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A N O 4 8 - N° 1 0 8 - R $ 1 5 , 9 5 APROVADO w w w . c p a d . c o m . b r
C B O
E N T R E V IS T A
Pastor Esequias
Soares, presidente da
Sociedade Bíblica do
Brasil e da Comissão
de Apologética
da CCADB, fala
de apologética e
da Igreja como
organismo vivo e
organização social
A IGREJA:
UM ORGANISMO VIVO
Eduardo Leandro Alves
)
ém m
A IGREJA E SUAS NECESSIDADES
TERRENAS DE ORGANIZAÇAO
Silas Queiroz
EQUILIBRANDO-SE
SOB A TENSÃO ENTRE
ORGANISMO E ORGANIZAÇÃO
Rayfran Batista da Silva
ÉRIOS PAR AEC LESIÁSTI COS:
SUA IMPORTÂNCIA
E SEUS LIMITES
Jesiel Paulino da Silva
O LÍDER COMO PASTOR
E ADMINISTRADOR
Carlos Roberto Silva
A IGREJA
COMO ORGANISMO
E ORGANIZAÇÃO
Por n ecessid ad e , a igre ja se m an ifesta neste m u n d o
m u ita s ve ze s em fo rm a de o rg a n iza çã o social,
m a s ela é, em essê n cia , um o rg a n ism o vivo
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PREPARE-SE PARA APLICAR
EM SUA VIDA TODA A SABED ORIA
DA PALAVRA DE DEUS
BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL
NOVA VERSÃO TRANSFORMADORA (NVT)
Esta edição inclui uma atualização completa dos recursos históricos e traz conteúdo
novo e expandido, a fim de tornar o material ainda mais relevante para sua vida diária.
Novo também é o design das páginas em duas cores, com uma disposição que facilita
o uso dos recursos. Agora com o texto bíblico na NVT para atender a diversos perfis
de leitores: o especialista em exegese bíblica, o pastor que busca um texto confiável
para seus sermões, o leigo que procura uma palavra de inspiração que fale diretamente
à alma e o jovem que espera compreender o que está lendo.
Esta edição contém:
Í l
© Notas de Aplicação Pessoal
e Notas explicativas
© Introdução aos livros bíblicos
© Esboços e Temas centrais
© Perfis dos personagens bíblicos
© Notas Textuais e títulos de seções
da versão NVT
© Quadros, Mapas, Linhas do
Tempo e Diagramas - Dicionário/
Concordância
CARTA DA CPAD
RONALDO R. DE SOUZA
Diretor-executivo
da CPAD
Trata-se de uma
tensão que deve
ser vivida de
forma equilibrada.
Logo, objetivando
fortalecer esse
equilíbrio na
vida das igrejas,
trazemos o tema
Organismo e
organização: duas
facetas da igreja
Nesta primeira edição do ano de 2025 da revista
Obreiro Aprovado, o nosso tema é Eclesiologia. No
caso, estamos tratando mais especificamente sobre a
Igreja como organismo vivo e como organização so
cial. Tratam-se de duas facetas importantes da igreja: ela é, em es
sência, um organismo vivo; porém, diante das demandas legais
deste mundo e de sua necessidade de organização, ela também
se comporta muitas vezes como uma organização social. Trata-
-se de uma tensão que precisa ser vivida de forma equilibrada.
Logo, objetivando fortalecer esse equilíbrio na vida das igrejas,
nesta edição, trazemos artigos que auxiliam na compreensão e na
abordagem do assunto.
Os articulistas e seus respectivos subtemas são os pastores
Eduardo Leandro Alves (PB), que fala sobre a Igreja como orga
nismo vivo; Silas Queiroz (RO), que discorre sobre a Igreja como
organização social; Rayfran Batista (MA), que trata sobre o equilí
brio que deve haver na igreja ao lidar com essa tensão de ser tanto
um organismo vivo como uma organização social; Jesiel Paulino
(Espanha), que fala sobre ministérios paraeclesiásticos; e Carlos
Roberto, presidente da Convenção de Ministros das Assembléias
de Deus em São Paulo e Outros (Comadesp), que fala do líder de
igreja como pastor e administrador.
Nosso entrevistado, falando também sobre esse tema, é o pas
tor Esequias Soares, líder da Assembléia de Deus em Jundiaí (SP)
e presidente do Conselho Administrativo da Sociedade Bíblica
do Brasil e da Comissão de Apologética da Convenção Geral dos
Ministros das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus do Brasil
(CGADB).
Certo de que esta edição da revista Obreiro Aprovado será
bênção para a sua vida e ministério, concluímos desejando uma
excelente leitura. Até a próxima edição!
OB
3
REIRO
ANO 4 8 - N° 108 - Io TRIM ESTRE 2025
Presidente da Convenção Geral
José Wellington Costa Junior
Presidente do Conselho Administrativo
José Wellington Bezerra da Costa
Diretor-executivo
Ronaldo Rodrigues de Souza
Editor-Chefe
Silas Daniel
Editor
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Gerente Financeiro
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Gerente de Produção e Arte
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Gerente de Publicações
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Gerente Comercial
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Chefe do Setor de Arte e Design
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Projeto Gráfico
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Diagramação e Capa
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OBREIRO - R evista evangélica trim estral, criada
em outubro d e 1977, editaaa pela Casa Publicadora
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SUM ÁRIO
06. CARTA À LIDERANÇA PENTECOSTAL
NÃO TEMAS, DEUS ESTÁ COM VOCÊ NESSE PROCESSO DE
APERFEIÇOAMENTO
O pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos Ministros
das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Brasil (CGADB), fala do processo pelo
qual Deus fez Jacó passar como analogia do aperfeiçoamento que Ele opera em nós.
Éui
ce
t-zUI
12. ARTIGO
A IGREJA: UM ORGANISMO VIVO
O pastor Eduardo Leandro Alves, teólogo e líder da Assembléia de Deus em Rio
Tinto (PB), disserta sobre Igreja como organismo vivo, instituído por Deus para for
mar indivíduos regenerados e unidos pela fé em Jesus, cabeça desse corpo místico.
20. ARTIGO
A IGREJA E SUAS NECESSIDADES TERRENAS DE ORGANIZAÇÃO
O assessor jurídico da Convenção Estadual dos Ministros e das Igrejas Assem
bléias de Deus no Estado de Rondônia (CEMADERON) e pastor-auxiliar na AD
em Ji-Paraná (RO), Silas Rosalino de Queiroz, fala dos reclames sociais e jurídicos
que a igreja, vivência por ser ela também uma organização socai.
27. RESENHA
Cristologia Paulina - Gordon D. Fee
Os Escolhidos - Dallas Jenkins, Amanda Jenkins e Kristen Hendricks
28. ARTIGO
EQUILIBRANDO-SE SOB A TENSÃO ENTRE ORGANISMO
E ORGANIZAÇÃO
O tema é discorrido pelo líder da Assembléia de Deus em Santa Inês (MA), pastor
Rayfran Batista, que apresenta a Igreja como organismo que deve ser dirigido pelo
Espírito Santo e como uma organização que precisa seguir os parâmetros legais.
36. ARTIGO
MINISTÉRIOS PARAECLESIÁSTICOS: SUA IMPORTÂNCIA
E SEUS LIMITES
O tema é desfiado pelo pastor Jesiel Paulino, da Assembléia de Deus na
Espanha, que fala sobre a importância desses ministérios e o cuidado que se
deve ter quanto aos limites de suas atividades.
44. ARTIGOa um
grupo de crentes em cada locali
dade geográfica. Ensinamos que
a igreja é una e indivisível: um só
corpo, um só Espírito, uma só fé
e um só batismo. A Igreja envolve
um mistério que não foi revelado
no Antigo Testamento, mas que
foi manifesto aos santos na nova
aliança" (Silva, 2017, pp. 119,120).
A palavra igreja, originada
do termo eklesia, significa literal
mente "chamados para fora" e era
usada para designar "assembléia"
ou "ajuntamento" dos cidadãos de
uma localidade na antiguidade
grega. Temos uma amostra desse
conceito no Novo Testamento.
A Igreja é um grupo de pessoas
chamadas por Cristo para fora do
mundo a fim de serem discípulas
de Jesus e pertencer a Ele, ter co
munhão com Ele e fazer parte da
família espiritual de Deus.
O pastor e professor Antonio
Gilberto faz a seguinte distinção:
"Vejamos as duas principais dife
renças entre estes dois: (1) Um or
ganismo tem vida; uma organiza
ção, não. A Igreja Universal, como
o Corpo de Cristo, como um orga
nismo, não depende de cerimônias,
de reconhecimento, de templos, de
estatutos civis, de livro de atas, de
livros de rol de membros e coisas
semelhantes, mas ela, como or
ganização, necessita de tudo isso
e muito mais, como veremos no
desenrolar deste estudo. A Igreja
Universal permanecerá inabalável
quando tudo isso terminar. (2) Um
organismo tem apenas uma cabe
ça; uma organização pode termais.
Como Corpo de Cristo, a Igreja tem
uma só cabeça, que é Ele mesmo.
Ela é chamada de corpo porque
não só é a expressão visível dEle
aqui, bem como executa a Sua obra
e faz o Seu querer. Paulo, antes da
sua conversão, estava perseguin
do a Igreja aqui na terra, quando
do céu Jesus entrou em ação a A
favor dela, perguntando: 'Saulo,
Saulo, por que me persegues?'.
Perseguindo os membros da Igreja,
Saulo estava perseguindo a Cristo!
Ao passo que ela, como organiza
ção, tem os seus líderes e dirigen
tes locais, regionais e nacionais.
É bem patente em Efésios 4.12-16
que a Igreja é primeiramente um
organismo, mas tanto no livro de
Atos como nas Epístolas vemos
também a Igreja como uma orga
nização local, regional e nacional.
Alguns espiritualizam de tal for
ma a Igreja que o assunto chega
ao ridículo; outros a organizam
tanto com esquemas, planos, roti
na e programas que ela passa a ser
apenas um corpo social como uma
associação qualquer, um clube a
mais" (GILBERTO, 2021).
Em segundo lugar, deve-se
priorizar sempre a Igreja
como Corpo de Cristo
(Ef 1.21,23)
Entre as descrições da Igreja
em o Novo Testamento, a predi
leta de Paulo foi a Igreja como o
Corpo de Cristo. Pode-se afirmar
que, no pensamento de Paulo,
a Igreja não é uma sociedade, é
um corpo. O esboço seguinte nos
faz ver que a ideia de organismo
deve ser priorizada no exercício
da espiritualidade da igreja sem
contudo se negligenciar o seu as
pecto organizacional: a) O corpo é
um (Ef 4.4); b) o corpo tem muitos
membros (ICo 12.12); c) o corpo é
de Cristo (Cl 2.16); d) Cristo é a ca
beça do corpo (Ef 4.12; Cl 1.18-22);
e) o corpo vai crescendo (Cl 2.19);
f) o corpo é complemento dEle (Ef
1.23); g) o corpo está sendo edifica-
do (Ef 4.12); e h) o corpo deve ser
bem ajustado (Ef 4.16).
Em terceiro lugar, é
necessário cumprir
cabalmente a sua
missão prioritária
A missão prioritária da igreja
na terra jamais deve ser confun
dida com influência política ou
com outras ações de beneficência.
Ainda que os verdadeiros discípu
los de Cristo devem também estar
comprometidos com a prática das
boas obras de ajuda ao próximo,
socorro e suprimento das necessi
dades humanas imediatas, a prio
ridade da igreja, enquanto agente
missionário de Deus ao mundo,
é a proclamação do Evangelho
de Jesus Cristo, as Boas Novas de
salvação aos perdidos. Henry C.
Thiessen descreveu a missão da
igreja em sete itens. Ele diz que
o propósito da igreja é "glorificar
a Deus, edificar-se, purificar-se,
educar seu círculo, evangelizar o
mundo, agir como uma força que
impõe limites e ilumina o mun
do, promover tudo o que é bom".
George Peters ensina de forma
objetiva como pode ser compreen
dida a missão da igreja: "A igreja
cristã tem a solene obrigação de
fazer o seguinte: a) Apresentar a
Cristo de forma viva, clara, eficaz
e persuasiva ao mundo e ao indi
víduo como o Salvador enviado
OB RO
por Deus, o Senhor soberano do
Universo e futuro Juiz da huma
nidade. b) Guiar os povos a uma
relação de fé com Jesus Cristo a
fim de que possam experimentar
o perdão dos pecados e a renova
ção de vida. O homem deve nascer
novamente, se quiser herdar vida
eterna e amizade eterna com Deus.
c) Separar e congregar os crentes
através da realização do batismo,
estabelecendo-os em igrejas atu
antes. O companheirismo consti
tui uma parte vital da vida cristã.
d) Firmar os cristãos na doutrina,
nos princípios e nas práticas da
vida, amizade e serviço cristão,
ensinando-os a observar todas as
coisas. Isso é instrução, a criação
de discípulos cristãos, a cristiani-
zação do indivíduo, e) Treiná-los
a viver no Espírito Santo. Já que a
vida cristã contém exigências e ide
ais sobrenaturais, ela só pode ser
vivida através de uma confiança
plena no Espírito Santo. Se as lições
não forem aprendidas cedo, a vida
crista ficã cercada de frustração e
torpor; a apatia instala-se ou as
pessoas acomodam-se a uma vida
cristã anormal. Essa é a tragédia
de inumeráveis cristãos que nem
mesmo esperam concretizar os ide
ais bíblicos" (PETERS, 2000, p.260).
Em quarto lugar, é
necessário buscar e
preservar os sinais de uma
igreja pura conforme as
Sagradas Escrituras
Aqui estão de forma simplifi
cada alguns dos sinais que devem
identificar a igreja comunidade
dos santos de Deus na terra:
a) Doutrina bíblica (ou pregação
correta da Palavra);
b) Uso adequado das ordenanças
bíblicas (Batismo e Ceia);
c) Aplicação correta da disciplina
eclesiástica;
d) Adoração genuína (Et 5.18-20;
Cl 3.15,17);
e) Oração eficaz (At 4.31-35; At
12.5);
f) Testemunho eficaz (Mt 28.19,20;
Jo 13.34,35);
g) Comunhão eficaz (At 2.44-47);
h) Governo eclesiástico bíblico
(lTm 3.1-3);
i) Poder espiritual no ministério
(At 1.8; Rm 1.16; 1 Co 4.20; 2 Co
10.3,4);
j) Santidade de vida entre os
membros (lTs 4.3; Hb 12.14);
k) Cuidado pelos pobres (At 4.32-
35; Rm 15.26; G1 2.20);
l) Amor por Cristo (lPe 1.8; Ap 2.4).
Em quinto lugar, a
igreja, bem como sua
liderança, precisa lutar
pela preservação da
membresia regenerada
Uma membresia regenerada,
composta tanto quanto possí
vel de crentes verdadeiros em
seu com promisso e sua vida,
proporcionaria, pelo menos, as
A
seguintes bênçãos dentro e fora
da igreja: "a) Favorece, entre os
membros, o crescimento cristão
e a obediência ao evangelho,
b) Viabiliza, na congregação, o
exercício da autoridade dada
por Cristo com mais responsa
bilidade. c) Assegura a pureza
e a unidade da igreja com mais
eficácia, d) Ajuda a distinguir a
igreja do mundo, protegendo a
sua integridade e credibilidade,
e) Garante o alicerce necessário
para a igreja cumprir sua missão
em tudo o que Deus espera que
ela seja, creia e faça. f) Ilustra,
com mais precisão, as imagens
bíblicas da igreja, a qual fornece
amor e apoio aos membros nesta
vida. g) Abençoa o ministério
dos pastores e permite que os
membros usufruam mais de seus
esforços, h) Protege as pessoas
de se iludirem quanto ao seu
real estado espiritual, i) Serve,
amorosa e honestamente, a mem
bros desobedientes, j) Ampara
as novas gerações ao preservar o
legado do Evangelho, k) Exibe a
beleza do Evangelho e da igreja
universal. 1) Proporciona uma
maior compreensão e valoriza
ção do que significa ser membro,
por exigir e manter expectativas
em relação ao discipulado. m)
Oferece a base necessária para
espalhar os desdobramentos do
Evangelho na sociedade na qual
a igreja está inserida, n) Permite
que o Evangelho vá mais longe
e se espalhe entre as nações, o)
Glorifica e honra a Deus por reve
larSua sabedoria entre o povo a
quem redimiu" (BLEDSOE, 2022,
pp. 315 e 316).
