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A N O 4 8 - N° 1 0 8 - R $ 1 5 , 9 5 APROVADO w w w . c p a d . c o m . b r
C B O
E N T R E V IS T A
Pastor Esequias 
Soares, presidente da 
Sociedade Bíblica do 
Brasil e da Comissão 
de Apologética 
da CCADB, fala 
de apologética e 
da Igreja como 
organismo vivo e 
organização social
A IGREJA: 
UM ORGANISMO VIVO
Eduardo Leandro Alves
)
ém m
A IGREJA E SUAS NECESSIDADES 
TERRENAS DE ORGANIZAÇAO
Silas Queiroz
EQUILIBRANDO-SE 
SOB A TENSÃO ENTRE 
ORGANISMO E ORGANIZAÇÃO
Rayfran Batista da Silva
ÉRIOS PAR AEC LESIÁSTI COS: 
SUA IMPORTÂNCIA 
E SEUS LIMITES
Jesiel Paulino da Silva
O LÍDER COMO PASTOR 
E ADMINISTRADOR
Carlos Roberto Silva
A IGREJA
COMO ORGANISMO 
E ORGANIZAÇÃO
Por n ecessid ad e , a igre ja se m an ifesta neste m u n d o 
m u ita s ve ze s em fo rm a de o rg a n iza çã o social, 
m a s ela é, em essê n cia , um o rg a n ism o vivo
http://www.cpad.com.br
PREPARE-SE PARA APLICAR 
EM SUA VIDA TODA A SABED ORIA 
DA PALAVRA DE DEUS
BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL
NOVA VERSÃO TRANSFORMADORA (NVT)
Esta edição inclui uma atualização completa dos recursos históricos e traz conteúdo 
novo e expandido, a fim de tornar o material ainda mais relevante para sua vida diária. 
Novo também é o design das páginas em duas cores, com uma disposição que facilita 
o uso dos recursos. Agora com o texto bíblico na NVT para atender a diversos perfis 
de leitores: o especialista em exegese bíblica, o pastor que busca um texto confiável 
para seus sermões, o leigo que procura uma palavra de inspiração que fale diretamente 
à alma e o jovem que espera compreender o que está lendo.
Esta edição contém:
Í l
© Notas de Aplicação Pessoal 
e Notas explicativas
© Introdução aos livros bíblicos 
© Esboços e Temas centrais 
© Perfis dos personagens bíblicos
© Notas Textuais e títulos de seções 
da versão NVT
© Quadros, Mapas, Linhas do 
Tempo e Diagramas - Dicionário/ 
Concordância
CARTA DA CPAD
RONALDO R. DE SOUZA
Diretor-executivo 
da CPAD
Trata-se de uma 
tensão que deve 
ser vivida de 
forma equilibrada. 
Logo, objetivando 
fortalecer esse 
equilíbrio na 
vida das igrejas, 
trazemos o tema
Organismo e 
organização: duas 
facetas da igreja
Nesta primeira edição do ano de 2025 da revista 
Obreiro Aprovado, o nosso tema é Eclesiologia. No 
caso, estamos tratando mais especificamente sobre a 
Igreja como organismo vivo e como organização so­
cial. Tratam-se de duas facetas importantes da igreja: ela é, em es­
sência, um organismo vivo; porém, diante das demandas legais 
deste mundo e de sua necessidade de organização, ela também 
se comporta muitas vezes como uma organização social. Trata- 
-se de uma tensão que precisa ser vivida de forma equilibrada. 
Logo, objetivando fortalecer esse equilíbrio na vida das igrejas, 
nesta edição, trazemos artigos que auxiliam na compreensão e na 
abordagem do assunto.
Os articulistas e seus respectivos subtemas são os pastores 
Eduardo Leandro Alves (PB), que fala sobre a Igreja como orga­
nismo vivo; Silas Queiroz (RO), que discorre sobre a Igreja como 
organização social; Rayfran Batista (MA), que trata sobre o equilí­
brio que deve haver na igreja ao lidar com essa tensão de ser tanto 
um organismo vivo como uma organização social; Jesiel Paulino 
(Espanha), que fala sobre ministérios paraeclesiásticos; e Carlos 
Roberto, presidente da Convenção de Ministros das Assembléias 
de Deus em São Paulo e Outros (Comadesp), que fala do líder de 
igreja como pastor e administrador.
Nosso entrevistado, falando também sobre esse tema, é o pas­
tor Esequias Soares, líder da Assembléia de Deus em Jundiaí (SP) 
e presidente do Conselho Administrativo da Sociedade Bíblica 
do Brasil e da Comissão de Apologética da Convenção Geral dos 
Ministros das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus do Brasil 
(CGADB).
Certo de que esta edição da revista Obreiro Aprovado será 
bênção para a sua vida e ministério, concluímos desejando uma 
excelente leitura. Até a próxima edição!
OB
3
REIRO
ANO 4 8 - N° 108 - Io TRIM ESTRE 2025
Presidente da Convenção Geral
José Wellington Costa Junior
Presidente do Conselho Administrativo
José Wellington Bezerra da Costa
Diretor-executivo
Ronaldo Rodrigues de Souza
Editor-Chefe
Silas Daniel
Editor
Eduardo Araújo 
Gerente Financeiro 
Josafá Franklin Santos Bomfiin 
Gerente de Produção e Arte
Jarbas Ramires Silva
Gerente de Publicações
Alexandre Claudino Coelho 
Gerente Comercial
Cícero da Silva
Chefe do Setor de Arte e Design
Wagner de Almeida 
Projeto Gráfico 
Fábio Longo 
Diagramação e Capa 
Bruno Duarte 
Projeto Digital 
Alan Valle 
Ilustrações
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Fotografia
Arquivo (CPAD)
TELEMARKETING 
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OBREIRO - R evista evangélica trim estral, criada 
em outubro d e 1977, editaaa pela Casa Publicadora 
das A ssem bléias d e Deus, é destinada à liderança 
p en teco s ta l d e m odo g era l. R eg istrad a sob n." 
007.022.328, con form e Lei d e Im prensa.
A correspondência para publicação deve ser endereçada ao 
Departamento de Jornalismo e as remessas de valor (pa­
gamento de assinatura, publicidade etc.) exclusivamente 
à CPAD. A direção é responsável perante a Lei por toda 
matéria publicada. Perante a Igreja, os artigos assinados 
são de responsabilidade de seus autores, não representan­
do necessariamente a opinião da revista. Assegura-se a 
publicação, apenas, das colaborações solicitadas.
Casa Publicadora das Assembléias de Deus 
Av. Brasil 34.401, Bangu 
C ep 21852-002, R io de Janeiro, RJ 
Tels.: (21) 2406-7373 / 2406-7413 
Fax: 2406.7370
SUM ÁRIO
06. CARTA À LIDERANÇA PENTECOSTAL
NÃO TEMAS, DEUS ESTÁ COM VOCÊ NESSE PROCESSO DE
APERFEIÇOAMENTO
O pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos Ministros 
das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Brasil (CGADB), fala do processo pelo 
qual Deus fez Jacó passar como analogia do aperfeiçoamento que Ele opera em nós.
Éui
ce
t-zUI
12. ARTIGO
A IGREJA: UM ORGANISMO VIVO
O pastor Eduardo Leandro Alves, teólogo e líder da Assembléia de Deus em Rio 
Tinto (PB), disserta sobre Igreja como organismo vivo, instituído por Deus para for­
mar indivíduos regenerados e unidos pela fé em Jesus, cabeça desse corpo místico.
20. ARTIGO
A IGREJA E SUAS NECESSIDADES TERRENAS DE ORGANIZAÇÃO
O assessor jurídico da Convenção Estadual dos Ministros e das Igrejas Assem­
bléias de Deus no Estado de Rondônia (CEMADERON) e pastor-auxiliar na AD 
em Ji-Paraná (RO), Silas Rosalino de Queiroz, fala dos reclames sociais e jurídicos 
que a igreja, vivência por ser ela também uma organização socai.
27. RESENHA
Cristologia Paulina - Gordon D. Fee
Os Escolhidos - Dallas Jenkins, Amanda Jenkins e Kristen Hendricks
28. ARTIGO
EQUILIBRANDO-SE SOB A TENSÃO ENTRE ORGANISMO 
E ORGANIZAÇÃO
O tema é discorrido pelo líder da Assembléia de Deus em Santa Inês (MA), pastor 
Rayfran Batista, que apresenta a Igreja como organismo que deve ser dirigido pelo 
Espírito Santo e como uma organização que precisa seguir os parâmetros legais.
36. ARTIGO
MINISTÉRIOS PARAECLESIÁSTICOS: SUA IMPORTÂNCIA 
E SEUS LIMITES
O tema é desfiado pelo pastor Jesiel Paulino, da Assembléia de Deus na 
Espanha, que fala sobre a importância desses ministérios e o cuidado que se 
deve ter quanto aos limites de suas atividades.
44. ARTIGOa um 
grupo de crentes em cada locali­
dade geográfica. Ensinamos que 
a igreja é una e indivisível: um só 
corpo, um só Espírito, uma só fé 
e um só batismo. A Igreja envolve 
um mistério que não foi revelado 
no Antigo Testamento, mas que 
foi manifesto aos santos na nova 
aliança" (Silva, 2017, pp. 119,120).
A palavra igreja, originada 
do termo eklesia, significa literal­
mente "chamados para fora" e era 
usada para designar "assembléia" 
ou "ajuntamento" dos cidadãos de 
uma localidade na antiguidade 
grega. Temos uma amostra desse 
conceito no Novo Testamento. 
A Igreja é um grupo de pessoas 
chamadas por Cristo para fora do 
mundo a fim de serem discípulas 
de Jesus e pertencer a Ele, ter co­
munhão com Ele e fazer parte da 
família espiritual de Deus.
O pastor e professor Antonio 
Gilberto faz a seguinte distinção: 
"Vejamos as duas principais dife­
renças entre estes dois: (1) Um or­
ganismo tem vida; uma organiza­
ção, não. A Igreja Universal, como 
o Corpo de Cristo, como um orga­
nismo, não depende de cerimônias, 
de reconhecimento, de templos, de 
estatutos civis, de livro de atas, de 
livros de rol de membros e coisas 
semelhantes, mas ela, como or­
ganização, necessita de tudo isso 
e muito mais, como veremos no 
desenrolar deste estudo. A Igreja 
Universal permanecerá inabalável 
quando tudo isso terminar. (2) Um 
organismo tem apenas uma cabe­
ça; uma organização pode termais. 
Como Corpo de Cristo, a Igreja tem 
uma só cabeça, que é Ele mesmo.
Ela é chamada de corpo porque 
não só é a expressão visível dEle 
aqui, bem como executa a Sua obra 
e faz o Seu querer. Paulo, antes da 
sua conversão, estava perseguin­
do a Igreja aqui na terra, quando 
do céu Jesus entrou em ação a A
favor dela, perguntando: 'Saulo, 
Saulo, por que me persegues?'. 
Perseguindo os membros da Igreja, 
Saulo estava perseguindo a Cristo! 
Ao passo que ela, como organiza­
ção, tem os seus líderes e dirigen­
tes locais, regionais e nacionais. 
É bem patente em Efésios 4.12-16 
que a Igreja é primeiramente um 
organismo, mas tanto no livro de 
Atos como nas Epístolas vemos 
também a Igreja como uma orga­
nização local, regional e nacional. 
Alguns espiritualizam de tal for­
ma a Igreja que o assunto chega 
ao ridículo; outros a organizam 
tanto com esquemas, planos, roti­
na e programas que ela passa a ser 
apenas um corpo social como uma 
associação qualquer, um clube a 
mais" (GILBERTO, 2021).
Em segundo lugar, deve-se 
priorizar sempre a Igreja
como Corpo de Cristo 
(Ef 1.21,23)
Entre as descrições da Igreja 
em o Novo Testamento, a predi­
leta de Paulo foi a Igreja como o 
Corpo de Cristo. Pode-se afirmar 
que, no pensamento de Paulo, 
a Igreja não é uma sociedade, é 
um corpo. O esboço seguinte nos 
faz ver que a ideia de organismo 
deve ser priorizada no exercício 
da espiritualidade da igreja sem 
contudo se negligenciar o seu as­
pecto organizacional: a) O corpo é 
um (Ef 4.4); b) o corpo tem muitos 
membros (ICo 12.12); c) o corpo é 
de Cristo (Cl 2.16); d) Cristo é a ca­
beça do corpo (Ef 4.12; Cl 1.18-22);
e) o corpo vai crescendo (Cl 2.19);
f) o corpo é complemento dEle (Ef 
1.23); g) o corpo está sendo edifica- 
do (Ef 4.12); e h) o corpo deve ser 
bem ajustado (Ef 4.16).
Em terceiro lugar, é 
necessário cumprir 
cabalmente a sua 
missão prioritária
A missão prioritária da igreja 
na terra jamais deve ser confun­
dida com influência política ou 
com outras ações de beneficência.
Ainda que os verdadeiros discípu­
los de Cristo devem também estar 
comprometidos com a prática das 
boas obras de ajuda ao próximo, 
socorro e suprimento das necessi­
dades humanas imediatas, a prio­
ridade da igreja, enquanto agente 
missionário de Deus ao mundo, 
é a proclamação do Evangelho 
de Jesus Cristo, as Boas Novas de 
salvação aos perdidos. Henry C. 
Thiessen descreveu a missão da 
igreja em sete itens. Ele diz que 
o propósito da igreja é "glorificar 
a Deus, edificar-se, purificar-se, 
educar seu círculo, evangelizar o 
mundo, agir como uma força que 
impõe limites e ilumina o mun­
do, promover tudo o que é bom". 
George Peters ensina de forma 
objetiva como pode ser compreen­
dida a missão da igreja: "A igreja 
cristã tem a solene obrigação de 
fazer o seguinte: a) Apresentar a 
Cristo de forma viva, clara, eficaz 
e persuasiva ao mundo e ao indi­
víduo como o Salvador enviado
OB RO
por Deus, o Senhor soberano do 
Universo e futuro Juiz da huma­
nidade. b) Guiar os povos a uma 
relação de fé com Jesus Cristo a 
fim de que possam experimentar 
o perdão dos pecados e a renova­
ção de vida. O homem deve nascer 
novamente, se quiser herdar vida 
eterna e amizade eterna com Deus.
c) Separar e congregar os crentes 
através da realização do batismo, 
estabelecendo-os em igrejas atu­
antes. O companheirismo consti­
tui uma parte vital da vida cristã.
d) Firmar os cristãos na doutrina, 
nos princípios e nas práticas da 
vida, amizade e serviço cristão, 
ensinando-os a observar todas as 
coisas. Isso é instrução, a criação 
de discípulos cristãos, a cristiani- 
zação do indivíduo, e) Treiná-los 
a viver no Espírito Santo. Já que a 
vida cristã contém exigências e ide­
ais sobrenaturais, ela só pode ser 
vivida através de uma confiança 
plena no Espírito Santo. Se as lições 
não forem aprendidas cedo, a vida 
crista ficã cercada de frustração e 
torpor; a apatia instala-se ou as 
pessoas acomodam-se a uma vida 
cristã anormal. Essa é a tragédia 
de inumeráveis cristãos que nem 
mesmo esperam concretizar os ide­
ais bíblicos" (PETERS, 2000, p.260).
Em quarto lugar, é 
necessário buscar e 
preservar os sinais de uma 
igreja pura conforme as 
Sagradas Escrituras 
Aqui estão de forma simplifi­
cada alguns dos sinais que devem 
identificar a igreja comunidade 
dos santos de Deus na terra:
a) Doutrina bíblica (ou pregação 
correta da Palavra);
b) Uso adequado das ordenanças 
bíblicas (Batismo e Ceia);
c) Aplicação correta da disciplina 
eclesiástica;
d) Adoração genuína (Et 5.18-20; 
Cl 3.15,17);
e) Oração eficaz (At 4.31-35; At 
12.5);
f) Testemunho eficaz (Mt 28.19,20; 
Jo 13.34,35);
g) Comunhão eficaz (At 2.44-47);
h) Governo eclesiástico bíblico 
(lTm 3.1-3);
i) Poder espiritual no ministério 
(At 1.8; Rm 1.16; 1 Co 4.20; 2 Co 
10.3,4);
j) Santidade de vida entre os 
membros (lTs 4.3; Hb 12.14);
k) Cuidado pelos pobres (At 4.32- 
35; Rm 15.26; G1 2.20);
l) Amor por Cristo (lPe 1.8; Ap 2.4).
