pública ou por quem lhe faça as vezes, no exercício da função 
administrativa (estando excluídos deste conceito os atos políticos), sob o regime de direito público,ou seja, 
gozando o ato de todas as prerrogativas estatais, diferente do que ocorre com os atos privados da 
Administração e, por fim, manifestando vontade do poder público em casos concretos ou de forma geral, 
não se confundindo com meros atos de execução de atividade. 
 
#ATENÇÃO - Ato da administração: A doutrina costuma utilizar a expressão “ATOS DA ADMINISTRAÇÃO” para 
se referir aos atos que a administração pública pratica quando está despida de prerrogativas públicas, quando 
está atuando em igualdade jurídica com os particulares, o que decorre, por exemplo, quando ela atua como 
agente econômico. Os “atos da administração” são regidos predominantemente pelo direito privado. 
 
*#OUSESABER: Qual a diferença entre ato administrativo, ato político e ato de gestão? 
Os atos administrativos caracterizam-se como manifestações unilaterais do Estado ou de quem lhe faça as 
vezes, sob o regime jurídico de direito público, voltado à produção de efeitos jurídicos (criativos, modificativos 
ou extintivos), sendo tais atos passíveis de controle pelo Poder Judiciário. Os atos praticados pela Administração 
Pública podem ser atos administrativos, atos políticos ou atos de gestão. Os primeiros, já conceituados acima, 
são praticados em fiel observância à lei, estando a ela subordinados, sendo regidos pelo regime jurídico de 
direito público. 
Os atos políticos são aqueles atos praticados com fundamento direto na Constituição, com alto grau de 
discricionariedade, atinentes ao comando da nação, representando muitas vezes opções ideológicas, como, por 
exemplo, se dá com o veto de uma lei e a declaração de guerra. 
Atos de gestão, por sua vez, são os praticados pela Administração em posição de igualdade com os particulares, 
despindo-se, portanto, do poder de império. Podem ser dados como exemplo, a alienação de um imóvel público 
inservível, ou a doação sem encargo de determinado bem não destinado às finalidades do órgão. 
Atos da Administração 
57 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Atos Políticos ou 
de governo 
 Na prática, não podem ser considerados atos da Administração. 
 Quando há o exercício da função política e podem exercê-la os membros do Legislativo, 
do Judiciário e do Executivo. 
Atos Privados São os atos da Administração Pública regidos pelo direito privado. 
Atos Materiais Atos de mera execução de atividade. Também chamados de fatos administrativos, já que 
não manifestam a vontade do Estado. 
Atos 
Administrativos 
Atos por meio dos quais a Administração Pública atua, no exercício da função 
administrativa , sob o regime de direito público e ensejando manifestação de vontade do 
Estado ou de que, lhe faça às vezes. 
 
Ato Vinculado Ato Discricionário 
Aquele praticado no exercício do poder vinculado, em 
que a atuação administrativa está adstrita aos 
ditames previstos na legislação, de forma objetiva. 
Neste caso, a norma legal estabelece todos os 
elementos do ato administrativo, sem deixar 
qualquer margem de opção acerca da melhor 
atuação para o agente do Estado. 
 É aquele ato determinado em lei, no qual o 
dispositivo legal confere margem de escolha ao 
administrador público mediante análise de mérito 
(razões de oportunidade e conveniência). 
 A discricionariedade não se confunde com 
arbitrariedade, somente sendo exercida dentro dos 
limites definidos pela legislação aplicável. 
 O controle exercido pelo Poder Judiciário sobre atos 
administrativos se limita à análise de legalidade. 
 Os princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade 
são instrumentos de controle. Assim em razão destes 
princípios, caso o agente pratique ato 
desproporcional, compete ao judiciário, se 
provocado, anular esta atuação, haja vista o 
entendimento de que a norma desproporcional é 
ilegal e, portanto, sujeita a controle. 
 
 
Elementos ou Requisitos do Ato Administrativo 
Elemento são aqueles requisitos que devem estar presentes na elaboração do ato administrativo sob pena de 
este não ser válido e portanto não estar apto a produzir seus efeitos. Os elementos ou requisitos, são, portanto, 
componentes do ato. São elementos do ato: sujeito competente (competência), objeto ou conteúdo, forma, 
motivo e finalidade. O famoso COFIFOMOB. 
Competência  Competência é o limite ou a medida da função administrativa. Em outras palavras, 
competência é um espaço no qual o agente público está autorizado a praticar um ato. 
 
 Qual é a fonte primordial da competência administrativa? Via de regra, é a norma legal e, 
excepcionalmente, a competência administrativa é encontrada na norma constitucional e 
até na norma regulamentar. 
 Ex: via de regra, a competência do Presidente está prevista na Lei 10.683/03. O Presidente 
também pode ter atribuições previstas na CRFB, tal como prevê o art. 84, e também em 
decreto, tal como o Decreto 4.118/03. 
 
 Quais são as características próprias da competência administrativa? São duas: 
a) Inderrogabilidade: a competência, uma vez fixada por lei, por norma constitucional ou 
por decreto, não pode ser modificada pela vontade da própria Administração Pública. Há 2 
exceções: 
(i) avocação: ocorre “de baixo para cima”, quando há o chamamento pela autoridade 
superior de determinadas atribuições administrativas inicialmente conferidas ao agente 
58 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
subordinado. Em âmbito federal, está prevista no art. 15 da Lei 9.784/99 como medida 
excepcional e temporária, que deve ser justificada por motivos relevantes. 
(ii) delegação: ocorre “de cima para baixo” (ex: procurador da república delega para 
promotor de justiça). Em âmbito federal, está prevista nos arts. 12 a 14 da Lei 9.784/99, 
sendo vedada a delegação para a edição de atos normativos, decisão de recursos 
administrativos e matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Pode ser 
revogada a qualquer tempo pela autoridade delegante (caráter precário) e os atos 
praticados durante a vigência da delegação são de responsabilidade do delegatário (Súmula 
510 STF). 
 
b) Improrrogabilidade: a competência não pode ser modificada pela vontade dos 
administrados. Não tem nenhuma exceção. 
 Atenção: Não se deve confundir renúncia com delegação e avocação de competência, 
permitidas por lei, desde que de forma temporária e excepcional, devendo ser justificadas 
de acordo com as disposições contidas na Lei 9784/99. 
 A lei expressamente proíbe a delegação de competência e consequentemente a avocação: 
no caso de competência exclusiva, definida em lei; para decisão de recurso hierárquico; 
para edição de atos normativos. 
 É permitida a delegação de algumas atribuições do Presidente da República para os 
Ministros de Estado, assim como para o Advogado Geral da União e para o Procurador Geral 
da República (art. 84. PÚ, CF/88). 
 Info STJ: O Poder Judiciário não tem competência para autorizar, ainda que a título 
precário, a prestação de serviço de radiodifusão com finalidade exclusivamente 
educativa. O art. 223 da CF/88 atribui competência ao Poder Executivo para outorgar e 
renovar concessão, permissão e autorização, bem como fiscalizar o serviço de radiodifusão 
sonora e de sons e imagens. O funcionamento das rádios educativas, mesmo que a título 
precário, está definido na legislação infraconstitucional, em portaria do Ministério das 
Comunicações e em portaria interministerial do Ministério das Comunicações e do 
Ministério da Educação, exigindo prévia outorga do poder concedente, a qual não pode ser 
suprida por autorização judicial. 
 
Finalidade  Finalidade é tudo aquilo que se busca proteger com a prática do ato administrativo. 
 Finalidade Genérica: é o atendimento ao interesse público x Finalidade Específica: é 
definida em lei estabelecer qual a finalidade de cada ato especificadamente. 
 Na hipótese de ser violada a finalidade específica, mesmo que o agente esteja buscando o 
interesse público, há o desvio de finalidade. 
 A finalidade é sempre elementovinculado do ato no que tange à finalidade específica, para 
a doutrina moderna, podendo ser discricionário se analisarmos a finalidade genérica que é 
o interesse coletivo (conceito jurídico indeterminado). 
 VUNESP (TJM/SP 2016): Os motivos e a finalidade indicados na lei, bem como a causa do 
ato, fornecem as limitações ao exercício de discrição administrativa e, portanto, estão 
sujeitos ao controle judicial. 
 » Abuso de poder ≠ desvio de poder ≠ excesso de poder: abuso é o gênero, que 
compreende o desvio e o excesso de poder. Quando houver desvio de poder, há abuso 
qualitativo em ato administrativo. No excesso de poder, há abuso quantitativo em fato 
administrativo. 
Ex de desvio de poder: decreto expropriatório por vingança política (interesse não público) → 
a qualidade do ato possui um vício. 
Ex de excesso de poder: na imissão da posse, há excesso no uso de força policial → o abuso se 
dá na quantidade de força empregada no fato. 
 
59 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Forma  Forma é a exteriorização do ato, determinado por lei. 
 Qual é o princípio que informa a forma no direito público? Para o direito privado, a forma, 
em regra, é livre e, excepcionalmente, solene (princípio da liberdade das formas). Já no 
direito público, a forma, em regra, é solene (princípio da solenidade das formas) e, 
excepcionalmente, livre. 
 A eventual alteração ou revogação do ato administrativo devem observar o princípio da 
simetria das formas, ou seja, a forma utilizada na edição do ato deve ser a mesma para a 
sua alteração ou revogação. A simetria das formas, porém, não tem caráter absoluto, 
podendo ser relativizada nas relações administrativas sujeitas à hierarquia. 
 Os atos administrativos, de regra, devem ser praticados por escrito, ainda que não haja 
determinação legal nesse sentido, e, em vernáculo, ou seja, em língua portuguesa. 
 Silêncio Administrativo: Doutrina majoritária diz que não produz qualquer efeito. O silêncio 
aqui se representa como ilicitude sanável por meio de provocação ao Poder Judiciário. 
Atenção: Ressalvadas as hipóteses em que o próprio texto legal definir que a ausência de 
conduta ensejará a aceitação tácita de determinado fato ou até mesmo a negativa pelo 
decurso de tempo. 
 Vício no elemento forma: configura ilegalidade passível de anulação da conduta. Não 
gerando prejuízo ao interesse público e nem a terceiros e desde que mantido o interesse 
público, o vício de forma é sanável. 
 Atenção: em algumas situações, o vício de forma é insanável por atingir diretamente o 
próprio conteúdo do ato, como ocorre por ex. nas situações em que seja expedida uma 
instrução normativa por um determinada Secretaria, declarando a utilidade pública de um 
bem imóvel para fins de desapropriação. Nestes casos, a legislação exige a prática de um 
decreto, expedido pelo Presidente da República e o desrespeito à forma atinge diretamente 
os direitos e garantias do particular atacado pelo ato. 
 A forma só não será elemento vinculado, se a lei estabelecer mais de uma forma possível 
ou for silente. 
 
Motivo  Motivo é situação de fato ou de direito, em razão da qual é exercitada a função 
administrativa. 
 » Motivo ≠ motivação: motivação é a exposição, exteriorização do motivo. 
 Ex: ao editar o ato, o chefe do Executivo enumera as justificativas (“considerando a situação 
de calamidade pública”; “considerando a ausência de leitos necessários para o atendimento 
da população”, etc), antes de decretar as medidas que serão adotadas no caso concreto. 
 Surge a seguinte questão: quando a motivação é obrigatória? 3 posições: 
1ª posição – Maria Sylvia Di Pietro – Todos os atos administrativos devem ser motivados. 
Assim, a motivação é obrigatória para todos os atos, sob forma de preservar a sua 
transparência. Crítica: em algumas situações é impossível que se motive o ato (ex: atos orais 
e gestuais – guarda de trânsito ao mandar que um carro pare pratica ato administrativo 
gestualmente). 
2ª posição – Oswaldo Aranha Bandeira de Mello – Devem ser motivados os atos 
administrativos vinculados, não sendo obrigatória a motivação dos atos discricionários. 
Crítica: não há nenhuma correlação entre a classificação (vinculação e discricionariedade) 
e a obrigatoriedade da motivação. Mesmo que houvesse algum paralelo, a motivação 
deveria ser exigida no ato discricionário e dispensada no ato vinculado (já que o motivo já 
está previsto em lei). 
3ª posição majoritária – José dos Santos Carvalho Filho – O ato administrativo deve ser 
motivado quando houver norma jurídica (legislação ou CRFB) que imponha a motivação. 
Ex: art. 169, §4º CRFB – dispensa de servidor por excesso de gasto orçamentário é ato que 
deve ser obrigatoriamente motivado. 
60 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Ex: art. 50, I da Lei 9.784/99 – atos administrativos que neguem, limitem ou afetem direitos 
e interesses devem ser motivados. 
 Info 529 STJ: O vício consistente na falta de motivação de portaria de remoção ex officio de 
servidor público pode ser convalidado, de forma excepcional, mediante a exposição, em 
momento posterior, dos motivos idôneos e preexistentes que foram a razão determinante 
para a prática do ato, ainda que estes tenham sido apresentados apenas nas informações 
prestadas pela autoridade coatora em mandado de segurança impetrado pelo servidor 
removido. De fato, a remoção de servidor público por interesse da Administração Pública 
deve ser motivada, sob pena de nulidade. Entretanto, consoante entendimento 
doutrinário, nos casos em que a lei não exija motivação, não se pode descartar alguma 
hipótese excepcional em que seja possível à Administração demonstrar de maneira 
inquestionável que: o motivo extemporaneamente alegado preexistia; que era idôneo para 
justificar o ato; e que o motivo foi a razão determinante da prática do ato. Se esses três 
fatores concorrem, há de se entender que o ato se convalida com a motivação ulterior. 
 Outra questão importante é a chamada Teoria dos Motivos Determinantes. Segundo essa 
teoria, toda vez que o agente público não está obrigado a motivar o ato e, mesmo assim, 
expõe os seus motivos, ele estará vinculado aos motivos que expôs, sujeitando-se à 
invalidação do ato pela Adm. Pública ou pelo Judiciário, caso o administrado comprove a 
não correspondência dos motivos com a realidade. Isso porque, o motivo presume-se 
legítimo e, por isso, o ônus da prova de comprovar o contrário é do administrado. VER REsp 
1280729. 
 
Ex: em um concurso público, a banca apresenta um espelho de correção, em que é atribuído 1 
ponto quando o candidato cita o artigo X. O candidato cita o art. X e leva 0. Nesse caso, o 
candidato pode entrar no Judiciário e requerer a invalidação do ato por aplicação da teoria dos 
motivos determinantes. 
Ex 2: a exoneração de agente ocupante de cargo em comissão, que seria inicialmente livre (ad 
nutum), vem acompanhada de motivação. Nesse caso, o ato de exoneração será invalidado se 
as razões nele colocadas não tiverem ocorrido na prática. 
» Motivo ≠ móvel: motivo é a situação que justifica a edição do ato e móvel é a intenção, o 
propósito, o dolo do agente público. 
» Motivo ≠ causa: causa é uma correlação entre motivo e objeto, tendo em vista uma 
finalidade. Jesse Torres defende que a causa é o 6º elemento morfológico do ato 
administrativo. 
 
Objeto  Objeto é aquilo que o ato dispõe, é o efeito causado pelo ato administrativo no mundo 
jurídico, em virtude de sua prática. 
 Segundo a doutrina majoritária, o objeto é o conteúdo do ato, o fim pretendido. 
 Ex: o conteúdo do ato que demite o servidor é punir aquele que cometeu a infração 
funcional, rompendo o seu vínculo com a Administração. 
 O objeto pode ser classificado em: 
a) Objeto indeterminado (discricionário): a lei não define de maneira exaustiva o objeto do 
ato administrativo, conferindo margem de liberdade ao administrador. 
Ex: na autorizaçãopara uso privativo de bem público, a legislação confere discricionariedade 
ao administrador para delimitar o conteúdo do ato, decidindo sobre a extensão da área a ser 
ocupada, o prazo, as contrapartidas, etc. 
 
b) Objeto determinado (vinculado): a lei delimita o conteúdo do ato administrativo sem deixar 
espaço para análises subjetivas por parte do agente público. 
Ex: licença para dirigir veículo automotor em todo o território nacional, sendo vedado ao 
administrador limitar o conteúdo do ato. 
61 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Quais são os requisitos para que o objeto seja tido como válido? 
a) Possibilidade: o objeto não pode ser materialmente impossível. Ex: concessão de uso de 
bem público na Lua → o objeto é impossível e o ato seria inválido por impossibilidade de 
objeto. 
 
b) Liceridade (sinônimo de licitude): o objeto não pode ser juridicamente proibido. 
Ex: permissão de serviço público de tráfico de drogas → ato inválido por vício de objeto. Obs: 
Maria Sylvia Di Pietro, de forma minoritária, fala em: (i) possibilidade; (ii) licitude; (iii) certeza; 
(iv) moral. 
 
 
Elementos 
Discricionários 
e Vinculados 
 Competência, finalidade e forma são sempre elementos vinculados, ou seja, a lei os 
disciplina de forma objetiva. 
 Motivo e objeto, em regra, são elementos discricionários. 
 Atenção: a finalidade será discricionária sempre que for analisada em seu aspecto genérico. 
 Forma também admitirá uma margem de escolha conferida ao administrador, sempre que 
não houver forma definida em lei ou quando o texto legal estipular mais de uma forma 
possível. 
 Todos os elementos do ato administrativo estão adstritos aos limites impostos pela lei, 
mesmo os que são considerados discricionários. 
 Os elementos motivo e objeto do ato administrativo discricionário compõem o seu mérito, 
sob o que não pode haver controle por parte do Poder Judiciário;. 
 
Atributos dos Atos Administrativos 
Atributos, também chamados de características, são peculiaridades do ato administrativo, que, uma vez editado 
com todos os seus elementos irão caracterizar essa manifestação de vontade da Administração Pública. São 
atributos do ato: a presunção de legitimidade, a autoexecutoriedade, a tipicidade, a imperatividade e a 
exigibilidade. Essa classificação pode variar a depender da doutrina. 
Presunção de de 
Veracidade e 
Legitimidade 
 Presunção de Veracidade: O ato goza de fé pública e os fatos apresentados em sua 
prática presumem-se verdadeiros, em conformidade com os fatos efetivamente 
ocorridos (presunção é relativa ou juris tantum). A presunção de veracidade diz respeito 
a fatos e causa a inversão do ônus da prova dos fatos alegados no ato administrativo. 
 
 Presunção de Legitimidade: Até prova em contrário, o ato foi editado em conformidade 
com a lei e com o ordenamento jurídico (presunção relativa). Não há qualquer espécie 
de inversão do ônus probatório. O ato pode ser questionado judicialmente, mas o ônus 
da prova é do particular que visa à impugnação do ato administrativo. Confere maior 
celeridade à atuação administrativa, uma vez que, após a prática do ato, este estará apto 
a produzir efeitos automaticamente, como se válido fosse, até que se declare sua 
ilegalidade por decisão administrativa ou judicial. 
 
Imperatividade  Os atos administrativos são cogentes, obrigatórios, não dependendo do consentimento 
do administrado. É o atributo pelo qual os atos administrativos se impõem a terceiros, 
independentemente de sua concordância. Renato Alessi chama de poder extroverso do 
Estado. 
 
 Qual é a diferença entre o atributo anterior e esse? A diferença está na distinção entre 
os planos da validade e eficácia. Isso porque, a presunção de legitimidade e legalidade 
62 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
tem a ver com presunção de validade. Já a imperatividade, relaciona-se com a produção 
de efeitos (plano da eficácia). 
 
Exigibilidade  O ato administrativo deve ser cumprido pelo administrado (sob pena de imposição de 
meios coercitivos indiretos – ex: aplicação de multa), independentemente de ordem 
judicial. 
 
 A partir do momento que se tem um ato editado em conformidade com a lei, o seu 
cumprimento pode ser exigido pela Administração Pública. Esta característica guarda 
grande relação com a imperatividade, por isso, inclusive, alguns autores, como José dos 
Santos Carvalho Filho, analisam tal aspecto dentro da imperatividade. 
 
 
 No entanto, para outros, como Diógenes Gasparini, trata-se de uma característica à 
parte. 
 
 Di Pietro trata a exigibilidade dentro da autoexecutoriedade, afirmando que a 
exigibilidade corresponde ao privilège du préalable, pelo qual a Administração toma 
decisões executórias criando obrigação para o particular sem necessitar ir 
preliminarmente a juízo; utiliza meios indiretos de coerção, como a multa ou outras 
penalidades administrativas impostas em caso de descumprimento do ato. 
 
 Qual é a diferença entre o atributo anterior e esse? Quando se fala em imperatividade, 
há a constituição unilateral de obrigações pela Administração a serem cumpridas pelo 
administrado. A exigibilidade tem a ver com a necessidade de uso de meios de coerção. 
 
Autoexecutoriedade  O ato administrativo pode ser executado pela Administração, independentemente de 
autorização judicial, sob pena da imposição de meios coercitivos diretos, materiais (ex: 
demolição de obra irregular). 
 
 A doutrina majoritária defende que a autoexecutoriedade depende de previsão legal 
expressa ou da caracterização de situação emergencial. A autoexecutoriedade não é 
encontrada em todos os atos administrativos. 
 
 É uma das características mais importantes do ato, e significa que ele, assim que 
praticado, já pode ser imediatamente executado e seu objeto imediatamente alcançado. 
O ato, por si só, é capaz de gerar direitos e obrigações, submetendo todos aqueles que 
estão sob sua incidência. 
 
 Di Pietro afirma que corresponde ao privilège d’action d’office (privilégio da ação de 
ofício), que permite à Administração executar diretamente a sua decisão pelo uso da 
força. A Administração emprega meios diretos de coerção, compelindo materialmente 
o administrado a fazer alguma coisa. 
 
Tipicidade Tipicidade é o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras definidas 
previamente pela lei como aptas a produzir determinados resultados. Para cada finalidade 
que a Administração pretende alcançar existe um ato definido em lei. 
 
 
 
63 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Fases de Constituição do Ato Administrativo 
Perfeição  A existência do ato administrativo decorre do cumprimento das etapas necessárias à 
formação do ato. 
 Ato perfeito não é retratável, mas pode ser revisado e até anulado em face do princípio 
da autotutela (súmulas 346 e 473 STF). 
 
Validade  A regularidade do ato é aferida quando todas as etapas realizadas estiverem de acordo 
com a lei. 
 No silêncio da lei, não pode haver atuação administrativa, haja vista a aplicação da estrita 
legalidade em matéria de Direito Administrativo. 
 A validade de um ato só é avaliada se ele for ao menos existente (perfeito). 
 
Eficácia  Aptidão para produção de efeitos concedida ao ato administrativo. 
 Os atos perfeitos e válidos que, ainda, não estão aptos a produzir efeitos são designados 
como atos administrativos pendentes. 
 Efeitos próprios: efeitos típicos do ato. 
 Efeitos impróprios: são aqueles que decorrem, de forma indireta, da prática do ato 
administrativo. Dividem-se em: 
 Efeito Reflexo: são aqueles efeitos que atinge uma relação jurídica estranha àquela 
tratada no bojo da conduta estatal, gerando consequências em relação a terceiros não 
previstos diretamente no ato praticado. 
 Efeito Prodrômico: efeito por meio do qual se impõe uma nova atuação administrativa 
diante do início do ato praticado.atuação. Nesta forma de administração predomina a imperatividade 
da atuação estatal, resultando em decisões de viés unilateral, sem qualquer ingerência dos destinatários da norma em sua 
pactuação. 
Modernamente, entende-se 
que à Administração Pública 
cabe o exercício das 
seguintes funções ou tarefas: 
a) Poder de polícia: consistente na limitação e condicionamento de direitos. 
 
b) Serviços públicos: função positiva que ganhou protagonismo com o fortalecimento do 
Constitucionalismo Social do século XX. 
 
c) Atividades de fomento: consistente em incentivar setores sociais e econômicos em prol do 
desenvolvimento estatal. 
 
6 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
d) Atividades de intervenção: na propriedade privada, no domínio econômico e no domínio 
social. Em verdade, esta classificação já estava abrangida pelas anteriores, de maneira que 
parte da doutrina não a reconhece como autônoma. 
 
Codificação e Fontes do Direito Administrativo 
No que tange ao Direito Administrativo, este não possui uma codificação específica. A doutrina costuma apontar a existência 
de 6 fontes principais deste ramo do Direito. São elas: 
 Lei 
 Jurisprudência 
 Doutrina 
 Costumes Sociais 
 Princípios Gerais do Direito 
 Tratados Internacionais 
Evolução Histórica do Direito Administrativo 
A publicação da 
obra Espírito das 
Leis 
Com a definição da teoria da tripartição dos poderes, desenvolvida por Montesquieu, em 1748, foi 
decisiva para nascimento da ideia do Direito Administrativo. 
A Revolução 
Francesa (1789) 
Com o fortalecimento dos Parlamentos, começaram a ser definidas regras limitadoras da atuação da 
Adm. Pública, inclusive sedimentadas com a criação dos tribunais administrativos. 
No Brasil  Decreto nº 608/51: criou a cadeira de Direito Administrativo no Brasil 
 “Elementos de Direito Administrativo Brasileiro”: primeira obra doutrinária, escrita por Vicente 
Pereira do Rego, que foi publicada em 1857. 
Sistemas de Controle da Atuação Administrativa 
Sistema Francês ou 
Sistema Contencioso 
Administrativo 
Também chamado de sistema da dualidade de jurisdição é aquele que proíbe o conhecimento, pelo 
Poder Judiciário, de atos ilícitos praticados pela Administração Pública, ficando estes atos sujeitos à 
chamada jurisdição especial do contencioso administrativo, formado por tribunais de natureza 
administrativa. 
Sistema Inglês ou 
Sistema de 
Jurisdição Única 
Também designado de sistema da unicidade de jurisdição, é aquele no qual todos os litígios, sejam 
eles administrativos ou privados, podem ser levados à justiça comum, ou seja, ao poder Judiciário – 
único com competência para dizer o direito aplicável aos casos litigiosos, de forma definitiva, com 
força de coisa julgada material. 
Atenção: a adoção do sistema de jurisdição única não implica a vedação à existência de solução litígios 
na esfera administrativa. Ao contrário, a Adm. Pública te poder para efetivar a revisão acerca dos seus 
atos, independentemente de provocação de qualquer interessado. Ocorre que a decisão 
administrativa não impede que a matéria seja levada à apreciação do poder judiciário. 
Sistema 
Administrativo 
Brasileiro 
O ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema inglês, também denominado de sistema de 
jurisdição única ou sistema de controle judicial. Ressalte-se, ainda, que a possibilidade de recorrer ao 
judiciário não depende do esgotamento das instâncias administrativas. 
Há quatro hipóteses em que se exige o exaurimento ou, pelo menos, a utilização inicial da via administrativa, como condição 
para acesso ao Poder Judiciário, a saber: a) Justiça desportiva: o Judiciário somente pode admitir ações relativas à disciplina 
e às competições desportivas após o exaurimento das instâncias administrativas da “justiça desportiva” (art. 217, § 1º, da 
Constituição Federal); b) Contrariedade a súmula vinculante: ato administrativo ou omissão da Administração Pública que 
contrarie súmula vinculante só pode ser objeto de reclamação ao Supremo Tribunal Federal (STF) após esgotadas as vias 
administrativas (art. 7o, § 1o, da Lei n. 11.417, de 2006); c) Habeas data: conforme jurisprudência do STF, é necessário 
requerimento administrativo prévio (sem necessidade de esgotamento das instâncias administrativas), para a busca do 
Judiciário, pela via do habeas data: “a prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, ou da 
omissão em atendê-lo, constitui requisito indispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas data. Sem que 
se configure situação prévia de pretensão resistida, há carência da ação constitucional do habeas data”; d) Benefícios 
previdenciários: em repercussão geral, o STF determinou que, em ações judiciais contra o Instituto Nacional do Seguro Social 
(INSS), visando à concessão de benefícios previdenciários, o interesse de agir se configura com o prévio requerimento 
administrativo do beneficio, afirmando que essa exigência é compatível com o art. 5o, XXXV, da CF, e não se confunde com 
o exaurimento das vias administrativas. 
 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
 
 
Princípios da Administração Pública 
Definição de Princípios 
Conjunto harmônico de princípios que definem a lógica da atuação do ente público, a qual se baseia na existência 
de limitações e prerrogativas em face do interesse público. Esses princípios guardam entre si essa lógica, devendo 
haver, entre eles, um ponto de coincidência. 
 
Conteúdo do Regime Jurídico 
Interesse Público 
Primário 
Composta pelas necessidades da sociedade. 
Interesse Público 
Secundário 
Vontade da máquina estatal, são os anseios e as necessidades do Estado como sujeito de 
direito. 
 
Pedras de toque do Direito Administrativo (Celso Antônio Bandeira de Melo) 
São os alicerces, a base da disciplina administrativa como um todo. O interesse público, que é o somatório dos 
interesses individuais, considerando os indivíduos em sociedade, desde que esse represente a vontade da maioria, 
é a chave para compreensão. O interesse público pode ser primário ou secundário: 
 
Primário que é a vontade do povo (é o interesse público propriamente dito) ou; 
Secundário que é definido pelos anseios do Estado considerado como pessoa jurídica. 
 
Obs.: Havendo divergência, prevalece o interesse público primário. 
De acordo com Celso Antônio, as pedras de toque são a supremacia do interesse público e a indisponibilidade do 
interesse público. 
 
