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Júlia Assis Silva - Turma IV alfa FEBRE AMARELA Imunologia CARACTERÍSTICAS VIRAIS ● Doença viral febril, ictérica, hemorrágica, infecciosa, não-contagiosa, produzida por um vírus da família Flaviviridae. ● Formato icosaédrico, RNA de fita simples positiva e tem envelope. ● O vírus amarílico é originário da África. ● Seus peplômeros mudam a depender do local onde o vírus está. Se está fora da célula, viajando, seus peplômeros se fecham e formam um dímero para se proteger do contato com o sistema imune. ● Quando está interagindo com a célula hospedeiro seus peplômeros se abrem para permitir a interação. ○ Quando entra pela fagocitose não perde o envelope. ● Peplômeros ● São proteínas estruturais no envelope. Cada uma delas é um antígeno. ● Proteínas estruturais: proteína M, glicoproteína E e proteína C. ● Codificam os precursores: proteína de membrana (M), envelope (E) e capsídeo viral ( C). ● Durante uma infecção em organismo humano, a resposta imune dirige-se a essas proteínas. ● Temos proteção permanente contra o vírus da febre amarela? Sim, se for 1 vacinado tem proteção para a vida inteira, se for infecção natural varia. A proteína E gera os anticorpos que fazem a proteção pois é um antígeno do envelope. ○ Nossos anticorpos opsonizam a proteína E e impedem a interação com a célula do hospedeiro. INTERNALIZAÇÃO DO VÍRUS ● 1°→ Interage com a célula do hospedeiro por meio de receptores de superfície e é internalizado por endocitose. ○ Interage através da proteína E, que é uma PAMP reconhecida pelos PRRs, principalmente os toll likes. ○ Muitos vírus sobrevivem à fagocitose. ● PAMPs - PRRs→ TLR2, TLR8 e TLR9→ produção de citocinas pró-inflamatórias potentes, incluindo IFN-gama. Os TLR8 e TLR9 são internos. ● O vírus entra na célula fagocitica pelo endossoma, muitas vezes vai morrer nesse endossoma e então vai haver fusão com o lisossoma e processamento para apresentação de antígenos. ● Mas eles podem fugir do endossoma, por isso é importante ter os TLR internos. ● Qual a primeira coisa que ocorre quando os TLR internos reconhecem? Estimulam a produção de citocinas, principalmente IFN-1, para proteção das células ao lado. ● 2°→ O baixo pH do endossomo facilita a liberação do nucleocapsídeo do citoplasma, esse pH degrada o envelope liberando o nucleocapsídeo do vírus e seu material genético dentro do endossomo. ○ A presença desse material genético também ativa o sistema imune. ● 3°→ Translação do genoma viral, para começar o ciclo replicativo. ○ RNA viral monta proteínas para o envelope, depois gera fitas negativas para usar de molde para formação de novas fitas de RNA +. PATOGÊNESE E QUADRO CLÍNICO 2 ● ● Os piores prognósticos são de pessoas que têm manifestações hemorrágicas. ● Esse vírus ataca principalmente o epitélio e as camadas da pele devido a picada do mosquito para inoculação do vírus e alimentação. ● Nessas camadas superficiais tem a presença de células dendríticas e células de langerhans para fagocitose de possíveis microrganismos. ● Quando inocula o vírus já tem a resposta inata→ como por exemplo o IFN-1, células NK, células dendríticas, etc. ● Quando a célula encontra o vírus ela fagocita e leva ao órgão linfóide secundário para apresentação de antígenos. ● Porém, como o vírus é muito evasivo e consegue escapar da fagocitose, ele pode se replicar dentro das células. ● Inchaço dos linfonodos: apresentação de antígenos e expansão clonal. ● Os vasos linfáticos têm ligação direta com as vias hemodinâmicas possibilitando que o vírus escape para a circulação→ viremia. ● Essa viremia é efeito colateral da tentativa de controle inicial para apresentação de antígenos, e o sistema linfático é uma grande rede de disseminação. ● Uma vez no sangue ele pode se espalhar para todos os lugares, mas tem tropismo pelo rim, coração, fígado e timo (local de maturação dos linfócitos T). ● Causa inflamação de muitos sítios importantes e apoptose de muitas células. 