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CAPRINOCULTURA E OVINOCULTURA Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom MATERIAL: VIVIAN CELANO Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 1 INTRODUÇÃO A caprinocultura e a ovinocultura são áreas da zootecnia voltadas para a criação de cabras e ovelhas, respectivamente. Ambas as práticas são tradicionais no Brasil e têm apresentado um crescimento econômico significativo nos últimos anos. procedimentos pré, trans e pós- operatórios. A maior parte da produção de caprinos e ovinos no Brasil vem do pequeno produtor. Essas atividades são predominantes em áreas rurais, onde pequenos produtores desempenham um papel fundamental na economia local. Eles geralmente utilizam técnicas tradicionais de manejo e são responsáveis por grande parte da produção de carne e leite de cabra e ovelha, além de derivados como queijos e outros produtos. Embora a produção de caprinos e ovinos também envolva grandes propriedades e a presença de agronegócios, a contribuição dos pequenos produtores é essencial para o abastecimento do mercado interno, e muitos deles ainda têm acesso limitado a tecnologias avançadas. Isso faz com que o setor, mesmo com desafios, seja uma fonte importante de sustento para muitas famílias no meio rural. CARACTERÍSTICAS CAPRINOS OVINOS PARES DE CROMOSSOMOS 60 54 HÁBITOS ALIMENTARES SELETIVO / FOHAS LARGAS NÃO SELETIVO FOSSAS LACRIMAIS NÃO SIM ANDAM EM GRUPOS NÃO SIM DESIDRATAÇÃO MENOR PERDA DE ÁGUA MAIOR PERDA DE ÁGUA TANINOS MAIS TOLERANTE MENOS TOLERANTE RETORNAM AO ESTADO SILVESTRE SIM NÃO GLÂNDULA INTERDIGITAL NÃO SIM BARBA SIM NÃO GLÂNDULAS DE ODOR HIRCINO SIM NÃO VÉRTEBRAS CAUDAIS 12 A 16 ATÉ 32 METACARPOS E METATARSOS BEM DESENVOLVIDO BEM REDUZIDO CAUDA CURTA E PRA CIMA COMPRIDA E CAÍDA ➢ OVINOS O carneiro, macho da ovelha, tem origem na domesticação de ovinos selvagens, ocorrida há cerca de 10.000 anos no Oriente Médio, especialmente no Crescente Fértil. Esses ovinos, conhecidos como Ovis orientalis, foram gradualmente domesticados por sua carne, lã e leite. A domesticação levou ao surgimento de várias raças, com o carneiro desempenhando papel essencial na reprodução e na criação de ovinos em diversas culturas. Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 2 Os carneiros e as ovelhas são herbívoros ruminantes, ou seja, eles se alimentam principalmente de plantas e têm um sistema digestivo especializado para extrair nutrientes de vegetais fibrosos. Seus hábitos alimentares incluem: pastagem (gramas, forrageiras e capim), alimentos complementares como feno, concentrados, minerais e sais, ração. Carneiros e ovelhas possuem um estômago composto por quatro compartimentos: o rúmen, o retículo, o omaso e o abomaso. Eles mastigam a comida apenas parcialmente, a engolem e, posteriormente, regurgitam para ruminá-la (processo de ruminação), facilitando a digestão dos componentes fibrosos. Carneiros e ovelhas têm preferência por plantas jovens e folhagens frescas, e são animais seletivos quanto à qualidade da forragem disponível. Embora consumam uma variedade de plantas, alguns vegetais podem ser tóxicos para eles, como certos tipos de folhas de plantas venenosas, então é importante garantir que o pasto esteja livre de espécies prejudiciais. ➢ CAPRINOS A origem dos caprinos remonta à domesticação das cabras selvagens que ocorreram há cerca de 10.000 anos, principalmente nas regiões montanhosas do Oriente Médio e Ásia Central. Nesse território, as primeiras sociedades humanas começaram a criar animais de forma sistemática para obter alimentos, como carne e leite, e outros produtos como pelagem. Os primeiros povos selecionaram as cabras que apresentavam características desejáveis, como temperamento mais dócil e maior produção de leite e carne. A domesticação das cabras levou ao surgimento de diferentes raças, adaptadas a vários climas e sistemas de manejo, sendo fundamentais para a alimentação humana e para a economia rural. A domesticação das cabras rapidamente se espalhou para outras partes do mundo, incluindo o Norte da África, Europa, Ásia e, posteriormente, para as Américas e outras regiões. As cabras tornaram-se essenciais para as culturas e economias de várias sociedades, devido à sua adaptabilidade a diferentes Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 3 tipos de clima e ao fato de serem relativamente fáceis de cuidar. Os caprinos são herbívoros e possuem hábitos alimentares específicos