REFERÊNCIAS
Em sexto lugar, é necessário
manter o padrão elevado na
doutrina, na oração e
na liderança da igreja
Em Atos dos apóstolos 2.42-47,
4.31 e 6.1-7, está a verdade central da
quilo que se pode afirmar que pode
ser o segredo do equilíbrio de uma
igreja vibrante, equilibrada e cheia
do Espírito Santo. A doutrina bíbli
ca é o farol de Deus em meio à escu
ridão do mundo sem Deus; a oração
é arma de ataque e de defesa que
Deus colocou à nossa disposição
em todo o tempo da peregrinação
terrena da igreja; e os líderes que
Deus deseja devem ser qualificados
(lTm 3.1-15) e separados para cuidar
da casa de Deus (v. 15).
Em sétimo lugar, é preciso
ouvir o Espírito Santo
É imperiosa a necessidade de se
ouvir a voz do Espírito de Deus en
quanto se conduz a igreja de Cristo,
porque ela não é uma empresa, não
é uma sociedade limitada, não é um
império construído por homens,
mas o Corpo de Cristo na terra com
a missão de glorificar a Deus e ex
pandir o Seu santo Reino (At 13.1-4;
16.7; Ap 2.7,11,17,29; 3.6; 13,22). ■
BLEDSOE, David Allen. Igreja Regenerada. Um a ed esio lo g ia bíblica, histórica e contem porânea. São José dos Campos, SP: Fiel, 2022
BANCROFT, D.D. Teologia Elem entar, D outrinária e Conservadora. São Paulo: Editora Batista Regular, 2011.
ERICSON, Millard. Teologia Sistem ática. São Paulo: Vida Nova, 2015
GONÇALVES, José. 0 corpo de Cristo. O rigem , natureza e vocação da igreja no m undo. Rio de Janeiro: CPAD, 2024
GILBERTO, Antônio. Bíblia de Estudo Antônio Gilberto. Rio de Janeiro: CPAD, 2021
PETERS, George W. Teologia Biblica de M issões. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.260
SILVA, Ezequias Soares da. Declaração de Fé das A ssem bléias de Deus. I a edição. Rio de Janeiro; CPAD, 2017
âÊm
*
Conheça a identidade e as
principais características
dos primeiros cristãos %
o m R O B E R T e .
Cristianismo
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1111
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P r i n c i p a i s Figuras,
da i g r e j a Primitiva
C r e n ç a s e P r á t i c a s
Através desta introdução ao estudo do
C ristian ism o antes de Constantino,
você con hecerá as p rinc ip a is figuras,
cren ças e p rá tica s da Igreja Prim itiva
de 1 00 a 3 0 0 d.C. E ainda como os
c ristão s reagiram a perseguição romana e
aprofundaram sua fé em um am biente hostil.
Ideal para le itura e d iscu ssão em uma
c la sse de esco la dom inical,
um grupo pequeno ou grupo de le itura .
• ^■. Z r ^
— * * * * ' ■jy ■ .. -m»- J r " ’ • “E S l
Jesiel Paulino é pastor, filiado à
Assembléia de Deus no Brasil
(CGADB) e à Assembléia de Deus
na Europa, e teólogo especialista
em Teologia Bíblica há mais de uma
década atuando no pastorado e
plantação de igrejas no continente
europeu.
Na busca de
abordar com
propriedade a
importância e
os limites que
incidem sobre
os ministérios
paraeclesiásticos,
se faz necessário
que avancemos
no processo de
compreensão
da identidade
desses grupos
Jesiel Paulino da Silva
Ministérios pa sua importam
Os m in is té r io s ou
organizações parae-
clesiásticas, embora
não sejam apresen
tados ou recomendados nos es
critos bíblicos, em especial nos
textos normativos da vida da
igreja cristã, são uma realidade
presente no transcurso da histó
ria da Igreja. Desde os primeiros
séculos da igreja, os ministérios
p araeclesiástico s podem ser
constatados como parte de ações
extra-eclesiais que respondiam a
necessidades sociais e educacio
nais da comunidade cristã. Em
bora se possa também ver ações
alhures desses m inistérios na
fase medieval da igreja, é mesmo
a partir da Reforma Protestante
que passamos a ver uma maior
presença nos serviços prestados
à comunidade.
De forma especial, a partir do
movimento das missões e da ex
pansão da igreja missional, bem
como com o surgimento de ações
mais específicas no contexto do
Cristianism o contemporâneo,
pode-se claramente ver o cres
cimento dos movimentos parae
clesiásticos na história da Igreja.
Uma vez que a presença desses
ministérios é uma realidade ao
longo da história, bem como sua
relação com a comunidade cristã
e secular é inquestionável, cabe
mos então aqui analisar qual é
a importância e os limites que
incidem sobre os m inistérios
paraeclesiásticos.
Conceituações
Principiamos este escrito com
a definição de dois conceitos teo
lógicos de relevante compreensão
no papel da missão da Igreja, que
são Missio Dei e Missio Eclesiae.
Reservamo-nos aqui a ocuparmo-
-nos com essas definições sem
a pretensão e a preocupação de
se aprofundar em suas concei
tuações, uma vez que elas aqui
estão apenas para sinalizar um
norteamento de pensamento deste
texto sobre os ministérios parae-
celesiásticos.
Missio Dei
A expressão latina Missio Dei,
que significa "Missão de Deus",
se trata de um conceito teológico
que surge nas primeiras décadas
do século 20 e que passa a ser in
serido sistematicamente no voca
bulário da Teologia Missional na
segunda metade do século 20. A
Missio Dei expressa que a missão
se deriva da natureza de um Deus
Trino e que, por conseguinte, tem
na pessoa de Deus o agente desta
missão, cujo objetivo é salvar e
restaurar a criação divina da sua
corrupção advinda da queda do
homem edênico. Segundo o te
ólogo sul-africano David Bosch
[2011], a missão é um atributo de
Deus, de modo que Deus é um
raeclesiásticos: ia e seus limites
Deus Missionário. A partir des
te núcleo-duro da Missio Dei se
compreende que Deus envia o
Seu povo ao mundo como parte de
Sua missão redentora. Neste con
texto, deve-se pensar na Qahal Is
rael (Congregação de Israel), mais
especificamente do período do
Segundo Templo e, em especial,
na comunidade cristã nascente na
Jerusalém do século 1.
Missio Eclesiae
A essa comunidade cristã, isto
é, a Igreja de Cristo, é conferida
o que denominamos por Missio
Eclesiae. Esta expressão latina, por
sua vez, é emprega em referência
ao papel que confere à igreja na
Missão de Deus. De evidente re
levância está o ato de compreen
dermos que a missão da igreja não
tem origem em si mesma, antes
ela provém da Missio Dei. A igreja
desenvolve o seu papel missional
através de sua ação como agente
do Reino de Deus - por meio de
sua ação de testemunha e propa
gadora do Evangelho de nosso
Senhor e Deus Jesus Cristo.
A com unidade cristãm no
processo de avanço de sua Missio
Eclesiae, nem sempre pode ocupar-
-se em plenitude das ações que são
inerentes à sua missão integral e,
portanto, este é o momento em
que as igrejas locais necessitam
da cooperação dos denominados
ministérios paraeclesiásticos.
Á
Conceituando ministérios
paraeclesiásticos
Os ministérios paraeclesiásti
cos, que, a meu ver, podem em sig
nificativa escala ser conectados ao
que tecnicamente denominamos
por Missio Hominum, tratam-se
de grupos que atuam em forma
de ministérios ou organizações
que servem como apoio em áreas
específicas para as igrejas locais. O
adjetivo paraeclesiástico origina-
-se da junção de duas palavras
gregas, que são: Jiapá + èxzÁqoía,
sendo que ekklesia é o termo que
traduzimos por "Igreja" nos escri
tos neotestamentários. A prepo
sição grega napá, quando usada
junto a elementos que implicam
em ação de movimento, pode ser
traduzida como: "ao lado de, jun
to a"; já o substantivo èxxXqoía,
por se originar da junção da
preposição èx - que significa "de
dentro para fora" com o verbo
xodéco - que, por sua vez, signifi
ca "chamar, convocar" - pode ser
exemplificado em "um grupo de
pessoas chamados para fora de
suas casas para se reunirem em
assembléia pública ou privada".
A partir desta consideração eti-
mológica, pode-se chegar à com
preensão de que os movimentos
paraeclesiásticos são ministérios
ou organizações constituídos para
atuarem junto à igreja local, como
um instrumento de suporte à igre
ja local, a fim de que esta possa
levar a cabo aquilo que lhe confere
no campo da MissioEclesiae. Ao
ampliarmos nossa compreensão
sobre o que são os ministérios
paraeclesiásticos, nós somos nor
teados a compreender que estes
grupos, apesar de atuarem em
apoio à igreja local, possuem au
tonomia, sendo os próprios res
ponsáveis por sua administração,
organização e desenvolvimento.
Todavia, essa autonomia não abre
a possibilidade para que se esses
ministérios atuem afastados da
igreja ou na tentativa de substitui-
-la em sua Missio Eclesiae, mesmo
porque eles estão para atuar ao
lado, em apoio às igrejas locais.
Um olhar mais acurado
para os ministérios
paraeclesiásticos
Na busca de abordar com
propriedade a im portância e
os limites que incidem sobre os
ministérios paraeclesiásticos, se
faz necessário que avancemos
no processo de com preensão
da identidade desses grupos.
Essa compreensão se torna mais
ampla e precisa quando investi
gamos o caráter, ou seja, os ele
mentos que caracterizam essas
organizações. D entre outras,
os ministérios paraeclesiásticos
têm relevantes características, as
quais são:
Atuação em campo
específico
Os ministérios paraeclesiás
ticos enfocam e atuam em seg
mentos específicos do serviço
cristão, sejam eles de caráter infra
eclesiam ou daqueles de caráter
extra eclesiam. Quanto ao am
biente interno da igreja, existem
aqueles ministérios que atuam
apoiando as estruturas internas
que estão presentes em muitas
comunidades de fé, como, por
exemplo: 1. Os segmentos etá
rios: ministérios que atuam com
crianças; adolescentes; jovens;
adultos; família; 2. Segmentos de
ensino: discipulado, formação e
treinamento; 3. Segmentos logís
ticos: mídia, som; 4. E, também,
há ministérios que assistem às
igrejas locais nas próprias ativi
dades de culto que realizam. Por
sua vez, no ambiente de atuação
externa da igreja, existem aque
les ministérios que apoiam as
atividades a serem realizadas
que estão relacionadas com a
pregação cristã: 1. M inistérios
que atuam com missão autócto
ne e transcultural - de apoio a
igrejas ou de plantação de novas
comunidades de fé; e 2. Os de
ações apologéticas. Neste contex
to, há também ministérios que
apoiam as igrejas locais em ações
relacionadas com a obra social e
cultural, exercendo atividades de
ação e assistência social - per
manentes ou emergentes, como:
ajudas sociais, campanhas espe
cíficas, construção e manutenção
de hospitais, lares de crianças e
idosos; bem como também há
aqueles ministérios paraeclesi
ásticos que atuam na criação e
manutenção de centros de for
mação educacional, como semi
nários, escolas e universidades.
Desse modo, esses ministérios
paraeclesiásticos, por possuírem
um enfoque específico de recur
sos e ações, conseguem realizar A
39
atividades que as igrejas locais,
muitas vezes, não conseguem
atender de modo eficaz.
Conhecimento e diálogo
efetivo com o contexto
de atuação
Os m inistérios paraeclesi-
ásticos, por concentrarem suas
ações em um segmento cultural
ou social específico, conseguem
delimitar com maior precisão seu
campo de ação e o seu objetivo a
ser alcançado. Dessa forma, con
seguem evitar o círculo vicioso
- onde se está girando ineficaz
mente e realizando sempre mais
do mesmo - e, assim, conseguem
desenvolver a execução de um
círculo virtuoso, onde se gira em
forma espiral, ou seja, girando e
expandindo continuamente com
seus movimentos. Quando se
evolui em um círculo virtuoso, se
avança de forma intencional e não
de forma acidental; logo, se pode
atuar sabendo de quem se necessi
ta para a realização de cada tarefa,
bem como os devidos métodos a
serem empregados e quais as fer
ramentas a serem usadas.
A ação social ou cultural devi
damente elaborada de um minis
tério paraeclesiástico estabelece-
-se como uma ponte entre a igreja
local e a cultura, de modo que se
pode chegar, por meio da Missio
Eclesiae, à revalorização da cultu
ra, o que particularmente prefiro
denominar como "Santificação
da Cultura", onde ocorre o resga
te da Cultura Sagrada, proposta
por Deus ao homem edênico. O
conhecimento e relacionamento
com partes específicas de uma
cultura, realizados por esses mi
nistérios, podem proporcionar às
igrejas locais uma aproximação
mais contextualizada da rea
lidade vivenciada em um con
texto específico. Nesse processo
de contextualização, a ação dos
grupos paraeclesiásticos é muito
contributiva para que a igreja lo
cal possa reavaliar e reposicionar
suas ações missionais, pois a dinâ
mica da sociedade contemporânea
exige uma contextualização con
tínua, não de conteúdo, mas, sim,
da forma. Todavia, sabe-se que o
processo de relação com as mu
danças ocorre de forma diferente
nos segmentos paraeclesiásticos e
nas igrejas locais.
Expansão do estado de “ser
e estar” da igreja local
Uma das grandes ações dos
ministérios paraeclesiásticos é
OB
40
REI RO
que, através de suas atividades,
eles podem contribuir para que
a igreja local reavive sempre a
compreensão de que ela é parte
do Corpo Místico de Cristo e não
que ela seja o próprio Corpo de
Cristo. Os membros de uma igreja
local, ao envolverem-se nas ações
realizadas pelas organizações pa-
raeclesiásticas, têm a oportunida
de de desenvolverem a comunhão
e unidade com irmãos de outras
congregações e denominações,
em prol de levar a cabo a Missio
Eclesiae, ou seja, a missão de ser
agente do Reino de Deus no con
texto onde se está inserido. Ao
envolverem-se nestas ações, os
membros de uma igreja local tam
bém podem ser potencializados
em seu processo de crescimento
no exercício do seus dons, talentos
e ministérios. Quanto ao aspecto
intraeclesial, uma igreja local em
muito ganha ao envolver-se com
as atividades realizadas pelos
ministérios paraeclesiásticos, pois
ela pode assim oferecer aos seus
membros um serviço cristão es
pecializado, o qual nem sempre
- em verdade, poucas vezes - está
preparada para oferecer. Cabe-nos
refletir que a razão de ser da igreja
é levar a cabo a Missio Dei e que
ela deve estar plenamente focada
em realizar essa missão por meio
de suas ações de práticas diárias.
Por isso, ela deve, sim, contar com
o apoio dos ministérios paraecle
siásticos, que podem otimizá-la
nessa execução missional.