 Supremacia do interesse público: é muito importante para o convívio social e pressuposto de existência de 
qualquer sociedade, sendo um conceito determinável no caso concreto. Visa satisfazer o interesse público 
propriamente dito, concedendo à Administração Pública algumas prerrogativas. Não está expresso na CF. 
Exemplos de aplicação: atributos dos atos administrativos (presunção de legitimidade, autoexecutoriedade e 
imperatividade), Poderes da Administração (poder de polícia), contratos administrativos (cláusulas 
exorbitantes, art. 58 da Lei nº 8.666/93), intervenção na propriedade (requisição, art. 5º, XXV, CF, 
desapropriação, art. 5º, XXIV, CF). Alguns autores, de forma minoritária, criticam o princípio sustentando que 
este legitima os abusos e as arbitrariedades. Outros defendem que, na verdade, há incorreção na sua aplicação. 
 
 Indisponibilidade do interesse público: É consequência da própria supremacia do interesse público. O interesse 
público não está à livre disposição do administrador, não há liberalidade. É um contrapeso/limitação ao 
princípio da supremacia do interesse público. O administrador exerce função pública, significando que a 
atividade é exercida em nome e no interesse do povo. Assim, o administrador é mero representante e não tem 
titularidade sobre o interesse público, não podendo, por esse motivo, dispô-lo. O administrador exerce um 
encargo, uma obrigação, um múnus público e tem o dever de bem servir, não pode comprometer o futuroClassificação dos Atos Administrativos 
Quanto à formação 
da vontade 
Atos Simples são editados a partir da vontade de um único órgão público. Ex: 
concessão de férias ao servidor; nomeação pelo Presidente da República; 
a deliberação de um Conselho. 
 
Atos 
Compostos 
são formados pela manifestação de 2 órgãos; um que define o conteúdo 
do ato e o outro que verifica a sua legitimidade. Enquanto a vontade do 
primeiro órgão é a responsável pela elaboração do ato, a manifestação 
do segundo órgão possui caráter instrumental ou complementar. 
Em suma: temos uma vontade principal (ato principal) e a vontade que 
ratifica (ato acessório). Geralmente decorrentes do mesmo órgão 
público. 
 
Ex: parecer elaborado por agente público que depende do visto da 
autoridade superior para produzir efeitos. 
Ex2: Di Pietro – nomeação do PGR depende da prévia aprovação do 
Senado; a nomeação é o ato principal, sendo a aprovação prévia o ato 
acessório, pressuposto do principal. A dispensa de licitação, em 
determinadas hipóteses, depende da homologação pela autoridade 
superior para produzir efeitos; a homologação é ato acessório, 
complementar do principal. 
 
Atos 
Complexos 
são elaborados pela manifestação autônoma de órgãos diversos. Os 
órgãos concorrem para a formação de um único ato. As vontades são 
homogêneas; há identidade de conteúdo e de fins. Duas ou mais 
vontades para a formação de um ato único. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Ex: nomeação de Ministros do STF, que depende da indicação do chefe 
do Executivo e da aprovação do Senado. 
Ex2: Di Pietro – Decreto que é assinado pelo Chefe do Executivo e 
referendado pelo Ministro de Estado. 
 
Ex3: a aposentadoria de servidor público se configura como ato 
complexo, haja vista depender da atuação do órgão a que o agente é 
subordinado e da aprovação do Tribunal de Contas. 
 
Quanto ao grau de 
liberdade 
Atos 
Discricionários 
Mesmo regulamentados por lei, admitem uma análise de pressupostos 
subjetivos pelo agente estatal. 
Obs: Controle judicial da discricionariedade administrativa 
(oportunidade e conveniência): Segundo a literalidade da Súmula 473 
STF e Hely Lopes Meirelles, isso não existe, ou seja, o mérito 
administrativo é imune ao controle do Poder Judiciário, sob pena de 
afronta ao princípio da separação de poderes. Entretanto, essa posição 
em doutrina é controvertida. 
 
Diogo de Figueiredo Moreira Neto sustenta que não é caso de controle 
direto de mérito (conveniência e oportunidade competem ao Poder 
Executivo aferir), mas sim indireto do mérito, ou seja, relacionado aos 
limites (o grande limite é a proporcionalidade) aos quais o mérito está 
sujeito. 
 
O ato administrativo, nessa linha de raciocínio, pode ser invalidado por 
ser desproporcional. Trata-se do chamado “alargamento da margem do 
controle judicial da discricionariedade administrativa”. Já existe, 
inclusive, decisão do STF no sentido de permitir o controle judicial da 
distribuição de medicamentos para hipossuficientes econômicos, que em 
regra é ato discricionário, à luz do critério da proporcionalidade. 
Mais recentemente, existe jurisprudência que entende que quando 
houver intervenção do Estado no direito de propriedade com o 
tombamento que aniquile o conteúdo do bem, cabe ressarcimento por 
perdas e danos por desproporcionalidade do ato. 
 
Atos 
Vinculados 
são aqueles definidos em lei que não confere ao agente público qualquer 
margem de escolha. Preenchidos os requisitos definidos na norma 
aplicável, o agente público tem o dever de praticar o ato, não podendo 
se eximir de sua responsabilidade. 
 
Quanto às 
prerrogativas 
Atos de 
Império 
atos praticados pela Administração com todas as prerrogativas e 
privilégios de autoridade e impostos unilateral e coercitivamente ao 
particular independentemente de autorização judicial, sendo regidos por 
um direito especial exorbitante do direito comum. 
 
Atos de 
Gestão 
são os praticados pela Administração em situação de igualdade com os 
particulares, para a conservação e desenvolvimento do patrimônio 
público e para a gestão de seus serviços. 
 
65 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Atos de 
Expediente 
Praticados como forma de dar andamento à atividade administrativa , 
não configuram manifestação de vontade do Estado , mas sim, a 
execução de condutas previamente definidas. 
Quanto à função da 
vontade 
Ato 
administrativo 
propriamente 
dito e puro 
há uma declaração de vontade da Administração, voltada para a 
obtenção de determinados efeitos jurídicos definidos em lei. Ex. 
demissão, tombamento, requisição. 
 
Mero ato 
administrativo 
há uma declaração de opinião (parecer), conhecimento (certidão) ou 
desejo (voto num órgão colegiado). 
 
Quanto aos 
destinatários 
 
Atos Gerais atingem todas as pessoas que se encontram na mesma situação; são os 
atos normativos praticados pela Administração, como regulamentos, 
portarias, circulares, instruções, deliberações, regimentos. 
 
Atos 
Individuais 
são os que produzem efeitos jurídicos no caso concreto. Ex. Nomeação, 
demissão, tombamento, servidão administrativa, licença, autorização. 
 
 
Quanto à 
exequibilidade 
Ato Perfeito é aquele que está em condições de produzir efeitos jurídicos, porque já 
completou todo o seu ciclo de formação. Não se confunde com a 
validade, que diz respeito à conformidade do ato com a lei. O ato pode 
ter completado seu ciclo de formação, mas ser inválido e vice-versa. 
Ato 
Imperfeito 
é o que não está apto a produzir efeitos jurídicos, porque não completou 
o seu ciclo de formação. Ex. quando falta publicação, homologação, 
aprovação etc, requisitos exigidos para a validade de determinado ato. O 
prazo de prescrição, administrativa ou judicial, não começa a correr 
enquanto o ato não se torna perfeito. 
 
Ato Pendente é o que está sujeito a condição ou termo para que comece a produzir 
efeitos. Distingue-se do imperfeito porque já completou o seu ciclo de 
formação e está apto a produzir efeitos; estes ficam suspensos até que 
ocorra a condição ou termo. 
Ato 
Consumado 
é o que já exauriu seus efeitos. Ele se torna definitivo, não podendo ser 
impugnado, quer na via administrativa, quer na via judicial; quando 
muito, pode gerar responsabilidade civil, administrativa ou criminal. 
 
Quanto aos efeitos Ato 
Constitutivo 
é aquele pelo qual a Administração cria, modifica ou extingue um direito 
ou uma situação do administrado. É o caso da permissão, autorização, 
dispensa, aplicação de penalidade, revogação. 
 
Ato 
Declaratório 
é aquele em que a Administração apenas reconhece um direito que já 
existia antes do ato. Ex. Admissão, licença, homologação, isenção, 
anulação. 
 
Ato 
Enunciativo 
é aquele pelo qual a Administração apenas atesta ou reconhece 
determinada situação de fato ou de direito. Ex. Certidões, atestados, 
informações, pareceres, vistos. Encerram juízo, conhecimento, opinião e 
não manifestação de vontade produtora de efeitos jurídicos. 
 
Espécies de Atos Administrativos 
Atos 
Normativos 
 São atos gerais e abstratos que geram obrigações a uma quantidade indeterminada de 
pessoas, dentro dos limites da lei. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 Tem característica de norma geral e abstrata para destinatários indeterminados, porém 
determináveis. O que separa os atos normativos da lei é o fato deles não seguirem o 
processo clássico legislativo do art. 59 CF. São projetados para produzir efeitos externos. 
 São atos que precisam estar baseados em lei e consequentemente cabe controle de 
legalidade. Ex: decretos, regulamentos, regimentos e resoluções. 
1. Regulamentos: trata-se de ato normativo privado do chefe do Pode Executivo, 
apresentado por meio de expedição de Decreto. 
Regulamentos Executivos: não tem a intenção de inovar o ordenamento jurídico, sendo 
praticado unicamente para complementação do texto legal.Regulamentos Autônomos: substitutos da lei e não facilitadores de sua aplicação, uma vez 
que são editados sem contemplar qualquer previsão legal anterior. 
Atenção: a doutrina majoritária vem-se posicionando no sentido de que, com a inserção do 
art. 84, inciso VI, da CF/88, existem, no Brasil, duas únicas hipóteses de regulamentos 
autônomos constitucionalmente admitidos. 
Decretos: competência exclusiva do chefe do Poder Executivo (é o que os diferencia dos 
regulamentos). São destinados a situações gerais ou individuais. Em regra, têm a função de 
complementação e regulamentação da lei. Existem hipóteses de decreto autônomo (art. 84, 
VI CF): 
(i) para a organização da Administração Pública desde que não implique aumento de despesa 
nem criação ou extinção de órgãos públicos; 
(ii) para extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos. 
 
2. Instruções Normativas: expedidas pelos Ministros de Estado (podem ser expedidas 
conjuntamente por 2 ou mais Ministros) para a execução das leis, decretos ou regulamentos 
(art. 87 CRFB). Algumas IN podem ser utilizadas por outros órgãos. 
Ex: instrução normativa sobre agrotóxico, expedida pelo Ministério da Agricultura, é aplicada 
pelo Ministério do Meio Ambiente para configurar a poluição por agrotóxico. 
 
3. Regimentos: são atos normativos de função interna. Só se dirigem a quem deve executar o 
serviço ou realizar a atividade funcional, ou seja, não geram obrigações para os particulares 
em geral. 
 
4. Resoluções: são atos normativos emanados de autoridades de alto escalão (Ministros, 
Secretários, Presidentes de Tribunais, órgãos legislativos, colegiados administrativos) para 
disciplinar matéria de competência específica. 
 
5. Deliberações: oriundos de órgãos colegiados (conselhos, comissões, tribunais 
administrativos) e representam a vontade majoritária dos seus componentes. 
 
#FUNDEP (MP/MG 2017): Deliberações são atos emanados, em regra, de órgãos colegiados e 
caracterizam-se como atos simples coletivos, ao passo que as resoluções são atos normativos 
individuais, provenientes de autoridades do alto escalão administrativo e têm natureza 
derivada. 
Atenção: as agência reguladoras possuem poder normativo que se restringe ao âmbito técnico 
da prestação do serviço e expedem os atos por meio de manifestação do seu Conselho 
Diretivo. 
 
Atos 
Ordinatórios 
 Organizam a prestação do serviço, por meio de normas que se aplicam internamente aos 
órgãos pertencentes à estrutura administrativa, ensejando a manifestação do Poder 
Hierárquico da Administração. Não geram direitos adquiridos aos seus destinatários. 
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1. Portarias: são atos internos, emitidos por chefes de órgãos e repartições públicas para seus 
subordinados. São determinações gerais ou especiais (ex: designação de servidores para 
cargos). 
2. Instruções: são normas gerais e abstratas para a organização interna das repartições, 
emanadas por seus chefes. Definem o modo como o subalterno deve executar seu serviço. 
3. Avisos: para dar notícias ou conhecimentos de assuntos da Adm. 
4. Circulares: transmissão de ordens uniformes com caráter concreto para subordinados. 
5. Ordem de Serviço: determinação para os subordinados da maneira de conduzir 
determinado serviço com caráter geral e concreto. 
Ex: por intermédio de uma ordem se serviço o Procurador-Chefe pode determinar a forma de 
distribuição de processos na procuradoria. 
6. Ofício: ato pelo qual os agentes administrativos se comunicam. São as cartas oficiais. 
7. Despacho: expressa a decisão da autoridade administrativa sobre assuntos de interesse 
individual e coletivo, submetidos à sua apreciação. Podem ser decisões finais ou 
interlocutórias. 
 
Atos Negociais  São acordos da Adm. Pública com os particulares. Como não há igualdade entre as partes 
acordantes, fala-se em negócio jurídico e não em contrato, pois a Administração manifesta 
unilateralmente a sua concordância à pretensão do administrado. 
 
Alvará = aceitação da Adm. da atividade desenvolvida pelo particular. É a materialização do 
consentimento dado pelo Estado. Ex: alvará de autorização; alvará de licença; alvará de 
permissão. 
 
1. Licença: ato unilateral, VINCULADO e DEFINITIVO, que faculta àquele que preenche os 
requisitos legais o exercício de uma atividade. A licença deve ser obrigatoriamente deferida se 
o particular preencher os requisitos. É ato DECLARATÓRIO, ou seja, reconhece o direito 
subjetivo do particular, habilitando o seu exercício. Ex: licença para construir; licença para 
dirigir; licença para exercer profissão regulamentada. 
 
2. Permissão: ato DISCRICIONÁRIO e PRECÁRIO, pelo qual a Administração faculta o uso de 
bem público a particular, mas diferencia-se da autorização por visar atender a interesse do 
particular e da coletividade. 
Obs: A permissão de serviços públicos NÃO é ato administrativo unilateral, mas contrato 
administrativo, tal como prevê o art. 40 da Lei 8.987/95. Caso a Adm. imponha condições (ex: 
prazo), ficará condicionada ao cumprimento das mesmas (permissão condicionada ou 
qualificada). STJ: A revogação pela Adm. da permissão com prazo de validade determinado 
(permissão qualificada) antes do referido prazo gera direito de indenização ao permissionário. 
 
3. Autorização: ato unilateral, DISCRICIONÁRIO e PRECÁRIO, em que a Administração faculta 
o uso de bem público a particular para anteder o seu interesse privado (ex: interdição de rua 
para evento festivo) ou faculta a prestação de serviço público (ex: autorização para taxistas) 
ou ainda para a prática de determinada conduta que desautorizada seria considerada ilícita 
(ex: autorização para portar arma). A Adm. pode revogar a autorização a qualquer momento, 
sem direito de indenização, pois se trata de ato extremamente precário. 
 
4. Admissão: ato unilateral e vinculado, em que a Adm reconhece o direito ao recebimento de 
determinado serviço público pelo particular. Ex: admissão em escolas públicas. 
Obs: Atos administrativos de controle – controlam a legalidade e o mérito dos atos 
administrativos já editados. 
 Aprovação: ato unilateral e discricionário que controla, preventiva ou repressivamente, 
outro ato administrativo (ex: aprovação de projeto para a execução de uma obra). 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 Homologação: ato unilateral e vinculado. Adm. reconhece a legalidade de um ato jurídico 
anterior. É sempre a posteriori. Ex: homologação da licitação. 
 Visto: ato administrativo que controla a legitimidade formal de outro ato. Ex: visto da 
autoridade superior em relação ao parecer elaborado pela autoridade inferior. 
 
Atos 
Enunciativos 
 São os atos administrativos que estabelecem opiniões e conclusões do ente estatal. Não 
estão sujeito à análise de mérito ou legalidade, não produzindo efeitos imediatos. 
Pareceres: emite-se a opinião de órgão consultivo do Poder Público, sobre assunto de sua 
competência. Atenção: pode ser facultativo ou obrigatório (é indispensável à regularidade do 
ato). O parecer não tem natureza vinculante. 
 
RESPONSABILIDADE DO PARECERISTA – MIN. JOAQUIM BARBOSA 
 
FACULTATIVO 
 
OBRIGATÓRIO 
 
VINCULANTE 
 
O Administrador NÃO é 
obrigado a solicitar o 
parecer do órgão jurídico. 
 
O administrador É obrigado a 
solicitar o parecer do órgão 
jurídico. 
 
O administrador É obrigado a 
solicitar o parecer do órgão 
jurídico. 
 
O administrador pode 
discordar da conclusão 
exposta pelo parecer, desde 
que faça 
fundamentadamente. 
 
O administrador pode 
discordar da conclusão 
exposta pelo parecer, desde 
que faça 
fundamentadamente, com 
base em um novo parecer. 
 
O administrador NÃO pode 
discordar da conclusão exposta 
pelo parecer. 
 
Ou o administrador decide nos 
termos da conclusão do parecer, 
ou, então, não decide. 
 
Em regra, o parecerista não 
tem responsabilidade pelo 
ato administrativo. 
 
Contudo, pode ser 
responsabilizado seficar 
configurada a existência de 
culpa ou erro grosseiro. 
 
Em regra, o parecerista não 
tem responsabilidade pelo ato 
administrativo. 
 
Contudo, pode ser 
responsabilizado se ficar 
configurada a existência de 
culpa ou erro grosseiro. 
 
Há uma partilha do poder de 
decisão entre o administrador e o 
parecerista, já que a decisão do 
administrador deve ser de acordo 
com o parecer. 
 
Logo o parecerista responde 
solidariamente com o 
administrador pela prática do ato, 
não sendo necessário 
demonstrar-se culpa ou erro 
grosseiro. 
 
2. Certidões: são cópias ou fotocópias fiéis e autenticados de atos ou fatos constantes no 
processo, livro ou documento que se encontre nas repartições públicas. Não há manifestação 
de vontade, só transcrição. 
3. Atestados: são atos pelos quais a Adm. comprova um fato ou uma situação de que tenha 
conhecimento por seus órgãos competentes. Ex: atestado de incapacidade física decorrente 
de enfermidade que acomete servidor. 
4. Apostila ou averbação: o ente estatal acrescenta informações constantes em um registro 
público ou o altera e houver descrição que não corresponda à realidade. 
 
Atos Punitivos São os que contém uma sanção imposta pela Adm. àqueles que infringem disposições legais, 
regulamentares ou ordinatórias dos bens e serviços públicos. Visam a punir e reprimir as 
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infrações administrativas ou a conduta irregular dos servidores. Ex: multas, interdição de 
atividades e destruição de coisas e demolição administrativa. 
 
Extinção dos Atos Administrativos 
Extinção Normal 
ou Natural 
Ocorre quando o ato administrativo produz os seus efeitos (ex: o ato que concede férias é 
extinto pelo gozo das férias pelo servidor) ou no advento do prazo nele estipulado. 
 
Extinção 
Subjetiva 
Ocorre pelo desaparecimento do beneficiário (ex: falecimento do servidor extingue a relação 
funcional). 
 
Extinção 
Objetiva 
Ocorre quando desaparece o objeto da relação jurídica (ex: extinção do ato adm. que 
determina a reforma de um edifício após esse edifício ser demolido por inundação). 
 
Extinção por 
manifestação de 
vontade do 
particular 
a) Renúncia: é a extinção do ato que já iniciou a produção dos seus efeitos por vontade 
unilateral do particular (ex: exoneração a pedido do servidor). 
b) Recusa: é a extinção antes da produção de seus efeitos (ex: recusa em utilizar bem público 
objeto de autorização de uso). 
 
Extinção por 
manifestação da 
vontade da 
Administração 
a) Caducidade: ocorre quando a situação contemplada no ato administrativo não é mais 
tolerada pela nova legislação. Trata-se de ilegalidade superveniente por alteração legislativa 
(não imputada ao beneficiário). Incide exclusivamente sobre atos discricionários e precários, 
que não geram direitos subjetivos aos particulares, pois os atos vinculados geram direito 
adquirido. 
Obs: A caducidade do ato administrativo NÃO se confunde com a caducidade do contrato 
administrativo, pois a última fundamenta-se no descumprimento do contrato ou das normas 
jurídicas pelo concessionário, possuindo natureza sancionatória (art. 38 da Lei 8.987/95). 
 
b) Cassação: ocorre pelo descumprimento das condições fixadas pela Administração ou 
ilegalidade superveniente imputada ao beneficiário do ato (ex: cassação da licença para dirigir 
quando o motorista descumpre as regras do CTB). A cassação representa verdadeira sanção, 
razão pela qual deve ser precedida de contraditório e ampla defesa e deve ser aplicada por 
prazo determinado, já que é inadmissível a pena perpétua no ordenamento brasileiro (art. 5º, 
XLVII, “b” CRFB). 
 
c) Anulação: é a invalidação do ato administrativo editado em desconformidade com a ordem 
jurídica. Trata-se de ilegalidade originária. Não importa a natureza do ato (discricionário ou 
vinculado) e o controle da legalidade pode ser exercido pelos 3 Poderes. Pressupõe a 
observância dos princípio do contraditório e da ampla defesa. 
Em regra, a Adm. Pública tem o dever de anular o ato administrativo que viola a ordem jurídica 
(princípio da legalidade), tratando-se de atividade vinculada e não discricionária. Admite-se, 
entretanto, em circunstâncias especiais, que a Adm. deixe de invalidar o ato ilegal para 
convalidá-lo por razões de segurança jurídica ou boa-fé, bem como na hipótese de decadência 
administrativa. 
A extinção opera efeitos ex tunc (retroativos). É possível, porém, que a Adm. module os efeitos 
da invalidação do ato ilegal. A anulação, em regra, gera o dever de indenizar, salvo na hipótese 
em que o administrado contribuir para a prática da ilegalidade. 
 
d) Revogação: é a extinção do ato administrativo legal por razões de conveniência e 
oportunidade. A revogação incide sobre o ato discricionário, que pressupõe a avaliação do 
mérito. A competência para revogar é restrita ao órgão que editou o ato. 
70 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Obs: O Poder Judiciário no exercício de função administrativa atípica pode revogar os seus 
próprios atos administrativos discricionários (ex: concessão de férias para magistrados). A 
revogação deve ser precedida da oitiva do interessado, tendo em vista a ampla defesa e o 
contraditório. 
Enquanto a anulação possui caráter vinculado, a revogação denota atuação discricionária do 
poder público, na forma do art. 53 da Lei 9.784/99. 
A revogação produz efeitos prospectivos (ex nunc) e não acarreta, em regra, direito à 
indenização, pois dela resulta a extinção de atos discricionários que não geram direitos 
subjetivos aos beneficiários. Porém, existem situações excepcionais que podem justificar a 
indenização ao administrado a partir de princípios jurídicos, com destaque para a confiança 
legítima (ex: revogação da permissão qualificada antes do prazo estipulado). 
A revogação do ato revogador (“revogação da revogação”) NÃO acarreta efeitos 
repristinatório, salvo disposição expressa em contrário. NÃO podem ser revogados: 
✓ Atos vinculados; 
Obs: Discussão acerca da possibilidade de revogação da licença para construir – 2 posições: 
1ª posição – STF – Possibilidade de revogação da licença para construir, ANTES de iniciada a 
obra com indenização ao administrado. 
2ª posição – Carvalhinho – Impossibilidade de revogação da licença para construir, tendo em 
vista o seu caráter vinculado, cabendo ao poder público desapropriar o direito de construir do 
administrado (desapropriação do direito). 
✓ Atos que exauriram os seus efeitos ou com prazo expirado; 
✓ Atos preclusos no processo administrativo: no proc. administrativo, a edição de novo ato 
acarreta a preclusão do anterior, que não pode mais ser revogado. 
✓ Atos que geram direitos adquiridos (Súmula 473 STF); 
✓ “Meros atos administrativos”: segundo a doutrina majoritária, os “meros atos 
administrativos” (ex: certidões, atestados e pareceres) não podem ser revogados, pois os seus 
efeitos estão estabelecidos em lei. 
 
e) Contraposição ou derrubada: é a extinção do ato administrativo em razão da sua 
incompatibilidade material com ato administrativo posterior. 
Obs: Parte da doutrina entende que se trata de hipótese de revogação tácita e não espécie 
autônoma de extinção. 
 
Convalidatória 
ou Sanatória 
Trata-se do salvamento do ato administrativo que apresenta vícios sanáveis. O ato de 
convalidação produz efeitos ex tunc (retroativos). Pressupõe a ponderação entre o princípio 
da legalidade e outros princípios igualmente constitucionais (segurança jurídica, boa-fé, 
confiança legítima, etc). 
» Atos nulos e anuláveis: Há controvérsia na doutrina quanto à aplicação da dicotomia “ato 
nulo x anulável” ao Direito Administrativo – 2 posições: 
1ª posição – Hely Lopes Meirelles – Teoria monista = os atos administrativos ilegais são 
sempre nulos, sendo inaplicável ao Direito Administrativo a teoria da nulidade relativa ou da 
anulabilidade. 
2ª posição – Carvalhinho, Di Pietro e Celso Antônio Bandeira de Mello – Teoriadualista = os 
atos administrativos ilegais podem ser nulos ou anuláveis quando os vícios forem 
respectivamente insanáveis ou sanáveis. 
 
» Vícios insanáveis e sanáveis: 
Vícios sanáveis = são os relacionados à competência (salvo, competência exclusiva ou em 
razão da matéria), à forma e ao objeto, quando este último for plúrimo (quando o ato possuir 
mais de um objeto). 
71 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Vícios insanáveis = são os relacionados ao motivo, ao objeto (quando único) e à finalidade. 
NÃO será possível a convalidação por vontade da Administração nas seguintes hipóteses: 
a) Má-fé do administrado; 
b) Vícios insanáveis; 
c) Lesão ao interesse público (art. 55 da Lei 9.784/99); 
d) Prejuízos a terceiros (art. 55 da Lei 9.784/99). 
 
» Espécies de convalidação: 
1. Convalidação voluntária: Depende da manifestação de vontade da Adm. Pública. Tem como 
modalidades: 
a) Ratificação: é a convalidação do ato que possui vícios de competência e de forma; 
b) Reforma: refere-se ao vício em um dos objetos do ato. O agente público retira o objeto 
inválido e mantém o objeto válido. 
Ex: ato que concede 2 benefícios remuneratórios para determinado servidor que, em verdade, 
fazia jus a apenas 1. A autoridade competente exclui o benefício concedido irregularmente e 
preserva o outro benefício regular. 
c) Conversão: refere-se ao vício em um dos objetos do ato, mas aqui ocorre o acréscimo de 
novo objeto. 
Ex: ato que nomeia 3 servidores para atuarem em determinada comissão disciplinar. 
Constatado que um dos nomeados era irmão do agente investigado, a autoridade competente 
exclui o integrante da comissão, substituindo-o por outro agente e mantém os demais 
nomeados. 
 
2. Convalidação involuntária: Em âmbito federal, o art. 54 da Lei 9.784/99 prevê o prazo 
decadencial de 5 anos para a anulação dos atos administrativos de que decorram efeitos 
favoráveis para os destinatários, salvo comprovada má-fé. 
Info 839 STF: Servidor que recebeu auxílio-moradia apresentando declaração falsa de que 
havia se mudado para outra cidade terá que ressarcir o erário e devolver os valores recebidos 
mesmo que já se tenha passado mais de 5 anos desde a data em que o pagamento foi 
autorizado. 
Questão controvertida: hipótese em que a legislação estadual ou municipal não estipula prazo 
decadencial para anulação de atos administrativos ilegais. Haveria, nessa hipótese limite 
temporal? 3 posições: 
1ª posição – Na ausência de limite temporal, a Adm. poderia anular os seus atos ilegais a 
qualquer tempo. 
2ª posição – Deve ser aplicado o prazo geral de prescrição do CC de 10 anos (art. 205 CC). 
3ª posição – majoritária – Ausente prazo de decadência, deve ser aplicado o prazo de 5 anos, 
tendo em vista a aplicação analógica da legislação administrativa. 
 
 
Revogação Retirada se dá por razões de conveniência e oportunidade. 
Anulação ou 
Invalidação 
Retirada se dá por razões de legalidade. 
Cassação Retirada se dá em razão de descumprimento de condição fundamental para que o ato pudesse 
ser mantido. 
Caducidade Retirada se dá porque uma norma jurídica posterior tornou inviável a permanência da situação 
antes permitida pelo ato. 
Contraposição 
ou Derrubada 
Retirada se dá pela edição posterior de atos cujos efeitos se contrapõem ao anteriormente 
emitido. 
Renúncia Retirada se dá porque o próprio beneficiário abriu mão de uma vantagem de que desfrutava. 
72 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Ratificação Se a autoridade que convalida o ato é a mesma que praticou. 
Confirmação Se a convalidação é feita por autoridade superior. 
Reforma Incide sobre o ato válido que é aperfeiçoado, por razões de conveniência e oportunidade, para 
que melhor atenda aos interesses públicos. A reforma se distingue da convalidação, afinal esta 
recai sobre atos ilegais, e aquela, sobre atos legais. 
Conversão Atinge ato inválido, mudando-o para outra categoria, para que se aproveitem os efeitos 
produzidos. 
Atos 
Inexistentes 
Estão fora do ordenamento jurídico, em virtude da violação de princípios básicos que norteiam 
a atuação das pessoas dentro de determinada sociedade. Esses atos não podem ser 
convalidados. Também, não podem ser garantidos efeitos pretéritos produzidos, mesmo em 
relação a terceiros de boa-fé. 
Atos Nulos São aqueles declarados em lei como tais. A retirada produz efeitos ex tunc. Não podem ser 
convalidados. Podem ser garantidos alguns efeitos pretéritos produzidos em relação a 
terceiros de boa-fé. 
Atos Anuláveis Possuem vícios que admitem conserto, podendo ser assim convalidado. 
Atos Irregulares Sofrem vício material irrelevante, mediante o desrespeito de normas internas de 
padronização, não ensejando a nulidade do ato, mas tão somente a responsabilização do 
agente público que o praticou. 
Teoria da 
Aparência 
A nomeação do servidor sem concurso público é nula, mas os atos praticados são válidos, em 
atenção ao princípio da segurança jurídica. Não há devolução de salários, já que os serviços 
foram prestados. 
 
