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R+ PED – Aula 2 – Alergia e imunologia 2 – Erros inatos da imunidade: Conceitos: · Condições relacionadas a mutações genéticas da linhagem germinativa · Em geral: autossômica recessiva ou ligada ao X · Consequências: · Perda de expressão da proteína · Perda de função da proteína · Ganho de função da proteína codificada Pelo motivo de algumas vezes haver o aumento da função da proteína codificada que não se usa mais o termo imunodeficiência, pois pode haver uma imunidade aberrante. Classificação (IUIS – International Union of Immunological Societies): · Classificação de 485 doenças em 10 categorias Outros conceitos: · Crianças com infecções de repetição: · A maioria das crianças não apresentam desordens associadas (50%) · Há também crianças com atopia (30%) · 10% das crianças apresentam doenças crônicas (ex: fibrose cística) · 10% das crianças apresentam imunodeficiências: porém nem todas são imunodeficiências por erros inatos da imunidade. Há crianças com imunodeficiência adquirida (HIV, uso de imunossupressor). · Quando suspeitar em erro inato da imunidade: · Infecções recorrentes graves ou por agentes incomuns · Quadros autoimunes ou inflamatórios · Falência da medula óssea · Predisposição para neoplasias · Sinais de alerta para suspeitar erros inatos da imunidade: · > 2 pneumonias/ano · > 4 otites/ ano · Estomatites de repetição ou monilíase por mais que 2 meses · Abscessos de repetição ou ectima · Infecções intestinais de repetição/ diarreia crônica · Infecção sistêmica grave · Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune · Efeito à BCG (úlcera > 1 cm) e/ou infecção por micobactéria · Fenótipo clínico sugestivo · História familiar Pegadinha de prova: · Atraso de queda do cordão umbilical · Não são sinais: faringites e cistites Novidade nesse ano: · Infecção sistêmica grave – necessário ser 2 ou mais no ano (incluindo sepse) · 2 ou mais sinusites graves no período de um ano · O uso de antibiótico por 2 meses ou mais, com pouco efeito · Dificuldade para ganhar peso ou crescimento. · Necessidade de antibiótico venoso para combate de infecção. Quadros que caem em prova de acordo com a classificação (IUIS): 1- Imunodeficiências que afetam a imunidade celular e humoral 2- Deficiências predominantemente de anticorpos 3- Defeitos congênitos de fagócitos (número e/ou função) 4- Deficiências do sistema complemento 1) Imunodeficiências que afetam a imunidade humoral**: · Redução da quantidade de anticorpos podendo estar ou não acompanhada com redução da circulação de linfócitos B circulantes · Quando suspeitar: · Em todos os pacientes com erros inatos da imunidade – cerca de 50% dos casos de pacientes com imunodeficiência primária · Ocorre após os primeiros meses de vida: o RN ainda tem a presença de anticorpos maternos · Presença de infecções respiratórias (por bactérias encapsuladas), gastrointestinais, meningoencefalites por enterovírus. Agamaglobulinemia ligada ao X (Bruton): · Ligada ao X, ou seja presente no sexo masculino · Defeito no gene BtK (braço longo do X) – tirosina quinase de Bruton: proteína necessária para maturação dos linfócitos B · Ausência/ diminuição dos linfócitos B circulantes; diminuição de todas as classes de imunoglobulinas. · Quadro clínico: · Infecções respiratórias · Meningoencefalite pelos enterovírus · Poliomielite vacinal · Hipoplasia linfoide: hipoplasia de adenoides, amigdalas, ausência de gânglios palpáveis · Tratamento: imunoglobulina + tratamento dos quadros infecciosos. Imunodeficiência comum variável: · Quantidade normal de linfócitos B circulante · Problema: não há transformação dos linfócitos B em plasmócitos, formando menos anticorpos · Presença de níveis baixos de IgG + níveis baixos de IgM ou IgA · Presença de infecções respiratórias e tecidos linfoides presentes · Diagnóstico pode ser tardio (2ª/3ª década de vida) · Tratamento: imunoglobulina, tratamento dos quadros infecciosos Deficiência Seletiva de IgA: · Erro inato da imunidade mais comum (e mais comum na prova) · Normalmente assintomáticas · Infecções respiratórias, quadros autoimunes, gastrointestinais, giardíase (IgA muito importante na proteção da cavidade oral) · Normalmente IgA muito diminuída (abaixo de 7) · Apresenta maior propensão para doença celíaca · Maior risco de reações transfusionais (anticorpos anti-IgA) · Diagnóstico a partir dos 4 anos, diminuição apenas de IgA · Tratamento apenas dos quadros infecciosos · Não é realizado o tratamento com imunoglobulina Cuidado – hipogamaglobulinemia fisiológica da infância: · Intraútero: há uma grande quantidade de anticorpos, principalmente no último trimestre · Após o nascimento, com o passar dos meses há diminuição dos níveis de anticorpos · Essa menor concentração ocorre em 3 a 6 meses de idade, sendo fisiológico. Hipogamaglobulinemia transitória da infância: · Mecanismos ainda não bem elucidados · Como se tivesse um prolongamento