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Ministério da Educação Instituto Federal de Goiás Campus Goiânia Departamento de Áreas Acadêmicas 4 Pág. 12 Bacharelado em Engenharia Mecânica DPAA-4.175 Metrologia PRÁTICA n°03/ RELATÓRIO no 3 - MEDIÇÃO COM MICRÔMETRO Alunos: Manoel Messias e Vitor Eduardo Sumário Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 03 Fundamentação Teórica -------------------------------------------------------------------------------------05 Materiais e Métodos --------------------------------------------------------------------------------------------05 Resultados ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 15 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 19 Referências Bibliográficas --------------------------------------------------------------------------------- 20 Introdução A metrologia desempenha um papel essencial em diversas áreas da indústria, ciência e tecnologia, garantindo a confiabilidade e a exatidão das medições. Dentre os instrumentos utilizados para aferição de medidas com alta precisão, destaca-se o micrômetro, uma ferramenta indispensável para medições em ordem de micrômetros (µm), sendo amplamente empregado em processos que exigem rigor metrológico. A utilização correta do micrômetro requer não apenas a compreensão de sua estrutura e funcionamento, mas também o conhecimento das técnicas de medição, incluindo a análise de erros e incertezas. A rastreabilidade metrológica, fundamentada em padrões nacionais e internacionais, é um fator determinante para assegurar a exatidão dos resultados, permitindo que as medições realizadas em diferentes laboratórios e indústrias sejam compatíveis e comparáveis. Este relatório tem como objetivo a familiarização com o uso do micrômetro, abordando seus princípios de funcionamento, componentes, técnicas de medição e cuidados necessários para garantir sua precisão. Além disso, serão discutidos conceitos fundamentais da metrologia, como o Sistema Internacional de Unidades (SI), calibração e controle de qualidade, proporcionando uma visão ampla da importância desse instrumento no contexto da metrologia dimensional. A aplicação de metodologias rigorosas de medição é essencial para minimizar erros e garantir a conformidade dos resultados, contribuindo para a qualidade e confiabilidade dos produtos e processos industriais. Por fim, será enfatizada a relação entre os conhecimentos teóricos adquiridos e a prática metrológica, reforçando a importância da calibração periódica e do correto manuseio do micrômetro para evitar desgastes e garantir a longevidade do equipamento. Com isso, espera-se que este estudo proporcione uma base sólida para a utilização precisa do micrômetro, preparando os estudantes e profissionais para desafios reais no campo da metrologia. Método de execução para o experimento · Foram definidas duas peças diferentes nas quais possuirão 6 anelamentos cada uma. · Uma das peças será medida com um micrômetro de unidades em mm e o outro com unidades em polegadas milesimal. · Para cada uma das peças existirá dois modelos de medição: com apoio na bancada e sem o apoio. · Para cada anelamento deverá ser feito 3 medições diferentes Fundamentação Teórica A metrologia, ciência da medição, é fundamental em diversos campos da engenharia e tecnologia, assegurando que produtos, componentes e processos atendam aos requisitos de qualidade, segurança e desempenho. Dentro da metrologia dimensional, destacam-se instrumentos como o paquímetro e o micrômetro, amplamente utilizados devido à sua capacidade de realizar medições com precisão elevada e versatilidade [1]. O micrômetro é um instrumento de medição utilizado principalmente para avaliar dimensões externas de objetos com alta precisão. Ele opera com base no movimento helicoidal de seu fuso, que transforma