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Processo de Execucao - Parte 1

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Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
1 
 
PROCESSO DE EXECUÇÃO 
 
1. NOÇÃO INTRODUTÓRIA 
 
Conceitos 
- Cândido Rangel Dinamarco “conjunto de atos estatais através de que, com ou sem o 
concurso da vontade do devedor (e até contra ela), invade-se seu patrimônio para, à 
custa dele, realizar-se o resultado prático desejado concretamente pelo direito 
objetivo material”. 
- José Miguel Garcia Medina “A tutela jurisdicional executiva consiste na prática de 
atos jurisdicionais tendentes à realização material do direito atual ou potencialmente 
violado. Deste conceito depreende-se que a tutela jurisdicional executiva: (a) realiza-
se não só com o intuito de ver restaurado um direito violado, como também para 
impedir a ocorrência de tal violação; (b) abrange não apenas o resultado da execução 
forçada (= realização material do direito do demandante), mas também os meios 
tendentes à sua obtenção.” 
 
O processo de execução é resultado de uma longa evolução cuja ideia mestra foi a da 
humanização da execução, que de pessoal evoluiu para patrimonial. 
Por outro lado, procuram os legisladores atender, o quanto possível, a mais perfeita 
satisfação do crédito, a fim de que o resultado objetivo do processo seja o mais próximo 
possível do cumprimento voluntário da obrigação. 
 
O processo de execução corresponde ao Livro II do Código: 
 
✓ Tem ele uma parte geral, aplicável, em tese, a qualquer espécie de execução e, em 
seguida, o tratamento específico das diversas espécies de execução segundo a 
natureza da obrigação que deve ser satisfeita. 
✓ Título I - Da execução em geral (CPC, art. 771 a 796); 
✓ Título II - Das diversas espécies de execução (CPC, art. 797 a 913); 
✓ Título III - Dos embargos à execução (CPC, art. 914 a 920); 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
2 
 
✓ Título IV - Da suspensão e da extinção do processo de execução (CPC, art. 921 a 
925). 
 
 O livro II da Parte Especial do CPC regula o procedimento da execução fundada em 
título extrajudicial, e suas disposições aplicam-se, também, no que couber, aos 
procedimentos especiais de execução, aos atos executivos realizados no procedimento 
de cumprimento de sentença, bem como aos efeitos de atos ou fatos processuais a que a 
lei atribuir força executiva, conforme disposto no CPC, Art. 771, destacando-se que 
aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições do Livro I da Parte Especial. 
Cumpre destacar que "a atividade jurisdicional nele exercida é exclusivamente 
voltada à satisfação de um direito substancial enunciado em um específico 
documento designado pela lei de título executivo extrajudicial" 
 
Tal fase executiva, posterior à sentença, chama-se cumprimento de sentença. O CPC 
disciplina o cumprimento de sentença nos art. 513 a 538, e o processo de execução nos 
art. 771 a 925. Apenas a execução de títulos executivos extrajudiciais exige processo novo 
e autônomo. As normas gerais do processo de conhecimento aplicam-se 
subsidiariamente naquilo em que não forem incompatíveis com o processo de execução. 
(art. 318, parágrafo único). 
 
• O juiz exerce, de maneira normal, os seus poderes de impulso oficial, direção do 
processo e dever de velar pela igualdade das partes. O contraditório desenvolve-
se de maneira peculiar, compatível com a necessidade de se satisfazer o crédito 
constante do título, de modo que não tem ele as mesmas faculdades próprias do 
processo de conhecimento em que ainda não se definiu quem tem razão. Todavia 
estará ele presente, podendo utilizar-se dos meios de defesa previstos na lei, 
adequados e compatíveis com a natureza e finalidade do processo executivo, qual 
seja a da satisfação do crédito. 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
3 
 
ESPÉCIE DE EXECUÇÃO 
 
Uma vez a sentença prolatada, com uma definição jurídica sobre a questão – ainda 
que somente de extinção, há a possibilidade de se pleitear o cumprimento desta, com a 
finalidade de que o que foi proferido pelo juízo. Com o trânsito em julgado daquela 
decisão, esta se torna um título judicial executivo, com força para possibilitar a busca 
pela efetividade daquele direito decidido na sentença (ou qualquer decisão de mesmo 
valor). 
Esta fase inicia-se, em regra, mediante a iniciativa da parte vencedora, que agora 
passar a denominar-se de exequente, com a necessidade de impulso sobre o feito para 
que inicie-se a fase de cumprimento, seja de sentença ou de uma decisão. 
 
➔ Cumprimento de sentença: É o ato de executar uma determinação judicial 
exteriorizada em sentença. O cumprimento de sentença é a fase em que aquilo que 
foi estabelecido pelo juízo seja realizado no mundo real. 
 
Para Cássio Escarpinella Bueno (2008, p. 164), as expressões “execução” e 
“cumprimento de sentença” são sinônimas. Ambas estão a descrever o 
desencadeamento da atividade jurisdicional com vistas à satisfação do credor 
naqueles casos em que, a despeito do título executivo, o devedor não cumpre a 
obrigação nele retratada. 
 
O Cumprimento de sentença corresponde ao Livro I do Código: 
 
✓ Título II – Capítulo I - parte geral, aplicável, em tese, a qualquer cumprimento de 
sentença, em seguida, o tratamento específico das diversas espécies de 
cumprimento de sentença segundo a natureza da obrigação que deve ser satisfeita 
(CPC, art. 513 a 519); 
✓ Capítulo II - Do cumprimento provisório da sentença que reconhece a exigibilidade 
de obrigação de pagar quantia certa (CPC, art. 520 a 522); 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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✓ Capítulo III - Do cumprimento definitivo da sentença que reconhece a exigibilidade 
de obrigação de pagar quantia certa (CPC, art. 523 a 527); 
✓ Capítulo IV - Do cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de 
obrigação de prestar alimentos (CPC, art. 528 a 533); 
✓ Capítulo V - Do cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de 
obrigação de pagar quantia certa pela fazenda pública (CPC, art. 534 a 535); 
✓ Capítulo VI - Do cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de 
obrigação de fazer, de não fazer ou de entregar coisa (CPC, art. 536 a 538). 
 
3. TÍTULO EXECUTIVO 
 
No direito processual civil existem duas espécies de títulos executivos: judiciais (CPC, art. 
515), e extrajudiciais (CPC, art. 784): 
 
O título executivo judicial é formado pelo juiz, por meio de atuação jurisdicional, 
enquanto o título executivo extrajudicial é formado por ato de vontade das partes 
envolvidas na relação jurídica de direito material, sem nenhuma intervenção jurisdicional. 
 
➔ Provisória e definitiva: Execução provisória (cumprimento de sentença provisório) é 
a execução fundada em título executivo judicial provisório, ou seja, a decisão 
judicial que pode ser modificada ou anulada em razão da pendência de um recurso 
interposto contra ela, ou seja, é a execução baseada em sentença não transitada 
em julgado, cujo recurso foi recebido apenas no efeito devolutivo. 
Proferida uma decisão judicial executável e não havendo a interposição de recurso, 
verifica-se o seu trânsito em julgado, passando a partir desse momento a ser 
cabível a execução definitiva. 
 
➔ Os procedimentos são diferentes, embora aplique-se subsidiariamente ao 
cumprimento da sentença, no que couber, as normas que regem o processo de 
execução de título extrajudicial (CPC, Art. 771 e Art. 513). 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
5 
 
➔ Porém os princípios, competência e legitimidade aplicáveis à Execução 
extrajudicial também são admissíveis ao cumprimento de sentença provisório e 
definitivo. 
 
Natureza Jurídica - possui natureza jurisdicional eis que, como sabido, a jurisdição é a 
função estatal onde o Estado substituindo a vontade das partes faz atuar a vontadea espécie de execução – quantia certa, 
fazer, não fazer, entrega de coisa – e determinar sobre qual bem se farão incidir 
os atos executivos. 
➢ LIQUIDEZ: Consiste na prévia determinação e individualização do valor ou do objeto, 
ou seja, o “quanto se deve” ou “o que se deve”. Não é necessário que o título 
indique com precisão o quantum debeatur, mas que contenha elementos que 
possibilitem tal fixação. A necessidade de elaboração de meros cálculos 
aritméticos não tira a liquidez do título, na expressa previsão do art. 786, parágrafo 
único, CPC/2015. 
➢ EXIGIBILIDADE: Se está ou não vencido o crédito, se há ou não condições, inexistência 
de impedimento à eficácia atual da obrigação, que resulta do seu inadimplemento 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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e da ausência de termo, condição ou contraprestação. É a necessidade do 
interesse de agir. (arts 514, 798, I, CPC/2015) 
 
3. INADIMPLEMENTO DO DEVEDOR 
 
Para se realizar qualquer execução é preciso se verificar o inadimplemento do 
devedor (art. 786). 
Considera-se inadimplente, o devedor que não satisfaz espontaneamente o 
direito reconhecido pela sentença ou a obrigação a que a lei atribuir a eficácia de 
título executivo. 
No aspecto temporal, o inadimplemento se dá a partir do vencimento do título ou 
do momento de sua exigibilidade, daí se produzindo os efeitos decorrentes dessa 
situação, como, por exemplo, os juros. 
 
São títulos executivos judiciais (Art. 515, CPC/2015): 
 
✓ As decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de 
obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa (Art. 
515, I do CPC/2015): Trata-se da sentença ou acórdão, ou mesmo decisão em 
sede de tutela provisória, que reconheça a exigibilidade da obrigação de dar (pagar 
ou entregar coisa) fazer e não fazer. Além disso, a natureza condenatória de uma 
sentença não se restringe àquelas proferidas em ações de conhecimento de cunho 
condenatório, a exemplo da sentença declaratória em que a parte derrotada deve 
pagar custas e honorários advocatícios, o mesmo ocorrendo em ações em que se 
cumulam pedidos de naturezas diversas, a exemplo da rescisão de contrato 
(constitutiva negativa) cumulada com condenação em perdas e danos 
(condenatória). 
 
✓ A decisão homologatória de autocomposição judicial (Art. 515, II do CPC/2015): 
O Novo CPC estimula a autocomposição em vários de seus dispositivos, ou seja, a 
solução proposta pelos próprios litigantes durante o processo (autocomposição 
endoprocessual). A sentença que homologa acordo entre os litigantes é de mérito, 
prevista no CPC/2015, art. 487, III, podendo ser objeto de cumprimento de 
sentença caso não seja executada espontaneamente pelas partes. Um exemplo de 
autocomposição endoprocessual é a transação: a forma de extinção das 
obrigações por meio de concessões mútuas, correspondendo ao acordo celebrado 
entre as partes antes em conflito com sacrifícios recíprocos. As partes podem 
transacionar sobre assuntos que não fazem parte do objeto da ação, e ainda assim 
a sentença será válida e terá eficácia executiva. 
 