Um recorte de reflexão:
capacidade de flexibilidade
e resposta rápida
Esses m inistérios possuem
uma rápida e eficaz capacidade
de resposta, o que torna para
eles mais curto o caminho en
tre intenção e ação, e isso é algo
extremamente relevante em um
contexto como o da modernidade
tardia, onde o tempo é um dos
patrimônios mais valiosos que
uma pessoa pode ter. Essa capa
cidade que têm os ministérios
paraeclesiásticos de flexibilidade
e de rapidez em responder aos
desafios que lhes são impostos
ocorre, entre outras, por algumas
razões básicas:
O sistema de liderança dessas
organizações - Por serem menos
burocráticos, eles possuem uma
maior horizontalidade de gestão
e uma efetiva descentralização de
poderes que resultam em ações
menos letárgicas e ineficazes.
Especialização - Uma outra
razão fundamental para que as
organizações paraeclesiásticas
consigam um significativo índi- A
OB
41
REI RO
ce de agilidade e produtividade
eficaz se deve ao fato de que eles
atuam de forma especializada e
em campos específicos da socie
dade. Está cada dia mais eviden
ciado que os que atuam em muitas
frentes, de forma genérica e não
especializada, desperdiçam po
tencial produtivo, vivem correndo
contrarrelógio e se tornam pro
gressivamente menos relevantes
a cada nova ação.
Conhecimento e contextualiza-
ção - Esses ministérios têm uma
importante capacidade de conhe
cimento do contexto social ao qual
se propõem atender, bem como
possuem também uma relevan
te visão de sua necessidade de
contextualização contínua com
a cultura com a qual dialogam.
Esses elementos, que parecem
ser tão simples e fáceis de serem
discutidos e analisados, e desde
aí propostos mecanismos de ação,
nunca ocorrem de maneirareal e
satisfatória enquanto não se está
intrinsicamente envolvido com a
sociedade e a cultura - não como
uma ação de quem vai a elas, mas
antes, sim, de quem está profun
damente inserido como parte
delas. Por essas razões, os minis
térios paraeclesiásticos podem
adaptar-se mais facilmente que
as igrejas locais para atenderem às
necessidades específicas de uma
comunidade.
Uma mesa de diálogo-ético
Ao longo do desenvolvimento
deste escrito, nós podemos apre
sentar uma compreensão do que
são os ministérios paraeclesiásti
cos e qual a importância que eles
possuem, em especial no contexto
de sua relação com a igreja local.
Agora, todavia, nos cabe pensar
quais são os limites que devem ser
estabelecidos para esses ministé
rios e o porquê dessa limitação.
E inquestionável que não pou
cas instituições paraeclesiásticas
atuam de uma maneira ética e
relevante, reconhecendo os limi
tes do seu campo de ação e ser
vindo como um instrumento de
bênção para a vida da igreja local.
Todavia, é também incontestável
que existem muitos ministérios
que possuem um procedimento
equivocado e, muitas vezes, mal-
-intencionado, tornando-se um
problema para algumas igrejas
que os apoiam. Ao longo de mi
nha jornada ministerial, já pude
presenciar ministérios paraecle
siásticos que não compreenderam
que foram instituídos para atuar
em apoio à igreja local e não como
uma igreja paralela. Eles atuavam
afastando seus participantes da
vida comunitária de suas igrejas
locais. Algumas vezes já pude
presenciar ministérios que atu
aram se tornando receptores de
investimentos financeiros que
deveriam ser entregues à igreja e
não para instituições. E até mes
mo vi pessoas que conduziam
organizações paraeclesiásticas se
vestirem de uma falsa aparência
de piedade e, posteriormente, se
duzirem crentes débeis e cristãos
não nascidos de novo e com esses
constituírem um igreja local.
Não podemos mesclar os bons
e os maus ministérios paraeclesi-
ásticos, pois, como em todo seg
mento cristão, haverá os que atu
am com um bom caráter cristão e
os que assim não fazem; haverá os
que dedicam-se à santificação do
seus ministérios e os que não pro
cedem assim. Logo, devemos bem
saber com quem nos associamos e
estabelecer uma mesa de diálogo-
-ético. Quando é estabelecida
uma mesa de diálogo-ético entre
igrejas locais e ministérios para-
eclesiásticos, o avanço da Missão
da Igreja é relevante e resulta em
glória ao Senhor, edificação dos
cristãos e expansão do Reino de
Deus. Algumas coisas precisam
ser conversadas e oficializadas
em uma mesa que orienta essa
ação conjunta. E sinto-me bastante
confortável com essa apreciação
por presidir um ministério pa-
raeclèsiástico e simultaneamente
servir como pastor sênior em uma
igreja missionária no continente
europeu. Portanto, entendo que
algumas considerações devem ser
ressaltadas, que são:
1) É imprescindível que ambos
os segmentos tenham claros as
suas ações e os seus limites que
lhes cabem na tarefa que realiza
rão em cooperação;
2) Que haja um relacionamen
to pautado por uma autêntica
ética cristã, onde os ministérios
paraeclesiásticos e igrejas locais
alcancem a excelência em comu
nhão.
3) Relevante é que igreja local
e os ministérios paraeclesiásticos
desenvolvam o princípio bíblico
do companheirismo, em especial
que possam se deixar orientar
pela abordagem de Paulo sobre o
companheirismo ministerial.
Considerações conclusivas
Os ministérios paraeclesiásti
cos revelam-se como uma ferra
menta que seguirá em expansão
no desenvolvimento da história
da Igreja. Uma constatação lógica
é que o futuro da Missio Eclesiae,
com o propósito de levar a cabo a
Missio Dei, passa pela ação resul
tante do trabalho conjunto reali
zado por igreja local e ministérios
paraeclesiásticos. H
c a p ítu lo s
24.1 a 28.31
> 4: copíW°s24.1 o 28.51
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j j r a { . 0800-021-7373 jfP jf livrarias CPAD
g ) (21)2406-7373 O (§ ) © O
M A IO R E M AIS
COMENTÁRIO DE
O altam ente respeitado estudioso do
Novo Testamento Craig K.eener é conhecido
por sua pesquisa meticulosa e abrangente.
Esta coleção magistral será um recurso
inestimável para professores e estudantes
do Novo Testamento, pastores, estudiosos
de Atos dos Apóstolos e bibliotecas.
E n ten d a o livro d e A tos
cap ítu lo por cap ítu lo ,
versícu lo por versícu lo!
Em cada volume, ICeener apresenta
o livro de Atos, particularmente questões
históricas relacionadas a ele, e fornece
exegese detalhada de seus capítulos.
■ i l i
l^slfíxa**
VOLUME 4
Plf;
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1/ jn.r
capítulos
M.1 a 28,31
VOLUME 4
CRAIG S. KEEI
A OBRA-PRIMA DE CRAIG S
DOCUMENTADO
ATOS JÁ ESCRITO
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ÕC
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T “iij rV
CAPÍTULOS 3.1 a 14.28 a C INTRODUÇÃO eCAPS. 1.1 a 2.47
h >
c r a i g s . k e e
c r a i g s . k e e
a >
S,Uj C R A I G S. K E E N E R
-z i n 14.282- cap>w'oS 5'Volume 4.
, _c -tia 2.47
Volume 1- Introdução e cap'tu
KEENER AGORA NO BRASIL
Carlos Roberto Silva é pastor, líder
da Assembléia de Deus em Cubatão
(SP), presidente da Convenção
dos Ministros das Assem bléias de
Deus no Estado de São Paulo e
Outros (COM ADESPE), e relator do
Conselho de Doutrina da CGADB
A função pastoral
inclui a direção
dos cultos,
a pregação
e ensino da
Palavra, além do
cuidado com a
membresia
Carlos Roberto Silva
O líder como p
uando se fala em duas
| atividades distintas
'para uma só pessoa,
a primeira impressão
que se “ tem é a de "acúmulo
de funções", o que no caso das leis
trabalhistas compreende algumas
implicações, entre elas - além da
capacitação exigida - o pagamen
to da devida remuneração. Em
algumas profissões, há, inclusive,
discussões sindicais com corren
tes de pensamentos divergentes
sobre a viabilidade ou não dessa
modalidade.
Não é diferente no caso do lí
der como pastor e administrador.
A isso o mundo acadêmico ecle
siástico denomina de bivocação.
Aliás, a primeira murmuração
registrada na Igreja Primitiva foi
por conta desse tema. A Igreja es
tava em seu início, quando surge a
murmuração dos helenistas contra
os hebreus, sob a alegação de que
suas viúvas não estavam sendo
bem atendidas na distribuição di
ária dos suprimentos, uma espécie
de discriminação não proposital,
mas motivada pelo acúmulo de
funções dos apóstolos. Se não,
vejamos o texto.
"Naqueles dias, aumentando
o número dos discípulos, houve
murmuração dos helenistas con
tra os hebreus, porque as viúvas
deles estavam sendo esquecidas
na distribuição diária. Então, os
doze convocaram a comunidade
dos discípulos e disseram: Não
é correto que nós abandonemos
OB01RO
a palavra de Deus para servir às
mesas. Por isso, irmãos, escolham
entre vocês sete homens de boa
reputação, cheios do Espírito e
de sabedoria, para os encarregar
mos desse serviço. Quanto a nós,
nos consagraremos à oração e ao
ministério da palavra. O parecer
agradou a todos. Então elegeram
Estêvão, homem cheio de fé e do
Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Ni-
canor, Timão, Pármenas e Nicolau,
prosélito de Antioquia. Apresenta
ram estes homens aos apóstolos,
que, orando, lhes impuseram as
mãos" (At 6.1-6, NAA).
O crescimento da Igreja era de
tamanha proporção que os apósto
los realmente admitiram ter senti
do a murmuração em tese, sendo
necessário resolver o problema.
Considerando que não lhes era
possível acumular tais funções,
manifestaram então as qualifica
ções exigidas e a Igreja, portanto,
fez a escolha e eles, impondo-lhes
as mãos, delegaram aos diáconos o
trabalho da administração social.
Diante de tal iniciativa, tiveram
tempo suficiente para se dedicarem
exclusivamente ao trabalho espi
ritual de se consagrarem à oração
e à Palavra. Naquele momento, o
problema foi totalmente resolvido
com resultadospositivos à Igreja,
tanto que o crescimento doravante
atesta o sucesso da resolução.
Até hoje, algumas igrejas his
tóricas, principalmente as de go
verno congregacional, mantêm
esse sistema, onde há conselhos
astor e administrador
form ados por diáconos e/ou
presbíteros que se encarregam
da administração material e fi
nanceira, enquanto seus pasto
res se dedicam exclusivamente
às coisas espirituais. Em alguns
casos, os pastores presidem esses
conselhos; e em outros, nem deles
participam.
Inicialmente, parece ser uma
combinação com o custo-benef ício
perfeito, porém, sem fazer qual
quer juízo de valor dos sistemas
eclesiásticos, não é o caso da maio
ria das Igrejas Pentecostais, sejam
elas clássicas ou não, onde os pas
tores lideram, auxiliados por um
corpo diretivo que coopera com
ele nessa administração.
No primeiro momento, temos
a impressão de que o modelo im
plantado pelos apóstolos perdurou
durante toda a existência da Igreja
Primitiva, mas não foi o que aconte
ceu. Se analisarmos os conselhos de
Paulo a Timóteo, em sua primeira
carta, provavelmente entre 10 e 15
anos após a eleição dos primeiros
sete diáconos, já existiam presbí
teros que presidiam, além de se
dedicarem também na pregação e
no ensino da Palavra: "Devem ser
considerados merecedores de pa
gamento em dobro os presbíteros
que presidem bem, especialmente
os que se esforçam na pregação da
Palavra e no ensino. Pois a Escri
tura declara: 'Não amordace o boi
quando ele pisa o trigo'. E, ainda: "O
trabalhador é digno do seu salário"
(ffin 5.17-18, NAA).
Á
OB
47
REI RO
Paulo chega a orientar que
eles sejam dignos de duplicada
honra e/ou pagamento em dobro,
pois tinham a incumbência de
administrar, pregar o evangelho
e ensinar o rebanho. Não se sabe
exatamente como e nem quando
aconteceu essa mudança, ou se foi
acontecendo paulatinamente com
o crescimento da Igreja. O certo é
que houve a contextualização do
sistema, por necessidade, senão de
todas, mas de algumas congrega
ções. Possivelmente havia igrejas
que mantiveram o sistema original
e outras que se adequaram à nova
realidade por conta da sua neces
sidade. Paulo diz: "Os presbíteros
que presidem bem...". Eram casos
específicos, mas é certo que já havia
alguns nessa condição de presidir,
pregar e ensinar.
E lógico que é extraordinário
que, em sendo possível, o pastor
se mantenha nas atividades do
ministério pastoral, como orar, se
preparar exclusivamente para a pre
gação e o ensino. Porém, se na Igreja
Primitiva já se tinha tal problema,
imaginemos o grau de complexida
de do tema nos tempos modernos.
E necessário lembrar que, quan
do falamos na função pastoral, ela
não se restringe apenas à direção
de cultos, pregação e ensino da Pa
lavra, mas há de se levar em conta
também o atendimento pastoral à
membresia, como visitas, aconse
lhamentos a jovens, casais e famí
lias, e outras moderações entre os
membros que requerem a presença
do pastor da igreja, e isso não pode
ser descuidado.
Usando o profeta Ezequiel,
Deus falou aos pastores infiéis de
Israel: "Vocês não fortaleceram as
fracas, não curaram as doentes,
não enfaixaram as quebradas, não
trouxeram de volta as desgarradas
e não buscaram as perdidas, mas
dominam sobre elas com força e
tirania. Assim, elas se espalharam,
por não haver pastor, e se tornaram
pasto para todos os animais selva
gens. As minhas ovelhas andam
desgarradas por todos os montes
e por todas as colinas. As minhas
ovelhas andam espalhadas por toda
a terra, sem haver quem as procure
ou quem as busque" (Ez 34.4, NAA).
Mesmo delegando tais respon
sabilidades a líderes auxiliares e
departamentos específicos, é na
tural que em muitas situações a
presença e fala do pastor da igreja
sejam necessárias.
Naturalmente, em uma igreja
madura, com mais tempo de funda
ção e uma membresia maior, há uma
melhor compreensão, o que facilita
uma melhor administração de tais
situações, onde se pode filtrar os
casos de menor importância através
de auxiliares devidamente prepara
dos, conforme o conselho de Jetro,
o sogro de Moisés: "Procure entre
o povo homens capazes, tementes a
Deus, homens que amam a verdade
e odeiam a corrupção. Coloque-os
como chefes do povo: chefes de mil,
chefes de cem, chefes de cinquenta e
chefes de dez, para que julguem este
povo em todo tempo. Toda causa
grave trarão a você, mas toda causa
pequena eles mesmos julgarão; as
sim será mais fácil para você, e eles
o ajudarão a levar essa carga. Se você
fizer isto, e se essa for a ordem de
Deus, então você poderá suportar e
também todo este povo voltará em
paz ao seu lugar. Moisés atendeu às
palavras de seu sogro e fez tudo o
que este lhe tinha dito" (Êx 18.21-24,
NAA).
Outro ponto a se considerar é
que, independente do tamanho da
igreja, da possibilidade de muitos
presbíteros e pastores, o pastor da
igreja será sempre um. Paulo, escre
vendo à igreja de Éfeso, declarou:
"E ele mesmo concedeu uns para
apóstolos, outros para profetas,
outros para evangelistas e outros
para pastores e mestres, com vistas
ao aperfeiçoamento dos santos para
o desempenho do seu serviço, para
a edificação do corpo de Cristo" (Ef
4.11-12, NAA); no entanto, vemos
no livro do Apocalipse, quando o
Senhor Jesus se revelou ao apósto
lo João escrevendo a sete igrejas da
Ásia, endereçando-as ao pastor de
cada uma em particular. Ao final,
a palavra era sempre a mesma:
"Quem tem ouvidos ouça o que o
Espírito diz às igrejas", mas o en-
dereçamento e responsabilidade
recaía sobre o "anjo da igreja" ou
seja, ao "pastor da igreja".
