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AULA 6 ANÁLISE ESTRATÉGICA DO CICLO DE VIDA DO PRODUTO Prof. Demétrio de Mendonça Júnior 2 INTRODUÇÃO Vamos tentar compreender como funciona o ciclo de vida de um produto, desde o primeiro estágio de introdução, basicamente focado na colocação de um novo produto dentro do mercado. No início, o foco é garantir uma fatia do mercado, utilizando qualidade, preços geralmente mais altos, um número limitado de canais de distribuição e estratégias de comunicação que procuram incentivar o consumo. Em sequência, o estágio de crescimento desse produto, estágio marcado pelas estratégias de penetração/desnatação do produto, com o principal objetivo de criar uma preferência pela marca, em que os canais de distribuição já são maiores para atender à demanda e propagandas focadas tanto para estímulo quando para fidelizar os consumidores. Após o estágio de crescimento, o produto atinge um platô em termos de vendas, e o lucro começa a reduzir. O foco está em proteger a participação da empresa no mercado e verificar novas estratégias para diferenciar o produto (inovação). A competição é mais acirrada e os preços mais baixos para corresponder a essa agressividade competitiva. Por fim, temos o estágio de declínio do produto quando as vendas estão em uma queda acentuada, e a empresa precisa reduzir custos diante do seu mix de marketing (Produto, Preço, Praça e Promoção). Com base nisso, as organizações precisam organizar bem suas decisões estratégicas para perseguir um novo ciclo de produto. Nesta aula, veremos algumas técnicas para a análise de portfólio que podem auxiliar a compreender em que ciclo de vida o produto se encontra, bem como auxiliar em compreender a concorrência. Falamos até aqui muito sobre o ciclo de vida de produto e seus impactos nas estratégias de marketing, mas para que serve o ciclo de vida? Basicamente o que vimos até aqui serve como base de conhecimento para a gestão de portfólios ou gerenciamento de produtos, e para que serve esse gerenciamento? É uma ferramenta essencial para os gestores, pois possibilita o entendimento do mercado em relação a determinada oferta. O gerenciamento possibilita a formulação de estratégias, pois com a análise do CVP consegue garantir informações suficientes para que o gestor possa tomar decisões, uma vez que o CVP se concentra nos resultados obtidos em vendas ao longo do tempo. Nesta aula, falaremos mais sobre a análise de portfólio de produtos, entre outras técnicas. 3 TEMA 1 – ANÁLISE DE PORTFÓLIO Para iniciar a discussão sobre a gestão e análise de portfólio de produtos, vamos primeiramente definir o que é e para que serve. Para os autores Leoni, Silva e Jugend (2013), a gestão de portfólio de produtos é responsável por determinar qual produto irá competir em determinado mercado. É responsabilidade desse gerenciamento propor e aplicar mecanismos ou ferramentas que maximizem a contribuição de determinado produto no desempenho de uma organização. Além disso, a gestão de portfólio pode promover a tomada de decisão referente não apenas a que tipo de produto será desenvolvido, mas também se existe uma necessidade, potencial para uma melhoria e até a descontinuidade de um produto (Cooper; Edgett; Kleinschmidt, 1999). Portifólio de produtos refere-se a todos aqueles projetos de uma empresa, relacionados a desenvolvimento e comercialização de produtos. Ou seja, o portfólio nada mais é do que o produto, seja ele em estado de planejamento, desenvolvimento ou produção (Cooper; Edgett, 2008). A gestão de portfólios de produto, assim como os estágios do CVP possuem algumas premissas básicas, sendo elas: 1. Maximização de valor do portfólio, 2. Alinhamento de produtos; 3. Estratégias do negócio e 4. Balanceamento (Cooper; Edgett; Kleinschmidt, 1999; Leoni; Silva; Jugend, 2013). Diante desses métodos, a gestão do portfólio pode possuir várias ferramentas de análise: as ferramentas financeiras, de ranqueamento, de diagramas e gráficos A matriz BCG é uma das ferramentas mais famosas quando se fala em analisar e avaliar o portfólio de produtos. Além disso, ela é muito vinculada ao CVP. Dessa forma, apresenta-se a matriz elaborada pelo grupo Boston Consulting Group (BCG). Kotler e Keller (2012) afirmam que, diante das formas de avaliar o portfólio, a matriz BCG tem grande utilidade. E funciona da seguinte maneira: no eixo vertical, é informada a taxa de crescimento do mercado e no eixo horizontal a participação dessa empresa no mercado (Zin; Bombana; Barcellos, 2018). Além 4 disso, são gerados quatro quadrantes analisáveis que possuem determinadas características, as quais serão discutidas a seguir. 