Prévia do material em texto
Soros Hiperimunes Discentes: Giovanna Rodrigues, Inácia Lorrany, João Guilherme e Maria Eduarda Tecnologia Farmacêutica I Pioneirismo Brasileiro na Produção de Soros (Antipestosos e Antiofídicos) - Vital Brazil O Papel de Vital Brazil Mineiro da Campanha: Médico sanitarista consciente do grande número de acidentes com serpentes peçonhentas; Estudos iniciados em Botucatu (Fazenda Butantan), baseados nos trabalhos de Albert Calmette passou a realizar experimentos com venenos ofídicos; Descobriu e validou a especificidade dos soros: cada veneno ofídico exige um soro específico, preparado com o veneno do mesmo gênero de serpentes que causou o acidente. Origem do Instituto Butantan 1898: Vital Brazil identificou um surto de peste bubônica em Santos; Em condições precárias, iniciou o preparo de soros contra essa doença. 1901: Fundação oficial do Instituto Soroterápico do Estado de São Paulo; Inicialmente, produção de soro antipestoso e, posteriormente, soros antiofídicos. Contribuições para a Saúde Pública Produção de vacinas e produtos para o controle de doenças; Soros hiperimunes distribuídos gratuitamente pelo SUS, garantindo acesso universal. Impacto do Instituto Butantan: Mais de 100 anos de atendimento às demandas de saúde pública no Brasil; Produção de 13 tipos de soros para tratamento de acidentes com animais peçonhentos e outras toxinas. Histórico Imunização Ativa: Imunização Passiva: Métodos de Imunização Imunobiológico que atua de forma preventiva; Prepara o sistema imune para se defender quando tiver contato com o micro- organismo (vírus fragmentado ou vírus inteiros inativados); Confere imunidade duradoura; Nenhuma vacina é 100% eficaz. É uma forma de tratamento, não de prevenção; O agente causador da doença é inoculado em um animal; O plasma do animal contendo anticorpos (atuam contra organismos invasores); Controle da quantidade de anticorpos introduzidos no paciente. Produtos imunobiológicos produzidos de animais imunizados; Contêm anticorpos para tratamento de enfermidades provocadas por envenenamentos e doenças causadas por toxinas e agentes infecciosos. Classificação dos Soros Antivenenos: Neutralizam venenos de animais; Antitoxinas: Combatem toxinas bacterianas; Imunoglobulinas Antivirais: Usadas na profilaxia contra vírus. Administração e Eficácia Especificidade: Indicação conforme o tipo de envenenamento ou doença; Sem Identificação do Animal: Baseia-se nas manifestações clínicas (nos antivenenos); Dose Única: Quantidade adequada varia com a gravidade, sem depender da idade ou do peso; Rapidez: Visa neutralização eficiente de veneno ou toxina. Soros Produzidos pelo Butantan Etapa 1 - Extração do Veneno Serpentes mantidas para produção de soros Espécies: jararaca, cascavel, coral-verdadeira e surucucu-pico-de-jaca; Extração mensal: rápida, indolor e com intervalo mínimo de 2 meses entre os procedimentos; Dados de 2022: Mais de 3.000 extrações, gerando cerca de 30g de veneno. Extração de venenos de aracnídeos Aranhas e escorpiões : Rotina entre 30 e 90 dias; Técnica: uso de aparelho elétrico que não prejudique os animais; Método: Escorpiões (veneno coletado diretamente em tubos); Aranhas (veneno coletado com pipetas); Volume anual: Cerca de 120.000 extrações. Extração de veneno das Lonomias Método específico: “Extrato” de cerdas da lagarta; Etapas: corte, maceração e separação para obtenção do veneno líquido. Produção de Soros Hiperimunes Produção de Soros Hiperimunes Etapa 2 - Obtenção do Plasma Hiperimune Processamento inicial do veneno Venenos extraídos são liofilizados e armazenados; Após avaliação clínica dos cavalos, os venenos são enviados à