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o
ISBN 978-65-5821-090-0
9 786558 210900
Código Logístico
I000374
Empreendedorismo 
Fabiano Caxito
IESDE BRASIL
2021
© 2021 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa:Becris/ Trueffelpix /Peshkova/Shutterstock
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
C377e
Caxito, Fabiano
Empreendedorismo / Fabiano Caxito. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 
2021.
142 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5821-090-0
1. Empreendedorismo. 2. Criatividade nos negócios. 3. Inovação. I. 
Título.
21-73783 CDD: 658.421
CDU: 005.342
Fabiano Caxito Mestre em Administração Estratégica pela Universidade 
Nove de Julho (Uninove). MBA em Recursos Humanos 
pela Fundação Instituto de Administração (FIA). 
Pós-Graduado nos seguintes cursos: Business 
Intelligence, Big Data e Analytics, pela Universidade 
Anhanguera; Língua Portuguesa: redação e oratória, 
pela Universidade São Francisco; Filosofia, pela 
Universidade Estácio de Sá; e também em Educação 
Corporativa, Educação Financeira, Tecnologias e 
Educação a Distância, Antropologia, Sociologia Política 
e Urbana e Coaching pela Faculdade UniBF. Graduado 
em Administração Financeira pela Universidade Cidade 
de São Paulo (Unicid). Atuou em áreas comerciais, de 
logística, de recrutamento e seleção bem como de 
treinamento e desenvolvimento em diversas empresas 
de distribuição e venda de bebidas. Foi coordenador 
de cursos de pós-graduação lato sensu. Atualmente é 
professor universitário e influenciador digital.
SUMÁRIO
Agora é possível acessar os vídeos do livro por 
meio de QR codes (códigos de barras) presentes 
no início de cada seção de capítulo.
Acesse os vídeos automaticamente, direcionando 
a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet 
para o QR code.
Em alguns dispositivos é necessário ter instalado 
um leitor de QR code, que pode ser adquirido 
gratuitamente em lojas de aplicativos.
Vídeos
em QR code!
SUMÁRIO
Agora é possível acessar os vídeos do livro por 
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1 Empreendedorismo e inovação 9
1.1 Empreendedorismo: conceitos e definições 10
1.2 Perfil do empreendedor 13
1.3 Empreendedorismo no Brasil 18
1.4 Inovação tecnológica e estratégia 22
1.5 Tipos de inovação 25
2 Novos modelos de negócios 34
2.1 Conceito de modelo de negócio 35
2.2 Modelos de negócios inovadores 39
2.3 Economia compartilhada 45
2.4 Economia circular 49
2.5 Startups 52
3 Planejamento estratégico e modelagem de negócios 59
3.1 Estratégia empresarial 60
3.2 Análise do ambiente externo 66
3.3 Plano de negócios 70
3.4 Ferramentas de modelagem de negócio 74
3.5 Business Model Canvas 76
4 Gestão financeira para o empreendedor 83
4.1 Fundamentos da administração financeira 84
4.2 Risco, retorno e custo de capital 90
4.3 Modalidades e fontes de financiamento 93
4.4 Gestão de custos 100
4.5 Estratégias de precificação 104
5 Gestão de negócios inovadores 112
5.1 Gestão da empresa inovadora 113
5.2 Indicadores de gestão 117
5.3 Marketing na empresa inovadora 120
5.4 Gestão das operações 126
5.5 Gestão de pessoas e empreendedorismo 130
 Resolução das atividades 137
O empreendedorismo é um termo muito utilizado tanto 
no meio acadêmico quanto no cotidiano das empresas e nas 
discussões sobre economia, emprego, inovação e competitividade. 
Porém, nem sempre esse termo foi compreendido em toda a sua 
dimensão ou importância para a economia de um país e para 
o desenvolvimento de uma sociedade. O empreendedorismo 
está intimamente ligado à inovação, tanto em relação a produtos 
e serviços quanto ao desenvolvimento de novos modelos de 
negócio, que podem revolucionar não apenas o mercado no qual 
a empresa atua, mas também trazer mudanças significativas em 
comportamentos, relações sociais, legislação e até na forma de 
organização da sociedade. 
O primeiro capítulo discute o conceito de empreendedorismo 
e seus impactos sobre a sociedade e o indivíduo. As características 
do perfil do indivíduo empreendedor são apresentadas, 
e é traçada uma relação entre o desenvolvimento dessas 
características e a educação empreendedora. O capítulo também 
aborda as legislações, as ações, os programas e os indicadores 
relacionados ao empreendedorismo no Brasil. 
Para que se possa compreender o desenvolvimento de 
negócios inovadores, o segundo capítulo apresenta a evolução 
dos modelos de negócio e aprofunda a discussão sobre 
modelos de negócios inovadores, fundamentados no uso da 
tecnologia da informação e da comunicação, especialmente 
aqueles relacionados aos conceitos de economia compartilhada 
e economia circular. O capítulo também aborda as startups, 
modelos de negócio que unem empreendedorismo e inovação. 
Elas apresentam como características a replicabilidade e a 
escalabilidade, o que possibilita um rápido crescimento após seu 
lançamento. 
O desenvolvimento e a implantação da estratégia empresarial 
são temas do terceiro capítulo. Nele são discutidos os impactos 
que o ambiente externo causa à empresa, o que influencia e até 
mesmo redireciona suas estratégias, especialmente no contexto 
APRESENTAÇÃO
Vídeo
8 Empreendedorismo
das primeiras décadas do século XXI, no qual rápidas mudanças tecnológicas, 
comportamentais e culturais são observadas. O capítulo também trata das 
etapas de desenvolvimento dos planos de negócios, bem como das principais 
ferramentas que podem ser utilizadas no planejamento. 
O quarto capítulo é dedicado ao planejamento e à gestão financeira de 
uma empresa, desde a fase inicial de seu desenvolvimento até a implantação 
de seus processos de gestão, após o lançamento da empresa no mercado. 
Os principais indicadores financeiros, as metodologias de gerenciamento de 
custos e de formação de preços e a gestão de riscos e incertezas relacionados 
ao processo de empreendedorismo são discutidos em profundidade. 
Por fim, o quinto capítulo aborda a gestão das diversas áreas que compõem 
uma empresa. Os indicadores de desempenho, relacionados à gestão dos 
recursos, dos objetivos e das metas da empresa, assim como as estratégias 
de marketing e distribuição são temas das diversas partes do capítulo, que se 
encerra com uma parte dedicada à gestão de pessoas, recurso fundamental 
para o sucesso de uma nova empresa.
Ao fim da obra, espera-se que o leitor tenha condições de compreender 
os diversos conceitos, estratégias, metodologias e ferramentas utilizados 
no contexto do empreendedorismo e da formação de novas empresas, 
preparando-o para atuar profissionalmente como empreendedor ou como 
colaborador em uma empresa em desenvolvimento.
Empreendedorismo e inovação 9
1
Empreendedorismo e inovação
Apesar de ser um termo bastante utilizado, tanto no contexto empre-
sarial quanto na mídia que aborda questões relacionadas à economia, 
entre os especialistas, o empreendedorismo é um conceito em contínua 
construção, já que as práticas empreendedoras vão além do significado 
do termo e abrangem a diversidade, especificidade e pluralidade do 
mundo dos negócios. De modo semelhante, o termo inovação é muitas 
vezes mal compreendido e utilizado erroneamente no contexto acadêmi-
co, bem como no meio empresarial.Acesso em: 11 ago. 2021.
ROCHA, R. O.; OLAVE, M. E. L.; ORDONEZ, E. D. M. Estratégias de inovação: uma análise em 
startups de tecnologia da informação. Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas 
Empresas, v. 9, n. 3, p. 237-271, maio/ago. 2020. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/
servlet/articulo?codigo=7881931. Acesso em: 11 ago. 2021.
ROZENFELD, H. et al.  Gestão de desenvolvimento de produtos:  uma referência para a 
melhoria do processo. São Paulo: Saraiva, 2006.
SANCHES, P. L. B.; MACHADO, A. G. C. Estratégias de inovação sob a perspectiva da 
Resourced-Based View: análise e evidências em empresas de base tecnológica. Gestão & 
Produção, São Carlos, v. 21, n. 1, p. 125-141, mar. 2014. Disponível em: https://www.scielo.
br/j/gp/a/z95vPvPhXGNdDsRXjB7c4rj/?lang=pt. Acesso em: 11 ago. 2021.
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indivíduo: um estudo de seus efeitos nas intenções empreendedoras.  Revista Ambiente 
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jan./jun. 2021. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/ambiente/article/view/19637. 
Acesso em: 11 ago. 2021.
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empreendedorismo e de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) em perspectiva 
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https://periodicos.ufba.br/index.php/nit/article/view/36270/24811
https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7881931
https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7881931
https://www.scielo.br/j/gp/a/z95vPvPhXGNdDsRXjB7c4rj/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/gp/a/z95vPvPhXGNdDsRXjB7c4rj/?lang=pt
https://periodicos.ufrn.br/ambiente/article/view/19637
https://www.scielo.br/j/rap/a/BnCPJR3hzG8sBkfsdG8zXDd/abstract/?lang=pt
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http://marketing.mitsmr.com/offers/BX/47314-The-12-Different-Ways-for-Companies-to-Innovate.pdf
http://marketing.mitsmr.com/offers/BX/47314-The-12-Different-Ways-for-Companies-to-Innovate.pdf
http://marketing.mitsmr.com/offers/BX/47314-The-12-Different-Ways-for-Companies-to-Innovate.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/2d2332f20f744c53a98504e1e8b3c197/$File/30586.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/2d2332f20f744c53a98504e1e8b3c197/$File/30586.pdf
https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/86895
https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/86895
https://run.unl.pt/handle/10362/63559
https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/RED/article/view/103409
https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/RED/article/view/103409
http://revistas.unisinos.br/index.php/rden/article/view/14313
http://revistas.unisinos.br/index.php/rden/article/view/14313
34 Empreendedorismo
2
Novos modelos de negócios
Ao desenvolver uma nova empresa, o empreendedor pode inovar tan-
to nos produtos e serviços que oferecerá ao mercado, diferenciando-os 
em relação aos ofertados por empresas concorrentes, quanto no próprio 
modelo de negócio por meio do qual a empresa atenderá às demandas 
dos clientes.
Para que se possa compreender o desenvolvimento de negócios 
inovadores, na primeira parte deste capítulo será apresentado o con-
ceito de modelos de negócio, desde as primeiras abordagens até o 
entendimento contemporâneo de como se estruturam os modelos de 
negócio em um ambiente econômico, social e tecnológico em constan-
te mutação e evolução.
Na segunda parte, o foco será direcionado para os modelos de negó-
cios inovadores, tendo como base o uso das tecnologias da informação e 
da comunicação, as quais facilitam o acesso a informações sobre inova-
ções, mercados, desejos e demandas dos consumidores e possibilitam o 
intenso relacionamento com os clientes e os consumidores, o que permi-
te à empresa inovar constantemente.
A economia compartilhada, que tem modificado profundamente o 
panorama de áreas importantes da economia, em especial o setor de ser-
viços, será abordada na terceira parte do capítulo, que além de apresen-
tar os conceitos da economia compartilhada, apresentará exemplos de 
empresas que utilizam o modelo para realizar seus negócios. O conceito 
de economia circular, que se relaciona com a economia compartilhada e 
inclui a preocupação com a preservação do meio ambiente no desenvolvi-
mento dos modelos de negócios, será o tema da quarta parte.
Por fim, na última parte do capítulo, será abordado um dos conceitos 
mais importantes e atuais relacionados ao empreendedorismo e à ino-
vação: as startups, modelo de negócios em geral fundamentado em uma 
tecnologia inovadora, que tem a capacidade de ser rapidamente replicável 
e escalável, possibilitando um rápido crescimento com seu lançamento. 
Os tipos, as características, as limitações e os diferenciais do modelo de 
negócios das startups serão apresentados e discutidos em profundidade.
Novos modelos de negócios 35
2.1 Conceito de modelo de negócio 
Vídeo O rápido desenvolvimento das tecnologias da informação e de co-
municação, na segunda metade do século XX e nas primeiras décadas 
do século XXI, possibilitou, de acordo com Comini, Rosolen e Fischer 
(2019), uma grande transformação na forma de se realizar as ativida-
des de produção, distribuição e comercialização de produtos e serviços.
Segundo De Sordi (2017), o impacto da inovação tecnológica sobre 
os negócios não é uma novidade. O uso de computadores e sistemas 
de informação na gestão dos processos de produção, a partir das dé-
cadas de 1950 e 1960, trouxe grandes ganhos de produtividade e de-
sempenho nas linhas de produção, o que possibilitou o aumento da 
quantidade e da qualidade dos produtos produzidos.
Rifkin (2021) aponta que a partir da década de 1990 o desenvol-
vimento das tecnologias de informação e a criação da rede mundial 
de computadores – a internet – incentivaram o processode troca de 
informação corporativa nos meios empresariais e facilitaram a gera-
ção, organização e compartilhamento de informações entre organiza-
ções, instituições de ensino, pesquisadores, empresas, fornecedores e 
clientes, o que causou uma grande transformação no modo como as 
empresas conduziam seus negócios.
O artigo Em busca de convergência: um estudo bibliométrico sobre modelo 
de negócios, dos autores Vanessa Vasconcelos Scaciotta, Luiz Antônio de 
Camargo Guerrazzi e Karina Ribeiro Fernandes, realiza um profundo levan-
tamento bibliográfico com o objetivo de mapear a evolução dos conceitos 
e abordagens sobre os modelos de negócios na literatura global. Além de 
mostrar diferentes pontos de vistas e conceitos sobre os modelos de negó-
cios, o artigo possibilita identificar a evolução dos conceitos apresentados 
pelos diversos autores estudados.
Acesso em: 7 out. 2021.
https://www.redalyc.org/journal/3312/331267168002/331267168002.pdf
Artigo
Já nas décadas de 2000 e 2010, a popularização dos telefones ce-
lulares com acesso à internet abriu um novo capítulo na relação da 
empresa com seus clientes. Caxito (2021) afirma que a facilidade de 
acesso a informações no que se refere a hábitos, desejos, necessidades 
e opiniões dos clientes sobre os produtos e serviços que consomem 
Apresentar a evolução 
do conceito de modelos 
de negócios e discutir os 
diversos tipos de modelos 
de negócios.
Objetivos de aprendizagem
https://www.redalyc.org/journal/3312/331267168002/331267168002.pdf
36 Empreendedorismo
provocou uma verdadeira revolução no mundo empresarial, com o sur-
gimento de uma infinidade de novos negócios com estruturas das mais 
variadas formas, tamanhos e abrangências para oferecer soluções a 
necessidades até então inexistentes, configurando verdadeiramente o 
fenômeno da inovação empreendedora.
Para Rogers, Sharp e Preece (2013), os dados e as informações que 
as empresas coletam nas interações que realizam no ambiente virtual 
com seus clientes atuais e com potenciais clientes têm um grande valor 
estratégico, pois possibilitam o desenvolvimento de novas tecnologias, 
novas estruturas e novos serviços. Assim, tanto empresas já estabe-
lecidas quanto novos empreendedores utilizam as informações gera-
das pelas tecnologias da informação e da comunicação como fonte de 
ideias de produtos ou negócios inovadores.
Nesse contexto, o termo modelo de negócios, segundo Signori, Martins 
e Silva Junior (2014), popularizou-se nos meios empresariais, como for-
ma de apresentação das ideias de novas estruturas organizacionais, no-
vas formas de produção e oferta de soluções às demandas do mercado.
Os modelos de negócios podem estar relacionados:
a um novo formato de empresa;
a uma solução inovadora para as demandas dos consumidores finais;
à terceirização de serviços;
a diferentes meios de pagamento;
à entrega de produtos e serviços;
à geração de conteúdo, entretenimento e informação.
Para Martins, Mota e Marini (2019), modelo é uma ferramenta utili-
zada para facilitar o estudo de um objeto, situação ou evento real, pois 
possibilita controlar as variáveis e identificar o impacto de cada uma 
delas sobre os objetivos propostos. O uso de modelos matemáticos e 
estatísticos é um exemplo do papel dos modelos no desenvolvimento 
de um projeto.
Já o conceito de negócio, segundo os autores, está relacionado à 
atividade organizada, realizada por indivíduo ou grupo de indivíduos, 
para produzir, organizar e ofertar bens e serviços a clientes e consu-
midores. Negócio representa a finalidade de uma empresa enquanto 
agente econômico que oferece produtos e serviços em troca de uma 
remuneração, de um resultado financeiro, de um pagamento.
O vídeo Como elaborar um 
plano de negócios – cons-
trua um modelo de negócio 
com o Sebrae!, do canal 
Sebrae Talks, aborda os 
diversos passos da elabo-
ração de um modelo de 
negócios, com o objetivo 
de ajudar o empreende-
dor a entender melhor a 
estrutura necessária para 
colocar sua ideia de um 
novo negócio em prática. 
De modo simples e direto, 
o vídeo dá dicas impor-
tantes e explica conceitos 
básicos sobre os modelos 
de negócios.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=w2V277480lE. Acesso 
em: 7 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=w2V277480lE
https://www.youtube.com/watch?v=w2V277480lE
https://www.youtube.com/watch?v=w2V277480lE
Novos modelos de negócios 37
Assim, o termo modelo de negócios pode ser entendido como uma 
forma de apresentar novas ideias de produtos, serviços e formas de 
organização aos interessados, sejam eles investidores, clientes ou o 
mercado. Segundo Martins, Mota e Marini (2019, p. 51): “em outras pa-
lavras, criar um modelo de negócio quer dizer identificar os conceitos 
e ferramentas necessários para auxiliar os gestores a especificarem a 
lógica da organização, a forma como ela funciona e como cria valor a 
seus stakeholders”.
Zott, Amit e Massa (2011) destacam que o termo modelo de negócios 
se popularizou a partir da década de 1990 como uma ferramenta para 
auxiliar gestores e empreendedores na explicação das diferenças das 
suas propostas de estrutura operacional em relação a outros negócios 
já existentes, mesmo que essas propostas tomem como base proces-
sos empresariais semelhantes, mas com finalidades diferentes e princi-
palmente destinatários da entrega de valor distintos dos vigentes.
A definição do modelo de negócio leva em conta os tipos de pro-
dutos e serviços desenvolvidos pela empresa, os fluxos produtivos, os 
clientes e as fontes de receitas. Para Pereira, Soares e Reis (2019), di-
ferentes modelos de negócios são necessários para as empresas, pois 
produtos ou serviços diferentes são destinados a clientes distintos ou 
atendem a finalidades diferentes. Da mesma forma, as diferenciações 
entre os modelos de negócios podem estar atreladas aos fluxos produ-
tivos e à agregação de maior percepção de valor ao produto ou serviço.
Teixeira (2019) também discute sobre como as relações que se es-
tabelecem entre as diversas empresas que fazem parte de uma cadeia 
de valor, como fornecedores, indústrias, prestadores de serviços, dis-
tribuidores e varejistas, podem influenciar o modelo de negócio das 
empresas, pois a geração de valor ao longo do tempo ocorre dentro da 
cadeia produtiva.
O conceito central da definição de modelo de negócio, para Veiga, 
Neumann e Sanches (2018), é a geração de valor, já que todas as ati-
vidades, ações e processos desenvolvidos pela empresa têm como 
objetivo agregar valor, seja na linha de produção ou na prestação de 
serviço. Dessa forma, empresas que produzem e comercializam o mes-
mo tipo de produto ou serviço e atuam no mesmo mercado podem de-
senvolver diferentes modelos de negócio com núcleos de proposição 
de valores diferentes.
38 Empreendedorismo
Como exemplo, uma indústria de cosméticos pode estruturar sua 
forma de comercialização por meio de revendedores independentes 
(modelo utilizado por empresas como Natura e Avon), de lojas 
franqueadas (como as lojas da empresa O Boticário), de lojas 
próprias (como a empresa canadense M.A.C.) ou da distribuição em 
varejistas multimarcas (como a marca Maybelline).
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A mesma empresa pode também desenvolver diferentes modelos 
de negócios em uma mesma operação. Uma empresa de locação de 
automóveis apresenta como atividade principal e núcleo da geração de 
valor do modelo de negócio a locação de veículos. Essa mesma empre-
sa poderá lançar mão dos seus veículos, após determinado tempo de 
uso, como produto de venda, assim tendo um novo núcleo de proposta 
de valor, que será a venda de veículos usados.
A empresa se baseia na análise da visão estratégica do ambiente 
para definir o modelo de negócio, com o objetivo de adequar os recur-
sos disponíveis na organização às necessidades identificadas no merca-
do, desenvolvendo ofertas de soluções para os problemas dos clientes 
como forma de se antecipar aos concorrentes e ganhar mercado.
O modelode negócio, como afirmam Shafer, Smith e Linder (2005), 
tem o papel de representar a coerência estratégica da organização em 
sua proposta de valor. Desse modo, o modelo de negócio fica concen-
trado na oferta daquilo que representará valor para seus stakeholders. 
Portanto, a organização irá direcionar esforços para concentrar suas 
ações no posicionamento centrado em proporcionar benefícios por 
meio dos atributos e características dos seus produtos e serviços.
Os diversos conceitos sobre modelo de negócios são resumidos por 
Osterwalder e Pigneur (2011), os quais propõem uma definição que 
abrange diversas linhas de pensamento apresentadas por outros au-
tores e afirmam que o modelo de negócio é uma ferramenta composta 
de diversos elementos, tais como os recursos de que a empresa dispõe, 
as atividades e os processos desenvolvidos, os objetivos que se busca 
alcançar e o posicionamento da empresa diante do mercado e da con-
corrência. O modelo de negócios elucida, tanto para o empreendedor 
como para todos aqueles que se relacionam com a empresa, como for-
necedores, funcionários, revendedores, clientes, sociedade e governo, 
a forma como a empresa gera valor e ganha dinheiro.
O documentário Compe-
tindo no planeta das star-
tups bilionárias, publicado 
no canal Digital Innovation 
One, mostra a história de 
diversos empreendedores 
brasileiros que criaram 
empresas inovadoras 
baseadas em tecnologias 
da informação e da comu-
nicação. Aborda também 
o papel dos ecossistemas 
de inovação, como o Vale 
do Silício (nos Estados 
Unidos da América), no 
desenvolvimento do 
empreendedorismo e 
da inovação. Além disso, 
apresenta casos de em-
presas brasileiras, como 
iFood, QuintoAndar e 
MaxMilhas, com entrevis-
tas concedidas pelos fun-
dadores e investidores.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=6d_3dbYUn3Q. Acesso 
em: 7 out. 2021.
Documentário
https://www.youtube.com/watch?v=6d_3dbYUn3Q
https://www.youtube.com/watch?v=6d_3dbYUn3Q
https://www.youtube.com/watch?v=6d_3dbYUn3Q
Novos modelos de negócios 39
2.2 Modelos de negócios inovadores 
Vídeo O grande número de possibilidades de segmentação dos clientes, 
a variedade de produtos e serviços, os diversos canais de comercia-
lização e entrega, as maneiras de criar os relacionamentos com os 
clientes selecionados, as possibilidades de fontes de receitas dire-
tas e indiretas, entre outras características empresariais, fazem com 
que haja um número incalculável de possibilidades de organização e 
estruturação dos modelos de negócios inovadores (OSTERWALDER; 
PIGNEUR, 2011).
Por isso, conhecer as características pelas quais os modelos de 
negócios inovadores podem ser definidos e identificar seus atribu-
tos centrais mais evidentes na diferenciação comparativamente a 
outros modelos de negócio é fundamental para que se possa enten-
der e implementar novos modelos de negócio.
Sendo assim, o modelo de negócio, para Rodrigues et al. (2013), é o 
fundamento organizacional e estratégico do posicionamento compe-
titivo da empresa, explicitando a forma como ela agrega e entrega va-
lor aos seus clientes. Portanto, muitos autores se debruçaram sobre 
essas questões buscando reconhecer quais são os principais reflexos 
que esses atributos têm na performance das empresas.
Por sua vez, Osterwalder e Pigneur (2011) destacam a relevância 
do modelo de negócio tanto para os investidores e parceiros quanto 
para os clientes da empresa, pois é com o entendimento do modelo 
que a proposta de valor da empresa pode ser compreendida. Logo, 
é importante considerar os seguintes importantes aspectos presen-
tes no modelo de negócios de uma empresa, especialmente aquelas 
que se baseiam em modelos inovadores ainda não praticados por 
outras empresas:
os diferenciais e as características dos bens e serviços, em relação aos oferecidos 
pelos concorrentes;
a estrutura e os recursos financeiros, tecnológicos, humanos e de conhecimento 
necessários para realizar as atividades da empresa;
a forma como a empresa gerará resultado e garantirá sua viabilidade econômico- 
-financeira.
Discutir as características 
dos negócios inovadores 
e novos modelos de 
negócios.
Objetivos de aprendizagem
40 Empreendedorismo
Segundo Zott, Amit, Massa (2011), as empresas começaram a desenvol-
ver propostas de modelos de negócios inovadores tanto para responder 
ao crescimento e à agressividade dos novos entrantes 1 e da concorrência 
já instalada quanto para responder às demandas e às exigências de con-
sumidores cada vez mais instruídos e conscientes de seus direitos, pas-
sando a colher o reconhecimento por parte do mercado, seja em aspectos 
subjetivos, como a fidelização de clientes e a valorização da marca, seja em 
aspectos objetivos, com a melhora da performance econômico-financeira 
e o aumento da participação de mercado.
Meller-da-Silva e Marciano (2017) revelam que o surgimento de 
modelos de negócios inovadores pode ser observado em diferentes 
setores da economia, como indústria, comércio e serviços. Os auto-
res destacam o crescimento acelerado e constante do surgimento de 
novos modelos de negócios: “nota-se que a proporção e a velocida-
de em que os modelos de negócio inovadores vêm transformando 
a indústria são intensas, sendo um momento para que executivos, 
empreendedores, consultores e acadêmicos tentem compreender o 
impacto desta evolução” (MELLER-DA-SILVA; MARCIANO, 2017, p. 80).
Um dos mais importantes autores a abordar a estratégia empre-
sarial foi Michael Porter (1989), o qual já destacava a importância de a 
empresa desenvolver uma proposta de valor que oriente a organiza-
ção de uma série de atividades inter-relacionadas, a que o autor dá o 
nome de cadeia de valor (conforme figura a seguir), para identificar as 
demandas dos clientes, desenvolver novos produtos e serviços, dese-
nhar os processos produtivos e estruturar os canais de distribuição, 
comercialização e entrega de seus produtos. Osterwalder (2004) rela-
cionou o conceito de proposta de valor ao desenvolvimento do mode-
lo de negócio com a empresa, propondo uma ferramenta específica 
para esse fim, a que deu o nome de Canvas.
Figura 1
Cadeia de valor 
de Porter
Infraestrutura
Aquisição e compras
Logística 
de 
entrada
Operações
Logística 
de 
saída
Marketing 
e 
vendas
Serviços
Gestão de recursos humanos
Desenvolvimento tecnológico
Atividades primárias
At
iv
id
ad
es
 d
e 
ap
oi
o
M
argens
Fonte: Adaptada de Camargo, 2017.
novo entrante: compe-
tidor que busca se esta-
belecer em um mercado 
ao qual não pertencia, 
oferecendo produtos ou 
serviços já existentes e 
mantidos por marcas es-
tabelecidas no mercado. 
Por exemplo, uma empre-
sa automobilística sediada 
em outro país passa a 
vender seus veículos no 
mercado brasileiro.
1
Novos modelos de negócios 41
Magretta (2012) acrescenta que para uma proposta de valor, sen-
do consequentemente um modelo de negócio inovador, proporcionar 
efetivamente benefícios sustentáveis e duradouros para empresa, é 
necessária uma combinação de fatores que vão além da originalida-
de, eficiência e eficácia das atividades produtivas e comerciais da em-
presa; ela precisa fazer com que seus produtos e serviços alcancem 
certo grau de personalização, de tal sorte que os clientes não encon-
trem a mesma proposta de valor em produtos e serviços similares 
que já existam ou venham a ser criados por empresas concorrentes.
Para Vefago, Francisco e Nakayama (2018), se bem aplicados, os 
modelos de negócios inovadores se destacam em um cenário com-
petitivo pela adaptabilidade às exigências mercadológicas, a um tipo 
de metodologia mais progressiva, a um mecanismo de comunicação 
claro e objetivo quanto a suas intenções e à velocidade e expressivi-
dade dos seus resultados para resultar com mais clareza na proposta 
de valor.
Ainda segundo esses autores, os modelos de negócios inovadores 
ganham corpo com a sua vinculação ao plano de negócio estratégico 
da empresa ao orientar o desenvolvimento de novas competênciase 
incentivar o envolvimento intenso dos principais atores da organização 
na construção de valor e ganhos de produtividade e competitividade.
Diante dessas visões, é possível perceber uma infinidade de 
possibilidades de modelos de negócios inovadores, portanto a for-
ma proposta para tipificá-los é por meio da compreensão das suas 
principais características e consequente interpretação da proposta 
de valor pelo mercado.
Segundo Osterwalder e Pigneur (2011), algumas das áreas nas 
quais as empresas podem desenvolver modelos de negócios inova-
dores são:
PRODUTOPRODUTO
O diferencial referente à concorrência está estritamente relacio-
nado com a experiência positiva dos clientes quanto à percepção de 
valor do produto ou serviço ofertado. Segundo Kotler e Armstrong 
(2015, p. 244):
O vídeo Qual o melhor mo-
delo de negócio para abrir 
e onde abrir?, do canal 
Sebrae Talks, apresenta 
um passo a passo para 
que o empreendedor 
possa pensar e planejar 
seu negócio com base 
em pontos como análise 
do perfil dos clientes, 
análise da concorrên-
cia, levantamento do 
mercado, identificação de 
critérios de localização e 
organização da empresa. 
O vídeo oferece uma visão 
objetiva do desenvolvi-
mento de um plano de 
negócios.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=k8o-
hjm1TWQ. Acesso em: 8 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=k8o-hjm1TWQ
https://www.youtube.com/watch?v=k8o-hjm1TWQ
https://www.youtube.com/watch?v=k8o-hjm1TWQ
42 Empreendedorismo
definimos um produto como qualquer coisa que pode ser ofere-
cida a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou consumo 
e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade. Os pro-
dutos incluem mais do que apenas objetos tangíveis, como car-
ros, computadores ou celulares. Definidos de maneira ampla, os 
produtos também incluem serviços, eventos, pessoas, lugares, 
organizações, ideias ou uma mistura de tudo isso.
Desse modo, as características do produto em um modelo de negó-
cio inovador precisarão fazer parte da concepção de valor agregado de 
tal modo que se façam presentes nas experiências positivas dos clien-
tes. Um exemplo de um negócio inovador relacionado ao produto ou 
serviço são as microcervejarias, pequenas indústrias de bebidas que 
oferecem um produto artesanal e diferenciado em relação ao produzi-
do pelas grandes indústrias que atuam no mercado ao unir produção 
em pequena escala a uma experiência de consumo.
CANAIS DE ENTREGA E RELACIONAMENTOCANAIS DE ENTREGA E RELACIONAMENTO
A importância da escolha dos canais de distribuição e relaciona-
mento com o cliente são determinantes para o sucesso da estratégia 
de marketing. Segundo Oliveira et al. (2017), a cadeia de distribuição é 
fundamental quando a empresa depende de parceiros distribuidores 
e varejistas que irão colaborar para que os produtos ou serviços da 
empresa cheguem até seus clientes e consumidores. Segundo os au-
tores: “cada intermediário desenvolve determinadas tarefas que vão 
influenciar o modo como os produtos irão chegar até os consumidores 
finais” (2017, p. 73).
Assim, a percepção de qualidade e satisfação do cliente será dada 
pela somatória de interferências positivas ou negativas ocorridas na ca-
deia de distribuição dos produtos, serviços e relacionamentos em cada 
um dos pontos de contato entre os membros dessa cadeia. Essas inter-
ferências são oportunidades de geração de valor adicional do conjunto 
para o produto, potencializando as chances de inovação e diferencia-
ção a fim de garantir o sucesso do modelo de negócio.
Como exemplo de modelos de negócios inovadores que usam os 
canais de entrega e relacionamento como diferencial podem ser cita-
dos os clubes de assinatura, empresas que oferecem a possibilidade de 
o cliente receber regularmente, em sua casa, produtos ou serviços que 
utiliza de modo recorrente.
O crescimento da 
quantidade de cervejarias 
artesanais lançadas no 
Brasil a partir da década 
de 2010 é o tema do 
documentário Petroleum 
é nosso: a ebulição da cer-
veja artesanal no Brasil, do 
canal DUMCervejaria. Ao 
acompanhar a história de 
uma pequena cervejaria 
artesanal, a Petroleum, 
o documentário tece um 
panorama do desen-
volvimento de negócios 
inovadores com base 
tanto na criação de um 
produto artesanal quanto 
na criação de uma relação 
com os clientes.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=JHby9IBjiFw. Acesso em: 
8 out. 2021.
Série
https://www.youtube.com/watch?v=JHby9IBjiFw
https://www.youtube.com/watch?v=JHby9IBjiFw
https://www.youtube.com/watch?v=JHby9IBjiFw
Novos modelos de negócios 43
PÚBLICO-ALVOPÚBLICO-ALVO
Falcão et al. (2016) destacam que a identificação do público-alvo por 
meio da segmentação de mercado precisa estar presente nas questões 
centrais das decisões estratégicas das empresas. Os autores tratam o co-
nhecimento sobre comportamento dos clientes e a forma de encontrá-los 
como um ativo intangível e de caráter único, extremamente relevante para 
o processo de criação de valor singular para o negócio, garantindo signi-
ficativa vantagem competitiva para as empresas que têm esse domínio.
Segundo Falcão et al., a segmentação não é criada pelos profissio-
nais de marketing, mas sim identificada e selecionada pela empresa 
para suas ações mercadológicas.
Cabe aos profissionais de marketing definir qual processo deve 
ser empregado pela empresa para identificar os segmentos 
existentes em um mercado para, a partir daí, selecionar os seg-
mentos mais atrativos (e quais as variáveis que definirão o que 
é atratividade) para, por último, definir seus diferenciadores, sua 
proposição de valor, ou seja, seu posicionamento). (2016, p. 31)
O mercado de atuação e mais precisamente o público-alvo desejado 
são diferenciais importantes para caracterizar os modelos de negócios 
inovadores. A empresa FisioCloud é um exemplo de empresa que usa 
um modelo de negócios inovador fundamentado na seleção de um pú-
blico-alvo específico, oferecendo atendimento na área de saúde para 
idosos, utilizando tecnologias de informação e comunicação, como equi-
pamentos wireless, healtech (tecnologias direcionadas ao cuidado com a 
saúde) e armazenamento de dados sobre a saúde dos pacientes na nu-
vem para acompanhar as condições de saúde de seus clientes.
RECURSOS DEDICADOSRECURSOS DEDICADOS
A adição das principais competências da empresa por meio dos 
seus recursos tangíveis e intangíveis dedicados à proposta e entrega 
de valor permite que a organização possa incrementar um diferencial 
significativo para melhorar a sua performance competitiva, de modo 
que esse particular também contribui para a construção dos atributos 
que definem o modelo de negócio inovador.
De acordo com Osterwalder e Pigneur (2011), são considerados 
recursos dedicados aos atores que participam direta e indiretamente 
44 Empreendedorismo
com suas habilidades e capital intelectual na operacionalização do mo-
delo de negócio os recursos como espaço físico, máquinas e equipa-
mentos, dispositivos logísticos, pronta entrega, entre outros.
Como exemplo de empresas que desenvolveram modelos de negó-
cios inovadores baseados no uso de seus recursos dedicados podem 
ser citadas as montadoras de automóveis, que passaram a oferecer, 
a partir dos primeiros anos da década de 2020, a locação de veículos 
novos no modelo de assinatura mensal por tempo determinado. Ao 
utilizar a capacidade instalada de produção e os veículos já construídos 
e oferecer uma nova forma de uso para os clientes, as montadoras de-
senvolveram um modelo de negócios inovador.
PARCEIROSPARCEIROS
Osterwalder e Pigneur (2011) sugerem que as principais caracterís-
ticas que formam a definição do modelo de negócio inovador residem 
nos seus parceiros. O cuidado na escolha dos parceiros é determinante 
para o prolongamento da percepção de valor além das fronteiras da 
empresa, uma vez que é muito frequente a relação que os consumido-
res fazem acerca da proposta de valor da empresa no posicionamen-
to do modelo de negócio com a imagem percebidana participação de 
parceiros no contexto do negócio. Em que pese o risco de imagem, 
o contrário também é verdadeiro, mas os benefícios colhidos são signi-
ficativos ao ponto de justificar tais parcerias.
