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SISTEMA ESQUELETICO O corpo possui 206 ossos, esses ossos são responsáveis pela sustentação do corpo, proteção dos órgãos e dos tecidos moles, hematopoiese (produção de células sanguíneas), movimentação e armazenamento de sais minerais. Características do tecido ósseo O tecido ósseo é um tipo de tecido conjuntivo especial, tendo como uma de suas características mais marcantes a presença de material extracelular calcificado (matriz óssea). Essa matriz é rígida devido à calcificação, mas também é elástica devido à presença de fibras colágenas. Além dessa matriz, o tecido ósseo apresenta células especializadas: · Osteoclasto: reabsorção e remodelação óssea · Osteoblasto: síntese da matriz óssea e armazenagem de cálcio · Osteócitos: composição interna da matriz óssea Classificação topográfica O esqueleto humano pode ser dividido em duas partes: o esqueleto axial e o apendicular. No chamado esqueleto axial, temos o crânio, as vértebras, as costelas, o esterno e o osso hioide. O esqueleto apendicular, por sua vez, é formado pelos membros e pelas cinturas escapular e pélvica. Classificação dos ossos Os ossos são classificados em cinco principais tipos: · Ossos longos: apresentam maior comprimento em relação à largura e espessura. Entre seus exemplos, estão o fêmur e a ulna. · Ossos curtos: todas as dimensões (comprimento, largura e espessura) são equivalentes. Entre seus exemplos, estão o tarso e o carpo. · Ossos planos ou laminares: possuem fina espessura e comprimento e largura equivalentes. Como exemplo, podemos citar os ossos do crânio. · Ossos irregulares: não apresenta uma forma geométrica definida. Como exemplo, podemos citar as vértebras. · Ossos sesamoides: são pequenos e arredondados, seu principal exemplo é a patela. Crânio e ossos da face A cabeça é formada por 22 ossos (14 da face e 8 da caixa craniana) e as principais funções do crânio são abrigar e proteger o cérebro e os órgãos da sensibilidade da cabeça, proteger os nervos e vasos sanguíneos, permitir a passagem de ar e alimentos através das aberturas existentes, atuar no processo de mastigação a partir da atuação do maxilar, mandíbula e dentes. Ossos cranianos: ossos parietais (dois), temporais (dois), ocipital, frontal, esfenoide, etmoide, ossículos auditivos e ossos suturais. Os ossículos auditivos são seis, e os ossos suturais possuem número variado. Ossos faciais: maxilas (duas), zigomáticos (dois), nasais (dois), lacrimais (dois), conchas nasais (dois), palatinos (dois), mandíbula e vômer. Vale salientar que a mandíbula é o osso mais forte da face e também o mais longo. Além disso, é o único que apresenta articulação móvel. Coluna vertebral As vértebras são os ossos que formam a coluna vertebral. Essas vertebras são ligadas entre si por articulações e entre uma vértebra e outra, encontramos os discos intervertebrais, os quais atuam como um verdadeiro colchão entre cada um desses ossos. A coluna vertebral desempenha papéis fundamentais para a sobrevivência do indivíduo. Ela garante, por exemplo, suporte para o corpo e proteção para a medula espinhal, uma porção do sistema nervoso central. Ela é constituída por 24 vértebras independentes e 9 que estão fundidas. · Cervicais: são 7 as vértebras do pescoço, sendo que a primeira (atlas) e a segunda (áxis) favorecem a movimentação do pescoço. · Torácicas: são 12 e articulam-se com as costelas. · Lombar: essas 5 vertebras são as maiores e as suportam mais peso. · Sacro: essas 5 vertebras sacrais, são separadas no nascimento e se fundem mais tarde formando um só osso. É um importante ponto de apoio para a cintura pélvica. · Cóccix: são 4 pequenas vertebras coccígeas que, como as sacrais, se fundirão no inicio da idade adulta. Tórax O tórax é formado por 12 pares de costelas ligadas uma as outras pelos músculos intercostais. São ossos chatos e encurvados que se movimentam durante a respiração. As costelas são ligadas as vertebras torácicas na sua parte posterior. Anteriormente, as setes primeiras costelas (chamadas verdadeiras) ligam-se ao esterno, as três seguintes (falsas) ligam-se entre si, e os dois últimos (flutuantes) não se ligam a nenhum osso. O esterno é um osso plano que se liga as costelas por meio de cartilagem. Costelas verdadeiras Esterno Cartilagem costal Costelas falsas Costelas flutuantes Membros superiores Os membros superiores são formados pela cintura escapular que é responsável por garantir a união dos membros superiores ao tórax, é formada por dois ossos: clavícula e escapula. Clavícula Escapula E pelos braços, antebraço, punho e pelas mãos. Nesses observamos os seguintes ossos: · Úmero: maior osso do membro superior, sendo responsável por formar o braço. · Ulna e Radio: esses dois ossos formam o antebraço. O osso Ulna é o mais longo deles. · Ossos do carpo: esses ossos formam o punho e representam um grupo de ossos dispostos em duas fileiras de quatro ossos. Os ossos do carpo são chamados de trapézio, trapezoide, capitato, hamato, pisiforme, piramidal, semilunar e escafoides. · Metacarpo: são um grupo de cinco ossos que formam a palma da mão. · Falanges: são os ossos que formam os dedos e são classificados em: falange proximal, media e distal. O polegar apresenta duas falanges, quanto os outros dedos da mão apresentam três falanges. Membros inferiores Os membros inferiores são responsáveis pela sustentação do corpo e movimentação. São formados pela cintura pélvica, que garante a união dos membros inferiores ao esqueleto axial e é formada pelo osso pélvico ou ossos do quadril. Estes ossos do quadril são formados a partir de três ossos: ílio, ísquio e púbis. Sacro Ílio Cóccix Púbis Ísquio E pela coxa, joelho, canela, panturrilha e pé. Nesses observamos os seguintes ossos: · Fêmur: forma a coxa e é o osso mais longo do corpo humano. · Patela: osso que forma o joelho. · Tíbia: é conhecida como osso da canela. · Fíbula: é conhecida como osso da panturrilha. · Osso do tarso: tálus, calcâneo, navicular, cuboide, cuneiforme medial, cuneiforme intermédio e cuneiforme lateral. Estes ossos estão dispostos em duas fileiras, a proximal e a distal. · Metatarso: é um grupo de cinco ossos longos e resistentes que ligam a parte posterior do pé com os dedos dos pés. · Falanges: são os ossos que formam os dedos. O dedão do pé (hálux) é formado por duas falanges, enquanto os outros dedos dos pés são formados por três falanges. SISTEMA ARTICULAR O sistema articular é formado pelas articulações, que podem ser definidas como a região de união entre dois ou mais ossos. Todos os ossos do corpo, com exceção do osso hioide, apresentam articulação com pelo menos um outro osso. Funções das articulações As articulações ou junturas possuem duas funções principais: permitir a movimentação dos segmentos do corpo e manter todos os ossos do esqueleto juntos e estáveis. Além de garantir a união do esqueleto, as articulações evitam também o desgaste dos ossos. Classificação A princípio, as articulações devem ser classificadas a partir do grau de movimento e pelo tipo de tecido interposto. Com relação ao grau de movimento, tem-se: · Sinartroses: são articulações imóveis que oferecem fundamentalmente estabilidade; · Anfiartroses: são