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CAPRINOCULTURA E 
OVINOCULTURA 
 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
MATERIAL: 
VIVIAN CELANO 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
1 
 
INTRODUÇÃO 
A caprinocultura e a ovinocultura são 
áreas da zootecnia voltadas para a criação 
de cabras e ovelhas, respectivamente. 
Ambas as práticas são tradicionais no Brasil 
e têm apresentado um crescimento 
econômico significativo nos últimos anos. 
procedimentos pré, trans e pós-
operatórios. 
A maior parte da produção de 
caprinos e ovinos no Brasil vem do 
pequeno produtor. Essas atividades são 
predominantes em áreas rurais, onde 
pequenos produtores desempenham um 
papel fundamental na economia local. Eles 
geralmente utilizam técnicas tradicionais 
de manejo e são responsáveis por grande 
parte da produção de carne e leite de cabra 
e ovelha, além de derivados como queijos 
e outros produtos. 
Embora a produção de caprinos e 
ovinos também envolva grandes 
propriedades e a presença de 
agronegócios, a contribuição dos pequenos 
produtores é essencial para o 
abastecimento do mercado interno, e 
muitos deles ainda têm acesso limitado a 
tecnologias avançadas. Isso faz com que o 
setor, mesmo com desafios, seja uma fonte 
importante de sustento para muitas 
famílias no meio rural. 
CARACTERÍSTICAS CAPRINOS OVINOS 
PARES DE CROMOSSOMOS 60 54 
HÁBITOS ALIMENTARES 
SELETIVO / FOHAS 
LARGAS 
NÃO SELETIVO 
FOSSAS LACRIMAIS NÃO SIM 
ANDAM EM GRUPOS NÃO SIM 
DESIDRATAÇÃO 
MENOR PERDA DE 
ÁGUA 
MAIOR PERDA DE 
ÁGUA 
TANINOS MAIS TOLERANTE 
MENOS 
TOLERANTE 
RETORNAM AO ESTADO 
SILVESTRE 
SIM NÃO 
GLÂNDULA INTERDIGITAL NÃO SIM 
BARBA SIM NÃO 
GLÂNDULAS DE ODOR 
HIRCINO 
SIM NÃO 
VÉRTEBRAS CAUDAIS 12 A 16 ATÉ 32 
METACARPOS E 
METATARSOS 
BEM 
DESENVOLVIDO 
BEM REDUZIDO 
CAUDA 
CURTA E PRA 
CIMA 
COMPRIDA E 
CAÍDA 
 
➢ OVINOS 
O carneiro, macho da ovelha, tem 
origem na domesticação de ovinos 
selvagens, ocorrida há cerca de 10.000 
anos no Oriente Médio, especialmente no 
Crescente Fértil. Esses ovinos, conhecidos 
como Ovis orientalis, foram gradualmente 
domesticados por sua carne, lã e leite. A 
domesticação levou ao surgimento de 
várias raças, com o carneiro 
desempenhando papel essencial na 
reprodução e na criação de ovinos em 
diversas culturas. 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
2 
 
Os carneiros e as ovelhas são 
herbívoros ruminantes, ou seja, eles se 
alimentam principalmente de plantas e 
têm um sistema digestivo especializado 
para extrair nutrientes de vegetais fibrosos. 
Seus hábitos alimentares incluem: 
pastagem (gramas, forrageiras e capim), 
alimentos complementares como feno, 
concentrados, minerais e sais, ração. 
Carneiros e ovelhas possuem um 
estômago composto por quatro 
compartimentos: o rúmen, o retículo, o 
omaso e o abomaso. Eles mastigam a 
comida apenas parcialmente, a engolem e, 
posteriormente, regurgitam para ruminá-la 
(processo de ruminação), facilitando a 
digestão dos componentes fibrosos. 
Carneiros e ovelhas têm preferência 
por plantas jovens e folhagens frescas, e 
são animais seletivos quanto à qualidade 
da forragem disponível. 
Embora consumam uma variedade de 
plantas, alguns vegetais podem ser tóxicos 
para eles, como certos tipos de folhas de 
plantas venenosas, então é importante 
garantir que o pasto esteja livre de espécies 
prejudiciais. 
 
 
 
➢ CAPRINOS 
A origem dos caprinos remonta à 
domesticação das cabras selvagens que 
ocorreram há cerca de 10.000 anos, 
principalmente nas regiões montanhosas 
do Oriente Médio e Ásia Central. Nesse 
território, as primeiras sociedades 
humanas começaram a criar animais de 
forma sistemática para obter alimentos, 
como carne e leite, e outros produtos como 
pelagem. 
Os primeiros povos selecionaram as 
cabras que apresentavam características 
desejáveis, como temperamento mais dócil 
e maior produção de leite e carne. A 
domesticação das cabras levou ao 
surgimento de diferentes raças, adaptadas 
a vários climas e sistemas de manejo, sendo 
fundamentais para a alimentação humana 
e para a economia rural. 
A domesticação das cabras 
rapidamente se espalhou para outras 
partes do mundo, incluindo o Norte da 
África, Europa, Ásia e, posteriormente, 
para as Américas e outras regiões. As 
cabras tornaram-se essenciais para as 
culturas e economias de várias sociedades, 
devido à sua adaptabilidade a diferentes 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
3 
 