Espiritualmente, como vimos no
texto acima, a igreja como organis
mo é assim que funciona e, do ponto
de vista administrativo, como orga
nização, também assim o é. Como
organização, na constituição civil,
através do estatuto, CNPJ e outros
instrumentos dos órgãos públicos,
a igreja sempre está atrelada ao CPF
do seu principal líder - no caso, o
pastor da igreja.
A Igreja como Corpo de Cristo
não é propriedade do pastor, mas
a responsabilidade da condução
espiritual, segundo a Palavra de
Deus, é dele: "Obedeçam aos seus
líderes e sejam submissos a eles,
pois zelam pela alma de vocês,
como quem deve prestar contas [o
grifo é meu]. Que eles possam fazer
isto com alegria e não gemendo; do
contrário, isso não trará proveito
nenhum para vocês" (Hb 13.17,
NAA). Do mesmo modo, muito
embora a personalidade jurídica
da igreja não seja de sua proprie
dade, a responsabilidade da con
dução desta, de acordo com as leis
do país, e em um sistema episcopal
de governo, também é sua.
Em que pese muitos interpreta
rem de forma adulterada princípios
elementares, a Bíblia não mudou, de
maneira que o líder como pastor ou
administrador, ou ambas as coisas,
não passa de mordomo daquilo
que é de Deus, ou seja, do verda
deiro Dono da Igreja: "Cuidem de
vocês mesmos e de todo o rebanho
no qual o Espírito Santo os colocou
como bispos, para pastorearem a
igreja de Deus [o grifo é meu], a
qual Ele comprou com o seu próprio
sangue" (At 20.28, NAA).
Vimos até aqui muito claramente
que não se trata de uma tarefa fácil
administrar tais responsabilidades.
É necessário ter capacitação espiri
tual e de vida. No mundo secular,
qualquer profissional precisa provar,
normalmente, apenas a sua capaci
tação técnica, mas, no caso daqueles
que são chamados por Deus, essa
capacitação vai muito além; e não
pára por aí: é preciso cuidar também
- e ter o domínio - da sua família:
"Fiel é a palavra: se alguém deseja o
episcopado, excelente obra almeja. E
necessário, pois, que o bispo seja ir
repreensível, esposo de uma só mu
lher, moderado, sensato, modesto,
hospitaleiro, apto para ensinar; não
dado ao vinho, nem violento, po
rém cordial, inimigo de conflitos,
não avarento; e que governe bem a
própria casa, criando os filhos sob
disciplina, com todo o respeito. Pois,
se alguém não sabe governar a pró
pria casa, como cuidará da igrejade Deus?" (lTm 3.1-5). E ainda: "Se
alguém não tem cuidado dos seus e,
especialmente, dos da própria casa,
esse negou a fé e é pior do que o
descrente" (lTm 5.8, NAA).
Todos os cuidados acima são
inerentes àqueles a quem Deus cha
mou para a função pastoral. Agindo
assim, terão o respeito tanto dos que
estão de dentro como dos que estão
de fora, e isso em todos os âmbitos.
Ou seja, o líder, tanto como pastor
e quanto como administrador, deve
ser considerado. Seu currículo espi
ritual, teológico, conjugal, familiar,
comercial, financeiro e administra
tivo deve ter boa aprovação diante
de todos. Segundo a Palavra de
Deus, deve ser "O exemplo dos fi
éis": "Ninguém o despreze por você
ser jovem; pelo contrário, seja um
exemplo para os fiéis, na palavra, na
conduta, no amor, na fé, na pureza"
(Um 4.12, NAA).
O jovem pastor Timóteo não
deveria ser rejeitado, muito me- A
nos desrespeitado, pela sua tenra
idade; em contrapartida, o preço
a ser pago por ele seria o de ser o
exemplo dos fiéis em todas as coi
sas: "...na palavra, na conduta, no
amor, na fé, na pureza". Qualquer
deslize em um desses quesitos o
inviabilizaria como líder e pastor.
O líder da igreja, quer como
pastor ou como administrador,
normalmente é escolhido dentro
do rebanho do Senhor; portanto,
trata-se de um dos Seus servos.
Não é comum, muito menos bí
blico, pessoas estranhas ao or
ganismo para tais serviços, mas
deve ser um entre os ministros
de Cristo e, para tanto, existem
as qualificações pertinentes e,
entre elas, a fidelidade também
é de vital importância: "Assim,
pois, importa que todos nos con
siderem como ministros de Cris
to e encarregados dos mistérios
de Deus. Ora, além disso, o que
se requer destes encarregados é
que cada um deles seja encontra
do fiel" (ICo 4.1-2, NAA).
O líder que se encontra encar
regado de tais responsabilidades
não deve ser um impostor que
vive dando "carteirada" nos ou
tros, mas deve ser considerado
e respeitado naturalmente pela
sua fidelidade ao Senhor e à
igreja. Deve ser dotado de auto
ridade espiritual: "ser apegado à
palavra fiel, que está de acordo
com a doutrina, para que possa
exortar pelo reto ensino e con
vencer os que contradizem este
ensino" (Tt 1.9, NAA).
O líder como pastor e admi
nistrador deve ter cuidado de si
mesmo: "Cuide de você mesmo
e da doutrina. Continue nestes
deveres, porque, fazendo assim,
você salvará tanto a si mesmo
como aos que o ouvem" (lTm
4.16, NAA). Um detalhe muito
importante no conselho acima
ministrado pelo apóstolo Paulo
a Timóteo é que, antes de cuidar
da doutrina e dos outros - e aqui
acrescento: da administração -,
tenha cuidado de si mesmo.
Se o líder não estiver bem com
sua saúde física, mental e espi
ritual, não tem como cuidar das
demais coisas do Reino de Deus. O
acúmulo de tarefas, sem o devido
equilíbrio, poderá acarretar preju
ízos fatais à vida pessoal, à família
e ao ministério. Existem cuidados
que o líder precisa tomar e, para
isso, é necessário muito equilíbrio,
no sentido de que a Obra de Deus
não se torne mais importante do
que o Deus da Obra.
O acúmulo de tarefas pastorais
e administrativas, como direção
de cultos, atendimentos pastorais,
reuniões, viagens, convenções,
simpósios e eventos diversos, já
são normalmente acima do natu
ral, mas acrescentando-se ainda
que, em a igreja crescendo, pode
ganhar relevância e protagonis-
mo, fazendo com que o líder seja
muito mais procurado e absorvi
do por aquilo que naturalmente
representa. A Igreja Primitiva se
tornou relevante na sociedade de
sua época por conta da obra que
realizava: "Diariamente perseve-
ravam unânimes no templo, par
tiam pão de casa em casa e toma
vam as suas refeições com alegria
e singeleza de coração, louvando a
Deus e contando com a simpatia
de todo o povo. Enquanto isso, o
Senhor lhes acrescentava, dia a
dia, os que iam sendo salvos (o
grifo é meu)" (At 2.46-47).
Nos dias de hoje, quando isso
acontece, o assédio social é muito
grande, seja pelas instituições e/
ou autoridades civis, pelos com
promissos ministeriais e denomi-
nacionais e até mesmo por aque
les que veem a igreja meramente
como um público consumidor, os
obHí r o
quais marcam agendas que o líder
finda atendendo por educação,
mas praticamente sem qualquer
resultado concreto. Se não houver
atenção e equilíbrio, tais compro
missos afastam o líder de bons
momentos de oração, meditação
na Palavra de Deus, devocionais,
descanso e momentos com a famí
lia. Relembrando Paulo: "Cuide de
você mesmo".
Há líderes que, além de pasto
rear e administrar a igreja, também
têm a tarefa de ensinar, atuando
como escritores de livros, artigos,
comentaristas de revistas para esco
las bíblicas, palestrantes em Escolas
de Obreiros e Escolas Teológicas,
enfim, atividades que requerem
tempo para estudos, pesquisas e
meditação, um verdadeiro esforço
hercúleo para se administrar. E
necessário muito equilíbrio. Pode
riamos dizer que, do ponto de vista
humano, numa linguagem contábil,
"a contabilidade não zera" ou "o ba
lancete não fecha". É preciso algo a
mais, é preciso fazer a nossa parte
e ainda acreditar no sobrenatural
de Deus. Enfim, ser um líder como
pastor e administrador não é para
quem quer, mas, sim, para quem é
chamado por Deus, valendo o con
selho do escritor aos Hebreus: "E
ninguém toma esta honra para si
mesmo, a não ser quando chama
do por Deus, como aconteceu com
Arão" (Hb 5.4, NAA).
Se fazendo tudo conforme a Pa
lavra, com toda a sabedoria, discer
nimento e equilíbrio, sobrar algum
espinho na carne que venha nos
esbofetear e tenhamos que suportá-
-lo, o Mestre tem o mesmo consolo
dado ao apóstolo Paulo: "A minha
graça é o que basta para você, por
que o poder se aperfeiçoa na fra
queza. De boa vontade, pois, mais
me gloriarei nas fraquezas, para
que sobre mim repouse o poder de
Cristo" (2Co 12.9, NAA). ■
UMA TEOLOGIA BASEADA
NA DEPENDÊNCIA DO
ESPÍRITO SANTO
:
CB€>
CLAITO N IVAN POMMERENING
TEOLOGIA
d a EXPERIÊNCIA
"» '"^ sag rad as Escrituras
PREFÁCIO
_ pp eseq u ia s so a rss
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Q (21)2406-7373 O # © O
Sem perder o equilíbrio entre devoção
e racionalidade, precisamos fazer
teologia pentecostal utilizando a
razão, como a teologia histórica faz,
mas também com devoção, experi
ência e dependência da iluminação
do Espírito Santo. Essa é a proposta
de Pommerening que além de trazer
os fundamentos da doutrina pente
costal dos dons espirituais também
apresenta questões interpretativas
acerca do tema.
Formato: 14,5 22,5 cm / Páginas: 224
ífCNED
CONGRESSONACIONAL
DE ESCOLA DOMINICAL
Até que cheguemos à medida da
estatura completa de Cristo. Efésios 4:13
. . . m & RIOS-W O RKSHO Ps
^ O P A U L O - S P ,
PRÊMIO
PROFESSOR
i DO ANO
\ 2025 /
13 A 1 6 DE MARÇO DE 2025
CONVIDADOS
INTERNACIONAISDIREÇÃO
SAMUEL
PAGAN
ELIENAI
CABRALESEQUIAS
SOARES
13 DE MARÇO/CELEBRAÇÂO
m m
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LOCAL:
ASSEMBLÉIA DE DEUS EM SÃO PAULO
MINISTÉRIO DO BELÉM
Rua Dr.Fomm, 140
Belenzinho/SP
IN FO R M A Ç Õ ES E IN S C R IÇ Õ ES :
(21)2406-7352 ©(2i) 9 6 4 5 2 -2 9 9 0
w w w . c n e d . c o m . b r cb©
http://www.cned.com.brO LÍDER COMO PASTOR E ADMINISTRADOR
O pastor e suas atribuições eclesiásticas e administrativa são abordados pelo
pastor Carlos Roberto da Silva, líder da Assembléia de Deus em Cubatão (SP) e
presidente da Convenção dos Ministros das Assembléias de Deus no Estado de
São Paulo e Outros (COMADESPE).
O pastor Esequias Soares da Silva, líder da Assembléia de Deus
em Jundiaí (SP) e presidente da Sociedade Bíblica do Brasil e da
Comissão de Apologética da CGADB, fala da igreja como organismo
vivo e como organização social.
http://www.cpaddigital.com.br
mailto:assinaturas@cpad.com.br
mailto:cpadweb@cpad.com.br
M ENSAGENS
Conteúdo de a lta
qualidade co n d en
sado em 50 pág inas
Mesmo em se tratando de um apanhado re
sumido dentro de um parco espaço, a revis
ta Obreiro Aprovado em nada perde para o
avanço o derrame de informações em tempo
real que somos bombardeados neste tempo
presente de verdadeiras mudanças.
Pr. O távio Sobrinho (RJ)
A uxiliando no correto
m anuseio d as Escritu ras
A revista Obreiro Aprovado, em sua his
tórica trajetória, tornou-se um instrumento
de auxílio aos que militam na obra do Mes
tre Jesus, ajudando-nos, como recomendou
Paulo ao jovem obreiro Timóteo, a manuse
ar bem a Palavra da Verdade.
Pr. Adelziro C asado Lim a Júnior,
Fortaleza (CE)
M antenedora da
sã doutrina
Em tempos de relativização das Santas
Escrituras, a revista Obreiro Aprovado
insurge, em bom e alto tom, em apreço à
sã doutrina da verdadeira Palavra do nos
so Deus, e isto com conteúdo produzido
por homens valorosos de Deus que muito
contribuem para edificação dos trabalha
dores da vinha do Senhor. Portanto, indico
esta revista a todos os irmãos que querem
acrescentar mais ao seu chamado.
Pr. R inaldo Alves, Brasília (DF)
Conteúdo para se r
um O breiro Aprovado
Se alguém deseja trabalhar na obra de Deus, an
tes de qualquer atitude, deve se apresentar a Ele
e em seguida procurar aperfeiçoamento. A leitu
ra da revista Obreiro Aprovado é uma excelente
forma de estar aprovado e manejar bem a Pala
vra da Verdade, pois o seu conteúdo doutrinário
nos capacita para a nossa missão.
Pr. Antônio Carlos Lorenzetti de M ello,
N atal (RN).
Quer também
mandar sua m ensagem ?
Então escreva para a revista Obreiro Aprovado. Pode
enviar sua mensagem para o email obreiro@cpad.corh.br
ou, se preferir, enviar sua carta para o endereço
Avenida Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro (RJ)
CEP 21852-002.
Esperamos o seu contato!
OB01RO
mailto:obreiro@cpad.corh.br
CA PTA À LID ERA N ÇA PEN TECO STA L
PR. JOSÉ WELLINCTON
COSTA JUNIOR
Presidente da
Convenção Geral dos
Ministros das Igrejas
Evangélicas Assembléias
de Deus no Brasil
A reconciliação
entre Jacó e Esaú
foi resultado do
agir de Deus na
vida do patriar
ca, mudando sua
conduta ao lon
go do processo
regenerador
Não desista, Deus está
contigo nesse processo
de aperfeiçoamento
Todos nós conhecemos a história do patriarca Jacó. Ele
precisou fugir da fúria de seu irmão gêmeo Esaú após
tê-lo enganado e usurpado a bênção que deveria ter sido
dele (Gn 27). Após a despedida, ele parte rumo a Padã-
-Arã, precisamente à casa de Labão, irmão de sua mãe Rebeca,
em busca de guarida e segurança contra qualquer investida de
seu irmão mais velho. Já estabelecido na terra, ele se casa, torna-
-se pai de 12 filhos e enriquece com seu trabalho naquele país
oriental. Mesmo com toda a sua prosperidade, Jacó precisava do
tratamento divino em sua vida para que pudesse voltar à sua ter
ra natal. Urgia a necessidade de Jacó passar pelo tratamento de
Deus para uma real transformação de vida.
O Senhor se revela ao patriarca e ordena que volte para onde
veio (Gn 31.1-55). O peregrino demonstra preocupação e medo;
entretanto, o Altíssimo garante a proteção de anjos a fim de cum
prir a Sua promessa ao filho de Isaque. O refugiado sabia que
havia contas a acertar com o passado e envia um mensageiro a
fim de avisar a Esaú que estava voltando para Canaã, isto é, para
a terra que Deus já havia prometido anteriormente. Creio eu que
Jacó deveria pensar: "O meu irmão já esqueceu o incidente entre
nós dois". Na verdade, o mensageiro serviu como um termômetro
para medir o estado de ânimo de Esaú. Jacó ouve do mensageiro:
"Fomos até seu irmão Esaú e ele está vindo ao seu encontro, com
quatrocentos homens" (Gn 32.6) Jacó temeu por sua segurança e a
de todos que o seguiam. Mas ele precisava do tratamento de Jeová.