as articulações com pouca mobilidade em que a maioria dos movimentos são limitados; · Diartroses: são articulações caracterizadas por serem amplamente móveis; Se considerar-se o tipo de tecido interposto, tem-se: · Articulação fibrosa Também chamada de sinartrose ou articulação imóvel, ela possui pequena separação com tecido conjuntivo fibroso entre os ossos. Seu papel principal é proporcionar a absorção de choque. As articulações fibrosas são ainda subdivididas em: suturas e sindesmoses. Suturas: São aquelas articulações encontradas nos ossos do crânio Sindesmoses: As sindesmoses unem os ossos por meio de uma lâmina de tecido conjuntivo fibroso que pode ser um ligamento ou membrana interóssea. Ademais, possuem uma distânciamaior entre as faces articulares e mais tecido fibroso quando comparado às suturas. Um exemplo claro é a sindesmose radioulnar e a sindesmose tibiofibular. Gonfoses: São articulações fibrosas que permitem a fixação dos dentes nos alvéolos da maxila e mandíbula. · Articulação cartilaginosa Também chamada de anfiartrose ou articulação semimóvel, ela apresenta tecido cartilaginoso entre os ossos, que pode ser do tipo hialino ou fibroso. Quando a cartilagem é hialina, a articulação recebe o nome de sincondrose e, quando a cartilagem é fibrosa, recebe a denominação de sínfise. Sincondrose: A sincondrose também pode ser chamada de articulação cartilaginosa primária, na qual os ossos são unidos através de cartilagem hialina. Elas são consideradas articulações temporárias, tendo em vista de que em certo momento da vida, elas passam pelo processo de ossificação em que a cartilagem é substituída por osso. Exemplos desse tipo de articulação são a sincondrose manúbrio-esternal e a sincondrose xifoesternal. Sínfise: Também pode ser chamada de articulação cartilaginosa secundária, onde a união dos ossos ocorre através de um disco fibrocartilaginoso. Além disso, as sínfises são capazes de absorver choques mecânicos e impactos. Exemplos: discos intervertebrais que são encontrados entre os corpos vertebrais os quais garantem certa resistência e flexibilidade à coluna vertebral, e a sínfise púbica. Vertebra Disco intervertebral Sínfise púbica · Articulação sinovial Também chamada de diartrose ou móvel, observa-se o livre deslizamento entre a superfície de um osso e outro em virtude da presença de um líquido denominado de sinovial. Diferentemente das outras formas de articulação, as peças articuladas unem-se por meio da cápsula articular, onde o líquido está localizado. Possui uma estrutura anatômica mais complexa do que as fibrosas e cartilaginosas, são compostas de cartilagem articular, ligamentos, capsula articular, membrana sinovial e cavidade articular. Cartilagem articular: As superfícies articulares são cobertas por cartilagem articular hialina, e isso contribui para o baixo nível de atrito entre as peças ósseas. Cápsula articular: É formada por duas camadas: a membrana fibrosa (externa) e a membrana sinovial (interna). Membrana sinovial: é uma estrutura que reveste a cápsula articular, tendo como principal função a produção de líquido sinovial. Cavidade articular: onde se localiza o líquido sinovial, sendo um fluido transparente e viscoso, ajuda na nutrição e lubrificação das articulações, e contribui para o mínimo atrito possível entre as superfícies articulares. Ligamentos: Existem ligamentos acessórios que ajudam a manter a estabilidade articular em boa parte das articulações sinoviais. Eles podem ser subdivididos em: ligamentos extracapsulares, que se localizam no exterior da cápsula articular, como é o caso dos ligamentos colaterais tibial e fibular da articulação do joelho, e ligamentos intracapsulares localizados no interior da cápsula, como exemplo pode-se citar os ligamentos cruzados anterior e posterior da articulação do joelho. Tipos de articulações sinoviais Planas As superfícies dos ossos são planas e o movimento permitido é de deslizamento no plano das faces articulares. Ex: Articulação acromioclavicular. Gínglimos Permite apenas flexão e extensão sendo, por esse motivo, consideradas uniaxiais, ou seja, só possibilita movimentos em um plano e um eixo. A cápsula é bem fina e frouxa na porção anterior e posterior, permitindo o movimento. Porém, lateralmente os ossos são unidos por ligamentos colaterais fortes. Ex: Articulação do cotovelo. Úmero Tróclea Incisura troclear Ulna Trocoide ou pivô Em uma articulação trocoide, a face arredondada de um osso (em forma de pivô) se articula com um anel formado pelo outro osso. Ela permite apenas rotação em torno do seu próprio eixo, sendo, portanto, uniaxiais. Um exemplo é a articulação radioulnar proximal. Cabeça do rádio Incisura radial Ligamento anular do rádio Ulna Rádio Elipsoide A face convexa relativamente plana de um osso se encaixa com uma superfície muito côncava de outro osso. As articulações elipsoides permitem flexão e extensão, além desvio ulnar e radial nos planos sagital e frontal, sendo assim, também são biaxiais. Um exemplo é a articulação radiocarpal do punho. Rádio Ulna Semilunar Escafoide Esferoide A face esferoide de um osso se articula com uma face côncava. São articulações triaxiais, ou seja, permitem movimento em torno dos três eixos e seus respectivos planos, são eles: flexão, extensão, abdução, adução, rotação medial e lateral. Alguns exemplos são as articulações do ombro e do quadril. Acetábulo do osso do quadril Cabeça do fêmur Selar Nesse tipo de articulação, a superfície de um osso tem o formato de uma sela e a face articular do outro osso se encaixa nela, tal qual um cavaleiro sentado em uma sela. Essa articulação realiza os movimentos de flexão, extensão, abdução, adução, oposição e reposição do polegar. Esses movimentos ocorrem ao redor de dois eixos perpendiculares, sendo assim, são articulações biaxiais que permitem movimento nos planos, sagital, frontal. A articulação carpometacarpal entre o trapézio é um exemplo de articulação selar. Ulna Rádio Metacarpo do polegar Trapézio Classificações das articulações sinoviais quanto ao número de eixos. ESTRUTURA/FORMA CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM OS EIXOS Gínglimo Uniaxial Trocóide ou pivô Uniaxial Elipsoide Biaxial Esferoide Triaxial Selar Biaxial SISTEMA MUSCULAR O corpo humano é formado por aproximadamente 600 músculos. Eles correspondem a cerca de 50% do peso total do nosso organismo, e a contração dessas estruturas é responsável por diversas funções como garantir a movimentação, preencher, estabilizar e sustentar o corpo e os órgãos, movimentação do sangue pelo organismo, dos alimentos pelo sistema digestório e da urina pelo sistema urinário, e garantem a realização dos movimentos respiratórios. Tipos de músculos O corpo é formado por três tipos de músculos diferentes · Músculos estriado esquelético: São músculos de contração voluntária. Eles estão conectados com os ossos e cartilagens e, através das contrações, permitem os movimentos, as posições corporais, além de estabilizarem as articulações do organismo. · Músculos estriado cardíaco: exclusivos do coração e de contração involuntária. · Músculos lisos: são aqueles que possuem contração involuntária. Eles estão localizados nas estruturas ocas do corpo, ou