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Recuperação Judicial

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Lei 14.112/2020 criou parcelamento e transação tributária próprios para
empresas em recuperação, a 3ª Turma do STJ passou a entender que a certidão negativa, ou
positiva com efeito de negativa, é exigência inafastável, como decidido no REsp 2.053.240/SP.
O próprio julgado ressalvou os débitos das fazendas estaduais, distrital e municipais.
COMO CAI NA PROVA.
Se a questão perguntar se o juiz pode dispensar a certidão negativa com base na preservação
da empresa, a resposta atual do STJ é não. Afinal, o princípio não revoga regra expressa e a
reforma criou meios de regularização fiscal.
Em sentido oposto, a recuperação judicial das Americanas
S.A. é lembrada como exemplo de jurisprudência que eleva a preservação da empresa a ponto
de afastar regras expressas da lei, o que reforça a crítica acima.
Qual interesse a lei protege
Teoria Ideia central
Contratualista Visão individualista, em que o interesse da empresa é o interesse dos
sócios, como lucro e segurança.
Institucionalista
publicística
Foco na preservação da pessoa jurídica e na sua relevância perante o
Estado.
Institucionalista
integracionista
Foco na organização interna e na integração dos interesses de todos os
envolvidos, como empregados, credores e comunidade. Afasta o tom
estatal do modelo anterior e se inspira na participação operária e na
cogestão.
O Brasil adotou o institucionalismo moderado. Assim, a lei
pondera o interesse dos sócios, os shareholders, com o de outros grupos afetados pela
atividade, os stakeholders, sem anular a primazia do interesse social.
3 QUEM PODE PEDIR RECUPERAÇÃO
Recuperação Judicial e Falência | Quem pode pedir recuperação
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Art. 1º, LREF, e art. 966 do Código Civil
Art. 1º Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do
empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor.
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se
considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou
artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão
constituir elemento de empresa.
Portanto, devedor para a lei é o empresário individual ou a
sociedade empresária. Por outro lado, sociedades simples e entidades filantrópicas ficam fora da
recuperação e da falência. Vale lembrar também que o empresário exerce livremente sua
atividade, art. 170, parágrafo único, da Constituição, enquanto o profissional liberal depende de
requisitos legais, art. 5º, XIII.
PEGADINHA.
Cooperativa nunca é empresária, ainda que exerça atividade econômica, enquanto a sociedade
anônima é sempre empresária, qualquer que seja o seu objeto.
Requisitos cumulativos do art. 48
Art. 48, LREF
Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, exerça
regularmente suas atividades há mais de 2 anos e que atenda aos seguintes requisitos,
cumulativamente. I. não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença
transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes. II. não ter, há menos de 5 anos,
obtido concessão de recuperação judicial. III. não ter, há menos de 5 anos, obtido concessão de
recuperação judicial com base no plano especial. IV. não ter sido condenado ou não ter, como
administrador ou sócio controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta
Lei.
Ser empresário é requisito necessário, mas não suficiente.
Em regra, o exercício regular por mais de dois anos se prova por certidão da Junta Comercial.
Além disso, o prazo de cinco anos do inciso II conta da concessão, de modo que, se o pedido
anterior não chegou a ser concedido, não é preciso esperar.
Produtor rural
Ponto Sociedade empresária Produtor rural
Natureza do
registro
Declaratória, porque a qualidade de
empresário não depende do
registro
Constitutiva, porque só é empresário
depois da inscrição na Junta
Prazo de 2 anos Provado pela certidão da Junta Soma a atividade como pessoa física,
provada por documentos fiscais, ao
período após o registro
Momento do
pedido
Exige registro regular Basta estar inscrito na Junta ao pedir,
ainda que há pouco tempo
Recuperação Judicial e Falência | Quem pode pedir recuperação
5
Ponto Sociedade empresária Produtor rural
Créditos
anteriores ao
registro
Não se aplica Entram no plano, desde que decorram
exclusivamente da atividade rural, art. 49,
§ 6º
PEGADINHA.
As anotações listam os créditos anteriores do produtor rural entre os excluídos. Na verdade, os
créditos anteriores ao registro entram na recuperação quando decorrem da atividade rural e
estão discriminados nos documentos do pedido. Ficam fora apenas os que não têm essa origem.
COMO CAI NA PROVA.
O produtor rural inscrito há menos de dois anos pode pedir recuperação, desde que comprove
mais de dois anos de atividade rural organizada no total.
Quem fica fora do sistema
Art. 2º, LREF
Esta Lei não se aplica a I. empresa pública e sociedade de economia mista. II. instituição
financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência
complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora,
sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.
Empresas públicas e sociedades de economia mista têm
personalidade de direito privado e, quando exploram atividade econômica, seguem o regime das
empresas privadas. Por isso, discutiu-se se poderiam pedir recuperação. Contudo, em outubro
de 2025 o STF julgou o Tema 1.101, no RE 1.249.945/MG, e declarou constitucional o art. 2º, I,
mesmo para estatais que atuam em concorrência, já que a extinção delas depende de lei pelo
paralelismo das formas.
