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UNIDADE II - DO EMPRESÁRIO (arts. 966/980 - A CC) v. art. 2.037 1/70 2.1 CONCEITO DE EMPRESÁRIO Art. 966 CC: “é o profissional que exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços” Desse conceito destacam-se: a) PROFISSIONALISMO (exercício profissional); b) ATIVIDADE ECONÔMICA ORGANIZADA (empresa que busca lucro com base nos quatro fatores de produção); c) PRODUÇÃO DE BENS OU SERVIÇOS (industrialização); d) CIRCULAÇÃO DE BENS OU SERVIÇOS (comercialização); e) BENS OU SERVIÇOS (prestação de serviços, exceto atividades intelectuais). 2/70 2.2 DA CARACTERIZAÇÃO (ART. 966 CCB) Profissional que exerce atividade econômica organizada Para produção ou circulação De bens ou de serviços Não se considera empresário (art. 966, p. único): Quem exerce profissão intelectual De natureza científica, literária ou artística, Ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, Salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa (ex.: consultório médico => clinica médica => hospital) 2.3 DA INSCRIÇÃO (ART. 967 a 971 CCB) Art. 967 CC: É obrigatória a inscrição no RPEM da respectiva sede, antes do início de sua atividade, a cargo da JUNTA COMERCIAL Art. 968 CC: A inscrição far-se-á mediante requerimento que Deve conter: Nome, nacionalidade, domicílio, estado civil, se casado o regime de bens; Firma, com a respectiva assinatura autografa; Capital (recursos, bens móveis/imóveis); Objeto e sede da empresa; 3/70 § 3º: Caso venha a admitir sócios, o empresário individual poderá solicitar ao Registro Público de Empresas Mercantis a transformação de seu registro de empresário para registro de sociedade empresária, observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. A inscrição será efetuada no RPEM, em livro próprio e obedecerá a número de ordem contínua; Qualquer alteração será averbada no RPEM (ex.: nome, endereço, objeto social, capital social, ...); 4/70 Art. 969, caput : Se abrir FILIAL, AGÊNCIA ou SUCURSAL em outro Estado, deve inscrevê-la também no RPEM do Estado de origem P. único: Se abrir no Estado, deve inscrevê-la no RPEM do próprio Estado Cont... Art. 970: O empresário rural e o pequeno empresário terão tratamento favorecido, diferenciado e simplificado p/ a inscrição no RPEM. A LC n° 123/2006 estabelece regime diferenciado para ME e EPP. Art. 971: Aquele que tem na atividade rural sua principal profissão, pode requerer inscrição no RPEM da respectiva sede, e depois de inscrito ficará equiparado ao empresário sujeito a registro (art.968 e 984 5/70 2.4 DA CAPACIDADE (ARTS. 972 a 980 CC) Capacidade para exercer atividade de empresário > tem que ter capacidade civil e não for legalmente impedido (art. 972) - absolutamente incapazes - art. 3º, CC - relativamente incapazes - art. 4º, CC Menores: Emancipação é irrestrita e irrevogável (P. único, art. 5º) - Concessão dos genitores - Casamento - Exercício de emprego público - Colação de grau em curso superior - Estabelecimento com economia própria Autorização p/ ser empresário > é revogável, podendo ser restrita e para menores púberes (16 a 18 anos) Proibidos de comerciar, ou de ser empresário = (art. 973) -Servidores Públicos - Magistrados (LOMAN) - Militares da Ativa - Falidos, (empresário individual, enquanto não reabilitado) 6/70 Art. 974, caput : O incapaz, poderá por meio de representante ou devidamente assistido continuar a empresa antes por ele exercida enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança Cont... § 1º: Deverá ser precedido de autorização judicial, ... § 2º: Não se incluem na empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder à autorização. § 3º: O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos: I– o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; I– o capital social deve ser totalmente integralizado; III– o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus representantes legais. Art. 975: Se o representante ou assistente do incapaz for pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer atividade de empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, um ou mais gerentes 7/70 Cont... § 1º: O juiz se entender conveniente poderá nomear gerente em qualquer situação § 2º: A aprovação p/ juiz na nomeação do gerente não exime o representante ou assistente do menor ou do interdito da responsabilidade pelos ato(s) do(s) gerente(s) nomeado(s). Art. 976: A prova da emancipação e da autorização do incapaz, nos casos do art. 974, e a eventual revogação da autorização, serão inscritos ou averbadas no RPEM P. único: O uso da nova firma caberá, conforme o caso, ao gerente; ou ao representante do incapaz; ou a este, quando puder ser autorizado Art. 977: Os cônjuges poderão formar sociedade empresária entre si ou com terceiros, desde que não sejam casados no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória v.art. 1641, II, CC. 8/70 Art. 978: O empresário casado pode, sem necessidade da outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real Cont... Art. 979: No RPEM serão arquivados e averbados os pactos e declarações antenupciais do empresário, o título de doação, herança, ou legado, de bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade Art. 980: A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, antes de arquivados e averbados no RPEM 9/70 2.5. O EMPRESÁRIO INDIVIDUAL (UNIPESSOAL ) O Empresário pode ser: a) empresário individual = pessoa física (PF) b) sociedade empresária = pessoa jurídica (PJ) c) EIRELI (Lei n. 12.441/11.07.11) d) Sociedade limitada unipessoal (art. 1.052, §1º, CC acrescido pela Lei 13.874/20.09.2019) Os sócios da sociedade empresária não são empresários: São sócios/acionistas. Quando pessoas físicas (naturais) exercem ou exploram a atividade comercial/empresarial em seu próprio nome (ex.: Empresa Individual: TITO GOMES, Comércio de Materiais Esportivos). Quando sociedade empresária (pessoa jurídica), a atividade comercial/empresarial é exercida pela sociedade e não pelos sócios (ex.: Comercial de Gêneros Alimentícios Vale do Sol Ltda.; UNIVALI Ind. de Móveis S/A.). Para ser empresário individual a pessoa deve encontrar-se em pleno gozo da capacidade civil (arts. 972/980 CC). 10/70 2.6. EMPRESÁRIO RURAL (ART. 971 CC) As atividades rurais, no Brasil, são exploradas em dois tipos de organização econômica: a) agroindústria (ou agronegócio) b) agricultura familiar. Na agroindústria emprega-se tecnologia avançada, mão-de-obra assalariada, especializações de culturas, grandes áreas de cultivo. Na familiar, trabalham o dono da terra e seus parentes, um ou outro empregado, e são relativamente menores as áreas de cultivo. Conforme art. 971, se o produtor rural requerer sua inscrição no registro das empresas (RPEM) será considerado empresário e submeter-se-á às normas de Direito Comercial / Empresarial. Caso, porém, não requeira a inscrição neste registro, não se considera empresário e seu regime será de direito civil. 11/70 2.7. ATIVIDADE INTELECTUAL (P. ÚNICO ART. 966) Segundo o disposto no P. Único do art. 966 do CC, não é considerado empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza cientifica, literária ou artística, mesmo que contrate empregados para auxiliá-lo em seu trabalho. São atividades econômicas civis, não sujeitas ao Direito Empresarial (ex.: advogado, médico, engenheiro etc.), porque não se enquadram no conceito legal de empresárioA exceção prevista no mesmo dispositivo legal, é quando o exercício da profissão se constitui elemento de empresa (ex.: consultório médico – clínica – hospital). Também outros profissionais liberais, escritores e artista sujeitam-se à mesma regra. Se constituída sociedade de profissionais através de contrato escrito, particular ou público, são classificadas como Sociedade Simples (art. 997, CC) Neste caso o contrato social deverá ser inscrito no Registro Civil de Pessoas Jurídicas (RCPJ), como dispõe o art. 998 CC. Se Sociedade de Advogados e sociedade unipessoal de advocacia, o contrato deve ser registrado na OAB em cuja base territorial tiver sede (§ 1º do art. 15 da Lei nº 13.247/12.01.16, que alterou o referido dispositivo da Lei nº 8.906/04- 07-94-EOAB). 12/70 LEI Nº 13.247, DE 12 DE JANEIRO DE 2016. Altera a Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994 - Estatuto da Advocacia A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Esta Lei altera a Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994 - Estatuto da Advocacia. Art. 2º Os arts. 15, 16 e 17 da Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994 - Estatuto da Advocacia, passam a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. § 1º A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia adquirem personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. § 2º Aplica-se à sociedade de advogados e à sociedade unipessoal de advocacia o Código de Ética e Disciplina, no que couber. ......................................................................................... § 4º Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, constituir mais de uma sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. 13/70 § 5º O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional onde se instalar, ficando os sócios, inclusive o titular da sociedade unipessoal de advocacia, obrigados à inscrição suplementar. ......................................................................................... § 7º A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por um advogado das quotas de uma sociedade de advogados, independentemente das razões que motivaram tal concentração.” (NR) “Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar. ......................................................................................... § 4º A denominação da sociedade unipessoal de advocacia deve ser obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a expressão ‘Sociedade Individual de Advocacia’.” (NR) “Art. 17. Além da sociedade, o sócio e o titular da sociedade individual de advocacia respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por ação ou omissão no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possam incorrer.” (NR) Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 12 de janeiro de 2016; 195º da Independência e 128º da República. DILMA ROUSSEFF José Eduardo Cardozo 14/70 2.8. DO