✓ A decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer 
natureza (Art. 515, III do CPC/2015): Esse título executivo judicial só pode ser 
formado por acordo de vontade entre as partes que concordam com a formação do 
título executivo judicial. As partes devem levar a juízo o referido acordo, 
processado por procedimento de jurisdição voluntária, pois neste caso as partes 
pretendem a obtenção de um mesmo bem da vida que é o título executivo judicial. 
 
 
 
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✓ O formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, 
aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal (Art. 515, IV do 
CPC/2015): Formal de partilha é um pronunciamento judicial que encerra o 
processo de arrolamento ou inventário e contém a adjudicação do quinhão 
sucessório aos herdeiros. Certidão de partilha substituirá o formal nos pequenos 
inventários ou arrolamentos. Cabe destacar que "o formal e a certidão podem ser 
entendidos como expressões sinônimas. Nos termos do parágrafo único do art. 
655 o formal de partilha pode ser substituído por certidão, quando o quinhão 
hereditário a ser pago não exceder a cinco vezes o salário mínimo. 
 
✓ O crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários 
tiverem sido aprovados por decisão judicial (Art. 515, V do CPC/2015): Na 
prática forense os honorários de auxiliares do Juízo (perito, intérprete, tradutor) 
geralmente são depositados antes do trabalho, não sendo este realizado sem o 
devido depósito prévio do valor determinado por ordem judicial. Mas na hipótese 
deles serem arbitrados por decisão judicial, tal decisão comportará pedido de 
cumprimento de sentença, caso não haja adimplemento voluntário. 
 
✓ A sentença penal condenatória transitada em julgado (Art. 515, VI do 
CPC/2015): A sentença penal condenatória transitada em julgado possui como 
efeito secundário a criação de um título executivo na jurisdição civil, mesmo que 
nenhum a referência a isso tenha sido feita na jurisdição penal. Tal sentença exige 
liquidação, pois o quantum debeatur (“ quanto se deve ” ou “ oque se deve ”) não 
é debatido ou fixado na seara penal. Sabe-se que o CPP sofreu alteração pela Lei 
11.719/2008 ao tratar de um “ valor mínimo ” a ser fixado pelo juiz criminal para a 
satisfação do ofendido, nos art. 63 e 387, IV do CPP, existindo doutrina que admite 
não ser obrigatório, uma vez que “o juízo penal está preocupado com questões 
diversas daquelas referentes à responsabilidade civil, não sendo legítimo nem 
benéfico que passe a partir de agora a se preocupar com tais questões. Significa 
dizer que para a fixação do valor mínimo dos prejuízos do ofendido o juiz penal não 
deve se desviar da condução tradicional do processo penal, voltada à análise dos 
elementos necessários para a condenação ou absolvição do acusado. Se 
porventura nessa análise tiver condições de fixar o valor mínimo, assim o fará, mas 
não reunindo tais condições, parece ser aconselhável o entendimento de que não 
haverá qualquer vício procedimental em sua omissão” . Além disso a sentença 
proferida no juízo penal atinge apenas a pessoa do condenado na esfera criminal, 
não podendo a execução recair sobre patrões, pais, etc, e caso a vítima pretenda 
acionar-lhes na esfera cível, será obrigado a promover ação de conhecimento 
buscando sentença condenatória. O título executivo é formado exclusivamente 
contra o condenado na esfera penal. Em caso de revisão criminal que declare a 
absolvição daquele que fora anteriormente condenado na sentença penal 
transitada em julgado, se a execução não se inicia haverá perda do título executivo 
e a execução não poderá ser proposta, e se a execução já foi iniciada deverá ser 
extinta por perda superveniente do título executivo, e se a execução já foi proposta 
e o dinheiro recebido cogita-se no caso concreto de ação de repetição de indébito. 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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✓ A sentença arbitral (Art. 515, VII do CPC/2015): Sentença arbitral é o provimento 
final do árbitro que resolve um conflito de interesses sobre direitos patrimoniais 
disponíveis na jurisdição privada, entre particulares que optaram pela solução 
extrajudicial do conflito em que se viram envolvidos. ] 
 
✓ A sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (Art. 515, 
VIII do CPC/2015): A sentença estrangeira judicial ou arbitral deve 
obrigatoriamente ser homologada pelo STJ – Superior Tribunal de Justiça, para que 
possa produzir efeitos em território nacional, por exigência da CF, art. 105, I, “i” . 
Tal sentença possui caráter constitutivo, e torna a sentença estrangeira apta a ser 
executada no Brasil (nacionalização da sentença). Cabe mencionarque "o Brasil 
adotou o sistema de controle limitado (ou juízo de delibação) no procedimento de 
homologação das sentenças estrangeiras, que independe de reciprocidade e tem 
como principal parâmetro de análise os requisitos formais da sentença, não 
havendo discussão acerca do direito material subjacente". 
 
✓ A decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta 
rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça (Art. 515, IX do CPC/2015): A decisão 
interlocutória estrangeira, que seja veiculada por Carta Rogatória, é exequível em 
território nacional, sendo que para tanto é necessário o exequatur do Superior 
Tribunal de Justiça, que analisa meramente aspectos formais da Carta (juízo de 
delibação). Salienta-se que "o exequatur nada mais é que uma autorização e, o 
mesmo tempo, uma ordem de cumprimento do pedido rogatório no Brasil. Com 
esse expediente, o Superior Tribunal de Justiça encaminha à Justiça Federal, que 
terá a incumbência de efetivá-lo. Este procedimento, tal como o da homologação 
da sentença estrangeira, está contido nos art. 960 a 965 e, bem assim, no RISTJ art. 
216-A a 216-X. 
 
 
Títulos executivos extrajudiciais (Art. 784, CPC/2015): 
 
O CPC/2015 dá aos títulos executivos extrajudiciais a mesma eficácia executiva 
dos títulos judiciais, sendo que todos eles são aptos para instruir a execução, relevando-
se o fato de que o procedimento para cumprimento de sentença (para títulos executivos 
judiciais) é diferente do processo autônomo de execução (para títulos executivos 
extrajudiciais). 
 
✓ A letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque (art. 
784, I): Trata-se dos títulos cambiários, cambiais ou cambiariformes, regulados 
inteiramente pelas normas de direito empresarial. Tais títulos não necessitam de 
protesto para que sejam considerados títulos executivos extrajudiciais. “Somente 
em situações específicas, quando o documento não puder ser considerado um 
título executivo em razão da ausência de algum requisito formal, a lei pode exigir o 
seu protesto, como é o caso da duplicata sem aceite”. Os títulos de crédito 
possuem como elementos essenciais a cartularidade (o exercício do direito fica 
condicionado à apresentação da cártula ou título), literalidade (o documento vale 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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pelo que nele se contém; o que não consta do corpo do título de crédito não pode 
ser exigido) e autonomia (as disposições contidas na cártula ou título não se 
vinculam à causa que as originou). Em obediência ao princípio da circulabilidade 
dos títulos de crédito, para o ajuizamento da ação de execução exige-se que a 
petição inicial seja instruída com o título original, não sendo permitidas fotocópias 
mesmo que autenticadas. Em situações que o título esteja instruindo outro 
processo (como ação penal de estelionato), e sendo impossível o seu 
desentranhamento, bastará a juntada de fotocópia e “certidão de objeto e pé ” do 
processo em pé em que se encontra o título. Também se o título instruir ação 
cautelar de arresto, admite-se a fotocópia, o que não gera prejuízo em virtude dos 
processos correrem em apenso. 
 
✓ A escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor (art. 
784, II): Trata-se de confissão de dívida realizada por escritura pública, que é um 
documento público produzido e assinado por Tabelião de notas. Não é necessário 
que venha assinado por duas testemunhas. Para que seja caracterizado como 
título executivo é preciso que a escritura contenha a obrigação imposta àquele que 
assina, consistente em pagar quantia, entregar coisa, fazer ou não fazer. 
 
✓ O documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas (art. 
784, III): É o contrato assinado pelas partes e mais duas testemunhas. As 
testemunhas que assinam o instrumento devem estar preparadas para confirmar 
que o devedor assumiu a responsabilidade de forma livre e espontânea. O STJ 
entende pela dispensa da presença das testemunhas no momento da formação do 
título, sendo que elas devem ser pessoas capazes, isentas, idôneas e identificadas 
no título, sendo dispensada a autenticação em cartório de suas assinaturas. 
 
✓ O instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela 
Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores 
ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal (art. 784, IV): 
Corresponde à transação extrajudicial referendada pelo Ministério Público (como o 
TAC = Termo de ajustamento de conduta), Defensoria Pública ou pelo (s) advogado 
(s) das partes (públicos ou privados), ou mesmo do conciliador ou mediador 
credenciado pelo respectivo Tribunal (estímulo à autocomposição). Mesmo na 
hipótese de apenas um advogado, por exemplo, representar ambas as partes, o 
título é exequível. 
 
✓ O contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de 
garantia e aquele garantido por caução (art. 784, V): São contratos de garantia, 
confundindo o legislador o gênero “caução” com algumas das suas espécies. 
Caução real são a hipoteca, penhor e anticrese. Caução fidejussória é afiança. 
Qualquer espécie de fiança (judicial, legal ou convencional) permite o ingresso do 
processo executivo. “Esses contratos de garantia podem ser celebrados por 
terceiros, não devedores, que a partir de então passam a ter responsabilidade 
patrimonial –sempre no limite da garantia – perante o credor. Há, portanto, 
responsabilidade de quem não é o obrigado, no plano do direito material, a 
satisfazer a obrigação. O exequente, nesse caso, pode mover a ação de execução 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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exclusivamente contra o devedor, contra o garante, ou contra ambos 
(litisconsórcio facultativo)”. 
 
✓ O contrato de seguro de vida em caso de morte (art. 784, VI): Trata-se apenas 
do seguro de vida, e não o seguro de acidentes pessoais. É indispensável que a 
petição inicial seja instruída não só com o contrato de seguro (registra-se 
tendência ampliativa para admitir também recibo emitido pela seguradora) mas 
também coma prova pré-constituída do evento coberto pelo respectivo seguro que 
é a certidão de óbito. 
 