Aprofundamento para provas subjetivas de concursos 
Estabilização dos Efeitos dos Atos Administrativos 
 É instituto criado pela doutrina pátria, acompanhado pela jurisprudência moderna. 
 Em algumas situações, devem ser mantidos todos os efeitos produzidos pelo ato, ainda que seja ato que sofra 
de nulidade insanável, sendo que, em outros casos, o próprio ato deve ser mantido no ordenamento jurídico 
a despeito de sua ilegalidade, como forma de proteção ao cidadão e a outros princípios constitucionais 
aplicáveis. 
 Não há aqui a convalidação do ato administrativo, pois ele continua com os vícios que levariam à convalidação, 
mas, por outras questões, tais como o princípio da Segurança Jurídica e da Proteção da Boa-Fé, ele permanece 
aplicável no ordenamento jurídicos e seus efeitos estabilizam-se. 
 Teoria do Funcionário de Fato: considera válidos os efeitos administrativos praticados por agentes públicos 
irregularmente investidos, pelo fato de se revestirem de aparência de legalidade, o que enseja legitima 
expectativa aos particulares beneficiados por tais condutas. 
 A aplicação das regras de decadência, estampados no art. 54 da Lei 9.784/99 é uma forma de estabilização de 
efeitos de ato nulo e não de convalidação. 
 Não se confunde com a Teoria do Fato Consumado, pois na estabilização é preciso que a retirada do ato 
comprometa outros princípios da ordem jurídica, causando sérios prejuízos. 
 Teoria do fato consumado não pode ser usada para manter atos administrativos viciados, conforme a 
jurisprudência, por causa do princípio da legalidade. 
 
“Doutrina Chenery” e a Insindicabilidade do Mérito nos Atos Administrativos Técnicos do Estado Brasileiro 
Tema de extrema importância, não apenas do ponto de vista da praxe forense mas também na preparação para 
exames discursivos de concursos públicos, a “Doutrina Chenery” foi exposta no inteiro teor do AgInt no AgInt na 
SLS 2.240-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, por unanimidade, julgado em 7/6/2017, DJe 20/6/2017 (STJ, Informativo 605). 
73 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Trata-se de teoria proveniente do Direito Anglo-Saxão que envolve a temática do controle jurisdicional de atos 
administrativos, em especial na hipótese de escolhas políticas governamentais que se transmudem seja em atos 
administrativos discricionários, seja em atos de governo. 
Os atos administrativos discricionários, segundo a abalizada doutrina do Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello 
(“Curso de Direito Administrativo Brasileiro”, Malheiros Editores) podem sofrer controle judicial tanto em seu 
motivo quanto em seu objeto, e tal controle circunscreve-se tão somente à legalidade do ato, não se podendo 
apreciar seu mérito, sob pena de violação ao princípio constitucional da divisão funcional do poder (Constituição 
do Brasil, art. 2º – também chamado, a meu ver atecnicamente, de “princípio da separaçãode poderes”). 
Nesse sentido, o saudoso Prof. Diogo de Figueiredo Moreira Neto (“Curso de Direito Administrativo”, Ed. 
Forense) cunha a expressão Princípio da Insindicabilidade do Mérito Administrativo para designar a norma 
segundo a qual o mérito não pode ser alvo de controle judicial, sendo de exclusivo controle por parte da 
Administração Pública, por meio do sistema de autotutela administrativa (v. STF, Súmulas 343 e 473). 
Além dos atos administrativos discricionários, disciplinados pelo Direito Administrativo, também posso mencionar 
a existência dos chamados atos de governo, que não possuem disciplina por parte do ramo administrativista da 
Ciência Jurídica, por não se submeterem a seus lindes; são, nesse sentido, disciplinados pelo Direito Constitucional 
e pela Ciência Política, por se tratarem de atos de império (ius imperii) ligados à dinâmica do Poder político, com 
fraca limitação jurídica. 
A Doutrina Chenery, nesse sentido, lida com atos administrativos discricionários e atos de governo especialmente 
fundamentados em prévias pesquisas técnicas, realizadas por servidores ou equipes políticas detentoras 
de expertise (especialização) na área objeto do ato. 
Dessa forma, além de ser o mérito de tais atos insindicável per se, pelas razões supraexpostas, ainda se pode 
acrescentar que o Poder Judiciário não possui a expertise necessária para compreender as consequências 
econômicas e políticas de uma decisão que invada o mérito administrativo de tais medidas, sejam elas 
disciplinadas pelo Direito Administrativo (atos discricionários) ou pelo Direito Constitucional e Ciência Política 
(atos de governo). 
Exemplo próximo de tal variante da insindicabilidade diz respeito aos atos emanados pelas Agências Reguladoras, 
autarquias especiais que possuem relativa independência (parafraseando a eminente Prof. Maria Sylvia Zanella 
Di Pietro) e atribuição para publicarem atos administrativos normativos de caráter técnico. Nesse sentido, 
segundo a Doutrina Chenery, por representarem medidas de natureza jurídico-política subsidiadas por complexas 
pesquisas técnicas de uma entidade que possui expertise na matéria, não podem ser alvo de controle judicial de 
seu conteúdo, mas tão somente de seus aspectos formais e legais. 
Tema muito importante para os concursos das carreiras da Advocacia Pública em sentido amplo (AGU, PGEs, 
PGMs, Procuradorias Autárquicas, Advocacia Estatal), pode ser exigido pelas bancas examinadoras ou, se incluído 
como subsídio em respostas a questões discursivas, promover majoração de sua nota pela demonstração de 
conhecimento ao examinador. 
 
*#OUSESABER: O entendimento majoritário da doutrina é no sentido de que o silêncio administrativo produz 
efeito de anuência ou denegatório apenas quando a lei assim dispuser. Certo ou errado? 
O silencio administrativo é sempre cobrado em provas de concurso. Aliás, na recente prova da PGM Fortaleza, 
realizada pelo CESPE, este tema foi novamente cobrado. 
 
Discorrendo sobre o tema, Fernanda Marinela assim relata: “Para a doutrina majoritária, o silêncio administrativo 
não produz nenhum efeito, salvo quando a lei – reconhecendo o dever da Administração de agir, atribui esse 
resultado, admitindo-se, nesse caso, a possibilidade de uma anuência tácita, ou até, de efeito denegatório do 
pedido, contrariando o interesse de peticionário. Nessas hipóteses – em que a lei atribui efeito ao silêncio – o 
mesmo não decorre do silêncio, e sim da previsão legal. 
74 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Segundo essa orientação, o silêncio não é ato jurídico e, por conseguinte, não é ato administrativo, porque ambos 
dependem de uma declaração jurídica, de uma manifestação, faltando, assim, a condição para a sua existência, 
que é a exteriorização da vontade.” (Direito Administrativo, 11 ed., pág. 344) 
 
*#OUSESABER: o móvel dos atos administrativos é a situação real que justifica a edição legítima do ato 
administrativo. Certo ou errado? 
ERRADO. O móvel é a vontade pessoal, psíquica, não real como prevê o item, que move o agente público na 
elaboração dos atos administrativos. A distinção do móvel para o motivo é evidente, visto que neste há a 
explicitação real da situação que justifica a edição do ato, ao passo que o móvel implica na motivação pessoal, 
que nem sempre se coaduna com o real desiderato do ato administrativo. 
No entendimento de Celso Antônio Bandeira de Mello, o móvel é importante apenas para os atos discricionários 
que exigem a análise subjetiva do agente na escolha entre as opções de atuação conferidas pela legislação. A 
contrario sensu, o móvel seria irrelevante para os atos vinculados, pois a validade desses atos dependeria 
apenas da compatibilidade formal entre os elementos do ato e aqueles que foram enumerados na lei. Rafael 
Rezende discorda desse entendimento, defendendo que o móvel seria apto a invalidar também os atos 
vinculados, pois mesmos nestes haveria uma mínima margem de escolha do gestor a ser colmatada pelo móvel. 
#APROFUNDAMENTO #OUSESABER: Aplica-se o venire contra factum proprium aos atos da Administração? 
Quais são os requisitos? Primeiramente, há se destacar que se aplica o princípio venire contra factum proprium 
contra os atos da Administração Pública, pois a boa-fé objetiva irradia seus efeitos para todo o ordenamento 
jurídico. É esse, inclusive, o entendimento do STJ, consoante divulgado no julgado do RMS 20572/DF, de Rel. Min 
Laurita Vaz. 
Consoante Rafael Carvalho, possui 3 requisitos: a) identidade subjetiva e objetiva: o ato anterior e o ato 
posterior emanam da mesma Administração e são produzidos no âmbito da mesma relação jurídica; b) a conduta 
anterior é válida e unívoca: capaz de gerar a confiança (expectativa legítima) na outra parte da relação jurídica; 
e c) atuação contraditória: incompatibilidade do ato posterior com o ato anterior. É possível mencionar alguns 
exemplos de aplicação da teoria dos atos próprios no Direito Administrativo: nulidade da imposição de multa de 
trânsito por irregularidade no veículo, constatada em fiscalização realizada pela Secretaria de Trânsito na saída 
do pátio de DETRAN, logo depois de o veículo ser vistoriado e devidamente licenciado; imposição ao Município 
de proceder ao loteamento dos imóveis alienados pelo próprio Ente municipal aos particulares, sendo descabida 
a pretensão de anulação dos contratos de compra e venda. 
Efeito Preliminar ou Prodrômico 
Acontece nos atos administrativos que dependem de duas manifestações de vontade. Este efeito se configura 
com o dever da segunda autoridade se manifestar quando a primeira já o fez. Esse dever vem antes do 
aperfeiçoamento do ato, que se chama preliminar ou prodrômico. 
O efeito atípico reflexo do ato atinge terceiros estranhos a sua prática. O efeito atípico prodrômico do ato, por 
sua vez, ocorre nos atos complexos ou compostos, e surge antes do ato concluir seu ciclo de formação, 
consubstanciando-se em situação de pendência de alguma outra formalidade. 
Marinela explica que o efeito prodrômico do ato se dá, por exemplo, quando a primeira autoridade se manifesta 
e surge a obrigação de um segundo também fazê-lo, constatado neste meio tempo; o efeito prodrômico 
independe da vontade do administrador e não pode ser suprimido. Vale dizer que a expressão efeito prodrômico 
também é utilizada no processo penal como característica da sentença. Nesta disciplina do Direito, efeito 
prodrômico da sentença se relaciona com a vedação da reformatio in pejus, seja ela direta ou indireta, na hipótese 
de recurso exclusivo do réu. 
 
Tema: Atributos dos Atos Administrativos 
a) Qual a diferença entre anulação e revogação de um ato administrativo? 
75 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
b) Qual a natureza dos atos de aposentadoria, reforma ou pensão? Após 5 anos da concessão inicial de um 
benefício de aposentadoria, o Tribunal de Contas constatou que o seu deferimento se deu em 
desconformidade com as normasjurídicas aplicáveis. Neste caso, a administração pública deverá tornar sem 
efeito tal ato com base no princípio da autotutela? 
c) Explique de que maneira os efeitos reflexo e prodrômico podem se apresentar no ato administrativo. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A anulação deve ocorrer quando há um vício no ato, relativo à legalidade ou legitimidade (ofensa à lei ou ao 
direito como um todo). É sempre um controle de legalidade e nunca de mérito. Pelo fato de se tratar de um ato 
inválido, os efeitos retroagem ao momento da prática do ato (ex tunc). Por sua vez, a revogação é a retirada de 
um ato válido do mundo jurídico, mas que, segundo critério discricionário da administração, tornou-se 
inoportuno ou inconveniente (controle de mérito). Os efeitos são prospectivos (ex nunc), respeitando-se os 
direitos adquiridos. 
Embora haja divergência na doutrina, os Tribunais Superiores são uníssonos em afirmar que se trata de um ato 
administrativo complexo, uma vez que apenas se aperfeiçoa com o controle de legalidade por parte do Tribunal 
de Contas, sendo necessária, portanto, a manifestação dos dois órgãos para que, de fato, o ato passe a existir. 
Neste contexto, passados 5 anos (STF, invocando o princípio da isonomia, entendeu que o mais correto seria 
aplicar, por analogia, o prazo de 5 anos do art. 1º do Decreto 20.910/1932), a contar da chegada do processo 
da concessão inicial de aposentadoria à respectiva Corte de Contas, sem que haja controle de legalidade por 
parte deste órgão, considera-se definitivamente registrado, em atenção ao princípio da segurança jurídica e da 
confiança legítima, não cabendo mais à administração desconstituí-lo. 
Trata-se de efeitos atípicos que podem ser produzidos pelo ato administrativo. O efeito reflexo repercute perante 
terceiros não contemplados pelo ato, isto é, atingem pessoas estranhas à relação jurídica que se trava entre a 
Administração e o sujeito passivo do ato. Já o efeito prodrômico ou preliminar ocorre nos atos complexos ou 
compostos, e surge antes do ato concluir o seu ciclo de formação, consubstanciando-se em situação de pendência 
de alguma outra formalidade, como no caso em que a primeira autoridade se manifesta e surge a obrigação de 
um segundo também fazê-lo, constatado nesse meio tempo. 
(!) Esse entendimento do STF, sobre prazo de 5 anos da chegada do processo ao TCU, vale tanto para o Tribunal 
de Contas da União como para os Tribunais de Contas estaduais. STF. Plenário. RE 636553/RS, Rel. Min. Gilmar 
Mendes, julgado em 19/2/2020 (repercussão geral – Tema 445) (Info 967). 
A jurisprudência trazia uma exceção a súmula vinculante 3 do STF (Nos processos perante o Tribunal de Contas 
da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou 
revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de 
concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão): se o Tribunal de Contas tivesse demorado mais do que 5 
anos para analisar a concessão inicial da aposentadoria, ele teria que permitir contraditório e ampla defesa ao 
interessado. Essa exceção deixou de existir com o julgamento do RE 636553/RS. O STF passou a dizer que, se o 
Tribunal de Contas demorar mais que 5 anos para julgar a aposentadoria, reforma ou pensão, o ato é considerado 
definitivamente registrado. 
-A anulação ou revogação do ato administrativo decorre do princípio da autotutela, s segundo o qual a 
Administração tem o poder-dever de controlar seus próprios atos, com a possibilidade de anular aqueles que 
forem ilegais e revogar os que se mostrarem inconvenientes ou inoportunos, sem precisar recorrer ao Poder 
Judiciário. 
Existem duas súmulas do STF que preveem esse princípio: 
Súmula 346-STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. 
Súmula 473-STF: A administração pode anular os seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem 
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, 
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
76 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Quando os referidos atos implicam invasão da esfera jurídica dos interesses individuais de seus administrados, é 
obrigatória a instauração de prévio processo administrativo, no qual seja observado o devido processo legal e os 
corolários da ampla defesa e do contraditório. STJ. 1ª Turma. AgInt no AgRg no AREsp 760.681/SC, Rel. Min. 
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 03/06/2019. 
A Lei nº 9.784/99 (art. 54) estabelece um prazo decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da 
Administração Pública federal, ou seja, um prazo para o exercício da autotutela. 
Qual o prazo de que dispõe a Administração Pública federal para anular um ato administrativo ilegal? 
Regra 5 anos, contados da data em que o ato foi praticado. 
Exceção 1 Em caso de má-fé. 
Se ficar comprovada a má-fé, não haverá prazo, ou seja, a Administração Pública 
poderá anular o ato administrativo mesmo que já tenha se passado mais de 5 anos. 
Exceção 2 Em caso de afronta direta à Constituição Federal. 
O prazo decadencial de 5 anos do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o 
ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. 
Trata-se de exceção construída pela jurisprudência do STF. Não há previsão na lei 
desta exceção 2. 
STF. Plenário. MS 26860/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2/4/2014 (Info 741). 
 
(!) Será inconstitucionalidade da Lei estadual que preveja prazo de 10 anos. STF. Plenário. ADI 6019/SP, Rel. Min. 
Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12/4/2021 (Info 1012). É inconstitucional por violar 
o princípio da igualdade, a maioria dos Estados-membros aplica o prazo quinquenal para anulação de atos 
administrativos, seja por previsão em lei própria ou por aplicação analógica do art. 54 da Lei nº 9.784/99. Logo, 
“não há fundamento constitucional que justifique a situação excepcional do Estado de São Paulo, justamente o 
mais rico e certamente um dos mais eficientes da Federação, impondo-se o tratamento igualitário nas relações 
Estado-cidadão”. Somente são admitidas exceções ao princípio da isonomia quando houver fundamento razoável 
baseado na necessidade de remediar um desequilíbrio específico entre as partes. 
 Cuidado! Essa lei não invadiu a competência privativa da União para legislar sobre contratos administrativos 
(art.22,XXVII,CF), está inserida na competência constitucional dos Estados-membros para legislar sobre direito 
administrativo (art. 25, § 1º, CF/88). A forma federativa de Estado adotada pela Constituição não admite que seja 
editada uma lei nacional sobre processo administrativo. Isso afrontaria a autonomia dos entes federativos. Cada 
ente possui autonomia para estruturar a sua organização e a sua forma de atuação (art. 25, CF/88). 
(!) Súmula 633-STJ: A Lei nº 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a revisão de 
atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos 
estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria. (princípio para aplicação: 
razoabilidade e proporcionalidade) 
 
Tema: Atributos dos Atos Administrativos 
Em 2013, no concurso de Delegado de Polícia Federal caiu um questão abordando essa temática. 
De acordo com a doutrina, o ato administrativo possui atributos próprios, que são qualidades que, via de regra, 
inexistem no ato jurídico particular. Registre-os, com os respectivos significados. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
a) Presunção de Legitimidade: Decorre do Princípio da Legalidade. Todo e qualquer ato administrativo deve ter 
tido como verdadeiro e conforme o Direito. Essa presunção admite prova em contrário. 
b) Imperatividade: É a qualidade que certos atos administrativos têm para constituir situações de observânciaobrigatória em relação aos seus destinatários, independentemente da respectivas concordância ou 
aquiescência. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
c) Exigibilidade: É a característica do ato administrativo que impele o destinatário à obediência das obrigações 
por ele impostas, sem necessidade de qualquer apoio judicial. Em razão disso, o Estado pode exigir e obter 
dos destinatários do ato administrativo o cumprimento da obrigação ou do dever imposto, sem auxílio de 
ordem judicial. 
d) Autoexecutoriedade: A autoexecutoriedade, ou simplesmente executoriedade, é o atributo do ato 
administrativo que dá ensejo à Administração Pública de, diretamente e imediatamente, executá-lo. Para a 
execução da decisão administrativa o Poder Público não necessita recorrer ao Poder Judiciário. 
e) Tipicidade: É o atributo pelo o qual o ato administrativo deve corresponder a figuras definidas previamente 
pela lei como aptas a produzir determinados resultados. Para cada finalidade que a Administração pretende 
alcançar existe um ato definido em lei. 
 
 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 
O ato administrativo é o modo de expressão das decisões tomadas por órgãos e autoridades da Administração 
Pública, que produz efeitos jurídicos, modificando, extinguindo direitos, ou impondo restrições e obrigações. 
 
O ato administrativo deve ser editado com observância do Princípio da Legalidade. Para ser válido, além da 
observância do Princípio da Legalidade, o ato administrativo precisa ser editado pelo agente competente, ter 
forma adequada, objeto definido, precisa ser motivado e possuir uma finalidade. Um ato administrativo, 
entretanto, embora dotado de ilegalidade, pode ser mantido pela Administração Pública, através da utilização 
do instituto da sanatória. 
 
As modalidades de saneamento do ato administrativo são: convalidação, ratificação e conversão. 
 
A convalidação é o ato da administração que suprime um defeito administrativo anteriormente editado, 
retroagindo seus efeitos a partir da data da edição do ato administrativo convalidado. Os atos que possuam 
vícios de competência e de forma o são, em regra, passíveis de convalidação; 
 
A ratificação é o ato por meio do qual é expurgado ou corrigido um defeito relativo à competência, declarando-
se sua validade desde o momento em que foi editado. Não podem ser ratificados atos cuja competência para 
edição é de competência exclusiva de autoridades indicadas na CF. 
 
A conversão é o ato editado com aproveitamento de elementos válidos de outro ato primitivamente dotado de 
ilegalidade, para a mesma finalidade deste, com retroação dos seus efeitos ao momento da edição do ato original. 
 
Revogação Oportunidade ou conveniência 
Invalidação Ilegalidade 
Cassação Descumprimento das condições que deveriam permanecer atendidas 
Caducidade Surgimento de norma jurídica que tornou impossível a situação antes permitida 
Contraposição Surgimento de novo ato com efeitos contrapostos ao anterior ( nomeação e exoneração 
de servidor) 
Confirmação Difere da convalidação, porque não corrige o ato. A conformação mantém o ato ilegal 
por razões de interesse público, desde que não cause prejuízos a terceiros. 
 
Tema: Poderes Administrativos 
78 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Determinada empresa, após ter se sagrado vencedora de um certame licitatório, celebrou um contrato para 
execução de obras com determinado estado da federação. Porém, no curso da obra, a empresa cometeu várias 
faltas contratuais, atrasando injustificadamente o início da obra, paralisando-a diversas vezes sem justa causa, 
além de não atender às determinações regulares da autoridade designada para acompanhar e fiscalizar a sua 
execução. Em razão disso, a autoridade competente determinou a instauração de processo administrativo para 
apuração das faltas, resultando na rescisão contratual pela inexecução do contrato, tendo sido garantida a prévia 
defesa. 
Ademais, o processo em questão foi remetido ao Secretário Estadual de Obras Públicas que decidiu aplicar a sanção 
de “declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública enquanto perdurarem os 
motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que 
aplicou a penalidade”. Tomando a situação hipotética como base, elabore um texto dissertativo, com fundamento 
na legislação, doutrina e jurisprudência, abordando os seguintes tópicos: 
1. Conceito e exemplos do poder disciplinar; [valor: 1,20 ponto] 
2. Distinção entre poder de polícia e poder disciplinar; [valor: 1,20 ponto] 
3. A possibilidade de a empresa em questão firmar contrato com outro ente da federação, diverso do que lhe 
aplicou a sanção em questão. [valor: 1,40 ponto] 
 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A doutrina conceitua o poder disciplinar como instrumento disponibilizado à Administração Pública para apurar 
infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos e demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa, em 
razão da existência de um vínculo de natureza especial. Assim, além dos funcionários públicos, particulares que 
celebram contratos com o Poder Público e alunos de instituições públicas, por exemplo, sujeitam-se ao referido 
poder administrativo. Destarte, tanto a Lei n.° 8.112/90 quanto a Lei n.° 8.666/93 estabelecem processo 
administrativo e sanções disciplinares, aplicáveis nos casos de infrações às obrigações e deveres estabelecidos nas 
normas de conduta, aos sujeitos regidos pelas relações jurídicas que regulam. 
 
Por outro lado, cabe distinguir o poder de polícia do poder disciplinar. O Poder de Polícia se impõe aos particulares 
independentemente da existência de vínculo de natureza especial, ou seja, ultrapassa o âmbito interno da 
Administração Pública. No exercício de tal poder, pode-se impor obrigações e deveres, limitando o exercício de 
um direito, interesse ou liberdade em prol do interesse público, conforme estabelece o art. 78 do Código Tributário 
Nacional. Já o Poder Disciplinar é conferido ao Poder Público para punir irregularidades praticadas por seus 
servidores ou pessoas submetidas à disciplina administrativa. 
 
O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que a sanção de declaração de inidoneidade para contratar 
com o Poder Público possui efeito extensivo e pode ser invocada por todos os Entes federados, pois, se uma 
empresa foi punida em razão do cometimento de faltas graves, a sua contratação pelos demais Entes colocaria em 
risco o interesse público. 
 
Entretanto, a doutrina se divide acerca do assunto em questão. A primeira corrente doutrinária assevera que as 
sanções possuem efeitos restritivos, limitando-se ao Ente estatal em que foram aplicadas, tendo em vista a 
autonomia federativa e o princípio da competitividade aplicável às licitações (os sancionados seriam afastados dos 
certames). A segunda faz distinção entre as sanções de suspensão temporária de participação em licitação, que 
se restringiria ao Ente sancionador, e a de declaração de inidoneidade, que se estenderia às demais entidades 
políticas. Por fim, a terceira posição defende que ambas sanções são extensíveis e podem ser invocadas por todos 
os Entes federados. 
 
Jurisprudência em Teses – EDIÇÃO N. 132: DO PROCESSO ADMINISTRATIVO - LEI N. 9.784/1999 
1) No âmbito de recurso ordinário, a decadência administrativa prevista no art. 54 da Lei n. 9.784/1999 pode ser 
reconhecida a qualquer tempo e ex officio, por se tratar de matéria de ordem pública, sendo indispensável seu 
prequestionamento nas instâncias especiais. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
2) Diante da ausência de previsão legal, o prazo decadencial de cinco anos do art. 54, caput, da Lei n. 9.784/1999 
é insuscetível de suspensão ou de interrupção, devendo ser observada a regra do art. 207 do Código Civil. 
3) A superveniência da Lei Distrital n. 2.834/2001 não interrompe a contagem do prazo decadencialiniciado com 
a publicação da Lei n. 9.784/1999, uma vez que sua única finalidade é aplicar, no âmbito do Distrito Federal, as 
regras previstas na referida lei federal. 
4) O prazo decadencial para que a administração promova a autotutela, previsto no art. 54 da Lei n. 9.784/1999, 
aplica-se tanto aos atos nulos, quanto aos anuláveis. 
5) As situações flagrantemente inconstitucionais não se submetem ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 
54 da Lei n. 9.784/1999, não havendo que se falar em convalidação pelo mero decurso do tempo. 
6) O prazo previsto no art. 54 da Lei n. 9.784/1999 para a administração rever seus atos não pode ser aplicado de 
forma retroativa, devendo incidir somente após a vigência do referido diploma legal. 
7) A Lei n. 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a revisão de atos 
administrativos no âmbito da administração pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados 
e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria. (Súmula n. 633/STJ) 
8) Em se tratando de atos de que decorram efeitos patrimoniais contínuos, como aqueles decorrentes de 
pagamentos de vencimentos e de pensões, ocorridos após a entrada em vigor da Lei n. 9.784/1999, nos quais haja 
pagamento de vantagem considerada irregular pela administração, o prazo decadencial de cinco anos é contado a 
partir da percepção do primeiro pagamento indevido, consoante o § 1º do art. 54 da Lei n. 9.784/1999. 
9) É possível interromper o prazo decadencial com base no art. 54, § 2º, da Lei n. 9.784/1999 desde que haja ato 
concreto, produzido por autoridade competente, em prol da revisão do ato administrativo identificado como 
ilegal, cujo prazo será fixado a partir da cientificação do interessado. 
10) Os atos administrativos abstratos, como as notas e os pareceres da Advocacia-Geral da União - AGU, não 
configuram atos de autoridade tendentes à revisão das anistias e são, portanto, ineficazes para, por si sós, 
interromper o fluxo decadencial, nos moldes do art. 54, § 2º, da Lei n. 9.784/1999. 
11) Por se tratar de hipótese de ato administrativo complexo, a decadência prevista no art. 54 da Lei n. 9.784/1999 
não se consuma no período compreendido entre o ato administrativo concessivo de aposentadoria ou de pensão 
e o julgamento de sua legalidade pelo Tribunal de Contas, vez que tais atos se aperfeiçoam apenas com o registro 
na Corte de Contas. 
12) O prazo previsto no art. 49 da Lei n. 9.784/1999 é impróprio, visto que ausente qualquer penalidade ante o 
seu descumprimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Poderes da Administração 
Introdução – Poderes da Administração 
 Os poderes administrativos são poderes-deveres e são instrumentais. A intenção do surgimento do Direito 
Administrativo era o de limitar o poder do Estado. Por isso, os poderes são instrumentos dados ao poder 
público para que ele alcance o interesse público e todas as vezes que o adm. público extrapola esse caráter 
instrumental, ele estará agindo ilegitimamente (ocorre o chamado abuso de poder). 
 
 Para a busca do interesse público, a Administração Pública dispõe de poderes e deveres, que são exercidos 
com base nos princípios da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do interesse público. 
Ambos são ligados aos direitos e garantias fundamentais, que são verdadeiros instrumentos de proteção dos 
indivíduos contra o arbítrio estatal. Ao lado das prerrogativas, temos os deveres administrativos, que são as 
sujeições a que os administradores estão submetidos. 
 