Empresa pública Qualquer tipo societário e capital público
Sociedade de economia
mista
Somente sociedade anônima e capital misto
Também as concessionárias de serviço público de energia
elétrica não podem pedir recuperação judicial, por força da MP 577/2012, convertida na Lei
12.767/2012, embora outras concessionárias possam. Por fim, a situação das associações e
fundações privadas sem fins lucrativos ainda é controvertida e aguarda pacificação no STJ.
Grupos econômicos
Ponto Consolidação processual, art. 69-G Consolidação substancial, art. 69-J
O que é Empresas do grupo pedem juntas, em
litisconsórcio
Ativos e passivos tratados como de um
único devedor
Planos e
assembleias
Um plano e uma assembleia para cada
empresa
Plano único e assembleia única
Resultado Pode ser concedida para umas e
negada para outras, litisconsórcio
simples
Concedida ou negada para todas,
litisconsórcio unitário
Recuperação Judicial e Falência | Quem pode pedir recuperação
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Ponto Consolidação processual, art. 69-G Consolidação substancial, art. 69-J
Quem decide Requerimento das empresas O juiz, de forma excepcional e
independentemente de assembleia
Para a consolidação substancial, o juiz precisa constatar
interconexão e confusão entre ativos ou passivos, a ponto de não ser possível separar a
titularidade sem gasto excessivo. Além disso, essa confusão deve vir somada a pelo menos duas
das seguintes hipóteses, que são garantias cruzadas, relação de controle ou dependência,
identidade total ou parcial do quadro societário e atuação conjunta no mercado.
Segundo o REsp 2.001.535/SP, citado em aula, presentes os
requisitos do art. 69-J, o juiz deve determinar a inclusão das empresas no polo ativo, porque se
forma litisconsórcio ativo necessário, sob pena de extinção sem resolução do mérito.
PEGADINHA.
Litisconsórcio simples permite decisões diferentes para cada litisconsorte, enquanto o unitário
exige decisão igual para todos. Logo, a consolidação processual combina com o simples e a
substancial combina com o unitário.
4 CRÉDITOS SUJEITOS E NÃO SUJEITOS
Art. 49, caput, LREF
Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que
não vencidos.Na concordata, só os quirografários participavam. Hoje, ao
contrário, a regra é ampla e tem um marco temporal, que é a data do pedido. Assim, o que
define se o crédito entra é o fato gerador, e não o vencimento, de modo que os créditos com
fato gerador posterior ao pedido ficam fora e são pagos normalmente.
Situação Quando nasce o crédito
Duplicata Na data da prestação do serviço ou da compra e venda, e não na
data do saque.
Sentença declaratória ou
condenatória
Vale a data do fato, então o crédito entra ainda que a sentença seja
posterior ao pedido.
Sentença constitutiva Se tiver efeito ex tunc, entra. Se tiver efeito ex nunc, não entra.
Água, energia e gás O consumo até a data do pedido entra e o posterior não.
Por isso, a concessionária não pode cortar o serviço por
dívida sujeita à recuperação. Entretanto, pode cortar, mediante aviso prévio, por falta de
pagamento de faturas posteriores ao pedido.
Créditos que ficam fora
Hipótese Observação
Obrigações a título gratuito Doações e liberalidades, art. 5º, I.
Recuperação Judicial e Falência | Créditos sujeitos e não sujeitos
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Hipótese Observação
Despesas para participar do
processo
Não são exigíveis, mas encargos de condenação, como
honorários, podem entrar.
Câmaras de compensação e
liquidação
Seguem regime próprio.
Créditos posteriores ao pedido Pela regra do caput do art. 49.
Coobrigados, fiadores e
obrigados de regresso
O credor conserva seus direitos contra eles, art. 49, § 1º. Se a
empresa tomou crédito e os sócios foram avalistas, a obrigação
deles não se suspende nem é alterada pelo plano.
Proprietário fiduciário,
arrendador mercantil e demais
do art. 49, § 3º
Prevalece o direito de propriedade, com o limite dos bens
essenciais durante o stay period.
Créditos do produtor rural
alheios à atividade rural
Art. 49, § 6º.
Créditos tributários Não se submetem ao plano, e as execuções fiscais seguem.
Súmula 480 do STJ
O juízo da recuperação judicial não é competente para decidir sobre a constrição de bens não
abrangidos pelo plano de recuperação da empresa.
Desse modo, se o juízo trabalhista penhorou bens pessoais
dos sócios, o juízo da recuperação não pode mandar liberar esses valores, já que tais bens não
fazem parte do plano.