Em quinto lugar, a 
igreja, bem como sua 
liderança, precisa lutar 
pela preservação da 
membresia regenerada 
Uma membresia regenerada, 
composta tanto quanto possí­
vel de crentes verdadeiros em 
seu com promisso e sua vida, 
proporcionaria, pelo menos, as
A
seguintes bênçãos dentro e fora 
da igreja: "a) Favorece, entre os 
membros, o crescimento cristão 
e a obediência ao evangelho, 
b) Viabiliza, na congregação, o 
exercício da autoridade dada 
por Cristo com mais responsa­
bilidade. c) Assegura a pureza 
e a unidade da igreja com mais 
eficácia, d) Ajuda a distinguir a 
igreja do mundo, protegendo a 
sua integridade e credibilidade,
e) Garante o alicerce necessário 
para a igreja cumprir sua missão 
em tudo o que Deus espera que 
ela seja, creia e faça. f) Ilustra, 
com mais precisão, as imagens 
bíblicas da igreja, a qual fornece 
amor e apoio aos membros nesta 
vida. g) Abençoa o ministério 
dos pastores e permite que os 
membros usufruam mais de seus 
esforços, h) Protege as pessoas 
de se iludirem quanto ao seu 
real estado espiritual, i) Serve, 
amorosa e honestamente, a mem­
bros desobedientes, j) Ampara 
as novas gerações ao preservar o
legado do Evangelho, k) Exibe a 
beleza do Evangelho e da igreja 
universal. 1) Proporciona uma 
maior compreensão e valoriza­
ção do que significa ser membro, 
por exigir e manter expectativas 
em relação ao discipulado. m) 
Oferece a base necessária para 
espalhar os desdobramentos do 
Evangelho na sociedade na qual 
a igreja está inserida, n) Permite 
que o Evangelho vá mais longe 
e se espalhe entre as nações, o) 
Glorifica e honra a Deus por reve­
larSua sabedoria entre o povo a 
quem redimiu" (BLEDSOE, 2022, 
pp. 315 e 316).
REFERÊNCIAS
Em sexto lugar, é necessário 
manter o padrão elevado na 
doutrina, na oração e 
na liderança da igreja
Em Atos dos apóstolos 2.42-47, 
4.31 e 6.1-7, está a verdade central da­
quilo que se pode afirmar que pode 
ser o segredo do equilíbrio de uma 
igreja vibrante, equilibrada e cheia 
do Espírito Santo. A doutrina bíbli­
ca é o farol de Deus em meio à escu­
ridão do mundo sem Deus; a oração 
é arma de ataque e de defesa que 
Deus colocou à nossa disposição 
em todo o tempo da peregrinação 
terrena da igreja; e os líderes que
Deus deseja devem ser qualificados 
(lTm 3.1-15) e separados para cuidar 
da casa de Deus (v. 15).
Em sétimo lugar, é preciso 
ouvir o Espírito Santo
É imperiosa a necessidade de se 
ouvir a voz do Espírito de Deus en­
quanto se conduz a igreja de Cristo, 
porque ela não é uma empresa, não 
é uma sociedade limitada, não é um 
império construído por homens, 
mas o Corpo de Cristo na terra com 
a missão de glorificar a Deus e ex­
pandir o Seu santo Reino (At 13.1-4; 
16.7; Ap 2.7,11,17,29; 3.6; 13,22). ■
BLEDSOE, David Allen. Igreja Regenerada. Um a ed esio lo g ia bíblica, histórica e contem porânea. São José dos Campos, SP: Fiel, 2022 
BANCROFT, D.D. Teologia Elem entar, D outrinária e Conservadora. São Paulo: Editora Batista Regular, 2011.
ERICSON, Millard. Teologia Sistem ática. São Paulo: Vida Nova, 2015
GONÇALVES, José. 0 corpo de Cristo. O rigem , natureza e vocação da igreja no m undo. Rio de Janeiro: CPAD, 2024
GILBERTO, Antônio. Bíblia de Estudo Antônio Gilberto. Rio de Janeiro: CPAD, 2021
PETERS, George W. Teologia Biblica de M issões. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.260
SILVA, Ezequias Soares da. Declaração de Fé das A ssem bléias de Deus. I a edição. Rio de Janeiro; CPAD, 2017
âÊm
*
Conheça a identidade e as
principais características
dos primeiros cristãos %
o m R O B E R T e .
Cristianismo
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M A
1111
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P r i n c i p a i s Figuras, 
da i g r e j a Primitiva
C r e n ç a s e P r á t i c a s
Através desta introdução ao estudo do 
C ristian ism o antes de Constantino, 
você con hecerá as p rinc ip a is figuras, 
cren ças e p rá tica s da Igreja Prim itiva 
de 1 00 a 3 0 0 d.C. E ainda como os 
c ristão s reagiram a perseguição romana e 
aprofundaram sua fé em um am biente hostil. 
Ideal para le itura e d iscu ssão em uma 
c la sse de esco la dom inical, 
um grupo pequeno ou grupo de le itura .
• ^■. Z r ^
— * * * * ' ■jy ■ .. -m»- J r " ’ • “E S l
Jesiel Paulino é pastor, filiado à 
Assembléia de Deus no Brasil 
(CGADB) e à Assembléia de Deus 
na Europa, e teólogo especialista 
em Teologia Bíblica há mais de uma 
década atuando no pastorado e 
plantação de igrejas no continente 
europeu.
Na busca de 
abordar com 
propriedade a 
importância e 
os limites que 
incidem sobre 
os ministérios 
paraeclesiásticos, 
se faz necessário 
que avancemos 
no processo de 
compreensão 
da identidade 
desses grupos
Jesiel Paulino da Silva
Ministérios pa sua importam
Os m in is té r io s ou 
organizações parae- 
clesiásticas, embora 
não sejam apresen­
tados ou recomendados nos es­
critos bíblicos, em especial nos 
textos normativos da vida da 
igreja cristã, são uma realidade 
presente no transcurso da histó­
ria da Igreja. Desde os primeiros 
séculos da igreja, os ministérios 
p araeclesiástico s podem ser 
constatados como parte de ações 
extra-eclesiais que respondiam a 
necessidades sociais e educacio­
nais da comunidade cristã. Em­
bora se possa também ver ações 
alhures desses m inistérios na 
fase medieval da igreja, é mesmo 
a partir da Reforma Protestante 
que passamos a ver uma maior 
presença nos serviços prestados 
à comunidade.
De forma especial, a partir do 
movimento das missões e da ex­
pansão da igreja missional, bem 
como com o surgimento de ações 
mais específicas no contexto do 
Cristianism o contemporâneo, 
pode-se claramente ver o cres­
cimento dos movimentos parae­
clesiásticos na história da Igreja. 
Uma vez que a presença desses 
ministérios é uma realidade ao 
longo da história, bem como sua 
relação com a comunidade cristã 
e secular é inquestionável, cabe­
mos então aqui analisar qual é 
a importância e os limites que
incidem sobre os m inistérios 
paraeclesiásticos.
Conceituações
Principiamos este escrito com 
a definição de dois conceitos teo­
lógicos de relevante compreensão 
no papel da missão da Igreja, que 
são Missio Dei e Missio Eclesiae. 
Reservamo-nos aqui a ocuparmo- 
-nos com essas definições sem 
a pretensão e a preocupação de 
se aprofundar em suas concei­
tuações, uma vez que elas aqui 
estão apenas para sinalizar um 
norteamento de pensamento deste 
texto sobre os ministérios parae- 
celesiásticos.
Missio Dei
A expressão latina Missio Dei, 
que significa "Missão de Deus", 
se trata de um conceito teológico 
que surge nas primeiras décadas 
do século 20 e que passa a ser in­
serido sistematicamente no voca­
bulário da Teologia Missional na 
segunda metade do século 20. A 
Missio Dei expressa que a missão 
se deriva da natureza de um Deus 
Trino e que, por conseguinte, tem 
na pessoa de Deus o agente desta 
missão, cujo objetivo é salvar e 
restaurar a criação divina da sua 
corrupção advinda da queda do 
homem edênico. Segundo o te­
ólogo sul-africano David Bosch 
[2011], a missão é um atributo de 
Deus, de modo que Deus é um
raeclesiásticos: ia e seus limites
Deus Missionário. A partir des­
te núcleo-duro da Missio Dei se 
compreende que Deus envia o 
Seu povo ao mundo como parte de 
Sua missão redentora. Neste con­
texto, deve-se pensar na Qahal Is­
rael (Congregação de Israel), mais 
especificamente do período do 
Segundo Templo e, em especial, 
na comunidade cristã nascente na 
Jerusalém do século 1.
Missio Eclesiae
A essa comunidade cristã, isto 
é, a Igreja de Cristo, é conferida 
o que denominamos por Missio 
Eclesiae. Esta expressão latina, por 
sua vez, é emprega em referência 
ao papel que confere à igreja na 
Missão de Deus. De evidente re­
levância está o ato de compreen­
dermos que a missão da igreja não 
tem origem em si mesma, antes 
ela provém da Missio Dei. A igreja 
desenvolve o seu papel missional 
através de sua ação como agente 
do Reino de Deus - por meio de 
sua ação de testemunha e propa­
gadora do Evangelho de nosso 
Senhor e Deus Jesus Cristo.
A com unidade cristãm no 
processo de avanço de sua Missio 
Eclesiae, nem sempre pode ocupar- 
-se em plenitude das ações que são 
inerentes à sua missão integral e, 
portanto, este é o momento em 
que as igrejas locais necessitam 
da cooperação dos denominados 
ministérios paraeclesiásticos.
Á
Conceituando ministérios 
paraeclesiásticos
Os ministérios paraeclesiásti­
cos, que, a meu ver, podem em sig­
nificativa escala ser conectados ao 
que tecnicamente denominamos 
por Missio Hominum, tratam-se 
de grupos que atuam em forma 
de ministérios ou organizações 
que servem como apoio em áreas 
específicas para as igrejas locais. O 
adjetivo paraeclesiástico origina- 
-se da junção de duas palavras 
gregas, que são: Jiapá + èxzÁqoía, 
sendo que ekklesia é o termo que 
traduzimos por "Igreja" nos escri­
tos neotestamentários. A prepo­
sição grega napá, quando usada 
junto a elementos que implicam
em ação de movimento, pode ser 
traduzida como: "ao lado de, jun­
to a"; já o substantivo èxxXqoía, 
por se originar da junção da 
preposição èx - que significa "de 
dentro para fora" com o verbo 
xodéco - que, por sua vez, signifi­
ca "chamar, convocar" - pode ser 
exemplificado em "um grupo de 
pessoas chamados para fora de 
suas casas para se reunirem em 
assembléia pública ou privada". 
A partir desta consideração eti- 
mológica, pode-se chegar à com­
preensão de que os movimentos 
paraeclesiásticos são ministérios 
ou organizações constituídos para 
atuarem junto à igreja local, como 
um instrumento de suporte à igre­
ja local, a fim de que esta possa 
levar a cabo aquilo que lhe confere 
no campo da MissioEclesiae. Ao 
ampliarmos nossa compreensão 
sobre o que são os ministérios 
paraeclesiásticos, nós somos nor­
teados a compreender que estes 
grupos, apesar de atuarem em 
apoio à igreja local, possuem au­
tonomia, sendo os próprios res­
ponsáveis por sua administração, 
organização e desenvolvimento. 
Todavia, essa autonomia não abre 
a possibilidade para que se esses 
ministérios atuem afastados da 
igreja ou na tentativa de substitui- 
-la em sua Missio Eclesiae, mesmo 
porque eles estão para atuar ao 
lado, em apoio às igrejas locais.
Um olhar mais acurado 
para os ministérios 
paraeclesiásticos
Na busca de abordar com 
propriedade a im portância e 
os limites que incidem sobre os 
ministérios paraeclesiásticos, se 
faz necessário que avancemos 
no processo de com preensão 
da identidade desses grupos. 
Essa compreensão se torna mais 
ampla e precisa quando investi­
gamos o caráter, ou seja, os ele­
mentos que caracterizam essas 
organizações. D entre outras, 
os ministérios paraeclesiásticos 
têm relevantes características, as 
quais são:
Atuação em campo 
específico
Os ministérios paraeclesiás­
ticos enfocam e atuam em seg­
mentos específicos do serviço
cristão, sejam eles de caráter infra 
eclesiam ou daqueles de caráter 
extra eclesiam. Quanto ao am­
biente interno da igreja, existem 
aqueles ministérios que atuam 
apoiando as estruturas internas 
que estão presentes em muitas 
comunidades de fé, como, por 
exemplo: 1. Os segmentos etá­
rios: ministérios que atuam com 
crianças; adolescentes; jovens; 
adultos; família; 2. Segmentos de 
ensino: discipulado, formação e 
treinamento; 3. Segmentos logís­
ticos: mídia, som; 4. E, também, 
há ministérios que assistem às 
igrejas locais nas próprias ativi­
dades de culto que realizam. Por 
sua vez, no ambiente de atuação 
externa da igreja, existem aque­
les ministérios que apoiam as 
atividades a serem realizadas 
que estão relacionadas com a 
pregação cristã: 1. M inistérios
que atuam com missão autócto­
ne e transcultural - de apoio a 
igrejas ou de plantação de novas 
comunidades de fé; e 2. Os de 
ações apologéticas. Neste contex­
to, há também ministérios que 
apoiam as igrejas locais em ações 
relacionadas com a obra social e 
cultural, exercendo atividades de 
ação e assistência social - per­
manentes ou emergentes, como: 
ajudas sociais, campanhas espe­
cíficas, construção e manutenção 
de hospitais, lares de crianças e 
idosos; bem como também há 
aqueles ministérios paraeclesi­
ásticos que atuam na criação e 
manutenção de centros de for­
mação educacional, como semi­
nários, escolas e universidades. 
Desse modo, esses ministérios 
paraeclesiásticos, por possuírem 
um enfoque específico de recur­
sos e ações, conseguem realizar A
39
atividades que as igrejas locais, 
muitas vezes, não conseguem 
atender de modo eficaz.
Conhecimento e diálogo 
efetivo com o contexto 
de atuação
Os m inistérios paraeclesi- 
ásticos, por concentrarem suas 
ações em um segmento cultural 
ou social específico, conseguem 
delimitar com maior precisão seu 
campo de ação e o seu objetivo a 
ser alcançado. Dessa forma, con­
seguem evitar o círculo vicioso 
- onde se está girando ineficaz­
mente e realizando sempre mais 
do mesmo - e, assim, conseguem 
desenvolver a execução de um 
círculo virtuoso, onde se gira em 
forma espiral, ou seja, girando e 
expandindo continuamente com 
seus movimentos. Quando se
evolui em um círculo virtuoso, se 
avança de forma intencional e não 
de forma acidental; logo, se pode 
atuar sabendo de quem se necessi­
ta para a realização de cada tarefa, 
bem como os devidos métodos a 
serem empregados e quais as fer­
ramentas a serem usadas.
A ação social ou cultural devi­
damente elaborada de um minis­
tério paraeclesiástico estabelece- 
-se como uma ponte entre a igreja 
local e a cultura, de modo que se 
pode chegar, por meio da Missio 
Eclesiae, à revalorização da cultu­
ra, o que particularmente prefiro 
denominar como "Santificação 
da Cultura", onde ocorre o resga­
te da Cultura Sagrada, proposta 
por Deus ao homem edênico. O 
conhecimento e relacionamento 
com partes específicas de uma 
cultura, realizados por esses mi­
nistérios, podem proporcionar às 
igrejas locais uma aproximação 
mais contextualizada da rea­
lidade vivenciada em um con­
texto específico. Nesse processo 
de contextualização, a ação dos 
grupos paraeclesiásticos é muito 
contributiva para que a igreja lo­
cal possa reavaliar e reposicionar 
suas ações missionais, pois a dinâ­
mica da sociedade contemporânea 
exige uma contextualização con­
tínua, não de conteúdo, mas, sim, 
da forma. Todavia, sabe-se que o 
processo de relação com as mu­
danças ocorre de forma diferente 
nos segmentos paraeclesiásticos e 
nas igrejas locais.
Expansão do estado de “ser
e estar” da igreja local
Uma das grandes ações dos 
ministérios paraeclesiásticos é
OB
40
REI RO
que, através de suas atividades, 
eles podem contribuir para que 
a igreja local reavive sempre a 
compreensão de que ela é parte 
do Corpo Místico de Cristo e não 
que ela seja o próprio Corpo de 
Cristo. Os membros de uma igreja 
local, ao envolverem-se nas ações 
realizadas pelas organizações pa- 
raeclesiásticas, têm a oportunida­
de de desenvolverem a comunhão 
e unidade com irmãos de outras 
congregações e denominações, 
em prol de levar a cabo a Missio 
Eclesiae, ou seja, a missão de ser 
agente do Reino de Deus no con­
texto onde se está inserido. Ao 
envolverem-se nestas ações, os 
membros de uma igreja local tam­
bém podem ser potencializados 
em seu processo de crescimento 
no exercício do seus dons, talentos 
e ministérios. Quanto ao aspecto 
intraeclesial, uma igreja local em
muito ganha ao envolver-se com 
as atividades realizadas pelos 
ministérios paraeclesiásticos, pois 
ela pode assim oferecer aos seus 
membros um serviço cristão es­
pecializado, o qual nem sempre 
- em verdade, poucas vezes - está 
preparada para oferecer. Cabe-nos 
refletir que a razão de ser da igreja 
é levar a cabo a Missio Dei e que 
ela deve estar plenamente focada 
em realizar essa missão por meio 
de suas ações de práticas diárias. 
