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Curso de Aperfeiçoamento em
Gerência de Serviços de Atenção Primária à Saúde
M I N I S T É R I O D A
S A Ú D E
2
FICHA TÉCNICA
© 2025. Ministério da Saúde. Sistema Universidade Aberta do SUS. 
Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul.
Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, disseminação e 
utilização dessa obra, em parte ou em sua totalidade, nos Termos de uso 
do ARES. Deve ser citada a fonte e é vedada sua utilização comercial. 
Ministério da Saúde 
Nísia Trindade Lima
Ministra da Saúde
Secretaria de Atenção Primária à Saúde
Felipe Proenço de Oliveira
Secretário de Atenção Primária à Saúde
Departamento de Estratégias e Políticas de Saúde Comunitária 
Evellin Bezerra da Silva
Diretora do Departamento de Estratégias e Políticas de Saúde Comunitária 
da Secretaria de Atenção Primária à Saúde
Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz
Mário Santos Moreira
Presidente 
Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul – Fiocruz MS
Jislaine de Fátima Guilhermino
Coordenadora
Coordenação de Educação da Fiocruz MS
Débora Dupas Gonçalves do Nascimento
Vice-coordenadora de Educação
Secretaria-Executiva da Universidade Aberta do SUS – UNA-SUS 
Maria Fabiana Damásio Passos
Secretária-executiva
Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul (Fiocruz MS)
Rua Gabriel Abrão, 92 – Jardim das Nações, Campo Grande/MS
CEP 79081-746
Telefone: (67) 99222-9496
E-mail: educacao.ms@fiocruz.br
Site: www.matogrossodosul.fiocruz.br
CRÉDITOS
Coordenação Geral 
Débora Dupas Gonçalves do Nascimento
Sílvia Helena Mendonça de Moraes
Coordenação do Curso
Ana Luiza Machado Pinto
Coordenação Pedagógica
Ewangela Aparecida Pereira
Módulo I
Coordenação Acadêmica
Juliana Jenifer da Silva Araujo Cunha
Autores
Brena Gabriella Tostes de Cerqueira
Gláucia Bohusch
Marcio Henrique De Mattos Silva
Michael Schmidt Duncan
Rebecca Cabral de Figueirêdo Gomes Pereira
Stefânia Santos Soares
Victor Grabois
Revisão técnico-científica
Aline Gonçalves Pereira 
Apoio técnico-administrativo 
Adriana Carvalho dos Santos
Antonio Luiz Dal Bello Gasparoto
Coordenador de Produção e Designer Instrucional
Maria Elisabete Salvador
Gerenciamento de redes e websites
Thiago Fernandes Oliveira
Webdesigner e Desenvolvedor
João Luiz Gaspar
Designers Gráficos
Keith Chen de Christo Ribeiro
Rafael Miranda
Desenvolvedores AVA MOODLE
Vinicius Vicente Soares
lustrador
Marcos Müller
Revisor 
Davi Bagnatori Tavares
Intérprete de LIBRAS 
Josiane Ramalho dos Santos
3
25-248055 CDD-362.109
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Brasil. Ministério da Saúde. Sistema Universidade 
 Aberta do SUS. Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso 
 do Sul
 Gerência de serviços de atenção primária à saúde
[livro eletrônico] / Sistema Universidade Aberta do
SUS. Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul. -- 
1. ed. -- Campo Grande, MS : Fiocruz Pantanal, 
2025.
 PDF 
 Vários colaboradores.
 Bibliografia.
 ISBN 978-85-66909-60-9
 1. Atenção Primária à Saúde (APS) 2. Educação 
em saúde 3. Saúde pública 4. Serviços de saúde -
Administração 5. Sistema Único de Saúde (Brasil) 
I. Título.
Índices para catálogo sistemático:
1. Atenção Primária à Saúde : Saúde pública 362.109
Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129
• M Ó D U L O I ―
Gerência na Atenção Primária 
à Saúde: o olhar do gestor local 
na Rede de Atenção à Saúde
• U N I D A D E I ― 
A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 
COMO “GATEKEEPER” E O PAPEL DO 
GERENTE COMO ARTICULADOR DA 
REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE.
VICTOR GRABOIS
Currículo Lattes
STEFÂNIA SANTOS SOARES
Currículo Lattes
BRENA GABRIELLA TOSTES DE CERQUEIRA
Currículo Lattes
Autores
http://lattes.cnpq.br/8167503824894478
http://lattes.cnpq.br/1204195582372148
http://lattes.cnpq.br/5572990416224107
BRENA GABRIELLA 
TOSTES DE CERQUEIRA
Currículo Lattes
Autores da Unidade I
VICTOR GRABOIS
Currículo Lattes
STEFANIA SANTOS 
SOARES
Currículo Lattes
http://lattes.cnpq.br/5572990416224107
http://lattes.cnpq.br/8167503824894478
http://lattes.cnpq.br/1204195582372148
Unidade I
SUMÁRIO
9 1.1 Introdução
12 1.1.1 Compreendendo os conceitos das Redes de Atenção à Saúde
29 1.2 A Rede de Atenção à Saúde e a articulação do gerente 
no contexto da Atenção Primária à Saúde
35 1.3 O itinerário terapêutico do usuário e a coordenação do cuidado da Atenção 
Primária à Saúde para o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde
39 1.4 A composição das equipes da Atenção Primária à Saúde 
e sua articulação com a Rede de Atenção à Saúde
43 1.5 Os modelos de atenção à saúde e a organização do cuidado por 
ciclos de vida, com ênfase na carteira de serviços de APS
46 1.6 A Rede de Atenção Psicossocial e de álcool e outras drogas
50 1.7	Os	novos	desafios	da	Atenção	Primária	à	Saúde	e	o	papel	
do gerente no fortalecimento das ações em rede
8
Módulo I | Unidade I
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
Prezado(a) gerente, bem-vindo à Unidade I do Módulo I!
Nesta Unidade, que inicia o Módulo I e o Curso de Aperfeiçoamento de Gerência 
de Serviços na Atenção Primária à Saúde, vamos estudar juntos o papel da Atenção 
Primária à Saúde (APS) como ordenadora do cuidado ao longo da trajetória do 
paciente e o papel do gerente como um articulador da Rede de Atenção à Saúde (RAS). 
Visitaremos e discutiremos elementos estruturantes da APS, como conceitos, disposi-
tivos e sistemas de apoio às RAS, assim como o papel do gestor local no contexto da 
RAS, considerando o itinerário terapêutico do usuário e a coordenação do cuidado. 
Também serão objetos de estudo os modelos de atenção à saúde e a organização 
do cuidado por ciclos de vida, com ênfase na carteira de serviços de APS e a regu-
lação em saúde como ferramenta para coordenação do cuidado na RAS. Vamos 
conhecer a composição das diversas equipes da APS: Equipes de Saúde da Família; 
Equipes de Atenção Primária; Equipes de Saúde Bucal; Equipes Multiprofissionais; 
Equipes de Consultório na Rua; Equipes de Atenção Primária Prisional; Equipes de 
Saúde da Família Indígena e sua articulação com a RAS. Também falaremos sobre 
a APS como integrante e articuladora da Rede de Atenção Psicossocial e de álcool 
e outras drogas. Encerraremos a rica trajetória desta Unidade abordando e conver-
sando sobre alguns novos desafios da APS e o papel do gerente no fortalecimento 
das ações em RAS, tais como reabilitação pós-Covid-19, saúde mental, a violência 
interpessoal e autoprovocada.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
DA UNIDADE
1. Conhecer os princípios e diretrizes do SUS e a Política
Nacional de Atenção Básica;
2. Compreender a constituição da Rede de Atenção à
Saúde (RAS);
3. Reconhecer o papel da Atenção Primária à Saúde (APS)
como ordenadora da rede e da gestão do cuidado em
saúde;
4. Compreender os modelos de atenção à saúde na APS
e organização do cuidado nos diferentes ciclos de vida;
5. Conhecer as configurações das equipes nos diferentes
cenários de organização da APS;
6. Identificar os sistemas de regulação em saúde.
CARGA HORÁRIA DE ESTUDO
20 horas
Módulo I | Unidade I
9
O cuidado em saúde é produzido por meio da articulação de diferentes 
e diversos conhecimentos, tipos de serviço, tecnologias, insumos, estru-
turas e responsabilidades. 
No Brasil, o sistema público de saúde é uma importante estrutura para 
que o direito ao cuidado seja garantido a todos. A organização das 
engrenagens desse sistema dá-se a partir da constituição das Redes de 
Atenção à Saúde (RAS). Conhecer os seus aspectos conceituais, norma-
tivos, operacionais e lógicos é essencial para aqueles profissionais encar-
regados de dar apoio às equipes multiprofissionais, de articular recursos 
físicos, materiais e comunitários para que as decisões sobre o plano de 
cuidados sejam as mais oportunas. 
Ao mergulhar nas discussões sobre as RAS, no lugar de gerente de um 
serviço de APS, como você percebe a importância do seu trabalho? Quais 
ferramentas você utiliza no seu dia a dia para ativar o funcionamento da 
RAS? Quais entraves você identificae 
um outro técnico de saúde bucal ou um auxiliar 
de saúde bucal. Os profissionais de saúde bucal 
que compõem as eSF compartilham a gestão e o 
processo de trabalho da equipe, tendo responsa-
bilidade sanitária pela mesma população e pelo 
território adscrito à eSF a qual integram.
Módulo I | Unidade I
41
Equipe Multiprofissional na Atenção Primária à Saúde 
(eMulti)
As eMulti são equipes compostas por profissionais de saúde 
de diferentes áreas de conhecimento que atuam de maneira 
complementar e integrada às demais equipes da APS, com 
atuação corresponsável pela população e pelo território, em 
articulação intersetorial e com a RAS. Existem três modali-
dades de equipe eMulti, que se diferenciam de acordo com 
a composição de carga horária e vinculação com números 
de equipes, sendo elas: equipe Multiprofissional Ampliada 
(300 horas semanais e 10 a 12 equipes vinculadas); equipe 
Multiprofissional Complementar (200 horas semanais e 5 a 
9 equipes vinculadas); e equipe Multiprofissional Estratégica 
(100 horas semanais e 1 a 4 equipes vinculadas). Uma eMulti 
ampliada ou uma eMulti complementar deve ter uma com-
posição profissional mínima e fixa de assistente social ou far-
macêutico clínico ou nutricionista ou psicólogo + fisiotera-
peuta ou fonoaudiólogo ou profissional de educação física 
ou terapeuta ocupacional. Já uma eMulti estratégica deve ter 
uma composição profissional mínima e fixa de nutricionis-
ta ou psicólogo. Para qualquer modalidade de eMulti, além 
da carga horária da composição mínima e fixa, ela pode ser 
complementada com a carga horária das demais categorias 
profissionais, como arte-educador, assistente social, farma-
cêutico clínico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, médico veteri-
nário, nutricionista, profissional de educação física na saúde, 
psicólogo, sanitarista, terapeuta ocupacional e médicos: acu-
punturista, cardiologista, dermatologista, endocrinologista, 
geriatra, ginecologista/obstetra, hansenologista, homeopa-
ta, infectologista, pediatra e psiquiatra. Para composição da 
eMulti, a carga horária mínima individual médica é de 10 ho-
ras semanais, e a carga horária mínima individual das demais 
categorias profissionais é de 20 horas semanais.
Equipe de Consultório na Rua (eCR)
Equipe com composição variável, responsável por 
articular e prestar atenção integral à saúde a pes-
soas em situação de rua ou análoga em um de-
terminado território, em unidade fixa ou móvel. A 
eCR deve cumprir carga horária mínima semanal 
de 30 horas, porém seu horário de funcionamento 
deverá ser adequado às demandas das pessoas 
em situação de rua, podendo ocorrer em perío-
do diurno e/ou noturno em todos os dias da se-
mana. Podem compor a equipe várias categorias 
profissionais: enfermeiro, assistente social, psicó-
logo, terapeuta ocupacional (indicadas como A), 
agente social, técnico ou auxiliar de enfermagem, 
técnico em saúde bucal, cirurgião-dentista, pro-
fissional/professor de educação física ou profissio-
nal com formação em arte e educação (indicadas 
como B). A eCR pode ser composta segundo três 
modalidades: a) 4 profissionais, sendo 2 obriga-
toriamente da categoria A e 2 entre categoria A 
ou B; b) 6 profissionais, sendo 3 obrigatoriamente 
da categoria A e 3 entre a categoria A ou B; c) a 
composição da modalidade b, acrescida de um 
médico. O agente social pode ser um profissional 
de nível médio e pode ser definido como o pro-
fissional que desempenha atividades para garan-
tir a atenção, a defesa e a proteção às pessoas 
em risco pessoal e social, assim como aproximar 
a equipe de saúde dos valores, modos de vida e 
cultura das pessoas em situação de rua.
Equipe Multiprofissional de Atenção à Saúde 
Indígena (EMSI)
Conjunto de profissionais responsáveis pela aten-
ção à saúde indígena em uma área, sob gestão do 
Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-
SUS). O quantitativo e as categorias dos profissio-
nais que irão compor as EMSI são definidos con-
forme a situação epidemiológica, necessidades 
de saúde, características geográficas, acesso e ní-
vel de organização dos serviços, respeitando as 
especificidades étnicas e culturais de cada povo 
indígena. As EMSI devem atuar de forma articula-
da e integrada aos demais serviços do SUS. Ainda 
assim, a composição da equipe deve respeitar a 
exigência mínima de 3 profissionais de ocupações 
diferentes, sendo pelo menos 1 de nível superior 
(médico clínico ou enfermeiro) e os outros 2 de 
nível médio (técnico/auxiliar de enfermagem e/
ou agente indígena de saúde e/ou agente indí-
gena de saneamento). Além da equipe mínima, 
podem ser incluídos os seguintes profissionais 
que prestam atenção à saúde indígena: médico 
clínico ou médico de família, cirurgião-dentista, 
enfermeiro, técnico e/ou auxiliar de enfermagem, 
técnico e/ou auxiliar em saúde bucal, trabalha-
dores em serviços de promoção e apoio à saúde, 
agente de saúde pública, microscopista, entre ou-
tros. Além disso, a atenção à população indígena 
não é exclusividade das EMSI. O gerente munici-
pal poderá estender a atuação das eSF para as-
sistir a população indígena em terras e territórios 
indígenas.
Módulo I | Unidade I
42
Para serviços de saúde que atendam complexos penitenciários, cada eAPP 
Essencial ou Ampliada poderá atender pessoas privadas de liberdade em 
mais de uma unidade prisional do complexo, desde que não extrapole os 
parâmetros de cobertura previstos para cada carga horária de equipe. Os 
serviços de saúde no sistema prisional devem estar integrados a uma UBS 
do município em que estiver localizado o estabelecimento prisional. A com-
posição e a tipificação das eAPP estão assim definidas: I – eAPP com carga 
horária compartilhada com eSF e eSB do território, com composição mínima 
de: 1 médico; 1 enfermeiro; 1 cirurgião-dentista; 1 técnico de enfermagem ou 
auxiliar de enfermagem; e 1 técnico em saúde bucal ou auxiliar em saúde bu-
cal; II – eAPP Essencial, com composição mínima de: 1 médico; 1 enfermeiro; 
1 cirurgião-dentista; 1 técnico de enfermagem ou auxiliar de enfermagem; 
III – eAPP Ampliada, com composição mínima de: 1 médico; 1 enfermeiro; 
1 cirurgião-dentista; 1 técnico de enfermagem ou auxiliar de enfermagem; 
1 profissional selecionado dentre enfermeiro, médico, psicólogo, assistente 
social, farmacêutico, nutricionista, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional; 
IV – Equipe Complementar Psicossocial de Atenção Primária Prisional, com 
composição mínima de: 1 médico psiquiatra ou médico com experiência em 
saúde mental; 1 profissional selecionado dentre psicólogo; assistente social 
ou enfermeiro; e 2 profissionais selecionados dentre psicólogo; assistente 
social; V – Profissional complementar de saúde bucal da eAPP Essencial ou 
Ampliada: 1 técnico em saúde bucal ou auxiliar em saúde bucal.
Fonte: Brasil (2017a, 2017b, 2021a, 2021b, 2021c, 2021d, 2023a).
Equipe de Atenção Primária Prisional (eAPP)
As eAPP podem assumir diferentes configurações, de acordo com o porte 
das unidades prisionais. Para unidades com população prisional de até 300 
custodiados, poderá ser credenciada eAPP, com carga horária mínima de 6 
horas semanais, sob responsabilidade do município, implantada com com-
partilhamento de carga horária cadastrada no SCNES para a eSF e eSB do 
território. Para unidades com população prisional entre 101 e 1.700 custodia-
dos, poderá ser credenciada eAPP Essencial ou Ampliada, com carga horária 
mínima de 20 horas semanais, sob responsabilidade do estado ou do muni-
cípio. Em complementação à eAPP Essencial ou Ampliada com carga horá-
ria de 20 horas semanais, poderá ser credenciada no mesmo CNES: I – uma 
equipe Complementar Psicossocial de Atenção Primária Prisional, nas mo-
dalidades de 20 horas semanais ou 30 horas semanais; e II – um profissional 
complementar de saúde bucal, na modalidade de 20 horas semanais. Para 
unidades com população prisional entre 1.201 e 2.700 custodiados, poderá 
ser credenciada eAPP Essencial ou Ampliada, com carga horária mínima de 
30 horas semanais, sob responsabilidadedo estado ou do município. Em 
complementação à eAPP Essencial ou Ampliada com carga horária de 30 
horas semanais, poderá ser credenciada no mesmo CNES: I – uma equipe 
Complementar Psicossocial de Atenção Primária Prisional, nas modalidades 
de 20 horas semanais ou 30 horas semanais; e II – um profissional comple-
mentar de saúde bucal, na modalidade de 30 horas semanais. Para serviços 
de saúde que atendam população acima de 2.700 pessoas privadas de li-
berdade, fica a critério do gerente de saúde a solicitação de credenciamento 
de mais de uma eAPP Essencial ou Ampliada, nas modalidades de 20 ou 30 
horas semanais, desde que não extrapole os parâmetros de cobertura pre-
vistos para cada carga horária de equipe. 
Módulo I | Unidade I
43
Segundo Mendes (2011), 
O modelo de atenção à saúde é um sistema lógico que organiza o 
funcionamento das RASs, articulando, de forma singular, as rela-
ções entre [os componentes da rede] [...] e as intervenções sanitá-
rias, definido em função da visão prevalecente da saúde, das situa-
ções demográfica e epidemiológica e dos determinantes sociais da 
saúde, vigentes em determinado tempo e em determinada sociedade 
(Mendes, 2011, p. 209).
Partindo desse conceito e da necessidade de mudar os sistemas de 
atenção à saúde para que possam responder com efetividade, eficiência e 
segurança a situações de saúde prevalentes na população, tem-se traba-
lhado na perspectiva do modelo de atenção às Doenças Crônicas Não 
Transmissíveis (DCNT) e da organização do cuidado por ciclos de vida e 
linhas de cuidado prioritárias. 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as DCNTs, prin-
cipalmente as doenças cardiovasculares, cânceres, diabetes e doenças 
respiratórias crônicas, já representam cerca de 80% das enfermidades 
dos países em desenvolvimento.
1.5 Os modelos de 
atenção à saúde e a 
organização do cuidado 
por ciclos de vida, com 
ênfase na carteira de 
serviços de APS
Módulo I | Unidade I
44
igualmente diversos, inclusive se pensarmos a manifestação das mesmas 
doenças crônicas em indivíduos que estão em fases diferentes da vida, 
não é mesmo?
Pensando em aspectos de acesso, acolhimento, gestão das agendas, plane-
jamento das visitas e consultas domiciliares, oferta de grupos e atividades 
de educação em saúde, como está organizada a atenção às DCNTs e aos 
ciclos de vida na sua UBS unidade de saúde? Como você, gerente, tem 
dado suporte à sua equipe para que a oferta de serviços da sua unidade 
seja cada vez mais compatível com as necessidades de saúde da popu-
lação atendida?
Essas reflexões são fundamentais para entendermos a importância da 
Carteira de Serviços da APS para a organização da RAS. Definir o “cardápio” 
de serviços é fundamental para que os demais níveis de atenção conheçam 
as ações em saúde que serão ofertadas por aquele determinado equipa-
mento de saúde.
A atuação dos serviços da APS precisa acontecer de forma estruturada para 
permitir: ao usuário do SUS identificar de forma mais ágil onde suas necessi-
dades de saúde podem ser atendidas; ao controle social exercer suas funções 
precípuas; e aos pontos de atenção da rede de saúde orientar a construção 
de uma linha de cuidado específica ou uma rede de atenção temática. 
Como já vimos, a APS tem caráter estratégico na estrutura das RAS, e 
isso não é diferente quando nos referimos à Rede de Atenção às Pessoas 
com Doenças Crônicas. Como ordenadora da rede e coordenadora do 
cuidado, a APS é o ponto de atenção com maior capilaridade e poten-
cial para identificar as necessidades de saúde da população e realizar 
a estratificação de riscos que subsidiará a organização do cuidado nos 
demais pontos de atenção. A APS tem a responsabilidade de coordenar 
o cuidado para evitar a repetição de exames e a interação medicamen-
tosa, por exemplo, e, embora as doenças crônicas tenham períodos de 
agudização, o cuidado a esse paciente é mais eficiente na APS.
A implantação do modelo de atenção às condições crônicas permite 
organizar a atenção às condições crônicas, liberando o tempo das equipes 
de saúde da APS para que possam atender, além das ações programadas, 
as ações não programadas das urgências menores, que se apresentam, 
nessas unidades, sob a forma de demanda espontânea.
Por outro lado, a utilização dos ciclos de vida é um elemento-chave na 
estruturação da APS. Usuários e pacientes se encontram em diferentes 
momentos de vida, como infância, adolescência (meninos e meninas), 
vida adulta (homens e mulheres) e velhice. Cada ciclo de vida apresenta 
necessidades de saúde e riscos diferentes e aspectos de natureza social 
Módulo I | Unidade I
45
SAIBA MAIS 
Para saber mais sobre a Carteira de Serviços da 
Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde 
(Brasil, 2019) e conhecer as experiências de três 
municípios que têm esse documento norteador 
das ações e serviços de saúde, acesse: 
Link 🔗
Link 🔗
Link 🔗
Link 🔗
A carteira de serviços é um instrumento que ajuda a unidade de saúde a concretizar 
esse conjunto de intenções. Uma Carteira de Serviços deve ser um documento-
-guia capaz de orientar gerentes, profissionais de saúde e usuários sobre as ações 
e serviços oferecidos, bem como sobre as principais normas e diretrizes para a 
organização local das UBS. 
Vamos dar um exemplo. Se a APS realiza sutura e drenagem de abscesso, esse nível 
de atenção tem uma resolutividade capaz de evitar encaminhamentos desnecessários 
para unidades de pronto atendimento ou hospitais de emergências para a realização 
desses procedimentos.
Em 2019, o Ministério da Saúde lançou a Carteira de Serviços da Atenção Primária à 
Saúde (Brasil, 2019) como um documento que visa orientar as ações de saúde na APS 
brasileira, com forte reconhecimento da clínica multiprofissional. É um documento 
orientador para todos os serviços de APS no Brasil. Entretanto, o documento enfatiza 
que o gestor municipal poderá adequar (adicionando, retirando ou reformulando) os 
itens da Carteira de Serviços, de acordo com as necessidades e condições locais, e 
adaptar a oferta nacional para a realidade do município.
O seu município tem uma carteira de serviços própria da APS?
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carteira_servicos_atencao_primaria_saude_profissionais_saude_gestores_completa.pdf
https://subpav.org/download/impressos/Livro_CarteiraDeServicosAPS_2021_20211229.pdf
https://fesaude-bucket.s3.amazonaws.com/CS_do_Programa_Medico_de_Familia_de_Niteroi_livro_digital_18001e3f63.pdf
https://tangaradaserra.mt.gov.br/wp-content/uploads/2020/10/78.pdf
Módulo I | Unidade I
46
Você sabia que a sua UBS faz parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)? Você 
conhece a importância dessa rede para a garantia dos direitos à liberdade e a cida-
dania das pessoas que vivem com grave sofrimento psíquico?
A formulação e implementação da RAPS é uma importante conquista do movi-
mento da reforma psiquiátrica, porque organiza um modelo de atenção pautado 
pelo cuidado no território e na autonomia dos usuários. A conformação da RAPS 
na RAS vale um destaque especial, principalmente para aqueles que atuam em UBS, 
devido à proximidade de seus princípios organizativos. 
Embasada pela política nacional de saúde mental (Lei Federal nº 10.216 – Brasil, 2001 
– e Portaria Ministerial de Consolidação nº 3 – Brasil, 2017c), a RAPS é composta por 
serviços e equipamentos variados, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); 
os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); os Centros de Convivência Cultural; as 
Unidade de Acolhimento (UA); os Ambulatórios Ampliados em Saúde Mental; e os 
leitos de atenção integral (em Hospitais Gerais ou nos CAPS III).
As estratégias de cuidado envolvem os eixos de atuação das equipes, que abrangem: 
a atenção básica, a atenção psicossocial estratégica, a atenção às urgências e emer-
gências e a atenção hospitalar. Além disso, dois outros eixos paralelos são utili-
zados para superar o modelo manicomial: as estratégias de atenção residencial de 
caráter transitório eas estratégias de desinstitucionalização. A Figura 3 exemplifica 
os componentes e os eixos da RAPS.
1.6 A Rede de Atenção 
Psicossocial e de álcool 
e outras drogas
Módulo I | Unidade I
47
Olhando para a RAPS do seu município, qual tem sido o seu papel para ativar 
o suporte dessa rede às práticas da sua equipe? Você sabe qual é o CAPS de 
referência para a população cadastrada em sua UBS? Existem reuniões de 
matriciamento de saúde mental para as suas equipes? Há encontros perió-
dicos para a discussão de casos, construção de projetos terapêuticos singu-
lares e visitas domiciliares conjuntas?
Os CAPS são considerados serviços de porta aberta, com equipe multiprofis-
sional, responsável pelo manejo das situações de crise e acompanhamento 
de usuários em grave sofrimento psíquico. Eles são estratégicos na RAPS, 
porque deles se espera o ordenamento do cuidado por meio da articulação 
de recursos intra e intersetoriais, que pode evitar internações hospitalares e 
favorecer a inserção comunitária. Esses serviços têm níveis de especialidade 
para favorecer o manejo clínico de adultos, crianças e adolescentes e de 
pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas. Assim, os CAPS 
adulto, CAPS i e CAPS ad podem funcionar 24h por dia, sete dias por semana, 
a depender da necessidade do seu território de referência. As equipes dos 
CAPS têm um papel fundamental de suporte às equipes de APS, por isso é 
desejável que haja uma rotina próxima, com encontros periódicos, fácil acesso 
a profissionais de referência e mútua troca de informações sobre os usuários 
e seus familiares. Você sabe quais são os profissionais do CAPS do seu terri-
tório que são referência para a discussão de casos com a sua equipe?
Figura 3. Ilustração com os principais serviços e estratégias de cuidado que compõem 
a Rede de Atenção Psicossocial
Fonte: Valente (2018).
Módulo I | Unidade I
48
principais tipos de demanda? Esses moradores estão inseridos em ativi-
dades de promoção da saúde? Por se tratar de uma população usualmente 
marcada pela vulnerabilidade social e/ou econômica, com frágil autonomia, 
faz-se necessário que a equipe da UBS elenque os procedimentos essenciais 
para uma rotina de cuidados intradomiciliares e na unidade de saúde.
Outro equipamento que funciona 24h e compõe a RAPS são as unidades de 
acolhimento adulto e infantojuvenil, conhecidas como UAA e UAI, respecti-
vamente. O encaminhamento é definido pelos CAPS e tem como objetivo o 
acolhimento voluntário e cuidados contínuos para pessoas que realizam uso 
abusivo de crack, álcool e outras drogas. Essa abordagem tem um caráter 
protetivo para aquelas pessoas que transitoriamente precisam se afastar da 
rotina doméstica ou do seu território. As ações a serem desenvolvidas pelas 
UAs e o tempo de permanência de cada usuário estão previstos no PTS, 
formulado com a participação dos profissionais do CAPS de referência.
Em muitos municípios, também se observa a conformação de ambulatórios 
ampliados de saúde mental, que funcionam em policlínicas ou em ambu-
latórios especializados. Esse serviço tem como objetivo ampliar o acesso à 
assistência em saúde mental para pessoas de todas as faixas etárias com 
transtornos mentais mais prevalentes de gravidade moderada a severa, 
como transtornos de humor, uso abusivo de álcool e outras drogas, que não 
Um importante equipamento da RAPS, os SRTs configuram-se como dispo-
sitivo estratégico ligado a um CAPS de referência e que poderá ser utilizado 
como recurso no processo de desinstitucionalização. Caracterizam-se como 
moradias inseridas na comunidade destinadas a pessoas com transtorno 
mental egressas de longas internações em hospitais psiquiátricos ou hospi-
tais de custódia. O caráter fundamental do SRT é ser um espaço de moradia 
que garanta o convívio social, a reabilitação psicossocial e o resgate da cida-
dania do usuário, promovendo os laços afetivos, a reinserção do usuário no 
espaço da cidade e a reconstrução das referências familiares. O encaminha-
mento de moradores para o SRT deve ser previsto no projeto terapêutico 
elaborado pelo CAPS durante o processo de desospitalização, focado na 
reapropriação do espaço residencial como moradia, na construção de habi-
lidades para a vida diária referente ao autocuidado, alimentação, vestuário, 
higiene, formas de comunicação e melhoradas condições para estabeleci-
mento de vínculos afetivos. A equipe presente no SRT é formada por cuida-
dores diaristas e plantonistas, assim como técnico de enfermagem, acom-
panhantes terapêuticos e técnicos de referência dos CAPS.
Entre a população cadastrada na UBS onde você atua, há algum estabele-
cimento de SRT? Caso afirmativo, os moradores são cadastrados e recebem 
visitas regulares da sua equipe? Considerando que são pessoas que passaram 
por longas internações psiquiátricas, como a equipe observa quais são os 
Módulo I | Unidade I
49
Convivência e Cultura com os CAPS, UBS e dispositivos da rede de assis-
tência social e de outros campos, como do trabalho, cultura e educação, é 
uma potente forma de concretizar o cuidado em liberdade, direito de todos 
os usuários da RAPS.
demandem atenção de cuidados intensivos, atendendo às necessidades de 
complexidade intermediária, entre a APS e os CAPS, e busca trabalhar de 
forma integrada com outros pontos de atenção da RAPS e de outras redes 
do SUS. O acesso a esses serviços deve ser regulado pelas equipes de APS 
ou dos CAPS, com base em encaminhamentos definidos no projeto terapêu-
tico de cada usuário. 
Outro ponto da RAPS usado como retaguarda quando se esgotam as possi-
bilidades de manejo de um usuário em crise nos equipamentos territoriais 
substitutivos são os leitos em enfermarias especializadas nos hospitais gerais. 
No entanto, esse é um recurso que deve ser utilizado com parcimônia e a 
decisão de utilizá-lo deve ser definida em conjunto com a equipe de refe-
rência do CAPS. O tempo de internação depende de quando acontece a esta-
bilização medicamentosa. Durante a internação, é importante que a equipe 
territorial possa frequentar a enfermaria para propor atividades programadas 
e que mantenha comunicação constante com os familiares. 
Compõem o eixo estratégico de reabilitação psicossocial os Centros de 
Convivência e Cultura, que são espaços mediados pela atuação de profissio-
nais preparados para promover práticas de reinserção social, o fortalecimento 
de vínculos comunitários e a circulação pela cidade, assim como fomentar 
a geração de renda e a economia solidária. A articulação dos Centros de 
Módulo I | Unidade I
50
Um dos principais desafios da APS é a ampliação da sua resolutividade. 
Cada vez mais, o sentido de Atenção Primária é o de atenção essencial, o 
que significa permitir de fato a resolução da maior parte dos problemas 
de saúde que chegam às unidades de saúde da APS por meio da incor-
poração de tecnologias duras, leve-duras e leves. Vamos entender melhor 
essas tecnologias?