Prezado leitor, observemos como se deu o final desse proces
so. A narrativa de Gênesis 33.4 fala da reconciliação entre os dois
irmãos. Esse panorama parece não ter tanta importância assim
quando lemos essa passagem bíblica. A reconciliação entre Jacó e
Esaú foi resultado do agir de Deus na vida do patriarca, que mudou
a sua conduta ao longo do processo regenerador conduzido pelo
Altíssimo. Você almeja mudanças na vida de alguém próximo?
Comece com você esse aperfeiçoamento! Coloque de lado toda a
"razão" que até o momento tem sustentado e se coloque no lugar
que precisa de perdão e quebrantamento. Prezado leitor, cumpriu-
-se assim a promessa do retorno de Jacó a Canaã (Gn 33.18-20).
Esteja certo de que o processo vai passar, por isso mantenha-se
firme e não desista no desenrolar deste processo. Trata-se de uma
etapa em sua vida e o nome do Senhor será glorificado. Ele não
"abortou" o projeto em sua vida mas continuará contigo até o fim!
OB
6
r eí RO
EN TREVISTA
Pastor
Esequias
Soares
As principais
preocupações
doutrinárias
que a igreja
precisa ter
hoje em dia
O entrevistado desta
edição da Obreiro
Aprovado é o pastor
Esequias Soares da
Silva, que é conhecido por sua
liderança eficaz na Assembléia
de Deus em Jundiaí (SP). Gradu
ado em Letras, com habilitação
em Hebraico pela Universidade
de São Paulo, e Mestre em Ciên
cias da Religião pela Universida
de Presbiteriana Mackenzie em
São Paulo (SP), professor de He
braico, Grego e Apologia Cristã,
presidente da Comissão de Apo-
logética Cristã da Convenção
Geral dos Ministros das Igrejas
Evangélicas Assembléia de Deus
do Brasil (CGADB), presidente do
Conselho Deliberativo da Socie
dade Bíblica do Brasil (SBB), co
mentarista de Lições Bíblicas da
Escola Dominical da Casa Publi-
cadora das Assembléias de Deus
(CPAD), articulista e autor de di
versos livros da CPAD, entre elas
o Manual de Apologética Cristã, O
Pentecostalismo Brasileiro e Apren
dendo o Grego no Novo Testamento.
O pastor Esequias Soares as
sumiu a liderança da Assembléia
de Deus em Jundiaí (SP) em 1996,
quando substituiu o então pastor-
-presidente Elyseu Queiroz de
Souza. Considerado como um A
dos mais respeitados teólogos
brasileiros, além dos seus livros
editados pela CPAD, o líder as-
sembleiano escreve artigos para
os periódicos da editora pentecos-
tal sobre os mais variados temas
teológicos. Desde 1994, é um dos
comentaristas de Lições Bíblicas da
editora. Sob a sua condução, a
igreja jundiaiense tem tido aper
feiçoamento nos trabalhos conce
bidos pelo pastor Elyseu Queiroz,
experimentando desenvolvimento
e crescimento.
Nesta entrevista, o pastor
Esequias discorre sobre a im
portância dos fóruns de teo
logia realizados pelo territó
rio b ra s ile iro pela CGADB,
faz uma avaliação em torno da
qualidade da apologética cristã
na atualidade, avalia também o
trabalho de tradução da Bíblia
para línguas ainda não alcan
çadas e traz o seu comentário
acerca do tema da atual edição
da Obreiro Aprovado, que alude
à Igreja como organismo vivo e
como organização social e quais
as principais preocupações dou
trinárias que a igreja precisa
ter hoje em dia.
Pastor Esequias, qual a im
portância da série de fóruns
de teologia realizados Brasil
afora pela CGADB?
O fórum foi algo interessante
que aconteceu em nossa denomi
nação, exatamente o que é defini
do como fórum segundo os sites
de eventos: "Fóruns costumam ser
encontros menos técnicos e com
a intenção de engajar um públicosobre algum problema... A prin
cipal característica do fórum é a
participação da platéia. Por isso,
tem como objetivo debater livre
mente uma ideia". O propósito do
Fórum de Teologia Pentecostal é
amplo. Entre seus objetivos, visa-
-se manter a unidade doutrinária
e teológica, defender o pensamen
to pentecostal das Assembléias de
Deus, reafirmar os pressupostos
que regem o movimento pentecos
tal e proporcionar a todos a opor
tunidade de interagir com suas
perguntas e questionamentos. A
importância dos quatro temas
selecionados para o encontro - os
fundamentos bíblicos e históricos
da teologia pentecostal, a Doutri
na da Salvação, a volta de Jesus e
a liturgia pentecostal - não deixa
de ser uma forma expandida do
slogan do m issionário Daniel
Berg: "Jesus salva, cura, batiza no
Espírito Santo e breve voltará".
A ideia do pastor José Welling-
ton Costa Junior, presidente da
CGADB, na criação do Fórum,
veio numa boa hora, numa época
de tantas heresias e aberrações
doutrinárias. As considerações
dos membros da mesa de debates
após cada palestra e as perguntas
vindas do plenário para o orador
e também para a mesa trouxeram
aos presentes uma reflexão mais
profunda sobre os temas. Foi um
debate à altura do nosso tempo
e numa linguagem da igreja, de
fácil compreensão. Outro ponto
importante é que as perguntas
provenientes do plenário servem
como uma amostragem das dúvi
das da igreja.
Como o senhor avalia a
qualidade da apologética
cristã em nossos dias?
A década de 1990 e os pri
meiros anos do século 21 foram,
na minha opinião, a geração da
apologética, assim como as déca
das anteriores foram a geração da
evangelização. Eu vejo com preo
cupação o desinteresse por essa
área da teologia na atualidade. Os
O a p o lo g ista
p re c isa
c o n h e c e r b em
o s fu n d a m e n to s
b íb lic o s d a s
c re n ç a s e p rá t ic a s
d e su a ig re ja ou
d e n o m in a ç ã o e ,
do m e sm o m o d o ,
a s h e re s ia s e
o s a rg u m e n to s
u sa d o s p e lo s s e u s
se g u id o re s
tempos mudaram, outros ventos
estão soprando para amordaçar
as igrejas com o pretexto do "po
liticamente correto", trazendo em
seu bojo as ameaças constantes
dos líderes religiosos de grupos
heterodoxos em levar o apologista
ao banco dos réus ou, no mínimo,
exigir direito de resposta pelos
expoentes dos pensamentos filo
sóficos contrários à fé cristã, cuja
intenção, na verdade, é usar o es
paço para divulgar sua doutrina.
O contexto de nossa geração não
tem encorajado a muitos nessa
tarefa apologética. Se na era da
apologética havia um número
considerável de líderes que não
apoiava esse trabalho na defesa da
OB
8
REIRO
fé, pois eu mesmo já recebi orien
tação de pastor de igreja antes de
pegar o microfone para "não falar
de seitas", e já ouvi de outros co
legas que passaram pela mesma
experiência, então, o que se pode
esperar hoje? Ser apologista não é
tarefa fácil, os apologistas não são
vistos com muita simpatia mesmo
entre nós. Mas, é um trabalho que
temos que fazer. Jesus é o nosso
exemplo. Ele não se deixou intimi
dar pelas ameaças. Os apóstolos
são outro exemplo que nos ins
pira e nos encoraja. O combate às
heresias ocupa um terço do Novo
Testamento. Tanto o Senhor Jesus
Cristo como seus apóstolos traba
lharam incansavelmente contra as
heresias de seu tempo. Cada livro
do Novo Testamento é um equipa
mento firme que no seu conjunto
forma o grande e indestrutível
arsenal de combate às heresias.
O apologista precisa conhecer
bem os fundamentos bíblicos das
crenças e práticas de sua igreja ou
denominação e, do mesmo modo,
as heresias e os argumentos usa
dos pelos seus seguidores, para
oferecer uma resposta respeitosa.
Essa tarefa precisa ser retomada
com entusiasmo, mas de manei
ra educada e com criatividade,
mostrando mais interesse nessas
pessoas do que mesmo em vencer
os debates. Nada vai adiantar ga
nhar a batalha e perder a guerra.
Esse diálogo será proveitoso se a
amizade for mantida, deixando
claro que você discorda do posi
cionamento teológico ou doutri
nário da pessoa a quem você está
evangelizando.
Como presidente da SBB,
o senhor poderia nos falar
um pouco sobre como vai o
trabalho de tradução da Bí
blia para línguas ainda não
alcançadas?
Existem no planeta 7.394 idio
mas e a Bíblia está traduzida para
3.658 línguas em parte e no todo,
sendo a Bíblia completa em 736
idiomas. Isso significa que 5,96
bilhões de pessoas no mundo
dispõem da Bíblia inteira em sua
língua materna. Mas, a metade
dessa população ainda não possui
uma Bíblia, sendo esse um grande
desafio para a Igreja de Cristo. O
Novo Testamento está em 1.658
línguas e as porções, em 1.264. To
dos esses dados foram fornecidos
pelas UBS, divulgados em outu- A
bro de 2023 em sua Assembléia
Geral Mundial, na Holanda, que já
devem estar desatualizados, pois
há diversas equipes de traduções
em ação. O outro grande desafio
diz respeito a 3.736 línguas, de
povos minoritários, sem nenhuma
porção das Escrituras.
Desde 2018, as Sociedades
Bíblicas Unidas (UBS), que con
gregam 146 sociedades bíblicas
no mundo, com sede em Londres,
têm colocado em prática um pro
jeto audacioso em completar mais
1.200 traduções da Bíblia até 2038.
Sendo que 880 como primeiras
traduções e as outras 320 novas
ou revisadas. Em cinco anos,
foram realizadas 144 traduções
e até 2023 estavam em curso 442
traduções e as outras 614 ainda
não haviam começado.
O tema desta edição de
Obreiro é a igreja como orga
nismo vivo e como organiza
ção. Como pastor e teólogo,
qual a melhor forma de equi
librar essa tensão entre aten
der às demandas de organi
zação sem perder de vista a
essência de organismo vivo
da igreja?
A palavra grega para igre
ja é SKK>.r|GÍa - ekklesia, que é
formada por duas outras: èk +
KotLécú - ek + kaleo", que signi
ficam "para fora" e "chamar".
Originalmente, 8K-Kkr|aía era um
chamado para as pessoas saírem
de suas casas. No entanto, esse
uso logo passou, dando lugar
ao sentido de assembléia consti
tucional de Atenas e reunião de
modo geral. A Septuaginta usa
ekkle”sia como equivalente para
pn? - qãhãl, que era a assembléia
dos israelitas como um todo. O
Novo Testamento amplia esse
significado. É possível lermos
passagens com o sentido de
"assembléia", mas traz pela pri
meira vez a ideia essencialmente
cristã de um corpo, grupo de
crentes reunidos ou não: o Cor
po de Cristo. Em, suma, ekklesia
serve tanto para tratar de um
grupo qualquer reunido quanto
também de uma assembléia po
lítica e também dos seguidores
de Cristo. O termo ekklesia não
é invenção dos discípulos, do
movimento de Jesus ou de Pau
lo; é uma palavra amplamente
usada pelos gregos e romanos. O
termo aparentemente se tornou
popular entre os cristãos de fala
grega por duas razões. Primei
ro, porque eliminava qualquer
suspeita de que os cristãos eram
grupo desordeiro, principalmen
te em círculos políticos. Segun
do, porque, seguindo a tradição
da Septuaginta, m antendo o
uso do termo, se afirmava uma
continuidade com Israel, o que
vemos em Paulo, quando usa a
expressão SKKkqoía Geob - ekklesia
theou - para evocar a continuida
de entre o povo de Deus ao longo
da história salvadora de Deus.
Geralmente, nas cartas paulinas,
ekklesia refere-se a uma reunião
local de crentes em um cenário
geográfico específico (Rm 16.1;
11.18). Paulo se dirigia a diversas
igrejas locais, mas seu tom soa
como cada uma sendo a única
igreja, universal e apostólica
(At 8.3; ICo 1.2). Em suma, para
Paulo, ekklesia serve tanto para
tratar do grupo de cristãos local
ou geral, é uma realidade univer
sal. Com isso, podemos observar
como Paulo interpreta e ensina
as ações e os impactos de ekklesia.
Os dois aspectos ou naturezas
da igreja como organismo vivo
e como organização devem ser
A
compreendidos de maneira cor
reta, visto que ambos os aspectos
estão na Bíblia.
Nasua visão, quais as prin
cipais preocupações doutri
nárias que a igreja precisa
ter hoje em dia?
A principal preocupação da
igreja deve ser com o incentivo ao
povo na leitura diária das Escritu
ras Sagradas e com os ensinos mais
recorrentes da doutrina. Estamos
vivendo um tempo de analfabe
tismo bíblico sem precedentes,
numa época em que a Bíblia está
disponível para o povo, e principal
mente aos crentes, de uma maneira
tal como nunca na história. Essas
duas práticas acompanhadas da
oração levam os crentes a nunca
se esquecerem dos conselhos da
Palavra de Deus. O descuido des
sas orientações tem levado o povo
de Deus a resultados desastrosos.
Uma pesquisa feita em 2022 por
uma organização independente,
Ligonier Ministries, chamada The
State of Theology Poli, buscou com
preender o que os cidadãos dos
Estados Unidos acreditam sobre
Deus, a salvação, a ética e a Bíblia.
O resultado entre os crentes diz
que 56% acreditam que Deus acei
ta adoração de todas as religiões;
sobre Jesus, 43% afirmam que Ele
foi um grande mestre, mas não era
Deus; 26% concordam que a Bíblia
contém registro de mitos antigos,
mas que não é literalmente verda
de; e 28% creem que a condenação
bíblica da prática homossexual não
se aplica hoje, sendo que em 2020
eram 11%. Ninguém é suficien
temente forte para brincar com o
pecado e sair ileso de tudo isso; e,
assim, aprendemos com os erros
dos outros para que não incorra
mos no mesmo caminho. 8
BRASILEIRO
E PENTECOSTAL mm
COMO ESSAS DUAS IDENTIDADES
SE RELACIONAM E SE INTEGRAM? ~~~..
' “I B É P ^ f y$á* ■ i
lisa- iémm. è
::
s *
PENTECOSTALISMO
CLÁSSICO
O autor, por meio de um estudo sociológico, desenvolve
uma verdadeira busca a esta explicação a partir do
contexto, da cultura e da identidade do povo brasileiro.
Através das páginas deste livro o leitor verá como a
teologia pentecostal clássica encaixou-se na alma
religiosa brasileira, ressignificando elem entos
preexistentes na sociedade e trazendo a realidade
espiritual para o seu contexto de vida diária.
Código: 352 9 80 / Formato: 14,5 x 22 ,5 cm / 160 páginas
► Doutor e Mestre em Teologia pela Faculdades
EST; formado em Preparo Missionário pelo
Ministério JU V EP . Secretário Executivo de
Missões da SEMAD-PB (desde 2004), Diretor
Executivo do CADESC (Centro da Assembléia
de Deus de Educação Sociocultural). Pastor
na AD em João Pessoa, PB, onde coopera no
pastoreio de igrejas desde 2005. Casado com
Ângela e pai de Eduardo J r e Maria Luíza.
TAMBÉM
DISPONÍVEL
NA VERSÃO
E-BOOK
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S i * ®
^ 0800-021-7373
g ) (21)2406-7373
fff'^ Livrarias CPAD
O © © O CB4D A CASA DO CONHECIMENTO
Eduardo Leandro Alves é pastor da
Assembléia de Deus em Rio Tinto
(PB), doutor e m estre em Teologia
pela Faculdades EST, graduado
em Teologia e licenciado
em Sociologia.