✓ O crédito decorrente de foro e laudêmio (art. 784, VII): Foro e laudêmio são 
rendas imobiliárias decorrentes da enfiteuse, instituto que não é mais disciplinado 
pelo Código Civil. Foro é a pensão anual certa e invariável que o enfiteuta para ao 
senhoria direto pelo direito de usar, gozar e dispor do imóvel objeto da enfitense. 
No foro o senhorio é o sujeito ativo da execução e o passivo é o enfiteuta ou foreiro. 
Laudêmio é a compensação que é devida ao senhoria direto pelo não uso do direito 
de preferência quando o enfiteuta aliena onerosamente o imóvel foreiro. No 
laudêmio o senhorio é o sujeito ativo da execução e o passivo é o ex-enfiteuta que 
cedeu o seu direito a terceiro. Trata-se de instituto de rara aplicação prática e de 
vida limitada, pois o art. 2038 do Código Civil proibiu a constituição de enfiteuses e 
de subenfiteuses, restando somente as já existentes à época da entrada em vigor 
do referido Código (Lei 10.406/2002). 
 
✓ O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, 
bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio 
(art. 784, VIII): Contrato escrito de locação comercial ou residencial é título 
executivo extrajudicial, não sendo necessário que venha subscrito por duas 
testemunhas. Não é mais exigido o contrato escrito, bastando prova documental 
que ateste a locação e encargos. A menção a taxas e despesas de condomínio 
como encargos da locação é meramente exemplificativa, admitindo-se a execução 
de outras espécies de encargos da locação, como as despesas de telefone e de 
consumo de força, luz, água e esgoto. 
 
✓ A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios,correspondente aos créditos inscritos na forma da 
lei (art. 784, IX): A Certidão de Dívida Ativa (CDA) emitida pela Fazenda Pública 
Federal, Estadual ou Municipal é título executivo. A execução fiscal é disciplinada 
pela Lei6.830/1980, mas o título executivo que permite tal execução está previsto 
no NCPC. Dívida ativa é qualquer valor cuja cobrança seja atribuída à Fazenda 
Pública, e nos termos do art. 201 do Código Tributário Nacional constitui dívida 
ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na 
repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para 
pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular. A CDA é 
gerada por procedimento administrativo previsto no CTN, art. 202. Cabe destacar 
que “a singularidade de tal título é que entre todos os títulos extrajudiciais esse é o 
único que pode ser formado sem nenhuma participação do devedor ou de terceiro, 
atuando em sua formação apenas o credor. Tal característica vem assentada na 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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boa-fé do Estado e na presunção de legalidade do ato administrativo, permitindo 
ao Estado ser o único capaz de formar títulos executivos de forma unilateral, 
embora por vezes e de forma indesejada abuse de tal liberdade com indevidas e 
injustas inscrições na dívida ativa, gerando infundadas ações de execução por 
quantia certa”. 
 
✓ O crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de 
condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em 
assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas (art. 784, X): As 
despesas ordinárias ou extraordinárias de condomínio possuem, no Novo CPC, 
força de título executivo extrajudicial, desde que sejam comprovadas 
documentalmente, e sejam aprovadas por Convenção ou Assembleia condominial. 
 
✓ A certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de 
emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, 
fixados nas tabelas estabelecidas em lei (art. 784, XI): Trata-se serviços 
prestados pelos serviços notariais e de registro, que poderão ser objeto de 
certidões com eficácia executiva. Cumpre enfatizar que "existem, no Brasil, cinco 
tipos de cartórios: (i) Tabelionato de Notas; (ii) Tabelionato de Protesto de Títulos; 
(iii) Registro Civil das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas; (iv) Registro de 
Títulos e Documentos e Civil das Pessoas Jurídicas; e(v) Registro de Imóveis. Todos 
eles prestam uma série de serviços, destinados à formalização e conservação de 
diversos atos e negócios jurídicos, como por exemplo: os registros de nascimento, 
casamento e óbito; a lavratura de escrituras, procurações, testamentos, divórcios 
e inventários; as autenticações de cópias e reconhecimento de firmas; os registros 
de imóveis; as notificações e registro de documentos e de pessoas jurídicas; os 
protestos de títulos e documentos de dívida, dentre outros. Alguns desses serviços 
são gratuitos e outros são cobrados, cujos preços são promulgados por lei. Tais 
valores, portanto, poderão ser objeto de certidão que tem, para os fins legais, força 
executiva. 
 
✓ XI-A - o contrato de contragarantia ou qualquer outro instrumento que 
materialize o direito de ressarcimento da seguradora contra tomadores de 
seguro-garantia e seus garantidores; (Incluído pela Lei nº 14.711, de 2023) 
 
Outros pontos sobre títulos executivos 
• A independência entre o título e a ação que impugna a dívida 
Art. 784 (…) § 1º A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título 
executivo não inibe o credor de promover-lhe a execução. 
 
❖ Títulos extrajudiciais de país estrangeiro 
• § 2º Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país 
estrangeiro não dependem de homologação para serem 
executados. 
• § 3º O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando 
satisfeitos os requisitos de formação exigidos pela lei do lugar 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o lugar 
de cumprimento da obrigação. 
 
• Títulos constituídos por meio eletrônico 
• § 4º Nos títulos executivos constituídos ou atestados por meio 
eletrônico, é admitida qualquer modalidade de assinatura 
eletrônica prevista em lei, dispensada a assinatura de 
testemunhas quando sua integridade for conferida por 
provedor de assinatura. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023)concreta da lei. 
Na execução o que se quer é substituir a vontade do executado e satisfazer o direito do 
exeqüente. 
Cumpre ressaltar que embora o processo executivo seja caracterizado, principalmente, 
por atos de execução forçada como, por exemplo a penhora de bens, a expropriação via 
leilão ou hasta pública,... existem também atos de outras espécies. 
Os chamados atos de coerção (ou meios de coerção), utilizados principalmente nas 
obrigações de fazer e de não fazer e, embora não tenham natureza executiva fazem parte 
do processo de execução. 
• Em certos casos, podemos identificar atividade cognitiva dentro do processo de 
execução, em momentos onde o magistrado é obrigado a formar juízos de valor 
acerca de questões suscitadas como, por exemplo, ao apreciar o mérito dos 
embargos que sustentam a nulidade da penhora ou a inexistência do débito. 
Cumpre ainda uma importante observação em relação à finalidade do processo 
executivo que é sempre a satisfação do demandante. 
Assim sendo, diferentemente do processo cognitivo que alcança o seu fim normal com a 
sentença de mérito (art. 494 do CPC), independendo de quem seja o vencedor, o processo 
de execução somente atinge seu objetivo quando o resultado final satisfaz o demandante. 
Trata-se de processo de desfecho único. Qualquer hipótese de extinção do processo 
executivo com resultado favorável ao executado será considerado extinção anômala do 
processo. 
 
4. PRINCÍPIOS GERAIS E ESPECÍFICOS 
 
 
 
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6 
 
Aplicam-se ao processo executivo os mesmos princípios que norteiam o processo 
civil assim podemos mencionar, por exemplo, o devido processo legal, a isonomia, 
respeito à dignidade humana, o contraditório... 
Surgem ainda alguns princípios importantes próprios deste tipo de processo, que 
veremos: 
 
• Princípio da Efetividade – Direito Fundamental à Tutela Executiva 
O princípio da efetividade representa a base da atividade executiva, sendo sua razão 
de existir. A execução não se limita a reconhecer direitos, mas tem por finalidade 
assegurar que eles sejam realmente concretizados no mundo dos fatos. O processo civil 
não cumpre seu papel se, ao final da fase de conhecimento, o titular do direito sair apenas 
com uma sentença favorável, sem que esta se traduza na satisfação do crédito ou na 
realização prática da prestação. É por isso que se afirma: processo devido é processo 
efetivo. O art. 4º do Código de Processo Civil traduz essa diretriz ao estabelecer que "as 
partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a 
atividade satisfativa", consagrando de forma expressa a execução como uma garantia 
fundamental. 
A efetividade da tutela jurisdicional executiva implica que o sistema processual deve 
estar estruturado para proporcionar meios adequados e suficientes para o cumprimento 
da obrigação. Como destaca Marcelo Lima Guerra, há um direito fundamental à 
execução, e ele impõe ao legislador e ao Judiciário a obrigação de criar e aplicar 
mecanismos que realmente conduzam ao resultado prático esperado. Isso significa que o 
juiz não pode simplesmente aplicar a norma de forma literal quando ela for obstáculo à 
efetivação do direito, especialmente se a norma infraconstitucional estiver em 
descompasso com direitos fundamentais. O intérprete deve extrair da legislação a 
máxima efetividade possível, e, se necessário, realizar o controle de constitucionalidade 
in concreto da norma aplicada. 
Esse princípio também serve de critério para resolver tensões frequentes na 
execução, como ocorre com as hipóteses de impenhorabilidade previstas no art. 833 do 
CPC. A impenhorabilidade, por proteger a dignidade do devedor e o mínimo existencial, 
não é absoluta. A sua aplicação deve passar pela ponderação entre direitos 
 
 
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fundamentais, analisando-se se, no caso concreto, a restrição à execução é proporcional 
e necessária. O juiz pode, inclusive, afastar a impenhorabilidade quando ela se mostrar 
desnecessária, como no caso de imóvel de alto valor cuja alienação ainda possibilite a 
aquisição de outro imóvel pelo executado. Trata-se da dimensão objetiva dos direitos 
fundamentais, que exige que o juiz, ao aplicar as regras processuais, leve em conta o 
contexto fático e a justiça material do caso. 
 
• Princípios da Tipicidade e Atipicidade dos Meios Executivos 
A execução judicial é a expressão máxima do poder estatal, pois nela o Estado atua de 
forma direta e concreta sobre a esfera jurídica do devedor, inclusive com o uso da força 
para satisfazer o direito reconhecido em favor do credor. Por isso, surge um dilema 
clássico: essa atuação deve estar estritamente limitada às medidas previamente 
descritas em lei (princípio da tipicidade) ou pode ser flexibilizada conforme as 
peculiaridades do caso concreto (princípio da atipicidade)? O sistema brasileiro, 
especialmente após o CPC de 2015, optou por uma síntese entre ambos os princípios, a 
depender da natureza da obrigação a ser executada. 
A tipicidade é observada com mais força na execução por quantia certa, onde há um 
procedimento legal estruturado e meios executivos claramente definidos (penhora, 
avaliação, alienação etc.). Já nas obrigações de fazer, não fazer ou entregar coisa, a 
atipicidade se revela como necessária para alcançar a tutela específica, conforme 
previsto nos arts. 139, IV, 297, 536, §1º, e 538, §3º do CPC. Tais dispositivos conferem ao 
juiz o poder de determinar, de ofício ou a requerimento da parte, medidas necessárias 
para assegurar o cumprimento da ordem judicial, mesmo que não estejam 
expressamente previstas em lei. É o que se convencionou chamar de "poder geral de 
efetivação" do juiz, com base em uma cláusula geral executiva. 
Essa flexibilização, no entanto, não significa arbítrio. As medidas atípicas devem ser 
necessárias, adequadas e proporcionais, sempre voltadas à concretização do direito do 
exequente e respeitando os direitos fundamentais do executado. Um exemplo é o uso de 
restrições ao direito de dirigir, ao passaporte ou à participação em concursos públicos, 
desde que estejam devidamente fundamentadas e observem o contraditório. A 
atipicidade dos meios executivos amplia a capacidade do Judiciário de agir com 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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criatividade e efetividade, mas exige do magistrado responsabilidade argumentativa e 
compromisso com o devido processo legal. O próprio CPC reconhece essa dinâmica ao 
permitir que o juiz escolha os meios executivos mais adequados para o caso concreto, 
conforme o princípio da adequação jurisdicional. 
 