rotações em deslocamentos lineares. Isso permite medições precisas, com resolução típica de 0,01 mm (10 µm) em versões mecânicas e de 0,001 mm (1 µm) em versões digitais. No presente trabalho, foi utilizado um micrômetro de alta precisão, com resolução de 0,0005 mm (0,5 µm) no sistema métrico e de 0,0005 polegadas no sistema imperial. A resolução é definida como o menor incremento mensurável pelo instrumento e é um fator crucial na determinação da confiabilidade das medições. As medições realizadas com o micrômetro seguem os princípios básicos da metrologia, que incluem: · Exatidão: Capacidade do instrumento de fornecer valores próximos ao real. · Precisão: Reprodutibilidade das medições sob as mesmas condições. · Repetitividade: Variação das medições realizadas por um mesmo operador. · Erro Sistêmico: Influência de fatores como calibração, condições ambientais e características do instrumento. Já a incerteza de medição reflete a margem de erro associada a um valor medido. Para determinar a incerteza combinada das medições realizadas neste estudo, consideraram-se: 1. Incerteza devido à resolução: Calculada como resolução, assumindo que os erros de leitura se distribuem uniformemente. 2. Incerteza de repetitividade: Representada pelo desvio padrão das leituras, obtido a partir de múltiplas medições da mesma dimensão. 3. Erro aferido do instrumento: Um valor constante fornecido pelo fabricante do micrômetro, considerado como ±0,0005 mm no sistema métrico e ±0,0005 pol sistema imperial. A resolução do micrômetro utilizado, de 0,0005 mm, permite medições extremamente detalhadas, essenciais em processos industriais e de controle de qualidade. Em ambientes industriais, medições precisas garantem que peças e componentes sejam fabricados dentro das tolerâncias especificadas, evitando problemas de montagem e garantindo o desempenho do produto final. Materiais e Métodos O micrômetro é um instrumento de medição de alta precisão, amplamente utilizado em aplicações industriais e científicas para a quantificação de dimensões lineares minuciosas[1],[2]. O micrômetro é projetado para realizar medições com precisão na ordem de 0,01 mm (10 µm), sendo capaz de medir objetos com dimensões mínimas. O princípio de funcionamento baseia-se na utilização de um parafuso micrométrico, que permite o movimento controlado de uma parte móvel em relação a uma escala fixa. O deslocamento do fuso é proporcional à rotação do tambor, onde a relação entre as unidades de medida é previamente determinada [2], [3]. A leitura é efetuada através da observação da posição do tambor em relação à escala de referência, que pode incluir escalas de milímetros e centésimos de milímetro. Para sua utilização, basta acertar o objeto entre a batente e o fuso, ajustar o encaixe com a catraca e o impulsor e ler os resultados da seguinte maneira: A resolução de um micrômetro refere-se ao menor incremento de medição que o instrumento pode detectar com precisão. Essa característica é conhecida também como menor divisão mensurável ou menor incremento. Para calcular a resolução de um micrômetro, é fundamental entender a estrutura básica do instrumento, que geralmente consiste em um fuso (ou parafuso micrométrico) e um tambor com divisões graduadas. 1. Determinar o passo do fuso: · O passo do fuso é a distância que o cilindro móvel (fuso) avança em relação ao cilindro fixo quando o tambor completa uma rotação completa (360 graus). · Por exemplo, um micrômetro comum possui um passo de 0,5 mm por rotação completa do tambor. · 2. Contar o número de divisões no tambor: O tambor geralmente possui 25 divisões ou outro número específico, dependendo do modelo do micrômetro 3. Calcular com a seguinte fórmula: Modelo de ilustração peça A2 Modelo de ilustração peça B10 Medições práticas Ministério daEducação Instituto Federal de