Por isso, ela deve, sim, contar com 
o apoio dos ministérios paraecle­
siásticos, que podem otimizá-la 
nessa execução missional.
Um recorte de reflexão: 
capacidade de flexibilidade 
e resposta rápida
Esses m inistérios possuem 
uma rápida e eficaz capacidade 
de resposta, o que torna para
eles mais curto o caminho en­
tre intenção e ação, e isso é algo 
extremamente relevante em um 
contexto como o da modernidade 
tardia, onde o tempo é um dos 
patrimônios mais valiosos que 
uma pessoa pode ter. Essa capa­
cidade que têm os ministérios 
paraeclesiásticos de flexibilidade 
e de rapidez em responder aos 
desafios que lhes são impostos 
ocorre, entre outras, por algumas 
razões básicas:
O sistema de liderança dessas 
organizações - Por serem menos 
burocráticos, eles possuem uma 
maior horizontalidade de gestão 
e uma efetiva descentralização de 
poderes que resultam em ações 
menos letárgicas e ineficazes.
Especialização - Uma outra 
razão fundamental para que as 
organizações paraeclesiásticas 
consigam um significativo índi- A
OB
41
REI RO
ce de agilidade e produtividade 
eficaz se deve ao fato de que eles 
atuam de forma especializada e 
em campos específicos da socie­
dade. Está cada dia mais eviden­
ciado que os que atuam em muitas 
frentes, de forma genérica e não 
especializada, desperdiçam po­
tencial produtivo, vivem correndo 
contrarrelógio e se tornam pro­
gressivamente menos relevantes 
a cada nova ação.
Conhecimento e contextualiza- 
ção - Esses ministérios têm uma 
importante capacidade de conhe­
cimento do contexto social ao qual 
se propõem atender, bem como 
possuem também uma relevan­
te visão de sua necessidade de 
contextualização contínua com 
a cultura com a qual dialogam. 
Esses elementos, que parecem 
ser tão simples e fáceis de serem
discutidos e analisados, e desde 
aí propostos mecanismos de ação, 
nunca ocorrem de maneirareal e 
satisfatória enquanto não se está 
intrinsicamente envolvido com a 
sociedade e a cultura - não como 
uma ação de quem vai a elas, mas 
antes, sim, de quem está profun­
damente inserido como parte 
delas. Por essas razões, os minis­
térios paraeclesiásticos podem 
adaptar-se mais facilmente que 
as igrejas locais para atenderem às 
necessidades específicas de uma 
comunidade.
Uma mesa de diálogo-ético
Ao longo do desenvolvimento 
deste escrito, nós podemos apre­
sentar uma compreensão do que 
são os ministérios paraeclesiásti­
cos e qual a importância que eles 
possuem, em especial no contexto
de sua relação com a igreja local. 
Agora, todavia, nos cabe pensar 
quais são os limites que devem ser 
estabelecidos para esses ministé­
rios e o porquê dessa limitação.
E inquestionável que não pou­
cas instituições paraeclesiásticas 
atuam de uma maneira ética e 
relevante, reconhecendo os limi­
tes do seu campo de ação e ser­
vindo como um instrumento de 
bênção para a vida da igreja local. 
Todavia, é também incontestável 
que existem muitos ministérios 
que possuem um procedimento 
equivocado e, muitas vezes, mal- 
-intencionado, tornando-se um 
problema para algumas igrejas 
que os apoiam. Ao longo de mi­
nha jornada ministerial, já pude 
presenciar ministérios paraecle­
siásticos que não compreenderam 
que foram instituídos para atuar
em apoio à igreja local e não como 
uma igreja paralela. Eles atuavam 
afastando seus participantes da 
vida comunitária de suas igrejas 
locais. Algumas vezes já pude 
presenciar ministérios que atu­
aram se tornando receptores de 
investimentos financeiros que 
deveriam ser entregues à igreja e 
não para instituições. E até mes­
mo vi pessoas que conduziam 
organizações paraeclesiásticas se 
vestirem de uma falsa aparência 
de piedade e, posteriormente, se­
duzirem crentes débeis e cristãos 
não nascidos de novo e com esses 
constituírem um igreja local.
Não podemos mesclar os bons 
e os maus ministérios paraeclesi- 
ásticos, pois, como em todo seg­
mento cristão, haverá os que atu­
am com um bom caráter cristão e 
os que assim não fazem; haverá os 
que dedicam-se à santificação do 
seus ministérios e os que não pro­
cedem assim. Logo, devemos bem
saber com quem nos associamos e 
estabelecer uma mesa de diálogo- 
-ético. Quando é estabelecida 
uma mesa de diálogo-ético entre 
igrejas locais e ministérios para- 
eclesiásticos, o avanço da Missão 
da Igreja é relevante e resulta em 
glória ao Senhor, edificação dos 
cristãos e expansão do Reino de 
Deus. Algumas coisas precisam 
ser conversadas e oficializadas 
em uma mesa que orienta essa 
ação conjunta. E sinto-me bastante 
confortável com essa apreciação 
por presidir um ministério pa- 
raeclèsiástico e simultaneamente 
servir como pastor sênior em uma 
igreja missionária no continente 
europeu. Portanto, entendo que 
algumas considerações devem ser 
ressaltadas, que são:
1) É imprescindível que ambos 
os segmentos tenham claros as 
suas ações e os seus limites que 
lhes cabem na tarefa que realiza­
rão em cooperação;
2) Que haja um relacionamen­
to pautado por uma autêntica 
ética cristã, onde os ministérios 
paraeclesiásticos e igrejas locais 
alcancem a excelência em comu­
nhão.
3) Relevante é que igreja local 
e os ministérios paraeclesiásticos 
desenvolvam o princípio bíblico 
do companheirismo, em especial 
que possam se deixar orientar 
pela abordagem de Paulo sobre o 
companheirismo ministerial.
Considerações conclusivas
Os ministérios paraeclesiásti­
cos revelam-se como uma ferra­
menta que seguirá em expansão 
no desenvolvimento da história 
da Igreja. Uma constatação lógica 
é que o futuro da Missio Eclesiae, 
com o propósito de levar a cabo a 
Missio Dei, passa pela ação resul­
tante do trabalho conjunto reali­
zado por igreja local e ministérios 
paraeclesiásticos. H
c a p ítu lo s 
24.1 a 28.31
> 4: copíW°s24.1 o 28.51
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g ) (21)2406-7373 O (§ ) © O
M A IO R E M AIS
COMENTÁRIO DE
O altam ente respeitado estudioso do 
Novo Testamento Craig K.eener é conhecido 
por sua pesquisa meticulosa e abrangente. 
Esta coleção magistral será um recurso 
inestimável para professores e estudantes 
do Novo Testamento, pastores, estudiosos 
de Atos dos Apóstolos e bibliotecas.
E n ten d a o livro d e A tos 
cap ítu lo por cap ítu lo , 
versícu lo por versícu lo!
Em cada volume, ICeener apresenta 
o livro de Atos, particularmente questões 
históricas relacionadas a ele, e fornece 
exegese detalhada de seus capítulos.
■ i l i
l^slfíxa** 
VOLUME 4
Plf;
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1/ jn.r
capítulos
M.1 a 28,31
VOLUME 4
CRAIG S. KEEI
A OBRA-PRIMA DE CRAIG S
DOCUMENTADO
ATOS JÁ ESCRITO
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T “iij rV
CAPÍTULOS 3.1 a 14.28 a C INTRODUÇÃO eCAPS. 1.1 a 2.47
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c r a i g s . k e e
c r a i g s . k e e
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S,Uj C R A I G S. K E E N E R
-z i n 14.282- cap>w'oS 5'Volume 4.
, _c -tia 2.47
Volume 1- Introdução e cap'tu
KEENER AGORA NO BRASIL
Carlos Roberto Silva é pastor, líder 
da Assembléia de Deus em Cubatão 
(SP), presidente da Convenção 
dos Ministros das Assem bléias de 
Deus no Estado de São Paulo e 
Outros (COM ADESPE), e relator do 
Conselho de Doutrina da CGADB
A função pastoral 
inclui a direção 
dos cultos, 
a pregação 
e ensino da 
Palavra, além do 
cuidado com a 
membresia
Carlos Roberto Silva
O líder como p
uando se fala em duas 
| atividades distintas 
'para uma só pessoa, 
a primeira impressão 
que se “ tem é a de "acúmulo 
de funções", o que no caso das leis 
trabalhistas compreende algumas 
implicações, entre elas - além da 
capacitação exigida - o pagamen­
to da devida remuneração. Em 
algumas profissões, há, inclusive, 
discussões sindicais com corren­
tes de pensamentos divergentes 
sobre a viabilidade ou não dessa 
modalidade.
Não é diferente no caso do lí­
der como pastor e administrador. 
A isso o mundo acadêmico ecle­
siástico denomina de bivocação. 
Aliás, a primeira murmuração 
registrada na Igreja Primitiva foi 
por conta desse tema. A Igreja es­
tava em seu início, quando surge a 
murmuração dos helenistas contra 
os hebreus, sob a alegação de que 
suas viúvas não estavam sendo 
bem atendidas na distribuição di­
ária dos suprimentos, uma espécie 
de discriminação não proposital, 
mas motivada pelo acúmulo de 
funções dos apóstolos. Se não, 
vejamos o texto.
"Naqueles dias, aumentando 
o número dos discípulos, houve 
murmuração dos helenistas con­
tra os hebreus, porque as viúvas 
deles estavam sendo esquecidas 
na distribuição diária. Então, os 
doze convocaram a comunidade 
dos discípulos e disseram: Não 
é correto que nós abandonemos
OB01RO
a palavra de Deus para servir às 
mesas. Por isso, irmãos, escolham 
entre vocês sete homens de boa 
reputação, cheios do Espírito e 
de sabedoria, para os encarregar­
mos desse serviço. Quanto a nós, 
nos consagraremos à oração e ao 
ministério da palavra. O parecer 
agradou a todos. Então elegeram 
Estêvão, homem cheio de fé e do 
Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Ni- 
canor, Timão, Pármenas e Nicolau, 
prosélito de Antioquia. Apresenta­
ram estes homens aos apóstolos, 
que, orando, lhes impuseram as 
mãos" (At 6.1-6, NAA).
O crescimento da Igreja era de 
tamanha proporção que os apósto­
los realmente admitiram ter senti­
do a murmuração em tese, sendo 
necessário resolver o problema. 
Considerando que não lhes era 
possível acumular tais funções, 
manifestaram então as qualifica­
ções exigidas e a Igreja, portanto, 
fez a escolha e eles, impondo-lhes 
as mãos, delegaram aos diáconos o 
trabalho da administração social. 
Diante de tal iniciativa, tiveram 
tempo suficiente para se dedicarem 
exclusivamente ao trabalho espi­
ritual de se consagrarem à oração 
e à Palavra. Naquele momento, o 
problema foi totalmente resolvido 
com resultadospositivos à Igreja, 
tanto que o crescimento doravante 
atesta o sucesso da resolução.
Até hoje, algumas igrejas his­
tóricas, principalmente as de go­
verno congregacional, mantêm 
esse sistema, onde há conselhos
astor e administrador
form ados por diáconos e/ou 
presbíteros que se encarregam 
da administração material e fi­
nanceira, enquanto seus pasto­
res se dedicam exclusivamente 
às coisas espirituais. Em alguns 
casos, os pastores presidem esses 
conselhos; e em outros, nem deles 
participam.
Inicialmente, parece ser uma 
combinação com o custo-benef ício 
perfeito, porém, sem fazer qual­
quer juízo de valor dos sistemas 
eclesiásticos, não é o caso da maio­
ria das Igrejas Pentecostais, sejam 
elas clássicas ou não, onde os pas­
tores lideram, auxiliados por um 
corpo diretivo que coopera com 
ele nessa administração.
No primeiro momento, temos 
a impressão de que o modelo im­
plantado pelos apóstolos perdurou 
durante toda a existência da Igreja 
Primitiva, mas não foi o que aconte­
ceu. Se analisarmos os conselhos de 
Paulo a Timóteo, em sua primeira 
carta, provavelmente entre 10 e 15 
anos após a eleição dos primeiros 
sete diáconos, já existiam presbí­
teros que presidiam, além de se 
dedicarem também na pregação e 
no ensino da Palavra: "Devem ser 
considerados merecedores de pa­
gamento em dobro os presbíteros 
que presidem bem, especialmente 
os que se esforçam na pregação da 
Palavra e no ensino. Pois a Escri­
tura declara: 'Não amordace o boi 
quando ele pisa o trigo'. E, ainda: "O 
trabalhador é digno do seu salário" 
(ffin 5.17-18, NAA).
Á
OB
47
REI RO
Paulo chega a orientar que 
eles sejam dignos de duplicada 
honra e/ou pagamento em dobro, 
pois tinham a incumbência de 
administrar, pregar o evangelho 
e ensinar o rebanho. Não se sabe 
exatamente como e nem quando 
aconteceu essa mudança, ou se foi 
acontecendo paulatinamente com 
o crescimento da Igreja. O certo é 
que houve a contextualização do 
sistema, por necessidade, senão de 
todas, mas de algumas congrega­
ções. Possivelmente havia igrejas 
que mantiveram o sistema original 
e outras que se adequaram à nova 
realidade por conta da sua neces­
sidade. Paulo diz: "Os presbíteros 
que presidem bem...". Eram casos 
específicos, mas é certo que já havia 
alguns nessa condição de presidir, 
pregar e ensinar.
E lógico que é extraordinário 
que, em sendo possível, o pastor 
se mantenha nas atividades do 
ministério pastoral, como orar, se 
preparar exclusivamente para a pre­
gação e o ensino. Porém, se na Igreja 
Primitiva já se tinha tal problema, 
imaginemos o grau de complexida­
de do tema nos tempos modernos.
E necessário lembrar que, quan­
do falamos na função pastoral, ela 
não se restringe apenas à direção 
de cultos, pregação e ensino da Pa­
lavra, mas há de se levar em conta 
também o atendimento pastoral à 
membresia, como visitas, aconse­
lhamentos a jovens, casais e famí­
lias, e outras moderações entre os 
membros que requerem a presença 
do pastor da igreja, e isso não pode 
ser descuidado.
Usando o profeta Ezequiel, 
Deus falou aos pastores infiéis de 
Israel: "Vocês não fortaleceram as 
fracas, não curaram as doentes, 
não enfaixaram as quebradas, não 
trouxeram de volta as desgarradas 
e não buscaram as perdidas, mas 
dominam sobre elas com força e
tirania. Assim, elas se espalharam, 
por não haver pastor, e se tornaram 
pasto para todos os animais selva­
gens. As minhas ovelhas andam 
desgarradas por todos os montes 
e por todas as colinas. As minhas 
ovelhas andam espalhadas por toda 
a terra, sem haver quem as procure 
ou quem as busque" (Ez 34.4, NAA).
Mesmo delegando tais respon­
sabilidades a líderes auxiliares e 
departamentos específicos, é na­
tural que em muitas situações a 
presença e fala do pastor da igreja 
sejam necessárias.
Naturalmente, em uma igreja 
madura, com mais tempo de funda­
ção e uma membresia maior, há uma 
melhor compreensão, o que facilita 
uma melhor administração de tais 
situações, onde se pode filtrar os 
casos de menor importância através 
de auxiliares devidamente prepara­
dos, conforme o conselho de Jetro, 
o sogro de Moisés: "Procure entre 
o povo homens capazes, tementes a 
Deus, homens que amam a verdade 
e odeiam a corrupção. Coloque-os 
como chefes do povo: chefes de mil, 
chefes de cem, chefes de cinquenta e 
chefes de dez, para que julguem este 
povo em todo tempo. Toda causa 
grave trarão a você, mas toda causa 
pequena eles mesmos julgarão; as­
sim será mais fácil para você, e eles 
o ajudarão a levar essa carga. Se você 
fizer isto, e se essa for a ordem de 
Deus, então você poderá suportar e 
também todo este povo voltará em 
paz ao seu lugar. Moisés atendeu às 
palavras de seu sogro e fez tudo o 
que este lhe tinha dito" (Êx 18.21-24, 
NAA).