• Princípio da Boa-fé Processual 
O princípio da boa-fé processual, previsto expressamente no art. 5º do Código de 
Processo Civil, é uma das cláusulas fundamentais que orientam todo o sistema 
processual, sendo corolário do devido processo legal. Na execução, esse princípio 
assume especial relevância, pois este é um ambiente particularmente sensível à 
ocorrência de condutas abusivas, desleais e fraudulentas. A rigidez e a coercitividade 
próprias da execução muitas vezes motivam tentativas do executado de frustrar a 
atividade jurisdicional, o que torna imprescindível a atuação do juiz e das partes segundo 
padrões éticos e leais. 
A boa-fé processual impõe deveres de lealdade, veracidade, cooperação e respeito 
às regras do jogo processual, não se confundindo com a boa-fé objetiva do direito 
material, mas dela se inspirando. Na execução, sua incidência é visível em situações 
como: simulação de venda de bens para fraudar credores, ocultação dolosa de 
patrimônio, apresentação de defesa meramente protelatória, ou mesmo desrespeito aos 
comandos judiciais. O descumprimento desses deveres pode gerar sanções 
processuais,como a aplicação de multa por ato atentatório à dignidade da justiça (art. 
774, parágrafo único, CPC), além da responsabilização civil por perdas e danos. 
A doutrina e a jurisprudência destacam que a boa-fé deve ser observada tanto pelo 
exequente quanto pelo executado, sob pena de se inverter a lógica de proteção 
processual. Se o credor utilizar o processo como instrumento de opressão ou 
perseguição, promovendo medidas excessivas e desnecessárias, também estará violando 
a boa-fé. Esse equilíbrio é essencial para evitar que o processo seja transformado em 
instrumento de abuso ou retaliação. Como lembra a obra, os institutos da fraude contra 
credores, fraude à execução e as punições por atos atentatórios à dignidade da justiça 
são manifestações concretas da necessidade de se preservar a boa-fé na execução. 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
9 
 
Esses temas serão aprofundados em capítulos próprios, mas já aqui demonstram a 
centralidade desse princípio na dinâmica executiva. 
 
• Princípio da Responsabilidade Patrimonial (ou de que "toda execução é real") 
O princípio da responsabilidade patrimonial, consagrado no art. 789 do Código de 
Processo Civil, estabelece que o devedor responde pelo cumprimento de suas 
obrigações com o seu patrimônio presente e futuro. Essa norma expressa a ideia de que 
toda execução é real, ou seja, voltada contra os bens do devedor, e não contra sua 
pessoa. Assim, a função da execução é, em regra, recair sobre o patrimônio do executado, 
sem lhe atingir a liberdade ou sua integridade pessoal. Trata-se de uma conquista 
civilizatória do direito moderno, que rompe com práticas anteriores, especialmente do 
direito romano primitivo, em que o devedor poderia ser submetido à escravidão ou até ter 
o corpo dividido entre credores, como previa a Lei das XII Tábuas. 
No decorrer da evolução histórica, a noção de que a obrigação deveria vincular-se 
ao patrimônio, e não ao corpo do devedor, consolidou-se com a Lex Poetelia Papiria (428 
a.C.), no direito romano, e mais tarde foi consagrada no art. 2093 do Código Civil 
francês, segundo o qual “os bens do devedor são a garantia comum de seus credores”. 
Essa perspectiva foi absorvida pelo direito brasileiro, que adotou a responsabilidade 
patrimonial como a base da execução. Entretanto, esse princípio não é absoluto: há bens 
que, mesmo pertencendo ao devedor, não podem ser objeto de execução, por estarem 
protegidos por normas de impenhorabilidade — como no art. 833 do CPC — em razão da 
dignidade humana, do mínimo existencial e da função social da empresa, por exemplo. 
Apesar de sua força normativa, o princípio da responsabilidade patrimonial vem 
sendo relativizado em algumas hipóteses, especialmente com o advento das chamadas 
técnicas de execução indireta, que buscam influenciar a vontade do devedor por meio 
de coerção pessoal, sem violar diretamente sua liberdade. É o caso das astreintes (multa 
diária), previstas no art. 536, §1º, do CPC, que exercem pressão psicológica para forçar o 
adimplemento da obrigação. Mesmo assim, a execução indireta não se confunde com o 
retorno à responsabilização corporal do devedor, pois, como ressalta o STF na Súmula 
Vinculante nº 25, a prisão civil por dívida só é admissível nos casos de alimentos (nos 
termos do art. 528, CPC). Assim, atualmente, convive-se com um modelo híbrido, em que 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
10 
 
a execução pode ser realizada pela sujeição patrimonial ou por técnicas coercitivas 
dirigidas à vontade do devedor, sempre respeitando os direitos fundamentais e o devido 
processo legal. 
Além disso, é importante observar que a aplicação deste princípio é especialmente 
relevante nas obrigações de dar coisa ou pagar quantia certa, onde há sub-rogação do 
Estado no cumprimento da obrigação, o que justifica a atuação sobre os bens do 
devedor. Nas obrigações de fazer ou não fazer, contudo, a prioridade é a tutela específica 
da obrigação (princípio da primazia da tutela específica), e só em casos excepcionais — 
quando for impossível a execução in natura — é que se recorrerá à conversão em perdas e 
danos. Portanto, o princípio da responsabilidade patrimonial não abrange a totalidade da 
atividade executiva, e deve ser compatibilizado com outros princípios, como os da 
efetividade e da adequação, para que a atuação jurisdicional seja justa e eficiente. 
 
• Princípio da Primazia da Tutela Específica (ou da Maior Coincidência Possível 
ou do Resultado) 
O princípio da primazia da tutela específica representa uma das transformações 
mais significativas no processo civil contemporâneo. De acordo com esse princípio, o 
credor tem o direito de obter o cumprimento da obrigação tal como pactuada, de forma 
específica e direta, e não apenas mediante sua conversão em perdas e danos. Isso 
significa que a execução deve se esforçar para alcançar o mesmo resultado que seria 
obtido caso o devedor tivesse cumprido voluntariamente sua obrigação, garantindo a 
chamada "maior coincidência possível" entre o comando da sentença e sua realização 
prática. Essa orientação encontra fundamento nos arts. 497 e 499 do CPC, que 
consagram a tutela específica como regra e a conversão em perdas e danos como 
exceção. 
Historicamente, o ordenamento jurídico, influenciado pelos ideais do liberalismo 
clássico, partia de duas premissas equivocadas: a de que ninguém poderia ser obrigado a 
cumprir uma obrigação pessoal contra sua vontade (nemo praecise potest cogi ad 
factum), e a de que toda prestação seria economicamente conversível. Essa visão levou à 
prevalência da tutela pecuniária, permitindo que o devedor, por sua simples recusa, 
evitasse o cumprimento específico e substituísse sua obrigação pelo pagamento de 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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indenização. Com o tempo, contudo, percebeu-se que essa sistemática favorecia o 
descumprimento contratual, especialmente por parte do devedor mais forte, que 
aceitava arcar com perdas e danos quando lhe era mais vantajoso descumprir. 
O processo civil brasileiro passou a valorizar a tutela específica especialmente a 
partir da década de 1990. A Lei 8.952/94, ao alterar profundamente o CPC de 1973, foi 
marco decisivo nesse movimento. Posteriormente, o Código de Defesa do Consumidor 
(art. 84) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 213) consolidaram a tutela 
específica das obrigações de fazer e não fazer. Finalmente, o CPC de 2015 reafirmou esse 
direcionamento nos arts. 497, 499 e 538, §3º, estabelecendo uma hierarquia: (a) 
cumprimento específico; (b) resultado prático equivalente; e (c) perdas e danos, apenas 
se requerido pelo credor ou se impossível a tutela específica. Isso significa que a 
conversão da prestação deve ser vista como solução substitutiva excepcional, e não 
mais como a via ordinária. Assim, o processo passa a ser tanto mais eficiente quanto 
mais coincidir o seu resultado com o cumprimento espontâneo da obrigação, 
promovendo a dignidade da justiça e a confiança no sistema jurídico. 
Esse princípio também se manifesta na execução por quantia certa, especialmente 
com a possibilidade de adjudicação do bem penhorado (art. 876 do CPC), permitindo 
ao credor, se lhe for conveniente, satisfazer seu crédito com o próprio bem, e não apenas 
com o valor de sua alienação. O mesmo raciocínio vale para obrigações de dar coisa certa 
ou determinada: o exequente pode exigir a entrega da própria coisa, e não o seu valor. 
Com isso, o ordenamento abandona a visão patrimonialista das obrigações e valoriza o 
resultado material da prestação, alinhando o processo civil brasileiro com as tendências 
modernas de efetividade e justiça concreta, defendidas por autores como Chiovenda, 
Calamandrei, Dinamarco e Araken de Assis. 
 