1.1 Ponto de interrogação Neste quadrante, podemos verificar os produtos operando em um mercado com alta taxa de desenvolvimento, entretanto com baixa participação. Uma fase de investimentos e de acompanhamento de crescimento pode ser verificada na figura 1. Quando estamos falando do CVP, a fase de introdução corresponde ao quadrante ponto de interrogação. Isso porque, conforme as estratégias corretas, o produto em fase de introdução pode gerar uma alta taxa de crescimento com uma pequena participação nas quotas do mercado. Figura 1 – Fase de Interrogação Crédito: TatianaA/Shutterstock 5 1.2 Estrela Remete ao produto bem-sucedido no mercado, geralmente associado ao sucesso do produto interrogação. Representa a participação em um mercado com alta taxa de crescimento, embora possa ainda não apresentar resultados financeiros positivos. Em relação à CVP, a estrela remete à fase de crescimento dos produtos, que, após a correta formulação de estratégias na fase de introdução, conseguem se desenvolver ou crescer dentro das quotas do mercado, tornando-se um produto com um alto potencial rentável. Figura 2 – Fase de Estrela Crédito: TatianaA/Shutterstock 6 1.3 Vaca leiteira Acontece quando a taxa de crescimento do mercado (Eixo Y) sofre uma queda na taxa, mas em compensação o produto possui uma alta participação no mercado (Eixo X) (Kotler; Keller, 2016), conforme vemos representado na Figura 3. Essa fase representa então o estágio de maturidade de produto, quando os rendimentos se tornam estabilizados, e o produto já é conhecido pelo consumidor. Figura 3 – Vaca leiteira Crédito: TatianaA/Shutterstock 1.4 Abacaxi ou cachorro São produtos que possuem uma baixa participação no mercado (Eixo X) e estão com baixa participação no mercado (Eixo Y). Representado pela Figura 4, ressalta-se que o produto que se encontra nessa posição geralmente vem associado a um prejuízo (Kotler; Keller, 2016). Já este quadrante é marcado pelo estágio de declínio de produto, a fase em que os produtos não possuem mais uma participação relativa no mercado, e 7 sua taxa de crescimento está em uma queda agressiva. É nesse momento em que as estratégias devem ser pensadas de modo a preservar as receitas. Figura 4 – Cachorro ou abacaxi Crédito: TatianaA/Shutterstock Verifica-se que existe na literatura uma confirmação sobre a utilização da Matriz BCG e os estágios do CVP, e essa correlação entre a ferramenta e o ciclo do produto permite a análise e a avaliação de estratégias em todos os estágios, contribuindo para a correta aplicação das estratégias recomendadas pelo marketing (Pereira, 2007). De maneira ilustrativa, a Figura 5 demonstra conforme as curvas dos estágios de ciclo de vida do produto. 8 Figura 5 – CVP e Quadrantes BCG Como uma forma ilustrativa reversa, a Figura 6 representa os estágios do CVP em sua representação gráfica na matriz BCG. Figura 6 – Matriz BCG e os Estágios do CVP Crédito: TatianaA/Shutterstock 9 Saiba mais Acesse o link a seguir e vejaa aplicação na prática da matriz BCG em duas empresas, uma do setor moveleiro e outra da indústria têxtil, a aplicabilidade da matriz e como identificar em que estágio estão seus produtos ZIN, R. A.; BOMBANA, L. P.; BARCELLOS, P. F. P. Avaliação das equipes de vendas de duas empresas com a matriz BCG utilizando lucro e margem de contribuição. Gestão de Produção, São Carlos, v. 25, n. 4, p. 826-838, 2018 Disponível em: . Acesso em: 27 jul. 2021. TEMA 2 – RETORNO DE INVESTIMENTO Uma das maneiras de analisar e/ou realocar os recursos investidos nos pordutos se dá por meio da análise financeira de retorno dos investimentos. A análise, a avaliação e a comparação de alternativas se tornam ferramentas importantes para a correta aplicação de recursos (Ferreira et al., 2018). O retorno é uma variável que mensura os gastos e ganhos ao longo de um período (Gitman, 2001). Em adição, apenas uma medida de mensuração é algo inviável quando falamos em um projeto ou um desenvolvimento de um produto. Assim como já vimos a respeito do CVP, ferramentas como a matriz BCG e a parâmetros estratégicos podem contribuir com a decisão. Slack e Lewis (2008) comentam que apenas investir em um indicador como o retorno de investimento se torna arriscado para a organização, por isso faz-se necessário verificar outros parâmetros. Uma das formas de compreender como funciona o retorno de investimento ou em inglês return over investiment (ROI) se dá por sua utilização em investimentos voltados à área de marketing. O indicador do retorno de investimentos permite ao gestor identificar a rentabilidade de investir em um projeto. De maneira geral, o índice identifica o percentual do retorno financeiro tendo como base o valor investido. Este indicador serve como base para diversos estudos de viabilidade de projetos, independentemente de sua natureza (exemplo: projetos de desenvolvimento de produtos etc.) (Gitman, 1997) Para tal, o índice do retorno sobre o investimento possui uma fórmula de simples aplicação, em que o lucro líquido do período é igual ao retorno/lucro – custo dividido pelo custo do investimento multiplicado por 100, que pode ser verificada pela Figura 7. 