Crédito fiscal antes e depois da reforma
Ponto Antes da Lei 14.112 Depois da Lei 14.112
Execuções fiscais Não se suspendiam Continuam sem suspensão
Certidões
negativas
Dispensadas por muitas decisões Exigidas, segundo o STJ
Constrição de
bens
Divergência entre a 1ª e a 2ª Seção
do STJ sobre o juízo competente
O juízo da recuperação pode substituir
constrições sobre bens de capital
essenciais até o encerramento, art. 6º, §
7º-B
Bens de capital essenciais, segundo o STJ, são bens móveis
ou imóveis, não perecíveis nem consumíveis, empregados no processo produtivo da empresa.
Por consequência, dinheiro em conta não é bem de capital essencial, como decidiu a 2ª Seção
do STJ, já que se trata de bem móvel fungível.
Penhor e alienação fiduciária de crédito
Ponto Penhor de crédito Cessão ou alienação fiduciária de
crédito
Sujeição Sujeito à recuperação Não sujeito, a chamada trava bancária
Efeito Se o plano não altera o crédito, o
credor levanta o valor. Se altera,
segue os limites do plano.
O credor não se submete ao plano, mas
durante o stay period não pode retirar
bens de capital essenciais.
Recuperação Judicial e Falência | Créditos sujeitos e não sujeitos
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Ponto Penhor de crédito Cessão ou alienação fiduciária de
crédito
Valores que caem
na conta no stay
period
Seguem o plano Podem ser retidos pelo credor, pois
dinheiro não é bem de capital essencial
Art. 49, § 3º, LREF, trecho final
O crédito do proprietário fiduciário, do arrendador mercantil e dos demais ali previstos não se
submete à recuperação, não se permitindo, contudo, durante o prazo de suspensão a
que se refere o § 4º do art. 6º desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento
do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial.
COMO CAI NA PROVA.
Pergunta clássica é se o credor fiduciário pode retomar a máquina essencial durante o stay
period. A resposta é não, já que ele só pode retirá-la depois que o prazo terminar.
5 PEDIDO, PROCESSAMENTO E STAY PERIOD
Petição inicial e disclosure statement
O pedido deve vir instruído com os documentos do art. 51,
que formam o disclosure statement da empresa. Como existe forte assimetria de informações
entre devedor e credores, quanto mais clara a exposição, maior a chance de o plano ser
aprovado.
Inciso Documento exigido pelo art. 51
I Causas concretas da situação patrimonial e razões da crise.
II Demonstrações contábeis dos 3 últimos exercícios, com balanço, resultados acumulados,
resultado desde o último exercício, fluxo de caixa e sua projeção e descrição do grupo
societário.
III Relação completa dos credores, sujeitos ou não, com endereço físico e eletrônico,
natureza, valor atualizado, origem e vencimentos.
IV Relação dos empregados, com funções, salários e valores pendentes.
V Certidão da Junta, ato constitutivo atualizado e atas de nomeação dos administradores.
VI Bens particulares dos sócios controladores e dos administradores.
VII e VIII Extratos bancários e de aplicações e certidões de protesto.
IX Relação das ações judiciais e arbitragens, inclusive trabalhistas, com os valores
estimados.
X e XI Relatório do passivo fiscal e relação do ativo não circulante, inclusive o não sujeito, com
os negócios do art. 49, § 3º.
O valor da causa corresponde ao total dos créditos sujeitos à
recuperação, art. 51, § 5º. Além disso, se o pedido for feito antes do prazo de entrega do
balanço do exercício anterior, o devedor junta um balanço prévio e depois o definitivo, art. 51, §
4º.
Recuperação Judicial e Falência | Pedido, processamento e stay period
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Competência
É competente o juízo do principal estabelecimento do
devedor, art. 3º. Como sede do contrato, maior parte dos ativos e centro administrativo nem
sempre coincidem, prevalece o local de onde emana a maior parte das decisões. Ademais, o
juízo que recebe o pedido fica prevento para qualquer outro pedido de recuperação ou falência
do mesmo devedor.
Administração e venda de bens
O pedido não afasta os administradores, que continuam à
frente da empresa, salvo em situações excepcionais de prejuízo à massa de credores. Na
falência, ao contrário, as atividades se encerram ou passam a outro gestor.
Art. 66, LREF
Após a distribuição do pedido de recuperação judicial, o devedor não poderá alienar ou onerar
bens ou direitos de seu ativo não circulante, inclusive para os fins previstos no art. 67 desta Lei,
salvo mediante autorização do juiz, depois de ouvido o Comitê de Credores, se houver, com
exceção daqueles previamente autorizados no plano de recuperação judicial.
PEGADINHA.
O arrendamento da unidade produtiva não é alienação nem oneração, por isso não depende
dessa autorização.
Decisão de processamento
Petição inicial → Decisão de
processamento → Plano → Assembleia → Concessão
A decisão que defere o processamento é interlocutória, e o
exame do juiz é formal, já que o mérito econômico cabe aos credores. Quanto ao recurso, o STJ
fixou no Tema 1.022 que cabe agravo de instrumento contra todas as interlocutórias da
recuperação e da falência, com base no parágrafo único do art. 1.015 do CPC. Depois, a
reforma transformou essa orientação em regra expressa no art. 189, § 1º, II.