1.7 Os novos desafios 
da Atenção Primária 
à Saúde e o papel 
do gerente no 
fortalecimento das 
ações em rede
SAIBA MAIS
Sugerimos a leitura do artigo: Por uma composição técnica do 
trabalho em saúde centrada no campo relacional e nas tecnologias 
leves. Apontando mudanças para os modelos tecno-assistenciais, 
dos autores Emerson Elias Merhy e Túlio Batista Franco (2003):
Link 🔗
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2023/05/676242/v27-n65-setdez-2003-12a-conferencia-nacional-de-saude-sergio-ar_DGKxlyw.pdf
Módulo I | Unidade I
51
b. disponibilização de recursos de apoio diagnóstico e terapêutico 
para utilização e encaminhamento decidido diretamente pelas 
equipes de APS;
c. descentralização das decisões de regulação.
Esse conjunto de estratégias deve estar articulado à construção de linhas 
de cuidado e à elaboração de diretrizes clínicas voltadas para as principais 
condições/necessidades de saúde. Em sua rotina de gerente de UBS, quais 
ferramentas estão disponíveis com a finalidade de estreitar a comunicação 
da sua equipe comos profissionais da Atenção Especializada? São ferra-
mentas institucionais que abrangem o seu município ou soluções criadas 
pelas próprias equipes profissionais?
Também podemos apontar como desafio relevante a articulação da APS 
com as políticas intersetoriais. Já fazem parte do escopo da APS, em todas 
as versões da PNAB, a prevenção e a promoção da saúde, mas, conside-
rando a natureza das DCNTs, principalmente em populações vulnerabili-
zadas, o diálogo entre os aspectos sanitários e os aspectos sociais é impres-
cindível para a que a APS cumpra seu papel na atenção integral à saúde. 
Em que pese a proximidade com a vida das pessoas que os profissionais 
da APS alcançam, quais são os setores com que suas equipes têm facili-
dade de articulação e discussão de casos complexos? Existem espaços para 
Segundo a Política Nacional de Atenção Especializada em Saúde (Brasil, 
2023b), devem estar à disposição da APS todos os recursos diagnósticos 
e terapêuticos necessários para cuidar dos agravos prevalentes de escopo 
da APS, bem como para acompanhar de forma adequada o desenvolvi-
mento dos ciclos de vida, como, por exemplo, a gestação e o crescimento e 
desenvolvimento da criança, saúde mental, prevenção, diagnóstico e trata-
mento do câncer, cuidado das doenças crônicas, entre outras necessidades 
de saúde. É imprescindível que exames complementares, como ultrassom, 
raio-X, endoscopia, colonoscopia, eletrocardiograma e biópsias de baixa 
complexidade, e exames laboratoriais básicos sejam regulados para serem 
atendidos pela Atenção Especializada.
Outro desafio é ampliar a capacidade de ordenação do acesso e da coor-
denação do cuidado, que demanda uma evolução clara da articulação da 
APS com a Atenção Especializada. Segundo o mesmo documento, para 
que esse desafio seja vencido, algumas estratégias devem ser empregadas:
a. apoio matricial e promoção de formatos de decisão e cuidado 
compartilhados entre profissionais e equipes e serviços da APS e 
da Atenção Especializada; 
Módulo I | Unidade I
52
da demanda e da inserção de usuários com complicações da Covid-19. 
Identificou-se que, dos usuários que desenvolveram Covid-19 aguda, 
20% mantiveram atendimento nas unidades de saúde em decorrência da 
Síndrome Pós-Covid-19. Desses, 70% mantiveram atendimento nas UBS 
e 30% necessitam de atendimento domiciliar, nos centros de referência e 
nas unidades especializadas. Esse levantamento evidencia que existe um 
aumento não só da demanda de atendimentos na APS de pessoas com 
Síndrome Pós-Covid-19, como também da necessidade de coordenação 
do cuidado no tocante à Atenção Domiciliar e à Atenção Especializada.
Durante a fase crítica da pandemia, quais foram os principais desafios 
enfrentados por sua equipe? Foi estabelecido algum tipo de ferramenta 
para monitorar a alta hospitalar desses casos? Os agravos caracterizados 
como consequência da infecção por Covid-19 têm demandado que tipo 
de retaguarda da sua equipe de APS e quais serviços da atenção secun-
dária têm sido mais demandados? 
Com relação à Saúde Mental, também se colocam questões importantes 
dado o crescimento da demanda de natureza psicossocial gerada pela 
pandemia de Covid-19. No primeiro ano da pandemia de Covid-19, a preva-
lência global de ansiedade e depressão aumentou em 25%, de acordo com 
um resumo científico feito pela OMS. Segundo o documento: 
a troca de informações e junção de esforços entre as diferentes equipes 
para as abordagens dessas famílias?
Outro desafio dos gerentes da APS, que provavelmente atravessará gerações, 
será lidar com as consequências ocasionadas pela síndrome pós-Covid-19 e 
as demandas geradas para os serviços de saúde. Os fatores de risco cardio-
metabólicos, como diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2, a doença cardiovas-
cular aterosclerótica, a doença renal crônica, a hipertensão, a insuficiência 
cardíaca e a obesidade têm sido constantemente identificados como as 
comorbidades mais comuns associadas à síndrome pós-Covid-19 e à morta-
lidade relacionada à doença. De acordo com a OPAS (2021) apud Grabois 
e Duarte (2021), no Brasil, um estudo demonstrou o impacto da Covid-19 
na qualidade de vida e nos desfechos de longo prazo após a doença. No 
estudo, 931 pacientes foram recrutados em 55 centros de saúde de todo 
o território nacional e foram acompanhados durante 1 ano, sendo possível 
identificar a mortalidade elevada durante os meses após a alta hospitalar, 
reinternações frequentes, bem como elevado número de deficiências físicas 
e mentais. A necessidade de ventilação mecânica durante a internação foi 
associada a desfechos ruins a longo prazo. 
Um dado significativo apresentado por Grabois e Duarte (2021) foi um 
levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Campinas acerca 
https://www.who.int/publications/i/item/WHO-2019-nCoV-Sci_Brief-Mental_health-2022.1
Módulo I | Unidade I
53
Esse conjunto de informações demanda um grau de articulação da APS e 
da RAPS voltado a aumentar a capacidade da APS em absorver parte dessa 
demanda com o uso de teleatendimentos e o fortalecimento do matricia-
mento entre a APS e os CAPS.
Ressalta-se que um importante desafio dos gerentes da APS é enfrentar 
o aumento da violência interpessoal e autoprovocada durante e após a 
pandemia de Covid-19. Neste período foi possível observar um aumento 
significativo no número de notificações de violência interpessoal e auto-
provocada. Chamam a atenção a violência interpessoal dirigida a crianças e 
adolescentes em ambiente doméstico e a violência às mulheres feita pelos 
próprios parceiros. A identificação de fatores de risco e o suporte às vítimas 
são problemas sociais que demandam muita articulação intersetorial com 
as áreas sociais e da educação, assim como com as organizações da socie-
dade civil. Com que tipo de suporte intersetorial a sua equipe de APS conta 
para manejo dos casos de violência? As fichas de notificação compulsória 
são utilizadas como ferramenta para o planejamento de soluções? Você, 
como gerente de uma UBS, identifica os procedimentos ou serviços que 
podem ser utilizados como oportunidade para o primeiro contato e a apro-
ximação da equipe de saúde com as vítimas de violência doméstica?
Uma das principais explicações para esse aumento é o estresse sem 
precedentes causado pelo isolamento social decorrente da pandemia. 
Ligados a isso estavam as restrições à capacidade das pessoas de 
trabalhar, busca de apoio dos entes queridos e envolvimento em suas 
comunidades. Solidão, medo de se infectar, sofrimento e morte de entes 
queridos, luto e preocupações financeiras também foram citados como 
estressores que levam à ansiedade e à depressão. Entre os profissionais 
de saúde, a exaustão tem sido um importante gatilho para o pensa-
mento suicida (OMS, 2022). 
Segundo estudo de Ornell et al. (2021), o atendimento de problemas psicos-
sociais corresponde a uma nova pandemia. O mesmo estudo registrou uma 
redução de 28% no atendimento ambulatorial de saúde mental, quando 
comparado ao que era esperado antes da pandemia. Houve uma média 
mensal de 1.188.860 atendimentos relacionados à saúde mental, enquanto 
previa-se 1.660.308, ou seja, cerca de 471 mil atendimentos ficaram compro-
metidos. As maiores reduções ocorreram nos atendimentos em grupo, que 
tiveram uma queda de 68%, e nos tratamentos psiquiátricos diários, que 
reduziram em 66%. No caminho contrário, as consultas de emergência 
em saúde mental e o atendimento domiciliar, conhecido como home care, 
superaram as expectativas em 36% e 52%, respectivamente.
Módulo I | Unidade I
54
Caro gerente, empreendemos juntos uma longa trajetória: sobre o papel 
da APS na concretização dos princípios e objetivos do SUS; sobre as prin-
cipais características da APS como ordenadora do cuidado; e sobre a rele-
vância da regulação na concretização das missões da APS. Exploramos os 
modelos assistenciais e os ciclos de vida e apresentamos a composição 
das equipes da APS em geral e aquelas voltadas a populações vulnera-
bilizadas.Por fim, discutimos os desafios da APS e novas/não tão novas 
questões que vão impactar o trabalho dos gerentes da APS daqui para a 
frente. Esperamos que esta Unidade o instigue a avançar no curso e que 
tenha servido para uma alavanca para o aprofundamento dos conhe-
cimentos necessários para uma gestão eficaz e comprometida com as 
necessidades de saúde da população. 
Encerramento 
da unidade
Módulo I | Unidade I
55
BRASIL. Ministério da Saúde. Carteira de Serviços da Atenção Primária À Saúde (CaSAPS). Brasília, 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria 
Colegiada (RDC) nº 222, de 28 de março de 2018. Regulamenta as Boas Práticas de Gerenciamento 
dos Resíduos de Serviços de Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasil, DF, 29 
mar. 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.463, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional 
de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no 
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 set. 2017a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.317, de 3 de agosto de 2017. Adequa o registro das infor-
mações relativas a estabelecimentos que realizam ações de Atenção à Saúde para populações 
Indígenas no CNES. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 ago. 2017b.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 3, de 28 de setembro de 2017. Consolidação 
das normas sobre as redes do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 out. 
2017c.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 940, de 28 de abril de 2011. Regulamenta o Sistema Cartão 
Nacional de Saúde (Sistema Cartão). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2 maio 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece 
diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde 
(SUS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 2010. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de gerenciamento 
de resíduos de serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
BRASIL. Conselho Federal de Medicina. Resolução nº 1.638, de 10 de julho de 2002. Define pron-
tuário médico e torna obrigatória a criação da Comissão de Revisão de Prontuários nas instituições 
de saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 ago. 2002.
Referências
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tivo financeiro federal de implantação, custeio e desempenho para as modalidades de equipes 
Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 maio 2023a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.604, de 18 de outubro de 2023. Institui a Política Nacional 
de Atenção Especializada em Saúde (PNAES), no âmbito do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial 
da União, Brasília, DF, 20 out 2023b.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 32, de 19 de maio de 2021. Altera a Portaria SAPS/MS nº 60, 
de 26 de novembro de 2020, que define as regras de validação das equipes e serviços da Atenção 
Primária à Saúde, para fins da transferência dos incentivos financeiros federais de custeio, e o seu 
Anexo I. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 maio 2021a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de consolidação nº 01, de 2 de junho 2021. Consolidação das 
normas sobre Atenção Primária à Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 jun. 2021b.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.255, de 18 de junho de 2021. Dispõe sobre as diretrizes 
de organização e funcionamento das equipes de Consultório na Rua e os critérios de cálculo do 
número máximo de equipes de Consultório na Rua, por município e Distrito Federal, por meio da 
alteração da Portaria de Consolidação GM/MS nº 2, de 28 de setembro de 2017. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 21 jun. 2021c.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.298, de 9 de setembro de 2021. Dispõe sobre as normas 
para a operacionalização da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de 
Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial 
da União, Brasília, DF, 10 set. 2021d.
Módulo I | Unidade I
56
MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. 2. ed. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011. 
MERHY, E. E.; FRANCO, T. B. Por uma composição técnica do trabalho em saúde centrada no campo 
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em Debate, v. 27, n. 65, p. 316-323, 2003.
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em todo o mundo. 2022. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/2-3-2022-pandemia-co-
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ORNELL, F. et al. The next pandemic: impact of COVID-19 in mental health care assistance in a 
nationwide epidemiological study. Lancet Regional Health. Americas, v. 4, 2021.
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VALENTE, P. Conheça como é composta a RAPS: Rede Atenção Psicossocial. CENAT, 2018. Disponível 
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BRASIL. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas porta-
doras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial 
da União, Brasília, DF, 9 abr. 2001.
BRASIL. Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, 
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes 
e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 set. 1990a.
BRASIL. Lei nº 8.142 de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão 
do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos finan-
ceiros na área da saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1990b.
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HARTZ, Z. M. A.; CONTANDRIOPOULOS, A.-P. Integralidade da atenção e integração de serviços de 
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https://www.paho.org/pt/noticias/2-3-2022-pandemia-covid-19-desencadeia-aumento-25-na-prevalencia-ansiedade-e-depressao-em
• U N I D A D E I I ― 
ATRIBUTOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA 
À SAÚDE: A CENTRALIDADE 
DO GERENTE NAS BOAS PRÁTICAS 
DO CUIDADO EM SAÚDE.
GLÁUCIA BOHUSCH
Currículo Lattes
MICHAEL SCHMIDT DUNCAN
Currículo Lattes
Autores
http://lattes.cnpq.br/1594410510747844
http://lattes.cnpq.br/3702517607987235
Autoresda Unidade II
MICHAEL SCHMIDT 
DUNCAN
Currículo Lattes
GLAUCIA BOHUCH
Currículo Lattes
http://lattes.cnpq.br/3702517607987235
http://lattes.cnpq.br/1594410510747844
Unidade II
SUMÁRIO
2 2.1 Introdução
65 2.2 Atributos da Atenção Primária à Saúde: aspectos conceituais
68 2.3 Sistemas baseados na Atenção Primária à Saúde ao redor do mundo
71 2.4 Ilustrando fragilidades relacionadas aos atributos da Atenção 
 Primária à Saúde com a narrativa de um caso 
75 2.4.1 Discussão prática sobre a operacionalização dos atributos da 
 Atenção Primária à Saúde com base no caso de Moacir
76 2.4.1.1. Problemas relacionados ao acesso de primeiro contato
77 2.4.1.2 Problemas relacionados à longitudinalidade e à continuidade do cuidado
78 2.4.1.3 Problemas relacionados à coordenação do cuidado
80 2.4.1.4 Problemas relacionados à integralidade (abrangência do cuidado)
82 2.4.1.5 Papel estratégico de ferramentas relacionadas aos atributos derivados 
 (orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural)
83 2.4.2 Síntese dos atributos essenciais e derivados
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
Prezado gerente, bem-vindo à Unidade II do Módulo I!
A sua função como gerente de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) requer 
o conhecimento de conceitos consagrados, que iremos expor ao longo 
deste capítulo. Você possivelmente identificará que muitas das ações que 
serão discutidas já são desenvolvidas no dia a dia pelas equipes que você 
gerencia. Nossa ideia, portanto, não é apresentar intervenções novas, mas 
oferecer um conteúdo que torne você capaz de relacionar os conceitos dos 
atributos essenciais e atributos derivados da Atenção Primária à Saúde (APS) 
com intervenções práticas que podem e devem ser feitas para melhorar a 
qualidade da atenção e o cuidado prestado aos usuários. 
Primeiro faremos uma breve revisão da história da APS e apresentaremos 
os atributos de forma mais conceitual, abordando Acesso (Acesso de 
primeiro contato), Longitudinalidade (incluindo continuidade do cuidado), 
60
Módulo I | Unidade II
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
DA UNIDADE
1. Compreender os atributos essenciais e derivados da Atenção 
Primária à Saúde;
2. Conhecer os sistemas de saúde do mundo orientados a partir 
da APS;
3. Conhecer a aplicabilidade dos atributos da APS no cotidiano 
do trabalho do gerente dos serviços de saúde;
4. Conhecer estratégias de gestão para operacionalização dos 
atributos da APS na prática do cotidiano dos serviços de 
saúde.
CARGA HORÁRIA DE ESTUDO
10 horas.
61
Módulo I | Unidade II
Coordenação do cuidado e Integralidade (Abrangência), que são os atri-
butos essenciais, além de Orientação familiar, Orientação comunitária e 
Competência cultural, que são os atributos derivados. Em seguida, explo-
raremos semelhanças e diferenças entre as redes de atenção primária de 
diferentes países considerando os atributos essenciais.
Para a discussão mais prática dos atributos, teremos como fio condutor 
um caso clínico, baseado no cotidiano das vivências da APS para ilustrar 
como os atributos são operacionalizados no dia a dia e como eles podem 
ser usados para diagnosticar problemas comuns enfrentados pelas equipes 
de APS e para pensar soluções para esses desafios. 
Vale lembrar: ao longo desta Unidade, indicaremos diversos materiais, 
como vídeos e textos, para caso você tenha interesse em se aprofundar na 
temática. Você também poderá usá-los para trabalhar a temática dos atri-
butos da APS nas reuniões de educação permanente com a sua equipe. 
Não deixe de acessá-los!
Após a Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido enfrentou grandes desa-
fios de saúde pública, o que fomentou a busca por formas de prover 
um cuidado mais abrangente e acessível. Assim, na década de 1920, um 
comitê liderado por Sir Bertrand Dawson propôs por meio de um rela-
tório, de forma pioneira, a criação de Centros de Saúde Primária, que 
serviriam como ponto de contato inicial com o Sistema de Saúde para os 
pacientes. Esses centros seriam responsáveis pela prestação de cuidados 
de saúde gerais e encaminhamento para especialistas quando fosse neces-
sário (Ministry of Health, 1920). O relatório preconizava a saúde como um 
direito social, defendendo que os serviços de saúde deveriam ser orga-
nizados para garantir a acessibilidade a todos, independentemente de 
situação econômica ou localização geográfica.
Esse relatório foi o marco que pavimentou o caminho para o desenvolvi-
mento do conceito de Atenção Primária à Saúde (APS) e foi fundamental 
para a criação do National Health Service, o sistema único de saúde 
britânico, no final da década de 1940. Nas décadas posteriores ao rela-
tório Dawson, surgiram também diversas outras experiências, em países 
diferentes, como Suécia, Cuba, China, Estados Unidos e Brasil. Em 1978, 
ocorreu a Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde 
2.1 Introdução
Como tudo começou? 
A história da Atenção 
Primária à Saude e 
de sua estruturação 
fundamentada nos 
atributos
Módulo I | Unidade II
62
Módulo I | Unidade II
63
revisada em 2011 e 2017 (disponível na Portaria de Consolidação nº 2, de 28 
de setembro de 2017, Anexo 2 do anexo XXIV: Link 🔗) (Brasil, 2017).
Paralelamente e de forma integrada à expansão da APS nos diversos países, 
foram se acumulando evidências científicas de que os sistemas de saúde 
fortemente ancorados em uma APS robusta produziam melhores desfe-
chos de saúde a um menor custo, como menor número de internações por 
causas sensíveis à APS, diminuição da mortalidade infantil e avanços em ações 
programáticas típicas da APS, como pré-natal e acesso ao preventivo para 
o controle do câncer de colo de útero. Uma pesquisadora que teve grande 
importância na geração e sistematização dessas evidências foi a pediatra e 
epidemiologista norte-americana Barbara Starfield, que propôs um modelo 
de atributos essenciais e derivados da APS bastante influente, que será utili-
zado nesta Unidade.
No Brasil, as evidências dos benefícios da ESF são amplas e bem conso-
lidadas. A expansão e manutenção da cobertura da ESF nos últimos 20 
anos promoveu efeitos positivos na saúde da população brasileira, desta-
cando-se a redução da mortalidade infantil e de menores de 5 anos e a 
redução de internações por condições sensíveis à APS. Algumas estraté-
gias que vêm sendo importantes para isso são: a expansão dos programas 
de residência para formação de profissionais de saúde; o Programa Mais 
em Alma-Ata, Cazaquistão, a qual estabeleceu a APS como parte integrante 
dos sistemas de saúde dos países e como objetivo essencial para o alcance 
da saúde para todos.
No Brasil, um elemento determinante para a estruturação do sistema de 
saúde baseado na APS foi a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). 
Após a promulgação da Constituição Federal de 1988 (Brasil, 2016) e a Lei 
nº 8.080 (Brasil, 1990), passou a haver uma ênfase na descentralização dos 
serviços para o município e, com isso, uma migração da responsabilidade 
federativa para a municipal, a qual passou a ter um lugar privilegiado no 
desenvolvimento de ações e serviços de saúde. Inicialmente com a criação 
do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), notadamente na 
Região Nordeste do país (Ceará e Pernambuco), e depois com o Programa 
de Saúde da Família (PSF) em todo o Brasil, foram constituídas equipes de 
Saúde da Família (eSF).
Desde a criação do PSF, em 1994, o atendimento de atenção primária por 
equipes generalistas foi gradualmente se tornando a principal estratégia para 
a ampliação do acesso de primeiro contato e para a mudança do modelo 
assistencial. Pouco mais de dez anos depois, já como eixo norteador da 
base do SUS, o PSF foi transformado em Estratégia Saúde da Família (ESF), 
enunciada na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) em 2006, que foi 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html
Módulo I | Unidade II
64
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre a história da APS no mundo e 
no Brasil, veja os artigos de Conill (2008),Link 🔗, e 
de Facchini, Tomasi e Dilélio (2018) Link 🔗.
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre a história da expansão da APS no Brasil, 
veja o texto de Pinto e Giovanella (2018), Link 🔗. Esse artigo 
também apresenta dados que evidenciam o impacto da expansão 
da APS nas internações por condições sensíveis a ela.
Médicos e o Programa de Infraestrutura e Requalificação de Unidades 
Básicas de Saúde; e estímulos para a qualificação de ações programáticas 
típicas da APS. Contudo, ainda temos muito a aprimorar para consolidar a 
universalização da APS brasileira. Alguns desafios que ainda precisam ser 
enfrentados são: garantir financiamento público adequado; oferecer equipes 
completas; preservar a presença efetiva das equipes dos Núcleos de Apoio 
à Saúde da Família (Nasf), Estratégias de Telessaúde e supervisão técnica a 
distância; e reorganizar a rede de atenção à saúde no pós-pandemia.
https://www.scielosp.org/pdf/csp/2008.v24suppl1/s7-s16/pt
https://doi.org/10.1590/0103-11042018S114
https://www.scielo.br/j/csc/a/dXV7f6FDmRnj7BWPJFt6LFk/?format=pdf&lang=pt
Módulo I | Unidade II
65
Como discutido anteriormente, a sistematização mais usada dos atributos 
da APS foi proposta por Barbara Starfield e contempla quatro atributos 
essenciais e três atributos derivados, como ilustrado na Figura 1.
2.2 Atributos da 
Atenção Primária 
à Saúde: aspectos 
conceituais
Você já ouviu falar dos 
atributos da Atenção 
Primária à Saúde?
Módulo I | Unidade II
66
Atenção Primária à Saúde (APS)
Orientação familiar: o acompanhamento da população 
adscrita deve considerar o contexto familiar, seja na ava-
liação, seja como recurso de intervenção junto ao núcleo 
familiar
Atributos derivados
Orientação comunitária: os profissionais conhecem 
bem as características da comunidade e os recursos dis-
poníveis no território para além do serviço de saúde e 
buscam parcerias com os outros dispositivos comunitá-
rios, como escolas, associação de moradores, igrejas etc. 
Essa interlocução intersetorial pode ser potente para a 
qualificação do cuidado em saúde
Competência cultural: os profissionais de saúde estão 
atentos às especificidades culturais de seus pacientes, 
adaptando a comunicação em saúde, bem como o cui-
dado em saúde, à realidade sociocultural do sujeito e da 
família
Acesso de primeiro contato: a APS é a porta de entra-
da do sistema de saúde, devendo assegurar acesso fácil e 
em tempo oportuno para a maior parte das necessidades 
de saúde da população.
Atributos essenciais
Longitudinalidade: os profissionais da APS devem ter 
vínculo com sua população adscrita, que deve percebê-
-los como fonte regular de resolução de suas demandas 
de saúde. Os processos gerenciais e de informação no 
prontuário contribuem para assegurar uma melhor conti-
nuidade do cuidado
Integralidade (abrangência do cuidado): as unidades 
de APS devem estar equipadas e as equipes preparadas 
para dar conta da maior parte das necessidades de saúde 
da população
Coordenação do cuidado: as unidades de APS devem 
coordenar o cuidado da população na rede de atenção à 
saúde, assim como encaminhar para serviços especializa-
dos quando necessário e manter acompanhamento pa-
ralelo na APS
Figura 1. Atributos 
da Atenção Primaria 
à Saúde (APS)
Fonte: baseada em Starfield (2002) e Brasil (2010).
Módulo I | Unidade II
67
Esses atributos da APS podem ser avaliados por meio de um instrumento 
desenvolvido pelo grupo de pesquisa da Barbara Starfield, denominado 
PCATool (Primary Care Assessment Tool). Essa avaliação pode ser feita tanto 
para fins de pesquisa quanto para avaliação da qualidade dos serviços, orien-
tando pontos de melhoria. O Ministério da Saúde (Brasil, 2010) elaborou um 
manual para orientar o uso da versão do PCATool validada para a popu-
lação brasileira, Link 🔗. 
Além disso, vale destacar que os conceitos relacionados a esses atributos 
já existiam antes de Barbara Starfield e foram também aprofundados por 
outros autores, de diferentes perspectivas. A inovação de Barbara Starfield 
foi organizá-los enquanto atributos estruturantes e desenvolver bases empí-
ricas para sua avaliação.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_avaliacao_pcatool_brasil.pdf
Módulo I | Unidade II
68
Caro gerente, você sabia que outros países do mundo também têm seus 
sistemas de saúde centrados na APS?
Convidamos você então a conhecer alguns exemplos de sistemas base-
ados na APS ao redor do mundo.
No Quadro 1, é possível identificar características semelhantes e dife-
rentes de estruturação dos sistemas de saúde organizados com base na 
Atenção Primária no Reino Unido, Portugal e Cuba quanto à composição 
das equipes, acesso de primeiro contato, longitudinalidade, integralidade 
e coordenação do cuidado.
2.3 Sistemas baseados 
na Atenção Primária 
à Saúde ao redor do 
mundo
Módulo I | Unidade II
69
Quadro 1. Quadro de sistemas comparados Cuba, Portugal e Inglaterra
Reino Unido Portugal Cuba
Composição das equipes Unidades de saúde privadas contratuali-
zadas com o sistema de saúde, de composição 
multidisciplinar.
Unidades de saúde públicas, com autonomia 
gerencial, reguladas por contrato. Composição: 
médico de família, enfermeiro e secretário clínico. 
Podem também estar presentes outras categorias 
profissionais.
As Equipes Básicas de Saúde são compostas por 
um médico e um enfermeiro. Esses profissionais 
em geral moram em um anexo do consultório.
Acesso de primeiro contato Sistema centrado na Atenção Primária. Os 
pacientes são cadastrados em listas de pacientes 
vinculadas a uma clínica de APS. O acompanha-
mento da maior parte das necessidades de saúde 
é feito nessa clínica.
Sistema centrado na Atenção Primária. Os 
pacientes podem escolher um médico de família 
que atue em unidade de saúde familiar vincu-
lada ao seu território de moradia. Para trocar de 
médico, é necessário solicitar. O atendimento 
médico em Portugal, em algumas situações, exige 
do paciente pagamento de uma taxa modera-
dora (copagamento), mas pacientes atendidos 
em unidades de saúde familiar ou referenciadas 
dessas unidades estão dispensados desse paga-
mento. O acompanhamento da maior parte das 
necessidades de saúde é feito na APS.
Sistema centrado na Atenção Primária, com 
adscrição territorial. Cada Equipe Básica de Saúde 
é responsável por até 1500 usuários, que têm essa 
equipe como referência para a maior parte de suas 
necessidades de saúde.
Módulo I | Unidade II
70
Reino Unido Portugal Cuba
Longitudinalidade Embora o paciente esteja vinculado a uma unidade 
específica de APS, ele pode passar em consulta 
com qualquer médico dessa clínica. O impacto 
disso é compensado pelo uso consistente do 
prontuário eletrônico, que garante continuidade 
das informações entre os diferentes profissionais. 
O atendimento médico é sempre feito pelo 
médico de família ao qual o paciente está vincu-
lado. As unidades usam prontuário eletrônico, 
com boa continuidade informacional na mesma 
unidade de saúde.
O atendimento médico e de enfermagem na APS 
são feitos sempre pelos mesmos profissionais, que 
inclusive moram no território e desenvolvem fortes 
vínculos com a comunidade adscrita.
Integralidade A maior parte do cuidado em saúde no Reino 
Unido é feito na Atenção Primária. Existem proto-
colos de âmbito nacional que regulam as ações 
que devem ser feitas em cada nível de atenção.
A Atenção Primária em Portugal dispõe de uma 
carteira de serviços ampla e que abrange a maioria 
das necessidade de saúde. 
A maior parte do cuidado em saúde em Cuba é 
feita na APS. O sistema tem também equipes de 
apoio, multidisciplinares, que permitem ampliar o 
cuidado feito na Atenção Primária e integrá-lo ao 
cuidado especializado nas policlínicas.
Coordenação do cuidado Para acessar outros níveis de atenção, o paciente 
precisa ser encaminhado pelo médico de família 
da clínica de Atenção Primária. As únicas exce-
ções são para acessar serviços de urgência/emer-
gência e serviços de saúde sexual (que atendem 
temas variadosque também podem ser vistos 
na Atenção Primária, como contracepção, infec-
ções sexualmente transmissíveis, interrupção 
de gestação, entre outros). Além disso, existem 
equipes específicas para coordenar o cuidado na 
rede de pacientes de maior complexidade.
Para acessar gratuitamente serviços especiali-
zados, o paciente precisa ser encaminhado pelo 
seu médico de família. Entretanto, mediante paga-
mento, é possível acessar diretamente serviços 
especializados.
Os consultórios da Equipe de Saúde Básica estão 
integrados a uma rede maior de saúde. 
Fonte: baseado em Dal Prá et al. (2015).
Módulo I | Unidade II
71
Caro gerente, agora que já apresentamos os 
modelos de saúde do mundo e fizemos uma 
discussão sobre os atributos da APS, convidamos 
você a refletir, com base na narrativa do caso a 
seguir, sobre os atributos da APS?
Moacir, 58 anos, tem diabetes e é considerado 
como “negligente” pela sua equipe de saúde da 
família denominada Ipê Amarelo, em que é usuário 
cadastrado. Ele tem o hábito de não comparecer 
às consultas agendadas, em especial nos dias de 
grupo de pessoas com diabetes. Tem também 
crises de bronquite, que são o maior motivo de 
sua ida ao posto de saúde, com frequência no 
fim das manhãs, quando as vagas já estão todas 
ocupadas. Ele é atendido com certa “má-von-
tade” pela maioria dos profissionais da unidade, 
e, depois das últimas crises, o novo médico, que 
está na equipe há 4 meses, tem tentado usar 
essas consultas para ajustar o tratamento medi-
camentoso. Durante as férias do médico, ele 
não conseguiu atendimento com outra equipe 
2.4 Ilustrando 
fragilidades 
relacionadas aos 
atributos da Atenção 
Primária à Saúde com 
a narrativa de um caso 
Módulo I | Unidade II
72
da unidade, precisando se deslocar até a 
Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 
da região, onde ficou internado devido 
a uma crise de asma e recebeu alta com 
corticoide oral. Já havia sido atendido na 
UPA 10 dias antes devido a um quadro de 
dengue. Hoje, retornou à sua unidade de 
saúde pela manhã porque lhe disseram 
que seu diabetes havia piorado. A técnica 
em enfermagem da sala de procedimentos 
mediu sua glicemia capilar e estava 420 
mg/dl. A unidade de saúde estava com alta 
demanda espontânea pela maior procura 
de pacientes com sintomas de dengue e 
não havia nenhum profissional dispo-
nível para atender o senhor Moacir nessa 
urgência. Você, como gerente da unidade, 
ficou em dúvida sobre como proceder e 
decidiu revisar o prontuário do paciente, 
constatando que, além desses problemas, o 
paciente faltou a duas consultas da cirurgia 
Módulo I | Unidade II
73
geral às quais havia sido encaminhado naquele ano por cálculo biliar. 