seja, estômago, bexiga, útero, intestino, além da pele e dos vasos sanguíneos. Sua função assegura a movimentação dos órgãos internos. Classificação dos músculos Os músculos são classificados de acordo com vario critérios, como a localização, forma e função: · Localização Os músculos podem ser classificados em superficiais ou cutâneos e profundos. Os superficiais estão logo abaixo da pele e apresentam, no mínimo, uma de suas inserções na camada profunda da derme. Exemplo: Platismo. Já os profundos são músculos que não apresentam inserções na camada profunda da derme e, na maioria das vezes, se inserem em ossos. Exemplo: Pronador quadrado. Pronador quadrado Platismo · Forma Longos: Recebe este nome quando a longitude do músculo predomina sobre as demais, podendo passar duas ou mais articulações (uni ou bi-articulares). São encontrados especialmente nos membros. Exemplo: bíceps braquial. Curtos: São músculos de tamanho reduzido encontrados nas articulações e são responsáveis por movimentos de pouca extensão e muita força. Exemplo: músculo da mão. Largos: Neste tipo há predomínio de dois diâmetros coplanares (comprimento e largura). Geralmente apresentam-se bastante achatados e finos. É encontrado revestindo a cavidade torácica, abdominal e pélvica. Exemplo: diafragma. Flexor curto do polegar Bíceps braquial Diafragma · Função Agonistas: são os músculos principais que ativam um movimentoespecífico do corpo, eles se contraem ativamente para produzir um movimento desejado. Ex: realizar uma flexão de cotovelo, o agonista é o bíceps braquial Antagonistas: são os que se opõem ao movimento desejado, ou seja, que promovem o relaxamento e alongamento gradual do músculo, permitindo que o movimento aconteça de forma coordenada. Ex: no exemplo anterior, o antagonista é o tríceps braquial. Sinergistas: são aqueles que participam auxiliando a movimentação principal ou estabilizando as articulações para que não ocorram movimentos indesejáveis durante a ação principal. Ex: no mesmo exemplo, os flexores e extensores do punho contraem-se mantendo estáveis as articulações do punho e cotovelo. Bíceps braquial (agonista) Tríceps braquial (antagonista) Braquiorradial (sinergista) Tipos de contração Os tipos de contração muscular se subdividem em isométrica (metria = comprimento; iso = igual ou constante), contração isotônica (que pode ser dividida em excêntrica e concêntrica) e contração isocinética (cinética = velocidade; iso = igual ou constante). A contração isométrica, segundo Lippert (2008), ocorre quando o músculo se contrai, produzindo força sem mudar seu comprimento. Nesse caso, a tensão gerada pelo músculo não é suficiente para vencer uma determinada resistência, resultando em uma força estática, onde não há alteração no ângulo da articulação envolvida. A contração isotônica caracteriza-se como uma contração em que as fibras musculares se encurtam ou alongam enquanto exercem uma força constante correspondente a uma carga ou resistência. Essa força acarreta em uma alteração no tamanho do músculo, gerando assim, um movimento na articulação envolvida. Ela pode ser dividida em concêntrica, que é aquela onde a potência é maior que a resistência e a fibra muscular sofre uma diminuição de seu tamanho (encurta-se), isto é, a origem se aproxima da inserção e excêntrica que é aquela onde a resistência é maior que a potência onde as fibras, por possuírem características elásticas, se ampliam fazendo com que o ponto de origem do músculo se afaste da inserção. Outra maneira de se pensar em contração muscular excêntrica é pensar que esta é uma modalidade onde o músculo se alonga durante o tempo em que está exercendo tensão. A contração isocinética é aquela em a tensão desenvolvida pelo músculo é máxima em todos os ângulos articulares durante toda a amplitude de movimento porque ela é realizada em uma velocidade constante. A contração ocorre em uma velocidade angular constante, permitindo mensurar a força aplicada pelo músculo em toda a amplitude articular do movimento. Mecanismo de contração muscular O segredo para compreender como os músculos se contraem está na sua estrutura celular. As fibras musculares são construídas a partir da fusão de células que contêm proteínas em filamentos – a actina e a miosina – que formam as miofibrilas. Na contração muscular, a miofibrila se encurta em função do deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina. Esses filamentos se repetem ao longo da fibra muscular, formando o sarcômero. O sarcômero é a unidade funcional da contração muscular. No caso do músculo, quando relaxado, os filamentos de actina e miosina estão esticados – no telescópio, seria como se estivesse no comprimento máximo. Quando o músculo se contrai, os filamentos de actina deslizam sobre os de miosina, havendo uma sobreposição – como quando guardamos o telescópio. Para ocorrer a contração muscular são necessários três elementos: · Estímulo do sistema nervoso; · As proteínas contráteis, actina e miosina; · Energia para contração, fornecida pelo ATP. Geralmente, o estímulo para a contração muscular inicia-se na parte central do sistema nervoso, sendo propagado pelos neurônios. A contração, ou seja, a interação das proteínas no sarcômero, precisa de energia. Além disso, o processo exige íons de cálcio – eles é que liberam a miosina para que esta efetue a contração. O impulso do sistema nervoso atua na musculatura, liberando uma substância chamada acetilcolina. Essa substância, por sua vez, permite que ocorra a difusão de íons de sódio para o interior das fibras musculares, ativando as forças entre os filamentos de miosina e actina e iniciando a contração muscular. Para que a contração continue, é necessário o fornecimento constante de energia. Essa energia é derivada da molécula de ATP (adenosina trifosfato), que é quebrada em ADP (adenosina difosfato), liberando a energia necessária para sustentar o processo contrátil. E, se a contração necessita dos íons de cálcio e da penetração de íons de sódio e potássio, o relaxamento ocorre quando há pouca concentração desses íons. Sendo assim, é interrompido o processo de contração. As proteínas actina e miosina se desacoplam, causando o alargamento do sarcômero. SISTEMA CARDIOVASCULAR O sistema cardiovascular do corpo humano é constituído pelo coração e pelos vasos sanguíneos. Esse sistema tem como papel principal operar a circulação do sangue no organismo, garantindo, dessa forma, que oxigênio e nutrientes sejam levados até as células e que os resíduos metabólicos sejam transportados até seu local de eliminação. · Coração Coração é um órgão localizado na parte inferior do mediastino médio. Encontra-se na cavidade torácica, mais precisamente na região posterior ao osso esterno e acima do músculo diafragma. Esse órgão tem o tamanho aproximado de uma mão fechada e apresenta maior parte da sua massa à esquerda da linha mediana. O coração é um órgão formado, principalmente, por tecido muscular estriado cardíaco, o qual se caracteriza por apresentar contração involuntária. Esse órgão realiza contrações e relaxamentos que seguem um ritmo cíclico. Sua contração garante o bombeamento de sangue, enquanto seu relaxamento permite que as câmaras se encham de