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Interpretação de texto Habilidades e práticas de leitura e de interpretação de textos Interpretação de texto Leitor competente e leitor crítico Interpretação de texto Ler é muito mais do que decodificar palavras é uma atividade complexa que pode incluir interpretar, decifrar o que está além do literal. Ser um leitor competente implica mais do que compreender o que está dito, mas compreender também o não dito, as entrelinhas, o implícito do texto. Interpretação de texto O leitor crítico é aquele que, diante de qualquer texto, verbal ou não verbal, coloca-se numa postura ativa, de análise, de resposta ao texto lido. Ele não só ANALISA o texto, mas também os demais elementos da situação de produção: quem fala, para quem fala, em qual contexto e momento histórico, em que meio ou suporte de divulgação, com qual intenção, etc. Interpretação de texto Ninguém fala ou escreve sem ter um destinatário em mente. Quando alguém produz um texto, tem uma intenção e supõe ou tem um interlocutor real. Nenhum texto é neutro, despretensioso. Todo texto está carregado de intenções, significados explícitos e implícitos e ideologia que dependem do contexto em que foi produzido. 5 Interpretação de texto “O leitor competente é aquele que, além do sentido das palavras, descobre também o significado das pausas, dos silêncios, da pontuação...” 6 Interpretação de texto Objetivo: tornar-se um leitor competente - Competência está relacionada com o “saber fazer” - Habilidades estão relacionadas com o “como fazer” (como o estudante mobiliza recursos, toma decisões, adota estratégias ou procedimentos e realiza ações concretas para resolver os problemas. 7 Interpretação de texto No âmbito da leitura e da intepretação de textos, a competência leitora se expressa por meio de habilidades de leitura, que, por sua vez, se concretiza por meio de operações ou esquemas de ação. Habilidade de observação Habilidade de análise Habilidade de identificação Habilidade de comparação Habilidade de memorização Habilidade de relação Habilidade de inferência Habilidade de dedução Habilidade de conclusão Habilidade de dedução Habilidade de levantamento de hipótese Habilidade de explicação Habilidade de demonstração Habilidade de justificação Habilidade de contextualização Habilidade de interpretação 8 Interpretação de texto Interpretar X Compreender textos Interpretação de texto INTERPRETAR ≠ COMPREENDER Pistas que nos ajudam a interpretar e compreender um texto conjunções preposições pontuação negativas Interpretação de texto INTERPRETAR ≠ COMPREENDER Pistas que nos ajudam a interpretar e compreender um texto conjunções preposições pontuação negativas conjunções MAS, LOGO, POR ISSO, COMO, MAIS... DO QUE, MENOS... DO QUE Mas – conjunção adversativa: [toda vez que você lê um parágrafo, um texto e aparece a conjunção MAS ligando dois períodos, ou seja, duas orações, sempre a opinião do autor vem após esse “mas”. Normalmente a resposta, vem depois desse mas, por isso é importante ficar atento ao uso das conjunções... Logo – conjunção conclusiva Por isso – conjunção conclusiva Como – conjunção comparativa Mais... Do que – conjunção comparativa 11 Interpretação de texto INTERPRETAR ≠ COMPREENDER Pistas que nos ajudam a interpretar e compreender um texto conjunções preposições pontuação negativas MAS, LOGO, POR ISSO, COMO, MAIS... DO QUE, MENOS... DO QUE [...] preposições DE, SOBRE, CONTRA [...] Olhos de Capitu Tela de Portinari Livro de Drummond Discussão sobre educação Falar sobre política Votaram contra o projeto DE – quando aparece a preposição de, por exemplo, referindo-se a de algo/de alguém – é sinal de pertencimento. Olhos de Capitu. Mas também pose ser sinal de autoria como em Livro de Drummond, quer dizer que Drummond é o autor do livro. A preposição sobre pode referi-se a assunto por exemplo, como em Discussão sobre educação, Falar sobre política. Contra é uma preposição de oposição, veja o exemplo – votaram contra o projeto. 