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FeLV - Leucemia felina 
 
 
 
 
A leucemia felina (FeLV) é uma das 
doenças mais importantes nos gatos. 
Ela é causada pelo vírus da leucemia 
felina, um retrovírus que afeta o sistema 
imunológico e pode levar a diversas 
complicações importantes como 
imunossupressão, anemia e neoplasias. 
 
É uma doença altamente contagiosa e 
pode ser transmitida pelo contato direto 
e prolongado dos felinos. 
 
A FeLV pode ter diferentes desfechos 
dependendo da resposta imunológica do 
gato. Alguns são capazes de eliminar o 
vírus antes que ele se estabeleça, 
enquanto outros podem desenvolver 
infecções persistentes que 
comprometem a sua saúde ao longo do 
tempo. 
 
É uma doença que não tem cura mas 
que pode ser prevenida com vacinação 
e com o controle dos gatos saudáveis e 
dos gatos infectados. 
 
AGENTE ETIOLÓGICO 
 
O vírus da leucemia felina é considerado 
um retrovírus. 
 
RETROVÍRUS 
 
Os retrovírus são uma família de vírus de 
RNA envelopados que se caracterizam 
por utilizar uma enzima chamada 
transcriptase reversa para converter o 
seu RNA em DNA e intregá-lo ao genoma 
da célula hospedeira. 
 
A sua estrutura é relativamente simples, 
sendo formado por: 
 
 
 
I. Envelope viral 
O envelope viral é uma camada externa 
responsável por proteger o capsídeo do 
vírus. 
Ele é formado a partir da membrana 
plasmática da célula hospedeira que o 
vírus “rouba” no momento em que sai da 
célula infectada. 
Isso porque o vírus literalmente brota 
para fora da célula hospedeira (processo 
de brotamento), levando consigo um 
pedaço da membrana plasmática da 
célula hospedeira.
 
Dessa forma, o envelope viral não é uma 
estrutura criada do zero pelo vírus, mas 
sim um pedaço da célula hospedeira 
modificado com algumas proteínas 
virais. 
 
O envelope contém proteínas de fusão e 
de reconhecimento que permitem que o 
vírus se ligue a células-alvo e possa 
entrar nelas. No caso do vírus da 
leucemia felina, eles possuem a 
glicoproteína de superfície (gp70) que é 
responsável por reconhecer e se ligar a 
receptores específicos e a glicoproteína 
de membrana (p15E) que atua 
facilitando a fusão da membrana do 
vírus com a membrana celular, 
permitindo a entrada do material 
genético viral. 
 
Contudo, ainda que o envelope seja 
essencial para a infecção, ele também o 
torna mais vulnerável fora do organismo 
parasitado. Isso porque como o envelope 
é composto de lipídios, ele pode ser 
facilmente destruído por sabão, álcool e 
desinfetantes. 
 
II. Glicoproteínas de superfície e 
transmembrana 
As principais glicoproteínas envolvidas 
presentes no envelope do vírus da FeLV 
são: 
 
a. Glicoproteína de superfície gp70 
A gp70 é a principal proteína envolvida 
no reconhecimento da célula alvo. 
Ela atua como uma chave que se liga ao 
receptor específico localizado na 
membrana da célula hospedeira. 
Uma vez que a gp70 se liga ao receptor, 
ela sofre mudanças conformacionais 
que possibilitam a fusão do envelope 
viral com a célula hospedeira. 
 
b. Glicoproteína transmembrana - 
p15E 
Ela fica localizada abaixo da gp70 e tem 
a função de induzir a fusão entre o 
envelope viral e a membrana celular. Ou 
seja, ela permite que o vírus entre na 
célula após a gp70 se ligar ao receptor. 
 
As mudanças conformacionais que 
ocorrem na gp70 ao se ligar no receptor 
da célula ativam a p15E, que por sua vez, 
desestabiliza a membrana celular, 
permitindo que o envelope viral e a 
membrana se fundam e o 
nucleocapsídeo do vírus entre na célula. 
 
Além disso, a p15E também tem um 
papel importante na supressão do 
sistema imunológico do hospedeiro, 
ajudando a FeLV a escapar da resposta 
imune dos gatos. 
 
III. Capsídeo 
O capsídeo viral é uma estrutura proteica 
que envolve e protege o material 
genético do vírus. 
No caso do vírus da FeLV, o capsídeo 
contém o RNA viral e as enzimas 
essenciais para a sua replicação, como a 
transcriptase reversa. 
 