que os tornam adaptados a uma dieta baseada em plantas. Eles são conhecidos por serem animais seletivos e curiosos, o que significa que gostam de explorar seu ambiente em busca de diferentes tipos de vegetação. Os caprinos são herbívoros ruminantes que se alimentam principalmente de folhas, arbustos e gramíneas, sendo muito seletivos e curiosos quanto à vegetação que consomem. Eles possuem um sistema digestivo especializado para processar alimentos fibrosos e podem complementar sua alimentação com feno, concentrados e suplementos minerais quando necessário. ➢ OBSERVAÇÕES DA AULA - 1 hectar = 10.000m² - Herpesvirus tipo 5: Embora o Herpesvírus Tipo 5 (BoHV-5) seja mais conhecido por afetar bovinos, ele também pode causar infecção em ovinos e caprinos, resultando em doenças neurológicas graves. A infecção é rara, mas, quando ocorre, pode levar a sintomas severos, como encefalite. O controle é baseado na prevenção, isolamento de animais infectados e desinfecção do ambiente. - Tanino: Tanino é uma substância química orgânica presente em diversas plantas e frutas. Os taninos podem ter um impacto significativo na alimentação de caprinos (cabras), especialmente quando consomem plantas que contêm altos níveis dessa substância. Embora os taninos sejam naturais em muitas plantas, eles possuem características que podem afetar tanto a saúde quanto a digestão dos caprinos. - Raça Saanen (caprinos): A raça Saanen é uma das raças de caprinos mais conhecidas e amplamente reconhecidas no mundo, especialmente para a produção de leite. Originária da Suíça, a raça Saanen é famosa pela sua alta produção de leite, com qualidade excelente e boa quantidade de gordura e proteína. - Ácido linoleico: O ácido linoleico está presente na carne e no leite de ovinos, e é um ácido graxo essencial para o organismo humano. - O que são sistemas de produção? Um sistema de produção é um conjunto de processos, pessoas, máquinas e departamentos que atuam para produzir Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 4 um produto ou serviço. O objetivo é transformar insumos em produtos acabados de forma eficiente e controlada. ➢ POR QUE CRIAR OVINOS E CAPRINOS? Esses animais foram domesticados há milhares de anos e no passado eram criados para subsistência de famílias e pequenos povoados. Hoje, são criados em grandes escalas industriais para atender a demanda de mercado que tem aumentado com a popularização dos produtos fornecidos com a matéria-prima desses animais. Durante os últimos 150 anos, a seleção genética e as melhores condições de manejo possibilitaram a obtenção de cabras e ovelhas de altíssima produtividade, tanto de leite quanto de sólidos totais, promovendo uma grande evolução em ambas as espécies. Essa evolução ocorre paralelamente ao aumento da demanda por esses produtos, principalmente o queijo. Criar ovinos e caprinos acaba sendo muito vantajoso pois são animais pequenos, quando comparados aos bovinos, ou seja, ocupam espaços muito menos, cabendo muito mais animais por área. Além disso, possuem baixo custo de implantação, adaptabilidade a diversos tipos de criatórios, o que é a maior vantagem das espécies (são animais rústicos).Caprinos e ovinos são ideais para pequenas propriedades (mão-de-obra familiar), mas podem também ser mantidos em grandes empreendimentos com mão-de-obra contratada. Dessa forma, a caprinovinocultura representa uma opção não somente para a produção de alimentos, mas também para a diversificação da renda da propriedade e geração de empregos no campo. LEITE Atualmente, o Brasil ocupa o 11º lugar no ranking mundial com uma produção de cerca de 9,5 milhões de caprinos e de acordo com o IBGE, a produção estimada de leite de cabra passa dos 25 milhões de litros por ano. A produção brasileira cresceu 71% entre os anos de 2000 e 2017. Raças ovinas produzem mais de 1000 kg de leite por lactação, ao passo que raças caprinas especializadas superam os 2000kg com cabras superando os 10kg de leite por dia. Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 5 Entretanto, quando se aplica uma correção para leite com 4% de gordura, a produção das espécies se equivalem. MERCADO No Brasil, onde esta cultura está no início do seu desenvolvimento, a maior parte dos queijos de leite de ovelha aqui encontrados são artigos importados e de alto valor para o consumidor. Algumas propriedades, visualizando esse nicho de mercado, importaram animais de raças com aptidão leiteira e estão desenvolvendo queijos com matéria - prima nacional. Entretanto, é necessário conhecer a capacidade produtiva e a composição do leite de raças nacionais, visando a diminuição do custo de produção. Na exploração, de forma intensificada de caprinos leiteiros no Brasil, observa-se um crescimento proporcional à demanda de mercado, aparecendo novos produtos. ESTRATÉGIAS - Rebanho com ganho genético adquirido; - Redução de custos; - Alta absorção de tecnologia; - Gestão eficaz e rápida; - Tendência de evolução da atividade; - Maior formalização do mercado; - Produção de derivados do leite e trabalho junto aos formadores de opinião e ao setor gastronômico, com apresentação de produtos finos (professora Theresse citou o Rio Gastronomia como exemplo). ➢ PRODUTOS CAPRINOS E OVINOS Os produtos de caprinos e ovinos são produzidos em atividades difundidas em todo o território nacional, mas com uma concentração, em especial, do caprino na região do semi-árido brasileiro. Os caprinos e ovinos são animais rústicos. Isso significa que eles têm uma boa capacidade de se adaptar a condições ambientais diversas e a sistemas de manejo menos intensivos, o que torna essas espécies bastante versáteis e resistentes. São muito adaptáveis a condiçõe climáticas mais quentes, seleção natural e adaptação do homem. Caprinos e ovinos podem ser criados juntos, mas não são iguais. Existem raças específicas para manejos e aptidões específicas. Existem animais com aptidão única para leite ou Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 6 leite e lã ou apenas carne, aptidão mista ou dupla (carne/leite). OBS¹: Carne = músculos do animal Vísceras = restante OBS²: A carne sendo de boa ou má qualidade, terá a mesma quantidade de proteínas, pois tudo está bem ligado à genética da espécie. No entanto, um animal que não recebe o manejo adequado, pode apresentar carne de má qualidade. A verticalização na criação de ovinos e caprinos refere-se ao processo de integração das diversas etapas produtivas de uma cadeia de produção, desde a criação e manejo dos animais até a industrialização dos produtos finais. Ou seja, o produtor não se limita apenas à criação dos animais, mas também se envolve em outras fases da produção, como o processamento e comercialização de seus produtos, como carne, leite, lã, peles, entre outros. Os cortes caprinos incluem o pescoço, a paleta, a costela, o carré, o T-bone, a picanha e o pernil. Os cortes ovinos podem ser divididos em cortes dianteiros e traseiros. Cortes dianteiros: Pescoço, Paleta, Costela, Carré, T-bone. Cortes traseiros: Picanha, Pernil. OBS: arroba = ima arroba é uma unidade de medida de peso que equivale a 15 quilogramas (kg) quanto se paga pelo peso da carne na cotação. O preço da carne ovina e caprina pode variar de acordo com a região produtora e o período do ano. Ver no site da Embrapa as cotações. LEITE - Bebida saborosa e nutritiva; - Contém menos lactose que o leite de vaca, o que o torna mais adequado a pessoas intolerantes, crianças e idosos; - Excelente fonte de cálcio e vitaminas, proteínas, e etc; - Rico em ácidos graxos ômega-3 (reduz o risco de doenças vasculares). CONTROLE LEITEIRO Consiste em aferir a produção de leite das cabras quando ordenhadas na propriedade, utilizando-se de rdenha manual ou mecânica durante um dia de produção; Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 7 Para o controle leiteiro qualitativo obtém-se amostras de leite para análises de composição (gordura, extrato seco total proteínas, lactose) e contagem de células somáticas (CCS). Todavia, um dos fatores preponderantes para aumentar o número de rebanhos controlados é o esclarecimento dos produtores e/ou responsáveis pelo manejo do rebanho a respeito da importância do controle leiteiro e das ações necessárias para sua implementação e execução. ORDENHA MANUAL - Deve-se lavar bem as mãos; - Fazer uma breve ordenha manual em cada teta para limpar o ducto de leite antes de começar a ordenha; - Colocar um balde sob o úbere do animal; - Envolver as duas tetas com as mãos; - Espremer as tetas em um movimento para baixo para extrair o leite; - Ordenhar até não conseguir tirar o leite com facilidade. TESTE DA CANECA DO FUNDO PRETO Para o diagnóstico da mastite clínica em todas as fêmeas e ordenhas, retire 3 jatos de leite de cada um dos tetos. Cheque cuidadosamente se há alguma alteração no leite, como grumos ou pus, bem como a presença de sangue ou de coloração alterada. TESTE DE MASTITE Avalie