Item O que a decisão do art. 52 determina
A Nomeia o administrador judicial, pessoa física ou jurídica, de preferência advogado,
economista, administrador de empresas ou contador, art. 21. Se for pessoa jurídica, indica o
profissional responsável, que não pode ser trocado sem autorização do juiz.
B Dispensa as certidões negativas para que o devedor continue suas atividades rotineiras.
C Suspende as ações e execuções, abrindo o stay period, e suspende a prescrição.
D Exige contas mensais, sob pena de destituição dos administradores.
E Intima eletronicamente o Ministério Público e as Fazendas de ondehouver estabelecimento.
F Manda publicar edital com o resumo do pedido, a decisão, a relação de credores e os prazos
de habilitação e de objeção.
Stay period
O stay period dura 180 dias corridos, contados do
deferimento do processamento, e pode ser prorrogado uma única vez por igual prazo, em
Recuperação Judicial e Falência | Pedido, processamento e stay period
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caráter excepcional, se o devedor não tiver contribuído para a demora. Havendo tutela de
urgência, o início pode ser antecipado. Durante esse prazo também fica suspensa a prescrição,
pela lógica da actio nata.
A finalidade é evitar que execuções individuais levem os bens
e inviabilizem a empresa antes que os credores decidam coletivamente. Enquanto isso, as ações
continuam no juízo em que estavam.
Não se suspendem Como funciona
Ações que demandam
quantia ilíquida
Seguem até a liquidação do valor.
Ações trabalhistas Seguem até a apuração do crédito na Justiça do Trabalho, que
depois é pago na recuperação ou na falência.
Execuções fiscais Seguem, ressalvada a substituição de constrições sobre bens de
capital essenciais.
Credores do art. 49, § 3º Seguem, mas não podem retirar bens de capital essenciais durante
o prazo.
PEGADINHA.
As anotações dizem que todas as execuções se suspendem, sujeitas ou não. Pela redação atual
do art. 6º, II e III, dada pela Lei 14.112/2020, a suspensão e a proibição de constrições
alcançam as execuções de créditos sujeitos à recuperação. Os credores não sujeitos seguem
com suas medidas, respeitado o limite dos bens essenciais.
Universalidade do juízo e par conditio creditorum
Falência Universalidade plena, porque todas as ações de cobrança e execução contra a
falida vão para o mesmo juízo.
Recuperação Universalidade limitada, porque não atrai as ações de conhecimento que
apuram dívidas.
O fundamento é o par conditio creditorum, que garante
igualdade de tratamento entre credores. Na falência ele é pleno, ao passo que na recuperação
admite diferenças justificadas entre credores.
Coobrigados
A suspensão não alcança fiadores, avalistas e devedores de
regresso, conforme a Súmula 581 do STJ. Além disso, a cláusula do plano que libera os
coobrigados ao fim do stay period só vale para o credor que votou a favor. Se ele votou contra,
se absteve ou faltou, mantém a garantia, porque do contrário a perderia sem consentir.
6 VERIFICAÇÃO DE CRÉDITOS
A verificação é feita pelo administrador judicial, com base
nos livros e documentos do devedor e nos documentos apresentados pelos credores, art. 7º.
Diante da relação publicada pelo devedor, o credor pode estar em três situações. Se o crédito
não consta, ele faz a habilitação. Se consta com erro, apresenta divergência. Se está correto,
Recuperação Judicial e Falência | Verificação de créditos
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nada precisa fazer, e o valor segue para o quadro geral de credores.
1º edital
relação do devedor →
15 dias
habilitação ou
divergência
→
45 dias
2º edital, relação do
AJ
→ 10 dias
impugnação
5 dias
contestação, art. 11 →
5 dias
devedor e comitê,
art. 12
→ 5 dias
parecer do AJ →
Julgamento e
quadro geral, art.
18
Todos os prazos da lei são contados em dias corridos,
excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento, art. 189, § 1º, I. Se não houver
necessidade de perícia, o juiz pode julgar a impugnação antecipadamente.
Ponto Fase administrativa Fase judicial
Perante quem Administrador judicial, hoje pelo site
dele
Juiz, em incidente autuado em
separado
Custas Não há Há
Advogado Dispensável Obrigatório
Existência Sempre existe Só se houver impugnação ou
habilitação retardatária
PEGADINHA.
Habilitação, divergência e impugnação não são petições nos autos principais. Se forem juntadas
ali, devem ser desentranhadas.
PEGADINHA.
As anotações chamam de 1º quadro geral a relação publicada depois dos 45 dias. Na verdade,
essa é a relação do administrador, objeto do 2º edital. O quadro geral só é consolidado e
homologado depois do julgamento das impugnações. Além disso, depois da manifestação do
devedor e do comitê ainda há o parecer do administrador, em 5 dias.
Habilitação retardatária
É a feita depois dos 15 dias do art. 7º, § 1º. Em regra, o
credor retardatário não vota na assembleia, salvo o trabalhista, art. 10, § 1º, e salvo se o
crédito já estiver no quadro na data do conclave.