sangue novamente. A fase de contração recebe a denominação de sístole, enquanto a fase de relaxamento é denominada diástole. O batimento cardíaco é conseguido graças a uma massa de células especializadas, encontradas nesse órgão, chamadas de nó sinoatrial. Essa massa de células está na parede do átrio direito e é responsável por gerar impulso elétrico. Esse impulso propaga-se pelo tecido muscular até chegar ao nó atrioventricular, o qual está localizado na parede, entre os átrios esquerdo e direito. Esse nó constitui um ponto de transmissão de impulsos nervosos, os quais partem dessa região por meio do feixe atrioventricular (ou feixe de His), dividido em ramos direito e esquerdo, e pelas fibras de Purkinje, que percorrem o septo interventricular, conduzindo o impulso elétrico dos átrios para os ventrículos e ao ápice do coração Feixe atrioventricular de His Nó sinoatrial Ramo direito do feixe atrioventricular Ramos subendocárdicos de Purkinie Ramo esquerdo do feixe atrioventricular Nó atrioventricular Camadas do coração O coração é composto por três camadas principais, da parte mais interna para mais externa, são as seguintes: endocárdio, miocárdio e epicárdio. Endocardio É a camada mais interna da parede cardíaca, que reveste o coração e as valvas cardíacas. Estruturamente, o endocárdio é constituido por tecido epitelial simples pavimentoso (endotélio) que repousa sobre uma camada subendotelial de tecido conjuntivo frouxo e uma camada mais profunda de tecido conjuntivo, tambem denominada de camada subendocárdia. A camada subendocárdica possui vasos e nervos do sistema condutor do coração. As fibras de Purkinje estão localizadas nesta camada. Miocárdio Miocárdio É a camada mais espessa do coração, constitúida por tecido muscular estriado cardíaco. Ele é composto por células musculares especializadas, chamadas cardiomiócitos, que possuem a capacidade única de contração rítmica e contínua, permitindo que o coração bombeie sangue para todo o corpo. A estrutura do miocárdio é a mesma nos átrios e nos ventrículos, porém ele é mais espesso nos ventrículos. Isso acontece devido à maior pressão hidrostática que os ventrículosprecisam vencer para bombear o sangue pelos vasos sistêmicos. Epicárdio É a camada mais extrena do coração, tambem conhecido como camada visceral do pericárdio seroso. Consiste em uma única camada de células mesoteliais e tecidos adiposo e conjuntivo que conecta o epicárdio ao miocárdio e atua como uma camada de amortecimento. Os vasos sanguíneos e os nervos que irrigam o coração encontram-se no epicárdio. Nas raízes dos grandes vasos, o epicárdio se dobra e continua como pericárdio parietal, formando o saco pericárdico. Entre as camadas visceral (epicárdio) e parietal (pericárdio) existe a cavidade pericárdica, que contém o líquido pericárdico, responsável por lubrificar as estruturas do pericárdio e diminuir o atrito durante os movimentos de contração do coração. · O pericárdio é um saco fibroso-seroso que envolve o coração e as raízes dos grandes vasos sanguíneos. · A cavidade pericárdica é o espaço entre as duas camadas do pericárdio, que contém o líquido pericárdico. Anatomia do coração Internamente, o coração é dividido em quatro câmaras: dois átrios (direito e esquerdo) e dois ventrículos (direito e esquerdo). Os lados direito e esquerdo do coração são separados pelos septos interatrial e interventricular. Além disso, os átrios são separados dos ventrículos pelo septo atrioventricular. O sangue flui dos átrios para os ventrículos através dos orifícios atrioventriculares (direito e esquerdo), que são aberturas nos septos atrioventriculares. Essas aberturas se abrem e se fecham alternadamente pelas valvas cardíacas, dependendo da fase do ciclo cardíaco. As valvas cardíacas separam os átrios dos ventrículos, bem como os ventrículos dos grandes vasos, situando-se nos orifícios atrioventriculares e nas raízes do tronco pulmonar e da aorta. Cada uma delas possuí dois ou três folhetos, também chamados de cúspides. As cúspides se abrem para permitir que o sangue flua em uma direção, e em seguida se fecham para ocluir os orifícios e impedir o refluxo do sangue. Existem dois tipos de valvas: as atrioventriculares, situadas sempre entre um átrio e um ventrículo, e as semilunares, situadas entre um ventrículo e a raiz de um grande vaso (tronco da artéria pulmonar e aorta). As valvas atrioventriculares impedem o fluxo retrógrado de sangue dos ventrículos em direção aos átrios: · A valva atrioventricular direita é chamada de valva tricúspide, e situa-se entre o átrio e o ventrículo direitos. Ela possui, como o próprio nome sugere, três cúspides ou folhetos: anterior (anterossuperior), septal e posterior (inferior). · A valva atrioventricular esquerda é chamada de valva mitral ou valva bicúspide. Esses nomes se devem ao fato de que essa valva possui duas cúspides: anterior (aórtica) e posterior (mural). As valvas semilunares impedem o fluxo sanguíneo retrógrado dos grandes vasos para os ventrículos. · A valva pulmonar encontra-se entre o ventrículo direito e a abertura do tronco pulmonar. Ela possui três cúspides com formato semilunar: anterior (não adjacente), esquerda (adjacente esquerda) e direita (adjacente direita). · A valva aórtica encontra-se entre o ventrículo esquerdo e a abertura da aorta. Ela possui três cúspides: esquerda (coronária esquerda), direita (coronária direita) e posterior (não coronária). Grandes vasos Os grandes vasos do coração são: a aorta, a artéria pulmonar, as veias pulmonares e as veias cavas superior e inferior. São chamadas de grandes vaosos pos possuem grandes dimensões. A aorta é responsável por levar sangue para o corpo todo e seus principais ramos incluem o tronco braquiocefálico, a artéria carótida comum (direita e esquerda) e a artéria subclávia (direita e esquerda) Artéria carótida comum esquerda Artéria carótida comum direita Artéria subclávia esquerda Artéria subclávia direita Tronco braquiocefálico A artéria aorta possui um ramo ascendente que origina as artérias coronárias direita e esquerda, responsáveis por irrigar o coração Aorta ascendente A veia cava superior recebe sangue da metade superior do corpo através das veias braquiocefálicas direita e esquerda, e a veia cava inferior recebe o sangue da metade inferior do corpo, através das veias ilíacas comuns. A artéria pulmonar é responsável por transportar o sangue venoso, rico em gás carbônico, do ventrículo direito do coração para os pulmões, onde é oxigenado. Após a hematose, o sangue rico em oxigênio retorna ao coração pelas veias pulmonares. Veia cava superior Artéria pulmonar Veia pulmonar Veia cava inferior · Vasos sanguíneos Compondo o sistema cardiovascular, os vasos saanguíneos são um grande sistema de tubos por onde o sangue circula. Existem três grandes categorias de vasos, incluindo as artérias, as veias e os capilares, e eles são categorizados de acordo com a sua estrutura histológica: Artérias Artérias são vasos sanguíneos que garantem o transporte de sangue sob alta pressão do coração para todos os tecidos e órgãos do nosso corpo. Apresentam paredes formadas por três camadas, conhecidas como túnicas. · Túnica íntima: camada localizada mais internamente. Formada