12 Interpretação de texto INTERPRETAR ≠ COMPREENDER Pistas que nos ajudam a interpretar e compreender um texto conjunções preposições pontuação negativas MAS, LOGO, POR ISSO, COMO, MAIS... DO QUE, MENOS... DO QUE [...] DE, SOBRE, CONTRA [...] pontuação , . ! ... ; ? “ ” Sinais de pontuação: vírgula, ponto e vírgula, ponto final, aspas, é preciso prestar atenção quando esses sinais aparecem no texto pois eles indicam informações muito importantes. A virgula por exemplo, pode indicar uma sequenciação de ideias, separação de opiniões. O ponto pode indicar a separação das mais diferentes partes do texto. 13 Interpretação de texto INTERPRETAR ≠ COMPREENDER Pistas que nos ajudam a interpretar e compreender um texto conjunções preposições pontuação negativas MAS, LOGO, POR ISSO, COMO, MAIS... DO QUE, MENOS... DO QUE [...] DE, SOBRE, CONTRA [...] negativas , . ! ... ; ? “ ” não, nunca, jamais Sempre que aparecem palavras negativas é preciso prestar atenção pois elas nos dão informações decisivas a respeito da compreensão e interpretação do texto 14 Interpretação de texto COMPREENSÃO INTERPRETAÇÃO Informação está dentro do texto Informação está além (fora) do texto “o aluno traduz, interpreta a informação com base em conhecimento prévio” A partir da leitura do texto, infira... Conclui-se a partir do texto... Infere-se do texto... É possível subentender-se a partir do texto... Qual a intenção do autor quando afirma que... “o estudante compreende e localiza no texto a resposta correta” Segundo o texto... O autor do texto (não) diz que... Segundo o autor do texto... O texto informa que... No texto encontramos... Elaboração (modificação) de um dado ou informação original. O estudante deve ser capaz de usar uma informação original e ampliá-la, reduzi-la, representá-la de outra forma (oral, escrita, diagramas etc.) ou prever consequências resultantes da informação original. Como que eu sei se a questão é de compreensão ou de interpretação de texto? É preciso prestar atenção ao enunciado. O autor “afirma” quem “conclui” é você. São expressões do enunciado que fazem você ficar atento ao que você precisa encontrar na questão. 15 Interpretação de texto COMPREENSÃO INTERPRETAÇÃO Informação está dentro do texto Informação está além (fora) do texto Exemplo: Ana andava cabisbaixa. Compreensão do texto >>> a resposta está no texto. Exemplo: Ana andava cabisbaixa. Posso dizer que Ana estava triste? Não, visto que isso não está escrito na oração. Interpretação do texto >>> a resposta está além do texto, é mais amplo. Está subtendido! Exemplo: Ana andava cabisbaixa. Posso dizer que Ana estava triste? Sim, pois quem anda cabisbaixo provavelmente está abatido. Vamos a um exemplo para você compreender de uma vez a diferença entre compreender e interpretar um texto. A interpretação depende do seu conhecimento de mundo 16 Interpretação de texto ESTRATÉGIAS DE LEITURA DA QUESTÃO Inicie SEMPRE pelo enunciado; Destaque as PALAVRAS-CHAVE do enunciado; Destaque os TÓPICOS-FRASAIS de cada parágrafo; Trechos que geram dúvidas deixem para mais tarde (não perca tempo com detalhes que podem não interferir na compreensão e na interpretação do texto); Cuidado com as EXTRAPOLAÇÕES. Inicie a prova lendo o enunciado. Às vezes a prova coloca um texto bem grande (várias questões referentes ao texto) que se referem à gramática e nessas você não vai precisar ler o texto. Outras vezes, o enunciado indica as linhas a que se referem a questão. Então, primeiramente LEIA O ENUNCIADO, que vai te preparar para ler o texto. 2. Destaque palavras-chave: verbos, palavras de negação, conjunções, etc. 3. Tópico frasal – ideia principal de cada parágrafo. Oração, frase principal. As ideias principais de cada parágrafo se relacionam um ao outro. 4. Deixe os trechos que vc não compreendeu para mais tarde, àsvezes pelo contexto você compreende. 5. Cuidado para não viajar muito na interpretação. 