As parcerias também se mostram relevantes ao modelo de negócio 
inovador à medida que complementam competências inexistentes na 
origem da empresa núcleo, contribuindo para uma formação das ca-
racterísticas implícitas na identificação do modelo.
Os hábitos de consumo e os padrões de compra do consumidor contemporâneo, 
que tem à sua disposição uma grande quantidade de informações e opções de 
escolha entre empresas físicas e virtuais que podem estar situadas em outras 
cidades e até mesmo em outros países, é o foco do artigo Perfil do consumidor 4.0 
e novos modelos de negócios, produzido por James Wellington Neves Costa, Rhenan 
Jandre de Oliveira e Thais Rubia Ferreira Lepre. Os autores discutem como as em-
presas buscam atender às novas demandas, expectativas e exigências do consumi-
dor por meio do desenvolvimento e diversificação de novos modelos de negócios.
Acesso em: 8 out. 2021.
http://www.sadsj.org/index.php/revista/article/view/286
Artigo
O modelo de negócios 
de automóveis por 
assinatura oferecido pelas 
montadoras estabelecidas 
no Brasil é o tema da 
reportagem Montadoras 
apostam alto em carro 
por assinatura, publica-
da pelo site InfoMoney. 
As principais indústrias 
automobilísticas do país 
oferecem o serviço de 
assinatura, que, apesar 
das similaridades com 
operações financeiras tra-
dicionais, como o leasing 
(operação financeira 
baseada em um contrato 
de locação ou arrenda-
mento, por meio do qual 
uma instituição financeira 
adquire um bem e o aluga 
a um terceiro), oferecido 
pelos bancos comerciais, 
oferecem um pacote de 
serviços que incluem ma-
nutenção, disponibilidade 
de carro reserva em caso 
de emergências, seguro e 
impostos.
Disponível em: https://www.
infomoney.com.br/minhas-
financas/montadoras-apostam-
alto-em-carro-por-assinatura/. 
Acesso em: 8 out. 2021.
Leitura
https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/montadoras-apostam-alto-em-carro-por-assinatura/
https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/montadoras-apostam-alto-em-carro-por-assinatura/
https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/montadoras-apostam-alto-em-carro-por-assinatura/
https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/montadoras-apostam-alto-em-carro-por-assinatura/
Novos modelos de negócios 45
2.3 Economia compartilhada 
Vídeo O conceito da economia compartilhada começou a tomar cor-
po e representatividade no cenário mundial após a crise econômi-
ca de 2008, segundo Lazzari, Petrini e Souza (2021), que definem 
a economia compartilhada como o compartilhamento de bens e 
serviços por meio da utilização de uma plataforma digital entre 
pessoas que não se conhecem. Os participantes que oferecem o 
compartilhamento de seus bens e ativos tanto podem fazê-lo com 
o objetivo de obter uma remuneração ou lucro quanto podem bus-
car compensações que não sejam financeiras. Benoit et al. (2017) 
corroboram esse entendimento e identificam esse formato como 
peer-to-peer 2 (P2P) intermediado por uma plataforma digital.
Palos-Sanchez e Correia (2018) explicam que os fornecedores e 
consumidores que compartilham seus negócios por meio do con-
ceito de economia compartilhada são denominados de prosumers, 
termo criado com as palavras em inglês provider (fornecedor) e 
consumer (consumidor). Esse termo se justifica, uma vez que na 
economia compartilhada o mesmo indivíduo pode ser tanto um 
provedor de produtos ou serviços quanto um consumidor de bens 
ofertados por outros participantes da rede.
Embora em alguns modelos de economia compartilhada os 
prosumers nem sempre tenham seus papéis muito bem definidos, 
há outros em que o papel do fornecedor e do consumidor estão 
bem determinados. Belk (2014) explica que enquanto o fornece-
dor compartilha o seu bem e assume os custos da depreciação, em 
contrapartida o consumidor realiza alguma forma de pagamento, 
que pode ser monetário ou algum tipo de permuta não monetária.
Tomando o oferecimento de acomodações compartilhadas 
como exemplo, duas empresas podem representar essas di-
ferentes formas de organização da economia compartilhada: 
Couchsurfing e Airbnb.
Conhecer os conceitos e 
as características da eco-
nomia compartilhada.
Objetivo de aprendizagem
peer-to-peer: termo do 
idioma inglês que pode 
ser traduzido como 
“par a par” ou “ponto a 
ponto”. O termo surgiu 
na área da informática 
para conceituar as redes 
de computadores em 
que as máquinas se 
conectam diretamente 
entre si, sem precisar de 
um servidor central. Além 
disso, passou a ser usado 
na área da economia para 
representar as transações 
que ocorrem diretamen-
te entre indivíduos ou 
consumidores.
2
46 Empreendedorismo
Da
vid
 B
ok
uc
ha
va
/S
hu
tte
rs
to
ck
A empresa Couchsurfing (https://
www.couchsurfing.com/) 
possibilita que os associados 
usem as acomodações 
compartilhadas por outros 
associados sem a necessidade 
de um pagamento monetário. A 
contrapartida é a exigência de 
que o associado também ofereça 
o compartilhamento de suas 
próprias acomodações para os 
demais associados.
Figura 2
Couchsurfing
Figura 3
Airbnb
A empresa Airbnb (www.airbnb.
com) é uma plataforma na qual 
os fornecedores disponibilizam 
suas acomodações em troca 
de um pagamento monetário 
realizado pelo consumidor.
En
rik
a 
Sa
m
ul
io
ny
te
/S
hu
tte
rs
to
ck
Rifkin (2016) aponta que à medida que o conceito da economia com-
partilhada se torna mais conhecido e colocado em prática, é possível 
observar uma gradativa mudança no foco de aquisição para alguns ti-
pos de bens, movendo-se para a concepção de apenas usufruir o ne-
cessário com o apoio do compartilhamento, no que parece ser uma 
tendência de transição de conduta social para o comportamento de 
desapego a posses.
Novos modelos de negócios 47
Um exemplo dessa mudança comportamental pode 
ser observado em relação ao uso de automóveis, com 
o surgimento de empresas que oferecem a utilização 
de veículos de modo compartilhado por indivíduos que 
possuem veículos e oferecem o serviço de viagens.
ka
np
is
ut
/S
hu
tte
rs
to
ck
Empresas como a Uber e a 
99 trabalham com motoristas 
parceiros que encontram 
pessoas que precisam de viagens 
acessíveis e confiáveis.
M
OZ
CO
 M
at
eu
sz
 S
zy
m
an
sk
i/S
hu
tte
rs
to
ck
Figura 4
Uber
Outros exemplos são as empresas que oferecem a locação de veí-
culos por hora e com a possibilidade de retirada e entrega dos veículos 
em diversos pontos (como a Turbi – www.turbi.com.br – e a Expedia – 
https://www.expedia.com.br) e as empresas de carsharing, em que os 
proprietários de veículos podem alugar diretamente para outros indiví-
duos usando um aplicativo (por exemplo, Joycar – https://joycar.com.br 
– e MoveOn – https://www.moveonshare.com), sendo cada vez maior 
o número de pessoas que decidem não possuir mais um automóvel.
A reportagem Tecnologia 
estimula economia com-
partilhada entre brasileiros, 
publicada pelo canal 
Hoje em Dia, aborda a 
economia compartilhada 
de modo bastante sim-
ples e didático, utilizando 
exemplos e destacando 
os benefícios proporcio-
nados aos envolvidos 
no processo tanto como 
fornecedores quanto 
como consumidores.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=6bu2PHKWq4g. Acesso 
em: 8 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=6bu2PHKWq4g
https://www.youtube.com/watch?v=6bu2PHKWq4g
https://www.youtube.com/watch?v=6bu2PHKWq4g
48 Empreendedorismo
Na análise de Lazzari, Petrini e Souza (2021), as empresas que de-
senvolvem e administram plataformas de economia compartilhada, 
com fins lucrativos, apesar de serem importantes para o crescimento e 
a divulgação do conceito, não representam a essência dessa economia, 
permitindo aos prosumers utilizarem a comercialização de seus recur-
sos, e não exatamente compartilharem parte da sua estrutura. Segun-
do os autores (2021, p. 5):
as plataformasde economia compartilhada também se tornaram 
objetos de controvérsia, sendo o bem comum questionado. Ou 
seja, a EC apresenta uma retórica de benefícios econômicos, so-
ciais e ambientais a quem participa, mas, veladamente, exacerba 
o capitalismo, aumentando a desigualdade social.
Cockayne (2016) também aponta os altos lucros das empresas de-
tentoras das plataformas de compartilhamento em detrimento dos ga-
nhos auferidos pelos prosumers. Para o autor, embora haja a aparente 
pretensão de o comportamento de comunidade estar fundamentado 
nas ideias da economia compartilhada, apesar dos fins lucrativos, os 
proprietários das plataformas são aqueles que apresentam maiores 
ganhos econômicos e financeiros entre os integrantes da plataforma 
da economia compartilhada.
Por outro lado, Lazarevic e Valve (2017) afirmam que as plataformas 
de economia compartilhada contribuem para o mercado e a formação 
de novas possibilidades de modelos de negócio tanto para prosumers 
quanto para empreendedores que usam as plataformas para incre-
mentar seus lucros. Hou (2018) também compartilha da ideia de que as 
plataformas de economia compartilhada com fins lucrativos cumprem 
o papel de aproximação dos vendedores e compradores, prestando 
serviços diversos, como a intermediação financeira.
Nesse contexto, as plataformas de economia compartilhada têm pa-
pel fundamental na disseminação e desenvolvimento de uma infinida-
de de fornecedores com oferta de produtos e serviços a interessados 
em adquirir esses produtos e serviços, os quais, sem essa plataforma, 
teriam dificuldade de encontrá-los a preços e condições acessíveis.
Como apontam Lazarevic e Valve (2017), a economia compartilhada 
também apresenta um importante papel na criação de novos postos 
de trabalho, geração de renda e mais ofertas de produtos e serviços 
ao mesmo tempo que rompe monopólios de sociedades profissionais 
e modelos organizacionais que não atendem às demandas dos clientes 
A reportagem Crise e novo 
comportamento reduzem 
interesse dos jovens em di-
rigir, produzida pela Agên-
cia Brasil, mostra diversos 
indicadores de mudanças 
comportamentais dos 
jovens. O texto cita uma 
pesquisa realizada pela 
Associação Nacional dos 
Fabricantes de Veículos 
Automotores (Anfavea) 
que mostra que quase um 
terço dos indivíduos com 
menos de 25 anos não 
demonstra interesse em 
ter um veículo próprio.
Disponível em: https://
agenciabrasil.ebc.com.br/geral/
noticia/2019-04/crise-e-novo-
comportamento-reduzem-
interesse-dos-jovens-em-dirigir. 
Acesso em: 8 out. 2021.
Leitura
O e-book Economia Com-
partilhada: oportunidades 
para os pequenos negócios 
apresenta os principais 
conceitos sobre a eco-
nomia compartilhada e 
mostra exemplos e ideias 
de como as pequenas 
empresas e empreende-
dores podem desenvol-
ver negócios com base 
nesses conceitos.
SEBRAE. Cuiabá: Sebrae, 
2017. Disponível em: http://
sustentabilidade.sebrae.
com.br/Sustentabilidade/
Para%20sua%20empresa/
Publica%C3%A7%C3%B5es/
Economia-Compartilhada.pdf. 
Acesso em: 8 out. 2021.
Livro
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-04/crise-e-novo-comportamento-reduzem-interesse-dos-jovens-em-dirigir
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-04/crise-e-novo-comportamento-reduzem-interesse-dos-jovens-em-dirigir
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-04/crise-e-novo-comportamento-reduzem-interesse-dos-jovens-em-dirigir
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-04/crise-e-novo-comportamento-reduzem-interesse-dos-jovens-em-dirigir
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-04/crise-e-novo-comportamento-reduzem-interesse-dos-jovens-em-dirigir
http://sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Para%20sua%20empresa/Publica%C3%A7%C3%B5es/Economia-Compartilhada.pdf
http://sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Para%20sua%20empresa/Publica%C3%A7%C3%B5es/Economia-Compartilhada.pdf
http://sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Para%20sua%20empresa/Publica%C3%A7%C3%B5es/Economia-Compartilhada.pdf
http://sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Para%20sua%20empresa/Publica%C3%A7%C3%B5es/Economia-Compartilhada.pdf
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http://sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Para%20sua%20empresa/Publica%C3%A7%C3%B5es/Economia-Compartilhada.pdf
Novos modelos de negócios 49
e aos interesses sociais. Desse modo, a economia compartilhada vem 
preencher lacunas deixadas por empresas, por organizações, pelo Es-
tado e por instituições que não conseguem se adaptar às mudanças 
tecnológicas e comportamentais e às demandas sociais.
2.4 Economia circular 
Vídeo O impacto da atividade econômica da civilização sobre o meio 
ambiente é um dos temas mais discutidos da atualidade. Segun-
do Campello (2021), o processo tradicional de produção de bens e 
serviços usa, na maioria dos casos, recursos extraídos da natureza. 
Porém, o tempo necessário para regeneração dos recursos natu-
rais não acontece na mesma velocidade em que ocorre a extração 
e o uso desses recursos. Do outro lado da cadeia de produção e 
consumo de bens, por não ter havido ao longo de muitos anos a 
preocupação com o descarte adequado dos resíduos provenientes 
tanto do próprio processo de produção quanto dos produtos após 
o consumo, registra-se um acentuado processo de degradação do 
meio ambiente.
O aumento acelerado do consumo nas últimas décadas do sé-
culo XX e nas décadas iniciais do século XXI faz com que tanto a 
extração de recursos naturais quanto a degradação do meio am-
biente em razão do descarte de bens de consumo tenham se torna-
do, segundo Cichelero e Galiotto (2020), um problema tanto para a 
atualidade quanto para as gerações futuras. Tiossi e Simon (2021) 
destacam que a preocupação com o meio ambiente tem desperta-
do a mobilização de grupos políticos, organizações, ambientalistas 
e cientistas de todo o mundo. Segundo os autores (2021, p. 11.912): 
“a Sustentabilidade começa a receber maior atenção de ambienta-
listas e diversas autoridades governamentais a partir dos impactos 
negativos causados ao longo do tempo, em especial, pela Revolução 
Industrial”.
Oliveira, Silva e Moreira (2019) apontam que só a partir da déca-
da de 1960, após séculos de exploração e intensa produção com o 
advento da Revolução Industrial, a comunidade científica e governos 
passaram a se debruçar sobre o problema e propor soluções à de-
gradação do meio ambiente e passou-se a ter preocupação com o 
destino dos produtos descartados e resíduos industriais.
Explicar a economia 
circular e sua relação com 
o empreendedorismo e a 
sustentabilidade.
Objetivo de aprendizagem
O vídeo O que é 
economia circular, do 
canal Accenture Brasil, 
apresenta os impactos da 
economia linear sobre o 
meio ambiente e discute 
o surgimento da econo-
mia circular como uma 
resposta aos problemas 
causados por séculos de 
exploração dos recursos 
naturais. O vídeo também 
apresenta exemplos 
e oportunidades de 
modelos de negócios fun-
damentados na economia 
circular como casos de 
sucesso.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=eVKpgLlAsmo. Acesso 
em: 8 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=eVKpgLlAsmo
https://www.youtube.com/watch?v=eVKpgLlAsmo
https://www.youtube.com/watch?v=eVKpgLlAsmo
50 Empreendedorismo
O surgimento do conceito da economia circular está relacionado à 
visão de que os processos tradicionais de produção e consumo linear 
precisam ser repensados, com o objetivo de incorporar soluções si-
multâneas para o descarte dos produtos pós-uso e a extração de in-
sumos diretamente da natureza, com a inserção na linha de produção 
da reutilização tanto de resíduos de produtos de consumo pós-uso 
quanto de resíduos industriais. Para Tiossi e Simon (2021), somente a 
partir da primeira década do século XXI a economia circular começou 
a ter mais representatividade nos meios profissionais e acadêmicos.
A economialinear se desenvolveu sem a preocupação com a escas-
sez de matérias-primas provenientes de recursos naturais não reno-
váveis e sem levar em consideração a capacidade de regeneração do 
meio ambiente. Os insumos naturais eram considerados abundantes 
e pareciam inesgotáveis aos olhos da humanidade, bastando serem 
extraídos e transformados ou beneficiados para produção dos mais 
diversos bens com objetivo de cumprir os mais variados fins. A figura 
a seguir apresenta o processo de fabricação e consumo no modelo da 
economia linear.
Figura 5
Representação da economia linear
EXTRAI USAPRODUZ DESCARTA
Vi
ki
Ve
ct
or
/S
hu
tte
rs
to
ck
Fonte: Adaptada de Campello, 2021, p. 3.
Para Oliveira, Silva e Moreira (2019), o conceito da economia cir-
cular está relacionado à estruturação de uma cadeia produtiva inte-
grada na qual se prevê a preservação mais perene das propriedades 
dos insumos extraídos da natureza, por meio do uso de processos 
de reutilização contínua na linha de produção ou na busca pela ma-
nutenção dos atributos originais das matérias-primas já utilizadas na 
transformação de produtos, de modo a garantir que, após o descarte 
do produto, suas matérias-primas possam ser reutilizadas na produ-
ção de novos bens.
Publicado no canal The 
Story of Stuff Project, 
O vídeo Story of Stuff 
(história das coisas), que 
teve como base o livro de 
mesmo nome, apresenta 
de maneira divertida e 
didática os conceitos 
de sustentabilidade, 
economia linear e econo-
mia circular. A cientista 
Annie Leonard mostra 
os impactos da extração 
ilimitada de recursos, dos 
processos produtivos 
complexos e poluidores e 
do consumo exacerbado 
sobre o meio ambiente e 
sobre a saúde.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=9GorqroigqM. Acesso em: 
8 out. 2021.
Vídeo
O livro A história das 
coisas: da natureza ao lixo, 
o que acontece com tudo 
que consumimos faz uma 
reflexão sobre o consumo 
excessivo e seus efeitos.
LEONARD, A. São Paulo: Zahar, 2011.
Livro
https://www.youtube.com/watch?v=9GorqroigqM
https://www.youtube.com/watch?v=9GorqroigqM
https://www.youtube.com/watch?v=9GorqroigqM
Novos modelos de negócios 51
Sendo assim, o processo de reutilização de resíduos passa a fazer 
parte do design de produção de um bem. Para Tiossi e Simon (2021, 
p. 11.914): “as empresas já estão percebendo as oportunidades ofereci-
das pela Economia Circular e com isso começaram a colocar em prática 
ações circulares que beneficiem não só os interesses econômicos da 
empresa, mas tragam também benefícios ambientais e sociais”.
Campello (2021) faz uma contribuição importante ao destacar 
cinco linhas de modelo de negócio com efeitos compatíveis à eco-
nomia circular.
É composta de modelos de negócios fundamentados na utilização 
de insumos renováveis, como aqueles produzidos, e não somente 
extraídos, na natureza, como acontece com a produção de 
combustível a partir da cana-de-açúcar em substituição ao petróleo.
Inclui as empresas que adotam práticas de reciclagem de 
embalagens e produtos descartados, como ocorre com o plástico 
e o alumínio utilizados em embalagens, cuja matéria-prima é 
reutilizada para produzir novamente o mesmo tipo de embalagem.
O reuso apontado pelos autores tem como base a prática da 
reutilização de produtos para finalidades diferentes daquelas 
para as quais foram originalmente concebidos, como é bastante 
comum observar em propostas na indústria de artesanato com a 
concepção de prolongar a vida útil dos objetos.
A economia circular e a economia compartilhada se relacionam ao 
conceito da utilização de um mesmo produto por mais usuários, 
por exemplo, bicicletas, automóveis e equipamentos, o que 
possibilita tanto maximizar o uso dos bens quanto diminuir a 
necessidade de produção de novos produtos.
É a oferta de produto como serviço, também alinhada ao conceito 
da economia compartilhada, que pode ser exemplificado pelas 
indústrias automobilísticas que passaram a ofertar a locação 
de seus veículos como um serviço aos clientes, como opção em 
relação à aquisição do bem.
1ª 
linha
2ª 
linha
3ª 
linha
4ª 
linha
5ª 
linha
A economia circular tem como sua principal característica harmo-
nizar os conflitos entre a preservação do meio ambiente e a economia 
produtiva, uma vez que passa a existir a conciliação de interesses entre 
a redução de custos para aquisição de insumos cada vez mais escas-
sos e a consequente contenção da elevação de preço de fornecimento, 
com a preservação da natureza para que se consiga restabelecer sua 
fonte natural por meio da redução do extrativismo e degradação cau-
sada pelo descarte inconsequente.
O livro Economia circular: 
conceitos e estratégias para 
fazer negócios de forma 
mais inteligente, sustentável 
e lucrativa é um manual 
sobre os conceitos e 
a prática dos negócios 
fundamentados na econo-
mia circular. Os modelos 
de negócio tradicionais, 
segundo a autora, não 
são adequados para que 
a empresa atue tendo 
como objetivo a sustenta-
bilidade. Nesse contexto, 
modelos de negócios ino-
vadores são fundamentais 
para que as empresas 
possam aproveitar as 
oportunidades oferecidas 
pela economia circular.
WEETMAN, C. São Paulo: Autêntica 
Business, 2019.
Livro
52 Empreendedorismo
2.5 Startups 
Vídeo A partir da década de 1990, com a intensificação do uso da internet 
e o rápido desenvolvimento de tecnologias de comunicação, os mode-
los de negócios foram intensamente impactados com o surgimento de 
empresas de base tecnológica que conseguiram se organizar e crescer 
rapidamente. Esse crescimento deu origem a novas formas de organi-
zar os processos produtivos, comerciais e de relacionamento com os 
clientes (VASCONCELOS; MALAGOLLI, 2016).
É nesse contexto que surgem empresas baseadas em um mode-
lo de negócios inovador, conhecidas como startups, que Bortolini et al. 
(2021) definem como um tipo de empresa projetada com base em um 
modelo de negócio que possa ser facilmente repetível e escalável, em 
uma condição de alto risco e incerteza, pois é baseada em uma ruptura 
com os modelos tradicionais de negócio existentes. A figura a seguir 
apresenta as principais características das startups.
Figura 6
Características das startups
REPETÍVEL ESCALÁVEL INCERTO
HN
 W
or
ks
/S
hu
tte
rs
to
ck
O modelo de negócios 
possibilita que a 
empresa entregue seu 
produto e serviço em 
quantidade ilimitada, 
sem a necessidade 
de adaptações ou 
customizações e sem 
perda de qualidade.
O modelo de negócios 
possibilita que a empresa 
cresça e aumente sua 
receita rapidamente, sem 
que os custos aumentem 
na mesma proporção.
Pelo fato de o modelo de 
negócios ser inovador e 
romper com a maneira 
tradicional de se fazer 
negócios no mercado em 
que a empresa atua, não 
é possível afirmar que 
será bem-sucedido ou 
sustentável.
Fonte: Elaborada pelo autor.
Discutir o modelo de 
negócios startup.
Objetivo de aprendizagem
Novos modelos de negócios 53
O surgimento das startups, segundo Ries (2012), coincidiu com o 
início dos momentos de extrema incerteza no mundo dos negócios, 
causados pelas mudanças tecnológicas e econômicas, e baseou-se 
na promessa de levar soluções inovadoras aos anseios mercadoló-
gicos por respostas mais imediatas às necessidades da vida prática 
da sociedade.
Contudo, como destacam Refosco e Cristofoli (2021), a associação 
ao ambiente tecnológico e a alta dependência da internet colocam esse 
modelo de negócio em um cenário extremamente dinâmico, o que exi-
ge do empreendedor intenso acompanhamento das inovações e atua-
lizações tecnológicas.
Como as startups ainda são um fenômeno recente do ponto de vista 
de consolidação econômica, ainda são um conceito em construção nos 
estudos acadêmicos da ciência da Administração e estão em constante 
evolução e modificação. Torres (2012) apresenta uma visão mais tradi-
cional, que enxerga as startups como empresas embrionárias, ainda na 
fase final de instalação até o início da comercialização dos seus produ-
tos. O autor acredita que oconceito de startup se aplica apenas quando 
a empresa ainda está na etapa de experimento; após sua estabilização, 
ela passa a ser um negócio, perdendo o status de startup.
Müller e Rammer (2012) acreditam que as startups não se resumem 
apenas a empresas de base tecnológica e classificam os diversos tipos 
de startup de acordo com suas características:
Quadro 1
Classificação startups
Tipo Características
Startups baseadas em novas tecnologias
Têm como base inovações tecnológicas e o acesso a informa-
ções e conhecimentos para desenvolver seu modelo de ne-
gócios.
Startups baseadas em oportunidade
Surgem com a identificação, pelo empreendedor, de uma de-
manda de mercado ainda não atendida.
Startups de imitação
Não se baseiam em ideias inovadoras ou novas tecnologias e 
surgem com a vontade do empreendedor de usar seus conhe-
cimentos adquiridos em empresas já estabelecidas para abrir 
sua própria empresa.
Startups impulsionadas pelo desemprego
Surgem das necessidades do empreendedor e são influencia-
das pelas condições da economia do país.
Fonte: Adaptado de Müller e Rammer, 2012.
54 Empreendedorismo
Liberato e Campos (2019, p.188) concordam com essa visão mais 
ampla do conceito e afirmam que as startups “não necessariamente 
estão ligadas a negócios digitais e empresas de tecnologias, mas sim, 
são obstinadas por apresentarem soluções inovadoras buscando so-
lucionar problemas da sociedade, tais características as diferencia das 
empresas consideradas tradicionais”.
Contudo, como destacam Vasconcelos e Malagolli (2016), em seu 
uso cotidiano o termo startup está intrinsecamente relacionado aos 
avanços das tecnologias da informação e das comunicações, em espe-
cial a internet e o uso de aplicativos disponibilizados em smartphones, 
que possibilitam às empresas nascentes a capacidade de colocar em 
prática as características de escalabilidade, repetitividade e rapidez que 
definem o conceito de startup.
O modelo de negócios das startups, muitas vezes, representa uma pro-
funda ruptura em relação aos modelos tradicionais de negócios e pode 
trazer impactos capazes de provocar mudanças tão rápidas e imprevisí-
veis que nem sempre são facilmente absorvidas pelas organizações, em-
presas e instituições envolvidas no mercado, podendo inclusive gerar a 
necessidade de mudanças na legislação e na regulação do mercado.
O caso da empresa Uber é bastante representativo, pois revolucio-
nou o mercado de prestação de serviços de transporte de passageiros. 
Segundo Salman e Fujita (2018), a empresa causou impactos sobre o 
mercado concorrente já estabelecido, como os serviços de táxi, que 
são regulados por legislações específicas. O caso da empresa também 
levou a discussões sobre a legislação que regula as relações de traba-
lho entre a empresa e os motoristas, como demonstram Wyzykowski e 
Almeida (2020) e Machado e Barreto (2020).
Para Refosco e Cristofoli (2021), o processo disruptivo imposto pelas 
startups em relação aos modelos tradicionais é fundamentado em uma 
inversão do foco. No modelo tradicional, o foco da gestão era direcio-
nado a alta produtividade, baixos custos e ganhos de competitividade. 
No modelo de negócio das startups, o ponto central envolve a obser-
vação do comportamento dos consumidores de modo mais atencioso, 
para então encontrar o que pode ser feito visando facilitar a sua vida.
Ghezzi e Cavallo (2020) apontam que a proposta de valor para o 
consumidor está no centro das intenções do modelo de negócio das 
startups e todas as atividades desenvolvidas pela empresa devem ter 
Em entrevista realizada 
pela Fundação Getúlio 
Vargas, o professor Caio 
Ramalho apresenta 
alguns tipos de startup e 
o processo de busca de 
investidores com cases de 
sucesso no setor. Destaca 
ainda a importância da 
qualificação dos em-
preendedores para que 
os projetos e modelos de 
negócios sejam bem-su-
cedidos e discute os ris-
cos que, caso não sejam 
considerados, levam as 
startups ao insucesso.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=fe6XDN9NbAw. Acesso 
em: 8 out. 2021.
Vídeo
Novos modelos de negócios 55
como questões centrais a geração da entrega de valor agregado ao 
consumidor, seja para a concepção do produto ou para os serviços de 
modo integrado às soluções.
As startups se destacam com a rápida projeção nos mercados e 
apresentam crescimento vertiginoso, mas, para Bortolini et al. (2021), 
o principal atributo é a competente agilidade para implementação das 
propostas de valor, antecipando-se ao mercado e tomando a dianteira 
dos seus concorrentes.
As startups, como modelos de negócios inovadores, representam 
uma possibilidade de empreendedorismo para diversos tipos e portes 
de empreendedores, já que se baseiam em uma proposta de valor am-
parada pela inovação como forma de apresentar ineditismo nas solu-
ções de problemas e demandas para conquistar a atenção dos clientes 
e consumidores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O empreendedor, ao tomar a decisão de desenvolver um novo negócio 
e colocar em prática suas ideias, pode adotar diferentes modelos de or-
ganização de seu empreendimento. Se por um lado os modelos tradicio-
nais de negócio representam uma opção que diminui os riscos inerentes 
à própria atividade de empreender, por outro os modelos inovadores de 
negócio podem oferecer a possibilidade de a empresa se diferenciar em 
relação a seus concorrentes. O uso de conceitos relacionados à economia 
circular e ao compartilhamento também pode colaborar para que a em-
presa se diferencie em um mercado cada vez mais competitivo e exigente.
ATIVIDADES
Atividade 1
Explique o conceito de modelo de negócios.
Atividade 2
Conceitue economia circular e economia compartilhada e, depois, dife-
rencie os dois conceitos.
56 Empreendedorismo
Atividade 3
As startups apresentam como características básicas o fato de serem 
repetíveis e escaláveis. Comente essas duas características.
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desde sua origem até as abordagens mais utilizadas atualmente. A pri-
meira parte terá como foco o empreendedorismo e os impactos da ação 
empreendedora sobre a sociedade e o indivíduo. Na segunda parte do 
capítulo serão descritas, com base em estudos e pesquisas realizadas em 
diversos países, as características que fazem parte do perfil do indivíduo 
empreendedor, que podem ser desenvolvidas e fortalecidas por meio da 
educação empreendedora. Já a terceira parte abordará o empreendedo-
rismo no Brasil, mostrando legislações, ações, programas e indicadores 
que elucidam a importância dessa atividade na economia do país.
A intensificação do desenvolvimento tecnológico em diversas áreas 
tem causado intensas mudanças na forma como pessoas, empresas, paí-
ses e culturas se relacionam. Assim, a quarta e a quinta partes do capítulo 
terão como foco a inovação e seus impactos sobre o empreendedor, as 
organizações, a economia e a sociedade. Ao fim do capítulo, espera-se 
que o leitor tenha condições de conhecer os conceitos fundamentais de 
empreendedorismo e inovação e perceber como esses conceitos interfe-
rem em sua vida cotidiana e profissional.
10 Empreendedorismo
1.1 Empreendedorismo: conceitos e definições 
Vídeo Para melhor compreender o empreendedorismo, é importante re-
fletir sobre o contexto econômico e social que propicia o impulsiona-
mento das práticas empreendedoras. Nesse sentido, o cenário que se 
apresenta de maneira mais favorável ao empreendedorismo é aquele 
que estimula a existência de empresas que tenham autonomia para 
atuar em um mercado de livre competição, ou seja, um ambiente de 
economia liberal, no qual as práticas empreendedoras são fomenta-
das pelos desafios e pelos riscos da competição, criação e enfrenta-
mento das incertezas impostas aos indivíduos com características 
empreendedoras.
Como destaca Foucault (2008), em uma economia saudável, é in-
dispensável a coexistência de organizações empresariais privadas de 
diversos tamanhos:
as formas “empresa” que não devem, justamente, ser concentra-
das na forma nem das grandes empresas de escala nacional ou 
internacional, nem tampouco das grandes empresas do tipo do 
Estado. É essa multiplicação da forma “empresa” no interior do 
corpo social que constitui, a meu ver, o escopo da política neoli-
beral. (FOUCAULT, 2008, p. 203)
O empreendedorismo não pode ser confundido com inovação ou 
com a capacidade inventiva de um indivíduo. É muito comum encon-
trar o ineditismo inventivo em práticas inovadoras de mercado e vice-
-versa. Entretanto, conforme aponta Tometich (2020):
O que difere o empresário empreendedor do inventor é a capacidade de 
atribuir valor econômico à invenção.
Enquanto a atividade empreendedora tem como um fator definidor 
a criação de valor econômico, as invenções não necessariamente agre-
gam valor econômico.
O empreendedorismo passou a ser estudado a partir do século 
XVIII, tendo Jean-Baptiste Say (1767-1832) como um dos primeiros au-
tores a abordar o tema. Segundo Lago (2018), Say defendia a ideia de 
que os empreendedores, no papel de agentes econômicos, tinham a 
atribuição de promover o equilíbrio do mercado equalizando a oferta 
de produtos e serviços às crescentes demandas do mercado.
Apresentar a evolu-
ção do conceito de 
empreendedorismo.
Objetivo de aprendizagem
Empreendedorismo e inovação 11
O autor mais significativo no desenvolvimento dos estudos do 
empreendedorismo sob a luz da economia é o austríaco Joseph Alois 
Schumpeter (1883-1950), que dedicou grande parte dos seus estudos 
ao tema e chegou ao entendimento de que é natural do empreendedor 
assumir riscos e inovar com vistas a tirar proveito das oportunidades 
ocultas no mercado.
Tometich (2020) afirma que o empreendedorismo ainda não é 
bem compreendido e que buscar o discernimento do seu significado 
conceitual é fundamental para que se possa estudar o tema e apro-
fundar as discussões sobre as características e as competências do 
empreendedor.
Diversos autores conceituam o empreendedorismo com base em 
pontos de vista diferentes. Hisrich, Peters e Shepherd (2014) acredi-
tam que o empreendedor é um indivíduo que está disposto a assu-
mir riscos, utilizando recursos diversos para criar soluções inovadoras 
que possam atender às demandas ou aproveitar a oportunidade de 
mercado.
Já Weyermüller (2017, p. 4) enfatiza a importância da gestão dos fa-
tores de risco enfrentados pelas empresas nos diversos ambientes em 
que elas estão inseridas como elemento-chave do empreendedorismo: 
“Diversos são os fatores de risco para as atividades econômicas, tais 
como conjunturais, políticas fiscais, legais e ambientais. As empresas, 
sejam elas de ramos tradicionais ou criativos, precisam manter um 
abrangente ferramental de gestão do conjunto de riscos aos quais es-
tão sujeitos”.
Para Tometich (2020), embora o conceito de empreendedorismo 
tenha sua origem na economia, não há nessa área um acervo literário 
abundante acerca do tema, talvez pela dificuldade encontrada pelos 
economistas em harmonizar as características empreendedoras co-
nhecidas com os seus modelos teóricos.
Sob a perspectiva da administração, Drucker (2005) defende a rela-
ção incondicional entre o empreendedorismo e as práticas inovadoras, 
o que sob a ótica administrativa distingue o empreendedorismo dos 
demais tipos de negócio, uma vez que, independentemente do setor, o 
empreendedorismo está comprometido com a busca por mudanças e 
com a agregação de valor ao negócio como sendo uma forma de tirar 
proveito das oportunidades.
O livro Empreendedorismo 
Estratégico: criação e ges-
tão de pequenas empresas 
trata dos principais con-
ceitos de empreendedo-
rismo e discute exemplos 
práticos da criação e 
gestão de pequenas 
e médias empresas. 
Os autores também 
abordam ferramentas 
importantes relacionadas 
ao empreendedorismo, 
como planos de negócios, 
legislações e organização 
da empresa.
FARAH, O. E.; CAVALCANTI, M.; 
MARCONDES, L. P. (org.). 2. ed. São 
Paulo: Cengage, 2018.
Livro
12 Empreendedorismo
Tendo como prisma o foco na oportunidade de mercado, na que-
bra de paradigmas quanto à oferta de produtos e serviços e na conse-
quente criação de uma nova estrutura organizacional para apoderar-se 
dessa ocasião, surgiu o olhar mais abrangente sobre a conceituação 
de empreendedorismo defendida por Bygrave e Zacharakis (2008), que 
entendem que o empreendedorismo se dá quando há a criação de 
uma organização específica para alcançar a oportunidade inicialmente 
identificada.