10 Figura 7 – Fórmula (ROI) Fonte: Gitman, 1997. Ressalta-se que sua aplicabilidade dentro do marketing se dá pela necessidade em satisfazer metas, ou seja, atingir metas envolvem o retorno de investimentos. Dessa maneira, qualquer ação que envolva estratégias de marketing assim como desenvolvimento de produto, elaboração de preços, ações, promoções precisam imprescindivelmente, passar por uma análise de retorno financeiro, de forma a medir benefícios que tais ações possam trazer para a organização (Sampaio, 2008). Saiba mais Acesse o link a seguir e leia esse pequeno artigo sobre Retorno de Investimento: como calcular o que fazer a partir do resultado e algumas aplicações para o marketing. LAFRATTA, C. ROI: o que é retorno sobre investimento e como calcular. Nubank, 22 maio 2021. Disponível em: . Acesso em: 27 jul. 2021. TEMA 3 – REVITALIZAÇÃO DE PRODUTOS A revitalização dos produtos está associada diretamente a fase de declínio do CVP, portanto, após a aplicação das ferramentas de análise de portfólio, pode surgir a necessidade de revitalizar determinado produto. A revitalização pode acontecer por meio de atualizações constantes nos produtos, garantindo um posicionamento sempre a frente no mercado (Mauad; Martinelli, 2005). Como todos os produtos possuem um ciclo natural de vida (CVP), existe o momento em que ele atingira seu declínio. A revitalização de um produto é uma tarefa complexa e são necessárias novas estratégias para que se crie um ciclo para determinado produto (Barbosa, 2012). A revitalização está diretamente associada ao mix de marketing e à alteração em suas estratégias. A revitalização pode estar relacionada tanto à 11 marca e à maneira como se posiciona no mercado quanto ao incremento na qualidade ou funções de um produto. TEMA 4 – DESCONTINUIDADE DE PRODUTOS Tendo em vista a análise do ciclo de vida de um produto, geralmente quando um bem (produto) está em declínio e não existem alternativas para relançar ou revitalizar, ele se torna desnecessário para a empresa. Isso geralmente é causado por perda da participação no mercado, resultados negativos financeiros e pela redução nas vendas. A descontinuidade de um produto é resultado de um acompanhamento do seu ciclo de vida (Rozenfeld et al., 2013). O processo de descontinuidade de um produto é resultado de uma análise e de aprovação dos gestores; é um processo que precisa ser planejado, pois a organização necessita realizar algumas atividades para dar fim ao projeto de um produto (Lobo, 2015). A autora ainda divide o processo de descontinuidade em 7 etapas. 4.1 Analisar e aprovar a descontinuidade Como o lançamento de novos produtos é um projeto, são estabelecidas metas e um período de atuação no mercado. Essa etapa é marcada pela análise desses resultados e com essa análise será possível decidir pela continuidade ou pela descontinuidade do produto. 4.2 Planejar a descontinuidade Após a aprovação, elabora-se um plano de ação para o encerramento das atividades relacionadas à produção do produto, bem como por acompanhar o recebimento do último produto por um consumidor. Essa etapa é marcada pela elaboração de datas e estipulação de um time focado para esse processo. 4.3 Preparar o recebimento do produto/acompanhar o recebimento do produto Fase que estipula o recebimento dos produtos que serão descontinuados, marcado pela elaboração de planos de descarte, desmontagem e/ou reciclagem 12 de produtos. Nesse momento, algumas partes podem ser reutilizadas ou remanufaturadas (dependendo do produto). É uma etapa que efetiva as ações planejadas e nela também é realizado o acompanhamento do recebimento de produtos. 4.4 Descontinuar a produção Nesta etapa, a fabricação é finalizada, mantendo algumas peças apenas com a finalidade de reposição, fase que pode demorar um período maior, pois envolve diversos setores de uma empresa. 