17 Interpretação de texto ESTRATÉGIAS DE LEITURA DA QUESTÃO Inicie SEMPRE pelo enunciado; Destaque as PALAVRAS-CHAVE do enunciado; Destaque os TÓPICOS-FRASAIS de cada parágrafo; Trechos que geram dúvidas deixem para mais tarde (não perca tempo com detalhes que podem não interferir na compreensão e na interpretação do texto); Cuidado com as EXTRAPOLAÇÕES. Inicie a prova lendo o enunciado. Às vezes a prova coloca um texto bem grande (várias questões referentes ao texto) que se referem à gramática e nessas você não vai precisar ler o texto. Outras vezes, o enunciado indica as linhas a que se referem a questão. Então, primeiramente LEIA O ENUNCIADO, que vai te preparar para ler o texto. 2. Destaque palavras-chave: verbos, palavras de negação, conjunções, etc. 3. Tópico frasal – ideia principal de cada parágrafo. Oração, frase principal. As ideias principais de cada parágrafo se relacionam um ao outro. 4. Deixe os trechos que vc não compreendeu para mais tarde, às vezes pelo contexto você compreende. 5. Cuidado para não viajar muito na interpretação. 18 Interpretação de texto NÍVEIS DE LEITURA DO TEXTO PRIMEIRA LEITURA: INSPECIONAL Objetivo: ser capaz de responder à seguinte pergunta - Qual é o tema do texto (ideia central) 19 Interpretação de texto NÍVEIS DE LEITURA DO TEXTO 2. SEGUNDA LEITURA: AVERIGUATIVA ou ANALÍTICA Objetivo: separar as ideias do texto Para isso você poderá: Sublinhar; Circular; Fazer anotações; Tudo para compreender como o texto está organizado; quais informações são relevantes, destacar as palavras negativas, as conjunções, os tópicos frasais, destacar os dados estatísticos. 20 Interpretação de texto NÍVEIS DE LEITURA DO TEXTO 3. TERCEIRA LEITURA: SINTÓPICA Objetivo: relacionar a ideia principal com as ideias secundárias do texto através de mapa mental e outros fluxogramas - Recurso para usar com aquela questão que você deixou por último, que você teve muita dificuldade de resolver (se tiver tempo). 21 Leia o texto para responder à questão: Um dia, os imigrantes aglomerados na amurada da proa chegavam à fedentina quente de um porto, num silêncio de mato e de febre amarela. Santos. – É aqui! Buenos Aires é aqui! – Tinham trocado o rótulo das bagagens, desciam em fila. Faziam as suas necessidades nos trens de animais onde iam. Jogavam-nos num pavilhão comum em São Paulo. Amontoados com trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois, que pretos guiavam através do mato por estradas esburacadas, chegavam uma tarde às senzalas donde acabava de sair o braço escravo. Formavam militarmente nas madrugadas do terreiro homens e mulheres, ante feitores de espingarda ao ombro. (Oswald de Andrade. Marco Zero II: Chão, 1978.) (Antonio Rocco. Os imigrantes, 1910, Pinacoteca do Estado de São Paulo) Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco, relativos à imigração europeia para o Brasil, é correto afirmar que: 22 Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco, relativos à imigração europeia para o Brasil, é correto afirmar que: A visão da imigração presente na pintura é trágica e , no texto, otimista. A pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil. Os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil. Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do imigrante. Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-escravos. Habilidades: observação, análise, comparação, relação, inferência, contextualização e interpretação Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco relativos à imigração europeia para o Brasil, é correto afirmar que: A visão da imigração presente na pintura é trágica e , no texto, otimista. A pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil. Os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil. Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do imigrante. Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-escravos. Habilidades: observação, análise, comparação, relação, inferência, contextualização e interpretação RESPOSTA: O texto de Oswald de Andrade destaca a precariedade do transporte de imigrantes europeus às fazendas de São Paulo, desde a chegada ao porto, o deslocamento de trem e o destino “às senzalas donde acabava de sair o braço escravo” A pintura e o texto verbal retratam os imigrantes numa perspectiva semelhante, provocando um efeito de sentido negativo sobre a chegada deles ao Brasil. Na pintura, são representados com a expressão carregada, cabisbaixos, exauridos pelo cansaço e pelos receios em relação à nova vida. A tela de Antonio Rocco parece traduzir visualmente as palavras de Oswald de Andrade: “os imigrantes aglomerados (...) chegavam à fedentina quente de um porto (...) amontoados com trouxas”. Questão 2 Leia o texto para responder à questão: Alguns pesquisadores falam sobre a necessidade de um “letramento racial”, para “reeducar o indivíduo em uma perspectiva antirracista”, baseado em fundamento como o reconhecimento de privilégios, do racismo como um problema social atual, não apenas legado histórico, e a capacidade de interpretar as práticas racializadas. Ouvir é sempre a primeira orientação dada por qualquer especialista ou ativista: uma escuta atenta, sincera e empática. Luciana Alves, educadora da Unifesp, afirma que “Uma das principais coisas é atenção à linguagem. A gente tem uma linguagem sexista, racista, homofóbica, que passa pelas piadas e pelo uso de termos que a gente já naturalizou. ‘A coisa tá preta’, ‘denegrir’, ‘serviço de preto’ ... Só o fato de você prestar atenção na linguagem já anuncia uma postura de reconstrução. Se o outro diz que tem uma carga negativa e ofensiva, acredite”. (Adaptado de Gente branca: o que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas. UOL, 21/05/2018). 26 Segundo Luciana Alves, para combater o racismo e mudar de postura em relação a ele, é fundamental Ouvir com atenção os discursos e orientações de especialistas e ativistas. Reconhecer expressões racistas existentes em práticas naturalizadas. Passar por um “letramento racial” que dispense o legado histórico. Prestar atenção às práticas históricas e às orientações da educadora.. Deixar de contar piadas racistas e homofóbicas. Questão 2 Segundo a autora Luciana Alves, é necessário que a sociedade fique atenta “a linguagem sexita, racista, homofóbica”, que se naturalizou entre os falantes brasileiros, para que se inicie uma mudança de atitude em relação a esses grupos. Resposta B. 27 Segundo Luciana Alves, para combater o racismo e mudar de postura em relação a ele, é fundamental Ouvir com atenção os discursos e orientações de especialistas e ativistas. Reconhecer expressões racistas existentes em práticas naturalizadas. Passar por um “letramento racial” que dispense o legado histórico. Prestar atenção às práticas históricas e às orientações da educadora. Deixar de contar piadas racistas e homofóbicas. Exercício de compreensão = a resposta está NO texto. Segundo a autora Luciana Alves, é necessário que a sociedade fique atenta “a linguagem sexita, racista, homofóbica”, que se naturalizou entre os falantes brasileiros, para que se inicie uma mudança de atitude em relação a esses grupos. Resposta B. 28 Alguns pesquisadores falam sobre a necessidade de um “letramento racial”, para “reeducar o indivíduo em uma perspectiva antirracista”, baseado em fundamento como o reconhecimento de privilégios, do racismo como um problema social atual, não apenas legado histórico, e a capacidade de interpretar as práticas racializadas. Ouvir é sempre a primeira orientaçãodada por qualquer especialista ou ativista: uma escuta atenta, sincera e empática. Luciana Alves, educadora da Unifesp, afirma que “Uma das principais coisas é atenção à linguagem. A gente tem uma linguagem sexista, racista, homofóbica, que passa pelas piadas e pelo uso de termos que a gente já naturalizou. ‘A coisa tá preta’, ‘denegrir’, ‘serviço de preto’ ... Só o fato de você prestar atenção na linguagem já anuncia uma postura de reconstrução. Se o outro diz que tem uma carga negativa e ofensiva, acredite”. (Adaptado de Gente branca: o que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas. UOL, 21/05/2018). Questão 2 29 Segundo Luciana Alves, para combater o racismo e mudar de postura em relação a ele, é fundamental Ouvir com atenção os discursos e orientações de especialistas e ativistas. Reconhecer expressões racistas existentes em práticas naturalizadas. Passar por um “letramento racial” que dispense o legado histórico. Prestar atenção às práticas históricas e às orientações da educadora. Deixar de contar