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PROJETO INTEGRADOR: CULTURA E DIVERSIDADE 1
Francisco Ailton dos Santos
SUMÁRIO
Esta é uma obra coletiva organizada por iniciativa e direção do CENTRO SU-
PERIOR DE TECNOLOGIA TECBRASIL LTDA – Faculdades Ftec que, na for-
ma do art. 5º, VIII, h, da Lei nº 9.610/98, a publica sob sua marca e detém os 
direitos de exploração comercial e todos os demais previstos em contrato. É 
proibida a reprodução parcial ou integral sem autorização expressa e escrita.
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFTEC
Rua Gustavo Ramos Sehbe n.º 107. Caxias do Sul/ RS 
REITOR
Claudino José Meneguzzi Júnior
PRÓ-REITORA ACADÊMICA
Débora Frizzo
PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO
Altair Ruzzarin
DIRETORA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD)
Lígia Futterleib
Desenvolvido pela equipe de Criações para o ensino a distância (CREAD)
Coordenadora e Designer Instrucional 
Sabrina Maciel
Diagramação, Ilustração e Alteração de Imagem
Igor Zattera, Jaqueline Boeira, Júlia Oliveira, Leonardo Ribeiro 
Revisora
Luana dos Reis
HISTÓRIA DA CULTURA E DA DIVERSIDADE 5
O QUE É CULTURA? 6
AS CIVILIZAÇÕES E O SEU LEGADO CULTURAL 7
A ORIGEM DA DIVERSIDADE 9
CULTURA E IDENTIDADE 10
DIVERSIDADE 13
CONCEITO DE DIVERSIDADE 15
A SOCIODIVERSIDADE 16
AS GRANDES CIDADES E O SEU PAPEL NO DESENVOLVIMENTO DA CULTURA 17
CULTURA, DESENVOLVIMENTO E CIDADANIA 20
CIDADANIA E DEMOCRACIA 22
ISONOMIA E IGUALDADE 23
ORIGEM DO PRINCÍPIO DE ISONOMIA 24
IGUALDADE X EQUIDADE 25
OS DIREITOS HUMANOS 26
ORIGEM DOS DIREITOS HUMANOS 26
A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS 27
DOCUMENTOS INTERNACIONAIS 31
CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS - 1945 33
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS - 1948 33
CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA - 1988 33
DECLARAÇÃO DO MILÊNIO - 2000 34
DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL - 2001 34
3CULTURA E DIVERSIDADE 1
APRESENTAÇÃO
Falar em cultura e diversidade nos tempos atuais é um assunto muito delicado. A du-
alidade contemporânea e todos os assuntos complexos da nossa sociedade tornaram estes 
assuntos em polos, extremos, frequentemente polemizados. A grande exposição cultural a 
qual transitamos, por fatores consequentes à super globalização e massificação dos meios de 
comunicação, bem como os intensos movimentos migratórios, tem mostrado a cultura como 
ela realmente é, e exposto a fragilidade do nosso entendimento cultural.
O propósito deste estudo é apresentar a importância que a diversidade e a cultura tem 
na fomentação e no desenvolvimento dos mais variados projetos, bem como, o entendimento 
destes para entregas mais empáticas e igualitárias. 
Os assuntos a serem apresentados e desenvolvidos não são criações modernas. A cultura 
sempre foi a interface das civilizações, uma ponte pela qual a humanidade transportou, desde 
os sumérios, suas criações, costumes, seus credos. É através da cultura que a humanidade se 
comunica e se transporta entre os tempos. É a partir desse entendimento que aprendemos e 
nos construímos em um movimento evolutivo.
Certamente, não conseguiremos perpassar neste por todos os assuntos em englobam 
este assunto, mas sim, os mais relevantes, que possam ser úteis em nossas construções cria-
tivas, nossos projetos, nossas produções, e principalmente em nosso dia a dia, entendendo o 
outro como ele realmente é, e não como gostaríamos que ele fosse.
Neste estudo entenderemos conceitos sobre cultura, diversidade, acessibilidade e seus 
desdobramentos. Conheceremos alguns dos documentos que regulam e protegem a cultura 
e a diversidade no mundo, entendendo que a cultura vai além da esfera social e política, ela é 
uma importante geradora de renda para muitos povos. A seguir, veremos sobre sustentabilida-
de e a importância da cultura para um desenvolvimento sustentável. Entenderemos por que a 
inovação é algo que acontece em ecossistemas culturalmente inovadores, não é imediata e tão 
pouco barata. Seguindo nosso processo de aprendizado, falaremos sobre a globalização e os 
desafios da cultura no atual contexto socioeconômico, que eclodem em grandes movimentos 
migratórios que desafiam o mindset local e regional de alguns povos. Finalizaremos este mate-
rial com algumas dicas e instruções para instrumentalização da cultura em nossos projetos. 
A cultura é um veículo de crescimento desde os tempos mais remotos. Precisamos tê-la, 
agora mais do que nunca, vivendo e convivendo em um mundo aberto, numa sociedade am-
pla de conhecimento e trocas. Precisamos da cultura como repertório e como base à empatia 
e à diversidade das nossas construções, para nos tornarmos mais humanos em um mundo 
impregnado de tecnologia. 
Tenham este estudo como uma poderosa arma de diferenciação em um momento de 
aceleradas mudanças tecnológicas, onde muitos postos de trabalho serão extintos. Este es-
tudo é também uma forma de nos prepararmos para o futuro, em tempos de automação e 
disrupção.
Entender a cultura do outro não só tornará as nossas ideias mais desejadas, mas nos 
tornará emocionalmente mais inteligentes e socialmente mais interativos.
4CULTURA E DIVERSIDADE 1
APRESENTAÇÃO
Por fim, sugiro uma reflexão: 
Quantos negócios não foram fechados por falta de conhecimento da realidade do ou-
tro? Quantas boas ideias não foram incentivadas por preconceitos culturais? 
Quantas pessoas criativas deixamos de conhecer por não estarmos dispostos a ir além 
dos nossos círculos? 
Quantas guerras já travamos pelo simples fato de não aceitar o desconhecido? 
Caros, alunos! Conhecer a cultura do outro é base para a nossa existência e motor para 
o desenvolvimento humano. Entender a diversidade, além das campanhas de marketing, é 
fazer parte do todo e indivisível. Não construamos nossos próprios muros nem deixamos que 
construam ao nosso redor.
A cultura é essencial pra produzir inovações 
sociais, soluções econômicas, humanizar e 
qualificar a sociedade como um todo. 
Cultura é um direito à renovação da vida.
Sem cultura viramos robôs!
BLOCO 01: EMOCIONAL
Caros! O primeiro bloco da nossa disciplina, tratado como “emocional”, nos traz assuntos 
importantes para a construção de um entendimento amplo e fundamentado sobre a cultura 
e a diversidade. O intuito não é tratar de assuntos relacionados à esfera sentimental, mas sim, 
tratar dos aspectos cognitivos do tema. Relacionar construções passadas com temas atuais, 
mostrar os caminhos da diversidade e amparar estes assuntos de forma histórica e científica. 
Bom estudo!
5
HISTÓRIA DA 
CULTURA E DA 
DIVERSIDADE
6CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
O QUE É CULTURA?
Esta pergunta pode ter as mais variadas resposta, ainda bem! Isto é diversidade! Respon-
der “o que é cultura” dependerá da cultura de quem se propõe em responder, sendo que o 
entendimento sobre o assunto muda de indivíduo para indivíduo, e isto é cultura. 
A cultura e a diversidade estão intrinsecamente ligadas. A palavra cultura tem um con-
ceito bastante complexo em uma visão antropológica, podemos definir como a rede de sig-
nificados que dão sentido ao mundo que cerca um indivíduo, ou seja a sociedade. Uma rede 
que engloba um conjunto de diversos aspectos como crenças, valores, costumes, leis, moral, 
língua, etc. Já a diversidade cultural engloba as diferenças culturais que existem entre as pes-
soas, como a linguagem, a dança, as vestimentas e tradições.
Diversidade é um termo que diz respeito a variedade e convivência de ideais, caracte-
rística ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto ou ambiente. Já a cultura 
(ação, processo ou efeito de cultivar a terra; lavra, cultivo), é um termo com várias acepções em 
diferentes níveis de profundidades e diferentes especificidades. São práticas e ações sociais 
que seguem em padrão determinado no espaço/tempo. Se refere à crença, comportamentos, 
valores, instituições e regras morais que permeiam e preenchem a sociedade, explica e dá 
sentido a cosmologia social. É a identidade própria de um grupo humano em um determi-
nado período.
