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Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 1 🦠 Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos Cocos Os cocos gram-positivos são os mais relevantes clinicamente, enquanto os gram-negativos são menos numerosos. MACETE: se a bactéria tem “coccus” no nome, ela é geralmente gram-positiva. Bacilos Os bacilos gram-negativos são os mais importantes, enquanto os gram-positivos são compostos por um número menor. Os gram-positivos formam subgrupo especial: bacilos formadores de esporos. Cocos gram-positivos Grupos principais Estafilococos Estreptococos Enterococos Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 2 Staphylococcus sp Características Grupo grande, cerca de 40 espécies. Staphylococcus aures (mais importante, frequente, e etc.), S. epidermidis, S. haemolyticus, S. saprophyticus. Recentemente, apareceu o S. lugdunensis como uma bactéria patogênica nova com clínica parecida com a aureas Halófitas: crescem bem em alta concentração de sal Imóveis e anaeróbios facultativos Mesófilos: crescem em ampla variação de temperatura (18 a 40ºC) Faz parte da microbiota da pele e mucosas normais Formato Formato: cachos de uvas Estrutura celular do S. aureus Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 3 Proteína A: inibe a ação de anticorpos porque se liga à porção FC da IgG. Logo, é uma evasina, isto é, maneira de escapar da resposta imune. OBS.: A porção FC é a que deve ficar livre para ligar-se ao receptores celulares e ativar a resposta imune. Coagulase: converte fibrogênio em fibrina. Toxinas: toxinas do choque tóxico, enterotoxinas (intoxicação alimentar) Infecções cutâneas Principais infecções causadas por S. aureas variando desde condições simples, como acne, que podem resultar em pequenos abscessos, até infecções mais graves, como furúnculos e carbúnculos. 1. Foliculite: Acne, hordéolo (terçol), furúnculo, carbúnculo. Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 4 2. Impetigo não bolhoso Caracteriza-se por máculas que evoluem para pústulas, formando crostas (máculas → pústulas → crostas) Geralmente afeta principalmente a região da boca e das narinas, onde uma bactéria originada na mucosa nasal e oral, pode se espalhar. Muito comum em criança, especialmente na faixa etária de 2 a 5 anos, geralmente autolimitado, sem deixar manchas ou cicatrizes O tratamento envolve antibióticos tópicos, embora a condição muitas vezes se resolva espontaneamente. O estreptococos também pode causar essa infecção. Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 5 3. Impetigo bolhoso ou síndrome de pele escaldada: Sempre relacionado ao estafilocococs, pois depende da toxina dessa bactéria. A toxina tipo A tem uma ação mais localizada, afetando áreas menores. A toxina tipo B causa a síndrome da pele escaldada (impetigo neonatal), resultando em descamação generalizada da pele. Características Pênfigo neonatal: impetigo do RN Síndrome da pele escaldada (SSSS): descamação disseminada do epitélio em crianças; observa-se bolhas sem microrganismos ou leucócitos. Eritema perioral: vermelhidão e inflamação ao redor da boca, que se espalha pelo corpo inteiro em até dois dias, seguido pela descamação da epiderme O epitélio se renova dentro de 7 a 10 dias, quando os anticorpos contra a toxina aparecem. Predominantes em neonatos e crianças pequenas, com taxa de mortalidade inferior a 5%, especialmente em imunocomprometidos Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 6 Intoxicação alimentar causada por estafilococos Início: abrupto, com sintomas surgindo até 8 horas após a refeição (geralmente em 4 horas) Causado pela enterotoxina termoestável produzida por S. aureus , encontrada em alimentos gelados e em conserva. Síndrome do choque tóxico estafilocóccio (SCT) Associada ao uso de absorventes: especialmente o OB, quando esquecido, permitindo o crescimento excessivo de bactérias na microbiota vaginal. Pode levar ao choque e é um caso menos frequente. Fatores de risco: cirurgias