tipos de clima e ao fato de serem 
relativamente fáceis de cuidar. 
Os caprinos são herbívoros e possuem 
hábitos alimentares específicos que os 
tornam adaptados a uma dieta baseada em 
plantas. Eles são conhecidos por serem 
animais seletivos e curiosos, o que significa 
que gostam de explorar seu ambiente em 
busca de diferentes tipos de vegetação. 
Os caprinos são herbívoros 
ruminantes que se alimentam 
principalmente de folhas, arbustos e 
gramíneas, sendo muito seletivos e 
curiosos quanto à vegetação que 
consomem. Eles possuem um sistema 
digestivo especializado para processar 
alimentos fibrosos e podem complementar 
sua alimentação com feno, concentrados e 
suplementos minerais quando necessário. 
➢ OBSERVAÇÕES DA AULA 
- 1 hectar = 10.000m² 
- Herpesvirus tipo 5: Embora o 
Herpesvírus Tipo 5 (BoHV-5) seja mais 
conhecido por afetar bovinos, ele também 
pode causar infecção em ovinos e 
caprinos, resultando em doenças 
neurológicas graves. A infecção é rara, 
mas, quando ocorre, pode levar a 
sintomas severos, como encefalite. O 
controle é baseado na prevenção, 
isolamento de animais infectados e 
desinfecção do ambiente. 
- Tanino: Tanino é uma substância química 
orgânica presente em diversas plantas e 
frutas. Os taninos podem ter um impacto 
significativo na alimentação de caprinos 
(cabras), especialmente quando 
consomem plantas que contêm altos 
níveis dessa substância. Embora os taninos 
sejam naturais em muitas plantas, eles 
possuem características que podem afetar 
tanto a saúde quanto a digestão dos 
caprinos. 
- Raça Saanen (caprinos): A raça Saanen é 
uma das raças de caprinos mais 
conhecidas e amplamente reconhecidas 
no mundo, especialmente para a produção 
de leite. Originária da Suíça, a raça Saanen 
é famosa pela sua alta produção de leite, 
com qualidade excelente e boa 
quantidade de gordura e proteína. 
- Ácido linoleico: O ácido linoleico está 
presente na carne e no leite de ovinos, e é 
um ácido graxo essencial para o organismo 
humano. 
- O que são sistemas de produção? Um 
sistema de produção é um conjunto de 
processos, pessoas, máquinas e 
departamentos que atuam para produzir 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
4 
 
um produto ou serviço. O objetivo é 
transformar insumos em produtos 
acabados de forma eficiente e controlada. 
 
➢ POR QUE CRIAR OVINOS E 
CAPRINOS? 
 
Esses animais foram domesticados há 
milhares de anos e no passado eram 
criados para subsistência de famílias e 
pequenos povoados. Hoje, são criados em 
grandes escalas industriais para atender a 
demanda de mercado que tem aumentado 
com a popularização dos produtos 
fornecidos com a matéria-prima desses 
animais. 
Durante os últimos 150 anos, a 
seleção genética e as melhores condições 
de manejo possibilitaram a obtenção de 
cabras e ovelhas de altíssima 
produtividade, tanto de leite quanto de 
sólidos totais, promovendo uma grande 
evolução em ambas as espécies. Essa 
evolução ocorre paralelamente ao 
aumento da demanda por esses produtos, 
principalmente o queijo. 
Criar ovinos e caprinos acaba sendo 
muito vantajoso pois são animais 
pequenos, quando comparados aos 
bovinos, ou seja, ocupam espaços muito 
menos, cabendo muito mais animais por 
área. Além disso, possuem baixo custo de 
implantação, adaptabilidade a diversos 
tipos de criatórios, o que é a maior 
vantagem das espécies (são animais 
rústicos).Caprinos e ovinos são ideais para 
pequenas propriedades (mão-de-obra 
familiar), mas podem também ser 
mantidos em grandes empreendimentos 
com mão-de-obra contratada. 
Dessa forma, a caprinovinocultura 
representa uma opção não somente para a 
produção de alimentos, mas também para 
a diversificação da renda da propriedade e 
geração de empregos no campo. 
 
LEITE 
Atualmente, o Brasil ocupa o 11º lugar 
no ranking mundial com uma produção de 
cerca de 9,5 milhões de caprinos e de 
acordo com o IBGE, a produção estimada 
de leite de cabra passa dos 25 milhões de 
litros por ano. A produção brasileira 
cresceu 71% entre os anos de 2000 e 2017. 
Raças ovinas produzem mais de 1000 
kg de leite por lactação, ao passo que raças 
caprinas especializadas superam os 2000kg 
com cabras superando os 10kg de leite por 
dia. 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
5 
 
Entretanto, quando se aplica uma 
correção para leite com 4% de gordura, a 
produção das espécies se equivalem. 
 