IV. Genoma viral 
É o material genético do vírus. No caso do 
vírus da leucemia felina, é composto por 
duas fitas simples de RNA 
 
V. Enzimas essenciais 
O retrovírus carrega três enzimas 
fundamentais para a sua replicação: 
 
a. Transcriptase reversa 
A transcriptase reversa é uma enzima 
capaz de converter o RNA viral em DNA. 
Ela utiliza o RNA viral como molde e 
sintetiza uma fita complementar de DNA. 
Em seguida, ela remove a fita de RNA 
original e sintetiza uma segunda fita de 
DNA complementar, formando um DNA 
de fita dupla. 
Atenção: Essa enzima é muito propensa 
a erros pois não tem um mecanismo de 
revisão como o DNA polimerase. Isso faz 
com que os retrovírus tenham alta taxa 
de mutação. 
 
b. Integrase 
Após a transcriptase reversa gerar um 
DNA viral, ele precisa se misturar ao DNA 
da célula hospedeira. 
A integrase é a enzima responsável por 
realizar esse processo. Ela literalmente 
corta o DNA do hospedeiro e cola o DNA 
viral dentro dele, fazendo com que o DNA 
viral torna-se parte permanente do 
genoma dessa célula. 
 
c. Protease 
As proteínas virais começam a ser então 
produzidas, mas elas ainda não estão na 
forma correta. 
A protease viral corta essas proteínas em 
pedaços menores, que são as versões 
ativas das proteínas. 
Esse processo permite a montagem de 
novos retrovírus que agora podem 
infectar novas células. 
 
Depois desse processo, a célula começa 
a produzir novos vírus como se fossem 
proteínas normais dela. Esse é o truque 
dos retrovírus para se multiplicarem de 
forma eficiente e tornarem a infecção 
crônica. 
 
Os novos vírus são então montados no 
citoplasma celular e brotam da 
membrana plasmática, levando consigo 
um pedaço da membrana da célula 
hospedeira para formar o seu envelope 
viral. 
Isso permite que ele escape da célula 
sem destruí-la imediatamente, 
mantendo a infecção. 
 
 
 
PATOGÊNESE DA FeLV 
 
O vírus da FeLV entra no organismo do 
gato principalmente através da saliva. 
Dessa forma, contato próximo como 
lambedura, compartilhamento de 
comedouro e bebedouro, mordidas, e 
pela transmissão vertical são formas de 
contágio. 
 
Depois da exposição, o vírus infecta as 
células da mucosa oral ou nasal e 
rapidamente alcança os linfonodos 
próximos. 
 
Ali, os vírus precisam invadir as células 
para se replicar. O vírus da FeLV tem 
preferência por algumas células, em 
especial: as células precursoras de 
células sanguíneas na medula óssea e 
as células epiteliais e glandulares. 
 
I. Monócitos e macrófagos 
Os monócitos e os macrófagos são 
células do sistema imunológico 
responsáveis por fagocitar os 
microrganismos invasores. Dessa forma, 
ao invés dessas células combaterem o 
vírus, elas se tornam táxis que o ajudam 
a se espalhar pelo corpo. 
 
II. Linfócitos T e linfócitos B. 
O linfócito T regula a resposta 
imunológica e ajuda a destruir as células 
infectadas. 
Já os linfócitos B produzem anticorpos 
para combater as infecções. 
Dessa forma, ao infectar essas células, 
há uma redução importante da resposta 
imunológica do gato acometido, 
tornando-o mais suscetível a infecções 
secundárias. 
 
Atenção: Com uma resposta 
imunológica mais fraca, o gato torna-se 
mais propenso ao desenvolvimento de 
câncer. Isso porque normalmente o 
sistema imunológico identifica e destrói 
células anormais antes que elas se 
tornem tumores e, com o sistema 
imunológico suprimido, essa vigilância 
contra células defeituosas é diretamente 
prejudicada. 
Além disso, pelo vírus da FeLV ser um 
retrovírus, a taxa de mutação dele é 
extremamente alta. Caso a inserção do 
DNA viral ocorra perto de genes 
importantes para o controle do ciclo 
celular, isso pode levar a ativação de 
proto-oncogenes, que são genes que 
quando mutados ou hiperativados 
favorecem o desenvolvimento de câncer 
pois estimulam a proliferação 
desenfreada das células. 
Um dos proto-oncogenes mais 
associados a FeLV é o Myc, que está 
envolvido no crescimento e na 
proliferação celular e que, quando 
ativado de forma descontrolada, pode 
levar à proliferação excessiva de 
linfócitos resultando emlinfoma. 
 