Mas este é um assunto diverso. A culturapode ser definida de diversas formas, há vários 
conceitos e vários entendimentos sobre o assunto. Traremos neste material discussões que 
se alinhem ao propósito deste estudo, não sendo estas, detentoras da totalidade do assunto 
“cultura”.
Entendemos como cultura o conjunto de significados partilhados e construídos pelo ho-
mem através do tempo para explicar o seu mundo e a sua construção de valores, que são so-
cializados, legitimados e operacionalizados a partir de um grupo específico. A cultura é ainda 
uma forma de expressão da realidade que se faz de forma simbólica, admitindo-se os sentidos 
conferidos às palavras, aos objetos, aos manifestos, gerando significado e consequentemente 
apreciação, agindo ainda como elemento integrador da vida social mantendo a coesão do 
grupo e propondo representações que são expressas por normas, instituições, imagens e ritos. 
Tais representações formam uma realidade para os indivíduos destes grupos, que vivem por 
elas e nelas. 
As representações construídas por estes grupos sobre o mundo fazem com que estes 
percebam a realidade e pautem a sua existência. São matrizes geradoras de condutas, sím-
bolos e práticas, dotadas de força integradora e coesiva.
Os indivíduos e grupos dão sentido ao mundo 
por meio de suas representações culturais, 
constroem assim sua realidade.
7CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
A representação envolve processos de:
• percepção;
• identificação;
• reconhecimento;
• classificação;
• legitimação;
• exclusão.
As representações culturais são portadoras de elementos simbólicos, carregadas de sentidos 
que são construídos social e historicamente, fazendo parte naturalmente do inconsciente coletivo, 
dispensando uma reflexão mais aprofundada. Estas representações apresentam múltiplas confi-
gurações construídas pelos diferentes grupos sociais e aquele grupo que tem o poder simbólico 
de dizer e fazer crer sobre o seu mundo, expressando supremacia cultural. Por sua vez, estabelece 
classificações e divisões, propondo valores e normas que orientam o gosto e a percepção dos de-
mais, que definem limites e comportamentos, como por exemplo, a cultura americana.
A principal característica da cultura é o mecanismo adaptativo, que consiste na capaci-
dade que os indivíduos têm de responder ao meio de acordo com mudanças de hábitos. A 
cultura é também um mecanismo cumulativo pelo qual as modificações trazidas por uma ge-
ração passam à geração seguinte, onde vai se transformando, perdendo e incorporando outros 
aspetos, procurando melhorar a vivência para as novas gerações.
Por fim, a cultura, em um significado mais amplo é um complexo que inclui o conheci-
mento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos 
pelo ser humano em um determinado tempo / espaço.
Importante não nos apropriarmos definitivamente das definições de cultura, pois este é 
um conceito que está sempre em desenvolvimento; com o passar do tempo ela é influenciada 
por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano.
AS CIVILIZAÇÕES E O SEU LEGADO CULTURAL
Sabemos que o progresso do homem consiste na acumulação de experiências transmi-
tidas de geração a geração e continuamente enriquecidas. Muitas das experiências dos povos 
antigos sofreram tantas modificações que nem percebemos a sua origem, mas, na verdade, 
todo o conhecimento do homem, desde as épocas mais remotas, é que permitiu alcançarmos 
o atual estágio de progresso.
8CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
Quando estudamos as civilizações da antiguidade por vezes não entendemos por que 
razão temos que compreender muitos dos hábitos e tradições dos povos que viveram há tan-
to tempo atrás. Contudo, existe uma série de coisas que nos pode indicar que nossa era tão 
moderna, tecnológica e comunicativa deve muito às ideias que surgiram há vários séculos. Se 
examinarmos bem, os hábitos da antiguidade perduram até hoje nas mais diversas tarefas do 
nosso dia, da hora que acordamos até a hora que dormimos.
Herdamos dos helenos uma brilhante civilização. Os gregos foram pioneiros em vastas esferas 
humanas - das artes às ciências, da política aos esportes. Eles foram os criadores da democracia. E 
eles nos ensinaram a “pensar”. A vida moderna deve aos helenos os fundamentos da sua existên-
cia: suas meditações e inquietudes, suas conquistas materiais e conceituais. Hoje em dia, muitos 
apontam para os benefícios estabelecidos pelo regime democrático ao redor do mundo. Contudo, 
mesmo tendo influência dos ideais do liberalismo, várias de nossas ações políticas e institucionais 
foram, em certa medida, experimentadas pelos gregos. Em Atenas, os legisladores Clístenes e Péri-
cles lançaram as bases de uma nova forma de governo que inspirou a democracia moderna. Além 
disso, foram os primeiros povos a criar concursos para a ocupação de cargos públicos.
Atualmente, a grande disponibilidade de recursos estéticos nos leva a crer que pertence-
mos à era do “culto ao corpo”. Contudo, não podemos pensar que os antigos não tinham suas 
preocupações e vaidades. No campo das artes, os greco-romanos desenvolveram técnicas de 
reprodução corporal que, passados dois mil anos, impressionavam os renascentistas. Na me-
dicina, os egípcios se aventuravam na realização de várias cirurgias, inclusive, cerebrais.
Essas são apenas umas das poucas comparações que nos mostram a riqueza de capaci-
dades e invenções que marcaram a antiguidade e influenciam o mundo de hoje. Se possível 
fosse, haveria ainda outras discussões e análises que nos mostrariam que os povos do passado 
disponibilizaram conhecimento que, de forma alguma, pode ser considerado inferior em rela-
ção ao saber produzido na contemporaneidade.
Graças à cultura podemos estudar as civilizações do passado. É através da cultura e da 
análise histórica das interfaces produzidas nas sociedades antigas que podemos construir 
nossos produtos culturais contemporâneos. A arquitetura, a escultura, a pintura, a arte de uma 
forma geral, foram responsáveis pela retenção dos costumes destes povos e nos servem de 
9CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
ponte para o entendimento cultural da antiguidade e consequentemente à transformação e 
construção de uma nova sociedade.
Vejam abaixo os legados mais representativos deixados pelos povos da antiguidade:
A ORIGEM DA DIVERSIDADE
A diversidade não é um conceito novo, ela existe desde as primeiras formações sociais 
e vem acompanhando a humanidade em sua evolução. Há um consenso geral entre os prin-
cipais antropólogos que o primeiro homem surgiu no continente africano, há cerca de dois 
milhões de anos atrás. Desde então, a humanidade tem se espalhado por todo o mundo, 
adaptando-se às diferentes condições, como por exemplo, as mudanças climáticas. As muitas 
sociedades que surgiram separadas por todo o globo diferiam sensivelmente ou brutalmente 
umas das outras, e muitas dessas diferenças persistem até hoje.
Povos Legado
Mesopotâmicos
Princípios de Direito; sistema de pesos e medidas; princípios de 
astronomia; invenção da escrita pictográfica; bases da geometria; 
sistema de numeração sexagesimal; o conceito inicial de escola.
Egípcios
Técnicas de irrigação; uso do cobre; princípios científicos de medicina; 
princípios de arquitetura; sistema de numeração decimal; calendário; 
relógio; escrita; papel (papiro); pão com fermento; fogão de assar.
Persas
Princípios de organização administrativa; aperfeiçoamento da cavalaria 
como arma de guerra; organização de um sistema de correio.
Hebreus Monoteísmo; judaísmo; cristianismo.
Fenícios
Invenção do alfabeto; técnicas de navegação; técnicas comerciais; 
pintura de tecidos; técnica de produção do vidro transparente.
Hindus
Budismo; hinduísmo; algarismos “arábicos”; extração da raiz quadrada e 
cúbica; invenção do zero.
Chineses
Fabricação do papel; relógio hidráulico; fabricação da pólvora; a bússola; 
fabricação da seda.
GregosConceito de democracia; princípios de arquitetura e escultura; 
fundamentos da Filosofia; valorização do homem; ideal da liberdade; 
teatro; trigonometria; a organização da escola como conhecemos hoje.
Romanos
Conservação da cultura grega e oriental; língua latina; princípios de 
arquitetura; Direito Civil; religião cristã; princípios de organização 
administrativa; sistema de construção de estradas; algarismos romanos.
10CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
São evidentes as diferenças culturais que existem entre os povos, como o idioma, a gastro-
nomia, a vestimenta e o conjunto de suas tradições, também existem variações significativas na 
forma como as sociedades organizam-se em sua concepção de moralidade e na maneira como 
interagem em seus sistemas. Muitos discutem se as diferenças culturais são apenas artefatos 
decorrentes da migração humana, ou se elas representam uma característica evolutiva que é 
fundamental para o nosso sucesso como uma espécie. É possível afirmar que a diversidade cul-
tural é fundamental para a sobrevivência da humanidade a longo prazo, e que a preservação 
das culturas pode ser tão importante à humanidade como a conservação das espécies e dos 
ecossistemas à vida em geral. Este argumento é contestado por muitos, uma vez que a diversi-
dade é uma hipótese difícil de se testar, que não podem ser provadas nem refutadas.
Finalmente, há muitos que afirmam que é do interesse dos indivíduos e da humanidade 
como um todo, que todos respeitem o único modelo de sociedade que alguns considerem 
correto. Por exemplo, organizações missionárias que trabalham para reduzir a diversidade cul-
tural de alguns povos, induzindo-os a remodelação de sua sociedade de acordo com os seus 
princípios. A diversidade não é apenas um conceito isolado de algumas culturas ou uma ideia 
imaginária solta no ar, existem várias organizações internacionais que trabalham para proteger 
sociedades e suas culturas, incluindo a Survival International (movimento global pelos direi-
tos dos povos indígenas) e a UNESCO. A Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade 
Cultural, aprovada por 185 Estados-Membros em 2001, representa o primeiro instrumento de 
definição de padrão internacional destinado a preservar e promover a diversidade cultural e 
o diálogo intercultural, preservando e promovendo a identidade cultural de diversos povos ao 
redor do mundo.
CULTURA E IDENTIDADE
A identidade é a representação figurativa de um povo, uma construção simbólica no 
sentido que organiza um sistema compreensivo a partir da ideia de pertencimento do seu 
meio e da sua cultura. A identidade é uma construção imaginária que produz a coesão social, 
permitindo a identificação das partes com o todo, do indivíduo frente ao coletivo, mas ao mes-
mo tempo que identifica, estabelece por outro lado a diferença. Frente ao “eu” ou ao “nós”, se 
coloca a estrangeridade do outro.
Para que ocorra a elaboração da identidade cultural, primeiramente deve acontecer o reco-
nhecimento, a identificação do indivíduo em torno de atributos, símbolos, características e valores 
socializados em torno daqueles que integram um determinado grupo, cidade, região ou país.
As identidades são múltiplas e vão desde o eu pessoal, construtor da personalidade, aos 
múltiplos recortes sociais, fazendo com que o mesmo indivíduo acumule em si diferentes per-
fis identitários, que se sobrepõe e se agrupam. Por exemplo, posso ter uma identidade que 
me torne membro de um grupo referente a uma cidade, ao mesmo tempo que trago carac-
terísticas que me definam como membro de um estado, que por sua vez trazem definições 
identitárias de um país. 
Assim, há modalidades identitárias que dizem respeito aos recortes de território, a divi-
sões político-administrativas. Há ainda modalidades referentes ao espaço que representam 
um plano continental, nacional, regional ou tribal. As identidades podem se dar ainda com 
11CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
relação a recortes temporais, quando atribuídas ao sentido pertencente a momentos ou épo-
cas precisos. Conferem-se atribuições específicas ao passado - antigo, clássico, moderno, con-
temporâneo - que permitem a identificação destas identidades temporais.
As identidades podem dar conta ainda dos múltiplos recortes do social, étnicos, raciais, 
religiosos, etárias, de gênero e posição social, classe ou renda. A elaboração destas identidades 
relacionam datas, fatos históricos, mitos, ritos e um conjunto de práticas alusivas ao território 
como a música, a comida, a dança e as vestimentas. 
As identidades são portanto ficções criativas 
desenvolvidas no decorrer da história, assimiladas e 
perduradas pelos grupos que situam o indivíduo no 
espaço, no tempo, no social e até mesmo no mundo.
Como atores do imaginário social, estas representações identitárias são matrizes de prá-
ticas sociais, guiando ações, apreciação e valor para um determinado grupo. A identidade se 
constrói principalmente em torno de elementos de positividade e características que trans-
portem valores percebidos pelo grupo agregando pessoas ao redor destes atributos, renden-
do reconhecimento social a quem os detém.
A identidade deve apresentar um capital simbólico de valorização, atraindo pessoas e 
indo de encontro às necessidades intrínsecas do ser humano de adaptar-se e ser reconhecido 
socialmente. A identidade responde também a uma necessidade de acreditar em algo posi-
tivo que o indivíduo possa acreditar como pertencente. Identidades culturais gloriosas con-
fortam e suprem carências na vida social e material dos indivíduos. Mesmo vivendo em um 
mundo parcialmente globalizado, recortes de pertencimento nacionais ou locais podem dei-
xar de ter sentido em detrimento de realidades maiores e mais globais, isso acontece quando 
uma determinada cultura adota os costumes de outra por perceber nesta mais elementos de 
positividade, valor e poder.
Torna-se importante considerar não a constatação da diferença identitária, mas sim a 
maneira pela qual se constrói pelo imaginário essa diferença, fenômeno caracterizado pela 
diversidade racial, étnica ou cultural intensificados pelos intensos movimentos político-geo-
gráficos ao qual estamos submetidos .
Assumir uma identidade implica 
encontrar gratificação e valor.
SÍNTESE
Vimos neste capítulo o que é cultura e também diversidade. Vimos algumas das contri-
buições culturais de povos do passado e como elas influenciam a nossa vida atual. Estudamos 
como os indivíduos e grupos dão sentido ao mundo por meio de suas representações cultu-
rais, criando a sua realidade e também a sua identidade. Identidade gerada através dos signos 
de cultura criando a representação figurativa de um povo, construções simbólicas que organi-
zam um importante sistema de pertencimento do seu meio e da sua cultura.
12CULTURA E DIVERSIDADE 1
EXERCÍCIOS SUMÁRIO
1. Por que é importante o entendimento das contribuições do passado à cultura atual? 
2. Quais são os símbolos mais representativos para a formação de identidade cultural brasileira?
3. Por que precisamos encontrar gratificação e valor na identidade cultural que nos representa? 
13
DIVERSIDADE
A diversidade é um dos assuntos mais discutidos 
(e polemizados) atualmente. Por que é tão importante 
entendermos de conceitos práticos sobre a diversidade?
14CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
A diversidade não é como os 
outros são, é como nós somos.
Do ponto de vista antropológico, a diversidade cultural constitui o grande patrimônio da 
humanidade. Recuperada nas escolas pós - evolucionistas como realidade positiva, a diversi-
dade cultural revelaria o que de mais semelhante existe entre os homens, isto é, o fato de que 
a partir de uma unidade biológica tão perfeita produziu-se tanta diferença. A diversidade cul-
tural, tanto no interior de cada sociedade, quanto entre as diferentes e distantes realidades, 
configura-se como a mais radical expressão da singularidadehumana.
Em sociologia, a diversidade cultural diz respeito à existência de uma grande variedade 
de culturas antrópicas, ou seja, que se refere a tudo aquilo que resulta da atuação humana. 
Há vários tipos de manifestações culturais que nos revelam essa variedade de atuações, tais 
como: a linguagem, a dança, o vestuário, a religião e outras tradições como a organização de 
uma sociedade ou de grupos.
A diversidade cultural está associada à dinâmica do processo plausível da sociedade. 
Pessoas que por algum motivo, pessoal ou grupal, decidem pautar as suas vidas por normas 
pré-estabelecidas tendem a esquecer suas próprias idiossincrasias (características de compor-
tamento peculiar de um indivíduo ou de um determinado grupo), fazendo com que o deno-
minado “status quo” vigente prevaleça, natural e espontaneamente, promovendo assim uma 
possível e significativa adequação do ser ao meio. Quando o indivíduo deixa de lado algumas 
das suas características e comportamentos em favor do meio, ele busca aceitação do grupo 
sem o qual, pressupõe ele, estaria desprotegido. Quando este assume características e com-
portamentos pessoais que confrontam o status quo vigente, há o confrontamento de ideias e 
opiniões, fomentando todas as questões problematizadas referentes à diversidade.