MERCADO 
No Brasil, onde esta cultura está no 
início do seu desenvolvimento, a maior 
parte dos queijos de leite de ovelha aqui 
encontrados são artigos importados e de 
alto valor para o consumidor. 
Algumas propriedades, visualizando 
esse nicho de mercado, importaram 
animais de raças com aptidão leiteira e 
estão desenvolvendo queijos com matéria -
prima nacional. Entretanto, é necessário 
conhecer a capacidade produtiva e a 
composição do leite de raças nacionais, 
visando a diminuição do custo de 
produção. 
Na exploração, de forma intensificada 
de caprinos leiteiros no Brasil, observa-se 
um crescimento proporcional à demanda 
de mercado, aparecendo novos produtos. 
 
ESTRATÉGIAS 
- Rebanho com ganho genético adquirido; 
- Redução de custos; 
- Alta absorção de tecnologia; 
- Gestão eficaz e rápida; 
- Tendência de evolução da atividade; 
- Maior formalização do mercado; 
- Produção de derivados do leite e trabalho 
junto aos formadores de opinião e ao setor 
gastronômico, com apresentação de 
produtos finos (professora Theresse citou 
o Rio Gastronomia como exemplo). 
 
➢ PRODUTOS CAPRINOS E 
OVINOS 
 
Os produtos de caprinos e ovinos são 
produzidos em atividades difundidas em 
todo o território nacional, mas com uma 
concentração, em especial, do caprino na 
região do semi-árido brasileiro. 
Os caprinos e ovinos são animais 
rústicos. Isso significa que eles têm uma 
boa capacidade de se adaptar a condições 
ambientais diversas e a sistemas de manejo 
menos intensivos, o que torna essas 
espécies bastante versáteis e resistentes. 
São muito adaptáveis a condiçõe climáticas 
mais quentes, seleção natural e adaptação 
do homem. 
Caprinos e ovinos podem ser criados 
juntos, mas não são iguais. 
Existem raças específicas para 
manejos e aptidões específicas. Existem 
animais com aptidão única para leite ou 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
6 
 
leite e lã ou apenas carne, aptidão mista ou 
dupla (carne/leite). 
 
OBS¹: 
Carne = músculos do animal 
Vísceras = restante 
OBS²: 
A carne sendo de boa ou má 
qualidade, terá a mesma quantidade de 
proteínas, pois tudo está bem ligado à 
genética da espécie. No entanto, um 
animal que não recebe o manejo 
adequado, pode apresentar carne de má 
qualidade. 
A verticalização na criação de ovinos 
e caprinos refere-se ao processo de 
integração das diversas etapas produtivas 
de uma cadeia de produção, desde a 
criação e manejo dos animais até a 
industrialização dos produtos finais. Ou 
seja, o produtor não se limita apenas à 
criação dos animais, mas também se 
envolve em outras fases da produção, 
como o processamento e comercialização 
de seus produtos, como carne, leite, lã, 
peles, entre outros. 
Os cortes caprinos incluem o pescoço, 
a paleta, a costela, o carré, o T-bone, a 
picanha e o pernil. 
Os cortes ovinos podem ser divididos 
em cortes dianteiros e traseiros. 
Cortes dianteiros: Pescoço, Paleta, 
Costela, Carré, T-bone. 
Cortes traseiros: Picanha, Pernil. 
OBS: arroba = ima arroba é uma 
unidade de medida de peso que equivale a 
15 quilogramas (kg) quanto se paga pelo 
peso da carne na cotação. O preço da carne 
ovina e caprina pode variar de acordo com 
a região produtora e o período do ano. Ver 
no site da Embrapa as cotações. 
 
LEITE 
- Bebida saborosa e nutritiva; 
- Contém menos lactose que o leite de 
vaca, o que o torna mais adequado a 
pessoas intolerantes, crianças e idosos; 
- Excelente fonte de cálcio e vitaminas, 
proteínas, e etc; 
- Rico em ácidos graxos ômega-3 
(reduz o risco de doenças vasculares). 
 
CONTROLE LEITEIRO 
Consiste em aferir a produção de leite 
das cabras quando ordenhadas na 
propriedade, utilizando-se de rdenha 
manual ou mecânica durante um dia de 
produção; 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
7 
 
Para o controle leiteiro qualitativo 
obtém-se amostras de leite para análises 
de composição (gordura, extrato seco total 
proteínas, lactose) e contagem de células 
somáticas (CCS). 
Todavia, um dos fatores 
preponderantes para aumentar o número 
de rebanhos controlados é o 
esclarecimento dos produtores e/ou 
responsáveis pelo manejo do rebanho a 
respeito da importância do controle leiteiro 
e das ações necessárias para sua 
implementação e execução. 
 
ORDENHA MANUAL 
- Deve-se lavar bem as mãos; 
- Fazer uma breve ordenha manual em 
cada teta para limpar o ducto de leite antes 
de começar a ordenha; 
- Colocar um balde sob o úbere do 
animal; 
- Envolver as duas tetas com as mãos; 
- Espremer as tetas em um 
movimento para baixo para extrair o leite; 
- Ordenhar até não conseguir tirar o 
leite com facilidade. 
 
 
 
 
TESTE DA CANECA DO FUNDO PRETO 
Para o diagnóstico da mastite clínica 
em todas as fêmeas e ordenhas, retire 3 
jatos de leite de cada um dos tetos. 
Cheque cuidadosamente se há 
alguma alteração no leite, como grumos ou 
pus, bem como a presença de sangue ou de 
coloração alterada. 
 