3 ● Apesar de ser um vírus muito evasivo, muitos morrem e têm seus antígenos apresentados para ativação de linfócitos TCD4 nos linfonodos. ● O que tem a ver com a hemorragia? A inflamação de vários sítios diferentes e ativação de linfócitos TCD4 causa produção de IFN e TNF (dos órgãos inflamados e dos linfonodos e timo) gerando ativação de linfócitos TCD8, causando danos, morte endotelial, inflamação e degradação do endotélio. ○ A produção de IFN e TNF apenas dos linfonodos já seria enorme, mas junto com outros órgãos inflamados (devido a viremia) ela fica ainda maior. ● Além da morte endotelial causada pelos linfócitos TCD8 e pela apoptose, essas citocinas por si só (principalmente o TNF), quando caem na corrente sanguínea, causam uma alteração de permeabilidade vascular sistêmica gerando quadros hemorrágicos graves. ○ O TNF também estimula a diapedese e como o endotélio está sensibilizado, mais células vão chegando e machucando ele. ● Os quadros hemorrágicos são causados pelo sistema imune e são de difícil reversão. QUADRO CLÍNICO ● Dividido em 3 fases. ● O tempo de duração da doença costuma ser de 15 a 20 dias. ● Infecção: O vírus entra no corpo, multiplica e aumenta em quantidade e depois cai quando é combatido pelo sistema imune. Dura de 3 a 4 dias a replicação. ○ Viremia com pico no 2° ou 3°dia, febre, calafrios, cefaléia, mialgia, dor lombar e abdominal, hepatomegalia, náuseas e vômitos. ● Remissão: dura 48 horas, os sintomas decaem juntamente com a carga viral e ocorre uma sensação de melhora. Período afebril. ○ Mesmo com a eliminação do vírus algumas pessoas podem continuar produzindo citocinas nesse período. ● Intoxicação: é quando ocorrem os quadros hemorrágicos. Consequência do sistema imune muito ativado. ○ Surgem os anticorpos, desaparece a viremia, volta a febre, icterícia, insuficiência renal aguda, manifestações hemorrágicas, coma, choque e óbito. ○ O vírus não consegue reativar pois já existem anticorpos protetivos que os opsonizam. ○ Quadros graves são efeitos colaterais de uma infecção anterior que já foi 4 resolvida. ● Nem todo mundo entra na fase de intoxicação, é necessário observar a carga viral pois se a pessoa não tiver intoxicação e o médico imunossuprimir pode haver uma reativação viral. ● Infecções assintomáticas: quem faz uma boa resposta imune inata→ IFN-gama, TNF-alfa, IFN-1. ● ● Forma maligna é de difícil reversão→ Febre hemorrágica da febre amarela e dengue leva de 1 a 2 dias para causar óbito. 5 ● EPIDEMIOLOGIA ● A transmissão aumenta no período de chuvas devido ao vetor. ● A letalidade da doença é altíssima. ● 6 VACINA ● A vacina 17D foi desenvolvida por Max Theiler em 1937. ● Ele percebeu que o vírus da febre amarela se propagava bem no cérebro de ratos. ● Verificou que quando o vírus começava a multiplicar ocorria uma diminuição no tempo de propagação e a patogenicidade (no cérebro de rato ele ficava mais benigno). ● Pós passagem em ratos era capaz de adaptar-se a culturas de células embrionárias de frango, pois o vírus ficava mais benigno depois de ser inoculado no rato. ● Porém, como ele tinha cultivado primeiro em cérebro de rato, o vírus desenvolveu um alto tropismo pelo sistema nervoso. ● Dessa forma ele começou a fazer passagens consecutivas do vírus de uma placa a outra. À medida que ele faz isso, o vírus enfraquece. ● Entre a 89° e a 114° passagem, o vírus perde suas propriedades neurotrópicas e viscerotrópicas e se tornava um vírus inativado. ● Cepa ASSABI→ retirada de um africano que foi infectado e sobreviveu (indicando que era fraca) fez as passagens para retirar as capacidades virulentas. ● No Brasil utiliza-se a 17DD→ 195° passagens consecutivas. É a mais eficiente para o contexto brasileiro. ● Todas as vacinas 17D são fabricadas a partir de cepas cujo potencial de mutações é minimizado. ● No mundo usa-se a 17D-204→ 204° passagens. Resposta imune pós vacinal 7 ● ● Demora mais ou menos 15 dias para chegar no pico de