Por outro lado, Caxito (2020a) destaca a possibilidade de o em-
preendedorismo ocorrer dentro de organizações e empresas já estabe-
lecidas. O intraempreendedorismo ocorre quando um profissional com 
características inovadoras e empreendedoras desenvolve novas ideias 
e projetos e busca colocá-los em prática na empresa em que atua.
O entendimento de que o empreendedorismo consiste em criar 
um empreendimento para perseguir uma oportunidade de mercado 
é apoiado pelo movimento Global Entrepreneurship Monitor (GEM), cria-
do em 1999 pelas instituições de pesquisa e ensino Babson College e 
London Business School. O GEM serve para monitorar e identificar os 
motivos que levam o empreendedorismo a ser mais ativo em um país 
do que em outro, considerando aqueles que fazem parte desse movi-
mento – do qual o Brasil é integrante.
O GEM procura medir condições nacionais que julga serem 
capazes de estimular, favorecer (ou dificultar) o processo em-
preendedor como: apoio financeiro; políticas e programas 
governamentais; educação e capacitação; pesquisa e desenvol-
vimento; infraestrutura comercial e profissional; acesso ao mer-
cado; abertura e barreiras para entrada no mercado; acesso à 
infraestrutura física; normas culturais; proteção aos direitos de 
propriedade intelectual. (TOMETICH, 2020, p. 12)
Seja sob a luz da economia ou da administração, os conceitos de 
empreendedorismo estão intimamentehttp://www.anpad.org.br/abrir_pdf.php?e=MjQ3Njg=
http://www.anpad.org.br/abrir_pdf.php?e=MjQ3Njg=
https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0149206311406265
https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0149206311406265
https://periodicos.ucsal.br/index.php/direitosfundamentaisealteridade/article/view/764
https://periodicos.ucsal.br/index.php/direitosfundamentaisealteridade/article/view/764
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 59
3
Planejamento estratégico 
e modelagem de negócios
Para alcançar seus objetivos – seja uma empresa já estabelecida ou 
uma empresa em formação –, é fundamental que se defina claramente a 
estratégia que vai direcionar as ações e as decisões cotidianas dos gesto-
res e colaboradores.
Na primeira parte deste capítulo, será discutido o conceito de estra-
tégia empresarial, desde as origens da palavra até o entendimento 
contemporâneo do termo no contexto da gestão de empresas. Na se-
gunda parte, o tema será a análise do ambiente externo à organização, 
no qual a empresa se insere e que influencia e até mesmo redireciona as 
suas estratégias. Nessa parte, também se abordará o impacto das rápidas 
mudanças tecnológicas, comportamentais e culturais, que são observadas 
nas primeiras décadas do século XXI, sobre as estratégias empresariais.
A terceira parte do capítulo terá como tema o desenvolvimento de 
um plano de negócios, com base na análise do ambiente externo e na 
definição dos objetivos traçados pelo empreendedor ou pelos gestores 
da empresa. Assim, serão apresentadas as várias etapas e tarefas estraté-
gicas a serem desenvolvidas para que a empresa possa desenvolver um 
plano estratégico claro e eficiente.
As diversas ferramentas que ajudam no desenvolvimento dos mode-
los de negócio e no planejamento estratégico serão discutidas na quarta 
parte do capítulo, que apresentará tanto ferramentas mais complexas, 
utilizadas por grandes organizações, como aquelas mais adequadas para 
empresas em formação, com destaque para as ferramentas baseadas em 
novos modelos de negócios. Uma das principais ferramentas para o dese-
nho estratégico, o Canvas, será aprofundada na quinta parte do capítulo, 
devido à sua importância e adequação ao contexto do empreendedorismo.
60 Empreendedorismo
3.1 Estratégia empresarial 
Vídeo O termo estratégia é bastante utilizado no contexto da gestão empre-
sarial, mas, em alguns casos, pode ser empregado de modo equivoca-
do. Segundo Chiavenato e Sapiro (2009), esse vocábulo tem origem na 
palavra grega strategos e se refere a um general no comando de suas 
tropas. A literatura na ciência da administração atribui as responsabi-
lidades das decisões estratégicas à alta administração das empresas, 
mantendo as origens militares do termo, em que essas responsabilida-
des eram dadas aos comandantes dos exércitos.
Os múltiplos cenários de abordagem estratégica no contexto empre-
sarial tornam ainda mais complexa a conceituação desse termo. Dife-
rentes autores que abordam a gestão empresarial apresentam, como 
ponto em comum, a visão de que a estratégia está ligada às vantagens 
competitivas e à construção de valor aos stakeholders da organização.
Barney e Hesterly (2007) destacam que as escolhas estratégicas são 
a base para a sobrevivência das empresas. Já Wright, Kroll e Parnell 
(2014) afirmam que é responsabilidade dos principais gestores empre-
sariais desenvolver, aplicar e controlar as ações práticas que garantam 
que as decisões estratégicas sejam realizadas a contento.
Para Ross e Weill (2020), a atuação do empreendedor é marcada 
por atividades flexíveis e não rotineiras, portanto é importante que a 
empresa tenha fluxos de atividades bem definidos e confiáveis para a 
execução das atividades. Desse modo, os gestores poderão se ater às 
que realmente exigirão sua expertise e capacidade de reflexão para 
tomada de decisões estratégicas.
No cenário competitivo, a sobrevivência de uma empresa – seja ela 
pequena, média ou grande – está relacionada à capacidade de atrair e fi-
delizar os clientes, bem como de lidar com a complexidade de um cenário 
repleto de interferências e transformações políticas, econômicas, cultu-
rais e tecnológicas. Saber lidar com as questões estratégicas é uma das 
principais competências que o empreendedor precisa ter ou desenvolver 
para enfrentar os desafios que se colocam à sua frente e driblá-los.
O advento da tecnologia e a velocidade de transformação que o 
ambiente contemporâneo impõe vêm tornando o cenário competitivo 
cada vez mais dinâmico e instável, o que exige ações estratégicas mais 
Estudar os conceitos de 
estratégia empresarial.
Objetivo de aprendizagem
O vídeo Estratégia empre-
sarial, do canal Fundação 
Dom Cabral, traz uma 
entrevista com o professor 
Ricardo Abdala e aborda 
os desafios que as empre-
sas enfrentam durante o 
processo de formulação 
e implementação das 
estratégias empresariais. 
Abdala também apresenta 
exemplos de linhas estra-
tégicas mais adequadas 
aos diversos objetivos e 
níveis de desenvolvimento 
das empresas.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=e7DZNb81ISg. Acesso em: 
11 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=e7DZNb81ISg
https://www.youtube.com/watch?v=e7DZNb81ISg
https://www.youtube.com/watch?v=e7DZNb81ISg
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 61
flexíveis, que possam ser redirecionadas com frequência e rapidez para 
acompanhar a volatilidade do mercado.
Para Azevedo (2021), a estratégia corporativa é primordial para a 
sobrevivência empresarial e, portanto, precisa ser estudada, analisada, 
planificada e aplicada rotineiramente pelas equipes empresariais, a fim 
de propiciar o desenvolvimento do negócio dentro de um cenário glo-
balizado e competitivo, composto por variáveis incontroláveis, como a 
concorrência e a economia. 
Ruwer, Kleinowski e Souza (2021) listam uma série de atividades e 
tarefas de responsabilidade da alta direção das empresas, com o intuito 
de garantir que as estratégias da organização possam ser cumpridas no 
ambiente no qual estão estabelecidas. Dessa forma, os autores listam 
as seguintes atividades estratégicas:
1ª ATIVIDADE1ª ATIVIDADE
Por primeiro, deve-se, no ambiente externo, identificar e analisar 
se existem oportunidades e ameaças que estejam fora do contro-
le das empresas, mas que impactam os resultados e, então, impõem 
decisões para ações e reações estratégicas com os recursos da própria 
empresa, os quais já estão ao alcance do gestor.
2ª ATIVIDADE2ª ATIVIDADE
Em seguida, é necessário identificar e analisar os pontos fortes e fra-
cos da empresa. Os recursos internos da organização, como suas compe-
tências, suas tecnologias e, principalmente, seus recursos humanos, são 
fundamentais para a sua definição estratégica. Porém, Ruwer, Kleinowski e 
Souza (2021) salientam que esse é um dos pontos mais complexos com o 
qual um empreendedor precisa lidar, pois se trata de considerações subje-
tivas, e o apego às pessoas e à empresa pode interferir em uma avaliação 
mais imparcial e exata, que permite tomar decisões mais neutras e efetivas.
Para realizar a análise dos ambientes externo e interno da organi-
zação, uma das ferramentas mais utilizadas é a análise SWOT. Segundo 
Leite e Gasparotto (2018, p. 185):
62 Empreendedorismo
a Análise SWOT é uma ferramenta estratégica da qualidade, cria-
da em 1960 por Albert Humphrey, e composta por 4 áreas: 2 delas 
são forças e fraquezas e estão relacionadas ao ambiente interno 
e podem ser controladas pela empresa, as demais são oportu-
nidades e ameaças, porém são de ambiente externo e devido a 
essa característica, não podem ser controladas pela empresa.
A sigla SWOT, que dá nome à análise, é composta pelas letras ini-
ciais das palavras strengths (forças) e weaknesses (fraquezas), que estão 
relacionadas a aspectos internos da empresa, e opportunities (oportu-
nidades) e threats (ameaças), que são conceitos relativos ao ambiente 
externo. A figura a seguir mostra a relação entre os ambientes da em-
presae os conceitos da análise SWOT.
Figura 1
Matriz SWOT 
Fonte: Adaptada de Nakagawa, 2011.
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Contribui para a estratégia 
da empresa
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Dificulta a estratégia 
da empresa 
Pontos fortes da 
empresa 
Oportunidades 
para a empresa 
Pontos fracos da 
empresa 
Ameaças para a 
empresa 
S
O
W
T
A análise SWOT é uma ferramenta bastante versátil, que pode ser 
facilmente adaptada a empresas de diferentes tamanhos, que atuam 
em mercados diversos, além de poder ser aplicada sempre que a or-
ganização sentir a necessidade de analisar os impactos de mudanças 
internas e externas que possam afetar sua estratégia. Trevisan, Fialho 
e Coronel (2018, p. 46) apresentam um exemplo de uma análise SWOT 
de uma pequena empresa (Figura 2).
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 63
Figura 2
Matriz SWOT de uma pequena empresa
Fonte: Adaptado de Trevisan; Fialho; Coronel, 2018.
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Pontos fortes
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Pontos fracos
AmeaçasOportunidades
• Networking dos sócios. 
• Estrutura operacional enxuta 
(poucos gastos).
• Formação acadêmica e conhecimento 
da equipe. 
• Diversidade de 
serviços oferecidos. 
• Personalização 
dos serviços. 
• Horários e pacotes de 
serviços flexíveis. 
• Atendimento e pós- 
-vendas diferenciados. 
• Impossibilidade 
temporária 
de contratação. 
• Pouco investimento 
em marketing. 
• Empresa pouco 
conhecida 
no mercado. 
• Baixa conversão 
de clientes.
• Lacunas no 
controle interno. 
• Cenário econômico 
(empresas com pouca 
disponibilidade de capital 
para investimentos). 
• Concorrência 
estabelecida. 
• Cenário econômico 
(empresas necessitam 
reavaliar seus negócios). 
• Parcerias de negócios.
• Abertura do shopping. 
• Amplitude do mercado 
de atuação.
• Concentração do mercado.
• Expansão do mercado. 
3ª ATIVIDADE3ª ATIVIDADE
Após analisar o ambiente externo e o interno, a próxima ativida-
de estratégica é definir a missão da empresa e estabelecer seus 
objetivos. A definição estratégica da missão precisa ir além do quadro 
exposto na recepção da empresa ou no seu site. Mais do que palavras, 
a missão precisa ser disseminada e compartilhada por toda a empresa 
e estar presente na cultura que se estabelece no grupo, para conseguir 
o comprometimento tanto dos colaboradores quanto dos stakeholders, 
em relação aos objetivos da organização.
4ª ATIVIDADE4ª ATIVIDADE
Depois de definir os objetivos e a missão, a atividade seguinte, ainda 
segundo Ruwer, Kleinowski e De Souza (2021), é definir as ações estra-
tégicas a serem implementadas em todos os níveis organizacionais, 
64 Empreendedorismo
considerando a interação entre o ambiente interno e o externo. Os 
autores destacam a importância de serem claros os motivos pelos quais 
as ações estratégicas devem ser realizadas, como forma de incentivar o 
comprometimento e a motivação de todos os envolvidos.
5ª ATIVIDADE5ª ATIVIDADE
Por fim, a implementação das estratégias é a atividade seguinte 
no processo estratégico. Para isso, é fundamental eleger colaborado-
res comprometidos com os resultados para assumir as responsabili-
dades e capitanear o cumprimento das ações estratégias da empresa. 
Os gestores realizam o controle estratégico, por meio de mecanismos 
de controles eficazes, para que os desvios da estratégia da organização 
sejam identificados com a maior brevidade possível, bem como para 
que as ações corretivas sejam tomadas.
Existem diversas ferramentas para mensuração do cumprimento 
das metas, sendo usadas não só para acompanhar os resultados, mas 
também para identificar informações e gerar conhecimentos, visando 
traçar novas metas para períodos futuros.
As ferramentas de mensuração de resultados estratégicos devem 
possibilitar a análise comparativa da empresa com o mercado de 
atuação. Resultados satisfatórios em relação aos objetivos traçados 
podem estar aquém do crescimento do mercado em que a organiza-
ção atua. Nesse contexto, mesmo que o resultado pareça positivo, na 
prática a empresa está em declínio, pois não aproveita todas as oportu-
nidades do mercado.
Desse modo, são diversas as linhas estratégicas que podem ser 
adotadas pelas organizações para atingir seus objetivos. Kotler e 
Armstrong (2014) apontam quatro possibilidades de foco estratégico a 
serem empregadas em situações específicas, de acordo com o cenário 
externo e as competências estruturais da empresa:
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 65
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Estratégia de penetração
Tem como base o foco em seus principais produtos e serviços, com a 
intenção de maximizar as vendas e aumentar a participação no mercado, 
por meio de técnicas de maior divulgação promocionais, agressividade na 
prática de preços e intensificação do relacionamento com o cliente nas 
vendas e no pós-vendas.
Estratégia de desenvolvimento de novos produtos
Usufrui do relacionamento da empresa com os clientes e canais de 
distribuição, por meio de investimentos para a diversificação dos produtos 
novos ou melhorados, com uma nova proposta de valor. Para que essa 
estratégia seja adotada, a organização precisa aportar capital e esforços 
em pesquisa e desenvolvimento para ampliação ou modificação da linha de 
produção e serviços.
Estratégia de desenvolvimento de mercado
Aproveita a diversidade de produtos da empresa para ampliar os 
mercados de atuação não apenas na amplitude geográfica, mas também 
em novos segmentos de clientes – por exemplo, a segmentação de faixa 
etária, idade, posição socioeconômica ou ciclo de vida. 
Estratégia de diversificação 
Está em consonância com a estratégia de modelo de negócio inovador 
e compreende identificar necessidades no mercado e desenvolver 
produtos aderentes a essa necessidade para viabilizar o novo negócio. 
Essa estratégia apresenta um risco mais elevado do que as demais, pelo 
alto grau de incerteza quanto à aceitação do produto e pela capacidade 
de a empresa conquistar novos consumidores e mercados.
1
2
3
4
A estratégia empresarial é um dos temas mais estudados, e a lite-
ratura acadêmica oferece uma gama bastante extensa de estratégias 
possíveis para os mais variados contextos, as quais, para serem apli-
cadas com sucesso, devem ser implementadas de acordo com as ca-
racterísticas principais da empresa, a sua vocação e a sua capacidade 
de implementar as ações e atividades estratégicas.
Escrito por um dos mais 
respeitados especialistas 
em estratégia empresa-
rial, o professor Henry 
Mintzberg, o livro Safári 
da Estratégia: um roteiro 
pela selva do planejamento 
estratégico é considerado 
muito relevante para o 
tema. A obra apresenta 
e discute diversas linhas 
conceituais sobre a 
estratégia, além de 
analisar a adequação da 
estratégia aos objetivos 
dos negócios dos mais 
variados portes.
MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, B.; 
LAMPEL, J. 2. ed. Porto Alegre: 
Bookman, 2010.
Livro
66 Empreendedorismo
3.2 Análise do ambiente externo 
Vídeo Conhecer e entender o ambiente onde a empresa está ou será 
inserida é tão importante quanto ter total controle sobre a linha de 
produção e os processos operacionais da empresa ou, ainda, dominar 
técnicas para desenvolver um produto totalmente inovador, diferente 
de tudo aquilo que já existe, com custo extremamente baixo.
No contexto atual, as interferências propostas pelos vários ele-
mentos que compõem o ambiente externo à empresa, porém onde ela 
está inserida, são muito variadas e cada vez mais mutáveis. Para Kotler 
e Keller (2019), as oportunidades de atuação que se apresentam para 
as empresas são identificadas com base na análise de tendências de 
mercado, que podem ser influenciadas por avanços tecnológicos ou 
mudanças políticas, culturais, demográficas ou comportamentais.
Leite e Gasparoto (2018) destacam que os fenômenos listadosa se-
guir são exemplos de eventos que ocorrem no ambiente externo, sobre 
os quais a empresa não tem qualquer domínio, mas que afetam direta 
ou indiretamente os planos e as estratégias da organização, sendo eles:
os efeitos da globalização, que possibilitam o surgimento acelerado de novas empresas, 
com propostas inovadoras de produtos, serviços e formas de fazer negócios; 
o constante e rápido desenvolvimento das tecnologias de informação e 
de comunicação;
os efeitos climáticos causados pela atividade humana. 
Assim, identificar, acompanhar e analisar esses eventos externos 
é uma preocupação constante dos dirigentes empresariais e dos 
empreendedores, pois é com base nessas análises que serão tomadas 
ações e decisões para lidar com os efeitos do ambiente externo sobre 
a empresa.
Para Wright, Kroll e Parnell (2014), a análise do ambiente externo no 
qual a empresa está ou vai se estabelecer para oferecer seus produtos 
e serviços é fundamental e determinante para o sucesso do empreendi-
mento ou até para a sua sobrevivência em situações mais extremas. Os 
mercados são como organismos vivos, com a participação de diversos 
elementos que interagem e se relacionam entre si, passíveis de mudan-
ças constantes e impossíveis de serem controlados individualmente 
Saber identificar oportuni-
dades de empreendedo-
rismo, com base na análise 
do ambiente externo.
Objetivo de aprendizagem
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 67
por qualquer um dos seus integrantes, uma vez que as ações de uns 
provocam reações em outros e vice-versa.
Para que as empresas, na qualidade de elemento que integra esse 
organismo vivo, sobrevivam ou tenham êxito e sucesso nos seus ne-
gócios, faz-se necessário que estejam atentas às movimentações sistê-
micas desse ambiente. Moura e Azevedo (2021, p. 2) indicam que “a 
competitividade é uma variável que envolve diversos fatores como, 
mudanças de tecnologia, criação de novos produtos e serviços, entre 
outros, mas sempre visando entender as necessidades dos consumi-
dores e analisar as forças e fraquezas da empresa”.
Fernandes e Berton (2005) endossam esse pensamento e destacam 
que a constante análise do ambiente externo pelas empresas é de suma 
importância para que possam buscar meios de identificar antecipada-
mente as oportunidades e ameaças que surgem no decorrer da sua 
trajetória, no sentido de apoiar as decisões estratégicas dos seus diri-
gentes. Já Kotler e Keller (2019) afirmam que o sucesso de uma empresa 
depende tanto de suas competências internas quanto da sua capacida-
de de entender as competências de seus concorrentes e superá-las.
De modo complementar, Chiavenato e Sapiro (2009) ressaltam a re-
levância das análises do ambiente externo como forma de manutenção 
do sucesso do empreendimento. Eles destacam que as forças competi-
tivas do mercado concorrente e os eventos diversos que podem provo-
car situações desfavoráveis para as empresas poderão ser previstos e 
visualizados com antecedência pelas lentes das análises estratégicas, o 
que possibilita à organização utilizar suas forças competitivas para lidar 
com as oportunidades e ameaças externas.
As situações favoráveis e desfavoráveis que podem resultar em 
oportunidades ou ameaças para a empresa são fenômenos ou eventos 
que ocorrem no ambiente externo, sendo comuns a todas as empresas. 
Entretanto, para algumas, os impactos podem ser mais significativos 
do que para outras, ou seja, um evento pode desencadear outra série 
de eventos que afeta diferentemente cada uma delas, dependendo da 
natureza do seu negócio.
Fernandes (2012) aponta que tanto as ameaças quanto as oportu-
nidades atingem todas as organizações por igual, mas causam 
impactos diferentes, que podem chegar a ser diametralmente opostos, 
conforme o nível de preparação para o confronto comercial. Esses 
Produzido pela Netflix, 
o documentário Print 
the Legend aborda o 
desenvolvimento de uma 
tecnologia que propõe 
revolucionar a forma 
como os produtos são 
fabricados e distribuí-
dos: a impressão 3D. 
Além de mostrar como a 
tecnologia pode diminuir 
significativamente o custo 
de desenvolvimento de 
novos produtos e possi-
bilitar a fabricação de 
produtos customizados, 
de acordo com a necessi-
dade e as demandas 
de cada consumidor, o 
documentário aborda o 
empreendedorismo e a 
importância da inovação.
Direção: Luis Lopez; Clay Tweel. 
Produção: Dan O’Meara; Steven 
Klein. EUA: Audax Films; 
Exhibit A, 2014.
Documentário
68 Empreendedorismo
impactos diferentes entre elas são decorrentes do quanto estão pre-
paradas ou não para tirar proveito da situação favorável ou mitigar as 
situações desfavoráveis.
As ferramentas de análise do ambiente externo têm a finalidade de 
permitir que as empresas antevejam a situação e possam se antecipar 
aos impactos negativos ou positivos com a previsão da sua aparição. 
Fernandes (2012, p. 60) destaca que “agir assim demonstra que a orga-
nização está utilizando os conceitos do planejamento estratégico, que 
é o de antecipar-se aos acontecimentos e preparar-se para enfrentá-lo, 
antes mesmo que as competidoras percebam”.
A análise estratégica acompanha a ocorrência dos eventos aconte-
cidos no ambiente externo, de modo a analisar os possíveis reflexos 
que irão provocar situações favoráveis ou desfavoráveis e, conse-
quentemente, sugerir oportunidades ou ameaças. Uma das formas de 
analisar o ambiente externo, para identificar eventos causadores de 
situações favoráveis e desfavoráveis, é dividi-lo em setores, conforme 
sugerem Kotler e Keller (2019), a fim de facilitar a coleta de informações 
ambientais, a avaliação do potencial de mercado e a previsão da de-
manda futura. Os autores sugerem que a análise deve levar em consi-
deração os seguintes fatores:
FORÇAS DEMOGRÁFICASFORÇAS DEMOGRÁFICAS
Os estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 
são um exemplo de força demográfica. Eles mostram como tendência 
para as próximas décadas o envelhecimento da população e a diminui-
ção da quantidade de filhos por mulher (IBGE, 2018), o que pode trazer 
oportunidades de negócios para empresas que atuam no mercado de 
gerontologia e, por outro lado, pode significar riscos estratégicos para 
as que atuam no mercado de produtos infantis.
FORÇAS ECONÔMICASFORÇAS ECONÔMICAS
As crises econômicas, como a ocorrida no ano de 2008, segundo 
Maranho, Fonseca e Frega (2016), são eventos externos fundamentais 
tanto para a economia global e a dos países quanto para o resultado 
das empresas. Para os autores (2016, p. 293), “a compreensão dos efei-
tos das crises sobre o desempenho das firmas pode ajudar a entender 
gerontologia: estudo 
do envelhecimento nos 
aspectos biológicos, psico-
lógicos, sociais e outros.
Glossário
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 69
se o sucesso em momentos de estabilidade econômica também é asse-
gurado em ambientes instáveis e incertos”.
FORÇAS POLÍTICO-LEGAISFORÇAS POLÍTICO-LEGAIS
As legislações, o ambiente político e a estabilidade das instituições 
de Administração Pública podem causar grandes mudanças na econo-
mia e na sociedade de um país, trazendo oportunidades ou ameaças 
para as empresas que atuam no mercado. Segundo Ferreira, Aguiar 
Filho e Ziviani (2019, p.122), “a análise do ambiente político-legal permite 
identificar o impacto que a presença de normas, políticas, certificados e 
leis exercem na competitividade das empresas, tanto em nível nacional 
quanto internacional”. É necessário que os empreendedores acompa-
nhem o cenário político-legal para identificar como as mudanças podem 
impactar a empresa e o mercado no qual esta atua.
FORÇAS SOCIOCULTURAISFORÇAS SOCIOCULTURAIS
O comportamento dos indivíduos e dos grupos sociais, que estão 
em constante evolução e modificação, representam essas forças. 
Para Campos (2020), a análise das tendências socioculturais oferece à 
empresa a possibilidade de definir diretrizes que antecipem mudanças 
que possam impactar seus negócios. 
Como exemplo,há algumas décadas, era comum que as pessoas fu-
massem em ambientes fechados, inclusive em restaurantes, escritórios 
e meios de transporte. O ato de fumar era não apenas aceito na socie-
dade, como também incentivado, por meio de campanhas milionárias 
de publicidade, que ligavam o hábito de fumar a uma vida de aventuras 
e glamour, de acordo com Ricardo et al. (2017). Com a constatação dos 
riscos que o hábito de fumar traz para a saúde, ocorreu uma signifi-
cativa mudança na sociedade, e o cigarro passou a ser visto de modo 
negativo, o que impactou as estratégias das indústrias tabagistas.
FORÇAS TECNOLÓGICASFORÇAS TECNOLÓGICAS
As inovações tecnológicas podem causar grandes mudanças na 
forma como a organização realiza seus negócios, podendo ser apro-
priadas para as empresas, de maneira a lhes proporcionar alguma 
70 Empreendedorismo
vantagem competitiva, ou podem representar riscos, ao substituir 
produtos, serviços ou até mesmo o seu modelo de negócios. Pozzer 
e Cunha (2020) mostram como o mercado de livros brasileiro pas-
sou por uma profunda transformação nas últimas décadas, já que o 
desenvolvimento tecnológico possibilitou a comercialização tanto de 
livros físicos, por meio de lojas virtuais que realizam entregas na re-
sidência do cliente, a um custo mais baixo do que o praticado pelas 
livrarias físicas, quanto de livros em formato digital (e-books), a uma 
fração do custo de um livro impresso.
Para Kotler e Keller (2019), a segregação do ambiente externo em se-
tores permite que o administrador possa se ater mais detidamente à 
busca por eventos específicos, qualificando-os como ameaças ou oportu-
nidades potenciais. A investigação do ambiente externo, com a devida 
coleta de dados para obter análises apropriadas, é tão fundamental 
quanto o acompanhamento e o domínio das rotinas e da performance 
operacional da empresa, para que o empreendedor possa tomar deci-
sões mais assertivas, de modo a fazer com que ela melhore sua capaci-
dade competitiva.
Os efeitos da pandemia causada pelo vírus da covid-19, nos anos de 2020 
e 2021, quanto aos resultados e às estratégias das empresas é o foco do 
artigo Cortar ou investir? Ações estratégicas para enfrentar a crise provocada pela 
Covid-19. Os autores Pinto, Ribeiro, Cirani, Storopoli e Ramos analisam as 
decisões estratégias tomadas pelas empresas como resposta aos impactos 
causados pela pandemia e, principalmente, pela quarentena (colocada 
em prática em diversos países do mundo) na economia, na produção e no 
consumo. O artigo mostra como o ambiente externo influencia diretamente 
as ações estratégicas das empresas.
Acesso em: 11 out. 2021.
https://periodicos.uninove.br/riae/article/view/18391
Artigo
3.3 Plano de negócios 
Vídeo O plano de negócios tem como principal objetivo municiar o 
empreendedor de ferramentas para implementar em seu negócio, com 
menor possibilidade de erro e maior oportunidade de sucesso. Segundo 
Silva Junior et al. (2021 p. 1), “utilizar o Plano de Negócios aumenta as 
chances de sucesso de uma empresa, pois prevê possíveis riscos e 
ameaças e a prepara com uma estruturação que reduza a taxa de erros”.
https://periodicos.uninove.br/riae/article/view/18391
O plano de negócios não é apenas uma ferramenta de estudo 
de viabilidade do modelo de negócio, restrita à fase embrionária; 
ele pode ser usado em vários outros momentos do ciclo de vida da 
empresa, em que seja necessário tomar decisões estratégicas, como 
em reestruturações, fusões, cisões e fases de crescimento. O plano 
de negócios documenta e descreve formalmente os objetivos da em-
presa e os passos que devem ser seguidos para minimizar riscos e 
incertezas.
Para Frederick, O’Connor e Kuratko (2016), o plano de negócios é 
indispensável para um novo negócio, principalmente pela estrutura, 
qualidade e quantidade de informações, análises e projeções sobre 
as considerações financeiras e demais pontos que possam interferir 
positiva ou negativamente no negócio, notadamente por se tratar de 
uma proposta de negócio ainda embrionária. O plano de negócios, 
nesse caso, servirá como suporte para apresentar os potenciais in-
vestidores ao negócio, tendo como principal objetivo fornecer subsí-
dios que permitam uma robusta avaliação de estudo de viabilidade 
e a tomada de decisões estratégicas pelos investidores.
Covello e Hazelgren (2006) evidenciam que o plano de negócios 
também tem o papel de sinalizar alertas aos administradores de que 
os resultados obtidos pela empresa não estão alinhados com os ob-
jetivos planejados. Essa faceta da ferramenta é bastante útil quando 
a empresa não apresenta resultados positivos e é necessário iden-
tificar as causas, que podem ser reconhecidas mais facilmente pe-
las análises contidas no plano de negócios. Logo, tendo como base 
esse plano, é possível diagnosticar as principais forças e fraquezas 
Conhecer o processo de 
desenvolvimento de um 
plano de negócios.
Objetivo de aprendizagem
O livro A construção 
do plano de negócio 
apresenta, de modo 
simples e objetivo, como 
desenvolver um plano 
de negócios adequado 
para o empreendedor 
que busca apresentar 
seu projeto a investi-
dores e ao mercado. 
Traz, também, modelos 
e exemplos práticos de 
como cada uma das 
etapas e partes do plano 
de negócios deve ser 
desenvolvida.
CECCONELLO, A. R.; AJZENTAL, A. 
São Paulo: Saraiva, 2017.
Livro
e determinar a capacidade 
competitiva da empresa e 
como as mudanças de fatores 
do ambiente externo geram 
oportunidades e ameaças. As-
sim, a convergência entre os 
ambientes interno e externo 
pode sinalizar quais cami-
nhos deverão ser trilhados 
para a realização da missão 
da empresa.
Planejamento estratégico e modelagem de negóciosPlanejamento estratégico e modelagem de negócios 7171
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72 Empreendedorismo
Para Dornelas (2012), com base no plano de negócio, serão 
estabelecidas:
as ações específicas de cada área;
os produtos e serviços a serem oferecidos;
o público-alvo;
as condições comerciais;
os recursos a serem utilizados;
os objetivos a serem atingidos.
O grande volume de informações que a empresa coleta, tanto 
interna quanto externamente, durante a execução de suas ativida-
des, permite redirecionar e rever constantemente o plano de negó-
cios. Dornelas (2012) destaca que a elaboração do plano de negócios 
envolve um processo de aprendizagem e autoconhecimento, e permi-
te ao empreendedor e aos gestores direcionar a atuação da empresa 
frente às mudanças do ambiente de negócios.
Diversos modelos de planos de negócios são apresentados por di-
ferentes autores, que podem ser mais ou menos adequados a variados 
tipos de empresas. Frederick, O’Connor e Kuratko (2016) sugerem algu-
mas etapas para a formulação de um plano de negócios. A saber:
SUMÁRIO EXECUTIVOSUMÁRIO EXECUTIVO
Clarifica aos possíveis investidores, empreendedores ou diretores 
sobre: a área de atuação da empresa; o seu posicionamento estraté-
gico, composto por sua visão e missão; o potencial de mercado e os 
produtos relacionados; os recursos necessários para realizar as suas 
atividades e atingir os objetivos; os prazos de retorno do investimento; 
entre outros pontos gerais sobre a atuação da empresa.
APRESENTAÇÃO DA EMPRESA E DESCRIÇÃO DO NEGÓCIOAPRESENTAÇÃO DA EMPRESA E DESCRIÇÃO DO NEGÓCIO
Apresenta as competências e possíveis debilidades da empresa, os 
produtos fabricados ou comercializados, as principais características 
da estrutura e da sua forma de organização, bem como aponta os seus 
pontos fortes e fracos.
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 73
DIAGNÓSTICO ESTRATÉGICODIAGNÓSTICO ESTRATÉGICO
Traça um diagnóstico sobre o ambiente externo onde a empresa 
está inserida, apontando as oportunidades e ameaças que o mercado 
oferece e destacando os fatores legais, econômicos, naturais, socio-
culturais, tecnológicos, entre outros (PORTO, 2013). Essa parte conta, 
também, com uma análise do mercado, de sua segmentação e do nível 
de conhecimento e domínioque a empresa tem sobre ele, além de 
explicar o posicionamento atual e o pretendido por ela.
PLANO ESTRATÉGICOPLANO ESTRATÉGICO
Detalha como a empresa pretende alcançar seus objetivos e qual 
é o caminho entre o ponto atual e a posição de mercado desejada 
(DORNELAS, 2012). Nessa parte do plano de negócios, são detalhados 
produtos, serviços, preços, custos, estruturas de fabricação e venda e 
distribuição necessárias para que o objetivo estratégico seja alcançado. 
Ainda, são identificados consumidores e clientes, nichos de mercado, 
público-alvo e suas necessidades e o comportamento de compra.
PLANO DE OPERAÇÃO E DE PRODUTOPLANO DE OPERAÇÃO E DE PRODUTO
Serve para detalhar as funções, as atividades e os objetivos das 
áreas-chave da empresa, explicando as condições operacionais do 
projeto, os recursos e as estruturas envolvidas (FREDERICK; O’CONNOR; 
KURATKO, 2016).
PLANO DE MARKETINGPLANO DE MARKETING
Apresenta o potencial de mercado, as projeções de vendas, o posicio-
namento frente aos concorrentes e a forma como a receita será gerada.
ESTUDO DE VIABILIDADE FINANCEIRA E ECONÔMICAESTUDO DE VIABILIDADE FINANCEIRA E ECONÔMICA
Mostra as projeções financeiras e de vendas e a rentabilidade, justi-
ficando a viabilidade por meio da dimensão do mercado, da necessi-
74 Empreendedorismo
dade e da segmentação do público-alvo e dos pontos fortes e fracos 
frente aos resultados das análises do ambiente externo.
Essas etapas propostas por Frederick, O’Connor e Kuratko (2016) 
não são obrigatórias, mas o modelo de plano de negócios apresentado 
por eles reúne características e etapas citadas por diversos autores. 
Porém, cada organização apresenta características diferentes, espe-
cialmente no caso de empresas em processo de estruturação. Assim, 
o empreendedor, ao elaborar o plano de negócios, para a implanta-
ção de sua empresa, pode ampliar ou segregar a abordagem do pla-
no, bem como aprofundar aqueles pontos mais relevantes para o seu 
negócio e tratar, de modo mais superficial, os passos que entenda de 
menor importância, sempre levando em conta o modelo de negócio 
que pretende criar ou as dimensões da empresa que administra, para 
que possa extrair os melhores resultados da ferramenta.
3.4 Ferramentas de modelagem de negócio 
Vídeo Os modelos tradicionais de plano de negócios, apesar de serem uma 
ferramenta amplamente utilizada tanto por empreendedores quan-
to por empresas já estabelecidas, nem sempre conseguem atender 
às necessidades de planejamento dessas organizações, devido à alta 
complexidade e ao dinamismo do mundo dos negócios. À medida que 
as empresas de diversos países passaram a atuar de modo global e 
que o desenvolvimento cada vez mais acelerado das tecnologias da 
informação e da comunicação trouxe, com incrível velocidade, inova-
ções que modificaram a forma de produção e distribuição de produtos, 
as empresas precisaram buscar modelos mais dinâmicos e flexíveis de 
plano de negócios. Como destacam Pinheiro et al. (2017, p. 5):
o atual mundo globalizado e competitivo demanda estratégias 
diferenciadas para as empresas conseguirem se manter no mer-
cado, considerando que as exigências aumentam cada vez mais. 