Momento Como é processada
Até a homologação do quadro
geral
Recebida como impugnação, art. 10, § 5º.
Depois da homologação Ação de retificação pelo procedimento comum do CPC, art. 10, §
6º.
Na falência, a habilitação retardatária está sujeita a custas e
tem prazo decadencial de 3 anos contados da publicação da sentença de falência, art. 10, § 10.
Já o credor trabalhista apura o valor na Justiça do Trabalho e depois pede a reserva de valor no
processo de recuperação.
Impugnação
Recuperação Judicial e Falência | Verificação de créditos
12
É um incidente dirigido ao juízo da recuperação, salvo
quanto ao crédito trabalhista, cujo valor se discute na Justiça do Trabalho. Pode ser
apresentada pelo comitê, por qualquer credor, pelo devedor, por seus sócios ou pelo Ministério
Público, e até por legitimado extraordinário, como o agente fiduciário que representa os
debenturistas.
Serve para atacar a legitimidade, o valor ou a classificação
de um crédito e também para pedir a inclusão de crédito ausente da lista. Por isso, difere da
habilitação retardatária, que só o próprio titular pode apresentar.
Ponto Regra
Prazo 10 dias da publicação da relação do administrador, art. 8º.
Petição Requisitos do art. 319 do CPC e do art. 9º, com os documentos do art. 13.
Resposta 5 dias, art. 11.
Honorários Devidos se houver resistência.
Recurso Agravo, art. 17, e o relator pode dar efeito suspensivo para fins de voto na
assembleia.
Fora do prazo Sem previsão legal, mas há precedentes que admitem.
PEGADINHA.
As anotações dizem que cabe ação rescisória se não houver impugnação tempestiva. Atenção,
porque a via prevista na lei é a ação do art. 19. Por ela, o administrador, o comitê, qualquer
credor ou o Ministério Público podem pedir, até o encerramento do processo, a exclusão, a
reclassificação ou a retificação de crédito em caso de falsidade, dolo, simulação, fraude, erro
essencial ou documentos ignorados na época do julgamento.
7 PLANO, ASSEMBLEIA E CRAM DOWN
Meios de recuperação
O art. 50 traz 18 meios em rol exemplificativo, que se
dividem entre os que reestruturam o passivo, como prazos e descontos, e os que reestruturam
o ativo, como a venda de bens e de unidades produtivas. A liberdade é ampla, mas encontra
dois limites gerais, que são as normas de ordem pública e a aceitação dos credores.
Art. 54, LREF
O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo superior a 1 ano para pagamento dos
créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos
até a data do pedido de recuperação judicial. § 1º O plano não poderá, ainda, prever prazo
superior a 30 dias para o pagamento, até o limite de 5 salários-mínimos por trabalhador, dos
créditos de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 meses anteriores ao pedido de
recuperação judicial.
A cláusula que fixa prazo maior que 30 dias para os créditos
salariais do § 1º é nula. Por outro lado, o prazo de um ano para os trabalhistas pode chegar a
dois anos se o plano der garantias suficientes, for aprovado pela classe trabalhista e pagar o
Recuperação Judicial e Falência | Plano, assembleia e cram down
13
crédito integralmente, art. 54, § 2º.
Limite Regra
Garantias Supressão ou substituição de garantia real só com aprovação expressa do
titular, art. 50, § 1º. O STJ também não admite suprimir garantia fidejussória do
credor que não concordou.
Moeda
estrangeira
A variação cambial é mantida como índice de correção, salvo concordância
expressa do credor, art. 50, § 2º.
Mesma classe Não pode haver distinção entre credores da mesma classe, salvo por critério
objetivo e razoável, como faixas de valor do crédito.
Deságio Cabe aos credores decidir, mas há decisões quereconhecem abuso, como a do
TJPE diante de deságio de 92% do passivo.
Carência e fiscalização judicial
Depois da concessão, o devedor permanece em recuperação
até cumprir as obrigações que vencerem em até 2 anos, independentemente de eventual
carência, art. 61. Antes da reforma havia decisões que contavam esse prazo só a partir do fim
da carência, mas hoje a contagem começa na concessão.
Descumprimento do plano Consequência
Dentro dos 2 anos de
fiscalização
Convolação em falência por simples pedido no próprio processo,
art. 61, § 1º, e art. 73, IV.
Depois desse prazo O credor pede a execução específica ou a falência em pedido
autônomo, art. 62 e art. 94, III, g.
PEGADINHA.
As anotações falam em fiscalização sindical e em art. 84. O correto é fiscalização judicial, do art.
61, e o pedido autônomo de falência se funda no art. 94, III, g, combinado com o art. 62.