nasais onde as bandagens podem reter bactérias. Características: Toxina como superantígeno causa resposta inflamatória grave. Sintomas: febre alta (39-40,5°C que permanece elavada), hipotensão (pode ser refratária), eritrodermia difusa macular, vômitos, diarreia. Início abrupto, podendo envolver múltiplos sistemas (nervoso, gastrointestinal, hematológico, hepático, muscular, renal). Pode envolver a pele inteira, incluindo a palma das mãos e a sola do pé. Taxa de letalidade elevada quando causa o choque. A doença é iniciada com o crescimento localizado da cepa de S. aureus produtora de toxina do choque tóxico (TSST- Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 7 1) na vagina ou em uma ferida, seguido pela liberação da toxina na corrente sanguínea. Endocardite bacteriana (sub)aguda Causas: associada ao uso de drogas injetáveis sem assepsia. Lesões preexistentes favorecem o estabelecimento de bactérias nos tecidos cardíacos A doença pode ter uma rápida progressão e alta mortalidade (50%) Bacteremia Cerca de um terço dos pacientes com bacteremia por S. aureus, o foco da infecção não foi identificado. Aproximadamente 50% dos casos são adquiridos no hospital, geralmente após cirurgias ou pelo uso prolongado de cateteres contaminados. Bacteremias prolongadas por S. aureus podem se espalhar para outros órgãos, incluindo o coração. Pneumonia Pode ocorrer após aspiração de secreções da boca ou por disseminação pela corrente sanguínea (hematogênica) Os sintomas não são específicos Osteomielite Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 8 Resultado da disseminação pela corrente sanguínea para o osso ou de uma infecção causada por um trauma Os sintomas incluem dor localizada e febre alta Pode ocorrer quando uma bactéria entra na corrente sanguínea e se instala no osso, geralmente após um trauma, formando abscessos ósseos Artrite séptica Acontece em crianças pequenas e em adultos que recebem injeções nas articulações (como ombro, joelho, quadril e cotovelo) ou que têm articulações com problemas mecânicos Os sintomas incluem articulação vermelha e dolorosa, com obtenção de material purulento na aspiração Tratamento Os antibióticos B-lactâmicos semi-sintéticos (como meticilina, naficilina, oxacilina e dicloxacilina) podem desenvolver resistência, mas são eficazes contra bactérias. São os mais recentes. Os B-lactâmicos da primeira geração não funcionam bem contra S. aureus porque a bactéria produz β- lactamase. Existe uma cepa resistente à meticilina, conhecida como MRSA (Methicillin-resistant Staphylococous aureus). Também há o Staphylococcus aureus com resistência à Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 9 vancomicina, chamada VISA (Vancomycin intermediate Staphylococcu) Mais de 80% das linhagens de S. aureus são resistentes à penicilina G, e a maioria delas produz β-lactamases controladas por plasmídeos transmissíveis Streptococcus sp Características Não produz catalase, ao contrário dos estafilococos. É nutricionalmente exigente e cresce em ágar sangue. É anaeróbio facultativo, preferindo uma atmosfera rica em CO2 (5%) ou condições anaeróbicas. A microbiota normal é o trato respiratório e o trato gastrointestinal Formato Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 10 Classificação Padrões hemolíticos Dentro dos padrões hemolíticos, têm-se a sorotipagem de Lancefield (Grupos A-V) - propriedades sorológicas. Muito usado na clínica. Rebecca Lancefield (1933) desenvolveu um sistema de sorotipagem para a classificação dos b-estreptococos, baseado em antígenos específicos => carboidrato C Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 11 Propriedades bioquímicas (fisiológicas) Doenças causadas pelo grupo A: S. pyogenes Doenças de pele, porém, muito mais severa do que a causadapor S. aureas. Causa erisipela: infecção dos tecidos profundas da pele (subcutâneo) causando dor, vermelhidão (celulite) e sintomas sistêmicos. GAS: GRUPO A DO STREPTOCOCOS. Tem-se muitas estruturas, a exemplo de capsula de ácido hialurônico (quando a bacteria produz algo que você já tem no seu corpo, seu sistema imune fica confuso em atacar ou não). Proteína M: superatingeno, degrada C3, degrada fibronogenio, evasina, adesina. Dnase: estratégia da bactéria em degradar o DNA por causa das NET dos neutrófilos (eles lançam material nucleico para formar uma teia que prende essas bactérias), também tem no S. aureas. Celulite: envolvimento dos tecidos subcutâneos mais profundos com invasão e acometimento sistêmico. Mais profunda do que a erisipela, associada a traumatismos ou evolução de feridas superficiais. Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 12 Síndrome do choque tóxico estreptocócico: infecção sistêmica em múltiplos órgãos que se assemelha à síndrome do choque tóxico estafilocócico; no entanto, a maioria dos pacientes apresenta bacteremia e evidência de fasceíte. Faceíte necrosante: infecção profunda da pele que envolve destruição dos músculos e das camadas de gordura pela digestão da bactéria. Se não tratado leva a síndrome do choque tóxico. Faringite: se desenvolve com início abrupto de dor de garganta, febre, mal-estar e cefaleia; transmissão de pessoa a pessoa através de perdigotos. São lesões avermelhadas na boca que pode evoluir para a escarlatina (cepa não tão circulante) Síndrome do choque tóxico, processo inflamatório sistêmico com sinais de choque e alta taxa de letalidade, acompanhado de fasceíte. Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 13 Escarlatina: cepa produtora de toxina eritrogênica; complicação da faringite estreptocócica Pioderma (impetigo estreptococico): infecção localizada da pele com vesículas que progridem para pústulas; nenhuma evidência de doença sistêmica. São lesões crostosas repletas de pus. Diferente da erisipela, na escarlatina não tem a bactéria e sim a toxina.. Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 14 Febre reumática e glomerulonefrite agudas podem ocorrer após infecção por estreptococos. Sepse puerperal: progressão de infecção uterina para cavidade abdominal, e então sepse. Streptococcus pneumoniae Causa pneumonia: se a infecção se espalhar para sítios comunicantes, pode resultar em outras infecções, como: Meningite: disseminação hematogênica para o sistema nervoso central. Otites: infecções nos ouvidos. Lesões crostosas Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 15 Sinusite: infecção nos seios paranasais. Bacteremia (sepse) pode levar à letalidade. Tratamento: penicilina G e vancomicina Outros streptococcus Não muito frequentes. S. agalactiae (SGB): importante na infecções de tratogenitourinário, mas não é o mais frequente. Associado a micoses bacterais. Pode ser associado também há: sepse neonatal (microbiota vaginal do adulto); infecções de TGU; meningite e sepse no adulto Padrões de hemólise α-hemolíticos = viridis (“verde” em latim) pelo fato de muitas destas bactérias produzirem coloração verde no meio de ágar sangue Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 16 S. mutans é um importante causador de placa bacteriana, carie dentária. Antigamente o enterococos, pertencia dentro do estreptococos. Eles não fazem hemólise Enterococcus spp Características 1984 – Criado o gênero Enterococcus (“cocos entéricos”) Podem ser encontrados no TGI, cavidades vaginal e oral Raramento associado a infecções, mas geralmente aparecem a o Enterococcus faecalis, Enterococcus faecium. Normalmente são associados a lesoes nosocomiais Ampla resistência ao ambiente e agentes antibióticos Formato Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 17 Doenças Meningites e bacteremias: sobretudo nos recém-nascidos Endocardites: nos adultos, sobretudo naqueles que têm próteses cardíacas; Septicemia: ocorre geralmente em doentes que têm cateteres intravasculares ou urinários; Infecções de sítio cirúrgico e intra-abdominais: faz parte da microbiota itnestinal, assim, pode ser carreado pelas próprias mãos. É resistente a cefalosporinas, então paciente, que faz uso disso, pode ter quadro favorecido