 São prerrogativas que a ordem jurídica reconhece à Administração Pública para que possua instrumentos, 
tendo em vista a concretização do interesse público e a prevenção do bem comum. 
 
Trataremos, a seguir, dos principais deveres e poderes administrativos. 
OS DEVERES ADMINISTRATIVOS 
 
Dever de agir 
 
Dever de eficiência 
 
Dever de probidade 
 
Dever de prestação de 
contas 
A administração deve atuar 
sempre para a materialização 
do interesse público. Assim, 
enquanto para o particular 
existe a faculdade de agir, 
para o administrador existe a 
obrigação, desde que, é claro, 
este atue nos termos da lei. 
Caso o administrador se omita 
quando obrigado a agir, será 
passível de responsabilização. 
Isso autoriza, inclusive, a 
impetração de mandado de 
segurança caso ofenda direito 
líquido e certo do 
administrado (MEIRELLES, 
2018). 
 
O dever de eficiência é uma 
materialização do princípio da 
eficiência e corresponde ao dever 
de boa administração. Destaque-
se o fato de que a eficiência é 
prevista no art. 37 da 
Constituição Federal (CF/1988), 
desde a Emenda Constitucional 
(EC) nº 19/1998. Por ele, devem-
se otimizar os recursos 
disponíveis para que a 
administração pratique o ato da 
maneira mais efetiva possível, 
com celeridade, rapidez, 
eficiência e rendimento 
funcional. 
Também na organização da 
administração, os servidores 
deverão agir com eficiência por 
meio da atuação produtiva e 
mediante adequação de sua 
atividade aos fins da 
Administração (MEIRELLES, 
2018). Os servidores devem, 
ainda, ter qualificação compatível 
com as funções que realizam 
(CARVALHO FILHO, 2017). 
A Administração tem o 
dever de agir de forma 
ética, honesta e com boa-
fé. Tal dever encontra 
respaldo constitucional 
(art. 37, § 4º) e legal (Leis 
nºs 8.112/1990, 
8.429/1992 e 
4.717/1965). 
Por esse dever, o 
administrador deverá 
atuar de forma moral, 
optando sempre pelo 
caminho que melhor 
servir à Administração. 
Não pode, assim, 
cometer favorecimentos 
ou praticar atos de 
nepotismo. Ressalta-se 
que o ato ímprobo 
poderá ser rechaçado 
pela via da ação de 
improbidade 
administrativa ou ação 
popular (CARVALHO 
FILHO, 2017). 
 
O dever de prestação de 
contas se relaciona com o 
princípio da publicidade, 
pelo qual a Administração 
deverá demonstrar como 
foi gasto o dinheiro 
público. Assim, pela 
prestação de contas é 
possível a realização de seu 
controle. Ao demonstrar as 
contas, será mostrada a 
forma como o dinheiro 
público foi gasto. 
Tal dever não alcança 
apenas os administradores 
de entidades e órgãos 
públicos, mas também os 
entes paraestatais e 
particulares que recebam 
subvenção do Estado, 
sendo a prestação de 
contas feita perante o 
órgão legislativo, mediante 
controle externo, com 
auxílio do Tribunal de 
Contas (MEIRELLES, 2018) 
e perante os órgãos 
internos. 
 
 
81 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Uso e Abuso de Poder 
A ordem jurídica impõe à Administração o dever de garantir o bem comum. Para isso, reconhece à Administração 
PODERES e PRERROGATIVAS, que deve usar seus poderes e suas prerrogativas de acordo com a lei e o Direito 
(princípio da legalidade). 
 
O abuso de poder pode decorrer de condutas comissivas – quando o ato administrativo é praticado fora dos 
limites legalmente postos ou de condutas omissivas – situações nas quais o agente público deixa de exercer uma 
atividade imposta a ele por lei, ou seja, quando se omite no exercício de seus deveres. O abuso de poder divide-
se em: 
Excesso de poder: ocorre quando o agente pratica o ato extrapolando a competência definida em lei (é vício 
sanável); 
 
Desvio de poder: ou desvio de finalidade: é vício de finalidade, que ocorre quando o agente pratica o ato 
buscando atingir finalidade diversa da prevista em lei (é vício insanável). 
 
 
 
(MPE-SC – 2013) O abuso de poder tanto pode revestir a forma comissiva como a omissiva, porque ambas são 
capazes de afrontar a lei e causar lesão a direito individual do administrado. O excesso de poder, como forma de 
abuso de poder, torna o ato arbitrário, ilícito e nulo. O desvio de finalidade ou de poder, tal como definido na 
Ação Popular, apresenta-se como causa de nulidade dos atos da Administração. 
 
Abuso de poder 
O excesso de poder ocorre emcasos nos quais a 
autoridade pública atua fora dos limites de sua 
competência, ou seja, exorbita ou extrapola a 
competência que lhe foi atribuída, praticando atos que 
não estão previamente estipulados por lei. Trata-se, 
portanto, de vício de competência a tornar nulo o ato 
administrativo praticado. 
O desvio de poder estará presente sempre que o 
agente do Estado praticar o ato, até mesmo dentro 
dos limites da competência a ele conferida, mas 
visando a alcançar outra finalidade que não aquela 
prevista em lei. 
 
 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Efeitos dos Abuso de Poder: Agindo com abuso de poder, por qualquer de suas formas, o agente submete sua 
conduta à revisão, judicial ou administrativa. A invalidação da conduta abusiva pode dar-se na própria esfera 
administrativa (autotutela) ou através de ação judicial – inclusive por MS e ação popular. 
 
 
 
 
Poder Vinculado Poder Discricionário 
 A lei cria um ato administrativo estabelecendo 
todos os elementos desse de forma objetiva sem 
que a autoridade pública possa valorar acerca da 
conduta exigida legalmente. Com efeito, a lei já 
preestabelece a única conduta a ser tomada. 
 No exercício vinculado, a lei prevê 
objetivamente todos os elementos do ato que 
será praticado, não dando ao agente público 
nenhuma margem de escolha. 
 
 Aqui o administrador também está subordinado à lei, 
porém, o próprio texto legal confere margem de opção 
ao administrador, na sua atuação, e este tem o encargo 
de identificar, diante do caso concreto, a solução mais 
adequada. Dessa forma, o administrador deve eleger 
entre algumas condutas a que melhor se adeque ao caso 
concreto, conforme a conveniência e oportunidade, 
elementos nucleares do poder discricionário e que 
compõem o mérito da atuação. 
 Discricionariedade NÃO é liberdade total do agente, 
mas sim uma liberdade condicionada aos limites da lei. 
 
Controle Judicial da Atividade Administrativa Discricionária 
A discricionariedade é o poder de analisar oportunidade e conveniência na atuação do ente estatal. O Poder 
Judiciário não pode e não deve substituir a decisão do administrador. 
 
ATENÇÃO: Ainda que o ato administrativo seja discricionário, ele fica sujeito a controle jurisdicional no que diz 
respeito à sua adequação com a lei, nunca na análise meritória. Assim, o juiz pode controlar os limites do mérito 
administrativo, uma vez que são impostos pela lei, através dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, 
83 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
que surgem como instrumentos de controle, evitando excesso de poder e condutas desarrazoadas pelo 
administrador. 
 
Conceitos jurídicos indeterminados ou vagos postos na lei traduzem uma discricionariedade do administrador 
(ex: a lei diz que a Adm. Pública pode dissolver uma passeata em caso de tumulto para garantir a paz pública → 
O que é “tumulto”? O que é “paz pública”? Trata-se de conceitos jurídicos indeterminados, que serão analisados 
caso a caso pelo administrador). Em se tratando de exercício discricionário, como a discricionariedade decorre da 
lei, se, a pretexto de praticar um ato discricionário, o administrador público extrapola os limites da lei, o Poder 
Judiciário pode controlá-lo no que tange aos aspectos da legalidade. É vedado, porém, que o Judiciário controle 
o mérito administrativo, substituindo os critérios de oportunidade e conveniência do administrador. 
 
ATENÇÃO: Qual é o limite do mérito nos conceitos jurídicos indeterminados? Na razoabilidade!!! O Judiciário 
pode controlar o ato em caso de atuação desarrazoada do adm. público, pois isso configura ilegalidade por 
violação ao princípio da razoabilidade. O grande problema é o chamado ativismo judicial, quando o Judiciário 
extrapola os limites da sua atuação. 
 
 
Poderes Administrativos 
Poder Normativo 
ou Regulamentar 
Trata-se do poder que a Adm. Pública tem de editar normas gerais e abstratas (atos 
normativos), dentro dos limites estabelecidos na lei. Existem vários atos normativos, tais 
como resoluções, deliberações, instruções normativas, entre outros. 
Um desses atos que merece atenção é o regulamento, também chamado de decreto 
regulamentar, ato privativo do chefe do Poder Executivo. Por isso, para a doutrina moderna 
a expressão “poder regulamentar” (poder de expedir regulamentos) é apenas uma das 
espécies de poder normativo. No direito comparado, temos uma subdivisão dos 
regulamentos em: 
- executivos: expedido para fiel execução da lei; 
- autônomos: expedido para substituir a lei, quando esta faltar. 
No Brasil, a princípio, NÃO é autorizada a expedição de regulamento autônomo. No entanto, 
o art. 84, VI, CF prevê algumas hipóteses que autorizam a edição excepcional de 
regulamento autônomo, quais sejam: 
a) extinção de cargo público, desde que vago; 
b) tratamento de matéria de organização administrativa, desde que não gere despesas e não 
crie nem extinga órgãos públicos. 
 
Poder 
Hierárquico 
É o poder que a Adm. Pública tem de organização e estruturação interna da atividade. Entre 
órgãos e agente de uma MESMA pessoa jurídica, pode-se falar em manifestação de poder 
hierárquico. Essa hierarquia justifica a anulação de atos administrativos praticados por 
agentes subordinados e a possibilidade de delegação e a avocação de competência. 
 
84 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
ATENÇÃO: Entre pessoas jurídicas diversas, não há hierarquia!!! 
Vinculação ou Tutela Administrativa: vinculação entre os entes da Adm. Direta e Indireta 
que permite àquela controlar os atos desta. Essa relação não se funda na hierarquia, mas sim 
na criação por meio de lei dos entes descentralizados do Poder Público. 
 
Avocação: é a tomada temporária de competência legalmente atribuída a um agente 
subordinado por outro agente de hierarquia superior. Só pode ocorrer quando não se tratar 
de competência exclusiva. 
 
Delegação: é a extensão ou ampliação temporária de competência/atribuições de um órgão 
ao outro de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior. 
 
Avocação Delegação 
Desde que as atribuições não sejam da 
competência exclusiva do órgão 
subordinado, o chefe poderá chamar para 
si, de forma temporária, a competência que 
deveria inicialmente ser exercida pelo 
agente subalterno. Saliente-se, dessa 
forma, que a avocação é a tomada 
temporária de competência legalmente 
atribuída a um agente subordinado, por 
outro agente de hierarquia superior. 
 
A avocação de competência dentro de uma 
mesma linha hierárquica é chamada de: 
avocação vertical. (TCE-RO 2019) 
É a extensão de atribuições de um órgão a 
outro de mesma hierarquia ou de hierarquia 
inferior, desde que não sejam exclusivas. A 
delegação também é exercida de forma 
temporária. Nesse sentido, é importante 
salientar que a delegação não configura uma 
transferência, mas sim uma extensão ou 
ampliação de competência, ou seja, o 
agente delegante não perde a competência 
delegada. É designada cláusula de reserva 
essa regra de manutenção da competência 
pelo agente, mesmo após a delegação, e 
esta cláusula está implícita nos atos 
administrativos de delegação. 
 
O administrador público age no exercício do poder hierárquico ao editar atos normativos 
com o objetivo de ordenar a atuação de órgãos a ele subordinados. (PGE-PE 2019) 
 
ATENÇÃO: O STF considera como autoridade coatora o agente que praticou o ato, ainda que 
o tenha feito por delegação, conforme dispõe a súmula 510. 
 
Poder Disciplinar É o poder de apurar infrações. Aplicando sanções e penalidades por parte do Poder Público 
a todos aqueles que possam ter vínculo de natureza especial com o Estado (servidores ou 
não, normalmente por relação hierárquica ou contratual). Não é possível a aplicação desse 
poder a particulares, por não possuírem vínculo com a Administração. 
 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
ATENÇÃO:Nem toda sanção decorre do poder disciplinar!!! Isso porque, o poder disciplinar 
é o poder de aplicar penalidades àqueles que têm um vínculo especial com a Adm. Pública 
(ex: multa aplicada a particular que celebrou contrato com a Adm. por desrespeitar uma 
previsão contratual; ex2: servidor público sofre uma sanção disciplinar por descumprir regra 
prevista no Estatuto). Esse vínculo especial pode decorrer de contrato administrativo ou da 
própria hierarquia decorrente de vínculo funcional com a Adm. 
 
O poder disciplinar deve ser precedido de procedimento que assegure ao particular o devido 
processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Todo e qualquer ato de aplicação de 
penalidade, deve ser SEMPRE motivado. Para a doutrina tradicional (Hely Lopes Meirelles), 
os atos decorrentes do poder disciplinar são praticados, em regra, no exercício de 
competência discricionária. A discricionariedade, no entanto, não é ampla, no que tange à 
opção entre sancionar ou não o agente infrator. 
 
Em verdade, a Adm. Pública, uma vez tendo o conhecimento de um fato, não tem a escolha 
se vai punir ou não o infrator. A discricionariedade fica limitada à extensão da sanção. Ex: em 
se tratando de infração praticada por um servidor público, o ente público tem a obrigação de 
instaurar o PAD. A discricionariedade fica adstrita ao tempo que se estenderá uma penalidade 
de suspensão, haja vista a Lei 8.112/90 autorizar sua aplicação por até 90 dias. 
 
A discricionariedade também é verificada quando a lei se vale de conceitos jurídicos 
indeterminados para definir infrações administrativas, como por exemplo corre no art. 132, 
V da Lei 8.112/90 que define como infração punível com demissão a “conduta escandalosa 
ou incontinência pública na repartição”. 
Nesse sentido, poder disciplinar está sujeito ao controle feito pela própria administração 
pública e pelo Poder Judiciário, sempre que a conduta do administrador fugir à legalidade 
ou aplicar sanções com inobservância ao princípio da proporcionalidade. 
 
Destacaremos, a seguir, algumas decisões do STJ sobre o Poder Disciplinar, de suma 
importância para provas de concursos públicos. Vejamos: 
• É possível a instauração de PAD com base em denúncia anônima; 
• Instaurado o competente PAD fica superado o exame de eventuais irregularidades 
ocorridas durante a sindicância, pois são procedimentos independentes. 
• O excesso de prazo para a conclusão de PAD não conduz sua nulidade automática, devendo 
para tanto ser demostrado o prejuízo para a defesa. 
• A autoridade administrativa pode aplicar a pena de demissão quando em PAD é apurada a 
prática de improbidade administrativa por servidor público, tendo em vista a independência 
das instancias civil, penal e administrativa. 
• A decretação de nulidade no PAD depende do efetivo prejuízo para as partes, à luz do 
princípio pas de nullité sans grief. 
• O termo inicial em PAD começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido pela 
Administração. 
• O prazo da prescrição no âmbito administrativo disciplinar, quando houver sentença 
condenatória, deve ser computado com base na pena em concreto na esfera penal. 
• É possível haver discrepância entre a penalidade sugerida pela comissão disciplinar e a 
aplicada pela autoridade julgadora, desde que a conclusão lançada no relatório final não 
guarde sintonia com as provas dos autos e a sanção imposta esteja devidamente motivada. 
• Quando o fato objeto da ação punitiva da administração também constituir crime e 
enquanto não houver sentença penal condenatória transitada em julgado, a prescrição do 
poder disciplinar, reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal cominado em abstrato. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
• A portaria de instauração do PAD prescinde de minuciosa descrição dos fatos imputados, 
sendo certo que a exposição pormenorizada dos acontecimentos se mostra necessária 
somente com o indiciamento do servidor. 
• No PAD a alteração da capitulação legal imputada ao acusado não enseja nulidade, uma 
vez que o indiciado se defende dos fatos nele descrito e não dos enquadramentos legais. 
• O PAD deve ser conduzido por comissão composta de servidores estáveis no atual cargo 
que ocupam e não apenas no serviço público. 
• Da revisão do PAD não pode resultar agravamento da pena imposta. 
 
 
Poder de Polícia 
É o poder que a Administração tem de restringir o exercício de liberdades individuais e o uso/gozo/disposição 
da propriedade privada, sempre para adequá-los ao interesse público. É uma atividade tipicamente administrativa 
e aplica-se a todos os particulares, sem necessidade de demonstração de qualquer vínculo de natureza especial. 
É a prerrogativa do poder público de, calcado na lei, definir parâmetros de uso e gozo dos direitos de liberdade e 
propriedade individuais, na busca do interesse público. Poder de polícia não gera dever de indenizar, pois ele não 
retira um direito, ele define a forma de exercê-lo. 
 
 
 
 
 
Polícia 
Administrativa x 
Polícia Judiciária 
Polícia Judiciária visa a prevenção e a repressão à prática de ilícitos criminais e que tem seu 
estudo situado nas disciplinas de Direito Processual Penal, incidindo sobre as pessoas. Já a 
polícia administrativa, estabelecida no art. 78 CTN, incide sobre bens e direitos, 
condicionando-os à busca pelo interesse da coletividade. 
Discricionariedade 
e Vinculação do 
Poder de Polícia 
A doutrina tradicional entende que uma das características ou atributos do poder de polícia é 
a discricionariedade. Todavia, o poder de polícia não será sempre discricionário, haja vista a 
possibilidade de previsão legal de atos vinculados decorrentes do exercício do poder de 
polícia. 
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Natureza dos atos 
do Poder de 
Polícia 
A doutrina tradicional costumava apontar o poder de polícia como um poder negativo, haja 
vista o fato de que os atos decorrentes dessa atividade encerram a exigência de abstenções a 
particulares. Como regra, os atos do poder de polícia estabelecem obrigações de não fazer ou 
tolerar. Porém, modernamente, vêm-se admitindo atos positivos decorrentes do exercício do 
poder de polícia, ou sejam determinadas situações, com previsão legal expressa, o Poder 
Púbico determinar obrigações de fazer aos particulares em decorrência dos atos de polícia. 
Delegação dos 
Atos de Poder de 
Polícia 
É pacífico o entendimento de que os atos que manifestam expressão do Poder Público, como 
Polícia Administrativa, não podem ser delegados porque ofenderiam o equilíbrio entre os 
particulares em geral e colocariam em risco a ordem social. Contudo, parte da doutrina admite 
a delegação em situações específicas, certos atos materiais que precedem a atos jurídicos de 
polícia podem ser praticados por particulares, por delegação ou simples contrato de prestação 
de serviços. Nesses casos, não seriam delegados os atos de polícia em si, mas tão somente 
atividades materiais de execução. Desta forma, a delegação de poder de polícia em si é 
proibido, permite-se apenas a delegação da execução. 
 
ATENÇÃO: O STF ao julgar a ADI Nº 1717 declarou que os conselhos reguladores de profissão 
têm natureza jurídica de autarquia, uma vez que atuam no exercício do poder de polícia, ao 
estabelecer restrições ao exercício de liberdade profissional e que tal poder é indelegável a 
particulares. 
 
Dentro desse contexto, considerando que o poder de polícia é parcialmente delegável, alguns 
autores nacionais dividem a atividade em 4 ciclos: 
1º) Ordem de polícia (é indelegável!!!) – consiste na imposição de restrições aos particulares, 
dentro dos limites da lei, independentemente da sua concordância. Ex: casos em que se veda 
a aquisição de armas de fogo. 
2º) Fiscalização de polícia (admite delegação!!!): possibilidade de controlar as atividades 
submetidas ao poder de polícia, com o intuito de verificar seu cumprimento, podendo, para 
tanto, se valer de inspeções,da 
nação e criar entraves. Exemplos de aplicação: é violação à indisponibilidade ao interesse público a fraude à 
licitação, a fraude ao concurso público. O administrador não pode criar entraves, obstáculos ao sucessor. 
 
 
Princípios de Direito Administrativo 
8 
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P. da Supremacia 
do Interesse 
Público sobre o 
Privado 
 Estabelece prerrogativas ao Estado na busca do interesse público, restringindo ou 
limitando interesses particulares. 
 
 O interesse público é supremo sobre o interesse particular, e todas as condutas estatais 
têm por finalidade a satisfação das necessidades coletivas. 
 
 A Administração se põe em situação privilegiada, quando se relaciona com os particulares. 
 
Ex: contratos com cláusulas exorbitantes; desapropriação. Como corolário do princípio da 
supremacia do interesse público, é vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou 
competências atribuídas à Administração. 
 
Obs: delegação não é renúncia, já que está implícita a chamada “cláusula de reserva” (o agente 
delegante não transfere a competência, mas apenas a amplia, mantendo-se competente após 
a delegação juntamente com o agente delegado). 
 
P. da 
Indisponibilidade 
do Interesse 
Público 
 O administrador não pode dispor do interesse público e, por isso, são estabelecidas 
algumas limitações ao Estado de forma a garantir a indisponibilidade. 
 
 O agente estatal não pode deixar de atuar, quando as necessidades da coletividade assim 
exigirem, uma vez que suas atividades são necessárias à satisfação dos interesses do povo. 
 
Ex: necessidade de realizar licitação e concursos públicos. As prerrogativas do Estado versus 
as limitações do Estado formam o chamado regime jurídico administrativo. 
 
P. da Legalidade  É um princípio expresso no art. 37 CF. 
 
 Decorre da existência do Estado de Direito, como uma pessoa jurídica responsável por criar 
o direito, no entanto submissa ao ordenamento jurídico por ela mesmo criada e aplicável 
a todos os cidadãos. 
 
 Não havendo previsão legal, está proibida a atuação do ente público e qualquer conduta 
praticada ao alvedrio do texto legal será considerada ilegítima. 
 
 É corolário da regra de indisponibilidade do interesse público. 
 
 A atuação administrativa se limita à vontade legal = vontade do povo, manifestada por 
meio de seus representantes. 
 
*#OUSESABER: A administração Pública está subordinada ao princípio da legalidade. 
Entretanto, no caso de estado de defesa e estado de sítio, a severidade da aplicação do 
citado princípio fica mitigado, face às excepcionalidades existentes. Certo ou errado? 
Vários são os princípios constitucionais e legais que a Administração Pública está subordinada. 
Entretanto, cabe destaque o estudo detalhado daqueles trazidos no art. 37 da Constituição 
Federal, o famoso LIMPE: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 
Nesta questão trataremos apenas do Princípio da Legalidade. 
O Princípio da Legalidade é a base da democracia e é o que nos assegura que todos os conflitos 
sejam resolvidos pela lei. A legalidade tem dois aspectos: 
a) Nas relações privadas: Aqui, os particulares buscam seus próprios interesses e são livres 
para atuarem, desde que não contrariem o disposto na legislação. A lei funciona, neste caso, 
como limitadora de vontades. 
9 
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b) Nas relações públicas: A Poder Público (Administração) só pode atuar nos moldes 
autorizados ou determinados pela legislação. Aqui, a lei funciona como reguladora de 
vontade, ou seja, como ponto de partida para que a Administração possa atuar. 
 
Ocorre que, segundo o Prof. Celso Antônio Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 
26ª Ed., pág. 105 e 126-136), é possível apontar três restrições excepcionais ao princípio da 
legalidade: 
a) Medida provisória 
b) Estado de defesa 
c) Estado de sítio 
Nesses três casos, deve a Administração atuar, mesmo que não haja lei regulamentando sua 
atuação, o que revela a mitigação da obrigatoriedade do princípio da legalidade. O Prof. Celso 
Antônio é uma administrativista de grande prestígio, então, fiquemos espertos à sua fala. Item 
correto! 
 
 Não se confunde a legalidade, com o princípio da reserva legal que determina a aplicação 
de determinada espécie normativa a um autuação definida no texto constitucional. 
 
P. da 
Impessoalidade 
 É um princípio expresso no art. 37 CF. 
 
 Impessoalidade significa não-discriminação, não escolher as pessoas que serão atingidas 
pelo ato, nem para beneficiar nem para prejudicar. Concretização desse princípio: 
necessidade de realizar licitação e concursos públicos. 
 
 Haverá desvio de finalidade todas as vezes que o adm. público praticar o ato com a 
intenção de prejudicar ou beneficiar alguém específico. Modernamente, a doutrina vem 
dizendo que a impessoalidade também deverá ser enxergada sob a ótica do agente 
público. É a chamada teoria do órgão como corolário do princípio da impessoalidade. 
Quando o agente pratica um ato, não é a sua pessoa que está atuando, mas sim o Estado 
por meio desse agente. 
 
 Ex: art. 37, §1º CF – não pode fazer constar na publicidade de governo símbolos que gerem 
a promoção pessoal do agente (“essa obra é um presente do prefeito João” → quem está 
executando a obra não é o agente, mas sim o Estado!!!). 
 
 Nesse sentido, o princípio da impessoalidade tem a extensão de permitir que se reconheça 
a validade de ato administrativo praticado por funcionário irregularmente investido no 
cargo ou função pública (= agente de fato). Isso porque, como não se imputa a conduta à 
pessoa do agente, mas sim ao Estado, mesmo estando o agente investido de forma 
irregular, em relação aos terceiros de boa-fé, será reconhecida a produção de feitos. 
 
 A súmula vinculante nº 13 veda a realização de designações recíprocas, ou seja, não se 
admite que de forma indireta, se garanta a nomeação do parente do agente público, por 
meio de troca de favores ou favorecimentos pessoais para parentes de outros agentes. 
 
 A jurisprudência do STF já se manifestou no sentido da inaplicabilidade da vedação ao 
nepotismo quando se tratar de nomeação de agentes para o exercício de cargos políticos. 
 
P. da 
Intranscendência 
 Trata-se de princípio que excepciona a ideia da impessoalidade. O princípio da 
Intranscendência subjetiva das sanções, consagrado pelo STF, inibe a aplicação de severas 
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sanções a entidades federativas por ato de gestão anterior à assunção dos deveres 
públicos. 
 
 Veja como o CESPE cobrou o assunto em 2016, na prova do TCE-PR: Quando a União firma 
um convênio com um estado da Federação, a relação jurídica envolve a União e o ente 
federado e não a União e determinado governador ou outro agente. O governo se alterna 
periodicamente nos termos da soberania popular, mas o estado federado é permanente. 
A mudança de comando político não exonera o estado das obrigações assumidas. Nesse 
sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem entendido que a inscrição do nome de 
estado-membro em cadastro federal de inadimplentes devido a ações e(ou) omissões de 
gestões anteriores não configura ofensa ao princípio da administração pública 
denominado princípio do(a) a) Intranscendência. 
 
Vamos entender? O Princípio da Intranscendência Subjetiva das Sanções proíbe a aplicação 
de sanções às administrações atuais por atos de gestão praticados por administrações 
anteriores, ou seja, ele impede que a administração atual seja punida com a restrição de 
recebimento de repasses de outras esferas, por exemplo. O STF tem posição majoritária no 
sentido da aceitação deste princípio (STF 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. 
Min. Luiz Fux – 23/06/15). Entretanto, recentemente, em 10/05/16, quando do julgamento 
da ACO 732/AP, o relator, Min. Marco Aurélio,análise de documentos, etc. STF: é possível a contratação de 
empresas privadas para a instalação de radares, extração de multas e encaminhamento 
para o Estado. Nesse caso, não há delegação do poder de polícia propriamente dito, mas tão 
somente de alguns aspectos materiais necessários à execução do poder de polícia. Esses 
aspectos materiais que admitem delegação correspondem às fases de fiscalização e 
consentimento de polícia. 
3º) Consentimento de polícia (admite delegação!!!): hipóteses em que a lei autoriza o 
exercício de determinada atividade condicionada à aceitabilidade estatal. Ex: autorizações e 
licenças. 
4º) Sanção de polícia (é indelegável!!!): aplicação de penalidades nas situações em que se 
verifica o descumprimento das normas impostas pelo poder público, justificando a 
culminação de sanções, como multas e embargos de obras, por ex. (Aqui houve mudança de 
entendimento pelo STF – Hj é delegável); 
 
ATENÇÃO!!! MUDANÇA!!! RE 633782 TEMA 532 
É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito 
privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente 
público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em 
regime não concorrencial. STF. Plenário. RE 633782/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 
23/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 532) (Info 996). 
 
IMPORTANTE: prazo prescricional para a aplicação de sanções decorrentes do poder de 
polícia – 5 anos, contados do ilícito praticado pelo particular (art. 1º da Lei 9.873/99). No 
entanto, uma vez instaurado o processo administrativo para a aplicação da penalidade, se 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
esse processo ficar paralisado durante 3 anos, ocorre prescrição intercorrente. Além disso, a 
lei estabelece que, caso o ato de polícia também configure ilícito penal, o prazo de prescrição 
para a aplicação da sanção administrativa será o mesmo previsto para a aplicação da sanção 
penal. 
 
O que é poder de polícia? 
Segundo o art. 78 do CTN, poder de polícia é... 
-uma atividade realizada pela administração pública 
-consistente em regular a prática de um ato ou a abstenção de fato, 
-limitando ou disciplinando direitos, interesses ou liberdades das pessoas 
-em benefício do interesse público (segurança, higiene, ordem etc.). 
Algumas vezes nas provas é cobrada a redação literal do art. 78, razão pela qual vale a pena a 
sua transcrição aqui: 
Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou 
disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou a abstenção de fato, em razão 
de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da 
produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou 
autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos 
individuais ou coletivos. 
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo 
órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de 
atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder. 
 