TESTE DE MASTITE 
Avalie o úbere do animal. Pode ser 
feita a palpação do úbere nos casos de 
suspeita de mastite. Úbere mais rígido do 
que o normal, quente e avermelhado é 
sinal de mastite. 
Deve-se filtrar o leite assim que 
finalizar a ordenha. Refrigerar ou congelar 
se não for destinado imediatamente ao 
beneficiamento. 
 
FATORES FUNDAMENTAIS NA 
PRODUÇÃO DE LEITE 
 
- Manejo nutricional e sanitário 
adequado do rebanho; 
- Uso de raças adaptadas a cada 
região; 
- Utilização da escrituração 
zootécnica; 
- Melhoria das condições de produção 
de leite de cabra no Brasil; 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
8 
 
- Condições propícias de bem estar 
animal para a obtenção de leite com maior 
valor agregado; 
- Realização de testes de progênio de 
reprodutores; 
- Banco de dados do controle leiteiro 
oficial de rebanhos localizados os Estados 
do Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio 
de Janeiro, São Paulo e Bahia. 
 
BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO 
 
- Garantir a fabricação dos produtos 
lácteos de boa qualidade; 
- Capacitação de produtores e 
colaboradores envolvidos nas diversas 
etapas de processamento do leite; 
- Melhorias e benefícios a todos que 
participam da cadeia; 
- Garantir a qualidade e a segurança 
dos produtos a serem consumidos. 
 
PRODUTOS CAPRINO E OVINO 
- Queijo andino 
- Queijo andino maturado e defumado 
- iogurte batido 
- Coalhada dessorada 
- Doce de leite pastoso 
- Doce de leite em tabletes 
- Queijo artesanal do sertão 
- Queijo coalho 
- Leite de cabra em pó 
- Queijo feta 
- Queijo pecorino 
- Queijo boursin 
 
CARNE 
O que pode afetar a qualidade da 
carne? 
- Manejo; 
- Idade do animal; 
- Raça; 
- Sexo; 
- Nutrição; 
- Peso de abate – Posso abater com 
peso padronizado ou c/ tempo padrão 
(exemplo: vou abater sempre animais com 
60 dias de vida). O abate feito por tempo 
padrão acaba gerandouma variação no 
lucro, pois o peso de cada animal pode 
variar para mais ou para menos com a 
mesma quantidade de dias. Seria mais 
viável fazer por peso padronizado. 
A carcaça do animal abatido é avaliada 
em mm de gordura. A gordura confere à 
carne mais sabor e hidratação. 
Os machos possuem menor 
disposição de gordura, enquanto as fêmeas 
possuem maior disposição. 
OBS (carne bovina): 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
9 
 
- Nelore: se adaptou melhor ao nosso 
clima. 
- Angus – Mais elitizada. 
 
CATEGORIAS DE OVINOS 
- Cordeiro: Refere-se a um ovelha jovem 
com menos de 1 ano de idade. A carne de 
cordeiro é mais macia e de sabor suave, 
sendo muito valorizada. 
- Borrego / anho: Animal jovem, com 6 
meses a 1 ano de idade, que já começou a 
se alimentar mais de pasto do que de 
leite (desmamado). A carne do borrego é 
um pouco mais firme do que a do 
cordeiro, mas ainda é considerada macia. 
- Carneiro / ovelha: Ovelhas com mais de 
1 ano de idade. Após essa fase, elas 
entram na fase reprodutiva e, muitas 
vezes, são mantidas para produção de 
leite ou carne. Macho de mais de 1 ano, 
geralmente destinado à reprodução ou à 
produção de carne. O carneiro pode ser 
castrado (macho castrado é chamado de 
"barrego") ou não. 
 
CATEGORIAS DE CAPRINOS 
- Cabritos em aleitamento / crias: 
Filhotes que dependem do aleitamento, 
aos 20 dias começam a pastejar e comem 
alimentos concentrados. Aos 90 dias, são 
desmamados. É o animal mais sensível do 
rebanho. 
- Cabritos desmamados: Fase de 
recria com objetivo de trabalhar a condição 
corporal. Acabamento / terminação. 
Devem pesar ao menos 15kg no final da 
recria. 
- Cabritos em terminação: que estão 
em uma fase final de engorda antes de 
serem abatidos para produção de carne. O 
objetivo dessa fase é alcançar o peso e as 
características ideais para o mercado de 
carne, proporcionando um produto com 
boa qualidade e maciez. 
 
