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FeLV - Leucemia felina A leucemia felina (FeLV) é uma das doenças mais importantes nos gatos. Ela é causada pelo vírus da leucemia felina, um retrovírus que afeta o sistema imunológico e pode levar a diversas complicações importantes como imunossupressão, anemia e neoplasias. É uma doença altamente contagiosa e pode ser transmitida pelo contato direto e prolongado dos felinos. A FeLV pode ter diferentes desfechos dependendo da resposta imunológica do gato. Alguns são capazes de eliminar o vírus antes que ele se estabeleça, enquanto outros podem desenvolver infecções persistentes que comprometem a sua saúde ao longo do tempo. É uma doença que não tem cura mas que pode ser prevenida com vacinação e com o controle dos gatos saudáveis e dos gatos infectados. AGENTE ETIOLÓGICO O vírus da leucemia felina é considerado um retrovírus. RETROVÍRUS Os retrovírus são uma família de vírus de RNA envelopados que se caracterizam por utilizar uma enzima chamada transcriptase reversa para converter o seu RNA em DNA e intregá-lo ao genoma da célula hospedeira. A sua estrutura é relativamente simples, sendo formado por: I. Envelope viral O envelope viral é uma camada externa responsável por proteger o capsídeo do vírus. Ele é formado a partir da membrana plasmática da célula hospedeira que o vírus “rouba” no momento em que sai da célula infectada. Isso porque o vírus literalmente brota para fora da célula hospedeira (processo de brotamento), levando consigo um pedaço da membrana plasmática da célula hospedeira. Dessa forma, o envelope viral não é uma estrutura criada do zero pelo vírus, mas sim um pedaço da célula hospedeira modificado com algumas proteínas virais. O envelope contém proteínas de fusão e de reconhecimento que permitem que o vírus se ligue a células-alvo e possa entrar nelas. No caso do vírus da leucemia felina, eles possuem a glicoproteína de superfície (gp70) que é responsável por reconhecer e se ligar a receptores específicos e a glicoproteína de membrana (p15E) que atua facilitando a fusão da membrana do vírus com a membrana celular, permitindo a entrada do material genético viral. Contudo, ainda que o envelope seja essencial para a infecção, ele também o torna mais vulnerável fora do organismo parasitado. Isso porque como o envelope é composto de lipídios, ele pode ser facilmente destruído por sabão, álcool e desinfetantes. II. Glicoproteínas de superfície e transmembrana As principais glicoproteínas envolvidas presentes no envelope do vírus da FeLV são: a. Glicoproteína de superfície gp70 A gp70 é a principal proteína envolvida no reconhecimento da célula alvo. Ela atua como uma chave que se liga ao receptor específico localizado na membrana da célula hospedeira. Uma vez que a gp70 se liga ao receptor, ela sofre mudanças conformacionais que possibilitam a fusão do envelope viral com a célula hospedeira. b. Glicoproteína transmembrana - p15E Ela fica localizada abaixo da gp70 e tem a função de induzir a fusão entre o envelope viral e a membrana celular. Ou seja, ela permite que o vírus entre na célula após a gp70 se ligar ao receptor. As mudanças conformacionais que ocorrem na gp70 ao se ligar no receptor da célula ativam a p15E, que por sua vez, desestabiliza a membrana celular, permitindo que o envelope viral e a membrana se fundam e o nucleocapsídeo do vírus entre na célula. Além disso, a p15E também tem um papel importante na supressão do sistema imunológico do hospedeiro, ajudando a FeLV a escapar da resposta imune dos gatos. III. Capsídeo O capsídeo viral é uma estrutura proteica que envolve e protege o material genético do vírus. No caso do vírus da FeLV, o capsídeo contém o RNA viral e as enzimas essenciais para a sua replicação, como a transcriptase reversa. IV. Genoma viral É o material genético do vírus. No caso do vírus da leucemia felina, é composto por duas fitas simples de RNA V. Enzimas essenciais O retrovírus carrega três enzimas fundamentais para a sua replicação: a. Transcriptase reversa A transcriptase reversa é uma enzima capaz de converter o RNA viral em DNA. Ela utiliza o RNA viral como molde e sintetiza uma fita complementar de DNA. Em seguida, ela remove a fita de RNA original e sintetiza uma segunda fita de DNA complementar, formando um DNA de fita dupla. Atenção: Essa enzima é muito propensa a erros pois não tem um mecanismo de revisão como o DNA polimerase. Isso faz com que os retrovírus tenham alta taxa de mutação. b. Integrase Após a transcriptase reversa