Fundamento do poder de polícia: 
É o princípio da predominância do interesse público sobre o privado. De um lado, os 
particulares possuem direitos individuais (ex: direito de se locomover com seu carro). De 
outro, a Administração Pública possui o poder-dever de restringir esses direitos sempre que 
eles, de alguma forma, conflitarem com os interesses da coletividade (ex: a Administração 
pode instituir rodízios de veículos em virtude do excesso de número de automóveis na 
cidade). Assim, o poder de polícia limita o exercício de alguns direitos individuais em benefício 
do interesse público. 
Exemplos de realização do poder de polícia 
Licença concedida pelo Município para construir segundo determinados critérios, licença para 
dirigir, licença para ter porte de arma, alvará de funcionamento de indústria etc. 
Polícia administrativa x Polícia judiciária 
Vale ressaltar que o poder de polícia se caracteriza como “polícia administrativa”, que é 
diferente da polícia judiciária: 
POLÍCIA ADMINISTRATIVA POLÍCIA JUDICIÁRIA 
Atua sobre bens, direitos ou atividades. Tem seu campo de atuação voltado para as 
pessoas. 
Atua para evitar ou reprimir o ilícito 
administrativo. 
Atua contra o ilícito penal. 
Exercida por diversos órgãos da 
Administração. 
É exercida pelas polícias civil e federal. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Rege-se pelo Direito Administrativo. Rege-se pelo Direito Processual Penal. 
 
Quem exerce 
O poder de polícia é exercido pelos órgãos e entidades da Administração Pública. Vale 
ressaltar que, em alguns casos, o poder de polícia pode ser exercido por órgão que também 
exerça o poder de polícia judiciária. Ex: quando a Polícia Federal faz a fiscalização das 
empresas de segurança privada ou quando emite passaporte. 
Modalidades de exercício 
PREVENTIVO REPRESSIVO 
Poder de polícia preventivo ocorre 
quando a Administração Pública 
estabelece normas prevendo que o 
particular somente poderá exercer 
determinado direito se cumprir algumas 
exigências. 
Poder de polícia repressivo ocorre quando a 
Administração Pública impõe sanções 
administrativas ao particular que pratica um 
ilícito administrativo. 
Vale ressaltar que a aplicação dessa sanção não 
depende do Poder Judiciário, podendo ser 
aplicada diretamente pela própria 
Administração. A isso chamamos de 
autoexecutoriedade. 
Ex: licença para dirigir, autorização para 
porte de arma de fogo etc. 
Ex: interdição do estabelecimento comercial, 
apreensão de mercadorias etc. 
 
Atributos do poder de polícia 
O poder de polícia possui três atributos (características): 
DISCRICIONARIEDADE AUTOEXECUTORIEDADE COERCIBILIDADE 
Em regra, a Administração 
Pública tem a liberdade de 
definir a oportunidade e 
conveniência da prática dos 
atos de poder de polícia. 
A Administração Pública 
pode, com os seus próprios 
meios, executar seus atos e 
decisões, sem precisar de 
prévia autorização judicial. 
Significa que as medidas 
adotadas pela 
Administração podem ser 
impostas coercitivamente 
aos particulares. 
Ex: a definição do dia e do 
local onde haverá uma 
fiscalização da vigilância 
sanitária. 
Ex: pode interditar um 
estabelecimento comercial 
sem autorização judicial. 
Ex: o poder público pode 
apreender as mercadorias 
estragadas de um 
supermercado. 
Obs: a lei poderá impor que 
determinado ato de poder 
de polícia seja vinculado. Ex: 
licença para o exercício de 
uma profissão. 
Obs: nem sempre a autoexe-
cutoriedade da 
Administração será 
suficiente. É o caso, p. ex., da 
multa. Se o particular não 
quiser pagar, será necessário 
propor ação judicial contra 
ele. 
Obs: a autoexecutoriedade 
e a coercibilidade estão 
intimamente ligadas e 
alguns autores trabalham os 
dois atributos como sendo 
sinônimos. 
 
 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Controle judicial 
Os atos de poder de polícia são atos administrativos e poderão ter a sua validade impugnada 
no Poder Judiciário pelas pessoas eventualmente prejudicadas. 
 
Delegação do poder de polícia 
O STJ e o STF discutiram sobre a possibilidade de delegação do poder de polícia a pessoas 
jurídicas de direito privado. O caso concreto foi o seguinte: 
Na capital mineira, a atividade de policiamento de trânsito é feita pela Empresa de Transporte 
e Trânsito de Belo Horizonte – BHTrans. Vale ressaltar que a BHTrans é responsável, inclusive, 
pela aplicação das multas de trânsito. O ponto controverso dessa situação está no fato de que 
a BHTrans é uma sociedade de economia mista (pessoa jurídica de direito privado). 
Diante disso, surgiu a seguinte polêmica: é possível a delegação do poder de polícia – 
inclusive da possibilidadede aplicação de multas – para pessoas jurídicas de direito privado? 
Julgado do STJ: não 
O STJ possuía julgado afirmando que o poder de polícia da administração é exercido com base 
no “poder de império do Estado”. Em virtude disso, o exercício do poder de polícia não poderia 
ser delegado para particulares. Assim, o poder de polícia, por ser uma atividade típica do 
Estado, não poderia ser delegada.Vale ressaltar que até seria possível que o Estado delegasse 
para particulares a realização de atividades de apoio ao exercício do poder de polícia. Isso é 
chamado de aspectos materiais do poder de polícia. 
Para o STJ, o ato de poder de polícia pode ser dividido em quatro fases (“ciclos de polícia”): 
ORDEM DE 
POLÍCIA 
CONSENTIMENTO 
DE POLÍCIA 
FISCALIZAÇÃO 
DE POLÍCIA 
SANÇÃO DE 
POLÍCIA 
É a legislação que 
estabelece os 
limites e condições 
necessárias para o 
exercício da 
atividade ou uso 
dos bens por parte 
dos particulares. 
Ex: as normas de 
vigilância sanitária. 
É a fase na qual a 
Administração dá o 
consentimento para 
que o particular 
pratique 
determinada 
atividade ou para que 
utilize o bem 
segundo a ordem de 
polícia em vigor. 
Ex: licença para 
dirigir, autorização 
para construir etc. 
Aqui a 
Administração 
verifica se o 
particular está 
cumprindo as regras 
estabelecidas na 
ordem de polícia. 
Ex: o fiscal vai até o 
açougue para 
verificar se o 
estabelecimento 
cumpre a legislação 
sanitária. 
Consiste na 
aplicação das 
penalidades 
administrativas para 
aquele que 
descumpriu a ordem 
de polícia. 
Ex: o fiscal constata 
que o açougue não 
está acondicionando 
de forma adequada 
as carnes e aplica 
multa. 
Esta fase não pode 
ser delegada. 
Pode ser delegada 
para particulares. 
Pode ser delegada 
para particulares. 
Não pode ser 
delegada para 
particulares. 
Obs: as fases 1 (ordem) e 3 (fiscalização) estão presentes em todo e qualquer ato de poder de 
polícia. As fases 2 e 4 podem ocorrer ou não. 
Exemplo: para o STJ, a imposição de multas de trânsito é uma atividade de poder de polícia e, 
portanto, somente poderia ser exercida pelo Estado. Seria possível, no entanto, que a 
Administração Pública contratasse uma empresa privada para a instalação e manutenção de 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
radares de velocidade nas vias públicas. Isso porque esta é apenas uma atividade de apoio ao 
poder de polícia. A imposição da multa continuaria sendo privativa do Estado. 
Em suma, segundo esse julgado do STJ: 
•o poder de polícia é uma atividade típica do Estado, não podendo ser delegada a particulares. 
Ex: imposição de multa de trânsito. 
•as atividades de apoio ao poder de polícia podem ser delegadas. Ex: instalação de radares. 
 
Confira trecho da ementa: 
(...) 2. No que tange ao mérito, convém assinalar que, em sentido amplo, poder de polícia pode ser 
conceituado como o dever estatal de limitar-se o exercício da propriedade e da liberdade em favor do 
interesse público. A controvérsia em debate é a possibilidade de exercício do poder de polícia por 
particulares (no caso, aplicação de multas de trânsito por sociedade de economia mista). 
3. As atividades que envolvem a consecução do poder de polícia podem ser sumariamente divididas 
em quatro grupo, a saber: (i) legislação, (ii) consentimento, (iii) fiscalização e (iv) sanção. 
4. No âmbito da limitação do exercício da propriedade e da liberdade no trânsito, esses grupos ficam 
bem definidos: o CTB estabelece normas genéricas e abstratas para a obtenção da Carteira Nacional de 
Habilitação (legislação); a emissão da carteira corporifica a vontade o Poder Público (consentimento); a 
Administração instala equipamentos eletrônicos para verificar se há respeito à velocidade estabelecida 
em lei (fiscalização); e também a Administração sanciona aquele que não guarda observância ao CTB 
(sanção). 
5. Somente os atos relativos ao consentimento e à fiscalização são delegáveis, pois aqueles referentes 
à legislação e à sanção derivam do poder de coerção do Poder Público. (...) 
STJ. 2ª Turma. REsp 817.534⁄MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10/11/2009. 
 
Posição do STF: sim 
É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de 
direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social 
majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria 
do Estado e em regime não concorrencial. STF. Plenário. RE 633782/MG, Rel. Min. Luiz Fux, 
julgado em 23/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 532) (Info 996). 
 
O fato de a pessoa jurídica integrante da Administração Pública indireta destinatária da 
delegação da atividade de polícia administrativa ser constituída sob a roupagem do regime 
privado não a impede de exercer a função pública de polícia administrativa. 
O regime jurídico híbrido das estatais prestadoras de serviço público em regime de monopólio 
é plenamente compatível com a delegação, nos mesmos termos em que se admite a 
constitucionalidade do exercício delegado de atividade de polícia por entidades de regime 
jurídico de direito público. Isso porque a incidência de normas de direito público em relação 
àquelas entidades da Administração indireta tem o condão de as aproximar do regime de 
direito público, do regime fazendário e acabar por desempenhar atividade própria do Estado. 
O STJ, ao desdobrar o ciclo de polícia, entende que somente os atos relativos ao 
consentimento e à fiscalização são delegáveis, pois aqueles referentes à legislação e à sanção 
derivam do poder de coerção do Poder Público. Segundo a teoria do ciclo de polícia, o atributo 
da coercibilidade é identificado na fase de sanção de polícia e caracteriza-se pela aptidão que 
o ato de polícia possui de criar unilateralmente uma obrigação a ser adimplida pelo seu 
destinatário. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Apesar da substancialidade da tese, verifica-se que, em relação às estatais prestadoras de 
serviço público de atuação própria do Estado e em regime de monopólio, não há razão para o 
afastamento do atributo da coercibilidade inerente ao exercício do poder de polícia, sob pena 
de esvaziamento da finalidade para a qual aquelas entidades foram criadas. 
A Constituição da República, ao autorizar a criação de empresas públicas e sociedades de 
economia mista que tenham por objeto exclusivo a prestação de serviços públicos de atuação 
típica do Estado, autoriza, consequentemente, a delegação dos meios necessários à realização 
do serviço público delegado, sob pena de restar inviabilizada a atuação dessas entidades na 
prestação de serviços públicos. 
Por outro lado, cumpre ressaltar a única fase do ciclo de polícia que, por sua natureza, é 
absolutamente indelegável: a ordem de polícia, ou seja, a função legislativa. A competência 
legislativa é restrita aos entes públicos previstos na Constituição da República, sendo vedada 
sua delegação, fora das hipóteses expressamente autorizadas no tecido constitucional, a 
pessoas jurídicas de direito privado. 
Em suma, os atos de consentimento, de fiscalização e de aplicação de sanções podem ser 
delegados a estatais que possam ter um regime jurídico próximo daquele aplicável à Fazenda 
Pública. 
 
Voltando ao caso concreto: Para o STF, a Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte 
– BHTRANS pode ser delegatária do poder de polícia de trânsito, inclusive quanto à aplicação 
de multas, porquanto se trata de estatal municipal de capital majoritariamente público, que 
presta exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não 
concorrencial, consistente no policiamento do trânsito da cidade de Belo Horizonte. A posição 
do STF foi a que prevaleceu, devendo ser adotada nas provas. 
 
Atributos do 
Poder de Polícia 
São atributos do poder de polícia: 
a) Imperatividade: poder que a Adm. tem de impor unilateralmente obrigaçõesao 
particular, independentemente da concordância dele. 
 
b) Coercibilidade: a Adm. pode se valer de meios indiretos de coerção (ex: multa). 
 
c) Autoexecutoriedade: em alguns atos de polícia, a Adm. pode se valer de meios diretos de 
execução do ato, ou seja, o Estado não precisa propor ação no Judiciário para fazer executar 
os seus atos. Para tanto, a autoexecutoriedade precisa estar prevista em lei ou decorrer de 
situação de urgência (ex: reboque de um carro que está estacionado na frente de uma 
ambulância). Nessas situações de urgência, aplica-se o chamado contraditório diferido. 
 
d) Discricionariedade (obs: nem todo ato de poder de polícia é discricionário). 
 
e) Atributos gerais dos atos administrativos – ex: presunção de legitimidade e veracidade, 
por exemplo. 
 
 
Aprofundamento para provas subjetivas 
O ato administrativo deve ser praticado respeitando a disciplina normativa pertinente e o direito. Caso contrário, 
terá desobedecido à legalidade ampla e, consequentemente, esse ato deverá ser invalidado por autotutela ou 
mediante controle judicial. 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Modernamente a discricionariedade administrativa está sendo entendida de forma ampla, abarcando não 
apenas a ideia do mérito administrativo, mas também de conceitos indeterminados e, ainda, a sua compreensão 
a partir de princípios. 
O Poder Judiciário, quando chamado a emitir o controle jurisdicional sobre os atos administrativos, deve 
primeiramente apreciar cada um dos seus elementos, para poder perceber que tipo de ato praticado se trata – 
vinculado ou discricionário. Estando diante de um ato administrativo vinculado, o magistrado irá efetivar o 
controle jurisdicional tendo por base a legalidade. Será apreciada a compatibilização da prática administrativa 
com o preceituado em lei (exame externo dos atos administrativos). 
Já se for um ato discricionário, é pacífico na doutrina e na jurisprudência o entendimento de que não é devido 
ao judiciário apreciar o mérito administrativo, mas existe a possibilidade de análise do ato para evitar 
arbitrariedades. Há, portanto, a possibilidade de o Judiciário verificar, à luz da legalidade (das normas e dos 
princípios constitucionais inspiradores da função administrativa) a validade dos atos administrativos 
discricionário, apreciando-os de forma limitada. 
 
Jurisprudência em Teses do STJ – EDIÇÃO N. 82: PODER DE POLÍCIA 
1) A administração pública possui interesse de agir para tutelar em juízo atos em que ela poderia atuar com base 
em seu poder de polícia, em razão da inafastabilidade do controle jurisdicional. 
2) O prazo prescricional para as ações administrativas punitivas desenvolvidas por Estados e Municípios, quando 
não existir legislação local específica, é quinquenal, conforme previsto no art. 1º do Decreto n. 20.910/32, sendo 
inaplicáveis as disposições contidas na Lei n. 9.873/99, cuja incidência limita-se à Administração Pública Federal 
Direta e Indireta. 
3) Prescreve em cinco anos, contados do término do processo administrativo, a pretensão da Administração 
Pública de promover a execução da multa por infração ambiental. (Súmula n. 467/STJ) (Recurso Repetitivo - Tema 
324) 
4) A prerrogativa de fiscalizar as atividades nocivas ao meio ambiente concede ao Instituto Brasileiro do Meio 
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA interesse jurídico suficiente para exercer seu poder de 
polícia administrativa, ainda que o bem esteja situado dentro de área cuja competência para o licenciamento seja 
do município ou do estado. 
5) Ante a omissão do órgão estadual na fiscalização, mesmo que outorgante da licença ambiental, o IBAMA pode 
exercer o seu poder de polícia administrativa, já que não se confunde a competência para licenciar com a 
competência para fiscalizar. 
6) O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor - PROCON detém poder de polícia para impor sanções 
administrativas relacionadas à transgressão dos preceitos ditados pelo Código de Defesa do Consumidor - art. 57 
da Lei n. 8.078/90. 
7) O PROCON tem competência para aplicar multa à Caixa Econômica Federal - CEF por infração às normas do 
Código de Defesa do Consumidor, independentemente da atuação do Banco Central do Brasil. 
8) A atividade fiscalizatória exercida pelos conselhos profissionais, decorrente da delegação do poder de polícia, 
está inserida no âmbito do direito administrativo, não podendo ser considerada relação de trabalho e, por 
consequência, não está incluída na esfera de competência da Justiça Trabalhista. 
9) Não é possível a aplicação de sanções pecuniárias por sociedade de economia mista, facultado o exercício do 
poder de polícia fiscalizatório. 
10) É legítima a cobrança da taxa de localização, fiscalização e funcionamento quando notório o exercício do poder 
de polícia pelo aparato administrativo do ente municipal, sendo dispensável a comprovação do exercício efetivo 
de fiscalização. 
94 
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11) Quando as balanças de aferição de peso estiverem relacionadas intrinsecamente ao serviço prestado pelas 
empresas ao consumidor, incidirá a Taxa de Serviços Metrológicos, decorrente do poder de polícia do Instituto 
Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial - Inmetro em fiscalizar a regularidade desses 
equipamentos. 
12) É legitima a cobrança da Taxa de Fiscalização dos Mercados de Títulos e Valores Mobiliários decorrente do 
poder de polícia atribuído à Comissão de Valores Mobiliários - CVM, visto que os efeitos da Lei n. 7.940/89 são de 
aplicação imediata e se prolongam enquanto perdurar o enquadramento da empresa na categoria de beneficiária 
de incentivos fiscais. 
13) Os valores cobrados a título de contribuição para o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento 
das Atividades de Fiscalização - FUNDAF têm natureza jurídica de taxa, tendo em vista que o seu pagamento é 
compulsório e decorre do exercício regular de poder de polícia. 
Juris Selecionada Dizer o Direito 
É possível a delegação do poder 
de polícia – inclusive da 
possibilidade de aplicação de 
multas – para pessoas jurídicas 
de direito privado? 
 
É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas 
jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta 
de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente 
serviço público de atuação própria do Estado e em regime não 
concorrencial. STF. Plenário. RE 633782/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado 
em 23/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 532) (Info 996). 
 
As operadoras de cartão de 
crédito em sentido estrito 
passam a ser reguladas e 
fiscalizadas pelo Conselho 
Monetário Nacional e pelo Banco 
Central apenas após a edição da 
MP 615/2013 
 
Existem dois tipos de instituições que podem emitir cartões de crédito: 
1) instituições financeiras, que emitem e administram cartões próprios ou de 
terceiros e concedem financiamento direto aos portadores; 
2) operadoras de cartão de crédito em sentido estrito, que são empresas não 
financeiras que emitem e administram cartões próprios ou de terceiros, que 
não financiam os seus clientes. 
 
As instituições financeiras que emitem e administram cartões próprios ou de 
terceiros (primeiro tipo acima) já eram fiscalizadas pelo Bacen, nos termos do 
art. 10, IX, da Lei nº 4.595/64. Por outro lado, as operadoras de cartão de crédito 
em sentido estrito só passaram a ser reguladas e fiscalizadas pelo CMN e pelo 
Bacen após a edição da MP 615/2013. 
 
Antes da edição da MP 615/2013, não havia dispositivo legal que obrigasse o 
CMN a regular e o Bacen a fiscalizar as atividades das operadoras de cartão de 
crédito em sentido estrito. Isso porque a intermediação que essas fazem não tem 
natureza financeira para os fins do art. 17 da Lei nº 4.595/64. 
 
Atualmente, existe previsão legal de normatização e fiscalização das operadoras 
em sentido estrito por parte do CMN e doBacen, quadro que se formou com a 
edição da MP 615/2013. STJ. 2ª Turma. REsp 1359624-SP, Rel. Min. Mauro 
Campbell Marques, julgado em 10/03/2020 (Info 674). 
Não é possível a manutenção de 
quiosques e trailers instalados 
sobre calçadas sem a regular 
aprovação estatal 
 
Em cidades tomadas por veículos automotores, a maior parte deles a 
serviço de minoria privilegiada, calçadas integram o mínimo existencial de 
espaço público dos pedestres, a maioria da população. No Estado Social 
de Direito, o ato de se deslocar a pé, em segurança e com conforto, 
qualifica-se como direito de todos, com atenção redobrada para a 
acessibilidade dos mais vulneráveis, aí incluídos idosos, crianças e pessoas 
com deficiência. 
 
Vale ressaltar que as calçadas são consideradas bens públicos, como bens 
de uso comum do povo (art. 99, I, do Código Civil). A ninguém é lícito 
ocupar espaço público (no caso, a calçada), exceto se estritamente 
95 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
conforme a legislação e após regular procedimento administrativo. Se o 
apossamento do espaço urbano público ocorre ilegalmente, incumbe ao 
administrador, sob risco de cometimento de improbidade e infração 
disciplinar, fazer a imediata demolição de eventuais construções 
irregulares e a desocupação de bem turbado ou esbulhado. STJ. 2ª Turma. 
REsp 1846075-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 03/03/2020 
(Info 671). 
 
O termo “bombeiro civil” pode 
ser utilizado pelos profissionais 
de empresas privadas atuantes 
no ramo 
 
Profissionais de empresas privadas que exerçam atividade de prevenção 
e combate ao incêndio podem adotar a nomenclatura “bombeiro civil”. 
O art. 2º da Lei nº 11.901/2009 dispõe que são “bombeiros civis” os 
empregados contratados tanto por empresas públicas quanto privadas 
que exerçam atividade de prevenção e combate ao incêndio. 
A Lei nº 12.664/2012 não revogou a Lei nº 11.901/2009, mas apenas 
proibiu o uso de uniformes que possuam insígnias, distintivos e emblemas 
representativos das instituições públicas. STJ. 1ª Turma. REsp 1.549.433-
DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 09/04/2019 (Info 648). 
 
Agência de turismo que faça 
câmbio é equiparada à 
instituição financeira e está 
sujeita à fiscalização do BACEN 
 
A agência de turismo devidamente credenciada para efetuar operações 
de câmbio é equiparada a instituição financeira e subordina-se à regular 
intervenção fiscalizatória do Banco Central. 
 
Consideram-se instituições financeiras as pessoas jurídicas públicas ou 
privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, 
intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de 
terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de 
propriedade de terceiros (art. 17 da Lei nº 4.595/64). STJ. 1ª Turma. REsp 
1.434.625-CE, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 09/04/2019 (Info 647). 
 
Obs: esse mesmo entendimento pode ser aplicado para a seara dos crimes 
contra o Sistema Financeiro Nacional (art. 1º, I, da Lei nº 7.492/86): STJ. 
5ª Turma. RHC 9.281/PR, Rel. Min. Gilson Dipp, DJe 30/10/2000. 
 
Apreensão de veículo utilizado 
no carregamento de madeira 
sem autorização 
 
O art. 2º, § 6º, inc. VIII, do Decreto n. 3.179/1999 (redação original), 
quando permite a liberação de veículos e embarcações mediante 
pagamento de multa, não é compatível com o que dispõe o art. 25, § 4º, 
da Lei n. 9.605/1998; entretanto, não há ilegalidade quando o referido 
dispositivo regulamentar admite a instituição do depositário fiel na figura 
do proprietário do bem apreendido por ocasião de infração nos casos em 
que é apresentada defesa administrativa - anote-se que não se está 
defendendo a simplória liberação do veículo, mas a devolução com a 
instituição de depósito (e os consectários legais que daí advêm), 
observado, entretanto, que a liberação só poderá ocorrer caso o veículo 
ou a embarcação estejam regulares na forma das legislações de regência 
(Código de Trânsito Brasileiro, p. ex.). STJ. 1ª Seção. REsp 1.133.965-BA, 
Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 25/04/2018 (Info 625). 
 
Competência do DNIT para 
fiscalizar trânsito nas rodovias e 
estradas federais 
 
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT detém 
competência para a fiscalização do trânsito nas rodovias e estradas 
federais, podendo aplicar, em caráter não exclusivo, penalidade por 
infração ao Código de Trânsito Brasileiro, consoante se extrai da 
conjugada exegese dos arts. 82, § 3º, da Lei nº 10.233/2001 e 21 da Lei nº 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro). STJ. 1ª Seção. REsp 1588969-
RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 28/02/2018 (recurso 
repetitivo) (Info 623). 
 
Fiscalização prévia do camarão 
in natura 
 
É obrigatória a prévia fiscalização do camarão in natura, ainda que na 
condição de matéria-prima, antes do beneficiamento em outros Estados 
da Federação, podendo tal atividade ser realizada no próprio 
estabelecimento rural onde se desenvolve a carcinicultura. 
STJ. 1ª Turma.REsp 1536399-PI, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 
08/02/2018 (Info 620). 
 
A administração pública possui 
interesse de agir para tutelar em 
juízo atos em que ela poderia 
atuar com base em seu poder de 
polícia 
 
Um dos atributos do poder de polícia é a autoxecutoriedade. Isso significa 
que a Administração Pública pode, com os seus próprios meios, executar 
seus atos e decisões, sem precisar de prévia autorização judicial. 
 
A Administração, contudo, pode, em vez de executar o próprio ato, 
ingressar com ação judicial pedindo que o Poder Judiciário determine essa 
providência ao particular. 
 
Ex: diante de uma irregularidade grave, a Administração Pública poderia, 
em tese, interditar o estabelecimento. Se ela, em vez de executar esta 
ordem diretamente, ajuíza ação pedindo que o Poder Judiciário determine 
essa providência, tal ação não pode ser julgada extinta por falta de 
interesse de agir. 
 
A autoexecutoriedade não retira da Administração Pública a possibilidade 
de valer-se de decisão judicial que lhe assegure a providência fática que 
almeja, pois nem sempre as medidas tomadas pelo Poder Público no 
exercício do poder de polícia são suficientes. STJ. 2ª Turma. REsp 
1651622/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/03/2017. 
 
Ante a omissão do órgão 
estadual na fiscalização o 
IBAMA pode exercer o seu poder 
de polícia administrativa 
 
Havendo omissão do órgão estadual na fiscalização, mesmo que 
outorgante da licença ambiental, o IBAMA pode exercer o seu poder de 
polícia administrativa, porque não se pode confundir competência para 
licenciar com competência para fiscalizar. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 
1484933/CE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 21/03/2017. 
 
Não cabe ao Banco Central 
fiscalizar o Serasa 
 
O Banco Central tem o dever de exercer o controle do crédito e fiscalizar 
a atividade das instituições financeiras. O Serasa não é uma instituição 
financeira, considerando que não exerce coleta, intermediação nem 
aplicação de recursos financeiros, nem a custódia de valor de propriedade 
de terceiros, seja como atividade principal ou acessória. 
Logo, não é da atribuição do Banco Central a fiscalização das atividades do 
Serasa. STJ. 4ª Turma. REsp 1.178.768-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, 
julgado em 1/12/2016 (Info 595). 
 
O IBAMA possui interesse 
jurídico e pode exercer poder de 
polícia administrativa ambiental 
dentro de área cuja competência 
para o licenciamento seja do 
Município ou do Estado. 
A atividade fiscalizatória das atividades nocivas ao meio ambiente 
concede ao IBAMA interesse jurídico suficiente para exercer seu poder de 
polícia administrativa, ainda que o bem esteja situado em área cuja 
competência para o licenciamento seja do Município ou do Estado. 
Nos termos da legislação federal de regência, a competência concorrente 
(rectius: competência comum)não inibe a atuação do IBAMA, ainda mais 
97 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 não tendo havido a interferência de órgão ambiental local. STJ. 2ª Turma. 
REsp 1560916/AL, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 06/10/2016. 
A ANVISA deve exigir que as 
fabricantes dos produtos 
alimentícios advirtam, no rótulo, 
que os valores nutricionais ali 
informados podem ter uma 
variação de até 20% em relação 
aos números apresentados 
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA deve exigir, na 
rotulagem dos produtos alimentícios, a advertência da variação de 20% 
nos valores nutricionais. STJ. 2ª Turma. REsp 1537571-SP, Rel. Min. 
Herman Benjamin, julgado em 27/09/2016 (Info 677). 
 
O PROCON possui poder de 
polícia para impor sanções 
administrativas relacionadas à 
violação do CDC 
 
O PROCON detém poder de polícia para impor multas (art. 57 do CDC) 
decorrentes de transgressão às regras ditadas pela Lei n.º 8.078/90. 
Assim, a sanção administrativa aplicada pelo PROCON reveste-se de 
legitimidade, em virtude de seu poder de polícia (atividade administrativa 
de ordenação) para cominar multas relacionadas à transgressão do CDC. 
STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1594667/MG, Rel. Min. Regina Helena Costa, 
julgado em 04/08/2016. 
 
Atribuição para classificar como 
medicamento produto importado 
 
Se a ANVISA classificou determinado produto importado como 
"cosmético", a autoridade aduaneira não poderá alterar essa classificação 
para defini-lo como "medicamento". Incumbe à ANVISA regulamentar, 
controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde 
pública (art. 8º da Lei nº 9.782/99). Assim, é da Agência a atribuição de 
definir o que é medicamento e o que é cosmético. STJ. 1ª Turma. REsp 
1.555.004-SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 
16/2/2016 (Info 577). 
 