Há uma grande preocupação em satisfazer consumidores que 
procuram maior qualidade e variedade de produtos, com preços 
mais acessíveis, contando com baixos custos de produção para 
assim, garantir boa lucratividade.
Pela própria natureza de alto risco de um negócio em seus estágios 
iniciais, os planos de negócios para implantação de um novo empreendi-
mento apresentam falhas e pontos a serem definidos e corrigidos, à me-
Entender as ferramentas 
de modelagem de 
negócios e o seu uso 
no empreendedorismo.
Objetivo de aprendizagem
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 75
dida que os negócios tomam corpo e as hipóteses idealizadas no plano 
de negócios são colocadas à prova em ambiente competitivo. Porém, um 
plano de negócios inicial, que está muito desalinhado com a prática e a 
realidade do mercado, pode levar a altos custos para ajustes e, até mesmo, 
comprometer a continuidade do negócio. As propostas de modelagem 
de negócio, com ferramentas dinâmicas que levem em consideração a 
imprevisibilidade e as incertezas inerentes à ação empreendedora, possi-
bilitam à empresa prever maior quantidade de ambiguidades e ajuda a 
manter o foco nas demandas e nos desejos dos clientes.
Blank (2007) aponta que os modelos tradicionais de planos de ne-
gócio não se mostram tão eficazes para um projeto de empresa em 
mercados instáveis quanto são em mercados menos turbulentos. De 
modo semelhante, os modelos tradicionais de planos de negócio são 
mais adequados a situações em que a empresa está consolidada, mas 
podem não ser tão apropriados para uma organização em estágio ini-
cial ou em momento de reestruturação para se adequar ao mercado 
de alguma forma, bem como para aquela que busca ampliar sua par-
ticipação no mercado, com abertura de novas filiais, novas linhas de 
produtos ou novos mercados, ou, ainda, que pretende participar de 
processos de fusão com outras organizações. Para o autor, nesses ca-
sos, o ideal é que seus administradores se apropriem de uma ferra-
menta de modelagem de negócio antes de partir para a elaboração do 
plano de negócios de modo mais estruturado.
As ferramentas de modelagem de negócios conseguem expressar a ló-
gica de negócios inovadores em mercados de alto risco e incertezas, como 
mecanismo de legitimação dos conceitos e das ideias em torno de uma 
geração de valor para o cliente. Nagamatsu, Barbosa e Rebecchi (2013) 
corroboram o entendimento de Blank (2007) ao reforçar a ideia de que 
é fundamental o emprego de ferramentas que auxiliam na modelagem 
de negócios inovadores para o sucesso das organizações que pretendem 
se lançar em mercados mais instáveis e daquelas que navegavam em 
mercados estáveis, mas que passaram a apresentar dificuldades, ao se 
depararem com mudanças provocadas por movimentações no ambiente 
externo, de modo que precisam passar por ajustes.
Segundo Eisenmann (2011), o diferencial de atratividade do negócio iso-
ladamente não é o suficiente para que se tenha uma proposta de modelo 
de negócio de sucesso ou se assegure que o negócio será bem-sucedido. 
O autor sugere reunir um grupo multidisciplinar de gestores que contri-
O Vídeo Plano de 
negócios: 9 ferramentas 
incríveis para turbinar seu 
plano, do canal Blog Abri 
Minha Empresa, aborda 
algumas das principais 
ferramentas utilizadas 
para estruturar um plano 
de negócio, de modo a 
tornar o empreendimento 
mais consistente. O 
vídeo apresenta diversas 
ferramentas, como análise 
SWOT, forças competitivas 
de Porter, cadeia de valor, 
metas Smart, ciclo de vida 
do produto e ferramentas 
financeiras. Cada uma 
dessas metodologias 
de estudos e análise do 
negócio tem um papel 
importante na gestão de 
um negócio.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=a-
9Sx3nVzS4. Acesso em: 
11 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=a-9Sx3nVzS4
https://www.youtube.com/watch?v=a-9Sx3nVzS4
https://www.youtube.com/watch?v=a-9Sx3nVzS4
76 Empreendedorismo
buam ativamente com a indicação dos tipos de competências necessárias 
para a proposta de valor e apresentem ideias de fontes para as arrecada-
ções de capital, bem como as estruturas que serão base para a construção 
dessa proposta de valor, os custos e as fontes de receitas, entre outros 
componentes fundamentais para a modelagem do negócio.
Existe uma série de ferramentas disponíveis aos empreendedores, 
algumas sugeridas pelas entidades patronais – organizações como Fe-
deração das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Federação das 
Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Câmara de Diri-
gentes Lojistas (CDL) etc. – e outras por consultorias especializadas em 
apoiar organizações já formadas ou em criação. Dentre elas, podem ser 
citadas, a título de ilustração:
 • Sebrae Canvas (https://sebraecanvas.com/);
 • Web2Canvas (http://www.x4start.com/portfolio-web2canvas.html);• Strategyzer (https://www.strategyzer.com/);
 • Canvanizer (https://canvanizer.com/);
 • Lean Monitor (http://www.leanmonitor.com/).
Dentre as diversas ferramentas gratuitas e adequadas à formação 
de um novo negócio, destaca-se, pela sua simplicidade de uso e ade-
quação à realidade brasileira, a ferramenta Sebrae Canvas, baseada no 
modelo Canvas, desenvolvido por Osterwalder e Pigneur (2011). Essa 
ferramenta possibilita o uso colaborativo de uma equipe multidiscipli-
nar e orienta os passos necessários para que o empreendedor possa 
desenvolver seu plano de negócios.
3.5 Business Model Canvas 
Vídeo Alex Osterwalder defendeu seu doutorado na Universidade de 
Lausanne, na Suíça, com o trabalho The Business Model Ontology: a pro-
position in a design science approach (em tradução livre, Antologia de Mo-
delo de Negócio: uma proposição na abordagem da ciência do design), 
no qual desenvolveu um modelo de planejamento de negócios, ao qual 
deu o nome de Business Model Canvas (OSTERWALDER, 2004). Na visão 
de Machado e Bezerra (2015), o Business Model Canvas, embora não 
seja a única, é a ferramenta de maior prestígio por espelhar complexos 
Conhecer a ferramenta 
Business Model 
Canvas na criação de 
novos negócios.
Objetivo de aprendizagem
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 77
fluxos operacionais e gerenciais de modo bastante didático, que propi-
cia simplicidade na compreensão.
Segundo Aveni (2020), o plano de negócios e o Business Model 
Canvas são ferramentas que se completam, com finalidades diferentes 
e aplicação em momentos distintos, mas que têm o mesmo objetivo de 
apresentar didaticamente e visualmente a proposta de valor do negó-
cio, com toda sua estrutura e comprovação de viabilidade. Enquanto 
o Business Model Canvas é orientado a uma explicação visual, o plano 
de negócios é mais detalhado. Ainda, o primeiro pode servir como guia 
para uma apresentação breve, e o segundo é fundamental para deci-
sões de investimento ou de financiamento (AVENI, 2020).
Silva Filho et al. (2018) apontam a agilidade para o lançamento de 
estratégias, a interatividade entre as diversas áreas da empresa, com 
uma visão holística do negócio, a melhoria da comunicação e da produ-
tividade e a facilitação do processo de gestão dos projetos como algu-
mas das vantagens proporcionadas pelo Business Model Canvas.
O Business Model Canvas se baseia no entendimento da ideia 
central do modelo de negócio proposto, com uma rápida e simples 
observação visual de um quadro que contém a descrição do negócio 
e as partes que o compõem, desenvolvido com base em respostas 
relacionadas a clientes, oferta, infraestrutura e viabilidade financeira, 
conforme ilustrado na figura a seguir.
Figura 3
Modelo Business Model Canvas
Parcerias 
principais 
Atividades 
principais 
Proposta de valor Relacionamento 
com o cliente
Segmento de 
clientes
Canais
Fontes de receitasEstrutura de custos
Como? 
O que?
Para quem?
Quanto?
Recursos 
principais
Viabilidade financeira
Infraestrutura Oferta Cliente
Fonte: Adaptada de Osterwalder; Pigneur, 2011.
Escrito pelo criador do 
próprio modelo, Alex 
Osterwalder, com Yves 
Pigneur, o livro Business 
Model Canvas é um ma-
nual, com o passo a passo 
de como utilizar o modelo 
para desenvolver o plano 
de um negócio. Com um 
formato inovador, a obra 
é repleta de exemplos e 
dicas de uso.
OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Rio 
de Janeiro: Alta Books, 2020.
Livro
78 Empreendedorismo
Assim, o quadro a seguir apresenta de modo resumido as 
perguntas-chave que orientam o preenchimento de cada um dos 
campos do Business Model Canvas.
Como faço? O que faço? Para quem?
PARCERIAS PRINCIPAIS 
Quais são os princi-
pais parceiros para o 
modelo de negócio?
Entidades que não 
integram a empresa 
formalmente, mas 
contribuem direta ou 
indiretamente com a pro-
posta de valor, incluindo 
fornecedores, transporte, 
limpeza, entre outros.
ATIVIDADES PRINCIPAIS 
Quais são as ativida-
des para proposta 
de valor?
A empresa desenvolver, 
produzir, comercializar 
e entregar a proposta 
de valor.
PROPOSTA DE VALOR 
Qual proposta de 
valor será entregue 
ao cliente?
Um conjunto de 
benefícios intangíveis 
proporcionados, que 
poderão ser notados 
pelo público-alvo 
desde o momento que 
iniciar o contato com 
o modelo de negócio 
até a utilização dos 
produtos e/ou serviços, 
por meio de suas 
percepções sensoriais.
 
RELACIONAMENTO 
COM O CLIENTE
Quais tipos de rela-
cionamento serão 
desenvolvidos com 
o cliente?
Um relacionamento 
que possa fidelizar, 
conquistar ou resga-
tar clientes.
SEGMENTOS DE 
CLIENTES 
Para qual 
público-alvo o mode-
lo de negócio irá 
criar valor?
Grupos de clientes 
prioritários que pode-
rão ter mais afinidade 
com os produtos e/ou 
com os serviços que 
serão oferecidos.
RECURSOS PRINCIPAIS
Quais são os recursos 
necessários para 
realizar a proposta 
de valor?
Estruturas físicas e 
intelectuais necessárias 
para cumprir a proposta 
de valor.
CANAIS
Quais canais 
para comunicar, 
comercializar e 
entregar a proposta 
de valor?
Exemplo: canais digi-
tais, presenciais, lojas 
físicas etc.
Quanto?
ESTRUTURA DE CUSTOS
Quais são os principais custos relacionados ao modelo 
de negócios proposto?
Custos envolvidos para proposição, implantação e manutenção operacional do 
modelo de negócios. A disposição da relação em ordem decrescente facilitará a 
organização da lista e a análise.
FONTES DE RECEITA
Qual preço e meios de pagamentos serão 
propostos para o negócio?
Provenientes da venda do produto ou serviços 
principais, adicionais, modulares ou comple-
mentares. É importante ter em evidência qual 
é a percepção de valor para o público-alvo e 
quantificá-las em unidades monetárias.
Fonte: Adaptado de Osterwalder; Pigneur, 2011.
A versatilidade do Business Model Canvas para modelagem de ne-
gócios é comprovada pela sua aplicação em diversos setores com a 
mesma facilidade. Fiuza e Oliveira (2021) realizaram um estudo com di-
versas empresas que utilizaram esse modelo e concluíram que se trata 
de uma ferramenta moderna e estratégica, que pode ser utilizada para 
otimizar os resultados, especialmente em empresas que atuam na área 
de serviços e tecnologia. Para Veras (2016), outras ferramentas e mo-
Quadro 1
Benefícios do planejamento estratégico
O uso do Business Model 
Canvas para desenvolver um 
plano de negócios para uma 
nova empresa é o tema do 
vídeo CANVAS como fazer seu 
modelo de negócio – SEBRAE, 
do canal Sebrae Talks.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=Ly7-
h532K_4. Acesso em: 11 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=Ly7-h532K_4
https://www.youtube.com/watch?v=Ly7-h532K_4
https://www.youtube.com/watch?v=Ly7-h532K_4
Planejamento estratégico e modelagem de negócios 79
delos podem ser usados de maneira conjunta com o Business Model 
Canvas, como o Project Model Canvas (PMC) e o Life Cycle Canvas (LCC).
Para que se possa desenvolver planos de negócio inovadores utili-
zando as ferramentas disponíveis, é fundamental que o empreendedor 
se capacite, para que se aproprie do conhecimento técnico, teórico e 
prático, a fim de que a empresa possa ter sucesso em um mercado 
cada vez mais competitivo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Empreender é um grande desafio, pois o empreendedor precisa lidar 
com uma grande quantidade de variáveis internas e externas à empresa 
que pretende desenvolver, as quais podem impactar o alcance dos objeti-
vos preestabelecidos. Uma forma de entender melhor os desafios, os riscos 
e as oportunidades é realizar uma análise estratégica que leve em conta 
todas as possíveis interações entre as forças e fraquezas da empresa, com 
as oportunidades e ameaças existentes no ambiente externo.
Com base em uma análise bem detalhada, o empreendedor pode de-
senvolver um plano de negócios que considere tanto os riscos quanto as 
oportunidades. Dentre os diversos modelos de planos de negócios que 
podem ser utilizados, o Business Model Canvas é um dos mais adequados 
para uma empresa nascente,pela sua simplicidade e sua capacidade de 
representar os mais diversos aspectos do negócio.
ATIVIDADES
Atividade 1
Por que é importante para a empresa ter uma estratégia bem 
definida de atuação no mercado?
Atividade 2
Explique a importância do uso de ferramentas de mensuração 
para o acompanhamento do cumprimento das metas definidas 
no planejamento estratégico.
Atividade 3
O que são oportunidades e ameaças no contexto do plane-
jamento estratégico?
80 Empreendedorismo
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https://periodicos.udesc.br/index.php/modapalavra/article/view/6206
https://periodicos.ufba.br/index.php/pculturais/article/view/35309/21212
http://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rel/article/view/1342
https://www.periodicos.ufes.br/bjpe/article/download/33528/23139/105092
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https://www.redalyc.org/jatsRepo/810/81058962003/81058962003.pdf
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https://unisalesiano.com.br/aracatuba/wp-content/uploads/2021/06/Artigo-A-Importancia-do-Plano-de-Negocios-como-Ferramenta-para-Estruturacao-Empresarial-Pronto.pdf
Gestão financeira para o empreendedor 83
4
Gestão financeira para 
o empreendedor
Uma parte fundamental do planejamento estratégico é o plano financeiro 
do projeto, seja qual for o modelo de negócio utilizado na criação de um pro-
jeto empreendedor ou a proposição de um modelo de negócio inovador a ser 
incluído no portfólio de negócios de uma empresa já consolidada.
O conhecimento sobre a gestão financeira da empresa é uma das 
competências fundamentais para o empreendedor. Neste capítulo serão 
abordados os principais conceitos relacionados à gestão financeira das 
empresas nascentes ou baseadas em inovações de modelos de negócios 
disruptivos. Na primeira parte do capítulo serão apresentados alguns dos 
indicadores mais utilizados na gestão financeira, especialmente aqueles 
relacionados à análise de planos de negócios de novas empresas, com 
exemplos de como calcular cada indicador.
A segunda parte abordará o gerenciamento dos riscos e incertezas que 
envolvem a atividade empreendedora, assim como indicadores de retorno 
e custo de capital, temas essenciais para que o empreendedor possa au-
mentar as chances de sucesso de um novo negócio. O tema será aprofun-
dado na terceira parte do capítulo, que apresenta as diversas modalidades 
e fontes de financiamento e de atração de capital, fator fundamental para a 
instalação e para o crescimento da empresa.
A gestão dos custos da empresa, que é apontada por diversos estudos 
como um dos maiores responsáveis pelo insucesso de novas empresas, 
será abordada na quarta parte e complementada pela parte final, que 
apresenta os principais conceitos e estratégias de precificação, em que 
se discute a diferença entre preço e valor, tema essencial para que as 
empresas possam capturar todo o seu potencial de ganhos ao realizar 
suas atividades e disponibilizar seus produtos e serviços ao mercado 
consumidor.
4.1 Fundamentos da administração financeira 
Vídeo O plano financeiro do projeto é uma parte fundamental do plane-
jamento estratégico, seja qual for o modelo de negócio utilizado na 
criação de um projeto empreendedor ou a proposição de um modelo 
de negócio inovador a ser incluído no portfólio de negócios de uma 
empresa já consolidada.
Uma das principais intenções de um empreendimento é alcançar 
bons resultados econômico-financeiros por meio da comercialização 
dos produtos e serviços e estabelecer uma posição sólida no mercado. 
Além de retornar o investimento necessário para a abertura do negó-
cio, espera-se que o empreendimento proporcione o retorno financei-
ro esperado pelos investidores.
Ross et al. (2013) apontam que, em geral, nas grandes empresas 
não são os proprietários ou empreendedores que estão à frente da 
gestão administrativa ou financeira, sendo comum a contratação de 
profissionais capacitados para a função. Por outro lado, no caso das 
pequenas empresas e empresas em fase de implantação, em geral é o 
próprio empreendedor que realiza as atividades de gestão financeira. 
Assim, é fundamental que o indivíduo que busca empreender conheça 
os fundamentos básicos da administração financeira.
Apresentar os funda-
mentos da administração 
financeira e seu uso em 
novas empresas.
Objetivo de aprendizagem
Figura 1
Resultados econômicos
G-
St
oc
k 
St
ud
io
/S
hu
tte
rs
to
ck
G-
St
oc
k 
St
ud
io
/S
hu
tte
rs
to
ck
 Para que o negócio seja viável 
do ponto de vista financeiro, 
o retorno sobre o investimento e os 
resultados econômicos precisam 
acontecer dentro do tempo previsto 
no planejamento. Por isso, a gestão 
financeira do negócio precisa ser 
controlada atentamente, com o 
uso de indicadores financeiros 
que possam ser acompanhados 
regularmente.
8484 EmpreendedorismoEmpreendedorismo
Gestão financeira para o empreendedor 85
Ainda segundo Ross et al. (2013, p. 2), ao realizar o planejamento fi-
nanceiro do negócio que pretende iniciar, o empreendedor precisa en-
contrar respostas para algumas questões fundamentais a respeito dos 
fluxos econômicos e financeiros do empreendimento: “quais investi-
mentos de longo prazo você deve fazer? Onde você conseguirá o inves-
timento de longo prazo para pagar o investimento? Como administrará 
suas atividades financeiras diárias, tais como cobrança dos clientes e 
pagamento dos fornecedores?”
Para realizar a análise da viabilidade financeira do negócio, existem 
diversos indicadores e métricas financeiras que podem ser utilizadas. 
Brigham e Ehrhardt(2016) indicam alguns dos principais indicadores, 
que serão apresentados a seguir.
4.1.1 Valor Presente Líquido (VPL)
O VPL é um indicador financeiro que tem a finalidade de calcular 
o valor presente do resultado da somatória do fluxo de caixa 1 que o 
negócio conseguirá obter em determinado período, normalmente em 
um ano. Como explicam Rocha e Britto (2018, p. 424): “o VPL indica o 
quanto o projeto gera periodicamente de valor, em dinheiro, acima do 
custo de investimento, durante o seu respectivo horizonte de tempo”.
Esse indicador financeiro possibilita a aferição do desempenho 
econômico-financeiro dos investimentos realizados para dar início ao 
negócio, retratando o quanto o investimento no modelo de negócio 
irá gerar em dinheiro no período calculado, em relação ao valor atual 
do investimento. A fórmula de cálculo do VPL, segundo Rocha e Britto 
(2018), é dada pela seguinte equação:
VPL = VP(FC) – VP(I)
Em que:
VPL = Valor Presente Líquido.
VP(FC) = Valor Presente dos Fluxos de Caixas livres futuros esperados.
VP(I) = Valor Presente do Custo do Investimento.
A tabela a seguir mostra o exemplo de cálculo simplificado do VPL 
em dois diferentes cenários, em um projeto fictício de investimento, 
desenhado com fins didáticos.
O uso das demons-
trações financeiras da 
empresa como fonte 
de informações para o 
cálculo de indicadores do 
desempenho do negócio 
é o foco do livro Análise de 
demonstrativos financeiros 
e da performance empre-
sarial: para empresas não 
financeiras, que mostra as 
etapas necessárias para 
interpretar os dados dos 
documentos contábeis, 
como o balanço e os 
demonstrativos de resul-
tados do exercício, e é 
leitura fundamental para 
quem deseja entender os 
indicadores financeiros 
das organizações.
MÁLAGA, F. K. 3. ed. São Paulo: 
Saint Paul, 2019.
Livro
fluxo de caixa: repre-
senta as entradas e 
saídas decorrentes dos 
recebimentos e pagamen-
tos realizados por uma 
empresa em determinado 
período. Um fluxo de 
caixa positivo significa que 
as entradas no período 
foram maiores do que as 
saídas de caixa. Já um flu-
xo de caixa negativo ocor-
re quando os pagamentos 
superam os recebimentos 
no período.
1
86 Empreendedorismo
Tabela 1
Cálculo do VPL
Caso A Caso B
Valor do investimento VP(I) 1.000.000,00 1.000.000,00
Geração de caixa
Mês 1 125.000,00 75.000,00
Mês 2 125.000,00 75.000,00
Mês 3 125.000,00 75.000,00
Mês 4 125.000,00 75.000,00
Mês 5 125.000,00 75.000,00
Mês 6 125.000,00 75.000,00
Mês 7 125.000,00 75.000,00
Mês 8 125.000,00 75.000,00
Mês 9 125.000,00 75.000,00
Mês 10 125.000,00 75.000,00
Mês 11 125.000,00 75.000,00
Mês 12 125.000,00 75.000,00
Valor presente do caixa gerado VP(FC) 1.500.000,00 900.000,00
VPL = VP(FC) – VP(I) 500.000,00 -100.000,00
Fonte: Elaborada pelo autor.
No exemplo da tabela, o Caso A mostra um VPL positivo, portanto 
o investimento é economicamente viável. No Caso B, o VPL é negativo, 
o que indica que o investimento não será retornado no período dese-
jado. A tabela apresenta uma versão bastante simples do cálculo, pois 
não leva em consideração as taxas de juros e de inflação no período, 
que podem alterar os valores do fluxo de caixa.
A vantagem de utilizar o índice VPL para calcular a viabilidade fi-
nanceira de um empreendimento é a possibilidade de se identificar o 
valor do dinheiro ao longo do tempo. Já a desvantagem desse cálcu-
lo é a necessidade de a previsão de fluxo de caixa ser muito precisa, 
pois essa informação é fundamental para que se obtenha um indicador 
confiável.
4.1.2 Taxa Interna de Retorno (TIR)
A TIR é bastante utilizada por investidores e empreendedores para 
identificar se o investimento é financeiramente interessante. O indicador 
representa o valor percentual correspondente a quanto o projeto trará 
de retorno monetário em relação ao capital investido. Segundo Ambrosi 
Gestão financeira para o empreendedor 87
e Cruz (2019), a TIR é calculada igualando-se o VPL de determinado pe-
ríodo a zero 2 , o que permite encontrar o valor percentual do retorno 
obtido pelo investimento inicial. O cálculo da TIR é feito pela fórmula:
VP capital
F
i
t
t
t
N
� �
��
� 
( )11
Em que:
VP = Valor presente do fluxo de caixa.
Capital = valor investido (deve ser considerado como valor negativo).
F = Fluxos de caixa do período.
t = tempo de investimento.
i = período de cada investimento.
N = período final do investimento.
Σ = somatório dos fluxos de caixa de todos os períodos.
Apesar de a fórmula parecer complexa, o resultado da TIR pode ser 
obtido de modo mais simplificado, dividindo-se o VPL pelo investimen-
to inicial. Utilizando os dados do cálculo do VPL, a tabela a seguir mos-
tra o cálculo da TIR dos dois casos usados como exemplo.
Tabela 2
Cálculo da TIR
Caso A Caso B
VP(I) 1.000.000,00 1.000.000,00
VP(FC) 1.500.000,00 900.000,00
VPL = VP(FC) – VP(I) 500.000,00 -100.000,00
TIR = VPL/VP(I) 50,0% -10,0%
Fonte: Elaborada pelo autor.
A tabela mostra que no caso A a TIR é de 50%, pois sobre um investi-
mento inicial de R$ 1.000.000,00 se obteve um retorno de R$ 500.000,00. 
No caso B, a TIR é negativa, mostrando que o empreendimento não tem 
a capacidade de retornar o investimento inicial, apresentando um pre-
juízo de R$ 100.000,00. Para efeito de avaliação, quanto maior o valor 
percentual obtido, maior será a taxa de retorno do investimento e mais 
interessante será o projeto, do ponto de vista econômico. Salienta-se 
que a tabela usada como exemplo não leva em consideração taxas de 
juros e de inflação no período e retorno desejado sobre o capital, que 
período zero: quando se 
iguala o valor presente 
líquido a zero, o resultado 
obtido pela fórmula repre-
senta o resultado da taxa 
de retorno do investimen-
to, ou seja, do resultado 
total obtido pela empresa 
por meio do projeto; 
retira-se o investimento 
inicial e o que resta é o 
lucro do projeto.
2
88 Empreendedorismo
são fatores importantes a serem considerados em uma situação real 
de cálculo da TIR.
O indicador TIR possibilita que sejam comparados diversos projetos 
e empreendimentos diferentes para identificar qual deles é financei-
ramente mais viável. Como desvantagem, o indicador TIR analisa ape-
nas o retorno financeiro, não considerando outros riscos inerentes ao 
investimento, que devem ser levados em consideração na decisão do 
empreendedor.
4.1.3 Índice de Lucratividade (IL)
O IL verifica o ganho que uma empresa consegue gerar com a sua 
atividade e apura se os investimentos feitos parcialmente no empreen-
dimento irão efetivamente apresentar lucro ao longo do tempo. Dife-
rentemente dos indicadores anteriores, esse cálculo leva em conta os 
desembolsos de capital dos investidores periodicamente para uso no 
projeto e considera o valor do dinheiro ao longo do tempo. Para Za-
nella et al. (2020), o IL é usado para aferir a capacidade econômica do 
empreendimento, considerando o retorno obtido sobre o capital inves-
tido. O cálculo do IL é dado pela fórmula:
Índice de Lucratividade (%) = (lucro do período / receita do período)
Segundo Assaf Neto e Lima (2009), dois importantes indicadores 
para a análise dos resultados da empresa estão relacionados ao cálcu-
lo do IL. São eles:
 • o ROA (Return Over Assets ou Retorno sobre Ativos);
 • o ROE (Return Over Equity ou Retorno sobre Patrimônio Líquido).
Calculados com as fórmulas:
ROA = lucro líquido / total do ativo
ROE = lucro líquido / patrimônio líquido
A vantagem da utilização do IL é a possibilidade de acompanhar a 
valorização do dinheiro ao longo do tempo, o que permite que seja 
usado para projetos com aporte de capital de modo parcelado pelos in-
vestidores. Como desvantagem, o indicador só pode ser usado em em-
presas já estabelecidas, não sendo adequado para análises de projetos 
de novos empreendimentos. Por essa razão, não serão apresentados 
Gestão financeira para o empreendedor 89
cálculos dos casos usados como exemplo nos indicadores anterior-
mente discutidos.
4.1.4 Payback
O índice de paybacké utilizado para verificar o período entre a data 
da efetivação do investimento e a data do retorno do valor investido, 
ou seja, o tempo necessário para o investidor obter de volta seu capital 
inicial. Segundo Dominguez (2000), o indicador avalia a atratividade de 
um investimento, e a avaliação da viabilidade do negócio vai depender 
do tempo que o investidor está disposto a esperar para ter seu retorno 
do capital, em comparação com outras possibilidades e oportunidades 
de investimentos. O cálculo do payback é dado pela fórmula:
Payback = investimento inicial / resultado do período
Utilizando os dados da empresa didática, apresentados nos indica-
dores anteriormente calculados, a tabela a seguir mostra o cálculo do 
payback do investimento, considerando o VPL como resultado no perío-
do, para efeitos de simplificação do cálculo.
Tabela 3
Cálculo do payback
Situação A
Investimento 1.000.000,00
VPL 500.000,00
Payback (VPL/Investimento) 2
Fonte: Elaborada pelo autor.
Os dados apresentados mostram que serão necessários dois perío-
dos (no caso do exemplo, o período considerado é de 1 ano) para que o 
investidor obtenha o retorno de seu investimento inicial.
As principais vantagens da utilização do indicador são a facilidade 
de cálculo e a possibilidade de verificar o nível de liquidez ocorrido no 
fluxo de caixa. Como desvantagem, o payback não considera o fluxo de 
caixa após o período de recuperação e não leva em conta o custo do 
dinheiro ao longo do tempo.
Cada um dos indicadores possibilita analisar um aspecto do projeto 
de investimento ou empreendimento. Assim, é necessário lançar mão 
de um conjunto de indicadores para que se possa alcançar uma análise 
financeira consistente para verificar a viabilidade do negócio.
90 Empreendedorismo
4.2 Risco, retorno e custo de capital 
Vídeo O gerenciamento de riscos tem papel fundamental para os negó-
cios, pois o mercado empresarial é marcado por elevados riscos e in-
certezas que envolvem os cenários econômico, financeiro, político e 
social. O risco é ainda mais acentuado para novas empresas, principal-
mente aquelas baseadas em novos modelos de negócio ou em inova-
ções. Para Stocker et al. (2019, p. 2.626): “empresas que tendem a criar 
negócios disruptivos influenciados pelas oportunidades geradas pelos 
avanços tecnológicos, estão envolvidas em um ambiente de desafios e 
incertezas”.
Os riscos e incertezas são fatores integrantes do cenário inerente ao 
empreendedorismo. Porém, há uma diferença entre os dois conceitos 
que é fundamental: enquanto os riscos podem ser conhecidos e é pos-
sível ter controle sobre eles, as incertezas não estão sob o controle do 
empreendedor. Para Lombardi e Brito (2010), as questões formadoras 
dos riscos podem ser mensuradas e quantificadas com base naquilo 
que se pode dominar por meio do acesso e conhecimento das infor-
mações, o que possibilita ao gestor ou empreendedor decidir se está 
disposto a enfrentá-lo ou não.
Já as incertezas são postas pelas informações e fatos presentes no 
ambiente no qual a empresa está envolvida, sobre os quais o empreen-
dedor ou o gestor não tem qualquer domínio ou possibilidade de pre-
visão, portanto são impossíveis de mensurar.
Com relação aos aspectos operacionais da empresa, mesmo que 
o gestor tenha conhecimento dos riscos envolvidos no processo pro-
dutivo, nem sempre as ações e os processos de contenção dos efeitos 
dos riscos são implantados de modo adequado. Fernandes et al. (2021) 
destacam a dificuldade de implantar os processos de gerenciamento 
de risco, pois as mudanças e as ações necessárias provocam impactos 
nas estruturas de poder, de relacionamento e de cultura da empresa, 
gerando reações contrárias que muitas vezes podem intensificar os ris-
cos que se busca combater.
Ching (2011) aponta o Gerenciamento de Risco Empresarial (GRE), 
apresentado na figura a seguir, como ferramenta importante e neces-
sária ao direcionamento estratégico das organizações, no sentido de 
antecipar possíveis eventos indesejáveis que possam vir a prejudicar o 
Discutir os conceitos de 
risco e custo do capital 
no contexto da criação de 
novos negócios.
Objetivo de aprendizagem
Gestão financeira para o empreendedor 91
atingimento dos objetivos do negócio. Porém, embora haja o reconhe-
cimento da relevância da aplicação das práticas de gerenciamento de 
risco no meio empresarial, sua efetividade nem sempre atinge os níveis 
desejados.
Figura 2
Gerenciamento de riscos
O
BJ
ET
IV
O
S
M
O
N
IT
O
RA
M
EN
TO
Identificação
Avaliação
Resposta
Contingência
• Riscos inerentes
• Riscos tecnologia
• Riscos fraude
• Riscos complaince • Magnitude
• Probabilidade
• Impacto
• Aceitar
• Compartilhar
• Evitar
• Mitigar (controle interno) • Plano de contingência
Fonte: Adaptada de Pardini, 2018.
Para Renault e Agumba (2016), uma parte significativa dos riscos 
potenciais às atividades de uma empresa são inerentes ao ser huma-
no, pois as relações, comportamentos, desejos, vontades e crenças dos 
indivíduos que fazem parte da empresa acabam por afetar as decisões 
e as ações no ambiente empresarial.
Os níveis de riscos de um empreendimento – em especial em uma 
empresa nascente, inovadora ou baseada em um novo modelo de ne-
gócios – devem ser considerados na sua concepção. O empreendedor 
precisa conhecer boas práticas de análise de risco para que possa iden-
tificar os riscos presentes no empreendimento.
O mercado empresarial contemporâneo é marcado pela presença 
de empresas globalizadas – que tomam como base modelos de negó-
cios inovadores e disruptivos 3 e a capacidade de crescimento escalável 
– direcionadas para propor soluções às novas necessidades humanas 
por meio da apresentação de propostas de valores inéditos. Stocker 
et al. (2019) apontam que as empresas inovadoras e disruptivas de-
pendem intensamente do capital humano e do conhecimento de seus 
empreendedores, o que aumenta ainda mais a possibilidade de o fator 
humano ser gerador de risco.
negócios disruptivos: 
negócios inovadores que 
rompem com os modelos 
atuais de negócio, criando 
um modelo. A Uber é um 
exemplo de um modelo 
de negócio disruptivo.
3
92 Empreendedorismo
De acordo com Ries (2018, p. 69), dentre os desafios que se apresen-
tam para as startups, destaca-se a necessidade de buscar um modelo 
de negócio que se alinhe com seu propósito e possibilite que a empre-
sa seja extremamente flexível, pois ela está constantemente exposta às 
variações no mercado, que se mostra cada vez mais dinâmico e volátil. 
Nesse contexto, a análise de riscos se torna ainda mais importante, 
para aumentar as chances de sucesso da empresa e o retorno do capi-
tal investido.
Se o risco pode ser identificado e medido, a incerteza é um com-
ponente indissociável do ambiente de negócios, pois, como mostram 
Oleskovicz, Oliva, Pedroso (2018), as decisões estratégicas tomadas 
pelo empreendedor ou gestor são baseadas em expectativas futuras 
relacionadas aos planos e objetivos da empresa.
Como forma de amenizar as incertezas, é importante observar alguns 
critérios e elementos que possam subsidiar a decisão de modo a torná-la 
mais assertiva. Silva, Lima e Schenatto (2017) destacam a importância de 
levar em consideração as incertezas na avaliação de um plano de negó-
cios ou na avaliação de um investimento por parte do empreendedor 
ou de investidores. Para os autores: “modelos propostos para análise de 
risco ou viabilidade devem refletir a cultura e condições do mercado no 
momento da sua aplicação” (SILVA; LIMA; SCHENATTO, 2017, p. 4).
As análises de risco e o retorno de investimentos tendem a ter com-
plexidades distintas de setor para setor relacionadas a, de acordo com 
Belotti e Santos (2020):
Figura 3
Startups
An
el
 A
lij
ag
ic
/S
hu
tte
rs
to
ck
As startups estão entre 
os modelos de negócios 
inovadores que figuram 
entre aqueles que oferecem 
maior grau de risco aos 
seus empreendedores 
ou investidores 
dispostos a participar do 
empreendimento na fase 
inicial.relacionados às características 
individuais e ações do indivíduo que é responsável pela administração 
do negócio. Para Tometich (2020), a relação entre as características do 
empreendedor e a ação empreendedora pode ser identificada no con-
ceito de intraempreendedorismo, também chamado de empreendedo-
rismo corporativo.
Para a autora, o empreendedorismo internalizado nas corporações 
pode ser entendido como uma resposta das empresas que, ao identi-
ficarem características latentes do perfil empreendedor em seus cola-
No vídeo João Appolinário 
– Palestra de Empreende-
dorismo – FIESP, do canal 
Empreender é inovar!, 
Appolinário – presidente, 
proprietário e fundador 
da Polishop – discute 
experiências práticas do 
empreendedorismo, mos-
trando que, mais do que 
desenvolver uma ideia 
inovadora, o empreende-
dor precisa reunir uma sé-
rie de características para 
desenvolver, implementar 
ações efetivas e lidar com 
as diversas situações que 
se colocam à sua frente 
para desenvolver um 
negócio viável.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=5n_
R2K9h6ws. Acesso em: 12 ago. 