Faltou à primeira porque a Agente Comunitária de Saúde (ACS) esqueceu 
de entregar o encaminhamento (alegou não ter tido tempo, pois estava 
muito envolvida na organização das filas para o atendimento da dengue) 
e à segunda porque o paciente esqueceu da consulta.
Em um dia como esse, alguém da equipe ou mesmo os usuários devem 
falar: “Esse posto de saúde está parecendo uma UPA!”
Em momentos de maior pressão assistencial, aquilo que comumente sepa-
ramos como demanda espontânea e demanda programada parece não 
fazer sentido. Nesses momentos, a falta de um olhar atento para o acom-
panhamento longitudinal dos pacientes e para a coordenação do cuidado 
na rede pode trazer prejuízos ao cuidado da população.
Esse caso do senhor Moacir traz alguma semelhança com o cotidiano do 
seu serviço? Você, enquanto gerente, percebe-se em situação de mediação 
com a sua equipe para o cuidado em saúde dos pacientes? O acompa-
nhamento dos prontuários dos pacientes é uma prática que te apoia na 
tomada de decisão? 
Módulo I | Unidade II
74
A situação do senhor Moacir ilustra com muita precisão a importância de 
entender o que são os atributos da APS. Se estamos buscando aumentar 
a resolutividade de nossa unidade, não faz sentido separar as demandas 
em crônica/estável e aguda/recente, e, independentemente do tipo de 
demanda existente, há uma necessidade de saúde que nem sempre é a 
queixa referida pelo usuário. Cabe, assim, ao profissional de saúde acolher 
o usuário e auxiliar o paciente nessa elucidação e resolução. Além disso, 
quando uma equipe de APS deixa de lado seus atributos, passando a atuar 
como uma UPA, ela perde a sua capacidade de dar respostas às demandas 
longitudinais de seus pacientes e de ser a ordenadora e coordenadora do 
cuidado. Com isso, a elaboração do fluxo de acesso da Unidade de Saúde 
em conjunto com a equipe é essencial para a garantia do acesso, para o 
estabelecimento de responsabilidades quando a outra equipe da unidade 
não absorve algum usuário por falta de algum dos profissionais de referência 
e para a organização da referência e contrarreferência quando há necessi-
dade de encaminhar o usuário para outro estabelecimento de saúde. Dessa 
maneira, compreender os atributos da APS pode nos ajudar a orientar a 
organização dos serviços para o cumprimento de sua missão institucional.
Vamos relacionar o conteúdo 
desta aula a diversos vídeos e 
podcasts para aprofundar os 
conceitos aqui abordados. São 
materiais bastante didáticos 
que lhe permitem ainda conso-
lidar o seu aprendizado nesta 
unidade. Além disso, você pode 
utilizá-los posteriormente para 
trabalhar com a sua equipe.
Módulo I | Unidade II
75
A seguir, iremos retomar a discussão sobre os atributos da APS da pers-
pectiva do planejamento e organização dos serviços de APS utilizando 
o caso do Moacir como exemplo. Por esse motivo, alguns dos conceitos 
são diferentes daqueles propostos por Barbara Starfield – enquanto ela 
buscou organizar os atributos estruturantes para desenvolver bases para 
a avaliação, outros autores buscaram, por meio dos atributos, propor 
estratégias para a organização dos serviços de saúde.
Como apresentamos, a APS é reconhecidamente uma estratégia-chave 
para a organização de sistemas de saúde no mundo, apresentando dois 
aspectos distintos e interdependentes: é tanto uma estratégia de orga-
nização e reorganização dos sistemas de saúde, nos quais representa o 
primeiro nível de atenção, como também um modelo de mudança da 
prática clínico-assistencial dos profissionais de saúde. Os atributos da APS 
podem, assim, funcionar como uma chave de leitura para diagnosticar 
e resolver problemas relacionados à organização dos serviços de saúde.
2.4.1 Discussão 
prática sobre a 
operacionalização dos 
atributos da Atenção 
Primária à Saúde com 
base no caso de Moacir
Módulo I | Unidade II
76
No caso do senhor Moacir, ele não está conseguindo acesso ao cuidado 
de suas condições crônicas e agudas devido a múltiplas barreiras que 
comprometem o acesso e a acessibilidade. Os motivos dessa dificul-
dade de acesso podem ser vários: superlotação das agendas devido à 
epidemia de dengue, falta de profissionais devido a férias, barreiras de 
transporte, rotina atribulada ou outro que desconhecemos no momento. 
Com isso, ao pensarmos em garantir a acessibilidade ao senhor Moacir, 
ofertar horários flexíveis, cuidados por equipes irmãs, quando disponí-
veis, ou visita domiciliar é um recurso válido. 
2.4.1.1. Problemas relacionados ao 
acesso de primeiro contato
Em um sistema de saúde centrado na APS, as Unidades de Atenção Primária 
devem ser a porta de entrada do sistema para os usuários na maioria 
das situações, pela proximidade, pelo perfil epidemiológico e pela compo-
sição técnica das equipes. Um elemento central desse atributo é o acesso, 
que, de uma perspectiva operacional, pode ser definido como quanto o 
usuário está conseguindo acessar na unidade as ações de que neces-
sita para o cuidado de sua saúde.
Um bom acesso depende do equilíbrio entre a demanda por atendimentos 
e a capacidade da equipe de atender a demanda. Outro conceito relevante 
é o de acessibilidade, que tem a ver com a facilidade de acesso, abran-
gendo o tempo de deslocamento até a unidade de saúde, a existência de 
barreiras geográficas, a ambiênciada unidade, a cordialidade dos profis-
sionais, entre outros aspectos. 
Não há consenso na literatura a respeito da definição dos conceitos de 
acesso e acessibilidade, sendo termos muitas vezes usados como sinô-
nimos. Assim, mais importante do que o termo utilizado é estar atento ao 
que ele representa.
SAIBA MAIS
Caro gerente, quer saber mais sobre os atributos essenciais 
da APS? Assista aos vídeos a seguir. Os vídeos trazem 
exemplos práticos da operacionalização dos atributos 
da APS na prática clínico-assistencial: Link 🔗,
Link 🔗 e Link 🔗.
https://www.youtube.com/watch?v=OgglCBScsuc&t=16s
https://www.youtube.com/watch?v=Vy7l8ih_2_w
https://www.youtube.com/watch?v=2oE_JbaTlIY
Módulo I | Unidade II
77
diminuir as intervenções desnecessárias, possibilitando uma prática baseada 
na prevenção quaternária, ou seja, na prevenção de iatrogenias provo-
cadas pelo sistema de saúde, o que, a longo prazo, aumenta a satisfação 
do usuário. 
No relato, não há informações sobre o tempo 
que a equipe Ipê Amarelo acompanha o 
senhor Moacir, mas, mesmo que parte da 
equipe o conheça há mais tempo (inclusive, 
com a má fama de “difícil”), o médico que 
o acompanha o conhece há pouco tempo, 
e, em sua ausência, não havia organização 
para atender uma intercorrência potencial-
mente grave, a dengue, nem para monitorar 
e alcançar as metas terapêuticas da condição 
crônica que o senhor Moaciar apresentava, o 
diabetes. Assim, o atributo da longitudinali-
dade está fragilizado nesse caso, embora o 
fato de a enfermeira e a ACS conhecerem o 
senhor Moacir de longa data ajude a elaborar 
melhor o plano de cuidado.
2.4.1.2 Problemas relacionados à 
longitudinalidade e à continuidade do cuidado
Os gestores devem despender esforços para garantir que os mesmos 
profissionais de saúde da APS acompanhem uma mesma população 
de maneira regular e duradoura. Sabemos que a baixa permanência 
dos profissionais (especialmente médicos) nas mesmas equipes é um dos 
maiores dificultadores para a melhoria da qualidade do cuidado da APS 
no SUS. Ser atendido pelos mesmos profissionais ao longo do tempo está 
relacionado a melhores desfechos de saúde (menos internações, mortes e 
adoecimento) e maior satisfação dos usuários. 
Muitos autores incluem na longitudinalidade a noção de continuidade 
informacional, ou seja, um fluxo de informações mantido, ao longo 
do tempo, em um prontuário eletrônico, de preferência organizado 
sob a forma de uma lista de problemas. Para Barbara Starfield (2002), 
contudo, longitudinalidade e continuidade são conceitos diferentes.
Seja por meio da longitudinalidade, seja por meio da continuidade infor-
macional, as equipes de APS podem organizar e qualificar o acompanha-
mento de seus usuários ao longo do tempo. De posse de informações e 
conhecimento sobre a história dos usuários e das famílias, elas conseguem 
SAIBA MAIS
Convidamos você a assistir 
a um vídeo que traz 
exemplos sobre o atributo 
da longitudinalidade no 
cotidiano da APS: Link 🔗
https://www.youtube.com/watch?v=GcDZuSBV2FE
Módulo I | Unidade II
78
2.4.1.3 Problemas relacionados à 
coordenação do cuidado
A coordenação do cuidado está relacionada à articulação entre os diversos 
serviços e ações de saúde prestados a um usuário. A APS deve liderar 
esse processo, uma vez que é o setor da saúde que tem as melhores condi-
ções para ter uma visão global das condições de saúde dos usuários, bem 
como de sua realidade cultural e social.
O senhor Moacir não conseguiu acesso na unidade de saúde devido às 
férias do profissional médico e à epidemia de dengue. Com isso, precisou 
acessar a UPA por conta própria por duas vezes, uma por causa do 
quadro de dengue e outra por causa da crise de asma. Um desdobra-
mento foi a alteração da glicemia decorrente do uso das medicações 
prescritas na UPA, já que os profissionais de saúde não tinham acesso 
ao prontuário do paciente, somente a informações que o senhor Moacir 
conseguiu relatar. O fluxo de informações entre UPA e APS, chamado 
de contrarreferência, mostrou-se falho, e a equipe só descobriu que o 
senhor Moacir havia tido dengue porque a gerente da Unidade de Saúde 
recebeu a Ficha de Notificação do Sistema de Informação de Agravos 
de Notificação (SINAN) de dengue para investigação dos contatos. A 
equipe de APS, com o Agente de Vigilância em Saúde, foi ao domicílio 
realizar a ação de bloqueio para minimizar a propagação do mosquito 
e investigação de contatos devido ao diagnóstico de dengue, tornando 
a visita domiciliar uma oportunidade para a realização de consulta de 
acompanhamento da condição do diabetes, com exame clínico, soli-
citação de exames e ajuste das medicações de uso crônico do senhor 
Moacir. Destaque-se também uma limitação da equipe no atributo de 
coordenação do cuidado no que tange à organização dos encaminha-
mentos para os demais níveis de atenção (encaminhamento para cirurgia 
geral) e a falta de ações para reduzir a possibilidade de absenteísmo 
em consultas com especialista.
Módulo I | Unidade II
79
SAIBA MAIS
Convidamos você, gerente, a assistir ao vídeo a 
seguir. Nesse episódio, você terá a oportunidade de 
compreender, analisando outros exemplos, como a 
operacionalização do atributo da coordenação do 
cuidado na APS ocorre no dia a dia do serviço de saúde. 
O entrevistado, médico de uma unidade de saúde, faz 
uma analogia dizendo que cada usuário necessitará de 
um mapa de saúde, de acordo com as necessidades de 
saúde apresentadas, e que esse mapa poderá precisar 
de novas rotas ao longo do tempo e do contexto de 
cada indivíduo para acessar a rede de atenção à saúde. 
Link 🔗
SAIBA MAIS
Uma ferramenta extremamente útil nesse caso 
seria o Projeto Terapêutico Singular, em que um 
plano de cuidado é construído conjuntamente 
pela equipe e paciente, que pactuam objetivos 
terapêuticos em comum. Link 🔗 e Link 🔗
https://www.youtube.com/watch?v=6T0Mc__wvQ4
https://www.youtube.com/watch?v=dcC7Uh_zc0I
https://www.youtube.com/watch?v=q3oLUNca23Q
Módulo I | Unidade II
80
atendida, ainda que não seja totalmente realizado na APS. Enquanto prin-
cípio doutrinário do SUS, a integralidade destaca que a assistência à saúde 
deve transcender a prática curativa, contemplando o indivíduo em todos os 
níveis de atenção e considerando o sujeito inserido em um contexto social, 
familiar e cultural. 
No caso do senhor Moacir, podemos identificar um grande escopo de 
ações que são de responsabilidade da equipe de APS e a necessidade 
de o gerente assegurar que os profissionais estejam capacitados para 
realizar essas ações. Elas variam do acompanhamento do diabetes, 
com toda a amplitude de sua linha de cuidado (mudança de estilo de 
vida, tratamento farmacológico, incluindo insulina quando necessário, 
avaliação de complicações crônicas, manejo da hiperglicemia extrema 
e acompanhamento pela equipe de saúde bucal), passando pelo manejo 
de emergências de saúde pública como a dengue, até a identificação de 
condições que precisam ser manejadas em outros serviços. Desenvolver 
habilidades em tecnologias leves, como a realização de grupos na 
unidade, pode auxiliar na promoção do autocuidado, considerando uma 
perspectiva integral do sujeito. Nesses espaços, é possível haver a iden-
tificação de pares, trocas de experiências e fortalecimento de redes de 
apoio para as condições crônicas. 
2.4.1.4 Problemas relacionados à 
integralidade (abrangência do cuidado)
Para justificar seu papel de acesso de primeiro contato e de fonte regular de 
cuidado para a maior parte dos problemas de saúde, é fundamental que a 
equipe de APS tenha elevada resolutividade, ou seja, que o cuidado prestado 
seja abrangente e integral. Assim, o atributo da integralidade (ou abran-
gência do cuidado) diz respeito à amplitude do escopo de serviços pres-
tados pela equipe à população, indicando que as equipes de APS devem, 
sempre que possível, ampliar sua resolutividade clínica. Os gerentes devem 
oferecer oportunidades de qualificação aos profissionais para que ampliemsua resolutividade. Uma boa referência para o que se espera que a APS 
realize é a Carteira de Serviços da Atenção Primária à Saúde (Brasil, 2019), 
disponível em vários municípios e também desenvolvida pelo Ministério da 
Saúde, que pode ser acessada pelo link: carteira_servicos_atencao_primaria_
saude_profissionais_saude_gestores_completa.pdf.
Uma confusão frequente relacionada a esse atributo decorre da escolha do 
termo para traduzir o original em inglês comprehensiveness, cuja tradução 
literal seria abrangência. No Brasil, a tradução do livro de Barbara Starfield 
optou por traduzir o termo por integralidade, um conceito mais amplo, rela-
cionado à missão de zelar pelo cuidado integral à saúde da população 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carteira_servicos_atencao_primaria_saude_profissionais_saude_gestores_completa.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carteira_servicos_atencao_primaria_saude_profissionais_saude_gestores_completa.pdf
Módulo I | Unidade II
81
SAIBA MAIS
Prezado gerente, convidamos você a assistir ao vídeo a seguir para 
conhecer algumas estratégias utilizadas por trabalhadores das 
unidades que foram finalistas do Prêmio APS Forte no SUS na busca 
da garantia do princípio da integralidade do cuidado (Link 🔗).
No caso do senhor Moacir, podemos identificar quão interligados podem 
estar os atributos. Por exemplo, uma ferramenta muito útil para acompa-
nhamento de saúde na APS é a gestão de listas de usuários com doenças 
crônicas, que interliga o acesso e a longitudinalidade. Esse dispositivo 
auxilia na estratificação de risco segundo a severidade da doença e pela 
capacidade de autocuidado, facilitando o acesso do usuário em tempo 
oportuno às ações de saúde necessárias para o acompanhamento longi-
tudinal das condições crônicas. Além disso, vimos que o acesso do usuário 
por meio de visita domiciliar para investigação de contatos desenca-
deada pela notificação de dengue feita pela UPA permitiu abordar 
também questões relacionadas ao diabetes do senhor Moacir. 
https://www.youtube.com/watch?v=v2KPJ65EOko
Módulo I | Unidade II
82
A equipe se mostra frustrada na interação com o senhor Moacir, pois 
percebe importante falta de vínculo com os profissionais e de enga-
jamento no seu autocuidado. Em reunião de equipe, constatam que 
a esposa do senhor Moacir, a senhora Josefa, é uma paciente que vai 
frequentemente às consultas de rotina e com a qual a equipe tem bom 
vínculo. Decidiu-se marcar uma consulta para o senhor Moacir à qual 
sua esposa fosse junto para que ela pudesse ajudar a equipe a se vincular 
com o senhor Moacir e a manejá-lo adequadamente.
2.4.1.5 Papel estratégico de ferramentas relacionadas 
aos atributos derivados (orientação familiar, 
orientação comunitária e competência cultural)
Os atributos derivados da APS têm essa designação por derivarem dos 
essenciais e envolverem ferramentas de avaliação e abordagem terapêu-
tica que consideram o contexto familiar e comunitário em que o paciente 
está inserido, além de reconhecerem fatores culturais que podem impactar 
a sua saúde. Algumas intervenções que qualificam esses atributos são: 
propor um Projeto Terapêutico Singular, usar ferramentas de abordagem 
familiar, como genograma e/ou ecomapa, incluir a família e a comunidade 
no cuidado de pessoas com múltiplas morbidades ou condições complexas 
e identificar e facilitar a interlocução dos pacientes com os dispositivos do 
território. No que tange à competência cultural, é importante atentar para 
a linguagem adotada pelos profissionais e para as grandes variações nas 
regras sociais de acordo com a cultura local. Os ACS, embora sejam de 
grande importância para a aplicação de todos os atributos, têm contribui-
ções ainda mais importantes para a garantia dos atributos derivados.
SAIBA MAIS
Para conhecer mais sobre os atributos derivados, 
sugerimos que você assista ao vídeo a seguir, que ilustra 
a situação de um usuário que não aceitava o tratamento 
para HIV porque o seu líder religioso o havia curado. 
Link 🔗 – a partir do minuto 12:00.
https://vimeo.com/269742814
Módulo I | Unidade II
83
Quadro 2. Atributos da APS e aspectos relacionados à organização do processo de trabalho
Atributo Ferramenta Observações
Abrangência do cuidado Carteira de serviços da APS Elenca as ações esperadas das equipes de APS, permitindo definir um 
padrão esperado de qualificação profissional.
Matriz de Competências Clínicas Elenca as competências esperadas de cada categoria profissional, 
alinhadas às ações da Carteira de Serviços, orientando os planos de 
educação continuada.
Educação Continuada Corresponde às ações estruturadas para oferecer treinamentos aos profis-
sionais de saúde, incluindo capacitações, cursos, entre outros.
Educação Permanente Corresponde a estratégias para qualificação profissional no processo de 
trabalho das equipes, considerando as necessidades percebidas pelos 
profissionais no dia a dia dos atendimentos.
2.4.2 Síntese dos 
atributos essenciais 
e derivados
Caro gerente, após essa longa 
caminhada que percorremos 
juntos, que começou na história 
dos atributos e foi até a exem-
plificação com o caso do senhor 
Moacir, gostaríamos de lhe apre-
sentar uma síntese que busca 
associar alguns aspectos da 
organização do processo de 
trabalho do seu cotidiano que 
consolidam, na prática, o forta-
lecimento dos atributos da APS 
(Quadro 2). Vamos juntos?
Módulo I | Unidade II
84
Acesso de primeiro contato Avaliação do equilíbrio entre 
demanda e oferta
Consiste em avaliar se a oferta de atendimentos é suficiente para atender 
as demandas solicitadas pelos pacientes, bem como a demanda progra-
mada conforme as linhas de cuidado. Caso não seja suficiente a oferta 
de atendimentos, permite que a equipe avalie estratégias para otimizar o 
equilíbrio entre oferta e demanda.
Organização da agenda É uma tarefa complexa, que deve ser constantemente revisitada e avaliada 
para garantir que a oferta de atendimentos seja suficiente para atender as 
demandas.
Melhoria da acessibilidade Consiste na avaliação das barreiras para o acesso e na tentativa de 
remover essas barreiras. Envolve aspectos atitudinais da equipe, conside-
ração de horário de abertura das unidades, barreiras geográficas do terri-
tório, entre outros aspectos.
Longitudinalidade Promoção de uma cultura organi-
zacional que estimule a satisfação 
dos profissionais e assegure sua 
permanência nas equipes
É, atualmente, uma das grande dificuldades para que a rede de APS 
assuma maior maturidade no Brasil. A elevada rotatividade de profissionais 
prejudica a longitudinalidade.
Estímulo para que o atendimento 
seja feito prioritariamente pela 
equipe à qual o paciente está 
vinculado
Deve-se estimular que o atendimento seja prioritariamente feito pela 
própria equipe do paciente, seja de demandas agudas, seja de demandas 
por condições crônicas. Isso aumenta a vinculação entre o paciente e sua 
equipe e qualifica a longitudinalidade.
Registro clínico orientado por 
problemas
Um registro de qualidade aumenta a capacidade do profissional que está 
atendendo de acessar informações relevantes de atendimentos prévios, o 
que reduz erros e redundâncias.
Módulo I | Unidade II
85
Sistematização das ações espe-
radas da equipe no acompanha-
mento das condições mais preva-
lentes na APS
As linhas de cuidado preveem ações longitudinais que devem ser feitas 
ao longo do acompanhamento dos diversos problemas de saúde que um 
paciente tem, bem como de seu ciclo de vida. Uma boa sistematização das 
ações esperadas em cada linha de cuidado facilita que as tarefas a serem 
cumpridas sejam de fato realizadas e que sejam minimizadas lacunas no 
cuidado.
Coordenação do cuidado Organização das redes de 
atenção à saúde
As linhas de cuidado devem prever as ações e os recursos esperados em 
cada ponto da rede de atenção à saúde, e esses pontos devem operar 
de forma integrada, envolvendo APS, rede de urgência e emergência e 
atenção especializada.
Fluxos dequando um usuário do seu serviço 
necessita de uma avaliação ou procedimento de outro nível de atenção? 
Você e sua equipe já tiveram que desenvolver algum mecanismo ou 
arranjo específico para articular o cuidado dos usuários com os profis-
sionais de outros equipamentos de saúde?
1.1 
Introdução
Módulo I | Unidade I
10
Tornar o SUS uma realidade é uma obrigação dos 
governos municipais, estaduais e federais, mesmo 
que o ato de cuidar da saúde ocorra, preponderan-
temente, em uma unidade municipal. Nesse sentido, 
cada instância tem competências específicas, seja a 
provisão dos trabalhadores, de estrutura física, de 
materiais, de insumos e dos recursos financeiros, seja 
a formulação de regras, de políticas, do planejamento, 
da regulação e da fiscalização. O Quadro 1 faz uma 
síntese do papel de cada ente gestor do SUS.
Ao longo deste texto, vamos usar a metáfora das engrenagens para nos 
aproximar da complexidade que representa a articulação entre os profis-
sionais, os serviços e os recursos envolvidos na composição da rede de 
saúde, assim como para simbolizar como a APS opera do centro dessas 
engrenagens. Esse percurso evidenciará o seu papel como líder de uma 
equipe multiprofissional e estratégica para o funcionamento de todo esse 
mecanismo. 
Há mais de trinta anos, quando foram promulgadas as leis orgânicas – 
Lei nº 8.080 e Lei nº 8.142 (Brasil, 1990a, 1990b) –, a saúde pública brasi-
leira constitui-se por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem 
como princípios: a universalização do direito à saúde; a descentralização 
da gestão com responsabilidades definidas para os municípios, os estados 
e a União; a integralidade da atenção à saúde; e a participação da popu-
lação visando ao seu controle social (Brasil, 1990a).
Módulo I | Unidade I
11
SAIBA MAIS
Sugerimos a leitura: 
Da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 
1990, que dispõe sobre as condições 
para a promoção, proteção e 
recuperação da saúde, a organização 
e o funcionamento dos serviços 
correspondentes e dá outras providências:
Link 🔗
Da Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 
1990, que dispõe sobre a participação da 
comunidade na gestão do Sistema Único 
de Saúde (SUS) e sobre as transferências 
intergovernamentais de recursos financeiros 
na área da saúde e dá outras providências: 
Link 🔗
Quadro 1. Competências das instâncias gestoras do SUS
Município Estado União
Papel Prover os serviços de saúde.
Executar serviços de vigi-
lância epidemiológica 
e sanitária, de alimen-
tação e nutrição, de sane-
amento básico e de saúde 
ocupacional.
Controlar e fiscalizar os 
procedimentos dos serviços 
privados de saúde.
Ser responsável pelas ações 
de saúde do Estado.
Planejar e controlar o SUS 
em sua esfera de atuação.
Normatizar o conjunto 
de ações de promoção, 
proteção e recuperação da 
saúde, identificando riscos e 
necessidades nas diferentes 
regiões.
Fonte: Brasil (1990b).
Vamos aprofundar ou resgatar o seu conhecimento 
sobre os marcos legais e temporais do SUS?
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm
Módulo I | Unidade I
12
Antes de iniciar uma discussão conceitual, 
procure refletir: quais são as palavras-chave que 
expressam qual é o seu papel, como gerente de 
UBS, na RAS?
Um dos principais autores do tema, Mendes 
(2011, p. 82) define as RAS como “organizações 
poliárquicas de conjuntos de serviços de saúde, 
vinculados entre si por uma missão única, por 
objetivos comuns e por uma ação cooperativa 
e interdependente”. Para o autor, as RAS devem 
constituir-se por arranjos de ações e serviços de 
saúde organizados, com diferentes densidades 
tecnológicas, sendo o seu centro comunicador 
a APS (Figura 1).
1.1.1 Compreendendo os 
conceitos das Redes de 
Atenção à Saúde
Figura 1. Os elementos constitutivos da Rede de Atenção à Saúde
Fonte: baseado em Mendes (2011).
Módulo I | Unidade I
13
de equipe quando, por exemplo, recebe notícias sobre a descontinuidade 
do fornecimento de algum procedimento especializado no município ou 
quando observa que a sua equipe tem gerado muitos encaminhamentos 
ao especialista.
Começando pelo nível de atenção terciário, ele abrange a atenção hospi-
talar, que é voltada para os casos em que o usuário está com o quadro de 
saúde instável, risco de vida ou precisando de um procedimento altamente 
especializado ou invasivo, ou de uma reabilitação intensiva. Os hospitais 
de grande porte concentram insumos, medicamentos e equipamentos de 
ponta, como a ressonância magnética e de suporte à vida. A infraestrutura 
hospitalar é de elevado custo de produção e manutenção.
Já o nível de atenção secundário é constituído por ambulatórios ou hospi-
tais que oferecem, majoritariamente, serviços e ações de média complexi-
dade. Entende-se como exemplo a pediatria, a ortopedia, a cardiologia, a 
oncologia, a neurologia, a psiquiatria, a ginecologia, a oftalmologia, entre 
outras especialidades. Buscando otimizar o tempo, a equidade e os recursos 
da RAS, é indicado que o acesso a essas ofertas seja regulado e distribuído 
de uma forma regionalizada. Dessa forma, o nível secundário ocupa um lugar 
de retaguarda essencial à APS, e é importante que os profissionais troquem 
informações de maneira sistemática sobre o cuidado a cada usuário. Em 
geral, esse fluxo é conhecido como referência e contrarreferência.
Considerando os elementos constitutivos da RAS definidos por Mendes 
(2011), vamos elencar três dimensões essenciais para analisar os conceitos: 
o dos níveis de atenção à saúde com os seus equipamentos e disposi-
tivos, o do modelo de atenção baseado no território e o da estrutura 
operacional para garantir o seu funcionamento. 
Níveis de atenção
A hierarquização, ou divisão, dos equipamentos da RAS em níveis primário, 
secundário e terciário é utilizada para dimensionar a especialidade de 
conhecimentos e os recursos tecnológicos que compõem os estabeleci-
mentos de saúde. Distinguir as diferenças de cada nível é importante para 
que o gerente do serviço apoie sua equipe a tomar decisões ao longo do 
percurso do usuário na rede, com vistas a otimizar o tempo, as oportuni-
dades e os custos para alcançar o plano de cuidados adequado para os 
usuários.
Em algum momento de sua prática, você, como gerente dos serviços de 
APS, já teve que problematizar com um profissional de saúde se todas as 
possibilidades de cuidados em determinado caso foram esgotadas antes 
de seguir com um encaminhamento para uma especialidade que não é 
ofertada em sua cidade? Esse é um raciocínio fundamental para um líder 
Módulo I | Unidade I
14
Modelo de atenção
As populações têm características demográficas e epidemiológicas dife-
rentes entre si (de um município para outro; de um estado para outro; e 
mesmo de uma região do país para outra). Também se distribuem por terri-
tórios com características geográficas diferentes e com oferta de serviços 
de saúde e outros equipamentos bastante diferenciados. Morar em uma 
cidade de 5.000 habitantes é muito diferente de morar em uma capital de 
um estado com centenas de milhares de habitantes ou mesmo milhões de 
habitantes. Qual é a população total do seu município? Ele é considerado 
de pequeno, médio ou grande porte populacional?
Para garantir os princípios do SUS, como a universalidade do acesso, a inte-
gralidade do cuidado e a equidade, os serviços não podem atuar de forma 
isolada e de forma desarticulada, e isso vale para qualquer porte de cidade 
ou de estado. Mesmo em locais com uma melhor oferta de serviços de saúde, 
nenhum ponto de atenção à saúde é completamente autossuficiente para 
dar conta de um cuidado integral, universal e equânime à população. Isso é 
tarefa para sistemas municipais ou mesmo sistemas estaduais de saúde, orga-
nizados em regiões de saúde. Seu município está organizado por regiões, 
regionais ou distritos de saúde? Como estão distribuídos os dispositivos e 
equipamentos da RAS, em seus três níveis, pelo território da sua cidade?referência e 
contrarreferência 
A comunicação entre os diferentes pontos da rede de atenção à saúde 
deve ser efetiva. Ao encaminhar para a atenção especializada, a APS deve 
descrever adequadamente o quadro clínico e o que já foi feito, bem como 
o que espera do atendimento especializado. Após o atendimento especia-
lizado, é necessária uma contrarreferência descrevendo o parecer especia-
lizado, o que foi feito e quais serão os próximos passos.
Gestão da fila de espera As equipes de APS precisam monitorar as filas de encaminhamento, com 
estratificação de risco e priorização de pacientes com condições mais 
graves e atualizar a situação clínica dos pacientes. Além disso, o monitora-
mento das filas permite identificar situações em que a equipe necessite de 
qualificação que, por vezes, pode reduzir determinados encaminhamentos 
desnecessários.
Projeto Terapêutico Singular O Projeto Terapêutico Singular de pacientes com condições complexas 
pode requerer a atenção coordenada de diferentes pontos da atenção à 
saúde, que precisam conversar a respeito do cuidado prestado.
Fonte: elaboração dos autores (2023).
Módulo I | Unidade II
86
Quadro 3. Ata Reunião Equipe Ipê Amarelo 
Ponto de pauta Relato Atributos envolvidos
Informes Enfermeira Roberta estará em qualificação sobre 
tuberculose na próxima terça-feira.
As agentes de saúde Leci e Alcione estão ofere-
cendo auriculoterapia para dores no corpo e ansie-
dade na sexta pela manhã.
Integralidade
Visitas 
domiciliares
Visitar Augusto, novo paciente acamado, que se 
mudou há duas semanas.
Atenção ao primeiro 
contato
Internações Moacir teve alta ontem do hospital depois de crise 
de asma.
Luís Carlos está com suspeita de infarto na UPA, 
esperando cateterismo.
Coordenação do cuidado
Falecimentos Não houve na última semana.
Gestantes Laura (40 semanas) e Cris (39 semanas + 6 dias) 
estão próximas de parir.
Joelma não veio fazer os testes rápidos.
Cíntia faltou às duas últimas consultas.
Longitudinalidade
Nascimentos Antônio, filho de Joana, nasceu no domingo. Teste 
do pezinho será feito na próxima quinta-feira. 
Agendar primeira consulta de bebê.
Atenção ao primeiro 
contato
Uma outra ferramenta que você, gerente, pode usar para auxiliar suas 
equipes no fortalecimento dos atributos da APS é a reunião de equipe. 