Outro ponto a se considerar é 
que, independente do tamanho da 
igreja, da possibilidade de muitos 
presbíteros e pastores, o pastor da 
igreja será sempre um. Paulo, escre­
vendo à igreja de Éfeso, declarou: 
"E ele mesmo concedeu uns para 
apóstolos, outros para profetas,
outros para evangelistas e outros 
para pastores e mestres, com vistas 
ao aperfeiçoamento dos santos para 
o desempenho do seu serviço, para 
a edificação do corpo de Cristo" (Ef 
4.11-12, NAA); no entanto, vemos 
no livro do Apocalipse, quando o 
Senhor Jesus se revelou ao apósto­
lo João escrevendo a sete igrejas da 
Ásia, endereçando-as ao pastor de 
cada uma em particular. Ao final, 
a palavra era sempre a mesma: 
"Quem tem ouvidos ouça o que o 
Espírito diz às igrejas", mas o en- 
dereçamento e responsabilidade 
recaía sobre o "anjo da igreja" ou 
seja, ao "pastor da igreja".
Espiritualmente, como vimos no 
texto acima, a igreja como organis­
mo é assim que funciona e, do ponto 
de vista administrativo, como orga­
nização, também assim o é. Como 
organização, na constituição civil, 
através do estatuto, CNPJ e outros 
instrumentos dos órgãos públicos, 
a igreja sempre está atrelada ao CPF 
do seu principal líder - no caso, o 
pastor da igreja.
A Igreja como Corpo de Cristo 
não é propriedade do pastor, mas 
a responsabilidade da condução 
espiritual, segundo a Palavra de 
Deus, é dele: "Obedeçam aos seus 
líderes e sejam submissos a eles, 
pois zelam pela alma de vocês, 
como quem deve prestar contas [o 
grifo é meu]. Que eles possam fazer 
isto com alegria e não gemendo; do 
contrário, isso não trará proveito 
nenhum para vocês" (Hb 13.17, 
NAA). Do mesmo modo, muito 
embora a personalidade jurídica 
da igreja não seja de sua proprie­
dade, a responsabilidade da con­
dução desta, de acordo com as leis 
do país, e em um sistema episcopal 
de governo, também é sua.
Em que pese muitos interpreta­
rem de forma adulterada princípios 
elementares, a Bíblia não mudou, de 
maneira que o líder como pastor ou
administrador, ou ambas as coisas, 
não passa de mordomo daquilo 
que é de Deus, ou seja, do verda­
deiro Dono da Igreja: "Cuidem de 
vocês mesmos e de todo o rebanho 
no qual o Espírito Santo os colocou 
como bispos, para pastorearem a 
igreja de Deus [o grifo é meu], a 
qual Ele comprou com o seu próprio 
sangue" (At 20.28, NAA).
Vimos até aqui muito claramente 
que não se trata de uma tarefa fácil 
administrar tais responsabilidades. 
É necessário ter capacitação espiri­
tual e de vida. No mundo secular, 
qualquer profissional precisa provar, 
normalmente, apenas a sua capaci­
tação técnica, mas, no caso daqueles 
que são chamados por Deus, essa 
capacitação vai muito além; e não
pára por aí: é preciso cuidar também 
- e ter o domínio - da sua família: 
"Fiel é a palavra: se alguém deseja o 
episcopado, excelente obra almeja. E 
necessário, pois, que o bispo seja ir­
repreensível, esposo de uma só mu­
lher, moderado, sensato, modesto, 
hospitaleiro, apto para ensinar; não 
dado ao vinho, nem violento, po­
rém cordial, inimigo de conflitos, 
não avarento; e que governe bem a 
própria casa, criando os filhos sob 
disciplina, com todo o respeito. Pois, 
se alguém não sabe governar a pró­
pria casa, como cuidará da igrejade Deus?" (lTm 3.1-5). E ainda: "Se 
alguém não tem cuidado dos seus e, 
especialmente, dos da própria casa, 
esse negou a fé e é pior do que o 
descrente" (lTm 5.8, NAA).
Todos os cuidados acima são 
inerentes àqueles a quem Deus cha­
mou para a função pastoral. Agindo 
assim, terão o respeito tanto dos que 
estão de dentro como dos que estão 
de fora, e isso em todos os âmbitos.
Ou seja, o líder, tanto como pastor 
e quanto como administrador, deve 
ser considerado. Seu currículo espi­
ritual, teológico, conjugal, familiar, 
comercial, financeiro e administra­
tivo deve ter boa aprovação diante 
de todos. Segundo a Palavra de 
Deus, deve ser "O exemplo dos fi­
éis": "Ninguém o despreze por você 
ser jovem; pelo contrário, seja um 
exemplo para os fiéis, na palavra, na 
conduta, no amor, na fé, na pureza" 
(Um 4.12, NAA).
O jovem pastor Timóteo não 
deveria ser rejeitado, muito me- A
nos desrespeitado, pela sua tenra 
idade; em contrapartida, o preço 
a ser pago por ele seria o de ser o 
exemplo dos fiéis em todas as coi­
sas: "...na palavra, na conduta, no 
amor, na fé, na pureza". Qualquer 
deslize em um desses quesitos o 
inviabilizaria como líder e pastor.
O líder da igreja, quer como 
pastor ou como administrador, 
normalmente é escolhido dentro 
do rebanho do Senhor; portanto, 
trata-se de um dos Seus servos. 
Não é comum, muito menos bí­
blico, pessoas estranhas ao or­
ganismo para tais serviços, mas 
deve ser um entre os ministros 
de Cristo e, para tanto, existem 
as qualificações pertinentes e, 
entre elas, a fidelidade também 
é de vital importância: "Assim, 
pois, importa que todos nos con­
siderem como ministros de Cris­
to e encarregados dos mistérios 
de Deus. Ora, além disso, o que 
se requer destes encarregados é 
que cada um deles seja encontra­
do fiel" (ICo 4.1-2, NAA).
O líder que se encontra encar­
regado de tais responsabilidades 
não deve ser um impostor que 
vive dando "carteirada" nos ou­
tros, mas deve ser considerado 
e respeitado naturalmente pela 
sua fidelidade ao Senhor e à 
igreja. Deve ser dotado de auto­
ridade espiritual: "ser apegado à 
palavra fiel, que está de acordo 
com a doutrina, para que possa 
exortar pelo reto ensino e con­
vencer os que contradizem este 
ensino" (Tt 1.9, NAA).
O líder como pastor e admi­
nistrador deve ter cuidado de si 
mesmo: "Cuide de você mesmo 
e da doutrina. Continue nestes 
deveres, porque, fazendo assim, 
você salvará tanto a si mesmo 
como aos que o ouvem" (lTm 
4.16, NAA). Um detalhe muito 
importante no conselho acima
ministrado pelo apóstolo Paulo 
a Timóteo é que, antes de cuidar 
da doutrina e dos outros - e aqui 
acrescento: da administração -, 
tenha cuidado de si mesmo.
Se o líder não estiver bem com 
sua saúde física, mental e espi­
ritual, não tem como cuidar das 
demais coisas do Reino de Deus. O 
acúmulo de tarefas, sem o devido 
equilíbrio, poderá acarretar preju­
ízos fatais à vida pessoal, à família 
e ao ministério. Existem cuidados 
que o líder precisa tomar e, para 
isso, é necessário muito equilíbrio, 
no sentido de que a Obra de Deus 
não se torne mais importante do 
que o Deus da Obra.
O acúmulo de tarefas pastorais 
e administrativas, como direção 
de cultos, atendimentos pastorais, 
reuniões, viagens, convenções, 
simpósios e eventos diversos, já 
são normalmente acima do natu­
ral, mas acrescentando-se ainda 
que, em a igreja crescendo, pode 
ganhar relevância e protagonis- 
mo, fazendo com que o líder seja 
muito mais procurado e absorvi­
do por aquilo que naturalmente 
representa. A Igreja Primitiva se 
tornou relevante na sociedade de 
sua época por conta da obra que 
realizava: "Diariamente perseve- 
ravam unânimes no templo, par­
tiam pão de casa em casa e toma­
vam as suas refeições com alegria 
e singeleza de coração, louvando a 
Deus e contando com a simpatia 
de todo o povo. Enquanto isso, o 
Senhor lhes acrescentava, dia a 
dia, os que iam sendo salvos (o 
grifo é meu)" (At 2.46-47).
Nos dias de hoje, quando isso 
acontece, o assédio social é muito 
grande, seja pelas instituições e/ 
ou autoridades civis, pelos com­
promissos ministeriais e denomi- 
nacionais e até mesmo por aque­
les que veem a igreja meramente 
como um público consumidor, os
obHí r o
quais marcam agendas que o líder 
finda atendendo por educação, 
mas praticamente sem qualquer 
resultado concreto. Se não houver 
atenção e equilíbrio, tais compro­
missos afastam o líder de bons 
momentos de oração, meditação 
na Palavra de Deus, devocionais, 
descanso e momentos com a famí­
lia. Relembrando Paulo: "Cuide de 
você mesmo".
Há líderes que, além de pasto­
rear e administrar a igreja, também 
têm a tarefa de ensinar, atuando 
como escritores de livros, artigos, 
comentaristas de revistas para esco­
las bíblicas, palestrantes em Escolas 
de Obreiros e Escolas Teológicas, 
enfim, atividades que requerem 
tempo para estudos, pesquisas e 
meditação, um verdadeiro esforço 
hercúleo para se administrar. E 
necessário muito equilíbrio. Pode­
riamos dizer que, do ponto de vista 
humano, numa linguagem contábil, 
"a contabilidade não zera" ou "o ba­
lancete não fecha". É preciso algo a 
mais, é preciso fazer a nossa parte 
e ainda acreditar no sobrenatural 
de Deus. Enfim, ser um líder como 
pastor e administrador não é para 
quem quer, mas, sim, para quem é 
chamado por Deus, valendo o con­
selho do escritor aos Hebreus: "E 
ninguém toma esta honra para si 
mesmo, a não ser quando chama­
do por Deus, como aconteceu com 
Arão" (Hb 5.4, NAA).
Se fazendo tudo conforme a Pa­
lavra, com toda a sabedoria, discer­
nimento e equilíbrio, sobrar algum 
espinho na carne que venha nos 
esbofetear e tenhamos que suportá- 
-lo, o Mestre tem o mesmo consolo 
dado ao apóstolo Paulo: "A minha 
graça é o que basta para você, por­
que o poder se aperfeiçoa na fra­
queza. De boa vontade, pois, mais 
me gloriarei nas fraquezas, para 
que sobre mim repouse o poder de 
Cristo" (2Co 12.9, NAA). ■
UMA TEOLOGIA BASEADA 
NA DEPENDÊNCIA DO 
ESPÍRITO SANTO
:
CB€>
CLAITO N IVAN POMMERENING
TEOLOGIA
d a EXPERIÊNCIA
"» '"^ sag rad as Escrituras
PREFÁCIO
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Q (21)2406-7373 O # © O
Sem perder o equilíbrio entre devoção 
e racionalidade, precisamos fazer 
teologia pentecostal utilizando a 
razão, como a teologia histórica faz, 
mas também com devoção, experi­
ência e dependência da iluminação 
do Espírito Santo. Essa é a proposta 
de Pommerening que além de trazer 
os fundamentos da doutrina pente­
costal dos dons espirituais também 
apresenta questões interpretativas 
acerca do tema.
Formato: 14,5 22,5 cm / Páginas: 224
ífCNED
CONGRESSONACIONAL 
DE ESCOLA DOMINICAL
Até que cheguemos à medida da 
estatura completa de Cristo. Efésios 4:13
. . . m & RIOS-W O RKSHO Ps
^ O P A U L O - S P ,
PRÊMIO
PROFESSOR 
i DO ANO
\ 2025 /
13 A 1 6 DE MARÇO DE 2025
CONVIDADOS
INTERNACIONAISDIREÇÃO
SAMUEL
PAGAN
ELIENAI
CABRALESEQUIAS
SOARES
13 DE MARÇO/CELEBRAÇÂO
m m
1 ' * 1
LOCAL:
ASSEMBLÉIA DE DEUS EM SÃO PAULO
MINISTÉRIO DO BELÉM 
Rua Dr.Fomm, 140 
Belenzinho/SP
IN FO R M A Ç Õ ES E IN S C R IÇ Õ ES :
(21)2406-7352 ©(2i) 9 6 4 5 2 -2 9 9 0
w w w . c n e d . c o m . b r cb©
http://www.cned.com.brO LÍDER COMO PASTOR E ADMINISTRADOR
O pastor e suas atribuições eclesiásticas e administrativa são abordados pelo 
pastor Carlos Roberto da Silva, líder da Assembléia de Deus em Cubatão (SP) e 
presidente da Convenção dos Ministros das Assembléias de Deus no Estado de 
São Paulo e Outros (COMADESPE).
O pastor Esequias Soares da Silva, líder da Assembléia de Deus 
em Jundiaí (SP) e presidente da Sociedade Bíblica do Brasil e da 
Comissão de Apologética da CGADB, fala da igreja como organismo 
vivo e como organização social.
http://www.cpaddigital.com.br
mailto:assinaturas@cpad.com.br
mailto:cpadweb@cpad.com.br
M ENSAGENS
Conteúdo de a lta 
qualidade co n d en ­
sado em 50 pág inas
Mesmo em se tratando de um apanhado re­
sumido dentro de um parco espaço, a revis­
ta Obreiro Aprovado em nada perde para o 
avanço o derrame de informações em tempo 
real que somos bombardeados neste tempo 
presente de verdadeiras mudanças.
Pr. O távio Sobrinho (RJ)
A uxiliando no correto 
m anuseio d as Escritu ras
A revista Obreiro Aprovado, em sua his­
tórica trajetória, tornou-se um instrumento 
de auxílio aos que militam na obra do Mes­
tre Jesus, ajudando-nos, como recomendou 
Paulo ao jovem obreiro Timóteo, a manuse­
ar bem a Palavra da Verdade.
Pr. Adelziro C asado Lim a Júnior, 
Fortaleza (CE)
M antenedora da 
sã doutrina
Em tempos de relativização das Santas 
Escrituras, a revista Obreiro Aprovado 
insurge, em bom e alto tom, em apreço à 
sã doutrina da verdadeira Palavra do nos­
so Deus, e isto com conteúdo produzido 
por homens valorosos de Deus que muito 
contribuem para edificação dos trabalha­
dores da vinha do Senhor. Portanto, indico 
esta revista a todos os irmãos que querem 
acrescentar mais ao seu chamado.
Pr. R inaldo Alves, Brasília (DF)
Conteúdo para se r 
um O breiro Aprovado
Se alguém deseja trabalhar na obra de Deus, an­
tes de qualquer atitude, deve se apresentar a Ele 
e em seguida procurar aperfeiçoamento. A leitu­
ra da revista Obreiro Aprovado é uma excelente 
forma de estar aprovado e manejar bem a Pala­
vra da Verdade, pois o seu conteúdo doutrinário 
nos capacita para a nossa missão.
Pr. Antônio Carlos Lorenzetti de M ello,
N atal (RN).
Quer também 
mandar sua m ensagem ?
Então escreva para a revista Obreiro Aprovado. Pode 
enviar sua mensagem para o email obreiro@cpad.corh.br 
ou, se preferir, enviar sua carta para o endereço 
Avenida Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro (RJ) 
CEP 21852-002.
Esperamos o seu contato!
OB01RO
mailto:obreiro@cpad.corh.br
CA PTA À LID ERA N ÇA PEN TECO STA L
PR. JOSÉ WELLINCTON 
COSTA JUNIOR
Presidente da 
Convenção Geral dos 
Ministros das Igrejas 
Evangélicas Assembléias 
de Deus no Brasil
A reconciliação 
entre Jacó e Esaú 
foi resultado do 
agir de Deus na 
vida do patriar­
ca, mudando sua 
conduta ao lon­
go do processo 
regenerador
Não desista, Deus está 
contigo nesse processo 
de aperfeiçoamento
Todos nós conhecemos a história do patriarca Jacó. Ele 
precisou fugir da fúria de seu irmão gêmeo Esaú após 
tê-lo enganado e usurpado a bênção que deveria ter sido 
dele (Gn 27). Após a despedida, ele parte rumo a Padã- 
-Arã, precisamente à casa de Labão, irmão de sua mãe Rebeca, 
em busca de guarida e segurança contra qualquer investida de 
seu irmão mais velho. Já estabelecido na terra, ele se casa, torna- 
-se pai de 12 filhos e enriquece com seu trabalho naquele país 
oriental. Mesmo com toda a sua prosperidade, Jacó precisava do 
tratamento divino em sua vida para que pudesse voltar à sua ter­
ra natal. Urgia a necessidade de Jacó passar pelo tratamento de 
Deus para uma real transformação de vida.
O Senhor se revela ao patriarca e ordena que volte para onde 
veio (Gn 31.1-55). O peregrino demonstra preocupação e medo; 
entretanto, o Altíssimo garante a proteção de anjos a fim de cum­
prir a Sua promessa ao filho de Isaque. O refugiado sabia que 
havia contas a acertar com o passado e envia um mensageiro a 
fim de avisar a Esaú que estava voltando para Canaã, isto é, para 
a terra que Deus já havia prometido anteriormente. Creio eu que 
Jacó deveria pensar: "O meu irmão já esqueceu o incidente entre 
nós dois". Na verdade, o mensageiro serviu como um termômetro 
para medir o estado de ânimo de Esaú. Jacó ouve do mensageiro: 
"Fomos até seu irmão Esaú e ele está vindo ao seu encontro, com 
quatrocentos homens" (Gn 32.6) Jacó temeu por sua segurança e a 
de todos que o seguiam. Mas ele precisava do tratamento de Jeová.