2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=5n_R2K9h6ws
https://www.youtube.com/watch?v=5n_R2K9h6ws
https://www.youtube.com/watch?v=5n_R2K9h6ws
boradores, percebem a possibilidade de explorar esse potencial por 
meio de programas motivacionais e do estabelecimento de parâme-
tros determinantes de tempo de dedicação, espaço, investimentos e 
níveis de riscos e erros aceitáveis pela empresa. Caxito (2020a) aponta 
que mesmo em organizações públicas é possível promover o intraem-
preendedorismo, apesar da ideia de que as características burocráticas 
e hierárquicas do setor público prejudiquem a inovação.
O empreendedorismo não se restringe ao ambiente das empresas 
privadas. Ações e projetos empreendedores podem ser desenvolvidos 
nas mais diversas áreas, sendo exemplos disso o empreendedorismo 
cultural, criativo, institucional, social, sustentável e ecológico.
Discutir as característi-
cas e as competências 
que formam o perfil 
empreendedor.
Objetivo de aprendizagem
1.2 Perfil do empreendedor 
Vídeo As características e competências apresentadas 
pelo indivíduo considerado empreendedor são um 
tema frequente de estudos e pesquisas. De maneira 
semelhante ao que ocorre com o próprio conceito 
de empreendedorismo, também podem ser obser-
vadas algumas divergências e convergências teóri-
cas acerca das características do empreendedor, principalmente em 
relação aos critérios que motivam as ações e os resultados perseguidos 
pelo indivíduo para identificá-lo como empreendedor.
Uma vez que os fatores ambientais, econômicos, mercadológicos e 
culturais nos quais as empresas estão inseridas podem ser favoráveis 
ou não para o desenvolvimento do empreendedorismo, como apontam 
Mota et al. (2017), também podem ser observados reflexos no compor-
tamento dos indivíduos, propiciando um terreno fértil para o desper-
tar do empreendedor. Assim, os movimentos 
da economia liberal e o consequente 
fortalecimento da concorrência 
Figura 1
Empreendedorismo na prática
Como salienta Tavares (2018), a opção 
pelo empreendedorismo muitas vezes não 
representa uma ação deliberada de um 
indivíduo que busca realizar seus sonhos, mas 
surge como alternativa ao desemprego e à 
necessidade econômica.
M
ic
he
li 
Ri
na
ld
i/S
hu
tte
rs
to
ck
Empreendedorismo e inovaçãoEmpreendedorismo e inovação 1313
14 Empreendedorismo
favorecem o surgimento e a ampliação de novas atividades empresa-
riais em um movimento de coexistência interdependente.
O empreendedorismo por necessidade foi, inclusive, objeto de 
 estudo do GEM, que identificou em suas pesquisas uma parcela rele-
vante de empreendedores que iniciou seus negócios por não encontrar 
outra forma de emprego ou colocação profissional. Nesse contexto, 
Yurrebaso, Cruz e Pato (2018) acreditam que mesmo aqueles indiví-
duos detentores de algumas habilidades inatas ainda merecem ser 
lapidados academicamente, outros menos afortunados certamente 
precisarão de maior apoio para formação e desenvolvimentos das 
suas competências. Para os autores, a área acadêmica exerce um pa-
pel fundamental na capacitação desses profissionais como futuros 
empreendedores.
O movimento de migração dos trabalhadores para a constituição do 
seu próprio negócio como forma de sobrevivência econômica não re-
presenta, por si só, o perfil do empreendedor. Para Tometich (2020), é 
preciso cautela nessa caracterização, visto que a falta de precisão con-
ceitual sobre o empreendedorismo pode sugerir equívocos:
O fato de ser dono do seu próprio negócio, se submetendo aos riscos da 
insegurança – quanto ao retorno financeiro em troca da força de trabalho 
– como próprio patrão, não caracteriza o indivíduo como empreendedor. A 
proposta de empreendedorismo ainda reivindica a geração de mais-valia 
(conceito desenvolvido por Karl Marx, é a base do sistema econômico capi-
talista; representa a diferença entre o preço final de um produto e os custos 
dos meios de produção e da mão de obra empregada na sua manufatura) 
por meio de inovação sob o risco da incerteza do negócio.
Para Yurrebaso, Cruz e Pato (2018), o surgimento de cursos aca-
dêmicos voltados para formação de empreendedores, no início da 
década de 1990, tem como uma de suas origens a necessidade de 
atender à demanda daqueles que buscaram o empreendedorismo por 
necessidade.
Os estudos do indivíduo empreendedor passam pela observação 
psicológica dos seus aspectos comportamentais, de personalidade, 
crenças, valores e padrões de cognição com o objetivo de traçar um 
perfil do empreendedor. Já Santos et al. (2021, p. 348) acreditam que 
as características empreendedoras são influenciadas pelo ambiente 
externo:
Empreendedorismo e inovação 15
A personalidade de um indivíduo é um fator de suma impor-
tância que pode explicar até que ponto os comportamentos 
empreendedores são derivados de características das personali-
dades, em conjunto com os fatores sociais e ambientais, agentes 
responsáveis por incentivar os motivos ocultos e a interpretação 
das disposições mentais em padrões de comportamento. 
Para Lima e Freitas (2010), os traços de personalidade empreen-
dedora são percebidos no indivíduo que demonstra mais propensão 
para assumir riscos e manifesta com mais frequência comportamentos 
proativos, além da necessidade de ter o controle da situação. Hurtz e 
Donovan (2000) corroboram essa ideia e acrescentam que a capacida-
de de decisão em meio a um cenário de incertezas e riscos também é 
um traço importante na personalidade do empreendedor.
Para além do entendimento comum, alguns autores apontam que 
traços de personalidade com características de autoeficácia, tolerância 
à ambiguidade, proatividade, disposição para assumir riscos, necessi-
dade de realização e lócus de controle são os pontos mais frequente-
mente encontrados nas pesquisas com empreendedores, entendidos 
como determinantes para o sucesso do empreendimento. 
Yurrebaso, Cruz e Pato (2018) apontam que somente o traço de per-
sonalidade não basta para afirmar categoricamente que o indivíduo 
terá sucesso ao empreender, sendo necessário conciliar o conjunto de 
fatores ambientais para resultar no êxito do empreendedorismo, eco-
nomicamente falando. Filion (2019) elencou 24 traços de personalida-
des empreendedoras, apresentados na figura a seguir:
Figura 2
Características mais comuns atribuídas aos empreendedores
Fonte: Adaptado de Filion, 2003 apud Yurrebaso; Cruz; Pato, 2018, p. 81. 
Orientação para os resultados
Inovação
Liderança
Tomada de riscos
Independência
Criatividade
Energia
Perseverança
Originalidade 
Otimismo
Flexibilidade
Desenvoltura
Autoconfiança
Iniciativa
Agressividade
Necessidade de realização
Lócus interno de controle
Compromisso a longo prazo
Tolerância à ambiguidade e à incerteza
Capacidade de aprendizagem
Capacidade de utilização eficiente dos recursos
Sensibilidade perante os outros
Tendência para inspirar confiançaO livro Gerenciamento de 
riscos empresariais aborda 
diversos conceitos, méto-
dos, estruturas e estudos 
de caso relacionados ao 
gerenciamento de riscos 
empresariais. Tendo 
como ponto de partida 
os objetivos da empresa, 
o livro discute os riscos 
e as oportunidades a 
que as empresas estão 
sujeitas. Sua leitura é 
recomendada tanto para 
empreendedores quanto 
para profissionais que 
atuam no planejamento 
e controle das empresas, 
em especial das novas 
empresas.
BARALDI, P. 3. ed. São Paulo: Cia do 
eBook, 2018.
Livro
Elementos que devem ser levados em consideração, por exemplo: uma 
empresa de aviação, pela própria característica do transporte aéreo 
de passageiros, precisa desenvolver processos de gestão de riscos 
extremamente rigorosos; uma empresa que fabrica e comercializa 
alimentos precisa levar em consideração os riscos à saúde dos 
consumidores em todo o processo de distribuição e armazenamento.
Comportamento dos clientes, agressividades 
dos concorrentes, aspectos econômicos 
relacionados à volatilidade cambial, 
comprometimentos fiscais, entre outras que 
particularizam os cenários nos quais o modelo 
de negócio está integrado ou será inserido.
Natureza do negócio Implicações mercadológicas
A complexidade da avaliação dos riscos e do retorno dos investimen-
tos se dá pela grande quantidade de fatores que devem ser levados em 
conta pela empresa na tomada de decisão sobre qual estratégia deve ser 
implantada. Apesar dos diversos modelos que podem ser usados para 
analisar os riscos e as incertezas de um novo negócio, não existe uma 
receita que sirva para todas as empresas ou setores empresariais. Cada 
caso apresenta uma coletânea de métodos de avaliação de riscos com 
vistas no retorno do capital investido, bem como investidores com maior 
ou menor apetite para acompanhar os empreendedores nesse desafio.
4.3 Modalidades e fontes de financiamento 
Vídeo A rápida evolução das tecnologias da informação e da comunicação, 
a partir da última década do século XX, trouxe uma significativa revo-
lução sobre o empreendedorismo, pois possibilitou o surgimento de 
pequenas empresas e indivíduos com perfil empreendedor que, com 
ideias inovadoras de produtos, serviços e modelos de negócio, podiam 
competir em um mercado antes constituído por grandes empresas e 
empreendedores que detinham o capital.
Para Lubián e Esteves (2017), no mercado empresarial contempo-
râneo as empresas têm condições de se apropriar de conhecimento, 
acesso a equipamentos e tecnologia para comercialização dos seus 
produtos e serviços em qualquer lugar do planeta independentemente 
do tamanho ou de sua fase de estruturação.
Conhecer as modalida-
des de financiamento de 
novos negócios e busca 
de funding.
Objetivo de aprendizagem
Gestão financeira para o empreendedorGestão financeira para o empreendedor 9393
Figura 4
Aumento da concorrência
fiz
ke
s/
Sh
ut
te
rs
to
ck
Essa facilidade de entrada de novas 
empresas aumenta de maneira 
significativa a concorrência, o que 
leva à necessidade de investir 
constantemente em inovações ou 
em diversificação de novos modelos 
de negócios de maneira intensa e 
disruptiva.
94 Empreendedorismo
Sá (2017) aponta que um fator relevante para o surgimento de novas 
empresas inovadoras, criadas com base nos conhecimentos e ideias de 
empreendedores, é o aumento do número de fontes e modalidades de 
investimentos e investidores para se abrir uma empresa. O próprio em-
preendedor investia suas economias no negócio e sofria com restrições 
e entraves para ter acesso a fontes de financiamento como bancos de 
desenvolvimento, bancos privados e bolsas de valores.
Um exemplo desse crescimento do investimento em empreendedo-
rismo são os valores investidos em startups no Brasil. Enquanto no ano 
de 2000 o valor total de investimentos nesse tipo de empreendimento 
era de cerca de 1,4 bilhão de dólares (MACULAN; PAVANI, 2005), no ano 
de 2020, segundo pesquisa realizada pela plataforma de dados Sling 
Hub, o investimento alcançou o montante de 19,7 bilhões de dólares 
(INVESTIMENTOS..., 2021).
O aumento do investimento não significa que, para o empreen-
dedor, o acesso a recursos financeiro se tornou fácil. Segundo apon-
ta Borges (2016), a falta de garantias é um dos grandes entraves para 
que o empreendedor possa conseguir o capital necessário para iniciar 
o empreendimento. Nesse sentido, o caminho encontrado para con-
tornar a situação é oferecer participação nos novos empreendimentos 
para investidores com maior disposição para correr riscos.
Os investimentos em novos empreendimentos variam de acordo 
com a fase em que o negócio está e o tamanho que a empresa pre-
tende alcançar. Por outro lado, os tipos e as características dos investi-
dores também são bastante diversos. Ramalho, Furtado e Lara (2011) 
apontam três grupos de investidores que destinam seus recursos a 
empreendimentos, sejam novas empresas ou modelos de negócios 
inovadores em organizações em fase de aplicação:
Nesse grupo estão as organizações voltadas para fomentar o 
desenvolvimento, como instituições de ensino que investem em 
laboratórios e incubadoras e bancos de desenvolvimento como o 
Banco de Desenvolvimento Nacional (BNDES). 
É formado por investidores anjos, corporate ventures e search funds, 
que, em geral, investem com base na constituição da proposta de 
empresa e durante a fase de crescimento. 
1o 
grupo
2o 
grupo
(Continua)
Gestão financeira para o empreendedor 95
É composto das prestadoras de serviço – com o empreendimento 
já alçando novos voos –, como auditorias, assessores jurídicos e 
bancos de investimento.
3o 
grupo
Após a constituição da empresa, a decisão sobre o seu crescimento 
pode seguir duas linhas:
Ritmo orgânico Progressão inorgânica
No qual o crescimento 
ocorre gradativamente 
com o crescimento da 
produção à medida 
que as vendas também 
crescem. 
Em que a empresa cresce com os 
investimentos realizados por investidores 
que buscam lucros escaláveis. Esse tipo de 
crescimento, segundo Mason e Harrison 
(2015), passou a ser mais comum na 
cultura empreendedora com a constituição 
de empresas que buscam o crescimento 
constante. 
Desse modo, surgiu uma série de investimentos que são vistos pe-
los empreendedores como fontes de financiamento para realização 
dos seus sonhos. As principais fontes de financiamento para os em-
preendimentos que optam pelo crescimento inorgânico são:
SEED CAPITALSEED CAPITAL (CAPITAL SEMENTE) (CAPITAL SEMENTE)
O seed capital é a primeira modalidade de fonte de financiamen-
to, indicada para empresas que ainda estão na fase de propostas de 
ideias. No caso das startups, é bastante comum receberem não somen-
te aporte de capital, mas também suporte consultivo e mentoria para 
que se desenvolva um plano de negócios estruturado com as ideias 
do empreendedor. Segundo Peroni e Oliveira (2015), o valor do capital 
semente varia entre 500 mil e 5 milhões de dólares.
BOOTSTRAPPINGBOOTSTRAPPING (CAPITAL PRÓPRIO) (CAPITAL PRÓPRIO)
Essa é a fonte de financiamento mais comum para modelos de ne-
gócio ainda na fase embrionária, que ainda não conseguiram atrair 
recursos externos, que pode ter origem nos recursos pessoais do em-
preendedor ou em receitas operacionais da própria empresa para ali-
mentar o novo modelo de negócio.
Desenvolvida pelo Sebrae, 
a cartilha Aceleradoras de 
negócios apresenta um 
panorama dos investi-
mentos disponíveis para o 
pequeno empreendedor 
e detalha o passo a passo 
da captação de investi-
mentos para empresas 
que buscam recursos 
para o empreendedoris-
mo e a inovação.
Disponível em: https://biblio-
tecas.sebrae.com.br/chronus/
ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.
nsf/03218d69769fd1d131ad19c-
8fe103465/$File/5664.pdf. Acesso 
em: 13 out. 2021.
Leitura
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/03218d69769fd1d131ad19c8fe103465/$File/5664.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/03218d69769fd1d131ad19c8fe103465/$File/5664.pdfhttps://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/03218d69769fd1d131ad19c8fe103465/$File/5664.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/03218d69769fd1d131ad19c8fe103465/$File/5664.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/03218d69769fd1d131ad19c8fe103465/$File/5664.pdf
96 Empreendedorismo
FFF OU 3 F’S (FFF OU 3 F’S (FAMILYFAMILY, , FRIENDS AND FOLLSFRIENDS AND FOLLS))
Dornelas (2018) aponta que, em geral, os primeiros investidores de 
um novo negócio são familiares e amigos do empreendedor, que nor-
malmente colaboram com menor aporte de capital, na fase da ideação 
do negócio, e normalmente não têm experiência como investidores. 
Por isso, baseiam sua decisão de investimento em um novo negócio na 
confiança ou no relacionamento com o empreendedor.
Trata-se de uma rede de investidores do relacionamento pessoal 
que podem apoiar a ideia do novo negócio com o capital inicial. É uma 
excelente fonte de financiamento, mas depende da capacidade de 
networking do empreendedor, uma vez que dependerá dele a sensibili-
zação de seus familiares, amigos ou fãs do projeto. Stocker et al. (2019) 
explica que, em geral, os investimentos desse tipo de capital são de 
menor dimensão, não chegando a valores de cerca de 500 mil dólares.
CAPITAL SUBSIDIADOCAPITAL SUBSIDIADO
Esse é um tipo de recurso originário de programas de investimen-
tos desenvolvidos por órgãos públicos, governos e organizações não 
governamentais. O capital subsidiado tem por objetivo fomentar o de-
senvolvimento econômico de uma determinada região ou parcela da 
população. Não há compromisso de devolução do investimento no fu-
turo, mas, geralmente, o capital só é investido em modelos de negócios 
que ofereçam retorno em benefícios para a sociedade.
PARCERIAS ESTRATÉGICASPARCERIAS ESTRATÉGICAS
As parcerias estratégicas são fontes de capital relacionadas à cadeia 
de valor da qual a empresa faz parte ou pretende participar. Em geral, 
são oferecidas por grandes empresas que investem no desenvolvimen-
to de fornecedores ou de parceiros que possam desenvolver produtos 
e serviços que atendam a necessidades ou resolvam problemas da ca-
deia de valor 4 . Silva et al. (2020, p. 28-29) definem as parcerias estra-
tégicas como:
alianças estratégicas ou redes de colaboração, com acordos con-
tratuais que buscam cooperação entre os stakeholders, assim 
A Finep (Financiadora 
de Estudos e Projetos) é 
exemplo de instituição pú-
blica, ligada ao Ministério 
da Ciência, Tecnologia 
e Inovação, que oferece 
linhas de financiamento 
de capital subsidiado e 
tem por objetivo incen-
tivar o desenvolvimento 
tecnológico de empresas 
e instituições brasileiras.
Disponível em: http://www.finep.
gov.br/. Acesso em: 13 out. 2021.
Site
cadeia de valor: rede de 
organizações, empresas 
e instituições que se 
relacionam para construir 
e entregar valor para os 
clientes, na forma de pro-
dutos ou serviços. Uma 
cadeia de valor envolve 
fornecedores de maté-
rias-primas, indústrias, 
prestadores de serviços, 
distribuidores e varejistas 
de um determinado 
mercado.
4
http://www.finep.gov.br/
http://www.finep.gov.br/
Gestão financeira para o empreendedor 97
como relações horizontais e verticais a fim de construir uma base 
de recursos e o desenvolvimento de novos produtos. A aliança 
estratégica é uma forma de gestão que compartilha a capacidade 
dos atores para suprir a falta de recursos, sendo possível a con-
tribuição para processos de inovação e geração de novas opor-
tunidades de negócios.
As alianças que se formam entre as empresas que fazem parte de 
uma cadeira de valor proporcionam oportunidades, conhecimentos e 
tecnologias fundamentais para uma empresa em desenvolvimento.
ANGEL MONEYANGEL MONEY (INVESTIDOR ANJO) (INVESTIDOR ANJO)
Os investidores anjos, segundo Amorim e Sarfati (2018), são indiví-
duos, empresas ou fundos de investimentos que aportam capital em 
vários projetos diferentes e podem apoiar o negócio tanto na fase das 
ideias quanto nas fases posteriores. Utilizam métodos planejados e or-
ganizados de avaliação para apoiar o modelo de negócio e, portanto, 
exigem que as ideias e os argumentos do empreendedor estejam orga-
nizados em um plano de negócio consistente.
CROWDFUNDING CROWDFUNDING (FINANCIAMENTO(FINANCIAMENTO COLETIVO)COLETIVO)
Bronzeri e Cunha (2020) explicam que se trata de uma modalida-
de de financiamento que em geral utiliza uma plataforma digital para 
colocar em contato investidores de pequeno porte e empreendedores 
interessados em obter recursos para seus projetos. Segundo dados da 
Comissão de Valores Mobiliários do Ministério da Economia, no ano de 
2020 mais de 84 milhões de reais foram investidos em empresas que 
buscaram esse tipo de financiamento (BRASIL, 2021), que é regulado no 
Brasil pela Instrução CVM n. 588.
VENTURE CAPITALVENTURE CAPITAL (CAPITAL DE RISCO) (CAPITAL DE RISCO)
Tem como origem os fundos de investimentos e instituições finan-
ceiras que, segundo Monteiro et al. (2019), buscam adquirir participa-
ções e ações de empresas nascentes ou que estão nas fases iniciais 
de desenvolvimento, mas que apresentam potencial de crescimento 
acelerado. Os autores também destacam que os gestores dos fundos 
A Instrução CVM n. 588 
é uma norma publica-
da pela Comissão de 
Valores Mobiliários que 
regulamenta o mercado 
de investimentos pela 
modalidade crowdfunding 
em empresas que apre-
sentam faturamento de 
até 10 milhões de reais 
por ano.
Disponível em: http://conteudo.
cvm.gov.br/export/sites/cvm/
legislacao/instrucoes/anexos/500/
inst588.pdf. Acesso em: 13 out. 
2021.
Leitura
http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/instrucoes/anexos/500/inst588.pdf
http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/instrucoes/anexos/500/inst588.pdf
http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/instrucoes/anexos/500/inst588.pdf
http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/instrucoes/anexos/500/inst588.pdf
98 Empreendedorismo
de investimento atuam como consultores, conselheiros ou até mesmo 
executivos nas empresas, utilizando seus conhecimentos e redes de 
relacionamento para ajudar a empresa a se desenvolver.
PRIVATE EQUITY PRIVATE EQUITY (CAPITAL PRIVADO)(CAPITAL PRIVADO)
Nesse tipo de investimento os investidores detêm maior capacidade 
de aportes, que são destinados a empresas de maior porte ou a novos 
empreendimentos que tiveram rápido crescimento e já se posiciona-
ram entre as médias e grandes empresas do setor, apresentando po-
tencial para expandir ainda mais seus negócios.
IPOIPO ((INITIAL PUBLIC OFFERINGINITIAL PUBLIC OFFERING – OFERTA PÚBLICA INICIAL) – OFERTA PÚBLICA INICIAL)
Essa é a primeira oferta pública da abertura do capital da empresa 
para investidores no mercado de capitais. O acesso a essa fonte de finan-
ciamento depende do apoio de consultorias independentes, corretoras e 
bancos de investimentos para viabilizar o acesso por meio de bolsas de 
valores. Normalmente essa fonte de financiamento só é acessada por 
empresas novas de inovações de produtos e serviços ou modelos de ne-
gócios que já alcançaram um tamanho suficientemente grande e, por 
isso, precisam de aporte de capital para expandir ainda mais.
É um tipo de financiamento muito utilizado em outros países, mas 
não tão comum no Brasil. O gráfico a seguir mostra a quantidade de 
operações de IPO realizadas no Brasil, segundo dados da Bolsa de Va-
lores B3.
Gráfico 1
IPO realizadas na Bolsa de Valores no Brasil – por ano
Fonte: Adaptado de B3, 2021.
30
20
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020
10
0
Gestão financeira para o empreendedor 99
EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS BANCÁRIOSEMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS BANCÁRIOS
Essas operações tradicionais são disponibilizadas pelas instituições 
financeiras como fontes de financiamentos, mas são onerosas devido 
ao alto custo das taxas de juros para o empreendedor.Para ter acesso 
a esse recurso o empreendedor passará por um rígido critério de ava-
liação de capacidade de pagamento, que na maioria das vezes implica-
rá oferecer garantias para adquirir o financiamento, o que nem sempre 
o empreendedor possui.
Peroni e Oliveira (2015) apresentam a figura a seguir, que mostra 
as principais fontes de financiamento disponíveis para os empreende-
dores organizadas de acordo com o tamanho do aporte de capital que 
representam.
Figura 5
Escada do investimento de risco
Fonte: Adaptada de Peroni; Oliveira, 2015, p. 4.
ESTÁGIO DA EMPRESA TIPO DE INVESTIDOR 
Pré-semente
 Investimento 
anjo 
Aceleradora 
Equity 
crowdfunding
(Financimento 
coletivo)
Até R$ 1 milhão
Até R$ 5 milhões 
Até R$ 30 milhões
Acima de 
R$ 30 milhões
Investimento 
anjo
Equity 
crowdfunding
Fundos de 
investimento
Fundos de 
investimento 
Fundos de 
investimento 
STARTUP
Capital 
semente
CRESCIMENTO CONSOLIDAÇÃO MATURIDADE
Venture capital 
(Capital de risco) 
Private equity 
(Capital privado)
Valor investido >>>
É possível observar a diversidade de fontes de financiamento para 
fomentar os modelos de negócios inovadores e empreendedores em 
busca de capital. Por isso, é fundamental que o empreendedor analise 
as diversas modalidades e identifique qual fonte é a mais adequada ao 
momento vivido pelo empreendimento.
PEER-TO-PEER LENDINGPEER-TO-PEER LENDING
É uma forma inovadora de financiamento, conhecido como emprés-
timo entre pessoas, na qual plataformas e aplicativos fundamentados na 
internet unem pessoas que se interessam em disponibilizar seu capital 
para oferecer empréstimos diretamente para outras pessoas, sem a in-
termediação de instituições financeiras estabelecidas, oferecendo taxas 
de juros mais baixas em relação às oferecidas pelos bancos comerciais.
4.4 Gestão de custos 
Vídeo Segundo estudo realizado pelo Sebrae (2013), o descontrole na ges-
tão e a falta de planejamento estão entre os principais motivos das mor-
tes das empresas nos primeiros anos de existência. Lopes e Martins 
(2018) corroboram essa afirmação e destacam que a gestão eficiente de 
custos é o fator fundamental para a sobrevivência das empresas. Nesse 
contexto, a contabilidade de custos é uma ferramenta importante como 
fonte de dados e informações necessárias para tomadas de decisões es-
tratégicas das empresas, como destaca Martins (2010).
É comum os empreendedores centralizarem suas atenções para as 
áreas de produção e vendas, uma vez que são as áreas propulsoras 
das receitas e, consequentemente, provedoras do sustento e da lucra-
tividade das empresas. Entretanto, não se pode negligenciar os custos 
da empresa.
Explicar a importância da 
gestão de custos corpo-
rativos e as principais for-
mas de custeio utilizadas 
na gestão financeira.
Objetivo de aprendizagem
100100 EmpreendedorismoEmpreendedorismo
Figura 6
Importância da administração financeira
Na
te
e 
M
ee
pi
an
/S
hu
tte
rs
to
ck
Pinto (2018) lembra que os conceitos 
introdutórios às ciências da administração 
financeira são fundamentais ao 
empreendedor, pois seu desconhecimento 
pode provocar interpretações equivocadas 
sobre os rumos do negócio.
Gestão financeira para o empreendedor 101
Nesse sentido, os métodos de custeio são utilizados pelas empresas 
para identificar os custos dos seus produtos e serviços, de modo que 
seja possível recorrer a eles para que auxiliem na estratégia de preci-
ficação da empresa. Há vários modelos de levantamento dos custos 
empresariais, conhecidos como métodos de custeio, cada qual com suas 
vantagens e desvantagens uns sobre os outros. Portanto, caberá ao 
empreendedor escolher aquele que seja mais adequado à sua realida-
de, uma vez que o mesmo produto, por exemplo, pode ter aferições 
diferentes se adotados métodos distintos.
Para Soares et al. (2012), os métodos de custeio mais utilizados no 
Brasil são:
CUSTEIO POR ABSORÇÃOCUSTEIO POR ABSORÇÃO
Esse método é o mais aplicado por ser obrigatório em razão das 
regulamentações contábeis e fiscais, contudo isso não significa que as 
empresas não possam se valer dos outros métodos em caráter geren-
cial para adaptabilidade à realidade da empresa. Nesse método, são 
agrupados os custos fixos, variáveis, diretos e indiretos à produção do 
período, para apropriá-los aos produtos.
Martins (2010) define que o método de custeio por absorção con-
siste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elabo-
rados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de 
produção são distribuídos para todos os produtos ou serviços feitos.
O autor ressalta que esse método de custeio é adotado como oficial 
na maioria dos países, inclusive no Brasil, para o desenvolvimento de 
relatórios legais, como o balanço patrimonial e as demonstrações de 
resultados. Porém, o método apresenta como desvantagens a forma 
arbitrária como os rateios dos custos são definidos, o fato de não consi-
derar a ociosidade da capacidade produtiva da empresa e a inadequa-
ção das informações geradas para o processo de gestão das operações 
da empresa. 
CUSTEIO VARIÁVELCUSTEIO VARIÁVEL
O custeio variável considera apenas os custos variáveis para de-
finição dos custos dos produtos ou serviços. Já os custos fixos serão 
102 Empreendedorismo
apropriados diretamente ao resultado do período junto das despesas. 
Segundo Martins (2010), esse método é muito utilizado para tomadas 
de decisão de curto prazo, uma vez que os custos fixos já estão esta-
belecidos, e os custos variáveis tendem a ter relação direta com as mo-
vimentações de mercado, como aumento de preços de fornecedores, 
margens de contribuição, ponto de equilíbrio, margens de segurança, 
alavancagem operacional e lucro.
Porém, Lopes e Martins (2018) destacam que, apesar de o método 
de custeio apresentar informações vitais para as decisões gerenciais 
das empresas, ele não tem o reconhecimento dos auditores, dos con-
tadores e do fisco por ferir alguns princípios contábeis, como o regime 
de competência e a confrontação.
CUSTEIO PADRÃOCUSTEIO PADRÃO
Esse método é definido de maneira arbitrária pela empresa como 
meta de custo a ser atingida, de acordo com as análises e expectativas 
em relação a ocorrências de mercado. O custo é definido antes de a 
produção acontecer e serve como a métrica do limite para os desem-
bolsos (todo o pagamento realizado por uma empresa que signifique 
uma retirada de valores de seu caixa).
Megliorini (2011) aponta que para que o custeio padrão possa refle-
tir as condições de eficiência no período de apuração, é preciso levar 
em conta no cálculo as metas desejadas no consumo de materiais e 
insumos, no emprego da mão de obra e no uso dos equipamentos, 
uma vez que a principal finalidade desse método é determinar um pa-
drão de comportamento para os custos, e para que isso seja possível, 
é indispensável a criação de controles que permitam toda a avaliação 
do processo produtivo.
CUSTEIO PLENOCUSTEIO PLENO
Essa metodologia rateia todos os custos e todas as despesas para 
alocá-los aos seus produtos ou serviços. Para Backes et al. (2007), 
o grande ganho ao se adotar esse método de custeio está na definição 
dos preços dos produtos e serviços, quando o mercado não oferece 
pressões nos preços de venda, uma vez que visa à total recuperação 
dos gastos.
fisco: autoridade fazendá-
ria de um país que geren-
cia o tesouro público e é 
responsável pelo controle 
da arrecadação dos tribu-
tos a serem pagos pelas 
empresas.
Glossário
Gestão financeira para o empreendedor 103
CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADESCUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES
Também conhecido como custeio ABC, apropria a formação dos cus-
tos às atividades das empresas, à fabricação dos produtos ou à pres-
tação dos serviços. Todas as atividades que são realizadas direta ou 
indiretamente para conceber os produtos ou serviços da organização 
são consideradas como causadoras dos custos que serão atribuídos a 
eles. Lopes e Martins (2018) indicam que esse método colaborapara 
mitigar eventuais distorções causadas por rateios arbitrários dos cus-
tos indiretos e que isso se aplica também aos custos diretos.
Para os autores, o método de apuração dos custos em atividades 
é um dos mais acurados, uma vez que foi criado para corrigir as dis-
torções dos métodos tradicionais. O método de apuração de custos é 
composto de duas fases: na primeira, todos os custos são alocados às 
atividades da empresa; na segunda, as atividades da empresa são re-
lacionadas aos produtos e serviços a que se destinam, de modo a atri-
buí-los aos devidos custos de cada produto ou serviço oferecido pela 
organização.
As diversas metodologias de custeio apresentam tanto pontos po-
sitivos quanto negativos. Para Lopes e Martins (2018), a adoção do ge-
renciamento das operações administrativas como controle do fluxo de 
caixa, contas a pagar e receber, estoques e custos para a devida forma-
ção de preço é indispensável e crucial para a sobrevivência das micro e 
pequenas empresas no Brasil.
Mesmo que os empreendedores que montam pequenas empresas 
tenham algum conhecimento sobre gestão de custos e administração 
financeira, não aplicam esses conhecimentos na prática da gestão, pois 
dão prioridade a atividades ligadas a vendas e operações. Isso ocorre 
porque os empreendedores realizam diversas atividades na empresa, 
uma vez que contam com equipes reduzidas e acabam por direcionar 
seu foco e tempo para a produção e fabricação de seus serviços e pro-
dutos, deixando as atividades de gestão e administração financeira em 
segundo plano. Essa falta de foco, como mostra a pesquisa realizada 
pelo Sebrae (2013), é o principal motivo para que muitas pequenas em-
presas não sobrevivam aos anos iniciais após sua fundação.
O vídeo A importância da 
gestão de custos, publicado 
pelo canal Oficina de Ges-
tão, apresenta uma en-
trevista com o professor 
Renato Felipe Medeiros 
e aborda a importância 
dessa gestão para o su-
cesso de uma empresa. O 
vídeo também aborda as 
principais metodologias 
de custeio que podem ser 
usadas pelas empresas.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=xxdINL4m5og. Acesso 
em: 13 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=xxdINL4m5og
https://www.youtube.com/watch?v=xxdINL4m5og
https://www.youtube.com/watch?v=xxdINL4m5og
104 Empreendedorismo
4.5 Estratégias de precificação 
Vídeo Definir o preço de um produto ou um serviço é uma atividade com-
plexa que envolve tanto cálculos relacionados aos custos de produção 
quanto estratégias de mercado e de posicionamento em relação a mar-
cas concorrentes. Do ponto de vista do cliente, o preço é uma refe-
rência determinante no momento da escolha entre comprar ou não 
um determinado produto ou serviço, que envolve decidir o momento, 
o volume, a forma de pagamento e de quem comprar.
Churchill Jr. e Peter (2013) conceituam como preço a quantidade em di-
nheiro que deve ser dada para se ter a posse de um produto ou consumir 
um serviço, enquanto Milan et al. (2016) entendem que o preço aparece 
como o elemento de julgamento para que se encontre o ponto de equi-
líbrio entre comprador e vendedor, uma vez que há interesses opostos:
A empresa fixa o preço para base 
de troca por meio de motivações 
internas relacionadas a custos, 
lucro e estratégias de competição 
adicionando as forças externas 
como concorrentes.
Os clientes parametrizam as 
suas quantificações por meio 
da necessidade que têm sobre 
os produtos ou serviços.
X
Nascimento, Piccoli e Diehl (2019) salientam que, além de aspectos 
racionais e objetivos, o preço também está relacionado à percepção 
de valor do cliente em relação aos benefícios que o produto ou serviço 
entrega. Kotler e Armstrong (2015) distinguem os conceitos de preço 
e valor e acreditam que o preço pode ser definido como o montante 
de dinheiro definido pela empresa como necessário para cobrir seus 
custos e obter os resultados financeiros desejados na comercialização 
dos seus produtos ou serviços, enquanto o valor é determinado pelo 
cliente com base na somatória dos benefícios por ele percebidos acer-
ca dos produtos e serviços.
Nesse aspecto, o preço pode ser um fator-chave para o sucesso da 
empresa. Para Belegante et al. (2017), a determinação do preço de um 
produto ou serviço deve ser fruto de uma vasta pesquisa de mercado, 
para verificar qual estratégia de preço produzirá melhores resultados, 
de acordo com os objetivos da empresa ou do produto.
Discutir estratégias de 
precificação e posiciona-
mento de preços e valor.
Objetivo de aprendizagem
Gestão financeira para o empreendedor 105
De maneira complementar, Souza et al. (2008) apontam que clien-
tes, concorrentes e custos são os principais elementos influenciadores 
na formação dos preços das empresas, e é com base nesses fatores 
que a empresa define suas estratégias de precificação. 
Com o objetivo de encontrar a melhor estratégia para preservar a 
lucratividade e manter a competitividade no mercado, as organizações 
buscam criar estratégias de preço que levem em consideração diversos 
aspectos envolvidos na estratégia de formação de preços.