anticorpos IgM, por isso é uma doença preocupante pois evolui rapidamentee não há tempo de produção dos anticorpos neutralizantes. Contraindicações à vacinação ● É um vírus atenuado. ● Todos os vírus atenuados tem as mesmas contraindicações? Não, o da hepatite A por exemplo tem menos contraindicações (grávidas e pessoas com febres), pois não é um vírus com tropismo, não cronifica, não é hemorrágico ou oncogênico. ● Imunodeficiência primária. ● Neoplasias. ● Uso de inibidores de TNF-alfa e IL-1. ● Anticorpos monoclonais contra células B ou T. ● Imunossupressores (corticoides). ● A imunodeficiência favorece a viremia prolongada, com maior risco de invasão de tecidos. VACINA ANTIAMARÍLICA E OS PACIENTES REUMÁTICOS ● As doenças reumáticas têm diversas etiologias. 8 ● ● Qual a relação da vacina com as doenças reumáticas autoimunes? Essas doenças precisam de tratamento, que é a imunossupressão. Caso essa pessoa tome a vacina e o vírus seja atenuado (vivo) ele pode vir a causar a doença ou demorar a ser eliminado. ● Infecções virais causam a perda de autotolerância, quanto mais tempo o vírus permanecer no corpo maior a chance de doenças autoimunes. ● Pessoas imunossuprimidas que tomam a vacina com vírus vivo demoram mais tempo para combater o vírus e ele consequentemente fica mais no corpo→ chance de doenças autoimunes. Artrite reumatoide ● Doença autoimune inflamatória sistêmica caracterizada pelo comprometimento da membrana sinovial das articulações periféricas. ● Cápsula inflamada, com espessamento, acúmulo de líquidos, degradação óssea (algumas citocinas conseguem ativar osteoclastos que degradam o osso)→ inflamação que não é controlada normalmente e precisa de medicação. 9 ● ● Por conta da inflamação e acúmulo de líquidos as articulações ficam espessadas e a pessoa não consegue manter a posição normal dos dedos. ● Atinge as articulações em busca do tecido conjuntivo, mas em casos mais graves pode haver comprometimento pulmonar pois o revestimento dos bronquíolos é de tecido conjuntivo. ● Como é desencadeada? Predisposição genética, fatores ambientais de risco (por exemplo prática de esportes de alta intensidade), ● Os alelos HLA-DR1 ou DR4 do MHC I estão presentes em 80% dos pacientes caucasianos com AR. ○ Pessoas com esses tipos de HLA têm mais predisposição para apresentar autoantígenos. ● Ativação de células B, T, dendríticas, macrófagos por antígenos próprios→ produção de citocinas e mediadores→ ativação de fibroblastos, condrócitos→ remodelamento da articulação. ● A diferença da resposta imune da doença autoimune para respostas a outros microrganismos é que depois há eliminação dos antígenos virais, e consequentemente diminui a ativação do sistema imune, já os antígenos próprios não tem como eliminar. Como ocorre a resposta? 10 ● ● Geralmente os linfócitos B são ativados primeiro e produzem autoanticorpos. ● Esses autoanticorpos são produzidos em grande quantidade e começam a se polimerizar formando complexos imunes, que vão se depositar na cápsula articular e ativam fibroblastos, induzindo a produção de citocinas. ● IL-6: produzida pelos fibroblastos e estimulam outras células a serem ativadas, como por exemplo os macrófagos, principalmente do tipo M1. ● Esse macrófago ativado começa a produzir muito TNF→ aumenta permeabilidade e recrutamento de células (diapedese) pela ativação do endotélio. ● É muito comum ter perfil Th17, que é um perfil inflamatório. ● IL-17: principal citocina do perfil Th17, que estimula ainda mais os fibroblastos a produzir IL-6 e ativar ainda mais macrófagos. Também ativa os osteoclastos que reabsorvem a matriz óssea. Ativação de condrócitos, mastócitos. ● Presença também de linfócitos TCD4 de perfil Th1. ● Tudo isso contribui para a formação de uma inflamação muito intensa e reabsorção óssea, causando grandes dores e outros problemas articulares. ● É importante descobrir se essa artrite reumatóide tem origem autoimune ou bacteriana pois o tratamento muda. 11