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Introdução Citometria de Fluxo, Western Blot e Imunocromatografia são todas técnicas que exploram, em seu cerne, a interação antígeno-anticorpo para identificar a presença de determinados antígenos em soluções, células ou tecidos. Todavia, anticorpos por si só são invisíveis e a detecção de fato dos antígenos ocorre, então, por meio do uso de anticorpos marcados que possuem modificações em sua porção Fc que os tornam visíveis/detectáveis. Essas marcações podem ser tão simples quanto nanopartículas de ouro que quando acumuladas ficam visíveis, como também mais complexas com o uso de moléculas fluorescentes (fluoróforos ou fluorocromos) cuja fluorescência pode ser detectada e mensurada, ou até com o uso de enzimas (Peroxidases ou Fosfatases Alcalinas) que após a adição de um substrato incolor, o convertem em um produto colorido nas regiões que estão presentes, “pintando” a posição do antígeno. Assim, esse princípio é utilizado para marcar e tornar visíveis o(s) antígeno(s) de desejo. Esses antígenos podem ser: Proteínas virais em amostras de sangue indicando infecção, B-hCG na urina indicando gravidez; Proteínas de superficie como CD4, CD8 quantificando e "tipando” (se é uma TCD4, ou TCD8, nesse caso) as células; Marcadores tumorais em uma biópsia indicando a origem de uma metástase; Anticorpos no sangue indicando imunização ou infecção prévia contra/de determinado patógeno, dentre inúmeras outras possibilidades e marcações. Com isso, os imunoensaios são extremamente amplos, cada um deles tendo suas vantagens e desvantagens as quais favorecem ou desfavorecem seu uso em determinados contextos. Citometria de Fluxo Como o nome sugere, é um ensaio para contagem (metria) e determinação de uma população heterogênea de células (Cito), mas, como? As proteínas são as moléculas que exercem trabalho dentro da célula, as funções de uma célula estão, portanto, intrinsecamente relacionadas às proteínas que elas expressam de modo que há tipos celulares que possuem proteínas exclusivas delas, como as células T possuem o complexo de transdução de sinal CD3, as células B podem ser marcadas por CD19, CD20 e, ainda mais, as TCD4+ e TCD8+, como o nome sugere, possuem CD8 e CD4 em suas membranas plasmáticas que caracterizam sua função e, também, determinam seu grupo. (!!Essa técnica não é restrita a proteínas, outras moléculas tanto de membrana quanto intracitoplasmáticas, podem ser marcadas!!) Dado isso, se você tivesse uma amostra com linfócitos e quisesse saber quais e quanto de cada tipo estão na sua amostra, seria extremamente conveniente se você pudesse marcar cada uma dessas moléculas, não? E é justo isso que a Citometria de Fluxo faz, as células são marcadas com anticorpos acoplados a fluoróforos (moléculas fluorescentes), são postas em uma suspensão (não aderidas a nenhuma superfície) e passam por um fino cilindro uma a uma e interagem com um laser. (observe o esquema ao lado) A interação com o laser, leva o fluorórofo a emitir luz colorida, afinal, é fluorescência, e essa luz é captada por sensores que detectam a cor. Numa amostra com múltiplas marcações, idealmente haverão fluoróforos que emitem cores cujos comprimentos de onda não se sobrepõem, por exemplo: CD4 - Azul, CD8 - Vermelho Com isso, os sensores conseguem indicar cada cor que, por vir do fluoróforo acoplado ao anticorpo, indica a presença do antígeno ao qual aquele anticorpo se liga. Como o Fluoróforo do Anti-CD8 é vermelho, a captação da luz vermelha vai sinalizar a presença de uma célula TCD8. (O Citômetro de Fluxo também pode medir granulosidade e tamanho celular.) Assim, o computador conta quantas células passaram e de qual tipo são. INTERPRETAÇÃO Os resultados podem ser apresentados tanto em um histograma, identificando apenas uma variável, como também em um gráfico com quatro quadrantes associando duas variáveis. Esse gráfico (a esquerda) é típico da citometria de fluxo e cada ponto representa uma célula. A sensibilidade é tamanha que a