Nascimento, Piccoli e Diehl (2019) indicam a importância de se levar 
em conta alguns requisitos para nortear as estratégias de preço, tais 
como:
a necessidade de manter a sobrevivência da empresa;
a obtenção de lucro a curto, médio ou longo prazo;
o aumento e a promoção do crescimento das vendas;
a manutenção da estabilidade do mercado, evitando guerras de preços com os 
concorrentes que possam inviabilizar as margens financeiras, e a importância de criar e 
manter uma imagem positiva diante do consumidor.
Milan et al. (2016) sugerem nove estratégias de preço, apresen-
tadas na tabela a seguir. De acordo com seus objetivos estratégicos, 
a empresa pode definir a melhor forma de precificação, que pode tanto 
cobrir os custos fixos e variáveis quanto captar o valor percebido pelo 
M
ax
x-
St
ud
io
/S
hu
tte
rs
to
ck
M
ax
x-
St
ud
io
/S
hu
tte
rs
to
ck
Figura 7
Formação de preços competitivos
A formação de preços competitivos é fundamental para o 
sucesso da organização, pois permite planejar o futuro e 
diminuir as incertezas ao longo de cada período.
106 Empreendedorismo
consumidor em relação aos produtos e serviços disponibilizados e co-
mercializados. O quadro a seguir também explica como cada estratégia 
pode ser colocada em prática.
Situação Estratégia Descrição Contextualização
Preço de um 
novo produto 
ou serviço
Desnatamento 
ou skimming
Alto preço inicial, sendo 
reduzido de maneira 
sistemática, gradativa.
Alta diferenciação da oferta (produto e/ou serviço), de-
manda de mercado inelástica, alta utilização da capa-
cidade e desvantagem de custos em função da escala.
Preços de 
penetração
O preço é baixo inicial-
mente para acelerar a 
adoção do produto.
Baixa diferenciação da oferta (produto e/ou serviço) 
no mercado, vantagem de custo em função da escala, 
baixa utilização da capacidade e demanda de merca-
do elástica.
Preços da curva 
de experiência
Preço baixo para cons-
truir volume e reduzir 
custos por meio da 
experiência acumulada.
Baixa diferenciação da oferta (produto e/ou serviço), 
vantagem de custo em função da escala, baixa utiliza-
ção da capacidade e demanda de mercado elástica.
Preço 
competitivo
Líder de 
preços
Inicia uma mudança de 
preços e espera que os 
outros a sigam.
Alta participação de mercado, facilidade de detectar 
mudanças de preços no mercado, demanda inelásti-
ca, alta utilização da capacidade e vantagens de custo, 
de escala e de aprendizado em termos de processos e 
sobre o mercado de atuação.
Preços de 
paridade
Preço fixado pelo 
mercado global ou pelo 
líder de preços.
Desvantagem de custos, baixa participação de merca-
do, baixa diferenciação da oferta (produto e/ou servi-
ço) no mercado, facilidade de detectar mudanças de 
preços, demanda de preços inelástica, demanda de 
marca elástica e alta utilização da capacidade.
Fornecedor de 
baixo preço
Tentativa de mantero 
baixo preço no 
mercado.
Baixa utilização da capacidade produtiva, baixa par-
ticipação de mercado, baixa diferenciação da oferta 
(produto e/ou serviço), vantagem de custo, de escala e 
de aprendizado, dificuldade de detectar mudanças de 
preço e demanda elástica.
Preço de linhas 
de produtos 
ou serviços
Preços de 
produtos com-
plementares
Preço baixo para o 
produto ou serviço prin-
cipal quando serviços 
complementares pos-
suem um preço maior.
Alto custo de mudança.
Agrupamento 
de preços
O produto é parte de 
um pacote de outros 
produtos em que o 
preço proporciona uma 
economia aos clientes.
Vantagem de custos e demanda de mercado elástica.
Preço do 
cliente/valor
Preço de uma versão 
dos produtos a níveis 
bastante competitivos 
com menos especifica-
ções.
Dificuldade de detectar mudanças de preços e de-
manda de mercado elástica.
Fonte: Adaptado de Milan et al., 2016, p. 426-427.
Quadro 1
Estratégia de precificação e contextualização
Gestão financeira para o empreendedor 107
Além das estratégias apresentadas por Milan et al. (2016), 
Nascimento, Piccoli e Diehl (2019) compartilham outras três aborda-
gens, frequentemente utilizadas por gestores em suas empresas:
o preço baseado em custos, como forma de preservar a saúde 
financeira da empresa; 
o preço baseado na percepção de valor pelos clientes, que 
possibilita à empresa praticar os maiores preços possíveis sem 
ultrapassar a noção de benefícios entendida pelos clientes.
o preço baseado na concorrência, a fim de potencializar a 
competitividade da empresa por meio dos preços praticados; 
1
3
2
Muitos são os fatores influenciadores na formação de preço, assim 
como diversos métodos podem ser aplicados para sua quantificação e 
aplicação aos produtos e serviços. O empreendedor precisa ter muito 
mais dedicação e empenho para definir os preços dos seus produtos e 
serviços, pois essa é uma atividade que vai muito além de meramente 
calcular um percentual sobre o custo de produção ou equiparar seus 
preços aos dos concorrentes. A atenção devida para essa competência 
empreendedora pode ser a linha divisora entre o sucesso e o fracasso 
de um modelo de negócio promissor.
O documentário O preço 
de tudo usa o mercado de 
arte como exemplo para 
mostrar a importância 
da percepção de valor na 
definição do preço de um 
produto. Calcular o preço 
de uma obra de arte é 
uma atividade complexa, 
pois envolve aspectos 
como paixão, emoção, 
exclusividade, escassez, 
consumismo, moda e 
reconhecimento social. 
Assim, possibilita analisar 
as questões relacionadas 
à estratégia de precifica-
ção levadas ao extremo.
Direção: Nathaniel Kahn. EUA: 
HBO, 2018.
Documentário
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A gestão financeira está presente em todas as etapas do ciclo de vida 
de uma empresa. Desde a ideia inicial e a criação do plano de negócios, 
o empreendedor precisa definir as fontes de entrada de capital e calcular 
os custos fixos e variáveis necessários para desenvolver a atividade de 
produção e comercialização dos produtos e serviços a serem oferecidos 
pela empresa.
Na fase de implantação do negócio, a busca por capital e fontes de 
financiamento, desde o uso de capital próprio até a busca de fontes ex-
ternas de capital para ser investido na estruturação, passando pela ges-
tão financeira que garanta a capacidade de crescimento da empresa, de 
acordo com seu planejamento estratégico, exige do empreendedor um 
108 Empreendedorismo
grande conhecimento sobre os conceitos de gestão financeira, para que 
possa tomar as decisões mais adequadas.
Na gestão cotidiana das operações da empresa, tanto no controle dos 
custos quanto na definição das estratégias de precificação dos produtos e 
serviços, a gestão financeira também se faz presente, como uma compe-
tência fundamental do empreendedor.
ATIVIDADES
Atividade 1
Conceitue Valor Presente Líquido (VPL) e explique as vantagens e 
desvantagens de se usar esse indicador durante a análise de um 
plano de negócios.
Atividade 2
Diferencie os conceitos de risco e incerteza e explique a 
importância de conhecer os riscos e as incertezas para que o 
empreendedor possa desenvolver o plano de negócios de uma 
nova empresa.
Atividade 3
Explique os conceitos de capital semente e de IPO (Initial Public 
Offering) e explique as situações em que cada uma dessas formas 
de captação de investimento é mais adequada para uma startup.
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https://www.editoraroncarati.com.br/v2/Colunistas/Eduardo-Person-Pardini/Processo-de-gestao-dos-riscos-corporativos-Nao-complique-o-que-e-simples.html
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https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace;/bitstream/handle/10438/8419/Private_Equity_e_Venture_Censo
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https://www.matec-conferences.org/articles/matecconf/abs/2016/29/matecconf_ibcc2016_00008/matecconfhttps://www.matec-conferences.org/articles/matecconf/abs/2016/29/matecconf_ibcc2016_00008/matecconf
https://www.matec-conferences.org/articles/matecconf/abs/2016/29/matecconf_ibcc2016_00008/matecconf
http://www.custoseagronegocioonline.com.br/numero2v14/OK%2020%20ROIA.pdf
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Gestão financeira para o empreendedor 111
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https://www.researchgate.net/profile/Jose-Donizetti-De-Lima/publication/321757284_Revisao_sistematica_da_literatura_sobre_analise_de_risco_e_de_viabilidade_de_investimentos_em_empreendimentos_imobiliarios/links/5a302f6caca27271ec89f733/Revisao-sistematica-da-literatura-sobre-analise-de-risco-e-de-viabilidade-de-investimentos-em-empreendimentos-imobiliarios.pdf
https://www.researchgate.net/profile/Jose-Donizetti-De-Lima/publication/321757284_Revisao_sistematica_da_literatura_sobre_analise_de_risco_e_de_viabilidade_de_investimentos_em_empreendimentos_imobiliarios/links/5a302f6caca27271ec89f733/Revisao-sistematica-da-literatura-sobre-analise-de-risco-e-de-viabilidade-de-investimentos-em-empreendimentos-imobiliarios.pdf
https://www.researchgate.net/profile/Jose-Donizetti-De-Lima/publication/321757284_Revisao_sistematica_da_literatura_sobre_analise_de_risco_e_de_viabilidade_de_investimentos_em_empreendimentos_imobiliarios/links/5a302f6caca27271ec89f733/Revisao-sistematica-da-literatura-sobre-analise-de-risco-e-de-viabilidade-de-investimentos-em-empreendimentos-imobiliarios.pdf
https://www.researchgate.net/profile/Jose-Donizetti-De-Lima/publication/321757284_Revisao_sistematica_da_literatura_sobre_analise_de_risco_e_de_viabilidade_de_investimentos_em_empreendimentos_imobiliarios/links/5a302f6caca27271ec89f733/Revisao-sistematica-da-literatura-sobre-analise-de-risco-e-de-viabilidade-de-investimentos-em-empreendimentos-imobiliarios.pdf
http://saijournal.cefsa.org.br/seer/index.php/FTT/article/view/353
http://saijournal.cefsa.org.br/seer/index.php/FTT/article/view/353
https://periodicos.unemat.br/index.php/ruc/article/view/3726
https://periodicos.unemat.br/index.php/ruc/article/view/3726
112 Empreendedorismo
5
Gestão de negócios inovadores
A atividade de gestão de uma nova empresa é complexa e exige que o 
empreendedor tenha conhecimentos e competências em diversas áreas 
da administração, como finanças, produção, comercialização, marketing 
e gestão de pessoas. Neste capítulo, serão abordados os conceitos e as 
práticas relacionados à gestão de uma empresa, desde a sua concepção 
até o momento em que as atividades e os processos estão plenamente 
implementados e a empresa está realizando as operações necessárias 
para atingir seus objetivos.
Na primeira seção do capítulo, serão discutidos os conceitos gerais 
da gestão, como o uso dos recursos dos quais a empresa dispõe para 
realizar suas atividades, atendendo ao mercado consumidor de acordo 
com seu planejamento estratégico. Na segunda seção, será abordado o 
uso de indicadores-chave de performance, também conhecidos como Key 
Performance Indicator (KPI), fundamentais para que o empreendedor pos-
sa acompanhar se as atividades estão sendo realizadas de acordo com 
os padrões e processos e se os objetivos e as metas estabelecidos estão 
sendo alcançados. Com o uso dos KPIs, o empreendedor tomará decisões 
necessárias para direcionar a empresa para o sucesso.
Na terceira e na quarta seção do capítulo serão vistas as áreas funda-
mentais para que a empresa possa se posicionar no mercado e realizar 
seu plano de negócios: a gestão dos processos de marketing e a gestão 
das operações da empresa, que envolvem todas as atividades relaciona-
das ao desenvolvimento, à produção, ao armazenamento e à distribuição 
dos produtos e serviços comercializados pela empresa. Na última seção 
será debatida a gestão de pessoas, que é o recurso fundamental para o 
sucesso de uma nova empresa, seja ela baseada em produtos, serviços e 
modelos de negócio inovadores ou já estabelecidos. É com base nos co-
nhecimentos e nas competências de seus colaboradores que a empresa 
pode atingir seus objetivos.
Gestão de negócios inovadores 113
5.1 Gestão da empresa inovadora 
Vídeo A inovação faz parte do cenário empresarial há muitas décadas, 
como forma de criar diferenciais competitivos para a empresa em re-
lação a seus concorrentes. Porém, como afirmam Sandmeier, Morrison 
e Gassmann (2010), a partir das décadas finais do século XX, a inovação 
ganhou um papel cada vez mais importante na estratégia empresarial, 
devido ao desenvolvimento da tecnologia da comunicação e da informa-
ção, com destaque para a rede mundial de computadores e a internet.
Ao possibilitar que o consumidor tenha acesso a informações e 
possa comprar produtos e serviços de empresas sediadas em qual-
quer lugar do mundo, a internet fez com que as empresas buscassem 
novas formas de desenvolvimento, produção e comercialização de 
seus produtos, o que levou ao surgimento de negócios inovadores 
emergidos de garagens, laboratórios e incubadores de negócios que 
revolucionaram o mercado.
Para que se possa conviver nesse ambiente inovador e altamente 
competitivo, as empresas precisam ter um modelo de gestão organiza-
cional inovador. Maior et al. (2019) destacam que as empresas inova-
doras têm por natureza a vocação para criar diferenciais competitivos 
e promover experiências inéditas aos clientescomo forma de ampliar 
sua participação no mercado. Contudo, o espírito criativo não pode es-
tar presente apenas nos produtos, serviços ou modelos de negócios, 
precisa também fazer parte dos processos e das estruturas operacio-
nais de gestão da empresa.
5.1.1 Cultura organizacional inovadora
Algumas empresas criam uma cultura que incentiva a inovação de 
maneira orgânica, com base no exemplo dado pelos empreendedores 
e gestores no cotidiano das operações da organização, pois a cultura 
organizacional surge com a própria postura e as atitudes dos empreen-
dedores e gestores. Se eles adotam a busca de inovação, a empresa de-
senvolverá uma cultura que valorizará a inovação, conforme explicam 
Del Prá Netto Machado et al. (2013). Outras empresas, no entanto, princi-
palmente aquelas já estabelecidas e que apresentam estruturas organi-
zacionais cristalizadas, precisam investir em mudanças estruturais para 
que consigam incentivar o surgimento de ideias e inovações.
Apresentar os conceitos 
de gestão usados na ges-
tão de novas empresas.
Objetivo de aprendizagem
A estrutura das relações de subordinação, poder e comunicação de 
uma empresa precisa apresentar certo grau de elasticidade e flexibili-
dade para permitir que inovações possam ser testadas sem que os re-
sultados e os processos atuais sejam impactados de maneira negativa.
Para Bateman e Snell (2007), a inovação organizacional tem como obje-
tivo melhorar os processos da empresa, diminuir os entraves e possibilitar 
a reação rápida às mudanças externas, relacionadas a aspectos tecnológi-
cos, comportamentais, sociais, econômicos ou político-legais.
Já Stock, Six e Zacharias (2013) destacam a importância de se in-
vestir no desenvolvimento dos recursos humanos da organização para 
que se possa criar uma cultura inovadora, pois, para que a inovação 
passe a fazer parte do cotidiano da empresa, não pode estar restrita 
a algumas áreas ou apenas sob a responsabilidade dos líderes ou de 
colaboradores específicos, ela deve ser compartilhada como uma res-
ponsabilidade e uma atribuição de todos os funcionários, independen-
temente da área na qual atuam ou do cargo que ocupam.
É possível identificar uma clara relação entre a cultura organizacio-
nal e o movimento de inovação. Naranjo-Valencia, Jiménez-Jiménez e 
Sanz-Valle (2011) acreditam que a cultura da organização exerce forte 
influência sobre as definições e ações estratégicas das empresas, que, 
por sua vez, repercutem o desempenho e a capacidade de desenvolver 
modelos de negócio inovadores.
O vídeo Inovação: cabeça 
nas nuvens e os pés no 
chão, do canal Endeavor 
Brasil, apresenta um 
debate entre os empre-
sários Maurício Botelho, 
presidente do Conse-
lho de Administração 
da Embraer, e Marcio 
Utsch, presidente da 
Alpargatas. Na conversa, 
os executivos apresentam 
suas experiências e falam 
sobre a importância da 
inovação em um cenário 
altamente competitivo. 
O conteúdo aborda a 
transição das ideias inova-
doras para a operação, a 
importância de monitorar 
a concorrência e como 
é fundamental para a 
cultura inovadora romper 
a gestão tradicional.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=TPQCdR-
jN7s. Acesso em: 11 out. 2021.
Vídeo
Ra
di
ok
af
ka
/S
hu
tte
rs
to
ck
Ra
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A inovação organizacional está intimamente 
relacionada à criação de uma cultura inovadora.
Figura 1
Cultura organizacional
114114 EmpreendedorismoEmpreendedorismo
https://www.youtube.com/channel/UCAV97DtIfx76JzdKDnmjvcw
https://www.youtube.com/channel/UCAV97DtIfx76JzdKDnmjvcw
https://www.youtube.com/watch?v=TPQCdR-jN7s
https://www.youtube.com/watch?v=TPQCdR-jN7s
https://www.youtube.com/watch?v=TPQCdR-jN7s
Gestão de negócios inovadores 115
A estrutura das relações de subordinação, poder e comunicação de 
uma empresa precisa apresentar certo grau de elasticidade e flexibili-
dade para permitir que inovações possam ser testadas sem que os re-
sultados e os processos atuais sejam impactados de maneira negativa.
Para Bateman e Snell (2007), a inovação organizacional tem como obje-
tivo melhorar os processos da empresa, diminuir os entraves e possibilitar 
a reação rápida às mudanças externas, relacionadas a aspectos tecnológi-
cos, comportamentais, sociais, econômicos ou político-legais.
Já Stock, Six e Zacharias (2013) destacam a importância de se in-
vestir no desenvolvimento dos recursos humanos da organização para 
que se possa criar uma cultura inovadora, pois, para que a inovação 
passe a fazer parte do cotidiano da empresa, não pode estar restrita 
a algumas áreas ou apenas sob a responsabilidade dos líderes ou de 
colaboradores específicos, ela deve ser compartilhada como uma res-
ponsabilidade e uma atribuição de todos os funcionários, independen-
temente da área na qual atuam ou do cargo que ocupam.
É possível identificar uma clara relação entre a cultura organizacio-
nal e o movimento de inovação. Naranjo-Valencia, Jiménez-Jiménez e 
Sanz-Valle (2011) acreditam que a cultura da organização exerce forte 
influência sobre as definições e ações estratégicas das empresas, que, 
por sua vez, repercutem o desempenho e a capacidade de desenvolver 
modelos de negócio inovadores.
O vídeo Inovação: cabeça 
nas nuvens e os pés no 
chão, do canal Endeavor 
Brasil, apresenta um 
debate entre os empre-
sários Maurício Botelho, 
presidente do Conse-
lho de Administração 
da Embraer, e Marcio 
Utsch, presidente da 
Alpargatas. Na conversa, 
os executivos apresentam 
suas experiências e falam 
sobre a importância da 
inovação em um cenário 
altamente competitivo. 
O conteúdo aborda a 
transição das ideias inova-
doras para a operação, a 
importância de monitorar 
a concorrência e como 
é fundamental para a 
cultura inovadora romper 
a gestão tradicional.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=TPQCdR-
jN7s. Acesso em: 11 out. 2021.
Vídeo
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A inovação organizacional está intimamente 
relacionada à criação de uma cultura inovadora.
Figura 1
Cultura organizacional
114114 EmpreendedorismoEmpreendedorismo
Gomes et al. (2017) concordam com esse entendimento e afirmam 
que a cultura organizacional é capaz de ditar o ritmo e a forma como as 
empresas lidam com modelos inovadores diante dos desafios do mer-
cado, reforçando ou inibindo a capacidade de inovação. A convivência 
interna (entre os diversos colaboradores) e a convivência externa (da 
empresa com seus clientes, fornecedores, parceiros, sociedade e ou-
tras organizações) formam a base da cultura empresarial, que é social-
mente construída e fixada no inconsciente dos colaboradores.
Quando a cultura inovadora é instalada em uma empresa, direciona 
o comportamento dos indivíduos, da gestão e da própria instituição, 
orientando todas as ações e sinalizando os rumos a serem seguidos 
em momentos de divergência. A cultura sinaliza quais são os padrões 
de comportamento aceitáveis e inaceitáveis, traduzidos em normas e 
regulamentos de conduta que tomam como base os valores éticos e 
morais da organização, sendo o centro do ambiente de convivência 
profissional, fundamental para construir e solidificar o sucesso da or-
ganização. Conforme explicam Gomes et al. (2017, p. 58):
a cultura é formada pelas normas centrais que podem caracterizar 
uma organização, sendo que normas são expectativas sobre o 
que é apropriado ou inapropriado em relação às atitudes e com-
portamentos. Ao proporcionar padrões de comportamentos, as 
normas fornecem ordem e significado às situações ambíguas ou 
incertas e servem para proteção contra comportamentos opor-
tunistas, bem como são oportunas para incentivar comporta-
mentos “pró-sociais”.
Hogan e Coote (2014) sugerem que existem formas de promover e 
incentivar a criação de uma cultura criativa e inovadora no ambiente 
corporativo, que são:
Ações de reforço à criatividade.
Apoio para que colaboradores possam assumir riscos.
Desenvolvimento de visão de futuro.
Incentivo ao trabalhoem equipe.
Compartilhamento de informações, entre outras ações.
Para os autores, a cultura está presente na linguagem usada pelos 
colaboradores, nos símbolos de reconhecimento, no status da orga-
nização e até mesmo no seu layout físico. Puccini e Benedetti (2021) 
A Zappos é uma loja vir-
tual que vende calçados 
no comércio eletrônico, 
ficando famosa pelo alto 
nível de qualidade do 
seu serviço de atendi-
mento ao cliente. No 
livro Satisfação garantida, 
o empreendedor que 
fundou a empresa relata 
que a sua construção 
teve como base uma 
cultura organizacional 
na qual a satisfação das 
necessidades do cliente 
está no centro de todas 
as atividades e processos.
HSIEH, T. 2. ed. Nova Iorque: 
HarperCollins, 2017.
Livro
https://www.youtube.com/channel/UCAV97DtIfx76JzdKDnmjvcw
https://www.youtube.com/channel/UCAV97DtIfx76JzdKDnmjvcw
https://www.youtube.com/watch?v=TPQCdR-jN7s
https://www.youtube.com/watch?v=TPQCdR-jN7s
https://www.youtube.com/watch?v=TPQCdR-jN7s
116 Empreendedorismo
afirmam que, ao usar uma estrutura física na qual os colaboradores 
trabalham juntos em um mesmo espaço, a criatividade e a inovação po-
dem ser incentivadas. Para eles, “o compartilhamento de espaços cria 
um ambiente que promove esse movimento de informações, aproxi-
mando empresas, especialistas, fornecedores e concorrentes” (NAKAO; 
MUSSI, 2018 apud PUCCINI; BENEDETTI, 2021, p. 10.776).
Toker e Gray (2008) corroboram essa visão e constatam que indiví-
duos alocados em ambientes abertos demonstram tendências às ações 
inovadoras, pois o layout das organizações apresenta reflexos nos de-
sempenhos dos comportamentos inovadores dos colaboradores.
5.1.2 Inovação aberta
Além de criar uma cultura interna que incentiva a inovação, a em-
presa precisa estar aberta a se relacionar com o ambiente externo. 
Bogers, Burcharth e Chesbrough (2021) discutem o conceito de inova-
ção aberta (open innovation – OI) como método de gestão que tem o 
propósito de ampliar as possibilidades de gerar inovação, uma vez que 
ultrapassa os limites da empresa em busca de parcerias externas para 
fomentar a criatividade e a inovação.
As parcerias desenvolvidas no contexto da inovação aberta – além 
dos parceiros que fazem parte da mesma cadeia de valor, como forne-
cedores e clientes – também incluem instituições de pesquisa, universi-
dades e consultorias. A inovação aberta amplia o leque de opções para 
a inovação, notadamente em relação a propostas de modelos de negó-
cios inovadores. A inovação aberta funciona como uma rede de troca de 
informações, tecnologias e ideias, proporcionando benefícios mútuos e 
ampliando as possibilidades de criação de novos produtos e serviços.
Entretanto, D’Ambrosio et al. (2017) entendem que, apesar dos be-
nefícios, a inovação aberta apresenta riscos, tanto em razão do desen-
volvimento de estruturas de coordenação da relação com parceiros 
externos quanto em relação a conhecimentos, tecnologias e experiên-
cias que a empresa compartilha com os parceiros, que podem ser utili-
zados de maneira indevida.
Van De Vrande et al. (2009) alertam que os resultados gerados com 
base em processos de inovação aberta não ocorrem no curto prazo, o 
que pode fazer com que os colaboradores envolvidos nos projetos sejam 
impactados pelas condições de incerteza e desânimo devido à demora 
O vídeo 10 passos para 
desenvolver cultura de 
inovação em seu negócio: 
passo a passo prático | 
Sebrae Trends, do canal 
Sebrae PR, é apresentado 
pelo diretor de marketing 
da 3M no Brasil. A 
empresa é considerada 
uma das mais inovadoras 
do mundo e tem mais 
de 100 mil patentes de 
inovação registradas. 
No vídeo, Luiz Serafim 
explica como a empresa 
incentiva a inovação e 
aborda a importância da 
inovação aberta para que 
a organização possa tra-
zer novos conhecimentos 
para o desenvolvimento 
de seus produtos.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=hJurECZpbcA. Acesso em: 
11 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=hJurECZpbcA
https://www.youtube.com/watch?v=hJurECZpbcA
https://www.youtube.com/watch?v=hJurECZpbcA
Gestão de negócios inovadores 117
nos resultados. Para os autores, a falta de agilidade no processo de ino-
vação aberta, muitas vezes, deve-se ao fato de as organizações parceiras 
terem interesses e ritmos diferentes na tomada de decisão.
Empresas concebidas com o conceito de inovação e criação de mo-
delos de negócio inovadores desde sua fundação, com base na vocação 
dos seus fundadores, são mais facilmente adaptáveis aos modelos de 
gestão inovadores. Entretanto, também é possível transformar e mo-
dernizar a cultura de uma empresa originalmente tradicional em inova-
dora e dinâmica, deixando-a mais preparada para encarar os desafios 
impostos pelo mercado em crescimento e repleto de incertezas.
5.2 Indicadores de gestão 
Vídeo Para que possa desenvolver suas atividades e atingir seus objetivos, 
uma empresa utiliza os recursos dos quais dispõe, que podem ser divi-
didos, segundo Caxito (2020), em três diferentes tipos, conforme ilustra 
a figura a seguir.
Figura 2
Tipos de recursos
Vi
ki
Ve
ct
or
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av
oo
da
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ck
Recursos naturais
Matérias-primas e recursos 
advindos da natureza. 
Recursos financeiros
Capital necessário para 
adquirir matérias-primas, 
componentes e partes 
(peças), além de investir 
no desenvolvimento de 
produtos e serviços e na 
aquisição da estrutura 
física necessária para 
realizar suas atividades.
Recursos humanos
Conhecimentos, 
experiências, 
competências e 
habilidades das 
pessoas que atuam na 
organização.
Fonte: Adaptada de Caxito, 2020.
Dias e Toni (2018) afirmam que a empresa precisa definir uma estra-
tégia clara que leve em consideração os recursos disponíveis e a melhor 
forma de usá-los de modo combinado, para que possa se destacar em 
relação aos concorrentes. De modo complementar, Maximiano (2015) 
aponta que administrar uma empresa é utilizar os recursos para alcan-
çar os objetivos estratégicos definidos pelos gestores.
Conhecer o uso de 
métricas e indicadores de 
desempenho na gestão 
das empresas.
Objetivo de aprendizagem
118 Empreendedorismo
O autor explica que o processo de gestão empresarial envolve o 
planejamento estratégico e sua tradução em meios necessários para 
realizar as atividades de transformação, produção e comercialização de 
produtos e serviços utilizando os recursos disponíveis.
5.2.1 Indicadores de desempenho
Para garantir que os processos e as atividades estejam sendo reali-
zados de acordo com o planejado, é fundamental definir indicadores e 
medidas que possam ser acompanhados com frequência. Para Green Jr. 
e Inman (2007), os indicadores de desempenho podem ser usados nas 
mais diversas áreas e atividades da empresa para acompanhar e medir 
como os recursos estão sendo utilizados e se os processos estão sendo 
seguidos, de modo a garantir os resultados esperados ou desenvolver 
as ações de correção e melhoria. O acompanhamento dos indicadores 
de desempenho também ajuda na identificação de oportunidades e 
ameaças estratégicas que podem surgir no ambiente.
Esses indicadores são comparados a metas ou objetivos preesta-
belecidos, padrões definidos por legislações ou por instituições de 
certificação ou referências de desempenho internas (como resultados 
obtidos anteriormente) ou externas (resultados obtidos em condições 
semelhantes por empresas concorrentes).
Os indicadores de desempenho também podem ser influenciados 
por fatores externos presentes no ambiente no qual a empresa atua, 
tais como:
Crescimento econômico.
Taxas de inflação.
Valor da moeda em relação a outras moedas usadas no comércio 
internacional e indicadores macroeconômicos.
5.2.2 Key Performance Indicator – KPI
Oliveira (2013) aponta que, na área de gestão, é comumente usa-
da a sigla KPI (indicadores-chave de performance), existindo dois ti-
pos diferentes:
O filme O homem que 
mudou o jogo retrata a 
história real do treinador 
de beisebol Billy Beane, 
que precisava montaruma equipe de alto 
desempenho sem contar 
com grandes astros do es-
porte. Com a ajuda de um 
economista, o treinador 
definiu indicadores e usou 
conceitos estatísticos para 
identificar as melhores 
características de cada 
atleta e, assim, usar os 
recursos de que dispunha 
da forma mais eficiente. O 
filme é uma aula sobre a 
importância dos indicado-
res de desempenho para 
atingir os objetivos de 
uma equipe.
Direção: Bennett Miller. EUA: 
Michael De Luca Productions; Scott 
Rudin Productions , 2011.
Filme
O vídeo Gestão por indi-
cadores, do canal Sebrae 
Minas, apresenta os 
conceitos fundamentais 
do uso de indicadores de 
desempenho. 
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=v5aGv9iVZlU. Acesso em: 
11 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=v5aGv9iVZlU
https://www.youtube.com/watch?v=v5aGv9iVZlU
https://www.youtube.com/watch?v=v5aGv9iVZlU
Gestão de negócios inovadores 119
Figura 3
Tipos de KPI
da
vo
od
a/
Sh
ut
te
rs
to
ck
KPI quantitativo
Indicadores que podem ser medidos 
com base em números ou estatísticas. 
Como exemplo, podem ser citados 
indicadores de faturamento ou 
lucratividade, quantidade de produtos 
em estoque ou vendas realizadas.
KPI quantitativo
Indicadores medidos com base em 
critérios subjetivos, como satisfação dos 
clientes, motivação da equipe ou clima 
organizacional. 
Fonte: Adaptada de Oliveira, 2013.
Os indicadores são um grande aliado da gestão, pois oferecem con-
dições para que se possa analisar a situação atual da empresa, o que 
permite ao gestor verificar o que é necessário para atingir as metas 
desejadas. Segundo Santos e Santos (2018, p. 116):
os indicadores de gestão apresentam-se como instrumento para 
mensuração do nível de desempenho de processos na organi-
zação, além de permitir explorar a melhor maneira de atingir os 
objetivos da empresa. [...] Logo, são imprescindíveis para com-
paração do desempenho prático (real) versus a meta (estimado), 
exercendo então papel importante na gestão.
A criação dos indicadores mais adequados às necessidades e ca-
racterísticas da empresa e sua boa utilização são fundamentais para a 
melhoria constante do desempenho da organização, como destacam 
Lobato et al. (2009). A definição de indicadores é uma atividade que faz 
parte do processo de empreender, pois já na construção do plano de 
negócios, mesmo antes de a empresa ser efetivamente implantada, o 
empreendedor define os objetivos que pretende alcançar e quais as 
principais metas do empreendimento que deseja criar.
Cruz e Ávila (2021, p. 89) destacam que “o gerenciamento de uma 
organização começa com a definição dos seus principais indicadores, 
mesmo quando essa definição não é feita de forma explícita”. É impor-
tante ressaltar que os indicadores não são os dados e as informações 
coletados com base em operações, processo e atividades realizadas 
pela empresa. A construção dos indicadores se dá com base em cri-
térios definidos para a observação das características e sequências 
No livro Indicadores de 
desempenho: dos objetivos 
à ação – métodos para 
elabora KPIs e obter 
resultados, os autores 
apresentam um passo 
a passo de como definir 
os indicadores mais ade-
quados a cada uma das 
áreas da empresa.
FRANCISCHINI, A. S. N.; 
FRANCISCHINI, P. G. Rio de Janeiro: 
Alta Books, 2018.
Livro
120 Empreendedorismo
dos comportamentos de dados e informações obtidos da empresa, de 
modo a permitir que sejam feitas análises comparativas que indiquem 
pontos a serem melhorados ou mantidos.
Um único indicador, como o faturamento total de uma empresa, 
não é suficiente para retratar os resultados. Para que o gestor possa to-
mar decisões, é necessária a comparação entre os diversos indicadores 
que se relacionam e interagem entre si.
Usando o exemplo do indicador de faturamento, outros indica-
dores relacionados à quantidade de produtos e serviços vendidos, 
à quantidade de clientes atendidos, ao preço médio, à margem de 
contribuição e à disponibilidade em estoque podem ser analisados 
em conjunto, possibilitando ao gestor ter uma visão mais aprofun-
dada do resultado obtido.
Os indicadores de gestão das diversas áreas da empresa são fun-
damentais para que o empreendedor possa acompanhar os esforços, 
o uso dos recursos e os resultados obtidos, a fim de tomar decisões 
necessárias para que a empresa atinja seus resultados.
5.3 Marketing na empresa inovadora 
Vídeo O marketing é definido por Churchill e Peter (2012) como a atividade 
de conceber e desenvolver os produtos, os serviços e as ideias, estabe-
lecer o preço pelo qual o bem será comercializado, realizar a promoção 
e divulgação e distribuir, que envolve a entrega do bem ao consumidor 
final ou a seu comprador. A relação de troca entre fornecedor e com-
prador é baseada na busca de benefícios para ambos os lados, que são 
equilibrados por meio da definição de um valor de troca que satisfaça 
os desejos e as necessidades de ambos.
5.3.1 Mix de marketing
Philip Kotler, considerado um dos mais influentes autores a abordar o 
tema, afirma que a função do marketing é estabelecer as relações entre 
a empresa e seus clientes, para que possa capturar valor com a comer-
cialização de seus bens ou serviços (KOTLER; ARMSTRONG, 2015). Kotler 
foi um dos principais divulgadores do conceito dos 4 Ps de marketing:
Apresentar o uso das 
estratégias de marketing 
no contexto de empre-
sas nascentes.
Objetivo de aprendizagem
Gestão de negócios inovadores 121
 • produto;
 • preço;
 • praça;
 • promoção.
Esses conceitos foram desenvolvidos, segundo Cobra (2017), por 
Jerome Mccarthy na década de 1960 e apresentados em sua obra Marketing 
básico: uma visão gerencial, lançada no Brasil em 1976 (MCCARTHY, 1976).
Os 4 Ps também são conhecidos como mix de marketing, que inclui 
as quatro funções básicas realizadas por essa área:
Desenvolvimento do produto (que também inclui serviços e ideias).
Determinação do preço a ser praticado, que pode ser ligado tanto aos custos de 
produção quanto à percepção de valor do cliente em relação aos bens comercializados 
pela empresa.
Determinação da praça ou dos canais de distribuição que serão utilizados, como varejos 
tradicionais, venda direta ou canais digitais, conhecidos como e-commerce. 
Promoção que envolve a criação de marca, design e comunicação, bem como 
publicidade, propaganda e venda dos produtos e serviços. 
1
2
3
4
A relação entre o mix de marketing e a cadeia de valor da empresa 
é apresentada na figura a seguir.
Figura 4
Composto de marketing na cadeia de valor da empresa
Fonte: Adaptada de Cobra, 2017.