Poder de polícia de trânsito e 
guardas municipais 
 
As guardas municipais podem realizar a fiscalização de trânsito? 
SIM. As guardas municipais, desde que autorizadas por lei municipal, têm 
competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração de trânsito 
e impor multas. 
 
O STF definiu a tese de que é constitucional a atribuição às guardas 
municipais do exercício do poder de polícia de trânsito, inclusive para a 
imposição de sanções administrativas legalmente previstas (ex: multas de 
trânsito). STF. Plenário. RE 658570/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. 
p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 6/8/2015 (repercussão 
geral) (Info 793). 
 
Incompetência do INMETRO para 
fiscalizar balanças gratuitamente 
disponibilizadas por farmácias 
 
O Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial 
(INMETRO) não é competente para fiscalizar as balanças de pesagem 
corporal disponibilizadas gratuitamente aos clientes nas farmácias. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.384.205-SC, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 
5/3/2015 (Info 557). 
 
As ações propostas pelo 
profissional contra o poder de 
polícia realizado pelo Conselho 
Profissional são julgadas pela 
Justiça Federal comum (e não 
pela Justiça do Trabalho) 
 
A atividade fiscalizatória exercida pelos conselhos profissionais não pode 
ser incluída entre as competências estabelecidas no art. 114 da 
Constituição Federal, uma vez que não há relação de trabalho entre o 
Conselho de Fiscalização Profissional e os profissionais perante ele 
registrados. O que há entre eles é uma relação de natureza estatutária 
(isto é, regrada por atos normativos, e não por contrato), pertencente ao 
domínio do Direito Administrativo. Desse modo, se o profissional (ex: 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
médico) não concorda com uma determinação do respectivo Conselho 
(ex: CRM) e decide ingressar com ação judicial questionando a medida, tal 
demanda não é de competência da Justiça do Trabalho, mas sim da Justiça 
Federal comum. STJ. 1ª Seção. CC 127.761/DF, Rel. Min. Mauro Campbell 
Marques, julgado em 28/08/2013. 
 
A cobrança da taxa de 
localização e funcionamento, 
pelo município, dispensa a 
comprovação da atividade 
fiscalizadora, face à notoriedade 
do exercício do poder de polícia 
pela Municipalidade 
 
É prescindível (dispensável) a comprovação, pelo ente tributante, do 
efetivo exercício do poder de polícia, a fim de legitimar a cobrança da Taxa 
de Fiscalização de Anúncios, da Taxa de Fiscalização de Localização e 
Funcionamento e da Taxa de Fiscalização Sanitária. STJ. 1ª Turma. AgRg no 
Ag 1320125/MG, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 20/11/2012. 
O PROCON tem competência 
para aplicar multa à Caixa 
Econômica Federal por infração 
às normas do Código de Defesa 
do Consumidor, 
independentemente da atuação 
do Banco Central do Brasil 
 
O PROCON é órgão competente para aplicar multa à Caixa Econômica 
Federal em razão de infração às normas de proteção do consumidor, pois 
sempre que condutas praticadas no mercado de consumo atingirem 
diretamente os consumidores, é legítima sua atuação na aplicação das 
sanções administrativas previstas em lei, decorrentes do poder de polícia 
que lhe é conferido. 
 
A atuação do PROCON não inviabiliza, nem exclui, a atuação do BACEN, 
autarquia que possui competência privativa para fiscalizar e punir as 
instituições bancárias quando agirem em descompasso com a Lei n.º 
4.565/64, que dispõe sobre a Política e as Instituições Monetárias, 
Bancárias e Creditícias. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1148225/AL, Rel. Min. 
Mauro Campbell Marques, julgado em 13/11/2012. 
 
Súmulas sobre o poder de polícia: 
 
Súmula Vinculante 38: É competente o município para fixar o horário de 
funcionamento de estabelecimento comercial. 
Súmula vinculante 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei 
municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do 
mesmo ramo em determinada área. 
Súmula 19-STJ: A fixação do horário bancário, para atendimento ao 
público, é da competência da União. 
Súmula 312-STJ: No processo administrativo para imposição de multa de 
trânsito, são necessárias as notificações da autuação e da aplicação da 
pena decorrente da infração. 
Súmula 467-STJ: Prescreve em cinco anos, contados do término do 
processo administrativo, a pretensão da Administração Pública de 
promover a execução da multa por infração ambiental. 
 
 
 
 
 
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Controle da Administração Pública 
Conceito de Controle da Administração Pública 
 Pode-se conceituar controle administrativo como o conjunto de instrumentos definidos pelo ordenamento 
jurídico a fim de permitir a fiscalização da atuação estatal por órgãos e entidades da própria Administração 
Pública, dos Poderes Legislativo e Judiciário, assim como pelo povo diretamente, compreendendo ainda a 
possibilidade de orientação e revisão da atuação administrativa de todas as entidades e agentes públicos, 
em todas as esferas de poder. 
 O controle é fundamental para dar legitimidade à atuação do poder público, garantindo a adequação das 
condutas dos agentes públicos às necessidades da sociedade, de forma a permitir uma maior eficiência na 
execução das atividades públicas. 
 É o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos por meio dos quais se exerce o poder de 
FISCALIZAÇÃO e de REVISÃO da atividade administrativa em qualquer das esferas de poder. 
Palavras-chave: Fiscalização + Revisão. 
Fundamentos: Legalidade e eficiência. 
Finalidade: Interesse público. 
 
Conceito de Controle da Administração: o conjunto de instrumentos jurídicos de fiscalização e revisão da 
atuação dos agentes e órgãos públicos, pela própria Administração Pública, pelos Poderes Legislativo e 
Judiciário, pelo Ministério Público e pelos cidadãos. 
 
 
Quais são os OBJETIVOS do controle administrativo? 
1) Confirmação do ato que foi praticado; 
2) Correção do ato; 
3) Alteração (ratifica parte do ato e corrige outra parte). 
 
Quais são osINSTRUMENTOS do controle administrativo? 
Existem diversos instrumentos por onde se perfaz o controle administrativo. São os seguintes instrumentos: 
1) Direito de Petição; 
2) Controle ministerial; 
3) Hierarquia orgânica (JSCF) / Fiscalização hierárquica (CABM); 
4) Controle social; 
5) Instrumentos legais (previstos na legislação); 
6) Recursos administrativos (‘lato sensu’); 
7) Coisa julgada administrativa; 
8) Prescrição administrativa; 
9) Arbitragem; 
100 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
 
 
Classificação 
Quanto à 
natureza do 
órgão 
controlador 
Controle 
Legislativo 
 É aquele executado pelo Poder Legislativo diretamente - o chamado controle 
parlamentar direto - ou mediante auxílio do Tribunal de Contas. 
 
Controle 
Administrativo 
Decorre do poder de autotutela conferido à Administração Pública que deve 
efetivar a fiscalização e revisão dos seus atos, mediante provocação ou de 
ofício, com a finalidade de verificar os aspectos de ilegalidade que maculem 
o ato controlado, situações que ensejam a anulação do ato - e também 
ausência de interesse público na manutenção da conduta no ordenamento 
jurídico, podendo justificar sua revogação. 
 
Controle 
Judicial 
É realizado pelo Poder Judiciário, mediante provocação de qualquer 
interessado que esteja sofrendo lesão ou ameaça de lesão em virtude de 
conduta ou omissão administrativa. Nestes casos, o controle será exercido 
somente no que tange aos aspectos de legalidade dos atos administrativos, 
haja vista a impossibilidade de substituição do mérito administrativo pela 
opção do julgador. 
 
Quanto à 
extensão do 
controle 
Controle 
Interno 
É aquele exercido dentro de um mesmo Poder, por meio de órgãos 
especializados (art. 74 CF) ou entre órgãos de uma mesma entidade quando 
manifesta relação de hierarquia ou entre órgãos de entidades diferentes (ex: 
controle que a adm. direta exerce sobre a adm. indireta de um mesmo 
poder). 
 
Controle 
Externo 
É o exercido por um poder em relação aos atos administrativos praticados 
por outro poder do estado. Ademais, considera-se controle externo aquele 
exercido diretamente pelos cidadãos (controle popular – ex: propositura de 
ação popular para anulação de atos lesivos ao interesse público). 
 
Quanto ao 
âmbito de 
atuação 
Por 
subordinação 
 É aquele realizado por autoridade hierarquicamente superior a quem 
praticou o ato, ou seja, entre órgãos e agentes de uma mesma pessoa jurídica 
da Administração Pública. Trata-se de controle interno sempre como 
manifestação do poder hierárquico. 
 
Por Vinculação Decorre do poder exercido pela adm. direta sobre as entidades 
descentralizadas, não se caracterizando como subordinação hierárquica, 
mas tão somente como uma espécie de supervisão. Restringe-se à verificação 
do enquadramento do ente descentralizado às disposições definidas na lei 
específica responsável pela sua criação, de forma a analisar se o ente cumpre 
suas finalidades estatutárias. 
 
Quanto à 
natureza 
Controle de 
Legalidade 
 Tem o intuito de analisar se o ato administrativo foi praticado em 
conformidade com o ordenamento jurídico. Pode ser exercido pela própria 
Administração Pública, de ofício ou mediante provocação, no exercício do 
poder de autotutela, assim como pelo Poder Judiciário no exercício da 
função jurisdicional, desde que provocado para tanto, ou mesmo pelo Poder 
Legislativo, nos casos previstos na Carta Magna. 
101 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Impõe a anulação de um ato sempre que for verificado vício de ilegalidade, 
sendo que a retirada da conduta opera efeitos retroativos, à origem dos atos, 
resguardados os direitos adquiridos de terceiros de boa-fé. 
Excepcionalmente, o ato viciado poderá manter-se no ordenamento 
jurídico, sempre que os defeitos observados forem sanáveis e desde que a 
sua convalidação não acarrete lesão ao interesse público nem prejuízo a 
terceiros (art. 55 da Lei 9.784/99). 
 
Controle de 
Mérito 
 Deve ser exercido com a intenção de verificar a oportunidade e conveniência 
administrativas do ato controlado. Neste sentido, trata-se de controle 
administrativo que, de regra, compete exclusivamente ao próprio Poder o 
qual, atuando na função de Administração Pública, praticou a conduta. 
 
 Excepcionalmente, nos casos previstos na Constituição Federal, o Poder 
Legislativo tem competência para exercer o controle de mérito sobre atos 
praticados pela Administração, como ocorre, por exemplo, em casos que 
exigem a aprovação do Senado Federal para a nomeação de um Ministro do 
Supremo Tribunal Federal. O resultado do controle de mérito é a revogação 
pela administração de atos discricionários por ela editados. 
 
Quanto ao 
momento do 
exercício 
Prévio é aquele realizado antes da formação do ato controlado. 
Ex: impetração de MS preventivo para impedir a prática de um ato ilegal. 
 
Concomitante é exercido durante a execução da atividade controlada. 
Ex: fiscalização exercida durante execução de obra pública. 
 
Posterior é aquele que verifica a regularidade e a conveniência diante de atos 
administrativos já praticados em sua inteireza. 
 
Quanto à 
iniciativa 
Controle de 
ofício 
é aquele realizado sem a provação da parte interessada. 
Controle 
provocado 
 é aquele que depende da iniciativa da parte interessada para que seja 
exercido. 
 
 
Controle Administrativo 
Trata-se de controle exercido pela própria Administração Pública em relação a suas condutas, em decorrência 
do poder da autotutela. Não se pode esquecer de que a Administração Pública deve ser analisada enquanto 
órgão e entidade que atua no exercício da função administrativa, o que determina a possibilidade de 
manifestação deste controle nos outros poderes do Estado que não o Poder Executivo. 
 
Com efeito, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário, quando atuam, atipicamente, no exercício da função 
administrativa, deverão exercer o controle dos seus atos, sendo este considerado um controle administrativo. 
Imagine-se, a título de exemplo, que um determinado tribunal, em virtude de análise de mérito, determinou a 
revogação de edital de licitação publicado para aquisição de bens e serviços necessários ao regular 
funcionamento do órgão. 
 
102 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Os meios de controle administrativo são a supervisão ministerial sobre as entidades personalizadas que 
integram a Administração Indireta (também chamado de controle finalístico) e o controle hierárquico típico 
dos órgãos da administração direta. 
 
Questão 
envolvendo 
Checks and 
balances 
(CESPE/PGE-AL/2009) Quando, na mesma pessoa, ou no mesmo corpo de magistrados, o Poder 
Legislativo se junta ao Executivo, desaparece a liberdade; pode-se temer que o monarca ou o senado 
promulguem leis tirânicas, para aplicá-las tiranicamente. Não há liberdade se o Poder Judiciário não 
está separado do Legislativo e do Executivo. Se houvesse tal união com o Legislativo, o poder sobre 
a vida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrário, já que o juiz seria ao mesmo tempo legislador. Se 
o Judiciário se unisse com o Executivo, o juiz poderia ter a força de um opressor. E tudo estaria 
perdido se a mesma pessoa, ou o mesmo corpo de nobres, de notáveis, ou de populares, exercesse 
os três poderes: o de fazer as leis, o de ordenar a execução das resoluções públicas e o de julgar os 
crimes e conflitos dos cidadãos. Montesquieu. In: Norberto Bobbio. A teoria das formas de governo. 
10.ª ed. Brasília: EDUnB, p. 137 (com adaptações). Tendo como referência inicial o texto acima, 
assinale a opção correta. 
 
 A cada um dos poderes foi conferida uma parcela da autoridade soberana do Estado. Para a 
convivência harmônica entre esses poderes existe o mecanismo de controles recíprocos (checks 
and balances). Esse mecanismo, contudo, não chega ao ponto de autorizar a instauração de 
processo administrativodisciplinar por órgão representante de um poder para apurar a 
responsabilidade de ato praticado por agente público de outro poder. 
 
103 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Recursos Administrativos 
De acordo com Maria Sylvia Zanella DI PIETRO, os recursos administrativos são todos os 
mecanismos a disposição dos particulares para provocar o reexame de algum ato praticado 
pelo Poder Público. 
 
A garantia recursal, em processos administrativos, não pode ser submetida à exigência de depósito prévio ou 
de caução, haja vista o fato de que isso restringiria o acesso à ampla defesa. 
 
Na seara administrativa, NÃO há vedação da reformatio in pejus, ou seja, uma decisão proferida em sede de 
recurso administrativo poderá piorar a situação do recorrente, em respeito ao princípio da verdade material e 
da legalidade estrita da atuação administrativa. 
 
Após a tramitação do processo em todas as instâncias, legalmente permitidas, estará formada a coisa julgada 
administrativa. A expressão coisa julgada administrativa designa tão somente situação que não poderá ser 
objeto de discussão na esfera administrativa, já que sempre haverá a possibilidade de se recorrer às vias 
judiciais. 
 
Recurso hierárquico 
próprio 
O recurso hierárquico próprio é endereçado à autoridade hierárquica superior à 
que praticou o ato recorrido, dentro da estrutura orgânica de uma mesma pessoa 
jurídica. Pode ser interposto sem necessidade de previsão legal. Ex: recurso 
interposto perante o Ministro da Fazenda, com a intenção de rever uma decisão 
proferida pelo Secretário da Receita Federal. 
 
Recurso hierárquico 
impróprio 
O recurso hierárquico impróprio é dirigido à autoridade que não possui posição de 
superioridade hierárquica em relação a quem praticou o ato recorrido, mas tão 
somente a possibilidade de controle em decorrência de vinculação. Trata-se, neste 
caso, de recurso que decorre do poder de supervisão ministerial, dependendo de 
expressa previsão legal para que seja interposto regularmente. Ex: recurso contra 
decisão tomada por autarquia, que seja endereçado ao Ministro da pasta à qual a 
entidade recorrida está vinculada. 
 
 
Recurso Hierárquico Próprio Recurso Hierárquico Impróprio Pedido de Reconsideração 
Ocorre dentro da mesma pessoa ou 
órgão 
Interposto a órgão ou autoridade 
estranha aquela que proferiu o ato 
impugnado. 
Dirigida a autoridade que houver 
expedido o ato ou proferido a 
primeira decisão 
Há hierarquia Há vinculação --- 
Exame de legalidade e mérito Somente exame de legalidade Exame de legalidade e mérito 
Não necessita de previsão Necessita de previsão legal Não necessita de previsão 
104 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
legal, salvo no que se refere 
aos seus efeitos, ou seja, se 
de efeito suspensivo, 
necessita de previsão, se de 
efeito devolutivo não 
necessita de previsão. 
 
 
 
 
Órgãos Internos de Controle 
A) CONTROLADORIA GERAL 
São normalmente vinculados ao Chefe do Poder Executivo de cada um dos entes federativos e atuam com 
ampla prerrogativa de investigação com a finalidade de garantir maior transparência e moralidade na 
prestação de contas públicas. 
B) CNJ E CNMP A Emenda Constitucional n. 45/2004 criou os dois órgãos com a função de realizar o controle 
administrativo e financeiro do Judiciário e do Ministério Público. São órgãos internos de controle, haja vista 
fazerem parte da estrutura destes poderes. 
C) CORREGEDORIAS 
Consoante art. 74 CF, os três poderes do Estado devem criar órgãos de controle interno para execução de suas 
atividades. Respeitando esta norma, os Tribunais e Casas do Poder Legislativo devem, por meio de lei, criar as 
corregedorias e ouvidorias, com a função de realizar o controle interno da entidade, assim como a análise da 
atuação de seus membros, como forma de garantia dos princípios da moralidade e impessoalidade. 
 
 
105 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Controle Legislativo 
O controle legislativo poderá ser exercido de ofício ou mediante provocação de particulares interessados que 
terão o poder de representar aos órgãos controladores com denúncias de irregularidades. 
Controle 
Parlamentar 
Direto 
Trata-se de controle efetivado pelo próprio parlamento diretamente, mediante 
manifestação do Congresso Nacional, ou por meio de uma de suas casas. As hipóteses 
estão espraiadas no texto constitucional e podem ser exemplificadas, a saber: 
I. Compete ao Congresso Nacional autorizar o Presidente da República a declarar guerra, 
a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou 
nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei 
complementar. 
II. Somente o Congresso poderá autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República 
a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias. 
III. É competência do Congresso a suspensão dos atos normativos do Chefe do Executivo 
que extrapolem o poder regulamentar, invadindo seara de lei. 
IV. O Congresso também é responsável por julgar anualmente as contas prestadas pelo 
Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo. 
V. É de competência do Senado Federal processo e julgamento do Presidente e do Vice 
Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como dos Ministros de 
Estado e dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da 
mesma natureza conexos com aqueles, após autorização da Câmara dos Deputados para 
recebimento da denúncia e instauração do processo. 
VI. A Carta Magna prevê ainda a criação de comissões parlamentares de inquérito - CPI's. 
VII. O Congresso Nacional tem o poder de sustar contratos, mediante parecer apresentado 
pelo Tribunal de Contas da União. 
 
Exemplos de 
Controle 
Legislativo Direto 
 
 
 
106 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
 
 
 
 
107 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
 
 
 
 
Controle 
exercido pelos 
Tribunais de 
Contas 
O Tribunal de Contas é órgão auxiliar do Poder Legislativo no controle externo. Tem 
competência para fiscalização de quaisquer entidades públicas, incluindo as contas do 
Ministério Público, Legislativo e Judiciário, assim como para efetivar seu controle sobre 
entidades privadas que utilizem dinheiro público para execução de suas atividades. 
 
No Brasil, há a previsão de Tribunal de Contas no âmbito estadual e federal, assim como 
a possibilidade de criação de Tribunal de Contas dos Municípios, órgão estadual. No 
município de São Paulo e do Rio de Janeiro, há a atuação do Tribunal de Contas do 
Município, órgão municipal (isso decorre do fato de que os TCMs existentes ANTES da 
promulgação da CF de 1988 foram mantidos, sendo vedada a criação de novos tribunais 
de contas no âmbito do poder público municipal APÓS a edição da Carta Magna atual). 
 
Atribuições dos 
Tribunais de 
Contas 
1. Consultiva: 
Ex: prerrogativa de elaborar parecer prévio (meramente opinativo, ou seja, não 
vinculante), que será encaminhado ao Parlamento, sobre as contas prestadas anualmente 
pelo chefe do Poder Executivo (art. 49, IX e 71, I CF). 
 
 
2. Fiscalizadora: 
108 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Ex: realização de inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, 
operacional e patrimonial nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo 
e Judiciário, bem como das entidades responsáveis pela gestão dos recursos públicos (art. 
71, IV CF). 
Ex 2: fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante 
convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, ao Estado, ao DF ou 
Município (art. 71, VI CF). Sobre o tema: 
 
3. Julgadora: 
É a prerrogativa para julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por 
dinheiros, bense valores públicos da Administração Direta e Indireta, bem como as contas 
daqueles que deram causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte 
prejuízo ao erário público (art. 71, II CF). 
Obs: No decorrer dos julgamentos efetivados, o TC poderá declarar, incidenter tantum, a 
inconstitucionalidade de leis e normas (Súmula 347 STF). 
 
4. Registro: 
Os Tribunais de Contas apreciam, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão 
de pessoal, a qualquer título, na Adm. Direta e Indireta, excetuadas as nomeações para 
cargos comissionados, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e 
pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato 
concessório (art. 71, III CF). 
 
5. Sancionadora: 
O texto constitucional admite a aplicação de sanções pelos Tribunais de Contas aos 
responsáveis por ilegalidade da despesa ou irregularidade de contas (art. 71, VIII CF). A Lei 
8.443/93 (Lei Orgânica do TCU) prevê algumas prerrogativas sancionatórias, tal como a 
declaração de inidoneidade por até 5 anos ao licitante que frauda licitação (art. 46). 
 
6. Corretiva: 
Os TC podem determinar a correção de irregularidades administrativas, assinalando prazo 
para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento 
da lei, quando constatada ilegalidade (art. 71, IX CF). Em caso de desatendimento, o 
Tribunal poderá sustar a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara 
dos Deputados e ao Senado Federal (art. 71, X CF). 
 
7. Ouvidoria: 
É a atribuição de receber denúncias de irregularidades ou ilegalidades apresentadas por 
qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato (art. 74, §2º CF). 
 
Controle Judicial Inicialmente, cumpre ressaltar que, no que tange ao controle da Administração Pública, o 
Direito Brasileiro adotou o sistema de jurisdição única, em detrimento ao sistema do 
contencioso administrativo. 
 
O sistema inglês ou sistema de jurisdição única, também designado de sistema da 
unicidade de jurisdição, estabelece que todos os litígios, sejam eles administrativos ou 
privados, podem ser levados à justiça comum, ou seja, ao Poder Judiciário, único com 
competência para dizer o direito aplicável aos casos litigiosos, de forma definitiva, com 
força de coisa julgada material. 
 
Assim, é possível a provocação do Judiciário para análise de controvérsias ainda que já se 
tenham esgotado as instâncias administrativas e independentemente disso. Exceção: art. 
109 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
217, 1º CF (o Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina desportiva após esgotarem-
se as instâncias da justiça desportiva). 
 
Ações Judiciais A) MANDADO DE SEGURANÇA (atenção para mudanças recentes) 
É uma ação mandamental de rito sumário, previsto no art. 5°, LXIX e LXX da Carta Magna 
e regulamentada pela Lei 12.016/09, para proteção de direitos individuais ou coletivos, 
violados ou ameaçados por ato administrativo ilegal. 
Com efeito, diante de ato ilegal que viola direito líquido e certo de particular, é possível 
requerer, mediante a impetração de Mandado de Segurança, que se declare a nulidade 
desta conduta. 
Entende-se por direito líquido e certo o direito cuja prova está pré-constituída, não se 
admitindo a produção de provas durante o processo. Controvérsia sobre matéria de 
direito não impede concessão de mandado de segurança (Súmula 625 STF). 
Deve ser proposto em, no máximo, 120 dias, contados da data do ato impugnado, sob 
pena de decadência do direito. 
CAI MUITO!!! Art. 5º da Lei 12.016/09. NÃO se concederá mandado de segurança quando 
se tratar: 
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente 
de caução; 
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; 
III - de decisão judicial transitada em julgado. 
 
B) AÇÃO POPULAR 
É remédio constitucional, regulamentado no art. 5°, LXXIII CF, proposta por qualquer 
cidadão que, embora não tenha sido diretamente lesado pelo ato que ele pretende anular, 
considere o ato lesivo ao interesse coletivo. 
Ressalte-se não haver prerrogativa de foro para julgamento da ação popular, sendo assim, 
a ação tramitará, necessariamente, perante juiz singular, competindo à justiça federal a 
análise do feito, nas hipóteses previstas no art. 109 CF. Em caso contrário, a ação será 
proposta perante juiz estadual. 
 
Info 605 STJ (2017): A interferência judicial para invalidar a estipulação das tarifas de 
transporte público urbano viola a ordem pública, mormente nos casos em que houver, 
por parte da Fazenda estadual, esclarecimento de que a metodologia adotada para 
fixação dos preços era técnica. Segundo a “DOUTRINA CHENERY”, o Poder Judiciário não 
pode anular um ato político adotado pela Administração Pública sob o argumento de que 
ele não se valeu de metodologia técnica. Isso porque, em temas envolvendo questões 
técnicas e complexas, os Tribunais não gozam de expertise para concluir se os critérios 
adotados pela Administração são corretos ou não. Assim, as escolhas políticas dos órgãos 
governamentais, desde que não sejam revestidas de reconhecida ilegalidade, NÃO podem 
ser invalidadas pelo Poder Judiciário. 
 
C) HABEAS DATA 
Trata-se de ação constitucional, prevista no art. 5°, LXXII CF, que visa à garantia do direito 
fundamental à informação. Com efeito, a ação é cabível sempre para garantir o direito à 
informação acerca da pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados de 
entidades governamentais ou de caráter público. 
 
Além disso, também é cabível para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo 
por processo sigiloso, judicial ou administrativo e também para a anotação nos 
assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas 
justificável, e que esteja sob pendência judicial ou amigável. 
110 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
A petição inicial deve ser instruída com a prova de que o agente público se recusou a 
prestar as informações, ou não o fez no prazo de 10 dias - situação em que se configura a 
recusa tácita. Em casos de acréscimo e retificação de informações, a recusa tácita ocorre 
após 15 dias sem manifestação do poder público. 
 
D) AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
Trata-se de ação cabível sempre que o legitimado tiver a intenção de garantir a proteção 
a interesses difusos e coletivos, assim como de direitos individuais homogêneos, com 
regulamentação na Lei 7.347/85. 
É possível o manejo desta ação especial para defesa do meio ambiente, do direito do 
consumidor, da ordem econômica, entre outros, sendo vedada a sua propositura para 
veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de 
Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional, cujos 
beneficiários podem ser individualmente determinados. 
 
Info 609 STJ (2017): A decisão judicial que impõe à Administração Pública o restabelecimento do plantão de 
24 horas em Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e à Juventude não constitui abuso de poder, 
tampouco extrapola o controle do mérito administrativo pelo Poder Judiciário. O STJ considerou que, ao 
não se oferecer plantão 24 horas na Delegacia especializada de apuração dos atos infracionais, houve 
violação à CF/88, ao art. 172 do ECA e também ao item 12.1 das Regras de Beijing considerando que, fora 
do horário de funcionamento da Delegacia, os jovens infratores serão submetidos às unidades policiais 
comuns, onde estarão expostos ao contato com presos maiores de idade. A decisão governamental de 
encerrar o plantão na Delegacia não é uma escolha aceitável do Estado sob os aspectos moral e ético, 
representando induvidosa preterição de uma prioridade imposta pela Constituição Federal, além de 
conduta contrária à lei e ao tratado internacional, constituindo, portanto, hipótese na qual se admite que o 
Poder Judiciário intervenhalegitimamente no caso mesmo em se tratando de um ato discricionário. 
 
E) MANDADO DE INJUNÇÃO 
O art. 5°, LXXI CF define, que "conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de 
norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades 
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania”. 
Com efeito, trata-se de ação especial proposta com a finalidade de se evitar que a omissão 
legislativa cause prejuízos ou obste o exercício de direitos e garantias constitucionalmente 
previstas no texto constitucional. 
 
F) DEMAIS AÇÕES É possível a propositura de ADI, seja ela por ação ou omissão, da ADC, 
além da ADPF. 
 
Ato INTERNA 
CORPORIS 
Podem ser assim conceituados os atos praticados, na estrutura interna dos Tribunais ou 
das Casas do Poder Legislativo, dentro dos limites de sua competência definida por lei, 
para a instituição de normas internas. Em tais casos, a doutrina costuma afirmar que, 
diante da ampla discricionariedade atribuída a estas condutas, como forma de garantia da 
separação de Poderes, não é possível a análise destes atos por decisão jurisdicional, salvo 
em casos de lesão direta ou ameaça de lesão a direitos individuais, quando, então, não se 
admite o afastamento do controle judicial. 
 
 
Questão de 
prova discursiva 
Oficial de Justiça 
TJ-RJ (2021) 
 
A prova discursiva da banca CEBRASPE exigiu que o candidato redigisse um texto 
dissertativo explicando ‘as modalidades de controle administrativo, legislativo e 
jurisdicional exercidas no Brasil’, bem como incluísse ‘dois exemplos de cada uma delas. 
Nota-se que este conteúdo é muito pertinente para o seu estudo, bem como é muito 
frequente em provas para esta área de atuação. 
 