• Princípio do Contraditório 
Oprincípio do contraditório é uma das bases estruturantes do processo 
jurisdicional e está consagrado no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, bem como 
nos arts. 7º e 9º do Código de Processo Civil. Ele assegura às partes o direito de 
participar do processo em igualdade de condições, influenciar o convencimento do 
julgador e ser ouvidas antes de qualquer decisão que lhes possa afetar. No contexto da 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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execução, esse princípio não perde sua relevância, embora se manifeste de forma 
peculiar, adaptada à natureza e à dinâmica própria desse tipo de procedimento, cuja 
finalidade principal é a satisfação do direito reconhecido no título executivo. 
Diferentemente da fase de conhecimento, em que o contraditório é pleno desde o 
início, na execução ele é, por natureza, eventual. Isso porque o executado não é citado 
para se defender, mas sim para cumprir a obrigação. Somente se desejar se opor à 
execução — por meio de embargos, impugnação, alegação de nulidade, excesso de 
execução ou outro incidente — é que o contraditório será instaurado de forma concreta. 
Ainda assim, sua presença é imprescindível sempre que houver atos que possam causar 
prejuízo à parte, e o juiz deve garantir que o executado seja ouvido antes de decisões que 
lhe imponham ônus relevantes, sob pena de nulidade (art. 10 e 139, VI, CPC). 
O contraditório na execução se manifesta de várias maneiras: no direito de 
impugnar a penhora (art. 847, CPC), nos embargos à execução (art. 914 e ss.), na 
impugnação ao cumprimento de sentença (art. 525, CPC), na oposição de terceiros (art. 
674 e ss.) e na ciência e possibilidade de manifestação sobre atos executivos, como a 
avaliação, a alienação ou a adjudicação de bens. Além disso, o juiz tem o dever de zelar 
pelo contraditório efetivo, conforme o art. 7º do CPC, podendo, inclusive, dilatar prazos 
para garantir a paridade de armas, reequilibrando o processo quando necessário. Como 
destaca a doutrina contemporânea, não basta garantir o direito de audiência: é preciso 
instituir um verdadeiro diálogo processual, em que as partes possam cooperar para a 
construção de decisões legítimas, especialmente diante de medidas coercitivas ou 
restritivas. 
Embora o contraditório na execução não tenha a mesma intensidade da fase 
cognitiva, ele é essencial para assegurar a legitimidade e a imparcialidade da atuação 
judicial. O processo executivo que ignora ou restringe indevidamente o contraditório 
perde sua validade jurídica e compromete a confiança no sistema. Em suma, a presença 
do contraditório na execução, ainda que em forma diferenciada, reafirma que nenhuma 
atividade estatal pode suprimir direitos fundamentais sob o pretexto de acelerar a 
efetividade, sendo necessário compatibilizar celeridade com segurança jurídica e justiça 
processual. 
 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
13 
 
• Princípio da Menor Onerosidade da Execução 
O princípio da menor onerosidade da execução está expressamente previsto no art. 
805 do Código de Processo Civil, segundo o qual, “quando por vários meios o exequente 
puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o 
executado”. Trata-se de uma cláusula geral que visa coibir o exercício abusivo do direito 
de execução por parte do credor, impondo um dever de moderação ao uso das 
ferramentas coercitivas disponíveis. No entanto, é essencial compreender que esse 
princípio não é absoluto, nem pode ser interpretado como fonte de todos os direitos de 
proteção do executado — ele é apenas uma entre várias normas que compõem o 
sistema de garantias do devedor. 
A aplicação adequada do princípio exige a análise da adequação e da 
necessidade do meio executivo, e não do resultado final a ser alcançado. Em outras 
palavras, o exequente não pode ser obrigado a aceitar um resultado menos efetivo, mas 
sim a utilizar, entre meios igualmente eficazes, aquele que cause menos sacrifício ao 
executado. Por isso, o princípio da menor onerosidade não autoriza o executado a 
postular a conversão da obrigação específica em perdas e danos, nem a substituição 
de uma prestação por outra. Tampouco fundamenta o parcelamento da dívida, o 
abatimento de juros, ou a redução do valor da execução. Seu foco é o meio de execução 
— e não a modificação da obrigação em si. 
O próprio art. 805, parágrafo único, do CPC, impõe ao executado o ônus de, ao 
alegar a excessiva onerosidade de determinado meio executivo, indicar outro igualmente 
eficaz e menos oneroso, sob pena de manutenção dos atos já praticados. Isso revela que 
a proteção proporcionada por esse princípio exige uma postura ativa e cooperativa do 
devedor. Ademais, se o executado não suscitar a discussão no momento processual 
adequado, opera-se a preclusão, e não se pode mais questionar a escolha do meio pelo 
credor. Vale ainda ressaltar que a penhora em dinheiro, por ser o meio mais eficaz de 
satisfação da dívida, não pode ser afastada com base na alegação de que é sempre mais 
gravosa — é o meio que melhor assegura a efetividade e, portanto, goza de prioridade, nos 
termos do art. 835, caput e §1º, do CPC. 
Assim, o princípio da menor onerosidade não pode ser invocado para inviabilizar 
a execução ou para frustrar a satisfação do direito reconhecido. Ele deve ser interpretado 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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em harmonia com os princípios da efetividade e da boa-fé processual (art. 5º do CPC), 
servindo como instrumento de equilíbrio e justiça no uso do poder executivo do Estado. 
Seu verdadeiro papel é evitar abusos e exageros do exequente, sem comprometer a 
concretização do direito material. Por isso, sua aplicação deve ser feita com base na 
ponderação, na análise do caso concreto e na busca por soluções justas, eficazes e 
proporcionais para ambas as partes. 
 
• Princípio da Cooperação 
O princípio da cooperação, consagrado expressamente no art. 6º do Código de 
Processo Civil, determina que todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si 
para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Trata-se de 
um princípio estrutural do modelo processual brasileiro inaugurado pelo CPC de 2015, 
que rompe com a lógica adversarial tradicional e promove um novo paradigma de 
processo: um modelo dialógico, colaborativo e ético, em que partes e juiz compartilham 
responsabilidades para a boa condução da marcha processual. O processo deixa de ser 
um campo de batalha e se torna um ambiente de atuação conjunta em prol da justiça e da 
efetividade. 
No campo da execução, esse princípio ganha concretude em diversos deveres 
atribuídos ao executado e ao próprio juiz. Um exemplo claro é o dever do executado de 
indicar bens passíveis de penhora, previsto no art. 774, V, do CPC, cuja omissão pode 
acarretar aplicação de multa por ato atentatório à dignidade da justiça. Se o devedor não 
apontar bens, pode ser sancionado financeiramente, justamente por violar o dever de 
cooperação processual. Também o art. 525, §4º, é exemplo da cooperação aplicada à 
execução: ao impugnar o valor da execução, o executado deve apresentar desde logo o 
valor que entende devido, evitando posturas meramente procrastinatórias e 
contribuindo para a solução célere da controvérsia. É o que se espera de um sujeito 
processual cooperativo. 
Além disso, o princípio da cooperação impõe deveres também ao magistrado. 
Conforme o art. 772, II, do CPC, o juiz deve advertir o executado antes de aplicar 
penalidades por condutas atentatórias à dignidade da justiça, permitindo-lhe a 
oportunidade de corrigir sua postura. O juiz também deve respeitar o dever de consulta 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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previsto no art. 10 do CPC, como, porexemplo, antes de reconhecer de ofício a prescrição 
intercorrente (art. 921, §5º, CPC), ocasião em que deve intimar o exequente para se 
manifestar. Essas obrigações revelam que a cooperação envolve não apenas condutas 
recíprocas entre as partes, mas também um compromisso do juiz com a prevenção de 
nulidades e com o equilíbrio procedimental. É, portanto, um instrumento de diálogo, 
prevenção de abusos e construção compartilhada de soluções processuais, refletindo 
uma postura ética e responsável de todos os sujeitos envolvidos. 
 
• Princípio da Proporcionalidade 
O princípio da proporcionalidade é uma diretriz fundamental que orienta a 
atividade jurisdicional executiva, especialmente quando há colisão entre direitos 
fundamentais do exequente e do executado. Embora não esteja nominado entre os 
princípios constitucionais processuais do art. 5º da CF, encontra-se incorporado de forma 
implícita e reforçado expressamente no art. 8º do CPC, que dispõe que o juiz deverá 
observar os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, legalidade, publicidade e 
eficiência ao aplicar o ordenamento jurídico. Sua função essencial é impedir que a 
execução, em nome da efetividade, viole excessivamente os direitos fundamentais do 
executado, como sua dignidade, integridade patrimonial mínima e liberdade. 
Na execução, é comum que se opere um conflito entre o princípio da efetividade 
(voltado à concretização do direito do credor) e os princípios de proteção do executado, 
como o da menor onerosidade (art. 805), da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da 
CF) e da boa-fé processual (art. 5º, CPC). Nessas situações, o postulado da 
proporcionalidade atua como critério de ponderação entre esses valores colidentes, 
buscando preservar, ao máximo, ambos os interesses legítimos envolvidos. Um exemplo 
emblemático de sua aplicação é a relativização da ordem legal de penhora prevista no art. 
835 do CPC, cuja rigidez pode ser afastada sempre que o meio inicialmente indicado se 
revelar desproporcional ou excessivamente oneroso em relação aos bens do executado. 
Essa ponderação judicial encontra amparo tanto no próprio art. 835, §1º, que 
autoriza o juiz a alterar a ordem legal de penhora conforme as circunstâncias do caso 
concreto, quanto no art. 853, parágrafo único, que confere ao magistrado poderes para 
decidir sobre a substituição de bens penhorados, também com base na 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
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proporcionalidade. A jurisprudência nacional e comparada (como a da Alemanha – ZPO 
§803 – e da Espanha – LEC art. 592) já consolidou que a execução não pode ultrapassar os 
limites do necessário para alcançar a satisfação do crédito, devendo ser conduzida de 
forma equilibrada e racional. Portanto, a proporcionalidade não limita o direito de 
executar, mas modera o modo como ele será exercido, impedindo abusos, preservando 
a justiça do procedimento e garantindo a preservação da dignidade do executado, mesmo 
quando este se encontra em mora. 
 
• Princípio da Adequação 
O princípio da adequação é uma diretriz fundamental do processo civil brasileiro 
contemporâneo, embora nem sempre explicitamente mencionado em normas 
específicas. Ele está implícito em diversas disposições do CPC e reflete a ideia de que o 
procedimento jurisdicional deve ser ajustado às peculiaridades do direito material a ser 
tutelado, das partes envolvidas e do fim buscado com a intervenção judicial. No 
contexto da execução, esse princípio se desdobra em três dimensões: a adequação 
objetiva, a adequação subjetiva e a adequação teleológica, todas essenciais para 
assegurar um processo eficaz e justo. 
A adequação objetiva diz respeito à natureza da prestação executada. Por 
exemplo, a prisão civil é prevista como meio de coerção apenas na execução de 
prestação alimentícia (art. 528, §§3º a 7º, CPC), por ser essa uma obrigação revestida de 
natureza urgente e ligada à sobrevivência do credor. A adequação subjetiva, por sua vez, 
refere-se à condição das partes: o processo executivo contra a Fazenda Pública, por 
exemplo, exige observância do regime de precatórios e veda a penhora de bens públicos, 
em respeito à indisponibilidade do patrimônio estatal (arts. 910 e 100 da CF/88). Já a 
adequação teleológica está relacionada ao fim do processo: na execução, esse fim é a 
satisfação de um crédito previamente reconhecido em título executivo, o que justifica, por 
exemplo, a existência de um contraditório eventual e a inversão da lógica de provocação 
processual, típica da técnica monitória. 
A atuação do juiz, diante de cláusulas gerais executivas como as previstas nos arts. 
139, IV, 297, 536, §1º, e 538, §3º do CPC, deve observar o princípio da adequação. Isso 
significa que o magistrado deve escolher as medidas executivas mais eficazes e 
 
 
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17 
 
proporcionais à realização da prestação devida, levando em conta as particularidades do 
caso concreto. A adequação jurisdicional envolve, portanto, não apenas a escolha de 
meios apropriados, mas também a possibilidade de adaptação das regras processuais 
em situações excepcionais, inclusive por meio da construção jurisprudencial. Além 
disso, a própria lógica dos negócios processuais — tratados no próximo item — também 
reflete a ideia de adequação, permitindo às partes moldarem o procedimento às suas 
necessidades específicas, desde que não violem direitos indisponíveis ou comprometam 
o equilíbrio do contraditório. Assim, a adequação se afirma como um princípio de 
racionalidade e justiça, garantindo que o processo executivo não seja rígido e insensível, 
mas sim funcional, proporcional e personalizado. 
 