gerar um DNA viral, ele precisa se misturar ao DNA da célula hospedeira. A integrase é a enzima responsável por realizar esse processo. Ela literalmente corta o DNA do hospedeiro e cola o DNA viral dentro dele, fazendo com que o DNA viral torna-se parte permanente do genoma dessa célula. c. Protease As proteínas virais começam a ser então produzidas, mas elas ainda não estão na forma correta. A protease viral corta essas proteínas em pedaços menores, que são as versões ativas das proteínas. Esse processo permite a montagem de novos retrovírus que agora podem infectar novas células. Depois desse processo, a célula começa a produzir novos vírus como se fossem proteínas normais dela. Esse é o truque dos retrovírus para se multiplicarem de forma eficiente e tornarem a infecção crônica. Os novos vírus são então montados no citoplasma celular e brotam da membrana plasmática, levando consigo um pedaço da membrana da célula hospedeira para formar o seu envelope viral. Isso permite que ele escape da célula sem destruí-la imediatamente, mantendo a infecção. PATOGÊNESE DA FeLV O vírus da FeLV entra no organismo do gato principalmente através da saliva. Dessa forma, contato próximo como lambedura, compartilhamento de comedouro e bebedouro, mordidas, e pela transmissão vertical são formas de contágio. Depois da exposição, o vírus infecta as células da mucosa oral ou nasal e rapidamente alcança os linfonodos próximos. Ali, os vírus precisam invadir as células para se replicar. O vírus da FeLV tem preferência por algumas células, em especial: as células precursoras de células sanguíneas na medula óssea e as células epiteliais e glandulares. I. Monócitos e macrófagos Os monócitos e os macrófagos são células do sistema imunológico responsáveis por fagocitar os microrganismos invasores. Dessa forma, ao invés dessas células combaterem o vírus, elas se tornam táxis que o ajudam a se espalhar pelo corpo. II. Linfócitos T e linfócitos B. O linfócito T regula a resposta imunológica e ajuda a destruir as células infectadas. Já os linfócitos B produzem anticorpos para combater as infecções. Dessa forma, ao infectar essas células, há uma redução importante da resposta imunológica do gato acometido, tornando-o mais suscetível a infecções secundárias. Atenção: Com uma resposta imunológica mais fraca, o gato torna-se mais propenso ao desenvolvimento de câncer. Isso porque normalmente o sistema imunológico identifica e destrói células anormais antes que elas se tornem tumores e, com o sistema imunológico suprimido, essa vigilância contra células defeituosas é diretamente prejudicada. Além disso, pelo vírus da FeLV ser um retrovírus, a taxa de mutação dele é extremamente alta. Caso a inserção do DNA viral ocorra perto de genes importantes para o controle do ciclo celular, isso pode levar a ativação de proto-oncogenes, que são genes que quando mutados ou hiperativados favorecem o desenvolvimento de câncer pois estimulam a proliferação desenfreada das células. Um dos proto-oncogenes mais associados a FeLV é o Myc, que está envolvido no crescimento e na proliferação celular e que, quando ativado de forma descontrolada, pode levar à proliferação excessiva de linfócitos resultando emlinfoma. III. Células precursoras de células sanguíneas na medula óssea A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue, incluindo os eritrócitos, os leucócitos e as plaquetas. O vírus da FeLV pode infectar e destruir os precursores dessas células resultando em alterações graves no sangue como: a. Anemia A FeLV ao atacar os precursores dos eritrócitos, prejudica a produção de glóbulos vermelhos. Isso causa uma anemia não regenerativa, ou seja, a medula óssea não consegue produzir novas hemácias e compensar a perda. Os gatinhos acometidos podem apresentar fraqueza, letargia, palidez de mucosas, taquipneia compensatória e redução de apetite. Além disso, também pode ocorrer anemia aplásica, onde a medula óssea simplesmente para de produzir células sanguíneas e anemia hemolítica, onde a presença do vírus da FeLV nos glóbulos vermelhos desencadeia autoimunidade, fazendo com que o próprio corpo destrua as hemácias. b. Leucopenia O vírus da FeLV destrói os precursores dos leucócitos na medula óssea, resultando na redução dos glóbulos brancos. Isso faz com que o gatinho acometido fique ainda mais vulnerável a infecções oportunistas. Muitos gatinhos FeLV positivos não morrem diretamente da infecção viral, mas sim de infecções secundárias que o organismo não consegue combater devido à leucopenia. c. Leucemia