111 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Redigir 
dissertativo 
explicando ‘as 
modalidades de 
controle 
administrativo, 
legislativo e 
jurisdicional 
exercidas no 
Brasil’, bem 
como incluísse 
‘dois exemplos 
de cada uma 
delas. 
Para abordar as modalidades de controle administrativo, legislativo e jurisdicional 
exercidas no Brasil, o candidato deve discorrer que Controle Administrativo 
Os mecanismos de controle da administração pública mostram-se imprescindíveis para 
regular a prestação dos serviços públicos e para o próprio funcionamento do regime 
democrático. No âmbito do controle interno exercido por cada Poder, evidencia-se a 
prerrogativa de autotutela conferida aos Poderes da República. No tocante ao controle 
recíproco exercido entre os Poderes, revela-se o sistema de freios e contrapesos 
estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. 
Nesse prisma, o controle administrativo é o que tem como fonte a própria administração 
originária do ato sob exame. Pode ser exercido pelo Poder Executivo, pelo Poder 
Legislativo e pelo Poder Judiciário, já que a sua característica principal é a capacidade de 
fiscalização dentro da mesma estrutura de poder. Materializa-se por meio do poder de 
autotutela de que dispõe a administração para sindicar e rever os atos por ela emanados. 
Poder ser exemplificado pela possibilidade de apresentação de recursos administrativos, 
pela atuação de órgãos correcionais, pelo controle decorrente do poder hierárquico, pela 
resolução de processos administrativos, entre outros. 
No que se refere ao controle legislativo, tem-se a prerrogativa constitucional de 
fiscalização da atividade administrativa sob os aspectos político e financeiro. Esta pode ser 
manifestada por meio da atuação dos tribunais de contas, dos órgãos e das comissões 
pertinentes das Casas, da possibilidade de convocação de autoridades para prestarem 
depoimentos, dos poderes inerentes às comissões parlamentares de inquérito, da 
possibilidade de sustação dos atos do Poder Executivo que exorbitem do poder 
regulamentar, entre outros. 
O controle jurisdicional, por sua vez, manifesta-se pela fiscalização, realizada pelo Poder 
Judiciário, dos atos emanados pelos Poderes Executivo e Legislativo, além daqueles 
oriundos de seus próprios órgãos. Pode ser exemplificado pelo manejo de ações judiciais 
em que são questionados atos dos demais poderes, tais como mandado de segurança. A 
ação popular, a ação civil pública, o habeas corpus, o habeas data, entre outros. 
 
 
CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
O controle administrativo e corolário direto da indisponibilidade da indisponibilidade do interesse público. 
 
A finalidade do controle é a de assegurar que a Administração atue em consonância com os princípios que lhe 
são impostos pelo ordenamento jurídico, para que atenda aos interesses e necessidades da coletividade. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
QUANTO À 
NATUREZA 
DO ÓRGÃO 
CONTROLADOR 
 
Controle Administrativo: a Administração pode exercer controle sobre seus atos, é o 
chamado poder de autotutela que pode ocorrer mediante provocação ou, ainda, de 
ofício 
 
Controle Legislativo: é executado pelo Poder Legislativo diretamente – também chamado 
de controle parlamentar direto - ou mediante auxílio do Tribunal de Contas. 
 
112 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Controle Judicial: é realizado pelo Poder Judiciário, mediante provocação de qualquer 
interessado. Esse tipo de controle somente atua nos aspectos de legalidade dos atos 
administrativos. 
 
QUANTO À 
EXTENSÃO 
DO CONTROLE 
 
Controle Interno: é exercido dentro de um mesmo Poder. O controle administrativo 
interno, exercido por determinada entidade administrativa sobre seus próprios órgãos, 
é denominado autotutela 
 
Controle Externo: é exercido por um poder em relação aos atos administrativos 
praticados por outro poder do estado. O controle popular é considerado controle 
externo 
 
QUANTO AO 
ÂMBITO 
DE ATUAÇÃO 
 
 
Controle por subordinação: é aquele realizado por autoridade hierarquicamente superior 
a quem praticou o ato. 
 
Controle por vinculação: decorre do poder exercido pela administração direta sobre as 
entidades descentralizadas. Não se confunde com a subordinação, eis que entre pessoas 
diferentes não há hierárquica 
 
QUANTO À 
NATUREZA 
DO CONTROLE 
 
Controle de Legalidade: tem o intuito de analisar se o ato administrativo foi praticado em 
conformidade com o ordenamento jurídico. Pode ser exercido pela própria 
Administração Pública, de ofício ou mediante provocação, no exercício do poder de 
autotutela, bem como pelo Poder Judiciário, desde que provocado, ou mesmo 
pelo Poder Legislativo, em alguns casos previstos na CRFB/88. O resultado do controle 
de legalidade é a anulação do ato 
 
Controle de Mérito: serve para verificar a oportunidade e a conveniência do ato. Neste 
sentido, trata-se de controle administrativo que deve ser exercido pelo próprio Poder 
que expediu o ato. Não cabe ao Judiciário - no exercício da função jurisdicional - o controle 
de mérito sobre os atos praticados no exercício de função administrativa. O resultado do 
controle de mérito é a revogação do ato válido 
 
QUANTO AO 
MOMENTO 
 
Controle Prévio: é aquele realizado antes da formação do ato controlado. 
 
Controle Concomitante: é exercido durante a execução da atividade controlada. 
 
Controle Posterior: é aquele realizado após a prática do ato administrativo. 
 
QUANTO À 
INICIATIVA 
 
Controle de Ofício: é aquele realizado sem a provocação da parte interessada. 
 
Controle Provocado: é aquele que depende da iniciativa da parte interessada. 
 
CONTROLE ADMINISTRATIVO 
É o controle realizado pela própria administração pública sobre seus próprios atos. Destaca-se 
que esse poder decorre do poder de autotutela exercido pelos órgãos administrativos do Poder 
Executivo, bem como pelos Poderes Legislativo e Judiciário 
 
 
MEIOS DE 
CONTROLE 
 
Controle hierárquico é exercido no âmbito de uma mesma pessoa jurídica administrativa, 
com o intuito de ordenar e coordenar atividades, além de atuar na orientação e revisão 
de atos administrativos viciados ou inoportunos e inconvenientes ao interesse público. 
113 
ResumoTabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
Supervisão ministerial se manifesta entre pessoas jurídicas diferentes, sendo também 
designado como controle finalístico, ou tutela administrativa. Esse controle depende de 
norma legal que imponha os limites e a forma de exercício 
 
ÓRGÃOS DE 
CONTROLE 
INTERNO 
 
Controladoria Geral: é o órgão de controle dos entes federativos e atuam com ampla 
prerrogativa de investigação com a finalidade de garantir maior transparência e 
moralidade na prestação de contas públicas. 
 
Conselho Nacional de Justiça (CNJ): é órgão do Poder Judiciário, composto por quinze 
membros com mandato de dois anos, admitida uma recondução, sendo presidido pelo 
presidente do Supremo Tribunal Federal. Os demais membros serão nomeados pelo 
Presidente da República mediante aprovação do Senado Federal. 
 
Conselho Nacional do Ministério Público é órgão é composto por quatorze membros 
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria 
absoluta do Senado Federal, para um mandato de dois anos, admitida uma recondução, 
sendo que o Procurador Geral da República será o presidente 
 
Corregedorias e Ouvidorias: os tribunais e casas do Poder Legislativo devem, por meio de 
lei, criar as corregedorias e ouvidorias, com a função de realizar o controle interno da 
entidade, assim como a análise da atuação de seus membros. 
 
 
MEIOS DE 
PROVOCAÇÃO 
DA 
ADMINISTRAÇÃ
O 
 
Representação: é o ato por meio do qual o particular requer a anulação de ato lesivo ao 
interesse público. O peticionante não é necessariamente prejudicado pelo ato, mas haja 
representado o interesse coletivo. 
 
Reclamação: o particular prejudicado visa anular o ato administrativo que causou 
prejuízos diretamente 
 
Pedido de reconsideração: o particular peticiona requerendo a retratação da autoridade 
que proferiu o ato 
 
Recursos: para combater uma decisão por motivo de ilegalidade, seja por motivo de 
mérito. 
 
RECURSOS 
O direito ao duplo grau de julgamento na esfera administrativa é garantido sobretudo pela Súmula 
Vinculante nº 21 do STF que considera inconstitucional qualquer lei que exija depósito prévio ou caução para 
interposição de recursos administrativos. 
 
Na seara administrativa, não há vedação da reformatio in pejus, em razão do princípio da verdade material 
 
 
LEGITIMADOS 
 
 Os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo. 
 Aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão 
recorrida. 
 As organizações e associações representativas, no tocante a direitos e 
interesses coletivos. 
 Todos os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos. 
114 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
DIVISÃO DOS 
RECURSOS 
 
Recurso hierárquico próprio: é endereçado à autoridade hierárquica superior à que 
praticou o ato recorrido, dentro da estrutura orgânica de uma mesma pessoa jurídica 
 
Recurso hierárquico impróprio é dirigido à autoridade que não possui posição de 
superioridade hierárquica em relação a quem praticou o ato recorrido, mas tão somente 
a possibilidade de controle em decorrência de vinculação. Trata-se, neste caso, de 
recurso que decorre do poder de supervisão ministerial. 
 
 
CONTROLE LEGISLATIVO 
O controle legislativo, também denominado de controle parlamentar, é o controle realizado 
pelos órgãos do legislativo ou por comissões parlamentares sobre os atos do Poder 
Executivo. 
 
ESSE CONTROLE 
SE 
PAUTA EM DOIS 
CRITÉRIOS: 
 
Controle político que analisará as decisões sob o aspecto da discricionariedade, 
oportunidade e conveniência do interesse público 
 
Controle financeiro que é exercido pelo Tribunal de Contas 
 
CONTROLE 
PARLAMENTAR 
DIRETO 
 
É o controle realizado pelo Congresso Nacional, ou por uma das casas de forma direta. Esse 
controle é realizado nos moles previstos pela Constituição de 1988 sob pena de violação 
ao princípio da separação dos poderes. 
 
CONTROLE COM 
AUXÍLIO DO 
TRIBUNAL 
DE CONTAS 
 
O Tribunal de Contas é órgão auxiliar do Poder Legislativo no controle externo, auxiliando 
a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das 
entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, 
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas 
 
CONTROLE 
JUDICIAL 
O Brasil adotou o sistema inglês ou sistema de jurisdição única, o qual estabelece que é 
competência do Poder Judiciário, quando provocado, resolver as lides em caráter de 
definitividade 
 
 
O controle judicial é realizado pelos órgãos do Poder Judiciário, no exercício da atividade 
jurisdicional, sobre os atos administrativos praticados pelo Poder Executivo e também os 
atos administrativos praticados no exercício da função administrativa dos Poderes 
Legislativo e Judiciário. 
 
As ações mais importantes decorrentes do controle judicial são: a) habeas corpus; b) 
mandado de segurança individual e coletivo; c) habeas data; d) mandado de injunção; e) 
ação civil pública; e f) ação direta de inconstitucionalidade 
 
Esse controle é, em regra, posterior e tem como escopo a fiscalização da legalidade ou 
legitimidade dos atos administrativos. Destaca-se que a conveniência e oportunidade não 
são analisadas no controle judicial. 
 
 
 
 
 
115 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
A figura do OMBUDSNAN 
O Ombudsman é uma figura presente no controle da Administração Pública em diversos países, principalmente da 
Europa, de onde se extrai os principais aspectos deste instituto. Em uma tradução livre, a palavra significa “procurador”, 
haja vista que o termo ombud significa “representar alguém” e man significa homem. Neste sentido, o ombudsman seria 
uma pessoa ou órgão com a função de representação da coletividade (ou do parlamento) no controle da Administração 
Pública. 
 
O instituto foi criado na Suécia, fruto das condições econômicas desfavoráveis do país, da monarquia e da participação 
em muitas guerras. Neste contexto, o parlamento criou a figura do justitie-ombudsman, pessoa eleita pelo próprio 
parlamento, com a atribuição de supervisionar o cumprimento das leis pelos funcionários do Estado. 
 
No Brasil, embora a Constituição Federal não tenha previsto expressamente, a institucionalização do ombudsman 
ocorreu em alguns Estados, porém, com nome diverso. Em Curitiba-PR, por exemplo, surgiu com a nomenclatura de 
“Ouvidor Geral”. Em Minas Gerais, a Constituição Estadual previu a criação, por lei complementar, da “Ouvidoria do 
Povo”, órgão auxiliar do Poder Legislativo na fiscalização dos serviços públicos estaduais (art. 268). 
 
Ademais, pode-se extrair o fundamento de criação do Ombudsman do próprio Estado Democrático de Direito e do 
princípio republicano, haja vista a necessidade de se preservar e garantir os direitos fundamentais, as leis e os princípios 
de direito. Suas atribuições envolvem a função de vigilância do cumprimento das leis, dos princípios e dos direitos 
fundamentais por parte da Administração Pública. 
 
Entretanto, é importante destacar que o controle realizado pelo Ombudsman sobre a Administração Pública possui 
natureza meramente administrativa, e não contenciosa ou jurisdicional, uma vez que suas decisões não vinculam o 
Poder Público. 
 
Desta maneira, as decisões do Ombudsman possuem caráter meramente persuasivo, não podendo invadir a seara da 
Administração Pública (autotutela) nem a seara do Poder Judiciário, não possuindo poderes para realizar a invalidação 
ou revogação de atos administrativos. 
 
Por este motivo, possui competência apenas para emitir recomendações e suas decisões não vinculam a Administração 
Pública. No entanto, sua atuação se fundamento em seu poder de persuasão, possuindo uma força moral para induzir a 
Administração Pública a tomar as decisões corretas na defesa da legalidade, da legitimidade e dos direitos fundamentais. 
 
Pode-se verificarnão reconheceu a aplicação deste princípio sob 
o fundamento que vigora, no âmbito da Administração Pública, o princípio da impessoalidade, 
donde as relações jurídicas são estabelecidas entre entes federados (União-Estado/Estado-
Município, p.ex.) e não entre pessoas físicas, no caso, os administradores de épocas (Estado-
Prefeito “X”, p. ex 
 
Segundo a posição que prevalece no STF, se a irregularidade no convênio foi praticada pelo 
gestor anterior e a gestão atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para ressarcir 
o erário e corrigir as falhas (exs: apresentou todos os documentos ao órgão fiscalizador, 
ajuizou ações de ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o ente (Estado ou 
Município) não poderá ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União. Assim, segundo 
esta acepção, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções proíbe a aplicação de 
sanções às administrações atuais por atos de gestão praticados por administrações 
anteriores. Segundo o Min. Luiz Fux, “não se pode inviabilizar a administração de quem foi 
eleito democraticamente e não foi responsável diretamente pelas dificuldades financeiras que 
acarretaram a inscrição combatida”. 
 
Penso que seja a posição que prevalece no STF. A própria AGU admite esta tese: Súmula 46-
AGU: Será liberada da restrição decorrente da inscrição do município no SIAFI ou CADIN a 
prefeitura administrada pelo prefeito que sucedeu o administrador faltoso, quando tomadas 
todas as providências objetivando o ressarcimento ao erário. 
 
Vale ressaltar, no entanto, que o Min. Marco Aurélio recentemente manifestou-se 
contrariamente à tese afirmando que: A inscrição do nome do Estado-Membro em cadastro 
federal de inadimplentes em face de ações e/ou omissões de gestões anteriores não configura 
ofensa ao princípio da intranscendência. Vigora, no âmbito da Administração Pública, o 
princípio da impessoalidade, previsto no artigo 37 da CF/88. A relação jurídica envolve a União 
e o ente federal, e não a União e certo Governador ou outro agente. O governo se alterna 
periodicamente nos termos da soberania popular, mas o Estado é permanente. A mudança de 
comando político não exonera o Estado das obrigações assumidas. No caso concreto (ACO 
732/AP), o STF julgou o pedido de forma favorável ao Estado porque a União não havia 
respeitado o devido processo legal. Dessa forma, esta argumentação do Min. Marco Aurélio 
não foi adotada pela Turma como razão de decidir. Por isso, penso que a posição do referido 
11 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Ministro é minoritária e, em concursos públicos, acredito que ainda se deve adotar o 
entendimento no sentido de que é possível aplicar o princípio da intranscendência para esta 
situação. STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 
825). STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 
23/6/2015 (Info 791)1 
 
*(Atualizado em 14/11/2020) #SELIGANAJURIS Poder Executivo não pode ser incluído nos 
cadastros de inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros Poderes ou 
órgãos autônomos. A imposição de sanções ao Poder Executivo estadual em virtude de 
pendências de órgãos dotados de autonomia institucional e orgânico-administrativa, tais 
como o Ministério Público estadual, constitui violação do princípio da intranscendência, na 
medida em que o Governo do Estado não tem competência para intervir na esfera orgânica 
dessa instituição autônoma. O Poder Executivo não pode ser impedido de contratar 
operações de crédito em razão do descumprimento dos limites setoriais de despesa com 
pessoal por outros poderes e órgãos autônomos (art. 20, II, e 23, § 3º, da Lei de 
Responsabilidade Fiscal). STF. Plenário. ACO 3072, Rel. Ricardo Lewandowski, julgado em 
24/08/2020 (Info 991 – clipping). 
 
P. da Moralidade  É um princípio expresso no art. 37 CF. 
 
 Significa honestidade, boa-fé de conduta, lealdade no trato da atividade pública. Trata-
se do que a doutrina chama de moralidade jurídica, que não se confunde com a moralidade 
social. 
 
 Ex: Lei 8.112/90 art. 132 – estabelece que será aplicada a penalidade de demissão aos 
servidores que praticarem uma conduta escandalosa ou incontinência na repartição 
pública. A demissão do sujeito que se encontra na repartição fazendo sexo é corolário do 
princípio da moralidade? NÃO!!! Nesse caso, a norma protege a moralidade social e não a 
moralidade no trato da adm. pública. 
 
Accountability na gestão pública: O exercício da accountability na gestão pública tem como 
objetivo reduzir os riscos da concentração de poder e garantir que a população participe da 
tomada de decisão dos governos. Isso contribui para uma gestão democrática e exige que os 
gestores públicos sejam transparentes com a sociedade em relação ao seus atos. 
 
Ora, se os recursos públicos são provenientes da sociedade, nada mais justo que os cidadãos 
tenham conhecimento sobre como o dinheiro de seus impostos está sendo investido. 
 
Assim, os agentes públicos e as organizações como um todo devem mostrar para a população 
quais são as políticas públicas desenvolvidas, onde os recursos estão sendo utilizados e quais 
os resultados dessas ações para a sociedade. 
Para que a sociedade tenha conhecimento das ações do Estado, é fundamental que 
haja transparência. No Brasil, vários mecanismos foram criados para dar mais transparência 
à administração pública, alguns exemplos são: 
Portais da Transparência: páginas na internet onde os órgãos públicos devem disponibilizar 
as informações sobre suas receitas e despesas. 
 
1 Atenção Concursos Federais: ler na íntegra – Inf. 825 pág 5 - 
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2016/05/info-825-stf.pdf 
12 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Lei de Acesso à Informação (LAI): obriga os órgãos públicos a fornecerem informações de 
interesse coletivo à qualquer cidadão, salvo poucos casos de sigilo. 
Por meio da LAI, qualquer indivíduo pode solicitar à prefeitura de sua cidade, por exemplo, 
informações sobre os gastos com educação, saúde ou cultura do seu município. Isso vale para 
os três poderes: legislativo, executivo e judiciário, e também para todas as esferas de governo: 
municipal, estadual, distrital e federal. 
Além de transparência, é importante que existam canais de denúncia e mecanismos de 
responsabilização para os casos em que os gestores públicos não atuem em prol do interesse 
coletivo ou em desacordo com as normas. Essa possibilidade de fiscalizar e de exigir 
explicações, aproxima a sociedade da administração pública e permite que a democracia seja 
fortalecida. 
Além disso, a participação do cidadão pode ser muito importante no direcionamento mais 
adequado dos recursos e na formulação das políticas públicas, pois é a sociedade o público-
alvo desses investimentos. 
A accountability pode ser exercida por um indivíduo independentemente ou por organizações 
da sociedade civil, que representam grupos de pessoas organizadas em prol de um objetivo 
comum. O exercício da accountability está relacionado a um aspecto cultural, pois é preciso 
que a sociedade crie a consciência de que tem o direito de conhecer e de participar das 
decisões dos governos. 
Em países com histórico de governos autoritários, como é o caso do Brasil, é necessário 
fortalecer essa cultura por meio da educação e de projetos de conscientização. 
Accountability vertical e horizontal 
No que diz respeito às relações de poder, existem dois tipos de accountability, entenda o que 
significa cada um deles: 
Accountability vertical: A accountability vertical acontece quando há uma relação 
hierárquica entre aquele que detém o poder e aquele que faz a fiscalização e exige a 
prestação de contas. Ou seja, do ponto de vista de poder, há uma relação desigual - 
a accountability é exercida entre superiores e subordinados. Na administração pública, 
a accountability vertical aconteceainda que a Constituição Federal, embora não o tenha feito expressamente, reconheceu a função de 
Ombudsman ao Ministério Público, haja vista o seu papel de destaque na defesa da ordem jurídica e do patrimônio 
público. 
 
Mas é importante ressaltar: a função de Ombudsman não se encontra nas atribuições para promover a ação penal, mas 
na atribuição de defesa da ordem jurídica. 
 
Trata-se de reconhecimento do Ministério Público como verdadeiro representante do povo na defesa da legalidade e 
dos seus direitos fundamentais. 
 
A aparente dificuldade de compatibilizar a função meramente persuasiva do Ombudsman com o Ministério Público é 
facilmente superada, haja vista que compete ao parquet emitir recomendações ministeriais visando à melhoria dos 
serviços públicos e de relevância pública, bem como ao respeito, aos interesses, direitos e bens cuja defesa lhe cabe 
promover, fixando prazo razoável para a adoção das providências cabíveis (art. 6º, XX, LC 75/93). 
 
Trata-se de documento persuasivo que expõe, em ato formal, razões fáticas e jurídicas uma determinada violação da lei 
ou dos princípios de direito, recomendando uma conduta a ser adotada pelo destinatário. 
 
A vantagem do Ministério Público em relação à figura tradicional do Ombudsman é a possibilidade de abertura de 
inquérito civil, propositura de ação civil pública e celebração de termos de ajustamento de conduta de forma buscar que 
a Administração Pública adeque a sua atuação à ordem jurídica, além da legitimidade para propositura de ações diretas 
para controle de constitucionalidade. 
 
116 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Outra vantagem do Ministério Público é que seus membros são escolhidos por meio de Concurso Público e não por 
eleição do parlamento, o que torna o procedimento mais isonômico e justo, evitando designações políticas. 
 
 
Teoria do Fato 
Consumado CONCEITO: Segundo esta teoria, as situações jurídicas consolidadas pelo decurso do tempo, 
amparadas por decisão judicial, não devem ser desconstituídas, em razão do princípio da segurança 
jurídica e da estabilidade das relações sociais (STJ. REsp 709.934/RJ). Assim, de acordo com essa 
posição, se uma decisão judicial autorizou determinada situação jurídica e, após muitos anos, 
constatou-se que tal solução não era acertada, ainda assim não deve ser desconstituída para que 
não haja insegurança jurídica. Em suma, seria uma espécie de convalidação da situação pelo 
decurso de longo prazo. 
 
A Teoria do Fato Consumado é admitida pela jurisprudência no caso de posse em cargo público por 
força de decisão judicial provisória? Maria deve continuar no cargo? NÃO. O STF entende que a 
posse ou o exercício em cargo público por força de decisão judicial de caráter provisório não implica 
a manutenção, em definitivo, do candidato que não atende a exigência de prévia aprovação em 
concurso público (art. 37, II, da CF/88), valor constitucional que prepondera sobre o interesse 
individual do candidato, que não pode invocar, na hipótese, o princípio da proteção da confiança 
legítima, pois conhece a precariedade da medida judicial. STF. Plenário. RE 608482/RN, Rel. Min. 
Teori Zavascki, julgado em 7/8/2014 (repercussão geral) (Info 753). 
 
PRINCÍPIO PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA 
 
Trata-se de um princípio que ganhou destaque inicialmente na Alemanha, por volta da década de 50. 
Segundo esse princípio, os comportamentos adotados pelo Estado, em virtude da presunção de 
legitimidade, geram no particular a confiança de que são atos legais. Logo, o administrado não pode 
ser prejudicado caso esse ato seja desfeito (revogado ou anulado) já que, de boa-fé, acreditou 
(confiou) que eram legítimos. 
 
O princípio da proteção da confiança legítima está relacionado com a boa-fé e com o princípio da 
segurança jurídica. 
 
O princípio proteção da confiança legítima é adotado pelo STF em algumas situações? SIM. O STF 
reconhece o princípio da confiança legítima, por exemplo, quando, por ato de iniciativa da própria 
Administração, decorrente de equivocada interpretação da lei ou dos fatos, o servidor recebe 
determinada vantagem patrimonial ou alguma condição jurídica melhor. Nesses casos, o servidor 
tinha a legítima confiança de que aquela vantagem era legítima. 
 
Assim, mesmo que fique, posteriormente, constatada a ilegitimidade dessa verba, esse servidor não 
será obrigado a restituí-la, considerando que a recebeu de boa-fé e exigir que ele devolvesse violaria 
o princípio da confiança legítima. 
 
Essas hipóteses, contudo, são excepcionais e não se tratam da regra geral. 
 
E por que o STF não aplica o princípio da proteção da confiança legítima para os casos de posse em 
cargo público por força de medida judicial provisória posteriormente revogada? Porque nesses 
casos a nomeação e a posse no cargo ocorrem por iniciativa, provocação, requerimento do próprio 
particular interessado e contra a vontade da Administração Pública que, inclusive, contesta o pedido 
feito na Justiça. 
 
Logo, não há que se falar em legítima confiança do administrado já que não foi a Administração 
Pública quem praticou o ato nem reconheceu o direito. 
 
117 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
Em situações envolvendo concurso público não faz sentido invocar-se o princípio da proteção da 
confiança legítima, haja vista que o candidato beneficiado com a decisão não desconhece que o 
provimento jurisdicional tem natureza provisória e que pode ser revogado a qualquer momento, 
acarretando automático efeito retroativo. 
 
Vale ressaltar, por fim, que a concessão da tutela antecipada corre por conta e responsabilidade do 
requerente. 
 
O servidor que teve a sua posse tornada sem efeito em virtude da revogação da decisão anterior 
terá que devolver as verbas recebidas? Em nosso exemplo, João terá que restituir a remuneração 
que percebeu ao longo desses anos? NÃO. Isso porque a remuneração possui caráter alimentar que, 
como regra, é irrepetível. Além disso, se fosse exigida a devolução haveria enriquecimento ilícito por 
parte do Estado considerando que o servidor trabalhou durante esse período. 
 
Entendimento do STJ no mesmo sentido 
Mesmo antes dessa decisão do STF, o STJ já possuía inúmeros precedentes afirmando que, se o 
candidato foi nomeado e empossado por força de medida judicial precária sem preencher os 
requisitos inerentes ao cargo, ele não tem direito de permanecer no cargo, ainda que lá esteja há 
muitos anos. Veja: 
 
A jurisprudência, tanto desta Corte quanto do STF, está firmemente orientada no sentido 
de rejeitar a invocação da teoria do fato consumado para consolidar situação constituída 
por força de liminar posteriormente cassada, sob pena de perpetuar situação contrária à 
lei. STJ. 1ª Turma. AgRg no RMS 42.386/GO, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 
15/05/2014. 
Não há falar em aplicação da teoria do fato consumado nas hipóteses em que a participação 
do candidato no concurso foi autorizada por medida judicial precária. (...) STJ. 5ª Turma. 
AgRg nos EDcl no RMS 30.094/SC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/08/2014. 
 
A novidade é que agora o STF decidiu o tema sob a sistemática da repercussão geral, a tendência é 
que os demais Tribunais passem a adequar seus acórdãos a esse entendimento. 
SINTETIZANDO: 
 
A posse ou o exercício em cargo público por força de decisão judicial de caráter provisório 
não implica a manutenção, em definitivo, do candidato que não atende a exigência de prévia 
aprovação em concurso público (CF, art. 37, II), valor constitucional que prepondera sobre o 
interesse individual do candidato, que não pode invocar, na hipótese, o princípio da 
proteção da confiança legítima, pois conhece a precariedade da medida judicial. Em suma, 
não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram o cargo público por 
força de decisão judicial provisória posteriormente revista. STF. Plenário. RE 608482/RN, Rel. 
Min. Teori Zavascki,entre Estado e população. O exemplo mais relevante desse 
caso são as eleições. Ao escolher seu voto, a população pode premiar um candidato e elegê-
lo ou pode puni-lo e não lhe dar votos. A escolha do candidato é feita com base nas 
informações que a população têm sobre cada um deles. 
 
Accountability horizontal:A accountability horizontal acontece quando há um controle 
mútuo de instituições. Não há diferença de hierarquia, pois essas organizações têm poderes 
em mesmo nível. Na administração pública a accountability horizontal acontece entre órgãos 
públicos. Um exemplo de accountability horizontal é o controle que os três poderes 
(executivo, legislativo e judiciário) fazem entre si ou o controle que acontece entre diferentes 
órgãos públicos. Os Ministérios Públicos, os Tribunais de Contas e as agências reguladoras são 
exemplos de instituições públicas que exercem a accountability em nível horizontal. 
 