por células epiteliais, tecido conjuntivo e uma membrana elástica limitante externa que a separa da próxima camada; · Túnica média: é a camada mediana da parede das artérias. Ela é formada por células musculares lisas, fibras elásticas e colágeno; · Túnica adventícia: é a camada mais externa e está contínua com o tecido conjuntivo presente no órgão pelo qual a artéria está passando. É formada por por fibras elásticas e colágeno. As artérias apresentam como principal função a condução do sangue, rico em oxigênio e nutrientes, do coração para os tecidos do corpo. É importante destacar, porém, que as artérias também podem transportar o sangue venoso, como ocorre na artéria pulmonar, que leva o sangue do ventrículo direito para o pulmão. Musculo liso Endotélio Membrana elástica externa Membrana elástica interna À medida que os ramos arteriais penetram mais profundamente nos tecidos, eles diminuem de tamanho e se ramificam em arteríolas, que possuem menor diâmetro e são mais numerosas. As arteríolas, por sua vez, se dividem em capilares. Capilares São vasos sanguíneos minúsculos que atuam como pontes entre as artérias e as veias. Eles permitem a troca gasosa ideal entre o sangue e o tecido, por causa da sua parede muito fina formada por poucas células. Os capilares sanguíneos são vasos formados por uma camada de células endoteliais (endotélio), as quais estão dispostas formando um tubo. Em volta desse tubo, temos a chamada membrana basal, que possui componentes moleculares produzidos pelas próprias células endoteliais e que atua, principalmente, garantindo a integridade do capilar. O sangue passa dos capilares para as vênulas, que são vasos sanguíneos de pequeno diâmetro que recolhem o sangue dos capilares. À medida que as vênulas se fundem e aumentam de tamanho, formam as veias, que conduzem o sangue de volta ao coração. Veias São vasos sanguíneos que apresentam como função retornar o sangue dos vários tecidos do corpo para o coração. Elas resultam da confluência de vasos capilares em um sistema de vasos que vai aumentando seu diâmetro à medida que se aproxima do coração. As veias, assim como as artérias, apresentam três camadas formando as suas paredes. Essas camadas são: túnica íntima, túnica média e túnica adventícia. · Túnica íntima: é a camada mais interna das veias e é formada por células endoteliais e uma camada subendotelial de tecido conjuntivo frouxo · Túnica média: nela observamos, principalmente, células do tecido muscular liso. É também observada uma matriz com diferentes componentes, como fibras elásticas e reticulares. Quando comparada à túnica média das artérias, essa camada apresenta menos células musculares e também menor quantidade de fibras elásticas. · Túnica adventícia: nela se verifica a presença de, principalmente, fibras elásticas e colágeno. É uma camada mais desenvolvida em veias do que em artérias.Como mencionado, as veias são vasos sanguíneos que apresentam a função de retornar o sangue dos tecidos para o coração. Esse retorno nem sempre é fácil, uma vez que, nesses vasos, o sangue encontra-se sob baixa pressão e, muitas vezes, o retorno deve acontecer contra a ação da gravidade. Para garantir esse retorno, as veias contam com válvulas que ajudam a manter o fluxo unidirecional, evitando, desse modo, o refluxo do sangue. Essas válvulas são pregas da túnica íntima que se projetam para o interior do vaso e apresentam a forma de meia-lua. Além da ação das válvulas, a veia garante o retorno do sangue graças a contrações da musculatura lisa presente em sua parede e a contrações dos músculos esqueléticos que circundam a veia. A cavidade através da qual o sangue viaja é chamada de lúmen. Túnica íntima Tecido conjuntivo Túnica média Classificação das veias De acordo com a localização das veias no corpo, essas podem ser classificadas em dois tipos: superficiais e profundas. · Superficiais: localizam-se entre a pele e a fáscia muscular, uma capa inelástica que recobre os músculos. são veias que, com frequência, podem ser vistas através da pele. · Profundas: estão localizadas mais internamente, sendo encontradas transitando abaixo da fáscia muscular. Elas podem estar dispostas de maneira a acompanhar as artérias ou estar sozinhas. Por fim, a estutura dos vasos sanguineos segue a seguinte ordem: FISIOLOGIA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR A fisiologia do sistema cardiovascular envolve dois tipos principais de circulação sanguínea: a circulação pulmonar (ou pequena circulação) e a circulação sistêmica (ou grande circulação). Essas circulações são responsáveis por garantir que o sangue flua por todo o corpo, transportando oxigênio, nutrientes e removendo resíduos metabólicos. No percurso completo, o sangue passa duas vezes pelo coração. Circulação pulmonar Tambem chamada de pequena circulação, é o trajeto que o sangue realiza entre o coração e os pulmões, com o objetivo principal de realizar as trocas gasosas (hematose). Esse processo começa quando o sangue desoxigenado é bombeado do ventrículo direito do coração para a artéria pulmonar. Essa ramifica-se de maneira que uma segue para o pulmão direito e outra para o pulmão esquerdo. Nesse órgão elas se ramificam em artérias de pequeno calibre até os capilares que circundam os alvéolos pulmonares, pequenas estruturas responsáveis pelas trocas gasosas. Nos alvéolos, ocorre a hematose, o processo pelo qual o dióxido de carbono (CO₂) presente no sangue é liberado para o interior dos alvéolos e, em troca, o oxigênio (O₂) passa dos alvéolos para os capilares sanguíneos. Após essa troca, o sangue, agora rico em oxigênio, é recolhido pelas vênulas, que o conduzem para as veias pulmonares. As veias pulmonares transportam o sangue oxigenado de volta ao coração, mais especificamente para o átrio esquerdo. A partir daí, o sangue será bombeado para o ventrículo esquerdo, iniciando a circulação sistêmica (grande circulação), onde será distribuído por todo o corpo. Assim sendo, podemos resumir o trajeto da circulação pulmonar da seguinte forma: Coração → Pulmão → Coração Circulação sistêmica Também conhecida como grande circulação, é o percurso que o sangue realiza ao ser bombeado do coração para todos os tecidos e órgãos do corpo. Esse ciclo começa quando o sangue oxigenado sai do ventrículo esquerdo através da artéria aorta. A aorta se ramifica em artérias menores, que se dividem em arteríolas e capilares, alcançando todos os tecidos. Nos capilares, ocorrem as trocas gasosas, de nutrientes e de resíduos metabólicos. As células recebem oxigênio e nutrientes do sangue, enquanto o sangue coleta dióxido de carbono (CO₂) e produtos do metabolismo celular. Após essas trocas, o sangue, agora pobre em oxigênio e rico em CO₂, retorna ao coração por meio das veias cavas superior e inferior. Essas veias drenam o sangue para o átrio direito do coração, de onde ele passa para o ventrículo direito, dando início à circulação pulmonar, onde o sangue será novamente oxigenado nos pulmões antes de reiniciar o ciclo. Asssim sendo, a circulação sistêmica apresenta o seguinte trajeto; Coração → Sistemas Corporais → Coração Capilares Veia cava superior Artéria aorta Capilares dos pulmões Artéria pulmonar Átrios Veias pulmonares Aorta