• Autorregramento da Vontade na Execução 
O autorregramento da vontade é um dos pilares do modelo cooperativo de 
processo consagrado pelo CPC de 2015, e encontra sua principal base legal no art. 190 do 
Código de Processo Civil, que admite que as partes, desde que plenamente capazes, 
estipulem convenções processuais, inclusive modificando regras do procedimento, 
sempre que a controvérsia versar sobre direitos que admitam autocomposição. Trata-se 
de uma manifestação do princípio da autonomia privada processual, mediante o qual 
se reconhece que os sujeitos do processo não são meros destinatários das normas, mas 
participantes ativos da conformação do procedimento, inclusive da execução. Essa 
lógica também se reflete no art. 200 do CPC, que atribui eficácia aos negócios 
processuais firmados pelas partes. 
No contexto da execução, o autorregramento da vontade pode se manifestar de 
duas formas: por meio de negócios processuais típicos, já previstos no ordenamento 
jurídico, ou por negócios atípicos, que dependem de aceitação judicial. Entre os negócios 
típicos, destacam-se: (i) a celebração de acordos com força executiva (art. 515, III, e art. 
725, VIII), os quais dispensam ação de conhecimento posterior; (ii) o estabelecimento de 
foro de eleição (art. 781, I), em que as partes convencionam o juízo competente para a 
execução; (iii) a fixação de cláusulas de penhorabilidade ou impenhorabilidade de 
determinados bens (art. 833, I, §3º); (iv) a negociação sobre o modo de avaliação do bem 
 
 
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penhorado (art. 871, §2º); e (v) o parcelamento da dívida mediante requerimento do 
devedor (art. 916, CPC), com homologação judicial. 
Além desses negócios tipificados, o CPC também abre espaço para o uso de 
negócios processuais atípicos, que expressam com ainda mais liberdade o 
autorregramento da vontade na execução. Nessa categoria, podem ser incluídas 
cláusulas como: a renúncia à ordem legal de penhora; a fixação prévia de penalidade 
processual em caso de descumprimento voluntário da obrigação (cláusula penal 
processual); a pactuação sobre dilaçãoou suspensão de prazos, inclusive para evitar a 
aplicação da prescrição intercorrente; a estipulação de garantias específicas; ou 
mesmo a eleição de métodos executivos prioritários, como a adjudicação direta. Desde 
que respeitados os limites constitucionais e legais — como a observância do 
contraditório, a proteção de direitos indisponíveis e a paridade de armas —, tais 
convenções são plenamente válidas e eficazes, desde que não contrariem a função 
jurisdicional nem causem prejuízo à parte contrária. 
Em suma, o autorregramento da vontade na execução representa um mecanismo 
valioso de flexibilização procedimental e de valorização da autonomia das partes, 
inserindo o processo em uma perspectiva menos impositiva e mais consensual. Ele 
reafirma a ideia de que a execução não é, necessariamente, sinônimo de conflito ou de 
coação estatal, mas pode também decorrer da autorresponsabilidade e da 
racionalidade das partes, que colaboram com a justiça na construção de soluções 
compatíveis com sua realidade. É um exemplo claro de que a eficiência processual não 
precisa ser alcançada apenas pela força, mas pode emergir também do diálogo e da 
autonomia, desde que balizados pelo controle judicial e pelo respeito às garantias 
fundamentais. 
 
 Quadro-Resumo dos Princípios da Execução 
 
Princípio Definição 
1. Efetividade 
A execução deve realizar concretamente o direito 
reconhecido, indo além do mero julgamento. 
 
 
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Princípio Definição 
2. Tipicidade/Atipicidade dos 
Meios 
O juiz pode usar meios típicos ou criativos para garantir a 
efetividade da obrigação. 
3. Boa-fé Processual 
As partes devem agir com lealdade e honestidade em todos 
os atos do processo. 
4. Responsabilidade 
Patrimonial 
O devedor responde com seu patrimônio presente e futuro 
pelo cumprimento da obrigação. 
5. Primazia da Tutela 
Específica 
A obrigação deve ser cumprida exatamente como pactuada, 
e não substituída por indenização. 
6. Contraditório 
O executado tem o direito de participar dos atos que afetem 
sua esfera jurídica. 
7. Menor Onerosidade 
A execução deve ser feita pelo meio menos gravoso ao 
devedor, desde que eficaz. 
8. Cooperação 
Todos os sujeitos do processo devem atuar juntos para 
alcançar uma solução justa. 
9. Proporcionalidade 
A medida executiva deve equilibrar a efetividade com a 
proteção dos direitos do devedor. 
10. Adequação 
Os meios executivos devem ser escolhidos conforme a 
natureza da obrigação e das partes. 
11. Autorregramento da 
Vontade 
As partes podem ajustar o processo de execução por 
convenção, com liberdade e responsabilidade. 
 
5. DIFERENÇAS ENTRE CONHECIMENTO E EXECUÇÃO 
 
✓ Processo de conhecimento 
Humberto Theodoro - seria aquele em que se pretende obter um pronunciamento que 
declare entre os contendores quem tem razão e quem não tem, o que se realiza 
mediante determinação da regra jurídica concreta que disciplina o caso que formou o 
objeto do processo. 
 
 
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Processo de conhecimento é aquele em que a atividade precípua é a cognição, 
consistente numa técnica de análise de alegações e provas, com o fim de permitir o 
acertamento da existência ou inexistência do direito. 
✓ Processo de execução 
Seria aquele onde se pretende uma atuação concreta do Estado, buscando a 
realização de atos através dos quais se exterioriza a atuação da sanção; sob o 
impulso da ação executiva o órgão jurisdicional desenvolve atividade material 
tendente a obter, coativamente, o resultado prático equivalente àquele que o devedor 
deveria ter realizado com o adimplemento da obrigação. 
A finalidade da execução é a satisfação forçada de um direito de crédito, sendo 
predominante a atividade executiva. 
Sem a execução o titular de um direito estaria privado da possibilidade de satisfazer-
se sem a colaboração do devedor, o que inviabilizaria o próprio escopo da jurisdição. 
 
 
 
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LEGITIMIDADE E COMPETÊNCIA DO PROCESSO DE EXECUÇÃO 
 
1. LEGITIMIDADE AD CAUSAM NA EXECUÇÃO 
Trata-se de “condição da ação executiva”, de requisito do provimento final do processo de 
execução. 
Em outros termos, a legitimidade das partes é requisito essencial para que a execução 
forçada possa chegar ao seu desfecho normal, com a satisfação do crédito exequendo. 
A ausência de legitimidade, ativa ou passiva, deverá levar o juiz a proferir sentença, pondo 
termo à execução, com desfecho anômalo. 
Está disciplinada nos artigos 778 a 780 do CPC. 
Podem promover a execução forçada: 
 
➢ o credor a quem a lei confere o título executivo 
➢ e o Ministério Público nos casos previstos em lei. 
 
Podem, também, promover a execução ou nela prosseguir: 
 
✓ II. o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte 
deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo; 
✓ III. o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for 
transferido por ato entre vivos; 
✓ IV. o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. 
 
Espécies de Legitimidade: 
 
➢ Legitimidade ordinária e extraordinária - As partes na execução são os sujeitos 
que figuram nos pólos ativo e passivo do processo autônomo ou do cumprimento 
de sentença. Trata-se de legitimidade ordinária, pois o credor visa satisfazer 
interesse próprio, e o devedor também como titular desta mesma relação jurídica. 
 
 
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22 
 
Já na legitimidade extraordinária, o sujeito litigará em nome próprio na defesa de 
interesse alheio. 
 
 
 
 
POLO ATIVO 
 
 Legitimação 
ordinária 
Primária, originária ou direta. 
Ex: credor descrito no título executivo. 
Secundária, superveniente ou independente. 
Ex: sucessão causa mortis (espólio, herdeiros 
esucessores) ou inter vivos (cessão, sub-
rogação). 
Legitimação 
Extraordinária 
 
Ex.: Ministério Público. 
 
 
 
POLO PASSIVO 
 
Legitimação 
ordinária 
Primária, originária ou direta. 
Ex: credor descrito no título executivo. 
Secundária, superveniente ou independente. 
Ex: sucessão causa mortis (espólio, herdeiros 
esucessores) ou intervivos (cessão de débito ou 
assunção de dívida). 
Legitimação 
Extraordinária 
 
Ex.: o fiador do débito constante em título 
extrajudicial, responsável tributário. 
 
Ao propor a execução, o credor deve dirigi-la às pessoas enumeradas no art. 779. 
 
Ainda que o credor desde o início da execução saiba que deverá perseguir o bem em mãos 
de terceiros, deve propô-la contra as pessoas e numeradas no art. 779: 
 
Art. 779. A execução pode ser promovida contra: 
I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo; 
II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor; 
III - o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação 
resultante do título executivo; 
 
 
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IV. o fiador do débito constante em título extrajudicial; 
V - o responsável titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento do 
débito; 
VI - o responsável tributário, assim definido em lei. 
 
o o sujeito passivo da execução, ou seja, o legitimado passivo ordinário, é aquele 
que figura como devedor no título executivo, deve solver a obrigação. São 
devedores o emitente do título, o avalista, o endossante, o aceitante, nos termos e 
casos da lei comercial. Se houver solidariedade passiva, qualquer devedor pode 
ser executado, ou todos em litisconsórcio passivo. 
o Falecido o devedor, a execução será promovida ou prosseguirá contra o espólio, os 
herdeiros ou os sucessores do devedor dentro do limite dos bens ou direitostransmitidos com a morte; 
o O fiador do débito constante em título extrajudicial é aquele que, em processo, 
formalmente garantiu o pagamento da dívida na ausência de pagamento pelo 
devedor. 
o o responsável tributário, nos termos da legislação própria. O CTN, artigos 128 a 
138, prevê diversas situações em que pessoas não figurantes originariamente do 
fato gerador do tributo sejam também responsáveis pelo seu pagamento, em 
caráter solidário. Todos esses responsáveis o são da própria obrigação 
tributária e, portanto, equiparam-se, na execução, ao devedor. Para isso, 
porém, devem constar da certidão da dívida elaborada pela Fazenda Pública. 
 