As reuniões de equipe fazem parte do cotidiano das eSF e são impor-
tantes para a organização do processo de trabalho em saúde e efetivação, 
na prática, dos atributos da APS. Embora muitas vezes os profissionais 
reclamem que são momentos burocráticos, podemos sugerir modelos de 
reunião de equipe que contemplem os atributos da APS. A seguir, inclu-
ímos sugestão de monitoramento de indicadores finalísticos que são condi-
ções sensíveis do trabalho das equipes da APS (óbitos maternos; óbitos 
infantis e fetais; acompanhamentos dos casos de internações dos usuários; 
acompanhamentos dos casos complexos; acompanhamentos dos ciclos de 
vida e grupos prioritários e óbitos, além da checagem das listas, monitora-
mento de indicadores de saúde, como aqueles relacionados às gestantes 
e às pessoas em tratamento para tuberculose).
Nesse modelo de ata de reunião de equipe (Quadro 3), podemos observar 
como essa ferramenta abarca os atributos.
Módulo I | Unidade II
87
Esse modelo de ata de reunião de equipe foi pensado 
para auxiliar as equipes que você gerencia. É uma 
ferramenta para organização da reunião de equipe 
com foco nos atributos da APS, conforme mencio-
nado anteriormente, e é um modelo que pode ser 
adaptado por você, gerente, em consonância com 
a sua equipe, conforme as necessidades de saúde 
do seu território e da sua população. O que acha de 
adotar essa prática com as equipes da sua unidade? 
Ponto de pauta Relato Atributos envolvidos
Menores de 2 
anos
Joaquim deixou de ir à creche.
Miguel estava sendo acompanhado por baixo peso 
e se mudou para a cidade dos avós.
Integralidade
Tratamento de 
tuberculose
Paulo (Zé do Caroço) está terminando o tratamento. 
Pedir exames e convocar para consulta.
Família da Neide vai fazer os exames de PPD e 
raio-X esta semana.
Longitudinalidade e orien-
tação familiar
Tratamento de 
hanseníase
Mariinha está fazendo exames e aguarda resultado. Coordenação do cuidado
Casos “inesquecí-
veis” (complexos)
Ingrid aguarda consulta com neurologista pediá-
trico. Psiquiatra infantil acha que suas visões são 
convulsões.
Alceu parou de usar insulina porque está dolorido. 
A família não sabe aplicar com a caneta e só usa a 
seringa.
Marta faltou às consultas com infectologista e 
pneumologista porque estava sem passe de ônibus. 
Continua tomando corretamente os medicamentos 
para HIV e sua carga viral está indetectável.
Longitudinalidade,
coordenação do cuidado e 
integralidade
Demais assuntos Fizemos uma nova planilha com pessoas que usam 
antirretrovirais. O responsável pela atualização é o 
médico Enzo.
Longitudinalidade
Fonte: elaboração dos autores (2023).
Módulo I | Unidade II
88
Encerramento 
da unidade
Ao final desta Unidade, esperamos que você tenha tido a oportunidade 
de conhecer melhor os conceitos relacionados aos atributos essen-
ciais e derivados da APS. Esses atributos fornecem uma linguagem e 
um método para olhar de forma integral e orgânica para o funciona-
mento do serviço de APS. Dessa forma, podem apontar caminhos para 
estruturar o processo de trabalho das equipes e a melhoria da quali-
dade. Sugerimos que, após essa primeira leitura, complementada pelos 
vídeos e outras leituras, você identifique pontos que acha que deveriam 
melhorar na unidade que você gerencia e pense em intervenções orien-
tadas pelos atributos. Aos poucos, você irá desenvolver um olhar dife-
renciado e estratégico que irá qualificar o seu trabalho como gerente.
Módulo I | Unidade II
89
CONILL, E. M. Ensaio histórico-conceitual sobre a Atenção Primária à Saúde: desafios para a organi-
zação de serviços básicos e da Estratégia Saúde da Família em centros urbanos no Brasil. Cadernos 
de Saúde Pública, v. 24, sup. 1, S7-S16, 2008.
DAL PRÁ, K. R. et al. O Sistema Nacional de Saúde Cubano: Caracterização dos serviços de atenção 
primária à saúde. Tempus – Actas de Saúde Coletiva, v. 9, n. 2, p. 91-103, 2015.
FACCHINI, L. A.; TOMASI, E.; DILÉLIO, A. S. Qualidade da Atenção Primária à Saúde no Brasil: avanços, 
desafios e perspectivas. Saúde em Debate, v. 42, n. esp. 1, p. 208-223, 2018.
MINISTRY OF HEALTH. Consultative Council on Medical and Allied Services. Interim Report on the 
Future Provision of Medical and Allied Services 1920. London: Majesty’s Stationery Offlce, 1920. 
Disponível em: http://www.sochealth.co.uk/history/Dawson.htm. Acesso em: 28 dez. 2023.
PINTO, L. F.; GIOVANELLA, L. Do Programa à Estratégia Saúde da Família: expansão do acesso e 
redução das internações por condições sensíveis à atenção básica (ICSAB). Ciência & Saúde Coletiva, 
v. 23, n. 6, p. 1903-1913, 2018.
STARFIELD, B. Atenção Primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: 
Unesco: Ministério da Saúde, 2002. 
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Carteira de Serviços da Atenção Primária À Saúde (CaSAPS). Brasília, 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017. Consolidação 
das normas sobre as políticas nacionais de saúde do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 3 out. 2017.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 
[2016]. 496 p. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_
Livro_EC91_2016.pdf. Acesso em: 28 dez. 2023. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Saúde da 
Família. Manual do Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde: PCATool-Brasil – 2010. 
Brasília: Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
manual_avaliacao_pcatool_brasil.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024.
BRASIL.Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, 
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes 
e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 set. 1990. Disponível em: https://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm Acesso em: 28 dez. 2023.
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_avaliacao_pcatool_brasil.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_avaliacao_pcatool_brasil.pdf
Módulo I | Unidade II
90
Leitura complementar
HOUCK, S. What Works to Improve Primary Care: Effective Strategies and Case Studies. Baltimore: 
HealthPress Publishing, 2017.
MACINKO, J.; MULLACHERY, P. H. Primary care experiences among Brazilian adults: Cross-sectional 
evidence from the 2019 National Health Survey. PLoS ONE, v. 17, n. 6, e0269686, 2022.
MENDES, E. V. O acesso à atenção primária à saúde. Brasília: Conselho Nacional de Secretários de 
Saúde, 2016.
NORMAN, A. H.; TESSER, C. D. Acesso ao cuidado na Estratégia Saúde da Família: equilíbrio entre 
demanda espontânea e prevenção/promoção da saúde. Saúde e Sociedade, v. 24, n. 1, p. 165-179, 2015.
PRATES, M. L. et al. Desempenho da Atenção Primária à Saúde segundo o instrumento PCATool: 
uma revisão sistemática. Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, n. 6, p. 1881-1893, 2017.
SÁNCHEZ-SAGRADO, T. La atención primaria en el Reino Unido. Semergen, v. 42, n. 2, p. 110-113, 
2016. Disponível em: https://www.elsevier.es/es-revista-medicina-familia-semergen-40-pd-
f-S113835931500297X. Acesso em: 31 jan. 2024.
TASCA, R. et al. Recomendações para o fortalecimento da atenção primária à saúde no Brasil. Revista 
Panamericana de Salud Pública, v. 44, 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/arti-
cles/PMC6943881/pdf/rpsp-44-e4.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024.
https://www.elsevier.es/es-revista-medicina-familia-semergen-40-pdf-S113835931500297X
https://www.elsevier.es/es-revista-medicina-familia-semergen-40-pdf-S113835931500297X
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6943881/pdf/rpsp-44-e4.pdf
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6943881/pdf/rpsp-44-e4.pdf
• U N I D A D E I I I ― 
A RESPONSABILIDADE SANITÁRIA 
E A FUNÇÃO DO GESTOR LOCAL NO 
TERRITÓRIO: IDENTIFICANDO OS 
DETERMINANTES E CONDICIONANTES 
SOCIAIS DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA
REBECCA CABRAL DE FIGUEIRÊDO GOMES PEREIRA
Currículo Lattes
Autora
http://lattes.cnpq.br/9531241384391102
Autora da Unidade III
REBECCA CABRAL DE 
FIGUEIRÊDO GOMES PEREIRA
Currículo Lattes
http://lattes.cnpq.br/9531241384391102
Unidade III
SUMÁRIO
95 3.1 Territorialização 
99 3.2	Ferramentas	de	territorialização:	mapeamento,	georreferenciamento,	identificação	
e	análise	de	riscos	e	formulação	de	diagnóstico	situacional	e	de	perfil	epidemiológico
107 3.3 Determinação social da saúde e estratégias para 
enfrentamento das vulnerabilidades do território
112 3.4 Gestão da oferta e gestão de base territorial
117 3.5 Integração entre Atenção Primária e Vigilância em Saúde: em busca do 
enfrentamento das condições crônicas e dos agravos não transmissíveis
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
DA UNIDADE
1. Compreender o conceito de território e territorialização
na saúde na perspectiva da responsabilidade sanitária;
2. Conhecer as ferramentas de territorialização para a
formulação do diagnóstico situacional e perfil epide-
miológico fundamentadas nos determinantes e condi-
cionantes do processo saúde-doença;
3. Identificar os equipamentos sociais presentes no território;
4. Analisar as possibilidades de articulação intersetorial;
5. Diferenciar subpopulações em situação de vulnerabili-
dade social;
6. Reconhecer o papel do gerente na Vigilância em Saúde
no território.
CARGA HORÁRIA DE ESTUDO
15 horas.
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
Prezado gerente, bem-vindo à Unidade III do Módulo I!
Agora que você entendeu que gerente (você) é uma peça-chave para a arti-
culação da Rede de Atenção à Saúde (RAS), considerando o papel singular 
da Atenção Primária à Saúde (APS) na rede e que isso tende a diferenciar 
a sua liderança na Unidade Básica de Saúde (UBS) da liderança dos 
gestores de outros pontos de atenção da RAS, considerando também 
que existem várias modalidades de equipes na APS e que você pode estar 
coor-denando diferentes equipes no contexto da UBS a qual você está 
vincu-lado e que se aprofundou na compreensão dos atributos da APS, 
vamos avançar nos nossos estudos. Nesta unidade, vamos discutir sobre 
o terri-tório, os determinantes e condicionantes do processo saúde-
doença e o papel da Vigilância em Saúde, destacando as possibilidades
de ação do gerente de um serviço de Atenção Primária à Saúde nesse
contexto. Nosso local de trabalho, seus aspectos, seus atores e
equipamentos serão objetos do nosso estudo.
Está pronto? Vamos lá!
94
Módulo I | Unidade III
Módulo I | Unidade III
95
A territorialização é uma das diretrizes da Política Nacional de Atenção 
Básica (PNAB) (Brasil, 2017). Isso significa que esse processo é funda-
mental para a organização e desenvolvimento das ações da APS, 
que estão fundamentadas em um território específico e que preveem 
impacto nos condicionantes e determinantes de saúde, bem como na 
situação de saúde dos indivíduos, famílias e coletividades que cons-
tituem esse determinado espaço, o território (Brasil, 2017). 
Então, o que é território? Esse é um conceito muito discutido, por isso 
vamos abordar algumas das definições que podem ser encontradas 
na literatura sobre o tema.
A PNAB conceitua território como “unidade geográfica única, de cons-
trução descentralizada do SUS na execução das ações estratégicas 
destinadas à vigilância, promoção, prevenção, proteção e recuperação 
da saúde” (Brasil, 2017). 
Já segundo Gondim et al. (2008), território é o espaço delimitado, 
produzido pela sociedade, onde coexistem objetos geográficos, pessoas 
e instituições que interagem por meio de interesses, forças e poderes 
diversos. Está constantemente sendo modificado pela ação do homem, 
sendo local de produção de vida e de trabalho.
3.1 Territorialização 
Módulo I | Unidade III
96
Considera-se que o território é produto e produtor de pactos sociais baseados 
nas interações entre as pessoas que o habitam, entre as pessoas e as institui-
ções, entre as pessoas e a natureza etc. (Gondim; Monken, 2017). Esses pactos 
representam a apropriação e o uso que os sujeitos fazem do território e podem 
ser descritos como regras de uso formais e informais. Em algumas circunstân-
cias, nesse território também poderão ser observados os conflitos presentes.
É importante compreender que a apropriação e o uso do território estão em 
constante modificação pelas pessoas que o ocupam (Faria, 2013). Esses processos, 
que influenciam na identidade e pertencimento dos sujeitos, estão relacio-
nados diretamente com o processo saúde-doença dos indivíduos, famílias e 
comunidade. Por isso, é importante para você e para as equipes com quem 
você trabalha buscar a compreensão das relações entre a população e o terri-
tório. Também é importante ter consciência de que o uso do território é uma 
construção permanente e está intrinsecamente ligado ao interesse e às rela-
ções de poder dos sujeitos presentes nele. Assim, comumente escutamos que
“o território é dinâmico” ou que “o território é vivo”, porque, para além da 
delimitação física de um espaço geográfico, a nós da Saúde interessam os 
impactos no processo saúde-doença que as relações humanas que ocorrem 
nesse espaço podem provocar.
Módulo I | Unidade III
97
responsabilidade está atrelada ao cumprimento das funções que a APS tem 
na RAS. Convém que o gerente fortaleça a visão de sua equipe sobre as 
singularidades do território a fim de desenvolver a compreensão sobre a 
identidade do território, aprofunde a noção de pertencimento das pessoas 
que constituema população adstrita e desenvolva em todos os profissio-
nais da equipe com quem trabalha as competências para o cumprimento 
da responsabilidade sanitária.
Bom, voltando à territorialização, será necessário ter alguns conhecimentos, 
como o espaço físico que corresponde ao território adstrito no mapa do seu 
município. Quais são os limites desse espaço? Existem barreiras geográficas 
que determinam seus limites? Você conhece esses limites pessoalmente? 
Como se dá a distribuição da população adstrita nesses espaços? Em que tipo 
de moradias essa população habita? Essa área é extensa? Como as pessoas 
se movimentam? Há transporte público? Você já percorreu o trajeto que 
os usuários que moram mais longe da UBS percorrem para chegar até lá? 
Que outros equipamentos sociais estão presentes nessa área? Como é a 
relação da população moradora com esses equipamentos? Muitas 
pessoas traba-lham nesse território? Fábricas, indústrias, comércios ou 
outros serviços estão presentes nele? Como é feita a coleta de lixo? 
Existem espaços de lazer? E movimentos sociais? Você conhece as 
lideranças comunitárias? Existem áreas de concentração de vulnerabilidade 
social? Quais são e quem as frequenta?
Vamos relembrar algumas medidas de território que nos acostumamos a 
usar na APS: área de abrangência, que representa o espaço pelo qual uma 
Unidade Básica de Saúde (UBS) ou determinada equipe é responsável; e 
microárea, que é a unidade territorial que representa a cobertura de cada 
agente comunitário de saúde (ACS). 
Agora que entendemos um pouco mais sobre o território, como você imagina 
que se operacionaliza o processo de territorialização? Essa é uma diretriz 
da atual PNAB (Brasil, 2017), que serve como base para o planejamento e 
organização do nosso sistema de saúde. A territorialização é necessária, já 
que a APS tem responsabilidade sanitária no território em que atua. 
Responsabilidade sanitária é uma característica da APS. Todas as equipes 
que constituem a APS são responsáveis pela atenção à saúde de qualquer 
pessoa que reside no território de atuação da equipe, mesmo que alguma 
ou algumas pessoas estejam transitoriamente no território, como pode ser o 
caso de algumas pessoas ou famílias em situação de vulnerabilidade, como 
pessoas em situação de rua. Daqui a pouco conversaremos mais sobre a 
identificação dessas populações e as possibilidades de atuação do gerente 
e sua equipe junto a essas pessoas. Quando falamos em responsabilidade 
sanitária, estamos afirmando que cada equipe de APS é a principal refe-
rência para a prestação direta do cuidado à população adstrita e que essa 
Módulo I | Unidade III
98
Para iniciarmos o processo de territorialização, é fundamental que você, 
gerente, conheça as respostas a essas perguntas e participe ativamente 
desse momento com a sua equipe. Agora, vamos conhecer algumas ferra-
mentas que podem te auxiliar no processo de territorialização.
Módulo I | Unidade III
99
A territorialização em saúde consiste em reconhecer toda a complexidade do 
contexto territorial, elaborar instrumentos para coletar dados e estratégias de 
investigação, analisar o conjunto de informações que pode basear um diag-
nóstico situacional, planejar intervenções na situação de saúde encontrada, 
monitorar os resultados das intervenções, ajustar o planejamento mantendo 
as informações sistematicamente atualizadas e compreender que esse é um 
processo cíclico, inerente ao trabalho no âmbito da APS.
A essa altura, você já pensou em algumas ferramentas para realizar a terri-
torialização, não foi? Aqui, vamos falar sobre as principais. 
3.2 Ferramentas de 
territorialização: 
mapeamento, 
georreferenciamento, 
identificação e análise 
de riscos e formulação 
de diagnóstico 
situacional e de perfil 
epidemiológico
Módulo I | Unidade III
100
O mapeamento é a primeira ferramenta de que lembramos quando falamos 
em territorialização, não é? Desde o início dos trabalhos da Saúde da Família, 
quando ela ainda era um programa, as equipes costumavam desenhar 
mapas e colorir as microáreas conforme a distribuição das famílias de cada 
ACS. Nessa representação, também se costumava sinalizar as caracterís-
ticas do território com impacto coletivo, como equipamentos sociais, áreas 
de lazer, áreas de risco, comércios locais etc. As equipes também se habi-
tuaram a sinalizar as residências em que podem ser encontrados usuários 
que compõem subpopulações de interesse da APS, como hipertensos, 
gestantes, acamados etc.
Fonte: arquivo próprio.
Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2016, p. 11).
Módulo I | Unidade III
101
Uma boa prática é expor, em um local pelo qual a população circule, como 
a recepção ou a sala de espera, o mapa da área que a UBS atende, para que 
os usuários possam conhecer a área de abrangência do serviço. Mas 
atenção! As informações consideradas sensíveis e que podem acabar 
demonstrando a condição de uma ou mais pessoas não podem estar 
nesse mapa, uma vez que é necessário respeitar a Lei Geral de Proteção 
de Dados Pessoais (LGPD) (Brasil, 2018). Esse tipo de informação não 
pode ser exposto em áreas comuns da UBS e precisa estar seguro. Não 
é permitido disseminar informações sobre um usuário a pessoas, mesmo 
trabalhadores do serviço, que não estejam relacionadas ao processo de 
cuidado dele. Como lide-rança da UBS, o gerente precisa estar vigilante 
com relação ao cumprimento da LGPD, buscando, com o auxílio dos 
profissionais da equipe, proteger as informações sensíveis que devem ser 
sigilosas. 
SAIBA MAIS
Saiba mais sobre a LGPD Link 🔗
Com a evolução da tecnologia, o mapeamento foi se sofisticando. Atualmente, 
para a apresentação dessa camada da territorialização, que demonstra a 
distribuição dos imóveis, equipamentos e outras informações referentes ao 
território, contamos com o georreferenciamento. Com essa técnica, surgiu a 
possibilidade de apresentar representações que se sobrepõem às informa-
ções espaciais no território. Por exemplo, atualmente, conseguimos acres-
centar ao mapa informações importadas de sistemas de informação para 
qualificar nossa compreensão sobre a distribuição de agravos, possibili-
tando, consequentemente, a realização de análises e de planejamento de 
intervenções que tendem a ser mais eficazes para a saúde da população.
https://www.gov.br/pt-br/servicos/esclarecer-duvidas-sobre-protecao-de-dados-pessoais
Módulo I | Unidade III
102
O georreferenciamento é uma ferramenta que pode também ajudar 
a população. Alguns municípios desenvolveram uma boa prática nesse 
sentido. Eles disponibilizam um site aos cidadãos para que possam desco-
brir qual é a unidade de APS mais próxima da sua casa. 
Fonte: Conselho Nacional de Secretários de Saúde (2023).
SAIBA MAIS
À medida que inovações tecnológicas são incorporadas ao 
cotidiano dos gestores em Saúde, cabe ao gerente buscar 
compreendê-las, uma vez que contribuem significativamente 
para a interpretação da situação epidemiológica da localidade, e 
adequá-las à realidade na qual está inserido. Convidamos você a 
conhecer alguns exemplos de aplicação do georreferenciamento 
à APS em alguns municípios. Você também pode verificar outras 
estratégias, como relatórios de produção, dashboards e painéis de 
monitoramento. Confira esses exemplos clicando nos links a seguir:
Rio de Janeiro – RJ Link 🔗
São Paulo – SP Link 🔗
Campo Grande – MS Link 🔗
https://www.arcgis.com/apps/webappviewer/index.html?id=014d8ab512a34f259bb27c8a13d4d65f
http://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/
https://campograndems.labinovaapsfiocruz.com.br/osa/.
Módulo I | Unidade III
103
Além do mapeamento e do georreferenciamento, informações sobre as 
relações que ocorrem no território podem ser coletadas por meio de entre-
vistas com usuários, antigos moradores da região, representantes de insti-
tuições presentes na área de abrangência e lideranças comunitárias. Assim, 
nossa fonte para um bom processo de territorialização abrange também 
entrevistas com informantes-chave. Aspectoshistóricos, conquistas sociais e 
modificações urbanas pelas quais o território tenha passado podem contri-
buir para uma maior compreensão sobre as regras locais e a forma como a 
vida é produzida nesse espaço.
A observação do território e as entrevistas com os informantes-chave permitirão 
que você identifique os riscos à saúde presentes no território. Antes de conti-
nuar, vamos visitar um conceito importante. O que é risco? Como os riscos se 
relacionam com a territorialização e com o nosso trabalho?
Vamos considerar risco como a probabilidade de um evento ocorrer. O 
risco à saúde pode estar relacionado à localização geográfica do território 
de abrangência, como vemos em algumas situações em que o território (ou 
parte dele), em que as residências podem se localizar, estar numa área com 
risco potencial de desabamento de encostas, de alagamento por acúmulo 
de chuvas ou transbordamento de barragens, igarapés etc., colocando a 
vida de famílias em risco. O risco à saúde também pode se relacionar a 
SAIBA MAIS
Algumas instituições já disponibilizam 
ferramentas que podem te orientar na 
elaboração de um mapa digital com as 
informações sobre a territorialização da área 
de abrangência da UBS em que você 
trabalha, sabia? Nesse mapa, você tem a 
oportunidade de inserir, por exemplo, 
informações georreferenciadas com os 
principais agravos que estão presentes no 
território em que você trabalha. Imagina 
quanto esse tipo de ferramenta pode ser 
potente para o melhor direcionamento do 
trabalho em equipe e da tomada de decisão? 
Neste arquivo, você vai aprender como 
construir um mapa com essas características 
(Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 
2016). Link 🔗
https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/201701/11144733-tutorial-telessauders-georreferenciamento-na-aps.pdf
Módulo I | Unidade III
104
A identificação dos riscos presentes no território faz parte do mapea-
mento. Primeiro, você foi estimulado a observar o território, a identificar 
os riscos presentes nele e a entrevistar pessoas que se destacam nesse 
contexto. O movimento de sistematização de informações que ainda não 
estão organizadas em um local específico começa pela coleta de dados 
primários. Continuaremos aprofundando a territorialização com a coleta 
de dados secundários, que são dados que já estão sistematizados em 
fontes conhecidas, como os prontuários e os sistemas de informação em 
saúde, que contêm relatórios com séries históricas dos agravos que já 
acometeram a população adstrita e que facilitarão a compreensão sobre 
a forma e a frequência com as quais os agravos atingem a população. 
Informações epidemiológicas, demográficas e socioeconômicas podem 
ser consultadas em relatórios de outros órgãos de governo ou ainda em 
relatórios de cadastramento familiar, e o objetivo de reunir essas infor-
mações é conhecer melhor a população adstrita para atender à neces-
sidade de saúde dessa população.
A coleta de todos esses dados permitirá que você e a equipe da UBS 
formulem o diagnóstico situacional e o perfil epidemiológico da popu-
lação adstrita. O diagnóstico situacional será o produto de toda a territo-
rialização. Com a sistematização de todas as informações levantadas e o 
diagnóstico realizado, cabe a você analisar o cenário encontrado e, com as 
circunstâncias que desencadeiam ações de violência que provocam sofri-
mento e adoecimento, como a presença no território de grupos em conflito 
com a lei, episódios de violência policial, conflito entre moradores etc. 
Outro risco à saúde pode estar associado a condições de moradia ou de 
trabalho insalubres, que vão aumentar significativamente a probabilidade 
de adoecimento da população. Animais soltos ou malcuidados, comuni-
dades atravessadas por vias de alta velocidade, dificuldade de acesso a 
outros pontos da cidade, residências isoladas, entre outras, também são 
situações que podem elevar o risco de ocorrência de agravos por adoe-
cimento ou acidentes da população submetida a esses riscos à saúde. 
Algumas vezes também encontramos riscos à saúde relacionados à 
estru-tura da UBS geralmente relacionados à fragilidade da manutenção, 
como paredes com infiltração ou mofo, goteiras etc. 
Imagino que você já tenha começado a pensar nas características do terri-
tório em que você trabalha e a listar alguns riscos fáceis de reconhecer, não 
é? Você pode identificar riscos que não foram citados aqui porque nosso 
objetivo não é zerar a lista de riscos em determinado território, mas alertar 
para quanto as possíveis situações presentes no território podem se rela-
cionar com o processo saúde-doença da população sob 
responsabilidade de uma UBS.
Módulo I | Unidade III
105
de saúde fazem sentido para o trabalho da equipe. Historicamente, a APS 
no Brasil considera algumas linhas de cuidado prioritárias. Elas estão rela-
cionadas aos ciclos de vida e aos agravos mais incidentes na nossa popu-
lação. O painel de indicadores para apresentar o perfil epidemiológico 
também pode considerar agravos sazonais e situações específicas do terri-
tório em questão, por isso é tão importante conhecê-lo. O monitoramento 
desses indicadores é imprescindível para que sejam feitos os ajustes neces-
sários no processo de trabalho da equipe a fim de qualificar a resposta do 
serviço à situação de saúde da população. O monitoramento dos indica-
dores também contribuirá para a criação da série histórica de resultados, 
que poderão ser interpretados para que se compreenda se o trabalho da 
equipe está sendo efetivo para a melhoria das condições de saúde da popu-
lação adstrita.
O objetivo de todo o exercício de territorialização é fornecer elementos 
consistentes para que você elabore, com a equipe com que você trabalha, 
o planejamento de ações que melhorem os resultados epidemiológicos 
por meio da programação do cuidado, de forma a atender às necessi-
dades de saúde da população vinculada à UBS, considerando os atributos 
da APS. É seu desafio manter o diagnóstico situacional atualizado, o que 
requer acompanhamento das modificações que o território experimenta, e 
pensar em estratégias que melhorarão a qualidade de vida da população
equipes de APS, planejar estratégias para o enfrentamento das condições 
que provocam adoecimento na população sob responsabilidade 
sanitária da UBS.
Quando tratamos de condições que prejudicam a qualidade de vida de toda 
a população, ações de enfrentamento e superação do problema precisarão 
ser articuladas com outros equipamentos sociais e instituições locais, ou 
intervenções precisarão ser solicitadas às autoridades municipais. Ações que 
visam à intervenção em toda a população adstrita são consideradas como 
ações de promoção da saúde e, nesse caso, são oportunidades de melhoria 
de políticas públicas municipais. Muitas vezes, essas ações são estruturais 
para uma comunidade e ultrapassam a capacidade que os profissionais 
da equipe têm para executá-las. Nessas circunstâncias, você – gerente de 
um serviço de APS – é imprescindível para a construção de estratégias de 
melhoria da qualidade de vida da população adstrita. Daqui a pouco, fala-
remos um pouco mais sobre intersetorialidade e intervenções com impacto 
na coletividade.
Uma das etapas do diagnóstico situacional é a distribuição dos agravos na 
população adstrita. Chamaremos essa etapa de perfil epidemiológico, que 
será como uma fotografia da situação de saúde da população. Para que a 
imagem dessa fotografia apareça, será necessário definir quais indicadores 
Módulo I | Unidade III
106
sob responsabilidade da UBS à medida que essas mudanças ocorrerem. 
Lembre-se de que você e o serviço que você gerencia fazem parte de uma 
rede de atenção em um sistema de saúde e que você precisa do apoio de 
outras instâncias para cumprir esse desafio. Quem é seu apoio institucional? 
Há uma pessoa que executa essa função? Você tem encontros periódicos 
com seu coordenador? Quais são as diretrizes da gestão da saúde no seu 
município? Conheça seu território e convideessas pessoas estratégicas, 
tanto coordenadores da APS do município quanto lideranças comunitárias, 
a construir as estratégias de melhoria da saúde da população com você!
Módulo I | Unidade III
107
Realizada a territorialização, você tem em mãos o diagnóstico situa-
cional e o perfil epidemiológico da população sob responsabilidade da 
UBS que você gerencia. Agora vamos resgatar uma parte das informa-
ções encontradas nesse processo e pensar juntos estratégias para trans-
formar as evidências encontradas em ações.
Os riscos em saúde que são identificados no território são uma parte 
importante do todo para a compreensão de como se dá o processo 
saúde-doença da população, das famílias e dos indivíduos. O conheci-
mento dos riscos em saúde presentes no território influencia na criação de 
estratégias de enfrentamento para elevar a qualidade de vida da popu-
lação, seja por ações que impactam no modo de vida da população, 
seja por ações que incidem no comportamento individual das pessoas. 
Alguns conceitos que talvez você já conheça são importantes para conti-
nuarmos essa conversa. Vamos juntos!
3.3 Determinação social 
da saúde e estratégias 
para enfrentamento 
das vulnerabilidades do 
território
Módulo I | Unidade III
108
Determinantes sociais são o conjunto das 
condições sob as quais as pessoas vivem e 
trabalham e que podem ser alteradas pela ação 
de políticas públicas (Buss; Pellegrini Filho, 2007). 
O modelo de determinação social do 
processo saúde-doença, em linhas gerais, é 
uma teoria que analisa os modos de vida na 
estrutura social e explica os impactos das iniqui-
dades e de suas expressões nos padrões de 
morbimortalidade na perspectiva da inclusão ou 
da exclusão social. De acordo com essa teoria, 
a distribuição de qualquer doença é produto 
da organização social. Ela também considera 
que os indivíduos fazem escolhas que podem 
aumentar suas probabilidades de adoecimento, 
mas que essas escolhas também se relacionam 
com o contexto social e, portanto, também são 
evidências do processo de determinação social 
(Barata, 2012).
Fonte: Comissão Nacional de Determinantes Sociais da Saúde (2008).
Módulo I | Unidade III
109
alguns dos seus estudos. Convidamos você a conhecer algumas dessas 
políticas clicando no Link 🔗. 
Outro princípio doutrinário do SUS é a universalidade ou acesso universal. Esse 
princípio significa que qualquer pessoa, independentemente de raça, origem, 
gênero, orientação sexual, classe social ou idade, deve ter o seu acesso garan-
tido à saúde. Quando somamos a equidade à universalidade, é inegável que 
vamos lidar com as populações em situação de vulnerabilidade social. Vamos 
lembrar se no território em que você atua existem moradores em situação de 
rua? Há imigrantes ou refugiados? Você sabia que já aconteceu de uma pessoa 
não conseguir acessar um serviço de saúde devido à falta de comprovante de 
residência? Em todos esses questionamentos, existe a possibilidade de criação 
de barreiras entre pessoas com necessidades de saúde e os serviços de saúde. 
Precisamos estar atentos para, na posição de líderes, sempre fomentar que a 
equidade e o acesso universal sejam cumpridos.
Vamos a outros questionamentos para identificar vulnerabilidades? Como 
estão os indicadores de desemprego no território? Qual é o nível de escola-
ridade predominante nessa população? Você percebe estratos de ocupação, 
renda e escolaridade diferentes dentro da área de abrangência? Esses 
estratos estão localizados em porções diferentes da área? Há cenas de uso 
abusivo de drogas?
A figura apresenta as variáveis que são consideradas fatores de proteção 
à saúde ou de exposição ao adoecimento. Essas variáveis estão distri-
buídas em camadas, o que facilita a compreensão sobre as diversas 
condições, desde as que estão mais atreladas aos indivíduos (determi-
nantes proximais) até as que fazem parte da macroestrutura social em 
que as coletividades estão inseridas e que não podem ser alteradas por 
ações individuais. Os determinantes intermediários e distais são passí-
veis de modificações apenas pelo efeito de políticas públicas.
