Prévia do material em texto
Enf`ª Vanessa Gutterres Silva FASAP Arteriosclerose É um processo difuso por meio do qual as fibras musculares e o revestimento endotelial das paredes das pequenas artérias e arteríolas tornam-se espessadas. DIFERENTE DE ATEROSCLEROSE: placas de ateroma. ATEROSCLEROSE CORONARIANA Constitui de um acúmulo anormal de substâncias lipídicas, ou gordurosas e de tecido fibroso, na parede vascular (formação de placas de ateromas). Essas substâncias criam bloqueios ou estreitam o vaso de tal modo que há redução do fluxo sanguíneo para o miocárdio. É uma doença progressiva, que pode ser contida e, em alguns casos, revertida. Manifestações clínicas Isquemia levando a angina de peito – dor torácica produzida pela isquemia miocárdica; Insuficiência Cardíaca; Lesão irreversível, morte das células miocárdicas e IAM; Morte cardíaca súbita. Fatores de risco Tabagismo; Hipertensão; Níveis de lipídios sanguíneos elevados; História familiar; Idade (>45 anos homens, >55 anos mulher); Obesidade ; Diabetes; Triglicerídeos elevados. Prevenção Controlar as anormalidades do colesterol: ✓Dieta; ✓Atividade física; ✓Medicamentos (sinvastatina); ✓Cessação do tabagismo; ✓Controlando a hipertensão; ✓Controlando o Diabetes Melitto. Angina de peito Episódios de dor ou pressão na região anterior do tórax. A causa – fluxo sanguíneo coronariano insuficiente, resultando em suprimento de O2 diminuído para uma demanda miocárdica de O2 aumentada, em resposta ao esforço físico ou estresse emocional. Fisiopatologia Em geral, a angina é causada pela doença aterosclerótica. Está associada a uma obstrução significativa de uma artéria coronária importante. O tratamento começa com a redução das demandas colocadas sobre o coração e com o ensino do paciente a respeito da condição. Fatores associados a dor anginosa típica Esforço físico – pode precipitar uma crise ao aumentar a demanda miocárdica de oxigênio; Exposição ao frio – provoca vasoconstrição e uma pressão arterial elevada, com demanda aumentada de oxigênio; Fazer uma refeição pesada – aumenta o fluxo sanguíneo para a área mesentérica para a digestão, reduzindo o suprimento sanguíneo para o músculo cardíaco; Estresse ou qualquer situação geradora de emoção – liberação de adrenalina, aumentando a pressão arterial, acelerando a frequência cardíaca, aumentando a carga de trabalho miocárdica. Tipos de angina Angina estável: dor previsível e consistente que acontece ao esforço e que é aliviada pelo repouso. Angina instável: (também chamada angina pré- infarto) – os sintomas ocorrem mais comumente e duram mais tempo que a angina estável. O limiar da dor é menor e a dor pode ocorrer em repouso. Angina intratável ou refratária: dor torácica intensa e incapacitante. Tipos de angina Angina variante: dor em repouso com elevação reversível do segmento ST, acredita-se que seja causada por vasoespasmo da artéria coronária. Isquemia silenciosa: evidência objetiva de isquemia ( alterações do ECG em exame de esforço), mas o paciente não apresenta sintomas. Manifestações clínicas A isquemia do músculo cardíaco pode produzir dor ou outros sintomas, variando em intensidade desde uma sensação de indigestão até uma sensação de sufocação ou peso na parte superior do tórax, varia desde um desconforto até a dor agonizante, acompanhada por apreensão intensa e uma sensação de morte iminente. Com frequência a dor é sentida profundamente no tórax, área retroesternal, localização difusa e pode irradiar-se para o pescoço, mandíbula, ombros e faces internas das partes superiores dos braços, em geral o braço esquerdo. Manifestações clínicas Sensação de fraqueza ou dormência nos braços, punhos e mãos pode acompanhar a dor, assim como a falta de ar, palidez, sudorese, tonteira ou vertigem e náuseas e vômitos, ansiedade. Uma importante característica da angina é que ela diminui ou desaparece com o repouso ou a nitroglicerina. Diagnóstico ECG; Teste de esforço com exercício, monitorado por ECG ou ecocardiograma; Exames laboratoriais; Cateterismo cardíaco; Angiografia da artéria coronária Tratamento médico Os objetivos consistem em diminuir a demanda de oxigênio do miocárdio e aumentar o suprimento de O2. Procedimentos de revascularização – procedimentos intervencionais coronarianos percutâneos (angioplastia coronariana translumial percutânea, stents intracoronarianos e aterectomia); Terapia farmacológica – nitroglicerina (nitrostat), alteplase, bloqueadores beta-adrenérgicos (propranolol), bloqueadores dos canais de cálcio (amlodipina) e agentes antiplaquetários (aspirina, clopidogrel, heparina); Administração de O2; Cuidados de enfermagem Orientar o paciente a ficar em repouso; Aferir sinais vitais, observando sinais de sofrimento respiratório; Realização de ECG; Administração de O2; Administração de medicamentos (dor, vasodilatadores); Orientar quando ao abandono do tabagismo e ingestão de dieta pobre em lipídios saturados; Controle da hipertensão arterial e diabetes. Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) Processo pelo qual áreas de células miocárdicas no coração são destruídas de maneira permanente. É usualmente causado por fluxo sanguíneo reduzido em uma artéria coronária devido à aterosclerose e oclusão de uma artéria por um êmbolo ou trombo. A medida que as células são privadas de O2, a isquemia se desenvolve, ocorrendo lesão celular e, com o passar do tempo, a falta de O2 resulta em infarto ou morte das células. Manifestações clínicas A dor torácica que ocorre de forma repentina e continua apesar do repouso e medicamento é o sintoma apresentado na maioria dos pacientes. Sintomas atípicos: falta de ar, sexo femininoaumenta apenas quando houver lesão nessas células. Aumento dentro de algumas horas e atinge o pico máximo em 24 horas de um IM. - Mioglobina – Ajuda a transportar O2, aumento de 1 a 3 horas e atinge o máximo em 12 horas. Ausência descarta IM. - Troponina I e T: Regula o processo contrátil do miocárdio. Aumento dentro de algumas horas e permanece por 3 semanas. Tratamento Trombolíticos; Analgésicos; Revascularização arterial (angioplastia); Cuidados de enfermagem Monitorar sinais vitais, ECG (atentar para disfunções cardíacas e depressão respiratória); Monitorar saturação de O2; Administrar oxigenioterapia contínua; Manter o paciente em repouso; Administrar medicamentos conforme prescrição. Insuficiência Cardíaca Congestiva A insuficiência cardíaca congestiva ICC, é uma síndrome de congestão da circulação pulmonar ou sistêmica devido a diminuição da contratilidade miocárdica, resultante de um débito cardíaco inadequado para atender as exigências dos tecidos quanto ao oxigênio. Pode ser classificada como esquerda, direita ou biventricular. Etiologia da ICC As causas principais da ICC são distúrbios que produzem dimuição da contratilidade miocárdica (infarto do miocárdio, hipertensão, cardiomiopatia) Manifestações clínicas ICC esquerda podem incluir: Dispnéia de esforço, dispnéia noturna e ortopnéia. Cansaço fácil, taquicardia e crepitações. ICC direita: Edema pendente com cacifo; Ganho de peso, náusea, anorexia; Ingurgitamento de jugular externa; Congestão hepática (hepatomegalia, ascite) Edema Agudo de Pulmão Consiste no acúmulo anormal de líquido nos pulmões. O líquido pode acumular-se nos espaços intersticiais ou no alvéolos. É um evento agudo que resulta da insuficiência cardíaca. Manifestações clínicas Inquietação e ansiedade; Início súbito de dispnéia e sensação de sufocação; Extremidades frias, úmidas e cianóticas; Pulso fraco e rápido; Tosse incessante, escarro mucóide, espumoso e tinto de sangue (afogamento); Saturação de oxigênio diminuída; Confusão e torpor; Tratamento Oxigenioterapia; Morfina; Diuréticos; Dobutamina – aumenta a contratilidade cardíaca; Cuidados de enfermagem Posicionar o paciente sentado, com os membros inferiores pendentes, para ajudar a reduzir o retorno venoso; Administrar medicamentos e oxigenioterapia, conforme prescrição; Realizar cateterismo vesical para monitorar eliminação de urina; Aneurisma aórtico Consiste em uma dilatação formada por um ponto enfraquecido na parede da aorta. ANEURISMA AÓRTICO TORÁCICO 85% são provocados por aterosclerose, podem originar-se na aorta ascendente e no arco aórtico ou na porção descendente inferior da aorta torácica e na porção superior na aorta abdominal. ANEURISMA AÓRTICO ABDOMINAL Originam-se na aorta abdominal, tipicamente entre as artérias renais e ramos ilíacos. Muitos desses pacientes são assintomáticos Complicações Hemorragia fatal; Isquemia abdominal; Acidente vascular cerebral; Isquemia miocárdica; Isquemia em MMII; Insuficiência renal; Tamponamento cardíaco. Hipertensão arterial É uma pressão arterial sistólica superior a 140 mmHg e uma pressão diastólica maior que 90 mmHg. É uma doença da circulação vascular resultante do funcionamento defeituoso dos mecanismos de controle da pressão arterial. Não existe