Prezado leitor, observemos como se deu o final desse proces­
so. A narrativa de Gênesis 33.4 fala da reconciliação entre os dois 
irmãos. Esse panorama parece não ter tanta importância assim 
quando lemos essa passagem bíblica. A reconciliação entre Jacó e 
Esaú foi resultado do agir de Deus na vida do patriarca, que mudou 
a sua conduta ao longo do processo regenerador conduzido pelo 
Altíssimo. Você almeja mudanças na vida de alguém próximo? 
Comece com você esse aperfeiçoamento! Coloque de lado toda a 
"razão" que até o momento tem sustentado e se coloque no lugar 
que precisa de perdão e quebrantamento. Prezado leitor, cumpriu- 
-se assim a promessa do retorno de Jacó a Canaã (Gn 33.18-20). 
Esteja certo de que o processo vai passar, por isso mantenha-se 
firme e não desista no desenrolar deste processo. Trata-se de uma 
etapa em sua vida e o nome do Senhor será glorificado. Ele não 
"abortou" o projeto em sua vida mas continuará contigo até o fim!
OB
6
r eí RO
EN TREVISTA
Pastor
Esequias
Soares
As principais 
preocupações 
doutrinárias 
que a igreja 
precisa ter 
hoje em dia
O entrevistado desta 
edição da Obreiro 
Aprovado é o pastor 
Esequias Soares da 
Silva, que é conhecido por sua 
liderança eficaz na Assembléia 
de Deus em Jundiaí (SP). Gradu­
ado em Letras, com habilitação 
em Hebraico pela Universidade 
de São Paulo, e Mestre em Ciên­
cias da Religião pela Universida­
de Presbiteriana Mackenzie em 
São Paulo (SP), professor de He­
braico, Grego e Apologia Cristã, 
presidente da Comissão de Apo- 
logética Cristã da Convenção 
Geral dos Ministros das Igrejas 
Evangélicas Assembléia de Deus 
do Brasil (CGADB), presidente do 
Conselho Deliberativo da Socie­
dade Bíblica do Brasil (SBB), co­
mentarista de Lições Bíblicas da 
Escola Dominical da Casa Publi- 
cadora das Assembléias de Deus 
(CPAD), articulista e autor de di­
versos livros da CPAD, entre elas 
o Manual de Apologética Cristã, O 
Pentecostalismo Brasileiro e Apren­
dendo o Grego no Novo Testamento.
O pastor Esequias Soares as­
sumiu a liderança da Assembléia 
de Deus em Jundiaí (SP) em 1996, 
quando substituiu o então pastor- 
-presidente Elyseu Queiroz de 
Souza. Considerado como um A
dos mais respeitados teólogos 
brasileiros, além dos seus livros 
editados pela CPAD, o líder as- 
sembleiano escreve artigos para 
os periódicos da editora pentecos- 
tal sobre os mais variados temas 
teológicos. Desde 1994, é um dos 
comentaristas de Lições Bíblicas da 
editora. Sob a sua condução, a 
igreja jundiaiense tem tido aper­
feiçoamento nos trabalhos conce­
bidos pelo pastor Elyseu Queiroz, 
experimentando desenvolvimento 
e crescimento.
Nesta entrevista, o pastor 
Esequias discorre sobre a im ­
portância dos fóruns de teo­
logia realizados pelo territó ­
rio b ra s ile iro pela CGADB, 
faz uma avaliação em torno da 
qualidade da apologética cristã 
na atualidade, avalia também o 
trabalho de tradução da Bíblia 
para línguas ainda não alcan­
çadas e traz o seu comentário 
acerca do tema da atual edição 
da Obreiro Aprovado, que alude 
à Igreja como organismo vivo e 
como organização social e quais 
as principais preocupações dou­
trinárias que a igreja precisa 
ter hoje em dia.
Pastor Esequias, qual a im­
portância da série de fóruns 
de teologia realizados Brasil 
afora pela CGADB?
O fórum foi algo interessante 
que aconteceu em nossa denomi­
nação, exatamente o que é defini­
do como fórum segundo os sites 
de eventos: "Fóruns costumam ser 
encontros menos técnicos e com 
a intenção de engajar um públicosobre algum problema... A prin­
cipal característica do fórum é a 
participação da platéia. Por isso, 
tem como objetivo debater livre­
mente uma ideia". O propósito do 
Fórum de Teologia Pentecostal é
amplo. Entre seus objetivos, visa- 
-se manter a unidade doutrinária 
e teológica, defender o pensamen­
to pentecostal das Assembléias de 
Deus, reafirmar os pressupostos 
que regem o movimento pentecos­
tal e proporcionar a todos a opor­
tunidade de interagir com suas 
perguntas e questionamentos. A 
importância dos quatro temas 
selecionados para o encontro - os 
fundamentos bíblicos e históricos 
da teologia pentecostal, a Doutri­
na da Salvação, a volta de Jesus e 
a liturgia pentecostal - não deixa 
de ser uma forma expandida do 
slogan do m issionário Daniel 
Berg: "Jesus salva, cura, batiza no 
Espírito Santo e breve voltará". 
A ideia do pastor José Welling- 
ton Costa Junior, presidente da 
CGADB, na criação do Fórum, 
veio numa boa hora, numa época 
de tantas heresias e aberrações 
doutrinárias. As considerações 
dos membros da mesa de debates 
após cada palestra e as perguntas 
vindas do plenário para o orador 
e também para a mesa trouxeram 
aos presentes uma reflexão mais 
profunda sobre os temas. Foi um 
debate à altura do nosso tempo 
e numa linguagem da igreja, de 
fácil compreensão. Outro ponto 
importante é que as perguntas 
provenientes do plenário servem 
como uma amostragem das dúvi­
das da igreja.
Como o senhor avalia a 
qualidade da apologética 
cristã em nossos dias?
A década de 1990 e os pri­
meiros anos do século 21 foram, 
na minha opinião, a geração da 
apologética, assim como as déca­
das anteriores foram a geração da 
evangelização. Eu vejo com preo­
cupação o desinteresse por essa 
área da teologia na atualidade. Os
O a p o lo g ista 
p re c isa 
c o n h e c e r b em 
o s fu n d a m e n to s 
b íb lic o s d a s 
c re n ç a s e p rá t ic a s 
d e su a ig re ja ou 
d e n o m in a ç ã o e , 
do m e sm o m o d o , 
a s h e re s ia s e 
o s a rg u m e n to s 
u sa d o s p e lo s s e u s 
se g u id o re s
tempos mudaram, outros ventos 
estão soprando para amordaçar 
as igrejas com o pretexto do "po­
liticamente correto", trazendo em 
seu bojo as ameaças constantes 
dos líderes religiosos de grupos 
heterodoxos em levar o apologista 
ao banco dos réus ou, no mínimo, 
exigir direito de resposta pelos 
expoentes dos pensamentos filo­
sóficos contrários à fé cristã, cuja 
intenção, na verdade, é usar o es­
paço para divulgar sua doutrina. 
O contexto de nossa geração não 
tem encorajado a muitos nessa 
tarefa apologética. Se na era da 
apologética havia um número 
considerável de líderes que não 
apoiava esse trabalho na defesa da
OB
8
REIRO
fé, pois eu mesmo já recebi orien­
tação de pastor de igreja antes de 
pegar o microfone para "não falar 
de seitas", e já ouvi de outros co­
legas que passaram pela mesma 
experiência, então, o que se pode 
esperar hoje? Ser apologista não é 
tarefa fácil, os apologistas não são 
vistos com muita simpatia mesmo 
entre nós. Mas, é um trabalho que 
temos que fazer. Jesus é o nosso 
exemplo. Ele não se deixou intimi­
dar pelas ameaças. Os apóstolos 
são outro exemplo que nos ins­
pira e nos encoraja. O combate às 
heresias ocupa um terço do Novo 
Testamento. Tanto o Senhor Jesus 
Cristo como seus apóstolos traba­
lharam incansavelmente contra as 
heresias de seu tempo. Cada livro 
do Novo Testamento é um equipa­
mento firme que no seu conjunto
forma o grande e indestrutível 
arsenal de combate às heresias. 
O apologista precisa conhecer 
bem os fundamentos bíblicos das 
crenças e práticas de sua igreja ou 
denominação e, do mesmo modo, 
as heresias e os argumentos usa­
dos pelos seus seguidores, para 
oferecer uma resposta respeitosa. 
Essa tarefa precisa ser retomada 
com entusiasmo, mas de manei­
ra educada e com criatividade, 
mostrando mais interesse nessas 
pessoas do que mesmo em vencer 
os debates. Nada vai adiantar ga­
nhar a batalha e perder a guerra. 
Esse diálogo será proveitoso se a 
amizade for mantida, deixando 
claro que você discorda do posi­
cionamento teológico ou doutri­
nário da pessoa a quem você está 
evangelizando.
Como presidente da SBB, 
o senhor poderia nos falar 
um pouco sobre como vai o 
trabalho de tradução da Bí­
blia para línguas ainda não 
alcançadas?
Existem no planeta 7.394 idio­
mas e a Bíblia está traduzida para 
3.658 línguas em parte e no todo, 
sendo a Bíblia completa em 736 
idiomas. Isso significa que 5,96 
bilhões de pessoas no mundo 
dispõem da Bíblia inteira em sua 
língua materna. Mas, a metade 
dessa população ainda não possui 
uma Bíblia, sendo esse um grande 
desafio para a Igreja de Cristo. O 
Novo Testamento está em 1.658 
línguas e as porções, em 1.264. To­
dos esses dados foram fornecidos 
pelas UBS, divulgados em outu- A
bro de 2023 em sua Assembléia 
Geral Mundial, na Holanda, que já 
devem estar desatualizados, pois 
há diversas equipes de traduções 
em ação. O outro grande desafio 
diz respeito a 3.736 línguas, de 
povos minoritários, sem nenhuma 
porção das Escrituras.
Desde 2018, as Sociedades 
Bíblicas Unidas (UBS), que con­
gregam 146 sociedades bíblicas 
no mundo, com sede em Londres, 
têm colocado em prática um pro­
jeto audacioso em completar mais 
1.200 traduções da Bíblia até 2038. 
Sendo que 880 como primeiras 
traduções e as outras 320 novas 
ou revisadas. Em cinco anos, 
foram realizadas 144 traduções 
e até 2023 estavam em curso 442 
traduções e as outras 614 ainda 
não haviam começado.
O tema desta edição de 
Obreiro é a igreja como orga­
nismo vivo e como organiza­
ção. Como pastor e teólogo, 
qual a melhor forma de equi­
librar essa tensão entre aten­
der às demandas de organi­
zação sem perder de vista a 
essência de organismo vivo 
da igreja?
A palavra grega para igre­
ja é SKK>.r|GÍa - ekklesia, que é 
formada por duas outras: èk + 
KotLécú - ek + kaleo", que signi­
ficam "para fora" e "chamar". 
Originalmente, 8K-Kkr|aía era um 
chamado para as pessoas saírem 
de suas casas. No entanto, esse 
uso logo passou, dando lugar 
ao sentido de assembléia consti­
tucional de Atenas e reunião de 
modo geral. A Septuaginta usa 
ekkle”sia como equivalente para 
pn? - qãhãl, que era a assembléia 
dos israelitas como um todo. O 
Novo Testamento amplia esse
significado. É possível lermos 
passagens com o sentido de 
"assembléia", mas traz pela pri­
meira vez a ideia essencialmente 
cristã de um corpo, grupo de 
crentes reunidos ou não: o Cor­
po de Cristo. Em, suma, ekklesia 
serve tanto para tratar de um 
grupo qualquer reunido quanto 
também de uma assembléia po­
lítica e também dos seguidores 
de Cristo. O termo ekklesia não 
é invenção dos discípulos, do 
movimento de Jesus ou de Pau­
lo; é uma palavra amplamente 
usada pelos gregos e romanos. O 
termo aparentemente se tornou 
popular entre os cristãos de fala 
grega por duas razões. Primei­
ro, porque eliminava qualquer 
suspeita de que os cristãos eram 
grupo desordeiro, principalmen­
te em círculos políticos. Segun­
do, porque, seguindo a tradição 
da Septuaginta, m antendo o 
uso do termo, se afirmava uma 
continuidade com Israel, o que 
vemos em Paulo, quando usa a 
expressão SKKkqoía Geob - ekklesia 
theou - para evocar a continuida­
de entre o povo de Deus ao longo 
da história salvadora de Deus. 
Geralmente, nas cartas paulinas, 
ekklesia refere-se a uma reunião 
local de crentes em um cenário 
geográfico específico (Rm 16.1; 
11.18). Paulo se dirigia a diversas 
igrejas locais, mas seu tom soa 
como cada uma sendo a única 
igreja, universal e apostólica 
(At 8.3; ICo 1.2). Em suma, para 
Paulo, ekklesia serve tanto para 
tratar do grupo de cristãos local 
ou geral, é uma realidade univer­
sal. Com isso, podemos observar 
como Paulo interpreta e ensina 
as ações e os impactos de ekklesia. 
Os dois aspectos ou naturezas 
da igreja como organismo vivo 
e como organização devem ser
A
compreendidos de maneira cor­
reta, visto que ambos os aspectos 
estão na Bíblia.
Nasua visão, quais as prin­
cipais preocupações doutri­
nárias que a igreja precisa 
ter hoje em dia?
A principal preocupação da 
igreja deve ser com o incentivo ao 
povo na leitura diária das Escritu­
ras Sagradas e com os ensinos mais 
recorrentes da doutrina. Estamos 
vivendo um tempo de analfabe­
tismo bíblico sem precedentes, 
numa época em que a Bíblia está 
disponível para o povo, e principal­
mente aos crentes, de uma maneira 
tal como nunca na história. Essas 
duas práticas acompanhadas da 
oração levam os crentes a nunca 
se esquecerem dos conselhos da 
Palavra de Deus. O descuido des­
sas orientações tem levado o povo 
de Deus a resultados desastrosos. 
Uma pesquisa feita em 2022 por 
uma organização independente, 
Ligonier Ministries, chamada The 
State of Theology Poli, buscou com­
preender o que os cidadãos dos 
Estados Unidos acreditam sobre 
Deus, a salvação, a ética e a Bíblia. 
O resultado entre os crentes diz 
que 56% acreditam que Deus acei­
ta adoração de todas as religiões; 
sobre Jesus, 43% afirmam que Ele 
foi um grande mestre, mas não era 
Deus; 26% concordam que a Bíblia 
contém registro de mitos antigos, 
mas que não é literalmente verda­
de; e 28% creem que a condenação 
bíblica da prática homossexual não 
se aplica hoje, sendo que em 2020 
eram 11%. Ninguém é suficien­
temente forte para brincar com o 
pecado e sair ileso de tudo isso; e, 
assim, aprendemos com os erros 
dos outros para que não incorra­
mos no mesmo caminho. 8
BRASILEIRO
E PENTECOSTAL mm
COMO ESSAS DUAS IDENTIDADES
SE RELACIONAM E SE INTEGRAM? ~~~..
' “I B É P ^ f y$á* ■ i
lisa- iémm. è
::
s *
PENTECOSTALISMO
CLÁSSICO
O autor, por meio de um estudo sociológico, desenvolve 
uma verdadeira busca a esta explicação a partir do 
contexto, da cultura e da identidade do povo brasileiro. 
Através das páginas deste livro o leitor verá como a 
teologia pentecostal clássica encaixou-se na alma 
religiosa brasileira, ressignificando elem entos 
preexistentes na sociedade e trazendo a realidade 
espiritual para o seu contexto de vida diária.
Código: 352 9 80 / Formato: 14,5 x 22 ,5 cm / 160 páginas
► Doutor e Mestre em Teologia pela Faculdades 
EST; formado em Preparo Missionário pelo 
Ministério JU V EP . Secretário Executivo de 
Missões da SEMAD-PB (desde 2004), Diretor 
Executivo do CADESC (Centro da Assembléia 
de Deus de Educação Sociocultural). Pastor 
na AD em João Pessoa, PB, onde coopera no 
pastoreio de igrejas desde 2005. Casado com 
Ângela e pai de Eduardo J r e Maria Luíza.
TAMBÉM
DISPONÍVEL 
NA VERSÃO 
E-BOOK
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O © © O CB4D A CASA DO CONHECIMENTO
Eduardo Leandro Alves é pastor da 
Assembléia de Deus em Rio Tinto 
(PB), doutor e m estre em Teologia 
pela Faculdades EST, graduado 
em Teologia e licenciado 
em Sociologia.