TRANSPORTE PARA O ABATE 
Os animais ficam em jejum no 
caminhão, mas o estresse pelo jejum não é 
maior que o risco de contaminação por 
fezes. O transporte dos animais para o 
abate deve seguir normas bem específicas 
de bem estar animal para garantir que os 
animais cheguem ao destino final com o 
mínimo de estresse possível. O transporte 
é uma etapa importante, pois influencia 
diretamente a qualidade da carne e o bem 
estar desses animais. 
O caminhão deve ser projetado para o 
transporte de animais, com baias e 
separações para que os animais não 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
10 
 
acabem colidindo durante o transporte. 
Para isso, é preciso que haja espaço para 
que eles se movimentem e não fiquem 
estressados, mas é importante não haver 
espaço demais para que eles não se 
lesionem no movimento do caminhão. As 
balas devem ser ventiladas e protegidas 
(contra chuvas e ventos por exemplo). O 
piso deve ser antiderrapante, as divisórias 
devem ser seguras, a ventilação e a 
iluminação devem ser adequadas. 
A carga no caminhão deve se limitar à 
capacidade máxima recomendada para 
que não aconteçam problemas no trajeto e 
gerem mais estresse aos animais. O 
motorista deve dirigir de maneira suave, 
evitando frenagens bruscas e alta 
velocidade. É recomendado que o 
transporte seja feito durante a noite ou nas 
primeiras horas da manhã, pois são 
horários com temperatura mais amena. 
Os animais devem ter acesso à água, 
mas a alimentação deve ser restrita, pois os 
animais podem defecar e isso aumentará o 
risco de contaminação. Os animais poderão 
se alimentar no período de descanso. 
O principal objetivo no transporte é 
promover o bem estar dos animais, 
evitando estresse, o que prejudicaria a 
qualidade da carne após o abate. 
A dor libera catecolaminas e 
hormônios que prejudicam o animal. 
OBS: O RISPOA é a Rede Internacional 
de Sanidade, Produção e Bem-Estar 
Animal. Trata-se de uma iniciativa que visa 
a promoção de boas práticas em sanidade, 
saúde e manejo de animais, com o objetivo 
de garantir tanto a qualidade da produção 
animal quanto o bem-estar dos animais 
O RISPOA tem como objetivo garantir 
que as práticas de manejo sejam 
adequadas e que os animais sejam tratados 
de forma ética, além de contribuir para a 
segurança alimentar e a qualidade dos 
produtos de origem animal. 
OBS: 
- Setores de separação no abate: 
1 – Boca, língua e pata 
2 – Pulmão e coração 
3 – Cérebro 
A classificação da carne em in natura, 
rejeitada total e rejeitada parcialmente é 
feita com base em criteriosos processos de 
inspeção sanitária e está relacionada à 
qualidade da carne e à sua adequação para 
consumo. 
A carne in natura é a carne fresca, que 
não passou por nenhum processo de 
conservação, como resfriamento, 
congelamento ou processamento 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
11 
 
industrial. Ela é proveniente de animais 
inspecionados e aprovada para consumo, 
estando em boas condições sanitárias. 
A carne rejeitada totalmente é a 
carne que, após a inspeção sanitária, foi 
considerada totalmente imprópria para o 
consumo humano. Isso pode ocorrer 
devido à presença de doenças, 
contaminações, alterações no aspecto 
visual (como necrose ou abscessos) ou 
contaminação microbiana em níveis 
perigosos. 
- A carne rejeitada parcialmente é 
aquela que, embora tenha sido 
considerada imprópria para consumo em 
algumas partes, pode ser aproveitada em 
outras áreas, após a remoção da parte 
comprometida. A inspeção veterinária faz a 
separação das partes da carne, e a carne 
que é considerada não contaminada pode 
ser aproveitada, desde que seja processada 
ou tratada adequadamente. 
 
OBSERVAÇÕES: 
- O jejum não deve exceder 24 horas; 
- Se o processo de abate exceder o 
tempo previsto, deve alimentar o animal e 
voltar ao jejum; 
- Deve haver um veterinário 
responsável por todo esse processo; 
- O insensibilizador deve ser um 
equipamento pneumático ou perfurante; 
- Esfola é a retirada do couro; 
- Evisceração é a returada das vísceras; 
- Se a vesícula biliar sofrer corte, a 
carcaça é condenada devido às enzimas 
presentes na bile; 
- Vitelo é um bezerro muito jovem, 
geralmente com menos de 3 meses de 
idade, criado especificamente para a 
produção de carne; 
- O score corporal dos bovinos para 
corte varia de 1 a 9; 
- O score corporal para bovinos de 
leite varia de 1 a 5. 
 
O QUE É UM ANIMAL SAUDÁVEL? 
Deve-se conhecer cada espécie para 
fornecer o manejo adequado. 
Animais caprinos e ovinos saudáveis são: 
- São animais com apetite; 
- Animais que podem executar a 
ruminação (são animais ruminantes, e não 
ruminar também gera estresse); 
- Temperatura corporal entre 38,5° e 
39,5°; 
- Fezem em bolotas (ricas em NPK – 
nitrogênio, fósforo e potássio); 
- Deve-se conhecer o cheiro da urina; 
Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 
 
12 
 
- Deve-se conhecer a organização 
social desses animais e seu 
comportamento gregário. Ovinos andam 
em grupos; 
- Deve-se conhecer a hierarquia da 
manada (muito complexo, pois quando tem 
dominância é difícil avaliar peso e etc – 
quem domina come mais); 
- Ganha-se dinheiro na 
homogeneidade do rebanho; 
- Os grupos não se misturam entre si. 
 