cura. A explicação básica é que a pressão arterial é elevada quando existe débito cardíaco aumentado mais resistência vascular periférica aumentada. A hipertensão é uma das doenças crônicas mais prevalentes para a qual existe tratamento, no entanto muitos pacientes com hipertensão são desconhecidos, não são tratados ou são tratados de forma inadequada. Fatores de risco Idade superior a 60 anos; Raça negra; Sobrepeso; História familiar; Tabagismo; Estilo de vida sedentário; Diabetes Complicações Doença cérebro-vascular Doença arterial coronariana Insuficiência cardíaca Doença renal crônica Doença arterial periférica Retinopatia Procedimento para a medida da pressão arterial 1. Explicar o procedimento ao paciente, orientando que não fale e descanse por 5-10 minutos em ambiente calmo, com temperatura agradável. Promover relaxamento, par atenuar o efeito do avental branco (elevação da pressão arterial pela tensão provocada pela simples presença do profissional de saúde, particularmente do médico). 2. Certificar-se de que o paciente não está com a bexiga cheia; não praticou exercícios físicos há 60- 90 minutos; não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos, ou fumou até 30 minutos antes; e não está com as pernas cruzadas. 3. Utilizar manguito de tamanho adequado ao braço do paciente, cerca de 2 a 3 cm acima da fossa antecubital, centralizando a bolsa de borracha sobre a artéria braquial. A largura da bolsa de borracha deve corresponder a 40% da circunferência do braço e o seu comprimento, envolver pelo menos 80%. 4. Manter o braço do paciente na altura do coração, livre de roupas, com a palma da mão voltada para cima e cotovelo ligeiramente fletido. 5. Posicionar os olhos no mesmo nível da coluna de mercúrio ou do mostrador do manômetro aneróide. 6. Palpar o pulso radial e inflar o manguito até seu desaparecimento, para a estimativa do nível a pressão sistólica; desinflar rapidamente e aguardar um minuto antes de inflar novamente. 7. Posicionar a campânula do estetoscópio suavemente sobre a artéria braquial, na fossa antecubital, evitando compressão excessiva. 8. Inflar rapidamente, de 10 em 10 mmHg, até ultrapassar, de 20 a 30 mmHg, o nível estimado da pressão sistólica. Proceder a deflação, com velocidade constante inicial de 2 a 4 mmHg por segundo. Após identificação do som que determinou a pressão sistólica, aumentar a velocidade para 5 a 6 mmHg para evitar congestão venosa e desconforto para o paciente. 9. Determinar a pressão sistólica no momento do aparecimento do primeiro som (fase I de Korotkoff), seguido de batidas regulares que se intensificam com o aumento da velocidade de deflação. Determinar a pressão diastólica no desaparecimento do som (fase V de Korotkoff). Auscultar cerca de 20 a 30mmHg abaixo do último som para confirmar seu desaparecimento e depois proceder à deflação rápida e completa. Quando os batimentos persistirem até o nível zero, determinar a pressão diastólica no abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff). 10. Registrar os valores das pressões sistólicas e diastólica, complementando com a posição do paciente, o tamanho do manguito e o braço em que foi feita a medida. Não arredondar os valores de pressão arterial para dígitos terminados em zero ou cinco. 11. Esperar 1 a 2 minutos antes de realizar novas medidas. 12. O paciente deve ser informado sobre os valores obtidos da pressão arterial e a possível necessidade de acompanhamento. Classificação da PA em adultos Classificação PAS (mmHg) PAD (mmHg) Normal 160 > 100 Tratamento não-farmacológico Controle de peso Adoção de hábitos alimentares saudáveis Redução do consumo de bebidas alcoólicas Abandono do tabagismo Prática de atividade física regular Tratamento farmacológico Agentes anti-hipertensivos Diuréticos. Inibidores adrenérgicos. Vasodilatadores diretos. Antagonistas do sistema renina-angiotensina. Bloqueadores dos canais de cálcio Terapia anti-agregante plaquetária Grupos e representantes Dose diária (mg) Intervalo de dose (h) Riscos de empregos mais importantes Diuréticos Tiazídicos Hidrocloratiazida 12,5 - 50 24 Hipocalemia, hiperuricemia De alça Furosemida 20 - 320 12 - 24 Hipovolemia, hipocalemia Antagonista adrenérgicos Bloqueadores beta Propranolol 80 - 320 6 - 12 Em predispostos: bronco-espasmo, doença arterial periférica,bradiarritmias Antagonista SRA Inibidores da ECA Captopril Enalapril 80 - 32012,5 - 150 5 – 40 6 – 12 12 – 24 Tosse, hipercalemia