O termo diversidade diz respeito à 
variedade e convivência de ideias, características 
ou elementos diferentes entre si, em 
determinado assunto, situação ou ambiente.
Segundo Lévi-strauss (1970, p.89) a verdadeira contribuição das culturas não consiste 
numa lista das suas invenções particulares, mas na maneira diferenciada com que elas se apre-
sentam. Não há e nem pode haver uma civilização mundial no seu sentido absoluto, porque 
civilização implica na coexistência de culturas que oferecem o máximo de diversidade entre 
elas, consistindo mesmo nesta coexistência. A civilização mundial não será outra coisa que a 
coalizão de culturas em escala mundial, preservando cada uma delas a sua originalidade. 
A diversidade apresenta-se com um recorte do grande pano de fundo que é o macrote-
ma “cultura”, estando esta a serviço da diferenciação idiossincrática de cada indivíduo. Destas 
pequenas ou grandes manifestações de diversidade nascem novas culturas, que posterior-
mente apresentar-se-ão como novos status quo.
15CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
CONCEITO DE DIVERSIDADE
A diversidade cultural é um conceito criado para compreender os processos de diferen-
ciação entre as várias culturas que existem ao redor do mundo. As múltiplas culturas formam 
a chamada identidade cultural dos indivíduos ou de uma sociedade; uma marca que perso-
naliza e diferencia os membros de determinado lugar do restante da população mundial.
A ideia de diversidade está ligada aos conceitos de pluralidade, multiplicidade, hetero-
geneidade, variedade, diferentes ângulos de visão ou de abordagem. E, muitas vezes, tam-
bém, pode ser encontrada na comunhão de contrários, na intersecção de diferenças, ou ain-
da, na tolerância mútua. A diversidade cultural mundial é difícil de ser quantificada pela sua 
extensão; pensemos na imensa quantidade de idiomas falados em todo o mundo, como por 
exemplo na Índia, onde são falados mais de 20 idiomas oficiais e centenas de dialetos. Pode-
mos afirmar que cada idioma e cada dialeto carrega em si a sua diversidade, cheia de particu-
laridades, costumes e crenças. 
A diversidade significa pluralidade e diferenciação, conceito que é considerado o oposto 
total da homogeneidade. Atualmente, devido aos processos migratórios e a miscigenação cul-
tural entre a maioria das nações do planeta, quase todos os países possuem a sua diversidade 
cultural, ou seja, um pedacinho das tradições e costumes de várias culturas diferentes convi-
vendo em um mesmo território. Algumas pessoas consideram a globalização um perigo para 
a preservação da diversidade cultural, pois acreditam na perda de costumes tradicionais de 
algumas sociedades, dando lugar às características globais advindas de culturas dominadoras. 
Com o intuito de tentar preservar a riqueza da diversidade cultural dos países, a Organização 
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) criou a “Declaração Uni-
versal sobre a Diversidade Cultural” que promove e protege a diversidade cultural e o diálogo 
intercultural entre as nações.
Vivemos em uma sociedade global de livre acesso e fazemos muitas, e necessárias, trocas 
culturais. Estas trocas são muito importantes para o desenvolvimento empático e o enriqueci-
mento humano, necessários para a nossa evolução. Estas relações interculturais abrem espaço 
para a diferenciação, mas também para a colaboração mútua entre diferentes culturas.
16CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
A SOCIODIVERSIDADE
Este tema se refere à compreensão de uma sociedade diversificada, com múltiplas for-
mas de culturas; uma sociedade aberta e de oportunidades. Na origem, a ideia ou conceito 
de sociodiversidade foi elaborado pela antropologia. Tem relação com as etnias, que formam 
uma sociedade à parte na “chamada sociedade dominante”.
No sentido sociológico, pode-se estudar ou compreender a abrangência da ideia ou con-
ceito de sociodiversidade além das questões étnicas e raciais. Isto é, ir além dos limites que 
compõem os costumes ou culturas de algumas etnias, assim, teríamos mais do que uma so-
ciedade diversificada etnicamente. Teríamos uma sociedade multicultural, com a presença de 
várias comunidades de imigrantes dentro do mesmo território. A convivência pacífica entre os 
diferentes tipos de imigrantes reforça esta ideia de sociodiversidade que pode ser observada 
em diferentes culturas.
As sociedades diversificadas, mesmo as mais organizadas para a realização do bem co-
mum, não estão isentas de conflitos. Os casos de intolerância ou rejeição do outro não são tão 
raros, casos de xenofobia, discriminação ou preconceito são comuns atualmente. Acontece em 
qualquer país do mundo, em algumas culturas com mais evidência. A inexistência de conflitos 
é uma utopia, mas com empatia e o entendimento adequado sobre cultura e diversidade eles 
podem ser amenizados.
Apesar da existência de inúmeras leis que regulam a inclusão, esta, infelizmente, não 
depende somente das legislações. O que caracteriza a sociodiversidade é o direito à existência 
enquanto sociedade ou comunidade, ou nação à parte da sociedade dominante é uma ação 
afirmativa: quanto mais sociodiversificada for uma sociedade mais ela será rica culturalmente. 
Ao invés de querermos o mesmo, o homogêneo, 
o padrão, podemos evoluir muito mais se 
incluirmos e tolerarmos o “diferente”.
Podemos afirmar que uma sociedade equilibrada, que sabe lidar com as diferenças e va-
loriza as diferentes culturas, integrando e promovendo o heterogêneo atua no sentido maior 
de humanidade.
O diferente, é diferente para quem?
Quando falamos em sociodiversidade não podemos deixar de citar a biodiversidade, 
que refere-se à diversidade da vida nos níveis genéticos, da espécie, populacional e dos ecos-
sistemas. A saber: sociodiversidade é a diversidade das culturas sociais.
A junção do vocábulo “sócio”, tanto à diversidade quanto à biodiversidade, confere-lhes 
significados distintos, gerando a sociobiodiversidade que é a diversidade resultante da fusão 
dos significados de biodiversidade e sociodiversidade.
Sociobiodiversidade diz respeito à complementaridade entre diversidade cultural e bio-
17CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
lógica, englobando as diversidades cultural, populacional e dos ecossistemas. Onde cada cul-
tura constrói relações com os ecossistemas de modo a criar nichos de saberes que lhes pos-
sibilita sobrevivência, logo sociobiodiversidade é o conhecimento e a dependência que cada 
cultura tem dos ecossistemas, a exemplo dos índios da Amazônia e dos pigmeus, povos que 
sedimentaram culturas integradas ao ambiente em que vivem.
AS GRANDES CIDADES E O SEU PAPELNO DESENVOLVIMENTO DA CULTURA
As grandes cidades desempenham um papel importante na divulgação e expansão da 
diversidade entre diferentes culturas. As grandes metrópoles são terrenos férteis na propaga-
ção de manifestos dos mais variados tipos, onde diferentes tipos de culturas dividem o mes-
mo território, muitas vezes pacificamente. Lugares de convívio, memória, exposição e contem-
plação, que se cruzam e se multiplicam; são criados e cocriados sempre que se tocam. Uma 
cidade contém muitas cidades. Ampliando o conceito sociodiversidade, de sociedade diversi-
ficada com múltiplas formas e culturas.
Uma cidade é objeto de muitos discursos urbanísticos, históricos, artísticos, imagéticos, 
poéticos e principalmente humanos. Nas grandes cidades há espaço para as manifestações 
das mais variadas tribos urbanas que distintamente exibem sua cultura aos demais. É comum 
nas grandes cidades os redutos gastronômicos com comidas de diversos países, eventos que 
exibem costumes de diferentes povos e bairros inteiros dedicados a uma determinada cultura, 
diferente da habitada no macro território. Estas interfaces urbanas geram relações e percepções 
intraculturais, definindo as grandes cidades como verdadeiros templos de cultura e diversidade.
Uma cidade “moderna” cria diferentes metáforas para dar significado ao espaço e ao in-
divíduo que nela habita. Estas metáforas materializam-se e geram novas identidades, novas 
gírias, novas imagens e modas. Algumas cidades ganharam fama pela sua diversidade cultural 
como Toronto, Nova Yorque, Londres, Amsterdã e São Paulo. O Relatório Mundial de Migração 
de 2015, compilado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), descobriu que 
83% das pessoas que vivem em Dubai nasceram em outros países. Bruxelas abriga várias ins-
tituições importantes da UE, bem como a sede da OTAN. Aproximadamente seis em cada dez 
residentes na capital belga vêm de outro país.
https://www.statista.com/chart/4262/the-worlds-most-cosmopolitan-cities/
18CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
Estas cidades em alguns anos terão seus hábitos locais profundamente alterados pela 
cultura de seus novos habitantes, não deixando de lado os “velhos” hábitos, tão pouco desca-
racterizando-os, mas sim abrindo espaço para que todos possam se manifestar culturalmente. 