Para traduzirmos esses conceitos em ações no território, será neces-
sário considerar as vulnerabilidades encontradas e elaborar estratégias 
capazes de promover a igualdade das oportunidades de saúde, que 
também estamos acostumados a chamar de equidade. 
A equidade é um dos princípios doutrinários do SUS e pode ser tradu-
zida como a oferta de cuidado de acordo com a necessidade de cada 
indivíduo ou de cada população, respeitando as suas singularidades 
e buscando reduzir desigualdades injustas produzidas pelos deter-
minantes sociais da saúde. Por ser um dos princípios doutrinários do 
nosso sistema de saúde, você encontrará a equidade em várias polí-
ticas que buscam garanti-la no SUS. Pode ser até que você já esteja se 
lembrando de uma ou outra vez que encontrou a palavra equidade em 
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade/o-que-e-equidade
Módulo I | Unidade III
110
Lembra da nossa recomendação para que você conhecesse os outros equi-
pamentos sociais presentes no território de abrangência? Vamos construir 
intersetorialidade nos aproximando desses equipamentos e planejando 
juntos ações que buscam trabalhar não apenas os efeitos das iniquidades, 
mas estratégias que atuem na modificação da exposição da população aos 
fatores de risco e que sejam capazes de reduzir as vulnerabilidades, ainda 
que sejam ações cujos efeitos serão sentidos a médio ou longo prazo, como 
a organização de uma horta comunitária, que tanto pode gerar ocupação 
a algumas pessoas desempregadas quanto acesso a alimentos de melhor 
qualidade que podem ser ofertados à própria população a um custo menor 
por não dependerem de uma cadeia logística de transporte de longas 
distâncias. Esse é um tipo de ação que necessita de investimentos, mobili-
zação de recursos e cujos resultados aparecem a médio/longo prazo.
Outros exemplos de muito potencial para o fortalecimento da cidadania da 
população são as ações que podem ser desenvolvidas nas escolas, creches 
ou outros equipamentos de Educação que estejam no território no intuito 
de apresentar estratégias de prevenção de doenças a todos os públicos 
desses equipamentos, tanto estudantes como o corpo de funcionários. A 
Saúde também tem como forte aliada a Assistência Social com seus equi-
pamentos, que já estão em contato com as famílias de maior vulnerabili-
dade do território. A promoção da equidade tem um olhar atento para essa 
As respostas a essas perguntas te ajudarão a elaborar estratégias que 
promovam equidade na oferta de cuidado à população adstrita. É impor-
tante treinar todos os profissionais da UBS para prestarem atendimento 
técnico, qualificado e humanizado em todos os setores da unidade de 
saúde, buscando atender de forma adequada às necessidades de saúde 
dos indivíduos ou famílias que procuram o serviço e respeitando o prin-
cípio do acesso universal.
Há pouco, falamos sobre ações intersetoriais que contribuem para a promoção 
da saúde, ou seja, buscam o enfrentamento das causas das iniquidades. Há 
um outro grupo de ações que visa ao enfrentamento das vulnerabilidades da 
população adstrita e está sob responsabilidade estrita dos serviços de saúde: 
o grupo de ações setoriais. Essas ações buscam mitigar os impactos das
desigualdades sociais na saúde da população, ou seja, lidam com os efeitos
das desigualdades. Estamos falando de episódios de adoecimento que, em
muitas situações, são preveníveis, mas isso não acontece e acabam gerando
pressão assistencial na busca por atendimentos, medicamentos, curativos etc.
na unidade de saúde. O atendimento a essas demandas com os recursos e
profissionais adequados no tempo oportuno faz parte da construção da equi-
dade no território, mas não paramos por aí. Espera-se que a saúde possa se
organizar e participar das políticas intersetoriais que agem sobre as causas
desses episódios de adoecimento que podem ser prevenidos.
MóduloI | Unidade III
111
subpopulação que já está exposta a mais fatores de risco à saúde devido 
à sua condição social. Procure esses serviços no seu território, conheça 
esses equipamentos sociais e converse com os representantes deles. A 
sua postura de líder na construção de ações intersetoriais vai influenciar a 
postura dos profissionais das equipes com quem você trabalha. Você tem 
um papel de destaque no fortalecimento da rede local e na articulação dos 
equipamentos sociais e da rede de atenção à saúde em busca da garantia 
dos princípios do SUS para a população adstrita ao serviço em que você 
trabalha.
A existência da UBS no território em que você atua já é o resultado de 
uma política de distribuição de recursos para garantir o acesso à saúde, 
que tem a prerrogativa de ser universal no nosso país, conforme apresen-
tado no início desta seção. Uma questão a que precisamos estar vigilantes 
é o desenvolvimento de estratégias para qualificação do acesso ao serviço 
para melhorar sua capacidade de entregar valor no atendimento às neces-
sidades de cada usuário, família e comunidade em que está inserido.
Módulo I | Unidade III
112
Para iniciar a discussão sobre oferta, demanda e necessidade, convido 
você, gerente, a fazer o exercício de escrever, em poucas palavras, como 
você define cada uma delas: o que é oferta? O que é demanda? O que é 
necessidade em saúde? Você percebe quanto esses conceitos são dife-
rentes? Como o serviço em que você trabalha atende às demandas? Há 
uma carteira de serviços definida? Como ela foi construída? Quais são 
os parâmetros utilizados? Será que essa carteira de serviços considera as 
necessidades em saúde do território? Com que frequência ela é revisada?
A discussão sobre a gestão de base populacional considera a diversi-
dade da demanda da APS e categoriza essas demandas como problemas 
ou condições de saúde, o que diferencia a APS de outros pontos de 
atenção que trabalham apenas com o diagnóstico de doenças (Mendes 
et al., 2019). Existem muitas evidências de que a APS organizada é capaz 
de resolver a grande maioria dos problemas que se apresentam 
como demanda na UBS.
A oferta de ações que a UBS disponibiliza é representada na carteira 
de serviços, que é um instrumento que lista todas as ações que todos 
os membros da equipe estão aptos a oferecer à população adstrita. A 
construção da carteira de serviços leva em consideração a estrutura da 
3.4 Gestão da oferta 
e gestão de base 
territorial
Módulo I | Unidade III
113
SAIBA MAIS
O objetivo da confecção da carteira de serviços é apresentar os 
serviços ofertados pela UBS em que você trabalha à população 
de forma organizada. O conteúdo dela pode variar, mas é 
importante que esteja de acordo com as aes estabelecidas na 
PNAB e que contribua para a execuão dos atributos da APS na 
rede de atenção. Em alguns municípios, esse instrumento está 
padronizado, como você pode conferir a seguir. Ah! É sempre 
bom lembrar que a carteira de servios deve ser revisada 
periodicamente para que seu contedo permanea atualizado!
Rio de Janeiro Link 🔗
Porto Alegre Link 🔗
Publicação Ministério da Saúde Link 🔗
UBS, os profissionais que compõem a equipe e as normativas nacionais, 
estaduais e municipais. Também se recomenda fortemente que considere 
as necessidades de saúde da população. Preferencialmente, essas infor-
mações são expostas à população na recepção ou em um mural de infor-
mações do serviço. Também é recomendável que o horário de funcio-
namento e a escala dos profissionais, com seus horários individuais de 
trabalho, sejam disponibilizados para amplo conhecimento da população. 
A oferta é o que se traduz da capacidade instalada do serviço.
https://subpav.org/aps/uploads/publico/repositorio/Livro_CarteiraDeServicosAPS_2021_20211229_(2).pdf
http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/sms/usu_doc/carteirafinal.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carteira_servicos_atencao_primaria_saude_profissionais_saude_gestores_completa.pdf
Módulo I | Unidade III
114
A expressão da busca de cada usuário que manifesta interesse pelo serviço 
é o que chamamos de demanda. Em se tratando da Estratégia Saúde da 
Família, cujo trabalho se caracteriza também por ações no território, não se 
deve reduzir a demanda aos usuários que chegam até o serviço. Algumas 
demandas são atendidas em visitas ou atendimentos domiciliares. Outras 
demandas, de abrangência coletiva, são atendidas com ações interseto-
riais ou ações de educação em saúde, como atividades coletivas ou grupos 
operacionais.
Fonte: Mendes et al. (2019, p. 69).
Módulo I | Unidade III
115
que vão repetidas vezes à unidade de saúde – necessita de cuidados de 
forma organizada. Sabemos quanto essa organização é desafiadora porque 
busca considerar o respeito às necessidades daqueles que mais utilizam o 
sistema de saúde e a parcela da população que não consegue acesso aos 
serviços de saúde. 
Finalmente, quando falamos em necessidade, estamos considerando a parte 
da demanda que não chega ao serviço devido às barreiras de acesso, que 
podem ter várias naturezas, como:
• barreira estrutural: quando uma UBS não tem sala de vacina, impondo 
à população a necessidade de deslocamento a outro serviço para acessar 
esse recurso característico da APS;
• barreira financeira: quando o usuário precisa se deslocar por meio
de transporte público até o serviço, mas não tem condições financeiras
para isso;
• restrição na carteira de serviços: quando se identificam pessoas elegí-
veis aos cuidados paliativos no território, mas a equipe não está trei-
nada para acolher e manejar essa necessidade;
• barreira cultural: quando uma pessoa que convive com HIV/AIDS não
usa o serviço de APS para acompanhamento porque desconfia que
sofrerá preconceito devido à sua condição.
As barreiras culturais devem ser eliminadas para que o princípio da equi-
dade seja garantido. Vários grupos populacionais em situação de vulnera-
bilidade deixam de usar os serviços de saúde por causa dos episódios de 
preconceito que sofrem em diversas instituições ao longo da vida. Também 
se sabe que o grupo de pessoas consideradas “hiperutilizadoras” – pessoas 
SAIBA MAIS
De acordo com a Lei da concentração dos gastos e da severidade das 
condições de saúde, há uma concentração de cuidados com um grupo 
reduzido de pessoas, o que se constitui numa barreira de acesso, pois 
essa concentraão impossibilita que vrias outras pessoas possam 
receber cuidados da equipe de APS. Geralmente, pessoas em situaão de 
vulnerabilidade acabam tendo o cuidado prejudicado quando verificamos 
concentração de cuidados com hiperutilizadores ou pessoas com condições 
crônicas muito complexas (Mendes, 2012). Essa situação contraria o 
princípio da equidade e deve ser combatida por meio da organização 
da oferta de ações em saúde. Você identifica situação semelhante na UBS 
em que trabalha? Já conviveu com situação semelhante? No link 
a seguir, você pode acessar a Lei da concentração dos gastos e da 
severidade das condições de saúde (Berk; Monheit, 1992). Link 🔗
https://www.healthaffairs.org/doi/10.1377/hlthaff.11.4.145
Módulo I | Unidade III
116
Considerando esses exemplos simples, você identifica necessidades no terri-
tório em que trabalha que não estão sendo atendidas de forma a garantir 
os atributos da APS, como a integralidade e a longitudinalidade da popu-
lação adstrita? Percebe a importância de manter o exercício da territoriali-
zação atualizado para organizar, coordenar e planejar as ações em saúde 
para a população sob responsabilidade sanitária do serviço em que você 
trabalha? Outras perguntas também são importantes. Quais instrumentos 
são utilizados para a identificação das subpopulações? A estratificação de 
risco das pessoas com condições crônicas contribui para ajustar as ações 
programadas? Quem são as pessoas responsáveis pelos ajustes na carteira 
de serviços? Quem coordena esse processo? Quais são as diretrizes? O 
conhecimento sobre o território e a população adstritasão considerados? 
E a opinião do usuário? Como o serviço mede a satisfação da 
população? Qual valor a UBS está entregando aos usuários cuidados 
pela equipe?
A proposta de trabalho baseada na gestão de base populacional 
objetiva 
identificar e categorizar as necessidades de saúde da população adstrita 
para que a UBS consiga atualizar sua carteira de serviços buscando respeitar 
os atributos da APS. Assim, podemos nos aproximar da concretização 
dos valores que compõem o nosso sistema de saúde e agregar valor, 
oferecendo respostas adequadas e em tempo oportuno à população sob 
responsabi-lidade sanitária do serviço. Todas as ações que compõem 
nosso trabalho devem estar voltadas para esse fim.
SAIBA MAIS
Caso você queira se aprofundar um pouco mais no 
tema da gestão de base populacional, sugerimos que 
você leia o capítulo 2, intitulado A demanda na Atenção 
Primária à Saúde, do livro A Construção Social da Atenção 
Primária à Saúde (Mendes et al., 2019). Link 🔗
https://www.conass.org.br/biblioteca/a-construcao-social-da-atencao-primaria-a-saude-2a-edicao/
Módulo I | Unidade III
117
Para muitos profissionais de saúde, quando falamos Vigilância em Saúde, 
a imagem que vem à cabeça é a de um setor de processamento de dados 
epidemiológicos. Sabemos que a Vigilância, nas suas quatro frentes de 
atuação – Epidemiológica, Sanitária, Ambiental e Saúde do Trabalhador 
–, abrange bem mais que análise e monitoramento de informações em 
saúde. Vamos listar rapidamente os processos que trabalhamos na APS 
e que formam nossa intersecção com o setor de Vigilância: imunização, 
notificação de agravos, combate a criadouros de mosquitos transmissores 
de arboviroses, esterilização, acesso à água segura, saneamento básico, 
ações de prevenção de agravos, uso racional de medicamentos, investi-
gação de óbitos, tratamentos supervisionados, monitoramento de indi-
cadores, planos de contingência para enchentes e agravos após 
inun-dações no território da UBS, Procedimento Operacional Padrão 
(POP) para falta de energia, plano de contingência para o 
enfrentamento de doenças emergenciais, surtos e epidemias.
3.5 Integração entre 
Atenção Primária 
e Vigilância em 
Saúde: em busca do 
enfrentamento das 
condições crônicas 
e dos agravos não 
transmissíveis
Módulo I | Unidade III
118
diabéticos com complicações neurológicas? E de hipertensos com sequelas 
de acidentes vasculares encefálicos? Existem pessoas com hanseníase? E 
com tuberculose? Qual é a prevalência de adultos e idosos com doença 
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)? As pessoas com transtornos mentais 
conseguem acessar os Centros de Atenção Psicossociais (CAPS) de refe-
rência? Quais são os eventos-sentinela que fazem sentido para a equipe em 
que você trabalha? Eles foram pactuados com base em quais parâmetros?
Esses são exemplos clássicos das linhas de cuidado que fazem parte do 
processo de vigilância no território. Agora, queremos lhe perguntar quais são 
as ações em rede que têm ocorrido para discutir esses agravos frequentes. 
Essas ações contam com a participação da população? No seu distrito 
sanitário, município ou região de saúde, os gerentes e/ou os profissionais 
da assistência têm se encontrado para conversar sobre a resolutividade 
dos casos complexos? Existem espaços permanentes para debates entre 
profissionais de outros serviços da RAS? Com que frequência os debates 
ocorrem? Você participa desses encontros?
Nesse sentido, a Vigilância em Saúde é transversal às ações realizadas na 
UBS e vamos tratá-la como uma atitude e não como um setor, sem descartar 
a importância da coleta sistemática de dados e informações para 
embasar a tomada de decisão. Recentemente, vivemos a pandemia de 
Covid-19 e ficou evidente a importância da informação para a leitura do 
cenário epide-miológico e para o dimensionamento dos serviços de 
saúde e dos equi-pamentos de proteção individual (EPI), enfim, para a 
organização da RAS na resposta a Covid-19. A partir dessa experiência, já 
observamos municí-pios e estados que investiram em tecnologia para 
qualificar a tomada de decisão com base em informações. 
Mais uma vez voltamos ao exercício da territorialização para, baseados no 
perfil epidemiológico e nos atributos da APS, pensarmos nos problemas de 
saúde mais frequentes da população adstrita. O que encontramos? Existem 
casos de óbito materno? E infantil? Há casos de crianças com baixo peso 
ao nascer? Casos de violência doméstica? Qual é a incidência de casos de 
gravidez na adolescência no território em que você atua? Como está a 
cobertura vacinal das crianças menores de 2 anos? Qual é o percentual de 
Módulo I | Unidade III
119
Pensamos em refinar um pouco mais as suas percepções sobre a impor-
tância da sua atuação na Vigilância em Saúde por meio da análise de um 
caso. Vamos praticar? Considerando o caso narrado a seguir, identifique 
quais ações de Vigilância em Saúde são praticadas e quais podem ser 
implantadas com base na construção que estamos realizando.
Situação-problema da equipe do bairro Estrela 
Guia: o olhar da Vigilância em Saúde
O bairro Estrela Guia fica na periferia de uma cidade da região metropo-
litana de uma grande capital brasileira e tem cerca de 10 mil habitantes. 
A UBS Estrela Guia conta com três equipes de Saúde da Família e as 
três respectivas equipes de Saúde Bucal, completando o cuidado 
disponível na UBS às suas áreas de abrangência. Você assumiu a 
gerência da unidade no mês passado e conheceu um pouco da 
população por meio do que os profissionais relataram. A população é 
composta por cerca de 3 mil famílias, a área tem água tratada e 
esgoto, cerca de metade das famílias é composta por pessoas 
assalariadas que recebem em média de 1 a 2 salários-mínimos e a 
outra metade é beneficiária de programas sociais ou seus chefes estão 
vinculados a subempregos ou estão desempregados. Algumas famílias 
que estão concentradas em uma parte do bairro têm 
SAIBA MAIS
A Vigilância em Saúde é uma área da 
Saúde Pública que faz importante interface 
com a Atenção à Saúde. Existem muitas 
publicações, estudos e pesquisas sobre os 
temas que a constituem. Aqui, convidamos 
você a ler duas publicações do Ministério 
da Saúde para saber um pouco mais 
sobre a Vigilância em Saúde. Vamos?
Acesse: Link 🔗
Link 🔗
https://pensesus.fiocruz.br/vigilancia-em-saude
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/politica-nacional-de-vigilancia-em-saude#:~:text=Entende%2Dse%20por%20Vigil%C3%A2ncia%20em,e%20atua%C3%A7%C3%A3o%20em%20condicionantes%20e
Módulo I | Unidade III
120
Clique no link a seguir para acessar informações sobre o Programa 
Saúde na Escola: Link 🔗
As equipes têm todos os ACS necessários para cobrir 100% da área, mas 
sofre de rotatividade de profissionais de nível superior. Nessa semana, 
um dentista comentou que vai trabalhar na capital e, recentemente, dois 
médicos informaram que estão prestando processo seletivo para resi-
dência médica. Com relação à estrutura da unidade, você é informado de 
que no bairro falta energia com frequência e que o tempo sem energia 
varia muito, já tendo se aproximado de 24h algumas vezes. Você questiona 
sobre o plano de contingência da sala de vacina e é informado de que é 
o mesmo desde 2017, quando o setor ainda estava equipado com gela-
deira comum. Os profissionais costumam dar sequência aos atendimentos 
algumas vezes, mas não há um padrão quanto ao lançamento dos regis-
tros de consulta no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) após a estabili-
zação da energia no serviço. Você encontra um arquivo com muitos pron-
tuários físicos desorganizados e vê no almoxarifado que as solicitações de 
medicamentos, insumos e material de limpeza não seguem um padrão. Por 
isso, em algumas ocasiões, a UBS já ficou com a higienização prejudicada 
e já houve desabastecimento dos medicamentos mais utilizados.
um maior poder aquisitivo, recusam visita do ACS e não frequentam o 
serviço para atendimentos de rotina. Nas caminhadas que você, gerente, 
fez pelobairro, identificou que existem alguns pequenos comércios locais, 
igrejas, uma praça com quadra poliesportiva e escolas de ensino funda-
mental e que o bairro é bem movimentado durante o dia. Você também 
soube que o bairro é movimentado durante a noite e costumam acontecer 
festas durante o final de semana na praça apoiadas pelo poder paralelo 
envolvido no tráfico de drogas ilícitas do território. O policiamento não 
é frequente no bairro. Os ACS levaram você até alguns terrenos baldios 
que estavam com muito lixo acumulado e falaram sobre a dificuldade de 
transporte quando os usuários precisam se movimentar até a UPA, pois no 
bairro só passa uma linha de ônibus que faz esse traslado, e que isso às 
vezes leva a população a buscar a unidade para atendimentos de episó-
dios que eles relatam ser pequenas urgências.
A UBS tem um processo de trabalho consolidado. Existe há 12 anos e cerca 
de 70% da população do bairro está cadastrada. A unidade oferta consultas 
das três categorias de profissionais de nível superior – médico, enfermeiro 
e dentista – e realiza curativos, pequenos procedimentos, imunização e 
algumas atividades de educação em saúde pelo Programa Saúde na Escola. 
https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programa-saude-na-escola
Módulo I | Unidade III
121
profissionais não sabem se existem fóruns das redes de atenção. 
Recebem visita uma vez a cada dois meses de um matriciador 
do CAPS de referência, mas o acesso a outras especialidades só 
ocorre por meio da regulação municipal. Você questiona quais são 
os eventos considerados sentinela e os profissionais respondem 
apenas sobre óbito materno, infantil ou de mulher em idade fértil.
Diante do cenário encontrado, quais informações você ainda precisa buscar 
para obter o diagnóstico situacional e o perfil epidemiológico das equipes? 
Como você pode trabalhar os riscos encontrados no território? Quais parce-
rias intersetoriais você precisa buscar? Quais serão suas prioridades e qual 
será o seu plano de ação?
Vamos juntos pensar nos pontos discutidos ao longo do capítulo que podem 
lhe dar pistas de como trabalhar com as equipes de forma a oferecer um 
melhor cuidado à população adstrita no bairro Estrela Guia. Para 
começar, você acessou um mapa do território da UBS? Muito 
interessante que você tenha sido apresentado a localidades pelos 
integrantes das equipes, mas como você consolida os riscos 
apresentados, como os terrenos com lixo acumulado, e a localização dos 
equipamentos sociais, como escolas, igrejas e a quadra do bairro? 
Recomendamos que você sistematize essas infor-mações, bem como a 
área de abrangência de cada equipe em um mapa, 
O painel de indicadores das equipes é 
atualizado mensalmente em reunião, 
mas, depois de questionar algumas 
minúcias sobre a organização das 
agendas dos profissionais, você 
descobre que apenas o trabalho dos 
ACS é organizado de acordo com a 
atualização dos indicadores e que as 
ofertas de consultas e procedimentos 
estão fixas desde que os profissionais 
chegaram. Com isso, você percebe 
que o uso das fichas de notificação 
 protocolar, mas que os consolidados não estão sendo teis 
para as equipes e que essas informaes não fazem sentido para 
elas. Desde que os casos de sndromes respiratórias comearam 
a diminuir, com o controle da Covid-19, os usuários voltaram a 
frequentar a UBS com diversas demandas de saúde, o que resultou 
em um aumento da pressão assistencial percebida pelas equipes. 
Os profissionais não usam os instrumentos de estratificação de 
risco estabelecidos pela secretaria municipal de saúde, dificultando 
a programação do cuidado segundo estratos de risco. Os 
“O matriciamento ou apoio 
matricial é um novo modo 
de produzir saúde em que 
duas ou mais equipes, 
num processo de cons-
trução compartilhada, 
criam uma proposta de 
intervenção pedagógico-
-terapêutica” (Chiaverini
et al., 2011, p. 13).
Módulo I | Unidade III
122
Outros documentos precisam ser implantados, como os instrumentos de 
estratificação de risco clínico. No caso, pudemos perceber que as equipes 
ainda não estão usando esses instrumentos de forma adequada. A principal 
consequência disso é que o cuidado tende a ser centrado no agravo, como 
se todas as pessoas que convivem com determinado agravo pudessem 
simplesmente seguir uma fórmula para obter saúde. Recomendamos forte-
mente que o cuidado seja sempre centrado na pessoa, considerando suas 
complexidades, suas potencialidades, suas limitações e, principalmente, sua 
autonomia. Cada pessoa precisa ter informações suficientes para tomar deci-
sões relacionadas à sua vida, com suas idiossincrasias preservadas. Nesse 
sentido, a estratificação de risco contribui para um cuidado mais centrado 
na pessoa, com as articulações de rede proporcionais à necessidade 
de cada usuário da UBS.
Sabe outro ponto que chama atenção sobre o processo de trabalho? Os 
prontuários, o arquivo e o almoxarifado desorganizados. Como gerente desse 
serviço, cabe a você dialogar com os responsáveis por esses setores para 
regularizar o abastecimento dos insumos necessários para o bom funciona-
mento do serviço e organizar o armazenamento de documentos com tantas 
informações sensíveis, como é o caso dos prontuários. É importante qualificar 
o preenchimento das notificações pelos profissionais, já que elas são fontes
fundamentais para a organização da distribuição (georreferenciamento) dos
preferencialmente virtual, utilizando o georreferenciamento para apoiar 
as tomadas de decisão em equipe. Aproveite para acrescentar as 
informações ao mapa sobre os principais agravos que ocorrem no 
território, além dos riscos e potencialidades conhecidos pela equipe. 
Você também pode buscar informações mais detalhadas sobre o estilo 
de vida da comunidade com alguns informantes-chave, como lideranças 
reli-giosas, diretores das escolas, moradores antigos, lembra? Essas 
conversas vão te ajudar a validar seu papel enquanto liderança da UBS e 
a compre-ender possíveis singularidades dos moradores do bairro. 
Busque essas pessoas e sistematize as informações que receber delas! 
Você também pode buscar informações nos relatórios dos sistemas de 
informações para traçar melhor o perfil epidemiológico da população 
do bairro e compre-ender melhor os agravos mais frequentes e suas 
distribuições no espaço e no tempo, caso identifique agravos sazonais. 
Você também recebeu pistas da necessidade de articulações intersetoriais, 
não foi? O transporte público e a segurança pareceram questões que 
devem ser trabalhadas com as autoridades municipais correspondentes 
a essas políticas. Considerando 
o processo de trabalho, também foi possível identificar que alguns docu-
mentos precisam ser atualizados, como o plano de contingência para a 
eventual falta de luz, que pode ameaçar a segurança dos imunobiológicos 
da UBS. Esse risco pode comprometer as boas práticas na APS!
Módulo I | Unidade III
123
se ele está gerando os resultados esperados? Por meio de um painel de indi-
cadores de saúde! 
Esperamos que você aproveite essa oportunidade e consolide cada vez 
mais o papel do gerente no território, assumindo a responsabilidade sani-
tária que lhe cabe e desenvolvendo suas equipes para o aprimoramento 
do cuidado conforme os atributos da APS e as necessidades apresentadas 
pela população. Bom trabalho!
agravos nas pessoas, no tempo e no espaço, tornando-se necessárias também 
para a proposição ou para o aprimoramento das políticas públicas em saúde. 
Seria possível pensar em uma comissão contando com representantes das 
categorias para construir uma rotina de análise de dados? Essa seria uma 
estratégia para fomentar a cultura de monitoramento, que ainda precisa ser 
fortalecida entre os profissionais da APS, retroalimentando o planejamento e 
a programação do cuidado com base nos achados de monitoramento. Você 
pode, com o auxílio dessa comissão, verificar quais eventos-sentinela fazem 
sentido no contexto da população adstrita, e esse trabalhopode apresentar 
para você a necessidade de oferecer outros serviços que darão suporte às 
equipes com quem você trabalha. Quando você perceber, já estará articu-
lando outros pontos de atenção da rede, buscando um trabalho equânime 
e uma saúde integral para a população sob responsabilidade sanitária da 
UBS que você gerencia. E sabe como você vai monitorar o trabalho para 
verificar 
Módulo I | Unidade III
124
Que bom você ter chegado até aqui! 
Esperamos que a unidade tenha trazido as reflexões necessárias para que 
que você possa compreender profundamente o território para a execução 
de um serviço de excelência para a população adstrita. 
Sabemos que essa compreensão profunda é adquirida por meio do 
contato permanente e que são muitos os instrumentos e os processos 
que devem ser empregados para manter as informações atualizadas. 
Esperamos que você utilize esse material como apoio e que sua jornada 
se aprofunde a cada unidade.
Bons estudos!
Encerramento 
da unidade
Módulo I | Unidade III
125
FARIA, R. M. A Territorialização da Atenção Primária à Saúde no Sistema Único de Saúde e a 
Construção de uma Perspectiva de Adequação dos Serviços aos Perfis do Território Urbano. Hygeia: 
Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, v. 9, n. 16, p. 131-147, 2013. 
GONDIM, G. M. M.; MONKEN, M. Território e territorialização. In: GONDIM, G. M. M.; CHRISTÓFARO, 
M. A. C.; MIYASHIRO, G. M. (org.). Técnico de vigilância em saúde: contexto e identidade. Rio de 
Janeiro: EPSJV, 2017. p. 21-44. 
GONDIM, G. et al. O território da Saúde: a organização do sistema de saúde e a territorialização. 
In: MIRANDA, A. C. et al. (org.). Território, Ambiente e Saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008. 
p. 237-255.
MENDES, E. V. et al. A construção social da Atenção Primária à Saúde. 2. ed. Brasília: CONASS, 2019.
MENDES, E. V. O cuidado das condições crônicas na Atenção Primária à Saúde: o imperativo da 
consolidação da Estratégia Saúde da Família. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2012.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Qualifica APS. Tutorial para Georreferenciamento 
da APS através da ferramenta Google Maps. Porto Alegre: UFRGS, 2016. Disponível em: https://aten-
caobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/201701/11144733-tutorial-telessauders-georreferencia-
mento-na-aps.pdf. Acesso em: 1 fev. 2024.
Referências
BARATA, R. B. Como e por que as desigualdades sociais fazem mal à saúde. Rio de Janeiro: Editora 
Fiocruz, 2012.
BERK, M. L.; MONHEIT, A. C. The concentration of health expenditures: an update. Health Affairs, v. 
11, n. 4, p. 145-149, 1992. Disponível em: https://www.healthaffairs.org/doi/10.1377/hlthaff.11.4.145. 
Acesso em: 1 fev. 2024.
BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 ago. 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.463, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional 
de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no 
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 set. 2017.
BUSS, P. M.; PELLEGRINI FILHO, A. A Saúde e seus Determinantes Sociais. Physis: Revista de Saúde 
Coletiva, v. 17, n. 1, p. 77-93, 2007.
CHIAVERINI, D. H. et al. (org.). Guia Prático de Matriciamento em Sáude Mental. Brasília: Ministério 
da Saúde: Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011.
COMISSÃO NACIONAL DE DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE. As Causas Sociais das Iniquidades 
em Saúde no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008.
CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. Painel Nacional: COVID-19. 2023. Disponível 
em: https://cieges.conass.org.br/paineis/listagem/situacao-de-saude-da-populacao/casos-e-obi-
tos-covid-19. Acesso em: 26 maio 2023.
https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/201701/11144733-tutorial-telessauders-georreferenciamento-na-aps.pdf
https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/201701/11144733-tutorial-telessauders-georreferenciamento-na-aps.pdf
https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/201701/11144733-tutorial-telessauders-georreferenciamento-na-aps.pdf
https://cieges.conass.org.br/paineis/listagem/situacao-de-saude-da-populacao/casos-e-obitos-covid-19
https://cieges.conass.org.br/paineis/listagem/situacao-de-saude-da-populacao/casos-e-obitos-covid-19
• U N I D A D E I V ― 
CONTROLE SOCIAL E GESTÃO 
PARTICIPATIVA: O OLHAR DO GESTOR 
LOCAL NA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE.
MARCIO HENRIQUE DE MATTOS SILVA 
Currículo Lattes
Autor
http://lattes.cnpq.br/5764943716535946
Autor da Unidade IV
MARCIO HENRIQUE 
MATTOS DA SILVA
Currículo Lattes
http://lattes.cnpq.br/5764943716535946
Unidade IV
SUMÁRIO
131 4.1 Participação social no âmbito do Sistema Único de 
 Saúde e das Unidades de Atenção Primária à Saúde
133 4.2 Conselhos de Saúde e a Política de 
 Educação Popular (Pnep-SUS)
138 4.3 A experiência dos colegiados gestores locais
143 4.4 As ouvidorias em saúde como ferramenta de gestão
146 4.5 O papel do gestor local na comunicação em saúde 
	 utilizando	evidências	científicas	e	no	combate	às	fake	news
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
Prezado gerente, bem-vindo à Unidade IV do Módulo I!