O conceito de
Igreja com o
organism o enfatiza
a interdependência
e a unidade entre os
m em bros do
Corpo de Cristo
Eduardo Leandro Alves
A Igreja: urr
A palavra "Igreja" sur
ge no texto do Novo
Testamento a partir
da palavra grega ekk-
lesia, que literalmente significa
uma reunião por convocação,
uma assembléia. O termo passou
a ser utilizado pelos escritores
cristãos como a reunião daqueles
que adoram a Cristo, tanto lo
calmente (Mt 18.17; At 15.41; Rm
16.16; ICo 4.17; 7.17; 14.33; Cl 4.15)
quanto universalmente (Mt 16.18;
At 20.28; ICo 12.28; 15.9; Ef 1.22).
A Igreja de Cristo é, antes de
tudo, um organismo vivo, e essa
perspectiva é necessária para
compreender seu verdadeiro pro
pósito e papel no mundo. Diferen
te de uma simples instituição, a
Igreja é composta por pessoas que
creram em Jesus como seu salva
dor, são unidas pelo Espírito Santo
e vivem e atuam como Corpo de
Cristo, movidos por uma missão
celestial.
A compreensão da Igreja como
um organismo vivo desafia as
noções daqueles que a veem me
ramente como uma organização
estruturada e hierárquica, mos
trando que sua vitalidade está
diretamente ligada à sua conexão
com Cristo e à liderança do Espí
rito. Ao longo dos séculos, essa
visão tem sido fundamental para
a sobrevivência e o crescimento da
Igreja, especialmente em tempos
de perseguição e adversidade.
Além de transcender as limita
ções humanas e organizacionais,
a Igreja como organismo vivo
desempenha um papel vital na
execução dos propósitos de Deus
na Terra: ela é uma agência do
Reino. O conceito de Igreja como
organismo enfatiza a interde
pendência e a unidade entre os
membros do Corpo de Cristo, cada
um contribuindo com seus dons
e habilidades para o crescimento
mútuo e a edificação. Este enten
dimento nos leva a valorizar cada
parte do Corpo, reconhecendo que
a vitalidade da Igreja não reside
em suas estruturas formais, mas
em sua natureza espiritual, que
é alimentada pela relação íntima
com Cristo. Como Corpo de Cris
to, a Igreja é chamada a refletir
os valores do Reino de Deus em
todas as suas ações e a cumprir a
missão de ser sal e luz no mundo.
A metáfora do Corpo de Cris
to utilizada por Paulo em suas
epístolas (ICo 12.27) ilustra clara
mente que a igreja não pode ser
limitada a uma simples organiza
ção humana. Enquanto as organi
zações humanas buscam objetivos
temporais e concretos, a Igreja
tem uma missão que transcende o
tempo e o espaço, sendo orientada
por propósitos divinos. A verda
deira essência da Igreja está em
sua natureza espiritual e em sua
ligação com Cristo, a Cabeça do
Corpo, que o guia e o sustenta em
todas as circunstâncias. Quando
OB
12
REIRO
i organismo vivo
a Igreja compreende e vive essa
realidade, ela se torna um agente
transformador no mundo, capaz
de enfrentar qualquer desafio e de
cumprir sua missão eficazmente.
Portanto, ao abordar a nature
za da Igreja como um organismo
vivo, é importantíssimo reconhe
cer que essa visão nos chama a
uma compreensão mais profunda
de nossa identidade como cristãos
e de nosso papel como parte do
Corpo de Cristo. A organização,
embora necessária, deve sempre
estar subordinada ao propósito
espiritual da Igreja, que é refletir
a glória de Deus no mundo e avan
çar Seu Reino. Este texto visa a ex
plorar as diferenças entre a Igreja
como organização e como orga
nismo, destacando a importância
de manter a essência espiritual da
Igreja em meio à sua necessária
estrutura organizacional.
Diferenças da Igreja
como organização
A visão da Igreja como organi
zação está centrada nos aspectos
estruturais e adm inistrativos,
que são necessários para a ma
nutenção da ordem e eficiência no
funcionamento de suas ativida
des. Como uma organização, ela
deve estar de acordo com as leis
que regem as organizações. No
entanto, um foco excessivo nessa
perspectiva tende a enfatizar a
institucionalização da Igreja, fo-
obS I ro
cando em posições hierárquicas,
normas e regulamentos que deli
mitam como as atividades devem
ser conduzidas. Embora esses ele
mentos sejam importantes para
o funcionamento saudável da
comunidade, há o risco de se per
der a essência espiritual da Igreja
quando ela é vista meramente
como uma entidade burocrática.
De fato, organizações huma
nas são construídas e mantidas
por pessoas com um propósito
específico, visando a atingir ob
jetivos temporais e concretos. Po
rém, a Igreja, embora possua ca
racterísticas organizacionais, não
pode ser reduzida a uma simples
instituição como qualquer outra.
Como observa Gregg Allison, a
igreja é "uma instituição com pro
pósitos divinos e uma missão ce
leste que a distingue de qualquer
outra organização" (Allison, 2010,
p. 56). Isso significa que, embora
a organização seja necessária, ela
deve sempre estar subordinada à
natureza espiritual e ao propósito
divino que definem a verdadeira
essência da Igreja.
O pastor Elienai Cabral, teólo
go pentecostal, também destaca
a importância de se entender a
distinção entre a Igreja como or
ganização e como organismo. Ele
argumenta que "a igreja não podeser vista apenas como um con
junto de regras e estruturas, mas
deve ser entendida como o corpo
vivo de Cristo, que é chamado
para viver e manifestar a vontade
de Deus no mundo" (Cabral, 2013,
p. 87). Para Cabral, a organização
é necessária, mas deve ser serva
da missão espiritual da Igreja, e
não o contrário. A centralidade de
Cristo como Cabeça do Corpo (Ef
1.22-23) é o que confere à Igreja a
sua verdadeira identidade, que
transcende qualquer estrutura
humana.
Além disso, a ênfase excessiva
na organização pode levar à insti
tucionalização da fé, onde a vida
espiritual e a experiência comu
nitária são relegadas a segundo
plano. "A Igreja não é uma mera
organização, mas uma comunida
de de fé que vive sob a liderança
de Cristo e a direção do Espírito
Santo" (Allison, 2010, p. 60). Isso
ressalta a necessidade de equilí
brio: a organização deve servir ao
propósito espiritual, facilitando a
adoração, o discipulado e a mis
são, sem sufocar a vida espiritual
dos membros.
Outros teólogos, como o clás
sico Donald Gee, também aborda
ram essa questão, argumentando
que "o perigo de ver a igreja
apenas como uma organização
é que isso pode resultar em uma
estrutura morta, onde o Espírito
Santo é substituído por sistemas
humanos de controle" (Gee, 1955,
p. 34). Gee, ainda no século pas
sado, na década de 1950, enfatiza
que, embora a organização seja
necessária para manter a ordem,
ela nunca deve substituir a lide
rança do Espírito Santo na vida
da Igreja. Assim, a Igreja precisa
sempre buscar ser um organismo
vivo e vibrante, que está enraiza
do em Cristo e é movido pelo Es
pírito para cumprir a sua missão
no mundo.
A Igreja como organismo
A Igreja como organismo é
uma realidade viva e dinâmica,
composta por crentes unidos em
Cristo e movidos pelo Espírito
Santo. O apóstolo Paulo descre
veu a Igreja como o "corpo de
Cristo" (ICo 12.27), uma metáfora
que ilustra a interdependência e
a unidade entre seus membros.
Cada crente, como parte desse
Corpo, tem uma função especí
fica, contribuindo para o cresci
mento e a edificação mútua.
Esse entendimento de Igreja
como organismo vivo enfatiza
O B S 1 R O
que ela não é um edifício ou
uma instituição, mas, sim, um
conjunto de pessoas regeneradas
que vivem e atuam sob a direção
de Cristo, a Cabeça do Corpo (Ef
4.15-16). A dinâmica da Igreja
como organismo vivo implica em
crescimento, adaptação e multi
plicação, características que não
se limitam às estruturas formais
de uma organização.
Gregg Allison nos leva a com
preender que a Igreja como or
ganismo está fundamentada em
uma conexão vital com Cristo e
em uma profunda dependência
do Espírito Santo. Isso significa
que a Igreja não apenas sobrevi
ve, mas prospera e cresce, mes
mo em meio a adversidades. Essa
vitalidade não está vinculada à
eficiência de suas estruturas or
ganizacionais, mas à sua natureza
espiritual, que é alimentada pela A
15
relação íntima com Cristo (Cl 1.18).
A metáfora do Corpo de Cristo
utilizada por Paulo em suas epís
tolas destaca que cada membro
da Igreja possui uma função es
sencial, e o crescimento saudável
do Corpo depende da atuação
harmoniosa e interdependente de
todos os seus membros.
Quando a Igreja permanece
enraizada em Cristo, ela está
capacitada a enfrentar as di
ficuldades, pois sua força não
vem das estratégias humanas,
mas da presença e da ação do
Espírito Santo. Allison coloca a
prosperidade da Igreja em tem
pos difíceis como uma evidência
de sua vitalidade espiritual, que
é sustentada pela comunhão com
Cristo e pela obra contínua do
Espírito (Allison, 2010, p. 73).
“A igreja verdadeira é aquela
que se mantém firmemente ligada
à videira, que é Cristo, e dela extrai
a seiva espiritual que a faz crescer e
frutificar" (Cabral, 2013, p. 45). Essa
seiva espiritual, ou seja, o poder
vivificante do Espírito Santo, é o
que capacita a Igreja a não apenas
sobreviver em meio às tribulações,
mas a florescer, expandir e cumprir
a sua missão dada por Deus. Quan
do a Igreja depende do Espírito e
não apenas de suas capacidades
organizacionais, ela experimenta
um crescimento genuíno, que é
tanto numérico quanto espiritual.
A história da Igreja está reple
ta de exemplos nos quais, apesar
das limitações organizacionais
ou da perseguição, a Igreja flo
resceu. Isso ocorre porque, como
organismo vivo, sua vitalidade
não depende das circunstâncias
externas, mas da presença cons
tante de Cristo em seu meio (Mt
28.20). Quando a Igreja mantém
essa conexão, ela é capaz de ser
uma testemunha poderosa da
graça de Deus no mundo, in
dependentemente dos desafios
que enfrenta. Esse crescimento,
alimentado pela vida em Cristo,
reflete o caráter sobrenatural da
Igreja como um organismo que
transcende as fronteiras do tem
po e do espaço.
Além disso, Donald Gee argu
menta que a verdadeira vitalidade
da Igreja se manifesta quando ela
é movida pelo Espírito Santo, que
a guia, a capacita e a enche de
poder para cumprir a sua missão
(Gee, 1955, p. 47). Gee sugere que a
dependência do Espírito não ape
nas sustenta a Igreja em tempos
difíceis, mas também a torna uma
força transformadora no mundo.
Quando a Igreja reconhece que
sua força reside em sua conexão
com Cristo e em sua submissão ao
Espírito, ela se torna um farol de es
perança e uma fonte de renovação
espiritual para todos ao seu redor.
A Igreja e a sua
missão no mundo
A missão da Igreja no mundo
é ser sal e luz (Mt 5.13-14), refle
tindo o caráter de Cristo e procla
mando o evangelho da salvação.
A Igreja, como organismo vivo,
é chamada de participante ativa
da obra redentora de Deus, sendo
um agente de transformação em
um mundo caído.
A Igreja, como organism o
vivo, é chamada para ser uma
luz no mundo, cum prindo a
missão dada por Cristo de fazer
discípulos de todas as nações
(Mt 28.19-20). No entanto, essa
missão vai além de uma simples
proclamação do evangelho. Ela
envolve também o discipulado,
o ensino e o serviço, todos en
raizados no modelo de vida de
Cristo. Ronaldo Lidório, em sua
abordagem missiológica, enfatiza
que "a missão da igreja é integral,
envolvendo tanto a proclamação
do evangelho quanto a transfor
mação da sociedade por meio
do serviço e da justiça" (Lidório,
2014, p. 89). Isso reforça a ideia de
que a missão da Igreja é abran
gente, tocando todas as esferas
da vida humana.
A Igreja é enviada ao mundo,
mas, como Jesus afirmou, não
pertence a este mundo (Jo 17.16-
18). Isso significa que, embora a
Igreja esteja inserida em contex
tos culturais e sociais específicos,
sua missão é transcender essas
barreiras e operar como uma
embaixadora do Reino de Deus.
Lidório também destaca que "a
igreja é a manifestação visível do
Reino de Deus na terra e, como
tal, deve refletir os valores do
Reino em suas ações e palavras"
(Lidório, 2014, p. 92). Portanto, a
Igreja deve estar profundamente
engajada no mundo, mas sempre
com uma perspectiva que reflete
os valores do Reino, como justiça,
amor e compaixão.
Essa perspectiva de missão
não se limita apenas à evangeli-
zação, mas abrange o discipulado
integral, onde os novos crentes são
ensinados a observar tudo o que
Cristo ordenou (Mt 28.20). John
Stott, renomado teólogo do século
passado, também argumenta que
“a missão da igreja não é completa
sem o discipulado, pois a evange-
lização sem discipulado resulta
em conversões superficiais que
não transformam vidas" (Stott,
1975, p. 125). Assim, o discipulado
é essencial para que a Igreja possa
cumprir a sua missão de forma
plena, conduzindo os crentes a
uma maturidade em Cristo.
O serviço, como parte inte
grante da missão da Igreja, reflete Á
OB
17
REIRO
o próprio ministério de Cristo,
que "não veio para ser servido,
mas para servir e dar a sua vida
em resgate por m uitos" (Mc
10.45). "A missão da igreja inclui
o serviço sacrificial em favor dos
necessitados, que é uma expres
são concreta do amor de Deus em
ummundo quebrado" (Lidório,
2014, p. 98). Quando a Igreja serve
aos outros, ela manifesta o cará
ter de Cristo e avança o Reino de
Deus na terra.
Stanley Horton destaca que
a missão da Igreja está intima
mente ligada à capacitação do
Espírito Santo, que concede poder
para testemunhar e operar mila
gres (At 1.8). Segundo Horton,
"o Espírito Santo é o motor que
impulsiona a missão da igreja,
capacitando-a a alcançar os con
fins da terra com o evangelho"
(Horton, 1994, p. 112).
Finalmente, o ensino é outro
aspecto crucial da missão da
Igreja, pois ela é chamada a ser
uma comunidade de aprendiza
do, onde a Palavra de Deus é en
sinada, compreendida e aplicada
à vida diária dos crentes. Como
observa Elienai Cabral, "o ensino
bíblico é o alicerce sobre o qual a
igreja é edificada, capacitando os
crentes a viverem de acordo com
a vontade de Deus e a cumprirem
sua missão no mundo" (Cabral,
2013, p. 57). Portanto, a missão da
Igreja como organismo vivo en
volve uma combinação equilibra
da de evangelização, discipulado,
ensino e serviço, todos realizados
sob a liderança do Espírito Santo.
Conclusão
A compreensão da Igreja como
organismo vivo nos convida a
uma reflexão mais rica e profun
da de sua missão no mundo. Não
se trata apenas de administrar
eficientemente uma instituição,
mas de viver e manifestar a vida
de Cristo em todas as esferas de
nossa existência. A Igreja, como
Corpo de Cristo, é chamada a re
fletir os valores do Reino de Deus,
operando sob a direção do Espíri
to Santo e cumprindo a missão de
ser sal e luz no mundo. Quando
a Igreja permanece conectada a
Cristo, ela não apenas sobrevive,
mas prospera, mesmo em meio às
maiores adversidades, pois sua
força e vitalidade vêm diretamen
te de sua relação com a Cabeça,
que é Cristo.