INDIVIDUALIDADE 
COMPORTAMENTAIS 
 
- Caprinos são mais seletivos com 
alimento; 
- São mais curiosos, ousados, ágeis e 
rápidos; 
- São mais altos que ovinos; 
- A contenção deles é diferente devido 
ao seu tamanho; 
- São menos medrosos; 
- Caprinos possuem comportamento 
de pastejo mais comumente; 
- Um animal estressado: morde, dá 
cabeçadas ou agressão sem contato, ou 
seja, exibições de ameaças, perseguições 
ou fugas; 
- Ovinos e caprinos devem ser 
conduzidos em grupo. Quando separados, 
mudam de comportamento. Manifestam 
vocalização (MEEE); 
- Um animal isolado é mais propenso 
a se machucar. 
 
INDIVIDUALIDADE DE SENTIDOS 
-São herbívoros ruminantes e do tipo 
presa (sempre atentos esperando 
predador); 
- Tendem a fugir com movimentos 
bruscos; 
- Sensíveis a sons; 
- Olhos lateralizados (visão mais 
ampla); 
- As orelhas se movem independentes 
umas das outras. Uma orelha pode estar 
orientada a um sentido e outra em outro; 
- Muito responsivos à intensidade do 
som (pessoas gritando podem atrapalhar 
todo o processo produtivo); 
- Ideal manejo mais silencioso; 
- Usam os sons para se comunicar 
(balir); 
- Ovinos apresentam taquipnéia, 
inapetência, ranger de dentes, imobilidade 
ou marcha anormal (quando nervosos); 
- Os caprinos são mais vocais que as 
ovelhas; 
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- Visão: A retina é mais retangular, 
adaptável à mudança de luminosidade, são 
animais de dias curtos; 
- O formato do olho ajuda no pastejo; 
- Possuem visão monocular e 
binocular; 
- Enxerga outra coloração; 
- Não enxergam a cor vermelha; 
- Não são tão dependentes do olfato, 
embora tenha sua importância; 
- Selecionam alimentos pelo ofalto; 
- Podem associar determinados 
odores a estresse e perigo; 
- Usam o olfato para sentir o odor da 
fêmea no cio; 
- Ao pensar no manejo de ovinos e 
caprinos é preciso considerar que certos 
odores podem fazer com que o animal se 
comporte com tranquilidade ou medo, 
mudando a experiência. 
 
PRODUÇÃO DE LEITE 
Diversos fatores influenciam na 
produção e na qualidade do leito produzido 
por ovinos e caprinos, como: 
- Raça – existem raças com mais 
aptidão ao leite; 
- Idade – a produção de leite atinge o 
pico na fase inicial de lactação (2 a 3 meses 
após o parte). Animais entre 2 e 6 anos 
apresentam melhor produção de leite. 
Após 6 anos, a produção de leite diminui 
bastante; 
- Momento da ordenha; 
- Número de cordeiros em 
aleitamento; 
- Nível nutricional dirante a gestação e 
a lactação (animais com boa composição 
corporal produzem mais); 
- Ambiente – o estresse afeta a 
produção de leite; 
- Técnicas de ordenha; 
- Estado sanitário e infecções de 
úbere. 
 
OBSERVAÇÕES: 
- Produtividade: Quanto cada animal 
produz individualmente; 
- Produção: Quanto é produzido no total. 
 
➢ PRODUÇÃO DE LÃ, COURO E PELE 
A criação de olvelhas de lã está 
presente na história da humanidade como 
sendo a atividade que proporciona a maior 
fonte de alternativas para subsistência. 
Os carneiros são insuperáveis na 
conversão de forrageiras em produtos para 
o consumo humano de alta qualidade, 
como lã e pele para vestuário. 
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O mercado de lã, após um longo 
período de crise, voltou a dar sinais de 
recuperação, com uma crescente demanda 
pela fibra natural. Essa produção, 
combinada com a de carne, maximiza a 
viabilidade econômica da ovinocultura. 
As raças produtoras de lã, ao contrário 
do que se pensa, podem ser criadas em 
praticamente todas as regiões do país, 
exceto em lugares úmidos. 
Ovelhas e carneiros produzem lã, mas 
no comparativo, os carneiros produzem 
mais do que as ovelhas. 
A lã possui função de proteção e 
características que a fizeram acompanhar a 
evolução da humanidade e permanecer até 
hoje no mercado. 
A lã possui outras características de 
mercado: 
- Termorreguladora (humanos são 
homeotérmicos), elasticidade, suavidade, 
hidroscopicidade, resistência ao fogo, 
pelego a produtos medicinais e cosméticos. 
Carne + lã = Aumenta a viabilidade 
econômica da ovinocultura. As raças 
produtoras de lã podem ser criadas em 
qualquer tipo de clima. 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DA LÃ 
A lã tem formato cilíndrico, superfície 
escamosa e crescimento contínuo. É 
formada a partir de divisões celulares no 
folículo piloso (sai do mesmo lugar que o 
pêlo). 
Pode ser classifcada de acordo com a 
região de origem no corpo do animal e a 
qualidade de suas propriedades (cor, 
comprimento, ondulação da fibra, brilho, 
suavidade e resistência). 
 
Seu rendimento é baseado na finura 
média dos fios e se expressa como libras 
fiadas a partir escala de Bradford. 
A escala de Bradford é uma escala de 
classificação da lã de acordo com o 
diâmetro médio das suas fibras. 
Existem diferentes tipos de lãs, como 
merino, corriedale, ideal ou crioula, que 
são produzidas por diferentes raças de 
ovelhas. 
 