Inseridos nessa metamorfose urbana-cultural estão os museus. Visitar um museu é uma 
oportunidade de conhecer melhor o que se produz e o que já se produziu em termos culturais 
e históricos em diferentes culturas. De pinturas e esculturas a documentos históricos, de peças 
da cultura popular a fotos e vídeos sobre diversidade cultural, o acervo dessas instituições abre 
ao público um universo de conhecimentos, histórias e curiosidades. Em todo o país, são mais 
de 3,2 mil instituições, distribuídas em todas as regiões, ainda que concentradas nas grandes 
cidades. Muito além de pinturas e esculturas, os museus abordam uma diversidade de temas.
A palavra “MUSEU”, de origem grega, significa “templo das musas”, e já era usado em Ale-
xandria para designar o local destinado ao estudo das artes e das ciências. Os museus moder-
nos foram criados no século XVII a partir de doações de coleções particulares, mas somente 
em 1793 que o primeiro museu público foi criado, na França, pelo Governo Revolucionário: o 
Museu do Louvre, com coleções acessíveis a todos, com finalidade recreativa e cultural.
No Brasil, o primeiro tem data de 1862, o Museu do Instituto Arqueológico Histórico e 
Geográfico Pernambucano (Pernambuco). Os outros museus brasileiros foram todos fundados 
durante o século XX, sendo o mais importante, pela qualidade do acervo, o MASP - Museu de 
Arte de São Paulo, fundado em 1947.
SÍNTESE
Neste capítulo vimos diversas definições sobre diversidade e de como o termo diz res-
peito à variedade e convivência de ideias, características ou elementos diferentes entre si, em 
determinado assunto, situação ou ambiente. Vimos que a diversidade está ligada aos concei-
tos de pluralidade, multiplicidade e heterogeneidade e de como esses conceitos influenciam 
a sociodiversidade. Vimos também a importância dos grandes centros para o fomento à diver-
sidade e à promoção da cultura.
19CULTURA E DIVERSIDADE 1
EXERCÍCIOS SUMÁRIO
1. Que ações e eventos as grandes cidades podem desenvolver como fomento à cultura e à diversidade?
2. Qual a importância do entendimento correto sobre diversidade no mundo dos negócios?
3. Qual o lugar (cidade ou estado) que você visitou mais diversificado culturalmente? Por quê?
20
CULTURA, 
DESENVOLVIMENTO 
E CIDADANIA
Neste capítulo falaremos como a cultura está intrinsecamente 
ligada ao desenvolvimento humano e como esta 
relação estabelece noções de cidadania.
21CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
Os conceitos sobre cultura e diversidade podem parecer lúdicos quando não traduzidos 
para fenômenos tangíveis que sejam facilmente observados. Visto que este estudo visa o en-
tendimento de seus temas e suas possíveis aplicações, iremos estudar como a cultura fomenta 
o desenvolvimento das pessoas nos mais variados ecossistemas, para após analisarmos os seus 
impactos econômicos. A cultura move uma importante indústria mundial, potencializa pesso-
as e promove a história dos povos.
Falar de desenvolvimento e cultura é falar de uma relação que somente há cerca de 
quatro décadas pôde ser reconhecida positivamente, após a criação do PNUD – Programa das 
Nações Unidas para o Desenvolvimento. Até então, paradigmas economicistas definiam a im-
possibilidade dessa relação: a dimensão tradicional da cultura constituía-se como obstáculo 
ao desenvolvimento, portanto, a cultura era excluída como componente do desenvolvimento. 
Uma herança pré-conceitual dos primórdios da Revolução Industrial, que viam nos movimen-
tos humanos e culturais perca de produtividade. Neste proposto cenário, rompem-se frontei-
ras, intensificam-se as trocas comerciais, científicas e culturais, possibilita-se a criação de redes 
de trocas e de uma cidadania transcultural, mas produzem-se grandes centros de desenvolvi-
mento, frente a imensos oceanos de miséria. 
O Relatório do Desenvolvimento Humano de 2004, organizado pelo PNUD, faz a seguin-
te afirmação em sua apresentação:
Para que o mundo atinja os objetivos de desenvolvimento do milênio e erradique a po-
breza, tem que enfrentar primeiro, com êxito, o desafio da construção de sociedades cul-
turalmente diversificadas e inclusivas. Fazê-lo com êxito é condição prévia para os países 
se concentrarem adequadamente em outras prioridades do crescimento econômico, a 
saúde e a educação para todos os cidadãos. O desenvolvimento humano tem a ver, pri-
meiro e acima de tudo, com a possibilidade das pessoas viverem o tipo de vida que esco-
lheram e com a provisão dos instrumentos e das oportunidades para fazer suas escolhas. 
Além de gerar trabalho e riqueza, a participação da cultura no desenvolvimento aconte-
ce na maneira como ela se oferece aos indivíduos, grupos e sociedades algo que lhes é essen-
cial: a identidade. Identidade vista como valor que produz autoestima e marca, portanto, uma 
identidade que pode produzir oportunidades e empreendimentos. A cultura gera desenvol-
vimento humano porque fornece instrumentos de conhecimento, reconhecimento e autoco-
nhecimento, ou seja, porque gera identidade. 
Em uma segunda dimensão, a cultura incide sobre as condições materiais de vida, ge-
rando riquezas. A cultura nesse sentido propõe uma tríplice dimensão desta relação:
22CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
• Dimensão política
A cultura cria as condições à vida coletiva e suas experiências públicas.
• Dimensão social
A cultura é promotora da cidadania pensada como inclusão e pertencimento.
• Dimensão econômica
A cultura como geradora de renda: empregos, salários e tributos. É preciso reconhecer 
esta intrínseca relação entre cultura e desenvolvimento. A cultura fundamentalmente tem 
presençae importância em todas as dimensões sociais, ou seja, há sempre e necessariamente 
uma dimensão cultural na educação, na saúde, no trabalho, etc. 
Sobre este debate sobre cultura e desenvolvimento pressupõe ainda:
• A redução das desigualdades locais, regionais e mundiais.
• O desenvolvimento do respeito para com o patrimônio natural e o patrimônio cultural, 
tanto material quanto imaterial.
• A perspectiva de crescimento sustentável.
• O reconhecimento da vida social como um constante dar e receber coletivo.
Sobre a cidadania podemos dizer que é a prática dos direitos e deveres de um indivíduo 
em um estado. Os direitos e deveres de um cidadão devem andar sempre juntos, uma vez que 
o direito de um cidadão implica necessariamente numa obrigação do outro. Conjunto de di-
reitos, meios, recursos e práticas que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da 
vida e do governo de seu povo. É pela cidadania que trabalha. O conceito de cidadania tem 
origem na Grécia antiga, sendo usado para designar os direitos relativos ao cidadão, pressu-
punha, portanto, todas as implicações decorrentes de uma vida em sociedade. Ao longo da 
história, o conceito de cidadania foi ampliado, passando a englobar um conjunto de valores 
sociais que determinam o conjunto de deveres e direitos de um cidadão, que são constante-
mente tensionados e modificados para atender à diversidade.
CIDADANIA E DEMOCRACIA
Cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais que estão previstos na 
Constituição. Exercer a cidadania é ter consciência de seus direitos e de suas obrigações para poder 
lutar e cobrar para que eles sejam colocados em prática e garantidos pelo Estado. Para exercer a ci-
dadania plenamente, os membros de uma sociedade devem usufruir dos Direitos Humanos e dos 
direitos fundamentais, tanto no âmbito individual quanto no coletivo. Ter plena cidadania e igual-
dade entre os cidadãos faz parte do conceito de democracia, que prevê a participação de todos na 
sociedade em condições de igualdade. Assim, a igualdade, a preservação dos direitos humanos, a 
dignidade e a cidadania são fundamentais para garantir a democracia em qualquer nação.
23CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
ISONOMIA E IGUALDADE
O princípio da isonomia, também conhecido como princípio da igualdade, representa 
a democracia, pois indica um tratamento justo para os cidadãos. É essencial dentro dos prin-
cípios constitucionais, e para sua completa compreensão é necessário entender o contexto 
cultural e histórico em que foi criado. Desde muito tempo, esse princípio tem feito parte das 
antigas civilizações. Ao longo da história, foi muitas vezes desrespeitado, assumido erronea-
mente, por entrar em atrito com os interesses das classes dominantes.
De acordo com a Constituição Federal, o princípio da igualdade está previsto no artigo 
5º, que diz que ‘Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza’. Esta igual-
dade é chamada de formal. De acordo com ela, é vetado que os legisladores criem ou editem 
leis que a violem. O princípio da igualdade garante o tratamento igualitário de acordo com a 
lei para os cidadãos. Existem algumas situações específicas na Constituição de 1988, em que 
o princípio é inserido de forma implícita e vale ressaltar:
• Art. 4º, inciso VIII - igualdade racial.
• Art. 5º, inciso VIII - igualdade de credo religioso.
• Art. 5º, inciso XXXVIII - igualdade jurisdicional.
• Art. 7º, inciso XXXII - igualdade trabalhista.
• Art. 150, inciso III - igualdade tributária, dentre outros.
A igualdade, de acordo com a Constituição Federal, possui duas vertentes:
• Igualdade material: tipo de igualdade, em que todos os seres humanos recebem um 
tratamento igual ou desigual, de acordo com a situação. Quando as situações são iguais, 
deve ser dado um tratamento igual, mas quando as situações são diferentes é importan-
te que haja um tratamento diferenciado.
24CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
• Igualdade formal: é aquela presente na Constituição Federal e que trata da igualdade 
perante a lei. De acordo com o artigo 5º, isso quer dizer que homens, mulheres e todos 
os cidadãos brasileiros são iguais conforme a legislação.
De acordo com a doutrina jurídica, esse princípio pode ser usado para limitar o legisla-
dor, o intérprete da lei e limitar também o indivíduo, que não poderá apresentar condutas 
contrárias à igualdade, realizando atos preconceituosos, racistas ou discriminatórios.
ORIGEM DO PRINCÍPIO DE ISONOMIA
Na antiguidade, o princípio da isonomia foi utilizado na Grécia antiga, porém ele, em 
seu sentido real, era pouco praticado. Em Atenas, por exemplo, apenas podiam exercer a 
cidadania, os cidadãos livres, acima de 20 anos, portanto, o princípio não era válido para es-
trangeiros, escravos e mulheres. Começou a ser conceituado por Aristóteles e outros filóso-
fos com suas noções de justiça. Aristóteles acreditava que a igualdade e a justiça só seriam 
alcançadas em sua totalidade quando os individuais iguais fossem tratados igualmente, na 
medida da desigualdade de cada um. Em Roma, a desigualdade ainda prevalecia, pois os 
direitos eram dados de acordo com a classe social, que na época eram formados por patrí-
cios e plebeus.
A Revolução Francesa representou um marco deste princípio, assim como a Revolução 
Americana de 1776. Eles acreditavam nos ideais de igualdade, fraternidade e liberdade e foi 
com ela que princípios básicos do cidadão foram incorporados ao pensamento mundial. Na 
política, significava que todos deveriam ter os mesmos direitos e deveres dentro de uma socie-
dade. A ideia do iluminismo era transmitir para o povo uma sociedade igual, sem diferenças 
entre a burguesia, a nobreza, os escravos e o clero. Posteriormente, o conceito foi interpretado 
para que tivesse abrangência também para etnias, classes, gêneros, etc. 
Este princípio, por sua vez, surgiu para regular e garantir a igualdade de todos os homens, 
diante da lei, e eliminar a desigualdade. Ele foi inserido nas primeiras Constituições da França, 
dos Estados Unidos e também validado após a II Guerra Mundial, com a Declaração Universal 
dos Direitos Humanos, em 1948, pela ONU, em seu primeiro artigo diz: “Todos os seres huma-
nos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, 
devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
No Brasil, o princípio foi incorporado pela primeira vez na Constituição Brasileira de 1934, 
no artigo 113, inciso I:
“Todos são iguais perante a lei. Não haverá privilégios, 
nem distinções, por motivo de nascimento, sexo, raça, 
profissões próprias ou dos pais, classe social, riqueza, 
crenças religiosas ou ideias políticas”.
25CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
IGUALDADE X EQUIDADE
Não somos todos iguais. Na condição de seres humanos, ainda que nós existamos tam-
bém como seres coletivos, nossa individualidade é grande parte de nós, e se manifesta nos 
diversos aspectos da nossa existência, de forma positiva ou negativa. Esse é um dos motivos 
pelo qual se busca tanto a igualdade, e é muito comum a distorção envolvendo a busca por 
igualdade. O que deveria ser a busca por uma equalização. É por isso que a igualdade, como 
conceito, carece de um complemento, fazendo com que a ética seja funcional e plena em 
uma sociedade. 
Você conhece a palavra equidade? 
Somos diferentes, não nascemos iguais, não temos as mesmas oportunidades, não so-
mos influenciados pelas mesmas coisas, tornando impossível querer que todos vivam em um 
mundo igual. A palavra igualdade se refere à condição, ao estado e à qualidade de coisas 
iguais, idênticas, uniformes e equivalentes.
A palavra equidade se refere a capacidade de apreciar e julgar com retidão, imparcia-
lidade, justiça e igualdade. A equidade prima por analisar justa e imparcialmente cada caso, 
para que não haja desigualdades e injustiças. 
A Revolução Francesa promoveu a igualdade entreos cidadãos (direitos iguais), a coo-
peração como fundamento do trabalho coletivo as liberdades republicanas e do governo, por 
intermédio de representantes eleitos. Estas propostas, com a queda da Bastilha, acabaram 
sendo consubstanciadas na divisa “liberdade, igualdade e fraternidade”, tornando-se, assim, o 
marco histórico e político da vitória do projeto burguês de sociedade e da inauguração sim-
bólica da Era Contemporânea.
Consolidando seus princípios na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a 
Revolução Francesa recebeu inspiração do iluminismo, do racionalismo e mesmo da Revolu-
ção de Independência dos Estados Unidos da América. Esse documento revolucionário pas-
sou a ser aceito universalmente, simbolizando a definitiva ascensão política da burguesia e 
abrindo, ao mesmo tempo, para ela, para as massas populares e às classes médias, caminhos 
para o avanço nas conquistas sociais, políticas, culturais e econômicas. A seguir, mostram-se 
alguns artigos da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 que ressaltam 
a igualdade:
Art.1.º Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só po-
dem fundamentar-se na utilidade comum; Art. 2.º O fim de toda associação política 
é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a 
liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão [...].
A equidade consiste na adaptação da regra existente à situação concreta, observando-
-se os critérios de justiça. Pode-se dizer que a equidade adapta a regra a um caso específico, a 
fim de deixá-la mais justa. Ela é uma forma de se aplicar o Direito, mas sendo o mais próximo 
possível do justo para as duas partes.
26CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
Assim, igualdade e equidade são substancialmente diferentes. Ambas buscam uma maior 
compreensão das diferenças humanas para tratá-las como igualdade. Ambas tentam propor-
cionar um maior grau de justiça que o Direito pode nos oferecer, porém, de formas diferentes.
OS DIREITOS HUMANOS
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais”.
Os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independente-
mente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Direi-
tos humanos são os todos os direitos relacionados à garantia de uma vida digna a todas as 
pessoas. Estes são garantidos à pessoa pelo simples fato de ser humana. 
Assim, os direitos humanos são todos direitos e liberdades básicas, considerados funda-
mentais para dignidade. Eles devem ser garantidos a todos os cidadãos, de qualquer parte do 
mundo e sem qualquer tipo de discriminação. Eles formam o conjunto de garantias e valores 
universais que tem como objetivo garantir a dignidade. 
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) os direitos humanos são garan-
tias de proteção das pessoas contra ações ou falta de ações dos governos que possam colocar 
em risco a dignidade humana.
ORIGEM DOS DIREITOS HUMANOS
O conceito de direitos humanos mudou ao longo da história, mas há alguns aconteci-
mentos que foram muito importantes na evolução desses direitos. O primeiro registro históri-
co de direitos humanos é de aproximadamente 500 anos antes de Cristo, quando Ciro, rei da 
Pérsia, declarou a liberdade de escravos e alguns outros direitos de igualdade humana. Esses 
direitos foram gravados em uma peça chamada Cilindro de Ciro.