2. COMPETÊNCIA 
 
• Competência para cumprimento de sentença (CPC, art. 516): Em princípio o 
juízo competente para cumprimento de sentença é onde ele se formou 
(competência absoluta). Trata-se de competência funcional, pois em tese o juízo 
mais aparelhado para a execução é aquele em que a sentença foi proferida. Ocorre 
que no CPC existem 3 (três) foros concorrentes: 
➢ O local aonde foi proferida a sentença; 
 
 
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24 
 
➢ Onde se encontram os bens sujeitos à expropriação; ou 
➢ O atual domicílio do executado. 
 
• Competência executiva originária dos tribunais (CPC, art. 516, I): Em todas as 
decisões proferidas pelos tribunais em causas de sua competência originária 
(Exemplos: ação rescisória, mandado de segurança e ações em que todos os 
membros da magistratura sejam interessados), e que exijam fase procedimental 
executiva, tanto nas decisões condenatórias de pagar quantia certa, quanto nas 
obrigações de fazer, não fazer e entrega de coisa. 
Destaca-se que os tribunais não se encontram em regra preparados para atos 
materiais de constrição a serem praticados na busca da satisfação do direito do 
exeqüente. E neste caso é possível a delegação da competência, ou delegação de 
atribuições do tribunal para o juízo de primeiro grau para que sejam praticados os 
atos materiais necessários ao bom desenvolvimento da execução. Tal delegação 
deve ser restrita a atos materiais de execução, os que dão andamento ao 
procedimento, e não aos atos decisórios referentes ao mérito executivo, para que 
não ocorra usurpação indevida da competência originária e para evitar que a 
decisão proferida no juízo inferior altere o conteúdo do título executivo formado 
pelo respectivo tribunal. 
 
• Competência do juízo que processou a causa no primeiro grau de jurisdição 
(CPC, art. 516, II): Trata-se da regra geral para títulos judiciais que estabelece ser 
competente para a execução o juízo que tenha sido competente no processo de 
conhecimento para a produção da sentença exequenda. 
O parágrafo único do art. 516 do CPC determina que o exequente poderá optar pelo 
juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os 
bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a 
obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo 
será solicitada ao juízo de origem. Segundo esse dispositivo, caso o credor queira 
optar por outro juízo que não o atual no qual foi formado o título executivo, deverá 
requerer de forma “fundamentada” a remessa dos autos ao novo juízo. 
 
 
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25 
 
Trata-se de uma exceção ao princípio da perpetuação da jurisdição contido no 
CPC, art. 43, uma vez que o CPC art. 516 prevê um foro concorrente para a 
execução de sentença condenatória, tendo ocorrido por exemplo mudança de 
endereço do demandado (modificação do estado de fato). A propósito, admite-se 
mudança da competência territorial por mero ato de vontade da parte autora, 
independentemente de qualquer modificação de fato ou de direito superveniente. 
 
• Competência para execução de sentença penal condenatória, sentença 
arbitral e sentença estrangeira (CPC, art. 516, III): Quando o referido dispositivo 
faz menção a juízo cível competente, em verdade não esclarece nada. Teria sido 
melhor a redação que revelasse a corrente doutrinária dominante no sentido de 
que será competente o juízo cível que seria o competente para conhecer o 
processo de conhecimento se não existisse título executivo. Analisa-se então as 
três hipóteses previstas no CPC art. 516, III. 
 
• Sentença arbitral: O próprio compromisso arbitral ou a cláusula compromissória 
devem prever tal foro. Em caso de omissão do contrato, aplica-se a regra para 
títulos extrajudiciais consistente em investigar qual o juízo competente para 
conhecer do processo de conhecimento se inexistisse arbitragem. 
 
• Sentença estrangeira: Tal decisão deve ser homologada pelo Superior Tribunal de 
Justiça para que tenha eficácia no Brasil, mas o STJ não tem competência para 
executá-la (CF, art. 109, X), sendo esta competência da justiça federal de primeiro 
grau. E conforme a regra estabelecida pelo CPC, 965, o cumprimento de decisão 
estrangeira far-se-á perante o juízo federal competente, a requerimento da parte, 
conforme as normas estabelecidas para o cumprimento de decisão nacional. O 
pedido de execução deverá ser instruído com cópia autenticada da decisão 
homologatória ou do exequatur , conforme o caso. Ou seja, o cumprimento de 
sentença processar-se-á na justiça federal no foro da Seção Judiciária do domicílio 
do réu. Na justiça federal competente o executado será citado para o cumprimento 
da sentença homologada pelo STJ, ou se for o caso, para liquidação. 
 
 
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26 
 
 
• Competência para o processo de execução autônomo de título executivo 
extrajudicial (CPC, art. 781): Tal matéria é disciplinada pelo CPC, art. 781, que 
determina que a execução fundada em título extrajudicial será processada perante 
o juízo competente, observando-se o seguinte: 
 
I – a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de 
eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos; 
II – tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro 
de qualquer deles; 
III – sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução 
poderá ser proposta no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do 
exequente; 
IV - havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será 
proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente; 
V – a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato 
ou em que ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais 
resida o executado. 
 
Havendo foro de eleição, já estará fixada a competência. Se não houver, a 
competência será a estabelecida pelo CPC, art. 781. 
 
RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL 
 
A partir do artigo 789 do CPC 
➢ Conceitua como “situação meramente potencial, caracterizada pela 
sujeitabilidade do patrimônio de alguém às medidas executivas destinadas à 
atuação da vontade concreta do direito material”. 
Numa relação obrigacional, de direito material, existem um crédito e um débito, sendo 
este último o dever jurídico de realizar a prestação. 
 
 
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27 
 
Ao lado deste dever de direito material existe uma possibilidade de sujeição do patrimônio 
do devedor para assegurar a satisfação do direito do credor. Se revela como uma relação 
de direito processual. 
 
➢ A responsabilidade nada mais é do que um vínculo de direito público processual, 
consistente na sujeição dos bens do devedor a serem destinados a satisfazer o 
credor que não recebeu a prestação devida, através da realização da sanção por 
parte do órgão judiciário. 
 
Pelo exposto, podemos perceber que as regras sobre responsabilidade patrimonial são 
autônomas em relação às regras sobre legitimação passivapara o processo de 
execução. 
A execução, porém, poderá atingir bens de terceiros que não são devedores e nem 
executados, nas seguintes condições (art. 790 do CPC): 
 
1 - Do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou 
obrigação reipersecutória (de entregar coisa). - Atualmente, o art. 790, I, do CPC, além das 
ações fundadas em direito real, também tutela a “obrigação reipersecutória”. Essa 
espécie de obrigação é objeto de um processo no qual se pleiteia a restituição de bens 
que estejam fora do patrimônio do autor, ou em poder de terceiros. Trata-se de ação que 
tende a pedir a restituição daquilo que é do autor ou do que é devido a ele, e se ache fora 
de seu patrimônio. 
A alienação da coisa ou do direito litigioso, a título particular, não altera a 
legitimidade das partes, sendo que a sentença, proferida entre as partes originárias, 
estende os seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário. Daí decorre que aquele que 
adquiriu a coisa litigiosa, a despeito de não ser parte na ação e na execução, terá aquele 
bem submetido à execução. A alienação da coisa litigiosa não é caso de nulidade ou 
anulabilidade do negócio jurídico, mas de irrelevância ou ineficácia em face do processo. 
Nulidade e anulabilidade são vícios do negócio jurídico; este, porém, pode ser válido, 
inclusive com pleno conhecimento e concordância dos sujeitos do ato, mas ineficaz em 
face de uma situação, no caso o processo em que era litigioso. 
 
 
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2 - Do sócio, nos termos da lei. Se a lei de direito material fixa a responsabilidade solidária, 
o sócio passa a ser devedor junto com a sociedade e poderá figurar no pólo passivo da 
execução. 
Nesta hipótese o devedor é a sociedade e contra ela deve ser proposta a execução, 
podendo os bens particulares dos sócios ser atingidos nos casos legais. A regra é a de 
que a sociedade, como tem personalidade jurídica, responda por suas dívidas, 
somente respondendo os bens particulares dos sócios nos casos expressos em lei 
(art. 795). E, mesmo quando isto ocorra, tem o sócio o direito de exigir que sejam primeiro 
excutidos os bens da sociedade. 
3 - Do devedor quando em poder de terceiros. Não é a circunstância eventual de os bens 
do devedor estarem em poder de terceiros que poderia excluí-los da execução. A 
responsabilidade atinge-os inequivocamente. Caberá, apenas, resolver a questão relativa 
aos direitos do terceiro que os detém. 
4 - Do cônjuge ou companheiro, nos casos em que os seus bens próprios ou de sua 
meação respondem pela dívida. A regra básica é a de que as dívidas firmadas por um 
dos cônjuges têm como garantia os bens desse mesmo cônjuge; todavia, se as 
obrigações foram contraídas em benefício da família, respondem também os bens do 
outro cônjuge, o qual, não tendo contraído a dívida e não sendo sujeito do título, não 
será sujeito passivo da execução, mas terá seus bens a ela vinculados. 
5 - Alienados ou gravados com ônus real em fraude de execução. Considera-se em fraude 
de execução a alienação ou oneração de bens (art. 792). 
 
3. FRAUDES CONTRA CREDORES e FRAUDE CONTRA A EXECUÇÃO 
 
O sistema de proteção dos credores prevê dois tipos de fraudes: a fraude contra credores 
e a fraude de execução. 
 
➢ A fraude contra credores (CC, arts. 158 a 165) torna os atos de alienação anuláveis 
em virtude da situação patrimonial do devedor se este transmite os seus bens em 
caráter gratuito ou se de maneira onerosa. Para se declarar a fraude e se desconstituir 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
29 
 
o negócio jurídico fraudulento, fazendo com que o bem retorne ao patrimônio do 
devedor, o credor deve propor ação com essa finalidade. Deve provar a concorrência 
do eventus damni (dano) e do consilium fraudis (intenção de causar o dano). 
Procedente, e só nesse caso, os bens retornam ao patrimônio do devedor e poderão 
ser penhorados. 
Requisitos: 
• Estado de pendência de uma demanda; 
• Situação de insolvência do executado; 
• Má-fé do terceiro: 
• Alienação gratuita: não depende de prova da má-fé; 
• Alienação onerosa: 
• Bem não sujeito a qualquer tipo de registro; 
• Bem sujeito a registro e não registrado; 
• Bem sujeito a registro e registrado. 
 