Nesta Unidade, será abordado, em uma perspectiva prática, o tema do 
controle social e da gestão participativa voltado para o gestor local. A 
Unidade está organizada em seções da seguinte forma: 4.1 Participação 
social no âmbito do Sistema Único de Saúde e das Unidades de Atenção 
Primária à Saúde, em que abordaremos alguns conceitos da participação 
social no Sistema Único de Saúde (SUS) e da gestão participativa como 
ferramenta gerencial para o gerente na Atenção Primária à Saúde (APS); 4.2 
Conselhos de Saúde e a Política de Educação Popular (Pnep-SUS), em que 
os mostraremos como instituições que podem organizar a participação das 
pessoas, profissionais e gestores na Saúde; 4.3 A experiência dos colegiados 
gestores locais, em que conheceremos o caso de Ana Maria, uma 
gerente recém-chegada a uma Unidade Básica de Saúde, e seus passos 
para instituir um espaço de controle social e participação da 
comunidade, sendo necessário, para isso, que ela se apoie 
nos princípios da Educação Popular e utilize instrumentos da 
gestão participativa e do planejamento local em saúde para 
enfrentar os principais determinantes do processo saúde-
-adoecimento em um dado território; 4.4 As ouvidorias em
saúde como ferramenta de gestão, em que destacaremos a
importância das ouvidorias e o papel do gerente na educação
em saúde utilizando evidências científicas; e 4.5 O papel do
gestor local na comunicação em saúde utilizando evidências
científicas e no combate às fake news, quando refletiremos
129
Módulo I | Unidade IV
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
DA UNIDADE
1. Compreender os princípios e a importância da participação social 
no âmbito do SUS e das Unidades de Atenção Primária à Saúde; 
2. Conhecer a Política Nacional de Educação Popular em Saúde e sua 
articulação com a gestão local;
3. Conhecer os principais conceitos da gestão participativa e suas ferra-
mentas para apoiar o planejamento e o trabalho do gerente dos 
serviços de saúde;
4. Reconhecer a importância das ouvidorias e da satisfação dos usuá-
rios no funcionamento dos serviços de saúde; 
5. Identificar espaços de participação social, educação popular, cole-
giado gestor e outras iniciativas de articulação e decisão compar-
tilhada na APS;
6. Reconhecer o papel do gestor local na comunicação em saúde por 
meio do uso de evidências científicas e no combate às fake news.
CARGA HORÁRIA DE ESTUDO
10 horas.
sobre a importância da educação em 
saúde e o protagonismo do gestor no 
empoderamento social. Esperamos que 
esse conteúdo possa estimular reflexões 
e ações para fomentar e implementar 
melhorias nos serviços de saúde de sua 
atuação gerencial.
130
Módulo I | Unidade IV
Módulo I | Unidade IV
131
Historicamente, com a redemocratização na 
década de 1980, osmovimentos sociais no Brasil 
lutaram para garantir os direitos sociais e a 
participação da sociedade nas políticas públicas. 
O controle social, tradicionalmente, se referia à 
regulação do Estado sobre a sociedade. Desse 
modo, surgiu, assim, uma nova interpretação a 
respeito do controle do Estado sobre a socie-
dade. Houve uma inversão desse conceito: a 
sociedade deveria controlar o Estado.
Nesse contexto, o movimento sanitário brasi-
leiro, no final dos anos 1970, reuniu trabalha-
dores da saúde e lideranças de movimentos 
sociais e políticos que defendiam a ideia de 
saúde como direito. Assim, o SUS foi o resul-
tado das mobilizações sociais organizadas, que 
culminaram na VIII Conferência Nacional de 
Saúde, marco histórico das bases constitucio-
nais desse inovador sistema de saúde. 
4.1 Participação social 
no âmbito do Sistema 
Único de Saúde e das 
Unidades de Atenção 
Primária à Saúde
SAIBA MAIS
Para conhecer um pouco 
mais sobre a VIII Conferência 
de Saúde e suas influências 
na conformação do SUS, leia 
o artigo (Conselho Nacional 
de Saúde, 2019): Link 🔗.
Assista também ao 
webdocumentário sobre 
a XVII Conferência de 
Saúde, que ocorreu no 
ano de 2023: Link 🔗.
https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/assuntos/noticias/2019/maio/8a-conferencia-nacional-de-saude-quando-o-sus-ganhou-forma
https://www.youtube.com/watch?v=yP9u8ptqZG8
Módulo I | Unidade IV
132
Dessa forma, a participação social no SUS é um dos 
aspectos mais inovadores da Constituição Federal de 
1988 (Brasil, 1988), que define a saúde como direito 
de todos e dever do Estado por meio de ações regio-
nalizadas que garantam a universalidade, a inte-
gralidade e a participação da comunidade. Você já 
pensou sobre como a participação social é de fato 
implementada no SUS e nos serviços de saúde?
SAIBA MAIS
Para aprofundar o arcabouço conceitual relacionado a 
esse período, sugerimos o texto a seguir (Costa; Vieira, 
2013), que contextualiza as bases históricas da participação 
social e do movimento sanitário brasileiro: Link 🔗.
SAIBA MAIS
Para conhecer melhor a relação entre os princípios organizativos 
da descentralização e a participação social na gestão do SUS, 
convidamos você a assistir ao vídeo a seguir, disponível no YouTube. 
O vídeo traz também uma reflexão sobre a importância dos 
Conselhos de Saúde e Conferências de Saúde, espaços importantes 
que permitem a interação dos usuários, gerentes e profissionais 
de saúde, para os rumos e diretrizes das políticas públicas voltadas 
para o setor. Tudo pronto para assistir ao vídeo? Link 🔗
https://books.scielo.org/id/98kjw/pdf/noronha-9788581100173-08.pdf
https://youtu.be/469_Al42wjQ
Módulo I | Unidade IV
133
Você sabia que a Lei Orgânica nº 8.142 (Brasil, 1990) dispõe sobre a parti-
cipação comunitária na gestão do SUS? Dessa forma, a consolidação dos 
conselhos e conferências de saúde como espaços de exercício da cida-
dania, participação e controle comunitário é assegurada por lei.
O conselho de saúde é um espaço regular e autônomo que reúne enti-
dades da sociedade civil organizada, profissionais de saúde e gestores. 
Sua constituição deve ser paritária: 50% de representantes da sociedade 
civil, usuários do SUS, 25% de profissionais de saúde e 25% gestores. Esse 
órgão deve ser representativo em cada esfera de representação: local, 
distrital, municipal, estadual ou federal. Vale ressaltar que suas princi-
pais funções são: fiscalizar a execução das políticas de saúde, contribuir 
e assessorar os gestores, além de interferir no processo de gestão das 
políticas microrregionais (que acontece em cada território adscrito) a 
macropolíticas de saúde (que ocorrem na esfera nacional).
4.2 Conselhos de 
Saúde e a Política de 
Educação Popular 
(Pnep-SUS)
Módulo I | Unidade IV
134
SAIBA MAIS
Para você conhecer um pouco mais sobre a 
análise deste modelo de participação popular 
e controle social no SUS, bem como fazer 
outras reflexões sobre o tema, sugerimos o 
texto (Rolim; Cruz; Sampaio, 2013): Link 🔗.
As Conferências de Saúde são espaços quadrienais que congregam usuá-
rios do SUS, profissionais de saúde e gestores. A cada edição é proposto 
um tema relevante para a sociedade. O objetivo é aprofundar discussões 
e encaminhar propostas para as diferentes esferas, desde a local até a 
nacional, para influenciar as políticas públicas e o debate democrático sobre 
assuntos sensíveis ao desenvolvimento do SUS, dos serviços de saúde e da 
sociedade.
Portanto, os conselhos de saúde são partes integrantes do SUS, garantidos 
pela Constituição, e estratégicos tanto para a resolutividade dos serviços 
de saúde quanto para a participação democrática da comunidade no SUS.
Como foi visto no vídeo, pode-se dizer que os conselhos de saúde estão 
organizados em instâncias. Existem os conselhos nacional, estaduais, munici-
pais e distritais de saúde. Esses dispositivos são fundamentais para a formu-
lação de estratégias e políticas públicas de saúde, para o planejamento de 
ações e serviços, bem como para controle e fiscalização da execução orça-
mentária. Nesse sentido, esses conselhos devem colaborar com o gerente 
na construção dos planos municipal, estadual e nacional de saúde e na 
aprovação da lei de diretrizes orçamentárias e do relatório anual de gestão, 
entre outros instrumentos.
Além disso, podemos considerar, ainda, os chamados conselhos locais de 
saúde, que, embora sejam muito incipientes no cenário brasileiro, repre-
sentam uma determinada adscrição de território ou serviço de saúde, sendo 
responsáveis pelas políticas microrregionais naquele espaço. Você já ouviu 
falar sobre conselhos locais de saúde? Já participou de espaços como esses?
https://www.scielosp.org/pdf/sdeb/2013.v37n96/139-147/pt
Módulo I | Unidade IV
135
de gestão participativa, flexível, mais livre, temática e útil para o gerente da 
unidade. Além disso, pode complementar e fortalecer as demais instâncias 
do Conselho de Saúde nas regiões, municípios, estados e no país. 
Portanto, as estratégias de participação social são importantes para o 
processo de trabalho em um serviço de saúde, pois a gestão participativa 
possibilita a formulação e a deliberação das ações em saúde pelo conjunto 
de atores no processo de controle social. Essa prática permite correspon-
sabilização, protagonismo e apoio mútuo entre pessoas, trabalhadores e 
gestores, alcançando maior potencial de satisfação e resolutividade. Dessa 
forma, as ações que incluem a participação desses atores podem apoiar 
o gerente e permitir melhor controle social, mobilização, monitoramento,
apropriação e defesa dos serviços públicos de saúde.
Nesse sentido, cabe ressaltar que realizar um diagnóstico situacional local 
para entender os principais problemas do território e do serviço, bem como 
suas fortalezas e resiliência comunitária, e ainda mapear outros serviços da 
rede intersetorial e as lideranças comunitárias pode ser o primeiro passo 
para a construção de um espaço de diálogo e protagonismo social dentro 
do serviço de saúde.
Veja o Quadro 1 e entenda um pouco melhor as diferenças entre Conselho 
Local de Saúde e Colegiado Gestor.
Na sua unidade de saúde, como acontece a participação social no serviço 
de saúde que você gerencia?
A organização de um conselho local de saúde não é tarefa fácil, diante 
da complexidade do assunto, da pouca participação popular em nossos 
serviços de saúde e da dificuldade de articulação de lideranças da comu-
nidade ou de dispositivos do território, dos trabalhadores de uma 
Unidade Básica de Saúde ou mesmo dos gerentes locais. Isso porque os 
Conselhos de Saúde têm uma estrutura definida, que conta com um 
regimento interno, uma constituição paritária e normas de funcionamento 
específicas.
Ainda que os conselhos locais de saúde sejam espaços institucionalizados, 
outros espaços de participação da comunidade têm sido estimulados, 
como os colegiados gestores. Esses espaços são construídos nas próprias 
unidades de saúde ou em seus territórios e reúnemPor fim, o nível primário de atenção, ou Atenção Primária à Saúde, é o 
nível da RAS em que você como gerente está situado. Os equipamentos 
são conhecidos como Unidades Básicas de Saúde (UBS), popularmente 
chamadas de postos de saúde. Nelas é realizada a assistência clínica para 
a maioria dos problemas de saúde da população, além de ações e aten-
dimentos voltados à redução de danos, prevenção e promoção à saúde. 
Nas UBS é possível fazer exames e consultas de rotina, e o cuidado é reali-
zado não apenas dentro do estabelecimento de saúde, mas também em 
espaços públicos da comunidade e em visitas domiciliares.
E é justamente o cuidado ofertado no primeiro nível de atenção que é 
capaz de otimizar a alocação dos recursos usados em internações e trata-
mentos de agravos e doenças que podem ser evitados, como hipertensão, 
diabetes, sedentarismo, colesterol e doenças cardiovasculares.
Módulo I | Unidade I
15
reflete a visão prevalecente da saúde, das situações demográficas e epide-
miológicas e dos determinantes sociais da saúde, vigentes em determi-
nado tempo e em determinada sociedade. É nesse território que ocorrerá o 
trabalho da APS, no qual você, gerente e sua equipe, irão atuar de maneira 
oportuna nos problemas de saúde da população.
Vamos conhecer mais sobre território e saúde?
Os hospitais dependem da APS e a APS depende de outros pontos 
de atenção, como os hospitais, as UPAS e a Atenção Domiciliar, para 
cumprir o seu papel de ordenadora da rede. As redes também são 
necessárias quando se pensa em economias de escala para otimizar 
os equipamentos públicos e garantir a qualidade do cuidado e a 
segurança do paciente. A constituição das redes de saúde permite 
o desenvolvimento e a manutenção da expertise dos profissionais 
de saúde.
Nesse sentido, para preservar, recuperar e melhorar a saúde das 
pessoas e da comunidade, as RAS devem ser capazes de identi-
ficar claramente a população e a área geográfica sob sua respon-
sabilidade. A região de saúde deve ser bem definida, baseada em 
parâmetros espaciais e temporais que permitam assegurar que as 
estruturas estejam bem distribuídas territorialmente, garantindo o 
tempo/resposta adequado ao atendimento, melhor proporção de 
estrutura/população/território e viabilidade operacional sustentável 
(Brasil, 2010).
Esse modelo de atenção à saúde, fortemente orientado pelo que 
chamamos de território, é capaz de articular, de forma singular, as 
relações entre a população e suas subpopulações estratificadas 
por riscos ou tipos de intervenção sanitária. O modelo de atenção 
SAIBA MAIS
Leia Espaço, território e saúde: contribuições de Milton Santos 
para o tema da geografia da saúde no Brasil (Faria; Bortolozzi, 
2009). Esse artigo permite saber mais sobre os conceitos 
de espaço e território e de como eles explicam o processo 
saúde-doença como manifestação social. Acesse:
Link 🔗
https://www.rets.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/espaco_territoiro_e_saude.pdf
Módulo I | Unidade I
16
terapêutica, a eletrofisiologia diagnóstica e terapêutica, as endoscopias, a 
hemodinâmica e a patologia clínica (anatomia patológica, genética, bioquí-
mica, hematologia, imunologia e microbiologia e parasitologia). Trata-se 
de serviços essenciais para a gestão da clínica com o objetivo de oferecer 
o diagnóstico e o tratamento adequados. Em muitas condições de saúde, 
como as doenças crônicas não transmissíveis, ou no caso das pessoas 
gestantes, acompanhar os marcadores de estabilidade definidos nos proto-
colos clínicos é fundamental para a equipe da APS.
Em cada município, a forma como esses serviços são oferecidos pode ser 
por prestação direta, em laboratórios próprios, ou por contratação de 
laboratórios privados. As principais etapas envolvem a coleta do material, 
o processamento, a análise, a emissão dos resultados e o envio desses 
resultados aos profissionais solicitantes e ao usuário. É muito importante 
garantir o acesso gratuito e recomendável que a coleta seja descentrali-
zada, ou seja, feita nas unidades de APS, assim como que os resultados 
sejam emitidos por meio de um sistema eletrônico, seguro e ágil.
Você consegue identificar, por exemplo, qual é o laboratório responsável 
pelos exames de patologia clínica? Para realizar uma radiografia ou uma 
ultrassonografia, qual é a referência dos usuários de sua UBS e como se 
dá o acesso deles a esses exames? Esses são exames básicos solicitados na 
Estrutura operacional
As engrenagens da RAS são constituídas pelos equipamentos da atenção 
primária (centro de comunicação), atenção secundária e atenção terciária, 
assim como pelos sistemas que promovem a ligação entre elas: os sistemas 
de apoio (sistema de apoio diagnóstico e terapêutico, sistema de 
assistência farmacêutica e sistemas de informação em saúde); e os 
sistemas logísticos (cartão de identificação das pessoas usuárias do 
SUS, prontuários clínicos, sistemas de acesso regulado à atenção à 
saúde e sistemas de transportes em saúde).
Na rotina do gerente de atenção primária à saúde, é essencial que ele tenha 
domínio sobre quais são esses sistemas, como operam e quais são os limites 
deles. Afinal, quem é o primeiro profissional que a equipe de saúde procura 
quando se depara com a inoperância de alguma dessas partes? Mesmo que 
estejam fora da governabilidade do gerente do serviço, ele pode atuar no 
sentido de identificar alternativas, buscar contato com a gestão do muni-
cípio e, principalmente, manter uma comunicação efetiva com os profis-
sionais e usuários.
O sistema de apoio diagnóstico e terapêutico abrange os serviços de 
diagnóstico por imagem, os serviços de medicina nuclear diagnóstica e 
Módulo I | Unidade I
17
responsável pela logística tem recolhido o material de acordo com horário, 
normas e regras.
Outro ponto importante é que a realização de exames gera uma expec-
tativa muito grande nos usuários relacionada a qual será o resultado das 
análises. Orientar as equipes para que estabeleçam uma comunicação efetiva 
durante o procedimento é um ponto que pode proporcionar uma experi-
ência positiva ao paciente, aumentando sua satisfação com o serviço. Um 
exemplo de método utilizado é o técnico de enfermagem se apresentar 
pelo nome, narrar ou explicar cada etapa do procedimento e conferir o 
nome do paciente em voz alta ao etiquetar os tubos de coleta. Nessa situ-
ação, o gerente pode fomentar a produção de um procedimento opera-
cional detalhado e repassá-lo em reunião periódica com a equipe respon-
sável pelo procedimento. 
O retorno dos resultados dos exames também é um elemento que 
demanda um processo de trabalho metódico e constante supervisão 
do gerente de uma UBS. Em um cenário ideal, o desejado é a dispo-
nibilização dos resultados em sistema eletrônico, com acesso para os 
profissionais e os usuários. Entretanto, o comum é o envio dessas infor-
mações em meio físico por meio de um sistema de logística paralelo. 
Independentemente da situação, é imprescindível que os profissionais 
rotina dos atendimentos de uma equipe de saúde da família. Quando não 
estão disponíveis, por uma falha no abastecimento de insumos laborato-
riais ou na logística de recolhimento do material biológico, por exemplo, 
causará dificuldades para a continuidade do cuidado de um usuário em 
outro ponto da rede ou mesmo para a conclusão de um diagnóstico pelo 
médico da UBS. 
Em geral, a equipe de saúde demanda do gerente da UBS o apoio neces-
sário para contornar esse tipo de falha no sistema. É comum isso acon-
tecer na sua rotina? Quais ferramentas você tem para agir? Idealmente, 
os gerentes de UBS contam com o apoio institucional da gestão a que 
estão vinculados, que pode propor intervenções com os prestadores 
de serviço continuado, programar as medidas substitutivas ou acionar 
o suporte de outros tipos de equipamento da região de saúde.
Nas realidades em que faz parte da carteira de serviços da UBS oferecer a 
coleta de material biológico, o papel do gerente é supervisionar todas as 
etapas desse procedimento.usuários do serviço de 
saúde, profissionais de saúde, gestores, lideranças da comunidade, pessoas 
vinculadas às escolas, às igrejas, às associações de moradores, à assistência 
social, entre outros dispositivos da comunidade, para debaterem os princi-
pais assuntos de saúde do território. Dessa forma, o colegiado gestor pode 
ser entendido como uma ferramenta para incorporar a participação popular 
aos serviços de saúde, de forma mais ampliada, sendo um espaço potente 
Módulo I | Unidade IV
136
SAIBA MAIS
Para conhecer uma discussão 
mais histórica, conceitual e 
aprofundada sobre como a 
sociedade civil organizada 
contribuiu para o SUS e 
como sua participação se 
relaciona com os princípios 
e diretrizes definidos em 
sua constituição, leia o texto 
(Costa; Vieira, 2013): Link 🔗.
Quadro 1. Diferenças entre Conselho Local de Saúde e Colegiado Gestor
Conselho Local de Saúde Colegiado Gestor
Representatividade Conselheiros eleitos de forma paritária, sendo 
50% usuários do SUS, 25% trabalhadores da 
saúde e 25% gestores
Representantes da comunidade, sem necessi-
dade de paridade
Funcionamento Mensal, seguindo uma estrutura definida no 
regimento interno
Frequência variável, que pode ser estabele-
cida pelos participantes
Direito a voto Conselheiros ou seus suplentes estabelecidos Todos os participantes
Temática Temas institucionais como apresentação do 
planejamento em saúde da área, relatório de 
gestão sobre os investimentos realizados e 
aspectos macropolíticos da gestão
Temas trazidos pelas lideranças comunitá-
rias, usuários do território ou outros equipa-
mentos sociais (escolas, centro de referência 
e assistência social) e profissionais de saúde, 
como arboviroses, vacinas, acolhimento da 
unidade, entre outros aspectos de educação 
em saúde
Registro Conforme regimento interno em ata Livro da unidade ou em prontuário
Fonte: elaboração do autor (2023).
https://books.scielo.org/id/98kjw/pdf/noronha-9788581100173-08.pdf
Módulo I | Unidade IV
137
5. Construção compartilhada do conhecimento, que incorpora visões e 
direciona a produção propostas de enfrentamento e superação dos 
obstáculos identificados pelos sujeitos; 
6. Emancipação, como um processo coletivo de conquista e superação, 
elevando a participação de pessoas e grupos aos espaços de construção 
das políticas da saúde.
Nesse sentido, na sua prática, você consegue reconhecer a importância 
desses princípios na participação dos usuários, profissionais e gerentes 
em espaços coletivos? Além disso, consegue perceber quanto eles podem 
apoiar o gerente para que ele consiga alcançar maior efetividade nas ações 
em saúde no âmbito de um serviço de saúde?
Agora que você já entendeu os principais aspectos conceituais da partici-
pação social no SUS, reflita sobre como ocorre na sua unidade a partici-
pação da comunidade. Existe alguma forma de participação? Como você 
classificaria esse espaço? Quais as potencialidades e desafios desse espaço 
coletivo? 
Para auxiliá-lo em suas reflexões, existem ferramentas que podem contribuir 
com o gerente de um serviço de saúde no desenvolvimento da participação 
social em âmbito local, como a educação popular em saúde. Nesse sentido, 
vamos conhecer um pouco mais alguns princípios da Política Nacional de 
Educação Popular (Pnep-SUS) (Brasil, 2013a)?
A Pnep-SUS tem 6 princípios: 
1. Diálogo, dentro de uma perspectiva respeitosa e ampla, considerando 
o encontro e a troca de saberes diversos, apesar da cultura, trajetória 
e história diferentes;
2. Amorosidade, reconhecendo a importância do afeto, da solidariedade, 
da compreensão mútua e do vínculo entre os sujeitos; 
3. Problematização, considerando a análise crítica da realidade, baseada 
na experiência dos sujeitos e no levantamento dos problemas e das 
potencialidades para enfrentá-los; 
4. Compromisso com a construção do projeto democrático popular, valo-
rizando a autonomia e o protagonismo dos sujeitos populares, seus 
grupos e movimentos; 
SAIBA MAIS
Você conhece a Pnep-SUS? Após a leitura da política, 
você, gerente, pode refletir sobre como implementar 
ou repensar a educação popular na sua unidade de 
saúde (Brasil, 2013a). Vamos à leitura? Link 🔗
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt2761_19_11_2013.html
Módulo I | Unidade IV
138
Agora, vamos refletir sobre a experiência de Ana Maria, uma gerente que 
encarou o desafio de organizar e operacionalizar um colegiado gestor no 
âmbito de uma unidade de saúde. Quais foram os desafios e avanços? 
Vamos ao caso:
Ana Maria é gerente recém-chegada à Unidade Básica de Saúde 
(UBS) do bairro de Vecanópolis. Apropriada dos princípios do SUS, dos 
atributos da APS e do conhecimento do seu processo de 
territorialização em saúde, ela realiza um diagnóstico situacional do 
seu território, que tem um total de 3.500 habitantes, perfil urbano e 
grande heterogenei-dade socioeconômica. Durante o diagnóstico, a 
gerente observou no território a presença de uma associação de 
moradores, uma Igreja, uma página virtual com informações do bairro 
gerenciada por uma liderança comunitária, uma escola, um Centro de 
Referência da Assistência Social (CRAS) e sua Unidade Básica de Saúde 
com uma equipe de saúde da família.
Ana Maria conversou com algumas lideranças comunitárias e repre-
sentantes dos dispositivos sociais, compreendendo as necessidades de 
saúde locais, e, entendendo que os problemas de saúde são fenômenos 
complexos e que seu enfrentamento exige participação e envolvimento 
4.3 A experiência dos 
colegiados gestores 
locais
Módulo I | Unidade IV
139
Memórias do encontro: 
1. a gerente inicia a roda de apresentação e fala sobre a expectativa de 
construir um canal de diálogo com a população a fim de identificar as 
necessidades de saúde do bairro e como pensar em ações conjuntas 
para o cuidado em saúde da comunidade. 
2. presidente da Associação de Moradores: pede divulgação para um 
projeto que começará com professor de capoeira para jovens. 
3. diretora da escola: divulga a iniciativa de ensino de jovens e adultos que 
possui vaga no momento e expressa preocupação com o absenteísmo 
escolar de jovens, principalmente, entre 10-14 anos. 
4. líder religioso: identifica aumento do número de jovens vendendo bala 
ou pedindo dinheiro na estrada; aumento de famílias solicitando cesta 
básica; responsáveis familiares sem emprego. 
5. ACS pergunta informações sobre o programa de auxílio do governo e 
como pode direcionar seus cadastrados que são elegíveis e que não 
conseguem ser beneficiados. 
6. representante do CRAS informa sobre a importância do CADÚnico, os 
documentos necessários e o fluxo para pessoas serem beneficiadas pelo 
programa de transferência de renda e outros. 
7. uma liderança comunitária informa sobre pessoas no bairro que passam 
fome.
8. outra liderança reclama sobre o resultado do seu exame realizado há mais 
de 6 meses que a unidade não entregou e a falta de lazer no bairro.
da comunidade, convidou a população para um café comunitário de boas-
-vindas articulado com a associação de moradores de Vecanópolis.
Ao encontro compareceram: 1. a gerente; 2. a presidente da associação 
de moradores; 3. a diretora da escola; 4. o líder religioso da Igreja; 5. um 
Agente Comunitário de Saúde (ACS); 6. um representante do CRAS; e 
7. duas lideranças comunitárias. Seguindo os princípios da Pnep-SUS, o 
passo inicial foi uma roda de apresentação, seguida das expectativas de 
cada pessoa sobre reunir-se coletivamente para discutir temas relacio-
nados à saúde daquela localidade. A roda de conversa seguiu-se pela 
escuta ativa de cada integrante após um acordo de convivência com os 
integrantes, baseado no respeito às ideias diferentes e contrárias, tentando 
identificar os consensos ou alternativas possíveis de mediação quando 
necessários. Foi feito o registro das memórias do encontro, utilizou-se 
uma ferramenta de planejamento local, foi feita a proposição de encon-
tros mensais e concluiu-se com uma rodada de avaliação do encontro.Módulo I | Unidade IV
140
Quadro 2. Planilha de Intervenção Comunitária
Análise/Causas Ações Prazo Responsáveis Determinantes Sociais de Saúde
Falta de atividade de 
lazer no território
Elaborar um projeto de capoeira para jovens No próximo mês Professor vinculado à Associação de 
Moradores
Lazer
Absenteísmo escolar 
de jovens entre 
10-14 anos
Pactuar com a escola o envio regular ao gerente da lista dos 
alunos de 10 a 14 anos que apresentem absenteísmo escolar
Realizar busca ativa pela equipe de saúde da família para iden-
tificar as causas do absenteísmo 
No próximo mês
No próximo mês
Diretora
Gerente e equipe de saúde da 
família, especialmente os ACS
Educação
Aumento do número 
de jovens vendendo 
bala ou pedindo 
dinheiro na estrada
Identificar as famílias e ofertar apoio social de políticas de 
transferência de renda
Estimular que esses jovens retornem para a escola
Na próxima semana
Na próxima semana
Lideranças comunitárias, líder reli-
gioso, representante do CRAS e ACS
Lideranças comunitárias, líder reli-
gioso e escola
Renda
Educação
Além das memórias do encontro, Ana Maria, com o apoio do ACS, utilizou uma ferra-
menta de planejamento local: a Planilha de Intervenção Comunitária (Quadro 2). Com isso, 
conseguiram expressar as falas dos participantes do encontro em um recurso de plane-
jamento local em saúde com o objetivo de enfrentar os determinantes sociais de saúde-
-adoecimento do território.
Módulo I | Unidade IV
141
Análise/Causas Ações Prazo Responsáveis Determinantes Sociais de Saúde
Aumento de famílias 
solicitando cestas 
básicas
Iniciar campanha de captação de mantimentos na associação 
de moradores e Igreja
Listar as famílias mais vulneráveis do território
Ofertar programas de apoio social com um “dia D de cadastro 
único” na unidade de saúde e na associação de moradores
A partir da próxima 
semana
A partir da próxima 
semana
Na primeira quarta-feira 
do próximo mês
Lideranças comunitárias, presidente 
da associação de moradores e líder 
religioso
gerente e equipe de saúde da 
família
Representante do CRAS, presi-
dente da associação de moradores e 
equipe de saúde da família
Segurança alimentar
Vulnerabilidade social
Transferência de renda
Responsáveis fami-
liares sem emprego
Refletir sobre iniciativas que valorizem o trabalho e a geração 
de renda, como “empreendedorismo”
Identificar pessoas que fazem produtos, que têm organização 
coletiva para realizar serviços (catadores de lixo, boleiras, tran-
cistas, costureiras, entregadores etc.) 
Criar um grupo de mulheres empreendedoras na unidade de 
saúde
Desenvolver parcerias entre associação de moradores e inicia-
tivas de qualificação de mão de obra
Desenvolver, em parceria com a Igreja, uma ação para 
captação de curriculum de pessoas que precisam de emprego 
e posterior distribuição no comércio local por meio da pastoral 
do trabalho.
No próximo mês
Nos próximos 3 meses
Nos próximos 3 meses
Nos próximos 6 meses
Nos próximos 6 meses
Todos os atores sociais 
Todos os atores sociais
Lideranças comunitárias, equipe de 
saúde da família e gerente
Lideranças comunitárias e presidente 
da associação de moradores
Líder religioso e lideranças 
comunitárias
Trabalho, renda e Educação em 
Saúde
Fonte: elaboração do autor (2023).
Módulo I | Unidade IV
142
Dessa forma, estabeleceu-se um cronograma mensal: em toda primeira 
terça-feira do mês haveria pela manhã os encontros de colegiado gestor 
na unidade de saúde. Por fim, foi realizada uma rodada de avaliação, em 
que cada participante resumiu em uma palavra o sentimento envolvido no 
encontro. Surgiram as palavras: esperança; acolhimento; cuidado; preocu-
pação; desafio; reconhecimento; frustração; animação. 
No final, todos assinaram a ata deixando um telefone de contato para a 
confecção dos grupos, conforme havia sido combinado.
Apesar de ser uma situação hipotética, esse caso pode representar a reali-
dade local e inspirar você, gerente, a construir um espaço de diálogo 
visando ao enfrentamento dos problemas de saúde no seu território. Você 
consegue relacionar, no caso exposto, o café comunitário com os princípios 
da gestão participativa, da educação popular e da participação da comu-
nidade no âmbito dos serviços de saúde?
Dando continuidade às memórias do encontro, Ana Maria também regis-
trou os combinados relacionados à divulgação do encontro seguinte com 
a comunidade. A divulgação do cronograma dos encontros seria feita por 
meio das mídias sociais, unidade de saúde, escola, associação de mora-
dores, CRAS e território. Cada liderança divulgaria também entre seus vizi-
nhos. Outro combinado foi que a unidade de saúde iria imprimir o convite 
de divulgação e as lideranças comunitárias espalhariam pelos locais combi-
nados e falariam com o responsável por administrar a mídia social do bairro 
para solicitar a divulgação virtual desses encontros e de algumas ações 
combinadas com os dispositivos do território.
Além disso, ficou combinado que as lideranças comunitárias formariam um 
grupo de pessoas em aplicativos de mensagens para divulgar os encontros 
e informações em saúde pelos profissionais, gestores e pessoas da comu-
nidade. Assim, seria um canal de informações, para tirar dúvidas e de inte-
ração entre os atores dos dispositivos sociais.