O conceito de 
Igreja com o 
organism o enfatiza 
a interdependência 
e a unidade entre os 
m em bros do 
Corpo de Cristo
Eduardo Leandro Alves
A Igreja: urr
A palavra "Igreja" sur­
ge no texto do Novo 
Testamento a partir 
da palavra grega ekk- 
lesia, que literalmente significa 
uma reunião por convocação, 
uma assembléia. O termo passou 
a ser utilizado pelos escritores 
cristãos como a reunião daqueles 
que adoram a Cristo, tanto lo­
calmente (Mt 18.17; At 15.41; Rm 
16.16; ICo 4.17; 7.17; 14.33; Cl 4.15) 
quanto universalmente (Mt 16.18; 
At 20.28; ICo 12.28; 15.9; Ef 1.22).
A Igreja de Cristo é, antes de 
tudo, um organismo vivo, e essa 
perspectiva é necessária para 
compreender seu verdadeiro pro­
pósito e papel no mundo. Diferen­
te de uma simples instituição, a 
Igreja é composta por pessoas que 
creram em Jesus como seu salva­
dor, são unidas pelo Espírito Santo 
e vivem e atuam como Corpo de 
Cristo, movidos por uma missão 
celestial.
A compreensão da Igreja como 
um organismo vivo desafia as 
noções daqueles que a veem me­
ramente como uma organização 
estruturada e hierárquica, mos­
trando que sua vitalidade está 
diretamente ligada à sua conexão 
com Cristo e à liderança do Espí­
rito. Ao longo dos séculos, essa 
visão tem sido fundamental para 
a sobrevivência e o crescimento da 
Igreja, especialmente em tempos 
de perseguição e adversidade.
Além de transcender as limita­
ções humanas e organizacionais, 
a Igreja como organismo vivo 
desempenha um papel vital na 
execução dos propósitos de Deus 
na Terra: ela é uma agência do 
Reino. O conceito de Igreja como 
organismo enfatiza a interde­
pendência e a unidade entre os 
membros do Corpo de Cristo, cada 
um contribuindo com seus dons 
e habilidades para o crescimento 
mútuo e a edificação. Este enten­
dimento nos leva a valorizar cada 
parte do Corpo, reconhecendo que 
a vitalidade da Igreja não reside 
em suas estruturas formais, mas 
em sua natureza espiritual, que 
é alimentada pela relação íntima 
com Cristo. Como Corpo de Cris­
to, a Igreja é chamada a refletir 
os valores do Reino de Deus em 
todas as suas ações e a cumprir a 
missão de ser sal e luz no mundo.
A metáfora do Corpo de Cris­
to utilizada por Paulo em suas 
epístolas (ICo 12.27) ilustra clara­
mente que a igreja não pode ser 
limitada a uma simples organiza­
ção humana. Enquanto as organi­
zações humanas buscam objetivos 
temporais e concretos, a Igreja 
tem uma missão que transcende o 
tempo e o espaço, sendo orientada 
por propósitos divinos. A verda­
deira essência da Igreja está em 
sua natureza espiritual e em sua 
ligação com Cristo, a Cabeça do 
Corpo, que o guia e o sustenta em 
todas as circunstâncias. Quando
OB
12
REIRO
i organismo vivo
a Igreja compreende e vive essa 
realidade, ela se torna um agente 
transformador no mundo, capaz 
de enfrentar qualquer desafio e de 
cumprir sua missão eficazmente.
Portanto, ao abordar a nature­
za da Igreja como um organismo 
vivo, é importantíssimo reconhe­
cer que essa visão nos chama a 
uma compreensão mais profunda 
de nossa identidade como cristãos 
e de nosso papel como parte do 
Corpo de Cristo. A organização, 
embora necessária, deve sempre 
estar subordinada ao propósito 
espiritual da Igreja, que é refletir 
a glória de Deus no mundo e avan­
çar Seu Reino. Este texto visa a ex­
plorar as diferenças entre a Igreja 
como organização e como orga­
nismo, destacando a importância 
de manter a essência espiritual da 
Igreja em meio à sua necessária 
estrutura organizacional.
Diferenças da Igreja 
como organização
A visão da Igreja como organi­
zação está centrada nos aspectos 
estruturais e adm inistrativos, 
que são necessários para a ma­
nutenção da ordem e eficiência no 
funcionamento de suas ativida­
des. Como uma organização, ela 
deve estar de acordo com as leis 
que regem as organizações. No 
entanto, um foco excessivo nessa 
perspectiva tende a enfatizar a 
institucionalização da Igreja, fo-
obS I ro
cando em posições hierárquicas, 
normas e regulamentos que deli­
mitam como as atividades devem 
ser conduzidas. Embora esses ele­
mentos sejam importantes para 
o funcionamento saudável da 
comunidade, há o risco de se per­
der a essência espiritual da Igreja 
quando ela é vista meramente 
como uma entidade burocrática.
De fato, organizações huma­
nas são construídas e mantidas 
por pessoas com um propósito 
específico, visando a atingir ob­
jetivos temporais e concretos. Po­
rém, a Igreja, embora possua ca­
racterísticas organizacionais, não 
pode ser reduzida a uma simples 
instituição como qualquer outra.
Como observa Gregg Allison, a 
igreja é "uma instituição com pro­
pósitos divinos e uma missão ce­
leste que a distingue de qualquer 
outra organização" (Allison, 2010, 
p. 56). Isso significa que, embora 
a organização seja necessária, ela 
deve sempre estar subordinada à 
natureza espiritual e ao propósito 
divino que definem a verdadeira 
essência da Igreja.
O pastor Elienai Cabral, teólo­
go pentecostal, também destaca 
a importância de se entender a 
distinção entre a Igreja como or­
ganização e como organismo. Ele 
argumenta que "a igreja não podeser vista apenas como um con­
junto de regras e estruturas, mas
deve ser entendida como o corpo 
vivo de Cristo, que é chamado 
para viver e manifestar a vontade 
de Deus no mundo" (Cabral, 2013, 
p. 87). Para Cabral, a organização 
é necessária, mas deve ser serva 
da missão espiritual da Igreja, e 
não o contrário. A centralidade de 
Cristo como Cabeça do Corpo (Ef 
1.22-23) é o que confere à Igreja a 
sua verdadeira identidade, que 
transcende qualquer estrutura 
humana.
Além disso, a ênfase excessiva 
na organização pode levar à insti­
tucionalização da fé, onde a vida 
espiritual e a experiência comu­
nitária são relegadas a segundo 
plano. "A Igreja não é uma mera
organização, mas uma comunida­
de de fé que vive sob a liderança 
de Cristo e a direção do Espírito 
Santo" (Allison, 2010, p. 60). Isso 
ressalta a necessidade de equilí­
brio: a organização deve servir ao 
propósito espiritual, facilitando a 
adoração, o discipulado e a mis­
são, sem sufocar a vida espiritual 
dos membros.
Outros teólogos, como o clás­
sico Donald Gee, também aborda­
ram essa questão, argumentando 
que "o perigo de ver a igreja 
apenas como uma organização 
é que isso pode resultar em uma 
estrutura morta, onde o Espírito 
Santo é substituído por sistemas 
humanos de controle" (Gee, 1955, 
p. 34). Gee, ainda no século pas­
sado, na década de 1950, enfatiza 
que, embora a organização seja 
necessária para manter a ordem, 
ela nunca deve substituir a lide­
rança do Espírito Santo na vida 
da Igreja. Assim, a Igreja precisa 
sempre buscar ser um organismo 
vivo e vibrante, que está enraiza­
do em Cristo e é movido pelo Es­
pírito para cumprir a sua missão 
no mundo.
A Igreja como organismo
A Igreja como organismo é 
uma realidade viva e dinâmica, 
composta por crentes unidos em 
Cristo e movidos pelo Espírito 
Santo. O apóstolo Paulo descre­
veu a Igreja como o "corpo de 
Cristo" (ICo 12.27), uma metáfora 
que ilustra a interdependência e 
a unidade entre seus membros. 
Cada crente, como parte desse 
Corpo, tem uma função especí­
fica, contribuindo para o cresci­
mento e a edificação mútua.
Esse entendimento de Igreja 
como organismo vivo enfatiza
O B S 1 R O
que ela não é um edifício ou 
uma instituição, mas, sim, um 
conjunto de pessoas regeneradas 
que vivem e atuam sob a direção 
de Cristo, a Cabeça do Corpo (Ef 
4.15-16). A dinâmica da Igreja 
como organismo vivo implica em 
crescimento, adaptação e multi­
plicação, características que não 
se limitam às estruturas formais 
de uma organização.
Gregg Allison nos leva a com­
preender que a Igreja como or­
ganismo está fundamentada em 
uma conexão vital com Cristo e 
em uma profunda dependência 
do Espírito Santo. Isso significa 
que a Igreja não apenas sobrevi­
ve, mas prospera e cresce, mes­
mo em meio a adversidades. Essa 
vitalidade não está vinculada à 
eficiência de suas estruturas or­
ganizacionais, mas à sua natureza 
espiritual, que é alimentada pela A
15
relação íntima com Cristo (Cl 1.18). 
A metáfora do Corpo de Cristo 
utilizada por Paulo em suas epís­
tolas destaca que cada membro 
da Igreja possui uma função es­
sencial, e o crescimento saudável 
do Corpo depende da atuação 
harmoniosa e interdependente de 
todos os seus membros.
Quando a Igreja permanece 
enraizada em Cristo, ela está 
capacitada a enfrentar as di­
ficuldades, pois sua força não 
vem das estratégias humanas, 
mas da presença e da ação do 
Espírito Santo. Allison coloca a 
prosperidade da Igreja em tem­
pos difíceis como uma evidência 
de sua vitalidade espiritual, que 
é sustentada pela comunhão com
Cristo e pela obra contínua do 
Espírito (Allison, 2010, p. 73).
“A igreja verdadeira é aquela 
que se mantém firmemente ligada 
à videira, que é Cristo, e dela extrai 
a seiva espiritual que a faz crescer e 
frutificar" (Cabral, 2013, p. 45). Essa 
seiva espiritual, ou seja, o poder 
vivificante do Espírito Santo, é o 
que capacita a Igreja a não apenas 
sobreviver em meio às tribulações, 
mas a florescer, expandir e cumprir 
a sua missão dada por Deus. Quan­
do a Igreja depende do Espírito e 
não apenas de suas capacidades 
organizacionais, ela experimenta 
um crescimento genuíno, que é 
tanto numérico quanto espiritual.
A história da Igreja está reple­
ta de exemplos nos quais, apesar
das limitações organizacionais 
ou da perseguição, a Igreja flo­
resceu. Isso ocorre porque, como 
organismo vivo, sua vitalidade 
não depende das circunstâncias 
externas, mas da presença cons­
tante de Cristo em seu meio (Mt 
28.20). Quando a Igreja mantém 
essa conexão, ela é capaz de ser 
uma testemunha poderosa da 
graça de Deus no mundo, in ­
dependentemente dos desafios 
que enfrenta. Esse crescimento, 
alimentado pela vida em Cristo, 
reflete o caráter sobrenatural da 
Igreja como um organismo que 
transcende as fronteiras do tem­
po e do espaço.
Além disso, Donald Gee argu­
menta que a verdadeira vitalidade
da Igreja se manifesta quando ela 
é movida pelo Espírito Santo, que 
a guia, a capacita e a enche de 
poder para cumprir a sua missão 
(Gee, 1955, p. 47). Gee sugere que a 
dependência do Espírito não ape­
nas sustenta a Igreja em tempos 
difíceis, mas também a torna uma 
força transformadora no mundo. 
Quando a Igreja reconhece que 
sua força reside em sua conexão 
com Cristo e em sua submissão ao 
Espírito, ela se torna um farol de es­
perança e uma fonte de renovação 
espiritual para todos ao seu redor.
A Igreja e a sua 
missão no mundo
A missão da Igreja no mundo 
é ser sal e luz (Mt 5.13-14), refle­
tindo o caráter de Cristo e procla­
mando o evangelho da salvação. 
A Igreja, como organismo vivo, 
é chamada de participante ativa 
da obra redentora de Deus, sendo 
um agente de transformação em 
um mundo caído.
A Igreja, como organism o 
vivo, é chamada para ser uma
luz no mundo, cum prindo a 
missão dada por Cristo de fazer 
discípulos de todas as nações 
(Mt 28.19-20). No entanto, essa 
missão vai além de uma simples 
proclamação do evangelho. Ela 
envolve também o discipulado, 
o ensino e o serviço, todos en­
raizados no modelo de vida de 
Cristo. Ronaldo Lidório, em sua 
abordagem missiológica, enfatiza 
que "a missão da igreja é integral, 
envolvendo tanto a proclamação 
do evangelho quanto a transfor­
mação da sociedade por meio 
do serviço e da justiça" (Lidório, 
2014, p. 89). Isso reforça a ideia de 
que a missão da Igreja é abran­
gente, tocando todas as esferas 
da vida humana.
A Igreja é enviada ao mundo, 
mas, como Jesus afirmou, não 
pertence a este mundo (Jo 17.16- 
18). Isso significa que, embora a 
Igreja esteja inserida em contex­
tos culturais e sociais específicos, 
sua missão é transcender essas 
barreiras e operar como uma 
embaixadora do Reino de Deus. 
Lidório também destaca que "a
igreja é a manifestação visível do 
Reino de Deus na terra e, como 
tal, deve refletir os valores do 
Reino em suas ações e palavras" 
(Lidório, 2014, p. 92). Portanto, a 
Igreja deve estar profundamente 
engajada no mundo, mas sempre 
com uma perspectiva que reflete 
os valores do Reino, como justiça, 
amor e compaixão.
Essa perspectiva de missão 
não se limita apenas à evangeli- 
zação, mas abrange o discipulado 
integral, onde os novos crentes são 
ensinados a observar tudo o que 
Cristo ordenou (Mt 28.20). John 
Stott, renomado teólogo do século 
passado, também argumenta que 
“a missão da igreja não é completa 
sem o discipulado, pois a evange- 
lização sem discipulado resulta 
em conversões superficiais que 
não transformam vidas" (Stott, 
1975, p. 125). Assim, o discipulado 
é essencial para que a Igreja possa 
cumprir a sua missão de forma 
plena, conduzindo os crentes a 
uma maturidade em Cristo.
O serviço, como parte inte­
grante da missão da Igreja, reflete Á
OB
17
REIRO
o próprio ministério de Cristo, 
que "não veio para ser servido, 
mas para servir e dar a sua vida 
em resgate por m uitos" (Mc 
10.45). "A missão da igreja inclui 
o serviço sacrificial em favor dos 
necessitados, que é uma expres­
são concreta do amor de Deus em 
ummundo quebrado" (Lidório, 
2014, p. 98). Quando a Igreja serve 
aos outros, ela manifesta o cará­
ter de Cristo e avança o Reino de 
Deus na terra.
Stanley Horton destaca que 
a missão da Igreja está intima­
mente ligada à capacitação do 
Espírito Santo, que concede poder 
para testemunhar e operar mila­
gres (At 1.8). Segundo Horton, 
"o Espírito Santo é o motor que 
impulsiona a missão da igreja, 
capacitando-a a alcançar os con­
fins da terra com o evangelho" 
(Horton, 1994, p. 112).
Finalmente, o ensino é outro 
aspecto crucial da missão da 
Igreja, pois ela é chamada a ser 
uma comunidade de aprendiza­
do, onde a Palavra de Deus é en­
sinada, compreendida e aplicada 
à vida diária dos crentes. Como 
observa Elienai Cabral, "o ensino 
bíblico é o alicerce sobre o qual a 
igreja é edificada, capacitando os 
crentes a viverem de acordo com 
a vontade de Deus e a cumprirem 
sua missão no mundo" (Cabral,
2013, p. 57). Portanto, a missão da 
Igreja como organismo vivo en­
volve uma combinação equilibra­
da de evangelização, discipulado, 
ensino e serviço, todos realizados 
sob a liderança do Espírito Santo.
Conclusão
A compreensão da Igreja como 
organismo vivo nos convida a 
uma reflexão mais rica e profun­
da de sua missão no mundo. Não 
se trata apenas de administrar 
eficientemente uma instituição, 
mas de viver e manifestar a vida 
de Cristo em todas as esferas de 
nossa existência. A Igreja, como 
Corpo de Cristo, é chamada a re­
fletir os valores do Reino de Deus, 
operando sob a direção do Espíri­
to Santo e cumprindo a missão de 
ser sal e luz no mundo. Quando 
a Igreja permanece conectada a 
Cristo, ela não apenas sobrevive, 
mas prospera, mesmo em meio às 
maiores adversidades, pois sua 
força e vitalidade vêm diretamen­
te de sua relação com a Cabeça, 
que é Cristo.