➢ Na fraude de execução (CPC, art. 792) é uma espécie de ato fraudulento que, além 
de gerar prejuízo ao credor, atenta contra a dignidade da justiça (CPC, art. 774, I).O 
ato praticado em fraude à execução é ineficaz perante o credor. Não é necessária 
ação contra o devedor (como na fraude contra credores), bastando uma mera petição 
simples no processo já pendente para que o juiz reconheça a fraude. Pouco importa 
se havia ciência ou não de que o ato levaria o devedor à insolvência. A intenção 
fraudulenta é presumida. 
CPC/73 
 
Art. 593. Considera-se em fraude de 
execução a alienação ou oneração de 
bens: 
I - quando sobre eles pender ação 
fundada em direito real; 
II - quando, ao tempo da alienação ou 
oneração, corria contra o devedor 
CPC/15 
 
Art. 792. A alienação ou a oneração de 
bem é considerada fraude à execução: 
I – quando sobre o bem pender ação 
fundada em direito real ou com pretensão 
reipersecutória, desde que a pendência do 
processo tenha sido averbada no 
respectivo registro público, se houver; 
 
 
Execução e Cumprimento de Sentença – Prof. Me. Dennys D. Rodrigues Albino 
 
30 
 
demanda capaz de reduzi-lo à 
insolvência; 
III - nos demais casos expressos em lei. 
 
II – quando tiver sido averbada, no registro 
do bem, a pendência do processo de 
execução, na forma do art. 828; 
III – quando tiver sido averbado, no registro 
do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de 
constrição judicial originário do processo 
onde foi arguida a fraude; 
IV – quando, ao tempo da alienação ou da 
oneração, tramitava contra o devedor 
ação capaz de reduzi-lo à insolvência; 
 
 
 
❖ 6 - Cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do 
reconhecimento, em ação autônoma, de fraude contra credores. A fraude contra 
credores demanda ação de conhecimento própria (muitas vezes mencionada na 
doutrina como pauliana ou revocatória), exigindo, para seu êxito, demonstração do 
prejuízo sofrido pelo credor com insolvência do devedor, além de intenção 
fraudulenta (conluio) entre os demandados. Sendo o ato anulado o bem retorna ao 
patrimônio do devedor, de forma que passa a responder por suas obrigações, mas 
não por meio de responsabilidade secundária, já que o responsável patrimonial 
nesse caso é o devedor. 
❖ 7 - do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica. Em 
casos de fraude ou má-fé, o juiz pode desconsiderar o princípio deque as pessoas 
jurídicas têm existência distinta da dos seus membros, e isso corresponde à 
desconsideração da personalidade jurídica. Com isso, os bens particulares dos 
sócios podem ser utilizados para a satisfação de dívidas da sociedade. Com a 
aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, não haverá extinção da 
sociedade ou a perda de sua personalidade jurídica, mas apenas o afastamento da 
autonomia patrimonial para o caso em concreto, de forma a não permitir o prejuízo 
de terceiro prejudicado pelo uso abusivo da sociedade. 
 
 
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31 
 
O art. 137 do CPC prevê que, sendo acolhido o pedido de desconsideração, a 
alienação ou oneração de bens, havida em fraude de execução, será ineficaz em 
relação ao requerente. Como se pode notar do dispositivo legal, somente após o 
acolhimento do pedido de desconsideração haverá fraude à execução, em 
previsão que aparentemente contraria o disposto no art. 792, § 3.º, do CPC, que 
estabelece haver fraude à execução nos casos de desconsideração da 
personalidade jurídica a partirda citação da parte cuja personalidade se pretende 
desconsiderar. 
 
Como esclarece o texto legal, não é apenas a alienação que é ineficaz, mas também os 
atos de oneração, como a instituição de hipoteca ou outro direito real de garantia. 
✓ O terceiro proprietário não é parte ou sujeito passivo da execução, daí, para 
defender seus bens e apresentar as alegações que entender cabíveis à sua 
exclusão da execução, tem os embargos de terceiro e não os embargos do 
devedor. 
 
O Capítulo sobre a responsabilidade patrimonial regula, ainda, mais três situações, a 
saber: responsabilidade patrimonial de imóvel submetido ao regime do direito de 
superfície, a do benefício de ordem do fiador e a da responsabilidade do espólio. 
 
▪ Primeira hipótese: O art. 791 do CPC, que não tem correspondente no diploma 
processual revogado, trata da penhora sobre bem imóvel sujeito ao regime do 
direito de superfície, reafirmando a autonomia entre o direito de propriedade e o 
direito de superfície. No caput do dispositivo ora analisado está estabelecido que, 
se a execução tiver como objeto obrigação de que seja sujeito passivo o 
proprietário de terreno submetido ao regime do direito de superfície os atos de 
constrição devem se limitar à penhora do terreno, enquanto que, sendo o obrigado 
o superficiário, a penhora deve recair sobre a construção ou plantação. O objeto do 
dispositivo é claramente individualizar a responsabilidade patrimonial do 
proprietário e do superficiário. O § 2º do art. 791 do Novo CPC prevê que a 
responsabilidade patrimonial limitada ao titular do direito de propriedade e do 
 
 
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direito de superfície, com o reconhecimento de sua autonomia, também se aplica 
à enfiteuse, à concessão de uso especial para fins de moradia e à concessão de 
direito real de uso. Dessa forma, sendo executado o proprietário, somente o 
terreno responderá pela satisfação do direito do exequente, enquanto que, sendo 
executado o titular dos direitos reais descritos no art. 791, § 2º do Novo CPC, 
somente esses direitos poderão ser penhorados. 
▪ Na segunda, o fiador pode em: executado aquele, poderá nomear à penhora 
bens livres e desembaraçados do devedor para que sejam executados antes 
dos seus e somente se os do devedor forem insuficientes é que os bens do 
fiador serão penhorados até à satisfação do direito do credor. Tal benefício de 
ordem pode ser renunciado pelo fiador no contrato de fiança, passando, então, a 
estar em pé de igualdade em relação ao devedor, em situação de solidariedade 
passiva. 
Ainda há direito de o fiador que pagar a dívida e executar o devedor-afiançado 
dentro dos mesmos autos, tornando-se, então, credor, porque, pagando, sub-
rogou-se nesse direito. 
▪ Esclarece o art. 597 que o espólio responde pelas dívidas do falecido enquanto 
mantida a universalidade de direitos da herança. Dissolvida essa universalidade 
pela partilha, cada herdeiro passará a responder por elas na proporção da parte 
que na herança lhe coube, mas sempre dentro do limite máximo do valor da própria 
herança. 
 
 
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PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DA EXECUÇÃO 
 
1. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS E CONDIÇÕES DA AÇÃO 
 
O direito de praticar a execução forçada é exclusivo do Estado, cabendo ao 
credor apenas provocar a atividade estatal, via direito de ação. 
 Sendo assim a execução uma forma de ação, encontra-se subordinada aos 
pressupostos processuais, tal como o processo de conhecimento. 
Como pressupostos processuais para o estabelecimento de uma relação processual 
válida podemos relembrar a capacidade das partes, a representação por profissional 
habilitado, a competência do juízo, etc. 
Em relação às condições da ação, que são categorias intermediárias entre os 
pressupostos processuais e o mérito da causa, estas também estão presentes na 
execução não estando diretamente relacionadas ao mérito, mas sim ao provimento 
executivo pleiteado. 
As mesmas condições da ação genéricas estudadas no processo de conhecimento 
devem estar presentes na execução (legitimidade, interesse e possibilidade jurídica) 
Dois elementos específicos na execução e que são conhecidos como requisitos 
necessários para realizar qualquer execução (CPC/2015, art. 786) e são: 
 
• o título executivo 
• e o inadimplemento do devedor. 
 
DO TITULO EXECUTIVO 
 
Não há consenso sobre o conceito de título executivo e nem sobre a natureza 
jurídica do mesmo, consenso há em que: 
 
▪ Nulla Executio Sine Titulus: sem título terá apenas o processo de cognição. 
▪ Nulo Titulus Sine Lege Somente são válidos os títulos previstos em lei. 
 
Natureza Jurídica: 
 
✓ Abstração ou eficácia abstrata: Importa para o processo de execução apenas a 
existência física do título executivo, não podendo o juiz diante de um título executivo 
verificar sobre a existência ou não da dívida. 
 
Há intenso debate a respeito da natureza jurídica do título executivo. Três principais 
correntes doutrinárias se formaram em torno do tema: a do título como documento, como 
ato jurídico e a teoria mista. 
 
✓ Segundo Carnelutti, o título executivo seria um documento representativo da 
existência do crédito exequendo, ou seja, seria uma prova legal da existência do 
crédito, já que previsto em lei. O título seria uma prova documental, prova legal; 
documento com a forma e conteúdo predeterminados pela lei. 
 
 
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✓ Liebman critica tal pensamento por estar muito ligado ao direito material, 
afirmando que, se só há execução com título executivo, e este representa a 
existência do crédito, só haveria ação de execução quando efetivamente existente 
o crédito, o que não se mostra correto, considerando-se que mesmo sendo 
constatada a inexistência do direito exequendo no julgamento dos embargos à 
execução/impugnação, terá existido a execução. O doutrinador italiano formulou a 
tese do título como ato jurídico, em que o título representa tão somente a via 
adequada para o início do processo de execução, por meio da imposição da 
sanção processual consistente na responsabilidade patrimonial. O documento 
seria apenas a materialização do ato jurídico (forma representativa). 
✓ A teoria mista procura demonstrar que o título ao mesmo tempo pode ser visto 
como ato e documento, sendo a lei a responsável pela determinação de qual 
característica será a predominante no caso concreto. Para essa corrente 
doutrinária, ora a lei dá predominância ao próprio documento (nota promissória, 
letra de câmbio, documento particular), ora ao negócio jurídico ou à própria 
obrigação (foro, aluguel, despesas condominiais). O título seria um fato complexo, 
porque há de considerar os requisitos formais e os requisitos substanciais, ou seja, 
o título há de satisfazer uma certa forma e um certo conteúdo. 
 
2. REQUISITOS 
 
Não basta a existência do título para que se possa promover a execução, são 
necessários outros requisitos que são atributos da obrigação e não do título executivo 
em si. 
 
Três são os requisitos: Certeza, Liquidez e Exigibilidade (Art. 786 e 803, I, CPC/2015). 
 
➢ CERTEZA: não é certeza do título mas do crédito, a certeza ocorre quando, em face 
do título, não há controvérsia sobre a sua existência, tal certeza refere-se ao órgão 
jurisdicional e não às partes, decorrendo da perfeição formal do título e da 
ausência de reservas à sua plena eficácia, decorre da previsão num dos tipos legais 
(Art. 784, CPC/2015). 
Para Cândido Rangel Dinamarco, a certeza deve ser entendida como a 
necessária definição dos elementos subjetivos (sujeitos) e objetivos (natureza 
e individualização do objeto) do direito exequendo representado no título 
executivo. A certeza, portanto, teria por finalidade identificar os legitimados 
ativos e passivos na execução, precisar

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