piadas racistas e homofóbicas. Exercício de compreensão = a resposta está NO texto. SuperAção – Enem – Questão 2 Segundo Luciana Alves, é necessário que a sociedade fique atenta “a linguagem sexita, racista, homofóbica”, que se naturalizou entre os falantes brasileiros, para que se inicie uma mudança de atitude em relação a esses grupos. Resposta B. 30 Segundo Luciana Alves, para combater o racismo e mudar de postura em relação a ele, é fundamental Ouvir com atenção os discursos e orientações de especialistas e ativistas. Reconhecer expressões racistas existentes em práticas naturalizadas. Passar por um “letramento racial” que dispense o legado histórico. Prestar atenção às práticas históricas e às orientações da educadora. Deixar de contar piadas racistas e homofóbicas. Exercício de compreensão = a resposta está NO texto. SuperAção – Enem – Questão 2 Segundo a autora Luciana Alves, é necessário que a sociedade fique atenta “a linguagem sexita, racista, homofóbica”, que se naturalizou entre os falantes brasileiros, para que se inicie uma mudança de atitude em relação a esses grupos. Resposta B. 31 Para driblar a censura imposta pela ditadura militar, compositores de música popular brasileira (MPB) valiam-se do que Gilberto Vasconcelos chamou de “linguagem de fresta”, expressão inspirada na canção “Festa imodesta”, de Caetano Veloso. [...] Uma festa imodesta como esta Vamos homenagear Todo aquele que nos empresta sua festa Construindo coisas pra se cantar Tudo aquilo que o malandro pronuncia E o otário silencia Toda festa que se dá ou não se dá Passa pela fresta da cesta e resta a vida Acima do coração Que sofre com razão A razão que volta do coração E acima da razão a rima E acima da rima a nota da canção Bemol natural sustenida no ar Viva aquele que se presta a esta ocupação Salve o compositor popular. Questão 3 As canções, como nas cantigas trovadorescas, valorizaram as letras musicais e as usavam para narrar histórias e para denunciar as irregularidades sócio-políticas e econômicas, denominando este ato como fazer literatura. Os fatos contados nas canções que protestavam contrário ao regime estavam atrelados aos acontecimentos do período e as repressões sofridas pelos movimentos liderados pela esquerda. Esta “transfiguração do real”, descrita por Coutinho, é facilmente visualizada nas canções de protesto, na qual os autores utilizavam deste meio artístico para representar a realidade vivida por eles. Através do gênero textual e oral, canção, os autores deram vida a muitas histórias, que seriam esquecidas, e a partir de tal manifestação literária iniciaram um processo trabalhoso e difícil que foi a luta contra o regime militar. Os movimentos musicais são de suma importância e, no Brasil, estão sempre vinculados à realidade de uma classe e, principalmente, apresentam traços de determinado período sócio-histórico. Diversos movimentos musicais, coincidentemente, podem ser analisados como produções literárias e organizados com certa semelhança às escolas literárias, por apresentar características das mesmas ou, em poucos casos, adquirir “personalidade” própria como as canções de protesto. Outra semelhança está diretamente relacionada à origem de tais movimentos que pode ser paralelo a outro e/ou opondo-se ao anterior. Na década de 1960, quatro grandes tendências musicais surgiram e tiveram sua importância. O primeiro estilo era oriundo da Bossa Nova e mantinha relação com o Samba e o Jazz, esta teve como principal representante Chico Buarque. O segundo estilo foi denominado de “Canções de Protesto”, este movimento teve influência da música pop estrangeira e visava defender a cultura nacional brasileira posicionando-se contrário ao imperialismo cultural e acreditava na música como veículo crítico-político e social, neste estilo foi enquadrado Geraldo Vandré. O terceiro ficou conhecido como Jovem Guarda ou „iê-iê-iê‟, sofreu influência do Rock inglês e norteamericano. Seus principais representantes foram Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. Por fim, o quarto estilo foi formado pelos Tropicalistas, os artistas se dedicaram