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Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Unidade 1 Evolução do Conceito e da Prática da Gestão da Qualidade Aula 1 Evolução da Qualidade Evolução da qualidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas à primeira aula da disciplina Gestão da Qualidade! Nesta aula, você aprenderá o que é a qualidade, ou seja, os seus conceitos, as suas dimensões (atributos) e como ela evoluiu e continua evoluindo com o passar do tempo. Essa evolução é chamada de “eras” da qualidade. Vamos começar nosso estudo a respeito do assunto! A gestão da qualidade é um campo essencial para o sucesso organizacional, garantindo a excelência em produtos e serviços. Nesse contexto, três pilares fundamentais merecem destaque na formação e compreensão dos pro�ssionais da área: Conceitos de Qualidade, Evolução (Eras) da Qualidade e Dimensões da Qualidade. Entender os conceitos de qualidade é o alicerce sobre o qual se constrói toda a gestão da qualidade. A qualidade vai além da mera ausência de defeitos, abrangendo a satisfação do cliente, a conformidade com requisitos e a busca constante pela melhoria. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Explorar a evolução histórica da qualidade é essencial para compreender o contexto em que as práticas atuais foram desenvolvidas. Desde a era da inspeção até a gestão da qualidade total, cada fase representa um avanço no entendimento e na abordagem da qualidade. Conhecer essa evolução proporciona uma visão ampla e estratégica, permitindo a aplicação de métodos modernos com uma compreensão sólida das raízes históricas. As dimensões da qualidade destacam-se como critérios-chave para avaliar a performance de produtos e serviços. A compreensão dessas dimensões, como desempenho, con�abilidade, durabilidade e conformidade, guia as organizações na de�nição de padrões e na entrega de valor aos clientes. Diante desse contexto, imagine que você atua em uma indústria que está passando por problemas de qualidade. Os clientes estão reclamando dos produtos, há sempre retrabalho na produção, além de atrasos na entrega e, consequentemente, prejuízos �nanceiros. A diretoria, ao perceber esses problemas, decidiu implantar as práticas da gestão da qualidade, mas, para isso, é preciso entender: o que é qualidade? Quais são seus conceitos e suas dimensões? Como a qualidade evoluiu até os dias atuais? Portanto, estudante, você precisa auxiliar a diretoria da indústria em que você trabalha a responder a esses questionamentos, para que, ao implantar as práticas da gestão da qualidade, obtenha êxito. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Conceitos de qualidade Qualidade é uma palavra amplamente difundida na sociedade e no ambiente empresarial, junto a outros termos, como produtividade, competitividade e integração. No entanto, o conceito de qualidade, muitas vezes, gera confusão devido à sua natureza subjetiva e ao seu uso genérico para representar conceitos diversos. Para algumas pessoas, qualidade está relacionada aos atributos intrínsecos de um produto, como seu desempenho técnico e sua durabilidade. Nessa perspectiva, um produto com melhor desempenho é considerado de maior qualidade do que um equivalente com desempenho inferior (Carpinetti, 2016). Segundo Toledo et al. (2017), a qualidade, em seu sentido genérico, é de�nida, nos dicionários (por exemplo: Aurélio, Houaiss etc.), como propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas capaz de distingui las das outras e de lhes determinar a natureza. A partir dessa de�nição, podemos destacar três pontos: A qualidade é um atributo das coisas ou pessoas. A qualidade possibilita a distinção ou diferenciação das coisas ou pessoas. A qualidade determina a natureza das coisas ou pessoas. Embora apareça aqui como um atributo intrínseco às coisas ou pessoas, é preciso estar claro que a qualidade não é algo identi�cável e observável diretamente. O que é identi�cável e observável diretamente são as características das coisas ou pessoas. Logo, a qualidade é vista Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE por meio de características. É, portanto, resultante da interpretação de uma ou mais características das coisas ou pessoas. Por exemplo, a qualidade de uma pessoa pode ser vista por meio de características, como honestidade, caráter, competência, ética etc. A qualidade de um automóvel, por sua vez, pode ser analisada por meio de características, tais como desempenho, durabilidade, segurança e con�abilidade (Toledo et al., 2017). Outros entendem a qualidade como a capacidade de um produto satisfazer as necessidades dos clientes e atender adequadamente às suas demandas durante o uso. Nesse caso, a qualidade está diretamente relacionada à satisfação do cliente (Carpinetti, 2016). Outra abordagem que costumava ser dominante no ambiente de fabricação considera a qualidade como o grau de conformidade do produto com suas especi�cações de projeto. Nessa perspectiva, a qualidade é avaliada com base na precisão da fabricação em relação às especi�cações (Carpinetti, 2016). Há também aqueles que associam a qualidade ao valor relativo do produto. De acordo com esse ponto de vista, um produto de qualidade é aquele que oferece o desempenho esperado a um preço aceitável e mantém um nível de conformidade adequado a um custo razoável (Carpinetti, 2016). Essa variedade de interpretações re�ete em parte a evolução do conceito de qualidade ao longo do século XX. No início, a qualidade estava intimamente ligada à perfeição técnica. Contudo, a partir da década de 1950, a qualidade passou a ser de�nida em termos de satisfação do cliente em relação à adequação do produto ao uso. Nesse contexto, a qualidade signi�ca a ausência de defeitos e a presença de atributos que garantam a satisfação do cliente (Carpinetti, 2016). As de�nições de qualidade dos principais teóricos da área eram praticamente iguais e seguiam o mesmo foco de satisfação do consumidor, conforme apresentados no Quadro 12 (Toledo et al., 2017). Teórico De�nição Deming (1950) Qualidade de produto como a máxima utilidade para o consumidor. Feigenbaum (1951) Qualidade como o perfeito contentamento do usuário. Juran (1954) Qualidade como a satisfação das necessidades do cliente. Ishikawa (1954) Qualidade efetiva é a que realmente traz satisfação ao consumidor. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Feigenbaum (1961) Qualidade como a maximização das aspirações do usuário. Quadro 1 | Principais teóricos e de�nições de qualidade. Fonte: Toledo et al. (2017, p. 3). A partir da década de 1970, observam se três vertentes de de�nição da qualidade de produto, segundo Toledo et al. (2017): A primeira tem como principal expoente a de�nição da qualidade de Juran (1991) como adequação ao uso (�tness for use). Essa, talvez, seja a de�nição mais difundida e empregada até́ os dias atuais. A segunda segue a de�nição de Crosby (1994), que associa qualidade à conformidade com requisitos (conformance to requirements). A terceira é representada pela de�nição de Taguchi (1986), que conceitua qualidade como “a perda, mensurável e imensurável, que um produto impõe à sociedade após o seu embarque (após deixar a empresa), com exceção das perdas causadas por sua função intrínseca”. Uma quarta vertente, que poderíamos considerar, é a visão da qualidade de produto como satisfação total do cliente, apregoada pela �loso�a japonesa da Gerência da Qualidade Total (Toledo et al., 2017, p. 3). Nos últimos anos, o entendimento predominante e que aponta para a tendência futura é a de�nição de qualidade como a satisfação dos clientes. Essa abordagem abrange a adequação ao uso e a conformidade com as especi�cações do produto. A ISO adota essa de�nição ao descrevera respeito das seguintes perguntas: Qual é a importância e a evolução da qualidade? Quais são as características do TQM? Quais são os custos da qualidade, suas características e sua importância? Olá, estudante! Você conseguiu analisar o estudo de caso para montar seu relatório. Vamos estruturar como você pode auxiliar sua empresa. Primeiramente, a organização deve entender que a qualidade é uma área dinâmica e passou por evoluções no decorrer do tempo, de modo a se aperfeiçoar, logo você pode citar uma de�nição de qualidade, que é o grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos. Nesse contexto, qualidade refere-se ao quão bem um produto ou serviço atende às expectativas e necessidades dos clientes, bem como aos padrões e requisitos estabelecidos. Assim, ela passou por evoluções (eras) até chegar a essa de�nição mais completa e abrangente. A qualidade evoluiu ao longo do tempo e é classi�cada em quatro eras: Era da Inspeção, Era do Controle Estatístico da Qualidade, Era da Garantia da Qualidade e Era da Gestão da Qualidade Total. Logo, com o conhecimento nas eras da qualidade, é possível perceber que a empresa, quando realiza somente a inspeção no �nal de linha, separando os produtos em conformes e não conformes, está fazendo o que era feito na Era da Inspeção. Assim, é importante ressaltar para a empresa que ela deve buscar implantar os conceitos da Gestão da Qualidade Total (TQM), que tem o foco no negócio e busca inserir os conceitos de qualidade em todos os setores e níveis da organização. Sendo assim, a Gestão da Qualidade Total (TQM) possui as seguintes características: foco no cliente; liderança e apoio da alta administração; envolvimento das pessoas; abordagem de processo; melhoria contínua; abordagem factual para tomada de decisão; relação com os fornecedores. Como citado no estudo de caso, a empresa vem sofrendo com a falta de conhecimento dos demais setores na área da qualidade, logo, para que ela consiga implantar a gestão da qualidade, é importante �car atenta aos seguintes pontos que podem fazer fracassar em sua implantação: Não comprometimento da alta direção da empresa. Ansiedade por resultados de curto prazo. Desinteresse do nível gerencial. Falta de planejamento. Outros problemas de implantação: treinamento precário, falta de apoio técnico e sistemas de remuneração e de motivação inconsistentes. Agora, você deve auxiliar a empresa a classi�car seus gastos com a qualidade e com a falta dela, conforme a classi�cação dos custos em qualidade: Custos devido a falhas internas: refugo; retrabalho. Custos devidos a falhas externas: custos de assistência técnica no período de garantia. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Custos de prevenção: inspeção �nal e teste. Custos de avaliação da qualidade: controle de processo; treinamento. Com essas informações, você pode montar seu relatório e apresentar para a pessoa responsável pela implantação da gestão da qualidade na empresa. Olá, estudante! Aqui, apresentaremos um mapa mental do conteúdo trabalhado nesta unidade da disciplina Gestão da Qualidade. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura | Mapa mental - Gestão da Qualidade. CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. , Unidade 2 Conceitos Centrais e Necessidades do MEG Aula 1 Introdução ao Modelo de Excelência da Gestão (MEG) Introdução ao Modelo de Excelência da Gestão (MEG) Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a você em mais uma aula da disciplina Gestão da Qualidade! Nela, você aprenderá o que é o Modelo de Excelência da Gestão (MEG), quais são seus benefícios e seus fundamentos. A cada dia que passa, a concorrência está mais acirrada, e como consequência, observamos consumidores cada vez mais exigentes. Deve-se considerar que, a qualidade sempre foi e continuará sendo decisiva no momento em que o consumidor irá decidir pela compra. Logo, muitas empresas já se deram conta de que, devem investir na qualidade de seus processos, produtos e serviços para não �carem para trás. Diante disso, o Modelo de Excelência da Gestão (MEG), vem contribuir para a qualidade das organizações. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE O Modelo de Excelência em Gestão (MEG) emerge como uma ferramenta essencial para estudantes e pro�ssionais que buscam compreender e implementar práticas de gestão da qualidade de forma e�caz. Desenvolvido pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), o MEG é um guia abrangente que transcende fronteiras e setores, proporcionando uma estrutura robusta para alcançar a excelência organizacional. O MEG compreende oito fundamentos que serve como uma ferramenta vital na jornada rumo à excelência em gestão. Vamos começar nosso estudo sobre o MEG! Agora, imagine que você atua em uma empresa que está passando por problemas de qualidade e pretende implantar algum modelo de gestão da qualidade. A alta administração já sabe da importância da gestão da qualidade em todas as áreas da organização, e não somente no produto �nal, ou seja, ela quer que todos os setores saibam e estejam comprometidos com a gestão da qualidade. Sendo assim, você sugeriu a implantação do Modelo de Excelência da Gestão (MEG). Para realizar a implantação do MEG, antes, você deve responder às seguintes perguntas para a alta administração: o que é o MEG? Quais são seus benefícios ao implantá-lo? Quais seus fundamentos? Portanto, você precisa auxiliar a alta administração da empresa em que você trabalha a responder a esses questionamentos, para que, ao implantar o MEG, obtenha êxito. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Introdução ao MEG Em um mercado crescentemente competitivo e com consumidores bem-informados, as empresas necessitam de uma gestão mais focada e e�ciente. É neste cenário que os modelos de gestão se tornam essenciais, ajudando gestores a tomar decisões mais precisas. Exploraremos o MEG, que é o Modelo de Excelência de Gestão. O Modelo de Excelência de Gestão (MEG) serve como um modelo de referência aplicável a todos os tipos de empresas, independentemente do segmento (serviços, comércio, agronegócios, entre outros) ou porte (MEI, pequenas, médias e grandes empresas). O MEG foi criado em 2001, pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), a qual é vista como uma autoridade quando o assunto é aumentar a competitividade das empresas brasileiras. A FNQ, uma entidade privada e sem �ns lucrativos, é também quem divulga o MEG e avalia as empresas que participam do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ). Desde sua criação, o MEG já passou por atualizações, visando sempre auxiliar as empresas a se tornarem mais competitivas. É importante ressaltar que, antes do MEG, a FNQ adotava outras metodologias, como o modelo americano da Fundação Baldridge da Gestão Qualidade Total entre 1992 e 1996. No entanto, em Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE 2000, lançou a primeira versão do MEG, estabelecendo-se como o primeiro modelo brasileiro de gestão. O propósito deste modelo é uni�car, disseminar e direcionar a empresa, garantindo excelência e benefícios para todos os envolvidos. Ele é uma ferramenta vital para o aprimoramento da gestão das empresas brasileiras, abordando temas recentes e emergentes sobre a evolução da gestão. Na Figura 1, conheceremos os benefícios de adotar o MEG. Figura 1| Benefícios do MEG. Fonte: adaptada de FNQ (2018). É importante destacar que o MEG é essencial para fortalecer a competitividade, asustentabilidade, a ética e a inovação nas organizações, servindo também como uma ferramenta de avaliação da maturidade dos sistemas de gestão das empresas. Fundamentos do MEG Se buscarmos no dicionário o signi�cado da palavra excelência, teremos que se trata da “característica do que é excelente, de teor elevadíssimo; primazia, perfeição” (Dicio, 2023, [s. p.]). Inevitavelmente, quando falamos em excelência, automaticamente pensamos em qualidade, e se pararmos para pensar, a qualidade está em tudo o que a gente faz, e não somente nos resultados que a empresa obtém em seus processos. Assim, a qualidade evoluiu com o passar do tempo, Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE sendo classi�cada em quatro eras: Era da Inspeção, Era do Controle Estatístico da Qualidade, Era da Garantia da Qualidade e Era da Gestão da Qualidade Total. Houve um tempo em que a qualidade era considerada como diferencial; hoje, com a tamanha competitividade do mercado, ela é inerente ao produto e ao processo. O MEG tem como base oito fundamentos, de�nidos como “valores e princípios que revelam padrões culturais de organizações Classe Mundial” (FNQ, 2016, p. 14), termo utilizado para classi�car as empresas que estão entre as consideradas melhores do mundo no quesito gestão organizacional. A representação grá�ca do MEG é inspirada no Tangram, um quebra-cabeça chinês, conforme ilustra a Figura 2. Figura 2 | Fundamentos da Gestão para Excelência. Fonte: FNQ (2016). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Rodrigues (2020) nos guia no entendimento destes fundamentos: Pensamento sistêmico: reconhecer as relações de interdependência da empresa, tanto internas quanto externas. Aprendizado organizacional e inovação: fomentar um ambiente onde colaboradores busquem aprendizado e compartilhamento de conhecimentos, incentivando a criatividade. Liderança transformadora: ter líderes que inspirem e estejam comprometidos com a excelência. Compromisso com as partes interessadas: estabelecer conexões com os públicos de interesse para identi�car suas necessidades. Adaptabilidade: ser ágil e �exível frente às rápidas mudanças do mercado. Desenvolvimento sustentável: avaliar os impactos das ações da empresa na comunidade e no meio ambiente, contribuindo para melhorar as condições de vida presentes e futuras. Orientação por processos: entender a empresa como um conjunto de processos, que devem ser continuamente revisados para assegurar sua e�ciência. Geração de valor: alcançar resultados �nanceiros, sociais e ambientais. Concluindo, uma organização é reconhecida como excelente quando equilibra todos os fundamentos da gestão da excelência e apresenta maturidade em seu sistema de gestão. Siga em Frente... Implementando o MEG Após assimilar essas informações, você deve estar questionando: como posso aplicar o MEG em meu negócio? Primeiro, é essencial elaborar um planejamento. Planejar consiste em traçar ações e estratégias voltadas a um objetivo especí�co (Oliveira, 2023). Isso implica avaliar a condição atual do negócio, abrindo espaço para questionamentos profundos. Pense em como a empresa organiza e opera seus processos, se existem controles adequados e se há clareza sobre os processos que demandam otimização. Outro ponto é avaliar se os objetivos de curto, médio e longo prazos estão bem de�nidos e se há aprendizado e inovação em curso (FNQ, 2017). Essas questões são vitais para uma autoavaliação e�ciente e destacam os possíveis desa�os futuros. Utilizando o MEG como ferramenta de desenvolvimento e melhoria da gestão, a empresa pode identi�car seus pontos fortes e áreas de melhoria, resultando em planos de ação mais precisos (FNQ, 2016). Provavelmente, você deseja saber os critérios de avaliação. Lembra-se dos oito fundamentos da gestão para excelência que mencionamos? Eles são divididos em temas especí�cos, que ajudam a concretizar o MEG em sua empresa. Esses temas estão detalhados no Quadro 1. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Fundamentos Temas Pensamento sistêmico Alinhamento Tomada de decisão Compromisso com as partes interessadas Requisitos Relacionamento Clientes Fornecedores Força de trabalho Aprendizado organizacional e inovação Aperfeiçoamento Competências essenciais Gestão do conhecimento Inovação Adaptabilidade Capacidade para mudar Flexibilidade Liderança transformadora Valores e princípios Governança Cultura Olhar para o futuro Sucessão Desenvolvimento sustentável Econômico-�nanceiro Ambiental Social Orientação por processos Informações organizacionais Gestão por processos Produtos Geração de valor Resultados econômico-�nanceiros Resultados ambientais Resultados sociais Resultados relativos aos clientes Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Resultados relativos à força de trabalho Resultados relativos aos fornecedores Resultados dos produtos e serviços Quadro 1 | Fundamentos e temas. Fonte: adaptada de FNQ (2016). Interessante destacar que organizações candidatas a prêmios devem comprovar sua aplicação das práticas de gestão, conforme o modelo proposto (Toledo, 2017). O Prêmio Melhores em Gestão é realizado anualmente, avaliando os princípios do MEG. No Quadro 1, encontram-se as empresas vitoriosas de 2019 a 2021. 2019 2020 2021 Copel Distribuição. Turbo Brasil Serviços em Turbinas. Companhia Paulista de Força e Luz. Companhia Jaguari de Energia. Companhia Piratininga de Força e Luz. RGE Sul. MIP Engenharia. Turbo Brasil Serviços em Turbinas Ltda. Energisa Mato Grosso do Sul – Distribuidora de Energia S.A. Companhia Energética do Rio Grande do Norte – a COSERN. Copel Geração e Transmissão S.A. Energisa Borborema. Energisa Paraíba. Energisa Sergipe. Companhia Piratininga de Força e Luz. Energisa Mato Grosso do Sul. Irani. Sebrae Paraná. Turbo Brasil. Quadro 2 | Ganhadores do Prêmio Melhores em Gestão 2019-2021. Fonte: adaptada de FNQ (2021). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Considerando que o prêmio "Melhores em Gestão" se baseia nos fundamentos do MEG, re�ita: se a empresa onde você atua (ou uma que você admira) participasse, ela teria destaque no ranking? Para concluir, é crucial que a liderança esteja comprometida com a aplicação do MEG, promovendo inovação e melhorias contínuas no ambiente de trabalho. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você já pode ajudar a alta administração da empresa em que trabalha a responder aos questionamentos, para implantar o MEG com êxito. Vamos lá! Você precisa explicar o que é o Modelo de Excelência da Gestão (MEG), quais seus benefícios e quais são seus fundamentos, para que a empresa consiga ter sucesso na implantação das práticas do MEG. O MEG re�ete a experiência, o conhecimento e o trabalho de pesquisa de muitas organizações e especialistas, do Brasil e do exterior, desde o início da existência da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Em função da sua �exibilidade, da simplicidade da linguagem utilizada e, principalmente, por não prescrever ferramentas e práticas de gestão especí�cas, o modelo é útil para avaliação, diagnóstico e orientação de qualquer tipo de organização, no setor público ou privado, com ou sem �nalidade de lucro e de porte pequeno, médio ou grande. Logo, o MEG permite que todas as organizações tenham uma visão sistêmica da gestão organizacional. O MEG pode ser aplicado em qualquer tipo de organização. São diversos os benefícios da adoção do modelo: Promove a competitividade e a sustentabilidade. Proporciona um referencial para a gestão das organizações. Promove o aprendizado organizacional. Possibilita a avaliação e a melhoria da gestão de forma abrangente. Prepara a organização para participar do Melhores em Gestão®. Melhora a compreensão de anseios das partes interessadas. Mensura os resultados do negócio de forma objetiva. Desenvolve a visão sistêmica dos executivos. Estimula o comprometimento e a cooperação entre as pessoas. Incorpora a cultura da excelência. Uniformiza a linguagem e melhora a comunicação gerencial. Permite um diagnóstico objetivo e a mensuraçãodo grau de maturidade da gestão. Enfatiza a integração e o alinhamento sistêmico. O MEG é composto por oito fundamentos que são: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE 1. Pensamento sistêmico: compreensão e tratamento das relações de interdependência e seus efeitos entre os diversos componentes que formam a organização, bem como entre estes e o ambiente com o qual interagem. 2. Aprendizado organizacional e inovação: busca e alcance de novos patamares de competência para a organização e sua força de trabalho, por meio da percepção, da re�exão, da avaliação e do compartilhamento de conhecimentos, promovendo um ambiente favorável à criatividade, experimentação e implementação de novas ideias capazes de gerar ganhos sustentáveis para as partes interessadas. 3. Liderança transformadora: atuação dos líderes de forma ética, inspiradora, exemplar e comprometida com a excelência, compreendendo os cenários e as tendências prováveis do ambiente e dos possíveis efeitos sobre a organização e suas partes interessadas, em curto e longo prazos; mobilizando as pessoas em torno de valores, princípios e objetivos da organização; explorando as potencialidades das culturas presentes; preparando líderes e pessoas; interagindo com as partes interessadas. 4. Compromisso com as partes interessadas: estabelecimento de pactos com as partes interessadas e suas inter-relações com as estratégias e os processos, em uma perspectiva de curto e longo prazos. 5. Adaptabilidade: �exibilidade e capacidade de mudança em tempo hábil, frente a novas demandas das partes interessadas e alterações no contexto. �. Desenvolvimento sustentável: compromisso da organização em responder pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente e de contribuir para a melhoria das condições de vida, tanto atuais quanto para as gerações futuras, por meio de um comportamento ético e transparente. 7. Orientação por processos: reconhecimento de que a organização é um conjunto de processos, os quais precisam ser entendidos de ponta a ponta e considerados na de�nição das estruturas: organizacional, de trabalho e de gestão. Os processos devem ser gerenciados, visando à busca da e�ciência e da e�cácia nas atividades, de forma a agregar valor para a organização e as partes interessadas. �. Geração de valor: alcance de resultados econômicos, sociais e ambientais, bem como de resultados dos processos que os potencializam, em níveis de excelência e que atendam às necessidades e expectativas das partes interessadas. Agora, você, junto à alta administração da empresa, já cumpriram essa etapa e podem iniciar a implantação das práticas do MEG! Saiba mais Durante o século XX, surgiram muitas teorias a respeito da maneira como a qualidade deveria ser implementada nas empresas. Muitos autores e pesquisadores se tornaram famosos no ambiente empresarial. Alguns deles foram: W. Edwards Deming, Joseph M. Juran, Philip Crosby, Armand V. Feigenbaum, Kaoru Ishikawa e Genichi Taguchi, que também �caram conhecidos como Gurus da Qualidade. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE No livro indicado a seguir e disponível na Biblioteca Virtual, no Capítulo 1 (p. 15-28), você conhecerá um pouco mais sobre cada um deles e suas teorias. LÉLIS, E. C. Gestão da Qualidade. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. O site da Fundação Nacional pela Qualidade (FNQ) disponibiliza alguns conteúdos gratuitos. Há e-books, webinar e artigos. Referências ANDREOLI, T. P. Gestão da Qualidade: melhoria contínua e busca pela excelência. Curitiba: InterSaberes, 2017. (Série Administração da Produção). DICIO. Excelência. Dicio, 2023. Disponível em: https://www.dicio.com.br/excelencia/. Acesso em: 23 dez. 2023. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Modelo de Excelência da Gestão (MEG): guia de referência para a excelência. São Paulo: FNQ, 2016. Disponível em: https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao- pdf. Acesso em: 24 out. 2023. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Guia Completo para Implementação do MEG na Gestão. São Paulo: FNQ, 2017. Disponível em: https://conteudo.fnq.org.br/implementacao-do-meg. Acesso em: 24 out. 2023. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Modelo de Excelência da Gestão (MEG): instrumento de avaliação da maturidade da gestão. São Paulo: FNQ, 2018. FUNDAÇÃO NACIONAL PARA QUALIDADE. Sobre o MEG. São Paulo: FNQ, 2019. Disponível em: https://adm.fnq.org.br/aprenda/metodologia-meg/modelo-de-excelencia-da-gestao. Acesso em: 24 out 2023. LÉLIS, E. C. Gestão da Qualidade. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. OLIVEIRA, D. de P. R. de. Planejamento Estratégico: conceitos, metodologias e práticas. 35. ed. São Paulo: Atlas, 2023. RODRIGUES, M. V. Ações para a Qualidade: gestão estratégica e integrada para a melhoria dos processos na busca da qualidade e produtividade. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2020. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/184057 https://fnq.org.br/comunidade/category/tipo/e-books/ https://fnq.org.br/comunidade/ https://fnq.org.br/comunidade/ https://fnq.org.br/comunidade/ https://www.dicio.com.br/excelencia/ https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao-pdf https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao-pdf https://conteudo.fnq.org.br/implementacao-do-meg https://adm.fnq.org.br/aprenda/metodologia-meg/modelo-de-excelencia-da-gestao Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Aula 2 Necessidades e expectativas dos clientes segundo o Modelo de Excelência da Gestão Necessidades e expectativas dos clientes segundo o Modelo de Excelência da Gestão Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a você em mais uma aula de Gestão da Qualidade. Você já ouviu por aí que o “cliente é o rei”? Pois bem, o cliente é uma “�gura” extremamente importante para as empresas, a�nal, é ele que comprará os produtos e/ou serviços, logo, se ele não comprar, a empresa não tem razão de existir, não tem sentido para investir. Olha só o “poder” e a importância que tem o cliente. Nesta aula, você conhecerá mais sobre os fatores que in�uenciam o comportamento de compra, o que é segmentação de mercado, posicionamento e valor. Imagine que você atua em uma empresa que está passando por quedas em suas vendas e não sabe o porquê. Você deve auxiliar a diretoria e a gerência da empresa a entender o que é um cliente-alvo, quais são os fatores que in�uenciam o comportamento de compras e quais são os tipos de segmentação de mercado. Sendo assim, estudante, você precisa auxiliar a diretoria e a gerência da empresa em que você trabalha a responder a esses questionamentos. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Conhecendo o conceito e identi�cando os clientes Para começarmos esta aula, aprofundaremos o entendimento sobre o que é um cliente. Ele pode ser identi�cado em toda a cadeia do sistema de processamento. Portanto, é essencial identi�car suas expectativas e compreender suas demandas, bem como de�nir claramente quem são esses clientes (Rodrigues, 2020). Seguindo o Modelo de Excelência da Gestão (MEG), um cliente é de�nido como qualquer “indivíduo, entidade ou organização que usufrui de um produto oferecido por uma empresa”. Isso pode incluir “consumidores, usuários, compradores, varejistas, distribuidores, representantes (que usam o produto da empresa como matéria-prima), bene�ciários e a sociedade em geral (quando é bene�ciada pelos produtos da empresa), entre outros” (FNQ, 2017, p. 77). Jáo termo cliente-alvo refere-se à “organização, pessoa ou entidade que tem maior possibilidade de fazer negócio com a organização e se bene�ciar de um produto, objeto da organização, e que representa foco de interesse para o fornecimento de produtos. Pode abranger cliente atual da organização, da concorrência, potencial e ex-cliente” (FNQ, 2017, p. 77). Dentro do MEG, termos, como “força de trabalho, acionistas, mantenedores, proprietários, fornecedores e a comunidade em geral”, são agrupados sob o rótulo “Partes Interessadas” (stakeholders, no inglês) (FNQ, 2017, p. 80). Os clientes podem ser externos ou internos da própria organização. Quando pertencem ao ambiente interno da empresa, são denominados "clientes internos" (Chiavenato, 2022[ES1] , p. 18). Já os clientes externos são indivíduos ou entidades que consomem produtos ou serviços oferecidos pela organização no mercado. Eles não fazem parte da estrutura da empresa, mas são essenciais para o seu sucesso, uma vez que determinam a demanda e a receita. O estudo do comportamento de compra do consumidor explora “como pessoas, grupos e organizações escolhem, adquirem, utilizam e descartam produtos, serviços ou ideias para atender suas demandas e aspirações” (Kotler; Keller, 2019, p. 168). A seguir, exploraremos os elementos que moldam o comportamento de compra. Con�ra, no Quadro 1, quais são esses elementos. Fatores Características Culturais Pode-se dizer que a cultura é o principal fator de in�uência dos desejos e comportamentos de uma pessoa. É dividida em: cultura, subcultura e classe social. Exemplos: nacionalidade, religião, grupos étnicos e região geográ�ca. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Sociais Estão relacionados à in�uência que temos dos grupos dos quais participamos. Esses grupos podem exercer uma in�uência direta ou indireta. Exemplos: grupos de referência, papéis exercidos, status. Pessoais Os fatores pessoais se referem às características pessoais de cada um dos consumidores. Exemplos: idade e estágio no ciclo de vida, ocupação e circunstâncias econômicas, personalidade e autoimagem, estilo de vida e valores. Psicológicos Todos nós temos necessidades que precisam ser atendidas. Quando essa necessidade alcança um nível de intensidade capaz de nos fazer agir, torna-se um motivo que nos levará à compra. Depois que "agimos", adquirimos aprendizagem. Dessas experiências, nascerão as memórias que poderão ser acessadas novamente por esse consumidor no futuro. É dividido em: motivação, percepção, aprendizagem e memória. Quadro 1 | Fatores que in�uenciam o comportamento de compra. Fonte: adaptada de Kotler e Keller (2019, p. 168-180). Malhotra (2013) destaca a necessidade de compreender o grau de relevância de uma compra para um cliente, isto é, qual é o seu grau de engajamento com a aquisição e os riscos relacionados. Esse grau de engajamento pode variar conforme o produto e a quantidade adquirida. Existem dois tipos principais de compras. Engajamento baixo: relaciona-se à aquisição de itens para os quais o cliente não precisa gastar muito tempo buscando informações. Geralmente, são produtos que o cliente compra regularmente e apresentam um risco menor. Engajamento alto: normalmente, associado a produtos de maior valor ou que não são compras frequentes. Nestas situações, o cliente tende a pesquisar sobre o produto, Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE analisar alternativas disponíveis no mercado, ponderar prós e contras e, assim, tomar uma decisão mais informada. Também, é valioso discernir os diferentes papéis do cliente no processo de compra. Quem realmente faz a aquisição? Quem in�uencia essa decisão? Esses detalhes são cruciais para ajudar a empresa a de�nir estratégias de �delização e�cazes. Con�ra, no Quadro 2, os distintos papéis desempenhados. Fatores Características Iniciador Pode-se dizer que a cultura é o principal fator de in�uência dos desejos e comportamentos de uma pessoa. É dividida em: cultura, subcultura e classe social. Exemplos: nacionalidade, religião, grupos étnicos e região geográ�ca. Aquele que "percebe" a necessidade de compra. In�uenciador São todas as pessoas que poderão “aconselhar”, “direcionar” o cliente a escolher qual das opções que têm é a melhor. Tomador de decisão É aquele que tem o poder de decidir se comprará ou não. Comprador É quem realizará a compra e efetuará a transação, o pagamento. Usuário É a pessoa que efetivamente usará o produto comprado. Quadro 2 | Papéis de compra. Fonte: adaptada de Malhotra (2013, p. 53-54). Percebeu quanta informação é exigida para analisar os clientes? Pensava que precisava de tantos detalhes assim? Segmentando os clientes Um dos pilares fundamentais no planejamento empresarial é determinar quem compõe o público-alvo e como seu produto ou serviço será posicionado. A identi�cação do público-alvo pode começar com a segmentação de mercado, que consiste em reunir consumidores com Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE características, interesses, estilos de vida, opiniões e hábitos similares (Kuazaqui, 2019). Essa segmentação é explicada no Quadro 3. Segmentação Características Demográ�cas Refere-se ao per�l da empresa. Alguns exemplos: Setor Porta da empresa cliente Localização Número de colaboradores Operacionais Trata-se das questões relacionadas à operação do cliente, por exemplo: Tipos de tecnologia utilizada Aplicação do produto Processo produtivo Matérias-primas Equipamentos utilizados Abordagem de compras Natureza dos relacionamentos existentes: a empresa deve atender empresas que não têm um forte relacionamento ou ir em busca das empresas que mais interessam. Política de compras: deve-se atender empresas que trabalham com leasing, contrato de serviços, compras de sistema? Critério de compras: deve-se atender as empresas que buscam qualidade. Fatores situacionais Urgência: deve-se atender empresas que buscam entregas/serviços repentinos, rápidos? Aplicação especí�ca: deve-se focar em determinadas aplicações Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE do nosso produto ao invés de todas as aplicações. Tamanho do pedido: deve-se focar em empresas que fazem pedidos pequenos, médios ou grandes. Características pessoais Semelhanças entre comprador/vendedor: devemos fazer os atendimentos somente para as empresas onde os colaboradores tenham valores parecidos com os nossos? Atitudes em relação ao risco: deve-se atender os clientes que assumem riscos ou aqueles que os evitam? Fidelidade: refere-se ao atendimento de empresas que demonstram alto grau de �delidade aos seus fornecedores? Quadro 3 | Tipos de segmentação de mercado. Fonte: adaptada de Kotler e Keller (2019, p. 270- 288). Siga em Frente... Ao avaliar os segmentos de mercado disponíveis, é crucial considerar o potencial desse mercado, como sua dimensão, suas taxas de crescimento, sua rentabilidade, seus potenciais, suas economias de escala, suas necessidades de investimento em comparação com o retorno previsto e suas habilidades e recursos necessários para realmente penetrar nesse mercado (Kuazaqui, 2019). Frequentemente, devido às limitações, como tamanho ou capacidade, uma empresa não pode atender a todos os consumidores. A lógica é simples: "Uma empresa perspicaz não tenta comercializar para todo mundo" (Kotler, 2021, p. 134). Segmentar o mercado signi�ca que a empresa está, intencionalmente, escolhendo atuar em um segmento particular que parece ser mais bené�co e lucrativo, e assim concentrará seus recursos nesse direcionamento (Kuazaqui, 2019). Após identi�car o público desejado, pode-se considerar o “posicionamento” a ser adotado. Posicionamento se refere à imagem que a empresa busca estabelecer em relação aos seus clientes e ao mercado em geral. É a tentativa de criar um espaço claro, único e atraente na percepção do cliente em comparação com os concorrentes (Rolon, 2018). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE É vital notar que, se uma empresa decidir atender a múltiplos segmentos, um posicionamento especí�co deve ser de�nido para cada um deles, garantindo estratégiasmais precisas e adequadas a cada segmento. Por �m, após de�nir segmentação e posicionamento, pode-se começar a pensar nas estratégias do mix de marketing, os famosos 4 Ps: produto, preço, praça e promoção, conforme indicado por Las Casas (2019). Checando a avaliação do cliente Quando o cliente é o centro das atenções da empresa, é vital entender suas necessidades, seus desejos e seu grau de contentamento com a empresa, bem como os produtos e serviços oferecidos. Uma abordagem e�caz para alcançar isso é através de estudos de mercado (Las Casas, 2019). Estudos de mercado são de�nidos como "a busca, recolhimento, interpretação, distribuição e aplicação de informações de maneira organizada e direcionada para aprimorar decisões associadas à identi�cação e resolução de desa�os e oportunidades em marketing" (Malhotra, 2019, p. 5). Con�ra alguns exemplos de tais estudos no Quadro 4. Abrangência Exemplos Desenvolvimento de produtos Desenvolvimento e teste de conceitos, testes de marca, testes de mercados, teste de produtos existentes, estudos de embalagem e estudo dos produtos concorrentes. Estudos sobre o consumo Preferência por marcas, atitude em relação à determinada marca, satisfação com os produtos, comportamentos de compra, intenções de compra, consciência da marca e estudos de segmentação. Estudos de promoção Motivação, meio de comunicação mais assertivos, e�cácia da propaganda. Estabelecimento de preços Análise de custos e lucros, elasticidade dos preços, análise da demanda e análise dos preços da concorrência. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Economia de negócios e pesquisa corporativa Características e tendências a respeito da indústria/mercado, dos estudos para a aquisição, da análise de participação no mercado e dos estudos internos de recursos humanos. Estudos de distribuição Desempenho dos canais de distribuição e da cobertura dos canais. Quadro 4 | Exemplos de pesquisa de marketing. Fonte: adaptado de Nique e Ladeira (2017). Em outras palavras, a pesquisa fornece insights valiosos para embasar decisões. Após analisar o comportamento de compra do consumidor, considerar segmentação e posicionamento e conduzir os estudos, a organização obtém um entendimento claro sobre quem é o cliente-alvo e suas necessidades. Esse é o momento propício para ponderar sobre a oferta de valor que será apresentada a ele, bem como a estratégia ideal para nutrir esse relacionamento e garantir sua lealdade. Seguindo a abordagem do MEG, o principal objetivo é a contínua busca por aprimoramento e crescimento. Se a empresa aspira seguir o MEG, precisa almejar a perfeição em todas as suas ações, mesmo nas mais rotineiras. A noção de qualidade e excelência deve estar clara para todos os membros da equipe. E você, o que tem feito em sua rotina para buscar a excelência nas tarefas que desempenha? Vamos Exercitar? Olá, estudante! Para auxiliar a diretoria e a gerência da sua empresa, a entender o que é um cliente-alvo, quais são os fatores que in�uenciam o comportamento de compras e quais são os tipos de segmentação de mercado, você deve começar explicando o que é cliente-alvo. Cliente-alvo refere-se à “organização, pessoa ou entidade que tem maior possibilidade de fazer negócio com a organização e se bene�ciar de um produto, objeto da organização, e que representa foco de interesse para o fornecimento de produtos. Pode abranger cliente atual da organização, da concorrência, potencial e ex-cliente” (FNQ, 2017, p. 77). Depois, você precisa elencar quais são os fatores que in�uenciam o comportamento de compra, que estão no Quadro 5. Culturais Sociais Pessoais Psicológicos Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Culturas Subcultura s Classes sociais. Grupos de referência Família Papéis e posições sociais Idade e estágios do ciclo de vida Ocupação Condições econômic as Estilo de vida Motivação Percepção Aprendiza gem Crenças e atitudes Quadro 5 | Fatores que in�uenciam o comportamento de compra. Fonte: adaptada de Kotler e Keller (2019, p. 168-180). Você também deve apresentar quais são os tipos de segmentação de mercado, que são: Geográ�ca: quando o mercado é dividido considerando as diferentes unidades geográ�cas, como nações, estados, regiões, cidades ou bairros. Uma empresa pode optar por atuar em apenas uma unidade geográ�ca ou em várias. Demográ�ca: quando o mercado é dividido levando em conta idade, tamanho da família, ciclo de vida, gênero, renda, ocupação, religião, grau de instrução, raça, geração, classe social e nacionalidade. Psicográ�ca: quando os consumidores são agrupados com base nos traços de personalidade/psicológicos, no seu estilo de vida ou em seus valores. Comportamental: quando os consumidores são divididos em grupos, considerando seu conhecimento, suas atitudes, o uso ou mesmo a reação a um produto. Agora, você, junto à diretoria e à gerência da empresa em que você atua, já sabem a importância de entender o cliente e podem tomar decisões mais assertivas! Saiba mais Persona se trata da “personi�cação” do cliente ideal. Enquanto na de�nição do público-alvo, geralmente, são consideradas as variáveis da segmentação (demográ�ca, geográ�ca, psicográ�ca e comportamental), quando pensamos na persona, buscamos informações mais aprofundadas, como os hábitos, os interesses, as necessidades e os problemas enfrentados (comumente chamados de dores). No Capítulo 4 (p. 24-32) do livro indicado a seguir, a autora esclarece o que é efetivamente a persona. ASSAD, N. Marketing de Conteúdo: como fazer sua empresa decolar no meio digital. São Paulo: Atlas, 2016. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597007008/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597007008/recent Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Cliente oculto, ou cliente misterioso, se trata de uma ferramenta bastante interessante e que é utilizada pelas empresas para avaliar e, dessa maneira, poder melhorar o seu atendimento. No Capítulo 6 (p. 178-201) do livro indicdo a seguir, você conhecerá mais a respeito desse tema, enquanto, no Capítulo 7 (p. 202-236), você aprenderá sobre a avaliação prática. PALADINI, E. P.; BRIDI, E. Gestão e Avaliação da Qualidade em Serviços para Organizações Competitivas: estratégicas básicas e o cliente misterioso. São Paulo: Atlas, 2013. Conseguir avaliar a satisfação dos clientes é fundamental para as empresas, porque, com base nisso, é possível tomar decisões que melhorarão a experiência dos clientes. Neste livro, as autoras explicam o que é a pesquisa de mercado e quais os tipos, nos Capítulos 1 (p. 1-18) e 2 (p. 19-36), respectivamente. YASUDA, A.; OLIVEIRA, D. M. T. de. Pesquisa de Marketing: guia para a prática de pesquisa de mercado. São Paulo: Cengage Learning, 2013. Referências ASSAD, N. Marketing de Conteúdo: como fazer sua empresa decolar no meio digital. São Paulo: Atlas, 2016. CHIAVENATTO, I. Administração: teoria, processo e prática. 6. ed. Barueri: Atlas, 2022. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Modelo de Excelência da Gestão (MEG): Instrumento de Avaliação da Maturidade da Gestão. São Paulo: FNQ, 2017. KOTLER, P. Marketing para o Século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. Rio de Janeiro: Alta Books, 2021. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2019. KUAZAQUI, E. Gestão de Marketing 4.0: casos, modelos e ferramentas. São Paulo: Atlas, 2019. LAS CASAS, A. L. Administração de Marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. LIMEIRA, T. M. V. Comportamento do Consumidor Brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. MALHOTRA, N. Plano de Marketing: um guia prático. São Paulo: Saraiva, 2013. NIQUE, W.; LADEIRA, W. Como Fazer Pesquisa de Marketing: um guia prático para a realidade brasileira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2017. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522480982/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522480982/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522480982/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522126248/recenthttps://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522126248/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522126248/recent Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE PALADINI, E. P.; BRIDI, E. Gestão e Avaliação da Qualidade em Serviços para Organizações Competitivas: estratégicas básicas e o cliente misterioso. São Paulo: Atlas, 2013. RODRIGUES, M. V. Ações para a Qualidade: gestão estratégica e integrada para a melhoria dos processos na busca da qualidade e produtividade. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2020. ROLON, V. E. K. Composto Mercadológico: conceitos, ideias e tendências. Curitiba: InterSaberes, 2018. YASUDA, A.; OLIVEIRA, D. M. T. de. Pesquisa de Marketing: guia para a prática de pesquisa de mercado. São Paulo: Cengage Learning, 2013. Aula 3 Ferramentas da qualidade aplicadas ao MEG Ferramentas da qualidade aplicadas ao MEG Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais a você em mais uma aula da disciplina Gestão da Qualidade! Nela, você aprenderá a respeito do ciclo PDCL, dos processos e dos indicadores de desempenho. Para falar sobre excelência, necessariamente, é preciso falar sobre a gestão de processos. Pois é por meio deles é que conseguimos ter uma dimensão de como está a produtividade da empresa, além de, conseguir identi�car falhas ou futuros problemas que podem acontecer e prejudicar toda a operação. Quando temos um mapeamento de processos, conseguimos acompanhar Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE passo a passo, atividade a atividade que é realizada, podendo desta maneira, identi�car os gargalos e pensar em ações para eliminá-los ou minimizá-los. O Pensamento Sistêmico é uma abordagem fundamental na gestão da qualidade, que reconhece a interconexão de todos os elementos dentro de uma organização. Juntamente com o Ciclo PDCA (Planejar, Fazer, Veri�car, Agir), forma a base para a melhoria contínua. Estudar e aplicar esses conceitos capacita os indivíduos a enxergar os processos de maneira holística, identi�car oportunidades de aprimoramento e implementar mudanças e�cazes de maneira iterativa. O Mapeamento Diagnóstico de Processos é uma ferramenta valiosa para compreender, analisar e otimizar as operações de uma organização. Ao estudar esta prática, os pro�ssionais adquirem habilidades para identi�car gargalos, eliminar redundâncias e aprimorar a e�ciência operacional. Este conhecimento é essencial para promover uma cultura organizacional orientada para a qualidade e a satisfação do cliente. E os Key Performance Indicators (KPIs) é um componente importante nas organizações, fornecendo métricas tangíveis para avaliar o desempenho organizacional de modo que sejam tomadas decisões mais assertivas. Agora, imagine que você atua em uma empresa que está implementando o Modelo de Excelência da Gestão (MEG) e sabe que o MEG utiliza o ciclo PDCL. Você deve elencar quais são as etapas do ciclo PDCL e explicar a importância de a empresa criar indicadores para monitorar seu desempenho. Deste modo, você precisa auxiliar a empresa em que você trabalha a responder a esses questionamentos. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Conhecendo o ciclo PDCL e os processos O modelo PDCL foi uma adaptação feita pela FNQ em 2003, baseada no conhecido PDCA. Enquanto o PDCA signi�ca planejar, executar, veri�car e agir, o PDCL substitui o "agir" por "aprender" (FNQ, 2017), conforme ilustrado na Figura 1. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Ciclo PDCL – Diagrama da Gestão. Fonte: FNQ (2017, p. 17). O Diagrama do Ciclo da Gestão considera que os processos e seus padrões estão presentes na organização de forma sistêmica. Segundo a FNQ (2016), no Ciclo de Controle, os processos são sistematicamente implementados de forma que possamos realizar um planejamento para execução deles, veri�camos, assim, se houve cumprimento dos padrões desejados, para depois promover ações corretivas ou preventivas, pensando em sua melhoria, ou até mesmo sem tomar nenhuma decisão acerca do projeto, uma vez que ele está sendo feito de forma satisfatória. Já no Ciclo de Aprendizado, leva-se em consideração o momento em que é identi�cada a necessidade de alterações nos padrões dos processos, com a ajuda do Ciclo de Controle. Sua avaliação deve ser realizada junto aos outros processos da organização, formando, assim, o aprendizado e a integração do sistema gerencial. No MEG, o ciclo PDCL é utilizado como base na avaliação dos fundamentos e em seus respectivos processos (FNQ, 2016). Agora, conheceremos um pouco melhor a respeito do Ciclo PDCL: Planejamento (P): compreende as atividades, os processos ou a padronização para de�nição dos resultados e sistemas. Aqui, incluem-se os produtos, os objetivos, os indicadores de desempenho, os planos, as metas, os projetos e processos e os ativos tangíveis e intangíveis. Execução/ Realizar (D): diz respeito à realização das atividades ou dos processos para a geração de valor para os seus stakeholders, ou seja, trata-se da implementação dos processos planejados. Veri�cação (C): engloba as atividades ou os processos utilizados para a avaliação dos resultados. Aprendizado (L): trata-se das ações corretivas ou preventivas para solucionar problemas reais ou mesmo potenciais, de forma a gerar conhecimento para a empresa e permitir a �xação de padrões mais e�cientes, ou seja, reunião e interpretação de dados sobre o que funciona e o que não funciona, gerando conhecimento para a empresa e permitindo a �xação de padrões mais e�cientes. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Outro ponto importante é que o PDCL é um aperfeiçoamento do PDCA. Nesse segundo, a última etapa consistiria em agir (act) para padronizar o acerto ou corrigir o erro. No entanto, a medida pontual, embora importante, é incompleta do ponto de vista de gerar a melhoria constante do sistema. Isso ocorre porque algo pode estar correto em um contexto e falhar miseravelmente em outro. Logo, saber o porquê funciona ou não funciona é tão ou mais fundamental do que simplesmente agir. Entendendo os tipos de processos Ao abordar a excelência, é crucial ter uma perspectiva sistêmica, analisando meticulosamente os processos empresariais. Muitas organizações, infelizmente, não documentam formalmente seus processos, o que di�culta qualquer esforço de melhoria. Mas, o que exatamente é um processo? Segue uma de�nição de processo: A forma pela qual um conjunto de ATIVIDADES, dispostas em ordem lógica e cronológica, cria, trabalha ou transforma insumos (entradas), agregando-lhes VALOR, por meio de recursos e tecnologias, com a �nalidade de produzir BENS ou SERVIÇOS, com qualidade, para serem entregues a clientes (saídas), sejam eles internos ou externos. (Cruz, 2021, p. 117) Os processos podem ser categorizados, como veremos na Figura 2. Figura 2 | Tipos de processos. Fonte: Gonçalves (2000, p. 11 apud Llatas, 2018, p. 12). Llatas (2018) detalha esses processos da seguinte forma: Processos de negócios: estes estão diretamente relacionados a produtos ou serviços oferecidos aos consumidores. Sendo a face da empresa, são considerados processos externos. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Processos organizacionais: referem-se às funções administrativas que apoiam os processos de negócios. Processos gerenciais: englobam atividades de gestão, como tomada de decisão, avaliação de performance e planejamento de melhorias. Os indicadores de desempenho são ferramentas cruciais para avaliar a e�cácia de cada processo. Segundo a FNQ (2017), são dados quantitativos que re�etem o desempenho de produtos ou processos ao longo do tempo. O desa�o é decidir qual indicador usar, re�etindo sobre sua real necessidade. Os indicadorespodem ser categorizados da seguinte forma (CRUZ, 2021): Estratégicos: tem como �nalidade averiguar se a empresa está de fato alcançando os objetivos que foram traçados lá no planejamento estratégico; De Processos: são chamados também de KPI – Key Performace Indicators, devem ser estipulados a partir das metas de cada uma das atividades existentes nos processos e terão como objetivo medir o desempenho, ou seja, se as metas estão sendo atingidas. Siga em Frente... A importância de indicadores O uso de indicadores é vital para compreender o rendimento de cada procedimento (Cruz, 2021). Isso facilita a identi�cação de áreas para melhoria. Se, ao analisar indicadores, for detectado que uma meta pode não ser atingida, uma nova estratégia pode ser necessária. Lembre-se: é impossível gerenciar o que não pode ser monitorado, e os indicadores de desempenho permitem essa supervisão essencial. É importante lembrar que os indicadores devem ser estabelecidos pensando nos objetivos que foram traçados. No Quadro 1, veremos um exemplo de indicadores de desempenho, considerando como base os objetivos. Objetivos relacionados ao(à): Indicadores Aumento de vendas Receita de vendas Satisfação dos clientes Grau de satisfação Prazo de entrega Entregas no prazo/total de entregas no mês Quadro 1 | Exemplos de indicadores de desempenho. Fonte: adaptada de Kuazaqui (2019). Kuazaqui (2019) complementa e nos ensina que os indicadores podem ser: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE De qualidade: são aqueles nos quais se faz a comparação entre o nível de qualidade esperado com o que está sendo efetivamente entregue. Alguns exemplos são: tabulação das reclamações que são feitas pelos consumidores através do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), quantidade de devolução de produtos, comentários feitos no pós- vendas, entre outros. De capacidade: aqui, avalia-se a capacidade de resposta de toda a cadeia de valor. Por exemplo: a capacidade de produção de cada uma das máquinas. Com essa análise, é possível veri�car a necessidade de novos investimentos, ampliação/redução da empresa, aumento/diminuição de portfólio de produtos. De turn over: mede-se a rotatividade dos colaboradores dentro de um intervalo de tempo e que pode prejudicar a qualidade da produção. Produtividade: analisam-se os resultados do que foi efetivamente produzido. Aqui, pode-se perceber se há necessidade de otimização ou diminuição nos recursos e esforços realizados. Lucratividade: trata-se da análise da margem de lucro dos produtos, considerando a receita da empresa com a margem média do setor no qual a empresa atua. Paladini e Bridi (2013) nos apresentam alguns exemplos de indicadores para serviços: Tempo médio de atendimento. Número de pessoas atendidas simultaneamente. Tempo de espera. Percentual de clientes satisfeitos/insatisfeitos com o atendimento. Você observou a quantidade de indicadores que temos? Esses são apenas alguns exemplos. O importante é a empresa de�nir qual é o indicador que melhor atenderá às suas necessidades. Ressalta-se ainda que, não existe um indicador bom ou ruim, e sim indicadores que serão mais adequados, assertivos para o objetivo que a empresa tem. Além de que é sempre importante rever os indicadores de tempos em tempos para certi�car de que ainda estão adequados (Chiroli, 2016). Caso não estejam, pensar qual o indicador que pode ser melhor para medir o que você precisa. É um exercício contínuo. Aperfeiçoando o aprendizado a respeito dos indicadores Você se lembra que o “Pensamento Sistêmico” e a “Orientação por Processos” são dois dos oito fundamentos do MEG? Veremos, então, o que o Guia de Referência do FNQ (2016) nos ensina a respeito dos processos que compõem esses dois fundamentos. No documento, o Pensamento Sistêmico se divide em dois processos, a saber: alinhamento e tomada de decisão; a Orientação por Processos se divide em quatro processos, a saber: modelagem, gerenciamento, projeto e análise da estrutura organizacional. Conheceremos mais detalhes de cada um deles. Fundamento: Pensamento Sistêmico Para esse exemplo, consideraremos apenas a Tomada de Decisão: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Identi�cação das informações Identi�cação de quais são as informações estratégicas. De�nição de quais são as informações importantes e relevantes para a tomada de decisão. Utilização de técnicas de inteligência competitiva. Utilização das informações disponíveis Determinar reuniões para análises críticas. De�nição de quais são as decisões críticas para a tomada de decisão. Comprometimento de pessoas de diferentes níveis e de diferentes processos. Acompanhamento das decisões que são tomadas. Comunicação sobre as decisões tomadas para os stakeholders pertinentes. Determinar reuniões para análises críticas. De�nição de quais são as decisões críticas para a tomada de decisão. Comprometimento de pessoas de diferentes níveis e de diferentes processos. Acompanhamento das decisões que são tomadas. Comunicação sobre as decisões tomadas para os stakeholders pertinentes. Fundamento: Orientação por Processos Aqui, analisaremos apenas a Gestão por Processos: Modelagem Estrutura e desdobramento da cadeia de valor. Mapeamento dos processos. De�nição dos requisitos aplicáveis aos processos. Gerenciamento Padronização e controle, considerando também os indicadores de processos. Projeto Análise e melhoria de processos, pensando a respeito de sua e�ciência, e�cácia e produtividade, assim como sobre os métodos para reduzir a variabilidade e melhorar a con�abilidade. De�nição de indicadores dos processos. Avaliação dos riscos previstos e possíveis dos processos. Implantação de novos processos ou de processos redesenhados ou remodelados. Organização da estrutura organizacional De�nição das responsabilidades de cada uma das atividades do processo. Estruturação do quadro de pessoal para garantir a produtividade dos processos. Padronização e controle, considerando também os indicadores de processos. Análise e melhoria de processos, pensando a respeito de sua e�ciência, e�cácia e produtividade, assim como sobre os métodos para reduzir a variabilidade e melhorar a con�abilidade. De�nição de indicadores dos processos. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Avaliação dos riscos previstos e possíveis dos processos. Implantação de novos processos ou de processos redesenhados ou remodelados. De�nição das responsabilidades de cada uma das atividades do processo. Estruturação do quadro de pessoal para garantir a produtividade dos processos. Viu só quantas atividades são necessárias para cada um dos fundamentos? Na sequência, é preciso pensar a respeito de como monitorar esses processos e essas atividades para saber se está tudo certinho. Acertou se você pensou nos indicadores. Veja, nos Quadros 2 e 3, exemplos de indicadores indicados agora pela FNQ em seu Guia de Referência. Estrutura Liquidez Atividade Rentabilidade Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Composiç ão de endividam ento Endividam ento Endividam ento oneroso Imobilizaç ão Liquidez corrente Liquidez geral Liquidez seca Ciclo �nanceiro Fluxo de caixa Inadimplê ncia Necessida de média de capital de giro Preço médio de recebimen to de vendas Preço médio de renovação dos estoques Prazo médio de pagament o de compras Ebitda EVA (Valor Econômic o Agregado) Giro do ativo Índice de vendas Margem bruta Margem de lucro Receita Rentabilid ade do patrimônio líquido ROA (Retorno sobre ativos) ROE (Retorno sobre o patrimônio líquido) Taxa de crescimen to da receita Quadro 2 | Indicadores – Resultados sustentáveis: geração de resultados econômico-�nanceiro. Fonte: adaptada de FNQ (2017, p. 68). Resultados Sustentáveis Geração de Resultados Ambientais Exemplos de Indicadores de desempenho ambientais Geração de Resultados Sociais Exemplos de Indicadores de desempenho sociais Índice de consumo de água Conformidade legal e regulamentar Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Índice de consumo de energia Exposição positiva na mídia Índice de consumo de papel Danos à segurança dapopulação ou usuários Índice de consumo de resíduos sólidos Índice de acessibilidade Índice de investimento em áreas verdes Índice de Desenvolvimento Humano Índice de investimento em gestão de resíduos Índice de geração de renda Índice de qualidade do ar Índice de imagem junto à sociedade Índice de redução de cobertura vegetal Índice de redução da desigualdade social Nota de aplicação dos Indicadores Ethos Nota de aplicação dos Indicadores Ethos Taxa de áreas re�orestadas. Retorno dos programas sociais Uso de MPE (Micro e Pequenas Empesas) e o fornecedores locais. Quadro 3 | Indicadores – Resultados sustentáveis: geração de resultados ambientais e sociais. Fonte: adaptada de FNQ (2017, p. 69). Portanto, é importante a organização veri�car quais são seus objetivos e suas metas, para, assim, poder de�nir qual ou quais KPIs (em inglês Key Performance Indicators - Indicadores- chave de Desempenho) escolher para monitorar e realizar seu controle de forma e�ciente e e�caz. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você já pode ajudar a empresa em que trabalha com informações para a criação de indicadores para monitorar seu desempenho. Vamos lá! Você precisa explicar que o MEG utiliza o conceito de aprendizado, de acordo com o ciclo do PDCL (Plan, Do, Check, Learn), ou seja, planejar, fazer, controlar e aprender. Planejar signi�ca buscar identi�car, entender e satisfazer as necessidades expectativas dos clientes e da sociedade. Neste caso, o papel do líder é de extrema importância, tanto na Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE análise do desempenho quanto na execução das ações. Eles determinam a posição competitiva e desdobram essa estratégia em planos de ação de curto, médio ou longo prazo, alocando recursos para assegurar a implementação das estratégias. Na etapa do fazer, o processo engloba pessoas e processos. As pessoas devem estar capacitadas e satisfeitas, atuando em um ambiente propício à consolidação da cultura da excelência, para que os processos sejam executados conforme o planejado. Controlar signi�ca conferir, analisar o que está sendo colocado em prática para garantir que todo o ciclo se realize da melhor forma. Nesta etapa são medidos os resultados em relação à situação econômica, aos clientes e mercado, às pessoas, à sociedade, aos processos e aos fornecedores. Finalmente, aprender, que se estabelece em forma de informações e conhecimentos, para que haja a execução das ações e a busca do aprendizado organizacional. Essas informações representam a inteligência da organização, viabilizando a análise do desempenho e a execução das ações necessárias. Todo o ciclo PDCL, ao ser executado, deverá conduzir a resultados, os quais devem ser analisados e entendidos, gerando informações e conhecimento para serem utilizados no processo de tomada de decisão, gerando um novo ciclo de gestão. O uso de indicadores é vital para compreender o rendimento de cada procedimento (Cruz, 2021). Isso facilita a identi�cação de áreas para melhoria. Se, ao analisar indicadores, for detectado que uma meta pode não ser atingida, uma nova estratégia pode ser necessária. Agora, você já ajudou a empresa em que atua a atingir mais objetivo com qualidade! Saiba mais O FNQ disponibiliza alguns materiais gratuitos, como o Instrumento de Avaliação da Maturidade da Gestão e o Guia de Referência da Gestão para Excelência, você consegue baixar gratuitamente pelo link indicado a seguir. Nesses documentos, é possível ter informações mais detalhadas a respeito dos fundamentos e dos processos. Referências CHIROLI, D. M. de G. Avaliação de Sistemas de Qualidade. São Paulo: InterSaberes, 2016. CRUZ, T. Processos Organizacionais & Métodos: BPM & tecnologia da informação, metodologias DOMP, desa�os da revolução 4.0. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2021. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Modelo de Excelência da Gestão (MEG): guia de referência para a excelência. São Paulo: FNQ, 2016. Disponível em: https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao- pdf. Acesso em: 23 mar. 2023. https://fnq.org.br/publicacoes-fnq-e-book-meg. https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao-pdf https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao-pdf Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Modelo de Excelência da Gestão (MEG): Instrumento de Avaliação da Maturidade da Gestão. São Paulo: FNQ, 2017. KUAZAQUI, E. Gestão de Marketing 4.0: casos, modelos e ferramentas. São Paulo: Atlas, 2019. LLATAS, M. V. Organização, Sistemas e Métodos. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. PALADINI, E. P.; BRIDI, E. Gestão e avaliação da qualidade em serviços para organizações competitivas: estratégias básicas e o cliente misterioso. São Paulo: Atlas, 2013. Aula 4 A importância das pessoas no processo do Modelo de Excelência da Gestão (MEG) A importância das pessoas no processo do Modelo de Excelência da Gestão (MEG) Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a você em mais uma aula da disciplina Gestão da Qualidade. Nela, você conhecerá um pouco mais sobre a Gestão de Pessoas e a importância das pessoas para o sucesso da cultura de excelência na empresa. Nessa aula será abordado a Gestão de Pessoas, Capacitação e Desenvolvimento, e Sistema de Trabalho e Qualidade de Vida (QVT). Esses conteúdos desempenham papéis importantes na formação de estudantes e pro�ssionais, proporcionando uma base sólida para o sucesso tanto na vida acadêmica quanto na pro�ssional. Esse conteúdo não apenas compõem os alicerces da gestão da qualidade, mas também Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE desempenham papéis cruciais na formação de pro�ssionais capacitados e na construção de ambientes de trabalho sustentáveis. A gestão de pessoas, juntamente com a capacitação e desenvolvimento das pessoas, desempenham um papel importante nas organizações contemporâneas. Assim, é essencial compreender como liderar, motivar e desenvolver equipes e�cazes. Na vida pro�ssional, a habilidade de gerir pessoas é essencial para cultivar um ambiente de trabalho positivo, promover a colaboração e alcançar metas organizacionais com e�ciência. O Sistema de Trabalho e a busca pela Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) são componentes essenciais para o bem-estar dos pro�ssionais e o sucesso organizacional, sendo que há diversos modelos de QVT que as organizações possam aplicar, dentre eles o modelo BPSO-96. Agora, imagine que você atua em uma empresa que está implantando o Modelo de Excelência da Gestão (MEG), entretanto você sabe que, como é uma nova metodologia (cultura) que está sendo implantada, haverá falta de conhecimento por parte dos colaboradores. Diante disso, você deve propor para a empresa treinamentos, para que os colaboradores possam entender a importância do MEG. Assim, você deve explicar quais as etapas de um processo de treinamento para que este ocorra de forma efetiva. Outro ponto importante é que a empresa também se preocupa com a qualidade no trabalho. Sabendo disso, você deve mostrar qual modelo de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) pode ser utilizado. Portanto, você precisa auxiliar a empresa em que você trabalha a responder a esses questionamentos. Vamos conhecer esse conteúdo! Vamos Começar! A importância da Gestão de Pessoas Discutir excelência e qualidade sem considerar o papel dos colaboradores é quase impensável. A�nal, são eles que participam ativamente de todos os processos organizacionais, desde a criação até a execução, e são responsáveis por impulsionarmelhorias contínuas. Portanto, a qualidade está intrinsicamente ligada à performance de cada indivíduo. Com uma equipe bem capacitada, é mais provável que os custos se reduzam, porque, quando as atividades são realizadas de forma e�ciente, evita-se desperdícios, retrabalhos e gastos excessivos com materiais. Levando em conta esses fatores, pode-se até observar um aumento na produtividade e uma maior satisfação dos consumidores (Silva; Silva, 2017). A área de Gestão de Pessoas tem evoluído consideravelmente, inclusive na forma como é denominada. Enquanto, antes, o foco do setor de Recursos Humanos (RH) era em tarefas mais administrativas, como processamento de salários e processos de admissão e desligamento, atualmente, sua função é mais estratégica e alinhada com os objetivos futuros da empresa. Atualmente, o RH é reconhecido como um aliado estratégico nos negócios (Ribeiro, 2018). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Chiavenato (2022a) destaca algumas funções essenciais na área de Recursos Humanos, que serão apresentadas no Quadro 1. PROVISÃO Pesquisa de mercado de GH Recrutamento e seleção Seleção de pessoas APLICAÇÃO Integração de pessoal Descrição e análise de cargos e salários Avaliação de desempenho MANUTENÇÃO Clima organizacional Qualidade de Vida no Trabalho Higiene e segurança do trabalho DE DESENVOLVIMENTO Treinamento Desenvolvimento organizacional MONITORAÇÃO Aprendizagem corporativa Conhecimentos corporativos Criação e desenvolvimento de competência; Banco de dados/sistemas de informação Controle, frequências e produtividade Balança social Quadro 1 | Processos básicos de RH. Fonte: adaptada de Chiavenato (2022a, p. 106). A empresa precisa, inicialmente, de�nir quais são as competências técnicas e comportamentais que o colaborador precisa ter para desempenhar as atividades a ele direcionadas. Geralmente, as empresas têm o desenho do cargo, que tem todo o detalhamento do cargo, mostrando quais são as tarefas, os deveres e as obrigações, assim como o método de trabalho (Barros Neto, 2022). Na Figura 1, é possível visualizar a composição do desenho do cargo. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Desenho do cargo. Fonte: adaptada de Paiva (2019). Você percebeu como a estrutura de um cargo afeta quase todos os aspectos do RH? A partir desse desenho, são de�nidos os métodos de recrutamento e seleção, treinamento, programas de saúde e bem-estar e até mesmo a remuneração. Dentro do MEG, a administração de Recursos Humanos se enquadra no princípio "Relação com os Stakeholders", com foco especial na equipe de trabalho. A seguir, veja os aspectos Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE relacionados ao desenvolvimento desse time: Quali�cação dos colaboradores. Recrutamento e seleção. Integração com a cultura organizacional. Remuneração, reconhecimento e incentivos, proporcionando à cultura da excelência. Avaliação de desempenho de toda a equipe. Levantamento das necessidades de treinamento e desenvolvimento. Criar novas formas de desenvolvimento. Avaliação da e�cácia dos programas de treinamento e desenvolvimento. Promoção do desenvolvimento integral das pessoas como indivíduos e cidadãos. Seguindo o MEG, a interação com a equipe se baseia em determinados elementos, que serão detalhados na Figura 2. Figura 2 | Relacionamento com a força de trabalho. Fonte: adaptada de FNQ (2016, p. 34). Para que tudo isso funcione, é vital proporcionar um ambiente de trabalho adequado, permitindo que cada membro da equipe atue da forma mais e�caz. A�nal, a “ausência de condições seguras e saudáveis no trabalho pode não apenas afetar a qualidade do atendimento ao cliente, mas também a produtividade dos colaboradores” . Além disso, não oferecer condições básicas pode resultar em descontentamento dos funcionários, prejudicando a reputação da organização perante seus clientes e sua própria equipe, levando a possíveis perdas signi�cativas (Carpinetti; Gerolamo, 2022). Siga em Frente... Conhecendo o processo de treinamento e a qualidade de vida no trabalho Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE A formação adequada dos colaboradores é crucial para estabelecer uma gestão da qualidade verdadeiramente efetiva. Porém, antes de mergulhar nisso, é essencial compreender os termos “treinamento” e “desenvolvimento”. Treinamento refere-se ao aperfeiçoamento de habilidades do colaborador no cargo atual, enquanto desenvolvimento foca em preparar o indivíduo para funções futuras (Chiavenato, 2022a). Ao pensar em capacitação dos colaboradores, é fundamental que todos os níveis da empresa estejam envolvidos, desde o operacional até o estratégico, isso porque a qualidade não é responsabilidade apenas de um setor ou de um grupo de colaboradores; ela deve fazer parte dos valores da empresa e, dessa forma, é responsabilidade de todos. Conforme Chiavenato (2022b), o processo de treinamento se desdobra em quatro etapas: 1. Diagnóstico: essa é a fase inicial e é onde se faz o levantamento das necessidades do treinamento. 