O vírus da FeLV pode também ocasionar a proliferação neoplásica dos leucócitos, levando ao desenvolvimento de uma leucemia. Isso ocorre quando o vírus da FeLV, ao integrar seu genoma na célula hospedeira, afeta áreas importantes que atuam no controle do ciclo celular ou se ativam os proto-oncogenes como o myc, fazendo com que essas células se proliferem de forma descontrolada. Essa proliferação exacerbada associada ao aumento da taxa de mutações causada pela replicação viral culmina muitas vezes em um quadro de leucemia, seja ela uma leucemia linfocítica (proliferação anormal de linfócitos) ou uma leucemia mieloide (proliferação anormal de células mielóides como granulócitos, monócitos, eritrócito e etc) d. Trombocitopenia O vírus da FeLV destrói as células precursoras das plaquetas, reduzindo a sua produção. As plaquetas são células essenciais para a coagulação sanguínea e a sua deficiência pode levar a sangramentos espontâneos e aumenta o risco de hemorragias severas. Os gatinhos acometidos costumam apresentar epistaxe (sangramento nas gengivas e nariz), petéquias e equimoses (pequenos hematomas pelo corpo causadas pelo sangramento de pequenos capilares) e sangue nas fezes ou na urina. IV. Células epiteliais O tropismo do vírus da FeLV pelas células epiteliais não é tão estabelecido quanto a sua afinidade pelas células hematopoiéticas mas há alguns achados que devem ser levados em conta. O vírus da FeLV pode ser encontrado em células epiteliais do trato gastrointestinal, de glândulas salivares e também do trato respiratório. Isso pode explicar a eliminação viral pela saliva. O vírus se replica nos linfócitos presentes nas glândulas salivares e pode infectar algumas células epiteliais das glândulas. Além disso, a presença do vírus nas células epiteliais do trato gastrointestinal pode explicar alguns sinais clínicos gastrointestinais inespecíficos como a diarreia em gatos infectados. FASES DA PATOGENIA O vírus da FeLV entra no organismo principalmente através da mucosa oral ou nasal do gatinho e ali ele infecta os linfócitos e monócitos locais. Os linfócitos e os monócitos atuam como um táxi, levando o vírus até os linfonodos próximos. Ali, eles infectam os linfócitos T e B. Nessa fase, o vírus pode ser contido caso o gatinho tenha uma resposta imunológica eficiente. Contudo, caso isso não ocorra, o vírus entra então na corrente sanguínea no evento chamado primeira viremia. Durante a primeira viremia, o vírus estará presente no sangue periférico e, por isso, pode ser detectado por testes como o ELISA. O gatinho pode ser capaz de eliminar o vírus durante essa fase, antes que ele consiga alcançar a medula óssea, prevenindo a progressão da doença. Contudo, se isso não ocorrer, o vírus da FeLV continua se replicando e chega então à medula óssea. Ali ele infecta as células tronco hematopoiéticas, que são as células precursoras das células sanguíneas, e se integra ao seu DNA. Isso significa que as novas células sanguíneas produzidas pela medula óssea terão o DNA viral. A partir disso, o vírus passa a ser produzido e liberado continuamente na corrente sanguínea, causando um evento chamado segunda viremia. Durante a segunda viremia, o vírus da FeLV pode infectar órgãos e tecidos como baço, fígado, trato gastrointestinal, pulmões e até mesmo as glândulas salivares, fazendo com que o gatinho acometido comece a liberar grandes quantidades de vírus na sua saliva, secreções e na urina, tornando-se altamente contagioso. TIPOS DE INFECÇÃO A FeLV pode se manifestar de diferentes formas e cada uma delas influencia o prognóstico desse animal. A infecção pode ser: I. Abortiva A infecção abortiva é aquela em que o sistema imunológico do gatinho consegue eliminar o vírus antes que a doença se estabeleça. Nesses casos o prognóstico é ótimo visto que o gatinho não desenvolve a doença. II. Regressiva A infecção regressiva é aquela em que o vírus entra em latência e não se replica ativamente. Contudo, em momentos de imunossupressão essa doença pode ser reativada. Esses gatinhos devem ser monitorados de perto para acompanhamento da doença e para que possíveis gatilhos que diminuam a imunidade desse animal sejam eliminados. O prognóstico é de bom a moderado visto que ele pode viver por anos sem sintomas. III. Progressiva A infecção progressiva é aquela em que o vírus se replica continuamente, levando ao acometimento da imunidade desse animal e do surgimento de doenças secundárias. O prognóstico é reservado e a expectativa de vida é reduzida. IV. Focal ou