o úbere do animal. Pode ser feita a palpação do úbere nos casos de suspeita de mastite. Úbere mais rígido do que o normal, quente e avermelhado é sinal de mastite. Deve-se filtrar o leite assim que finalizar a ordenha. Refrigerar ou congelar se não for destinado imediatamente ao beneficiamento. FATORES FUNDAMENTAIS NA PRODUÇÃO DE LEITE - Manejo nutricional e sanitário adequado do rebanho; - Uso de raças adaptadas a cada região; - Utilização da escrituração zootécnica; - Melhoria das condições de produção de leite de cabra no Brasil; Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 8 - Condições propícias de bem estar animal para a obtenção de leite com maior valor agregado; - Realização de testes de progênio de reprodutores; - Banco de dados do controle leiteiro oficial de rebanhos localizados os Estados do Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO - Garantir a fabricação dos produtos lácteos de boa qualidade; - Capacitação de produtores e colaboradores envolvidos nas diversas etapas de processamento do leite; - Melhorias e benefícios a todos que participam da cadeia; - Garantir a qualidade e a segurança dos produtos a serem consumidos. PRODUTOS CAPRINO E OVINO - Queijo andino - Queijo andino maturado e defumado - iogurte batido - Coalhada dessorada - Doce de leite pastoso - Doce de leite em tabletes - Queijo artesanal do sertão - Queijo coalho - Leite de cabra em pó - Queijo feta - Queijo pecorino - Queijo boursin CARNE O que pode afetar a qualidade da carne? - Manejo; - Idade do animal; - Raça; - Sexo; - Nutrição; - Peso de abate – Posso abater com peso padronizado ou c/ tempo padrão (exemplo: vou abater sempre animais com 60 dias de vida). O abate feito por tempo padrão acaba gerandouma variação no lucro, pois o peso de cada animal pode variar para mais ou para menos com a mesma quantidade de dias. Seria mais viável fazer por peso padronizado. A carcaça do animal abatido é avaliada em mm de gordura. A gordura confere à carne mais sabor e hidratação. Os machos possuem menor disposição de gordura, enquanto as fêmeas possuem maior disposição. OBS (carne bovina): Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 9 - Nelore: se adaptou melhor ao nosso clima. - Angus – Mais elitizada. CATEGORIAS DE OVINOS - Cordeiro: Refere-se a um ovelha jovem com menos de 1 ano de idade. A carne de cordeiro é mais macia e de sabor suave, sendo muito valorizada. - Borrego / anho: Animal jovem, com 6 meses a 1 ano de idade, que já começou a se alimentar mais de pasto do que de leite (desmamado). A carne do borrego é um pouco mais firme do que a do cordeiro, mas ainda é considerada macia. - Carneiro / ovelha: Ovelhas com mais de 1 ano de idade. Após essa fase, elas entram na fase reprodutiva e, muitas vezes, são mantidas para produção de leite ou carne. Macho de mais de 1 ano, geralmente destinado à reprodução ou à produção de carne. O carneiro pode ser castrado (macho castrado é chamado de "barrego") ou não. CATEGORIAS DE CAPRINOS - Cabritos em aleitamento / crias: Filhotes que dependem do aleitamento, aos 20 dias começam a pastejar e comem alimentos concentrados. Aos 90 dias, são desmamados. É o animal mais sensível do rebanho. - Cabritos desmamados: Fase de recria com objetivo de trabalhar a condição corporal. Acabamento / terminação. Devem pesar ao menos 15kg no final da recria. - Cabritos em terminação: que estão em uma fase final de engorda antes de serem abatidos para produção de carne. O objetivo dessa fase é alcançar o peso e as características ideais para o mercado de carne, proporcionando um produto com boa qualidade e maciez. TRANSPORTE PARA O ABATE Os animais ficam em jejum no caminhão, mas o estresse pelo jejum não é maior que o risco de contaminação por fezes. O transporte dos animais para o abate deve seguir normas bem específicas de bem estar animal para garantir que os animais cheguem ao destino final com o mínimo de estresse possível. O transporte é uma etapa importante, pois influencia diretamente a qualidade da carne e o bem estar desses animais. O caminhão deve ser projetado para o transporte de animais, com baias e separações para que os animais não Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 10 acabem colidindo durante o transporte. Para isso, é preciso que haja espaço para que eles se movimentem e não fiquem estressados, mas é importante não haver espaço demais para que eles não se lesionem no movimento do caminhão. As balas devem ser ventiladas