discreta autofluorescência de organelas celulares pode ser detectada e, por isso, há essas linhas que se juntam nos quadrantes, acima delas a célula apresenta fluorescência expressiva indicando que veio do fluorórofo, abaixo é ruído como a anteriormente mencionada autofluorescência das organelas. Com isso, a interpretação do gráfico segue o seguinte padrão: No Quadrante a esquerda embaixo (Q3) há células que não apresentam nenhum anticorpo marcado para CD4 nem CD8, portanto carecem de ambas as moléculas e são CD4-/CD8-. No quadrante à esquerda acima (Q1) elas apresentam fluorescência vinda do fluoroforo do anticorpo de CD4, mas não para CD8, logo são CD4+/CD8-. A mesma lógica se aplica para Q4 onde são CD4-/CD8+ e Q2 onde são duplo positivas, CD4+/CD8+. Aplicações Contagem e tipagem de células é algo com inúmeras aplicações a exemplo de acompanhar o percentual de células TCD4 em indivíduos infectados com HIV. Todavia, a citometria de fluxo é extremamente ampla e com muitas mais aplicações na pesquisa e diagnóstico, mas sempre seguindo essa ideia de buscar e contar tipos celulares em uma amostra. Imunocromatografia Também conhecida como Teste de Fluxo Lateral, é, acima de tudo, uma cromatografia e consiste na interação de uma fase móvel com uma fase estacionária, sendo a estacionária anticorpos específicos para o antígeno que está sendo procurado. Assim, como no exemplo do teste de gravidez, a fase móvel é a urina da pessoa que está se suspeitando a gravidez e a estacionária são anticorpos anti-B-hCG (que se apresenta na urina de pessoas grávidas). Quando a fase móvel (urina) passa pela fase estacionária (linha de anticorpos), caso haja B-hCG, ele ficará preso na linha teste. O Antígeno se torna visível a olho nu, pois, antes de chegar na linha teste, é marcado com um anticorpo marcado com, geralmente, Nanopartículas de Ouro que se desloca junto da fase móvel, fixando-se somente quando o antígeno se encontra com a linha teste, formando uma espécie de “Sanduíche” Anticorpo de marcação- Antígeno -Anticorpo de Captura. Há, também, uma segunda linha que é o controle e possui anticorpos específicos para os anticorpos de marcação que sempre se apresentam em excesso e sempre se deslocarão para o outro lado da fita independente da fase móvel ter ou não ter o antígeno, por isso servindo de controle. É chamado também de Teste de Fluxo Lateral, pois utiliza os princípios de capilaridade (a solução se espalhando pela superfície por capilaridade), então pode ser feito na lateral… É um teste barato e conveniente, tendo sido amplamente utilizado na pandemia, mas também servindo como princípio para os famosos testes de gravidez da farmácia. Além do preço, também não requer um especialista para sua execução, tornando muito mais viável e prático a realização desse teste que, mesmo não sendo o padrão-ouro, sua conveniência o tornou vital em tempos de extrema necessidade. Também pode ser utilizado para detectar a presença de Anticorpos no sangue de pacientes, seguindo o mesmo princípio com algumas poucas alterações. Western Blot Ensaio para detectar a quantidade e peso molecular de proteínas em uma solução. As proteínas da solução são tratadas com uma solução especial que as ioniza de acordo com seu tamanho. Em seguida, passam por uma eletroforese, separando-se em grupos de acordo com o tamanho (justo pela carga ser proporcional ao tamanho). Logo depois, são transferidas para uma membrana, onde são marcadas com anticorpos marcados, tornando visível a concentração das proteínas nessa membrana. Quanto mais intensa for a coloração escura da linha, maior a concentração daquela proteína. É utilizado para, dentre outras coisas, a detecção de anticorpos contra as proteínas do HIV: Usando a técnica descrita para aplicar as proteínas do HIV na membrana, depois aplicando o antisoro (soro c/ anticorpos) do paciente sobre a membrana e, em seguida, anticorpos secundários marcados para marcar os anticorpos primários do paciente (caso presentes) que ficariam ligados às proteínas.