Goiás Campus Goiânia Departamento de Áreas Acadêmicas 4 Pág. 1 Bacharelado em Engenharia Mecânica DPAA-4.175 Metrologia Docente: Walgmar Costa Resultados Medições: Os dados obtidos das medição foram colocados nas tabelas abaixo. Tabela de Medidas com Micrômetro em mm milesimal – Peça A2 Com apoio Leituras em mm milesimal Dimensão 1 Dimensão 2 Dimensão 3 Dimensão 4 Dimensão 5 Dimensão 6 Leitura 1 24,849 27,326 30,404 32,762 35,414 37,512 Leitura 2 24,853 27,323 30,415 32,758 35,401 37,512 Leitura 3 24,881 27,322 30,426 32,756 35,394 37,524 Média de valores 24,861 27,324 30,415 32,759 35,403 37,516 Erro aferido do instrumento 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 Tabela de Medidas com Micrômetro em mm milesimal – Peça A2 Sem apoio Leituras em mm milesimal Dimensão 1 Dimensão 2 Dimensão 3 Dimensão 4 Dimensão 5 Dimensão 6 Leitura 1 24,833 27,311 30,409 32,762 35,382 37,503 Leitura 2 24,825 27,314 30,408 32,758 35,382 37,505 Leitura 3 24,823 27,319 30,402 32,760 35,398 37,531 Média de valores 24,827 27,315 30,406 32,760 35,387 37,513 Erro aferido do instrumento 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 Tabela de Medidas com Micrômetro em polegada milesimal - Peça B10 - com apoio Leituras em Polegadas milesimal Dimensão 1 Dimensão 2 Dimensão 3 Dimensão 4 Dimensão 5 Dimensão 6 Leitura 1 0,560” 0,712” 0,772” 0,856” 0,951” 1,057” Leitura 2 0,560” 0,711” 0,772” 0,856” 0,952” 1,057” Leitura 3 0,560” 0,712” 0,772” 0,856” 0,951” 1,057” Média de valores 0,560” 0,712” 0,772” 0,856” 0,951” 1,057” Erro aferido do instrumento 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 Tabela de Medidas com micrometro em polegada milesimal - Peça B10 - sem apoio Leituras em Polegadas milesimal Dimensão 1 Dimensão 2 Dimensão 3 Dimensão 4 Dimensão 5 Dimensão 6 Leitura 1 0,561 0,711 0,782 0,856 0,952 1,057 Leitura 2 0,561 0,711 0,782 0,856 0,952 1,057 Leitura 3 0,561 0,711 0,782 0,856 0,952 1,057 Média de valores 0,561 0,711 0,782 0,856 0,952 1,057 Erro aferido do instrumento 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 Incertezas: O cálculo das incertezas foi realizado com base na combinação de diferentes fontes de erros que afetam as medições feitas com o micrômetro. Os seguintes fatores foram considerados para determinar a incerteza combinada: Incerteza devido à repetitividade A repetitividade refere-se à variação nas medições feitas pelo mesmo operador, sob as mesmas condições, para uma mesma característica. Esta variação é representada pelo desvio padrão das leituras. Para cada dimensão, o desvio padrão foi calculado a partir das três medições realizadas, com a fórmula: Onde: · é o desvio padrão. · são os valores individuais das medições. · é a média dos valores medidos. · é o número de medições (n=3). Erro aferido do instrumento Os micrômetros utilizados possuem um erro aferido especificado pelo fabricante. Este erro, definido como (ou ), foi incluído como um fator constante na incerteza combinada. Incerteza combinada A incerteza combinada foi calculada com a fórmula: Onde: · é a incerteza combinada. · é o desvio padrão das medições. · é o erro especificado pelo instrumento. Essa abordagem garante que todas as fontes de incertezas estatísticas (repetitividade) e sistemáticas (erro do instrumento) sejam consideradas. Aplicação prática As tabelas apresentadas mostram a média das leituras, o desvio padrão, o erro aferido e a incerteza combinada para cada dimensão das peças A2 e B10. Isso permite que os valores apresentados sejam acompanhados de uma margem de incerteza confiável e justificável. Desta forma, foram montadas tabelas aferindo a propagação de incertezas de cada uma das medições. Tabela A2 com apoio. Dimensão Média de Valores (mm) Desvio Padrão (mm) Erro Aferido (mm) Incerteza Combinada (mm) Dimensão 1 24,861 0,017435596 0,0005 0,017442764 