o crescimento dessa bactéria, dando origem a infecções oportunistas, Fisiologia e estrutura Enterococos: cocos gram positivos arranjados aos pares e cadeias curtas Anaeróbios facultativos Crescem a 350C em ágar sangue Colônias brancas, geralmente não hemolíticas, mas podem ser α ou b - hemolíticos Crescem na presença de 6,5% de NaCl Adaptados a áreas de baixa oxigenação do corpo (TGI, vagina e cavidade oral) Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 18 Resistentes – persistem como contaminantes hospitalares Bacilos gram-positivos Quem são? Listeria sp Espécies Seis espécies Características da L. monocytogenes Ubiquitário (fezes de mamíferos, aves, peixes e etc) Anaeróbio facultativo Móvel Intracelular facultativo Cresce a 1-45C, 5 a 10% de NaCL, pH 4 - 9.6 Lactobacillus sp, Bifidobacterium sp são bem protetoras. As bactérias esporuladas são gram-positiva ou gram-fraco. Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 19 Doenças humanas são incomuns, e no adulto causa infecção alimentar forte Muito importante para récem-nascidos, idosos, mulheres grávidas e pacientes com imunossupressão → causa muito danos podendo causar morte do feto por danos no SNC Formato Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 20 Fontes de infecção Alimentos: leite, requeijão, carne mal cozida, vegetais crus mal lavados (repolho). Alimentos refrigerados porque cresce em temperaturas frias 20-30% de mortalidade nas doenças causadas por ingestão de alimentos contaminados. Listeriose neonatal Mais preocupante, quando é adquirida intrauterina, há alta mortalidade com formação de abcessos especializados pelo corpo, principalmente SNC, fígado e baço. Quando adquirido ao nascimento, é mais associado a meningite. Em adultos é muito raro causar meninginte, se acontecer vai ser em paciente imunossupremido. Diagnóstico Pode ser por meio do cultivo em líquor. No caso de liquido cefalorraquaido, diferenciar de Corynebacterium. B-hemolíticas Enriquecimento a frio da amostra 13 sorotipos Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 21 Tratamento Penincilina ou ampicilina As cefalosporinas e as fluoroquinolonas não são ativas contra L monocytogenes. Trimetoprim-sulfametoxazol é o medicamento de escolha para o sistema nervoso central Corynebacterium sp Características Mais de 100 espécies Gram: formato irregular Anaeróbias facultativas Ubiquitárias Colonizam a pele, TGI, TGU e TR (superior) Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 22 C. diphtherieae: quatro biotipos (morfologia da colônia e bioquímica) gravis, belfanti e intermedius mitis Diferia é causado apenas por cepas de Corynebacterium diphtheriae que foram transformadas, isto é, bactérias que adquiriram plasmídeo que contém o gene da toxina por meio de infecção viral Corynebacterium diphtherieae Toxina diftérica (tipo A-B) provoca morte celular de vários epitélios, como intestinais, podendo ocorrer também na orofaringe. Receptor; fator de crescimento epidérmico ligante de heparina Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 23 Diferia cutânea: colonização da pele e acesso ao tecido subcutâneo, rupturas cutâneas (úlcera crônica que não cicatriza) Ao longo dos anos, a doença foi se contendo com a cobertura vacinal. No Brasil, pela tendencia de queda da cobertura vacinal, vai aumentando os casos. Ainda prevalente em regiões pobres O homem é o único reservatório Transmissão pessoa-pessoa: inalação de gotículas secreção respiratória ou contato com a pele Na orofaringe,começa com uma membrana (lado direito) que pode soltar e obstruir a respiração, então a pessoa faz um sibilo. Pode levar a varias complicações, cardiacas, renais, pneumonia, inclusive levar a paralisia muscular do diafragma Diagnostico diferencial em cocos e bacilos positivos 24 Acomete principalmente crianças e idosos Tratamento: consiste, principalmente, em conter os efeitos da toxina Antitoxina diftérica Repouso e isolamento do doente (transmissão pessoa- pessoa) Penicilina ou eritromicina Imunização (DTP)