da hipogamaglobulinemia fisiológica · Laboratorialmente há diminuição dos níveis de IgG (e em menor quantidade IgA); diagnóstico retrospectivo · Após os primeiros anos de vida há normalização dos níveis · Tratamento apenas das infecções · Eventualmente: imunoglobulina e profilaxia com antibioticoterapia · Diagnóstico diferencial com imunodeficiência comum variável Erros Inatos da Imunidade – celulares/ combinadas**: · Indivíduo que apresenta defeito congênito nos linfócitos T – imunidade celular · Pode ou não apresentar defeito nos linfócitos B · Sempre que houver alterações dos linfócitos T ocorrerá alterações na imunidade humoral 1) Imunodeficiência combinada grave (SCID): · Se não forem precocemente diagnosticadas e tratadas tendem a evoluir para o óbito no primeiro ano de vida · Ocorre um defeito na função ou no desenvolvimento das células T – podem causar prejuízo nas células B · Início precoce – desde as primeiras semanas de vida · Quadros infecciosos graves: bacterianos, fúngicos e virais · Agentes oportunistas (Pneumocystis) – pneumocistose · Pode apresentar candidíase crônica · Eventos adversos às vacinas vivas, principalmente à BCG · Diarreia e déficit de crescimento · Ausência de timo, linfopenia, hipogamaglobulinemia · Transplante de células-tronco hematopoiéticas Diagnóstico – triagem neonatal (previsto a inclusão em todo programa de inclusão) – pode ser avaliado no teste do pezinho: · Redução de TREC (T cell receptor excision circles) · Redução de KREC (Kappa deleting recombination excision circles) – redução de linfócitos B Erros inatos da Imunidade – Deficiências na Fagocitose*: · Os fagócitos são fundamentais para a primeira linha de defesa contra os antígenos · Ocorrem principalmente infecções bacterianas e fúngicas · Manifestações clínicas precoces – neonatais · Atraso na queda do coto umbilical · Pode ocorrer defeitos no número ou na função. · Infecções bacterianas e fúngicas: estafilocócica, cândida e Aspergillus · Abscessos cutâneos, infecções de partes moles Defeitos em relação ao número: · Neutropenia congênita grave: · Pode ser por autossômica dominante · Autossômica recessiva – Síndrome de Kostmann · Síndrome ligada ao X · Contagem de neutrófilos abaixo de 500 (normalmente abaixo de 200) · Maior predisposição do neoplasias (devido uso de G-CSF) · Sintomas: · Onfalites · Gengivites · Úlceras orais · Abscessos · Tratamento: · Fator estimulador de granulócitos (G-CSF) · Transplante de células tronco hematopoiéticas · Neutropenia cíclica: · Manifestações clínicas idênticas a neutropenia congênita grave, porém com oscilações periódicas regulares na contagem de neutrófilos – manifestações recorrentes. · Neutropenia a cada 3 semanas Defeitos em relação a função: 1) Função oxidativa: · Doença granulomatosa crônica: · Alterações na NADPH-oxidase · S. aureus, Aspergillus, Burkholderia cepacia, Serratia e Nocardia · Pneumonias, abscessos hepáticos, adenites, osteomielites · Formação de granulomas · Diagnóstico: avaliação da função oxidativa (NBT e ausência deDHR) 2) Defeitos na adesão leucocitária: · Não há redução na contagem de neutrófilos · Atraso na queda do coto umbilical: devido dificuldade da cicatrização (mumificação) · O atraso é considerado a partir de 30 dias · Infecções de repetições com ausência de secreção purulenta Erros inatos da imunidade – Defeitos no complemento*: Sistema complemento: · Componente da imunidade inata · Também complementa a imunidade humoral · É formado por série de proteínas plasmáticas e proteínas de membranas celulares · A ativação sequencial dessas proteínas vai desempenhar um papel tanto no reconhecimento de substâncias estranhas, quanto no reconhecimento de lesões no nosso organismo · A deficiência do sistema complemento oferece risco para infecções, porém também aumenta o risco para doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmico · As manifestações variam em função do componente acometido · Avaliação inicial: CH50 Componentes Terminais (C5 – C9) = Infecções por Neisseria – o que cai na prova Erros inatos da Imunidade – Condições específicas**: 1) Síndrome de Wiskott-Aldrich: · Imunodeficiência combinada + características sindrômicas · Herança ligada ao X – ou seja predominante no sexo masculino · Presença de eczema de difícil tratamento – igual ao da dermatite atópica · Presença de trombocitopenia (plaquetas pequenas) · Diarreia sanguinolenta + sangramentos pós circuncisão · Propensão a infecções recorrentes · Diminuição de linfócitos T, IgM e IgG 2) Síndrome de Digeorge (deleção 22q11.2): · Infecções recorrentes · Hipoplasia ou aplasia do timo e paratireoides · Presença de hipocalcemia e convulsões · Defeitos cardíacos e dismorfias (orelhas com implantação alterada, hipertelorismo, filtro nasal mais apagado) 3) Síndrome de Chediaki-Higashi: · Albinismo oculocutâneo + cabelos prateados · Alteração na degranulação dos neutrófilos: grandes grânulos peroxidase positivos