Venda de ativos sem sucessão
Quem compra bens de empresa em crise teme herdar
dívidas. Originalmente, o art. 60, parágrafo único, que trata da recuperação, afastava de forma
expressa só a sucessão tributária, enquanto o art. 141, II, da falência afastava também a
trabalhista. Contudo, a Lei 14.112/2020 igualou os dois e afastou a sucessão em obrigações de
qualquer natureza, inclusive ambiental, regulatória, administrativa, penal, anticorrupção,
tributária e trabalhista.
O plano do devedor e a objeção
O plano é apresentado pelo devedor no prazo improrrogável
de 60 dias corridos da publicação da decisão que deferir o processamento, sob pena de
convolação em falência, art. 53. Ele deve trazer a discriminação dos meios de recuperação, a
demonstração de viabilidade econômica e o laudo econômico-financeiro e de avaliação dos
bens, assinado por profissional habilitado ou empresa especializada.
Em seguida, publica-se edital, e qualquer credor tem 30 dias
para apresentar objeção, art. 55. Basta uma objeção para que o juiz convoque a assembleia, ao
passo que, sem objeção no prazo, o plano é homologado. Além disso, o credor pode desistir da
Recuperação Judicial e Falência | Plano, assembleia e cram down
14
objeção e assim dispensar a assembleia, já que o dispositivo que proibia essa desistência não
entrou na lei.
PEGADINHA.
As anotações chamam o plano do art. 53 de plano apresentado pelos credores. Na verdade, o
art. 53 trata do plano do devedor, e o plano dos credores é o plano alternativo do art. 56.
Plano alternativo dos credores
Antes da reforma, rejeitado o plano, a saída era a falência,
salvo cram down. Hoje, se o plano do devedor for rejeitado e não houver cram down, o
administrador põe em votação a concessão de 30 dias para os credores apresentarem plano
próprio, art. 56, § 4º. Esse prazo também se abre se o stay period terminar sem votação do
plano, art. 6º, § 4º-A.
Requisito Conteúdo, art. 56, § 6º
I Não estarem presentes os requisitos do cram down.
II Cumprimento do art. 53.
III Apoio escrito de credores com mais de 25% dos créditos sujeitos ou mais de 35% dos
créditos presentes na assembleia.
IV Não imputação de novas obrigações aos sócios do devedor.
V Isenção das garantias pessoais prestadas por pessoas naturais aos créditos novados.
VI Não imposição ao devedor ou aos sócios de sacrifício maior que o da falência.
PEGADINHA.
As anotações dizem que o plano alternativo precisa ser aprovado pelo devedor. Isso não é
correto, porque o plano dos credores existe justamente para superar a resistência do devedor. O
que depende da concordância expressa do devedor são as alterações ao plano dele feitas em
assembleia, art. 56, § 3º.
Assembleia geral de credores
A assembleia só é necessária se houver objeção ao plano e
ele não tiver sido aprovado por termo de adesão. Quando se reúne, é soberana, de modo que o
juiz controla apenas a legalidade do plano, e não sua viabilidade econômica. Ainda assim, há
limites de ordem pública, como os prazos de pagamento dos trabalhistas.
Na falência o papel da assembleia é reduzido, enquanto na
recuperação ela é protagonista. Sua principal função é aprovar, rejeitar ou modificar o plano,
mas também pode constituir o comitê de credores e deliberar sobre a desistência do pedido
antes da apresentação do plano, art. 35.
Ponto Regra
Prazo para
realização
Até 150 dias do deferimento, prazo impróprio e prorrogável se o atraso não for
culpa do devedor, art. 56, § 1º.
Convocação Pelo juiz, de ofício ou a pedido de credores com mais de 25% dos créditos de
uma classe, art. 36, § 2º.
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Ponto Regra
Edital No diário oficial e no site do administrador, com 15 dias de antecedência e os
requisitos do art. 36, sob pena de nulidade. As despesas ficam com o devedor.
Instalação Em 1ª convocação, com credores titulares de mais da metade dos créditos de
cada classe. Em 2ª, com qualquer número. O mesmo edital pode marcar as
duas.
Presidência O administrador, que escolhe um secretário entre os credores. Se a pauta for o
afastamento dele, preside o credor de maior crédito.
Pelo princípio da unicidade, se a assembleia durar mais de
uma sessão, as seguintes são continuação da primeira. Note-se ainda que a lei não fixa o rito
interno da assembleia.
PEGADINHA.
Não cabe liminar para suspender ou adiar a assembleia por discussão sobre crédito, art. 40,
regra considerada constitucional.
Do mesmo modo, decisão judicial posterior sobre a existência, o valor ou a classificação de um
crédito não invalida a deliberação já tomada, art. 39, § 2º. Se o credor votou com peso X e
depois o tribunal reconhece peso Y, a assembleia continua válida.
Quem vota
Votam os credores que constem de qualquer das relações
publicadas e assinem a lista de presença. Se o crédito ficou fora por equívoco, a jurisprudência
admite tutela de urgência, inclusive em mandado de segurança, para garantir a participação.