Módulo I | Unidade IV
143
Outra ferramenta importante para o gerente são as ouvidorias no âmbito 
dos serviços de saúde do SUS, isto é, um conjunto de reclamações, suges-
tões e elogios feitos pelos usuários do serviço de saúde por meio de um 
canal acessível e direto que demanda uma resposta desse gerente. Vale 
ressaltar que a Ouvidoria em Saúde é componente da Política Nacional 
de Gestão Estratégica e Participativa, que visa fortalecer os mecanismos 
de participação social e qualificar a gestão no SUS. Assim, constitui-se em 
um espaço estratégico e democrático de comunicação entre o cidadão 
(usuários dos serviços de saúde) e a gestão (gerente e responsáveis pela 
ouvidoria).
Isso permite a aproximação e a participação das pessoas nos serviços 
de saúde, assim como a interação da comunidade com esse serviço, 
ampliando os espaços de contribuição e a participação social, o que, de 
forma geral, tende a aumentar a satisfação dos usuários e fortalecer o 
controle social. 
4.4 As ouvidorias em 
saúde como ferramenta 
de gestão
Módulo I | Unidade IV
144
informando que a equipe de saúde recebeu a reclamação como uma 
sinalização importante para ajustar a rotina de visitas e consultas dele e 
de outros pacientes na mesma situação. Dessa forma, esse ajuste contri-
buiria com o trabalho dos profissionais e o cuidado das pessoas. Por fim, 
você agradece a reclamação via ouvidoria, reforçando também quanto é 
importante a participação dos usuários nos serviços de saúde. 
Nessa situação, é fundamental que o gerente reforce o papel da ouvi-
doria como estratégia de controle social e de qualificação do cuidado do 
usuário, porque, no caso apresentado, o cuidado em saúde do paciente 
estava fragmentado, já que ele não recebia visita domiciliar havia mais 
de 1 ano e não tinha consulta registrada na unidade, apesar de ter prio-
ridade devido a suas comorbidades. A partir da reclamação do senhor 
João via ouvidoria, o gerente pôde mediar a situação reforçando os atri-
butos essenciais da APS, como a longitudinalidade e a integralidade da 
atenção. Além disso, o gerente pôde acolher o medo do senhor João, 
que pensava que reclamar via ouvidoria seria uma ação que poderia 
levar a equipe de saúde a não querer atendê-lo. Isso permitiu também 
reforçar o vínculo com a equipe, permitindo que o gerente refletisse 
sobre a organização do processo de trabalho com os profissionais de 
saúde, superando os desafios do acompanhamento de pessoas como 
o senhor João e outros na mesma condição. 
É fundamental que os serviços de saúde promovam a avaliação e a resposta 
das ouvidorias, porque a avaliação e a categorização das ouvidorias podem 
ser um indicador que permite o diagnósticode necessidades de ajustes do 
funcionamento da unidade e do processo de trabalho, bem como de melho-
rias graduais no funcionamento da unidade de saúde. Além disso, ajustar 
esse funcionamento com base na escuta do paciente pode melhorar a satis-
fação do usuário e, ainda, tem potencial para instrumentalizar o gerente 
na tomada de decisões sobre o processo de trabalho.
Por exemplo: senhor João, paciente da unidade de APS que você gerencia, 
faz uma ouvidoria devido à dificuldade de marcar consulta com sua equipe 
de saúde. Além disso, relata que não recebe visita domiciliar de seu ACS. 
Você, gerente da unidade, verifica que no prontuário do paciente não 
consta visita domiciliar há mais de 1 ano e que o paciente é hipertenso e 
diabético. Nesse momento, você, durante a reunião de equipe, solicita uma 
busca ativa do paciente e de sua família e que a equipe liste os pacientes 
hipertensos e diabéticos para estabelecer uma rotina prioritária de visita 
e atendimentos, entendendo junto com a equipe a importância da recla-
mação do paciente. Senhor João vai até a unidade preocupado e fala com 
você, temendo que a reclamação pudesse piorar a situação dele, já que 
poderia provocar na equipe reatividade e quebra de vínculo, assim como 
dificultar a marcação da consulta de que ele precisava. Você o tranquiliza 
Módulo I | Unidade IV
145
tenham dúvidas sobre muitas informações em saúde. Nesse sentido, cabe ao 
gerente local estar sempre atualizado sobre essas informações a fim de utili-
zá-las em sua prática e atento à comunicação em saúde com a população.
Cabe ressaltar que a comunicação em saúde precisa ser dialógica, pautada 
pela troca de experiências e pela horizontalidade e adaptada ao contexto de 
cada pessoa, para que seja realmente efetiva. Essa interação com a comu-
nidade precisa ser norteada por informações científicas confiáveis, base-
adas no conhecimento de evidências, e estar a serviço da população com 
o objetivo de melhorar a eficiência do processo de trabalho, a efetividade 
das ações e as condições de saúde das pessoas.
Portanto, as ouvidorias devem ser entendidas como espaços participativos 
e democráticos que permitem um aperfeiçoamento do serviço, uma relação 
cooperativa entre as pessoas (gerentes, usuários e profissionais), já que se 
trata de um canal de diálogo acessível com a comunidade assistida, e uma 
maior satisfação dos usuários. 
SAIBA MAIS
Para aprofundar o assunto, leia o artigo (Dias et al., 2015): 
Link 🔗.
SAIBA MAIS
Para conhecer melhor a Ouvidoria em Saúde, 
seus objetivos, bases legais e processo de 
trabalho, leia o texto (Brasil, 2013b):
Link 🔗
Os espaços participativos coletivos e de ouvidoria em um serviço de saúde 
são importantes estratégias de cuidado, empoderamento social, promoção 
e educação em saúde da população. Isso porque é frequente que pessoas 
https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/handle/icict/41671/ve_Raphael_Dias_etal.pdf;jsessionid=EF6ADD063748D7B9D23C799003C13840?sequence=2
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_orientacoes_implantacao_ouvidorias_sus.pdf
Módulo I | Unidade IV
146
O conhecimento e o uso de evidências científicas na tomada de deci-
sões no processo de trabalho, bem como a comunicação em saúde, são 
verdadeiros desafios para o gerente de um serviço de atenção primária. 
Cabe ressaltar que um espaço estratégico para trabalhar as informações 
em saúde, com foco na educação e promoção da saúde, são as salas 
de espera das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Esses espaços reúnem 
grande diversidade de pessoas, de diferentes faixas etárias e culturas, 
tendo potencial para facilitar boa troca de experiências e construção de 
novos saberes.
Como acontece na sua prática? Quais são os desafios para implementar 
uma sala de espera? Você já pensou sobre as salas de espera na unidade 
que você gerencia?
4.5 O papel do gestor 
local na comunicação 
em saúde utilizando 
evidências científicas 
e no combate às fake 
news
Módulo I | Unidade IV
147
Você já parou para refletir sobre como essas notícias falsas impactam no 
cuidado em saúde e no funcionamento da unidade?
Por exemplo, a hesitação vacinal pode se relacionar a duas principais cate-
gorias de notícias falsas: aquelas notícias que associam as vacinas a risco 
de vida ou a dano sequelar e aquelas notícias que associam as vacinas à 
ineficácia. Sabemos que grande parte dos brasileiros usa as mídias sociais 
e aplicativos de mensagens, portanto estão expostos às informações nega-
tivas e ficam inseguros quanto à imunização. Cabe destacar também que a 
desinformação ou a informação insuficiente são fatores de risco para a hesi-
tação vacinal, ao passo que pessoas que usam fontes confiáveis e profis-
sionais de saúde para se informar tendem a identificar melhor as informa-
ções falsas ou se sentem mais seguros sobre a prática da vacinação.
Por isso, é fundamental que os profissionais de saúde, gerentes, diretores e 
professores de escola e as lideranças comunitárias se articulem para quali-
ficar as informações em saúde e o empoderamento da população adscrita 
a fim de superar o impacto negativo da desinformação e das fake news 
nos territórios. 
Dessa forma, é relevante debater o assunto nos territórios e o papel do 
gerente e dos profissionais de saúde na utilização de mecanismos de 
identificação das notícias falsas, de verificação das fontes de informação, 
SAIBA MAIS
Para inspirar ações voltadas para o aproveitamento 
da sala de espera, veja este texto (Dias; Brito, 2017), 
que propõe um plano de intervenção em uma UBS.
Link 🔗
Com base no exposto, pode-se dizer que é tarefa do gerente refletir sobre 
o uso das melhores evidências científicas na comunicação e informação em 
saúde com a comunidade. Isso é fundamental porque dois dos principais 
problemas contemporâneos que atingem a saúde são a criação e dissemi-
nação de notícias falsas (“fake news”) e a desinformação.
De forma geral, as “fake news” têm grande potencial de disseminação e podem 
tratar de assuntos diversos, como terapias medicamentosas questionáveis, 
segurança das vacinas, credibilidade de instituições etc., com a possibilidade 
de causar forte impacto negativo sobre a saúde das pessoas. 
https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/13571/1/Artigo_Gabriela.pdf
Módulo I | Unidade IV
148
como autoria, local e data de publicação, de promoção das boas práticas 
na internet e de utilização de aplicativos que verificam a autenticidade de 
informações recebidas para criar processos adequados de informação à 
população, seja na unidade, seja nas mídias virtuais.
Além disso, é importante utilizar espaços estratégicos, como as salas de 
espera na unidade e outros espaços de promoção da saúde (como grupos, 
consultório, colegiado gestor, acolhimento, entre outros) para o combate 
às fake news. Com isso, espera-se um uso consciente da informação, com 
autonomia e preservação da saúde, da ciência e da vida, reduzindo os 
impactos negativos das notícias falsas. 
Módulo I | Unidade IV
149
A Unidade Controle Social e gestão participativa: o olhar do gestor local na 
rede de atenção à saúde traz um breve resumo das bases constitucionais 
da participação social no SUS e da Educação Popular em Saúde, aproxi-
mando o gerente estudante das repercussões práticas que esses conceitos 
atingem no serviço de saúde. Apresenta também a gestão participativa como 
estratégia de desenvolvimento do apoio mútuo entre população, profissio-
nais e gerente local, a fim de superar os problemas em saúde observados 
em um território. Isso é exemplificado no caso da gerente Ana Maria, que 
promove um espaço de diálogo participativo com os atores sociais envol-
vidos no cuidado em saúde. Além disso, faz uma breve reflexão sobre as 
ouvidorias no SUS como forma de participação social e seu potencial para 
auxiliar a tomada de decisão pelo gerente local no âmbito do serviço de 
saúde. Por fim, aborda a importância da interação entre usuários e profissio-
nais de saúde na identificação e combate à disseminaçãode notícias falsas 
nos territórios. Para isso, podem ser utilizadas algumas estratégias, como 
salas de espera, mídias sociais, aplicativos de mensagens e outros cená-
rios de educação e promoção em saúde, como grupos de saúde, colegiado 
gestor, acolhimento, consultório, entre outros espaços coletivos e indivi-
duais em que circulem informações verdadeiras essenciais para o cuidado 
das pessoas.
Encerramento 
da unidade
Módulo I | Unidade IV
150
COSTA, A. M.; VIEIRA, N. A. Participação e controle social em saúde. In: 
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. A saúde no Brasil em 2030 - prospecção 
estratégica do sistema de saúde brasileiro: organização e gestão do 
sistema de saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde/
Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, 2013. 
v. 3, p. 235-271. Disponível em: https://books.scielo.org/id/98kjw/pdf/
noronha-9788581100173-08.pdf. Acesso em: 1 fev. 2024.
DIAS, G. S. A.; BRITO, G. M. S. Sala de espera como espaço para 
promoção da educação em saúde na atenção básica, 2017.
DIAS, R. I. S. C. et al. Estratégias para estimular o uso de evidências 
científicas na tomada de decisão. Cadernos de Saúde Coletiva, v. 23, 
n. 3, p. 316-322, 2015.
ROLIM, L. B.; CRUZ, R. S. B. L. C.; SAMPAIO, K. J. A. J. Participação popular 
e o controle social como diretriz do SUS: uma revisão narrativa. Saúde 
em Debate, v. 37, n. 96, p. 139-147, 2013.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.761, de 19 de novembro de 2013. Institui a Política Nacional 
de Educação Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (PNEPS-SUS). Diário Oficial 
da União, Brasília, DF, 20 nov. 2013a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de 
Ouvidoria Geral do SUS. Guia de orientações básicas para implantação de ouvidorias do SUS. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2013b.
BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na 
gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos 
financeiros na área da saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1990.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 
1988. Arts. 196 a 200. 
CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. 8ª Conferência Nacional de Saúde: quando o SUS ganhou forma. 
2019. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/assuntos/noticias/2019/
maio/8a-conferencia-nacional-de-saude-quando-o-sus-ganhou-forma. Acesso em: 25 jun. 2023.
https://books.scielo.org/id/98kjw/pdf/noronha-9788581100173-08.pdf
https://books.scielo.org/id/98kjw/pdf/noronha-9788581100173-08.pdf
Módulo I | Unidade IV
151
Leitura complementar
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 453, de 10 de maio de 2012. 
Aprova as diretrizes para instituição, reformulação, reestruturação e funcionamento dos Conselhos 
de Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 maio 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Política Nacional de 
Gestão Estratégica e Participativa no SUS - ParticipaSUS. 2. ed. Brasília: Editora do Ministério da 
Saúde, 2009. 44 p. (Série B. Textos Básicos de Saúde).
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Diretrizes nacionais para o processo de 
educação permanente no controle social do SUS. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. 40 
p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos).
DERVANOSKI, A. et al. Sala de espera como espaço de promoção da saúde. Saúde e meio ambiente: 
revista interdisciplinar, v. 9, sup. 1, p. 99-100, 2020. Disponível em: https://www.periodicos.unc.br/
index.php/sma/article/view/3384. Acesso em: 1 fev. 2024.
DINIZ, K. M. R.; TEIXEIRA, P. F.; OLIVEIRA, R. C. Relatório de avaliação da influência da gestão cole-
giada da secretaria municipal de Betim. 1999. Mimeografado.
ENGSTROM, E. M.; COSTA E SILVA, V. Gestão participativa na Atenção Primária à Saúde: ensaio sobre 
uma experiência em território urbano vulnerável. Saúde em Debate, preprint. Disponível em: https://
preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/3239/version/3428. Acesso em: 1 fev. 2024.
FRUGOLI, A. G. et al. Vaccine fake news: an analysis under the World Health Organization’s 3Cs 
model. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 55, e03736, 2021.
GUIA virtual orienta agentes de saúde no combate às fake news. Jornal da USP, 27 maio de 2021. 
Disponível em: https://jornal.usp.br/universidade/guia-virtual-orienta-agentes-de-saude-no-com-
bate-as-fake-news/. Acesso em: 25 jun. 2023.
https://jornal.usp.br/universidade/guia-virtual-orienta-agentes-de-saude-no-combate-as-fake-news/
https://jornal.usp.br/universidade/guia-virtual-orienta-agentes-de-saude-no-combate-as-fake-news/
	_heading=h.30j0zll
	1.1 Introdução
	1.1.1 Compreendendo os conceitos das Redes de Atenção à Saúde
	1.2 A Rede de Atenção à Saúde e a articulação do gerente no contexto da Atenção Primária à Saúde
	1.3 O itinerário terapêutico do usuário e a coordenação do cuidado da Atenção Primária à Saúde para o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde
	1.4 A composição das equipes da Atenção Primária à Saúde e sua articulação com a Rede de Atenção à Saúde
	1.5 Os modelos de atenção à saúde e a organização do cuidado por ciclos de vida, com ênfase na carteira de serviços de APS
	1.6 A Rede de Atenção Psicossocial e de álcool e outras drogas
	1.7 Os novos desafios da Atenção Primária à Saúde e o papel do gerente no fortalecimento das ações em rede
	2.1 Introdução
	2.2 Atributos da Atenção Primária à Saúde: aspectos conceituais
	2.3 Sistemas baseados na Atenção Primária à Saúde ao redor do mundo
	2.4 Ilustrando fragilidades relacionadas aos atributos da Atenção Primária à Saúde com a narrativa de um caso 
	2.4.1 Discussão prática sobre a operacionalização dos atributos da Atenção Primária à Saúde com base no caso de Moacir
	2.4.1.1. Problemas relacionados ao acesso de primeiro contato
	2.4.1.2 Problemas relacionados à longitudinalidade e à continuidade do cuidado
	2.4.1.3 Problemas relacionados à coordenação do cuidado
	2.4.1.4 Problemas relacionados à integralidade (abrangência do cuidado)
	2.4.1.5 Papel estratégico de ferramentas relacionadas aos atributos derivados (orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural)
	2.4.2 Síntese dos atributos essenciais e derivados
	3.1 Territorialização 
	3.2 Ferramentas de territorialização: mapeamento, georreferenciamento, identificação e análise de riscos e formulação de diagnóstico situacional e de perfil epidemiológico
	3.3 Determinação social da saúde e estratégias para enfrentamento das vulnerabilidades do território
	3.4 Gestão da oferta e gestão de base territorial
	3.5 Integração entre Atenção Primária e Vigilância em Saúde: em busca do enfrentamento das condições crônicas e dos agravos não transmissíveis
	_Hlk147082817
	4.1 Participação social no âmbito do Sistema Único de Saúde e das Unidades de Atenção Primária à Saúde
	4.2 Conselhos de Saúde e a Política de Educação Popular (Pnep-SUS)
	4.3 A experiência dos colegiados gestores locais
	4.4 As ouvidorias em saúde como ferramenta de gestão
	4.5 O papel do gestor local na comunicação em saúde utilizando evidências científicas e no combate às fake newsTal prática contempla a organização da escala 
da equipe, a avaliação do número de coletas que essa equipe consegue 
realizar diariamente e a verificação se há material suficiente para cada rotina, 
se esse material fica acondicionado adequadamente, se o horário de início 
e término da oferta do procedimento está dentro do programado e se o 
Módulo I | Unidade I
18
O próximo sistema que requer a nossa atenção é o sistema de assistência 
farmacêutica, que também pode ser compreendido como um sistema opera-
cional que oferece fundamental apoio à produção do cuidado nas RAS.
Dados os elevados custos e a complexidade desse sistema, o gerente 
deve estar atento à forma como se organiza a assistência farmacêutica 
em seu município, e alguns pontos iniciais são: Qual e como está organi-
zada a Relação Municipal de Medicamentos (REMUME)? Na sua UBS, há 
um dispensário de medicamentos, uma farmácia, ou o usuário é encami-
nhado a outra unidade para retirar medicamentos? De que forma você e 
a sua equipe têm apoio de um profissional farmacêutico? 
A assistência farmacêutica tem duas grandes dimensões: a logística e ressu-
primento dos medicamentos e a farmácia clínica.
Os ciclos logísticos dos medicamentos envolvem a seleção, a programação, 
a aquisição, o armazenamento e a distribuição. Em geral, todas essas etapas 
ocorrem de forma centralizada nas secretarias de saúde com vistas a ganhar 
vantagens com a economia de escala. Uma equipe de especialistas é respon-
sável por mapear o comportamento epidemiológico da população e sele-
cionar os tipos de medicamento cuja oferta gratuita é vital para o manejo 
dos agravos preponderantes. Essa seleção compõe a REMUME, que, por 
sua vez, é norteada pela Relação Nacional de Medicamentos (RENAME). 
programem um momento em suas rotinas para analisar os resultados de 
exames dos pacientes com condições críticas, como aqueles que podem 
ter doença transmissível, doenças crônicas desestabilizadas ou condi-
ções prioritárias, como pessoas gestantes, com hipertensão e diabetes. 
O sigilo, o registro em prontuário do paciente e a devolução dos resul-
tados para os usuários, mesmo quando não há alterações, são cuidados 
que devem ser observados pela equipe e gestão.
Na sua UBS, como é feita a distribuição dos resultados? Qual é o tempo 
médio para a devolução dos resultados pelo laboratório e qual é o tempo 
médio para o contato do usuário com essas informações? Quais problemas 
você identifica? Como você poderia mobilizar sua equipe para corrigir esses 
problemas? E, em outra perspectiva, você consegue acionar o laboratório 
quando precisa acessar um resultado em menor tempo para manejar situ-
ações específicas? Existe uma seleção de condições clínicas que permita 
essa comunicação específica? 
Assim como espera-se que a coleta seja descentralizada, no desenho de 
redes de saúde horizontais, em que os serviços de apoio diagnóstico estão 
distribuídos regionalmente, é desejável que o processamento dos exames 
esteja concentrado em laboratórios com capacidade para ampla escala de 
produção e rigorosa conformidade.
Módulo I | Unidade I
19
sistemas eletrônicos indicados, quando disponíveis na UBS. Na sua unidade, 
essa prática é adotada? De que forma você consegue organizar e avaliar 
o estoque e o consumo de medicamentos?
É recomendado que o gerente reserve um turno de sua rotina para revisar, 
com o ponto focal dessa atividade, as anotações e os dados sobre o controle 
de estoque, o consumo médio mensal e a ferramenta de solicitação de repo-
sição ao estoque central, assim como para supervisionar as condições de 
acondicionamento dos medicamentos. Quando a UBS tem um dispensário 
ou farmácia, a equipe deve seguir rigorosamente orientações para transmitir 
informações fidedignas e estabelecer um fluxo de abastecimento regular, de 
forma a facilitar o acesso ao usuário.
Por outro lado, o componente da farmácia clínica envolve o formulário tera-
pêutico, a dispensação, a adesão ao tratamento, a conciliação de medi-
camentos e a farmacovigilância. Esses termos são comuns em sua rotina 
como gerente? Considerado uma extensão da relação de medicamentos, 
o formulário terapêutico reúne informações baseadas em evidências cien-
tíficas que apoiam a tomada de decisão dos profissionais prescritores na 
conduta a ser adotada com cada usuário. É esperado que a utilização do 
formulário terapêutico esteja associada ao uso dos protocolos clínicos. Essas 
são estratégias para qualificar o processo de cuidado e aumentar a adesão 
Trata-se de uma ferramenta que visa orientar os processos de aquisição e 
os profissionais prescritores, assim como facilitar a comunicação e a trans-
parência com os usuários e o controle social.
Os profissionais da sua unidade conhecem a REMUME? Em sua UBS, a 
REMUME fica afixada ou disponibilizada em um local de fácil acesso aos 
profissionais e usuários? 
Os processos de licitação da grade contida na REMUME são minuciosos, 
pois envolvem inúmeros tipos e formas de apresentação dos medicamentos, 
variados fabricantes e fornecedores e, consequentemente, distintos prazos 
de entrega. É comum, em algum momento, que aconteçam falhas nesse 
processo, como atrasos na produção de algum item. Uma comunicação 
transparente entre o centro de distribuição de medicamentos e as unidades 
de saúde é essencial para que os profissionais possam prescrever os medi-
camentos substitutos e orientar os seus pacientes. 
O armazenamento e controle de estoque nas UBS é o ponto da cadeia de 
ressuprimento mais próximo da atividade final, que é o consumo. Abrange 
processos de trabalho que requerem de um ponto focal da equipe uma 
atenção diária, assim como a supervisão contínua do gerente. Em uma 
estrutura física reservada e climatizada, a entrada e a saída dos medi-
camentos devem ser registradas nas fichas de prateleira e lançadas nos 
Módulo I | Unidade I
20
Em quem a sua equipe procura apoio para planejar as estratégias a fim de 
garantir a adesão ao tratamento medicamentoso de usuários com pouca 
autonomia ou rede familiar frágil? Esse é um ponto do processo de cuidado 
que sua equipe valoriza e problematiza?
Por fim, a farmacovigilância refere-se à identificação e avaliação dos riscos 
e efeitos, agudos ou crônicos, no que diz respeito ao uso de medicamentos 
em uma população delimitada. Observam-se também: os desvios de quali-
dade de produtos farmacêuticos; os erros de administração; a inefetivi-
dade terapêutica; o uso de fármacos para indicações não aprovadas ou 
sem base científica comprovada; a intoxicação aguda ou crônica causada 
por produtos farmacêuticos; a avaliação de mortalidade; o abuso e uso 
errôneo de produtos; e as interações medicamentosas de fármacos com 
substâncias químicas e/ou com alimentos.
Nesse ponto, o apoio de um farmacêutico é elementar no planejamento 
de ferramentas para que as equipes da atenção primária à saúde consigam 
desenvolver esse olhar para o território, notificar as inconformidades aos 
órgãos competentes e produzir práticas que visem ao uso racional de 
medicamentos.
Outro sistema relevante para a prática do gerente são os sistemas de 
informação em saúde, utilizados para o diagnóstico da situação de saúde 
do paciente aos medicamentos prescritos. Você percebe o uso desse tipo 
de ferramenta no acompanhamento de algum agravo clínico? Na abor-
dagem das pessoas diagnosticadas com hipertensão ou diabetes, a sua 
equipe tem o costume de consultar os protocolos clínicos para ajudar no 
ajuste das medicações e tratamentos? 
O suporte de um profissional farmacêutico, seja compondo a equipe de cada 
UBS, seja como apoio matricial, é desejável e estratégico para que o gerente 
local consiga se aproximar do processo de trabalho de suas equipes com 
capacidade para identificar os erros e as oportunidades de melhoria. Você 
consegue observar se os medicamentos prescritos em sua UBS estão majo-
ritariamente dentro daqueles disponíveis na REMUME? 
Lançar mão desse analisador auxilia na compreensão de quanto as equipescuidam para que o tratamento prescrito seja acessível e favoreça a adesão 
do usuário. Além do custo financeiro, fatores culturais ou comportamen-
tais podem afetar a forma como um usuário adere ao tratamento proposto. 
Em especial, no momento da dispensação do medicamento, é importante 
que a equipe avalie a compreensão do usuário e a pertinência do plano 
proposto, bem como sua efetiva acomodação na rotina do usuário ou da 
família. Esse cuidado é sensível para alcançar resultados efetivos com o 
tratamento.
Módulo I | Unidade I
21
O gerente deve conhecer os tipos de base de dados de saúde e a aplica-
bilidade delas no cotidiano da gestão de uma UBS. A produção e o uso da 
informação compõem um sistema de apoio transversal fundamental para 
promover a ligação entre as engrenagens da RAS e apoiar a tomada de 
decisão dos gerentes.
Você observa a necessidade de treinamentos sobre o manuseio da informação 
em saúde para a sua equipe? Em que tipos de atividade é feito o monitora-
mento dos dados produzidos? Existe um espaço na rotina dos trabalhadores 
e usuários para discutir e dar devolutiva sobre os resultados alcançados? 
Os sistemas de informação são responsáveis por criar uma integração racional 
e tecnológica entre todas as engrenagens da RAS. Eles organizam os fluxos 
e contrafluxos de pessoas, de produtos e de informações ao circularem de 
um equipamento a outro. Pode-se dizer que os sistemas logísticos, como é o 
caso dos sistemas de informação, estão estruturados com base em tecnolo-
gias da informação para criar sentidos no percurso da produção de cuidado 
entre profissionais e usuários.
Mendes (2011) especifica que os principais sistemas logísticos das RAS são o 
cartão de identificação das pessoas usuárias do SUS, os prontuários clínicos, 
os sistemas de acesso regulado à atenção à saúde e os sistemas de trans-
portes em saúde. 
nos territórios. Essas ferramentas permitem a coleta, o armazenamento e 
o processamento de dados. A produção de informações compreende os 
determinantes sociais, ambientais e as condições de vida da população aten-
dida na UBS, assim como apresenta uma análise sobre os recursos físicos, 
humanos e materiais que caracterizam a capacidade instalada na RAS e os 
resultados da assistência em saúde. 
Existem os sistemas de informação de base nacional e uso obrigatório, como 
o Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES) e 
o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), e em 
cada estado e município pode haver outros sistemas de uso obrigatório 
para apoiar a organização das RAS locais, como os sistemas de regulação 
ambulatorial.
Você, gerente de uma UBS, utiliza os sistemas de informação implantados 
em sua unidade? Quais estratégias você adota para estimular que os demais 
profissionais da sua equipe utilizem esses sistemas? Na sua realidade, o acesso 
e a alimentação dos dados são feitos de forma eletrônica ou por meio de 
formulários físicos? Sua equipe consegue distinguir quais são os sistemas que 
dependem de uma ação direta dos profissionais da UBS para serem alimen-
tados e quais são os sistemas que estão disponíveis apenas para consulta e 
vigilância do território?
Módulo I | Unidade I
22
à UBS, quais tipos de dificuldade o gerente local e as equipes de saúde 
enfrentam no processo de cadastramento e atualização cadastral dos usuá-
rios do seu território no SISAB? Você estimula em sua equipe a realização 
de varreduras no sistema para manter atualizados os dados dos usuários 
cadastrados? Essa é uma estratégia essencial que deve estar entre as prio-
ridades do gerente de uma UBS, pois há uma tendência crescente de que a 
análise de resultados assistenciais esteja vinculada a uma leitura de dados 
individualizados. 
Os prontuários clínicos também são utilizados como ferramentas geren-
ciais, de comunicação e de educação entre os profissionais. Devem ser utili-
zados como instrumentos elementares para a gestão da clínica, organizando 
informações para que sejam tomadas decisões sobre o plano de cuidados 
do usuário em situações imediatas ou ao longo da vida do paciente. O 
registro de informações no prontuário deve ser realizado de forma indi-
vidual e contínua pelos profissionais, em ato contínuo ou simultâneo ao 
atendimento. Documentar as hipóteses diagnósticas e o tratamento ofer-
tado também pode ser entendido como um respaldo para a conduta ética 
profissional. Os conselhos das categorias profissionais orientam rigor no 
manuseio dos prontuários clínicos, que podem estar disponíveis em suporte 
físico ou eletrônico. 
Em âmbito nacional, o cartão de identificação das pessoas usuárias do 
SUS está em consolidação desde 2011 (Brasil, 2011) com o Cartão Nacional 
de Saúde (CNS). Trata-se de um documento individual e intransferível que 
possibilita a vinculação dos procedimentos executados no âmbito do SUS 
à pessoa usuária, ao profissional que os realizou e, também, à unidade de 
saúde em que foram realizados, em qualquer parte do território nacional. O 
CNS reúne os dados pessoais (nome, nome da mãe, data de nascimento etc.), 
contatos (telefones, endereço, e-mails etc.) e documentos (CPF, RG, Certidões 
etc.). O número do CNS é essencial para o registro de informações ou solici-
tações em diversos sistemas, como sistema de atenção básica, sistema hospi-
talar, sistema de informação do câncer, sistema de dispensação de medica-
mentos, programa bolsa família, programa farmácia popular, entre outros. 
A emissão ou a atualização de dados do CNS é realizada por meio do 
CadSUS Web. É realidade em muitos municípios que a operação do sistema 
seja feita de forma descentralizada, pelos profissionais de uma UBS. Isso 
permite maior agilidade na atualização da base de dados dos usuários da 
unidade e a adequada vinculação de solicitações individuais feitas por meio 
dos sistemas citados. 
Na sua realidade, quem são os profissionais que têm perfil de operador no 
CadSUS? Em um cenário em que o acesso ao CadSUS não seja descentralizado 
Módulo I | Unidade I
23
realizadas em sua unidade e monitorar resultados? Você tem acesso a 
cursos e atualizações sobre o uso dos sistemas? De que forma o uso 
do prontuário clínico é abordado nas atividades de educação perma-
nente da sua UBS?
Reflexão: em sua unidade, existe uma comissão de revisão de prontuá-
rios? Definida em Resolução do Conselho Federal de Medicina (nº 1.638) 
(Brasil, 2002), a implementação dessa comissão pode ser utilizada para 
apoiar o trabalho do gerente da UBS a fim de fortalecer a importância 
da coleta de dados e a produção de informações a partir da prática de 
cada profissional que compõe a unidade.
Existem também os sistemas de transportes em saúde, que têm como 
objetivo estruturar os fluxos e contrafluxos de pessoas e de produtos nas 
RAS. Esses sistemas devem transportar as pessoas usuárias que estão em 
busca de atenção à saúde, mas, também, garantir o movimento adequado 
de material biológico, dos resíduos dos serviços de saúde e das equipes 
de saúde. 
A questão do transporte em saúde de pessoas é central no acesso aos 
serviços prestados nas RAS. A sua ausência é considerada uma das principais 
barreiras de acesso, principalmente quando se trata de pessoas em extrema 
No SUS, a APS conta com um sistema eletrônico gratuito, em franca 
expansão e qualificação: o sistema e-SUS APS, que tem dois subsistemas, 
o sistema com Coleta de Dados Simplificada (CDS), que utiliza fichas em 
suporte material, e o sistema com Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), 
que demanda a disponibilidade de computadores e internet nas UBS. Em 
sua unidade, qual é o tipo de sistema implantado? De que maneira você 
participa da rotina de alimentação de dados nas fichas CDS, prontuários 
físicos ou no PEC e-SUS APS?