Também são acontecimentos importantes na proteção dos direitos humanos a criação 
da Declaração de Direitos de Virgínia, nos Estados Unidos, em 1776 e a Declaração dos Direi-
tos do Homem e do Cidadão, em 1789 na França, citadas no capítulo anterior.
A criação da Organização das Nações Unidas, em 1945, também faz parte da história da 
evolução dos direitos humanos. É importante porque um dos objetivos da ONU é trabalhar 
27CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
para garantir a dignidade de todos povos e para diminuir as desigualdades mundiais. No ano 
de 1948 a ONU aprovou a criação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
Hoje existem várias organizações e movimentos que têm como objetivo defender os di-
reitos humanos, como por exemplo:
• Anistia Internacional.
• Serviço Paz e Justiça na América Latina.
• Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
• Human Rights Watch.
• Gabinete de Instituições Democráticas e Direitos Humanos da Organização para a Segu-
rança e Cooperação na Europa.
A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Em 1948 a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Declaração Universal dos Di-
reitos Humanos (DUDH). Esse documento é um dos mais importantes na base dos direitos 
humanos e contém os princípios básicos relacionados à garantia desses direitos.
A DUDH é importante no mundo todo porque é considerada o documento que marca o 
início da conscientização e preocupação mundial com a proteção dos direitos humanos. 
A Assembleia Geral da ONU considera a Declaração como um modelo ideal para todos 
os povos, para atingir o respeito a esses direitos e liberdades humanas. A DUDH afirma que 
todos os seres humanos nascem livres e que são iguais em dignidade e em direitos. Além dis-
so, a adoção da Declaração pela ONU também tem o objetivo de evitar guerras entre países, 
promover a paz mundial e fortalecer a proteção aos direitos humanitários.
Algumas das características mais importantes dos Direitos Humanos são:
• Os direitos humanos são fundados sobre o respeito pela dignidade e o valor de cada pes-
soa.
• Os direitos humanos são universais, o que quer dizer que são aplicados de forma igual e 
sem discriminação a todas as pessoas.
• Os direitos humanos são inalienáveis, e ninguém pode ser privado de seus direitos hu-
manos; eles podem ser limitados em situações específicas. Por exemplo, o direito à liber-
dade pode ser restringido se uma pessoa é considerada culpada de um crime diante de 
um tribunal e com o devido processo legal.
28CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
• Os direitos humanos são indivisíveis, inter-relacionados e interdependentes, já que é in-
suficiente respeitar alguns direitos humanos e outros não. Na prática, a violação de um 
direito vai afetar o respeito por muitos outros.
• Todos os direitos humanos devem, portanto, ser vistos como de igual importância, sendo 
igualmente essencial respeitar a dignidade e o valor de cada pessoa.
Leis sobre os direitos humanos: 
Os direitos humanos são tratados em várias leis, convenções, acordos e tratados interna-
cionais. Além da existência de leis sobre o assunto, é dever de cada estado ter as suas próprias 
leis que garantam que os direitos humanos serão respeitados e colocados em prática.
Conheça algumas leis que tratam dos direitos humanos:
• Declaração Universal dos Direitos do Homem - 1948.
• Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos - 1966.
• Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - 1966.
A Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, define quais são os direitos e garantias fun-
damentais dos cidadãos. Veja alguns:
• Igualdade de direitos e deveres entre mulheres e homens.
• Proibição de tortura e tratamento desumano.
• Liberdade de pensamento, de crença e de religião.
• Proibição de censura.
• Proteção da intimidade, vida privada, honra e imagem.
• Sigilo telefônico e de correspondências.
• Liberdade de escolha de profissão.
• Liberdade de locomoção dentro do país.
• Direito de propriedade e de herança.
29CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
• Acesso garantido à justiça.
• Racismo, tortura e tráfico de drogas são crimes inafiançáveis.
• Proibição de pena de morte.
• Nenhum brasileiro pode ser extraditado.
Ainda que existam várias leis que tratem dos direitos humanos, é importante saber que eles não são 
limitados ao que é previsto na lei, eles podem ser estendidos. Outros direitos podem ser incluídos e entendi-
dos como Direitos Humanos com o passar do tempo e de acordo com as necessidades,com as transforma-
ções sociais e com o modo de vida da sociedade. É um instrumento que acompanha a evolução humana e 
as necessidades presentes em cada época.
SÍNTESE
Neste capítulo vimos alguns conceitos importantes que regem a diversidade e a cultura no mundo. 
Vimos também que é preciso reconhecer a intrínseca relação entre a cultura e o desenvolvimento social e 
econômico humano. Entendemos que a cultura fundamentalmente tem presença importante em todas as 
dimensões sociais. Vimos a importância do entendimento da igualdade para que seja aplicada a equidade 
e conhecemos um pouco mais sobre a DUDH, e a sua representação na proteção dos direitos humanos.
30CULTURA E DIVERSIDADE 1
EXERCÍCIOS SUMÁRIO
1. Na sua opinião, os direitos humanos são considerados e efetivados nas sociedades atuais?
2. Por que é importante aplicarmos a equidade, ao invés da igualdade, em nossas construções diárias?
3. Na sua opinião, os direitos humanos e as demais constituições já fundamentadas são suficientes para a proteção dos direitos atuais da cultura e da diversidade?
31
DOCUMENTOS 
INTERNACIONAIS
Documentos internacionais que regulam as ações 
de proteção e promoção da diversidade e da cultura.
32CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
Articular cultura, diversidade e desenvolvimento humanos tem sido uma difícil tarefa 
entre governos e sociedade há décadas. Muitos documentos foram criados para facilitar (até 
mesmo impor) esses diálogos complexos e ambíguos pelo mundo. Neste capítulo veremos 
que os direitos do indivíduo e os deveres do estado em relação à cultura estão previstos de for-
ma clara para que as possíveis diferenças na sejam tratadas com imperfeições e julgamentos 
que prejudiquem esta relação.
A articulação estabelecida entre a cultura e o desenvolvimento se dá inicialmente na 
dimensão subjetiva e imaterial, ao mesmo tempo que afirma-se que através da cultura que o 
indivíduo adquire sua condição humana, e, por outro lado, não haveria desenvolvimento hu-
mano sem a cultura. A diversidade cultural configura-se como a mais relevante expressão da 
singularidade humana, daí a necessidade de protegê-la e promovê-la em suas mais diferentes 
formas.
Há mais de cinquenta anos esse reconhecimento vem produzindo documentos e ins-
trumentos internacionais que buscam oferecer alternativas para a proteção e a promoção do 
direito à cultura e da diversidade cultural. Tais documentos refletem as preocupações com os 
processos do mundo contemporâneo com seus reflexos no campo da cultura. 
Dois fatores influenciam a preocupação na defesa do direito à cultura e à diversidade 
cultural: as alterações na configuração da organização geopolítica mundial e os efeitos da glo-
balização econômica e cultural.
Pela observação destes fenômenos, e após o ataque terrorista ao World Trade Center em 
2011, o 31º encontro da Conferência Geral da UNESCO aprovou um documento específico 
sobre a questão, a Declaração Universal Sobre a Diversidade Cultural, que em 12 artigos e 20 
recomendações práticas consolida décadas de reflexões e enfrentamentos. 
A declaração, em linhas gerais, afirma: 
• A diversidade cultural, como patrimônio comum da humanidade, fator de desenvolvi-
mento e criatividade.
• Os direitos humanos como garantia para a diversidade cultural e os direitos culturais.
• O pluralismo cultural como garantia da diversidade cultural e o acesso a ela. 
• Os bens e serviços culturais como realidades distintas das mercadorias e a necessidade 
de se criar redes de criação e difusão mundiais. 
A Declaração recomenda algumas estratégias que podem garantir a operacionalização 
de tais princípios. São elas:
• Aprofundamento do debate internacional sobre os problemas relativos à diversidade 
cultural e o avanço na definição de princípios e normas tanto no plano nacional quanto 
internacional.
33CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
• Realização de intercâmbio de conhecimento e práticas no campo do pluralismo cultural 
e dos direitos culturais.
• Implementação de medidas de proteção e promoção da diversidade linguística. 
• Promoção da consciência sobre a importância da diversidade cultural, bem como promo-
ção de seu acesso, através da educação, da inclusão digital e dos meios de comunicação.