A verdadeira vitalidade da 
Igreja não pode ser medida ape­
nas pela eficácia de suas estru­
turas organizacionais, mas pelo 
seu compromisso com a missão 
dada por Deus. Isso inclui a 
evangelização, o discipulado, o
ensino e o serviço, todos realiza­
dos com a capacitação do Espírito 
Santo. Como organismo vivo, a 
Igreja é uma comunidade de fé 
dinâm ica, onde cada membro 
desempenha um papel essencial 
no cumprimento dessa missão. 
A dependência contínua do Es­
pírito e a centralidade de Cristo 
em todas as suas atividades são 
o que mantêm a Igreja vibrante e 
capaz de ser um farol de esperan­
ça em um mundo em constante 
transformação.
Por fim, a Igreja, como orga­
nismo vivo, deve sempre lembrar 
que sua verdadeira força reside 
em sua conexão com Cristo e em 
sua submissão ao Espírito Santo. 
Quando a Igreja compreende e 
vive essa realidade, ela não só 
cresce em número, mas também 
em profundidade esp iritu al, 
cumprindo fielmente a missão 
que Deus lhe confiou. Ao manter 
essa visão, a Igreja estará prepa­
rada para enfrentar os desafios 
do presente e do futuro, conti­
nuando a ser uma poderosa tes­
temunha da graça e do poder de 
Deus no mundo. A Igreja, em sua 
essência como organismo vivo, é 
chamada a ser uma comunidade 
de transformação, refletindo a 
glória de Deus e promovendo 
o avanço dos princípios do Seu 
Reino na terra. ®
Referências
ALLISON, Gregg. Eclesiologia: Uma teologia para peregrinos e estrangeiros. São Paulo: Vida Nova, 2021. 
CABRAL, Elienai. Manual da Igreja: Orientações bíblicas e práticas para o cotidiano da Igreja. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2013.
GEE, Donald. O Caráter do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1955.
HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1994. 
LIDÓRIO, Ronaldo. Missão Integral: A Igreja e seu propósito no mundo. São Paulo: Mundo Cristão, 2014. 
STOTT, John. Cristianismo equilibrado. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.
OB01RO
18
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S
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A
S
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tO
Z
Em quatorze capítulos, o autor mostra que 
apenas líderes espiritualmente maduros
CBO são capazes de conviver com hostilidades e
maturidade
ESPIRITUAL
DO LIDER
rejeições, de suportar as provas de Deus, de 
valorizar o companheirismo, de discernir o 
princípio de autoridade e de adquirir uma 
vida disciplinada. Ricamente embasado nas 
Escrituras e contextualizado com a realidade 
da igreja atual, Silas Queiroz apresenta alguns 
níveis de maturidade que o líder precisa 
alcançar em sua difícil, mas gloriosa 
jornada de serviço a Deus.
Formato: 14 x 21 cm / 216 páginas
Orientações Bíblicas para
um Ministério Eficaz
Silas Queiroz
É pastor na Assembléia de Deus 
em Ji-Paraná (RO) e, também, atua 
como Procurador Geral neste mesmo 
município. Formado em direito pela 
Universidade Luterana do Brasil e 
bacharel em teologia pela Faculdade de 
Teologia Logos (FAETEL).
^ 0800-021-7373 fTT l Livrarias CPAD 
(9 (2 1 )2 4 0 6 -7 3 7 3 O (D © O CPAD
Silas Rosalino de Queiroz é pastor 
na Assem bléia de Deus em Ji- 
Paraná (RO) e assessor juríd ico da 
Convenção Estadual dos Ministros 
e das Igrejas A ssem b lé ias de 
Deus no Estado de Rondônia 
(CEM ADERON).
A igreja, como 
organização, é 
pessoa jurídica 
de feição própria 
e específica, que 
deve desfrutar 
de liberdade 
de criação, 
organização, 
estruturação 
interna e 
funcionamento
Silas Rosa hino de Queiroz
A Igreja e sua 
terrenas de oi
esus percorria cidades da 
Galileia, Samaria e Judeia 
junto com Seus discípu­
los e uma multidão que 
os acompanhava. Era sua igreja 
em um sentido prático e imedia­
to - e um embrião da Igreja que 
seria por Ele edificada (Mt 16.18). 
Aquele ajuntamento de pessoas 
não estava isento do cumprimen­
to das leis da época, o Direito Ro­
mano, vigente nas terras de Israel. 
Diante das ardentes divergências 
políticas na questão dos impostos, 
os fariseus planejaram criar uma 
crise entre Jesus e o poder gover­
nante - ou um conflito entre Ele e 
o povo. Para tanto, enviaram seus 
discípulos para lhe perguntar: "E 
lícito pagar o tributo a César ou 
não?" (Mt 22.17).
O texto nos mostra que Jesus, 
conhecendo a malícia dos seus 
inquiridores, pediu a eles que lhe 
mostrassem uma moeda e lhes res­
pondeu, perguntando: "De quem 
é esta efígie e sua inscrição?". A 
resposta continha a solução da con­
trovérsia: "De César". Jesus profe­
re, então, a célebre sentença: "Dai, 
pois, a César o que é de César e a 
Deus, o que é de Deus" (Mt 22.21). 
Esta passagem bíblica continua 
sendo um verdadeiro texto áureo 
para o estudo do relacionamento 
entre os seguidores de Jesus e o 
Estado, seja na vida individual 
(pessoa física), seja no coletivo cris­
tão local (a igreja organizada como 
pessoa jurídica).
Enquanto cumpre seu papel 
espiritual na terra - de comunhão, 
adoração, proclamação e ensino 
-, a Igreja precisa organizar-se e 
funcionar de acordo com as leis 
terrenas, as quais, aliás, mudam 
conforme o lugar. Países e Esta­
dos - e até Municípios, em alguns 
casos - possuem regras distintas 
para as organizações religiosas, 
as quais devem ser seguidas (Rm 
13.1), se não ultrapassarem o limi­
te identificado e observado desde 
os tempos apostólicos: a vontade 
Deus, pois "mais importa obede­
cer a Deus do que aos homens" 
(At 5.29).
Pessoa jurídica
Personalidade juríd ica é a 
capacidade de ser titular de di­
reitos e deveres. São sujeitos com 
tal aptidão as pessoas físicas e as 
pessoas jurídicas. As pessoas físi­
cas ou naturais são todos os seres 
humanos, desde o nascimento 
com vida - embora a lei assegure 
direitos também ao nascituro (feto 
ou embrião), desde a concepção (o 
início do processo de gestação). Já 
as pessoas jurídicas se dividem 
em (1) pessoas jurídicas de direito 
público e (2) pessoas jurídicas de 
direito privado. Sem descer a deta­
lhes, consideremos, apenas, que as 
primeiras são entes públicos, tais 
como a União, os Estados e os Mu­
nicípios, enquanto as segundas 
são entes privados: associações, 
sociedades (empresas), fundações,
necessidades 
‘ganização
organizações religiosas e partidos 
políticos. O Código Civil Brasilei­
ro trata dessetema no Livro I de 
sua Parte Geral, especialmente 
nos artigos 1° 2o, 40,41 e 44.
As igrejas são pessoas jurídi­
cas de direito privado, enquadra­
das no Código Civil vigente (de 
2002) como "organizações religio­
sas". Por um equívoco legislativo, 
foram inicialmente tratadas como 
"associações". Mas a alteração 
promovida pela Lei n° 10.825/2003 
devolveu-lhes o conceito correto, 
mantendo a liberdade de criação, 
organização, estruturação interna 
e funcionamento, como dispõe o 
§ Io do art. 44 do código já cita­
do. Antes dessa correção, houve 
grande e polvorosa preocupação, 
inclusive com a alteração de esta­
tutos de centenas (talvez milha­
res) de igrejas. A modificação da 
Lei Civil atendeu ao que deter­
mina a Constituição Federal: que 
o Estado não embarace o funcio­
namento dos cultos religiosos e 
igrejas (artigo 19, inciso I).
Conclui-se, portanto, que a 
igreja é uma pessoa jurídica de fei­
ção própria e específica, que deve 
desfrutar de liberdade de criação, 
organização, estruturação interna 
e funcionamento, princípios que 
devem estar contemplados em 
todo o ordenamento jurídico que 
lhe atinge. Malgrado a existência 
de regras que nem sempre obser­
vam a rigor o postulado constitu­
cional, este artigo visa apresentar,
A
OB
21
REIRO
de forma sintética e simples, as 
necessidades terrenas de organi­
zação da igreja, que começa por 
sua constituição e registro como 
pessoa jurídica.
Atos constitutivos e 
Regimento Interno
Como toda a pessoa que nasce 
e precisa ser registrada, as igre­
jas locais necessitam passar pelo 
mesmo processo. Isso é feito a 
partir da lavratura de uma ata, 
na qual os constituintes da igreja 
declaram sua união de vontade 
e propósito, dando um nome à 
organização religiosa nascente e 
indicando seus dirigentes, além 
de informar sua sede, sua loca­
lização física. Esses documentos 
originários são levados ao Car­
tório de Registro das Pessoas 
Jurídicas para a devida anotação 
registrai. Feito isso, poderá a igre­
ja solicitar seu cadastro em outros 
órgãos estatais, como a Receita
Federal do Brasil, responsável 
pelo Cadastro Nacional de Pes­
soas Jurídicas (CNPJ).
Ainda sobre o aspecto cons­
titutivo, é preciso considerar a 
necessidade que a igreja tem de, 
como organização, estabelecer suas 
próprias regras de funcionamento. 
Algumas igrejas se recusam a essa 
formalização, embora isso seja ne­
cessário até mesmo para garantir 
a sua autonomia organizacional, 
como prevê o texto constitucio­
nal. É salutar, contudo, que não se 
exagere na criação de regras, pois, 
como corpo espiritual, a Igreja 
possui a Bíblia como sua regra 
de fé e prática. O Estatuto Social 
deve ser econômico, identificando 
a natureza da organização, suas 
finalidades, seus membros e res­
pectivas obrigações, seu governo 
e o funcionamento de seus órgãos.
Além do Estatuto Social, que 
é obrigatório (§1° do artigo 44 
do Código Civil), a igreja tem a 
faculdade de instituir um Regi­
mento Interno (RI), detalhando 
o funcionamento da instituição. 
Como o próprio nome diz, seu ca­
ráter é interno. E um instrumento 
complementar ao estatuto, com o 
objetivo de tratar, com mais deta­
lhes, de atribuições, funções, pro­
cedimentos, atividades e regras 
gerais de cumprimento interna 
corporis. Algumas igrejas usam o 
RI para prever um grande feixe de 
normas, muitas delas relativas a 
usos e costumes. E preciso refletir 
acerca disso, especialmente diante 
de características regionais e tem­
porais de muitas dessas práticas. 
Ademais, se o poder transforma­
dor do Evangelho não houver al­
cançado o coração dos conversos, 
não será um Regimento Interno 
que o fará.
Há certos temas a respeito dos 
quais não pode haver lacunas ou 
dubiedades nos documentos de 
organização da igreja, como é o 
caso da tão falada identidade de 
gênero. Em uma "era de tantos
OB RO
22
direitos", como diria Norberto Bo- 
bbio, é prudente que a igreja deixe 
bem claro os limites de tolerância, 
prevenindo-se quanto a eventuais 
extrapolações e judicializações em 
torno de pautas tão controvertidas 
atualmente. Contudo, mais uma 
vez, é importante apontar para o 
cuidado com o excesso de regras. 
É mais razoável que haja, no esta­
tuto, tudo o que for fundamental 
quanto a direitos e deveres. Dar 
à igreja ares de muito legalismo 
e complexidade jurídica não é 
razoável.
Normas públicas de 
funcionamento
Mesmo tendo as Escrituras Sa­
gradas como regra de fé e prática, 
e desfrutando, perante o Estado, 
de autonomia para deliberar sobre 
o seu funcionamento, por meio de
regras endógenas (Estatuto e RI), 
a Igreja, como organização, está 
sujeita a normas públicas relati­
vas a questões tangíveis, como a 
tributária, resolvida por Jesus - 
dar a César o que é de César -, as 
quais não podem ser desprezadas. 
Também tangível é a existência 
de um templo, que deve ser cons­
truído seguindo normas técnicas 
de engenharia e urbanismo, e ob­
servar outras posturas comuns à 
localidade, como o zoneamento.
Ainda nesse ponto podem ser 
acrescentadas questões ligadas à 
acústica e normas de segurança, 
que são fiscalizadas pelo Corpo 
de Bombeiros. Há que se obser­
var também as regras relativas ao 
direito da personalidade, contidas 
na Lei n° 13.709/2018, a LGPD, que 
dispõe sobre o tratamento de da­
dos pessoais, e tem, dentre outros 
fundamentos, o respeito à priva­
cidade e à inviolabilidade da in­
timidade, da honra e da imagem.
Em suma, a liberdade religiosa 
prevista na Constituição Federal é 
assegurada "na forma da lei", con­
forme prevê o inciso VI do artigo 
5o do Texto Magno. E preciso ter 
equilíbrio e não confundir nosso 
dever de ter uma conduta correta 
perante o mundo (Mt 5.20) com 
perseguições movidas por ódio 
religioso ou represálias políticas, 
as quais também ocorrem e, quan­
do ocorrerem, devem ser tratadas 
com sabedoria, sob a direção de 
Deus.
Corpo dirigente, previdência 
e imposto de renda
Para muito além do prédio, a 
igreja é, acima de tudo, um gru­
po de pessoas que comungam a 
mesma fé. A parte física é apenas A
■ 1
mê • ' ■ ■ 'JÊrnm lcÍmr j
1 f
mm §m lJJ
a estrutura necessária para as reu­
niões, cultos e outros serviços da 
comunidade local. Em sua orga­
nização, essa igreja precisa de um 
corpo dirigente. Os sistemas de 
governos eclesiásticos variam de 
acordo com a tradição da denomi­
nação. Os principais são: congre- 
gacional, presbiteriano, episcopal 
e representativo. As Assembléias 
de Deus instituíram um modelo 
organizacional misto (episcopal 
e congregacional). Em termos 
de estruturação diretiva, o mais 
comum é que haja um corpo go­
vernante formado por presidente, 
vice-presidente, Io e 2° secretários 
e Io e 2o tesoureiros, e que funcio­
ne fiscalizado por um Conselho 
Fiscal. Tanto a Diretoria quanto o 
Órgão de Fiscalização são eleitos 
pela Assembléia Geral, que é o 
conjunto de obreiros e membros 
locais. Não há, no âmbito público 
- e nem pode haver -, uma lei que 
estabeleça como deve ser formada 
essa estrutura. O que se exige é
que exista e exerça a representação 
da organização religiosa perante 
o Estado e suas instituições. Todo 
corpo precisa de uma cabeça.
Os dirigentes não são remu­
nerados pelo exercício de suas 
funções estatutárias. Contudo, 
se ministros do Evangelho (ofi­
ciais do culto), poderão receber a 
remuneração que lhes é própria, 
denominada côngrua ou preben- 
da pastoral. Assim, o ministro de 
confissão religiosa se torna um 
segurado obrigatório da Previ­
dência Social, como contribuinte 
individual, como prevê o inciso 
V, alínea "c", do artigo 11 da Lei n° 
8.213/1991, ressalvada a hipótese 
de já ter filiação previdenciária em 
decorrência de outro vínculo. A 
igreja, contudo, não será obrigada 
a reter ou recolher a contribuição 
previdenciária correspondente, 
posto que “não se considera como 
remuneração direta ou indireta, 
para os efeitos [da lei de custeio 
da Previdência] os valores despen­
didos pelas entidades religiosas 
[...] com ministros de confissão 
religiosa [...] em face do seumister 
religioso ou para sua subsistência 
desde que fornecidos em condi­
ções que independam da natu­
reza e da quantidade do trabalho 
executado" (§ 13 do inciso III do 
art. 22 da Lei n° Lei n° 8.212/1991, 
a Lei do Plano de Custeio da Pre­
vidência Social).
O ministro de confissão reli­
giosa não mantém vínculo em- 
pregatício com a igreja. Exerce 
seu ofício por vocação divina, 
não preenchendo os requisitos 
que configuram a relação em- 
pregatícia, estatuídos pelo artigo 
3o da Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT): pessoalidade, 
não eventualidade, subordinação 
e onerosidade. Mas quanto ao 
Imposto de Renda Pessoa Física 
(IRPF), segue-se a regra geral, que 
é o dever de retenção na fonte e 
recolhimento à Receita Federal do 
Brasil, pela igreja, do percentual
OB
24
REIRO
correspondente ao valor sujeito à 
tributação, pena de incursão no 
crime de sonegação fiscal, previsto 
na Lei n° 4.729/1965. Para tanto, é 
preciso observar a tabela de tribu­
tação vigente, que prevê as faixas 
remuneratórias e suas respectivas 
alíquotas. Os que recebem valores 
superiores à faixa de isenção ficam 
sujeitos a alíquotas que vão de 
7,5% a 27,5%. Esse leão não perdoa.