Fornecedores
Empresa
Intermediários
Produto
Preço
Ponto
(distribuição)
Consumidor 
final
Promoção
Concorrentes
Utilizado como 
bibliografia básica de 
cursos de marketing 
em todo o mundo, o 
livro Administração de 
marketing apresenta 
conceitos clássicos e bá-
sicos dessa área, com as 
mais modernas aborda-
gens, sendo constante-
mente atualizado pelos 
autores com exemplos 
práticos de uso dos fun-
damentos do marketing 
nas empresas.
KOTLER, P.; KELLER, K. L. 15. ed. São 
Paulo: Pearson Universidades, 2019.
Livro
122 Empreendedorismo
Essa cadeia de valor explica a relação entre as diversas empresas 
que compõem uma cadeia de valor e que contribuem para entregar os 
produtos e serviços da empresa ao consumidor final.
5.3.1.1 Produto
No contexto da empresa inovadora, conceber um produto ou um ser-
viço significa estabelecer um diferencial significativo em relação aos bens 
oferecidos pelas empresas concorrentes e atender às necessidades dos 
clientes no que diz respeito à solução dos seus problemas por meio dos 
benefícios proporcionados pelos seus atributos e pelas características 
tangíveis e intangíveis. Para Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017, p. 18):
a globalização cria um campo de jogo nivelado. A competitivida-
de das empresas não será mais determinada por seu tamanho, 
seu país de origem ou sua vantagem passada. Empresas me-
nores, mais jovens e localmente estabelecidasCapacidade de reinvestir o dinheiro na empresa
O vídeo Como avaliar 
seu perfil empreendedor, 
desenvolvido pelo Sebrae 
Minas em parceria com a 
Associação Brasileira de 
Franchising, apresenta 
uma ferramenta de análi-
se de perfil que possibilita 
identificar característi-
cas essenciais do perfil 
empreendedor.
Disponível em: https://youtu.
be/Hybz7gF709g. Acesso em: 12 
ago.2021.
Vídeo
https://youtu.be/Hybz7gF709g
https://youtu.be/Hybz7gF709g
16 Empreendedorismo
Na tentativa de se chegar a uma aproximação mais assertiva acerca 
do perfil do empreendedor, surgiram também as pesquisas focadas 
no comportamento do indivíduo para somar essa variável aos traços 
de personalidade. Constatou-se que há vantagens mais frequentes na 
aplicação dessa variável, uma vez que se nota uma relação mais evi-
dente com as diversidades socioculturais.
Dentre os diversos estudos que buscam identificar as características e 
os comportamentos empreendedores, Nakao et al. (2018) destacam o rea-
lizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) 
e pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento 
(UNCTAD), que reúne as características do indivíduo empreendedor em 
três diferentes conjuntos, como mostra a figura a seguir:
Figura 3
Conjunto de características empreendedoras
Yu
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Conjunto de realização
I. Busca de oportunidades 
e iniciativa 
II. Persistência 
III. Cálculo de riscos
IV. Exigência de qualidade 
e eficiência 
V. Comprometimento
Conjunto de 
planejamento 
I. Busca de informações 
II. Estabelecimento de 
metas 
III. Planejamento e 
monitoramento 
sistemáticos 
Conjunto de poder
I. Persuasão e rede de 
contatos 
II. Independência e 
autoconfiança 
Fonte: Adaptado de Nakao et al., 2018.
A revisão literária desempenhada por Yurrebaso, Cruz e Pato (2018) 
apontou seis comportamentos característicos do empreendedor no 
uso das suas competências empíricas:
Desenvolver novas oportunidades de negócios e novos produtos.
Desenvolver um ambiente inovador. 
Estabelecer relações com investidores. 
1
2
3
(Continua)
Empreendedorismo e inovação 17
Estabelecer os objetivos do negócio. 
Saber como atuar em desafios inesperados. 
Estabelecer os recursos humanos necessários à implementação do negócio. 
4
5
6
Como é possível perceber, a exemplo do que se pode verificar 
na conceituação do que é empreendedorismo, aqui também não há 
uma nítida e específica definição de um perfil comum a todos em-
preendedores, nem mesmo para que se possa enquadrar uma parte 
significativa dos indivíduos que conquistam esse posto no mercado 
empresarial.
A diversidade do fator humano é o principal obstáculo para se 
chegar a um consenso absoluto sobre o perfil do empreendedor. 
Entretanto, são exatamente as questões psicológicas reagindo aos 
impulsos ambientais que contribuem para moldar o perfil empreen-
dedor em maior ou menor grau de agressividade.
Entre os fatores psicológicos observados como forma de distin-
ção nos comportamentos empreendedores está o modelo mental 
implícito na capacidade de analisar as situações e, com isso, formar 
padrões decisórios precisos para mover suas ações. Em paralelo, 
enxergar e tirar proveito das mudanças percebidas no ambiente, 
vendo-as como oportunidades mercadológicas, é uma característica 
importante dentre os empreendedores bem-sucedidos.
O artigo Do homo empreendedor ao empreendedor contemporâneo: evolução 
das características empreendedoras de 1848 a 2014, dos autores Fernando 
Filardi, Filippe Delarissa Barros e Adalberto Américo Fischmann, apresenta o 
estudo bibliométrico de 288 artigos publicados e aponta que os empreen-
dedores contemporâneos apresentam um perfil mais relacional, com com-
petências interpessoais e sociais, focando demandas do ambiente externo, 
evidenciando o perfil autocentrado, soberano, autônomo e independente. 
Acesso em: 12 ago. 2021.
https://www.redalyc.org/pdf/3312/331232580010.pdf
Artigo
https://www.redalyc.org/pdf/3312/331232580010.pdf
18 Empreendedorismo
1.3 Empreendedorismo no Brasil 
Vídeo Diversos órgãos públicos e privados desenvolvem estudos e regular-
mente apresentam estatísticas sobre o empreendedorismo no Brasil. 
Várias dessas informações serão apresentadas nesta parte do capítulo 
e, em alguns casos, os números oferecidos podem divergir. Esse fato 
ocorre devido à própria definição de empreendedorismo utilizada em 
cada um dos estudos desenvolvidos por diferentes organizações.
Maia et al. (2021) sinalizam que, nas últimas décadas, o mundo as-
sistiu ao fenômeno da globalização, acelerado principalmente pelo 
desenvolvimento de tecnologias de comunicação e de informação que 
facilitaram as relações entre consumidores e fornecedores. 
Os efeitos da globalização reverberam direta e indiretamente no 
empreendedorismo brasileiro, apresentando aspectos positivos, como:
• criação de oportunidades para empresas que passam a ter a chance 
de entrar em novos mercados;
• eliminação de barreiras comerciais e a integração econômica entre 
países;
• acesso a ideias, experiências, conhecimentos e tecnologias desen-
volvidas em outros mercados.
E também aspectos negativos, como:
• alta competitividade de mercado;
• concorrentes que podem estar sediados em países com melhores 
condições tecnológicas ou econômicas para competir globalmente;
• dificuldade de sobreviver às pressões da concorrência (no caso de 
pequenas e médias empresas). 
Conhecer o desenvol-
vimento do empreen-
dedorismo no Brasil e 
apresentar estatísticas 
sobre o empreendedoris-
mo no país.
Objetivo de aprendizagem
Figura 4
Comércio que vai além das barreiras geográficas.
Como reflexo desse comércio global, os autores 
(MAIA et al., 2021) apontam que é possível, para 
um consumidor brasileiro, ao buscar atender 
às suas necessidades e desejos, encontrar 
um produto ou serviço idealizado nos Estados 
Unidos da América, industrializado na China e 
comercializado por uma empresa europeia.
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1818 EmpreendedorismoEmpreendedorismo
Empreendedorismo e inovação 19
Caxito (2020b) aponta que, enquanto a produção industrial vem 
perdendo peso na economia brasileira nas últimas décadas, o setor 
de serviços cresce de maneira consistente e acelerada, como mostra o 
gráfico a seguir: 
Gráfico 1
Evolução da composição do Produto Interno Bruto (PIB) por setores, em %
1995 2000 2005 2010 2015 2019
Fonte: Adaptado de Alvarenga, 2019, com base em Ibre/FGV, com base em dados do IBGE.
0
25%
5%
73,5%
5,8%
67,2%
27,2%
Pico da 
indústria
29,1%
Nível de 
pré-recessão
24,7%
65,4% 70,1%
5,5% 5,2%
21,5%
1995
2005
1º Trimestre
2014
1º Trimestre 2019
50%
75%
100%
Indústria
Serviços
Agropecuária
Essa mudança na estrutura do PIB do país é causada pela migração 
da produção industrial para outros países e tem como resultado uma 
diminuição do emprego industrial.
Uma parte significativa desses trabalhadores acaba por buscar um 
caminho profissional no empreendedorismo, em especial na área de 
prestação de serviços. Uma das características marcantes do setor de 
serviços é ser composto por grande número de empresas de pequeno 
porte que geram grande quantidade de postos de trabalho. O setor 
apresenta:
pouca concentração em grandes empresas, com exceção de al-
gumas áreas específicas, como os transportes dutoviário (99,7%), 
aéreo (92,2%), ferroviário/metroviário (82,0%), bem como correio 
20 Empreendedorismo
ou outras atividades de entrega (81,6%). A grande maioria das 
empresas prestadoras de serviço que atuam na economia bra-
sileira pode ser enquadrada em dois grupos: empresas especia-
lizadas em serviços prestados principalmente às famílias (ex.: 
escolas, clubes, cabeleireiros etc.), que totaliza mais de 450 mil 
empresas registradas, e as empresas especializadas em serviços 
profissionais, administrativos e complementares (ex.: empresas 
de contabilidade,terão chance de 
competir com empresas maiores, mais antigas e globais. No fim, 
não existirá uma empresa que domine totalmente as demais.
O mercado, como apresentado pelos autores, é pleno de oportuni-
dades para empreendedores e empresas inovadoras, desde que estas 
ofereçam aos consumidores uma experiência diferenciada de consu-
mo. Para isso, utilizar os conceitos do mix de marketing de maneira 
inovadora é fundamental.
Para Borges (2017), o empreendedor precisa ter um profundo 
conhecimento do comportamento do cliente consumidor para que 
possa identificar necessidades, desejos e demandas que não este-
jam sendo plenamente atendidos pelas empresas já estabelecidas 
no mercado e desenvolver uma oferta de produto ou serviço que 
seja percebida pelo consumidor como a melhor relação custo-bene-
fício e a melhor proposta de valor.
5.3.1.2 Preço
Após definir o produto, a praça ou o canal de distribuição e as for-
mas de promoção (a marca, os canais de comunicação da empresa com 
seus clientes e os investimentos em publicidade e propaganda), o em-
preendedor pode definir o preço do mix de marketing.
Segundo Borges (2017), o preço deve ser amparado na percepção 
de valor agregado do produto divulgado pelos mecanismos da promo-
Escrito por um dos 
autores fundamentais 
para o desenvolvimento 
do marketing como uma 
área própria na ciência 
da administração, o livro 
Marketing 4.0: do tradicional 
ao digital aborda a grande 
transformação pela qual 
os conceitos do mix de 
marketing vêm passando 
com o desenvolvimen-
to das tecnologias da 
informação e comunica-
ção, mostrando que o 
marketing se torna cada 
vez mais centrado em 
valores humanistas como 
meio de se aproximar dos 
clientes e conquistar a sua 
fidelização com a marca, 
os produtos e os serviços.
KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, 
I. São Paulo: Sextante, 2017.
Livro
ção e do contexto do ambiente, como a existência de concorrentes e 
a situação econômica, para que o cliente defina a melhor escolha, le-
vando em consideração não apenas o preço nominal, mas o conjunto 
de benefícios oferecido, que é determinante no momento da compra.
5.3.1.3 Praça
Já com relação à praça do mix de marketing, que é representa-
da pelos pontos de venda e distribuição dos produtos e serviços, a 
empresa inovadora pode buscar se diferenciar com a oferta de ser-
viços diferenciados para atender às necessidades e demandas dos 
clientes. Empresas dos mais variados portes têm usado, cada vez 
com mais frequência, a estratégia de distribuição conhecida como 
multicanais, na qual os produtos e serviços comercializados são dis-
ponibilizados para os clientes por diversos canais de distribuição, 
como loja física, lojas virtuais, forças de venda externas, consulto-
res, venda por catálogo e programas de televisão. Segundo Oliveira, 
Pigatto e Pigatto (2019, p. 9):
define-se estratégia multicanal de distribuição como o conjun-
to de atividades envolvidas na disponibilização de mercadorias 
ou serviços aos consumidores por meio de diversos canais, 
passando por etapas como: desenho do projeto, implantação e 
avaliação de canais para aumentar o valor do cliente por meio da 
aquisição, retenção e desenvolvimento destes.
Gestão de negócios inovadoresGestão de negócios inovadores 123123
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In
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Sh
ut
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ck
Assim como diversas áreas de conhecimento na ciência da admi-
nistração, o marketing vem passando por profundas transformações 
com o rápido desenvolvimento tecnológico e, principalmente, o cres-
cimento da internet, do comércio eletrônico e das redes sociais, como 
apontam Rocha e Trevisan (2020).
5.3.1.4 Promoção
A promoção, item que mais tem se modificado no mix de marketing, 
envolve a publicidade, a propaganda e a comunicação com o cliente, 
sendo responsável tanto pela atração dos clientes e apresentação dos 
produtos e serviços da empresa quanto pelo estabelecimento de uma 
relação de confiança e fidelidade do cliente com a empresa.
Dentro da promoção, é importante diferenciar os conceitos de pu-
blicidade e propaganda. Mundstock e Ghisleni (2020) definem a propa-
ganda como a divulgação de ideias, conceitos, produtos ou serviços, 
objetivando informar e influenciar o comportamento de quem recebe 
a comunicação. Nesse sentido, a propaganda não se resume apenas a 
uma ferramenta de venda de produtos, mas de criação de uma relação 
entre a empresa e seus consumidores.
124124 EmpreendedorismoEmpreendedorismo
Figura 5
Uso das redes sociais
As redes sociais são 
plataformas que podem 
ser usadas pelas 
empresas para interagir e 
comunicar-se com seus 
clientes, usando o conceito 
da propaganda. 
13
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ck
Gestão de negócios inovadores 125
Para Lucian e Dornelas (2018), as redes sociais possibilitam a pro-
pagação de informações da empresa e de seus produtos, bem como 
a criação de relações com os consumidores. Porém, como destacam 
os autores, nem sempre a empresa tem total controle sobre o que é 
dito sobre ela nas redes sociais. Assim, é fundamental manter constan-
temente o acompanhamento, tanto para aproveitar as oportunidades 
de comunicação positiva quanto para contornar situações que possam 
causar prejuízos à marca e à reputação da empresa.
Já a publicidade, que pelo significado da origem da palavra pode 
ser entendida como tornar algo público, no contexto empresarial está 
relacionada, segundo Mundstock e Ghisleni (2020), a uma ferramenta 
de comunicação, em geral, baseada em comerciais e peças publicitárias 
pagas que têm o objetivo de convencer o consumidor a conhecer a em-
presa ou a comprar os produtos e serviços por ela oferecidos.
A promoção usa os mais variados meios de informação para comu-
nicar aos clientes os benefícios que poderão ser obtidos com base em 
atributos dos produtos e serviços e como estes oferecem soluções para 
suas necessidades, desejos e demandas. A importância de comunicar e 
explicar os benefícios é ainda mais destacada quando se trata de produ-
tos ou serviços inéditos e inovadores, como explica Borges (2017).
5.3.2 8 Ps
Os 4 Ps são elementos centrais do mix de marketing. Alguns autores 
trazem contribuições importantes e necessárias a determinados con-
textos mercadológicos e econômicos. O forte impacto das evoluções 
causadas pela tecnologia da informação e das comunicações sobre as 
funções do marketing aos contextos socioeconômicos e as constantes 
evoluções mercadológicas levaram alguns autores a propor a extensão 
do mix de marketing, que não substitui os 4 Ps originais, mas os amplia 
para que possam ser utilizados no contexto da era digital.
O documentário de curta 
duração Internet das Coi-
sas: futuro de um mundo 
hiperconectado mostra 
como as inovações 
tecnológicas, especial-
mente as relacionadas à 
tecnologia da informação 
e à conexão de objetos 
de uso cotidiano, como 
carros, relógios, celula-
res, eletrodomésticos e 
até mesmo roupas, vão 
revolucionar ainda mais 
a relação das empresas 
com seus consumidores.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=fh-
dF0nNnLg. Acesso em: 11 out 2021.
Documentário
https://www.youtube.com/watch?v=fh-dF0nNnLg
https://www.youtube.com/watch?v=fh-dF0nNnLg
https://www.youtube.com/watch?v=fh-dF0nNnLg
126 Empreendedorismo
Adolpho (2011) apresenta a proposta de 8 Ps do marketing digital, 
que incluem:
1
Pesquisa
2
Planeja-
mento
3
Produção
4
Publicação
5
Promoção
6
Propaga-
ção
7
Personali-
zação
8
Precisão
8 Ps
Independentemente da forma como são utilizados os elementos 
do mix de marketing, a principal intenção na inovação empresarial é 
conseguir estabelecer um diferencial competitivo e oferecer vantagens 
diante da concorrência. Porém, é necessário criar mecanismos para 
que essas vantagens sejam duradouras a ponto de manter a empresa 
sempre em destaque em relação às demais.
Segundo Carmo e Pelissari (2021), as estratégias de marketing e 
as ações empreendedoras estão intimamente relacionadase são de 
fundamental importância, especialmente se o empreendimento tem 
como base um produto ou serviço inovador ou um modelo de negócio 
disruptivo. É indiscutível a importância do marketing para o sucesso 
empresarial, uma vez que envolve várias estratégias que podem con-
tribuir para o melhor posicionamento da empresa diante dos seus 
concorrentes e das instabilidades do mercado.
5.4 Gestão das operações 
Vídeo As operações de produção e a logística são atividades essenciais 
tanto em empresas que produzem, comercializam ou distribuem pro-
dutos físicos quanto em empresas prestadoras de serviço, pois são as 
responsáveis por operacionalizar todos os processos que envolvem:
Gestão de negócios inovadores 127
Busca de 
fornecedores 
Aquisição de 
matérias-primas 
e partes do 
produto a ser 
confeccionado
Armazenamento Gerenciamento 
das linhas de 
produção
Estocagem 
de produtos 
acabados
Entrega dos 
produtos e 
serviços para os 
clientes e parceiros 
dos canais de 
distribuição 
tradicionais e do 
comércio eletrônico
Vy
ac
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O Conselho de Profissionais de Gestão da Cadeia de Suprimentos 
(Council of Supply Chain Management Professionals) aponta que ges-
tão logística envolve as atividades de:
planejar, implementar e controlar eficientemente o custo cor-
reto, o fluxo e armazenagem de matérias-primas, estoques 
durante a produção e produtos acabados, e as informações 
relativas a essas atividades, desde o ponto de origem até o 
ponto de consumo, com o propósito de atender aos requisitos 
do cliente. (CAXITO, 2019, p. 3)
De acordo com o conceito apresentado, as atividades logísticas po-
dem ser divididas em atividades relacionadas ao armazenamento e ao 
fluxo dos produtos e serviços da empresa. Pozo (2010) explica que as 
atividades de armazenamento são compostas de dois diferentes pro-
cessos ou responsabilidades. O primeiro é formado pelos processos 
relacionados ao correto dimensionamento de estruturas e espaços 
necessários para manter matérias-primas, partes, componentes e pro-
dutos acabados devidamente guardados, levando em consideração as 
características técnicas e de qualidade.
O segundo está relacionado com a gestão dos estoques, que, como 
explicam Masenssine et al. (2011), tem a responsabilidade de garantir 
que a empresa disponha da quantidade necessária de produtos em 
estoque para atender às demandas do mercado.
Discutir a gestão das 
operações e da logística 
de empresas.
Objetivo de aprendizagem
128 Empreendedorismo
Para exemplificar os dois processos, em uma empresa que 
comercializa sorvetes, enquanto a gestão do armazém tem 
a responsabilidade de garantir estruturas de armazenagem 
para o resfriamento constante do produto a uma 
temperatura que mantenha as condições de consumo, 
a gestão de estoques é responsável por garantir que 
exista a quantidade necessária do produto para atender a 
determinado pico de demanda, como um fim de semana 
prolongado nos meses de verão.
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Gianesi e Corrêa (2018) apontam que uma gestão eficiente das 
operações logísticas de uma empresa aumenta o valor percebido pelo 
cliente, elevando a satisfação e a fidelização com a empresa. No con-
texto das empresas inovadoras, principalmente aquelas baseadas em 
modelos de negócio disruptivos, a gestão das operações e da logística 
ganha um papel ainda mais fundamental.
Como exemplo, com o desenvolvimento do comércio eletrônico, o 
acesso dos clientes a produtos e serviços de fornecedores que podem 
estar fisicamente instalados em qualquer lugar do mundo foi facilitado. 
Assim, as empresas passaram a ofertar o serviço de entrega domici-
liar. O prazo entre o momento da realização do pedido e o da entrega 
efetiva do bem ao cliente é hoje um dos principais fatores usados pelo 
consumidor para a escolha do fornecedor, como mostra a pesquisa 
realizada por Maia, Souza Filho e Oliveira (2019).
Diversas características do comércio eletrônico aumentam as 
pressões por inovações nos processos logísticos. Diferentemente 
das operações de distribuições tradicionais, nas quais as empresas 
entregam grandes quantidades de produtos para uma quantidade 
limitada de empresas varejistas, no e-commerce as operações de 
entrega, em geral, são compostas de pedidos unitários, entregues 
diretamente na residência do consumidor final. Dessa forma, as car-
gas a serem entregues são mais fracionadas e de difícil previsão de 
datas, volumes e frequência de entrega.
A Amazon é a maior em-
presa de e-commerce do 
mundo. Um dos grandes 
diferenciais competitivos 
dela é sua logística, que 
até consegue entregar 
produtos no mesmo dia 
da compra para os clien-
tes que fazem parte do 
programa Prime. O vídeo 
O segredo dos armazéns da 
Amazon, do canal Manual 
do Mundo, mostra as ope-
rações logísticas e os pro-
cessos que possibilitam 
que a empresa ofereça 
um serviço diferenciado, 
percebido pelos clientes 
como um valor seu.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=cRC4iktG-
kE&t=13s. Acesso em: 11 out. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=cRC4iktG-kE&t=13s
https://www.youtube.com/watch?v=cRC4iktG-kE&t=13s
https://www.youtube.com/watch?v=cRC4iktG-kE&t=13s
Tomando como exemplo uma empresa que comercializa 
produtos alimentícios, no modelo tradicional de 
distribuição, a estrutura logística precisa entregar caixas 
fechadas de produtos para uma dezena ou, no máximo, 
uma centena de varejistas em determinada cidade. Essas 
entregas podem ser previamente agendadas, assim, o 
gestor de logística pode determinar uma rota de entregas 
que otimize os caminhões.
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Já em uma operação de e-commerce, a empresa precisará entre-
gar unidades dos produtos para milhares de diferentes clientes, que 
em geral não apresentam nenhuma regularidade nos seus padrões 
de compra. Pode acontecer de um caminhão de entrega se deslocar 
até o mesmo endereço no mesmo dia para entregar pedidos de di-
ferentes clientes.
Se por um lado as tecnologias da informação e da comunica-
ção aumentam as exigências dos clientes com relação aos ser-
viços prestados pelas operações de logística da empresa, por 
outro oferecem ferramentas, como sistemas de monitora-
mento e softwares de gestão de pedidos e de roteirização que 
auxiliam a empresa inovadora a oferecer um nível de serviço 
logístico que representa um diferencial competitivo.
Figura 6
Entregas e-commerce
Os clientes de e-commerce, por não 
terem acesso imediato ao produto, 
como ocorre nos varejos tradicionais, 
exigem maior velocidade e menor 
prazo de entrega. Demandam também 
um alto nível de informação e 
rastreabilidade dos pedidos, para que 
se sintam seguros de que o processo 
de compra será efetivado conforme 
informado previamente.
Gestão de negócios inovadoresGestão de negócios inovadores 129
An
dr
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130 Empreendedorismo
5.5 Gestão de pessoas e empreendedorismo 
Vídeo Antes vista como uma atividade burocrática, relacionada à rela-
ção jurídica estabelecida pelo contrato de trabalho celebrado pela 
empresa com seus colaboradores, a gestão dos recursos humanos 
é, atualmente, considerada uma central na estratégia das empresas, 
especialmente nas inovadoras.
Na maioria das organizações, as atividades de controle estratégico, 
relacionas à gestão das informações sobre horas trabalhadas e impos-
tos ligados à folha de pagamento ou às férias, são realizadas pelo depar-
tamento de pessoal. Já a área de recursos humanos realiza uma série 
de atividades relacionadas à gestão das competências e dos talentos 
representados pelos colaboradores, como explica Chiavenato (2014).
A primeira dessas atividades é representada pelo recrutamento e se-
leção, que tem o papel de identificar profissionais para colaborar com 
seus conhecimentos e competências, de modo que a empresa atinja 
seus objetivos. Nas empresas em processo de desenvolvimento ou que 
atuam com produtos e modelosde negócio inovadores, é fundamental 
atrair pessoas que possam atuar em um ambiente em constante trans-
formação. Como destacam Licciardi, Farias e Santos (2018, p. 153):
torna-se, portanto, indispensável a presença de colaboradores 
que conduzam as empresas aos mais elevados níveis de exce-
lência, em particular um reduzido número de pessoas capaz de 
proporcionar às organizações resultados surpreendentes, a par-
tir da originalidade, visão sistêmica e criação de oportunidades.
Outra atividade realizada pela área de recursos humanos é a de-
finição das responsabilidades dos cargos, da estrutura organizacio-
nal da empresa e da construção da cultura organizacional. Segundo 
Lopes (2019), as estruturas hierárquicas rígidas e em formato de pi-
râmide, comuns em empresas tradicionais, nas quais as decisões são 
tomadas no topo da hierarquia pela alta direção e impostas aos subor-
dinados, não são adequadas para empresas inovadoras.
O autor propõe que a hierarquia deve ser invertida, pois, se a em-
presa precisa atender às demandas do cliente, são os colaboradores 
que estão em contato direto com ele, sendo os direcionadores da es-
tratégia da empresa.
Apresentar os modelos de 
gestão de pessoas usados 
em empresas nascentes.
Objetivo de aprendizagem
Gestão de negócios inovadores 131
Para o autor, uma empresa só consegue se manter relevante e com-
petitiva no longo prazo se investir de maneira organizada e constante 
no desenvolvimento das competências técnicas e comportamentais de 
seus colaboradores.
A gestão de recursos humanos também é responsável por ativida-
des relacionadas à qualidade de vida de seus colaboradores, à saúde 
e à segurança do trabalho e a aspectos comportamentais e disciplina-
res. Outra atividade realizada pela área é a manutenção de um banco 
de dados com todo o histórico do colaborador, que será usado pelos 
gestores para subsidiar decisões sobre redirecionamentos, promo-
ções, realocações ou identificação de necessidades de acompanha-
mento ou desenvolvimento.
Para as empresas nascentes e as que atuam em mercados inovado-
res, é fundamental contratar, desenvolver e manter pessoas que este-
jam preparadas para colaborar com o processo de desenvolvimento do 
empreendimento. Porém, encontrar pessoas com espírito empreen-
dedor não é uma tarefa tão simples. Como destaca Dolabela (2003), 
há um mito estabelecido na sociedade de que o empreendedor é um 
indivíduo que já nasce com um talento para desenvolver a atividade 
empreendedora, que o diferencia dos demais.
Figura 7
Desenvolvimento de pessoas
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Ch
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Le
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A atividade de desenvolver pessoas, segundo 
Chiavenato (2014), é composta do treinamento e do 
desenvolvimento, fatores fundamentais para que a empresa 
esteja preparada para lidar com as constantes evoluções 
tecnológicas e as novas realidades do mercado.
132 Empreendedorismo
Para o autor, essa visão de que o empreendedorismo é um dom 
natural acaba por obscurecer o papel do estudo, da formação técnica, 
da dedicação e do trabalho na formação das características empreen-
dedoras. Urtado (2018) aponta que se estabeleceu uma teoria de que 
existem determinadas características comuns aos empreendedores e 
que elas podem ser desenvolvidas nos indivíduos.
Entretanto, como aponta Dolabela (2003), as competências ligadas 
ao empreendedorismo não são ensinadas no sistema tradicional de 
ensino. Na verdade, para o autor, a educação tradicional desestimula 
o desenvolvimento das competências empreendedoras, pois é manti-
do o status quo da economia capitalista, e tem como foco preparar os 
alunos para atuar como empregados em um mercado de trabalho já 
estabelecido. Ainda segundo Dolabela (2003, p. 16), “todos nascemos 
empreendedores e, se deixamos de sê-lo mais tarde, isso se deve à 
exposição a valores antiempreendedores na educação, nas relações 
sociais, no figurino cultural conservador a que somos submetidos”.
O conceito da pedagogia empreendedora, desenvolvido pelo 
mesmo autor, baseia-se na ideia de que o empreendedorismo deve 
ser ensinado às crianças desde o início do processo de educação. Esse 
modelo foi testado em centenas de cidades e aplicado a milhares de 
alunos em diversos estados do Brasil, com enorme sucesso, como mos-
tram Oliveira, Santos e Paradiso (2017). Para Dolabela (2003), o sistema 
educacional precisa ampliar seus próprios horizontes e abrir espaço 
nos currículos para incluir as competências empreendedoras, funda-
mentais em uma economia na qual a capacidade de inovação e o em-
preendedorismo são cada vez mais valorizados.
A visão de que o principal recurso das empresas, em especial das 
inovadoras, é o seu capital humano faz com que a própria nomencla-
tura da área seja questionada, já que as pessoas são muito mais do 
que um recurso. Sovienski e Stigar (2008) sugerem que a área deve 
ser nomeada como gestão de pessoas, para resgatar o valor do ser 
humano no contexto profissional. Na economia do conhecimento, 
que envolve a inovação e a capacidade de atuar em ambientes em 
constante mudança, as pessoas representam o verdadeiro valor de 
uma empresa e seu diferencial competitivo.
A palestra As escolas 
matam a criatividade?, 
realizada pelo professor 
Ken Robinson – que 
estudou o sistema de 
educação de vários 
países e identificou que 
a maioria tem como foco 
a preparação de mão de 
obra para o mercado de 
trabalho –, aponta que 
a forma como o ensino 
é organizado pune a 
criatividade e incentiva a 
conformação a padrões 
e normas.
Disponível em: https://www.
ted.com/talks/sir_ken_
robinson_do_schools_kill_ 
creativity?language=pt-BR. Acesso 
em: 11 out. 2021.
Vídeo
A coleção 
Empreendedorismo é 
composta de três livros, 
dois deles direcionados 
aos alunos – Em busca 
do sonho e Crescendo 
com empreendedorismo – 
e um direcionado à famí-
lia – Empreendedorismo: 
livro da família. Os livros 
são uma ferramenta es-
sencial para desenvolver 
a capacidade empreen-
dedora nos alunos.
LOPES, A.; ROLLEMBERG, G. São 
Paulo: FuturaED, 2019.
Livro
https://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_do_schools_kill_ creativity?language=pt-BR
https://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_do_schools_kill_ creativity?language=pt-BR
https://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_do_schools_kill_ creativity?language=pt-BR
https://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_do_schools_kill_ creativity?language=pt-BR
Gestão de negócios inovadores 133
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para que possa colocar em prática seus planos de negócio, o empreen-
dedor precisa não apenas de uma ideia de produto, serviço ou modelo de 
negócio inovador, mas também da capacidade de transformar seus pla-
nos em um negócio real, de realizar suas atividades de maneira eficiente 
e lucrativa, de entregar os resultados econômicos para os investidores 
e sócios, de dar o valor desejado pelos clientes com relação às suas de-
mandas, desejos e necessidades e de garantir que suas operações sejam 
ambiental e socialmente responsáveis.
As ferramentas de gestão das diversas áreas que compõem a estrutu-
ra de uma empresa são fundamentais para que os planos estratégicos, as 
ações táticas e os processos operacionais da empresa sejam realizados 
de acordo com o planejado. Assim, conhecer os modelos de gestão tradi-
cionais e entender como as inovações tecnológicas e as mudanças sociais 
e comportamentais do mercado impactam a gestão da empresa são com-
petências fundamentais para o empreendedor.
ATIVIDADES
Atividade 1
Explique o conceito de inovação organizacional e sua importância 
para as empresas inovadoras.
Atividade 2
Discuta as principais características da inovação aberta.
Atividade 3
Explique o conceito dos 4 Ps do marketing.
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136 Empreendedorismo
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Resolução das atividades
1 Empreendedorismo e inovação
1. Explique a diferença entre empreendedorismo, inovação e 
capacidade inventiva de um indivíduo.
O que difere o empresário empreendedor do inventor é a capacidade 
de atribuir valor econômico à invenção. Enquanto a atividade 
empreendedora tem como um fator definidor a criação de valor 
econômico, as invenções não necessariamente agregam esse aspecto.
2. Comente a diferença entre empreendedorismo e intraempreen-
dedorismo.
O empreendedorismo se dá quando há a criaçãode uma 
organização específica para alcançar a oportunidade inicialmente 
identificada. Já o intraempreendedorismo ocorre quando um 
profissional com características inovadoras e empreendedoras 
desenvolve novas ideias e projetos e busca colocá-los em prática 
na empresa em que atua.
3. Conceitue inovação de produto e inovação de processo.
A inovação em produto está relacionada à proposta para um produto 
novo ou até mesmo ao incremento de alguma característica nova 
em um produto já existente que tenha como intenção oferecer uma 
experiência inédita para os consumidores. Já a inovação em processo 
diz respeito à instalação de nova prática nas rotinas de produção dos 
produtos ou na prestação de serviços. O foco desse tipo de inovação 
é o processo de produção, e não o produto ou serviço em si, que 
pode manter suas características, mas ser produzido de outra forma.
2 Novos modelos de negócios
1. Explique o conceito de modelo de negócios.
Modelo de negócios é uma ferramenta utilizada para facilitar o 
estudo de um objeto, situação ou evento real, pois possibilita 
controlar as variáveis e identificar o impacto de cada uma delas 
sobre os objetivos propostos. Já o conceito de negócio está 
relacionado à atividade organizada, realizada por indivíduo ou grupo 
de indivíduos, para produzir, organizar e ofertar bens e serviços a 
clientes e consumidores. Assim, o termo modelo de negócios pode 
Resolução das atividades 137
ser entendido como uma forma de apresentar novas ideias de 
produtos, serviços e formas de organização aos interessados, sejam 
eles investidores, clientes ou o mercado.
2. Conceitue economia circular e economia compartilhada e, depois, 
diferencie os dois conceitos.
Economia compartilhada é o compartilhamento de bens e serviços por 
meio da utilização de uma plataforma digital entre pessoas que não 
se conhecem. Os participantes que oferecem o compartilhamento de 
seus bens e ativos tanto podem fazê-lo com o objetivo de obter uma 
remuneração ou lucro quanto podem buscar compensações que não 
sejam financeiras. 
Já o conceito da economia circular está relacionado à visão de que 
os processos tradicionais de produção e consumo linear precisam 
ser repensados, com o objetivo de incorporar soluções simultâneas 
para o descarte dos produtos pós-uso e a extração de insumos 
diretamente da natureza, com a inserção na linha de produção da 
reutilização tanto de resíduos de produtos de consumo pós-uso 
quanto de resíduos industriais.
3. As startups apresentam como características básicas o fato de 
serem repetíveis e escaláveis. Comente essas duas características.
Repetível: o modelo de negócios possibilita que a empresa entregue 
seu produto e serviço em quantidade ilimitada, sem a necessidade de 
adaptações ou customizações e sem perda de qualidade. 
Escalável: o modelo de negócios possibilita que a empresa cresça e 
aumente sua receita rapidamente, sem que os custos aumentem na 
mesma proporção. 
3 Planejamento estratégico e modelagem de negócios
1. Por que é importante para a empresa ter uma estratégia bem 
definida de atuação no mercado?
No cenário competitivo, a sobrevivência de uma empresa, seja ela 
pequena, média ou grande, está relacionada à sua capacidade 
de atrair e fidelizar os clientes e de lidar com a complexidade de 
um cenário repleto de interferências e transformações políticas, 
econômicas, culturais e tecnológicas. Saber lidar com as questões 
estratégicas é uma das principais competências que o empreendedor 
precisa ter ou desenvolver para enfrentar os desafios que se 
colocam à sua frente e driblá-los.
