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instituído para que nada de grave ou agitado aconteça. Os 
visitantes velhinhos dormitam no banco da praça, as velhinhas 
vão atrás de algum artesanato, os jovens se entediam, os turis-
tas adultos se dividem entre absorver a paz reinante e planejar 
as tarefas da volta.
Não se sabe quanto tempo ainda durará essa rara opor-
tunidade de paz. As informações do mundo de hoje circulam 
o tempo todo pelos nervosos celulares, a velocidade da vida 
digital é implacável e não tolera espaços de vazio ou tempos 
vazios. Mas enquanto não morrer de todo o interesse de se 
cultuar a vida interior, experiência possível nessas estâncias 
sossegadas, não convém desprezar a sensação acolhedora de 
pertencer a um mundo sem pressa.
(Péricles Moura e Silva, inédito)
É plenamente adequada a correlação entre os tempos e os 
modos verbais na frase:
a) Poucos haverão de crer que ainda se resista nas pequenas 
cidades ao uso descontrolado das mídias eletrônicas.
b) Se lhes parecesse possível, muitos habitantes das metró-
poles cogitarão de se transferir para alguma cidadezinha 
interiorana.
c) A menos que ocorresse alguma hecatombe, nada alterará o 
ritmo de vida que predomine naquela cidadezinha.
d) É possível que os atropelos das grandes cidades um dia che-
garão a impedir que as estâncias continuariam na mesma 
paz.
e) Caso alguém imagine que todos amam a paz das cidadezi-
nhas estaria enganado: sempre há os que a desprezassem.
49. (FCC – 2019)
Antropologia reversa
É sempre tarefa difícil – no limite, impossível – compreen-
der o outro não a partir de nós mesmos, ou seja, de nossas 
categorias e preocupações, mas de sua própria perspectiva e 
visão de mundo. “Quando os antropólogos chegam”, diz um 
provérbio haitiano, “os deuses vão embora”.
Os invasores coloniais europeus, com raras exceções, con-
sideravam os povos autóctones do Novo Mundo como crian-
ças amorais ou boçais supersticiosos – matéria escravizável. 
Mas como deveriam parecer aos olhos deles aqueles euro-
peus? “Onde quer que os homens civilizados surgissem pela 
primeira vez”, resume o filósofo romeno Emil Cioran, “eles 
eram vistos pelos nativos como demônios, como fantasmas ou 
espectros, nunca como homens vivos! Eis uma intuição inigua-
lável, um insight profético, se existe um”.
O líder ianomâmi Davi Kopenawa, porta-voz de um povo 
milenar situado no norte da Amazônia e ameaçado de extinção, 
oferece um raro e penetrante registro contra- antropológico 
do mundo branco com o qual tem convivido: “As mercadorias 
deixam os brancos eufóricos e esfumaçam todo o resto em 
suas mentes [...] Seu pensamento está tão preso a elas, são 
de fato apaixonados por elas! Dormem pensando nelas, como 
quem dorme com a lembrança saudosa de uma bela mulher. 
Elas ocupam seu pensamento por muito tempo, até vir o sono. 
Os brancos não sonham tão longe quanto nós. Dormem muito, 
mas só sonham consigo mesmos”.
(Adaptado de GIANETTI, E. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2016, p. 118-119)
É plenamente adequada a correlação entre os tempos e os 
modos verbais na frase:
a) Seria de se supor que um nativo venha a estranhar os colo-
nizadores do mesmo modo que estes viriam a com ele se 
espantar.
b) Não se apresentaria como fácil a plena compreensão que 
alguém se dispusesse a ter da cultura que se sustentasse 
em outros valores.
c) Para que venham a ser compreendidos os valores de uma 
cultura, houvera de se esforçar quem os buscar analisar 
mais de perto.
d) Segundo supõe Davi Kopenawa, os brancos não poderiam 
sonhar tão longe quanto os nativos porque estejam presos 
ao mundo das mercadorias.
e) Ao se depararem com os nativos, tão logo chegados ao Novo 
Mundo, os colonizadores passassem a julgá-los como cria-
turas amorais e infantilizadas.
50. (FCC – 2019)
[A harmonia natural em Rousseau]
A civilização foi vista por Jean-Jacques Rousseau (1713-
1784) como responsável pela degeneração das exigências 
morais mais profundas da natureza humana e sua substituição 
pela cultura intelectual. A uniformidade artificial de comporta-
mento, imposta pela sociedade às pessoas, leva-as a ignorar os 
deveres humanos e as necessidades naturais.
A vida do homem primitivo, ao contrário, seria feliz porque 
ele sabe viver de acordo com suas necessidades inatas. Ele é 
amplamente autossuficiente porque constrói sua existência 
no isolamento das florestas, satisfaz as necessidades de ali-
mentação e sexo sem maiores dificuldades e não é atingido 
pela angústia diante da doença e da morte. As necessida-
des impostas pelo sentimento de autopreservação – presen-
te em todos os momentos da vida primitiva e que impele o 
homem selvagem a ações agressivas – são contrabalançadas 
pelo inato sentimento que o impede de fazer mal aos outros 
desnecessariamente.
Desde suas origens, o homem natural, segundo Rous-
seau, é dotado de livre arbítrio e sentido de perfeição, mas o 
desenvolvimento pleno desses sentimentos só ocorre quan-
do estabelecidas as primeiras comunidades locais, baseadas 
sobretudo no grupo familiar. Nesse período da evolução, o 
homem vive a idade do ouro, a meio caminho entre a bruta-
lidade das etapas anteriores e a corrupção das sociedades 
civilizadas.
(Encarte, sem indicação de autoria, a Jean-Jacques Rousseau – Os 
Pensadores. Capítulo 34. São Paulo: Abril, 1973, p. 473)
Estão plenamente observadas a correção da redação e a corre-
lação entre tempos e modos verbais na frase:
a) Caso seja levada a sério, a disciplina aristocrática impediria 
o homem civilizado de que fosse plenamente feliz.
b) Se a felicidade dos homens civilizados se equiparasse a dos 
homens primitivos, não haveria porquê não festejar o rumo 
da civilização.
c) Entende-se que os povos primitivos estivessem sendo mais 
felizes do que nós porquanto eles saberão atender a suas 
necessidades básicas.
d) Quando viermos a considerar mais de perto a felicidade dos 
primitivos, estaremos próximos da felicidade maior a que 
aspiramos.
e) Nos tempos primitivos, onde sobejavam os impulsos natu-
rais, os homens sabem administrar o equilíbrio que lhes 
demanda a natureza.
 Æ LOCUÇÃO VERBAL
51. (FCC – 2022)
As redes sociais se apresentam como uma espécie de “pra-
ça pública virtual”, na qual indivíduos interagem e empresas 
anunciam seus produtos. Entretanto, ao contrário do espaço 
público tradicional (físico), plataformas de redes sociais mol-
dam quem e o que encontraremos durante a conexão. A lógi-
ca por trás disso é que tenhamos um espaço customizado, no 
qual nos deparemos com aqueles que conosco se asseme-
lham e com produtos que almejamos. Conectar-se de forma 
sadia às redes sociais demanda alguns cuidados. O primeiro 
deles, é saber como a maior parte das redes sociais funciona. 
Não ignorar que cada um de nós é o verdadeiro produto 
pode nos garantir experiência saudável nesse ambiente.

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