O avanço das tecnologias da informação, principalmente no campo da saúde, 
indica uma tendência de fortalecimento da adoção do prontuário eletrônico 
como estratégia essencial para a gestão do cuidado, gestão dos territórios 
e gestão decustos financeiros. A médio e longo prazo, espera-se que haja 
uma interoperabilidade entre os sistemas utilizados em pontos distintos da 
RAS, o que irá conferir maior confiabilidade e precisão à tomada de deci-
sões dos profissionais de saúde. Nesse sentido, aprimorar a habilidade de 
usar o prontuário eletrônico e manter-se atualizado sobre as funcionali-
dades desse sistema é essencial para a atuação do gerente de UBS.
Durante a sua rotina semanal, quantas vezes você acessa o prontu-
ário eletrônico da sua unidade? Em geral, você precisa produzir outras 
ferramentas complementares para compreender as ofertas de ações 
Módulo I | Unidade I
24
circunstâncias, por meio de fornecimento de vale-transporte às pessoas 
usuárias no momento do agendamento do serviço.
Reflexão: você consegue identificar claramente os sistemas de transporte 
de pessoas instituídos em seu município? Você e sua equipe têm clareza 
dos fluxos que precisam acionar quando o paciente é atendido na UBS, 
mas precisa de remoção para uma unidade de urgência e emergência? 
No seu município, há oferta de transporte para pacientes que precisam 
buscar consultas ou exames especializados em outra cidade da região? 
Ainda sobre os sistemas de transporte, temos o transporte em saúde de 
material biológico, que, nas RAS, aplica-se, mais frequentemente, ao trans-
porte das amostras de exames de patologia clínica, conforme já mencio-
nado nos sistemas de apoio diagnóstico e terapêutico, e o transporte de 
resíduos de serviços de saúde, que consiste na remoção dos resíduos de 
serviços de saúde do abrigo de resíduos (armazenamento externo) para a 
unidade de destinação final. 
Outro ponto importante no que diz respeito ao sistema de trans-
porte na RAS é o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços 
de Saúde (PGRSS).
vulnerabilidade social. A importância do sistema de transporte em saúde 
de pessoas é maior nos sistemas públicos organizados com base territorial, 
tal como o SUS, em que as redes se constroem com concentração relativa 
dos serviços de atenção secundária e terciária em polos micro e macrorre-
gionais, impondo deslocamentos, mais ou menos frequentes, à população, 
por distâncias razoáveis e em condições, muitas vezes, precárias. Portanto, 
a instituição do transporte em saúde de pessoas é uma condição para o 
funcionamento eficiente e com equidade das RAS.
O sistema de transporte pode ser dividido em dois módulos: o módulo do 
transporte de urgência e emergência e o módulo do transporte eletivo. 
No SUS, o módulo do transporte em saúde de pessoas em situação 
de urgência e emergência faz parte do Serviço de Atendimento Móvel 
de Urgência (SAMU), que, preferencialmente, deve estar ligado a um 
complexo regulador do acesso, que autoriza o atendimento das ambu-
lâncias, por exemplo. Já o transporte eletivo de pessoas envolve trans-
porte para serviços que exigem presenças constantes por um tempo mais 
ou menos longo, como os serviços de quimioterapia e de terapia renal 
substitutiva, ou para serviços descontínuos, como para uma ressonância 
magnética, que não exige uma continuidade de acesso aos serviços por 
uma mesma pessoa usuária. Em regiões em que há transporte público de 
boa qualidade, o transporte em saúde eletivo pode ser feito, em certas 
Módulo I | Unidade I
25
O gerente deve ainda conhecer os sistemas de acesso regulado à atenção 
à saúde, que se constituem de estruturas operacionais que fazem a inter-
mediação entre uma oferta determinada e uma demanda por serviços de 
saúde, de forma a racionalizar o acesso de acordo com graus de riscos e 
normas definidas em protocolos de atenção à saúde e em fluxos assisten-
ciais. Considerando a regulação como ferramenta básica para que a APS 
cumpra seu papel de porta de entrada do sistema de saúde e coordena-
dora do cuidado, esse é um elemento constituinte da RAS que será tratado 
com destaque a seguir.
A regulação em saúde como ferramenta 
para a coordenação do cuidado na RAS
Os sistemas de acesso regulado funcionam para a RAS como instrumento de 
organização da distribuição das ofertas de cuidado do nível terciário e secun-
dário de acordo com a demanda. Você sabe por que a regulação é funda-
mental para a gestão em saúde? Muitas vezes há uma disparidade entre o 
volume de recursos e a demanda – ou necessidade – da população. Portanto, 
esse é um sistema lógico de organização do funcionamento da RAS para que 
haja equidade, racionalidade e transparência na oferta dos serviços, princi-
palmente daqueles que são escassos ou têm custo elevado.
Você sabe o que é PGRSS? Sua unidade tem 
um PGRSS? Você sabe qual é o nível de 
responsabilidade do gerente local no PGRSS?
SAIBA MAIS
Sugerimos a leitura do manual 
de gerenciamento de resíduos da 
Anvisa (Brasil, 2006) Link 🔗; e da 
Resolução da Diretoria Colegiada 
– RDC nº 222, de 28 de março de 
2018 (Brasil, 2018), que regulamenta 
as boas práticas de gerenciamento 
dos resíduos de serviços de saúde 
e dá outras providências Link 🔗.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gerenciamento_residuos.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0222_28_03_2018.pdf
Módulo I | Unidade I
26
atenção. Uma das estratégias de que dispõe o SUS são os mecanismos de 
regulação assistencial. 
A regulação assistencial realizada pela equipe de APS é um mecanismo que 
concretiza a articulação da Atenção Especializada e a APS. As equipes de 
APS tem a qualificação necessária para analisar a queixa trazida pelo usuário 
à luz do seu contexto cultural, familiar e socioambiental e o histórico de 
agravos à saúde, é um elemento vital para que a RAS opere a produção 
do cuidado de forma mais próxima dos princípios da universalidade, inte-
gralidade e equidade. 
Diferentemente da regulação assistencial que está associada aos conheci-
mentos, tecnologias e ações utilizados para definir os próximos passos do 
acesso do usuário à RAS, a regulação do acesso diz respeito aos meios para 
que sejam garantidas ao usuário as ofertas especializadas quando lhe forem 
necessárias. Isso é realizado por meio do que conhecemos como complexos 
reguladores, que procuram articular as centrais de regulação às unidades 
de urgências e emergências (SAMU, UPA etc.), central de regulação de 
leitos, e a central de consultas ambulatoriais. Essas centrais, em geral, são 
operadas por meio de um sistema eletrônico em que uma equipe especiali-
zada classifica a ordem de criticidade das demandas, realiza a comunicação 
entre os prestadores de serviço públicos ou prestadores privados. Nesses 
Nessa perspectiva, se a atenção secundária e a atenção terciária são as 
que oferecem recursos de retaguarda, a atenção primária é a principal 
demandante de um sistema de acesso regulado. Por isso, sobre ela recai a 
responsabilidade de coordenar o cuidado e de fazer uma regulação assis-
tencial, ou seja, empenhar todos os saberes e conhecimentos acumulados 
na equipe da APS para que somente aquilo que realmente for necessário 
seja encaminhado para um profissional de outro nível de atenção. É nesse 
ponto que se reforça o papel da APS em filtrar ou ser a gatekeeper da RAS.
Você, gerente, já pensou como isso se operacionaliza na prática? Um usuário 
cuja vaga para um cirurgião cardiovascular foi solicitada e aprovada por 
meio do sistema eletrônico de regulação chegará ao especialista com suas 
informações descritas em um formulário. Após ser avaliado, espera-se que 
ele retorne ao médico da UBS com um parecer descrito no formulário de 
contrarreferência. Essas informações são essenciais para a continuidade do 
manejo do usuário pela equipe de atenção primária. Por isso, diz-se que a 
APS controla o “portão” de acesso aos demais níveis de atenção, ou seja, 
é a gatekeeper da RAS.
O sucesso da APS como coordenadora do cuidado no contexto da RAS 
depende fortemente da articulação que faz com a Atenção Especializada, 
a fim de permitir a continuidade do cuidado entre diversos pontos de 
Módulo I | Unidade I
27
territórios locais, microrregionais,macrorregionais, estaduais e, em algumas 
redes, interestaduais. Algumas ferramentas ajudam na definição de 
critérios objetivos para se tomar as decisões na regulação do acesso, 
como o catálogo ou carteira de ofertas por prestador, protocolos de 
regulação e procedimentos operacionais de regulação do acesso. O 
gerente da UBS pode se apoiar nesses instrumentos para promover 
espaços de educação permanente com suas equipes.
Nos municípios e estados em que a implantação do sistema eletrônico de 
regulação está descentralizada para as UBS, é possível que os médicos, 
enfermeiros e dentistas da equipe de saúde da família tenham perfil de 
acesso como solicitantes de vagas e que um médico da APS seja definido 
como regulador interno. Esse tipo de prática aproxima quem demanda e 
quem aprova o acesso, facilitando a comunicação entre eles sobre equí-
vocos nos pedidos e a solicitação de complementação de informações para 
que seja definido o nível de criticidade do usuário.
Ao longo dos 30 anos de consolidação do SUS, tem se fortalecido, tanto 
nas normativas federais como na intencionalidade dos gestores municipais 
e estaduais, a concretização da APS como ponto de atenção elementar para 
todo o processo de regulação assistencial. A Política Nacional de Atenção 
Básica (Brasil, 2017a) indica que o gestor municipal deve organizar o acesso 
sistemas de regulação costuma-se ter perfil de acesso para os profissio-
nais solicitantes e os reguladores. É desejável também que esses sistemas 
permitam o monitoramento e a auditoria das filas de espera, assim como 
possibilitem ao usuário acompanhar a evolução delas.
Em sua realidade, de que forma funciona o sistema de acesso regulado aos 
níveis secundário e terciário? Existem sistemas eletrônicos? Esse sistema 
concentra as ofertas daqueles pontos de saúde que são geridos pela esfera 
estadual ou municipal? Essas ofertas estão organizadas em sistemas distintos 
ou em apenas um sistema?
É comum que, nos municípios de médio e grande porte, o acesso regu-
lado conte com mais de um sistema eletrônico, um de governabilidade 
da esfera estadual e outro da esfera municipal. Afinal, trata-se da disponi-
bilização de ofertas valiosas, muitas vezes pactuadas no âmbito regional 
ou estadual. Diante da complexidade desse processo, é comum que os 
sistemas operem com módulos de regulação de internações hospitalares 
eletivas, módulos de regulação de internações de urgência e emergência 
e módulos de regulação de consultas e exames especializados.
É importante que a tomada de decisão sobre a regulação do acesso possa 
considerar a distribuição das vagas de acordo com o território de residência 
do usuário. Isso requer a possibilidade de integrar as filas considerando os 
Módulo I | Unidade I
28
à oferta de Atenção Especializada com base nas avaliações realizadas 
pela equipe de APS, assim como coloca como responsabilidade da APS 
a coordenação do cuidado, incluindo a ordenação dos fluxos aos demais 
pontos de atenção da RAS e a gestão das referências e contrarreferências. 
A normativa também indica que faz parte do papel do profissional de APS 
estabelecer uma relação com os especialistas que cuidam das pessoas do 
seu território. Por fim, afirma que a regulação assistencial cabe a todos os 
profissionais das equipes da APS (Melo et al., 2021).
Módulo I | Unidade I
29
Quantas vezes já não ouvimos que a APS é a porta de entrada 
preferencial para o SUS? O que isso quer dizer? Como essa afir-
mação se traduz na prática das equipes de saúde e no papel 
do gerente dos serviços de APS como articulador da RAS?
Nas últimas décadas, a APS passou por mudanças, sendo uma 
delas de abordagem. A APS deixou de ter abordagens sele-
tivas, centradas em programas e em grupos específicos, como 
o materno-infantil, e passou a ter uma visão voltada para a 
integralidade da saúde, portanto passou a ser entendida como 
o modelo que, além de promover saúde, deve compreender 
a saúde como direito humano, considerando determinantes 
sociais e políticos mais amplos. Mas, afinal, como definir a APS 
para além de ser o primeiro nível de atenção de um sistema 
de saúde hierarquizado?
1.2 A Rede de Atenção à 
Saúde e a articulação do 
gerente no contexto da 
Atenção Primária à Saúde
Atualmente, a compreensão de APS 
adotada no Brasil e em diversas partes 
do mundo é de um conjunto de ações de 
saúde individuais, familiares e coletivas 
– que envolvem promoção, prevenção, 
proteção, diagnóstico, tratamento, reabi-
litação, redução de danos, cuidados palia-
tivos e vigilância em saúde – desenvol-
vido por meio de práticas de cuidado 
integrado e gestão qualificada, realizada 
por equipe multiprofissional e dirigida à 
população em território definido, pelas 
quais as equipes assumem responsabili-
dade sanitária.
Módulo I | Unidade I
30
Figura 2. Apresentação dos atributos essenciais e derivados da Atenção Primária à Saúde, segundo Starfield (2002)
Fonte: adaptado de Starfield (2002).
A APS como espaço privilegiado de gestão do cuidado 
cumpre um papel estratégico na RAS, servindo como base 
para o seu ordenamento. Para que se possa ordenar a RAS, 
é preciso reconhecer as necessidades de saúde da popu-
lação sob sua responsabilidade e organizar o atendimento 
nos diversificados pontos de atenção à saúde, contribuindo 
para que a programação dos serviços de saúde ocorra de 
acordo com as necessidades das pessoas. 
Nesse sentido, Starfield (2002) propõe a constituição da 
APS com base na definição (Quadro 2) de quatro atributos 
essenciais e três atributos derivados, conforme Figura 2.
Módulo I | Unidade I
31
Quadro 2. Sumário com as definições de Starfield (2002) sobre os atributos da Atenção Primária à Saúde
Atributos essenciais
Primeiro contato Acesso facilitado e reconhecimento do serviço pelo território, como 
referência de orientação para os pacientes em situação de doença.
Integralidade Capacidade de oferecer uma variedade de serviços para suprir as 
necessidades mais frequentes da comunidade.
Longitudinalidade Relação pessoal que se estabelece, a longo prazo, entre profissio-
nais e pacientes em busca de atendimento.
Coordenação do cuidado Articulação com outros níveis de atenção e de densidade tecnoló-
gica para a solução de problemas de usuários.
Atributos derivados
Competência cultural Capacidade de reconhecer como as questões étnicas, raciais, reli-
giosas ou culturais de uma população atravessam as necessidades 
de saúde dos indivíduos, das famílias e da comunidade e, a partir de 
então, planejar os cuidados de saúde levando em consideração essa 
perspectiva.
Orientação familiar Capacidade de reconhecer como as relações e estruturas familiares 
atravessam as necessidades de saúde dos indivíduos e, a partir de 
então, planejar os cuidados em saúde considerando a centralidade 
da família.
Orientação comunitária Capacidade de reconhecer como as relações e estruturas das comu-
nidades atravessam as necessidades de saúde dos indivíduos e de 
suas famílias e, a partir de então, planejar os cuidados em saúde 
considerando a centralidade da comunidade.
Fonte: adaptado de Starfield (2002).
Módulo I | Unidade I
32
Já vimos que o modelo de APS adotado no Brasil, baseado em uma estru-
tura de trabalho em equipe e territórios definidos, é executado por meio 
de práticas de cuidado e de gestão democrática e participativa, em que se 
assume a responsabilidade sanitária por uma dada área física e social na 
qual vivem as populações. Esse modelo possibilita às equipes que estabe-
leçam uma compreensão ampliada do processo saúde-doença e das neces-
sidades de intervenções, que vão além de práticas curativas.
Considerando que agora você já compreende o conceito de RAS, bem 
como seus dispositivos e sistemas de apoio, e que compreende também 
o papel crucial que a APS tem como centro comunicador da RAS, respon-
sável pela coordenação e integralidade do cuidado, convidamos você a 
refletir sobre a sua atuação como gerente local da APS enquanto articu-
lador da RASlevando em consideração as seguintes questões:
•	Como a organização da APS, com território e população delimitados, 
pode favorecer sua função de ordenadora e comunicadora da RAS? 
•	Você, como gerente de um serviço de APS, já se sentiu responsável por 
promover a integração dos equipamentos de saúde do seu território?
•	Você já precisou apresentar os dados demográficos e epidemiológicos da 
sua população para contribuir com que outros serviços programassem, 
planejassem ou orientassem melhor sua oferta?
O Quadro 2 apresenta os atributos essenciais e derivados da APS. Esses 
atributos constituem-se como pilares estruturantes para uma APS fortale-
cida. Conforme nossa discussão sobre a RAS, a APS é a porta de entrada 
dos sistemas de saúde e ordenadora da rede, e, para ser de fato esse nível 
de atenção, é fundamental que esteja organizada de acordo com esses 
atributos.
O gerente de uma UBS é um profissional estratégico para a articulação da 
RAS e uma liderança capaz de promover, com a sua equipe, a efetivação dos 
atributos da APS para que esse nível de atenção atue, de fato, como orde-
nador da RAS. Parece simples desempenhar isso no seu cotidiano?
É na prática cotidiana dos atributos da APS, em especial no desenvolvi-
mento da coordenação do cuidado, que o gerente, como articulador da 
RAS, deve contribuir para o reordenamento dos demais níveis de comple-
xidade do sistema de saúde, de forma a favorecer o acesso da população a 
todos os níveis de assistência. O gerente é uma liderança importante capaz 
de garantir a continuidade da atenção por meio da equipe de saúde, com 
o reconhecimento dos problemas que requerem acompanhamento cons-
tante e relacionado à função de centro de comunicação das RAS.
Módulo I | Unidade I
33
A articulação entre as RAS corresponde, em essência, à articulação entre 
serviços e sistemas de saúde e às relações entre atores do território por meio 
de movimentos de interdependência entre os diversos pontos de atenção. 
Busca-se, assim, romper com a fragmentação dos serviços e trabalhar de 
forma articulada. Para isso, é necessário investir em encontros regulares 
para a integração dos profissionais envolvidos na gestão e no cuidado.
A ideia de promover um Fórum de Integração da Rede de Atenção à Saúde 
de um determinado território pode ser uma experiência muito potente no 
processo de integração entre serviços de baixa, média e alta complexidade 
localizados em uma determinada região. Garantir a participação e o envol-
vimento de representantes das UBS, UPAs, maternidades, ambulatórios de 
especialidades e hospitais pode facilitar a resolução de conflitos comuns 
entre os pontos de atenção: 
•	Dificuldade de coordenação do cuidado pela atenção primária, por falta 
de informações de atendimentos realizados em outros serviços;
•	Excesso de atendimentos de baixo risco nas emergências e que pode-
riam ser realizados nas unidades de APS de referência dos usuários;
•	Dificuldade de comunicação entre os serviços de saúde;
•	Desconhecimento dos gerentes do perfil de atendimento das diferentes 
unidades de saúde.
•	Quais instrumentos, ferramentas e rotinas você e sua equipe utilizam 
que contribuem para o fortalecimento da RAS?
•	Que tipos de experiência ou estratégia são capazes de estreitar as rela-
ções entre as unidades de saúde da sua região, considerando a conso-
lidação dos fluxos de referência e contrarreferência, a otimização dos 
recursos e a promoção da integralidade do cuidado?
•	Em quais instrumentos os profissionais da sua equipe de APS alimentam 
informações quando precisam da opinião de um médico especialista 
para dar seguimento ao tratamento de um paciente? 
•	Após a consulta com o especialista, o usuário retorna para o médico 
do seu serviço?
•	Você tem espaços de encontros regulares com os gerentes de serviços 
especializados da sua região? 
Agora que você refletiu sobre a sua atuação como gestor local da APS 
enquanto articulador da RAS, trouxemos uma experiência potente 
que pode te ajudar a compreender melhor tudo o que conversamos 
até aqui: o Fórum de Integração da Rede de Atenção à Saúde.
Exemplo: Fórum de Integração da Rede de Atenção à Saúde: uma 
experiência potente.
Módulo I | Unidade I
34
Todos esses conflitos dispõem de estratégias de manejo conhecidas cuja 
aplicação tende a ser mais fácil a partir da instituição do Fórum, como: 
•	Georreferenciamento dos pacientes atendidos na média e alta comple-
xidade moradores de territórios cobertos pela APS;
•	Identificação das UBS com maior demanda de pacientes atendidos na 
média complexidade;
•	Identificação das UBS com maior demanda de pacientes de baixo risco 
nas unidades de emergência;
•	Implementação do Encaminhamento Responsável.
E aí, o que acha de propor um Fórum de Integração da Rede de Atenção 
à Saúde na sua região?
Módulo I | Unidade I
35
O itinerário terapêutico é o caminho que uma pessoa percorre em busca de 
auxílio para tratar uma doença, o que inclui diferentes opções de cuidado, 
muitas delas simultâneas, bem como engajamentos e abandonos de trata-
mento (Gerhardt, 2006). Uma APS forte, plenamente desenvolvida com base 
nos sete atributos já descritos anteriormente, pode proporcionar itinerários 
terapêuticos mais efetivos para o alcance do cuidado desejado.
Como já discutimos o papel da APS na RAS e a função estratégica do gerente 
da UBS na articulação da rede, agora é fundamental perceber que, para uma 
adequada organização, todos os níveis de atenção à saúde precisam estar 
integrados. Para Leatt et al. (2000) apud Hartz e Contandriopoulos (2004), 
poderiam ser utilizados dez critérios para que os pacientes pudessem se 
assegurar de que realmente existe um sistema integrado de serviços, capaz 
de lhes proporcionar experiências positivas durante seus itinerários tera-
pêuticos. Vamos conhecer quais são?
1.3 O itinerário 
terapêutico do usuário 
e a coordenação do 
cuidado da Atenção 
Primária à Saúde para 
o fortalecimento da 
Rede de Atenção à 
Saúde
Módulo I | Unidade I
36
Analisando esses 10 critérios, quais você, gerente, compreende que são os 
de maior potencialidade e os de maior fragilidade em sua prática? Quais 
ações você poderia implementar, enquanto gerente, dentro da sua gover-
nabilidade de atuação, para melhorar esses processos?
Considerando que o critério 1 é um ponto de fragilidade em sua unidade, 
quais medidas você poderia adotar para melhorar esse aspecto? Reduzir 
barreiras em fluxos simples na unidade (evitar que o usuário passe em dife-
rentes setores da unidade para fazer processos burocráticos ou desnecessá-
rios), melhorar o prontuário eletrônico para que seja preenchido de forma 
adequada e colocar profissionais atuando numa estratégia de acolhimento, 
como “Posso Ajudar?”.
Outra reflexão possível de ser feita para verificar como você e sua equipe 
têm trabalhado para proporcionar itinerários terapêuticos mais positivos 
para os seus pacientes por meio de uma APS comprometida com o forta-
lecimento da RAS é pensar sobre como vocês têm desenvolvido as quatro 
funções da APS no seu dia a dia. Vamos recordar quais são essas quatro 
funções?
1. não precisar repetir sua história em cada atendimento; 
2. não precisar se submeter a repetições inúteis de exames; 
3. não ser a única fonte de informação para que o médico ou outro profis-
sional conheça a sua história de utilização de serviços, procedimentos 
e medicamentos; 
4. não se restringir a um nível de atenção inadequado por incapacidade 
de atendimento em outro nível;
5. dispor de acesso a um provedor de serviços durante 24 horas por dia 
que seja interligado à atenção primária; 
6. receber informação clara e precisa sobre a qualidade da assistência e 
resultados esperados das opções terapêuticas, permitindo-lhes fazer 
escolhas esclarecidas; 
7. ter acesso fácil (por exemplo, por telefone) e oportuno aos diversos 
exames e profissionais; 
8. o profissional do primeiro nível de atenção dispor de tempo suficiente 
para realizar as consultas; 
9. ser rotineiramentecontatado para prevenir complicações de problemas 
crônicos; 
10. receber apoio domiciliar e treinamento em autocuidado que maximize 
a autonomia. 
Módulo I | Unidade I
37
regulatórios realizados em outros espaços da rede, de modo a garantir, 
ao mesmo tempo, a qualidade da microrregulação realizada pelos profis-
sionais da atenção básica e o acesso a outros pontos de atenção nas 
condições e no tempo adequados, com equidade.
4. Ordenar as redes: reconhecer as necessidades de saúde da popu-
lação sob sua responsabilidade, organizando-as conforme os pontos 
de atenção à saúde, contribuindo para que a programação dos serviços 
de saúde parta dessas necessidades (Brasil, 2011).
1. Ser base: ser a modalidade de atenção e de serviço de saúde com o 
mais elevado grau de descentralização e capilaridade, cuja participação 
no cuidado se faz sempre necessária;
2. Ser resolutiva: identificar riscos, necessidades e demandas de saúde, 
utilizando e articulando diferentes tecnologias de cuidado individual e 
coletivo, por meio de uma clínica ampliada capaz de construir vínculos 
positivos e intervenções clínica e sanitariamente efetivas, na perspectiva 
de ampliação dos graus de autonomia dos indivíduos e grupos sociais;
3. Coordenar o cuidado: elaborar, acompanhar e gerir projetos tera-
pêuticos, bem como acompanhar e organizar o fluxo de usuários entre 
os pontos de atenção das RAS. Atuar como o centro de comunicação 
entre os diversos pontos de atenção, responsabilizando-se pelo cuidado 
dos usuários em qualquer desses pontos, por meio de uma relação hori-
zontal, contínua e integrada com o objetivo de produzir uma gestão 
compartilhada da atenção integral. Fomentar a articulação das outras 
estruturas das redes de saúde e intersetoriais, públicas, comunitárias e 
sociais. Para isso, é necessário incorporar à rotina do trabalho as ferra-
mentas e os dispositivos de gestão, organizados segundo a lógica de 
linhas de cuidado, a discussão de casos traçadores, dos eventos-
-sentinelas e de outros incidentes críticos. As práticas de regulação 
realizadas na atenção básica devem ser articuladas com os processos 
Módulo I | Unidade I
38
Projeto Terapêutico Singular 
(PTS): é um conjunto de propostas 
de condutas terapêuticas articu-
ladas. Esse conjunto de propostas 
é um produto da discussão cole-
tiva de uma equipe interdisciplinar. 
Um de seus objetivos principais é 
aprofundar as possibilidades de 
intervenção em determinado caso. 
Costuma ser utilizado em situações 
mais complexas, contudo, eventu-
almente, também pode ser usado 
por qualquer equipe para discussão 
e responsabilização de problemas 
complexos. Quatro movimentos 
fazem parte do PTS: definir hipó-
teses diagnósticas; definir metas; 
definir responsabilidades; e reavaliar.
Clínica ampliada: a clínica ampliada 
é uma das diretrizes que a Política 
Nacional de Humanização propõe 
para qualificar o modo de fazer 
saúde. Ampliar a clínica é aumentar 
a autonomia do usuário do serviço 
de saúde, da família e da comuni-
dade e é integrar a equipe de traba-
lhadores da saúde de diferentes 
áreas na busca de um cuidado e 
tratamento de acordo com cada 
caso, com a criação de vínculo com 
o usuário. A vulnerabilidade e o risco 
do indivíduo são considerados, e o 
diagnóstico é fundamentado não só 
no saber dos especialistas clínicos, 
mas também na história de quem 
está sendo cuidado.
Linha de cuidado: a linha de cuidado 
caracteriza-se por padronizações 
técnicas que explicitam informações 
relativas à organização da oferta 
de ações de saúde no sistema, nas 
quais: a) descrevem rotinas do itine-
rário do paciente, contemplando 
informações relativas às ações e 
atividades de promoção, prevenção, 
tratamento e reabilitação a serem 
desenvolvidas por equipe multidisci-
plinar em cada serviço de saúde; b) 
viabilizam a comunicação entre as 
equipes, serviços e usuários de uma 
RAS, com foco na padronização de 
ações, organizando um continuum 
assistencial.
Casos traçadores: casos represen-
tativos do perfil de um serviço, que 
permitem a análise dos modos como 
se efetivam, na prática, processos de 
trabalho complexos.
Eventos-sentinelas: são situações 
que podem constituir potencial 
ameaça à saúde pública, como surtos 
ou epidemias, doença ou agravo 
de causa desconhecida, alteração 
no padrão clínico epidemiológico 
das doenças conhecidas, conside-
rando o potencial de disseminação, 
a magnitude, a gravidade, a severi-
dade, a transcendência e a vulnera-
bilidade, bem como epizootias ou 
agravos decorrentes de desastres 
ou acidentes.
Módulo I | Unidade I
39
Nesta seção, vamos examinar a composição das Equipes de Saúde da 
Família, Equipes de Atenção Primária, Equipes de Saúde Bucal, Equipes 
Multiprofissionais, Equipes de Consultório na Rua, Equipes de Atenção 
Primária Prisional, Equipes de Saúde da Família Indígena e sua articu-
lação com a RAS.
A composição das equipes é objeto de normas que constam das porta-
rias ministeriais publicadas ao longo das últimas décadas. Gerentes da 
APS lidam cotidianamente com o desafio de conseguir compor e manter 
essas equipes de acordo com a regulamentação, mas, sobretudo, lidam 
com a necessidade de adequar a composição das diferentes equipes à 
realidade e às necessidades reais do serviço de APS no qual estão inse-
ridas. Além disso, a demanda é sempre muito superior do que o previsto 
nas normas e no planejamento normativo. O trabalho real é muito mais 
complexo, volumoso e exaustivo que o trabalho prescrito. Entretanto, é 
muito importante que conheçamos o que as normas preveem, pois a 
partir disso formas mais adequadas de organização podem ser buscadas 
e pode-se avaliar melhor que recursos suplementares precisam ser mobi-
lizados. Vamos nessa?
1.4 A composição das 
equipes da Atenção 
Primária à Saúde e sua 
articulação com a Rede 
de Atenção à Saúde
Módulo I | Unidade I
40
Equipe de Atenção Primária (eAP)
A eAP difere da eSF em composição, de modo a 
atender às características e necessidades de cada 
município, devendo manter alinhamento com as 
diretrizes da Política Nacional da Atenção Básica e 
os atributos essenciais da APS. Deve ser compos-
ta minimamente por: médico, preferencialmente 
especialista em medicina de família e comunida-
de; e enfermeiro, preferencialmente especialista 
em saúde da família. As eAP podem ser de duas 
modalidades, de acordo com a carga horária. 
Modalidade I: a carga horária mínima individu-
al dos profissionais deverá ser de 20 horas se-
manais, com população adscrita corresponden-
te a 50% da população adscrita para uma eSF. 
Modalidade II: a carga horária mínima individual 
dos profissionais deverá ser de 30 horas sema-
nais, com população adscrita correspondente a 
75% da população adscrita para uma eSF.
O Quadro 3 sintetiza a normatização das portarias vigentes no que tange à 
composição das equipes no âmbito da APS.
Quadro 3. Tipos de equipe de APS, Composição e especificidades
Equipe de Saúde da Família (eSF)
Composta por: médico generalista, preferencial-
mente da especialidade medicina de família e 
comunidade; enfermeiro, preferencialmente es-
pecialista em saúde da família; técnico de enfer-
magem; e Agente Comunitário de Saúde (ACS). 
Podem fazer parte da equipe os profissionais de 
saúde bucal: cirurgião-dentista, preferencialmen-
te especialista em saúde da família; e técnico em 
saúde bucal e/ou auxiliar em saúde bucal. O nú-
mero de ACS por equipe é definido de acordo 
com a base populacional e os critérios demográ-
ficos, epidemiológicos e socioeconômicos, po-
rém, em áreas de risco e vulnerabilidade social, a 
parametrização é de no máximo 750 pessoas por 
agente.
Equipe de Saúde Bucal (eSB)
A eSB pode compor as equipes que atuam na 
APS e atualmente é possível que se estruture em 
duas modalidades. Modalidade I: com dois profis-
sionais, sendo um cirurgião-dentista e um técnico 
de saúde bucal ou um auxiliar de saúde bucal. 
Modalidade II: com três profissionais, sendo um 
cirurgião-dentista, um técnico de saúde bucal

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