LÃ MERINO 
É uma fibra natural, macia e brilhante, 
obtida de uma raça específica de ovelhas e 
carneiros. É ótima para regular a 
temperatura e absorver a umidade. A lã 
merino provém da ovelha Merino, 
conhecida pela sua suavidade e finura. 
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LÃ CORRIEDALE 
É mais grossa que a lã merino, o que 
lhe torna um pouco menos suave ao toque. 
É muito macia e tem um comprimento 
maior, o que lhe dá mais resistência. É 
indicada para peças que possam ser usadas 
como acessórios ou sobre outras, como 
gorros, casacos, luvas, etc. 
 
LÃ CRIOULA 
A lã crioula tem um toque que varia de 
áspero a moderadamente suave. A cor 
pode variar do branco ao preto incluindo 
diversos tons intermediários, como por 
exemplo, amarelo, cinza, marrom, ocre e 
grisalho. Os ovinos crioulos são 
considerados uma raça rara. 
 
CARACTERÍSTICAS DA LÃ 
Muitos fatores interferem nas 
características da lã, como: 
- Nutrição e qualidade do pasto 
ofertado (conversão alimentar gera um 
bom produto); 
- Idade; 
- Sanidade; 
- Condições reprodutivas; 
- Especialização da raça. 
O pico de produção de lã no animal 
se concentra entre o segundo e o terceiro 
ano de idade e a partir disso, diminui 2% 
a 4% ao ano (fator de idade). 
Em ordem decrescente, carneiros, 
capões e ovelhas têm maiores produções 
de lã. Fêmeas gestantes e lactantes 
produzem menos (fator reprodutivo). 
Da mesma forma, fêmeas de parto 
gemelar e borregas produzem de 5% a 
10% menos lã. 
Isso se deve ao aumento de nutrientes e 
energia despendidos. 
A tosquia acontece 1 vez ao ano, 
entre outubro e dezembro (pois é um 
período mais quente, e esses animais 
não precisarão da lã para proteção 
térmica devido ao calor). 
*merina: uniforme, suave, resistente, 
finura de lã. 
Na busca pela qualidade da lã, são 
avaliados os diferentes tipos de tosquia. 
Diferença de lã e pêlo 
Lã = fibra não medulada 
Pêlo = fibra medulada 
A lã do dorso tem maior qualidade que a 
lã das patas, justamente pelo contato 
com o chão e sujidades. 
Tosquia → sustentabilidade 
A lã é uma das fibras naturais mais 
sustentáveis. 
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Velo de lã é a lã que cobre o corpo 
do ovino, ou seja, a pelagem dos ovinos. 
Também pode se referir à totalidade da 
lã obtida do animal após a tosquia. É 
formado por fibras especiais que devem 
ser fortes, macias, resistentes, flexíveis e 
brilhantes. 
Algumas raças de ovelhas têm um 
velo extenso, que cobre praticamente 
todo o corpo do animal, desde a cabeça 
até às patas. 
Velo ideal = características para a lã ser 
considerada boa. 
** Em 2015, o rebanho de ovinos no 
Brasil registrou uma queda, e o número 
de ovinos tosquiados também diminuiu. 
** Fecola: Federação das Cooperativas 
de Lã. 
** Carbenar: Abrir a fibra da lã com os 
dedos a partir da base onde estão 
agarrados. Ajuda a remover as 
impurezas. 
** Cardar: Processo com finalidade de 
escovar a lã. 
** Fiar: Transformação da pasta difusa de 
lã em fio. 
Fiar é o processo de transformar a lã ou 
o algodão em fios, enquanto tear é o 
equipamento usado para tecer tecidos e 
tapeçarias. 
** Torcer: Processo de torcer a lã para 
torná-la mais resistente. 
** Meadas: Quando o fio está 
terminado. 
** Expressão “fio da meada”: "Fio da 
meada" é uma expressão que pode ter 
vários significados, como perceber o 
funcionamento de algo, perder o foco ou 
estar desorientado. 
** Dobar: Operação que transforma a lã 
em novelos. 
Nem toda lã produzida será 
aproveitada. Lã do lombogeralmente é 
de melhor qualidade por ser mais 
comprida. A lã das partes inferiores pode 
ser muito curta e por isso acaba não 
sendo aproveitada. 
** Lanolina: Substância gordurosa que 
deixa a lã impregnada e é removida na 
lavagem junto a outras sujidades. 
A lanolina é um produto utilizado para: 
- Hidratar a pele; 
- Evita o ressecamento; 
- Aumenta a elasticidade da pele; 
- Repõe lipídios perdidos; 
- Inibe a perda de água de 20% a 30%. 
Raças ideais para tingimento: brancas, de 
cor clara e uniforme. 
 
 
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LABORATÓRIO DE QUALIDADE 
Quando se trabalha com grandes 
escalas, é preciso coletar amostragens e 
observar se o produto final está dentro 
dos padrões de qualidade. 
 
PELE E COURO 
Subproduto da carne, pois precisa 
do abate para ser obtido. Existem 
manejos adequados para ter um couro 
de qualidade. 
 