2. Desenho: nessa fase, pensa-se de fato na elaboração do projeto ou programa de treinamento, para que possa atender às necessidades que foram identi�cadas na fase anterior. 3. Implementação: é a realização do programa de treinamento. 4. Avaliação: é o momento de checar se os objetivos do treinamento foram alcançados. O Quadro 2 ilustra o detalhamento de cada uma das etapas: Diagnóstico Desenho Implementação Avaliação Identi�car as possíveis necessidades de treinamento: Objetivos da organizaç ão Desenvolvi mento de competên cias necessária s Problemas na produção Problemas de pessoal Programação do treinamento Quem treinar Como treinar Em que treinar Onde treinar Quando treinar Quem fará a condução do programa de treinamento? Será o gestor? Será o RH? Será contratado algum fornecedor ? Monitorar os resultados do treinamento: Avaliação e medição dos resultados Comparaç ão da situação atual com a anterior ao treinament o Análise do custo versus benefícios do Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Resultado s da avaliação de desempen ho treinament o Quadro 2 | Desdobramento das etapas do processo de treinamento. Fonte: adaptada de Chiavenato (2022b, p. 341). Além disso, não podemos esquecer a importância da segurança, da saúde e do bem-estar no trabalho. O conceito de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) foi introduzido nos anos 1970 por Louis Davis durante um projeto sobre estruturação de cargos. Segundo ele, QVT envolve a "atenção ao conforto e saúde dos trabalhadores enquanto exercem suas funções" (Chiavenato, 2022b, p. 170). Hoje, QVT engloba tanto o ambiente físico quanto o psicológico no local de trabalho. Deste modo, há um crescente investimento das empresas em estratégias de QVT, visando promover saúde, bem-estar e satisfação no ambiente pro�ssional (Gramms; Lotz, 2017). Existem vários modelos de QVT, e um deles é o BPSO-96, proposto por Limongi-França em 1996. Esse modelo contempla quatro dimensões: biológica, psicológica, social e organizacional. Cada dimensão possui critérios especí�cos, que serão explorados no Quadro 3. Dimensão Critérios Biológica Refere-se às necessidades físicas do colaborador, de promoção de saúde e da segurança no trabalho, além do controle dos riscos (biológicos, físicos, químicos e ergonômicos). Psicológica Trata-se de garantir um ambiente de trabalho que tenha tolerância às diferenças, livre de assédio e que propicie o fortalecimento da autoestima e o desenvolvimento de competências pro�ssionais e pessoais dos colaboradores. Social Refere-se à oferta de benefícios sociais, sejam eles obrigatórios por lei ou espontâneos, como Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE também às oportunidades de lazer, esporte e cultura aos colaboradores, de forma extensiva aos seus familiares. Organizacional Está relacionado às políticas de gestão de pessoas, à valorização, à capacitação e ao fortalecimento do endomarketing, favorecendo a satisfação do colaborador. É sobre analisar a percepção que o colaborador tem da empresa, o relacionamento da empresa com seus colaboradorese, de modo geral, com toda a comunidade. Quadro 3 | Modelo BPSO-96. Fonte: adaptada de Gramms e Lotz (2017, p. 138). Em outras palavras, a organização deve considerar todas essas dimensões para garantir um ambiente de trabalho salutar para sua equipe. Gestão de Pessoas na prática Numerosas organizações reconhecem o valor crucial de seus funcionários para o aperfeiçoamento de seus procedimentos e ofertas. Por isso, buscam estratégias que incentivem a permanência desses pro�ssionais. Dentro do MEG, a excelência em Gestão de Pessoas pode ser medida por meio de vários critérios. Vamos explorá-los: 1. Recrutamento e seleção dos colaboradores. 2. Preparar as pessoas para realizar as suas atividades, baseados na cultura organizacional. 3. Promover o desenvolvimento integral dos colaboradores, incluindo, também, avaliar o quanto foram e�cazes ou não os programas de desenvolvimento propostos. 4. Realizar a avaliação de desempenho dos colaboradores. 5. Proporcionar remuneração, reconhecimento e incentivos justos. �. Eliminar ou minimizar os riscos e perigos relacionados à saúde e à segurança dos colaboradores. 7. Promover a qualidade de vida e a satisfação dos colaboradores. Algumas organizações estão apostando fortemente em benefícios atrativos, como opções de trabalho a distância, horários �exíveis e benefícios inovadores, como suporte para animais de estimação, viagens, licenças maternidade/paternidade prolongadas e programas de bem-estar mental. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Há aquelas que oferecem capacitação por meio de programas internos, permitindo que o empregado decida seu caminho de aprendizado. Outras preferem plataformas externas, onde o colaborador tem a liberdade de escolher cursos de seu interesse. Tais iniciativas promovem o comprometimento e o contentamento dos empregados, podendo ser determinantes na escolha de uma empresa ou na decisão de mudança. Para as empresas guiadas pelo MEG, um desa�o crucial é conduzir uma análise inicial para identi�car os pontos positivos e as áreas de melhoria em cada subprocesso de RH. As empresas devem questionar a e�cácia de suas práticas, como a atração de candidatos adequados, as estratégias de bem-estar e a prevenção de acidentes. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você pode ajudar a empresa em que trabalha na proposta de treinamento. Vamos lá! Você precisa elencar quais são as etapas de um processo de treinamento. Conforme Chiavenato (2022b), ele se desdobra em quatro etapas: 1. Diagnóstico: essa é a fase inicial e é onde se faz o levantamento das necessidades do treinamento. 2. Desenho: nessa fase, pensa-se, de fato, na elaboração do projeto ou programa de treinamento, para que possa atender às necessidades que foram identi�cadas na fase anterior. 3. Implementação: é a realização do programa de treinamento. 4. Avaliação: é o momento de checar se os objetivos do treinamento foram alcançados. Logo, para o treinamento atingir seus objetivos, é importante seguir essas etapas com comprometimento. Agora, você deve mostrar o modelo de QVT, e um deles é o BPSO-96, proposto por Limongi- França em 1996. Esse modelo é composto por quatro etapas e seus critérios, conforme o Quadro 4: Critérios de Análise do Modelo BPSO-96 Área de investigação Descrição Ações e Programas (Indicadores) Células Organizacionais Biológica Promoção da saúde e da segurança, controle dos Mapa de riscos SIPAT Refeições Segurança do Trabalho e Medicina Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE riscos ambientais e atendimento às necessidades físicas em geral. Serviço médico - interno e contratado Melhorias ergonômic as Treinamen tos especí�co s Ocupacion al Ambulatóri o Nutrição Relações Industriais e/ou Recursos Humanos Psicológica Promoção da autoestima e do desenvolviment o de capacidades pessoais e pro�ssionais. Processo de seleção e avaliação do desempen ho Carreira Remunera ção Programas participati vos Recrutame nto e Seleção Treinamen to de Pessoal Cargos e Salários Relações Industriais e/ou Recursos Humanos Social Oferta de benefícios sociais obrigatórios e espontâneos e criação de oportunidades de lazer, esporte e cultura Direitos legais Atividades associativ as e esportivas Eventos de turismo, lazer e cultura Atendimen to à família Serviço Social Grêmio Esportivo Fundações especí�ca s Recursos Humanos Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Organizacional Valorização da imagem corporativa, da estrutura organizacional, dos produtos e serviços e do relacionamento da empresa com os empregados. Endomark eting Comitês executivos e de decisão Comunica ção interna Imagem externa, responsab ilidade social e cidadania Diretorias executivas Marketing Recursos Humanos Quadro 4 | Dimensões e critérios de análise do modelo BPSO-96. Fonte: Limongi-França (1996, p. 245). Agora, a empresa já pode iniciar os trabalhos, preparar os treinamentos com base nas quatro etapas já mostradas e analisar e buscar meios de implantar o modelo BPSO-96 de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)! Saiba mais No Capítulo 13 – p. 340-356, do livro indicado a seguir, o autor traz mais detalhes sobre cada uma das fases do processo de treinamento (diagnóstico, desenho, implementação e avaliação). Você aprenderá sobre o levantamento e os indicadores das necessidades de treinamento e o mapeamento das competências, como também sobre as tecnologias de treinamento, a taxonomia de Bloom, os tipos e as técnicas de treinamentos e, por �m, como fazer a avaliação do seu treinamento. Para �nalizar, conhecerá as tendências de treinamentos. Outro fator importante dentro da Gestão de Pessoas é a avaliação de desempenho. No Capítulo 9 (p. 235-361), o autor traz muitas informações a respeito desse tema, por exemplo: os conceitos de gestão e avaliação de desempenho, quem deve ser o avaliador e quais são os métodos tradicionais de avaliação mais utilizados. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel da gestão do talento humano. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2022. No Capítulo 5 (p. 180-217) do livro indicado a seguir, você encontrará informações a respeito de como implantar e fazer a gestão de um programa de qualidade de vida no trabalho. Já no https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597024074/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597024074/recent Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Capítulo 6 (p. 218-248), verá alguns exemplos de ações e de atividades relacionadas à Qualidade de Vida no Trabalho divididas pelas dimensões: biológica, psicológica, social e organizacional. GRAMMS, L. C.; LOTZ, E. G. Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho. Curitiba: InterSaberes, 2017. Referências BARROS NETO, J. P. de. Gestão de Pessoas 4.0. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2022. CARPINETTI, L. C. R.; GEROLAMO, M. C. Gestão da Qualidade ISO 9001:2015: requisitos e integração com a ISO 14001:2015. São Paulo: Atlas, 2022. CHIAVENATO, I. Administração de Recursos Humanos: fundamentos básicos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2022a. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel da gestão do talento humano. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2022b. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Modelo de Excelência da Gestão (MEG): guia de referência para a excelência. São Paulo: FNQ, 2016. Disponível em: https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao- pdf. Acesso em: 16 abr. 2023. GRAMMS, L. C.; LOTZ, E. G. Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho. Curitiba: InterSaberes, 2017. LIMONGI-FRANÇA, A. C.; RODRIGUES, A. L. Stress e trabalho: guia básico com abordagem psicossomática. São Paulo: Atlas, 1996. PAIVA, K. C. M. de. Gestão de Recursos Humanos: teorias e re�exões. Curitiba: InterSaberes, 2019. RIBEIRO, A. de L. Gestão de Treinamento de Pessoas. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. SILVA, R. A. da; SILVA, O. R. da. Qualidade, Padronização e Certi�cação. Curitiba: InterSaberes, 2017. Aula 5 Encerramento da Unidade https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/52530 https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao-pdfqualidade como o "grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos" (ISO, 2005 apud Carpinetti, 2016, p. 12). Siga em Frente... Dimensões (atributos) da qualidade Conforme as de�nições de qualidade, percebe-se que existem várias características que conferem qualidade a um produto. Como essas características ou parâmetros de qualidade do produto são muitos e de diversos tipos, para efeito de simpli�cação, é conveniente agrupá-los em atributos da qualidade perceptíveis para o usuário, conforme apresentados no Quadro 2 (Carpinetti, 2016). Atributo (Dimensão) Descrição Desempenho técnico ou funcional Grau com que o produto cumpre a sua missão ou função básica. Facilidade ou conveniência de uso Inclui o grau com que o produto cumpre funções secundárias que suplementam a função básica. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Disponibilidade Grau com que o produto se encontra disponível para uso quando requisitado (por exemplo: não está “quebrado”, não se encontra em manutenção etc.) Con�abilidade Probabilidade que se tem de que o produto, estando disponível, consegue realizar sua função básica sem falhar, durante um tempo predeterminado e sob determinadas condições de uso. Mantenabilidade (ou manutenibilidade) Facilidade de conduzir as atividades de manutenção no produto, sendo um atributo do projeto do produto. Durabilidade Vida útil média do produto, considerando os pontos de vista técnico e econômico. Conformidade Grau com que o produto se encontra em conformidade com as especi�cações de projeto. Instalação e orientação de uso Orientação e facilidades disponíveis para conduzir as atividades de instalação e uso do produto. Assistência técnica Fatores relativos à qualidade (competência, cortesia etc.) dos serviços de assistência técnica e atendimento ao cliente (pré, durante e pós-venda). Interface com o usuário Qualidade do ponto de vista ergonômico, de risco de vida e de comunicação do usuário com o produto. Interface com o meio ambiente Impacto no meio ambiente durante a produção, o uso e o descarte do produto. Estética Percepção do usuário sobre o produto a partir de seus órgãos sensoriais. Qualidade percebida e imagem da marca Percepção do usuário sobre a qualidade do produto a partir da imagem e reputação da marca, bem como sua origem de fabricação (por exemplo, “made in Japan”). Quadro 2 | Dimensões da qualidade. Fonte: Carpinetti (2016, p. 12). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE A satisfação do cliente em relação à qualidade de um produto também depende da relação entre suas expectativas no momento da aquisição e a percepção adquirida durante o consumo, o que é chamado de qualidade percebida. Satisfação ocorre quando a percepção supera as expectativas, e o contrário também é verdadeiro (Carpinetti, 2016). Atualmente o mercado, o governo e as cadeias de produção, principalmente em determinados segmentos, estão cada vez mais preocupados com questões ambientais. Por exemplo, grandes empresas de comércio ou fabricantes de móveis de madeira demandam um selo verde que certi�ca que a madeira usada não foi extraída de maneira predatória de �orestas naturais. Nesses casos, a satisfação do cliente está diretamente relacionada à percepção dos impactos ambientais causados pelo produto e pelos processos de fabricação. A imagem da marca, relacionada a questões ambientais e sociais, também pode in�uenciar as escolhas dos consumidores (Carpinetti, 2016). Essa evolução do conceito da qualidade levou a uma correspondente evolução das práticas de gestão da qualidade. Eras da qualidade A qualidade, junto a outros aspectos ligados à administração empresarial, passou por mudanças ao longo da história, moldadas por acontecimentos políticos e desenvolvimento tecnológico. Na área da gestão da qualidade, as "quatro eras da qualidade" representam diferentes estágios da evolução do conceito de qualidade ao longo do tempo. Cada era trouxe novas abordagens e prioridades para a gestão da qualidade nas organizações. Essas eras são: Era da Inspeção (foco no produto): essa era marca o início do pensamento sobre qualidade. A qualidade era vista, principalmente, como a conformidade do produto �nal às especi�cações. O foco estava na detecção de defeitos por meio de inspeção rigorosa, geralmente realizada no �nal do processo de produção, e separava os produtos “bons” dos produtos “ruins”, ou seja, a detecção de defeitos ocorria somente após a produção. A inspeção 100% era comum, mas isso resultava em altos custos de retrabalho e desperdício (Oliveira, 2014; Toledo et al., 2017). Era do Controle Estatístico da Qualidade (foco no processo): durante essa era, a qualidade passou a ser abordada de forma mais estatística. A contribuição de pensadores, como Walter A. Shewhart e Joseph Juran, foi fundamental. O Controle Estatístico de Processo (CEP) foi introduzido, permitindo que as organizações monitorassem e controlassem a qualidade ao longo do processo de fabricação, em vez de apenas no �nal. Isso ajudou a reduzir a variação e melhorar a consistência da qualidade (Oliveira, 2014; Toledo et al., 2017). Era da Garantia da Qualidade (foco no sistema): nessa era, a ênfase estava na prevenção de defeitos, em vez de apenas na detecção. As organizações começaram a adotar abordagens mais proativas para garantir a qualidade. O foco estava na documentação de processos, na padronização e na criação de procedimentos para garantir a qualidade em todas as etapas da produção (Oliveira, 2014; Toledo et al., 2017). As principais características deste período foram: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Intenso aumento da pressão dos concorrentes. Desenvolvimento de elementos que embasaram essa era: teoria de custos da qualidade, controle da qualidade, técnicas de con�abilidade e programa zero defeitos. Havia um efetivo envolvimento da média gerência, mas ainda não completamente da alta cúpula. Já começava a haver uma preocupação com a qualidade ao longo da cadeia de suprimentos. A ênfase migrou para a prevenção de erros e defeitos, saindo apenas da correção; em razão disso, algumas expressões passaram a ser utilizadas pelas empresas: conscientização, motivação, capacitação e treinamento, visão holística ou sistêmica e outras. Era da Gestão da Qualidade Total (foco no negócio): a Gestão da Qualidade Total (TQM) representa a era mais recente e abrangente na evolução da qualidade. Suas principais características são (Oliveira, 2014; Toledo et al., 2017): Participação de todos, pessoas e setores, na empresa, transcendendo a atividade e o setor de produção. Sua aplicação dá-se em todos os aspectos do negócio (todos os processos e funções). Entendimento de que a satisfação do cliente é essencial e prioritária. Neste momento, surgem os conceitos de cliente interno e externo. O cliente interno é o funcionário que receberá e trabalhará com os resultados do processo anterior, e o externo é o consumidor propriamente dito. Identi�cação minuciosa das necessidades dos clientes e sua transformação em especi�cações claras e bem de�nidas de projeto e produção. Intenso envolvimento da alta direção nas questões da qualidade. Integração da gestão da qualidade à gestão estratégica da empresa. Participação de todos, pessoas e setores, na empresa, transcendendo a atividade e o setor de produção. Sua aplicação dá-se em todos os aspectos do negócio (todos os processos e funções). Entendimento de que a satisfação do cliente é essencial e prioritária. Neste momento, surgem os conceitos de cliente interno e externo. O cliente interno é o funcionário que receberá e trabalhará com os resultados do processo anterior, e o externo é o consumidor propriamente dito. Identi�cação minuciosa das necessidades dos clientes e sua transformação em especi�cações claras e bem de�nidas de projeto e produção. Intenso envolvimento da alta direção nas questões da qualidade. Integração da gestão da qualidade à gestão estratégica da empresa. A Gestão da Qualidade Total extrapolou a organização e passou a considerar seus concorrentes, em que a qualidadehttps://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao-pdf Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é compreender a Gestão da Qualidade a partir de um olhar ampliado que perpassa todas as áreas funcionais da organização, você deverá, primeiramente, compreender e identi�car os critérios do Modelo de Excelência da Gestão (MEG), as suas necessidades, expectativas e importâncias para o cliente. O MEG se trata do acrônimo para Modelo de Excelência de Gestão, e é um modelo de referência que pode ser aplicado em todos os tipos de empresas, independentemente do segmento ou do porte. Atualmente, está em sua 21ª edição (FNQ, 2016). Esse modelo tem como �nalidade integrar, compartilhar e orientar toda a empresa, para que possa atuar com excelência e trazer resultados para todos os envolvidos (Rodrigues, 2020). O MEG é formado por oito fundamentos, que são “um conjunto de valores e princípios que revelam padrões culturais internalizados nas organizações Classe Mundial” (FNQ, 2016, p. 14). Esses oito fundamentos são apresentados no Quadro 1: Fundamentos Características Pensamento sistêmico Compreensão holística da organização, considerando a interdependência entre elementos e impactos das ações no sistema como um todo. Aprendizado Organizacional e Inovação Reconhecimento da importância do aprendizado coletivo para impulsionar mudanças e inovações, utilizando o ciclo PDCL Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE para planejar, executar, controlar e aprender. Liderança transformadora Desenvolvimento de líderes éticos, inspiradores e comprometidos com a excelência, capazes de engajar a equipe na busca pelos objetivos da organização. Compromisso com as partes interessadas Compreensão da interdependência com stakeholders, buscando acordos satisfatórios e entendendo os requisitos das partes interessadas. Adaptabilidade Habilidade de atuar em cenários dinâmicos (VUCA), com capacidade de reação e mobilização para conduzir a organização diante de variações de contexto. Desenvolvimento sustentável Estabelecimento de um modelo de desenvolvimento equilibrado entre questões sociais, ambientais e econômicas, considerando impactos ambientais, logística reversa, igualdade de gênero, diversidade, entre outros. Orientação por processos Abordagem centrada nos processos que geram valor, evitando con�itos entre diferentes áreas e compreendendo a organização como um conjunto de �uxos interligados Geração de valor Trata-se de constatar se os resultados mensurados e aferidos, de fato, representam melhorias contínuas, em termos econômicos, ambientais, sociais, bem como de resultados para fornecedores, clientes e demais interessados. Quadro 1 | Benefícios da Gestão por Excelência. Fonte: adaptado de FNQ (2016). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Podemos entender, então, que uma organização é tida como excelente a partir do momento em que atende de maneira balanceada a todos os fundamentos da gestão da excelência, assim como tenha um alto grau de maturidade em seu sistema de gestão (FQN, 2018). Ciclo PDCL O Ciclo PCDL se trata de uma adequação realizada pela FNQ a partir do ano de 2003, do famoso PDCA, que é o acrônimo das palavras plan, do, check e act, que signi�ca: planejar, executar/realizar, veri�car e agir, respectivamente. A adaptação se deu na substituição do “A” (act/agir) para “L” de learning, ou seja, aprender (FNQ, 2017). Assim, seguem as características de cada etapa do PDCL: Planejamento (plan): de�nição do que será feito em termos de planos, metas, estratégias, ações, etc. Realização (do): desempenho de atividades com o objetivo de criar ou entregar valor. Veri�cação (check): controle para mensurar os resultados e certi�car se eles estão dentro das expectativas. Aprendizado (learn): reunião e interpretação de dados sobre o que funciona e o que não funciona, gerando conhecimento para a empresa e permitindo a �xação de padrões mais e�cientes. É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante, boas-vindas ao nosso estudo de caso! A ideia aqui é que você possa praticar os conceitos que aprendemos em cada uma das aulas. Durante as nossas aulas você aprendeu que, atualmente, a qualidade já não é mais tida como um diferencial, espera-se, inclusive, que “seja parte” do produto ou serviço adquirido e da organização como um todo, ou seja, que seja intrínseco. Para que a empresa alcance de fato a excelência, é fundamental buscar ferramentas para sistematizar e acompanhar as entregas dos departamentos, a assertividade dos processos, de modo que se consiga identi�car os pontos a melhorar. E é disso que se trata o MEG, o qual é um modelo que traz alguns “parâmetros” que devem ser “seguidos” para que a empresa alcance seus resultados, melhore seu padrão de qualidade e, dessa maneira, eleve seus índices de satisfação. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Falar sobre qualidade é mais complexo do que possa parecer, porque a qualidade, a excelência se trata de uma “cultura” que também precisa ser trabalhada, sobretudo com os colaboradores, a�nal, são eles, geralmente, o ponto de contato com os clientes. Os colaboradores devem estar preparados para isso e para resolver possíveis problemas quando eles aparecerem. Além de que são as pessoas (os colaboradores) as responsáveis pelas inovações que acontecem dentro da empresa, portanto é imprescindível que conheçam os clientes, os processos e os produtos e serviços que são oferecidos. Imagine que, na empresa onde você trabalha, você observa que alguns dos processos apresentam falhas e que o atendimento ao cliente precisa ser melhorado. Há alguns colaboradores que atendem mal os clientes, porém a empresa ainda não tem nenhum acompanhamento, histórico ou registro a respeito dos processos ou das reclamações, ou seja, são apenas observações, não há nenhum dado “concreto” que você possa utilizar e apresentar à sua Coordenação. Atualmente, a empresa trabalha a “cultura da excelência” por meio de reuniões de equipe e palestras informativas, mas, agora, quer ampliar e aplicar a gestão da excelência e, por essa razão, quer implementar o MEG. A empresa implantou esse setor há pouco tempo e ainda vem sofrendo com a falta de conhecimento dos demais setores na área da qualidade. O motivo de criar o setor de qualidade na empresa foi por causa de problemas com relação à qualidade de seus produtos, que está impactando na imagem da organização, além de diminuir as vendas e, consequentemente, seu lucro. Assim, para resolver os problemas, você deve implementar o MEG. Para isso, deve fazer um planejamento inicial. Boa resolução! Após a leitura do conteúdo, você, estudante, deve re�etir a respeito das seguintes perguntas: O que é o MEG? Quais são os fundamentos do MEG? Como implementar o MEG? Olá, estudante! Conseguiu analisar o estudo de caso e encontrar a solução para a atividade proposta Veri�caremos algumas informações que precisam constar na sua resolução. Você já sabe que um dos primeiros passos na implementação do MEG é fazer um planejamento inicial, ou seja, você deverá fazer um diagnóstico da situação atual da empresa. Para isso, deve- se considerar os oito fundamentos do MEG. Para iniciar, é interessante incluir algumas informações sobre a empresa. Checaremos algumas dicas do documento Modelo de Excelência da Gestão (MEG): instrumento de avaliaçãoda maturidade da gestão (FQN, 2018): Descrição da organização: aqui, você pode incluir um breve histórico a respeito da empresa, os fatos mais relevantes, a missão, a visão, os valores, a descrição do negócio, qual o setor de atuação e qual é o porte da empresa. Também, você pode incluir informações a respeito da estrutura organizacional: quem são os responsáveis pelas áreas e pelos processos. Modelo de negócios: nesse tópico, você pode inserir quais são os principais produtos/serviços oferecidos pela empresa, descrever os processos da empresa, quais os Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE equipamentos, as tecnologias e as instalações utilizados pela empresa, quais são as competências primordiais da empresa. Detalhamento das partes interessadas: você se lembra quem são consideradas as “partes interessadas” (stakeholders)? Relembraremos: clientes, sócios, mantenedores, força de trabalho, fornecedores e sociedade. Ambiente competitivo: esse é o momento de fazer um levantamento a respeito dos concorrentes. Aqui, é importante identi�car quem são os principais concorrentes e quais são os produtos que eles ofertam. Trata-se de uma concorrência direta (quando o produto/serviço do concorrente é exatamente igual ao seu) ou indireta (quando o produto ou serviço pode substituir o seu, mas não necessariamente seja o mesmo produto/serviço. Também, é o momento de identi�car se a sua empresa se diferencia dos concorrentes e descobrir seu diferencial competitivo. Desa�os estratégicos: elencar os principais desa�os e/ou barreiras encontrados pela empresa. Também, podem ser apresentadas as principais estratégias utilizadas pela empresa, assim como seus respectivos indicadores de desempenho. Aspectos relevantes: aqui, pode-se incluir informações sobre os requisitos legais e regulamentares que envolvem a empresa, incluindo também os relativos à saúde ocupacional, à segurança e à proteção ambiental. Histórico da busca pela excelência: é importante descrever também sobre a cronologia dos fatos mais importantes da empresa em sua busca pela excelência. Assim, você tem um relatório estruturado. Agora, o grande desa�o é analisar todas essas informações e, com base nos indicadores, identi�car o que pode ser melhorado, desenvolvido e, a partir daí, pensar em estratégias que ajudem a empresa a melhorar e a se desenvolver. Olá, estudante! Aqui, apresentaremos um mapa mental dos fundamentos do MEG! Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura | Mapa mental dos fundamentos do MEG. ALHOTRA, N. Plano de Marketing: um guia prático. São Paulo: Saraiva, 2013. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE CHIAVENATO, I. Administração de Recursos Humanos: fundamentos básicos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2022. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Modelo de Excelência da Gestão (MEG): guia de referência para a excelência. São Paulo: FNQ, 2016. Disponível em: https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao- pdf. Acesso em: 26 out. 2023. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Guia Completo para Implementação do MEG na Gestão. São Paulo: FNQ, 2017. Disponível em: https://conteudo.fnq.org.br/implementacao-do-meg. Acesso em: 26 out. 2023. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Modelo de Excelência da Gestão (MEG): instrumento de avaliação da maturidade da gestão. São Paulo: FNQ, 2018. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2019. RODRIGUES, M. V. Ações para a Qualidade: gestão estratégica e integrada para a melhoria dos processos na busca da qualidade e produtividade. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2020. , Unidade 3 Sistema e ferramentas da gestão da qualidade Aula 1 Norma ISO 9000 Norma ISO 9000 Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao-pdf https://conteudo.fnq.org.br/baixe-gratuitamente-a-publicacao-meg-e-instrumento-de-avaliacao-pdf https://conteudo.fnq.org.br/implementacao-do-meg Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais uma aula da disciplina Gestão da Qualidade! Nela, você aprenderá a respeito da família de normas da série ISO 9000, explorando como essas normas estruturam os processos organizacionais, promovendo a e�ciência e aprimorando a satisfação do cliente. Abordaremos também como a ISO 9001, a norma central desta família, serve como uma ferramenta vital para a certi�cação de qualidade, estabelecendo um padrão de referência internacional para a qualidade empresarial. Imagine que você atua em uma empresa que está decidindo implantar a norma ISO 9001. A alta administração já sabe da importância de um sistema de gestão da qualidade e está buscando implementar essa norma para seguir seus requisitos e procedimentos. Assim, você deve auxiliar a empresa a entender melhor alguns fatores, como o que é ISO, quais são as normas da família ISO 9000 e quais são as características da ISO 9001. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Histórico da ISO A International Organization for Standardization, ou Organização Internacional de Normalização (ISO) é uma organização não governamental internacional com sede em Genebra, na Suíça, com início de seu funcionamento em 23 de fevereiro de 1947. A ISO reúne mais de uma centena de organismos nacionais de normalização, sendo representada por países que respondem por cerca de 95% do PIB mundial. Tem por objetivo promover o desenvolvimento da padronização e de atividades correlacionadas, de forma a possibilitar o intercâmbio econômico, cientí�co e de forma em níveis mais acessíveis aos aludidos organismos, além de facilitar a coordenação internacional para a criação de normas para produtos, materiais, processos e sistemas (Toledo et al., 2017). Atualmente, a ISO é composta por mais de 160 países. Todas as normas desenvolvidas por ela são voluntárias, mas os países participantes adotam as normas da ISO e as tornam compulsórias. O Brasil participa da ISO por meio da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é uma sociedade privada, sem �ns lucrativos, e reconhecida pelo governo brasileiro como foro nacional de normalização. É o Comitê Brasileiro da Qualidade (ABNT/ CB 25) que faz a produção das normas brasileiras equivalente às normas produzidas pela ISO. O escopo da ISO sobre normalização está estabelecido em todos os campos do conhecimento, exceto no de normas da área de engenharia eletrônica e elétrica, que são de responsabilidade da International Eletrotechnical Commission (IEC). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE A ISO concilia interesses de produtores, usuários, governos e da comunidade cientí�ca na preparação de normas internacionais. Seu trabalho é desenvolvido por intermédio de mais de 2.600 grupos técnicos, compostos por mais de 20 mil especialistas em todo o mundo, e que participam anualmente dos trabalhos técnicos da ISO, dos quais já resultou a publicação de mais de 18 mil normas desde a fundação da organização (Toledo et al., 2017). Normalização A normalização é o processo que de�ne recomendações para situações atuais ou futuras, visando à aplicação consistente e repetida, com a �nalidade de alcançar o melhor resultado em um contexto especí�co. Assim, os objetivos da normalização são: Economia: possibilitar a redução da variedade de produtos e procedimentos. Comunicação: possibilitar o surgimento de meios mais e�cientes na troca de informação entre o fabricante e o cliente, melhorando a con�abilidade das relações comerciais e de serviços, segurança, proteção ao consumidor e redução de barreiras técnicas e comerciais. Segurança: zelar pela vida humana e a saúde. Proteção ao consumidor: proteger a sociedadea partir de meios e�cazes para aferir a qualidade dos produtos. Eliminação de barreiras técnicas e comerciais: reduzir a existência de regulamentos con�itantes sobre produtos e serviços em distintos países, facilitando o intercâmbio comercial. Na prática, a normalização está presente na fabricação dos produtos, na transferência de tecnologia e na melhoria da qualidade de vida, por meio de normas relativas à saúde, à segurança e à preservação do meio ambiente (Oliveira, 2014). A avaliação de conformidade visa informar e salvaguardar a saúde e segurança do consumidor, bem como o meio ambiente. Além disso, busca promover uma competição equitativa, incentivar a constante melhoria da qualidade, simpli�car as transações comerciais internacionais e consolidar o mercado (Oliveira, 2014). Gestão da qualidade e a série ISO 9000 Um sistema de gestão da qualidade visa prevenir ou reduzir incidentes de falhas no atendimento às demandas dos clientes. Esse foco não só assegura um serviço de qualidade mas também diminui o desperdício. A ISO estabelece uma série de práticas gerenciais que, quando bem aplicadas, têm o potencial de diminuir tais falhas e ine�ciências. Contudo, para que essas práticas sejam efetivamente incorporadas ao dia a dia produtivo e atinjam seus objetivos, é preciso aderir a alguns princípios-chave, e é fundamental que haja liderança e total comprometimento de todos com esses propósitos. A alta administração da organização deve encabeçar e instaurar uma cultura que priorize a gestão da qualidade, assegurando a implantação e continuidade do sistema. Para garantir o engajamento de todos, a liderança deve prover o suporte essencial à gestão da qualidade, ofertando os recursos materiais e humanos adequados, promovendo a conscientização e formação dos colaboradores, estabelecendo Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE canais de comunicação e�cientes e registrando procedimentos e desempenhos (Carpinetti, 2016). A gestão da qualidade engloba diversos princípios, métodos e instrumentos, o que pode confundir os gestores durante sua elaboração e aplicação, dada a vastidão de opções. Para orientar e simpli�car este processo, em 1987, foram criadas as normas da família ISO 9000, fortemente baseadas nas normas britânicas da qualidade e nas experiências e contribuições de especialistas e representantes de diversos países e que conseguiram superar divergências quanto à terminologia, aos conceitos e às práticas e chegar a um resultado. Essas normas consistem em diretrizes e critérios que, quando adequadamente aplicados, garantem a qualidade em design, processos, produtos e serviços, ampliando a competitividade das organizações. No entanto, é crucial entender que as normas ISO 9000 representam apenas uma abordagem prática e sistemática dos pilares fundamentais da teoria da qualidade. Elas são um ponto de partida valioso para a busca pela excelência em qualidade. Porém, empresas que se limitarem exclusivamente a elas deixarão de explorar outras oportunidades de aprimoramento. Além disso, as normas da ISO passam por revisões periódicas, de modo a adequá-las às condições de mercado e às necessidades das organizações. A família da norma ISO 9000 é composta pelas seguintes normas, conforme o Quadro 1. Norma Descrição ISO 9000 – Sistema de Gestão da Qualidade: Fundamentos e vocabulário Apresenta os princípios de gestão da qualidade e de�ne os termos usados na série 9000. ISO 9001 – Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisito De�ne os requisitos básicos para a implantação de um sistema de gestão da qualidade. Essa é a norma de certi�cação. ISO 9004 – Gestão da qualidade – Qualidade de uma organização – Orientação para alcançar o sucesso sustentado Fornece diretrizes que consideram tanto a e�cácia como a e�ciência do sistema de gestão da qualidade. O objetivo desta norma é melhorar o desempenho da organização e a satisfação dos clientes e das outras partes interessadas. Quadro 1 | Normas da família ISO 9000. Fonte: adaptado de Toledo et al. (2017). A NBR ISO 9000, no Brasil, é a referência central para outras normas da série. Ela explica os princípios básicos dos sistemas de gestão da qualidade e fornece um glossário de termos relacionados. Essa norma é relevante para organizações que desejam potencializar sua Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE competitividade através da qualidade e para aqueles focados em usar a terminologia correta em gestão da qualidade, como fornecedores, clientes, entidades reguladoras e auditores de sistemas de qualidade (Oliveira, 2014). A NBR ISO 9004 não é voltada para certi�cação. Ela traz orientações para que empresas alcancem sucesso de longa duração, satisfazendo as demandas e os anseios de clientes e outros stakeholders de maneira equilibrada. Esse sucesso duradouro é possível através de uma gestão e�ciente, com foco na percepção do contexto empresarial, aprendizado contínuo e implementação de aperfeiçoamentos. A NBR ISO 9004 foi estruturada para harmonizar com a NBR ISO 9001 e ser compatível com outras normas de gestão. Uma inovação da edição 2010 é incentivar as empresas a conduzirem autoavaliações, examinando sua maturidade em áreas como liderança, estratégia e processos, identi�cando tanto pontos positivos quanto áreas que necessitam de melhorias ou inovações (Toledo et al., 2017). A NBR ISO 9001 é a norma principal, que apresenta os requisitos de gestão da qualidade que compõem o sistema de gestão da qualidade estabelecido como modelo pela ISO, e tem por �nalidade a certi�cação de sistemas da qualidade segundo seus requisitos. A NBR ISO 9000 apresenta os princípios de gestão que fundamentam o sistema, além de de�nir os termos usados pela NBR ISO 9001 (Carpinetti; Gerolamo, 2016). Siga em Frente... Sistema Documental Conforme (Toledo et al., 2017), a documentação exigida pela norma ISO 9001 deve incluir: Política da qualidade e objetivos da qualidade: devem ser formalizados em documentos e estão no topo da hierarquia do sistema documental. A política e os objetivos da qualidade fornecem evidências do planejamento da qualidade e devem nortear todo o processo de implementação e manutenção do sistema de gestão da qualidade. Manual da qualidade: é o documento que descreve o sistema de gestão da qualidade da organização. Portanto, é obrigatório. Procedimentos: consistem numa descrição das principais atividades de um processo. Portanto, são rotinas padronizadas que facilitam a execução de uma operação, e, por isso, são chamadas de Procedimentos Operacionais Padrão (POP). Instruções de trabalho: são documentos que detalham a execução de uma atividade pertencente a um determinado processo. Portanto, são mais operacionais que os procedimentos. Registros: são um tipo especial de documento que devem ser estabelecidos e mantidos para prover evidências de que as atividades realizadas pela organização estão em consonância com a norma e com o seu sistema de gestão da qualidade. Também demonstram os resultados obtidos. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE A ISO 9001, como visto anteriormente, exige que a organização crie procedimentos documentados para apenas seis requisitos. Porém, uma organização pode ter tantos procedimentos documentados quantos forem necessários. A norma ISO 9001 e seus requisitos A NBR ISO 9001, no contexto brasileiro, estabelece critérios para os sistemas de gestão da qualidade. Esses requisitos são universais e se adequam a qualquer tipo de organização, independentemente de seu tamanho ou da natureza de seus produtos, seja em bens ou serviços. Para aquelas entidades que buscam certi�car seu sistema de gestão da qualidade, a referência atual é essa norma. A obtenção da certi�cação indica que um órgão certi�cador avaliou o sistema de gestão da qualidade da empresa conforme os padrões da norma e, ao veri�car sua conformidade, emite um certi�cado atestando isso. A NBR ISO 9001 teve sua primeira edição em 1987, sendo revisada em 1994, 2000, 2008 e 2015. Logo, ela sempre está passando por revisões e atualizações. Essa norma oferece diretrizes para companhiasde diferentes tamanhos e segmentos para estabelecer e administrar um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) de maneira estruturada e harmonizada com todos os departamentos e atividades da empresa. Essa norma busca criar uniformidade e aprimorar a qualidade de produtos e serviços, minimizando inconsistências e satisfazendo as demandas dos consumidores (Oliveira, 2014). Entretanto, a NBR ISO 9001 não é obrigatória para as organizações. Mas, se não é obrigatória, quem precisa de um certi�cado ISO 9001? Em muitos casos, o cliente exige do fornecedor esse certi�cado como evidência de capacitação para o atendimento dos requisitos da qualidade e como exigência prévia para a aquisição do produto ou serviço. Também, vem se tornando comum a exigência de mais de um certi�cado. Por exemplo, certi�cações da qualidade e ambiental. E como esses sistemas de gestão apresentam grande similaridade, com várias atividades em comum, caso a empresa necessite dos dois certi�cados, é mais racional que se implemente um único sistema, integrando os requisitos dos diferentes sistemas de gestão (Carpinetti, 2016). Para implementar a norma ISO 9001, o engajamento e envolvimento ativo da alta administração são cruciais, conforme destacado pela própria norma, nas etapas de criação e implementação do SGQ baseado na ISO 9001. Isso porque serão necessários investimentos especí�cos em recursos �nanceiros, pessoal e infraestrutura em diferentes fases e intensidades (Carpinetti, 2016). Alguns princípios preconizados pela ISO 9001 são: Foco no cliente. Liderança. Engajamento das pessoas. Abordagem de processo. Melhoria contínua. Tomada de decisão baseada em evidências. Gestão de relacionamento. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Baseado nos princípios de gestão estabelecidos pela NBR ISO 9001 e na experiência acumulada pelo comitê da ISO responsável pela revisão do sistema (Technical Commitee – TC 176), o modelo de sistema de gestão da qualidade de�nido pela ISO na revisão de 2015 é detalhado em sete cláusulas da norma. São elas: Contexto da Organização (cláusula 4). Liderança (cláusula 5). Planejamento do Sistema de Gestão da Qualidade (cláusula 6). Suporte (cláusula 7). Operação (cláusula 8). Avaliação de Desempenho (cláusula 9). Melhoria (cláusula 10). No contexto da ISO 9001:2015, cada cláusula refere-se a distintos aspectos ou processos de gestão, sendo fundamentais para a obtenção da certi�cação. O requisito central do sistema é a operação, indicada pela cláusula 8, pois visa reduzir falhas operacionais que possam comprometer as expectativas dos clientes. Para que os padrões operacionais sejam bem implementados, é necessário integrá-los a outros aspectos gerenciais. Inicialmente, é imprescindível planejar o sistema de qualidade, e as diretrizes para esse planejamento estão dispersas entre as cláusulas 4 e 6. O êxito do sistema exige o compromisso e a participação ativa da liderança, bem como diversas atividades de apoio. Enquanto a cláusula 5 aborda a liderança, a cláusula 7 se concentra no suporte. Além disso, o sistema deve passar por avaliações e aprimoramentos contínuos. A cláusula 9 estabelece critérios de avaliação, enquanto a revisão global do sistema é predominantemente guiada por análises críticas da alta gestão. Os desdobramentos dessas análises conduzem a propostas de ações corretivas ou evolutivas, e a cláusula 10 delineia a execução dessas ações de aprimoramento (Carpinetti, 2016). A Figura 1 ilustra as relações de causa e efeito entre esses processos ou requisitos de gestão. Os processos das cláusulas 6, 7, 8, 9 e 10 formam um ciclo PDCA de melhoria. Todos os processos dessas cláusulas dependem da liderança, ou seja, do papel e das atividades de liderança requeridos pela ISO 9001:2015. As informações de entrada para de�nição e planejamento do sistema da qualidade são: a realidade da organização e o seu contexto; os requisitos dos clientes; as necessidades e expectativas de outras partes interessadas. E os resultados, saídas do sistema da qualidade, são a satisfação dos clientes sobre os produtos e serviços (Carpinetti; Gerolamo, 2016). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Modelo de sistema de gestão da qualidade da ISO 9001:2015. Fonte: NBR ISO 9001:2015 apud Carpinetti (2016, p. 55). O esforço da ISO em relacionar os requisitos do sistema de gestão da qualidade ao ciclo PDCA é fundamental para a consolidação da �loso�a de melhoria contínua. Mas, em nossa visão, apesar de a cláusula 6 ser especí�ca sobre planejamento, para implementar o sistema de gestão, observa-se que em todas as cláusulas da norma há requisitos de planejamento. O exemplo mais evidente é a cláusula 8.1 (planejamento e controle operacional) (Carpinetti; Gerolamo, 2016). Os princípios de foco no cliente, abordagem por processo e gestão de relacionamento estão mais claramente presentes nos requisitos de planejamento e operação. Os princípios de melhoria e decisão baseada em evidências se aplicam aos requisitos de avaliação e melhoria, no entanto se aplicam também a requisitos de operação. Certamente, a e�cácia da implementação de um sistema de gestão dependerá do quanto esses requisitos fazem parte da cultura e das práticas de gestão da organização (Carpinetti; Gerolamo, 2016). Certi�cação do sistema de qualidade ISO 9001 A certi�cação de um sistema da qualidade ISO 9001 é um processo de avaliação pelo qual uma empresa certi�cadora avalia o sistema da qualidade de uma organização interessada em obter um certi�cado e: Atesta que o sistema de gestão da qualidade da organização condiz com o modelo de sistema de gestão da qualidade estabelecido pela ISO 9001. Atesta que foram encontradas evidências de que a organização implementa as atividades de gestão da qualidade tidas como necessárias para atender aos requisitos dos clientes. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE O processo de avaliação conduzido pela empresa certi�cadora é chamado de auditoria de terceira parte. Auditoria porque a avaliação tem um valor o�cial; e de terceira parte por se tratar de uma auditoria realizada por um organismo independente, que não a própria organização (primeira parte) ou um cliente da organização (segunda parte). E a empresa certi�cadora, que audita e emite o certi�cado, é normalmente chamada de organismo certi�cador (Carpinetti; Gerolamo, 2016). Deve-se enfatizar que o certi�cado não é emitido pela ISO, pois a ISO não emite certi�cados, mas apenas de�ne um padrão de sistema da qualidade. A ISO recomenda, inclusive, que no material de divulgação do certi�cado não se use a expressão certi�cado ISO, para não se induzir o público a pensar que é um certi�cado emitido pela ISO. A ISO recomenda, ainda, que seja usada a expressão certi�cado ISO 9001:2015 para manter clara a informação quanto à atualização da norma (Carpinetti; Gerolamo, 2016). Os organismos certi�cadores, as empresas que emitem os certi�cados, são normalmente credenciados (ou acreditado, do inglês accredited) para a emissão de um certi�cado ISO 9001. O credenciamento (ou acreditação) dos organismos certi�cadores é feito, no Brasil, pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), uma autarquia federal que tem entre as suas responsabilidades o credenciamento de laboratórios, organismos certi�cadores, inspeção de produtos e outras. O INMETRO, que coordena o sistema nacional de certi�cação no Brasil, é reconhecido internacionalmente como o organismo de credenciamento brasileiro, seguindo a tendência internacional atual de apenas um credenciador por país ou economia (Carpinetti; Gerolamo, 2016). O credenciamento de organismos certi�cadores é voluntário e não obrigatório. No entanto, o credenciamento pelo INMETRO dá maior credibilidade aos organismos certi�cadores, especialmente os nacionais, que não são credenciados em outros países. O INMETRO disponibiliza em seu site, às empresas interessadas no credenciamento (“acreditação”), todas as informações e documentos necessários para o processo de credenciamento e sua manutenção (Carpinetti; Gerolamo, 2016).O certi�cado ISO 9001 tem validade de três anos. No entanto, as empresas certi�cadas devem passar por auditorias de manutenção, com periodicidade semestral ou anual. Nessas auditorias de manutenção, a empresa certi�cada, para manter seu certi�cado, deve prover evidências de que o sistema da qualidade continua a atender aos requisitos da ISO 9001 e que não conformidades identi�cadas em auditorias anteriores receberam o devido tratamento. Após o período de três anos, a empresa passa por um processo de recerti�cação para renovação do certi�cado por igual período (Carpinetti; Gerolamo, 2016). Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você já pode ajudar a alta administração da empresa em que você trabalha na implantação da norma ISSO 9001. Vamos lá! Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Você precisa explicar o que é a ISO, quais as normas da família ISO 9000 e as características da ISO 9001. A International Organization for Standardization, ou Organização Internacional de Normalização ou Padronização (ISO), é uma organização não governamental internacional com sede em Genebra, na Suíça, e tem por objetivo promover o desenvolvimento da padronização e de atividades correlacionadas, de forma a possibilitar o intercâmbio econômico, cientí�co e de forma em níveis mais acessíveis aos aludidos organismos, além de facilitar a coordenação internacional para a criação de normas para produtos, materiais, processos e sistemas. A família de normas da séria ISO 9000 é composta pela ISO 9000, ISO 9001 e ISO 9004. A NBR ISO 9000, no Brasil, é a referência central para outras normas da série. Ela explica os princípios básicos dos sistemas de gestão da qualidade e fornece um glossário de termos relacionados. A NBR ISO 9004 não é voltada para certi�cação. Ela traz orientações para que empresas alcancem sucesso de longa duração, satisfazendo as demandas e os anseios de clientes e outros stakeholders (partes interessadas) de maneira equilibrada. Este sucesso duradouro é possível através de uma gestão e�ciente, com foco na percepção do contexto empresarial, aprendizado contínuo e implementação de aperfeiçoamentos. A NBR ISO 9004 foi estruturada para harmonizar com a NBR ISO 9001 e ser compatível com outras normas de gestão. A NBR ISO 9001 oferece diretrizes para companhias de diferentes tamanhos e segmentos para estabelecer e administrar um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) de maneira estruturada e harmonizada com todos os departamentos e atividades da empresa. Essa norma busca criar uniformidade e aprimorar a qualidade de produtos e serviços, minimizando inconsistências e satisfazendo as demandas dos consumidores. A NBR ISO 9001 não é obrigatória para as organizações. O certi�cado ISO 9001 tem validade de três anos. No entanto, as empresas certi�cadas devem passar por auditorias de manutenção, com periodicidade semestral ou anual. Nessas auditorias de manutenção, a empresa certi�cada, para manter seu certi�cado, deve prover evidências de que o sistema da qualidade continua a atender aos requisitos da ISO 9001 e que não conformidades identi�cadas em auditorias anteriores receberam o devido tratamento. Após o período de três anos, a empresa passa por um processo de recerti�cação para renovação do certi�cado por igual período. Agora, você e a alta administração da empresa já têm mais conhecimento a respeito da família de normas ISO 9000! Saiba mais Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Para saber mais a respeito do processo de certi�cação do sistema da qualidade ISO 9001, veja a Seção 2.3, Certi�cação de sistema da qualidade ISO 9001, do Capítulo 2, do livro indicado a seguir, o qual está disponível na Biblioteca Digital: CARPINETTI, L. C. R.; GEROLAMO, M. C. Gestão da Qualidade ISO 9001: 2015. São Paulo: Atlas, 2016. Leia o seguinte artigo, que discorre sobre identi�car as principais motivações, benefícios e di�culdades na certi�cação de Sistemas de Gestão da Qualidade ISO 9001 em empresas brasileiras. MAEKAWA, R.; CARVALHO, M. M. de; OLIVEIRA, O. J. de. Um estudo sobre a certi�cação ISO 9001 no Brasil: mapeamento de motivações, benefícios e di�culdades. Gestão & Produção, v. 20, n. 4, p. 763-779, nov. 2013. Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. CARPINETTI, L. C. R.; GEROLAMO, M. C. Gestão da Qualidade ISO 9001: 2015. São Paulo: Atlas, 2016. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Aula 2 Ferramentas da Qualidade - parte 1 Ferramentas da qualidade – Parte 1 Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597007046/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4052:35 https://www.scielo.br/j/gp/a/rdyRynHz9g56J4KGSCWndKf/ https://www.scielo.br/j/gp/a/rdyRynHz9g56J4KGSCWndKf/ Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais uma aula de Gestão da Qualidade. Na busca contínua pela excelência em qualidade, utilizamos ferramentas-chave para analisar e melhorar processos. A estrati�cação permite que dividamos os dados em grupos signi�cativos, revelando insights ocultos. As folhas de veri�cação garantem a coleta e�ciente e organizada desses dados. O Diagrama de Pareto nos ajuda a focar nas poucas causas que geram a maioria dos problemas, e o Diagrama de Causa e Efeito visa identi�car as causas dos problemas para desenvolver ações para eliminá-las. Nessa aula, exploraremos como essas ferramentas transformam dados em ação. Você atua em uma indústria que implantou o setor de qualidade e está dando seus primeiros passos na parte de monitoramento dos processos. Você foi contratado para a área da qualidade de processos. Para ajudar a empresa, você deve explicar para os demais colaboradores sobre a estrati�cação, a folha de veri�cação e o Diagrama de Pareto. Além disso, você já coletou alguns dados e deve realizar a classi�cação ABC da ocorrência de defeitos nos produtos e seus respectivos custos de retrabalho. Os dados apresentados no Quadro 1 são relativos à operação de 10 meses. Bloco 1 Defeitos -> X1 X2 X3 N. Ocorrência 90 46 11 Custo unitário do retrabalho (R$) 10 4 80 Bloco 2 X4 X5 X6 X7 150 595 160 100 1 5 5 2 Bloco 3 X8 X9 X10 43 135 10 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE 50 1 17 Quadro 1 | Normas da família ISO 9000. Fonte: elaborado pelo autor. Sendo assim, estudante, você precisa auxiliar a indústria em que você trabalha a responder a esses questionamentos e a elaborar o Diagrama de Pareto. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Ferramentas da qualidade A aplicação de instrumentos estatísticos nas empresas advém da percepção de que, ao reconhecer e eliminar as origens dos problemas, a qualidade e a produtividade aumentam. Além disso, a utilização de métodos grá�cos traz benefícios superiores em comparação com análises menos organizadas. Em essência, esses métodos facilitam o reconhecimento e a classi�cação dos problemas conforme sua relevância (Toledo et al., 2017). As sete ferramentas da qualidade servem para organizar, interpretar e maximizar a e�ciência no uso de dados, basicamente de dados do tipo numérico, por meio do estabelecimento de procedimentos organizados de coleta, apresentação e análise de dados relativos aos processos e produtos de uma organização. Assim, as sete ferramentas da qualidade e seus respectivos objetivos são apresentados no Quadro 2. Ferramentas da qualidade Objetivos Estrati�cação Agrupamento ou organização de dados de um processo em grupos signi�cativos representativosde segmentos (ou estratos) da população de dados do processo. Folha de veri�cação Registro e agrupamento logicamente organizados de dados e informações a respeito de uma tarefa ou de um processo estudado. Diagrama de Pareto É um grá�co de barras ordenadas da maior para a menor. No eixo horizontal, são colocados os tipos de perdas, e no eixo vertical, as quantidades perdidas, de maneira que a ordem das barras mostre a Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE importância relativa dos tipos de perdas Diagrama de Causa e Efeito Identi�cação de fatores ou causas (variáveis de veri�cação) que geram ou sustentam uma degeneração da qualidade ou determinado problema (variável de controle) ou efeito de um processo ou produto. Histograma Representação grá�ca do número de vezes que determinada característica ou fenômeno ocorre (distribuição de frequência) no processo estudado. Diagrama de Dispersão É um grá�co que permite visualizar a possível relação entre duas variáveis numéricas. Grá�co (ou Cartas) de Controle Sinalização do comportamento, temporal, de variáveis relacionadas à dinâmica de dado processo. Quadro 2 | As ferramentas da qualidade e seus objetivos. Fonte: Toledo et al. (2017, p. 196). Estrati�cação A estrati�cação é o processo de subdividir um conjunto em vários subconjuntos com base em características especí�cas ou critérios de estrati�cação. As principais fontes de variação nos processos de produção são exemplos de fatores que podem estrati�car um conjunto de dados: equipamentos, materiais, pessoal, técnicas, medições e fatores ambientais são critérios típicos para essa subdivisão. Ao estrati�car os dados, busca-se entender como a variação em cada um desses critérios afeta o desempenho do processo ou a questão em análise. Por exemplo, o número de acidentes do trabalho em determinada empresa pode ser estrati�cado por setor, por tipo de acidente, por período etc. Folha de veri�cação A folha de veri�cação (ou lista de veri�cação, ou checklist, ou tabela de contagem) é uma ferramenta que auxilia no planejamento da coleta de dados, antecipando análises futuras. Ela torna a coleta mais estruturada e simples, evitando a reorganização subsequente das informações. Basicamente, a folha de veri�cação é um documento com os itens a serem observados já pré-de�nidos. Existem diversas variantes dessa ferramenta que podem ser criadas conforme a necessidade. O Quadro 3 ilustra um exemplo de folha de veri�cação. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Problema XXXXXXXXXXX Período: 1º/mar./00 a 31/mar/00 Responsável: Sr. Y Tipo de defeito Frequência Total Defeito 1 ///// ///// ///// ///// / 21 Defeito 2 ///// ///// ///// ///// ///// ///// ///// Defeito 3 ///// ///// ///// // Defeito 4 ///// ///// ///// ///// ///// //// Defeito 5 /// Defeito 6 ///// Total 110 Quadro 3 | Exemplo de folha de veri�cação. Fonte: adaptado de Oliveira (2014, p. 65). Siga em Frente... Diagrama de Pareto O Diagrama de Pareto é um grá�co usado para destacar os principais problemas em um conjunto de dados, permitindo focar nas questões mais críticas. Embora originado das observações do economista e sociólogo italiano Vilfredo Pareto (1843-1923) sobre a distribuição desigual da riqueza, foi Joseph Moses Juran que, em 1950, adaptou a ideia para o contexto da qualidade, chamando-a de Princípio de Pareto. Esse diagrama é também referido como Grá�co ABC ou 20- 80 (ou regra 80-20). A essência deste conceito é que uma minoria das causas (aproximadamente, 20%) resulta na maioria dos problemas ou defeitos (cerca de 80%). O objetivo é identi�car e focar nas causas "vitais" que causam a maioria dos problemas, enquanto as outras causas são consideradas "triviais". Nesse sentido, o Diagrama de Pareto é uma ferramenta importante para a priorização das ações. A Figura 1 ilustra um Grá�co de Pareto. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Exemplo de Diagrama de Pareto. Fonte: Oliveira (2014, p. 67). Diagrama de Causa e Efeito O Diagrama de Causa e Efeito também é conhecido como Diagrama de Espinha de Peixe, ou Diagrama de Ishikawa, em homenagem a Kaoru Ishikawa, que o desenvolveu na Universidade de Tóquio em 1943. É uma representação grá�ca que permite a organização de informações por semelhança a partir de seis eixos principais, que são chamados seis M (método, material, máquinas, meio ambiente, mão de obra e medição), possibilitando a identi�cação das possíveis causas de determinado problema ou efeito, de forma especí�ca e direcionada. A construção de um Diagrama de Causa e Efeito deve ser realizada por um grupo de pessoas envolvidas com o processo considerado. A participação do maior número possível de pessoas envolvidas com o processo é muito importante para que se possa construir um diagrama completo, que não omita causas relevantes. Para a condução do trabalho em equipe, é aconselhável que sejam realizadas sessões de brainstorming. O brainstorming tem o objetivo de auxiliar um grupo de pessoas a produzir o máximo possível de ideias em um curto período de tempo. A identi�cação das causas exige a realização de uma sequência de perguntas que evidenciem a ligação entre os fatos, retroagindo-se a partir do efeito estudado, da direita (cabeça do peixe) para a esquerda (espinhas), conforme a Figura 2. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 2 | Modelo de Diagrama de Ishikawa. Fonte: Oliveira (2014, p. 68). A Figura 3 ilustra um exemplo de Diagrama de Causa e Efeito para um problema de “atraso em pedido de compra”. Figura 3 | Diagrama de Causa e Efeito: causas para o atraso em pedido de compra. Fonte: Carpinetti (2016, p. 85). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Conforme a Figura 3, é possível veri�car que, nesse exemplo, foram utilizadas somente quatro classes (Operador, Política, Método e Máquina), logo não é obrigatório utilizar os seis M, mas, sim, deve-se utilizar as classes necessárias para resolver determinado problema e, caso necessário, pode-se criar uma nova classe, conforme no exemplo, em que temos a classe “Política”. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Para auxiliar a indústria em que você atua, você deve começar a explicar o que é estrati�cação, folha de veri�cação e Diagrama de Pareto. A estrati�cação é um método usado para separar dados em camadas ou categorias mais �nas para facilitar a análise de causas subjacentes e padrões dentro de um processo. É útil para identi�car fontes especí�cas de variação em um conjunto de dados, possibilitando intervenções mais direcionadas para melhoria da qualidade A folha de veri�cação é um formulário padronizado usado para coletar e registrar dados em tempo real no local onde os dados são gerados. Serve para simpli�car a coleta de dados, garantindo consistência e precisão, e é essencial para processos de análise e decisão baseados em fatos. O Diagrama de Pareto é uma ferramenta grá�ca que classi�ca as causas de um problema em ordem de frequência de ocorrência. Baseado no princípio de que uma pequena quantidade de causas é responsável pela maior parte dos problemas (princípio 80/20), ele orienta os esforços de melhoria de qualidade para se concentrarem nos aspectos que terão o maior impacto. Agora, com os dados coletados, você deve multiplicar o número de ocorrência pelo custo unitário do retrabalho para cada defeito e, em seguida, classi�car em A, B e C. Assim, temos o Quadro 4: Bloco 1 Ordem Item Demanda valorizada % individual 1 X5 297500 35 2 X8 212500 25 3 X1 90000 10,6 4 X3 86000 10,1 5 X6 80000 9,4 6 X7 20000 2,4 7 X2 18500 2,1 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE 8 X10 17000 2 9 X4 15000 1,8 10 X9 13500 1,6 Bloco 2 Demanda valorizada acumulada % acumulado Classe 297500 35 A 510000 60 A 600000 70,6 B 686000 80,7 B 766000 90,1 B 786000 92,5 C 804500 94,6 C 821500 96,6 C 836500 98,4 C 850000 100 C Quadro 4 | Classi�cação ABC conforme demanda valorizada. Fonte: elaborado pelo autor. Agora, você deve construir o Diagrama de Pareto. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 4 | Diagrama de Pareto (Grá�co ABC). Fonte: elaborada peloautor. Assim, você sabe que os defeitos X5 e X8 devem ter prioridade para resolvê-los, pois o impacto �nanceiro é maior. Diante disso, deve-se desenvolver planos de ação para buscar a resolução desses problemas. Saiba mais Para saber mais a respeito das ferramentas da qualidade (estrati�cação, folha de veri�cação, Diagrama de Pareto e Diagrama de Causa e Efeito), leia a seção 4.1 As sete ferramentas da qualidade, do livro indicado a seguir: CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/pages/recent Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Aula 3 Ferramentas da Qualidade - parte 2 Ferramentas da qualidade – Parte 2 Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais uma aula 3 da disciplina Gestão da Qualidade! Nela, você aprenderá a respeito do histograma, do Diagrama de Dispersão e do grá�co de controle. Essas ferramentas da qualidade são vitais para entender a distribuição e a relação entre variáveis de processo e monitorar a estabilidade e a variabilidade ao longo do tempo. Por meio delas, podemos identi�car padrões, causas de variação e manter os processos sob controle, assegurando a qualidade e a melhoria contínua. Imagine que você atua em uma indústria que está implantando a gestão da qualidade. A empresa ainda não monitora seus processos e precisa monitorá-los. Assim, como primeiro passo, você coletou os seguintes dados de um determinado processo (Quadro 1). Bloco 1 Dados 9,9 10,1 9,8 10,2 9,3 9,9 9,9 9,8 10,2 9,7 10,1 10,7 9,4 9,8 10,4 9,9 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE 10,1 9,9 10 10,7 9,6 10 10,2 9,3 9,9 9,6 10,1 10,3 10,1 9,7 9,8 9,9 9,8 9,4 10,1 10,5 9,8 9,6 10,3 9,8 9,8 10 10 10,3 Bloco 2 Dados 9,9 10,5 9,8 10,6 10,3 9,8 9,5 9,5 9,9 9,4 9,3 9,6 10,2 10,3 9,2 10,2 9,0 9,7 9,9 Quadro 1 | Dados coletados. Fonte: elaborado pelo autor. Com esses dados, você deve construir um histograma. Além disso, como a empresa quer monitorar seus processos, você deve explicar o que é Diagrama de Dispersão e o grá�co de controle. Deste modo, estudante, você precisa auxiliar a indústria em que você trabalha a responder a esses questionamentos. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Histograma O histograma (histogram) mostra, por meio de barras verticais desenhadas lado a lado, a distribuição de frequências de uma variável, revelando padrões difíceis de reconhecer quando os dados estão apresentados somente em tabelas (Vieira, 2014). Assim, o histograma dispõe as informações de modo que seja possível a visualização da forma da distribuição de um conjunto de dados e a percepção da localização do valor central e da dispersão dos dados em torno desse valor central (Carpinetti, 2016). Assim, o histograma serve para mostrar a forma da distribuição de frequências, veri�car se o processo está centrado no valor nominal e estudar a dispersão dos dados, conforme ilustra a Figura 1. Figura 1 | Modelo de um histograma. Fonte: Carpinetti (2016, p. 89). Conforme Carpinetti (2016), o histograma pode ser elaborado seguindo os passos a seguir: 1. Colete n dados referentes à variável, cuja distribuição será analisada (aconselhável que n seja mais do que 50). 2. Escolha o número de intervalos ou classes (k), não há uma regra para a escolha de k, entretanto pode ser utilizado, conforme o Quadro 2. Tamanho da amostra (n) Número de intervalos (k) Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE 250 10 – 20 Quadro 2 | Número de intervalos em função do tamanho da amostra. Fonte: Carpinetti (2016, p. 86). 3. Determine a amplitude total (At) dos dados: At = Max – Min, em que Max é o maior valor da amostra e Min é o menor valor da amostra. 4. Determine o comprimento de cada intervalo (h), dado por: h = (At / k). O valor de h deve ser arredondado de forma que seja obtido um número conveniente. 5. Calcule os limites de cada intervalo: o limite inferior do primeiro intervalo corresponde ao menor valor da amostra; o limite inferior do segundo intervalo corresponde ao menor valor (MIN) mais a largura do intervalo, h. Isso signi�ca que o primeiro intervalo está entre: Min ≤ k1ao longo do tempo. Os dados são representados por pontos, a média é representada por uma linha central e os limites superior e inferior de controle são linhas que estabelecem as margens dentro das quais os dados de processo sob controle podem �utuar (Vieira, 2014). r = n.∑(X.Y )−∑X.∑Y √n.∑X2−(∑X)2.√n.∑Y 2−(∑Y )2 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Todos os processos apresentam variações, que podem ocorrer por diversas razões. Essas variações podem ser divididas em dois grupos: causas especiais e causas comuns. Causas especiais caracterizam processos instáveis e fora de controle devido a eventos especí�cos, claramente identi�cáveis e elimináveis. Elas não seguem uma distribuição normal e resultam em resultados signi�cativamente discrepantes em relação aos valores esperados, geralmente deslocando a média do processo. Processos instáveis podem ser causados por uso incorreto de equipamentos, erros operacionais, ou uso de matérias-primas inadequadas (Toledo et al., 2017). Por outro lado, causas comuns caracterizam processos estáveis e sob controle, sendo inerentes ao próprio processo e sempre presentes. Elas surgem de situações aleatórias, nas quais as variáveis seguem uma distribuição normal e afetam todos os valores individuais do processo. Embora os valores individuais possam diferir, quando agrupados, formam um padrão (curva normal). Causas comuns não podem ser reduzidas sem modi�cações no projeto do processo (Oliveira, 2014). O uso da carta de controle, uma ferramenta do Controle Estatístico de Processo (CEP), tem o objetivo de identi�car o que está acontecendo (efeito) e servir como base para a busca das causas que levam a um determinado comportamento. A linha central na carta de controle representa o valor médio das amostras, indicando sua condição normal, e as ocorrências são registradas ao longo do tempo, para proporcionar uma visão contínua do processo. Dados coletados dos processos permitem estabelecer os limites de controle, que determinam as condições normais de execução dos processos. Um processo é considerado sob controle quando todas as medidas de sua execução estão dentro dos limites de controle (limite superior de controle (LSC) e limite inferior de controle (LIC)). Assim, existem os grá�cos de controle para variáveis e os grá�cos de controle para atributos. Os grá�cos de controle para variáveis estudam o comportamento de característicos de qualidade, como peso, comprimento, densidade e concentração (variáveis contínuas). Assim, costuma-se elaborar dois grá�cos de controle, sendo o mais utilizado o grá�co da média e o da amplitude, conforme ilustra a Figura 4. Para a construção dos grá�cos, é necessário calcular o LSC e o LIC. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 4 | Exemplo de grá�co de controle da média e amplitude. Fonte: Carpinetti (2016, p. 92). Os grá�cos de controle para atributos monitoram a variação do número ou da proporção de itens não conformes que ocorrem em um processo de produção ao longo do tempo. Atributos têm, em geral, dois estados: ruim ou bom, certo ou errado, conforme ou não conforme etc. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você pode ajudar a indústria em que trabalha na construção do histograma e dos grá�cos. Vamos lá! Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Com os dados coletados, você precisa construir o histograma, então, primeiro, você deve determinar a amplitude da amostra. Como o maior valor é 10,7 e o menor valor é 9,0, temos que: A = Max – Min = 10,7 – 9,0 = 1,7 Agora, você deve determinar o tamanho dos intervalos (h = A/k): H = 1,7 / 10 = 0,17 (vamos arredondar para 0,20) Você deve determinar os intervalos (Quadro 3): Intervalo Limites Frequência 1 9,0 ≤ xnotar que a natureza dos serviços é intrincada e desa�adora para ser de�nida com precisão. Assim, há variadas de�nições sobre serviços: Serviço é qualquer ato ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que seja essencialmente intangível. Sua produção pode ou não estar vinculada a um bem físico. Serviço é todo trabalho feito por uma pessoa em benefício de outra. Já́ qualidade em serviço compreende se que é à medida em que uma coisa ou experiência satisfaz uma necessidade, soluciona um problema ou agrega valor em benefício de uma pessoa. (Toledo et al., 2017, p. 176) Diante das várias de�nições de serviços, há alguns pontos em comum: Serviço é um ato, uma atividade ou um desempenho. Serviço apresenta algum grau de intangibilidade. Serviço é realizado por meio da interface entre o fornecedor do serviço e o cliente ou algum bem de sua propriedade. Um serviço pode estar vinculado à oferta de um bem físico. Tipologia em serviços Os serviços podem ser classi�cados de diversas formas, porém uma classi�cação (tipologia) bastante útil e comum os diferencia pelo seu volume e pela sua variedade em serviços pro�ssionais, loja de serviços e serviços de massa, conforme ilustra a Figura 1 (Oliveira, 2014). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Tipos de serviços. Fonte: Oliveira (2014, p. 46). Serviços pro�ssionais: são caracterizados por um alto nível de conhecimento e interação com o cliente. Geralmente, são personalizados e realizados por encomenda, o que resulta em baixo volume de produção e prazos mais longos. Em muitos casos, parte do serviço é executada nas instalações do cliente. A preci�cação leva em consideração a alta customização e a necessidade de profundo conhecimento por parte do provedor de serviços. Exemplos incluem serviços de arquitetura e consultoria empresarial. Lojas de serviços: a categoria conhecida como loja de serviços situa-se num ponto intermediário entre serviços pro�ssionais e serviços de massa. Isso implica que tais serviços oferecem um contato moderado com o consumidor, possuem um nível médio de uniformidade nas suas operações, ao mesmo tempo em que permitem certo grau de personalização e têm um volume de atendimento nem baixo nem alto. Os clientes importam se tanto com o resultado do serviço quanto com o processo de atendimento. Exemplos típicos incluem bancos, hospitais, restaurantes, hotéis, entre outros. Serviços de massa: os serviços de massa distinguem-se dos serviços pro�ssionais por serem extremamente uniformizados, envolverem limitada interação ou contato com o cliente, apresentarem pouca ou nenhuma personalização (baixa variabilidade) e, em geral, serem de curta duração. Exemplos típicos de serviços de massa incluem os terminais de autoatendimento bancário disponíveis 24 horas, cursos de educação a distância, transporte urbano, supermercados e serviços de telecomunicações. Características dos serviços Os serviços têm características especí�cas que devem ser criteriosamente consideradas quando da sua gestão. Entendendo essas particularidades pode-se conseguir maior e�cácia no seu projeto, gerenciamento e controle, gerando re�exos positivos sobre sua qualidade. As Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE características dos serviços são: intangibilidade, inseparabilidade (simultaneidade), heterogeneidade (variabilidade) e perecibilidade. Intangibilidade: os serviços podem ser caracterizados por possuírem uma natureza intangível. Basicamente, signi�ca uma experiência que, geralmente, não pode ser avaliada pelo consumidor antes da compra, já que não pode ser tocado, provado, ouvido ou cheirado. Inseparabilidade (simultaneidade): a inseparabilidade é uma característica dos serviços que impede a separação entre sua criação e utilização. Diferentemente dos bens materiais, que passam pelas etapas de fabricação, armazenamento, distribuição e só então consumo, os serviços são gerados e consumidos simultaneamente. Isso ressalta a relevância de uma interação positiva entre o fornecedor do serviço e o consumidor no momento da prestação do serviço. Por exemplo, quando está em uma consulta médica, o paciente está “consumindo” a consulta no mesmo instante em que o médico está atendendo, ou seja, não tem como estocar a consulta e consumi-la depois. Heterogeneidade (variabilidade): a variabilidade é uma característica marcante dos serviços, in�uenciada por diversos fatores, como o atendimento humano, o momento em que são prestados, os métodos aplicados no seu fornecimento e as condições do ambiente onde ocorrem. Devido a essas variações, manter um padrão uniforme de resultados pode ser desa�ador. Para superar essa questão, algumas empresas adotam a padronização dos seus serviços como estratégia para melhorar a e�ciência, a consistência e a qualidade oferecida aos clientes, um processo que pode ser comparado à “industrialização” em determinados segmentos de serviços. Grande parte da variabilidade pode ser atribuída à forte in�uência do fator humano no processo de produção do serviço. Perecibilidade: esta característica dos serviços está relacionada à sua natureza não estocável, ou seja, serviços não podem ser estocados para uso futuro após sua criação, devido à característica da simultaneidade na prestação de serviços. Embora essa característica também possa ser observada em determinados produtos perecíveis, como um lanche feito na hora, é predominantemente associada ao setor de serviços. Uma implicação dessa característica está na necessidade de se equilibrar a oferta e a demanda do serviço. O grande problema é como administrar a demanda de um serviço. As empresas de manufatura podem administrar a demanda por meio de estratégias, como adequar a capacidade de produção (instalações, máquinas, pessoas etc.) à demanda, usar estoques para atender picos de demanda ou adotar estratégias para nivelar a demanda, mantendo a mais constante ao longo do tempo. Siga em Frente... Atividades de linha de frente e de retaguarda Nem sempre o cliente tem contato com todos os aspectos do processo de prestação do serviço, portanto podemos dividir o sistema de prestação de serviços em duas partes: uma na qual existe a interação entre o cliente e a empresa, e outra na qual não existe essa interação. Essas duas “partes” são chamadas de: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Linha de frente: chamada também de front o�ce, nela são realizadas as atividades de alto contato entre os clientes e a organização de serviços. Retaguarda: chamada também de back o�ce, nela ocorrem atividades sem o contato com os clientes. A Figura 2 exempli�ca as atividades de linha de frente e de retaguarda. Figura 2 | Atividades de linha de frente e retaguarda de serviços. Fonte: Oliveira (2014, p. 50). Avaliação da qualidade A avaliação do consumidor sobre um serviço especí�co emerge da comparação entre suas expectativas iniciais e sua observação real do serviço fornecido. Esse julgamento pode ser formado durante a execução do serviço ou após sua conclusão. A qualidade percebida do serviço é o resultado do confronto entre o nível de qualidade que o cliente antecipa (o serviço esperado) e o nível de qualidade que ele realmente experimenta (o serviço percebido), isto é, é o contraste entre o que o cliente espera e necessita do serviço e o que ele efetivamente percebe após a prestação dele. A qualidade percebida determina o grau de satisfação do cliente em relação ao serviço prestado. Podemos entender satisfação como o resultado da comparação entre o serviço esperado e o serviço recebido. Assim, há três possibilidades: Expectativas Qualidade ideal = cliente muito satisfeito. Expectativas = Percepções => Qualidade satisfatória = cliente satisfeito. Expectativas > Percepções => Qualidade inaceitável = cliente insatisfeito. Dimensões da qualidade em serviços Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE As características de qualidade do serviço são muitas e de diversos tipos. Como existem inúmeras características, elas podem ser agrupadas por similaridade em dimensões da qualidade. As dimensões da qualidadeem serviços são o conjunto de características do serviço que compõem um determinado aspecto da qualidade. As dimensões são formadas em função da similaridade das características do serviço e de sua contribuição para a qualidade do serviço (Toledo et al., 2017). A Figura 3 ilustra as dimensões da qualidade em serviços. Figura 3 | Dimensões da qualidade em serviços. Fonte: Toledo et al. (2017, p. 188). Consistência: representa a capacidade da empresa em repetir o processo de prestação e, consequentemente, seu resultado, isento de grandes variações. Assim, cria se um padrão de atendimento que resulta na conformidade dos serviços produzidos. É importante relembrar que a consistência é um fator determinante para se conseguir a �delidade do cliente (expectativa da experiência passada). Tempo de atendimento: refere se à habilidade da empresa em atender seus clientes no tempo apropriado. Os clientes são colocados em situações altamente estressantes quando são obrigados a esperar demasiadamente pelo atendimento, o que contribui para a formação de uma imagem negativa. Em contrapartida, para alguns serviços, a rapidez de atendimento pode ser interpretada como um fator negativo. Atmosfera: esta dimensão não se preocupa com o fator tempo, mas com a cordialidade do atendimento. Nos serviços de alto contato, principalmente, a amabilidade, a educação e a presteza dos empregados são fundamentais para dar segurança e prazer ao cliente. Canais de atendimento: avaliam a facilidade que o cliente tem para entrar em contato com a empresa de serviço. As possibilidades de acesso são amplas, não se restringindo à própria presença do cliente na empresa, podendo ser efetuadas através de contato telefônico, serviços de entrega e sistemas informatizados (internet, fax, modem, e mail). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Custo: corresponde ao gasto �nanceiro do cliente ao adquirir o serviço. Tangíveis: propiciam o fornecimento de evidências físicas do serviço ou do sistema de operações (instalações físicas, equipamentos, pessoal e outros consumidores). Segurança: como os clientes sentem um alto risco ao comprar um serviço, essa dimensão representa a capacidade da empresa em baixar essa percepção de risco e a habilidade de transmitir con�ança aos consumidores. Competência: consiste na habilidade e no conhecimento da empresa de serviços. Geralmente, esse critério é bastante valorizado pelo cliente, que busca no fornecedor um know how de que não dispõe. Esse critério tem um peso maior na avaliação dos serviços prestados por consultorias, escritórios jurídicos e assistência médica, o�cinas de reparo etc. Flexibilidade: representa a habilidade de adaptar se rapidamente a novas con�gurações ambientais, como mudanças nas necessidades dos clientes e introdução de inovações tecnológicas no processo e nos estilos de gerenciamento. Um aspecto importante dentro dessa dimensão é a �exibilidade de recuperação de erros. Essas dimensões da qualidade em serviços atuam como parâmetros de avaliação, já que representam os elementos considerados pelos consumidores no processo de avaliação do serviço, os quais de�nem o seu contentamento com o serviço recebido. Assim, essas medidas são empregadas pelos clientes como uma base para formular seus julgamentos sobre a qualidade do serviço prestado. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você pode ajudar a empresa em que trabalha. Vamos lá! Você precisa explicar que existem várias classi�cações em relação a serviços, assim, uma tipologia muito utilizada classi�ca os serviços em três: serviços pro�ssionais (são caracterizados por um alto nível de conhecimento e interação com o cliente), lojas de serviços (tais serviços oferecem um contato moderado com o consumidor, possuem um nível médio de uniformidade nas suas operações, ao mesmo tempo em que permitem certo grau de personalização e têm um volume de atendimento nem baixo nem alto) e serviços de massa (são extremamente uniformizados, envolvem limitada interação ou contato com o cliente, apresentam pouca ou nenhuma personalização (baixa variabilidade) e, em geral, são de curta duração). Agora, para que a empresa possa oferecer um excelente atendimento ao público, ela precisa entender quais são as características de um serviço, que são: Intangibilidade: os serviços não podem ser vistos, tocados ou possuídos antes da compra, o que signi�ca que os clientes, frequentemente, baseiam suas escolhas de compra em promessas, recomendações ou reputação. Inseparabilidade (simultaneidade): os serviços são produzidos e consumidos ao mesmo tempo e, frequentemente, na presença do cliente. Isso destaca a importância da interação Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE do cliente e do fornecedor no momento da prestação do serviço. Heterogeneidade (variabilidade): serviços são altamente variáveis, sua qualidade e consistência dependem de quem os fornece, quando e onde são fornecidos. Isso torna a padronização e o controle de qualidade desa�adores, exigindo um forte foco na formação e na gestão de expectativas. Perecibilidade: os serviços não podem ser estocados; se não consumidos, são perdidos. Por exemplo, um assento vago em um avião não pode ser vendido após a decolagem. Essa característica obriga os gestores a balancearem cuidadosamente a demanda e a oferta. Ao entender sobre as características dos serviços, a gestão da empresa deve buscar melhorias em seu atendimento. Agora, você deve explicar sobre: Linha de frente: chamada também de front o�ce, nela são realizadas as atividades de alto contato entre os clientes e a organização de serviços. Retaguarda: chamada também de back o�ce, nela ocorrem atividades sem o contato com os clientes. Também, você deve explicar que os clientes, quando são atendidos, têm expectativas e querem que essas expectativas sejam atendidas ou superadas, assim tem-se que, quando as percepções dos clientes sobre o atendimento superam as suas expectativas, eles �cam muito satisfeitos; quando as percepções dos clientes são iguais às expectativas, eles �cam satisfeitos; quando as percepções dos clientes estão abaixo das suas expectativas, eles �cam insatisfeitos. Assim, a empresa deve se atentar para pelo menos atender às expectativas dos clientes. Por último, você deve explicar quais são as dimensões da qualidade em serviços, que são: consistência, canais, custo, tangíveis, tempo de atendimento, atmosfera, competência, segurança e �exibilidade. Pronto, com essas informações, a gestão da empresa em que você atua pode entender melhor o funcionamento do seu serviço prestado, fazer pesquisas com os clientes para veri�car o que pode ser melhorado e tomar as decisões para implementar as melhorias necessárias. Saiba mais Para saber mais a respeito das características de serviços e das dimensões da qualidade em serviços, veja o Capítulo 8 (p. 178-189) do livro indicado a seguir, o qual está disponível na biblioteca digital (Minha Biblioteca): TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2195-9/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2195-9/recent Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade,passa a ser percebida pelo cliente a partir da comparação com produtos concorrentes. Vamos Exercitar? Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você já pode ajudar a diretoria da indústria em que você trabalha. Vamos lá! Você precisa explicar o que é a qualidade, quais seus conceitos e suas dimensões (atributos), além de elencar a evolução da qualidade até os dias atuais, para que a indústria consiga ter sucesso na implantação das práticas de gestão da qualidade. Assim, você deve explicar para a diretoria que a qualidade é uma área dinâmica e que está em constante evolução. Com o passar do tempo, estudiosos, pesquisadores e pro�ssionais da área de�niram a qualidade, sendo que uma de suas de�nições é o grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos, ou seja, esses requisitos (especi�cações) podem ser tanto da área de projetos como dos clientes, portanto a indústria deve “ouvir” seus clientes para entender quais são suas necessidades e, com isso, junto à área de projetos (ou planejamento), interpretar essas necessidades dos clientes e de�nir quais são os requisitos (características) que o produto deve possuir para atender aos clientes. Para poder interpretar melhor esses requisitos dos clientes, é importante mostrar para a diretoria quais são as dimensões (atributos da qualidade), que são: desempenho técnico ou funcional, facilidade ou conveniência de uso, disponibilidade, mantenabilidade (ou manutenibilidade), durabilidade, conformidade, instalação e orientação de uso, assistência técnica, interface com o usuário, interface com o meio ambiente, estética, qualidade percebida e imagem da marca. Além disso, você pode explicar que a qualidade evoluiu com o tempo e que é classi�cada em quatro eras, sendo elas: Era da Inspeção, Era do Controle Estatístico da Qualidade, Era da Garantia da Qualidade e Era da Gestão da Qualidade Total. É importante explicar que a qualidade iniciou somente separando produtos sem defeitos dos produtos com defeitos ao �nal da linha da produção, porém a indústria não deve cometer esse erro de deixar a qualidade isolada em um único setor, mas, sim, utilizar os conceitos da Gestão da Qualidade Total, em que a qualidade está em todo o negócio da organização, sendo responsabilidade de todos. Agora, a sua indústria já cumpriu essa etapa e pode iniciar a implantação das práticas da gestão da qualidade! Saiba mais Desde o surgimento da indústria, na Revolução Industrial, a qualidade vem se adequando e evoluindo para melhoria das empresas e do mundo como um todo. A qualidade evoluiu com o passar do tempo, e essa evolução é classi�cada como eras da qualidade. Assim, para você conhecer em maiores detalhes cada era, veja os respectivos capítulos de cada um dos livros indicados a seguir. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. (Capítulo 1 – p. 3-7) https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522117970/pageid/0 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. (Capítulo 2 – p. 28- 39) Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. CROSBY, P. Qualidade é investimento. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994. JURAN, J.M.; GRYNA, F.M. Controle da qualidade – handbook. São Paulo: Makron Books, 1991, 10 v. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TAGUCHI, G. Introduction to quality engineering. Tokyo: Asian Productivity Organization, 1986. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Aula 2 Enfoque dos principais Gurus da Qualidade Enfoque dos principais gurus da qualidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Olá, estudante, boas-vindas em mais uma aula da disciplina Gestão da Qualidade. Nela, você aprenderá quais são os principais nomes da área da qualidade, os conhecidos Gurus da Qualidade, bem como suas contribuições para a área da qualidade e seus pontos em comum. Vamos começar nosso conteúdo em relação aos Gurus da Qualidade e suas contribuições! Na busca pela excelência em Gestão da Qualidade, é impossível ignorar a signi�cativa contribuição dos Gurus da Qualidade ao longo da história empresarial. Este material destaca a importância desses líderes visionários, suas contribuições essenciais e os pontos em comum que permeiam suas �loso�as, formando a espinha dorsal da gestão da qualidade contemporânea. Os Gurus da Qualidade são �guras notáveis que moldaram e revolucionaram a forma como as organizações encaram e buscam qualidade em seus processos. De Deming a Juran, esses especialistas deixaram um legado duradouro, proporcionando insights valiosos que transcendem fronteiras e setores. O estudo dos Gurus da Qualidade e suas respectivas contribuições fornece aos estudantes e pro�ssionais da área de qualidade diretrizes para se basear e tomar decisões mais assertivas, pois suas teorias continuam sendo aplicadas nas organizações. Agora, imagine que você trabalha em uma indústria que está passando por problemas de qualidade. A diretoria, ao perceber isso, decide implantar as práticas da gestão da qualidade. Ela já sabe da importância da qualidade e que deve ser algo disseminado em toda a organização. Agora, a indústria precisa conhecer os principais autores da área da qualidade, bem como suas �loso�as e metodologias na área, para ter como referência os ensinamentos de pessoas quali�cadas da área. Para isso, você deve ajudar a indústria respondendo às perguntas: quem são os Gurus da Qualidade? Quais são os pontos comuns dos Gurus da Qualidade? Estudante, você precisa auxiliar a diretoria da indústria em que você trabalha a responder a esses questionamentos. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Gurus da Qualidade Nesta aula, exploraremos os Gurus da Qualidade, que são pessoas proeminentes no campo da gestão da qualidade, e analisaremos suas principais in�uências. A maioria das teorias, dos sistemas e das ferramentas relacionados à qualidade que são amplamente adotados nas organizações têm suas raízes nas experiências e visões desses líderes visionários. Suas contribuições tiveram um impacto signi�cativo não apenas nas empresas mas também na sociedade como um todo. Isso ocorre porque suas ideias desempenharam um papel fundamental na melhoria da competitividade da indústria e na qualidade de vida da população em diversos países. Gurus da Qualidade e suas contribuições Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE William Edwards Deming Conforme Oliveira (2014), Deming teve papel fundamental no desenvolvimento da teoria da gestão da qualidade. Sua principal contribuição foi o estabelecimento dos 14 pontos para melhoria: 1. Estabeleça constância de propósitos para a melhoria do produto e do serviço, objetivando tornar-se competitivo, manter-se em atividade e gerar empregos. 2. Adote a nova �loso�a. A administração deve acordar para o desa�o, conscientizar-se de suas responsabilidades e assumir a liderança na transformação. 3. Não dependa da inspeção para atingir a qualidade. Incorpore qualidade desde o começo. 4. Abandone a prática de aprovar orçamentos com base somente no preço. 5. Melhore constante e continuamente cada processo. Melhore a qualidade e a produtividade; em consequência, os custos diminuirão. �. Institua treinamento no local de trabalho.que é desenvolver habilidades avançadas na aplicação de normas ISO 9000, na utilização de ferramentas da qualidade e na compreensão da gestão da qualidade em serviços, visando à melhoria contínua da qualidade em diferentes contextos organizacionais, você deverá compreender a série de normas da ISO 9000 e as suas características, quais são as ferramentas da qualidade e para que são utilizadas e os conceitos e as características da qualidade em serviços. A International Organization for Standardization, ou Organização Internacional de Normalização (ISO), é uma entidade independente e não governamental que desenvolve normas para assegurar a qualidade, a segurança e a e�ciência de produtos, serviços e sistemas, com sede em Genebra, na Suíça. O Brasil participa da ISO por meio da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é uma sociedade privada, sem �ns lucrativos, e reconhecida pelo governo brasileiro como foro nacional de normalização. É o Comitê Brasileiro da Qualidade (ABNT/CB 25) que faz a produção das normas brasileiras equivalentes às normas produzidas pela ISO. Dentro desta organização, a série de normas ISO 9000 se destaca como um conjunto de padrões relacionados à gestão da qualidade. A ISO 9000 (Sistema de Gestão da Qualidade: fundamentos e vocabulário) estabelece fundamentos e vocabulário, assim, ela apresenta os princípios de Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE gestão da qualidade e de�ne os termos utilizados na série 9000. Já a ISO 9001 (Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisito) estabelece requisitos para um sistema de gestão da qualidade, sendo a única norma da série com exigências certi�cáveis. Ela foca em processos e na satisfação do cliente, além de de�nir os requisitos básicos para a implantação de um sistema de gestão da qualidade. Por �m, a ISO 9004 oferece diretrizes para melhorar o desempenho e a e�cácia sustentável de uma organização, indo além dos requisitos da ISO 9001, com foco na melhoria contínua e na e�ciência operacional a longo prazo, além de que a ISO 9004 não é voltada para certi�cação, mas oferece uma estrutura para harmonizar com a ISO 9001. Lembrando que a ISO 9001 não é obrigatória para as organizações, mas qualquer organização pode implantá-la. Ferramentas da qualidade As ferramentas da qualidade são instrumentos fundamentais no processo de gestão que auxiliam no diagnóstico, na análise e na solução de problemas, promovendo a melhoria contínua dos processos e produtos. A seguir, estão algumas das principais ferramentas utilizadas: Estrati�cação: auxilia na análise e interpretação de dados ao separá-los em diferentes estratos ou camadas, permitindo identi�car padrões ocultos ou causas especí�cas de um problema. Folha de veri�cação: é um documento estruturado utilizado para coletar dados de maneira sistemática e organizada, facilitando a posterior análise e tomada de decisão baseada em informações precisas. Diagrama de Pareto: é uma representação grá�ca que segue o princípio de Pareto (80/20), destacando os problemas mais signi�cativos dentro de um conjunto de dados, permitindo que as equipes foquem seus esforços nas questões que terão o maior impacto se resolvidas. Diagrama de Causa e Efeito: conhecido também como Diagrama de Ishikawa ou Diagrama de Espinha de Peixe devido ao seu formato. Essa ferramenta grá�ca identi�ca, organiza e apresenta as causas raízes de um problema em um formato que é fácil de entender e analisar, encorajando o pensamento em equipe e a análise profunda. ·Histograma: uma representação grá�ca de dados que mostra a frequência de ocorrências ou a distribuição de dados em um processo. É útil para entender se os processos estão dentro dos limites de especi�cação. Diagrama de Dispersão: representação de pontos no grá�co que mostra a relação entre duas variáveis, ajudando a identi�car o tipo e a força de uma relação. Grá�co (ou Cartas) de controle: utilizado para monitorar a estabilidade de um processo e controlar a qualidade de um produto ou serviço. Ele detecta a presença de variações no processo que podem necessitar de correção. Cada ferramenta da qualidade tem sua aplicação e importância na identi�cação de problemas, análise de causas, monitoramento de processos e apoio na tomada de decisões estratégicas, sempre com o objetivo de assegurar e melhorar a qualidade. Qualidade em serviços Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE A qualidade em serviços refere-se ao grau de satisfação das expectativas do cliente e à entrega de valor por meio de processos que atendem ou excedem as necessidades do consumidor. Em um mercado cada vez mais competitivo, a qualidade dos serviços torna-se um diferencial estratégico não apenas para reter clientes mas também para ampliar a base de clientes leais. Conceito de serviços Serviços são atividades ou benefícios intangíveis, que uma parte pode oferecer à outra e que não resultam na posse de algo. Eles podem envolver ações, como alugar, consertar, proporcionar experiências ou realizar tarefas. Tipologia de serviços Os serviços podem ser categorizados de diversas maneiras, mas uma tipologia comum os diferencia pela sua natureza e pelo grau de interação com o cliente como: Serviços pro�ssionais: caracterizam-se pela alta personalização e interação com o cliente, exigindo grande habilidade do prestador de serviço. Loja de serviços: oferecem um mix de serviços e bens tangíveis, com menor grau de personalização, mas ainda exigindo interação com o cliente. Serviços de massa: são padronizados, com baixa interação e personalização, voltados para um grande volume de transações. Características de serviços Os serviços possuem características distintas dos produtos físicos, que incluem: Intangibilidade: serviços não podem ser tocados, provados, sentidos, ouvidos ou cheirados antes de serem comprados. Inseparabilidade (Simultaneidade): são, geralmente, produzidos e consumidos simultaneamente. Heterogeneidade (Variabilidade): a qualidade do serviço pode variar de prestador para prestador, de cliente para cliente e de dia para dia. Perecibilidade: serviços não podem ser estocados para venda ou uso futuro. Avaliação da qualidade A avaliação do consumidor sobre um serviço especí�co emerge da comparação entre suas expectativas iniciais e sua observação real do serviço fornecido. Podemos entender satisfação como o resultado da comparação entre o serviço esperado e o serviço recebido. Assim, há três possibilidades: Expectativas Qualidade ideal = cliente muito satisfeito. Expectativas = Percepções => Qualidade satisfatória = cliente satisfeito. Expectativas > Percepções => Qualidade inaceitável = cliente insatisfeito. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante, boas-vindas ao nosso estudo de caso! A ideia é que você possa praticar os conceitos que aprendemos em cada uma das aulas. Você atua em uma empresa que faz parte do setor terciário da economia, que presta serviços e realiza venda de peças para aparelhos da área de refrigeração e eletrodomésticos em geral, sendo estes máquinas de lavar roupa, ferros de passar, geladeiras, liquidi�cadores, entre outros. Na empresa, são realizados os seguintes processos: venda de peças, prestação de serviço (recepção do pedido) e prestação de serviço (manutenção do pedido na o�cina). A seguir, há uma descrição de cada um. A empresa passa por alguns problemas na área da qualidade e sabe que precisa melhorar sua prestação de serviços para não perder seus clientes e continuar atuante no mercado. Para ajudar a empresa em que atua, você tomou a iniciativa, veri�cou os problemas que ocorrem, elaborou uma folha de veri�cação e coletou alguns dados (por meio da observação direta), conforme o Quadro 1. Problema Frequência Atraso dos funcionários 5 Atraso no atendimento 63 Cliente não busca o serviço 21 Falta deautoridade dos administradores 7 Falta de mercadorias 112 Higienização dos aparelhos 8 Mercadorias em locais diferentes 77 Mercadorias novas perdidas 44 Organização de pedidos 16 Retorno de serviço 14 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Quadro 1 | Levantamento de dados por meio da folha de veri�cação. Fonte: Martins (2018, p. 29- 30). Portanto, com esses dados levantados, você deve elaborar um Diagrama de Pareto e um Diagrama de Ishikawa para os dois principais problemas. Além disso, é importante que a empresa saiba quais são as características dos serviços e a avaliação da qualidade. Boa resolução! Após a leitura do nosso conteúdo, você, estudante, deve re�etir a respeito das seguintes perguntas: Quais são as normas da série ISO 9000? Quais são as ferramentas da qualidade e para que servem? Quais são as características de serviços? Olá, estudante! Conseguiu analisar o estudo de caso e resolver a situação proposta? Veri�caremos algumas informações que precisam constar na sua resolução. Você já possui uma folha de veri�cação com os dados coletados, então, agora, para construir o Diagrama de Pareto, você deve, primeiramente, construir uma nova tabela, colocando em ordem decrescente os problemas com maior ocorrência, com seu percentual individual e o percentual acumulado e, em seguida, construir o Grá�co de Pareto. Quadro 2 possui todos esses dados. Problema Frequência Participação Individual Participação Acumulada Falta de mercadorias 112 30,52% 30,52% Mercadorias em locais diferentes 77 20,98% 51,50% Atraso no atendimento 63 17,17% 68,66% Mercadorias novas perdidas 44 11,99% 80,65% Cliente não busca o serviço 21 5,72% 86,38% Organização de pedidos 16 4,36% 90,74% Retorno de serviço 14 3,81% 94,55% Higienização dos aparelhos 8 2,18% 96,73% Falta de autoridade dos administradores 7 1,91% 98,64% Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Atraso dos funcionários 5 1,36% 100% Total 367 Quadro 1 | Informações adicionais para construção do Diagrama de Pareto. Fonte: Martins (2018, p. 30). Agora, com os dados já ordenados, é possível construir o Diagrama de Pareto, conforme a Figura 1. Figura 1 | Diagrama de Pareto. Fonte: Martins (2018, p. 30). Com o Diagrama de Pareto, é possível perceber que os dois principais problemas são “Falta de mercadorias” e “Mercadorias em locais diferentes”, com mais de 50% de participação acumulada. Sendo assim, deve-se construir um Diagrama de Causa e Efeito para cada um dos problemas, com uma equipe multidisciplinar e comprometida. É aconselhável utilizar o brainstorming para levantar as possíveis causas de cada problema. Assim, as Figuras 2 e 3 ilustram o Diagrama de Causa e Efeito para os problemas de “Falta de mercadoria” e “Mercadorias em locais diferentes”, respectivamente. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 2 | Diagrama de Ishikawa para o problema “Falta de mercadorias”. Fonte: Martins (2018, p. 31). Figura 3 | Diagrama de Ishikawa para o problema “Mercadorias em locais diferentes”. Fonte: Martins (2018, p. 33). Agora, é importante que a organização se utilize de outras ferramentas para priorizar na eliminação de cada causa, além de elaborar um plano de ação. Para a melhoria da qualidade na área de prestação, é importante a empresa saber quais são as características dos serviços, que são: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Intangibilidade: serviços não podem ser tocados, provados, sentidos, ouvidos ou cheirados antes de serem comprados. Inseparabilidade (Simultaneidade): são, geralmente, produzidos e consumidos simultaneamente. Heterogeneidade (Variabilidade): a qualidade do serviço pode variar de prestador para prestador, de cliente para cliente e de dia para dia. Perecibilidade: serviços não podem ser estocados para venda ou uso futuro. Diante disso, você deve explicar que os clientes, quando são atendidos, têm expectativas e querem que essas expectativas sejam atendidas ou superadas, assim, tem-se que, quando as percepções dos clientes sobre o atendimento superam as suas expectativas, eles �cam muito satisfeitos; quando as percepções dos clientes são iguais às expectativas, eles �cam satisfeitos; quando as percepções dos clientes estão abaixo das suas expectativas, eles �cam insatisfeitos. Com essas informações, você pode montar seu relatório e apresentar para a pessoa responsável pela implantação da gestão da qualidade na empresa. Olá, estudante! Apresentaremos um mapa mental do conteúdo trabalhado nesta Unidade. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura | Mapa mental - Sistema e ferramentas da gestão da qualidade. fonte: elaborada pelo autor. CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. MARTINS, T. S. C. Aplicação de ferramentas da qualidade em empresa varejista e prestadora de serviços. 2018. 42 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade Federal de Uberlândia, Ituiutaba, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/24334/1/Aplica%C3%A7%C3%A3oFerramentasQ ualidade.pdf. Acesso em: 6 nov. 2023. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. , https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/24334/1/Aplica%C3%A7%C3%A3oFerramentasQualidade.pdf https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/24334/1/Aplica%C3%A7%C3%A3oFerramentasQualidade.pdf Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Unidade 4 Gestão Estratégica da Qualidade Aula 1 Gerenciamento Pelas Diretrizes Gerenciamento pelas Diretrizes Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais uma aula disciplina Gestão da Qualidade! Nela, você aprenderá a respeito do Gerenciamento pelas Diretrizes e suas características. As empresas empregam uma variedade de técnicas de gestão para atingir suas metas, executar estratégias, alinhar o empenho de suas equipes e estruturar as atividades laborais. Dentre essas técnicas, há o Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD), que consiste em um método de priorização de objetivos estratégicos e de desdobramento desses objetivos por todos os níveis hierárquicos da organização. Ele auxilia na implementação do planejamento estratégico da organização e deve ser de responsabilidade da alta administração. Sabendo disso, imagine que você atua em uma empresa que possui um sistema de Gestão da Qualidade implementado. Agora, a empresa quer melhorar ainda mais sua forma de administrar. Para isso, ela pretende implementar a metodologia do Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD). Entretanto, sabe-se que é importante entender o que é o GPD, o que é o desdobramento das diretrizes e quais são os passos para sua implantação. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Diante disso, você deve auxiliar a empresa a entender melhor a respeito do Gerenciamento pelas Diretrizes, para que sua implantação possa ser bem-sucedida. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Gerenciamento pelas Diretrizes O Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD), conhecido também como Hoshin Kanri, é uma metodologia originária do Japão, na década de 1960, adotada por corporações vencedoras do Prêmio Deming. "Hoshin" combina dois ideogramas: "ho", que se refere a método ou forma, e "shin", que signi�ca agulha brilhante ou bússola. "Kanri" traduz-se como controle ou administração. Assim, Hoshin Kanri pode ser entendido como uma abordagem de gestão focada em alinhar as direções estratégicas dentro de uma empresa (Toledo et al., 2017). O GPD é uma evolução japonesa da Administração por Objetivos, melhorada pela integração do ciclo PDCA (Planejar, Fazer, Checar, Agir). Esse sistema gerencial estabelece metasorganizacionais por meio de um planejamento estratégico detalhado, garantindo que tais metas sejam compartilhadas e perseguidas em todos os níveis da hierarquia corporativa. Ainda, é uma ferramenta estratégica que facilita a aplicação e a gestão de estratégias em todos os níveis organizacionais, integrando esforços coletivos para alcançar metas estabelecidas. Seu foco está em melhorar o desempenho global da empresa, direcionando a atenção para poucas, mas cruciais, prioridades, como aprimorar a qualidade do produto ou reduzir o tempo de ciclo de produção. Essas ações visam atingir metas estratégicas de longo e médio prazos e gerar mudanças signi�cativas no desempenho atual. A Figura 1 ilustra que o GPD, ao ser implementado em áreas-chave, pode provocar transformações substanciais no gerenciamento tradicional. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Melhoria do desempenho e GPD. Fonte: adaptada de Toledo et al. (2017, p. 99). O ciclo PDCA é o núcleo do GPD. Na fase de planejamento (P), a liderança estabelece e dissemina diretrizes por toda a gestão. Na fase de execução (D), aplicam-se as ações prioritárias. A fase de veri�cação (C) envolve a comparação dos resultados com as metas. Finalmente, na fase de ação (A), são feitas análises das discrepâncias, identi�cação de causas e recomendações de ajustes. A alta administração desempenha um papel crucial no sucesso do GPD, de�nindo as diretrizes- chave e supervisionando seu progresso e sua e�cácia. A disseminação dessas diretrizes ocorre por meio de um processo sistemático de desdobramento. O GPD impacta a organização tanto verticalmente (gerenciamento funcional) quanto horizontalmente (gerenciamento interfuncional), operando por meio de dois sistemas de gestão simultaneamente. Mas, a�nal, o que é o gerenciamento funcional e o interfuncional? Veja a seguir: Gerenciamento interfuncional: cuida da solução de problemas prioritários da alta administração por meio do desdobramento das diretrizes e seu controle entre departamentos. Tem como função olhar para o futuro da organização. É o gerenciamento ao nível do planejamento estratégico e de responsabilidade da alta administração. Gerenciamento funcional: cuida da manutenção e melhoria contínua das operações do dia a dia de uma organização. Representa a administração da rotina do trabalho diário com a Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE prática da gestão da qualidade. Trata dos aspectos mais básicos ou rotineiros da operação do negócio. Assim, o GPD caracteriza-se pelo estabelecimento, pelo desdobramento e pela implementação de diretrizes (Carpinetti, 2016). E o que é uma diretriz? O termo "diretriz", conhecido também como hoshin no Japão, pode ser interpretado de diversas maneiras. No contexto do GPD, o conceito de diretriz vai além da ideia convencional de meta. Uma diretriz incorpora vários aspectos (Toledo et al., 2017): Meta: representa o alvo especí�co que a organização pretende alcançar. Diferentemente de um objetivo, que é qualitativo, a meta é quantitativa, de�nida por um valor numérico e um prazo estipulado para sua realização. Medidas: são as ações planejadas para atingir a meta estabelecida. Incluem estratégias, como ações, atividades e projetos, que visam garantir o alcance do resultado desejado. Condições de contorno: referem-se aos limites ou às restrições que devem ser considerados na execução da diretriz. Uma diretriz no GPD é, portanto, a combinação de uma meta e suas medidas correspondentes. A meta precisa ter uma unidade de medida e um prazo de�nidos. Quando não for possível quanti�car a meta, ela deve ser descrita qualitativa e detalhadamente. As medidas são os passos, os procedimentos e as ações necessários para alcançar a meta, sendo fundamentais que sejam baseadas na análise de dados e resultados anteriores. Siga em Frente... Desdobramento das diretrizes A etapa de desdobramento das diretrizes engloba o desdobramento das diretrizes da alta gerência em diretrizes dos níveis hierárquicos inferiores, ou seja, os níveis intermediários da organização devem de�nir, a partir das diretrizes da alta gerência, seus objetivos, suas metas e seus meios para se atingir esses objetivos, como ilustrado na Figura 2 pelo método vertical. Portanto, pressupõe-se que o desdobramento seja feito através da estrutura hierárquica funcional da organização. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 2 | Desdobramento pelo método vertical. Fonte: adaptada de Toledo et al. (2017, p. 102). Segundo Toledo et al. (2017), o método vertical é mais comum e mais simples de ser implantado. Conforme ilustrado na Figura 2, a diretriz (META + MEDIDAS) da presidência desencadeia o desdobramento. As medidas do nível da presidência se tornam metas para o nível hierárquico inferior, que, por sua vez, estabelece novas medidas para atingir suas metas. Esse mecanismo de desdobramento vertical continua sucessivamente até os níveis operacionais da empresa, caracterizando uma abordagem top down e de relacionamento meio �m, que direciona toda a organização em prol de metas prioritárias. O processo de alinhamento das diretrizes em diferentes níveis hierárquicos ocorre por meio de um método de interação e negociação conhecido como catchball. Esse processo tem como objetivos principais assegurar um consenso entre indivíduos e departamentos sobre as metas e ações estabelecidas e evitar a otimização de objetivos departamentais que possam prejudicar o desempenho global da organização. Neste contexto, é vital priorizar metas interfuncionais, como Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE qualidade, custo, prazo de entrega e segurança, em detrimento dos objetivos especí�cos de cada departamento. Implantação do Gerenciamento pelas Diretrizes A implantação do Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD) requer um compromisso sério da alta administração da organização e depende de várias condições fundamentais: um sistema e�caz de coleta e análise de dados, alta habilidade em resolver problemas e uma forte gestão interfuncional e de rotinas diárias. A base de toda implementação é o ciclo PDCA, e é crucial que todos os envolvidos sejam adequadamente treinados nesta metodologia e entendam como seu trabalho contribui para os objetivos da empresa. Toledo et al. (2017) elencam oito passos para a implantação do GPD: 1. Preparação: responsabilidade da área de gestão da qualidade, que deve planejar a implementação do GPD, de�nindo ações, monitoramento, �uxograma do GPD e formulários a serem usados. Inclui também o treinamento em GPD para todos os níveis hierárquicos, esclarecendo responsabilidades, habilidades de negociação necessárias e métodos de controle. 2. De�nição das metas anuais: alinhadas com os planos de médio e longo prazos e baseadas na situação atual da organização. Consideram os resultados anteriores, se houver experiência prévia com GPD. Poucas metas vitais são estabelecidas para focar os esforços da organização. 3. Diretriz anual do presidente: estabelecida pela alta direção, com o presidente sendo o principal patrocinador. De�ne metas anuais e as medidas para alcançá-las. 4. Desdobramento das diretrizes: utiliza métodos verticais ou horizontais para estabelecer metas e medidas, aplicando o catchball para negociação entre diferentes níveis hierárquicos e departamentos, assegurando planos de ação alinhados. 5. Execução: implementação das ações de�nidas nos planos de ação. Habilidade na solução de problemas é crucial para o sucesso do GPD. �. Acompanhamento: monitoramento dos resultados para garantir que as metas sejam atingidas e, se necessário, identi�car e eliminar as causas de desvios. 7. Diagnóstico da presidência: avaliação anual pelo presidente para veri�car o alcance das metas e a e�cácia do GPD. �. Apropriação: padronização das melhorias alcançadas para implementação no gerenciamento diário. 9. Carpinetti (2016) destaca sobre a implementação do GPD: A última etapa, de implementação das diretrizes, pressupõe o gerenciamento interfuncional, ou seja, o gerenciamento dos objetivos de desempenho entre as diferentesfunções da estrutura funcional da organização, e avaliação de progresso, por meio do que se convencionou chamar de auditorias do presidente. A implementação do gerenciamento pelas diretrizes também pressupõe a adoção do gerenciamento da rotina do dia a dia do GQT japonês. (Carpinetti, 2016, p. 190) Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da aula, você pode ajudar a empresa em que trabalha a entender melhor sobre o Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD). Vamos lá! Você precisa explicar o que é o GPD, o que é o desdobramento das diretrizes e quais são os passos para sua implantação. O GPD, conhecido também como Hoshin Kanri, é um método de gestão que surgiu do desenvolvimento do Controle Total da Qualidade (TQC) no Japão, iniciado na década de 1960. Esse sistema é marcado pela criação, pelo detalhamento e pela execução de diretrizes. No contexto deste sistema de gerenciamento, a diretriz possui um signi�cado especí�co: envolve não apenas a �xação de uma meta para um objetivo especí�co mas também a determinação dos meios ou das estratégias necessárias para alcançar essa meta. A etapa de desdobramento das diretrizes engloba o desdobramento das diretrizes da alta gerência em diretrizes dos níveis hierárquicos inferiores, ou seja, os níveis intermediários da organização devem de�nir, a partir das diretrizes da alta gerência, seus objetivos, suas metas e seus meios para se atingir esses objetivos. A etapa de implantação do GPD requer um compromisso sério da alta administração da organização, e pode ser realizada nos seguintes passos: preparação; de�nição das metas anuais; diretriz anual do presidente; desdobramento das diretrizes; execução; acompanhamento; diagnóstico da presidência e apropriação. Agora, você e a alta administração da empresa já têm mais conhecimento a respeito do Gerenciamento pelas Diretrizes! Saiba mais Para saber mais a respeito do Gerenciamento pelas Diretrizes, veja a Seção 5.1, Gerenciamento pelas Diretrizes, do Capítulo 5 (p. 97-103), do livro indicado a seguir, o qual está disponível na Biblioteca Digital (Minha Biblioteca): TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pages/recent Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Aula 2 Gerenciamento de Processos Gerenciamento de Processos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais uma aula de Gestão da Qualidade. Na busca contínua pela excelência em qualidade, as organizações buscam implementar metodologias para melhorar sua gestão e alcançar melhores resultados. Nessa aula, vamos entender conceito e as características de processos, a decomposição hierárquica do processo, além da metodologia para o Gerenciamento de Processos. Assim, compreender o conceito de processos é essencial, pois são os elementos constituintes das atividades organizacionais. As características de processos, por sua vez, delineiam sua e�ciência e e�cácia, fundamentais para o alcance de objetivos organizacionais. Além disso, a metodologia para a implantação do Gerenciamento de Processos é uma ferramenta prática e estruturada que capacita estudantes e pro�ssionais a mapear, analisar e aprimorar processos, promovendo a melhoria contínua e o alinhamento estratégico. Logo, o conteúdo vem contribuir para o entendimento e aplicação da melhoria por meio da metodologia de processos. Agora, imagine que você atua em uma empresa que já possui certi�cação ISO 9001, mas que busca a melhoria contínua de forma constante em todas as áreas. Assim, para melhorar ainda mais sua gestão, ela pretender implantar o Gerenciamento de Processos, porém ainda precisa de mais conhecimento nesse assunto. Portanto, você deve auxiliar a empresa em que atua a entender o que é o Gerenciamento de Processos, o que é processo e quais são as etapas do Gerenciamento de Processos. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Vamos Começar! Gerenciamento de Processos Todas as tarefas voltadas para a satisfação do cliente em uma organização podem ser organizadas em uma série de processos. A norma ISO 9000 incentiva as organizações a adotarem uma abordagem baseada em processos, reconhecendo que os resultados da empresa (sejam produtos ou serviços) são gerados por processos, e não simplesmente por departamentos ou funções isoladas. Frequentemente, esses processos interligam diversos departamentos e níveis hierárquicos, sugerindo uma mudança do ponto de vista tradicional de departamentalização para uma perspectiva orientada a processo (Toledo et al., 2017). Aprimorar os processos é crucial para elevar a qualidade dos produtos e serviços oferecidos pela organização. Além disso, a satisfação das necessidades e expectativas dos clientes deve ser o foco primordial nos negócios das empresas. Os processos devem ser estruturados e geridos visando atender a essas exigências. O gerenciamento de processos é uma abordagem para avaliar, analisar e melhorar continuamente o desempenho dos processos empresariais. Com essa metodologia, os processos são de�nidos com: Requisitos e indicadores de desempenho claros para clientes internos e externos. Procedimentos otimizados e minimização da burocracia. Alta e�ciência na entrega (entradas) de serviços e produtos que compõem o processo. Consenso sobre a visão, a estratégia e as prioridades dos processos. Redução de barreiras e �uxo de informação mais �uido. De�nição mais precisa das atividades. Fomento ao desenvolvimento de competências. Ampliação da autoridade e autonomia individual. Conceito e características de processos Um processo pode apresentar várias de�nições. Sob uma perspectiva mais tradicional, ele é caracterizado como uma série de atividades conectadas que ocorrem de forma sequencial e lógica, visando à criação de um produto ou serviço que apresente valor para um determinado grupo de clientes, ou seja, processo é a repetição de determinadas atividades para obter o mesmo resultado (Toledo et al. 2017). Alternativamente, um processo pode ser compreendido como um agrupamento de recursos – humanos, materiais e informacionais – que são empregados em atividades essenciais para gerar um resultado especí�co, independentemente das relações hierárquicas existentes. A Figura 1 ilustra, de modo genérico, uma visão esquemática de um processo. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Esquema de processo. Fonte: Toledo et al. (2017, p. 106). Segundo Toledo et al. (2017), uma maneira e�caz de compreender um processo é considerar suas características distintas: Atividades interdependentes: as tarefas dentro de um processo estão conectadas, contribuindo coletivamente para um resultado especí�co. Isoladamente, seriam apenas ações soltas. Entradas quanti�cáveis: cada etapa do processo recebe insumos, como materiais ou informações, cuja qualidade in�uencia diretamente no produto �nal. Portanto, é crucial especi�car estas entradas quanto à qualidade. Transformação: esta fase envolve converter as entradas em resultados. As atividades devem adicionar valor e modi�car os insumos; atividades que não agregam valor são consideradas desperdícios e devem ser eliminadas. Saídas mensuráveis: semelhante às entradas, cada etapa do processo gera saídas, que podemser materiais, informações etc., e devem ser quanti�cáveis em termos de qualidade. Repetição: ao contrário dos projetos, os processos são caracterizados por sua repetitividade, como atender pedidos de clientes, produzir um item ou efetuar compras. Dentro de uma organização, inúmeros processos ocorrem, como processamento de pedidos, faturamento, vendas, entrega de produtos, compras, fabricação, recrutamento e seleção, entre outros, demonstrando que as organizações são, de fato, conjuntos de processos. Os processos podem ser categorizados em: Primários ou chaves: relacionados diretamente com a produção do produto principal da organização, como fabricação e vendas. Suporte ou Apoio: processos que dão suporte aos primários, como recrutamento e seleção e contabilidade, focados na administração de recursos. Gerenciais: envolvem gestão e ajustes no desenvolvimento organizacional, como processos de planejamento e controle da qualidade. Uma das características essenciais dos processos é sua estrutura hierárquica, como exempli�ca a Figura 2. Um processo é formado por várias atividades, as quais, por sua vez, são compostas por outras atividades menores, permitindo a subdivisão de um processo em subprocessos, atividades e tarefas (Toledo et al., 2017). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 2 | Decomposição hierárquica de processo. Fonte: Toledo et al. (2017, p. 107). Os macroprocessos, ou processos principais, envolvem frequentemente múltiplos departamentos e têm um impacto substancial no funcionamento geral da organização. De acordo com a complexidade do processo, este pode ser dividido em subprocessos menores. Um exemplo disso é o processo de desenvolvimento de produtos (Carpinetti, 2016). Um subprocesso representa uma seção do macroprocesso e visa cumprir um objetivo especí�co dentro do processo maior. Cada subprocesso é composto por várias atividades, que podem pertencer a diferentes departamentos. Um exemplo é o subprocesso de concepção de um produto no âmbito mais amplo do desenvolvimento de produtos (Carpinetti, 2016). As atividades são conjuntos de ações realizadas dentro dos processos, necessárias para atingir resultados especí�cos. Estas são divididas em várias tarefas, que detalham como o trabalho é executado. Por exemplo, na atividade de pesquisa de mercado, há tarefas, como a seleção de uma amostra de clientes e a elaboração de um questionário (Carpinetti, 2016). Esta hierarquia ajuda a entender e gerenciar diferentes níveis de um processo. Às vezes, um macroprocesso com diversas atividades pode ser mais e�cazmente gerenciado quando dividido em subprocessos. Na seleção dos macroprocessos a serem priorizados na organização, é crucial de�nir claramente seus limites e sua importância relativa. Essa é uma atividade dinâmica, já que a seleção pode ser ajustada e renegociada conforme necessário. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Siga em Frente... Metodologia para o Gerenciamento de Processos O propósito central da Gestão por Processos é aprimorá-los em termos de e�cácia, e�ciência e capacidade de adaptação. Isso envolve: E�cácia: o processo está em condições de satisfazer as necessidades dos clientes, ou seja, está relacionada com o resultado. E�ciência: o processo tem condições para ser e�caz utilizando o mínimo dos recursos disponíveis, ou seja, está relacionada com os meios. Adaptabilidade: o processo tem condições para se regular no sentido de satisfazer novos requisitos (atender às mudanças nos requisitos). A metodologia apresentada aqui consiste em um conjunto de ações desenvolvidas para aprimorar os processos e agregar valor aos produtos e aos serviços que as organizações prestam aos seus clientes. Segundo Toledo et al. (2017), o gerenciamento de processo é formado pelas seguintes etapas: Seleção do processo: a empresa pode começar a aplicar a metodologia nos principais processos, porém demandará maiores esforços. Essa opção é indicada para empresas que têm experiência em gestão da qualidade ou iniciarão com um processo-piloto para que a equipe responsável possa ganhar experiência e, depois, difundir a metodologia para os demais processos da organização. Também, deve ser de�nido por quais processos se iniciará o tratamento por Gerenciamento de Processos. Isso pode ser feito por meio de consenso entre os membros da alta direção ou equipe designada para essa �nalidade e os responsáveis pela gestão da qualidade da organização. De�nição da equipe: a equipe de melhoria será formada por um líder (dono ou gerente do processo) e pelos responsáveis das atividades (gerentes que supervisionam as atividades do processo). Se as gerências não estiverem comprometidas, certamente, elas não concordarão com as melhorias propostas, gerando perda de tempo e recursos. O sucesso da implantação do Gerenciamento de Processos dependerá da qualidade das pessoas participantes da equipe de melhoria. Portanto, além do treinamento, a organização deve indicar pessoas que sejam competentes, abertas às mudanças, cooperativas, comunicadoras e que realmente acreditam naquilo que fazem. Mapeamento do processo: serve para indicar a sequência das atividades dentro de um processo de trabalho e deve ser feito pela equipe de melhoria, pois seus membros conhecem a realidade do processo. Em um primeiro momento, é importante retratar como o processo realmente funciona. Somente com o conhecimento da situação real é que se pode pensar em melhorar o processo. Nessa etapa, devemos elaborar o �uxograma do processo. Quando o �uxograma estiver pronto, a equipe de melhoria deve criticá lo. Algumas perguntas devem ser feitas: este processo é necessário? Cada etapa do processo é necessária? É possível simpli�car? É possível adotar novas tecnologias (no todo ou em parte)? O que é possível centralizar/descentralizar? Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Análise das atividades: cada atividade do �uxograma revisto será descrita pelo membro da equipe de melhoria do departamento de origem da atividade. Isso pode ser feito utilizando se um diagrama denominado SIPOC (sigla das iniciais Suppliers (Fornecedores), Inputs (Entradas), Process (Processo), Outputs (Saídas) e Customers (Clientes ou Consumidores)), muito em uso atualmente dentro do método de solução de problemas e na gestão da qualidade. Estabelecimento de indicadores da qualidade: os indicadores são formas de representações quanti�cáveis das características de um processo e de seus produtos, usados para controlar e melhorar a qualidade e o desempenho desses produtos ou serviços ao longo do tempo. Muitas organizações têm di�culdades em criar indicadores de desempenho porque eles enfatizam os indicadores de resultado, e não a maneira como os processos estão sendo desempenhados. Acordos entre fornecedores e clientes: a equipe de melhoria deve estabelecer um consenso entre as atividades interdependentes do processo. É importante que elas estejam em sintonia, ou seja, que as saídas de uma atividade precedente sejam iguais às entradas da atividade seguinte. Com isso, o dono do processo deve estabelecer acordos entre os pares de fornecedores e clientes, fazendo com que cada elo tenha um entendimento mútuo do processo, assim como as entradas e saídas precisam ser acordadas junto a fornecedores e cliente. Formalização do processo: nessa etapa, elaboram se as normas, os �uxogramas e a documentação de apoio (formulários de análise de atividades, indicadores da qualidade, procedimentos operacionais, ações de melhoria etc.), formando o manual do processo. O manual do processo propiciará a operacionalidade do processo. Todo o trabalho de normatização deve ser feito com a participação efetiva do pessoal que executa o processo, seguindo as regras da organização. Ninguém pode alterar o manual sem a concordância do dono do processo. Com a elaboração do manual do processo, termina a implantação do gerenciamento de processo. A partir daí, o importante é operar, acompanhar e realizar a melhoria contínua do processo e de seus resultados. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Para auxiliar a empresa emque você atua, você deve começar a explicar o que é o Gerenciamento de Processos. O Gerenciamento de Processos é uma abordagem para avaliar, analisar e continuamente melhorar o desempenho dos processos empresariais. Assim, é importante a empresa entender que um processo é de�nido como um conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que transformam entradas (inputs) em saídas (outputs). Essa de�nição enfatiza a importância de atividades conectadas e sequenciais na produção de um resultado valorizado, destacando a transformação de recursos ou informações de um estado para outro para atender a um objetivo especí�co. Logo, é importante que a empresa, de um modo geral, e cada setor também, conheça suas entradas e suas saídas para gerenciar melhor. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE As etapas do Gerenciamento de Processos são: seleção do processo; de�nição da equipe; mapeamento do processo; análise das atividades; estabelecimento de indicadores da qualidade; acordos entre fornecedores e clientes; formalização do processo. Agora, a empresa já pode começar a implantar o Gerenciamento de Processos! Saiba mais Para saber mais a respeito do Gerenciamento de Processos, veja a Seção 5.2, Gerenciamento de processos, do Capítulo 5 (p. 104-115), do livro indicado a seguir, o qual está disponível na Biblioteca Digital (Minha Biblioteca): TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Aula 3 Sistema de Medição de Desempenho - parte 1 Sistema de Medição de Desempenho - parte 1 Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a você em mais uma aula da disciplina Gestão da Qualidade. Nela, você aprenderá a respeito da importância de ter um sistema de medição de desempenho. As organizações precisam monitorar suas ações e seus resultados, logo precisam de indicadores. Imagine que você atua na área da qualidade em uma indústria que já possui um sistema de gestão da qualidade, porém precisa monitorar seus resultados, logo a empresa precisa de um sistema de medição de desempenho. Para isso, analisando essa situação, você propôs um sistema de medição de desempenho. Agora, você deve explicar: O que é um sistema de medição de desempenho? Quais indicadores a empresa pode utilizar? O que é produtividade e e�ciência? E o que é o Balanced Scorecard (BSC)? Deste modo, você precisa auxiliar a indústria em que você trabalha a responder a esses questionamentos. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Sistema de medição de desempenho Cada vez mais, os sistemas de medição de desempenho estão sendo reconhecidos como ferramentas gerenciais valiosas, particularmente úteis na avaliação do progresso de uma organização. O desempenho pode ser avaliado sob duas perspectivas: por meio da e�ciência ou da e�cácia. E�cácia refere-se a quanto o resultado de um processo atende às expectativas do cliente ou receptor do resultado do processo. Já e�ciência é uma medida da economia na utilização de recursos materiais e humanos utilizados no processo de obtenção de um determinado produto ou resultado; refere-se, portanto, à produtividade dos recursos. Portanto, a medição de desempenho é o ato de quanti�car a e�cácia e/ou e�ciência das operações de uma empresa através de indicadores ou métricas especí�cas (Carpinetti, 2016). A medição de desempenho não é um objetivo em si, mas, sim, uma ferramenta para o gerenciamento do desempenho de um produto, atividade ou da organização como um todo. Ela integra um ciclo contínuo de avaliação e aprimoramento do desempenho de produtos e processos dentro de uma empresa, em que as decisões e ações são baseadas nos níveis de desempenho que foram quanti�cados (Carpinetti, 2016). O monitoramento das metas de desempenho de uma organização pode ser realizado através de indicadores de desempenho. Quando esses indicadores mostram um desempenho inferior ao Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE esperado, podem desencadear medidas corretivas nas operações do negócio, visando à melhoria dos resultados. Contudo, é crucial que os indicadores empregados identi�quem efetivamente as causas subjacentes do problema. Por isso, indicadores de desempenho devem ser escolhidos de forma que induzam a comportamentos planejados. Segundo Carpinetti (2016), o uso de sistemas de medição de desempenho envolve as seguintes grandes etapas: Projeto conceitual do sistema de medição de desempenho: envolve a de�nição do conjunto de indicadores e o detalhamento desses indicadores. Implementação de um sistema de informação: envolve a implementação de ferramentas de tecnologia de informação para coleta de dados, cálculo de indicadores, geração de relatórios, entre outras funcionalidades. Uso e revisão do sistema de medição de desempenho: consiste em melhorias e alterações do sistema, baseado no aprendizado decorrente do uso do sistema de medição de desempenho. Indicadores de desempenho: resultado e tendência Uma das maiores contribuições das teorias de medição de desempenho desenvolvidas nos anos 1990 é a ênfase na necessidade de uma empresa possuir um conjunto inter-relacionado de indicadores de resultado e tendência. Como demonstra a Figura 1, a satisfação dos acionistas está ligada à satisfação do cliente e à diminuição de custos, que correspondem respectivamente à e�cácia e à e�ciência do negócio. A e�cácia empresarial é in�uenciada por elementos que promovem satisfação, como qualidade, tempo e pontualidade na entrega e �exibilidade. Do mesmo modo, a e�ciência empresarial está relacionada a aspectos como produtividade e custos operacionais (Carpinetti, 2016). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Relações de causa e efeito entre e�cácia e e�ciência do negócio e satisfação do cliente e do acionista. Fonte: Carpinetti (2016, p. 201). A análise das relações de causa e efeito que in�uenciam a e�cácia e e�ciência de um negócio ajuda a identi�car indicadores de desempenho pertinentes. Por exemplo, em uma empresa de fabricação de autopeças, a conformidade do produto com as especi�cações do cliente é fundamental. Esta conformidade, resultante de um processo de produção especí�co, leva a um baixo índice de refugo, que pode ser gerenciado pela melhoria da capacidade do processo. Essas relações indicam que os indicadores associados a fatores de desempenho apontam para uma tendência de resultados futuros. Um elevado índice de capacidade sinaliza uma tendência positiva na satisfação do cliente e outros resultados. Indicadores, como qualidade do produto ou pontualidade, são medidas preditivas, pois têm o potencial de in�uenciar resultados �nanceiros e de mercado futuros, como mostra a Figura 2. Medidas, como participação no mercado ou tamanho do mercado, podem indicar tanto o resultado atual quanto a tendência para a melhoria dos resultados �nanceiros. Enquanto indicadores de resultado re�etem o passado, os de tendência preveem o desempenho futuro. Geralmente, indicadores de tendência não são Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE �nanceiros, e indicadores de resultados são �nanceiros, mas nem sempre esse é o caso (Carpinetti, 2016). Figura 2 | Indicadores de resultado e de tendência. Fonte: Carpinetti (2016, p. 203). Um sistema de medição de desempenho é caracterizado por agrupar indicadores vinculados a processos (comoprodução, aquisição, vendas) e critérios de desempenho que mais impactam a e�cácia, de�nidos de acordo com objetivos estratégicos e e�ciência do negócio. Esses indicadores são estabelecidos com base nas relações de causa e efeito entre os resultados desejados e os meios para alcançá-los. Por isso, ao projetar um sistema de medição de desempenho, é crucial construir um mapa das relações de causa e efeito. Modelos conceituais de sistemas de medição de desempenho, como o Balanced Scorecard (BSC), incorporam essa abordagem (Carpinetti, 2016). Siga em Frente... Produtividade e e�ciência Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE A produtividade é um indicador de desempenho aplicável a sistemas de produção variados. Ela pode ser utilizada para avaliar a e�ciência de atividades em setores, como a indústria, a agricultura ou qualquer outro campo que envolva a transformação de insumos ou recursos em produtos ou resultados �nais. Assim, a produtividade é determinada da seguinte forma: Uma medida de produtividade seria, por exemplo, toneladas de soja por hectare de plantação. Na indústria, uma medida de produtividade muito comum é da mão de obra, como peças fabricadas por unidade de mão de obra. Outras medidas de produtividade parcial seriam em relação ao capital ou em relação ao consumo de energia (Carpinetti, 2016). A e�ciência é uma medida da relação entre capacidade real e capacidade efetiva, ou seja: Em que: Capacidade efetiva: é a máxima produção possível dada certa composição de produtos, programação, tempo de parada de máquina para preparação, manutenção, trocas de turnos, descanso dos trabalhadores etc. Capacidade real: é a produção realmente contabilizada, ou seja, o que realmente foi produzido em determinado período. A e�ciência é, portanto, um indicador adimensional. Ela se relaciona à produtividade, já que a capacidade considera determinada disponibilidade de insumos ou recursos de produção, mas são conceitos e indicadores diferentes. Modelos de sistemas de medição de desempenho Desenvolvido por Kaplan e Norton, da Universidade de Harvard, na década de 1990, o Balanced Scorecard (BSC) é amplamente reconhecido na literatura e no mundo corporativo como um modelo de sistema de medição de desempenho. Os criadores do BSC o de�nem como um sistema de gestão estratégica, indo além de um simples sistema de medição de desempenho. Essas perspectivas integram medidas �nanceiras tradicionais e indicadores de desempenho voltados para clientes, operações internas e desenvolvimento. O BSC aborda questões especí�cas em cada perspectiva (Figura 3). Produtividade = Saídas (output) Entradas (input) Produtividade = Saídas (output) Entradas (input) Eficiência = Capacidade real Capacidade efetiva Eficiência = Capacidade real Capacidade efetiva Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Financeira: como devemos ser percebidos pelos acionistas para obter sucesso �nanceiro? Clientes: como devemos ser vistos pelos clientes para realizar nossa visão e missão? Processos internos: para satisfazermos nossos acionistas e clientes, em quais processos de negócio devemos alcançar excelência? Aprendizado e crescimento: como manteremos nossa capacidade de adaptação e melhoria para alcançar nossa visão? Figura 3 | Modelo do Balanced Scorecard de sistema de medição de desempenho. Fonte: Carpinetti (2016, p. 206). Os objetivos �nanceiros orientam e estão interligados aos objetivos e às medidas das outras perspectivas, formando uma cadeia de causa e efeito entre os resultados �nanceiros e outros aspectos, além de representar temas estratégicos para a unidade de negócios (Toledo et al., 2017). Um ponto crucial do BSC é o equilíbrio entre medidas de resultados e medidas de tendências (conhecidas pelos autores como vetores de desempenho). Essa abordagem reforça a ideia de que a medição de desempenho deve ser um instrumento gerencial balanceado. Outro modelo de medição de desempenho é conhecido como performance prism, o qual foi desenvolvido pelo Professor Andy Neely, da Cran�eld Business School, na Inglaterra, e propõe uma abordagem fundamentada em cinco questões-chave: 1. Stakeholders (partes interessadas): quem são os stakeholders e o que cada um deles quer e necessita? Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE 2. Estratégias: quais estratégias devemos adotar para satisfazer esses anseios e necessidades? 3. Processos: quais processos devemos melhorar para alcançar nossas estratégias? 4. Capacidades: quais capacidades são necessárias para alcançar as estratégias? 5. Contribuição dos stakeholders: o que nós necessitamos e queremos dos nossos stakeholders para manter e desenvolver nossas capacidades? De acordo com esse modelo, um sistema e�caz de medição de desempenho deve incluir indicadores que re�itam a análise das necessidades dos stakeholders, como clientes, acionistas e fornecedores. Os indicadores devem, portanto, ser capazes de avaliar: a satisfação dos stakeholders, a realização das estratégias, a e�ciência dos processos, as capacidades organizacionais e a contribuição dos stakeholders. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da aula, você pode ajudar a indústria em que trabalha. Vamos lá! Você deve começar explicando que um sistema de medição de desempenho é um meio de gerenciar o desempenho de um produto, de uma atividade ou de uma organização como um todo. Ele faz parte de um processo cíclico de avaliação e melhoria de desempenho de produtos e processos de uma organização, em que a tomada de decisão e ação depende dos níveis de desempenho quanti�cados. Logo, os indicadores de desempenho, conhecidos também como Key Performance Indicators (KPIs), são medidas quanti�cáveis utilizadas para avaliar o sucesso de uma organização, um departamento ou um processo especí�co em alcançar seus objetivos. Assim, um indicador comum que a empresa pode utilizar é o da produtividade, que é a relação ótima entre custo e benefício, uma relação entre o produzido (output) e os recursos utilizados para produzir (input), e pode ser calculada pela divisão das saídas (outputs) pelas entradas (inputs). A e�ciência é uma medida da relação entre a capacidade real e a capacidade efetiva, ou seja, é determinada pela divisão da capacidade real pela capacidade efetiva. A empresa também pode utilizar o Balanced Scorecard (BSC) para realizar suas medições de desempenho, por se tratar de algo completo, assim, o modelo do BSC se organiza em quatro perspectivas fundamentais: �nanceira, clientes, processos internos e aprendizado e crescimento. O BSC é uma forma de mensurar os resultados e acompanhar o desempenho da empresa sob uma ótica estratégica. Dessa forma, é possível ter uma gestão muito mais e�ciente e voltada para o sucesso do negócio. Agora, você já ajudou a empresa em que você atua a entender melhor sobre o sistema de medição de desempenho e sua importância! Saiba mais Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Para saber mais a respeito do Sistema de Medição de Desempenho, veja as seções 10.1, 10.2 e 10.3 do Capítulo 10 (p. 198-207), Sistemas de Medição de Desempenho, do livro indicado a seguir, o qual está disponível na Biblioteca Digital (Minha Biblioteca): CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Aula 4 Sistema de Medição de Desempenho - parte 2 Sistema de Medição de Desempenho - parte 2 Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais a você em uma aula da disciplinaGestão da Qualidade! Nela, você conhecerá sobre o projeto conceitual de um sistema de medição, o sistema informatizado de medição e o uso e revisão do sistema de medição de desempenho. Na Gestão da Qualidade a compreensão aprofundada do projeto conceitual de um sistema de medição de desempenho é importante para estudantes e pro�ssionais. Este conteúdo oferece a base para o desenvolvimento de sistemas informatizados de medição de desempenho, https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml01]!/4/2 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml01]!/4/2 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml01]!