• Elaboração de instrumentos e políticas de preservação e promoção do patrimônio cul-
tural, em especial o de caráter imaterial.
• Promoção do respeito aos direitos dos artistas e ajuda na criação e consolidação de in-
dústrias culturais nos países em desenvolvimento e nos países em transição, através da 
criação de mercados locais viáveis e da facilitação do acesso dos bens culturais desses 
países ao mercado mundial e às redes de distribuição internacionais. 
Veremos a seguir os mais importantes instrumentos para defesa e difusão das políticas 
dos direitos humanos:
CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS - 1945 
Elaborada logo após o término da Segunda Guerra Mundial, é considerada de extrema 
importância para a consolidação dos Direitos Humanos. Estabelece como um de seus princí-
pios promover a cooperação internacional para a solução de problemas sociais, econômicos, 
culturais ou de caráter humanitário. Sua principal diretriz de atuação é encorajar o respeito 
aos Direitos Humanos e liberdades fundamentais para todos e todas, independentemente de 
raça, sexo, língua ou religião.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS - 1948 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), que delineia os direitos humanos 
básicos, foi adotada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. Foi 
esboçada principalmente pelo canadense John Peters Humphrey, contando, também, com a 
ajuda de várias pessoas de todo o mundo. Abalados pela recente barbárie da Segunda Guerra 
Mundial, e com o intuito de construir um mundo sob novos alicerces ideológicos, os dirigentes 
das nações que emergiram como potências no período pós-guerra, liderados por Estados Uni-
dos e União Soviética, estabeleceram, na Conferência de Yalta, na Rússia, em 1945, as bases 
de uma futura paz mundial, definindo áreas de influência das potências e acertando a criação 
de uma organização multilateral que promovesse negociações sobre conflitos internacionais, 
para evitar guerras e promover a paz e a democracia e fortalecer os Direitos Humanos.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA - 1988 
Constituição Federal é o conjunto de leis fundamentais que organiza e rege o funcio-
namento de um país. É considerada a lei máxima e obrigatória entre todos os cidadãos de 
determinada nação, servindo como garantia dos seus direitos e deveres.
34CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
A Constituição Federal Brasileira de 1988 é a atual legislação do país, criada por uma 
Assembleia Constituinte e promulgada oficialmente em 5 de outubro de 1988. 
A Constituição Federal de 1988 ficou conhecida como a “Constituição Cidadã”, pois mar-
ca a conquista da democracia entre todos os cidadãos do país, após anos sob um regime de 
ditadura militar.
A atual Constituição do país é a sétima, desde a sua independência em 1822. A partir 
de então, o Brasil teve: Constituição do Império (1824), Constituição da República dos Esta-
dos Unidos do Brasil (1891), Constituição Brasileira de 1934, Constituição Brasileira de 1937 
(apelidada de “Polaca”), Constituição Brasileira de 1946, Constituição Brasileira de 1967 (pro-
veniente a partir do Golpe Militar de 1964), e a Constituição Federal de 1988 (a “Constituição 
Cidadã”).
DECLARAÇÃO DO MILÊNIO - 2000 
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) surgiram da Declaração do Milênio 
das Nações Unidas, adotada pelos 191 estados membros, no dia 8 de setembro de 2000. Criada 
em um esforço para sintetizar acordos internacionais alcançados em várias cúpulas mundiais 
ao longo dos anos 90 (sobre meio ambiente e desenvolvimento, direitos das mulheres, desen-
volvimento social, racismo, etc.), a Declaração trouxe uma série de compromissos concretos que, 
se cumpridos nos prazosfixados, segundo os indicadores quantitativos que os acompanham, 
deveriam melhorar o destino da humanidade neste século. Com a assinatura do documento 
foram estabelecidas as Oito Metas do Milênio. Entre elas estão: promover a igualdade entre os 
sexos e a autonomia das mulheres; melhorar a saúde materna; combater o HIV/Aids, a malária 
e outras doenças; estabelecer uma parceria mundial para o Desenvolvimento.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL - 2001 
A Unesco, com o objetivo de reafirmar sua preocupação com a preservação e o respeito 
à diversidade cultural, estruturou a Declaração Universal Sobre a Diversidade Cultural. Entre os 
destaques da declaração, destacam-se alguns pontos:
• A diversidade cultural é patrimônio comum da humanidade.
• A diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que carac-
terizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade.
• Em nossas sociedades, cada vez mais diversificadas, torna-se indispensável garantir uma 
interação harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais a um só tempo 
plurais, variadas e dinâmicas, assim como sua vontade de conviver.
• A defesa da diversidade cultural é um imperativo ético, inseparável do respeito à digni-
dade humana. Ela implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberda-
des fundamentais, em particular os direitos das pessoas que pertencem a minorias e os 
dos povos autóctones.
35CULTURA E DIVERSIDADE 1
 SUMÁRIO
• Os direitos culturais são parte integrante dos direitos humanos, que são universais, indissociáveis e interdepen-
dentes.
• Enquanto se garanta a livre circulação das ideias mediante a palavra e a imagem, deve-se cuidar para que to-
das as culturas possam se expressar e se fazer conhecidas. A liberdade de expressão, o pluralismo dos meios 
de comunicação, o multilinguismo, a igualdade de acesso às expressões artísticas, ao conhecimento científico 
e tecnológico – inclusive em formato digital - e a possibilidade, para todas as culturas, de estar presentes nos 
meios de expressão e de difusão, são garantias da diversidade cultural.
• Toda criação tem suas origens nas tradições culturais, porém se desenvolve plenamente em contato com outras.
“A diversidade das culturas humanas está atrás 
de nós, à nossa volta e à nossa frente.” Lévi-Strauss
SÍNTESE
Muitos são os instrumentos que regulam, definem e promovem a cultura pelo mundo, vimos aqui apenas os mais 
abrangentes e conhecidos. A necessidade de preservar a diversidade das culturas é urgente e de extrema importância 
à memória de um planeta ameaçado pela massificada padronização global. A compreensão dos sistemas culturais e o 
que eles representam favorecem a criatividade e a troca, estimulando o comércio, a indústria e fomentando o desen-
volvimento humano em todas as esferas. É necessário encorajar e respeitar as potencialidades das culturas minoritárias 
tirando-as da sombra do isolamento, e descobrir nestes insights soluções de um futuro melhor para todos.
36CULTURA E DIVERSIDADE 1
EXERCÍCIOS SUMÁRIO
1. As diferenças culturais são apenas artefatos decorrentes de padrões de migração humana ou elas representam uma característica evolutiva que é fundamental para o nosso sucesso como 
uma espécie?
2. Cite algumas atitudes públicas e/ou privadas em sua cidade para a promoção da cultura e diversidade local. Analise por que elas incentivam estes movimentos.
3. Entendo que o Brasil é um país de intensas manifestações culturais e analisando estes manifestos, construa uma opinião sobre a mais expressiva manifestação cultural do Brasil e em que 
ela contribui para o desenvolvimento humano local e nacional?
37CULTURA E DIVERSIDADE 1
REFERÊNCIAS SUMÁRIO
BARROS, José Márcio. Cultura e diversidade: noções iniciais - Ministério da Cultura /UFRGS/EA, 2014. 
JATAHY, Sandra. História & História Cultural - Belo Horizonte: Autentica, 2014
www.cultura.gov.br
pnc.cultura.gov.br
www.museus.art.br
nacoesunidas.org
www.unesco.org
	História da 
cultura e da diversidade
	O que é cultura?
	As civilizações e o seu legado cultural
	A origem da diversidade
	Cultura e identidade
	DIVERSIDADE
	Conceito de diversidade
	A sociodiversidade
	As grandes cidades e o seu papel no desenvolvimento da cultura
	CULTURA, DESENVOLVIMENTO 
E CIDADANIA
	Cidadania e democracia
	Isonomia e igualdade
	Origem do princípio de isonomia
	Igualdade x Equidade
	Os direitos humanos
	Origem dos direitos humanos
	A Declaração Universal dos Direitos Humanos
	DOCUMENTOS INTERNACIONAIS
	Carta das Nações Unidas - 1945 
	Declaração Universal dos Direitos Humanos - 1948 
	Constituição Federal Brasileira - 1988 
	Declaração do Milênio - 2000 
	Declaração Universal Sobre a Diversidade Cultural - 2001

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