A verdadeira vitalidade da
Igreja não pode ser medida ape
nas pela eficácia de suas estru
turas organizacionais, mas pelo
seu compromisso com a missão
dada por Deus. Isso inclui a
evangelização, o discipulado, o
ensino e o serviço, todos realiza
dos com a capacitação do Espírito
Santo. Como organismo vivo, a
Igreja é uma comunidade de fé
dinâm ica, onde cada membro
desempenha um papel essencial
no cumprimento dessa missão.
A dependência contínua do Es
pírito e a centralidade de Cristo
em todas as suas atividades são
o que mantêm a Igreja vibrante e
capaz de ser um farol de esperan
ça em um mundo em constante
transformação.
Por fim, a Igreja, como orga
nismo vivo, deve sempre lembrar
que sua verdadeira força reside
em sua conexão com Cristo e em
sua submissão ao Espírito Santo.
Quando a Igreja compreende e
vive essa realidade, ela não só
cresce em número, mas também
em profundidade esp iritu al,
cumprindo fielmente a missão
que Deus lhe confiou. Ao manter
essa visão, a Igreja estará prepa
rada para enfrentar os desafios
do presente e do futuro, conti
nuando a ser uma poderosa tes
temunha da graça e do poder de
Deus no mundo. A Igreja, em sua
essência como organismo vivo, é
chamada a ser uma comunidade
de transformação, refletindo a
glória de Deus e promovendo
o avanço dos princípios do Seu
Reino na terra. ®
Referências
ALLISON, Gregg. Eclesiologia: Uma teologia para peregrinos e estrangeiros. São Paulo: Vida Nova, 2021.
CABRAL, Elienai. Manual da Igreja: Orientações bíblicas e práticas para o cotidiano da Igreja. Rio de Janeiro:
CPAD, 2013.
GEE, Donald. O Caráter do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1955.
HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1994.
LIDÓRIO, Ronaldo. Missão Integral: A Igreja e seu propósito no mundo. São Paulo: Mundo Cristão, 2014.
STOTT, John. Cristianismo equilibrado. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.
OB01RO
18
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tO
Z
Em quatorze capítulos, o autor mostra que
apenas líderes espiritualmente maduros
CBO são capazes de conviver com hostilidades e
maturidade
ESPIRITUAL
DO LIDER
rejeições, de suportar as provas de Deus, de
valorizar o companheirismo, de discernir o
princípio de autoridade e de adquirir uma
vida disciplinada. Ricamente embasado nas
Escrituras e contextualizado com a realidade
da igreja atual, Silas Queiroz apresenta alguns
níveis de maturidade que o líder precisa
alcançar em sua difícil, mas gloriosa
jornada de serviço a Deus.
Formato: 14 x 21 cm / 216 páginas
Orientações Bíblicas para
um Ministério Eficaz
Silas Queiroz
É pastor na Assembléia de Deus
em Ji-Paraná (RO) e, também, atua
como Procurador Geral neste mesmo
município. Formado em direito pela
Universidade Luterana do Brasil e
bacharel em teologia pela Faculdade de
Teologia Logos (FAETEL).
^ 0800-021-7373 fTT l Livrarias CPAD
(9 (2 1 )2 4 0 6 -7 3 7 3 O (D © O CPAD
Silas Rosalino de Queiroz é pastor
na Assem bléia de Deus em Ji-
Paraná (RO) e assessor juríd ico da
Convenção Estadual dos Ministros
e das Igrejas A ssem b lé ias de
Deus no Estado de Rondônia
(CEM ADERON).
A igreja, como
organização, é
pessoa jurídica
de feição própria
e específica, que
deve desfrutar
de liberdade
de criação,
organização,
estruturação
interna e
funcionamento
Silas Rosa hino de Queiroz
A Igreja e sua
terrenas de oi
esus percorria cidades da
Galileia, Samaria e Judeia
junto com Seus discípu
los e uma multidão que
os acompanhava. Era sua igreja
em um sentido prático e imedia
to - e um embrião da Igreja que
seria por Ele edificada (Mt 16.18).
Aquele ajuntamento de pessoas
não estava isento do cumprimen
to das leis da época, o Direito Ro
mano, vigente nas terras de Israel.
Diante das ardentes divergências
políticas na questão dos impostos,
os fariseus planejaram criar uma
crise entre Jesus e o poder gover
nante - ou um conflito entre Ele e
o povo. Para tanto, enviaram seus
discípulos para lhe perguntar: "E
lícito pagar o tributo a César ou
não?" (Mt 22.17).
O texto nos mostra que Jesus,
conhecendo a malícia dos seus
inquiridores, pediu a eles que lhe
mostrassem uma moeda e lhes res
pondeu, perguntando: "De quem
é esta efígie e sua inscrição?". A
resposta continha a solução da con
trovérsia: "De César". Jesus profe
re, então, a célebre sentença: "Dai,
pois, a César o que é de César e a
Deus, o que é de Deus" (Mt 22.21).
Esta passagem bíblica continua
sendo um verdadeiro texto áureo
para o estudo do relacionamento
entre os seguidores de Jesus e o
Estado, seja na vida individual
(pessoa física), seja no coletivo cris
tão local (a igreja organizada como
pessoa jurídica).
Enquanto cumpre seu papel
espiritual na terra - de comunhão,
adoração, proclamação e ensino
-, a Igreja precisa organizar-se e
funcionar de acordo com as leis
terrenas, as quais, aliás, mudam
conforme o lugar. Países e Esta
dos - e até Municípios, em alguns
casos - possuem regras distintas
para as organizações religiosas,
as quais devem ser seguidas (Rm
13.1), se não ultrapassarem o limi
te identificado e observado desde
os tempos apostólicos: a vontade
Deus, pois "mais importa obede
cer a Deus do que aos homens"
(At 5.29).
Pessoa jurídica
Personalidade juríd ica é a
capacidade de ser titular de di
reitos e deveres. São sujeitos com
tal aptidão as pessoas físicas e as
pessoas jurídicas. As pessoas físi
cas ou naturais são todos os seres
humanos, desde o nascimento
com vida - embora a lei assegure
direitos também ao nascituro (feto
ou embrião), desde a concepção (o
início do processo de gestação). Já
as pessoas jurídicas se dividem
em (1) pessoas jurídicas de direito
público e (2) pessoas jurídicas de
direito privado. Sem descer a deta
lhes, consideremos, apenas, que as
primeiras são entes públicos, tais
como a União, os Estados e os Mu
nicípios, enquanto as segundas
são entes privados: associações,
sociedades (empresas), fundações,
necessidades
‘ganização
organizações religiosas e partidos
políticos. O Código Civil Brasilei
ro trata dessetema no Livro I de
sua Parte Geral, especialmente
nos artigos 1° 2o, 40,41 e 44.
As igrejas são pessoas jurídi
cas de direito privado, enquadra
das no Código Civil vigente (de
2002) como "organizações religio
sas". Por um equívoco legislativo,
foram inicialmente tratadas como
"associações". Mas a alteração
promovida pela Lei n° 10.825/2003
devolveu-lhes o conceito correto,
mantendo a liberdade de criação,
organização, estruturação interna
e funcionamento, como dispõe o
§ Io do art. 44 do código já cita
do. Antes dessa correção, houve
grande e polvorosa preocupação,
inclusive com a alteração de esta
tutos de centenas (talvez milha
res) de igrejas. A modificação da
Lei Civil atendeu ao que deter
mina a Constituição Federal: que
o Estado não embarace o funcio
namento dos cultos religiosos e
igrejas (artigo 19, inciso I).
Conclui-se, portanto, que a
igreja é uma pessoa jurídica de fei
ção própria e específica, que deve
desfrutar de liberdade de criação,
organização, estruturação interna
e funcionamento, princípios que
devem estar contemplados em
todo o ordenamento jurídico que
lhe atinge. Malgrado a existência
de regras que nem sempre obser
vam a rigor o postulado constitu
cional, este artigo visa apresentar,
A
OB
21
REIRO
de forma sintética e simples, as
necessidades terrenas de organi
zação da igreja, que começa por
sua constituição e registro como
pessoa jurídica.
Atos constitutivos e
Regimento Interno
Como toda a pessoa que nasce
e precisa ser registrada, as igre
jas locais necessitam passar pelo
mesmo processo. Isso é feito a
partir da lavratura de uma ata,
na qual os constituintes da igreja
declaram sua união de vontade
e propósito, dando um nome à
organização religiosa nascente e
indicando seus dirigentes, além
de informar sua sede, sua loca
lização física. Esses documentos
originários são levados ao Car
tório de Registro das Pessoas
Jurídicas para a devida anotação
registrai. Feito isso, poderá a igre
ja solicitar seu cadastro em outros
órgãos estatais, como a Receita
Federal do Brasil, responsável
pelo Cadastro Nacional de Pes
soas Jurídicas (CNPJ).
Ainda sobre o aspecto cons
titutivo, é preciso considerar a
necessidade que a igreja tem de,
como organização, estabelecer suas
próprias regras de funcionamento.
Algumas igrejas se recusam a essa
formalização, embora isso seja ne
cessário até mesmo para garantir
a sua autonomia organizacional,
como prevê o texto constitucio
nal. É salutar, contudo, que não se
exagere na criação de regras, pois,
como corpo espiritual, a Igreja
possui a Bíblia como sua regra
de fé e prática. O Estatuto Social
deve ser econômico, identificando
a natureza da organização, suas
finalidades, seus membros e res
pectivas obrigações, seu governo
e o funcionamento de seus órgãos.
Além do Estatuto Social, que
é obrigatório (§1° do artigo 44
do Código Civil), a igreja tem a
faculdade de instituir um Regi
mento Interno (RI), detalhando
o funcionamento da instituição.
Como o próprio nome diz, seu ca
ráter é interno. E um instrumento
complementar ao estatuto, com o
objetivo de tratar, com mais deta
lhes, de atribuições, funções, pro
cedimentos, atividades e regras
gerais de cumprimento interna
corporis. Algumas igrejas usam o
RI para prever um grande feixe de
normas, muitas delas relativas a
usos e costumes. E preciso refletir
acerca disso, especialmente diante
de características regionais e tem
porais de muitas dessas práticas.
Ademais, se o poder transforma
dor do Evangelho não houver al
cançado o coração dos conversos,
não será um Regimento Interno
que o fará.
Há certos temas a respeito dos
quais não pode haver lacunas ou
dubiedades nos documentos de
organização da igreja, como é o
caso da tão falada identidade de
gênero. Em uma "era de tantos
OB RO
22
direitos", como diria Norberto Bo-
bbio, é prudente que a igreja deixe
bem claro os limites de tolerância,
prevenindo-se quanto a eventuais
extrapolações e judicializações em
torno de pautas tão controvertidas
atualmente. Contudo, mais uma
vez, é importante apontar para o
cuidado com o excesso de regras.
É mais razoável que haja, no esta
tuto, tudo o que for fundamental
quanto a direitos e deveres. Dar
à igreja ares de muito legalismo
e complexidade jurídica não é
razoável.
Normas públicas de
funcionamento
Mesmo tendo as Escrituras Sa
gradas como regra de fé e prática,
e desfrutando, perante o Estado,
de autonomia para deliberar sobre
o seu funcionamento, por meio de
regras endógenas (Estatuto e RI),
a Igreja, como organização, está
sujeita a normas públicas relati
vas a questões tangíveis, como a
tributária, resolvida por Jesus -
dar a César o que é de César -, as
quais não podem ser desprezadas.
Também tangível é a existência
de um templo, que deve ser cons
truído seguindo normas técnicas
de engenharia e urbanismo, e ob
servar outras posturas comuns à
localidade, como o zoneamento.
Ainda nesse ponto podem ser
acrescentadas questões ligadas à
acústica e normas de segurança,
que são fiscalizadas pelo Corpo
de Bombeiros. Há que se obser
var também as regras relativas ao
direito da personalidade, contidas
na Lei n° 13.709/2018, a LGPD, que
dispõe sobre o tratamento de da
dos pessoais, e tem, dentre outros
fundamentos, o respeito à priva
cidade e à inviolabilidade da in
timidade, da honra e da imagem.
Em suma, a liberdade religiosa
prevista na Constituição Federal é
assegurada "na forma da lei", con
forme prevê o inciso VI do artigo
5o do Texto Magno. E preciso ter
equilíbrio e não confundir nosso
dever de ter uma conduta correta
perante o mundo (Mt 5.20) com
perseguições movidas por ódio
religioso ou represálias políticas,
as quais também ocorrem e, quan
do ocorrerem, devem ser tratadas
com sabedoria, sob a direção de
Deus.
Corpo dirigente, previdência
e imposto de renda
Para muito além do prédio, a
igreja é, acima de tudo, um gru
po de pessoas que comungam a
mesma fé. A parte física é apenas A
■ 1
mê • ' ■ ■ 'JÊrnm lcÍmr j
1 f
mm §m lJJ
a estrutura necessária para as reu
niões, cultos e outros serviços da
comunidade local. Em sua orga
nização, essa igreja precisa de um
corpo dirigente. Os sistemas de
governos eclesiásticos variam de
acordo com a tradição da denomi
nação. Os principais são: congre-
gacional, presbiteriano, episcopal
e representativo. As Assembléias
de Deus instituíram um modelo
organizacional misto (episcopal
e congregacional). Em termos
de estruturação diretiva, o mais
comum é que haja um corpo go
vernante formado por presidente,
vice-presidente, Io e 2° secretários
e Io e 2o tesoureiros, e que funcio
ne fiscalizado por um Conselho
Fiscal. Tanto a Diretoria quanto o
Órgão de Fiscalização são eleitos
pela Assembléia Geral, que é o
conjunto de obreiros e membros
locais. Não há, no âmbito público
- e nem pode haver -, uma lei que
estabeleça como deve ser formada
essa estrutura. O que se exige é
que exista e exerça a representação
da organização religiosa perante
o Estado e suas instituições. Todo
corpo precisa de uma cabeça.
Os dirigentes não são remu
nerados pelo exercício de suas
funções estatutárias. Contudo,
se ministros do Evangelho (ofi
ciais do culto), poderão receber a
remuneração que lhes é própria,
denominada côngrua ou preben-
da pastoral. Assim, o ministro de
confissão religiosa se torna um
segurado obrigatório da Previ
dência Social, como contribuinte
individual, como prevê o inciso
V, alínea "c", do artigo 11 da Lei n°
8.213/1991, ressalvada a hipótese
de já ter filiação previdenciária em
decorrência de outro vínculo. A
igreja, contudo, não será obrigada
a reter ou recolher a contribuição
previdenciária correspondente,
posto que “não se considera como
remuneração direta ou indireta,
para os efeitos [da lei de custeio
da Previdência] os valores despen
didos pelas entidades religiosas
[...] com ministros de confissão
religiosa [...] em face do seumister
religioso ou para sua subsistência
desde que fornecidos em condi
ções que independam da natu
reza e da quantidade do trabalho
executado" (§ 13 do inciso III do
art. 22 da Lei n° Lei n° 8.212/1991,
a Lei do Plano de Custeio da Pre
vidência Social).
O ministro de confissão reli
giosa não mantém vínculo em-
pregatício com a igreja. Exerce
seu ofício por vocação divina,
não preenchendo os requisitos
que configuram a relação em-
pregatícia, estatuídos pelo artigo
3o da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT): pessoalidade,
não eventualidade, subordinação
e onerosidade. Mas quanto ao
Imposto de Renda Pessoa Física
(IRPF), segue-se a regra geral, que
é o dever de retenção na fonte e
recolhimento à Receita Federal do
Brasil, pela igreja, do percentual
OB
24
REIRO
correspondente ao valor sujeito à
tributação, pena de incursão no
crime de sonegação fiscal, previsto
na Lei n° 4.729/1965. Para tanto, é
preciso observar a tabela de tribu
tação vigente, que prevê as faixas
remuneratórias e suas respectivas
alíquotas. Os que recebem valores
superiores à faixa de isenção ficam
sujeitos a alíquotas que vão de
7,5% a 27,5%. Esse leão não perdoa.