Ventrículos Veia cava inferior Capilares Ciclo cardíaco O ciclo cardíaco é o conjunto de eventos que ocorrem no coração entre o início de um batimento e o próximo, envolvendo contração e relaxamento do músculo cardíaco. Cada ciclo cardíaco tem uma fase diastólica (diástole), na qual as câmaras do coração estão em estado de relaxamento e se enchem de sangue que recebem das veias, e uma fase sistólica (sístole), na qual as câmaras do coração se contraem, bombeando o sangue para a periferia através das artérias. Tanto os átrios quanto os ventrículos passam por estados alternados de sístole e diástole. Isto é, quando os átrios estão em diástole, os ventrículos estão em sístole e vice-versa. Fases do clico cardiaco Os eventos do ciclo cardíaco iniciam-se com um potencial de ação espontâneo no nó sinoatrial, esse estímulo causa uma série de eventos nos átrios e nos ventrículos. Todos esses eventos são “organizados” em duas fases: · diástole (quando o coração se enche com sangue) · sístole (quando o coração bombeia o sangue) 1. Diástole atrial A diástole atrial é o primeiro evento do ciclo cardíaco. Ela acontece poucos milissegundos antes de o sinal elétrico do nó sinoatrial (o "marcapasso natural" do coração) atingir os átrios. Os átrios têm a função de facilitar a passagem do sangue para os ventrículos correspondentes e ajudar a bombear o sangue residual para eles. Durante a diástole atrial, o sangue entra no átrio direito através das veias cavas (superior e inferior) e no átrio esquerdo através das veias pulmonares. No início desta fase, as valvas atrioventriculares estão fechadas, fazendo com que o sangue se acumule nos átrios. 2. Diástase A diástase representa o início do processo de enchimento dos ventrículos (enchimento passivo) antes da contração atrial contribuir para completar esse processo. 3. Sístole atrial O nó sinoatrial inicia um potencial de ação de maneira autônoma, que se propaga por todo o miocárdio atrial. A despolarização elétrica resulta na contração simultânea dos átrios, causando um aumento adicional nas pressões atriais e forçando assim que o sangue residual dos átrios passe ativamente para os ventrículos. 4. Diástole ventricular Em algum momento, a pressão ventricular torna-se inferior à pressão atrial, o que leva à abertura das valvas atrioventriculares. Isso resulta no enchimento rápido dos ventrículos com sangue. No final desse processo, a maior parte do sangue passou dos átrios para os ventrículos. Além disso, um pequeno volume de sangue flui diretamente para os ventrículos a partir das veias cavas e, no final da diástole ventricular, o sangue restante nos átrios é bombeado para o ventrículo (pela contração atrial). Ao volume total de sangue presente no ventrículo no final da diástole dá-se o nome de volume diastólico final ou pré-carga. 5. Sístole ventricular A sístole ventricular refere-se ao período de contração dos ventrículos. O impulso elétrico chega ao nó atrioventricular logo após a despolarização atrial. Há um pequeno atraso na transmissão no nó atrioventricular, o que permite que os átrios completem sua contração antes do impulso ser transmitido para os ventrículos (e, consequentemente, antes que ocorra a despolarização ventricular). O potencial de ação passa pelo nó atrioventricular, desce pelo feixe de His e, posteriormente, para os seus ramos esquerdo e direito. Essas fibras conduzem os impulsos elétricos através de seus respectivos territórios ventriculares, levando à contração ventricular. À medida que o ventrículo começa a se contrair, o aumento da pressão ventricular excede apressão atrial, promovendo o fechamento das valvas atrioventriculares e criando a 1ª bulha cardíaca (sons do coração). No entanto, nessa fase, a pressão ventricular ainda não é suficiente para abrir as valvas semilunares. Por isso, os ventrículos estão em estado de contração isovolumétrica – uma vez que, durante esse curto período de tempo, não há alteração no volume total (volume diastólico final) no ventrículo. À medida que a pressão ventricular aumenta e se torna superior à pressão nos tratos de saída (artérias pulmonares e aorta), as válvulas semilunares se abrem. 6. Fase de ejeção Após a abertura das válvulas semilunares, a maior parte do sangue saia do ventrículo para as respectivas artérias. No primeiro momento da ejeção, 70% do sangue é expelido, esse período é chamado de ejeção rápida. No final da sístole, fica uma pequena quantidade de sangue no ventrículo, que é conhecida como volume sistólico final ou pós-carga, que serão lançados no segundo e terceiro momento, logo após o período de ejeção rápida. Destes, 30% correspondem ao período de ejeção lenta. 4. Relaxamento isovolumétrico Quando o período de sístole ventricular termina, os ventrículos começam a relaxar. Neste momento, o volume de sangue nos ventrículos não muda, o que caracteriza o período de relaxamento isovolumétrico. As válvulas semilunares se fecham, produzindo a 2ª bulha cardíaca, à medida que as artérias começam a empurrar o sangue de volta para os ventrículos. Após isso, as pressões nos ventrículos diminuem e retornam ao nível de diástole. Durante esse processo, os átrios continuam a se encher de sangue. Isso faz com que as válvulas atrioventriculares se abram, iniciando um novo ciclo de contração e relaxamento dos ventrículos. SISTEMA SANGUÍNEO O sangue é um tipo especial de tecido conjuntivo que se destaca por apresentar-se como um fluído de cor vermelha e viscoso. Caracteriza-se por apresentar uma matriz líquida (plasma), em que se encontram suspensos os elementos figurados do sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas). · Plasma O plasma é a parte líquida do sangue, é composto por 90% de água e várias substâncias dissolvidas como o sódio, potássio, cálcio e magnésio; proteínas, como albuminas e anticorpos; e várias substâncias que são transportadas pelo sangue, como glicose, vitaminas, hormônios, gases respiratórios e resíduos do metabolismo. Essa porção do sangue apresenta uma coloração amarelada. · Hemacias As hemácias, ou glóbulos vermelhos, são células sanguíneas anucleares que se destacam por seu formato de pequeno disco bicôncavo contendo uma grande quantidade de hemoglobina, uma proteína com estrutura quaternária formada por quatro subunidades. Cada subunidade é formada por uma porção proteica (globina) e um grupo prostético (heme). Essa proteína que confere a cor avermelhada do sangue. Sua principal função é transporta oxigênio. · Leucócitos Os leucócitos são células incolores que apresentam como função principal defender nosso organismo. As duas formas principais de defesa por parte dessas células são a fagocitose e a produção de anticorpos. A fagocitose é um processo em que as células englobam e digerem a partícula estranha, enquanto os anticorpos são proteínas de defesa que atuam, por exemplo, sinalizando uma célula para que ela possa ser fagocitada, ou neutralizando um antígeno. Por causa de sua mobilidade, os leucócitos podem atravessar poros nas paredes dos vasos, sendo esses capazes, portanto, de atuar em tecidos lesionados. Este movimento é denominado de diapedese Eles podem ser divididos em dois grupos classificados de acordo com o aspecto do seu