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PO RT U G U ÊS 29 instituído para que nada de grave ou agitado aconteça. Os visitantes velhinhos dormitam no banco da praça, as velhinhas vão atrás de algum artesanato, os jovens se entediam, os turis- tas adultos se dividem entre absorver a paz reinante e planejar as tarefas da volta. Não se sabe quanto tempo ainda durará essa rara opor- tunidade de paz. As informações do mundo de hoje circulam o tempo todo pelos nervosos celulares, a velocidade da vida digital é implacável e não tolera espaços de vazio ou tempos vazios. Mas enquanto não morrer de todo o interesse de se cultuar a vida interior, experiência possível nessas estâncias sossegadas, não convém desprezar a sensação acolhedora de pertencer a um mundo sem pressa. (Péricles Moura e Silva, inédito) É plenamente adequada a correlação entre os tempos e os modos verbais na frase: a) Poucos haverão de crer que ainda se resista nas pequenas cidades ao uso descontrolado das mídias eletrônicas. b) Se lhes parecesse possível, muitos habitantes das metró- poles cogitarão de se transferir para alguma cidadezinha interiorana. c) A menos que ocorresse alguma hecatombe, nada alterará o ritmo de vida que predomine naquela cidadezinha. d) É possível que os atropelos das grandes cidades um dia che- garão a impedir que as estâncias continuariam na mesma paz. e) Caso alguém imagine que todos amam a paz das cidadezi- nhas estaria enganado: sempre há os que a desprezassem. 49. (FCC – 2019) Antropologia reversa É sempre tarefa difícil – no limite, impossível – compreen- der o outro não a partir de nós mesmos, ou seja, de nossas categorias e preocupações, mas de sua própria perspectiva e visão de mundo. “Quando os antropólogos chegam”, diz um provérbio haitiano, “os deuses vão embora”. Os invasores coloniais europeus, com raras exceções, con- sideravam os povos autóctones do Novo Mundo como crian- ças amorais ou boçais supersticiosos – matéria escravizável. Mas como deveriam parecer aos olhos deles aqueles euro- peus? “Onde quer que os homens civilizados surgissem pela primeira vez”, resume o filósofo romeno Emil Cioran, “eles eram vistos pelos nativos como demônios, como fantasmas ou espectros, nunca como homens vivos! Eis uma intuição inigua- lável, um insight profético, se existe um”. O líder ianomâmi Davi Kopenawa, porta-voz de um povo milenar situado no norte da Amazônia e ameaçado de extinção, oferece um raro e penetrante registro contra- antropológico do mundo branco com o qual tem convivido: “As mercadorias deixam os brancos eufóricos e esfumaçam todo o resto em suas mentes [...] Seu pensamento está tão preso a elas, são de fato apaixonados por elas! Dormem pensando nelas, como quem dorme com a lembrança saudosa de uma bela mulher. Elas ocupam seu pensamento por muito tempo, até vir o sono. Os brancos não sonham tão longe quanto nós. Dormem muito, mas só sonham consigo mesmos”. (Adaptado de GIANETTI, E. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 118-119) É plenamente adequada a correlação entre os tempos e os modos verbais na frase: a) Seria de se supor que um nativo venha a estranhar os colo- nizadores do mesmo modo que estes viriam a com ele se espantar. b) Não se apresentaria como fácil a plena compreensão que alguém se dispusesse a ter da cultura que se sustentasse em outros valores. c) Para que venham a ser compreendidos os valores de uma cultura, houvera de se esforçar quem os buscar analisar mais de perto. d) Segundo supõe Davi Kopenawa, os brancos não poderiam sonhar tão longe quanto os nativos porque estejam presos ao mundo das mercadorias. e) Ao se depararem com os nativos, tão logo chegados ao Novo Mundo, os colonizadores passassem a julgá-los como cria- turas amorais e infantilizadas. 50. (FCC – 2019) [A harmonia natural em Rousseau] A civilização foi vista por Jean-Jacques Rousseau (1713- 1784) como responsável pela degeneração das exigências morais mais profundas da natureza humana e sua substituição pela cultura intelectual. A uniformidade artificial de comporta- mento, imposta pela sociedade às pessoas, leva-as a ignorar os deveres humanos e as necessidades naturais. A vida do homem primitivo, ao contrário, seria feliz porque ele sabe viver de acordo com suas necessidades inatas. Ele é amplamente autossuficiente porque constrói sua existência no isolamento das florestas, satisfaz as necessidades de ali- mentação e sexo sem maiores dificuldades e não é atingido pela angústia diante da doença e da morte. As necessida- des impostas pelo sentimento de autopreservação – presen- te em todos os momentos da vida primitiva e que impele o homem selvagem a ações agressivas – são contrabalançadas pelo inato sentimento que o impede de fazer mal aos outros desnecessariamente. Desde suas origens, o homem natural, segundo Rous- seau, é dotado de livre arbítrio e sentido de perfeição, mas o desenvolvimento pleno desses sentimentos só ocorre quan- do estabelecidas as primeiras comunidades locais, baseadas sobretudo no grupo familiar. Nesse período da evolução, o homem vive a idade do ouro, a meio caminho entre a bruta- lidade das etapas anteriores e a corrupção das sociedades civilizadas. (Encarte, sem indicação de autoria, a Jean-Jacques Rousseau – Os Pensadores. Capítulo 34. São Paulo: Abril, 1973, p. 473) Estão plenamente observadas a correção da redação e a corre- lação entre tempos e modos verbais na frase: a) Caso seja levada a sério, a disciplina aristocrática impediria o homem civilizado de que fosse plenamente feliz. b) Se a felicidade dos homens civilizados se equiparasse a dos homens primitivos, não haveria porquê não festejar o rumo da civilização. c) Entende-se que os povos primitivos estivessem sendo mais felizes do que nós porquanto eles saberão atender a suas necessidades básicas. d) Quando viermos a considerar mais de perto a felicidade dos primitivos, estaremos próximos da felicidade maior a que aspiramos. e) Nos tempos primitivos, onde sobejavam os impulsos natu- rais, os homens sabem administrar o equilíbrio que lhes demanda a natureza. Æ LOCUÇÃO VERBAL 51. (FCC – 2022) As redes sociais se apresentam como uma espécie de “pra- ça pública virtual”, na qual indivíduos interagem e empresas anunciam seus produtos. Entretanto, ao contrário do espaço público tradicional (físico), plataformas de redes sociais mol- dam quem e o que encontraremos durante a conexão. A lógi- ca por trás disso é que tenhamos um espaço customizado, no qual nos deparemos com aqueles que conosco se asseme- lham e com produtos que almejamos. Conectar-se de forma sadia às redes sociais demanda alguns cuidados. O primeiro deles, é saber como a maior parte das redes sociais funciona. Não ignorar que cada um de nós é o verdadeiro produto pode nos garantir experiência saudável nesse ambiente.