III. Células precursoras de células 
sanguíneas na medula óssea 
A medula óssea é responsável pela 
produção das células do sangue, 
incluindo os eritrócitos, os leucócitos e as 
plaquetas. 
O vírus da FeLV pode infectar e destruir os 
precursores dessas células resultando 
em alterações graves no sangue como: 
 
a. Anemia 
A FeLV ao atacar os precursores dos 
eritrócitos, prejudica a produção de 
glóbulos vermelhos. 
Isso causa uma anemia não 
regenerativa, ou seja, a medula óssea 
não consegue produzir novas hemácias 
e compensar a perda. 
Os gatinhos acometidos podem 
apresentar fraqueza, letargia, palidez de 
mucosas, taquipneia compensatória e 
redução de apetite. 
 
Além disso, também pode ocorrer 
anemia aplásica, onde a medula óssea 
simplesmente para de produzir células 
sanguíneas e anemia hemolítica, onde a 
presença do vírus da FeLV nos glóbulos 
vermelhos desencadeia autoimunidade, 
fazendo com que o próprio corpo destrua 
as hemácias. 
 
b. Leucopenia 
O vírus da FeLV destrói os precursores 
dos leucócitos na medula óssea, 
resultando na redução dos glóbulos 
brancos. 
Isso faz com que o gatinho acometido 
fique ainda mais vulnerável a infecções 
oportunistas. 
 
Muitos gatinhos FeLV positivos não 
morrem diretamente da infecção viral, 
mas sim de infecções secundárias que o 
organismo não consegue combater 
devido à leucopenia. 
 
c. Leucemia 
O vírus da FeLV pode também ocasionar 
a proliferação neoplásica dos leucócitos, 
levando ao desenvolvimento de uma 
leucemia. 
Isso ocorre quando o vírus da FeLV, ao 
integrar seu genoma na célula 
hospedeira, afeta áreas importantes que 
atuam no controle do ciclo celular ou se 
ativam os proto-oncogenes como o myc, 
fazendo com que essas células se 
proliferem de forma descontrolada. 
Essa proliferação exacerbada associada 
ao aumento da taxa de mutações 
causada pela replicação viral culmina 
muitas vezes em um quadro de 
leucemia, seja ela uma leucemia 
linfocítica (proliferação anormal de 
linfócitos) ou uma leucemia mieloide 
(proliferação anormal de células 
mielóides como granulócitos, monócitos, 
eritrócito e etc) 
 
d. Trombocitopenia 
O vírus da FeLV destrói as células 
precursoras das plaquetas, reduzindo a 
sua produção. 
As plaquetas são células essenciais para 
a coagulação sanguínea e a sua 
deficiência pode levar a sangramentos 
espontâneos e aumenta o risco de 
hemorragias severas. 
Os gatinhos acometidos costumam 
apresentar epistaxe (sangramento nas 
gengivas e nariz), petéquias e 
equimoses (pequenos hematomas pelo 
corpo causadas pelo sangramento de 
pequenos capilares) e sangue nas fezes 
ou na urina. 
 
IV. Células epiteliais 
O tropismo do vírus da FeLV pelas células 
epiteliais não é tão estabelecido quanto 
a sua afinidade pelas células 
hematopoiéticas mas há alguns 
achados que devem ser levados em 
conta. 
 
O vírus da FeLV pode ser encontrado em 
células epiteliais do trato gastrointestinal, 
de glândulas salivares e também do 
trato respiratório. 
Isso pode explicar a eliminação viral pela 
saliva. O vírus se replica nos linfócitos 
presentes nas glândulas salivares e pode 
infectar algumas células epiteliais das 
glândulas. 
Além disso, a presença do vírus nas 
células epiteliais do trato gastrointestinal 
pode explicar alguns sinais clínicos 
gastrointestinais inespecíficos como a 
diarreia em gatos infectados. 
 
FASES DA PATOGENIA 
 
O vírus da FeLV entra no organismo 
principalmente através da mucosa oral 
ou nasal do gatinho e ali ele infecta os 
linfócitos e monócitos locais. 
Os linfócitos e os monócitos atuam como 
um táxi, levando o vírus até os linfonodos 
próximos. Ali, eles infectam os linfócitos T 
e B. 
Nessa fase, o vírus pode ser contido caso 
o gatinho tenha uma resposta 
imunológica eficiente. Contudo, caso isso 
não ocorra, o vírus entra então na 
corrente sanguínea no evento chamado 
primeira viremia. 
Durante a primeira viremia, o vírus estará 
presente no sangue periférico e, por isso, 
pode ser detectado por testes como o 
ELISA. 
 