Obrigações trabalhistas 
e previdenciárias
Quanto aos empregados em 
geral - todos aqueles que prestam, 
para a igreja, serviços distintos do 
culto, mediante vínculo emprega- 
tício -, é preciso que haja o devido 
registro em Carteira de Trabalho 
e Previdência Social (CTPS), que 
agora é digital. A estes são asse­
gurados os direitos comuns a todo 
e qualquer trabalhador celetista: 
regularidade de salário, FGTS, 
INSS, férias, décimo-terceiro etc.
Geralmente, são agentes ou auxi­
liares administrativos, agentes de 
limpeza e de segurança, operários 
da construção civil, motoristas etc.
O vínculo empregatício se dá 
quando preenchidos os requisitos 
previstos no já mencionado artigo 
3o da CLT. O serviço voluntário 
não está sujeito a registro, prin­
cipalmente por não haver contra- 
prestação. O trabalhador eventual 
e o autônomo também não são 
abarcados pelas regras celetistas, 
seja o registro, sejam os direitos 
incidentes sobre a contrapresta- 
ção, ante a ausência de habituali- 
dade e subordinação.
Imunidade e outras
questões tributárias
É importante examinar, ain­
da que suscintamente, no que 
consiste a imunidade tributária 
das igrejas. Um conceito corrente 
de imunidade é hipótese de não 
incidência tributária constitucional­
mente qualificada. Isso diz respeito 
a patrimônio, renda, serviços e 
entidades sobre os quais a Cons­
tituição Federal veda a instituição 
de impostos. Aliás, é importante 
destacar que a imunidade alcan­
ça somente impostos, conforme 
consta na alínea "b" do inciso VI 
do artigo 150 da Carta Magna, e 
não tributos no sentido amplo. 
O artigo 145 lista como tributos: 
impostos, taxas e contribuintes 
de melhoria. Outros dispositivos 
constitucionais tratam das con­
tribuições especiais (sociais, de 
intervenção no domínio econô­
mico e de interesse de categorias 
profissionais ou econômicas) e do 
empréstimo compulsório. Tributo 
é gênero. Imposto é espécie.
Não há incidência de impostos 
sobre atividades ou patrimônios 
das entidades religiosas e dos tem­
plos de qualquer culto. Portanto, 
a igreja não paga IPVA (Imposto 
Sobre a Propriedade de Veículos
Á
Automotores), ISSQN (Imposto 
Sobre Serviços de Qualquer Natu­
reza), IPTU (Imposto Sobre a Pro­
priedade Territorial Urbana) ou 
ITBI (Imposto Sobre a Transmis­
são de Bens Inter-Vivos). Quanto 
ao IPTU, a imunidade alcança 
não apenas o templo, mas todas 
as suas dependências, inclusive a 
casa pastoral (se de propriedade 
da igreja). Julgando casos concre­
tos, o Supremo Tribunal Federal 
já decidiu que a imunidade atinge 
até mesmo imóveis locados ou va­
gos. O que não pode haver é des­
vio das finalidades essenciais da 
igreja, o que, se provado pelo fisco, 
afasta a imunidade. Quanto ao 
ICMS (Imposto Sobre Circulação 
de Mercadorias e Serviços), além 
da imunidade, sua incidência é 
alheia às atividades da igreja.
Obrigações contábeis
É entendimento consolidado 
que, embora desfrutem de imu­
nidade tributária, as igrejas são 
obrigadas a cumprir obrigações 
acessórias de índole fiscal, den­
tre as quais está a escrituração 
contábil. Isso está dito no artigo 
178 do decreto n° 9.580/2018, que 
regulamenta a tributação, a fis­
calização e a administração do 
Imposto de Renda. Contudo, é 
preciso dizer que, em um exame 
geral do ordenamento jurídico 
pátrio, há um certo vácuo legisla­
tivo quanto a tratar, de forma es­
pecífica, as obrigações acessórias 
ligadas aos templos de qualquer 
culto. Costuma-se, por vezes, in­
vocar dispositivos genéricos ou, 
no máximo, que façam referência 
a instituições de educação ou de 
assistência social sem fins lucrati­
vos, como se observa no artigo 12, 
§ 2o, alínea "c" da Lei n° 9.532/1997.
De qualquer sorte, pode-se di­
zer que o simples fato de a igreja 
possuir obrigações fiscais ligadas 
às questões trabalhistas e previ- 
denciárias às quais está vinculada, 
como já explicitado, faz com que 
tenha de se preocupar com uma 
série de providências adminis­
trativas que não dispensam, de 
forma alguma, as práticas contá­
beis correntes - digitais, em sua 
maioria. Assim, para dar conta 
de tantas tarefas burocráticas 
(apresentadas de forma singela 
e resumida neste artigo), é indis­
pensável que a igreja conte com 
profissionais da área contábil que 
conheçam as especificidades das 
organizações religiosas. É bom 
que esse conhecimento seja não 
apenas teórico, mas também prá­
tico. Isso é importante tanto para 
evitar prejuízos, pela omissão no 
cumprimento de normas, quanto 
para não engessar a igreja, com 
rigorismo excessivo e rotinas 
incompatíveis com o seu caráter 
espiritual, que deve permear e 
orientar toda a sua existência.
É preciso haver sabedoria, 
muita sensibilidade e cautela, 
para não tratar a igreja apenas 
como uma organização humana, 
pois ela é, acima de tudo, uma 
instituição divina. Nesse sentido, 
o papel da liderança espiritual 
é fundamental para que a igreja 
permaneça funcionando como um 
organismo vivo. H
OBRAS PARA O 
ENRIQUECIMENTO DA 
SUA VIDA MINISTERIAL
@ GORDON D. FEE
CRISTOLOGIA
PAU LI NA
Um e stu d o e x e g é t ic o - te o ló g ic o
Cristologia Paulina
G ordon D. Fee
Única em sua abordagem e temática, a obra Cristologia Paulina 
oferece um estudo exaustivo sobre o tema elaborado pelo aca­
dêmico pentecostal Gordon Fee. O autor oferece uma análise 
individual e detalhada das Cartas de Paulo, explorando a 
cristologia de cada uma delas e faz uma síntese exegética da 
cristologia bíblica de Paulo, destacando os seguintes temas:
- O papel de Cristo como o Salvador divino preexistente e 
Salvador encarnado;
- Jesus como o Segundo Adão;
- O Messias judeu e Filho de Deus;
- Jesus como o Messias e Senhor exaltado.
Entre outros assuntos, Fee também explora o relacionamento 
entre Cristo e o Espírito Santo, inclusive tratando da pessoa 
e do papel do Espírito no pensamento de Paulo. Uma leitura 
obrigatória para todos os que se interessam em estudar tanto 
a pessoa de Jesus quanto a teologia de Paulo.
Os Escolhidos
D allas Jen kin s, A m anda Jen kin s e K risten H endricks
Através do devocional Os Escolhidos, o roteirista e diretor da 
série The Chosen, Dallas Jenkins, junto com Amanda Jenkins e 
Kristen Hendricks, conduz os leitores a uma jornada com Jesus 
através dos olhos das pessoas cujas vidas Ele absolutamente 
transformou com Suas palavras, Seu amor e Suas obras: Seus 
discípulos. Este é o segundo livro devocional da série, onde 
eles aprofundam o relacionamento com o Mestre tendo como 
referência as experiências de outras pessoas citadas nos Evan­
gelhos, procurando responder a uma pergunta penetrante: 
"O que significa seguir Jesus de verdade?". Por meio desses 
devocionais, o leitor não vai se esquecer que aquEle que nos 
ama tanto e que deu a Sua própria vida por nós quer um re­
lacionamento crescente conosco. Jesus quer andarconosco, 
manifestar o Seu amor diariamente e mostrar-nos cada vez 
mais quem Ele é. O Senhor espera pacientemente que cada 
um responda a seu convite e tenha uma vida plena de amor 
e felicidade verdadeira segundo a Palavra de Deus.
Rayfran Batista da Silva é pastor 
titular da AD em Santa Inês (MA); 
I o vice-presidente da Convenção 
Estadual das Assem bieias de Deus 
no Maranhão (CEADEMA); pós- 
graduado em Teologia; graduado 
em Filosofia, Letras e História
Pode-se 
afirmar que, no 
pensamento do 
apóstolo Paulo, a 
Igreja não é uma 
sociedade, mas, 
sim, um corpo
Rayfran B a tis ta da Silva
Equilibrando se Organismo e Or
Diariamente, a igre­
ja, como o corpo es­
piritual de Cristo na 
terra, está exposta às 
pressões do materialismo, do se- 
cularismo, do liberalismo teoló­
gico e do mundanismo. Em suas 
múltiplas vertentes, essas quatro 
correntes se opõem frontalmente à 
natureza e aos propósitos da igre­
ja como uma agência do Reino de 
Deus. Quanto mais se aproxima 
o retorno do Senhor Jesus Cristo, 
mais se intensifica a tendência da 
Cristandade em ceder às pressões 
da contemporaneidade com suas 
muitas ideologias e filosofias em 
detrimento dos princípios eternos 
tão bem expressos nas Sagradas 
Escrituras. Basta que se leia com 
a devida atenção as sete cartas en­
viadas por Jesus às igrejas da Ásia 
Menor por intermédio do apósto­
lo João (Ap 2 e 3) para se perceber 
que não é de hoje essa tensão.
A igreja é, na realidade, um 
grupo de pessoas chamadas para 
fora do mundo, do pecado e das 
religiões. Ela é um agente de 
transformação do mundo pelo po­
der do Evangelho de Jesus Cristo. 
Todos os verdadeiros crentes em 
Jesus, espalhados pelo mundo, 
formam a Igreja. Ela não está res­
trita a uma área geográfica e nem 
a um único povo na terra. Este é o 
seu aspecto invisível e universal. 
Neste sentido, refere-se à Cristan­
dade em geral, designa o Corpo 
de Cristo, a Igreja invisível, da
qual Cristo é a Cabeça. "A Igreja 
é um ajuntamento de discípulos 
de Cristo que representa o Reino 
de Deus na terra e cumpre as or­
denanças de seu Senhor Jesus à 
luz das Escrituras. Ao entrarem 
e perseverarem na nova aliança 
pela graça divina, esses discípu­
los desfrutam do Evangelho e 
obedecem a ele por meio de seu 
compromisso mútuo e do Espíri­
to Santo que os regenerou. Tudo 
isso acontece para a edificação 
desta igreja e de outras igrejas, o 
cumprimento de sua missão, o be­
nefício de todos e para a glória de 
Deus, que a redimiu" (BLEDSOE, 
2022, p.257). Conforme o conceito 
acima, a Igreja existe especifica­
mente na nova aliança, e é consti­
tuída de discípulos de Cristo com 
um propósito específico na terra. 
Assim, pode-se afirmar que ela é 
tanto um organismo quanto uma 
organização.
Percebe-se também, em nossos 
dias, algumas atitudes e movi­
mentos entre a Cristandade con­
temporânea que estão causando 
enormes preocupações para a 
liderança conservadora da igreja, 
ao ponto de se tornar motivo de 
estudo, oração e diversas análises 
por parte daqueles que se debru­
çam sobre o tema. Assuntos como: 
igrejas que se declaram progres­
sistas, o aumento daqueles que se 
autodenominam desigrejados e a 
desvalorização do ministério pas­
toral. Diante de atitudes e movi-
Sob a Tensão Entre ganização
mentos como estes aqui citados, a 
atual liderança da igreja tem sobre 
si a responsabilidade de lutar para 
que a mesma não venha a cair em 
tais ciladas.
A necessidade do 
equilíbrio entre organismo 
e organização
A maioria dos teólogos evan­
gélicos está de acordo em afirmar 
que a Igreja de Cristo na terra é 
tanto um organismo como uma 
organização. O Novo Testamento 
ensina que a igreja é um organis­
mo vivo, porém organizado. O 
Senhor Jesus, depois de ter feito a 
profética declaração sobre a edifi­
cação da Igreja como indestrutível 
propriedade Sua (Mt 16.18), fez 
também menção clara da neces­
sidade de organização da mesma, 
ao ensinar sobre a aplicação da 
disciplina na vida dos membros 
da igreja (Mt 18.15-18). O pastor 
e teólogo pentecostal José Gon­
çalves definiu objetivamente este 
aspecto da natureza da igreja: 
"U m o rg an ism o é v isto 
como um conjunto de órgãos 
que constituem um ser vivo. 
Nesse aspecto, um corpo com as 
diferentes funções de seus órgãos 
e membros é entendido como es­
trutura física de um organismo 
vivo. Metaforicamente, a Igreja é 
definida como 'o corpo de Cristo’ 
(ICo 12.27), um organismo vivo, 
cuja cabeça é Cristo (Ef 5.23). As-
Â
sim como um corpo funciona pela 
harmonia de seus membros, da 
mesma forma também a Igreja 
(ICo 12.12). Os membros não exis­
tem independentemente um dos 
outros (ICo 12.21. Portanto, como 
corpo místico de Cristo, a igreja 
existe organicamente" (Gonçalves, 
2024, p.42).
A Igreja é o corpo místico de 
Cristo, do qual Ele é a Cabeça viva 
e do qual os crentes regenerados 
são membros (Ef 1.22,23; Ef 3.4-6). 
"Porque, assim como o corpo é um 
e tem muitos membros, e todos os 
membros, sendo muitos, consti­
tuem um só corpo, assim também 
com respeito a Cristo. Pois, em um 
só Espírito, todos nós somos bati­
zados em um corpo, quer judeus, 
quer gregos, quer escravos, quer 
livres". (ICo 12.12,13). A Igreja, 
assim considerada na qualidade 
de organismo, é, segundo Atos 
15.14, "um povo para o seu nome", 
o qual Deus está atualmente tiran­
do dentre os gentios. Cristo é o seu 
Fundador no sentido de ter sido 
seu Mestre, Construtor e Enviador 
do Espírito, que deu forma real 
ao Corpo de Cristo. Um grande 
número de estudiosos concorda 
que o Pentecostes foi o começo 
histórico da Igreja, já que o Corpo 
de Cristo é formado através da 
atividade do Espírito (ICo 12.13), e 
esta começou suas atividades pú­
blicas no dia de Pentecostes (At 1.5 
e capítulo 2). Bancroft, em sua Teo­
logia Elementar, comenta que "uma 
igreja local é um grupo de crentes 
batizados, reunidos pelo Espírito 
Santo com o propósito de obede­
cer aos princípios e preceitos da 
Palavra de Deus. At 2.41,42; At 
16.5. No Novo Testamento, a Igreja 
é uma organização extremamente 
simples. Todos quantos sejam ca­
pazes de se render a Jesus Cristo 
e realmente o fazem, aceitando-o 
como o Salvador e obedecendo-lhe 
como Senhor, têm o direito de ser
membros. E todos os membros 
estão no mesmo nível" (Bancroft, 
2001, p. 281).
Pergunta-se então: o que é ne­
cessário para o devido equilíbrio 
entre o organismo e a organiza­
ção? O que a igreja pode e deve 
fazer para suportar a pressão do 
materialismo, do secularismo, do 
liberalismo teológico e do munda- 
nismo? Apresento aqui algumas 
poucas e modestas sugestões que, 
se colocadas em prática correta­
mente, poderão, de alguma forma, 
contribuir para o equilíbrio neces­
sário no dia a dia da igreja.
Em primeiro lugar, é 
necessário valorizar 
o conceito de igreja 
conforme seu emprego 
no Novo Testamento 
A Declaração de Fé das Assem­
bléias de Deus no Brasil faz a se­
guinte declaraçao sobre a verda-
deira natureza bíblica da igreja: 
"CREMOS, professamos e ensi­
namos que a Igreja é a assembléia 
universal dos santos de todos os 
lugares e de todas as épocas, cujos 
nomes estão escritos nos céus: 'A 
universal assembléia e igreja dos 
primogênitos, que estão inscritos 
nos céus, e a Deus, o juiz de todos, 
e aos espíritos dos justos aperfei­
çoados' (Hb 12.23). A Igreja foi 
fundada por nosso Senhor Jesus 
Cristo, pois Ele mesmo disse: 'so­
bre esta pedra edificarei a minha 
igreja, e as portas do inferno não 
prevalecerão contra ela' (Mt 16.18). 
Essa pedra é o próprio Cristo: 'Ele 
é a pedra que foi rejeitada por vós, 
os edificadores, a qual foi posta 
por cabeça de esquina' (At 4.11), 
tendo a doutrina dos apóstolos 
por fundamento e Jesus a princi­
pal pedra de esquina: 'edificados 
sobre o fundamento dos apóstolos 
e dos profetas, de que jesus Cristo 
é a principal pedra da esquina' (Ef 
2.20). Ela, a Igreja, é a coluna e fir­
meza da verdade. É a comunidade 
do Senhor. Além de assembléia 
universal dos crentes em Jesus, 
o vocábulo 'igreja' refere-se

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