Não votam as pessoas do art. 43, como sócios e sociedades
ligadas ao devedor, nem quem tem vínculo próximo com ele. Também não vota o credor cujo
crédito o plano não altera, art. 45, § 3º. Por exemplo, se o plano paga integralmente os
quirografários até R$ 50.000,00, o credor de R$ 20.000,00 não vota.
O credor pode votar por procurador, desde que entregue o
mandato ao administrador até 24 horas antes, art. 37, § 4º. Já o sindicato pode representar os
trabalhadores associados por substituição, desde que apresente a relação dos associados até 10
dias antes da assembleia, art. 37, §§ 5º e 6º.
PEGADINHA.
As anotações falam em lista de sindicalizados na data da votação. O prazo da lei é de até 10 dias
antes da assembleia.
Classes e quórum de aprovação
Classe Credores Contagem
I Trabalhistas e de acidente de trabalho Por cabeça
II Com garantia real Valor e cabeça
III Quirografários, com privilégio especial, com privilégio geral e
subordinados
Valor e cabeça
IV Microempresas e empresas de pequeno porte Por cabeça
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Nas classes II e III, o plano precisa de credores que
representem mais da metade do valor dos créditos presentes e, cumulativamente, da maioria
simples dos presentes. Já nas classes I e IV, basta a maioria simples dos presentes, sem
importar o valor, art. 45. Se o quórum não for alcançado, o caminho passa a ser o cram down.
Cram down
Art. 58, § 1º, LREF
O juiz poderá conceder a recuperação judicial com base em plano que não obteve aprovação na
forma do art. 45 desta Lei, desde que, na mesma assembléia, tenha obtido, de forma
cumulativa, I. o voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de todos
os créditos presentes à assembléia, independentemente de classes. II. a aprovação de 3 das
classes de credores ou, caso haja somente 3 classes com credores votantes, a aprovação de pelo
menos 2 das classes ou, caso haja somente 2 classes com credores votantes, a aprovação de
pelo menos 1 delas. III. na classe que o houver rejeitado, o voto favorável de mais de 1/3 dos
credores, computados na forma dos §§ 1º e 2º do art. 45 desta Lei.
O cram down permite aojuiz conceder a recuperação com
base em plano rejeitado, desde que presentes, cumulativamente, os três requisitos. Por isso,
quando todos estão presentes, o juiz deve conceder. Além disso, o plano assim aprovado não
pode tratar de forma diferente os credores da classe que o rejeitou, art. 58, § 2º.
No REsp 1.337.989/SP, julgado em 2018 sob relatoria do
Ministro Luis Felipe Salomão, o STJ admitiu mitigar o inciso III quando um único credor domina
a classe e rejeita o plano de forma absoluta, sobrepondo-se ao interesse da comunhão de
credores. Desse julgado nasceu a ideia de cram down flexibilizado.
Ainda assim, o art. 39, § 6º, incluído em 2020, define que o
credor vota segundo seu interesse e sua conveniência, e o voto só será anulado por abuso
quando for exercido de forma manifesta para obter vantagem ilícita. Portanto, votar contra por
interesse econômico não é abuso, mas votar por má-fé ou para prejudicar é.
COMO CAI NA PROVA.
Os três requisitos do cram down são cumulativos. Se faltar um, em regra não há cram down,
salvo a flexibilização excepcional do credor que domina sozinho a classe.
Aprovação por termo de adesão
Até 5 dias antes da assembleia, o devedor pode comprovar a
aprovação do plano por termo de adesão assinado pelos credores, observado o quórum do art.
45, art. 56-A. Nesse caso, a assembleia é dispensada, e os credores têm 10 dias para oposição.
Havendo oposição, o devedor tem 10 dias para se manifestar e, em seguida, o administrador
opina em 5 dias. As oposições só podem tratar de quórum, procedimento, irregularidade do
termo ou ilegalidade do plano.
Termo de adesão
até 5 dias antes da
AGC
→ Oposição em 10 dias → Devedor em 10 dias → Administrador em 5
dias
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PEGADINHA.
As anotações indicam 5 dias para a manifestação do devedor. Pelo art. 56-A, § 2º, o devedor
tem 10 dias, e os 5 dias são do administrador judicial.
8 NÚMEROS QUE MAIS CAEM
Número O que é
2 anos Atividade regular mínima para pedir recuperação, art. 48.
5 anos Intervalo mínimo entre concessões, art. 48, II e III.
180 dias, mais 180 Stay period, prorrogável uma única vez, art. 6º, § 4º.
15 dias Habilitações e divergências ao administrador, art. 7º, § 1º.
45 dias Publicação da relação do administrador, art. 7º, § 2º.
10 dias Impugnação, art. 8º.
5 dias Contestação da impugnação, manifestação do devedor e do comitê e
parecer do administrador, arts. 11 e 12.
3 anos Decadência da habilitação retardatária na falência, art. 10, § 10.
60 dias Apresentação do plano pelo devedor, art. 53.
30 dias Objeção ao plano, art. 55, e apresentação do plano alternativo, art. 56,
§ 4º.