Fazenda Joaquim. Preparação dos antígenos Venenos congelados são diluídos e podem receber adjuvantes para aumentar a resposta imunológica. Esquema de imunização dos cavalos: 2 a 4 doses com intervalos semanais, conforme o tipo de soro; Coleta de plasma (plasmaférese) Processo automatizado: separa plasma (imunoglobulinas) e devolve hemácias aos cavalos; Duração: 3 a 4 horas; Avaliação veterinária após o procedimento. Ciclo de descanso e reutilização Cavalos descansam por 30 dias antes de iniciar novo ciclo de imunização; Em 2022: 38.000 litros de plasma extraído para fabricação de soros. Etapa 3 - Processamento do Plasma Armazenamento e transporte inicial Bolsas de plasma armazenadas a 2°C – 8°C; Encaminhadas à planta industrial do Butantan em São Paulo; Inspeção visual, assepsia e acondicionamento em câmara fria. Processamento de plasma Bolsas cortadas e conteúdo acumulado (200 a 300 litros por tanque); Etapas iniciais: precipitação e centrifugação para separar proteínas de interesse; Diluição e clivagem das proteínas em tanque específico. Purificação avançada Nova centrifugação para eliminação de substâncias indesejadas e diálise; Ultrafiltração e cromatografia industrial para purificação. Estágios finais Concentração do produto: representação final percentual variável do volume inicial; Filtração final: redução da carga microbiana; Armazenamento em câmara fria até formulação e envase; Em 2022: Aproximadamente 2.000 litros de soro concentrado produzidos. Produção de Soros Hiperimunes Etapa 4 - Formulação, Envase e Acondicionamento Formulação do soro Ajustes de diluição e componentes para atender aos padrões de qualidade; Necessária para soros combinados (mistura de dois antivenenos) ex.: antibotrópico e antilaquético; antibotrópico e anticrotálico. Filtração e homogeneização Filtração final para garantir a isenção de microrganismos; Etapas de homogeneização para uniformidade do produto. Envase e preparação dos frascos Frascos lavados e submetidos à despirogenização (eliminação de microrganismos); Preenchimento dos frascos com o produto final e lacração com tampa de borracha. Controle de qualidade no envase Inspeção visual automática com 10 câmeras para identificar partículas; Rotulagem e acondicionamento nas caixas, incluindo bula do medicamento. Produção de Soros Hiperimunes Etapa 5 - Controle de Qualidade Conformidade: Boas Práticas de Fabricação (BPF - ANVISA); Mais de 30 testes realizados durante a cadeia produtiva dos 12 soros hiperimunes; Tipos de testes Físico-químicos: Proteínas, cloreto, pH, aspecto visual e vedação; Microbiológicos: Bactérias, fungos e leveduras; Biológicos: Imunogenicidade e potência (in vitro e in vivo). Liberação do produto Documentação de registro da produção conferida e aprovada antes da liberação ao Ministério da Saúde. Produção de Soros Hiperimunes 1. Cromatografia de Troca Iônica 2. Filtração Ultramolecular 3. Concentração do Soro 2. Tanques de Purificação do Plasma Hiperimune 1. Centrifugação: Etapa de Purificação do Plasma Hiperimune 3. Formulação São mamíferos que possuem um sistema imune bem parecido entre si; Têm uma capacidade maior de produzir anticorpos; Maior produção de soro; Tamanho e a força necessária para tolerar bem todo o processo; São calmos e fáceis de controlar; A partir dos cinco anos de idade e se aposentam com mais ou menos 20 anos. Por que apenas cavalos são usados para a produção de soros? Imunoglobulinas Intravenosas Produto concentrado de anticorpos (IgG), de doadores saudáveis Plasma Convalescente Coletado de indivíduos curados da infecção de interesse Anticorpos Monoclonais Anticorpos específicos produzidos por um único clone de