citoplasma após coloração. Os granulócitos destacam-se pela presença de grânulos específicos e de um núcleo irregular, enquanto os agranulócitos não apresentam grânulos específicos e seu núcleo apresenta-se mais regular. Existem três tipos de leucócitos granulosos: os neutrófilos, os eosinófilos e os basófilos; enquanto os leucócitos agranulosos podem ser de dois tipos: os monócitos e os linfócitos. Os neutrófilos têm como principal função fagocitar bactérias e outros microrganismos que invadem o nosso corpo. Por terem grande mobilidade, essas células saem com extrema facilidade dos vasos sanguíneos e entram nos tecidos infeccionados para fagocitar microrganismos e outras partículas estranhas. O pus que observamos em alguns ferimentos é constituído principalmente por neutrófilos. Os eosinófilos têm como principal função combater invasores de grande tamanho, como vermes parasitas. Além de ação antiparasitária e bactericida, os eosinófilos também participam em reações alérgicas e na modulação e respostas inflamatórias do corpo. Os basófilos liberaram heparina e histamina. A histamina é uma substância que desempenha papel muito importante nas inflamações e respostas alérgicas, facilitando a saída de anticorpos e neutrófilos para locais onde há invasores. Essa substância é a responsável pela vermelhidão, inchaço e coceira nos ferimentos, além de promover o aumento da coriza e a contração da musculatura dos brônquios. Outra substância produzida pelos basófilos é chamada de heparina, que tem propriedades anticoagulantes. Os monócitos são os maiores leicócitos observados e migram para os tecidos onde se transformam em macrófagos, fagocitando microrganismos e células mortas (homeostase tecidual). Os linfócitos são responsáveis por atuar na defesa do organismo contra agentes invasores que podem causar infecções, como bactérias, vírus, fungos e células tumorais. São divididos em três principais tipos: · Linfócitos NK: também conhecidos como células natural killer, são grandes e atuam na defesa imediata do corpo, principalmente contra células cancerígenas e infecções virais. · Linfócitos T: protegem contra vírus, fungos e bactérias e são responsáveis por diferenciar as células do organismo de corpos estranhos. · Linfócitos B: produzem anticorpos que atuam no reconhecimento destruição do antígeno. · Plaquetas As plaquetas são fragmentos de células da medula óssea, chamados de megacariócitos. As plaquetas desempenham um papel importante na coagulação sanguínea. O citoplasma destes pequenos elementos possui resíduos de organelas que sintetizam e armazenam diversos fatores ativos como enzimas, hormônios e autacóides que atuam, juntamente com outras proteínas do plasma, na formação do coágulo. Além da formação do coágulo, as plaquetas também sintetizam hormônios que ao serem liberados, causam vasocosntrição local e reduzem o fluxo sanguíneo para a área lesada. Hemostasia A hemostasia pode ser definida como uma série complexa de fenômenos biológicos que ocorre em imediata resposta à lesão de um vaso sanguíneo com objetivo de deter a hemorragia. Este processo deve ser rápido, localizado e meticulosamente regulado para prevenir a perda excessiva de sangue e promover a reparação tecidual. A hemostasia envolve duas principais vias interligadas: a formação de coágulos de fibrina mediada por trombina, uma enzima que converte o fibrinogênio em fibrina. E a lise desses coágulos mediada por plasmina. Hemostasia primária Imediatamente após a ruptura de um vaso sanguíneo, o traumatismo na parede do vaso provoca uma contração do mesmo. A vasoconstrição resultante da lesão do vaso sanguíneo permite o controle imediato da hemorragia. A ruptura do endotélio libera substâncias que estimulam o primeiro fenômeno fisiopatológico relacionado às plaquetas. A adesão plaquetária é o processo pelo qual as plaquetas se fixam ao local da lesão. Essa adesão ao endotélio é mediada por receptores de superfície das plaquetas que se ligam ao colágeno e ao fator de von Willebrand, conectando as plaquetas ao colágeno do subendotélio. Após a adesão, as proteínas contráteis das plaquetas liberam grânulos contendo vários fatores ativos, tornando-as viscosas e facilitando sua adesão ao colágeno nos tecidos e ao fator de von Willebrand presente no plasma. Durante a agregação, ocorre uma reação secretoraem que as plaquetas liberam produtos armazenados em seus grânulos, como ADP, serotonina, histamina, fosfolipídios plaquetários e enzimas que promovem a formação de tromboxano A. O ADP e o tromboxano A ativam outras plaquetas, fazendo com que elas se juntem ao agregado original. Hemostasia secundária A hemostasia secundária é o processo pelo qual o corpo controla sangramentos através de uma série de reações em cadeia. Essas reações acontecem entre proteínas chamadas fatores de coagulação, que ativam umas às outras de forma sequencial. Os fatores de coagulação são indicados por números romanos e, quando ativados, recebem a letra "a" após o número. Existem duas vias principais para a ativação da coagulação: a via intrínseca e a via extrínseca, que se encontram na chamada via comum. A trombina, uma enzima, é central para o processo, pois não só transforma o fibrinogênio em fibrina, formando o coágulo, mas também amplifica outras partes da cascata de coagulação e estimula as plaquetas e a resposta inflamatória. A via intrínseca começa quando o sangue entra em contato com uma superfície diferente do endotélio normal, o que, junto com calicreína e cininogênio de alto peso molecular, ativa o fator XII. O fator XIIa ativa o fator XI, que então ativa o fator IX. O fator IXa, na presença do fator VIII, ativa o fator X. A via extrínseca ocorre devido à liberação do fator tecidual durante uma lesão vascular. A tromboplastina liberada ativa o fator VII. O fator VIIa, junto com cálcio e fator III, forma um complexo que ativa o fator X. Finalmente, na via comum, o fator Xa em conjunto com o fator Va convertem protombina (fator II) em trombina (IIa) e esta, por sua vez, converte fibrinogênio (I) em fibrina (Ia), formando a desejada rede de fibrina. Etapas fisiológicas dos elementos figurados do sangue · Hematopoiese A hematopoiese (ou hemopoese) é processo pelo qual são formadas as células do sangue. Ela abrange todos os fenômenos relacionados com a origem, a multiplicação e a maturação de células primordiais ou precursoras das células sanguíneas. O local de formação das células sanguíneas muda ao longo do tempo. Nas fases iniciais da vida do embrião (fase mesoblástica), a hematopoiese ocorre principalmente na vesícula vitelínica. Em seguida passa a acontecer no fígado fetal (fase hepática que ocorre entre a 4ª e a 6ª semanas de gestação), e posteriormente se concentra predominantemente na medula óssea, onde continua até a vida adulta. No entanto, com o envelhecimento, a medula amarela aumenta e os locais de hematopoiese se restringem ao esqueleto axial e às extremidades proximais dos ossos longos. O processo de produção das células inicia-se com a produção de uma célula denominada de hemocitoblasto, também chamada de célula-tronco hematopoiética, que é capaz de originar dois tipos de células-tronco com um grau a mais de diferenciação: célula-tronco