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HIPOMINERALIZAÇÃO MOLAR-INCISIVO FORMAÇÃO DO ESMALTE Tem origem ectodérmica (epitelial) e se desenvolve em 3 etapas: fase formativa, fase de mineralização e fase de maturação: 1) formação de matriz: onde as proteínas do esmalte são depositadas 2) mineralização: ocorre a deposição mineral e a maior parte das proteínas originais é removida 3) maturação: esmalte sofre mineralização e os remanescentes das proteínas originais são removidos Defeitos no desenvolvimento amelogênico - Hipoplasia: defeito de quantidade cujo defeito ocorreu na fase formativa onde não a deposição correta da matriz orgânica. - Hipomineralização: deficiência na qualidade do esmalte (a fase formativa foi feita da forma correta, mas a fase de mineralização e maturação não foi adequada), apresentado clinicamente por uma transluscência anormal (opacidade) do esmalte. A HMI é um defeito qualitativo que afeta um ou até todos os primeiros molares, acometen- do frequentemente os incisivos. Ocorre por- que o período de formação dos dois grupos de dentes ocorre quase que no mesmo momento. FATORES ETIOLÓGICOS É um doença multifatorial com certa influência genética, mas os fatores se concentram na diminuição do cálcio sérico (diminui a disponi- bilidade para a mineralização), aumento de temperatura (desnaturação de proteínas) e privação de oxigênio (células morrem). Fatores pré-natais: mãe apresentando problemas cardíacos (oxigenação), náuseas e vômitos prolongados, carência de vitaminas A e D, infecção urinária (aumento de temperatu- ra), diabetes mellitus gestacional (aumento do nível de glicose no sangue, diminui o cálcio sérico), uso de medicação, anemia (diminuição de ferro diminui o transporte de oxigênio) Fatores perinatais: cesárias (anestesia associado a episódios de hipóxia), partos prolongados ou prematuros, más oxigenação durante o parto, baixo peso ao nascer. Fatores pós-natais: doenças sistêmicas ocorridas nos três primeiros anos da criança (febre, asma, pneumonia), medicamentos Componente genético: genes associados a amelogênese podem sofrer alterações. EPIDEMIOLOGIA: PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA Uma doença que tem alta prevalência, que compromete qualidade de vida e ser passível de tratamento. No Brasil, a HMI é um problema de saúde pública. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS - Mudança de cor do esmalte, variando do branco ao amarelo/marrom - Opacidades bem demarcadas com bordas claras e bem definidas - Aspecto mais poroso (e mais frágil) Condições e dificuldade clínicas associadas - Perda e desgaste do esmalte (fratura ou desintegração pós-irruptiva) - Necessidade de reintervenções devido a dificuldade na aderência de materiais restauradores - Insatisfação estética - Maior facilidade de acúmulo de biofilme - Hipersensibilidade (maior exposição de dentina) - Necessidade de visitas frequentes ao dentista - Comportamento de inquietude - Prejuízos funcionais CLASSIFICAÇÃO Severidade leve: opacidades demarcadas em áreas livres de carga mastigatória, presença de opacidades isoladas, sem relato de hipersensi- bilidade dentária ou cáries associadas ao esmalte afetado, sem fragmentação de esmalte e o envolvimento de incisivos pode ser leve ou inexistente. Severidade moderada: há a presença de restau- rações atípicas, fraturas pós-irruptivas e/ou cárie limitadas a uma ou duas superfícies do dente, maior probabilidade de sensibilidade dentária e preocupações estéticas por parte dos pais e da crianças Severidade grave: o esmalte apresenta fratura pós-irruptiva, que ocorre principalmente durante a erupção dentária, podendo haver lesões extensas de cárie, restaurações atípicas com defeitos e histórico de sensibilidade espontânea, uma vez que a destruição da coroa por causa das fraturas pode facilmente chegar à polpa. DIAGNÓSTICO Anamnese detalhada, exame clínico, dever ser realizado após profilaxia com os dentes úmidos e a presença de um único molar permanente hipomineralizado já o suficiente para considerar o indivíduo portador de HMI. A idade média do diagnóstico é 8 anos. Ao exame radiográfico há mais radiolucidez. Diagnóstico diferencial Hipoplasia: o esmalte apresenta defeito quan- titativo podendo apresentar ausência parcial ou total de esmalte. Esmalte é liso, translúcido (qualidade normal) e pode haver exposição de dentina (pela falta de quantidade). Amelogênese imperfeita: todos os dentes acometidos, podendo ser detectada através do exame clínico de rotina, sendo comprova- damente de componente genético. Fluorose: caracterizada por linhas brancas, difusas e a quantidade e a região dos dentes acometidos depende da ingestão excessiva de flúor no período de formação do esmalte. O sinal patognomônico da fluorose é a simetria das lesões em dentes homólogos. Associação com a cárie dentária Devido a baixa qualidade da mineralização e calcificação do esmalte dos elementos afetados, a desmineralização promovida pelas bactérias cariogênicas torna-se facilitada e há maior propensão ao desenvolvimento de cárie. É importante avaliar a severidade, a atividade e o risco individual à cárie. Então a HMI afeta negativamente a qualidade de vida, por comprometimento psicológico, estético, funcional e dor e é considerado um problema de saúde público, sendo o papel da atenção básica, promover prevenção e o retorno quantas vezes forem necessárias para fazer restauração. MANEJO CLÍNICO Deve ser realizado por uma equipe multidisci- plinar visto que as modalidade de tratamento envolvem várias especialidades. A escolha do tratamento varia de acordo com a condição dentária, idade, socioeconômico e a expectativa do profissional e paciente. A primeira linha de tratamento é a prevenção, realizando a remineralização, redução da dor (dessensibilização), prevenção de fraturas pós- irruptivas e aconselhamento dietético. O uso de dentifrício fluoretado acima de 1000ppm de flúor, aplicação tópica de flúor e selante ionomérico. Seleção do material restaurador Resinas compostas: primeira escolha, remo- ção de todas as lesões opacas, hipomineraza- ções e a interface esmalte/adesivo é mais porosa. Uso de adesivo autocondicionante. CIV: não são recomendadas em áreas sujeitas a estresse. Restauração provisória. CIV + resina composta ou CIV modificado por resina (maior resistência mecânica). Superfícies severa- mente acometidas. Coroas de aço: casos com maior comprometi- mento da estrutura dentária e fraturas recorrentes. Auxiliam no controle da sensibili- dade dentária e preservação da dimensão vertical e contato interproximal. Infiltrante: atuação da estética, resina altamente fluida, aumenta índice de refração do esmalte, mascara opacidades, alto custo e melhora propriedades mecânicas do esmalte. Casos: Molares parcialmente irrompidos: selamento de fóssulas e fissuras com cimentos ionoméri- cos, liberação de flúor, reparos sempre que necessário até a aplicação do selante resinoso Molares já irrompidos: lesões cavitadas e fraturas em esmalte (remoção com curetas), CIV provisório e resina composta definitiva Casos mais severos: exodontia dos primeiros molares, avaliação da oclusão e crescimento, ideal com 8 ou 9 anos. Sinais favoráveis: potencial de erupção, bom contato com o 2PM Incisivos: razões estéticas, restauração com resina composta. Clareamento dental e/ou microabrasão (esmalte tem que estar íntegro, tem risco de sensibilidade, é questionável).