4.5 Finalizar o suporte ao produto A descontinuidade deve abranger no seu planejamento o período em que deve ser prestada assistência ao produto que foi descontinuado. Ou seja, o suporte a esse produto deve ter um período de assistência pós-descontinuidade para eventualmente atender a alguma necessidade dos clientes. 4.6 Avaliação geral e encerramento do projeto Momento em que o projeto de descontinuidade é desfeito; é o momento para análise do planejamento criado para esse processo e deve gerar um registro para a empresa. TEMA 5 – IDENTIFICANDO OPORTUNIDADES Para desenvolver novos produtos, faz-se necessária a combinação de diversas maneiras ou ferramentas para identificar novas oportunidades ou o momento correto para tomar essa decisão. Para identificar oportunidades, é importante ressaltar que são necessárias pesquisas de mercado, com o intuito de compreender as demandas do consumidor como seus valores e costumes, e principalmente compreender as ações da concorrência. Para identificar novas oportunidades, existem alguns caminhos a serem seguidos. Para isso, existem quatro técnicas que auxiliam este processo (Berganton; Salvini, 2015): a. Mapeamento perceptivo: técnica que se baseia primeiramente nas ações do consumidor em relação às marcas existentes no mercado. Dessa 13 maneira, são captadas as percepções do consumidor e identificados quais são os fatores que levam à preferência de determinada marca; b. Análise de benefícios: com essa técnica, é possível identificar quais fatores característicos de produtos no mercado se tornam benefícios para o cliente no momento de escolha deuma marca, ou seja, quais são os benefícios percebidos pelo consumidor; c. Solução de problemas: voltados para a percepção de necessidade do mercado, ou seja, diante de uma análise do mercado, quais são os produtos que podem resolver/solucionar determinado problema. Caso não exista um, a oportunidade pode estar nessa lacuna de produto no mercado; d. Identificação de características: essa abordagem preocupa-se principalmente com a identificação de características de um produto, que possam contribuir para se tornarem mais atraentes perante a visão do consumidor (por exemplo, design do produto). Sendo assim, a identificação de oportunidades é um fator importantíssimo no que se refere ao desenvolvimento de novos produtos. É então papel dos gestores identificar e selecionar as melhores oportunidades para tomarem a correta decisão para sua empresa. Vale lembrar que as organizações devem atentar a todos os aspectos que envolvem sua empresa, tanto os aspectos internos quanto os aspectos externos. Dessa forma, a empresa conseguirá determinar de maneira concreta as informações e então traçar o planejamento estratégico (Netto, 2013). A Figura 8 demonstra de forma ilustrativa o processo de desenvolvimento de produtos, que se inicia com a identificação de oportunidades e depois a geração de ideias. Figura 8 – Processo de identificação de oportunidades e desenvolvimento de produtos Fonte: Netto, 2013. 14 Ainda assim, vale ressaltar que as oportunidades identificadas não só permitem que as ideias sejam geradas com base nas informações do mercado, mas possibilitam também que a empresa tome as decisões com uma base forte de informações e relacione com suas capacidades, ou seja, se a empresa consegue tirar proveito das novas ideias e gerar satisfação do consumidor (Berganton; Salvini, 2015). FINALIZANDO Nesta aula, vimos algumas maneiras de analisar o portfólio de produtos pela matriz BCG, bem como por um indicador financeiro de retorno de investimento (ROI). Vale ressaltar que a boa análise de um ciclo de vida de um produto, assunto principal das aulas, está condicionada à compreensão de diversos fatores. Vale lembrar que o planejamento estratégico e o controle das ações, tanto para estratégias de revitalização de produtos quanto para estabelecer a descontinuidade, dependem de uma correta interpretação do mercado por seus gestores. Isto é, a coleta de informações mercadológicas é fundamental para que todas as funções apresentadas ao longo das aulas sejam eficazes. 15 REFERÊNCIAS BARBOSA, V., Marketing. São Paulo: Monitor Editorial, 2012. BERGANTON, L.; SALVINI, J. Desenvolvimento de produtos e marcas. Rio de Janeiro: Seses, 2015. COOPER, R. G.; EDGETT, S. J. KLEINSCHMIDT, E. J. New product portfolio management: practices and performance. Journal of Product Innovation Management, v. 16, p. 333-351, 1999. COOPER, R. G.; EDGETT, S. J. Portfolio management for new products: picking the winners. Product Development Institute, 2008. Disponível em: . Acesso em: 27 jul. 2021. FERREIRA, L. N. V. et al. 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