atípica A infecção focal ou atípica ocorre quando o vírus se aloja em tecidos específicos como olhos, sistema nervoso central. O prognóstico é variável e depende do órgão acometido. SINAIS CLÍNICOS Os sinais clínicos variam de acordo com a fase da infecção e as consequências da imunossupressão, anemia e neoplasias que podem estar associadas. Durante a primeira viremia alguns gatinhos podem apresentar sinais clínicos sutis e inespecíficos como febre leve a moderada, aumento dos linfonodos (linfadenopatia), letargia, perda de apetite e emagrecimento discreto, diarreia e vômitos ocasionais. Contudo, não é incomum que o gatinho seja assintomático. Na segunda viremia, por sua vez, a infecção torna-se crônica e o gatinho pode desenvolver diferentes manifestações clínicas. O vírus da FeLV afeta diretamente o sistema imunológico, fazendo com que esse animal seja imunossuprimido. Por isso, é comum termos infecções respiratórias crônicas, complexo gengivo-estomatite, infecções de pele recorrentes, diarréias crônicas por infecções gastrointestinais secundárias e até mesmo infecções sistêmicas graves. Além disso, também costumamos ter alterações hematológicas associadas devido a infecção das células tronco hematopoiéticas, como anemia arregenerativa, leucopenia e trombocitopenia. Atenção: a anemia pode ser progressiva e fatal e costuma ser uma das causas da eutanásia em gatinhos acometidos pela FeLV. Por ser oncogênica, a FeLV pode induzir o desenvolvimento de neoplasias hematopoiéticas, principalmente o linfoma e a leucemia. Embora menos comum, o vírus da FeLV pode acometer o sistema nervoso central causando convulsões, ataxia, paralisia de membros e alterações comportamentais. Geralmente quando ocorre, está associado a linfomas no sistema nervoso central ou por infecção direta das células neuronais. Os problemas reprodutivos tambémpodem ocorrer. As gatinhas FeLV positivas podem ter dificuldade para engravidar devido a imunossupressão. Além disso, a infecção pode impedir o desenvolvimento dos embriões, fazendo com que eles sejam reabsorvidos antes mesmo da gestação ser detectado ou então pode causar inflamação na placenta, impedindo o fornecimento adequado de nutrientes aos fetos, o que pode levar a abortos espontâneos. Se os filhotes conseguirem nascer, muitos podem ser pequenos e fracos e morrem logo após o parto. É importante salientar que o vírus da FeLV possui transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filhote. Eles podem já nascer infectados a partir de uma transmissão placentária, como também podem se infectar com o leite materno durante a amamentação. Muitos desses filhotes podem desenvolver a forma progressiva da doença, apresentando sinais de imunossupressão e anemia logo nos primeiros dias de vida. Contudo, outros podem controlar a infecção e tornarem-se portadores latentes, sem sinais clínicos imediatos. TRATAMENTO O tratamento para a FeLV ainda é um desafio pois não existe uma cura definitiva para a infecção. Geralmente utilizamos abordagens que visam controlar a infecção, minimizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida desse gatinho. Os animais assintomáticos não devem ser tratados, mas devem ser acompanhados semestralmente para verificar se a infecção está progredindo. Além disso, os animais assintomáticos devem ter uma nutrição adequada, viver em ambientes tranquilos com gatilhos de estresse reduzidos, controle contra parasitas eficiente, vacinação e também a castração. Atenção: A castração é de suma importância para os gatinhos FeLV positivo pois o estresse hormonal é extremamente prejudicial a esses animais. Já os animais com FeLV positivo sintomáticos, devemos realizar uma investigação minuciosa para determinar se essa sintomática está ou não associada a sua doença. Isso porque nem todos os sintomas que esse gatinho apresenta serão causados diretamente pelo vírus. Algumas doenças podem surgir por causa da imunossupressão gerada pela FeLV enquanto que outras podem ser coincidentes, ou seja, esse gatinho poderia apresentá-las mesmo sem estar infectado pelo vírus da FeLV. Como por exemplo, ainda que a FeLV possa causar uma anemia, devemos investigar para avaliar o tipo de anemia (a FeLV está associada a uma anemia arregenerativa), testar para a micoplasmose para ver se não é a presença do parasita que está desencadeando o quadro de anemia e etc. Em casos de linfomas e leucemias devemos avaliar se a realização de quimioterapia é benéfica para o paciente em questão. Já animais com anemia podemos utilizar