a promover experimentações e inovações estéticas na música, seus principais representantes foram Caetano Veloso e Gilberto Gil. CARACTERÍSTICAS Com a ditadura militar, que surgiu na segunda metade da década de 60, as artes assumiram o papel de defender a liberdade de pensamento e expressão. Todavia, a manifestação de maior destaque, neste período, foi à música. Carocha (2006, p. 194) assinala os meios utilizados pelos cantores e compositores para burlar a repressão que repercutia nas canções vetando-as ou estraçalhando as mesmas Alguns deles desenvolveram mecanismos muitos específicos tentando sempre driblar a censura. O uso de figuras de linguagem, metáforas, invenções de palavras, inserção de barulhos como buzinas, batidas de carros, dentre outros, ou a supressão total da melodia no momento em que deveria aparecer a frase ou palavra censurada eram largamente utilizados por aqueles que estavam preocupados em transmitir sua mensagem para o público, mesmo de forma sutil. Em Vasconcelos (apud CAROCHA, 194), o autor exprime a finalidade e como deveriam ser trabalhados tais recursos O importante é saber como pronunciar; daí a necessidade do olho na fresta da MPB. Contudo, não basta somente retina. Além de depositar certa confiança na argúcia do ouvido musical, a metáfora da fresta contém uma aporia: restam ainda os percalços objetivos da decodificação. A referida “linguagem da fresta” é definida por Carocha como sendo as informações presentes nas estrelinhas das canções. A autora descreve um grupo de artistas preocupados em camuflarem seu protesto sem para tanto utilizar da “linguagem da fresta” A característica “linguagem da fresta” pode ser notada nas canções tropicalistas, pois foi criada por Caetano neste mesmo período. 32 É correto afirmar que, na canção, essa “linguagem da fresta” transparece Na contradição entre “festa” e “fresta”, que funciona como crítica ao malandro. Na repetição de palavras com pronúncia semelhante para louvar a MPB. Na referência à “fresta” como forma de o compositor se pronunciar. Na incoerência da rima entre “festa” e “imodesta” para prestigiar o compositor. Questão 3 33 Para driblar a censura imposta pela ditadura militar, compositores de música popular brasileira (MPB) valiam-se do que Gilberto Vasconcelos chamou de “linguagem de fresta”, expressão inspirada na canção “Festa imodesta”, de Caetano Veloso. [...] Uma festa imodesta como esta Vamos homenagear Todo aquele que nos empresta sua festa Construindo coisas pra se cantar Tudo aquilo que o malandro pronuncia E o otário silencia Toda festa que se dá ou não se dá Passa pela fresta da cesta e resta a vida Acima do coração Que sofre com razão A razão que volta do coração E acima da razão a rima E acima da rima a nota da canção Bemol natural sustenida no ar Viva aquele que se presta a esta ocupaçãoSalve o compositor popular. Questão 3 As canções, como nas cantigas trovadorescas, valorizaram as letras musicais e as usavam para narrar histórias e para denunciar as irregularidades sócio-políticas e econômicas, denominando este ato como fazer literatura. Os fatos contados nas canções que protestavam contrário ao regime estavam atrelados aos acontecimentos do período e as repressões sofridas pelos movimentos liderados pela esquerda. Esta “transfiguração do real”, descrita por Coutinho, é facilmente visualizada nas canções de protesto, na qual os autores utilizavam deste meio artístico para representar a realidade vivida por eles. Através do gênero textual e oral, canção, os autores deram vida a muitas histórias, que seriam esquecidas, e a partir de tal manifestação literária iniciaram um processo trabalhoso e difícil que foi a luta contra o regime militar. Os movimentos musicais são de suma importância e, no Brasil, estão sempre vinculados à realidade de uma classe e, principalmente, apresentam traços de determinado período sócio-histórico. Diversos movimentos musicais, coincidentemente, podem ser analisados como produções literárias e organizados com certa semelhança às escolas literárias, por apresentar características das mesmas ou, em poucos casos, adquirir “personalidade” própria como as canções de protesto. Outra semelhança está diretamente relacionada à origem de tais movimentos que pode ser paralelo a outro e/ou opondo-se ao anterior. Na década de 1960, quatro grandes tendências musicais surgiram e tiveram sua importância. O primeiro estilo era oriundo da Bossa Nova e mantinha relação com o Samba e o Jazz, esta teve como principal representante Chico Buarque. O segundo estilo foi denominado de “Canções de Protesto”, este movimento teve influência da música pop estrangeira e visava defender a cultura nacional brasileira posicionando-se contrário ao imperialismo cultural e acreditava na música como veículo crítico-político e social, neste estilo foi enquadrado Geraldo Vandré. O terceiro ficou conhecido como Jovem Guarda ou „iê-iê-iê‟, sofreu influência do Rock inglês e norteamericano. Seus principais representantes foram Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. Por fim, o quarto estilo foi formado pelos Tropicalistas, os artistas se dedicaram a promover experimentações e inovações estéticas na música, seus principais representantes foram Caetano Veloso e Gilberto Gil. CARACTERÍSTICAS Com a ditadura militar, que surgiu na segunda metade da década de 60, as artes assumiram o papel de defender a liberdade de pensamento e expressão. Todavia, a manifestação de maior destaque, neste período, foi à música. Carocha (2006, p. 194) assinala os meios utilizados pelos cantores e compositores para burlar a repressão que repercutia nas canções vetando-as ou estraçalhando as mesmas Alguns deles desenvolveram mecanismos muitos específicos tentando sempre driblar a censura. O uso de figuras de linguagem, metáforas, invenções de palavras, inserção de barulhos como buzinas, batidas de carros, dentre outros, ou a supressão total da melodia no momento em que deveria aparecer a frase ou palavra censurada eram largamente utilizados por aqueles que estavam preocupados em transmitir sua mensagem para o público, mesmo de forma sutil. Em Vasconcelos (apud CAROCHA, 194), o autor exprime a finalidade e como deveriam ser trabalhados tais recursos O importante é saber como pronunciar; daí a necessidade do olho na fresta da MPB. Contudo, não basta somente retina. Além de depositar certa confiança na argúcia do ouvido musical, a metáfora da fresta contém uma aporia: restam ainda os percalços objetivos da decodificação. A referida “linguagem da fresta” é definida por Carocha como sendo as informações presentes nas estrelinhas das canções. A autora descreve um grupo de artistas preocupados em camuflarem seu protesto sem para tanto utilizar da “linguagem da fresta” A característica “linguagem da fresta” pode ser notada nas canções tropicalistas, pois foi criada por Caetano neste mesmo período. 34 É correto afirmar que, na canção, essa “linguagem da fresta” transparece Na contradição entre “festa” e “fresta”, que funciona como crítica ao malandro. Na repetição de palavras com pronúncia semelhante para louvar a MPB. Na referência à “fresta” como forma de o compositor se pronunciar. Na incoerência da rima entre “festa” e “imodesta” para prestigiar o compositor. Questão 3 A palavra “fresta” (abertura estreita) é uma metáfora, utilizada pelo autor como estratégia para transmitir sua mensagem cifrada, em um período histórico marcado pela censura. 35 É correto afirmar que, na canção, essa “linguagem da fresta” transparece Na contradição entre “festa” e “fresta”, que funciona como crítica ao malandro. Na repetição de palavras com pronúncia semelhante para louvar a MPB. Na referência à “fresta” como forma de o compositor se pronunciar. Na incoerência da rima entre “festa” e “imodesta” para prestigiar o compositor. Questão 3 A palavra “fresta” (abertura estreita) é uma metáfora, utilizada pelo autor como estratégia para transmitir sua mensagem cifrada, em um período histórico marcado pela censura. 36 Interpretação de texto Referências consultadas: https://www.youtube.com/watch?v=W3XrpIRTgzA file:///C:/Users/temp/Downloads/524-2477-1-PB.pdf - Canções de protesto image1.jpeg image2.jpg image3.png image4.jpeg image5.png