138 Empreendedorismo
2. Explique a importância do uso de ferramentas de mensuração 
para o acompanhamento do cumprimento das metas definidas no 
planejamento estratégico.
As ferramentas para mensuração do cumprimento das metas têm 
a função não só de acompanhar os resultados, mas também de 
identificar informações e gerar conhecimentos para traçar novas 
metas para períodos futuros. Essas ferramentas de mensuração de 
resultados estratégicos devem possibilitar a análise comparativa da 
empresa com o mercado de atuação. Resultados satisfatórios em 
relação aos objetivos traçados podem estar aquém do crescimento 
do mercado em que a organização atua. Nesse contexto, mesmo que 
o resultado pareça ser positivo, na prática a empresa está em declínio, 
uma vez que não aproveita todas as oportunidades do mercado.
3. O que são oportunidades e ameaças no contexto do 
planejamento estratégico?
As forças competitivas do mercado concorrente e os eventos diversos 
podem provocar situações desfavoráveis para as empresas; no 
entanto, eles podem ser previstos com antecedência pelas análises 
estratégicas. As oportunidades e ameaças são situações favoráveis e 
desfavoráveis que surgem com fenômenos ou eventos que ocorrem 
no ambiente externo, sendo comuns a todas as empresas. Porém, 
para algumas, os impactos podem ser mais significativos do que 
para outras, ou seja, um evento pode desencadear outra série de 
eventos que afeta diferentemente cada uma delas, dependendo da 
natureza do seu negócio.
4 Gestão financeira para o empreendedor
1. Conceitue Valor Presente Líquido (VPL) e explique as vantagens e 
desvantagens de se usar esse indicador durante a análise de um 
plano de negócios.
O VPL é um indicador financeiro que tem a finalidade de calcular o 
valor presente do resultado da somatória do fluxo de caixa que o 
negócio conseguirá obter em determinado período. Além disso, 
possibilita a aferição do desempenho econômico-financeiro dos 
investimentos realizados para dar início ao negócio, retratando o 
quanto o investimento no modelo de negócio irá gerar em dinheiro 
no período calculado, em relação ao valor atual do investimento.
A vantagem de utilizar o índice VPL para calcular a viabilidade 
financeira de um empreendimento é a possibilidade de se 
identificar o valor do dinheiro ao longo do tempo. Já a desvantagem 
Resolução das atividades 139
desse cálculo é a necessidade de a previsão de fluxo de caixa ser 
muito precisa, pois essa informação é fundamental para que se 
obtenha um indicador confiável. 
2. Diferencie os conceitos de risco e incerteza e explique a importância 
de conhecer os riscos e as incertezas para que o empreendedor 
possa desenvolver o plano de negócios de uma nova empresa.
Os riscos e as incertezas são fatores integrantes do cenário 
inerente ao empreendedorismo. Porém, há uma diferença entre 
os dois conceitos que é fundamental: enquanto os riscos podem 
ser conhecidos e é possível ter controle sobre eles, as incertezas 
não estão sob o controle do empreendedor. Os níveis de riscos 
de um empreendimento – em especial em uma empresa nascente, 
inovadora ou baseada em um novo modelo de negócios – devem 
ser considerados na sua concepção. O empreendedor precisa 
conhecer boas práticas de análise de risco para que possa 
identificar os riscos presentes no empreendimento.
Já a incerteza é um componente indissociável do ambiente de 
negócios, pois as decisões estratégicas tomadas pelo empreendedor 
ou gestor são baseadas em expectativas futuras relacionadas 
aos planos e objetivos da empresa. Como forma de amenizar as 
incertezas, é importante observar alguns critérios e elementos que 
possam subsidiar a decisão de modo a torná-la mais assertiva.
3. Explique os conceitos de capital semente e de IPO (Initial Public 
Offering) e explique as situações em que cada uma dessas formas 
de captação de investimento é mais adequada para uma startup.
O capital semente (seed capital) é uma modalidade de fonte de 
financiamento indicada para empresas que ainda estão na fase 
de propostas de ideias. No caso das startups, é bastante comum 
receberem não somente aporte de capital, mas também suporte 
consultivo e mentoria para que se desenvolva um plano de negócios 
estruturado com as ideias do empreendedor.
Já no caso da IPO (Initial Public Offering) o acesso depende do apoio 
de consultorias independentes, corretoras e bancos de investimentospara viabilizar o acesso por meio de bolsas de valores. Normalmente 
essa fonte de financiamento só é acessada por empresas que, apesar 
de serem novas e baseadas em inovações de produtos, serviços ou 
modelos de negócio, já alcançaram um tamanho suficientemente 
grande e, por isso, precisam de aporte de capital para expandir ainda 
mais seus negócios.
140 Empreendedorismo
5 Gestão de negócios inovadores
1. Comente o conceito de inovação organizacional e sua importância 
para as empresas inovadoras.
O espírito criativo não pode estar presente apenas nos produtos, 
serviços ou modelos de negócio, mas também deve fazer parte dos 
processos e das estruturas operacionais de gestão da empresa. A 
inovação organizacional tem como objetivo melhorar os processos 
da instituição, diminuir os entraves e possibilitar que ela possa 
reagir rapidamente às mudanças externas, relacionadas a aspectos 
tecnológicos, comportamentais, sociais, econômicos ou político-legais. 
Para que a inovação organizacional seja uma realidade em uma 
empresa, é de fundamental importância investir no desenvolvimento 
dos recursos humanos da organização para que se possa criar 
uma cultura inovadora, pois a inovação não pode estar restrita a 
algumas áreas ou apenas sob a responsabilidade dos líderes ou de 
colaboradores específicos, devendo ser compartilhada como uma 
responsabilidade e uma atribuição de todos os funcionários.
2. Discuta as principais características da inovação aberta.
O conceito de inovação aberta pode ser entendido como um 
modelo de gestão que tem o propósito de ampliar as possibilidades 
de gerar inovação, uma vez que ultrapassa os limites da empresa 
em busca de parcerias externas para fomentar a criatividade e a 
inovação. Ela funciona como uma rede de troca de informações, 
tecnologia e ideias, proporcionando benefícios mútuos e ampliando 
as possibilidades de criação de novos produtos e serviços. Apesar 
dos benefícios, a inovação aberta apresenta riscos, tanto em razão 
do desenvolvimento de estruturas de coordenação da relação com 
parceiros externos quanto com relação a conhecimentos, tecnologias 
e experiências que a empresa compartilha com os parceiros, que 
podem ser utilizados de maneira indevida.
3. Explique o conceito dos 4 Ps do marketing.
Também conhecidos como mix de marketing, os 4 Ps do marketing 
(produto, preço, praça e promoção) estão relacionados às quatro 
funções básicas realizadas pela área de marketing:
• Desenvolvimento do produto, que também inclui serviços e ideias.
• Determinação do preço a ser praticado, que pode ser ligado tanto 
aos custos de produção quanto à percepção de valor do cliente 
com relação aos bens comercializados pela empresa.
Resolução das atividades 141
• Determinação da praça ou dos canais de distribuição que serão 
utilizados, como varejos tradicionais, venda direta ou canais digitais, 
conhecidos como e-commerce.
• Promoção, que envolve a criação da marca, do design, da 
comunicação, da publicidade, da propaganda e da venda dos 
produtos e serviços.
142 Empreendedorismo
Empreended rismo
 F a b i a n o C a x i t o
 F
a
b
ia
n
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 C
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x
ito
E
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e
d
o
ris
m
o
ISBN 978-65-5821-090-0
9 786558 210900
Código Logístico
I000374
	Página em branco
	Página em brancoempresas de locação de equipamentos etc.), 
com mais de 400 mil empresas. (CAXITO, 2020b, p. 16)
Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Con-
tínua (PNAD contínua), que mostram a distribuição das atividades em-
preendedoras por setor, indicam que o setor de serviços registra os 
maiores crescimentos nos últimos anos, saltando de 32,80% em 2015 
para 40,31% em 2019, conforme visto na figura a seguir.
Figura 5
Brasil: empreendedorismo por empresa e setor econômico (2019)
SERVIÇO
40,21% 13,60%22,99% 13,23% 9,87%
CONSTRUÇÃOCOMÉRCIO AGRONEGÓCIO INDÚSTRIA
Fonte: Adaptado de IBGE, 2019. 
As mudanças na dinâmica global da produção e comercialização de 
produtos e serviços fazem parte do ambiente econômico e social que im-
pactam tanto no surgimento de novos concorrentes como no intercâm-
bio de conhecimento fundamental às inovações. Em resposta a essas 
mudanças, Sarfati (2013) aponta que, desde a década de 1980, o governo 
brasileiro vem dedicando esforços para fomentar o surgimento de pe-
quenas e médias empresas como forma de gerar emprego, renda para 
população e arrecadação de tributos para os cofres públicos, além, sem 
dúvida, de provocar o aquecimento da economia nacional.
Nessa linha, várias ações de políticas públicas surgiram com o intui-
to de abranger os mais variados tipos de negócio, sejam voltados para 
indústria, comércio, serviço ou agronegócio, abrangendo empresas 
geradoras de emprego diretos, profissionais liberais ou legalização de 
atividades até então não profissionalizadas, inclusive tributariamente. 
Disso resulta o surgimento das seguintes categorias jurídicas:
O PIB é um indicador 
econômico que mostra a 
soma dos bens e serviços 
produzidos durante um 
determinado período – 
mês ou ano, por exemplo 
– por um país, estado ou 
cidade. Como é calculado 
sobre os preços finais pa-
gos pelos consumidores 
pelos produtos e serviços, 
o PIB também inclui em 
seu valor os impostos 
pagos pelas indústrias e 
pelo comércio. O PIB não 
representa a riqueza de 
um país, mas sim o fluxo 
de produção de novos 
bens e serviços em um 
determinado período. As-
sim, mesmo um país com 
grandes riquezas pode ter 
um PIB baixo em um dado 
período.
Saiba mais
Empreendedorismo e inovação 21
 • MEI (Microempreendedor Individual);
 • ME (Microempresa);
 • EPP (Empresa de Pequeno Porte);
 • EIRELI (Empresa Individual de Responsabilidade Social).
Para integrar o recolhimento de tributos e contribuições dessas 
categorias, foi criado o Simples Nacional, como apontam Costa et al. 
(2015) e Machado, Barros Filho e Pereira (2015).
Dados coletados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do 
Ministério da Economia (BRASIL, 2021b), mostram que o número de em-
pregos gerados pelas ME e EPP em 2018 somavam 54,19% dos empre-
gos no Brasil, enquanto as médias empresas respondiam por 13,96% e 
as grandes empresas, por 31,85% dos cargos ocupados, corroborando a 
visão de Caxito (2020b) sobre a importância da pequena empresa na gera-
ção de empregos, bem como as afirmações de Otto e Vieira (2020) sobre o 
crescimento do empreendedorismo no Brasil.
No ano de 2021, foi promulgada a Lei Complementar n. 182 (BRASIL, 
2021a), que institui um novo marco legal para o desenvolvimento de 
empresas ligadas à inovação. Conhecida como o marco legal das star-
tups e do empreendedorismo inovador, a lei define parâmetros para as 
empresas baseadas em inovação tecnológica, tanto com relação a pro-
dutos e serviços quanto ao modelo de negócios.
Segundo Otto e Vieira (2020), a política pública de facilitação do pro-
cesso de abertura de empresas e a simplificação dos recolhimentos de 
impostos e tributos foram formas desenvolvidas pelo governo federal 
para incentivar o empreendedorismo e a formalização de empresas. 
O crescimento do número de empreendedores formais no Brasil no 
período de 2015 a 2019 foi bastante significativo, com um aumento de 
2,04 milhões de novos empresários.
A partir do ano de 2020, muitas empresas tiveram que fechar de-
vido à quarentena causada pela Pandemia da Covid-19, aumentando 
assim o desemprego. Por outro lado, o número de novas empresas 
abertas teve um crescimento acelerado. Segundo dados do Sebrae (SE-
BRAE, 2021), somente no primeiro quadrimestre do ano de 2021, cerca 
de 1 milhão de novas empresas foram registradas. No mesmo período, 
Simples Nacional: 
regime tributário criado 
em 2006 para atender e 
beneficiar micro e peque-
nas empresas — incluindo 
os microempreendedores 
individuais (MEIs), visando 
reduzir a burocracia e 
os custos de pequenos 
empresários, criando 
um sistema unificado de 
recolhimento de tributos, 
simplificando declarações, 
entre outras facilidades.
Saiba mais
Considerado um dos mais 
importantes empresários 
e empreendedores do 
Brasil, no vídeo Abílio Di-
niz: o futuro está nas mãos 
do jovem empreendedor, 
do canal Endevor Brasil, 
ele fala, em palestra du-
rante o Congresso Global 
do Empreendedorismo 
(GEC), sobre aprendizado 
e liderança como fatores 
fundamentais para o su-
cesso do empreendedor
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=9TW6STqalxo. Acesso em: 
12 ago. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=9TW6STqalxo
https://www.youtube.com/watch?v=9TW6STqalxo
https://www.youtube.com/watch?v=9TW6STqalxo
22 Empreendedorismo
cerca de 360 mil empresas foram fechadas. Esse crescimento da quan-
tidade de novas empresas é explicado pelo Sebrae como um reflexo do 
desemprego, que leva muitas pessoas a empreender por necessidade.
1.4 Inovação tecnológica e estratégia 
Vídeo A inovação tecnológica está intrinsecamente relacionada ao concei-
to do empreendedorismo e tem, segundo Karpinski, Guerner e Martins 
(2019), papel preponderante nas estratégias empresariais como com-
ponente determinante na criação de valor agregado na forma de di-
ferenciais competitivos, tanto no surgimento de novos produtos ou 
serviços como na melhoria dos produtos e serviços já existentes.
Segundo a Lei n. 10.973, que dispõe sobre incentivos à inovação e 
à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, inovação é 
definida como:
Art. 2º parágrafo IV - inovação: introdução de novidade ou aper-
feiçoamento no ambiente produtivo e social que resulte em 
novos produtos, serviços ou processos ou que compreenda a 
agregação de novas funcionalidades ou características a produto, 
serviço ou processo já existente que possa resultar em melhorias 
e em efetivo ganho de qualidade ou desempenho. (BRASIL, 2004)
Balbino et al. (2020) destacam a importância da inovação tecnoló-
gica no desenvolvimento econômico e social de uma nação. Para os 
autores, o que marca a inovação é a criação de algo novo que possa ser 
revertido em resultados que movimentem a economia e disso se obte-
nham ganhos sociais efetivos, como a geração de emprego, a produ-
tividade, a arrecadação tributária e a melhoria de indicadores sociais: 
“inovação é a forma de se produzir outras coisas, ou as mesmas de 
outras maneiras, combinando diferentes materiais e forças, com vistas 
a realizar novas combinações” (BALBINO et al., 2020, p. 6).
Já Grizendi (2011) afirma que a criação, a melhoria ou o desenvolvi-
mento de novas características em um produto ou serviço podem ser 
considerados uma inovação. O autor também destaca a importância 
do retorno econômico e social obtido com base na implantação de uma 
inovação, corroborando as afirmações de Balbino et al. (2020).
Explicar os conceitos de 
inovação tecnológica e 
sua relação com a estraté-
gia empresarial.
Objetivo de aprendizagem
Série
A corrida pelo desenvolvi-
mento rápido de uma va-
cina para combater uma 
das maiores pandemias 
que assolou a humanida-
de nos últimos séculos, 
Covid-19, é o tema da 
série Por um respiro, com-
posta por cinco episódios 
e que mostra como a 
inovação tecnológica foi 
fundamental para que 
diversos países e empre-
sas tenham conseguido 
desenvolver as vacinas 
em tempo recorde.
Direção: Álvaro Pereira Júnior. Brasil: 
OceanFilmes, 2021.
Empreendedorismo e inovação 23
O rápido desenvolvimento de tecnologias relacionadas à informa-
ção e às comunicações, conhecidas como TIC, bem como os impactos 
trazidos para o cotidiano das empresas, pessoas, governos e socieda-
de, muitas vezes leva à percepção de que o conceito de inovação tec-
nológica ocorre apenas no desenvolvimento desse tipo de tecnologia.
Como apontam Reina, Thomaz e Magalhães (2021), os avanços tec-
nológicos não se limitam apenas à TIC, principalmente ao se pensar 
em estratégias empresariais. Por exemplo, todos os investimentos em 
pesquisas e desenvolvimentos envolvidos na solução para descobrir a 
vacina contra a covid-19 são considerados inovações tecnológicas.
Rozenfeld et al. (2006) afirmam que a inovação é essencial para a 
sobrevivência das empresas ao longo da sua trajetória em uma prática 
contínua e replicável. Para os autores, a inovação constante depende 
de um adequado modelo de gestão da inovação. Paiva et al. (2018) com-
pletam assinalando que o empreendedor, por sua natureza inata ou 
desenvolvida, é capaz de assumir os riscos e as incertezas da inovação.
Já Gavira et al. (2007) ressaltam a inovação como meio encontra-
do pelas empresas para enfrentar o “ambiente extremamente compe-
titivo” entre as organizações e acentuam que a verdadeira conquista 
competitiva está no ganho de velocidade no processo de inovação, não 
somente na implantação do que será inovador.
A ideia da gestão da inovação tecnológica é estruturada, com 
uma atenção no nível estratégico, as subfunções, as ferramen-
tas, os processos e as rotinas que precisam funcionar como orga-
nização periodicamente e previsibilidade para que inovação não 
seja algo espontâneo. Há desde ferramentas de planejamento e 
prospecção de atividades até ferramentas de avaliação. (GAVIRA 
et al., 2007, p. 80)
Dada a importância da inovação para o crescimento das empresas, 
Rozenfeld et al. (2006) apontam que muitas delas passaram a inves-
tir na sistematização do processo inovador como forma de permitir a 
gestão controlada da inovação, esta que é componente integrante do 
mercado e necessariamente contida em maior ou menor escala nos 
processos das empresas, cada qual com suas metodologias de proje-
O livro Estratégia em-
presarial: o desafio das 
organizações apresenta 
uma profunda refle-
xão sobre a estratégia 
empresarial, destacando 
o papel da inovação na 
busca dos objetivos da 
empresa e na perenidade 
da organização. O texto é 
fundamental para quem 
busca entender como a 
estratégia empresarial 
deve ser claramente 
definida para orientar os 
esforços e investimentos 
da empresa.
GONÇALVES, C. A.; GONÇALVES 
FILHO, C.; REIS NETO, M. T. São 
Paulo: Saraiva, 2012.
Livro
24 Empreendedorismo
tos em maior ou menor grau de know-how. Bueno e Balestrin (2012) 
exemplificam esse conceito por meio do modelo de inovação aberta da 
empresa Natura, que pode ser visto na figura a seguir.
Figura 6
Inovação aberta 
Fonte: Adaptada de Bueno; Balestrin, 2012, p. 520.
Pesquisa Desenvolvimento 
Novo mercado 
Mercado atual
Limites da empresa
Ideias e projetos
Para Gavira et al. (2020), um componente importante em direção à 
melhor organização dos processos de inovação é o alinhamento dos 
processos de desenvolvimento de produtos, mercadológicos e tecnoló-
gicos às estratégias de negócios das empresas. Rocha, Olave e Ordonez 
(2020) concordam com essa visão e afirmam: “Não basta apenas que as 
organizações reconheçam a importância da inovação para o sucesso e 
sobrevivência de seus negócios, é preciso também que estejam atentas 
e aptas à seleção e implementação das melhores estratégias de inova-
ção” (ROCHA; OLAVE; ORDONEZ; 2020, p. 87).
Heidenreich e Kraemer (2016) consideram que a inovação tecno-
lógica é fundamental para as empresas, tanto para ampliar sua par-
ticipação nos mercados em que já atuam quanto para atingir novos 
mercados – por meio de novos produtos, serviços e processos produ-
tivos –, e afirmam que não é possível separar as ações de inovação 
tecnológica das estratégias de negócio das empresas.
De modo complementar, Sanches e Machado (2014) acreditam que 
o planejamento organizacional é utilizado como ferramenta de apoio 
know-how: palavra usada 
no meio empresarial para 
se referir aos conheci-
mentos sobre técnicas, 
processos, informações 
e procedimentos neces-
sários para atuar em um 
determinado mercado 
ou realizar uma atividade 
profissional.
Glossário
Empreendedorismo e inovação 25
às decisões estratégicas das empresas que em suas propostas de negó-
cio integram as inovações alinhadas ao lançamento de novos produtos, 
serviços e o envolvimento em novos mercados.
Rocha, Olave e Ordonez (2020) apresentam diversas formas que 
as empresas utilizam para colocar em prática sua estratégia de 
inovação, como parcerias com outras organizações e com clientes, 
internacionalização e parcerias com institutos de pesquisa e organi-
zações públicas.
O que se busca na parceria com outras organizações é o intercâm-
bio de soluções para resolução de problemas existentes e potenciais; 
já os clientes são grande fonte de informação de desejos implícitos em 
suas necessidades; quanto à internacionalização, o que se pretende 
é trazer novas tecnologias para melhorar o processo produtivo para 
ganho de escala; e com os stakeholders a ideia é a troca de conheci-
mentos adicionados ao know-how do parque tecnológico da empresa 
objetivando originar soluções inovadoras.
Não é possível afirmar que há uma tipologia de estratégia melhor 
ou pior, ficando a diferença de performance e consequentes resulta-
dos dependentes da eficiência em adotá-las de maneira aderente às 
estratégias globais da empresa, uma vez que todas são direcionadas 
aos processos de inovação e objetivam o crescimento sustentado nos 
resultados gerais da empresa.
O vídeo Tecnologia e 
inovação, desenvolvido 
pela ONG Contato e a 
Companhia de Desenvol-
vimento Econômico de 
Minas Gerais (CODEMIG), 
discute possibilidades 
de uso das tecnologias 
digitais como uma forma 
de gerar inovação e trazer 
impactos econômicos e 
sociais. 
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=3_
KCMvCIcPw. Acesso em: 12 ago. 
2021.
Vídeo
Stakeholders: indivíduos, 
grupos, organizações e 
instituições que apresen-
tam alguma relação e inte-
resse sobre determinada 
empresa (empresários, 
investidores, funcionários, 
fornecedores, clientes, 
governo e a comunidade).
Glossário
1.5 Tipos de inovação 
Vídeo Conhecer os tipos de inovação existentes é fundamental para ter 
um arsenal de recursos possíveis, no sentido de optar por aquele que 
possa trazer resultados mais significativos para a organização.
Cardoso (2020) destaca a influência que a cultura da organização 
exerce sobre a escolha do tipo de inovação mais frequentemente utili-
zada – empiricamente ou sistematicamente –, o que explica a diferença 
entre os resultados obtidos por empresas com características seme-
lhantes, mas que, por apresentarem diferenças culturais, não atingem 
o mesmo desempenho inovador.
Restringir os tipos de inovação apenas ao desenvolvimento de 
produtos ou tecnologias limita os processos de criação. Hekkert et al. 
(2020) destacam que o processo de inovação parte da observação do 
Apresentar os tipos de 
inovação que podem ser 
aplicados nas empresas.
Objetivo de aprendizagem
https://www.youtube.com/watch?v=3_KCMvCIcPw
https://www.youtube.com/watch?v=3_KCMvCIcPw
https://www.youtube.com/watch?v=3_KCMvCIcPw
26 Empreendedorismo
ambiente no qual a organização está inserida e tem como objetivo res-
ponder às demandas dos clientes e da sociedade. A inovação, segundo 
os autores, ocorre dentro de um contexto que envolve a conjuntura 
econômica, política, cultural, educacional, e também questões sociais 
e ambientais.
Um exemplo foi o grande salto de investimentos em inovação nas 
mais diversas áreas ocorrido no mundo a partir de 2020, com o adven-
to da pandemia global causada pelo vírus da covid-19.Além dos inves-
timentos na busca por vacinas e tratamentos, as empresas precisaram 
buscar novas formas de organização de trabalho, novos processos de 
fabricação, de atendimento e de prestação de serviços, bem como pre-
cisaram incluir inovações em seus produtos e serviços para atender às 
regras sanitárias.
O impacto da quarentena imposto pela pandemia global causada pela 
covid-19 sobre o mercado de hotelaria e o uso da inovação como uma forma 
de resposta estratégica à queda da demanda pelos serviços de hospedagem 
é o foco do artigo Enfrentando a crise da pandemia de Covid-19: a inovação se-
ria um caminho possível aos meios de hospedagem?. Os autores Raphael Lean-
dro Fernandes Moreira, Daniel Paulino Teixeira Lopes e Daniela Maria Rocco 
Carneiro abordam como as restrições sanitárias impactaram o modelo de 
negócios dos hotéis e analisam as ações tomadas pelas empresas do ramo.
Acesso em: 12 ago. 2021.
https://www.researchgate.net/profile/Daniel-Lopes-4/publication/341763408_Enfrentando_a_crise_
da_pandemia_de_COVID-19_A_inovacao_seria_um_caminho_possivel_aos_meios_de_hospedagem/
links/5edbf5a2299bf1c67d4ac424/Enfrentando-a-crise-da-pandemia-de-COVID-19-A-inovacao-seria-um-
caminho-possivel-aos-meios-de-hospedagem.pdf
Artigo
Muller, Välikangas e Merlyn (2005) destacam a importância de 
a empresa investir em uma gama variada de tipos de inovação, que 
não se limitem às dimensões de produtos e tecnologia, mas também 
incluam inovações em processos e em modelos de negócios aderen-
tes às competências naturais da organização conforme a sua cultura 
organizacional.
Sawhney, Wolcott e Arroniz (2006) ampliam esse conceito e enten-
dem que as empresas precisam olhar para maiores possibilidades de 
inovação. Os autores sugerem um radar de inovação que contém 12 
dimensões e indica a necessidade de a empresa se concentrar, no má-
ximo, em cinco delas, sob risco de comprometer sua capacidade de 
conseguir vantagens competitivas significativas devido à dispersão dos 
esforços, assim como mostra o quadro a seguir.
https://www.researchgate.net/profile/Daniel-Lopes-4/publication/341763408_Enfrentando_a_crise_da_pandemia_de_COVID-19_A_inovacao_seria_um_caminho_possivel_aos_meios_de_hospedagem/links/5edbf5a2299bf1c67d4ac424/Enfrentando-a-crise-da-pandemia-de-COVID-19-A-inovacao-seria-um-caminho-possivel-aos-meios-de-hospedagem.pdf
https://www.researchgate.net/profile/Daniel-Lopes-4/publication/341763408_Enfrentando_a_crise_da_pandemia_de_COVID-19_A_inovacao_seria_um_caminho_possivel_aos_meios_de_hospedagem/links/5edbf5a2299bf1c67d4ac424/Enfrentando-a-crise-da-pandemia-de-COVID-19-A-inovacao-seria-um-caminho-possivel-aos-meios-de-hospedagem.pdf
https://www.researchgate.net/profile/Daniel-Lopes-4/publication/341763408_Enfrentando_a_crise_da_pandemia_de_COVID-19_A_inovacao_seria_um_caminho_possivel_aos_meios_de_hospedagem/links/5edbf5a2299bf1c67d4ac424/Enfrentando-a-crise-da-pandemia-de-COVID-19-A-inovacao-seria-um-caminho-possivel-aos-meios-de-hospedagem.pdf
https://www.researchgate.net/profile/Daniel-Lopes-4/publication/341763408_Enfrentando_a_crise_da_pandemia_de_COVID-19_A_inovacao_seria_um_caminho_possivel_aos_meios_de_hospedagem/links/5edbf5a2299bf1c67d4ac424/Enfrentando-a-crise-da-pandemia-de-COVID-19-A-inovacao-seria-um-caminho-possivel-aos-meios-de-hospedagem.pdf
Empreendedorismo e inovação 27
Quadro 1
Doze dimensões do radar de inovação
Dimensão Inovação
Oferta Criar e desenvolver produtos e/ou serviços valorizados pelo cliente.
Plataforma
Explorar o “poder do que é comum”: usar a constituição modular para criar um con-
junto diversificado de ofertas, de modo mais rápido e barato do que se fossem itens 
independentes.
Soluções
Explorar a variedade de seleção e a profundidade da integração dos diferentes 
elementos para criar valor para os clientes.
Clientes
Descobrir novos segmentos de clientes (não atendidos) e/ou encontrar necessidades 
não atendidas e/ou desarticuladas dos clientes.
Experiência 
do cliente
Redesenhar as interações com os clientes em todos os pontos e momentos de contato, 
de modo a melhorar a experiência antes, durante e após o consumo.
Captura de valor
Redefinir a maneira como a empresa é paga, seja por meio da criação de novos fluxos 
de receita inexplorados, do desenvolvimento de novos sistemas de preços ou da expan-
são da capacidade de captura de valor das interações com os stakeholders.
Processos
Rever os principais processos operacionais de modo a obter maior eficiência, melhor 
qualidade ou ciclo mais curto (maior eficácia) e realocar processos ou dissociar interfa-
ces nos seus elementos constituintes.
Organização
Repensar o alcance das atividades da empresa, redefinir a função e as responsabilida-
des da organização e alterar a forma da sua atividade, alinhando recursos operacionais.
Cadeia de 
abastecimento
Reequacionar o fornecimento e o atendimento de modo a otimizar o fluxo de informa-
ções, a estrutura organizacional ou a colaboração entre participantes da cadeia de valor.
Presença
Criar pontos de presença ou utilizar os existentes de maneira criativa, garantindo a pre-
sença nos locais onde o cliente-alvo compra.
Networking
Melhorar a rede que cria ofertas inteligentes e integradas, aumentando o valor da oferta 
da empresa.
Marca Alavancar criativamente a marca para novos domínios.
Fonte: Adaptado de Cardoso, 2020, p. 8.
Cardoso (2020) sugere atrelar as análises da cultura da organização à 
proposta do “radar de inovação” como mecanismo de identificação dos 
melhores meios para concentrar as ações e os investimentos de/em ino-
vação, visando atingir resultados mais consideráveis e duradouros.
Segundo Kon (2018), a inovação de produto, que conceitualmente 
se aplica também aos serviços, tem a intenção de atender às demandas 
originadas dos usuários dos produtos ou serviços oferecidos pelas em-
presas. Pazmino (2015) aponta que se enquadra nesse tipo de inovação 
toda implementação proposta para um produto novo ou até mesmo o 
incremento de alguma característica nova em um produto já existen-
te que tenha como intenção oferecer uma experiência inédita para os 
consumidores.
28 Empreendedorismo
A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico 
(OCDE), organismo internacional que reúne cerca de 40 países, publi-
cou, no ano de 1990, o Manual de Oslo com o objetivo de organizar e 
padronizar a coleta e o uso de dados sobre inovação. Segundo o ma-
nual, as inovações em produtos ou serviços “incluem melhoramentos 
significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, 
softwares incorporados, facilidade de uso ou outras características fun-
cionais” (OECD, 1997, p. 57).
Já a inovação em processo, segundo Calazans e Silva (2016), diz res-
peito à instalação de nova prática nas rotinas de produção dos pro-
dutos ou na prestação de serviços. O foco desse tipo de inovação é 
o processo de produção, e não o produto ou serviço em si, que pode 
manter suas características, mas ser produzido de outra forma. O 
Manual de Oslo define a inovação em processos como: “a implemen-
tação de um método de produção ou distribuição novos ou significati-
vamente melhorados. Incluem-se mudanças significativas em técnicas, 
equipamentos e/ou softwares” (OECD, 1997, p. 58).
As inovações organizacionais são aquelas que, segundo Cardoso 
(2020), modificam ou alteram os parâmetros funcionais e fluxos de tra-
balho no âmbito das práticas operacionais e gerenciais. O Manual de 
Oslo (OCDE, 1997) considera que a inovação organizacional também 
tem papel importante para a melhoria contínua no ambiente de tra-
balho, pois possibilita que a empresa integre seus conhecimentos com 
outras organizações e desenvolva novos conhecimentos e tecnologias.
Um exemplo de inovação organizacional são as Fintechs, que, segun-
do Siegl et al. (2018), são empresas inovadoras que atuam no sistema 
financeiro, prestando serviços bancários sem contar com as estruturas 
físicas dos bancos convencionais.
Segundo Harel, Schwartz e Kaufmann (2021), as inovações emmarketing têm a intenção de proporcionar novas experiências ao cliente, 
mesmo que não haja inovação no produto em si, mas na sua embala-
gem, no ponto de entrega, na forma de degustação e uso, na criação de 
valor à marca, entre outras propostas. Segundo o Manual de Oslo, a ino-
vação nas dimensões do marketing é focada nos conceitos do composto 
do mix de marketing que é amplamente discutido e explorado nos meios 
acadêmicos e organizacionais como 4Ps: “a preparação para a introdu-
ção de novos métodos de marketing na concepção ou na embalagem de 
A série documental 
Make it work é composta 
por quatro episódios 
que mostram como a 
inovação pode gerar mu-
danças significativas na 
sociedade e na economia. 
Em cada episódio são 
apresentadas experiên-
cias inovadoras que 
mostram que mesmo as 
ideias mais simples po-
dem ser revolucionárias.
Direção: Kip Konwiser; Kern 
Konwiser. Konwiser Brothers; EUA: 
Legendary Entertainment, 2017.
Filme
A entrevista Como a 
inovação de processos pode 
aumentar a produtividade?, 
realizada pela Federação 
de Indústrias do Estado 
do Rio de Janeiro (Firjan), 
com a empreendedora 
Camila Farani, presidente 
da G2 Capital, fundo de 
investimentos especia-
lizado em empresas 
inovadoras, explica o 
conceito da inovação em 
processos e dá exemplos 
práticos de como esse 
tipo de inovação pode 
revolucionar empresas e 
mercados.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=OXBW8AQ71yE. Acesso 
em: 12 ago. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=OXBW8AQ71yE
https://www.youtube.com/watch?v=OXBW8AQ71yE
https://www.youtube.com/watch?v=OXBW8AQ71yE
Empreendedorismo e inovação 29
um produto; nos métodos de formação de preços; no posicionamento 
do produto; e na promoção do produto” (OECD, 2006, p. 110).
MIX DE MARKETING
Tr
ue
ffe
lp
ix
/S
hu
tte
rs
to
ck
Figura 7
Os 4 Ps
Produto Preço Lugar Promoção
As inovações, sejam elas de produtos, serviços, processos, organi-
zacionais, de modelos de negócios ou de marketing, podem ocorrer de 
maneira incremental ou disruptiva, como mostra a figura a seguir.
Figura 8
Tipos de inovação
Incremental Disruptiva 
Sustentação Radical 
Melhoria contínua Ruptura 
Fonte: Adaptada de Audy, 2017, p. 77.
Segundo Audy (2017), a inovação incremental está relacionada a 
melhorias implementadas nos produtos, serviços, processos e mode-
los de negócio, que têm por objetivo manter a empresa atualizada com 
as tecnologias disponíveis e gerar ganhos de desempenho ou redução 
de custos. Já a inovação disruptiva está ligada a alterações radicais, 
como o lançamento de produtos e serviços, o desenvolvimento de no-
vas tecnologias e novos modelos de negócio que tragam impacto tanto 
na empresa quanto no mercado no qual atua e que podem substituir 
totalmente o padrão de consumo e de tecnologia existente.
O desenvolvimento de telefones celulares, a internet, o modelo de 
negócios desenvolvido pela empresa Uber e a educação a distância são 
exemplos de inovações disruptivas que alteraram os mercados e até 
mesmo a sociedade.
30 Empreendedorismo
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Empreendedorismo e inovação são conceitos intimamente ligados 
e cada vez mais importantes em um contexto tecnológico e econômico 
global no qual novos produtos, serviços e modelos de negócios têm re-
volucionado os processos produtivos, os padrões de consumo e a forma 
de organização da sociedade. Conhecer com profundidade os conceitos 
relacionados ao empreendedorismo, ao perfil do empreendedor, bem 
como os diversos tipos de inovação e processos de desenvolvimento de 
inovações, é fundamental para o profissional que busca se destacar no 
mercado.
ATIVIDADES
Atividade 1
Explique a diferença entre empreendedorismo, inovação e 
capacidade inventiva de um indivíduo.
Atividade 2
Comente a diferença entre empreendedorismo e 
intraempreendedorismo.
Atividade 3
Conceitue inovação de produto e inovação de processo.
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Empreendedorismo e inovação 33
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