eritropoetina e transfusões sanguíneas. Em casos de anemia hemolítica podemos associar o uso de corticóides. Existem algumas terapêuticas direcionadas para o tratamento da FeLV atualmente. Essas terapias visam reduzir a carga viral e melhorar a resposta imunológica desses animais. Contudo, o resultado ainda é variável. > Tratamento com antivirais I. Raltegravir O raltegravir é um inibidor da integrase e foi originalmente desenvolvido para tratar HIV em humanos. Estudos demonstram que esse medicamento possui resultados mais consistentes na FIV do que na FeLV. Contudo, alguns gatos, especialmente aqueles tratados na fase inicial da infecção, mostraram uma melhora clínica e uma redução da viremia. II. Dolutegravir Assim como o raltegravir, o dolutegravir é também um inibidor da integrase. No entanto, o dolutegravir possui uma melhor biodisponibilidade e uma meia-vida mais longa, permitindo doses menos frequentes. Ainda não existem muitos estudos clínicos publicados. Contudo, alguns estudos iniciais demonstram que ele pode ser capaz de reduzir a viremia e estabilizar gatos com infecção progressiva. Contudo, assim como o raltegravir, os resultados mais satisfatórios desse medicamento são relacionados a FIV. III. Zidovudina A zidovudina é um inibidor da transcriptase reversa e é, atualmente, o antiviral mais estudado. Contudo, seus resultados para a FeLV são controversos. É um fármaco que costuma apresentar resultados mais satisfatórios quando utilizado de forma precoce. Assim como os demais, o resultado é muito mais positivo na FIV e tem se mostrado extremamente promissor nela. Atenção: De forma geral, os fármacos antivirais apresentam melhores resultados na FIV do que na FeLV. Isso ocorre porque a FIV tem uma replicação viral mais constante, então os antivirais conseguem reduzir a carga viral e retardar a progressão da doença. Já a FeLV tem uma fase de infecção inicial muito ativa, contudo depois o vírus integra seu DNA ao genoma do gatinho, tornando-se escondido, e aí os antivirais perdem a eficácia. Além disso, a FIV evolui de forma mais lenta, permitindo que os antivirais ajudem no controle por mais tempo, enquanto que a FeLV pode evoluir rapidamente para neoplasias, anemias graves e imunossupressão intensa, tornando o tratamento mais desafiador. IV. Interferons O interferon é uma proteína produzida naturalmente pelo organismo em resposta a infecções virais. Eles são responsáveis por “avisar” as células saudáveis para ativar mecanismos de defesa e assim impedir a replicação viral. Ele se liga a receptores na superfície das células saudáveis e ativa genes antivirais dentro da célula, tornando-a mais resistente à infecção. Além disso, ele é capaz de estimular o sistema imunológico a atacar as células já infectadas. Na década de 90, foi utilizado o interferon humano (IFN-alfa) em gatos e foi descoberto que alguns gatos melhoravam temporariamente mas o uso prolongado levava a resistência ao interferon, tornando-o ineficaz. Além disso, por ser humano e ser diferente do interferon felino, a resposta não era ideal. No final da década de 90 foi desenvolvido o interferon felino (IFN-ω). Por ser projetado a partir do próprio interferon dos gatos ele se encaixa perfeitamente nos receptores celulares, funcionando de forma eficiente, com menos efeitos colaterais, maior biodisponibilidade, menor risco de reação adversa e também com menos risco de resistência. A problemática do interferon felino é que é um medicamento de alto custo por ser produzido por engenharia genética e ele também tem restrição geográfica, só sendo vendido na europa e no japão. > Tratamento com imunoestimulantes Os imunoestimulantes são substâncias que modulam o sistema imunológico, auxiliando o organismo a combater infecções. O seu objetivo é fortalecer o sistema imunológico dos gatos infectados, retardando a progressão da doença. Os resultados variam de acordo com cada gatinho. PREVENÇÃO A FeLV é uma doença prevenível e a sua prevenção é bem mais eficaz que o tratamento. A vacina contra a FeLV é altamente recomendada para os gatinhos que têm acesso à rua ou que entram em contato com gatos desconhecidos. Contudo, a eficácia da vacina contra a FeLV não é 100%. Estudos mostram que a vacina pode ter uma eficácia de 80 a 90%, variando de acordo com o tipo de vacina e com a resposta imunológica do animal. Alguns gatos podem ter uma resposta imunológica fraca, não desenvolvendo proteção suficiente. Além disso, a eficácia pode diminuir com o tempo, por isso os reforços vacinais são necessários.