Obrigações trabalhistas
e previdenciárias
Quanto aos empregados em
geral - todos aqueles que prestam,
para a igreja, serviços distintos do
culto, mediante vínculo emprega-
tício -, é preciso que haja o devido
registro em Carteira de Trabalho
e Previdência Social (CTPS), que
agora é digital. A estes são asse
gurados os direitos comuns a todo
e qualquer trabalhador celetista:
regularidade de salário, FGTS,
INSS, férias, décimo-terceiro etc.
Geralmente, são agentes ou auxi
liares administrativos, agentes de
limpeza e de segurança, operários
da construção civil, motoristas etc.
O vínculo empregatício se dá
quando preenchidos os requisitos
previstos no já mencionado artigo
3o da CLT. O serviço voluntário
não está sujeito a registro, prin
cipalmente por não haver contra-
prestação. O trabalhador eventual
e o autônomo também não são
abarcados pelas regras celetistas,
seja o registro, sejam os direitos
incidentes sobre a contrapresta-
ção, ante a ausência de habituali-
dade e subordinação.
Imunidade e outras
questões tributárias
É importante examinar, ain
da que suscintamente, no que
consiste a imunidade tributária
das igrejas. Um conceito corrente
de imunidade é hipótese de não
incidência tributária constitucional
mente qualificada. Isso diz respeito
a patrimônio, renda, serviços e
entidades sobre os quais a Cons
tituição Federal veda a instituição
de impostos. Aliás, é importante
destacar que a imunidade alcan
ça somente impostos, conforme
consta na alínea "b" do inciso VI
do artigo 150 da Carta Magna, e
não tributos no sentido amplo.
O artigo 145 lista como tributos:
impostos, taxas e contribuintes
de melhoria. Outros dispositivos
constitucionais tratam das con
tribuições especiais (sociais, de
intervenção no domínio econô
mico e de interesse de categorias
profissionais ou econômicas) e do
empréstimo compulsório. Tributo
é gênero. Imposto é espécie.
Não há incidência de impostos
sobre atividades ou patrimônios
das entidades religiosas e dos tem
plos de qualquer culto. Portanto,
a igreja não paga IPVA (Imposto
Sobre a Propriedade de Veículos
Á
Automotores), ISSQN (Imposto
Sobre Serviços de Qualquer Natu
reza), IPTU (Imposto Sobre a Pro
priedade Territorial Urbana) ou
ITBI (Imposto Sobre a Transmis
são de Bens Inter-Vivos). Quanto
ao IPTU, a imunidade alcança
não apenas o templo, mas todas
as suas dependências, inclusive a
casa pastoral (se de propriedade
da igreja). Julgando casos concre
tos, o Supremo Tribunal Federal
já decidiu que a imunidade atinge
até mesmo imóveis locados ou va
gos. O que não pode haver é des
vio das finalidades essenciais da
igreja, o que, se provado pelo fisco,
afasta a imunidade. Quanto ao
ICMS (Imposto Sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços), além
da imunidade, sua incidência é
alheia às atividades da igreja.
Obrigações contábeis
É entendimento consolidado
que, embora desfrutem de imu
nidade tributária, as igrejas são
obrigadas a cumprir obrigações
acessórias de índole fiscal, den
tre as quais está a escrituração
contábil. Isso está dito no artigo
178 do decreto n° 9.580/2018, que
regulamenta a tributação, a fis
calização e a administração do
Imposto de Renda. Contudo, é
preciso dizer que, em um exame
geral do ordenamento jurídico
pátrio, há um certo vácuo legisla
tivo quanto a tratar, de forma es
pecífica, as obrigações acessórias
ligadas aos templos de qualquer
culto. Costuma-se, por vezes, in
vocar dispositivos genéricos ou,
no máximo, que façam referência
a instituições de educação ou de
assistência social sem fins lucrati
vos, como se observa no artigo 12,
§ 2o, alínea "c" da Lei n° 9.532/1997.
De qualquer sorte, pode-se di
zer que o simples fato de a igreja
possuir obrigações fiscais ligadas
às questões trabalhistas e previ-
denciárias às quais está vinculada,
como já explicitado, faz com que
tenha de se preocupar com uma
série de providências adminis
trativas que não dispensam, de
forma alguma, as práticas contá
beis correntes - digitais, em sua
maioria. Assim, para dar conta
de tantas tarefas burocráticas
(apresentadas de forma singela
e resumida neste artigo), é indis
pensável que a igreja conte com
profissionais da área contábil que
conheçam as especificidades das
organizações religiosas. É bom
que esse conhecimento seja não
apenas teórico, mas também prá
tico. Isso é importante tanto para
evitar prejuízos, pela omissão no
cumprimento de normas, quanto
para não engessar a igreja, com
rigorismo excessivo e rotinas
incompatíveis com o seu caráter
espiritual, que deve permear e
orientar toda a sua existência.
É preciso haver sabedoria,
muita sensibilidade e cautela,
para não tratar a igreja apenas
como uma organização humana,
pois ela é, acima de tudo, uma
instituição divina. Nesse sentido,
o papel da liderança espiritual
é fundamental para que a igreja
permaneça funcionando como um
organismo vivo. H
OBRAS PARA O
ENRIQUECIMENTO DA
SUA VIDA MINISTERIAL
@ GORDON D. FEE
CRISTOLOGIA
PAU LI NA
Um e stu d o e x e g é t ic o - te o ló g ic o
Cristologia Paulina
G ordon D. Fee
Única em sua abordagem e temática, a obra Cristologia Paulina
oferece um estudo exaustivo sobre o tema elaborado pelo aca
dêmico pentecostal Gordon Fee. O autor oferece uma análise
individual e detalhada das Cartas de Paulo, explorando a
cristologia de cada uma delas e faz uma síntese exegética da
cristologia bíblica de Paulo, destacando os seguintes temas:
- O papel de Cristo como o Salvador divino preexistente e
Salvador encarnado;
- Jesus como o Segundo Adão;
- O Messias judeu e Filho de Deus;
- Jesus como o Messias e Senhor exaltado.
Entre outros assuntos, Fee também explora o relacionamento
entre Cristo e o Espírito Santo, inclusive tratando da pessoa
e do papel do Espírito no pensamento de Paulo. Uma leitura
obrigatória para todos os que se interessam em estudar tanto
a pessoa de Jesus quanto a teologia de Paulo.
Os Escolhidos
D allas Jen kin s, A m anda Jen kin s e K risten H endricks
Através do devocional Os Escolhidos, o roteirista e diretor da
série The Chosen, Dallas Jenkins, junto com Amanda Jenkins e
Kristen Hendricks, conduz os leitores a uma jornada com Jesus
através dos olhos das pessoas cujas vidas Ele absolutamente
transformou com Suas palavras, Seu amor e Suas obras: Seus
discípulos. Este é o segundo livro devocional da série, onde
eles aprofundam o relacionamento com o Mestre tendo como
referência as experiências de outras pessoas citadas nos Evan
gelhos, procurando responder a uma pergunta penetrante:
"O que significa seguir Jesus de verdade?". Por meio desses
devocionais, o leitor não vai se esquecer que aquEle que nos
ama tanto e que deu a Sua própria vida por nós quer um re
lacionamento crescente conosco. Jesus quer andarconosco,
manifestar o Seu amor diariamente e mostrar-nos cada vez
mais quem Ele é. O Senhor espera pacientemente que cada
um responda a seu convite e tenha uma vida plena de amor
e felicidade verdadeira segundo a Palavra de Deus.
Rayfran Batista da Silva é pastor
titular da AD em Santa Inês (MA);
I o vice-presidente da Convenção
Estadual das Assem bieias de Deus
no Maranhão (CEADEMA); pós-
graduado em Teologia; graduado
em Filosofia, Letras e História
Pode-se
afirmar que, no
pensamento do
apóstolo Paulo, a
Igreja não é uma
sociedade, mas,
sim, um corpo
Rayfran B a tis ta da Silva
Equilibrando se Organismo e Or
Diariamente, a igre
ja, como o corpo es
piritual de Cristo na
terra, está exposta às
pressões do materialismo, do se-
cularismo, do liberalismo teoló
gico e do mundanismo. Em suas
múltiplas vertentes, essas quatro
correntes se opõem frontalmente à
natureza e aos propósitos da igre
ja como uma agência do Reino de
Deus. Quanto mais se aproxima
o retorno do Senhor Jesus Cristo,
mais se intensifica a tendência da
Cristandade em ceder às pressões
da contemporaneidade com suas
muitas ideologias e filosofias em
detrimento dos princípios eternos
tão bem expressos nas Sagradas
Escrituras. Basta que se leia com
a devida atenção as sete cartas en
viadas por Jesus às igrejas da Ásia
Menor por intermédio do apósto
lo João (Ap 2 e 3) para se perceber
que não é de hoje essa tensão.
A igreja é, na realidade, um
grupo de pessoas chamadas para
fora do mundo, do pecado e das
religiões. Ela é um agente de
transformação do mundo pelo po
der do Evangelho de Jesus Cristo.
Todos os verdadeiros crentes em
Jesus, espalhados pelo mundo,
formam a Igreja. Ela não está res
trita a uma área geográfica e nem
a um único povo na terra. Este é o
seu aspecto invisível e universal.
Neste sentido, refere-se à Cristan
dade em geral, designa o Corpo
de Cristo, a Igreja invisível, da
qual Cristo é a Cabeça. "A Igreja
é um ajuntamento de discípulos
de Cristo que representa o Reino
de Deus na terra e cumpre as or
denanças de seu Senhor Jesus à
luz das Escrituras. Ao entrarem
e perseverarem na nova aliança
pela graça divina, esses discípu
los desfrutam do Evangelho e
obedecem a ele por meio de seu
compromisso mútuo e do Espíri
to Santo que os regenerou. Tudo
isso acontece para a edificação
desta igreja e de outras igrejas, o
cumprimento de sua missão, o be
nefício de todos e para a glória de
Deus, que a redimiu" (BLEDSOE,
2022, p.257). Conforme o conceito
acima, a Igreja existe especifica
mente na nova aliança, e é consti
tuída de discípulos de Cristo com
um propósito específico na terra.
Assim, pode-se afirmar que ela é
tanto um organismo quanto uma
organização.
Percebe-se também, em nossos
dias, algumas atitudes e movi
mentos entre a Cristandade con
temporânea que estão causando
enormes preocupações para a
liderança conservadora da igreja,
ao ponto de se tornar motivo de
estudo, oração e diversas análises
por parte daqueles que se debru
çam sobre o tema. Assuntos como:
igrejas que se declaram progres
sistas, o aumento daqueles que se
autodenominam desigrejados e a
desvalorização do ministério pas
toral. Diante de atitudes e movi-
Sob a Tensão Entre ganização
mentos como estes aqui citados, a
atual liderança da igreja tem sobre
si a responsabilidade de lutar para
que a mesma não venha a cair em
tais ciladas.
A necessidade do
equilíbrio entre organismo
e organização
A maioria dos teólogos evan
gélicos está de acordo em afirmar
que a Igreja de Cristo na terra é
tanto um organismo como uma
organização. O Novo Testamento
ensina que a igreja é um organis
mo vivo, porém organizado. O
Senhor Jesus, depois de ter feito a
profética declaração sobre a edifi
cação da Igreja como indestrutível
propriedade Sua (Mt 16.18), fez
também menção clara da neces
sidade de organização da mesma,
ao ensinar sobre a aplicação da
disciplina na vida dos membros
da igreja (Mt 18.15-18). O pastor
e teólogo pentecostal José Gon
çalves definiu objetivamente este
aspecto da natureza da igreja:
"U m o rg an ism o é v isto
como um conjunto de órgãos
que constituem um ser vivo.
Nesse aspecto, um corpo com as
diferentes funções de seus órgãos
e membros é entendido como es
trutura física de um organismo
vivo. Metaforicamente, a Igreja é
definida como 'o corpo de Cristo’
(ICo 12.27), um organismo vivo,
cuja cabeça é Cristo (Ef 5.23). As-
Â
sim como um corpo funciona pela
harmonia de seus membros, da
mesma forma também a Igreja
(ICo 12.12). Os membros não exis
tem independentemente um dos
outros (ICo 12.21. Portanto, como
corpo místico de Cristo, a igreja
existe organicamente" (Gonçalves,
2024, p.42).
A Igreja é o corpo místico de
Cristo, do qual Ele é a Cabeça viva
e do qual os crentes regenerados
são membros (Ef 1.22,23; Ef 3.4-6).
"Porque, assim como o corpo é um
e tem muitos membros, e todos os
membros, sendo muitos, consti
tuem um só corpo, assim também
com respeito a Cristo. Pois, em um
só Espírito, todos nós somos bati
zados em um corpo, quer judeus,
quer gregos, quer escravos, quer
livres". (ICo 12.12,13). A Igreja,
assim considerada na qualidade
de organismo, é, segundo Atos
15.14, "um povo para o seu nome",
o qual Deus está atualmente tiran
do dentre os gentios. Cristo é o seu
Fundador no sentido de ter sido
seu Mestre, Construtor e Enviador
do Espírito, que deu forma real
ao Corpo de Cristo. Um grande
número de estudiosos concorda
que o Pentecostes foi o começo
histórico da Igreja, já que o Corpo
de Cristo é formado através da
atividade do Espírito (ICo 12.13), e
esta começou suas atividades pú
blicas no dia de Pentecostes (At 1.5
e capítulo 2). Bancroft, em sua Teo
logia Elementar, comenta que "uma
igreja local é um grupo de crentes
batizados, reunidos pelo Espírito
Santo com o propósito de obede
cer aos princípios e preceitos da
Palavra de Deus. At 2.41,42; At
16.5. No Novo Testamento, a Igreja
é uma organização extremamente
simples. Todos quantos sejam ca
pazes de se render a Jesus Cristo
e realmente o fazem, aceitando-o
como o Salvador e obedecendo-lhe
como Senhor, têm o direito de ser
membros. E todos os membros
estão no mesmo nível" (Bancroft,
2001, p. 281).
Pergunta-se então: o que é ne
cessário para o devido equilíbrio
entre o organismo e a organiza
ção? O que a igreja pode e deve
fazer para suportar a pressão do
materialismo, do secularismo, do
liberalismo teológico e do munda-
nismo? Apresento aqui algumas
poucas e modestas sugestões que,
se colocadas em prática correta
mente, poderão, de alguma forma,
contribuir para o equilíbrio neces
sário no dia a dia da igreja.
Em primeiro lugar, é
necessário valorizar
o conceito de igreja
conforme seu emprego
no Novo Testamento
A Declaração de Fé das Assem
bléias de Deus no Brasil faz a se
guinte declaraçao sobre a verda-
deira natureza bíblica da igreja:
"CREMOS, professamos e ensi
namos que a Igreja é a assembléia
universal dos santos de todos os
lugares e de todas as épocas, cujos
nomes estão escritos nos céus: 'A
universal assembléia e igreja dos
primogênitos, que estão inscritos
nos céus, e a Deus, o juiz de todos,
e aos espíritos dos justos aperfei
çoados' (Hb 12.23). A Igreja foi
fundada por nosso Senhor Jesus
Cristo, pois Ele mesmo disse: 'so
bre esta pedra edificarei a minha
igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela' (Mt 16.18).
Essa pedra é o próprio Cristo: 'Ele
é a pedra que foi rejeitada por vós,
os edificadores, a qual foi posta
por cabeça de esquina' (At 4.11),
tendo a doutrina dos apóstolos
por fundamento e Jesus a princi
pal pedra de esquina: 'edificados
sobre o fundamento dos apóstolos
e dos profetas, de que jesus Cristo
é a principal pedra da esquina' (Ef
2.20). Ela, a Igreja, é a coluna e fir
meza da verdade. É a comunidade
do Senhor. Além de assembléia
universal dos crentes em Jesus,
o vocábulo 'igreja' refere-se