célula B Nanocorpos Fragmentos ativos de anticorpos (domínios variáveis monoméricos simples) Soros Hiperimunes Preparações contendo imunoglobulinas purificadas Uso na pandemia: utilizada como terapia adjuvante em países europeus afetados pela COVID-19; Atua diretamente na neutralização do vírus, impedindo a progressão da doença; Induz imunidade rápida e temporária. Exemplos de produtos: Imunoterapia Passiva e COVID-19 7 dias após cada imunização Coleta do soro e avaliação por ELISA Obtenção de fragmentos F(ab′)2 purificados Anticorpos incubados Digeridos por pepsina Fracionados por sulfato de amônio Purificação cromatográfica Testados contravírus SARS (EFEITO NEUTRALIZANTE) Plasma do cavalo era de 20 a 100 vezes mais potente que o plasma de pacientes convalescentes com SARS-CoV-2 Estudos Pré-clínicos com Soros Hiperimunes 1ª imunização: usou-se RBD (Domínio de Ligação ao Receptor - como imunógeno) + adjuvante de Freund (utilizados para produzir emulsões a/ó de imunógenos); Imunizações subsequêntes: RBD + adjuvante incompleto de Freund. Desafios na Produção de Imunobiológicos no Mundo Crises de Suprimentos Exemplo do Brasil na década de 1980: falta de soros para envenenamentos. Adaptação às Demandas Diversificação para diferentes venenos específicos; Atualização de processos para atender padrões de qualidade. Dependência Internacional Dificuldade de alguns países em produzir localmente. Avanços Tecnológicos Expansão e Modernização Reformas em institutos como Butantan e Clodomiro Picado. Melhorias nos Processos Uso de técnicas de digestão enzimática e cromatografia para purificação; Produção de fragmentos F(ab')2. Inovações no Desenvolvimento Uso de toxinas recombinantes na imunização; Produção de soros específicos, como o antiveneno para Loxosceles. Estratégias para Resolver Crises Investimentos Públicos Programas nacionais para autossuficiência (Brasil); Modernização de infraestrutura e processos produtivos. Impactos e Futuro Soroterapia como único tratamento específico para envenenamento. Cooperação Internacional Redes regionais de produção na América Latina e África; Compartilhamento de conhecimento e suporte técnico. Perspectivas Futuras Desenvolvimento de anticorpos monoclonais; Uso de inibidores recombinantes para substituir métodos tradicionais. CENÁRIO ATUAL DA PRODUÇÃO DE ANTIVENENOS NO MUNDO Produção Global: Inclusão de antivenenos na lista de Medicamentos Essenciais (2007); Foco em superar crises e ampliar o acesso global. Soroterapias Tratamento único específico para envenenamento com mais de 120 anos. Produção Principal Uso de cavalos e, em menor escala, ovelhas; Moléculas utilizadas: IgG, F(ab')2 e Fab. OMS (Organização Mundial da Saúde) Diretrizes para produção e controle de qualidade; Organizações e Regulamentos: Problemas Atuais Redução de Fabricantes Produção interrompida por custos elevados e complexidade; Exemplo: descontinuação do Fav-Afrique® (África Subsaariana). Desafios Regionais África: Dependência de tempo; Infraestrutura local insuficiente. América Latina: Produção local em alguns países; dependência de outros das importações; As redes regionais melhoraram a capacidade produtiva. Inovações e Perspectivas: Troca de conhecimento e expansão da capacidade produtiva; Maior cobertura, mas acesso ainda desigual. Tecnologias Modernas Purificação por cromatografia; Uso de toxinas recombinantes. Produção Local Institutos como Butantan (Brasil) e Clodomiro Picado (Costa Rica). Futuro: Desenvolvimento de anticorpos monoclonais e inibidores recombinantes. Redes de laboratórios na América Latina e África; Apoio de organizações como OMS e OPAS. Colaborações Internacionais OBRIGADO!