O gatinho pode ser capaz de eliminar o 
vírus durante essa fase, antes que ele 
consiga alcançar a medula óssea, 
prevenindo a progressão da doença. 
Contudo, se isso não ocorrer, o vírus da 
FeLV continua se replicando e chega 
então à medula óssea. Ali ele infecta as 
células tronco hematopoiéticas, que são 
as células precursoras das células 
sanguíneas, e se integra ao seu DNA. Isso 
significa que as novas células 
sanguíneas produzidas pela medula 
óssea terão o DNA viral. A partir disso, o 
vírus passa a ser produzido e liberado 
continuamente na corrente sanguínea, 
causando um evento chamado segunda 
viremia. 
Durante a segunda viremia, o vírus da 
FeLV pode infectar órgãos e tecidos 
como baço, fígado, trato gastrointestinal, 
pulmões e até mesmo as glândulas 
salivares, fazendo com que o gatinho 
acometido comece a liberar grandes 
quantidades de vírus na sua saliva, 
secreções e na urina, tornando-se 
altamente contagioso. 
 
TIPOS DE INFECÇÃO 
 
A FeLV pode se manifestar de diferentes 
formas e cada uma delas influencia o 
prognóstico desse animal. 
 
A infecção pode ser: 
I. Abortiva 
A infecção abortiva é aquela em que o 
sistema imunológico do gatinho 
consegue eliminar o vírus antes que a 
doença se estabeleça. 
Nesses casos o prognóstico é ótimo visto 
que o gatinho não desenvolve a doença. 
 
II. Regressiva 
A infecção regressiva é aquela em que o 
vírus entra em latência e não se replica 
ativamente. Contudo, em momentos de 
imunossupressão essa doença pode ser 
reativada. 
Esses gatinhos devem ser monitorados 
de perto para acompanhamento da 
doença e para que possíveis gatilhos que 
diminuam a imunidade desse animal 
sejam eliminados. 
O prognóstico é de bom a moderado 
visto que ele pode viver por anos sem 
sintomas. 
 
III. Progressiva 
A infecção progressiva é aquela em que 
o vírus se replica continuamente, levando 
ao acometimento da imunidade desse 
animal e do surgimento de doenças 
secundárias. 
O prognóstico é reservado e a 
expectativa de vida é reduzida. 
 
IV. Focal ou atípica 
A infecção focal ou atípica ocorre 
quando o vírus se aloja em tecidos 
específicos como olhos, sistema nervoso 
central. 
O prognóstico é variável e depende do 
órgão acometido. 
 
SINAIS CLÍNICOS 
 
Os sinais clínicos variam de acordo com 
a fase da infecção e as consequências 
da imunossupressão, anemia e 
neoplasias que podem estar associadas. 
 
Durante a primeira viremia alguns 
gatinhos podem apresentar sinais 
clínicos sutis e inespecíficos como febre 
leve a moderada, aumento dos 
linfonodos (linfadenopatia), letargia, 
perda de apetite e emagrecimento 
discreto, diarreia e vômitos ocasionais. 
Contudo, não é incomum que o gatinho 
seja assintomático. 
 
Na segunda viremia, por sua vez, a 
infecção torna-se crônica e o gatinho 
pode desenvolver diferentes 
manifestações clínicas. 
O vírus da FeLV afeta diretamente o 
sistema imunológico, fazendo com que 
esse animal seja imunossuprimido. Por 
isso, é comum termos infecções 
respiratórias crônicas, complexo 
gengivo-estomatite, infecções de pele 
recorrentes, diarréias crônicas por 
infecções gastrointestinais secundárias e 
até mesmo infecções sistêmicas graves. 
 
Além disso, também costumamos ter 
alterações hematológicas associadas 
devido a infecção das células tronco 
hematopoiéticas, como anemia 
arregenerativa, leucopenia e 
trombocitopenia. 
Atenção: a anemia pode ser progressiva 
e fatal e costuma ser uma das causas da 
eutanásia em gatinhos acometidos pela 
FeLV. 
 