150 dias Realização da assembleia, art. 56, § 1º.
15 dias Antecedência do edital de convocação da assembleia, art. 36.
24 horas e 10 dias Entrega da procuração e da lista do sindicato, art. 37, §§ 4º e 6º.
25% de uma classe Pedido de convocação da assembleia por credores, art. 36, § 2º.
25% ou 35% Apoio ao plano alternativo, art. 56, § 6º, III.
Mais da metade e mais
de 1/3
Créditos presentes e votos na classe que rejeitou, para o cram down,
art. 58, § 1º.
5, 10 e 10 dias Termo de adesão antes da assembleia, oposição e resposta do devedor,
art. 56-A.
1 ano, até 2 Pagamento dos créditos trabalhistas, art. 54.
30 dias e 5 salários Créditos salariais dos 3 meses anteriores ao pedido, art. 54, § 1º.
2 anos Fiscalização judicial depois da concessão, art. 61.
150 salários mínimos Limite do crédito trabalhista na falência, art. 83, I.
Recuperação Judicial e Falência | Números que mais caem
18juiz conceder a recuperação com
base em plano rejeitado, desde que presentes, cumulativamente, os três requisitos. Por isso,
quando todos estão presentes, o juiz deve conceder. Além disso, o plano assim aprovado não
pode tratar de forma diferente os credores da classe que o rejeitou, art. 58, § 2º.
No REsp 1.337.989/SP, julgado em 2018 sob relatoria do
Ministro Luis Felipe Salomão, o STJ admitiu mitigar o inciso III quando um único credor domina
a classe e rejeita o plano de forma absoluta, sobrepondo-se ao interesse da comunhão de
credores. Desse julgado nasceu a ideia de cram down flexibilizado.
Ainda assim, o art. 39, § 6º, incluído em 2020, define que o
credor vota segundo seu interesse e sua conveniência, e o voto só será anulado por abuso
quando for exercido de forma manifesta para obter vantagem ilícita. Portanto, votar contra por
interesse econômico não é abuso, mas votar por má-fé ou para prejudicar é.
COMO CAI NA PROVA.
Os três requisitos do cram down são cumulativos. Se faltar um, em regra não há cram down,
salvo a flexibilização excepcional do credor que domina sozinho a classe.
Aprovação por termo de adesão
Até 5 dias antes da assembleia, o devedor pode comprovar a
aprovação do plano por termo de adesão assinado pelos credores, observado o quórum do art.
45, art. 56-A. Nesse caso, a assembleia é dispensada, e os credores têm 10 dias para oposição.
Havendo oposição, o devedor tem 10 dias para se manifestar e, em seguida, o administrador
opina em 5 dias. As oposições só podem tratar de quórum, procedimento, irregularidade do
termo ou ilegalidade do plano.
Termo de adesão
até 5 dias antes da
AGC
→ Oposição em 10 dias → Devedor em 10 dias → Administrador em 5
dias
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PEGADINHA.
As anotações indicam 5 dias para a manifestação do devedor. Pelo art. 56-A, § 2º, o devedor
tem 10 dias, e os 5 dias são do administrador judicial.
8 NÚMEROS QUE MAIS CAEM
Número O que é
2 anos Atividade regular mínima para pedir recuperação, art. 48.
5 anos Intervalo mínimo entre concessões, art. 48, II e III.
180 dias, mais 180 Stay period, prorrogável uma única vez, art. 6º, § 4º.
15 dias Habilitações e divergências ao administrador, art. 7º, § 1º.
45 dias Publicação da relação do administrador, art. 7º, § 2º.
10 dias Impugnação, art. 8º.
5 dias Contestação da impugnação, manifestação do devedor e do comitê e
parecer do administrador, arts. 11 e 12.
3 anos Decadência da habilitação retardatária na falência, art. 10, § 10.
60 dias Apresentação do plano pelo devedor, art. 53.
30 dias Objeção ao plano, art. 55, e apresentação do plano alternativo, art. 56,
§ 4º.
150 dias Realização da assembleia, art. 56, § 1º.
15 dias Antecedência do edital de convocação da assembleia, art. 36.
24 horas e 10 dias Entrega da procuração e da lista do sindicato, art. 37, §§ 4º e 6º.
25% de uma classe Pedido de convocação da assembleia por credores, art. 36, § 2º.
25% ou 35% Apoio ao plano alternativo, art. 56, § 6º, III.
Mais da metade e mais
de 1/3
Créditos presentes e votos na classe que rejeitou, para o cram down,
art. 58, § 1º.
5, 10 e 10 dias Termo de adesão antes da assembleia, oposição e resposta do devedor,
art. 56-A.
1 ano, até 2 Pagamento dos créditos trabalhistas, art. 54.
30 dias e 5 salários Créditos salariais dos 3 meses anteriores ao pedido, art. 54, § 1º.
2 anos Fiscalização judicial depois da concessão, art. 61.
150 salários mínimos Limite do crédito trabalhista na falência, art. 83, I.
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