e protegidas (contra chuvas e ventos por exemplo). O piso deve ser antiderrapante, as divisórias devem ser seguras, a ventilação e a iluminação devem ser adequadas. A carga no caminhão deve se limitar à capacidade máxima recomendada para que não aconteçam problemas no trajeto e gerem mais estresse aos animais. O motorista deve dirigir de maneira suave, evitando frenagens bruscas e alta velocidade. É recomendado que o transporte seja feito durante a noite ou nas primeiras horas da manhã, pois são horários com temperatura mais amena. Os animais devem ter acesso à água, mas a alimentação deve ser restrita, pois os animais podem defecar e isso aumentará o risco de contaminação. Os animais poderão se alimentar no período de descanso. O principal objetivo no transporte é promover o bem estar dos animais, evitando estresse, o que prejudicaria a qualidade da carne após o abate. A dor libera catecolaminas e hormônios que prejudicam o animal. OBS: O RISPOA é a Rede Internacional de Sanidade, Produção e Bem-Estar Animal. Trata-se de uma iniciativa que visa a promoção de boas práticas em sanidade, saúde e manejo de animais, com o objetivo de garantir tanto a qualidade da produção animal quanto o bem-estar dos animais O RISPOA tem como objetivo garantir que as práticas de manejo sejam adequadas e que os animais sejam tratados de forma ética, além de contribuir para a segurança alimentar e a qualidade dos produtos de origem animal. OBS: - Setores de separação no abate: 1 – Boca, língua e pata 2 – Pulmão e coração 3 – Cérebro A classificação da carne em in natura, rejeitada total e rejeitada parcialmente é feita com base em criteriosos processos de inspeção sanitária e está relacionada à qualidade da carne e à sua adequação para consumo. A carne in natura é a carne fresca, que não passou por nenhum processo de conservação, como resfriamento, congelamento ou processamento Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 11 industrial. Ela é proveniente de animais inspecionados e aprovada para consumo, estando em boas condições sanitárias. A carne rejeitada totalmente é a carne que, após a inspeção sanitária, foi considerada totalmente imprópria para o consumo humano. Isso pode ocorrer devido à presença de doenças, contaminações, alterações no aspecto visual (como necrose ou abscessos) ou contaminação microbiana em níveis perigosos. - A carne rejeitada parcialmente é aquela que, embora tenha sido considerada imprópria para consumo em algumas partes, pode ser aproveitada em outras áreas, após a remoção da parte comprometida. A inspeção veterinária faz a separação das partes da carne, e a carne que é considerada não contaminada pode ser aproveitada, desde que seja processada ou tratada adequadamente. OBSERVAÇÕES: - O jejum não deve exceder 24 horas; - Se o processo de abate exceder o tempo previsto, deve alimentar o animal e voltar ao jejum; - Deve haver um veterinário responsável por todo esse processo; - O insensibilizador deve ser um equipamento pneumático ou perfurante; - Esfola é a retirada do couro; - Evisceração é a returada das vísceras; - Se a vesícula biliar sofrer corte, a carcaça é condenada devido às enzimas presentes na bile; - Vitelo é um bezerro muito jovem, geralmente com menos de 3 meses de idade, criado especificamente para a produção de carne; - O score corporal dos bovinos para corte varia de 1 a 9; - O score corporal para bovinos de leite varia de 1 a 5. O QUE É UM ANIMAL SAUDÁVEL? Deve-se conhecer cada espécie para fornecer o manejo adequado. Animais caprinos e ovinos saudáveis são: - São animais com apetite; - Animais que podem executar a ruminação (são animais ruminantes, e não ruminar também gera estresse); - Temperatura corporal entre 38,5° e 39,5°; - Fezem em bolotas (ricas em NPK – nitrogênio, fósforo e potássio); - Deve-se conhecer o cheiro da urina; Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 12 - Deve-se conhecer a organização social desses animais e seu comportamento gregário. Ovinos andam em grupos; - Deve-se conhecer a hierarquia da manada (muito complexo, pois quando tem dominância é difícil avaliar peso e etc – quem domina come mais); - Ganha-se dinheiro na homogeneidade do rebanho; - Os grupos não se misturam entre si. INDIVIDUALIDADE COMPORTAMENTAIS - Caprinos são mais seletivos com alimento; - São mais curiosos, ousados, ágeis e rápidos; - São mais altos que ovinos; - A contenção deles é diferente devido ao seu tamanho; - São menos