/4/2 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE ferramentas essenciais na era da informação. A competência de utilizar e revisar e�cientemente esses sistemas não apenas promove a e�cácia operacional, mas também capacita os pro�ssionais a tomar decisões mais assertivas. Portanto, é um conteúdo importante para ser aplicado no dia a dia das organizações e contribuir para a gestão da qualidade. Imagine que você atua em uma empresa na área de gestão da qualidade. A empresa está de�nindo seus indicadores para monitorar, obter dados e tomar decisões. Assim, após a de�nição dos indicadores, a empresa precisa detalhá-los e de�nir quais os requisitos básicos de um sistema informatizado de medição de desempenho e para que o projeto e a implementação de um sistema de medição de desempenho devem passar por revisões periódicas. Portanto, estudante, você precisa auxiliar a empresa em que você trabalha a resolver a situação apresentada. Vamos conhecer esse conteúdo! Vamos Começar! Projeto conceitual de um sistema de medição O projeto conceitual de um sistema de medição de desempenho começa pela de�nição do conjunto de indicadores. Algumas diretrizes, inspiradas nos modelos teóricos de sistemas de medição, podem ser seguidas, incluindo: De�nição de indicadores alinhados com a estratégia da organização. De�nição de indicadores baseados em perspectivas de medição. Desdobramento de indicadores por processos de negócios e pela estrutura organizacional. Empresas que planejam seu futuro de forma concreta fazem escolhas estratégicas cruciais para sua sobrevivência e seu crescimento. Essas decisões podem envolver melhorias no que já é realizado, enfrentamento da concorrência, atendimento às novas demandas do mercado e garantia da sustentabilidade do negócio. Por exemplo, uma empresa pode optar por manter seu segmento de mercado com produtos ou serviços aprimorados, como novos lançamentos, ou focar em reduzir desperdícios e aumentar a produtividade (Carpinetti, 2016). Outras decisões podem abranger desa�os inéditos, como adentrar em novos mercados com produtos ou serviços inovadores ou explorar segmentos diferentes com produtos diferenciados, mas utilizando a mesma tecnologia. Por exemplo, um fabricante de eletrodomésticos pode desenvolver produtos para segmentos de maior poder aquisitivo, ou uma construtora pode decidir entrar no mercado de mineração ou petróleo (Carpinetti, 2016). Essas decisões, geralmente, surgem de questionamentos sobre as expectativas dos stakeholders e as estratégias a serem adotadas, conforme o modelo de performance prism de Andy Neely. Elas são frequentemente associadas a objetivos e metas atrelados a indicadores de desempenho de mercado e �nanceiros, conforme as perspectivas sugeridas no Balanced Scorecard (BSC) (Carpinetti, 2016). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Decisões estratégicas em uma organização podem incluir aquelas relacionadas à redução do impacto ambiental, impulsionadas tanto por pressões regulatórias quanto pelo compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social. Cada vez mais, especialmente grandes empresas, enfrentam essa demanda. Nesses casos, uma nova perspectiva de desempenho, focada na sustentabilidade ambiental e social, pode ser introduzida. Uma vez estabelecidos os objetivos estratégicos, os indicadores e as metas, eles devem ser distribuídos pelos processos de negócio e pela estrutura organizacional da empresa. Esse processo envolve identi�car os processos-chave de negócio para a melhoria do desempenho, considerando os objetivos estratégicos e os indicadores. Por exemplo, uma empresa focada em manter seu segmento de mercado com produtos ou serviços melhorados deve concentrar-se nos macroprocessos de desenvolvimento de produtos e produção. Já uma empresa de serviços, como telecomunicações, com o objetivo de melhorar o atendimento ao cliente, deve focar nos processos de relacionamento com o cliente. O objetivo é identi�car indicadores para monitorar o desempenho dos processos e das atividades críticos. Isso inclui identi�car indicadores de tendência relacionados à perspectiva dos processos internos, conforme o modelo do BSC. Esse desdobramento também responde à terceira pergunta do modelo performance prism: quais processos devem ser melhorados para alcançar nossas estratégias? Além dos indicadores de processos internos, o desempenho dos fornecedores, em aspectos como qualidade, prazos e �exibilidade, pode impactar signi�cativamente o desempenho da empresa cliente. Especialmente em setores com cadeias produtivas complexas, a gestão do desempenho dos fornecedores é crítica. Por exemplo, um fabricante de eletrodomésticos pode enfrentar problemas de qualidade e custos se os componentes fornecidos não atenderem às especi�cações (Oliveira, 2014). Ao projetar um sistema de medição de desempenho, após de�nir indicadores desdobrados dos objetivos estratégicos, é importante considerar a estrutura organizacional da empresa. Em grandes empresas, a de�nição de indicadores por áreas funcionais e níveis hierárquicos e sua complementaridade é essencial. Indicadores devem ser segmentados por funções (industrial, marketing etc.) e relacionados com os níveis gerenciais da organização (Toledo et al., 2017). Por último, após a de�nição do conjunto de indicadores que constituem o sistema de medição de desempenho, esses indicadores precisam ser detalhados. O detalhamento do indicador consiste na de�nição de: Fórmula de cálculo: um indicador não existe sem uma fórmula de cálculo ou uma explicação da forma de cálculo. Por exemplo, o lead-time de produção é calculado como a diferença, em unidade de tempo, entre o instante em que a produção de um produto é disparada e o instante em que o produto é liberado para expedição. Dados básicos: dados que são usados para o cálculo. No exemplo do lead-time, os dados seriam dia-hora-minuto de apontamento. Unidade de medição: se o indicador for dimensional, há unidade de medição; no exemplo do lead-time, dependendo do produto, o lead-time pode ser medido em minutos, horas ou Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE dias. Frequência de medição: dependendo do indicador e do produto, pode ser com frequência de�nida, por exemplo, mensal ou bimensal, ou com frequência variável. Formato de exibição dos resultados: de modo geral, deve-se exibir os resultados em formato grá�co, podendo ser grá�co de linha ou de barra. Responsável pela coleta de dados e pelo cálculo do indicador: a responsabilidade pela coleta de dados e pelo cálculo do indicador precisa ser de�nida, para que o indicador não deixe de ser calculado. Responsável pela análise e comunicação dos resultados: como dito inicialmente, a medição de desempenho não é um �m, mas um meio para se atingir objetivos traçados. Daí a importância em se de�nir claramente quem será responsável pela tomada de ação a partir da análise e discussão dos resultados evidenciados pelos indicadores. Distribuição da informação: como garantir que a informação chegue aos funcionários responsáveis pela análise e comunicação dos resultados. O Quadro 1 traz de forma sintetizada as principais diretrizes para o projeto conceitual do sistema de medição de desempenho. Diretriz Explicação De�nição de indicadores de resultados a partir de objetivos estratégicosOs objetivos estratégicos da organização devem ser explicitados por meio de indicadores de resultados e respectivas metas. Normalmente, os objetivos estratégicos incluem temas relacionados à participação no mercado e aos resultados �nanceiros. Outros objetivos, relacionados à sustentabilidade ambiental e à responsabilidade social, estão se tornando cada vez mais frequentes, especialmente em grandes organizações. Desdobramento de indicadores de resultados em indicadores de processos internos O desempenho medido pelos indicadores de resultados depende do desempenho de alguns processos de negócio considerados críticos. Análise das relações de causa e efeito entre resultados e processos internos deve ser feita para identi�car indicadores de processo em dimensões em que uma melhoria de desempenho sinalize uma Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE tendência de melhoria de resultados. Desdobramento de indicadores de resultados e processos internos para os fornecedores e clientes intermediários Em setores industriais organizados em cadeias produtivas, os fornecedores e clientes intermediários realizam atividades que podem melhorar ou prejudicar as metas de desempenho da empresa foco. Daí a importância em identi�car indicadores que possam monitorar o desempenho de clientes intermediários e fornecedores. Desdobramento de indicadores de resultados e processos em indicadores de gestão de recursos humanos A realização dos processos da cadeia interna de valor do ciclo de vida do produto depende essencialmente da capacitação organizacional e dos recursos humanos. Indicadores podem auxiliar a empresa a direcionar e monitorar seus esforços de capacitação e gestão dos recursos humanos. Organização dos indicadores em perspectivas de medição de desempenho As perspectivas de medição de desempenho são os grandes temas de gestão de desempenho relacionados aos objetivos estratégicos da organização. A de�nição de perspectivas não só ajuda no processo de análise para desdobramento dos indicadores mas também facilita a comunicação aos membros da organização sobre os grandes temas de gestão de desempenho. Atribuição dos indicadores às áreas funcionais e desdobramento dos indicadores pelos níveis funcionais Especialmente para grandes empresas, é preciso vincular os indicadores do sistema de medição de desempenho, focados em processos e atividades, à estrutura funcional da organização, delegando responsabilidades. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Detalhamento dos indicadores de desempenho Os indicadores não serão indicadores se não tiverem uma fórmula ou uma forma precisa de cálculo, com dados especí�cos, unidade e frequência de medição. O esforço de medição será inútil se não forem de�nidas as responsabilidades, por coleta, distribuição da informação e análise do desempenho. Quadro 1 | Diretrizes gerais para o projeto conceitual de sistema de medição de desempenho. Fonte: Carpinetti (2016, p. 219). Siga em Frente... Sistema informatizado de medição de desempenho Para que um sistema conceitual de medição de desempenho seja efetivo, sua implementação é essencial, permitindo a análise e a decisão baseada em dados. O avanço na digitalização das operações empresariais tem facilitado o uso de tecnologia da informação para concretizar esses sistemas de medição. Sistemas informatizados de medição de desempenho funcionam como Sistemas de Informação Gerencial (SIG), visando prover aos gestores informações precisas e cruciais para decisões estratégicas e operacionais. Segundo Carpinetti (2016), os requisitos básicos de um sistema informatizado de medição de desempenho são: Coleta de dados: envolve o acesso a informações relevantes na empresa, provenientes de bancos de dados, sistemas transacionais e questionários, abordando tanto informações internas como externas relevantes ao processo de medição de desempenho adotado pela empresa. Análise dos dados e indicadores: corresponde à análise das informações obtidas a partir da coleta de informações, calculando indicadores e fazendo análises estatísticas, buscando padrões, tendências, e comparando essas informações com padrões de desempenho estabelecidos pela empresa, a partir de suas metas. Comunicação para tomada de decisão: de acordo com os resultados das análises, esses resultados e outras informações devem ser comunicados aos responsáveis pelos processos e pelas áreas funcionais, para que as ações pertinentes sejam iniciadas. Aprendizado: as informações relevantes sobre o processo de gestão de desempenho, bem como do processo de medição em si, devem ser registradas e disponibilizadas para o Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE aprendizado organizacional. A instauração de um sistema informatizado para medição de desempenho pode variar em complexidade, desde o uso de ferramentas simples, como planilhas eletrônicas, até sistemas mais so�sticados que integram diversas tecnologias de informação. A escolha das funcionalidades e a complexidade do sistema são determinadas pelos recursos de tecnologia de informação já empregados na administração empresarial. Uso e revisão do sistema de medição de desempenho O sucesso de um sistema de medição de desempenho está atrelado não apenas à maturidade da organização no que se refere à gestão de desempenho através desse sistema mas também ao impacto motivacional das funcionalidades do sistema na adoção dessa prática pela empresa. Portanto, o projeto e a implementação de um sistema de medição de desempenho devem passar por revisões periódicas para: Incorporação ou exclusão de funcionalidades, de forma a tornar o sistema mais amigável, contribuindo para a adoção do sistema como uma ferramenta gerencial. Correção de erros percebidos durante o uso. Incorporação de melhorias decorrentes do amadurecimento da empresa com essa prática. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da aula, você pode ajudar a empresa em que trabalha. Vamos lá! Você precisa explicar que o detalhamento do indicador consiste na de�nição de: fórmula de cálculo; dados básicos; unidade de medição; frequência de medição; formato de exibição dos resultados; responsável pela coleta de dados e cálculo do indicador; responsável pela análise e comunicação dos resultados; distribuição da informação. Em seguida, informar que os requisitos básicos de um sistema informatizado de medição de desempenho são: coleta de dados; análise dos dados e indicadores; comunicação para tomada de decisão; aprendizado. Por último, esclarecer que o projeto e a implementação de um sistema de medição de desempenho devem passar por revisões periódicas para: Incorporação ou exclusão de funcionalidades, de forma a tornar o sistema mais amigável, contribuindo para a adoção do sistema como uma ferramenta gerencial. Correção de erros percebidos durante o uso. Incorporação de melhorias decorrentes do amadurecimento da empresa com essa prática. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Agora, com essas informações, a empresa que você trabalha já sabe da importância do sistema de medição de desempenho e pode monitorar de forma e�ciente e e�caz. Saiba mais Para saber mais a respeito do sistema de medição de desempenho, veja as seções 10.4 (Projeto conceitual de um sistema de medição de desempenho), 10.5 (Sistema informatizado de medição de desempenho) e 10.6 (Uso e revisão do sistema de medição de desempenho) do Capítulo 10 (Sistemas de Medição de Desempenho – p. 208-222), do livro indicado a seguir, o qual está disponível na Biblioteca Digital (Minha Biblioteca): CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que vocêacesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml01]!/4/2 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml01]!/4/2 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é desenvolver a capacidade de planejar, implementar e monitorar estratégias de Gestão da Qualidade por meio do Gerenciamento pelas Diretrizes, da otimização de processos e da criação de sistemas de medição de desempenho, contribuindo para a melhoria contínua da qualidade organizacional, você deverá compreender os tópicos indicados a seguir. Gerenciamento pelas Diretrizes O Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD), conhecido também como Hoshin Kanri, é uma metodologia de planejamento estratégico focada na melhoria contínua e no alinhamento organizacional. Originado no Japão, o GPD integra o Total Quality Control (TQC) com técnicas de planejamento e gestão, utilizando o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) para garantir a execução e�caz das estratégias. Ele é formado pelo gerenciamento funcional (ou gerenciamento da rotina) e pelo gerenciamento interfuncional. O primeiro deve cuidar da manutenção e da melhoria contínua da qualidade em cada seção da empresa, por meio das unidades gerenciais básicas, dais quais, como vimos, participam todos os funcionários da empresa. Já o segundo deve estar sob a responsabilidade do alto escalão, pois tem a missão de gerenciar as diretrizes estratégicas da empresa, quase todas com implicações interdepartamentais. Assim, no contexto do GPD, uma diretriz é um objetivo estratégico que a organização se propõe a alcançar. É mais do que uma simples meta; uma diretriz inclui uma meta quanti�cável e clara, além de um plano de ação ou medidas para atingi-la. As diretrizes são fundamentais para direcionar os esforços da organização e assegurar que todos os níveis hierárquicos trabalhem em prol dos mesmos objetivos. A etapa de desdobramento das diretrizes engloba o desdobramento das diretrizes da alta gerência em diretrizes dos níveis hierárquicos inferiores, ou seja, os níveis intermediários da organização devem de�nir, a partir das diretrizes da alta gerência, seus objetivos, suas metas e seus meios para se atingir esses objetivos (Carpinetti, 2016). A etapa de implementação das diretrizes pressupõe o gerenciamento interfuncional, ou seja, o gerenciamento dos objetivos de desempenho entre as diferentes funções da estrutura funcional da organização, e a avaliação de progresso, por meio do que se convencionou chamar de auditorias do presidente. A implementação do gerenciamento pelas diretrizes também pressupõe a adoção do gerenciamento da rotina do dia a dia do GQT japonês (Carpinetti, 2016). Gerenciamento de Processos O Gerenciamento de Processos é uma abordagem essencial na Gestão da Qualidade, focada em otimizar e controlar as sequências de atividades que criam e entregam produtos ou serviços. Essa metodologia é crucial para melhorar a e�ciência, a e�cácia e a adaptabilidade das operações de uma organização. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Um processo é de�nido como uma série de atividades inter-relacionadas e sequenciais, que transformam insumos (inputs – entradas) em saídas (outputs – produtos ou serviços), agregando valor em cada etapa. As principais características dos processos incluem: Atividades interdependentes: cada atividade dentro de um processo depende e in�uencia as demais. Entradas e saídas mensuráveis: processos têm entradas claras (recursos) e saídas de�nidas (produtos/serviços). Transformação: cada etapa do processo deve contribuir para a criação de valor. Repetição e consistência: processos são repetitivos e buscam a consistência nos resultados. A metodologia para o Gerenciamento de Processos consiste em uma série de medidas implementadas para melhorar os processos, aumentando o valor dos produtos e serviços oferecidos pelas organizações aos seus clientes. Segundo Toledo et al. (2017), o gerenciamento de processo é formado pelas seguintes etapas: seleção do processo; de�nição da equipe; mapeamento do processo; análise das atividades; estabelecimento de indicadores da qualidade; acordos entre fornecedores e clientes; formalização do processo. Sistema de medição de desempenho O sistema de medição de desempenho é um conjunto de ferramentas utilizadas para avaliar a e�cácia e e�ciência das operações de uma organização. Esse sistema coleta e analisa dados para melhorar a tomada de decisões e orientar as estratégias empresariais. Indicadores de resultado e tendência: são métricas utilizadas para avaliar o desempenho atual (resultados) e prever futuros desempenhos (tendências). Os indicadores de resultado focam no desempenho passado e presente, enquanto os de tendência preveem potenciais resultados futuros. Produtividade: refere-se à e�ciência na conversão de recursos (como tempo, materiais) em produtos ou serviços. É um indicador crucial para medir a e�ciência operacional e a capacidade de uma organização de maximizar seus recursos. Logo, a produtividade pode ser calculada da seguinte forma: E�ciência: é uma medida da relação entre capacidade real e capacidade efetiva, ou seja: Balanced Scorecard (BSC) Produtividade = Saídas Entradas Eficiência = Capacidade real Capacidade efetiva Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE O Balanced Scorecard (BSC) é uma ferramenta de gestão estratégica desenvolvida por Robert Kaplan e David Norton. Ele equilibra indicadores �nanceiros e não �nanceiros em quatro perspectivas principais: �nanceira, cliente, processos internos e aprendizado e crescimento. O BSC ajuda as organizações a traduzir sua visão e estratégia em objetivos e indicadores concretos, facilitando a medição e o gerenciamento do desempenho organizacional. Além disso, promove o alinhamento estratégico entre diferentes níveis da organização e fomenta um foco contínuo na estratégia e nos resultados. Projeto conceitual de um sistema de medição O projeto conceitual de um sistema de medição de desempenho inicia-se com a de�nição de indicadores alinhados à estratégia da organização, baseados em diferentes perspectivas de medição e distribuídos pelos processos de negócio e estrutura organizacional. Decisões estratégicas podem variar desde a melhoria de produtos/serviços existentes até a exploração de novos mercados, sempre considerando as expectativas dos stakeholders. Após de�nir objetivos estratégicos e indicadores, eles devem ser distribuídos pelos processos críticos da empresa. Por exemplo, empresas de produtos devem focar no desenvolvimento e na produção, enquanto empresas de serviços podem focar no relacionamento com o cliente. Além disso, a gestão do desempenho dos fornecedores é crucial, especialmente em setores complexos. A estrutura do sistema de medição deve considerar a estrutura organizacional da empresa, com indicadores segmentados por funções e relacionados aos níveis gerenciais. Por �m, cada indicador deve ser detalhado em termos de fórmula de cálculo, dados básicos, unidade de medição, frequência, formato de exibição, responsabilidade pela coleta, análise, comunicação dos resultados e distribuição da informação. Sistema informatizado de medição de desempenho e uso e revisão do sistema de medição de desempenho Um sistema informatizado de medição de desempenho é crucial para efetivar a gestão estratégica e operacional em uma empresa. Com o progresso da tecnologia da informação, tais sistemas, atuando como Sistemas de Informação Gerencial (SIG), fornecem dados precisos para tomadas de decisão. Eles se baseiam na coleta de dados internos e externos, análise de indicadores, comunicação7. Adote e institua a liderança. O papel da liderança deve ser de ajudar as pessoas e os recursos tecnológicos a trabalharem melhor. �. Elimine o medo para que todos trabalhem de modo e�caz. 9. Elimine as barreiras entre os departamentos de forma que as pessoas possam trabalhar em equipes. 10. Elimine metas numéricas, slogans e exortações para os trabalhadores que causem relações adversárias. 11. Elimine quotas numéricas e gerenciamento por objetivos. Substitua por liderança. 12. Remova as barreiras que roubam das pessoas a satisfação e o orgulho pelo trabalho. 13. Adote um forte programa de educação, treinamento e automelhoria. 14. Faça da transformação um trabalho de todos e ponha todos para trabalhar nisso. Outra contribuição de grande relevância de Deming, em parceria com Walter Shewhart, foi a introdução do Ciclo de Deming-Shewhart, popularmente conhecido como Ciclo PDCA. Enquanto Juran e Feigenbaum �zeram contribuições mais diretas e práticas no campo do controle de qualidade, Deming teve um impacto signi�cativo na transformação da cultura organizacional e nos princípios de gestão de recursos humanos (Toledo et al., 2017). Joseph M. Juran Com a publicação do Manual de Controle da Qualidade, em 1950, escrito por Juran, a abordagem do controle de qualidade adquiriu uma nova perspectiva, abrangendo todas as etapas do ciclo de produção, desde o desenvolvimento até o pós-venda. Juran argumentava que, para garantir a adequação do produto ao uso, todos os processos envolvidos no ciclo de produção, direta ou indiretamente, deveriam ser orientados para atender às expectativas do cliente. Isso implicava a necessidade de incorporar o conceito de qualidade em todos os processos da organização, abrangendo o planejamento do produto, o design e desenvolvimento, as aquisições, a produção, o marketing e o suporte pós-venda (Carpinetti, 2016). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Além disso, Juran desenvolveu uma metodologia chamada "Trilogia de Controle da Qualidade", que consiste em um ciclo de gerenciamento composto por (Oliveira, 2014): Planejamento da qualidade: identi�car os clientes, determinar as suas necessidades, criar características de produto que satisfaçam essas necessidades, criar os processos capazes de satisfazer essas necessidades e transferir a liderança desses processos para o nível operacional. Controle da qualidade: avaliar o nível de desempenho atual, comparar com os objetivos estabelecidos, tomar medidas para reduzir a diferença entre o desempenho atual e o previsto. Melhoria da qualidade: reconhecer as necessidades de melhoria, transformar as oportunidades de melhoria em uma tarefa de todos, criar um conselho para qualidade que selecione projetos de melhoria, promover a formação em qualidade, avaliar a progressão dos projetos, premiar as equipes vencedoras, divulgar os resultados, rever os sistemas de recompensa para aumentar o nível de melhorias e incluir os objetivos de me Philip B. Crosby Segundo Oliveira (2014), Philip Crosby associa a qualidade a diversos conceitos, incluindo “zero defeito”, “fazer certo desde a primeira vez”, os “quatro absolutos da qualidade”, o “processo de prevenção” e os “seis C”. A expressão "zero defeito" não se limita à perfeição do produto, mas, sim, implica que todos os colaboradores da organização estão empenhados em produzir com excelência desde o primeiro estágio do processo. É uma meta constante a ser buscada, uma vez que a obtenção de produtos perfeitos é possível (Oliveira, 2014). Conforme Oliveira (2014), os quatro absolutos consistem em: 1. Prevenção como norma: a prevenção deve ser incorporada em todos os níveis da organização. 2. Uso da metodologia dos custos da qualidade como ferramenta de gestão: avaliar e gerenciar os custos associados à qualidade. 3. “Zero defeito” como �loso�a de trabalho: adotar a mentalidade de produzir sem defeitos como padrão. 4. Conformidade com as especi�cações como linguagem padrão: estabelecer as especi�cações como a referência para o nível de qualidade desejado. De acordo com Oliveira (2014), os seis C incluem: 1. Compreensão da qualidade: todos na organização devem entender o que qualidade signi�ca. 2. Comprometimento da alta administração: a alta administração deve de�nir a política de qualidade. 3. Competência: resulta de um plano de formação e implementação sistemática da qualidade. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE 4. Comunicação: garantir que todos na organização adotem a cultura da qualidade. 5. Correção com base na prevenção e desempenho: a ênfase deve ser na prevenção, como também na correção, quando necessário. �. Continuidade: o processo de melhoria da qualidade deve ser uma parte constante da cultura da organização. Para Crosby, qualidade signi�ca conformidade com os requisitos. É crucial que a qualidade seja de�nida quantitativamente, para que a organização tenha metas mensuráveis. A qualidade deve ser monitorada regularmente por meio dos custos da qualidade (Oliveira, 2014). Siga em Frente... Armand V. Feigenbaum Segundo Carpinetti (2016), Feigenbaum estabeleceu quatro tarefas básicas que uma organização deve cumprir para o e�caz e global controle da qualidade: 1. Controle de novos projetos. 2. Controle de recebimento de materiais. 3. Controle do produto. 4. Estudos especiais dos processos. Para a consecução dessas tarefas, o autor propôs alguns subsistemas para efetivar o sistema de Controle Total da Qualidade (CTQ) (Toledo et al., 2017): a. Avaliação da qualidade na pré produção. b. Planejamento da qualidade do produto e do processo. c. Avaliação e controle da qualidade dos materiais comprados. d. Avaliação e controle da qualidade dos produtos e processos. e. Sistema de informação da qualidade. f. Mecânica da informação da qualidade. g. Desenvolvimento do pessoal, motivação e treinamento para a qualidade. h. Qualidade pós-venda. i. Administração da função controle de qualidade. j. Estudos especiais da qualidade (projetos de melhoria). Kaoru Ishikawa Ishikawa desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de uma visão abrangente da qualidade, com um foco signi�cativo no aspecto humano, bem como na criação e aplicação de ferramentas da qualidade. Segundo a perspectiva de Ishikawa, a qualidade total implica a participação de todos os membros da organização e o trabalho em equipe, em oposição ao esforço individual. Isso o levou à concepção dos “círculos de controle da qualidade”, que devem ser integrados em um programa mais amplo de qualidade (Carpinetti, 2016). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Ishikawa via o processo como um conjunto de causas que precisam ser gerenciadas para obter produtos e serviços de alta qualidade. Ele desenvolveu o famoso Diagrama de Causa e Efeito, amplamente conhecido como o Diagrama de Ishikawa (Carpinetti, 2016). Para facilitar a aplicação das técnicas de controle estatístico, Ishikawa classi�cou essas técnicas em três grupos de complexidade progressiva. O primeiro grupo inclui as “sete ferramentas da qualidade”, que podem ser utilizadas por todos os membros da organização, sem a necessidade de conhecimento estatístico avançado. Essas ferramentas são e�cazes na análise e resolução de, aproximadamente, 90% dos problemas de qualidade e incluem a Análise de Pareto, o Diagrama de Causa e Efeito (ou Diagrama de Ishikawa), Histograma, Cartas de Controle, Folha de Veri�cação, Grá�co de Dispersão e Fluxograma. O segundo grupo abrange métodos estatísticos intermediários, destinados a especialistas em qualidade e a alguns gerentes responsáveis pela qualidade em suas áreas. Esses métodos requerem algum conhecimento estatístico, mas podem ser dominados por gerentes com treinamento adequado. Eles incluem a inspeção amostral, as estimativas estatísticas e o projeto de experimentos. O último grupo é composto por métodos estatísticos avançados, projetados para especialistas em qualidade com conhecimento estatístico aprofundado (Carpinetti, 2016). Genichi Taguchi A �loso�a de Genichi Taguchi se baseia na compreensão das reais necessidades do clientee�caz para decisão e aprendizado organizacional. A complexidade desses sistemas varia, podendo ir desde simples planilhas eletrônicas até sistemas mais avançados que integram diversas tecnologias. Além disso, a e�cácia do sistema de medição de desempenho depende da maturidade organizacional e da motivação proporcionada pelas suas funcionalidades. Assim, é essencial revisar periodicamente o sistema para aprimorá-lo, corrigir erros e incorporar novas funcionalidades, garantindo sua e�ciência como ferramenta gerencial. É Hora de Praticar! Olá, estudante, boas-vindas a você ao nosso estudo de caso! A ideia é que você possa praticar os conceitos que aprendemos em cada uma das aulas. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Você atua em uma empresa que produz autopeças para veículos leves e pesados. Sabendo da importância da qualidade de seus produtos, ela investiu em melhorias. Já possui implantado o setor de gestão da qualidade e, constantemente, realiza treinamentos para sempre manter a qualidade de seus processos tanto administrativos quanto produtivos. A empresa quer avançar ainda mais na área da qualidade e pretende implantar novas metodologias para melhorar ainda mais a qualidade de forma geral da empresa. Assim, a alta administração pesquisou e obteve informações a respeito do Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD) e do Gerenciamento de Processos. Sabendo disso e com seu conhecimento, você deve explicar o que é cada uma dessas metodologias. Além disso, a empresa está implantando um sistema de medição de desempenho, logo deve criar indicadores para monitorar seus processos, sua produtividade e sua e�ciência. Diante disso, a empresa quer determinar a produtividade parcial do setor de usinagem que possui quatro máquinas e produz 2.800 peças diariamente, trabalhando oito horas diárias. Também, precisa determinar a produtividade da mão de obra, em que possui 50 colaboradores que trabalham em média 200 horas mensais e, no último mês, foram produzidas 70.000 peças. Por �m, a empresa quer determinar sua e�ciência, sendo que sua capacidade efetiva é de 85.000 peças mensais. A empresa pretende utilizar o Balanced Scorecard (BSC), para monitorar de forma mais ampla. Portanto, você deve auxiliar a empresa que você atua, explicando o que é o Gerenciamento pelas Diretrizes, o Gerenciamento de Processos e o BSC e determinando a produtividade e a e�ciência conforme os dados elencados. Boa resolução! Após a leitura do conteúdo, você, estudante, deve re�etir a respeito das seguintes perguntas: O que é o Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD) e o Gerenciamento de Processos? O que é um sistema de medição de desempenho? O que é e como calcula a produtividade e a e�ciência? Olá, estudante! Conseguiu analisar o estudo de caso e resolver a situação proposta? Veri�caremos algumas informações que precisam constar na sua resolução. Você deve iniciar explicando o que é o Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD) e o Gerenciamento de Processos. O Gerenciamento pelas Diretrizes (GPD) é uma metodologia estratégica de gestão focada em estabelecer, desdobrar e implementar diretrizes claras alinhadas com os objetivos da organização. Suas etapas incluem a de�nição de metas, a negociação e concordância das metas entre diferentes níveis hierárquicos (catchball), a implementação das ações e a avaliação contínua do progresso. O GPD promove o alinhamento organizacional e a concentração em poucas prioridades estratégicas, para garantir e�cácia e melhoria contínua. O Gerenciamento de Processos, por sua vez, foca na otimização dos processos organizacionais. Inclui a identi�cação e o mapeamento de processos, a análise e melhoria contínua das atividades e o estabelecimento de indicadores de desempenho. Esse método visa à e�ciência operacional, à redução de desperdícios e à melhoria da qualidade do produto ou serviço �nal. O Gerenciamento de Processos atravessa as fronteiras funcionais da organização, concentrando-se em �uxos de trabalho integrados e na satisfação das necessidades dos clientes. Agora, você deve explicar o que é o indicador de produtividade e como se calcula. O indicador de produtividade é uma métrica usada para avaliar a e�ciência de uma operação ou processo. Ele mede a quantidade de saída produzida (como produtos ou serviços) em relação à quantidade de Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE insumos utilizados (como tempo, mão de obra, ou recursos). Em termos simples, a produtividade pode ser entendida como a razão entre o que é produzido e os recursos que foram empregados para produzir, ou seja, a produtividade é determinada pela divisão das saídas pelas entradas. Sabe-se que a empresa possui quatro máquinas que produzem 2.800 peças diariamente, trabalhando oito horas diárias. A produtividade é: Input = 4 x 8 = 32 horas x máquina/dia. Output = 2.800 peças/dia. Produtividade = Output / Input = 2.800 / 32 = 87,5 peças/horas x máquina. Ou seja, cada máquina produz 87,5 peças por hora. Agora, a produtividade da mão de obra mensal é: Input = 50 x 200 = 10.000 colaborador x horas/mês. Output = 70.000 peças/mês. Produtividade (mão de obra) = 70.000 / 10.000 = 7 peças/ colaborador x hora. Ou seja, cada colaborador produz, em média, 7 peças por hora. Agora, a e�ciência é determinada pela divisão entre a capacidade real pela capacidade efetiva. Como no último mês a empresa produziu 70.000 peças, esta foi sua capacidade real no mês anterior, assim a e�ciência é: E�ciência = 70.000 / 85.000 = 0,8235 = 82,35%. Agora, você deve explicar o que é o BSC. O Balanced Scorecard (BSC) é uma ferramenta de gestão estratégica, desenvolvida por Kaplan e Norton, que equilibra indicadores �nanceiros e não �nanceiros para fornecer uma visão abrangente do desempenho organizacional. Ele é composto por quatro perspectivas: Perspectiva �nanceira: avalia a saúde �nanceira da organização, focando em indicadores, como lucratividade, crescimento de receitas e retorno sobre investimentos. Perspectiva dos clientes: concentra-se na satisfação e retenção de clientes, avaliada através de indicadores, como satisfação do cliente, participação de mercado e valor percebido pelos clientes. Perspectiva dos processos internos: examina a e�ciência e e�cácia dos processos internos da empresa, com indicadores, como qualidade, tempo de ciclo e custos de operação. Perspectiva de aprendizado e crescimento: foca no desenvolvimento de capacidades e inovação, incluindo indicadores relacionados à melhoria contínua, à capacitação dos colaboradores e à cultura organizacional. Cada perspectiva ajuda a garantir um equilíbrio entre objetivos de curto e longo prazos, medidas internas e externas e indicadores de desempenho e de tendência. Com essas informações, você pode montar seu relatório e apresentar para a pessoa responsável pela implantação da gestão da qualidade na empresa. Olá, estudante! Aqui, apresentaremos uma matriz do conteúdo estudado nesta Unidade. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura | Matriz Gestão Estratégica da Qualidade. CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017.e na aplicação da estatística e engenharia para reduzir custos e aprimorar a qualidade dos projetos de produtos e dos processos de fabricação. Ele advogava que as organizações deveriam oferecer produtos superiores aos de seus concorrentes, tanto em termos de design quanto de preço. Esses produtos deveriam ser atrativos, ter pouca variação entre si e ser resistentes a fatores extremos e deterioração (Oliveira, 2014). De maneira resumida, as principais ideias de Taguchi podem ser resumidas em quatro elementos essenciais (Oliveira, 2014): 1. Incorporação da qualidade desde o início: a qualidade deve ser integrada ao produto desde as fases iniciais de desenvolvimento, em vez de depender apenas de inspeções posteriores. 2. Melhoria da qualidade pela minimização de desvios em relação às metas: alcançar a qualidade ideal envolve a redução de desvios em relação aos padrões estabelecidos. 3. Qualidade baseada em desempenho e características do produto: a qualidade não deve ser avaliada apenas com base no desempenho ou nas características do produto, mas também deve atender às necessidades do cliente. 4. Medição dos custos da qualidade com base nos desvios do desempenho do produto: os custos da qualidade devem ser quanti�cados considerando os desvios do desempenho do produto em relação ao padrão desejado. Walter A. Shewhart Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Um dos seus grandes méritos foi reunir com sucesso as disciplinas de estatística, engenharia e economia, tornando-se conhecido como o pai do controle de qualidade moderno. Suas principais contribuições à teoria da qualidade estão relacionadas ao controle estatístico do processo e às cartas de controle (Oliveira, 2014). Pontos em comum dos principais autores da qualidade Segundo Toledo et al. (2017), destacam-se os principais pontos comuns nas recomendações básicas desses autores para a gestão da qualidade: Compromisso da alta administração para com a qualidade e sua melhoria. A organização deve elaborar e implementar uma política ou diretriz especí�ca para o aperfeiçoamento contínuo, ou seja, ter uma política de melhoria contínua. Gerenciamento e investimento no treinamento, na capacitação e no desenvolvimento do pessoal de todos os níveis hierárquicos da organização. Adoção de sistemáticas e padronização de procedimentos de trabalho para os processos da organização, os quais representam a base para a previsibilidade e para a melhoria do desempenho. Adoção de uma visão e prática de envolvimento e participação das pessoas na resolução de problemas. Busca da integração nos níveis horizontal (entre processos, departamentos etc.) e vertical (entre níveis hierárquicos) da organização. Valorização e foco na constância de propósitos, ou seja, na perseverança, com sabedoria, na busca dos objetivos estabelecidos. Vamos Exercitar? Os Gurus da Qualidade in�uenciaram signi�cativamente e tiveram papel fundamental no desenvolvimento e na promoção de princípios e práticas de gestão da qualidade. Esses indivíduos são altamente respeitados e reverenciados por suas contribuições para o campo da qualidade e suas �loso�as e abordagens inovadoras. Os principais Gurus da Qualidade são: William Edwards Deming, Joseph M. Juran, Philip B. Crosby, Armand V. Feigenbaum, Kaoru Ishikawa, Genichi Taguchi e Walter A. Shewhart. Os principais pontos comuns nas recomendações básicas desses autores para a gestão da qualidade são: Compromisso da alta administração para com a qualidade e sua melhoria. A organização deve elaborar e implementar uma política ou diretriz especí�ca para o aperfeiçoamento contínuo, ou seja, ter uma política de melhoria contínua. Gerenciamento e investimento no treinamento, na capacitação e no desenvolvimento do pessoal de todos os níveis hierárquicos da organização. Adoção de sistemáticas e padronização de procedimentos de trabalho para os processos da organização, os quais representam a base para a previsibilidade e para a melhoria do Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE desempenho. Adoção de uma visão e prática de envolvimento e participação das pessoas na resolução de problemas. Busca da integração nos níveis horizontal (entre processos, departamentos etc.) e vertical (entre níveis hierárquicos) da organização. Valorização e foco na constância de propósitos, ou seja, na perseverança, com sabedoria, na busca dos objetivos estabelecidos. Agora, você, junto à diretoria da indústria, cumpriram essa etapa e já possuem excelentes referências a respeito da qualidade, bem como já sabem os pontos comuns dos Gurus da Qualidade! Saiba mais Os Gurus da Qualidade contribuíram para a melhoria da qualidade. Para conhecer mais a respeito de cada um deles e suas contribuições, veja os capítulos dos livros indicados a seguir: OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. (Capítulo 1 – p. 7-14) TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. (Capítulo 2 – p. 39- 47) Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Aula 3 TQM e Custos da qualidade TQM e custos da qualidade Este conteúdo é um vídeo! https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522117970/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais uma aula da disciplina Gestão da Qualidade! Nela, você aprenderá o que é a qualidade, as características da Gestão da Qualidade Total (TQM) para as organizações, além de conhecer e identi�car os custos da qualidade. Vamos aprender esse conteúdo tão importante! Entender as características do Controle Total de Qualidade (TQC) no estilo japonês e a Gestão pela Qualidade Total (TQM) é fundamental no cotidiano organizacional dos pro�ssionais da área de qualidade, pois representam uma abordagem abrangente para aprimorar continuamente todos os aspectos da organização. A integração da TQM requer o comprometimento de liderança, o envolvimento de todos os colaboradores e a orientação para a satisfação do cliente. A análise dos custos da qualidade é um instrumento estratégico para compreender e gerenciar os investimentos relacionados à qualidade. Ao compreender esse conteúdo, os pro�ssionais estarão equipados para liderar organizações rumo à excelência operacional e à satisfação do cliente. Agora, vamos considerar que você atua em uma indústria que está passando por problemas de qualidade. Os clientes estão reclamando dos produtos, há sempre retrabalho na produção, além de atrasos na entrega e, consequentemente, prejuízos �nanceiros. A diretoria, ao perceber esses problemas, decide implantar as práticas da gestão da qualidade. Ela já sabe a importância da qualidade e toda sua evolução. Agora, é necessário saber quais são as características da Gestão da Qualidade Total (TQM), para que a empresa possa conhecê-las e adotá-las em sua organização. Além disso, é importante que a indústria saiba identi�car os chamados custos da qualidade, para que possa quanti�cá-los. Deste modo, você precisa auxiliar a diretoria da indústria em que você trabalha a responder a esses questionamentos, para que, ao implantar as práticas da gestão da qualidade, obtenha êxito. Vamos conhecer todo esse conteúdo! Vamos Começar! Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE TQC no estilo japonês Conforme Toledo et al. (2017),a Gestão ou o Controle da Qualidade Total (Total Quality Control – TQC) apresenta duas abordagens similares. Uma delas é a abordagem japonesa, conhecida também como CWQC (Company wide Quality Control – Controle da Qualidade por toda a empresa). Nos países ocidentais, é chamada de Gestão da Qualidade Total (Total Quality Management – TQM). Nessas duas abordagens, existem muitas similaridades e poucas diferenças. Em 1962, a União Japonesa de Cientistas e Engenheiros (JUSE) deu início às atividades de grupos de trabalho no ambiente de trabalho, conhecidos como "círculos de controle da qualidade" (CCQ) e desenvolvidos por Kaoru Ishikawa; posteriormente, eles se tornaram amplamente reconhecidos e adotados em nível internacional. Durante um simpósio sobre qualidade realizado no Japão em 1968, o conceito japonês de Controle da Qualidade Total foi caracterizado por seis elementos principais: Participação de todos os departamentos e envolvimento de todos os empregados com o Controle da Qualidade Total. Entusiasmo por educação e treinamento em qualidade. Atividades de Círculos de Controle da Qualidade. Auditorias do presidente e participação no Prêmio Deming de Qualidade. Uso de métodos estatísticos, das sete ferramentas da qualidade e outros métodos avançados. Campanhas nacionais de promoção da qualidade: mês da qualidade, vários simpósios e seminários. Ao longo da década de 1970, o movimento japonês de qualidade continuou a evoluir até se tornar um padrão internacionalmente respeitado e uma referência para o desenvolvimento do movimento de Controle da Qualidade Total no Ocidente. De acordo com Toledo et al. (2017), outros três pilares do TQC japonês são os sistemas de gerenciamento: Gerenciamento pelas e das diretrizes. Gerenciamento por e de processos. Gerenciamento da rotina ou das atividades do dia a dia. Gestão da Qualidade Total (TQM) Carpinetti (2016) cita que o Guru da Qualidade Juran de�niu a Gestão da Qualidade Total (GQT) como um sistema de atividades voltado para alcançar a satisfação dos clientes, empoderar os colaboradores, aumentar a receita e reduzir os custos. O Departamento de Defesa dos EUA, por sua vez, conceituou a GQT como um esforço integrado de melhoria contínua que envolve todos Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE os níveis da organização e visa atingir objetivos relacionados à qualidade, aos custos, aos prazos, à missão e à satisfação do cliente. Outra de�nição descreve a GQT como uma estratégia de negócios que busca aprimorar continuamente a qualidade de produtos, serviços, pessoas, processos e ambiente, com o objetivo de aumentar a competitividade da empresa. Com base nessas abordagens, pode-se compreender a Gestão da Qualidade Total como uma �loso�a ou abordagem de gestão que consiste em um conjunto de princípios interconectados, apoiados por técnicas de gestão da qualidade, visando aprimorar a competitividade de uma empresa. Essa abordagem se baseia em fundamentos que se complementam e se sustentam mutuamente. Já Toledo et al. (2017) apresentam o seguinte conceito de TQM: O TQM pode ser de�nido como uma abordagem e �loso�a de gestão integrada com um conjunto de práticas que enfatiza a melhoria contínua, o atendimento às expectativas e às necessidades dos clientes, a redução do retrabalho, o planejamento de longo prazo, o redesenho de processos, o benchmarking competitivo, o trabalho em equipe, a constante medicado de resultados e um relacionamento próximo com fornecedores, clientes e demais agentes governamentais e setoriais relacionados com o negócio. (Toledo et al., 2017, p. 64) O conceito fundamental dessa estratégia de gestão é que a qualidade seja incorporada em todas as áreas da administração organizacional, não se restringindo apenas às atividades relacionadas ao controle de qualidade. Toledo et al. (2017) abordam os principais elementos do TQC e TQM: Foco no cliente: reconhecimento de que as organizações dependem dos clientes e, por isso, devem identi�car as necessidades presentes e futuras deles. Liderança e apoio da alta administração: os líderes desempenham um papel crucial na de�nição da direção e unidade da organização. Eles também devem criar um ambiente propício à plena participação das pessoas na busca dos objetivos da organização. Envolvimento das pessoas: reconhecimento de que as pessoas são o cerne de uma organização. Portanto, é fundamental buscar o comprometimento total delas, para atender às expectativas das partes interessadas na organização. Abordagem de processo: a e�ciência na realização de um resultado desejado é alcançada ao gerenciar as atividades e os recursos relacionados como um processo integrado. Melhoria contínua: a busca constante pela melhoria do desempenho global da organização é essencial. Abordagem factual para tomada de decisão: a tomada de decisões e�cazes depende da análise de dados e informações relevantes. Relação com os fornecedores: reconhecimento de que as organizações e seus fornecedores são interdependentes. Portanto, é importante estabelecer relações mutuamente bené�cas para aumentar a capacidade de ambas as partes de agregar valor. Apesar dos benefícios da gestão da qualidade, nem sempre sua implantação obtém sucesso. Toledo et al. (2017) citam os principais problemas na implantação da gestão da qualidade: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Não comprometimento da alta direção da empresa. Ansiedade por resultados de curto prazo. Desinteresse do nível gerencial. Falta de planejamento. Outros problemas de implantação: treinamento precário, falta de apoio técnico e sistemas de remuneração e de motivação inconsistentes. Siga em Frente... Análise dos custos da qualidade Os custos da qualidade são divididos em custos das falhas dos controles (ou custos da falta de qualidade), que são subdivididos em custos devido a falhas internas e custos devido a falhas externas, e custos de controle, que são subdivididos em custos de prevenção e custos de avaliação (Carpinetti, 2016; Oliveira, 2014). Veremos as características de cada um desses custos, conforme Carpinetti (2016): Custos devido a falhas internas: são custos associados a defeitos (erros, não conformidades etc.), detectados antes do despacho do produto. Esses custos desapareceriam se os produtos fossem isentos de defeitos. Exemplos de custos decorrentes de falhas internas são: Refugo: material, horas de trabalho etc. Retrabalho: horas de retrabalho. Reinspeção, reteste: horas de trabalho de reinspeção de produtos retrabalhados. Inspeção total: horas de trabalho em inspeção total de lotes com nível de qualidade inaceitável. Redução de preço de venda devido à baixa qualidade. Custos devidos a falhas externas: são custos associados a defeitos encontrados no produto depois de comercializado. Esses custos também desapareceriam se os produtos fossem isentos de defeitos. Exemplos desses custos são: Custos de assistência técnica no período de garantia. Custos de rompimento de contrato por não atendimento das especi�cações de qualidade. Custos por ações na justiça. Custos de avaliação da qualidade: são os custos decorrentes das atividades de veri�cação do grau de conformidade com os requisitos de qualidade. Exemplos desses custos são: Inspeção e teste de recebimento: os custos das atividades de veri�cação da qualidade de componentes/produtos comprados de fornecedores. Inspeção em processo. Inspeção �nal e teste. Auditorias de qualidade. Manutenção da rastreabilidade e acuracidade de equipamentos de inspeção e teste. Custos de prevenção: são os custos decorrentes das atividades necessárias para reduzir ao mínimo os custos devido a falhas e os custos de avaliação. Exemplos desses custos são: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Planejamento da qualidade: são os custos de todas as atividades que coletivamente criam o planejamento amplo e detalhado das metas da qualidade. Revisão de novos produtos em desenvolvimento: são os custos decorrentes das atividades de incorporação e garantia da qualidade do produto na fase de desenvolvimento. Controle de processo: são os custosdecorrentes das atividades de controle de qualidade do processo. Auditorias da qualidade: são os custos de avaliação da execução de atividades da qualidade. Quali�cação e desenvolvimento de fornecedores: são os custos de avaliação da qualidade de fornecedores previamente à seleção de fornecedores e durante o contrato de fornecimento. Treinamento: são os custos de treinamento em programas de qualidade. Custos de assistência técnica no período de garantia. Custos de rompimento de contrato por não atendimento das especi�cações de qualidade. Custos por ações na justiça. Inspeção e teste de recebimento: os custos das atividades de veri�cação da qualidade de componentes/produtos comprados de fornecedores. Inspeção em processo. Inspeção �nal e teste. Auditorias de qualidade. Manutenção da rastreabilidade e acuracidade de equipamentos de inspeção e teste. Planejamento da qualidade: são os custos de todas as atividades que coletivamente criam o planejamento amplo e detalhado das metas da qualidade. Revisão de novos produtos em desenvolvimento: são os custos decorrentes das atividades de incorporação e garantia da qualidade do produto na fase de desenvolvimento. Controle de processo: são os custos decorrentes das atividades de controle de qualidade do processo. Auditorias da qualidade: são os custos de avaliação da execução de atividades da qualidade. Quali�cação e desenvolvimento de fornecedores: são os custos de avaliação da qualidade de fornecedores previamente à seleção de fornecedores e durante o contrato de fornecimento. Treinamento: são os custos de treinamento em programas de qualidade. O modelo econômico tradicionalmente adotado para ilustrar a variação do custo total da qualidade (decorrente dos custos parciais), em função do nível de qualidade de conformidade (atendimento às especi�cações), é mostrado na Figura 1. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Relação entre os custos da qualidade. Fonte: Carpinetti (2016, p. 26). Conforme a Figura 1, é possível veri�car que os custos da qualidade se relacionam entre si e que, à medida que aumentam as atividades de prevenção e de avaliação, os custos das falhas (internas + externas) tendem a diminuir continuamente. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você já pode ajudar a diretoria da indústria em que trabalha a conhecer as características da Gestão da Qualidade Total (TQM) para adotá-las em sua organização e também, a conseguir identi�car os chamados custos da qualidade, para que seja possível quanti�cá-los. Desta forma, você precisa explicar o que é a Gestão da Qualidade Total (TQM), quais são suas características e quais são os custos da qualidade, para que a indústria consiga ter sucesso na implantação das práticas de gestão da qualidade. Vamos lá! Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Assim, a TQM pode ser entendida como uma �loso�a ou abordagem de gestão que consiste em um conjunto de princípios interconectados, apoiados por técnicas de gestão da qualidade, visando aprimorar a competitividade de uma empresa. Essa abordagem se baseia em fundamentos que se complementam e se sustentam mutuamente. A TQM visa que a qualidade seja incorporada em todas as áreas da administração organizacional, não se restringindo apenas às atividades relacionadas ao controle de qualidade. Logo, a TQM tem como suas características: foco no cliente; liderança e apoio da alta administração; envolvimento das pessoas; abordagem de processo; melhoria contínua; abordagem factual para tomada de decisão; relação com os fornecedores. Já em relação aos custos da qualidade, estes são classi�cados em duas categorias e subdivididos. Logo, os custos da qualidade são: Custos de controle: custos de prevenção e custos de avaliação. Custos de falhas de controle: custos devido a falhas internas e custos devido a falhas externas. Saiba mais Custos da qualidade é um tema muito importante para as organizações. Para maior aprofundamento desse assunto, acesse o artigo a seguir, que discorre sobre o tema, conceituando os custos da qualidade, além da aplicação prática. Além do artigo, acesse e veja o capítulo do livro disponível, que apresenta as classi�cações e características dos custos da qualidade. ROSPI, L.; CANTELLI, D. A. das V.; BERNARDES, A. E. S. Custos da qualidade: considerações e realidade prática. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 29., 2009, Salvador. Anais [...]. Salvador: ENEGEP, 2009. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. (Capítulo 15 - p. 357- 362) Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. https://abepro.org.br/biblioteca/enegep2009_tn_stp_092_624_13406.pdf https://abepro.org.br/biblioteca/enegep2009_tn_stp_092_624_13406.pdf https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Aula 4 Prêmios da Qualidade Prêmios da qualidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante, boas-vindas a mais uma aula da disciplina Gestão da Qualidade. Nela, você conhecerá quais são os prêmios da qualidade e suas características. Vamos começar nosso estudo! O Prêmio Malcolm Baldrige, referência nos Estados Unidos, é mais do que uma honraria; é um padrão de excelência em gestão. O Prêmio EFQM é um farol para a excelência na gestão na Europa. Os Prêmios Nacionais de Qualidade, adaptados por diferentes países, destacam as conquistas em gestão da qualidade em âmbito nacional e o Prêmio Deming, originário do Japão, é uma homenagem ao legado de W. Edwards Deming, uma �gura seminal na qualidade. Ao entender os prêmios da qualidade em sua jornada acadêmica ou pro�ssional, os você ganhará um conjunto de conhecimentos e habilidades que os capacitam a liderar organizações em direção à excelência em gestão da qualidade. O conteúdo a ser trabalhado, visa orientar os estudantes e pro�ssionais na compreensão e aplicação prática desses prêmios emblemáticos. Você trabalha em uma indústria que está passando por problemas de qualidade e, para resolver esta situação, deseja implantar práticas de gestão da qualidade. A diretoria já sabe da importância e de toda a evolução da qualidade, inclusive, as características da Gestão da Qualidade Total. Contudo, ela pretende, a médio e longo prazos, alçar voos mais altos e deseja participar do Prêmio Nacional da Qualidade. Para isso, é preciso saber quais são os prêmios da qualidade e suas características. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Portanto, você precisa auxiliar a diretoria da indústria em que você trabalha a responder a esses questionamentos, para que, ao implantar as práticas da gestão da qualidade, obtenha êxito e consiga, em breve, participar de algum prêmio da qualidade. Vamos Começar! Prêmio Malcolm Baldrige O Prêmio Nacional da Qualidade Malcolm Baldrige (Malcolm Baldrige National Quality Award - MBNQA) foi estabelecido nos Estados Unidos, em 1987, pelo Presidente Reagan, com o propósito de estimular aprimoramentos na qualidade e competitividade da indústria americana. A administração do prêmio é conduzida pelo National Institute of Standards and Technology (NIST), uma agência federal com sede em Washington. O prêmio é concedido em seis categorias diferentes: manufatura, serviços, pequenas empresas, educação, serviços de saúde e organizações sem �ns lucrativos. O NIST tambémdesenvolve três conjuntos de critérios, com variações especí�cas para as áreas de negócios, educação e serviços de saúde (Carpinetti, 2016). No geral, o modelo de excelência em gestão se baseia em sete critérios interligados, como exempli�cado na Figura 1. As organizações que desejam concorrer ao prêmio devem responder a uma série de perguntas relacionadas a cada um desses critérios durante o processo de avaliação. Cada critério é avaliado com base em uma pontuação máxima, conforme detalhado no Quadro 1, com um total de 1.000 pontos possíveis. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Figura 1 | Modelo conceitual do Prêmio Malcolm Baldrige. Fonte: Toledo et al. (2017, p. 70). Critérios Pontuação Liderança 110 Estratégia 80 Clientes 80 Medição, análise e conhecimento 80 Pessoas 100 Operações 100 Resultados 450 Total 1.000 Quadro 1 | Pontuação dos critérios do modelo de excelência Malcolm Baldrige. Fonte: Carpinetti (2016, p. 45). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Prêmio da Fundação Europeia de Gestão da Qualidade (EFQM) Em 1989, a Fundação Europeia para a Qualidade (EFQM) foi estabelecida com o propósito de promover e disseminar a cultura de gestão da qualidade nas empresas da Comunidade Europeia. Para alcançar esse objetivo, a EFQM desenvolveu um sistema de reconhecimento baseado em um modelo de excelência em gestão que compartilha semelhanças notáveis com o prêmio americano. O prêmio da EFQM é concedido em quatro categorias distintas: grandes empresas do setor privado, organizações do setor público ou sem �ns lucrativos, pequenas e médias empresas no setor privado e organizações do setor público ou sem �ns lucrativos (Carpinetti, 2016). A Figura 2 exibe os critérios de avaliação e suas respectivas ponderações. Esses critérios são categorizados como "meios viabilizadores" e "resultados" (Carpinetti, 2016). Figura 2 | Modelo de excelência em gestão da EFQM. Fonte: Carpinetti (2016, p. 45). Siga em Frente... Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) No Brasil, a Fundação Nacional da Qualidade foi criada em 1991, com os mesmos propósitos da fundação europeia e do prêmio americano. O prêmio brasileiro é inspirado nos prêmios americano e europeu (Carpinetti, 2016). Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Além de reconhecer a excelência na gestão das organizações, os principais objetivos da premiação incluem o estímulo ao desenvolvimento cultural, político, cientí�co, tecnológico, econômico e social no Brasil. Também, visa fornecer às empresas um modelo para aprimoramento contínuo e, por meio da comparação com as melhores práticas, disseminar estratégias de gestão bem-sucedidas. O Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) utiliza uma estrutura de avaliação que envolve o uso de pontuações em oito critérios de excelência (liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e resultados da organização), subdivididos em 27 itens, totalizando 1.000 pontos (Oliveira, 2014). A Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) elaborou o Modelo de Excelência da Gestão® (MEG), fundamentado em 11 princípios, que servem como os alicerces teóricos da gestão. Esse modelo é aplicado por meio de oito critérios que implementam esses princípios, formando uma abordagem sistêmica para a gestão. A estrutura do MEG é guiada pelo ciclo PDCL (plan-do- check-learn, ou planejar, implementar, checar, aprender) para promover a aprendizagem e a melhoria contínua (Oliveira, 2014). A Figura 3 representa o MEG e os itens de excelência dos seus critérios. Figura 3 | Relação do Modelo de Excelência de Gestão (MEG) e seus subcritérios. Fonte: Oliveira (2014, p.133). O modelo de excelência em gestão da FNQ contempla, basicamente, os mesmos critérios do prêmio americano. A exceção é o critério sociedade, que, no modelo brasileiro, recebe maior Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE destaque (Carpinetti, 2016). Os princípios fundamentais do Modelo de Excelência da Gestão (MEG®) abrangem os seguintes elementos: pensamento sistêmico, aprendizado organizacional, cultura de inovação, liderança com foco e comprometimento, orientação por processos e informações, visão de futuro, criação de valor, valorização das equipes, compreensão do cliente e do mercado, desenvolvimento de parcerias e responsabilidade social (Oliveira, 2014). Prêmio Deming O Prêmio Deming foi estabelecido em 1951 pela Japanese Union of Scientists and Engineers (JUSE) como uma homenagem a Deming por sua signi�cativa contribuição para o avanço da gestão da qualidade no Japão. No entanto, seu propósito principal era promover e destacar os princípios e as práticas de gestão da qualidade (Toledo et al., 2017). O Prêmio Deming se destaca entre os prêmios analisados, pois é concedido não apenas a empresas mas também a indivíduos. Vamos Exercitar? Olá, estudante! Agora que você já estudou todo o conteúdo da nossa aula, você já pode ajudar a diretoria da indústria em que trabalha com os conhecimentos para ajudá-la a participar do Prêmio Nacional da Qualidade. Vamos lá! Você precisa pesquisar e elencar quais são os prêmios da qualidade e suas características, assim, temos: Prêmio Nacional da Qualidade Malcolm Baldrige (Malcolm Baldrige National Quality Award - MBNQA): baseia-se em sete critérios (liderança; estratégia; clientes; medição, análise e conhecimento; pessoas, operações; resultados) interligados que possuem uma pontuação máxima. As organizações que desejam concorrer ao prêmio devem responder a uma série de perguntas relacionadas a cada um desses critérios durante o processo de avaliação. Prêmio da Fundação Europeia de Gestão da Qualidade (EFQM): é concedido em quatro categorias distintas: grandes empresas do setor privado, organizações do setor público ou sem �ns lucrativos, pequenas e médias empresas no setor privado e organizações do setor público ou sem �ns lucrativos. Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ): utiliza uma estrutura de avaliação que envolve o uso de pontuações em oito critérios de excelência (liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e resultados da organização), subdivididos em 27 itens, totalizando 1.000 pontos. Prêmio Deming: é concedido não apenas a empresas mas também a indivíduos. Agora, a sua indústria já cumpriu essa etapa e pode começar a implantar as práticas para poder participar de algum prêmio de qualidade! Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Saiba mais Os prêmios da qualidade são compostos por critérios e itens de avaliação. As organizações que concorrem a determinado prêmio precisam demonstrar aos avaliadores que adotam práticas de gestão e geram resultados compatíveis com o que é solicitado pelo modelo. Logo, para maior conhecimento a respeito dos prêmios da qualidade, veja os capítulos dos livros indicados a seguir: CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. (Capítulo 2 – p. 43-47) TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. (Capítulo. 4 – p. 65- 76) Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. OLIVEIRA, O. J. Curso básico de Gestão da Qualidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TOLEDO, J. C. et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/epubcfi/6/22[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml11]!/4 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597006438/epubcfi/6/22[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml11]!/4 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2195-9/pageid/0 Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é analisar criticamente a evolução do conceito e da prática da gestão da qualidade, identi�cando os marcos históricos e os principais teóricos, para fundamentar a compreensão e aplicação e�caz dos princípios da gestão da qualidade em contextos organizacionais contemporâneos, você deverá, primeiramente, conhecer os conceitos fundamentais da qualidade, entender a sua evolução, os principais in�uenciadores da qualidade (Gurus da Qualidade), quais são os custos da qualidade, bem como os prêmios da qualidade. A qualidade é um conceito amplamente disseminado na sociedade e nos negócios, mas, muitas vezes, gera confusão devido à sua natureza subjetiva e ao seu uso genérico. Pode ser vista de várias perspectivas, incluindo atributos intrínsecos de produtos, satisfação do cliente, conformidade com especi�cações, relação entre qualidade e preço e satisfação total do cliente. No decorrer do século XX, a qualidade evoluiu de uma ênfase na perfeição técnica para a satisfação do cliente, marcando quatro eras da qualidade: inspeção, controle estatístico da qualidade, garantia da qualidade e gestão da qualidade total (TQM). Na Era da Inspeção, a qualidade estava centrada na conformidade do produto às especi�cações e na detecção de defeitos. No entanto, isso levou a altos custos de retrabalho e desperdício, pois a inspeção ocorria apenas após a produção. Na Era do Controle Estatístico da Qualidade, a qualidade passou a ser abordada de maneira mais estatística, com o Controle Estatístico de Processo (CEP) permitindo o monitoramento e controle da qualidade ao longo do processo de fabricação. A Era da Garantia da Qualidade enfatizou a prevenção de defeitos em vez da detecção, levando a abordagens proativas e à documentação de processos. A evolução culminou na Era da Gestão da Qualidade Total (TQM), em que a qualidade abrange todos os aspectos do negócio, com foco na satisfação do cliente, na participação de todos os setores e na ênfase na qualidade em toda a cadeia de suprimentos. O entendimento a respeito da qualidade, sua evolução e disseminação contaram com alguns in�uenciadores, que denominamos de Gurus da Qualidade. Eles são �guras proeminentes que desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento e na promoção da gestão da qualidade ao longo do século XX. Cada um deles contribuiu com princípios e abordagens inovadoras que moldaram a forma como as organizações abordam a qualidade. Alguns dos gurus mais notáveis incluem: William Edwards Deming, Joseph M. Juran, Philip B. Crosby, Armand V. Feigenbaum, Kaoru Ishikawa, Genichi Taguchi e Walter A. Shewhart. Esses gurus desempenharam papéis fundamentais na disseminação dos princípios de gestão da qualidade em todo o mundo e deixaram um legado duradouro na área da qualidade. Suas ideias e seus métodos continuam a in�uenciar a maneira como as organizações buscam a excelência em qualidade. Gestão pela Qualidade Total É muito comum ouvir e ver os termos Controle da Qualidade Total (TQC) e Gestão da Qualidade Total (TQM), mas, a�nal, quais são as diferenças e as semelhanças entre ambos? O Total Quality Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Control (TQC) e o Total Quality Management (TQM) representam abordagens integradas de gestão focadas na qualidade que tiveram origem no Japão, mas foram adotadas também no Ocidente. Ambas compartilham muitas semelhanças, embora possam ser conhecidas por nomes ligeiramente diferentes. O TQC, ou Controle da Qualidade Total, é frequentemente associado à abordagem japonesa, enfatizando a participação de todos os departamentos e funcionários no controle da qualidade, junto a elementos como educação e treinamento em qualidade, círculos de controle da qualidade, auditorias da alta administração e uso de métodos estatísticos. Essa abordagem evoluiu nas décadas de 1960 e 1970 no Japão. O TQM, por outro lado, é a versão ocidental da mesma �loso�a e é frequentemente chamado de Gestão da Qualidade Total. Foi in�uenciado pelas práticas japonesas e se baseia em princípios semelhantes, incluindo foco no cliente, liderança da alta administração, envolvimento das pessoas, abordagem de processo, melhoria contínua, tomada de decisão baseada em dados e relacionamentos bené�cos com fornecedores. Ambas as abordagens compartilham um foco na qualidade em toda a organização, reconhecem a importância dos clientes e colaboradores e buscam a melhoria contínua. No entanto, a nomenclatura pode variar, sendo o TQC mais comum no Japão, e o TQM, amplamente utilizado no Ocidente. Custos da qualidade Conhecer e saber identi�car quais são os custos da qualidade é fundamental para poder quanti�car os custos e poder melhorar. Assim, esses custos referem-se aos gastos associados ao gerenciamento da qualidade em uma organização e são classi�cados em duas categorias principais: custos de controle (ou custos inevitáveis) e custos de falhas de controle (ou custos evitáveis), conforme a Figura 1. Figura 1 | Custos da qualidade. Fonte: adaptada de Toledo et al. (2017, p. 357). Prêmios da Qualidade Os prêmios reconhecem organizações e pro�ssionais que demonstram excelência em suas práticas de gestão da qualidade, incentivando a melhoria contínua e o comprometimento com padrões de qualidade excepcionais. Assim, tem-se os seguintes prêmios da qualidade: Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Prêmio Nacional da Qualidade Malcolm Baldrige (MBNQA): baseia-se em sete critérios interligados (liderança, estratégia, clientes, medição, análise e conhecimento, pessoas, operações e resultados). Prêmio da Fundação Europeia de Gestão da Qualidade (EFQM): concedido em quatro categorias distintas: grandes empresas do setor privado, organizações do setor público ou sem �ns lucrativos, pequenas e médias empresas no setor privado e organizações do setor público ou sem �ns lucrativos. Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ): utiliza oito critérios de excelência (liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e resultados da organização), subdivididos em 27 itens, totalizando 1.000 pontos. Prêmio Deming: concedido a empresas e indivíduos que se destacam na busca pela excelência em qualidade. É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Você está atuando em uma empresa como estagiário no setor de gestão da qualidade. A empresa implantou esse setor há pouco tempo e ainda vem sofrendo com a falta de conhecimento dos demais setores na área da qualidade. O motivo de criar esse setor na empresa foi por causa de problemas com relação à qualidade de seus produtos, que está impactando na imagem da organização, além de diminuir as vendas e, consequentemente, seu lucro. A empresa só utiliza a inspeção de �nal de linha produção em seus produtos, separando em produtos conformes e não conformes. Ela está tendo os seguintes gastos com a qualidade e com a falta dela: Refugo. Retrabalho. Custos de assistência técnica no período de garantia. Inspeção �nal e teste. Planejamento da qualidade. Controle de processo. Treinamento. Como podemos perceber, a empresa em que você atua ainda está estruturando a gestão da qualidade, logo é uma boa oportunidade para você mostrar seu conhecimento, auxiliar a organização a reconhecer e implantar os pontos de melhoria e, consequentemente, ser efetivado na organização. Disciplina GESTÃO DA QUALIDADE Portanto, você deve montar um relatório, informando a de�nição (conceitos) da qualidade, como se deu a evolução (eras) da qualidade, quais os custos da qualidade que a empresa está tendo com os gastos elencados, além dos problemas na implantação da gestão da qualidade. Boa resolução! Após a leitura do conteúdo, você, estudante, deve re�etir