 ATENÇÃO: Súmula vinculante 13 STF (vedação do nepotismo): A nomeação de cônjuge, 
companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, 
inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em 
cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de 
confiança ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta em 
13 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
qualquer dos poderes da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos municípios, 
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. A 
regra geral é não configurar nepotismo a nomeação de parentes para cargos políticos; mas, 
excepcionalmente, dependendo das circunstâncias do caso concreto, poderá, sim, a 
nomeação ser caracterizada como nepotismo, hipótese em que será ilícita, por afronta à 
Súmula Vinculante 13. 
 
 Ex: se ficar demonstrado que ela se deu exclusivamente por causa do parentesco (o 
nomeado não possui qualquer qualificação profissional, curricular ou técnica que 
justifique a sua escolha), ou como uma troca de favores, ou para burlar uma situação 
anterior irregular, na qual aquele mesmo parente havia sido nomeado para um cargo 
meramente administrativo, entre outras possibilidades em que fique patentemente 
caracterizada a afronta aos princípios da moralidade e da impessoalidade 
administrativas. 
 
 Info 706 STF: É inconstitucional lei estadual que excepciona a vedação da prática do 
nepotismo, permitindo que sejam nomeados para cargos em comissão ou funções 
gratificadas de até 2 parentes das autoridades estaduais, além do cônjuge do Governador. 
 
 Info 786 STF: A Constituição do ES previu que é “vedado ao servidor público servir sob 
direção imediata de cônjuge ou parente até segundo grau civil”. O STF deu interpretação 
conforme à Constituição, no sentido de o dispositivo ser válido somente quando incidir 
sobre cargos de provimento em comissão, função gratificada, cargos de direção e 
assessoramento. O STF afirmou que essa vedação não pode alcançar os servidores 
admitidos mediante prévia aprovação em concurso público, ocupantes de cargos de 
provimento efetivo, o que violaria o art. 37, “e”, II CRFB, que garante o livre acesso aos 
cargos, funções e empregos públicos aos aprovados em concurso público. 
 
 Info 815 STF: Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de assessor 
de controle externo do Tribunal de Contas, mesmo que seu tio já exerça o cargo de 
assessor-chefe de gabinete de determinado Conselheiro, especialmente pelo fato de que 
o cargo do referido tio não tem qualquer poder legal de nomeação do sobrinho. A 
incompatibilidade da prática enunciado na SV 13 com o art. 37 CF não decorre diretamente 
da existência de relação de parentesco entre a pessoa designada e o agente político ou 
servidor público, mas de presunção de que a escolha para ocupar cargo de direção, chefia 
ou assessoramento tenha sido direcionado à pessoa com relação de parentesco com quem 
tenha potencial de interferir no processo de seleção. 
 
 Info 914 STF (2018): A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário 
Municipal, por se tratar de cargo público de natureza política, por si só, não caracteriza 
ato de improbidade administrativa. Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para 
cargos públicos de natureza política, como, por exemplo, Secretário Municipal. Assim, a 
jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a regra sumulada e garantido a 
permanência de parentes de autoridades públicas em cargos políticos, sob o fundamento 
de que tal prática não configura nepotismo. Exceção: poderá ficar caracterizado o 
nepotismo mesmo em se tratando de cargo político caso fique demonstrada a inequívoca 
falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de qualificação técnica ou 
inidoneidade moral do nomeado. Vale ressaltar que a simples dissonância entre a área de 
formação e a área fim do cargo não é suficiente, por si só, para se afirmar a inequívoca 
ausência de razoabilidade da nomeação. Em outras palavras, o simples fato de a pessoa 
nomeada não ser daquela área não é motivo, por si só, para se considerar que tenha havido 
14 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
nepotismo. Foi o caso do exemplo dado em que Maria (da área de enfermagem) foi 
nomeada para Secretária de Assistência Social. O STF entendeu que não houve nepotismo. 
 
P. da Publicidade  É um princípio expresso no art. 37 da CF. 
 
 Proíbe a edição de atos secretos pelo poder público, definindo a ideia de que a 
administração deve atuar de forma plena e transparente. 
 
 É a transparência da atividade administrativa. Esse princípio não é absoluto, inclusive a 
Lei 12.527 (LAI – Lei de Acesso às Informações) estabelece situações de sigilo, nas quais 
não haverá publicidade, sempre que (i) houver garantia da segurança nacional, (ii) por 
motivo de interesse coletivo ou (iii) para a proteção da honra, intimidade ou da vida 
privada. 
 
 Essa publicidade é necessária porque viabiliza o controle social dos atos administrativos. 
 
 Modernamente, começou-se a colocar em pauta, a ideia de que a publicidade funciona 
como requisito de eficácia dos atos que se dirigem à sociedade. Enquanto não houver 
publicidade, o administrador não pode exigir do administrado que ele conheça o ato (o ato 
não produz ainda efeitos). 
 
 Info 782 STF: É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela 
Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes 
vencimentos e vantagens pecuniárias. 
 
 Info STJ: Em regra, a imprensa e a população em geral têm o direito de ter acesso ao 
extrato completo – incluindo tipo, data, valor das transações efetuadas e CNPJ dos 
fornecedores – do cartão de pagamentos (cartão corporativo) do Governo Federal utilizado 
por chefe de Escritório da Presidência da República. Tais dados poderiam ser recusados se 
houvesse evidência de que a publicidade desses elementos colocaria em risco a segurança 
do Presidente e Vice-Presidente da República ou de suas famílias. 
 
 O IBGE está legalmente impedido de fornecer a quem quer que seja as informações 
individualizadas que coleta, no desempenho de suas atribuições, para que sirvam de prova 
em quaisquer outros procedimentos administrativos. STJ. 1ª Turma. REsp 1.353.602-RS, 
Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 30/11/2017 (Info 617). 
 
 
P. da Eficiência  É um princípio expresso no art. 37 da CF. 
 conteúdo da eficiência é o de atingir bons resultados, com o mínimo de gastos. A boa 
atuação administrativa precisa ensejar a obtenção de resultados positivos. 
 
 Modernamente, entende-se que a eficiência é norma de aplicabilidade imediata (não há 
necessidade de regulamentação legal para que seja aplicada). Concretização do princípio 
da eficiência: art. 41 CF (para que o servidor público possa adquirir estabilidade, ele precisa 
de 3 anos de serviçoefetivo + avaliação especial de desempenho). 
 
 Uma prestação de serviços eficiente deve garantir uma célere solução de controvérsias, 
razão pela qual a eficiência está diretamente ligada ao princípio da celeridade dos 
processos administrativos. 
 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
P. do 
Contraditório e da 
Ampla Defesa 
 Os processos administrativos deverão respeitar o contraditório e a ampla defesa. 
 
 É o direito conferido ao particular de saber o que acontece no processo administrativo ou 
judicial de seu interessem bem como o direito de se manifestar na relação processual, 
requerendo a produção de provas e provocando sua tramitação. 
 
 Ninguém pode ser processado e julgado sem ter amplo conhecimento dos fatos relatados 
nesse processo e dos motivos que deram ensejo a sua instauração. 
 
 É importante que o direito à produção de provas não seja meramente formal, sendo 
necessária a real avaliação da prova produzida pelo particular como instrumento a 
influenciar a decisão do julgador, vedadas provas ilícitas e procrastinatórias. 
 
 Info 825 STF: A União, antes de incluir Estados-membros ou Municípios nos cadastros 
federais de inadimplência (ex: CAUC, SIAF) deverá assegurar o devido processo legal, o 
contraditório e a ampla defesa. 
 
 Exceções: 
 A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende 
a Constituição – Súmula Vinculante nº 5. 
 
 Para o exercício pleno da garantia, é imprescindível que o particular possa se manifestar 
antes de ser proferida decisão administrativa acerca da matéria objeto do processo, mas 
há situação em que ocorre o contraditório diferido (interesse público em perigo). 
 
 O duplo grau de julgamento ou direito ao recurso administrativo possibilita a reanálise dos 
fatos praticados pela Administração, por provocação do particular, com a finalidade de 
evitar que se perpetuem injustiças. 
 
 A Súmula Vinculante 3 do STF excepciona a observância prévia do contraditório e da 
ampla defesa na apreciação da legalidade do ato de concessão de aposentadoria, reforma 
e pensão pelo Tribunal de Contas da União. 
 
P. da 
Continuidade do 
Serviço Público 
 É um princípio implícito na CF e expresso na Lei 8.987. 
 
 Diz respeito à toda a atuação administrativa e não apenas aos serviços públicos. 
 
 Servidor público tem direito de greve? DEPENDE!!! De acordo com o texto constitucional 
(art. 142), os servidores militares (inclusive os estaduais) não têm direito de greve e nem 
de sindicalização. Por outro lado, de acordo com o art. 37, os servidores civis têm direito 
de greve e de sindicalização. 
 O direito de greve não é norma de eficácia plena (“será exercido nos termos e condições 
de lei específica”). Enquanto não houver lei específica para regulamentar a greve dos 
servidores públicos, há 2 correntes: 
1ª corrente – Parte da doutrina defende que se trata de norma de eficácia contida e, por 
isso, o servidor terá direito de greve imediatamente e norma posterior poderá conter seus 
efeitos. 
2ª corrente – STF – O direito de greve é norma de eficácia limitada, ou seja, o exercício 
desse direito está limitado à edição de lei que o regulamente. Dentro desse contexto, o 
STF, no julgamento de mandado de injunção impetrado em 2008, entende que, enquanto 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
não vier lei específica, a greve do servidor público deve ser exercida nos moldes da Lei 
Geral de Greves (Lei 7.783). 
 Obs: Se a greve for lícita, o servidor, ainda que esteja em estágio probatório, poderá 
exercer o direito de greve. 
 
 Obs 2: Segundo o STF, NÃO há direito à percepção dos dias não trabalhados durante a 
greve lícita, pois a remuneração do servidor público tem caráter contraprestacional, salvo 
quando a greve decorra de conduta ilícita da Administração. 
 
 Um serviço pode ser interrompido por inadimplemento do usuário? SIM!!! Nesse caso, 
há regulamentação específica no art. 6º, §3º da Lei 8.987 (em caso de inadimplemento, é 
possível a interrupção do serviço desde que haja prévio aviso, resguardados os interesses 
da coletividade → a interrupção NÃO pode prejudicar interesses da coletividade – ex: não 
é possível a interrupção de energia elétrica de um Hospital Público e do serviço de 
Iluminação Pública). 
Doutrina minoritária (Celso Antônio Bandeira de Mello) entende que NÃO é possível a 
interrupção do serviço público, mesmo em caso de inadimplemento, sendo essa previsão 
legal inconstitucional. 
 
 É possível se valer da exceção do contrato não cumprido no direito administrativo? 
SIM!!! Ex: Adm. Pública contratou B para prestar serviço de limpeza; se a Adm. Pública não 
pagar, B pode suspender a execução do contrato por exceção do contrato não cumprido, 
se a Adm. for inadimplente por mais de 90 dias (art. 78, XV da Lei 8666). 
 
 Ocupação Temporária de bens e substituição: O art. 58, V, da Lei nº 8.666/93, define que a A. 
Pública poderá ocupar provisoriamente bens para evitar a interrupção da atividade pública nos 
casos de serviços essenciais. Ao final do contrato de concessão de serviços públicos, se admite a 
transferência dos bens das concessionárias que estejam atrelados à prestação de serviços. Instituto 
conhecido como reversão dos bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do 
contrato, ocorre na hipótese da necessidade de acautelar a apuração administrativa de faltas 
contratuais pelo contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato administrativo. 
 
P. da Autotutela  Esse princípio foi encampado pela Súmula 473 STF: a Adm. Pública tem o poder de rever 
os seus próprios atos, independentemente de provocação. Trata-se, em verdade, de um 
poder-dever. 
 
 A autotutela abrange o poder de anular os atos (em caso de vícios de ilegalidade) e o 
poder de revogar os atos (por motivos de oportunidade e conveniência). Ou seja, 
autotutela abrange os atos válidos e inválidos. 
 
 É possível que a Adm. Pública reduza a extensão dos efeitos da anulação se a modulação 
for a melhor solução para a defesa do interesse público e a segurança jurídica. Ainda não 
se anula o ato administrativo se houver a possibilidade de convalidação ou ainda se 
decorrido o prazo legal para tanto. 
 Art. 54 da Lei 9.784/99 → prazo decadencial de 5 anos para que a Administração anule 
seus atos administrativos, quando geradores de efeitos favoráveis para os destinatários, 
salvo comprovada má-fé. 
 
 Info 763 STF: A Administração Pública pode anular seus próprios atos quando estes forem 
ilegais. No entanto, se a invalidação do ato administrativo repercute no campo de 
interesses individuais, faz-se necessária a instauração de procedimento administrativo 
que assegure o devido processo legal e a ampla defesa. 
17 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
 
 
 Info 833 STF: Uma determinada pessoa foi beneficiada por portaria com a anistia e após o 
prazo de 5 anos, motivado por uma nota técnica da AGU, a Administração Pública decide 
rever a concessão da anistia. Isso é possível? NÃO!!! Com base no art. 54 da Lei 9784/99, 
teria decaído o prazo de 5 anos e, por isso, a Adm. Pública não poderia rever a concessão 
da anistia, não tendo havido comprovada a má-fé do interessado. A nota técnica da AGU 
não pode servir de fundamento para a anulação do ato administrativo para além do 
prazo de 5 anos. 
 
 Info 839 STF: Servidor que recebeu auxílio-moradia apresentando declaração falsa de que 
havia se mudado para outra cidade terá que ressarcir o erário e devolver os valores 
recebidos mesmo que já se tenha passado mais de 5 anos desde a data em que o 
pagamento foi autorizado. 
 
P. da 
Razoabilidade 
 O p. da Razoabilidade visa impedir uma atuação desarrazoada ou despropositada do 
administrador, definindo que o agente não pode se valer de seu cargo ou função com a 
falsa intenção de cumprir a lei para agir de forma ilegale arbitrária fora dos padrões éticos 
e adequados ao senso comum. 
 
 Representa um certo limite para discricionariedade do administrador. 
 
 Todas as vezes que o mérito administrativo extrapola os limites da lei, seja por atuação 
que afronta expresso dispositivo legal, seja pela violação da razoabilidade, compete ao 
judiciário, desde que provocado, sanar o vício da conduta estatal, determinando a 
anulação do ato ilícito. 
P. da 
Proporcionalidade 
 Busca um equilíbrio entre o ato praticado e os fins a serem alcançados pela Adm. Pública. 
 
 A proporcionalidade diz respeito à adequação entre meios e fins. O princípio da 
proporcionalidade divide-se em 3 subprincípios: 
(1) adequação (ou idoneidade): o ato estatal será adequado quando contribuir para a 
realização do resultado pretendido (ex: STF considerou inconstitucional a exigência de 
comprovação de “condições de capacidade” para o exercício da profissão de corretor de 
imóveis, pois o meio – atestado de condições de capacidade – não promovia o fim – 
controle do exercício da profissão); 
(ii) necessidade (ou exigibilidade): caso existam 2 ou mais medidas para alcançar o fim 
pretendido (interesse público), o poder público deve adotar a medida menos gravosa para 
os direitos fundamentais (ex: invalidade da sanção máxima de demissão para o servidor 
que pratica infração leve); 
(iii) proporcionalidade em sentido estrito: ponderação, no caso concreto, entre o ônus 
imposto pela atuação estatal e o benefício por ela produzido (relação custo-benefício). 
Ex: STF considerou inconstitucional lei estadual que obrigou a pesagem de botijões de gás 
no momento da venda para o consumidor com abatimento proporcional do preço do 
produto, quando verificada a diferença a menor entre o conteúdo e quantidade 
especificada no recipiente, pois a proteção do consumidor não autoriza a aniquilação do 
princípio da livre iniciativa. 
Obs: Alguns doutrinadores, de forma minoritária, defendem que o princípio da 
razoabilidade é princípio expresso, pois se trata do devido processo legal em sua dimensão 
substancial. 
 
 
18 
Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
P. da Motivação  É um princípio implícito na CF e expresso no art. 2º da Lei 9.784/99. 
 
 É o dever imposto ao ente estatal de indicar os pressupostos de fato e de direito que 
determinam a prática do ato administrativo. 
 
 A motivação é indispensável ao controle dos atos administrativos, tornando possível a 
análise dos cidadãos acerca da legitimidade e adequação de seus motivos. 
 
 Motivação Aliunde: consoante estabelece art. 50,§1º da Lei 9.784/99: A motivação deve 
ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com 
fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste 
caso, serão parte integrante do ato. 
P. da Isonomia  A isonomia, analisada formalmente, veda tratamento diferenciado às pessoas por motivos 
de índole pessoal, de forma a garantir-se uma padronização de condutas do Estado em 
relação aos cidadãos. Por seu turno, em seu aspecto material, a isonomia justifica 
tratamento diferenciado como forma de igualar juridicamente aqueles que são desiguais 
faticamente (ex: obrigatoriedade de se estabelecer um número de vagas em concursos 
públicos destinadas aos portadores de deficiência – art. 5°, §2°, da lei 8.112/90). 
 
 Ademais, não se pode exigir nenhum outro critério para admissão de pessoal no serviço 
público, sob pena de se violar a isonomia da competição. 
 
 Dessa forma, a Súmula 683 do Supremo Tribunal Federal define que qualquer outra 
restrição, como por exemplo, de idade, para ingresso em cargo público, somente se 
justifica se necessária ao exercício das funções do cargo a ser preenchido. 
 
 Modernamente, a isonomia vem-se manifestando por meio de programas de governo que 
visam a inclusão, nas universidades públicas, de alunos egressos de escolas públicas, além 
daqueles que ostentem a qualidade de afro descendentes. 
 
 Segundo o STF, viola o princípio da igualdade a não realização por órgãos e entidades da 
administração pública de processo seletivo para contratação de estagiário. 
 
P. da Finalidade  Pode-se definir que, de acordo com o p. da finalidade, a norma administrativa deve ser 
interpretada e aplicada pelo agente público da forma que melhor garanta a realização do 
fim público a que se dirige. 
 
 Divergência doutrinária: 
1ª corrente – José dos Santos Carvalho Filho – Trata-se de manifestação do princípio da 
impessoalidade. A impessoalidade impede a conduta estatal orientada no sentido de 
beneficiar pessoa, devendo se ater, nas suas atuações a alcançar a finalidade pública. 
2ª corrente – Celso Antônio Bandeira de Mello – Trata-se de princípio autônomo, que 
determina que a norma administrativa deve ser interpretada e aplicada pelo agente do 
Estado de forma que melhor garanta a realização do fim público a que se dirige. Nesse 
sentido, o art. 2º, parágrafo único, XIII, da Lei 9.784 determina que o agente público deve 
sempre realizar interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o 
atendimento do fim público a que se dirige, vedada a aplicação retroativa da nova 
interpretação. 
 
P. da 
Especialidade 
 Baseia-se no p. da indisponibilidade do interesse público e do dever de eficiência na 
execução da atividade administrativa, inerente aos órgãos estatais, o que justifica a 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
necessidade de descentralização dos serviços do Estado e da desconcentração de 
atividades dentro da estrutura orgânica da Administração. 
 
 Uma entidade especializada na execução de determinada atividade terá mais sucesso em 
sua execução em comparação a entidade que devem executar um rol extenso de 
atribuições. 
P. da Segurança 
Jurídica 
 Princípio implícito na CF e expresso no art. 2º, PÚ, XIII, da Lei 9.784/99. 
 
 A segurança jurídica é o princípio geral do Direito que garante aos cidadãos não serem 
surpreendidos por alterações repentinas na ordem jurídica posta. 
 
 As modificações supervenientes de normas jurídicas não devem retroagir para atingir 
situações pretéritas, sob pena de se tornar instável o sistema de regras imposto pelo Poder 
Público, causando instabilidade social. Nesse sentido, o art. 2°, parágrafo único, XIII, da Lei 
9.784, prevê que a mudança de interpretação em relação a dispositivos legais não pode 
atingir situações já consolidadas. 
 
 Ademais, é relevante ressaltar que a aplicação do princípio da segurança jurídica deve ter 
como base a boa-fé daqueles que se valiam da situação anterior para seu benefício, não 
podendo configurar uma forma de beneficiar os particulares pela torpeza de suas 
condutas. Trata-se do princípio de proteção à confiança. 
 
# Vamos de Dizer o Direito: 
- SERVIDOR QUE RECEBE INDEVIDAMENTE VALORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: 
Se o servidor público recebe valores por força de DECISÃO ADMINISTRATIVA posteriormente 
revogada, tal quantia poderá ser exigida de volta pela Administração Pública? NÃO!!! O STJ 
possui entendimento pacífico no sentido de que é incabível a restituição ao erário dos valores 
recebidos de boa-fé pelo servidor público em decorrência de ERRÔNEA OU INADEQUADA 
INTERPRETAÇÃO DA LEI por parte da Administração Pública. Em virtude do princípio da 
legítima confiança, o servidor público, em regra, tem a justa expectativa de que são legais os 
valores pagos pela Administração Pública, porque jungida à legalidade estrita. Assim, diante 
da ausência da comprovação da má-fé no recebimento dos valores pagos indevidamente por 
erro de direito da Administração, não se pode efetuar qualquer desconto na remuneração do 
servidor público, a título de reposição ao erário. 
No exemplo acima, o servidor recebeu os valores indevidamente por causa de erro da 
Administração na interpretação da lei. Vale ressaltar, no entanto, que, segundo a posição 
majoritária no STJ, estemesmo entendimento deve ser aplicado nos casos em que o servidor 
recebe as quantias indevidas por força de ERRO OPERACIONAL da Administração. 
 
- HERDEIRO DE SERVIDOR QUE RECEBE VALORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
DECORRENTES DE ERRO OPERACIONAL: 
Caso concreto: Maria era servidora pública aposentada e recebia todos os meses seus 
proventos na conta bancária. Determinado dia, Maria faleceu e seus dois filhos informaram 
ao departamento de pessoal do Estado a morte da mãe. Com o falecimento da servidora, o 
correto seria que cessasse o pagamento dos proventos já que os filhos não tinham direito à 
pensão por morte, considerando que eram maiores e capazes. Ocorre que, por uma falha no 
programa de computador do órgão público, os proventos continuaram a ser depositados na 
conta bancária da falecida, o que perdurou por três meses. Os filhos de Maria tinham o cartão 
e a senha da conta bancária e à medida que os valores iam sendo depositados eles sacavam 
as quantias. A Administração, enfim, percebeu o erro, cessou os novos pagamentos e cobrou 
dos filhos a restituição dos três meses pagos. O pleito da Administração Pública deverá ser 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
atendido? Os herdeiros da servidora deverão devolver o dinheiro? SIM!!! No caso de as 
quantias indevidas terem sido pagas aos herdeiros do falecido, a situação deverá ser analisada 
sob outro ângulo e merece uma conclusão diferente. Isso porque, nesse caso, os valores pagos 
já não mais possuem caráter alimentar. Os salários ou proventos do servidor possuem 
natureza alimentar somente em relação ao próprio servidor. Se ele já morreu, tais valores são 
considerados como herança e herança não é remuneração nem aposentadoria. Logo, não é 
uma verba alimentícia. Por não se estar diante de verbas de natureza alimentar, não é nem 
mesmo necessário analisar se os herdeiros estavam ou não de boa-fé ao sacar o dinheiro. A 
boa-fé aqui não importa. Os herdeiros têm o dever de restituir as quantias porque eles não 
possuem nenhum direito sobre as verbas. O fundamento aqui para que ocorra a devolução 
está baseado no princípio da proibição do enriquecimento sem causa, previsto no art. 884 do 
CC. 
 
- RECEBIMENTO DOS VALORES POR MEIO DE DECISÃO JUDICIAL: 
Se o servidor público recebe valores por força de decisão judicial posteriormente revogada, 
tal quantia poderá ser exigida pela Administração Pública? 
1ª corrente – STJ – SIM!!! É devida a restituição ao erário dos valores de natureza alimentar 
pagos pela Administração Pública a servidores públicos em cumprimento a decisão judicial 
precária posteriormente revogada. O STJ entende que, neste caso, não se pode falar em boa-
fé do servidor, considerando que ele sabia que poderia haver alteração da decisão que tinha 
caráter precário (provisório). 
 
2ª corrente – STF – NÃO!!! Info 923 STF (2018): Não deve ser determinada a devolução de 
valores recebidos de boa-fé por servidor público, percebidos a título precário no período em 
que liminar produziu efeitos. É desnecessária a devolução dos valores recebidos por liminar 
revogada, em razão de mudança de jurisprudência. Também é descabida a restituição de 
valores recebidos indevidamente, circunstâncias em que o servidor público atuou de boa-fé. 
 
O servidor público recebe valores por sentença judicial transitada em julgado. 
Posteriormente, esta sentença é desconstituída em ação rescisória. O servidor deverá 
devolver as quantias percebidas? NÃO!!! A jurisprudência do STJ firmou o entendimento no 
sentido de que não é devida a restituição dos valores que, por força de decisão transitada em 
julgado, foram recebidos de boa-fé, ainda que posteriormente tal decisão tenha sido 
desconstituída em ação rescisória (STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 2.447/RJ, Rel. Min. Arnaldo 
Esteves Lima, julgado em 17/04/2012). 
 
 
 
 
 
 
 
- EM RESUMO: 
SITUAÇÃO TERÁ QUE 
DEVOLVER? 
1) Servidor recebe por decisão ADMINISTRATIVA depois 
revogada 
NÃO 
2) Servidor que recebe indevidamente valores em decorrência 
de erro operacional da Administração 
NÃO 
3) Servidor recebe por decisão JUDICIAL não definitiva depois 
reformada 
SIM 
(posição do STJ) 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
4) Servidor recebe por decisão JUDICIAL não definitiva depois 
reformada (obs: a reforma da liminar foi decorrência de 
mudança na jurisprudência). 
NÃO 
(posição do 
STF) 
5) Servidor recebe por sentença TRANSITADA EM JULGADO e 
que posteriormente é rescindida 
NÃO 
6) Herdeiro que recebe indevidamente proventos do servidor 
aposentado depois que ele morreu 
SIM 
 
P. da Presunção 
de Legitimidade e 
de Veracidade das 
Condutas Estatais 
 Até que o particular atingido pela atuação estatal prove em contrário, uma vez que as 
presunções são relativas ou juris tantum, o ato administrativo estampa uma situação de 
fato real, ou seja, goza de fé publica e os fatos apresentados em sua prática presumem-se 
verdadeiros, em conformidade com os fatos efetivamente ocorridos. 
 
 A presunção de veracidade diz respeito a fatos e causa a inversão do ônus da prova dos 
fatos alegados no ato administrativo. 
P. da 
Sindicabilidade 
 Princípio da sindicabilidade: significa que todo ato administrativo pode se submeter a 
algum tipo de controle. Vale lembrar que, no Brasil, vigora o princípio da inafastabilidade 
da tutela jurisdicional (CF, art. 5º, XXXV), de tal forma que toda lesão ou ameaça de direito 
poderá ser controlada pelo Poder Judiciário. Além disso, a sindicabilidade também abrange 
a autotutela, pois a própria Administração pode exercer controle sobre os seus próprios 
atos, anulando os ilegais e revogando os inconvenientes e inoportunos. 
 Portanto, o princípio da sindicabilidade significa que os atos estão sujeitos a controle, 
envolvendo inclusive o controle judicial. 
 
 (CESPE/PRF/2021) Determinado órgão público firmou contrato administrativo com uma 
empresa de reconhecida especialização no mercado, para a prestação de serviços de 
treinamento de pessoal de natureza singular aos seus servidores. Durante a execução do 
contrato, a empresa descumpriu uma das cláusulas contratuais. A administração pública, 
então, aplicou multa por inexecução parcial do acordado. Insatisfeita, a empresa impetrou 
mandado de segurança no Poder Judiciário em face do ato administrativo que aplicaria a 
penalidade sem prévia opitiva. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens que 
se seguem. O ajuizamento da ação judicial para conter eventuais abusos praticados pela 
administração pública caracteriza a aplicação do princípio da sindicabilidade. © o princípio 
da sindicabilidade significa que os atos estão sujeitos a controle, envolvendo inclusive o 
controle judicial. Logo, o quesito está devidamente correto, pois o ajuizamento da ação 
insere-se na aplicação do princípio da sindicabilidade. 
 
P. da Juricidade O princípio da juridicidade não alarga a discricionariedade do administrador público. Configura 
verdadeira evolução do princípio da legalidade, pois atualmente a Administração não está 
adstrita somente ao cumprimento da lei, mas sim de todo o ordenamento jurídico. 
- Evolução do princípio da legalidade: 
1) Legalidade estrita: mero cumprimento da lei; 
2) Legitimidade: cumprir a lei, observando o interesse público; 
3) Juridicidade: cumprir a lei, observando o interesse público e os direitos fundamentais, ou 
seja, observar todo o ordenamento jurídico, tendo como centro a Constituição Federal 
– “Constitucionalização do Direito Administrativo”. 
 
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Resumo Tabelado de Direito Administrativo – Siga @corujinha_juridica 
P. da 
Consensualidade 
Consiste no fortalecimento da atuação da Administração Pública por meio da participação 
popular na formulação de políticas públicas, elaboração de normas e na tomada de decisões, 
por meio de mecanismos e instrumentos do direito. 
 
Busca-se, portanto, conferir uma legitimidade democrática reforçada à atuação do poder

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