medrosos; - Caprinos possuem comportamento de pastejo mais comumente; - Um animal estressado: morde, dá cabeçadas ou agressão sem contato, ou seja, exibições de ameaças, perseguições ou fugas; - Ovinos e caprinos devem ser conduzidos em grupo. Quando separados, mudam de comportamento. Manifestam vocalização (MEEE); - Um animal isolado é mais propenso a se machucar. INDIVIDUALIDADE DE SENTIDOS -São herbívoros ruminantes e do tipo presa (sempre atentos esperando predador); - Tendem a fugir com movimentos bruscos; - Sensíveis a sons; - Olhos lateralizados (visão mais ampla); - As orelhas se movem independentes umas das outras. Uma orelha pode estar orientada a um sentido e outra em outro; - Muito responsivos à intensidade do som (pessoas gritando podem atrapalhar todo o processo produtivo); - Ideal manejo mais silencioso; - Usam os sons para se comunicar (balir); - Ovinos apresentam taquipnéia, inapetência, ranger de dentes, imobilidade ou marcha anormal (quando nervosos); - Os caprinos são mais vocais que as ovelhas; Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 13 - Visão: A retina é mais retangular, adaptável à mudança de luminosidade, são animais de dias curtos; - O formato do olho ajuda no pastejo; - Possuem visão monocular e binocular; - Enxerga outra coloração; - Não enxergam a cor vermelha; - Não são tão dependentes do olfato, embora tenha sua importância; - Selecionam alimentos pelo ofalto; - Podem associar determinados odores a estresse e perigo; - Usam o olfato para sentir o odor da fêmea no cio; - Ao pensar no manejo de ovinos e caprinos é preciso considerar que certos odores podem fazer com que o animal se comporte com tranquilidade ou medo, mudando a experiência. PRODUÇÃO DE LEITE Diversos fatores influenciam na produção e na qualidade do leito produzido por ovinos e caprinos, como: - Raça – existem raças com mais aptidão ao leite; - Idade – a produção de leite atinge o pico na fase inicial de lactação (2 a 3 meses após o parte). Animais entre 2 e 6 anos apresentam melhor produção de leite. Após 6 anos, a produção de leite diminui bastante; - Momento da ordenha; - Número de cordeiros em aleitamento; - Nível nutricional dirante a gestação e a lactação (animais com boa composição corporal produzem mais); - Ambiente – o estresse afeta a produção de leite; - Técnicas de ordenha; - Estado sanitário e infecções de úbere. OBSERVAÇÕES: - Produtividade: Quanto cada animal produz individualmente; - Produção: Quanto é produzido no total. ➢ PRODUÇÃO DE LÃ, COURO E PELE A criação de olvelhas de lã está presente na história da humanidade como sendo a atividade que proporciona a maior fonte de alternativas para subsistência. Os carneiros são insuperáveis na conversão de forrageiras em produtos para o consumo humano de alta qualidade, como lã e pele para vestuário. Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 14 O mercado de lã, após um longo período de crise, voltou a dar sinais de recuperação, com uma crescente demanda pela fibra natural. Essa produção, combinada com a de carne, maximiza a viabilidade econômica da ovinocultura. As raças produtoras de lã, ao contrário do que se pensa, podem ser criadas em praticamente todas as regiões do país, exceto em lugares úmidos. Ovelhas e carneiros produzem lã, mas no comparativo, os carneiros produzem mais do que as ovelhas. A lã possui função de proteção e características que a fizeram acompanhar a evolução da humanidade e permanecer até hoje no mercado. A lã possui outras características de mercado: - Termorreguladora (humanos são homeotérmicos), elasticidade, suavidade, hidroscopicidade, resistência ao fogo, pelego a produtos medicinais e cosméticos. Carne + lã = Aumenta a viabilidade econômica da ovinocultura. As raças produtoras de lã podem ser criadas em qualquer tipo de clima. CLASSIFICAÇÃO DA LÃ A lã tem formato cilíndrico, superfície escamosa e crescimento contínuo. É formada a partir de divisões celulares no folículo piloso (sai do mesmo lugar que o pêlo). Pode ser classifcada de acordo com a região de origem no corpo do animal e a qualidade de suas propriedades (cor, comprimento, ondulação da fibra, brilho, suavidade e resistência). Seu rendimento é baseado na finura média dos fios e se expressa como libras fiadas a partir escala de Bradford. A escala de Bradford é uma escala de classificação da lã de acordo com o diâmetro médio das suas fibras. Existem diferentes tipos de lãs, como merino, corriedale, ideal ou crioula, que são produzidas por diferentes raças de ovelhas. LÃ MERINO É uma fibra natural, macia e brilhante, obtida de uma raça específica de ovelhas e carneiros. É ótima para regular a temperatura e absorver a umidade. A lã merino provém da ovelha Merino, conhecida pela sua suavidade e finura. Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 15 LÃ CORRIEDALE É mais grossa que a lã merino, o que lhe torna um pouco menos suave ao toque. É muito macia e tem um comprimento maior, o que lhe dá mais resistência. É indicada para peças que possam ser usadas como acessórios ou sobre outras, como gorros, casacos, luvas, etc. LÃ CRIOULA A lã crioula tem um toque que varia de áspero a moderadamente suave. A cor pode variar do branco ao preto incluindo diversos tons intermediários, como por exemplo, amarelo, cinza, marrom, ocre e grisalho. Os ovinos crioulos são considerados uma raça rara. CARACTERÍSTICAS DA LÃ Muitos fatores interferem nas características da lã, como: - Nutrição e qualidade do pasto ofertado (conversão alimentar gera um bom produto); - Idade; - Sanidade; - Condições reprodutivas; - Especialização da raça. O pico de produção de lã no animal se concentra entre o segundo e o terceiro ano de idade e a partir disso, diminui 2% a 4% ao ano (fator de idade). Em ordem decrescente, carneiros, capões e ovelhas têm maiores produções de lã. Fêmeas gestantes e lactantes produzem menos (fator reprodutivo). Da mesma forma, fêmeas de parto gemelar e borregas produzem de 5% a 10% menos lã. Isso se deve ao aumento de nutrientes e energia despendidos. A tosquia acontece 1 vez ao ano, entre outubro e dezembro (pois é um período mais quente, e esses animais não precisarão da lã para proteção térmica devido ao calor). *merina: uniforme, suave, resistente, finura de lã. Na busca pela qualidade da lã, são avaliados os diferentes tipos de tosquia. Diferença de lã e pêlo Lã = fibra não medulada Pêlo = fibra medulada A lã do dorso tem maior qualidade que a lã das patas, justamente pelo contato com o chão e sujidades. Tosquia → sustentabilidade A lã é uma das fibras naturais mais sustentáveis. Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 16 Velo de lã é a lã que cobre o corpo do ovino, ou seja, a pelagem dos ovinos. Também pode se referir à totalidade da lã obtida do animal após a tosquia. É formado por fibras especiais que devem ser fortes, macias, resistentes, flexíveis e brilhantes. Algumas raças de ovelhas têm um velo extenso, que cobre praticamente todo o corpo do animal, desde a cabeça até às patas. Velo ideal = características para a lã ser considerada boa. ** Em 2015, o rebanho de ovinos no Brasil registrou uma queda, e o número de ovinos tosquiados também diminuiu. ** Fecola: Federação das Cooperativas de Lã. ** Carbenar: Abrir a fibra da lã com os dedos a partir da base onde estão agarrados. Ajuda a remover as impurezas. ** Cardar: Processo com finalidade de escovar a lã. ** Fiar: Transformação da pasta difusa de lã em fio. Fiar é o processo de transformar a lã ou o algodão em fios, enquanto tear é o equipamento usado para tecer tecidos e tapeçarias. ** Torcer: Processo de torcer a lã para torná-la mais resistente. ** Meadas: Quando o fio está terminado. ** Expressão “fio da meada”: "Fio da meada" é uma expressão que pode ter vários significados, como perceber o funcionamento de algo, perder o foco ou estar desorientado. ** Dobar: Operação que transforma a lã em novelos. Nem toda lã produzida será aproveitada. Lã do lombogeralmente é de melhor qualidade por ser mais comprida. A lã das partes inferiores pode ser muito curta e por isso acaba não sendo aproveitada. ** Lanolina: Substância gordurosa que deixa a lã impregnada e é removida na lavagem junto a outras sujidades. A lanolina é um produto utilizado para: - Hidratar a pele; - Evita o ressecamento; - Aumenta a elasticidade da pele; - Repõe lipídios perdidos; - Inibe a perda de água de 20% a 30%. Raças ideais para tingimento: brancas, de cor clara e uniforme. Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 17 LABORATÓRIO DE QUALIDADE Quando se trabalha com grandes escalas, é preciso coletar amostragens e observar se o produto final está dentro dos padrões de qualidade. PELE E COURO Subproduto da carne, pois precisa do abate para ser obtido. Existem manejos adequados para ter um couro de qualidade. PELE Tegumento externo que envolve o corpo do animal. Esfola: Retirada da pele in natura. Sujeito à deterioração devido ao seu alto teor de água. O processo de salga e secagem do couro é uma etapa do processo de industrialização do couro, que visa a conservação e preparação para o curtimento. O curtimento de couro é um processo químico que transforma peles de animais em couro, tornando-as estáveis e resistentes à degradação. É uma etapa fundamental na produção de couro e pode ser classificado em mineral, vegetal e sintético. A cartilha de procedimentos de pré e pós-abate de couro deve abordar o manejo pré-abate e o processo de salga. MANEJO PRÉ-ABATE É fundamental conduzir os animais com calma, evitando situações que possam causar sustos ou escorregões. O transporte deve ser realizado de maneira adequada, sempre priorizando o bem-estar dos animais. Além disso, é importante separá-los e classificá-los corretamente. Antes do abate, devem ser respeitados os períodos de descanso e jejum, seguidos por uma inspeção criteriosa, incluindo observação e exame clínico. PROCESSO DE SALGA A salga deve ser realizada entre 3 e 4 horas após o abate e mantida por um período mínimo de 24 horas. Para esse processo, é essencial utilizar cloreto de sódio com no mínimo 98% de pureza, garantindo que sua proporção não ultrapasse 50% do peso das peles. Um manejo pré-abate inadequado pode causar estresse nos animais, resultando em contusões nas carcaças e alterações na carne. Essas alterações Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 18 podem ser de natureza química, fisiológica e biológica, trazendo prejuízos tanto para os animais quanto para os seres humanos. CLASSIFICAÇÃO: Pele de 1ª qualidade: não pode apresentar furos da esfola, apresentar evidências de má conservação e marcas de ação de ectoparasitas. Pele de 2ª qualidade: Pode apresentar, mas perde o valor. O valor pago ao produtor varia sensivelmente durante o ano. AS peles ovinas são mais valorizadas que as caprinas. ** ver tabelas de categorias por tamanho, peso e comprimento. DEFEITOS As peles não podem apresentar defeitos visuais na parte central, não podem apresentar sinais de putrefação, não podem apresentar nenhum efeito nas partes periféricas, pernas e cauda e devem estar livres de sujeira. COURO Transformação de pele em couro é preservar as propriedades originais. O couro deve ter viscoelasticidade, resistência à tração, ao rasgamento e à abrasão. O processo acrescenta outra propriedades, como a resistência térmica e a permeabilidade dos fases. Além disso, elimina características indesejáveis, como a facilidade de decomposição e regidez ao secar. Deseja-se que o couro seja macio e maleável. Curtume é o local onde ocorre o processamento e tratamento de peles de animais para transformá-las em couro. Esse processo, chamado de curtimento, evita a degradação da pele e melhora suas propriedades físicas, tornando-a resistente, flexível e durável para uso na fabricação de calçados, bolsas, estofados e outros produtos. No curtimento o material fica estável e imputrefável. ETAPAS QUÍMICAS Caleiro → Eliminação da camada mais epidérmica da pele. Desencalagem → Eliminação dos produtos utilizados no caleiro. Purga → Tira as enzimas de colágeno. Preparação da pele para receber o curtimento. Limpa a estrutura fibrosa para retirar constituintes indesejáveis. Prof. Theresse Camille Nascimento Hölmstrom 19 Desengraxe → Tira a gordura. Piquelagem → Prepara a pele para as substâncias químicas do curtimento. Neutralização → Enxuga. Recurtimento → Confere elasticidade. Tingimento → Dá cor. No banho de recurtimento podem ser tingidos com corantes aniônicos. Engraxe → Película que dá brilho e durabilidade. Acabamento → É a etapa final do processamento do couro em um curtume. ETAPAS MECÂNICAS As etapas mecânicas do curtimento são diversas, como: Divisão, enxugamento, rebaixamento, estiramento, vácuo, tunging, lixamento, amaciamento e prensagem. PELES SALGADAS O sal desidrata e conserva até o curtimento. São remolhadas para recuperar a umidade perdida. QUALIDADE INTRÍNSECA DO COURO Envolve diversos fatores importantes, como raça, idade, sexo, qualidade dos processos químicos e mecânicos. Esses processos conferem ao couro resistência, maleabilidade e durabilidade. Os resultados são comparados com as métricas de padrão definidas internacionalmente. O valor de venda do couro de 5ª talvez pague somente o custo de produção, porém o da classificação refugo, não cobre e acaba representando prejuízo. Um dos grandes desafios na produção de couro é a melhora nas condições da matéria-prima.