Por ser oncogênica, a FeLV pode induzir o 
desenvolvimento de neoplasias 
hematopoiéticas, principalmente o 
linfoma e a leucemia. 
 
Embora menos comum, o vírus da FeLV 
pode acometer o sistema nervoso 
central causando convulsões, ataxia, 
paralisia de membros e alterações 
comportamentais. 
Geralmente quando ocorre, está 
associado a linfomas no sistema nervoso 
central ou por infecção direta das células 
neuronais. 
 
Os problemas reprodutivos tambémpodem ocorrer. As gatinhas FeLV 
positivas podem ter dificuldade para 
engravidar devido a imunossupressão. 
Além disso, a infecção pode impedir o 
desenvolvimento dos embriões, fazendo 
com que eles sejam reabsorvidos antes 
mesmo da gestação ser detectado ou 
então pode causar inflamação na 
placenta, impedindo o fornecimento 
adequado de nutrientes aos fetos, o que 
pode levar a abortos espontâneos. 
Se os filhotes conseguirem nascer, 
muitos podem ser pequenos e fracos e 
morrem logo após o parto. 
É importante salientar que o vírus da FeLV 
possui transmissão vertical, ou seja, da 
mãe para o filhote. Eles podem já nascer 
infectados a partir de uma transmissão 
placentária, como também podem se 
infectar com o leite materno durante a 
amamentação. 
Muitos desses filhotes podem 
desenvolver a forma progressiva da 
doença, apresentando sinais de 
imunossupressão e anemia logo nos 
primeiros dias de vida. Contudo, outros 
podem controlar a infecção e 
tornarem-se portadores latentes, sem 
sinais clínicos imediatos. 
 
TRATAMENTO 
 
O tratamento para a FeLV ainda é um 
desafio pois não existe uma cura 
definitiva para a infecção. 
Geralmente utilizamos abordagens que 
visam controlar a infecção, minimizar os 
sintomas e melhorar a qualidade de vida 
desse gatinho. 
 
Os animais assintomáticos não devem 
ser tratados, mas devem ser 
acompanhados semestralmente para 
verificar se a infecção está progredindo. 
Além disso, os animais assintomáticos 
devem ter uma nutrição adequada, viver 
em ambientes tranquilos com gatilhos 
de estresse reduzidos, controle contra 
parasitas eficiente, vacinação e também 
a castração. 
Atenção: A castração é de suma 
importância para os gatinhos FeLV 
positivo pois o estresse hormonal é 
extremamente prejudicial a esses 
animais. 
 
Já os animais com FeLV positivo 
sintomáticos, devemos realizar uma 
investigação minuciosa para determinar 
se essa sintomática está ou não 
associada a sua doença. 
Isso porque nem todos os sintomas que 
esse gatinho apresenta serão causados 
diretamente pelo vírus. Algumas doenças 
podem surgir por causa da 
imunossupressão gerada pela FeLV 
enquanto que outras podem ser 
coincidentes, ou seja, esse gatinho 
poderia apresentá-las mesmo sem estar 
infectado pelo vírus da FeLV. 
Como por exemplo, ainda que a FeLV 
possa causar uma anemia, devemos 
investigar para avaliar o tipo de anemia 
(a FeLV está associada a uma anemia 
arregenerativa), testar para a 
micoplasmose para ver se não é a 
presença do parasita que está 
desencadeando o quadro de anemia e 
etc. 
 
Em casos de linfomas e leucemias 
devemos avaliar se a realização de 
quimioterapia é benéfica para o 
paciente em questão. 
 
Já animais com anemia podemos utilizar 
eritropoetina e transfusões sanguíneas. 
Em casos de anemia hemolítica 
podemos associar o uso de corticóides. 
 
Existem algumas terapêuticas 
direcionadas para o tratamento da FeLV 
atualmente. Essas terapias visam reduzir 
a carga viral e melhorar a resposta 
imunológica desses animais. Contudo, o 
resultado ainda é variável. 
 
> Tratamento com antivirais 
I. Raltegravir 
O raltegravir é um inibidor da integrase e 
foi originalmente desenvolvido para 
tratar HIV em humanos. 
 
Estudos demonstram que esse 
medicamento possui resultados mais 
consistentes na FIV do que na FeLV. 
Contudo, alguns gatos, especialmente 
aqueles tratados na fase inicial da 
infecção, mostraram uma melhora 
clínica e uma redução da viremia. 
 