mieloide e célula-tronco linfoide. A primeira é responsável por originar as hemácias (eritrócitos), plaquetas (formadas a partir da separação de pequenas partes do citoplasma dos megacariócitos), leucócitos granulócitos (basófilos, neutrófilos e eosinófilos) e monócitos. A segunda origina os leucócitos agranulócitos (linfócitos B e linfócitos T). · Desempenho das funções Nesta fase, cada componente do sangue desempenha sua função específica. As hemácias transportam oxigênio dos pulmões para as células do corpo e removem o dióxido de carbono das células, direcionando-o para os pulmões. Além disso, auxiliam na regulação do pH sanguíneo. As plaquetas têm um papel fundamental na coagulação do sangue e na reparação de vasos sanguíneos danificados. Já os leucócitos atuam na defesa do organismo contra agentes infecciosos, englobando e digerindo micro-organismos invasores através da fagocitose. Eles também produzem anticorpos, que se fixam aos invasores, facilitando sua destruição. · Hemocaterese A hemocaterese é o processo natural de destruição das hemácias (glóbulos vermelhos) que já completaram seu ciclo de vida, geralmente após 90 a 120 dias de atividade. Esse processo ocorre principalmente no baço e fígado, onde células especializadas do sistema imunológico, chamadas macrófagos, fagocitam e destroem as hemácias envelhecidas ou danificadas. Durante essa degradação, os componentes internos das hemácias são liberados, sendo a hemoglobina o principal deles. Esta hemoglobina então é dividida em duas partes: globina e heme. A globina, uma proteína, é quebrada em aminoácidos que são reutilizados pelo organismo para diversas funções celulares. Já o grupo heme, que contém ferro e porfirina, passa por um processo específico de degradação. O complexo enzimático chamado heme oxigenase inicia a clivagem[footnoteRef:1] oxidativa do heme, convertendo a porfirina em biliverdina, um pigmento verde. Em seguida, a biliverdina é transformada em bilirrubina pela enzima biliverdina redutase, sendo então transportada para o fígado. [1: processo de divisões celulares ] No fígado, a bilirrubina é conjugada e excretada na bile, passando para o intestino delgado e depois para o intestino grosso. Ali, as bactérias intestinais convertem a bilirrubina em urobilinogênio e estercobilinogênio. Parte desse urobilinogênio é reabsorvida e levada para os rins, onde é transformada em urobilina, responsável pela coloração amarela da urina. A outra parte, estercobilinogênio, é convertida em estercobilina, que dá a cor marrom às fezes. O ferro presente no heme não é desperdiçado. Ele é capturado por uma proteína chamada ferritina, que o transporta pela corrente sanguínea para ser reutilizado na formação de novos grupos heme, essenciais para a produção de novas hemácias. Assim, o ciclo de vida das hemácias é continuamente renovado, garantindo o bom funcionamento do sistema circulatório e a manutenção adequada do transporte de oxigênio no corpo. Porfirina Biliverdina Bilirrubina Estercobilina Bilirrubina conjugada Ferro Reciclagem Aminoácidos Globina Urobilinogênio Urobilina Tipos sanguíneos Os tipos sanguíneos são determinados pela presença de antígenos e anticorpos no sangue de cada indivíduo. Os antígenos são proteínas encontradas na superfície das hemácias, enquanto os anticorpos são proteínas encontradas no plasma sanguíneo, que atuam como parte do sistema imunológico responsável por reconhecer substâncias estranhas ao organismo e alertar o sistema imunológico da sua presença, para que elas possam ser eliminadas ou destruídas. Existem vários tipos de sistemas de anticorpos e antígenos no nosso sangue, mas os mais conhecidos são os que constituem o sistema ABO e o fator Rh. O sistema ABO é uma forma de classificação dos indivíduos em diferentes tipos sanguíneos baseado na presença ou ausência de anticorpos e antígenos das hemácias. Os indivíduos são classificados como tipo A, tipo B, tipo AB ou tipo O, conforme especificado abaixo: · Tipo A: possuem antígenos do tipo A nas hemácias e anticorpos anti-B no plasma. · Tipo B: possuem antígenos do tipo B nas hemácias e anticorpos anti-A no plasma. · Tipo AB: possui antígenos dos tipos A e B nas hemácias, e não possui anticorpos anti-A ou anti-B no plasma. São chamados receptores universais. · Tipo O: não possui antígenos A ou B, mas possui ambos os anticorpos anti-A e anti-B no plasma. São chamados de doadores universais. A transfusão sanguínea (doação sanguínea) deve respeitar a compatibilidade do sistema ABO entre o doador e o receptor. Por exemplo, se um indivíduo do tipo A recebe sangue de um indivíduo do tipo B, os anticorpos anti-B do receptor vão atacar as células do doador que possuem antígenos do tipo B, e isso pode ter consequências que ameaçam a vida do indivíduo que está recebendo a transfusão. Como os indivíduos do tipo AB não têm anticorpos, eles podem receber sangue de qualquer tipo sanguíneo. Por outro lado, os indivíduos que têm tipo sanguíneo O não possuem antígenos A ou B, e portanto podem doar sangue paraindivíduos de todos os tipos. Por isso, a compatibilidade ABO se dá quando o receptor do sangue tipo: · A pode receber sangue tipo A ou O; · B pode receber sangue tipo B ou O; · AB pode receber qualquer tipo sanguíneo (A, B, AB ou O); · O pode receber apenas sangue tipo O. Além do sistema ABO, para que a compatibilidade sanguínea entre doador e receptor existam, é necessário que o sistema Rh também seja compatível. No sistema Rh, as hemácias podem ser Rh positivas (Rh+) ou Rh negativas (Rh-). A presença ou ausência do antígeno RhD é o que define a positividade ou negatividade. A maioria das pessoas é Rh+, mas é fundamental considerar a presença ou ausência do antígeno RhD para garantir a compatibilidade. · Rh+ = A proteína está presente nos glóbulos vermelhos · Rh- = A proteína não está presente nos glóbulos vermelhos A compatibilidade Rh de forma que o receptor: · Rh+ pode receber sangue Rh+ ou Rh-; · Rh- só pode receber sangue Rh-. Portanto, para uma transfusão de sangue ser considerada compatível, é essencial que o tipo ABO do doador seja compatível com o do receptor e que o fator Rh do doador também seja compatível com o do receptor. Quando se mistura o plasma de um indivíduo do tipo A com eritrócitos do tipo B, os anticorpos antiB (presentes no plasma do indivíduo tipo A) causam aglutinação dos eritrócitos do tipo B. A aglutinação eritrocitária é um fenômeno em que os eritrócitos se agrupam, formando aglomerados visíveis ao microscópio. SISTEMA URINÁRIO image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.png image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.png image14.jpeg image15.jpeg image16.png image17.jpeg image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.png image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.jpeg image34.jpeg image35.jpeg image36.jpeg image37.png image38.jpeg image39.jpeg image40.png image41.png image42.jpeg image43.jpeg image44.jpeg image45.gif image46.jpeg image47.png image48.png image49.jpeg image50.jpeg image51.jpeg image52.jpeg image53.jpeg image54.png image55.jpeg image56.jpeg image57.jpeg image58.jpeg image59.jpeg image60.jpeg image61.jpeg image1.jpeg image62.jpeg image63.jpeg image2.jpeg