PELE 
Tegumento externo que envolve o corpo 
do animal. 
Esfola: Retirada da pele in natura. Sujeito 
à deterioração devido ao seu alto teor de 
água. 
O processo de salga e secagem do 
couro é uma etapa do processo de 
industrialização do couro, que visa a 
conservação e preparação para o 
curtimento. 
O curtimento de couro é 
um processo químico que transforma 
peles de animais em couro, tornando-as 
estáveis e resistentes à degradação. É 
uma etapa fundamental na produção de 
couro e pode ser classificado em mineral, 
vegetal e sintético. 
A cartilha de procedimentos de pré e 
pós-abate de couro deve abordar o 
manejo pré-abate e o processo de salga. 
 
MANEJO PRÉ-ABATE 
 É fundamental conduzir os 
animais com calma, evitando situações 
que possam causar sustos ou 
escorregões. O transporte deve ser 
realizado de maneira adequada, sempre 
priorizando o bem-estar dos animais. 
Além disso, é importante separá-los e 
classificá-los corretamente. Antes do 
abate, devem ser respeitados os 
períodos de descanso e jejum, seguidos 
por uma inspeção criteriosa, incluindo 
observação e exame clínico. 
 
PROCESSO DE SALGA 
A salga deve ser realizada entre 3 e 4 
horas após o abate e mantida por um 
período mínimo de 24 horas. Para esse 
processo, é essencial utilizar cloreto de 
sódio com no mínimo 98% de pureza, 
garantindo que sua proporção não 
ultrapasse 50% do peso das peles. 
Um manejo pré-abate inadequado 
pode causar estresse nos animais, 
resultando em contusões nas carcaças e 
alterações na carne. Essas alterações 
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podem ser de natureza química, 
fisiológica e biológica, trazendo prejuízos 
tanto para os animais quanto para os 
seres humanos. 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
Pele de 1ª qualidade: não pode 
apresentar furos da esfola, apresentar 
evidências de má conservação e marcas 
de ação de ectoparasitas. 
Pele de 2ª qualidade: Pode apresentar, 
mas perde o valor. 
O valor pago ao produtor varia 
sensivelmente durante o ano. AS peles 
ovinas são mais valorizadas que as 
caprinas. 
** ver tabelas de categorias por 
tamanho, peso e comprimento. 
 
DEFEITOS 
As peles não podem apresentar defeitos 
visuais na parte central, não podem 
apresentar sinais de putrefação, não 
podem apresentar nenhum efeito nas 
partes periféricas, pernas e cauda e 
devem estar livres de sujeira. 
 
COURO 
Transformação de pele em couro é 
preservar as propriedades originais. O 
couro deve ter viscoelasticidade, 
resistência à tração, ao rasgamento e à 
abrasão. O processo acrescenta outra 
propriedades, como a resistência térmica 
e a permeabilidade dos fases. Além disso, 
elimina características indesejáveis, 
como a facilidade de decomposição e 
regidez ao secar. Deseja-se que o couro 
seja macio e maleável. 
Curtume é o local onde ocorre o 
processamento e tratamento de peles de 
animais para transformá-las em couro. 
Esse processo, chamado de curtimento, 
evita a degradação da pele e melhora 
suas propriedades físicas, tornando-a 
resistente, flexível e durável para uso na 
fabricação de calçados, bolsas, estofados 
e outros produtos. 
No curtimento o material fica estável 
e imputrefável. 
 
ETAPAS QUÍMICAS 
Caleiro → Eliminação da camada mais 
epidérmica da pele. 
Desencalagem → Eliminação dos 
produtos utilizados no caleiro. 
Purga → Tira as enzimas de colágeno. 
Preparação da pele para receber o 
curtimento. Limpa a estrutura fibrosa 
para retirar constituintes indesejáveis. 
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Desengraxe → Tira a gordura. 
Piquelagem → Prepara a pele para as 
substâncias químicas do curtimento. 
Neutralização → Enxuga. 
Recurtimento → Confere elasticidade. 
Tingimento → Dá cor. No banho de 
recurtimento podem ser tingidos com 
corantes aniônicos. 
Engraxe → Película que dá brilho e 
durabilidade. 
Acabamento → É a etapa final do 
processamento do couro em um 
curtume. 
 
ETAPAS MECÂNICAS 
As etapas mecânicas do curtimento 
são diversas, como: Divisão, 
enxugamento, rebaixamento, 
estiramento, vácuo, tunging, lixamento, 
amaciamento e prensagem. 
 
PELES SALGADAS 
O sal desidrata e conserva até o 
curtimento. São remolhadas para 
recuperar a umidade perdida. 
 
QUALIDADE INTRÍNSECA DO COURO 
Envolve diversos fatores 
importantes, como raça, idade, sexo, 
qualidade dos processos químicos e 
mecânicos. Esses processos conferem ao 
couro resistência, maleabilidade e 
durabilidade. Os resultados são 
comparados com as métricas de padrão 
definidas internacionalmente. 
O valor de venda do couro de 5ª 
talvez pague somente o custo de 
produção, porém o da classificação 
refugo, não cobre e acaba representando 
prejuízo. 
Um dos grandes desafios na produção de 
couro é a melhora nas condições da 
matéria-prima.