II. Dolutegravir 
Assim como o raltegravir, o dolutegravir é 
também um inibidor da integrase. 
No entanto, o dolutegravir possui uma 
melhor biodisponibilidade e uma 
meia-vida mais longa, permitindo doses 
menos frequentes. 
 
Ainda não existem muitos estudos 
clínicos publicados. Contudo, alguns 
estudos iniciais demonstram que ele 
pode ser capaz de reduzir a viremia e 
estabilizar gatos com infecção 
progressiva. 
 
Contudo, assim como o raltegravir, os 
resultados mais satisfatórios desse 
medicamento são relacionados a FIV. 
 
III. Zidovudina 
A zidovudina é um inibidor da 
transcriptase reversa e é, atualmente, o 
antiviral mais estudado. 
Contudo, seus resultados para a FeLV são 
controversos. 
 
É um fármaco que costuma apresentar 
resultados mais satisfatórios quando 
utilizado de forma precoce. 
 
Assim como os demais, o resultado é 
muito mais positivo na FIV e tem se 
mostrado extremamente promissor nela. 
 
Atenção: De forma geral, os fármacos 
antivirais apresentam melhores 
resultados na FIV do que na FeLV. 
Isso ocorre porque a FIV tem uma 
replicação viral mais constante, então os 
antivirais conseguem reduzir a carga 
viral e retardar a progressão da doença. 
Já a FeLV tem uma fase de infecção 
inicial muito ativa, contudo depois o vírus 
integra seu DNA ao genoma do gatinho, 
tornando-se escondido, e aí os antivirais 
perdem a eficácia. 
Além disso, a FIV evolui de forma mais 
lenta, permitindo que os antivirais 
ajudem no controle por mais tempo, 
enquanto que a FeLV pode evoluir 
rapidamente para neoplasias, anemias 
graves e imunossupressão intensa, 
tornando o tratamento mais desafiador. 
 
IV. Interferons 
O interferon é uma proteína produzida 
naturalmente pelo organismo em 
resposta a infecções virais. 
Eles são responsáveis por “avisar” as 
células saudáveis para ativar 
mecanismos de defesa e assim impedir 
a replicação viral. 
 
Ele se liga a receptores na superfície das 
células saudáveis e ativa genes antivirais 
dentro da célula, tornando-a mais 
resistente à infecção. Além disso, ele é 
capaz de estimular o sistema 
imunológico a atacar as células já 
infectadas. 
 
Na década de 90, foi utilizado o interferon 
humano (IFN-alfa) em gatos e foi 
descoberto que alguns gatos 
melhoravam temporariamente mas o 
uso prolongado levava a resistência ao 
interferon, tornando-o ineficaz. 
Além disso, por ser humano e ser 
diferente do interferon felino, a resposta 
não era ideal. 
 
No final da década de 90 foi 
desenvolvido o interferon felino (IFN-ω). 
Por ser projetado a partir do próprio 
interferon dos gatos ele se encaixa 
perfeitamente nos receptores celulares, 
funcionando de forma eficiente, com 
menos efeitos colaterais, maior 
biodisponibilidade, menor risco de 
reação adversa e também com menos 
risco de resistência. 
A problemática do interferon felino é que 
é um medicamento de alto custo por ser 
produzido por engenharia genética e ele 
também tem restrição geográfica, só 
sendo vendido na europa e no japão. 
> Tratamento com imunoestimulantes 
Os imunoestimulantes são substâncias 
que modulam o sistema imunológico, 
auxiliando o organismo a combater 
infecções. 
O seu objetivo é fortalecer o sistema 
imunológico dos gatos infectados, 
retardando a progressão da doença. 
 
Os resultados variam de acordo com 
cada gatinho. 
 
PREVENÇÃO 
 
A FeLV é uma doença prevenível e a sua 
prevenção é bem mais eficaz que o 
tratamento. 
 
A vacina contra a FeLV é altamente 
recomendada para os gatinhos que têm 
acesso à rua ou que entram em contato 
com gatos desconhecidos. 
Contudo, a eficácia da vacina contra a 
FeLV não é 100%. 
 
Estudos mostram que a vacina pode ter 
uma eficácia de 80 a 90%, variando de 
acordo com o tipo de vacina e com a 
resposta imunológica do animal. 
 
Alguns gatos podem ter uma resposta 
imunológica fraca, não desenvolvendo 
proteção suficiente. 
Além disso, a eficácia pode diminuir com 
o tempo, por isso os reforços vacinais são 
necessários.

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