Dimensão 2 27,32366667 0,002081666 0,0005 0,002140872 Dimensão 3 30,415 0,011 0,0005 0,011011358 Dimensão 4 32,75866667 0,00305505 0,0005 0,003095696 Dimensão 5 35,40466667 0,008326664 0,0005 0,008341663 Dimensão 6 37,51666667 0,006429101 0,0005 0,006448514 Tabela A2 sem apoio. Dimensão Média de Valores (mm) Desvio Padrão (mm) Erro Aferido (mm) Incerteza Combinada (mm) Dimensão 1 24,827 0,005291503 0,0005 0,005315073 Dimensão 2 27,31466667 0,004041452 0,0005 0,004072264 Dimensão 3 30,40633333 0,003785939 0,0005 0,003818813 Dimensão 4 32,75866667 0,00305505 0,0005 0,003095696 Dimensão 5 35,385 0,011789826 0,0005 0,011800424 Dimensão 6 37,50466667 0,007234178 0,0005 0,007251437 Tabela B10 com apoio. Dimensão Média de Valores (pol) Desvio Padrão (pol) Erro Aferido (pol) Incerteza Combinada (pol) Dimensão 1 0,56 0 0,0005 0,0005 Dimensão 2 0,711666667 0,00057735 0,0005 0,000763763 Dimensão 3 0,772 1,35974E-16 0,0005 0,0005 Dimensão 4 0,856 0 0,0005 0,0005 Dimensão 5 0,951333333 0,00057735 0,0005 0,000763763 Dimensão 6 1,057 0 0,0005 0,0005 Tabela B10 sem apoio. Dimensão Média de Valores (pol) Desvio Padrão (pol) Erro Aferido (pol) Incerteza Combinada (pol) Dimensão 1 0,561 0 0,0005 0,0005 Dimensão 2 0,710666667 0,00057735 0,0005 0,000763763 Dimensão 3 0,772 1,35974E-16 0,0005 0,0005 Dimensão 4 0,856 0 0,0005 0,0005 Dimensão 5 0,951666667 0,00057735 0,0005 0,000763763 Dimensão 6 1,057 0 0,0005 0,0005 Conclusão A realização desta atividade permitiu evidenciar, de forma prática e detalhada, a importância da metrologia dimensional e do cálculo de incertezas para garantir a confiabilidade e a rastreabilidade dos resultados obtidos. Durante o experimento, o micrômetro foi empregado como ferramenta principal devido à sua capacidade de realizar medições com elevada resolução, demonstrando sua adequação para aplicações que exigem alta precisão, tanto no sistema métrico quanto no imperial. Os cálculos realizados para determinar as incertezas de medição seguiram uma abordagem metrológica robusta, considerando fatores como a resolução do instrumento, a repetitividade das medições e o erro aferido especificado pelo fabricante. A análise estatística das medições, incluindo o cálculo do desvio padrão e da incerteza combinada, destacou a necessidade de uma avaliação criteriosa das variáveis envolvidas no processo de medição. Essa abordagem meticulosa minimiza potenciais desvios e assegura que os resultados estejam dentro de limites aceitáveis de confiabilidade. Adicionalmente, a uniformidade observada entre as medições repetidas reafirma a confiabilidade do instrumento e a competência do procedimento aplicado. Essa constância é crucial para atender aos requisitos de qualidade em ambientes industriais e acadêmicos, onde medições precisas são indispensáveis para garantir a conformidade com especificações técnicas. Por fim, o desenvolvimento deste relatório proporcionou não apenas o aprimoramento das habilidades práticas em medições dimensionais, mas também o aprofundamento do conhecimento teórico em fundamentos da metrologia. A aplicação de conceitos como resolução, repetitividade e incerteza de medição reflete diretamente a relevância de integrar conhecimento técnico-científico à prática cotidiana. Assim, esta atividade contribuiu significativamente para a formação de engenheiros capacitados a atuar de maneira assertiva nas demandas técnicas e industriais, onde a precisão e a confiabilidade são aspectos inegociáveis. Referências Bibliográficas [1] Guia Para a Expressão da Incerteza de Medição - ABNT, INMETRO, Rio de Janeiro, 2003. [2] Manual de Metrologia Dimensional - SENAI, 2018. [3] Montgomery, D.C. Introdução ao Controle Estatístico da Qualidade. LTC, 2016. image4.png image5.png image6.pngimage7.png image8.png image9.png image10.png image1.png image2.png image3.png image11.jpg