REGISTRO DO EMPRESÁRIO (ARTS. 1.150 a 1.154) 2.8.1 – Órgãos de Registro Empresário Individual (Pessoa Natural/ PF), EIRELI (art. 980-A) e Soc. Limitada Unipessoal (art. 1.052, P. 1º). Sociedade Empresária (Pessoa Jurídica) que exercem atividade econômica organizada para a produção de bens e serviços. Sociedade Simples (arts. 997 a 1.038) embora pratiquem atividade econômica, não desenvolvem objeto próprio das sociedades empresárias (art. 982). São sociedades formadas por pessoas que exercem profissão científica, literária ou artística. É também Pessoa Jurídica. VINCULAM-SE AO RPEM (REGISTRO DE PUBL. EMPRESAS MERCANTIS), atualmente DREI (Deptº. de Registro Empresarial e Integração), a cargo das JC (Lei nº 8.934/18.11.94 e seu regulamento Dec. nº 1.800/96) VINCULAM-SE AO RCPJ (Registro Civil de Pessoa Jurídica) Lei nº 6.015/31.12.73 Não são empresários INSTITUTOS COMPLEMENTARES 15/70 Os documentos para registro deverão ser apresentados no prazo de 30 dias, pelo responsável (art. 1.151, § 1º) Com o registro a sociedade, a EIRELI e a Sociedade Limitada Unipessoal adquirem Personalidade Jurídica (art. 45), ou seja, passa a existir juridicamente PERSONALIDADE JURÍDICA = é a qualidade que faz com que um ENTE ou SER seja considerado pessoa pelo direito e que as torna suscetíveis de direitos e obrigações, com direito a uma existência própria, protegida pela lei. SOCIEDADE UNIPESSOAL – Poderá a sociedade continuar existindo p/ prazo de até 180 dias por falta de pluralidade de sócios, conforme dispõe o inc. IV, do art. 1033 do CCB, ou, transformar numa EIRELI ou em Sociedade Limitada Unipessoal. PESSOA JURÍDICA: É a expressão empregada para designar as instituições, corporações, associações e sociedades, que se personalizam por força de lei. Na literatura jurídica também se usa a expressão: pessoa moral, pessoa legal, pessoa incorpórea ou pessoa universal. Pode ser de direito público ou privado. São sempre representadas por pessoas naturais. Cont... 16/70 SINREM (Sistema Nacional Registro Empresas Mercantis) > regula o registro de empresa no Brasil. É composto pelo DNRC e J.Comercial DNRC (Deptº Nacional Registro Comércio), atualmente DREI (Deptº de Registro Empresarial e Integração) > integra o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. É o órgão máximo do sistema. Não tem função executiva. Apenas fixa as diretrizes gerais para as JUNTAS COMERCIAIS. Tem o DNRC (DREI) as seguintes atribuições: a) supervisionar e coordenar a execução do registro de empresa, expedindo normas e instruções às JUNTAS COMERCIAIS do País; b) orientar e fiscalizar as JC, as quais, nos Estados estão vinculadas ao Governo Estadual; c) promover ou providenciar medidas correcionais do Registro de Empresa, respeitando a autonomia Estadual, em obediência ao princípio constitucional federativo; d) organizar e manter atualizado o Cadastro Nacional das Empresas Mercantis 17/70 2.8.2 - ATOS DO REGISTRO DE EMPRESA O Registro Público de Empresas e Atividades Afins compreende três atos, conforme Lei nº 8.934/94: a)A MATRÍCULA - é o nome do ato de inscrição dos tradutores públicos, intérpretes comerciais, leiloeiros, administradores de armazéns gerais (art. 32, I); b)O ARQUIVAMENTO – pertinente à inscrição do empresário individual ou sociedade empresária, bem como às alterações (art. 32, II); c)A AUTENTICAÇÃO – diz respeito aos instrumentos de escrituração do empresário (art. 32, III) - Ex.: livros comerciais; fichas escriturais... 18/70 2.8.3 - PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS DA JUNTA COMERCIAL: a) Registrar e dar publicidade aos atos constitutivos e alterações posteriores dos empresários e sociedades empresariais, conferindo-lhes personalidade jurídica; b) Assentamento dos usos e práticas mercantis. O comércio rege-se também por normas consuetudinárias, cuja compilação é da competência da JC (ex.: registro do nome fantasia); c) Habilitação e nomeação de tradutores públicos e intérpretes comercias, leiloeiros, trapicheiros e administradores de armazéns gerais; d) Expedição de documento (certidão, carteira) de exercício profissional de empresário e demais pessoas legalmente inscritas no registrode empresas. JUNTAS COMERCIAIS: órgão da administração estadual que executa o registro de empresa, além de outras atribuições legalmente estabelecidas pelo DNRC. A JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE S. CATARINA (JUCESC), foi criada pela Lei nº 068/16.05.1893. É uma Autarquia Estadual, com autonomia financeira outorgada pela Lei nº 7165/23.12.1987. É vinculada no âmbito estadual à Secretaria de Estado da Fazenda, e subordinada tecnicamente ao DNRC, do Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comercio Exterior, nos termos da Lei nº 8934/18.11.1994. 19/70 2.8.4 - EMPRESÁRIO IRREGULAR É aquele que não tem o registro, i.é., não arquivou no órgão competente o ato constitutivo Não tem personalidade jurídica, se for sociedade (art. 45 CC). Não tem legitimidade ativa para o pedido de falência do devedor e nem requerer a recuperação judicial ou extrajudicial Responde ilimitadamente pela dívidas sociais. No caso de sociedade, os sócios respondem solidariamente.